Nova Tradução BibliaTodo · NTB-BR
NTB-BR-2026-11-04 · 2026-11-04

Bíblia Sagrada, Nova Tradução BibliaTodo (NTB-BR).
Publicada por BibliaTodo Bible Society, selo editorial da BibliaTodo LLC.
https://www.bibliatodo.org/pt/ntb-br/
História e fidelidade bíblica

Texto português NTB-BR © 2026 BibliaTodo LLC, quanto às suas próprias contribuições. Publicado por BibliaTodo Bible Society, selo editorial da BibliaTodo LLC.

Direção editorial

A Nova Tradução BibliaTodo é um projeto editorial da BibliaTodo, sob a direção de Carlos Colina. Esta apresentação identifica as bases textuais, os critérios e as decisões documentadas da edição portuguesa.

Como a tradução é preparada e revisada

As traduções da BibliaTodo são feitas a partir dos textos das Escrituras em hebraico, aramaico e grego. Nossa metodologia identifica as edições textuais que utilizamos.

A NTB-BR é redigida em português brasileiro a partir das línguas bíblicas, aproveitando a pesquisa editorial compartilhada com a NTBT espanhola. O cotejo considera o capítulo completo, a gramática, os sujeitos, as negações, as quantidades, as repetições e as imagens. Um português atual, reverente e literário serve à precisão: as narrativas devem ser claras, e a poesia, as orações e as passagens memoráveis devem conservar sua cadência e força. As explicações permanecem separadas do texto bíblico.

A fidelidade ao sentido do hebraico, do aramaico e do grego é o critério principal. A clareza não autoriza acrescentar explicações teológicas nem resolver ambiguidades que o texto e seu contexto preservam. As escolhas de tradução devem ser justificadas pelas línguas bíblicas; explicações, interpretações e aplicações são apresentadas separadamente no material de estudo.

Bases textuais e recursos de consulta

Para o Antigo Testamento, consulta-se a tradição massorética hebraica e aramaica na edição Westminster Leningrad Codex (WLC), junto aos recursos linguísticos da Open Scriptures Hebrew Bible (OSHB). As diferenças entre a forma escrita e a leitura transmitida, conhecidas como ketiv e qere, são examinadas em contexto. O aramaico é consultado nas passagens que pertencem efetivamente a essa língua.

Para o Novo Testamento, a principal base grega é o SBL Greek New Testament (SBLGNT), editado por Michael W. Holmes, versão 1.2. O texto interlinear, a morfologia e os recursos lexicais apoiam o exame do texto; uma glosa isolada não substitui seu sentido em contexto. Essas edições dão acesso aos textos em suas línguas originais, transmitidos pela tradição manuscrita.

Como são tratadas as variantes textuais

Uma variante textual é uma diferença de leitura entre testemunhos do texto. Distingue-se de uma escolha para expressar a mesma leitura em português e de diferenças de pontuação ou numeração. A principal edição grega contém as decisões críticas de seu editor; as exceções adotadas pela NTB-BR são documentadas separadamente.

O exame de uma leitura considera a evidência textual consultada, a gramática e o contexto. Uma frase familiar, a antiguidade de um testemunho, a quantidade de cópias ou uma preferência interpretativa não determinam, por si sós, a decisão. As passagens não são harmonizadas mediante alterações silenciosas de nomes, quantidades ou afirmações do texto.

No Novo Testamento, a NTB-BR conserva certas leituras adicionais documentadas no grego do interlinear de referência, embora não apareçam no texto principal do SBLGNT. Os versículos completos conservados segundo essa convenção ficam entre colchetes; Marcos 16:9–20 também recebe essa marca. Os colchetes identificam essas decisões editoriais e não constituem um inventário exaustivo de todas as variantes textuais da Bíblia.

Exemplos de decisões textuais

Mateus 18:11. A NTB-BR conserva a leitura grega complementar registrada no interlinear de referência e coloca o versículo inteiro entre colchetes. A leitura é traduzida do grego e distinguida do texto principal do SBLGNT.

Marcos 16:9–20. O final longo do Evangelho, impresso com marcação crítica no SBLGNT, é conservado, com cada versículo completo entre colchetes. O final breve adicional impresso depois de Marcos 16:8 nessa edição não é incorporado à NTB-BR.

Mateus 1:7. Asaf na NTBT espanhola, Asaph na BTNT inglesa e Asafe na NTB-BR expressam, em cada língua, a leitura conservada na base grega. Substituí-la por Asa seria adotar outra leitura, e não apenas adaptar o nome ao português. A familiaridade com uma genealogia não justifica, por si só, essa mudança.

João 7:53–8:11. A NTB-BR conserva o relato inteiro e sua convenção atual de colchetes. O SBLGNT imprime essa unidade entre colchetes duplos; vários testemunhos gregos antigos que preservam esse trecho não a contêm, enquanto outros a situam em lugares diferentes. As instruções para os futuros estudos exigem que as notas de João 7:53 e 8:1 expliquem essa questão de transmissão, sem confundi-la com escolhas de redação nem com uma conclusão automática sobre a historicidade do relato. Estudos em português só serão oferecidos depois de completos e verificados.

Romanos 16:25–27. A NTB-BR conserva essa doxologia entre colchetes a partir da leitura grega complementar documentada. Ela não faz parte do corpo da edição SBLGNT consultada. Essa diferença é explicada separadamente de João 7:53–8:11 e das escolhas de pontuação.

Salmos 22:16 (22:17 na numeração hebraica de WLC/OSHB): a leitura massorética é כָּאֲרִי (kaʾarí), “como um leão”, seguida de “minhas mãos e meus pés”. A NTB-BR preserva essa imagem. O segmento hebraico não repete um verbo junto dessas palavras; “cercam” explicita a ação do contexto anterior. A NTBT faz o mesmo em espanhol, e a BTNT conserva a construção elíptica. Identificar a leitura adotada não encerra toda a discussão textual.

Hebreus 2:9: SBLGNT apresenta χωρὶς θεοῦ (chōrís theoû), “à parte de Deus”; as três traduções mantêm essa leitura. “Pela graça de Deus” corresponde a χάριτι θεοῦ (cháriti theoû), uma leitura diferente. A escolha grega pertence a SBLGNT; a redação em cada idioma é responsabilidade da BibliaTodo.

Parágrafos, poesia e numeração

Os parágrafos narrativos, as linhas poéticas e as estrofes são descritos por uma estrutura de capítulo compartilhada pelos leitores e pelas exportações. As introduções narrativas dos poemas distinguem-se do discurso poético. Os títulos antigos dos Salmos, quando presentes na edição, distinguem-se dos títulos editoriais e são identificados com d em USFM e USX.

Salmos 47:9 e 47:10 permanecem dois versículos. Juntos correspondem ao encerramento de Salmos 47:10 na numeração hebraica, que conta o título como versículo 1. A diferença de divisão não omite conteúdo. Cada entrega identifica sua data de corte separadamente do número do catálogo e da licença.

As Escrituras transmitidas através dos séculos

A história manuscrita do Novo Testamento inclui fragmentos antigos, como o Papiro Rylands 52, tradicionalmente datado do século II, e importantes códices, como o Sinaítico e o Vaticano, do século IV. Esses testemunhos ajudam os estudiosos a examinar a transmissão do texto grego através dos séculos.

Para o Antigo Testamento, a tradição massorética preserva o texto hebraico e as passagens aramaicas. O Códice de Leningrado, do século XI, é um testemunho completo fundamental. A antiguidade de um manuscrito e seu valor para uma passagem são considerados junto aos demais testemunhos disponíveis.

Os testemunhos manuscritos oferecem o contexto histórico dessas edições textuais. Sua menção não atribui ao projeto um exame independente de cada códice nem uma reconstrução crítica própria de toda a tradição manuscrita. A documentação editorial distingue as fontes efetivamente consultadas das informações históricas sobre a transmissão.

Por que compartilhamos gratuitamente nossas traduções

Em seu livro Cómo escuchar la voz audible de Dios (Como ouvir a voz audível de Deus), Carlos Colina, fundador da BibliaTodo, relata que, em dezembro de 2021, o Senhor lhe mostrou em uma visão um acontecimento futuro: sua própria morte e chegada ao reino dos céus.

Nessa visão, ele se encontrava em um lugar semelhante a um estádio imenso, repleto de uma multidão de milhões de pessoas louvando a Deus. Então se fez silêncio. Um anjo se levantou, com um livro na mão, e começou a chamar nomes. Os que eram chamados se levantavam em meio à multidão.

Quando o anjo chamou outro nome, Carlos viu um homem se levantar. Podia ver seu rosto, embora não o conhecesse nem soubesse quem era. Então ouviu estas palavras do anjo:

«Cedeu os direitos autorais do filme JESUS, por meio do qual milhões de almas foram alcançadas para o Reino dos Céus».

Depois de despertar da visão, pesquisou sobre o filme e relacionou o homem a Bill Bright, fundador da Campus Crusade for Christ (hoje Cru), que ajudou a levar o filme JESUS (1979) ao público. Entendeu que aquele homem poderia ter obtido uma renda considerável, mas havia escolhido acumular tesouros no reino dos céus.

Carlos compartilha essa experiência como seu testemunho pessoal e relaciona a lição recebida com sua decisão de colocar o trabalho das traduções BibliaTodo a serviço da propagação do evangelho: servir generosamente a Jesus Cristo e ajudar outras pessoas a conhecer sua Palavra.

Nosso maior desejo é que mais pessoas conheçam Jesus Cristo por meio das Escrituras. Por isso autorizamos gratuitamente a reprodução e a distribuição de nossas traduções, para fins comerciais ou sem fins lucrativos, sem royalties, comissões ou taxas de licença.

Você pode copiar, imprimir, doar, publicar, distribuir e vender essas traduções em formatos físicos e digitais, incluindo sites, aplicativos e plataformas comerciais. Também pode criar projetos próprios, como Bíblias para colorir, edições ilustradas, Bíblias com espaço para anotações pessoais ou edições acompanhadas de material de estudo. Preserve a redação bíblica e sua atribuição, distinguindo claramente seus comentários e outros acréscimos.

A integração e a distribuição exigem cadastro gratuito e verificação do e-mail; a autorização é automática após essas etapas. Vender uma edição ou usar um projeto gráfico próprio em conformidade com o acordo não é motivo para a BibliaTodo exigir sua retirada. Os usos autorizados não geram royalties, comissões ou taxas de licença a pagar à BibliaTodo.

Revisão contínua e atualizações

Cada idioma tem sua própria redação a partir das línguas bíblicas e aproveita a pesquisa editorial compartilhada. Propostas de melhoria serão avaliadas pelo cotejo do original e do contexto. Especialistas com formação verificada serão creditados somente pelos capítulos e revisões efetivamente realizados; uma alternativa igualmente fiel não obriga a mudar uma tradução acertada.

Cada entrega é identificada pela data de corte, distinta da primeira publicação e da versão da licença. Responsáveis cadastrados podem optar por avisos editoriais e cancelá-los sem perder a autorização. A publicação e os avisos exigem verificação e aprovação editorial; o histórico e as descargas oficiais identificam a entrega disponível.

Edições de referência e reconhecimentos documentais

Entre os testemunhos antigos da transmissão do Novo Testamento estão o Papiro Rylands 52 (P52), fragmento do Evangelho de João tradicionalmente situado no século II, cuja datação paleográfica permanece em estudo, e os códices Sinaítico e Vaticano, do século IV. Esses manuscritos documentam a história do texto; as edições identificadas a seguir apoiam o cotejo nas línguas bíblicas.

Antigo Testamento: o texto massorético hebraico e aramaico na edição Westminster Leningrad Codex (WLC), consultado junto aos recursos linguísticos da Open Scriptures Hebrew Bible (OSHB).

Novo Testamento: o SBL Greek New Testament (SBLGNT), editado por Michael W. Holmes, versão 1.2, utilizado no cotejo do grego. As decisões de redação e estilo do texto português da NTB-BR pertencem ao seu próprio trabalho editorial.

Reconhecimento da edição grega consultada: SBL Greek New Testament © 2010 Society of Biblical Literature e Logos Bible Software, sob CC BY 4.0. Este aviso se refere àquela edição grega; os direitos sobre as contribuições originais do texto português da NTB-BR pertencem à BibliaTodo LLC.

Obra original da Open Scriptures Hebrew Bible disponível em https://github.com/openscriptures/morphhb

As licenças abertas dessas edições permitem seu uso com atribuição, inclusive comercial. A identificação documental é compatível com a autorização gratuita de distribuição da NTB-BR e não implica que essas organizações publiquem, patrocinem ou certifiquem esta tradução.

Edição grega SBLGNT e licença: https://www.sblgnt.com/license/

OSHB: reconhecimento e licença CC BY 4.0: https://github.com/openscriptures/morphhb/blob/master/LICENSE.md

Creative Commons Atribuição 4.0: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Texto jurídico da CC BY 4.0: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode

Introdução e critérios textuais da edição SBLGNT: https://www.sblgnt.com/about/introduction/

WLC / OSHB · Salmos 22: https://github.com/openscriptures/morphhb/blob/master/wlc/Ps.xml

SBLGNT · Hebrews 2:9: https://github.com/LogosBible/SBLGNT/blob/master/data/sblgnt/text/Heb.txt

Atualizações e identificação de entregas: https://www.bibliatodo.org/pt/ntb-br/actualizaciones.php

Também disponível em outros idiomas
Español · Nueva Traducción BibliaTodo (NTBT)
Texto bíblico · PDF: https://cdn.bibliatodo.com/ntbt/texto/NTBT.pdf
Texto bíblico · EPUB: https://cdn.bibliatodo.com/ntbt/texto/NTBT.epub
Edição com estudo completo · PDF: https://cdn.bibliatodo.com/ntbt/estudio/NTBT.pdf
Edição com estudo completo · EPUB: https://cdn.bibliatodo.com/ntbt/estudio/NTBT.epub
Todos os formatos: https://www.bibliatodo.org/es/ntbt/materiales.html
English · BibliaTodo New Translation (BTNT)
Texto bíblico · PDF: https://cdn.bibliatodo.com/ntbt/en/texto/BTNT.pdf
Texto bíblico · EPUB: https://cdn.bibliatodo.com/ntbt/en/texto/BTNT.epub
Todos os formatos: https://www.bibliatodo.org/en/btnt/materiales.html

Por que compartilhamos gratuitamente nossas traduções
Nosso maior desejo é que mais pessoas conheçam Jesus Cristo por meio das Escrituras. Por isso autorizamos gratuitamente a reprodução e a distribuição de nossas traduções, para fins comerciais ou sem fins lucrativos, sem royalties, comissões ou taxas de licença.
Você pode copiar, imprimir, doar, publicar, distribuir e vender essas traduções em formatos físicos e digitais, incluindo sites, aplicativos e plataformas comerciais. Também pode criar projetos próprios, como Bíblias para colorir, edições ilustradas, Bíblias com espaço para anotações pessoais ou edições acompanhadas de material de estudo. Preserve a redação bíblica e sua atribuição, distinguindo claramente seus comentários e outros acréscimos.
A integração e a distribuição exigem cadastro gratuito e verificação do e-mail; a autorização é automática após essas etapas. Vender uma edição ou usar um projeto gráfico próprio em conformidade com o acordo não é motivo para a BibliaTodo exigir sua retirada. Os usos autorizados não geram royalties, comissões ou taxas de licença a pagar à BibliaTodo.
https://www.bibliatodo.org/pt/ntb-br/creditos.html#sharing

História e fidelidade bíblica

Texto português NTB-BR © 2026 BibliaTodo LLC, quanto às suas próprias contribuições. Publicado por BibliaTodo Bible Society, selo editorial da BibliaTodo LLC.

Direção editorial

A Nova Tradução BibliaTodo é um projeto editorial da BibliaTodo, sob a direção de Carlos Colina. Esta apresentação identifica as bases textuais, os critérios e as decisões documentadas da edição portuguesa.

Como a tradução é preparada e revisada

As traduções da BibliaTodo são feitas a partir dos textos das Escrituras em hebraico, aramaico e grego. Nossa metodologia identifica as edições textuais que utilizamos.

A NTB-BR é redigida em português brasileiro a partir das línguas bíblicas, aproveitando a pesquisa editorial compartilhada com a NTBT espanhola. O cotejo considera o capítulo completo, a gramática, os sujeitos, as negações, as quantidades, as repetições e as imagens. Um português atual, reverente e literário serve à precisão: as narrativas devem ser claras, e a poesia, as orações e as passagens memoráveis devem conservar sua cadência e força. As explicações permanecem separadas do texto bíblico.

A fidelidade ao sentido do hebraico, do aramaico e do grego é o critério principal. A clareza não autoriza acrescentar explicações teológicas nem resolver ambiguidades que o texto e seu contexto preservam. As escolhas de tradução devem ser justificadas pelas línguas bíblicas; explicações, interpretações e aplicações são apresentadas separadamente no material de estudo.

Bases textuais e recursos de consulta

Para o Antigo Testamento, consulta-se a tradição massorética hebraica e aramaica na edição Westminster Leningrad Codex (WLC), junto aos recursos linguísticos da Open Scriptures Hebrew Bible (OSHB). As diferenças entre a forma escrita e a leitura transmitida, conhecidas como ketiv e qere, são examinadas em contexto. O aramaico é consultado nas passagens que pertencem efetivamente a essa língua.

Para o Novo Testamento, a principal base grega é o SBL Greek New Testament (SBLGNT), editado por Michael W. Holmes, versão 1.2. O texto interlinear, a morfologia e os recursos lexicais apoiam o exame do texto; uma glosa isolada não substitui seu sentido em contexto. Essas edições dão acesso aos textos em suas línguas originais, transmitidos pela tradição manuscrita.

Como são tratadas as variantes textuais

Uma variante textual é uma diferença de leitura entre testemunhos do texto. Distingue-se de uma escolha para expressar a mesma leitura em português e de diferenças de pontuação ou numeração. A principal edição grega contém as decisões críticas de seu editor; as exceções adotadas pela NTB-BR são documentadas separadamente.

O exame de uma leitura considera a evidência textual consultada, a gramática e o contexto. Uma frase familiar, a antiguidade de um testemunho, a quantidade de cópias ou uma preferência interpretativa não determinam, por si sós, a decisão. As passagens não são harmonizadas mediante alterações silenciosas de nomes, quantidades ou afirmações do texto.

No Novo Testamento, a NTB-BR conserva certas leituras adicionais documentadas no grego do interlinear de referência, embora não apareçam no texto principal do SBLGNT. Os versículos completos conservados segundo essa convenção ficam entre colchetes; Marcos 16:9–20 também recebe essa marca. Os colchetes identificam essas decisões editoriais e não constituem um inventário exaustivo de todas as variantes textuais da Bíblia.

Exemplos de decisões textuais

Mateus 18:11. A NTB-BR conserva a leitura grega complementar registrada no interlinear de referência e coloca o versículo inteiro entre colchetes. A leitura é traduzida do grego e distinguida do texto principal do SBLGNT.

Marcos 16:9–20. O final longo do Evangelho, impresso com marcação crítica no SBLGNT, é conservado, com cada versículo completo entre colchetes. O final breve adicional impresso depois de Marcos 16:8 nessa edição não é incorporado à NTB-BR.

Mateus 1:7. Asaf na NTBT espanhola, Asaph na BTNT inglesa e Asafe na NTB-BR expressam, em cada língua, a leitura conservada na base grega. Substituí-la por Asa seria adotar outra leitura, e não apenas adaptar o nome ao português. A familiaridade com uma genealogia não justifica, por si só, essa mudança.

João 7:53–8:11. A NTB-BR conserva o relato inteiro e sua convenção atual de colchetes. O SBLGNT imprime essa unidade entre colchetes duplos; vários testemunhos gregos antigos que preservam esse trecho não a contêm, enquanto outros a situam em lugares diferentes. As instruções para os futuros estudos exigem que as notas de João 7:53 e 8:1 expliquem essa questão de transmissão, sem confundi-la com escolhas de redação nem com uma conclusão automática sobre a historicidade do relato. Estudos em português só serão oferecidos depois de completos e verificados.

Romanos 16:25–27. A NTB-BR conserva essa doxologia entre colchetes a partir da leitura grega complementar documentada. Ela não faz parte do corpo da edição SBLGNT consultada. Essa diferença é explicada separadamente de João 7:53–8:11 e das escolhas de pontuação.

Salmos 22:16 (22:17 na numeração hebraica de WLC/OSHB): a leitura massorética é כָּאֲרִי (kaʾarí), “como um leão”, seguida de “minhas mãos e meus pés”. A NTB-BR preserva essa imagem. O segmento hebraico não repete um verbo junto dessas palavras; “cercam” explicita a ação do contexto anterior. A NTBT faz o mesmo em espanhol, e a BTNT conserva a construção elíptica. Identificar a leitura adotada não encerra toda a discussão textual.

Hebreus 2:9: SBLGNT apresenta χωρὶς θεοῦ (chōrís theoû), “à parte de Deus”; as três traduções mantêm essa leitura. “Pela graça de Deus” corresponde a χάριτι θεοῦ (cháriti theoû), uma leitura diferente. A escolha grega pertence a SBLGNT; a redação em cada idioma é responsabilidade da BibliaTodo.

Parágrafos, poesia e numeração

Os parágrafos narrativos, as linhas poéticas e as estrofes são descritos por uma estrutura de capítulo compartilhada pelos leitores e pelas exportações. As introduções narrativas dos poemas distinguem-se do discurso poético. Os títulos antigos dos Salmos, quando presentes na edição, distinguem-se dos títulos editoriais e são identificados com d em USFM e USX.

Salmos 47:9 e 47:10 permanecem dois versículos. Juntos correspondem ao encerramento de Salmos 47:10 na numeração hebraica, que conta o título como versículo 1. A diferença de divisão não omite conteúdo. Cada entrega identifica sua data de corte separadamente do número do catálogo e da licença.

As Escrituras transmitidas através dos séculos

A história manuscrita do Novo Testamento inclui fragmentos antigos, como o Papiro Rylands 52, tradicionalmente datado do século II, e importantes códices, como o Sinaítico e o Vaticano, do século IV. Esses testemunhos ajudam os estudiosos a examinar a transmissão do texto grego através dos séculos.

Para o Antigo Testamento, a tradição massorética preserva o texto hebraico e as passagens aramaicas. O Códice de Leningrado, do século XI, é um testemunho completo fundamental. A antiguidade de um manuscrito e seu valor para uma passagem são considerados junto aos demais testemunhos disponíveis.

Os testemunhos manuscritos oferecem o contexto histórico dessas edições textuais. Sua menção não atribui ao projeto um exame independente de cada códice nem uma reconstrução crítica própria de toda a tradição manuscrita. A documentação editorial distingue as fontes efetivamente consultadas das informações históricas sobre a transmissão.

Por que compartilhamos gratuitamente nossas traduções

Em seu livro Cómo escuchar la voz audible de Dios (Como ouvir a voz audível de Deus), Carlos Colina, fundador da BibliaTodo, relata que, em dezembro de 2021, o Senhor lhe mostrou em uma visão um acontecimento futuro: sua própria morte e chegada ao reino dos céus.

Nessa visão, ele se encontrava em um lugar semelhante a um estádio imenso, repleto de uma multidão de milhões de pessoas louvando a Deus. Então se fez silêncio. Um anjo se levantou, com um livro na mão, e começou a chamar nomes. Os que eram chamados se levantavam em meio à multidão.

Quando o anjo chamou outro nome, Carlos viu um homem se levantar. Podia ver seu rosto, embora não o conhecesse nem soubesse quem era. Então ouviu estas palavras do anjo:

«Cedeu os direitos autorais do filme JESUS, por meio do qual milhões de almas foram alcançadas para o Reino dos Céus».

Depois de despertar da visão, pesquisou sobre o filme e relacionou o homem a Bill Bright, fundador da Campus Crusade for Christ (hoje Cru), que ajudou a levar o filme JESUS (1979) ao público. Entendeu que aquele homem poderia ter obtido uma renda considerável, mas havia escolhido acumular tesouros no reino dos céus.

Carlos compartilha essa experiência como seu testemunho pessoal e relaciona a lição recebida com sua decisão de colocar o trabalho das traduções BibliaTodo a serviço da propagação do evangelho: servir generosamente a Jesus Cristo e ajudar outras pessoas a conhecer sua Palavra.

Nosso maior desejo é que mais pessoas conheçam Jesus Cristo por meio das Escrituras. Por isso autorizamos gratuitamente a reprodução e a distribuição de nossas traduções, para fins comerciais ou sem fins lucrativos, sem royalties, comissões ou taxas de licença.

Você pode copiar, imprimir, doar, publicar, distribuir e vender essas traduções em formatos físicos e digitais, incluindo sites, aplicativos e plataformas comerciais. Também pode criar projetos próprios, como Bíblias para colorir, edições ilustradas, Bíblias com espaço para anotações pessoais ou edições acompanhadas de material de estudo. Preserve a redação bíblica e sua atribuição, distinguindo claramente seus comentários e outros acréscimos.

A integração e a distribuição exigem cadastro gratuito e verificação do e-mail; a autorização é automática após essas etapas. Vender uma edição ou usar um projeto gráfico próprio em conformidade com o acordo não é motivo para a BibliaTodo exigir sua retirada. Os usos autorizados não geram royalties, comissões ou taxas de licença a pagar à BibliaTodo.

Revisão contínua e atualizações

Cada idioma tem sua própria redação a partir das línguas bíblicas e aproveita a pesquisa editorial compartilhada. Propostas de melhoria serão avaliadas pelo cotejo do original e do contexto. Especialistas com formação verificada serão creditados somente pelos capítulos e revisões efetivamente realizados; uma alternativa igualmente fiel não obriga a mudar uma tradução acertada.

Cada entrega é identificada pela data de corte, distinta da primeira publicação e da versão da licença. Responsáveis cadastrados podem optar por avisos editoriais e cancelá-los sem perder a autorização. A publicação e os avisos exigem verificação e aprovação editorial; o histórico e as descargas oficiais identificam a entrega disponível.

Edições de referência e reconhecimentos documentais

Entre os testemunhos antigos da transmissão do Novo Testamento estão o Papiro Rylands 52 (P52), fragmento do Evangelho de João tradicionalmente situado no século II, cuja datação paleográfica permanece em estudo, e os códices Sinaítico e Vaticano, do século IV. Esses manuscritos documentam a história do texto; as edições identificadas a seguir apoiam o cotejo nas línguas bíblicas.

Antigo Testamento: o texto massorético hebraico e aramaico na edição Westminster Leningrad Codex (WLC), consultado junto aos recursos linguísticos da Open Scriptures Hebrew Bible (OSHB).

Novo Testamento: o SBL Greek New Testament (SBLGNT), editado por Michael W. Holmes, versão 1.2, utilizado no cotejo do grego. As decisões de redação e estilo do texto português da NTB-BR pertencem ao seu próprio trabalho editorial.

Reconhecimento da edição grega consultada: SBL Greek New Testament © 2010 Society of Biblical Literature e Logos Bible Software, sob CC BY 4.0. Este aviso se refere àquela edição grega; os direitos sobre as contribuições originais do texto português da NTB-BR pertencem à BibliaTodo LLC.

Obra original da Open Scriptures Hebrew Bible disponível em https://github.com/openscriptures/morphhb

As licenças abertas dessas edições permitem seu uso com atribuição, inclusive comercial. A identificação documental é compatível com a autorização gratuita de distribuição da NTB-BR e não implica que essas organizações publiquem, patrocinem ou certifiquem esta tradução.

Edição grega SBLGNT e licença: https://www.sblgnt.com/license/

OSHB: reconhecimento e licença CC BY 4.0: https://github.com/openscriptures/morphhb/blob/master/LICENSE.md

Creative Commons Atribuição 4.0: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/

Texto jurídico da CC BY 4.0: https://creativecommons.org/licenses/by/4.0/legalcode

Introdução e critérios textuais da edição SBLGNT: https://www.sblgnt.com/about/introduction/

WLC / OSHB · Salmos 22: https://github.com/openscriptures/morphhb/blob/master/wlc/Ps.xml

SBLGNT · Hebrews 2:9: https://github.com/LogosBible/SBLGNT/blob/master/data/sblgnt/text/Heb.txt

Atualizações e identificação de entregas: https://www.bibliatodo.org/pt/ntb-br/updates

Também disponível em outros idiomas
Español · Nueva Traducción BibliaTodo (NTBT)
Texto bíblico · PDF: https://downloads.bibliatodo.org/texto/NTBT.pdf
Texto bíblico · EPUB: https://downloads.bibliatodo.org/texto/NTBT.epub
Edição com estudo completo · PDF: https://downloads.bibliatodo.org/estudio/NTBT.pdf
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GÊNESIS

Capítulo 1
1:1 No princípio, Deus criou os céus e a terra.
1:2 A terra era sem forma e vazia; as trevas cobriam a superfície do abismo, e o Espírito de Deus pairava sobre as águas.
1:3 Deus disse: “Haja luz”. E houve luz.
1:4 Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas.
1:5 Deus chamou à luz “dia” e às trevas chamou “noite”. Houve tarde e houve manhã: um dia.
1:6 Deus disse: “Haja um firmamento entre as águas, para separar umas águas das outras”.
1:7 Deus fez o firmamento e separou as águas que estavam debaixo do firmamento das que estavam acima dele. E assim aconteceu.
1:8 Deus chamou ao firmamento “céus”. Houve tarde e houve manhã: o segundo dia.
1:9 Deus disse: “Reúnam-se as águas debaixo dos céus em um só lugar, e apareça a parte seca”. E assim aconteceu.
1:10 Deus chamou à parte seca “terra” e às águas reunidas chamou “mares”. E Deus viu que isso era bom.
1:11 Deus disse: “Que a terra produza vegetação: plantas que deem sementes e árvores frutíferas que deem frutos segundo a sua espécie, com sementes nos frutos, sobre a terra”. E assim aconteceu.
1:12 A terra produziu vegetação: plantas que davam sementes segundo a sua espécie e árvores que davam frutos com sementes, segundo a sua espécie. E Deus viu que isso era bom.
1:13 Houve tarde e houve manhã: o terceiro dia.
1:14 Deus disse: “Haja luminares no firmamento dos céus para separar o dia da noite. Que sirvam de sinais para marcar os tempos determinados, os dias e os anos,
1:15 e que sejam luminares no firmamento dos céus para iluminar a terra”. E assim aconteceu.
1:16 Deus fez os dois grandes luminares: o maior para governar o dia e o menor para governar a noite. Fez também as estrelas.
1:17 Deus os colocou no firmamento dos céus para iluminar a terra,
1:18 para governar o dia e a noite e para separar a luz das trevas. E Deus viu que isso era bom.
1:19 Houve tarde e houve manhã: o quarto dia.
1:20 Deus disse: “Que as águas fervilhem de seres vivos, e que as aves voem sobre a terra, diante do firmamento dos céus”.
1:21 Deus criou as grandes criaturas marinhas e todos os seres vivos que se movem e que povoam as águas, segundo as suas espécies, e todas as aves aladas, segundo as suas espécies. E Deus viu que isso era bom.
1:22 Deus os abençoou, dizendo: “Sejam fecundos, multipliquem-se e encham as águas dos mares. E que as aves se multipliquem na terra”.
1:23 Houve tarde e houve manhã: o quinto dia.
1:24 Deus disse: “Que a terra produza seres vivos segundo as suas espécies: animais domésticos, animais que rastejam e animais selvagens, segundo as suas espécies”. E assim aconteceu.
1:25 Deus fez os animais selvagens segundo as suas espécies, os animais domésticos segundo as suas espécies e todos os animais que rastejam pelo solo segundo as suas espécies. E Deus viu que isso era bom.
1:26 Deus disse: “Façamos os seres humanos à nossa imagem, conforme a nossa semelhança. Que dominem sobre os peixes do mar, as aves dos céus, os animais domésticos, toda a terra e todos os animais que rastejam sobre a terra”.
1:27 Deus criou o ser humano à sua imagem;
   à imagem de Deus o criou;
   homem e mulher os criou.
1:28 Deus os abençoou e lhes disse: “Sejam fecundos, multipliquem-se, encham a terra e a sujeitem. Dominem sobre os peixes do mar, as aves dos céus e todos os seres vivos que se movem sobre a terra”.
1:29 Deus disse: “Eu lhes dou todas as plantas que produzem sementes sobre toda a terra e todas as árvores com frutos que contêm sementes. Servirão de alimento para vocês.
1:30 E a todos os animais da terra, a todas as aves dos céus e a tudo o que se move sobre a terra e tem vida, dou todas as plantas verdes como alimento”. E assim aconteceu.
1:31 Deus viu tudo o que havia feito, e era muito bom. Houve tarde e houve manhã: o sexto dia.

Capítulo 2
2:1 Assim foram concluídos os céus e a terra e todo o seu exército.
2:2 No sétimo dia, Deus concluiu a obra que havia feito e, nesse dia, descansou de toda a sua obra.
2:3 Deus abençoou o sétimo dia e o santificou, porque nele descansou de toda a obra que havia criado e realizado.
2:4 Esta é a história dos céus e da terra quando foram criados. Quando o SENHOR Deus fez a terra e os céus,
2:5 ainda não havia nenhum arbusto do campo na terra, nem havia brotado nenhuma planta do campo, pois o SENHOR Deus ainda não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para cultivar o solo.
2:6 Uma neblina subia da terra e regava toda a superfície do solo.
2:7 Então o SENHOR Deus formou o homem do pó da terra e soprou em suas narinas o fôlego de vida; e o homem tornou-se um ser vivo.
2:8 O SENHOR Deus plantou um jardim no Éden, a leste, e colocou ali o homem que havia formado.
2:9 O SENHOR Deus fez brotar do solo toda espécie de árvore agradável à vista e boa para alimento, a árvore da vida no meio do jardim e a árvore do conhecimento do bem e do mal.
2:10 Do Éden saía um rio para regar o jardim; dali ele se dividia em quatro braços.
2:11 O nome do primeiro é Pisom; ele contorna toda a terra de Havilá, onde há ouro.
2:12 O ouro daquela terra é bom; ali também há bdélio e pedra de ônix.
2:13 O nome do segundo rio é Giom; ele contorna toda a terra de Cuxe.
2:14 O nome do terceiro rio é Tigre; ele corre a leste da Assíria. E o quarto rio é o Eufrates.
2:15 O SENHOR Deus tomou o homem e o colocou no jardim do Éden para que o cultivasse e cuidasse dele.
2:16 E o SENHOR Deus deu esta ordem ao homem: “Você pode comer livremente de todas as árvores do jardim,
2:17 mas não coma da árvore do conhecimento do bem e do mal, porque, no dia em que dela comer, certamente morrerá”.
2:18 O SENHOR Deus disse: “Não é bom que o homem esteja só. Farei para ele uma auxiliadora que lhe corresponda”.
2:19 O SENHOR Deus formou do solo todos os animais do campo e todas as aves dos céus e os levou ao homem para ver como ele os chamaria. O nome que o homem deu a cada ser vivo, esse é o seu nome.
2:20 O homem deu nomes a todos os animais domésticos, às aves dos céus e a todos os animais do campo. Mas para o homem não se encontrou uma auxiliadora que lhe correspondesse.
2:21 Então o SENHOR Deus fez cair um sono profundo sobre o homem, e ele adormeceu. Deus tomou uma de suas costelas e fechou a carne no lugar dela.
2:22 Da costela que havia tomado do homem, o SENHOR Deus formou uma mulher e a levou ao homem.
2:23 O homem disse: “Esta, sim, é osso dos meus ossos e carne da minha carne. Ela será chamada mulher, porque do homem foi tirada”.
2:24 Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe, se unirá à sua mulher, e eles serão uma só carne.
2:25 O homem e sua mulher estavam nus, e não sentiam vergonha.

Capítulo 3
3:1 A serpente era mais astuta que todos os animais do campo que o SENHOR Deus havia feito. Ela perguntou à mulher: “Foi isso mesmo que Deus disse: ‘Vocês não devem comer de nenhuma árvore do jardim’?”
3:2 A mulher respondeu à serpente: “Podemos comer dos frutos das árvores do jardim,
3:3 mas, quanto ao fruto da árvore que está no meio do jardim, Deus disse: ‘Vocês não devem comer dele nem tocar nele, para que não morram’”.
3:4 A serpente disse à mulher: “Vocês certamente não morrerão!
3:5 Pois Deus sabe que, no dia em que comerem desse fruto, os olhos de vocês se abrirão, e vocês serão como Deus, conhecendo o bem e o mal”.
3:6 A mulher viu que a árvore era boa para alimento, agradável aos olhos e desejável para adquirir sabedoria. Tomou do seu fruto e comeu. Deu também ao marido, que estava com ela, e ele comeu.
3:7 Então os olhos dos dois se abriram, e perceberam que estavam nus. Costuraram folhas de figueira e fizeram cintas para se cobrir.
3:8 Ao ouvirem o som do SENHOR Deus caminhando pelo jardim na brisa do dia, o homem e sua mulher se esconderam da presença do SENHOR Deus entre as árvores do jardim.
3:9 O SENHOR Deus chamou o homem e lhe perguntou: “Onde você está?”
3:10 Ele respondeu: “Ouvi a tua voz no jardim e tive medo, porque estava nu; por isso me escondi”.
3:11 Deus perguntou: “Quem lhe disse que você estava nu? Você comeu da árvore da qual eu lhe ordenei que não comesse?”
3:12 O homem respondeu: “A mulher que me deste para estar comigo me deu do fruto da árvore, e eu comi”.
3:13 O SENHOR Deus perguntou à mulher: “O que foi que você fez?” A mulher respondeu: “A serpente me enganou, e eu comi”.
3:14 Então o SENHOR Deus disse à serpente:
 “Por ter feito isso, você é maldita mais que todos os animais domésticos e todos os animais do campo.
   Você rastejará sobre o ventre e comerá pó todos os dias da sua vida.
3:15 Porei inimizade entre você e a mulher, entre a sua descendência e a descendência dela.
   A descendência dela lhe ferirá a cabeça, e você lhe ferirá o calcanhar”.

3:16 À mulher ele disse:
 “Aumentarei muito as dores da sua gravidez;
   com dor você dará à luz filhos.
   Seu desejo será para o seu marido, e ele a dominará”.

3:17 Ao homem ele disse:
 “Porque você deu ouvidos à sua mulher e comeu da árvore da qual eu lhe ordenei: ‘Não coma dela’, maldita é a terra por sua causa.
   Com penoso trabalho você tirará dela o seu alimento todos os dias da sua vida.
3:18 Ela produzirá espinhos e cardos para você, e você comerá as plantas do campo.
3:19 Com o suor do seu rosto você comerá o pão, até voltar à terra, pois dela foi tirado.
   Porque você é pó, e ao pó voltará”.
3:20 O homem deu à sua mulher o nome de Eva, porque ela era a mãe de todos os viventes.
3:21 O SENHOR Deus fez túnicas de pele para o homem e sua mulher e os vestiu.
3:22 O SENHOR Deus disse: “Agora o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Que ele não estenda a mão e tome também da árvore da vida, coma e viva para sempre”.
3:23 Por isso, o SENHOR Deus o mandou para fora do jardim do Éden, para cultivar o solo do qual havia sido tirado.
3:24 Ele expulsou o homem e colocou a leste do jardim do Éden os querubins e a chama de uma espada que girava em todas as direções, para guardar o caminho da árvore da vida.

Capítulo 4
4:1 Adão teve relações com Eva, sua mulher. Ela engravidou e deu à luz Caim, e disse: “Com a ajuda do SENHOR, tive um filho”.
4:2 Depois deu à luz Abel, irmão de Caim. Abel tornou-se pastor de ovelhas, e Caim, lavrador.
4:3 Passado algum tempo, Caim levou ao SENHOR uma oferta dos frutos da terra.
4:4 Abel também levou uma oferta: as primeiras crias do seu rebanho e a gordura delas. O SENHOR olhou com agrado para Abel e para a sua oferta,
4:5 mas não olhou com agrado para Caim e para a sua oferta. Caim ficou muito irado, e seu semblante caiu.
4:6 O SENHOR perguntou a Caim: “Por que você está irado? Por que seu semblante caiu?
4:7 Se você fizer o bem, não será aceito? Mas, se não fizer o bem, o pecado está à espreita, à porta. Ele quer ter você, mas você deve dominá-lo”.
4:8 Caim falou com seu irmão Abel. Quando estavam no campo, Caim atacou seu irmão Abel e o matou.
4:9 O SENHOR perguntou a Caim: “Onde está Abel, seu irmão?” Ele respondeu: “Não sei. Sou eu o guardião do meu irmão?”
4:10 Deus disse: “O que você fez? A voz do sangue do seu irmão clama a mim desde o solo.
4:11 Agora você é maldito e banido do solo que abriu a boca para receber da sua mão o sangue do seu irmão.
4:12 Quando você cultivar o solo, ele já não lhe dará a sua força. Você será fugitivo e errante pela terra”.
4:13 Caim disse ao SENHOR: “Meu castigo é maior do que posso suportar.
4:14 Hoje tu me expulsas deste solo, e ficarei escondido da tua presença. Serei fugitivo e errante pela terra, e quem me encontrar me matará”.
4:15 O SENHOR lhe disse: “Por isso, quem matar Caim será castigado sete vezes”. E o SENHOR deu a Caim um sinal, para que ninguém que o encontrasse o matasse.
4:16 Caim saiu da presença do SENHOR e foi morar na terra de Node, a leste do Éden.
4:17 Caim teve relações com sua mulher. Ela engravidou e deu à luz Enoque. Caim estava construindo uma cidade, à qual deu o nome de seu filho Enoque.
4:18 A Enoque nasceu Irade. Irade gerou Meujael; Meujael gerou Metusael; e Metusael gerou Lameque.
4:19 Lameque tomou para si duas mulheres: uma se chamava Ada, e a outra, Zilá.
4:20 Ada deu à luz Jabal, que foi o pai dos que vivem em tendas e criam gado.
4:21 Seu irmão se chamava Jubal, que foi o pai de todos os que tocam lira e flauta.
4:22 Zilá também deu à luz Tubalcaim, que forjava todo tipo de ferramentas de cobre e de ferro. A irmã de Tubalcaim se chamava Naamá.
4:23 Lameque disse às suas mulheres:
 “Ada e Zilá, ouçam a minha voz;
   mulheres de Lameque, escutem as minhas palavras.
   Matei um homem por me ferir, um jovem por me golpear.
4:24 Se Caim é vingado sete vezes, Lameque será vingado setenta e sete vezes”.
4:25 Adão voltou a ter relações com sua mulher, e ela deu à luz um filho, a quem chamou Sete, pois disse: “Deus me concedeu outro descendente no lugar de Abel, que Caim matou”.
4:26 A Sete também nasceu um filho, a quem ele chamou Enos. Naquele tempo se começou a invocar o nome do SENHOR.

Capítulo 5
5:1 Este é o registro das gerações de Adão. Quando Deus criou o ser humano, ele o fez à semelhança de Deus.
5:2 Homem e mulher os criou; ele os abençoou e lhes deu o nome de seres humanos no dia em que foram criados.
5:3 Adão tinha cento e trinta anos quando gerou um filho à sua semelhança, conforme a sua imagem, e lhe deu o nome de Sete.
5:4 Depois de gerar Sete, Adão viveu oitocentos anos e gerou filhos e filhas.
5:5 Adão viveu ao todo novecentos e trinta anos; e morreu.
5:6 Sete tinha cento e cinco anos quando gerou Enos.
5:7 Depois de gerar Enos, Sete viveu oitocentos e sete anos e gerou filhos e filhas.
5:8 Sete viveu ao todo novecentos e doze anos; e morreu.
5:9 Enos tinha noventa anos quando gerou Cainã.
5:10 Depois de gerar Cainã, Enos viveu oitocentos e quinze anos e gerou filhos e filhas.
5:11 Enos viveu ao todo novecentos e cinco anos; e morreu.
5:12 Cainã tinha setenta anos quando gerou Maalalel.
5:13 Depois de gerar Maalalel, Cainã viveu oitocentos e quarenta anos e gerou filhos e filhas.
5:14 Cainã viveu ao todo novecentos e dez anos; e morreu.
5:15 Maalalel tinha sessenta e cinco anos quando gerou Jarede.
5:16 Depois de gerar Jarede, Maalalel viveu oitocentos e trinta anos e gerou filhos e filhas.
5:17 Maalalel viveu ao todo oitocentos e noventa e cinco anos; e morreu.
5:18 Jarede tinha cento e sessenta e dois anos quando gerou Enoque.
5:19 Depois de gerar Enoque, Jarede viveu oitocentos anos e gerou filhos e filhas.
5:20 Jarede viveu ao todo novecentos e sessenta e dois anos; e morreu.
5:21 Enoque tinha sessenta e cinco anos quando gerou Metusalém.
5:22 Depois de gerar Metusalém, Enoque andou com Deus durante trezentos anos e gerou filhos e filhas.
5:23 Enoque viveu ao todo trezentos e sessenta e cinco anos.
5:24 Enoque andou com Deus e desapareceu, porque Deus o levou.
5:25 Metusalém tinha cento e oitenta e sete anos quando gerou Lameque.
5:26 Depois de gerar Lameque, Metusalém viveu setecentos e oitenta e dois anos e gerou filhos e filhas.
5:27 Metusalém viveu ao todo novecentos e sessenta e nove anos; e morreu.
5:28 Lameque tinha cento e oitenta e dois anos quando gerou um filho.
5:29 Deu-lhe o nome de Noé, dizendo: “Este nos dará alívio em nosso trabalho e na fadiga de nossas mãos, por causa do solo que o SENHOR amaldiçoou”.
5:30 Depois de gerar Noé, Lameque viveu quinhentos e noventa e cinco anos e gerou filhos e filhas.
5:31 Lameque viveu ao todo setecentos e setenta e sete anos; e morreu.
5:32 Noé tinha quinhentos anos quando gerou Sem, Cam e Jafé.

Capítulo 6
6:1 Quando os seres humanos começaram a se multiplicar sobre a terra e lhes nasceram filhas,
6:2 os filhos de Deus viram que as filhas dos seres humanos eram belas e tomaram por mulheres todas as que escolheram.
6:3 Então o SENHOR disse: “Meu Espírito não contenderá para sempre com o ser humano, pois ele é carne. Seus dias serão cento e vinte anos”.
6:4 Os nefilins estavam na terra naqueles dias, e também depois, quando os filhos de Deus se uniam às filhas dos seres humanos e elas lhes davam filhos. Esses foram os poderosos da antiguidade, homens de renome.
6:5 O SENHOR viu que a maldade humana era grande na terra e que toda inclinação dos pensamentos do coração humano era sempre e somente má.
6:6 O SENHOR lamentou ter feito o ser humano na terra, e isso lhe causou dor no coração.
6:7 O SENHOR disse: “Apagarei da superfície da terra o ser humano que criei, e com ele os animais domésticos, os animais que rastejam e as aves dos céus, pois lamento tê-los feito”.
6:8 Noé, porém, encontrou graça aos olhos do SENHOR.
6:9 Estas são as gerações de Noé. Noé era um homem justo e íntegro entre os de sua geração; Noé andava com Deus.
6:10 Noé gerou três filhos: Sem, Cam e Jafé.
6:11 A terra estava corrompida diante de Deus e cheia de violência.
6:12 Deus olhou para a terra e viu que estava corrompida, porque toda carne havia corrompido o seu caminho na terra.
6:13 Deus disse a Noé: “Decidi pôr fim a todos os seres vivos, pois a terra está cheia de violência por causa deles. Vou destruí-los junto com a terra.
6:14 Faça para você uma arca de madeira de gôfer. Faça compartimentos na arca e revista-a com betume por dentro e por fora.
6:15 Você a construirá assim: cento e trinta e oito metros de comprimento, vinte e três metros de largura e catorze metros de altura.
6:16 Deixe uma abertura de quarenta e seis centímetros sob o teto da arca. Coloque a porta na lateral e faça três andares: um inferior, um intermediário e um superior.
6:17 Eu vou trazer um dilúvio de águas sobre a terra para destruir toda carne em que há fôlego de vida debaixo dos céus. Tudo o que há na terra morrerá.
6:18 Mas estabelecerei a minha aliança com você. Você entrará na arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos.
6:19 De todos os seres vivos, de toda carne, leve para a arca dois de cada espécie, para conservá-los vivos com você. Serão macho e fêmea.
6:20 Das aves segundo as suas espécies, dos animais domésticos segundo as suas espécies e de todos os animais que rastejam pelo solo segundo as suas espécies, dois de cada espécie virão a você para que os conserve vivos.
6:21 Tome também de todo tipo de alimento que se come e armazene-o. Servirá de alimento para você e para eles”.
6:22 Noé fez assim; fez tudo conforme Deus lhe havia ordenado.

Capítulo 7
7:1 O SENHOR disse a Noé: “Entre na arca com toda a sua família, porque vi que você é justo diante de mim nesta geração.
7:2 Leve com você sete pares de cada animal puro, cada macho com sua fêmea; dos animais que não são puros, leve um par, o macho com sua fêmea.
7:3 Também das aves dos céus leve sete pares, macho e fêmea, para conservar viva a sua descendência sobre toda a terra.
7:4 Pois daqui a sete dias farei chover sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites, e apagarei da superfície do solo todos os seres vivos que fiz”.
7:5 Noé fez tudo conforme o SENHOR lhe havia ordenado.
7:6 Noé tinha seiscentos anos quando o dilúvio de águas veio sobre a terra.
7:7 Noé entrou na arca com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos, por causa das águas do dilúvio.
7:8 Dos animais puros, dos animais que não são puros, das aves e de tudo o que rasteja pelo solo,
7:9 entraram de dois em dois com Noé na arca, macho e fêmea, conforme Deus havia ordenado a Noé.
7:10 Passados os sete dias, as águas do dilúvio vieram sobre a terra.
7:11 No ano seiscentos da vida de Noé, no décimo sétimo dia do segundo mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo, e se abriram as comportas dos céus.
7:12 A chuva caiu sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites.
7:13 Naquele mesmo dia entraram na arca Noé, seus filhos Sem, Cam e Jafé, a mulher de Noé e as três mulheres de seus filhos.
7:14 Com eles entraram todos os animais selvagens segundo as suas espécies, todos os animais domésticos segundo as suas espécies, todos os animais que rastejam sobre a terra segundo as suas espécies e todas as aves segundo as suas espécies: todo pássaro, todo ser alado.
7:15 De toda carne em que havia fôlego de vida, vieram a Noé, para a arca, de dois em dois.
7:16 Os que entraram eram macho e fêmea de toda carne, conforme Deus lhe havia ordenado. E o SENHOR fechou a porta atrás de Noé.
7:17 O dilúvio esteve sobre a terra durante quarenta dias. As águas aumentaram, levantaram a arca, e ela se elevou acima da terra.
7:18 As águas subiram e aumentaram muito sobre a terra, e a arca flutuava sobre a superfície das águas.
7:19 As águas subiram muitíssimo sobre a terra e cobriram todas as altas montanhas debaixo de todo o céu.
7:20 As águas subiram quase sete metros acima das montanhas, cobrindo-as.
7:21 Morreu toda carne que se movia sobre a terra: as aves, os animais domésticos, os animais selvagens, todos os animais que povoam o solo e todos os seres humanos.
7:22 Tudo o que tinha fôlego de vida nas narinas, tudo o que vivia em terra firme, morreu.
7:23 Assim foram apagados todos os seres vivos da superfície do solo: os seres humanos, os animais domésticos, os animais que rastejam e as aves dos céus. Foram apagados da terra; restaram somente Noé e os que estavam com ele na arca.
7:24 As águas prevaleceram sobre a terra durante cento e cinquenta dias.

Capítulo 8
8:1 Deus se lembrou de Noé e de todos os animais selvagens e domésticos que estavam com ele na arca. Deus fez soprar um vento sobre a terra, e as águas baixaram.
8:2 Fecharam-se as fontes do abismo e as comportas dos céus, e a chuva dos céus parou.
8:3 As águas foram recuando continuamente da terra e, ao fim de cento e cinquenta dias, haviam diminuído.
8:4 No décimo sétimo dia do sétimo mês, a arca repousou sobre os montes de Ararate.
8:5 As águas continuaram a baixar até o décimo mês; no primeiro dia desse mês apareceram os cumes das montanhas.
8:6 Ao fim de quarenta dias, Noé abriu a janela que havia feito na arca
8:7 e soltou um corvo, que ficou indo e voltando até que as águas secaram sobre a terra.
8:8 Depois soltou uma pomba para ver se as águas haviam baixado da superfície do solo.
8:9 Mas a pomba não encontrou onde pousar os pés e voltou para ele, para a arca, porque as águas ainda cobriam toda a terra. Noé estendeu a mão, pegou a pomba e a trouxe para junto de si, dentro da arca.
8:10 Esperou outros sete dias e tornou a soltar a pomba da arca.
8:11 Ao entardecer, a pomba voltou para ele, trazendo no bico uma folha de oliveira recém-arrancada. Então Noé soube que as águas haviam baixado sobre a terra.
8:12 Esperou outros sete dias e soltou a pomba; dessa vez ela não voltou mais para ele.
8:13 No ano seiscentos e um da vida de Noé, no primeiro dia do primeiro mês, as águas haviam secado sobre a terra. Noé retirou a cobertura da arca, olhou e viu que a superfície do solo estava seca.
8:14 No vigésimo sétimo dia do segundo mês, a terra estava seca.
8:15 Então Deus disse a Noé:
8:16 “Saia da arca com sua mulher, seus filhos e as mulheres de seus filhos.
8:17 Faça sair com você todos os seres vivos que estão com você: as aves, os animais domésticos e todos os animais que rastejam sobre a terra. Que povoem a terra, sejam fecundos e se multipliquem sobre ela”.
8:18 Noé saiu com seus filhos, sua mulher e as mulheres de seus filhos.
8:19 Todos os animais, todos os que rastejam, todas as aves, tudo o que se move sobre a terra, saíram da arca segundo as suas famílias.
8:20 Noé construiu um altar ao SENHOR. Tomou de todos os animais puros e de todas as aves puras e ofereceu holocaustos sobre o altar.
8:21 O SENHOR sentiu o aroma agradável e disse em seu coração: “Não voltarei a amaldiçoar o solo por causa do ser humano, porque a inclinação do seu coração é má desde a juventude. Nem voltarei a ferir todos os seres vivos como fiz.
8:22 Enquanto a terra durar, não cessarão a semeadura e a colheita, o frio e o calor, o verão e o inverno, o dia e a noite”.

Capítulo 9
9:1 Deus abençoou Noé e seus filhos e lhes disse: “Sejam fecundos, multipliquem-se e encham a terra.
9:2 Todos os animais da terra, todas as aves dos céus, tudo o que se move pelo solo e todos os peixes do mar terão medo e pavor de vocês. Eles foram entregues nas mãos de vocês.
9:3 Tudo o que se move e tem vida servirá de alimento para vocês. Assim como lhes dei as plantas verdes, dou-lhes agora todas as coisas.
9:4 Mas não comam carne com a sua vida, isto é, com o seu sangue.
9:5 Certamente exigirei contas pelo sangue de vocês, por suas vidas. De todo animal as exigirei, e de todo ser humano; de cada um exigirei contas pela vida de seu irmão.
9:6 Quem derramar o sangue do ser humano, pelo ser humano terá seu sangue derramado, porque Deus fez o ser humano à sua imagem.
9:7 Quanto a vocês, sejam fecundos e multipliquem-se; povoem abundantemente a terra e multipliquem-se nela”.
9:8 Deus disse a Noé e aos filhos que estavam com ele:
9:9 “Eu estabeleço a minha aliança com vocês e com os seus descendentes depois de vocês,
9:10 e com todos os seres vivos que estão com vocês: as aves, os animais domésticos e todos os animais da terra que os acompanham, todos os que saíram da arca, todos os animais da terra.
9:11 Estabeleço a minha aliança com vocês: nunca mais toda carne será exterminada pelas águas de um dilúvio, nem haverá outro dilúvio para destruir a terra”.
9:12 Deus disse: “Este é o sinal da aliança que faço entre mim e vocês e todos os seres vivos que estão com vocês, para todas as gerações:
9:13 pus o meu arco nas nuvens, e ele será o sinal da aliança entre mim e a terra.
9:14 Quando eu trouxer nuvens sobre a terra e o arco aparecer nas nuvens,
9:15 eu me lembrarei da minha aliança com vocês e com todos os seres vivos, de toda carne. As águas nunca mais se tornarão um dilúvio para destruir toda carne.
9:16 O arco estará nas nuvens, e eu o verei para me lembrar da aliança eterna entre Deus e todos os seres vivos, de toda carne que há na terra”.
9:17 Deus disse a Noé: “Este é o sinal da aliança que estabeleci entre mim e toda carne que há na terra”.
9:18 Os filhos de Noé que saíram da arca foram Sem, Cam e Jafé. Cam é o pai de Canaã.
9:19 Esses três foram os filhos de Noé, e a partir deles toda a terra foi povoada.
9:20 Noé começou a cultivar a terra e plantou uma vinha.
9:21 Bebeu do vinho, embriagou-se e ficou descoberto dentro da sua tenda.
9:22 Cam, pai de Canaã, viu a nudez do pai e contou aos seus dois irmãos, que estavam do lado de fora.
9:23 Sem e Jafé pegaram um manto, colocaram-no sobre os ombros de ambos e, andando de costas, cobriram a nudez do pai. Seus rostos estavam voltados para o outro lado, e não viram a nudez do pai.
9:24 Quando Noé despertou da embriaguez e soube o que seu filho mais novo lhe havia feito,
9:25 disse:
 “Maldito seja Canaã!
   Que seja para seus irmãos o mais baixo dos escravos”.
9:26 Disse ainda:
 “Bendito seja o SENHOR, o Deus de Sem!
   Que Canaã seja seu escravo.
9:27 Que Deus engrandeça Jafé, e que ele habite nas tendas de Sem.
   Que Canaã seja seu escravo”.
9:28 Depois do dilúvio, Noé viveu trezentos e cinquenta anos.
9:29 Noé viveu ao todo novecentos e cinquenta anos; e morreu.

Capítulo 10
10:1 Estas são as gerações dos filhos de Noé: Sem, Cam e Jafé. Depois do dilúvio lhes nasceram filhos.
10:2 Os filhos de Jafé foram Gomer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tiras.
10:3 Os filhos de Gomer foram Asquenaz, Rifate e Togarma.
10:4 Os filhos de Javã foram Elisá, Társis, Quitim e Dodanim.
10:5 A partir deles, os povos das terras costeiras se distribuíram por suas terras, cada um segundo a sua língua, conforme as suas famílias e nações.
10:6 Os filhos de Cam foram Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã.
10:7 Os filhos de Cuxe foram Sebá, Havilá, Sabtá, Raamá e Sabtecá. Os filhos de Raamá foram Sabá e Dedã.
10:8 Cuxe gerou Ninrode, que começou a ser poderoso na terra.
10:9 Ele era um poderoso caçador diante do SENHOR. Por isso se diz: “Como Ninrode, poderoso caçador diante do SENHOR”.
10:10 Seu reino começou com Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar.
10:11 Daquela terra ele saiu para a Assíria e construiu Nínive, Reobote-Ir e Calá,
10:12 e Resém, entre Nínive e Calá. Essa é a grande cidade.
10:13 Mizraim gerou os luditas, os anamitas, os leabitas e os naftuítas,
10:14 os patrusitas, os casluítas, de quem vieram os filisteus, e os caftoritas.
10:15 Canaã gerou Sidom, seu primogênito, e Hete,
10:16 os jebuseus, os amorreus e os girgaseus,
10:17 os heveus, os arqueus e os sineus,
10:18 os arvadeus, os zemareus e os hamateus. Depois se espalharam as famílias dos cananeus.
10:19 O território dos cananeus se estendia desde Sidom, em direção a Gerar, até Gaza; e em direção a Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, até Lasa.
10:20 Esses foram os filhos de Cam, segundo as suas famílias e línguas, em suas terras e nações.
10:21 A Sem também nasceram filhos. Ele foi o antepassado de todos os descendentes de Éber e o irmão mais velho de Jafé.
10:22 Os filhos de Sem foram Elão, Assur, Arfaxade, Lude e Arã.
10:23 Os filhos de Arã foram Uz, Hul, Geter e Más.
10:24 Arfaxade gerou Salá, e Salá gerou Éber.
10:25 A Éber nasceram dois filhos: um se chamava Pelegue, porque em seus dias a terra foi dividida; seu irmão se chamava Joctã.
10:26 Joctã gerou Almodá, Selefe, Hazar-Mavé e Jerá,
10:27 Hadorão, Uzal e Dicla,
10:28 Obal, Abimael e Sabá,
10:29 Ofir, Havilá e Jobabe. Todos esses foram filhos de Joctã.
10:30 A região onde moravam se estendia desde Messa, em direção a Sefar, na região montanhosa do leste.
10:31 Esses foram os filhos de Sem, segundo as suas famílias e línguas, em suas terras e nações.
10:32 Essas são as famílias dos filhos de Noé, segundo as suas gerações e nações. Delas se espalharam as nações pela terra depois do dilúvio.

Capítulo 11
11:1 Toda a terra tinha uma só língua e as mesmas palavras.
11:2 Ao partirem do leste, encontraram uma planície na terra de Sinar e se estabeleceram ali.
11:3 Disseram uns aos outros: “Vamos fazer tijolos e queimá-los bem no fogo”. Usavam tijolos em lugar de pedras e betume em lugar de argamassa.
11:4 Então disseram: “Vamos construir para nós uma cidade e uma torre cujo topo alcance os céus. Façamos um nome para nós, para que não sejamos espalhados por toda a terra”.
11:5 O SENHOR desceu para ver a cidade e a torre que os seres humanos estavam construindo.
11:6 O SENHOR disse: “Eles são um só povo, e todos têm uma só língua. Isso é apenas o começo do que estão fazendo; agora nada do que planejarem fazer lhes será impossível.
11:7 Vamos descer e confundir ali a língua deles, para que um não entenda a língua do outro”.
11:8 Assim o SENHOR os espalhou dali por toda a terra, e eles pararam de construir a cidade.
11:9 Por isso ela recebeu o nome de Babel, porque ali o SENHOR confundiu a língua de toda a terra; e dali o SENHOR os espalhou por toda a terra.
11:10 Estas são as gerações de Sem. Sem tinha cem anos quando gerou Arfaxade, dois anos depois do dilúvio.
11:11 Depois de gerar Arfaxade, Sem viveu quinhentos anos e gerou filhos e filhas.
11:12 Arfaxade tinha trinta e cinco anos quando gerou Salá.
11:13 Depois de gerar Salá, Arfaxade viveu quatrocentos e três anos e gerou filhos e filhas.
11:14 Salá tinha trinta anos quando gerou Éber.
11:15 Depois de gerar Éber, Salá viveu quatrocentos e três anos e gerou filhos e filhas.
11:16 Éber tinha trinta e quatro anos quando gerou Pelegue.
11:17 Depois de gerar Pelegue, Éber viveu quatrocentos e trinta anos e gerou filhos e filhas.
11:18 Pelegue tinha trinta anos quando gerou Reú.
11:19 Depois de gerar Reú, Pelegue viveu duzentos e nove anos e gerou filhos e filhas.
11:20 Reú tinha trinta e dois anos quando gerou Serugue.
11:21 Depois de gerar Serugue, Reú viveu duzentos e sete anos e gerou filhos e filhas.
11:22 Serugue tinha trinta anos quando gerou Naor.
11:23 Depois de gerar Naor, Serugue viveu duzentos anos e gerou filhos e filhas.
11:24 Naor tinha vinte e nove anos quando gerou Terá.
11:25 Depois de gerar Terá, Naor viveu cento e dezenove anos e gerou filhos e filhas.
11:26 Terá tinha setenta anos quando gerou Abrão, Naor e Harã.
11:27 Estas são as gerações de Terá. Terá gerou Abrão, Naor e Harã; e Harã gerou Ló.
11:28 Harã morreu enquanto seu pai Terá ainda vivia, em sua terra natal, Ur dos caldeus.
11:29 Abrão e Naor tomaram mulheres para si. A mulher de Abrão se chamava Sarai, e a de Naor, Milca, filha de Harã, pai de Milca e de Iscá.
11:30 Sarai era estéril; não tinha filhos.
11:31 Terá tomou seu filho Abrão, seu neto Ló, filho de Harã, e sua nora Sarai, mulher de seu filho Abrão. Saíram juntos de Ur dos caldeus para ir à terra de Canaã, mas chegaram a Harã e se estabeleceram ali.
11:32 Terá viveu duzentos e cinco anos e morreu em Harã.

Capítulo 12
12:1 O SENHOR disse a Abrão: “Saia da sua terra, da sua parentela e da casa do seu pai, e vá para a terra que eu lhe mostrarei.
12:2 Farei de você uma grande nação, eu o abençoarei e engrandecerei o seu nome. Seja uma bênção.
12:3 Abençoarei os que o abençoarem e amaldiçoarei quem o desprezar. Por meio de você serão abençoadas todas as famílias da terra”.
12:4 Abrão partiu conforme o SENHOR lhe havia dito, e Ló foi com ele. Abrão tinha setenta e cinco anos quando saiu de Harã.
12:5 Abrão levou Sarai, sua mulher, Ló, filho de seu irmão, todos os bens que haviam acumulado e as pessoas que haviam adquirido em Harã. Partiram para a terra de Canaã e chegaram à terra de Canaã.
12:6 Abrão atravessou a terra até o lugar de Siquém, até o carvalho de Moré. Naquele tempo os cananeus habitavam a terra.
12:7 O SENHOR apareceu a Abrão e disse: “Darei esta terra à sua descendência”. Abrão construiu ali um altar ao SENHOR, que lhe havia aparecido.
12:8 Dali ele se mudou para a região montanhosa a leste de Betel e armou a sua tenda, ficando Betel a oeste e Ai a leste. Ali construiu um altar ao SENHOR e invocou o nome do SENHOR.
12:9 Depois Abrão continuou a viagem, avançando por etapas em direção ao Neguebe.
12:10 Houve fome naquela terra, e Abrão desceu ao Egito para morar ali por algum tempo, pois a fome era muito severa na terra.
12:11 Quando estava perto de entrar no Egito, disse a Sarai, sua mulher: “Sei que você é uma mulher bonita.
12:12 Quando os egípcios a virem, dirão: ‘Esta é a mulher dele’. Então me matarão, mas deixarão você com vida.
12:13 Por favor, diga que é minha irmã, para que me vá bem por sua causa e a minha vida seja preservada graças a você”.
12:14 Quando Abrão entrou no Egito, os egípcios viram que a mulher era muito bonita.
12:15 Os oficiais do faraó a viram e a elogiaram diante dele. Então a mulher foi levada para a casa do faraó.
12:16 Por causa dela, o faraó tratou bem Abrão, que passou a ter rebanhos, gado, jumentos, escravos, escravas, jumentas e camelos.
12:17 Mas o SENHOR feriu o faraó e a sua casa com grandes pragas por causa de Sarai, mulher de Abrão.
12:18 O faraó chamou Abrão e lhe disse: “O que você me fez? Por que não me disse que ela era sua mulher?
12:19 Por que disse: ‘Ela é minha irmã’, de modo que eu a tomei por mulher? Agora, aqui está a sua mulher. Tome-a e vá embora”.
12:20 O faraó deu ordens aos seus homens a respeito de Abrão, e eles o fizeram sair com sua mulher e tudo o que tinha.

Capítulo 13
13:1 Abrão subiu do Egito para o Neguebe com sua mulher e tudo o que tinha; Ló foi com ele.
13:2 Abrão era muito rico em gado, prata e ouro.
13:3 Do Neguebe, ele seguiu viagem por etapas até Betel, até o lugar entre Betel e Ai onde antes havia armado a sua tenda,
13:4 ao lugar do altar que havia construído anteriormente. Ali Abrão invocou o nome do SENHOR.
13:5 Ló, que acompanhava Abrão, também tinha rebanhos, gado e tendas.
13:6 A terra não podia sustentá-los vivendo juntos, porque suas posses eram tão grandes que não podiam morar no mesmo lugar.
13:7 Houve uma disputa entre os pastores do gado de Abrão e os pastores do gado de Ló. Naquele tempo os cananeus e os ferezeus habitavam a terra.
13:8 Abrão disse a Ló: “Por favor, que não haja disputa entre mim e você, nem entre os meus pastores e os seus, pois somos parentes.
13:9 Não está toda a terra diante de você? Separe-se de mim, por favor. Se você for para a esquerda, eu irei para a direita; se você for para a direita, eu irei para a esquerda”.
13:10 Ló levantou os olhos e viu que toda a planície do Jordão era bem irrigada, como o jardim do SENHOR, como a terra do Egito, na direção de Zoar. Isso foi antes de o SENHOR destruir Sodoma e Gomorra.
13:11 Ló escolheu para si toda a planície do Jordão e partiu para o leste. Assim se separaram um do outro.
13:12 Abrão habitou na terra de Canaã, e Ló habitou nas cidades da planície e foi armando suas tendas até Sodoma.
13:13 Os homens de Sodoma eram muito maus e grandes pecadores contra o SENHOR.
13:14 Depois que Ló se separou de Abrão, o SENHOR lhe disse: “Levante os olhos e, do lugar onde você está, olhe para o norte e para o sul, para o leste e para o oeste.
13:15 Pois toda a terra que você vê eu darei a você e à sua descendência para sempre.
13:16 Farei a sua descendência como o pó da terra: se alguém puder contar o pó da terra, também poderá contar a sua descendência.
13:17 Levante-se e percorra a terra em seu comprimento e em sua largura, porque eu a darei a você”.
13:18 Abrão mudou suas tendas e foi morar junto aos carvalhos de Manre, em Hebrom. Ali construiu um altar ao SENHOR.

Capítulo 14
14:1 Nos dias de Anrafel, rei de Sinar; Arioque, rei de Elasar; Quedorlaomer, rei de Elão; e Tidal, rei de Goim,
14:2 esses reis fizeram guerra contra Bera, rei de Sodoma; Birsa, rei de Gomorra; Sinabe, rei de Admá; Semeber, rei de Zeboim; e o rei de Bela, que é Zoar.
14:3 Esses últimos se aliaram no vale de Sidim, que é o mar Salgado.
14:4 Durante doze anos haviam servido a Quedorlaomer, mas no décimo terceiro ano se rebelaram.
14:5 No décimo quarto ano, Quedorlaomer e os reis que o acompanhavam vieram e derrotaram os refains em Asterote-Carnaim, os zuzins em Hã e os emins em Savé-Quiriataim,
14:6 e os horeus na sua região montanhosa de Seir, até El-Parã, junto ao deserto.
14:7 Depois voltaram e chegaram a En-Mispate, que é Cades, e conquistaram todo o território dos amalequitas e também derrotaram os amorreus que habitavam em Hazazom-Tamar.
14:8 Então os reis de Sodoma, Gomorra, Admá, Zeboim e Bela, que é Zoar, saíram e se dispuseram para a batalha no vale de Sidim
14:9 contra Quedorlaomer, rei de Elão; Tidal, rei de Goim; Anrafel, rei de Sinar; e Arioque, rei de Elasar: quatro reis contra cinco.
14:10 O vale de Sidim estava cheio de poços de betume. Os reis de Sodoma e Gomorra fugiram e caíram ali; os demais fugiram para as montanhas.
14:11 Os vencedores tomaram todos os bens de Sodoma e Gomorra e todas as suas provisões e foram embora.
14:12 Levaram também Ló, sobrinho de Abrão, e os seus bens, pois ele morava em Sodoma.
14:13 Um dos que escaparam chegou e contou a Abrão, o hebreu, o que havia acontecido. Ele morava junto aos carvalhos de Manre, o amorreu, irmão de Escol e de Aner; eles eram aliados de Abrão.
14:14 Quando Abrão soube que seu parente havia sido levado cativo, mobilizou os homens treinados que haviam nascido em sua casa, trezentos e dezoito, e perseguiu os invasores até Dã.
14:15 Durante a noite, ele e seus servos se dividiram para atacá-los e os derrotaram. Ele os perseguiu até Hobá, ao norte de Damasco.
14:16 Recuperou todos os bens e trouxe de volta seu parente Ló e os seus bens, bem como as mulheres e o restante do povo.
14:17 Quando Abrão voltou de derrotar Quedorlaomer e os reis que o acompanhavam, o rei de Sodoma saiu ao seu encontro no vale de Savé, que é o vale do Rei.
14:18 Melquisedeque, rei de Salém, trouxe pão e vinho. Ele era sacerdote do Deus Altíssimo.
14:19 Ele abençoou Abrão e disse:
 “Bendito seja Abrão pelo Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra.
14:20 E bendito seja o Deus Altíssimo, que entregou os seus inimigos nas suas mãos”.
   Então Abrão lhe deu o dízimo de tudo.
14:21 O rei de Sodoma disse a Abrão: “Dê-me as pessoas e fique com os bens”.
14:22 Abrão respondeu ao rei de Sodoma: “Levantei a minha mão ao SENHOR, o Deus Altíssimo, Criador dos céus e da terra,
14:23 e jurei que não tomarei nada do que é seu, nem um fio, nem uma correia de sandália, para que você não diga: ‘Eu enriqueci Abrão’.
14:24 Não quero nada, exceto o que os jovens comeram e a parte dos homens que foram comigo: Aner, Escol e Manre. Que eles recebam a parte deles”.

Capítulo 15
15:1 Depois dessas coisas, a palavra do SENHOR veio a Abrão numa visão: “Não tenha medo, Abrão. Eu sou o seu escudo; sua recompensa será muito grande”.
15:2 Abrão respondeu: “Senhor DEUS, o que me darás, se continuo sem filhos e o administrador da minha casa é Eliézer de Damasco?”
15:3 Abrão disse ainda: “Tu não me deste descendência, e um homem da minha casa será o meu herdeiro”.
15:4 Então a palavra do SENHOR veio a ele: “Esse não será o seu herdeiro. Um filho gerado por você será o seu herdeiro”.
15:5 Ele o levou para fora e disse: “Olhe para os céus e conte as estrelas, se puder contá-las”. Depois lhe disse: “Assim será a sua descendência”.
15:6 Abrão creu no SENHOR, e isso lhe foi atribuído como justiça.
15:7 Disse-lhe ainda: “Eu sou o SENHOR, que tirei você de Ur dos caldeus para lhe dar esta terra como herança”.
15:8 Ele respondeu: “Senhor DEUS, como saberei que vou herdá-la?”
15:9 Deus lhe disse: “Traga-me uma novilha de três anos, uma cabra de três anos, um carneiro de três anos, uma rola e um filhote de pomba”.
15:10 Abrão trouxe todos esses animais, partiu-os ao meio e colocou cada metade de frente para a outra; mas não partiu as aves.
15:11 As aves de rapina desciam sobre os corpos dos animais, mas Abrão as afugentava.
15:12 Quando o sol estava para se pôr, um sono profundo caiu sobre Abrão, e um terror e uma grande escuridão caíram sobre ele.
15:13 Então Deus disse a Abrão: “Saiba com certeza que seus descendentes serão estrangeiros numa terra que não será deles. Serão escravizados e oprimidos durante quatrocentos anos.
15:14 Mas eu julgarei a nação a quem eles servirão; depois sairão com grandes riquezas.
15:15 Você, porém, irá em paz para junto de seus antepassados e será sepultado em boa velhice.
15:16 Na quarta geração, eles voltarão para cá, pois a maldade dos amorreus ainda não chegou ao seu limite”.
15:17 Quando o sol se pôs e veio a escuridão, apareceu um forno fumegante e uma tocha de fogo que passou entre aquelas metades.
15:18 Naquele dia, o SENHOR fez uma aliança com Abrão, dizendo: “À sua descendência dou esta terra, desde o rio do Egito até o grande rio, o Eufrates:
15:19 a terra dos queneus, dos quenezeus, dos cadmoneus,
15:20 dos heteus, dos ferezeus, dos refains,
15:21 dos amorreus, dos cananeus, dos girgaseus e dos jebuseus”.

Capítulo 16
16:1 Sarai, mulher de Abrão, não lhe havia dado filhos. Ela tinha uma escrava egípcia chamada Agar.
16:2 Sarai disse a Abrão: “O SENHOR me impediu de ter filhos. Por favor, tenha relações com a minha escrava; talvez eu possa ter filhos por meio dela”. Abrão deu ouvidos a Sarai.
16:3 Assim, depois de Abrão morar dez anos na terra de Canaã, Sarai, sua mulher, tomou Agar, a egípcia, sua escrava, e a deu por mulher a Abrão, seu marido.
16:4 Ele teve relações com Agar, e ela engravidou. Quando percebeu que estava grávida, passou a desprezar a sua senhora.
16:5 Então Sarai disse a Abrão: “Você é responsável pela afronta que sofro! Eu pus minha escrava em seus braços e, agora que ela percebeu que está grávida, sou desprezada aos olhos dela. Que o SENHOR julgue entre mim e você”.
16:6 Abrão respondeu a Sarai: “Sua escrava está nas suas mãos; faça com ela o que lhe parecer bem”. Sarai a maltratou, e Agar fugiu dela.
16:7 O anjo do SENHOR a encontrou junto a uma fonte de água no deserto, a fonte no caminho de Sur.
16:8 Ele perguntou: “Agar, escrava de Sarai, de onde você vem e para onde vai?” Ela respondeu: “Estou fugindo de Sarai, minha senhora”.
16:9 O anjo do SENHOR lhe disse: “Volte para a sua senhora e se submeta à autoridade dela”.
16:10 O anjo do SENHOR disse ainda: “Multiplicarei tanto a sua descendência que não poderá ser contada, de tão numerosa”.
16:11 O anjo do SENHOR lhe disse:
 “Você está grávida e dará à luz um filho.
   Você lhe dará o nome de Ismael, porque o SENHOR ouviu a sua aflição.
16:12 Ele será um homem como um jumento selvagem.
   Sua mão será contra todos, e a mão de todos, contra ele.
   Ele habitará diante de todos os seus irmãos”.
16:13 Agar deu este nome ao SENHOR, que lhe havia falado: “Tu és o Deus que me vê”, pois disse: “Será que vi aqui aquele que me vê?”
16:14 Por isso o poço foi chamado Beer-Laai-Roi; ele fica entre Cades e Berede.
16:15 Agar deu à luz um filho a Abrão, e Abrão deu ao filho que Agar lhe havia dado o nome de Ismael.
16:16 Abrão tinha oitenta e seis anos quando Agar lhe deu Ismael.

Capítulo 17
17:1 Quando Abrão tinha noventa e nove anos, o SENHOR lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso. Ande na minha presença e seja íntegro.
17:2 Estabelecerei a minha aliança com você e farei você se multiplicar muitíssimo”.
17:3 Abrão se prostrou com o rosto em terra, e Deus falou com ele:
17:4 “Quanto a mim, esta é a minha aliança com você: você será pai de uma multidão de nações.
17:5 Seu nome já não será Abrão; seu nome será Abraão, porque eu o fiz pai de uma multidão de nações.
17:6 Farei você ser extremamente fecundo; de você farei nações, e de você sairão reis.
17:7 Estabelecerei a minha aliança com você e com a sua descendência depois de você, de geração em geração, como aliança eterna, para ser o seu Deus e o Deus da sua descendência depois de você.
17:8 Darei a você e à sua descendência depois de você a terra onde vive como estrangeiro, toda a terra de Canaã, como posse eterna. E serei o Deus deles”.
17:9 Deus disse a Abraão: “Você deve guardar a minha aliança, assim como a sua descendência depois de você, de geração em geração.
17:10 Esta é a minha aliança, que vocês devem guardar entre mim e vocês e a sua descendência depois de você: todos os do sexo masculino entre vocês serão circuncidados.
17:11 Vocês circuncidarão a carne do prepúcio, e esse será o sinal da aliança entre mim e vocês.
17:12 Aos oito dias de vida será circuncidado todo menino entre vocês, de geração em geração, tanto o nascido em casa como o comprado com dinheiro a qualquer estrangeiro, que não seja da sua descendência.
17:13 Tanto o nascido em sua casa como o comprado com o seu dinheiro deverão ser circuncidados. Assim a minha aliança estará na carne de vocês como aliança eterna.
17:14 Quem for do sexo masculino e não tiver a carne do prepúcio circuncidada será eliminado do seu povo; ele quebrou a minha aliança”.
17:15 Deus disse ainda a Abraão: “Quanto a Sarai, sua mulher, você já não a chamará Sarai; seu nome será Sara.
17:16 Eu a abençoarei e também darei a você um filho por meio dela. Eu a abençoarei, e ela será mãe de nações; dela sairão reis de povos”.
17:17 Abraão se prostrou com o rosto em terra e riu. Disse em seu coração: “Poderá nascer um filho a um homem de cem anos? E Sara dará à luz aos noventa anos?”
17:18 Abraão disse a Deus: “Quem dera Ismael vivesse diante de ti!”
17:19 Deus respondeu: “De fato, Sara, sua mulher, dará à luz um filho a você, e você lhe dará o nome de Isaque. Estabelecerei a minha aliança com ele, como aliança eterna para a sua descendência depois dele.
17:20 Quanto a Ismael, eu ouvi você: eu o abençoei, farei com que seja fecundo e se multiplique muitíssimo. Ele gerará doze príncipes, e dele farei uma grande nação.
17:21 Mas a minha aliança estabelecerei com Isaque, que Sara dará à luz para você nesta mesma época, no ano que vem”.
17:22 Quando acabou de falar com Abraão, Deus se elevou e se afastou dele.
17:23 Naquele mesmo dia, Abraão tomou seu filho Ismael, todos os nascidos em sua casa e todos os comprados com o seu dinheiro, todos os do sexo masculino da casa de Abraão, e circuncidou a carne do prepúcio deles, conforme Deus lhe havia dito.
17:24 Abraão tinha noventa e nove anos quando foi circuncidada a carne do seu prepúcio.
17:25 Seu filho Ismael tinha treze anos quando foi circuncidada a carne do seu prepúcio.
17:26 Naquele mesmo dia foram circuncidados Abraão e seu filho Ismael.
17:27 E todos os homens da sua casa, tanto os nascidos em casa como os comprados com dinheiro a estrangeiros, foram circuncidados com ele.

Capítulo 18
18:1 O SENHOR apareceu a Abraão junto aos carvalhos de Manre, quando ele estava sentado à entrada da tenda, no calor do dia.
18:2 Ele levantou os olhos e viu três homens em pé perto dele. Ao vê-los, correu da entrada da tenda ao encontro deles e se prostrou em terra.
18:3 Disse: “Senhor, se encontrei graça aos teus olhos, por favor, não passes de largo do teu servo.
18:4 Que se traga um pouco de água; lavem os pés e descansem debaixo da árvore.
18:5 Vou trazer um pouco de pão para que recuperem as forças; depois poderão seguir caminho, já que vieram até o seu servo”. Eles responderam: “Faça como disse”.
18:6 Abraão foi depressa à tenda, até Sara, e disse: “Depressa! Pegue cerca de vinte e dois litros de farinha fina, amasse e faça pães”.
18:7 Abraão correu até o gado, escolheu um bezerro tenro e bom e o entregou a um servo, que se apressou em prepará-lo.
18:8 Abraão pegou coalhada, leite e o bezerro preparado e os colocou diante deles. Enquanto eles comiam, ele permaneceu em pé junto deles, debaixo da árvore.
18:9 Eles lhe perguntaram: “Onde está Sara, sua mulher?” Ele respondeu: “Está na tenda”.
18:10 Um deles disse: “Certamente voltarei a você nesta mesma época, no ano que vem, e Sara, sua mulher, terá um filho”. Sara escutava à entrada da tenda, que estava atrás dele.
18:11 Abraão e Sara eram velhos, de idade avançada, e Sara já não menstruava.
18:12 Sara riu consigo mesma, dizendo: “Depois de estar gasta, ainda terei prazer, sendo meu senhor também velho?”
18:13 O SENHOR perguntou a Abraão: “Por que Sara riu, dizendo: ‘Será que realmente darei à luz, sendo já velha?’
18:14 Existe algo difícil demais para o SENHOR? No tempo determinado voltarei a você, nesta mesma época, no ano que vem, e Sara terá um filho”.
18:15 Sara negou, dizendo: “Não ri”, porque estava com medo. Mas ele disse: “Não é verdade; você riu, sim”.
18:16 Os homens se levantaram dali e olharam na direção de Sodoma. Abraão ia com eles para acompanhá-los na partida.
18:17 O SENHOR disse: “Esconderei de Abraão o que vou fazer,
18:18 sendo que Abraão certamente se tornará uma nação grande e poderosa, e por meio dele serão abençoadas todas as nações da terra?
18:19 Pois eu o escolhi para que ordene aos seus filhos e à sua casa depois dele que guardem o caminho do SENHOR, praticando a justiça e o direito, para que o SENHOR faça vir sobre Abraão o que lhe prometeu”.
18:20 O SENHOR disse: “O clamor contra Sodoma e Gomorra é grande, e o pecado deles é muito grave.
18:21 Vou descer e ver se o que fizeram corresponde inteiramente ao clamor que chegou a mim. E, se não, eu saberei”.
18:22 Os homens partiram dali e foram para Sodoma, mas Abraão continuou em pé diante do SENHOR.
18:23 Abraão se aproximou e disse: “Destruirás o justo junto com o ímpio?
18:24 Talvez haja cinquenta justos na cidade. Tu a destruirás e não pouparás o lugar por causa dos cinquenta justos que estão nela?
18:25 Longe de ti fazer algo assim: matar o justo junto com o ímpio, tratando o justo como o ímpio! Longe de ti! Não fará justiça o Juiz de toda a terra?”
18:26 O SENHOR respondeu: “Se eu encontrar em Sodoma cinquenta justos dentro da cidade, pouparei todo o lugar por causa deles”.
18:27 Abraão respondeu: “Eu me atrevi a falar ao Senhor, embora seja pó e cinza.
18:28 Talvez faltem cinco para os cinquenta justos. Destruirás toda a cidade por causa desses cinco?” Ele respondeu: “Não a destruirei se encontrar ali quarenta e cinco”.
18:29 Abraão tornou a falar: “Talvez se encontrem ali quarenta”. Ele respondeu: “Não o farei por causa dos quarenta”.
18:30 Então ele disse: “Não te ires, Senhor, se eu continuar falando. Talvez se encontrem ali trinta”. Ele respondeu: “Não o farei se encontrar ali trinta”.
18:31 Abraão disse: “Eu me atrevi a falar ao Senhor. Talvez se encontrem ali vinte”. Ele respondeu: “Não a destruirei por causa dos vinte”.
18:32 Então ele disse: “Não te ires, Senhor, se eu falar só mais esta vez. Talvez se encontrem ali dez”. Ele respondeu: “Não a destruirei por causa dos dez”.
18:33 Quando acabou de falar com Abraão, o SENHOR foi embora, e Abraão voltou para o seu lugar.

Capítulo 19
19:1 Os dois anjos chegaram a Sodoma ao entardecer. Ló estava sentado à porta de Sodoma; quando os viu, levantou-se para recebê-los e se inclinou com o rosto em terra.
19:2 Disse: “Meus senhores, por favor, venham à casa do seu servo, passem a noite e lavem os pés. De manhã poderão levantar-se cedo e seguir caminho”. Eles responderam: “Não, passaremos a noite na praça”.
19:3 Mas Ló insistiu muito, e eles foram com ele e entraram em sua casa. Ele lhes preparou um banquete, assou pães sem fermento, e eles comeram.
19:4 Antes que se deitassem, os homens da cidade, os homens de Sodoma, cercaram a casa: dos jovens aos velhos, todo o povo, vindo de todas as partes.
19:5 Chamaram Ló e lhe disseram: “Onde estão os homens que vieram à sua casa esta noite? Traga-os para fora, para que tenhamos relações com eles!”
19:6 Ló saiu até eles, à entrada, e fechou a porta atrás de si.
19:7 Disse: “Por favor, meus irmãos, não façam essa maldade.
19:8 Tenho duas filhas que nunca tiveram relações com um homem. Deixem-me trazê-las para vocês e façam com elas o que lhes parecer bem. Mas não façam nada a esses homens, pois vieram abrigar-se à sombra do meu teto”.
19:9 Eles disseram: “Saia da frente!” E acrescentaram: “Esse veio morar aqui como estrangeiro e agora quer ser juiz! Vamos tratar você pior do que a eles!” Pressionaram Ló com força e se aproximaram para arrombar a porta.
19:10 Mas aqueles homens estenderam as mãos, puxaram Ló para dentro da casa, junto deles, e fecharam a porta.
19:11 Feriram de cegueira os homens que estavam à entrada da casa, do menor ao maior, de modo que se cansaram de procurar a porta.
19:12 Os homens disseram a Ló: “Você tem mais alguém aqui? Genro, filhos, filhas e todos os seus que estiverem na cidade: tire-os deste lugar,
19:13 pois vamos destruir este lugar. O clamor contra eles se tornou grande diante do SENHOR, e o SENHOR nos enviou para destruí-lo”.
19:14 Ló saiu e falou aos seus genros, que iam se casar com suas filhas: “Levantem-se! Saiam deste lugar, porque o SENHOR vai destruir a cidade!” Mas os genros pensaram que ele estivesse brincando.
19:15 Ao amanhecer, os anjos apressaram Ló, dizendo: “Levante-se! Leve sua mulher e suas duas filhas que estão aqui, para que você não seja destruído no castigo da cidade”.
19:16 Como ele demorava, os homens o pegaram pela mão, bem como sua mulher e suas duas filhas, porque o SENHOR teve compaixão dele. Tiraram-no e o deixaram fora da cidade.
19:17 Depois de os tirarem para fora, um deles disse: “Fuja para salvar a sua vida! Não olhe para trás nem pare em lugar algum da planície. Fuja para as montanhas, para que não seja destruído!”
19:18 Ló lhes disse: “Não, por favor, Senhor!
19:19 Teu servo encontrou graça aos teus olhos, e grande foi a bondade que me mostraste ao salvar a minha vida. Mas não posso fugir para as montanhas; temo que o desastre me alcance e eu morra.
19:20 Esta cidade está perto para fugir até lá, e é pequena. Por favor, deixa-me escapar para lá. Não é pequena? Assim a minha vida será salva”.
19:21 Ele lhe respondeu: “Também lhe concedo este pedido: não destruirei a cidade da qual você falou.
19:22 Depressa, fuja para lá! Pois não posso fazer nada até você chegar lá”. Por isso a cidade recebeu o nome de Zoar.
19:23 O sol havia saído sobre a terra quando Ló chegou a Zoar.
19:24 Então o SENHOR fez chover sobre Sodoma e Gomorra enxofre e fogo, da parte do SENHOR, desde os céus.
19:25 Ele arrasou aquelas cidades e toda a planície, todos os moradores das cidades e a vegetação do solo.
19:26 A mulher de Ló, que ia atrás dele, olhou para trás e se tornou uma coluna de sal.
19:27 Abraão se levantou de manhã cedo e foi ao lugar onde havia estado diante do SENHOR.
19:28 Olhou para Sodoma e Gomorra e para toda a terra da planície e viu que a fumaça subia da terra como a fumaça de uma fornalha.
19:29 Assim, quando Deus destruiu as cidades da planície, Deus se lembrou de Abraão e tirou Ló do meio da destruição, ao arrasar as cidades onde Ló havia morado.
19:30 Ló subiu de Zoar e foi morar nas montanhas com suas duas filhas, porque tinha medo de ficar em Zoar. Morou numa caverna, ele e suas duas filhas.
19:31 A mais velha disse à mais nova: “Nosso pai está velho, e não há homem na terra que tenha relações conosco, como é costume em toda a terra.
19:32 Vamos dar vinho ao nosso pai e nos deitar com ele. Assim conservaremos descendência por meio do nosso pai”.
19:33 Naquela noite deram vinho ao pai, e a mais velha entrou e se deitou com ele. Ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou.
19:34 No dia seguinte, a mais velha disse à mais nova: “Ontem à noite me deitei com meu pai. Vamos dar vinho a ele também esta noite; depois entre e se deite com ele. Assim conservaremos descendência por meio do nosso pai”.
19:35 Deram vinho ao pai também naquela noite. A mais nova se levantou e se deitou com ele, mas ele não percebeu quando ela se deitou nem quando se levantou.
19:36 Assim as duas filhas de Ló ficaram grávidas do pai.
19:37 A mais velha deu à luz um filho e lhe deu o nome de Moabe. Ele é o pai dos moabitas até o dia de hoje.
19:38 A mais nova também deu à luz um filho e lhe deu o nome de Ben-Ami. Ele é o pai dos amonitas até o dia de hoje.

Capítulo 20
20:1 Abraão partiu dali para a região do Neguebe e se estabeleceu entre Cades e Sur. Viveu como estrangeiro em Gerar.
20:2 Abraão dizia de Sara, sua mulher: “Ela é minha irmã”. Então Abimeleque, rei de Gerar, mandou buscar Sara e a tomou para si.
20:3 Mas Deus veio a Abimeleque num sonho, à noite, e lhe disse: “Você vai morrer por causa da mulher que tomou, pois ela é casada”.
20:4 Abimeleque ainda não havia se aproximado dela e disse: “Senhor, matarás também uma nação inocente?
20:5 Não foi ele mesmo que me disse: ‘Ela é minha irmã’? E ela mesma disse: ‘Ele é meu irmão’. Fiz isso com integridade de coração e mãos inocentes”.
20:6 Deus lhe disse no sonho: “Eu também sei que você fez isso com integridade de coração. Também fui eu que o impedi de pecar contra mim; por isso não permiti que tocasse nela.
20:7 Agora devolva a mulher ao marido, pois ele é profeta e orará por você, e você viverá. Mas, se não a devolver, saiba que certamente morrerá, você e todos os seus”.
20:8 Abimeleque se levantou de manhã cedo, chamou todos os seus servos e lhes contou todas essas coisas. Aqueles homens ficaram com muito medo.
20:9 Então Abimeleque chamou Abraão e lhe disse: “O que você nos fez? Em que pequei contra você para que trouxesse sobre mim e sobre o meu reino tamanho pecado? Você me fez coisas que não se devem fazer”.
20:10 Abimeleque perguntou ainda a Abraão: “O que você tinha em vista ao fazer isso?”
20:11 Abraão respondeu: “Pensei: ‘Certamente não há temor de Deus neste lugar, e eles me matarão por causa da minha mulher’.
20:12 Além disso, ela realmente é minha irmã: é filha do meu pai, mas não da minha mãe, e se tornou minha mulher.
20:13 Quando Deus me fez andar errante, longe da casa do meu pai, eu lhe disse: ‘Este é o favor que você me fará: em todo lugar aonde chegarmos, diga que sou seu irmão’”.
20:14 Abimeleque tomou rebanhos, gado, escravos e escravas e os deu a Abraão. Também lhe devolveu Sara, sua mulher.
20:15 Abimeleque disse: “Minha terra está diante de você. More onde lhe parecer bem”.
20:16 A Sara ele disse: “Dei a seu irmão mil siclos de prata, cerca de onze quilos e quatrocentos gramas. Essa prata resguarda a sua honra diante de todos os que estão com você; diante de todos você fica livre de reprovação”.
20:17 Abraão orou a Deus, e Deus curou Abimeleque, sua mulher e suas escravas, e elas tiveram filhos.
20:18 Pois o SENHOR havia fechado completamente o ventre de todas as mulheres da casa de Abimeleque por causa de Sara, mulher de Abraão.

Capítulo 21
21:1 O SENHOR cuidou de Sara como havia dito, e o SENHOR fez por ela o que havia prometido.
21:2 Sara engravidou e deu a Abraão um filho na velhice dele, no tempo que Deus lhe havia determinado.
21:3 Abraão deu o nome de Isaque ao filho que lhe nasceu, que Sara lhe havia dado.
21:4 Abraão circuncidou seu filho Isaque aos oito dias de vida, conforme Deus lhe havia ordenado.
21:5 Abraão tinha cem anos quando lhe nasceu seu filho Isaque.
21:6 Sara disse: “Deus me fez rir; todos os que ouvirem rirão comigo”.
21:7 Disse ainda: “Quem teria dito a Abraão que Sara amamentaria filhos? Pois lhe dei um filho na velhice dele!”
21:8 O menino cresceu e foi desmamado. No dia em que Isaque foi desmamado, Abraão deu um grande banquete.
21:9 Sara viu que o filho de Agar, a egípcia, que ela havia dado a Abraão, zombava.
21:10 Então disse a Abraão: “Expulse essa escrava e o filho dela, pois o filho dessa escrava não herdará com o meu filho, com Isaque”.
21:11 Isso desagradou muito a Abraão, por se tratar de seu filho.
21:12 Mas Deus disse a Abraão: “Não fique angustiado por causa do menino e da sua escrava. Ouça tudo o que Sara lhe disser, pois por meio de Isaque será reconhecida a sua descendência.
21:13 Também farei do filho da escrava uma nação, porque ele é seu descendente”.
21:14 Abraão se levantou de manhã cedo, pegou pão e um odre de água e os deu a Agar, colocando-os sobre o ombro dela. Entregou-lhe também o menino e a mandou embora. Ela partiu e andou errante pelo deserto de Berseba.
21:15 Quando a água do odre acabou, ela deixou o menino debaixo de um dos arbustos.
21:16 Foi sentar-se à frente dele, a cerca de cem metros de distância, pois dizia: “Não quero ver o menino morrer”. Sentou-se à frente dele, levantou a voz e chorou.
21:17 Deus ouviu a voz do menino, e o anjo de Deus chamou Agar desde os céus e lhe disse: “O que você tem, Agar? Não tenha medo, pois Deus ouviu a voz do menino ali onde ele está.
21:18 Levante-se, erga o menino e segure-o pela mão, porque farei dele uma grande nação”.
21:19 Deus abriu os olhos dela, e ela viu um poço de água. Foi até lá, encheu o odre de água e deu de beber ao menino.
21:20 Deus estava com o menino, que cresceu, morou no deserto e se tornou arqueiro.
21:21 Ele morou no deserto de Parã, e sua mãe lhe conseguiu uma mulher da terra do Egito.
21:22 Naquele tempo, Abimeleque e Ficol, comandante do seu exército, disseram a Abraão: “Deus está com você em tudo o que faz.
21:23 Agora jure-me aqui por Deus que não enganará a mim, nem a meu filho, nem a meu neto. Mostre a mim e à terra onde viveu como estrangeiro a mesma lealdade que mostrei a você”.
21:24 Abraão respondeu: “Eu juro”.
21:25 Mas Abraão reclamou a Abimeleque de um poço de água do qual os servos de Abimeleque haviam se apoderado à força.
21:26 Abimeleque respondeu: “Não sei quem fez isso. Você não me contou, e eu só fiquei sabendo hoje”.
21:27 Abraão pegou rebanhos e gado e os deu a Abimeleque; e os dois fizeram uma aliança.
21:28 Abraão separou sete cordeiras do rebanho.
21:29 Abimeleque perguntou a Abraão: “O que significam essas sete cordeiras que você separou?”
21:30 Ele respondeu: “Receba da minha mão estas sete cordeiras, para que me sirvam de testemunho de que eu cavei este poço”.
21:31 Por isso chamou aquele lugar Berseba, porque ali os dois fizeram um juramento.
21:32 Depois de fazerem a aliança em Berseba, Abimeleque e Ficol, comandante do seu exército, partiram e voltaram à terra dos filisteus.
21:33 Abraão plantou uma tamargueira em Berseba e ali invocou o nome do SENHOR, o Deus eterno.
21:34 Abraão viveu como estrangeiro na terra dos filisteus por muito tempo.

Capítulo 22
22:1 Depois dessas coisas, Deus pôs Abraão à prova e o chamou: “Abraão!” Ele respondeu: “Aqui estou”.
22:2 Deus disse: “Tome seu filho, seu único filho, Isaque, a quem você ama, e vá para a terra de Moriá. Ofereça-o ali em holocausto sobre uma das montanhas que eu lhe indicar”.
22:3 Abraão se levantou de manhã cedo, selou seu jumento e levou consigo dois dos seus servos e seu filho Isaque. Cortou a lenha para o holocausto e partiu para o lugar que Deus lhe havia indicado.
22:4 No terceiro dia, Abraão levantou os olhos e viu o lugar ao longe.
22:5 Abraão disse aos seus servos: “Fiquem aqui com o jumento. Eu e o menino iremos até lá, adoraremos e voltaremos para junto de vocês”.
22:6 Abraão pegou a lenha do holocausto e a colocou sobre seu filho Isaque. Abraão levou na mão o fogo e a faca, e os dois caminharam juntos.
22:7 Isaque disse a Abraão, seu pai: “Meu pai!” Ele respondeu: “Aqui estou, meu filho”. Isaque perguntou: “Aqui estão o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?”
22:8 Abraão respondeu: “Deus proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho”. E os dois caminharam juntos.
22:9 Quando chegaram ao lugar que Deus lhe havia indicado, Abraão construiu ali o altar e arrumou a lenha. Amarrou seu filho Isaque e o colocou sobre o altar, em cima da lenha.
22:10 Abraão estendeu a mão e pegou a faca para degolar seu filho.
22:11 Mas o anjo do SENHOR o chamou desde os céus: “Abraão, Abraão!” Ele respondeu: “Aqui estou”.
22:12 O anjo disse: “Não estenda a mão contra o menino nem lhe faça nada. Agora sei que você teme a Deus, pois não me negou seu filho, seu único filho”.
22:13 Abraão levantou os olhos e viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres num arbusto. Foi, pegou o carneiro e o ofereceu em holocausto no lugar de seu filho.
22:14 Abraão deu àquele lugar o nome de “O SENHOR proverá”. Por isso se diz até hoje: “No monte do SENHOR se proverá”.
22:15 O anjo do SENHOR chamou Abraão desde os céus pela segunda vez
22:16 e disse: “Por mim mesmo jurei, declara o SENHOR: porque você fez isso e não me negou seu filho, seu único filho,
22:17 certamente eu o abençoarei e multiplicarei muito a sua descendência, como as estrelas dos céus e como a areia à beira do mar. Sua descendência possuirá a porta dos seus inimigos.
22:18 Na sua descendência todas as nações da terra se abençoarão, porque você obedeceu à minha voz”.
22:19 Abraão voltou aos seus servos, e juntos partiram para Berseba. Abraão ficou morando em Berseba.
22:20 Depois dessas coisas, deram esta notícia a Abraão: “Milca também deu filhos a Naor, seu irmão:
22:21 Uz, seu primogênito; Buz, seu irmão; Quemuel, pai de Arã;
22:22 Quésede, Hazo, Pildas, Jidlafe e Betuel”.
22:23 Betuel gerou Rebeca. Esses foram os oito filhos que Milca deu a Naor, irmão de Abraão.
22:24 Sua concubina, chamada Reumá, também deu à luz Teba, Gaã, Taás e Maaca.

Capítulo 23
23:1 Sara viveu cento e vinte e sete anos. Esses foram os anos da vida de Sara.
23:2 Sara morreu em Quiriate-Arba, que é Hebrom, na terra de Canaã. Abraão foi lamentar Sara e chorar por ela.
23:3 Depois Abraão se levantou de junto de sua mulher falecida e falou aos filhos de Hete:
23:4 “Sou estrangeiro e residente entre vocês. Concedam-me uma propriedade para sepultura entre vocês, para que eu retire de diante de mim a minha mulher falecida e a sepulte”.
23:5 Os filhos de Hete responderam a Abraão:
23:6 “Ouça-nos, meu senhor. Você é um príncipe de Deus entre nós. Sepulte a sua mulher falecida no melhor dos nossos túmulos. Nenhum de nós lhe negará seu túmulo para que a sepulte”.
23:7 Abraão se levantou e se inclinou diante do povo da terra, os filhos de Hete,
23:8 e lhes disse: “Se vocês concordam que eu retire de diante de mim a minha mulher falecida e a sepulte, ouçam-me e intercedam por mim junto a Efrom, filho de Zoar,
23:9 para que ele me ceda a caverna de Macpela, que lhe pertence e fica na extremidade do seu campo. Que ele a ceda a mim pelo preço integral, na presença de vocês, como propriedade para sepultura”.
23:10 Efrom estava sentado entre os filhos de Hete. Efrom, o heteu, respondeu a Abraão aos ouvidos dos filhos de Hete e de todos os que entravam pela porta da sua cidade:
23:11 “Não, meu senhor, ouça-me. Dou-lhe o campo e também lhe dou a caverna que há nele. Na presença dos filhos do meu povo eu os dou a você. Sepulte a sua mulher falecida”.
23:12 Abraão se inclinou diante do povo da terra
23:13 e disse a Efrom, aos ouvidos do povo da terra: “Mas, por favor, ouça-me. Eu pagarei o preço do campo; aceite-o de mim, para que eu sepulte ali a minha mulher falecida”.
23:14 Efrom respondeu a Abraão:
23:15 “Meu senhor, ouça-me. Um terreno que vale quatrocentos siclos de prata, cerca de quatro quilos e seiscentos gramas: o que é isso entre mim e você? Sepulte a sua mulher falecida”.
23:16 Abraão concordou com Efrom e lhe pesou a prata que ele havia mencionado aos ouvidos dos filhos de Hete: quatrocentos siclos de prata, cerca de quatro quilos e seiscentos gramas, segundo o peso corrente entre os comerciantes.
23:17 Assim, o campo de Efrom em Macpela, diante de Manre, o campo e a caverna que havia nele, e todas as árvores do campo, dentro de todos os seus limites,
23:18 passaram a ser propriedade adquirida por Abraão, na presença dos filhos de Hete e de todos os que entravam pela porta da sua cidade.
23:19 Depois disso, Abraão sepultou Sara, sua mulher, na caverna do campo de Macpela, diante de Manre, que é Hebrom, na terra de Canaã.
23:20 Assim, o campo e a caverna que havia nele foram transferidos pelos filhos de Hete a Abraão, como propriedade para sepultura.

Capítulo 24
24:1 Abraão já era velho, de idade avançada, e o SENHOR o havia abençoado em tudo.
24:2 Abraão disse ao seu servo, o mais velho da sua casa, que administrava tudo o que ele possuía: “Ponha a sua mão debaixo da minha coxa,
24:3 para que eu o faça jurar pelo SENHOR, Deus dos céus e Deus da terra, que você não tomará para meu filho uma mulher dentre as filhas dos cananeus, no meio dos quais eu vivo.
24:4 Você irá à minha terra e à minha parentela e de lá tomará uma mulher para meu filho Isaque”.
24:5 O servo lhe perguntou: “Talvez a mulher não queira me acompanhar até esta terra. Devo então levar seu filho de volta à terra de onde você saiu?”
24:6 Abraão lhe disse: “Cuidado! Não leve meu filho de volta para lá!
24:7 O SENHOR, Deus dos céus, que me tirou da casa do meu pai e da terra onde nasci, que me falou e me jurou: ‘À sua descendência darei esta terra’, enviará seu anjo à sua frente, e de lá você tomará uma mulher para meu filho.
24:8 Se a mulher não quiser acompanhar você, você ficará livre deste meu juramento. Mas não leve meu filho de volta para lá”.
24:9 Então o servo pôs a mão debaixo da coxa de Abraão, seu senhor, e lhe jurou cumprir esse encargo.
24:10 O servo pegou dez camelos do seu senhor e partiu, levando consigo toda espécie de bens do seu senhor. Pôs-se a caminho de Arã-Naaraim, para a cidade de Naor.
24:11 Fez os camelos se ajoelharem fora da cidade, junto ao poço de água. Era ao entardecer, na hora em que as mulheres saíam para tirar água.
24:12 Ele disse: “SENHOR, Deus do meu senhor Abraão, dá-me êxito hoje, por favor, e mostra a tua bondade ao meu senhor Abraão.
24:13 Aqui estou junto à fonte de água, e as filhas dos homens da cidade saem para tirar água.
24:14 Que a moça a quem eu disser: ‘Por favor, abaixe seu cântaro para que eu beba’, e que responder: ‘Beba, e também darei de beber aos seus camelos’, seja a que tu destinaste ao teu servo Isaque. Por ela saberei que mostraste bondade ao meu senhor”.
24:15 Antes que ele terminasse de falar, apareceu Rebeca, filha de Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Abraão. Ela trazia seu cântaro ao ombro.
24:16 A moça era muito bonita, virgem; nenhum homem havia tido relações com ela. Desceu à fonte, encheu seu cântaro e voltou a subir.
24:17 O servo correu ao encontro dela e disse: “Por favor, dê-me um pouco de água do seu cântaro”.
24:18 Ela respondeu: “Beba, meu senhor”. Depressa abaixou o cântaro, segurando-o com a mão, e lhe deu de beber.
24:19 Quando acabou de lhe dar de beber, disse: “Também tirarei água para os seus camelos, até que terminem de beber”.
24:20 Ela esvaziou depressa seu cântaro no bebedouro, correu de novo ao poço para tirar água e tirou para todos os camelos dele.
24:21 O homem a observava em silêncio, para saber se o SENHOR havia dado êxito à sua viagem ou não.
24:22 Quando os camelos terminaram de beber, o homem pegou um anel de ouro que pesava cerca de seis gramas e duas pulseiras para os pulsos dela, que pesavam ao todo cerca de cento e catorze gramas de ouro.
24:23 Perguntou: “De quem você é filha? Diga-me, por favor: há lugar na casa do seu pai para passarmos a noite?”
24:24 Ela lhe respondeu: “Sou filha de Betuel, o filho que Milca deu a Naor”.
24:25 E acrescentou: “Temos bastante palha e forragem e também lugar para passar a noite”.
24:26 Então o homem se inclinou e adorou o SENHOR,
24:27 dizendo: “Bendito seja o SENHOR, Deus do meu senhor Abraão, que não deixou de mostrar sua bondade e sua fidelidade ao meu senhor. O SENHOR me guiou pelo caminho até a casa dos parentes do meu senhor”.
24:28 A moça correu para contar essas coisas na casa da sua mãe.
24:29 Rebeca tinha um irmão chamado Labão, que saiu correndo até o homem, junto à fonte.
24:30 Quando viu o anel e as pulseiras nos pulsos da sua irmã e ouviu Rebeca, sua irmã, dizer: “Foi isso que o homem me disse”, ele foi até o homem, que estava em pé junto aos camelos, ao lado da fonte.
24:31 Labão disse: “Venha, bendito do SENHOR! Por que você está aí fora? Preparei a casa e um lugar para os camelos”.
24:32 O homem entrou na casa. Descarregaram os camelos e lhes deram palha e forragem; também trouxeram água para que ele e os homens que o acompanhavam lavassem os pés.
24:33 Puseram comida diante dele, mas ele disse: “Não comerei antes de comunicar o meu encargo”. A resposta foi: “Fale”.
24:34 Então ele disse: “Sou servo de Abraão.
24:35 O SENHOR abençoou muito meu senhor, e ele se tornou poderoso. O SENHOR lhe deu rebanhos, gado, prata, ouro, escravos, escravas, camelos e jumentos.
24:36 Sara, mulher do meu senhor, deu-lhe um filho na velhice dela, e meu senhor deu a esse filho tudo o que possui.
24:37 Meu senhor me fez jurar, dizendo: ‘Você não tomará para meu filho uma mulher dentre as filhas dos cananeus, em cuja terra eu vivo.
24:38 Você irá à casa do meu pai e à minha família e tomará uma mulher para meu filho’.
24:39 Eu disse ao meu senhor: ‘Talvez a mulher não queira me acompanhar’.
24:40 Ele me respondeu: ‘O SENHOR, em cuja presença tenho andado, enviará seu anjo com você e dará êxito à sua viagem. Você tomará uma mulher para meu filho dentre a minha família e a casa do meu pai.
24:41 Você ficará livre do meu juramento quando chegar à minha família; se eles não a derem a você, você ficará livre do meu juramento’.
24:42 Hoje cheguei à fonte e disse: ‘SENHOR, Deus do meu senhor Abraão, se estás disposto a dar êxito à viagem que estou fazendo,
24:43 aqui estou junto à fonte de água. Que a moça que sair para tirar água, a quem eu disser: “Por favor, dê-me um pouco de água do seu cântaro”,
24:44 e que me responder: “Beba, e também tirarei água para os seus camelos”, seja a mulher que o SENHOR destinou ao filho do meu senhor’.
24:45 Antes que eu terminasse de falar em meu coração, Rebeca apareceu com seu cântaro ao ombro. Ela desceu à fonte e tirou água, e eu lhe disse: ‘Por favor, dê-me de beber’.
24:46 Ela abaixou depressa o cântaro e disse: ‘Beba, e também darei de beber aos seus camelos’. Eu bebi, e ela também deu de beber aos camelos.
24:47 Perguntei a ela: ‘De quem você é filha?’ Ela respondeu: ‘Sou filha de Betuel, o filho que Milca deu a Naor’. Então pus o anel no nariz dela e as pulseiras nos seus pulsos.
24:48 Inclinei-me e adorei o SENHOR. Bendisse o SENHOR, Deus do meu senhor Abraão, que me guiou pelo caminho certo para tomar uma descendente do irmão do meu senhor como mulher para seu filho.
24:49 Agora, se vocês vão mostrar bondade e fidelidade ao meu senhor, digam-me; e, se não, digam-me também, para que eu me volte para a direita ou para a esquerda”.
24:50 Labão e Betuel responderam: “Isso vem do SENHOR; não podemos dizer nada contra nem a favor.
24:51 Aqui está Rebeca diante de você. Leve-a e vá; que ela seja a mulher do filho do seu senhor, como o SENHOR disse”.
24:52 Quando o servo de Abraão ouviu as palavras deles, prostrou-se em terra diante do SENHOR.
24:53 O servo tirou objetos de prata, objetos de ouro e roupas e os deu a Rebeca. Também deu presentes valiosos ao irmão e à mãe dela.
24:54 Ele e os homens que o acompanhavam comeram e beberam e passaram a noite ali. De manhã se levantaram, e ele disse: “Deixem-me voltar ao meu senhor”.
24:55 O irmão dela e sua mãe disseram: “Que a moça fique conosco alguns dias, talvez dez; depois poderá ir”.
24:56 Mas ele lhes disse: “Não me atrasem, pois o SENHOR deu êxito à minha viagem. Deixem-me partir e voltar ao meu senhor”.
24:57 Eles disseram: “Vamos chamar a moça e perguntar a ela”.
24:58 Chamaram Rebeca e lhe perguntaram: “Você irá com este homem?” Ela respondeu: “Irei”.
24:59 Então deixaram partir Rebeca, sua irmã, e a ama que a havia amamentado, junto com o servo de Abraão e os homens dele.
24:60 Abençoaram Rebeca e lhe disseram:
 “Nossa irmã, que você seja mãe de milhares de dezenas de milhares!
   Que a sua descendência possua a porta dos que a odeiam!”
24:61 Rebeca e suas servas se levantaram, montaram nos camelos e seguiram o homem. Assim o servo levou Rebeca e partiu.
24:62 Isaque havia vindo de Beer-Laai-Roi e morava na região do Neguebe.
24:63 Ao entardecer, Isaque saiu ao campo para meditar. Levantou os olhos e viu camelos que vinham chegando.
24:64 Rebeca levantou os olhos, viu Isaque e desceu do camelo.
24:65 Perguntou ao servo: “Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro?” O servo respondeu: “É meu senhor”. Então ela pegou o véu e se cobriu.
24:66 O servo contou a Isaque tudo o que havia feito.
24:67 Isaque a levou para a tenda de Sara, sua mãe. Tomou Rebeca por mulher e a amou. Assim Isaque foi consolado depois da morte da sua mãe.

Capítulo 25
25:1 Abraão tomou outra mulher, chamada Quetura.
25:2 Ela lhe deu à luz Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Suá.
25:3 Jocsã gerou Sabá e Dedã. Os filhos de Dedã foram os assuritas, os letusitas e os leumitas.
25:4 Os filhos de Midiã foram Efá, Efer, Enoque, Abida e Elda. Todos esses foram descendentes de Quetura.
25:5 Abraão deu a Isaque tudo o que possuía.
25:6 Mas aos filhos das suas concubinas Abraão deu presentes e, enquanto ainda vivia, mandou-os para longe do seu filho Isaque, para o leste, para a terra do leste.
25:7 Esses foram os anos da vida de Abraão: cento e setenta e cinco anos.
25:8 Abraão deu seu último suspiro e morreu em boa velhice, velho e satisfeito com a vida; e foi reunido ao seu povo.
25:9 Seus filhos Isaque e Ismael o sepultaram na caverna de Macpela, no campo de Efrom, filho de Zoar, o heteu, diante de Manre.
25:10 Era o campo que Abraão havia comprado dos filhos de Hete. Ali foram sepultados Abraão e Sara, sua mulher.
25:11 Depois da morte de Abraão, Deus abençoou seu filho Isaque. Isaque morava junto a Beer-Laai-Roi.
25:12 Estas são as gerações de Ismael, filho de Abraão, a quem Agar, a egípcia, escrava de Sara, deu à luz para Abraão.
25:13 Estes são os nomes dos filhos de Ismael, segundo seus nomes e gerações: Nebaiote, o primogênito de Ismael, Quedar, Abdeel, Mibsão,
25:14 Misma, Dumá, Massá,
25:15 Hadade, Tema, Jetur, Nafis e Quedemá.
25:16 Esses foram os filhos de Ismael e esses os seus nomes, segundo seus povoados e acampamentos: doze príncipes, segundo seus clãs.
25:17 Ismael viveu cento e trinta e sete anos. Deu seu último suspiro e morreu, e foi reunido ao seu povo.
25:18 Seus descendentes habitaram desde Havilá até Sur, diante do Egito, na direção da Assíria. Ele se estabeleceu diante de todos os seus irmãos.
25:19 Estas são as gerações de Isaque, filho de Abraão. Abraão gerou Isaque.
25:20 Isaque tinha quarenta anos quando tomou por mulher Rebeca, filha de Betuel, o arameu, de Padã-Arã, e irmã de Labão, o arameu.
25:21 Isaque suplicou ao SENHOR por sua mulher, porque ela era estéril. O SENHOR atendeu à sua súplica, e Rebeca, sua mulher, engravidou.
25:22 Os filhos lutavam dentro dela, e ela disse: “Se é assim, por que isso me acontece?” E foi consultar o SENHOR.
25:23 O SENHOR lhe disse:
 “Duas nações estão no seu ventre, e dois povos se separarão das suas entranhas.
   Um povo será mais forte que o outro, e o mais velho servirá ao mais novo”.
25:24 Quando se completou o tempo de dar à luz, havia gêmeos no seu ventre.
25:25 O primeiro saiu avermelhado, todo coberto de pelos como um manto, e lhe deram o nome de Esaú.
25:26 Depois saiu seu irmão, com a mão segurando o calcanhar de Esaú, e recebeu o nome de Jacó. Isaque tinha sessenta anos quando eles nasceram.
25:27 Os meninos cresceram. Esaú tornou-se um caçador habilidoso, um homem do campo; Jacó era um homem tranquilo, que morava em tendas.
25:28 Isaque amava Esaú porque comia da sua caça, mas Rebeca amava Jacó.
25:29 Jacó preparava um guisado quando Esaú voltou do campo exausto.
25:30 Esaú disse a Jacó: “Por favor, dê-me de comer desse vermelho, desse guisado vermelho, pois estou exausto”. Por isso lhe deram o nome de Edom.
25:31 Jacó respondeu: “Venda-me hoje a sua primogenitura”.
25:32 Esaú disse: “Estou a ponto de morrer; de que me serve a primogenitura?”
25:33 Jacó disse: “Jure-me hoje”. Esaú lhe jurou e vendeu sua primogenitura a Jacó.
25:34 Jacó deu a Esaú pão e guisado de lentilhas. Esaú comeu e bebeu, levantou-se e foi embora. Assim Esaú desprezou a sua primogenitura.

Capítulo 26
26:1 Houve fome na terra, além da fome anterior, que havia ocorrido nos dias de Abraão. Isaque foi a Gerar, até Abimeleque, rei dos filisteus.
26:2 O SENHOR lhe apareceu e disse: “Não desça ao Egito. More na terra que eu lhe indicar.
26:3 Viva como estrangeiro nesta terra, e eu estarei com você e o abençoarei. Pois darei a você e à sua descendência todas estas terras e cumprirei o juramento que fiz a Abraão, seu pai.
26:4 Multiplicarei a sua descendência como as estrelas dos céus e darei à sua descendência todas estas terras. Na sua descendência todas as nações da terra se abençoarão,
26:5 porque Abraão obedeceu à minha voz e guardou minhas ordens, meus mandamentos, meus estatutos e minhas instruções”.
26:6 Assim Isaque ficou morando em Gerar.
26:7 Quando os homens do lugar lhe perguntaram por sua mulher, ele disse: “É minha irmã”. Pois teve medo de dizer: “É minha mulher”, pensando: “Os homens do lugar podem me matar por causa de Rebeca”, porque ela era bonita.
26:8 Isaque já estava ali havia muito tempo quando Abimeleque, rei dos filisteus, olhou pela janela e viu Isaque acariciando Rebeca, sua mulher.
26:9 Abimeleque chamou Isaque e disse: “Ela é sua mulher! Como você pôde dizer: ‘É minha irmã’?” Isaque respondeu: “Pensei que poderia morrer por causa dela”.
26:10 Abimeleque disse: “O que você nos fez? Por pouco alguém do povo teria se deitado com sua mulher, e você teria trazido culpa sobre nós”.
26:11 Então Abimeleque ordenou a todo o povo: “Quem tocar neste homem ou na sua mulher certamente será morto”.
26:12 Isaque semeou naquela terra e, naquele ano, colheu cem vezes o que havia semeado. O SENHOR o abençoou.
26:13 O homem prosperou e continuou prosperando cada vez mais, até ficar muito rico.
26:14 Tinha rebanhos, gado e muita gente ao seu serviço, e os filisteus o invejavam.
26:15 Os filisteus haviam tapado e enchido de terra todos os poços que os servos do seu pai haviam cavado nos dias de Abraão, seu pai.
26:16 Abimeleque disse a Isaque: “Vá embora do nosso meio, porque você se tornou muito mais poderoso que nós”.
26:17 Isaque partiu dali, acampou no vale de Gerar e ficou morando ali.
26:18 Isaque tornou a cavar os poços de água que haviam cavado nos dias de Abraão, seu pai, e que os filisteus haviam tapado depois da morte de Abraão. Deu-lhes os mesmos nomes que seu pai lhes havia dado.
26:19 Os servos de Isaque cavaram no vale e encontraram ali um poço de água de nascente.
26:20 Os pastores de Gerar discutiram com os pastores de Isaque, dizendo: “A água é nossa!” Por isso Isaque chamou o poço de Eseque, porque haviam disputado com ele.
26:21 Depois cavaram outro poço, e também discutiram por ele. Isaque lhe deu o nome de Sitna.
26:22 Ele se mudou dali e cavou outro poço, pelo qual não discutiram. Deu-lhe o nome de Reobote, pois disse: “Agora o SENHOR nos deu espaço, e seremos fecundos nesta terra”.
26:23 Dali ele subiu a Berseba.
26:24 Naquela noite o SENHOR lhe apareceu e disse: “Eu sou o Deus de Abraão, seu pai. Não tenha medo, pois estou com você. Eu o abençoarei e multiplicarei a sua descendência por causa de Abraão, meu servo”.
26:25 Isaque construiu ali um altar e invocou o nome do SENHOR. Armou ali a sua tenda, e os servos de Isaque cavaram ali um poço.
26:26 Abimeleque veio de Gerar para vê-lo, com Ausate, seu amigo, e Ficol, comandante do seu exército.
26:27 Isaque lhes perguntou: “Por que vocês vieram até mim, se me odiaram e me expulsaram do seu meio?”
26:28 Eles responderam: “Vimos claramente que o SENHOR está com você. Por isso dissemos: ‘Que haja um juramento entre nós, entre nós e você’. Vamos fazer uma aliança com você:
26:29 que você não nos faça mal, assim como nós não tocamos em você, só lhe fizemos o bem e o deixamos partir em paz. Agora você é bendito do SENHOR”.
26:30 Isaque lhes preparou um banquete, e eles comeram e beberam.
26:31 Levantaram-se de manhã cedo e juraram uns aos outros. Isaque os despediu, e eles partiram em paz.
26:32 Naquele mesmo dia, os servos de Isaque vieram e lhe deram notícias do poço que haviam cavado. Disseram: “Encontramos água!”
26:33 Ele lhe deu o nome de Seba. Por isso o nome da cidade é Berseba até o dia de hoje.
26:34 Quando Esaú tinha quarenta anos, tomou por mulheres Judite, filha de Beeri, o heteu, e Basemate, filha de Elom, o heteu.
26:35 Elas foram uma amargura de espírito para Isaque e Rebeca.

Capítulo 27
27:1 Quando Isaque ficou velho e seus olhos enfraqueceram a ponto de não poder ver, chamou Esaú, seu filho mais velho, e lhe disse: “Meu filho!” Ele respondeu: “Aqui estou”.
27:2 Isaque disse: “Estou velho e não sei o dia da minha morte.
27:3 Agora pegue suas armas, sua aljava e seu arco, vá ao campo e cace alguma coisa para mim.
27:4 Prepare um prato saboroso como eu gosto e traga-o para que eu coma e minha alma o abençoe antes de eu morrer”.
27:5 Rebeca escutava enquanto Isaque falava com seu filho Esaú. Esaú foi ao campo caçar e trazer o que caçasse.
27:6 Então Rebeca disse a seu filho Jacó: “Ouvi seu pai dizer a Esaú, seu irmão:
27:7 ‘Traga-me caça e prepare um prato saboroso para que eu coma e o abençoe diante do SENHOR antes da minha morte’.
27:8 Agora, meu filho, obedeça à minha voz no que eu lhe ordeno.
27:9 Vá ao rebanho e traga-me de lá dois bons cabritos. Com eles farei um prato saboroso para seu pai, como ele gosta.
27:10 Você o levará ao seu pai para que ele coma e o abençoe antes da sua morte”.
27:11 Jacó disse a Rebeca, sua mãe: “Meu irmão Esaú é peludo, mas minha pele é lisa.
27:12 Talvez meu pai me apalpe e pense que estou zombando dele. Assim trarei sobre mim uma maldição em vez de uma bênção”.
27:13 Sua mãe lhe respondeu: “Que a sua maldição caia sobre mim, meu filho. Apenas obedeça à minha voz; vá e traga-os para mim”.
27:14 Ele foi, pegou os cabritos e os trouxe à sua mãe. Ela preparou um prato saboroso, como o pai de Jacó gostava.
27:15 Rebeca pegou as melhores roupas de Esaú, seu filho mais velho, que tinha consigo em casa, e vestiu com elas Jacó, seu filho mais novo.
27:16 Com as peles dos cabritos, cobriu as mãos dele e a parte lisa do seu pescoço.
27:17 Pôs nas mãos de seu filho Jacó o prato saboroso e o pão que havia preparado.
27:18 Ele foi ao seu pai e disse: “Meu pai!” Seu pai respondeu: “Aqui estou. Quem é você, meu filho?”
27:19 Jacó disse ao seu pai: “Sou Esaú, seu primogênito. Fiz o que me pediu. Levante-se, por favor, sente-se e coma da minha caça, para que sua alma me abençoe”.
27:20 Isaque perguntou ao seu filho: “Como você a encontrou tão depressa, meu filho?” Ele respondeu: “Porque o SENHOR, seu Deus, a pôs no meu caminho”.
27:21 Isaque disse a Jacó: “Chegue mais perto, por favor, para que eu o apalpe, meu filho, e saiba se você é mesmo meu filho Esaú ou não”.
27:22 Jacó se aproximou de Isaque, seu pai, que o apalpou e disse: “A voz é a voz de Jacó, mas as mãos são as mãos de Esaú”.
27:23 Não o reconheceu, porque suas mãos eram peludas como as de seu irmão Esaú; e o abençoou.
27:24 Perguntou: “Você é mesmo meu filho Esaú?” Ele respondeu: “Sou”.
27:25 Então disse: “Traga para perto de mim, para que eu coma da caça do meu filho e minha alma o abençoe”. Jacó trouxe a comida, e Isaque comeu. Trouxe-lhe também vinho, e ele bebeu.
27:26 Isaque, seu pai, lhe disse: “Chegue mais perto e beije-me, meu filho”.
27:27 Jacó se aproximou e o beijou. Isaque sentiu o cheiro das roupas de Jacó e o abençoou, dizendo:
 “O cheiro do meu filho é como o cheiro de um campo que o SENHOR abençoou!
27:28 Que Deus lhe dê do orvalho dos céus, da fertilidade da terra e abundância de cereal e vinho novo.
27:29 Que povos o sirvam e nações se curvem diante de você.
   Seja senhor dos seus irmãos, e que os filhos da sua mãe se curvem diante de você.
   Malditos sejam os que o amaldiçoarem, e benditos os que o abençoarem”.
27:30 Isaque havia acabado de abençoar Jacó, e Jacó mal havia saído da presença de seu pai Isaque quando seu irmão Esaú voltou da caça.
27:31 Ele também preparou um prato saboroso e o levou ao pai, dizendo: “Meu pai, levante-se e coma da caça do seu filho, para que sua alma me abençoe”.
27:32 Isaque, seu pai, lhe perguntou: “Quem é você?” Ele respondeu: “Sou seu filho, seu primogênito, Esaú”.
27:33 Isaque estremeceu muito e disse: “Quem foi, então, que caçou e me trouxe a caça? Comi de tudo antes de você chegar e o abençoei. E ele será bendito!”
27:34 Ao ouvir as palavras do pai, Esaú soltou um grito muito forte e amargo e lhe disse: “Abençoe também a mim, meu pai!”
27:35 Ele respondeu: “Seu irmão veio com engano e tomou a sua bênção”.
27:36 Esaú disse: “Não foi com razão que lhe deram o nome de Jacó? Já me suplantou duas vezes: tomou a minha primogenitura e agora tomou a minha bênção”. E acrescentou: “Não reservou uma bênção para mim?”
27:37 Isaque respondeu a Esaú: “Eu o fiz senhor sobre você e lhe dei todos os seus irmãos como servos; eu o sustentei com cereal e vinho novo. O que poderei fazer por você agora, meu filho?”
27:38 Esaú disse ao pai: “O senhor tem só uma bênção, meu pai? Abençoe também a mim, meu pai!” E Esaú levantou a voz e chorou.
27:39 Isaque, seu pai, lhe respondeu:
 “Longe da fertilidade da terra será a sua morada, e longe do orvalho dos céus lá de cima.
27:40 Você viverá da sua espada e servirá ao seu irmão.
   Mas, quando se revoltar, sacudirá o jugo dele do seu pescoço”.
27:41 Esaú guardou rancor de Jacó por causa da bênção com que seu pai o havia abençoado. Disse em seu coração: “Os dias de luto pelo meu pai estão próximos; então matarei meu irmão Jacó”.
27:42 Quando contaram a Rebeca as palavras de Esaú, seu filho mais velho, ela mandou chamar Jacó, seu filho mais novo, e lhe disse: “Seu irmão Esaú se consola com a ideia de matar você.
27:43 Agora, meu filho, obedeça à minha voz. Levante-se e fuja para junto de Labão, meu irmão, em Harã.
27:44 Fique com ele alguns dias, até que passe o furor do seu irmão,
27:45 até que a ira dele contra você se acalme e ele se esqueça do que você lhe fez. Então mandarei buscar você lá. Por que eu perderia vocês dois no mesmo dia?”
27:46 Rebeca disse a Isaque: “Estou farta da minha vida por causa das filhas de Hete. Se Jacó tomar uma mulher dentre as filhas de Hete como estas, uma mulher desta terra, para que quero viver?”

Capítulo 28
28:1 Isaque chamou Jacó, o abençoou e lhe ordenou: “Não tome uma mulher dentre as filhas de Canaã.
28:2 Levante-se e vá a Padã-Arã, à casa de Betuel, pai da sua mãe. Tome ali uma mulher dentre as filhas de Labão, irmão da sua mãe.
28:3 Que o Deus Todo-Poderoso o abençoe, faça você ser fecundo e o multiplique, para que você se torne uma comunidade de povos.
28:4 Que ele dê a bênção de Abraão a você e à sua descendência com você, para que você herde a terra onde vive como estrangeiro, a terra que Deus deu a Abraão”.
28:5 Isaque despediu Jacó, e ele foi a Padã-Arã, até Labão, filho de Betuel, o arameu, e irmão de Rebeca, mãe de Jacó e Esaú.
28:6 Esaú viu que Isaque havia abençoado Jacó e o enviado a Padã-Arã para tomar de lá uma mulher; e que, ao abençoá-lo, lhe havia ordenado: “Não tome uma mulher dentre as filhas de Canaã”.
28:7 Também viu que Jacó havia obedecido ao pai e à mãe e ido a Padã-Arã.
28:8 Esaú percebeu que as filhas de Canaã não agradavam a Isaque, seu pai.
28:9 Então Esaú foi a Ismael e tomou por mulher Maalate, filha de Ismael, filho de Abraão, e irmã de Nebaiote, além das mulheres que já tinha.
28:10 Jacó saiu de Berseba e foi em direção a Harã.
28:11 Chegou a certo lugar e passou ali a noite, porque o sol havia se posto. Pegou uma das pedras do lugar, colocou-a à sua cabeceira e se deitou ali.
28:12 Sonhou com uma escada apoiada na terra, cujo topo chegava aos céus. Os anjos de Deus subiam e desciam por ela.
28:13 O SENHOR estava no alto dela e disse: “Eu sou o SENHOR, o Deus de Abraão, seu antepassado, e o Deus de Isaque. Darei a você e à sua descendência a terra onde você está deitado.
28:14 Sua descendência será como o pó da terra. Você se estenderá para o oeste e para o leste, para o norte e para o sul. Por meio de você e da sua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra.
28:15 Estou com você e o guardarei por onde quer que vá; eu o trarei de volta a esta terra. Não o abandonarei até cumprir o que lhe prometi”.
28:16 Jacó acordou do sono e disse: “Certamente o SENHOR está neste lugar, e eu não sabia”.
28:17 Ele teve medo e disse: “Como este lugar é temível! Isto só pode ser a casa de Deus e a porta dos céus”.
28:18 Jacó se levantou de manhã cedo, pegou a pedra que havia posto à sua cabeceira e a ergueu como coluna. Derramou azeite sobre o topo dela.
28:19 Deu àquele lugar o nome de Betel, embora antes a cidade se chamasse Luz.
28:20 Jacó fez este voto: “Se Deus estiver comigo, me guardar nesta viagem que estou fazendo e me der pão para comer e roupa para vestir,
28:21 e se eu voltar em paz à casa do meu pai, então o SENHOR será o meu Deus.
28:22 Esta pedra que ergui como coluna será casa de Deus; e, de tudo o que me deres, certamente te darei o dízimo”.

Capítulo 29
29:1 Jacó continuou a viagem e foi à terra dos povos do leste.
29:2 Viu um poço no campo e três rebanhos de ovelhas deitados junto a ele, pois daquele poço davam de beber aos rebanhos. Uma grande pedra cobria a boca do poço.
29:3 Ali se reuniam todos os rebanhos; então rolavam a pedra da boca do poço, davam de beber às ovelhas e tornavam a colocar a pedra no seu lugar, sobre a boca do poço.
29:4 Jacó lhes perguntou: “Meus irmãos, de onde vocês são?” Eles responderam: “Somos de Harã”.
29:5 Ele perguntou: “Vocês conhecem Labão, neto de Naor?” Eles responderam: “Conhecemos”.
29:6 Perguntou ainda: “Ele está bem?” Responderam: “Está bem. Veja, sua filha Raquel vem aí com as ovelhas”.
29:7 Ele disse: “Ainda falta muito para o dia acabar; não é hora de recolher o gado. Deem de beber às ovelhas e levem-nas para pastar”.
29:8 Eles responderam: “Não podemos, até que todos os rebanhos se reúnam e rolem a pedra da boca do poço. Então daremos de beber às ovelhas”.
29:9 Enquanto ele ainda falava com eles, Raquel chegou com as ovelhas do seu pai, pois ela era pastora.
29:10 Quando Jacó viu Raquel, filha de Labão, irmão da sua mãe, e as ovelhas de Labão, irmão da sua mãe, aproximou-se, rolou a pedra da boca do poço e deu de beber às ovelhas de Labão, irmão da sua mãe.
29:11 Jacó beijou Raquel, levantou a voz e chorou.
29:12 Jacó contou a Raquel que era parente do pai dela e filho de Rebeca. Ela correu e contou ao pai.
29:13 Quando Labão ouviu a notícia de Jacó, filho da sua irmã, correu ao encontro dele, o abraçou, o beijou e o levou para sua casa. Jacó contou a Labão todas essas coisas.
29:14 Labão lhe disse: “Você é de fato meu osso e minha carne”. Jacó ficou com ele por um mês.
29:15 Labão disse a Jacó: “Só porque você é meu parente, deve me servir de graça? Diga-me qual será o seu salário”.
29:16 Labão tinha duas filhas: a mais velha se chamava Leia, e a mais nova, Raquel.
29:17 Leia tinha olhos delicados, mas Raquel era bonita de corpo e de rosto.
29:18 Jacó amava Raquel e disse: “Trabalharei para você sete anos por Raquel, sua filha mais nova”.
29:19 Labão respondeu: “É melhor dá-la a você do que a outro homem. Fique comigo”.
29:20 Assim Jacó serviu sete anos por Raquel, e eles lhe pareceram poucos dias, porque a amava.
29:21 Jacó disse a Labão: “Dê-me minha mulher, pois completei o meu tempo, para que eu me una a ela”.
29:22 Labão reuniu todos os homens do lugar e deu um banquete.
29:23 Ao anoitecer, tomou sua filha Leia e a levou a Jacó, e ele teve relações com ela.
29:24 Labão deu sua escrava Zilpa à sua filha Leia, para servi-la.
29:25 Pela manhã, era Leia! Jacó disse a Labão: “O que você me fez? Não trabalhei para você por Raquel? Por que me enganou?”
29:26 Labão respondeu: “Em nossa terra não se costuma dar a mais nova antes da primogênita.
29:27 Complete a semana de núpcias desta, e também lhe daremos a outra, pelo serviço de mais sete anos que você me prestará”.
29:28 Jacó fez assim e completou a semana de núpcias de Leia. Então Labão lhe deu sua filha Raquel por mulher.
29:29 Labão deu sua escrava Bila à sua filha Raquel, para servi-la.
29:30 Jacó também teve relações com Raquel e amou Raquel mais do que Leia. E serviu a Labão por mais sete anos.
29:31 O SENHOR viu que Leia era desprezada e abriu o ventre dela, mas Raquel era estéril.
29:32 Leia engravidou e deu à luz um filho, a quem chamou Rúben, pois disse: “O SENHOR viu a minha aflição; agora meu marido me amará”.
29:33 Engravidou outra vez e deu à luz um filho, e disse: “O SENHOR ouviu que sou desprezada e também me deu este filho”. Deu-lhe o nome de Simeão.
29:34 Engravidou outra vez e deu à luz um filho, e disse: “Agora meu marido se unirá a mim, porque lhe dei três filhos”. Por isso ele recebeu o nome de Levi.
29:35 Engravidou outra vez e deu à luz um filho, e disse: “Desta vez louvarei o SENHOR”. Por isso lhe deu o nome de Judá. Então deixou de ter filhos.

Capítulo 30
30:1 Quando Raquel viu que não dava filhos a Jacó, teve inveja da sua irmã e disse a Jacó: “Dê-me filhos, senão eu morro!”
30:2 Jacó ficou irado com Raquel e disse: “Estou eu no lugar de Deus, que lhe negou o fruto do ventre?”
30:3 Ela respondeu: “Aqui está minha escrava Bila. Tenha relações com ela, para que dê à luz sobre os meus joelhos; assim eu também terei filhos por meio dela”.
30:4 Deu-lhe sua escrava Bila por mulher, e Jacó teve relações com ela.
30:5 Bila engravidou e deu a Jacó um filho.
30:6 Raquel disse: “Deus me fez justiça, ouviu a minha voz e me deu um filho”. Por isso lhe deu o nome de Dã.
30:7 Bila, escrava de Raquel, engravidou outra vez e deu a Jacó um segundo filho.
30:8 Raquel disse: “Com grandes lutas lutei com minha irmã, e venci”. Deu-lhe o nome de Naftali.
30:9 Quando Leia viu que havia deixado de ter filhos, tomou sua escrava Zilpa e a deu a Jacó por mulher.
30:10 Zilpa, escrava de Leia, deu a Jacó um filho.
30:11 Leia disse: “Que boa sorte!” E lhe deu o nome de Gade.
30:12 Zilpa, escrava de Leia, deu a Jacó um segundo filho.
30:13 Leia disse: “Como sou feliz! As mulheres me chamarão feliz”. E lhe deu o nome de Aser.
30:14 No tempo da colheita do trigo, Rúben saiu e encontrou mandrágoras no campo, e as trouxe à sua mãe Leia. Raquel disse a Leia: “Por favor, dê-me algumas das mandrágoras do seu filho”.
30:15 Ela respondeu: “Não basta você ter tomado meu marido? Quer tomar também as mandrágoras do meu filho?” Raquel disse: “Pois ele se deitará com você esta noite em troca das mandrágoras do seu filho”.
30:16 Ao entardecer, quando Jacó voltou do campo, Leia saiu ao encontro dele e disse: “Você deve vir comigo, pois paguei por você com as mandrágoras do meu filho”. Ele se deitou com ela naquela noite.
30:17 Deus ouviu Leia, e ela engravidou e deu a Jacó um quinto filho.
30:18 Leia disse: “Deus me deu a minha recompensa, porque dei minha escrava ao meu marido”. Deu-lhe o nome de Issacar.
30:19 Leia engravidou outra vez e deu a Jacó um sexto filho.
30:20 Leia disse: “Deus me deu um bom presente. Desta vez meu marido me honrará, porque lhe dei seis filhos”. Deu-lhe o nome de Zebulom.
30:21 Depois deu à luz uma filha, a quem chamou Diná.
30:22 Deus se lembrou de Raquel; Deus a ouviu e abriu o ventre dela.
30:23 Ela engravidou e deu à luz um filho, e disse: “Deus tirou a minha vergonha”.
30:24 Deu-lhe o nome de José, dizendo: “Que o SENHOR me acrescente outro filho”.
30:25 Depois que Raquel deu à luz José, Jacó disse a Labão: “Deixe-me partir e voltar ao meu lugar e à minha terra.
30:26 Dê-me minhas mulheres, pelas quais trabalhei para você, e meus filhos, e deixe-me ir. Você sabe o serviço que lhe prestei”.
30:27 Labão lhe respondeu: “Se encontrei favor aos seus olhos, fique. Soube por adivinhação que o SENHOR me abençoou por sua causa”.
30:28 E acrescentou: “Determine o seu salário, e eu o pagarei”.
30:29 Jacó lhe respondeu: “Você sabe como trabalhei para você e o que aconteceu com seu gado sob os meus cuidados.
30:30 Pois o pouco que você tinha antes de mim aumentou muito, e o SENHOR o abençoou por onde passei. Agora, quando poderei trabalhar também pela minha própria casa?”
30:31 Labão perguntou: “O que lhe darei?” Jacó respondeu: “Não me dê nada. Se fizer isto por mim, voltarei a apascentar e a guardar o seu rebanho:
30:32 hoje passarei por todo o seu rebanho, separando todos os animais salpicados e malhados, todos os escuros entre as ovelhas e os malhados e salpicados entre as cabras. Esse será o meu salário.
30:33 Minha honestidade responderá por mim no futuro, quando você vier verificar o meu salário. Qualquer cabra que eu tiver e não for salpicada nem malhada, e qualquer ovelha que não for escura, será considerada roubada”.
30:34 Labão disse: “Está bem. Que seja como você disse”.
30:35 Naquele mesmo dia, Labão separou os bodes listrados e malhados, todas as cabras salpicadas e malhadas, todos os que tinham alguma parte branca e todos os escuros entre as ovelhas. Entregou-os aos cuidados dos seus filhos.
30:36 Pôs uma distância de três dias de viagem entre si e Jacó. Jacó continuou apascentando o restante do rebanho de Labão.
30:37 Jacó pegou varas verdes de álamo, de amendoeira e de plátano oriental. Descascou-as em faixas brancas, deixando exposta a parte branca das varas.
30:38 Colocou as varas que havia descascado nos canais, nos bebedouros onde os rebanhos vinham beber, diante dos animais. Eles entravam no cio quando vinham beber.
30:39 Os rebanhos acasalavam diante das varas e davam crias listradas, salpicadas e malhadas.
30:40 Jacó separava os cordeiros e fazia o rebanho olhar para os animais listrados e para todos os escuros do rebanho de Labão. Mantinha seus próprios rebanhos separados e não os juntava ao rebanho de Labão.
30:41 Sempre que as fêmeas mais fortes do rebanho entravam no cio, Jacó colocava as varas diante dos olhos delas, nos bebedouros, para que acasalassem diante das varas.
30:42 Mas, quando eram as mais fracas, não colocava as varas. Assim, as fracas ficavam para Labão, e as fortes, para Jacó.
30:43 Desse modo o homem prosperou muitíssimo e passou a ter grandes rebanhos, escravas, escravos, camelos e jumentos.

Capítulo 31
31:1 Jacó ouviu os filhos de Labão dizerem: “Jacó tomou tudo o que era do nosso pai e, com o que pertencia ao nosso pai, adquiriu toda essa riqueza”.
31:2 Jacó percebeu pelo semblante de Labão que ele já não o tratava como antes.
31:3 O SENHOR disse a Jacó: “Volte à terra dos seus pais e à sua parentela, e eu estarei com você”.
31:4 Jacó mandou chamar Raquel e Leia ao campo, onde estava seu rebanho,
31:5 e lhes disse: “Vejo pelo semblante do pai de vocês que ele já não me trata como antes. Mas o Deus do meu pai esteve comigo.
31:6 Vocês mesmas sabem que trabalhei para seu pai com todas as minhas forças.
31:7 Mas seu pai me enganou e mudou meu salário dez vezes; porém Deus não permitiu que ele me fizesse mal.
31:8 Quando ele dizia: ‘Os salpicados serão o seu salário’, todo o rebanho dava crias salpicadas. Quando dizia: ‘Os listrados serão o seu salário’, todo o rebanho dava crias listradas.
31:9 Assim Deus tirou o gado do pai de vocês e o deu a mim.
31:10 Na época em que o rebanho entrava no cio, levantei os olhos e vi num sonho que os bodes que cobriam as fêmeas eram listrados, salpicados e mosqueados.
31:11 O anjo de Deus me chamou no sonho: ‘Jacó!’ Eu respondi: ‘Aqui estou’.
31:12 Ele disse: ‘Levante os olhos e veja: todos os bodes que cobrem as fêmeas são listrados, salpicados e mosqueados, pois vi tudo o que Labão faz com você.
31:13 Eu sou o Deus de Betel, onde você ungiu uma coluna e me fez um voto. Agora levante-se, saia desta terra e volte à terra onde nasceu’”.
31:14 Raquel e Leia lhe responderam: “Ainda temos alguma parte ou herança na casa do nosso pai?
31:15 Ele não nos considera estrangeiras? Pois nos vendeu e consumiu todo o nosso dinheiro.
31:16 Toda a riqueza que Deus tirou do nosso pai é nossa e dos nossos filhos. Agora faça tudo o que Deus lhe disse”.
31:17 Jacó se levantou e pôs seus filhos e suas mulheres sobre os camelos.
31:18 Conduziu todo o seu gado e todos os bens que havia adquirido, o gado de sua propriedade que havia obtido em Padã-Arã, para ir à terra de Canaã, até Isaque, seu pai.
31:19 Labão havia ido tosquiar suas ovelhas, e Raquel roubou os ídolos domésticos do seu pai.
31:20 Jacó enganou Labão, o arameu, ao não lhe dizer que estava fugindo.
31:21 Fugiu com tudo o que tinha, atravessou o rio e se dirigiu à região montanhosa de Gileade.
31:22 No terceiro dia, avisaram a Labão que Jacó havia fugido.
31:23 Labão levou seus parentes e o perseguiu por sete dias de viagem, até alcançá-lo na região montanhosa de Gileade.
31:24 Mas Deus veio a Labão, o arameu, num sonho, à noite, e lhe disse: “Cuidado! Não fale a Jacó nem para o bem nem para o mal”.
31:25 Labão alcançou Jacó, que havia armado sua tenda na montanha. Labão acampou com seus parentes na região montanhosa de Gileade.
31:26 Labão disse a Jacó: “O que você fez? Enganou-me e levou minhas filhas como prisioneiras de guerra.
31:27 Por que você fugiu às escondidas, me enganou e não me avisou? Eu o teria despedido com alegria e cânticos, com tamborim e lira.
31:28 Nem me deixou beijar meus netos e minhas filhas. Você agiu de modo insensato!
31:29 Tenho poder para fazer mal a vocês, mas o Deus do pai de vocês me disse ontem à noite: ‘Cuidado! Não fale a Jacó nem para o bem nem para o mal’.
31:30 Você foi embora porque sentia tanta saudade da casa do seu pai. Mas por que roubou os meus deuses?”
31:31 Jacó respondeu a Labão: “Tive medo, pois pensei que você poderia tirar de mim as suas filhas à força.
31:32 Mas aquele com quem você encontrar seus deuses não viverá. Diante dos nossos parentes, reconheça o que é seu entre as minhas coisas e leve-o”. Jacó não sabia que Raquel os havia roubado.
31:33 Labão entrou na tenda de Jacó, na tenda de Leia e na tenda das duas escravas, mas não os encontrou. Saiu da tenda de Leia e entrou na tenda de Raquel.
31:34 Raquel havia pegado os ídolos domésticos, colocado-os na sela do camelo e se sentado sobre eles. Labão revistou toda a tenda, mas não os encontrou.
31:35 Ela disse ao pai: “Não fique irado, meu senhor, por eu não poder me levantar diante do senhor, pois estou menstruada”. Ele procurou, mas não encontrou os ídolos domésticos.
31:36 Então Jacó ficou irado e discutiu com Labão, dizendo: “Qual é o meu delito? Qual é o meu pecado, para que você me perseguisse com tanto furor?
31:37 Você revistou todas as minhas coisas. O que encontrou de todos os objetos da sua casa? Ponha aqui, diante dos meus parentes e dos seus, para que julguem entre nós dois.
31:38 Estive com você estes vinte anos. Suas ovelhas e suas cabras não abortaram, e não comi os carneiros do seu rebanho.
31:39 Não lhe trouxe os animais despedaçados pelas feras; eu pagava a perda. Você exigia de mim o pagamento do que era roubado, de dia ou de noite.
31:40 De dia o calor me consumia, e de noite, a geada; o sono fugia dos meus olhos.
31:41 Estive estes vinte anos na sua casa. Trabalhei para você catorze anos por suas duas filhas e seis anos por seu rebanho, e você mudou meu salário dez vezes.
31:42 Se o Deus do meu pai, o Deus de Abraão e o Temor de Isaque, não estivesse do meu lado, agora você me teria mandado embora de mãos vazias. Deus viu a minha aflição e o trabalho das minhas mãos e o repreendeu ontem à noite”.
31:43 Labão respondeu a Jacó: “As filhas são minhas filhas, os filhos são meus filhos e o rebanho é meu rebanho. Tudo o que você vê é meu. Mas o que farei hoje a estas minhas filhas ou aos filhos que elas tiveram?
31:44 Agora venha, façamos uma aliança, eu e você, para que seja testemunha entre mim e você”.
31:45 Jacó pegou uma pedra e a ergueu como coluna.
31:46 Jacó disse aos seus parentes: “Juntem pedras”. Pegaram pedras e fizeram um monte; e comeram ali, junto ao monte.
31:47 Labão lhe deu o nome de Jegar-Saaduta, mas Jacó o chamou Galeede.
31:48 Labão disse: “Este monte é hoje testemunha entre mim e você”. Por isso recebeu o nome de Galeede.
31:49 Também recebeu o nome de Mispa, porque ele disse: “Que o SENHOR vigie entre mim e você quando estivermos longe um do outro.
31:50 Se você maltratar minhas filhas ou tomar outras mulheres além delas, mesmo que ninguém esteja conosco, veja: Deus é testemunha entre mim e você”.
31:51 Labão disse a Jacó: “Aqui estão este monte e a coluna que ergui entre mim e você.
31:52 Este monte é testemunha, e esta coluna é testemunha de que eu não passarei deste monte para fazer mal a você, nem você passará deste monte e desta coluna para fazer mal a mim.
31:53 Que o Deus de Abraão e o deus de Naor, os deuses do pai deles, julguem entre nós”. Jacó jurou pelo Temor de seu pai Isaque.
31:54 Jacó ofereceu um sacrifício na montanha e convidou seus parentes para comer pão. Comeram pão e passaram a noite na montanha.
31:55 Labão se levantou de manhã cedo, beijou seus netos e suas filhas e os abençoou. Depois partiu e voltou para o seu lugar.

Capítulo 32
32:1 Jacó seguiu seu caminho, e os anjos de Deus foram ao encontro dele.
32:2 Quando os viu, Jacó disse: “Este é o acampamento de Deus!” E deu àquele lugar o nome de Maanaim.
32:3 Jacó enviou mensageiros à sua frente a Esaú, seu irmão, à terra de Seir, território de Edom.
32:4 Deu-lhes esta ordem: “Digam ao meu senhor Esaú: ‘Assim diz seu servo Jacó: Morei como estrangeiro com Labão e fiquei lá até agora.
32:5 Tenho bois, jumentos, rebanhos, escravos e escravas. Mando avisar meu senhor para encontrar favor aos seus olhos’”.
32:6 Os mensageiros voltaram a Jacó e disseram: “Fomos até seu irmão Esaú. Ele vem ao seu encontro com quatrocentos homens”.
32:7 Jacó ficou com muito medo e se angustiou. Dividiu em dois acampamentos o povo que estava com ele, os rebanhos, o gado e os camelos.
32:8 Pois dizia: “Se Esaú vier a um dos acampamentos e o atacar, o outro poderá escapar”.
32:9 Jacó disse: “Deus do meu antepassado Abraão e Deus do meu pai Isaque, SENHOR, que me disseste: ‘Volte à sua terra e à sua parentela, e eu lhe farei bem’,
32:10 não sou digno de toda a bondade e de toda a fidelidade que mostraste ao teu servo. Atravessei este Jordão apenas com meu cajado, e agora tenho dois acampamentos.
32:11 Livra-me, por favor, da mão do meu irmão, da mão de Esaú, pois tenho medo dele. Temo que ele venha atacar a mim e às mães com os filhos.
32:12 Mas tu disseste: ‘Certamente lhe farei bem e farei a sua descendência como a areia do mar, que não se pode contar, de tão numerosa’”.
32:13 Passou ali aquela noite e separou, do que tinha, um presente para seu irmão Esaú:
32:14 duzentas cabras e vinte bodes, duzentas ovelhas e vinte carneiros,
32:15 trinta camelas que amamentavam, com suas crias, quarenta vacas e dez touros, vinte jumentas e dez jumentinhos.
32:16 Entregou-os aos seus servos, cada rebanho separado, e lhes disse: “Passem à minha frente e deixem espaço entre um rebanho e outro”.
32:17 Ao primeiro ordenou: “Quando meu irmão Esaú encontrar você e perguntar: ‘De quem você é servo? Para onde vai? De quem são esses animais à sua frente?’,
32:18 responda: ‘Do seu servo Jacó. É um presente enviado ao meu senhor Esaú. Ele também vem atrás de nós’”.
32:19 Deu a mesma ordem ao segundo, ao terceiro e a todos os que seguiam os rebanhos: “Digam essas palavras a Esaú quando o encontrarem.
32:20 Digam também: ‘Seu servo Jacó vem atrás de nós’”. Pois dizia: “Eu o aplacarei com o presente que vai à minha frente; depois verei o seu rosto. Talvez ele me receba com favor”.
32:21 O presente passou à sua frente, mas ele passou aquela noite no acampamento.
32:22 Naquela noite, ele se levantou, tomou suas duas mulheres, suas duas escravas e seus onze filhos e atravessou o vau do Jaboque.
32:23 Tomou-os e os fez atravessar o ribeiro; também fez passar tudo o que tinha.
32:24 Jacó ficou sozinho, e um homem lutou com ele até o amanhecer.
32:25 Quando o homem viu que não podia vencê-lo, tocou na articulação do quadril dele. A articulação do quadril de Jacó se deslocou enquanto lutavam.
32:26 O homem disse: “Deixe-me ir, pois já amanheceu”. Jacó respondeu: “Não te deixarei ir se não me abençoares”.
32:27 Ele lhe perguntou: “Qual é o seu nome?” Respondeu: “Jacó”.
32:28 Ele disse: “Seu nome já não será Jacó, mas Israel, porque você lutou com Deus e com os homens e prevaleceu”.
32:29 Jacó lhe pediu: “Dize-me, por favor, teu nome”. Ele respondeu: “Por que você pergunta pelo meu nome?” E o abençoou ali.
32:30 Jacó deu àquele lugar o nome de Peniel, pois disse: “Vi Deus face a face, e a minha vida foi preservada”.
32:31 O sol nasceu quando ele passou por Penuel, e ele mancava por causa do quadril.
32:32 Por isso, até o dia de hoje os filhos de Israel não comem o tendão que fica sobre a articulação do quadril, porque ele tocou a articulação do quadril de Jacó nesse tendão.

Capítulo 33
33:1 Jacó levantou os olhos e viu Esaú vindo com quatrocentos homens. Dividiu os filhos entre Leia, Raquel e as duas escravas.
33:2 Pôs as escravas com seus filhos à frente, depois Leia com seus filhos e, por último, Raquel e José.
33:3 Ele passou à frente deles e se inclinou em terra sete vezes, até chegar perto do seu irmão.
33:4 Esaú correu ao encontro dele, o abraçou, lançou-se ao seu pescoço e o beijou; e os dois choraram.
33:5 Esaú levantou os olhos, viu as mulheres e os filhos e perguntou: “Quem são estes que estão com você?” Jacó respondeu: “São os filhos que Deus, em sua graça, concedeu ao seu servo”.
33:6 As escravas se aproximaram com seus filhos e se inclinaram.
33:7 Leia também se aproximou com seus filhos, e eles se inclinaram. Depois se aproximaram José e Raquel e se inclinaram.
33:8 Esaú perguntou: “O que você pretende com todos esses grupos que encontrei?” Jacó respondeu: “Encontrar favor aos olhos do meu senhor”.
33:9 Esaú disse: “Tenho bastante, meu irmão. Fique com o que é seu”.
33:10 Jacó respondeu: “Não, por favor. Se encontrei favor aos seus olhos, aceite da minha mão este presente, pois vi o seu rosto como quem vê o rosto de Deus, e você me recebeu com agrado.
33:11 Aceite, por favor, a bênção que lhe trouxeram, porque Deus foi bondoso comigo, e tenho de tudo”. Insistiu com ele, e Esaú aceitou.
33:12 Esaú disse: “Vamos partir e seguir viagem; eu irei à sua frente”.
33:13 Jacó lhe respondeu: “Meu senhor sabe que os filhos são pequenos e que tenho sob meus cuidados ovelhas e vacas que amamentam. Se as forçarem a caminhar um só dia, todo o rebanho morrerá.
33:14 Que meu senhor siga à frente do seu servo. Eu seguirei devagar, no passo do gado à minha frente e dos filhos, até chegar ao meu senhor em Seir”.
33:15 Esaú disse: “Permita que eu deixe com você alguns dos homens que estão comigo”. Jacó respondeu: “Para quê? Basta que eu encontre favor aos olhos do meu senhor”.
33:16 Naquele dia Esaú tomou o caminho de volta a Seir.
33:17 Jacó foi para Sucote. Construiu uma casa para si e cabanas para seu gado; por isso deu àquele lugar o nome de Sucote.
33:18 Ao voltar de Padã-Arã, Jacó chegou são e salvo à cidade de Siquém, na terra de Canaã, e acampou diante da cidade.
33:19 Comprou dos filhos de Hamor, pai de Siquém, a parte do campo onde havia armado sua tenda, por cem quesitas.
33:20 Ali ergueu um altar e lhe deu o nome de “Deus, o Deus de Israel”.

Capítulo 34
34:1 Diná, a filha que Leia havia dado a Jacó, saiu para visitar as moças daquela terra.
34:2 Siquém, filho de Hamor, o heveu, príncipe daquela terra, a viu, tomou-a à força e a estuprou.
34:3 A alma dele se apegou a Diná, filha de Jacó. Ele amou a moça e lhe falou com ternura.
34:4 Siquém disse a seu pai Hamor: “Consiga esta moça para ser minha mulher”.
34:5 Jacó soube que Siquém havia desonrado sua filha Diná. Seus filhos estavam no campo com o gado, e Jacó guardou silêncio até que voltassem.
34:6 Hamor, pai de Siquém, foi falar com Jacó.
34:7 Os filhos de Jacó voltaram do campo quando souberam. Ficaram aflitos e muito irados, pois Siquém havia cometido uma infâmia em Israel ao se deitar com a filha de Jacó, algo que não se devia fazer.
34:8 Hamor falou com eles: “A alma do meu filho Siquém anseia pela filha de vocês. Por favor, deem-na a ele por mulher.
34:9 Unam-se a nós por casamento: deem-nos suas filhas e tomem para vocês as nossas filhas.
34:10 Morem conosco; a terra estará à disposição de vocês. Estabeleçam-se, negociem nela e adquiram propriedades”.
34:11 Siquém disse ao pai e aos irmãos dela: “Permitam que eu encontre favor aos seus olhos. Darei o que me pedirem.
34:12 Exijam de mim um dote e presentes tão grandes quanto quiserem, e darei o que pedirem. Apenas me deem a moça por mulher”.
34:13 Os filhos de Jacó responderam com engano a Siquém e a Hamor, seu pai, porque Siquém havia desonrado Diná, irmã deles.
34:14 Disseram: “Não podemos fazer isso: dar nossa irmã a um homem incircunciso, pois seria uma vergonha para nós.
34:15 Só concordaremos com vocês se ficarem como nós, circuncidando todos os do sexo masculino entre vocês.
34:16 Então daremos nossas filhas a vocês e tomaremos as suas filhas. Moraremos com vocês e seremos um só povo.
34:17 Mas, se não nos ouvirem e não se circuncidarem, tomaremos nossa filha e iremos embora”.
34:18 As palavras deles agradaram a Hamor e a Siquém, filho de Hamor.
34:19 O jovem não demorou a fazer isso, porque desejava a filha de Jacó. Ele era o mais respeitado de toda a casa do seu pai.
34:20 Hamor e seu filho Siquém foram à porta da sua cidade e falaram aos homens da cidade:
34:21 “Estes homens são pacíficos conosco. Que morem na terra e negociem nela, pois há bastante espaço para eles. Tomaremos suas filhas por mulheres e lhes daremos as nossas filhas.
34:22 Mas estes homens só concordarão em morar conosco e formar um só povo se todos os do sexo masculino entre nós forem circuncidados, como eles são circuncidados.
34:23 Seu gado, seus bens e todos os seus animais não serão nossos? Apenas concordemos com eles, e morarão conosco”.
34:24 Todos os que saíam pela porta da cidade deram ouvidos a Hamor e a Siquém, seu filho. Foram circuncidados todos os do sexo masculino, todos os que saíam pela porta da cidade.
34:25 No terceiro dia, quando eles estavam doloridos, dois filhos de Jacó, Simeão e Levi, irmãos de Diná, pegaram cada um sua espada, atacaram a cidade desprevenida e mataram todos os do sexo masculino.
34:26 Mataram Hamor e seu filho Siquém a fio de espada, tiraram Diná da casa de Siquém e saíram.
34:27 Os filhos de Jacó chegaram onde estavam os mortos e saquearam a cidade, porque haviam desonrado a sua irmã.
34:28 Levaram os rebanhos, o gado, os jumentos e tudo o que havia na cidade e no campo.
34:29 Tomaram todas as riquezas, levaram cativas todas as crianças e as mulheres e saquearam tudo o que havia nas casas.
34:30 Jacó disse a Simeão e a Levi: “Vocês me trouxeram problemas, tornando-me odioso aos habitantes desta terra, os cananeus e os ferezeus. Tenho poucos homens; eles se reunirão contra mim, me atacarão, e eu e minha casa seremos destruídos”.
34:31 Eles responderam: “Ele podia tratar nossa irmã como uma prostituta?”

Capítulo 35
35:1 Deus disse a Jacó: “Levante-se, suba a Betel e more ali. Construa ali um altar ao Deus que lhe apareceu quando você fugia do seu irmão Esaú”.
35:2 Jacó disse à sua família e a todos os que estavam com ele: “Retirem os deuses estrangeiros que há entre vocês, purifiquem-se e troquem de roupa.
35:3 Vamos nos levantar e subir a Betel. Ali construirei um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angústia e esteve comigo no caminho que percorri”.
35:4 Entregaram a Jacó todos os deuses estrangeiros que possuíam e os brincos que traziam nas orelhas. Jacó os enterrou debaixo do terebinto junto a Siquém.
35:5 Quando partiram, o terror de Deus caiu sobre as cidades ao redor deles, e ninguém perseguiu os filhos de Jacó.
35:6 Jacó chegou a Luz, que é Betel, na terra de Canaã, com todo o povo que estava com ele.
35:7 Ali construiu um altar e deu ao lugar o nome de El-Betel, porque ali Deus lhe havia aparecido quando ele fugia do seu irmão.
35:8 Débora, a ama que havia amamentado Rebeca, morreu e foi sepultada abaixo de Betel, debaixo do carvalho, que recebeu o nome de Alom-Bacute.
35:9 Deus apareceu outra vez a Jacó quando ele voltou de Padã-Arã e o abençoou.
35:10 Deus lhe disse: “Seu nome é Jacó. Seu nome já não será Jacó, mas Israel será o seu nome”. E lhe deu o nome de Israel.
35:11 Deus lhe disse ainda: “Eu sou o Deus Todo-Poderoso. Seja fecundo e multiplique-se. De você sairão uma nação e uma comunidade de nações, e reis sairão dos seus lombos.
35:12 A terra que dei a Abraão e a Isaque eu darei a você; e à sua descendência depois de você darei esta terra”.
35:13 Deus se elevou, afastando-se dele, no lugar onde havia falado com ele.
35:14 Jacó ergueu uma coluna no lugar onde Deus havia falado com ele, uma coluna de pedra. Derramou sobre ela uma oferta de bebida e verteu azeite sobre ela.
35:15 Jacó deu o nome de Betel ao lugar onde Deus havia falado com ele.
35:16 Partiram de Betel. Ainda faltava um trecho para chegar a Efrata quando Raquel entrou em trabalho de parto e teve dificuldade para dar à luz.
35:17 Enquanto ela sofria as dificuldades do parto, a parteira lhe disse: “Não tenha medo, pois você tem mais um filho”.
35:18 Quando sua alma se ia, pois estava morrendo, ela lhe deu o nome de Benoni; mas o pai dele o chamou Benjamim.
35:19 Raquel morreu e foi sepultada no caminho de Efrata, que é Belém.
35:20 Jacó ergueu uma coluna sobre a sepultura de Raquel. Essa é a coluna da sepultura de Raquel até o dia de hoje.
35:21 Israel partiu e armou sua tenda além de Migdal-Éder.
35:22 Enquanto Israel morava naquela terra, Rúben foi e se deitou com Bila, concubina do seu pai; e Israel ficou sabendo. Os filhos de Jacó eram doze:
35:23 os filhos de Leia: Rúben, primogênito de Jacó, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom;
35:24 os filhos de Raquel: José e Benjamim;
35:25 os filhos de Bila, escrava de Raquel: Dã e Naftali;
35:26 os filhos de Zilpa, escrava de Leia: Gade e Aser. Esses são os filhos de Jacó que lhe nasceram em Padã-Arã.
35:27 Jacó chegou até seu pai Isaque, em Manre, em Quiriate-Arba, que é Hebrom, onde Abraão e Isaque haviam vivido como estrangeiros.
35:28 Isaque viveu cento e oitenta anos.
35:29 Isaque deu seu último suspiro e morreu, e foi reunido ao seu povo, velho e cheio de dias. Seus filhos Esaú e Jacó o sepultaram.

Capítulo 36
36:1 Esta é a história dos descendentes de Esaú, isto é, Edom.
36:2 Esaú tomou suas mulheres dentre as filhas de Canaã: Ada, filha de Elom, o hitita, e Oolibama, filha de Aná e neta de Zibeão, o heveu;
36:3 e também Basemate, filha de Ismael e irmã de Nebaiote.
36:4 Ada deu a Esaú um filho, Elifaz, e Basemate deu à luz Reuel.
36:5 Oolibama deu à luz Jeís, Jalão e Corá. Esses foram os filhos de Esaú que lhe nasceram na terra de Canaã.
36:6 Esaú tomou suas mulheres, seus filhos, suas filhas, todas as pessoas de sua casa, seu gado, todos os seus animais e todos os bens que havia adquirido na terra de Canaã e foi para outra terra, para longe de seu irmão Jacó.
36:7 Pois seus bens eram tantos que não podiam morar juntos, e a terra onde viviam como estrangeiros não podia sustentá-los por causa de seu gado.
36:8 Assim, Esaú se estabeleceu na região montanhosa de Seir. Esaú é Edom.
36:9 Esta é a história dos descendentes de Esaú, pai dos edomitas, na região montanhosa de Seir.
36:10 Estes são os nomes dos filhos de Esaú: Elifaz, filho de Ada, mulher de Esaú, e Reuel, filho de Basemate, mulher de Esaú.
36:11 Os filhos de Elifaz foram Temã, Omar, Zefô, Gaetã e Quenaz.
36:12 Timna era concubina de Elifaz, filho de Esaú, e deu a Elifaz um filho, Amaleque. Esses foram os descendentes de Ada, mulher de Esaú.
36:13 Os filhos de Reuel foram Naate, Zerá, Samá e Mizá. Esses foram os descendentes de Basemate, mulher de Esaú.
36:14 Estes foram os filhos de Oolibama, filha de Aná e neta de Zibeão, mulher de Esaú: ela deu a Esaú Jeís, Jalão e Corá.
36:15 Estes foram os chefes entre os descendentes de Esaú. Dos filhos de Elifaz, primogênito de Esaú: o chefe Temã, o chefe Omar, o chefe Zefô, o chefe Quenaz,
36:16 o chefe Corá, o chefe Gaetã e o chefe Amaleque. Esses foram os chefes de Elifaz na terra de Edom; esses foram os descendentes de Ada.
36:17 Dos filhos de Reuel, filho de Esaú: o chefe Naate, o chefe Zerá, o chefe Samá e o chefe Mizá. Esses foram os chefes de Reuel na terra de Edom; esses foram os descendentes de Basemate, mulher de Esaú.
36:18 Dos filhos de Oolibama, mulher de Esaú: o chefe Jeús, o chefe Jalão e o chefe Corá. Esses foram os chefes de Oolibama, filha de Aná e mulher de Esaú.
36:19 Esses foram os filhos de Esaú e seus chefes. Esaú é Edom.
36:20 Estes foram os filhos de Seir, o horeu, habitantes daquela terra: Lotã, Sobal, Zibeão, Aná,
36:21 Disom, Eser e Disã. Esses foram os chefes dos horeus, filhos de Seir, na terra de Edom.
36:22 Os filhos de Lotã foram Hori e Hemã. A irmã de Lotã era Timna.
36:23 Estes foram os filhos de Sobal: Alvã, Manaate, Ebal, Sefô e Onã.
36:24 Estes foram os filhos de Zibeão: Aiá e Aná. Foi esse Aná que encontrou as águas termais no deserto, enquanto cuidava dos jumentos de seu pai Zibeão.
36:25 Estes foram os filhos de Aná: Disom e Oolibama, filha de Aná.
36:26 Estes foram os filhos de Disã: Hendã, Esbã, Itrã e Querã.
36:27 Estes foram os filhos de Eser: Bilã, Zaavã e Acã.
36:28 Estes foram os filhos de Disã: Uz e Arã.
36:29 Estes foram os chefes dos horeus: o chefe Lotã, o chefe Sobal, o chefe Zibeão, o chefe Aná,
36:30 o chefe Disom, o chefe Eser e o chefe Disã. Esses foram os chefes dos horeus, segundo suas chefias, na terra de Seir.
36:31 Estes foram os reis que reinaram na terra de Edom antes que um rei reinasse sobre os filhos de Israel.
36:32 Belá, filho de Beor, reinou em Edom. Sua cidade se chamava Dinabá.
36:33 Belá morreu, e Jobabe, filho de Zerá, de Bozra, reinou em seu lugar.
36:34 Jobabe morreu, e Husão, da terra dos temanitas, reinou em seu lugar.
36:35 Husão morreu, e Hadade, filho de Bedade, que derrotou Midiã no campo de Moabe, reinou em seu lugar. Sua cidade se chamava Avite.
36:36 Hadade morreu, e Samlá, de Masreca, reinou em seu lugar.
36:37 Samlá morreu, e Saul, de Reobote do Rio, reinou em seu lugar.
36:38 Saul morreu, e Baal-Hanã, filho de Acbor, reinou em seu lugar.
36:39 Baal-Hanã, filho de Acbor, morreu, e Hadar reinou em seu lugar. Sua cidade se chamava Paú, e sua mulher se chamava Meetabel, filha de Matrede e neta de Me-Zaabe.
36:40 Estes são os nomes dos chefes de Esaú, segundo suas famílias, seus lugares e seus nomes: o chefe Timna, o chefe Alva, o chefe Jetete,
36:41 o chefe Oolibama, o chefe Elá, o chefe Pinom,
36:42 o chefe Quenaz, o chefe Temã, o chefe Mibzar,
36:43 o chefe Magdiel e o chefe Irã. Esses foram os chefes de Edom, segundo seus assentamentos na terra que possuíam. Esaú é o pai dos edomitas.

Capítulo 37
37:1 Jacó morava na terra onde seu pai havia vivido como estrangeiro, na terra de Canaã.
37:2 Esta é a história da família de Jacó. José tinha dezessete anos e cuidava do rebanho com seus irmãos. Ainda jovem, acompanhava os filhos de Bila e os filhos de Zilpa, mulheres de seu pai. José levava ao pai más notícias a respeito deles.
37:3 Israel amava José mais que todos os seus outros filhos, porque ele lhe havia nascido na velhice, e fez para ele uma túnica ornamentada.
37:4 Quando seus irmãos viram que o pai o amava mais que a todos eles, passaram a odiá-lo e não conseguiam falar com ele em paz.
37:5 José teve um sonho e o contou aos irmãos, que passaram a odiá-lo ainda mais.
37:6 Ele lhes disse: “Ouçam, por favor, este sonho que tive:
37:7 estávamos amarrando feixes no meio do campo. De repente, o meu feixe se levantou e ficou em pé, e os feixes de vocês o rodearam e se curvaram diante dele”.
37:8 Seus irmãos lhe disseram: “Você vai mesmo reinar sobre nós? Vai mesmo nos dominar?” E o odiaram ainda mais por causa dos seus sonhos e das suas palavras.
37:9 José teve outro sonho e o contou aos irmãos: “Tive outro sonho: o sol, a lua e onze estrelas se curvavam diante de mim”.
37:10 Ele também o contou ao pai e aos irmãos. Seu pai o repreendeu e lhe disse: “Que sonho é esse que você teve? Será que eu, sua mãe e seus irmãos viremos nos prostrar em terra diante de você?”
37:11 Seus irmãos tinham inveja dele, mas o pai guardava o assunto na memória.
37:12 Os irmãos de José foram cuidar do rebanho de seu pai em Siquém.
37:13 Israel disse a José: “Seus irmãos não estão cuidando do rebanho em Siquém? Venha, vou enviar você até eles”. Ele respondeu: “Aqui estou”.
37:14 O pai lhe disse: “Vá ver se seus irmãos e o rebanho estão bem e me traga notícias”. Assim, o enviou do vale de Hebrom, e José chegou a Siquém.
37:15 Um homem o encontrou vagando pelo campo e lhe perguntou: “O que você está procurando?”
37:16 Ele respondeu: “Estou procurando meus irmãos. Por favor, diga onde eles estão cuidando do rebanho”.
37:17 O homem disse: “Eles foram embora daqui, pois os ouvi dizer: ‘Vamos para Dotã’”. José foi atrás dos irmãos e os encontrou em Dotã.
37:18 Eles o viram de longe e, antes que se aproximasse, tramaram matá-lo.
37:19 Disseram uns aos outros: “Lá vem aquele sonhador!
37:20 Vamos matá-lo e jogá-lo numa destas cisternas. Diremos: ‘Um animal feroz o devorou’. Então veremos o que será dos seus sonhos!”
37:21 Quando Rúben ouviu isso, livrou José das mãos deles, dizendo: “Não vamos tirar a vida dele”.
37:22 Rúben lhes disse: “Não derramem sangue. Joguem-no nesta cisterna que está no deserto, mas não ponham as mãos nele”. Ele queria livrá-lo das mãos deles e devolvê-lo ao pai.
37:23 Quando José chegou até os irmãos, eles lhe arrancaram a túnica, a túnica ornamentada que ele usava.
37:24 Então o agarraram e o jogaram na cisterna. A cisterna estava vazia, sem água.
37:25 Depois se sentaram para comer pão. Ao levantarem os olhos, viram uma caravana de ismaelitas que vinha de Gileade. Seus camelos levavam goma, bálsamo e resina aromática, que transportavam para o Egito.
37:26 Judá disse aos irmãos: “O que ganharemos matando nosso irmão e encobrindo o seu sangue?
37:27 Vamos vendê-lo aos ismaelitas e não ponhamos as mãos nele, pois ele é nosso irmão, da nossa própria carne”. Seus irmãos lhe deram ouvidos.
37:28 Passaram por ali uns mercadores madianitas. Tiraram José da cisterna e o venderam aos ismaelitas por vinte siclos de prata, cerca de duzentos e vinte e oito gramas. E levaram José para o Egito.
37:29 Quando Rúben voltou à cisterna e viu que José não estava lá, rasgou suas roupas.
37:30 Voltou aos irmãos e disse: “O rapaz não está lá! E eu, para onde irei?”
37:31 Então pegaram a túnica de José, mataram um cabrito e mergulharam a túnica no sangue.
37:32 Enviaram a túnica ornamentada e a fizeram chegar ao pai, dizendo: “Encontramos isto. Veja se é ou não a túnica do seu filho”.
37:33 Ele a reconheceu e disse: “É a túnica do meu filho! Um animal feroz o devorou! Sem dúvida, José foi despedaçado!”
37:34 Jacó rasgou suas roupas, vestiu pano de saco em volta da cintura e ficou de luto por seu filho durante muitos dias.
37:35 Todos os seus filhos e todas as suas filhas vieram consolá-lo, mas ele se recusou a receber consolo. Dizia: “Descerei de luto ao Seol, para junto do meu filho”. Assim o pai chorou por ele.
37:36 Os medanitas o venderam no Egito a Potifar, oficial do faraó e chefe da guarda.

Capítulo 38
38:1 Naquele tempo, Judá se afastou dos irmãos e desceu para junto de um homem de Adulão chamado Hira.
38:2 Ali Judá viu a filha de um cananeu chamado Sua. Casou-se com ela e teve relações com ela.
38:3 Ela engravidou e deu à luz um filho, a quem Judá deu o nome de Er.
38:4 Ela engravidou outra vez e deu à luz um filho, a quem deu o nome de Onã.
38:5 Ainda deu à luz outro filho e lhe deu o nome de Selá. Judá estava em Quezibe quando ela o teve.
38:6 Judá escolheu para Er, seu primogênito, uma mulher chamada Tamar.
38:7 Mas Er, primogênito de Judá, era mau aos olhos do SENHOR, e o SENHOR lhe tirou a vida.
38:8 Então Judá disse a Onã: “Tenha relações com a mulher do seu irmão, cumpra com ela seu dever de cunhado e dê descendência ao seu irmão”.
38:9 Onã, porém, sabia que a descendência não seria considerada sua. Por isso, sempre que tinha relações com a mulher de seu irmão, derramava o sêmen no chão, para não dar descendência ao irmão.
38:10 O que ele fazia era mau aos olhos do SENHOR, que também lhe tirou a vida.
38:11 Judá disse à sua nora Tamar: “Fique viúva na casa de seu pai até que meu filho Selá cresça”. Pois pensava: “Não aconteça que ele também morra como os irmãos”. Tamar foi morar na casa de seu pai.
38:12 Passou muito tempo, e a filha de Sua, mulher de Judá, morreu. Depois de ser consolado, Judá subiu a Timna, onde estavam os tosquiadores de seu rebanho, com seu amigo Hira, de Adulão.
38:13 Avisaram a Tamar: “Seu sogro está subindo a Timna para tosquiar o rebanho”.
38:14 Ela tirou as roupas de viúva, cobriu-se com um véu e, assim envolta, sentou-se à entrada de Enaim, no caminho de Timna. Pois havia percebido que Selá já tinha crescido, mas ela não lhe fora dada por mulher.
38:15 Quando Judá a viu, pensou que fosse uma prostituta, porque ela havia coberto o rosto.
38:16 Ele se desviou do caminho para junto dela e disse: “Deixe-me ter relações com você”. Ele não sabia que ela era sua nora. Ela perguntou: “O que você me dará para ter relações comigo?”
38:17 Ele respondeu: “Vou enviar a você um cabrito do rebanho”. Ela disse: “Desde que você me dê uma garantia até enviá-lo”.
38:18 Ele perguntou: “Que garantia devo dar?” Ela respondeu: “Seu selo, seu cordão e o cajado que você tem na mão”. Ele os entregou a ela e teve relações com ela, que engravidou dele.
38:19 Depois ela se levantou e foi embora, tirou o véu e vestiu suas roupas de viúva.
38:20 Judá enviou o cabrito por meio de seu amigo de Adulão, para recuperar a garantia que estava com a mulher, mas ele não a encontrou.
38:21 Ele perguntou aos homens daquele lugar: “Onde está a prostituta de culto que ficava em Enaim, junto ao caminho?” Eles responderam: “Aqui não houve nenhuma prostituta de culto”.
38:22 Ele voltou a Judá e disse: “Não a encontrei. Além disso, os homens do lugar disseram: ‘Aqui não houve nenhuma prostituta de culto’”.
38:23 Judá disse: “Que ela fique com as coisas, para não sermos motivo de zombaria. Eu enviei o cabrito, mas você não a encontrou”.
38:24 Cerca de três meses depois, avisaram a Judá: “Sua nora Tamar se prostituiu e está grávida por causa da prostituição”. Judá disse: “Tragam-na para fora, e que seja queimada!”
38:25 Enquanto a levavam para fora, ela mandou dizer ao sogro: “Estou grávida do homem a quem pertencem estas coisas”. E acrescentou: “Veja, por favor, de quem são este selo, estes cordões e este cajado”.
38:26 Judá os reconheceu e disse: “Ela é mais justa do que eu, pois não a dei ao meu filho Selá”. E não voltou a ter relações com ela.
38:27 Quando chegou a hora do parto, havia gêmeos em seu ventre.
38:28 Durante o parto, um deles pôs a mão para fora. A parteira a pegou e amarrou nela um fio escarlate, dizendo: “Este saiu primeiro”.
38:29 Mas, quando ele recolheu a mão, seu irmão saiu. A parteira disse: “Que brecha você abriu para si!” E ele recebeu o nome de Perez.
38:30 Depois saiu seu irmão, que tinha o fio escarlate na mão, e recebeu o nome de Zerá.

Capítulo 39
39:1 José foi levado para o Egito. Potifar, um egípcio, oficial do faraó e chefe da guarda, comprou-o dos ismaelitas que o haviam levado para lá.
39:2 O SENHOR estava com José, e ele prosperava. José morava na casa de seu senhor egípcio.
39:3 Seu senhor viu que o SENHOR estava com ele e fazia prosperar tudo o que ele realizava.
39:4 José encontrou favor aos olhos de seu senhor e passou a servi-lo. Seu senhor o pôs à frente de sua casa e entregou em suas mãos tudo o que possuía.
39:5 Desde que o pôs à frente da casa e de tudo o que possuía, o SENHOR abençoou a casa do egípcio por causa de José. A bênção do SENHOR estava sobre tudo o que ele tinha, na casa e no campo.
39:6 Ele deixou tudo o que possuía nas mãos de José e, tendo-o como responsável, não se ocupava de nada, a não ser do pão que comia. José era de belo porte e boa aparência.
39:7 Depois disso, a mulher de seu senhor pôs os olhos em José e lhe disse: “Deite-se comigo”.
39:8 Ele se recusou e disse à mulher de seu senhor: “Meu senhor não se ocupa de nada do que há na casa enquanto estou à frente dela e entregou em minhas mãos tudo o que possui.
39:9 Ninguém tem mais autoridade do que eu nesta casa. Ele não me negou nada, a não ser você, porque é a mulher dele. Como, então, eu poderia cometer tamanha maldade e pecar contra Deus?”
39:10 Embora ela falasse com José dia após dia, ele não lhe dava ouvidos para se deitar ao lado dela nem para ficar com ela.
39:11 Certo dia, José entrou na casa para fazer seu trabalho, e nenhum dos homens da casa estava ali.
39:12 Ela o agarrou pela roupa e disse: “Deite-se comigo”. Mas ele deixou a roupa nas mãos dela, fugiu e saiu para fora.
39:13 Quando ela viu que ele havia deixado a roupa em suas mãos e fugido para fora,
39:14 chamou os homens de sua casa e lhes disse: “Vejam! Ele nos trouxe um hebreu para zombar de nós. Esse homem veio até mim para se deitar comigo, mas eu gritei bem alto.
39:15 Quando ouviu que eu levantava a voz e gritava, deixou a roupa ao meu lado, fugiu e saiu para fora”.
39:16 Ela guardou a roupa de José ao seu lado até que o senhor dele voltou para casa.
39:17 Então lhe contou a mesma história: “O escravo hebreu que você nos trouxe veio até mim para zombar de mim.
39:18 Mas, quando levantei a voz e gritei, ele deixou a roupa ao meu lado e fugiu para fora”.
39:19 Quando seu senhor ouviu as palavras de sua mulher, que lhe dizia: “Foi assim que seu escravo me tratou”, ficou furioso.
39:20 O senhor de José o pegou e o colocou na prisão onde ficavam os presos do rei. E José permaneceu ali, na prisão.
39:21 Mas o SENHOR estava com José, mostrou-lhe seu amor leal e lhe concedeu favor aos olhos do chefe da prisão.
39:22 O chefe da prisão pôs nas mãos de José todos os presos que estavam ali, e José era responsável por tudo o que se fazia naquele lugar.
39:23 O chefe da prisão não precisava supervisionar nada do que estava nas mãos de José, porque o SENHOR estava com ele e fazia prosperar tudo o que ele realizava.

Capítulo 40
40:1 Depois disso, o copeiro e o padeiro do rei do Egito ofenderam seu senhor, o rei do Egito.
40:2 O faraó ficou irado com seus dois oficiais, o chefe dos copeiros e o chefe dos padeiros,
40:3 e os colocou sob custódia na casa do chefe da guarda, na prisão onde José estava preso.
40:4 O chefe da guarda os pôs sob os cuidados de José, que os servia. Eles permaneceram algum tempo sob custódia.
40:5 Os dois, o copeiro e o padeiro do rei do Egito que estavam presos, tiveram sonhos na mesma noite, cada um o seu sonho, com sua própria interpretação.
40:6 Pela manhã, José foi até eles e viu que estavam abatidos.
40:7 Então perguntou aos oficiais do faraó que estavam presos com ele na casa de seu senhor: “Por que vocês estão com o rosto triste hoje?”
40:8 Eles responderam: “Tivemos sonhos, mas não há quem os interprete”. José lhes disse: “Não pertencem a Deus as interpretações? Contem-me os sonhos, por favor”.
40:9 O chefe dos copeiros contou seu sonho a José: “No meu sonho, havia uma videira diante de mim.
40:10 Na videira havia três ramos. Assim que ela brotava, suas flores apareciam e seus cachos amadureciam em uvas.
40:11 Eu tinha na mão a taça do faraó. Peguei as uvas, espremi-as na taça e pus a taça na mão do faraó”.
40:12 José lhe disse: “Esta é a interpretação: os três ramos são três dias.
40:13 Dentro de três dias, o faraó erguerá sua cabeça e o devolverá ao seu posto. Você porá a taça na mão do faraó, como fazia antes, quando era seu copeiro.
40:14 Mas lembre-se de mim quando tudo estiver bem com você. Por favor, tenha bondade para comigo, fale de mim ao faraó e me tire desta prisão.
40:15 Pois fui de fato sequestrado da terra dos hebreus, e também aqui não fiz nada para ser jogado neste calabouço”.
40:16 Quando o chefe dos padeiros viu que a interpretação era favorável, disse a José: “Eu também tive um sonho: havia três cestos de pão branco sobre a minha cabeça.
40:17 No cesto de cima havia todo tipo de comida preparada pelo padeiro para o faraó, e as aves comiam do cesto sobre a minha cabeça”.
40:18 José respondeu: “Esta é a interpretação: os três cestos são três dias.
40:19 Dentro de três dias, o faraó tirará sua cabeça e o pendurará num madeiro, e as aves comerão a sua carne”.
40:20 No terceiro dia, que era o aniversário do faraó, ele deu um banquete a todos os seus servos. E ergueu a cabeça do chefe dos copeiros e a do chefe dos padeiros no meio de seus servos.
40:21 Devolveu ao chefe dos copeiros o seu ofício, e ele pôs a taça na mão do faraó.
40:22 Mas pendurou o chefe dos padeiros, conforme José lhes havia interpretado.
40:23 O chefe dos copeiros, porém, não se lembrou de José; esqueceu-se dele.

Capítulo 41
41:1 Ao fim de dois anos completos, o faraó teve um sonho: estava em pé junto ao Nilo.
41:2 Do Nilo subiam sete vacas bonitas e gordas, que pastavam entre os juncos.
41:3 Depois delas, subiam do Nilo outras sete vacas, feias e magras, que ficaram ao lado das primeiras, à margem do Nilo.
41:4 As vacas feias e magras devoraram as sete vacas bonitas e gordas. Então o faraó acordou.
41:5 Ele voltou a dormir e teve um segundo sonho: sete espigas cheias e boas cresciam de uma só haste.
41:6 Depois delas brotavam outras sete espigas, mirradas e queimadas pelo vento leste.
41:7 As espigas mirradas engoliram as sete espigas cheias e graúdas. O faraó acordou e percebeu que era um sonho.
41:8 Pela manhã, seu espírito estava perturbado. Mandou chamar todos os magos e todos os sábios do Egito. O faraó lhes contou o que havia sonhado, mas ninguém conseguia interpretar os sonhos para ele.
41:9 Então o chefe dos copeiros disse ao faraó: “Hoje me lembro das minhas faltas.
41:10 O faraó ficou irado com seus servos e pôs sob custódia, na casa do chefe da guarda, a mim e ao chefe dos padeiros.
41:11 Ele e eu tivemos sonhos na mesma noite, cada um com sua própria interpretação.
41:12 Estava ali conosco um jovem hebreu, escravo do chefe da guarda. Contamos nossos sonhos a ele, e ele os interpretou, a cada um conforme o seu sonho.
41:13 E aconteceu exatamente como ele nos havia interpretado: eu fui devolvido ao meu posto, e o outro foi pendurado”.
41:14 O faraó mandou chamar José, e o tiraram depressa do calabouço. Ele se barbeou, trocou de roupa e se apresentou ao faraó.
41:15 O faraó disse a José: “Tive um sonho, e não há quem o interprete. Mas ouvi dizer que, quando você ouve um sonho, pode interpretá-lo”.
41:16 José respondeu ao faraó: “Isso não vem de mim. Deus dará ao faraó uma resposta para o seu bem”.
41:17 O faraó disse a José: “No meu sonho, eu estava em pé à margem do Nilo.
41:18 Do Nilo subiam sete vacas gordas e bonitas, que pastavam entre os juncos.
41:19 Depois delas subiam outras sete vacas, esqueléticas, muito feias e magras. Nunca vi em toda a terra do Egito vacas tão feias.
41:20 As vacas magras e feias devoraram as sete primeiras vacas, as gordas.
41:21 Embora as tivessem engolido, não se percebia que o haviam feito, pois continuavam tão feias como antes. Então acordei.
41:22 Também vi no meu sonho sete espigas cheias e boas que cresciam de uma só haste.
41:23 Depois delas brotavam outras sete espigas, ressequidas, mirradas e queimadas pelo vento leste.
41:24 As espigas mirradas engoliram as sete espigas boas. Contei isso aos magos, mas ninguém pôde me explicar”.
41:25 José disse ao faraó: “O sonho do faraó é um só. Deus mostrou ao faraó o que está para fazer.
41:26 As sete vacas boas são sete anos, e as sete espigas boas são sete anos. O sonho é um só.
41:27 As sete vacas magras e feias que subiam depois delas são sete anos, e as sete espigas vazias e queimadas pelo vento leste serão sete anos de fome.
41:28 É como eu disse ao faraó: Deus mostrou ao faraó o que está para fazer.
41:29 Estão chegando sete anos de grande abundância em toda a terra do Egito.
41:30 Depois deles virão sete anos de fome. Toda a abundância será esquecida na terra do Egito, e a fome consumirá a terra.
41:31 Já não se perceberá a abundância na terra por causa da fome que virá depois, pois será muito severa.
41:32 O sonho se repetiu duas vezes ao faraó porque isso está firmemente decidido por Deus, e Deus se apressa em realizá-lo.
41:33 Agora, que o faraó procure um homem prudente e sábio e o ponha à frente da terra do Egito.
41:34 Que o faraó tome providências: nomeie supervisores sobre a terra e recolha a quinta parte das colheitas do Egito durante os sete anos de abundância.
41:35 Que eles reúnam todo o alimento desses bons anos que virão, armazenem cereais sob a autoridade do faraó e guardem esse alimento nas cidades.
41:36 Esse alimento ficará como reserva para a terra durante os sete anos de fome que haverá no Egito, para que a terra não pereça de fome”.
41:37 A proposta agradou ao faraó e a todos os seus servos.
41:38 O faraó disse a seus servos: “Será que encontraríamos um homem como este, em quem está o Espírito de Deus?”
41:39 Então o faraó disse a José: “Já que Deus mostrou tudo isso a você, não há ninguém tão prudente e sábio como você.
41:40 Você estará à frente da minha casa, e todo o meu povo obedecerá às suas ordens. Somente no trono serei maior que você”.
41:41 O faraó disse ainda a José: “Veja, eu o ponho à frente de toda a terra do Egito”.
41:42 O faraó tirou o anel de sua mão e o pôs na mão de José. Vestiu-o com roupas de linho fino e lhe colocou um colar de ouro no pescoço.
41:43 Fez com que ele subisse no seu segundo carro, e proclamavam diante dele: “Ajoelhem-se!” Assim o pôs à frente de toda a terra do Egito.
41:44 O faraó disse a José: “Eu sou o faraó, mas sem a sua autorização ninguém levantará a mão nem o pé em toda a terra do Egito”.
41:45 O faraó deu a José o nome de Zafenate-Paneia e lhe deu por mulher Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om. E José saiu pela terra do Egito.
41:46 José tinha trinta anos quando se apresentou ao faraó, rei do Egito. Saiu da presença do faraó e percorreu toda a terra do Egito.
41:47 Durante os sete anos de abundância, a terra produziu a mãos cheias.
41:48 José reuniu todo o alimento daqueles sete anos no Egito e o armazenou nas cidades. Em cada cidade guardou o alimento dos campos ao redor dela.
41:49 José acumulou cereais em enorme quantidade, como a areia do mar, até parar de contar, pois não havia como medir.
41:50 Antes que chegasse o ano da fome, nasceram a José dois filhos, que Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, lhe deu.
41:51 José deu ao primogênito o nome de Manassés, pois disse: “Deus me fez esquecer todo o meu sofrimento e toda a casa de meu pai”.
41:52 Ao segundo deu o nome de Efraim, pois disse: “Deus me fez frutificar na terra da minha aflição”.
41:53 Terminaram os sete anos de abundância na terra do Egito,
41:54 e começaram os sete anos de fome, como José havia dito. Havia fome em todas as terras, mas em toda a terra do Egito havia pão.
41:55 Quando toda a terra do Egito sentiu fome, o povo clamou ao faraó por pão. O faraó disse a todos os egípcios: “Vão a José e façam o que ele lhes disser”.
41:56 A fome se espalhava por toda a terra. José abriu todos os depósitos e vendia cereais aos egípcios, pois a fome se agravava na terra do Egito.
41:57 De toda a terra vinham ao Egito comprar cereais de José, porque a fome era severa em toda parte.

Capítulo 42
42:1 Jacó soube que havia cereais no Egito e disse a seus filhos: “Por que vocês ficam olhando uns para os outros?”
42:2 E acrescentou: “Ouvi dizer que há cereais no Egito. Desçam até lá e comprem para nós, para que vivamos e não morramos”.
42:3 Então dez irmãos de José desceram ao Egito para comprar cereais.
42:4 Mas Jacó não enviou Benjamim, irmão de José, com os outros, pois pensava: “Não aconteça alguma desgraça com ele”.
42:5 Assim, os filhos de Israel foram comprar cereais entre os outros que chegavam, pois havia fome na terra de Canaã.
42:6 José era o governador daquela terra e vendia cereais a todo o povo do país. Seus irmãos chegaram e se prostraram diante dele, com o rosto em terra.
42:7 Quando José viu seus irmãos, ele os reconheceu, mas se fez de desconhecido e lhes falou com dureza. Perguntou: “De onde vocês vêm?” Eles responderam: “Da terra de Canaã, para comprar alimento”.
42:8 José reconheceu seus irmãos, mas eles não o reconheceram.
42:9 José se lembrou dos sonhos que havia tido a respeito deles e lhes disse: “Vocês são espiões! Vieram observar os pontos desprotegidos do país”.
42:10 Eles responderam: “Não, meu senhor! Seus servos vieram comprar alimento.
42:11 Todos somos filhos do mesmo homem. Somos homens honestos; seus servos não são espiões”.
42:12 Ele lhes disse: “Não! Vocês vieram observar os pontos desprotegidos do país”.
42:13 Eles disseram: “Seus servos somos doze irmãos, filhos do mesmo homem na terra de Canaã. O mais novo está agora com nosso pai, e um já não está”.
42:14 José lhes disse: “É como eu disse: vocês são espiões.
42:15 É assim que serão postos à prova: pela vida do faraó, vocês não sairão daqui enquanto seu irmão mais novo não vier para cá!
42:16 Enviem um de vocês para buscar seu irmão, e os demais ficarão presos. Suas palavras serão postas à prova, para ver se estão dizendo a verdade. Caso contrário, pela vida do faraó, vocês são espiões!”
42:17 E os manteve juntos sob custódia durante três dias.
42:18 No terceiro dia, José lhes disse: “Façam isto e viverão, pois eu temo a Deus.
42:19 Se vocês são homens honestos, que um de seus irmãos fique preso nesta prisão. Os outros podem ir e levar cereais para matar a fome de suas famílias.
42:20 Mas tragam seu irmão mais novo até mim, para que suas palavras sejam confirmadas e vocês não morram”. E assim fizeram.
42:21 Eles disseram uns aos outros: “De fato, somos culpados pelo que fizemos a nosso irmão. Vimos a angústia de sua alma quando nos suplicava, mas não lhe demos ouvidos. Por isso esta angústia veio sobre nós”.
42:22 Rúben lhes respondeu: “Eu não disse a vocês: ‘Não pequem contra o rapaz’? Mas vocês não me deram ouvidos. Agora o sangue dele está sendo cobrado de nós”.
42:23 Eles não sabiam que José os entendia, pois havia um intérprete entre eles.
42:24 José se afastou deles e chorou. Depois voltou e lhes falou. Tomou Simeão dentre eles e o amarrou diante de seus olhos.
42:25 José ordenou que enchessem suas vasilhas de cereais, devolvessem o dinheiro de cada um ao seu saco e lhes dessem provisões para a viagem. E assim foi feito.
42:26 Eles carregaram os cereais nos jumentos e partiram dali.
42:27 No lugar onde passaram a noite, um deles abriu seu saco para dar forragem ao jumento e viu seu dinheiro na boca do saco.
42:28 Ele disse aos irmãos: “Devolveram o meu dinheiro! Está aqui, no meu saco!” Seus corações desfaleceram e, tremendo, disseram uns aos outros: “O que é isto que Deus nos fez?”
42:29 Eles chegaram até seu pai Jacó, na terra de Canaã, e lhe contaram tudo o que lhes havia acontecido:
42:30 “Aquele homem, o senhor do país, falou conosco com dureza e nos tratou como espiões da terra.
42:31 Dissemos a ele: ‘Somos homens honestos; não somos espiões.
42:32 Somos doze irmãos, filhos do nosso pai. Um já não está, e o mais novo está agora com nosso pai na terra de Canaã’.
42:33 Então aquele homem, o senhor do país, nos disse: ‘Assim saberei que vocês são homens honestos: deixem comigo um de seus irmãos, levem cereais para matar a fome de suas famílias e vão embora.
42:34 Tragam seu irmão mais novo até mim, e saberei que vocês são homens honestos e não espiões. Então devolverei seu irmão, e vocês poderão negociar no país’”.
42:35 Quando esvaziaram seus sacos, cada um encontrou em seu saco o embrulho com seu dinheiro. Eles e seu pai viram os embrulhos de dinheiro e tiveram medo.
42:36 Seu pai Jacó lhes disse: “Vocês me deixaram sem filhos! José já não está, Simeão já não está, e agora querem levar Benjamim! Tudo isso está contra mim!”
42:37 Rúben disse ao pai: “Pode matar meus dois filhos se eu não o trouxer de volta. Entregue-o em minhas mãos, e eu o devolverei”.
42:38 Mas ele disse: “Meu filho não descerá com vocês. Seu irmão morreu, e só ele ficou. Se alguma desgraça acontecer com ele no caminho por onde vocês forem, farão meus cabelos brancos descerem com tristeza ao Seol”.

Capítulo 43
43:1 A fome era severa na terra.
43:2 Quando acabaram de comer os cereais que haviam trazido do Egito, seu pai lhes disse: “Voltem e comprem um pouco de alimento para nós”.
43:3 Judá lhe respondeu: “Aquele homem nos advertiu com firmeza: ‘Vocês não verão meu rosto se seu irmão não estiver com vocês’.
43:4 Se o senhor enviar nosso irmão conosco, desceremos e compraremos alimento para o senhor.
43:5 Mas, se não o enviar, não desceremos, pois aquele homem nos disse: ‘Vocês não verão meu rosto se seu irmão não estiver com vocês’”.
43:6 Israel disse: “Por que vocês me fizeram esse mal, contando àquele homem que tinham outro irmão?”
43:7 Eles responderam: “Aquele homem fez perguntas detalhadas sobre nós e nossa família: ‘O pai de vocês ainda vive? Vocês têm outro irmão?’ Nós respondemos às perguntas dele. Como poderíamos saber que ele diria: ‘Tragam seu irmão’?”
43:8 Judá disse a seu pai Israel: “Envie o jovem comigo, e partiremos, para que vivamos e não morramos, nem nós, nem o senhor, nem nossas crianças.
43:9 Eu serei responsável por ele; de mim o senhor poderá exigir contas. Se eu não o trouxer de volta e o apresentar ao senhor, carregarei essa culpa diante do senhor para sempre.
43:10 Se não tivéssemos demorado, já teríamos voltado duas vezes”.
43:11 Então seu pai Israel lhes disse: “Se é assim, façam o seguinte: ponham nas suas vasilhas o que há de melhor nesta terra e levem um presente àquele homem: um pouco de bálsamo e um pouco de mel, goma e resina aromática, pistaches e amêndoas.
43:12 Levem o dobro do dinheiro e devolvam o dinheiro que foi encontrado na boca dos seus sacos; talvez tenha sido um engano.
43:13 Levem também seu irmão e partam de volta para aquele homem.
43:14 Que o Deus Todo-Poderoso lhes conceda misericórdia diante daquele homem, para que ele deixe seu outro irmão e Benjamim voltarem com vocês. Quanto a mim, se tiver de ficar sem filhos, ficarei”.
43:15 Os homens pegaram o presente, levaram o dobro do dinheiro e tomaram Benjamim consigo. Partiram, desceram ao Egito e se apresentaram a José.
43:16 Quando José viu Benjamim com eles, disse ao administrador de sua casa: “Leve estes homens para casa, mate um animal e prepare-o, pois eles comerão comigo ao meio-dia”.
43:17 O homem fez como José havia dito e levou aqueles homens para a casa de José.
43:18 Eles ficaram com medo ao serem levados para a casa de José e disseram: “É por causa do dinheiro devolvido aos nossos sacos na primeira vez que estão nos levando para lá. Vão procurar um pretexto contra nós e nos atacar, para nos fazer escravos e tomar nossos jumentos”.
43:19 Eles se aproximaram do administrador da casa de José e falaram com ele à entrada da casa:
43:20 “Por favor, meu senhor! Na primeira vez, descemos para comprar alimento.
43:21 Quando chegamos ao lugar onde passamos a noite e abrimos os sacos, o dinheiro de cada um estava na boca do seu saco, com todo o seu peso. Nós o trouxemos de volta.
43:22 Também trouxemos outro dinheiro para comprar alimento. Não sabemos quem pôs nosso dinheiro nos sacos”.
43:23 Ele disse: “Paz a vocês! Não tenham medo. O Deus de vocês e de seu pai lhes deu um tesouro nos sacos. Eu recebi o dinheiro de vocês”. E trouxe Simeão para junto deles.
43:24 O homem os levou para a casa de José, deu-lhes água, e eles lavaram os pés. Também deu forragem aos jumentos.
43:25 Eles prepararam o presente para a chegada de José ao meio-dia, pois tinham ouvido que comeriam pão ali.
43:26 Quando José chegou em casa, eles lhe entregaram o presente que haviam trazido e se prostraram diante dele até o chão.
43:27 Ele perguntou como estavam e disse: “O pai de vocês, o idoso de quem me falaram, está bem? Ainda vive?”
43:28 Eles responderam: “Seu servo, nosso pai, está bem. Ele ainda vive”. E se curvaram e se prostraram.
43:29 José levantou os olhos e viu Benjamim, seu irmão, filho de sua mãe. Perguntou: “Este é o irmão mais novo de vocês, de quem me falaram?” E disse: “Deus lhe conceda seu favor, meu filho”.
43:30 Profundamente comovido por seu irmão, José saiu depressa e procurou um lugar para chorar. Entrou em seu quarto e chorou ali.
43:31 Depois lavou o rosto e saiu. Contendo-se, disse: “Sirvam o pão”.
43:32 Serviram a José à parte, a seus irmãos à parte e aos egípcios que comiam com ele à parte, pois os egípcios não podiam comer pão com os hebreus, porque isso era uma abominação para eles.
43:33 Eles se sentaram diante de José por ordem de idade, do mais velho ao mais novo, e olhavam uns para os outros, admirados.
43:34 José lhes enviou porções do que estava diante dele, mas a porção de Benjamim era cinco vezes a de qualquer um dos outros. E beberam e se embriagaram com ele.

Capítulo 44
44:1 José ordenou ao administrador de sua casa: “Encha os sacos destes homens com tanto alimento quanto puderem levar e ponha o dinheiro de cada um na boca do seu saco.
44:2 Ponha também minha taça, a taça de prata, na boca do saco do mais novo, junto com o dinheiro de seus cereais”. Ele fez como José havia ordenado.
44:3 Ao amanhecer, os homens foram despedidos com seus jumentos.
44:4 Eles haviam saído da cidade e ainda não estavam longe quando José disse ao administrador de sua casa: “Vá depressa atrás daqueles homens. Quando os alcançar, diga a eles: ‘Por que vocês retribuíram o bem com o mal?
44:5 Não é esta a taça em que meu senhor bebe e com a qual pratica adivinhação? Vocês agiram mal fazendo isso’”.
44:6 Quando ele os alcançou, disse-lhes essas palavras.
44:7 Eles responderam: “Por que meu senhor diz essas coisas? Longe de seus servos fazer algo assim!
44:8 Nós trouxemos de volta, da terra de Canaã, o dinheiro que encontramos na boca dos nossos sacos. Como roubaríamos prata ou ouro da casa do seu senhor?
44:9 Se a taça for encontrada com algum dos seus servos, que ele morra! E nós também seremos escravos do meu senhor”.
44:10 Ele disse: “Pois bem, seja como vocês dizem: aquele com quem a taça for encontrada será meu escravo, e vocês ficarão livres de culpa”.
44:11 Eles se apressaram, e cada um baixou seu saco ao chão e o abriu.
44:12 Ele revistou os sacos, começando pelo mais velho e terminando pelo mais novo. A taça foi encontrada no saco de Benjamim.
44:13 Então eles rasgaram suas roupas, cada um carregou seu jumento e voltaram à cidade.
44:14 Judá e seus irmãos chegaram à casa de José, que ainda estava ali, e se prostraram em terra diante dele.
44:15 José lhes disse: “O que vocês fizeram? Não sabiam que um homem como eu é capaz de adivinhar?”
44:16 Judá respondeu: “O que diremos ao meu senhor? O que falaremos? Como nos justificaremos? Deus trouxe à luz a culpa dos seus servos. Aqui estamos como escravos do meu senhor, tanto nós como aquele com quem foi encontrada a taça”.
44:17 Mas ele disse: “Longe de mim fazer isso! O homem com quem foi encontrada a taça será meu escravo. Quanto a vocês, voltem em paz para seu pai”.
44:18 Então Judá se aproximou dele e disse: “Por favor, meu senhor, permita que seu servo diga uma palavra aos ouvidos do meu senhor. Não se acenda sua ira contra seu servo, pois o senhor é como o faraó.
44:19 Meu senhor perguntou a seus servos: ‘Vocês têm pai ou irmão?’
44:20 Respondemos ao meu senhor: ‘Temos um pai idoso e um irmão mais novo que lhe nasceu na velhice. O irmão dele morreu, e só ele ficou de sua mãe; seu pai o ama’.
44:21 O senhor disse a seus servos: ‘Tragam-no até mim, para que eu ponha os olhos nele’.
44:22 Respondemos ao meu senhor: ‘O jovem não pode deixar seu pai. Se o deixar, seu pai morrerá’.
44:23 Mas o senhor disse a seus servos: ‘Se seu irmão mais novo não descer com vocês, não voltarão a ver meu rosto’.
44:24 Quando voltamos ao seu servo, meu pai, contamos a ele as palavras do meu senhor.
44:25 Nosso pai disse: ‘Voltem e comprem um pouco de alimento para nós’.
44:26 Nós respondemos: ‘Não podemos descer. Se nosso irmão mais novo for conosco, desceremos, pois não podemos ver o rosto daquele homem se nosso irmão mais novo não estiver conosco’.
44:27 Então seu servo, meu pai, nos disse: ‘Vocês sabem que minha mulher me deu dois filhos.
44:28 Um deles saiu de perto de mim, e eu disse: “Sem dúvida, foi despedaçado!” E até hoje não voltei a vê-lo.
44:29 Se vocês levarem também este para longe de mim e lhe acontecer alguma desgraça, farão meus cabelos brancos descerem com sofrimento ao Seol’.
44:30 Agora, quando eu voltar ao seu servo, meu pai, e o jovem não estiver conosco, já que a vida de meu pai está ligada à vida dele,
44:31 meu pai morrerá ao ver que o jovem não está. Assim, seus servos farão os cabelos brancos do seu servo, nosso pai, descerem com tristeza ao Seol.
44:32 Pois seu servo se responsabilizou pelo jovem diante de meu pai, dizendo: ‘Se eu não o trouxer de volta, carregarei a culpa diante de meu pai para sempre’.
44:33 Por isso, peço que seu servo fique como escravo do meu senhor em lugar do jovem, e que o jovem volte com seus irmãos.
44:34 Como poderei voltar a meu pai sem que o jovem esteja comigo? Não quero ver a desgraça que atingiria meu pai”.

Capítulo 45
45:1 José já não conseguia se conter diante de todos os que estavam à sua volta e gritou: “Façam todos sair da minha presença!” Ninguém ficou com ele quando se deu a conhecer a seus irmãos.
45:2 Ele chorou tão alto que os egípcios o ouviram, e a casa do faraó também ouviu.
45:3 José disse a seus irmãos: “Eu sou José! Meu pai ainda vive?” Seus irmãos não conseguiam responder, pois estavam aterrorizados diante dele.
45:4 José lhes disse: “Aproximem-se de mim, por favor”. Eles se aproximaram, e ele disse: “Eu sou José, seu irmão, a quem vocês venderam para o Egito.
45:5 Agora, não fiquem tristes nem se revoltem por terem me vendido para cá, pois Deus me enviou adiante de vocês para preservar vidas.
45:6 Já faz dois anos que há fome na terra, e ainda haverá cinco anos sem lavoura nem colheita.
45:7 Deus me enviou adiante de vocês para conservar um remanescente de vocês na terra e mantê-los vivos por meio de um grande livramento.
45:8 Assim, não foram vocês que me enviaram para cá, mas Deus. Ele me pôs como pai para o faraó, senhor de toda a sua casa e governador de toda a terra do Egito.
45:9 Voltem depressa a meu pai e digam a ele: ‘Assim diz seu filho José: Deus me pôs como senhor de todo o Egito. Desça para junto de mim, sem demora.
45:10 O senhor morará na terra de Gósen e ficará perto de mim, o senhor, seus filhos, seus netos, seus rebanhos, seu gado e tudo o que possui.
45:11 Ali eu o sustentarei, pois ainda restam cinco anos de fome, para que o senhor, sua casa e tudo o que possui não caiam na miséria’.
45:12 Vocês estão vendo com os próprios olhos, assim como meu irmão Benjamim, que é minha boca que lhes fala.
45:13 Contem a meu pai toda a honra que tenho no Egito e tudo o que vocês viram. Apressem-se e tragam meu pai para cá”.
45:14 Então José se lançou ao pescoço de seu irmão Benjamim e chorou, e Benjamim também chorou abraçado ao pescoço dele.
45:15 José beijou todos os seus irmãos e chorou sobre eles. Depois disso, seus irmãos conversaram com ele.
45:16 A notícia chegou à casa do faraó: “Os irmãos de José chegaram”. Isso agradou ao faraó e a seus servos.
45:17 O faraó disse a José: “Diga a seus irmãos: ‘Façam o seguinte: carreguem seus animais e voltem à terra de Canaã.
45:18 Tragam seu pai e suas famílias e venham para junto de mim. Eu lhes darei o melhor da terra do Egito, e vocês comerão do que há de mais rico nesta terra’.
45:19 Você também tem esta ordem: ‘Façam o seguinte: levem carretas da terra do Egito para suas crianças e suas mulheres, tragam seu pai e venham.
45:20 Não se preocupem com seus pertences, pois o melhor de toda a terra do Egito é de vocês’”.
45:21 Os filhos de Israel fizeram assim. José lhes deu carretas, conforme a ordem do faraó, e provisões para a viagem.
45:22 A cada um deu mudas de roupa, mas a Benjamim deu trezentos siclos de prata, cerca de três quilos e quatrocentos gramas, e cinco mudas de roupa.
45:23 A seu pai enviou dez jumentos carregados com o melhor do Egito e dez jumentas carregadas de cereais, pão e provisões para a viagem de seu pai.
45:24 Então despediu seus irmãos, e eles partiram. Ele lhes disse: “Não discutam pelo caminho”.
45:25 Eles subiram do Egito e chegaram à terra de Canaã, até seu pai Jacó.
45:26 Contaram a ele: “José ainda vive e governa toda a terra do Egito!” Mas Jacó ficou atônito, pois não acreditava neles.
45:27 Então lhe contaram tudo o que José havia dito. Quando ele viu as carretas que José enviara para levá-lo, o espírito de seu pai Jacó reviveu.
45:28 Israel disse: “Basta! Meu filho José ainda vive! Irei vê-lo antes de morrer”.

Capítulo 46
46:1 Israel partiu com tudo o que possuía e chegou a Berseba, onde ofereceu sacrifícios ao Deus de seu pai Isaque.
46:2 Deus falou a Israel em visões durante a noite: “Jacó, Jacó!” Ele respondeu: “Aqui estou”.
46:3 Deus disse: “Eu sou Deus, o Deus de seu pai. Não tenha medo de descer ao Egito, pois ali farei de você uma grande nação.
46:4 Eu descerei com você ao Egito e certamente o farei subir de novo. E José porá a mão sobre os seus olhos”.
46:5 Então Jacó partiu de Berseba. Os filhos de Israel levaram seu pai Jacó, suas crianças e suas mulheres nas carretas que o faraó havia enviado para transportá-lo.
46:6 Levaram também seu gado e os bens que haviam adquirido na terra de Canaã. Assim chegaram ao Egito, Jacó e todos os seus descendentes.
46:7 Ele levou consigo ao Egito seus filhos e netos, suas filhas e netas, todos os seus descendentes.
46:8 Estes são os nomes dos filhos de Israel que chegaram ao Egito, Jacó e seus filhos: Rúben, primogênito de Jacó.
46:9 Os filhos de Rúben foram Enoque, Palu, Hezrom e Carmi.
46:10 Os filhos de Simeão foram Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar e Saul, filho da cananeia.
46:11 Os filhos de Levi foram Gérson, Coate e Merari.
46:12 Os filhos de Judá foram Er, Onã, Selá, Perez e Zerá. Mas Er e Onã morreram na terra de Canaã. Os filhos de Perez foram Hezrom e Hamul.
46:13 Os filhos de Issacar foram Tola, Puva, Jó e Sinrom.
46:14 Os filhos de Zebulom foram Serede, Elom e Jaleel.
46:15 Esses foram os descendentes de Leia, que ela deu a Jacó em Padã-Arã, além de sua filha Diná. Ao todo, seus filhos e filhas eram trinta e três pessoas.
46:16 Os filhos de Gade foram Zifiom, Hagi, Suni, Esbom, Eri, Arodi e Areli.
46:17 Os filhos de Aser foram Imna, Isvá, Isvi e Berias, e Será era irmã deles. Os filhos de Berias foram Héber e Malquiel.
46:18 Esses foram os descendentes de Zilpa, que Labão havia dado à sua filha Leia. Ela deu a Jacó esses descendentes, dezesseis pessoas.
46:19 Os filhos de Raquel, mulher de Jacó, foram José e Benjamim.
46:20 Na terra do Egito, nasceram a José Manassés e Efraim, que Asenate, filha de Potífera, sacerdote de Om, lhe deu.
46:21 Os filhos de Benjamim foram Belá, Bequer, Asbel, Gera, Naamã, Eí, Rôs, Mupim, Hupim e Arde.
46:22 Esses foram os descendentes de Raquel que nasceram a Jacó, catorze pessoas ao todo.
46:23 Os filhos de Dã: Husim.
46:24 Os filhos de Naftali foram Jazeel, Guni, Jezer e Silém.
46:25 Esses foram os descendentes de Bila, que Labão havia dado à sua filha Raquel. Ela deu a Jacó esses descendentes, sete pessoas ao todo.
46:26 Todas as pessoas que vieram com Jacó ao Egito e descendiam dele, sem contar as mulheres dos filhos de Jacó, eram sessenta e seis.
46:27 Os filhos de José que lhe nasceram no Egito eram dois. Ao todo, as pessoas da casa de Jacó que chegaram ao Egito eram setenta.
46:28 Jacó enviou Judá adiante de si a José, para que lhe indicasse o caminho de Gósen. E chegaram à terra de Gósen.
46:29 José preparou seu carro e foi ao encontro de seu pai Israel em Gósen. Ao se apresentar diante dele, lançou-se ao seu pescoço e chorou abraçado a ele por muito tempo.
46:30 Israel disse a José: “Agora posso morrer, pois vi seu rosto e sei que você ainda vive”.
46:31 José disse a seus irmãos e à família de seu pai: “Vou falar com o faraó e lhe dizer: ‘Meus irmãos e a família de meu pai, que estavam na terra de Canaã, vieram para junto de mim.
46:32 Esses homens são pastores de rebanhos, pois são criadores de gado. Trouxeram seus rebanhos, seu gado e tudo o que possuem’.
46:33 Quando o faraó chamar vocês e perguntar: ‘Qual é a ocupação de vocês?’,
46:34 respondam: ‘Seus servos criam gado desde a juventude até agora, tanto nós como nossos pais’. Assim vocês poderão morar na terra de Gósen, pois todo pastor de rebanhos é uma abominação para os egípcios”.

Capítulo 47
47:1 José foi informar ao faraó: “Meu pai e meus irmãos vieram da terra de Canaã com seus rebanhos, seu gado e tudo o que possuem, e estão na terra de Gósen”.
47:2 Ele escolheu cinco de seus irmãos e os apresentou ao faraó.
47:3 O faraó perguntou aos irmãos de José: “Qual é a ocupação de vocês?” Eles responderam: “Seus servos são pastores de rebanhos, tanto nós como nossos pais”.
47:4 Disseram ainda ao faraó: “Viemos morar como estrangeiros nesta terra, pois não há pasto para os rebanhos dos seus servos, porque a fome é severa na terra de Canaã. Por favor, permita que seus servos morem na terra de Gósen”.
47:5 O faraó disse a José: “Seu pai e seus irmãos vieram para junto de você.
47:6 A terra do Egito está à sua disposição. Estabeleça seu pai e seus irmãos no melhor da terra. Que morem na terra de Gósen. E, se você sabe que há homens capazes entre eles, ponha-os à frente do meu gado”.
47:7 José trouxe seu pai Jacó e o apresentou ao faraó. Jacó abençoou o faraó.
47:8 O faraó perguntou a Jacó: “Quantos anos o senhor tem?”
47:9 Jacó respondeu ao faraó: “Os anos da minha peregrinação somam cento e trinta. Poucos e difíceis têm sido os dias da minha vida, e não chegaram aos anos que meus antepassados viveram em sua peregrinação”.
47:10 Então Jacó abençoou o faraó e saiu de sua presença.
47:11 José estabeleceu seu pai e seus irmãos e lhes deu uma propriedade na terra do Egito, na melhor região, na terra de Ramessés, conforme o faraó havia ordenado.
47:12 José forneceu pão a seu pai, a seus irmãos e a toda a família de seu pai, conforme o número de suas crianças.
47:13 Não havia pão em toda a terra, pois a fome era muito severa. As terras do Egito e de Canaã desfaleciam por causa da fome.
47:14 José recolheu todo o dinheiro que havia nas terras do Egito e de Canaã em pagamento pelos cereais que compravam e levou esse dinheiro à casa do faraó.
47:15 Quando se acabou o dinheiro nas terras do Egito e de Canaã, todos os egípcios vieram a José e disseram: “Dê-nos pão! Por que morreríamos diante de seus olhos só porque o dinheiro acabou?”
47:16 José respondeu: “Tragam seu gado, e eu lhes darei alimento em troca dele, se o dinheiro acabou”.
47:17 Eles trouxeram seu gado a José, e ele lhes deu pão em troca dos cavalos, dos rebanhos, do gado bovino e dos jumentos. Durante aquele ano, ele os sustentou com pão em troca de todo o seu gado.
47:18 Quando aquele ano terminou, vieram a ele no segundo ano e disseram: “Não esconderemos do meu senhor que o dinheiro acabou, e os animais já pertencem ao meu senhor. Não nos resta nada diante do meu senhor, a não ser nossos corpos e nossa terra.
47:19 Por que morreríamos diante de seus olhos, tanto nós como nossa terra? Compre a nós e à nossa terra em troca de pão, e nós e nossa terra seremos escravos do faraó. Dê-nos sementes para que vivamos e não morramos, e a terra não fique desolada”.
47:20 Assim José comprou toda a terra do Egito para o faraó. Os egípcios venderam, cada um, o seu campo, pois a fome os oprimia severamente. E a terra passou a pertencer ao faraó.
47:21 Quanto ao povo, ele o transferiu para as cidades, de uma extremidade à outra do território do Egito.
47:22 Somente a terra dos sacerdotes ele não comprou, pois os sacerdotes recebiam do faraó uma porção de alimento e viviam dessa porção que ele lhes dava. Por isso não venderam sua terra.
47:23 José disse ao povo: “Hoje comprei vocês e suas terras para o faraó. Aqui estão as sementes; semeiem a terra.
47:24 Quando vier a colheita, vocês darão a quinta parte ao faraó. As outras quatro partes serão de vocês, para semear os campos e alimentar vocês, suas famílias e suas crianças”.
47:25 Eles disseram: “O senhor salvou nossa vida! Que encontremos favor aos olhos do meu senhor, e seremos escravos do faraó”.
47:26 José estabeleceu isso como lei sobre a terra do Egito, em vigor até o dia de hoje: a quinta parte pertence ao faraó. Somente a terra dos sacerdotes não passou a pertencer ao faraó.
47:27 Israel se estabeleceu na terra do Egito, na terra de Gósen. Ali adquiriram propriedades, foram fecundos e se multiplicaram muito.
47:28 Jacó viveu dezessete anos na terra do Egito. Ao todo, viveu cento e quarenta e sete anos.
47:29 Quando se aproximou o tempo de Israel morrer, ele chamou seu filho José e lhe disse: “Se encontrei favor aos seus olhos, ponha, por favor, a mão debaixo da minha coxa e me trate com bondade e fidelidade. Peço que não me sepulte no Egito.
47:30 Quando eu descansar com meus antepassados, leve-me do Egito e me sepulte na sepultura deles”. José respondeu: “Farei como o senhor disse”.
47:31 Israel disse: “Jure para mim”. José jurou, e Israel se inclinou sobre a cabeceira da cama.

Capítulo 48
48:1 Depois disso, disseram a José: “Seu pai está doente”. Ele levou consigo seus dois filhos, Manassés e Efraim.
48:2 Avisaram a Jacó: “Seu filho José está vindo para vê-lo”. Israel fez um esforço e se sentou na cama.
48:3 Jacó disse a José: “O Deus Todo-Poderoso me apareceu em Luz, na terra de Canaã, e me abençoou.
48:4 Ele me disse: ‘Eu o farei fecundo e o multiplicarei. Farei de você uma comunidade de povos e darei esta terra aos seus descendentes depois de você, como propriedade perpétua’.
48:5 Agora, seus dois filhos que nasceram na terra do Egito antes de eu vir para cá são meus. Efraim e Manassés serão meus, assim como Rúben e Simeão.
48:6 Mas os filhos que você tiver depois deles serão seus. Na herança, serão contados sob o nome de seus irmãos.
48:7 Quando eu voltava de Padã, Raquel morreu, para minha tristeza, na terra de Canaã, durante a viagem, quando ainda faltava um trecho para chegar a Efrata. Eu a sepultei ali, no caminho de Efrata, que é Belém”.
48:8 Israel viu os filhos de José e perguntou: “Quem são estes?”
48:9 José respondeu ao pai: “São meus filhos, que Deus me deu aqui”. Ele disse: “Traga-os para perto de mim, por favor, para que eu os abençoe”.
48:10 Os olhos de Israel estavam enfraquecidos pela velhice, e ele já não conseguia enxergar. José levou seus filhos para perto de Israel, que os beijou e abraçou.
48:11 Israel disse a José: “Eu não esperava ver seu rosto, e agora Deus me fez ver também seus descendentes”.
48:12 Então José os retirou de junto dos joelhos de seu pai e se prostrou com o rosto em terra.
48:13 José tomou os dois, Efraim à sua direita, à esquerda de Israel, e Manassés à sua esquerda, à direita de Israel, e os aproximou do pai.
48:14 Mas Israel estendeu a mão direita e a pôs sobre a cabeça de Efraim, que era o mais novo, e a esquerda sobre a cabeça de Manassés. Cruzou as mãos de propósito, embora Manassés fosse o primogênito.
48:15 Ele abençoou José e disse:
 “Que o Deus em cuja presença andaram meus pais Abraão e Isaque, o Deus que tem sido meu pastor desde que nasci até o dia de hoje,
48:16 o anjo que me resgatou de todo mal, abençoe estes jovens.
   Que eles levem meu nome e o nome de meus pais Abraão e Isaque, e que se multipliquem como peixes em grande número no meio da terra”.
48:17 Quando José viu que seu pai colocava a mão direita sobre a cabeça de Efraim, não gostou. Pegou a mão do pai para tirá-la da cabeça de Efraim e pô-la sobre a cabeça de Manassés.
48:18 José disse ao pai: “Assim não, meu pai! Este é o primogênito. Ponha sua mão direita sobre a cabeça dele”.
48:19 Mas seu pai se recusou e disse: “Eu sei, meu filho, eu sei. Ele também se tornará um povo e também será grande. Mas seu irmão mais novo será maior do que ele, e seus descendentes se tornarão uma multidão de nações”.
48:20 Naquele dia, ele os abençoou, dizendo: “Com o seu nome Israel abençoará, dizendo: ‘Deus faça você como Efraim e Manassés’”. Assim pôs Efraim à frente de Manassés.
48:21 Israel disse a José: “Eu vou morrer, mas Deus estará com vocês e os fará voltar à terra de seus antepassados.
48:22 E eu lhe dei uma porção de terra a mais que aos seus irmãos, a que tomei dos amorreus com a minha espada e o meu arco”.

Capítulo 49
49:1 Jacó chamou seus filhos e disse: “Reúnam-se, e eu lhes anunciarei o que acontecerá com vocês nos dias que virão.
49:2 Reúnam-se e ouçam, filhos de Jacó;
   ouçam Israel, seu pai.
49:3 Rúben, você é meu primogênito, minha força e o primeiro fruto do meu vigor, superior em dignidade e superior em poder.
49:4 Impetuoso como as águas, você não terá a primazia, pois subiu ao leito de seu pai e o profanou.
   Ele subiu à minha cama!

49:5 Simeão e Levi são irmãos;
   suas armas são instrumentos de violência.
49:6 Que minha alma não entre em seu conselho, nem minha honra se junte à sua assembleia, pois em sua ira mataram homens e, por vontade própria, cortaram os tendões de bois.
49:7 Maldita seja sua ira, porque é feroz, e seu furor, porque é cruel.
   Eu os dividirei em Jacó e os espalharei em Israel.

49:8 Judá, seus irmãos o louvarão.
   Sua mão estará sobre a nuca de seus inimigos;
   os filhos de seu pai se prostrarão diante de você.
49:9 Judá é um leãozinho.
   Você subiu da presa, meu filho.
   Ele se agacha e se deita como um leão, como uma leoa;
   quem o fará levantar?
49:10 O cetro não se afastará de Judá, nem o bastão de comando de entre seus pés, até que venha Siló;
   a ele obedecerão os povos.
49:11 Ele amarra seu jumentinho à videira e a cria de sua jumenta à videira escolhida.
   Lava suas roupas no vinho e seu manto no sangue das uvas.
49:12 Seus olhos são mais escuros que o vinho, e seus dentes, mais brancos que o leite.

49:13 Zebulom morará à beira dos mares, será porto para os navios, e sua fronteira chegará até Sidom.

49:14 Issacar é um jumento de ossos fortes, deitado entre dois currais.
49:15 Viu que o descanso era bom e a terra era agradável;
   inclinou o ombro para carregar e se submeteu ao trabalho forçado.

49:16 Dã julgará seu povo como uma das tribos de Israel.
49:17 Dã será uma serpente junto ao caminho, uma víbora junto à vereda, que morde os calcanhares do cavalo e faz seu cavaleiro cair para trás.
49:18 A tua salvação espero, ó SENHOR!
49:19 Uma tropa atacará Gade, mas ele a atacará pela retaguarda.

49:20 O pão de Aser será substancioso, e ele fornecerá iguarias de reis.

49:21 Naftali é uma corça solta;
   ele profere belas palavras.

49:22 José é um ramo frutífero, um ramo frutífero junto à fonte;
   seus ramos se estendem por cima do muro.
49:23 Os arqueiros lhe causaram amargura, atiraram contra ele e o odiaram.
49:24 Mas seu arco permaneceu firme, e seus braços se tornaram ágeis pelas mãos do Poderoso de Jacó — de onde vem o Pastor, a Pedra de Israel —,
49:25 pelo Deus de seu pai, que o ajudará, e pelo Todo-Poderoso, que o abençoará com bênçãos dos céus acima, bênçãos do abismo que repousa abaixo, bênçãos dos seios e do ventre.
49:26 As bênçãos de seu pai superam as bênçãos de meus pais e se estendem até o que há de mais precioso nas colinas eternas.
   Que estejam sobre a cabeça de José, sobre o alto da cabeça daquele que foi separado de seus irmãos.

49:27 Benjamim é um lobo que despedaça;
   pela manhã devora a presa e, ao entardecer, reparte o despojo”.
49:28 Essas são as doze tribos de Israel, e foi isso que seu pai lhes disse ao abençoá-los. A cada um deu sua própria bênção.
49:29 Depois lhes deu esta ordem: “Vou ser reunido ao meu povo. Sepultem-me com meus antepassados, na caverna que está no campo de Efrom, o hitita,
49:30 na caverna do campo de Macpela, em frente de Manre, na terra de Canaã. Abraão comprou esse campo de Efrom, o hitita, como propriedade para sepultura.
49:31 Ali sepultaram Abraão e sua mulher Sara; ali sepultaram Isaque e sua mulher Rebeca, e ali eu sepultei Leia.
49:32 O campo e a caverna que nele está foram comprados dos filhos de Hete”.
49:33 Quando Jacó terminou de dar instruções a seus filhos, recolheu os pés na cama, deu seu último suspiro e foi reunido ao seu povo.

Capítulo 50
50:1 José se lançou sobre o rosto de seu pai, chorou sobre ele e o beijou.
50:2 José ordenou aos médicos que o serviam que embalsamassem seu pai, e os médicos embalsamaram Israel.
50:3 Isso levou quarenta dias, o tempo necessário para o embalsamamento. Os egípcios choraram por ele durante setenta dias.
50:4 Passados os dias de luto, José disse aos da casa do faraó: “Se encontrei favor aos olhos de vocês, peço que falem com o faraó e digam:
50:5 ‘Meu pai me fez jurar, dizendo: “Eu vou morrer. Sepulte-me no túmulo que cavei para mim na terra de Canaã”. Agora, peço permissão para subir e sepultar meu pai; depois voltarei’”.
50:6 O faraó disse: “Suba e sepulte seu pai, conforme ele o fez jurar”.
50:7 José subiu para sepultar seu pai. Com ele foram todos os servos do faraó, os anciãos de sua casa e todos os anciãos da terra do Egito,
50:8 toda a família de José, seus irmãos e a família de seu pai. Deixaram na terra de Gósen somente suas crianças, seus rebanhos e seu gado.
50:9 Também foram com ele carros e cavaleiros. Era uma comitiva muito numerosa.
50:10 Chegaram à eira de Atade, do outro lado do Jordão. Ali fizeram um lamento grande e muito profundo, e José guardou luto por seu pai durante sete dias.
50:11 Quando os cananeus, habitantes daquela terra, viram o luto na eira de Atade, disseram: “Este é um grande luto dos egípcios”. Por isso o lugar recebeu o nome de Abel-Mizraim; fica do outro lado do Jordão.
50:12 Seus filhos fizeram por ele o que lhes havia ordenado.
50:13 Eles o levaram à terra de Canaã e o sepultaram na caverna do campo de Macpela, em frente de Manre. Abraão havia comprado aquele campo de Efrom, o hitita, como propriedade para sepultura.
50:14 Depois de sepultar seu pai, José voltou ao Egito com seus irmãos e todos os que haviam ido com ele para sepultar seu pai.
50:15 Ao verem que seu pai havia morrido, os irmãos de José disseram: “E se José nos guardar rancor e nos retribuir todo o mal que lhe fizemos?”
50:16 Então mandaram dizer a José: “Seu pai deu esta ordem antes de morrer:
50:17 ‘Digam a José: “Por favor, perdoe a transgressão de seus irmãos e o pecado deles, pois lhe fizeram mal”’. Agora, por favor, perdoe a transgressão dos servos do Deus de seu pai”. José chorou enquanto lhe falavam.
50:18 Seus irmãos também vieram, prostraram-se diante dele e disseram: “Aqui estamos para ser seus escravos”.
50:19 Mas José lhes disse: “Não tenham medo. Por acaso estou no lugar de Deus?
50:20 Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o planejou para o bem, para realizar o que hoje se vê: preservar a vida de um povo numeroso.
50:21 Agora, não tenham medo. Eu sustentarei vocês e suas crianças”. Assim os consolou e lhes falou ao coração.
50:22 José permaneceu no Egito, ele e a família de seu pai. Viveu cento e dez anos.
50:23 José viu os descendentes de Efraim até a terceira geração. Também os filhos de Maquir, filho de Manassés, nasceram sobre os joelhos de José.
50:24 José disse a seus irmãos: “Eu vou morrer, mas Deus certamente visitará vocês e os fará subir desta terra para a terra que jurou dar a Abraão, Isaque e Jacó”.
50:25 José fez os filhos de Israel jurarem, dizendo: “Deus certamente visitará vocês, e vocês levarão meus ossos daqui”.
50:26 José morreu aos cento e dez anos. Foi embalsamado e colocado num caixão no Egito.

ÊXODO

Capítulo 1
1:1 Estes são os nomes dos filhos de Israel que chegaram ao Egito com Jacó, cada um com sua família:
1:2 Rúben, Simeão, Levi e Judá;
1:3 Issacar, Zebulom e Benjamim;
1:4 Dã e Naftali, Gade e Aser.
1:5 Ao todo, os descendentes de Jacó eram setenta pessoas. José já estava no Egito.
1:6 José morreu, assim como todos os seus irmãos e toda aquela geração.
1:7 Mas os filhos de Israel foram fecundos, proliferaram, se multiplicaram e se tornaram extremamente fortes. A terra se encheu deles.
1:8 Então um novo rei, que não conhecia José, passou a governar o Egito.
1:9 Ele disse a seu povo: “Vejam! O povo dos filhos de Israel é mais numeroso e mais forte do que nós.
1:10 Vamos agir com astúcia contra ele, para que não se multiplique e, se houver uma guerra, se junte aos nossos inimigos, lute contra nós e vá embora do país”.
1:11 Por isso puseram sobre eles capatazes de trabalhos forçados, para oprimi-los com cargas pesadas. E eles construíram para o faraó as cidades de armazenamento de Pitom e Ramessés.
1:12 Mas, quanto mais os oprimiam, mais eles se multiplicavam e se espalhavam. Os egípcios passaram a ter pavor dos filhos de Israel.
1:13 Os egípcios obrigaram os filhos de Israel a trabalhar com crueldade.
1:14 Amargaram sua vida com trabalhos duros, preparando barro e tijolos e fazendo todo tipo de serviço no campo. Em todos os trabalhos que lhes impunham, tratavam-nos com crueldade.
1:15 O rei do Egito falou às parteiras hebreias, uma chamada Sifrá e a outra Puá.
1:16 Ele disse: “Quando ajudarem as hebreias no parto e as virem no assento de dar à luz, se for menino, matem-no; mas, se for menina, deixem-na viver”.
1:17 Mas as parteiras temiam a Deus e não fizeram como o rei do Egito lhes havia ordenado; deixaram os meninos viver.
1:18 Então o rei do Egito chamou as parteiras e lhes perguntou: “Por que vocês fizeram isso e deixaram os meninos viver?”
1:19 As parteiras responderam ao faraó: “As hebreias não são como as mulheres egípcias. São vigorosas e dão à luz antes de a parteira chegar”.
1:20 Deus fez bem às parteiras, e o povo se multiplicou e se tornou muito forte.
1:21 Por terem temido a Deus, ele lhes deu famílias.
1:22 Então o faraó ordenou a todo o seu povo: “Joguem no Nilo todo menino que nascer, mas deixem viver todas as meninas”.

Capítulo 2
2:1 Um homem da família de Levi se casou com uma mulher da mesma família.
2:2 A mulher engravidou e deu à luz um filho. Ao ver que ele era bonito, escondeu-o durante três meses.
2:3 Quando já não podia escondê-lo, pegou um cesto de papiro e o revestiu com betume e piche. Colocou o menino dentro dele e o pôs entre os juncos, à margem do Nilo.
2:4 A irmã do menino ficou à distância, para saber o que aconteceria com ele.
2:5 A filha do faraó desceu para se banhar no Nilo, enquanto suas criadas caminhavam pela margem. Ela viu o cesto entre os juncos e mandou sua serva buscá-lo.
2:6 Ao abri-lo, viu o menino chorando. Teve compaixão dele e disse: “Este é um dos meninos hebreus”.
2:7 Então a irmã do menino perguntou à filha do faraó: “Quer que eu vá chamar uma mulher hebreia para amamentar o menino para a senhora?”
2:8 A filha do faraó respondeu: “Vá”. A moça foi e chamou a mãe do menino.
2:9 A filha do faraó lhe disse: “Leve este menino e amamente-o para mim. Eu lhe pagarei por isso”. A mulher levou o menino e o amamentou.
2:10 Quando o menino cresceu, ela o levou à filha do faraó, e ele se tornou seu filho. Ela lhe deu o nome de Moisés, pois disse: “Eu o tirei das águas”.
2:11 Naqueles dias, quando Moisés já havia crescido, ele saiu para ver seus irmãos e observou os trabalhos pesados que lhes impunham. Viu um egípcio espancando um hebreu, um de seus irmãos.
2:12 Olhou para um lado e para o outro e, ao ver que não havia ninguém, matou o egípcio e o escondeu na areia.
2:13 No dia seguinte, ele saiu e viu dois hebreus brigando. Perguntou ao que agia mal: “Por que você está batendo em seu companheiro?”
2:14 Ele respondeu: “Quem pôs você como chefe e juiz sobre nós? Você pretende me matar como matou o egípcio?” Moisés ficou com medo e disse: “Certamente descobriram o que aconteceu”.
2:15 Quando o faraó soube disso, procurou matar Moisés. Mas Moisés fugiu do faraó e foi morar na terra de Midiã. Ali se sentou junto a um poço.
2:16 O sacerdote de Midiã tinha sete filhas. Elas foram tirar água e encheram os bebedouros para dar de beber ao rebanho de seu pai.
2:17 Mas vieram alguns pastores e as expulsaram. Então Moisés se levantou, defendeu-as e deu de beber ao rebanho delas.
2:18 Quando voltaram a seu pai Reuel, ele perguntou: “Por que vocês voltaram tão cedo hoje?”
2:19 Elas responderam: “Um egípcio nos livrou das mãos dos pastores. Ele também tirou água para nós e deu de beber ao rebanho”.
2:20 Ele disse às filhas: “E onde ele está? Por que vocês deixaram aquele homem lá? Chamem-no para comer pão”.
2:21 Moisés aceitou morar com aquele homem, que lhe deu sua filha Zípora por mulher.
2:22 Ela deu à luz um filho, a quem Moisés deu o nome de Gérsom, pois disse: “Tenho sido um estrangeiro em terra alheia”.
2:23 Durante aquele longo período, o rei do Egito morreu. Os filhos de Israel gemiam por causa da escravidão e clamaram por socorro. Seu clamor por causa da escravidão subiu até Deus.
2:24 Deus ouviu seus gemidos, e Deus se lembrou de sua aliança com Abraão, Isaque e Jacó.
2:25 Deus olhou para os filhos de Israel, e Deus os conheceu.

Capítulo 3
3:1 Moisés cuidava do rebanho de seu sogro Jetro, sacerdote de Midiã. Levou o rebanho para o outro lado do deserto e chegou a Horebe, o monte de Deus.
3:2 O anjo do SENHOR lhe apareceu numa chama de fogo, no meio de uma sarça. Moisés olhou e viu que a sarça ardia, mas não se consumia.
3:3 Então Moisés disse: “Vou me aproximar para ver essa grande visão. Por que a sarça não se queima?”
3:4 Quando o SENHOR viu que ele se aproximava para olhar, Deus o chamou do meio da sarça: “Moisés, Moisés!” Ele respondeu: “Aqui estou”.
3:5 Deus disse: “Não se aproxime mais. Tire as sandálias dos pés, pois o lugar onde você está é terra santa”.
3:6 E acrescentou: “Eu sou o Deus de seu pai, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó”. Moisés cobriu o rosto, pois teve medo de olhar para Deus.
3:7 O SENHOR disse: “Certamente vi a aflição do meu povo que está no Egito e ouvi seu clamor por causa de seus opressores, pois conheço seus sofrimentos.
3:8 Desci para livrá-lo das mãos dos egípcios e fazê-lo subir daquela terra para uma terra boa e espaçosa, uma terra que mana leite e mel, o lugar dos cananeus, hititas, amorreus, ferezeus, heveus e jebuseus.
3:9 Agora o clamor dos filhos de Israel chegou a mim, e também vi a opressão com que os egípcios os oprimem.
3:10 Vá, pois eu o enviarei ao faraó para que tire do Egito meu povo, os filhos de Israel”.
3:11 Moisés disse a Deus: “Quem sou eu para ir ao faraó e tirar do Egito os filhos de Israel?”
3:12 Deus respondeu: “Eu estarei com você. Este será o sinal de que fui eu que o enviei: quando você tirar o povo do Egito, vocês servirão a Deus neste monte”.
3:13 Moisés disse a Deus: “Quando eu chegar aos filhos de Israel e lhes disser: ‘O Deus de seus antepassados me enviou a vocês’, e eles me perguntarem: ‘Qual é o nome dele?’, o que direi?”
3:14 Deus respondeu a Moisés: “EU SOU O QUE SOU”. E acrescentou: “Assim você dirá aos filhos de Israel: ‘EU SOU me enviou a vocês’”.
3:15 Deus disse ainda a Moisés: “Assim você dirá aos filhos de Israel: ‘O SENHOR, o Deus de seus antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, me enviou a vocês’. Este é meu nome para sempre, e assim serei lembrado de geração em geração.
3:16 Vá, reúna os anciãos de Israel e diga a eles: ‘O SENHOR, o Deus de seus antepassados, o Deus de Abraão, Isaque e Jacó, me apareceu e disse: “Certamente visitei vocês e vi o que lhes é feito no Egito.
3:17 E eu disse que os farei subir da aflição do Egito para a terra dos cananeus, hititas, amorreus, ferezeus, heveus e jebuseus, uma terra que mana leite e mel”’.
3:18 Eles ouvirão sua voz. Você e os anciãos de Israel irão ao rei do Egito e lhe dirão: ‘O SENHOR, o Deus dos hebreus, veio ao nosso encontro. Por favor, permita que façamos uma viagem de três dias pelo deserto, para oferecer sacrifícios ao SENHOR, nosso Deus’.
3:19 Mas eu sei que o rei do Egito não deixará vocês ir, nem mesmo por uma mão forte.
3:20 Então estenderei minha mão e ferirei o Egito com todas as maravilhas que farei em seu meio. Depois disso, ele deixará vocês ir.
3:21 Farei este povo encontrar favor aos olhos dos egípcios, de modo que, quando vocês saírem, não irão de mãos vazias.
3:22 Cada mulher pedirá à sua vizinha e à mulher que mora em sua casa objetos de prata, objetos de ouro e roupas. Vocês os porão sobre seus filhos e suas filhas e, assim, despojarão o Egito”.

Capítulo 4
4:1 Moisés respondeu: “Mas eles não acreditarão em mim nem ouvirão minha voz, pois dirão: ‘O SENHOR não apareceu a você’”.
4:2 O SENHOR lhe perguntou: “O que é isso em sua mão?” Ele respondeu: “Um cajado”.
4:3 Deus disse: “Jogue-o no chão”. Ele o jogou no chão, e o cajado se tornou uma serpente. Moisés fugiu dela.
4:4 Então o SENHOR disse a Moisés: “Estenda a mão e pegue-a pela cauda”. Ele estendeu a mão e a pegou, e ela voltou a ser um cajado em sua mão.
4:5 “Isso é para que acreditem que o SENHOR, o Deus de seus antepassados, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, apareceu a você”.
4:6 O SENHOR lhe disse ainda: “Ponha a mão dentro do manto, junto ao peito”. Ele pôs a mão junto ao peito e, quando a tirou, ela estava leprosa, branca como a neve.
4:7 Deus disse: “Ponha a mão outra vez junto ao peito”. Ele a pôs junto ao peito e, quando a tirou, ela havia voltado a ser como o resto de sua pele.
4:8 “Se eles não acreditarem em você nem ouvirem a voz do primeiro sinal, acreditarão na voz do segundo.
4:9 Mas, se não acreditarem nem mesmo nesses dois sinais e não ouvirem sua voz, você pegará água do Nilo e a derramará na terra seca. A água que tirar do Nilo se tornará sangue sobre a terra seca”.
4:10 Moisés disse ao SENHOR: “Ah, Senhor! Eu nunca fui eloquente, nem antes, nem desde que falas com teu servo, pois sou lento ao falar e tenho a língua pesada”.
4:11 O SENHOR lhe respondeu: “Quem deu a boca ao ser humano? Quem o torna mudo ou surdo, capaz de ver ou cego? Não sou eu, o SENHOR?
4:12 Agora vá. Eu estarei com sua boca e lhe ensinarei o que deve dizer”.
4:13 Mas ele disse: “Por favor, Senhor, envia por meio de quem quiseres enviar”.
4:14 Então a ira do SENHOR se acendeu contra Moisés, e ele disse: “Arão, o levita, não é seu irmão? Sei que ele fala bem. Ele já está vindo ao seu encontro e, quando vir você, seu coração se alegrará.
4:15 Você falará com ele e porá as palavras em sua boca. Eu estarei com sua boca e com a dele e ensinarei a vocês o que devem fazer.
4:16 Ele falará por você ao povo e será sua boca, e você será para ele como Deus.
4:17 Leve em sua mão este cajado, com o qual fará os sinais”.
4:18 Moisés voltou a seu sogro Jéter e lhe disse: “Por favor, deixe-me voltar a meus irmãos que estão no Egito, para ver se ainda vivem”. Jetro disse a Moisés: “Vá em paz”.
4:19 O SENHOR disse a Moisés em Midiã: “Volte ao Egito, pois morreram todos os que procuravam tirar sua vida”.
4:20 Moisés tomou sua mulher e seus filhos, colocou-os sobre um jumento e voltou à terra do Egito. Levava em sua mão o cajado de Deus.
4:21 O SENHOR disse a Moisés: “Quando você voltar ao Egito, faça diante do faraó todas as maravilhas que pus em suas mãos. Mas eu endurecerei o coração dele, e ele não deixará o povo ir.
4:22 Você dirá ao faraó: ‘Assim diz o SENHOR: “Israel é meu filho, meu primogênito.
4:23 Eu lhe disse que deixasse meu filho ir para me servir, mas você se recusou a deixá-lo ir. Agora eu matarei seu filho, seu primogênito”’”.
4:24 No caminho, num lugar de pousada, o SENHOR o encontrou e procurou matá-lo.
4:25 Então Zípora pegou uma pedra de sílex, cortou o prepúcio de seu filho e com ele lhe tocou os pés. Ela disse: “Certamente você é para mim um esposo de sangue”.
4:26 Então ele o deixou. Foi por causa da circuncisão que ela disse “esposo de sangue”.
4:27 O SENHOR disse a Arão: “Vá ao deserto encontrar Moisés”. Ele foi, encontrou-o no monte de Deus e o beijou.
4:28 Moisés contou a Arão todas as palavras com que o SENHOR o havia enviado e todos os sinais que lhe havia ordenado fazer.
4:29 Moisés e Arão foram e reuniram todos os anciãos dos filhos de Israel.
4:30 Arão transmitiu todas as palavras que o SENHOR havia dito a Moisés e fez os sinais diante dos olhos do povo.
4:31 O povo acreditou e, ao ouvir que o SENHOR havia visitado os filhos de Israel e visto sua aflição, inclinou-se e adorou.

Capítulo 5
5:1 Depois, Moisés e Arão foram ao faraó e lhe disseram: “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: ‘Deixe meu povo ir, para que celebre uma festa em minha honra no deserto’”.
5:2 O faraó respondeu: “Quem é o SENHOR para que eu ouça sua voz e deixe Israel ir? Não conheço o SENHOR e também não deixarei Israel ir”.
5:3 Eles disseram: “O Deus dos hebreus veio ao nosso encontro. Por favor, permita que façamos uma viagem de três dias pelo deserto, para oferecer sacrifícios ao SENHOR, nosso Deus, a fim de que ele não nos atinja com peste ou espada”.
5:4 O rei do Egito lhes disse: “Moisés e Arão, por que vocês afastam o povo de seus trabalhos? Voltem às suas tarefas!”
5:5 O faraó acrescentou: “Vejam, o povo desta terra já é numeroso, e vocês o fazem descansar de seus trabalhos pesados”.
5:6 Naquele mesmo dia, o faraó deu esta ordem aos capatazes do povo e aos seus encarregados:
5:7 “Não deem mais palha ao povo para fazer tijolos, como antes. Que eles mesmos vão recolher a palha.
5:8 Mas exijam deles a mesma quantidade de tijolos que faziam antes, sem diminuir nada, pois são preguiçosos. É por isso que clamam: ‘Vamos oferecer sacrifícios ao nosso Deus’.
5:9 Tornem mais pesado o trabalho desses homens, para que se ocupem dele e não deem atenção a palavras mentirosas”.
5:10 Os capatazes do povo e seus encarregados saíram e disseram ao povo: “Assim diz o faraó: ‘Não darei palha a vocês.
5:11 Vão vocês mesmos buscar palha onde a encontrarem, pois nada será diminuído do seu trabalho’”.
5:12 Então o povo se espalhou por toda a terra do Egito para recolher restolho que servisse de palha.
5:13 Os capatazes os pressionavam: “Completem o trabalho de cada dia, como quando havia palha”.
5:14 Os encarregados dos filhos de Israel, nomeados pelos capatazes do faraó, foram espancados. Os capatazes lhes diziam: “Por que vocês não completaram, nem ontem nem hoje, a quantidade de tijolos que faziam antes?”
5:15 Os encarregados dos filhos de Israel foram ao faraó e clamaram: “Por que o senhor trata assim seus servos?
5:16 Não se dá palha a seus servos, mas nos dizem: ‘Façam tijolos!’ Seus servos são espancados, mas a culpa é do seu povo”.
5:17 Ele respondeu: “Vocês são preguiçosos, preguiçosos! Por isso dizem: ‘Vamos oferecer sacrifícios ao SENHOR’.
5:18 Agora vão trabalhar! Vocês não receberão palha, mas terão de entregar a quantidade de tijolos exigida”.
5:19 Os encarregados dos filhos de Israel viram que estavam em dificuldade quando lhes disseram: “Não diminuam a quantidade de tijolos de cada dia”.
5:20 Ao saírem da presença do faraó, encontraram Moisés e Arão, que os esperavam.
5:21 Disseram a eles: “Que o SENHOR olhe para vocês e os julgue, pois tornaram nosso cheiro repugnante diante do faraó e de seus servos, pondo em suas mãos uma espada para nos matar”.
5:22 Então Moisés se voltou ao SENHOR e disse: “Senhor, por que fizeste mal a este povo? Por que me enviaste?
5:23 Desde que fui ao faraó para falar em teu nome, ele maltratou este povo, e tu não livraste de modo algum o teu povo”.

Capítulo 6
6:1 O SENHOR disse a Moisés: “Agora você verá o que farei ao faraó. Por uma mão forte, ele os deixará ir e, por uma mão forte, os expulsará de sua terra”.
6:2 Deus falou a Moisés e lhe disse: “Eu sou o SENHOR.
6:3 Apareci a Abraão, Isaque e Jacó como o Deus Todo-Poderoso, mas pelo meu nome SENHOR não me dei a conhecer a eles.
6:4 Também estabeleci minha aliança com eles para lhes dar a terra de Canaã, a terra onde viveram como estrangeiros.
6:5 Eu também ouvi os gemidos dos filhos de Israel, que os egípcios mantêm na escravidão, e me lembrei da minha aliança.
6:6 Por isso, diga aos filhos de Israel: ‘Eu sou o SENHOR. Eu os tirarei de debaixo das cargas dos egípcios, os livrarei da escravidão e os resgatarei com braço estendido e grandes juízos.
6:7 Eu os tomarei como meu povo e serei seu Deus. Vocês saberão que eu sou o SENHOR, seu Deus, que os tira de debaixo das cargas dos egípcios.
6:8 Eu os levarei à terra que, de mão levantada, jurei dar a Abraão, Isaque e Jacó, e a darei a vocês como herança. Eu sou o SENHOR’”.
6:9 Moisés falou assim aos filhos de Israel, mas eles não lhe deram ouvidos por causa da angústia de espírito e da dura escravidão.
6:10 Então o SENHOR falou a Moisés:
6:11 “Vá falar ao faraó, rei do Egito, para que deixe os filhos de Israel sair de sua terra”.
6:12 Moisés respondeu diante do SENHOR: “Os filhos de Israel não me deram ouvidos. Como o faraó me ouvirá, se tenho lábios incircuncisos?”
6:13 O SENHOR falou a Moisés e a Arão e lhes deu ordens para os filhos de Israel e para o faraó, rei do Egito, a fim de tirar os filhos de Israel da terra do Egito.
6:14 Estes são os chefes de suas famílias paternas. Os filhos de Rúben, primogênito de Israel, foram Enoque, Palu, Hezrom e Carmi. Essas são as famílias de Rúben.
6:15 Os filhos de Simeão foram Jemuel, Jamim, Oade, Jaquim, Zoar e Saul, filho da cananeia. Essas são as famílias de Simeão.
6:16 Estes são os nomes dos filhos de Levi, segundo suas gerações: Gérson, Coate e Merari. Levi viveu cento e trinta e sete anos.
6:17 Os filhos de Gérson foram Libni e Simei, segundo suas famílias.
6:18 Os filhos de Coate foram Anrão, Isar, Hebrom e Uziel. Coate viveu cento e trinta e três anos.
6:19 Os filhos de Merari foram Mali e Musi. Essas são as famílias de Levi, segundo suas gerações.
6:20 Anrão se casou com sua tia Joquebede, e ela lhe deu Arão e Moisés. Anrão viveu cento e trinta e sete anos.
6:21 Os filhos de Isar foram Corá, Nefegue e Zicri.
6:22 Os filhos de Uziel foram Misael, Elzafã e Sitri.
6:23 Arão se casou com Eliseba, filha de Aminadabe e irmã de Naassom, e ela lhe deu Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar.
6:24 Os filhos de Corá foram Assir, Elcana e Abiasafe. Essas são as famílias dos coraítas.
6:25 Eleazar, filho de Arão, se casou com uma das filhas de Putiel, e ela lhe deu Fineias. Esses são os chefes das famílias paternas dos levitas, segundo suas famílias.
6:26 Esses são Arão e Moisés, a quem o SENHOR disse: “Tirem os filhos de Israel da terra do Egito, organizados em seus exércitos”.
6:27 Foram eles que falaram ao faraó, rei do Egito, para tirar os filhos de Israel do Egito. Esses são Moisés e Arão.
6:28 Quando o SENHOR falou a Moisés na terra do Egito,
6:29 disse-lhe: “Eu sou o SENHOR. Diga ao faraó, rei do Egito, tudo o que eu lhe digo”.
6:30 Mas Moisés respondeu diante do SENHOR: “Tenho lábios incircuncisos. Como o faraó me ouvirá?”

Capítulo 7
7:1 O SENHOR disse a Moisés: “Veja, eu pus você como Deus diante do faraó, e seu irmão Arão será seu profeta.
7:2 Você dirá tudo o que eu lhe ordenar, e seu irmão Arão falará ao faraó para que deixe os filhos de Israel sair de sua terra.
7:3 Mas eu endurecerei o coração do faraó e multiplicarei meus sinais e minhas maravilhas na terra do Egito.
7:4 O faraó não ouvirá vocês. Então porei minha mão sobre o Egito e tirarei da terra do Egito meus exércitos, meu povo, os filhos de Israel, com grandes juízos.
7:5 Os egípcios saberão que eu sou o SENHOR quando eu estender minha mão sobre o Egito e tirar os filhos de Israel do meio deles”.
7:6 Moisés e Arão fizeram como o SENHOR lhes havia ordenado; assim fizeram.
7:7 Moisés tinha oitenta anos, e Arão, oitenta e três, quando falaram ao faraó.
7:8 O SENHOR disse a Moisés e a Arão:
7:9 “Quando o faraó disser a vocês: ‘Mostrem um prodígio’, você dirá a Arão: ‘Pegue seu cajado e jogue-o diante do faraó, e ele se tornará uma serpente’”.
7:10 Moisés e Arão foram ao faraó e fizeram como o SENHOR havia ordenado. Arão jogou seu cajado diante do faraó e de seus servos, e ele se tornou uma serpente.
7:11 O faraó também chamou os sábios e os feiticeiros. Eles, os magos do Egito, fizeram o mesmo com seus encantamentos.
7:12 Cada um jogou seu cajado, e eles se tornaram serpentes. Mas o cajado de Arão engoliu os cajados deles.
7:13 O coração do faraó se endureceu, e ele não lhes deu ouvidos, como o SENHOR havia dito.
7:14 O SENHOR disse a Moisés: “O coração do faraó está obstinado; ele se recusa a deixar o povo ir.
7:15 Vá ao faraó pela manhã, quando ele sair para as águas, e espere por ele à margem do Nilo. Leve em sua mão o cajado que se tornou serpente.
7:16 Você lhe dirá: ‘O SENHOR, o Deus dos hebreus, me enviou a você para dizer: “Deixe meu povo ir, para que me sirva no deserto”. Mas até agora você não deu ouvidos.
7:17 Assim diz o SENHOR: “Com isto você saberá que eu sou o SENHOR: golpearei com o cajado que tenho na mão as águas do Nilo, e elas se tornarão sangue.
7:18 Os peixes do Nilo morrerão, o Nilo cheirará mal, e os egípcios não conseguirão beber de suas águas”’”.
7:19 O SENHOR disse a Moisés: “Diga a Arão: ‘Pegue seu cajado e estenda a mão sobre as águas do Egito, sobre seus rios, canais, lagoas e todos os seus depósitos de água, para que se tornem sangue. Haverá sangue por toda a terra do Egito, até nos recipientes de madeira e de pedra’”.
7:20 Moisés e Arão fizeram como o SENHOR havia ordenado. O cajado foi erguido, e as águas do Nilo foram golpeadas diante dos olhos do faraó e de seus servos. Todas as águas do Nilo se tornaram sangue.
7:21 Os peixes do Nilo morreram, o Nilo cheirou mal, e os egípcios não conseguiam beber de suas águas. Havia sangue por toda a terra do Egito.
7:22 Mas os magos do Egito fizeram o mesmo com seus encantamentos. O coração do faraó se endureceu, e ele não lhes deu ouvidos, como o SENHOR havia dito.
7:23 O faraó se virou e foi para sua casa, sem dar atenção nem mesmo a isso.
7:24 Todos os egípcios cavaram ao redor do Nilo em busca de água para beber, pois não podiam beber das águas do Nilo.
7:25 Passaram-se sete dias depois que o SENHOR feriu o Nilo.

Capítulo 8
8:1 O SENHOR disse a Moisés: “Vá ao faraó e lhe diga: ‘Assim diz o SENHOR: “Deixe meu povo ir, para que me sirva.
8:2 Se você se recusar a deixá-lo ir, eu atingirei todo o seu território com rãs.
8:3 O Nilo ficará cheio de rãs. Elas subirão e entrarão em sua casa e em seu quarto, ficarão sobre sua cama e estarão nas casas de seus servos, no meio do seu povo, em seus fornos e nas suas vasilhas de amassar pão.
8:4 As rãs subirão sobre você, sobre seu povo e sobre todos os seus servos”’”.
8:5 O SENHOR disse a Moisés: “Diga a Arão: ‘Estenda a mão com seu cajado sobre os rios, canais e lagoas e faça as rãs subirem sobre a terra do Egito’”.
8:6 Arão estendeu a mão sobre as águas do Egito, e as rãs subiram e cobriram a terra do Egito.
8:7 Os magos fizeram o mesmo com seus encantamentos e fizeram as rãs subir sobre a terra do Egito.
8:8 O faraó chamou Moisés e Arão e lhes disse: “Supliquem ao SENHOR que afaste as rãs de mim e do meu povo. Deixarei o povo ir, para que ofereça sacrifícios ao SENHOR”.
8:9 Moisés disse ao faraó: “Deixo a escolha com o senhor: para quando devo suplicar pelo senhor, por seus servos e por seu povo, para eliminar as rãs do senhor e de suas casas, de modo que só fiquem no Nilo?”
8:10 Ele respondeu: “Amanhã”. Moisés disse: “Será como o senhor disse, para que saiba que não há ninguém como o SENHOR, nosso Deus.
8:11 As rãs se afastarão do senhor, de suas casas, de seus servos e de seu povo. Só ficarão no Nilo”.
8:12 Moisés e Arão saíram da presença do faraó, e Moisés clamou ao SENHOR por causa das rãs que tinham sido enviadas contra o faraó.
8:13 O SENHOR fez conforme a palavra de Moisés, e as rãs morreram nas casas, nos pátios e nos campos.
8:14 Ajuntaram-nas em montes e montes, e a terra cheirou mal.
8:15 Mas, quando o faraó viu que havia alívio, endureceu seu coração e não lhes deu ouvidos, como o SENHOR havia dito.
8:16 O SENHOR disse a Moisés: “Diga a Arão: ‘Estenda seu cajado e golpeie o pó da terra, para que se transforme em mosquitos por toda a terra do Egito’”.
8:17 Assim fizeram. Arão estendeu a mão com seu cajado e golpeou o pó da terra, e houve mosquitos sobre as pessoas e os animais. Todo o pó da terra se transformou em mosquitos por toda a terra do Egito.
8:18 Os magos tentaram fazer o mesmo com seus encantamentos para produzir mosquitos, mas não conseguiram. Havia mosquitos sobre as pessoas e os animais.
8:19 Os magos disseram ao faraó: “Isto é o dedo de Deus”. Mas o coração do faraó se endureceu, e ele não lhes deu ouvidos, como o SENHOR havia dito.
8:20 O SENHOR disse a Moisés: “Levante-se de manhã cedo e apresente-se diante do faraó, quando ele sair para as águas. Você lhe dirá: ‘Assim diz o SENHOR: “Deixe meu povo ir, para que me sirva.
8:21 Se você não deixar meu povo ir, enviarei enxames de moscas sobre você, seus servos, seu povo e suas casas. As casas dos egípcios se encherão de enxames de moscas, e também o chão onde estiverem.
8:22 Mas naquele dia separarei a terra de Gósen, onde meu povo mora, para que ali não haja enxames de moscas. Assim você saberá que eu sou o SENHOR no meio desta terra.
8:23 Farei distinção entre meu povo e o seu, livrando o meu. Amanhã acontecerá este sinal”’”.
8:24 O SENHOR fez assim. Densos enxames de moscas entraram na casa do faraó e nas casas de seus servos. Por toda a terra do Egito, a terra foi arruinada pelos enxames.
8:25 Então o faraó chamou Moisés e Arão e disse: “Vão oferecer sacrifícios ao seu Deus aqui no país”.
8:26 Moisés respondeu: “Não seria correto fazer isso, pois ofereceríamos ao SENHOR, nosso Deus, o que é uma abominação para os egípcios. Se oferecermos diante de seus olhos o que é uma abominação para eles, não nos apedrejarão?
8:27 Iremos ao deserto, a três dias de viagem, e ofereceremos sacrifícios ao SENHOR, nosso Deus, conforme ele nos disser”.
8:28 O faraó disse: “Deixarei vocês ir para oferecer sacrifícios ao SENHOR, seu Deus, no deserto, desde que não se afastem muito. Supliquem por mim”.
8:29 Moisés respondeu: “Vou sair de sua presença e suplicar ao SENHOR. Amanhã os enxames de moscas se afastarão do faraó, de seus servos e de seu povo. Mas que o faraó não volte a enganar, recusando-se a deixar o povo ir para oferecer sacrifícios ao SENHOR”.
8:30 Moisés saiu da presença do faraó e suplicou ao SENHOR.
8:31 O SENHOR fez conforme a palavra de Moisés e afastou os enxames de moscas do faraó, de seus servos e de seu povo. Não restou uma só mosca.
8:32 Mas também dessa vez o faraó endureceu seu coração e não deixou o povo ir.

Capítulo 9
9:1 O SENHOR disse a Moisés: “Vá ao faraó e lhe diga: ‘Assim diz o SENHOR, o Deus dos hebreus: “Deixe meu povo ir, para que me sirva.
9:2 Se você se recusar a deixá-lo ir e continuar a retê-lo,
9:3 a mão do SENHOR virá sobre seus animais que estão no campo, sobre os cavalos, os jumentos, os camelos, o gado bovino e os rebanhos, com uma peste muito severa.
9:4 Mas o SENHOR fará distinção entre os animais de Israel e os animais do Egito, e não morrerá nenhum dos animais que pertencem aos filhos de Israel”’”.
9:5 O SENHOR marcou um prazo, dizendo: “Amanhã o SENHOR fará isso nesta terra”.
9:6 No dia seguinte, o SENHOR fez isso, e morreu todo o gado do Egito. Mas dos animais dos filhos de Israel não morreu nenhum.
9:7 O faraó mandou verificar e constatou que não havia morrido nenhum dos animais de Israel. Mas seu coração ficou obstinado, e ele não deixou o povo ir.
9:8 O SENHOR disse a Moisés e a Arão: “Encham as mãos de fuligem de um forno, e que Moisés a jogue para o céu diante dos olhos do faraó.
9:9 Ela se tornará pó fino sobre toda a terra do Egito e produzirá feridas com bolhas nas pessoas e nos animais, por toda a terra do Egito”.
9:10 Eles pegaram a fuligem do forno e se apresentaram diante do faraó. Moisés a jogou para o céu, e surgiram feridas com bolhas nas pessoas e nos animais.
9:11 Os magos não podiam se apresentar diante de Moisés por causa das feridas, pois elas atingiam os magos e todos os egípcios.
9:12 Mas o SENHOR endureceu o coração do faraó, e ele não lhes deu ouvidos, como o SENHOR havia dito a Moisés.
9:13 O SENHOR disse a Moisés: “Levante-se de manhã cedo, apresente-se diante do faraó e lhe diga: ‘Assim diz o SENHOR, o Deus dos hebreus: “Deixe meu povo ir, para que me sirva.
9:14 Desta vez enviarei todas as minhas pragas contra seu coração, contra seus servos e contra seu povo, para que você saiba que não há ninguém como eu em toda a terra.
9:15 Pois eu já poderia ter estendido minha mão e ferido você e seu povo com peste, e você teria sido exterminado da terra.
9:16 Mas foi para isto que o mantive em pé: para mostrar a você meu poder e para que meu nome seja anunciado em toda a terra.
9:17 Você ainda se levanta contra meu povo, recusando-se a deixá-lo ir?
9:18 Amanhã, a esta hora, farei cair um granizo muito intenso, como nunca houve no Egito desde o dia em que foi fundado até agora.
9:19 Agora mande recolher seus animais e tudo o que você tem no campo. O granizo cairá sobre toda pessoa e todo animal que estiverem no campo e não forem recolhidos para dentro de casa, e morrerão”’”.
9:20 Os servos do faraó que temiam a palavra do SENHOR fizeram seus servos e seus animais fugir para as casas.
9:21 Mas os que não deram atenção à palavra do SENHOR deixaram seus servos e seus animais no campo.
9:22 O SENHOR disse a Moisés: “Estenda a mão para o céu, para que caia granizo por toda a terra do Egito, sobre as pessoas, os animais e toda a vegetação do campo na terra do Egito”.
9:23 Moisés estendeu seu cajado para o céu, e o SENHOR enviou trovões e granizo. Fogo corria pela terra, e o SENHOR fez chover granizo sobre a terra do Egito.
9:24 Houve granizo, e fogo fulgurava em meio ao granizo. Foi tão intenso como nunca houvera em toda a terra do Egito desde que se tornara uma nação.
9:25 Por toda a terra do Egito, o granizo atingiu tudo o que havia no campo, desde as pessoas até os animais. Atingiu também toda a vegetação do campo e quebrou todas as árvores do campo.
9:26 Somente na terra de Gósen, onde estavam os filhos de Israel, não houve granizo.
9:27 Então o faraó mandou chamar Moisés e Arão e lhes disse: “Desta vez pequei. O SENHOR é justo, mas eu e meu povo somos ímpios.
9:28 Supliquem ao SENHOR, pois já bastam os trovões de Deus e o granizo. Deixarei vocês ir e não terão de ficar aqui por mais tempo”.
9:29 Moisés lhe respondeu: “Assim que eu sair da cidade, estenderei as mãos ao SENHOR. Os trovões cessarão e não haverá mais granizo, para que o senhor saiba que a terra pertence ao SENHOR.
9:30 Mas sei que o senhor e seus servos ainda não temem o SENHOR Deus”.
9:31 O linho e a cevada foram atingidos, pois a cevada já estava em espiga, e o linho, em flor.
9:32 Mas o trigo e a espelta não foram atingidos, pois amadurecem mais tarde.
9:33 Moisés saiu da presença do faraó e da cidade e estendeu as mãos ao SENHOR. Os trovões e o granizo cessaram, e a chuva parou de cair sobre a terra.
9:34 Quando o faraó viu que a chuva, o granizo e os trovões haviam cessado, voltou a pecar. Ele e seus servos endureceram o coração.
9:35 O coração do faraó se endureceu, e ele não deixou os filhos de Israel ir, como o SENHOR havia dito por meio de Moisés.

Capítulo 10
10:1 O SENHOR disse a Moisés: “Vá ao faraó, pois eu endureci o coração dele e o coração de seus servos, para realizar estes meus sinais no meio deles,
10:2 e para que você conte a seu filho e a seu neto como humilhei os egípcios e os sinais que realizei entre eles. Assim vocês saberão que eu sou o SENHOR”.
10:3 Moisés e Arão foram ao faraó e lhe disseram: “Assim diz o SENHOR, o Deus dos hebreus: ‘Até quando você se recusará a se humilhar diante de mim? Deixe meu povo ir, para que me sirva.
10:4 Se você se recusar a deixar meu povo ir, amanhã trarei gafanhotos ao seu território.
10:5 Eles cobrirão a superfície da terra, de modo que não se poderá vê-la. Comerão o que escapou, o que sobrou para vocês do granizo, e comerão todas as árvores que crescem para vocês no campo.
10:6 Encherão suas casas, as casas de todos os seus servos e as casas de todos os egípcios, como seus pais e seus avós nunca viram desde que habitam a terra até o dia de hoje’”. Então se virou e saiu da presença do faraó.
10:7 Os servos do faraó lhe disseram: “Até quando isto será uma armadilha para nós? Deixe esses homens ir para servir ao SENHOR, seu Deus. O senhor ainda não percebeu que o Egito está arruinado?”
10:8 Moisés e Arão foram trazidos de volta ao faraó, e ele lhes disse: “Vão servir ao SENHOR, seu Deus. Mas quem exatamente irá?”
10:9 Moisés respondeu: “Iremos com nossos jovens e nossos idosos, com nossos filhos e nossas filhas, com nossos rebanhos e nosso gado, pois temos uma festa para o SENHOR”.
10:10 Ele lhes disse: “Que o SENHOR esteja com vocês, se eu deixar vocês e suas crianças ir! Vejam, o mal está diante de vocês!
10:11 Isso não! Vão apenas os homens e sirvam ao SENHOR, pois é isso que vocês estão pedindo”. E eles foram expulsos da presença do faraó.
10:12 O SENHOR disse a Moisés: “Estenda a mão sobre a terra do Egito para que os gafanhotos venham sobre ela e comam toda a vegetação da terra, tudo o que o granizo deixou”.
10:13 Moisés estendeu seu cajado sobre a terra do Egito, e o SENHOR fez soprar um vento leste sobre a terra durante todo aquele dia e toda a noite. Quando amanheceu, o vento leste havia trazido os gafanhotos.
10:14 Os gafanhotos vieram sobre toda a terra do Egito e pousaram por todo o seu território em enorme quantidade. Nunca antes houve tantos gafanhotos como aqueles, nem haverá depois.
10:15 Eles cobriram a superfície de toda a terra, e a terra ficou escura. Comeram toda a vegetação da terra e todos os frutos das árvores que o granizo havia deixado. Não restou nada verde nas árvores nem na vegetação do campo por toda a terra do Egito.
10:16 O faraó se apressou em chamar Moisés e Arão e disse: “Pequei contra o SENHOR, seu Deus, e contra vocês.
10:17 Agora, por favor, perdoe meu pecado só desta vez e supliquem ao SENHOR, seu Deus, para que afaste de mim somente esta morte”.
10:18 Moisés saiu da presença do faraó e suplicou ao SENHOR.
10:19 O SENHOR mudou o vento para um vento muito forte do oeste, que levou os gafanhotos e os lançou no mar Vermelho. Não restou um só gafanhoto em todo o território do Egito.
10:20 Mas o SENHOR endureceu o coração do faraó, e ele não deixou os filhos de Israel ir.
10:21 O SENHOR disse a Moisés: “Estenda a mão para o céu, para que haja trevas sobre a terra do Egito, trevas que se possam apalpar”.
10:22 Moisés estendeu a mão para o céu, e houve trevas espessas por toda a terra do Egito durante três dias.
10:23 Ninguém via o outro, e ninguém se levantou de seu lugar durante três dias. Mas todos os filhos de Israel tinham luz onde moravam.
10:24 O faraó chamou Moisés e lhe disse: “Vão servir ao SENHOR. Somente seus rebanhos e seu gado devem ficar; suas crianças também poderão ir com vocês”.
10:25 Moisés respondeu: “O senhor também nos dará sacrifícios e holocaustos, para que os ofereçamos ao SENHOR, nosso Deus.
10:26 Nosso gado também irá conosco. Não ficará nem um casco, pois dele tomaremos para servir ao SENHOR, nosso Deus. Não saberemos com que servir ao SENHOR até chegarmos lá”.
10:27 Mas o SENHOR endureceu o coração do faraó, e ele não quis deixá-los ir.
10:28 O faraó lhe disse: “Saia da minha presença! Tome cuidado para não voltar a ver meu rosto, pois no dia em que vir meu rosto você morrerá”.
10:29 Moisés respondeu: “O senhor disse bem: não voltarei a ver seu rosto”.

Capítulo 11
11:1 O SENHOR disse a Moisés: “Trarei mais uma praga sobre o faraó e sobre o Egito. Depois disso, ele deixará vocês ir daqui. Quando os deixar ir, os expulsará daqui por completo.
11:2 Diga ao povo que cada homem peça a seu vizinho e cada mulher à sua vizinha objetos de prata e objetos de ouro”.
11:3 O SENHOR fez o povo encontrar favor aos olhos dos egípcios. O próprio Moisés era muito respeitado na terra do Egito, tanto pelos servos do faraó como pelo povo.
11:4 Moisés disse: “Assim diz o SENHOR: ‘Por volta da meia-noite, sairei pelo meio do Egito.
11:5 Todo primogênito na terra do Egito morrerá, desde o primogênito do faraó que se assenta em seu trono até o primogênito da escrava que está atrás do moinho, e todos os primogênitos dos animais.
11:6 Haverá um grande clamor por toda a terra do Egito, como nunca houve nem voltará a haver.
11:7 Mas contra os filhos de Israel, tanto pessoas como animais, nem um cão moverá a língua, para que vocês saibam que o SENHOR faz distinção entre o Egito e Israel’.
11:8 Todos esses seus servos descerão até mim e se prostrarão diante de mim, dizendo: ‘Saia, você e todo o povo que o segue’. Depois disso, eu sairei”. E Moisés saiu da presença do faraó ardendo de ira.
11:9 O SENHOR disse a Moisés: “O faraó não ouvirá vocês, para que meus prodígios se multipliquem na terra do Egito”.
11:10 Moisés e Arão realizaram todos esses prodígios diante do faraó, mas o SENHOR endureceu o coração do faraó, e ele não deixou os filhos de Israel sair de sua terra.

Capítulo 12
12:1 O SENHOR falou a Moisés e a Arão na terra do Egito:
12:2 “Este mês será para vocês o começo dos meses, o primeiro mês do ano.
12:3 Falem a toda a comunidade de Israel e digam: ‘No dia dez deste mês, cada um tomará um cordeiro ou cabrito por família paterna, um cordeiro ou cabrito para cada casa.
12:4 Se a família for pequena demais para um animal, deverá tomar um junto com o vizinho mais próximo, conforme o número de pessoas. Façam o cálculo para o animal segundo o que cada um pode comer.
12:5 O animal será um macho de um ano, sem defeito. Vocês o escolherão entre as ovelhas ou as cabras.
12:6 Guardem-no até o dia catorze deste mês. Então toda a assembleia da comunidade de Israel o sacrificará ao entardecer.
12:7 Tomem do sangue e o passem nos dois batentes e na trave superior da porta das casas onde comerem o animal.
12:8 Naquela noite, comam a carne assada no fogo, com pães sem fermento e ervas amargas.
12:9 Não comam nada dele cru nem cozido em água, mas assado no fogo, com a cabeça, as pernas e as entranhas.
12:10 Não deixem nada dele até de manhã. O que restar até de manhã, queimem no fogo.
12:11 Vocês o comerão assim: com a cintura cingida, as sandálias nos pés e o cajado na mão. Comam depressa. É a Páscoa do SENHOR.
12:12 Naquela noite passarei pela terra do Egito e ferirei todo primogênito na terra do Egito, tanto de pessoas como de animais. Executarei juízos contra todos os deuses do Egito. Eu sou o SENHOR.
12:13 O sangue será um sinal para vocês nas casas onde estiverem. Quando eu vir o sangue, passarei por cima de vocês, e nenhuma praga destruidora os atingirá quando eu ferir a terra do Egito.
12:14 Este dia será um memorial para vocês, e vocês o celebrarão como uma festa para o SENHOR. Por todas as suas gerações, celebrem-no como estatuto perpétuo.
12:15 Durante sete dias comam pães sem fermento. Já no primeiro dia, retirem o fermento de suas casas, pois quem comer algo com fermento, desde o primeiro dia até o sétimo, será excluído de Israel.
12:16 No primeiro dia haverá uma santa convocação, e no sétimo dia haverá outra santa convocação. Nenhum trabalho será feito nesses dias, exceto preparar o que cada pessoa vai comer. Só isso poderão fazer.
12:17 Celebrem a Festa dos Pães sem Fermento, pois neste mesmo dia tirei seus exércitos da terra do Egito. Guardem este dia por todas as suas gerações como estatuto perpétuo.
12:18 No primeiro mês, comam pães sem fermento desde o entardecer do dia catorze até o entardecer do dia vinte e um do mês.
12:19 Durante sete dias não se encontre fermento em suas casas. Quem comer algo com fermento será excluído da comunidade de Israel, tanto o estrangeiro residente como o natural da terra.
12:20 Não comam nada com fermento. Em todas as suas moradas, comam pães sem fermento’”.
12:21 Moisés chamou todos os anciãos de Israel e lhes disse: “Escolham e tomem animais do rebanho para suas famílias e sacrifiquem o animal da Páscoa.
12:22 Peguem um maço de hissopo e o molhem no sangue que estiver na bacia. Passem o sangue da bacia na trave superior e nos dois batentes da porta. Nenhum de vocês saia pela porta de sua casa até de manhã.
12:23 O SENHOR passará para ferir os egípcios. Quando vir o sangue na trave superior e nos dois batentes, o SENHOR passará por cima da porta e não permitirá que o destruidor entre em suas casas para feri-los.
12:24 Guardem isso como estatuto para vocês e seus filhos para sempre.
12:25 Quando entrarem na terra que o SENHOR lhes dará, como prometeu, observem esta cerimônia.
12:26 Quando seus filhos lhes perguntarem: ‘O que significa para vocês esta cerimônia?’,
12:27 respondam: ‘É o sacrifício da Páscoa do SENHOR, que passou por cima das casas dos filhos de Israel no Egito quando feriu os egípcios, mas livrou nossas casas’”. Então o povo se inclinou e adorou.
12:28 Os filhos de Israel foram e fizeram como o SENHOR havia ordenado a Moisés e a Arão; assim fizeram.
12:29 À meia-noite, o SENHOR feriu todo primogênito na terra do Egito, desde o primogênito do faraó que se sentava em seu trono até o primogênito do prisioneiro que estava no calabouço, e todos os primogênitos dos animais.
12:30 Naquela noite, o faraó se levantou, ele, todos os seus servos e todos os egípcios. Houve um grande clamor no Egito, pois não havia casa sem um morto.
12:31 O faraó chamou Moisés e Arão naquela noite e disse: “Levantem-se e saiam do meio do meu povo, vocês e os filhos de Israel. Vão servir ao SENHOR, como disseram.
12:32 Levem também seus rebanhos e seu gado, como disseram, e vão embora. Abençoem também a mim”.
12:33 Os egípcios pressionavam o povo para que saísse depressa da terra, pois diziam: “Todos vamos morrer!”
12:34 O povo levou sua massa antes de fermentar, com as vasilhas de amassar pão envoltas em suas roupas e carregadas sobre os ombros.
12:35 Os filhos de Israel fizeram como Moisés havia dito e pediram aos egípcios objetos de prata, objetos de ouro e roupas.
12:36 O SENHOR fez o povo encontrar favor aos olhos dos egípcios, e eles lhes deram o que pediam. Assim despojaram o Egito.
12:37 Os filhos de Israel partiram de Ramessés para Sucote, cerca de seiscentos mil homens a pé, sem contar as crianças.
12:38 Uma grande multidão de gente de várias origens também foi com eles, além de rebanhos e gado, uma enorme quantidade de animais.
12:39 Com a massa que haviam trazido do Egito, assaram bolos de pão sem fermento, pois ela não havia fermentado. Eles tinham sido expulsos do Egito e não puderam demorar-se, nem haviam preparado provisões para si.
12:40 O tempo que os filhos de Israel viveram no Egito foi de quatrocentos e trinta anos.
12:41 Ao fim dos quatrocentos e trinta anos, naquele mesmo dia, todos os exércitos do SENHOR saíram da terra do Egito.
12:42 O SENHOR velou naquela noite para tirá-los da terra do Egito. Essa mesma noite é uma vigília para o SENHOR, que todos os filhos de Israel deverão guardar por todas as suas gerações.
12:43 O SENHOR disse a Moisés e a Arão: “Esta é a ordenança da Páscoa: nenhum estrangeiro comerá dela.
12:44 Mas todo escravo comprado com dinheiro será circuncidado; então poderá comer dela.
12:45 O morador temporário e o assalariado não comerão dela.
12:46 Ela será comida numa só casa. Não levem nada da carne para fora da casa nem quebrem nenhum osso do animal.
12:47 Toda a comunidade de Israel a celebrará.
12:48 Se um estrangeiro residir com vocês e quiser celebrar a Páscoa para o SENHOR, que todos os do sexo masculino de sua casa sejam circuncidados. Então poderá se aproximar para celebrá-la e será como um natural da terra. Mas nenhum incircunciso comerá dela.
12:49 Uma só lei haverá para o natural da terra e para o estrangeiro que reside entre vocês”.
12:50 Todos os filhos de Israel fizeram como o SENHOR havia ordenado a Moisés e a Arão; assim fizeram.
12:51 Naquele mesmo dia, o SENHOR tirou os filhos de Israel da terra do Egito, organizados em seus exércitos.

Capítulo 13
13:1 O SENHOR falou a Moisés:
13:2 “Consagre a mim todo primogênito, todo aquele que abre o ventre entre os filhos de Israel, tanto de pessoas como de animais. Ele é meu”.
13:3 Moisés disse ao povo: “Lembrem-se deste dia em que saíram do Egito, da casa da escravidão, pois com mão forte o SENHOR os tirou daqui. Não se comerá nada com fermento.
13:4 Hoje vocês saem, no mês de Abibe.
13:5 Quando o SENHOR levar você à terra dos cananeus, hititas, amorreus, heveus e jebuseus, que jurou dar a seus antepassados, uma terra que mana leite e mel, você celebrará esta cerimônia neste mês.
13:6 Durante sete dias, coma pães sem fermento, e no sétimo dia haverá uma festa para o SENHOR.
13:7 Durante os sete dias, serão comidos pães sem fermento. Não se verá com você nada com fermento, nem se verá fermento em todo o seu território.
13:8 Naquele dia, você contará a seu filho: ‘Faço isto por causa do que o SENHOR fez por mim quando saí do Egito’.
13:9 Isso será para você um sinal sobre sua mão e um memorial entre seus olhos, para que a lei do SENHOR esteja em sua boca, pois com mão forte o SENHOR tirou você do Egito.
13:10 Guarde esta ordenança no tempo determinado, de ano em ano.
13:11 Quando o SENHOR levar você à terra dos cananeus, como jurou a você e a seus antepassados, e a der a você,
13:12 dedique ao SENHOR todo aquele que primeiro abre o ventre. Também os primeiros a nascer de seus animais, os machos, serão do SENHOR.
13:13 Resgate todo jumento primogênito com um cordeiro ou cabrito. Se não o resgatar, quebre-lhe o pescoço. Resgate também todo primogênito dentre seus filhos.
13:14 Quando, no futuro, seu filho perguntar: ‘O que significa isto?’, você lhe responderá: ‘Com mão forte o SENHOR nos tirou do Egito, da casa da escravidão.
13:15 Quando o faraó se obstinou em não nos deixar ir, o SENHOR matou todo primogênito na terra do Egito, tanto de pessoas como de animais. Por isso sacrifico ao SENHOR todo macho que primeiro abre o ventre, mas resgato todos os primogênitos de meus filhos’.
13:16 Isso será um sinal sobre sua mão e um distintivo entre seus olhos, pois com mão forte o SENHOR nos tirou do Egito”.
13:17 Quando o faraó deixou o povo ir, Deus não o guiou pelo caminho da terra dos filisteus, embora fosse mais perto, pois Deus disse: “Não aconteça que o povo mude de ideia ao ver a guerra e volte ao Egito”.
13:18 Por isso Deus fez o povo dar uma volta pelo caminho do deserto, em direção ao mar Vermelho. Os filhos de Israel saíram armados da terra do Egito.
13:19 Moisés levou consigo os ossos de José, pois José havia feito os filhos de Israel jurarem solenemente: “Deus certamente visitará vocês, e vocês levarão meus ossos daqui com vocês”.
13:20 Partiram de Sucote e acamparam em Etã, à beira do deserto.
13:21 O SENHOR ia à frente deles, de dia numa coluna de nuvem para guiá-los pelo caminho e de noite numa coluna de fogo para iluminá-los, de modo que pudessem caminhar de dia e de noite.
13:22 Não retirava de diante do povo a coluna de nuvem de dia nem a coluna de fogo de noite.

Capítulo 14
14:1 O SENHOR falou a Moisés:
14:2 “Diga aos filhos de Israel que voltem e acampem diante de Pi-Hairote, entre Migdol e o mar, diante de Baal-Zefom. Vocês acamparão em frente dele, junto ao mar.
14:3 O faraó dirá dos filhos de Israel: ‘Estão desorientados nesta terra; o deserto os encerrou’.
14:4 Eu endurecerei o coração do faraó, e ele os perseguirá. Serei glorificado no faraó e em todo o seu exército, e os egípcios saberão que eu sou o SENHOR”. E assim fizeram.
14:5 Quando avisaram ao rei do Egito que o povo havia fugido, o coração do faraó e de seus servos mudou em relação ao povo. Disseram: “O que fizemos, deixando Israel ir e nos privando de seu serviço?”
14:6 O faraó preparou seu carro e levou consigo sua gente.
14:7 Levou seiscentos carros escolhidos e todos os carros do Egito, com oficiais no comando de todos eles.
14:8 O SENHOR endureceu o coração do faraó, rei do Egito, e ele perseguiu os filhos de Israel. Os filhos de Israel saíam com a mão erguida.
14:9 Os egípcios os perseguiram e os alcançaram acampados junto ao mar: todos os cavalos dos carros do faraó, seus cavaleiros e seu exército, perto de Pi-Hairote, diante de Baal-Zefom.
14:10 Quando o faraó se aproximava, os filhos de Israel levantaram os olhos e viram os egípcios marchando atrás deles. Tiveram muito medo, e os filhos de Israel clamaram ao SENHOR.
14:11 Disseram a Moisés: “Não havia sepulturas no Egito, para que você nos trouxesse a morrer no deserto? O que você nos fez, tirando-nos do Egito?
14:12 Não foi isto que dissemos a você no Egito: ‘Deixe-nos servir aos egípcios’? Pois era melhor servir aos egípcios do que morrer no deserto”.
14:13 Moisés disse ao povo: “Não tenham medo. Fiquem firmes e vejam o livramento que o SENHOR fará hoje por vocês. Pois vocês nunca mais voltarão a ver os egípcios que veem hoje.
14:14 O SENHOR pelejará por vocês, e vocês guardarão silêncio”.
14:15 O SENHOR disse a Moisés: “Por que você clama a mim? Diga aos filhos de Israel que se ponham em marcha.
14:16 Levante seu cajado, estenda a mão sobre o mar e divida-o, para que os filhos de Israel entrem pelo meio do mar em terra seca.
14:17 Eu endurecerei o coração dos egípcios, e eles entrarão atrás dos filhos de Israel. Serei glorificado no faraó e em todo o seu exército, em seus carros e em seus cavaleiros.
14:18 Os egípcios saberão que eu sou o SENHOR quando eu for glorificado no faraó, em seus carros e em seus cavaleiros”.
14:19 O anjo de Deus, que ia à frente do acampamento de Israel, se deslocou e passou para trás deles. A coluna de nuvem também saiu da frente deles e se pôs atrás.
14:20 Ela se colocou entre o acampamento do Egito e o acampamento de Israel. Havia nuvem e escuridão, e a noite era iluminada. Durante toda a noite, um acampamento não se aproximou do outro.
14:21 Moisés estendeu a mão sobre o mar, e o SENHOR fez o mar recuar por meio de um forte vento leste durante toda a noite. Transformou o mar em terra seca, e as águas se dividiram.
14:22 Os filhos de Israel entraram pelo meio do mar em terra seca, e as águas eram para eles um muro à direita e à esquerda.
14:23 Os egípcios os perseguiram e entraram atrás deles pelo meio do mar: todos os cavalos do faraó, seus carros e seus cavaleiros.
14:24 Na vigília da manhã, o SENHOR, na coluna de fogo e de nuvem, olhou para o acampamento dos egípcios e o lançou em confusão.
14:25 Tirou as rodas dos carros deles, de modo que avançavam com dificuldade. Então os egípcios disseram: “Vamos fugir de Israel, pois o SENHOR luta por eles contra o Egito”.
14:26 O SENHOR disse a Moisés: “Estenda a mão sobre o mar, para que as águas voltem sobre os egípcios, seus carros e seus cavaleiros”.
14:27 Moisés estendeu a mão sobre o mar, e ao amanhecer o mar recuperou sua força. Os egípcios fugiam ao encontro do mar, e o SENHOR os arremessou no meio dele.
14:28 As águas voltaram e cobriram os carros, os cavaleiros e todo o exército do faraó que havia entrado atrás deles no mar. Não restou nenhum deles.
14:29 Mas os filhos de Israel haviam caminhado em terra seca pelo meio do mar, e as águas eram para eles um muro à direita e à esquerda.
14:30 Naquele dia, o SENHOR salvou Israel das mãos dos egípcios. Israel viu os egípcios mortos à beira do mar.
14:31 Israel viu a poderosa mão com que o SENHOR havia agido contra os egípcios. O povo temeu o SENHOR e creu no SENHOR e em Moisés, seu servo.

Capítulo 15
15:1 Então Moisés e os filhos de Israel cantaram este cântico ao SENHOR:
 “Cantarei ao SENHOR, pois se exaltou grandemente;
   lançou no mar o cavalo e seu cavaleiro.
15:2 O SENHOR é minha força e meu cântico;
   ele se tornou minha salvação.
   Este é meu Deus, e eu o louvarei;
   é o Deus de meu pai, e eu o exaltarei.
15:3 O SENHOR é guerreiro;
   SENHOR é seu nome.
15:4 Lançou no mar os carros do faraó e seu exército;
   seus oficiais escolhidos se afogaram no mar Vermelho.
15:5 Os abismos os cobriram;
   desceram às profundezas como pedra.
15:6 Tua mão direita, ó SENHOR, é gloriosa em poder;
   tua mão direita, ó SENHOR, despedaça o inimigo.
15:7 Na grandeza de tua majestade, derrubas os que se levantam contra ti;
   envias teu furor, que os consome como restolho.
15:8 Ao sopro de tuas narinas, as águas se amontoaram;
   as correntes se ergueram como um montão;
   os abismos coalharam no coração do mar.
15:9 O inimigo disse: ‘Perseguirei, alcançarei, repartirei o despojo;
   minha alma se saciará deles.
   Desembainharei minha espada;
   minha mão os destruirá’.
15:10 Sopraste com teu vento, e o mar os cobriu;
   afundaram como chumbo nas águas impetuosas.
15:11 Quem é como tu entre os deuses, ó SENHOR?
   Quem é como tu, glorioso em santidade, temível e digno de louvor, que fazes maravilhas?
15:12 Estendeste tua mão direita, e a terra os engoliu.
15:13 Com teu amor leal, guiaste o povo que resgataste;
   com tua força, o conduziste à tua santa morada.
15:14 Os povos ouvirão e tremerão;
   a angústia tomará os habitantes da Filístia.
15:15 Então os chefes de Edom ficarão alarmados;
   um tremor se apoderará dos poderosos de Moabe;
   todos os habitantes de Canaã desfalecerão.
15:16 Terror e pavor cairão sobre eles;
   pela grandeza de teu braço, ficarão mudos como pedra, até que passe teu povo, ó SENHOR, até que passe o povo que adquiriste.
15:17 Tu os levarás e os plantarás no monte da tua herança, no lugar que preparaste, ó SENHOR, para tua morada, no santuário, Senhor, que tuas mãos estabeleceram.
15:18 O SENHOR reinará para todo o sempre”.
15:19 Pois os cavalos do faraó entraram no mar com seus carros e seus cavaleiros, e o SENHOR fez as águas do mar voltarem sobre eles. Mas os filhos de Israel caminharam em terra seca pelo meio do mar.
15:20 Miriã, a profetisa, irmã de Arão, pegou um tamborim, e todas as mulheres saíram atrás dela com tamborins e danças.
15:21 Miriã lhes respondia:
 “Cantem ao SENHOR, pois se exaltou grandemente;
   lançou no mar o cavalo e seu cavaleiro”.
15:22 Moisés fez Israel partir do mar Vermelho, e saíram para o deserto de Sur. Caminharam três dias pelo deserto e não encontraram água.
15:23 Chegaram a Mara, mas não podiam beber das águas de Mara, porque eram amargas. Por isso o lugar recebeu o nome de Mara.
15:24 O povo murmurou contra Moisés, dizendo: “O que beberemos?”
15:25 Moisés clamou ao SENHOR, e o SENHOR lhe mostrou um lenho. Moisés o lançou nas águas, e as águas se tornaram doces. Ali o SENHOR estabeleceu para o povo um estatuto e uma ordenança e o pôs à prova.
15:26 E disse: “Se você ouvir atentamente a voz do SENHOR, seu Deus, fizer o que é reto aos olhos dele, der ouvidos aos mandamentos dele e guardar todos os seus estatutos, não porei sobre você nenhuma das doenças que pus sobre os egípcios, pois eu sou o SENHOR, que o cura”.
15:27 Chegaram a Elim, onde havia doze fontes de água e setenta palmeiras, e acamparam ali junto às águas.

Capítulo 16
16:1 Eles partiram de Elim, e toda a comunidade dos filhos de Israel chegou ao deserto de Sim, entre Elim e Sinai, no décimo quinto dia do segundo mês depois de sua saída da terra do Egito.
16:2 Toda a comunidade dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e Arão no deserto.
16:3 Os filhos de Israel lhes disseram: “Quem dera tivéssemos morrido pela mão do SENHOR na terra do Egito, quando nos sentávamos junto às panelas de carne e comíamos pão até nos fartar! Vocês nos trouxeram a este deserto para matar de fome toda esta assembleia”.
16:4 Então o SENHOR disse a Moisés: “Farei chover pão do céu para vocês. O povo sairá e recolherá a porção de cada dia, para que eu o ponha à prova e veja se anda na minha lei ou não.
16:5 No sexto dia, prepararão o que trouxerem, e será o dobro do que recolhem diariamente”.
16:6 Moisés e Arão disseram a todos os filhos de Israel: “À tarde vocês saberão que foi o SENHOR quem os tirou da terra do Egito.
16:7 Pela manhã, verão a glória do SENHOR, pois ele ouviu as murmurações de vocês contra o SENHOR. Quem somos nós para que vocês murmurem contra nós?”.
16:8 Moisés acrescentou: “O SENHOR lhes dará carne para comer à tarde e pão para se fartar pela manhã, pois o SENHOR ouviu as murmurações que vocês dirigem contra ele. Quem somos nós? As murmurações de vocês são contra o SENHOR, e não contra nós”.
16:9 Moisés disse a Arão: “Diga a toda a comunidade dos filhos de Israel: ‘Aproximem-se da presença do SENHOR, pois ele ouviu as murmurações de vocês’”.
16:10 Enquanto Arão falava a toda a comunidade dos filhos de Israel, eles se voltaram para o deserto, e a glória do SENHOR apareceu na nuvem.
16:11 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
16:12 “Ouvi as murmurações dos filhos de Israel. Diga-lhes: ‘Ao entardecer vocês comerão carne e, pela manhã, se fartarão de pão. Então saberão que eu sou o SENHOR, o Deus de vocês’”.
16:13 À tarde, vieram codornizes e cobriram o acampamento; pela manhã, havia uma camada de orvalho ao redor do acampamento.
16:14 Quando a camada de orvalho se dissipou, havia sobre a superfície do deserto algo miúdo, em flocos, fino como a geada sobre a terra.
16:15 Ao verem aquilo, os filhos de Israel perguntaram uns aos outros: “O que é isto?”, pois não sabiam o que era. Moisés lhes disse: “Este é o pão que o SENHOR lhes deu para comer.
16:16 Esta é a ordem do SENHOR: ‘Recolham dele, cada um conforme o que precisa para comer: cerca de dois litros por pessoa, de acordo com o número de pessoas de vocês. Cada um recolherá para os que estiverem em sua tenda’”.
16:17 Os filhos de Israel fizeram assim: uns recolheram mais, outros menos.
16:18 Quando mediram com a medida de cerca de dois litros, não sobrou para quem havia recolhido muito, nem faltou para quem havia recolhido pouco. Cada um havia recolhido o que precisava para comer.
16:19 Moisés lhes disse: “Ninguém guarde nada disso até a manhã seguinte”.
16:20 Mas não deram ouvidos a Moisés: alguns guardaram parte até a manhã seguinte, e aquilo criou vermes e passou a cheirar mal. Moisés se indignou com eles.
16:21 Eles o recolhiam todas as manhãs, cada um conforme o que precisava para comer. Quando o sol esquentava, aquilo derretia.
16:22 No sexto dia, recolheram o dobro de pão, cerca de quatro litros por pessoa. Todos os chefes da comunidade vieram e contaram isso a Moisés.
16:23 Ele lhes disse: “Foi isto que o SENHOR falou: ‘Amanhã será um descanso solene, um sábado santo para o SENHOR. Assem o que quiserem assar e cozinhem em água o que quiserem cozinhar em água. Guardem tudo o que sobrar até a manhã seguinte’”.
16:24 Eles o guardaram até a manhã seguinte, como Moisés havia ordenado, e não cheirou mal nem criou vermes.
16:25 Moisés disse: “Comam isso hoje, pois hoje é sábado para o SENHOR. Hoje vocês não o encontrarão no campo.
16:26 Durante seis dias vocês o recolherão, mas no sétimo dia, que é sábado, não haverá”.
16:27 No sétimo dia, alguns do povo saíram para recolher, mas não encontraram nada.
16:28 O SENHOR disse a Moisés: “Até quando vocês se recusarão a guardar meus mandamentos e minhas leis?
16:29 Vejam que o SENHOR lhes deu o sábado; por isso, no sexto dia, ele lhes dá pão para dois dias. Fique cada um em seu lugar; ninguém saia de seu lugar no sétimo dia”.
16:30 Assim, o povo descansou no sétimo dia.
16:31 A casa de Israel lhe deu o nome de maná. Era branco, semelhante à semente de coentro, e seu sabor era como o de bolos com mel.
16:32 Moisés disse: “Esta é a ordem do SENHOR: ‘Guardem cerca de dois litros dele para as gerações de vocês, para que vejam o pão com que os alimentei no deserto, quando os tirei da terra do Egito’”.
16:33 Moisés disse a Arão: “Pegue uma vasilha, ponha nela cerca de dois litros de maná e coloque-a diante do SENHOR, para conservá-lo para as gerações de vocês”.
16:34 Como o SENHOR havia ordenado a Moisés, Arão o colocou diante do Testemunho, para ser conservado.
16:35 Os filhos de Israel comeram maná durante quarenta anos, até chegarem a uma terra habitada. Comeram maná até chegarem aos limites da terra de Canaã.
16:36 Um gômer, de cerca de dois litros, é a décima parte de um efa.

Capítulo 17
17:1 Toda a comunidade dos filhos de Israel partiu do deserto de Sim e seguiu viagem por etapas, conforme a ordem do SENHOR. Acamparam em Refidim, mas não havia água para o povo beber.
17:2 O povo discutiu com Moisés e disse: “Deem-nos água para beber!”. Moisés lhes respondeu: “Por que vocês discutem comigo? Por que põem o SENHOR à prova?”.
17:3 Ali o povo sentiu sede e murmurou contra Moisés, dizendo: “Por que você nos tirou do Egito para matar de sede a nós, a nossos filhos e a nossos rebanhos?”.
17:4 Moisés clamou ao SENHOR: “Que farei com este povo? Mais um pouco, e vão me apedrejar!”.
17:5 O SENHOR disse a Moisés: “Passe à frente do povo e leve com você alguns dos anciãos de Israel. Pegue na mão o cajado com que você golpeou o Nilo e vá.
17:6 Eu estarei ali diante de você, sobre a rocha em Horebe. Você golpeará a rocha, e dela sairá água para o povo beber”. Moisés fez isso à vista dos anciãos de Israel.
17:7 Ele deu àquele lugar o nome de Massá e Meribá, porque os filhos de Israel haviam discutido e posto o SENHOR à prova, dizendo: “O SENHOR está no meio de nós ou não?”.
17:8 Amaleque veio e lutou contra Israel em Refidim.
17:9 Moisés disse a Josué: “Escolha homens para nós e saia para lutar contra Amaleque. Amanhã estarei no alto da colina com o cajado de Deus na mão”.
17:10 Josué fez como Moisés lhe havia dito e lutou contra Amaleque, enquanto Moisés, Arão e Hur subiram ao alto da colina.
17:11 Quando Moisés erguia a mão, Israel prevalecia; quando abaixava a mão, Amaleque prevalecia.
17:12 As mãos de Moisés ficaram pesadas. Então pegaram uma pedra e a colocaram debaixo dele, e ele se sentou nela. Arão e Hur sustentavam suas mãos, um de cada lado. Assim, suas mãos permaneceram firmes até o pôr do sol.
17:13 Josué derrotou Amaleque e seu povo ao fio da espada.
17:14 O SENHOR disse a Moisés: “Escreva isto num livro, como memorial, e faça Josué ouvir: apagarei por completo a memória de Amaleque de debaixo dos céus”.
17:15 Moisés construiu um altar e lhe deu o nome de “O SENHOR é minha bandeira”.
17:16 E disse: “Porque há uma mão sobre o trono do SENHOR, o SENHOR estará em guerra contra Amaleque de geração em geração”.

Capítulo 18
18:1 Jetro, sacerdote de Midiã e sogro de Moisés, ouviu tudo o que Deus havia feito por Moisés e por Israel, seu povo, e como o SENHOR havia tirado Israel do Egito.
18:2 Jetro, sogro de Moisés, levou consigo Zípora, mulher de Moisés, depois que ela havia sido mandada de volta,
18:3 e seus dois filhos. Um deles se chamava Gérsom, pois Moisés havia dito: “Fui estrangeiro em terra alheia”.
18:4 O outro se chamava Eliézer, pois havia dito: “O Deus de meu pai foi meu auxílio e me livrou da espada do faraó”.
18:5 Jetro, sogro de Moisés, veio com os filhos e a mulher de Moisés ao deserto, onde ele estava acampado junto ao monte de Deus.
18:6 Ele disse a Moisés: “Eu, Jetro, seu sogro, venho ao seu encontro com sua mulher e os dois filhos dela”.
18:7 Moisés saiu ao encontro de seu sogro, inclinou-se e o beijou. Perguntaram um ao outro como estavam e entraram na tenda.
18:8 Moisés contou a seu sogro tudo o que o SENHOR havia feito ao faraó e aos egípcios por causa de Israel, todas as dificuldades que haviam enfrentado no caminho e como o SENHOR os havia livrado.
18:9 Jetro se alegrou por todo o bem que o SENHOR havia feito a Israel, livrando-o das mãos dos egípcios.
18:10 Jetro disse: “Bendito seja o SENHOR, que livrou vocês das mãos dos egípcios e das mãos do faraó, e que livrou o povo do domínio dos egípcios!
18:11 Agora sei que o SENHOR é maior que todos os deuses, pois superou os egípcios justamente naquilo em que agiram com arrogância contra Israel”.
18:12 Jetro, sogro de Moisés, trouxe um holocausto e sacrifícios para Deus. Arão e todos os anciãos de Israel vieram comer pão com o sogro de Moisés na presença de Deus.
18:13 No dia seguinte, Moisés se sentou para julgar o povo, e o povo ficou de pé diante dele desde a manhã até a tarde.
18:14 Ao ver tudo o que ele fazia pelo povo, o sogro de Moisés lhe perguntou: “O que é isso que você está fazendo com o povo? Por que só você se senta para julgar, enquanto todo o povo fica de pé diante de você desde a manhã até a tarde?”.
18:15 Moisés respondeu a seu sogro: “Porque o povo vem a mim para consultar a Deus.
18:16 Quando têm algum assunto, vêm a mim. Eu julgo entre uma pessoa e outra e lhes dou a conhecer os estatutos de Deus e suas leis”.
18:17 O sogro de Moisés lhe disse: “O que você está fazendo não é bom.
18:18 Tanto você como este povo que está com você acabarão completamente esgotados. Essa tarefa é pesada demais para você; não pode realizá-la sozinho.
18:19 Agora, escute-me. Vou lhe dar um conselho, e que Deus esteja com você. Represente o povo diante de Deus e leve os assuntos a Deus.
18:20 Ensine-lhes os estatutos e as leis; mostre-lhes o caminho pelo qual devem andar e o que devem fazer.
18:21 Escolha, dentre todo o povo, homens capazes, tementes a Deus, homens íntegros que odeiem o ganho desonesto. Ponha-os à frente do povo como chefes de mil, de cem, de cinquenta e de dez.
18:22 Que eles julguem o povo em todo o tempo. Que tragam a você todos os assuntos importantes e julguem eles mesmos todos os assuntos menores. Assim você aliviará sua carga, e eles a levarão com você.
18:23 Se você fizer isso e Deus assim lhe ordenar, poderá se manter firme, e todo este povo poderá voltar ao seu lugar em paz”.
18:24 Moisés deu ouvidos a seu sogro e fez tudo o que ele havia dito.
18:25 Moisés escolheu homens capazes de todo Israel e os colocou à frente do povo como chefes de mil, de cem, de cinquenta e de dez.
18:26 Eles julgavam o povo em todo o tempo. Os assuntos difíceis traziam a Moisés, e todos os assuntos menores eles mesmos julgavam.
18:27 Então Moisés despediu seu sogro, e este voltou para sua terra.

Capítulo 19
19:1 No terceiro mês depois da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, nesse mesmo dia, chegaram ao deserto do Sinai.
19:2 Eles haviam partido de Refidim, chegaram ao deserto do Sinai e acamparam no deserto. Ali Israel acampou diante do monte.
19:3 Moisés subiu ao encontro de Deus, e o SENHOR o chamou do monte, dizendo: “Assim você dirá à casa de Jacó e anunciará aos filhos de Israel:
19:4 ‘Vocês viram o que fiz aos egípcios e como os levei sobre asas de águias e os trouxe a mim.
19:5 Agora, se ouvirem atentamente a minha voz e guardarem a minha aliança, serão minha propriedade especial dentre todos os povos, pois toda a terra é minha.
19:6 Vocês serão para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa’. São essas as palavras que você dirá aos filhos de Israel”.
19:7 Moisés foi, chamou os anciãos do povo e lhes expôs todas essas palavras, como o SENHOR lhe havia ordenado.
19:8 Todo o povo respondeu a uma só voz: “Faremos tudo o que o SENHOR falou”. Moisés levou ao SENHOR as palavras do povo.
19:9 O SENHOR disse a Moisés: “Virei a você numa nuvem espessa, para que o povo ouça quando eu falar com você e também confie em você para sempre”. Então Moisés comunicou ao SENHOR as palavras do povo.
19:10 O SENHOR disse a Moisés: “Vá ao povo e o consagre hoje e amanhã. Que lavem suas roupas
19:11 e estejam prontos para o terceiro dia, pois no terceiro dia o SENHOR descerá sobre o monte Sinai à vista de todo o povo.
19:12 Estabeleça limites ao redor para o povo e diga: ‘Tenham o cuidado de não subir ao monte nem tocar em sua borda. Todo aquele que tocar no monte será morto.
19:13 Nenhuma mão tocará nele; será apedrejado ou morto a flechadas. Seja animal, seja homem, não ficará com vida’. Quando o chifre de carneiro soar longamente, eles poderão subir ao monte”.
19:14 Moisés desceu do monte até o povo e o consagrou, e eles lavaram suas roupas.
19:15 Ele disse ao povo: “Estejam prontos para o terceiro dia. Não tenham relações sexuais com mulher”.
19:16 Ao amanhecer do terceiro dia, houve trovões e relâmpagos, uma nuvem espessa sobre o monte e um toque de trombeta muito forte. Todo o povo no acampamento tremeu.
19:17 Moisés levou o povo para fora do acampamento, ao encontro de Deus, e eles se puseram ao pé do monte.
19:18 Todo o monte Sinai fumegava, pois o SENHOR havia descido sobre ele em fogo. Sua fumaça subia como a fumaça de uma fornalha, e todo o monte tremia violentamente.
19:19 O som da trombeta ficava cada vez mais forte. Moisés falava, e Deus lhe respondia com sua voz.
19:20 O SENHOR desceu sobre o monte Sinai, ao alto do monte. O SENHOR chamou Moisés ao alto do monte, e Moisés subiu.
19:21 O SENHOR disse a Moisés: “Desça e advirta o povo a não ultrapassar os limites para ver o SENHOR, para que muitos deles não morram.
19:22 Também os sacerdotes que se aproximam do SENHOR devem se consagrar, para que o SENHOR não se lance contra eles”.
19:23 Moisés disse ao SENHOR: “O povo não pode subir ao monte Sinai, pois tu mesmo nos advertiste, dizendo: ‘Estabeleça limites ao redor do monte e o consagre’”.
19:24 O SENHOR lhe disse: “Vá, desça. Depois você subirá, e Arão com você. Mas os sacerdotes e o povo não devem ultrapassar os limites para subir ao SENHOR, para que ele não se lance contra eles”.
19:25 Moisés desceu até o povo e lhes disse isso.

Capítulo 20
20:1 Deus pronunciou todas estas palavras:
20:2 “Eu sou o SENHOR, seu Deus, que o tirei da terra do Egito, da casa da escravidão.
20:3 Não tenha outros deuses diante de mim.
20:4 Não faça para você imagem esculpida nem representação alguma do que há em cima nos céus, embaixo na terra ou nas águas debaixo da terra.
20:5 Não se curve diante delas nem as sirva, pois eu, o SENHOR, seu Deus, sou Deus zeloso: castigo a maldade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta geração dos que me odeiam,
20:6 mas demonstro amor leal a milhares, aos que me amam e guardam meus mandamentos.
20:7 Não tome o nome do SENHOR, seu Deus, em vão, pois o SENHOR não terá por inocente quem tomar seu nome em vão.
20:8 Lembre-se do dia de sábado, para santificá-lo.
20:9 Trabalhe durante seis dias e faça todo o seu trabalho,
20:10 mas o sétimo dia é sábado para o SENHOR, seu Deus. Não faça trabalho algum, nem você, nem seu filho, nem sua filha, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seus animais, nem o estrangeiro que vive dentro de suas portas.
20:11 Pois em seis dias o SENHOR fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e descansou no sétimo dia. Por isso o SENHOR abençoou o dia de sábado e o santificou.
20:12 Honre seu pai e sua mãe, para que se prolonguem seus dias na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá.
20:13 Não assassine.
20:14 Não cometa adultério.
20:15 Não furte.
20:16 Não dê falso testemunho contra seu próximo.
20:17 Não cobice a casa de seu próximo. Não cobice a mulher de seu próximo, nem seu escravo, nem sua escrava, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que pertença a seu próximo”.
20:18 Todo o povo presenciava os trovões, os relâmpagos, o som da trombeta e o monte fumegante. Ao ver isso, o povo tremeu e ficou à distância.
20:19 Disseram a Moisés: “Fale você conosco, e ouviremos. Mas que Deus não fale conosco, para que não morramos”.
20:20 Moisés disse ao povo: “Não temam, pois Deus veio para pôr vocês à prova e para que o temor dele esteja diante de vocês, a fim de que não pequem”.
20:21 O povo ficou à distância, enquanto Moisés se aproximou da densa escuridão onde Deus estava.
20:22 O SENHOR disse a Moisés: “Assim você dirá aos filhos de Israel: ‘Vocês viram que falei com vocês dos céus.
20:23 Não façam deuses de prata para colocar ao meu lado, nem façam para vocês deuses de ouro.
20:24 Faça para mim um altar de terra e sacrifique sobre ele seus holocaustos e suas ofertas de paz, suas ovelhas e cabras e seu gado. Em todo lugar onde eu fizer lembrar meu nome, virei a você e o abençoarei.
20:25 Se você me fizer um altar de pedras, não o construa com pedras lavradas, pois, ao levantar sua ferramenta sobre a pedra, você a profanará.
20:26 Não suba por degraus ao meu altar, para que sua nudez não seja exposta sobre ele’”.

Capítulo 21
21:1 “Estas são as ordenanças que você lhes apresentará.
21:2 Se você comprar um escravo hebreu, ele servirá durante seis anos; no sétimo, sairá livre, sem pagar nada.
21:3 Se entrou sozinho, sairá sozinho; se era casado, sua mulher sairá com ele.
21:4 Se seu senhor lhe der uma mulher e ela lhe der filhos ou filhas, a mulher e seus filhos pertencerão ao senhor dela, e ele sairá sozinho.
21:5 Mas, se o escravo declarar expressamente: ‘Amo meu senhor, minha mulher e meus filhos; não quero sair livre’,
21:6 seu senhor o levará diante de Deus. Depois o levará à porta ou ao batente da porta, e seu senhor lhe furará a orelha com uma sovela. Assim, ele o servirá para sempre.
21:7 Se um homem vender sua filha como escrava, ela não sairá livre como saem os escravos.
21:8 Se ela desagradar a seu senhor, que não a destinou para casamento, ele permitirá que seja resgatada. Não terá o direito de vendê-la a um povo estrangeiro, pois foi desleal com ela.
21:9 Se a destinar para seu filho, ele a tratará conforme o direito das filhas.
21:10 Se tomar para si outra mulher, não diminuirá o alimento, a roupa nem os direitos conjugais da primeira.
21:11 Se não cumprir com ela essas três obrigações, ela sairá livre, de graça, sem pagar nada.
21:12 Quem golpear um homem e lhe causar a morte será morto.
21:13 Se, porém, quem o feriu não lhe armou uma emboscada, mas Deus o fez cair em suas mãos, eu indicarei a você um lugar para onde ele poderá fugir.
21:14 Mas, se alguém agir de propósito contra seu próximo para matá-lo à traição, você o tirará até mesmo do meu altar, para que morra.
21:15 Quem golpear seu pai ou sua mãe será morto.
21:16 Quem sequestrar um homem e o vender, ou ainda o tiver em seu poder, será morto.
21:17 Quem amaldiçoar seu pai ou sua mãe será morto.
21:18 Se alguns homens brigarem e um golpear o outro com uma pedra ou com o punho, e este não morrer, mas ficar de cama,
21:19 se ele se levantar e andar fora, apoiado em seu bastão, aquele que o golpeou ficará absolvido. Somente o compensará pelo tempo em que ficou sem trabalhar e custeará sua cura.
21:20 Se um homem golpear seu escravo ou sua escrava com um bastão, e este morrer sob sua mão, a morte será vingada.
21:21 Mas, se sobreviver um ou dois dias, não haverá vingança, pois é seu dinheiro.
21:22 Se alguns homens brigarem e atingirem uma mulher grávida, e os filhos dela nascerem, mas não houver dano grave, o responsável pagará a multa que o marido da mulher exigir, conforme determinarem os juízes.
21:23 Mas, se houver dano grave, você dará vida por vida,
21:24 olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé,
21:25 queimadura por queimadura, ferida por ferida, contusão por contusão.
21:26 Se um homem golpear o olho de seu escravo ou de sua escrava e o destruir, dará liberdade ao escravo em compensação pelo olho.
21:27 Se fizer cair um dente de seu escravo ou de sua escrava, dará liberdade ao escravo em compensação pelo dente.
21:28 Se um boi chifrar um homem ou uma mulher, causando-lhe a morte, o boi será apedrejado, e sua carne não será comida; mas o dono do boi ficará absolvido.
21:29 Mas, se o boi já costumava chifrar, e seu dono havia sido advertido, mas não o manteve sob controle, e o boi matar um homem ou uma mulher, o boi será apedrejado, e seu dono também será morto.
21:30 Se lhe for imposto um resgate, ele pagará por sua vida tudo o que lhe for exigido.
21:31 Se o boi chifrar um filho ou uma filha, será aplicada essa mesma ordenança.
21:32 Se o boi chifrar um escravo ou uma escrava, o dono pagará ao senhor trinta siclos de prata, cerca de trezentos e quarenta e dois gramas, e o boi será apedrejado.
21:33 Se alguém abrir uma cova ou cavar uma cova e não a cobrir, e nela cair um boi ou um jumento,
21:34 o dono da cova pagará a indenização: dará o dinheiro ao dono do animal, e o animal morto ficará com ele.
21:35 Se o boi de alguém ferir o boi de seu próximo e lhe causar a morte, venderão o boi vivo e dividirão o dinheiro ao meio. Também dividirão ao meio o animal morto.
21:36 Mas, se era sabido que o boi já costumava chifrar, e seu dono não o manteve sob controle, ele pagará boi por boi, e o animal morto ficará com ele.

Capítulo 22
22:1 Se alguém furtar um boi, uma ovelha ou uma cabra, e abater ou vender o animal, pagará cinco bois pelo boi e quatro animais do rebanho pela ovelha ou pela cabra.
22:2 Se um ladrão for surpreendido escavando uma entrada e for golpeado e morrer, quem o golpeou não será culpado de seu sangue.
22:3 Mas, se o sol já tiver nascido, quem o matar será culpado de seu sangue. O ladrão deverá fazer restituição completa; se não tiver com que pagar, será vendido por seu furto.
22:4 Se o animal furtado for encontrado vivo em seu poder, seja boi, jumento, ovelha ou cabra, ele pagará o dobro.
22:5 Se alguém levar seu gado para pastar num campo ou numa vinha e o soltar, de modo que paste no campo de outro, pagará a indenização com o melhor de seu próprio campo e o melhor de sua própria vinha.
22:6 Se um fogo se espalhar e alcançar espinheiros, e consumir o cereal empilhado, o cereal ainda em pé ou o campo, aquele que acendeu o fogo pagará a indenização completa.
22:7 Se alguém entregar a seu próximo dinheiro ou objetos para guardar, e esses bens forem furtados da casa de quem os recebeu, o ladrão, se for encontrado, pagará o dobro.
22:8 Se o ladrão não for encontrado, o dono da casa se apresentará diante dos juízes, para se verificar se não pôs a mão nos bens de seu próximo.
22:9 Em todo caso de fraude, a respeito de boi, jumento, ovelha, cabra, roupa ou qualquer coisa perdida da qual alguém diga: ‘Isto é meu’, o caso de ambos será levado aos juízes. Aquele que os juízes declararem culpado pagará o dobro a seu próximo.
22:10 Se alguém entregar a seu próximo um jumento, um boi, uma ovelha, uma cabra ou qualquer outro animal para guardar, e o animal morrer, ficar ferido ou for levado à força, sem que ninguém veja,
22:11 haverá entre ambos um juramento pelo SENHOR de que não pôs a mão nos bens de seu próximo. O dono aceitará o juramento, e o outro não pagará indenização.
22:12 Mas, se o animal for furtado enquanto estiver sob seus cuidados, ele pagará a indenização ao dono.
22:13 Se o animal tiver sido despedaçado por uma fera, ele deverá trazê-lo como prova e não pagará pelo animal despedaçado.
22:14 Se alguém pedir um animal emprestado a seu próximo, e o animal ficar ferido ou morrer sem que seu dono esteja com ele, pagará a indenização completa.
22:15 Se o dono estiver com ele, não pagará indenização. Se o animal tiver sido alugado, o prejuízo estará incluído no aluguel.
22:16 Se um homem seduzir uma virgem que não está prometida em casamento e se deitar com ela, deverá pagar o preço nupcial e tomá-la por mulher.
22:17 Se o pai dela se recusar terminantemente a dá-la a ele, o homem pesará a prata correspondente ao preço nupcial das virgens.
22:18 Não deixe uma feiticeira com vida.
22:19 Todo aquele que tiver relações sexuais com um animal será morto.
22:20 Quem oferecer sacrifícios a outros deuses, e não somente ao SENHOR, será destinado à destruição.
22:21 Não maltrate nem oprima o estrangeiro, pois vocês foram estrangeiros na terra do Egito.
22:22 Não aflijam nenhuma viúva nem órfão algum.
22:23 Se você afligir algum deles e ele clamar a mim, certamente ouvirei seu clamor.
22:24 Minha ira se acenderá, e matarei vocês à espada. Suas mulheres ficarão viúvas, e seus filhos, órfãos.
22:25 Se você emprestar dinheiro a alguém de meu povo, ao pobre que está com você, não aja com ele como um credor. Não lhe cobrem juros.
22:26 Se tomar em penhor o manto de seu próximo, devolva-o a ele até o pôr do sol,
22:27 pois é sua única cobertura, a roupa que cobre sua pele. Com que dormirá? Quando clamar a mim, eu o ouvirei, pois sou misericordioso.
22:28 Não insulte a Deus nem amaldiçoe o governante de seu povo.
22:29 Não demore a oferecer de sua colheita abundante e do que escorre de seus lagares. Dê a mim o primogênito de seus filhos.
22:30 Faça o mesmo com seus bois e com suas ovelhas e cabras. A cria ficará sete dias com sua mãe; no oitavo dia, você a dará a mim.
22:31 Vocês serão homens santos para mim. Não comam carne de animal despedaçado por feras no campo; atirem-na aos cães.

Capítulo 23
23:1 Não espalhe falso rumor. Não junte sua mão à do ímpio para ser testemunha injusta.
23:2 Não siga a multidão para fazer o mal. Ao depor numa disputa, não acompanhe a maioria para torcer a justiça.
23:3 Não favoreça o pobre em sua causa.
23:4 Se você encontrar perdido o boi ou o jumento de seu inimigo, devolva-o a ele sem falta.
23:5 Se você vir o jumento daquele que o odeia caído debaixo de sua carga, deixará de ajudá-lo? Ajude seu dono, sem falta, a aliviar a carga.
23:6 Não torça o direito do pobre de seu povo em sua causa.
23:7 Mantenha-se longe da acusação falsa. Não mate o inocente nem o justo, pois não absolverei o ímpio.
23:8 Não aceite suborno, pois o suborno cega os que veem e perverte as palavras dos justos.
23:9 Não oprima o estrangeiro. Vocês conhecem os sentimentos do estrangeiro, pois foram estrangeiros na terra do Egito.
23:10 Durante seis anos, semeie sua terra e recolha sua colheita;
23:11 mas no sétimo deixe-a descansar, sem cultivar, para que os pobres de seu povo comam, e os animais do campo comam o que eles deixarem. Faça o mesmo com sua vinha e seu olival.
23:12 Durante seis dias, faça seu trabalho, mas no sétimo dia descanse, para que seu boi e seu jumento descansem, e o filho de sua escrava e o estrangeiro recuperem as forças.
23:13 Guardem tudo o que eu lhes disse. Não mencionem o nome de outros deuses; que não se ouça em sua boca.
23:14 Três vezes por ano celebre uma festa em minha honra.
23:15 Guarde a Festa dos Pães sem Fermento. Durante sete dias, coma pães sem fermento, como lhe ordenei, no tempo determinado do mês de abibe, pois foi nesse mês que você saiu do Egito. Ninguém se apresentará diante de mim de mãos vazias.
23:16 Celebre também a Festa da Ceifa, com as primícias de seu trabalho, do que você semear no campo, e a Festa da Colheita, no fim do ano, quando recolher do campo o fruto de seu trabalho.
23:17 Três vezes por ano, todos os seus homens se apresentarão diante do Senhor DEUS.
23:18 Não ofereça o sangue do meu sacrifício com pão fermentado, nem deixe a gordura da minha festa até a manhã seguinte.
23:19 Leve à casa do SENHOR, seu Deus, o melhor das primícias de sua terra. Não cozinhe um cabrito no leite de sua mãe.
23:20 Estou enviando um anjo à sua frente para guardá-lo no caminho e levá-lo ao lugar que preparei.
23:21 Preste atenção a ele e ouça sua voz. Não se rebele contra ele, pois ele não perdoará a rebelião de vocês, porque meu nome está nele.
23:22 Mas, se você ouvir atentamente sua voz e fizer tudo o que eu disser, serei inimigo de seus inimigos e adversário de seus adversários.
23:23 Meu anjo irá à sua frente e o levará aos amorreus, aos heteus, aos ferezeus, aos cananeus, aos heveus e aos jebuseus, e eu os destruirei.
23:24 Não se curve diante dos deuses deles nem os sirva, nem imite suas práticas. Destrua-os por completo e despedace suas colunas.
23:25 Vocês servirão ao SENHOR, o Deus de vocês, e ele abençoará seu pão e sua água. Eu afastarei a doença do seu meio.
23:26 Em sua terra não haverá mulher que aborte nem mulher estéril. Completarei o número de seus dias.
23:27 Enviarei meu terror à sua frente e porei em confusão todos os povos aonde você chegar. Farei todos os seus inimigos virarem as costas para você.
23:28 Enviarei vespões à sua frente, que expulsarão os heveus, os cananeus e os heteus de sua presença.
23:29 Não os expulsarei de sua presença num só ano, para que a terra não fique desolada e os animais selvagens não se multipliquem contra você.
23:30 Pouco a pouco os expulsarei de sua presença, até que você se multiplique e tome posse da terra.
23:31 Estabelecerei seus limites do mar Vermelho até o mar dos filisteus, e do deserto até o Rio. Entregarei nas mãos de vocês os habitantes da terra, e você os expulsará de sua presença.
23:32 Não faça aliança com eles nem com seus deuses.
23:33 Eles não habitarão em sua terra, para que não o façam pecar contra mim. Se você servir aos deuses deles, isso será uma armadilha para você”.

Capítulo 24
24:1 A Moisés ele disse: “Suba ao SENHOR com Arão, Nadabe, Abiú e setenta dos anciãos de Israel, e prostrem-se de longe.
24:2 Somente Moisés se aproximará do SENHOR; os outros não se aproximarão, e o povo não subirá com ele”.
24:3 Moisés veio e contou ao povo todas as palavras do SENHOR e todas as ordenanças. Todo o povo respondeu a uma só voz: “Faremos tudo o que o SENHOR falou”.
24:4 Moisés escreveu todas as palavras do SENHOR. Levantou-se de manhã cedo e construiu um altar ao pé do monte e doze colunas, pelas doze tribos de Israel.
24:5 Enviou jovens dos filhos de Israel, que ofereceram holocaustos e sacrificaram touros como ofertas de paz ao SENHOR.
24:6 Moisés pegou metade do sangue e a pôs em bacias; aspergiu a outra metade do sangue sobre o altar.
24:7 Pegou o livro da aliança e o leu aos ouvidos do povo. Eles disseram: “Faremos tudo o que o SENHOR falou e obedeceremos”.
24:8 Moisés pegou o sangue, aspergiu-o sobre o povo e disse: “Eis o sangue da aliança que o SENHOR fez com vocês, conforme todas estas palavras”.
24:9 Moisés, Arão, Nadabe, Abiú e setenta dos anciãos de Israel subiram
24:10 e viram o Deus de Israel. Debaixo de seus pés havia algo semelhante a um pavimento de safira, puro como o próprio céu.
24:11 Ele não estendeu sua mão contra os nobres dos filhos de Israel. Eles contemplaram a Deus, comeram e beberam.
24:12 O SENHOR disse a Moisés: “Suba ao meu encontro no monte e fique ali. Darei a você as tábuas de pedra, a lei e o mandamento que escrevi para instruí-los”.
24:13 Moisés se levantou com Josué, seu auxiliar, e Moisés subiu ao monte de Deus.
24:14 Aos anciãos ele havia dito: “Esperem-nos aqui até voltarmos a vocês. Arão e Hur estão com vocês; quem tiver alguma questão, procure-os”.
24:15 Moisés subiu ao monte, e a nuvem cobriu o monte.
24:16 A glória do SENHOR repousou sobre o monte Sinai, e a nuvem o cobriu durante seis dias. No sétimo dia, o SENHOR chamou Moisés do meio da nuvem.
24:17 Aos olhos dos filhos de Israel, a aparência da glória do SENHOR era como um fogo consumidor no alto do monte.
24:18 Moisés entrou no meio da nuvem e subiu ao monte. Moisés ficou no monte quarenta dias e quarenta noites.

Capítulo 25
25:1 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
25:2 “Diga aos filhos de Israel que recolham uma oferta para mim. De todo aquele cujo coração o mover a dar, vocês recolherão minha oferta.
25:3 Esta é a oferta que recolherão deles: ouro, prata e cobre;
25:4 fios nas cores azul, púrpura e escarlate, linho fino e pelos de cabra;
25:5 peles de carneiro tingidas de vermelho, couro fino e madeira de acácia;
25:6 azeite para a iluminação, especiarias para o óleo da unção e para o incenso aromático;
25:7 pedras de ônix e pedras para engastar no éfode e no peitoral.
25:8 Eles farão para mim um santuário, e habitarei no meio deles.
25:9 Vocês farão tudo conforme o que mostro a você: o modelo do tabernáculo e o modelo de todos os seus utensílios.
25:10 Farão uma arca de madeira de acácia, com cerca de um metro e quinze centímetros de comprimento, sessenta e nove centímetros de largura e sessenta e nove centímetros de altura.
25:11 Revista-a de ouro puro. Você a revestirá por dentro e por fora e fará ao seu redor uma moldura de ouro.
25:12 Funda para ela quatro argolas de ouro e ponha-as em seus quatro pés: duas argolas de um lado e duas argolas do outro.
25:13 Faça varas de madeira de acácia e revista-as de ouro.
25:14 Introduza as varas nas argolas dos lados da arca, para levar a arca com elas.
25:15 As varas permanecerão nas argolas da arca; não serão retiradas dela.
25:16 Ponha na arca o Testemunho que darei a você.
25:17 Faça um propiciatório de ouro puro, com cerca de um metro e quinze centímetros de comprimento e sessenta e nove centímetros de largura.
25:18 Faça dois querubins de ouro batido nas duas extremidades do propiciatório.
25:19 Faça um querubim numa extremidade e outro na outra extremidade. Os querubins das duas extremidades formarão uma só peça com o propiciatório.
25:20 Os querubins estenderão suas asas para cima, cobrindo com elas o propiciatório. Seus rostos estarão voltados um para o outro; os rostos dos querubins estarão voltados para o propiciatório.
25:21 Ponha o propiciatório sobre a arca, por cima, e ponha dentro da arca o Testemunho que darei a você.
25:22 Ali me encontrarei com você e, de cima do propiciatório, do meio dos dois querubins que estão sobre a arca do Testemunho, direi a você tudo o que eu lhe ordenar para os filhos de Israel.
25:23 Faça uma mesa de madeira de acácia, com cerca de noventa e dois centímetros de comprimento, quarenta e seis centímetros de largura e sessenta e nove centímetros de altura.
25:24 Revista-a de ouro puro e faça ao seu redor uma moldura de ouro.
25:25 Faça ao seu redor uma borda de cerca de oito centímetros de largura e uma moldura de ouro ao redor dessa borda.
25:26 Faça para ela quatro argolas de ouro e ponha as argolas nos quatro cantos, junto a seus quatro pés.
25:27 As argolas ficarão junto à borda, para receber as varas com que se levará a mesa.
25:28 Faça as varas de madeira de acácia e revista-as de ouro; com elas será levada a mesa.
25:29 Faça seus pratos, suas colheres, suas jarras e suas tigelas para derramar as libações. Faça-os de ouro puro.
25:30 Ponha sobre a mesa o pão da Presença, continuamente diante de mim.
25:31 Faça um candelabro de ouro puro. O candelabro será feito de ouro batido; sua base, sua haste, seus cálices, seus botões e suas flores formarão uma só peça com ele.
25:32 De seus lados sairão seis braços: três braços do candelabro de um lado e três braços do outro.
25:33 Num braço haverá três cálices em forma de amêndoa, com um botão e uma flor; no outro braço, três cálices em forma de amêndoa, com um botão e uma flor. Assim será nos seis braços que saem do candelabro.
25:34 Na haste do candelabro haverá quatro cálices em forma de amêndoa, com seus botões e suas flores.
25:35 Haverá um botão debaixo de dois de seus braços, outro botão debaixo de outros dois braços e outro botão debaixo dos outros dois braços, para os seis braços que saem do candelabro.
25:36 Seus botões e seus braços formarão uma só peça com ele; tudo será uma só peça de ouro puro batido.
25:37 Faça suas sete lâmpadas, que serão colocadas de modo que iluminem a frente dele.
25:38 Suas pinças e suas bandejas serão de ouro puro.
25:39 O candelabro, com todos estes utensílios, será feito com cerca de trinta e quatro quilos de ouro puro.
25:40 Veja bem e faça tudo segundo o modelo que lhe é mostrado no monte.

Capítulo 26
26:1 Faça o tabernáculo com dez cortinas de linho fino de fios retorcidos e de fios nas cores azul, púrpura e escarlate. Faça-as com querubins, obra de um artesão habilidoso.
26:2 Cada cortina terá cerca de doze metros e noventa centímetros de comprimento e um metro e oitenta centímetros de largura. Todas as cortinas terão a mesma medida.
26:3 Cinco cortinas serão unidas umas às outras, e as outras cinco cortinas serão unidas umas às outras.
26:4 Faça laçadas azuis na borda da cortina da extremidade de um conjunto. Faça o mesmo na borda da cortina da extremidade do segundo conjunto.
26:5 Faça cinquenta laçadas numa cortina e cinquenta laçadas na borda da cortina do segundo conjunto, de modo que as laçadas fiquem umas em frente às outras.
26:6 Faça cinquenta colchetes de ouro e una as cortinas umas às outras com os colchetes, para que o tabernáculo forme uma só unidade.
26:7 Faça também cortinas de pelos de cabra para a tenda que cobrirá o tabernáculo. Faça onze cortinas.
26:8 Cada cortina terá cerca de treze metros e oitenta centímetros de comprimento e um metro e oitenta centímetros de largura. As onze cortinas terão a mesma medida.
26:9 Una cinco cortinas num conjunto e as outras seis num conjunto separado. Dobre a sexta cortina na frente da tenda.
26:10 Faça cinquenta laçadas na borda da cortina da extremidade de um conjunto e cinquenta laçadas na borda da cortina do segundo conjunto.
26:11 Faça cinquenta colchetes de cobre, introduza os colchetes nas laçadas e una a tenda, para que forme uma só unidade.
26:12 A parte que sobrar das cortinas da tenda, a metade da cortina que sobrar, ficará pendurada na parte de trás do tabernáculo.
26:13 O que sobrar no comprimento das cortinas da tenda, cerca de quarenta e seis centímetros de um lado e outros quarenta e seis centímetros do outro, ficará pendurado sobre os dois lados do tabernáculo, para cobri-lo.
26:14 Faça para a tenda uma cobertura de peles de carneiro tingidas de vermelho e, por cima, uma cobertura de couro fino.
26:15 Faça para o tabernáculo tábuas de madeira de acácia, colocadas em pé.
26:16 Cada tábua terá cerca de quatro metros e sessenta centímetros de comprimento e sessenta e nove centímetros de largura.
26:17 Cada tábua terá duas espigas correspondentes uma à outra. Faça assim todas as tábuas do tabernáculo.
26:18 Faça vinte tábuas para o lado sul do tabernáculo.
26:19 Faça quarenta bases de prata debaixo das vinte tábuas: duas bases debaixo de uma tábua para suas duas espigas e duas bases debaixo de outra tábua para suas duas espigas.
26:20 Para o segundo lado do tabernáculo, o lado norte, faça vinte tábuas,
26:21 com suas quarenta bases de prata: duas bases debaixo de uma tábua e duas bases debaixo de outra tábua.
26:22 Para a parte de trás do tabernáculo, voltada para o oeste, faça seis tábuas.
26:23 Faça duas tábuas para os cantos da parte de trás do tabernáculo.
26:24 Elas ficarão emparelhadas embaixo e unidas em cima, numa só argola. Assim será com as duas; ficarão nos dois cantos.
26:25 Serão oito tábuas, com suas bases de prata, dezesseis bases: duas bases debaixo de uma tábua e duas bases debaixo de outra tábua.
26:26 Faça travessas de madeira de acácia: cinco para as tábuas de um lado do tabernáculo,
26:27 cinco travessas para as tábuas do segundo lado do tabernáculo e cinco travessas para as tábuas da parte de trás do tabernáculo, voltada para o oeste.
26:28 A travessa central passará pelo meio das tábuas, de uma extremidade à outra.
26:29 Revista de ouro as tábuas e faça suas argolas de ouro, para receber as travessas. Revista também de ouro as travessas.
26:30 Levante o tabernáculo conforme o modelo que lhe foi mostrado no monte.
26:31 Faça um véu de fios nas cores azul, púrpura e escarlate e de linho fino de fios retorcidos. Será feito com querubins, obra de um artesão habilidoso.
26:32 Pendure-o em quatro colunas de madeira de acácia revestidas de ouro, com ganchos de ouro, sobre quatro bases de prata.
26:33 Pendure o véu debaixo dos colchetes e leve a arca do Testemunho para lá, para trás do véu. O véu fará para vocês a separação entre o Lugar Santo e o Lugar Santíssimo.
26:34 Ponha o propiciatório sobre a arca do Testemunho no Lugar Santíssimo.
26:35 Coloque a mesa fora do véu e o candelabro em frente à mesa, no lado sul do tabernáculo. A mesa você colocará no lado norte.
26:36 Faça uma cortina para a entrada da tenda, de fios nas cores azul, púrpura e escarlate e de linho fino de fios retorcidos, obra de bordador.
26:37 Faça para a cortina cinco colunas de madeira de acácia e revista-as de ouro. Seus ganchos serão de ouro, e você fundirá para elas cinco bases de cobre.

Capítulo 27
27:1 Faça o altar de madeira de acácia, com cerca de dois metros e trinta centímetros de comprimento e dois metros e trinta centímetros de largura. O altar será quadrado e terá cerca de um metro e quarenta centímetros de altura.
27:2 Faça seus chifres nos quatro cantos; os chifres formarão uma só peça com ele. Revista-o de cobre.
27:3 Faça seus recipientes para retirar as cinzas, suas pás, suas bacias, seus garfos e seus braseiros. Faça de cobre todos os seus utensílios.
27:4 Faça para ele uma grelha de cobre em forma de rede e faça quatro argolas de cobre nos quatro cantos da grelha.
27:5 Coloque-a debaixo da borda do altar, de modo que a grelha chegue até a metade do altar.
27:6 Faça varas para o altar, varas de madeira de acácia, e revista-as de cobre.
27:7 As varas serão introduzidas nas argolas e ficarão nos dois lados do altar quando ele for levado.
27:8 Faça-o oco, de tábuas. Assim como lhe foi mostrado no monte, assim o farão.
27:9 Faça o pátio do tabernáculo. O lado sul terá cortinas de linho fino de fios retorcidos, com cerca de quarenta e seis metros de comprimento.
27:10 Terá vinte colunas e suas vinte bases de cobre. Os ganchos das colunas e suas abraçadeiras serão de prata.
27:11 Do mesmo modo, o lado norte terá cortinas com cerca de quarenta e seis metros de comprimento, suas vinte colunas e suas vinte bases de cobre. Os ganchos das colunas e suas abraçadeiras serão de prata.
27:12 Na largura do pátio, do lado oeste, haverá cortinas com cerca de vinte e três metros, suas dez colunas e suas dez bases.
27:13 A largura do pátio do lado leste, para o nascente, será de cerca de vinte e três metros.
27:14 De um lado da entrada, haverá cortinas com cerca de seis metros e noventa centímetros, suas três colunas e suas três bases.
27:15 Do outro lado, haverá cortinas com cerca de seis metros e noventa centímetros, suas três colunas e suas três bases.
27:16 Para a entrada do pátio, haverá uma cortina com cerca de nove metros e vinte centímetros, de fios nas cores azul, púrpura e escarlate e de linho fino de fios retorcidos, obra de bordador. Terá quatro colunas e suas quatro bases.
27:17 Todas as colunas ao redor do pátio terão abraçadeiras de prata; seus ganchos serão de prata e suas bases, de cobre.
27:18 O pátio terá cerca de quarenta e seis metros de comprimento e vinte e três metros de largura em ambas as extremidades. Suas cortinas serão de linho fino de fios retorcidos, com cerca de dois metros e trinta centímetros de altura, e suas bases serão de cobre.
27:19 Todos os utensílios do tabernáculo usados em todo o seu serviço, todas as suas estacas e todas as estacas do pátio serão de cobre.
27:20 Você ordenará aos filhos de Israel que tragam a você azeite puro de azeitonas esmagadas para a iluminação, a fim de manter a lâmpada acesa continuamente.
27:21 Na tenda do encontro, fora do véu que fica diante do Testemunho, Arão e seus filhos cuidarão da lâmpada diante do SENHOR, desde a tarde até a manhã. Será um estatuto perpétuo para os filhos de Israel, por suas gerações.

Capítulo 28
28:1 Traga até você seu irmão Arão e seus filhos com ele, dentre os filhos de Israel, para me servirem como sacerdotes: Arão e seus filhos Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar.
28:2 Faça vestes sagradas para seu irmão Arão, para honra e beleza.
28:3 Fale a todos os sábios de coração, a quem enchi de espírito de sabedoria, para que façam as vestes de Arão, a fim de consagrá-lo para me servir como sacerdote.
28:4 Estas são as vestes que farão: um peitoral, um éfode, um manto, uma túnica de tecido trabalhado, um turbante e uma faixa. Farão vestes sagradas para seu irmão Arão e para seus filhos, para me servirem como sacerdotes.
28:5 Eles receberão o ouro, os fios nas cores azul, púrpura e escarlate e o linho fino.
28:6 Farão o éfode de ouro, fios nas cores azul, púrpura e escarlate e linho fino de fios retorcidos, obra de um artesão habilidoso.
28:7 Ele terá duas ombreiras unidas às suas duas extremidades; assim ficará unido.
28:8 O cinto tecido do éfode, que estiver sobre ele, será do mesmo trabalho e formará uma só peça com ele: de ouro, fios nas cores azul, púrpura e escarlate e linho fino de fios retorcidos.
28:9 Pegue duas pedras de ônix e grave nelas os nomes dos filhos de Israel:
28:10 seis de seus nomes numa pedra e os seis nomes restantes na outra pedra, pela ordem de seu nascimento.
28:11 Grave nas duas pedras os nomes dos filhos de Israel, como um gravador em pedra grava um selo. Coloque-as em engastes de ouro.
28:12 Ponha as duas pedras nas ombreiras do éfode, como pedras de memória para os filhos de Israel. Arão levará os nomes deles diante do SENHOR sobre seus dois ombros, como memorial.
28:13 Faça engastes de ouro
28:14 e duas correntes de ouro puro, trançadas como cordões. Prenda as correntes trançadas nos engastes.
28:15 Faça um peitoral do juízo, obra de um artesão habilidoso. Faça-o como o éfode: de ouro, fios nas cores azul, púrpura e escarlate e linho fino de fios retorcidos.
28:16 Será quadrado e dobrado, com cerca de vinte e três centímetros de comprimento e vinte e três centímetros de largura.
28:17 Coloque nele quatro fileiras de pedras: na primeira fileira, uma cornalina, um topázio e uma esmeralda;
28:18 na segunda fileira, uma turquesa, uma safira e um diamante;
28:19 na terceira fileira, um jacinto, uma ágata e uma ametista;
28:20 e na quarta fileira, um berilo, um ônix e um jaspe. Serão montadas em engastes de ouro.
28:21 As pedras serão doze, segundo os nomes dos filhos de Israel, conforme seus nomes. Cada uma terá gravado, como num selo, o nome de uma das doze tribos.
28:22 Faça para o peitoral correntes de ouro puro, trançadas como cordões.
28:23 Faça para o peitoral duas argolas de ouro e ponha as duas argolas nas duas extremidades do peitoral.
28:24 Prenda os dois cordões de ouro às duas argolas nas extremidades do peitoral.
28:25 Prenda as duas extremidades dos dois cordões aos dois engastes e coloque-os nas ombreiras do éfode, na parte da frente.
28:26 Faça duas argolas de ouro e ponha-as nas duas extremidades do peitoral, em sua borda interior, voltada para o éfode.
28:27 Faça duas argolas de ouro e prenda-as na parte inferior das duas ombreiras do éfode, pela frente, junto à sua junção, acima do cinto do éfode.
28:28 Prenderão o peitoral, por sua argola, às argolas do éfode com um cordão azul, para que fique sobre o cinto do éfode e o peitoral não se solte do éfode.
28:29 Ao entrar no Lugar Santo, Arão levará os nomes dos filhos de Israel no peitoral do juízo, sobre seu coração, como memorial contínuo diante do SENHOR.
28:30 Ponha o Urim e o Tumim no peitoral do juízo, para que estejam sobre o coração de Arão quando ele entrar diante do SENHOR. Assim Arão levará continuamente o juízo dos filhos de Israel sobre seu coração, diante do SENHOR.
28:31 Faça o manto do éfode inteiramente azul.
28:32 Terá no meio uma abertura para a cabeça, com uma borda tecida ao redor da abertura, como a abertura de uma couraça, para que não se rasgue.
28:33 Faça romãs de fios nas cores azul, púrpura e escarlate ao redor de toda a barra, com campainhas de ouro entre elas, ao redor.
28:34 Uma campainha de ouro e uma romã, outra campainha de ouro e outra romã, ao redor da barra do manto.
28:35 Arão o usará ao ministrar. Seu som será ouvido quando ele entrar no Lugar Santo diante do SENHOR e quando sair, para que não morra.
28:36 Faça uma lâmina de ouro puro e grave nela, como nas gravuras de um selo: ‘Santidade ao SENHOR’.
28:37 Prenda-a com um cordão azul ao turbante; ela ficará na parte da frente do turbante.
28:38 Ela ficará sobre a testa de Arão, e Arão levará a culpa relacionada às coisas sagradas que os filhos de Israel consagrarem em todas as suas ofertas santas. Estará continuamente sobre sua testa, para que tenham aceitação diante do SENHOR.
28:39 Teça a túnica de linho fino com desenhos. Faça o turbante de linho fino, e a faixa será obra de bordador.
28:40 Faça túnicas e faixas para os filhos de Arão; faça também gorros para eles, para honra e beleza.
28:41 Vista com essas vestes seu irmão Arão e seus filhos com ele. Você os ungirá, os investirá e os consagrará para me servirem como sacerdotes.
28:42 Faça para eles calções de linho para cobrir sua nudez; irão da cintura às coxas.
28:43 Arão e seus filhos os usarão quando entrarem na tenda do encontro ou se aproximarem do altar para ministrar no Lugar Santo, para que não incorram em culpa nem morram. Será um estatuto perpétuo para ele e para sua descendência depois dele.

Capítulo 29
29:1 Isto é o que você fará com eles para consagrá-los, a fim de me servirem como sacerdotes: pegue um novilho e dois carneiros sem defeito,
29:2 pães sem fermento, bolos sem fermento amassados com azeite e pães finos sem fermento untados com azeite. Faça-os de farinha fina de trigo.
29:3 Ponha-os num cesto e apresente-os no cesto, com o novilho e os dois carneiros.
29:4 Leve Arão e seus filhos à entrada da tenda do encontro e lave-os com água.
29:5 Pegue as vestes e vista Arão com a túnica, o manto do éfode, o éfode e o peitoral. Cinja-o com o cinto do éfode.
29:6 Ponha o turbante sobre sua cabeça e coloque sobre o turbante o diadema sagrado.
29:7 Pegue o óleo da unção e derrame-o sobre a cabeça dele; assim você o ungirá.
29:8 Faça seus filhos se aproximarem e vista-os com as túnicas.
29:9 Cinja Arão e seus filhos com as faixas e amarre neles os gorros. O sacerdócio lhes pertencerá por estatuto perpétuo. Assim você investirá Arão e seus filhos.
29:10 Leve o novilho para diante da tenda do encontro, e Arão e seus filhos porão as mãos sobre a cabeça do novilho.
29:11 Degole o novilho diante do SENHOR, à entrada da tenda do encontro.
29:12 Pegue parte do sangue do novilho e ponha com seu dedo sobre os chifres do altar. Derrame todo o restante do sangue na base do altar.
29:13 Pegue toda a gordura que cobre as vísceras, o lóbulo do fígado, os dois rins e a gordura que os cobre, e faça tudo isso queimar sobre o altar.
29:14 Mas queime no fogo a carne do novilho, sua pele e seu esterco fora do acampamento. É uma oferta pelo pecado.
29:15 Pegue um dos carneiros, e Arão e seus filhos porão as mãos sobre a cabeça do carneiro.
29:16 Degole o carneiro, pegue seu sangue e salpique-o sobre o altar, por todos os lados.
29:17 Corte o carneiro em pedaços, lave suas vísceras e suas pernas e ponha-as sobre os pedaços e sobre a cabeça.
29:18 Faça todo o carneiro queimar sobre o altar. É um holocausto para o SENHOR, de aroma agradável, uma oferta queimada ao SENHOR.
29:19 Pegue o segundo carneiro, e Arão e seus filhos porão as mãos sobre a cabeça do carneiro.
29:20 Degole o carneiro, pegue parte de seu sangue e ponha no lóbulo da orelha direita de Arão e no lóbulo da orelha direita de seus filhos, nos polegares das mãos direitas e nos dedões dos pés direitos. Salpique o sangue sobre o altar, por todos os lados.
29:21 Pegue parte do sangue que está sobre o altar e do óleo da unção e asperja sobre Arão, suas vestes, seus filhos e as vestes de seus filhos com ele. Assim ficarão consagrados ele e suas vestes, seus filhos e as vestes de seus filhos com ele.
29:22 Pegue do carneiro a gordura, a cauda gordurosa, a gordura que cobre as vísceras, o lóbulo do fígado, os dois rins com a gordura que os cobre e a coxa direita, pois é o carneiro da investidura.
29:23 Pegue também, do cesto dos pães sem fermento que está diante do SENHOR, um pão redondo, um bolo preparado com azeite e um pão fino.
29:24 Ponha tudo nas mãos de Arão e nas mãos de seus filhos e mova tudo como oferta movida diante do SENHOR.
29:25 Depois pegue isso das mãos deles e faça queimar sobre o altar, sobre o holocausto, como aroma agradável diante do SENHOR. É uma oferta queimada ao SENHOR.
29:26 Pegue o peito do carneiro da investidura de Arão e mova-o como oferta movida diante do SENHOR. Essa porção será para você.
29:27 Consagre o peito da oferta movida e a coxa da oferta elevada, aquilo que foi movido e aquilo que foi elevado do carneiro da investidura de Arão e de seus filhos.
29:28 Isso caberá a Arão e a seus filhos, por direito perpétuo, da parte dos filhos de Israel, pois é oferta elevada. Será uma oferta elevada dos filhos de Israel, tirada de seus sacrifícios de paz, sua oferta elevada ao SENHOR.
29:29 As vestes sagradas de Arão passarão a seus filhos depois dele, para que as usem ao serem ungidos e investidos.
29:30 O sacerdote dentre seus filhos que o suceder as usará durante sete dias, quando entrar na tenda do encontro para ministrar no Lugar Santo.
29:31 Pegue o carneiro da investidura e cozinhe sua carne num lugar santo.
29:32 Arão e seus filhos comerão a carne do carneiro e o pão que está no cesto, à entrada da tenda do encontro.
29:33 Comerão aquilo com que foi feita expiação para investi-los e consagrá-los. Nenhum estranho comerá, pois são coisas santas.
29:34 Se sobrar algo da carne da investidura ou do pão até a manhã seguinte, queime no fogo o que sobrar. Não será comido, pois é santo.
29:35 Faça com Arão e seus filhos tudo o que ordenei a você. Durante sete dias você os investirá.
29:36 A cada dia, ofereça um novilho como oferta pelo pecado, para as expiações. Purifique o altar ao fazer expiação por ele e unja-o para consagrá-lo.
29:37 Durante sete dias, faça expiação pelo altar e o consagre. O altar será santíssimo; tudo o que tocar o altar será santo.
29:38 Isto é o que você oferecerá continuamente sobre o altar, todos os dias: dois cordeiros de um ano.
29:39 Ofereça um cordeiro pela manhã e o segundo cordeiro ao entardecer.
29:40 Com o primeiro cordeiro, ofereça cerca de dois litros de farinha fina misturada com cerca de um litro de azeite de azeitonas esmagadas e, como libação, cerca de um litro de vinho.
29:41 Ofereça o segundo cordeiro ao entardecer, com uma oferta de cereais e uma libação iguais às da manhã, como aroma agradável, uma oferta queimada ao SENHOR.
29:42 Será um holocausto contínuo pelas gerações de vocês, à entrada da tenda do encontro, diante do SENHOR. Ali me encontrarei com vocês para falar com você ali.
29:43 Ali me encontrarei com os filhos de Israel, e o lugar será santificado pela minha glória.
29:44 Consagrarei a tenda do encontro e o altar; também consagrarei Arão e seus filhos para me servirem como sacerdotes.
29:45 Habitarei no meio dos filhos de Israel e serei o Deus deles.
29:46 Eles saberão que eu sou o SENHOR, o Deus deles, que os tirei da terra do Egito para habitar no meio deles. Eu sou o SENHOR, o Deus deles.

Capítulo 30
30:1 Faça um altar para queimar incenso; faça-o de madeira de acácia.
30:2 Será quadrado, com cerca de quarenta e seis centímetros de comprimento, quarenta e seis centímetros de largura e noventa e dois centímetros de altura. Seus chifres formarão uma só peça com ele.
30:3 Revista-o de ouro puro: sua parte superior, suas paredes ao redor e seus chifres. Faça ao seu redor uma moldura de ouro.
30:4 Faça para ele duas argolas de ouro debaixo da moldura, em seus dois lados, de um lado e do outro, para receber as varas com que ele será levado.
30:5 Faça as varas de madeira de acácia e revista-as de ouro.
30:6 Ponha-o diante do véu que fica diante da arca do Testemunho, em frente ao propiciatório que está sobre o Testemunho, onde me encontrarei com você.
30:7 Arão queimará sobre ele incenso aromático todas as manhãs; quando cuidar das lâmpadas, queimará o incenso.
30:8 Quando Arão acender as lâmpadas ao entardecer, queimará o incenso. Será incenso contínuo diante do SENHOR pelas gerações de vocês.
30:9 Não ofereçam sobre ele incenso estranho, nem holocausto nem oferta de cereais; tampouco derramem sobre ele qualquer libação.
30:10 Uma vez por ano, Arão fará expiação sobre seus chifres com o sangue da oferta pelo pecado, para a expiação. Uma vez por ano fará expiação por ele, pelas gerações de vocês. É santíssimo para o SENHOR”.
30:11 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
30:12 “Quando fizer o censo dos filhos de Israel para contá-los, cada um dará ao SENHOR o resgate por sua vida ao ser contado. Assim não haverá praga entre eles quando você os contar.
30:13 Todo aquele que for contado dará isto: meio siclo, cerca de seis gramas de prata, segundo o siclo do santuário. Um siclo equivale a vinte geras. Meio siclo será a oferta ao SENHOR.
30:14 Todo aquele que for contado, de vinte anos para cima, dará a oferta ao SENHOR.
30:15 O rico não dará mais de meio siclo, e o pobre não dará menos ao apresentarem a oferta ao SENHOR, para fazer expiação pela vida de vocês.
30:16 Receba dos filhos de Israel a prata das expiações e destine-a ao serviço da tenda do encontro. Será um memorial para os filhos de Israel diante do SENHOR, para fazer expiação pela vida de vocês”.
30:17 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
30:18 “Faça uma bacia de cobre, com sua base de cobre, para lavar. Coloque-a entre a tenda do encontro e o altar e ponha água nela.
30:19 Arão e seus filhos lavarão nela as mãos e os pés.
30:20 Quando entrarem na tenda do encontro ou se aproximarem do altar para ministrar, para queimar uma oferta ao SENHOR, se lavarão com água, para que não morram.
30:21 Lavarão as mãos e os pés para que não morram. Será para eles um estatuto perpétuo, para ele e para sua descendência, por suas gerações”.
30:22 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
30:23 “Pegue especiarias escolhidas: cerca de seis quilos de mirra líquida; a metade disso, cerca de três quilos de canela aromática; cerca de três quilos de cálamo aromático;
30:24 cerca de seis quilos de cássia, segundo o peso do siclo do santuário, e cerca de quatro litros de azeite de oliva.
30:25 Com isso faça um óleo sagrado da unção, uma mistura de perfumes preparada segundo a arte do perfumista. Será óleo sagrado da unção.
30:26 Com ele unja a tenda do encontro e a arca do Testemunho,
30:27 a mesa e todos os seus utensílios, o candelabro e seus utensílios, o altar do incenso,
30:28 o altar do holocausto e todos os seus utensílios, a bacia e sua base.
30:29 Consagre-os, e serão santíssimos. Tudo o que tocar neles será santo.
30:30 Unja Arão e seus filhos e os consagre para me servirem como sacerdotes.
30:31 Diga aos filhos de Israel: ‘Este será para mim o óleo sagrado da unção, pelas gerações de vocês.
30:32 Não será derramado sobre corpo humano, nem vocês farão outro semelhante, segundo sua composição. É santo e será santo para vocês.
30:33 Quem preparar outro semelhante ou aplicar parte dele a uma pessoa de fora será eliminado de seu povo’”.
30:34 O SENHOR disse a Moisés: “Pegue especiarias aromáticas: estoraque, ônica e gálbano; essas especiarias e incenso puro, em partes iguais.
30:35 Faça com isso um incenso, um perfume preparado segundo a arte do perfumista, temperado com sal, puro e santo.
30:36 Moa parte dele até virar pó fino e ponha parte diante do Testemunho, na tenda do encontro, onde me encontrarei com você. Será santíssimo para vocês.
30:37 Quanto ao incenso que você fará, não façam outro para vocês com a mesma composição. Você o terá por santo para o SENHOR.
30:38 Quem fizer outro semelhante para sentir seu aroma será eliminado de seu povo”.

Capítulo 31
31:1 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
31:2 “Veja, chamei pelo nome Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá.
31:3 Eu o enchi do Espírito de Deus, com sabedoria, entendimento e conhecimento para todo tipo de trabalho,
31:4 para conceber projetos e trabalhar em ouro, prata e cobre,
31:5 para talhar pedras de engaste e trabalhar a madeira, realizando todo tipo de trabalho.
31:6 Eu pus ao lado dele Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã. Pus sabedoria no coração de todos os sábios de coração, para que façam tudo o que ordenei a você:
31:7 a tenda do encontro, a arca do Testemunho, o propiciatório que fica sobre ela e todos os utensílios da tenda;
31:8 a mesa e seus utensílios, o candelabro puro e todos os seus utensílios, o altar do incenso;
31:9 o altar do holocausto e todos os seus utensílios, a bacia e sua base;
31:10 as vestes de serviço, as vestes sagradas do sacerdote Arão e as vestes de seus filhos, para exercerem o sacerdócio;
31:11 o óleo da unção e o incenso aromático para o santuário. Farão tudo conforme ordenei a você”.
31:12 O SENHOR disse a Moisés:
31:13 “Diga aos filhos de Israel: ‘Guardem, sem falta, meus sábados, pois isso é um sinal entre mim e vocês, pelas gerações de vocês, para que saibam que eu sou o SENHOR, aquele que os santifica.
31:14 Guardem o sábado, pois é santo para vocês. Quem o profanar será morto; qualquer um que fizer nele algum trabalho será eliminado do meio de seu povo.
31:15 Durante seis dias se poderá trabalhar, mas o sétimo dia será um sábado de descanso solene, santo para o SENHOR. Quem fizer algum trabalho no dia de sábado será morto.
31:16 Os filhos de Israel guardarão o sábado, celebrando o sábado por suas gerações, como aliança perpétua.
31:17 Será um sinal para sempre entre mim e os filhos de Israel, pois em seis dias o SENHOR fez os céus e a terra e, no sétimo dia, descansou e tomou alento’”.
31:18 Quando terminou de falar com Moisés no monte Sinai, deu-lhe as duas tábuas do Testemunho, tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus.

Capítulo 32
32:1 Quando o povo viu que Moisés demorava a descer do monte, reuniu-se em torno de Arão e lhe disse: “Levante-se e faça para nós deuses que vão à nossa frente, pois não sabemos o que aconteceu com esse Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito”.
32:2 Arão lhes disse: “Tirem os brincos de ouro que estão nas orelhas de suas mulheres, de seus filhos e de suas filhas e tragam-nos a mim”.
32:3 Todo o povo tirou os brincos de ouro que estavam em suas orelhas e os levou a Arão.
32:4 Ele recebeu o ouro das mãos deles, trabalhou-o com um buril e fez dele um bezerro de metal fundido. Então disseram: “Estes são os seus deuses, ó Israel, que o tiraram da terra do Egito!”.
32:5 Ao ver isso, Arão construiu um altar diante do bezerro e anunciou: “Amanhã haverá uma festa para o SENHOR”.
32:6 No dia seguinte, levantaram-se de manhã cedo, ofereceram holocaustos e apresentaram ofertas de paz. O povo se sentou para comer e beber, depois se levantou para se divertir.
32:7 O SENHOR disse a Moisés: “Vá, desça, pois seu povo, que você tirou da terra do Egito, se corrompeu.
32:8 Depressa se desviaram do caminho que lhes ordenei. Fizeram para si um bezerro de metal fundido, curvaram-se diante dele e lhe ofereceram sacrifícios, dizendo: ‘Estes são os seus deuses, ó Israel, que o tiraram da terra do Egito!’”.
32:9 O SENHOR disse a Moisés: “Tenho visto este povo, e é um povo de dura cerviz.
32:10 Agora me deixe, para que minha ira se acenda contra eles e eu os consuma. E farei de você uma grande nação”.
32:11 Moisés, porém, buscou o favor do SENHOR, seu Deus, e disse: “SENHOR, por que se acende tua ira contra teu povo, que tiraste da terra do Egito com grande poder e mão forte?
32:12 Por que os egípcios diriam: ‘Com má intenção ele os tirou, para matá-los nos montes e exterminá-los da face da terra’? Afasta o ardor da tua ira e desiste de trazer esta calamidade sobre teu povo.
32:13 Lembra-te de Abraão, de Isaque e de Israel, teus servos, a quem juraste por ti mesmo e disseste: ‘Multiplicarei a descendência de vocês como as estrelas dos céus. Darei aos seus descendentes toda esta terra de que falei, e eles a possuirão por herança para sempre’”.
32:14 Então o SENHOR desistiu da calamidade que havia dito que traria sobre seu povo.
32:15 Moisés se voltou e desceu do monte com as duas tábuas do Testemunho na mão. As tábuas estavam escritas dos dois lados; de um lado e do outro estavam escritas.
32:16 As tábuas eram obra de Deus, e a escrita era escrita de Deus, gravada nas tábuas.
32:17 Quando Josué ouviu o barulho do povo que gritava, disse a Moisés: “Há barulho de guerra no acampamento”.
32:18 Ele respondeu: “Não são gritos de vitória nem gritos de derrota; o que ouço é som de cantos”.
32:19 Quando se aproximou do acampamento e viu o bezerro e as danças, a ira de Moisés se acendeu. Ele arremessou as tábuas de sua mão e as despedaçou ao pé do monte.
32:20 Pegou o bezerro que haviam feito, queimou-o no fogo e o moeu até reduzi-lo a pó. Espalhou-o sobre a água e a fez beber aos filhos de Israel.
32:21 Moisés disse a Arão: “O que este povo fez a você, para que você tenha trazido sobre ele um pecado tão grande?”.
32:22 Arão respondeu: “Não se acenda a ira do meu senhor. Você conhece o povo e sabe que é inclinado ao mal.
32:23 Eles me disseram: ‘Faça para nós deuses que vão à nossa frente, pois não sabemos o que aconteceu com esse Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito’.
32:24 Eu lhes disse: ‘Quem tiver ouro, tire-o’. Eles me deram o ouro, eu o lancei no fogo, e saiu este bezerro”.
32:25 Moisés viu que o povo estava desenfreado, pois Arão o havia deixado sem controle, para vergonha diante de seus adversários.
32:26 Moisés se pôs à entrada do acampamento e disse: “Quem está do lado do SENHOR, venha a mim!”. Todos os filhos de Levi se reuniram a ele.
32:27 Ele lhes disse: “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: ‘Ponha cada um sua espada junto à coxa. Vão e voltem pelo acampamento, de entrada em entrada, e mate cada um seu irmão, seu amigo e seu parente’”.
32:28 Os filhos de Levi fizeram conforme a palavra de Moisés, e naquele dia caíram cerca de três mil homens do povo.
32:29 Moisés disse: “Consagrem-se hoje ao SENHOR, pois cada um se pôs contra seu filho e seu irmão, para que hoje lhes seja concedida uma bênção”.
32:30 No dia seguinte, Moisés disse ao povo: “Vocês cometeram um grande pecado. Agora subirei ao SENHOR; talvez eu possa fazer expiação pelo pecado de vocês”.
32:31 Moisés voltou ao SENHOR e disse: “Ah! Este povo cometeu um grande pecado: fez para si deuses de ouro.
32:32 Agora, se perdoasses o pecado deles... Mas, se não, apaga-me, peço-te, do teu livro que escreveste”.
32:33 O SENHOR disse a Moisés: “Quem pecou contra mim, esse apagarei de meu livro.
32:34 Agora vá, conduza o povo para onde falei a você. Meu anjo irá à sua frente. Mas, no dia em que eu castigar, eu os castigarei por seu pecado”.
32:35 O SENHOR feriu o povo por terem feito o bezerro que Arão havia feito.

Capítulo 33
33:1 O SENHOR disse a Moisés: “Saia daqui e suba, você e o povo que você tirou da terra do Egito, para a terra que jurei a Abraão, a Isaque e a Jacó, dizendo: ‘Eu a darei à sua descendência’.
33:2 Enviarei um anjo à sua frente e expulsarei os cananeus, os amorreus, os heteus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus.
33:3 Suba para uma terra que mana leite e mel. Mas eu não subirei no meio de vocês, pois vocês são um povo de dura cerviz, para que eu não os consuma no caminho”.
33:4 Quando o povo ouviu essa má notícia, pôs-se de luto, e ninguém pôs seus adornos.
33:5 O SENHOR havia dito a Moisés: “Diga aos filhos de Israel: ‘Vocês são um povo de dura cerviz. Se eu subisse no meio de vocês por um só momento, eu os consumiria. Agora tirem seus adornos, para que eu saiba o que farei com vocês’”.
33:6 Desde o monte Horebe, os filhos de Israel deixaram de usar seus adornos.
33:7 Moisés costumava pegar a tenda e armá-la para si fora do acampamento, longe do acampamento. Chamava-a tenda do encontro. Todo aquele que buscava o SENHOR saía para a tenda do encontro, que estava fora do acampamento.
33:8 Quando Moisés saía para a tenda, todo o povo se levantava e ficava de pé, cada um à entrada de sua tenda, e acompanhava Moisés com o olhar até ele entrar na tenda.
33:9 Quando Moisés entrava na tenda, a coluna de nuvem descia e ficava à entrada da tenda, e o SENHOR falava com Moisés.
33:10 Todo o povo via a coluna de nuvem à entrada da tenda. Então todo o povo se levantava e se prostrava, cada um à entrada de sua tenda.
33:11 O SENHOR falava com Moisés face a face, como um homem fala com seu amigo. Depois Moisés voltava ao acampamento, mas seu jovem auxiliar, Josué, filho de Num, não se afastava da tenda.
33:12 Moisés disse ao SENHOR: “Tu me dizes: ‘Faça este povo subir’, mas não me deste a conhecer quem enviarás comigo. Contudo, disseste: ‘Conheço você pelo nome, e você também achou graça aos meus olhos’.
33:13 Agora, se achei graça aos teus olhos, peço-te que me dês a conhecer teu caminho, para que eu te conheça e ache graça aos teus olhos. Considera que esta nação é teu povo”.
33:14 Ele respondeu: “Minha presença irá, e darei descanso a você”.
33:15 Moisés lhe disse: “Se tua presença não for, não nos faças subir daqui.
33:16 Como se saberá que achamos graça aos teus olhos, eu e teu povo? Não é por andares conosco? Assim seremos distinguidos, eu e teu povo, de todos os povos sobre a face da terra”.
33:17 O SENHOR disse a Moisés: “Também farei isso que você pediu, pois você achou graça aos meus olhos, e eu o conheço pelo nome”.
33:18 Ele disse: “Mostra-me, peço-te, tua glória”.
33:19 Ele respondeu: “Farei passar toda a minha bondade diante de você e proclamarei o nome do SENHOR diante de você. Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem eu me compadecer”.
33:20 E disse: “Você não poderá ver minha face, pois nenhum ser humano pode me ver e continuar vivo”.
33:21 O SENHOR disse: “Há aqui um lugar junto a mim; ponha-se sobre a rocha.
33:22 Quando minha glória passar, porei você numa fenda da rocha e o cobrirei com minha mão até que eu tenha passado.
33:23 Depois retirarei minha mão, e você verá minhas costas; mas minha face não será vista”.

Capítulo 34
34:1 O SENHOR disse a Moisés: “Talhe duas tábuas de pedra como as primeiras. Eu escreverei nas tábuas as palavras que estavam nas primeiras tábuas, que você quebrou.
34:2 Esteja pronto pela manhã; suba pela manhã ao monte Sinai e apresente-se a mim ali, no alto do monte.
34:3 Ninguém subirá com você, e ninguém será visto em todo o monte. Nem ovelhas, nem cabras, nem bois pastarão diante daquele monte”.
34:4 Ele talhou duas tábuas de pedra como as primeiras. Moisés se levantou de manhã cedo e subiu ao monte Sinai, como o SENHOR lhe havia ordenado, levando na mão as duas tábuas de pedra.
34:5 O SENHOR desceu na nuvem, pôs-se ali junto dele e proclamou o nome do SENHOR.
34:6 O SENHOR passou diante dele e proclamou: “SENHOR, SENHOR, Deus compassivo e misericordioso, tardio em irar-se e abundante em amor leal e verdade,
34:7 que mantém amor leal a milhares, que perdoa a iniquidade, a rebelião e o pecado, mas de modo algum tem por inocente o culpado; que castiga a iniquidade dos pais nos filhos e nos filhos dos filhos, até a terceira e a quarta geração”.
34:8 Moisés se apressou, inclinou-se até o chão e se prostrou.
34:9 E disse: “Senhor, se achei graça aos teus olhos, peço que o Senhor vá no meio de nós, pois este é um povo de dura cerviz. Perdoa nossa iniquidade e nosso pecado e toma-nos por tua herança”.
34:10 Ele disse: “Eis que faço uma aliança. Diante de todo o seu povo farei maravilhas como nunca se fizeram em toda a terra nem em nação alguma. Todo o povo em cujo meio você está verá a obra do SENHOR, pois é temível o que farei com você.
34:11 Guarde o que ordeno a você hoje. Expulsarei de sua presença os amorreus, os cananeus, os heteus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus.
34:12 Tenha o cuidado de não fazer aliança com os moradores da terra em que você vai entrar, para que isso não se torne uma armadilha em seu meio.
34:13 Derrubem os altares deles, quebrem suas colunas e cortem seus postes de Aserá.
34:14 Não se curve diante de outro deus, pois o nome do SENHOR é Zeloso; ele é Deus zeloso.
34:15 Tenha o cuidado de não fazer aliança com os moradores da terra, pois eles se prostituem seguindo seus deuses e oferecem sacrifícios a seus deuses. Se algum deles convidar você, você acabará comendo do sacrifício dele.
34:16 Se você tomar as filhas deles como esposas para seus filhos, elas se prostituirão seguindo seus deuses e farão seus filhos se prostituírem seguindo os deuses delas.
34:17 Não faça para você deuses de metal fundido.
34:18 Guarde a Festa dos Pães sem Fermento. Durante sete dias, coma pães sem fermento, como ordenei a você, no tempo determinado do mês de abibe, pois foi no mês de abibe que você saiu do Egito.
34:19 Tudo o que abre o ventre é meu; também todos os primogênitos machos de seus rebanhos, tanto dos bois como das ovelhas e cabras.
34:20 Resgate o jumento primogênito com um cordeiro ou um cabrito; se não o resgatar, quebre-lhe o pescoço. Resgate todos os primogênitos de seus filhos. Ninguém se apresentará diante de mim de mãos vazias.
34:21 Trabalhe durante seis dias, mas no sétimo dia descanse. Descanse mesmo na época de arar e de ceifar.
34:22 Celebre a Festa das Semanas, com as primícias da ceifa do trigo, e a Festa da Colheita, no fim do ano.
34:23 Três vezes por ano, todos os seus homens se apresentarão diante do Senhor DEUS, o Deus de Israel.
34:24 Pois expulsarei nações de sua presença e ampliarei seu território. Ninguém cobiçará sua terra quando você subir para se apresentar diante do SENHOR, seu Deus, três vezes por ano.
34:25 Não ofereça o sangue do meu sacrifício com pão fermentado, nem deixe o sacrifício da Festa da Páscoa até a manhã seguinte.
34:26 Leve à casa do SENHOR, seu Deus, o melhor das primícias de sua terra. Não cozinhe um cabrito no leite de sua mãe”.
34:27 O SENHOR disse a Moisés: “Escreva estas palavras, pois conforme estas palavras fiz uma aliança com você e com Israel”.
34:28 Ele esteve ali com o SENHOR quarenta dias e quarenta noites. Não comeu pão nem bebeu água. E escreveu nas tábuas as palavras da aliança, os dez mandamentos.
34:29 Quando Moisés desceu do monte Sinai, trazia as duas tábuas do Testemunho na mão. Ao descer do monte, Moisés não sabia que a pele de seu rosto resplandecia por ter falado com ele.
34:30 Arão e todos os filhos de Israel viram Moisés, e a pele de seu rosto resplandecia. Por isso tiveram medo de se aproximar dele.
34:31 Moisés os chamou, e Arão e todos os chefes da comunidade voltaram a ele. Então Moisés falou com eles.
34:32 Depois se aproximaram todos os filhos de Israel, e ele lhes ordenou tudo o que o SENHOR lhe havia falado no monte Sinai.
34:33 Quando terminou de falar com eles, Moisés pôs um véu sobre seu rosto.
34:34 Sempre que Moisés entrava diante do SENHOR para falar com ele, tirava o véu até sair. Ao sair, comunicava aos filhos de Israel o que lhe havia sido ordenado.
34:35 Os filhos de Israel viam o rosto de Moisés, cuja pele resplandecia. Moisés voltava a pôr o véu sobre seu rosto, até entrar para falar com ele.

Capítulo 35
35:1 Moisés reuniu toda a comunidade dos filhos de Israel e lhes disse: “Estas são as coisas que o SENHOR ordenou que se façam:
35:2 Durante seis dias se poderá trabalhar, mas o sétimo dia será santo para vocês, um sábado de descanso solene para o SENHOR. Quem fizer algum trabalho nele será morto.
35:3 Não acendam fogo em nenhuma de suas moradas no dia de sábado”.
35:4 Moisés disse a toda a comunidade dos filhos de Israel: “Esta é a ordem do SENHOR:
35:5 Recolham dentre vocês uma oferta para o SENHOR. Todo aquele que tiver coração disposto trará a oferta ao SENHOR: ouro, prata e cobre;
35:6 fios nas cores azul, púrpura e escarlate, linho fino e pelos de cabra;
35:7 peles de carneiro tingidas de vermelho, couro fino e madeira de acácia;
35:8 azeite para a iluminação, especiarias para o óleo da unção e para o incenso aromático;
35:9 pedras de ônix e pedras para engastar no éfode e no peitoral.
35:10 Todos os sábios de coração entre vocês venham e façam tudo o que o SENHOR ordenou:
35:11 o tabernáculo, sua tenda, sua cobertura, seus colchetes, suas tábuas, suas travessas, suas colunas e suas bases;
35:12 a arca e suas varas, o propiciatório e o véu de separação;
35:13 a mesa e suas varas, todos os seus utensílios e o pão da Presença;
35:14 o candelabro da iluminação, seus utensílios, suas lâmpadas e o azeite para a iluminação;
35:15 o altar do incenso e suas varas, o óleo da unção, o incenso aromático e a cortina da entrada do tabernáculo;
35:16 o altar do holocausto e sua grelha de cobre, suas varas e todos os seus utensílios, a bacia e sua base;
35:17 as cortinas do pátio, suas colunas, suas bases e a cortina da entrada do pátio;
35:18 as estacas do tabernáculo, as estacas do pátio e suas cordas;
35:19 as vestes de serviço para ministrar no santuário, as vestes sagradas do sacerdote Arão e as vestes de seus filhos, para exercerem o sacerdócio”.
35:20 Toda a comunidade dos filhos de Israel saiu da presença de Moisés.
35:21 Vieram todos aqueles cujo coração os moveu e todos aqueles cujo espírito estava disposto. Trouxeram a oferta ao SENHOR para a obra da tenda do encontro, para todo o seu serviço e para as vestes sagradas.
35:22 Vieram homens junto com mulheres, todos de coração disposto. Trouxeram broches, pendentes, anéis e braceletes, toda espécie de objetos de ouro. Todos os que apresentavam uma oferta movida de ouro a traziam ao SENHOR.
35:23 Todos os que tinham fios nas cores azul, púrpura e escarlate, linho fino, pelos de cabra, peles de carneiro tingidas de vermelho ou couro fino os trouxeram.
35:24 Todos os que contribuíam com prata ou cobre traziam a oferta ao SENHOR, e todos os que tinham madeira de acácia para qualquer trabalho da obra a trouxeram.
35:25 Todas as mulheres sábias de coração fiaram com suas mãos e trouxeram o que haviam fiado: fios nas cores azul, púrpura e escarlate e linho fino.
35:26 Todas as mulheres habilidosas cujo coração as moveu fiaram pelos de cabra.
35:27 Os chefes trouxeram as pedras de ônix e as pedras para engastar no éfode e no peitoral,
35:28 as especiarias e o azeite para a iluminação, para o óleo da unção e para o incenso aromático.
35:29 Os filhos de Israel trouxeram uma oferta voluntária ao SENHOR: todo homem e toda mulher cujo coração os moveu a contribuir para toda a obra que o SENHOR havia ordenado fazer por meio de Moisés.
35:30 Moisés disse aos filhos de Israel: “Vejam, o SENHOR chamou pelo nome Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá.
35:31 Ele o encheu do Espírito de Deus, com sabedoria, entendimento e conhecimento para todo tipo de trabalho,
35:32 para conceber projetos e trabalhar em ouro, prata e cobre,
35:33 para talhar pedras de engaste e trabalhar a madeira, realizando todo tipo de trabalho planejado.
35:34 Pôs no coração dele e no de Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, a capacidade de ensinar.
35:35 Encheu-os de sabedoria de coração para realizar todo trabalho de artesão, de desenhista, de bordador em fios nas cores azul, púrpura e escarlate e em linho fino, e de tecelão, para realizar toda espécie de trabalho e conceber projetos”.

Capítulo 36
36:1 “Bezalel, Aoliabe e todos os sábios de coração a quem o SENHOR deu sabedoria e entendimento para saberem realizar toda a obra do serviço do santuário farão tudo conforme o SENHOR ordenou”.
36:2 Moisés chamou Bezalel, Aoliabe e todos os sábios de coração em cujo coração o SENHOR havia posto sabedoria, todos aqueles cujo coração os moveu a se aproximar da obra para realizá-la.
36:3 Receberam de Moisés toda a oferta que os filhos de Israel haviam trazido para realizar a obra do serviço do santuário. O povo, porém, continuava a levar-lhe ofertas voluntárias todas as manhãs.
36:4 Então vieram todos os sábios que realizavam toda a obra do santuário, cada um deixando o trabalho que fazia,
36:5 e disseram a Moisés: “O povo traz muito mais do que é necessário para realizar a obra que o SENHOR ordenou”.
36:6 Moisés deu uma ordem, e fizeram passar pelo acampamento este anúncio: “Nenhum homem nem mulher prepare mais nada como oferta para o santuário”. Assim o povo foi impedido de trazer mais.
36:7 O material era suficiente para realizar toda a obra, e ainda sobrava.
36:8 Todos os sábios de coração que trabalhavam na obra fizeram o tabernáculo com dez cortinas de linho fino de fios retorcidos e de fios nas cores azul, púrpura e escarlate. As cortinas foram feitas com querubins, obra de um artesão habilidoso.
36:9 Cada cortina media cerca de doze metros e noventa centímetros de comprimento e um metro e oitenta centímetros de largura. Todas as cortinas tinham a mesma medida.
36:10 Uniu cinco cortinas umas às outras e também uniu as outras cinco cortinas umas às outras.
36:11 Fez laçadas azuis na borda da cortina da extremidade de um conjunto. Fez o mesmo na borda da cortina da extremidade do segundo conjunto.
36:12 Fez cinquenta laçadas numa cortina e cinquenta laçadas na extremidade da cortina do segundo conjunto. As laçadas ficavam umas em frente às outras.
36:13 Fez cinquenta colchetes de ouro e uniu com os colchetes as cortinas umas às outras, de modo que o tabernáculo formava uma só unidade.
36:14 Fez cortinas de pelos de cabra para a tenda sobre o tabernáculo. Fez onze cortinas.
36:15 Cada cortina media cerca de treze metros e oitenta centímetros de comprimento e um metro e oitenta centímetros de largura. As onze cortinas tinham a mesma medida.
36:16 Uniu cinco cortinas num conjunto e as seis cortinas num conjunto separado.
36:17 Fez cinquenta laçadas na borda da cortina da extremidade de um conjunto e cinquenta laçadas na borda da cortina do segundo conjunto.
36:18 Fez cinquenta colchetes de cobre para unir a tenda, de modo que formasse uma só unidade.
36:19 Fez para a tenda uma cobertura de peles de carneiro tingidas de vermelho e, por cima, uma cobertura de couro fino.
36:20 Fez as tábuas do tabernáculo de madeira de acácia, colocadas em pé.
36:21 Cada tábua media cerca de quatro metros e sessenta centímetros de comprimento e sessenta e nove centímetros de largura.
36:22 Cada tábua tinha duas espigas correspondentes uma à outra. Assim fez todas as tábuas do tabernáculo.
36:23 Fez vinte tábuas para o lado sul do tabernáculo.
36:24 Fez quarenta bases de prata debaixo das vinte tábuas: duas bases debaixo de uma tábua para suas duas espigas e duas bases debaixo de outra tábua para suas duas espigas.
36:25 Para o segundo lado do tabernáculo, voltado para o norte, fez vinte tábuas,
36:26 com suas quarenta bases de prata: duas bases debaixo de uma tábua e duas bases debaixo de outra tábua.
36:27 Para a parte de trás do tabernáculo, voltada para o oeste, fez seis tábuas.
36:28 Fez duas tábuas para os cantos da parte de trás do tabernáculo.
36:29 Ficavam emparelhadas embaixo e unidas em cima, numa só argola. Assim fez as duas, para os dois cantos.
36:30 Eram oito tábuas com suas bases de prata, dezesseis bases, duas bases debaixo de cada tábua.
36:31 Fez travessas de madeira de acácia: cinco para as tábuas de um lado do tabernáculo,
36:32 cinco travessas para as tábuas do segundo lado do tabernáculo e cinco travessas para as tábuas da parte de trás do tabernáculo, voltada para o oeste.
36:33 Fez a travessa central passar pelo meio das tábuas, de uma extremidade à outra.
36:34 Revestiu de ouro as tábuas e fez suas argolas de ouro, para receber as travessas. Revestiu também de ouro as travessas.
36:35 Fez o véu de fios nas cores azul, púrpura e escarlate e de linho fino de fios retorcidos. Fez o véu com querubins, obra de um artesão habilidoso.
36:36 Fez para ele quatro colunas de acácia e as revestiu de ouro. Seus ganchos eram de ouro; fundiu para elas quatro bases de prata.
36:37 Fez uma cortina para a entrada da tenda, de fios nas cores azul, púrpura e escarlate e de linho fino de fios retorcidos, obra de bordador,
36:38 e suas cinco colunas e seus ganchos. Revestiu de ouro seus capitéis e suas abraçadeiras; suas cinco bases eram de cobre.

Capítulo 37
37:1 Bezalel fez a arca de madeira de acácia. Ela media cerca de 1,15 metro de comprimento, 69 centímetros de largura e 69 centímetros de altura.
37:2 Revestiu-a de ouro puro por dentro e por fora e fez uma moldura de ouro ao redor dela.
37:3 Fundiu para ela quatro argolas de ouro, para seus quatro pés: duas argolas de um lado e duas do outro.
37:4 Fez varas de madeira de acácia e as revestiu de ouro.
37:5 Passou as varas pelas argolas nos lados da arca, para transportar a arca.
37:6 Fez o propiciatório de ouro puro. Ele media cerca de 1,15 metro de comprimento e 69 centímetros de largura.
37:7 Fez dois querubins de ouro, trabalhados a martelo, nas duas extremidades do propiciatório.
37:8 Um querubim ficava em uma extremidade e o outro, na outra. Fez os querubins de uma só peça com o propiciatório, em suas duas extremidades.
37:9 Os querubins tinham as asas estendidas para cima, cobrindo o propiciatório com elas. Seus rostos estavam voltados um para o outro; os rostos dos querubins olhavam para o propiciatório.
37:10 Fez a mesa de madeira de acácia. Ela media cerca de 92 centímetros de comprimento, 46 centímetros de largura e 69 centímetros de altura.
37:11 Revestiu-a de ouro puro e fez uma moldura de ouro ao redor dela.
37:12 Fez uma borda de cerca de 8 centímetros de largura ao redor da mesa e uma moldura de ouro ao redor dessa borda.
37:13 Fundiu para ela quatro argolas de ouro e pôs as argolas nas quatro quinas, junto aos quatro pés.
37:14 As argolas ficavam junto à borda e serviam de suportes para as varas com que se transportava a mesa.
37:15 Fez as varas de madeira de acácia e as revestiu de ouro, para transportar a mesa.
37:16 Fez de ouro puro os utensílios que ficavam sobre a mesa: seus pratos, suas conchas, suas tigelas e seus jarros para derramar as libações.
37:17 Fez o candelabro de ouro puro. Fez o candelabro trabalhado a martelo; sua base, sua haste, seus cálices, seus botões e suas flores formavam uma só peça com ele.
37:18 De seus lados saíam seis braços: três braços do candelabro de um lado e três do outro.
37:19 Em um braço havia três cálices em forma de amêndoa, com um botão e uma flor; em outro braço havia três cálices em forma de amêndoa, com um botão e uma flor. Assim eram os seis braços que saíam do candelabro.
37:20 Na haste do candelabro havia quatro cálices em forma de amêndoa, com seus botões e suas flores.
37:21 Havia um botão debaixo de dois braços que saíam dele, outro botão debaixo de outros dois braços que saíam dele e outro botão debaixo dos dois braços restantes que saíam dele. Assim era nos seis braços que saíam do candelabro.
37:22 Seus botões e seus braços formavam uma só peça com ele; tudo era uma só peça de ouro puro trabalhada a martelo.
37:23 Fez suas sete lâmpadas, suas pinças e suas bandejas de ouro puro.
37:24 Fez o candelabro e todos os seus utensílios com cerca de 34 quilos de ouro puro.
37:25 Fez o altar do incenso de madeira de acácia. Era quadrado, com cerca de 46 centímetros de comprimento, 46 centímetros de largura e 92 centímetros de altura. Seus chifres formavam uma só peça com ele.
37:26 Revestiu-o de ouro puro: a parte superior, as paredes ao redor e os chifres. Fez também uma moldura de ouro ao redor dele.
37:27 Fez-lhe duas argolas de ouro abaixo da moldura, em seus dois lados, de um lado e do outro, como suportes para as varas com que seria transportado.
37:28 Fez as varas de madeira de acácia e as revestiu de ouro.
37:29 Fez o óleo sagrado da unção e o incenso aromático puro, obra de perfumista.

Capítulo 38
38:1 Fez o altar do holocausto de madeira de acácia. Era quadrado, com cerca de 2,30 metros de comprimento, 2,30 metros de largura e 1,40 metro de altura.
38:2 Fez seus chifres nos quatro cantos; os chifres formavam uma só peça com o altar. Revestiu-o de cobre.
38:3 Fez todos os utensílios do altar: os recipientes, as pás, as bacias, os garfos e os braseiros. Fez de cobre todos os seus utensílios.
38:4 Fez para o altar uma grelha de cobre em forma de rede, abaixo de sua borda, até a metade do altar.
38:5 Fundiu quatro argolas para as quatro extremidades da grelha de cobre, como suportes para as varas.
38:6 Fez as varas de madeira de acácia e as revestiu de cobre.
38:7 Passou as varas pelas argolas nos lados do altar, para transportá-lo com elas. Fez o altar oco, de tábuas.
38:8 Fez a bacia de cobre e sua base de cobre com os espelhos das mulheres que serviam à entrada da tenda do encontro.
38:9 Fez o pátio. No lado sul, as cortinas do pátio eram de linho fino de fios retorcidos e mediam cerca de 46 metros.
38:10 Havia vinte colunas e vinte bases de cobre. Os ganchos das colunas e suas abraçadeiras eram de prata.
38:11 No lado norte, as cortinas mediam cerca de 46 metros, com vinte colunas e vinte bases de cobre. Os ganchos das colunas e suas abraçadeiras eram de prata.
38:12 No lado oeste, as cortinas mediam cerca de 23 metros, com dez colunas e dez bases. Os ganchos das colunas e suas abraçadeiras eram de prata.
38:13 O lado leste, voltado para o nascer do sol, media cerca de 23 metros.
38:14 De um lado da entrada havia cortinas de cerca de 6,90 metros, com três colunas e três bases.
38:15 Do outro lado também havia cortinas de cerca de 6,90 metros, com três colunas e três bases. Assim era de um lado e do outro da entrada do pátio.
38:16 Todas as cortinas ao redor do pátio eram de linho fino de fios retorcidos.
38:17 As bases das colunas eram de cobre, e seus ganchos e abraçadeiras eram de prata. Seus capitéis estavam revestidos de prata; todas as colunas do pátio tinham abraçadeiras de prata.
38:18 A cortina da entrada do pátio era obra de bordador, feita com fios nas cores azul, púrpura e escarlate e com linho fino de fios retorcidos. Media cerca de 9,20 metros de comprimento e 2,30 metros de altura, na largura do tecido, à mesma altura das cortinas do pátio.
38:19 Havia quatro colunas e quatro bases de cobre. Seus ganchos eram de prata, e o revestimento de seus capitéis e suas abraçadeiras eram de prata.
38:20 Todas as estacas do tabernáculo e do pátio ao redor eram de cobre.
38:21 Estas são as contas do tabernáculo, o tabernáculo do Testemunho, feitas por ordem de Moisés. Esse foi um trabalho dos levitas sob a direção de Itamar, filho do sacerdote Arão.
38:22 Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, da tribo de Judá, fez tudo o que o SENHOR havia ordenado a Moisés.
38:23 Com ele estava Aoliabe, filho de Aisamaque, da tribo de Dã, artesão, desenhista e bordador em fios nas cores azul, púrpura e escarlate e em linho fino.
38:24 Todo o ouro empregado na obra, em todo o trabalho do santuário, o ouro da oferta movida, somava cerca de 994 quilos, pelo peso do siclo do santuário.
38:25 A prata dos alistados da comunidade somava cerca de 3.420 quilos, pelo peso do siclo do santuário.
38:26 Era um becá por pessoa, isto é, meio siclo, pelo peso do siclo do santuário, cerca de 6 gramas de prata, de cada um dos alistados de vinte anos para cima: 603.550 pessoas.
38:27 Cerca de 3.400 quilos de prata foram usados para fundir as bases do santuário e as bases do véu: cem bases com esses 3.400 quilos, cerca de 34 quilos por base.
38:28 Com os cerca de 20 quilos restantes, fez os ganchos das colunas, revestiu seus capitéis e lhes pôs abraçadeiras.
38:29 O cobre da oferta movida somava cerca de 2.407 quilos.
38:30 Com ele fez as bases da entrada da tenda do encontro, o altar de cobre, sua grelha de cobre e todos os utensílios do altar;
38:31 as bases ao redor do pátio, as bases da entrada do pátio, todas as estacas do tabernáculo e todas as estacas ao redor do pátio.

Capítulo 39
39:1 Com fios nas cores azul, púrpura e escarlate fizeram vestes de serviço para ministrar no santuário. Fizeram também as vestes sagradas de Arão, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
39:2 Fez o éfode de ouro, fios nas cores azul, púrpura e escarlate e linho fino de fios retorcidos.
39:3 Bateram as lâminas de ouro, e ele as cortou em fios para entretecê-los com os fios nas cores azul, púrpura e escarlate e com o linho fino, obra de um artesão habilidoso.
39:4 Fizeram para ele ombreiras que se uniam; o éfode ficou unido em suas duas extremidades.
39:5 O cinto do éfode que ficava sobre ele formava uma só peça com ele e tinha o mesmo trabalho: ouro, fios nas cores azul, púrpura e escarlate e linho fino de fios retorcidos, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
39:6 Prepararam as pedras de ônix, montadas em engastes de ouro e gravadas como se grava um selo, com os nomes dos filhos de Israel.
39:7 Pôs essas pedras nas ombreiras do éfode como pedras de memória para os filhos de Israel, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
39:8 Fez o peitoral, obra de um artesão habilidoso, com o mesmo trabalho do éfode: ouro, fios nas cores azul, púrpura e escarlate e linho fino de fios retorcidos.
39:9 Era quadrado; fizeram o peitoral dobrado. Dobrado, media cerca de 23 centímetros de comprimento e 23 centímetros de largura.
39:10 Engastaram nele quatro fileiras de pedras: a primeira fileira era de cornalina, topázio e esmeralda;
39:11 a segunda fileira, de turquesa, safira e diamante;
39:12 a terceira fileira, de jacinto, ágata e ametista;
39:13 e a quarta fileira, de berilo, ônix e jaspe. Estavam montadas em seus engastes de ouro.
39:14 As pedras correspondiam aos nomes dos filhos de Israel; eram doze, segundo seus nomes. Estavam gravadas como se grava um selo, cada uma com o nome correspondente, para as doze tribos.
39:15 Fizeram para o peitoral correntes de ouro puro, trançadas em forma de cordão.
39:16 Fizeram dois engastes de ouro e duas argolas de ouro e puseram as duas argolas nas duas extremidades do peitoral.
39:17 Prenderam os dois cordões de ouro às duas argolas nas extremidades do peitoral.
39:18 Prenderam as duas pontas dos dois cordões aos dois engastes e os puseram nas ombreiras do éfode, na parte da frente.
39:19 Fizeram duas argolas de ouro e as puseram nas duas extremidades do peitoral, na borda interior, voltada para o éfode.
39:20 Fizeram duas argolas de ouro e as puseram na parte inferior das duas ombreiras do éfode, na frente, junto à sua união, acima do cinto do éfode.
39:21 Amarraram as argolas do peitoral às argolas do éfode com um cordão azul, para que o peitoral ficasse sobre o cinto do éfode e não se separasse dele, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
39:22 Fez o manto do éfode, obra de tecelão, inteiramente azul.
39:23 A abertura do manto ficava no centro, como a abertura de uma couraça. Havia uma borda ao redor da abertura para que não se rasgasse.
39:24 Na borda do manto fizeram romãs de fios retorcidos nas cores azul, púrpura e escarlate.
39:25 Fizeram campainhas de ouro puro e as puseram entre as romãs, ao redor da borda do manto, entre as romãs.
39:26 Uma campainha e uma romã, outra campainha e outra romã, ao redor da borda do manto, para o serviço, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
39:27 Fizeram as túnicas de linho fino, obra de tecelão, para Arão e seus filhos;
39:28 o turbante de linho fino, os gorros adornados de linho fino e os calções de linho, feitos de linho fino de fios retorcidos;
39:29 e a faixa de linho fino de fios retorcidos e de fios nas cores azul, púrpura e escarlate, obra de bordador, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
39:30 Fizeram de ouro puro a lâmina do diadema sagrado e gravaram nela, como se grava um selo: “Santidade ao SENHOR”.
39:31 Prenderam nela um cordão azul, para colocá-la na parte superior do turbante, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
39:32 Assim foi concluído todo o trabalho do tabernáculo, a tenda do encontro. Os filhos de Israel fizeram tudo conforme o SENHOR havia ordenado a Moisés; assim fizeram.
39:33 Trouxeram a Moisés o tabernáculo: a tenda e todos os seus utensílios, seus colchetes, suas tábuas, sua travessa, suas colunas e suas bases;
39:34 a cobertura de peles de carneiro tingidas de vermelho, a cobertura de couro fino e o véu de separação;
39:35 a arca do Testemunho, suas varas e o propiciatório;
39:36 a mesa, todos os seus utensílios e o pão da Presença;
39:37 o candelabro puro, suas lâmpadas, as lâmpadas dispostas em ordem, todos os seus utensílios e o óleo para a iluminação;
39:38 o altar de ouro, o óleo da unção, o incenso aromático e a cortina da entrada da tenda;
39:39 o altar de cobre, sua grelha de cobre, suas varas e todos os seus utensílios, a bacia e sua base;
39:40 as cortinas do pátio, suas colunas e suas bases, a cortina da entrada do pátio, suas cordas, suas estacas e todos os utensílios do serviço do tabernáculo, a tenda do encontro;
39:41 as vestes de serviço para ministrar no santuário, as vestes sagradas do sacerdote Arão e as vestes de seus filhos para exercerem o sacerdócio.
39:42 Conforme tudo o que o SENHOR havia ordenado a Moisés, assim os filhos de Israel fizeram todo o trabalho.
39:43 Moisés examinou toda a obra: eles a haviam feito como o SENHOR havia ordenado; assim a fizeram. E Moisés os abençoou.

Capítulo 40
40:1 O SENHOR falou a Moisés:
40:2 “No primeiro dia do primeiro mês, você levantará o tabernáculo, a tenda do encontro.
40:3 Colocará ali a arca do Testemunho e encobrirá a arca com o véu.
40:4 Trará a mesa e disporá em ordem o que deve ficar sobre ela. Trará o candelabro e acenderá suas lâmpadas.
40:5 Colocará o altar de ouro para o incenso diante da arca do Testemunho e porá a cortina da entrada do tabernáculo.
40:6 Colocará o altar do holocausto diante da entrada do tabernáculo, a tenda do encontro.
40:7 Colocará a bacia entre a tenda do encontro e o altar e porá água nela.
40:8 Montará o pátio ao redor e colocará a cortina da entrada do pátio.
40:9 Tomará o óleo da unção e ungirá o tabernáculo e tudo o que há nele. Consagrará o tabernáculo e todos os seus utensílios, e ele será santo.
40:10 Ungirá o altar do holocausto e todos os seus utensílios. Consagrará o altar, e ele será santíssimo.
40:11 Ungirá a bacia e sua base e a consagrará.
40:12 Levará Arão e seus filhos à entrada da tenda do encontro e os lavará com água.
40:13 Vestirá Arão com as vestes sagradas, o ungirá e o consagrará, para que me sirva como sacerdote.
40:14 Fará os filhos dele se aproximarem e os vestirá com túnicas.
40:15 Você os ungirá como ungiu o pai deles, e eles me servirão como sacerdotes. A unção deles lhes conferirá um sacerdócio perpétuo ao longo de suas gerações.”
40:16 Moisés fez tudo conforme o SENHOR lhe havia ordenado; assim fez.
40:17 No primeiro mês do segundo ano, no primeiro dia do mês, o tabernáculo foi levantado.
40:18 Moisés levantou o tabernáculo, assentou suas bases, colocou suas tábuas, pôs suas travessas e ergueu suas colunas.
40:19 Estendeu a tenda sobre o tabernáculo e pôs a cobertura da tenda por cima, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
40:20 Tomou o Testemunho e o pôs dentro da arca. Colocou as varas na arca e pôs o propiciatório por cima da arca.
40:21 Levou a arca para dentro do tabernáculo, pôs o véu de separação e encobriu a arca do Testemunho, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
40:22 Colocou a mesa na tenda do encontro, no lado norte do tabernáculo, fora do véu.
40:23 Dispôs sobre ela o pão em ordem diante do SENHOR, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
40:24 Colocou o candelabro na tenda do encontro, em frente à mesa, no lado sul do tabernáculo.
40:25 Acendeu as lâmpadas diante do SENHOR, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
40:26 Colocou o altar de ouro na tenda do encontro, diante do véu,
40:27 e queimou sobre ele incenso aromático, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
40:28 Colocou a cortina da entrada do tabernáculo.
40:29 Pôs o altar do holocausto à entrada do tabernáculo, a tenda do encontro, e ofereceu sobre ele o holocausto e a oferta de cereal, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
40:30 Colocou a bacia entre a tenda do encontro e o altar e pôs nela água para a lavagem.
40:31 Moisés, Arão e seus filhos lavavam as mãos e os pés com água dela.
40:32 Quando entravam na tenda do encontro e quando se aproximavam do altar, eles se lavavam, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
40:33 Ergueu o pátio ao redor do tabernáculo e do altar e colocou a cortina da entrada do pátio. Assim Moisés terminou a obra.
40:34 Então a nuvem cobriu a tenda do encontro, e a glória do SENHOR encheu o tabernáculo.
40:35 Moisés não podia entrar na tenda do encontro, porque a nuvem havia pousado sobre ela, e a glória do SENHOR enchia o tabernáculo.
40:36 Em todas as suas jornadas, quando a nuvem se elevava de sobre o tabernáculo, os filhos de Israel se punham em marcha.
40:37 Mas, se a nuvem não se elevava, eles não partiam até o dia em que ela se elevava.
40:38 Porque, de dia, a nuvem do SENHOR estava sobre o tabernáculo, e, à noite, havia fogo ali, à vista de toda a casa de Israel, em todas as suas jornadas.

LEVÍTICO

Capítulo 1
1:1 O SENHOR chamou Moisés e, da tenda do encontro, lhe disse:
1:2 “Fale aos filhos de Israel e diga-lhes: ‘Quando algum de vocês apresentar uma oferta ao SENHOR, apresentem sua oferta de animais do gado: bovinos, ovelhas ou cabras.
1:3 Se sua oferta for um holocausto de gado bovino, apresentará um macho sem defeito. Ele o apresentará à entrada da tenda do encontro, para que seja aceito em seu favor diante do SENHOR.
1:4 Apoiará a mão sobre a cabeça do animal do holocausto, e este será aceito em seu favor, para fazer expiação por ele.
1:5 Ele degolará o novilho diante do SENHOR. Os filhos de Arão, os sacerdotes, apresentarão o sangue e o lançarão sobre o altar, por todos os lados. Esse altar fica à entrada da tenda do encontro.
1:6 Tirará a pele do animal do holocausto e o cortará em pedaços.
1:7 Os filhos do sacerdote Arão porão fogo no altar e disporão lenha sobre o fogo.
1:8 Os filhos de Arão, os sacerdotes, disporão os pedaços, a cabeça e a gordura sobre a lenha que está sobre o fogo, no altar.
1:9 Quem apresenta a oferta lavará com água as vísceras e as patas, e o sacerdote queimará tudo no altar. É um holocausto, uma oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR.
1:10 Se sua oferta para holocausto for do rebanho, de ovelhas ou cabras, apresentará um macho sem defeito.
1:11 Ele o degolará no lado norte do altar, diante do SENHOR. Os filhos de Arão, os sacerdotes, lançarão o sangue sobre o altar, por todos os lados.
1:12 Ele o cortará em pedaços, com a cabeça e a gordura, e o sacerdote os disporá sobre a lenha que está sobre o fogo, no altar.
1:13 Quem apresenta a oferta lavará com água as vísceras e as patas. O sacerdote apresentará tudo e o queimará no altar. É um holocausto, uma oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR.
1:14 Se sua oferta ao SENHOR for um holocausto de aves, apresentará sua oferta de rolas ou filhotes de pomba.
1:15 O sacerdote levará a ave ao altar, lhe arrancará a cabeça e a queimará no altar. O sangue dela será escoado contra a parede do altar.
1:16 Retirará o papo com suas penas e o lançará ao lado do altar, a leste, no lugar das cinzas.
1:17 Abrirá a ave pelas asas, mas sem separá-la por completo. O sacerdote a queimará no altar, sobre a lenha que está sobre o fogo. É um holocausto, uma oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR.’”

Capítulo 2
2:1 “‘Quando uma pessoa apresentar uma oferta de cereal ao SENHOR, sua oferta será de farinha fina. Derramará azeite sobre ela e porá incenso sobre ela.
2:2 Ela a levará aos filhos de Arão, os sacerdotes. Um deles retirará dali um punhado da farinha fina e do azeite, junto com todo o incenso, e o sacerdote queimará essa porção memorial no altar, como oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR.
2:3 O que restar da oferta de cereal será para Arão e seus filhos; é uma porção santíssima das ofertas queimadas ao SENHOR.
2:4 Quando você apresentar uma oferta de cereal assada no forno, ela será de farinha fina: pães sem fermento amassados com azeite e pães finos sem fermento untados com azeite.
2:5 Se sua oferta for uma oferta de cereal preparada numa chapa, será de farinha fina amassada com azeite, sem fermento.
2:6 Você a partirá em pedaços e derramará azeite sobre ela. É uma oferta de cereal.
2:7 Se sua oferta for uma oferta de cereal preparada numa panela, será feita de farinha fina com azeite.
2:8 Você levará ao SENHOR a oferta de cereal preparada dessas coisas. Quem a trouxer a apresentará ao sacerdote, e ele a levará ao altar.
2:9 O sacerdote retirará da oferta de cereal sua porção memorial e a queimará no altar, como oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR.
2:10 O que restar da oferta de cereal será para Arão e seus filhos; é uma porção santíssima das ofertas queimadas ao SENHOR.
2:11 Nenhuma oferta de cereal que vocês apresentarem ao SENHOR será preparada com fermento, pois vocês não queimarão fermento algum nem mel algum como oferta queimada ao SENHOR.
2:12 Vocês poderão apresentá-los ao SENHOR como oferta das primícias, mas eles não subirão ao altar como aroma agradável.
2:13 Você temperará com sal toda oferta de cereal que apresentar. Não deixará faltar à sua oferta de cereal o sal da aliança do seu Deus. Com todas as suas ofertas apresentará sal.
2:14 Se você apresentar ao SENHOR uma oferta de cereal das primícias, apresentará como oferta de suas primícias espigas novas tostadas no fogo, grãos frescos triturados.
2:15 Porá azeite sobre ela e porá incenso sobre ela. É uma oferta de cereal.
2:16 O sacerdote queimará a porção memorial dessa oferta, uma parte dos grãos triturados e do azeite, com todo o incenso, como oferta queimada ao SENHOR.’”

Capítulo 3
3:1 “‘Se a oferta de alguém for um sacrifício de paz e ele a apresentar do gado bovino, seja macho ou fêmea, apresentará um animal sem defeito diante do SENHOR.
3:2 Apoiará a mão sobre a cabeça do animal da sua oferta e o degolará à entrada da tenda do encontro. Os filhos de Arão, os sacerdotes, lançarão o sangue sobre o altar, por todos os lados.
3:3 Do sacrifício de paz apresentará como oferta queimada ao SENHOR a gordura que cobre as vísceras e toda a gordura que está sobre elas;
3:4 os dois rins e a gordura que está sobre eles, junto aos lombos, e o lóbulo do fígado, que retirará com os rins.
3:5 Os filhos de Arão queimarão isso no altar, sobre o holocausto que está sobre a lenha, em cima do fogo. É uma oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR.
3:6 Se sua oferta para sacrifício de paz ao SENHOR for do rebanho, seja macho ou fêmea, a apresentará sem defeito.
3:7 Se apresentar um cordeiro como sua oferta, o apresentará diante do SENHOR.
3:8 Apoiará a mão sobre a cabeça do animal da sua oferta e o degolará diante da tenda do encontro. Os filhos de Arão lançarão o sangue dele sobre o altar, por todos os lados.
3:9 Do sacrifício de paz apresentará como oferta queimada ao SENHOR sua gordura: a cauda gorda inteira, que retirará junto ao espinhaço, a gordura que cobre as vísceras e toda a gordura que está sobre elas;
3:10 os dois rins e a gordura que está sobre eles, junto aos lombos, e o lóbulo do fígado, que retirará com os rins.
3:11 O sacerdote queimará isso no altar. É alimento, uma oferta queimada ao SENHOR.
3:12 Se sua oferta for uma cabra, a apresentará diante do SENHOR.
3:13 Apoiará a mão sobre a cabeça dela e a degolará diante da tenda do encontro. Os filhos de Arão lançarão o sangue dela sobre o altar, por todos os lados.
3:14 Apresentará dela sua oferta, como oferta queimada ao SENHOR: a gordura que cobre as vísceras e toda a gordura que está sobre elas;
3:15 os dois rins e a gordura que está sobre eles, junto aos lombos, e o lóbulo do fígado, que retirará com os rins.
3:16 O sacerdote os queimará no altar. É alimento, uma oferta queimada de aroma agradável. Toda a gordura pertence ao SENHOR.
3:17 Será um estatuto perpétuo ao longo de suas gerações, onde quer que vocês habitem: não comerão gordura alguma nem sangue algum.’”

Capítulo 4
4:1 O SENHOR falou a Moisés:
4:2 “Fale aos filhos de Israel: ‘Quando uma pessoa pecar por engano, fazendo alguma das coisas que os mandamentos do SENHOR proíbem,
4:3 se o sacerdote ungido pecar, trazendo culpa sobre o povo, apresentará ao SENHOR, pelo pecado que cometeu, um novilho sem defeito como oferta pelo pecado.
4:4 Levará o novilho à entrada da tenda do encontro, diante do SENHOR, apoiará a mão sobre a cabeça do novilho e o degolará diante do SENHOR.
4:5 O sacerdote ungido tomará parte do sangue do novilho e o levará à tenda do encontro.
4:6 O sacerdote molhará o dedo no sangue e aspergirá parte desse sangue sete vezes diante do SENHOR, em frente ao véu do santuário.
4:7 O sacerdote porá parte do sangue nos chifres do altar do incenso aromático, que está diante do SENHOR, na tenda do encontro. Derramará todo o sangue do novilho na base do altar do holocausto, que fica à entrada da tenda do encontro.
4:8 Retirará do novilho da oferta pelo pecado toda a gordura: a gordura que cobre as vísceras e toda a gordura que está sobre elas;
4:9 os dois rins e a gordura que está sobre eles, junto aos lombos, e o lóbulo do fígado, que retirará com os rins,
4:10 como se retira do boi do sacrifício de paz. O sacerdote queimará essas partes no altar do holocausto.
4:11 A pele do novilho e toda a sua carne, com a cabeça, as patas, as vísceras e o esterco,
4:12 isto é, todo o novilho, ele levará para fora do acampamento, a um lugar puro, onde se depositam as cinzas. Ele o queimará no fogo, sobre lenha; no lugar onde se depositam as cinzas, ele será queimado.
4:13 Se toda a comunidade de Israel errar, e o fato ficar oculto aos olhos da assembleia, e a comunidade fizer alguma das coisas que os mandamentos do SENHOR proíbem, tornando-se culpada,
4:14 quando o pecado que cometeram se tornar conhecido, a assembleia apresentará um novilho como oferta pelo pecado e o levará diante da tenda do encontro.
4:15 Os anciãos da comunidade apoiarão as mãos sobre a cabeça do novilho diante do SENHOR, e o novilho será degolado diante do SENHOR.
4:16 O sacerdote ungido levará parte do sangue do novilho à tenda do encontro.
4:17 O sacerdote molhará o dedo no sangue e o aspergirá sete vezes diante do SENHOR, em frente ao véu.
4:18 Porá parte do sangue nos chifres do altar que está diante do SENHOR, na tenda do encontro, e derramará todo o sangue na base do altar do holocausto, que fica à entrada da tenda do encontro.
4:19 Retirará do novilho toda a gordura e a queimará no altar.
4:20 Fará com esse novilho como fez com o novilho da oferta pelo pecado; assim fará com ele. O sacerdote fará expiação por eles, e eles serão perdoados.
4:21 Levará o novilho para fora do acampamento e o queimará como queimou o primeiro novilho. É a oferta pelo pecado da assembleia.
4:22 Quando um chefe pecar, fazendo por engano alguma das coisas que os mandamentos do SENHOR, seu Deus, proíbem, e se tornar culpado,
4:23 ou, se vier a saber do pecado que cometeu, trará como sua oferta um bode, macho sem defeito.
4:24 Apoiará a mão sobre a cabeça do bode e o degolará no lugar onde se degola o holocausto, diante do SENHOR. É uma oferta pelo pecado.
4:25 O sacerdote tomará com o dedo parte do sangue da oferta pelo pecado, o porá nos chifres do altar do holocausto e derramará o sangue na base do altar do holocausto.
4:26 Queimará toda a gordura no altar, como a gordura do sacrifício de paz. O sacerdote fará expiação por ele, pelo seu pecado, e ele será perdoado.
4:27 Se uma pessoa do povo da terra pecar por engano, fazendo alguma das coisas que os mandamentos do SENHOR proíbem, e se tornar culpada,
4:28 ou, se vier a saber do pecado que cometeu, trará como sua oferta uma cabra, fêmea sem defeito, pelo pecado que cometeu.
4:29 Apoiará a mão sobre a cabeça do animal da oferta pelo pecado e o degolará no lugar do holocausto.
4:30 O sacerdote tomará com o dedo parte do sangue dela, o porá nos chifres do altar do holocausto e derramará todo o sangue na base do altar.
4:31 Retirará toda a gordura, como se retira a gordura do sacrifício de paz. O sacerdote a queimará no altar como aroma agradável ao SENHOR. O sacerdote fará expiação por essa pessoa, e ela será perdoada.
4:32 Se trouxer uma cordeira como sua oferta pelo pecado, a trará sem defeito.
4:33 Apoiará a mão sobre a cabeça do animal da oferta pelo pecado e o degolará como oferta pelo pecado no lugar onde se degola o holocausto.
4:34 O sacerdote tomará com o dedo parte do sangue da oferta pelo pecado, o porá nos chifres do altar do holocausto e derramará todo o sangue dela na base do altar.
4:35 Retirará toda a gordura, como se retira a gordura do cordeiro do sacrifício de paz. O sacerdote queimará essas partes no altar, sobre as ofertas queimadas ao SENHOR. O sacerdote fará expiação por essa pessoa, pelo pecado que cometeu, e ela será perdoada.’”

Capítulo 5
5:1 “‘Se uma pessoa ouvir uma convocação para testemunhar sob juramento e, sendo testemunha de algo que viu ou sabe, não o declarar, pecará e carregará sua culpa.
5:2 Ou, se uma pessoa tocar em qualquer coisa impura, seja a carcaça de um animal selvagem impuro, a carcaça de um animal doméstico impuro ou a carcaça de um animal rastejante impuro, mesmo que não se dê conta disso, ficará impura e será culpada.
5:3 Ou, se tocar em alguma impureza humana, de qualquer espécie que possa torná-la impura, e não se der conta disso, quando vier a saber, será culpada.
5:4 Ou, se uma pessoa jurar impensadamente com seus lábios fazer o mal ou fazer o bem, qualquer coisa que alguém possa dizer impensadamente sob juramento, e não se der conta disso, quando vier a saber, será culpada de alguma dessas coisas.
5:5 Quando se tornar culpada de alguma dessas coisas, confessará em que pecou.
5:6 Levará ao SENHOR, como reparação pelo pecado que cometeu, uma fêmea do rebanho, uma cordeira ou uma cabra, como oferta pelo pecado. O sacerdote fará expiação por essa pessoa, por seu pecado.
5:7 Se não tiver recursos para uma ovelha ou uma cabra, levará ao SENHOR, como reparação pelo pecado que cometeu, duas rolas ou dois filhotes de pomba, uma ave como oferta pelo pecado e a outra como holocausto.
5:8 Levará as aves ao sacerdote, que apresentará primeiro a destinada à oferta pelo pecado. Ele lhe torcerá a cabeça pela nuca, mas não a separará do corpo.
5:9 Aspergirá parte do sangue da oferta pelo pecado na parede do altar, e o restante do sangue será escoado na base do altar. É uma oferta pelo pecado.
5:10 Preparará a segunda ave como holocausto, conforme o que foi prescrito. O sacerdote fará expiação por essa pessoa, pelo pecado que cometeu, e ela será perdoada.
5:11 Se não tiver recursos para duas rolas ou dois filhotes de pomba, trará, pelo pecado que cometeu, uma oferta de cerca de 2 litros de farinha fina como oferta pelo pecado. Não porá azeite sobre ela nem incenso, porque é uma oferta pelo pecado.
5:12 Levará a oferta ao sacerdote, que retirará dela um punhado, sua porção memorial, e o queimará no altar, sobre as ofertas queimadas ao SENHOR. É uma oferta pelo pecado.
5:13 O sacerdote fará expiação por essa pessoa, pelo pecado que cometeu em alguma dessas coisas, e ela será perdoada. O que restar será do sacerdote, como na oferta de cereal.’”
5:14 O SENHOR falou a Moisés:
5:15 “Quando uma pessoa cometer uma infidelidade e pecar por engano quanto às coisas sagradas do SENHOR, levará ao SENHOR sua reparação: um carneiro sem defeito do rebanho, segundo a avaliação que você fizer em siclos de prata, de cerca de 11 gramas por siclo, pelo peso do siclo do santuário, como oferta pela culpa.
5:16 Fará restituição pela falta cometida contra o que é sagrado, acrescentará um quinto e dará o valor ao sacerdote. O sacerdote fará expiação por essa pessoa com o carneiro da oferta pela culpa, e ela será perdoada.
5:17 Se uma pessoa pecar e fizer alguma das coisas que os mandamentos do SENHOR proíbem, ainda que não saiba disso, será culpada e carregará sua culpa.
5:18 Levará ao sacerdote um carneiro sem defeito do rebanho, segundo a avaliação que você fizer, como oferta pela culpa. O sacerdote fará expiação por essa pessoa, pelo erro que cometeu sem saber, e ela será perdoada.
5:19 É uma oferta pela culpa; essa pessoa certamente incorreu em culpa contra o SENHOR.”

Capítulo 6
6:1 O SENHOR falou a Moisés:
6:2 “Se uma pessoa pecar e cometer uma infidelidade contra o SENHOR, enganando seu próximo quanto a algo que lhe foi confiado, a algo entregue em suas mãos ou a algo roubado, ou defraudando seu próximo,
6:3 ou se encontrar algo perdido e o negar, jurando falsamente a respeito de alguma dessas coisas pelas quais uma pessoa pode pecar,
6:4 quando tiver pecado e se tornado culpada, devolverá o que roubou, o que obteve por fraude, o que lhe foi confiado ou o objeto perdido que encontrou,
6:5 ou qualquer coisa a respeito da qual tenha jurado falsamente. Fará restituição por inteiro e acrescentará um quinto; dará o valor ao dono no dia da sua reparação pela culpa.
6:6 Levará ao sacerdote, como sua oferta pela culpa ao SENHOR, um carneiro sem defeito do rebanho, segundo a avaliação que você fizer.
6:7 O sacerdote fará expiação por essa pessoa diante do SENHOR, e ela será perdoada por qualquer das coisas que tenha feito e pelas quais tenha incorrido em culpa.”
6:8 O SENHOR falou a Moisés:
6:9 “Dê esta ordem a Arão e a seus filhos: ‘Esta é a lei do holocausto: o holocausto permanecerá sobre o fogo do altar toda a noite, até a manhã, e o fogo do altar se manterá aceso nele.
6:10 O sacerdote vestirá sua túnica de linho e os calções de linho sobre o corpo. Recolherá as cinzas do holocausto que o fogo consumiu no altar e as porá ao lado do altar.
6:11 Depois tirará suas vestes, vestirá outras e levará as cinzas para fora do acampamento, a um lugar puro.
6:12 O fogo se manterá aceso no altar; não se apagará. Todas as manhãs o sacerdote porá lenha nele, disporá o holocausto sobre ela e queimará sobre ele a gordura dos sacrifícios de paz.
6:13 O fogo arderá continuamente no altar; não se apagará.
6:14 Esta é a lei da oferta de cereal: os filhos de Arão a apresentarão diante do SENHOR, em frente ao altar.
6:15 O sacerdote retirará da oferta de cereal um punhado de farinha fina e de azeite, com todo o incenso que estiver sobre ela, e queimará essa porção memorial no altar como aroma agradável ao SENHOR.
6:16 Arão e seus filhos comerão o que restar dela. Será comida sem fermento, em um lugar santo; eles a comerão no pátio da tenda do encontro.
6:17 Não será assada com fermento. Eu a dei a eles como sua porção das minhas ofertas queimadas. É santíssima, como a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa.
6:18 Todos os descendentes de Arão do sexo masculino poderão comê-la. Será um estatuto perpétuo para as gerações de vocês, quanto às ofertas queimadas ao SENHOR. Tudo o que as tocar ficará consagrado.’”
6:19 O SENHOR falou a Moisés:
6:20 “Esta é a oferta de Arão e de seus filhos que eles apresentarão ao SENHOR no dia em que Arão for ungido: cerca de 2 litros de farinha fina como oferta de cereal contínua, metade pela manhã e metade à tarde.
6:21 Será preparada numa chapa com azeite; você a trará bem misturada. Apresentará a oferta de cereal em pedaços cozidos como aroma agradável ao SENHOR.
6:22 O sacerdote que, dentre seus filhos, for ungido em seu lugar a preparará. É um estatuto perpétuo para o SENHOR: ela será inteiramente queimada.
6:23 Toda oferta de cereal de um sacerdote será inteiramente queimada; não será comida.”
6:24 O SENHOR falou a Moisés:
6:25 “Fale a Arão e a seus filhos: ‘Esta é a lei da oferta pelo pecado: no lugar onde se degola o holocausto será degolada a oferta pelo pecado, diante do SENHOR. Ela é santíssima.
6:26 O sacerdote que a oferecer pelo pecado a comerá. Será comida em um lugar santo, no pátio da tenda do encontro.
6:27 Tudo o que tocar sua carne ficará consagrado. Se parte do sangue dela salpicar uma roupa, você lavará em um lugar santo a parte que tiver sido atingida.
6:28 A vasilha de barro em que a carne for cozida será quebrada. Se for cozida numa vasilha de cobre, esta será esfregada e enxaguada com água.
6:29 Todos os do sexo masculino entre os sacerdotes poderão comê-la. É santíssima.
6:30 Nenhuma oferta pelo pecado cujo sangue for levado à tenda do encontro para fazer expiação no santuário será comida; será queimada no fogo.’”

Capítulo 7
7:1 “‘Esta é a lei da oferta pela culpa. Ela é santíssima.
7:2 No lugar onde degolam o holocausto, degolarão a oferta pela culpa, e o sacerdote lançará seu sangue sobre o altar, por todos os lados.
7:3 Quem apresenta a oferta trará toda a gordura do animal: a cauda gorda e a gordura que cobre as vísceras;
7:4 os dois rins e a gordura que está sobre eles, junto aos lombos, e o lóbulo do fígado, que retirará com os rins.
7:5 O sacerdote queimará essas partes no altar como oferta queimada ao SENHOR. É uma oferta pela culpa.
7:6 Todos os do sexo masculino entre os sacerdotes poderão comê-la. Será comida em um lugar santo; é santíssima.
7:7 A oferta pelo pecado e a oferta pela culpa têm uma mesma lei: a oferta pertencerá ao sacerdote que fizer expiação com ela.
7:8 O sacerdote que apresentar o holocausto de alguém ficará com a pele do animal do holocausto que apresentou.
7:9 Toda oferta de cereal assada no forno, preparada numa panela ou numa chapa pertencerá ao sacerdote que a apresentar.
7:10 Toda oferta de cereal, amassada com azeite ou seca, será para todos os filhos de Arão, igualmente, cada um como seu irmão.
7:11 Esta é a lei do sacrifício de paz que alguém apresentar ao SENHOR.
7:12 Se alguém o apresentar em ação de graças, com o sacrifício de ação de graças apresentará pães sem fermento amassados com azeite, pães finos sem fermento untados com azeite e pães de farinha fina bem misturada, amassados com azeite.
7:13 Com seu sacrifício de paz em ação de graças apresentará sua oferta com pães fermentados.
7:14 Deles apresentará um de cada tipo como oferta ao SENHOR. Ele pertencerá ao sacerdote que lançar o sangue do sacrifício de paz.
7:15 A carne de seu sacrifício de paz em ação de graças será comida no dia em que for apresentado; não deixará nada dela até a manhã.
7:16 Se o sacrifício que apresentar for para cumprir um voto ou for uma oferta voluntária, será comido no dia em que o apresentar, e o que restar poderá ser comido no dia seguinte.
7:17 O que restar da carne do sacrifício até o terceiro dia será queimado no fogo.
7:18 Se no terceiro dia alguém comer da carne de seu sacrifício de paz, o sacrifício não será aceito nem será levado em conta a favor de quem o apresentou. Será uma abominação, e a pessoa que dele comer carregará sua culpa.
7:19 A carne que tocar em qualquer coisa impura não será comida; será queimada no fogo. Quanto à outra carne, qualquer pessoa pura poderá comê-la.
7:20 Mas a pessoa que, estando impura, comer carne do sacrifício de paz que pertence ao SENHOR será eliminada de seu povo.
7:21 Se uma pessoa tocar em algo impuro, seja impureza humana, animal impuro ou qualquer coisa detestável e impura, e comer carne do sacrifício de paz que pertence ao SENHOR, essa pessoa será eliminada de seu povo.’”
7:22 O SENHOR falou a Moisés:
7:23 “Fale aos filhos de Israel: ‘Vocês não comerão gordura alguma de boi, de cordeiro nem de cabra.
7:24 A gordura de um animal que morreu por si ou foi despedaçado poderá ser usada em qualquer trabalho, mas de modo nenhum vocês a comerão.
7:25 Pois quem comer gordura de um animal do qual se apresenta uma oferta queimada ao SENHOR será eliminado de seu povo.
7:26 Onde quer que vocês habitem, não comerão sangue algum, nem de ave nem de animal.
7:27 Toda pessoa que comer qualquer espécie de sangue será eliminada de seu povo.’”
7:28 O SENHOR falou a Moisés:
7:29 “Fale aos filhos de Israel: ‘Quem apresentar seu sacrifício de paz ao SENHOR trará ao SENHOR sua oferta desse sacrifício de paz.
7:30 Com suas próprias mãos trará as ofertas queimadas ao SENHOR. Trará a gordura com o peito, para mover o peito como oferta movida diante do SENHOR.
7:31 O sacerdote queimará a gordura no altar, mas o peito será para Arão e seus filhos.
7:32 De seus sacrifícios de paz vocês darão ao sacerdote a coxa direita como oferta elevada.
7:33 Dentre os filhos de Arão, aquele que apresentar o sangue e a gordura dos sacrifícios de paz terá a coxa direita como sua porção.
7:34 Pois tomei dos filhos de Israel, de seus sacrifícios de paz, o peito da oferta movida e a coxa da oferta elevada e os dei ao sacerdote Arão e a seus filhos como direito perpétuo que receberão dos filhos de Israel.
7:35 Esta é a porção de Arão e a porção de seus filhos nas ofertas queimadas ao SENHOR, no dia em que foram apresentados para servir como sacerdotes do SENHOR.
7:36 O SENHOR ordenou que os filhos de Israel lhes dessem essa porção no dia em que foram ungidos, como estatuto perpétuo ao longo de suas gerações.’”
7:37 Esta é a lei do holocausto, da oferta de cereal, da oferta pelo pecado, da oferta pela culpa, da investidura e do sacrifício de paz,
7:38 que o SENHOR ordenou a Moisés no monte Sinai, no dia em que mandou os filhos de Israel apresentarem suas ofertas ao SENHOR no deserto do Sinai.

Capítulo 8
8:1 O SENHOR falou a Moisés:
8:2 “Traga Arão e seus filhos com ele, as vestes, o óleo da unção, o novilho da oferta pelo pecado, os dois carneiros e o cesto dos pães sem fermento.
8:3 Reúna toda a comunidade à entrada da tenda do encontro.”
8:4 Moisés fez como o SENHOR lhe havia ordenado, e a comunidade se reuniu à entrada da tenda do encontro.
8:5 Moisés disse à comunidade: “Isto é o que o SENHOR ordenou que fosse feito.”
8:6 Moisés fez Arão e seus filhos se aproximarem e os lavou com água.
8:7 Vestiu Arão com a túnica, ajustou-lhe a faixa e o vestiu com o manto. Pôs nele o éfode, cingiu-o com o cinto do éfode e prendeu o éfode com esse cinto.
8:8 Pôs nele o peitoral e colocou no peitoral o Urim e o Tumim.
8:9 Pôs o turbante na cabeça dele e, na parte da frente do turbante, colocou a lâmina de ouro, o diadema sagrado, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
8:10 Moisés tomou o óleo da unção, ungiu o tabernáculo e tudo o que havia nele e os consagrou.
8:11 Aspergiu parte do óleo sobre o altar sete vezes e ungiu o altar e todos os seus utensílios, a bacia e sua base, para consagrá-los.
8:12 Derramou parte do óleo da unção sobre a cabeça de Arão e o ungiu para consagrá-lo.
8:13 Moisés fez os filhos de Arão se aproximarem, os vestiu com túnicas, ajustou-lhes as faixas e lhes pôs os gorros, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
8:14 Apresentou o novilho da oferta pelo pecado, e Arão e seus filhos apoiaram as mãos sobre a cabeça do novilho da oferta pelo pecado.
8:15 Degolou o novilho, e Moisés tomou o sangue e o pôs com o dedo nos chifres do altar, por todos os lados, purificando o altar. Derramou o sangue na base do altar e o consagrou para fazer expiação por ele.
8:16 Tomou toda a gordura que estava sobre as vísceras, o lóbulo do fígado, os dois rins e sua gordura, e Moisés queimou essas partes no altar.
8:17 Queimou no fogo, fora do acampamento, o novilho com sua pele, sua carne e seu esterco, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
8:18 Apresentou o carneiro do holocausto, e Arão e seus filhos apoiaram as mãos sobre a cabeça do carneiro.
8:19 Degolou o carneiro, e Moisés lançou o sangue sobre o altar, por todos os lados.
8:20 Cortou o carneiro em pedaços, e Moisés queimou a cabeça, os pedaços e a gordura.
8:21 Lavou as vísceras e as patas com água, e Moisés queimou todo o carneiro no altar. Era um holocausto de aroma agradável, uma oferta queimada ao SENHOR, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
8:22 Apresentou o segundo carneiro, o carneiro da investidura, e Arão e seus filhos apoiaram as mãos sobre a cabeça do carneiro.
8:23 Degolou o carneiro, e Moisés tomou parte do sangue e o pôs no lóbulo da orelha direita de Arão, no polegar da mão direita e no dedão do pé direito.
8:24 Fez os filhos de Arão se aproximarem, e Moisés lhes pôs parte do sangue no lóbulo da orelha direita, no polegar da mão direita e no dedão do pé direito. Depois Moisés lançou o sangue sobre o altar, por todos os lados.
8:25 Tomou a gordura, a cauda gorda, toda a gordura que estava sobre as vísceras, o lóbulo do fígado, os dois rins e sua gordura e a coxa direita.
8:26 Do cesto dos pães sem fermento que estava diante do SENHOR tomou um pão sem fermento, um pão com azeite e um pão fino e os pôs sobre a gordura e a coxa direita.
8:27 Pôs tudo nas palmas das mãos de Arão e nas palmas das mãos de seus filhos e moveu essas coisas como oferta movida diante do SENHOR.
8:28 Moisés tomou tudo das mãos deles e queimou no altar, sobre o holocausto. Eram ofertas de investidura de aroma agradável, uma oferta queimada ao SENHOR.
8:29 Moisés tomou o peito e o moveu como oferta movida diante do SENHOR. Essa foi a porção de Moisés do carneiro da investidura, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
8:30 Moisés tomou parte do óleo da unção e do sangue que estava sobre o altar e aspergiu sobre Arão e suas vestes e, com ele, sobre seus filhos e as vestes deles. Assim consagrou Arão e suas vestes e, com ele, seus filhos e as vestes deles.
8:31 Moisés disse a Arão e a seus filhos: “Cozinhem a carne à entrada da tenda do encontro e comam ali a carne e o pão que está no cesto da investidura, como ordenei: ‘Arão e seus filhos a comerão’.
8:32 O que restar da carne e do pão vocês queimarão no fogo.
8:33 Vocês não sairão da entrada da tenda do encontro durante sete dias, até que se completem os dias de sua investidura, pois sua investidura será realizada ao longo de sete dias.
8:34 O SENHOR ordenou que se fizesse como se fez neste dia, para fazer expiação por vocês.
8:35 Permanecerão à entrada da tenda do encontro dia e noite durante sete dias e cumprirão o encargo do SENHOR, para que não morram, pois assim me foi ordenado.”
8:36 Arão e seus filhos fizeram tudo o que o SENHOR havia ordenado por meio de Moisés.

Capítulo 9
9:1 No oitavo dia, Moisés chamou Arão, seus filhos e os anciãos de Israel.
9:2 Disse a Arão: “Tome para você um bezerro do gado bovino como oferta pelo pecado e um carneiro como holocausto, ambos sem defeito, e os apresente diante do SENHOR.
9:3 Aos filhos de Israel você dirá: ‘Tomem um bode como oferta pelo pecado, um bezerro e um cordeiro, ambos de um ano e sem defeito, como holocausto;
9:4 e um boi e um carneiro para sacrificá-los como sacrifícios de paz diante do SENHOR, e uma oferta de cereal amassada com azeite, porque hoje o SENHOR aparecerá a vocês’.”
9:5 Levaram o que Moisés havia ordenado para diante da tenda do encontro. Toda a comunidade se aproximou e ficou de pé diante do SENHOR.
9:6 Moisés disse: “Isto é o que o SENHOR ordenou que façam, e a glória do SENHOR aparecerá a vocês.”
9:7 Moisés disse a Arão: “Aproxime-se do altar, apresente sua oferta pelo pecado e seu holocausto e faça expiação por você e pelo povo. Apresente também a oferta do povo e faça expiação por eles, como o SENHOR ordenou.”
9:8 Arão se aproximou do altar e degolou o bezerro da oferta pelo pecado que era para ele.
9:9 Os filhos de Arão lhe apresentaram o sangue. Ele molhou o dedo no sangue e o pôs nos chifres do altar; depois derramou o sangue na base do altar.
9:10 Queimou no altar a gordura, os rins e o lóbulo do fígado da oferta pelo pecado, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
9:11 Queimou no fogo, fora do acampamento, a carne e a pele.
9:12 Degolou o animal do holocausto, e os filhos de Arão lhe entregaram o sangue, que ele lançou sobre o altar, por todos os lados.
9:13 Entregaram-lhe o animal do holocausto em pedaços, com a cabeça, e ele os queimou no altar.
9:14 Lavou as vísceras e as patas e as queimou sobre o holocausto, no altar.
9:15 Apresentou a oferta do povo: tomou o bode da oferta pelo pecado do povo, o degolou e o ofereceu pelo pecado, como o primeiro animal.
9:16 Apresentou o holocausto e o preparou conforme o rito estabelecido.
9:17 Apresentou a oferta de cereal, tomou dela um punhado e o queimou no altar, além do holocausto da manhã.
9:18 Degolou o boi e o carneiro do sacrifício de paz do povo. Os filhos de Arão lhe entregaram o sangue, que ele lançou sobre o altar, por todos os lados.
9:19 Quanto à gordura do boi e do carneiro — a cauda gorda, a gordura que cobre as vísceras, os rins e o lóbulo do fígado —,
9:20 eles a puseram sobre os peitos, e Arão queimou a gordura no altar.
9:21 Arão moveu os peitos e a coxa direita como oferta movida diante do SENHOR, como Moisés havia ordenado.
9:22 Arão levantou a mão em direção ao povo e o abençoou. Depois de apresentar a oferta pelo pecado, o holocausto e os sacrifícios de paz, desceu.
9:23 Moisés e Arão entraram na tenda do encontro; depois saíram e abençoaram o povo. Então a glória do SENHOR apareceu a todo o povo.
9:24 Saiu fogo de diante do SENHOR e consumiu o holocausto e a gordura sobre o altar. Todo o povo viu, gritou de alegria e se prostrou com o rosto em terra.

Capítulo 10
10:1 Nadabe e Abiú, filhos de Arão, tomaram cada um seu incensário, puseram fogo neles e colocaram incenso sobre o fogo. Apresentaram diante do SENHOR fogo estranho, que ele não lhes havia ordenado.
10:2 Saiu fogo de diante do SENHOR e os consumiu, e eles morreram diante do SENHOR.
10:3 Moisés disse a Arão: “Isto é o que o SENHOR declarou: ‘Entre os que se aproximam de mim mostrarei minha santidade, e diante de todo o povo serei glorificado’.” E Arão ficou em silêncio.
10:4 Moisés chamou Misael e Elzafã, filhos de Uziel, tio de Arão, e lhes disse: “Aproximem-se e levem seus parentes de diante do santuário para fora do acampamento.”
10:5 Eles se aproximaram e os levaram em suas túnicas para fora do acampamento, como Moisés havia dito.
10:6 Moisés disse a Arão e a seus filhos Eleazar e Itamar: “Não deixem o cabelo desgrenhado nem rasguem suas vestes, para que não morram nem venha ira sobre toda a comunidade. Mas seus irmãos, toda a casa de Israel, poderão chorar pela destruição que o SENHOR causou com fogo.
10:7 Não saiam da entrada da tenda do encontro, para que não morram, porque o óleo da unção do SENHOR está sobre vocês.” E eles fizeram como Moisés havia dito.
10:8 O SENHOR falou a Arão:
10:9 “Você e seus filhos com você não beberão vinho nem bebida embriagante quando entrarem na tenda do encontro, para que não morram. Será um estatuto perpétuo ao longo de suas gerações,
10:10 para que vocês distingam entre o santo e o comum, entre o impuro e o puro,
10:11 e ensinem aos filhos de Israel todos os estatutos que o SENHOR lhes comunicou por meio de Moisés.”
10:12 Moisés disse a Arão e a seus filhos sobreviventes, Eleazar e Itamar: “Tomem a oferta de cereal que restou das ofertas queimadas ao SENHOR e a comam sem fermento junto ao altar, porque ela é santíssima.
10:13 Vocês a comerão em um lugar santo, porque é a porção que cabe a você e a seus filhos das ofertas queimadas ao SENHOR, pois assim me foi ordenado.
10:14 Você, seus filhos e suas filhas com você comerão o peito da oferta movida e a coxa da oferta elevada em um lugar puro, porque foram dados como sua porção e a porção de seus filhos, dos sacrifícios de paz dos filhos de Israel.
10:15 Trarão a coxa da oferta elevada e o peito da oferta movida com as ofertas queimadas de gordura, para movê-los como oferta movida diante do SENHOR. Serão para você e seus filhos com você como direito perpétuo, como o SENHOR ordenou.”
10:16 Moisés procurou com cuidado o bode da oferta pelo pecado e viu que ele havia sido queimado. Ficou indignado com Eleazar e Itamar, os filhos sobreviventes de Arão, e disse:
10:17 “Por que vocês não comeram a oferta pelo pecado no lugar santo? Pois ela é santíssima e foi dada a vocês para que levem a culpa da comunidade e façam expiação por ela diante do SENHOR.
10:18 O sangue dela não foi levado para dentro do santuário. Vocês certamente deveriam tê-la comido no lugar santo, como ordenei.”
10:19 Arão respondeu a Moisés: “Hoje apresentaram sua oferta pelo pecado e seu holocausto diante do SENHOR, e estas coisas aconteceram comigo. Se eu tivesse comido hoje a oferta pelo pecado, isso teria sido agradável aos olhos do SENHOR?”
10:20 Moisés ouviu isso, e lhe pareceu bem.

Capítulo 11
11:1 O SENHOR falou a Moisés e a Arão:
11:2 “Falem aos filhos de Israel: ‘Estes são os animais que vocês poderão comer de todos os animais que há sobre a terra:
11:3 todo animal que tem o casco fendido, dividido em duas partes, e que rumina, esse vocês poderão comer.
11:4 Mas, dentre os que ruminam ou têm o casco fendido, não comerão estes: o camelo, porque rumina, mas não tem o casco fendido; ele é impuro para vocês;
11:5 o damão, porque rumina, mas não tem o casco fendido; ele é impuro para vocês;
11:6 a lebre, porque rumina, mas não tem o casco fendido; ela é impura para vocês;
11:7 e o porco, porque tem o casco fendido, dividido em duas partes, mas não rumina; ele é impuro para vocês.
11:8 Não comerão a carne deles nem tocarão em seus cadáveres; eles são impuros para vocês.
11:9 De tudo o que há nas águas vocês poderão comer estes: todos os que têm barbatanas e escamas nas águas, nos mares e nos rios.
11:10 Mas tudo o que não tem barbatanas e escamas nos mares e nos rios, dentre os pequenos seres que se movem nas águas e dentre todos os seres vivos que há nelas, será detestável para vocês.
11:11 Eles serão detestáveis para vocês; não comerão sua carne e terão seus cadáveres por detestáveis.
11:12 Tudo o que há nas águas e não tem barbatanas e escamas será detestável para vocês.
11:13 Dentre as aves, terão por detestáveis estas; não serão comidas, pois são detestáveis: a águia, o quebra-ossos e o abutre;
11:14 o milhafre e o falcão, segundo sua espécie;
11:15 todo corvo, segundo sua espécie;
11:16 o avestruz, o mocho, a gaivota e o gavião, segundo sua espécie;
11:17 a corujinha, o corvo-marinho e o corujão;
11:18 a coruja-branca, o pelicano e o abutre-do-egito;
11:19 a cegonha, a garça, segundo sua espécie, a poupa e o morcego.
11:20 Todo pequeno animal alado que anda sobre quatro patas será detestável para vocês.
11:21 Contudo, de todos os pequenos animais alados que andam sobre quatro patas, vocês poderão comer os que não têm pernas acima dos pés para saltar com elas sobre a terra.
11:22 Deles poderão comer estes: a locusta, segundo sua espécie, o gafanhoto devorador, segundo sua espécie, o grilo, segundo sua espécie, e o gafanhoto, segundo sua espécie.
11:23 Todo pequeno animal alado que tem quatro patas será detestável para vocês.
11:24 Por estes vocês ficarão impuros: todo aquele que tocar em seus cadáveres ficará impuro até o anoitecer.
11:25 Todo aquele que carregar algo de seus cadáveres lavará suas roupas e ficará impuro até o anoitecer.
11:26 Todo animal que tem o casco fendido, mas cuja fenda não se divide em duas partes, e que não rumina, é impuro para vocês. Todo aquele que tocar neles ficará impuro.
11:27 De todos os animais que andam sobre quatro patas, os que andam sobre as plantas das patas são impuros para vocês. Todo aquele que tocar em seus cadáveres ficará impuro até o anoitecer.
11:28 Quem carregar seus cadáveres lavará suas roupas e ficará impuro até o anoitecer. Eles são impuros para vocês.
11:29 Dos pequenos animais que se movem sobre a terra, estes são impuros para vocês: a doninha, o rato e o lagarto grande, segundo sua espécie;
11:30 o geco, o varano, a lagartixa, o lagarto-da-areia e o camaleão.
11:31 Esses são impuros para vocês dentre todos os pequenos animais que se movem pelo chão. Todo aquele que tocar neles quando estiverem mortos ficará impuro até o anoitecer.
11:32 Tudo sobre o que cair algo deles quando estiverem mortos ficará impuro: qualquer utensílio de madeira, roupa, pele, pano de saco ou qualquer objeto usado no trabalho. Será posto em água e ficará impuro até o anoitecer; depois ficará puro.
11:33 Se algo deles cair dentro de uma vasilha de barro, tudo o que houver nela ficará impuro, e vocês quebrarão a vasilha.
11:34 Dos alimentos que se comem, ficará impuro todo aquele sobre o qual cair água, e toda bebida que se beber de qualquer vasilha ficará impura.
11:35 Tudo sobre o que cair algo de seus cadáveres ficará impuro. Seja forno, seja fogão, deverá ser destruído; são impuros e serão impuros para vocês.
11:36 Mas a fonte e a cisterna onde se acumula água permanecerão puras; quem tocar nos cadáveres deles ficará impuro.
11:37 Se algo de seus cadáveres cair sobre alguma semente destinada à semeadura, ela permanecerá pura.
11:38 Mas, se tiver sido posta água sobre a semente e algo de seus cadáveres cair sobre ela, será impura para vocês.
11:39 Se morrer um dos animais que vocês podem comer, quem tocar em seu cadáver ficará impuro até o anoitecer.
11:40 Quem comer de seu cadáver lavará suas roupas e ficará impuro até o anoitecer; quem carregar seu cadáver lavará suas roupas e ficará impuro até o anoitecer.
11:41 Todo pequeno animal que se move sobre a terra é detestável; não será comido.
11:42 Dos pequenos animais que se movem sobre a terra, não comerão nenhum dos que andam sobre o ventre, sobre quatro patas ou sobre muitas patas, porque são detestáveis.
11:43 Não se tornem detestáveis por nenhum dos pequenos animais que se movem pelo chão. Não se contaminem com eles nem se tornem impuros por causa deles.
11:44 Pois eu sou o SENHOR, seu Deus. Consagrem-se e sejam santos, pois eu sou santo. Não se contaminem com nenhum dos pequenos animais que rastejam sobre a terra.
11:45 Pois eu sou o SENHOR, que os faço subir da terra do Egito para ser o seu Deus. Sejam santos, pois eu sou santo.
11:46 Esta é a lei dos animais terrestres, das aves, de todo ser vivo que se move nas águas e de todo ser que se move sobre a terra,
11:47 para distinguir entre o impuro e o puro, entre o animal que se pode comer e o animal que não se pode comer.’”

Capítulo 12
12:1 O SENHOR falou a Moisés:
12:2 “Fale aos filhos de Israel: ‘Quando uma mulher conceber e der à luz um menino, ficará impura durante sete dias, como nos dias de sua impureza menstrual.
12:3 No oitavo dia, a carne do prepúcio do menino será circuncidada.
12:4 Depois permanecerá trinta e três dias no período de purificação de seu sangramento. Não tocará em coisa santa alguma nem entrará no santuário até que se completem os dias de sua purificação.
12:5 Se der à luz uma menina, ficará impura durante duas semanas, como em sua menstruação, e permanecerá sessenta e seis dias no período de purificação de seu sangramento.
12:6 Quando se completarem os dias de sua purificação, por um filho ou por uma filha, levará ao sacerdote, à entrada da tenda do encontro, um cordeiro de um ano como holocausto e um filhote de pomba ou uma rola como oferta pelo pecado.
12:7 O sacerdote o apresentará diante do SENHOR e fará expiação por ela, e ela ficará pura de seu fluxo de sangue. Esta é a lei para a mulher que der à luz um menino ou uma menina.
12:8 Se não tiver recursos para um cordeiro, tomará duas rolas ou dois filhotes de pomba, uma ave como holocausto e a outra como oferta pelo pecado. O sacerdote fará expiação por ela, e ela ficará pura.’”

Capítulo 13
13:1 O SENHOR falou a Moisés e a Arão:
13:2 “Se alguém tiver na pele do corpo um inchaço, uma erupção ou uma mancha brilhante que se torne uma lesão de lepra, será levado ao sacerdote Arão ou a um de seus filhos, os sacerdotes.
13:3 O sacerdote examinará a lesão na pele do corpo. Se o pelo na lesão tiver se tornado branco e a lesão parecer mais profunda que a pele do corpo, é uma lesão de lepra. O sacerdote o examinará e o declarará impuro.
13:4 Se houver uma mancha branca na pele do corpo que não pareça mais profunda que a pele, e o pelo dela não tiver se tornado branco, o sacerdote isolará a pessoa com a lesão durante sete dias.
13:5 No sétimo dia, o sacerdote a examinará. Se, a seu ver, a lesão não tiver mudado nem se espalhado pela pele, o sacerdote a isolará por mais sete dias.
13:6 No sétimo dia, o sacerdote voltará a examiná-la. Se a lesão tiver ficado de cor apagada e não tiver se espalhado pela pele, o sacerdote a declarará pura; é uma erupção. A pessoa lavará suas roupas e ficará pura.
13:7 Mas, se a erupção se espalhar pela pele depois que a pessoa tiver se apresentado ao sacerdote para sua purificação, ela se apresentará de novo ao sacerdote.
13:8 O sacerdote a examinará. Se a erupção tiver se espalhado pela pele, o sacerdote a declarará impura; é lepra.
13:9 Quando alguém tiver uma lesão de lepra, será levado ao sacerdote.
13:10 O sacerdote o examinará. Se houver na pele um inchaço branco que tornou o pelo branco, e houver carne viva no inchaço,
13:11 é lepra de longa duração na pele do corpo. O sacerdote o declarará impuro; não o isolará, pois é impuro.
13:12 Se a lepra brotar pela pele e cobrir toda a pele da pessoa afetada, da cabeça aos pés, até onde os olhos do sacerdote puderem ver,
13:13 o sacerdote a examinará. Se a lepra tiver coberto todo o seu corpo, declarará pura a pessoa afetada. Todo o corpo se tornou branco; ela é pura.
13:14 Mas, no dia em que aparecer carne viva na pessoa, ela ficará impura.
13:15 O sacerdote examinará a carne viva e declarará a pessoa impura. A carne viva é impura; é lepra.
13:16 Mas, se a carne viva mudar e se tornar branca, a pessoa irá ao sacerdote.
13:17 O sacerdote a examinará. Se a lesão tiver se tornado branca, ele declarará pura a pessoa afetada; ela é pura.
13:18 Se alguém tiver na pele uma úlcera que tenha sarado,
13:19 e no lugar da úlcera aparecer um inchaço branco ou uma mancha branco-avermelhada, a pessoa se apresentará ao sacerdote.
13:20 O sacerdote a examinará. Se a mancha parecer mais funda que a pele e o pelo dela tiver se tornado branco, o sacerdote declarará a pessoa impura. É uma lesão de lepra que brotou na úlcera.
13:21 Mas, se o sacerdote a examinar e não houver nela pelo branco, ela não estiver mais funda que a pele e estiver de cor apagada, o sacerdote isolará a pessoa durante sete dias.
13:22 Se a mancha de fato se espalhar pela pele, o sacerdote declarará a pessoa impura; é uma lesão.
13:23 Mas, se a mancha permanecer no lugar e não se espalhar, é a cicatriz da úlcera, e o sacerdote declarará a pessoa pura.
13:24 Ou, se alguém tiver na pele uma queimadura de fogo, e na carne viva da queimadura aparecer uma mancha branco-avermelhada ou branca,
13:25 o sacerdote a examinará. Se o pelo na mancha tiver se tornado branco e ela parecer mais profunda que a pele, é lepra que brotou na queimadura. O sacerdote declarará a pessoa impura; é uma lesão de lepra.
13:26 Mas, se o sacerdote a examinar e não houver pelo branco na mancha, ela não estiver mais funda que a pele e estiver de cor apagada, o sacerdote isolará a pessoa durante sete dias.
13:27 No sétimo dia, o sacerdote a examinará. Se a mancha de fato se espalhar pela pele, ele declarará a pessoa impura; é uma lesão de lepra.
13:28 Mas, se a mancha permanecer no lugar, não se espalhar pela pele e estiver de cor apagada, é um inchaço da queimadura. O sacerdote declarará a pessoa pura, porque é a cicatriz da queimadura.
13:29 Se um homem ou uma mulher tiver uma lesão na cabeça ou na barba,
13:30 o sacerdote examinará a lesão. Se ela parecer mais profunda que a pele e houver nela pelo amarelo e fino, o sacerdote declarará a pessoa impura. É uma erupção com crostas, lepra da cabeça ou da barba.
13:31 Mas, se o sacerdote examinar a lesão dessa erupção com crostas e ela não parecer mais profunda que a pele, e não houver nela pelo preto, o sacerdote isolará a pessoa com essa lesão durante sete dias.
13:32 No sétimo dia, o sacerdote examinará a lesão. Se a erupção com crostas não tiver se espalhado, não houver nela pelo amarelo e ela não parecer mais profunda que a pele,
13:33 a pessoa raspará os pelos, mas não raspará a área da erupção com crostas. O sacerdote a isolará por mais sete dias.
13:34 No sétimo dia, o sacerdote examinará a erupção com crostas. Se ela não tiver se espalhado pela pele e não parecer mais profunda que a pele, o sacerdote declarará a pessoa pura. Ela lavará suas roupas e ficará pura.
13:35 Mas, se a erupção com crostas de fato se espalhar pela pele depois de sua purificação,
13:36 o sacerdote a examinará. Se a erupção com crostas tiver se espalhado pela pele, o sacerdote não procurará pelo amarelo; a pessoa é impura.
13:37 Mas, se, a seu ver, a erupção com crostas não tiver mudado e tiver crescido nela pelo preto, a erupção está curada. A pessoa é pura, e o sacerdote a declarará pura.
13:38 Se um homem ou uma mulher tiver manchas na pele do corpo, manchas brancas,
13:39 O sacerdote examinará a pessoa. Se as manchas na pele do corpo forem de um branco apagado, é uma erupção esbranquiçada que surgiu na pele; a pessoa é pura.
13:40 Se um homem perder o cabelo da cabeça, é calvo, mas é puro.
13:41 Se perder o cabelo da parte da frente da cabeça, é calvo na frente, mas é puro.
13:42 Se na área calva da cabeça ou da testa houver uma lesão branco-avermelhada, é lepra que brota na área calva da cabeça ou da testa.
13:43 O sacerdote o examinará. Se o inchaço da lesão na área calva da cabeça ou da testa for branco-avermelhado, com o aspecto da lepra na pele do corpo,
13:44 esse homem tem lepra; é impuro. O sacerdote certamente o declarará impuro; a lesão está na cabeça dele.
13:45 A pessoa com lepra que tiver essa lesão usará roupas rasgadas, deixará o cabelo desgrenhado, cobrirá o lábio superior e gritará: ‘Impuro! Impuro!’
13:46 Enquanto tiver a lesão, permanecerá impura. É impura; viverá só, e sua morada será fora do acampamento.
13:47 Se houver uma mancha de lepra numa veste, seja de lã ou de linho,
13:48 ou na urdidura ou na trama de linho ou de lã, ou numa pele ou em qualquer objeto de couro,
13:49 e a mancha na veste, na pele, na urdidura, na trama ou em qualquer objeto de couro for esverdeada ou avermelhada, é uma mancha de lepra e será mostrada ao sacerdote.
13:50 O sacerdote examinará a mancha e isolará o objeto afetado durante sete dias.
13:51 No sétimo dia, examinará a mancha. Se ela tiver se espalhado pela veste, pela urdidura, pela trama ou pelo couro, qualquer que seja o uso do couro, a mancha é lepra corrosiva; o objeto é impuro.
13:52 Queimará a veste, a urdidura ou a trama de lã ou de linho, ou qualquer objeto de couro que tenha a mancha, porque é lepra corrosiva; será queimado no fogo.
13:53 Mas, se o sacerdote examinar e a mancha não tiver se espalhado pela veste, pela urdidura, pela trama ou por qualquer objeto de couro,
13:54 o sacerdote mandará lavar o objeto afetado e o isolará por mais sete dias.
13:55 O sacerdote examinará a mancha depois da lavagem. Se ela não tiver mudado de cor, mesmo que não tenha se espalhado, o objeto é impuro; você o queimará no fogo. É uma corrosão, seja no avesso, seja no direito.
13:56 Mas, se o sacerdote examinar e a mancha estiver de cor apagada depois da lavagem, arrancará a parte afetada da veste, do couro, da urdidura ou da trama.
13:57 Se a mancha reaparecer na veste, na urdidura, na trama ou em qualquer objeto de couro, está brotando de novo; você queimará no fogo o objeto que tiver a mancha.
13:58 A veste, a urdidura, a trama ou qualquer objeto de couro que você lavar e do qual a mancha tiver desaparecido será lavado uma segunda vez e ficará puro.
13:59 Esta é a lei da mancha de lepra numa veste de lã ou de linho, na urdidura, na trama ou em qualquer objeto de couro, para declará-lo puro ou impuro.”

Capítulo 14
14:1 O SENHOR falou a Moisés:
14:2 “Esta será a lei para a pessoa com lepra no dia de sua purificação: será levada ao sacerdote.
14:3 O sacerdote sairá para fora do acampamento e a examinará. Se a lesão de lepra tiver sarado na pessoa afetada,
14:4 o sacerdote mandará trazer, para quem se purifica, duas aves vivas e puras, madeira de cedro, fio escarlate e hissopo.
14:5 O sacerdote mandará degolar uma das aves sobre uma vasilha de barro que contenha água de fonte.
14:6 Tomará a ave viva, a madeira de cedro, o fio escarlate e o hissopo e os mergulhará, com a ave viva, no sangue da ave degolada sobre a água de fonte.
14:7 Aspergirá sete vezes sobre quem se purifica da lepra, o declarará puro e soltará a ave viva em campo aberto.
14:8 Quem se purifica lavará suas roupas, raspará todo o seu pelo e se banhará com água, e ficará puro. Depois poderá entrar no acampamento, mas permanecerá fora de sua tenda durante sete dias.
14:9 No sétimo dia, raspará todo o seu pelo: o cabelo da cabeça, a barba e as sobrancelhas; raspará todo o seu pelo. Lavará suas roupas e banhará o corpo com água, e ficará puro.
14:10 No oitavo dia, tomará dois cordeiros sem defeito, uma cordeira de um ano sem defeito, cerca de 6 litros de farinha fina como oferta de cereal amassada com azeite e cerca de um terço de litro de azeite.
14:11 O sacerdote que faz a purificação apresentará o homem que se purifica e essas ofertas diante do SENHOR, à entrada da tenda do encontro.
14:12 O sacerdote tomará um dos cordeiros e o apresentará como oferta pela culpa, com o terço de litro de azeite; os moverá como oferta movida diante do SENHOR.
14:13 Degolará o cordeiro no lugar onde se degolam a oferta pelo pecado e o holocausto, no lugar santo. Pois, como a oferta pelo pecado, a oferta pela culpa pertence ao sacerdote; é santíssima.
14:14 O sacerdote tomará parte do sangue da oferta pela culpa, e o sacerdote o porá no lóbulo da orelha direita de quem se purifica, no polegar da mão direita e no dedão do pé direito.
14:15 O sacerdote tomará um pouco do terço de litro de azeite e o derramará na palma de sua mão esquerda.
14:16 O sacerdote molhará o dedo da mão direita no azeite que está na palma de sua mão esquerda e aspergirá com o dedo parte do azeite sete vezes diante do SENHOR.
14:17 Do azeite que restar na palma, o sacerdote porá um pouco no lóbulo da orelha direita de quem se purifica, no polegar da mão direita e no dedão do pé direito, sobre o sangue da oferta pela culpa.
14:18 O azeite que restar na palma do sacerdote será posto sobre a cabeça de quem se purifica. O sacerdote fará expiação por ele diante do SENHOR.
14:19 O sacerdote apresentará a oferta pelo pecado e fará expiação por quem se purifica de sua impureza. Depois degolará o animal do holocausto.
14:20 O sacerdote oferecerá no altar o holocausto e a oferta de cereal. Fará expiação por quem se purifica, e essa pessoa ficará pura.
14:21 Mas, se for pobre e não tiver recursos suficientes, tomará um cordeiro como oferta pela culpa, como oferta movida para fazer expiação por ele, cerca de 2 litros de farinha fina amassada com azeite como oferta de cereal e cerca de um terço de litro de azeite,
14:22 e duas rolas ou dois filhotes de pomba, conforme suas possibilidades, uma ave como oferta pelo pecado e a outra como holocausto.
14:23 No oitavo dia, os levará ao sacerdote para sua purificação, à entrada da tenda do encontro, diante do SENHOR.
14:24 O sacerdote tomará o cordeiro da oferta pela culpa e o terço de litro de azeite, e o sacerdote os moverá como oferta movida diante do SENHOR.
14:25 Degolará o cordeiro da oferta pela culpa; o sacerdote tomará parte do sangue da oferta pela culpa e o porá no lóbulo da orelha direita de quem se purifica, no polegar da mão direita e no dedão do pé direito.
14:26 O sacerdote derramará parte do azeite na palma de sua mão esquerda.
14:27 Com o dedo da mão direita, o sacerdote aspergirá sete vezes diante do SENHOR parte do azeite que está na palma de sua mão esquerda.
14:28 O sacerdote porá parte do azeite que está na palma no lóbulo da orelha direita de quem se purifica, no polegar da mão direita e no dedão do pé direito, no lugar do sangue da oferta pela culpa.
14:29 O azeite que restar na palma do sacerdote será posto sobre a cabeça de quem se purifica, para fazer expiação por ele diante do SENHOR.
14:30 Oferecerá uma das rolas ou um dos filhotes de pomba que a pessoa tiver podido obter:
14:31 conforme seus recursos, uma ave como oferta pelo pecado e a outra como holocausto, com a oferta de cereal. O sacerdote fará expiação por quem se purifica diante do SENHOR.
14:32 Esta é a lei para quem tiver uma lesão de lepra e não tiver recursos suficientes para sua purificação.”
14:33 O SENHOR falou a Moisés e a Arão:
14:34 “Quando vocês entrarem na terra de Canaã, que lhes dou como propriedade, e eu puser uma mancha de lepra em alguma casa da terra que vocês possuírem,
14:35 o dono da casa irá informar ao sacerdote: ‘Parece-me que há uma mancha na casa’.
14:36 O sacerdote mandará esvaziar a casa antes de entrar para examinar a mancha, para que não fique impuro tudo o que há nela. Depois entrará para examinar a casa.
14:37 Examinará a mancha. Se a mancha nas paredes da casa apresentar áreas afundadas esverdeadas ou avermelhadas, que pareçam mais profundas que a superfície da parede,
14:38 o sacerdote sairá da casa até a entrada e fechará a casa durante sete dias.
14:39 No sétimo dia, o sacerdote voltará e examinará. Se a mancha tiver se espalhado pelas paredes da casa,
14:40 o sacerdote mandará retirar as pedras que tiverem a mancha e lançá-las fora da cidade, num lugar impuro.
14:41 Mandará raspar todo o interior da casa, ao redor, e o pó raspado será lançado fora da cidade, num lugar impuro.
14:42 Tomarão outras pedras e as colocarão no lugar das primeiras; será usado outro barro para rebocar a casa.
14:43 Mas, se a mancha voltar e brotar na casa depois de retirarem as pedras, depois de rasparem a casa e depois de rebocá-la,
14:44 o sacerdote entrará e examinará. Se a mancha tiver se espalhado pela casa, é lepra corrosiva na casa; a casa é impura.
14:45 A casa será demolida, com suas pedras, sua madeira e todo o seu barro; tudo isso será levado para fora da cidade, a um lugar impuro.
14:46 Quem entrar na casa durante os dias em que ela estiver fechada ficará impuro até o anoitecer.
14:47 Quem se deitar na casa lavará suas roupas, e quem comer na casa lavará suas roupas.
14:48 Mas, se o sacerdote entrar e examinar e a mancha não tiver se espalhado pela casa depois de ter sido rebocada, o sacerdote declarará a casa pura, pois a mancha está curada.
14:49 Para purificar a casa, tomará duas aves, madeira de cedro, fio escarlate e hissopo.
14:50 Degolará uma das aves sobre uma vasilha de barro que contenha água de fonte.
14:51 Tomará a madeira de cedro, o hissopo, o fio escarlate e a ave viva, os mergulhará no sangue da ave degolada e na água de fonte e aspergirá a casa sete vezes.
14:52 Purificará a casa com o sangue da ave, com a água de fonte, com a ave viva, com a madeira de cedro, com o hissopo e com o fio escarlate.
14:53 Soltará a ave viva fora da cidade, em campo aberto; fará expiação pela casa, e ela ficará pura.
14:54 Esta é a lei de toda lesão de lepra e da erupção com crostas,
14:55 da lepra das vestes e das casas,
14:56 do inchaço, da erupção e da mancha brilhante,
14:57 para ensinar quando se é impuro e quando se é puro. Esta é a lei da lepra.”

Capítulo 15
15:1 O SENHOR falou a Moisés e a Arão:
15:2 “Falem aos filhos de Israel e digam-lhes: ‘Quando um homem tiver um fluxo que saia do corpo, esse fluxo será impuro.
15:3 Esta será sua impureza por causa do fluxo: quer seu corpo deixe escorrer o fluxo, quer fique obstruído por ele, essa é sua impureza.
15:4 Toda cama em que se deitar quem tem o fluxo ficará impura, e todo objeto sobre o qual se sentar ficará impuro.
15:5 Quem tocar em sua cama lavará suas roupas, se banhará com água e ficará impuro até o anoitecer.
15:6 Quem se sentar sobre o objeto em que se tenha sentado quem tem o fluxo lavará suas roupas, se banhará com água e ficará impuro até o anoitecer.
15:7 Quem tocar no corpo de quem tem o fluxo lavará suas roupas, se banhará com água e ficará impuro até o anoitecer.
15:8 Se quem tem o fluxo cuspir sobre alguém puro, essa pessoa lavará suas roupas, se banhará com água e ficará impura até o anoitecer.
15:9 Toda sela sobre a qual montar quem tem o fluxo ficará impura.
15:10 Quem tocar em qualquer coisa que tenha estado debaixo dele ficará impuro até o anoitecer. Quem carregar essas coisas lavará suas roupas, se banhará com água e ficará impuro até o anoitecer.
15:11 Se quem tem o fluxo tocar em alguém sem ter enxaguado as mãos com água, essa pessoa lavará suas roupas, se banhará com água e ficará impura até o anoitecer.
15:12 A vasilha de barro em que tocar quem tem o fluxo será quebrada, e todo utensílio de madeira será enxaguado com água.
15:13 Quando quem tem o fluxo ficar livre dele, contará sete dias para sua purificação, lavará suas roupas, banhará o corpo com água de fonte e ficará puro.
15:14 No oitavo dia, tomará duas rolas ou dois filhotes de pomba, irá diante do SENHOR, à entrada da tenda do encontro, e entregará as aves ao sacerdote.
15:15 O sacerdote as oferecerá: uma ave como oferta pelo pecado e a outra como holocausto. O sacerdote fará expiação por ele diante do SENHOR, por causa de seu fluxo.
15:16 Quando um homem tiver uma emissão de sêmen, banhará todo o corpo com água e ficará impuro até o anoitecer.
15:17 Toda roupa e toda pele sobre as quais houver sêmen serão lavadas com água e ficarão impuras até o anoitecer.
15:18 Se um homem se deitar com uma mulher e houver emissão de sêmen, ambos se banharão com água e ficarão impuros até o anoitecer.
15:19 Quando uma mulher tiver um fluxo, e esse fluxo do corpo for de sangue, permanecerá em sua impureza menstrual durante sete dias. Quem tocar nela ficará impuro até o anoitecer.
15:20 Tudo sobre o que ela se deitar durante sua impureza menstrual ficará impuro, e tudo sobre o que se sentar ficará impuro.
15:21 Quem tocar em sua cama lavará suas roupas, se banhará com água e ficará impuro até o anoitecer.
15:22 Quem tocar em qualquer objeto sobre o qual ela se tenha sentado lavará suas roupas, se banhará com água e ficará impuro até o anoitecer.
15:23 Se algo estiver sobre a cama ou sobre o objeto em que ela se senta, quem tocar nisso ficará impuro até o anoitecer.
15:24 Se um homem se deitar com ela e a impureza menstrual dela passar para ele, ficará impuro durante sete dias, e toda cama em que se deitar ficará impura.
15:25 Se uma mulher tiver fluxo de sangue durante muitos dias fora do tempo de sua menstruação, ou se o fluxo se prolongar além da menstruação, permanecerá impura durante todos os dias de seu fluxo impuro, como nos dias de sua menstruação.
15:26 Toda cama em que se deitar durante todos os dias de seu fluxo será para ela como a cama de sua menstruação, e todo objeto sobre o qual se sentar ficará impuro, como na impureza de sua menstruação.
15:27 Quem tocar nessas coisas ficará impuro; lavará suas roupas, se banhará com água e ficará impuro até o anoitecer.
15:28 Quando ficar livre de seu fluxo, contará sete dias; depois ficará pura.
15:29 No oitavo dia, tomará duas rolas ou dois filhotes de pomba e levará as aves ao sacerdote, à entrada da tenda do encontro.
15:30 O sacerdote oferecerá uma ave como oferta pelo pecado e a outra como holocausto. O sacerdote fará expiação por ela diante do SENHOR, por causa de seu fluxo impuro.
15:31 Assim vocês manterão os filhos de Israel afastados de sua impureza, para que não morram em sua impureza, contaminando meu tabernáculo, que está no meio deles.
15:32 Esta é a lei para quem tem fluxo e para quem fica impuro por uma emissão de sêmen,
15:33 para a mulher durante sua impureza menstrual, para quem tem fluxo, seja homem ou mulher, e para o homem que se deita com uma mulher impura.’”

Capítulo 16
16:1 O SENHOR falou a Moisés depois da morte dos dois filhos de Arão, que morreram ao se aproximarem diante do SENHOR.
16:2 O SENHOR disse a Moisés: “Diga a Arão, seu irmão, que não entre a qualquer momento no santuário, por trás do véu, diante do propiciatório que está sobre a arca, para que não morra; pois aparecerei na nuvem sobre o propiciatório.
16:3 Com isto Arão entrará no santuário: com um novilho como oferta pelo pecado e um carneiro como holocausto.
16:4 Vestirá a túnica sagrada de linho e terá calções de linho sobre o corpo. Cingirá o corpo com uma faixa de linho e cobrirá a cabeça com um turbante de linho. São vestes sagradas; banhará o corpo com água e as vestirá.
16:5 Da comunidade dos filhos de Israel tomará dois bodes como oferta pelo pecado e um carneiro como holocausto.
16:6 Arão apresentará o novilho da oferta pelo pecado que é para ele e fará expiação por si mesmo e por sua casa.
16:7 Tomará os dois bodes e os apresentará diante do SENHOR, à entrada da tenda do encontro.
16:8 Arão lançará sortes sobre os dois bodes: uma sorte para o SENHOR e outra sorte para Azazel.
16:9 Arão apresentará o bode sobre o qual cair a sorte para o SENHOR e o oferecerá como oferta pelo pecado.
16:10 Mas o bode sobre o qual cair a sorte para Azazel será apresentado vivo diante do SENHOR, para fazer expiação sobre ele e enviá-lo para Azazel, ao deserto.
16:11 Arão apresentará o novilho da oferta pelo pecado que é para ele e fará expiação por si mesmo e por sua casa; degolará o novilho da oferta pelo pecado que é para ele.
16:12 Tomará um incensário cheio de brasas acesas do altar que está diante do SENHOR e duas mãos cheias de incenso aromático finamente moído e os levará para trás do véu.
16:13 Porá o incenso sobre o fogo diante do SENHOR, e a nuvem do incenso cobrirá o propiciatório que está sobre o Testemunho, para que não morra.
16:14 Tomará parte do sangue do novilho e o aspergirá com o dedo sobre a face do propiciatório, para o lado leste. Diante do propiciatório, aspergirá com o dedo parte do sangue sete vezes.
16:15 Degolará o bode da oferta pelo pecado que é para o povo e levará seu sangue para trás do véu. Fará com o sangue dele como fez com o sangue do novilho: o aspergirá sobre o propiciatório e diante do propiciatório.
16:16 Fará expiação pelo santuário por causa das impurezas dos filhos de Israel, de suas rebeliões e de todos os seus pecados. Fará o mesmo pela tenda do encontro, que permanece com eles em meio às suas impurezas.
16:17 Não haverá ninguém mais na tenda do encontro desde que ele entrar para fazer expiação no santuário até que saia. Fará expiação por si mesmo, por sua casa e por toda a assembleia de Israel.
16:18 Sairá até o altar que está diante do SENHOR e fará expiação por ele. Tomará parte do sangue do novilho e do sangue do bode e o porá nos chifres do altar, por todos os lados.
16:19 Aspergirá parte do sangue sobre o altar com o dedo sete vezes; o purificará das impurezas dos filhos de Israel e o consagrará.
16:20 Quando terminar de fazer expiação pelo santuário, pela tenda do encontro e pelo altar, apresentará o bode vivo.
16:21 Arão apoiará suas duas mãos sobre a cabeça do bode vivo e confessará sobre ele todas as iniquidades dos filhos de Israel, todas as suas rebeliões e todos os seus pecados. Ele os porá sobre a cabeça do bode e o enviará ao deserto por meio de um homem designado para isso.
16:22 O bode levará sobre si todas as iniquidades deles para uma terra isolada, e o homem soltará o bode no deserto.
16:23 Arão entrará na tenda do encontro, tirará as vestes de linho que havia vestido para entrar no santuário e as deixará ali.
16:24 Banhará o corpo com água em um lugar santo, vestirá suas vestes e sairá. Apresentará seu holocausto e o holocausto do povo e fará expiação por si mesmo e pelo povo.
16:25 Queimará no altar a gordura da oferta pelo pecado.
16:26 Quem tiver soltado o bode para Azazel lavará suas roupas e banhará o corpo com água; depois poderá entrar no acampamento.
16:27 O novilho da oferta pelo pecado e o bode da oferta pelo pecado, cujo sangue foi levado ao santuário para fazer expiação, serão levados para fora do acampamento. Queimarão no fogo suas peles, sua carne e seu esterco.
16:28 Quem os queimar lavará suas roupas e banhará o corpo com água; depois poderá entrar no acampamento.
16:29 Isto será para vocês um estatuto perpétuo: no sétimo mês, no décimo dia do mês, vocês se humilharão e não farão trabalho algum, nem o natural da terra nem o estrangeiro que reside entre vocês.
16:30 Pois nesse dia se fará expiação por vocês para purificá-los. Vocês ficarão puros de todos os seus pecados diante do SENHOR.
16:31 Será para vocês um sábado de descanso solene, e vocês se humilharão. É um estatuto perpétuo.
16:32 O sacerdote que for ungido e investido para exercer o sacerdócio no lugar de seu pai fará expiação. Vestirá as vestes de linho, as vestes sagradas.
16:33 Fará expiação pelo santuário santo; fará expiação pela tenda do encontro e pelo altar; fará expiação pelos sacerdotes e por todo o povo da assembleia.
16:34 Isto será para vocês um estatuto perpétuo, para fazer expiação pelos filhos de Israel por todos os seus pecados, uma vez por ano.” E fez como o SENHOR havia ordenado a Moisés.

Capítulo 17
17:1 O SENHOR falou a Moisés:
17:2 “Fale a Arão, a seus filhos e a todos os filhos de Israel e diga-lhes: ‘Esta é a palavra que o SENHOR ordenou:
17:3 qualquer homem da casa de Israel que degolar um boi, um cordeiro ou uma cabra no acampamento ou fora do acampamento,
17:4 e não o levar à entrada da tenda do encontro para apresentá-lo como oferta ao SENHOR diante do tabernáculo do SENHOR, será considerado culpado de sangue. Derramou sangue, e esse homem será eliminado do meio de seu povo.
17:5 Isso é para que os filhos de Israel tragam os sacrifícios que oferecem em campo aberto, os tragam ao SENHOR, à entrada da tenda do encontro, ao sacerdote, e os sacrifiquem como sacrifícios de paz ao SENHOR.
17:6 O sacerdote lançará o sangue sobre o altar do SENHOR, à entrada da tenda do encontro, e queimará a gordura como aroma agradável ao SENHOR.
17:7 Não oferecerão mais seus sacrifícios aos demônios caprinos, seguindo os quais se prostituem. Isso será para eles um estatuto perpétuo ao longo de suas gerações.’
17:8 Diga-lhes também: ‘Qualquer homem da casa de Israel ou dos estrangeiros que residem entre eles que oferecer um holocausto ou um sacrifício,
17:9 e não o levar à entrada da tenda do encontro para oferecê-lo ao SENHOR, será eliminado de seu povo.
17:10 Se qualquer homem da casa de Israel ou dos estrangeiros que residem entre eles comer qualquer espécie de sangue, porei meu rosto contra a pessoa que comer o sangue e a eliminarei do meio de seu povo.
17:11 Pois a vida da carne está no sangue, e eu o dei a vocês sobre o altar para fazer expiação por suas vidas; pois é o sangue que faz expiação em virtude da vida.
17:12 Por isso disse aos filhos de Israel: “Ninguém de vocês comerá sangue, nem o estrangeiro que reside entre vocês comerá sangue”.
17:13 Qualquer homem dos filhos de Israel ou dos estrangeiros que residem entre eles que caçar um animal ou uma ave que se pode comer derramará seu sangue e o cobrirá com terra.
17:14 Pois, quanto à vida de toda carne, seu sangue é sua vida. Eu disse aos filhos de Israel: “Não comerão o sangue de nenhuma carne, porque a vida de toda carne é seu sangue”. Todo aquele que comer dele será eliminado.
17:15 Toda pessoa, seja natural da terra ou estrangeira, que comer de um animal que morreu por si ou foi despedaçado lavará suas roupas, se banhará com água e ficará impura até o anoitecer; depois ficará pura.
17:16 Mas, se não lavar suas roupas nem banhar o corpo, carregará sua culpa.’”

Capítulo 18
18:1 O SENHOR falou a Moisés:
18:2 “Fale aos filhos de Israel e diga-lhes: ‘Eu sou o SENHOR, seu Deus.
18:3 Não façam como se faz na terra do Egito, onde vocês viveram, nem façam como se faz na terra de Canaã, para onde os levo. Não sigam os costumes deles.
18:4 Cumpram minhas ordenanças e guardem meus estatutos para andarem neles. Eu sou o SENHOR, seu Deus.
18:5 Guardem meus estatutos e minhas ordenanças; quem os cumprir viverá por eles. Eu sou o SENHOR.
18:6 Nenhum homem entre vocês se aproxime de qualquer parente próximo para descobrir sua nudez. Eu sou o SENHOR.
18:7 Não descubra a nudez de seu pai nem a nudez de sua mãe. Ela é sua mãe; não descubra sua nudez.
18:8 Não descubra a nudez da mulher de seu pai; é a nudez de seu pai.
18:9 Não descubra a nudez de sua irmã, filha de seu pai ou filha de sua mãe, nascida em casa ou fora de casa; não descubra a nudez de nenhuma delas.
18:10 Não descubra a nudez da filha de seu filho nem da filha de sua filha, pois a nudez delas é sua própria nudez.
18:11 Não descubra a nudez da filha da mulher de seu pai, gerada por seu pai; ela é sua irmã. Não descubra sua nudez.
18:12 Não descubra a nudez da irmã de seu pai; ela é parente próxima de seu pai.
18:13 Não descubra a nudez da irmã de sua mãe, pois ela é parente próxima de sua mãe.
18:14 Não descubra a nudez do irmão de seu pai. Não se aproxime da mulher dele; ela é sua tia.
18:15 Não descubra a nudez de sua nora. Ela é mulher de seu filho; não descubra sua nudez.
18:16 Não descubra a nudez da mulher de seu irmão; é a nudez de seu irmão.
18:17 Não descubra a nudez de uma mulher e de sua filha. Não tome a filha do filho dela nem a filha da filha dela para descobrir sua nudez. São parentes próximas; é uma perversidade.
18:18 Não tome a irmã de sua mulher para torná-la rival de sua mulher, descobrindo a nudez dela enquanto sua mulher viver.
18:19 Não se aproxime de uma mulher durante sua impureza menstrual para descobrir sua nudez.
18:20 Não tenha relações sexuais com a mulher de seu próximo, contaminando-se com ela.
18:21 Não entregue nenhum de seus descendentes para oferecê-lo a Moloque, nem profane o nome de seu Deus. Eu sou o SENHOR.
18:22 Não se deite com um homem como se deita com uma mulher; é uma abominação.
18:23 Não tenha relações sexuais com nenhum animal, contaminando-se com ele. Nenhuma mulher se ponha diante de um animal para que ele se acasale com ela. É uma perversão.
18:24 Não se contaminem com nenhuma dessas coisas, pois com todas elas se contaminaram as nações que expulso de diante de vocês.
18:25 A terra ficou contaminada; castiguei-a por sua iniquidade, e a terra vomitou seus habitantes.
18:26 Mas vocês guardarão meus estatutos e minhas ordenanças e não praticarão nenhuma dessas abominações, nem o natural da terra nem o estrangeiro que reside entre vocês.
18:27 Pois os habitantes da terra que estavam antes de vocês praticaram todas essas abominações, e a terra ficou contaminada.
18:28 Para que a terra não vomite vocês por vocês a contaminarem, como vomitou a nação que estava antes de vocês.
18:29 Pois todos os que cometerem qualquer dessas abominações serão eliminados do meio de seu povo.
18:30 Cumpram o que lhes ordenei, para não praticarem nenhum dos costumes abomináveis que se praticaram antes de vocês e não se contaminarem com eles. Eu sou o SENHOR, seu Deus.’”

Capítulo 19
19:1 O SENHOR falou a Moisés:
19:2 “Fale a toda a comunidade dos filhos de Israel e diga-lhes: ‘Sejam santos, pois eu, o SENHOR, seu Deus, sou santo.
19:3 Cada um de vocês respeite sua mãe e seu pai. Guardem meus sábados. Eu sou o SENHOR, seu Deus.
19:4 Não se voltem aos ídolos nem façam para vocês deuses de metal fundido. Eu sou o SENHOR, seu Deus.
19:5 Quando oferecerem um sacrifício de paz ao SENHOR, ofereçam-no de modo que seja aceito em seu favor.
19:6 Será comido no dia em que o sacrificarem e no dia seguinte. O que restar até o terceiro dia será queimado no fogo.
19:7 Se for comido no terceiro dia, será uma abominação; não será aceito.
19:8 Quem dele comer carregará sua culpa, pois profanou o que é santo ao SENHOR; essa pessoa será eliminada de seu povo.
19:9 Quando colherem a safra de sua terra, você não ceifará por completo as extremidades do seu campo nem recolherá as espigas caídas de sua colheita.
19:10 Não recolha as uvas que restarem em sua vinha nem as uvas caídas. Deixe-as para o pobre e para o estrangeiro. Eu sou o SENHOR, seu Deus.
19:11 Não furtem, não enganem nem mintam uns aos outros.
19:12 Não jurem falsamente pelo meu nome, profanando o nome de seu Deus. Eu sou o SENHOR.
19:13 Não oprima seu próximo nem o roube. Não retenha consigo o salário do trabalhador contratado até a manhã seguinte.
19:14 Não amaldiçoe o surdo nem ponha um obstáculo diante do cego. Tema o seu Deus. Eu sou o SENHOR.
19:15 Não cometam injustiça ao julgar. Não favoreça o pobre nem mostre preferência pelo poderoso; julgue seu próximo com justiça.
19:16 Não ande como difamador entre seu povo. Não atente contra a vida de seu próximo. Eu sou o SENHOR.
19:17 Não odeie seu irmão no coração. Repreenda sem falta o seu próximo e não incorra em pecado por causa dele.
19:18 Não se vingue nem guarde rancor contra os filhos de seu povo; ame o seu próximo como a si mesmo. Eu sou o SENHOR.
19:19 Guardem meus estatutos. Não cruze animais de espécies diferentes no seu gado. Não semeie seu campo com sementes de tipos diferentes nem vista uma roupa tecida com mistura de fios de tipos diferentes.
19:20 Se um homem tiver relações sexuais com uma mulher que seja escrava prometida a outro homem, sem ter sido resgatada nem ter recebido a liberdade, haverá castigo. Não serão mortos, porque ela não foi libertada.
19:21 Ele levará ao SENHOR, à entrada da tenda do encontro, sua oferta pela culpa: um carneiro como oferta pela culpa.
19:22 Com o carneiro da oferta pela culpa, o sacerdote fará expiação por ele diante do SENHOR, pelo pecado que cometeu, e o pecado que cometeu lhe será perdoado.
19:23 Quando entrarem na terra e plantarem qualquer árvore frutífera, considerarão incircunciso o fruto dela. Durante três anos, será incircunciso para vocês; não será comido.
19:24 No quarto ano, todo o seu fruto será santo, para louvor ao SENHOR.
19:25 No quinto ano, comerão o seu fruto, para aumentar sua colheita. Eu sou o SENHOR, seu Deus.
19:26 Não comam nada com sangue. Não pratiquem adivinhação nem interpretem presságios.
19:27 Não cortem o cabelo arredondando as laterais da cabeça. Não danifique as extremidades de sua barba.
19:28 Não façam cortes no corpo por um morto. Não marquem o corpo com tatuagens. Eu sou o SENHOR.
19:29 Não profane sua filha, fazendo-a se prostituir, para que a terra não se prostitua nem se encha de perversidade.
19:30 Guardem meus sábados e reverenciem meu santuário. Eu sou o SENHOR.
19:31 Não recorram aos médiuns nem aos adivinhos. Não os consultem, contaminando-se com eles. Eu sou o SENHOR, seu Deus.
19:32 Levante-se diante de quem tem cabelos brancos, honre o idoso e tema o seu Deus. Eu sou o SENHOR.
19:33 Quando um estrangeiro residir com vocês em sua terra, não o oprimam.
19:34 O estrangeiro que reside com vocês será para vocês como um natural da terra. Ame-o como a si mesmo, pois vocês foram estrangeiros na terra do Egito. Eu sou o SENHOR, seu Deus.
19:35 Não cometam injustiça ao julgar, ao medir comprimentos, ao pesar ou ao medir capacidades.
19:36 Terão balanças justas, pesos justos, medidas justas para produtos secos e medidas justas para líquidos. Eu sou o SENHOR, seu Deus, que os tirei da terra do Egito.
19:37 Guardem todos os meus estatutos e todas as minhas ordenanças e os cumpram. Eu sou o SENHOR.’”

Capítulo 20
20:1 O SENHOR falou a Moisés:
20:2 “Diga aos filhos de Israel: ‘Qualquer homem dos filhos de Israel ou dos estrangeiros que residem em Israel que entregar algum de seus descendentes a Moloque certamente será morto. O povo da terra o apedrejará.
20:3 Eu porei meu rosto contra esse homem e o eliminarei do meio de seu povo, porque entregou algum de seus descendentes a Moloque, contaminando meu santuário e profanando meu santo nome.
20:4 Se o povo da terra fechar os olhos diante desse homem quando ele entregar algum de seus descendentes a Moloque, para não lhe dar morte,
20:5 eu porei meu rosto contra esse homem e sua família. Eliminarei do meio de seu povo esse homem e todos os que se prostituírem seguindo-o, prostituindo-se após Moloque.
20:6 Se uma pessoa recorrer aos médiuns e aos adivinhos para se prostituir seguindo-os, porei meu rosto contra essa pessoa e a eliminarei do meio de seu povo.
20:7 Consagrem-se e sejam santos, pois eu sou o SENHOR, seu Deus.
20:8 Guardem meus estatutos e os cumpram. Eu sou o SENHOR, que os santifico.
20:9 Qualquer homem que amaldiçoar seu pai ou sua mãe certamente será morto. Amaldiçoou seu pai ou sua mãe; seu sangue recairá sobre ele.
20:10 Se um homem cometer adultério com a mulher de outro homem, se cometer adultério com a mulher de seu próximo, certamente serão mortos o adúltero e a adúltera.
20:11 Se um homem se deitar com a mulher de seu pai, descobriu a nudez de seu pai. Ambos certamente serão mortos; o sangue deles recairá sobre eles.
20:12 Se um homem se deitar com sua nora, ambos certamente serão mortos. Cometeram uma perversão; o sangue deles recairá sobre eles.
20:13 Se um homem se deitar com um homem como se deita com uma mulher, ambos cometeram uma abominação. Certamente serão mortos; o sangue deles recairá sobre eles.
20:14 Se um homem tomar uma mulher e também a mãe dela, é uma perversidade. Queimarão no fogo a ele e a elas, para que não haja perversidade entre vocês.
20:15 Se um homem tiver relações sexuais com um animal, certamente será morto. Vocês também matarão o animal.
20:16 Se uma mulher se aproximar de um animal para que ele se acasale com ela, você matará a mulher e o animal. Certamente serão mortos; o sangue deles recairá sobre eles.
20:17 Se um homem tomar sua irmã, filha de seu pai ou de sua mãe, e vir a nudez dela, e ela vir a nudez dele, é uma vergonha. Serão eliminados à vista dos filhos de seu povo. Ele descobriu a nudez de sua irmã; carregará sua culpa.
20:18 Se um homem se deitar com uma mulher durante sua menstruação e descobrir sua nudez, deixou descoberta a fonte dela, e ela descobriu a fonte de seu sangue. Ambos serão eliminados do meio de seu povo.
20:19 Não descubra a nudez da irmã de sua mãe nem da irmã de seu pai, pois quem fizer isso deixou descoberta uma parente próxima; ambos carregarão sua culpa.
20:20 Se um homem se deitar com a mulher de seu tio, descobriu a nudez de seu tio. Carregarão seu pecado e morrerão sem filhos.
20:21 Se um homem tomar a mulher de seu irmão, é uma impureza. Descobriu a nudez de seu irmão; ficarão sem filhos.
20:22 Guardem todos os meus estatutos e todas as minhas ordenanças e os cumpram, para que não os vomite a terra para onde os levo a morar.
20:23 Não sigam os costumes da nação que expulso de diante de vocês, pois eles fizeram todas essas coisas, e tive repulsa por eles.
20:24 Eu lhes disse: “Vocês herdarão a terra deles, e eu a darei a vocês como propriedade, uma terra que mana leite e mel”. Eu sou o SENHOR, seu Deus, que os separei dos povos.
20:25 Distingam entre o animal puro e o impuro e entre a ave impura e a pura. Não se tornem detestáveis por causa dos animais, das aves ou de qualquer ser que rasteje sobre a terra, que separei para vocês como impuros.
20:26 Sejam santos para mim, pois eu, o SENHOR, sou santo. Eu os separei dos povos para que sejam meus.
20:27 Homens ou mulheres que forem médiuns ou adivinhos certamente serão mortos. Vocês os apedrejarão; o sangue deles recairá sobre eles.’”

Capítulo 21
21:1 O SENHOR disse a Moisés: “Fale aos sacerdotes, os filhos de Arão, e diga-lhes: ‘O sacerdote não se tornará impuro por um morto entre seu povo,
21:2 exceto por um parente próximo: sua mãe, seu pai, seu filho, sua filha ou seu irmão,
21:3 ou por sua irmã virgem, próxima dele, que não tenha tido marido; por ela poderá se tornar impuro.
21:4 Como marido entre seu povo, não se tornará impuro, profanando-se.
21:5 Não se fará calva na cabeça deles; não rasparão as extremidades da barba nem farão cortes no corpo.
21:6 Serão santos para seu Deus e não profanarão o nome de seu Deus, pois apresentam as ofertas queimadas do SENHOR, o alimento de seu Deus. Por isso serão santos.
21:7 Não tomarão por esposa uma prostituta nem uma mulher profanada, nem uma mulher divorciada de seu marido, pois o sacerdote é santo para seu Deus.
21:8 Você o consagrará, pois ele apresenta o alimento de seu Deus. Ele será santo para você, pois eu, o SENHOR, que os santifico, sou santo.
21:9 Se a filha de um sacerdote se profanar prostituindo-se, profana seu pai; será queimada no fogo.
21:10 O sumo sacerdote entre seus irmãos, sobre cuja cabeça foi derramado o óleo da unção e que foi investido para vestir as vestes, não deixará o cabelo desgrenhado nem rasgará suas vestes.
21:11 Não entrará onde houver um morto nem se tornará impuro por seu pai ou por sua mãe.
21:12 Não sairá do santuário nem profanará o santuário de seu Deus, pois sobre ele está a consagração do óleo da unção de seu Deus. Eu sou o SENHOR.
21:13 Tomará por esposa uma mulher virgem.
21:14 Não tomará uma viúva, uma divorciada, uma mulher profanada nem uma prostituta; tomará por esposa uma virgem de seu povo.
21:15 Não profanará sua descendência entre seu povo, pois eu sou o SENHOR, que o santifico.’”
21:16 O SENHOR falou a Moisés:
21:17 “Fale a Arão: ‘Ao longo de suas gerações, nenhum homem de sua descendência que tiver um defeito físico se aproximará para apresentar o alimento de seu Deus.
21:18 Pois nenhum homem que tiver um defeito físico se aproximará: nem o cego, nem o manco, nem quem tiver o rosto desfigurado ou um membro demasiadamente comprido,
21:19 nem quem tiver um pé ou uma mão quebrados,
21:20 nem o corcunda, nem o anão, nem quem tiver uma mancha no olho, feridas ou crostas na pele, ou um testículo esmagado.
21:21 Nenhum homem da descendência do sacerdote Arão que tiver um defeito físico se aproximará para apresentar as ofertas queimadas do SENHOR. Tem um defeito físico; não se aproximará para apresentar o alimento de seu Deus.
21:22 Poderá comer do alimento de seu Deus, tanto das coisas santíssimas como das santas.
21:23 Mas não entrará até o véu nem se aproximará do altar, porque tem um defeito físico, para não profanar meus santuários, pois eu sou o SENHOR, que os santifico.’”
21:24 Moisés falou isso a Arão, a seus filhos e a todos os filhos de Israel.

Capítulo 22
22:1 O SENHOR falou a Moisés:
22:2 “Fale a Arão e a seus filhos para que se mantenham afastados das coisas sagradas que os filhos de Israel me consagram e não profanem meu santo nome. Eu sou o SENHOR.
22:3 Diga-lhes: ‘Ao longo de suas gerações, qualquer homem de toda a sua descendência que, estando impuro, se aproximar das coisas sagradas que os filhos de Israel consagram ao SENHOR será eliminado da minha presença. Eu sou o SENHOR.
22:4 Nenhum homem da descendência de Arão que tiver lepra ou fluxo comerá das coisas sagradas até ficar puro. Tampouco quem tocar em algo impuro por um morto, nem o homem que tiver uma emissão de sêmen,
22:5 nem quem tocar em algum pequeno animal que o torne impuro, ou numa pessoa que o torne impuro por qualquer uma de suas impurezas.
22:6 A pessoa que tocar em algo disso ficará impura até o anoitecer e não comerá das coisas sagradas antes de banhar o corpo com água.
22:7 Quando o sol se puser, ficará pura; depois poderá comer das coisas sagradas, pois são seu alimento.
22:8 Não comerá de animal que morreu por si ou foi despedaçado, contaminando-se com ele. Eu sou o SENHOR.
22:9 Cumprirão o encargo que lhes dei, para não carregarem pecado por isso nem morrerem por profanarem o que é sagrado. Eu sou o SENHOR, que os santifico.
22:10 Ninguém alheio ao sacerdócio comerá do que é sagrado. Nem o hóspede do sacerdote nem o trabalhador contratado comerão do que é sagrado.
22:11 Mas, se um sacerdote comprar uma pessoa com seu dinheiro, ela poderá comer dessas coisas. Também os nascidos em sua casa poderão comer de seu alimento.
22:12 Se a filha de um sacerdote se casar com um homem alheio ao sacerdócio, não comerá da oferta das coisas sagradas.
22:13 Mas, se a filha de um sacerdote ficar viúva ou divorciada, não tiver descendência e voltar à casa de seu pai como em sua juventude, poderá comer do alimento de seu pai. Ninguém alheio ao sacerdócio comerá dele.
22:14 Se alguém comer por engano do que é sagrado, acrescentará um quinto e restituirá ao sacerdote o que é sagrado.
22:15 Não profanem as coisas sagradas que os filhos de Israel oferecem ao SENHOR,
22:16 nem os façam carregar a culpa de uma falta por comerem suas coisas sagradas, pois eu sou o SENHOR, que os santifico.’”
22:17 O SENHOR falou a Moisés:
22:18 “Fale a Arão, a seus filhos e a todos os filhos de Israel e diga-lhes: ‘Qualquer homem da casa de Israel ou dos estrangeiros em Israel que apresentar sua oferta, por qualquer um de seus votos ou de suas ofertas voluntárias, que vocês apresentarem ao SENHOR como holocausto,
22:19 para que seja aceita em seu favor, apresentará um macho sem defeito do gado bovino, das ovelhas ou das cabras.
22:20 Não apresentem nenhum animal que tiver um defeito, pois não será aceito em seu favor.
22:21 Se alguém apresentar ao SENHOR um sacrifício de paz do gado bovino ou do rebanho, para cumprir um voto ou como oferta voluntária, o animal deverá ser sem defeito para ser aceito; não terá defeito algum.
22:22 Não apresentem ao SENHOR nenhum animal cego, fraturado, mutilado, com verrugas, feridas ou crostas; não ponham nenhum deles no altar como oferta queimada ao SENHOR.
22:23 Um bovino ou um animal do rebanho que tiver um membro demasiadamente comprido ou atrofiado você poderá apresentar como oferta voluntária, mas não será aceito para cumprir um voto.
22:24 Não apresentem ao SENHOR nenhum animal com testículos machucados, esmagados, arrancados ou cortados. Não façam isso em sua terra.
22:25 Também não apresentem, da mão de um estrangeiro, nenhum desses animais como alimento de seu Deus, pois há neles mutilação e defeito; não serão aceitos em seu favor.’”
22:26 O SENHOR falou a Moisés:
22:27 “Quando nascer um bezerro, um cordeiro ou um cabrito, ficará sete dias com sua mãe. A partir do oitavo dia, será aceito como oferta queimada ao SENHOR.
22:28 Seja do gado bovino, seja do rebanho, não degolem o animal e sua cria no mesmo dia.
22:29 Quando oferecerem ao SENHOR um sacrifício de ação de graças, ofereçam-no de modo que seja aceito em seu favor.
22:30 Será comido nesse mesmo dia; não deixem nada dele até a manhã. Eu sou o SENHOR.
22:31 Guardem meus mandamentos e os cumpram. Eu sou o SENHOR.
22:32 Não profanem meu santo nome. Serei santificado no meio dos filhos de Israel. Eu sou o SENHOR, que os santifico,
22:33 que os tirei da terra do Egito para ser o seu Deus. Eu sou o SENHOR.”

Capítulo 23
23:1 O SENHOR falou a Moisés:
23:2 “Fale aos filhos de Israel e diga-lhes: ‘Estas são as festas fixadas pelo SENHOR, que vocês proclamarão como santas convocações; estas são minhas festas fixadas.
23:3 Durante seis dias se trabalhará, mas o sétimo dia será um sábado de descanso solene, uma santa convocação. Não façam trabalho algum; é um sábado para o SENHOR em todos os lugares onde vocês habitarem.
23:4 Estas são as festas fixadas pelo SENHOR, as santas convocações que proclamarão nos tempos determinados:
23:5 no dia catorze do primeiro mês, ao entardecer, é a Páscoa do SENHOR.
23:6 No dia quinze desse mês é a Festa dos Pães sem Fermento para o SENHOR. Durante sete dias vocês comerão pães sem fermento.
23:7 No primeiro dia terão uma santa convocação; não façam nenhum trabalho habitual.
23:8 Durante sete dias apresentarão ofertas queimadas ao SENHOR. No sétimo dia haverá uma santa convocação; não façam nenhum trabalho habitual.’”
23:9 O SENHOR falou a Moisés:
23:10 “Fale aos filhos de Israel e diga-lhes: ‘Quando entrarem na terra que lhes dou e colherem sua safra, trarão ao sacerdote um feixe das primícias de sua colheita.
23:11 Ele moverá o feixe diante do SENHOR, para que seja aceito em seu favor; o sacerdote o moverá no dia seguinte ao sábado.
23:12 No dia em que moverem o feixe, oferecerão ao SENHOR, como holocausto, um cordeiro de um ano sem defeito.
23:13 Sua oferta de cereal será de cerca de 4 litros de farinha fina amassada com azeite, como oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR; sua libação será de cerca de 1 litro de vinho.
23:14 Não comerão pão, grão tostado nem grão fresco até esse mesmo dia, até que tenham trazido a oferta de seu Deus. É um estatuto perpétuo ao longo de suas gerações, em todos os lugares onde habitarem.
23:15 Contarão desde o dia seguinte ao sábado, desde o dia em que trouxerem o feixe da oferta movida; serão sete semanas completas.
23:16 Contarão cinquenta dias, até o dia seguinte ao sétimo sábado, e apresentarão uma nova oferta de cereal ao SENHOR.
23:17 De suas moradas trarão dois pães como oferta movida, feitos de cerca de 4 litros de farinha fina. Serão assados com fermento, como primícias para o SENHOR.
23:18 Com o pão apresentarão sete cordeiros de um ano sem defeito, um novilho e dois carneiros. Serão um holocausto ao SENHOR, com sua oferta de cereal e suas libações, uma oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR.
23:19 Oferecerão um bode como oferta pelo pecado e dois cordeiros de um ano como sacrifício de paz.
23:20 O sacerdote moverá os dois cordeiros junto com o pão das primícias, como oferta movida diante do SENHOR. Serão santos para o SENHOR e pertencerão ao sacerdote.
23:21 Nesse mesmo dia proclamarão uma santa convocação; não façam nenhum trabalho habitual. É um estatuto perpétuo em todos os lugares onde habitarem, ao longo de suas gerações.
23:22 Quando colherem a safra de sua terra, você não ceifará por completo as extremidades do seu campo ao ceifar, nem recolherá as espigas caídas de sua colheita. Deixe-as para o pobre e para o estrangeiro. Eu sou o SENHOR, seu Deus.’”
23:23 O SENHOR falou a Moisés:
23:24 “Fale aos filhos de Israel: ‘No primeiro dia do sétimo mês terão um descanso solene, um memorial com toques de trombeta, uma santa convocação.
23:25 Não façam nenhum trabalho habitual e apresentem uma oferta queimada ao SENHOR.’”
23:26 O SENHOR falou a Moisés:
23:27 “O décimo dia desse sétimo mês é o Dia da Expiação. Terão uma santa convocação, se humilharão e apresentarão uma oferta queimada ao SENHOR.
23:28 Não façam trabalho algum nesse mesmo dia, pois é o Dia da Expiação, para fazer expiação por vocês diante do SENHOR, seu Deus.
23:29 Toda pessoa que não se humilhar nesse mesmo dia será eliminada de seu povo.
23:30 A toda pessoa que fizer algum trabalho nesse mesmo dia, eu a destruirei do meio de seu povo.
23:31 Não façam trabalho algum. É um estatuto perpétuo ao longo de suas gerações, em todos os lugares onde habitarem.
23:32 Será para vocês um sábado de descanso solene, e vocês se humilharão. Desde o entardecer do dia nove do mês, de uma tarde a outra, guardarão seu sábado.”
23:33 O SENHOR falou a Moisés:
23:34 “Fale aos filhos de Israel: ‘No dia quinze desse sétimo mês começa a Festa das Cabanas para o SENHOR, que durará sete dias.
23:35 No primeiro dia haverá uma santa convocação; não façam nenhum trabalho habitual.
23:36 Durante sete dias apresentarão ofertas queimadas ao SENHOR. No oitavo dia terão uma santa convocação e apresentarão uma oferta queimada ao SENHOR. É uma assembleia solene; não façam nenhum trabalho habitual.
23:37 Estas são as festas fixadas pelo SENHOR, que proclamarão como santas convocações, para apresentar ofertas queimadas ao SENHOR: holocaustos, ofertas de cereal, sacrifícios e libações, cada qual em seu dia,
23:38 além dos sábados do SENHOR, além de suas dádivas, além de todos os seus votos e além de todas as suas ofertas voluntárias que derem ao SENHOR.
23:39 Porém, no dia quinze do sétimo mês, quando tiverem recolhido a colheita da terra, celebrarão a festa do SENHOR durante sete dias. No primeiro dia haverá descanso solene, e no oitavo dia haverá descanso solene.
23:40 No primeiro dia tomarão frutos de árvores belas, ramos de palmeiras, ramos de árvores frondosas e salgueiros dos riachos e se alegrarão diante do SENHOR, seu Deus, durante sete dias.
23:41 Vocês a celebrarão como festa para o SENHOR durante sete dias a cada ano. É um estatuto perpétuo ao longo de suas gerações; a celebrarão no sétimo mês.
23:42 Habitarão em cabanas durante sete dias; todos os naturais de Israel habitarão em cabanas,
23:43 para que suas gerações saibam que fiz habitar em cabanas os filhos de Israel quando os tirei da terra do Egito. Eu sou o SENHOR, seu Deus.’”
23:44 Moisés anunciou aos filhos de Israel as festas fixadas pelo SENHOR.

Capítulo 24
24:1 O SENHOR falou a Moisés:
24:2 “Ordene aos filhos de Israel que lhe tragam azeite puro de azeitonas batidas para a iluminação, para manter a lâmpada acesa continuamente.
24:3 Fora do véu do Testemunho, na tenda do encontro, Arão cuidará dela desde o entardecer até a manhã, diante do SENHOR, continuamente. É um estatuto perpétuo ao longo de suas gerações.
24:4 Ele disporá as lâmpadas sobre o candelabro puro, diante do SENHOR, continuamente.
24:5 Você tomará farinha fina e assará com ela doze pães; cada pão será feito de cerca de 4 litros de farinha.
24:6 Você os colocará em duas fileiras, seis em cada fileira, sobre a mesa pura, diante do SENHOR.
24:7 Sobre cada fileira porá incenso puro, que será porção memorial do pão, uma oferta queimada ao SENHOR.
24:8 De sábado em sábado, ele o disporá continuamente diante do SENHOR, da parte dos filhos de Israel, como aliança perpétua.
24:9 Esse pão pertencerá a Arão e a seus filhos, e eles o comerão em lugar santo, pois é coisa santíssima para ele, dentre as ofertas queimadas ao SENHOR, como estatuto perpétuo.”
24:10 O filho de uma mulher israelita, cujo pai era egípcio, saiu para o meio dos filhos de Israel. No acampamento, o filho da israelita e um homem israelita brigaram.
24:11 O filho da mulher israelita blasfemou o Nome e amaldiçoou, e o levaram a Moisés. Sua mãe se chamava Selomite, filha de Dibri, da tribo de Dã.
24:12 Eles o puseram sob custódia, para que o assunto lhes fosse esclarecido pela palavra do SENHOR.
24:13 O SENHOR falou a Moisés:
24:14 “Leve para fora do acampamento aquele que amaldiçoou. Todos os que o ouviram apoiarão suas mãos sobre a cabeça dele, e toda a comunidade o apedrejará.
24:15 Diga aos filhos de Israel: ‘Qualquer pessoa que amaldiçoar seu Deus carregará seu pecado.
24:16 Quem blasfemar o nome do SENHOR certamente será morto. Toda a comunidade certamente o apedrejará. Seja estrangeiro, seja natural, quem blasfemar o Nome será morto.
24:17 Se um homem matar qualquer pessoa, certamente será morto.
24:18 Quem matar um animal o restituirá: vida por vida.
24:19 Se alguém causar uma lesão a seu próximo, será feito a ele como fez:
24:20 fratura por fratura, olho por olho, dente por dente. A lesão que causar a uma pessoa será causada a ele.
24:21 Quem matar um animal o restituirá, mas quem matar uma pessoa será morto.
24:22 Haverá para vocês uma mesma lei, tanto para o estrangeiro como para o natural, pois eu sou o SENHOR, seu Deus.’”
24:23 Moisés falou aos filhos de Israel, e eles levaram para fora do acampamento aquele que havia amaldiçoado e o apedrejaram com pedras. Os filhos de Israel fizeram como o SENHOR havia ordenado a Moisés.

Capítulo 25
25:1 O SENHOR falou a Moisés no monte Sinai:
25:2 “Fale aos filhos de Israel e diga-lhes: ‘Quando entrarem na terra que lhes dou, a terra guardará um sábado para o SENHOR.
25:3 Durante seis anos você semeará seu campo, e durante seis anos podará sua vinha e recolherá sua colheita.
25:4 Mas, no sétimo ano, haverá para a terra um sábado de descanso solene, um sábado para o SENHOR. Não semeie seu campo nem pode sua vinha.
25:5 Não ceife o que nascer por si mesmo de sua colheita, nem colha as uvas de suas videiras não podadas. Será um ano de descanso solene para a terra.
25:6 O que a terra produzir durante seu descanso servirá de alimento a vocês: a você, ao seu escravo, à sua escrava, ao seu trabalhador contratado e ao residente que vive com você.
25:7 Também seu gado e os animais selvagens que estiverem em sua terra poderão comer de toda a sua produção.
25:8 Você contará sete semanas de anos, sete anos sete vezes; o tempo das sete semanas de anos será de quarenta e nove anos.
25:9 Você fará ressoar a trombeta com um forte toque no dia dez do sétimo mês. No Dia da Expiação, farão ressoar a trombeta por toda a sua terra.
25:10 Consagrarão o quinquagésimo ano e proclamarão liberdade na terra a todos os seus habitantes. Será um jubileu para vocês; cada um voltará à sua propriedade, e cada um voltará à sua família.
25:11 O quinquagésimo ano será um jubileu para vocês. Não semearão, não ceifarão o que nascer por si mesmo, nem colherão as uvas das videiras não podadas.
25:12 Pois é jubileu; será santo para vocês. Comerão o que o campo produzir.
25:13 Nesse ano do jubileu, cada um voltará à sua propriedade.
25:14 Quando venderem algo a seu próximo ou comprarem algo de seu próximo, que ninguém prejudique seu irmão.
25:15 Você comprará de seu próximo segundo o número de anos desde o jubileu; ele lhe venderá segundo o número de anos de colheita.
25:16 Quanto maior o número de anos, mais você pagará pela compra; quanto menor o número de anos, menos você pagará, pois ele lhe vende um número de colheitas.
25:17 Que ninguém prejudique seu próximo. Você temerá seu Deus, pois eu sou o SENHOR, seu Deus.
25:18 Vocês cumprirão meus estatutos, guardarão minhas ordenanças e as praticarão; assim habitarão seguros na terra.
25:19 A terra dará seu fruto, vocês comerão até se saciar e habitarão seguros nela.
25:20 Se perguntarem: “O que comeremos no sétimo ano, se não semearmos nem recolhermos nossa colheita?”,
25:21 eu ordenarei minha bênção sobre vocês no sexto ano, e a terra produzirá uma colheita para três anos.
25:22 Semearão no oitavo ano e comerão da colheita antiga; até o nono ano, até chegar sua colheita, comerão da antiga.
25:23 A terra não será vendida para sempre, pois a terra é minha; vocês são estrangeiros e residentes comigo.
25:24 Em toda a terra de sua propriedade, concederão o direito de resgate da terra.
25:25 Se seu irmão empobrecer e vender parte de sua propriedade, virá seu parente próximo, seu resgatador, e resgatará o que seu irmão vendeu.
25:26 Se um homem não tiver resgatador, mas conseguir recursos e tiver o suficiente para seu resgate,
25:27 calculará os anos desde a venda, devolverá o saldo ao homem a quem vendeu a propriedade e voltará à sua propriedade.
25:28 Mas, se não conseguir o suficiente para restituir-lhe, o que vendeu ficará em poder do comprador até o ano do jubileu. No jubileu, a propriedade ficará livre, e ele voltará à sua propriedade.
25:29 Se um homem vender uma casa de moradia numa cidade amuralhada, poderá resgatá-la até se completar um ano desde sua venda; durante esse tempo poderá resgatá-la.
25:30 Se não for resgatada antes de se completar um ano inteiro, a casa situada na cidade que não tem muralha pertencerá para sempre ao comprador, ao longo de suas gerações. Não ficará livre no jubileu.
25:31 As casas das aldeias que não têm muralha ao redor serão consideradas como os campos da terra. Haverá direito de resgate para elas, e ficarão livres no jubileu.
25:32 Quanto às cidades dos levitas, os levitas terão direito perpétuo de resgate das casas nas cidades de sua propriedade.
25:33 Quando um dos levitas fizer um resgate, a casa vendida na cidade de sua propriedade ficará livre no jubileu, pois as casas das cidades dos levitas são sua propriedade entre os filhos de Israel.
25:34 O campo de pastagem de suas cidades não será vendido, pois é sua propriedade perpétua.
25:35 Se seu irmão empobrecer e seus recursos diminuírem junto de você, você o sustentará como estrangeiro e residente, para que viva com você.
25:36 Não cobre dele juros nem acréscimo, mas tema seu Deus, para que seu irmão viva com você.
25:37 Não lhe empreste seu dinheiro a juros, nem lhe dê seus alimentos cobrando acréscimo.
25:38 Eu sou o SENHOR, seu Deus, que os tirei da terra do Egito para lhes dar a terra de Canaã e ser seu Deus.
25:39 Se seu irmão empobrecer junto de você e for vendido a você, não o fará trabalhar como escravo.
25:40 Ele estará com você como trabalhador contratado, como residente; trabalhará com você até o ano do jubileu.
25:41 Então sairá de junto de você, ele e seus filhos com ele, e voltará à sua família e voltará à propriedade de seus pais.
25:42 Pois eles são meus servos, que tirei da terra do Egito; não serão vendidos como se vende um escravo.
25:43 Não o domine com dureza, mas tema seu Deus.
25:44 Seus escravos e escravas serão das nações que estão ao redor de vocês; delas vocês comprarão escravos e escravas.
25:45 Também comprarão dentre os filhos dos residentes que vivem com vocês e dentre os membros de suas famílias que estão com vocês, que eles geraram em sua terra. Serão propriedade de vocês.
25:46 Vocês os deixarão como herança a seus filhos depois de vocês, para que os possuam como propriedade; vocês se servirão deles para sempre. Mas, quanto a seus irmãos, os filhos de Israel, ninguém domine seu irmão com dureza.
25:47 Se um estrangeiro residente que vive com você enriquecer, e seu irmão empobrecer junto dele e for vendido a um estrangeiro residente que vive com você ou a algum membro da família do estrangeiro,
25:48 depois de vendido, terá direito de resgate. Um de seus irmãos o resgatará,
25:49 ou seu tio ou o filho de seu tio o resgatará, ou algum parente próximo de sua família o resgatará; ou, se conseguir recursos, ele mesmo se resgatará.
25:50 Ele fará a conta com seu comprador, desde o ano em que foi vendido a ele até o ano do jubileu. O preço de sua venda será calculado segundo o número de anos; seu tempo com ele será como o de um trabalhador contratado.
25:51 Se ainda restarem muitos anos, restituirá por seu resgate uma parte do preço de sua compra proporcional a esses anos.
25:52 Se restarem poucos anos até o ano do jubileu, fará a conta com ele e restituirá o preço de seu resgate segundo esses anos.
25:53 Ele estará com o comprador como trabalhador contratado, ano a ano. O comprador não o dominará com dureza diante de você.
25:54 Se não for resgatado por esses meios, sairá livre no ano do jubileu, ele e seus filhos com ele.
25:55 Pois os filhos de Israel são servos meus; são meus servos, que tirei da terra do Egito. Eu sou o SENHOR, seu Deus.’”

Capítulo 26
26:1 “Não façam ídolos para vocês, nem levantem imagem esculpida ou coluna sagrada para vocês, nem ponham em sua terra uma pedra esculpida para se prostrar sobre ela, pois eu sou o SENHOR, seu Deus.
26:2 Guardem meus sábados e reverenciem meu santuário. Eu sou o SENHOR.
26:3 Se andarem em meus estatutos, guardarem meus mandamentos e os praticarem,
26:4 eu lhes darei as chuvas a seu tempo; a terra dará sua colheita, e as árvores do campo darão seu fruto.
26:5 A debulha de vocês alcançará a colheita das uvas, e a colheita das uvas alcançará a semeadura. Comerão seu pão até se saciar e habitarão seguros em sua terra.
26:6 Darei paz na terra, e vocês se deitarão sem que ninguém os amedronte. Farei desaparecer da terra os animais nocivos, e a espada não passará por sua terra.
26:7 Vocês perseguirão seus inimigos, e eles cairão à espada diante de vocês.
26:8 Cinco de vocês perseguirão cem, e cem de vocês perseguirão dez mil. Seus inimigos cairão à espada diante de vocês.
26:9 Eu me voltarei para vocês, os farei frutificar e os multiplicarei, e confirmarei minha aliança com vocês.
26:10 Comerão da colheita antiga, guardada por longo tempo, e retirarão a antiga para dar lugar à nova.
26:11 Colocarei meu tabernáculo no meio de vocês, e minha alma não sentirá repulsa por vocês.
26:12 Andarei no meio de vocês, serei seu Deus, e vocês serão meu povo.
26:13 Eu sou o SENHOR, seu Deus, que os tirei da terra do Egito para que deixassem de ser escravos deles. Quebrei as barras de seu jugo e os fiz caminhar erguidos.
26:14 Mas, se não me ouvirem nem cumprirem todos estes mandamentos,
26:15 se rejeitarem meus estatutos e sua alma sentir repulsa por minhas ordenanças, deixando de cumprir todos os meus mandamentos e quebrando minha aliança,
26:16 eu também lhes farei isto: trarei sobre vocês terror, doença debilitante e febre, que consumirão os olhos e esgotarão a vida. Vocês semearão sua semente em vão, pois seus inimigos a comerão.
26:17 Voltarei meu rosto contra vocês, e serão derrotados diante de seus inimigos. Os que os odeiam os dominarão, e vocês fugirão sem que ninguém os persiga.
26:18 Se, mesmo com tudo isso, não me ouvirem, voltarei a castigá-los sete vezes mais por seus pecados.
26:19 Quebrarei o orgulho de sua força e farei seus céus como ferro e sua terra como cobre.
26:20 Sua força se consumirá em vão; sua terra não dará sua colheita, e as árvores da terra não darão seu fruto.
26:21 Se agirem com hostilidade contra mim e não quiserem me ouvir, trarei sobre vocês sete vezes mais pragas, conforme seus pecados.
26:22 Enviarei contra vocês as feras do campo, que os deixarão sem filhos, destruirão seu gado e reduzirão seu número; seus caminhos ficarão desertos.
26:23 Se, com essas coisas, não aceitarem minha correção, mas agirem com hostilidade contra mim,
26:24 eu também agirei com hostilidade contra vocês; eu mesmo os ferirei sete vezes mais por seus pecados.
26:25 Trarei contra vocês a espada, que executará a vingança da aliança. Vocês se reunirão em suas cidades; enviarei a peste no meio de vocês, e serão entregues nas mãos do inimigo.
26:26 Quando eu quebrar o sustento de pão de vocês, dez mulheres assarão seu pão num só forno e lhes devolverão o pão por peso. Vocês comerão, mas não se saciarão.
26:27 Se, mesmo com isso, não me ouvirem, mas agirem com hostilidade contra mim,
26:28 eu agirei com furiosa hostilidade contra vocês; eu mesmo os castigarei sete vezes mais por seus pecados.
26:29 Vocês comerão a carne de seus filhos e comerão a carne de suas filhas.
26:30 Destruirei seus lugares altos, derrubarei seus altares de incenso e porei seus cadáveres sobre os cadáveres de seus ídolos; minha alma sentirá repulsa por vocês.
26:31 Deixarei suas cidades em ruínas e desolarei seus santuários; não sentirei seus aromas agradáveis.
26:32 Eu mesmo desolarei a terra, e seus inimigos que habitarem nela ficarão horrorizados.
26:33 A vocês eu espalharei entre as nações e desembainharei a espada atrás de vocês. Sua terra ficará desolada, e suas cidades ficarão em ruínas.
26:34 Então a terra desfrutará de seus sábados durante todos os dias em que estiver desolada, enquanto vocês estiverem na terra de seus inimigos. Então a terra descansará e desfrutará de seus sábados.
26:35 Durante todos os dias em que estiver desolada, terá o descanso que não teve nos sábados de vocês, quando habitavam nela.
26:36 Quanto aos que restarem de vocês, infundirei covardia em seu coração, nas terras de seus inimigos. O som de uma folha arrastada os perseguirá; fugirão como quem foge da espada e cairão sem que ninguém os persiga.
26:37 Tropeçarão uns nos outros como diante da espada, sem que ninguém os persiga, e não poderão se manter de pé diante de seus inimigos.
26:38 Vocês perecerão entre as nações, e a terra de seus inimigos os devorará.
26:39 Os que restarem de vocês se consumirão por sua iniquidade nas terras de seus inimigos; também por causa das iniquidades de seus pais se consumirão com eles.
26:40 Se confessarem sua iniquidade e a iniquidade de seus pais, a infidelidade com que foram infiéis a mim, e também que agiram com hostilidade contra mim,
26:41 (eu também terei agido com hostilidade contra eles e os terei levado à terra de seus inimigos), ou se então seu coração incircunciso se humilhar e aceitarem o castigo de sua iniquidade,
26:42 eu me lembrarei de minha aliança com Jacó, e também de minha aliança com Isaque; também de minha aliança com Abraão me lembrarei, e da terra me lembrarei.
26:43 A terra será abandonada por eles e desfrutará de seus sábados enquanto estiver desolada sem eles. Eles aceitarão o castigo de sua iniquidade, precisamente porque rejeitaram minhas ordenanças e sua alma sentiu repulsa por meus estatutos.
26:44 Mas, mesmo assim, quando estiverem na terra de seus inimigos, não os rejeitarei nem sentirei repulsa por eles a ponto de exterminá-los e quebrar minha aliança com eles, pois eu sou o SENHOR, seu Deus.
26:45 Em favor deles, eu me lembrarei da aliança com seus antepassados, que tirei da terra do Egito diante dos olhos das nações, para ser seu Deus. Eu sou o SENHOR.”
26:46 Estes são os estatutos, as ordenanças e as leis que o SENHOR estabeleceu entre si e os filhos de Israel no monte Sinai, por meio de Moisés.

Capítulo 27
27:1 O SENHOR falou a Moisés:
27:2 “Fale aos filhos de Israel e diga-lhes: ‘Quando um homem fizer um voto especial para consagrar pessoas ao SENHOR segundo a avaliação que você fizer,
27:3 sua avaliação de um homem de vinte a sessenta anos será de cinquenta siclos de prata, cerca de 570 gramas, segundo o siclo do santuário.
27:4 Se for mulher, sua avaliação será de trinta siclos de prata, cerca de 342 gramas.
27:5 De cinco a vinte anos, sua avaliação será de vinte siclos de prata, cerca de 228 gramas, para o sexo masculino, e de dez siclos, cerca de 114 gramas, para o sexo feminino.
27:6 De um mês de idade a cinco anos, sua avaliação será de cinco siclos de prata, cerca de 57 gramas, para o menino, e de três siclos de prata, cerca de 34 gramas, para a menina.
27:7 De sessenta anos para cima, se for homem, sua avaliação será de quinze siclos de prata, cerca de 171 gramas; para a mulher, será de dez siclos, cerca de 114 gramas.
27:8 Se ele for pobre demais para pagar o valor que você fixar, será apresentado diante do sacerdote, e o sacerdote o avaliará. O sacerdote o avaliará de acordo com os recursos de quem fez o voto.
27:9 Se for um animal da espécie que se pode apresentar como oferta ao SENHOR, todo animal dessa espécie que alguém der ao SENHOR será santo.
27:10 Não o trocará nem o substituirá, bom por ruim ou ruim por bom. Se substituir um animal por outro, tanto ele como seu substituto serão santos.
27:11 Se for algum animal impuro, dos que não se podem apresentar como oferta ao SENHOR, apresentará o animal diante do sacerdote.
27:12 O sacerdote o avaliará, seja bom ou ruim; o valor será conforme sua avaliação, sacerdote.
27:13 Se o resgatar, acrescentará um quinto ao valor que você fixar.
27:14 Se um homem consagrar sua casa como santa ao SENHOR, o sacerdote a avaliará, seja boa ou ruim. O valor que o sacerdote fixar ficará estabelecido.
27:15 Se quem consagrou a casa a resgatar, acrescentará um quinto ao valor que você fixar, e a casa pertencerá a quem a consagrou.
27:16 Se um homem consagrar ao SENHOR parte de um campo de sua propriedade, sua avaliação será conforme a semente necessária para semeá-lo: cinquenta siclos de prata, cerca de 570 gramas, por cerca de 220 litros de semente de cevada.
27:17 Se consagrar seu campo desde o ano do jubileu, sua avaliação ficará estabelecida.
27:18 Se consagrar seu campo depois do jubileu, o sacerdote calculará o valor segundo os anos que restarem até o ano do jubileu, e haverá um desconto em sua avaliação.
27:19 Se quem consagrou o campo o resgatar, acrescentará um quinto ao valor que você fixar, e o campo ficará em posse de quem o consagrou.
27:20 Se não resgatar o campo e se o vender a outro homem, o campo não poderá mais ser resgatado.
27:21 Quando o campo ficar livre no jubileu, será santo para o SENHOR, como um campo consagrado irrevogavelmente; será propriedade do sacerdote.
27:22 Se consagrar ao SENHOR um campo que comprou, que não faz parte dos campos de sua propriedade hereditária,
27:23 o sacerdote calculará para ele o valor da avaliação até o ano do jubileu. Naquele mesmo dia, quem consagrou o campo entregará o valor fixado como santo para o SENHOR.
27:24 No ano do jubileu, o campo voltará àquele de quem o comprou, àquele a quem pertence a propriedade hereditária da terra.
27:25 Toda a sua avaliação será segundo o siclo do santuário, de cerca de 11 gramas; um siclo equivale a vinte geras.
27:26 Mas ninguém consagrará o primogênito de um animal, pois, por ser primogênito, ele já pertence ao SENHOR. Seja do gado bovino, seja do rebanho, pertence ao SENHOR.
27:27 Se for um animal impuro, o resgatará pelo valor que você fixar e acrescentará um quinto. Se não for resgatado, será vendido pelo valor que você fixar.
27:28 Mas nada do que um homem consagrar irrevogavelmente ao SENHOR, de tudo o que possui, seja pessoa, animal ou campo de sua propriedade, poderá ser vendido nem resgatado. Tudo o que for consagrado irrevogavelmente será coisa santíssima para o SENHOR.
27:29 Nenhuma pessoa posta sob anátema poderá ser resgatada; certamente será morta.
27:30 Todo dízimo da terra, seja dos grãos da terra, seja dos frutos das árvores, pertence ao SENHOR. É santo para o SENHOR.
27:31 Se um homem resgatar parte de seu dízimo, acrescentará um quinto ao seu valor.
27:32 Quanto a todo dízimo do gado bovino e do rebanho, de tudo o que passar debaixo da vara, o décimo animal será santo para o SENHOR.
27:33 Não examinará se é bom ou ruim nem o substituirá. Se o substituir, tanto ele como seu substituto serão santos; não poderão ser resgatados.’”
27:34 Estes são os mandamentos que o SENHOR ordenou a Moisés para os filhos de Israel no monte Sinai.

NÚMEROS

Capítulo 1
1:1 O SENHOR falou a Moisés no deserto do Sinai, na tenda do encontro, no primeiro dia do segundo mês do segundo ano desde a saída deles da terra do Egito:
1:2 “Façam um censo de toda a comunidade dos filhos de Israel, por seus clãs e suas casas paternas, contando os nomes de todos os homens, um por um.
1:3 Você e Arão registrarão, por suas divisões, todos os de vinte anos para cima aptos para a guerra em Israel.
1:4 Com vocês estará um homem de cada tribo, cada um chefe de sua casa paterna.
1:5 Estes são os nomes dos homens que estarão com vocês: de Rúben, Elizur, filho de Sedeur;
1:6 de Simeão, Selumiel, filho de Zurisadai;
1:7 de Judá, Naassom, filho de Aminadabe;
1:8 de Issacar, Natanael, filho de Zuar;
1:9 de Zebulom, Eliabe, filho de Helom;
1:10 dos filhos de José: de Efraim, Elisama, filho de Amiúde; de Manassés, Gamaliel, filho de Pedazur;
1:11 de Benjamim, Abidã, filho de Gideoni;
1:12 de Dã, Aiezer, filho de Amisadai;
1:13 de Aser, Pagiel, filho de Ocrã;
1:14 de Gade, Eliasafe, filho de Deuel;
1:15 de Naftali, Aira, filho de Enã.
1:16 Estes são os convocados da comunidade, os chefes das tribos de seus pais; eles são os chefes dos milhares de Israel.”
1:17 Moisés e Arão tomaram esses homens que haviam sido designados pelo nome.
1:18 Reuniram toda a comunidade no primeiro dia do segundo mês. Os de vinte anos para cima declararam sua ascendência, por seus clãs e suas casas paternas, pela contagem dos nomes, um por um.
1:19 Conforme o SENHOR havia ordenado a Moisés, ele os registrou no deserto do Sinai.
1:20 Dos filhos de Rúben, primogênito de Israel, segundo suas genealogias, por seus clãs e suas casas paternas, pela contagem dos nomes, um por um, todos os homens de vinte anos para cima, todos os aptos para a guerra,
1:21 os registrados da tribo de Rúben foram quarenta e seis mil e quinhentos.
1:22 Dos filhos de Simeão, segundo suas genealogias, por seus clãs e suas casas paternas, seus registrados pela contagem dos nomes, um por um, todos os homens de vinte anos para cima, todos os aptos para a guerra,
1:23 os registrados da tribo de Simeão foram cinquenta e nove mil e trezentos.
1:24 Dos filhos de Gade, segundo suas genealogias, por seus clãs e suas casas paternas, pela contagem dos nomes, de vinte anos para cima, todos os aptos para a guerra,
1:25 os registrados da tribo de Gade foram quarenta e cinco mil e seiscentos e cinquenta.
1:26 Dos filhos de Judá, segundo suas genealogias, por seus clãs e suas casas paternas, pela contagem dos nomes, de vinte anos para cima, todos os aptos para a guerra,
1:27 os registrados da tribo de Judá foram setenta e quatro mil e seiscentos.
1:28 Dos filhos de Issacar, segundo suas genealogias, por seus clãs e suas casas paternas, pela contagem dos nomes, de vinte anos para cima, todos os aptos para a guerra,
1:29 os registrados da tribo de Issacar foram cinquenta e quatro mil e quatrocentos.
1:30 Dos filhos de Zebulom, segundo suas genealogias, por seus clãs e suas casas paternas, pela contagem dos nomes, de vinte anos para cima, todos os aptos para a guerra,
1:31 os registrados da tribo de Zebulom foram cinquenta e sete mil e quatrocentos.
1:32 Dos filhos de José, dos filhos de Efraim, segundo suas genealogias, por seus clãs e suas casas paternas, pela contagem dos nomes, de vinte anos para cima, todos os aptos para a guerra,
1:33 os registrados da tribo de Efraim foram quarenta mil e quinhentos.
1:34 Dos filhos de Manassés, segundo suas genealogias, por seus clãs e suas casas paternas, pela contagem dos nomes, de vinte anos para cima, todos os aptos para a guerra,
1:35 os registrados da tribo de Manassés foram trinta e dois mil e duzentos.
1:36 Dos filhos de Benjamim, segundo suas genealogias, por seus clãs e suas casas paternas, pela contagem dos nomes, de vinte anos para cima, todos os aptos para a guerra,
1:37 os registrados da tribo de Benjamim foram trinta e cinco mil e quatrocentos.
1:38 Dos filhos de Dã, segundo suas genealogias, por seus clãs e suas casas paternas, pela contagem dos nomes, de vinte anos para cima, todos os aptos para a guerra,
1:39 os registrados da tribo de Dã foram sessenta e dois mil e setecentos.
1:40 Dos filhos de Aser, segundo suas genealogias, por seus clãs e suas casas paternas, pela contagem dos nomes, de vinte anos para cima, todos os aptos para a guerra,
1:41 os registrados da tribo de Aser foram quarenta e um mil e quinhentos.
1:42 Quanto aos filhos de Naftali, segundo suas genealogias, por seus clãs e suas casas paternas, pela contagem dos nomes, de vinte anos para cima, todos os aptos para a guerra,
1:43 os registrados da tribo de Naftali foram cinquenta e três mil e quatrocentos.
1:44 Estes foram os registrados por Moisés e Arão e pelos doze chefes de Israel, um homem de cada casa paterna.
1:45 Todos os registrados dos filhos de Israel, por suas casas paternas, de vinte anos para cima, todos os aptos para a guerra em Israel,
1:46 foram, ao todo, seiscentos e três mil e quinhentos e cinquenta.
1:47 Mas os levitas, segundo a tribo de seus pais, não foram registrados entre eles.
1:48 O SENHOR falou a Moisés:
1:49 “Porém, não registre a tribo de Levi nem faça seu censo entre os filhos de Israel.
1:50 Você colocará os levitas a cargo do tabernáculo do Testemunho, de todos os seus utensílios e de tudo o que lhe pertence. Eles carregarão o tabernáculo e todos os seus utensílios, cuidarão dele e acamparão ao redor do tabernáculo.
1:51 Quando o tabernáculo partir, os levitas o desmontarão; quando o tabernáculo acampar, os levitas o montarão. A pessoa não autorizada que se aproximar será morta.
1:52 Os filhos de Israel acamparão cada um em seu acampamento e cada um junto a seu estandarte, por suas divisões.
1:53 Mas os levitas acamparão ao redor do tabernáculo do Testemunho, para que não recaia ira sobre a comunidade dos filhos de Israel. Os levitas ficarão responsáveis pela guarda do tabernáculo do Testemunho.”
1:54 Os filhos de Israel fizeram conforme tudo o que o SENHOR havia ordenado a Moisés; assim fizeram.

Capítulo 2
2:1 O SENHOR falou a Moisés e a Arão:
2:2 “Os filhos de Israel acamparão cada um junto a seu estandarte, com as insígnias de suas casas paternas. Acamparão a certa distância, ao redor da tenda do encontro.
2:3 A leste, para o nascente, acamparão os do estandarte do acampamento de Judá, por suas divisões. O chefe dos filhos de Judá será Naassom, filho de Aminadabe.
2:4 Seu exército, segundo o registro, é de setenta e quatro mil e seiscentos.
2:5 Junto a ele acampará a tribo de Issacar. O chefe dos filhos de Issacar será Natanael, filho de Zuar.
2:6 Seu exército, segundo o registro, é de cinquenta e quatro mil e quatrocentos.
2:7 Também a tribo de Zebulom. O chefe dos filhos de Zebulom será Eliabe, filho de Helom.
2:8 Seu exército, segundo o registro, é de cinquenta e sete mil e quatrocentos.
2:9 Todos os registrados do acampamento de Judá somam cento e oitenta e seis mil e quatrocentos, por suas divisões. Eles partirão primeiro.
2:10 O estandarte do acampamento de Rúben estará ao sul, por suas divisões. O chefe dos filhos de Rúben será Elizur, filho de Sedeur.
2:11 Seu exército, segundo o registro, é de quarenta e seis mil e quinhentos.
2:12 Junto a ele acampará a tribo de Simeão. O chefe dos filhos de Simeão será Selumiel, filho de Zurisadai.
2:13 Seu exército, segundo o registro, é de cinquenta e nove mil e trezentos.
2:14 Também a tribo de Gade. O chefe dos filhos de Gade será Eliasafe, filho de Reuel.
2:15 Seu exército, segundo o registro, é de quarenta e cinco mil e seiscentos e cinquenta.
2:16 Todos os registrados do acampamento de Rúben somam cento e cinquenta e um mil e quatrocentos e cinquenta, por suas divisões. Eles partirão em segundo lugar.
2:17 Então partirá a tenda do encontro, com o acampamento dos levitas, no meio dos acampamentos. Como acamparem, assim partirão: cada um em seu lugar, junto a seus estandartes.
2:18 O estandarte do acampamento de Efraim estará a oeste, por suas divisões. O chefe dos filhos de Efraim será Elisama, filho de Amiúde.
2:19 Seu exército, segundo o registro, é de quarenta mil e quinhentos.
2:20 Junto a ele estará a tribo de Manassés. O chefe dos filhos de Manassés será Gamaliel, filho de Pedazur.
2:21 Seu exército, segundo o registro, é de trinta e dois mil e duzentos.
2:22 Também a tribo de Benjamim. O chefe dos filhos de Benjamim será Abidã, filho de Gideoni.
2:23 Seu exército, segundo o registro, é de trinta e cinco mil e quatrocentos.
2:24 Todos os registrados do acampamento de Efraim somam cento e oito mil e cem, por suas divisões. Eles partirão em terceiro lugar.
2:25 O estandarte do acampamento de Dã estará ao norte, por suas divisões. O chefe dos filhos de Dã será Aiezer, filho de Amisadai.
2:26 Seu exército, segundo o registro, é de sessenta e dois mil e setecentos.
2:27 Junto a ele acampará a tribo de Aser. O chefe dos filhos de Aser será Pagiel, filho de Ocrã.
2:28 Seu exército, segundo o registro, é de quarenta e um mil e quinhentos.
2:29 Também a tribo de Naftali. O chefe dos filhos de Naftali será Aira, filho de Enã.
2:30 Seu exército, segundo o registro, é de cinquenta e três mil e quatrocentos.
2:31 Todos os registrados do acampamento de Dã somam cento e cinquenta e sete mil e seiscentos. Eles partirão por último, junto a seus estandartes.”
2:32 Estes foram os registrados dos filhos de Israel, por suas casas paternas. Todos os registrados dos acampamentos, por suas divisões, somavam seiscentos e três mil e quinhentos e cinquenta.
2:33 Mas os levitas não foram registrados entre os filhos de Israel, conforme o SENHOR havia ordenado a Moisés.
2:34 Os filhos de Israel fizeram conforme tudo o que o SENHOR havia ordenado a Moisés. Assim acamparam junto a seus estandartes e assim partiram, cada um por seus clãs e sua casa paterna.

Capítulo 3
3:1 Esta é a descendência de Arão e de Moisés, no dia em que o SENHOR falou a Moisés no monte Sinai.
3:2 Estes são os nomes dos filhos de Arão: Nadabe, o primogênito, Abiú, Eleazar e Itamar.
3:3 Estes são os nomes dos filhos de Arão, os sacerdotes ungidos, que foram investidos para exercer o sacerdócio.
3:4 Mas Nadabe e Abiú morreram diante do SENHOR quando apresentaram fogo estranho diante do SENHOR no deserto do Sinai. Não tinham filhos; Eleazar e Itamar exerceram o sacerdócio diante de Arão, seu pai.
3:5 O SENHOR falou a Moisés:
3:6 “Apresente a tribo de Levi e coloque-a diante do sacerdote Arão, para que o sirvam.
3:7 Eles cumprirão o encargo de Arão e o encargo de toda a comunidade diante da tenda do encontro, para realizar o serviço do tabernáculo.
3:8 Cuidarão de todos os utensílios da tenda do encontro e cumprirão o encargo dos filhos de Israel, para realizar o serviço do tabernáculo.
3:9 Você dará os levitas a Arão e a seus filhos; eles lhe são dados por completo dentre os filhos de Israel.
3:10 Você designará Arão e seus filhos para que cuidem de seu sacerdócio. A pessoa não autorizada que se aproximar será morta.”
3:11 O SENHOR falou a Moisés:
3:12 “Eis que tomei os levitas dentre os filhos de Israel em lugar de todo primogênito que abre o ventre dentre os filhos de Israel. Os levitas serão meus.
3:13 Pois todo primogênito é meu. No dia em que feri todo primogênito na terra do Egito, consagrei para mim todo primogênito em Israel, tanto das pessoas como dos animais. Serão meus. Eu sou o SENHOR.”
3:14 O SENHOR falou a Moisés no deserto do Sinai:
3:15 “Registre os filhos de Levi por suas casas paternas e seus clãs. Registre todos os do sexo masculino de um mês de idade para cima.”
3:16 Moisés os registrou por ordem do SENHOR, conforme lhe foi ordenado.
3:17 Estes foram os filhos de Levi, por seus nomes: Gérson, Coate e Merari.
3:18 Estes são os nomes dos filhos de Gérson, por seus clãs: Libni e Simei.
3:19 Os filhos de Coate, por seus clãs, foram Anrão, Izar, Hebrom e Uziel.
3:20 Os filhos de Merari, por seus clãs, foram Mali e Musi. Estes são os clãs dos levitas por suas casas paternas.
3:21 De Gérson procediam o clã dos libnitas e o clã dos simeítas; estes são os clãs dos gersonitas.
3:22 Foram registrados todos os do sexo masculino de um mês de idade para cima; os registrados deles eram sete mil e quinhentos.
3:23 Os clãs dos gersonitas acamparão atrás do tabernáculo, a oeste.
3:24 O chefe da casa paterna dos gersonitas será Eliasafe, filho de Lael.
3:25 Os filhos de Gérson terão a seu cargo, na tenda do encontro, o tabernáculo, a tenda, sua cobertura e a cortina da entrada da tenda do encontro,
3:26 as cortinas do pátio e a cortina da entrada do pátio que cerca o tabernáculo e o altar, e suas cordas, para todo o seu serviço.
3:27 De Coate procediam o clã dos anramitas, o clã dos izaritas, o clã dos hebronitas e o clã dos uzielitas; estes são os clãs dos coatitas.
3:28 Segundo a contagem de todos os do sexo masculino de um mês de idade para cima, eram oito mil e seiscentos, responsáveis pela guarda do santuário.
3:29 Os clãs dos filhos de Coate acamparão ao lado sul do tabernáculo.
3:30 O chefe da casa paterna dos clãs dos coatitas será Elisafã, filho de Uziel.
3:31 Terão a seu cargo a arca, a mesa, o candelabro, os altares, os utensílios do santuário com que se presta serviço, a cortina e todo o seu serviço.
3:32 O chefe dos chefes dos levitas será Eleazar, filho do sacerdote Arão; ele supervisionará os responsáveis pela guarda do santuário.
3:33 De Merari procediam o clã dos malitas e o clã dos musitas; estes são os clãs de Merari.
3:34 Seus registrados, segundo a contagem de todos os do sexo masculino de um mês de idade para cima, eram seis mil e duzentos.
3:35 O chefe da casa paterna dos clãs de Merari será Zuriel, filho de Abiail. Eles acamparão ao lado norte do tabernáculo.
3:36 Os filhos de Merari terão a seu cargo a guarda das tábuas do tabernáculo, de suas travessas, suas colunas, suas bases e todos os seus utensílios, e de todo o seu serviço,
3:37 e das colunas ao redor do pátio, suas bases, suas estacas e suas cordas.
3:38 Acamparão diante do tabernáculo, a leste, diante da tenda do encontro, para o nascente, Moisés, Arão e os filhos de Arão, responsáveis pela guarda do santuário em nome dos filhos de Israel. A pessoa não autorizada que se aproximar será morta.
3:39 Todos os registrados dos levitas, que Moisés e Arão registraram por ordem do SENHOR, por seus clãs, todos os do sexo masculino de um mês de idade para cima, foram vinte e dois mil.
3:40 O SENHOR disse a Moisés: “Registre todos os primogênitos do sexo masculino entre os filhos de Israel, de um mês de idade para cima, e conte seus nomes.
3:41 Tome os levitas para mim — eu sou o SENHOR — em lugar de todo primogênito dos filhos de Israel, e os animais dos levitas em lugar de todo primogênito dos animais dos filhos de Israel.”
3:42 Moisés registrou todos os primogênitos dos filhos de Israel, conforme o SENHOR lhe havia ordenado.
3:43 Todos os primogênitos do sexo masculino, contados por seus nomes, de um mês de idade para cima, segundo o registro, foram vinte e dois mil e duzentos e setenta e três.
3:44 O SENHOR falou a Moisés:
3:45 “Tome os levitas em lugar de todo primogênito dos filhos de Israel, e os animais dos levitas em lugar dos animais dos filhos de Israel. Os levitas serão meus. Eu sou o SENHOR.
3:46 Pelo resgate dos duzentos e setenta e três primogênitos dos filhos de Israel que excedem o número dos levitas,
3:47 você tomará cinco siclos de prata, cerca de 57 gramas, por pessoa; tomará segundo o siclo do santuário. Um siclo equivale a vinte geras.
3:48 Entregará a prata a Arão e a seus filhos como resgate dos que excedem.”
3:49 Moisés tomou a prata do resgate dos que excediam os resgatados pelos levitas.
3:50 Dos primogênitos dos filhos de Israel ele tomou a prata: mil e trezentos e sessenta e cinco siclos, cerca de 15,5 quilogramas, segundo o siclo do santuário.
3:51 Moisés entregou a prata do resgate a Arão e a seus filhos por ordem do SENHOR, conforme o SENHOR havia ordenado a Moisés.

Capítulo 4
4:1 O SENHOR falou a Moisés e a Arão:
4:2 “Faça um censo dos filhos de Coate dentre os filhos de Levi, por seus clãs e suas casas paternas,
4:3 de trinta anos para cima até cinquenta anos, todos os que ingressam no grupo de serviço para trabalhar na tenda do encontro.
4:4 Este será o serviço dos filhos de Coate na tenda do encontro: cuidar das coisas santíssimas.
4:5 Quando o acampamento partir, Arão e seus filhos entrarão, baixarão o véu de separação e cobrirão com ele a arca do Testemunho.
4:6 Porão sobre ela uma cobertura de couro fino, estenderão por cima um pano inteiramente azul e colocarão suas varas.
4:7 Sobre a mesa da Presença estenderão um pano azul e porão sobre ele os pratos, as colheres, as tigelas e as jarras para as libações. O pão permanecerá continuamente sobre a mesa.
4:8 Estenderão sobre eles um pano escarlate, cobrirão a mesa com uma cobertura de couro fino e colocarão suas varas.
4:9 Tomarão um pano azul e cobrirão o candelabro da iluminação, suas lâmpadas, suas pinças, suas bandejas e todos os utensílios para o azeite usados em seu serviço.
4:10 Colocarão o candelabro e todos os seus utensílios dentro de uma cobertura de couro fino e os porão sobre a vara de transporte.
4:11 Sobre o altar de ouro estenderão um pano azul, o cobrirão com uma cobertura de couro fino e colocarão suas varas.
4:12 Tomarão todos os utensílios de serviço usados no santuário, os colocarão num pano azul, os cobrirão com uma cobertura de couro fino e os porão sobre a vara de transporte.
4:13 Retirarão as cinzas do altar e estenderão sobre ele um pano púrpura.
4:14 Porão sobre ele todos os utensílios usados em seu serviço: os braseiros, os garfos, as pás e as bacias, todos os utensílios do altar. Estenderão sobre ele uma cobertura de couro fino e colocarão suas varas.
4:15 Quando Arão e seus filhos terminarem de cobrir as coisas sagradas e todos os utensílios do santuário, na partida do acampamento, os filhos de Coate virão então para transportá-los. Mas não tocarão nas coisas sagradas, para que não morram. Estas serão as cargas dos filhos de Coate na tenda do encontro.
4:16 Eleazar, filho do sacerdote Arão, terá a seu cargo o azeite para a iluminação, o incenso aromático, a oferta contínua de cereal e o óleo da unção. Terá a seu cargo todo o tabernáculo e tudo o que nele há, o santuário e seus utensílios.”
4:17 O SENHOR falou a Moisés e a Arão:
4:18 “Não deixem que o ramo dos clãs coatitas seja eliminado do meio dos levitas.
4:19 Façam isto por eles, para que vivam e não morram ao se aproximar das coisas santíssimas: Arão e seus filhos entrarão e atribuirão a cada um seu serviço e sua carga.
4:20 Mas eles não entrarão para ver os objetos sagrados enquanto são cobertos, para que não morram.”
4:21 O SENHOR falou a Moisés:
4:22 “Faça também um censo dos filhos de Gérson, por suas casas paternas e seus clãs.
4:23 Registre os de trinta anos para cima até cinquenta anos, todos os que ingressam no grupo de serviço para realizar o serviço na tenda do encontro.
4:24 Este será o serviço dos clãs gersonitas, tanto no trabalho como no transporte:
4:25 carregarão as cortinas do tabernáculo, a tenda do encontro, sua cobertura, a cobertura de couro fino que fica por cima dela e a cortina da entrada da tenda do encontro;
4:26 também as cortinas do pátio, a cortina da entrada da porta do pátio que cerca o tabernáculo e o altar, suas cordas e todos os utensílios de seu serviço. Realizarão todo o trabalho que houver a fazer com eles.
4:27 Todo o serviço dos filhos dos gersonitas estará sob as ordens de Arão e seus filhos, tanto suas cargas como suas tarefas. Vocês lhes confiarão a guarda de todas as suas cargas.
4:28 Este será o serviço dos clãs dos filhos dos gersonitas na tenda do encontro. Seus encargos estarão sob a direção de Itamar, filho do sacerdote Arão.
4:29 Registre os filhos de Merari por seus clãs e suas casas paternas.
4:30 Registre-os de trinta anos para cima até cinquenta anos, todos os que ingressam no grupo de serviço para realizar o serviço da tenda do encontro.
4:31 Em todo o seu serviço na tenda do encontro, terão a seu cargo o transporte das tábuas do tabernáculo, de suas travessas, suas colunas e suas bases,
4:32 e das colunas ao redor do pátio, suas bases, suas estacas e suas cordas, com todos os seus utensílios e todo o seu serviço. Vocês designarão pelo nome os utensílios que ficarão a cargo deles para o transporte.
4:33 Este será o serviço dos clãs dos filhos de Merari em todas as suas tarefas na tenda do encontro, sob a direção de Itamar, filho do sacerdote Arão.”
4:34 Moisés, Arão e os chefes da comunidade registraram os filhos dos coatitas, por seus clãs e suas casas paternas,
4:35 de trinta anos para cima até cinquenta anos, todos os que ingressavam no grupo de serviço para o trabalho na tenda do encontro.
4:36 Seus registrados, por seus clãs, foram dois mil e setecentos e cinquenta.
4:37 Estes foram os registrados dos clãs coatitas, todos os que serviam na tenda do encontro, que Moisés e Arão registraram por ordem do SENHOR dada por meio de Moisés.
4:38 Os registrados dos filhos de Gérson, por seus clãs e suas casas paternas,
4:39 de trinta anos para cima até cinquenta anos, todos os que ingressavam no grupo de serviço para o trabalho na tenda do encontro,
4:40 foram dois mil e seiscentos e trinta, registrados por seus clãs e suas casas paternas.
4:41 Estes foram os registrados dos clãs dos filhos de Gérson, todos os que serviam na tenda do encontro, que Moisés e Arão registraram por ordem do SENHOR.
4:42 Os registrados dos clãs dos filhos de Merari, por seus clãs e suas casas paternas,
4:43 de trinta anos para cima até cinquenta anos, todos os que ingressavam no grupo de serviço para o trabalho na tenda do encontro,
4:44 foram três mil e duzentos, registrados por seus clãs.
4:45 Estes foram os registrados dos clãs dos filhos de Merari, que Moisés e Arão registraram por ordem do SENHOR dada por meio de Moisés.
4:46 Todos os levitas registrados por Moisés, Arão e os chefes de Israel, por seus clãs e suas casas paternas,
4:47 de trinta anos para cima até cinquenta anos, todos os que ingressavam para realizar as tarefas de serviço e de transporte na tenda do encontro,
4:48 foram oito mil e quinhentos e oitenta registrados.
4:49 Por ordem do SENHOR, foram designados por meio de Moisés, cada um para seu serviço e sua carga. Foram registrados conforme o SENHOR havia ordenado a Moisés.

Capítulo 5
5:1 O SENHOR falou a Moisés:
5:2 “Ordene aos filhos de Israel que mandem para fora do acampamento toda pessoa com lepra, todo aquele que tiver fluxo e todo aquele que estiver impuro por causa de um morto.
5:3 Mandem para fora tanto homens como mulheres; enviem-nos para fora do acampamento, para que não contaminem seus acampamentos, no meio dos quais eu habito.”
5:4 Os filhos de Israel assim fizeram e os mandaram para fora do acampamento. Conforme o SENHOR havia falado a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel.
5:5 O SENHOR falou a Moisés:
5:6 “Fale aos filhos de Israel: ‘Se um homem ou uma mulher cometer algum dos pecados que as pessoas cometem, agindo com infidelidade contra o SENHOR, essa pessoa será culpada.
5:7 Confessarão o pecado que cometeram. O culpado restituirá por inteiro o que deve, acrescentará um quinto e o entregará à pessoa prejudicada.
5:8 Se o homem prejudicado não tiver um parente resgatador a quem se possa entregar a restituição, a restituição feita ao SENHOR pertencerá ao sacerdote, além do carneiro da expiação, com o qual se fará expiação por quem pecou.
5:9 Toda oferta elevada de todas as coisas sagradas que os filhos de Israel apresentarem ao sacerdote pertencerá a ele.
5:10 As coisas consagradas de cada um serão suas; o que alguém der ao sacerdote pertencerá ao sacerdote.’”
5:11 O SENHOR falou a Moisés:
5:12 “Fale aos filhos de Israel e diga-lhes: ‘Se a mulher de um homem se desviar e lhe for infiel,
5:13 e um homem se deitar com ela, com emissão de sêmen, sendo isso oculto aos olhos de seu marido, e ela se tiver ocultado e contaminado, sem que haja testemunha contra ela nem tenha sido surpreendida,
5:14 e um espírito de ciúmes vier sobre ele, e ele tiver ciúmes de sua mulher, tendo ela se contaminado, ou um espírito de ciúmes vier sobre ele, e ele tiver ciúmes de sua mulher, sem que ela se tenha contaminado,
5:15 o homem levará sua mulher ao sacerdote e apresentará por ela sua oferta: cerca de 2 litros de farinha de cevada. Não derramará azeite sobre ela nem lhe porá incenso, pois é uma oferta de cereal por ciúmes, uma oferta memorial que traz à lembrança a culpa.
5:16 O sacerdote a fará se aproximar e a colocará de pé diante do SENHOR.
5:17 O sacerdote tomará água santa num recipiente de barro. O sacerdote também tomará um pouco do pó do chão do tabernáculo e o colocará na água.
5:18 O sacerdote colocará a mulher de pé diante do SENHOR, soltará os cabelos da mulher e porá em suas mãos a oferta memorial, que é a oferta de cereal por ciúmes. Na mão do sacerdote estarão as águas amargas que trazem maldição.
5:19 O sacerdote a colocará sob juramento e dirá à mulher: “Se nenhum homem se deitou com você e você não se desviou para se contaminar enquanto estava unida a seu marido, fique ilesa destas águas amargas que trazem maldição.
5:20 Mas, se você se desviou enquanto estava unida a seu marido, se você se contaminou e um homem que não é seu marido teve relações sexuais com você…”
5:21 O sacerdote colocará a mulher sob o juramento da maldição e dirá à mulher: “Que o SENHOR faça de você um exemplo de maldição e de juramento no meio de seu povo, ao fazer o SENHOR sua coxa definhar e seu ventre inchar.
5:22 Que estas águas que trazem maldição entrem em suas entranhas para fazer seu ventre inchar e sua coxa definhar.” E a mulher dirá: “Amém, amém.”
5:23 O sacerdote escreverá essas maldições num rolo e as apagará nas águas amargas.
5:24 Dará à mulher as águas amargas que trazem maldição para beber; as águas que trazem maldição entrarão nela e lhe causarão amargura.
5:25 O sacerdote tomará da mão da mulher a oferta de cereal por ciúmes, moverá a oferta diante do SENHOR e a levará ao altar.
5:26 O sacerdote tomará um punhado da oferta de cereal como sua porção memorial e o fará queimar no altar. Depois dará a água à mulher para beber.
5:27 Dará a ela a água para beber e, se ela se contaminou e foi infiel a seu marido, as águas que trazem maldição entrarão nela e lhe causarão amargura; seu ventre inchará e sua coxa definhará. A mulher será um exemplo de maldição no meio de seu povo.
5:28 Mas, se a mulher não se contaminou e é pura, ficará ilesa e conceberá filhos.
5:29 Esta é a lei dos ciúmes: quando a mulher se desvia enquanto está unida a seu marido e se contamina,
5:30 ou quando um espírito de ciúmes vem sobre um homem, e ele tem ciúmes de sua mulher, ele colocará a mulher de pé diante do SENHOR, e o sacerdote lhe aplicará toda esta lei.
5:31 O homem ficará isento de culpa, e aquela mulher carregará sua culpa.’”

Capítulo 6
6:1 O SENHOR falou a Moisés:
6:2 “Fale aos filhos de Israel e diga-lhes: ‘Se um homem ou uma mulher fizer um voto especial de nazireu para se consagrar ao SENHOR,
6:3 se absterá de vinho e de bebidas embriagantes. Não beberá vinagre de vinho nem vinagre de bebida embriagante, nem beberá bebida alguma feita de uvas, nem comerá uvas frescas ou secas.
6:4 Durante todos os dias de seu nazireado, não comerá nada que proceda da videira, dos caroços às cascas.
6:5 Durante todos os dias do voto de seu nazireado, nenhuma navalha passará sobre sua cabeça. Até se completarem os dias pelos quais se consagrou ao SENHOR, será santo; deixará crescer livremente o cabelo de sua cabeça.
6:6 Durante todos os dias de sua consagração ao SENHOR, não se aproximará do corpo de um morto.
6:7 Nem por seu pai, sua mãe, seu irmão ou sua irmã se tornará impuro quando morrerem, pois a consagração a seu Deus está sobre sua cabeça.
6:8 Durante todos os dias de seu nazireado, será santo para o SENHOR.
6:9 Se alguém morrer de repente, inesperadamente, junto dele e contaminar a cabeça consagrada do nazireu, este raspará a cabeça no dia de sua purificação; no sétimo dia a raspará.
6:10 No oitavo dia levará duas rolas ou dois pombinhos ao sacerdote, à entrada da tenda do encontro.
6:11 O sacerdote oferecerá uma das aves como oferta pelo pecado e a outra como holocausto. Fará expiação por ele por causa do pecado relacionado com o morto e consagrará a cabeça do nazireu naquele mesmo dia.
6:12 O nazireu consagrará ao SENHOR os dias de seu nazireado e levará um cordeiro de um ano como oferta pela culpa. Os dias anteriores não contarão, pois seu nazireado foi contaminado.
6:13 Esta é a lei do nazireu: no dia em que se completarem os dias de seu nazireado, ele será levado à entrada da tenda do encontro.
6:14 Apresentará sua oferta ao SENHOR: um cordeiro de um ano sem defeito como holocausto, uma cordeira de um ano sem defeito como oferta pelo pecado e um carneiro sem defeito como sacrifício de paz;
6:15 um cesto de pães sem fermento: bolos de farinha fina amassados com azeite e pães finos sem fermento untados com azeite, junto com suas ofertas de cereal e suas libações.
6:16 O sacerdote apresentará essas ofertas diante do SENHOR e oferecerá a oferta pelo pecado e o holocausto do nazireu.
6:17 Oferecerá o carneiro como sacrifício de paz ao SENHOR, junto com o cesto de pães sem fermento. O sacerdote oferecerá também sua oferta de cereal e sua libação.
6:18 O nazireu raspará sua cabeça consagrada à entrada da tenda do encontro. Tomará o cabelo de sua cabeça consagrada e o colocará sobre o fogo que está debaixo do sacrifício de paz.
6:19 O sacerdote tomará a espádua cozida do carneiro, um bolo sem fermento do cesto e um pão fino sem fermento. Ele os porá nas mãos do nazireu, depois que este tiver raspado sua cabeça consagrada.
6:20 O sacerdote os moverá como oferta movida diante do SENHOR. Isso será santo para o sacerdote, além do peito da oferta movida e da coxa da oferta elevada. Depois disso, o nazireu poderá beber vinho.
6:21 Esta é a lei do nazireu que fizer um voto e de sua oferta ao SENHOR por seu nazireado, além do que seus recursos lhe permitirem oferecer. Conforme o voto que fizer, assim fará, segundo a lei de seu nazireado.’”
6:22 O SENHOR falou a Moisés:
6:23 “Fale a Arão e a seus filhos: ‘Assim vocês abençoarão os filhos de Israel; dirão a eles:

6:24 “O SENHOR abençoe e guarde você;

6:25 o SENHOR faça resplandecer seu rosto sobre você e lhe conceda graça;

6:26 o SENHOR levante seu rosto para você e lhe dê paz.”
6:27 Assim porão meu nome sobre os filhos de Israel, e eu os abençoarei.’”

Capítulo 7
7:1 No dia em que Moisés terminou de levantar o tabernáculo, ele o ungiu e o consagrou, assim como todos os seus utensílios, o altar e todos os seus utensílios. Ele os ungiu e os consagrou.
7:2 Os chefes de Israel, chefes de suas casas paternas, apresentaram ofertas. Eles eram os chefes das tribos, os que estavam à frente dos registrados.
7:3 Trouxeram sua oferta diante do SENHOR: seis carros cobertos e doze bois, um carro para cada dois chefes e um boi para cada um. Eles os apresentaram diante do tabernáculo.
7:4 O SENHOR disse a Moisés:
7:5 “Receba-os deles para realizar o serviço da tenda do encontro. Você os dará aos levitas, a cada um conforme seu serviço.”
7:6 Moisés recebeu os carros e os bois e os deu aos levitas.
7:7 Deu dois carros e quatro bois aos filhos de Gérson, conforme seu serviço,
7:8 e quatro carros e oito bois aos filhos de Merari, conforme seu serviço, sob a direção de Itamar, filho do sacerdote Arão.
7:9 Mas aos filhos de Coate não deu nada, pois tinham a seu cargo o serviço das coisas sagradas, que deviam carregar nos ombros.
7:10 Os chefes apresentaram a oferta para a dedicação do altar no dia em que foi ungido; os chefes apresentaram sua oferta diante do altar.
7:11 O SENHOR disse a Moisés: “Um chefe por dia, um chefe por dia, apresentará sua oferta para a dedicação do altar.”
7:12 Quem apresentou sua oferta no primeiro dia foi Naassom, filho de Aminadabe, da tribo de Judá.
7:13 Sua oferta foi um prato de prata que pesava cerca de um quilograma e meio e uma bacia de prata de cerca de 800 gramas, segundo o padrão de peso do santuário, ambos cheios de farinha fina amassada com azeite como oferta de cereal;
7:14 uma colher de ouro de cerca de 114 gramas, cheia de incenso;
7:15 um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano como holocausto;
7:16 um bode como oferta pelo pecado;
7:17 e, como sacrifício de paz, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Esta foi a oferta de Naassom, filho de Aminadabe.
7:18 No segundo dia, apresentou sua oferta Natanael, filho de Zuar, chefe de Issacar.
7:19 Ele apresentou como sua oferta um prato de prata que pesava cerca de um quilograma e meio e uma bacia de prata de cerca de 800 gramas, segundo o padrão de peso do santuário, ambos cheios de farinha fina amassada com azeite como oferta de cereal;
7:20 uma colher de ouro de cerca de 114 gramas, cheia de incenso;
7:21 um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano como holocausto;
7:22 um bode como oferta pelo pecado;
7:23 e, como sacrifício de paz, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Esta foi a oferta de Natanael, filho de Zuar.
7:24 No terceiro dia, apresentou sua oferta o chefe dos filhos de Zebulom, Eliabe, filho de Helom.
7:25 Sua oferta foi um prato de prata que pesava cerca de um quilograma e meio e uma bacia de prata de cerca de 800 gramas, segundo o padrão de peso do santuário, ambos cheios de farinha fina amassada com azeite como oferta de cereal;
7:26 uma colher de ouro de cerca de 114 gramas, cheia de incenso;
7:27 um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano como holocausto;
7:28 um bode como oferta pelo pecado;
7:29 e, como sacrifício de paz, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Esta foi a oferta de Eliabe, filho de Helom.
7:30 No quarto dia, apresentou sua oferta o chefe dos filhos de Rúben, Elizur, filho de Sedeur.
7:31 Sua oferta foi um prato de prata que pesava cerca de um quilograma e meio e uma bacia de prata de cerca de 800 gramas, segundo o padrão de peso do santuário, ambos cheios de farinha fina amassada com azeite como oferta de cereal;
7:32 uma colher de ouro de cerca de 114 gramas, cheia de incenso;
7:33 um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano como holocausto;
7:34 um bode como oferta pelo pecado;
7:35 e, como sacrifício de paz, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Esta foi a oferta de Elizur, filho de Sedeur.
7:36 No quinto dia, apresentou sua oferta o chefe dos filhos de Simeão, Selumiel, filho de Zurisadai.
7:37 Sua oferta foi um prato de prata que pesava cerca de um quilograma e meio e uma bacia de prata de cerca de 800 gramas, segundo o padrão de peso do santuário, ambos cheios de farinha fina amassada com azeite como oferta de cereal;
7:38 uma colher de ouro de cerca de 114 gramas, cheia de incenso;
7:39 um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano como holocausto;
7:40 um bode como oferta pelo pecado;
7:41 e, como sacrifício de paz, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Esta foi a oferta de Selumiel, filho de Zurisadai.
7:42 No sexto dia, apresentou sua oferta o chefe dos filhos de Gade, Eliasafe, filho de Deuel.
7:43 Sua oferta foi um prato de prata que pesava cerca de um quilograma e meio e uma bacia de prata de cerca de 800 gramas, segundo o padrão de peso do santuário, ambos cheios de farinha fina amassada com azeite como oferta de cereal;
7:44 uma colher de ouro de cerca de 114 gramas, cheia de incenso;
7:45 um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano como holocausto;
7:46 um bode como oferta pelo pecado;
7:47 e, como sacrifício de paz, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Esta foi a oferta de Eliasafe, filho de Deuel.
7:48 No sétimo dia, apresentou sua oferta o chefe dos filhos de Efraim, Elisama, filho de Amiúde.
7:49 Sua oferta foi um prato de prata que pesava cerca de um quilograma e meio e uma bacia de prata de cerca de 800 gramas, segundo o padrão de peso do santuário, ambos cheios de farinha fina amassada com azeite como oferta de cereal;
7:50 uma colher de ouro de cerca de 114 gramas, cheia de incenso;
7:51 um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano como holocausto;
7:52 um bode como oferta pelo pecado;
7:53 e, como sacrifício de paz, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Esta foi a oferta de Elisama, filho de Amiúde.
7:54 No oitavo dia, apresentou sua oferta o chefe dos filhos de Manassés, Gamaliel, filho de Pedazur.
7:55 Sua oferta foi um prato de prata que pesava cerca de um quilograma e meio e uma bacia de prata de cerca de 800 gramas, segundo o padrão de peso do santuário, ambos cheios de farinha fina amassada com azeite como oferta de cereal;
7:56 uma colher de ouro de cerca de 114 gramas, cheia de incenso;
7:57 um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano como holocausto;
7:58 um bode como oferta pelo pecado;
7:59 e, como sacrifício de paz, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Esta foi a oferta de Gamaliel, filho de Pedazur.
7:60 No nono dia, apresentou sua oferta o chefe dos filhos de Benjamim, Abidã, filho de Gideoni.
7:61 Sua oferta foi um prato de prata que pesava cerca de um quilograma e meio e uma bacia de prata de cerca de 800 gramas, segundo o padrão de peso do santuário, ambos cheios de farinha fina amassada com azeite como oferta de cereal;
7:62 uma colher de ouro de cerca de 114 gramas, cheia de incenso;
7:63 um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano como holocausto;
7:64 um bode como oferta pelo pecado;
7:65 e, como sacrifício de paz, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Esta foi a oferta de Abidã, filho de Gideoni.
7:66 No décimo dia, apresentou sua oferta o chefe dos filhos de Dã, Aiezer, filho de Amisadai.
7:67 Sua oferta foi um prato de prata que pesava cerca de um quilograma e meio e uma bacia de prata de cerca de 800 gramas, segundo o padrão de peso do santuário, ambos cheios de farinha fina amassada com azeite como oferta de cereal;
7:68 uma colher de ouro de cerca de 114 gramas, cheia de incenso;
7:69 um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano como holocausto;
7:70 um bode como oferta pelo pecado;
7:71 e, como sacrifício de paz, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Esta foi a oferta de Aiezer, filho de Amisadai.
7:72 No décimo primeiro dia, apresentou sua oferta o chefe dos filhos de Aser, Pagiel, filho de Ocrã.
7:73 Sua oferta foi um prato de prata que pesava cerca de um quilograma e meio e uma bacia de prata de cerca de 800 gramas, segundo o padrão de peso do santuário, ambos cheios de farinha fina amassada com azeite como oferta de cereal;
7:74 uma colher de ouro de cerca de 114 gramas, cheia de incenso;
7:75 um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano como holocausto;
7:76 um bode como oferta pelo pecado;
7:77 e, como sacrifício de paz, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Esta foi a oferta de Pagiel, filho de Ocrã.
7:78 No décimo segundo dia, apresentou sua oferta o chefe dos filhos de Naftali, Aira, filho de Enã.
7:79 Sua oferta foi um prato de prata que pesava cerca de um quilograma e meio e uma bacia de prata de cerca de 800 gramas, segundo o padrão de peso do santuário, ambos cheios de farinha fina amassada com azeite como oferta de cereal;
7:80 uma colher de ouro de cerca de 114 gramas, cheia de incenso;
7:81 um novilho, um carneiro e um cordeiro de um ano como holocausto;
7:82 um bode como oferta pelo pecado;
7:83 e, como sacrifício de paz, dois bois, cinco carneiros, cinco bodes e cinco cordeiros de um ano. Esta foi a oferta de Aira, filho de Enã.
7:84 Esta foi a oferta dos chefes de Israel para a dedicação do altar no dia em que foi ungido: doze pratos de prata, doze bacias de prata e doze colheres de ouro.
7:85 Cada prato de prata pesava cerca de um quilograma e meio e cada bacia, cerca de 800 gramas. Toda a prata dos utensílios pesava cerca de 27,5 quilogramas, segundo o padrão de peso do santuário.
7:86 As doze colheres de ouro, cheias de incenso, pesavam cerca de 114 gramas cada uma, segundo o padrão de peso do santuário. Todo o ouro das colheres pesava cerca de 1 quilograma e 400 gramas.
7:87 Ao todo, para holocausto houve doze novilhos, doze carneiros e doze cordeiros de um ano, com sua oferta de cereal; para oferta pelo pecado, doze bodes.
7:88 Como sacrifício de paz, houve ao todo vinte e quatro novilhos, sessenta carneiros, sessenta bodes e sessenta cordeiros de um ano. Esta foi a oferta para a dedicação do altar depois que foi ungido.
7:89 Quando Moisés entrava na tenda do encontro para falar com ele, ouvia a voz que lhe falava de cima do propiciatório que estava sobre a arca do Testemunho, de entre os dois querubins. E ele lhe falava.

Capítulo 8
8:1 O SENHOR falou a Moisés:
8:2 “Fale a Arão e diga-lhe: ‘Quando você acender as lâmpadas, as sete lâmpadas darão luz para a frente do candelabro.’”
8:3 Arão assim fez: acendeu suas lâmpadas para a frente do candelabro, conforme o SENHOR havia ordenado a Moisés.
8:4 Assim foi feito o candelabro: de ouro batido; da base até suas flores, era batido. O candelabro foi feito conforme o modelo que o SENHOR havia mostrado a Moisés.
8:5 O SENHOR falou a Moisés:
8:6 “Tome os levitas dentre os filhos de Israel e purifique-os.
8:7 Assim você fará para purificá-los: asperja sobre eles a água de purificação; eles passarão a navalha por todo o corpo, lavarão suas roupas e se purificarão.
8:8 Eles tomarão um novilho com sua oferta de cereal, farinha fina amassada com azeite, e você tomará um segundo novilho como oferta pelo pecado.
8:9 Você fará os levitas chegarem diante da tenda do encontro e reunirá toda a comunidade dos filhos de Israel.
8:10 Fará os levitas se aproximarem diante do SENHOR, e os filhos de Israel apoiarão suas mãos sobre os levitas.
8:11 Arão moverá os levitas como oferta movida diante do SENHOR, da parte dos filhos de Israel, para que realizem o serviço do SENHOR.
8:12 Os levitas apoiarão suas mãos sobre a cabeça dos novilhos. Você oferecerá um como oferta pelo pecado e o outro como holocausto ao SENHOR, para fazer expiação pelos levitas.
8:13 Você colocará os levitas de pé diante de Arão e diante de seus filhos e os moverá como oferta movida ao SENHOR.
8:14 Separará os levitas dentre os filhos de Israel, e os levitas serão meus.
8:15 Depois disso, os levitas entrarão para servir na tenda do encontro. Você os terá purificado e os terá movido como oferta movida.
8:16 Pois eles me são dados por completo dentre os filhos de Israel; em lugar de todo aquele que abre o ventre, de todo primogênito dos filhos de Israel, eu os tomei para mim.
8:17 Pois todo primogênito entre os filhos de Israel é meu, tanto das pessoas como dos animais. No dia em que feri todo primogênito na terra do Egito, eu os consagrei para mim.
8:18 Tomei os levitas em lugar de todo primogênito entre os filhos de Israel.
8:19 Dei os levitas como dádiva a Arão e a seus filhos dentre os filhos de Israel, para realizar o serviço dos filhos de Israel na tenda do encontro e fazer expiação pelos filhos de Israel, para que não haja praga entre os filhos de Israel quando os filhos de Israel se aproximarem do santuário.”
8:20 Moisés, Arão e toda a comunidade dos filhos de Israel fizeram com os levitas conforme tudo o que o SENHOR havia ordenado a Moisés acerca dos levitas. Assim fizeram com eles os filhos de Israel.
8:21 Os levitas se purificaram e lavaram suas roupas. Arão os moveu como oferta movida diante do SENHOR, e Arão fez expiação por eles para purificá-los.
8:22 Depois disso, os levitas entraram para realizar seu serviço na tenda do encontro, diante de Arão e diante de seus filhos. Conforme o SENHOR havia ordenado a Moisés acerca dos levitas, assim fizeram com eles.
8:23 O SENHOR falou a Moisés:
8:24 “Isto é o que cabe aos levitas: de vinte e cinco anos para cima, ingressarão no grupo de serviço para o trabalho na tenda do encontro.
8:25 Mas, a partir dos cinquenta anos, se retirarão do grupo de serviço e não trabalharão mais.
8:26 Auxiliarão seus irmãos na tenda do encontro, para cumprir o encargo de guarda, mas não realizarão o trabalho. Assim você fará com os levitas quanto a seus encargos.”

Capítulo 9
9:1 O SENHOR falou a Moisés no deserto do Sinai, no segundo ano desde a saída deles da terra do Egito, no primeiro mês:
9:2 “Os filhos de Israel celebrarão a Páscoa no tempo determinado.
9:3 No dia catorze deste mês, ao entardecer, vocês a celebrarão no tempo determinado. Vocês a celebrarão conforme todos os seus estatutos e todas as suas ordenanças.”
9:4 Moisés falou aos filhos de Israel para que celebrassem a Páscoa.
9:5 Celebraram a Páscoa no dia catorze do primeiro mês, ao entardecer, no deserto do Sinai. Conforme tudo o que o SENHOR havia ordenado a Moisés, assim fizeram os filhos de Israel.
9:6 Havia uns homens que estavam impuros por causa do corpo de um morto e não podiam celebrar a Páscoa naquele dia. Naquele mesmo dia, chegaram diante de Moisés e diante de Arão.
9:7 Aqueles homens lhe disseram: “Estamos impuros por causa do corpo de um morto. Por que seríamos impedidos de apresentar a oferta do SENHOR no tempo determinado, no meio dos filhos de Israel?”
9:8 Moisés lhes disse: “Esperem, e ouvirei o que o SENHOR ordenará para vocês.”
9:9 O SENHOR falou a Moisés:
9:10 “Fale aos filhos de Israel: ‘Se algum de vocês ou de seus descendentes estiver impuro por causa de um morto ou em viagem distante, celebrará a Páscoa para o SENHOR.
9:11 Eles a celebrarão no dia catorze do segundo mês, ao entardecer. Comerão o sacrifício com pães sem fermento e ervas amargas.
9:12 Não deixarão nada dele até a manhã nem lhe quebrarão osso algum. Eles a celebrarão conforme todos os estatutos da Páscoa.
9:13 Mas, se um homem estiver puro, não estiver em viagem e deixar de celebrar a Páscoa, essa pessoa será eliminada de seu povo, pois não apresentou a oferta do SENHOR no tempo determinado. Aquele homem carregará seu pecado.
9:14 Se um estrangeiro residir entre vocês e celebrar a Páscoa para o SENHOR, fará isso conforme os estatutos e as ordenanças da Páscoa. Haverá um mesmo estatuto para vocês, tanto para o estrangeiro como para o natural da terra.’”
9:15 No dia em que o tabernáculo foi levantado, a nuvem cobriu o tabernáculo, a tenda do Testemunho. Do entardecer até a manhã, havia sobre o tabernáculo uma aparência de fogo.
9:16 Era sempre assim: a nuvem o cobria, e à noite havia aparência de fogo.
9:17 Quando a nuvem se elevava de cima da tenda, então os filhos de Israel partiam; e, no lugar em que a nuvem se detinha, ali acampavam os filhos de Israel.
9:18 Por ordem do SENHOR os filhos de Israel partiam, e por ordem do SENHOR acampavam. Permaneciam acampados todos os dias em que a nuvem se detinha sobre o tabernáculo.
9:19 Quando a nuvem se demorava sobre o tabernáculo por muitos dias, os filhos de Israel cumpriam o encargo do SENHOR e não partiam.
9:20 Às vezes a nuvem permanecia poucos dias sobre o tabernáculo. Por ordem do SENHOR acampavam, e por ordem do SENHOR partiam.
9:21 Às vezes a nuvem ficava do entardecer até a manhã; quando a nuvem se elevava pela manhã, eles partiam. Fosse de dia ou de noite, quando a nuvem se elevava, eles partiam.
9:22 Fossem dois dias, um mês ou um ano, enquanto a nuvem prolongava sua permanência sobre o tabernáculo, os filhos de Israel continuavam acampados e não partiam; quando ela se elevava, partiam.
9:23 Por ordem do SENHOR acampavam, e por ordem do SENHOR partiam. Cumpriam o encargo do SENHOR, por ordem do SENHOR dada por meio de Moisés.

Capítulo 10
10:1 O SENHOR falou a Moisés:
10:2 “Faça para você duas trombetas de prata; você as fará de prata batida. Elas servirão para convocar a comunidade e pôr os acampamentos em marcha.
10:3 Quando tocarem as duas, toda a comunidade se reunirá diante de você, à entrada da tenda do encontro.
10:4 Se tocarem uma só, se reunirão diante de você os chefes, cabeças dos milhares de Israel.
10:5 Quando derem um toque de alarme, partirão os acampamentos situados a leste.
10:6 Quando derem um segundo toque de alarme, partirão os acampamentos situados ao sul. Darão um toque de alarme para suas partidas.
10:7 Para reunir a assembleia, tocarão as trombetas, mas não darão um toque de alarme.
10:8 Os filhos de Arão, os sacerdotes, tocarão as trombetas. Isso será para vocês um estatuto perpétuo ao longo de suas gerações.
10:9 Quando vocês entrarem em guerra em sua terra contra o adversário que os oprime, darão o sinal de alarme com as trombetas; serão lembrados diante do SENHOR, seu Deus, e serão salvos de seus inimigos.
10:10 No dia de sua alegria, em suas festas fixadas e no início de seus meses, vocês tocarão as trombetas sobre seus holocaustos e seus sacrifícios de paz. Elas servirão para vocês como memorial diante de seu Deus. Eu sou o SENHOR, seu Deus.”
10:11 No dia vinte do segundo mês do segundo ano, a nuvem se elevou de cima do tabernáculo do Testemunho.
10:12 Os filhos de Israel partiram por etapas do deserto do Sinai, e a nuvem se deteve no deserto de Parã.
10:13 Partiram pela primeira vez por ordem do SENHOR, dada por meio de Moisés.
10:14 O estandarte do acampamento dos filhos de Judá partiu primeiro, por suas divisões. À frente de seu exército estava Naassom, filho de Aminadabe.
10:15 À frente do exército da tribo dos filhos de Issacar estava Natanael, filho de Zuar,
10:16 e à frente do exército da tribo dos filhos de Zebulom, Eliabe, filho de Helom.
10:17 O tabernáculo foi desmontado, e os filhos de Gérson e os filhos de Merari partiram, levando o tabernáculo.
10:18 O estandarte do acampamento de Rúben partiu, por suas divisões. À frente de seu exército estava Elizur, filho de Sedeur.
10:19 À frente do exército da tribo dos filhos de Simeão estava Selumiel, filho de Zurisadai,
10:20 e à frente do exército da tribo dos filhos de Gade, Eliasafe, filho de Deuel.
10:21 Os coatitas partiram, levando os objetos do santuário. O tabernáculo era levantado antes de os coatitas chegarem.
10:22 O estandarte do acampamento dos filhos de Efraim partiu, por suas divisões. À frente de seu exército estava Elisama, filho de Amiúde.
10:23 À frente do exército da tribo dos filhos de Manassés estava Gamaliel, filho de Pedazur,
10:24 e à frente do exército da tribo dos filhos de Benjamim, Abidã, filho de Gideoni.
10:25 O estandarte do acampamento dos filhos de Dã partiu, por suas divisões, como retaguarda de todos os acampamentos. À frente de seu exército estava Aiezer, filho de Amisadai.
10:26 À frente do exército da tribo dos filhos de Aser estava Pagiel, filho de Ocrã,
10:27 e à frente do exército da tribo dos filhos de Naftali, Aira, filho de Enã.
10:28 Esta era a ordem de marcha dos filhos de Israel, por suas divisões; assim partiram.
10:29 Moisés disse a Hobabe, filho de Reuel, o midianita, sogro de Moisés: “Estamos indo para o lugar do qual o SENHOR disse: ‘Eu o darei a vocês.’ Venha conosco, e faremos bem a você, pois o SENHOR prometeu o bem a Israel.”
10:30 Ele lhe respondeu: “Não irei; irei, sim, à minha terra e à minha parentela.”
10:31 Moisés lhe disse: “Por favor, não nos deixe, pois você conhece nossos acampamentos no deserto e será nossos olhos.
10:32 Se você vier conosco, o bem que o SENHOR nos fizer também faremos a você.”
10:33 Partiram do monte do SENHOR num trajeto de três dias. A arca da aliança do SENHOR ia adiante deles, num trajeto de três dias, para lhes procurar um lugar de descanso.
10:34 A nuvem do SENHOR estava sobre eles de dia, quando partiam do acampamento.

10:35 Quando a arca partia, Moisés dizia:
 “Levanta-te, SENHOR!
   Que teus inimigos se dispersem e fujam de tua presença os que te odeiam!”
10:36 E, quando ela descansava, ele dizia:
 “Volta, SENHOR, para as miríades dos milhares de Israel!”

Capítulo 11
11:1 O povo se queixava, e isso era mau aos ouvidos do SENHOR. O SENHOR ouviu, e sua ira se acendeu; o fogo do SENHOR ardeu entre eles e consumiu uma extremidade do acampamento.
11:2 O povo clamou a Moisés, e Moisés orou ao SENHOR; então o fogo se apagou.
11:3 Aquele lugar foi chamado Taberá, porque o fogo do SENHOR havia ardido entre eles.
11:4 A multidão mista que estava no meio deles teve um desejo intenso; os filhos de Israel também voltaram a chorar e disseram: “Quem nos dera carne para comer!
11:5 Nós nos lembramos do peixe que comíamos de graça no Egito, dos pepinos, dos melões, do alho-poró, das cebolas e dos alhos.
11:6 Mas agora nossa alma se resseca; não há mais nada: nossos olhos só veem maná.”
11:7 O maná era como a semente de coentro, e seu aspecto era como o do bdélio.
11:8 O povo se espalhava e o recolhia; moía em moinhos ou o socava num pilão, cozinhava numa panela e fazia bolos com ele. Seu sabor era como o de azeite fresco.
11:9 Quando o orvalho descia de noite sobre o acampamento, o maná descia sobre ele.
11:10 Moisés ouviu o povo chorar por famílias, cada um à entrada de sua tenda. A ira do SENHOR se acendeu grandemente, e isso pareceu mau aos olhos de Moisés.
11:11 Moisés disse ao SENHOR: “Por que trataste mal teu servo? Por que não achei graça aos teus olhos, para colocares sobre mim a carga de todo este povo?
11:12 Acaso eu concebi todo este povo? Fui eu que o dei à luz, para me dizeres que o leve no colo, como um cuidador leva uma criança de peito, até a terra que juraste dar a seus pais?
11:13 De onde conseguirei carne para dar a todo este povo? Pois choram diante de mim, dizendo: ‘Dê-nos carne para comer.’
11:14 Eu não posso levar sozinho todo este povo, pois é pesado demais para mim.
11:15 Se vais me tratar assim, por favor, mata-me de uma vez, se achei graça aos teus olhos, e não me deixes ver minha desgraça.”
11:16 O SENHOR disse a Moisés: “Reúna para mim setenta homens dentre os anciãos de Israel, que você sabe que são anciãos do povo e seus oficiais. Leve-os à tenda do encontro, e eles se apresentarão ali com você.
11:17 Descerei e falarei ali com você. Tomarei do Espírito que está sobre você e o porei sobre eles; levarão com você a carga do povo, e você não a levará sozinho.
11:18 Ao povo você dirá: ‘Consagrem-se para amanhã e comerão carne, pois choraram aos ouvidos do SENHOR, dizendo: “Quem nos dera carne para comer! Estávamos melhor no Egito!” O SENHOR lhes dará carne, e comerão.
11:19 Não comerão apenas um dia, nem dois dias, nem cinco dias, nem dez dias, nem vinte dias,
11:20 mas um mês inteiro, até lhes sair pelas narinas e lhes causar repulsa, porque rejeitaram o SENHOR, que está no meio de vocês, e choraram diante dele, dizendo: “Por que saímos do Egito?”’”
11:21 Moisés disse: “O povo no meio do qual estou tem seiscentos mil homens a pé, e tu disseste: ‘Eu lhes darei carne, e comerão um mês inteiro.’
11:22 Se fossem abatidos para eles rebanhos e gado bovino, bastaria para eles? Ou, se fossem reunidos para eles todos os peixes do mar, bastaria para eles?”
11:23 O SENHOR disse a Moisés: “Acaso a mão do SENHOR se encurtou? Agora você verá se minha palavra se cumprirá ou não.”
11:24 Moisés saiu e falou ao povo as palavras do SENHOR. Reuniu setenta homens dentre os anciãos do povo e os colocou ao redor da tenda.
11:25 O SENHOR desceu na nuvem e lhe falou. Tomou do Espírito que estava sobre Moisés e o pôs sobre os setenta homens, os anciãos. Quando o Espírito repousou sobre eles, profetizaram, mas não voltaram a fazê-lo.
11:26 Dois homens, porém, tinham ficado no acampamento: um se chamava Eldade e o outro, Medade. O Espírito repousou sobre eles; estavam entre os inscritos, mas não tinham saído em direção à tenda, e profetizaram no acampamento.
11:27 Um jovem correu para informar a Moisés e disse: “Eldade e Medade estão profetizando no acampamento!”
11:28 Josué, filho de Num, ajudante de Moisés, um de seus escolhidos, respondeu: “Moisés, meu senhor, impeça-os!”
11:29 Moisés lhe disse: “Você tem ciúmes por mim? Quem dera que todo o povo do SENHOR fosse profeta e que o SENHOR pusesse seu Espírito sobre eles!”
11:30 Moisés voltou ao acampamento, ele e os anciãos de Israel.
11:31 Um vento vindo do SENHOR soprou e trouxe codornizes do mar; espalhou-as sobre o acampamento, por cerca de um dia de caminho de um lado e cerca de um dia de caminho do outro, ao redor do acampamento, a cerca de 1 metro sobre a superfície da terra.
11:32 O povo se levantou e passou todo aquele dia, toda a noite e todo o dia seguinte recolhendo codornizes. Quem menos recolheu juntou cerca de 2.200 litros; e as espalharam amplamente ao redor do acampamento.
11:33 A carne ainda estava entre seus dentes, antes de ser mastigada, quando a ira do SENHOR se acendeu contra o povo, e o SENHOR feriu o povo com uma praga muito grave.
11:34 Aquele lugar foi chamado Quibrote-Hataavá, porque ali sepultaram o povo que tinha tido aquele desejo.
11:35 De Quibrote-Hataavá o povo partiu para Hazerote e permaneceu em Hazerote.

Capítulo 12
12:1 Miriã e Arão falaram contra Moisés por causa da mulher cuxita com quem ele se havia casado, pois se casara com uma mulher cuxita.
12:2 E disseram: “Acaso o SENHOR falou somente por meio de Moisés? Não falou também por meio de nós?” E o SENHOR ouviu.
12:3 Moisés era um homem muito humilde, mais do que qualquer outra pessoa sobre a face da terra.
12:4 De repente, o SENHOR disse a Moisés, a Arão e a Miriã: “Saiam os três para a tenda do encontro.” E os três saíram.
12:5 O SENHOR desceu na coluna de nuvem e parou à entrada da tenda. Chamou Arão e Miriã, e os dois saíram.
12:6 E disse: “Ouçam agora minhas palavras: se houver entre vocês um profeta, eu, o SENHOR, me darei a conhecer a ele em visão e falarei com ele em sonho.
12:7 Não é assim com meu servo Moisés; ele é fiel em toda a minha casa.
12:8 Falo com ele boca a boca, claramente e não por enigmas; ele contempla a forma do SENHOR. Por que vocês não tiveram temor de falar contra meu servo, contra Moisés?”
12:9 A ira do SENHOR se acendeu contra eles, e ele se foi.
12:10 A nuvem se afastou de cima da tenda, e Miriã estava leprosa como a neve. Arão se voltou para Miriã, e ela estava leprosa.
12:11 Arão disse a Moisés: “Ah, meu senhor, por favor, não ponha sobre nós este pecado, pois agimos com insensatez e pecamos.
12:12 Por favor, que ela não seja como um morto que, ao sair do ventre de sua mãe, já tem metade de sua carne consumida.”
12:13 Moisés clamou ao SENHOR: “Ó Deus, por favor, cura-a, eu te peço!”
12:14 O SENHOR disse a Moisés: “Se o pai dela lhe cuspisse no rosto, não ficaria envergonhada por sete dias? Que ela fique isolada sete dias fora do acampamento e depois seja recebida de novo.”
12:15 Miriã ficou isolada fora do acampamento por sete dias, e o povo não partiu até que Miriã fosse recebida de novo.
12:16 Depois disso, o povo partiu de Hazerote e acampou no deserto de Parã.

Capítulo 13
13:1 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
13:2 “Envie homens para explorar a terra de Canaã, que dou aos filhos de Israel. Vocês enviarão um homem de cada tribo paterna, cada um deles um chefe entre seu povo.”
13:3 Moisés os enviou do deserto de Parã, conforme a ordem do SENHOR. Todos aqueles homens eram chefes dos filhos de Israel.
13:4 Estes são seus nomes: da tribo de Rúben, Samua, filho de Zacur;
13:5 da tribo de Simeão, Safate, filho de Hori;
13:6 da tribo de Judá, Calebe, filho de Jefoné;
13:7 da tribo de Issacar, Jigeal, filho de José;
13:8 da tribo de Efraim, Oseias, filho de Num;
13:9 da tribo de Benjamim, Palti, filho de Rafu;
13:10 da tribo de Zebulom, Gadiel, filho de Sodi;
13:11 da tribo de José, da tribo de Manassés, Gadi, filho de Susi;
13:12 da tribo de Dã, Amiel, filho de Gemali;
13:13 da tribo de Aser, Setur, filho de Micael;
13:14 da tribo de Naftali, Nabi, filho de Vofsi;
13:15 da tribo de Gade, Geuel, filho de Maqui.
13:16 Estes são os nomes dos homens que Moisés enviou para explorar a terra. Moisés chamou Josué a Oseias, filho de Num.
13:17 Moisés os enviou para explorar a terra de Canaã e lhes disse: “Subam por aqui pelo Neguebe e subam à região montanhosa.
13:18 Vejam como é a terra e o povo que nela habita: se é forte ou fraco, se é pouco ou numeroso;
13:19 como é a terra em que habita, se é boa ou má, e como são as cidades em que habita, se são acampamentos ou fortalezas;
13:20 e como é o terreno, se é fértil ou pobre, se nele há árvores ou não. Tenham coragem e tragam frutos da terra.” Era a época das primeiras uvas.
13:21 Subiram e exploraram a terra desde o deserto de Zim até Reobe, à entrada de Hamate.
13:22 Subiram pelo Neguebe, e chegou-se até Hebrom, onde estavam Aimã, Sesai e Talmai, descendentes de Anaque. Hebrom havia sido edificada sete anos antes de Zoã, no Egito.
13:23 Chegaram ao vale de Escol e cortaram ali um ramo de videira com um único cacho de uvas, que dois homens levaram numa vara. Também trouxeram romãs e figos.
13:24 Aquele lugar foi chamado vale de Escol por causa do cacho que os filhos de Israel cortaram ali.
13:25 Ao fim de quarenta dias, voltaram de explorar a terra.
13:26 Seguiram e chegaram até Moisés, Arão e toda a comunidade dos filhos de Israel em Cades, no deserto de Parã. Deram um relato a eles e a toda a comunidade, e lhes mostraram o fruto da terra.
13:27 Contaram a Moisés: “Fomos à terra à qual você nos enviou. De fato, ela mana leite e mel, e este é seu fruto.
13:28 Mas o povo que habita a terra é forte, e as cidades são fortificadas e muito grandes. Também vimos ali os descendentes de Anaque.
13:29 Os amalequitas habitam na terra do Neguebe; os heteus, os jebuseus e os amorreus habitam na região montanhosa, e os cananeus habitam junto ao mar e às margens do Jordão.”
13:30 Calebe fez calar o povo diante de Moisés e disse: “Subamos, sim, e tomemos posse dela, pois certamente podemos conquistá-la!”
13:31 Mas os homens que haviam subido com ele disseram: “Não podemos subir contra aquele povo, pois é mais forte do que nós.”
13:32 Espalharam entre os filhos de Israel um mau relato da terra que haviam explorado, dizendo: “A terra que percorremos para explorá-la é uma terra que devora seus habitantes, e toda a gente que vimos nela era de grande estatura.
13:33 Ali vimos os nefilins, os filhos de Anaque, descendentes dos nefilins. A nossos olhos éramos como gafanhotos, e assim também éramos aos olhos deles.”

Capítulo 14
14:1 Toda a comunidade ergueu a voz e gritou, e o povo chorou naquela noite.
14:2 Todos os filhos de Israel murmuraram contra Moisés e Arão. Toda a comunidade lhes disse: “Quem dera tivéssemos morrido na terra do Egito! Ou neste deserto, quem dera tivéssemos morrido!
14:3 Por que o SENHOR nos leva a esta terra para cairmos à espada? Nossas mulheres e nossas crianças serão tomadas como despojo. Não seria melhor voltarmos ao Egito?”
14:4 Disseram uns aos outros: “Escolhamos um chefe e voltemos ao Egito.”
14:5 Moisés e Arão caíram com o rosto em terra diante de toda a assembleia da comunidade dos filhos de Israel.
14:6 Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, que estavam entre os que haviam explorado a terra, rasgaram suas roupas
14:7 e disseram a toda a comunidade dos filhos de Israel: “A terra que percorremos para explorá-la é uma terra muito, muito boa.
14:8 Se o SENHOR se agradar de nós, ele nos levará a esta terra e a dará a nós, uma terra que mana leite e mel.
14:9 Apenas não se rebelem contra o SENHOR nem temam o povo da terra, pois eles são nosso pão. A sombra que os protegia se afastou deles, e o SENHOR está conosco. Não tenham medo deles!”
14:10 Toda a comunidade disse que eles fossem apedrejados. Mas a glória do SENHOR apareceu na tenda do encontro a todos os filhos de Israel.
14:11 O SENHOR disse a Moisés: “Até quando este povo me desprezará? Até quando não crerão em mim, apesar de todos os sinais que fiz no meio deles?
14:12 Eu o ferirei com a peste e o deserdarei, e farei de você uma nação maior e mais forte do que ele.”
14:13 Moisés disse ao SENHOR: “Os egípcios ouvirão isso, pois com teu poder fizeste este povo subir do meio deles,
14:14 e contarão aos habitantes desta terra. Eles já ouviram que tu, SENHOR, estás no meio deste povo, que tu, SENHOR, te mostras olho a olho, que tua nuvem permanece sobre eles e que vais à frente deles numa coluna de nuvem durante o dia e numa coluna de fogo à noite.
14:15 Se matares este povo como a um só homem, as nações que ouviram falar de ti dirão:
14:16 ‘Foi porque o SENHOR não pôde levar este povo à terra que jurou dar a eles que os degolou no deserto.’
14:17 Agora, por favor, que o poder do Senhor se engrandeça, como declaraste ao dizer:
14:18 ‘O SENHOR é tardio em irar-se e abundante em amor leal, que perdoa a iniquidade e a rebelião, mas de modo algum tem por inocente o culpado; que castiga a iniquidade dos pais nos filhos até a terceira e a quarta geração.’
14:19 Perdoa, por favor, a iniquidade deste povo, conforme a grandeza do teu amor leal, assim como tens perdoado este povo desde o Egito até aqui.”
14:20 O SENHOR disse: “Perdoei conforme a sua palavra.
14:21 Mas, tão certo como eu vivo e como a glória do SENHOR encherá toda a terra,
14:22 todos os homens que viram minha glória e os sinais que fiz no Egito e no deserto, e me puseram à prova estas dez vezes e não ouviram minha voz,
14:23 não verão a terra que jurei dar a seus pais. Nenhum dos que me desprezam a verá.
14:24 Mas meu servo Calebe, porque teve um espírito diferente e me seguiu plenamente, eu o levarei à terra em que entrou, e sua descendência tomará posse dela.
14:25 Os amalequitas e os cananeus habitam no vale. Amanhã, deem meia-volta e partam para o deserto pelo caminho do mar Vermelho.”
14:26 O SENHOR falou a Moisés e a Arão, dizendo:
14:27 “Até quando suportarei esta comunidade má que murmura contra mim? Ouvi as queixas dos filhos de Israel, que murmuram contra mim.
14:28 Diga-lhes: ‘Tão certo como eu vivo — declara o SENHOR —, farei com vocês conforme falaram aos meus ouvidos.
14:29 Neste deserto cairão seus cadáveres, os de todos vocês que foram recenseados, conforme sua contagem completa, de vinte anos para cima, que murmuraram contra mim.
14:30 Vocês não entrarão na terra na qual levantei a mão e jurei fazê-los habitar, exceto Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.
14:31 Quanto às suas crianças, das quais disseram que seriam tomadas como despojo, eu as farei entrar, e conhecerão a terra que vocês rejeitaram.
14:32 Mas seus cadáveres, os de vocês mesmos, cairão neste deserto.
14:33 Seus filhos serão pastores no deserto por quarenta anos e carregarão as consequências das infidelidades de vocês, até que os cadáveres de vocês se consumam no deserto.
14:34 Conforme o número dos dias em que exploraram a terra, quarenta dias, um ano por dia, um ano por dia, vocês carregarão suas iniquidades por quarenta anos e conhecerão minha oposição.
14:35 Eu, o SENHOR, falei. Certamente farei isso com toda esta comunidade má que se reuniu contra mim. Neste deserto chegarão ao fim, e ali morrerão.’”
14:36 Os homens que Moisés havia enviado para explorar a terra e que, ao voltar, fizeram toda a comunidade murmurar contra ele, espalhando um mau relato da terra,
14:37 aqueles homens que espalharam o mau relato da terra morreram pela praga diante do SENHOR.
14:38 Mas Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, ficaram vivos dentre aqueles homens que haviam ido explorar a terra.
14:39 Moisés comunicou estas palavras a todos os filhos de Israel, e o povo se entregou a um grande luto.
14:40 Levantaram-se de madrugada e subiram ao alto do monte, dizendo: “Aqui estamos e subiremos ao lugar de que o SENHOR falou, pois pecamos.”
14:41 Moisés disse: “Por que vocês transgridem a ordem do SENHOR? Isso não terá êxito.
14:42 Não subam, pois o SENHOR não está no meio de vocês, para que não sejam derrotados diante de seus inimigos.
14:43 Pois os amalequitas e os cananeus estão ali diante de vocês, e vocês cairão à espada. Porque deixaram de seguir o SENHOR, o SENHOR não estará com vocês.”
14:44 Mas se obstinaram em subir ao alto do monte; a arca da aliança do SENHOR e Moisés não se afastaram do meio do acampamento.
14:45 Os amalequitas e os cananeus que habitavam naquele monte desceram, os feriram e os destroçaram até Horma.

Capítulo 15
15:1 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
15:2 “Fale aos filhos de Israel e diga-lhes: quando vocês entrarem na terra em que habitarão, que eu lhes dou,
15:3 e apresentarem ao SENHOR uma oferta queimada, um holocausto ou um sacrifício para cumprir um voto especial, ou como oferta voluntária, ou em suas festas determinadas, para oferecer um aroma agradável ao SENHOR, do gado bovino ou dos rebanhos de ovelhas e cabras,
15:4 quem apresentar sua oferta ao SENHOR apresentará uma oferta de cereal de cerca de 2 litros de farinha fina misturada com cerca de 1 litro de azeite.
15:5 Você preparará como libação cerca de 1 litro de vinho, além do holocausto ou do sacrifício, por cada cordeiro.
15:6 Ou, para um carneiro, você preparará uma oferta de cereal de cerca de 4 litros de farinha fina misturada com cerca de 1 litro e um terço de azeite.
15:7 Apresentará como libação cerca de 1 litro e um terço de vinho, como aroma agradável ao SENHOR.
15:8 Quando você preparar um novilho como holocausto ou como sacrifício para cumprir um voto especial, ou como sacrifício de paz ao SENHOR,
15:9 apresentará com o novilho uma oferta de cereal de cerca de 6 litros de farinha fina misturada com cerca de 2 litros de azeite.
15:10 Apresentará como libação cerca de 2 litros de vinho, uma oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR.
15:11 Assim se fará com cada boi, com cada carneiro ou com cada animal do rebanho, seja ovelha ou cabra.
15:12 Conforme o número de animais que vocês oferecerem, assim farão com cada um, de acordo com o número deles.
15:13 Todo natural da terra fará essas coisas assim, para apresentar uma oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR.
15:14 Se um estrangeiro residir com vocês, ou estiver entre vocês ao longo de suas gerações, e apresentar uma oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR, fará como vocês fazem.
15:15 Para a assembleia, haverá um mesmo estatuto para vocês e para o estrangeiro residente, um estatuto perpétuo ao longo de suas gerações. Diante do SENHOR, o estrangeiro será como vocês.
15:16 Uma mesma lei e uma mesma norma haverá para vocês e para o estrangeiro que reside com vocês.”
15:17 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
15:18 “Fale aos filhos de Israel e diga-lhes: quando vocês entrarem na terra à qual eu os levo,
15:19 e comerem do pão da terra, apresentarão uma oferta elevada ao SENHOR.
15:20 Das primícias de suas massas, apresentem um bolo como oferta elevada; assim o apresentarão, como a oferta elevada da eira.
15:21 Das primícias de suas massas, darão ao SENHOR uma oferta elevada ao longo de suas gerações.
15:22 Se, por engano, vocês não cumprirem todos estes mandamentos que o SENHOR comunicou a Moisés,
15:23 tudo o que o SENHOR lhes ordenou por meio de Moisés, desde o dia em que o SENHOR ordenou e dali em diante, ao longo de suas gerações,
15:24 se algo for feito por engano e ficar oculto aos olhos da comunidade, toda a comunidade oferecerá um novilho como holocausto de aroma agradável ao SENHOR, com sua oferta de cereal e sua libação, conforme a norma, e um bode como oferta pelo pecado.
15:25 O sacerdote fará expiação por toda a comunidade dos filhos de Israel, e lhes será perdoado, pois foi uma falta involuntária, e eles trouxeram sua oferta, uma oferta queimada ao SENHOR, e sua oferta pelo pecado diante do SENHOR, por sua falta involuntária.
15:26 Será perdoado a toda a comunidade dos filhos de Israel e ao estrangeiro que reside entre eles, pois foi uma falta involuntária de todo o povo.
15:27 Se uma só pessoa pecar por engano, apresentará uma cabra de um ano como oferta pelo pecado.
15:28 O sacerdote fará expiação pela pessoa que errou ao pecar por engano diante do SENHOR, para fazer expiação por ela, e lhe será perdoado.
15:29 Para o natural dos filhos de Israel e para o estrangeiro que reside entre eles, haverá uma mesma lei para vocês, para quem agir por engano.
15:30 Mas a pessoa que agir com a mão erguida em desafio, seja natural ou estrangeira, ultraja o SENHOR; essa pessoa será eliminada do meio de seu povo.
15:31 Pois desprezou a palavra do SENHOR e violou seu mandamento; essa pessoa será eliminada sem falta, e sua culpa permanecerá nela.”
15:32 Enquanto os filhos de Israel estavam no deserto, encontraram um homem recolhendo lenha no dia de sábado.
15:33 Os que o encontraram recolhendo lenha o levaram a Moisés, a Arão e a toda a comunidade.
15:34 Colocaram-no sob custódia, pois não havia sido especificado o que se devia fazer com ele.
15:35 O SENHOR disse a Moisés: “Esse homem certamente será morto. Toda a comunidade o apedrejará fora do acampamento.”
15:36 Toda a comunidade o levou para fora do acampamento e o apedrejou, e ele morreu, conforme o SENHOR havia ordenado a Moisés.
15:37 O SENHOR disse a Moisés:
15:38 “Fale aos filhos de Israel e diga-lhes que façam franjas nas pontas de suas roupas, ao longo de suas gerações, e ponham na franja de cada ponta um cordão azul.
15:39 Vocês terão essas franjas; ao vê-las, se lembrarão de todos os mandamentos do SENHOR e os cumprirão. Não seguirão o próprio coração nem os próprios olhos, atrás dos quais vocês se prostituem,
15:40 para que vocês se lembrem de todos os meus mandamentos e os cumpram, e sejam santos para o seu Deus.
15:41 Eu sou o SENHOR, seu Deus, que os tirei da terra do Egito para ser o Deus de vocês. Eu sou o SENHOR, seu Deus.”

Capítulo 16
16:1 Corá, filho de Izar, filho de Coate, filho de Levi, tomou a iniciativa com os descendentes de Rúben: Datã e Abirão, filhos de Eliabe, e Om, filho de Pelete.
16:2 Levantaram-se contra Moisés, com duzentos e cinquenta homens dos filhos de Israel, chefes da comunidade, convocados para a assembleia, homens de renome.
16:3 Reuniram-se contra Moisés e Arão e lhes disseram: “Vocês foram longe demais! Toda a comunidade, todos eles, são santos, e o SENHOR está no meio deles. Por que vocês se elevam acima da assembleia do SENHOR?”
16:4 Ao ouvir isso, Moisés caiu com o rosto em terra.
16:5 Falou a Corá e a toda a sua comunidade, dizendo: “Pela manhã, o SENHOR fará saber quem lhe pertence e quem é santo, e o fará chegar a si; aquele que escolher, ele o fará chegar a si.
16:6 Façam isto: tomem incensários, Corá e toda a sua comunidade,
16:7 ponham fogo neles e coloquem incenso sobre eles amanhã, diante do SENHOR. O homem que o SENHOR escolher, esse será o santo. Vocês foram longe demais, filhos de Levi!”
16:8 Moisés disse a Corá: “Ouçam, por favor, filhos de Levi.
16:9 Parece pouco a vocês que o Deus de Israel os tenha separado da comunidade de Israel para aproximá-los de si, para realizarem o serviço do tabernáculo do SENHOR e se colocarem diante da comunidade para servi-la?
16:10 Ele fez você chegar perto dele, e com você todos os seus irmãos, os filhos de Levi. E vocês procuram também o sacerdócio?
16:11 Por isso, você e toda a sua comunidade se reuniram contra o SENHOR. E Arão, quem é ele para que vocês murmurem contra ele?”
16:12 Moisés mandou chamar Datã e Abirão, filhos de Eliabe, mas eles disseram: “Não subiremos.
16:13 É pouco você nos ter feito subir de uma terra que mana leite e mel para nos fazer morrer no deserto? Ainda quer dominar-nos por completo?
16:14 Nem sequer nos levou a uma terra que mana leite e mel, nem nos deu campos e vinhas como herança. Você vai arrancar os olhos desses homens? Não subiremos!”
16:15 Moisés se irou muito e disse ao SENHOR: “Não atentes para a oferta deles. Não tomei deles nem um só jumento, nem fiz mal a nenhum deles.”
16:16 Moisés disse a Corá: “Você e toda a sua comunidade, apresentem-se amanhã diante do SENHOR: você, eles e Arão.
16:17 Tomem cada um seu incensário, ponham incenso neles e apresentem diante do SENHOR cada um seu incensário, duzentos e cinquenta incensários; também você e Arão, cada um seu incensário.”
16:18 Cada um tomou seu incensário. Puseram fogo neles, colocaram incenso sobre eles e se puseram à entrada da tenda do encontro, com Moisés e Arão.
16:19 Corá reuniu contra eles toda a comunidade à entrada da tenda do encontro, e a glória do SENHOR apareceu a toda a comunidade.
16:20 O SENHOR falou a Moisés e a Arão, dizendo:
16:21 “Separem-se do meio desta comunidade, e eu os consumirei num instante.”
16:22 Eles caíram com o rosto em terra e disseram: “Ó Deus, Deus dos espíritos de toda carne, se um só homem pecar, tu te irarás contra toda a comunidade?”
16:23 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
16:24 “Fale à comunidade, dizendo: ‘Afastem-se dos arredores da morada de Corá, Datã e Abirão.’”
16:25 Moisés se levantou e foi até Datã e Abirão, e os anciãos de Israel o seguiram.
16:26 Falou à comunidade, dizendo: “Afastem-se, por favor, das tendas destes homens perversos e não toquem em nada do que lhes pertence, para que não pereçam por todos os pecados deles.”
16:27 Afastaram-se dos arredores da morada de Corá, Datã e Abirão. Datã e Abirão saíram e ficaram de pé à entrada de suas tendas, com suas mulheres, seus filhos e seus pequenos.
16:28 Moisés disse: “Nisto vocês saberão que o SENHOR me enviou para fazer todas estas obras, e que não vieram do meu próprio coração.
16:29 Se estes morrerem como morrem todos os seres humanos, e tiverem o destino de todos os seres humanos, então o SENHOR não me enviou.
16:30 Mas, se o SENHOR criar algo novo, e o solo abrir sua boca e engolir a eles e a tudo o que lhes pertence, e eles descerem vivos ao Seol, vocês saberão que estes homens desprezaram o SENHOR.”
16:31 Assim que ele acabou de dizer todas estas palavras, o solo debaixo deles se partiu.
16:32 A terra abriu sua boca e os engoliu, junto com suas famílias, todas as pessoas que pertenciam a Corá e todos os bens.
16:33 Eles e tudo o que lhes pertencia desceram vivos ao Seol; a terra os cobriu, e pereceram do meio da assembleia.
16:34 Todo o Israel que estava ao redor deles fugiu ao ouvir seus gritos, pois diziam: “Que a terra não nos engula!”
16:35 Saiu fogo da parte do SENHOR e consumiu os duzentos e cinquenta homens que apresentavam o incenso.
16:36 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
16:37 “Diga a Eleazar, filho do sacerdote Arão, que recolha os incensários de entre o que foi queimado; espalhe o fogo longe dali, pois os incensários foram consagrados.
16:38 Com os incensários desses que pecaram à custa das próprias vidas farão lâminas batidas para revestir o altar, pois os apresentaram diante do SENHOR e foram consagrados. Servirão de sinal aos filhos de Israel.”
16:39 O sacerdote Eleazar tomou os incensários de cobre apresentados pelos que morreram queimados. Bateram-nos em lâminas para revestir o altar,
16:40 como memorial para os filhos de Israel, para que ninguém estranho ao sacerdócio, que não fosse da descendência de Arão, se aproximasse para queimar incenso diante do SENHOR e não se tornasse como Corá e sua comunidade, conforme o SENHOR lhe havia dito por meio de Moisés.
16:41 No dia seguinte, toda a comunidade dos filhos de Israel murmurou contra Moisés e Arão, dizendo: “Vocês mataram o povo do SENHOR!”
16:42 Quando a comunidade se reuniu contra Moisés e Arão, voltaram-se para a tenda do encontro: eis que a nuvem a havia coberto, e a glória do SENHOR apareceu.
16:43 Moisés e Arão foram para diante da tenda do encontro.
16:44 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
16:45 “Retirem-se do meio desta comunidade, e eu os consumirei num instante.” Eles caíram com o rosto em terra.
16:46 Moisés disse a Arão: “Pegue o incensário, ponha nele fogo do altar, coloque incenso e leve-o depressa à comunidade; faça expiação por eles, pois a ira saiu de diante do SENHOR: a praga começou.”
16:47 Arão o pegou, conforme Moisés havia dito, e correu para o meio da assembleia. Eis que a praga já havia começado entre o povo. Ele colocou o incenso e fez expiação pelo povo.
16:48 Ficou de pé entre os mortos e os vivos, e a praga cessou.
16:49 Os que morreram na praga foram catorze mil e setecentos, além dos que morreram por causa do ocorrido com Corá.
16:50 Arão voltou a Moisés, à entrada da tenda do encontro, e a praga havia cessado.

Capítulo 17
17:1 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
17:2 “Fale aos filhos de Israel e tome deles uma vara para cada casa paterna, de todos os seus chefes, segundo suas casas paternas, doze varas. Escreva o nome de cada um em sua vara.
17:3 Escreva o nome de Arão na vara de Levi, pois haverá uma vara para cada chefe de suas casas paternas.
17:4 Coloque-as na tenda do encontro, diante do Testemunho, onde me encontrarei com vocês.
17:5 A vara do homem que eu escolher brotará; assim farei cessar as queixas dos filhos de Israel contra mim, com as quais murmuram contra vocês.”
17:6 Moisés falou aos filhos de Israel, e todos os seus chefes lhe deram varas, uma vara para cada chefe, uma vara para cada chefe de suas casas paternas, doze varas; e a vara de Arão estava entre as varas deles.
17:7 Moisés colocou as varas diante do SENHOR, na tenda do Testemunho.
17:8 No dia seguinte, Moisés entrou na tenda do Testemunho, e eis que a vara de Arão, da casa de Levi, havia brotado: lançara brotos, produzira flores e amadurecera amêndoas.
17:9 Moisés levou todas as varas de diante do SENHOR a todos os filhos de Israel. Eles as viram, e cada um pegou sua vara.
17:10 O SENHOR disse a Moisés: “Volte a colocar a vara de Arão diante do Testemunho, para ser guardada como sinal para os filhos rebeldes. Assim você porá fim às queixas deles contra mim, e não morrerão.”
17:11 Moisés fez isso; conforme o SENHOR lhe havia ordenado, assim fez.
17:12 Os filhos de Israel disseram a Moisés: “Eis que estamos morrendo! Estamos perdidos! Todos nós estamos perdidos!
17:13 Todo aquele que se aproximar, que se aproximar do tabernáculo do SENHOR, morrerá. Acabaremos todos morrendo?”

Capítulo 18
18:1 O SENHOR disse a Arão: “Você, seus filhos e a casa de seu pai com você carregarão a culpa ligada ao santuário; você e seus filhos com você carregarão a culpa ligada ao sacerdócio de vocês.
18:2 Traga também para perto de você seus irmãos, a tribo de Levi, a tribo de seu pai, para que se unam a você e o sirvam. Você e seus filhos com você estarão diante da tenda do Testemunho.
18:3 Eles cumprirão o encargo que você lhes confiar e o encargo de toda a tenda, mas não se aproximarão dos utensílios do santuário nem do altar, para que não morram, nem eles nem vocês.
18:4 Eles se unirão a você e terão a seu cargo a tenda do encontro, todo o serviço da tenda; nenhum estranho se aproximará de vocês.
18:5 Vocês terão a seu cargo o santuário e o altar, para que não haja mais ira contra os filhos de Israel.
18:6 Eu mesmo tomei seus irmãos, os levitas, do meio dos filhos de Israel; são uma dádiva para vocês, entregues ao SENHOR para realizar o serviço da tenda do encontro.
18:7 Você e seus filhos com você cuidarão do sacerdócio de vocês em tudo o que diz respeito ao altar e ao que está do lado de dentro do véu, e realizarão o serviço. Eu lhes dou como dádiva o serviço do sacerdócio de vocês; o estranho que se aproximar será morto.”
18:8 O SENHOR falou a Arão: “Eu mesmo lhe dei a guarda de minhas ofertas elevadas; todas as coisas consagradas dos filhos de Israel, eu as dei a você como porção e a seus filhos, por estatuto perpétuo.
18:9 Isto será seu das coisas santíssimas reservadas do fogo: todas as ofertas deles, todas as suas ofertas de cereal, todas as suas ofertas pelo pecado e todas as suas ofertas pela culpa que me restituírem; serão coisa santíssima para você e para seus filhos.
18:10 Você o comerá como coisa santíssima; todo homem comerá dele. Será santo para você.
18:11 Isto também será seu: a oferta elevada de suas dádivas, com todas as ofertas movidas dos filhos de Israel. Eu as dei a você, a seus filhos e a suas filhas com você, por estatuto perpétuo. Todo aquele que estiver puro em sua casa comerá delas.
18:12 Todo o melhor do azeite e todo o melhor do vinho novo e dos cereais, suas primícias que derem ao SENHOR, eu os dei a você.
18:13 As primícias de tudo o que houver na terra deles, que trouxerem ao SENHOR, serão suas; todo aquele que estiver puro em sua casa comerá delas.
18:14 Tudo o que for consagrado irrevogavelmente em Israel será seu.
18:15 Todo aquele que abrir o ventre, de toda carne que apresentarem ao SENHOR, tanto de seres humanos como de animais, será seu. Mas você certamente resgatará o primogênito humano e resgatará o primogênito do animal impuro.
18:16 Você resgatará os que devem ser resgatados a partir de um mês de idade, conforme sua avaliação, por cinco siclos de prata, cerca de 57 gramas, segundo o siclo do santuário, que equivale a vinte geras.
18:17 Mas não resgatará o primogênito de boi, nem o primogênito de ovelha, nem o primogênito de cabra: são santos. Espalhará seu sangue sobre o altar e fará arder sua gordura como oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR.
18:18 A carne deles será sua; como o peito da oferta movida e a coxa direita, será sua.
18:19 Todas as ofertas elevadas das coisas consagradas que os filhos de Israel apresentarem ao SENHOR, eu as dei a você, a seus filhos e a suas filhas com você, por estatuto perpétuo. É uma aliança perpétua de sal diante do SENHOR, para você e para sua descendência com você.”
18:20 O SENHOR disse a Arão: “Você não terá herança na terra deles nem terá porção no meio deles; eu sou sua porção e sua herança no meio dos filhos de Israel.
18:21 Aos filhos de Levi, eu dei todos os dízimos em Israel como herança, em troca do serviço que realizam, o serviço da tenda do encontro.
18:22 Os filhos de Israel não se aproximarão mais da tenda do encontro, para que não carreguem pecado e morram.
18:23 Os próprios levitas realizarão o serviço da tenda do encontro, e eles carregarão sua culpa; será estatuto perpétuo ao longo de suas gerações. Entre os filhos de Israel, não receberão herança,
18:24 pois os dízimos dos filhos de Israel, que apresentarem ao SENHOR como oferta elevada, eu os dei aos levitas como herança. Por isso lhes disse: ‘Entre os filhos de Israel, não receberão herança.’”
18:25 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
18:26 “Fale aos levitas e diga-lhes: ‘Quando vocês receberem dos filhos de Israel os dízimos que lhes dei da parte deles como sua herança, apresentarão deles uma oferta elevada ao SENHOR, o dízimo dos dízimos.
18:27 Sua oferta elevada lhes será contada como o cereal da eira e como o produto do lagar.
18:28 Assim também vocês apresentarão a oferta elevada do SENHOR de todos os seus dízimos que receberem dos filhos de Israel, e deles entregarão a oferta elevada do SENHOR ao sacerdote Arão.
18:29 De todas as suas dádivas, apresentarão toda a oferta elevada do SENHOR, de tudo o que houver de melhor nelas, a porção consagrada delas.’
18:30 E lhes dirá: ‘Quando apresentarem a melhor parte, isso será contado aos levitas como o produto da eira e como o produto do lagar.
18:31 Vocês poderão comê-lo em qualquer lugar, vocês e os de sua casa, pois é seu salário em troca do serviço que prestam na tenda do encontro.
18:32 Não carregarão pecado por isso quando tiverem apresentado a melhor parte. Não profanarão as coisas consagradas dos filhos de Israel, e não morrerão.’”

Capítulo 19
19:1 O SENHOR falou a Moisés e a Arão, dizendo:
19:2 “Este é o estatuto da lei que o SENHOR ordenou: fale aos filhos de Israel para que lhe tragam uma vaca ruiva, perfeita, sem defeito, sobre a qual não tenha sido posto jugo.
19:3 Vocês a entregarão ao sacerdote Eleazar; ele a levará para fora do acampamento, e ela será degolada na presença dele.
19:4 O sacerdote Eleazar tomará com seu dedo um pouco do sangue dela e aspergirá um pouco do sangue dela sete vezes em direção à frente da tenda do encontro.
19:5 A vaca será queimada diante dos olhos dele: seu couro, sua carne e seu sangue, junto com seu esterco, serão queimados.
19:6 O sacerdote tomará madeira de cedro, hissopo e fio escarlate e os lançará no meio do fogo em que a vaca está sendo queimada.
19:7 O sacerdote lavará suas roupas e banhará seu corpo em água; depois entrará no acampamento. O sacerdote ficará impuro até o entardecer.
19:8 Quem a queimar lavará suas roupas em água, banhará seu corpo em água e ficará impuro até o entardecer.
19:9 Um homem puro recolherá as cinzas da vaca e as colocará fora do acampamento, num lugar puro. Elas ficarão guardadas para a comunidade dos filhos de Israel, para a água de purificação; é uma oferta pelo pecado.
19:10 Quem recolher as cinzas da vaca lavará suas roupas e ficará impuro até o entardecer. Será estatuto perpétuo para os filhos de Israel e para o estrangeiro que reside entre eles.
19:11 Quem tocar o cadáver de qualquer ser humano ficará impuro por sete dias.
19:12 Ele se purificará com essa água no terceiro dia, e no sétimo dia ficará puro. Mas, se não se purificar no terceiro dia, não ficará puro no sétimo dia.
19:13 Todo aquele que tocar um cadáver, o de uma pessoa que morreu, e não se purificar, contamina o tabernáculo do SENHOR; essa pessoa será eliminada de Israel. Como a água de purificação não foi aspergida sobre ela, ficará impura; sua impureza ainda está nela.
19:14 Esta é a lei quando uma pessoa morrer numa tenda: todo aquele que entrar na tenda e tudo o que houver na tenda ficarão impuros por sete dias.
19:15 Toda vasilha aberta que não tiver uma tampa bem atada sobre ela ficará impura.
19:16 Todo aquele que tocar, em campo aberto, alguém morto à espada, um cadáver, um osso humano ou uma sepultura ficará impuro por sete dias.
19:17 Para o impuro, tomarão um pouco das cinzas da oferta pelo pecado queimada, e será derramada sobre elas água de nascente numa vasilha.
19:18 Um homem puro tomará hissopo, o mergulhará na água e aspergirá a tenda, todos os utensílios e as pessoas que estiveram ali, e quem tiver tocado um osso, alguém morto violentamente, um cadáver ou uma sepultura.
19:19 O puro aspergirá o impuro no terceiro dia e no sétimo dia, e o purificará no sétimo dia. A pessoa que se purifica lavará suas roupas e se banhará em água, e ao entardecer ficará pura.
19:20 Mas o homem que ficar impuro e não se purificar, essa pessoa será eliminada do meio da assembleia, pois contaminou o santuário do SENHOR. A água de purificação não foi aspergida sobre ele; está impuro.
19:21 Isto será para eles estatuto perpétuo. Quem aspergir a água de purificação lavará suas roupas; quem tocar a água de purificação ficará impuro até o entardecer.
19:22 Tudo o que o impuro tocar ficará impuro, e a pessoa que o tocar ficará impura até o entardecer.”

Capítulo 20
20:1 Os filhos de Israel, toda a comunidade, chegaram ao deserto de Zim no primeiro mês, e o povo ficou em Cades. Miriã morreu ali e ali foi sepultada.
20:2 Não havia água para a comunidade, e se reuniram contra Moisés e Arão.
20:3 O povo contendeu com Moisés e disse: “Quem dera tivéssemos morrido quando nossos irmãos morreram diante do SENHOR!
20:4 Por que vocês trouxeram a assembleia do SENHOR a este deserto, para morrermos ali, nós e nossos animais?
20:5 Por que nos fizeram subir do Egito para nos trazer a este lugar mau? Não é lugar de plantio, nem de figueiras, nem de videiras, nem de romãzeiras; tampouco há água para beber.”
20:6 Moisés e Arão saíram de diante da assembleia e foram à entrada da tenda do encontro; caíram com o rosto em terra, e a glória do SENHOR lhes apareceu.
20:7 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
20:8 “Pegue a vara e reúna a comunidade, você e Arão, seu irmão; falem à rocha diante dos olhos deles, e ela dará sua água. Você fará sair água da rocha para eles e dará de beber à comunidade e a seus animais.”
20:9 Moisés pegou a vara de diante do SENHOR, conforme ele lhe havia ordenado.
20:10 Moisés e Arão reuniram a assembleia diante da rocha, e ele lhes disse: “Ouçam, por favor, rebeldes: será que faremos sair água desta rocha para vocês?”
20:11 Moisés levantou a mão e bateu na rocha duas vezes com sua vara. Saiu água em abundância, e a comunidade e seus animais beberam.
20:12 O SENHOR disse a Moisés e a Arão: “Porque vocês não creram em mim de modo a mostrar minha santidade diante dos olhos dos filhos de Israel, por isso não levarão esta assembleia à terra que lhes dei.”
20:13 Estas são as águas de Meribá, onde os filhos de Israel contenderam com o SENHOR, e ele mostrou ali sua santidade.
20:14 Moisés enviou mensageiros de Cades ao rei de Edom: “Assim diz seu irmão Israel: você conhece todo o sofrimento que nos sobreveio.
20:15 Nossos pais desceram ao Egito, e vivemos no Egito por muitos dias; os egípcios maltrataram a nós e a nossos pais.
20:16 Clamamos ao SENHOR, e ele ouviu nossa voz, enviou um anjo e nos tirou do Egito. Agora estamos em Cades, cidade na extremidade de seu território.
20:17 Permita-nos, por favor, passar por sua terra. Não passaremos por campos nem por vinhas, nem beberemos água de poço. Iremos pela estrada real; não nos desviaremos para a direita nem para a esquerda até passarmos por seu território.”
20:18 Edom lhe disse: “Você não passará por meu território, senão sairei ao seu encontro com a espada.”
20:19 Os filhos de Israel lhe disseram: “Subiremos pela estrada; se eu e meu gado bebermos de sua água, pagarei o preço dela. Só quero passar a pé, nada mais.”
20:20 Ele disse: “Você não passará.” Edom saiu ao seu encontro com muita gente e com mão forte.
20:21 Edom se recusou a deixar Israel passar por seu território, e Israel se desviou dele.
20:22 Partiram de Cades, e os filhos de Israel, toda a comunidade, chegaram ao monte Hor.
20:23 O SENHOR falou a Moisés e a Arão no monte Hor, na fronteira da terra de Edom, dizendo:
20:24 “Arão será reunido ao seu povo, pois não entrará na terra que dei aos filhos de Israel, porque vocês se rebelaram contra minha ordem nas águas de Meribá.
20:25 Leve Arão e Eleazar, seu filho, e faça-os subir ao monte Hor.
20:26 Tire de Arão suas vestes e vista com elas Eleazar, seu filho. Arão será reunido ao seu povo e morrerá ali.”
20:27 Moisés fez conforme o SENHOR havia ordenado, e subiram ao monte Hor diante dos olhos de toda a comunidade.
20:28 Moisés tirou de Arão suas vestes e vestiu com elas Eleazar, seu filho; Arão morreu ali, no alto do monte. Moisés e Eleazar desceram do monte.
20:29 Toda a comunidade viu que Arão havia morrido, e toda a casa de Israel chorou por Arão durante trinta dias.

Capítulo 21
21:1 O cananeu, rei de Arade, que habitava no Neguebe, ouviu que Israel vinha pelo caminho de Atarim; lutou contra Israel e tomou alguns deles como prisioneiros.
21:2 Israel fez um voto ao SENHOR e disse: “Se realmente entregares este povo em minha mão, consagrarei suas cidades à destruição.”
21:3 O SENHOR ouviu a voz de Israel e entregou os cananeus; eles e suas cidades foram consagrados à destruição, e aquele lugar foi chamado Horma.
21:4 Partiram do monte Hor pelo caminho do mar Vermelho para contornar a terra de Edom, e o povo se impacientou no caminho.
21:5 O povo falou contra Deus e contra Moisés: “Por que vocês nos fizeram subir do Egito para morrermos no deserto? Não há pão nem há água, e nossa alma detesta este pão desprezível.”
21:6 O SENHOR enviou entre o povo serpentes ardentes, que morderam o povo, e morreu muita gente de Israel.
21:7 O povo foi a Moisés e disse: “Pecamos, pois falamos contra o SENHOR e contra você. Ore ao SENHOR para que afaste de nós as serpentes.” E Moisés orou pelo povo.
21:8 O SENHOR disse a Moisés: “Faça para você uma serpente ardente e coloque-a numa haste. Todo aquele que for mordido, ao olhar para ela, viverá.”
21:9 Moisés fez uma serpente de cobre e a colocou na haste. Se uma serpente mordia um homem, ele olhava para a serpente de cobre e vivia.
21:10 Os filhos de Israel partiram e acamparam em Obote.
21:11 Partiram de Obote e acamparam em Ijé-Abarim, no deserto que fica diante de Moabe, para o nascente do sol.
21:12 De lá partiram e acamparam no vale do ribeiro de Zerede.
21:13 De lá partiram e acamparam do outro lado do Arnom, que está no deserto e sai do território dos amorreus; pois o Arnom é a fronteira de Moabe, entre Moabe e os amorreus.
21:14 Por isso se diz no livro das Guerras do SENHOR:
 “Vaebe em Sufa e os ribeiros do Arnom,
21:15 e a vertente dos ribeiros que se estende até a povoação de Ar e se encosta na fronteira de Moabe.”
21:16 De lá foram a Beer; este é o poço do qual o SENHOR disse a Moisés: “Reúna o povo, e lhes darei água.”

21:17 Então Israel cantou este cântico:
 “Brote, poço!
   Cantem para ele!
21:18 Poço que os chefes cavaram, que os nobres do povo escavaram com o bastão de comando, com suas varas.”
   Do deserto foram para Matana,
21:19 de Matana para Naaliel e de Naaliel para Bamote,
21:20 e de Bamote para o vale que está no campo de Moabe, no alto de Pisga, de onde se avista o deserto.
21:21 Israel enviou mensageiros a Seom, rei dos amorreus, dizendo:
21:22 “Deixe-me passar por sua terra. Não nos desviaremos por campos nem por vinhas, nem beberemos água de poço. Iremos pela estrada real até passarmos por seu território.”
21:23 Seom não permitiu que Israel passasse por seu território; Seom reuniu todo o seu povo, saiu ao encontro de Israel no deserto, chegou a Jaza e lutou contra Israel.
21:24 Israel o feriu ao fio da espada e tomou posse de sua terra, desde o Arnom até o Jaboque, até os filhos de Amom, pois a fronteira dos filhos de Amom era forte.
21:25 Israel tomou todas estas cidades, e Israel habitou em todas as cidades dos amorreus, em Hesbom e em todas as suas aldeias.
21:26 Pois Hesbom era a cidade de Seom, rei dos amorreus; ele havia lutado contra o rei anterior de Moabe e havia tomado de sua mão toda a sua terra até o Arnom.
21:27 Por isso dizem os que compõem provérbios:
 “Venham a Hesbom!
   Que seja edificada e estabelecida a cidade de Seom.
21:28 Pois saiu fogo de Hesbom, uma chama da cidade de Seom;
   consumiu Ar de Moabe, os senhores das alturas do Arnom.
21:29 Ai de você, Moabe!
   Você pereceu, povo de Quemos!
   Entregou seus filhos como fugitivos e suas filhas como cativas a Seom, rei dos amorreus.
21:30 Disparamos contra eles;
   Hesbom pereceu até Dibom, e devastamos até Nofa, que se estende até Medeba.”
21:31 Israel habitou na terra dos amorreus.
21:32 Moisés mandou explorar Jazer; tomaram suas aldeias, e ele desapossou os amorreus que estavam ali.
21:33 Voltaram-se e subiram pelo caminho de Basã. Ogue, rei de Basã, saiu ao encontro deles, ele e todo o seu povo, para a batalha em Edrei.
21:34 O SENHOR disse a Moisés: “Não tenha medo dele, pois o entreguei em sua mão, a ele, a todo o seu povo e à sua terra. Você fará com ele como fez com Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom.”
21:35 Feriram a ele, a seus filhos e a todo o seu povo, até não lhe deixar nenhum sobrevivente, e tomaram posse de sua terra.

Capítulo 22
22:1 Os filhos de Israel partiram e acamparam nas planícies de Moabe, do outro lado do Jordão, diante de Jericó.
22:2 Balaque, filho de Zipor, viu tudo o que Israel havia feito aos amorreus.
22:3 Moabe teve muito medo do povo, pois era numeroso; Moabe ficou angustiado por causa dos filhos de Israel.
22:4 Moabe disse aos anciãos de Midiã: “Agora esta assembleia lamberá tudo o que nos rodeia, como o boi lambe a erva do campo.” Balaque, filho de Zipor, era rei de Moabe naquele tempo.
22:5 Ele enviou mensageiros a Balaão, filho de Beor, a Petor, que fica junto ao rio, na terra de seu povo, para chamá-lo, dizendo: “Eis que um povo saiu do Egito; eis que cobre a face da terra e está estabelecido diante de mim.
22:6 Agora venha, por favor, e amaldiçoe este povo para mim, pois é mais forte do que eu. Talvez eu consiga que o derrotemos e possa expulsá-lo da terra, pois sei que aquele a quem você abençoa fica abençoado, e aquele a quem amaldiçoa fica amaldiçoado.”
22:7 Os anciãos de Moabe e os anciãos de Midiã foram com o pagamento pela adivinhação nas mãos. Chegaram a Balaão e lhe transmitiram as palavras de Balaque.
22:8 Ele lhes disse: “Passem aqui a noite, e lhes darei uma resposta conforme o que o SENHOR me disser.” Os chefes de Moabe ficaram com Balaão.
22:9 Deus veio a Balaão e disse: “Quem são estes homens que estão com você?”
22:10 Balaão disse a Deus: “Balaque, filho de Zipor, rei de Moabe, me mandou dizer:
22:11 ‘Eis que o povo que saiu do Egito cobriu a face da terra. Agora venha e o amaldiçoe para mim; talvez eu possa lutar contra ele e expulsá-lo.’”
22:12 Deus disse a Balaão: “Você não irá com eles nem amaldiçoará o povo, pois ele é abençoado.”
22:13 Balaão se levantou pela manhã e disse aos chefes de Balaque: “Voltem para sua terra, pois o SENHOR se recusou a me permitir ir com vocês.”
22:14 Os chefes de Moabe se levantaram, foram a Balaque e disseram: “Balaão se recusou a vir conosco.”
22:15 Balaque tornou a enviar chefes, mais numerosos e mais honrados do que aqueles.
22:16 Chegaram a Balaão e lhe disseram: “Assim diz Balaque, filho de Zipor: ‘Por favor, não deixe de vir a mim,
22:17 pois certamente honrarei muito você e farei tudo o que me disser. Venha, por favor, e amaldiçoe este povo para mim.’”
22:18 Balaão respondeu aos servos de Balaque: “Ainda que Balaque me desse sua casa cheia de prata e ouro, eu não poderia transgredir a ordem do SENHOR, meu Deus, para fazer coisa pequena ou grande.
22:19 Agora, por favor, fiquem também vocês aqui esta noite, para que eu saiba o que mais o SENHOR me dirá.”
22:20 Deus veio a Balaão de noite e lhe disse: “Se estes homens vieram chamá-lo, levante-se e vá com eles; mas só fará o que eu lhe disser.”
22:21 Balaão se levantou pela manhã, selou sua jumenta e foi com os chefes de Moabe.
22:22 A ira de Deus se acendeu porque ele estava indo, e o anjo do SENHOR se pôs no caminho como adversário dele. Balaão ia montado em sua jumenta, e com ele iam dois de seus criados.
22:23 A jumenta viu o anjo do SENHOR parado no caminho, com sua espada desembainhada na mão; a jumenta se desviou do caminho e foi para o campo. Balaão bateu na jumenta para fazê-la voltar ao caminho.
22:24 O anjo do SENHOR se pôs numa vereda entre as vinhas, com um muro de um lado e um muro do outro.
22:25 A jumenta viu o anjo do SENHOR e se apertou contra o muro, apertando o pé de Balaão contra o muro; ele voltou a bater nela.
22:26 O anjo do SENHOR passou mais adiante e se pôs num lugar estreito, onde não havia caminho para se desviar para a direita nem para a esquerda.
22:27 A jumenta viu o anjo do SENHOR e se deitou debaixo de Balaão. A ira de Balaão se acendeu, e ele bateu na jumenta com um bastão.
22:28 O SENHOR abriu a boca da jumenta, e ela disse a Balaão: “O que fiz a você, para que tenha batido em mim estas três vezes?”
22:29 Balaão disse à jumenta: “Porque você zombou de mim. Se eu tivesse uma espada na mão, agora mesmo mataria você!”
22:30 A jumenta disse a Balaão: “Não sou sua jumenta, na qual você monta desde sempre até o dia de hoje? Alguma vez tive o costume de fazer isso com você?” Ele respondeu: “Não.”
22:31 O SENHOR desvendou os olhos de Balaão, e ele viu o anjo do SENHOR parado no caminho, com sua espada desembainhada na mão. Inclinou-se e se prostrou com o rosto em terra.
22:32 O anjo do SENHOR lhe disse: “Por que você bateu em sua jumenta estas três vezes? Eis que saí como adversário, pois seu caminho é temerário diante de mim.
22:33 A jumenta me viu e se desviou de diante de mim estas três vezes. Se não tivesse se desviado de mim, certamente agora eu teria matado você e a teria deixado viva.”
22:34 Balaão disse ao anjo do SENHOR: “Pequei, pois não sabia que você estava parado no caminho para se opor a mim. Agora, se isso é mau aos seus olhos, voltarei.”
22:35 O anjo do SENHOR disse a Balaão: “Vá com os homens, mas falará somente a palavra que eu lhe disser.” Balaão foi com os chefes de Balaque.
22:36 Balaque ouviu que Balaão vinha e saiu ao seu encontro, até a cidade de Moabe que fica junto à fronteira do Arnom, na extremidade da fronteira.
22:37 Balaque disse a Balaão: “Não mandei expressamente chamá-lo? Por que você não veio a mim? Será que realmente não posso honrar você?”
22:38 Balaão disse a Balaque: “Eis que vim até você; agora, será que posso mesmo dizer alguma coisa? A palavra que Deus puser em minha boca, essa falarei.”
22:39 Balaão foi com Balaque, e chegaram a Quiriate-Huzote.
22:40 Balaque sacrificou gado bovino e animais dos rebanhos de ovelhas e cabras, e enviou porções a Balaão e aos chefes que estavam com ele.
22:41 Pela manhã, Balaque levou Balaão e o fez subir a Bamote-Baal; dali ele viu a extremidade do povo.

Capítulo 23
23:1 Balaão disse a Balaque: “Edifique aqui para mim sete altares e prepare aqui para mim sete novilhos e sete carneiros.”
23:2 Balaque fez conforme Balaão havia dito; Balaque e Balaão ofereceram um novilho e um carneiro em cada altar.
23:3 Balaão disse a Balaque: “Fique junto de seu holocausto enquanto eu vou; talvez o SENHOR saia ao meu encontro, e o que ele me mostrar eu lhe contarei.” Foi a uma colina nua.
23:4 Deus saiu ao encontro de Balaão, e este lhe disse: “Preparei os sete altares e ofereci um novilho e um carneiro em cada altar.”
23:5 O SENHOR pôs uma palavra na boca de Balaão e disse: “Volte a Balaque e fale assim.”
23:6 Ele voltou a Balaque, e eis que este estava de pé junto de seu holocausto, ele e todos os chefes de Moabe.
23:7 Pronunciou seu oráculo e disse:
 “De Arã me trouxe Balaque, rei de Moabe, dos montes do oriente: ‘Venha, amaldiçoe Jacó para mim;
   venha, condene Israel.’
23:8 Como amaldiçoarei a quem Deus não amaldiçoou?
   Como condenarei a quem o SENHOR não condenou?
23:9 Do alto das rochas eu o vejo, e das colinas o contemplo.
   Eis um povo que habita à parte e não é contado entre as nações.
23:10 Quem contou o pó de Jacó ou numerou a quarta parte de Israel?
   Que minha alma morra como morrem os retos, e que meu fim seja como o dele!”
23:11 Balaque disse a Balaão: “O que você fez comigo? Eu o trouxe para amaldiçoar meus inimigos, e eis que você os abençoou plenamente!”
23:12 Ele respondeu: “Não devo ter o cuidado de dizer o que o SENHOR puser em minha boca?”
23:13 Balaque lhe disse: “Venha comigo, por favor, a outro lugar de onde possa vê-lo. Você verá apenas sua extremidade e não o verá por inteiro; amaldiçoe-o para mim de lá.”
23:14 Levou-o ao campo de Zofim, ao alto de Pisga; edificou sete altares e ofereceu um novilho e um carneiro em cada altar.
23:15 Ele disse a Balaque: “Fique aqui junto de seu holocausto, e eu terei um encontro ali.”
23:16 O SENHOR saiu ao encontro de Balaão, pôs uma palavra em sua boca e disse: “Volte a Balaque e fale assim.”
23:17 Ele foi a Balaque, e eis que este estava de pé junto de seu holocausto, com os chefes de Moabe. Balaque lhe perguntou: “O que o SENHOR disse?”
23:18 Pronunciou seu oráculo e disse:
 “Levante-se, Balaque, e ouça;
   dê ouvidos a mim, filho de Zipor.
23:19 Deus não é homem, para que minta, nem filho de homem, para que mude de parecer.
   Acaso ele disse e não fará?
   Falou e não cumprirá?
23:20 Eis que recebi o encargo de abençoar;
   ele abençoou, e não revogarei sua bênção.
23:21 Não contemplou iniquidade em Jacó nem viu aflição em Israel.
   O SENHOR, seu Deus, está com ele, e nele ressoam aclamações ao rei.
23:22 Deus os faz sair do Egito;
   sua força é como a de um touro selvagem.
23:23 Pois não há agouro contra Jacó nem adivinhação contra Israel.
   Agora se dirá de Jacó e de Israel: ‘O que Deus fez!’
23:24 Eis um povo que se levanta como leoa e se ergue como leão;
   não se deitará até devorar a presa e beber o sangue dos mortos.”
23:25 Balaque disse a Balaão: “Não o amaldiçoe de modo algum, nem tampouco o abençoe!”
23:26 Balaão respondeu a Balaque: “Não lhe disse: ‘Tudo o que o SENHOR disser, isso farei’?”
23:27 Balaque disse a Balaão: “Venha, por favor; eu o levarei a outro lugar. Talvez pareça bem aos olhos de Deus que de lá você o amaldiçoe para mim.”
23:28 Balaque levou Balaão ao alto de Peor, de onde se avista o deserto.
23:29 Balaão disse a Balaque: “Edifique aqui para mim sete altares e prepare aqui para mim sete novilhos e sete carneiros.”
23:30 Balaque fez conforme Balaão havia dito e ofereceu um novilho e um carneiro em cada altar.

Capítulo 24
24:1 Balaão viu que era bom aos olhos do SENHOR abençoar Israel e não foi, como das outras vezes, em busca de agouros; voltou seu rosto para o deserto.
24:2 Balaão levantou os olhos e viu Israel acampado segundo suas tribos, e o Espírito de Deus veio sobre ele.
24:3 Pronunciou seu oráculo e disse:
 “Oráculo de Balaão, filho de Beor, oráculo do homem cujo olho está aberto;
24:4 oráculo de quem ouve as palavras de Deus, de quem vê a visão do Todo-Poderoso, caído e com os olhos descobertos:
24:5 Como são belas suas tendas, Jacó, suas moradas, Israel!
24:6 Como vales se estendem, como jardins junto ao rio, como aloés que o SENHOR plantou, como cedros junto às águas.
24:7 Água fluirá de seus baldes, e sua semente estará em águas abundantes.
   Seu rei se elevará acima de Agague, e seu reino será exaltado.
24:8 Deus o faz sair do Egito;
   sua força é como a de um touro selvagem.
   Devorará as nações, suas adversárias, triturará os ossos delas e as esmagará com suas flechas.
24:9 Agachou-se e deitou-se como leão, como leoa;
   quem o levantará?
   Benditos os que abençoam você, e malditos os que amaldiçoam você!”
24:10 A ira de Balaque se acendeu contra Balaão, e ele bateu as palmas uma contra a outra. Balaque disse a Balaão: “Eu o chamei para amaldiçoar meus inimigos, e eis que você os abençoou plenamente estas três vezes!
24:11 Agora fuja para seu lugar. Eu disse que certamente honraria você, mas eis que o SENHOR privou você de honra.”
24:12 Balaão disse a Balaque: “Não disse também aos seus mensageiros, que você enviou a mim:
24:13 ‘Ainda que Balaque me desse sua casa cheia de prata e ouro, eu não poderia transgredir a ordem do SENHOR para fazer coisa boa ou má segundo meu próprio coração; o que o SENHOR disser, isso falarei’?
24:14 Agora vou para meu povo; venha, e eu o avisarei do que este povo fará ao seu povo no fim dos dias.”
24:15 Pronunciou seu oráculo e disse:
 “Oráculo de Balaão, filho de Beor, oráculo do homem cujo olho está aberto;
24:16 oráculo de quem ouve as palavras de Deus, de quem conhece o saber do Altíssimo, de quem vê a visão do Todo-Poderoso, caído e com os olhos descobertos:
24:17 Eu o verei, mas não agora;
   eu o contemplarei, mas não de perto.
   Uma estrela sairá de Jacó, e um cetro se levantará de Israel;
   esmagará as têmporas de Moabe e destruirá todos os filhos de Sete.
24:18 Edom será uma possessão, e Seir será uma possessão, ambos inimigos seus;
   Israel agirá com valor.
24:19 Um de Jacó governará e fará perecer o sobrevivente da cidade.”
24:20 Viu Amaleque, pronunciou seu oráculo e disse: “Amaleque é o primeiro das nações, mas seu fim será a destruição para sempre.”
24:21 Viu o queneu, pronunciou seu oráculo e disse: “Firme é sua morada, e você pôs seu ninho na rocha;
24:22 contudo, Caim será consumido.
   Quanto falta para que a Assíria leve você cativo?”
24:23 Pronunciou seu oráculo e disse: “Ai!
   Quem viverá quando Deus dispuser isso?
24:24 Navios virão da costa de Quitim;
   afligirão a Assíria e afligirão Éber, mas também ele perecerá para sempre.”
24:25 Balaão se levantou, partiu e voltou para seu lugar; Balaque também seguiu seu caminho.

Capítulo 25
25:1 Israel habitava em Sitim, e o povo começou a se prostituir com as filhas de Moabe.
25:2 Elas convidaram o povo para os sacrifícios de seus deuses, e o povo comeu e se prostrou diante dos deuses delas.
25:3 Israel se uniu a Baal-Peor, e a ira do SENHOR se acendeu contra Israel.
25:4 O SENHOR disse a Moisés: “Tome todos os chefes do povo e pendure-os diante do SENHOR, à vista do sol, para que o ardor da ira do SENHOR se afaste de Israel.”
25:5 Moisés disse aos juízes de Israel: “Mate cada um os seus homens que se uniram a Baal-Peor.”
25:6 Eis que um homem dos filhos de Israel veio e apresentou a seus irmãos a mulher midianita, diante dos olhos de Moisés e diante dos olhos de toda a comunidade dos filhos de Israel, enquanto eles choravam à entrada da tenda do encontro.
25:7 Fineias, filho de Eleazar, filho do sacerdote Arão, viu isso, levantou-se do meio da comunidade e pegou uma lança na mão.
25:8 Entrou atrás do homem de Israel na tenda e atravessou os dois, o homem de Israel e a mulher, esta pelo ventre. A praga cessou entre os filhos de Israel.
25:9 Os mortos na praga foram vinte e quatro mil.
25:10 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
25:11 “Fineias, filho de Eleazar, filho do sacerdote Arão, afastou meu furor dos filhos de Israel, ao mostrar meu próprio zelo no meio deles, e não consumi os filhos de Israel em meu zelo.
25:12 Por isso, diga: ‘Eis que lhe dou minha aliança de paz,
25:13 e será para ele e para sua descendência depois dele uma aliança de sacerdócio perpétuo, porque teve zelo por seu Deus e fez expiação pelos filhos de Israel.’”
25:14 O homem de Israel que foi morto, que foi ferido junto com a midianita, se chamava Zinri, filho de Salu, chefe de uma casa paterna dos simeonitas.
25:15 A mulher midianita que foi morta se chamava Cosbi, filha de Zur; ele era chefe de clãs, de uma casa paterna em Midiã.
25:16 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
25:17 “Hostilizem os midianitas e os firam,
25:18 pois eles hostilizam vocês com as artimanhas que tramaram contra vocês no caso de Peor e no caso de Cosbi, filha de um chefe de Midiã, irmã deles, que foi morta no dia da praga no caso de Peor.”

Capítulo 26
26:1 Depois da praga, o SENHOR falou a Moisés e a Eleazar, filho do sacerdote Arão, dizendo:
26:2 “Façam o recenseamento de toda a comunidade dos filhos de Israel, de vinte anos para cima, segundo suas casas paternas, todos os que saem para a guerra em Israel.”
26:3 Moisés e o sacerdote Eleazar falaram com eles nas planícies de Moabe, junto ao Jordão, diante de Jericó, dizendo:
26:4 “Contem os de vinte anos para cima”, conforme o SENHOR havia ordenado a Moisés e aos filhos de Israel que haviam saído da terra do Egito.
26:5 Rúben era o primogênito de Israel. Os filhos de Rúben: de Enoque, o clã dos enoquitas; de Palu, o clã dos paluítas;
26:6 de Hezrom, o clã dos hezronitas; de Carmi, o clã dos carmitas.
26:7 Estes são os clãs dos rubenitas, e seus recenseados foram quarenta e três mil setecentos e trinta.
26:8 Os filhos de Palu: Eliabe.
26:9 Os filhos de Eliabe: Nemuel, Datã e Abirão. Estes são Datã e Abirão, os convocados da comunidade que se rebelaram contra Moisés e Arão na comunidade de Corá, quando se rebelaram contra o SENHOR.
26:10 A terra abriu sua boca e engoliu a eles e a Corá, quando morreu a comunidade, quando o fogo consumiu os duzentos e cinquenta homens; serviram de sinal.
26:11 Mas os filhos de Corá não morreram.
26:12 Os filhos de Simeão, segundo seus clãs: de Nemuel, o clã dos nemuelitas; de Jamim, o clã dos jaminitas; de Jaquim, o clã dos jaquinitas;
26:13 de Zerá, o clã dos zeraítas; de Saul, o clã dos saulitas.
26:14 Estes são os clãs dos simeonitas: vinte e dois mil e duzentos.
26:15 Os filhos de Gade, segundo seus clãs: de Zefom, o clã dos zefonitas; de Hagi, o clã dos hagitas; de Suni, o clã dos sunitas;
26:16 de Ozni, o clã dos oznitas; de Eri, o clã dos eritas;
26:17 de Arode, o clã dos aroditas; de Areli, o clã dos arelitas.
26:18 Estes são os clãs dos filhos de Gade, conforme seus recenseados: quarenta mil e quinhentos.
26:19 Os filhos de Judá: Er e Onã; Er e Onã morreram na terra de Canaã.
26:20 Os filhos de Judá, segundo seus clãs: de Selá, o clã dos selaítas; de Perez, o clã dos perezitas; de Zerá, o clã dos zeraítas.
26:21 Os filhos de Perez: de Hezrom, o clã dos hezronitas; de Hamul, o clã dos hamulitas.
26:22 Estes são os clãs de Judá, conforme seus recenseados: setenta e seis mil e quinhentos.
26:23 Os filhos de Issacar, segundo seus clãs: de Tola, o clã dos tolaítas; de Puva, o clã dos punitas;
26:24 de Jasube, o clã dos jasubitas; de Sinrom, o clã dos sinronitas.
26:25 Estes são os clãs de Issacar, conforme seus recenseados: sessenta e quatro mil e trezentos.
26:26 Os filhos de Zebulom, segundo seus clãs: de Serede, o clã dos sereditas; de Elom, o clã dos elonitas; de Jaleel, o clã dos jaleelitas.
26:27 Estes são os clãs dos zebulonitas, conforme seus recenseados: sessenta mil e quinhentos.
26:28 Os filhos de José, segundo seus clãs: Manassés e Efraim.
26:29 Os filhos de Manassés: de Maquir, o clã dos maquiritas. Maquir gerou Gileade; de Gileade, o clã dos gileaditas.
26:30 Estes são os filhos de Gileade: de Iezer, o clã dos iezeritas; de Heleque, o clã dos helequitas;
26:31 de Asriel, o clã dos asrielitas; de Siquém, o clã dos siquemitas;
26:32 de Semida, o clã dos semidaítas; de Héfer, o clã dos heferitas.
26:33 Zelofeade, filho de Héfer, não tinha filhos homens, mas somente filhas. Os nomes das filhas de Zelofeade eram Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza.
26:34 Estes são os clãs de Manassés, e seus recenseados foram cinquenta e dois mil e setecentos.
26:35 Estes são os filhos de Efraim, segundo seus clãs: de Sutela, o clã dos sutelaítas; de Bequer, o clã dos bequeritas; de Taã, o clã dos taanitas.
26:36 Estes são os filhos de Sutela: de Erã, o clã dos eranitas.
26:37 Estes são os clãs dos filhos de Efraim, conforme seus recenseados: trinta e dois mil e quinhentos. Estes são os filhos de José, segundo seus clãs.
26:38 Os filhos de Benjamim, segundo seus clãs: de Belá, o clã dos belaítas; de Asbel, o clã dos asbelitas; de Airão, o clã dos airamitas;
26:39 de Sefufã, o clã dos sufamitas; de Hufã, o clã dos hufamitas.
26:40 Os filhos de Belá foram Arde e Naamã: o clã dos arditas; de Naamã, o clã dos naamitas.
26:41 Estes são os filhos de Benjamim, segundo seus clãs, e seus recenseados foram quarenta e cinco mil e seiscentos.
26:42 Estes são os filhos de Dã, segundo seus clãs: de Suão, o clã dos suamitas. Estes são os clãs de Dã, segundo seus clãs.
26:43 Todos os clãs dos suamitas, conforme seus recenseados: sessenta e quatro mil e quatrocentos.
26:44 Os filhos de Aser, segundo seus clãs: de Imna, o clã dos imnaítas; de Isvi, o clã dos isvitas; de Berias, o clã dos beriaítas.
26:45 Dos filhos de Berias: de Héber, o clã dos heberitas; de Malquiel, o clã dos malquielitas.
26:46 O nome da filha de Aser era Será.
26:47 Estes são os clãs dos filhos de Aser, conforme seus recenseados: cinquenta e três mil e quatrocentos.
26:48 Os filhos de Naftali, segundo seus clãs: de Jazeel, o clã dos jazeelitas; de Guni, o clã dos gunitas;
26:49 de Jezer, o clã dos jezeritas; de Silém, o clã dos silemitas.
26:50 Estes são os clãs de Naftali, segundo seus clãs, e seus recenseados foram quarenta e cinco mil e quatrocentos.
26:51 Estes são os recenseados dos filhos de Israel: seiscentos e um mil setecentos e trinta.
26:52 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
26:53 “A estes será repartida a terra como herança, segundo o número de nomes.
26:54 Ao numeroso você dará uma herança maior, e ao pouco numeroso uma herança menor; a cada um será dada sua herança conforme seus recenseados.
26:55 Mas a terra será repartida por sorteio; eles herdarão segundo os nomes das tribos de seus pais.
26:56 Segundo o sorteio será repartida sua herança, entre o numeroso e o pouco numeroso.”
26:57 Estes são os recenseados dos levitas, segundo seus clãs: de Gérson, o clã dos gersonitas; de Coate, o clã dos coatitas; de Merari, o clã dos meraritas.
26:58 Estes são os clãs de Levi: o clã dos libnitas, o clã dos hebronitas, o clã dos malitas, o clã dos musitas e o clã dos coraítas. Coate gerou Anrão.
26:59 A esposa de Anrão se chamava Joquebede, filha de Levi, que nasceu a Levi no Egito. Com Anrão, deu à luz Arão, Moisés e Miriã, irmã deles.
26:60 A Arão nasceram Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar.
26:61 Nadabe e Abiú morreram ao apresentar fogo estranho diante do SENHOR.
26:62 Seus recenseados foram vinte e três mil, todos do sexo masculino de um mês para cima. Não foram recenseados entre os filhos de Israel, pois não lhes foi dada herança entre os filhos de Israel.
26:63 Estes são os recenseados por Moisés e pelo sacerdote Eleazar, que recensearam os filhos de Israel nas planícies de Moabe, junto ao Jordão, diante de Jericó.
26:64 Entre estes não havia nenhum homem dos recenseados por Moisés e pelo sacerdote Arão, que haviam recenseado os filhos de Israel no deserto do Sinai.
26:65 Pois o SENHOR lhes havia dito: “Certamente morrerão no deserto.” Não restou deles nenhum homem, exceto Calebe, filho de Jefoné, e Josué, filho de Num.

Capítulo 27
27:1 Aproximaram-se as filhas de Zelofeade, filho de Héfer, filho de Gileade, filho de Maquir, filho de Manassés, dos clãs de Manassés, filho de José. Estes eram os nomes de suas filhas: Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza.
27:2 Apresentaram-se diante de Moisés, diante do sacerdote Eleazar, diante dos chefes e de toda a comunidade, à entrada da tenda do encontro, dizendo:
27:3 “Nosso pai morreu no deserto. Ele não estava entre a comunidade que se reuniu contra o SENHOR, na comunidade de Corá, mas morreu em seu próprio pecado e não teve filhos homens.
27:4 Por que o nome de nosso pai será retirado do meio de seu clã por não ter um filho? Dê-nos uma propriedade entre os irmãos de nosso pai.”
27:5 Moisés apresentou a causa delas diante do SENHOR.
27:6 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
27:7 “As filhas de Zelofeade falam com razão. Você certamente lhes dará uma propriedade como herança entre os irmãos do pai delas e transferirá para elas a herança do pai delas.
27:8 Fale aos filhos de Israel, dizendo: ‘Se um homem morrer e não tiver filho homem, vocês transferirão sua herança à sua filha.
27:9 Se ele não tiver filha, darão sua herança a seus irmãos.
27:10 Se não tiver irmãos, darão sua herança aos irmãos de seu pai.
27:11 Se seu pai não tiver irmãos, darão sua herança ao parente mais próximo de seu clã, e ele a herdará.’ Será para os filhos de Israel um estatuto de direito, conforme o SENHOR ordenou a Moisés.”
27:12 O SENHOR disse a Moisés: “Suba a este monte de Abarim e veja a terra que dei aos filhos de Israel.
27:13 Você a verá e também será reunido ao seu povo, como foi reunido Arão, seu irmão,
27:14 pois, no deserto de Zim, durante a contenda da comunidade, vocês se rebelaram contra minha ordem de mostrar minha santidade nas águas diante dos olhos deles.” Estas são as águas de Meribá de Cades, no deserto de Zim.
27:15 Moisés falou ao SENHOR, dizendo:
27:16 “Que o SENHOR, Deus dos espíritos de toda carne, ponha um homem à frente da comunidade,
27:17 que saia diante deles e entre diante deles, que os faça sair e os faça entrar, para que a comunidade do SENHOR não seja como ovelhas que não têm pastor.”
27:18 O SENHOR disse a Moisés: “Tome para você Josué, filho de Num, um homem em quem há espírito, e apoie sua mão sobre ele.
27:19 Você o apresentará diante do sacerdote Eleazar e diante de toda a comunidade, e lhe dará o encargo diante dos olhos deles.
27:20 Ponha sobre ele parte de sua dignidade, para que toda a comunidade dos filhos de Israel lhe obedeça.
27:21 Ele se apresentará diante do sacerdote Eleazar, que consultará por ele mediante o juízo do Urim diante do SENHOR. À sua ordem sairão e à sua ordem entrarão, ele e todos os filhos de Israel com ele, e toda a comunidade.”
27:22 Moisés fez conforme o SENHOR lhe havia ordenado; tomou Josué e o apresentou diante do sacerdote Eleazar e diante de toda a comunidade.
27:23 Apoiou suas mãos sobre ele e lhe deu o encargo, conforme o SENHOR havia falado por meio de Moisés.

Capítulo 28
28:1 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
28:2 “Dê ordem aos filhos de Israel e diga-lhes: ‘Tenham o cuidado de me apresentar no tempo determinado minha oferta, meu alimento para minhas ofertas queimadas, de aroma agradável para mim.’
28:3 E lhes dirá: ‘Esta é a oferta queimada que apresentarão ao SENHOR: dois cordeiros de um ano, sem defeito, por dia, como holocausto contínuo.
28:4 Você oferecerá um cordeiro pela manhã e o segundo cordeiro ao entardecer,
28:5 com uma oferta de cereal de cerca de 2 litros de farinha fina misturada com cerca de 1 litro de azeite de azeitonas esmagadas.
28:6 É o holocausto contínuo, instituído no monte Sinai como aroma agradável, oferta queimada ao SENHOR.
28:7 Sua libação será de cerca de 1 litro por cada cordeiro; no lugar santo você derramará uma libação de bebida fermentada ao SENHOR.
28:8 Você oferecerá o segundo cordeiro ao entardecer; o oferecerá com a mesma oferta de cereal da manhã e com sua libação, como oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR.
28:9 No dia de sábado, ofereçam dois cordeiros de um ano, sem defeito, e uma oferta de cereal de cerca de 4 litros de farinha fina misturada com azeite, com sua libação.
28:10 É o holocausto de cada sábado, além do holocausto contínuo e de sua libação.
28:11 No início de seus meses, apresentarão um holocausto ao SENHOR: dois novilhos, um carneiro e sete cordeiros de um ano, sem defeito,
28:12 e uma oferta de cereal de cerca de 6 litros de farinha fina misturada com azeite por cada novilho, e uma oferta de cereal de cerca de 4 litros de farinha fina misturada com azeite por cada carneiro,
28:13 e uma oferta de cereal de cerca de 2 litros de farinha fina misturada com azeite por cada cordeiro; um holocausto de aroma agradável, oferta queimada ao SENHOR.
28:14 Suas libações de vinho serão de cerca de 2 litros por novilho, cerca de 1 litro e um terço por carneiro e cerca de 1 litro por cordeiro. É o holocausto de cada mês, por todos os meses do ano.
28:15 Será oferecido um bode como oferta pelo pecado ao SENHOR, além do holocausto contínuo e de sua libação.
28:16 No primeiro mês, no dia catorze do mês, será a Páscoa do SENHOR.
28:17 No dia quinze deste mês haverá uma festa; por sete dias se comerão pães sem fermento.
28:18 No primeiro dia haverá uma santa convocação; não farão nenhum trabalho habitual.
28:19 Apresentarão uma oferta queimada, um holocausto ao SENHOR: dois novilhos, um carneiro e sete cordeiros de um ano; serão sem defeito para vocês.
28:20 Sua oferta de cereal será de farinha fina misturada com azeite; oferecerão cerca de 6 litros por novilho e cerca de 4 litros por carneiro.
28:21 Você oferecerá cerca de 2 litros por cada cordeiro, por cada um dos sete cordeiros,
28:22 e um bode como oferta pelo pecado, para fazer expiação por vocês.
28:23 Oferecerão estas coisas além do holocausto da manhã, que faz parte do holocausto contínuo.
28:24 Assim oferecerão a cada dia, por sete dias, alimento como oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR. Será oferecido além do holocausto contínuo e de sua libação.
28:25 No sétimo dia terão uma santa convocação; não farão nenhum trabalho habitual.
28:26 No dia das primícias, quando apresentarem uma oferta nova de cereal ao SENHOR na sua Festa das Semanas, terão uma santa convocação; não farão nenhum trabalho habitual.
28:27 Apresentarão um holocausto de aroma agradável ao SENHOR: dois novilhos, um carneiro e sete cordeiros de um ano,
28:28 e sua oferta de cereal, farinha fina misturada com azeite, cerca de 6 litros por cada novilho e cerca de 4 litros por cada carneiro,
28:29 cerca de 2 litros por cada cordeiro, por cada um dos sete cordeiros,
28:30 e um bode para fazer expiação por vocês.
28:31 Vocês os oferecerão, com suas libações, além do holocausto contínuo e de sua oferta de cereal; serão para vocês sem defeito.’”

Capítulo 29
29:1 “No sétimo mês, no primeiro dia do mês, terão uma santa convocação; não farão nenhum trabalho habitual. Será para vocês um dia de toque de trombeta.
29:2 Oferecerão um holocausto de aroma agradável ao SENHOR: um novilho, um carneiro e sete cordeiros de um ano, sem defeito,
29:3 e sua oferta de cereal, farinha fina misturada com azeite, cerca de 6 litros por novilho e cerca de 4 litros por carneiro,
29:4 e cerca de 2 litros por cada cordeiro, por cada um dos sete cordeiros,
29:5 e um bode como oferta pelo pecado, para fazer expiação por vocês.
29:6 Será além do holocausto do mês e de sua oferta de cereal, e do holocausto contínuo e de sua oferta de cereal, com suas libações conforme sua norma, como aroma agradável, oferta queimada ao SENHOR.
29:7 No dia dez deste sétimo mês, terão uma santa convocação e se humilharão; não farão nenhum trabalho.
29:8 Apresentarão um holocausto ao SENHOR, de aroma agradável: um novilho, um carneiro e sete cordeiros de um ano; serão sem defeito para vocês.
29:9 Sua oferta de cereal será de farinha fina misturada com azeite, cerca de 6 litros por novilho e cerca de 4 litros por cada carneiro,
29:10 cerca de 2 litros por cada cordeiro, por cada um dos sete cordeiros,
29:11 e um bode como oferta pelo pecado, além da oferta pelo pecado das expiações, do holocausto contínuo e de sua oferta de cereal, com suas libações.
29:12 No dia quinze do sétimo mês, terão uma santa convocação; não farão nenhum trabalho habitual e celebrarão uma festa ao SENHOR por sete dias.
29:13 Apresentarão um holocausto, oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR: treze novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano; serão sem defeito.
29:14 Sua oferta de cereal será de farinha fina misturada com azeite, cerca de 6 litros por cada um dos treze novilhos e cerca de 4 litros por cada um dos dois carneiros,
29:15 e cerca de 2 litros por cada cordeiro, por cada um dos catorze cordeiros,
29:16 e um bode como oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo, de sua oferta de cereal e de sua libação.
29:17 No segundo dia, doze novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, sem defeito,
29:18 com sua oferta de cereal e suas libações pelos novilhos, pelos carneiros e pelos cordeiros, segundo seu número, conforme a norma,
29:19 e um bode como oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo e de sua oferta de cereal, com suas libações.
29:20 No terceiro dia, onze novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, sem defeito,
29:21 com sua oferta de cereal e suas libações pelos novilhos, pelos carneiros e pelos cordeiros, segundo seu número, conforme a norma,
29:22 e um bode como oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo e de sua oferta de cereal, com sua libação.
29:23 No quarto dia, dez novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, sem defeito,
29:24 sua oferta de cereal e suas libações pelos novilhos, pelos carneiros e pelos cordeiros, segundo seu número, conforme a norma,
29:25 e um bode como oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo, de sua oferta de cereal e de sua libação.
29:26 No quinto dia, nove novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, sem defeito,
29:27 com sua oferta de cereal e suas libações pelos novilhos, pelos carneiros e pelos cordeiros, segundo seu número, conforme a norma,
29:28 e um bode como oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo e de sua oferta de cereal, com sua libação.
29:29 No sexto dia, oito novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, sem defeito,
29:30 com sua oferta de cereal e suas libações pelos novilhos, pelos carneiros e pelos cordeiros, segundo seu número, conforme a norma,
29:31 e um bode como oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo, de sua oferta de cereal e de suas libações.
29:32 No sétimo dia, sete novilhos, dois carneiros e catorze cordeiros de um ano, sem defeito,
29:33 com sua oferta de cereal e suas libações pelos novilhos, pelos carneiros e pelos cordeiros, segundo seu número, conforme a norma deles,
29:34 e um bode como oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo, de sua oferta de cereal e de sua libação.
29:35 No oitavo dia, terão uma assembleia solene; não farão nenhum trabalho habitual.
29:36 Apresentarão um holocausto, oferta queimada de aroma agradável ao SENHOR: um novilho, um carneiro e sete cordeiros de um ano, sem defeito,
29:37 sua oferta de cereal e suas libações pelo novilho, pelo carneiro e pelos cordeiros, segundo seu número, conforme a norma,
29:38 e um bode como oferta pelo pecado, além do holocausto contínuo e de sua oferta de cereal, com sua libação.
29:39 Estas coisas oferecerão ao SENHOR em suas festas determinadas, além de seus votos e de suas ofertas voluntárias, para seus holocaustos, suas ofertas de cereal, suas libações e seus sacrifícios de paz.”
29:40 Moisés falou aos filhos de Israel conforme tudo o que o SENHOR havia ordenado a Moisés.

Capítulo 30
30:1 Moisés falou aos chefes das tribos dos filhos de Israel, dizendo: “Esta é a palavra que o SENHOR ordenou:
30:2 Se um homem fizer um voto ao SENHOR ou prestar um juramento, impondo a si mesmo uma obrigação, não profanará sua palavra; fará conforme tudo o que sair de sua boca.
30:3 Se uma mulher fizer um voto ao SENHOR e se impuser uma obrigação na casa de seu pai, durante sua juventude,
30:4 e seu pai ouvir seu voto e a obrigação que ela impôs a si mesma, e o pai dela guardar silêncio a respeito, todos os seus votos permanecerão válidos, e toda obrigação que ela impôs a si mesma permanecerá válida.
30:5 Mas, se seu pai lhe proibir isso no dia em que ouvir, nenhum de seus votos nem nenhuma das obrigações que ela impôs a si mesma permanecerá válido. O SENHOR a perdoará, pois seu pai lhe proibiu isso.
30:6 Se ela vier a se casar com um homem, tendo sobre si seus votos ou uma declaração irrefletida de seus lábios com que se impôs uma obrigação,
30:7 e seu marido ouvir e guardar silêncio a respeito no dia em que ouvir, seus votos permanecerão válidos, e as obrigações que ela impôs a si mesma permanecerão válidas.
30:8 Mas, se seu marido lhe proibir isso no dia em que ouvir, anulará o voto que está sobre ela e a declaração irrefletida de seus lábios com que ela se impôs uma obrigação; o SENHOR a perdoará.
30:9 O voto de uma viúva ou de uma divorciada, toda obrigação que imponha a si mesma, permanecerá válido para ela.
30:10 Se ela fizer um voto na casa de seu marido ou se impuser uma obrigação por juramento,
30:11 e seu marido ouvir, guardar silêncio a respeito e não lhe proibir isso, todos os seus votos permanecerão válidos, e toda obrigação que ela impôs a si mesma permanecerá válida.
30:12 Mas, se seu marido de fato os anular no dia em que ouvir, nada do que tiver saído de seus lábios quanto a seus votos e à obrigação que impôs a si mesma permanecerá válido. Seu marido os anulou, e o SENHOR a perdoará.
30:13 Todo voto e todo juramento com que ela se obrigue a humilhar sua alma, seu marido poderá confirmá-lo e seu marido poderá anulá-lo.
30:14 Mas, se seu marido permanecer em silêncio a respeito, de dia em dia, terá confirmado todos os votos dela ou todas as obrigações que estão sobre ela. Ele os terá confirmado, pois guardou silêncio a respeito no dia em que ouviu.
30:15 Se, porém, ele de fato os anular depois de tê-los ouvido, carregará a culpa dela.”
30:16 Estes são os estatutos que o SENHOR ordenou a Moisés entre um marido e sua mulher, entre um pai e sua filha, durante a juventude dela, na casa de seu pai.

Capítulo 31
31:1 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
31:2 “Execute a vingança dos filhos de Israel contra os midianitas; depois será reunido ao seu povo.”
31:3 Moisés falou ao povo, dizendo: “Que alguns homens dentre vocês se armem para a guerra e marchem contra Midiã, para executar a vingança do SENHOR contra Midiã.
31:4 Vocês enviarão à guerra mil de cada tribo, mil de cada tribo, de todas as tribos de Israel.”
31:5 Assim foram entregues, dos milhares de Israel, mil de cada tribo: doze mil homens armados para a guerra.
31:6 Moisés os enviou à guerra, mil de cada tribo, a eles e a Fineias, filho do sacerdote Eleazar, com os utensílios sagrados e as trombetas para dar o sinal em sua mão.
31:7 Guerrearam contra Midiã, conforme o SENHOR havia ordenado a Moisés, e mataram todos os do sexo masculino.
31:8 Mataram também os reis de Midiã, junto com os demais mortos: Evi, Requém, Zur, Hur e Reba, os cinco reis de Midiã. Também mataram à espada Balaão, filho de Beor.
31:9 Os filhos de Israel levaram cativas as mulheres de Midiã e suas crianças, e saquearam todos os seus animais, todo o seu gado e todos os seus bens.
31:10 Queimaram todas as suas cidades onde habitavam e todos os seus acampamentos.
31:11 Tomaram todos os despojos e todo o butim, tanto de pessoas como de animais.
31:12 Levaram os cativos, o butim e os despojos a Moisés, ao sacerdote Eleazar e à comunidade dos filhos de Israel, ao acampamento nas planícies de Moabe, junto ao Jordão, diante de Jericó.
31:13 Moisés, o sacerdote Eleazar e todos os chefes da comunidade saíram ao encontro deles, fora do acampamento.
31:14 Moisés se irou contra os oficiais do exército, os chefes de milhares e os chefes de centenas, que voltavam da campanha de guerra.
31:15 Moisés lhes disse: “Vocês deixaram com vida todas as mulheres?
31:16 Foram justamente elas que, por conselho de Balaão, fizeram os filhos de Israel se tornarem infiéis ao SENHOR no caso de Peor, e houve a praga na comunidade do SENHOR.
31:17 Agora matem todos os meninos; matem também toda mulher que tenha tido relações sexuais com um homem.
31:18 Mas conservem com vida para vocês todas as meninas que não tiveram relações sexuais com um homem.
31:19 Vocês acamparão fora do acampamento por sete dias. Todos os que mataram uma pessoa e todos os que tocaram um morto se purificarão no terceiro dia e no sétimo dia, vocês e seus cativos.
31:20 Purificarão também toda roupa, todo objeto de couro, tudo o que foi feito de pelos de cabra e todo objeto de madeira.”
31:21 O sacerdote Eleazar disse aos homens do exército que haviam ido à batalha: “Este é o estatuto da lei que o SENHOR ordenou a Moisés:
31:22 Quanto ao ouro, à prata, ao cobre, ao ferro, ao estanho e ao chumbo,
31:23 tudo o que resistir ao fogo vocês farão passar pelo fogo, e ficará puro; contudo, também deverá ser purificado com a água de purificação. Tudo o que não resistir ao fogo vocês farão passar pela água.
31:24 No sétimo dia, lavarão suas roupas e ficarão puros; depois entrarão no acampamento.”
31:25 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
31:26 “Faça a contagem do butim capturado, de pessoas e de animais, você, o sacerdote Eleazar e os chefes das casas paternas da comunidade.
31:27 Você dividirá o butim em duas metades, entre os combatentes que saíram à guerra e toda a comunidade.
31:28 Separará para o SENHOR um tributo dos homens de guerra que saíram à batalha: um de cada quinhentos seres vivos, tanto das pessoas como do gado bovino, dos jumentos e das ovelhas e cabras.
31:29 Vocês o tomarão da metade deles, e você o dará ao sacerdote Eleazar como oferta elevada do SENHOR.
31:30 Da metade dos filhos de Israel, você tomará um de cada cinquenta, das pessoas, do gado bovino, dos jumentos, das ovelhas e cabras, de todos os animais; você os dará aos levitas, que têm a seu cargo a guarda do tabernáculo do SENHOR.”
31:31 Moisés e o sacerdote Eleazar fizeram conforme o SENHOR havia ordenado a Moisés.
31:32 O butim, o que restava do saque que os homens do exército haviam tomado, era de seiscentas e setenta e cinco mil ovelhas e cabras,
31:33 setenta e duas mil cabeças de gado bovino
31:34 e sessenta e um mil jumentos.
31:35 Quanto às pessoas, as mulheres que não haviam tido relações sexuais com um homem eram, ao todo, trinta e duas mil.
31:36 A metade, a parte dos que haviam saído à guerra, era de trezentas e trinta e sete mil e quinhentas ovelhas e cabras;
31:37 o tributo para o SENHOR das ovelhas e cabras foi de seiscentas e setenta e cinco.
31:38 O gado bovino era de trinta e seis mil cabeças, e seu tributo para o SENHOR, setenta e duas.
31:39 Os jumentos eram trinta mil e quinhentos, e seu tributo para o SENHOR, sessenta e um.
31:40 As pessoas eram dezesseis mil, e seu tributo para o SENHOR, trinta e duas pessoas.
31:41 Moisés deu o tributo, a oferta elevada do SENHOR, ao sacerdote Eleazar, conforme o SENHOR havia ordenado a Moisés.
31:42 Quanto à metade dos filhos de Israel, que Moisés havia separado da parte dos homens que foram à guerra,
31:43 a metade da comunidade era de trezentas e trinta e sete mil e quinhentas ovelhas e cabras,
31:44 trinta e seis mil cabeças de gado bovino,
31:45 e trinta mil e quinhentos jumentos,
31:46 e dezesseis mil pessoas.
31:47 Moisés tomou da metade dos filhos de Israel um de cada cinquenta, tanto das pessoas como dos animais, e os deu aos levitas, que tinham a seu cargo a guarda do tabernáculo do SENHOR, conforme o SENHOR havia ordenado a Moisés.
31:48 Os oficiais que estavam à frente dos milhares do exército, os chefes de milhares e os chefes de centenas, se aproximaram de Moisés
31:49 e disseram a Moisés: “Seus servos fizeram a contagem dos homens de guerra que estão sob nossas ordens, e não falta nenhum homem dentre nós.
31:50 Por isso trouxemos uma oferta ao SENHOR, o que cada um encontrou: objetos de ouro, braceletes, pulseiras, anéis, brincos e colares, para fazer expiação por nossas vidas diante do SENHOR.”
31:51 Moisés e o sacerdote Eleazar receberam deles o ouro, todos aqueles objetos trabalhados.
31:52 Todo o ouro da oferta elevada que apresentaram ao SENHOR, da parte dos chefes de milhares e dos chefes de centenas, pesava cerca de 190 quilogramas.
31:53 Os homens do exército haviam tomado despojos, cada um para si.
31:54 Moisés e o sacerdote Eleazar receberam o ouro dos chefes de milhares e de centenas e o levaram à tenda do encontro, como memorial dos filhos de Israel diante do SENHOR.

Capítulo 32
32:1 Os filhos de Rúben e os filhos de Gade tinham muito gado, em quantidade enorme. Viram a terra de Jazer e a terra de Gileade, e eis que o lugar era apropriado para o gado.
32:2 Os filhos de Gade e os filhos de Rúben vieram e falaram a Moisés, ao sacerdote Eleazar e aos chefes da comunidade, dizendo:
32:3 “Atarote, Dibom, Jazer, Ninra, Hesbom, Eleale, Sebã, Nebo e Beom:
32:4 a terra que o SENHOR feriu diante da comunidade de Israel é terra para gado, e seus servos têm gado.”
32:5 Disseram ainda: “Se encontramos favor aos seus olhos, que esta terra seja dada aos seus servos como propriedade; não nos faça atravessar o Jordão.”
32:6 Moisés disse aos filhos de Gade e aos filhos de Rúben: “Seus irmãos irão à guerra enquanto vocês ficam aqui?
32:7 Por que vocês desanimam o coração dos filhos de Israel, para que não atravessem para a terra que o SENHOR lhes deu?
32:8 Assim fizeram seus pais quando os enviei de Cades-Barneia para ver a terra.
32:9 Subiram até o vale de Escol, viram a terra e desanimaram o coração dos filhos de Israel, para que não entrassem na terra que o SENHOR lhes havia dado.
32:10 A ira do SENHOR se acendeu naquele dia, e ele jurou, dizendo:
32:11 ‘Os homens que subiram do Egito, de vinte anos para cima, não verão a terra que jurei dar a Abraão, a Isaque e a Jacó, pois não me seguiram plenamente,
32:12 exceto Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, e Josué, filho de Num, pois seguiram plenamente o SENHOR.’
32:13 A ira do SENHOR se acendeu contra Israel, e ele os fez vagar pelo deserto por quarenta anos, até que se extinguisse toda a geração que havia feito o que era mau aos olhos do SENHOR.
32:14 E eis que vocês se levantaram no lugar de seus pais, prole de homens pecadores, para aumentar ainda mais o ardor da ira do SENHOR contra Israel.
32:15 Se deixarem de segui-lo, ele deixará o povo mais uma vez no deserto, e vocês destruirão todo este povo.”
32:16 Eles se aproximaram de Moisés e disseram: “Construiremos aqui currais para nosso gado e cidades para nossas crianças.
32:17 Mas nós nos armaremos e avançaremos depressa à frente dos filhos de Israel, até levá-los ao seu lugar. Nossas crianças ficarão nas cidades fortificadas, por causa dos habitantes da terra.
32:18 Não voltaremos às nossas casas até que os filhos de Israel tenham recebido, cada um, sua herança.
32:19 Pois não receberemos herança com eles do outro lado do Jordão nem mais adiante, porque nossa herança nos coube deste lado do Jordão, ao oriente.”
32:20 Moisés lhes disse: “Se fizerem isto, se vocês se armarem para a guerra diante do SENHOR
32:21 e todos os seus homens armados atravessarem o Jordão diante do SENHOR, até que ele expulse seus inimigos de sua presença,
32:22 e a terra ficar submetida diante do SENHOR, depois poderão voltar. Ficarão livres de culpa diante do SENHOR e de Israel, e esta terra será propriedade de vocês diante do SENHOR.
32:23 Mas, se não fizerem assim, eis que terão pecado contra o SENHOR; saibam que seu pecado os alcançará.
32:24 Construam cidades para suas crianças e currais para seus rebanhos, e cumpram o que saiu de sua boca.”
32:25 Os filhos de Gade e os filhos de Rúben falaram a Moisés, dizendo: “Seus servos farão conforme meu senhor ordena.
32:26 Nossas crianças, nossas mulheres, nosso gado e todos os nossos animais ficarão ali, nas cidades de Gileade.
32:27 Mas seus servos atravessarão, todos armados para a guerra, diante do SENHOR para a batalha, conforme meu senhor diz.”
32:28 Moisés deu instruções a respeito deles ao sacerdote Eleazar, a Josué, filho de Num, e aos chefes das casas paternas das tribos dos filhos de Israel.
32:29 Moisés lhes disse: “Se os filhos de Gade e os filhos de Rúben atravessarem com vocês o Jordão, todos armados para a guerra diante do SENHOR, e a terra ficar submetida diante de vocês, vocês lhes darão a terra de Gileade como propriedade.
32:30 Mas, se não atravessarem armados com vocês, terão sua propriedade entre vocês na terra de Canaã.”
32:31 Os filhos de Gade e os filhos de Rúben responderam: “O que o SENHOR falou a seus servos, isso faremos.
32:32 Nós atravessaremos armados diante do SENHOR para a terra de Canaã, e ficaremos com a posse de nossa herança deste lado do Jordão.”
32:33 Moisés deu aos filhos de Gade, aos filhos de Rúben e à meia tribo de Manassés, filho de José, o reino de Seom, rei dos amorreus, e o reino de Ogue, rei de Basã: a terra com suas cidades e seus territórios, as cidades da terra ao redor.
32:34 Os filhos de Gade edificaram Dibom, Atarote e Aroer,
32:35 Atarote-Sofã, Jazer e Jogbeá,
32:36 Bete-Ninra e Bete-Harã, cidades fortificadas, e currais para os rebanhos.
32:37 Os filhos de Rúben edificaram Hesbom, Eleale e Quiriataim,
32:38 Nebo e Baal-Meom, cujos nomes foram mudados, e Sibma. Deram nomes às cidades que edificaram.
32:39 Os filhos de Maquir, filho de Manassés, foram a Gileade e a conquistaram, e ele expulsou os amorreus que estavam nela.
32:40 Moisés deu Gileade a Maquir, filho de Manassés, e ele habitou nela.
32:41 Jair, filho de Manassés, foi e conquistou suas aldeias, e as chamou Havote-Jair.
32:42 Noba foi e conquistou Quenate e suas aldeias, e a chamou Noba, conforme seu próprio nome.

Capítulo 33
33:1 Estas são as etapas dos filhos de Israel, que saíram da terra do Egito segundo seus exércitos, sob a direção de Moisés e Arão.
33:2 Moisés registrou suas partidas segundo suas etapas, conforme a ordem do SENHOR. Estas são suas etapas segundo suas partidas.
33:3 Partiram de Ramessés no primeiro mês, no dia quinze do primeiro mês. No dia seguinte à Páscoa, os filhos de Israel saíram com a mão erguida diante dos olhos de todos os egípcios,
33:4 enquanto os egípcios sepultavam todos os primogênitos que o SENHOR havia ferido entre eles. Também contra seus deuses o SENHOR havia executado juízos.
33:5 Os filhos de Israel partiram de Ramessés e acamparam em Sucote.
33:6 Partiram de Sucote e acamparam em Etã, à beira do deserto.
33:7 Partiram de Etã, e voltou-se para Pi-Hairote, que fica diante de Baal-Zefom; acamparam diante de Migdol.
33:8 Partiram de diante de Hairote e atravessaram pelo meio do mar para o deserto. Caminharam por três dias no deserto de Etã e acamparam em Mara.
33:9 Partiram de Mara e chegaram a Elim. Em Elim havia doze fontes de água e setenta palmeiras, e acamparam ali.
33:10 Partiram de Elim e acamparam junto ao mar Vermelho.
33:11 Partiram do mar Vermelho e acamparam no deserto de Sim.
33:12 Partiram do deserto de Sim e acamparam em Dofca.
33:13 Partiram de Dofca e acamparam em Alus.
33:14 Partiram de Alus e acamparam em Refidim, onde não havia água para o povo beber.
33:15 Partiram de Refidim e acamparam no deserto do Sinai.
33:16 Partiram do deserto do Sinai e acamparam em Quibrote-Hataavá.
33:17 Partiram de Quibrote-Hataavá e acamparam em Hazerote.
33:18 Partiram de Hazerote e acamparam em Ritma.
33:19 Partiram de Ritma e acamparam em Rimom-Perez.
33:20 Partiram de Rimom-Perez e acamparam em Libna.
33:21 Partiram de Libna e acamparam em Rissa.
33:22 Partiram de Rissa e acamparam em Queelata.
33:23 Partiram de Queelata e acamparam no monte Sefer.
33:24 Partiram do monte Sefer e acamparam em Harada.
33:25 Partiram de Harada e acamparam em Maquelote.
33:26 Partiram de Maquelote e acamparam em Taate.
33:27 Partiram de Taate e acamparam em Tera.
33:28 Partiram de Tera e acamparam em Mitca.
33:29 Partiram de Mitca e acamparam em Hasmona.
33:30 Partiram de Hasmona e acamparam em Moserote.
33:31 Partiram de Moserote e acamparam em Benê-Jaacã.
33:32 Partiram de Benê-Jaacã e acamparam em Hor-Hagidgade.
33:33 Partiram de Hor-Hagidgade e acamparam em Jotbatá.
33:34 Partiram de Jotbatá e acamparam em Abrona.
33:35 Partiram de Abrona e acamparam em Eziom-Geber.
33:36 Partiram de Eziom-Geber e acamparam no deserto de Zim, isto é, Cades.
33:37 Partiram de Cades e acamparam no monte Hor, na extremidade da terra de Edom.
33:38 O sacerdote Arão subiu ao monte Hor conforme a ordem do SENHOR e morreu ali, no quadragésimo ano da saída dos filhos de Israel da terra do Egito, no quinto mês, no primeiro dia do mês.
33:39 Arão tinha cento e vinte e três anos quando morreu no monte Hor.
33:40 O cananeu, rei de Arade, que habitava no Neguebe, na terra de Canaã, ouviu da chegada dos filhos de Israel.
33:41 Partiram do monte Hor e acamparam em Zalmona.
33:42 Partiram de Zalmona e acamparam em Punom.
33:43 Partiram de Punom e acamparam em Obote.
33:44 Partiram de Obote e acamparam em Ijé-Abarim, na fronteira de Moabe.
33:45 Partiram de Iim e acamparam em Dibom-Gade.
33:46 Partiram de Dibom-Gade e acamparam em Almom-Diblataim.
33:47 Partiram de Almom-Diblataim e acamparam nos montes de Abarim, diante de Nebo.
33:48 Partiram dos montes de Abarim e acamparam nas planícies de Moabe, junto ao Jordão, diante de Jericó.
33:49 Acamparam junto ao Jordão, desde Bete-Jesimote até Abel-Sitim, nas planícies de Moabe.
33:50 O SENHOR falou a Moisés nas planícies de Moabe, junto ao Jordão, diante de Jericó, dizendo:
33:51 “Fale aos filhos de Israel e diga-lhes: ‘Quando vocês atravessarem o Jordão para a terra de Canaã,
33:52 expulsarão de diante de vocês todos os habitantes da terra. Destruirão todas as suas imagens esculpidas e destruirão todas as suas imagens fundidas; arrasarão todos os seus lugares altos.
33:53 Tomarão posse da terra e habitarão nela, pois dei a terra a vocês para que a possuam.
33:54 Receberão a terra em herança por sorteio, segundo seus clãs. Ao numeroso darão uma herança maior, e ao pouco numeroso uma herança menor. Onde lhe cair a sorte, ali será sua herança. Receberão herança segundo as tribos de seus pais.
33:55 Mas, se não expulsarem de diante de vocês os habitantes da terra, os que deixarem serão aguilhões em seus olhos e espinhos em seus flancos; eles hostilizarão vocês na terra em que habitarem.
33:56 E o que me propunha fazer com eles farei com vocês.’”

Capítulo 34
34:1 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
34:2 “Dê ordem aos filhos de Israel e diga-lhes: ‘Quando vocês entrarem na terra de Canaã, esta é a terra que lhes caberá como herança, a terra de Canaã segundo seus limites:
34:3 seu lado sul irá desde o deserto de Zim, junto a Edom; seu limite sul começará na extremidade oriental do mar Salgado.
34:4 O limite contornará pelo sul da subida de Acrabim e passará em direção a Zim; chegará ao sul de Cades-Barneia, sairá para Hazar-Adar e passará a Azmom.
34:5 O limite contornará desde Azmom até o ribeiro do Egito e terminará no mar.
34:6 Seu limite ocidental será o mar Grande com sua costa; este será seu limite ocidental.
34:7 Este será seu limite norte: desde o mar Grande, vocês traçarão o limite até o monte Hor.
34:8 Desde o monte Hor, traçarão o limite até a entrada de Hamate, e o limite chegará a Zedade.
34:9 O limite sairá para Zifrom e terminará em Hazar-Enã. Este será seu limite norte.
34:10 Para seu limite oriental, traçarão o limite desde Hazar-Enã até Sefã.
34:11 O limite descerá de Sefã até Ribla, a leste de Aim; o limite descerá e atingirá a margem oriental do mar de Quinerete.
34:12 O limite descerá em direção ao Jordão e terminará no mar Salgado. Esta será a terra de vocês, com seus limites ao redor.’”
34:13 Moisés ordenou aos filhos de Israel, dizendo: “Esta é a terra que receberão como herança por sorteio, a que o SENHOR ordenou dar às nove tribos e à meia tribo.
34:14 Pois a tribo dos filhos de Rúben, segundo suas casas paternas, e a tribo dos filhos de Gade, segundo suas casas paternas, já receberam sua parte; a meia tribo de Manassés também recebeu sua herança.
34:15 As duas tribos e a meia tribo receberam sua herança além do Jordão, diante de Jericó, a oriente, para o nascente do sol.”
34:16 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
34:17 “Estes são os nomes dos homens que repartirão a terra entre vocês como herança: o sacerdote Eleazar e Josué, filho de Num.
34:18 Vocês tomarão um chefe, um chefe de cada tribo, para repartir a terra como herança.
34:19 Estes são os nomes dos homens: da tribo de Judá, Calebe, filho de Jefoné;
34:20 da tribo dos filhos de Simeão, Samuel, filho de Amiúde;
34:21 da tribo de Benjamim, Elidade, filho de Quislom;
34:22 da tribo dos filhos de Dã, o chefe Buqui, filho de Jogli;
34:23 dos filhos de José, da tribo dos filhos de Manassés, o chefe Haniel, filho de Éfode;
34:24 da tribo dos filhos de Efraim, o chefe Quemuel, filho de Siftã;
34:25 da tribo dos filhos de Zebulom, o chefe Elisafã, filho de Parnaque;
34:26 da tribo dos filhos de Issacar, o chefe Paltiel, filho de Azã;
34:27 da tribo dos filhos de Aser, o chefe Aiúde, filho de Selomi;
34:28 da tribo dos filhos de Naftali, o chefe Pedael, filho de Amiúde.
34:29 Estes são aqueles a quem o SENHOR ordenou que dessem herança aos filhos de Israel na terra de Canaã.”

Capítulo 35
35:1 O SENHOR falou a Moisés nas planícies de Moabe, junto ao Jordão, diante de Jericó, dizendo:
35:2 “Dê ordem aos filhos de Israel que deem aos levitas, da propriedade de sua herança, cidades onde morar. Vocês darão também aos levitas as pastagens ao redor das cidades.
35:3 As cidades lhes servirão de moradia, e suas pastagens serão para seu gado, para seus bens e para todos os seus animais.
35:4 As pastagens das cidades que vocês darão aos levitas se estenderão cerca de 460 metros desde a muralha da cidade para fora, em todo o redor.
35:5 Medirão fora da cidade cerca de 920 metros pelo lado oriental, cerca de 920 metros pelo lado sul, cerca de 920 metros pelo lado ocidental e cerca de 920 metros pelo lado norte, com a cidade no meio. Essas serão para eles as pastagens das cidades.
35:6 Entre as cidades que darão aos levitas estarão as seis cidades de refúgio, que destinarão para que o homicida fuja para lá; além delas darão quarenta e duas cidades.
35:7 Todas as cidades que darão aos levitas serão quarenta e oito cidades, elas e suas pastagens.
35:8 Quanto às cidades que darão da propriedade dos filhos de Israel, de quem tiver muito tomarão mais, e de quem tiver pouco tomarão menos. Cada um dará de suas cidades aos levitas conforme a herança que receber.”
35:9 O SENHOR falou a Moisés, dizendo:
35:10 “Fale aos filhos de Israel e diga-lhes: ‘Quando vocês atravessarem o Jordão para a terra de Canaã,
35:11 designarão para vocês cidades; serão cidades de refúgio para vocês, para onde fugirá o homicida que matar uma pessoa sem intenção.
35:12 Essas cidades lhes servirão de refúgio contra o vingador, e o homicida não morrerá até que se apresente diante da comunidade para ser julgado.
35:13 Das cidades que darão, seis cidades serão para vocês cidades de refúgio.
35:14 Destinarão três cidades deste lado do Jordão e três cidades na terra de Canaã; serão cidades de refúgio.
35:15 Essas seis cidades serão de refúgio para os filhos de Israel, para o estrangeiro e para o que reside entre eles, para que fuja para lá todo aquele que matar uma pessoa sem intenção.
35:16 Se alguém golpear outro com um objeto de ferro, e este morrer, quem o golpeou é homicida; o homicida certamente será morto.
35:17 Se alguém golpear outro com uma pedra que leva na mão e que pode causar a morte, e este morrer, quem o golpeou é homicida; o homicida certamente será morto.
35:18 Ou se alguém golpear outro com um objeto de madeira que leva na mão e que pode causar a morte, e este morrer, quem o golpeou é homicida; o homicida certamente será morto.
35:19 O vingador do sangue será quem matará o homicida; quando o encontrar, ele o matará.
35:20 Se, por ódio, o empurrar ou lhe lançar algo com premeditação, e ele morrer,
35:21 ou, por inimizade, o golpear com a mão e ele morrer, quem o golpeou certamente será morto; é homicida. O vingador do sangue matará o homicida quando o encontrar.
35:22 Mas, se de repente o empurrar, sem inimizade, ou lhe lançar qualquer objeto, sem premeditação,
35:23 ou deixar cair sobre ele, sem vê-lo, qualquer pedra capaz de causar a morte, e ele morrer, sem que quem a deixou cair fosse seu inimigo nem procurasse seu mal,
35:24 a comunidade julgará entre quem feriu e o vingador do sangue, segundo estas normas.
35:25 A comunidade livrará o homicida da mão do vingador do sangue, e a comunidade o fará voltar à cidade de refúgio para onde havia fugido. Habitará nela até a morte do sumo sacerdote que foi ungido com o óleo santo.
35:26 Mas, se o homicida chegar a sair dos limites de sua cidade de refúgio, para onde havia fugido,
35:27 e o vingador do sangue o encontrar fora dos limites de sua cidade de refúgio, e o vingador do sangue matar o homicida, não terá culpa de sangue.
35:28 Pois ele deve habitar em sua cidade de refúgio até a morte do sumo sacerdote; depois da morte do sumo sacerdote, o homicida voltará à terra de sua propriedade.
35:29 Estas disposições serão para vocês um estatuto de direito ao longo de suas gerações, em todos os lugares onde habitarem.
35:30 Se alguém matar uma pessoa, o homicida será morto com base no depoimento de testemunhas; mas uma só testemunha não testemunhará contra uma pessoa para condená-la à morte.
35:31 Não aceitarão resgate pela vida de um homicida que é culpado e merece a morte; ele certamente será morto.
35:32 Também não aceitarão resgate para que aquele que fugiu para sua cidade de refúgio volte a habitar na terra antes da morte do sacerdote.
35:33 Não profanarão a terra em que estão, pois o sangue profana a terra; pela terra não se pode fazer expiação pelo sangue nela derramado, a não ser com o sangue de quem o derramou.
35:34 Você não tornará impura a terra onde vocês habitam, em cujo meio eu habito, pois eu, o SENHOR, habito no meio dos filhos de Israel.’”

Capítulo 36
36:1 Aproximaram-se os chefes das casas paternas do clã dos filhos de Gileade, filho de Maquir, filho de Manassés, dos clãs dos filhos de José, e falaram diante de Moisés e diante dos chefes, cabeças das casas paternas dos filhos de Israel.
36:2 Disseram: “O SENHOR ordenou a meu senhor que desse a terra como herança por sorteio aos filhos de Israel; meu senhor também recebeu do SENHOR a ordem de dar a herança de nosso irmão Zelofeade às suas filhas.
36:3 Se elas se casarem com algum homem das outras tribos dos filhos de Israel, sua herança será tirada da herança de nossos pais e acrescentada à herança da tribo à qual se unirem; assim será tirada da porção de nossa herança.
36:4 E, se chegar o Jubileu para os filhos de Israel, sua herança será acrescentada à herança da tribo à qual se unirem; da herança da tribo de nossos pais será tirada a herança delas.”
36:5 Moisés ordenou aos filhos de Israel, conforme a ordem do SENHOR, dizendo: “A tribo dos filhos de José fala com razão.
36:6 Esta é a palavra que o SENHOR ordenou às filhas de Zelofeade: podem se casar com quem parecer bom aos seus olhos, mas se casarão somente dentro do clã da tribo de seu pai.
36:7 A herança dos filhos de Israel não passará de uma tribo a outra, pois cada um dos filhos de Israel permanecerá unido à herança da tribo de seus pais.
36:8 Toda filha que receber uma herança entre as tribos dos filhos de Israel se casará com um homem do clã da tribo de seu pai, para que os filhos de Israel recebam, cada um, a herança de seus pais.
36:9 A herança não passará de uma tribo a outra tribo, pois cada uma das tribos dos filhos de Israel permanecerá unida à sua herança.”
36:10 Conforme o SENHOR havia ordenado a Moisés, assim fizeram as filhas de Zelofeade.
36:11 Macla, Tirza, Hogla, Milca e Noa, filhas de Zelofeade, se casaram com os filhos de seus tios paternos.
36:12 Casaram-se entre os clãs dos filhos de Manassés, filho de José, e sua herança ficou na tribo do clã do pai delas.
36:13 Estes são os mandamentos e as normas que o SENHOR ordenou aos filhos de Israel por meio de Moisés, nas planícies de Moabe, junto ao Jordão, diante de Jericó.

DEUTERONÔMIO

Capítulo 1
1:1 Estas são as palavras que Moisés falou a todo Israel do outro lado do Jordão, no deserto, no Arabá, diante de Sufe, entre Parã e Tofel, Labã, Hazerote e Di-Zaabe.
1:2 São onze dias de viagem de Horebe até Cades-Barneia, pelo caminho da região montanhosa de Seir.
1:3 No quadragésimo ano, no primeiro dia do décimo primeiro mês, Moisés falou aos filhos de Israel tudo o que o SENHOR lhe havia ordenado que lhes dissesse,
1:4 depois de derrotar Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom, e, em Edrei, Ogue, rei de Basã, que habitava em Astarote.
1:5 Do outro lado do Jordão, na terra de Moabe, Moisés se dispôs a explicar esta lei e disse:
1:6 O SENHOR, nosso Deus, nos falou em Horebe: “Vocês já ficaram bastante tempo neste monte.
1:7 Deem meia-volta, ponham-se a caminho e vão à região montanhosa dos amorreus e a todas as regiões vizinhas: ao Arabá, à região montanhosa, à Sefelá, ao Neguebe e à costa do mar; à terra dos cananeus e ao Líbano, até o grande rio, o rio Eufrates.
1:8 Vejam, coloquei a terra diante de vocês. Entrem e tomem posse da terra que o SENHOR jurou dar aos seus pais, Abraão, Isaque e Jacó, a eles e à sua descendência depois deles”.
1:9 Naquele tempo, eu lhes disse: “Sozinho não posso carregar o peso de vocês.
1:10 O SENHOR, seu Deus, os multiplicou, e hoje vocês são tão numerosos como as estrelas do céu.
1:11 Que o SENHOR, Deus de seus pais, os faça mil vezes mais numerosos e os abençoe, como lhes prometeu!
1:12 Como poderei, sozinho, suportar seus problemas, suas cargas e suas disputas?
1:13 Escolham em suas tribos homens sábios, sensatos e reconhecidos, e eu os colocarei como seus chefes”.
1:14 Vocês me responderam: “É bom fazer o que você disse”.
1:15 Então tomei os chefes de suas tribos, homens sábios e reconhecidos, e os coloquei como chefes sobre vocês: chefes de mil, de cem, de cinquenta e de dez, e oficiais para suas tribos.
1:16 Naquele tempo, ordenei aos seus juízes: “Ouçam as questões entre seus irmãos e julguem com justiça entre um homem e seu irmão ou o estrangeiro que vive com ele.
1:17 Não façam acepção de pessoas no julgamento; ouçam tanto o pequeno como o grande. Não tenham medo de ninguém, pois o julgamento pertence a Deus. Tragam a mim a causa que for difícil demais para vocês, e eu a ouvirei”.
1:18 Naquele tempo, ordenei a vocês tudo o que deviam fazer.
1:19 Partimos de Horebe e atravessamos todo aquele grande e temível deserto que vocês viram, pelo caminho da região montanhosa dos amorreus, como o SENHOR, nosso Deus, nos havia ordenado. Chegamos a Cades-Barneia,
1:20 e eu lhes disse: “Vocês chegaram à região montanhosa dos amorreus, que o SENHOR, nosso Deus, nos dá.
1:21 Veja, o SENHOR, seu Deus, colocou a terra diante de você. Suba e tome posse dela, como o SENHOR, Deus de seus pais, lhe disse. Não tenha medo nem desanime”.
1:22 Então todos vocês se aproximaram de mim e disseram: “Vamos enviar homens à nossa frente para que explorem a terra por nós e nos tragam informações sobre o caminho pelo qual subiremos e sobre as cidades em que entraremos”.
1:23 A proposta me pareceu boa, e escolhi dentre vocês doze homens, um de cada tribo.
1:24 Eles se puseram a caminho, subiram à região montanhosa, chegaram ao vale de Escol e exploraram a terra.
1:25 Tomaram nas mãos frutos da terra e desceram com eles até nós. Trouxeram-nos este relato: “É boa a terra que o SENHOR, nosso Deus, nos dá”.
1:26 Mas vocês não quiseram subir e se rebelaram contra a ordem do SENHOR, seu Deus.
1:27 Murmuraram em suas tendas e disseram: “Por nos odiar, o SENHOR nos tirou da terra do Egito para nos entregar nas mãos dos amorreus e nos destruir.
1:28 Para onde subiremos? Nossos irmãos fizeram nosso coração derreter, dizendo: ‘O povo é maior e mais alto do que nós; as cidades são grandes e fortificadas até o céu. Também vimos ali os descendentes de Anaque’”.
1:29 Então eu lhes disse: “Não fiquem apavorados nem tenham medo deles.
1:30 O SENHOR, seu Deus, que vai à frente de vocês, ele lutará por vocês, como fez por vocês no Egito, diante dos seus olhos,
1:31 e também no deserto, onde você viu como o SENHOR, seu Deus, o carregou, como um homem carrega seu filho, por todo o caminho que vocês percorreram até chegar a este lugar”.
1:32 Apesar disso, vocês não confiaram no SENHOR, seu Deus,
1:33 que ia à sua frente pelo caminho para lhes procurar um lugar onde acampar: de noite, no fogo, para lhes mostrar o caminho por onde deviam ir, e de dia, na nuvem.
1:34 O SENHOR ouviu suas palavras, indignou-se e jurou:
1:35 “Nenhum destes homens, desta geração má, verá a boa terra que jurei dar aos seus pais,
1:36 exceto Calebe, filho de Jefoné. Ele a verá, e darei a ele e a seus filhos a terra em que pisou, porque seguiu plenamente o SENHOR”.
1:37 Por causa de vocês, o SENHOR se indignou também comigo e disse: “Você também não entrará ali.
1:38 Josué, filho de Num, que está a seu serviço, ele entrará ali. Fortaleça-o, pois ele fará Israel receber a terra como herança.
1:39 Seus pequeninos, dos quais vocês disseram que seriam levados como despojo, e seus filhos, que hoje não sabem distinguir o bem do mal, eles entrarão ali. A eles darei a terra, e eles tomarão posse dela.
1:40 Quanto a vocês, deem meia-volta e partam para o deserto, pelo caminho do mar Vermelho”.
1:41 Então vocês me responderam: “Pecamos contra o SENHOR. Nós subiremos e lutaremos, conforme tudo o que o SENHOR, nosso Deus, nos ordenou”. Cada um cingiu suas armas de guerra, e vocês acharam que seria fácil subir à região montanhosa.
1:42 Mas o SENHOR me disse: “Diga a eles: ‘Não subam nem lutem, pois não estou no meio de vocês, para que não sejam derrotados por seus inimigos’”.
1:43 Eu lhes falei, mas vocês não ouviram. Rebelaram-se contra a ordem do SENHOR, agiram com arrogância e subiram à região montanhosa.
1:44 Os amorreus que habitavam naquela região montanhosa saíram ao seu encontro, perseguiram vocês como fazem as abelhas e os derrotaram em Seir, até Hormá.
1:45 Vocês voltaram e choraram diante do SENHOR, mas o SENHOR não ouviu sua voz nem lhes deu ouvidos.
1:46 Assim, permaneceram em Cades muitos dias, todo o tempo em que ali permaneceram.

Capítulo 2
2:1 Então demos meia-volta e partimos para o deserto, pelo caminho do mar Vermelho, como o SENHOR me havia dito. Rodeamos a região montanhosa de Seir durante muitos dias.
2:2 O SENHOR me disse:
2:3 “Vocês já rodearam bastante esta região montanhosa; voltem-se para o norte.
2:4 Ordene ao povo: ‘Vocês vão passar pelo território de seus irmãos, os descendentes de Esaú, que habitam em Seir. Eles terão medo de vocês; por isso, tomem muito cuidado.
2:5 Não os provoquem, pois não lhes darei nada da terra deles, nem sequer o espaço que a planta de um pé pisa, porque dei a região montanhosa de Seir a Esaú como herança.
2:6 Comprem deles alimentos por dinheiro e comam; comprem também deles água por dinheiro e bebam.
2:7 Pois o SENHOR, seu Deus, abençoou você em toda a obra de suas mãos. Ele conhece sua caminhada por este grande deserto. Nestes quarenta anos, o SENHOR, seu Deus, esteve com você; nada lhe faltou’”.
2:8 Passamos ao largo de nossos irmãos, os descendentes de Esaú, que habitam em Seir, afastando-nos do caminho do Arabá, de Elate e de Eziom-Geber. Então mudamos de direção e passamos pelo caminho do deserto de Moabe.
2:9 O SENHOR me disse: “Não hostilize Moabe nem o provoque à guerra, pois não lhe darei nenhuma parte de sua terra como herança, porque dei Ar aos descendentes de Ló como herança”.
2:10 (Antes habitavam ali os emins, um povo grande, numeroso e alto como os anaquins.
2:11 Também eles são considerados refains, como os anaquins, mas os moabitas os chamam emins.
2:12 Os horeus também habitavam antes em Seir, mas os descendentes de Esaú os desapossaram, os destruíram de diante de si e habitaram em seu lugar, como Israel fez com a terra de sua herança que o SENHOR lhe deu.)
2:13 “Agora levantem-se e atravessem o ribeiro de Zerede.” E atravessamos o ribeiro de Zerede.
2:14 O tempo que levamos desde Cades-Barneia até atravessarmos o ribeiro de Zerede foi de trinta e oito anos, até que toda a geração dos homens de guerra desapareceu do meio do acampamento, como o SENHOR lhes havia jurado.
2:15 A mão do SENHOR também esteve contra eles, para eliminá-los do meio do acampamento, até que desapareceram por completo.
2:16 Quando todos os homens de guerra haviam morrido dentre o povo,
2:17 o SENHOR me disse:
2:18 “Hoje você vai passar pelo território de Moabe, por Ar.
2:19 Quando se aproximar dos amonitas, não os hostilize nem os provoque, pois não lhe darei nenhuma parte da terra dos amonitas como herança, porque a dei aos descendentes de Ló como herança”.
2:20 (Também essa é considerada terra de refains. Antes os refains habitavam ali, e os amonitas os chamam zanzumins.
2:21 Eram um povo grande, numeroso e alto como os anaquins. O SENHOR os destruiu diante dos amonitas, que os desapossaram e habitaram em seu lugar,
2:22 como fez pelos descendentes de Esaú, que habitam em Seir: destruiu os horeus diante deles, e eles os desapossaram e habitaram em seu lugar até o dia de hoje.
2:23 Quanto aos aveus, que habitavam em aldeias até Gaza, os caftorins, que vieram de Caftor, os destruíram e habitaram em seu lugar.)
2:24 “Levantem-se, partam e atravessem o ribeiro de Arnom. Veja, entreguei em suas mãos Seom, o amorreu, rei de Hesbom, e sua terra. Comece a tomar posse dela e provoque-o à guerra.
2:25 Hoje começarei a pôr o pavor e o medo de você sobre os povos debaixo de todo o céu. Eles ouvirão falar de você, tremerão e se angustiarão diante de você”.
2:26 Então enviei mensageiros do deserto de Quedemote a Seom, rei de Hesbom, com palavras de paz:
2:27 “Deixe-me passar por sua terra. Pelo caminho, somente pelo caminho seguirei; não me desviarei nem para a direita nem para a esquerda.
2:28 Venda-me alimentos por dinheiro para eu comer e dê-me água por dinheiro para eu beber. Deixe-me apenas passar a pé,
2:29 como fizeram comigo os descendentes de Esaú, que habitam em Seir, e os moabitas, que habitam em Ar, até que eu atravesse o Jordão e entre na terra que o SENHOR, nosso Deus, nos dá”.
2:30 Mas Seom, rei de Hesbom, não quis nos deixar passar por seu território, pois o SENHOR, seu Deus, havia endurecido o espírito dele e tornado obstinado seu coração, para entregá-lo em suas mãos, como se vê hoje.
2:31 O SENHOR me disse: “Veja, comecei a entregar Seom e sua terra diante de você. Comece a tomar posse dela, para possuir sua terra”.
2:32 Então Seom saiu ao nosso encontro, ele e todo o seu povo, para a batalha em Jaza.
2:33 O SENHOR, nosso Deus, o entregou diante de nós, e derrotamos a ele, a seu filho e a todo o seu povo.
2:34 Naquele tempo, conquistamos todas as suas cidades e consagramos à destruição cada cidade, com seus homens, mulheres e crianças; não deixamos nenhum sobrevivente.
2:35 Tomamos para nós como despojo apenas os animais e os bens das cidades que havíamos conquistado.
2:36 Desde Aroer, que fica à margem do ribeiro de Arnom, e a cidade que fica no vale, até Gileade, não houve cidade fora do nosso alcance; o SENHOR, nosso Deus, entregou todas diante de nós.
2:37 Mas você não se aproximou da terra dos amonitas, de toda a margem do ribeiro de Jaboque, das cidades da região montanhosa nem de qualquer lugar que o SENHOR, nosso Deus, havia proibido.

Capítulo 3
3:1 Então mudamos de direção e subimos pelo caminho de Basã. Ogue, rei de Basã, saiu ao nosso encontro, ele e todo o seu povo, para a batalha em Edrei.
3:2 O SENHOR me disse: “Não tenha medo dele, pois entreguei em suas mãos ele, todo o seu povo e sua terra. Você fará com ele como fez com Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom”.
3:3 Assim, o SENHOR, nosso Deus, entregou em nossas mãos também Ogue, rei de Basã, e todo o seu povo, e o derrotamos até não lhe deixar nenhum sobrevivente.
3:4 Naquele tempo, conquistamos todas as suas cidades. Não houve cidade que não lhes tomássemos: sessenta cidades, toda a região de Argobe, o reino de Ogue em Basã.
3:5 Todas essas eram cidades fortificadas, com muralhas altas, portas e ferrolhos, além de muitíssimas cidades sem muralhas.
3:6 Nós as consagramos à destruição, como havíamos feito com Seom, rei de Hesbom, consagrando à destruição cada cidade, com seus homens, mulheres e crianças.
3:7 Mas todos os animais e os bens das cidades tomamos para nós como despojo.
3:8 Naquele tempo, tomamos das mãos dos dois reis dos amorreus a terra do outro lado do Jordão, desde o ribeiro de Arnom até o monte Hermom:
3:9 (Os sidônios chamam o Hermom de Siriom, e os amorreus o chamam de Senir.)
3:10 todas as cidades do planalto, todo Gileade e todo Basã até Salca e Edrei, cidades do reino de Ogue em Basã.
3:11 (Pois só Ogue, rei de Basã, havia restado dos refains. Sua cama, uma cama de ferro, não está em Rabá dos amonitas? Tinha mais de quatro metros de comprimento e quase dois metros de largura, segundo a medida comum.)
3:12 Da terra de que tomamos posse naquele tempo, dei aos rubenitas e aos gaditas o território desde Aroer, junto ao ribeiro de Arnom, e metade da região montanhosa de Gileade, com suas cidades.
3:13 O restante de Gileade e todo Basã, o reino de Ogue, dei à metade da tribo de Manassés. Toda a região de Argobe, com todo Basã, é chamada terra de refains.
3:14 Jair, filho de Manassés, tomou toda a região de Argobe até a fronteira dos gesuritas e dos maacatitas e deu a Basã o nome de Havote-Jair, conforme seu próprio nome, até o dia de hoje.
3:15 A Maquir dei Gileade.
3:16 Aos rubenitas e aos gaditas dei o território desde Gileade até o ribeiro de Arnom, tendo o meio do ribeiro como fronteira, e até o ribeiro de Jaboque, fronteira dos amonitas;
3:17 também o Arabá, com o Jordão como fronteira, desde Quinerete até o mar do Arabá, o mar Salgado, ao pé das encostas do Pisga, a leste.
3:18 Naquele tempo, ordenei a vocês: “O SENHOR, seu Deus, lhes deu esta terra para que tomem posse dela. Todos os homens valentes de vocês atravessarão armados à frente de seus irmãos, os filhos de Israel.
3:19 Somente suas mulheres, suas crianças e seu gado — sei que vocês têm muito gado — ficarão nas cidades que lhes dei,
3:20 até que o SENHOR dê descanso aos seus irmãos como deu a vocês, e eles também tomem posse da terra que o SENHOR, seu Deus, lhes dá do outro lado do Jordão. Então vocês voltarão, cada um à herança que lhes dei”.
3:21 Naquele tempo, também ordenei a Josué: “Seus olhos viram tudo o que o SENHOR, o Deus de vocês, fez a estes dois reis. Assim o SENHOR fará a todos os reinos em que você entrar.
3:22 Não tenham medo deles, pois o SENHOR, seu Deus, é quem luta por vocês”.
3:23 Naquele tempo, supliquei ao SENHOR:
3:24 “Senhor DEUS, tu começaste a mostrar ao teu servo a tua grandeza e a tua mão poderosa. Pois que deus há no céu ou na terra que faça obras e proezas como as tuas?
3:25 Peço-te: deixa-me atravessar e ver a boa terra que está do outro lado do Jordão, essa boa região montanhosa e o Líbano”.
3:26 Mas o SENHOR se indignou comigo por causa de vocês e não me ouviu. O SENHOR me disse: “Basta! Não volte a me falar deste assunto.
3:27 Suba ao cume do Pisga e levante os olhos para o oeste, o norte, o sul e o leste. Veja com seus próprios olhos, pois você não atravessará este Jordão.
3:28 Dê instruções a Josué, fortaleça-o e anime-o, pois ele atravessará à frente deste povo e o fará receber como herança a terra que você verá”.
3:29 Assim, permanecemos no vale, diante de Bete-Peor.

Capítulo 4
4:1 Agora, Israel, ouça os estatutos e as normas que eu ensino a vocês para que os cumpram, a fim de que vivam, entrem e tomem posse da terra que o SENHOR, Deus de seus pais, lhes dá.
4:2 Não acrescentem nada à palavra que lhes ordeno nem tirem nada dela, para que guardem os mandamentos do SENHOR, seu Deus, que eu lhes ordeno.
4:3 Seus olhos viram o que o SENHOR fez em Baal-Peor, pois o SENHOR, seu Deus, destruiu do seu meio todo homem que seguiu Baal-Peor.
4:4 Mas vocês, que permanecem unidos ao SENHOR, seu Deus, estão todos vivos hoje.
4:5 Veja, eu lhes ensinei estatutos e normas, como o SENHOR, meu Deus, me ordenou, para que os cumpram na terra em que vão entrar para tomar posse dela.
4:6 Guardem-nos e ponham-nos em prática, pois essa será a sabedoria e o entendimento de vocês diante dos povos. Eles ouvirão todos estes estatutos e dirão: “Certamente esta grande nação é um povo sábio e sensato”.
4:7 Pois que grande nação tem deuses tão próximos de si como o SENHOR, nosso Deus, está de nós sempre que o invocamos?
4:8 E que grande nação tem estatutos e normas tão justos como toda esta lei que hoje coloco diante de vocês?
4:9 Apenas tenha cuidado e guarde muito bem sua vida, para que não se esqueça das coisas que seus olhos viram nem elas se afastem do seu coração todos os dias de sua vida. Dê-as a conhecer aos seus filhos e aos filhos de seus filhos:
4:10 o dia em que você esteve diante do SENHOR, seu Deus, em Horebe, quando o SENHOR me disse: “Reúna o povo diante de mim, e eu os farei ouvir minhas palavras, para que aprendam a me temer todos os dias em que viverem sobre a terra e ensinem a seus filhos”.
4:11 Vocês se aproximaram e ficaram ao pé do monte. O monte ardia em fogo até o coração do céu, entre escuridão, nuvem e densas trevas.
4:12 O SENHOR falou a vocês do meio do fogo. Vocês ouviam o som das palavras, mas não viam forma alguma; apenas uma voz.
4:13 Ele lhes anunciou sua aliança, os dez mandamentos, que lhes ordenou cumprir, e os escreveu em duas tábuas de pedra.
4:14 Naquele tempo, o SENHOR me ordenou que lhes ensinasse estatutos e normas, para que os cumprissem na terra para a qual vão atravessar a fim de tomar posse dela.
4:15 Portanto, cuidem muito bem de si mesmos, pois não viram forma alguma no dia em que o SENHOR falou a vocês em Horebe, do meio do fogo.
4:16 Não se corrompam, fazendo para si uma imagem esculpida na forma de qualquer figura: uma representação de homem ou de mulher,
4:17 uma representação de qualquer animal que há na terra, uma representação de qualquer ave alada que voa no céu,
4:18 uma representação de qualquer animal que se arrasta pelo chão, uma representação de qualquer peixe que há nas águas debaixo da terra.
4:19 Não aconteça que você levante os olhos para o céu e, ao ver o sol, a lua e as estrelas, todo o exército do céu, se deixe levar a se prostrar diante deles e servi-los. O SENHOR, seu Deus, os repartiu entre todos os povos debaixo de todo o céu.
4:20 Mas o SENHOR tomou vocês e os tirou da fornalha de ferro, do Egito, para serem o povo de sua herança, como são hoje.
4:21 O SENHOR se indignou comigo por causa de vocês e jurou que eu não atravessaria o Jordão nem entraria na boa terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá como herança.
4:22 Pois eu morrerei nesta terra; não atravessarei o Jordão. Mas vocês atravessarão e tomarão posse dessa boa terra.
4:23 Tenham cuidado para não se esquecerem da aliança que o SENHOR, seu Deus, fez com vocês nem fazerem para si uma imagem esculpida na forma de qualquer coisa que o SENHOR, seu Deus, lhe proibiu.
4:24 Pois o SENHOR, seu Deus, é fogo consumidor, um Deus zeloso.
4:25 Quando você tiver filhos e filhos de seus filhos, e vocês estiverem há muito tempo na terra, se se corromperem, fazendo uma imagem esculpida na forma de qualquer coisa, e fizerem o que é mau aos olhos do SENHOR, seu Deus, para provocá-lo à ira,
4:26 hoje tomo o céu e a terra como testemunhas contra vocês: certamente desaparecerão depressa da terra para a qual vão atravessar o Jordão a fim de tomar posse dela. Não prolongarão seus dias nela, pois certamente serão destruídos.
4:27 O SENHOR os espalhará entre os povos, e vocês serão poucos em número entre as nações para onde o SENHOR os levar.
4:28 Ali servirão a deuses feitos por mãos humanas, de madeira e de pedra, que não veem, não ouvem, não comem nem cheiram.
4:29 De lá vocês buscarão o SENHOR, seu Deus, e você o encontrará, se o buscar de todo o seu coração e de toda a sua alma.
4:30 Quando você estiver em angústia e todas estas coisas o alcançarem, nos últimos dias, voltará ao SENHOR, seu Deus, e obedecerá à sua voz.
4:31 Pois o SENHOR, seu Deus, é um Deus misericordioso: não o abandonará, não o destruirá nem se esquecerá da aliança que jurou aos seus pais.
4:32 Pergunte, pois, pelos dias antigos, anteriores a você, desde o dia em que Deus criou o ser humano sobre a terra, e de uma extremidade do céu à outra: já aconteceu algo tão grandioso como isto, ou se ouviu algo semelhante?
4:33 Algum povo ouviu a voz de Deus falando do meio do fogo, como você ouviu, e continuou vivo?
4:34 Ou algum deus tentou vir tomar para si uma nação do meio de outra nação, com provas, sinais, prodígios, guerra, mão poderosa, braço estendido e grandes feitos aterradores, como tudo o que o SENHOR, seu Deus, fez por vocês no Egito, diante dos seus olhos?
4:35 A você foi mostrado isso para que soubesse que o SENHOR é Deus; não há outro além dele.
4:36 Do céu ele fez você ouvir sua voz para instruí-lo; sobre a terra, fez você ver seu grande fogo, e você ouviu suas palavras do meio do fogo.
4:37 Porque amou seus pais e escolheu sua descendência depois dele, tirou você do Egito com sua presença e seu grande poder,
4:38 para expulsar de diante de você nações maiores e mais poderosas do que você, para fazê-lo entrar e lhe dar a terra delas como herança, como se vê hoje.
4:39 Reconheça hoje e considere em seu coração que o SENHOR é Deus em cima no céu e embaixo na terra; não há outro.
4:40 Guarde seus estatutos e seus mandamentos, que hoje lhe ordeno, para que tudo vá bem com você e com seus filhos depois de você, e para que prolongue seus dias na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá para sempre.
4:41 Então Moisés separou três cidades do outro lado do Jordão, em direção ao nascer do sol,
4:42 para que fugisse para lá o homicida que matasse seu próximo sem intenção, sem antes lhe ter tido ódio. Ao fugir para uma dessas cidades, ele continuaria vivo:
4:43 Bezer, no deserto, na região do planalto, para os rubenitas; Ramote, em Gileade, para os gaditas; e Golã, em Basã, para os manassitas.
4:44 Esta é a lei que Moisés colocou diante dos filhos de Israel.
4:45 Estes são os testemunhos, os estatutos e as normas que Moisés comunicou aos filhos de Israel quando saíram do Egito,
4:46 do outro lado do Jordão, no vale diante de Bete-Peor, na terra de Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom. Moisés e os filhos de Israel o derrotaram quando saíram do Egito,
4:47 e tomaram posse de sua terra e da terra de Ogue, rei de Basã, os dois reis dos amorreus que estavam do outro lado do Jordão, em direção ao nascer do sol,
4:48 desde Aroer, à margem do ribeiro de Arnom, até o monte Siom, que é o Hermom,
4:49 e de todo o Arabá do outro lado do Jordão, a leste, até o mar do Arabá, ao pé das encostas do Pisga.

Capítulo 5
5:1 Moisés convocou todo Israel e lhes disse: Ouça, Israel, os estatutos e as normas que hoje pronuncio aos ouvidos de vocês. Aprendam-nos e tenham o cuidado de cumpri-los.
5:2 O SENHOR, nosso Deus, fez uma aliança conosco em Horebe.
5:3 O SENHOR não fez esta aliança com nossos pais, mas conosco, todos nós que hoje estamos aqui vivos.
5:4 O SENHOR falou com vocês face a face no monte, do meio do fogo.
5:5 Naquele tempo, eu estava entre o SENHOR e vocês, para lhes anunciar a palavra do SENHOR, pois vocês tiveram medo do fogo e não subiram ao monte. Ele disse:
5:6 “Eu sou o SENHOR, seu Deus, que tirou você da terra do Egito, da casa da escravidão.
5:7 Não tenha outros deuses diante de mim.
5:8 Não faça para si imagem esculpida nem representação alguma do que há em cima no céu, embaixo na terra ou nas águas debaixo da terra.
5:9 Não se prostre diante delas nem as sirva, pois eu, o SENHOR, seu Deus, sou um Deus zeloso: castigo a iniquidade dos pais nos filhos, na terceira e na quarta geração dos que me odeiam,
5:10 e mostro misericórdia a milhares, aos que me amam e guardam seus mandamentos.
5:11 Não tome o nome do SENHOR, seu Deus, em vão, pois o SENHOR não deixará impune quem tomar seu nome em vão.
5:12 Guarde o dia de sábado para santificá-lo, como o SENHOR, seu Deus, lhe ordenou.
5:13 Trabalhe seis dias e faça todo o seu trabalho,
5:14 mas o sétimo dia é sábado dedicado ao SENHOR, seu Deus. Não faça trabalho algum, nem você, nem seu filho, nem sua filha, nem seu servo, nem sua serva, nem seu boi, nem seu jumento, nem qualquer animal seu, nem o estrangeiro que está dentro de suas portas, para que seu servo e sua serva descansem como você.
5:15 Lembre-se de que você foi escravo na terra do Egito e de que o SENHOR, seu Deus, o tirou de lá com mão poderosa e braço estendido. Por isso, o SENHOR, seu Deus, lhe ordenou guardar o dia de sábado.
5:16 Honre seu pai e sua mãe, como o SENHOR, seu Deus, lhe ordenou, para que seus dias se prolonguem e tudo vá bem com você na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá.
5:17 Não assassine.
5:18 Nem cometa adultério.
5:19 Nem furte.
5:20 Nem dê falso testemunho contra seu próximo.
5:21 Não cobice a mulher de seu próximo. Não deseje a casa de seu próximo, nem seu campo, nem seu servo, nem sua serva, nem seu boi, nem seu jumento, nem coisa alguma que pertença ao seu próximo”.
5:22 O SENHOR falou estas palavras a toda a assembleia de vocês no monte, do meio do fogo, da nuvem e das densas trevas, com voz forte, e nada acrescentou. Escreveu-as em duas tábuas de pedra e as deu a mim.
5:23 Quando vocês ouviram a voz do meio da escuridão, enquanto o monte ardia em fogo, todos os chefes de suas tribos e seus anciãos se aproximaram de mim
5:24 e disseram: “Veja, o SENHOR, nosso Deus, nos mostrou sua glória e sua grandeza, e ouvimos sua voz do meio do fogo. Hoje vimos que Deus fala com o ser humano e este continua vivo.
5:25 Agora, por que haveríamos de morrer? Pois este grande fogo nos consumirá. Se continuarmos a ouvir a voz do SENHOR, nosso Deus, morreremos.
5:26 Pois que mortal ouviu a voz do Deus vivo falando do meio do fogo, como nós ouvimos, e continuou vivo?
5:27 Aproxime-se você e ouça tudo o que o SENHOR, nosso Deus, disser. Depois diga a nós tudo o que o SENHOR, nosso Deus, lhe falar, e nós ouviremos e faremos”.
5:28 O SENHOR ouviu as palavras de vocês quando falavam comigo, e o SENHOR me disse: “Ouvi as palavras que este povo lhe dirigiu. Eles falaram bem em tudo o que disseram.
5:29 Quem dera tivessem um coração assim, para me temerem e guardarem todos os meus mandamentos, todos os dias, para que tudo fosse bem com eles e com seus filhos para sempre!
5:30 Vá e diga a eles: ‘Voltem às suas tendas’.
5:31 Mas você, fique aqui comigo, e eu lhe comunicarei todo o mandamento, os estatutos e as normas que lhes ensinará, para que os cumpram na terra que lhes dou para que tomem posse dela”.
5:32 Portanto, tenham o cuidado de fazer como o SENHOR, seu Deus, lhes ordenou. Não se desviem nem para a direita nem para a esquerda.
5:33 Andem por todo o caminho que o SENHOR, seu Deus, lhes ordenou, para que vivam, tudo vá bem com vocês e prolonguem seus dias na terra de que vão tomar posse.

Capítulo 6
6:1 Este é o mandamento, os estatutos e as normas que o SENHOR, seu Deus, ordenou que fossem ensinados a vocês, para que os cumpram na terra para a qual vão atravessar a fim de tomar posse dela,
6:2 para que você tema o SENHOR, seu Deus, guardando todos os seus estatutos e mandamentos que eu lhe ordeno, você, seu filho e o filho de seu filho, todos os dias de sua vida, e para que seus dias se prolonguem.
6:3 Ouça, Israel, e tenha o cuidado de cumpri-los, para que tudo vá bem com você e vocês se multipliquem muito na terra que mana leite e mel, como lhe prometeu o SENHOR, Deus de seus pais.
6:4 Ouça, Israel: o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR.
6:5 Ame o SENHOR, seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma e com todas as suas forças.
6:6 Estas palavras que hoje lhe ordeno estarão em seu coração.
6:7 Ensine-as com insistência aos seus filhos e fale delas quando estiver sentado em sua casa, quando andar pelo caminho, ao se deitar e ao se levantar.
6:8 Amarre-as como sinal em sua mão, e elas serão frontais entre seus olhos.
6:9 Escreva-as nos batentes de sua casa e em seus portões.
6:10 Quando o SENHOR, seu Deus, fizer você entrar na terra que jurou dar aos seus pais, Abraão, Isaque e Jacó, com cidades grandes e boas que você não construiu,
6:11 casas cheias de todo tipo de bens que você não encheu, cisternas escavadas que você não escavou, vinhas e oliveiras que você não plantou, e você comer e se fartar,
6:12 tenha cuidado para não se esquecer do SENHOR, que tirou você da terra do Egito, da casa da escravidão.
6:13 Tema o SENHOR, seu Deus, sirva a ele e jure pelo seu nome.
6:14 Não sigam outros deuses, os deuses dos povos que estão ao redor de vocês,
6:15 pois o SENHOR, seu Deus, que está no seu meio, é um Deus zeloso. Não aconteça que a ira do SENHOR, seu Deus, se acenda contra você e o destrua da face da terra.
6:16 Não ponham o SENHOR, seu Deus, à prova, como o puseram à prova em Massá.
6:17 Guardem com todo o cuidado os mandamentos do SENHOR, seu Deus, seus testemunhos e seus estatutos que ele lhe ordenou.
6:18 Faça o que é reto e bom aos olhos do SENHOR, para que tudo vá bem com você e entre e tome posse da boa terra que o SENHOR jurou aos seus pais,
6:19 para expulsar todos os seus inimigos de diante de você, como o SENHOR disse.
6:20 Quando, no futuro, seu filho lhe perguntar: “Que significam os testemunhos, os estatutos e as normas que o SENHOR, nosso Deus, ordenou a vocês?”,
6:21 responda ao seu filho: “Éramos escravos de Faraó no Egito, e o SENHOR nos tirou do Egito com mão poderosa.
6:22 O SENHOR fez sinais e prodígios grandes e terríveis contra o Egito, contra Faraó e contra toda a sua casa, diante dos nossos olhos.
6:23 Ele nos tirou de lá para nos fazer entrar e nos dar a terra que havia jurado aos nossos pais.
6:24 O SENHOR nos ordenou cumprir todos estes estatutos e temer o SENHOR, nosso Deus, para o nosso bem todos os dias e para nos conservar vivos, como hoje.
6:25 E será justiça para nós se tivermos o cuidado de cumprir todo este mandamento diante do SENHOR, nosso Deus, como ele nos ordenou”.

Capítulo 7
7:1 Quando o SENHOR, seu Deus, fizer você entrar na terra em que vai entrar para tomar posse dela e expulsar de diante de você muitas nações — os heteus, os girgaseus, os amorreus, os cananeus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus, sete nações mais numerosas e mais poderosas do que você —,
7:2 e o SENHOR, seu Deus, as entregar diante de você e você as derrotar, consagre-as completamente à destruição. Não faça aliança com elas nem lhes mostre favor.
7:3 Não se una a elas por casamento: não dê sua filha ao filho de um deles nem tome a filha dele para seu filho,
7:4 pois ele desviará seu filho de me seguir, e eles servirão a outros deuses. Então a ira do SENHOR se acenderá contra vocês e depressa destruirá você.
7:5 Mas é assim que vocês deverão fazer com elas: derrubem seus altares, quebrem suas colunas, cortem seus postes de Aserá e queimem no fogo suas imagens esculpidas.
7:6 Pois você é um povo santo para o SENHOR, seu Deus. O SENHOR, seu Deus, escolheu você para ser o povo de sua propriedade especial, dentre todos os povos que há na face da terra.
7:7 O SENHOR não se afeiçoou a vocês nem os escolheu por serem mais numerosos do que todos os povos, pois vocês são o povo menos numeroso de todos.
7:8 Mas, porque o SENHOR amou vocês e guardou o juramento que fez aos seus pais, o SENHOR os tirou com mão poderosa e resgatou você da casa da escravidão, das mãos de Faraó, rei do Egito.
7:9 Reconheça, pois, que o SENHOR, seu Deus, é Deus, o Deus fiel, que guarda a aliança e a misericórdia por mil gerações para com os que o amam e guardam seus mandamentos.
7:10 Mas retribui aos que o odeiam, em sua própria face, para destruí-los. Não demora em retribuir a quem o odeia; em sua própria face lhe retribui.
7:11 Portanto, guarde o mandamento, os estatutos e as normas que hoje lhe ordeno cumprir.
7:12 Se vocês ouvirem estas normas, as guardarem e as cumprirem, o SENHOR, seu Deus, guardará com você a aliança e a misericórdia que jurou aos seus pais.
7:13 Ele amará você, o abençoará e o multiplicará. Abençoará o fruto do seu ventre e o fruto da sua terra: seus cereais, seu vinho novo, seu azeite, as crias de suas vacas e as crias de seus rebanhos, na terra que jurou aos seus pais dar a você.
7:14 Você será mais abençoado do que todos os povos. Não haverá no seu meio homem nem mulher estéril, nem entre seus animais.
7:15 O SENHOR afastará de você toda doença. Não porá sobre você nenhuma das doenças terríveis do Egito que conheceu, mas as porá sobre todos os que o odeiam.
7:16 Você consumirá todos os povos que o SENHOR, seu Deus, lhe entregar; seu olho não terá compaixão deles. Não sirva aos deuses deles, pois isso será uma armadilha para você.
7:17 Se você disser em seu coração: “Estas nações são mais numerosas do que eu; como poderei desapossá-las?”,
7:18 não tenha medo delas. Lembre-se bem do que o SENHOR, seu Deus, fez a Faraó e a todo o Egito:
7:19 as grandes provas que seus olhos viram, os sinais e os prodígios, a mão poderosa e o braço estendido com que o SENHOR, seu Deus, tirou você de lá. Assim o SENHOR, seu Deus, fará com todos os povos de que você tem medo.
7:20 O SENHOR, seu Deus, também enviará vespões contra eles, até que pereçam os que restarem e os que se esconderem de você.
7:21 Não fique apavorado diante deles, pois o SENHOR, seu Deus, está no seu meio, Deus grande e temível.
7:22 O SENHOR, seu Deus, expulsará essas nações de diante de você pouco a pouco. Você não poderá acabar com elas depressa, para que os animais selvagens não se multipliquem contra você.
7:23 O SENHOR, seu Deus, as entregará diante de você e as lançará em grande confusão, até que sejam destruídas.
7:24 Entregará os reis delas em suas mãos, e você fará desaparecer o nome deles de debaixo do céu. Ninguém poderá resistir a você, até que os tenha destruído.
7:25 Queimem no fogo as imagens esculpidas dos deuses delas. Não cobice a prata nem o ouro que estão sobre elas, nem os tome para si, para que não caia numa armadilha por causa deles, pois isso é uma abominação para o SENHOR, seu Deus.
7:26 Não leve coisa abominável para sua casa, senão você será consagrado à destruição como ela. Deteste-a completamente e abomine-a completamente, pois está consagrada à destruição.

Capítulo 8
8:1 Tenham o cuidado de cumprir todo o mandamento que hoje lhe ordeno, para que vivam, se multipliquem, entrem e tomem posse da terra que o SENHOR jurou aos seus pais.
8:2 Lembre-se de todo o caminho pelo qual o SENHOR, seu Deus, guiou você nestes quarenta anos no deserto, para humilhá-lo, pô-lo à prova e saber o que estava em seu coração: se guardaria ou não seus mandamentos.
8:3 Ele humilhou você, deixou que passasse fome e o alimentou com o maná, que nem você nem seus pais conheciam, para lhe mostrar que o homem não viverá só de pão, mas de tudo o que sai da boca do SENHOR viverá o homem.
8:4 Sua roupa não se gastou sobre você, nem seu pé inchou nestes quarenta anos.
8:5 Reconheça em seu coração que, assim como um homem disciplina seu filho, o SENHOR, seu Deus, disciplina você.
8:6 Guarde os mandamentos do SENHOR, seu Deus, andando em seus caminhos e temendo-o.
8:7 Pois o SENHOR, seu Deus, faz você entrar numa boa terra: terra de ribeiros de água, de fontes e de águas profundas que brotam nos vales e nos montes;
8:8 terra de trigo e cevada, de vinhas, figueiras e romãzeiras; terra de oliveiras que dão azeite e de mel;
8:9 terra em que você não comerá pão com escassez e em que nada lhe faltará; terra cujas pedras são ferro e de cujos montes você extrairá cobre.
8:10 Você comerá e se fartará, e bendirá o SENHOR, seu Deus, pela boa terra que ele lhe deu.
8:11 Tenha cuidado para não se esquecer do SENHOR, seu Deus, deixando de guardar seus mandamentos, suas normas e seus estatutos que hoje lhe ordeno.
8:12 Não aconteça que você coma e se farte, construa boas casas e habite nelas,
8:13 que seu gado e seus rebanhos se multipliquem, que sua prata e seu ouro se multipliquem, e que tudo o que você tem se multiplique,
8:14 e seu coração se exalte e você se esqueça do SENHOR, seu Deus, que o tirou da terra do Egito, da casa da escravidão;
8:15 que o guiou pelo grande e temível deserto, com serpentes ardentes e escorpiões, um lugar de sede onde não havia água; que fez sair água para você da rocha de pederneira;
8:16 que o alimentou no deserto com o maná, que seus pais não conheciam, para humilhá-lo e pô-lo à prova, a fim de lhe fazer bem no final;
8:17 e você diga em seu coração: “Meu poder e a força da minha mão me conseguiram esta riqueza”.
8:18 Lembre-se do SENHOR, seu Deus, pois é ele quem lhe dá força para adquirir riqueza, a fim de confirmar a aliança que jurou aos seus pais, como se vê hoje.
8:19 Mas, se você de fato se esquecer do SENHOR, seu Deus, seguir outros deuses, servi-los e se prostrar diante deles, hoje dou testemunho contra vocês de que certamente perecerão.
8:20 Como as nações que o SENHOR faz perecer diante de vocês, assim vocês perecerão, por não obedecerem à voz do SENHOR, seu Deus.

Capítulo 9
9:1 Ouça, Israel: hoje você vai atravessar o Jordão para entrar e desapossar nações maiores e mais poderosas do que você, com cidades grandes e fortificadas até o céu;
9:2 um povo grande e alto, os descendentes de Anaque, que você conhece e de quem ouviu dizer: “Quem poderá resistir aos descendentes de Anaque?”
9:3 Reconheça hoje que o SENHOR, seu Deus, é quem atravessa à sua frente. Ele é fogo consumidor; ele os destruirá e os subjugará diante de você, e você os desapossará e os fará perecer depressa, como o SENHOR lhe disse.
9:4 Quando o SENHOR, seu Deus, os expulsar de diante de você, não diga em seu coração: “Foi por minha justiça que o SENHOR me fez entrar para tomar posse desta terra”. É por causa da maldade dessas nações que o SENHOR as expulsa de diante de você.
9:5 Não é por sua justiça nem pela retidão do seu coração que você entra para tomar posse da terra delas. É por causa da maldade dessas nações que o SENHOR, seu Deus, as expulsa de diante de você, e para confirmar a palavra que o SENHOR jurou aos seus pais, Abraão, Isaque e Jacó.
9:6 Reconheça, pois, que não é por sua justiça que o SENHOR, seu Deus, lhe dá esta boa terra para tomar posse dela, pois você é um povo de dura cerviz.
9:7 Lembre-se e não se esqueça de como você provocou a ira do SENHOR, seu Deus, no deserto. Desde o dia em que saiu da terra do Egito até vocês chegarem a este lugar, vocês têm sido rebeldes contra o SENHOR.
9:8 Em Horebe vocês provocaram a ira do SENHOR, e o SENHOR se indignou contra vocês a ponto de querer destruí-los.
9:9 Quando subi ao monte para receber as tábuas de pedra, as tábuas da aliança que o SENHOR havia feito com vocês, permaneci no monte quarenta dias e quarenta noites. Não comi pão nem bebi água.
9:10 O SENHOR me deu as duas tábuas de pedra, escritas com o dedo de Deus. Nelas estavam todas as palavras que o SENHOR havia falado a vocês no monte, do meio do fogo, no dia da assembleia.
9:11 Ao fim dos quarenta dias e quarenta noites, o SENHOR me deu as duas tábuas de pedra, as tábuas da aliança.
9:12 O SENHOR me disse: “Levante-se, desça depressa daqui, pois seu povo, que você tirou do Egito, se corrompeu. Depressa se desviaram do caminho que lhes ordenei; fizeram para si uma imagem de metal fundido”.
9:13 O SENHOR me disse: “Vi este povo, e ele é um povo de dura cerviz.
9:14 Deixe-me, para que eu os destrua e apague seu nome de debaixo do céu. Farei de você uma nação mais poderosa e mais numerosa do que eles”.
9:15 Então me virei e desci do monte, que ardia em fogo. Eu levava as duas tábuas da aliança nas minhas duas mãos.
9:16 Vi que vocês haviam pecado contra o SENHOR, seu Deus: tinham feito para si um bezerro de metal fundido. Depressa se haviam desviado do caminho que o SENHOR lhes ordenara.
9:17 Peguei as duas tábuas, atirei-as das minhas duas mãos e as quebrei diante dos seus olhos.
9:18 Prostrei-me diante do SENHOR, como antes, quarenta dias e quarenta noites. Não comi pão nem bebi água, por causa de todo o pecado que vocês haviam cometido, fazendo o que era mau aos olhos do SENHOR para provocá-lo à ira.
9:19 Pois temi a ira e o furor com que o SENHOR se havia indignado contra vocês a ponto de querer destruí-los. Mas o SENHOR me ouviu também daquela vez.
9:20 O SENHOR se indignou muito contra Arão, a ponto de querer destruí-lo. Naquele tempo, orei também por Arão.
9:21 Tomei o objeto do pecado de vocês, o bezerro que haviam feito, e o queimei no fogo. Triturei-o, moendo-o bem até reduzi-lo a pó, e joguei seu pó no ribeiro que descia do monte.
9:22 Também em Taberá, em Massá e em Quibrote-Hataavá vocês provocaram a ira do SENHOR.
9:23 Quando o SENHOR os enviou de Cades-Barneia, dizendo: “Subam e tomem posse da terra que lhes dei”, vocês se rebelaram contra a ordem do SENHOR, seu Deus, não creram nele nem obedeceram à sua voz.
9:24 Vocês têm sido rebeldes contra o SENHOR desde o dia em que os conheci.
9:25 Prostrei-me diante do SENHOR durante aqueles quarenta dias e quarenta noites em que fiquei prostrado, pois o SENHOR havia dito que destruiria vocês.
9:26 Orei ao SENHOR e disse: “Senhor DEUS, não destruas teu povo e tua herança, que resgataste com tua grandeza e tiraste do Egito com mão poderosa.
9:27 Lembra-te dos teus servos Abraão, Isaque e Jacó. Não olhes para a obstinação deste povo, nem para sua maldade, nem para seu pecado,
9:28 para que os da terra de onde nos tiraste não digam: ‘Por não ter podido fazê-los entrar na terra que lhes havia prometido e por odiá-los, o SENHOR os tirou de lá para fazê-los morrer no deserto’.
9:29 Mas eles são teu povo e tua herança, que tiraste com teu grande poder e com teu braço estendido”.

Capítulo 10
10:1 Naquele tempo, o SENHOR me disse: “Talhe duas tábuas de pedra como as primeiras, suba até mim ao monte e faça uma arca de madeira.
10:2 Escreverei nas tábuas as palavras que estavam nas primeiras tábuas que você quebrou, e você as colocará na arca”.
10:3 Então fiz uma arca de madeira de acácia, talhei duas tábuas de pedra como as primeiras e subi ao monte com as duas tábuas na minha mão.
10:4 O SENHOR escreveu nas tábuas o mesmo que havia escrito antes: os dez mandamentos que o SENHOR havia falado a vocês no monte, do meio do fogo, no dia da assembleia. E o SENHOR as entregou a mim.
10:5 Então me virei, desci do monte e coloquei as tábuas na arca que havia feito. Ali ficaram, como o SENHOR me ordenara.
10:6 (Os filhos de Israel partiram de Beerote-Benê-Jaacã para Mosera. Ali Arão morreu e ali foi sepultado, e seu filho Eleazar exerceu o sacerdócio em seu lugar.
10:7 De lá partiram para Gudgoda, e de Gudgoda para Jotbatá, terra de ribeiros de água.
10:8 Naquele tempo, o SENHOR separou a tribo de Levi para carregar a arca da aliança do SENHOR, estar diante do SENHOR para servi-lo e abençoar em seu nome, até o dia de hoje.
10:9 Por isso, Levi não teve parte nem herança com seus irmãos. O SENHOR é sua herança, como o SENHOR, seu Deus, lhe disse.)
10:10 Eu permaneci no monte, como nos primeiros dias, quarenta dias e quarenta noites. O SENHOR me ouviu também daquela vez; o SENHOR não quis destruir você.
10:11 O SENHOR me disse: “Levante-se, ponha-se a caminho à frente do povo, para que entrem e tomem posse da terra que jurei aos pais deles dar a eles”.
10:12 Agora, Israel, o que o SENHOR, seu Deus, pede de você, senão que tema o SENHOR, seu Deus, ande em todos os seus caminhos, o ame e sirva ao SENHOR, seu Deus, com todo o seu coração e com toda a sua alma,
10:13 e guarde os mandamentos do SENHOR e seus estatutos que hoje lhe ordeno para o seu bem?
10:14 Veja, ao SENHOR, seu Deus, pertencem o céu e os céus dos céus, a terra e tudo o que nela há.
10:15 Mas o SENHOR se afeiçoou aos seus pais para amá-los e escolheu a descendência deles depois deles, vocês, dentre todos os povos, como se vê hoje.
10:16 Portanto, circuncidem o prepúcio do seu coração e não endureçam mais sua cerviz.
10:17 Pois o SENHOR, seu Deus, é o Deus dos deuses e o Senhor dos senhores, o Deus grande, poderoso e temível, que não faz acepção de pessoas nem aceita suborno.
10:18 Ele faz justiça ao órfão e à viúva e ama o estrangeiro, dando-lhe pão e roupa.
10:19 Amem, pois, o estrangeiro, porque vocês foram estrangeiros na terra do Egito.
10:20 Tema o SENHOR, seu Deus; sirva a ele, apegue-se a ele e jure pelo seu nome.
10:21 Ele é o seu louvor e o seu Deus, que fez por você estas coisas grandes e temíveis que seus olhos viram.
10:22 Seus pais desceram ao Egito em número de setenta pessoas, e agora o SENHOR, seu Deus, fez você tão numeroso como as estrelas do céu.

Capítulo 11
11:1 Ame o SENHOR, seu Deus, e guarde o que ele lhe confiou, seus estatutos, suas normas e seus mandamentos, todos os dias.
11:2 Reconheçam hoje que não falo aos seus filhos, que não conheceram nem viram a disciplina do SENHOR, seu Deus, sua grandeza, sua mão poderosa e seu braço estendido;
11:3 seus sinais e suas obras, que fez no meio do Egito, contra Faraó, rei do Egito, e contra toda a sua terra;
11:4 o que fez ao exército do Egito, aos seus cavalos e carros, quando fez as águas do mar Vermelho transbordarem sobre eles enquanto perseguiam vocês, e o SENHOR os destruiu até o dia de hoje;
11:5 o que fez por vocês no deserto até chegarem a este lugar;
11:6 e o que fez a Datã e Abirão, filhos de Eliabe, filho de Rúben, quando a terra abriu sua boca e os engoliu, com suas famílias, suas tendas e todos os seres vivos que lhes pertenciam, no meio de todo Israel.
11:7 Pois foram os olhos de vocês que viram toda a grande obra que o SENHOR fez.
11:8 Guardem todo o mandamento que hoje lhe ordeno, para que sejam fortes, entrem e tomem posse da terra para a qual vão atravessar a fim de tomar posse dela,
11:9 e para que prolonguem seus dias na terra que o SENHOR jurou dar aos seus pais e à descendência deles, terra que mana leite e mel.
11:10 Pois a terra em que você vai entrar para tomar posse dela não é como a terra do Egito, de onde vocês saíram, onde você semeava sua semente e a regava com seu pé, como uma horta.
11:11 A terra para a qual vocês vão atravessar a fim de tomar posse dela é terra de montes e vales, que bebe água da chuva do céu;
11:12 terra de que o SENHOR, seu Deus, cuida. Os olhos do SENHOR, seu Deus, estão sempre sobre ela, desde o início até o fim do ano.
11:13 Se vocês ouvirem atentamente meus mandamentos que hoje lhes ordeno, amando o SENHOR, seu Deus, e servindo-o com todo o seu coração e com toda a sua alma,
11:14 darei à terra de vocês a chuva no tempo certo, as primeiras e as últimas chuvas, e você recolherá seus cereais, seu vinho novo e seu azeite.
11:15 Darei pasto em seu campo para seus animais, e você comerá e se fartará.
11:16 Tenham cuidado para que seu coração não seja enganado e vocês se desviem, sirvam a outros deuses e se prostrem diante deles,
11:17 e a ira do SENHOR se acenda contra vocês, e ele feche o céu, não haja chuva, a terra não dê sua colheita e vocês desapareçam depressa da boa terra que o SENHOR lhes dá.
11:18 Ponham estas minhas palavras em seu coração e em sua alma. Amarrem-nas como sinal em sua mão, e elas serão frontais entre seus olhos.
11:19 Ensinem-nas aos seus filhos, falando delas quando você estiver sentado em sua casa, quando andar pelo caminho, ao se deitar e ao se levantar.
11:20 Escreva-as nos batentes de sua casa e em seus portões,
11:21 para que se multipliquem os dias de vocês e os dias de seus filhos na terra que o SENHOR jurou dar aos seus pais, como os dias dos céus sobre a terra.
11:22 Pois, se guardarem com todo o cuidado este mandamento que lhes ordeno cumprir, amando o SENHOR, seu Deus, andando em todos os seus caminhos e se apegando a ele,
11:23 o SENHOR expulsará de diante de vocês todas estas nações, e vocês desapossarão nações maiores e mais poderosas do que vocês.
11:24 Todo lugar que a planta do seu pé pisar será de vocês. Sua fronteira se estenderá desde o deserto e o Líbano, desde o rio, o rio Eufrates, até o mar ocidental.
11:25 Ninguém poderá resistir a vocês. O SENHOR, seu Deus, porá o medo e o pavor de vocês sobre toda a terra que pisarem, como lhes disse.
11:26 Veja, hoje coloco diante de vocês bênção e maldição:
11:27 a bênção, se ouvirem os mandamentos do SENHOR, seu Deus, que hoje lhes ordeno;
11:28 e a maldição, se não ouvirem os mandamentos do SENHOR, seu Deus, e se desviarem do caminho que hoje lhes ordeno, para seguir outros deuses que não conheceram.
11:29 Quando o SENHOR, seu Deus, fizer você entrar na terra em que vai entrar para tomar posse dela, ponha a bênção sobre o monte Gerizim e a maldição sobre o monte Ebal.
11:30 Não estão eles do outro lado do Jordão, além do caminho em direção ao pôr do sol, na terra dos cananeus que habitam no Arabá, diante de Gilgal, junto aos carvalhos de Moré?
11:31 Pois vocês vão atravessar o Jordão para entrar e tomar posse da terra que o SENHOR, seu Deus, lhes dá. Tomarão posse dela e nela habitarão.
11:32 Tenham o cuidado de cumprir todos os estatutos e as normas que hoje coloco diante de vocês.

Capítulo 12
12:1 Estes são os estatutos e as normas que vocês terão o cuidado de cumprir na terra que o SENHOR, Deus de seus pais, lhe deu para tomar posse dela, todos os dias em que viverem sobre a terra.
12:2 Destruam por completo todos os lugares onde as nações que vão desapossar serviram aos seus deuses: sobre os montes altos, sobre as colinas e debaixo de toda árvore frondosa.
12:3 Derrubem seus altares, quebrem suas colunas, queimem no fogo seus postes de Aserá, cortem as imagens esculpidas de seus deuses e façam desaparecer o nome deles daquele lugar.
12:4 Não façam assim com o SENHOR, seu Deus.
12:5 Busquem, porém, sua morada no lugar que o SENHOR, seu Deus, escolher dentre todas as tribos de vocês para ali pôr seu nome, e vá até lá.
12:6 Levem para lá seus holocaustos, seus sacrifícios, seus dízimos, a oferta elevada de suas mãos, as ofertas de seus votos, suas ofertas voluntárias e os primogênitos de seu gado e de seus rebanhos.
12:7 Ali vocês comerão diante do SENHOR, seu Deus, e se alegrarão, vocês e suas famílias, por todo o trabalho de suas mãos em que o SENHOR, seu Deus, o tiver abençoado.
12:8 Não façam como tudo o que fazemos aqui hoje, cada um o que parece certo aos seus próprios olhos,
12:9 pois ainda não chegaram ao descanso nem à herança que o SENHOR, seu Deus, lhe dá.
12:10 Vocês atravessarão o Jordão e habitarão na terra que o SENHOR, seu Deus, lhes dá como herança. Ele lhes dará descanso de todos os inimigos ao redor, e vocês habitarão em segurança.
12:11 Ao lugar que o SENHOR, seu Deus, escolher para ali fazer habitar seu nome, levem tudo o que lhes ordeno: seus holocaustos, seus sacrifícios, seus dízimos, a oferta elevada de suas mãos e o melhor de todas as ofertas dos votos que fizerem ao SENHOR.
12:12 Alegrem-se diante do SENHOR, seu Deus, vocês, seus filhos, suas filhas, seus servos, suas servas e o levita que está dentro de suas portas, pois ele não tem parte nem herança com vocês.
12:13 Tenha cuidado para não oferecer seus holocaustos em qualquer lugar que vir,
12:14 mas somente no lugar que o SENHOR escolher numa de suas tribos. Ali ofereça seus holocaustos e ali faça tudo o que lhe ordeno.
12:15 No entanto, você poderá abater animais e comer carne em todas as suas cidades, conforme todo o seu desejo e a bênção que o SENHOR, seu Deus, lhe deu. Tanto o impuro como o puro poderão comer dela, como se come a gazela e o cervo.
12:16 Apenas não comam o sangue; derrame-o sobre a terra como água.
12:17 Você não poderá comer em suas cidades o dízimo de seus cereais, de seu vinho novo e de seu azeite, nem os primogênitos de seu gado e de seus rebanhos, nem qualquer oferta dos votos que fizer, nem suas ofertas voluntárias, nem a oferta elevada de sua mão.
12:18 Mas deverá comer diante do SENHOR, seu Deus, no lugar que o SENHOR, seu Deus, escolher, você, seu filho, sua filha, seu servo, sua serva e o levita que está dentro de suas portas. Você se alegrará diante do SENHOR, seu Deus, por todo o trabalho de suas mãos.
12:19 Tenha cuidado para não abandonar o levita durante todos os seus dias em sua terra.
12:20 Quando o SENHOR, seu Deus, ampliar seu território, como lhe disse, e você disser: “Quero comer carne”, porque tem desejo de comer carne, poderá comer carne conforme todo o seu desejo.
12:21 Se o lugar que o SENHOR, seu Deus, escolher para ali pôr seu nome ficar longe de você, poderá abater animais de seu gado e de seus rebanhos que o SENHOR lhe deu, como lhe ordenei, e comer em suas cidades conforme todo o seu desejo.
12:22 Você comerá dela como se come a gazela e o cervo; o impuro e o puro comerão dela juntos.
12:23 Apenas mantenha-se firme em não comer o sangue, pois o sangue é a vida, e você não comerá a vida com a carne.
12:24 Não o coma; derrame-o sobre a terra como água.
12:25 Não o coma, para que tudo vá bem com você e com seus filhos depois de você, por fazer o que é reto aos olhos do SENHOR.
12:26 Mas leve as coisas consagradas que tiver e as ofertas dos seus votos ao lugar que o SENHOR escolher.
12:27 Ofereça seus holocaustos, a carne e o sangue, sobre o altar do SENHOR, seu Deus. O sangue de seus sacrifícios será derramado sobre o altar do SENHOR, seu Deus, e você comerá a carne.
12:28 Guarde e ouça todas estas palavras que lhe ordeno, para que tudo vá bem com você e com seus filhos depois de você, para sempre, por fazer o que é bom e reto aos olhos do SENHOR, seu Deus.
12:29 Quando o SENHOR, seu Deus, eliminar de diante de você as nações que vai desapossar, e você as desapossar e habitar na terra delas,
12:30 tenha cuidado para não cair na armadilha de segui-las depois de terem sido destruídas diante de você. Não procure saber sobre seus deuses, dizendo: “Como estas nações serviam aos seus deuses? Eu também farei assim”.
12:31 Não faça assim com o SENHOR, seu Deus, pois elas fizeram para seus deuses tudo o que é abominável ao SENHOR, tudo o que ele odeia. Até seus filhos e suas filhas queimam no fogo para seus deuses.
12:32 Tenham o cuidado de cumprir tudo o que lhes ordeno. Não acrescente nada a isso nem tire nada disso.

Capítulo 13
13:1 Se surgir no seu meio um profeta ou um sonhador de sonhos e lhe anunciar um sinal ou um prodígio,
13:2 e se cumprirem o sinal e o prodígio que lhe anunciou, dizendo: “Vamos seguir outros deuses, que você não conheceu, e servi-los”,
13:3 não ouça as palavras daquele profeta nem daquele sonhador de sonhos, pois o SENHOR, seu Deus, está pondo vocês à prova, para saber se amam o SENHOR, seu Deus, com todo o seu coração e com toda a sua alma.
13:4 Sigam o SENHOR, seu Deus, e temam a ele. Guardem seus mandamentos, obedeçam à sua voz, sirvam a ele e apeguem-se a ele.
13:5 Aquele profeta ou aquele sonhador de sonhos será morto, pois pregou rebelião contra o SENHOR, seu Deus, que tirou vocês da terra do Egito e resgatou você da casa da escravidão, para desviá-lo do caminho em que o SENHOR, seu Deus, lhe ordenou andar. Assim, elimine o mal do seu meio.
13:6 Se seu irmão, filho de sua mãe, seu filho, sua filha, sua esposa, que você acolhe ao peito, ou seu amigo, que é como sua própria alma, o incitar em segredo, dizendo: “Vamos servir a outros deuses”, que nem você nem seus pais conheceram,
13:7 dentre os deuses dos povos que estão ao redor de vocês, perto ou longe de você, de uma extremidade da terra à outra,
13:8 não concorde com ele nem o ouça. Seu olho não terá compaixão dele; não tenha piedade dele nem o encubra,
13:9 mas certamente o mate. Sua mão será a primeira contra ele para matá-lo, e depois a mão de todo o povo.
13:10 Apedreje-o até que morra, pois procurou desviar você do SENHOR, seu Deus, que o tirou da terra do Egito, da casa da escravidão.
13:11 Todo Israel ouvirá e temerá, e não tornará a fazer semelhante mal no seu meio.
13:12 Se você ouvir dizer a respeito de uma das cidades que o SENHOR, seu Deus, lhe dá para habitar:
13:13 “Homens perversos saíram do seu meio e desviaram os habitantes de sua cidade, dizendo: ‘Vamos servir a outros deuses’, que vocês não conheceram”,
13:14 investigue, examine e pergunte com todo o cuidado. Se for verdade e estiver confirmado que essa abominação foi cometida no seu meio,
13:15 certamente mate os habitantes daquela cidade ao fio da espada. Consagre à destruição a cidade, tudo o que nela houver e seus animais, ao fio da espada.
13:16 Reúna todo o seu despojo no meio da praça e queime no fogo a cidade e todo o seu despojo, inteiramente para o SENHOR, seu Deus. Ela será um monte de ruínas para sempre; nunca mais será reconstruída.
13:17 Não fique em sua mão nada do que foi consagrado à destruição, para que o SENHOR se afaste do ardor de sua ira, lhe conceda compaixão, se compadeça de você e o multiplique, como jurou aos seus pais,
13:18 quando você obedecer à voz do SENHOR, seu Deus, guardando todos os seus mandamentos que hoje lhe ordeno, para fazer o que é reto aos olhos do SENHOR, seu Deus.

Capítulo 14
14:1 Vocês são filhos do SENHOR, seu Deus. Não façam cortes no corpo nem raspem a região entre os olhos por causa de um morto.
14:2 Pois você é um povo santo para o SENHOR, seu Deus. O SENHOR escolheu você para ser o povo de sua propriedade especial, dentre todos os povos que há na face da terra.
14:3 Não coma coisa alguma abominável.
14:4 Estes são os animais que vocês poderão comer: o boi, a ovelha e a cabra;
14:5 o cervo, a gazela, o corço, a cabra montês, o íbex, o antílope e o carneiro montês.
14:6 Dentre os animais, vocês poderão comer todo animal que tenha casco fendido, dividido em duas partes, e que rumine.
14:7 Mas, dentre os que ruminam ou têm casco fendido, não comam estes: o camelo, a lebre e o damão, pois ruminam, mas não têm casco fendido; são impuros para vocês.
14:8 Também não comam o porco, pois tem casco fendido, mas não rumina; é impuro para vocês. Não comam a carne desses animais nem toquem em seus cadáveres.
14:9 De tudo o que há nas águas, vocês poderão comer o seguinte: tudo o que tiver barbatanas e escamas poderão comer.
14:10 Mas tudo o que não tiver barbatanas e escamas vocês não comerão; é impuro para vocês.
14:11 Vocês poderão comer toda ave pura.
14:12 Mas estas são as que não comerão: a águia, o quebra-ossos e o abutre;
14:13 o açor, o falcão e o milhafre, segundo sua espécie;
14:14 todo corvo, segundo sua espécie;
14:15 o avestruz, o mocho, a gaivota e o gavião, segundo sua espécie;
14:16 a corujinha, o corujão e a coruja-branca;
14:17 o pelicano, o abutre-do-egito e o corvo-marinho;
14:18 a cegonha, a garça, segundo sua espécie, a poupa e o morcego.
14:19 Todo pequeno animal alado é impuro para vocês; não será comido.
14:20 Vocês poderão comer todo ser alado puro.
14:21 Não comam nenhum animal encontrado morto. Você poderá dá-lo ao estrangeiro que mora dentro de suas portas, para que o coma, ou vendê-lo a um estrangeiro, pois você é um povo santo para o SENHOR, seu Deus. Não cozinhe o cabrito no leite de sua mãe.
14:22 Separe sem falta o dízimo de toda a produção da semente que seu campo der, ano após ano.
14:23 Coma diante do SENHOR, seu Deus, no lugar que ele escolher para ali fazer habitar seu nome, o dízimo de seus cereais, de seu vinho novo e de seu azeite, e os primogênitos de seu gado e de seus rebanhos, para que aprenda a temer o SENHOR, seu Deus, todos os dias.
14:24 Se o caminho for longo demais para você levar tudo isso, porque o lugar que o SENHOR, seu Deus, escolher para ali pôr seu nome fica longe de você, quando o SENHOR, seu Deus, o abençoar,
14:25 troque isso por dinheiro, amarre o dinheiro em sua mão e vá ao lugar que o SENHOR, seu Deus, escolher.
14:26 Gaste o dinheiro em tudo o que sua alma desejar: gado, rebanhos, vinho, bebidas embriagantes e tudo o que sua alma pedir. Ali coma diante do SENHOR, seu Deus, e alegre-se, você e sua família.
14:27 Não abandone o levita que está dentro de suas portas, pois ele não tem parte nem herança com você.
14:28 Ao fim de cada três anos, retire todo o dízimo da produção daquele ano e o deposite em suas cidades.
14:29 Então virão o levita, que não tem parte nem herança com você, o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro de suas portas, e comerão e se fartarão, para que o SENHOR, seu Deus, abençoe você em todo o trabalho de suas mãos que fizer.

Capítulo 15
15:1 Ao fim de cada sete anos, faça remissão das dívidas.
15:2 Esta é a disposição da remissão: todo credor perdoará o empréstimo que fez com sua mão ao próximo. Não exigirá pagamento de seu próximo nem de seu irmão, pois foi proclamada a remissão para o SENHOR.
15:3 Do estrangeiro você poderá exigir o pagamento, mas sua mão perdoará o que seu irmão lhe dever.
15:4 No entanto, não haverá pobre no seu meio, pois o SENHOR certamente abençoará você na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá como herança para tomar posse dela,
15:5 somente se você ouvir atentamente a voz do SENHOR, seu Deus, tendo o cuidado de cumprir todo este mandamento que hoje lhe ordeno.
15:6 Pois o SENHOR, seu Deus, o terá abençoado, como lhe disse. Você emprestará a muitas nações, mas não tomará emprestado; dominará muitas nações, mas elas não dominarão você.
15:7 Se houver no seu meio algum pobre, um de seus irmãos, em alguma de suas cidades, na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá, não endureça seu coração nem feche sua mão ao seu irmão pobre.
15:8 Pelo contrário, abra bem sua mão para ele e empreste-lhe sem falta o suficiente para a sua necessidade, para aquilo que lhe faltar.
15:9 Tenha cuidado para que não haja em seu coração um pensamento perverso, dizendo: “O sétimo ano, o ano da remissão, está próximo”, e você olhe com maus olhos para seu irmão pobre e não lhe dê nada. Ele clamará ao SENHOR contra você, e você será culpado de pecado.
15:10 Dê-lhe generosamente, e seu coração não fique contrariado ao lhe dar, pois por isso o SENHOR, seu Deus, abençoará você em toda a sua obra e em tudo o que sua mão empreender.
15:11 Pois nunca deixará de haver pobre na terra. Por isso, eu lhe ordeno: “Abra bem sua mão para seu irmão, para o necessitado e para o pobre de sua terra”.
15:12 Se um irmão seu, hebreu ou hebreia, for vendido a você e o servir durante seis anos, no sétimo ano deixe-o sair livre.
15:13 Quando o deixar sair livre, não o mande de mãos vazias.
15:14 Abasteça-o generosamente com o que vem do seu rebanho, da sua eira e do seu lagar. Dê-lhe daquilo com que o SENHOR, seu Deus, abençoou você.
15:15 Lembre-se de que você foi escravo na terra do Egito e de que o SENHOR, seu Deus, o resgatou. Por isso, hoje lhe ordeno isto.
15:16 Mas, se ele lhe disser: “Não sairei de junto de você”, porque ama você e sua família e está bem com você,
15:17 pegue uma sovela e fure a orelha dele contra a porta, e ele será seu escravo para sempre. Faça o mesmo com sua escrava.
15:18 Não lhe pareça difícil deixá-lo sair livre, pois durante seis anos ele lhe prestou um serviço que vale o dobro do salário de um trabalhador contratado. O SENHOR, seu Deus, abençoará você em tudo o que fizer.
15:19 Consagre ao SENHOR, seu Deus, todo primogênito macho que nascer de seu gado e de seus rebanhos. Não faça trabalhar o primogênito de seu gado nem tosquie o primogênito de seus rebanhos.
15:20 Coma dele, ano após ano, diante do SENHOR, seu Deus, no lugar que o SENHOR escolher, você e sua família.
15:21 Mas, se ele tiver algum defeito, se for manco ou cego, ou tiver qualquer defeito grave, não o sacrifique ao SENHOR, seu Deus.
15:22 Coma dele em suas cidades; o impuro e o puro comerão juntos, como se come a gazela e o cervo.
15:23 Apenas não coma seu sangue; derrame-o sobre a terra como água.

Capítulo 16
16:1 Observe o mês de Abibe e celebre a Páscoa ao SENHOR, seu Deus, pois no mês de Abibe o SENHOR, seu Deus, tirou você do Egito, de noite.
16:2 Sacrifique a Páscoa ao SENHOR, seu Deus, com animais dos rebanhos e do gado bovino, no lugar que o SENHOR escolher para ali fazer habitar seu nome.
16:3 Não coma com ela pão fermentado. Durante sete dias, coma com ela pães sem fermento, pão de aflição, pois você saiu da terra do Egito às pressas, para que se lembre do dia de sua saída da terra do Egito todos os dias de sua vida.
16:4 Não se verá fermento em todo o seu território durante sete dias, e nada da carne que você sacrificar ao entardecer do primeiro dia ficará até a manhã.
16:5 Você não poderá sacrificar a Páscoa em nenhuma das cidades que o SENHOR, seu Deus, lhe dá,
16:6 mas somente no lugar que o SENHOR, seu Deus, escolher para ali fazer habitar seu nome. Ali sacrifique a Páscoa ao entardecer, ao pôr do sol, no tempo de sua saída do Egito.
16:7 Cozinhe-a e coma-a no lugar que o SENHOR, seu Deus, escolher. Pela manhã, volte e vá para suas tendas.
16:8 Durante seis dias, coma pães sem fermento, e no sétimo dia haverá assembleia solene para o SENHOR, seu Deus. Não faça trabalho algum.
16:9 Conte sete semanas. Desde que se começar a passar a foice na plantação, comece a contar sete semanas.
16:10 Celebre a Festa das Semanas ao SENHOR, seu Deus, com a oferta voluntária de sua mão, que dará conforme a bênção com que o SENHOR, seu Deus, o abençoar.
16:11 Alegre-se diante do SENHOR, seu Deus, você, seu filho, sua filha, seu servo, sua serva, o levita que está dentro de suas portas, e o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão no seu meio, no lugar que o SENHOR, seu Deus, escolher para ali fazer habitar seu nome.
16:12 Lembre-se de que você foi escravo no Egito; guarde e cumpra estes estatutos.
16:13 Celebre a Festa das Cabanas durante sete dias, quando recolher o produto de sua eira e de seu lagar.
16:14 Alegre-se em sua festa, você, seu filho, sua filha, seu servo, sua serva, o levita, o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro de suas portas.
16:15 Durante sete dias, celebre a festa ao SENHOR, seu Deus, no lugar que o SENHOR escolher, pois o SENHOR, seu Deus, abençoará você em toda a sua colheita e em todo o trabalho de suas mãos, e sua alegria será completa.
16:16 Três vezes por ano, todos os homens dentre vocês se apresentarão diante do SENHOR, seu Deus, no lugar que ele escolher: na Festa dos Pães sem Fermento, na Festa das Semanas e na Festa das Cabanas. Não se apresentarão diante do SENHOR de mãos vazias;
16:17 cada um dará conforme o que sua mão puder oferecer, segundo a bênção que o SENHOR, seu Deus, lhe deu.
16:18 Nomeie juízes e oficiais em todas as cidades que o SENHOR, seu Deus, lhe dá, segundo suas tribos, para que julguem o povo com justiça.
16:19 Não torça o direito, não faça acepção de pessoas nem aceite suborno, pois o suborno cega os olhos dos sábios e perverte as palavras dos justos.
16:20 Justiça, justiça você buscará, para que viva e tome posse da terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá.
16:21 Não plante para si um poste de Aserá de qualquer madeira junto ao altar do SENHOR, seu Deus, que fizer para si.
16:22 Nem erga para si uma coluna de culto, coisa que o SENHOR, seu Deus, odeia.

Capítulo 17
17:1 Não sacrifique ao SENHOR, seu Deus, boi nem animal de rebanho que tenha defeito ou qualquer coisa má, pois isso é uma abominação para o SENHOR, seu Deus.
17:2 Se for encontrado no seu meio, em alguma das cidades que o SENHOR, seu Deus, lhe dá, um homem ou uma mulher que faça o que é mau aos olhos do SENHOR, seu Deus, transgredindo sua aliança,
17:3 e vá servir a outros deuses e se prostre diante deles, diante do sol, da lua ou de todo o exército do céu, coisa que eu não ordenei,
17:4 e isso lhe for contado e você o ouvir, investigue com todo o cuidado. Se for verdade e estiver confirmado que essa abominação foi cometida em Israel,
17:5 leve às suas portas aquele homem ou aquela mulher que cometeram essa maldade, o homem ou a mulher, e os apedreje até que morram.
17:6 Pelo depoimento de duas testemunhas ou de três testemunhas será morto o condenado à morte. Ele não será morto pelo depoimento de uma só testemunha.
17:7 A mão das testemunhas será a primeira contra ele para matá-lo, e depois a mão de todo o povo. Assim, elimine o mal do seu meio.
17:8 Se uma questão de julgamento for difícil demais para você — entre um caso de derramamento de sangue e outro, entre uma causa e outra ou entre uma ferida e outra, questões de disputa em suas cidades —, levante-se e suba ao lugar que o SENHOR, seu Deus, escolher.
17:9 Vá aos sacerdotes levitas e ao juiz que houver naqueles dias. Consulte-os, e eles lhe comunicarão a decisão do julgamento.
17:10 Faça conforme a decisão que lhe comunicarem daquele lugar que o SENHOR escolher, e tenha o cuidado de fazer tudo o que lhe ensinarem.
17:11 Aja de acordo com a instrução que lhe ensinarem e com a sentença que lhe derem. Não se desvie, nem para a direita nem para a esquerda, da decisão que lhe comunicarem.
17:12 O homem que agir com arrogância, recusando-se a ouvir o sacerdote que está ali para servir ao SENHOR, seu Deus, ou o juiz, esse homem morrerá. Assim, elimine o mal de Israel.
17:13 Todo o povo ouvirá e temerá, e não voltará a agir com arrogância.
17:14 Quando você entrar na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá, tomar posse dela e nela habitar, e disser: “Porei sobre mim um rei, como todas as nações que estão ao meu redor”,
17:15 certamente ponha sobre você o rei que o SENHOR, seu Deus, escolher. Dentre seus irmãos ponha um rei sobre você; não poderá pôr sobre você um estrangeiro que não seja seu irmão.
17:16 Ele, porém, não multiplicará cavalos para si nem fará o povo voltar ao Egito para multiplicar cavalos, pois o SENHOR lhes disse: “Vocês nunca mais voltarão por este caminho”.
17:17 Não multiplicará mulheres para si, para que seu coração não se desvie, nem acumulará para si muita prata e muito ouro.
17:18 Quando se sentar no trono de seu reino, escreverá para si num rolo uma cópia desta lei, a partir do que está diante dos sacerdotes levitas.
17:19 Ela ficará com ele, e ele a lerá todos os dias de sua vida, para que aprenda a temer o SENHOR, seu Deus, guardando todas as palavras desta lei e estes estatutos, para cumpri-los,
17:20 para que seu coração não se exalte acima de seus irmãos nem ele se desvie do mandamento, para a direita ou para a esquerda, a fim de prolongar os dias de seu reinado, ele e seus filhos, no meio de Israel.

Capítulo 18
18:1 Os sacerdotes levitas, toda a tribo de Levi, não terão parte nem herança com Israel. Comerão das ofertas queimadas do SENHOR e da herança dele.
18:2 Levi não terá herança no meio de seus irmãos; o SENHOR é sua herança, como lhe disse.
18:3 Este será o direito dos sacerdotes da parte do povo, dos que oferecerem sacrifício, seja boi ou animal de rebanho: darão ao sacerdote a espádua, as queixadas e o estômago.
18:4 Dê-lhe as primícias de seus cereais, de seu vinho novo e de seu azeite, e as primícias da tosquia de seus rebanhos,
18:5 pois o SENHOR, seu Deus, o escolheu dentre todas as suas tribos para estar a serviço no nome do SENHOR, ele e seus filhos, todos os dias.
18:6 Se um levita vier de alguma de suas cidades, de qualquer lugar de Israel onde resida, e vier com todo o desejo de sua alma ao lugar que o SENHOR escolher,
18:7 ele servirá no nome do SENHOR, seu Deus, como todos os seus irmãos levitas que estão ali diante do SENHOR.
18:8 Eles comerão porções iguais, além do que ele receber pela venda de seu patrimônio familiar.
18:9 Quando você entrar na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá, não aprenda a praticar as abominações daquelas nações.
18:10 Não se encontre no seu meio quem faça seu filho ou sua filha passar pelo fogo, nem quem pratique adivinhação, nem agoureiro, nem intérprete de presságios, nem feiticeiro,
18:11 nem quem faça encantamentos, nem quem consulte um médium, nem adivinho, nem quem consulte os mortos.
18:12 Pois todo aquele que faz essas coisas é uma abominação para o SENHOR, e por causa dessas abominações o SENHOR, seu Deus, expulsa essas nações de diante de você.
18:13 Seja íntegro para com o SENHOR, seu Deus.
18:14 Pois estas nações que você vai desapossar ouvem agoureiros e adivinhos, mas o SENHOR, seu Deus, não permitiu isso a você.
18:15 O SENHOR, seu Deus, levantará para você um profeta do seu meio, dentre seus irmãos, como eu. A ele vocês ouvirão,
18:16 conforme tudo o que você pediu ao SENHOR, seu Deus, em Horebe, no dia da assembleia, dizendo: “Que eu não torne a ouvir a voz do SENHOR, meu Deus, nem veja mais este grande fogo, para que eu não morra”.
18:17 O SENHOR me disse: “Eles falaram bem no que disseram.
18:18 Levantarei para eles um profeta dentre seus irmãos, como você. Porei minhas palavras em sua boca, e ele lhes falará tudo o que eu lhe ordenar.
18:19 Eu mesmo pedirei contas ao homem que não ouvir minhas palavras que ele falar em meu nome.
18:20 Mas o profeta que ousar falar em meu nome alguma palavra que não lhe ordenei falar, ou que falar em nome de outros deuses, esse profeta morrerá”.
18:21 Se você disser em seu coração: “Como reconheceremos a palavra que o SENHOR não falou?”,
18:22 quando o profeta falar em nome do SENHOR e a palavra não acontecer nem se cumprir, essa é a palavra que o SENHOR não falou. O profeta a falou com arrogância; não tenha medo dele.

Capítulo 19
19:1 Quando o SENHOR, seu Deus, eliminar as nações cuja terra o SENHOR, seu Deus, lhe dá, e você as desapossar e habitar em suas cidades e casas,
19:2 separe três cidades no meio da terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá para tomar posse dela.
19:3 Prepare o caminho e divida em três partes o território da terra que o SENHOR, seu Deus, lhe der como herança, para que todo homicida possa fugir para lá.
19:4 Este é o caso do homicida que fugir para lá e continuar vivo: aquele que ferir seu próximo sem intenção, sem antes lhe ter tido ódio.
19:5 Por exemplo, se alguém for com seu próximo ao bosque cortar lenha e, ao mover a mão com o machado para cortar a árvore, o ferro se soltar do cabo, atingir seu próximo e este morrer, ele poderá fugir para uma dessas cidades e continuar vivo.
19:6 Isso evitará que o vingador do sangue persiga o homicida com o coração enardecido, o alcance por ser longo o caminho e o mate, embora não lhe caiba sentença de morte, pois não tinha ódio de seu próximo antes.
19:7 Por isso, eu lhe ordeno: “Separe três cidades”.
19:8 Se o SENHOR, seu Deus, ampliar seu território, como jurou aos seus pais, e lhe der toda a terra que prometeu dar aos seus pais,
19:9 se você tiver o cuidado de cumprir todo este mandamento que hoje lhe ordeno, amando o SENHOR, seu Deus, e andando em seus caminhos todos os dias, acrescente outras três cidades a essas três,
19:10 para que não se derrame sangue inocente no meio da terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá como herança, e não recaia sobre você culpa de sangue.
19:11 Mas, se um homem tiver ódio de seu próximo, lhe armar uma emboscada, se levantar contra ele e o ferir de modo que morra, e depois fugir para uma dessas cidades,
19:12 os anciãos de sua cidade mandarão buscá-lo, o tirarão de lá e o entregarão nas mãos do vingador do sangue, e ele morrerá.
19:13 Seu olho não terá compaixão dele. Elimine de Israel a culpa pelo sangue inocente derramado, e tudo irá bem com você.
19:14 Não desloque o marco do seu próximo que os antigos fixaram na herança que você receber na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá para tomar posse dela.
19:15 Uma só testemunha não bastará contra um homem por qualquer iniquidade ou pecado, seja qual for o pecado que cometer. Pelo depoimento de duas testemunhas ou pelo depoimento de três testemunhas o caso será estabelecido.
19:16 Se uma testemunha maliciosa se levantar contra um homem para acusá-lo de uma transgressão,
19:17 os dois homens que tiverem a disputa se apresentarão diante do SENHOR, diante dos sacerdotes e dos juízes que houver naqueles dias.
19:18 Os juízes investigarão com todo o cuidado. Se a testemunha for falsa e tiver dado falso testemunho contra seu irmão,
19:19 façam com ela o que planejou fazer com seu irmão. Assim, elimine o mal do seu meio.
19:20 Os demais ouvirão e temerão, e não voltarão a fazer semelhante maldade no seu meio.
19:21 Seu olho não terá compaixão: vida por vida, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé.

Capítulo 20
20:1 Quando você sair à guerra contra seus inimigos e vir cavalos, carros e um povo mais numeroso do que você, não tenha medo deles, pois o SENHOR, seu Deus, está com você, ele que o fez subir da terra do Egito.
20:2 Quando vocês se aproximarem da batalha, o sacerdote se adiantará e falará ao povo,
20:3 dizendo: “Ouça, Israel: hoje vocês se aproximam da batalha contra seus inimigos. Não desfaleça seu coração; não tenham medo, não se alarmem nem fiquem apavorados diante deles,
20:4 pois o SENHOR, seu Deus, vai com vocês para lutar por vocês contra seus inimigos e salvá-los”.
20:5 Os oficiais falarão ao povo: “Qual é o homem que construiu uma casa nova e ainda não a inaugurou? Que vá e volte para casa, para que não morra na batalha e outro homem a inaugure.
20:6 E qual é o homem que plantou uma vinha e ainda não desfrutou dela? Que vá e volte para casa, para que não morra na batalha e outro homem desfrute dela.
20:7 E qual é o homem que ficou noivo de uma mulher e ainda não a tomou por esposa? Que vá e volte para casa, para que não morra na batalha e outro homem a tome por esposa”.
20:8 Os oficiais continuarão a falar ao povo e dirão: “Qual é o homem que está com medo e tem o coração fraco? Que vá e volte para casa, para que não faça derreter o coração de seus irmãos como o seu”.
20:9 Quando os oficiais terminarem de falar ao povo, nomearão comandantes de tropas à frente do povo.
20:10 Quando você se aproximar de uma cidade para lutar contra ela, ofereça-lhe a paz.
20:11 Se ela responder com paz e abrir suas portas para você, todo o povo que se encontrar nela ficará sujeito a trabalhos forçados para você e o servirá.
20:12 Mas, se ela não fizer paz com você e lhe fizer guerra, cerque-a.
20:13 O SENHOR, seu Deus, a entregará em suas mãos, e você matará todos os homens dela ao fio da espada.
20:14 Mas as mulheres, as crianças, os animais e tudo o que houver na cidade, todo o seu despojo, você tomará para si. Comerá do despojo de seus inimigos que o SENHOR, seu Deus, lhe deu.
20:15 Assim você fará com todas as cidades que estiverem muito longe de você e que não forem cidades destas nações.
20:16 Mas, nas cidades destes povos que o SENHOR, seu Deus, lhe dá como herança, não deixe vivo nada que respire.
20:17 Consagre-os completamente à destruição: os heteus, os amorreus, os cananeus, os ferezeus, os heveus e os jebuseus, como o SENHOR, seu Deus, lhe ordenou,
20:18 para que não ensinem vocês a praticar todas as abominações que fizeram para seus deuses, e assim vocês não pequem contra o SENHOR, seu Deus.
20:19 Quando cercar uma cidade por muitos dias, lutando contra ela para tomá-la, não destrua suas árvores golpeando-as com o machado, pois delas você comerá; não as corte. Acaso a árvore do campo é um homem, para ser cercada por você?
20:20 Somente a árvore que você souber que não dá alimento, essa você poderá destruir e cortar, para construir obras de cerco contra a cidade que lhe faz guerra, até subjugá-la.

Capítulo 21
21:1 Se for encontrado um assassinado caído no campo, na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá para tomar posse dela, e não se souber quem o matou,
21:2 seus anciãos e seus juízes sairão e medirão a distância até as cidades ao redor do assassinado.
21:3 Os anciãos da cidade mais próxima do assassinado pegarão uma novilha do gado que ainda não tenha trabalhado nem puxado o jugo.
21:4 Os anciãos daquela cidade levarão a novilha para baixo, a um vale de águas permanentes, que não seja lavrado nem semeado, e ali, no vale, quebrarão o pescoço da novilha.
21:5 Então os sacerdotes, filhos de Levi, se aproximarão, pois o SENHOR, seu Deus, os escolheu para servi-lo e abençoar no nome do SENHOR. Por sua palavra será decidida toda disputa e todo caso de ferimento.
21:6 Todos os anciãos daquela cidade, os mais próximos do assassinado, lavarão as mãos sobre a novilha cujo pescoço foi quebrado no vale
21:7 e declararão: “Nossas mãos não derramaram este sangue, nem nossos olhos o viram.
21:8 Perdoa teu povo Israel, que resgataste, SENHOR, e não ponhas culpa de sangue inocente no meio de teu povo Israel”. Assim lhes será expiada a culpa desse sangue.
21:9 Você eliminará do seu meio a culpa pelo sangue inocente, fazendo o que é reto aos olhos do SENHOR.
21:10 Quando você sair à guerra contra seus inimigos e o SENHOR, seu Deus, os entregar em suas mãos, e você tomar prisioneiros dentre eles,
21:11 se vir entre os prisioneiros uma mulher de bela aparência, se afeiçoar a ela e a tomar por esposa,
21:12 leve-a para sua casa. Ela rapará a cabeça e cortará as unhas,
21:13 tirará a roupa de seu cativeiro e ficará em sua casa, chorando por seu pai e por sua mãe durante um mês inteiro. Depois você poderá unir-se a ela, será seu marido e ela será sua esposa.
21:14 Se ela não lhe agradar, deixe-a ir livre. De modo algum a venda por dinheiro nem a trate como escrava, pois você a humilhou.
21:15 Se um homem tiver duas esposas, uma amada e outra odiada, e tanto a amada como a odiada lhe derem filhos, e o filho primogênito for da odiada,
21:16 no dia em que repartir entre seus filhos a herança do que possui, não poderá dar a primogenitura ao filho da amada em lugar do filho da odiada, que é o primogênito.
21:17 Reconhecerá como primogênito o filho da odiada, dando-lhe porção dobrada de tudo o que tiver, pois ele é o primeiro fruto de seu vigor; a ele pertence o direito de primogenitura.
21:18 Se um homem tiver um filho obstinado e rebelde, que não obedece à voz de seu pai nem à voz de sua mãe, e eles o disciplinarem, mas ele não lhes obedecer,
21:19 seu pai e sua mãe o pegarão e o levarão aos anciãos de sua cidade, à porta do lugar onde mora.
21:20 Dirão aos anciãos de sua cidade: “Este nosso filho é obstinado e rebelde, não obedece à nossa voz; é comilão e beberrão”.
21:21 Então todos os homens de sua cidade o apedrejarão até que morra. Assim, elimine o mal do seu meio, e todo Israel ouvirá e temerá.
21:22 Se um homem cometer um pecado que mereça sentença de morte, for executado e você o pendurar num madeiro,
21:23 não deixe seu cadáver passar a noite no madeiro. Sepulte-o sem falta naquele mesmo dia, pois o pendurado é maldito por Deus. Não contamine a terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá como herança.

Capítulo 22
22:1 Se você vir o boi de seu irmão ou seu animal de rebanho extraviados, não se desinteresse deles. Devolva-os sem falta ao seu irmão.
22:2 Se seu irmão não estiver perto de você ou você não o conhecer, recolha o animal em sua casa e fique com ele até que seu irmão o procure; então devolva-o a ele.
22:3 Faça o mesmo com o jumento dele, faça o mesmo com sua roupa e faça o mesmo com qualquer coisa que seu irmão perder e você encontrar. Você não poderá se desinteressar.
22:4 Se você vir o jumento de seu irmão ou seu boi caídos no caminho, não se desinteresse deles. Ajude-o sem falta a levantá-los.
22:5 A mulher não usará traje de homem, nem o homem vestirá roupa de mulher, pois todo aquele que faz essas coisas é uma abominação para o SENHOR, seu Deus.
22:6 Se pelo caminho você encontrar um ninho de ave em qualquer árvore ou no chão, com filhotes ou ovos, e a mãe estiver sobre os filhotes ou sobre os ovos, não pegue a mãe junto com as crias.
22:7 Solte a mãe sem falta, mas poderá pegar as crias para si, para que tudo vá bem com você e seus dias se prolonguem.
22:8 Quando construir uma casa nova, faça um parapeito no telhado, para não trazer culpa de sangue sobre sua casa se alguém cair de lá.
22:9 Não semeie sua vinha com sementes de duas espécies, para que não fique consagrada toda a produção, tanto o produto da semente que semear como a colheita da vinha.
22:10 Não lavre com um boi e um jumento juntos.
22:11 Não vista tecido misturado de lã e linho juntos.
22:12 Faça borlas nas quatro pontas do manto com que você se cobre.
22:13 Se um homem tomar uma mulher por esposa, unir-se a ela e passar a odiá-la,
22:14 imputar-lhe uma conduta vergonhosa, difamá-la e disser: “Tomei esta mulher, aproximei-me dela e não encontrei nela sinais de virgindade”,
22:15 o pai da moça e sua mãe pegarão os sinais da virgindade da moça e os levarão aos anciãos da cidade, à porta.
22:16 O pai da moça dirá aos anciãos: “Dei minha filha a este homem por esposa, mas ele a odeia.
22:17 Agora lhe imputa uma conduta vergonhosa, dizendo: ‘Não encontrei em sua filha sinais de virgindade’. Mas estes são os sinais da virgindade de minha filha”. E estenderão a roupa diante dos anciãos da cidade.
22:18 Os anciãos daquela cidade pegarão o homem e o castigarão.
22:19 Imporão a ele uma multa de cem siclos de prata e os darão ao pai da moça, pois ele difamou uma virgem de Israel. Ela continuará sendo sua esposa; ele não poderá divorciar-se dela em toda a sua vida.
22:20 Mas, se a acusação for verdadeira e não forem encontrados sinais de virgindade na moça,
22:21 levarão a moça à entrada da casa de seu pai, e os homens de sua cidade a apedrejarão até que morra, pois ela cometeu uma infâmia em Israel, prostituindo-se na casa de seu pai. Assim, elimine o mal do seu meio.
22:22 Se um homem for encontrado deitado com uma mulher casada, ambos morrerão: o homem que se deitou com a mulher e a mulher. Assim, elimine o mal de Israel.
22:23 Se uma moça virgem estiver prometida em casamento a um homem, e outro homem a encontrar na cidade e se deitar com ela,
22:24 levem os dois à porta daquela cidade e os apedrejem até que morram: a moça, porque não gritou na cidade, e o homem, porque humilhou a mulher de seu próximo. Assim, elimine o mal do seu meio.
22:25 Mas, se o homem encontrar no campo a moça prometida em casamento, a forçar e se deitar com ela, morrerá somente o homem que se deitou com ela.
22:26 Não faça nada à moça; ela não cometeu pecado que mereça a morte. Pois este caso é como o de um homem que se levanta contra seu próximo e o assassina.
22:27 Ele a encontrou no campo; a moça prometida em casamento gritou, mas não houve quem a salvasse.
22:28 Se um homem encontrar uma moça virgem que não esteja prometida em casamento, a agarrar e se deitar com ela, e eles forem descobertos,
22:29 o homem que se deitou com ela dará ao pai da moça cinquenta siclos de prata. Ela será sua esposa, pois ele a humilhou; não poderá divorciar-se dela em toda a sua vida.
22:30 Nenhum homem tomará a mulher de seu pai nem descobrirá a aba do manto de seu pai.

Capítulo 23
23:1 Não entrará na assembleia do SENHOR aquele que tiver os testículos esmagados ou o pênis amputado.
23:2 Não entrará na assembleia do SENHOR quem nasceu de uma união ilegítima; nem mesmo sua décima geração entrará na assembleia do SENHOR.
23:3 Nenhum amonita ou moabita entrará na assembleia do SENHOR; nem mesmo sua décima geração entrará na assembleia do SENHOR, para sempre,
23:4 porque não saíram ao encontro de vocês com pão e água no caminho, quando vocês saíram do Egito, e porque ele contratou contra você Balaão, filho de Beor, de Petor, em Arã-Naaraim, para amaldiçoá-lo.
23:5 Mas o SENHOR, seu Deus, não quis ouvir Balaão, e o SENHOR, seu Deus, transformou a maldição em bênção para você, pois o SENHOR, seu Deus, amava você.
23:6 Não procure a paz nem o bem deles durante todos os seus dias, para sempre.
23:7 Não deteste o edomita, pois ele é seu irmão. Não deteste o egípcio, pois você foi estrangeiro na terra dele.
23:8 Os filhos que lhes nascerem, na terceira geração, poderão entrar na assembleia do SENHOR.
23:9 Quando você sair em campanha contra seus inimigos, guarde-se de toda coisa má.
23:10 Se houver no seu meio um homem que não esteja puro por causa de uma emissão noturna, ele sairá para fora do acampamento e não entrará no acampamento.
23:11 Ao entardecer, ele se banhará em água e, ao pôr do sol, poderá entrar no acampamento.
23:12 Tenha um lugar fora do acampamento, para onde sairá.
23:13 Tenha uma estaca entre suas armas. Quando se sentar fora, cave com ela e, ao se voltar, cubra seus excrementos.
23:14 Pois o SENHOR, seu Deus, anda no meio de seu acampamento para livrar você e entregar seus inimigos diante de você. Por isso, seu acampamento será santo, para que ele não veja em você coisa indecente nem se afaste de você.
23:15 Não entregue ao seu senhor o escravo que tiver escapado do senhor dele e se refugiado junto de você.
23:16 Ele morará com você, no seu meio, no lugar que escolher em alguma de suas cidades, onde lhe parecer bem. Não o oprima.
23:17 Não haverá prostituta ritual entre as filhas de Israel nem prostituto ritual entre os filhos de Israel.
23:18 Não leve à casa do SENHOR, seu Deus, por qualquer voto, o pagamento de uma prostituta nem o preço de um cão, pois ambos são uma abominação para o SENHOR, seu Deus.
23:19 Não cobre de seu irmão juros sobre dinheiro, juros sobre alimento nem juros sobre qualquer coisa pela qual se cobrem juros.
23:20 Do estrangeiro você poderá cobrar juros, mas de seu irmão não cobre juros, para que o SENHOR, seu Deus, abençoe você em tudo o que sua mão empreender na terra em que vai entrar para tomar posse dela.
23:21 Quando fizer um voto ao SENHOR, seu Deus, não demore em cumpri-lo, pois o SENHOR, seu Deus, certamente o exigirá de você; se demorar, você incorrerá em pecado.
23:22 Mas, se você se abstiver de fazer votos, não haverá pecado em você.
23:23 Guarde e cumpra o que sair de seus lábios, como votou ao SENHOR, seu Deus, a oferta voluntária que declarou com sua boca.
23:24 Quando entrar na vinha de seu próximo, poderá comer uvas conforme seu desejo, até se fartar, mas não as ponha em seu recipiente.
23:25 Quando entrar na plantação de seu próximo, poderá colher espigas com sua mão, mas não passe a foice na plantação de seu próximo.

Capítulo 24
24:1 Se um homem tomar uma mulher por esposa e se unir a ela, mas ela não encontrar favor aos seus olhos porque ele achou nela algo indecente, e ele lhe escrever uma carta de divórcio, a entregar em sua mão e a mandar embora de sua casa,
24:2 e ela sair de sua casa, for embora e se tornar esposa de outro homem,
24:3 e esse último homem passar a odiá-la, lhe escrever uma carta de divórcio, a entregar em sua mão e a mandar embora de sua casa, ou se morrer esse último homem que a tomou por esposa,
24:4 seu primeiro marido, que a mandou embora, não poderá voltar a tomá-la por esposa depois que ela ficou impura, pois isso é uma abominação diante do SENHOR. Não torne culpada a terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá como herança.
24:5 Se um homem tiver acabado de tomar esposa, não sairá com o exército nem lhe será imposta qualquer outra obrigação. Ficará livre em sua casa durante um ano e alegrará a esposa que tomou.
24:6 Não tome em penhor as mós de um moinho, nem mesmo a mó de cima, pois seria tomar em penhor uma vida.
24:7 Se for encontrado um homem que sequestrou alguém dentre seus irmãos, dos filhos de Israel, o tratou como escravo e o vendeu, esse sequestrador morrerá. Assim, elimine o mal do seu meio.
24:8 Em caso de lesão de lepra, tenha muito cuidado de guardar e cumprir tudo o que os sacerdotes levitas ensinarem a vocês. Tenham o cuidado de fazer como ordenei a eles.
24:9 Lembre-se do que o SENHOR, seu Deus, fez a Miriã pelo caminho, quando vocês saíram do Egito.
24:10 Quando emprestar qualquer coisa ao seu próximo, não entre na casa dele para pegar o penhor.
24:11 Fique do lado de fora, e o homem a quem você emprestou trará o penhor para você, para fora.
24:12 Se ele for um homem pobre, não se deite retendo seu penhor.
24:13 Devolva-lhe sem falta o penhor ao pôr do sol, para que durma coberto com seu manto e abençoe você. Isso será justiça para você diante do SENHOR, seu Deus.
24:14 Não oprima o trabalhador contratado pobre e necessitado, seja um de seus irmãos ou um dos estrangeiros que moram em sua terra, dentro de suas portas.
24:15 Pague seu salário no mesmo dia, antes do pôr do sol, pois ele é pobre e sua vida depende desse salário, para que ele não clame ao SENHOR contra você e você não incorra em pecado.
24:16 Os pais não serão executados por causa dos filhos, nem os filhos serão executados por causa dos pais. Cada um será executado por seu próprio pecado.
24:17 Não torça o direito do estrangeiro nem do órfão, nem tome em penhor a roupa da viúva.
24:18 Lembre-se de que você foi escravo no Egito e de que o SENHOR, seu Deus, o resgatou de lá. Por isso, eu lhe ordeno que faça isto.
24:19 Quando fizer a colheita em seu campo e esquecer um feixe no campo, não volte para buscá-lo. Ele será para o estrangeiro, para o órfão e para a viúva, para que o SENHOR, seu Deus, abençoe você em todo o trabalho de suas mãos.
24:20 Quando bater na sua oliveira, não volte a recolher o que restar nos ramos. Isso será para o estrangeiro, para o órfão e para a viúva.
24:21 Quando colher as uvas de sua vinha, não volte para recolher os cachos restantes. Eles serão para o estrangeiro, para o órfão e para a viúva.
24:22 Lembre-se de que você foi escravo na terra do Egito. Por isso, eu lhe ordeno que faça isto.

Capítulo 25
25:1 Se houver uma disputa entre homens e eles forem ao tribunal, os juízes os julgarão, absolvendo o inocente e condenando o culpado.
25:2 Se o culpado merecer açoites, o juiz o fará deitar-se e mandará açoitá-lo em sua presença, com um número de açoites correspondente à sua culpa.
25:3 Poderá fazê-lo receber quarenta açoites, mas não mais, para que, ao receber mais golpes do que esses, seu irmão não seja humilhado aos seus olhos.
25:4 Não amordace o boi enquanto debulha.
25:5 Se irmãos morarem juntos e um deles morrer sem ter filho, a mulher do falecido não se casará com um estranho de fora. Seu cunhado se unirá a ela, a tomará por esposa e cumprirá com ela o dever de cunhado.
25:6 O primogênito que ela der à luz perpetuará o nome do irmão falecido, para que seu nome não seja apagado de Israel.
25:7 Mas, se o homem não quiser tomar sua cunhada por esposa, ela subirá à porta da cidade, aos anciãos, e dirá: “Meu cunhado se recusa a perpetuar o nome de seu irmão em Israel; não quer cumprir comigo o dever de cunhado”.
25:8 Os anciãos de sua cidade o chamarão e falarão com ele. Se ele se levantar e disser: “Não quero tomá-la por esposa”,
25:9 sua cunhada se aproximará dele diante dos anciãos, tirará a sandália do pé dele e lhe cuspirá no rosto. Declarará: “Assim se fará ao homem que não edificar a casa de seu irmão”.
25:10 E em Israel seu nome será: “A casa daquele a quem tiraram a sandália”.
25:11 Se dois homens brigarem, um com o outro, e a mulher de um se aproximar para livrar seu marido das mãos daquele que o golpeia, estender a mão e o agarrar pelos órgãos genitais,
25:12 corte a mão dela; seu olho não terá compaixão.
25:13 Não tenha em sua bolsa pesos diferentes, um grande e outro pequeno.
25:14 Não tenha em sua casa medidas de capacidade diferentes, uma grande e outra pequena.
25:15 Tenha um peso completo e justo e uma medida de capacidade completa e justa, para que seus dias se prolonguem na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá.
25:16 Pois todo aquele que faz essas coisas, todo aquele que pratica injustiça, é uma abominação para o SENHOR, seu Deus.
25:17 Lembre-se do que Amaleque fez a você pelo caminho, quando vocês saíram do Egito:
25:18 ele foi ao seu encontro no caminho e atacou pela retaguarda todos os fracos que ficavam para trás, enquanto você estava cansado e exausto. Ele não temeu a Deus.
25:19 Quando o SENHOR, seu Deus, lhe der descanso de todos os seus inimigos ao redor, na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá como herança para tomar posse dela, apague a memória de Amaleque de debaixo do céu. Não se esqueça.

Capítulo 26
26:1 Quando você entrar na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá como herança, tomar posse dela e nela habitar,
26:2 pegue parte das primícias de todos os frutos do solo que colher na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá, coloque-as num cesto e vá ao lugar que o SENHOR, seu Deus, escolher para ali fazer habitar seu nome.
26:3 Apresente-se ao sacerdote que houver naqueles dias e diga-lhe: “Declaro hoje ao SENHOR, seu Deus, que entrei na terra que o SENHOR jurou aos nossos pais dar a nós”.
26:4 O sacerdote pegará o cesto de sua mão e o colocará diante do altar do SENHOR, seu Deus.
26:5 Então você declarará diante do SENHOR, seu Deus: “Meu antepassado era um arameu prestes a perecer. Desceu ao Egito e ali morou como estrangeiro com poucas pessoas, e ali se tornou uma nação grande, poderosa e numerosa.
26:6 Os egípcios nos maltrataram, nos afligiram e nos impuseram dura servidão.
26:7 Clamamos ao SENHOR, Deus de nossos pais, e o SENHOR ouviu nossa voz e viu nossa aflição, nosso trabalho penoso e nossa opressão.
26:8 O SENHOR nos tirou do Egito com mão poderosa e braço estendido, com grande terror, sinais e prodígios.
26:9 Trouxe-nos a este lugar e nos deu esta terra, uma terra que mana leite e mel.
26:10 E agora trouxe as primícias do fruto do solo que me deste, SENHOR”. Coloque o cesto diante do SENHOR, seu Deus, e prostre-se diante do SENHOR, seu Deus.
26:11 Alegre-se por todo o bem que o SENHOR, seu Deus, deu a você e à sua família, você, o levita e o estrangeiro que está no seu meio.
26:12 Quando terminar de separar todo o dízimo de sua produção no terceiro ano, o ano do dízimo, dê-o ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam em suas cidades e se fartem.
26:13 Diga diante do SENHOR, seu Deus: “Retirei de minha casa o que é consagrado e o dei também ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, conforme todo o mandamento que me ordenaste. Não transgredi teus mandamentos nem me esqueci deles.
26:14 Não comi disso durante meu luto, não tirei nada disso estando impuro, nem dei nada disso a um morto. Obedeci à voz do SENHOR, meu Deus; fiz tudo o que me ordenaste.
26:15 Olha de tua santa morada, do céu, e abençoa teu povo Israel e a terra que nos deste, como juraste aos nossos pais, uma terra que mana leite e mel”.
26:16 Hoje o SENHOR, seu Deus, lhe ordena cumprir estes estatutos e estas normas. Guarde-os e cumpra-os com todo o seu coração e com toda a sua alma.
26:17 Hoje você declarou que o SENHOR será seu Deus e que você andará em seus caminhos, guardará seus estatutos, seus mandamentos e suas normas, e obedecerá à sua voz.
26:18 E hoje o SENHOR declarou que você será o povo de sua propriedade especial, como lhe disse, e que guardará todos os seus mandamentos,
26:19 para colocar você acima de todas as nações que ele fez, em louvor, renome e glória, e para que você seja um povo santo para o SENHOR, seu Deus, como ele disse.

Capítulo 27
27:1 Moisés e os anciãos de Israel deram esta ordem ao povo: Guardem todo o mandamento que hoje lhes ordeno.
27:2 No dia em que vocês atravessarem o Jordão para a terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá, levante grandes pedras e cubra-as de cal.
27:3 Ao atravessar, escreva nelas todas as palavras desta lei, para que entre na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá, uma terra que mana leite e mel, como o SENHOR, Deus de seus pais, lhe disse.
27:4 Quando vocês atravessarem o Jordão, levantem no monte Ebal estas pedras que hoje lhes ordeno, e cubra-as de cal.
27:5 Construa ali um altar ao SENHOR, seu Deus, um altar de pedras. Não use ferro sobre elas.
27:6 Construa o altar do SENHOR, seu Deus, com pedras inteiras e ofereça sobre ele holocaustos ao SENHOR, seu Deus.
27:7 Sacrifique ofertas de paz, coma ali e alegre-se diante do SENHOR, seu Deus.
27:8 Escreva nas pedras todas as palavras desta lei com toda a clareza.
27:9 Moisés e os sacerdotes levitas falaram a todo Israel: “Fique em silêncio e ouça, Israel. Hoje você se tornou povo do SENHOR, seu Deus.
27:10 Obedeça à voz do SENHOR, seu Deus, e cumpra seus mandamentos e seus estatutos que hoje lhe ordeno”.
27:11 Naquele dia, Moisés ordenou ao povo:
27:12 Estes ficarão sobre o monte Gerizim para abençoar o povo, quando vocês atravessarem o Jordão: Simeão, Levi, Judá, Issacar, José e Benjamim.
27:13 E estes ficarão sobre o monte Ebal para a maldição: Rúben, Gade, Aser, Zebulom, Dã e Naftali.
27:14 Os levitas proclamarão em voz alta a todos os homens de Israel:
27:15 “Maldito o homem que fizer imagem esculpida ou de metal fundido, abominação para o SENHOR, obra das mãos de um artesão, e a colocar em segredo.” E todo o povo responderá: “Amém”.
27:16 “Maldito quem desprezar seu pai e sua mãe.” E todo o povo dirá: “Amém”.
27:17 “Maldito quem deslocar o marco de seu próximo.” E todo o povo dirá: “Amém”.
27:18 “Maldito quem fizer um cego se desviar do caminho.” E todo o povo dirá: “Amém”.
27:19 “Maldito quem torcer o direito do estrangeiro, do órfão e da viúva.” E todo o povo dirá: “Amém”.
27:20 “Maldito quem se deitar com a mulher de seu pai, pois descobriu a aba do manto de seu pai.” E todo o povo dirá: “Amém”.
27:21 “Maldito quem se deitar com qualquer animal.” E todo o povo dirá: “Amém”.
27:22 “Maldito quem se deitar com sua irmã, filha de seu pai ou filha de sua mãe.” E todo o povo dirá: “Amém”.
27:23 “Maldito quem se deitar com sua sogra.” E todo o povo dirá: “Amém”.
27:24 “Maldito quem ferir seu próximo em segredo.” E todo o povo dirá: “Amém”.
27:25 “Maldito quem aceitar suborno para tirar a vida de um inocente.” E todo o povo dirá: “Amém”.
27:26 “Maldito quem não confirmar as palavras desta lei, pondo-as em prática.” E todo o povo dirá: “Amém”.

Capítulo 28
28:1 Se você ouvir atentamente a voz do SENHOR, seu Deus, tendo o cuidado de cumprir todos os seus mandamentos que hoje lhe ordeno, o SENHOR, seu Deus, colocará você acima de todas as nações da terra.
28:2 Todas estas bênçãos virão sobre você e o alcançarão, se você obedecer à voz do SENHOR, seu Deus:
28:3 Bendito será você na cidade e bendito será você no campo.
28:4 Benditos serão o fruto do seu ventre, o fruto da sua terra e o fruto dos seus animais, as crias de suas vacas e de seus rebanhos.
28:5 Benditos serão seu cesto e sua amassadeira.
28:6 Bendito será você ao entrar e bendito será você ao sair.
28:7 O SENHOR fará que os inimigos que se levantarem contra você sejam derrotados diante de você. Por um caminho sairão contra você, mas por sete caminhos fugirão de você.
28:8 O SENHOR ordenará a bênção sobre seus celeiros e sobre tudo o que sua mão empreender. Ele abençoará você na terra que o SENHOR, seu Deus, lhe dá.
28:9 O SENHOR estabelecerá você como seu povo santo, como lhe jurou, se você guardar os mandamentos do SENHOR, seu Deus, e andar em seus caminhos.
28:10 Todos os povos da terra verão que o nome do SENHOR é invocado sobre você e terão medo de você.
28:11 O SENHOR lhe dará abundância de bens no fruto do seu ventre, no fruto dos seus animais e no fruto da sua terra, na terra que o SENHOR jurou aos seus pais dar a você.
28:12 O SENHOR abrirá para você seu bom tesouro, o céu, para dar chuva à sua terra no tempo certo e abençoar todo o trabalho de suas mãos. Você emprestará a muitas nações, mas não tomará emprestado.
28:13 O SENHOR fará de você cabeça, e não cauda; você estará somente por cima, e não por baixo, se obedecer aos mandamentos do SENHOR, seu Deus, que hoje lhe ordeno guardar e cumprir,
28:14 e não se desviar de nenhuma das palavras que hoje ordeno a vocês, nem para a direita nem para a esquerda, para seguir outros deuses e servi-los.
28:15 Mas, se você não obedecer à voz do SENHOR, seu Deus, e não tiver o cuidado de cumprir todos os seus mandamentos e estatutos que hoje lhe ordeno, todas estas maldições virão sobre você e o alcançarão:
28:16 Maldito será você na cidade e maldito será você no campo.
28:17 Malditos serão seu cesto e sua amassadeira.
28:18 Malditos serão o fruto do seu ventre e o fruto da sua terra, as crias de suas vacas e de seus rebanhos.
28:19 Maldito será você ao entrar e maldito será você ao sair.
28:20 O SENHOR enviará contra você a maldição, a confusão e a repreensão em tudo o que sua mão empreender, até que você seja destruído e pereça depressa, por causa da maldade das ações com que me abandonou.
28:21 O SENHOR fará a peste se apegar a você, até consumi-lo da terra em que vai entrar para tomar posse dela.
28:22 O SENHOR ferirá você com doença que consome, febre, inflamação, ardor, espada, ressecamento e amarelecimento das plantações. Eles perseguirão você até que pereça.
28:23 O céu sobre sua cabeça será bronze, e a terra debaixo de você será ferro.
28:24 O SENHOR fará a chuva de sua terra ser pó e poeira; do céu cairão sobre você, até que seja destruído.
28:25 O SENHOR fará você ser derrotado diante de seus inimigos. Por um caminho sairá contra eles, mas por sete caminhos fugirá deles. Você será motivo de horror para todos os reinos da terra.
28:26 Seu cadáver será alimento para todas as aves do céu e para os animais da terra, e não haverá quem os espante.
28:27 O SENHOR ferirá você com as úlceras do Egito, com tumores, sarna e coceira, de que não poderá se curar.
28:28 O SENHOR ferirá você com loucura, cegueira e confusão do coração.
28:29 Você andará tateando ao meio-dia, como o cego tateia na escuridão, e não prosperará em seus caminhos. Será oprimido e roubado todos os dias, e não haverá quem o salve.
28:30 Você ficará noivo de uma mulher, mas outro homem a violentará. Construirá uma casa, mas não habitará nela; plantará uma vinha, mas não desfrutará dela.
28:31 Seu boi será abatido diante dos seus olhos, mas você não comerá dele. Seu jumento será roubado diante de você e não lhe será devolvido. Seus rebanhos serão entregues aos seus inimigos, e você não terá quem o salve.
28:32 Seus filhos e suas filhas serão entregues a outro povo; seus olhos verão e desfalecerão por eles o dia inteiro, mas sua mão não terá força.
28:33 Um povo que você não conhece comerá o fruto de sua terra e todo o produto de seu trabalho. Você será somente oprimido e esmagado todos os dias.
28:34 Você enlouquecerá com o que seus olhos verão.
28:35 O SENHOR ferirá você com úlceras graves nos joelhos e nas pernas, de que não poderá se curar, desde a planta do seu pé até o alto da cabeça.
28:36 O SENHOR levará você e o rei que tiver posto sobre você a uma nação que nem você nem seus pais conheceram. Ali você servirá a outros deuses, de madeira e de pedra.
28:37 Você será motivo de horror, de provérbio e de zombaria entre todos os povos para onde o SENHOR o levar.
28:38 Levará muita semente ao campo, mas colherá pouco, pois o gafanhoto a consumirá.
28:39 Plantará vinhas e as cultivará, mas não beberá vinho nem colherá uvas, pois o verme as comerá.
28:40 Terá oliveiras em todo o seu território, mas não se ungirá com azeite, pois suas azeitonas cairão.
28:41 Gerará filhos e filhas, mas não serão seus, pois irão para o cativeiro.
28:42 O gafanhoto tomará posse de todas as suas árvores e do fruto da sua terra.
28:43 O estrangeiro que está no seu meio subirá cada vez mais acima de você, e você descerá cada vez mais.
28:44 Ele emprestará a você, mas você não emprestará a ele. Ele será cabeça, e você será cauda.
28:45 Todas estas maldições virão sobre você, o perseguirão e o alcançarão até que seja destruído, pois não obedeceu à voz do SENHOR, seu Deus, para guardar os mandamentos e estatutos que ele lhe ordenou.
28:46 Elas serão sinal e prodígio em você e em sua descendência para sempre.
28:47 Por não ter servido ao SENHOR, seu Deus, com alegria e contentamento de coração, na abundância de tudo,
28:48 você servirá aos inimigos que o SENHOR enviar contra você, com fome, sede, nudez e falta de tudo. Ele porá um jugo de ferro sobre seu pescoço, até destruí-lo.
28:49 O SENHOR trará contra você uma nação de longe, da extremidade da terra, que se lançará como a águia, uma nação cuja língua você não entenderá,
28:50 uma nação de rosto feroz, que não respeitará o idoso nem terá compaixão do jovem.
28:51 Ela comerá o fruto dos seus animais e o fruto da sua terra, até que você seja destruído. Não lhe deixará cereais, vinho novo, azeite, crias de suas vacas nem de seus rebanhos, até acabar com você.
28:52 Ela cercará você em todas as suas cidades, até caírem suas muralhas altas e fortificadas, nas quais você confia em toda a sua terra. Cercará você em todas as suas cidades, em toda a terra que o SENHOR, seu Deus, lhe deu.
28:53 Você comerá o fruto do seu ventre, a carne de seus filhos e de suas filhas que o SENHOR, seu Deus, lhe deu, durante o cerco e a aflição com que seu inimigo o oprimirá.
28:54 O homem delicado e muito refinado no seu meio olhará com maus olhos para seu irmão, para a esposa que acolhe ao peito e para os filhos que ainda lhe restarem,
28:55 recusando dar a qualquer um deles da carne de seus filhos que estiver comendo, pois nada mais lhe terá restado durante o cerco e a aflição com que seu inimigo o oprimirá em todas as suas cidades.
28:56 A mulher delicada e refinada no seu meio, que de tão refinada e delicada não se atrevia a pôr a planta do pé no chão, olhará com maus olhos para o marido que acolhe ao peito, para seu filho e para sua filha.
28:57 Não repartirá com eles a placenta que sair de entre suas pernas nem os filhos que der à luz, pois os comerá em segredo, por falta de tudo, durante o cerco e a aflição com que seu inimigo o oprimirá em suas cidades.
28:58 Se você não tiver o cuidado de cumprir todas as palavras desta lei escritas neste livro, para temer este nome glorioso e temível, o SENHOR, seu Deus,
28:59 o SENHOR tornará extraordinárias as pragas que cairão sobre você e sua descendência: pragas grandes e duradouras, doenças graves e duradouras.
28:60 Fará voltar sobre você todas as doenças do Egito de que teve medo, e elas se apegarão a você.
28:61 O SENHOR também trará sobre você toda doença e toda praga que não estejam escritas no livro desta lei, até que seja destruído.
28:62 Restarão poucos de vocês, depois de terem sido tão numerosos como as estrelas do céu, pois você não obedeceu à voz do SENHOR, seu Deus.
28:63 Assim como o SENHOR se alegrou em fazer o bem a vocês e multiplicá-los, assim o SENHOR se alegrará em fazê-los perecer e destruí-los. Vocês serão arrancados da terra em que você vai entrar para tomar posse dela.
28:64 O SENHOR espalhará você entre todos os povos, de uma extremidade da terra à outra. Ali você servirá a outros deuses, que nem você nem seus pais conheceram, de madeira e de pedra.
28:65 Entre essas nações você não terá sossego, nem haverá descanso para a planta do seu pé. Ali o SENHOR lhe dará um coração trêmulo, olhos desfalecidos e uma alma angustiada.
28:66 Sua vida ficará suspensa diante de você; terá medo de noite e de dia e não terá segurança de sua vida.
28:67 Pela manhã você dirá: “Quem dera fosse tarde!”, e à tarde dirá: “Quem dera fosse manhã!”, por causa do medo que sentirá no coração e do que seus olhos verão.
28:68 O SENHOR fará você voltar ao Egito em navios, pelo caminho do qual eu lhe disse: “Você nunca mais o verá”. Ali vocês tentarão se vender aos seus inimigos como escravos e escravas, mas não haverá comprador.

Capítulo 29
29:1 Estas são as palavras da aliança que o SENHOR ordenou a Moisés que fizesse com os filhos de Israel na terra de Moabe, além da aliança que havia feito com eles em Horebe.
29:2 Moisés convocou todo Israel e lhes disse: Vocês viram tudo o que o SENHOR fez diante dos seus olhos na terra do Egito, a Faraó, a todos os seus servos e a toda a sua terra:
29:3 as grandes provas que seus olhos viram, aqueles sinais e grandes prodígios.
29:4 Mas até o dia de hoje o SENHOR não deu a vocês coração para entender, olhos para ver nem ouvidos para ouvir.
29:5 Guiei vocês durante quarenta anos no deserto. Suas roupas não se gastaram sobre vocês, nem sua sandália se gastou no seu pé.
29:6 Vocês não comeram pão nem beberam vinho ou bebida embriagante, para que soubessem que eu sou o SENHOR, seu Deus.
29:7 Vocês chegaram a este lugar, e Seom, rei de Hesbom, e Ogue, rei de Basã, saíram ao nosso encontro para a batalha, mas nós os derrotamos.
29:8 Tomamos a terra deles e a demos como herança aos rubenitas, aos gaditas e à metade da tribo de Manassés.
29:9 Guardem as palavras desta aliança e as cumpram, para que prosperem em tudo o que fizerem.
29:10 Hoje vocês estão todos de pé diante do SENHOR, seu Deus: seus chefes, suas tribos, seus anciãos e seus oficiais, todos os homens de Israel,
29:11 suas crianças, suas mulheres e o estrangeiro que está no seu acampamento, desde aquele que corta sua lenha até aquele que tira sua água,
29:12 para que você entre na aliança do SENHOR, seu Deus, e no juramento que o SENHOR, seu Deus, faz hoje com você,
29:13 a fim de estabelecer você hoje como seu povo e ser ele o seu Deus, como lhe disse e como jurou aos seus pais, Abraão, Isaque e Jacó.
29:14 Não é somente com vocês que faço esta aliança e este juramento,
29:15 mas com quem está aqui conosco hoje, de pé diante do SENHOR, nosso Deus, e com quem não está aqui conosco hoje.
29:16 Pois vocês sabem como moramos na terra do Egito e como passamos pelo meio das nações pelas quais vocês passaram.
29:17 Viram suas abominações e seus ídolos de madeira e pedra, de prata e ouro, que tinham consigo.
29:18 Não haja entre vocês homem ou mulher, família ou tribo, cujo coração hoje se desvie do SENHOR, nosso Deus, para ir servir aos deuses dessas nações. Não haja entre vocês raiz que produza veneno e absinto.
29:19 Se alguém, ao ouvir as palavras desta maldição, se abençoar em seu coração, dizendo: “Terei paz, mesmo que ande na obstinação do meu coração”, arrastando à ruína a terra regada junto com a seca,
29:20 o SENHOR não estará disposto a perdoá-lo. Então a ira do SENHOR e seu zelo fumegarão contra esse homem, e toda a maldição escrita neste livro repousará sobre ele. O SENHOR apagará seu nome de debaixo do céu.
29:21 O SENHOR o separará de todas as tribos de Israel para sua ruína, conforme todas as maldições da aliança escrita neste livro da lei.
29:22 A geração futura, os filhos de vocês que vierem depois de vocês, e o estrangeiro que vier de uma terra distante, ao verem as pragas dessa terra e as doenças com que o SENHOR a afligiu, dirão:
29:23 “Toda a sua terra é enxofre, sal e solo queimado; não será semeada, não produzirá e nenhuma erva crescerá nela, como na destruição de Sodoma, Gomorra, Admá e Zeboim, que o SENHOR destruiu em sua ira e em seu furor”.
29:24 Todas as nações perguntarão: “Por que o SENHOR fez assim com esta terra? Que significa o ardor desta grande ira?”
29:25 E responderão: “Porque abandonaram a aliança do SENHOR, Deus de seus pais, que ele fez com eles quando os tirou da terra do Egito.
29:26 Foram servir a outros deuses e se prostraram diante deles, deuses que não conheciam e que ele não lhes havia destinado.
29:27 Por isso a ira do SENHOR se acendeu contra aquela terra, para trazer sobre ela toda a maldição escrita neste livro.
29:28 O SENHOR os arrancou de sua terra com ira, furor e grande indignação, e os lançou em outra terra, como se vê hoje”.
29:29 As coisas ocultas pertencem ao SENHOR, nosso Deus, mas as reveladas pertencem a nós e a nossos filhos para sempre, para que cumpramos todas as palavras desta lei.

Capítulo 30
30:1 Quando todas estas coisas vierem sobre você, a bênção e a maldição que coloquei diante de você, e você as trouxer de volta ao seu coração entre todas as nações para onde o SENHOR, seu Deus, o tiver desterrado,
30:2 e voltar ao SENHOR, seu Deus, e obedecer à sua voz conforme tudo o que hoje lhe ordeno, você e seus filhos, com todo o seu coração e com toda a sua alma,
30:3 então o SENHOR, seu Deus, fará você voltar do cativeiro e terá compaixão de você. Tornará a reunir você dentre todos os povos para onde o SENHOR, seu Deus, o tiver espalhado.
30:4 Ainda que seus desterrados estejam na extremidade do céu, de lá o SENHOR, seu Deus, reunirá você e de lá o recolherá.
30:5 O SENHOR, seu Deus, fará você entrar na terra que seus pais possuíram, e você tomará posse dela. Ele lhe fará bem e o multiplicará mais do que a seus pais.
30:6 O SENHOR, seu Deus, circuncidará seu coração e o coração de sua descendência, para que ame o SENHOR, seu Deus, com todo o seu coração e com toda a sua alma, a fim de que você viva.
30:7 O SENHOR, seu Deus, porá todas estas maldições sobre seus inimigos e sobre aqueles que o odeiam, que o perseguiram.
30:8 Você voltará a obedecer à voz do SENHOR e cumprirá todos os seus mandamentos que hoje lhe ordeno.
30:9 O SENHOR, seu Deus, lhe dará abundância de bens em todo o trabalho de suas mãos, no fruto do seu ventre, no fruto dos seus animais e no fruto da sua terra. Pois o SENHOR tornará a se alegrar em fazer o bem a você, como se alegrou com seus pais,
30:10 se você obedecer à voz do SENHOR, seu Deus, guardando seus mandamentos e estatutos escritos neste livro da lei, se voltar ao SENHOR, seu Deus, com todo o seu coração e com toda a sua alma.
30:11 Pois este mandamento que hoje lhe ordeno não é difícil demais para você nem está longe.
30:12 Não está no céu, para que você diga: “Quem subirá ao céu por nós, o trará para nós e nos fará ouvi-lo, para que o cumpramos?”
30:13 Nem está do outro lado do mar, para que você diga: “Quem atravessará por nós para o outro lado do mar, o trará para nós e nos fará ouvi-lo, para que o cumpramos?”
30:14 Pois a palavra está muito perto de você, em sua boca e em seu coração, para que a cumpra.
30:15 Veja, hoje coloquei diante de você a vida e o bem, a morte e o mal.
30:16 Hoje lhe ordeno amar o SENHOR, seu Deus, andar em seus caminhos e guardar seus mandamentos, seus estatutos e suas normas. Assim você viverá e se multiplicará, e o SENHOR, seu Deus, abençoará você na terra em que vai entrar para tomar posse dela.
30:17 Mas, se seu coração se desviar, você não ouvir e se deixar levar a se prostrar diante de outros deuses e servi-los,
30:18 hoje declaro a vocês que certamente perecerão. Não prolongarão seus dias na terra para a qual você vai atravessar o Jordão a fim de entrar e tomar posse dela.
30:19 Hoje tomo o céu e a terra como testemunhas contra vocês: coloquei diante de você a vida e a morte, a bênção e a maldição. Escolha a vida, para que você e sua descendência vivam,
30:20 amando o SENHOR, seu Deus, obedecendo à sua voz e se apegando a ele, pois ele é sua vida e a duração de seus dias, para que você habite na terra que o SENHOR jurou dar aos seus pais, Abraão, Isaque e Jacó.

Capítulo 31
31:1 Moisés foi e falou estas palavras a todo Israel.
31:2 Disse-lhes: “Hoje tenho cento e vinte anos; já não posso sair e entrar. Além disso, o SENHOR me disse: ‘Você não atravessará este Jordão’.
31:3 O SENHOR, seu Deus, é quem atravessa à sua frente. Ele destruirá estas nações diante de você, e você as desapossará. Josué é quem atravessará à sua frente, como o SENHOR disse.
31:4 O SENHOR fará com elas como fez com Seom e Ogue, reis dos amorreus, e com sua terra, aos quais destruiu.
31:5 O SENHOR os entregará diante de vocês, e vocês farão com eles conforme todo o mandamento que lhes dei.
31:6 Sejam fortes e corajosos. Não tenham medo nem fiquem apavorados diante deles, pois o SENHOR, seu Deus, é quem vai com você; não o deixará nem o abandonará”.
31:7 Moisés chamou Josué e lhe disse diante dos olhos de todo Israel: “Seja forte e corajoso, pois você entrará com este povo na terra que o SENHOR jurou aos pais deles dar a eles, e você os fará recebê-la como herança.
31:8 O SENHOR é quem vai à sua frente. Ele estará com você; não o deixará nem o abandonará. Não tenha medo nem desanime”.
31:9 Moisés escreveu esta lei e a entregou aos sacerdotes, filhos de Levi, que carregavam a arca da aliança do SENHOR, e a todos os anciãos de Israel.
31:10 Moisés lhes ordenou: “Ao fim de cada sete anos, no tempo determinado do ano da remissão, na Festa das Cabanas,
31:11 quando todo Israel vier se apresentar diante do SENHOR, seu Deus, no lugar que ele escolher, leia esta lei diante de todo Israel, aos ouvidos deles.
31:12 Reúna o povo, os homens, as mulheres, as crianças e o estrangeiro que está dentro de suas portas, para que ouçam, aprendam, temam o SENHOR, seu Deus, e tenham o cuidado de cumprir todas as palavras desta lei.
31:13 Os filhos deles, que não conheceram estas coisas, ouvirão e aprenderão a temer o SENHOR, seu Deus, todos os dias em que vocês viverem na terra para a qual vão atravessar o Jordão a fim de tomar posse dela”.
31:14 O SENHOR disse a Moisés: “Está próximo o tempo de sua morte. Chame Josué e apresentem-se na tenda do encontro, para que eu lhe dê minhas ordens”. Moisés e Josué foram e se apresentaram na tenda do encontro.
31:15 O SENHOR apareceu na tenda numa coluna de nuvem, e a coluna de nuvem se deteve à entrada da tenda.
31:16 O SENHOR disse a Moisés: “Você vai dormir com seus pais. Este povo se levantará e se prostituirá, seguindo os deuses estrangeiros da terra em que vai entrar. Ele me abandonará e quebrará minha aliança, que fiz com ele.
31:17 Naquele dia, minha ira se acenderá contra ele. Eu os abandonarei e esconderei deles meu rosto. O povo será devorado, e muitos males e aflições o alcançarão. Naquele dia dirá: ‘Não me alcançaram estes males porque meu Deus não está no meu meio?’
31:18 Eu certamente esconderei meu rosto naquele dia, por todo o mal que tiver feito, por ter se voltado a outros deuses.
31:19 Agora escrevam este cântico e ensine-o aos filhos de Israel; ponha-o na boca deles, para que este cântico seja minha testemunha contra os filhos de Israel.
31:20 Pois eu o farei entrar na terra que jurei aos seus pais, terra que mana leite e mel. Ele comerá, se fartará e engordará; se voltará a outros deuses, os servirá, me desprezará e quebrará minha aliança.
31:21 Quando muitos males e aflições o alcançarem, este cântico responderá diante dele como testemunha, pois não será esquecido da boca de sua descendência. Eu conheço a inclinação que ele tem hoje, antes de fazê-lo entrar na terra que jurei”.
31:22 Moisés escreveu este cântico naquele dia e o ensinou aos filhos de Israel.
31:23 O SENHOR deu esta ordem a Josué, filho de Num: “Seja forte e corajoso, pois você fará os filhos de Israel entrarem na terra que jurei a eles, e eu estarei com você”.
31:24 Quando Moisés terminou de escrever num livro todas as palavras desta lei, até completá-las,
31:25 ordenou aos levitas que carregavam a arca da aliança do SENHOR:
31:26 “Peguem este livro da lei e o coloquem ao lado da arca da aliança do SENHOR, seu Deus, para que esteja ali como testemunha contra você.
31:27 Pois conheço sua rebeldia e sua dura cerviz. Se hoje, enquanto ainda estou vivo com vocês, vocês têm sido rebeldes contra o SENHOR, quanto mais depois de minha morte!
31:28 Reúnam diante de mim todos os anciãos de suas tribos e seus oficiais. Falarei estas palavras aos ouvidos deles e tomarei o céu e a terra como testemunhas contra eles.
31:29 Pois sei que, depois de minha morte, vocês certamente se corromperão e se desviarão do caminho que lhes ordenei. Nos últimos dias a calamidade os alcançará, pois farão o que é mau aos olhos do SENHOR, provocando-o à ira com a obra de suas mãos”.
31:30 Moisés falou aos ouvidos de toda a assembleia de Israel as palavras deste cântico, até completá-las:

Capítulo 32
32:1 Deem ouvidos, céus, e falarei;
   ouça a terra as palavras de minha boca.
32:2 Caia meu ensino como a chuva, destile minha palavra como o orvalho, como chuvisco sobre a relva e como aguaceiros sobre a vegetação.
32:3 Pois proclamarei o nome do SENHOR.
   Reconheçam a grandeza do nosso Deus!
32:4 A Rocha! Sua obra é perfeita, pois todos os seus caminhos são justiça.
   Deus fiel e sem injustiça, justo e reto é ele.
32:5 Corromperam-se contra ele;
   por sua mancha, não são seus filhos, geração torcida e perversa.
32:6 É assim que vocês retribuem ao SENHOR, povo insensato e sem sabedoria?
   Não é ele seu Pai, que o adquiriu?
   Ele o fez e o estabeleceu.
32:7 Lembre-se dos dias antigos;
   considerem os anos de geração em geração.
   Pergunte a seu pai, e ele lhe contará;
   aos seus anciãos, e eles lhe dirão.
32:8 Quando o Altíssimo deu herança às nações, quando separou os seres humanos, estabeleceu os limites dos povos segundo o número dos filhos de Israel.
32:9 Pois a porção do SENHOR é seu povo;
   Jacó é a parte de sua herança.
32:10 Ele o encontrou numa terra deserta, num ermo desolado e cheio de uivos.
   Cercou-o, cuidou dele e o guardou como a menina de seu olho.
32:11 Como a águia que agita seu ninho e paira sobre seus filhotes, estendeu suas asas, o tomou e o levou sobre suas penas.
32:12 Só o SENHOR o guiou;
   com ele não havia deus estrangeiro.
32:13 Ele o fez cavalgar sobre as alturas da terra, e ele comeu os frutos do campo.
   Fez que sugasse mel da rocha e azeite da dura pederneira,
32:14 coalhada de vacas e leite do rebanho, com gordura de cordeiros, carneiros de Basã e bodes, com a gordura dos grãos de trigo;
   e você bebeu o sangue da uva, o vinho.
32:15 Mas Jesurum engordou e deu coices.
   Você engordou, engrossou e se cobriu de gordura.
   Ele abandonou o Deus que o fez e desprezou a Rocha de sua salvação.
32:16 Provocaram-no a ciúmes com deuses estrangeiros;
   com abominações o provocaram à ira.
32:17 Sacrificaram a demônios, não a Deus, a deuses que não conheciam, novos, chegados há pouco, que seus pais não temeram.
32:18 Você se descuidou da Rocha que o gerou e se esqueceu do Deus que o deu à luz.
32:19 O SENHOR viu e os rejeitou, provocado por seus filhos e suas filhas.
32:20 Disse: “Esconderei deles meu rosto;
   verei qual será seu fim, pois são uma geração perversa, filhos em quem não há fidelidade.
32:21 Eles me provocaram a ciúmes com o que não é Deus;
   me provocaram à ira com seus ídolos vãos.
   Eu os provocarei a ciúmes com o que não é povo;
   com uma nação insensata os provocarei à ira.
32:22 Pois um fogo se acendeu em minha ira e arderá até as profundezas do Sheol.
   Devorará a terra e sua produção e incendiará os fundamentos dos montes.
32:23 Amontoarei males sobre eles;
   esgotarei minhas flechas contra eles.
32:24 Serão consumidos pela fome, devorados pelo ardor e pela peste amarga.
   Enviarei contra eles dentes de feras, com veneno de serpentes que se arrastam pelo pó.
32:25 Por fora, a espada trará luto;
   dentro dos aposentos, o terror: tanto ao jovem como à virgem, à criança de peito e ao homem de cabelos brancos.
32:26 Eu teria dito: ‘Vou espalhá-los, fazer cessar sua memória dentre os seres humanos’,
32:27 se não receasse a provocação do inimigo, para que seus adversários não interpretassem mal nem dissessem: ‘Nossa mão prevaleceu;
   não foi o SENHOR quem fez tudo isto’”.
32:28 Pois são uma nação sem conselho, e neles não há entendimento.
32:29 Quem dera fossem sábios, compreendessem isto e entendessem seu fim!
32:30 Como poderia um só perseguir mil, e dois fazer fugir dez mil, se sua Rocha não os tivesse vendido e o SENHOR não os tivesse entregado?
32:31 Pois a rocha deles não é como nossa Rocha;
   até nossos inimigos são juízes disso.
32:32 Pois sua vinha vem da vinha de Sodoma e dos campos de Gomorra;
   suas uvas são uvas venenosas, seus cachos são amargos.
32:33 Seu vinho é veneno de serpentes, peçonha cruel de cobras.
32:34 “Não está isso guardado comigo, selado em meus tesouros?
32:35 Minha é a vingança e a retribuição, para o tempo em que o pé deles resvalar.
   Pois está próximo o dia de sua calamidade, e se apressa o que os espera.”
32:36 Pois o SENHOR fará justiça ao seu povo e terá compaixão de seus servos, quando vir que sua força se esgotou e que não resta nem preso nem livre.
32:37 Ele dirá: “Onde estão seus deuses, a rocha em que se refugiavam,
32:38 que comiam a gordura de seus sacrifícios e bebiam o vinho de suas libações?
   Que se levantem e ajudem vocês!
   Que sejam seu abrigo!
32:39 Vejam agora que eu, eu sou ele, e não há deus comigo.
   Eu faço morrer e faço viver;
   eu feri e eu curarei, e não há quem livre de minha mão.
32:40 Pois levantarei minha mão ao céu e direi: ‘Eu vivo para sempre:
32:41 se eu afiar minha espada reluzente e minha mão empunhar o juízo, retribuirei com vingança aos meus adversários e darei o pagamento aos que me odeiam.
32:42 Embriagarei minhas flechas de sangue, e minha espada devorará carne: sangue de mortos e de cativos, das cabeças de cabelos soltos do inimigo’”.
32:43 Aclamem, nações, o povo dele, pois ele vingará o sangue de seus servos, retribuirá com vingança aos seus adversários e fará expiação por sua terra e por seu povo.
32:44 Moisés veio e falou todas as palavras deste cântico aos ouvidos do povo, ele e Oseias, filho de Num.
32:45 Quando Moisés terminou de falar todas estas palavras a todo Israel,
32:46 disse-lhes: “Ponham seu coração em todas as palavras com que hoje dou testemunho contra vocês, e ordenem a seus filhos que tenham o cuidado de cumprir todas as palavras desta lei.
32:47 Pois não é palavra vazia para vocês, mas é sua vida. Por esta palavra prolongarão seus dias na terra para a qual vão atravessar o Jordão a fim de tomar posse dela”.
32:48 Naquele mesmo dia, o SENHOR falou a Moisés:
32:49 “Suba a este monte de Abarim, ao monte Nebo, na terra de Moabe, diante de Jericó, e veja a terra de Canaã, que dou aos filhos de Israel como propriedade.
32:50 Morra no monte a que você vai subir e seja reunido ao seu povo, como seu irmão Arão morreu no monte Hor e foi reunido ao seu povo,
32:51 pois vocês foram infiéis a mim no meio dos filhos de Israel, nas águas de Meribá-Cades, no deserto de Zim; vocês não manifestaram minha santidade no meio dos filhos de Israel.
32:52 Você verá a terra de longe, mas não entrará nela, na terra que dou aos filhos de Israel”.

Capítulo 33
33:1 Esta é a bênção com que Moisés, homem de Deus, abençoou os filhos de Israel antes de morrer.
33:2 Ele disse:
 “O SENHOR veio do Sinai e resplandeceu para eles desde Seir;
   brilhou desde o monte Parã e veio do meio de dezenas de milhares de santos;
   de sua mão direita, uma lei de fogo para eles.
33:3 Sim, ele ama os povos;
   todos os seus santos estão em tua mão.
   Eles se prostram a teus pés;
   cada um recebe tuas palavras.
33:4 Moisés nos ordenou a lei, herança da assembleia de Jacó.
33:5 E foi rei em Jesurum, quando se reuniram os chefes do povo, juntas as tribos de Israel.
33:6 Viva Rúben e não morra, mesmo que seus homens sejam poucos”.

33:7 Esta foi a bênção para Judá.
   Ele disse: “Ouve, SENHOR, a voz de Judá e traze-o a seu povo.
   Suas mãos lutaram por ele;
   sê sua ajuda contra seus adversários”.

33:8 A Levi disse: “Teu Tumim e teu Urim sejam para o homem que te é fiel, a quem provaste em Massá, com quem contendeste nas águas de Meribá,
33:9 aquele que disse de seu pai e de sua mãe: ‘Não o vi’, não reconheceu seus irmãos nem conheceu seu filho, pois guardaram tua palavra e preservarão tua aliança.
33:10 Ensinarão tuas normas a Jacó e tua lei a Israel;
   porão incenso diante de tuas narinas e holocausto sobre teu altar.
33:11 Bendize, SENHOR, seu vigor e aceita a obra de suas mãos;
   esmaga os lombos dos que se levantam contra ele e dos que o odeiam, para que não voltem a se levantar”.

33:12 A Benjamim disse: “O amado do SENHOR habitará seguro junto dele;
   ele o cobrirá todo o dia, e entre seus ombros habitará”.

33:13 A José disse: “Bendita pelo SENHOR seja sua terra, com o melhor dos céus, com o orvalho e com o abismo que repousa por baixo,
33:14 com o melhor das colheitas do sol e com o melhor dos frutos das luas,
33:15 com o mais precioso dos montes antigos e com o melhor das colinas eternas,
33:16 com o melhor da terra e de tudo o que a enche, e com o favor daquele que habitou na sarça.
   Venha tudo isso sobre a cabeça de José e sobre o alto da cabeça daquele que foi separado de seus irmãos.
33:17 Sua majestade é a de um touro primogênito, e seus chifres são chifres de touro selvagem.
   Com eles ferirá com chifradas os povos, todos juntos, até os confins da terra.
   Eles são as dezenas de milhares de Efraim e os milhares de Manassés”.

33:18 A Zebulom disse: “Alegre-se, Zebulom, em suas saídas, e você, Issacar, em suas tendas.
33:19 Chamarão os povos ao monte;
   ali oferecerão sacrifícios de justiça, pois sugarão a abundância dos mares e os tesouros escondidos na areia”.

33:20 A Gade disse: “Bendito aquele que amplia Gade.
   Ele repousa como um leão e despedaça o braço e até o alto da cabeça.
33:21 Escolheu para si a melhor parte, pois ali estava reservada a porção do legislador.
   Veio com os chefes do povo;
   executou a justiça do SENHOR e suas normas com Israel”.

33:22 A Dã disse: “Dã é um filhote de leão que salta de Basã”.
33:23 A Naftali disse: “Naftali, saciado de favor e cheio da bênção do SENHOR, tome posse do oeste e do sul”.

33:24 A Aser disse: “Que Aser seja o mais bendito dos filhos;
   seja estimado por seus irmãos e mergulhe seu pé em azeite.
33:25 De ferro e bronze serão seus ferrolhos, e sua força será como seus dias”.
33:26 “Não há ninguém como Deus, Jesurum, que cavalga pelos céus para ajudar você e, em sua majestade, pelas nuvens.
33:27 O Deus eterno é seu refúgio, e por baixo estão os braços eternos.
   Ele expulsou de diante de você o inimigo e disse: ‘Destrua’.
33:28 Israel habitará seguro;
   a fonte de Jacó ficará apartada, em terra de cereais e vinho novo.
   Também seus céus destilarão orvalho.
33:29 Feliz é você, Israel!
   Quem é como você, povo salvo pelo SENHOR, escudo de sua ajuda e espada de seu triunfo?
   Seus inimigos fingirão submissão diante de você, e você pisará suas alturas”.

Capítulo 34
34:1 Moisés subiu das planícies de Moabe ao monte Nebo, ao cume do Pisga, que fica em frente de Jericó. O SENHOR lhe mostrou toda a terra: Gileade até Dã,
34:2 todo o território de Naftali, a terra de Efraim e Manassés e toda a terra de Judá até o mar ocidental,
34:3 o Neguebe e a planície, o vale de Jericó, cidade das palmeiras, até Zoar.
34:4 O SENHOR lhe disse: “Esta é a terra que jurei a Abraão, Isaque e Jacó, dizendo: ‘Eu a darei à sua descendência’. Fiz com que você a visse com seus olhos, mas você não passará para lá”.
34:5 Ali morreu Moisés, servo do SENHOR, na terra de Moabe, conforme a palavra do SENHOR.
34:6 Ele o sepultou no vale, na terra de Moabe, em frente de Bete-Peor; até o dia de hoje ninguém conhece sua sepultura.
34:7 Moisés tinha cento e vinte anos quando morreu; sua vista não havia enfraquecido nem seu vigor havia se esgotado.
34:8 Os filhos de Israel choraram por Moisés nas planícies de Moabe durante trinta dias. Assim se completaram os dias de choro e luto por Moisés.
34:9 Josué, filho de Num, estava cheio do espírito de sabedoria, pois Moisés havia posto suas mãos sobre ele. Os filhos de Israel lhe obedeceram e fizeram como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
34:10 Não voltou a se levantar em Israel um profeta como Moisés, a quem o SENHOR conhecia face a face,
34:11 em todos os sinais e prodígios que o SENHOR o enviou a realizar na terra do Egito, contra o faraó, todos os seus servos e toda a sua terra,
34:12 e em toda a força de sua mão e em todo o grande terror que Moisés manifestou aos olhos de todo Israel.

JOSUÉ

Capítulo 1
1:1 Depois da morte de Moisés, servo do SENHOR, o SENHOR disse a Josué, filho de Num, auxiliar de Moisés:
1:2 “Meu servo Moisés morreu. Agora levante-se e atravesse este Jordão, você e todo este povo, para a terra que dou aos filhos de Israel.
1:3 Eu dei a vocês todo lugar que a planta dos seus pés pisar, como prometi a Moisés.
1:4 O território de vocês se estenderá desde o deserto e este Líbano até o grande rio, o rio Eufrates, abrangendo toda a terra dos hititas, e até o mar Grande, onde o sol se põe.
1:5 Ninguém poderá resistir a você durante todos os dias da sua vida. Assim como estive com Moisés, estarei com você; não o deixarei nem o abandonarei.
1:6 Seja forte e corajoso, pois você fará este povo herdar a terra que jurei dar aos seus antepassados.
1:7 Apenas seja forte e muito corajoso para ter o cuidado de cumprir toda a lei que meu servo Moisés lhe ordenou. Não se desvie dela nem para a direita nem para a esquerda, para que aja com sabedoria por onde quer que andar.
1:8 Não deixe que este livro da lei se afaste da sua boca; medite nele dia e noite, para ter o cuidado de cumprir tudo o que nele está escrito. Então você fará prosperar o seu caminho e agirá com sabedoria.
1:9 Não fui eu que lhe ordenei? Seja forte e corajoso! Não se apavore nem desanime, pois o SENHOR, seu Deus, está com você por onde quer que andar”.
1:10 Então Josué ordenou aos oficiais do povo:
1:11 “Percorram o acampamento e ordenem ao povo: ‘Preparem suas provisões, pois dentro de três dias vocês atravessarão este Jordão para entrar e tomar posse da terra que o SENHOR, seu Deus, lhes dá para possuir’”.
1:12 Josué disse aos rubenitas, aos gaditas e à meia tribo de Manassés:
1:13 “Lembrem-se da ordem que Moisés, servo do SENHOR, lhes deu: ‘O SENHOR, seu Deus, lhes concede descanso e lhes deu esta terra’.
1:14 As esposas, as crianças e os rebanhos de vocês ficarão na terra que Moisés lhes deu deste lado do Jordão. Mas vocês, todos os guerreiros valentes, atravessarão armados à frente dos seus irmãos e os ajudarão,
1:15 até que o SENHOR conceda descanso aos seus irmãos, como concedeu a vocês, e eles também tomem posse da terra que o SENHOR, seu Deus, lhes dá. Então vocês voltarão à terra da sua herança e tomarão posse dela, a terra que Moisés, servo do SENHOR, lhes deu deste lado do Jordão, onde o sol nasce”.
1:16 Eles responderam a Josué: “Faremos tudo o que você nos ordenou e iremos aonde quer que nos enviar.
1:17 Assim como obedecemos a Moisés em tudo, também obedeceremos a você. Que o SENHOR, seu Deus, esteja com você, como esteve com Moisés.
1:18 Todo aquele que se rebelar contra a sua ordem e não obedecer às suas palavras em tudo o que lhe ordenar será morto. Apenas seja forte e corajoso!”.

Capítulo 2
2:1 Josué, filho de Num, enviou secretamente de Sitim dois homens como espiões, dizendo: “Vão examinar a terra e Jericó”. Eles foram, entraram na casa de uma prostituta chamada Raabe e passaram a noite ali.
2:2 O rei de Jericó foi informado: “Esta noite chegaram aqui alguns homens dos filhos de Israel para espionar a terra”.
2:3 Então o rei de Jericó mandou dizer a Raabe: “Traga para fora os homens que vieram procurá-la e entraram na sua casa, pois vieram espionar toda a terra”.
2:4 Mas a mulher havia acolhido os dois homens e os escondido. Ela disse: “É verdade que os homens vieram me procurar, mas eu não sabia de onde eram.
2:5 Ao escurecer, quando o portão estava para ser fechado, os homens saíram. Não sei para onde foram. Persigam-nos depressa, pois vocês os alcançarão”.
2:6 Ela, porém, os havia levado ao terraço e os escondido entre os talos de linho que havia disposto ali.
2:7 Os perseguidores foram atrás deles pelo caminho do Jordão, em direção aos vaus. Assim que os perseguidores saíram, o portão foi fechado.
2:8 Antes que os dois homens se deitassem, ela subiu até eles no terraço
2:9 e lhes disse: “Sei que o SENHOR deu esta terra a vocês, que o pavor que vocês inspiram caiu sobre nós e que todos os habitantes desta terra desfalecem diante de vocês.
2:10 Pois ouvimos como o SENHOR secou as águas do mar Vermelho diante de vocês quando saíram do Egito, e o que vocês fizeram aos dois reis dos amorreus que estavam do outro lado do Jordão, Seom e Ogue, que vocês entregaram à destruição total.
2:11 Quando ouvimos isso, nosso coração se derreteu de medo, e ninguém mais teve ânimo diante de vocês, pois o SENHOR, seu Deus, é Deus em cima nos céus e embaixo na terra.
2:12 Agora, por favor, jurem pelo SENHOR que, assim como tratei vocês com bondade, também tratarão com bondade a família de meu pai. Deem-me uma garantia segura
2:13 de que deixarão com vida meu pai, minha mãe, meus irmãos, minhas irmãs e todos os seus, e de que livrarão nossas vidas da morte”.
2:14 Os homens lhe responderam: “Nossa vida pela de vocês, mesmo que tenhamos de morrer! Se vocês não revelarem este nosso assunto, quando o SENHOR nos der esta terra, trataremos você com bondade e fidelidade”.
2:15 Então ela os fez descer pela janela com uma corda, pois sua casa ficava na muralha, e era ali que ela morava.
2:16 Ela lhes disse: “Vão para os montes, para que os perseguidores não os encontrem. Escondam-se ali durante três dias, até que os perseguidores voltem; depois vocês poderão seguir seu caminho”.
2:17 Os homens lhe disseram: “Ficaremos livres deste juramento que você nos fez prestar se não cumprir estas condições:
2:18 quando entrarmos nesta terra, amarre este cordão de fio escarlate à janela pela qual nos fez descer. Reúna com você, dentro de casa, seu pai, sua mãe, seus irmãos e toda a família de seu pai.
2:19 Se alguém sair pelas portas da sua casa, seu sangue recairá sobre sua própria cabeça, e estaremos livres de culpa. Mas, se alguém tocar em qualquer pessoa que estiver com você dentro da casa, o sangue dela recairá sobre nossas cabeças.
2:20 Se você revelar este nosso assunto, ficaremos livres do juramento que nos fez prestar”.
2:21 Ela respondeu: “Seja conforme vocês disseram”. Então os despediu, e eles partiram. E ela amarrou o cordão escarlate à janela.
2:22 Eles foram para os montes e ficaram ali durante três dias, até que os perseguidores voltaram. Os perseguidores os procuraram por todo o caminho, mas não os encontraram.
2:23 Os dois homens voltaram, desceram dos montes, atravessaram o rio e chegaram a Josué, filho de Num. Contaram-lhe tudo o que lhes havia acontecido
2:24 e disseram a Josué: “Certamente o SENHOR entregou toda esta terra em nossas mãos. Todos os habitantes da terra desfalecem diante de nós”.

Capítulo 3
3:1 Josué se levantou de madrugada, e ele e todos os filhos de Israel partiram de Sitim. Chegaram ao Jordão e passaram a noite ali, antes de atravessá-lo.
3:2 Ao fim de três dias, os oficiais percorreram o acampamento
3:3 e ordenaram ao povo: “Quando vocês virem a arca da aliança do SENHOR, seu Deus, sendo carregada pelos sacerdotes levitas, saiam de onde estão e sigam a arca.
3:4 Mas mantenham uma distância de cerca de um quilômetro entre vocês e ela. Não se aproximem dela, para que saibam por qual caminho devem seguir, pois nunca antes passaram por este caminho”.
3:5 Josué disse ao povo: “Consagrem-se, pois amanhã o SENHOR fará maravilhas no meio de vocês”.
3:6 Josué disse aos sacerdotes: “Levantem a arca da aliança e passem à frente do povo”. Eles levantaram a arca da aliança e foram à frente do povo.
3:7 O SENHOR disse a Josué: “Hoje começarei a engrandecer você aos olhos de todo o Israel, para que saibam que estarei com você assim como estive com Moisés.
3:8 Você ordenará aos sacerdotes que carregam a arca da aliança: ‘Quando chegarem à beira das águas do Jordão, parem dentro do Jordão’”.
3:9 Então Josué disse aos filhos de Israel: “Aproximem-se e ouçam as palavras do SENHOR, seu Deus”.
3:10 Josué disse: “Nisto vocês saberão que o Deus vivo está no meio de vocês e que certamente expulsará de diante de vocês os cananeus, os hititas, os heveus, os ferezeus, os girgaseus, os amorreus e os jebuseus.
3:11 Vejam! A arca da aliança do Senhor de toda a terra vai atravessar o Jordão à frente de vocês.
3:12 Agora escolham doze homens das tribos de Israel, um de cada tribo.
3:13 Assim que as plantas dos pés dos sacerdotes que carregam a arca do SENHOR, o Senhor de toda a terra, pousarem nas águas do Jordão, o curso das águas do Jordão será interrompido. As águas que descem de cima se deterão, acumuladas numa só massa”.
3:14 Quando o povo saiu de suas tendas para atravessar o Jordão, os sacerdotes que carregavam a arca da aliança foram à frente do povo.
3:15 Assim que os que carregavam a arca chegaram ao Jordão e os pés dos sacerdotes que a carregavam mergulharam na beira das águas (o Jordão transborda por todas as suas margens durante toda a época da colheita),
3:16 as águas que desciam de cima pararam e se ergueram numa só massa, muito longe dali, em Adã, cidade próxima de Sartã. As águas que desciam para o mar da Arabá, o mar Salgado, se esgotaram e deixaram de correr, e o povo atravessou em frente a Jericó.
3:17 Os sacerdotes que carregavam a arca da aliança do SENHOR permaneceram firmes em terra seca, no meio do Jordão, enquanto todo o Israel atravessava em terra seca, até que toda a nação acabou de atravessar o Jordão.

Capítulo 4
4:1 Quando toda a nação acabou de atravessar o Jordão, o SENHOR disse a Josué:
4:2 “Escolham doze homens do povo, um de cada tribo,
4:3 e ordenem a eles: ‘Retirem daqui, do meio do Jordão, do lugar onde os pés dos sacerdotes estão firmes, doze pedras. Levem-nas com vocês para o outro lado e deixem-nas no lugar onde passarão esta noite’”.
4:4 Então Josué chamou os doze homens que havia escolhido entre os filhos de Israel, um de cada tribo,
4:5 e lhes disse: “Passem diante da arca do SENHOR, seu Deus, até o meio do Jordão, e cada um coloque uma pedra sobre o ombro, conforme o número das tribos dos filhos de Israel,
4:6 para que isso seja um sinal entre vocês. Quando, no futuro, seus filhos perguntarem: ‘O que estas pedras significam para vocês?’,
4:7 respondam a eles: ‘As águas do Jordão deixaram de correr diante da arca da aliança do SENHOR. Quando ela atravessou o Jordão, as águas do Jordão deixaram de correr’. Estas pedras serão um memorial para os filhos de Israel para sempre”.
4:8 Os filhos de Israel fizeram como Josué havia ordenado. Retiraram doze pedras do meio do Jordão, conforme o SENHOR havia dito a Josué, segundo o número das tribos dos filhos de Israel. Levaram-nas consigo ao lugar onde passariam a noite e as deixaram ali.
4:9 Josué também ergueu doze pedras no meio do Jordão, no lugar onde estavam os pés dos sacerdotes que carregavam a arca da aliança. Elas estão ali até hoje.
4:10 Os sacerdotes que carregavam a arca permaneceram no meio do Jordão até que se cumprisse tudo o que o SENHOR havia mandado Josué dizer ao povo, conforme tudo o que Moisés havia ordenado a Josué. O povo se apressou e atravessou.
4:11 Quando todo o povo acabou de atravessar, a arca do SENHOR e os sacerdotes atravessaram à vista do povo.
4:12 Os filhos de Rúben, os filhos de Gade e a meia tribo de Manassés atravessaram armados à frente dos filhos de Israel, como Moisés lhes havia dito.
4:13 Cerca de quarenta mil homens do exército, armados para a guerra, atravessaram diante do SENHOR para a batalha, rumo às planícies de Jericó.
4:14 Naquele dia, o SENHOR engrandeceu Josué aos olhos de todo Israel. Eles o temeram durante todos os dias da sua vida, como haviam temido Moisés.
4:15 O SENHOR disse a Josué:
4:16 “Ordene aos sacerdotes que carregam a arca do Testemunho que subam do Jordão”.
4:17 Então Josué ordenou aos sacerdotes: “Subam do Jordão”.
4:18 Quando os sacerdotes que carregavam a arca da aliança do SENHOR subiram do meio do Jordão e as plantas dos seus pés pisaram em terra seca, as águas do Jordão voltaram ao seu lugar e correram como antes, transbordando por todas as suas margens.
4:19 O povo subiu do Jordão no décimo dia do primeiro mês e acampou em Gilgal, na extremidade leste de Jericó.
4:20 Josué ergueu em Gilgal as doze pedras que haviam retirado do Jordão.
4:21 Ele disse aos filhos de Israel: “Quando, no futuro, seus filhos perguntarem aos pais: ‘O que são estas pedras?’,
4:22 expliquem aos seus filhos: ‘Israel atravessou este Jordão em terra seca’.
4:23 Pois o SENHOR, seu Deus, secou as águas do Jordão diante de vocês até que atravessassem, assim como o SENHOR, seu Deus, fez com o mar Vermelho, que secou diante de nós até que atravessássemos,
4:24 para que todos os povos da terra saibam que a mão do SENHOR é poderosa, e para que vocês temam o SENHOR, seu Deus, todos os dias”.

Capítulo 5
5:1 Quando todos os reis dos amorreus que estavam a oeste do Jordão e todos os reis dos cananeus que estavam junto ao mar ouviram que o SENHOR havia secado as águas do Jordão diante dos filhos de Israel até que atravessamos, o coração deles se derreteu de medo, e não lhes restou mais ânimo diante dos filhos de Israel.
5:2 Naquele tempo, o SENHOR disse a Josué: “Faça facas de sílex e volte a circuncidar os filhos de Israel, pela segunda vez”.
5:3 Josué fez facas de sílex e circuncidou os filhos de Israel na colina dos Prepúcios.
5:4 Esta foi a razão pela qual Josué os circuncidou: todos os homens do povo que haviam saído do Egito, todos os homens de guerra, haviam morrido no deserto, pelo caminho, depois de saírem do Egito.
5:5 Todos os que haviam saído estavam circuncidados, mas nenhum dos que nasceram no deserto, pelo caminho, depois da saída do Egito, havia sido circuncidado.
5:6 Pois os filhos de Israel andaram quarenta anos pelo deserto, até que morreram todos os homens de guerra da nação que haviam saído do Egito e não tinham obedecido à voz do SENHOR. O SENHOR lhes havia jurado que não os deixaria ver a terra que havia jurado aos seus antepassados nos dar, uma terra onde fluem leite e mel.
5:7 Ele havia posto os filhos deles em seu lugar. Foi a estes que Josué circuncidou, pois eram incircuncisos, porque não haviam sido circuncidados pelo caminho.
5:8 Depois que toda a nação foi circuncidada, permaneceram onde estavam, no acampamento, até se recuperarem.
5:9 O SENHOR disse a Josué: “Hoje removi de vocês a vergonha do Egito”. Por isso aquele lugar se chama Gilgal até hoje.
5:10 Os filhos de Israel acamparam em Gilgal e celebraram a Páscoa no décimo quarto dia do mês, ao entardecer, nas planícies de Jericó.
5:11 No dia seguinte à Páscoa, comeram dos grãos da terra: pães sem fermento e grãos tostados, naquele mesmo dia.
5:12 No dia seguinte, depois de comerem dos grãos da terra, o maná cessou. Os filhos de Israel não tiveram mais maná; naquele ano, comeram da colheita da terra de Canaã.
5:13 Quando Josué estava perto de Jericó, levantou os olhos e viu um homem em pé diante dele, com a espada desembainhada na mão. Josué se aproximou e lhe perguntou: “Você está do nosso lado ou do lado dos nossos inimigos?”.
5:14 Ele respondeu: “Não! Sou o comandante do exército do SENHOR e acabo de chegar”. Então Josué caiu com o rosto em terra, prostrou-se e lhe disse: “O que meu senhor tem a dizer a seu servo?”.
5:15 O comandante do exército do SENHOR disse a Josué: “Tire a sandália do pé, pois o lugar em que você está é santo”. E Josué assim fez.

Capítulo 6
6:1 Jericó estava fechada e bem trancada por causa dos filhos de Israel. Ninguém saía nem entrava.
6:2 O SENHOR disse a Josué: “Veja! Entreguei em suas mãos Jericó, seu rei e seus guerreiros valentes.
6:3 Vocês, todos os homens de guerra, darão uma volta ao redor da cidade. Faça isso durante seis dias.
6:4 Sete sacerdotes levarão sete trombetas de chifre de carneiro diante da arca. No sétimo dia, vocês darão sete voltas ao redor da cidade, e os sacerdotes tocarão as trombetas.
6:5 Quando for dado um toque prolongado no chifre de carneiro, ao ouvirem o som da trombeta, todo o povo dará um grande grito. A muralha da cidade desabará onde está, e o povo subirá, cada um seguindo em frente”.
6:6 Josué, filho de Num, chamou os sacerdotes e lhes disse: “Levantem a arca da aliança, e sete sacerdotes levem sete trombetas de chifre de carneiro diante da arca do SENHOR”.
6:7 Disseram ao povo: “Avancem e deem a volta ao redor da cidade. Os homens armados passarão à frente da arca do SENHOR”.
6:8 Quando Josué falou ao povo, os sete sacerdotes que levavam as sete trombetas de chifre de carneiro avançaram diante do SENHOR e tocaram as trombetas. A arca da aliança do SENHOR ia atrás deles.
6:9 Os homens armados iam à frente dos sacerdotes que tocavam as trombetas, e a retaguarda seguia atrás da arca, enquanto as trombetas continuavam soando.
6:10 Josué havia ordenado ao povo: “Não gritem nem façam ouvir a sua voz. Que nenhuma palavra saia da boca de vocês até o dia em que eu lhes disser: ‘Gritem!’. Então vocês gritarão”.
6:11 Ele fez a arca do SENHOR dar uma volta ao redor da cidade. Depois voltaram ao acampamento e passaram a noite ali.
6:12 Josué se levantou de madrugada, e os sacerdotes levantaram a arca do SENHOR.
6:13 Os sete sacerdotes que levavam as sete trombetas de chifre de carneiro diante da arca do SENHOR seguiam caminhando e tocavam as trombetas. Os homens armados iam à frente deles, e a retaguarda seguia atrás da arca do SENHOR, enquanto as trombetas continuavam soando.
6:14 No segundo dia, deram uma volta ao redor da cidade e voltaram ao acampamento. Fizeram isso durante seis dias.
6:15 No sétimo dia, levantaram-se ao despontar da madrugada e deram sete voltas ao redor da cidade, da mesma maneira. Somente naquele dia deram sete voltas ao redor da cidade.
6:16 Na sétima volta, os sacerdotes tocaram as trombetas, e Josué disse ao povo: “Gritem, pois o SENHOR entregou a cidade a vocês!
6:17 A cidade e tudo o que nela há serão consagrados ao SENHOR para a destruição total. Somente Raabe, a prostituta, e todos os que estiverem com ela em casa ficarão com vida, pois ela escondeu os mensageiros que enviamos.
6:18 Mas vocês, tomem cuidado com o que foi consagrado à destruição, para não serem também entregues à destruição ao se apoderarem de algo consagrado. Assim fariam o acampamento de Israel ser entregue à destruição e lhe trariam desgraça.
6:19 Toda a prata, o ouro e os utensílios de bronze e de ferro são santos para o SENHOR e irão para o tesouro do SENHOR”.
6:20 O povo gritou, e os sacerdotes tocaram as trombetas. Quando o povo ouviu o som da trombeta, deu um grande grito, e a muralha desabou onde estava. O povo subiu à cidade, cada um seguindo em frente, e a tomaram.
6:21 Entregaram à destruição total tudo o que havia na cidade: homens e mulheres, jovens e idosos, bois, ovelhas, cabras e jumentos, ao fio da espada.
6:22 Josué disse aos dois homens que haviam espionado a terra: “Entrem na casa da prostituta e tirem de lá a mulher e tudo o que lhe pertence, como vocês juraram a ela”.
6:23 Os jovens espiões entraram e tiraram de lá Raabe, seu pai, sua mãe, seus irmãos e tudo o que lhe pertencia. Tiraram também todos os seus parentes e os deixaram fora do acampamento de Israel.
6:24 Queimaram a cidade e tudo o que havia nela. Somente a prata, o ouro e os utensílios de bronze e de ferro foram colocados no tesouro da casa do SENHOR.
6:25 Josué poupou Raabe, a prostituta, a família de seu pai e tudo o que lhe pertencia. Ela vive no meio de Israel até hoje, pois escondeu os mensageiros que Josué havia enviado para espionar Jericó.
6:26 Naquele tempo, Josué fez o povo prestar este juramento: “Maldito diante do SENHOR seja o homem que se levantar e reconstruir esta cidade, Jericó! À custa de seu primogênito porá os alicerces dela, e à custa de seu filho mais novo levantará os seus portões”.
6:27 O SENHOR estava com Josué, e sua fama se espalhou por toda a terra.

Capítulo 7
7:1 Os filhos de Israel cometeram uma infidelidade em relação ao que havia sido consagrado à destruição. Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zerá, da tribo de Judá, tomou algo consagrado à destruição, e a ira do SENHOR se acendeu contra os filhos de Israel.
7:2 Josué enviou homens de Jericó a Ai, que fica perto de Bete-Áven, a leste de Betel, e lhes disse: “Subam e espionem a terra”. Os homens subiram e espionaram Ai.
7:3 Voltaram a Josué e lhe disseram: “Não é preciso que todo o povo suba. Que subam cerca de dois ou três mil homens e ataquem Ai. Não canse todo o povo fazendo-o subir até lá, pois eles são poucos”.
7:4 Assim, cerca de três mil homens do povo subiram até lá, mas fugiram diante dos homens de Ai.
7:5 Os homens de Ai mataram cerca de trinta e seis deles, perseguiram-nos desde o portão até Sebarim e os atacaram na descida. O coração do povo se derreteu e se tornou como água.
7:6 Então Josué rasgou suas roupas e caiu com o rosto em terra diante da arca do SENHOR, ele e os anciãos de Israel, até o entardecer. E jogaram pó sobre a cabeça.
7:7 Josué disse: “Ah, Senhor DEUS! Por que fizeste este povo atravessar o Jordão, para nos entregares nas mãos dos amorreus e nos destruírem? Quem dera tivéssemos nos contentado em ficar do outro lado do Jordão!
7:8 Por favor, Senhor! O que direi, depois de Israel ter virado as costas diante dos seus inimigos?
7:9 Os cananeus e todos os habitantes da terra ouvirão isso, nos cercarão e apagarão nosso nome da terra. E o que farás pelo teu grande nome?”.
7:10 O SENHOR disse a Josué: “Levante-se! Por que você está assim prostrado com o rosto em terra?
7:11 Israel pecou. Também transgrediram minha aliança, que lhes ordenei; também tomaram do que foi consagrado à destruição; também roubaram; também mentiram; também puseram isso entre os seus pertences.
7:12 Os filhos de Israel não poderão resistir aos seus inimigos. Virarão as costas diante dos seus inimigos, pois foram entregues à destruição. Não continuarei com vocês se não eliminarem do seu meio o que foi consagrado à destruição.
7:13 Levante-se, consagre o povo e diga: ‘Consagrem-se para amanhã, pois assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Há no seu meio, Israel, algo consagrado à destruição. Você não poderá resistir aos seus inimigos até que vocês tirem do seu meio o que foi consagrado à destruição.
7:14 Pela manhã vocês se apresentarão por tribos. A tribo que o SENHOR indicar se apresentará por clãs; o clã que o SENHOR indicar se apresentará por famílias; e a família que o SENHOR indicar se apresentará homem por homem.
7:15 Aquele que for descoberto com o que foi consagrado à destruição será queimado, ele e tudo o que lhe pertence, pois transgrediu a aliança do SENHOR e cometeu uma infâmia em Israel’”.
7:16 Josué se levantou de madrugada e fez Israel se apresentar por tribos, e a tribo de Judá foi indicada.
7:17 Fez a família de Judá se apresentar e indicou o clã dos zeraítas. Fez o clã dos zeraítas se apresentar homem por homem, e Zabdi foi indicado.
7:18 Fez a família dele se apresentar homem por homem, e foi indicado Acã, filho de Carmi, filho de Zabdi, filho de Zerá, da tribo de Judá.
7:19 Então Josué disse a Acã: “Meu filho, por favor, dê glória ao SENHOR, Deus de Israel, e faça sua confissão diante dele. Diga-me, por favor, o que você fez; não esconda de mim”.
7:20 Acã respondeu a Josué: “É verdade! Pequei contra o SENHOR, Deus de Israel. Foi isto que fiz:
7:21 vi entre os despojos um belo manto de Sinar, cerca de 2,3 quilos de prata e uma barra de ouro que pesava cerca de 570 gramas. Eu os cobicei e os tomei. Estão escondidos debaixo da terra, no meio da minha tenda, e a prata está debaixo do manto”.
7:22 Josué enviou mensageiros, que correram à tenda. Lá estava o manto escondido na tenda dele, e a prata estava debaixo do manto.
7:23 Tiraram essas coisas do meio da tenda, levaram-nas a Josué e a todos os filhos de Israel e as depositaram diante do SENHOR.
7:24 Josué e todo Israel com ele tomaram Acã, filho de Zerá, a prata, o manto, a barra de ouro, seus filhos, suas filhas, seu boi, seu jumento, seu rebanho, sua tenda e tudo o que lhe pertencia e os levaram ao vale de Acor.
7:25 Josué disse: “Por que você nos trouxe desgraça? Que o SENHOR lhe traga desgraça hoje!”. Todo Israel o apedrejou. Então os queimaram e os apedrejaram com pedras.
7:26 Ergueram sobre ele um grande monte de pedras, que permanece até hoje. E o SENHOR se afastou do ardor da sua ira. Por isso aquele lugar se chama vale de Acor até hoje.

Capítulo 8
8:1 O SENHOR disse a Josué: “Não tenha medo nem desanime. Leve com você todos os homens de guerra, levante-se e suba a Ai. Veja! Entreguei em suas mãos o rei de Ai, seu povo, sua cidade e sua terra.
8:2 Você fará com Ai e seu rei o mesmo que fez com Jericó e seu rei. Mas vocês poderão tomar para si os despojos e o gado. Prepare uma emboscada atrás da cidade”.
8:3 Josué e todos os homens de guerra se levantaram para subir contra Ai. Josué escolheu trinta mil homens, guerreiros valentes, e os enviou de noite.
8:4 Ele lhes ordenou: “Atenção! Vocês ficarão de emboscada atrás da cidade. Não se afastem muito da cidade e fiquem todos preparados.
8:5 Eu e todo o povo que está comigo nos aproximaremos da cidade. Quando eles saírem ao nosso encontro, como da primeira vez, fugiremos diante deles.
8:6 Eles sairão atrás de nós até que os tenhamos afastado da cidade, pois dirão: ‘Estão fugindo de nós como da primeira vez’. E nós fugiremos diante deles.
8:7 Então vocês sairão da emboscada e tomarão a cidade. O SENHOR, seu Deus, a entregará em suas mãos.
8:8 Quando tomarem a cidade, ponham fogo nela. Façam conforme a palavra do SENHOR. Vejam, esta é a ordem que lhes dei”.
8:9 Josué os enviou, e eles foram para o lugar da emboscada, entre Betel e Ai, a oeste de Ai. Josué passou aquela noite no meio do povo.
8:10 Josué se levantou de madrugada e passou o povo em revista. Ele e os anciãos de Israel subiram à frente do povo contra Ai.
8:11 Todos os homens de guerra que estavam com ele subiram, aproximaram-se e chegaram diante da cidade. Acamparam ao norte de Ai, com o vale entre ele e Ai.
8:12 Ele tomou cerca de cinco mil homens e os pôs de emboscada entre Betel e Ai, a oeste da cidade.
8:13 Assim dispuseram o povo: todo o acampamento ao norte da cidade, e a retaguarda a oeste da cidade. Naquela noite, Josué foi para o meio do vale.
8:14 Quando o rei de Ai viu isso, os homens da cidade se apressaram, levantaram-se de madrugada e saíram para combater Israel. O rei e todo o seu povo foram ao lugar combinado, diante da Arabá. Ele, porém, não sabia que havia uma emboscada contra ele atrás da cidade.
8:15 Josué e todo Israel se fingiram derrotados diante deles e fugiram pelo caminho do deserto.
8:16 Todo o povo que estava na cidade foi convocado para persegui-los. Perseguiram Josué e foram afastados da cidade.
8:17 Não ficou em Ai nem em Betel um só homem que não saísse atrás de Israel. Deixaram a cidade aberta e perseguiram Israel.
8:18 O SENHOR disse a Josué: “Estenda para Ai a lança que você tem na mão, pois entregarei a cidade em suas mãos”. Josué estendeu para a cidade a lança que tinha na mão.
8:19 Os homens da emboscada se levantaram depressa do seu lugar e correram assim que ele estendeu a mão. Entraram na cidade, tomaram-na e se apressaram a pôr fogo nela.
8:20 Os homens de Ai olharam para trás e viram a fumaça da cidade subindo ao céu. Não tinham como fugir para um lado nem para o outro, e o povo que fugia para o deserto se voltou contra os perseguidores.
8:21 Quando Josué e todo Israel viram que os homens da emboscada haviam tomado a cidade e que a fumaça da cidade subia, voltaram-se e atacaram os homens de Ai.
8:22 Os outros saíram da cidade ao encontro deles. Assim, os homens de Ai ficaram cercados por Israel, com israelitas de um lado e do outro. Os israelitas os atacaram até não deixar sobrevivente nem fugitivo.
8:23 O rei de Ai foi capturado vivo e levado a Josué.
8:24 Quando Israel acabou de matar todos os habitantes de Ai no campo, no deserto onde os haviam perseguido, e todos caíram ao fio da espada até serem exterminados, todo Israel voltou a Ai e atacou a cidade ao fio da espada.
8:25 Todos os que caíram naquele dia, homens e mulheres, foram doze mil, todos os habitantes de Ai.
8:26 Josué não recolheu a mão que havia estendido com a lança até entregar à destruição total todos os habitantes de Ai.
8:27 Somente o gado e os despojos daquela cidade Israel tomou para si, conforme a palavra do SENHOR, que assim havia ordenado a Josué.
8:28 Josué queimou Ai e a transformou para sempre num monte de ruínas, desolada até hoje.
8:29 Pendurou o rei de Ai num madeiro até o entardecer. Ao pôr do sol, Josué deu a ordem, e desceram o cadáver do madeiro, lançaram-no à entrada do portão da cidade e ergueram sobre ele um grande monte de pedras, que permanece até hoje.
8:30 Então Josué construiu um altar ao SENHOR, Deus de Israel, no monte Ebal,
8:31 como Moisés, servo do SENHOR, havia ordenado aos filhos de Israel, conforme está escrito no livro da lei de Moisés: um altar de pedras inteiras, que não haviam sido trabalhadas com ferro. Sobre ele ofereceram holocaustos ao SENHOR e apresentaram sacrifícios de paz.
8:32 Ali escreveu nas pedras uma cópia da lei de Moisés, fazendo isso na presença dos filhos de Israel.
8:33 Todo Israel, com seus anciãos, oficiais e juízes, estava em pé dos dois lados da arca, diante dos sacerdotes levitas que carregavam a arca da aliança do SENHOR, tanto os estrangeiros residentes como os israelitas de nascimento. Metade estava diante do monte Gerizim e a outra metade diante do monte Ebal, conforme Moisés, servo do SENHOR, havia ordenado no início, para abençoar o povo de Israel.
8:34 Depois disso, Josué leu todas as palavras da lei, a bênção e a maldição, conforme tudo o que está escrito no livro da lei.
8:35 Não houve uma só palavra de tudo o que Moisés havia ordenado que Josué deixasse de ler diante de toda a assembleia de Israel, das mulheres, das crianças e dos estrangeiros que viviam no meio deles.

Capítulo 9
9:1 Quando todos os reis hititas, amorreus, cananeus, ferezeus, heveus e jebuseus que estavam deste lado do Jordão, na região montanhosa, nas terras baixas e em toda a costa do mar Grande, diante do Líbano, ouviram isso,
9:2 reuniram-se de comum acordo para combater Josué e Israel.
9:3 Mas os habitantes de Gibeão, ao ouvirem o que Josué havia feito com Jericó e Ai,
9:4 também agiram com astúcia. Foram e se fizeram passar por enviados. Levaram sacos velhos sobre os seus jumentos e odres de vinho velhos, rachados e remendados.
9:5 Calçavam sandálias velhas e remendadas e vestiam roupas gastas. Todo o pão das suas provisões estava seco e embolorado.
9:6 Foram a Josué, no acampamento em Gilgal, e disseram a ele e aos homens de Israel: “Viemos de uma terra distante. Agora façam uma aliança conosco”.
9:7 Os homens de Israel disseram aos heveus: “Talvez vocês vivam no meio de nós. Como poderíamos fazer uma aliança com vocês?”.
9:8 Eles disseram a Josué: “Somos seus servos”. Josué lhes perguntou: “Quem são vocês e de onde vêm?”.
9:9 Responderam: “Seus servos vieram de uma terra muito distante por causa do nome do SENHOR, seu Deus, pois ouvimos a sua fama e tudo o que fez no Egito,
9:10 e tudo o que fez aos dois reis dos amorreus que estavam do outro lado do Jordão: Seom, rei de Hesbom, e Ogue, rei de Basã, que estava em Astarote.
9:11 Nossos anciãos e todos os habitantes da nossa terra nos disseram: ‘Levem provisões para a viagem, vão ao encontro deles e lhes digam: “Somos seus servos. Agora façam uma aliança conosco”’.
9:12 Este nosso pão estava quente quando o levamos de casa como provisão, no dia em que saímos para vir até vocês. E agora vejam: está seco e embolorado.
9:13 Estes odres de vinho eram novos quando os enchemos, e agora estão rachados. Estas nossas roupas e sandálias estão gastas por causa da viagem tão longa”.
9:14 Os homens tomaram das provisões deles, mas não consultaram o SENHOR.
9:15 Josué fez paz com eles e firmou uma aliança para deixá-los com vida. Os chefes da comunidade lhes prestaram juramento.
9:16 Ao fim de três dias, depois de firmarem a aliança com eles, souberam que eram seus vizinhos e que viviam no meio deles.
9:17 Os filhos de Israel partiram e chegaram às cidades deles no terceiro dia. Suas cidades eram Gibeão, Cefira, Beerote e Quiriate-Jearim.
9:18 Os filhos de Israel não os atacaram, pois os chefes da comunidade lhes haviam jurado pelo SENHOR, Deus de Israel. Toda a comunidade murmurou contra os chefes.
9:19 Todos os chefes disseram a toda a comunidade: “Nós lhes juramos pelo SENHOR, Deus de Israel, e agora não podemos tocar neles.
9:20 Faremos isto com eles: vamos deixá-los com vida, para que a ira não venha sobre nós por causa do juramento que lhes fizemos”.
9:21 Os chefes lhes disseram: “Que vivam”. Assim, ficaram encarregados de cortar lenha e tirar água para toda a comunidade, conforme os chefes lhes haviam dito.
9:22 Josué os chamou e lhes disse: “Por que vocês nos enganaram, dizendo: ‘Vivemos muito longe de vocês’, se vivem no meio de nós?
9:23 Agora vocês são malditos! Nunca deixará de haver entre vocês servos que cortem lenha e tirem água para a casa do meu Deus”.
9:24 Eles responderam a Josué: “Seus servos foram claramente informados de que o SENHOR, seu Deus, havia ordenado a Moisés, seu servo, que desse a vocês toda esta terra e destruísse todos os seus habitantes diante de vocês. Tivemos muito medo de perder a vida por causa de vocês, e por isso fizemos isso.
9:25 Agora estamos em suas mãos. Faça conosco o que lhe parecer bom e justo”.
9:26 Josué fez isso com eles: livrou-os das mãos dos filhos de Israel, e não os mataram.
9:27 Naquele dia, Josué os encarregou de cortar lenha e tirar água para a comunidade e para o altar do SENHOR, no lugar que ele escolhesse. Assim permanecem até hoje.

Capítulo 10
10:1 Quando Adoni-Zedeque, rei de Jerusalém, soube que Josué havia tomado Ai e a entregado à destruição total, fazendo com Ai e seu rei o mesmo que havia feito com Jericó e seu rei, e que os habitantes de Gibeão haviam feito paz com Israel e viviam no meio deles,
10:2 ficaram com muito medo, pois Gibeão era uma cidade grande, como uma das cidades reais, maior que Ai, e todos os seus homens eram valentes.
10:3 Então Adoni-Zedeque, rei de Jerusalém, mandou dizer a Hoão, rei de Hebrom, a Pirã, rei de Jarmute, a Jafia, rei de Laquis, e a Debir, rei de Eglom:
10:4 “Subam até mim e me ajudem. Vamos atacar Gibeão, pois fez paz com Josué e com os filhos de Israel”.
10:5 Os cinco reis dos amorreus, os reis de Jerusalém, Hebrom, Jarmute, Laquis e Eglom, reuniram-se e subiram com todos os seus exércitos. Acamparam contra Gibeão e a atacaram.
10:6 Os homens de Gibeão mandaram dizer a Josué, no acampamento em Gilgal: “Não retire suas mãos dos seus servos. Suba depressa até nós, salve-nos e nos ajude, pois todos os reis dos amorreus que habitam na região montanhosa se reuniram contra nós”.
10:7 Josué subiu de Gilgal com todos os homens de guerra e todos os guerreiros valentes.
10:8 O SENHOR disse a Josué: “Não tenha medo deles, pois os entreguei em suas mãos. Nenhum deles poderá resistir a você”.
10:9 Josué os surpreendeu depois de marchar a noite inteira, subindo desde Gilgal.
10:10 O SENHOR os lançou em confusão diante de Israel, infligiu-lhes uma grande derrota em Gibeão, perseguiu-os pelo caminho da subida de Bete-Horom e os atacou até Azeca e Maquedá.
10:11 Enquanto fugiam diante de Israel pela descida de Bete-Horom, o SENHOR lançou sobre eles grandes pedras do céu até Azeca, e eles morreram. Foram mais os que morreram pelas pedras de granizo do que os que os filhos de Israel mataram à espada.

10:12 Então Josué falou ao SENHOR, no dia em que o SENHOR entregou os amorreus diante dos filhos de Israel, e disse à vista de Israel:
 “Sol, detenha-se em Gibeão, e lua, no vale de Aijalom!”.
10:13 O sol se deteve, e a lua parou, até que a nação se vingou dos seus inimigos.
   Isso não está escrito no Livro do Justo?
   O sol parou no meio do céu e não se apressou a se pôr por quase um dia inteiro.
10:14 Não houve dia como aquele, nem antes nem depois, em que o SENHOR atendesse à voz de um homem, pois o SENHOR lutava por Israel.
10:15 Josué e todo Israel com ele voltaram ao acampamento em Gilgal.
10:16 Aqueles cinco reis fugiram e se esconderam numa caverna em Maquedá.
10:17 Josué foi informado: “Os cinco reis foram encontrados escondidos na caverna em Maquedá”.
10:18 Josué disse: “Rolem grandes pedras até a entrada da caverna e ponham homens ali para vigiá-los.
10:19 Mas vocês não parem. Persigam os seus inimigos e os ataquem pela retaguarda. Não os deixem entrar nas suas cidades, pois o SENHOR, seu Deus, os entregou em suas mãos”.
10:20 Quando Josué e os filhos de Israel acabaram de lhes infligir uma derrota muito grande, até exterminá-los, os sobreviventes que restaram conseguiram entrar nas cidades fortificadas.
10:21 Todo o povo voltou são e salvo a Josué, no acampamento em Maquedá. Ninguém disse uma palavra contra nenhum dos filhos de Israel.
10:22 Então Josué disse: “Abram a entrada da caverna e tragam até mim aqueles cinco reis que estão lá dentro”.
10:23 Eles fizeram isso e tiraram da caverna os cinco reis, trazendo-os a Josué: o rei de Jerusalém, o rei de Hebrom, o rei de Jarmute, o rei de Laquis e o rei de Eglom.
10:24 Quando trouxeram esses reis a Josué, ele chamou todos os homens de Israel e disse aos comandantes dos homens de guerra que o haviam acompanhado: “Aproximem-se e ponham os pés sobre o pescoço destes reis”. Eles se aproximaram e puseram os pés sobre o pescoço deles.
10:25 Josué lhes disse: “Não tenham medo nem desanimem. Sejam fortes e corajosos, pois assim o SENHOR fará com todos os inimigos contra os quais vocês lutarem”.
10:26 Depois disso, Josué os feriu, matou-os e os pendurou em cinco madeiros. Ficaram pendurados nos madeiros até o entardecer.
10:27 Ao pôr do sol, Josué deu a ordem, e os desceram dos madeiros, lançaram-nos na caverna onde haviam se escondido e colocaram grandes pedras à entrada da caverna, que permanecem até hoje.
10:28 Naquele dia, Josué tomou Maquedá e a atacou ao fio da espada, bem como o seu rei. Entregou-os à destruição total, a eles e a todas as pessoas que estavam na cidade, sem deixar sobrevivente. Fez com o rei de Maquedá o mesmo que havia feito com o rei de Jericó.
10:29 Josué e todo Israel com ele passaram de Maquedá a Libna e lutaram contra Libna.
10:30 O SENHOR também entregou a cidade e seu rei nas mãos de Israel. Josué atacou a cidade ao fio da espada, bem como todas as pessoas que nela estavam, sem deixar sobrevivente. Fez com o seu rei o mesmo que havia feito com o rei de Jericó.
10:31 Josué e todo Israel com ele passaram de Libna a Laquis, acamparam contra ela e a atacaram.
10:32 O SENHOR entregou Laquis nas mãos de Israel, e Josué a tomou no segundo dia. Atacou-a ao fio da espada, bem como todas as pessoas que nela estavam, conforme tudo o que havia feito com Libna.
10:33 Então Horão, rei de Gezer, subiu para ajudar Laquis. Mas Josué o derrotou, a ele e ao seu povo, sem deixar sobrevivente.
10:34 Josué e todo Israel com ele passaram de Laquis a Eglom, acamparam contra ela e a atacaram.
10:35 Tomaram-na naquele dia e a atacaram ao fio da espada. Naquele dia, Josué entregou à destruição total todas as pessoas que nela estavam, conforme tudo o que havia feito com Laquis.
10:36 Josué e todo Israel com ele subiram de Eglom a Hebrom e a atacaram.
10:37 Tomaram a cidade e a atacaram ao fio da espada, bem como seu rei, todas as suas cidades e todas as pessoas que nela estavam. Josué não deixou sobrevivente, conforme tudo o que havia feito com Eglom, e entregou à destruição total a cidade e todas as pessoas que nela estavam.
10:38 Então Josué e todo Israel com ele se voltaram para Debir e a atacaram.
10:39 Ele tomou a cidade, seu rei e todas as suas cidades. Atacaram-nos ao fio da espada e entregaram à destruição total todas as pessoas que nela estavam. Não deixou sobrevivente. Fez com Debir e seu rei o mesmo que havia feito com Hebrom, e o mesmo que havia feito com Libna e seu rei.
10:40 Josué atacou toda a terra: a região montanhosa, o Neguebe, as terras baixas e as encostas, e todos os seus reis. Não deixou sobrevivente e entregou à destruição total tudo o que respirava, como o SENHOR, Deus de Israel, havia ordenado.
10:41 Josué os atacou desde Cades-Barneia até Gaza e por toda a terra de Gósen até Gibeão.
10:42 Josué capturou todos esses reis e suas terras numa só campanha, pois o SENHOR, Deus de Israel, lutava por Israel.
10:43 Josué e todo Israel com ele voltaram ao acampamento em Gilgal.

Capítulo 11
11:1 Quando Jabim, rei de Hazor, soube disso, mandou dizer a Jobabe, rei de Madom, ao rei de Sinrom e ao rei de Acsafe,
11:2 aos reis que estavam ao norte, na região montanhosa, na Arabá ao sul de Quinerete, nas terras baixas e nas regiões de Dor, a oeste,
11:3 aos cananeus do leste e do oeste, aos amorreus, aos hititas, aos ferezeus e aos jebuseus da região montanhosa, e aos heveus ao pé do Hermom, na terra de Mispa.
11:4 Eles saíram com todos os seus exércitos, uma multidão tão numerosa como a areia à beira do mar, com muitíssimos cavalos e carros.
11:5 Todos esses reis se reuniram, foram até as águas de Merom e ali acamparam juntos, para lutar contra Israel.
11:6 O SENHOR disse a Josué: “Não tenha medo deles, pois amanhã, a esta hora, eu os entregarei todos mortos diante de Israel. Você cortará os tendões dos cavalos deles e queimará os seus carros”.
11:7 Josué e todos os homens de guerra que estavam com ele avançaram de surpresa contra eles, junto às águas de Merom, e os atacaram.
11:8 O SENHOR os entregou nas mãos de Israel, e os israelitas os atacaram e perseguiram até Sidom, a Grande, até Misrefote-Maim e até o vale de Mispa, a leste. Atacaram-nos até não deixar sobrevivente.
11:9 Josué fez com eles como o SENHOR lhe havia dito: cortou os tendões dos cavalos deles e queimou os seus carros.
11:10 Naquele tempo, Josué voltou e tomou Hazor, e matou seu rei à espada. Hazor havia sido, antes, a cabeça de todos esses reinos.
11:11 Atacaram ao fio da espada todas as pessoas que estavam na cidade, entregando-as à destruição total. Não restou nada que respirasse, e Josué queimou Hazor.
11:12 Josué tomou todas as cidades desses reis e todos os seus reis, atacou-os ao fio da espada e os entregou à destruição total, como Moisés, servo do SENHOR, havia ordenado.
11:13 Mas Israel não queimou nenhuma das cidades que se erguiam sobre seus montes, com exceção de Hazor, a única que Josué queimou.
11:14 Os filhos de Israel tomaram para si todos os despojos dessas cidades e o gado. Mas atacaram ao fio da espada todas as pessoas, até exterminá-las, sem deixar nada que respirasse.
11:15 Assim como o SENHOR havia ordenado a Moisés, seu servo, Moisés ordenou a Josué, e Josué assim fez. Não deixou de cumprir nada de tudo o que o SENHOR havia ordenado a Moisés.
11:16 Josué tomou toda esta terra: a região montanhosa, todo o Neguebe, toda a terra de Gósen, as terras baixas, a Arabá, a região montanhosa de Israel e suas terras baixas,
11:17 desde o monte Halaque, que se eleva em direção a Seir, até Baal-Gade, no vale do Líbano, ao pé do monte Hermom. Capturou todos os seus reis, feriu-os e os matou.
11:18 Josué lutou durante muito tempo contra todos esses reis.
11:19 Nenhuma cidade fez paz com os filhos de Israel, a não ser os heveus que habitavam em Gibeão. Todas as outras foram tomadas em guerra.
11:20 Pois foi o SENHOR quem endureceu o coração deles para que fossem à guerra contra Israel, a fim de serem entregues à destruição total. Não lhes seria concedida misericórdia, mas seriam exterminados, como o SENHOR havia ordenado a Moisés.
11:21 Naquele tempo, Josué veio e eliminou os anaquins da região montanhosa: de Hebrom, de Debir, de Anabe, de toda a região montanhosa de Judá e de toda a região montanhosa de Israel. Josué os entregou à destruição total, junto com as suas cidades.
11:22 Não restou nenhum dos anaquins na terra dos filhos de Israel; só restaram em Gaza, Gate e Asdode.
11:23 Assim Josué tomou toda a terra, conforme tudo o que o SENHOR havia dito a Moisés. Josué a deu como herança a Israel, segundo a distribuição entre as suas tribos. E a terra descansou da guerra.

Capítulo 12
12:1 Estes são os reis da terra que os filhos de Israel derrotaram e de cujas terras tomaram posse do outro lado do Jordão, a leste, desde o ribeiro Arnom até o monte Hermom, e em toda a Arabá a leste:
12:2 Seom, rei dos amorreus, que habitava em Hesbom e governava desde Aroer, à beira do ribeiro Arnom, e desde o meio do vale, sobre metade de Gileade, até o ribeiro Jaboque, fronteira dos filhos de Amom,
12:3 e sobre a Arabá até o mar de Quinerete, a leste, e até o mar da Arabá, o mar Salgado, a leste, pelo caminho de Bete-Jesimote e, ao sul, ao pé das encostas do Pisga.
12:4 Também o território de Ogue, rei de Basã, um dos sobreviventes dos refains, que habitava em Astarote e Edrei
12:5 e governava no monte Hermom, em Salca e em toda Basã até a fronteira dos gesuritas e dos maacatitas, e sobre metade de Gileade até a fronteira de Seom, rei de Hesbom.
12:6 Moisés, servo do SENHOR, e os filhos de Israel os derrotaram. Moisés, servo do SENHOR, deu aquela terra em posse aos rubenitas, aos gaditas e à meia tribo de Manassés.
12:7 Estes são os reis da terra que Josué e os filhos de Israel derrotaram deste lado do Jordão, a oeste, desde Baal-Gade, no vale do Líbano, até o monte Halaque, que se eleva em direção a Seir (Josué deu aquela terra em posse às tribos de Israel, conforme a sua distribuição,
12:8 na região montanhosa, nas terras baixas, na Arabá, nas encostas, no deserto e no Neguebe, terras dos hititas, dos amorreus, dos cananeus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus):
12:9 o rei de Jericó, um; o rei de Ai, que fica junto de Betel, um;
12:10 o rei de Jerusalém, um; o rei de Hebrom, um;
12:11 o rei de Jarmute, um; o rei de Laquis, um;
12:12 o rei de Eglom, um; o rei de Gezer, um;
12:13 o rei de Debir, um; o rei de Geder, um;
12:14 o rei de Horma, um; o rei de Arade, um;
12:15 o rei de Libna, um; o rei de Adulão, um;
12:16 o rei de Maquedá, um; o rei de Betel, um;
12:17 o rei de Tapua, um; o rei de Héfer, um;
12:18 o rei de Afeca, um; o rei de Lasarom, um;
12:19 o rei de Madom, um; o rei de Hazor, um;
12:20 o rei de Sinrom-Merom, um; o rei de Acsafe, um;
12:21 o rei de Taanaque, um; o rei de Megido, um;
12:22 o rei de Quedes, um; o rei de Jocneão, no Carmelo, um;
12:23 o rei de Dor, nas regiões de Dor, um; o rei de Goim, em Gilgal, um;
12:24 o rei de Tirza, um. Ao todo, trinta e um reis.

Capítulo 13
13:1 Josué era velho, de idade avançada. O SENHOR lhe disse: “Você envelheceu e está em idade avançada, mas ainda resta muitíssima terra por possuir.
13:2 Esta é a terra que resta: todos os territórios dos filisteus e todo o território dos gesuritas,
13:3 desde o Sior, que fica diante do Egito, até a fronteira de Ecrom, ao norte, território considerado dos cananeus: os domínios dos cinco governantes filisteus de Gaza, Asdode, Asquelom, Gate e Ecrom; e os aveus
13:4 ao sul; toda a terra dos cananeus e Meara, que pertence aos sidônios, até Afeca, até a fronteira dos amorreus;
13:5 a terra dos gebalitas e todo o Líbano, a leste, desde Baal-Gade, ao pé do monte Hermom, até a entrada de Hamate;
13:6 todos os habitantes da região montanhosa, desde o Líbano até Misrefote-Maim, todos os sidônios. Eu os expulsarei de diante dos filhos de Israel. Apenas distribua essa terra por sorteio como herança a Israel, como lhe ordenei.
13:7 Agora reparta esta terra como herança entre as nove tribos e a meia tribo de Manassés”.
13:8 Com a outra metade, os rubenitas e os gaditas receberam a herança que Moisés lhes deu do outro lado do Jordão, a leste, como lhes havia dado Moisés, servo do SENHOR:
13:9 desde Aroer, à beira do ribeiro Arnom, e a cidade que fica no meio do vale, e todo o planalto de Medeba até Dibom;
13:10 todas as cidades de Seom, rei dos amorreus, que reinou em Hesbom, até a fronteira dos filhos de Amom;
13:11 Gileade, o território dos gesuritas e dos maacatitas, todo o monte Hermom e toda Basã até Salca;
13:12 e todo o reino de Ogue em Basã, que reinou em Astarote e Edrei. Ele era um dos sobreviventes dos refains. Moisés os derrotou e expulsou.
13:13 Mas os filhos de Israel não expulsaram os gesuritas nem os maacatitas, e Gesur e Maaca vivem no meio de Israel até hoje.
13:14 Somente à tribo de Levi ele não deu herança. As ofertas apresentadas pelo fogo ao SENHOR, Deus de Israel, são a sua herança, como ele lhe havia dito.
13:15 Moisés deu uma herança à tribo dos filhos de Rúben, segundo os seus clãs.
13:16 Seu território ia desde Aroer, à beira do ribeiro Arnom, e a cidade que fica no meio do vale, e todo o planalto junto a Medeba:
13:17 Hesbom e todas as suas cidades no planalto, Dibom, Bamote-Baal, Bete-Baal-Meom,
13:18 Jaza, Quedemote, Mefaate,
13:19 Quiriataim, Sibma, Zerete-Saar, no monte do vale,
13:20 Bete-Peor, as encostas do Pisga e Bete-Jesimote,
13:21 e todas as cidades do planalto e todo o reino de Seom, rei dos amorreus, que reinou em Hesbom. Moisés o derrotou, bem como os chefes de Midiã: Evi, Requém, Zur, Hur e Reba, príncipes de Seom que habitavam naquela terra.
13:22 Os filhos de Israel também mataram à espada Balaão, filho de Beor, o adivinho, entre os que foram mortos.
13:23 A fronteira dos filhos de Rúben era o Jordão com a sua margem. Esta foi a herança dos filhos de Rúben, segundo os seus clãs: as cidades e suas aldeias.
13:24 Moisés deu uma herança à tribo de Gade, aos filhos de Gade, segundo os seus clãs.
13:25 Seu território incluía Jazer, todas as cidades de Gileade e metade da terra dos filhos de Amom até Aroer, que fica diante de Rabá;
13:26 e desde Hesbom até Ramate-Mispa e Betonim, e desde Maanaim até a fronteira de Lidebir;
13:27 e, no vale, Bete-Harã, Bete-Ninra, Sucote e Safom, o restante do reino de Seom, rei de Hesbom; o Jordão com a sua margem, até a extremidade do mar de Quinerete, do outro lado do Jordão, a leste.
13:28 Esta foi a herança dos filhos de Gade, segundo os seus clãs: as cidades e suas aldeias.
13:29 Moisés deu uma herança à meia tribo de Manassés. Ela pertenceu à meia tribo dos filhos de Manassés, segundo os seus clãs.
13:30 Seu território ia desde Maanaim e incluía toda Basã, todo o reino de Ogue, rei de Basã, e todas as aldeias de Jair em Basã, sessenta cidades;
13:31 e metade de Gileade, Astarote e Edrei, cidades do reino de Ogue em Basã. Tudo isso foi dado aos filhos de Maquir, filho de Manassés, à metade dos filhos de Maquir, segundo os seus clãs.
13:32 Estas são as heranças que Moisés distribuiu nas planícies de Moabe, do outro lado do Jordão, a leste de Jericó.
13:33 Mas à tribo de Levi Moisés não deu herança. O SENHOR, Deus de Israel, ele mesmo é a herança deles, como lhes havia dito.

Capítulo 14
14:1 Estes são os territórios que os filhos de Israel receberam como herança na terra de Canaã, repartidos entre eles pelo sacerdote Eleazar, por Josué, filho de Num, e pelos chefes das famílias paternas das tribos dos filhos de Israel.
14:2 A herança deles foi distribuída por sorteio, como o SENHOR havia ordenado por meio de Moisés para as nove tribos e meia.
14:3 Pois Moisés havia dado herança às duas tribos e meia do outro lado do Jordão, mas aos levitas não deu herança entre eles.
14:4 Os filhos de José formavam duas tribos, Manassés e Efraim. Aos levitas não deram uma porção da terra, mas somente cidades para morar e suas pastagens para os rebanhos e os seus bens.
14:5 Os filhos de Israel fizeram como o SENHOR havia ordenado a Moisés e repartiram a terra.
14:6 Os filhos de Judá se aproximaram de Josué em Gilgal, e Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, lhe disse: “Você sabe o que o SENHOR disse a Moisés, homem de Deus, a respeito de mim e de você em Cades-Barneia.
14:7 Eu tinha quarenta anos quando Moisés, servo do SENHOR, me enviou de Cades-Barneia para espionar a terra, e lhe trouxe um relato conforme o que tinha no coração.
14:8 Meus irmãos que subiram comigo fizeram o coração do povo se derreter, mas eu segui plenamente o SENHOR, meu Deus.
14:9 Naquele dia, Moisés jurou: ‘Certamente a terra que o seu pé pisou será sua herança e de seus filhos para sempre, pois você seguiu plenamente o SENHOR, meu Deus’.
14:10 Agora veja: o SENHOR me conservou com vida, como prometeu, durante estes quarenta e cinco anos desde que disse essa palavra a Moisés, quando Israel andava pelo deserto. E hoje tenho oitenta e cinco anos.
14:11 Ainda hoje estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou. Minha força é a mesma de antes, tanto para a guerra como para sair e entrar.
14:12 Agora me dê este monte de que o SENHOR falou naquele dia, pois você ouviu naquele dia que ali há anaquins e cidades grandes e fortificadas. Talvez o SENHOR esteja comigo, e eu os expulsarei, como o SENHOR disse”.
14:13 Josué o abençoou e deu Hebrom como herança a Calebe, filho de Jefoné.
14:14 Por isso Hebrom é herança de Calebe, filho de Jefoné, o quenezeu, até hoje, pois ele seguiu plenamente o SENHOR, Deus de Israel.
14:15 Antes, Hebrom se chamava Quiriate-Arba. Arba era o maior homem entre os anaquins. E a terra descansou da guerra.

Capítulo 15
15:1 A porção que coube por sorteio à tribo dos filhos de Judá, segundo os seus clãs, chegava à fronteira de Edom, ao deserto de Zim, ao sul, no extremo sul.
15:2 Sua fronteira sul partia da extremidade do mar Salgado, da baía voltada para o sul.
15:3 Seguia ao sul da subida de Acrabim, passava por Zim e subia ao sul de Cades-Barneia. Passava por Hezrom, subia a Adar e contornava Carca.
15:4 Passava por Azmom, chegava ao ribeiro do Egito e terminava no mar. Esta será a fronteira sul de vocês.
15:5 A fronteira leste era o mar Salgado até a foz do Jordão. A fronteira norte partia da baía do mar, na foz do Jordão.
15:6 A fronteira subia a Bete-Hogla e passava ao norte de Bete-Arabá. Dali subia até a pedra de Boã, filho de Rúben.
15:7 A fronteira subia a Debir desde o vale de Acor e, ao norte, voltava-se para Gilgal, em frente à subida de Adumim, ao sul do ribeiro. Passava pelas águas de En-Semes e terminava em En-Rogel.
15:8 A fronteira subia pelo vale do Filho de Hinom até a encosta sul dos jebuseus, isto é, Jerusalém. Subia ao cume do monte que fica a oeste, diante do vale de Hinom, na extremidade norte do vale dos Refains.
15:9 Do cume do monte, a fronteira contornava até a fonte das águas de Neftoa e seguia até as cidades do monte Efrom. Depois contornava até Baalá, que é Quiriate-Jearim.
15:10 De Baalá, a fronteira virava para oeste, até o monte Seir, e passava pela encosta norte do monte Jearim, isto é, Quesalom. Descia a Bete-Semes e passava por Timna.
15:11 A fronteira seguia pela encosta norte de Ecrom, contornava até Siquerom, passava pelo monte Baalá e chegava a Jabneel. A fronteira terminava no mar.
15:12 A fronteira oeste era o mar Grande com a sua costa. Essas eram as fronteiras dos filhos de Judá ao redor do seu território, segundo os seus clãs.
15:13 A Calebe, filho de Jefoné, Josué deu uma porção entre os filhos de Judá, conforme a ordem que o SENHOR lhe dera: Quiriate-Arba, isto é, Hebrom. Arba era pai de Anaque.
15:14 Calebe expulsou dali os três filhos de Anaque: Sesai, Aimã e Talmai, descendentes de Anaque.
15:15 Dali subiu contra os habitantes de Debir, que antes se chamava Quiriate-Sefer.
15:16 Calebe disse: “Ao homem que atacar Quiriate-Sefer e a tomar, darei minha filha Acsa por esposa”.
15:17 Otniel, filho de Quenaz, irmão de Calebe, tomou a cidade, e Calebe lhe deu sua filha Acsa por esposa.
15:18 Quando ela chegou, insistiu com ele para que pedisse um campo ao pai dela. Ela desceu do jumento, e Calebe lhe perguntou: “O que você deseja?”.
15:19 Ela respondeu: “Dê-me um presente. Como você me deu uma terra do Neguebe, dê-me também fontes de água”. E ele lhe deu as fontes de cima e as fontes de baixo.
15:20 Esta foi a herança da tribo dos filhos de Judá, segundo os seus clãs.
15:21 As cidades no extremo sul do território da tribo dos filhos de Judá, junto à fronteira de Edom, eram: Cabzeel, Éder, Jagur,
15:22 Quiná, Dimona, Adada,
15:23 Quedes, Hazor, Itnã,
15:24 Zife, Telém, Bealote,
15:25 Hazor-Hadata, Quiriote-Hezrom, que é Hazor,
15:26 Amã, Sema, Molada,
15:27 Hazar-Gada, Hesmom, Bete-Palete,
15:28 Hazar-Sual, Berseba, Biziotiá,
15:29 Baalá, Iim, Ezém,
15:30 Eltolade, Quesil, Horma,
15:31 Ziclague, Madmana, Sansana,
15:32 Lebaote, Silim, Aim e Rimom; ao todo, vinte e nove cidades com suas aldeias.
15:33 Nas terras baixas: Estaol, Zorá, Asná,
15:34 Zanoa, En-Ganim, Tapua, Enã,
15:35 Jarmute, Adulão, Socó, Azeca,
15:36 Saaraim, Aditaim, Gedera e Gederotaim; catorze cidades com suas aldeias.
15:37 Zenã, Hadasa, Migdal-Gade,
15:38 Dileã, Mispa, Jocteel,
15:39 Laquis, Boscate, Eglom,
15:40 Cabom, Laamás, Quitlis,
15:41 Gederote, Bete-Dagom, Naamá e Maquedá; dezesseis cidades com suas aldeias.
15:42 Libna, Eter, Asã,
15:43 Iftá, Asná, Nezibe,
15:44 Queila, Aczibe e Maressa; nove cidades com suas aldeias.
15:45 Ecrom com seus povoados e suas aldeias;
15:46 desde Ecrom para o oeste, todas as localidades junto de Asdode com suas aldeias;
15:47 Asdode com seus povoados e suas aldeias; Gaza com seus povoados e suas aldeias, até o ribeiro do Egito e o mar como fronteira, com a sua costa.
15:48 Na região montanhosa: Samir, Jatir, Socó,
15:49 Daná, Quiriate-Sana, que é Debir,
15:50 Anabe, Estemoa, Anim,
15:51 Gósen, Holom e Gilo; onze cidades com suas aldeias.
15:52 Arabe, Rumá, Esã,
15:53 Janim, Bete-Tapua, Afeca,
15:54 Hunta, Quiriate-Arba, que é Hebrom, e Zior; nove cidades com suas aldeias.
15:55 Maom, Carmelo, Zife, Jutá,
15:56 Jezreel, Jocdeão, Zanoa,
15:57 Caim, Gibeá e Timna; dez cidades com suas aldeias.
15:58 Halul, Bete-Zur, Gedor,
15:59 Maarate, Bete-Anote e Eltecom; seis cidades com suas aldeias.
15:60 Quiriate-Baal, que é Quiriate-Jearim, e Rabá; duas cidades com suas aldeias.
15:61 No deserto: Bete-Arabá, Midim, Secaca,
15:62 Nibsã, a Cidade do Sal e En-Gedi; seis cidades com suas aldeias.
15:63 Mas os filhos de Judá não conseguiam expulsar os jebuseus que habitavam em Jerusalém. Os jebuseus vivem com os filhos de Judá em Jerusalém até hoje.

Capítulo 16
16:1 A porção que coube por sorteio aos filhos de José se estendia desde o Jordão, diante de Jericó, até as águas de Jericó, a leste, pelo deserto que sobe de Jericó pela região montanhosa até Betel.
16:2 De Betel, seguia para Luz e passava ao território dos arquitas, em Atarote.
16:3 Descia para oeste, até o território dos jafletitas, até a fronteira de Bete-Horom de Baixo e até Gezer, terminando no mar.
16:4 Assim os filhos de José, Manassés e Efraim, receberam sua herança.
16:5 Este foi o território dos filhos de Efraim, segundo os seus clãs: a fronteira da sua herança, a leste, ia desde Atarote-Adar até Bete-Horom de Cima.
16:6 A fronteira seguia para oeste, até Micmetate, ao norte; depois virava para leste, até Taanate-Siló, e passava além dela, a leste de Janoa.
16:7 Descia de Janoa a Atarote e Naarate, tocava Jericó e chegava ao Jordão.
16:8 De Tapua, a fronteira seguia para oeste, até o ribeiro Caná, e terminava no mar. Esta foi a herança da tribo dos filhos de Efraim, segundo os seus clãs,
16:9 junto com as cidades separadas para os filhos de Efraim no meio da herança dos filhos de Manassés, todas as cidades com suas aldeias.
16:10 Mas não expulsaram os cananeus que habitavam em Gezer. Os cananeus vivem no meio de Efraim até hoje, submetidos a trabalhos forçados.

Capítulo 17
17:1 A tribo de Manassés também recebeu sua porção por sorteio, pois ele era o primogênito de José. Maquir, primogênito de Manassés e pai de Gileade, recebeu Gileade e Basã, pois era homem de guerra.
17:2 Os demais filhos de Manassés também receberam uma porção, segundo os seus clãs: os filhos de Abiezer, os filhos de Heleque, os filhos de Asriel, os filhos de Siquém, os filhos de Héfer e os filhos de Semida. Esses eram os descendentes homens de Manassés, filho de José, segundo os seus clãs.
17:3 Mas Zelofeade, filho de Héfer, filho de Gileade, filho de Maquir, filho de Manassés, não teve filhos homens, somente filhas. Estes eram os nomes de suas filhas: Macla, Noa, Hogla, Milca e Tirza.
17:4 Elas se apresentaram ao sacerdote Eleazar, a Josué, filho de Num, e aos chefes e disseram: “O SENHOR ordenou a Moisés que nos desse uma herança entre os nossos irmãos”. Conforme a ordem do SENHOR, Josué lhes deu uma herança entre os irmãos do pai delas.
17:5 A Manassés couberam dez porções, além da terra de Gileade e Basã, que fica do outro lado do Jordão,
17:6 pois as filhas de Manassés receberam herança entre os seus filhos homens. A terra de Gileade pertenceu aos demais filhos de Manassés.
17:7 A fronteira de Manassés ia desde Aser até Micmetate, que fica diante de Siquém. Seguia para o sul, até os habitantes de En-Tapua.
17:8 A terra de Tapua pertencia a Manassés, mas a cidade de Tapua, na fronteira de Manassés, pertencia aos filhos de Efraim.
17:9 A fronteira descia ao ribeiro Caná, ao sul do ribeiro. Essas cidades pertenciam a Efraim, no meio das cidades de Manassés. A fronteira de Manassés ficava ao norte do ribeiro e terminava no mar.
17:10 Ao sul ficava Efraim, e ao norte, Manassés, e o mar era a sua fronteira. Ao norte, tocavam Aser, e a leste, Issacar.
17:11 Em Issacar e Aser, Manassés tinha Bete-Seã e seus povoados, Ibleão e seus povoados, os habitantes de Dor e seus povoados, os habitantes de En-Dor e seus povoados, os habitantes de Taanaque e seus povoados e os habitantes de Megido e seus povoados: as três regiões.
17:12 Mas os filhos de Manassés não conseguiram expulsar os habitantes dessas cidades, e os cananeus persistiram em habitar naquela terra.
17:13 Quando os filhos de Israel se tornaram fortes, submeteram os cananeus a trabalhos forçados, mas não os expulsaram.
17:14 Os filhos de José disseram a Josué: “Por que você me deu como herança uma só porção por sorteio e um só lote, sendo eu um povo numeroso, pois o SENHOR me tem abençoado até agora?”.
17:15 Josué lhes disse: “Se você é um povo numeroso, suba à floresta e abra ali terreno para si, na terra dos ferezeus e dos refains, já que a região montanhosa de Efraim é estreita demais para você”.
17:16 Os filhos de José disseram: “A região montanhosa não nos basta. E todos os cananeus que habitam na terra do vale têm carros de ferro, tanto os de Bete-Seã e seus povoados como os do vale de Jezreel”.
17:17 Então Josué disse à casa de José, a Efraim e a Manassés: “Você é um povo numeroso e tem grande força. Não terá uma só porção por sorteio,
17:18 pois a região montanhosa será sua. Embora seja floresta, você a desmatará e possuirá os seus extremos. Você expulsará os cananeus, ainda que tenham carros de ferro e sejam fortes”.

Capítulo 18
18:1 Toda a comunidade dos filhos de Israel se reuniu em Siló e armou ali a tenda do encontro. A terra estava subjugada diante deles.
18:2 Mas ainda restavam entre os filhos de Israel sete tribos às quais não havia sido repartida a sua herança.
18:3 Josué disse aos filhos de Israel: “Até quando vocês serão negligentes em entrar para tomar posse da terra que o SENHOR, Deus dos seus antepassados, lhes deu?
18:4 Escolham três homens de cada tribo, e eu os enviarei. Eles se levantarão, percorrerão a terra e a descreverão por escrito, conforme as suas heranças, e voltarão a mim.
18:5 Eles a dividirão em sete partes. Judá permanecerá no seu território ao sul, e a casa de José permanecerá no seu território ao norte.
18:6 Vocês descreverão por escrito a terra em sete partes e trarão a descrição aqui para mim. Aqui lançarei sortes para vocês diante do SENHOR, nosso Deus.
18:7 Os levitas não têm porção entre vocês, pois o sacerdócio do SENHOR é a sua herança. Gade, Rúben e a meia tribo de Manassés já receberam sua herança do outro lado do Jordão, a leste, a que Moisés, servo do SENHOR, lhes deu”.
18:8 Os homens se levantaram e partiram. Josué ordenou aos que iam descrever a terra por escrito: “Vão, percorram a terra, descrevam-na por escrito e voltem a mim. Aqui, em Siló, lançarei sortes para vocês diante do SENHOR”.
18:9 Os homens foram, percorreram a terra e a descreveram num livro, cidade por cidade, em sete partes. Depois voltaram a Josué, no acampamento em Siló.
18:10 Josué lançou sortes para eles em Siló, diante do SENHOR, e ali repartiu a terra entre os filhos de Israel, segundo as suas porções.
18:11 Saiu a sorte da tribo dos filhos de Benjamim, segundo os seus clãs. O território que lhes coube ficava entre os filhos de Judá e os filhos de José.
18:12 Sua fronteira norte partia do Jordão, subia pela encosta norte de Jericó, subia pela região montanhosa para oeste e terminava no deserto de Bete-Áven.
18:13 Dali, a fronteira passava para Luz, pela encosta sul de Luz, que é Betel. Descia a Atarote-Adar, sobre o monte que fica ao sul de Bete-Horom de Baixo.
18:14 A fronteira contornava e virava para o sul pelo lado oeste, desde o monte que fica diante de Bete-Horom, ao sul. Terminava em Quiriate-Baal, que é Quiriate-Jearim, cidade dos filhos de Judá. Esse era o lado oeste.
18:15 O lado sul partia da extremidade de Quiriate-Jearim. A fronteira seguia para oeste e chegava à fonte das águas de Neftoa.
18:16 A fronteira descia até a extremidade do monte que fica diante do vale do Filho de Hinom, ao norte do vale dos Refains. Descia pelo vale de Hinom, pela encosta sul dos jebuseus, e descia a En-Rogel.
18:17 Virava para o norte, chegava a En-Semes e seguia até Gelilote, diante da subida de Adumim. Descia à pedra de Boã, filho de Rúben,
18:18 passava pela encosta norte, diante da Arabá, e descia à Arabá.
18:19 A fronteira passava pela encosta norte de Bete-Hogla e terminava na baía norte do mar Salgado, na extremidade sul do Jordão. Essa era a fronteira sul.
18:20 O Jordão marcava a sua fronteira a leste. Esta foi a herança dos filhos de Benjamim, com suas fronteiras ao redor, segundo os seus clãs.
18:21 As cidades da tribo dos filhos de Benjamim, segundo os seus clãs, eram: Jericó, Bete-Hogla, Emeque-Quesis,
18:22 Bete-Arabá, Zemaraim, Betel,
18:23 Avim, Pará, Ofra,
18:24 Quefar-Haamoni, Ofni e Geba; doze cidades com suas aldeias.
18:25 Gibeão, Ramá, Beerote,
18:26 Mispa, Cefira, Mosa,
18:27 Requém, Irpeel, Tarala,
18:28 Zela, Elefe, a cidade dos jebuseus (isto é, Jerusalém), Gibeá e Quiriate; catorze cidades com suas aldeias. Esta foi a herança dos filhos de Benjamim, segundo os seus clãs.

Capítulo 19
19:1 A segunda sorte saiu para Simeão, para a tribo dos filhos de Simeão, segundo os seus clãs. Sua herança ficava no meio da herança dos filhos de Judá.
19:2 Em sua herança estavam Berseba, Seba, Molada,
19:3 Hazar-Sual, Balá, Ezém,
19:4 Eltolade, Betul, Horma,
19:5 Ziclague, Bete-Marcabote, Hazar-Susa,
19:6 Bete-Lebaote e Saruém; treze cidades com suas aldeias.
19:7 Aim, Rimom, Eter e Asã; quatro cidades com suas aldeias,
19:8 e todas as aldeias ao redor dessas cidades até Baalate-Ber, Ramate do Neguebe. Esta foi a herança da tribo dos filhos de Simeão, segundo os seus clãs.
19:9 A herança dos filhos de Simeão veio da porção dos filhos de Judá, pois a porção dos filhos de Judá era grande demais para eles. Assim, os filhos de Simeão receberam sua herança no meio da herança deles.
19:10 A terceira sorte saiu para os filhos de Zebulom, segundo os seus clãs. O território da sua herança ia até Saride.
19:11 Sua fronteira subia para oeste e para Marala, tocava Dabesete e chegava ao ribeiro que fica diante de Jocneão.
19:12 De Saride, voltava-se para leste, onde o sol nasce, até a fronteira de Quislote-Tabor, seguia até Daberate e subia a Jafia.
19:13 Dali passava para leste, para o nascente, até Gate-Héfer e Ete-Cazim, seguia até Rimom e contornava até Neá.
19:14 A fronteira virava pelo norte para Hanatom e terminava no vale de Ifta-El.
19:15 Catate, Naalal, Sinrom, Idala e Belém; doze cidades com suas aldeias.
19:16 Esta foi a herança dos filhos de Zebulom, segundo os seus clãs: essas cidades com suas aldeias.
19:17 A quarta sorte saiu para Issacar, para os filhos de Issacar, segundo os seus clãs.
19:18 Seu território incluía Jezreel, Quesulote, Suném,
19:19 Hafaraim, Siom, Anacarate,
19:20 Rabite, Quisião, Ebes,
19:21 Remete, En-Ganim, En-Hada e Bete-Pasês.
19:22 A fronteira tocava Tabor, Saazom e Bete-Semes e terminava no Jordão; dezesseis cidades com suas aldeias.
19:23 Esta foi a herança da tribo dos filhos de Issacar, segundo os seus clãs: as cidades com suas aldeias.
19:24 A quinta sorte saiu para a tribo dos filhos de Aser, segundo os seus clãs.
19:25 Seu território incluía Helcate, Hali, Béten, Acsafe,
19:26 Alameleque, Amade e Misal. Tocava Carmelo, a oeste, e Sior-Libnate.
19:27 Voltava-se para o nascente, até Bete-Dagom, tocava Zebulom e o vale de Ifta-El, ao norte, Bete-Emeque e Neiel, e seguia até Cabul, ao norte,
19:28 Ebrom, Reobe, Hamom e Caná, até Sidom, a Grande.
19:29 A fronteira virava para Ramá e para a cidade fortificada de Tiro. Depois virava para Hosa e terminava no mar, desde a região até Aczibe.
19:30 Umá, Afeca e Reobe; vinte e duas cidades com suas aldeias.
19:31 Esta foi a herança da tribo dos filhos de Aser, segundo os seus clãs: essas cidades com suas aldeias.
19:32 A sexta sorte saiu para os filhos de Naftali, para os filhos de Naftali segundo os seus clãs.
19:33 Sua fronteira ia desde Helefe, desde o carvalho de Zaananim, por Adami-Nequebe e Jabneel, até Lacum, e terminava no Jordão.
19:34 A fronteira virava para oeste, até Aznote-Tabor, e dali seguia para Hucoque. Tocava Zebulom ao sul, Aser a oeste e Judá junto ao Jordão, a leste.
19:35 As cidades fortificadas eram Zidim, Zer, Hamate, Racate, Quinerete,
19:36 Adamá, Ramá, Hazor,
19:37 Quedes, Edrei, En-Hazor,
19:38 Irom, Migdal-El, Horém, Bete-Anate e Bete-Semes; dezenove cidades com suas aldeias.
19:39 Esta foi a herança da tribo dos filhos de Naftali, segundo os seus clãs: as cidades com suas aldeias.
19:40 A sétima sorte saiu para a tribo dos filhos de Dã, segundo os seus clãs.
19:41 O território da sua herança incluía Zorá, Estaol, Ir-Semes,
19:42 Saalabim, Aijalom, Itla,
19:43 Elom, Timna, Ecrom,
19:44 Elteque, Gibetom, Baalate,
19:45 Jeúde, Benê-Beraque, Gate-Rimom,
19:46 Me-Jarcom e Racom, com o território diante de Jope.
19:47 O território dos filhos de Dã ficou fora do domínio deles. Os filhos de Dã subiram, lutaram contra Lesém, tomaram a cidade e a atacaram ao fio da espada. Tomaram posse dela, habitaram ali e lhe deram o nome de Dã, conforme o nome de Dã, seu pai.
19:48 Esta foi a herança da tribo dos filhos de Dã, segundo os seus clãs: essas cidades com suas aldeias.
19:49 Quando terminaram de repartir a terra como herança segundo as suas fronteiras, os filhos de Israel deram a Josué, filho de Num, uma herança no meio deles.
19:50 Conforme a ordem do SENHOR, deram-lhe a cidade que havia pedido, Timnate-Sera, na região montanhosa de Efraim. Ele construiu a cidade e habitou nela.
19:51 Estas são as heranças que o sacerdote Eleazar, Josué, filho de Num, e os chefes das famílias paternas das tribos dos filhos de Israel repartiram por sorteio em Siló, diante do SENHOR, à entrada da tenda do encontro. Assim terminaram de repartir a terra.

Capítulo 20
20:1 O SENHOR disse a Josué:
20:2 “Diga aos filhos de Israel: ‘Designem para vocês as cidades de refúgio de que lhes falei por meio de Moisés,
20:3 para que fuja para lá o homicida que matar alguém por acidente, sem intenção. Elas serão para vocês um refúgio contra o vingador do sangue.
20:4 Ele fugirá para uma dessas cidades, ficará à entrada do portão da cidade e exporá o seu caso aos anciãos daquela cidade. Eles o acolherão na cidade e lhe darão um lugar para morar com eles.
20:5 Se o vingador do sangue o perseguir, não entregarão o homicida nas mãos dele, pois matou o seu próximo sem intenção e não o odiava antes.
20:6 Ele permanecerá naquela cidade até se apresentar em julgamento diante da comunidade e até a morte do sumo sacerdote que estiver em exercício naqueles dias. Então o homicida poderá voltar à sua cidade e à sua casa, à cidade de onde havia fugido’”.
20:7 Assim separaram Quedes, na Galileia, na região montanhosa de Naftali; Siquém, na região montanhosa de Efraim; e Quiriate-Arba, isto é, Hebrom, na região montanhosa de Judá.
20:8 Do outro lado do Jordão, a leste de Jericó, designaram Bezer, no deserto, no planalto, da tribo de Rúben; Ramote, em Gileade, da tribo de Gade; e Golã, em Basã, da tribo de Manassés.
20:9 Essas foram as cidades designadas para todos os filhos de Israel e para o estrangeiro que vivia entre eles, para que fugisse para lá todo aquele que matasse alguém por acidente e não morresse nas mãos do vingador do sangue antes de se apresentar diante da comunidade.

Capítulo 21
21:1 Os chefes das famílias paternas dos levitas se aproximaram do sacerdote Eleazar, de Josué, filho de Num, e dos chefes das famílias paternas das tribos dos filhos de Israel
21:2 e lhes disseram em Siló, na terra de Canaã: “O SENHOR ordenou por meio de Moisés que nos dessem cidades para morar e suas pastagens para os nossos animais”.
21:3 Assim, conforme a ordem do SENHOR, os filhos de Israel deram aos levitas, da sua própria herança, estas cidades com suas pastagens.
21:4 Saiu a sorte para os clãs dos coatitas. Aos filhos do sacerdote Arão, que eram dos levitas, couberam por sorteio treze cidades das tribos de Judá, Simeão e Benjamim.
21:5 Aos demais filhos de Coate couberam por sorteio dez cidades dos clãs da tribo de Efraim, da tribo de Dã e da meia tribo de Manassés.
21:6 Aos filhos de Gérson couberam por sorteio treze cidades dos clãs da tribo de Issacar, da tribo de Aser, da tribo de Naftali e da meia tribo de Manassés em Basã.
21:7 Aos filhos de Merari, segundo os seus clãs, couberam doze cidades da tribo de Rúben, da tribo de Gade e da tribo de Zebulom.
21:8 Os filhos de Israel deram aos levitas estas cidades com suas pastagens por sorteio, como o SENHOR havia ordenado por meio de Moisés.
21:9 Das tribos dos filhos de Judá e dos filhos de Simeão, deram estas cidades, mencionadas pelo nome,
21:10 aos filhos de Arão, dos clãs dos coatitas, dos filhos de Levi, pois a eles coube a primeira sorte.
21:11 Deram-lhes Quiriate-Arba, isto é, Hebrom, na região montanhosa de Judá, com suas pastagens ao redor. Arba era pai de Anaque.
21:12 Mas o campo da cidade e suas aldeias foram dados a Calebe, filho de Jefoné, como sua propriedade.
21:13 Aos filhos do sacerdote Arão deram Hebrom, cidade de refúgio para o homicida, com suas pastagens; Libna com suas pastagens,
21:14 Jatir com suas pastagens, Estemoa com suas pastagens,
21:15 Holom com suas pastagens, Debir com suas pastagens,
21:16 Aim com suas pastagens, Jutá com suas pastagens e Bete-Semes com suas pastagens; nove cidades dessas duas tribos.
21:17 Da tribo de Benjamim: Gibeão com suas pastagens, Geba com suas pastagens,
21:18 Anatote com suas pastagens e Almom com suas pastagens; quatro cidades.
21:19 Ao todo, as cidades dos filhos de Arão, os sacerdotes, eram treze cidades com suas pastagens.
21:20 Aos clãs dos filhos de Coate, os levitas que restavam entre os filhos de Coate, couberam por sorteio cidades da tribo de Efraim.
21:21 Deram-lhes Siquém, cidade de refúgio para o homicida, com suas pastagens, na região montanhosa de Efraim; Gezer com suas pastagens,
21:22 Quibzaim com suas pastagens e Bete-Horom com suas pastagens; quatro cidades.
21:23 Da tribo de Dã: Elteque com suas pastagens, Gibetom com suas pastagens,
21:24 Aijalom com suas pastagens e Gate-Rimom com suas pastagens; quatro cidades.
21:25 Da meia tribo de Manassés: Taanaque com suas pastagens e Gate-Rimom com suas pastagens; duas cidades.
21:26 Ao todo, dez cidades com suas pastagens para os clãs dos demais filhos de Coate.
21:27 Aos filhos de Gérson, dos clãs dos levitas, deram, da meia tribo de Manassés, Golã em Basã, cidade de refúgio para o homicida, com suas pastagens, e Beesterá com suas pastagens; duas cidades.
21:28 Da tribo de Issacar: Quisião com suas pastagens, Daberate com suas pastagens,
21:29 Jarmute com suas pastagens e En-Ganim com suas pastagens; quatro cidades.
21:30 Da tribo de Aser: Misal com suas pastagens, Abdom com suas pastagens,
21:31 Helcate com suas pastagens e Reobe com suas pastagens; quatro cidades.
21:32 Da tribo de Naftali: Quedes na Galileia, cidade de refúgio para o homicida, com suas pastagens; Hamote-Dor com suas pastagens e Cartã com suas pastagens; três cidades.
21:33 Ao todo, as cidades dos gersonitas, segundo os seus clãs, eram treze cidades com suas pastagens.
21:34 Aos clãs dos filhos de Merari, os levitas restantes, deram, da tribo de Zebulom, Jocneão com suas pastagens, Cartá com suas pastagens,
21:35 Dimna com suas pastagens e Naalal com suas pastagens; quatro cidades.
21:36 Da tribo de Rúben: Bezer com suas pastagens, Jaza com suas pastagens,
21:37 Quedemote com suas pastagens e Mefaate com suas pastagens; quatro cidades.
21:38 Da tribo de Gade: Ramote em Gileade, cidade de refúgio para o homicida, com suas pastagens; Maanaim com suas pastagens,
21:39 Hesbom com suas pastagens e Jazer com suas pastagens; ao todo, quatro cidades.
21:40 Ao todo, aos filhos de Merari, segundo os seus clãs, os restantes dos clãs dos levitas, couberam por sorteio doze cidades.
21:41 Todas as cidades dos levitas dentro da propriedade dos filhos de Israel somavam quarenta e oito cidades com suas pastagens.
21:42 Cada uma dessas cidades tinha suas pastagens ao redor; assim era com todas essas cidades.
21:43 O SENHOR deu a Israel toda a terra que havia jurado dar aos seus antepassados. Eles tomaram posse dela e nela habitaram.
21:44 O SENHOR lhes deu descanso de todos os lados, conforme tudo o que havia jurado aos seus antepassados. Nenhum de todos os seus inimigos pôde resistir a eles; o SENHOR entregou todos os seus inimigos em suas mãos.
21:45 Nenhuma palavra falhou de todas as boas palavras que o SENHOR havia dito à casa de Israel. Tudo se cumpriu.

Capítulo 22
22:1 Então Josué chamou os rubenitas, os gaditas e a meia tribo de Manassés
22:2 e lhes disse: “Vocês cumpriram tudo o que Moisés, servo do SENHOR, lhes ordenou e obedeceram à minha voz em tudo o que lhes ordenei.
22:3 Vocês não abandonaram seus irmãos durante todo este longo tempo, até hoje, e cumpriram o que o SENHOR, seu Deus, lhes confiou.
22:4 Agora o SENHOR, seu Deus, deu descanso aos seus irmãos, como lhes havia prometido. Portanto, voltem e vão para as suas tendas, para a terra que Moisés, servo do SENHOR, lhes deu como propriedade do outro lado do Jordão.
22:5 Apenas tenham muito cuidado de cumprir o mandamento e a lei que Moisés, servo do SENHOR, lhes ordenou: amar o SENHOR, seu Deus, andar em todos os seus caminhos, guardar os seus mandamentos, apegar-se a ele e servi-lo de todo o coração e de toda a alma”.
22:6 Josué os abençoou e os despediu, e eles foram para as suas tendas.
22:7 A uma metade da tribo de Manassés, Moisés havia dado uma herança em Basã; à outra metade, Josué deu uma herança com seus irmãos do outro lado do Jordão, a oeste. Quando Josué os enviou às suas tendas, também os abençoou
22:8 e lhes disse: “Voltem às suas tendas com grandes riquezas, com muitíssimos rebanhos, com prata, ouro, bronze, ferro e muitíssimas roupas. Repartam com seus irmãos os despojos dos seus inimigos”.
22:9 Os filhos de Rúben, os filhos de Gade e a meia tribo de Manassés deixaram os filhos de Israel em Siló, na terra de Canaã, e voltaram para a terra de Gileade, a terra de sua propriedade, que haviam recebido conforme a ordem do SENHOR por meio de Moisés.
22:10 Quando chegaram à região do Jordão, na terra de Canaã, os filhos de Rúben, os filhos de Gade e a meia tribo de Manassés construíram ali, junto ao Jordão, um altar grande e imponente.
22:11 Os filhos de Israel ouviram dizer: “Os filhos de Rúben, os filhos de Gade e a meia tribo de Manassés construíram um altar diante da terra de Canaã, na região do Jordão, do lado dos filhos de Israel”.
22:12 Quando os filhos de Israel ouviram isso, toda a comunidade dos filhos de Israel se reuniu em Siló para ir à guerra contra eles.
22:13 Os filhos de Israel enviaram Fineias, filho do sacerdote Eleazar, aos filhos de Rúben, aos filhos de Gade e à meia tribo de Manassés, na terra de Gileade,
22:14 e com ele dez chefes, um chefe de casa paterna por cada tribo de Israel. Cada um deles era chefe da sua casa paterna entre os milhares de Israel.
22:15 Eles chegaram aos filhos de Rúben, aos filhos de Gade e à meia tribo de Manassés, na terra de Gileade, e lhes disseram:
22:16 “Assim diz toda a comunidade do SENHOR: Que infidelidade é esta que vocês cometeram contra o Deus de Israel, deixando hoje de seguir o SENHOR e construindo para vocês um altar para hoje se rebelarem contra o SENHOR?
22:17 Não nos basta a iniquidade de Peor, da qual ainda não nos purificamos até hoje, embora uma praga tenha atingido a comunidade do SENHOR?
22:18 E agora vocês deixam de seguir o SENHOR? Se hoje vocês se rebelarem contra o SENHOR, amanhã ele se irará contra toda a comunidade de Israel.
22:19 Se a terra da sua propriedade é impura, passem para a terra que pertence ao SENHOR, onde habita o tabernáculo do SENHOR, e recebam uma propriedade entre nós. Mas não se rebelem contra o SENHOR nem contra nós, construindo para vocês um altar além do altar do SENHOR, nosso Deus.
22:20 Não foi Acã, filho de Zerá, quem cometeu uma infidelidade quanto ao que havia sido consagrado à destruição, e a ira veio sobre toda a comunidade de Israel? Ele não foi o único que morreu por sua iniquidade”.
22:21 Então os filhos de Rúben, os filhos de Gade e a meia tribo de Manassés responderam aos chefes dos milhares de Israel:
22:22 “O Deus dos deuses, o SENHOR! O Deus dos deuses, o SENHOR! Ele sabe, e Israel também saberá. Se fizemos isso por rebeldia ou por infidelidade contra o SENHOR, não nos salves hoje.
22:23 Se construímos um altar para deixar de seguir o SENHOR, ou para oferecer sobre ele holocaustos e ofertas de cereal, ou para apresentar sobre ele sacrifícios de paz, que o próprio SENHOR nos peça contas.
22:24 Pelo contrário, fizemos isso por receio de que, no futuro, os filhos de vocês dissessem aos nossos filhos: ‘O que vocês têm a ver com o SENHOR, Deus de Israel?
22:25 O SENHOR pôs o Jordão como fronteira entre nós e vocês, filhos de Rúben e filhos de Gade. Vocês não têm parte no SENHOR’. Assim, os filhos de vocês fariam os nossos filhos deixarem de temer o SENHOR.
22:26 Por isso dissemos: ‘Vamos construir um altar para nós, não para holocaustos nem para sacrifícios,
22:27 mas para que seja testemunha entre nós e vocês e entre as gerações que virão depois de nós, para prestarmos o serviço do SENHOR diante dele com nossos holocaustos, nossos sacrifícios e nossas ofertas de paz. Assim, os filhos de vocês não dirão no futuro aos nossos filhos: “Vocês não têm parte no SENHOR”’.
22:28 Também dissemos: ‘Se no futuro disserem isso a nós ou às nossas gerações, responderemos: “Vejam a réplica do altar do SENHOR que nossos pais fizeram, não para holocaustos nem para sacrifícios, mas como testemunha entre nós e vocês”’.
22:29 Longe de nós rebelar-nos contra o SENHOR e deixar hoje de seguir o SENHOR, construindo um altar para holocaustos, ofertas de cereal ou sacrifícios além do altar do SENHOR, nosso Deus, que está diante do seu tabernáculo”.
22:30 O sacerdote Fineias, os chefes da comunidade e os chefes dos milhares de Israel que estavam com ele ouviram as palavras dos filhos de Rúben, dos filhos de Gade e dos filhos de Manassés, e ficaram satisfeitos.
22:31 Fineias, filho do sacerdote Eleazar, disse aos filhos de Rúben, aos filhos de Gade e aos filhos de Manassés: “Hoje sabemos que o SENHOR está no meio de nós, pois vocês não cometeram essa infidelidade contra o SENHOR. Agora vocês livraram os filhos de Israel da mão do SENHOR”.
22:32 Fineias, filho do sacerdote Eleazar, e os chefes deixaram os filhos de Rúben e os filhos de Gade na terra de Gileade e voltaram à terra de Canaã, aos filhos de Israel, trazendo-lhes a resposta.
22:33 A resposta agradou aos filhos de Israel, e eles bendisseram a Deus. Não falaram mais em ir à guerra contra eles para destruir a terra onde habitavam os filhos de Rúben e os filhos de Gade.
22:34 Os filhos de Rúben e os filhos de Gade deram nome ao altar, dizendo: “Ele é testemunha entre nós de que o SENHOR é Deus”.

Capítulo 23
23:1 Já havia passado muito tempo desde que o SENHOR dera descanso a Israel de todos os seus inimigos ao redor, e Josué estava velho, de idade avançada.
23:2 Josué chamou todo Israel, seus anciãos, seus chefes, seus juízes e seus oficiais e lhes disse: “Eu envelheci e estou em idade avançada.
23:3 Vocês viram tudo o que o SENHOR, seu Deus, fez a todas estas nações por causa de vocês, pois o SENHOR, seu Deus, foi quem lutou por vocês.
23:4 Vejam, eu lhes atribuí por sorteio, como herança para as suas tribos, estas nações que restam, junto com todas as nações que eliminei, desde o Jordão até o mar Grande, onde o sol se põe.
23:5 O SENHOR, seu Deus, as fará recuar diante de vocês e as expulsará da sua presença. Vocês tomarão posse da terra delas, como o SENHOR, seu Deus, lhes prometeu.
23:6 Sejam muito firmes em guardar e cumprir tudo o que está escrito no livro da lei de Moisés, sem se desviarem nem para a direita nem para a esquerda,
23:7 e sem se misturarem com estas nações que ainda restam entre vocês. Não mencionem o nome dos deuses dessas nações, não façam ninguém jurar por eles, não os sirvam nem se prostrem diante deles.
23:8 Mas apeguem-se ao SENHOR, seu Deus, como vocês têm feito até hoje.
23:9 O SENHOR expulsou de diante de vocês nações grandes e poderosas. Até hoje ninguém pôde resistir a vocês.
23:10 Um só homem de vocês perseguirá mil, pois o SENHOR, seu Deus, é quem luta por vocês, como lhes prometeu.
23:11 Tenham muito cuidado de vocês mesmos, para amar o SENHOR, seu Deus.
23:12 Mas, se voltarem atrás, se apegarem ao restante destas nações que ainda estão entre vocês, se unirem a elas por casamento e se misturarem com elas, e elas com vocês,
23:13 saibam com certeza que o SENHOR, seu Deus, não continuará a expulsar essas nações de diante de vocês. Elas serão para vocês um laço e uma armadilha, um açoite nos seus flancos e espinhos nos seus olhos, até que vocês sejam eliminados desta boa terra que o SENHOR, seu Deus, lhes deu.
23:14 Vejam, hoje sigo o caminho de toda a terra. Vocês sabem, de todo o coração e de toda a alma, que nenhuma palavra falhou de todas as boas palavras que o SENHOR, seu Deus, lhes disse. Todas se cumpriram para vocês; nenhuma palavra falhou.
23:15 E, assim como se cumpriu para vocês toda a boa palavra que o SENHOR, seu Deus, lhes disse, também o SENHOR trará sobre vocês todo o mal anunciado, até exterminá-los desta boa terra que o SENHOR, seu Deus, lhes deu,
23:16 se vocês transgredirem a aliança do SENHOR, seu Deus, que ele lhes ordenou, e forem servir a outros deuses e se prostrarem diante deles. Então a ira do SENHOR se acenderá contra vocês, e logo desaparecerão da boa terra que ele lhes deu”.

Capítulo 24
24:1 Josué reuniu todas as tribos de Israel em Siquém e chamou os anciãos de Israel, seus chefes, seus juízes e seus oficiais. Eles se apresentaram diante de Deus.
24:2 Josué disse a todo o povo: “Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: ‘Antigamente, os seus antepassados habitavam do outro lado do rio: Terá, pai de Abraão e de Naor. Eles serviam a outros deuses.
24:3 Eu tomei Abraão, o antepassado de vocês, do outro lado do rio e o conduzi por toda a terra de Canaã. Multipliquei sua descendência e lhe dei Isaque.
24:4 A Isaque dei Jacó e Esaú. A Esaú dei o monte Seir para tomar posse dele, mas Jacó e seus filhos desceram ao Egito.
24:5 Enviei Moisés e Arão e feri o Egito com o que fiz no meio dele. Depois tirei vocês de lá.
24:6 Tirei os seus antepassados do Egito, e vocês chegaram ao mar. Os egípcios perseguiram os seus antepassados com carros e cavaleiros até o mar Vermelho.
24:7 Eles clamaram ao SENHOR, e ele pôs escuridão entre vocês e os egípcios. Fez o mar vir sobre eles e os cobriu. Os olhos de vocês viram o que fiz no Egito. Depois vocês habitaram no deserto durante muitos dias.
24:8 Eu os trouxe à terra dos amorreus que habitavam do outro lado do Jordão. Eles lutaram contra vocês, mas eu os entreguei em suas mãos. Vocês tomaram posse da terra deles, e eu os exterminei de diante de vocês.
24:9 Então Balaque, filho de Zipor, rei de Moabe, se levantou e lutou contra Israel. Mandou chamar Balaão, filho de Beor, para amaldiçoar vocês.
24:10 Mas eu não quis ouvir Balaão, e ele abençoou vocês repetidamente. Assim os livrei da mão dele.
24:11 Vocês atravessaram o Jordão e chegaram a Jericó. Os habitantes de Jericó lutaram contra vocês, assim como os amorreus, os ferezeus, os cananeus, os hititas, os girgaseus, os heveus e os jebuseus, mas eu os entreguei em suas mãos.
24:12 Enviei vespas à frente de vocês, e elas expulsaram da sua presença os dois reis dos amorreus. Não foi com a espada nem com o arco de vocês.
24:13 Dei a vocês uma terra em que não trabalharam e cidades que não construíram, nas quais agora habitam. Vocês comem de vinhas e olivais que não plantaram’.
24:14 Agora temam o SENHOR e o sirvam com integridade e verdade. Retirem os deuses a que os seus antepassados serviram do outro lado do rio e no Egito e sirvam o SENHOR.
24:15 Mas, se lhes parece mal servir o SENHOR, escolham hoje a quem vão servir: aos deuses a que os seus antepassados serviram do outro lado do rio ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra vocês habitam. Porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR”.
24:16 O povo respondeu: “Longe de nós abandonar o SENHOR para servir a outros deuses!
24:17 Pois o SENHOR, nosso Deus, foi quem tirou a nós e aos nossos antepassados da terra do Egito, da casa da escravidão. Ele fez estes grandes sinais diante dos nossos olhos e nos guardou por todo o caminho que percorremos e entre todos os povos por onde passamos.
24:18 O SENHOR expulsou de diante de nós todos os povos e os amorreus que habitavam nesta terra. Nós também serviremos ao SENHOR, pois ele é o nosso Deus”.
24:19 Josué disse ao povo: “Vocês não poderão servir ao SENHOR, pois ele é Deus santo, Deus zeloso. Ele não perdoará as suas transgressões nem os seus pecados.
24:20 Se vocês abandonarem o SENHOR e servirem a deuses estrangeiros, ele se voltará contra vocês, lhes fará mal e os consumirá, depois de lhes ter feito bem”.
24:21 O povo disse a Josué: “Não! Nós serviremos ao SENHOR”.
24:22 Josué disse ao povo: “Vocês são testemunhas contra si mesmos de que escolheram o SENHOR para servi-lo”. Eles responderam: “Somos testemunhas”.
24:23 “Agora retirem os deuses estrangeiros que estão entre vocês e inclinem o coração ao SENHOR, Deus de Israel”.
24:24 O povo disse a Josué: “Serviremos ao SENHOR, nosso Deus, e obedeceremos à sua voz”.
24:25 Naquele dia, Josué fez uma aliança com o povo e estabeleceu para ele um estatuto e uma ordenança em Siquém.
24:26 Josué escreveu essas palavras no livro da lei de Deus. Tomou uma grande pedra e a ergueu ali, debaixo do terebinto que estava no santuário do SENHOR.
24:27 Josué disse a todo o povo: “Vejam, esta pedra será testemunha contra nós, pois ouviu todas as palavras que o SENHOR nos disse. Será testemunha contra vocês, para que não neguem o seu Deus”.
24:28 Então Josué despediu o povo, cada um para a sua herança.
24:29 Depois dessas coisas, Josué, filho de Num, servo do SENHOR, morreu aos cento e dez anos.
24:30 Foi sepultado no território da sua herança, em Timnate-Sera, na região montanhosa de Efraim, ao norte do monte Gaás.
24:31 Israel serviu ao SENHOR durante toda a vida de Josué e durante toda a vida dos anciãos que sobreviveram a Josué e conheciam todas as obras que o SENHOR havia feito por Israel.
24:32 Os ossos de José, que os filhos de Israel haviam trazido do Egito, foram sepultados em Siquém, na parte do campo que Jacó havia comprado dos filhos de Hamor, pai de Siquém, por cem quesitas; e passaram a ser herança dos filhos de José.
24:33 Eleazar, filho de Arão, também morreu. Foi sepultado na colina de Fineias, seu filho, que lhe havia sido dada na região montanhosa de Efraim.

JUÍZES

Capítulo 1
1:1 Depois da morte de Josué, os filhos de Israel consultaram o SENHOR: “Quem de nós subirá primeiro para lutar contra os cananeus?”.
1:2 O SENHOR respondeu: “Judá subirá. Vejam, entreguei a terra em suas mãos”.
1:3 Judá disse a Simeão, seu irmão: “Suba comigo ao território que me coube por sorteio, e lutaremos contra os cananeus. Eu também irei com você ao território que lhe coube por sorteio”. E Simeão foi com ele.
1:4 Judá subiu, e o SENHOR entregou os cananeus e os ferezeus nas mãos deles. Em Bezeque, derrotaram dez mil homens.
1:5 Encontraram Adoni-Bezeque em Bezeque, lutaram contra ele e derrotaram os cananeus e os ferezeus.
1:6 Adoni-Bezeque fugiu, mas eles o perseguiram, o capturaram e cortaram os polegares das mãos e os dedos grandes dos pés dele.
1:7 Então Adoni-Bezeque disse: “Setenta reis, com os polegares das mãos e os dedos grandes dos pés cortados, apanhavam migalhas debaixo da minha mesa. Assim como fiz, Deus me retribuiu”. Levaram-no a Jerusalém, e ali morreu.
1:8 Os filhos de Judá lutaram contra Jerusalém, tomaram a cidade, atacaram-na ao fio da espada e a incendiaram.
1:9 Depois os filhos de Judá desceram para lutar contra os cananeus que habitavam na região montanhosa, no Neguebe e nas terras baixas.
1:10 Judá avançou contra os cananeus que habitavam em Hebrom, que antes se chamava Quiriate-Arba, e derrotou Sesai, Aimã e Talmai.
1:11 Dali avançou contra os habitantes de Debir, que antes se chamava Quiriate-Sefer.
1:12 Calebe disse: “Ao homem que atacar Quiriate-Sefer e a tomar, darei minha filha Acsa por esposa”.
1:13 Otniel, filho de Quenaz, irmão de Calebe, mais novo do que ele, tomou a cidade, e Calebe lhe deu sua filha Acsa por esposa.
1:14 Quando ela chegou, insistiu com ele para que pedisse o campo ao pai dela. Ela desceu do jumento, e Calebe lhe perguntou: “O que você deseja?”.
1:15 Ela lhe respondeu: “Dê-me um presente. Como você me deu uma terra do Neguebe, dê-me também fontes de água”. E Calebe lhe deu as fontes de cima e as fontes de baixo.
1:16 Os descendentes do queneu, sogro de Moisés, subiram da cidade das Palmeiras com os filhos de Judá ao deserto de Judá, ao sul de Arade. Foram e habitaram com o povo.
1:17 Judá foi com Simeão, seu irmão, e derrotaram os cananeus que habitavam em Zefate. Entregaram a cidade à destruição total e a chamaram Horma.
1:18 Judá tomou Gaza com seu território, Asquelom com seu território e Ecrom com seu território.
1:19 O SENHOR estava com Judá, e este tomou posse da região montanhosa. Mas não conseguiu expulsar os habitantes do vale, pois eles tinham carros de ferro.
1:20 Deram Hebrom a Calebe, como Moisés havia dito, e ele expulsou dali os três filhos de Anaque.
1:21 Mas os filhos de Benjamim não expulsaram os jebuseus que habitavam em Jerusalém. Os jebuseus vivem com os filhos de Benjamim em Jerusalém até hoje.
1:22 A casa de José também subiu contra Betel, e o SENHOR estava com eles.
1:23 A casa de José mandou espionar Betel, que antes se chamava Luz.
1:24 Os espiões viram um homem saindo da cidade e lhe disseram: “Por favor, mostre-nos a entrada da cidade, e trataremos você com bondade”.
1:25 Ele lhes mostrou a entrada da cidade, e eles a atacaram ao fio da espada. Mas deixaram ir aquele homem e toda a sua família.
1:26 O homem foi para a terra dos hititas, construiu uma cidade e lhe deu o nome de Luz. Esse é o seu nome até hoje.
1:27 Manassés não expulsou os habitantes de Bete-Seã e seus povoados, nem os de Taanaque e seus povoados, nem os de Dor e seus povoados, nem os de Ibleão e seus povoados, nem os de Megido e seus povoados. Os cananeus persistiram em habitar naquela terra.
1:28 Quando Israel se tornou forte, submeteu os cananeus a trabalhos forçados, mas não os expulsou.
1:29 Efraim não expulsou os cananeus que habitavam em Gezer, e os cananeus habitaram no meio deles, em Gezer.
1:30 Zebulom não expulsou os habitantes de Quitrom nem os de Naalol. Os cananeus habitaram no meio deles e foram submetidos a trabalhos forçados.
1:31 Aser não expulsou os habitantes de Aco, Sidom, Alabe, Aczibe, Helba, Afique e Reobe.
1:32 Os aseritas habitaram no meio dos cananeus que viviam naquela terra, pois não os expulsaram.
1:33 Naftali não expulsou os habitantes de Bete-Semes nem os de Bete-Anate. Habitou no meio dos cananeus que viviam naquela terra, mas submeteu os habitantes de Bete-Semes e de Bete-Anate a trabalhos forçados.
1:34 Os amorreus pressionaram os filhos de Dã para a região montanhosa e não os deixavam descer ao vale.
1:35 Os amorreus persistiram em habitar no monte Heres, em Aijalom e em Saalabim. Mas, quando a mão da casa de José pesou sobre eles, foram submetidos a trabalhos forçados.
1:36 A fronteira dos amorreus ia desde a subida de Acrabim, desde a rocha para cima.

Capítulo 2
2:1 O anjo do SENHOR subiu de Gilgal a Boquim e disse: “Eu os fiz subir do Egito e os trouxe à terra que jurei dar aos seus antepassados. Eu disse: ‘Nunca romperei minha aliança com vocês.
2:2 Vocês não farão aliança com os habitantes desta terra, mas derrubarão os seus altares’. Vocês, porém, não obedeceram à minha voz. O que foi que fizeram?
2:3 Por isso também declarei: ‘Não os expulsarei de diante de vocês. Eles estarão nos seus flancos, e os deuses deles serão uma armadilha para vocês’”.
2:4 Quando o anjo do SENHOR disse essas palavras a todos os filhos de Israel, o povo levantou a voz e chorou.
2:5 Deram àquele lugar o nome de Boquim e ali ofereceram sacrifícios ao SENHOR.
2:6 Quando Josué despediu o povo, os filhos de Israel foram, cada um para a sua herança, a fim de tomar posse da terra.
2:7 O povo serviu ao SENHOR durante toda a vida de Josué e durante toda a vida dos anciãos que sobreviveram a Josué e haviam visto toda a grande obra que o SENHOR fizera por Israel.
2:8 Josué, filho de Num, servo do SENHOR, morreu aos cento e dez anos.
2:9 Foi sepultado no território da sua herança, em Timnate-Heres, na região montanhosa de Efraim, ao norte do monte Gaás.
2:10 Também toda aquela geração foi reunida aos seus antepassados. Depois deles surgiu outra geração, que não conhecia o SENHOR nem a obra que ele havia feito por Israel.
2:11 Os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do SENHOR e serviram aos baalins.
2:12 Abandonaram o SENHOR, Deus dos seus antepassados, que os havia tirado da terra do Egito. Seguiram outros deuses, dentre os deuses dos povos ao redor deles, prostraram-se diante deles e provocaram a ira do SENHOR.
2:13 Abandonaram o SENHOR e serviram a Baal e às astarotes.
2:14 A ira do SENHOR se acendeu contra Israel. Ele os entregou nas mãos de saqueadores que os despojaram e os vendeu nas mãos dos seus inimigos ao redor. Já não conseguiam resistir aos seus inimigos.
2:15 Por onde quer que saíssem, a mão do SENHOR estava contra eles para sua desgraça, como o SENHOR havia dito e como lhes havia jurado. Ficaram em grande aflição.
2:16 Então o SENHOR levantou juízes que os livraram das mãos dos seus saqueadores.
2:17 Mas também não obedeceram aos seus juízes. Prostituíram-se seguindo outros deuses e se prostraram diante deles. Logo se desviaram do caminho em que seus antepassados haviam andado, obedecendo aos mandamentos do SENHOR. Eles não fizeram o mesmo.
2:18 Quando o SENHOR lhes levantava juízes, estava com o juiz e os livrava das mãos dos seus inimigos durante toda a vida daquele juiz. Pois o SENHOR se compadecia dos seus gemidos por causa dos que os oprimiam e afligiam.
2:19 Mas, quando o juiz morria, voltavam a se corromper, ainda mais do que os seus antepassados. Seguiam outros deuses, serviam a eles e se prostravam diante deles. Não abandonavam suas práticas nem o seu caminho obstinado.
2:20 A ira do SENHOR se acendeu contra Israel, e ele disse: “Já que esta nação transgrediu minha aliança, que ordenei aos seus antepassados, e não obedeceu à minha voz,
2:21 eu também não continuarei a expulsar de diante deles nenhuma das nações que Josué deixou quando morreu,
2:22 para, por meio delas, pôr Israel à prova e ver se guardará o caminho do SENHOR, andando nele como seus antepassados o guardaram, ou não”.
2:23 Assim o SENHOR deixou aquelas nações, sem expulsá-las logo, e não as entregou nas mãos de Josué.

Capítulo 3
3:1 Estas são as nações que o SENHOR deixou para, por meio delas, pôr Israel à prova, todos os que não haviam conhecido nenhuma das guerras de Canaã.
3:2 Fez isso apenas para que as gerações dos filhos de Israel conhecessem a guerra, ensinando-a aos que antes não a haviam conhecido:
3:3 os cinco governantes dos filisteus, todos os cananeus, os sidônios e os heveus que habitavam na região montanhosa do Líbano, desde o monte Baal-Hermom até a entrada de Hamate.
3:4 Essas nações ficaram para, por meio delas, pôr Israel à prova, para saber se obedeceriam aos mandamentos que o SENHOR havia dado aos seus antepassados por meio de Moisés.
3:5 Os filhos de Israel habitaram no meio dos cananeus, dos hititas, dos amorreus, dos ferezeus, dos heveus e dos jebuseus.
3:6 Tomaram as filhas deles por esposas, deram suas próprias filhas aos filhos deles e serviram aos seus deuses.
3:7 Os filhos de Israel fizeram o que era mau aos olhos do SENHOR, esqueceram o SENHOR, seu Deus, e serviram aos baalins e aos postes de Aserá.
3:8 A ira do SENHOR se acendeu contra Israel, e ele os vendeu nas mãos de Cusã-Risataim, rei de Arã-Naaraim. Os filhos de Israel serviram a Cusã-Risataim durante oito anos.
3:9 Os filhos de Israel clamaram ao SENHOR, e o SENHOR lhes levantou um libertador que os salvou: Otniel, filho de Quenaz, irmão de Calebe, mais novo do que ele.
3:10 O Espírito do SENHOR veio sobre ele, e ele julgou Israel. Saiu para a guerra, e o SENHOR entregou em suas mãos Cusã-Risataim, rei de Arã. Sua mão prevaleceu sobre Cusã-Risataim.
3:11 A terra descansou durante quarenta anos. Então morreu Otniel, filho de Quenaz.
3:12 Os filhos de Israel tornaram a fazer o que era mau aos olhos do SENHOR. Por terem feito o que era mau aos seus olhos, o SENHOR fortaleceu Eglom, rei de Moabe, contra Israel.
3:13 Eglom reuniu a si os filhos de Amom e Amaleque, avançou e derrotou Israel. Tomaram posse da cidade das Palmeiras.
3:14 Os filhos de Israel serviram a Eglom, rei de Moabe, durante dezoito anos.
3:15 Os filhos de Israel clamaram ao SENHOR, e o SENHOR lhes levantou um libertador: Eúde, filho de Gera, benjamita, homem canhoto. Os filhos de Israel enviaram por meio dele um tributo a Eglom, rei de Moabe.
3:16 Eúde fez para si uma adaga de dois gumes, de cerca de trinta centímetros de comprimento, e a prendeu à coxa direita, debaixo da roupa.
3:17 Ele apresentou o tributo a Eglom, rei de Moabe. Eglom era um homem muito gordo.
3:18 Quando acabou de apresentar o tributo, despediu os que o haviam carregado.
3:19 Mas ele voltou do lugar dos ídolos, perto de Gilgal, e disse: “Tenho uma mensagem secreta para você, ó rei”. O rei disse: “Silêncio!”. E todos os que o serviam saíram da sua presença.
3:20 Eúde se aproximou do rei, que estava sentado sozinho no seu aposento fresco, no andar de cima. Eúde disse: “Tenho uma mensagem de Deus para você”. Então o rei se levantou do assento.
3:21 Eúde estendeu a mão esquerda, pegou a adaga que estava na sua coxa direita e a cravou no ventre do rei.
3:22 O cabo também entrou depois da lâmina, e a gordura se fechou sobre ela, pois ele não retirou a adaga do ventre. E saíram os excrementos.
3:23 Eúde saiu para o corredor, fechou atrás de si as portas do aposento no andar de cima e as trancou.
3:24 Depois que ele saiu, os servos do rei vieram e viram que as portas do aposento estavam trancadas. Disseram: “Com certeza está fazendo suas necessidades no aposento fresco”.
3:25 Esperaram até ficarem constrangidos, mas ele não abria as portas do aposento. Então pegaram a chave e abriram: seu senhor estava caído no chão, morto.
3:26 Enquanto eles demoravam, Eúde escapou. Passou pelos ídolos e fugiu para Seirá.
3:27 Quando chegou, tocou a trombeta na região montanhosa de Efraim. Os filhos de Israel desceram com ele da região montanhosa, e ele ia à frente deles.
3:28 Ele lhes disse: “Sigam-me, pois o SENHOR entregou em suas mãos os seus inimigos, os moabitas”. Eles desceram atrás dele e tomaram os vaus do Jordão que levam a Moabe. Não deixaram ninguém passar.
3:29 Naquela ocasião, mataram cerca de dez mil moabitas, todos corpulentos e guerreiros valentes. Nenhum escapou.
3:30 Naquele dia, Moabe foi subjugado sob a mão de Israel, e a terra descansou durante oitenta anos.
3:31 Depois dele veio Sangar, filho de Anate, que matou seiscentos filisteus com uma aguilhada para bois. Ele também salvou Israel.

Capítulo 4
4:1 Depois da morte de Eúde, os filhos de Israel tornaram a fazer o que era mau aos olhos do SENHOR.
4:2 O SENHOR os vendeu nas mãos de Jabim, rei de Canaã, que reinava em Hazor. O comandante do seu exército era Sísera, que habitava em Harosete-Hagoim.
4:3 Os filhos de Israel clamaram ao SENHOR, pois ele tinha novecentos carros de ferro e oprimira duramente os filhos de Israel durante vinte anos.
4:4 Débora, profetisa e esposa de Lapidote, julgava Israel naquele tempo.
4:5 Ela costumava sentar-se debaixo da palmeira de Débora, entre Ramá e Betel, na região montanhosa de Efraim, e os filhos de Israel subiam até ela para julgamento.
4:6 Ela mandou chamar Baraque, filho de Abinoão, de Quedes de Naftali, e lhe disse: “Não foi o SENHOR, Deus de Israel, quem lhe ordenou: ‘Vá, reúna os homens no monte Tabor e leve com você dez mil homens dos filhos de Naftali e dos filhos de Zebulom.
4:7 Eu atrairei até você, ao ribeiro Quisom, Sísera, comandante do exército de Jabim, com seus carros e suas tropas, e o entregarei em suas mãos’?”.
4:8 Baraque lhe respondeu: “Se você for comigo, eu irei; mas, se não for comigo, não irei”.
4:9 Ela disse: “Certamente irei com você. Porém a honra não será sua na jornada que você empreende, pois o SENHOR venderá Sísera nas mãos de uma mulher”. Então Débora se levantou e foi com Baraque a Quedes.
4:10 Baraque convocou Zebulom e Naftali em Quedes. Dez mil homens subiram atrás dele, e Débora subiu com ele.
4:11 Héber, o queneu, havia se separado dos queneus, dos descendentes de Hobabe, sogro de Moisés, e armado sua tenda junto ao carvalho de Zaanaim, perto de Quedes.
4:12 Informaram a Sísera que Baraque, filho de Abinoão, havia subido ao monte Tabor.
4:13 Sísera convocou todos os seus carros, novecentos carros de ferro, e todas as tropas que estavam com ele, de Harosete-Hagoim até o ribeiro Quisom.
4:14 Débora disse a Baraque: “Levante-se, pois este é o dia em que o SENHOR entregou Sísera em suas mãos. Não foi o SENHOR quem saiu à sua frente?”. Então Baraque desceu do monte Tabor, seguido por dez mil homens.
4:15 O SENHOR lançou Sísera, todos os seus carros e todo o seu exército em confusão diante de Baraque, ao fio da espada. Sísera desceu do carro e fugiu a pé.
4:16 Baraque perseguiu os carros e o exército até Harosete-Hagoim. Todo o exército de Sísera caiu ao fio da espada; não restou um só homem.
4:17 Sísera fugiu a pé para a tenda de Jael, esposa de Héber, o queneu, pois havia paz entre Jabim, rei de Hazor, e a casa de Héber, o queneu.
4:18 Jael saiu ao encontro de Sísera e lhe disse: “Entre, meu senhor, entre aqui. Não tenha medo”. Ele entrou na tenda dela, e ela o cobriu com uma manta.
4:19 Ele lhe disse: “Por favor, dê-me um pouco de água para beber, pois estou com sede”. Ela abriu o odre de leite, deu-lhe de beber e o cobriu.
4:20 Ele lhe disse: “Fique à entrada da tenda. Se alguém vier e perguntar: ‘Há algum homem aqui?’, responda: ‘Não’”.
4:21 Mas Jael, esposa de Héber, pegou uma estaca da tenda, tomou um martelo na mão, aproximou-se dele em silêncio e cravou a estaca na sua têmpora, até ela penetrar no chão. Ele estava profundamente adormecido e exausto, e morreu.
4:22 Quando Baraque chegou perseguindo Sísera, Jael saiu ao seu encontro e lhe disse: “Venha, vou mostrar o homem que você procura”. Ele entrou com ela, e ali estava Sísera, caído, morto, com a estaca na têmpora.
4:23 Naquele dia, Deus subjugou Jabim, rei de Canaã, diante dos filhos de Israel.
4:24 A mão dos filhos de Israel se tornou cada vez mais pesada sobre Jabim, rei de Canaã, até que eliminaram Jabim, rei de Canaã.

Capítulo 5
5:1 Naquele dia, Débora e Baraque, filho de Abinoão, cantaram:
5:2 “Porque os chefes tomaram a frente em Israel, porque o povo se ofereceu voluntariamente, bendigam o SENHOR!
5:3 Ouçam, reis!
   Deem ouvidos, governantes!
   Eu, eu cantarei ao SENHOR;
   entoarei louvores ao SENHOR, Deus de Israel.
5:4 SENHOR, quando saíste de Seir, quando marchaste desde os campos de Edom, a terra tremeu;
   os céus também derramaram água, as nuvens também derramaram água.
5:5 Os montes se derreteram diante do SENHOR;
   este Sinai, diante do SENHOR, Deus de Israel.
5:6 Nos dias de Sangar, filho de Anate, nos dias de Jael, os caminhos ficaram abandonados, e os viajantes seguiam por caminhos tortuosos.
5:7 A vida nas aldeias cessou em Israel, cessou até que eu, Débora, me levantei, até que me levantei como mãe em Israel.
5:8 Escolhiam deuses novos;
   então a guerra chegava aos portões.
   Via-se escudo ou lança entre quarenta mil em Israel?
5:9 Meu coração está com os chefes de Israel, com os que se ofereceram voluntariamente entre o povo.
   Bendigam o SENHOR!
5:10 Vocês que cavalgam jumentas brancas, que se sentam sobre tapetes, e vocês que caminham pela estrada, falem disso!
5:11 Ao som dos que cantam entre os bebedouros, ali se narram as justas vitórias do SENHOR, as justas vitórias dos seus aldeões em Israel.
   Então o povo do SENHOR desceu aos portões.
5:12 Desperte, desperte, Débora!
   Desperte, desperte, entoe um cântico!
   Levante-se, Baraque!
   Leve os seus cativos, filho de Abinoão!
5:13 Então os sobreviventes desceram até os nobres;
   o povo do SENHOR desceu em meu auxílio contra os guerreiros.
5:14 De Efraim vieram aqueles cujas raízes estavam em Amaleque;
   atrás de você, Benjamim, com seus povos.
   De Maquir desceram chefes;
   de Zebulom, os que empunham o bastão do escriba.
5:15 Os chefes de Issacar estavam com Débora;
   Issacar também estava com Baraque e foi enviado ao vale seguindo os passos dele.
   Nas divisões de Rúben, houve grandes resoluções do coração.
5:16 Por que você ficou entre os currais, ouvindo os assobios para os rebanhos?
   Nas divisões de Rúben, houve grandes deliberações do coração.
5:17 Gileade permaneceu do outro lado do Jordão.
   E Dã, por que se demorou junto aos navios?
   Aser ficou à beira do mar e permaneceu nas suas enseadas.
5:18 Zebulom foi um povo que arriscou a vida até a morte, assim como Naftali, nas alturas do campo.
5:19 Vieram reis e lutaram;
   então lutaram os reis de Canaã, em Taanaque, junto às águas de Megido.
   Não levaram despojos de prata.
5:20 Desde o céu lutaram as estrelas;
   de seus cursos lutaram contra Sísera.
5:21 O ribeiro Quisom os arrastou, o antigo ribeiro, o ribeiro Quisom.
   Avance com força, minha alma!
5:22 Então os cascos dos cavalos martelavam, ao galope, ao galope dos seus poderosos corcéis.
5:23 ‘Amaldiçoem Meroz’, disse o anjo do SENHOR.
   ‘Amaldiçoem severamente os seus habitantes, pois não vieram em auxílio do SENHOR, em auxílio do SENHOR contra os guerreiros’.
5:24 Jael, esposa de Héber, o queneu, seja a mais bendita entre as mulheres;
   entre as mulheres nas tendas, seja a mais bendita.
5:25 Ele pediu água, ela deu leite;
   numa tigela de nobres lhe ofereceu coalhada.
5:26 Estendeu a mão para a estaca, e a direita para o martelo dos trabalhadores.
   Golpeou Sísera, esmagou-lhe a cabeça, despedaçou e atravessou sua têmpora.
5:27 Entre os seus pés ele se curvou, caiu, ficou deitado.
   Entre os seus pés ele se curvou, caiu.
   Onde se curvou, ali caiu morto.
5:28 Pela janela se inclinou e clamou a mãe de Sísera, por entre a treliça: ‘Por que seu carro demora a chegar?
   Por que se atrasam os passos dos seus carros?’.
5:29 As mais sábias de suas damas lhe respondiam;
   ela mesma repetia para si as suas palavras:
5:30 ‘Não encontraram despojos e os estão repartindo?
   Uma mulher, duas mulheres para cada homem;
   despojos de tecidos coloridos para Sísera, despojos de tecidos coloridos bordados, tecidos coloridos com bordado duplo para os pescoços dos que tomam os despojos’.
5:31 Assim pereçam todos os teus inimigos, SENHOR!
   Mas os que o amam sejam como o sol quando sai com toda a sua força”.
   E a terra descansou durante quarenta anos.

Capítulo 6
6:1 Os israelitas fizeram o que era mau aos olhos do SENHOR, e o SENHOR os entregou nas mãos de Midiã por sete anos.
6:2 O poder de Midiã prevaleceu sobre Israel. Por causa de Midiã, os israelitas prepararam para si esconderijos nas montanhas, cavernas e lugares fortificados.
6:3 Sempre que Israel semeava, os midianitas, os amalequitas e os povos do oriente subiam contra ele.
6:4 Acampavam contra os israelitas e destruíam as colheitas da terra até a região de Gaza. Não deixavam alimento em Israel, nem ovelhas, nem bois, nem jumentos.
6:5 Pois subiam com seus rebanhos e suas tendas, numerosos como gafanhotos. Não era possível contar nem eles nem seus camelos. Entravam na terra para devastá-la.
6:6 Israel ficou muito empobrecido por causa de Midiã, e os israelitas clamaram ao SENHOR.
6:7 Quando os israelitas clamaram ao SENHOR por causa de Midiã,
6:8 o SENHOR lhes enviou um profeta, que disse: “Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: ‘Eu fiz vocês subirem do Egito e os tirei da casa da escravidão.
6:9 Eu os livrei das mãos dos egípcios e das mãos de todos os seus opressores. Eu os expulsei da presença de vocês e lhes dei a terra deles.
6:10 Eu disse a vocês: Eu sou o SENHOR, seu Deus. Não temam os deuses dos amorreus, em cuja terra vocês habitam. Mas vocês não obedeceram à minha voz.’”
6:11 O anjo do SENHOR veio e se sentou debaixo do carvalho em Ofra que pertencia a Joás, o abiezrita. Gideão, seu filho, estava malhando trigo no lagar para escondê-lo dos midianitas.
6:12 O anjo do SENHOR lhe apareceu e disse: “O SENHOR está com você, guerreiro valente!”
6:13 Gideão lhe respondeu: “Por favor, meu senhor, se o SENHOR está conosco, por que tudo isso nos aconteceu? Onde estão todas as suas maravilhas, das quais nossos antepassados nos contaram, dizendo: ‘Não foi o SENHOR quem nos fez subir do Egito?’ Mas agora o SENHOR nos abandonou e nos entregou nas mãos de Midiã.”
6:14 O SENHOR se voltou para ele e disse: “Vá com essa força que você tem e salve Israel das mãos de Midiã. Não sou eu quem o envia?”
6:15 Ele respondeu: “Por favor, Senhor, como poderei salvar Israel? Meu clã é o mais fraco de Manassés, e eu sou o menor na casa de meu pai.”
6:16 O SENHOR lhe disse: “Eu estarei com você, e você derrotará Midiã como se fosse um só homem.”
6:17 Gideão lhe disse: “Se encontrei favor aos teus olhos, dá-me um sinal de que és tu quem fala comigo.
6:18 Por favor, não te afastes daqui até que eu volte, traga minha oferta e a coloque diante de ti.” Ele respondeu: “Ficarei aqui até você voltar.”
6:19 Gideão entrou e preparou um cabrito e pães sem fermento com cerca de vinte e dois litros de farinha. Pôs a carne numa cesta e o caldo numa panela, levou tudo até ele, debaixo do carvalho, e o apresentou.
6:20 O anjo de Deus lhe disse: “Pegue a carne e os pães sem fermento, coloque-os sobre esta rocha e derrame o caldo.” E assim ele fez.
6:21 O anjo do SENHOR estendeu a ponta do cajado que tinha na mão e tocou a carne e os pães sem fermento. Da rocha subiu fogo, que consumiu a carne e os pães sem fermento. Então o anjo do SENHOR desapareceu de sua vista.
6:22 Gideão percebeu que era o anjo do SENHOR e exclamou: “Ah, Senhor DEUS! Eu vi o anjo do SENHOR face a face!”
6:23 Mas o SENHOR lhe disse: “A paz esteja com você. Não tenha medo; você não morrerá.”
6:24 Gideão construiu ali um altar ao SENHOR e o chamou de “O SENHOR é paz”. Até hoje ele permanece em Ofra dos abiezritas.
6:25 Naquela noite, o SENHOR lhe disse: “Pegue o touro de seu pai e o segundo touro, o de sete anos. Derrube o altar de Baal que pertence a seu pai e corte o poste de Aserá que está ao lado dele.
6:26 Construa um altar ao SENHOR, seu Deus, no alto deste lugar fortificado, dispondo-o em ordem. Pegue o segundo touro e ofereça-o em holocausto, usando a madeira do poste de Aserá que você cortar.”
6:27 Gideão levou dez de seus servos e fez como o SENHOR lhe havia dito. Como tinha medo da família de seu pai e dos homens da cidade, fez isso de noite, em vez de fazê-lo de dia.
6:28 Quando os homens da cidade se levantaram de madrugada, viram que o altar de Baal estava derrubado, o poste de Aserá ao lado dele havia sido cortado e o segundo touro tinha sido oferecido sobre o altar construído.
6:29 Perguntaram uns aos outros: “Quem fez isso?” Depois de investigar e procurar, disseram: “Foi Gideão, filho de Joás, quem fez isso.”
6:30 Os homens da cidade disseram a Joás: “Traga seu filho para fora, para que morra, pois derrubou o altar de Baal e cortou o poste de Aserá que estava ao lado dele.”
6:31 Mas Joás respondeu a todos os que o enfrentavam: “São vocês que vão defender Baal? São vocês que vão salvá-lo? Quem o defender será morto antes do amanhecer. Se ele é deus, que se defenda, pois derrubaram seu altar!”
6:32 Por isso, naquele dia, Joás chamou Gideão de Jerubaal, dizendo: “Que Baal lute contra ele, pois derrubou seu altar.”
6:33 Todos os midianitas, os amalequitas e os povos do oriente se reuniram, atravessaram e acamparam no vale de Jezreel.
6:34 O Espírito do SENHOR revestiu Gideão. Ele tocou a trombeta, e os abiezritas se reuniram para segui-lo.
6:35 Enviou mensageiros por todo Manassés, e também eles se reuniram para segui-lo. Enviou ainda mensageiros a Aser, Zebulom e Naftali, e eles subiram ao encontro deles.
6:36 Gideão disse a Deus: “Se vais salvar Israel por meu intermédio, como disseste,
6:37 vou colocar um velo de lã na eira. Se houver orvalho somente no velo e todo o chão ficar seco, saberei que salvarás Israel por meu intermédio, como disseste.”
6:38 E assim aconteceu. Gideão se levantou de madrugada no dia seguinte e apertou o velo. Espremeu dele uma tigela cheia de água de orvalho.
6:39 Então Gideão disse a Deus: “Não se acenda contra mim a tua ira, se eu falar só mais esta vez. Por favor, permite que eu faça só mais uma prova com o velo. Que somente o velo fique seco e que haja orvalho em todo o chão.”
6:40 E Deus fez assim naquela noite: somente o velo ficou seco, e havia orvalho em todo o chão.

Capítulo 7
7:1 Jerubaal, isto é, Gideão, levantou-se de madrugada com todo o povo que estava com ele, e acamparam junto à fonte de Harode. O acampamento de Midiã ficava ao norte deles, no vale, junto à colina de Moré.
7:2 O SENHOR disse a Gideão: “O povo que está com você é numeroso demais para que eu entregue Midiã nas mãos deles. Israel poderia se vangloriar diante de mim, dizendo: ‘Minha própria mão me salvou.’
7:3 Agora anuncie ao povo: ‘Quem estiver com medo e tremendo, volte e se retire do monte Gileade.’” Então vinte e dois mil homens voltaram, e dez mil ficaram.
7:4 O SENHOR disse a Gideão: “Ainda há gente demais. Faça-os descer até a água, e ali eu os porei à prova para você. Aquele de quem eu disser: ‘Este irá com você’, irá com você. Mas aquele de quem eu disser: ‘Este não irá com você’, não irá.”
7:5 Gideão fez o povo descer até a água. O SENHOR lhe disse: “Ponha de um lado todo aquele que lamber a água com a língua, como faz o cão, e do outro todo aquele que se ajoelhar para beber.”
7:6 Foram trezentos os homens que lamberam a água, levando-a com a mão à boca. Todos os demais se ajoelharam para beber água.
7:7 O SENHOR disse a Gideão: “Com os trezentos homens que lamberam a água, eu salvarei vocês e entregarei Midiã nas suas mãos. Todos os outros podem ir, cada um para o seu lugar.”
7:8 Os trezentos pegaram as provisões do povo e suas trombetas. Gideão mandou todos os demais israelitas de volta às suas tendas e manteve consigo os trezentos homens. O acampamento de Midiã ficava abaixo dele, no vale.
7:9 Naquela noite, o SENHOR lhe disse: “Levante-se e desça contra o acampamento, pois eu o entreguei nas suas mãos.
7:10 Mas, se você tem medo de descer, vá até o acampamento com Pura, seu servo.
7:11 Você ouvirá o que eles dizem e depois terá coragem para descer contra o acampamento.” Então ele desceu com Pura, seu servo, até a extremidade dos homens armados que estavam no acampamento.
7:12 Os midianitas, os amalequitas e todos os povos do oriente estavam espalhados pelo vale, numerosos como gafanhotos. Seus camelos eram incontáveis, tão numerosos como a areia à beira-mar.
7:13 Quando Gideão chegou, um homem estava contando um sonho a seu companheiro: “Tive um sonho: um pão de cevada vinha rolando pelo acampamento de Midiã. Chegou até a tenda, bateu nela e a derrubou. Virou-a de cabeça para baixo, e a tenda caiu.”
7:14 Seu companheiro respondeu: “Isso só pode ser a espada de Gideão, filho de Joás, um israelita. Deus entregou Midiã e todo este acampamento nas mãos dele.”
7:15 Quando Gideão ouviu o relato do sonho e sua interpretação, prostrou-se. Voltou ao acampamento de Israel e disse: “Levantem-se, pois o SENHOR entregou o acampamento de Midiã nas mãos de vocês!”
7:16 Dividiu os trezentos homens em três grupos e deu a cada um uma trombeta e um jarro vazio, com uma tocha dentro do jarro.
7:17 Ele lhes disse: “Olhem para mim e façam como eu fizer. Quando eu chegar à extremidade do acampamento, façam o mesmo que eu.
7:18 Quando eu e todos os que estiverem comigo tocarmos as trombetas, vocês também tocarão as suas ao redor de todo o acampamento e gritarão: ‘Pelo SENHOR e por Gideão!’”
7:19 Gideão e os cem homens que estavam com ele chegaram à extremidade do acampamento no começo da vigília do meio, logo depois da troca dos guardas. Tocaram as trombetas e quebraram os jarros que tinham nas mãos.
7:20 Os três grupos tocaram as trombetas e quebraram os jarros. Seguravam as tochas com a mão esquerda e as trombetas com a direita para tocá-las, e gritavam: “Uma espada pelo SENHOR e por Gideão!”
7:21 Cada um permaneceu no seu posto ao redor do acampamento. Enquanto todo o acampamento se punha a correr, os israelitas soltaram o grito e o puseram em fuga.
7:22 Quando tocaram as trezentas trombetas, o SENHOR voltou a espada de cada um contra seu companheiro por todo o acampamento. O exército fugiu até Bete-Sita, na direção de Zererá, até os limites de Abel-Meolá, perto de Tabate.
7:23 Os israelitas de Naftali, de Aser e de todo Manassés foram convocados e perseguiram Midiã.
7:24 Gideão enviou mensageiros por toda a região montanhosa de Efraim, dizendo: “Desçam ao encontro de Midiã e ocupem antes deles as passagens das águas até Bete-Bara e as do Jordão.” Todos os homens de Efraim foram convocados e ocuparam as passagens das águas até Bete-Bara e as do Jordão.
7:25 Capturaram os dois chefes de Midiã, Orebe e Zeebe. Mataram Orebe na rocha de Orebe e Zeebe no lagar de Zeebe. Continuaram a perseguir Midiã e levaram as cabeças de Orebe e Zeebe a Gideão, do outro lado do Jordão.

Capítulo 8
8:1 Os homens de Efraim lhe disseram: “O que foi isso que você nos fez? Por que não nos chamou quando foi lutar contra Midiã?” E discutiram duramente com ele.
8:2 Ele lhes respondeu: “O que eu fiz em comparação com vocês? As uvas que sobraram da colheita de Efraim não valem mais que toda a vindima de Abiezer?
8:3 Deus entregou nas mãos de vocês os chefes de Midiã, Orebe e Zeebe. O que eu poderia fazer em comparação com vocês?” Quando ele disse isso, a ira deles contra ele se abrandou.
8:4 Gideão chegou ao Jordão e o atravessou com os trezentos homens que o acompanhavam. Estavam cansados, mas continuavam a perseguição.
8:5 Ele disse aos homens de Sucote: “Por favor, deem pães aos homens que me seguem, pois estão cansados. Estou perseguindo Zeba e Salmuna, reis de Midiã.”
8:6 Mas os chefes de Sucote responderam: “Você já tem Zeba e Salmuna nas mãos, para que demos pão ao seu exército?”
8:7 Gideão disse: “Pois bem, quando o SENHOR entregar Zeba e Salmuna nas minhas mãos, vou malhar a carne de vocês com espinhos e abrolhos do deserto.”
8:8 Dali subiu a Penuel e fez o mesmo pedido. Os homens de Penuel lhe responderam como os homens de Sucote.
8:9 Por isso, ele também disse aos homens de Penuel: “Quando eu voltar em paz, derrubarei esta torre.”
8:10 Zeba e Salmuna estavam em Carcor com seu exército, cerca de quinze mil homens. Eram todos os que restavam de todo o exército dos povos do oriente, pois cento e vinte mil homens que empunhavam a espada haviam caído.
8:11 Gideão subiu pelo caminho dos que habitavam em tendas, a leste de Noba e Jogbeá, e atacou o acampamento quando o exército estava desprevenido.
8:12 Zeba e Salmuna fugiram, mas ele os perseguiu. Capturou os dois reis de Midiã, Zeba e Salmuna, e aterrorizou todo o exército.
8:13 Gideão, filho de Joás, voltou da batalha pela subida de Heres.
8:14 Capturou um jovem de Sucote e o interrogou. O jovem lhe escreveu os nomes dos chefes e dos anciãos de Sucote: setenta e sete homens.
8:15 Então Gideão foi aos homens de Sucote e disse: “Aqui estão Zeba e Salmuna, por causa de quem vocês zombaram de mim, dizendo: ‘Você já tem Zeba e Salmuna nas mãos, para que demos pão aos seus homens cansados?’”
8:16 Ele pegou os anciãos da cidade e, com espinhos e abrolhos do deserto, deu uma lição aos homens de Sucote.
8:17 Também derrubou a torre de Penuel e matou os homens da cidade.
8:18 Depois perguntou a Zeba e Salmuna: “Onde estão os homens que vocês mataram em Tabor?” Eles responderam: “Eram como você; cada um tinha a aparência de um filho de rei.”
8:19 Ele disse: “Eram meus irmãos, filhos de minha mãe! Tão certo como vive o SENHOR, se vocês os tivessem deixado vivos, eu não os mataria.”
8:20 Então disse a Jéter, seu primogênito: “Levante-se e mate-os!” Mas o jovem não desembainhou a espada, porque estava com medo, pois ainda era um rapaz.
8:21 Zeba e Salmuna disseram: “Levante-se você mesmo e mate-nos, pois tal como é o homem, assim é sua força.” Gideão se levantou, matou Zeba e Salmuna e pegou os enfeites em forma de meia-lua que os camelos deles levavam no pescoço.
8:22 Os israelitas disseram a Gideão: “Governe sobre nós, você, seu filho e seu neto, pois você nos salvou das mãos de Midiã.”
8:23 Mas Gideão lhes respondeu: “Eu não governarei sobre vocês, nem meu filho governará sobre vocês. O SENHOR governará sobre vocês.”
8:24 Gideão lhes disse ainda: “Quero fazer um pedido: que cada um de vocês me dê um brinco do seu despojo.” Pois os inimigos usavam brincos de ouro, por serem ismaelitas.
8:25 Eles responderam: “Daremos de boa vontade!” Estenderam um manto, e cada um lançou ali um brinco do seu despojo.
8:26 Os brincos de ouro que ele pediu pesaram cerca de dezenove quilos, sem contar os enfeites em forma de meia-lua, os pingentes e as roupas de púrpura usadas pelos reis de Midiã, nem os colares que os camelos deles levavam no pescoço.
8:27 Gideão fez com esse ouro um éfode e o colocou em Ofra, sua cidade. Ali todo Israel se prostituiu seguindo esse éfode, que se tornou uma armadilha para Gideão e sua família.
8:28 Assim Midiã foi subjugado diante dos israelitas e não tornou a levantar a cabeça. A terra teve descanso durante quarenta anos, nos dias de Gideão.
8:29 Jerubaal, filho de Joás, voltou e passou a morar em sua casa.
8:30 Gideão teve setenta filhos, seus próprios descendentes, pois tinha muitas mulheres.
8:31 Sua concubina, que morava em Siquém, também lhe deu um filho, a quem ele deu o nome de Abimeleque.
8:32 Gideão, filho de Joás, morreu em boa velhice e foi sepultado no túmulo de seu pai Joás, em Ofra dos abiezritas.
8:33 Quando Gideão morreu, os israelitas voltaram a se prostituir seguindo os baalins e fizeram de Baal-Berite seu deus.
8:34 Os israelitas não se lembraram do SENHOR, seu Deus, que os havia livrado das mãos de todos os inimigos ao seu redor.
8:35 Também não demonstraram lealdade à família de Jerubaal, isto é, Gideão, em retribuição a todo o bem que ele havia feito por Israel.

Capítulo 9
9:1 Abimeleque, filho de Jerubaal, foi a Siquém, aos irmãos de sua mãe, e disse a eles e a todo o clã da família de seu avô materno:
9:2 “Digam, por favor, a todos os cidadãos de Siquém: ‘O que é melhor para vocês: serem governados por setenta homens, todos os filhos de Jerubaal, ou por um só homem?’ Lembrem-se de que eu sou osso e carne de vocês.”
9:3 Os irmãos de sua mãe repetiram todas essas palavras a favor dele aos cidadãos de Siquém. O coração deles se inclinou para Abimeleque, pois diziam: “Ele é nosso irmão.”
9:4 Deram-lhe setenta peças de prata do templo de Baal-Berite. Com elas, Abimeleque contratou homens sem escrúpulos e temerários, que o seguiram.
9:5 Ele foi à casa de seu pai, em Ofra, e matou seus irmãos, os filhos de Jerubaal, setenta homens, sobre uma mesma pedra. Mas Jotão, o filho mais novo de Jerubaal, sobreviveu, pois havia se escondido.
9:6 Todos os cidadãos de Siquém e todos os de Bete-Milo se reuniram e foram proclamar Abimeleque rei, junto ao carvalho da coluna que havia em Siquém.
9:7 Quando contaram isso a Jotão, ele foi, pôs-se no alto do monte Gerizim e gritou em alta voz: “Escutem-me, cidadãos de Siquém, para que Deus escute vocês!
9:8 Certa vez, as árvores saíram para ungir um rei sobre elas. Disseram à oliveira: ‘Reine sobre nós.’
9:9 Mas a oliveira lhes respondeu: ‘Eu deixaria meu azeite, com o qual se honra a Deus e aos homens, para ir me balançar por cima das árvores?’
9:10 Então as árvores disseram à figueira: ‘Venha você reinar sobre nós.’
9:11 Mas a figueira lhes respondeu: ‘Eu deixaria minha doçura e meu bom fruto para ir me balançar por cima das árvores?’
9:12 Então as árvores disseram à videira: ‘Venha você reinar sobre nós.’
9:13 Mas a videira lhes respondeu: ‘Eu deixaria meu vinho novo, que alegra a Deus e aos homens, para ir me balançar por cima das árvores?’
9:14 Então todas as árvores disseram ao espinheiro: ‘Venha você reinar sobre nós.’
9:15 O espinheiro respondeu às árvores: ‘Se vocês de fato me ungem rei sobre vocês, venham se abrigar à minha sombra. Mas, se não, que saia fogo do espinheiro e consuma os cedros do Líbano.’
9:16 Agora, se vocês agiram com verdade e integridade ao fazer Abimeleque rei, se trataram bem Jerubaal e sua família e lhe retribuíram conforme o que ele fez
9:17 (pois meu pai lutou por vocês, arriscou a própria vida e os livrou das mãos de Midiã,
9:18 mas hoje vocês se levantaram contra a família de meu pai, mataram seus filhos, setenta homens, sobre uma mesma pedra e fizeram Abimeleque, filho de sua escrava, rei sobre os cidadãos de Siquém, por ser irmão de vocês),
9:19 se hoje vocês agiram com verdade e integridade para com Jerubaal e sua família, alegrem-se com Abimeleque, e que ele também se alegre com vocês.
9:20 Mas, se não, que saia fogo de Abimeleque e consuma os cidadãos de Siquém e Bete-Milo. E que saia fogo dos cidadãos de Siquém e de Bete-Milo e consuma Abimeleque!”
9:21 Então Jotão escapou e fugiu para Beer. Ficou morando ali por medo de seu irmão Abimeleque.
9:22 Abimeleque governou sobre Israel durante três anos.
9:23 Deus enviou um espírito mau entre Abimeleque e os cidadãos de Siquém, e os cidadãos de Siquém traíram Abimeleque.
9:24 Isso aconteceu para que a violência contra os setenta filhos de Jerubaal fosse vingada, e o sangue deles recaísse sobre seu irmão Abimeleque, que os havia matado, e sobre os cidadãos de Siquém, que o haviam ajudado a matar seus irmãos.
9:25 Os cidadãos de Siquém puseram homens de emboscada contra ele nos cumes dos montes. Eles roubavam todos os que passavam pelo caminho, e Abimeleque foi informado disso.
9:26 Gaal, filho de Ebede, veio com seus irmãos e se mudou para Siquém. Os cidadãos de Siquém puseram nele sua confiança.
9:27 Saíram ao campo, colheram as uvas de suas vinhas, pisaram-nas e fizeram uma festa de louvor. Entraram no templo de seu deus, comeram, beberam e amaldiçoaram Abimeleque.
9:28 Gaal, filho de Ebede, disse: “Quem é Abimeleque, e quem é Siquém, para que o sirvamos? Ele não é filho de Jerubaal, e Zebul não é seu administrador? Sirvam aos homens de Hamor, pai de Siquém! Por que nós haveríamos de servir a Abimeleque?
9:29 Ah, se este povo estivesse sob meu comando, eu tiraria Abimeleque do poder!” E disse a Abimeleque: “Aumente seu exército e saia!”
9:30 Quando Zebul, governador da cidade, ouviu as palavras de Gaal, filho de Ebede, ficou furioso.
9:31 Enviou mensageiros em segredo a Abimeleque, dizendo: “Gaal, filho de Ebede, e seus irmãos vieram a Siquém e estão incitando a cidade contra você.
9:32 Agora levante-se de noite com o povo que está com você e fique de emboscada no campo.
9:33 De manhã, assim que o sol nascer, levante-se cedo e ataque a cidade. Quando ele e o povo que está com ele saírem contra você, faça com ele o que estiver ao seu alcance.”
9:34 Abimeleque e todo o povo que estava com ele se levantaram de noite e armaram uma emboscada contra Siquém, em quatro grupos.
9:35 Gaal, filho de Ebede, saiu e ficou à entrada do portão da cidade. Então Abimeleque e o povo que estava com ele se levantaram da emboscada.
9:36 Gaal viu o povo e disse a Zebul: “Veja! Há gente descendo dos cumes dos montes.” Zebul lhe respondeu: “São as sombras dos montes que você está vendo como se fossem homens.”
9:37 Gaal tornou a falar: “Veja! Há gente descendo do centro da terra, e um grupo vem pelo caminho do Carvalho dos Adivinhos.”
9:38 Então Zebul lhe disse: “Onde está agora aquela sua boca com que você dizia: ‘Quem é Abimeleque para que o sirvamos?’ Não é esse o povo que você desprezava? Saia agora e lute contra ele!”
9:39 Gaal saiu à frente dos cidadãos de Siquém e lutou contra Abimeleque.
9:40 Abimeleque o perseguiu, e ele fugiu de sua presença. Muitos caíram mortos até a entrada do portão.
9:41 Abimeleque ficou em Arumá, e Zebul expulsou Gaal e seus irmãos, para que não continuassem morando em Siquém.
9:42 No dia seguinte, o povo saiu ao campo, e contaram isso a Abimeleque.
9:43 Ele pegou seus homens, dividiu-os em três grupos e armou uma emboscada no campo. Quando viu o povo saindo da cidade, levantou-se contra eles e os atacou.
9:44 Abimeleque e os grupos que estavam com ele avançaram e ocuparam a entrada do portão da cidade. Os outros dois grupos atacaram todos os que estavam no campo e os feriram.
9:45 Abimeleque lutou contra a cidade durante todo aquele dia. Tomou a cidade, matou o povo que estava nela, demoliu-a e a semeou de sal.
9:46 Quando todos os cidadãos da torre de Siquém souberam disso, entraram no recinto fortificado do templo de El-Berite.
9:47 Informaram a Abimeleque que todos os cidadãos da torre de Siquém estavam reunidos ali.
9:48 Então Abimeleque subiu ao monte Salmom com todo o povo que estava com ele. Pegou os machados, cortou um ramo de árvore, levantou-o e o pôs no ombro. Depois disse ao povo que estava com ele: “Apressem-se e façam o que vocês me viram fazer!”
9:49 Todos também cortaram um ramo, cada um o seu, e seguiram Abimeleque. Puseram os ramos contra o recinto fortificado e atearam fogo nele, com as pessoas lá dentro. Assim morreram todos os da torre de Siquém, cerca de mil homens e mulheres.
9:50 Abimeleque foi a Tebes, acampou contra ela e a tomou.
9:51 Mas havia uma torre forte no meio da cidade. Todos os homens, as mulheres e todos os cidadãos da cidade fugiram para lá, fecharam as portas atrás de si e subiram ao terraço da torre.
9:52 Abimeleque chegou até a torre e a atacou. Aproximou-se da entrada para atear fogo nela.
9:53 Mas uma mulher lançou um pedaço da pedra superior de um moinho sobre a cabeça de Abimeleque e lhe esmagou o crânio.
9:54 Ele chamou depressa o jovem que carregava suas armas e lhe disse: “Desembainhe sua espada e me mate, para que não digam de mim: ‘Uma mulher o matou.’” Seu jovem servo o atravessou, e ele morreu.
9:55 Quando os israelitas viram que Abimeleque havia morrido, cada um foi para o seu lugar.
9:56 Assim Deus fez recair sobre Abimeleque o mal que ele havia feito a seu pai, ao matar seus setenta irmãos.
9:57 Deus também fez recair sobre a cabeça dos homens de Siquém toda a maldade deles. Assim veio sobre eles a maldição de Jotão, filho de Jerubaal.

Capítulo 10
10:1 Depois de Abimeleque, levantou-se para salvar Israel Tola, filho de Puá, filho de Dodô, um homem de Issacar. Ele morava em Samir, na região montanhosa de Efraim.
10:2 Foi juiz de Israel durante vinte e três anos. Morreu e foi sepultado em Samir.
10:3 Depois dele se levantou Jair, o gileadita, que foi juiz de Israel durante vinte e dois anos.
10:4 Ele tinha trinta filhos, que montavam em trinta jumentos. Eles tinham trinta cidades na terra de Gileade, chamadas Havote-Jair até hoje.
10:5 Jair morreu e foi sepultado em Camom.
10:6 Os israelitas tornaram a fazer o que era mau aos olhos do SENHOR. Serviram aos baalins e às astarotes, aos deuses de Arã, de Sidom e de Moabe, aos deuses dos amonitas e dos filisteus. Abandonaram o SENHOR e não o serviram.
10:7 A ira do SENHOR se acendeu contra Israel, e ele os vendeu nas mãos dos filisteus e dos amonitas.
10:8 Naquele ano, eles oprimiram e esmagaram os israelitas. Durante dezoito anos, oprimiram todos os israelitas que estavam do outro lado do Jordão, na terra dos amorreus, em Gileade.
10:9 Os amonitas atravessaram o Jordão para lutar também contra Judá, Benjamim e a casa de Efraim. Israel ficou em grande aflição.
10:10 Os israelitas clamaram ao SENHOR: “Pecamos contra ti, pois abandonamos nosso Deus e servimos aos baalins.”
10:11 O SENHOR respondeu aos israelitas: “Não foi dos egípcios, dos amorreus, dos amonitas e dos filisteus,
10:12 dos sidônios, dos amalequitas e dos maonitas, que oprimiam vocês, que eu os salvei quando clamaram a mim?
10:13 Mas vocês me abandonaram e serviram a outros deuses. Por isso, não tornarei a salvar vocês.
10:14 Vão e clamem aos deuses que vocês escolheram. Que eles os salvem no tempo da sua aflição!”
10:15 Os israelitas disseram ao SENHOR: “Pecamos. Faze conosco tudo o que te parecer bem. Só te pedimos que nos livres hoje!”
10:16 Então tiraram de seu meio os deuses estrangeiros e serviram ao SENHOR. E ele não pôde mais suportar o sofrimento de Israel.
10:17 Os amonitas foram convocados e acamparam em Gileade. Os israelitas se reuniram e acamparam em Mispa.
10:18 O povo e os chefes de Gileade disseram uns aos outros: “Quem será o homem que começará a lutar contra os amonitas? Ele será o chefe de todos os habitantes de Gileade.”

Capítulo 11
11:1 Jefté, o gileadita, era um guerreiro valente. Era filho de uma prostituta, e Gileade era seu pai.
11:2 A mulher de Gileade também lhe deu filhos. Quando os filhos dela cresceram, expulsaram Jefté e lhe disseram: “Você não terá herança na casa de nosso pai, pois é filho de outra mulher.”
11:3 Jefté fugiu de seus irmãos e passou a morar na terra de Tobe. Homens sem escrúpulos se juntaram a ele e saíam com ele.
11:4 Passado algum tempo, os amonitas fizeram guerra contra Israel.
11:5 Quando os amonitas fizeram guerra contra Israel, os anciãos de Gileade foram buscar Jefté na terra de Tobe.
11:6 Disseram a Jefté: “Venha ser nosso comandante, para que lutemos contra os amonitas.”
11:7 Mas Jefté respondeu aos anciãos de Gileade: “Não foram vocês que me odiaram e me expulsaram da casa de meu pai? Por que vêm a mim agora, quando estão em aflição?”
11:8 Os anciãos de Gileade lhe disseram: “É por isso que agora voltamos a você, para que venha conosco, lute contra os amonitas e seja nosso chefe, de todos os habitantes de Gileade.”
11:9 Jefté disse aos anciãos de Gileade: “Se vocês me levarem de volta para lutar contra os amonitas, e o SENHOR os entregar diante de mim, eu serei o chefe de vocês?”
11:10 Os anciãos de Gileade responderam a Jefté: “Que o SENHOR seja testemunha entre nós se não fizermos como você disse!”
11:11 Então Jefté foi com os anciãos de Gileade, e o povo o pôs sobre si como chefe e comandante. Jefté pronunciou todas as suas palavras diante do SENHOR, em Mispa.
11:12 Jefté enviou mensageiros ao rei dos amonitas para dizer: “O que você tem contra mim, para vir lutar contra a minha terra?”
11:13 O rei dos amonitas respondeu aos mensageiros de Jefté: “Porque Israel tomou minha terra quando subiu do Egito, desde o Arnom até o Jaboque e até o Jordão. Agora devolva essas terras em paz.”
11:14 Jefté tornou a enviar mensageiros ao rei dos amonitas
11:15 para dizer: “Assim diz Jefté: Israel não tomou a terra de Moabe nem a terra dos amonitas.
11:16 Quando Israel subiu do Egito, andou pelo deserto até o mar Vermelho e chegou a Cades.
11:17 Israel enviou mensageiros ao rei de Edom, dizendo: ‘Por favor, deixe-me passar pela sua terra.’ Mas o rei de Edom não quis ouvir. Também enviou mensageiros ao rei de Moabe, mas ele não quis permitir. Assim Israel ficou em Cades.
11:18 Depois andou pelo deserto, contornou a terra de Edom e a terra de Moabe e chegou ao lado leste de Moabe. Acamparam do outro lado do Arnom e não entraram no território de Moabe, pois o Arnom era a fronteira de Moabe.
11:19 Israel enviou mensageiros a Seom, rei dos amorreus, rei de Hesbom. Israel lhe disse: ‘Por favor, deixe-nos passar pela sua terra até o meu lugar.’
11:20 Mas Seom não confiou em Israel para deixá-lo passar por seu território. Seom reuniu todo o seu povo, acamparam em Jaza, e ele lutou contra Israel.
11:21 O SENHOR, Deus de Israel, entregou Seom e todo o seu povo nas mãos de Israel, e eles os derrotaram. Israel tomou posse de toda a terra dos amorreus que habitavam aquela região.
11:22 Tomaram posse de todo o território dos amorreus, desde o Arnom até o Jaboque e desde o deserto até o Jordão.
11:23 Agora, o SENHOR, Deus de Israel, expulsou os amorreus de diante de seu povo Israel. E você vai tomar posse dessa terra?
11:24 Você não fica com aquilo que Quemos, seu deus, lhe dá em posse? Da mesma forma, nós tomaremos posse da terra de todos os que o SENHOR, nosso Deus, expulsar de diante de nós.
11:25 Acaso você é melhor que Balaque, filho de Zipor, rei de Moabe? Alguma vez ele discutiu com Israel ou lutou contra ele?
11:26 Israel habitou em Hesbom e suas aldeias, em Aroer e suas aldeias e em todas as cidades junto ao Arnom durante trezentos anos. Por que vocês não recuperaram essas terras naquele tempo?
11:27 Eu não pequei contra você, mas você me faz mal ao lutar contra mim. Que o SENHOR, o Juiz, julgue hoje entre os israelitas e os amonitas!”
11:28 Mas o rei dos amonitas não deu ouvidos à mensagem que Jefté lhe enviou.
11:29 O Espírito do SENHOR veio sobre Jefté. Ele atravessou Gileade e Manassés e passou por Mispa de Gileade. De Mispa de Gileade avançou contra os amonitas.
11:30 Jefté fez um voto ao SENHOR, dizendo: “Se de fato entregares os amonitas nas minhas mãos,
11:31 quem sair das portas da minha casa para me receber, quando eu voltar em paz da luta contra os amonitas, pertencerá ao SENHOR, e eu o oferecerei em holocausto.”
11:32 Jefté avançou contra os amonitas para lutar contra eles, e o SENHOR os entregou nas suas mãos.
11:33 Ele os derrotou desde Aroer até as proximidades de Minite, vinte cidades, e até Abel-Queramim, numa derrota muito grande. Assim os amonitas foram subjugados diante dos israelitas.
11:34 Quando Jefté chegou à sua casa, em Mispa, sua filha saiu para recebê-lo com tamborins e danças. Ela era sua única filha; além dela, ele não tinha filho nem filha.
11:35 Ao vê-la, ele rasgou suas roupas e disse: “Ah, minha filha! Você me abateu por completo e se tornou causa da minha aflição! Eu dei minha palavra ao SENHOR e não posso voltar atrás.”
11:36 Ela lhe respondeu: “Meu pai, você deu sua palavra ao SENHOR. Faça comigo o que prometeu, pois o SENHOR vingou você de seus inimigos, os amonitas.”
11:37 Ela disse a seu pai: “Conceda-me isto: deixe-me livre por dois meses, para que eu vá descer pelos montes e chorar minha virgindade, eu e minha companheira.”
11:38 Ele respondeu: “Vá.” E a deixou ir por dois meses. Ela foi com suas companheiras e chorou sua virgindade pelos montes.
11:39 Ao fim dos dois meses, ela voltou a seu pai, e ele cumpriu nela o voto que havia feito. Ela não havia tido relações com homem algum. E tornou-se costume em Israel
11:40 que as jovens de Israel fossem todos os anos lamentar a filha de Jefté, o gileadita, durante quatro dias por ano.

Capítulo 12
12:1 Os homens de Efraim foram convocados, atravessaram para o norte e disseram a Jefté: “Por que você foi lutar contra os amonitas e não nos chamou para ir com você? Vamos queimar sua casa com você dentro!”
12:2 Jefté lhes respondeu: “Eu e meu povo estávamos num grande conflito com os amonitas. Chamei vocês, mas vocês não me livraram das mãos deles.
12:3 Quando vi que você não vinha me salvar, arrisquei minha vida e avancei contra os amonitas, e o SENHOR os entregou nas minhas mãos. Por que vocês subiram hoje contra mim para lutar comigo?”
12:4 Jefté reuniu todos os homens de Gileade e lutou contra Efraim. Os homens de Gileade derrotaram Efraim, pois os efraimitas haviam dito: “Vocês, gileaditas, são fugitivos de Efraim, no meio de Efraim e de Manassés.”
12:5 Os gileaditas tomaram as passagens do Jordão que levavam a Efraim. Quando um fugitivo de Efraim dizia: “Quero atravessar”, os homens de Gileade lhe perguntavam: “Você é efraimita?” Se ele respondia: “Não”,
12:6 diziam: “Então diga Chibolete.” Mas ele dizia “Sibolete”, pois não conseguia pronunciar corretamente. Então o agarravam e o degolavam nas passagens do Jordão. Naquela ocasião caíram quarenta e dois mil homens de Efraim.
12:7 Jefté foi juiz de Israel durante seis anos. Jefté, o gileadita, morreu e foi sepultado entre as cidades de Gileade.
12:8 Depois dele, Ibsã, de Belém, foi juiz de Israel.
12:9 Ele tinha trinta filhos e trinta filhas. Enviou suas filhas para se casarem fora de seu clã e trouxe de fora trinta moças para seus filhos. Foi juiz de Israel durante sete anos.
12:10 Ibsã morreu e foi sepultado em Belém.
12:11 Depois dele, Elom, o zebulonita, foi juiz de Israel. Foi juiz de Israel durante dez anos.
12:12 Elom, o zebulonita, morreu e foi sepultado em Aijalom, na terra de Zebulom.
12:13 Depois dele, Abdom, filho de Hilel, o piratonita, foi juiz de Israel.
12:14 Ele tinha quarenta filhos e trinta netos, que montavam em setenta jumentos. Foi juiz de Israel durante oito anos.
12:15 Abdom, filho de Hilel, o piratonita, morreu e foi sepultado em Piratom, na terra de Efraim, na região montanhosa dos amalequitas.

Capítulo 13
13:1 Os israelitas tornaram a fazer o que era mau aos olhos do SENHOR, e o SENHOR os entregou nas mãos dos filisteus durante quarenta anos.
13:2 Havia um homem de Zorá, do clã de Dã, chamado Manoá. Sua mulher era estéril e não havia tido filhos.
13:3 O anjo do SENHOR apareceu à mulher e lhe disse: “Você é estéril e não teve filhos, mas conceberá e dará à luz um filho.
13:4 Agora tome cuidado: não beba vinho nem bebida forte, nem coma coisa alguma impura.
13:5 Pois você conceberá e dará à luz um filho. Nenhuma navalha passará sobre a cabeça dele, pois o menino será nazireu de Deus desde o ventre materno. Ele começará a salvar Israel das mãos dos filisteus.”
13:6 A mulher foi contar a seu marido: “Um homem de Deus veio a mim. Sua aparência era como a de um anjo de Deus, muito temível. Não lhe perguntei de onde era, e ele não me disse seu nome.
13:7 Mas me disse: ‘Você conceberá e dará à luz um filho. Agora não beba vinho nem bebida forte, nem coma coisa alguma impura, pois o menino será nazireu de Deus desde o ventre materno até o dia de sua morte.’”
13:8 Manoá rogou ao SENHOR: “Por favor, Senhor, que o homem de Deus que enviaste volte a nós e nos ensine o que devemos fazer com o menino que vai nascer.”
13:9 Deus ouviu a voz de Manoá, e o anjo de Deus voltou à mulher enquanto ela estava sentada no campo. Manoá, seu marido, não estava com ela.
13:10 A mulher se apressou, correu para avisar seu marido e lhe disse: “Veja! Apareceu-me o homem que veio a mim no outro dia.”
13:11 Manoá se levantou, seguiu sua mulher e foi até o homem. Perguntou-lhe: “É você o homem que falou com esta mulher?” Ele respondeu: “Sou eu.”
13:12 Manoá disse: “Que agora se cumpram suas palavras! Qual será o modo de vida do menino e qual será seu trabalho?”
13:13 O anjo do SENHOR respondeu a Manoá: “A mulher deve se guardar de tudo o que eu lhe disse.
13:14 Não deve comer nada que venha da videira, nem beber vinho ou bebida forte, nem comer coisa alguma impura. Deve cumprir tudo o que lhe ordenei.”
13:15 Manoá disse ao anjo do SENHOR: “Por favor, deixe-nos retê-lo aqui enquanto preparamos um cabrito para você.”
13:16 Mas o anjo do SENHOR respondeu a Manoá: “Mesmo que você me retenha, não comerei da sua comida. Mas, se preparar um holocausto, ofereça-o ao SENHOR.” Pois Manoá não sabia que ele era o anjo do SENHOR.
13:17 Manoá perguntou ao anjo do SENHOR: “Qual é seu nome, para que o honremos quando suas palavras se cumprirem?”
13:18 O anjo do SENHOR lhe respondeu: “Por que você pergunta meu nome? Ele é maravilhoso.”
13:19 Manoá pegou o cabrito e a oferta de cereal e os ofereceu sobre a rocha ao SENHOR. E ele fez algo maravilhoso, enquanto Manoá e sua mulher observavam:
13:20 quando a chama subiu do altar para o céu, o anjo do SENHOR subiu na chama do altar. Manoá e sua mulher viram isso e caíram com o rosto em terra.
13:21 O anjo do SENHOR não tornou a aparecer a Manoá nem a sua mulher. Então Manoá percebeu que ele era o anjo do SENHOR.
13:22 Manoá disse a sua mulher: “Certamente morreremos, pois vimos a Deus!”
13:23 Mas sua mulher lhe respondeu: “Se o SENHOR quisesse nos matar, não teria aceitado de nossas mãos o holocausto e a oferta de cereal, nem nos teria mostrado todas essas coisas, nem nos teria anunciado isso agora.”
13:24 A mulher deu à luz um filho e lhe deu o nome de Sansão. O menino cresceu, e o SENHOR o abençoou.
13:25 O Espírito do SENHOR começou a impulsioná-lo no acampamento de Dã, entre Zorá e Estaol.

Capítulo 14
14:1 Sansão desceu a Timna e viu ali uma mulher entre as filhas dos filisteus.
14:2 Subiu e contou a seu pai e a sua mãe: “Vi em Timna uma mulher entre as filhas dos filisteus. Agora consigam-na para ser minha mulher.”
14:3 Seu pai e sua mãe lhe disseram: “Não há mulher entre as filhas de seus parentes, nem em todo o meu povo, para que você vá buscar mulher entre os filisteus incircuncisos?” Mas Sansão respondeu a seu pai: “Consiga essa para mim, pois ela agrada aos meus olhos.”
14:4 Seu pai e sua mãe não sabiam que isso vinha do SENHOR, pois ele buscava uma ocasião contra os filisteus. Naquele tempo, os filisteus dominavam sobre Israel.
14:5 Sansão desceu a Timna com seu pai e sua mãe. Quando chegaram às vinhas de Timna, um leão novo veio rugindo ao encontro dele.
14:6 O Espírito do SENHOR veio com poder sobre ele, e Sansão despedaçou o leão como quem despedaça um cabrito, sem ter nada nas mãos. Mas não contou a seu pai nem a sua mãe o que havia feito.
14:7 Desceu e conversou com a mulher, e ela agradou aos olhos de Sansão.
14:8 Algum tempo depois, ele voltou para tomá-la por mulher. Afastou-se do caminho para ver o cadáver do leão, e havia no corpo do leão um enxame de abelhas e mel.
14:9 Tirou o mel com as mãos e foi caminhando e comendo. Chegou a seu pai e a sua mãe, deu-lhes do mel, e eles comeram. Mas não lhes contou que havia tirado o mel do corpo do leão.
14:10 Seu pai desceu à casa da mulher, e Sansão deu ali um banquete, como os jovens costumavam fazer.
14:11 Quando o viram, escolheram trinta companheiros para ficar com ele.
14:12 Sansão lhes disse: “Vou propor um enigma a vocês. Se o descobrirem e me derem a resposta durante os sete dias do banquete, darei a vocês trinta peças de linho e trinta mudas de roupa.
14:13 Mas, se não conseguirem me dar a resposta, vocês me darão trinta peças de linho e trinta mudas de roupa.” Eles responderam: “Proponha seu enigma; queremos ouvi-lo.”
14:14 Ele lhes disse: “Do que come saiu comida, e do forte saiu doçura.” Durante três dias, não conseguiram resolver o enigma.
14:15 No sétimo dia, disseram à mulher de Sansão: “Convença seu marido a nos explicar o enigma, senão queimaremos você e a casa de seu pai. Vocês nos convidaram para nos despojar, não foi?”
14:16 A mulher de Sansão chorava diante dele e dizia: “Você só me odeia; não me ama. Propôs um enigma aos do meu povo, mas não o explicou a mim.” Ele lhe respondeu: “Nem a meu pai nem a minha mãe eu o expliquei. E vou explicá-lo a você?”
14:17 Ela chorou diante dele durante os sete dias do banquete. No sétimo dia, ele lhe explicou o enigma, porque ela o pressionava. Então ela o explicou aos do seu povo.
14:18 No sétimo dia, antes do pôr do sol, os homens da cidade lhe disseram: “O que é mais doce que o mel? O que é mais forte que o leão?” Ele lhes respondeu: “Se vocês não tivessem arado com minha novilha, não teriam descoberto meu enigma.”
14:19 O Espírito do SENHOR veio com poder sobre ele. Sansão desceu a Asquelom, matou trinta homens dali, tomou seus despojos e deu as mudas de roupa aos que haviam resolvido o enigma. Sua ira se acendeu, e ele subiu à casa de seu pai.
14:20 A mulher de Sansão foi dada ao companheiro que o havia acompanhado.

Capítulo 15
15:1 Algum tempo depois, na época da colheita do trigo, Sansão foi visitar sua mulher, levando um cabrito. Disse: “Vou entrar no quarto para estar com minha mulher.” Mas o pai dela não o deixou entrar.
15:2 O pai dela disse: “Eu estava certo de que você a odiava, por isso a dei ao seu companheiro. A irmã mais nova dela não é mais bonita? Fique com ela no lugar da irmã.”
15:3 Sansão lhes disse: “Desta vez estarei livre de culpa diante dos filisteus pelo mal que vou lhes fazer.”
15:4 Sansão foi e capturou trezentas raposas. Pegou tochas, juntou as raposas cauda com cauda e pôs uma tocha entre cada par de caudas.
15:5 Acendeu as tochas e soltou as raposas nos campos de cereal dos filisteus. Queimou desde os feixes colhidos até o cereal em pé, e até os olivais.
15:6 Os filisteus perguntaram: “Quem fez isso?” Responderam: “Sansão, genro do homem de Timna, porque esse homem tomou a mulher dele e a deu ao seu companheiro.” Então os filisteus subiram e queimaram a mulher e seu pai.
15:7 Sansão lhes disse: “Já que vocês fizeram isso, certamente me vingarei de vocês. Só depois vou parar.”
15:8 Ele os derrotou de maneira esmagadora, numa grande matança. Depois desceu e passou a morar numa fenda da rocha de Etã.
15:9 Os filisteus subiram, acamparam em Judá e se espalharam por Leí.
15:10 Os homens de Judá perguntaram: “Por que vocês subiram contra nós?” Eles responderam: “Subimos para amarrar Sansão e fazer com ele o que ele fez conosco.”
15:11 Três mil homens de Judá desceram até a fenda da rocha de Etã e disseram a Sansão: “Você não sabe que os filisteus dominam sobre nós? O que foi isso que você nos fez?” Ele lhes respondeu: “Fiz com eles o que eles fizeram comigo.”
15:12 Eles lhe disseram: “Descemos para amarrar você e entregá-lo nas mãos dos filisteus.” Sansão respondeu: “Jurem que vocês mesmos não me matarão.”
15:13 Eles lhe disseram: “Não! Nós apenas vamos amarrá-lo e entregá-lo nas mãos deles. De modo algum vamos matá-lo.” Então o amarraram com duas cordas novas e o fizeram subir da rocha.
15:14 Quando ele chegou a Leí, os filisteus vieram gritando ao seu encontro. Mas o Espírito do SENHOR veio com poder sobre ele. As cordas que estavam em seus braços se tornaram como linho queimado pelo fogo, e as amarras se desfizeram de suas mãos.
15:15 Ele encontrou uma queixada de jumento ainda fresca, estendeu a mão, pegou-a e com ela matou mil homens.
15:16 Sansão disse: “Com uma queixada de jumento, um monte, dois montes; com uma queixada de jumento matei mil homens.”
15:17 Quando acabou de falar, jogou fora a queixada que tinha na mão e chamou aquele lugar de Ramate-Leí.
15:18 Ele sentiu muita sede e clamou ao SENHOR: “Tu deste esta grande salvação por meio de teu servo. E agora vou morrer de sede e cair nas mãos dos incircuncisos?”
15:19 Deus abriu a cavidade que havia em Leí, e dela saiu água. Sansão bebeu, recobrou o ânimo e reviveu. Por isso chamou a fonte de En-Hacoré, que está em Leí até hoje.
15:20 Sansão foi juiz de Israel durante vinte anos, nos dias dos filisteus.

Capítulo 16
16:1 Sansão foi a Gaza, viu ali uma prostituta e se deitou com ela.
16:2 Disseram aos moradores de Gaza: “Sansão veio para cá.” Eles o cercaram e ficaram de emboscada a noite inteira junto ao portão da cidade. Mantiveram-se em silêncio durante toda a noite, dizendo: “Vamos esperar até a luz da manhã e então o mataremos.”
16:3 Sansão ficou deitado até a meia-noite. À meia-noite, levantou-se, agarrou as folhas do portão da cidade e os dois batentes e os arrancou junto com a tranca. Pôs tudo nos ombros e levou ao alto do monte que fica diante de Hebrom.
16:4 Depois disso, ele se apaixonou por uma mulher do vale de Soreque, chamada Dalila.
16:5 Os governantes dos filisteus foram até ela e disseram: “Seduza-o e descubra de onde vem sua grande força e como poderemos dominá-lo, para amarrá-lo e subjugá-lo. Cada um de nós dará a você cerca de doze quilos e meio de prata.”
16:6 Dalila disse a Sansão: “Por favor, diga-me de onde vem sua grande força e com que você poderia ser amarrado para ser subjugado.”
16:7 Sansão lhe respondeu: “Se me amarrarem com sete cordas de arco frescas, que ainda não secaram, ficarei fraco e serei como qualquer outro homem.”
16:8 Os governantes dos filisteus lhe trouxeram sete cordas de arco frescas, que ainda não haviam secado, e ela o amarrou com elas.
16:9 Havia homens de emboscada no quarto. Ela lhe disse: “Os filisteus vêm contra você, Sansão!” Ele rompeu as cordas como se rompe um fio de estopa ao tocar o fogo. Assim não se descobriu de onde vinha sua força.
16:10 Dalila disse a Sansão: “Você zombou de mim e me disse mentiras. Agora diga-me, por favor, com que você poderia ser amarrado.”
16:11 Ele lhe respondeu: “Se me amarrarem bem com cordas novas, que nunca tenham sido usadas em trabalho algum, ficarei fraco e serei como qualquer outro homem.”
16:12 Dalila pegou cordas novas, amarrou-o com elas e disse: “Os filisteus vêm contra você, Sansão!” Havia homens de emboscada no quarto. Mas ele rompeu as cordas de seus braços como se fossem um fio.
16:13 Dalila disse a Sansão: “Até agora você zombou de mim e me disse mentiras. Diga-me com que você poderia ser amarrado.” Ele lhe respondeu: “Se você tecer as sete tranças da minha cabeça junto com a trama do tear…”
16:14 Ela as prendeu com a estaca e disse: “Os filisteus vêm contra você, Sansão!” Ele despertou do sono e arrancou a estaca do tear junto com a trama.
16:15 Ela lhe disse: “Como você pode dizer: ‘Eu amo você’, se seu coração não está comigo? Já zombou de mim três vezes e não me disse de onde vem sua grande força.”
16:16 Ela o pressionava e importunava com suas palavras todos os dias, até que ele ficou angustiado a ponto de morrer.
16:17 Então ele lhe abriu todo o seu coração e disse: “Nunca passou navalha sobre minha cabeça, pois sou nazireu de Deus desde o ventre de minha mãe. Se me raparem, minha força se afastará de mim, ficarei fraco e serei como todos os outros homens.”
16:18 Dalila percebeu que ele lhe havia aberto todo o coração e mandou chamar os governantes dos filisteus, dizendo: “Subam desta vez, pois ele abriu a ela todo o seu coração.” Os governantes dos filisteus foram até ela, levando a prata nas mãos.
16:19 Ela o fez dormir em seu colo, chamou um homem e mandou raspar as sete tranças da cabeça dele. Começou a subjugá-lo, e sua força se afastou dele.
16:20 Ela disse: “Os filisteus vêm contra você, Sansão!” Ele despertou do sono e disse: “Sairei como das outras vezes e me livrarei.” Mas não sabia que o SENHOR havia se afastado dele.
16:21 Os filisteus o agarraram, arrancaram seus olhos e o levaram a Gaza. Amarraram-no com grilhões de bronze, e ele passou a moer na prisão.
16:22 Mas o cabelo de sua cabeça começou a crescer depois de ter sido rapado.
16:23 Os governantes dos filisteus se reuniram para oferecer um grande sacrifício a Dagom, seu deus, e para festejar. Diziam: “Nosso deus entregou em nossas mãos Sansão, nosso inimigo!”
16:24 Quando o povo o viu, louvou seu deus, dizendo: “Nosso deus entregou em nossas mãos nosso inimigo, aquele que devastava nossa terra e multiplicava nossos mortos!”
16:25 Quando estavam alegres, disseram: “Chamem Sansão para nos divertir!” Tiraram Sansão da prisão, e ele os divertia. Puseram-no de pé entre as colunas.
16:26 Sansão disse ao jovem que o segurava pela mão: “Deixe-me apalpar as colunas que sustentam o edifício, para que eu me apoie nelas.”
16:27 O edifício estava cheio de homens e mulheres. Todos os governantes dos filisteus estavam ali, e no terraço havia cerca de três mil homens e mulheres, que assistiam a Sansão se apresentar.
16:28 Sansão clamou ao SENHOR: “Senhor DEUS, lembra-te de mim, por favor. Dá-me forças só mais esta vez, ó Deus, para que de uma só vez eu me vingue dos filisteus pelos meus dois olhos!”
16:29 Sansão agarrou as duas colunas centrais que sustentavam o edifício e se apoiou nelas, com a mão direita numa e a esquerda na outra.
16:30 Sansão disse: “Que eu morra com os filisteus!” Inclinou-se com força, e o edifício caiu sobre os governantes e sobre todo o povo que estava nele. Os que ele matou ao morrer foram mais que os que havia matado durante sua vida.
16:31 Seus irmãos e toda a família de seu pai desceram, recolheram seu corpo, subiram com ele e o sepultaram entre Zorá e Estaol, no túmulo de Manoá, seu pai. Ele havia sido juiz de Israel durante vinte anos.

Capítulo 17
17:1 Havia um homem da região montanhosa de Efraim chamado Micaías.
17:2 Ele disse a sua mãe: “Os cerca de doze quilos e meio de prata que tiraram de você, e pelos quais você pronunciou uma maldição e falou aos meus ouvidos, estão comigo. Fui eu que os peguei.” Sua mãe respondeu: “Bendito seja meu filho pelo SENHOR!”
17:3 Ele devolveu a sua mãe os cerca de doze quilos e meio de prata. Sua mãe disse: “Consagrei de minhas próprias mãos esta prata ao SENHOR, em favor de meu filho, para fazer uma imagem esculpida e uma imagem fundida. Agora a devolvo a você.”
17:4 Ele devolveu a prata a sua mãe. Ela pegou duzentas peças de prata e as deu ao ourives, que fez com elas uma imagem esculpida e uma imagem fundida. Isso ficou na casa de Micaías.
17:5 Esse homem, Mica, tinha um santuário. Fez um éfode e ídolos domésticos e consagrou um de seus filhos para ser seu sacerdote.
17:6 Naqueles dias não havia rei em Israel. Cada um fazia o que parecia certo aos seus próprios olhos.
17:7 Havia um jovem de Belém de Judá, da família de Judá. Ele era levita e residia ali.
17:8 O homem saiu da cidade de Belém de Judá para morar onde encontrasse lugar. Durante sua viagem, chegou à região montanhosa de Efraim, à casa de Mica.
17:9 Mica lhe perguntou: “De onde você vem?” Ele respondeu: “Sou levita de Belém de Judá e estou procurando um lugar onde morar.”
17:10 Mica lhe disse: “Fique comigo e seja para mim um pai e um sacerdote. Darei a você cerca de cento e catorze gramas de prata por ano, uma muda de roupa e seu sustento.” E o levita foi com ele.
17:11 O levita concordou em morar com aquele homem, e o jovem se tornou para ele como um de seus filhos.
17:12 Mica consagrou o levita, e o jovem se tornou seu sacerdote e ficou morando em sua casa.
17:13 Então Mica disse: “Agora sei que o SENHOR me fará bem, pois tenho um levita como sacerdote.”

Capítulo 18
18:1 Naqueles dias não havia rei em Israel. Naqueles dias, a tribo de Dã procurava uma herança onde morar, pois até então não lhe havia cabido uma herança entre as tribos de Israel.
18:2 Os danitas enviaram cinco homens de seu clã, homens valentes de Zorá e Estaol, para espiar e explorar a terra. Disseram-lhes: “Vão e explorem a terra.” Eles chegaram à região montanhosa de Efraim, à casa de Mica, e passaram a noite ali.
18:3 Quando estavam perto da casa de Mica, reconheceram a voz do jovem levita. Aproximaram-se e lhe perguntaram: “Quem trouxe você para cá? O que faz neste lugar? O que você tem aqui?”
18:4 Ele lhes respondeu: “Mica fez isto e aquilo por mim. Contratou-me, e eu me tornei seu sacerdote.”
18:5 Eles lhe disseram: “Por favor, consulte a Deus, para sabermos se terá sucesso a viagem que estamos fazendo.”
18:6 O sacerdote lhes respondeu: “Vão em paz. O caminho por onde vocês vão está diante do SENHOR.”
18:7 Os cinco homens partiram e chegaram a Laís. Viram que o povo que morava ali vivia seguro, como os sidônios, tranquilo e confiante. Não havia naquela terra autoridade que os humilhasse em coisa alguma. Estavam longe dos sidônios e não tinham relações com ninguém.
18:8 Eles voltaram a seus irmãos, em Zorá e Estaol, e seus irmãos lhes perguntaram: “O que vocês têm a dizer?”
18:9 Eles responderam: “Levantem-se, e vamos subir contra eles! Vimos a terra, e ela é muito boa. Vocês vão ficar parados? Não sejam preguiçosos para ir tomar posse da terra.
18:10 Quando chegarem lá, encontrarão um povo confiante e uma terra muito espaçosa. Deus a entregou nas mãos de vocês. É um lugar onde não falta coisa alguma do que há na terra.”
18:11 Então partiram de Zorá e Estaol seiscentos homens do clã de Dã, equipados com armas de guerra.
18:12 Subiram e acamparam em Quiriate-Jearim, em Judá. Por isso, até hoje aquele lugar se chama Acampamento de Dã. Fica a oeste de Quiriate-Jearim.
18:13 Dali passaram à região montanhosa de Efraim e chegaram à casa de Mica.
18:14 Os cinco homens que haviam ido espiar a terra de Laís disseram a seus irmãos: “Vocês sabem que nestas casas há um éfode, ídolos domésticos, uma imagem esculpida e uma imagem fundida? Agora pensem no que vão fazer.”
18:15 Desviaram-se para lá, entraram na casa do jovem levita, na casa de Mica, e o saudaram.
18:16 Os seiscentos danitas, equipados com suas armas de guerra, ficaram à entrada do portão.
18:17 Os cinco homens que haviam ido espiar a terra subiram, entraram e pegaram a imagem esculpida, o éfode, os ídolos domésticos e a imagem fundida. O sacerdote estava à entrada do portão com os seiscentos homens equipados com armas de guerra.
18:18 Quando eles entraram na casa de Mica e pegaram a imagem esculpida, o éfode, os ídolos domésticos e a imagem fundida, o sacerdote lhes perguntou: “O que vocês estão fazendo?”
18:19 Eles lhe responderam: “Fique calado, ponha a mão sobre a boca e venha conosco. Seja para nós um pai e um sacerdote. O que é melhor para você: ser sacerdote da casa de um só homem ou ser sacerdote de uma tribo e de um clã de Israel?”
18:20 O coração do sacerdote se alegrou. Ele pegou o éfode, os ídolos domésticos e a imagem esculpida e foi para o meio do povo.
18:21 Eles se viraram e partiram, pondo à sua frente as crianças, os rebanhos e os bens.
18:22 Já estavam longe da casa de Mica quando os homens das casas vizinhas se reuniram e alcançaram os danitas.
18:23 Gritaram para os danitas, que se viraram e perguntaram a Mica: “O que houve com você, para reunir essa gente?”
18:24 Ele respondeu: “Vocês pegaram meus deuses, que eu fiz, e o sacerdote, e foram embora. O que me resta? Como podem me perguntar: ‘O que houve com você?’”
18:25 Os danitas lhe disseram: “Não nos faça ouvir sua voz, para que homens de ânimo amargo não ataquem vocês, e você perca sua vida e a vida de sua família.”
18:26 Os danitas seguiram seu caminho. Mica viu que eram mais fortes que ele, deu meia-volta e regressou à sua casa.
18:27 Eles levaram o que Mica havia feito e o sacerdote que ele tinha. Chegaram a Laís, a um povo tranquilo e confiante, mataram seus habitantes ao fio da espada e incendiaram a cidade.
18:28 Não houve quem os livrasse, pois a cidade ficava longe de Sidom e eles não tinham relações com ninguém. Ela estava no vale de Bete-Reobe. Os danitas reconstruíram a cidade e moraram nela.
18:29 Deram à cidade o nome de Dã, conforme o nome de Dã, seu antepassado, que havia nascido a Israel. Antes, porém, a cidade se chamava Laís.
18:30 Os danitas ergueram para si a imagem esculpida. Jônatas, filho de Gérson, filho de Manassés, e seus filhos foram sacerdotes da tribo de Dã até o dia do exílio da terra.
18:31 Mantiveram entre si a imagem esculpida que Mica havia feito durante todo o tempo em que a casa de Deus esteve em Siló.

Capítulo 19
19:1 Naqueles dias, quando não havia rei em Israel, um levita morava numa parte remota da região montanhosa de Efraim. Ele tomou por concubina uma mulher de Belém de Judá.
19:2 Sua concubina lhe foi infiel e o deixou, indo para a casa de seu pai, em Belém de Judá. Ficou ali durante quatro meses.
19:3 Seu marido se levantou e foi atrás dela, para falar ao coração dela e trazê-lo de volta. Levava consigo seu servo e um par de jumentos. Ela o levou à casa de seu pai. Quando o pai da jovem o viu, alegrou-se em recebê-lo.
19:4 Seu sogro, o pai da jovem, o reteve, e ele ficou com ele três dias. Comeram, beberam e passaram as noites ali.
19:5 No quarto dia, levantaram-se de madrugada, e ele se preparou para partir. Mas o pai da jovem disse a seu genro: “Reanime-se com um pedaço de pão; depois vocês partirão.”
19:6 Os dois se sentaram, comeram e beberam juntos. O pai da jovem disse ao homem: “Por favor, aceite passar a noite aqui e alegre seu coração.”
19:7 O homem se levantou para partir, mas seu sogro insistiu com ele, e ele tornou a passar a noite ali.
19:8 No quinto dia, levantou-se de madrugada para partir. O pai da jovem disse: “Por favor, reanime-se e esperem até o dia declinar.” E os dois comeram.
19:9 Quando o homem se levantou para partir com sua concubina e seu servo, seu sogro, o pai da jovem, lhe disse: “Veja, o dia já está declinando, e a noite se aproxima. Por favor, passem aqui a noite. O dia está acabando. Fique aqui e alegre seu coração. Amanhã vocês poderão se levantar de madrugada para seguir viagem, e você irá para sua tenda.”
19:10 Mas o homem não quis passar ali a noite. Levantou-se, partiu e chegou diante de Jebus, isto é, Jerusalém. Levava consigo um par de jumentos selados e sua concubina.
19:11 Quando estavam perto de Jebus, o dia já havia declinado muito. O servo disse a seu senhor: “Venha, por favor, vamos entrar nesta cidade dos jebuseus e passar a noite nela.”
19:12 Seu senhor lhe respondeu: “Não entraremos numa cidade de estrangeiros que não são israelitas. Seguiremos até Gibeá.”
19:13 Disse a seu servo: “Venha, vamos nos aproximar de um desses lugares e passar a noite em Gibeá ou em Ramá.”
19:14 Seguiram adiante, e o sol se pôs quando estavam perto de Gibeá, que pertence a Benjamim.
19:15 Desviaram-se para entrar e passar a noite em Gibeá. Ele entrou e se sentou na praça da cidade, mas ninguém os acolheu em casa para passar a noite.
19:16 Ao anoitecer, um homem idoso voltava de seu trabalho no campo. Ele era da região montanhosa de Efraim e morava em Gibeá, mas os habitantes do lugar eram benjamitas.
19:17 O idoso ergueu os olhos, viu o viajante na praça da cidade e lhe perguntou: “Para onde você vai, e de onde vem?”
19:18 Ele respondeu: “Estamos indo de Belém de Judá para uma parte remota da região montanhosa de Efraim. Sou de lá. Fui a Belém de Judá e agora vou à casa do SENHOR, mas ninguém me acolhe em casa.
19:19 Temos palha e forragem para nossos jumentos. Também temos pão e vinho para mim, para sua serva e para o jovem que acompanha seus servos. Não falta coisa alguma.”
19:20 O idoso lhe disse: “A paz esteja com você. Tudo de que precisar fica por minha conta. Só não passe a noite na praça.”
19:21 Ele o levou à sua casa e deu forragem aos jumentos. Eles lavaram os pés, comeram e beberam.
19:22 Enquanto alegravam o coração, alguns homens da cidade, homens perversos, cercaram a casa e começaram a bater na porta. Disseram ao idoso, dono da casa: “Traga para fora o homem que entrou em sua casa, para que tenhamos relações com ele.”
19:23 O dono da casa saiu e lhes disse: “Não, meus irmãos! Por favor, não cometam esse mal. Já que este homem entrou em minha casa, não cometam tal infâmia.
19:24 Aqui estão minha filha virgem e a concubina dele. Deixem-me trazê-las para fora; abusem delas e façam com elas o que parecer bem aos seus olhos. Mas não cometam tal infâmia contra este homem.”
19:25 Mas os homens não quiseram ouvi-lo. Então o homem agarrou sua concubina e a levou para fora, até eles. Eles a violentaram e maltrataram durante toda a noite, até de manhã. Ao despontar da aurora, deixaram-na ir.
19:26 Ao amanhecer, a mulher veio e caiu à entrada da casa do homem onde estava seu senhor. Ficou ali até clarear.
19:27 Seu senhor se levantou de manhã, abriu as portas da casa e saiu para seguir viagem. Ali estava a mulher, sua concubina, caída à entrada da casa, com as mãos sobre a soleira.
19:28 Ele lhe disse: “Levante-se, e vamos embora.” Mas não houve resposta. Ele a pôs sobre o jumento, levantou-se e voltou para o seu lugar.
19:29 Quando chegou à sua casa, pegou a faca, agarrou sua concubina e a cortou pelos ossos em doze partes. Enviou-as por todo o território de Israel.
19:30 Todos os que viam isso diziam: “Nunca aconteceu nem se viu coisa assim, desde o dia em que os israelitas subiram da terra do Egito até hoje. Reflitam sobre isso, deliberem e falem!”

Capítulo 20
20:1 Todos os israelitas saíram, e a comunidade se reuniu como um só homem diante do SENHOR, em Mispa, desde Dã até Berseba e da terra de Gileade.
20:2 Os chefes de todo o povo, de todas as tribos de Israel, tomaram seus lugares na assembleia do povo de Deus: quatrocentos mil homens de infantaria que empunhavam a espada.
20:3 Os benjamitas souberam que os israelitas haviam subido a Mispa. Os israelitas disseram: “Contem como aconteceu essa maldade.”
20:4 O levita, marido da mulher assassinada, respondeu: “Cheguei com minha concubina a Gibeá de Benjamim para passar a noite.
20:5 Os homens de Gibeá se levantaram contra mim e cercaram a casa de noite. Pretendiam me matar, e violentaram minha concubina, que morreu.
20:6 Peguei minha concubina, cortei-a em partes e as enviei por todo o território da herança de Israel, pois cometeram uma atrocidade e uma infâmia em Israel.
20:7 Todos vocês são israelitas. Apresentem aqui sua palavra e seu conselho.”
20:8 Todo o povo se levantou como um só homem e disse: “Nenhum de nós irá para sua tenda, nem voltará para sua casa.
20:9 Agora, isto é o que faremos contra Gibeá: subiremos contra ela por sorteio.
20:10 Escolheremos de todas as tribos de Israel dez homens de cada cem, cem de cada mil e mil de cada dez mil para buscar provisões para o povo. Assim, quando chegarmos a Geba de Benjamim, poderemos retribuir toda a infâmia que ela cometeu em Israel.”
20:11 Todos os homens de Israel se reuniram contra a cidade, unidos como um só homem.
20:12 As tribos de Israel enviaram homens por todos os clãs de Benjamim, dizendo: “Que maldade é essa que aconteceu entre vocês?
20:13 Agora entreguem os homens perversos que estão em Gibeá, para que os matemos e eliminemos o mal de Israel.” Mas Benjamim não quis ouvir a voz de seus irmãos, os israelitas.
20:14 Os benjamitas se reuniram de suas cidades em Gibeá para sair à guerra contra os israelitas.
20:15 Naquele dia foram contados, das cidades de Benjamim, vinte e seis mil homens que empunhavam a espada, além dos habitantes de Gibeá, entre os quais foram contados setecentos homens escolhidos.
20:16 Entre todo esse povo havia setecentos homens escolhidos, canhotos. Todos eles podiam lançar uma pedra com a funda contra um fio de cabelo sem errar.
20:17 Entre os israelitas, sem contar Benjamim, foram contados quatrocentos mil homens que empunhavam a espada, todos guerreiros.
20:18 Eles se levantaram, subiram a Betel e consultaram a Deus. Os israelitas perguntaram: “Quem de nós subirá primeiro para lutar contra os benjamitas?” O SENHOR respondeu: “Judá irá primeiro.”
20:19 Os israelitas se levantaram de manhã e acamparam diante de Gibeá.
20:20 Os homens de Israel saíram para lutar contra Benjamim e se dispuseram para a batalha contra eles junto a Gibeá.
20:21 Os benjamitas saíram de Gibeá e naquele dia derrubaram mortos por terra vinte e dois mil homens de Israel.
20:22 Mas os homens de Israel se reanimaram e tornaram a se dispor para a batalha no mesmo lugar onde haviam se disposto no primeiro dia.
20:23 Os israelitas haviam subido e chorado diante do SENHOR até a tarde. Consultaram o SENHOR: “Voltarei a lutar contra os filhos de Benjamim, meu irmão?” O SENHOR respondeu: “Subam contra ele.”
20:24 No segundo dia, os israelitas avançaram contra os benjamitas.
20:25 No segundo dia, Benjamim saiu de Gibeá ao encontro deles e derrubou mortos por terra mais dezoito mil israelitas, todos homens que empunhavam a espada.
20:26 Então todos os israelitas, todo o povo, subiram e foram a Betel. Choraram e ficaram ali diante do SENHOR. Naquele dia jejuaram até a tarde e ofereceram holocaustos e sacrifícios de paz diante do SENHOR.
20:27 Os israelitas consultaram o SENHOR. Naqueles dias, a arca da aliança de Deus estava ali,
20:28 e Fineias, filho de Eleazar, filho de Arão, ministrava diante dela naqueles dias. Perguntaram: “Tornarei a sair para lutar contra os filhos de Benjamim, meu irmão, ou devo parar?” O SENHOR respondeu: “Subam, pois amanhã eu o entregarei na sua mão.”
20:29 Israel pôs homens de emboscada ao redor de Gibeá.
20:30 No terceiro dia, os israelitas subiram contra os benjamitas e se dispuseram diante de Gibeá como das outras vezes.
20:31 Os benjamitas saíram ao encontro do povo e foram afastados da cidade. Como das outras vezes, começaram a matar alguns do povo nos caminhos, um dos quais sobe a Betel e o outro a Gibeá, e no campo. Morreram cerca de trinta homens de Israel.
20:32 Os benjamitas diziam: “Eles estão sendo derrotados diante de nós como antes.” Mas os israelitas haviam dito: “Vamos fugir e afastá-los da cidade para os caminhos.”
20:33 Todos os homens de Israel se levantaram de seus lugares e se dispuseram em Baal-Tamar. Os israelitas que estavam de emboscada saíram de seu lugar, do descampado de Geba.
20:34 Dez mil homens escolhidos de todo Israel avançaram contra Gibeá. A batalha era intensa, e os benjamitas não sabiam que a desgraça se aproximava deles.
20:35 O SENHOR derrotou Benjamim diante de Israel. Naquele dia, os israelitas mataram vinte e cinco mil e cem homens de Benjamim, todos homens que empunhavam a espada.
20:36 Os benjamitas viram que estavam derrotados. Os homens de Israel haviam cedido terreno a Benjamim porque confiavam na emboscada que tinham armado contra Gibeá.
20:37 Os homens da emboscada se apressaram e atacaram Gibeá. Espalharam-se e mataram ao fio da espada todos os habitantes da cidade.
20:38 O sinal combinado entre os homens de Israel e os da emboscada era fazer subir da cidade uma grande coluna de fumaça.
20:39 Quando os homens de Israel recuaram na batalha, Benjamim começou a matar cerca de trinta homens de Israel. Diziam: “Certamente eles estão sendo derrotados diante de nós como na primeira batalha.”
20:40 Mas começou a subir da cidade uma coluna de fumaça. Benjamim olhou para trás e viu que a cidade inteira subia em fumaça para o céu.
20:41 Os homens de Israel se voltaram, e os benjamitas ficaram aterrorizados, pois viram que a desgraça os havia atingido.
20:42 Viraram as costas aos homens de Israel e fugiram pelo caminho do deserto, mas a batalha os alcançou. Os que saíam das cidades os destruíam no meio deles.
20:43 Cercaram Benjamim, perseguiram-no e o esmagaram com facilidade até diante de Gibeá, a leste.
20:44 Caíram dezoito mil homens de Benjamim, todos guerreiros valentes.
20:45 Os demais deram meia-volta e fugiram para o deserto, para a rocha de Rimom. Os israelitas abateram cinco mil deles pelos caminhos, perseguiram-nos até Gidom e mataram mais dois mil.
20:46 Ao todo, naquele dia caíram vinte e cinco mil homens de Benjamim que empunhavam a espada, todos guerreiros valentes.
20:47 Mas seiscentos homens deram meia-volta e fugiram para o deserto, para a rocha de Rimom. Ficaram na rocha de Rimom durante quatro meses.
20:48 Os homens de Israel voltaram contra os benjamitas e passaram ao fio da espada as cidades inteiras, os animais e tudo o que encontraram. Também incendiaram todas as cidades que encontraram.

Capítulo 21
21:1 Os homens de Israel haviam jurado em Mispa: “Nenhum de nós dará sua filha por mulher a um benjamita.”
21:2 O povo foi a Betel e ficou ali até a tarde diante de Deus. Levantaram a voz e choraram com grande pranto.
21:3 Disseram: “SENHOR, Deus de Israel, por que aconteceu isto em Israel, para que hoje falte uma tribo de Israel?”
21:4 No dia seguinte, o povo se levantou de madrugada, construiu ali um altar e ofereceu holocaustos e sacrifícios de paz.
21:5 Os israelitas perguntaram: “Quem de todas as tribos de Israel não subiu à assembleia diante do SENHOR?” Pois haviam feito um juramento solene contra quem não subisse diante do SENHOR em Mispa, dizendo: “Certamente será morto.”
21:6 Os israelitas sentiram compaixão de Benjamim, seu irmão, e disseram: “Hoje uma tribo foi cortada de Israel.
21:7 O que faremos para conseguir mulheres para os sobreviventes? Nós juramos pelo SENHOR que não lhes daríamos nossas filhas por mulheres.”
21:8 Perguntaram: “Quem das tribos de Israel não subiu diante do SENHOR em Mispa?” E nenhum homem de Jabes-Gileade havia vindo ao acampamento, à assembleia.
21:9 O povo foi contado, e não havia ali ninguém dos habitantes de Jabes-Gileade.
21:10 A comunidade enviou para lá doze mil guerreiros valentes e lhes ordenou: “Vão e matem ao fio da espada os habitantes de Jabes-Gileade, inclusive as mulheres e as crianças.
21:11 Isto é o que vocês farão: destruam completamente todos os homens e toda mulher que tenha tido relações com um homem.”
21:12 Encontraram entre os habitantes de Jabes-Gileade quatrocentas moças virgens, que não haviam tido relações com homem algum. Levaram-nas ao acampamento em Siló, na terra de Canaã.
21:13 Toda a comunidade enviou mensageiros para falar aos benjamitas que estavam na rocha de Rimom e lhes proclamar a paz.
21:14 Naquele tempo, os benjamitas voltaram, e lhes deram as mulheres de Jabes-Gileade que haviam deixado vivas. Mas elas não foram suficientes para eles.
21:15 O povo sentiu compaixão de Benjamim, pois o SENHOR havia aberto uma brecha nas tribos de Israel.
21:16 Os anciãos da comunidade disseram: “O que faremos para conseguir mulheres para os que restam, já que as mulheres de Benjamim foram exterminadas?”
21:17 Disseram: “Deve haver uma herança para os sobreviventes de Benjamim, para que uma tribo não seja apagada de Israel.
21:18 Mas não podemos lhes dar nossas filhas por mulheres, pois os israelitas juraram: ‘Maldito aquele que der mulher a um benjamita.’”
21:19 Então disseram: “Todo ano há uma festa do SENHOR em Siló, ao norte de Betel, a leste do caminho que sobe de Betel a Siquém e ao sul de Lebona.”
21:20 Ordenaram aos benjamitas: “Vão e fiquem de emboscada nas vinhas.
21:21 Fiquem atentos: quando as jovens de Siló saírem para dançar em rodas, saiam das vinhas e raptem, cada um, uma mulher dentre as jovens de Siló. Depois vão para a terra de Benjamim.
21:22 Quando os pais ou os irmãos delas vierem reclamar conosco, nós lhes diremos: ‘Por nossa causa, tenham compaixão deles, pois não conseguimos na guerra uma mulher para cada um. Vocês não as deram a eles, para que agora sejam culpados.’”
21:23 Os benjamitas fizeram assim e tomaram mulheres conforme seu número, raptando-as dentre as que dançavam. Partiram e voltaram à sua herança, reconstruíram as cidades e moraram nelas.
21:24 Naquele tempo, os israelitas partiram dali, cada um para sua tribo e seu clã. Cada um saiu dali para sua herança.
21:25 Naqueles dias não havia rei em Israel. Cada um fazia o que parecia certo aos seus próprios olhos.

RUTE

Capítulo 1
1:1 Nos dias em que os juízes governavam, houve fome na terra. Um homem de Belém de Judá foi morar nos campos de Moabe com sua mulher e seus dois filhos.
1:2 O homem se chamava Elimeleque, sua mulher se chamava Noemi, e seus dois filhos se chamavam Malom e Quiliom. Eram efrateus de Belém de Judá. Foram para os campos de Moabe e ficaram ali.
1:3 Elimeleque, marido de Noemi, morreu, e ela ficou com seus dois filhos.
1:4 Eles se casaram com mulheres moabitas. Uma se chamava Orfa e a outra, Rute. Moraram ali cerca de dez anos.
1:5 Também morreram os dois, Malom e Quiliom, e a mulher ficou sem seus dois filhos e sem seu marido.
1:6 Então ela se preparou para voltar dos campos de Moabe com suas noras, pois havia ouvido em Moabe que o SENHOR havia visitado seu povo, dando-lhe pão.
1:7 Saiu do lugar onde morava, acompanhada de suas duas noras, e elas seguiram pelo caminho de volta à terra de Judá.
1:8 Noemi disse a suas duas noras: “Vão, voltem, cada uma para a casa de sua mãe. Que o SENHOR trate vocês com bondade, como vocês trataram os que morreram e a mim.
1:9 Que o SENHOR conceda que vocês encontrem descanso, cada uma na casa de seu marido.” Ela as beijou, e elas levantaram a voz e choraram.
1:10 Elas lhe disseram: “Certamente voltaremos com você para o seu povo.”
1:11 Mas Noemi respondeu: “Voltem, minhas filhas. Por que iriam comigo? Acaso ainda tenho filhos em meu ventre, para que sejam maridos de vocês?
1:12 Voltem, minhas filhas, vão embora! Sou velha demais para ter marido. Mesmo que eu dissesse que ainda tenho esperança, mesmo que esta noite eu tivesse marido e desse à luz filhos,
1:13 vocês esperariam até que eles crescessem? Ficariam sem marido por causa deles? Não, minhas filhas. Minha amargura é maior que a de vocês, pois a mão do SENHOR se voltou contra mim.”
1:14 Elas tornaram a levantar a voz e a chorar. Orfa beijou sua sogra, mas Rute se apegou a ela.
1:15 Noemi disse: “Veja, sua cunhada voltou para seu povo e seus deuses. Volte também com sua cunhada.”
1:16 Mas Rute respondeu: “Não insista para que eu a abandone e deixe de segui-la. Aonde você for, eu irei; onde passar a noite, eu passarei. Seu povo será meu povo, e seu Deus será meu Deus.
1:17 Onde você morrer, eu morrerei, e ali serei sepultada. Que o SENHOR me faça assim e ainda mais, se outra coisa que não seja a morte nos separar!”
1:18 Quando Noemi viu que ela estava decidida a ir com ela, deixou de insistir.
1:19 As duas seguiram até chegar a Belém. Quando chegaram a Belém, toda a cidade se agitou por causa delas, e as mulheres perguntavam: “É esta Noemi?”
1:20 Ela lhes respondeu: “Não me chamem Noemi; chamem-me Mara, pois o Todo-Poderoso me encheu de amargura.
1:21 Eu parti cheia, mas o SENHOR me fez voltar vazia. Por que me chamam Noemi, se o SENHOR testemunhou contra mim e o Todo-Poderoso me afligiu?”
1:22 Assim Noemi voltou dos campos de Moabe, acompanhada de Rute, a moabita, sua nora. Elas chegaram a Belém no começo da colheita da cevada.

Capítulo 2
2:1 Noemi tinha um parente de seu marido, um homem poderoso e de recursos, da família de Elimeleque. Seu nome era Boaz.
2:2 Rute, a moabita, disse a Noemi: “Deixe-me ir ao campo recolher espigas atrás de alguém a cujos olhos eu encontre favor.” Ela respondeu: “Vá, minha filha.”
2:3 Rute foi e começou a recolher espigas no campo, atrás dos ceifeiros. Por acaso, chegou à parte do campo que pertencia a Boaz, da família de Elimeleque.
2:4 Boaz chegou de Belém e disse aos ceifeiros: “O SENHOR esteja com vocês!” Eles responderam: “O SENHOR o abençoe!”
2:5 Boaz perguntou ao servo encarregado dos ceifeiros: “De quem é esta moça?”
2:6 O servo encarregado dos ceifeiros respondeu: “É a jovem moabita que voltou com Noemi dos campos de Moabe.
2:7 Ela disse: ‘Por favor, deixe-me recolher e juntar espigas entre os feixes, atrás dos ceifeiros.’ Veio e está trabalhando desde a manhã até agora; só descansou um pouco na casa.”
2:8 Boaz disse a Rute: “Escute, minha filha. Não vá recolher espigas em outro campo, nem se afaste daqui. Fique junto de minhas servas.
2:9 Observe o campo que estiverem ceifando e siga atrás delas. Não ordenei aos servos que não toquem em você? Quando tiver sede, vá às vasilhas e beba da água que os servos tiraram.”
2:10 Ela se prostrou com o rosto em terra e lhe disse: “Por que encontrei favor aos seus olhos, para que se interesse por mim, sendo eu estrangeira?”
2:11 Boaz lhe respondeu: “Contaram-me bem tudo o que você fez por sua sogra depois da morte de seu marido: você deixou seu pai, sua mãe e a terra onde nasceu e veio para um povo que antes não conhecia.
2:12 Que o SENHOR recompense o que você fez, e que sua recompensa seja completa da parte do SENHOR, Deus de Israel, sob cujas asas você veio se abrigar.”
2:13 Ela disse: “Que eu continue a encontrar favor aos seus olhos, meu senhor, pois você me consolou e falou ao coração de sua serva, embora eu não seja como uma de suas servas.”
2:14 Na hora da refeição, Boaz lhe disse: “Venha aqui, coma do pão e molhe seu pedaço no vinagre.” Ela se sentou ao lado dos ceifeiros, e ele lhe ofereceu grãos torrados. Ela comeu, ficou satisfeita e ainda lhe sobrou.
2:15 Quando ela se levantou para recolher espigas, Boaz ordenou a seus servos: “Deixem-na recolher até mesmo entre os feixes e não a envergonhem.
2:16 Tirem também, de propósito, algumas espigas dos maços e deixem-nas para que ela as recolha. Não a repreendam.”
2:17 Rute recolheu espigas no campo até a tarde. Debulhou o que havia recolhido, e foram cerca de vinte e dois litros de cevada.
2:18 Ela levou tudo para a cidade, e sua sogra viu o que havia recolhido. Rute também tirou o que lhe havia sobrado depois de comer até ficar satisfeita e lhe deu.
2:19 Sua sogra lhe perguntou: “Onde você recolheu espigas hoje? Onde trabalhou? Bendito seja quem se interessou por você!” Ela contou a sua sogra com quem havia trabalhado e disse: “O homem com quem trabalhei hoje se chama Boaz.”
2:20 Noemi disse a sua nora: “Bendito seja ele pelo SENHOR! Ele não deixou de mostrar sua bondade aos vivos e aos mortos.” Noemi acrescentou: “Esse homem é nosso parente, um de nossos resgatadores.”
2:21 Rute, a moabita, disse: “Ele também me disse: ‘Fique junto de meus servos até que terminem toda a minha colheita.’”
2:22 Noemi respondeu a Rute, sua nora: “É bom, minha filha, que você saia com as servas dele, para que não a molestem em outro campo.”
2:23 Assim Rute ficou junto das servas de Boaz, recolhendo espigas até o fim da colheita da cevada e da colheita do trigo. E morava com sua sogra.

Capítulo 3
3:1 Noemi, sua sogra, lhe disse: “Minha filha, não devo procurar um descanso para você, para que lhe vá bem?
3:2 Boaz, com cujas servas você esteve, não é nosso parente? Esta noite ele vai joeirar a cevada na eira.
3:3 Lave-se, perfume-se, vista sua roupa e desça à eira. Não se deixe reconhecer pelo homem até que ele termine de comer e beber.
3:4 Quando ele se deitar, observe o lugar onde se deita. Depois vá, descubra os pés dele e se deite. Ele dirá o que você deve fazer.”
3:5 Ela respondeu: “Farei tudo o que você disser.”
3:6 Rute desceu à eira e fez tudo o que sua sogra lhe havia ordenado.
3:7 Boaz comeu e bebeu, e seu coração ficou alegre. Foi deitar-se junto à extremidade do monte de grãos. Ela se aproximou em silêncio, descobriu os pés dele e se deitou.
3:8 À meia-noite, o homem se assustou e se virou. Havia uma mulher deitada a seus pés!
3:9 Ele perguntou: “Quem é você?” Ela respondeu: “Sou Rute, sua serva. Estenda a aba de seu manto sobre sua serva, pois você é um resgatador.”
3:10 Ele disse: “Que você seja bendita pelo SENHOR, minha filha! Esta sua última demonstração de lealdade é maior que a primeira, pois você não foi atrás de jovens, pobres ou ricos.
3:11 Agora, minha filha, não tenha medo. Farei por você tudo o que disser, pois toda a gente de meu povo sabe que você é uma mulher virtuosa.
3:12 É verdade que sou resgatador, mas há outro resgatador mais próximo que eu.
3:13 Passe aqui a noite. De manhã, se ele quiser resgatar você, muito bem, que o faça. Mas, se não quiser resgatá-la, tão certo como vive o SENHOR, eu a resgatarei. Deite-se até de manhã.”
3:14 Ela ficou deitada a seus pés até de manhã e se levantou antes que uma pessoa pudesse reconhecer outra. Ele havia dito: “Que não se saiba que a mulher veio à eira.”
3:15 Ele disse: “Dê-me o manto que você está usando e segure-o.” Ela o segurou, e ele mediu seis medidas de cevada e as pôs sobre ela. Depois ele foi para a cidade.
3:16 Quando ela chegou a sua sogra, esta perguntou: “Como foi, minha filha?” Ela lhe contou tudo o que o homem havia feito por ela.
3:17 Disse ainda: “Ele me deu estas seis medidas de cevada, pois disse: ‘Não volte de mãos vazias para sua sogra.’”
3:18 Noemi respondeu: “Espere, minha filha, até saber como o assunto vai terminar. Esse homem não descansará até resolver o assunto hoje.”

Capítulo 4
4:1 Boaz subiu ao portão da cidade e se sentou ali. Nisso passou o resgatador de quem Boaz havia falado. Ele lhe disse: “Fulano, venha cá e sente-se aqui.” O homem se aproximou e se sentou.
4:2 Boaz chamou dez homens dentre os anciãos da cidade e disse: “Sentem-se aqui.” E eles se sentaram.
4:3 Então disse ao resgatador: “Noemi, que voltou dos campos de Moabe, vendeu a parte do campo que pertencia a nosso irmão Elimeleque.
4:4 Pensei em informar você e dizer: Compre-a diante dos que estão sentados aqui e diante dos anciãos de meu povo. Se você quiser resgatá-la, resgate-a; mas, se não houver o resgate, avise-me, para que eu saiba. Pois não há ninguém antes de você com direito de resgate, e eu venho depois de você.” Ele respondeu: “Eu a resgatarei.”
4:5 Boaz disse: “No dia em que você comprar o campo das mãos de Noemi, eu o adquiro também de Rute, a moabita, mulher do falecido, para perpetuar o nome do falecido sobre sua herança.”
4:6 O resgatador respondeu: “Não posso resgatá-la para mim, pois poderia prejudicar minha própria herança. Exerça você meu direito de resgate, porque eu não posso resgatá-la.”
4:7 Antigamente, em Israel, para confirmar qualquer negócio de resgate ou troca, um homem tirava sua sandália e a dava ao outro. Essa era a maneira de dar testemunho em Israel.
4:8 O resgatador disse a Boaz: “Compre-a para você.” E tirou sua sandália.
4:9 Boaz disse aos anciãos e a todo o povo: “Hoje vocês são testemunhas de que adquiri das mãos de Noemi tudo o que pertencia a Elimeleque e tudo o que pertencia a Quiliom e Malom.
4:10 Também adquiri por mulher Rute, a moabita, viúva de Malom, para perpetuar o nome do falecido sobre sua herança e para que seu nome não seja eliminado de entre seus irmãos nem do portão de sua cidade. Hoje vocês são testemunhas.”
4:11 Todo o povo que estava no portão e os anciãos responderam: “Somos testemunhas. Que o SENHOR faça a mulher que entra em sua casa como Raquel e Lia, as duas que edificaram a casa de Israel. Que você prospere em Efrata e alcance renome em Belém.
4:12 Que sua casa seja como a casa de Perez, que Tamar deu à luz a Judá, por meio da descendência que o SENHOR lhe der desta jovem.”
4:13 Boaz tomou Rute, e ela se tornou sua mulher. Ele se deitou com ela, e o SENHOR lhe concedeu engravidar, e ela deu à luz um filho.
4:14 As mulheres disseram a Noemi: “Bendito seja o SENHOR, que hoje não deixou você sem resgatador! Que o nome dele seja celebrado em Israel.
4:15 Ele renovará sua vida e a sustentará na velhice, pois sua nora, que a ama e que vale para você mais que sete filhos, o deu à luz.”
4:16 Noemi pegou o menino, pôs no colo e passou a cuidar dele.
4:17 As vizinhas lhe deram nome, dizendo: “Nasceu um filho para Noemi.” E o chamaram de Obede. Ele foi pai de Jessé, pai de Davi.
4:18 Estas são as gerações de Perez: Perez gerou Hezrom;
4:19 Hezrom gerou Rão, e Rão gerou Aminadabe;
4:20 Aminadabe gerou Naassom, e Naassom gerou Salma;
4:21 Salmom gerou Boaz, e Boaz gerou Obede;
4:22 Obede gerou Jessé, e Jessé gerou Davi.

1 SAMUEL

Capítulo 1
1:1 Havia um homem de Ramataim-Zofim, na região montanhosa de Efraim, chamado Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliú, filho de Toú, filho de Zufe, efrateu.
1:2 Ele tinha duas mulheres: uma se chamava Ana, e a outra, Penina. Penina tinha filhos, mas Ana não tinha filhos.
1:3 Todos os anos, esse homem subia de sua cidade para adorar e oferecer sacrifícios ao SENHOR dos Exércitos, em Siló. Ali estavam os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, sacerdotes do SENHOR.
1:4 No dia em que Elcana oferecia o sacrifício, dava porções a Penina, sua mulher, e a todos os filhos e filhas dela.
1:5 Mas a Ana dava uma porção dupla, pois amava Ana, embora o SENHOR lhe houvesse fechado o ventre.
1:6 Sua rival a provocava amargamente para irritá-la, pois o SENHOR lhe havia fechado o ventre.
1:7 Ele fazia isso ano após ano. Sempre que ela subia à casa do SENHOR, sua rival a provocava desse modo. Por isso, Ana chorava e não comia.
1:8 Elcana, seu marido, lhe dizia: “Ana, por que você chora? Por que não come? Por que seu coração está triste? Eu não sou melhor para você do que dez filhos?”
1:9 Depois de comer e beber em Siló, Ana se levantou. O sacerdote Eli estava sentado em sua cadeira, junto ao batente da porta do templo do SENHOR.
1:10 Com a alma amargurada, ela orou ao SENHOR e chorou muito.
1:11 Fez um voto, dizendo: “SENHOR dos Exércitos, se de fato olhares para a aflição de tua serva, te lembrares de mim e não te esqueceres de tua serva, mas deres a tua serva um filho, eu o darei ao SENHOR por todos os dias de sua vida. Nenhuma navalha passará sobre sua cabeça.”
1:12 Enquanto ela prolongava sua oração diante do SENHOR, Eli observava sua boca.
1:13 Ana falava em seu coração; só seus lábios se moviam, mas sua voz não se ouvia. Por isso, Eli pensou que ela estivesse embriagada.
1:14 Eli lhe disse: “Até quando você vai ficar embriagada? Deixe o vinho!”
1:15 Mas Ana respondeu: “Não, meu senhor! Sou uma mulher angustiada de espírito. Não bebi vinho nem bebida forte; estou derramando minha alma diante do SENHOR.
1:16 Não considere sua serva uma mulher perversa. Foi por causa de minha grande aflição e angústia que falei até agora.”
1:17 Eli respondeu: “Vá em paz, e que o Deus de Israel conceda o pedido que você lhe fez.”
1:18 Ela disse: “Que sua serva encontre favor aos seus olhos.” A mulher seguiu seu caminho e comeu, e seu rosto já não estava triste.
1:19 Eles se levantaram de madrugada, adoraram diante do SENHOR e voltaram para sua casa em Ramá. Elcana teve relações com Ana, sua mulher, e o SENHOR se lembrou dela.
1:20 Passado algum tempo, Ana concebeu e deu à luz um filho. Deu-lhe o nome de Samuel, pois disse: “Eu o pedi ao SENHOR.”
1:21 Elcana subiu com toda a sua família para oferecer ao SENHOR o sacrifício anual e cumprir seu voto.
1:22 Mas Ana não subiu, pois havia dito a seu marido: “Quando o menino for desmamado, eu o levarei para que se apresente diante do SENHOR e fique ali para sempre.”
1:23 Elcana, seu marido, lhe respondeu: “Faça o que parecer bem aos seus olhos. Fique até desmamá-lo. Que o SENHOR confirme sua palavra.” Assim a mulher ficou e amamentou seu filho até desmamá-lo.
1:24 Depois de desmamá-lo, ela o levou consigo à casa do SENHOR, em Siló, com três touros, cerca de vinte e dois litros de farinha e um odre de vinho. O menino ainda era pequeno.
1:25 Eles sacrificaram o touro e levaram o menino a Eli.
1:26 Ela disse: “Por favor, meu senhor! Tão certo como você vive, meu senhor, eu sou a mulher que esteve aqui junto de você, orando ao SENHOR.
1:27 Por este menino eu orava, e o SENHOR me concedeu o pedido que lhe fiz.
1:28 Por isso, eu também o entrego ao SENHOR. Por todos os dias de sua vida, ele pertencerá ao SENHOR.” E ele adorou ali ao SENHOR.

Capítulo 2
2:1 Ana orou e disse:
 “Meu coração exulta no SENHOR;
   meu poder se eleva no SENHOR.
   Minha boca se abre contra meus inimigos, pois me alegro em tua salvação.
2:2 Não há santo como o SENHOR, pois não há ninguém além de ti;
   não há rocha como o nosso Deus.
2:3 Não continuem a falar com tanta altivez;
   que não saia arrogância da boca de vocês.
   Pois o SENHOR é um Deus que tudo sabe;
   e não são pesadas as ações?
2:4 Os arcos dos guerreiros são quebrados, e os que tropeçavam se cingem de força.
2:5 Os que estavam fartos se empregam por pão, e os famintos deixam de passar fome.
   A estéril dá à luz sete filhos, e a que tinha muitos filhos desfalece.
2:6 O SENHOR tira a vida e dá a vida;
   faz descer ao Seol e faz subir.
2:7 O SENHOR empobrece e enriquece;
   humilha e também exalta.
2:8 Ele levanta do pó o pobre e ergue do monte de lixo o necessitado, para fazê-los sentar com os nobres e lhes dar em herança um trono de honra.
   Pois os pilares da terra pertencem ao SENHOR, e sobre eles colocou o mundo.
2:9 Ele guardará os pés de seu fiel, mas os ímpios ficarão em silêncio nas trevas, pois ninguém prevalece pela força.
2:10 Os adversários do SENHOR serão despedaçados;
   dos céus ele trovejará contra eles.
   O SENHOR julgará os confins da terra.
   Dará força ao seu rei e exaltará o poder de seu ungido.”
2:11 Elcana voltou para sua casa em Ramá, mas o menino ficou servindo ao SENHOR diante do sacerdote Eli.
2:12 Os filhos de Eli eram homens perversos; não conheciam o SENHOR.
2:13 Este era o costume dos sacerdotes com o povo: quando alguém oferecia um sacrifício, o servo do sacerdote vinha enquanto a carne cozinhava, com um garfo de três dentes na mão.
2:14 Ele o metia na bacia, na panela, no caldeirão ou na caçarola, e o sacerdote tomava para si tudo o que o garfo tirava. Assim faziam com todos os israelitas que iam a Siló.
2:15 Mesmo antes de queimarem a gordura, o servo do sacerdote vinha e dizia ao homem que oferecia o sacrifício: “Dê carne para assar ao sacerdote, pois ele não aceitará de você carne cozida, apenas crua.”
2:16 Se o homem lhe dizia: “Deixem primeiro queimar a gordura e depois pegue o que desejar”, ele lhe respondia: “Você vai dar agora! Se não, eu a tomarei à força.”
2:17 O pecado desses jovens era muito grande diante do SENHOR, pois aqueles homens desprezavam a oferta do SENHOR.
2:18 Mas Samuel servia diante do SENHOR. Ainda menino, usava um éfode de linho.
2:19 Sua mãe lhe fazia um pequeno manto e o levava todos os anos, quando subia com seu marido para oferecer o sacrifício anual.
2:20 Eli abençoava Elcana e sua mulher, dizendo: “Que o SENHOR dê a você descendência desta mulher em lugar daquele que ele pediu ao SENHOR.” Depois voltavam para seu lugar.
2:21 O SENHOR visitou Ana, e ela concebeu e deu à luz três filhos e duas filhas. O menino Samuel crescia junto ao SENHOR.
2:22 Eli já era muito idoso e ouvia tudo o que seus filhos faziam a todo Israel e como se deitavam com as mulheres que serviam à entrada da tenda do encontro.
2:23 Ele lhes disse: “Por que vocês fazem essas coisas? Ouço de todo este povo as más ações de vocês.
2:24 Não, meus filhos! Não é boa a notícia que ouço. Vocês fazem o povo do SENHOR transgredir.
2:25 Se alguém pecar contra outro, Deus o julgará; mas, se alguém pecar contra o SENHOR, quem intercederá por ele?” Contudo, eles não ouviram a voz de seu pai, pois o SENHOR queria dar-lhes a morte.
2:26 O menino Samuel continuava a crescer e a ser estimado tanto pelo SENHOR como pelas pessoas.
2:27 Um homem de Deus veio a Eli e lhe disse: “Assim diz o SENHOR: Não me revelei claramente à casa de seu pai quando estavam no Egito, na casa do faraó?
2:28 Eu o escolhi dentre todas as tribos de Israel para ser meu sacerdote, subir ao meu altar, queimar incenso e usar o éfode diante de mim. Dei à casa de seu pai todas as ofertas queimadas dos israelitas.
2:29 Por que vocês pisoteiam meu sacrifício e minha oferta, que ordenei em minha morada? Você honra seus filhos mais que a mim, para que vocês engordem com o melhor de todas as ofertas de meu povo Israel.
2:30 Por isso, declara o SENHOR, Deus de Israel: Eu havia dito que sua casa e a casa de seu pai andariam diante de mim para sempre. Mas agora o SENHOR declara: Longe de mim tal coisa! Honrarei os que me honram, mas os que me desprezam serão tidos em pouca conta.
2:31 Vem o tempo em que cortarei seu braço e o braço da casa de seu pai, para que não haja idoso em sua casa.
2:32 Você verá aflição em minha morada, mesmo quando tudo for bem para Israel. Nunca haverá idoso em sua casa.
2:33 Aquele dos seus que eu não eliminar de meu altar ficará para consumir seus olhos e entristecer sua alma. Todos os descendentes de sua casa morrerão na idade adulta.
2:34 Esta será para você a prova do que acontecerá a seus dois filhos, Hofni e Fineias: os dois morrerão no mesmo dia.
2:35 Eu levantarei para mim um sacerdote fiel, que fará o que está em meu coração e em minha alma. Eu lhe edificarei uma casa firme, e ele andará diante de meu ungido todos os dias.
2:36 Todo aquele que restar de sua casa virá se prostrar diante dele por uma peça de prata e um pão, e dirá: Por favor, admita-me em alguma função sacerdotal, para que eu possa comer um pedaço de pão.”

Capítulo 3
3:1 O menino Samuel servia ao SENHOR diante de Eli. Naqueles dias, a palavra do SENHOR era rara, e as visões não eram frequentes.
3:2 Certo dia, Eli estava deitado em seu lugar. Seus olhos começavam a enfraquecer, e ele não podia ver.
3:3 A lâmpada de Deus ainda não havia se apagado. Samuel estava deitado no templo do SENHOR, onde estava a arca de Deus.
3:4 O SENHOR chamou Samuel, e ele respondeu: “Aqui estou.”
3:5 Correu até Eli e disse: “Aqui estou, pois você me chamou.” Mas ele respondeu: “Não chamei. Volte a se deitar.” Samuel foi e se deitou.
3:6 O SENHOR tornou a chamar Samuel. Samuel se levantou, foi até Eli e disse: “Aqui estou, pois você me chamou.” Ele respondeu: “Não chamei, meu filho. Volte a se deitar.”
3:7 Samuel ainda não conhecia o SENHOR, e a palavra do SENHOR ainda não lhe havia sido revelada.
3:8 O SENHOR tornou a chamar Samuel pela terceira vez. Ele se levantou, foi até Eli e disse: “Aqui estou, pois você me chamou.” Então Eli percebeu que o SENHOR estava chamando o menino.
3:9 Eli disse a Samuel: “Vá se deitar. Se ele chamar você, diga: ‘Fala, SENHOR, pois teu servo escuta.’” Samuel foi e se deitou em seu lugar.
3:10 O SENHOR veio, apresentou-se e chamou como das outras vezes: “Samuel, Samuel!” Samuel respondeu: “Fala, pois teu servo escuta.”
3:11 O SENHOR disse a Samuel: “Vou fazer algo em Israel que fará tinir os dois ouvidos de todo aquele que o ouvir.
3:12 Naquele dia, cumprirei contra Eli tudo o que disse a respeito de sua casa, do começo ao fim.
3:13 Eu lhe anunciei que julgarei sua casa para sempre pela maldade que ele conhecia: seus filhos atraíam maldição sobre si, e ele não os repreendeu.
3:14 Por isso, jurei à casa de Eli que sua maldade jamais será expiada por sacrifício nem por oferta.”
3:15 Samuel ficou deitado até de manhã e abriu as portas da casa do SENHOR. Samuel tinha medo de contar a visão a Eli.
3:16 Eli chamou Samuel e disse: “Samuel, meu filho!” Ele respondeu: “Aqui estou.”
3:17 Eli perguntou: “O que ele disse a você? Por favor, não esconda de mim. Que Deus lhe faça assim e ainda mais, se você esconder de mim uma só palavra de tudo o que ele lhe disse.”
3:18 Samuel lhe contou tudo e não escondeu nada. Então Eli disse: “Ele é o SENHOR. Que faça o que parecer bem aos seus olhos.”
3:19 Samuel crescia, e o SENHOR estava com ele e não deixou que nenhuma de suas palavras caísse por terra.
3:20 Todo Israel, desde Dã até Berseba, soube que Samuel havia sido confirmado como profeta do SENHOR.
3:21 O SENHOR continuou a aparecer em Siló, pois o SENHOR se revelava a Samuel em Siló por meio da palavra do SENHOR.

Capítulo 4
4:1 A palavra de Samuel chegava a todo Israel. Israel saiu à guerra contra os filisteus e acampou junto a Ebenézer, enquanto os filisteus acamparam em Afeca.
4:2 Os filisteus se dispuseram para enfrentar Israel. A batalha se espalhou, e Israel foi derrotado pelos filisteus, que mataram cerca de quatro mil homens no campo de batalha.
4:3 Quando o povo voltou ao acampamento, os anciãos de Israel disseram: “Por que o SENHOR nos derrotou hoje diante dos filisteus? Vamos trazer de Siló a arca da aliança do SENHOR, para que venha ao nosso meio e nos salve das mãos de nossos inimigos.”
4:4 O povo enviou homens a Siló, e trouxeram de lá a arca da aliança do SENHOR dos Exércitos, que está entronizado sobre os querubins. Os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias, estavam ali com a arca da aliança de Deus.
4:5 Quando a arca da aliança do SENHOR chegou ao acampamento, todo Israel soltou um grito tão forte que a terra retumbou.
4:6 Os filisteus ouviram o grito e disseram: “Que grande gritaria é essa no acampamento dos hebreus?” Souberam então que a arca do SENHOR havia chegado ao acampamento.
4:7 Os filisteus ficaram com medo, pois diziam: “Deus veio ao acampamento.” E disseram: “Ai de nós! Nunca aconteceu coisa assim antes.
4:8 Ai de nós! Quem nos livrará das mãos destes deuses poderosos? São eles os deuses que feriram o Egito com toda espécie de pragas no deserto.
4:9 Tenham coragem e sejam homens, filisteus, para que não venham a servir aos hebreus como eles serviram a vocês. Sejam homens e lutem!”
4:10 Os filisteus lutaram, e Israel foi derrotado. Cada um fugiu para sua tenda. A matança foi muito grande: caíram trinta mil homens de infantaria de Israel.
4:11 A arca de Deus foi capturada, e morreram os dois filhos de Eli, Hofni e Fineias.
4:12 Um homem de Benjamim correu do campo de batalha e chegou a Siló naquele mesmo dia, com as roupas rasgadas e terra sobre a cabeça.
4:13 Quando ele chegou, Eli estava sentado em sua cadeira, junto ao caminho, vigiando, pois seu coração tremia pela arca de Deus. O homem entrou na cidade para dar a notícia, e toda a cidade soltou um clamor.
4:14 Eli ouviu o clamor e perguntou: “Que tumulto é esse?” O homem se apressou, foi até Eli e lhe deu a notícia.
4:15 Eli tinha noventa e oito anos. Seus olhos estavam fixos, e ele não podia ver.
4:16 O homem disse a Eli: “Venho do campo de batalha; hoje eu fugi de lá.” Ele perguntou: “O que aconteceu, meu filho?”
4:17 O mensageiro respondeu: “Israel fugiu diante dos filisteus, e houve uma grande matança entre o povo. Seus dois filhos, Hofni e Fineias, também morreram, e a arca de Deus foi capturada.”
4:18 Quando ele mencionou a arca de Deus, Eli caiu da cadeira para trás, junto ao portão. Quebrou o pescoço e morreu, pois era velho e pesado. Ele havia sido juiz de Israel durante quarenta anos.
4:19 Sua nora, mulher de Fineias, estava grávida, perto de dar à luz. Quando ouviu a notícia de que a arca de Deus havia sido capturada e de que seu sogro e seu marido haviam morrido, ela se curvou e deu à luz, pois as dores lhe sobrevieram.
4:20 Quando ela estava morrendo, as mulheres que a atendiam lhe disseram: “Não tenha medo, pois você deu à luz um filho.” Mas ela não respondeu nem deu atenção.
4:21 Deu ao menino o nome de Icabode, dizendo: “A glória partiu de Israel”, por causa da captura da arca de Deus e de seu sogro e seu marido.
4:22 E disse: “A glória partiu de Israel, pois a arca de Deus foi capturada.”

Capítulo 5
5:1 Os filisteus capturaram a arca de Deus e a levaram de Ebenézer para Asdode.
5:2 Os filisteus pegaram a arca de Deus, levaram-na ao templo de Dagom e a puseram junto a Dagom.
5:3 No dia seguinte, quando os moradores de Asdode se levantaram de madrugada, Dagom estava caído com o rosto em terra diante da arca do SENHOR. Pegaram Dagom e o puseram de volta em seu lugar.
5:4 Na manhã seguinte, levantaram-se de madrugada, e Dagom estava outra vez caído com o rosto em terra diante da arca do SENHOR. A cabeça de Dagom e as duas palmas de suas mãos estavam cortadas sobre a soleira. Só lhe restava o tronco.
5:5 Por isso, até hoje, os sacerdotes de Dagom e todos os que entram no templo de Dagom, em Asdode, não pisam a soleira de Dagom.
5:6 A mão do SENHOR pesou sobre os moradores de Asdode. Ele os devastou e os feriu com tumores, tanto Asdode como seu território.
5:7 Quando os homens de Asdode viram o que acontecia, disseram: “A arca do Deus de Israel não pode ficar conosco, pois sua mão é dura contra nós e contra Dagom, nosso deus.”
5:8 Mandaram reunir todos os governantes dos filisteus e perguntaram: “O que faremos com a arca do Deus de Israel?” Eles responderam: “Que a arca do Deus de Israel seja levada a Gate.” Assim levaram a arca do Deus de Israel.
5:9 Depois de a levarem, a mão do SENHOR caiu sobre a cidade, causando um pânico enorme. Ele feriu os homens da cidade, pequenos e grandes, e lhes brotaram tumores.
5:10 Então enviaram a arca de Deus a Ecrom. Quando a arca de Deus chegou a Ecrom, os ecronitas gritaram: “Trouxeram a mim a arca do Deus de Israel para matar a mim e a meu povo!”
5:11 Mandaram reunir todos os governantes dos filisteus e disseram: “Mandem a arca do Deus de Israel de volta a seu lugar, para que não mate a mim e a meu povo.” Pois havia um terror mortal por toda a cidade; a mão de Deus pesava muito ali.
5:12 Os homens que não morriam eram feridos com tumores, e o clamor da cidade subia ao céu.

Capítulo 6
6:1 A arca do SENHOR ficou em território filisteu durante sete meses.
6:2 Os filisteus chamaram os sacerdotes e os adivinhos e perguntaram: “O que faremos com a arca do SENHOR? Digam-nos com que devemos enviá-la de volta a seu lugar.”
6:3 Eles responderam: “Se vocês enviarem a arca do Deus de Israel, não a enviem vazia. Sem falta, devolvam-lhe uma oferta pela culpa. Então serão curados e saberão por que a mão dele não se afasta de vocês.”
6:4 Perguntaram: “Que oferta pela culpa devemos devolver a ele?” Responderam: “Cinco tumores de ouro e cinco ratos de ouro, conforme o número dos governantes dos filisteus, pois a mesma praga atingiu todos vocês e seus governantes.
6:5 Façam figuras de seus tumores e dos ratos que devastam a terra. Deem glória ao Deus de Israel. Talvez ele alivie sua mão de sobre vocês, de sobre seus deuses e de sobre sua terra.
6:6 Por que endurecer o coração como os egípcios e o faraó endureceram o deles? Depois de ele os tratar com dureza, não deixaram os israelitas partir, e eles foram embora?
6:7 Agora preparem uma carroça nova e peguem duas vacas que estejam amamentando, sobre as quais nunca tenha sido posto jugo. Prendam as vacas à carroça e levem seus bezerros de volta para casa, para longe delas.
6:8 Peguem a arca do SENHOR e a ponham sobre a carroça. Coloquem num cofre, ao lado dela, os objetos de ouro que devolverão a ele como oferta pela culpa. Depois enviem a arca e deixem-na ir.
6:9 Observem: se ela subir pelo caminho de seu território, para Bete-Semes, foi ele quem nos fez este grande mal. Caso contrário, saberemos que não foi sua mão que nos atingiu; foi por acaso que isso nos aconteceu.”
6:10 Os homens fizeram assim. Pegaram duas vacas que estavam amamentando, prenderam-nas à carroça e encerraram seus bezerros em casa.
6:11 Puseram a arca do SENHOR sobre a carroça, junto com o cofre, os ratos de ouro e as figuras de seus tumores.
6:12 As vacas seguiram direto pelo caminho de Bete-Semes. Iam por uma só estrada, andando e mugindo, sem se desviar para a direita nem para a esquerda. Os governantes dos filisteus as seguiram até os limites de Bete-Semes.
6:13 Os moradores de Bete-Semes estavam colhendo trigo no vale. Ergueram os olhos, viram a arca e se alegraram ao vê-la.
6:14 A carroça chegou ao campo de Josué, de Bete-Semes, e parou ali, onde havia uma pedra grande. Partiram a madeira da carroça e ofereceram as vacas em holocausto ao SENHOR.
6:15 Os levitas desceram a arca do SENHOR e o cofre que estava com ela, contendo os objetos de ouro, e os puseram sobre a pedra grande. Naquele dia, os homens de Bete-Semes ofereceram holocaustos e sacrifícios ao SENHOR.
6:16 Os cinco governantes dos filisteus viram isso e voltaram a Ecrom naquele mesmo dia.
6:17 Estes foram os tumores de ouro que os filisteus devolveram ao SENHOR como oferta pela culpa: um por Asdode, um por Gaza, um por Asquelom, um por Gate e um por Ecrom.
6:18 Os ratos de ouro correspondiam ao número de todas as cidades filisteias dos cinco governantes, desde as cidades fortificadas até as aldeias sem muralhas, e até Abel-Hagedolá, sobre a qual puseram a arca do SENHOR e que permanece até hoje no campo de Josué, de Bete-Semes.
6:19 O SENHOR feriu os homens de Bete-Semes porque olharam dentro da arca do SENHOR. Feriu cinquenta mil e setenta homens do povo. O povo ficou de luto, pois o SENHOR o havia atingido com uma grande matança.
6:20 Os homens de Bete-Semes disseram: “Quem poderá permanecer diante do SENHOR, este Deus santo? Para quem ele subirá, afastando-se de nós?”
6:21 Enviaram mensageiros aos habitantes de Quiriate-Jearim, dizendo: “Os filisteus devolveram a arca do SENHOR. Desçam e façam-na subir até vocês.”

Capítulo 7
7:1 Os homens de Quiriate-Jearim vieram e fizeram subir a arca do SENHOR. Levaram-na à casa de Abinadabe, na colina, e consagraram Eleazar, seu filho, para guardar a arca do SENHOR.
7:2 Passou muito tempo desde que a arca ficou em Quiriate-Jearim: vinte anos. Toda a casa de Israel se lamentava, anelando pelo SENHOR.
7:3 Samuel disse a toda a casa de Israel: “Se vocês estão voltando ao SENHOR de todo o coração, tirem de seu meio os deuses estrangeiros e as astarotes. Dediquem seu coração ao SENHOR e sirvam somente a ele. Então ele os livrará das mãos dos filisteus.”
7:4 Os israelitas tiraram de seu meio os baalins e as astarotes e serviram somente ao SENHOR.
7:5 Samuel disse: “Reúnam todo Israel em Mispa, e eu orarei por vocês ao SENHOR.”
7:6 Eles se reuniram em Mispa, tiraram água e a derramaram diante do SENHOR. Jejuaram naquele dia e disseram ali: “Pecamos contra o SENHOR.” Samuel julgou os israelitas em Mispa.
7:7 Os filisteus souberam que os israelitas estavam reunidos em Mispa, e os governantes dos filisteus subiram contra Israel. Quando os israelitas souberam disso, tiveram medo dos filisteus.
7:8 Os israelitas disseram a Samuel: “Não deixe de clamar por nós ao SENHOR, nosso Deus, para que nos salve das mãos dos filisteus.”
7:9 Samuel pegou um cordeiro que ainda mamava e o ofereceu inteiro em holocausto ao SENHOR. Samuel clamou ao SENHOR por Israel, e o SENHOR lhe respondeu.
7:10 Enquanto Samuel oferecia o holocausto, os filisteus se aproximaram para lutar contra Israel. Naquele dia, o SENHOR trovejou com grande estrondo contra os filisteus e os lançou em confusão, e eles foram derrotados diante de Israel.
7:11 Os homens de Israel saíram de Mispa, perseguiram os filisteus e os atacaram até abaixo de Bete-Car.
7:12 Samuel pegou uma pedra e a colocou entre Mispa e Sem. Deu-lhe o nome de Ebenézer, dizendo: “Até aqui o SENHOR nos ajudou.”
7:13 Assim os filisteus foram subjugados e não tornaram a entrar no território de Israel. A mão do SENHOR esteve contra os filisteus durante todos os dias de Samuel.
7:14 As cidades que os filisteus haviam tomado de Israel, desde Ecrom até Gate, foram devolvidas a Israel. Israel também livrou seus territórios das mãos dos filisteus. E houve paz entre Israel e os amorreus.
7:15 Samuel foi juiz de Israel durante todos os dias de sua vida.
7:16 Todos os anos, percorria Betel, Gilgal e Mispa e julgava Israel em todos esses lugares.
7:17 Depois voltava para Ramá, pois ali ficava sua casa. Ali também julgava Israel e construiu um altar ao SENHOR.

Capítulo 8
8:1 Quando Samuel envelheceu, pôs seus filhos como juízes de Israel.
8:2 Seu filho primogênito se chamava Joel, e o segundo, Abias. Eles eram juízes em Berseba.
8:3 Mas seus filhos não seguiram seu caminho. Inclinaram-se para o lucro desonesto, aceitaram subornos e perverteram a justiça.
8:4 Todos os anciãos de Israel se reuniram e foram até Samuel, em Ramá.
8:5 Disseram-lhe: “Você já está velho, e seus filhos não seguem seus caminhos. Agora estabeleça sobre nós um rei para nos julgar, como têm todas as nações.”
8:6 Samuel ficou descontente quando disseram: “Dê-nos um rei para nos julgar.” E Samuel orou ao SENHOR.
8:7 O SENHOR disse a Samuel: “Ouça a voz do povo em tudo o que disserem a você. Pois não foi você que rejeitaram, mas a mim, para que eu não reine sobre eles.
8:8 Desde o dia em que os fiz subir do Egito até hoje, eles me abandonaram e serviram a outros deuses. Assim como fizeram comigo, estão fazendo também com você.
8:9 Agora ouça a voz deles, mas advirta-os solenemente e explique-lhes como agirá o rei que reinará sobre eles.”
8:10 Samuel transmitiu todas as palavras do SENHOR ao povo que lhe pedia um rei.
8:11 Ele disse: “Assim agirá o rei que reinará sobre vocês: tomará seus filhos e os destinará a seu carro e a sua cavalaria, e eles correrão à frente de seu carro.
8:12 Nomeará para si comandantes de mil e comandantes de cinquenta. Também os porá para arar suas terras, fazer suas colheitas e fabricar suas armas de guerra e o equipamento de seus carros.
8:13 Tomará suas filhas para preparar perfumes, cozinhar e fazer pão.
8:14 Tomará o melhor de seus campos, de suas vinhas e de seus olivais e o dará a seus servos.
8:15 Tomará a décima parte de seu grão e de suas vinhas e a dará a seus oficiais e servos.
8:16 Tomará seus servos e suas servas, seus melhores jovens e seus jumentos e os empregará em seu trabalho.
8:17 Tomará a décima parte de seus rebanhos, e vocês se tornarão seus servos.
8:18 Naquele dia, vocês clamarão por causa do rei que escolheram, mas o SENHOR não responderá a vocês naquele dia.”
8:19 Mas o povo se recusou a ouvir a voz de Samuel e disse: “Não! Teremos um rei sobre nós.
8:20 Também nós seremos como todas as nações. Nosso rei nos julgará, sairá à nossa frente e lutará nossas batalhas.”
8:21 Samuel ouviu todas as palavras do povo e as repetiu aos ouvidos do SENHOR.
8:22 O SENHOR disse a Samuel: “Ouça a voz deles e estabeleça um rei sobre eles.” Então Samuel disse aos homens de Israel: “Voltem, cada um para sua cidade.”

Capítulo 9
9:1 Havia um homem dos filhos de Benjamim chamado Quis, filho de Abiel, filho de Zeror, filho de Becorate, filho de Afias, filho de um benjamita. Era um homem de grande posição.
9:2 Ele tinha um filho chamado Saul, jovem e belo. Não havia entre os israelitas homem mais belo que ele. Dos ombros para cima, era mais alto que todo o povo.
9:3 As jumentas de Quis, pai de Saul, se perderam. Quis disse a seu filho Saul: “Leve um dos servos com você, levante-se e vá procurar as jumentas.”
9:4 Saul atravessou a região montanhosa de Efraim e a terra de Salisa, mas não as encontraram. Passaram pela terra de Saalim, e elas não estavam ali. Atravessou a terra de Benjamim, mas não as encontraram.
9:5 Quando chegaram à terra de Zufe, Saul disse ao servo que estava com ele: “Venha, vamos voltar, para que meu pai não deixe de se preocupar com as jumentas e comece a se afligir por nós.”
9:6 O servo lhe respondeu: “Nesta cidade há um homem de Deus, um homem respeitado. Tudo o que ele diz se cumpre. Vamos até lá; talvez ele nos indique o caminho que devemos seguir.”
9:7 Saul disse a seu servo: “Se formos, o que levaremos ao homem? O pão de nossos alforjes acabou, e não temos presente para levar ao homem de Deus. O que temos conosco?”
9:8 O servo tornou a responder a Saul: “Tenho comigo cerca de três gramas de prata. Vou dá-los ao homem de Deus, para que nos indique o caminho.”
9:9 Antigamente, em Israel, quando alguém ia consultar a Deus, dizia: “Venham, vamos ao vidente.” Pois aquele que hoje se chama profeta era chamado vidente.
9:10 Saul disse a seu servo: “Você tem razão. Venha, vamos.” E foram à cidade onde estava o homem de Deus.
9:11 Enquanto subiam pela ladeira da cidade, encontraram algumas moças que saíam para tirar água. Perguntaram a elas: “O vidente está aqui?”
9:12 Elas responderam: “Sim, ele está à sua frente. Apresse-se, pois hoje ele veio à cidade, porque hoje o povo oferece um sacrifício no lugar alto.
9:13 Assim que entrarem na cidade, vocês o encontrarão, antes que ele suba ao lugar alto para comer. O povo não comerá até que ele chegue, pois é ele quem abençoa o sacrifício; só depois os convidados comem. Subam agora, pois neste momento vocês o encontrarão.”
9:14 Eles subiram à cidade. Quando entravam nela, Samuel vinha ao encontro deles para subir ao lugar alto.
9:15 Um dia antes da chegada de Saul, o SENHOR havia revelado aos ouvidos de Samuel:
9:16 “Amanhã, a esta hora, enviarei a você um homem da terra de Benjamim. Você o ungirá como governante sobre meu povo Israel, e ele salvará meu povo das mãos dos filisteus. Pois olhei para meu povo, e seu clamor chegou a mim.”
9:17 Quando Samuel viu Saul, o SENHOR lhe disse: “Este é o homem de quem falei a você. Ele governará meu povo.”
9:18 Saul se aproximou de Samuel no portão e perguntou: “Por favor, diga-me onde fica a casa do vidente.”
9:19 Samuel respondeu a Saul: “Eu sou o vidente. Suba à minha frente ao lugar alto. Hoje vocês comerão comigo. De manhã, deixarei você partir e lhe direi tudo o que está em seu coração.
9:20 Não se preocupe com as jumentas que se perderam há três dias, pois já foram encontradas. Para quem é tudo o que Israel deseja, senão para você e toda a casa de seu pai?”
9:21 Saul respondeu: “Não sou eu benjamita, de uma das menores tribos de Israel? E meu clã não é o menor de todos os clãs da tribo de Benjamim? Por que você me diz algo assim?”
9:22 Samuel pegou Saul e seu servo, levou-os à sala e lhes deu lugar à frente dos convidados, que eram cerca de trinta homens.
9:23 Samuel disse ao cozinheiro: “Traga a porção que dei a você e mandei reservar.”
9:24 O cozinheiro levantou a perna com o que havia sobre ela e a pôs diante de Saul. E disse: “Aqui está o que foi reservado. Ponha diante de você e coma, pois foi guardado para esta ocasião, quando eu disse: Convidei o povo.” Naquele dia, Saul comeu com Samuel.
9:25 Desceram do lugar alto para a cidade, e Samuel conversou com Saul no terraço.
9:26 Levantaram-se de madrugada. Ao despontar da aurora, Samuel chamou Saul no terraço, dizendo: “Levante-se, para que eu deixe você partir.” Saul se levantou, e os dois, ele e Samuel, saíram.
9:27 Enquanto desciam para a extremidade da cidade, Samuel disse a Saul: “Diga ao servo que vá à nossa frente.” E ele se adiantou. “Mas você fique aqui agora, para que eu o faça ouvir a palavra de Deus.”

Capítulo 10
10:1 Samuel pegou o frasco de azeite, derramou-o sobre a cabeça de Saul, beijou-o e disse: “Não foi o SENHOR quem ungiu você como governante sobre sua herança?
10:2 Quando você se afastar de mim hoje, encontrará dois homens junto ao túmulo de Raquel, no território de Benjamim, em Zelza. Eles dirão: ‘Foram encontradas as jumentas que você foi procurar. Seu pai deixou de se preocupar com as jumentas e agora está aflito por vocês, dizendo: O que farei por meu filho?’
10:3 Você seguirá adiante e chegará ao carvalho de Tabor. Ali encontrará três homens que sobem a Deus em Betel: um levando três cabritos, outro levando três pães e o outro levando um odre de vinho.
10:4 Eles perguntarão como você está e lhe darão dois pães, que você aceitará das mãos deles.
10:5 Depois você chegará à colina de Deus, onde há guarnições dos filisteus. Ao entrar na cidade, encontrará um grupo de profetas descendo do lugar alto. À frente deles haverá uma harpa, um tamborim, uma flauta e uma lira, e eles estarão profetizando.
10:6 O Espírito do SENHOR virá com poder sobre você. Você profetizará com eles e será transformado em outro homem.
10:7 Quando esses sinais acontecerem a você, faça o que estiver ao seu alcance, pois Deus está com você.
10:8 Desça à minha frente para Gilgal. Eu descerei até você para oferecer holocaustos e sacrifícios de paz. Espere sete dias, até que eu chegue e diga o que você deve fazer.”
10:9 Quando Saul se virou para se afastar de Samuel, Deus lhe deu outro coração. Todos aqueles sinais aconteceram naquele mesmo dia.
10:10 Quando chegaram a Gibeá, um grupo de profetas veio ao encontro dele. O Espírito de Deus veio com poder sobre ele, e Saul profetizou no meio deles.
10:11 Todos os que o conheciam de antes o viram profetizando com os profetas e disseram uns aos outros: “O que aconteceu com o filho de Quis? Saul também está entre os profetas?”
10:12 Um homem dali respondeu: “E quem é o pai deles?” Por isso se tornou um provérbio: “Saul também está entre os profetas?”
10:13 Quando terminou de profetizar, ele foi ao lugar alto.
10:14 O tio de Saul perguntou a ele e a seu servo: “Aonde vocês foram?” Ele respondeu: “Procurar as jumentas. Como vimos que não estavam lá, fomos até Samuel.”
10:15 O tio de Saul disse: “Conte-me, por favor, o que Samuel disse a vocês.”
10:16 Saul respondeu a seu tio: “Ele nos disse claramente que as jumentas haviam sido encontradas.” Mas não lhe contou o que Samuel havia dito sobre o reino.
10:17 Samuel convocou o povo diante do SENHOR, em Mispa.
10:18 Disse aos israelitas: “Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: ‘Eu fiz Israel subir do Egito e livrei vocês das mãos dos egípcios e das mãos de todos os reinos que os oprimiam.’
10:19 Mas hoje vocês rejeitaram seu Deus, que os salva de todas as suas desgraças e aflições, e lhe disseram: ‘Estabeleça um rei sobre nós.’ Agora se apresentem diante do SENHOR por suas tribos e clãs.”
10:20 Samuel fez todas as tribos de Israel se aproximarem, e a tribo de Benjamim foi escolhida.
10:21 Fez a tribo de Benjamim se aproximar por clã, e o clã de Matri foi escolhido. Saul, filho de Quis, foi escolhido. Procuraram-no, mas não foi encontrado.
10:22 Tornaram a consultar o SENHOR: “O homem já veio para cá?” O SENHOR respondeu: “Ele está escondido entre a bagagem.”
10:23 Correram e o trouxeram de lá. Ele se pôs no meio do povo e, dos ombros para cima, era mais alto que todo o povo.
10:24 Samuel disse a todo o povo: “Vocês estão vendo quem o SENHOR escolheu? Não há ninguém como ele em todo o povo.” Todo o povo gritou: “Viva o rei!”
10:25 Samuel explicou ao povo as normas da realeza, escreveu-as num livro e o colocou diante do SENHOR. Depois Samuel despediu todo o povo, cada um para sua casa.
10:26 Saul também foi para sua casa em Gibeá. Foram com ele os guerreiros cujo coração Deus havia tocado.
10:27 Mas alguns homens perversos disseram: “Como este homem vai nos salvar?” Desprezaram-no e não lhe trouxeram presente algum. Mas ele ficou em silêncio.

Capítulo 11
11:1 Naás, o amonita, subiu e acampou contra Jabes-Gileade. Todos os homens de Jabes disseram a Naás: “Faça uma aliança conosco, e serviremos a você.”
11:2 Naás, o amonita, lhes respondeu: “Com esta condição farei aliança com vocês: arrancarei o olho direito de cada um, para pôr essa afronta sobre todo Israel.”
11:3 Os anciãos de Jabes lhe disseram: “Dê-nos sete dias para enviarmos mensageiros por todo o território de Israel. Se não houver quem nos salve, sairemos para nos entregar a você.”
11:4 Os mensageiros chegaram a Gibeá de Saul e transmitiram essas palavras ao povo. Todo o povo levantou a voz e chorou.
11:5 Saul vinha do campo, atrás dos bois, e perguntou: “O que aconteceu com o povo, para estar chorando?” Contaram-lhe as palavras dos homens de Jabes.
11:6 Quando Saul ouviu essas palavras, o Espírito de Deus veio com poder sobre ele, e sua ira se acendeu intensamente.
11:7 Pegou uma junta de bois, cortou-os em pedaços e os enviou por todo o território de Israel por meio dos mensageiros, dizendo: “Assim se fará com os bois de quem não sair para seguir Saul e Samuel.” O temor do SENHOR caiu sobre o povo, e eles saíram como um só homem.
11:8 Ele os contou em Bezeque. Os israelitas eram trezentos mil, e os homens de Judá, trinta mil.
11:9 Disseram aos mensageiros que haviam vindo: “Digam aos homens de Jabes-Gileade: ‘Amanhã, quando o sol esquentar, vocês serão salvos.’” Os mensageiros foram e anunciaram isso aos homens de Jabes, que se alegraram.
11:10 Os homens de Jabes disseram: “Amanhã sairemos para nos entregar a vocês. Então façam conosco tudo o que parecer bem aos seus olhos.”
11:11 No dia seguinte, Saul dividiu o povo em três grupos. Entraram no meio do acampamento na vigília da manhã e atacaram os amonitas até o calor do dia. Os sobreviventes se espalharam tanto que não ficaram dois deles juntos.
11:12 O povo disse a Samuel: “Quem dizia: ‘Saul vai reinar sobre nós?’ Entreguem esses homens, e nós os mataremos!”
11:13 Mas Saul disse: “Hoje ninguém será morto, pois hoje o SENHOR realizou salvação em Israel.”
11:14 Samuel disse ao povo: “Venham, vamos a Gilgal e renovemos ali o reino.”
11:15 Todo o povo foi a Gilgal e ali fizeram Saul rei diante do SENHOR, em Gilgal. Ofereceram ali sacrifícios de paz diante do SENHOR, e Saul e todos os homens de Israel se alegraram muito.

Capítulo 12
12:1 Samuel disse a todo Israel: “Ouvi a voz de vocês em tudo o que me disseram e estabeleci um rei sobre vocês.
12:2 Agora o rei anda à frente de vocês. Eu já estou velho e grisalho, e meus filhos estão entre vocês. Andei à frente de vocês desde minha juventude até hoje.
12:3 Aqui estou. Testemunhem contra mim diante do SENHOR e de seu ungido. De quem tomei um boi? De quem tomei um jumento? A quem defraudei? A quem oprimi? Das mãos de quem aceitei suborno para fechar os olhos? Eu o devolverei a vocês.”
12:4 Eles responderam: “Você não nos defraudou nem oprimiu, nem tomou coisa alguma das mãos de ninguém.”
12:5 Ele lhes disse: “O SENHOR é testemunha contra vocês, e seu ungido é testemunha hoje de que vocês não encontraram nada em minhas mãos.” E o povo disse: “Ele é testemunha.”
12:6 Samuel disse ao povo: “O SENHOR é quem levantou Moisés e Arão e fez seus antepassados subirem da terra do Egito.
12:7 Agora se apresentem, e discutirei com vocês diante do SENHOR a respeito de todos os atos justos do SENHOR, que ele fez por vocês e por seus antepassados.
12:8 Quando Jacó entrou no Egito e seus antepassados clamaram ao SENHOR, o SENHOR enviou Moisés e Arão. Eles tiraram seus antepassados do Egito e os fizeram habitar neste lugar.
12:9 Mas eles se esqueceram do SENHOR, seu Deus, e ele os vendeu nas mãos de Sísera, comandante do exército de Hazor, nas mãos dos filisteus e nas mãos do rei de Moabe, que lutaram contra eles.
12:10 Clamaram ao SENHOR, e o povo disse: ‘Pecamos, pois abandonamos o SENHOR e servimos aos baalins e às astarotes. Agora livra-nos das mãos de nossos inimigos, e serviremos a ti.’
12:11 O SENHOR enviou Jerubaal, Bedã, Jefté e Samuel e livrou vocês das mãos de seus inimigos ao redor, e vocês habitaram em segurança.
12:12 Quando vocês viram que Naás, rei dos amonitas, vinha contra vocês, me disseram: ‘Não! Um rei deve reinar sobre nós!’ Mas o SENHOR, seu Deus, era seu rei.
12:13 Agora aqui está o rei que vocês escolheram e pediram. O SENHOR estabeleceu um rei sobre vocês.
12:14 Se vocês temerem o SENHOR, o servirem, ouvirem sua voz e não se rebelarem contra a ordem do SENHOR, tanto vocês como o rei que reina sobre vocês seguirão o SENHOR, seu Deus.
12:15 Mas, se não ouvirem a voz do SENHOR e se rebelarem contra sua ordem, a mão do SENHOR estará contra vocês, como esteve contra seus antepassados.
12:16 Agora fiquem aqui e vejam esta grande coisa que o SENHOR fará diante dos seus olhos.
12:17 Não é agora a colheita do trigo? Clamarei ao SENHOR, e ele enviará trovões e chuva. Assim vocês saberão e verão como é grande a maldade que cometeram aos olhos do SENHOR ao pedirem um rei para vocês.”
12:18 Samuel clamou ao SENHOR, e o SENHOR enviou trovões e chuva naquele dia. Todo o povo teve grande temor do SENHOR e de Samuel.
12:19 Todo o povo disse a Samuel: “Ore por seus servos ao SENHOR, seu Deus, para que não morramos. Pois acrescentamos a todos os nossos pecados o mal de pedir um rei para nós.”
12:20 Samuel respondeu ao povo: “Não tenham medo. Vocês cometeram todo esse mal, mas não deixem de seguir o SENHOR. Sirvam ao SENHOR de todo o coração.
12:21 Não se desviem para seguir coisas inúteis, que não ajudam nem salvam, pois são vazias.
12:22 O SENHOR não abandonará seu povo por causa de seu grande nome, pois foi do agrado do SENHOR fazer de vocês seu povo.
12:23 Quanto a mim, longe de mim pecar contra o SENHOR, deixando de orar por vocês. Eu lhes ensinarei o caminho bom e reto.
12:24 Apenas temam o SENHOR e o sirvam com fidelidade, de todo o coração. Considerem as grandes coisas que ele fez por vocês.
12:25 Mas, se continuarem a fazer o mal, tanto vocês como seu rei perecerão.”

Capítulo 13
13:1 Saul tinha um ano quando começou a reinar e reinou dois anos sobre Israel.
13:2 Saul escolheu para si três mil homens de Israel. Dois mil ficaram com Saul em Micmás e na região montanhosa de Betel, e mil ficaram com Jônatas em Gibeá de Benjamim. O restante do povo ele mandou de volta, cada um para sua tenda.
13:3 Jônatas atacou a guarnição filisteia que estava em Geba, e os filisteus souberam disso. Saul tocou a trombeta por toda a terra, dizendo: “Que os hebreus ouçam!”
13:4 Todo Israel ouviu dizer: “Saul atacou a guarnição filisteia, e Israel se tornou odioso aos filisteus.” O povo foi convocado para seguir Saul a Gilgal.
13:5 Os filisteus se reuniram para lutar contra Israel, com trinta mil carros, seis mil cavaleiros e gente tão numerosa como a areia à beira-mar. Subiram e acamparam em Micmás, a leste de Bete-Áven.
13:6 Quando os homens de Israel viram que estavam em perigo, pois o povo estava acuado, esconderam-se nas cavernas, nos matagais, nos rochedos, nas fortificações e nas cisternas.
13:7 Alguns hebreus atravessaram o Jordão para a terra de Gade e Gileade. Saul ainda estava em Gilgal, e todo o povo o seguia tremendo.
13:8 Ele esperou sete dias, até o prazo que Samuel havia marcado. Mas Samuel não chegava a Gilgal, e o povo se dispersava, afastando-se dele.
13:9 Então Saul disse: “Tragam-me o holocausto e os sacrifícios de paz.” E ofereceu o holocausto.
13:10 Assim que acabou de oferecer o holocausto, Samuel chegou. Saul saiu ao encontro dele para saudá-lo.
13:11 Samuel perguntou: “O que você fez?” Saul respondeu: “Vi que o povo se dispersava, afastando-se de mim, que você não chegava no prazo marcado e que os filisteus estavam reunidos em Micmás.
13:12 Então pensei: ‘Agora os filisteus descerão contra mim a Gilgal, e eu não busquei o favor do SENHOR.’ Por isso me forcei a oferecer o holocausto.”
13:13 Samuel disse a Saul: “Você agiu como um tolo. Não obedeceu à ordem que o SENHOR, seu Deus, lhe deu. Se tivesse obedecido, o SENHOR teria estabelecido seu reino sobre Israel para sempre.
13:14 Mas agora seu reino não permanecerá. O SENHOR buscou para si um homem segundo seu coração e o designou governante sobre seu povo, pois você não obedeceu ao que o SENHOR lhe ordenou.”
13:15 Samuel se levantou e subiu de Gilgal para Gibeá de Benjamim. Saul contou os homens que estavam com ele: cerca de seiscentos.
13:16 Saul, seu filho Jônatas e os homens que estavam com eles permaneceram em Geba de Benjamim, enquanto os filisteus acamparam em Micmás.
13:17 Do acampamento filisteu saíram três grupos de saqueadores. Um grupo tomou o caminho de Ofra, para a terra de Sual.
13:18 Outro grupo tomou o caminho de Bete-Horom, e o outro tomou o caminho da fronteira que domina o vale de Zeboim, na direção do deserto.
13:19 Não se encontrava ferreiro algum em toda a terra de Israel, pois o povo filisteu havia dito: “Que os hebreus não fabriquem espada nem lança.”
13:20 Por isso, todos os israelitas tinham de descer aos filisteus para afiar, cada um, seu arado, sua enxada, seu machado e sua relha.
13:21 O preço era de cerca de oito gramas de prata para afiar as relhas de arado, as enxadas, as forquilhas de três dentes e os machados, e para consertar as pontas das aguilhadas.
13:22 Assim, no dia da batalha, nenhum dos homens que estavam com Saul e Jônatas tinha espada nem lança nas mãos. Só Saul e Jônatas, seu filho, as tinham.
13:23 Uma guarnição filisteia avançou até a passagem de Micmás.

Capítulo 14
14:1 Certo dia, Jônatas, filho de Saul, disse ao jovem que carregava suas armas: “Venha, vamos atravessar até a guarnição filisteia que está do outro lado.” Mas não contou isso a seu pai.
14:2 Saul estava nas extremidades de Gibeá, debaixo da romãzeira em Migrom. Com ele estavam cerca de seiscentos homens.
14:3 Aías levava o éfode. Ele era filho de Aitube, irmão de Icabode, filho de Fineias, filho de Eli, sacerdote do SENHOR em Siló. O povo não sabia que Jônatas havia partido.
14:4 Entre as passagens por onde Jônatas procurava atravessar até a guarnição filisteia, havia um penhasco de um lado e outro penhasco do outro. Um se chamava Bozez, e o outro, Sené.
14:5 Um penhasco se erguia ao norte, diante de Micmás, e o outro ao sul, diante de Geba.
14:6 Jônatas disse ao jovem que carregava suas armas: “Venha, vamos atravessar até a guarnição destes incircuncisos. Talvez o SENHOR aja a nosso favor, pois nada impede o SENHOR de salvar com muitos ou com poucos.”
14:7 Seu escudeiro lhe respondeu: “Faça tudo o que está em seu coração. Vá em frente! Estou com você para o que decidir.”
14:8 Jônatas disse: “Vamos atravessar até aqueles homens e deixar que eles nos vejam.
14:9 Se nos disserem: ‘Fiquem parados até chegarmos até vocês’, ficaremos onde estamos e não subiremos até eles.
14:10 Mas, se disserem: ‘Subam até nós’, subiremos, pois o SENHOR os entregou em nossas mãos. Esse será o sinal para nós.”
14:11 Os dois se mostraram à guarnição filisteia, e os filisteus disseram: “Vejam! Os hebreus estão saindo dos buracos onde se esconderam!”
14:12 Os homens da guarnição chamaram Jônatas e seu escudeiro, dizendo: “Subam até nós, e ensinaremos uma coisa a vocês!” Jônatas disse a seu escudeiro: “Suba atrás de mim, pois o SENHOR os entregou nas mãos de Israel.”
14:13 Jônatas subiu com as mãos e os pés, e seu escudeiro o seguia. Os filisteus caíam diante de Jônatas, e seu escudeiro os matava atrás dele.
14:14 Nesse primeiro ataque, Jônatas e seu escudeiro mataram cerca de vinte homens numa área de aproximadamente um quarto de hectare.
14:15 O pânico tomou conta do acampamento, do campo e de todo o povo. A guarnição e os saqueadores também tremeram. A terra se abalou, e houve um terror vindo de Deus.
14:16 Os sentinelas de Saul, em Gibeá de Benjamim, viram a multidão se dispersando e correndo de um lado para outro.
14:17 Saul disse ao povo que estava com ele: “Façam a contagem e vejam quem saiu do nosso meio.” Contaram e viram que Jônatas e seu escudeiro não estavam ali.
14:18 Saul disse a Aías: “Traga a arca de Deus.” Pois naquele dia a arca de Deus estava com os israelitas.
14:19 Enquanto Saul falava com o sacerdote, o tumulto no acampamento dos filisteus aumentava cada vez mais. Então Saul disse ao sacerdote: “Retire a mão.”
14:20 Saul e todo o povo que estava com ele se reuniram e foram para a batalha. Ali, a espada de cada um se voltava contra seu companheiro, numa confusão enorme.
14:21 Os hebreus que antes estavam com os filisteus e haviam subido com eles ao acampamento ao redor também se juntaram aos israelitas que estavam com Saul e Jônatas.
14:22 Todos os israelitas que estavam escondidos na região montanhosa de Efraim souberam que os filisteus fugiam e também os perseguiram de perto na batalha.
14:23 Assim o SENHOR salvou Israel naquele dia, e a batalha passou além de Bete-Áven.
14:24 Os homens de Israel estavam exaustos naquele dia, pois Saul havia posto o povo sob juramento, dizendo: “Maldito o homem que comer até a tarde, até que eu me vingue de meus inimigos.” Por isso, ninguém do povo havia provado alimento.
14:25 Todos os da região entraram no bosque, e havia mel sobre o chão.
14:26 Quando o povo entrou no bosque, o mel escorria, mas ninguém levou a mão à boca, pois o povo temia o juramento.
14:27 Jônatas não havia ouvido seu pai pôr o povo sob juramento. Estendeu a ponta da vara que tinha na mão, mergulhou-a num favo de mel e levou a mão à boca. Seus olhos voltaram a ver.
14:28 Um homem do povo lhe disse: “Seu pai pôs o povo sob juramento solene, dizendo: ‘Maldito o homem que comer hoje.’” E o povo estava desfalecendo.
14:29 Jônatas respondeu: “Meu pai trouxe aflição à terra. Vejam como meus olhos se iluminaram porque provei um pouco deste mel.
14:30 Quanto melhor se hoje o povo tivesse comido livremente do despojo que encontrou de seus inimigos! A derrota dos filisteus não teria sido maior?”
14:31 Naquele dia, atacaram os filisteus desde Micmás até Aijalom. Mas o povo estava muito exausto.
14:32 O povo se ocupou do despojo. Pegaram ovelhas, bois e bezerros, degolaram-nos no chão e comeram a carne com o sangue.
14:33 Contaram a Saul: “O povo está pecando contra o SENHOR, comendo carne com o sangue.” Ele disse: “Vocês foram infiéis! Façam rolar até aqui, agora, uma pedra grande.”
14:34 Saul acrescentou: “Espalhem-se entre o povo e digam: ‘Cada um traga seu boi e sua ovelha até mim. Degolem-nos aqui e comam. Não pequem contra o SENHOR comendo carne com o sangue.’” Naquela noite, todo o povo trouxe, cada um, seu boi e os degolaram ali.
14:35 Saul construiu um altar ao SENHOR. Esse foi o primeiro altar que ele construiu ao SENHOR.
14:36 Saul disse: “Vamos descer atrás dos filisteus de noite e saqueá-los até a luz da manhã. Não deixaremos um só homem deles.” Responderam: “Faça tudo o que parecer bem aos seus olhos.” Mas o sacerdote disse: “Vamos nos aproximar aqui de Deus.”
14:37 Saul consultou a Deus: “Devo descer atrás dos filisteus? Tu os entregarás nas mãos de Israel?” Mas naquele dia ele não lhe respondeu.
14:38 Então Saul disse: “Aproximem-se aqui todos os chefes do povo. Procurem saber em que consistiu este pecado de hoje.
14:39 Tão certo como vive o SENHOR, que salva Israel, mesmo que seja meu filho Jônatas, ele certamente morrerá!” Mas ninguém do povo lhe respondeu.
14:40 Ele disse a todo Israel: “Vocês ficarão de um lado, e eu e meu filho Jônatas ficaremos do outro.” O povo respondeu a Saul: “Faça o que parecer bem aos seus olhos.”
14:41 Saul disse ao SENHOR, Deus de Israel: “Dá uma resposta verdadeira.” Jônatas e Saul foram apontados pela sorte, e o povo ficou livre.
14:42 Saul disse: “Lancem sortes entre mim e meu filho Jônatas.” E Jônatas foi apontado pela sorte.
14:43 Saul disse a Jônatas: “Diga-me o que você fez.” Jônatas lhe contou: “Apenas provei um pouco de mel com a ponta da vara que tinha na mão. E agora vou morrer.”
14:44 Saul disse: “Que Deus me faça assim e ainda mais, pois certamente você morrerá, Jônatas!”
14:45 Mas o povo disse a Saul: “Jônatas vai morrer, ele que realizou esta grande salvação em Israel? De modo algum! Tão certo como vive o SENHOR, nem um fio de cabelo de sua cabeça cairá no chão, pois hoje ele agiu com Deus!” Assim o povo resgatou Jônatas, e ele não morreu.
14:46 Saul deixou de perseguir os filisteus, e os filisteus voltaram para seu lugar.
14:47 Saul consolidou seu reino sobre Israel e lutou contra todos os seus inimigos ao redor: Moabe, os amonitas, Edom, os reis de Zobá e os filisteus. Para onde quer que se voltasse, aplicava castigos.
14:48 Agiu com valentia, derrotou Amaleque e livrou Israel das mãos de seus saqueadores.
14:49 Os filhos de Saul eram Jônatas, Isvi e Malquisua. Suas duas filhas se chamavam Merabe, a mais velha, e Mical, a mais nova.
14:50 A mulher de Saul se chamava Ainoã, filha de Aimaás. O comandante de seu exército era Abner, filho de Ner, tio de Saul.
14:51 Quis, pai de Saul, e Ner, pai de Abner, eram filhos de Abiel.
14:52 Houve guerra intensa contra os filisteus durante todos os dias de Saul. Sempre que Saul via um homem forte e valente, ele o incorporava a seu serviço.

Capítulo 15
15:1 Samuel disse a Saul: “O SENHOR me enviou para ungir você rei sobre seu povo, sobre Israel. Agora, escute as palavras do SENHOR.
15:2 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: ‘Decidi castigar o que Amaleque fez a Israel, quando se opôs a ele no caminho, na sua subida do Egito.
15:3 Agora, vá e ataque Amaleque. Consagrem à destruição tudo o que ele tem. Não tenha compaixão dele. Mate homens e mulheres, crianças e bebês de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos.’”
15:4 Saul convocou o povo e lhe passou revista em Telaim: duzentos mil soldados de infantaria e dez mil homens de Judá.
15:5 Saul chegou à cidade de Amaleque e armou uma emboscada no vale.
15:6 Saul disse ao povo queneu: “Vão embora, afastem-se e saiam do meio dos amalequitas, para que eu não destrua você junto com ele. Pois você mostrou bondade a todos os filhos de Israel quando subiam do Egito.” Então o povo queneu se retirou do meio de Amaleque.
15:7 Saul derrotou Amaleque desde Havilá até a entrada de Sur, que fica diante do Egito.
15:8 Capturou vivo Agague, rei de Amaleque, mas consagrou todo o povo à destruição, matando-o ao fio da espada.
15:9 Saul e o povo, porém, pouparam Agague e o melhor das ovelhas e dos bois, os animais engordados, os carneiros e tudo o que era bom. Não quiseram consagrá-los à destruição; mas tudo o que era desprezível e sem valor, isso consagraram à destruição.
15:10 Então a palavra do SENHOR veio a Samuel:
15:11 “Arrependo-me de ter feito Saul rei, pois ele deixou de me seguir e não cumpriu minhas palavras.” Samuel ficou indignado e clamou ao SENHOR a noite inteira.
15:12 Samuel se levantou de madrugada para encontrar Saul. Mas informaram a Samuel: “Saul foi a Carmelo e ali ergueu um monumento para si. Depois deu a volta, seguiu adiante e desceu a Gilgal.”
15:13 Quando Samuel chegou a Saul, este lhe disse: “Bendito seja você pelo SENHOR! Cumpri a palavra do SENHOR.”
15:14 Samuel respondeu: “Então que balido de ovelhas é esse nos meus ouvidos? E esse mugido de bois que estou ouvindo?”
15:15 Saul disse: “Trouxeram esses animais dos amalequitas, pois o povo poupou o melhor das ovelhas e dos bois para sacrificar ao SENHOR, seu Deus. O restante nós consagramos à destruição.”
15:16 Samuel disse a Saul: “Basta! Vou contar a você o que o SENHOR me disse esta noite.” Disseram-lhe: “Fale.”
15:17 Samuel disse: “Embora você se considere pequeno, não é o chefe das tribos de Israel? O SENHOR ungiu você rei sobre Israel.
15:18 O SENHOR enviou você numa missão e disse: ‘Vá e consagre à destruição os pecadores, os amalequitas. Lute contra eles até acabar com eles.’
15:19 Por que você não obedeceu à voz do SENHOR, mas se lançou sobre o despojo e fez o que é mau aos olhos do SENHOR?”
15:20 Saul respondeu a Samuel: “Eu obedeci, sim, à voz do SENHOR! Fui na missão para a qual o SENHOR me enviou, trouxe Agague, rei de Amaleque, e consagrei Amaleque à destruição.
15:21 Mas o povo tomou do despojo ovelhas e bois, o melhor do que estava consagrado à destruição, para sacrificar ao SENHOR, seu Deus, em Gilgal.”
15:22 Samuel disse:
 “Será que o SENHOR tem tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à voz do SENHOR?
   Obedecer é melhor que sacrificar, e escutar é melhor que a gordura de carneiros.
15:23 Pois a rebelião é como o pecado de adivinhação, e a obstinação, como a iniquidade e a idolatria.
   Porque você rejeitou a palavra do SENHOR, ele rejeitou você como rei.”
15:24 Saul disse a Samuel: “Pequei, pois desobedeci ao mandamento do SENHOR e às suas palavras. Tive medo do povo e obedeci à voz deles.
15:25 Agora, por favor, perdoe meu pecado e volte comigo, para que eu adore o SENHOR.”
15:26 Samuel respondeu a Saul: “Não voltarei com você, pois você rejeitou a palavra do SENHOR, e o SENHOR rejeitou você como rei sobre Israel.”
15:27 Quando Samuel se virou para ir embora, Saul agarrou a borda do manto dele, e ela se rasgou.
15:28 Samuel lhe disse: “Hoje o SENHOR arrancou de você o reino de Israel e o deu a outro, melhor que você.
15:29 A Glória de Israel não mentirá nem se arrependerá, pois não é um ser humano para se arrepender.”
15:30 Saul disse: “Pequei. Mas agora, por favor, honre-me diante dos anciãos do meu povo e diante de Israel. Volte comigo, para que eu adore o SENHOR, seu Deus.”
15:31 Samuel voltou, seguindo Saul, e Saul adorou o SENHOR.
15:32 Então Samuel disse: “Tragam até mim Agague, rei de Amaleque.” Agague se aproximou dele confiante e disse: “Certamente já passou a amargura da morte.”
15:33 Mas Samuel disse: “Assim como sua espada deixou mulheres sem filhos, também sua mãe ficará sem filhos entre as mulheres.” E Samuel despedaçou Agague diante do SENHOR, em Gilgal.
15:34 Samuel foi para Ramá, e Saul subiu para sua casa em Gibeá de Saul.
15:35 Samuel não voltou a ver Saul até o dia de sua morte. Samuel, porém, lamentava por Saul, e o SENHOR se arrependeu de ter feito Saul rei sobre Israel.

Capítulo 16
16:1 O SENHOR disse a Samuel: “Até quando você ficará de luto por Saul, se eu o rejeitei como rei sobre Israel? Encha seu chifre de azeite e vá. Vou enviar você a Jessé, de Belém, pois escolhi para mim um rei entre os filhos dele.”
16:2 Samuel respondeu: “Como posso ir? Se Saul souber, vai me matar.” O SENHOR disse: “Leve uma novilha e diga: ‘Vim oferecer um sacrifício ao SENHOR.’
16:3 Convide Jessé para o sacrifício. Eu mostrarei a você o que deve fazer, e você ungirá para mim aquele que eu indicar.”
16:4 Samuel fez o que o SENHOR tinha dito e foi a Belém. Os anciãos da cidade saíram tremendo ao encontro dele, e o grupo perguntou: “Você vem em paz?”
16:5 Ele respondeu: “Sim, em paz. Vim oferecer um sacrifício ao SENHOR. Consagrem-se e venham comigo ao sacrifício.” Então consagrou Jessé e seus filhos e os convidou para o sacrifício.
16:6 Quando eles chegaram, Samuel viu Eliabe e pensou: “Certamente o ungido do SENHOR está diante dele.”
16:7 Mas o SENHOR disse a Samuel: “Não olhe para a aparência dele nem para sua grande estatura, pois eu o rejeitei. Eu não vejo como o ser humano vê. O ser humano vê o que está diante dos olhos, mas o SENHOR vê o coração.”
16:8 Então Jessé chamou Abinadabe e o fez passar diante de Samuel, que disse: “O SENHOR também não escolheu este.”
16:9 Jessé fez Samá passar, mas Samuel disse: “O SENHOR também não escolheu este.”
16:10 Jessé fez sete de seus filhos passarem diante de Samuel, mas Samuel lhe disse: “O SENHOR não escolheu nenhum destes.”
16:11 Samuel perguntou a Jessé: “Estes são todos os seus filhos?” Ele respondeu: “Ainda falta o mais novo, que está cuidando das ovelhas.” Samuel disse a Jessé: “Mande buscá-lo, pois não nos sentaremos à mesa até que ele chegue aqui.”
16:12 Jessé mandou buscá-lo e o trouxe. Ele tinha a pele rosada, belos olhos e boa aparência. O SENHOR disse: “Levante-se e unja-o, pois é ele.”
16:13 Samuel tomou o chifre de azeite e o ungiu no meio de seus irmãos. Daquele dia em diante, o Espírito do SENHOR veio com poder sobre Davi. Depois Samuel se levantou e foi para Ramá.
16:14 O Espírito do SENHOR se afastou de Saul, e um espírito mau da parte do SENHOR o atormentava.
16:15 Os servos de Saul lhe disseram: “Um espírito mau da parte de Deus está atormentando você.
16:16 Que nosso senhor dê uma ordem aos seus servos, que estão diante de você, para procurarem um homem que saiba tocar lira. Quando o espírito mau da parte de Deus vier sobre você, ele tocará com a mão, e você se sentirá melhor.”
16:17 Saul disse a seus servos: “Por favor, procurem para mim um homem que toque bem e o tragam até mim.”
16:18 Um dos jovens respondeu: “Vi um filho de Jessé, de Belém, que sabe tocar. É valente, homem de guerra, prudente no falar e de boa aparência, e o SENHOR está com ele.”
16:19 Saul enviou mensageiros a Jessé, dizendo: “Envie-me seu filho Davi, que está com as ovelhas.”
16:20 Jessé tomou um jumento carregado de pães, um odre de vinho e um cabrito, e os enviou a Saul por meio de seu filho Davi.
16:21 Davi chegou a Saul e se pôs a seu serviço. Saul lhe tomou muito afeto, e Davi se tornou seu escudeiro.
16:22 Saul mandou dizer a Jessé: “Por favor, deixe Davi ficar a meu serviço, pois ele encontrou favor aos meus olhos.”
16:23 Sempre que o espírito da parte de Deus vinha sobre Saul, Davi pegava a lira e a tocava com a mão. Então Saul sentia alívio e ficava melhor, e o espírito mau se afastava dele.

Capítulo 17
17:1 Os filisteus reuniram suas tropas para a guerra e se concentraram em Socó, que pertence a Judá. Acamparam em Efes-Damim, entre Socó e Azeca.
17:2 Saul e os homens de Israel se reuniram e acamparam no vale de Elá. Ali se dispuseram em ordem de batalha para enfrentar os filisteus.
17:3 Os filisteus estavam num monte, e Israel estava no monte do outro lado, com o vale entre eles.
17:4 Então saiu dos acampamentos dos filisteus um campeão chamado Golias, de Gate. Ele tinha quase três metros de altura.
17:5 Usava um capacete de bronze e uma couraça de escamas, que pesava cerca de cinquenta e sete quilos de bronze.
17:6 Tinha protetores de bronze nas pernas e uma javelina de bronze entre os ombros.
17:7 A haste de sua lança era como um rolo de tecelão, e a ponta de ferro pesava quase sete quilos. Um homem que carregava seu escudo ia à sua frente.
17:8 Ele parou e gritou para as fileiras de Israel: “Por que vocês saem para se pôr em ordem de batalha? Não sou eu o filisteu, e vocês, os servos de Saul? Escolham um homem para descer até mim.
17:9 Se ele conseguir lutar comigo e me matar, seremos escravos de vocês. Mas, se eu o vencer e o matar, vocês serão nossos escravos e nos servirão.”
17:10 O filisteu acrescentou: “Hoje eu desafio as fileiras de Israel! Deem-me um homem, para que lutemos um contra o outro!”
17:11 Ao ouvirem essas palavras do filisteu, Saul e todo o Israel ficaram consternados e com muito medo.
17:12 Davi era filho daquele efrateu de Belém de Judá chamado Jessé, que tinha oito filhos. Nos dias de Saul, esse homem já era velho, de idade avançada.
17:13 Os três filhos mais velhos de Jessé tinham seguido Saul para a guerra. Os três que foram à guerra se chamavam Eliabe, o primogênito; Abinadabe, o segundo; e Samá, o terceiro.
17:14 Davi era o mais novo. Os três mais velhos tinham seguido Saul,
17:15 mas Davi ia e voltava de onde Saul estava para cuidar das ovelhas de seu pai em Belém.
17:16 O filisteu se aproximava de manhã e à tarde e se apresentava assim durante quarenta dias.
17:17 Jessé disse a seu filho Davi: “Leve para seus irmãos cerca de vinte e dois litros deste grão tostado e estes dez pães. Corra para levá-los a seus irmãos no acampamento.
17:18 Leve também estes dez queijos ao comandante de mil homens. Veja se seus irmãos estão bem e traga um sinal deles.”
17:19 Saul, os irmãos de Davi e todos os homens de Israel estavam no vale de Elá, lutando contra os filisteus.
17:20 Davi se levantou de madrugada, deixou as ovelhas com um guarda, pegou a carga e partiu, como Jessé lhe tinha ordenado. Chegou ao acampamento quando o exército saía para a linha de batalha, dando o grito de guerra.
17:21 Israel e os filisteus se dispuseram em ordem de batalha, fileiras diante de fileiras.
17:22 Davi deixou sua carga aos cuidados do guarda da bagagem e correu para as fileiras. Ao chegar, perguntou a seus irmãos se estavam bem.
17:23 Enquanto falava com eles, o campeão chamado Golias, o filisteu de Gate, vinha subindo das cavernas dos filisteus. Ele repetiu aquelas mesmas palavras, e Davi as ouviu.
17:24 Ao verem aquele homem, todos os homens de Israel fugiam dele, cheios de medo.
17:25 O povo de Israel dizia: “Vocês viram esse homem que está subindo? Ele sobe para desafiar Israel. Ao homem que o matar, o rei dará grandes riquezas e sua filha em casamento, e deixará livre de encargos a família de seu pai em Israel.”
17:26 Davi perguntou aos homens que estavam com ele: “O que será feito pelo homem que matar esse filisteu e tirar essa desonra de Israel? Pois quem é esse filisteu incircunciso para desafiar as fileiras do Deus vivo?”
17:27 O povo lhe respondeu com as mesmas palavras: “Isso é o que será feito pelo homem que o matar.”
17:28 Eliabe, seu irmão mais velho, o ouviu falar com os homens e ficou furioso com Davi. Disse: “Por que você desceu até aqui? Com quem deixou aquelas poucas ovelhas no deserto? Conheço sua arrogância e a maldade do seu coração. Você desceu para ver a batalha.”
17:29 Davi respondeu: “O que fiz agora? Não foi apenas uma pergunta?”
17:30 Ele se afastou do irmão, voltou-se para outro e fez a mesma pergunta. O povo lhe deu a mesma resposta de antes.
17:31 As palavras de Davi foram ouvidas e contadas a Saul, que mandou buscá-lo.
17:32 Davi disse a Saul: “Que ninguém desanime por causa dele. Seu servo irá lutar contra esse filisteu.”
17:33 Saul respondeu a Davi: “Você não pode ir lutar contra esse filisteu. Você é apenas um jovem, e ele é homem de guerra desde a juventude.”
17:34 Davi disse a Saul: “Seu servo cuidava das ovelhas de seu pai. Quando vinha um leão ou um urso e levava uma ovelha do rebanho,
17:35 eu saía atrás dele, o golpeava e tirava a ovelha da sua boca. Se ele se levantava contra mim, eu o agarrava pela barba, o golpeava e o matava.
17:36 Seu servo matou tanto o leão quanto o urso. Esse filisteu incircunciso será como um deles, pois desafiou as fileiras do Deus vivo.”
17:37 Davi acrescentou: “O SENHOR, que me livrou das garras do leão e das garras do urso, me livrará das mãos desse filisteu.” Saul disse a Davi: “Vá, e que o SENHOR esteja com você.”
17:38 Então Saul vestiu Davi com suas próprias roupas, pôs um capacete de bronze na cabeça dele e o vestiu com uma couraça.
17:39 Davi prendeu a espada sobre as roupas e tentou andar, pois não estava acostumado. Disse a Saul: “Não consigo andar com isto, pois não estou acostumado.” Então Davi tirou aquilo de cima de si.
17:40 Pegou seu cajado na mão, escolheu cinco pedras lisas do ribeiro e as colocou na sua bolsa de pastor, no alforje. Com a funda na mão, aproximou-se do filisteu.
17:41 O filisteu vinha se aproximando de Davi, com o homem que carregava seu escudo à sua frente.
17:42 Quando o filisteu olhou e viu Davi, desprezou-o, pois era apenas um jovem de pele rosada e boa aparência.
17:43 O filisteu disse a Davi: “Sou algum cachorro, para você vir contra mim com paus?” E amaldiçoou Davi pelos seus deuses.
17:44 O filisteu disse a Davi: “Venha até mim, e darei sua carne às aves do céu e aos animais do campo!”
17:45 Davi respondeu ao filisteu: “Você vem contra mim com espada, lança e javelina, mas eu vou contra você em nome do SENHOR dos Exércitos, o Deus das fileiras de Israel, a quem você desafiou.
17:46 Hoje o SENHOR entregará você nas minhas mãos. Eu o matarei e cortarei sua cabeça. Hoje darei os cadáveres do exército filisteu às aves do céu e aos animais da terra, e toda a terra saberá que há Deus em Israel.
17:47 Toda esta assembleia saberá que o SENHOR não salva com espada nem com lança. Pois a batalha pertence ao SENHOR, e ele entregará vocês nas nossas mãos.”
17:48 Quando o filisteu se levantou e avançou para enfrentar Davi, Davi se apressou e correu para a linha de batalha, ao encontro do filisteu.
17:49 Davi meteu a mão na bolsa, tirou uma pedra e a lançou com a funda. Atingiu o filisteu na testa, e a pedra se cravou na testa dele. Ele caiu com o rosto no chão.
17:50 Assim Davi venceu o filisteu com uma funda e uma pedra. Feriu o filisteu e o matou, sem que Davi tivesse uma espada na mão.
17:51 Davi correu, pôs-se junto ao filisteu, pegou a espada dele e a tirou da bainha. Matou-o e cortou sua cabeça com ela. Quando os filisteus viram que seu campeão estava morto, fugiram.
17:52 Os homens de Israel e de Judá se levantaram, deram o grito de guerra e perseguiram os filisteus até a entrada do vale e até as portas de Ecrom. Os filisteus mortos ficaram caídos pelo caminho de Saaraim, até Gate e até Ecrom.
17:53 Os filhos de Israel voltaram da perseguição aos filisteus e saquearam seus acampamentos.
17:54 Davi pegou a cabeça do filisteu e a levou para Jerusalém, mas pôs as armas dele em sua tenda.
17:55 Quando Saul viu Davi sair ao encontro do filisteu, perguntou a Abner, comandante do exército: “Abner, de quem é filho esse jovem?” Abner respondeu: “Pela sua vida, ó rei, eu não sei.”
17:56 O rei disse: “Procure saber de quem é filho esse rapaz.”
17:57 Quando Davi voltou de matar o filisteu, Abner o levou à presença de Saul. Davi trazia na mão a cabeça do filisteu.
17:58 Saul lhe perguntou: “De quem você é filho, jovem?” Davi respondeu: “Sou filho de seu servo Jessé, de Belém.”

Capítulo 18
18:1 Quando Davi terminou de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou à alma de Davi, e Jônatas o amou como a si mesmo.
18:2 Naquele dia Saul o reteve consigo e não o deixou voltar para a casa de seu pai.
18:3 Jônatas fez uma aliança com Davi, pois o amava como a si mesmo.
18:4 Jônatas tirou o manto que vestia e o deu a Davi, junto com suas roupas, sua espada, seu arco e seu cinto.
18:5 Davi ia aonde quer que Saul o enviasse e agia com prudência. Saul o pôs à frente dos homens de guerra, e isso agradou a todo o povo e também aos servos de Saul.
18:6 Quando eles voltavam, depois de Davi ter matado o filisteu, as mulheres de todas as cidades de Israel saíram ao encontro do rei Saul, com cantos e danças, tamborins, alegria e instrumentos musicais.
18:7 As mulheres cantavam umas às outras enquanto festejavam: “Saul matou seu milhar, e Davi, suas dezenas de milhares.”
18:8 Saul ficou muito irritado, e aquelas palavras lhe desagradaram. Disse: “Atribuíram a Davi dezenas de milhares e a mim atribuíram milhares. Só lhe falta o reino!”
18:9 Daquele dia em diante, Saul olhava para Davi com desconfiança.
18:10 No dia seguinte, um espírito mau da parte de Deus veio com força sobre Saul, e ele profetizava dentro de casa. Davi tocava com a mão, como fazia todos os dias, enquanto Saul tinha uma lança na mão.
18:11 Saul atirou a lança, pensando: “Vou cravar Davi na parede.” Mas Davi se desviou dele duas vezes.
18:12 Saul tinha medo de Davi, pois o SENHOR estava com ele e havia se afastado de Saul.
18:13 Por isso Saul o afastou de sua presença e o nomeou comandante de mil homens. Davi saía e entrava à frente do povo.
18:14 Davi agia com prudência em todos os seus caminhos, e o SENHOR estava com ele.
18:15 Quando Saul viu que ele agia com tanta prudência, ficou com medo dele.
18:16 Mas todo o Israel e Judá amavam Davi, pois ele saía e entrava à frente deles.
18:17 Saul disse a Davi: “Aqui está minha filha mais velha, Merabe. Eu a darei a você por esposa. Apenas seja valente a meu serviço e lute as batalhas do SENHOR.” Pois Saul pensava: “Que minha mão não seja contra ele, mas que a mão dos filisteus seja contra ele.”
18:18 Davi respondeu a Saul: “Quem sou eu, e o que são minha vida e a família de meu pai em Israel, para que eu me torne genro do rei?”
18:19 Mas, quando chegou o momento de dar Merabe, filha de Saul, a Davi, ela foi dada como esposa a Adriel, o meolatita.
18:20 Mical, filha de Saul, amava Davi. Contaram isso a Saul, e a notícia lhe agradou.
18:21 Saul pensou: “Eu a darei a ele para que lhe sirva de armadilha, e a mão dos filisteus seja contra ele.” Então Saul disse a Davi pela segunda vez: “Hoje você pode se tornar meu genro.”
18:22 Saul ordenou a seus servos: “Falem em particular com Davi e digam: ‘O rei tem prazer em você, e todos os servos dele o amam. Agora, torne-se genro do rei.’”
18:23 Os servos de Saul disseram essas palavras a Davi. Ele respondeu: “Vocês acham pouca coisa se tornar genro do rei? Eu sou um homem pobre e sem importância.”
18:24 Os servos de Saul lhe contaram: “Estas foram as palavras de Davi.”
18:25 Saul disse: “Digam a Davi: ‘O rei não deseja um dote, mas cem prepúcios de filisteus, para se vingar dos inimigos do rei.’” Saul planejava fazer Davi cair nas mãos dos filisteus.
18:26 Seus servos comunicaram essas palavras a Davi, e lhe agradou a ideia de se tornar genro do rei. Antes de se cumprir o prazo,
18:27 Davi se levantou e saiu com seus homens. Matou duzentos filisteus e trouxe os prepúcios deles. Eles os entregaram completos ao rei, para que Davi se tornasse genro do rei. Então Saul lhe deu sua filha Mical como esposa.
18:28 Saul viu e compreendeu que o SENHOR estava com Davi e que Mical, filha de Saul, o amava.
18:29 Então Saul passou a ter ainda mais medo de Davi e foi seu inimigo por todos os seus dias.
18:30 Os chefes filisteus saíam para combater, e, sempre que saíam, Davi agia com mais prudência que todos os servos de Saul. Por isso seu nome se tornou muito respeitado.

Capítulo 19
19:1 Saul falou a seu filho Jônatas e a todos os seus servos para que matassem Davi. Mas Jônatas, filho de Saul, tinha muito afeto por Davi.
19:2 Jônatas avisou Davi: “Meu pai Saul está procurando matar você. Tenha cuidado amanhã de manhã. Fique num lugar oculto e se esconda.
19:3 Eu sairei e ficarei ao lado de meu pai no campo onde você estiver. Falarei a seu respeito com meu pai e contarei a você o que eu descobrir.”
19:4 Jônatas falou bem de Davi a seu pai Saul e lhe disse: “Que o rei não peque contra seu servo Davi, pois ele não pecou contra você. Pelo contrário, o que ele fez trouxe grande benefício a você.
19:5 Ele arriscou a vida e matou o filisteu, e o SENHOR deu um grande livramento a todo o Israel. Você viu isso e se alegrou. Por que pecar derramando sangue inocente e matar Davi sem motivo?”
19:6 Saul deu ouvidos a Jônatas e jurou: “Tão certo como vive o SENHOR, ele não será morto!”
19:7 Jônatas chamou Davi e lhe contou todas essas palavras. Depois levou Davi a Saul, e ele voltou a ficar a seu serviço, como antes.
19:8 Houve guerra novamente. Davi saiu, lutou contra os filisteus e lhes impôs uma grande derrota, e eles fugiram dele.
19:9 Um espírito mau da parte do SENHOR veio sobre Saul, enquanto ele estava sentado em casa com sua lança na mão. Davi tocava com a mão.
19:10 Saul tentou cravar Davi na parede com a lança, mas ele se desviou de Saul, que cravou a lança na parede. Davi fugiu e escapou naquela noite.
19:11 Saul enviou mensageiros à casa de Davi para vigiá-lo e matá-lo pela manhã. Mas Mical, sua esposa, avisou Davi: “Se você não salvar sua vida esta noite, amanhã será morto.”
19:12 Mical fez Davi descer pela janela. Ele se foi, fugiu e escapou.
19:13 Mical pegou um ídolo doméstico e o pôs na cama. Colocou uma almofada de pelo de cabra à cabeceira dele e o cobriu com uma manta.
19:14 Quando Saul enviou mensageiros para prender Davi, ela disse: “Ele está doente.”
19:15 Saul enviou os mensageiros para ver Davi, ordenando: “Tragam-no aqui para cima, na cama, para que eu o mate!”
19:16 Os mensageiros entraram e encontraram o ídolo doméstico na cama e a almofada de pelo de cabra à cabeceira dele.
19:17 Saul disse a Mical: “Por que você me enganou assim e deixou meu inimigo ir embora e escapar?” Mical respondeu a Saul: “Ele me disse: ‘Deixe-me ir. Por que eu teria de matar você?’”
19:18 Davi fugiu e escapou. Foi até Samuel em Ramá e lhe contou tudo o que Saul lhe tinha feito. Depois ele e Samuel foram e ficaram em Navite.
19:19 Informaram a Saul: “Davi está em Navite, em Ramá.”
19:20 Saul enviou mensageiros para prender Davi. O grupo viu a reunião de profetas profetizando, com Samuel de pé à frente deles. Então o Espírito de Deus veio sobre os mensageiros de Saul, e eles também profetizaram.
19:21 Contaram isso a Saul, e ele enviou outros mensageiros, mas eles também profetizaram. Saul enviou mensageiros pela terceira vez, e eles também profetizaram.
19:22 Então ele mesmo foi a Ramá. Chegou à grande cisterna de Seco e perguntou: “Onde estão Samuel e Davi?” Alguém respondeu: “Estão em Navite, em Ramá.”
19:23 Ele se dirigiu para Navite, em Ramá, e o Espírito de Deus veio também sobre ele. Foi caminhando e profetizando até chegar a Navite, em Ramá.
19:24 Ele também tirou suas roupas e profetizou diante de Samuel. Ficou caído nu durante todo aquele dia e toda a noite. Por isso se diz: “Também Saul está entre os profetas?”

Capítulo 20
20:1 Davi fugiu de Navite, em Ramá, foi até Jônatas e lhe perguntou: “O que fiz? Qual é minha culpa? Que pecado cometi contra seu pai, para que ele procure tirar minha vida?”
20:2 Ele respondeu: “De modo nenhum! Você não morrerá! Veja, meu pai faria alguma coisa, grande ou pequena, sem me contar? Por que meu pai esconderia de mim esse assunto? Isso não é possível!”
20:3 Mas Davi voltou a jurar e disse: “Seu pai sabe muito bem que encontrei favor aos seus olhos e pensa: ‘Jônatas não deve saber disso, para que não fique triste.’ Mas, tão certo como vive o SENHOR e como você vive, há apenas um passo entre mim e a morte!”
20:4 Jônatas disse a Davi: “Farei por você o que desejar.”
20:5 Davi respondeu a Jônatas: “Amanhã é lua nova, e eu devo me sentar à mesa com o rei para comer. Deixe-me ir, e eu me esconderei no campo até a tarde do terceiro dia.
20:6 Se seu pai notar minha ausência, diga: ‘Davi me pediu com insistência que o deixasse correr até Belém, sua cidade, pois toda a família celebra ali o sacrifício anual.’
20:7 Se ele disser: ‘Está bem’, seu servo estará em paz. Mas, se ficar furioso, saiba que ele está decidido a fazer o mal.
20:8 Mostre amor fiel a seu servo, pois você o uniu a si numa aliança diante do SENHOR. Se há culpa em mim, mate-me você mesmo. Por que me levar até seu pai?”
20:9 Jônatas respondeu: “Longe de você tal coisa! Se eu soubesse que meu pai está decidido a fazer mal a você, não lhe contaria?”
20:10 Davi perguntou a Jônatas: “Quem me avisará se seu pai responder a você com dureza?”
20:11 Jônatas disse a Davi: “Venha, vamos sair para o campo.” E os dois saíram para o campo.
20:12 Jônatas disse a Davi: “Pelo SENHOR, Deus de Israel! Amanhã ou depois de amanhã, a esta hora, sondarei meu pai. Se ele estiver bem disposto para com Davi, não mandarei avisar você?
20:13 Que o SENHOR faça isso a Jônatas e ainda mais, se meu pai desejar fazer mal a você e eu não lhe contar nem o deixar partir para que vá em paz. Que o SENHOR esteja com você, como esteve com meu pai.
20:14 Se eu ainda estiver vivo, você não me mostrará o amor fiel do SENHOR, para que eu não morra?
20:15 Nunca retire seu amor fiel de minha família, nem mesmo quando o SENHOR eliminar da face da terra cada um dos inimigos de Davi.”
20:16 Assim Jônatas fez uma aliança com a família de Davi, dizendo: “Que o SENHOR peça contas aos inimigos de Davi.”
20:17 Jônatas fez Davi jurar novamente pelo amor que lhe tinha, pois o amava como a si mesmo.
20:18 Jônatas lhe disse: “Amanhã é lua nova, e notarão sua ausência, pois seu lugar estará vazio.
20:19 No terceiro dia, desça depressa e vá ao lugar onde você se escondeu quando aconteceu aquele caso. Fique junto à pedra de Ezel.
20:20 Eu atirarei três flechas ao lado dela, como se estivesse atirando num alvo.
20:21 Depois enviarei o rapaz, dizendo: ‘Vá buscar as flechas.’ Se eu disser ao rapaz: ‘As flechas estão para cá de você; recolha-as’, venha, pois você estará em paz, e não haverá perigo. Tão certo como vive o SENHOR!
20:22 Mas, se eu disser ao rapaz: ‘As flechas estão para lá de você’, vá embora, pois o SENHOR está mandando você partir.
20:23 Quanto ao que nós dois falamos, o SENHOR está entre mim e você para sempre.”
20:24 Davi se escondeu no campo. Quando chegou a lua nova, o rei se sentou para comer pão.
20:25 O rei ocupou seu lugar de costume, junto à parede. Jônatas se levantou, e Abner se sentou ao lado de Saul, mas o lugar de Davi ficou vazio.
20:26 Saul não disse nada naquele dia, pois pensou: “Deve ter acontecido alguma coisa com ele. Não está puro. Certamente não está puro.”
20:27 No dia seguinte, o segundo dia da lua nova, o lugar de Davi continuava vazio. Saul perguntou a seu filho Jônatas: “Por que o filho de Jessé não veio comer pão nem ontem nem hoje?”
20:28 Jônatas respondeu a Saul: “Davi me pediu com insistência que o deixasse ir a Belém.
20:29 Ele disse: ‘Por favor, deixe-me ir, pois nossa família celebra um sacrifício na cidade, e meu próprio irmão me ordenou que fosse. Agora, se encontrei favor aos seus olhos, deixe-me partir, por favor, para ver meus irmãos.’ Por isso ele não veio à mesa do rei.”
20:30 Saul ficou furioso com Jônatas e lhe disse: “Filho de mulher perversa e rebelde! Não sei eu que você escolheu o filho de Jessé para sua própria vergonha e para vergonha da nudez de sua mãe?
20:31 Enquanto o filho de Jessé viver sobre a terra, nem você nem seu reino estarão seguros. Agora, mande buscá-lo e traga-o até mim, pois ele merece morrer!”
20:32 Jônatas respondeu a seu pai Saul: “Por que ele deve ser morto? O que fez?”
20:33 Saul atirou a lança contra ele para feri-lo. Então Jônatas compreendeu que seu pai estava decidido a matar Davi.
20:34 Jônatas se levantou da mesa furioso e não comeu pão naquele segundo dia da lua nova. Estava aflito por Davi, pois seu pai o havia humilhado.
20:35 Pela manhã, Jônatas saiu para o campo no horário combinado com Davi, acompanhado de um menino.
20:36 Disse ao menino: “Corra e procure as flechas que vou atirar.” O menino correu, e Jônatas atirou a flecha para além dele.
20:37 Quando o menino chegou ao lugar da flecha que Jônatas tinha atirado, Jônatas gritou atrás dele: “A flecha não está mais adiante de você?”
20:38 Jônatas voltou a gritar atrás do menino: “Rápido! Apresse-se! Não pare!” O menino de Jônatas apanhou a flecha e voltou para seu senhor.
20:39 O menino não sabia de nada. Somente Jônatas e Davi sabiam do assunto.
20:40 Jônatas entregou suas armas ao menino que o acompanhava e lhe disse: “Vá e leve-as para a cidade.”
20:41 Quando o menino se foi, Davi se levantou do lado sul, caiu com o rosto em terra e se inclinou três vezes. Eles se beijaram e choraram juntos, mas Davi chorou ainda mais.
20:42 Jônatas disse a Davi: “Vá em paz, pois nós dois juramos em nome do SENHOR, dizendo: ‘O SENHOR estará entre mim e você, e entre minha descendência e a sua, para sempre.’” Então Davi se levantou e partiu, e Jônatas voltou para a cidade.

Capítulo 21
21:1 Davi chegou a Nobe, onde estava o sacerdote Aimeleque. Aimeleque saiu tremendo ao encontro de Davi e lhe perguntou: “Por que você está sozinho, sem ninguém com você?”
21:2 Davi respondeu ao sacerdote Aimeleque: “O rei me encarregou de um assunto e me disse: ‘Ninguém deve saber nada do assunto para o qual estou enviando você, nem do que lhe ordenei.’ Combinei com os rapazes que me encontrariam em certo lugar.
21:3 Agora, o que você tem à mão? Dê-me cinco pães ou o que houver.”
21:4 O sacerdote respondeu a Davi: “Não tenho pão comum à mão. Só há pão sagrado, desde que os rapazes tenham se abstido de relações com mulheres.”
21:5 Davi respondeu ao sacerdote: “Certamente temos nos mantido afastados das mulheres, como nas vezes anteriores em que saí. O equipamento dos rapazes estava consagrado, mesmo numa viagem comum. Quanto mais hoje estará consagrado o equipamento!”
21:6 Então o sacerdote lhe deu o pão sagrado, pois ali não havia outro pão a não ser os pães da Presença, retirados de diante do SENHOR para serem substituídos por pães quentes no mesmo dia em que eram retirados.
21:7 Naquele dia estava ali um dos servos de Saul, retido diante do SENHOR. Seu nome era Doegue, o edomita, chefe dos pastores de Saul.
21:8 Davi perguntou a Aimeleque: “Você não tem aqui à mão uma lança ou uma espada? Não trouxe minha espada nem minhas armas, pois o assunto do rei era urgente.”
21:9 O sacerdote respondeu: “A espada de Golias, o filisteu que você matou no vale de Elá, está aqui, enrolada num pano atrás do éfode. Se quiser levá-la, leve, pois não há outra aqui.” Davi disse: “Não há outra como ela. Dê-me essa espada.”
21:10 Naquele dia Davi se levantou e fugiu de Saul. Foi até Aquis, rei de Gate.
21:11 Os servos de Aquis lhe disseram: “Não é este Davi, o rei da terra? Não é sobre ele que cantam enquanto dançam: ‘Saul matou seu milhar, e Davi, seus dez mil’?”
21:12 Davi levou essas palavras a sério e ficou com muito medo de Aquis, rei de Gate.
21:13 Então mudou seu comportamento diante deles e fingiu estar louco enquanto estava nas mãos deles. Rabiscava nas folhas do portão e deixava a saliva escorrer pela barba.
21:14 Aquis disse a seus servos: “Vocês estão vendo que esse homem está louco. Por que o trouxeram até mim?
21:15 Por acaso me faltam loucos, para vocês trazerem este para fazer loucuras diante de mim? Esse homem vai entrar na minha casa?”

Capítulo 22
22:1 Davi partiu dali e escapou para a caverna de Adulão. Quando seus irmãos e toda a família de seu pai souberam, desceram até ele ali.
22:2 Reuniram-se a ele todos os homens que estavam em dificuldades, todos os endividados e todos os amargurados de alma, e ele se tornou chefe deles. Havia com ele cerca de quatrocentos homens.
22:3 Dali Davi foi a Mispa de Moabe e disse ao rei de Moabe: “Por favor, permita que meu pai e minha mãe fiquem com vocês até que eu saiba o que Deus fará por mim.”
22:4 Ele os deixou com o rei de Moabe, e ficaram com ele durante todo o tempo em que Davi esteve na fortaleza.
22:5 Mas o profeta Gade disse a Davi: “Não fique na fortaleza. Vá para a terra de Judá.” Então Davi partiu e foi para o bosque de Herete.
22:6 Saul soube que Davi e os homens que estavam com ele tinham sido localizados. Saul estava sentado em Gibeá, debaixo do tamarisco numa elevação, com a lança na mão e todos os seus servos de pé ao redor.
22:7 Saul disse aos servos que estavam ao redor dele: “Escutem, filhos de Benjamim! Será que o filho de Jessé também dará campos e vinhas a todos vocês? Fará de todos vocês comandantes de mil e comandantes de cem?
22:8 Foi por isso que todos vocês conspiraram contra mim? Ninguém me avisa quando meu filho faz uma aliança com o filho de Jessé. Nenhum de vocês se compadece de mim nem me conta que meu filho instigou meu servo contra mim para me armar uma emboscada, como acontece hoje.”
22:9 Então Doegue, o edomita, que estava junto dos servos de Saul, respondeu: “Vi o filho de Jessé chegar a Nobe, onde estava Aimeleque, filho de Aitube.
22:10 Ele consultou o SENHOR por Davi, deu-lhe provisões e também lhe deu a espada de Golias, o filisteu.”
22:11 O rei mandou chamar o sacerdote Aimeleque, filho de Aitube, e toda a família de seu pai, os sacerdotes que estavam em Nobe. Todos vieram até o rei.
22:12 Saul disse: “Escute, filho de Aitube!” Ele respondeu: “Aqui estou, meu senhor.”
22:13 Saul lhe perguntou: “Por que você e o filho de Jessé conspiraram contra mim? Você lhe deu pão e uma espada e consultou Deus por ele, para que se levantasse contra mim e me armasse uma emboscada, como acontece hoje!”
22:14 Aimeleque respondeu ao rei: “Quem entre todos os seus servos é tão fiel como Davi, genro do rei, que obedece às suas ordens e é honrado na sua casa?
22:15 Foi hoje que comecei a consultar Deus por ele? De modo nenhum! Que o rei não acuse de nada seu servo nem toda a família de meu pai, pois seu servo nada sabia de tudo isso, nem pouco nem muito.”
22:16 Mas o rei disse: “Você certamente morrerá, Aimeleque, você e toda a família de seu pai!”
22:17 O rei ordenou aos guardas que estavam ao redor dele: “Voltem-se e matem os sacerdotes do SENHOR, pois eles também apoiam Davi! Sabiam que ele estava fugindo e não lhe deram aviso.” Mas os servos do rei não quiseram estender a mão para atacar os sacerdotes do SENHOR.
22:18 Então o rei disse a Doegue: “Volte-se você e ataque os sacerdotes!” Doegue, o edomita, se voltou e atacou os sacerdotes. Naquele dia matou oitenta e cinco homens que usavam éfode de linho.
22:19 Também passou ao fio da espada Nobe, a cidade dos sacerdotes: homens e mulheres, crianças e bebês de peito, bois, jumentos e ovelhas, todos ao fio da espada.
22:20 Mas escapou um dos filhos de Aimeleque, filho de Aitube, chamado Abiatar. Ele fugiu para seguir Davi.
22:21 Abiatar contou a Davi que Saul havia matado os sacerdotes do SENHOR.
22:22 Davi disse a Abiatar: “Naquele dia, ao ver Doegue, o edomita, ali, eu sabia que ele certamente contaria a Saul. Eu causei a morte de todos os da família de seu pai.
22:23 Fique comigo. Não tenha medo, pois quem procura tirar minha vida também procura tirar a sua. Comigo você estará protegido.”

Capítulo 23
23:1 Informaram a Davi: “Os filisteus estão atacando Queila e saqueando as eiras.”
23:2 Davi consultou o SENHOR: “Devo ir atacar esses filisteus?” O SENHOR respondeu a Davi: “Vá, ataque os filisteus e salve Queila.”
23:3 Mas os homens de Davi lhe disseram: “Já estamos com medo aqui em Judá. Quanto mais se formos a Queila enfrentar as fileiras dos filisteus!”
23:4 Davi consultou o SENHOR outra vez, e o SENHOR lhe respondeu: “Levante-se e desça a Queila, pois estou entregando os filisteus nas suas mãos.”
23:5 Davi foi com seus homens a Queila, lutou contra os filisteus, levou o gado deles e lhes impôs uma grande derrota. Assim Davi salvou os habitantes de Queila.
23:6 Quando Abiatar, filho de Aimeleque, fugiu para junto de Davi em Queila, desceu levando consigo o éfode.
23:7 Informaram a Saul que Davi havia entrado em Queila. Saul disse: “Deus o entregou nas minhas mãos, pois ele se trancou ao entrar numa cidade com portas e ferrolhos.”
23:8 Saul convocou todo o povo para a guerra, para descer a Queila e cercar Davi e seus homens.
23:9 Quando Davi soube que Saul tramava o mal contra ele, disse ao sacerdote Abiatar: “Traga o éfode.”
23:10 Davi disse: “SENHOR, Deus de Israel, teu servo ouviu que Saul pretende vir a Queila para destruir a cidade por minha causa.
23:11 Os cidadãos de Queila me entregarão nas mãos dele? Saul descerá, como teu servo ouviu? SENHOR, Deus de Israel, por favor, conta a teu servo.” O SENHOR respondeu: “Ele descerá.”
23:12 Davi perguntou: “Os cidadãos de Queila entregarão a mim e aos meus homens nas mãos de Saul?” O SENHOR respondeu: “Entregarão.”
23:13 Davi e seus homens, cerca de seiscentos, se levantaram, saíram de Queila e foram de um lugar a outro. Quando Saul soube que Davi havia escapado de Queila, desistiu de sair.
23:14 Davi ficou nas fortalezas do deserto e na região montanhosa do deserto de Zife. Saul o procurava todos os dias, mas Deus não o entregou nas suas mãos.
23:15 Davi percebeu que Saul havia saído para tirar sua vida. Davi estava em Hores, no deserto de Zife.
23:16 Jônatas, filho de Saul, se levantou e foi até Davi em Hores, e o fortaleceu em Deus.
23:17 Disse-lhe: “Não tenha medo, pois a mão de meu pai Saul não alcançará você. Você reinará sobre Israel, e eu serei o segundo depois de você. Meu pai Saul também sabe disso.”
23:18 Os dois fizeram uma aliança diante do SENHOR. Davi ficou em Hores, e Jônatas voltou para casa.
23:19 Os zifeus subiram até Saul em Gibeá e disseram: “Davi não está escondido entre nós, nas fortalezas de Hores, na colina de Haquila, ao sul de Jesimom?
23:20 Agora, ó rei, desça quando desejar. Nós nos encarregaremos de entregá-lo nas mãos do rei.”
23:21 Saul respondeu: “Benditos sejam vocês pelo SENHOR, pois tiveram compaixão de mim.
23:22 Vão, por favor, e se certifiquem melhor. Descubram e observem o lugar por onde ele anda e quem o viu ali, pois me foi dito que ele é muito astuto.
23:23 Vejam e descubram todos os esconderijos em que ele se esconde. Depois voltem a mim com informações seguras, e irei com vocês. Se ele estiver na terra, eu o procurarei entre todos os clãs de Judá.”
23:24 Eles se levantaram e foram a Zife antes de Saul. Davi e seus homens estavam no deserto de Maom, no Arabá, ao sul de Jesimom.
23:25 Saul e seus homens foram procurá-lo. Quando avisaram Davi, ele desceu à rocha e ficou no deserto de Maom. Saul soube disso e perseguiu Davi no deserto de Maom.
23:26 Saul ia por um lado do monte, e Davi e seus homens, pelo outro. Davi se apressava para escapar de Saul, enquanto Saul e seus homens cercavam Davi e seus homens para capturá-los.
23:27 Então um mensageiro chegou a Saul e disse: “Venha depressa! Os filisteus invadiram a terra!”
23:28 Saul deixou de perseguir Davi e foi enfrentar os filisteus. Por isso deram àquele lugar o nome de Sela-Hamalecote.
23:29 Davi subiu dali e ficou nas fortalezas de En-Gedi.

Capítulo 24
24:1 Quando Saul voltou de perseguir os filisteus, informaram a ele: “Davi está no deserto de En-Gedi.”
24:2 Saul tomou três mil homens escolhidos de todo o Israel e foi procurar Davi e seus homens pelos rochedos das cabras monteses.
24:3 Chegou a uns currais de ovelhas junto ao caminho, onde havia uma caverna. Saul entrou para fazer suas necessidades. Davi e seus homens estavam no fundo da caverna.
24:4 Os homens de Davi lhe disseram: “Este é o dia do qual o SENHOR falou a você: ‘Estou entregando seus inimigos nas suas mãos; você fará com o adversário o que lhe parecer bem.’” Então Davi se levantou e cortou em segredo a borda do manto de Saul.
24:5 Depois disso, o coração de Davi o acusou por ter cortado a borda do manto de Saul.
24:6 Ele disse a seus homens: “Que o SENHOR me livre de fazer tal coisa a meu senhor, o ungido do SENHOR, estendendo a mão contra ele, pois ele é o ungido do SENHOR.”
24:7 Com essas palavras Davi conteve seus homens e não os deixou se levantar contra Saul. Saul saiu da caverna e seguiu seu caminho.
24:8 Depois Davi se levantou, saiu da caverna e chamou Saul: “Meu senhor, o rei!” Saul olhou para trás, e Davi se curvou com o rosto em terra e se prostrou.
24:9 Davi disse a Saul: “Por que você dá ouvidos às palavras de quem diz: ‘Davi procura fazer mal a você’?
24:10 Hoje seus próprios olhos viram como o SENHOR entregou você nas minhas mãos, na caverna. Alguém disse que eu matasse você, mas você foi poupado. Eu disse: ‘Não estenderei minha mão contra meu senhor, pois ele é o ungido do SENHOR.’
24:11 Meu pai, olhe, veja a borda do seu manto na minha mão! Cortei a borda do seu manto, mas não matei você. Reconheça e veja que não há maldade nem rebeldia na minha mão, e que não pequei contra você. Você, porém, anda à caça de minha vida para tirá-la.
24:12 Que o SENHOR julgue entre mim e você, e que o SENHOR me vingue de você. Mas minha mão não se levantará contra você.
24:13 Como diz o provérbio dos antigos: ‘Dos ímpios procede a impiedade.’ Mas minha mão não se levantará contra você.
24:14 Atrás de quem saiu o rei de Israel? A quem você persegue? Um cachorro morto? Uma única pulga?
24:15 Que o SENHOR seja o juiz e julgue entre mim e você. Que ele veja, defenda minha causa e me faça justiça, livrando-me da sua mão.”
24:16 Quando Davi terminou de dizer essas palavras a Saul, Saul perguntou: “É essa a sua voz, meu filho Davi?” Então Saul ergueu a voz e chorou.
24:17 Disse a Davi: “Você é mais justo que eu, pois me retribuiu com o bem, enquanto eu retribuí a você com o mal.
24:18 Hoje você mostrou o bem que me fez: o SENHOR me entregou nas suas mãos, mas você não me matou.
24:19 Quando alguém encontra seu inimigo, acaso o deixa seguir seu caminho em paz? Que o SENHOR recompense você com o bem pelo que me fez hoje.
24:20 Agora sei que você certamente reinará, e que o reino de Israel ficará firme nas suas mãos.
24:21 Jure-me agora pelo SENHOR que não eliminará minha descendência depois de mim nem apagará meu nome da família de meu pai.”
24:22 Davi jurou isso a Saul. Saul voltou para sua casa, mas Davi e seus homens subiram à fortaleza.

Capítulo 25
25:1 Samuel morreu. Todo o Israel se reuniu, chorou por ele e o sepultou em sua casa, em Ramá. Depois Davi se levantou e desceu ao deserto de Parã.
25:2 Havia em Maom um homem que tinha suas propriedades em Carmelo. Era muito rico: possuía três mil ovelhas e mil cabras. Ele estava tosquiando suas ovelhas em Carmelo.
25:3 O homem se chamava Nabal, e sua esposa, Abigail. Ela era sensata e de bela aparência, mas ele era duro e mau em suas ações. Ele era da família de Calebe.
25:4 Davi soube, no deserto, que Nabal estava tosquiando suas ovelhas.
25:5 Então Davi enviou dez rapazes e lhes disse: “Subam a Carmelo, vão até Nabal e o cumprimentem em meu nome.
25:6 Digam a ele: ‘Longa vida a você! Paz a você, paz à sua família e paz a tudo o que você tem.
25:7 Ouvi que estão tosquiando suas ovelhas. Seus pastores estiveram conosco, e não os maltratamos. Nada lhes faltou durante todo o tempo em que estiveram em Carmelo.
25:8 Pergunte a seus rapazes, e eles contarão a você. Que estes rapazes encontrem favor aos seus olhos, pois viemos num dia de festa. Por favor, dê o que tiver à mão a seus servos e a seu filho Davi.’”
25:9 Os rapazes de Davi chegaram e disseram a Nabal todas essas palavras em nome de Davi. Depois esperaram.
25:10 Nabal respondeu aos servos de Davi: “Quem é Davi? Quem é o filho de Jessé? Hoje são muitos os servos que fogem de seus senhores.
25:11 Vou pegar meu pão, minha água e a carne dos animais que abati para meus tosquiadores e dar a homens que nem sei de onde vêm?”
25:12 Os rapazes de Davi deram meia-volta, voltaram até ele e lhe contaram todas essas palavras.
25:13 Davi disse a seus homens: “Cada um prenda sua espada à cintura!” Cada um prendeu sua espada à cintura, e Davi também prendeu a sua. Cerca de quatrocentos homens subiram atrás de Davi, enquanto duzentos ficaram com a bagagem.
25:14 Um dos rapazes avisou Abigail, esposa de Nabal: “Davi enviou mensageiros do deserto para cumprimentar nosso senhor, mas ele os insultou.
25:15 Esses homens foram muito bons para nós. Não fomos maltratados, e nada nos faltou durante todo o tempo em que andamos com eles, quando estávamos no campo.
25:16 Eles foram um muro ao nosso redor, de noite e de dia, durante todo o tempo em que estivemos com eles cuidando das ovelhas.
25:17 Agora, pense e veja o que vai fazer, pois a desgraça está decidida contra nosso senhor e contra toda a sua família. Ele é um homem tão perverso que ninguém consegue falar com ele.”
25:18 Abigail se apressou e pegou duzentos pães, dois odres de vinho, cinco ovelhas preparadas, cerca de trinta e seis litros de grão tostado, cem cachos de passas e duzentos bolos de figos secos. Carregou tudo em jumentos
25:19 e disse a seus rapazes: “Vão à minha frente. Eu irei atrás de vocês.” Mas não contou nada a seu marido Nabal.
25:20 Ela vinha montada no jumento, descendo por um lugar encoberto do monte, quando Davi e seus homens desciam em sua direção. Assim ela os encontrou.
25:21 Davi tinha dito: “Foi em vão que protegi tudo o que esse homem tem no deserto, sem que lhe faltasse nada do que possui. Ele me retribuiu o bem com o mal.
25:22 Assim faça Deus aos inimigos de Davi e ainda mais, se até de manhã eu deixar vivo, de todos os seus, um só que urine contra a parede!”
25:23 Quando Abigail viu Davi, desceu depressa do jumento, caiu com o rosto diante dele e se prostrou em terra.
25:24 Caindo a seus pés, disse: “Sobre mim, meu senhor, recaia a culpa. Por favor, permita que sua serva fale a seus ouvidos e escute as palavras de sua serva.
25:25 Que meu senhor não dê atenção a esse homem perverso, Nabal. Ele é como seu nome: Nabal é seu nome, e a insensatez o acompanha. Mas eu, sua serva, não vi os rapazes de meu senhor que você enviou.
25:26 Agora, meu senhor, tão certo como vive o SENHOR e como você vive, foi o SENHOR quem impediu você de incorrer em culpa de sangue e de se vingar por sua própria mão. Que seus inimigos e os que procuram fazer mal a meu senhor sejam como Nabal.
25:27 Que este presente que sua serva trouxe a meu senhor seja dado aos rapazes que seguem meu senhor.
25:28 Por favor, perdoe a transgressão de sua serva. Pois o SENHOR certamente estabelecerá uma casa duradoura para meu senhor, porque meu senhor luta as batalhas do SENHOR. Que não se encontre maldade em você durante todos os seus dias.
25:29 Mesmo que alguém se levante para perseguir você e procurar tirar sua vida, a vida de meu senhor estará atada no feixe dos vivos junto ao SENHOR, seu Deus. Mas a vida de seus inimigos ele a lançará como do fundo de uma funda.
25:30 Quando o SENHOR fizer por meu senhor todo o bem que prometeu a seu respeito e o designar governante sobre Israel,
25:31 meu senhor não terá esta causa de angústia e remorso no coração: ter derramado sangue sem motivo e ter se vingado por si mesmo. Quando o SENHOR fizer bem a meu senhor, lembre-se de sua serva.”
25:32 Davi respondeu a Abigail: “Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, que hoje enviou você ao meu encontro!
25:33 Bendito seja seu bom senso, e bendita seja você, que hoje me impediu de incorrer em culpa de sangue e de me vingar por minha própria mão.
25:34 Tão certo como vive o SENHOR, Deus de Israel, que me impediu de fazer mal a você, se você não tivesse se apressado e vindo ao meu encontro, ao amanhecer não restaria a Nabal um só que urinasse contra a parede!”
25:35 Davi recebeu das mãos dela o que havia trazido e lhe disse: “Suba em paz para sua casa. Veja, dei ouvidos à sua voz e acolhi seu pedido.”
25:36 Abigail voltou a Nabal. Ele estava dando em casa um banquete como o de um rei. Seu coração estava alegre, e ele estava muito bêbado. Ela não lhe contou nada, nem pouco nem muito, até o amanhecer.
25:37 Pela manhã, quando os efeitos do vinho tinham passado, sua esposa lhe contou essas coisas. Então seu coração morreu dentro dele, e ele ficou como pedra.
25:38 Cerca de dez dias depois, o SENHOR feriu Nabal, e ele morreu.
25:39 Quando Davi soube que Nabal havia morrido, disse: “Bendito seja o SENHOR, que defendeu minha causa pela afronta de Nabal e impediu seu servo de fazer o mal. O SENHOR fez a maldade de Nabal recair sobre a própria cabeça dele.” Depois Davi enviou mensageiros para falar com Abigail e tomá-la por esposa.
25:40 Os servos de Davi foram a Carmelo, onde estava Abigail, e lhe disseram: “Davi nos enviou a você para levá-la a ele como esposa.”
25:41 Ela se levantou, se inclinou com o rosto em terra e disse: “Aqui está sua serva, pronta para servir e lavar os pés dos servos de meu senhor.”
25:42 Abigail se levantou depressa e montou no jumento, acompanhada de cinco moças que a serviam e iam a pé. Seguiu os mensageiros de Davi e se tornou sua esposa.
25:43 Davi também havia tomado Ainoã, de Jezreel, por esposa. As duas foram suas esposas.
25:44 Saul, porém, tinha dado sua filha Mical, esposa de Davi, a Palti, filho de Laís, que era de Galim.

Capítulo 26
26:1 Os zifeus foram até Saul em Gibeá e disseram: “Davi não está escondido na colina de Haquila, diante de Jesimom?”
26:2 Saul se levantou e desceu ao deserto de Zife com três mil homens escolhidos de Israel, para procurar Davi no deserto de Zife.
26:3 Saul acampou na colina de Haquila, diante de Jesimom, junto ao caminho. Davi estava no deserto e percebeu que Saul havia vindo atrás dele ao deserto.
26:4 Davi enviou exploradores e soube com certeza que Saul tinha chegado.
26:5 Davi se levantou e foi ao lugar onde Saul estava acampado. Viu o lugar onde estavam deitados Saul e Abner, filho de Ner, comandante de seu exército. Saul estava deitado no centro do acampamento, e a tropa acampava ao redor dele.
26:6 Davi perguntou a Aimeleque, o hitita, e a Abisai, filho de Zeruia e irmão de Joabe: “Quem descerá comigo até Saul no acampamento?” Abisai respondeu: “Eu descerei com você.”
26:7 Davi e Abisai chegaram de noite à tropa. Saul estava deitado, dormindo no centro do acampamento, com sua lança cravada no chão junto à cabeceira. Abner e a tropa estavam deitados ao redor dele.
26:8 Abisai disse a Davi: “Hoje Deus entregou seu inimigo nas suas mãos. Agora, deixe-me cravá-lo no chão com a lança, com um único golpe. Não precisarei golpeá-lo outra vez.”
26:9 Davi respondeu a Abisai: “Não o mate! Pois quem pode estender a mão contra o ungido do SENHOR e ficar sem culpa?”
26:10 Davi acrescentou: “Tão certo como vive o SENHOR, o próprio SENHOR o ferirá. Ou chegará seu dia e ele morrerá, ou descerá à batalha e perecerá.
26:11 Que o SENHOR me livre de estender minha mão contra o ungido do SENHOR. Agora, por favor, pegue a lança que está à cabeceira dele e a jarra de água, e vamos embora.”
26:12 Davi pegou a lança e a jarra de água que estavam à cabeceira de Saul, e eles foram embora. Ninguém viu, ninguém percebeu e ninguém acordou. Todos dormiam, pois um sono profundo da parte do SENHOR havia caído sobre eles.
26:13 Davi passou para o outro lado e ficou no alto do monte, longe deles. Havia uma grande distância entre os dois grupos.
26:14 Davi chamou a tropa e Abner, filho de Ner: “Não vai responder, Abner?” Abner respondeu: “Quem é você, que chama o rei?”
26:15 Davi disse a Abner: “Você não é um homem valente? Quem é como você em Israel? Por que não protegeu seu senhor, o rei? Um homem da tropa entrou para matar seu senhor, o rei.
26:16 Não está certo o que você fez. Tão certo como vive o SENHOR, vocês merecem morrer, pois não protegeram seu senhor, o ungido do SENHOR! Veja agora onde estão a lança do rei e a jarra de água que estava à cabeceira dele.”
26:17 Saul reconheceu a voz de Davi e perguntou: “É essa a sua voz, meu filho Davi?” Davi respondeu: “É minha voz, meu senhor, o rei.”
26:18 E acrescentou: “Por que meu senhor persegue seu servo? O que fiz? Que maldade há na minha mão?
26:19 Agora, por favor, que meu senhor, o rei, escute as palavras de seu servo. Se foi o SENHOR quem incitou você contra mim, que ele receba o aroma de uma oferta. Mas, se foram seres humanos, malditos sejam eles diante do SENHOR! Pois hoje me expulsaram, impedindo-me de participar da herança do SENHOR, dizendo: ‘Vá servir outros deuses.’
26:20 Que meu sangue não caia agora em terra longe da presença do SENHOR. Pois o rei de Israel saiu à procura de uma única pulga, como quem persegue uma perdiz nos montes.”
26:21 Saul disse: “Pequei. Volte, meu filho Davi, pois não farei mais mal a você, porque hoje minha vida foi preciosa aos seus olhos. Agi como um insensato e errei muito.”
26:22 Davi respondeu: “Aqui está a lança do rei. Que um dos rapazes atravesse até aqui e venha buscá-la.
26:23 Que o SENHOR recompense cada um por sua justiça e fidelidade. Hoje o SENHOR entregou você nas minhas mãos, mas não quis estender minha mão contra o ungido do SENHOR.
26:24 Assim como hoje sua vida foi preciosa aos meus olhos, que minha vida seja preciosa aos olhos do SENHOR, e que ele me livre de toda aflição.”
26:25 Saul disse a Davi: “Bendito seja você, meu filho Davi! Você certamente fará grandes coisas e vencerá.” Davi seguiu seu caminho, e Saul voltou para seu lugar.

Capítulo 27
27:1 Davi pensou em seu coração: “Um dia acabarei morrendo nas mãos de Saul. O melhor para mim é escapar para a terra dos filisteus. Saul desistirá de me procurar por todo o território de Israel, e escaparei das suas mãos.”
27:2 Davi se levantou e passou com os seiscentos homens que estavam com ele para junto de Aquis, filho de Maoque, rei de Gate.
27:3 Davi ficou com Aquis em Gate, ele e seus homens, cada um com sua família. Davi estava com suas duas esposas: Ainoã, de Jezreel, e Abigail, de Carmelo, que havia sido esposa de Nabal.
27:4 Quando Saul soube que Davi havia fugido para Gate, não voltou a procurá-lo.
27:5 Davi disse a Aquis: “Se encontrei favor aos seus olhos, que me deem um lugar numa das cidades do campo para eu morar ali. Por que seu servo deveria morar com você na cidade real?”
27:6 Naquele dia Aquis lhe deu Ziclague. Por isso Ziclague pertence aos reis de Judá até hoje.
27:7 O tempo que Davi morou no território dos filisteus foi de um ano e quatro meses.
27:8 Davi e seus homens subiam e faziam incursões contra os gesuritas, os gerzitas e os amalequitas. Esses povos habitavam aquela terra desde tempos antigos, em direção a Sur e até a terra do Egito.
27:9 Davi atacava a terra e não deixava vivos nem homens nem mulheres. Levava ovelhas, bois, jumentos, camelos e roupas, e voltava para Aquis.
27:10 Aquis perguntava: “Contra quem vocês fizeram incursões hoje?” Davi respondia: “Contra o Neguebe de Judá, contra o Neguebe dos jerameelitas e contra o Neguebe dos queneus.”
27:11 Davi não deixava vivos homens nem mulheres para levar a Gate, pois pensava: “Eles poderiam contar sobre nós e dizer: ‘Foi isso que Davi fez.’” Esse foi seu costume durante todo o tempo em que morou no território dos filisteus.
27:12 Aquis confiava em Davi e pensava: “Ele se tornou completamente odioso a seu povo Israel. Será meu servo para sempre.”

Capítulo 28
28:1 Naqueles dias, os filisteus reuniram suas tropas para lutar contra Israel. Aquis disse a Davi: “Tenha certeza de que você e seus homens sairão comigo para a campanha.”
28:2 Davi respondeu a Aquis: “Então você saberá o que seu servo fará.” Aquis disse a Davi: “Por isso farei de você o guarda de minha pessoa para sempre.”
28:3 Samuel já havia morrido. Todo o Israel tinha chorado por ele e o sepultado em Ramá, sua cidade. Saul havia expulsado da terra os que consultavam os mortos e os adivinhos.
28:4 Os filisteus se reuniram, foram e acamparam em Suném. Saul reuniu todo o Israel, e eles acamparam em Gilboa.
28:5 Quando Saul viu o acampamento dos filisteus, teve medo, e seu coração tremeu muito.
28:6 Saul consultou o SENHOR, mas o SENHOR não lhe respondeu nem por sonhos, nem por Urim, nem pelos profetas.
28:7 Então Saul disse a seus servos: “Procurem para mim uma mulher que consulte os mortos, para que eu vá até ela e a consulte.” Seus servos responderam: “Há uma mulher que consulta os mortos em En-Dor.”
28:8 Saul se disfarçou, vestiu outras roupas e foi com dois homens. Chegaram de noite à mulher. Ele disse: “Por favor, adivinhe para mim por meio de um espírito e faça subir aquele que eu indicar.”
28:9 A mulher lhe respondeu: “Você sabe o que Saul fez: eliminou da terra os que consultam os mortos e os adivinhos. Por que você arma uma cilada contra minha vida, para me fazer morrer?”
28:10 Saul jurou a ela pelo SENHOR: “Tão certo como vive o SENHOR, você não sofrerá castigo por este assunto!”
28:11 A mulher perguntou: “Quem devo fazer subir para você?” Ele respondeu: “Faça Samuel subir para mim.”
28:12 Quando a mulher viu Samuel, gritou bem alto e disse a Saul: “Por que você me enganou? Você é Saul!”
28:13 O rei lhe disse: “Não tenha medo. O que você viu?” A mulher respondeu a Saul: “Vi deuses subindo da terra.”
28:14 Ele perguntou: “Qual é a aparência dele?” Ela respondeu: “Um homem velho está subindo, envolto num manto.” Saul compreendeu que era Samuel, inclinou-se com o rosto em terra e se prostrou.
28:15 Samuel disse a Saul: “Por que você me perturbou, fazendo-me subir?” Saul respondeu: “Estou muito angustiado. Os filisteus lutam contra mim, e Deus se afastou de mim. Já não me responde nem pelos profetas nem por sonhos. Por isso chamei você, para me dizer o que devo fazer.”
28:16 Samuel disse: “Por que você pergunta a mim, se o SENHOR se afastou de você e se tornou seu adversário?
28:17 O SENHOR lhe fez o que anunciou por meu intermédio. O SENHOR arrancou o reino das suas mãos e o deu a seu próximo, a Davi.
28:18 Porque você não obedeceu à voz do SENHOR nem executou sua ira ardente contra Amaleque, o SENHOR fez isso a você hoje.
28:19 O SENHOR entregará também Israel, junto com você, nas mãos dos filisteus. Amanhã você e seus filhos estarão comigo. O SENHOR também entregará o exército de Israel nas mãos dos filisteus.”
28:20 Imediatamente Saul caiu estendido por terra, cheio de medo por causa das palavras de Samuel. Também estava sem forças, pois não havia comido pão durante todo aquele dia e toda a noite.
28:21 A mulher se aproximou de Saul e, vendo que estava muito apavorado, lhe disse: “Sua serva deu ouvidos à sua voz. Arrisquei minha vida e obedeci às palavras que você me disse.
28:22 Agora, por favor, dê ouvidos também à sua serva. Deixe que eu ponha diante de você um pouco de pão. Coma, para ter forças ao seguir seu caminho.”
28:23 Ele se recusou e disse: “Não comerei.” Mas seus servos e a mulher insistiram, e ele deu ouvidos a eles. Levantou-se do chão e se sentou na cama.
28:24 A mulher tinha em casa um bezerro engordado e se apressou em abatê-lo. Pegou farinha, amassou-a e assou pães sem fermento.
28:25 Serviu a Saul e a seus servos, e eles comeram. Depois se levantaram e foram embora naquela mesma noite.

Capítulo 29
29:1 Os filisteus reuniram todas as suas tropas em Afeca, enquanto Israel estava acampado junto à fonte de Jezreel.
29:2 Os governantes filisteus avançavam com seus grupos de cem e de mil, e Davi e seus homens marchavam na retaguarda com Aquis.
29:3 Os chefes filisteus perguntaram: “O que fazem aqui esses hebreus?” Aquis respondeu aos chefes filisteus: “Não é este Davi, servo de Saul, rei de Israel, que está comigo há dias ou anos? Não encontrei falta alguma nele desde o dia em que passou para o meu lado até hoje.”
29:4 Mas os chefes filisteus ficaram furiosos com ele e lhe disseram: “Mande esse homem de volta ao lugar que você lhe designou. Ele não deve descer conosco à batalha, para que não se torne nosso adversário durante o combate. Como poderia se reconciliar com seu senhor? Não seria com as cabeças destes homens?
29:5 Não é este Davi, de quem cantavam enquanto dançavam: ‘Saul matou seus milhares, e Davi, seus dez mil’?”
29:6 Então Aquis chamou Davi e lhe disse: “Tão certo como vive o SENHOR, você é um homem correto! Agrada-me que você saia e entre comigo na campanha, pois não encontrei maldade em você desde o dia em que veio até mim até hoje. Mas você não agrada aos governantes.
29:7 Agora, volte e vá em paz, para não desagradar aos governantes filisteus.”
29:8 Davi respondeu a Aquis: “Mas o que fiz? Que falta você encontrou em seu servo desde o dia em que estive diante de você até hoje, para que eu não vá lutar contra os inimigos de meu senhor, o rei?”
29:9 Aquis respondeu a Davi: “Eu sei. Aos meus olhos você é bom como um anjo de Deus. Mas os chefes filisteus disseram: ‘Ele não deve subir conosco à batalha.’
29:10 Agora, levante-se de madrugada com os servos de seu senhor que vieram com você. Levantem-se de madrugada e, assim que houver luz, partam.”
29:11 Davi se levantou de madrugada com seus homens, para partir pela manhã e voltar à terra dos filisteus. Os filisteus subiram a Jezreel.

Capítulo 30
30:1 Quando Davi e seus homens chegaram a Ziclague, no terceiro dia, os amalequitas tinham feito uma incursão contra o Neguebe e contra Ziclague. Haviam atacado Ziclague e a incendiado.
30:2 Tinham capturado as mulheres que havia ali e todos os demais, do menor ao maior. Não haviam matado ninguém, mas os levaram consigo e seguiram seu caminho.
30:3 Davi e seus homens chegaram à cidade e a encontraram queimada pelo fogo. Suas esposas, seus filhos e suas filhas tinham sido levados cativos.
30:4 Então Davi e o povo que estava com ele ergueram a voz e choraram até não terem mais forças para chorar.
30:5 As duas esposas de Davi também tinham sido levadas cativas: Ainoã, de Jezreel, e Abigail, que havia sido esposa de Nabal, o de Carmelo.
30:6 Davi estava muito angustiado, pois o povo falava em apedrejá-lo. Todos estavam amargurados de alma, cada um por seu filho e por suas filhas. Mas Davi se fortaleceu no SENHOR, seu Deus.
30:7 Davi disse ao sacerdote Abiatar, filho de Aimeleque: “Por favor, traga-me o éfode.” Abiatar trouxe o éfode a Davi.
30:8 Davi consultou o SENHOR: “Devo perseguir esse bando? Vou alcançá-lo?” Ele respondeu: “Persiga! Você certamente o alcançará e fará o resgate.”
30:9 Davi partiu com os seiscentos homens que estavam com ele. Chegaram ao ribeiro de Besor, onde os que ficaram para trás pararam.
30:10 Davi continuou a perseguição com quatrocentos homens. Duzentos ficaram, pois estavam cansados demais para atravessar o ribeiro de Besor.
30:11 Encontraram um egípcio no campo e o levaram a Davi. Deram-lhe pão, e ele comeu, e lhe deram água para beber.
30:12 Também lhe deram um pedaço de bolo de figos secos e dois cachos de passas. Ele comeu e recobrou as forças, pois não havia comido pão nem bebido água durante três dias e três noites.
30:13 Davi lhe perguntou: “A quem você pertence e de onde vem?” Ele respondeu: “Sou um jovem egípcio, escravo de um amalequita. Meu senhor me abandonou porque fiquei doente há três dias.
30:14 Fizemos uma incursão contra o Neguebe dos queretitas, contra o território de Judá e contra o Neguebe de Calebe. E incendiamos Ziclague.”
30:15 Davi lhe perguntou: “Você me levará até esse bando?” Ele respondeu: “Jure-me por Deus que não me matará nem me entregará nas mãos de meu senhor, e levarei você até esse bando.”
30:16 Ele o conduziu até lá. Estavam espalhados por toda a região, comendo, bebendo e festejando por todo o grande despojo que tinham tomado da terra dos filisteus e da terra de Judá.
30:17 Davi os atacou desde o anoitecer até a tarde do dia seguinte. Nenhum deles escapou, a não ser quatrocentos jovens que montaram em camelos e fugiram.
30:18 Davi recuperou tudo o que Amaleque havia tomado. Davi também resgatou suas duas esposas.
30:19 Nada lhes faltou, do menor ao maior: nem filhos nem filhas, nem o despojo nem qualquer coisa que lhes tinham tirado. Davi trouxe tudo de volta.
30:20 Davi tomou todas as ovelhas e os bois. Eles os conduziam à frente do restante do gado, dizendo: “Este é o despojo de Davi.”
30:21 Davi chegou aos duzentos homens que estavam cansados demais para segui-lo e que haviam sido deixados junto ao ribeiro de Besor. Eles saíram ao encontro de Davi e do povo que estava com ele. Davi se aproximou e os cumprimentou.
30:22 Mas todos os homens maus e perversos que tinham ido com Davi disseram: “Como eles não foram comigo, não lhes daremos nada do despojo que recuperamos. Que cada um leve apenas sua esposa e seus filhos e vá embora.”
30:23 Davi disse: “Não façam isso, meus irmãos, com o que o SENHOR nos deu. Ele nos protegeu e entregou nas nossas mãos o bando que veio contra nós.
30:24 Quem dará ouvidos a vocês nesse assunto? A parte de quem desce à batalha será igual à de quem fica com a bagagem. Repartirão por igual.”
30:25 Daquele dia em diante, Davi estabeleceu isso como lei e norma para Israel, e assim permanece até hoje.
30:26 Quando Davi chegou a Ziclague, enviou parte do despojo aos anciãos de Judá, seus amigos, dizendo: “Aqui está um presente para vocês, do despojo dos inimigos do SENHOR.”
30:27 Enviou aos de Betel, aos de Ramote do Neguebe e aos de Jatir;
30:28 aos de Aroer, aos de Sifmote e aos de Estemoa;
30:29 aos de Racal, aos das cidades dos jerameelitas e aos das cidades dos queneus;
30:30 aos de Horma, aos de Borasã e aos de Atace;
30:31 aos de Hebrom e a todos os lugares por onde Davi e seus homens tinham andado.

Capítulo 31
31:1 Os filisteus lutavam contra Israel. Os homens de Israel fugiram dos filisteus e caíram mortos no monte Gilboa.
31:2 Os filisteus alcançaram Saul e seus filhos e mataram Jônatas, Abinadabe e Malquisua, filhos de Saul.
31:3 A batalha se tornou intensa contra Saul. Os arqueiros o alcançaram, e ele tremeu muito por causa dos arqueiros.
31:4 Saul disse a seu escudeiro: “Desembainhe sua espada e atravesse-me com ela, para que esses incircuncisos não venham me atravessar e maltratar.” Mas seu escudeiro não quis, pois estava com muito medo. Então Saul pegou a espada e se lançou sobre ela.
31:5 Quando seu escudeiro viu que Saul estava morto, também se lançou sobre sua espada e morreu com ele.
31:6 Assim morreram juntos naquele dia Saul, seus três filhos, seu escudeiro e todos os seus homens.
31:7 Quando os homens de Israel que estavam do outro lado do vale e do outro lado do Jordão viram que os homens de Israel tinham fugido e que Saul e seus filhos estavam mortos, abandonaram as cidades e fugiram. Os filisteus vieram e se estabeleceram nelas.
31:8 No dia seguinte, os filisteus vieram despojar os mortos e encontraram Saul e seus três filhos caídos no monte Gilboa.
31:9 Cortaram a cabeça dele e lhe tiraram as armas. Enviaram mensageiros por toda a terra dos filisteus para anunciar a notícia no templo de seus ídolos e ao povo.
31:10 Puseram suas armas no templo de Astarote e prenderam seu corpo na muralha de Bete-Seã.
31:11 Quando os habitantes de Jabes-Gileade souberam o que os filisteus tinham feito a Saul,
31:12 todos os homens valentes se levantaram e caminharam a noite inteira. Retiraram o corpo de Saul e os corpos de seus filhos da muralha de Bete-Seã, levaram-nos a Jabes e os queimaram ali.
31:13 Depois pegaram seus ossos, os sepultaram debaixo do tamarisco em Jabes e jejuaram sete dias.

2 SAMUEL

Capítulo 1
1:1 Depois da morte de Saul, Davi voltou de derrotar Amaleque e ficou dois dias em Ziclague.
1:2 No terceiro dia, chegou um homem do acampamento de Saul, com as roupas rasgadas e terra sobre a cabeça. Ao chegar a Davi, caiu em terra e se prostrou.
1:3 Davi lhe perguntou: “De onde você vem?” Ele respondeu: “Escapei do acampamento de Israel.”
1:4 Davi lhe disse: “O que aconteceu? Conte-me, por favor.” Ele respondeu: “O povo fugiu da batalha. Muitos do povo caíram e morreram. Saul e seu filho Jônatas também morreram.”
1:5 Davi perguntou ao jovem que lhe trazia a notícia: “Como você sabe que Saul e seu filho Jônatas morreram?”
1:6 O jovem que lhe trazia a notícia respondeu: “Por acaso eu estava no monte Gilboa. Saul estava apoiado em sua lança, e os carros e os homens da cavalaria o alcançavam.
1:7 Ele olhou para trás, me viu e me chamou. Eu respondi: ‘Aqui estou.’
1:8 Ele me perguntou: ‘Quem é você?’ E o jovem lhe respondeu: ‘Sou amalequita.’
1:9 Então ele me disse: ‘Por favor, aproxime-se e mate-me, pois uma agonia me tomou, mas minha vida ainda está toda em mim.’
1:10 Eu me aproximei dele e o matei, pois sabia que não sobreviveria depois de ter caído. Peguei a coroa que estava em sua cabeça e o bracelete que estava em seu braço, e os trouxe aqui a meu senhor.”
1:11 Davi agarrou sua roupa e a rasgou. Todos os homens que estavam com ele fizeram o mesmo.
1:12 Prantearam, choraram e jejuaram até o anoitecer por Saul, por seu filho Jônatas, pelo povo do SENHOR e pela casa de Israel, pois tinham caído à espada.
1:13 Davi perguntou ao jovem que lhe trazia a notícia: “De onde você é?” Ele respondeu: “Sou filho de um estrangeiro residente, um amalequita.”
1:14 Davi lhe disse: “Como você não teve medo de estender a mão para matar o ungido do SENHOR?”
1:15 Davi chamou um dos rapazes e disse: “Aproxime-se e mate-o.” O rapaz o golpeou, e ele morreu.
1:16 Davi lhe disse: “Seu sangue recaia sobre sua cabeça, pois sua própria boca testemunhou contra você, dizendo: ‘Eu matei o ungido do SENHOR.’”
1:17 Davi entoou este lamento por Saul e por seu filho Jônatas
1:18 e ordenou que ensinassem aos filhos de Judá o canto do Arco. Ele está escrito no Livro do Justo:
1:19 “Seu esplendor, Israel, jaz morto em suas alturas!
   Como caíram os valentes!
1:20 Não contem isso em Gate, não o anunciem nas ruas de Asquelom, para que não se alegrem as filhas dos filisteus, para que não exultem as filhas dos incircuncisos.
1:21 Montes de Gilboa, que não caia sobre vocês orvalho nem chuva, nem haja campos que produzam ofertas!
   Pois ali foi manchado o escudo dos valentes, o escudo de Saul, sem ser ungido com azeite.
1:22 O arco de Jônatas não recuava do sangue dos mortos nem da gordura dos valentes, e a espada de Saul não voltava vazia.
1:23 Saul e Jônatas, tão amados e queridos em vida, nem na morte se separaram!
   Eram mais velozes que as águias, mais fortes que os leões.
1:24 Filhas de Israel, chorem por Saul, que vestia vocês de escarlate e luxo e punha ornamentos de ouro sobre suas roupas.
1:25 Como caíram os valentes no meio da batalha!
   Jônatas jaz morto em suas alturas!
1:26 Estou angustiado por você, meu irmão Jônatas.
   Você me era muito querido!
   Seu amor por mim foi mais maravilhoso que o amor das mulheres.
1:27 Como caíram os valentes e pereceram as armas de guerra!”

Capítulo 2
2:1 Depois disso, Davi consultou o SENHOR: “Devo subir a alguma das cidades de Judá?” O SENHOR lhe respondeu: “Suba.” Davi perguntou: “Para onde devo subir?” Ele respondeu: “Para Hebrom.”
2:2 Davi subiu para lá com suas duas esposas: Ainoã, de Jezreel, e Abigail, que havia sido esposa de Nabal, o de Carmelo.
2:3 Davi também fez subir os homens que estavam com ele, cada um com sua família. Eles se estabeleceram nas cidades de Hebrom.
2:4 Os homens de Judá vieram e ungiram Davi ali como rei sobre a casa de Judá. Informaram a Davi: “Foram os homens de Jabes-Gileade que sepultaram Saul.”
2:5 Davi enviou mensageiros aos homens de Jabes-Gileade, dizendo: “Benditos sejam vocês pelo SENHOR, por terem mostrado essa lealdade a seu senhor Saul e o terem sepultado.
2:6 Agora, que o SENHOR trate vocês com bondade e fidelidade. Eu também lhes mostrarei essa bondade, porque fizeram isso.
2:7 Fortaleçam suas mãos e sejam homens valentes, pois seu senhor Saul morreu, e a casa de Judá me ungiu rei sobre eles.”
2:8 Mas Abner, filho de Ner, comandante do exército de Saul, tomou Isbosete, filho de Saul, e o levou a Maanaim.
2:9 Ele o fez rei sobre Gileade, sobre os assuritas, sobre Jezreel, sobre Efraim, sobre Benjamim e sobre todo o Israel.
2:10 Isbosete, filho de Saul, tinha quarenta anos quando começou a reinar sobre Israel e reinou dois anos. Somente a casa de Judá seguia Davi.
2:11 O tempo em que Davi foi rei em Hebrom sobre a casa de Judá foi de sete anos e seis meses.
2:12 Abner, filho de Ner, saiu de Maanaim para Gibeão com os servos de Isbosete, filho de Saul.
2:13 Joabe, filho de Zeruia, e os servos de Davi também saíram e se encontraram com eles junto ao tanque de Gibeão. Sentaram-se uns de um lado do tanque e os outros do outro lado.
2:14 Abner disse a Joabe: “Que os rapazes se levantem e disputem diante de nós.” Joabe respondeu: “Que se levantem.”
2:15 Eles se levantaram e passaram em igual número: doze de Benjamim por Isbosete, filho de Saul, e doze dos servos de Davi.
2:16 Cada um agarrou o outro pela cabeça e lhe enfiou a espada no flanco. Todos caíram juntos. Por isso aquele lugar de Gibeão recebeu o nome de Helcate-Hazurim.
2:17 A batalha foi muito dura naquele dia, e Abner e os homens de Israel foram derrotados pelos servos de Davi.
2:18 Estavam ali os três filhos de Zeruia: Joabe, Abisai e Asael. Asael era veloz de pés como uma gazela do campo.
2:19 Asael perseguiu Abner sem se desviar nem para a direita nem para a esquerda ao segui-lo.
2:20 Abner olhou para trás e perguntou: “É você, Asael?” Ele respondeu: “Sou eu.”
2:21 Abner lhe disse: “Desvie-se para a direita ou para a esquerda, agarre um dos rapazes e fique com seus despojos.” Mas Asael não quis deixar de persegui-lo.
2:22 Abner voltou a dizer a Asael: “Pare de me perseguir! Por que eu teria de derrubar você por terra? Como depois poderia olhar seu irmão Joabe de frente?”
2:23 Mas ele se recusou a se desviar. Então Abner o atingiu no ventre com a extremidade traseira da lança, que saiu pelas costas dele. Asael caiu e morreu ali mesmo. Todos os que chegavam ao lugar onde Asael havia caído e morrido paravam.
2:24 Joabe e Abisai perseguiram Abner. O sol se punha quando chegaram à colina de Amá, diante de Giá, pelo caminho do deserto de Gibeão.
2:25 Os filhos de Benjamim se reuniram atrás de Abner, formaram um só grupo e tomaram posição no alto de uma colina.
2:26 Abner gritou a Joabe: “A espada vai devorar para sempre? Você não sabe que no fim haverá amargura? Até quando vai esperar para dizer ao povo que pare de perseguir seus irmãos?”
2:27 Joabe respondeu: “Tão certo como vive Deus, se você não tivesse falado, desde a manhã o povo já teria parado de perseguir, cada um a seu irmão!”
2:28 Então Joabe tocou a trombeta, e todo o povo parou. Não continuaram a perseguir Israel nem voltaram a lutar.
2:29 Abner e seus homens caminharam pelo Arabá durante toda aquela noite, atravessaram o Jordão, percorreram todo o Bitrom e chegaram a Maanaim.
2:30 Joabe voltou de perseguir Abner e reuniu todo o povo. Faltavam dezenove dos servos de Davi, além de Asael.
2:31 Mas os servos de Davi tinham matado trezentos e sessenta homens de Benjamim e dos homens de Abner.
2:32 Levaram Asael e o sepultaram no túmulo de seu pai, em Belém. Joabe e seus homens caminharam a noite inteira, e o dia amanheceu para eles em Hebrom.

Capítulo 3
3:1 A guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi se prolongou. Davi se tornava cada vez mais forte, enquanto a casa de Saul se enfraquecia cada vez mais.
3:2 Em Hebrom, deram à luz filhos de Davi. Seu primogênito foi Amnom, de Ainoã, de Jezreel.
3:3 O segundo foi Quileabe, de Abigail, que havia sido esposa de Nabal, o de Carmelo. O terceiro foi Absalão, filho de Maaca, filha de Talmai, rei de Gesur.
3:4 O quarto foi Adonias, filho de Hagite; o quinto, Sefatias, filho de Abital;
3:5 e o sexto, Itreão, de Eglá, esposa de Davi. Esses nasceram a Davi em Hebrom.
3:6 Enquanto havia guerra entre a casa de Saul e a casa de Davi, Abner fortalecia sua posição na casa de Saul.
3:7 Saul tinha tido uma concubina chamada Rispa, filha de Aiá. Isbosete perguntou a Abner: “Por que você se deitou com a concubina de meu pai?”
3:8 Abner ficou furioso com as palavras de Isbosete e disse: “Sou alguma cabeça de cachorro a serviço de Judá? Até hoje tenho mostrado lealdade à casa de seu pai Saul, a seus irmãos e a seus amigos. Não entreguei você nas mãos de Davi, e hoje você me acusa de uma falta por causa dessa mulher?
3:9 Assim faça Deus a Abner e ainda mais, se eu não fizer por Davi o que o SENHOR lhe jurou:
3:10 tirar o reino da casa de Saul e estabelecer o trono de Davi sobre Israel e sobre Judá, desde Dã até Berseba.”
3:11 Isbosete não conseguiu responder mais nenhuma palavra a Abner, pois tinha medo dele.
3:12 Abner enviou mensageiros de sua parte a Davi, dizendo: “De quem é a terra? Faça uma aliança comigo, e minha mão estará com você para trazer todo o Israel para o seu lado.”
3:13 Davi respondeu: “Está bem, farei uma aliança com você. Mas peço uma coisa: você não verá meu rosto se não trouxer primeiro Mical, filha de Saul, quando vier à minha presença.”
3:14 Davi enviou mensageiros a Isbosete, filho de Saul, dizendo: “Devolva minha esposa Mical, com quem me comprometi em casamento por cem prepúcios de filisteus.”
3:15 Isbosete mandou tirá-la de seu marido, Paltiel, filho de Lus.
3:16 Seu marido a acompanhou, caminhando e chorando atrás dela até Baurim. Então Abner lhe disse: “Vá embora, volte.” E ele voltou.
3:17 Abner havia falado com os anciãos de Israel, dizendo: “Há muito tempo vocês desejam ter Davi como rei sobre vocês.
3:18 Agora façam isso, pois o SENHOR disse a Davi: ‘Por meio de meu servo Davi salvarei meu povo Israel das mãos dos filisteus e das mãos de todos os seus inimigos.’”
3:19 Abner também falou com Benjamim. Depois foi falar com Davi em Hebrom sobre tudo o que tinha agradado a Israel e a toda a casa de Benjamim.
3:20 Abner chegou a Davi em Hebrom com vinte homens. Davi preparou um banquete para Abner e para os homens que o acompanhavam.
3:21 Abner disse a Davi: “Vou me levantar e partir para reunir todo o Israel diante de meu senhor, o rei, para que façam uma aliança com você. Assim você reinará sobre tudo o que desejar.” Davi despediu Abner, e ele foi embora em paz.
3:22 Os servos de Davi e Joabe voltavam de uma incursão, trazendo muito despojo. Abner já não estava com Davi em Hebrom, pois Davi o havia despedido, e ele tinha ido embora em paz.
3:23 Quando Joabe chegou com toda a tropa que estava com ele, contaram a Joabe: “Abner, filho de Ner, veio ao rei, e o rei o despediu. Ele foi embora em paz.”
3:24 Joabe entrou na presença do rei e disse: “O que você fez? Abner veio até você. Por que o despediu e o deixou ir embora?
3:25 Você conhece Abner, filho de Ner! Ele veio enganar você, conhecer sua saída e sua entrada e descobrir tudo o que você faz.”
3:26 Joabe saiu da presença de Davi e enviou mensageiros atrás de Abner. Eles o fizeram voltar da cisterna de Sira, sem que Davi soubesse.
3:27 Quando Abner voltou a Hebrom, Joabe o levou à parte, para o interior do portão, a fim de falar com ele em particular. Ali o feriu no ventre, e ele morreu, por causa do sangue de Asael, irmão de Joabe.
3:28 Depois, quando Davi soube disso, disse: “Quanto ao sangue de Abner, filho de Ner, eu e meu reino somos inocentes para sempre diante do SENHOR.
3:29 Que esse sangue recaia sobre a cabeça de Joabe e sobre toda a família de seu pai! Que nunca falte na família de Joabe quem sofra de corrimento, quem tenha lepra, quem segure um fuso, quem caia à espada ou quem careça de pão.”
3:30 Joabe e seu irmão Abisai mataram Abner porque ele havia matado Asael, irmão deles, na batalha de Gibeão.
3:31 Davi disse a Joabe e a todo o povo que estava com ele: “Rasguem suas roupas, vistam pano de saco e pranteiem diante de Abner.” O rei Davi caminhava atrás do féretro.
3:32 Sepultaram Abner em Hebrom. O rei ergueu a voz e chorou junto ao túmulo de Abner, e todo o povo chorou.

3:33 O rei entoou um lamento por Abner, dizendo:
 “Abner tinha de morrer como morre um insensato?
3:34 Suas mãos não estavam atadas, nem seus pés presos a grilhões de bronze.
   Você caiu como quem cai diante de homens perversos.”
   E todo o povo voltou a chorar por ele.
3:35 Todo o povo veio oferecer pão a Davi enquanto ainda era dia. Mas Davi jurou: “Assim faça Deus a mim e ainda mais, se eu provar pão ou qualquer outra coisa antes de o sol se pôr.”
3:36 Todo o povo percebeu isso e se agradou. Tudo o que o rei fazia agradava a todo o povo.
3:37 Naquele dia, todo o povo e todo o Israel compreenderam que não tinha sido o rei quem mandara matar Abner, filho de Ner.
3:38 O rei disse a seus servos: “Vocês não sabem que hoje caiu em Israel um chefe, um grande homem?
3:39 Hoje sou fraco, embora tenha sido ungido rei, e esses homens, os filhos de Zeruia, são mais duros do que eu. Que o SENHOR retribua a quem faz o mal conforme a sua maldade.”

Capítulo 4
4:1 Quando o filho de Saul soube que Abner havia morrido em Hebrom, suas mãos fraquejaram, e todo o Israel ficou apavorado.
4:2 O filho de Saul tinha dois homens que eram chefes de bandos. Um se chamava Baaná, e o outro, Recabe. Eram filhos de Rimom, o beerotita, dos filhos de Benjamim, pois Beerote também era considerada parte de Benjamim.
4:3 Os beerotitas tinham fugido para Gitaim e vivem ali como estrangeiros até hoje.
4:4 Jônatas, filho de Saul, tinha um filho com deficiência nos dois pés. Ele tinha cinco anos quando chegou de Jezreel a notícia sobre Saul e Jônatas. Sua ama o pegou e fugiu. Na pressa dela de fugir, ele caiu e ficou manco. Seu nome era Mefibosete.
4:5 Recabe e Baaná, filhos de Rimom, o beerotita, foram à casa de Isbosete no calor do dia, quando ele estava deitado, descansando ao meio-dia.
4:6 Entraram no interior da casa, como quem ia buscar trigo, e o feriram no ventre. Depois Recabe e seu irmão Baaná escaparam.
4:7 Tinham entrado na casa enquanto ele estava deitado na cama, em seu quarto. Eles o feriram, o mataram e cortaram sua cabeça. Pegaram a cabeça dele e caminharam toda a noite pelo caminho do Arabá.
4:8 Levaram a cabeça de Isbosete a Davi em Hebrom e disseram ao rei: “Aqui está a cabeça de Isbosete, filho de Saul, seu inimigo que procurava tirar sua vida. Hoje o SENHOR deu a meu senhor, o rei, vingança contra Saul e sua descendência.”
4:9 Davi respondeu a Recabe e a seu irmão Baaná, filhos de Rimom, o beerotita: “Tão certo como vive o SENHOR, que resgatou minha vida de toda aflição!
4:10 o homem que me anunciou: ‘Saul morreu’, pensando que trazia boas notícias, eu o prendi e o matei em Ziclague. Essa foi a recompensa que lhe dei pela notícia.
4:11 Quanto mais quando homens perversos mataram um homem justo em sua própria casa, sobre sua cama! Agora, não exigirei das mãos de vocês o sangue dele e não os eliminarei da terra?”
4:12 Davi deu uma ordem aos rapazes, e eles os mataram. Cortaram suas mãos e seus pés e os penduraram junto ao tanque de Hebrom. Pegaram a cabeça de Isbosete e a sepultaram no túmulo de Abner, em Hebrom.

Capítulo 5
5:1 Todas as tribos de Israel foram até Davi em Hebrom e disseram: “Aqui estamos. Somos seus ossos e sua carne.
5:2 Já antes, quando Saul era rei sobre nós, era você quem fazia Israel sair e entrar. E o SENHOR disse a você: ‘Você pastoreará meu povo Israel e será governante sobre Israel.’”
5:3 Todos os anciãos de Israel vieram ao rei em Hebrom. O rei Davi fez uma aliança com eles em Hebrom, diante do SENHOR, e eles ungiram Davi rei sobre Israel.
5:4 Davi tinha trinta anos quando começou a reinar e reinou quarenta anos.
5:5 Em Hebrom reinou sobre Judá sete anos e seis meses; em Jerusalém reinou trinta e três anos sobre todo o Israel e Judá.
5:6 O rei e seus homens foram a Jerusalém contra os jebuseus, habitantes daquela terra. Eles disseram a Davi: “Você não entrará aqui! Até os cegos e os mancos afastarão você.” Com isso diziam: “Davi não entrará aqui.”
5:7 Mas Davi tomou a fortaleza de Sião, que é a Cidade de Davi.
5:8 Naquele dia Davi disse: “Quem atacar os jebuseus, que chegue ao canal de água e atinja os mancos e os cegos que odiavam Davi.” Por isso se diz: “Cego e manco não entrarão na casa.”
5:9 Davi se estabeleceu na fortaleza e a chamou Cidade de Davi. Edificou ao redor, desde Milo para o interior.
5:10 Davi se tornava cada vez mais poderoso, e o SENHOR, Deus dos Exércitos, estava com ele.
5:11 Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros a Davi, além de madeira de cedro, carpinteiros e lavradores de pedra para muros. Eles construíram uma casa para Davi.
5:12 Davi compreendeu que o SENHOR o havia estabelecido rei sobre Israel e exaltado seu reino por causa de seu povo Israel.
5:13 Depois de chegar de Hebrom, Davi tomou mais concubinas e esposas de Jerusalém. E lhe nasceram mais filhos e filhas.
5:14 Estes são os nomes dos que lhe nasceram em Jerusalém: Samua, Sobabe, Natã e Salomão;
5:15 Ibar, Elisua, Nefegue e Jafia;
5:16 Elisama, Eliada e Elifelete.
5:17 Quando os filisteus souberam que Davi havia sido ungido rei sobre Israel, todos os filisteus subiram para procurá-lo. Davi soube disso e desceu à fortaleza.
5:18 Os filisteus vieram e se espalharam pelo vale dos Refains.
5:19 Davi consultou o SENHOR: “Devo subir contra os filisteus? Tu os entregarás nas minhas mãos?” O SENHOR respondeu a Davi: “Suba, pois certamente entregarei os filisteus nas suas mãos.”
5:20 Davi foi a Baal-Perazim e os derrotou ali. Disse: “O SENHOR abriu uma brecha entre meus inimigos diante de mim, como as águas que irrompem.” Por isso chamou aquele lugar de Baal-Perazim.
5:21 Os filisteus abandonaram ali seus ídolos, e Davi e seus homens os levaram.
5:22 Os filisteus tornaram a subir e se espalharam pelo vale dos Refains.
5:23 Davi consultou o SENHOR, e ele respondeu: “Não suba. Dê a volta por trás deles e avance contra eles em frente às balsameiras.
5:24 Quando ouvir o som de passos nas copas das balsameiras, aja com decisão, pois então o SENHOR terá saído à sua frente para atacar o acampamento dos filisteus.”
5:25 Davi fez como o SENHOR lhe havia ordenado e derrotou os filisteus desde Geba até chegar a Gezer.

Capítulo 6
6:1 Davi voltou a reunir todos os homens escolhidos de Israel, trinta mil ao todo.
6:2 Davi se levantou e partiu com todo o povo que estava com ele de Baalé de Judá, para fazer subir dali a arca de Deus. Sobre ela é invocado o Nome, o nome do SENHOR dos Exércitos, que está entronizado sobre os querubins.
6:3 Puseram a arca de Deus numa carreta nova e a levaram da casa de Abinadabe, que estava na colina. Uzá e Aiô, filhos de Abinadabe, conduziam a carreta nova.
6:4 Levaram-na da casa de Abinadabe, que estava na colina, com a arca de Deus. Aiô caminhava à frente da arca.
6:5 Davi e toda a casa de Israel festejavam diante do SENHOR com todo tipo de instrumentos de madeira de cipreste e com liras, harpas, tamborins, chocalhos e címbalos.
6:6 Quando chegaram à eira de Nacom, Uzá estendeu a mão para a arca de Deus e a segurou, pois os bois tropeçavam.
6:7 A ira do SENHOR se acendeu contra Uzá, e Deus o feriu ali por sua imprudência. Ele morreu ali, junto à arca de Deus.
6:8 Davi ficou indignado porque o SENHOR havia irrompido contra Uzá. Chamou aquele lugar de Perez-Uzá, nome que permanece até hoje.
6:9 Naquele dia Davi teve medo do SENHOR e disse: “Como a arca do SENHOR virá até mim?”
6:10 Davi não quis levar a arca do SENHOR para junto de si, na Cidade de Davi. Ele a desviou para a casa de Obede-Edom, o geteu.
6:11 A arca do SENHOR ficou três meses na casa de Obede-Edom, o geteu, e o SENHOR abençoou Obede-Edom e toda a sua família.
6:12 Informaram ao rei Davi: “O SENHOR abençoou a família de Obede-Edom e tudo o que ele tem por causa da arca de Deus.” Então Davi foi e fez subir com alegria a arca de Deus da casa de Obede-Edom para a Cidade de Davi.
6:13 Quando os que levavam a arca do SENHOR tinham dado seis passos, ele sacrificou um boi e um animal engordado.
6:14 Davi dançava com todas as suas forças diante do SENHOR e estava cingido de um éfode de linho.
6:15 Davi e toda a casa de Israel faziam subir a arca do SENHOR com gritos de alegria e ao som de trombeta.
6:16 Quando a arca do SENHOR entrava na Cidade de Davi, Mical, filha de Saul, olhou pela janela. Viu o rei Davi saltando e dançando diante do SENHOR e o desprezou em seu coração.
6:17 Levaram a arca do SENHOR e a puseram em seu lugar, dentro da tenda que Davi havia armado para ela. Davi ofereceu holocaustos e sacrifícios de paz diante do SENHOR.
6:18 Quando Davi terminou de oferecer o holocausto e os sacrifícios de paz, abençoou o povo em nome do SENHOR dos Exércitos.
6:19 Repartiu a todo o povo, a toda a multidão de Israel, homens e mulheres, um pão, uma porção de carne e um bolo de passas a cada um. Depois todo o povo se foi, cada um para sua casa.
6:20 Davi voltou para abençoar sua família. Mical, filha de Saul, saiu ao encontro de Davi e disse: “Como o rei de Israel se honrou hoje, descobrindo-se aos olhos das servas de seus servos, como se descobre sem vergonha qualquer homem vulgar!”
6:21 Davi respondeu a Mical: “Foi diante do SENHOR, que me escolheu em lugar de seu pai e de toda a sua família para me designar governante sobre o povo do SENHOR, sobre Israel. Por isso festejarei diante do SENHOR.
6:22 Eu me farei ainda mais desprezível que isso e me humilharei aos meus próprios olhos. Mas entre as servas de quem você falou, entre elas serei honrado.”
6:23 Mical, filha de Saul, não teve filhos até o dia de sua morte.

Capítulo 7
7:1 Quando o rei se estabeleceu em sua casa e o SENHOR lhe deu descanso de todos os inimigos ao redor,
7:2 o rei disse ao profeta Natã: “Veja, eu moro numa casa de cedro, enquanto a arca de Deus está dentro de uma cortina de tenda.”
7:3 Natã respondeu ao rei: “Vá e faça tudo o que está em seu coração, pois o SENHOR está com você.”
7:4 Mas naquela mesma noite a palavra do SENHOR veio a Natã:
7:5 “Vá e diga a meu servo Davi: ‘Assim diz o SENHOR: É você quem vai construir uma casa para eu morar?
7:6 Desde o dia em que fiz os filhos de Israel subirem do Egito até hoje, não morei numa casa. Tenho andado de um lugar a outro numa tenda e num tabernáculo.
7:7 Em todo o meu andar com todos os filhos de Israel, alguma vez disse a alguma das tribos de Israel, à qual mandei pastorear meu povo Israel: “Por que vocês não construíram uma casa de cedro para mim?”?’
7:8 Agora diga a meu servo Davi: ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eu tirei você das pastagens, de trás das ovelhas, para que fosse governante de meu povo Israel.
7:9 Estive com você por onde quer que andou e eliminei de diante de você todos os seus inimigos. Farei grande seu nome, como o nome dos grandes da terra.
7:10 Prepararei um lugar para meu povo Israel e o plantarei para que habite em seu próprio lugar e não seja mais perturbado. Os homens perversos não voltarão a oprimi-lo como antes,
7:11 desde o dia em que designei juízes sobre meu povo Israel. Eu darei descanso a você de todos os seus inimigos. E o SENHOR anuncia a você que o SENHOR lhe fará uma casa.
7:12 Quando seus dias se completarem e você descansar com seus antepassados, levantarei depois de você um descendente seu, que sairá de suas entranhas, e estabelecerei seu reino.
7:13 Ele construirá uma casa para meu nome, e eu estabelecerei o trono de seu reino para sempre.
7:14 Eu serei seu pai, e ele será meu filho. Quando fizer o mal, eu o corrigirei com vara de homens e com açoites de seres humanos.
7:15 Mas meu amor fiel não se afastará dele como o retirei de Saul, a quem tirei de diante de você.
7:16 Sua casa e seu reino permanecerão firmes para sempre diante de você. Seu trono estará estabelecido para sempre.’”
7:17 Natã comunicou a Davi todas essas palavras e toda essa visão.
7:18 Então o rei Davi entrou, sentou-se diante do SENHOR e disse: “Quem sou eu, Senhor DEUS, e o que é minha casa, para que me tenhas trazido até aqui?
7:19 E ainda isso pareceu pouco aos teus olhos, Senhor DEUS, pois também falaste sobre o futuro distante da casa de teu servo. Esta é a instrução para o ser humano, Senhor DEUS.
7:20 O que mais Davi pode te dizer? Tu conheces teu servo, Senhor DEUS.
7:21 Por causa de tua palavra e conforme teu coração, fizeste toda esta grandeza para dá-la a conhecer a teu servo.
7:22 Por isso és grande, Senhor DEUS! Não há ninguém como tu, nem há Deus além de ti, segundo tudo o que ouvimos com nossos ouvidos.
7:23 Que povo é como teu povo Israel, nação única na terra, que Deus foi resgatar para si como povo, para fazer um nome para si e realizar para vocês grandes e temíveis feitos pela tua terra, diante de teu povo, que resgataste para ti do Egito, das nações e de seus deuses?
7:24 Estabeleceste para ti teu povo Israel como teu povo para sempre, e tu, SENHOR, te tornaste seu Deus.
7:25 Agora, SENHOR Deus, confirma para sempre a palavra que falaste sobre teu servo e sobre sua casa. Faze como disseste.
7:26 Que teu nome seja engrandecido para sempre e se diga: ‘O SENHOR dos Exércitos é Deus sobre Israel.’ E que a casa de teu servo Davi esteja estabelecida diante de ti.
7:27 Pois tu, SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel, revelaste a teu servo: ‘Construirei uma casa para você.’ Por isso teu servo encontrou ânimo para te dirigir esta oração.
7:28 Agora, Senhor DEUS, tu és Deus, e tuas palavras são verdade. Prometeste este bem a teu servo.
7:29 Agora, tem por bem abençoar a casa de teu servo, para que permaneça para sempre diante de ti. Pois tu, Senhor DEUS, falaste, e com tua bênção será abençoada para sempre a casa de teu servo.”

Capítulo 8
8:1 Depois disso, Davi derrotou os filisteus e os submeteu. Davi tomou Metegue-Amá das mãos dos filisteus.
8:2 Também derrotou Moabe. Fez que se deitassem no chão e os mediu com um cordel: duas medidas de cordel para dar morte e uma medida completa para deixar com vida. Os moabitas se tornaram servos de Davi e lhe pagavam tributo.
8:3 Davi também derrotou Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá, quando ele ia restabelecer seu domínio junto ao rio.
8:4 Davi capturou dele mil e setecentos cavaleiros e vinte mil soldados de infantaria. Cortou os tendões dos cavalos de todos os carros, mas reservou o necessário para cem carros.
8:5 Os arameus de Damasco vieram ajudar Hadadezer, rei de Zobá, e Davi matou vinte e dois mil arameus.
8:6 Davi pôs guarnições em Arã de Damasco. Os arameus se tornaram servos de Davi e lhe pagavam tributo. O SENHOR dava a vitória a Davi por onde quer que ele ia.
8:7 Davi tomou os escudos de ouro dos servos de Hadadezer e os levou a Jerusalém.
8:8 O rei Davi tomou uma enorme quantidade de bronze de Betá e Berotai, cidades de Hadadezer.
8:9 Toí, rei de Hamate, soube que Davi havia derrotado todo o exército de Hadadezer.
8:10 Então Toí enviou seu filho Jorão ao rei Davi para cumprimentá-lo e felicitá-lo por ter lutado contra Hadadezer e o derrotado, pois Hadadezer estava em guerra com Toí. Jorão trazia objetos de prata, de ouro e de bronze.
8:11 O rei Davi também os consagrou ao SENHOR, junto com a prata e o ouro que tinha consagrado de todas as nações que havia submetido:
8:12 de Arã, de Moabe, dos amonitas, dos filisteus, de Amaleque e do despojo de Hadadezer, filho de Reobe, rei de Zobá.
8:13 Davi ganhou fama quando voltou de derrotar dezoito mil arameus no vale do Sal.
8:14 Pôs guarnições em Edom. Em todo o Edom pôs guarnições, e todos os edomitas se tornaram servos de Davi. O SENHOR dava a vitória a Davi por onde quer que ele ia.
8:15 Davi reinou sobre todo o Israel e fazia justiça e retidão a todo o seu povo.
8:16 Joabe, filho de Zeruia, estava à frente do exército. Josafá, filho de Ailude, era cronista.
8:17 Zadoque, filho de Aitube, e Aimeleque, filho de Abiatar, eram sacerdotes. Seraías era escriba.
8:18 Benaia, filho de Joiada, estava com os queretitas e os peletitas. Os filhos de Davi eram sacerdotes.

Capítulo 9
9:1 Davi perguntou: “Ainda resta alguém da casa de Saul a quem eu possa mostrar amor fiel por causa de Jônatas?”
9:2 Havia um servo da casa de Saul chamado Ziba. Chamaram-no à presença de Davi, e o rei lhe perguntou: “Você é Ziba?” Ele respondeu: “Seu servo.”
9:3 O rei disse: “Não resta ninguém da casa de Saul a quem eu possa mostrar a bondade de Deus?” Ziba respondeu ao rei: “Ainda há um filho de Jônatas, com deficiência nos dois pés.”
9:4 O rei lhe perguntou: “Onde ele está?” Ziba respondeu ao rei: “Está na casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-Debar.”
9:5 O rei Davi mandou buscá-lo na casa de Maquir, filho de Amiel, em Lo-Debar.
9:6 Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, veio a Davi, caiu com o rosto em terra e se prostrou. Davi disse: “Mefibosete!” Ele respondeu: “Aqui está seu servo.”
9:7 Davi lhe disse: “Não tenha medo, pois certamente mostrarei amor fiel a você por causa de seu pai Jônatas. Devolverei a você todas as terras de seu avô Saul, e você sempre comerá pão à minha mesa.”
9:8 Ele se prostrou e disse: “O que é seu servo, para você dar atenção a um cachorro morto como eu?”
9:9 O rei chamou Ziba, servo de Saul, e lhe disse: “Tudo o que pertencia a Saul e a toda a sua família eu dei ao neto de seu senhor.
9:10 Você, seus filhos e seus servos cultivarão a terra para ele e recolherão a colheita, para que o neto de seu senhor tenha pão para comer. Mas Mefibosete, neto de seu senhor, sempre comerá pão à minha mesa.” Ziba tinha quinze filhos e vinte servos.
9:11 Ziba respondeu ao rei: “Seu servo fará tudo o que meu senhor, o rei, ordenar a seu servo.” O rei acrescentou: “Mefibosete comerá à minha mesa como um dos filhos do rei.”
9:12 Mefibosete tinha um filho pequeno chamado Mica. Todos os que moravam na casa de Ziba eram servos de Mefibosete.
9:13 Mefibosete morava em Jerusalém, pois sempre comia à mesa do rei. Ele era manco dos dois pés.

Capítulo 10
10:1 Depois disso, morreu o rei dos amonitas, e seu filho Hanum reinou em seu lugar.
10:2 Davi disse: “Mostrarei amor fiel a Hanum, filho de Naás, como seu pai mostrou a mim.” Davi enviou seus servos para consolá-lo pela morte de seu pai. Os servos de Davi chegaram à terra dos amonitas.
10:3 Os chefes amonitas disseram a Hanum, seu senhor: “Você acha que Davi está honrando seu pai ao enviar consoladores? Não foi para explorar a cidade, espioná-la e destruí-la que Davi enviou seus servos a você?”
10:4 Então Hanum tomou os servos de Davi, rapou metade da barba deles, cortou suas roupas pela metade, até as nádegas, e os mandou embora.
10:5 Contaram isso a Davi, e ele mandou recebê-los, pois os homens estavam muito envergonhados. O rei disse: “Fiquem em Jericó até que a barba de vocês cresça. Depois voltem.”
10:6 Os amonitas viram que se tinham tornado odiosos a Davi. Então mandaram contratar os arameus de Bete-Reobe e de Zobá, vinte mil soldados de infantaria; o rei de Maaca, com mil homens; e doze mil homens de Tobe.
10:7 Quando Davi soube disso, enviou Joabe e todo o exército de homens valentes.
10:8 Os amonitas saíram e se dispuseram em ordem de batalha à entrada do portão. Os arameus de Zobá e de Reobe e os homens de Tobe e de Maaca ficaram à parte no campo.
10:9 Quando Joabe viu que tinha a frente de batalha diante e atrás de si, escolheu alguns dos melhores homens que havia em Israel e os dispôs contra os arameus.
10:10 Entregou o restante do povo ao comando de seu irmão Abisai, que os dispôs contra os amonitas.
10:11 Joabe disse: “Se os arameus forem mais fortes que eu, você virá me socorrer. Se os amonitas forem mais fortes que você, eu irei socorrer você.
10:12 Seja forte, e tenhamos coragem por nosso povo e pelas cidades de nosso Deus. Que o SENHOR faça o que lhe parecer bem.”
10:13 Joabe e o povo que estava com ele avançaram para lutar contra os arameus, e eles fugiram diante dele.
10:14 Quando os amonitas viram que os arameus tinham fugido, também fugiram de Abisai e entraram na cidade. Então Joabe se retirou de diante dos amonitas e voltou a Jerusalém.
10:15 Ao verem que tinham sido derrotados por Israel, os arameus se reuniram novamente.
10:16 Hadadezer mandou buscar os arameus que estavam do outro lado do rio. Eles chegaram a Helã, com Sobaque, comandante do exército de Hadadezer, à frente deles.
10:17 Quando avisaram Davi, ele reuniu todo o Israel, atravessou o Jordão e chegou a Helã. Os arameus se dispuseram em ordem de batalha contra Davi e lutaram com ele.
10:18 Os arameus fugiram diante de Israel. Davi matou entre os arameus os homens de setecentos carros e quarenta mil cavaleiros. Também feriu Sobaque, comandante do exército, que morreu ali.
10:19 Todos os reis que serviam a Hadadezer viram que tinham sido derrotados por Israel. Fizeram paz com Israel e passaram a servir aos israelitas. Os arameus ficaram com medo de voltar a ajudar os amonitas.

Capítulo 11
11:1 Na volta do ano, na época em que os mensageiros saem, Davi enviou Joabe, seus servos com ele e todo o Israel. Eles devastaram os amonitas e sitiaram Rabá. Davi, porém, ficou em Jerusalém.
11:2 Uma tarde, Davi se levantou da cama e passeava pelo terraço da casa do rei. Do terraço viu uma mulher que se banhava. Ela era muito bonita.
11:3 Davi mandou perguntar por ela. Alguém lhe disse: “Não é esta Bate-Seba, filha de Eliã e esposa de Urias, o hitita?”
11:4 Davi enviou mensageiros e a mandou trazer. Ela veio até ele, e ele se deitou com ela. Ela estava se purificando de sua impureza. Depois voltou para casa.
11:5 A mulher engravidou e mandou avisar Davi: “Estou grávida.”
11:6 Davi enviou uma mensagem a Joabe: “Envie-me Urias, o hitita.” Joabe enviou Urias a Davi.
11:7 Quando Urias chegou, Davi lhe perguntou como estava Joabe, como estava o povo e como ia a guerra.
11:8 Davi disse a Urias: “Desça para sua casa e lave os pés.” Urias saiu da casa do rei, e um presente do rei foi enviado atrás dele.
11:9 Mas Urias se deitou à entrada da casa do rei com todos os servos de seu senhor e não desceu para sua casa.
11:10 Informaram a Davi: “Urias não desceu para sua casa.” Davi perguntou a Urias: “Você não acabou de chegar de viagem? Por que não desceu para sua casa?”
11:11 Urias respondeu a Davi: “A arca, Israel e Judá estão alojados em barracas. Meu senhor Joabe e os servos de meu senhor estão acampados em campo aberto. E eu entraria em minha casa para comer, beber e me deitar com minha esposa? Pela sua vida e pela vida da sua alma, não farei tal coisa!”
11:12 Davi disse a Urias: “Fique aqui também hoje, e amanhã mandarei você de volta.” Urias ficou em Jerusalém naquele dia e no dia seguinte.
11:13 Davi o convidou, e ele comeu e bebeu em sua presença, e Davi o embriagou. Ao anoitecer, Urias saiu para se deitar em seu leito com os servos de seu senhor, mas não desceu para sua casa.
11:14 Pela manhã, Davi escreveu uma carta a Joabe e a enviou por meio de Urias.
11:15 Na carta escreveu: “Ponham Urias na frente, onde a batalha for mais intensa. Depois se retirem de trás dele, para que seja ferido e morra.”
11:16 Enquanto Joabe vigiava a cidade, pôs Urias no lugar onde sabia que havia homens valentes.
11:17 Os homens da cidade saíram e lutaram contra Joabe. Caíram alguns do povo, dos servos de Davi, e também morreu Urias, o hitita.
11:18 Joabe enviou a Davi um relato de tudo o que havia acontecido na batalha.
11:19 Deu esta ordem ao mensageiro: “Quando terminar de contar ao rei tudo o que aconteceu na batalha,
11:20 se o rei ficar irado e perguntar a você: ‘Por que vocês se aproximaram da cidade para lutar? Não sabiam que atirariam de cima da muralha?
11:21 Quem matou Abimeleque, filho de Jerubesete? Não foi uma mulher que lançou sobre ele, de cima da muralha, um pedaço da pedra superior do moinho, e ele morreu em Tebes? Por que vocês se aproximaram da muralha?’, então diga: ‘Seu servo Urias, o hitita, também morreu.’”
11:22 O mensageiro partiu, chegou e contou a Davi tudo o que Joabe lhe tinha mandado dizer.
11:23 O mensageiro disse a Davi: “Aqueles homens foram mais fortes que nós e saíram contra nós em campo aberto. Mas avançamos contra eles até a entrada do portão.
11:24 Então os arqueiros atiraram contra seus servos de cima da muralha. Morreram alguns dos servos do rei, e seu servo Urias, o hitita, também morreu.”
11:25 Davi disse ao mensageiro: “Diga a Joabe: ‘Não se aflija por esse assunto, pois a espada devora tanto um como outro. Intensifique seu ataque contra a cidade e a destrua.’ E encoraje-o.”
11:26 Quando a esposa de Urias soube que seu marido Urias havia morrido, pranteou por seu marido.
11:27 Passado o luto, Davi mandou buscá-la e a trouxe para sua casa. Ela se tornou sua esposa e lhe deu um filho. Mas o que Davi havia feito foi mau aos olhos do SENHOR.

Capítulo 12
12:1 O SENHOR enviou Natã a Davi. Ele foi até Davi e lhe disse: “Havia dois homens numa cidade, um rico e outro pobre.
12:2 O rico tinha um grande número de ovelhas e bois.
12:3 O pobre não tinha nada, a não ser uma pequena cordeira que havia comprado e criado. Ela cresceu com ele e com seus filhos, comia do seu pão, bebia do seu copo e dormia em seu colo. Era para ele como uma filha.
12:4 Um viajante chegou à casa do rico. Este não quis tomar de suas ovelhas nem de seus bois para preparar uma refeição ao hóspede que o visitava. Em vez disso, tomou a cordeira do pobre e a preparou para o homem que havia chegado.”
12:5 Davi ficou muito irado contra aquele homem e disse a Natã: “Tão certo como vive o SENHOR, o homem que fez isso merece morrer!
12:6 Pela cordeira, ele restituirá o quádruplo, porque fez isso e não teve compaixão.”
12:7 Natã disse a Davi: “Você é esse homem! Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: ‘Eu ungi você rei sobre Israel e o livrei das mãos de Saul.
12:8 Dei a você a casa de seu senhor e as esposas de seu senhor em seu colo. Dei a você a casa de Israel e de Judá. Se isso fosse pouco, eu teria lhe dado muito mais.
12:9 Por que você desprezou a palavra do SENHOR, fazendo o que é mau aos olhos dele? Você feriu Urias, o hitita, à espada e tomou a esposa dele para ser sua esposa. Você o matou com a espada dos amonitas.
12:10 Agora a espada nunca se afastará de sua casa, porque você me desprezou e tomou a esposa de Urias, o hitita, para ser sua esposa.’
12:11 Assim diz o SENHOR: ‘Da sua própria casa levantarei uma desgraça contra você. Tomarei suas esposas diante dos seus olhos e as darei ao seu próximo, que se deitará com elas à vista deste sol.
12:12 Você fez isso em segredo, mas eu farei isso diante de todo o Israel e diante do sol.’”
12:13 Davi disse a Natã: “Pequei contra o SENHOR.” Natã respondeu a Davi: “O SENHOR também removeu seu pecado. Você não morrerá.
12:14 Contudo, por ter dado com esse ato ocasião para que os inimigos do SENHOR blasfemem, o filho que nasceu a você certamente morrerá.”
12:15 Natã foi para casa. O SENHOR feriu o menino que a esposa de Urias havia dado a Davi, e ele adoeceu gravemente.
12:16 Davi buscou a Deus pelo menino. Jejuou, entrou e passou a noite deitado no chão.
12:17 Os anciãos de sua casa se aproximaram para levantá-lo do chão, mas ele não quis e não comeu pão com eles.
12:18 No sétimo dia, o menino morreu. Os servos de Davi tiveram medo de lhe dizer que o menino havia morrido, pois diziam: “Enquanto o menino ainda vivia, falávamos com ele, mas não nos ouvia. Como diremos a ele que o menino morreu? Ele poderá fazer algum mal!”
12:19 Davi viu que seus servos cochichavam entre si e percebeu que o menino havia morrido. Perguntou aos servos: “O menino morreu?” Eles responderam: “Morreu.”
12:20 Davi se levantou do chão, se lavou, se ungiu com óleo e trocou de roupa. Entrou na casa do SENHOR e adorou. Depois foi para sua casa, pediu comida, e a serviram a ele, e ele comeu.
12:21 Seus servos lhe perguntaram: “O que é isso que você fez? Enquanto o menino vivia, você jejuava e chorava, mas, quando morreu, você se levantou e comeu!”
12:22 Ele respondeu: “Enquanto o menino ainda vivia, jejuei e chorei, pois pensava: ‘Quem sabe o SENHOR terá compaixão de mim, e o menino viverá?’
12:23 Mas agora ele morreu. Por que eu jejuaria? Posso trazê-lo de volta? Eu irei até ele, mas ele não voltará para mim.”
12:24 Davi consolou Bate-Seba, sua esposa, foi até ela e se deitou com ela. Ela deu à luz um filho, e Davi lhe deu o nome Salomão. O SENHOR o amou
12:25 e enviou uma mensagem por meio do profeta Natã, que lhe deu o nome Jedidias, por causa do SENHOR.
12:26 Joabe lutou contra Rabá dos amonitas e tomou a cidade real.
12:27 Enviou mensageiros a Davi e disse: “Lutei contra Rabá e também tomei a cidade das águas.
12:28 Agora reúna o restante do povo, acampe contra a cidade e a tome, para que eu não a tome e ela receba meu nome.”
12:29 Davi reuniu todo o povo, foi a Rabá, lutou contra ela e a tomou.
12:30 Tirou da cabeça do rei deles a coroa, que pesava cerca de trinta e quatro quilos de ouro e tinha uma pedra preciosa. Ela foi colocada sobre a cabeça de Davi. Ele também levou da cidade uma enorme quantidade de despojo.
12:31 Trouxe para fora o povo que havia nela e o pôs a trabalhar com serras, ferramentas de ferro para debulhar e machados de ferro, e o fez trabalhar no forno de tijolos. Assim fez com todas as cidades dos amonitas. Depois Davi e todo o povo voltaram para Jerusalém.

Capítulo 13
13:1 Depois disso, Absalão, filho de Davi, tinha uma irmã bonita chamada Tamar. Amnom, filho de Davi, se apaixonou por ela.
13:2 Amnom se angustiava tanto por sua irmã Tamar que chegou a adoecer. Ela era virgem, e a Amnom parecia impossível fazer alguma coisa com ela.
13:3 Amnom tinha um amigo chamado Jonadabe, filho de Simeia, irmão de Davi. Jonadabe era um homem muito astuto.
13:4 Ele lhe perguntou: “Por que você, filho do rei, está tão abatido a cada manhã? Não vai me contar?” Amnom respondeu: “Estou apaixonado por Tamar, irmã de meu irmão Absalão.”
13:5 Jonadabe lhe disse: “Deite-se na cama e finja estar doente. Quando seu pai vier ver você, diga a ele: ‘Por favor, que minha irmã Tamar venha me dar de comer. Que prepare a comida diante dos meus olhos, para que eu veja e coma da mão dela.’”
13:6 Amnom se deitou e fingiu estar doente. O rei foi vê-lo, e Amnom lhe disse: “Por favor, que minha irmã Tamar venha preparar dois bolos diante dos meus olhos, para que eu coma da mão dela.”
13:7 Davi mandou dizer a Tamar, em sua casa: “Por favor, vá à casa de seu irmão Amnom e prepare comida para ele.”
13:8 Tamar foi à casa de seu irmão Amnom, que estava deitado. Pegou a massa, amassou-a, preparou os bolos diante dos olhos dele e os assou.
13:9 Pegou a frigideira e os serviu diante dele, mas ele se recusou a comer. Amnom disse: “Façam todos sair de perto de mim.” E todos saíram.
13:10 Amnom disse a Tamar: “Traga a comida ao quarto, para que eu coma da sua mão.” Tamar pegou os bolos que havia feito e os levou ao quarto para seu irmão Amnom.
13:11 Quando ela os aproximou dele para que comesse, ele a agarrou e lhe disse: “Venha, deite-se comigo, minha irmã.”
13:12 Ela lhe respondeu: “Não, meu irmão! Não me force! Isso não se faz em Israel. Não cometa essa infâmia!
13:13 Para onde eu iria com minha desonra? E você seria como um dos perversos de Israel. Por favor, fale com o rei, pois ele não me negará a você.”
13:14 Mas ele não quis ouvi-la. Sendo mais forte que ela, a violentou e se deitou com ela.
13:15 Depois Amnom passou a odiá-la com um ódio muito grande. O ódio que sentia por ela era maior que o amor com que a havia amado. Amnom lhe disse: “Levante-se e vá embora!”
13:16 Ela respondeu: “Não! Mandar-me embora seria um mal maior que o outro que você me fez.” Mas ele não quis ouvi-la.
13:17 Chamou o jovem que o servia e disse: “Ponham esta para fora, longe de mim. E você, tranque a porta atrás dela.”
13:18 Ela usava uma túnica de mangas longas, pois assim se vestiam as filhas virgens do rei. O servo a pôs para fora e trancou a porta atrás dela.
13:19 Tamar pôs cinza sobre a cabeça e rasgou a túnica de mangas longas que vestia. Pôs a mão sobre a cabeça e saiu andando e gritando.
13:20 Seu irmão Absalão lhe perguntou: “Seu irmão Amnom esteve com você? Agora, minha irmã, fique em silêncio. Ele é seu irmão. Não se atormente com esse assunto.” Assim Tamar ficou desolada na casa de seu irmão Absalão.
13:21 Quando o rei Davi soube de tudo isso, ficou muito irado.
13:22 Absalão não falava com Amnom nem para mal nem para bem. Absalão odiava Amnom porque ele havia violentado sua irmã Tamar.
13:23 Dois anos depois, Absalão tinha tosquiadores em Baal-Hazor, perto de Efraim, e convidou todos os filhos do rei.
13:24 Absalão foi ao rei e disse: “Seu servo está com os tosquiadores. Por favor, que o rei e seus servos venham com seu servo.”
13:25 O rei respondeu a Absalão: “Não, meu filho. Não iremos todos, para não sermos um peso para você.” Embora Absalão insistisse, o rei não quis ir, mas o abençoou.
13:26 Absalão disse: “Se você não for, por favor, que meu irmão Amnom vá conosco.” O rei lhe perguntou: “Por que ele iria com você?”
13:27 Absalão insistiu, e o rei deixou ir com ele Amnom e todos os filhos do rei.
13:28 Absalão deu esta ordem aos seus jovens: “Fiquem atentos. Quando o coração de Amnom estiver alegre com o vinho e eu disser a vocês: ‘Ataquem Amnom!’, matem-no. Não tenham medo. Não sou eu quem está dando a ordem? Sejam fortes e corajosos!”
13:29 Os jovens de Absalão fizeram com Amnom o que Absalão havia ordenado. Então todos os filhos do rei se levantaram, montaram cada um em sua mula e fugiram.
13:30 Enquanto estavam a caminho, chegou a Davi esta notícia: “Absalão matou todos os filhos do rei. Não sobrou nenhum deles.”
13:31 O rei se levantou, rasgou suas roupas e se deitou no chão. Todos os seus servos estavam de pé, com as roupas rasgadas.
13:32 Mas Jonadabe, filho de Simeia, irmão de Davi, disse: “Que meu senhor não pense que mataram todos os jovens filhos do rei. Só Amnom morreu. Absalão havia decidido isso desde o dia em que Amnom violentou sua irmã Tamar.
13:33 Agora, que meu senhor, o rei, não leve a peito a notícia de que todos os filhos do rei morreram. Só Amnom morreu.”
13:34 Absalão havia fugido. O jovem sentinela ergueu o olhar e viu muita gente vindo pelo caminho às suas costas, pela encosta do monte.
13:35 Jonadabe disse ao rei: “Veja, os filhos do rei estão chegando. Aconteceu como seu servo disse.”
13:36 Assim que terminou de falar, chegaram os filhos do rei, ergueram a voz e choraram. Também o rei e todos os seus servos choraram muito.
13:37 Absalão fugiu e foi para junto de Talmai, filho de Amiur, rei de Gesur. Davi pranteava por seu filho todos os dias.
13:38 Absalão havia fugido para Gesur e ficou ali três anos.
13:39 O rei Davi ansiava por ir até Absalão, pois já se havia consolado pela morte de Amnom.

Capítulo 14
14:1 Joabe, filho de Zeruia, percebeu que o coração do rei estava voltado para Absalão.
14:2 Joabe mandou buscar em Tecoa uma mulher sábia e lhe disse: “Finja estar de luto. Vista roupas de luto e não se unja com óleo. Apresente-se como uma mulher que há muitos dias pranteia por um morto.
14:3 Vá ao rei e fale com ele desta maneira.” E Joabe lhe pôs as palavras na boca.
14:4 A mulher de Tecoa falou ao rei, caiu com o rosto em terra, se prostrou e disse: “Ajude-me, ó rei!”
14:5 O rei lhe perguntou: “O que aconteceu com você?” Ela respondeu: “Sou viúva. Meu marido morreu.
14:6 Sua serva tinha dois filhos. Os dois brigaram no campo, e não havia ninguém para separá-los. Um feriu o outro e o matou.
14:7 Agora toda a família se levantou contra sua serva e diz: ‘Entregue aquele que matou o irmão, para que o matemos pela vida do irmão que ele matou e eliminemos também o herdeiro.’ Assim apagarão a única brasa que me resta, sem deixar ao meu marido nome nem descendência sobre a face da terra.”
14:8 O rei disse à mulher: “Vá para casa. Eu darei ordens a seu respeito.”
14:9 A mulher de Tecoa disse ao rei: “Meu senhor, o rei, que a culpa recaia sobre mim e sobre a casa de meu pai. Que o rei e seu trono fiquem livres de culpa.”
14:10 O rei disse: “Quem falar contra você, traga-o a mim, e ele não voltará a tocar em você.”
14:11 Ela disse: “Por favor, que o rei se lembre do SENHOR, seu Deus, para que o vingador do sangue não aumente a destruição e não matem meu filho.” Ele respondeu: “Tão certo como vive o SENHOR, nem um cabelo de seu filho cairá por terra!”
14:12 A mulher disse: “Por favor, permita que sua serva diga uma palavra ao meu senhor, o rei.” Ele respondeu: “Fale.”
14:13 A mulher disse: “Por que você planejou algo assim contra o povo de Deus? Ao pronunciar essa decisão, o rei se declara culpado, pois não traz de volta o seu desterrado.
14:14 Certamente morreremos. Somos como água derramada no chão, que não pode ser recolhida. Mas Deus não tira a vida; ele planeja meios para que o desterrado não permaneça afastado dele.
14:15 Vim dizer isso ao meu senhor, o rei, porque o povo me amedrontou. Sua serva pensou: ‘Vou falar com o rei. Talvez o rei faça o que sua serva pede.
14:16 O rei ouvirá e livrará sua serva da mão do homem que quer eliminar a mim e a meu filho da herança de Deus.’
14:17 Sua serva também pensou: ‘Que a palavra de meu senhor, o rei, me dê descanso, pois meu senhor, o rei, é como um anjo de Deus para discernir o bem e o mal.’ Que o SENHOR, seu Deus, esteja com você!”
14:18 O rei respondeu à mulher: “Por favor, não me esconda nada do que vou perguntar.” A mulher disse: “Que fale meu senhor, o rei.”
14:19 O rei perguntou: “A mão de Joabe está com você em tudo isso?” A mulher respondeu: “Pela sua vida, meu senhor, o rei, ninguém pode se desviar nem para a direita nem para a esquerda de tudo o que meu senhor, o rei, disse. Foi seu servo Joabe quem me deu a ordem e pôs todas estas palavras na boca de sua serva.
14:20 Seu servo Joabe fez isso para mudar o rumo desse assunto. Mas meu senhor é sábio como um anjo de Deus para saber tudo o que acontece na terra.”
14:21 O rei disse a Joabe: “Está bem, concedo esse pedido. Vá e traga de volta o jovem Absalão.”
14:22 Joabe caiu com o rosto em terra, se prostrou e abençoou o rei. Disse: “Hoje seu servo sabe que encontrei favor aos seus olhos, meu senhor, o rei, porque o rei atendeu ao pedido de seu servo.”
14:23 Joabe se levantou, foi a Gesur e trouxe Absalão a Jerusalém.
14:24 Mas o rei disse: “Que ele vá para sua casa e não veja meu rosto.” Absalão foi para sua casa e não viu o rosto do rei.
14:25 Em todo o Israel, não havia homem tão elogiado por sua beleza como Absalão. Da planta dos pés ao alto da cabeça, não havia nele nenhum defeito.
14:26 Quando cortava o cabelo, o que fazia ao fim de cada ano porque lhe pesava muito, pesava o cabelo cortado: mais de dois quilos, segundo o padrão de peso do rei.
14:27 Absalão teve três filhos e uma filha chamada Tamar, uma mulher bonita.
14:28 Absalão ficou dois anos em Jerusalém sem ver o rosto do rei.
14:29 Absalão mandou chamar Joabe para enviá-lo ao rei, mas ele não quis ir. Mandou chamá-lo pela segunda vez, mas ele não quis ir.
14:30 Então disse aos seus servos: “Vejam, o campo de Joabe está ao lado do meu e tem cevada. Vão e ponham fogo nele.” E os servos de Absalão puseram fogo no campo.
14:31 Joabe se levantou, foi à casa de Absalão e lhe perguntou: “Por que seus servos puseram fogo no meu campo?”
14:32 Absalão respondeu a Joabe: “Mandei dizer a você: ‘Venha aqui, para que eu o envie ao rei para perguntar: “Por que vim de Gesur? Teria sido melhor eu ter ficado lá.”’ Agora quero ver o rosto do rei. Se há culpa em mim, que ele me mate.”
14:33 Joabe foi ao rei e lhe contou isso. O rei chamou Absalão, que foi até ele e se prostrou com o rosto em terra diante do rei. E o rei beijou Absalão.

Capítulo 15
15:1 Depois disso, Absalão providenciou para si um carro, cavalos e cinquenta homens que corressem à sua frente.
15:2 Absalão se levantava cedo e ficava junto ao caminho do portão. Quando alguém vinha ao rei com uma causa para ser julgada, Absalão o chamava e perguntava: “De que cidade você é?” Ele respondia: “Seu servo é de uma das tribos de Israel.”
15:3 Absalão lhe dizia: “Veja, seus argumentos são bons e justos, mas você não tem ninguém da parte do rei para ouvir sua causa.”
15:4 E Absalão acrescentava: “Quem me dera ser juiz nesta terra! Todos os que tivessem uma disputa ou uma causa viriam a mim, e eu lhes faria justiça.”
15:5 Quando alguém se aproximava para se prostrar diante dele, Absalão estendia a mão, o segurava e o beijava.
15:6 Absalão fazia isso com todos os israelitas que vinham ao rei para obter justiça. Assim Absalão roubava o coração dos homens de Israel.
15:7 Ao fim de quarenta anos, Absalão disse ao rei: “Por favor, deixe-me ir a Hebrom para cumprir o voto que fiz ao SENHOR.
15:8 Pois seu servo fez um voto quando eu morava em Gesur de Arã, dizendo: ‘Se o SENHOR de fato me fizer voltar a Jerusalém, servirei ao SENHOR.’”
15:9 O rei lhe disse: “Vá em paz.” Absalão se levantou e foi a Hebrom.
15:10 Absalão enviou espiões por todas as tribos de Israel, dizendo: “Quando ouvirem o som da trombeta, digam: ‘Absalão reina em Hebrom!’”
15:11 Duzentos homens de Jerusalém foram com Absalão como convidados. Iam de boa-fé, sem saber nada do assunto.
15:12 Enquanto oferecia os sacrifícios, Absalão mandou buscar Aitofel, o gilonita, conselheiro de Davi, em sua cidade, Gilo. A conspiração se fortalecia, e o número dos que estavam com Absalão aumentava.
15:13 Um mensageiro foi a Davi e disse: “O coração dos homens de Israel segue Absalão.”
15:14 Davi disse a todos os seus servos que estavam com ele em Jerusalém: “Levantem-se e vamos fugir, pois não conseguiremos escapar de Absalão. Apressem-se em sair, para que ele não se apresse, nos alcance, traga a desgraça sobre nós e fira a cidade ao fio da espada.”
15:15 Os servos do rei lhe responderam: “Aqui estão seus servos para tudo o que meu senhor, o rei, decidir.”
15:16 O rei saiu com toda a sua família seguindo-o. Deixou dez concubinas para cuidar da casa.
15:17 O rei saiu com todo o povo seguindo-o, e pararam na casa mais distante.
15:18 Todos os seus servos passavam ao seu lado. Todos os queretitas, todos os peletitas e todos os geteus, seiscentos homens que o haviam seguido desde Gate, passavam diante do rei.
15:19 O rei disse a Itai, o geteu: “Por que você também iria conosco? Volte e fique com o rei, pois você é estrangeiro e está desterrado de sua terra.
15:20 Você chegou ontem, e hoje eu faria você vagar conosco, quando eu mesmo vou para onde puder ir? Volte e leve seus irmãos de volta com você. Que o amor fiel e a fidelidade estejam com você.”
15:21 Itai respondeu ao rei: “Tão certo como vive o SENHOR e como vive meu senhor, o rei, onde meu senhor, o rei, estiver, seja para a morte, seja para a vida, ali estará seu servo!”
15:22 Davi disse a Itai: “Vá e passe adiante.” Assim Itai, o geteu, passou com todos os seus homens e todas as crianças que estavam com ele.
15:23 Todo o país chorava em alta voz enquanto todo o povo passava. O rei atravessou o ribeiro de Cedrom, e todo o povo seguiu pelo caminho em direção ao deserto.
15:24 Zadoque também estava ali, com todos os levitas, que carregavam a arca da aliança de Deus. Puseram a arca de Deus no chão, e Abiatar subiu enquanto todo o povo terminava de sair da cidade.
15:25 O rei disse a Zadoque: “Leve a arca de Deus de volta à cidade. Se eu encontrar favor aos olhos do SENHOR, ele me fará voltar e me permitirá vê-la e ver sua morada.
15:26 Mas, se ele disser: ‘Não tenho prazer em você’, aqui estou. Que ele faça comigo o que for bom aos seus olhos.”
15:27 O rei também disse ao sacerdote Zadoque: “Você não é um vidente? Volte em paz à cidade, e que seus dois filhos estejam com vocês: Aimaás, seu filho, e Jônatas, filho de Abiatar.
15:28 Vejam, vou esperar nos pontos de travessia do deserto, até que chegue alguma notícia de vocês para me informar.”
15:29 Zadoque e Abiatar levaram a arca de Deus de volta a Jerusalém e ficaram ali.
15:30 Davi subia a encosta das Oliveiras, chorando, com a cabeça coberta e os pés descalços. Todos os que estavam com ele cobriram a cabeça e subiam chorando.
15:31 Informaram a Davi: “Aitofel está entre os conspiradores com Absalão.” Davi disse: “SENHOR, por favor, transforma em insensatez o conselho de Aitofel!”
15:32 Quando Davi chegou ao alto, onde se costumava adorar a Deus, Husai, o arquita, veio ao seu encontro com a túnica rasgada e terra sobre a cabeça.
15:33 Davi lhe disse: “Se você passar comigo, será um peso para mim.
15:34 Mas, se voltar à cidade e disser a Absalão: ‘Serei seu servo, ó rei. Antes fui servo de seu pai; agora serei seu servo’, você poderá frustrar para mim o conselho de Aitofel.
15:35 Não estarão ali com você os sacerdotes Zadoque e Abiatar? Tudo o que ouvir na casa do rei, conte aos sacerdotes Zadoque e Abiatar.
15:36 Os dois filhos deles estão ali com eles: Aimaás, de Zadoque, e Jônatas, de Abiatar. Por meio deles, vocês me enviarão tudo o que ouvirem.”
15:37 Assim Husai, amigo de Davi, entrou na cidade quando Absalão chegava a Jerusalém.

Capítulo 16
16:1 Davi havia passado um pouco além do alto quando Ziba, servo de Mefibosete, veio ao seu encontro com dois jumentos selados. Sobre eles havia duzentos pães, cem cachos de passas, cem porções de frutas de verão e um odre de vinho.
16:2 O rei perguntou a Ziba: “Para que você trouxe essas coisas?” Ziba respondeu: “Os jumentos são para a família do rei montar e combater; as frutas de verão, para os jovens comerem; e o vinho, para os que se cansarem no deserto beberem.”
16:3 O rei perguntou: “Onde está o descendente de seu senhor?” Ziba respondeu ao rei: “Ele ficou em Jerusalém, pois disse: ‘Hoje a casa de Israel me devolverá o reino de meu avô.’”
16:4 O rei disse a Ziba: “Tudo o que pertence a Mefibosete é seu.” Ziba respondeu: “Eu me prostro. Que eu encontre favor aos seus olhos, meu senhor, o rei.”
16:5 Quando o rei Davi chegou a Baurim, saiu dali um homem da família da casa de Saul, chamado Simei, filho de Gera. Ele vinha amaldiçoando.
16:6 Atirava pedras em Davi e em todos os servos do rei Davi, embora todo o povo e todos os valentes estivessem à direita e à esquerda dele.
16:7 Ao amaldiçoá-lo, Simei dizia: “Fora, fora, homem sanguinário e perverso!
16:8 O SENHOR fez recair sobre você todo o sangue da casa de Saul, em cujo lugar você reinou. O SENHOR entregou o reino nas mãos de seu filho Absalão. Agora você está na sua própria desgraça, pois é um homem sanguinário!”
16:9 Abisai, filho de Zeruia, disse ao rei: “Por que esse cachorro morto amaldiçoaria meu senhor, o rei? Deixe-me passar e cortar a cabeça dele.”
16:10 O rei respondeu: “O que tenho eu com vocês, filhos de Zeruia? Se ele amaldiçoa e se o SENHOR lhe disse: ‘Amaldiçoe Davi’, quem lhe perguntará: ‘Por que você fez isso?’”
16:11 Davi disse a Abisai e a todos os seus servos: “Meu filho, que saiu das minhas entranhas, procura tirar minha vida. Quanto mais esse benjaminita! Deixem-no amaldiçoar, pois o SENHOR lhe disse que fizesse isso.
16:12 Talvez o SENHOR olhe para minha culpa, e o SENHOR me retribua com o bem a maldição dele neste dia.”
16:13 Davi e seus homens seguiram pelo caminho, enquanto Simei ia pela encosta do monte, em frente a ele. Caminhava amaldiçoando, atirava pedras contra ele e levantava poeira.
16:14 O rei e todo o povo que estava com ele chegaram cansados, e ele descansou ali.
16:15 Absalão e todo o povo, os homens de Israel, entraram em Jerusalém, e Aitofel estava com ele.
16:16 Quando Husai, o arquita, amigo de Davi, chegou a Absalão, lhe disse: “Viva o rei! Viva o rei!”
16:17 Absalão perguntou a Husai: “É essa a sua lealdade ao seu amigo? Por que você não foi com seu amigo?”
16:18 Husai respondeu a Absalão: “Não! Não pertencerei eu àquele que o SENHOR, este povo e todos os homens de Israel escolheram? Com ele ficarei.
16:19 Além disso, a quem servirei? Não será ao filho dele? Assim como servi diante de seu pai, assim estarei diante de você.”
16:20 Absalão disse a Aitofel: “Deem seu conselho. O que faremos?”
16:21 Aitofel respondeu a Absalão: “Deite-se com as concubinas de seu pai, que ele deixou para cuidar da casa. Todo o Israel ouvirá que você se tornou odioso a seu pai, e se fortalecerão as mãos de todos os que estão com você.”
16:22 Levantaram para Absalão uma tenda no terraço, e ele se deitou com as concubinas de seu pai à vista de todo o Israel.
16:23 Naqueles dias, o conselho que Aitofel dava era como consultar a palavra de Deus. Assim era considerado todo conselho de Aitofel, tanto por Davi como por Absalão.

Capítulo 17
17:1 Aitofel disse a Absalão: “Deixe-me escolher doze mil homens. Vou partir e perseguir Davi esta noite.
17:2 Caírei sobre ele enquanto estiver cansado e com as mãos sem forças. Vou aterrorizá-lo, e todo o povo que está com ele fugirá. Matarei somente o rei
17:3 e farei todo o povo voltar a você. A volta de todos depende do homem que você procura. Todo o povo estará em paz.”
17:4 Esse conselho pareceu bom a Absalão e a todos os anciãos de Israel.
17:5 Mas Absalão disse: “Chame também Husai, o arquita, e vamos ouvir o que ele tem a dizer.”
17:6 Husai foi a Absalão, que lhe disse: “Foi isso que Aitofel aconselhou. Devemos seguir seu conselho? Se não, fale você.”
17:7 Husai respondeu a Absalão: “Desta vez, o conselho que Aitofel deu não é bom.”
17:8 Husai acrescentou: “Você conhece seu pai e os homens dele. São valentes e estão enfurecidos como uma ursa no campo que perdeu seus filhotes. Seu pai é um homem de guerra e não passará a noite com o povo.
17:9 Agora ele estará escondido numa das covas ou em outro lugar. Se alguns dos seus homens caírem logo no começo, quem souber disso dirá: ‘Houve uma matança entre o povo que segue Absalão.’
17:10 Então até o valente que tem coração de leão se derreterá de medo. Pois todo o Israel sabe que seu pai é valente e que os homens que estão com ele são corajosos.
17:11 Por isso, meu conselho é que todo o Israel se reúna a você, desde Dã até Berseba, tão numeroso como a areia junto ao mar, e que você mesmo vá à batalha.
17:12 Iremos contra ele num dos lugares onde for encontrado e cairemos sobre ele como o orvalho cai sobre a terra. Não restará nem ele nem um só dos homens que estão com ele.
17:13 Se ele se refugiar numa cidade, todo o Israel levará cordas àquela cidade, e a arrastaremos até o ribeiro, até não se encontrar ali nem uma pedrinha.”
17:14 Absalão e todos os homens de Israel disseram: “O conselho de Husai, o arquita, é melhor que o de Aitofel.” Pois o SENHOR havia determinado frustrar o bom conselho de Aitofel, para que o SENHOR trouxesse a desgraça sobre Absalão.
17:15 Husai disse aos sacerdotes Zadoque e Abiatar: “Isto e aquilo aconselhou Aitofel a Absalão e aos anciãos de Israel, e isto e aquilo aconselhei eu.
17:16 Agora mandem depressa um aviso a Davi, dizendo: ‘Não passe esta noite nas campinas do deserto. Atravesse sem falta, para que o rei e todo o povo que está com ele não sejam destruídos.’”
17:17 Jônatas e Aimaás estavam em En-Rogel. Uma serva ia informá-los, e eles iam contar ao rei Davi, pois não podiam ser vistos entrando na cidade.
17:18 Mas um jovem os viu e contou a Absalão. Os dois partiram depressa e foram à casa de um homem em Baurim. Ele tinha um poço no pátio, e eles desceram para dentro dele.
17:19 A mulher pegou uma cobertura, estendeu-a sobre a boca do poço e espalhou grãos triturados por cima. Assim nada se soube do assunto.
17:20 Os servos de Absalão chegaram à casa da mulher e perguntaram: “Onde estão Aimaás e Jônatas?” A mulher respondeu: “Eles atravessaram o curso de água.” Os servos os procuraram, não os encontraram e voltaram para Jerusalém.
17:21 Depois que eles partiram, os dois saíram do poço e foram informar o rei Davi. Disseram a Davi: “Levantem-se e atravessem depressa as águas, pois foi esse o conselho que Aitofel deu contra vocês.”
17:22 Davi e todo o povo que estava com ele se levantaram e atravessaram o Jordão. Ao amanhecer, não faltava nem um só que não tivesse atravessado o Jordão.
17:23 Quando Aitofel viu que seu conselho não havia sido seguido, selou o jumento, partiu e foi para sua casa, em sua cidade. Pôs em ordem os assuntos de sua casa e se enforcou. Morreu e foi sepultado no túmulo de seu pai.
17:24 Davi chegou a Maanaim, e Absalão atravessou o Jordão com todos os homens de Israel.
17:25 Absalão havia posto Amasa à frente do exército em lugar de Joabe. Amasa era filho de um homem chamado Itra, o israelita, que havia se unido a Abigail, filha de Naás e irmã de Zeruia, mãe de Joabe.
17:26 Israel e Absalão acamparam na terra de Gileade.
17:27 Quando Davi chegou a Maanaim, Sobi, filho de Naás, de Rabá dos amonitas, Maquir, filho de Amiel, de Lo-Debar, e Barzilai, o gileadita, de Rogelim,
17:28 trouxeram camas, bacias, vasos de barro, trigo, cevada, farinha, grão torrado, favas, lentilhas e grão torrado,
17:29 mel, manteiga, ovelhas e queijos de vaca. Ofereceram essas coisas a Davi e ao povo que estava com ele, para que comessem, pois diziam: “O povo está faminto, cansado e sedento no deserto.”

Capítulo 18
18:1 Davi passou em revista o povo que estava com ele e pôs à frente deles chefes de mil e chefes de cem.
18:2 Davi enviou o povo, um terço sob o comando de Joabe, um terço sob o comando de Abisai, filho de Zeruia e irmão de Joabe, e um terço sob o comando de Itai, o geteu. O rei disse ao povo: “Eu também sairei com vocês.”
18:3 Mas o povo respondeu: “Você não deve sair. Se fugirmos, não darão atenção a nós. Se metade de nós morrer, também não darão atenção, pois agora há dez mil como nós. Por isso, será melhor que você nos ajude da cidade.”
18:4 O rei lhes disse: “Farei o que for bom aos olhos de vocês.” O rei ficou ao lado do portão, enquanto todo o povo saía em grupos de cem e de mil.
18:5 O rei deu esta ordem a Joabe, Abisai e Itai: “Por minha causa, tratem com brandura o jovem Absalão.” Todo o povo ouviu quando o rei deu aos chefes essa ordem a respeito de Absalão.
18:6 O povo saiu ao campo para enfrentar Israel, e a batalha aconteceu no bosque de Efraim.
18:7 Ali o povo de Israel foi derrotado pelos servos de Davi. Naquele dia houve uma grande matança de vinte mil homens.
18:8 A batalha se espalhou por toda a região. Naquele dia, o bosque devorou mais gente que a espada.
18:9 Absalão se encontrou com os servos de Davi. Ele ia montado num mulo, que passou debaixo dos galhos espessos de um grande terebinto. A cabeça de Absalão ficou presa no terebinto, e ele ficou suspenso entre o céu e a terra, enquanto o mulo que ele montava seguiu adiante.
18:10 Um homem viu isso e contou a Joabe: “Vi Absalão pendurado num terebinto.”
18:11 Joabe disse ao homem que lhe trazia a notícia: “Você o viu? Por que não o derrubou ali mesmo? Eu teria dado a você cerca de cento e catorze gramas de prata e um cinto.”
18:12 O homem respondeu a Joabe: “Nem que pesassem em minhas mãos cerca de onze quilos e quatrocentos gramas de prata eu estenderia a mão contra o filho do rei. Nós ouvimos o rei dar esta ordem a você, a Abisai e a Itai: ‘Tenham cuidado com o jovem Absalão.’
18:13 Se eu tivesse agido com traição contra a vida dele, nada se teria ocultado ao rei, e você mesmo ficaria de lado.”
18:14 Joabe respondeu: “Não vou ficar esperando aqui com você.” Pegou três dardos na mão e os cravou no coração de Absalão, que ainda estava vivo no meio do terebinto.
18:15 Dez jovens que carregavam as armas de Joabe cercaram Absalão, o feriram e o mataram.
18:16 Joabe tocou a trombeta, e o povo deixou de perseguir Israel, pois Joabe o conteve.
18:17 Pegaram Absalão e o lançaram numa grande cova no bosque. Levantaram sobre ele um enorme monte de pedras. Todo o Israel fugiu, cada um para sua tenda.
18:18 Em vida, Absalão havia erguido para si a coluna que está no vale do Rei, pois dizia: “Não tenho filho que conserve a memória do meu nome.” Deu à coluna seu próprio nome, e até hoje ela é chamada Monumento de Absalão.
18:19 Aimaás, filho de Zadoque, disse: “Deixe-me correr e anunciar ao rei que o SENHOR lhe fez justiça, livrando-o das mãos de seus inimigos.”
18:20 Joabe lhe respondeu: “Hoje você não será portador de boas notícias. Você as levará em outro dia, mas hoje não, porque o filho do rei morreu.”
18:21 Joabe disse ao cuxita: “Vá contar ao rei o que você viu.” O cuxita se prostrou diante de Joabe e saiu correndo.
18:22 Aimaás, filho de Zadoque, insistiu com Joabe: “Aconteça o que acontecer, deixe-me correr também atrás do cuxita.” Joabe respondeu: “Por que você correria, meu filho, se não terá recompensa pela notícia?”
18:23 Ele disse: “Aconteça o que acontecer, correrei.” Joabe lhe disse: “Corra.” Aimaás correu pelo caminho da planície e ultrapassou o cuxita.
18:24 Davi estava sentado entre os dois portões. O sentinela subiu ao terraço do portão, junto à muralha, ergueu os olhos e viu um homem correndo sozinho.
18:25 O sentinela gritou e avisou o rei. O rei disse: “Se vem sozinho, traz boas notícias.” O homem se aproximava cada vez mais.
18:26 O sentinela viu outro homem correndo e gritou ao porteiro: “Vem outro homem correndo sozinho!” O rei disse: “Esse também traz notícias.”
18:27 O sentinela disse: “Vejo que o primeiro corre como Aimaás, filho de Zadoque.” O rei respondeu: “Esse é um homem bom e vem com boas notícias.”
18:28 Aimaás gritou ao rei: “Paz!” Prostrou-se diante do rei com o rosto em terra e disse: “Bendito seja o SENHOR, seu Deus, que entregou os homens que levantaram a mão contra meu senhor, o rei.”
18:29 O rei perguntou: “O jovem Absalão está bem?” Aimaás respondeu: “Vi um grande alvoroço quando Joabe enviou o servo do rei e seu servo, mas não sei o que era.”
18:30 O rei disse: “Afaste-se e fique aqui.” Ele se afastou e ficou de pé.
18:31 Então chegou o cuxita e disse: “Boas notícias para meu senhor, o rei! Hoje o SENHOR fez justiça a você, livrando-o das mãos de todos os que se levantaram contra você.”
18:32 O rei perguntou ao cuxita: “O jovem Absalão está bem?” O cuxita respondeu: “Que os inimigos de meu senhor, o rei, e todos os que se levantaram contra você para o mal sejam como aquele jovem.”
18:33 O rei se abalou, subiu ao quarto acima do portão e chorou. Enquanto subia, dizia: “Meu filho Absalão! Meu filho, meu filho Absalão! Quem me dera ter morrido em seu lugar! Absalão, meu filho, meu filho!”

Capítulo 19
19:1 Informaram a Joabe: “O rei está chorando e pranteando por Absalão.”
19:2 Naquele dia, a vitória se tornou luto para todo o povo, pois o povo soube naquele dia que o rei estava aflito por seu filho.
19:3 Naquele dia, o povo entrou às escondidas na cidade, como gente envergonhada que foge da batalha.
19:4 O rei cobria o rosto e gritava em alta voz: “Meu filho Absalão! Absalão, meu filho, meu filho!”
19:5 Joabe foi à casa onde estava o rei e disse: “Hoje você envergonhou todos os seus servos, que hoje salvaram sua vida, a vida de seus filhos e filhas, a vida de suas esposas e a vida de suas concubinas.
19:6 Você ama os que o odeiam e odeia os que o amam. Hoje deixou claro que seus chefes e servos nada significam para você. Hoje compreendi que, se Absalão estivesse vivo e todos nós estivéssemos mortos, isso seria bom aos seus olhos.
19:7 Agora levante-se, saia e fale ao coração de seus servos. Juro pelo SENHOR que, se você não sair, nem um homem ficará com você esta noite. Isso será pior para você que todas as desgraças que lhe aconteceram desde a juventude até agora.”
19:8 O rei se levantou e se sentou no portão. Anunciaram a todo o povo: “O rei está sentado no portão.” Então todo o povo veio à presença do rei. Israel havia fugido, cada um para suas tendas.
19:9 Em todas as tribos de Israel, o povo discutia, dizendo: “O rei nos livrou das mãos de nossos inimigos e nos salvou das mãos dos filisteus. Mas agora fugiu da terra por causa de Absalão.
19:10 Absalão, a quem ungimos sobre nós, morreu na batalha. Por que vocês ficam em silêncio sobre trazer o rei de volta?”
19:11 O rei Davi mandou dizer aos sacerdotes Zadoque e Abiatar: “Falem aos anciãos de Judá: ‘Por que vocês seriam os últimos a trazer o rei de volta à sua casa, quando as palavras de todo o Israel chegaram até o rei, à sua casa?
19:12 Vocês são meus irmãos, meu osso e minha carne. Por que seriam os últimos a trazer o rei de volta?’
19:13 E digam a Amasa: ‘Você não é meu osso e minha carne? Que Deus me castigue com toda a severidade se você não for comandante do exército diante de mim para sempre, no lugar de Joabe.’”
19:14 Assim ele inclinou o coração de todos os homens de Judá como o de um só homem. Eles mandaram dizer ao rei: “Volte com todos os seus servos.”
19:15 O rei iniciou a volta e chegou ao Jordão. Judá foi a Gilgal para receber o rei e ajudá-lo a atravessar o Jordão.
19:16 Simei, filho de Gera, o benjaminita de Baurim, se apressou e desceu com os homens de Judá ao encontro do rei Davi.
19:17 Com ele vieram mil homens de Benjamim. Também Ziba, servo da casa de Saul, veio com seus quinze filhos e seus vinte servos. Atravessaram o Jordão diante do rei.
19:18 Foi feita a travessia para levar a família do rei e fazer o que lhe parecesse bem. Simei, filho de Gera, se prostrou diante do rei durante a travessia do Jordão.
19:19 Disse ao rei: “Que meu senhor não me atribua culpa nem se lembre do mal que seu servo fez no dia em que meu senhor, o rei, saiu de Jerusalém. Que o rei não guarde isso no coração.
19:20 Pois seu servo sabe que pequei. Por isso vim hoje, o primeiro de toda a casa de José a descer ao encontro de meu senhor, o rei.”
19:21 Abisai, filho de Zeruia, disse: “Simei não deve morrer por isso, já que amaldiçoou o ungido do SENHOR?”
19:22 Davi respondeu: “O que tenho eu com vocês, filhos de Zeruia, para que hoje sejam meus adversários? Alguém deve morrer hoje em Israel? Não sei eu que hoje sou rei sobre Israel?”
19:23 O rei disse a Simei: “Você não morrerá.” E o rei lhe jurou isso.
19:24 Mefibosete, neto de Saul, também desceu ao encontro do rei. Não havia cuidado dos pés, nem aparado o bigode, nem lavado as roupas desde o dia em que o rei partiu até o dia em que voltou em paz.
19:25 Quando ele chegou a Jerusalém para encontrar o rei, o rei lhe perguntou: “Por que você não foi comigo, Mefibosete?”
19:26 Ele respondeu: “Meu senhor, o rei, meu servo me enganou. Pois seu servo havia dito: ‘Vou selar para mim o jumento, montar nele e ir com o rei’, porque seu servo é manco.
19:27 Mas ele caluniou seu servo diante de meu senhor, o rei. Meu senhor, o rei, é como um anjo de Deus. Faça o que for bom aos seus olhos.
19:28 Pois toda a casa de meu pai não era senão gente digna de morte diante de meu senhor, o rei. Contudo, você pôs seu servo entre os que comem à sua mesa. Que direito ainda tenho de continuar apelando ao rei?”
19:29 O rei lhe disse: “Por que continuar falando do seu assunto? Decidi que você e Ziba repartirão as terras.”
19:30 Mefibosete respondeu ao rei: “Que ele fique com tudo, já que meu senhor, o rei, voltou em paz à sua casa.”
19:31 Barzilai, o gileadita, desceu de Rogelim e atravessou o Jordão com o rei para se despedir dele no Jordão.
19:32 Barzilai era muito idoso. Tinha oitenta anos e havia sustentado o rei durante sua permanência em Maanaim, pois era um homem muito rico.
19:33 O rei disse a Barzilai: “Atravesse comigo, e eu sustentarei você junto de mim em Jerusalém.”
19:34 Barzilai respondeu ao rei: “Quantos anos de vida me restam para subir com o rei a Jerusalém?
19:35 Hoje tenho oitenta anos. Posso distinguir o agradável do desagradável? Pode seu servo saborear o que come e bebe? Posso ainda ouvir a voz dos cantores e das cantoras? Por que seu servo seria mais um peso para meu senhor, o rei?
19:36 Seu servo atravessará um pouco além do Jordão com o rei. Por que o rei me daria essa recompensa?
19:37 Por favor, permita que seu servo volte, para que eu morra em minha cidade, junto ao túmulo de meu pai e de minha mãe. Aqui está seu servo Quimã. Que ele atravesse com meu senhor, o rei. Faça por ele o que for bom aos seus olhos.”
19:38 O rei respondeu: “Quimã atravessará comigo, e farei por ele o que for bom aos seus olhos. Tudo o que você me pedir, farei por você.”
19:39 Todo o povo atravessou o Jordão, e o rei também atravessou. O rei beijou Barzilai e o abençoou, e ele voltou ao seu lugar.
19:40 O rei passou a Gilgal, e Quimã passou com ele. Todo o povo de Judá atravessou com o rei, e também metade do povo de Israel.
19:41 Todos os homens de Israel foram ao rei e lhe disseram: “Por que nossos irmãos, os homens de Judá, roubaram você e fizeram o rei e sua família atravessar o Jordão, com todos os homens de Davi?”
19:42 Todos os homens de Judá responderam aos homens de Israel: “Porque o rei é nosso parente. Por que vocês se irritam com isso? Comemos à custa do rei? Recebemos algum presente?”
19:43 Os homens de Israel responderam aos homens de Judá: “Temos dez partes no rei e também temos mais direito sobre Davi que vocês. Por que nos desprezaram? Não fomos os primeiros a falar em trazer nosso rei de volta?” Mas as palavras dos homens de Judá foram mais duras que as dos homens de Israel.

Capítulo 20
20:1 Encontrava-se ali um homem perverso chamado Seba, filho de Bicri, um benjaminita. Ele tocou a trombeta e disse: “Não temos parte em Davi nem herança no filho de Jessé. Cada um para suas tendas, ó Israel!”
20:2 Todos os homens de Israel deixaram de seguir Davi e seguiram Seba, filho de Bicri. Mas os homens de Judá permaneceram unidos ao seu rei, desde o Jordão até Jerusalém.
20:3 Davi chegou à sua casa em Jerusalém. O rei tomou as dez concubinas que havia deixado para cuidar da casa, as pôs numa casa sob guarda e as sustentou, mas não voltou a se deitar com elas. Permaneceram reclusas até o dia de sua morte, vivendo como viúvas.
20:4 O rei disse a Amasa: “Convoque para mim os homens de Judá dentro de três dias e apresente-se aqui também.”
20:5 Amasa foi convocar Judá, mas demorou além do prazo que o rei havia marcado para ele.
20:6 Davi disse a Abisai: “Agora Seba, filho de Bicri, nos fará mais mal que Absalão. Tome os servos de seu senhor e persiga-o, para que não encontre cidades fortificadas e escape da nossa vista.”
20:7 Os homens de Joabe, os queretitas, os peletitas e todos os valentes saíram atrás dele. Saíram de Jerusalém para perseguir Seba, filho de Bicri.
20:8 Estavam junto à grande pedra de Gibeão quando Amasa veio ao encontro deles. Joabe estava com a roupa cingida e, sobre ela, um cinto com a espada embainhada, presa à cintura. Quando ele avançou, a espada caiu.
20:9 Joabe disse a Amasa: “Você está bem, meu irmão?” Com a mão direita, Joabe pegou Amasa pela barba para beijá-lo.
20:10 Amasa não se protegeu da espada que estava na mão de Joabe. Joabe o feriu no ventre e derramou suas entranhas no chão. Não lhe deu um segundo golpe, e ele morreu. Joabe e seu irmão Abisai continuaram a perseguir Seba, filho de Bicri.
20:11 Um dos jovens de Joabe ficou junto a Amasa e disse: “Quem está a favor de Joabe e quem pertence a Davi, siga Joabe!”
20:12 Amasa jazia revolvido em sangue no meio do caminho. O homem viu que todo o povo parava. Então tirou Amasa do caminho, levou-o para o campo e lançou sobre ele uma roupa, pois via que todos os que chegavam paravam.
20:13 Depois que ele foi retirado do caminho, todos os homens seguiram Joabe para perseguir Seba, filho de Bicri.
20:14 Seba passou por todas as tribos de Israel até Abel e Bete-Maaca. Todos os beritas se reuniram e também o seguiram.
20:15 Chegaram e o cercaram em Abel-Bete-Maaca. Ergueram contra a cidade uma rampa que alcançou a fortificação. Todo o povo que estava com Joabe golpeava para derrubar a muralha.
20:16 Uma mulher sábia gritou da cidade: “Ouçam, ouçam! Por favor, digam a Joabe: ‘Aproxime-se aqui para que eu fale com você.’”
20:17 Ele se aproximou, e a mulher perguntou: “Você é Joabe?” Ele respondeu: “Sou.” Ela disse: “Ouça as palavras de sua serva.” Ele respondeu: “Estou ouvindo.”
20:18 Ela disse: “Antigamente se dizia: ‘Que peçam conselho em Abel’, e assim se resolvia o assunto.
20:19 Sou uma das pessoas pacíficas e fiéis de Israel. Você procura destruir uma cidade que é mãe em Israel. Por que devoraria a herança do SENHOR?”
20:20 Joabe respondeu: “Longe, longe de mim devorar ou destruir!
20:21 Não é assim o assunto. Um homem da região montanhosa de Efraim, chamado Seba, filho de Bicri, levantou a mão contra o rei Davi. Entreguem somente ele, e eu me retirarei da cidade.” A mulher disse a Joabe: “A cabeça dele será lançada para você por cima da muralha.”
20:22 A mulher foi a todo o povo com sua sabedoria. Cortaram a cabeça de Seba, filho de Bicri, e a lançaram para Joabe. Ele tocou a trombeta, e se afastaram da cidade, cada um para suas tendas. Joabe voltou a Jerusalém, ao rei.
20:23 Joabe estava à frente de todo o exército de Israel. Benaia, filho de Joiada, estava à frente dos cários e dos peletitas.
20:24 Adorão estava encarregado dos trabalhos forçados. Josafá, filho de Ailude, era cronista.
20:25 Seia era escriba. Zadoque e Abiatar eram sacerdotes.
20:26 Também Ira, o jairita, era sacerdote de Davi.

Capítulo 21
21:1 Nos dias de Davi, houve fome durante três anos, ano após ano. Davi buscou o rosto do SENHOR, e o SENHOR disse: “É por causa de Saul e de sua casa sanguinária, porque ele matou os gibeonitas.”
21:2 O rei chamou os gibeonitas e lhes falou. Os gibeonitas não eram israelitas, mas um remanescente dos amorreus. Os israelitas haviam feito um juramento a eles, mas Saul havia procurado matá-los por seu zelo em favor de Israel e de Judá.
21:3 Davi perguntou aos gibeonitas: “O que posso fazer por vocês? Como posso reparar o mal, para que abençoem a herança do SENHOR?”
21:4 Os gibeonitas lhe responderam: “Minha questão com Saul e com sua casa não é de prata nem de ouro, e não nos cabe matar ninguém em Israel.” Ele disse: “O que vocês disserem, farei por vocês.”
21:5 Eles disseram ao rei: “Daquele homem que nos destruiu e planejou nos exterminar, para que não restássemos em nenhum território de Israel,
21:6 que nos sejam entregues sete homens de seus descendentes. Nós os penduraremos diante do SENHOR em Gibeá de Saul, o escolhido do SENHOR.” O rei respondeu: “Eu os entregarei.”
21:7 Mas o rei poupou Mefibosete, filho de Jônatas, filho de Saul, por causa do juramento perante o SENHOR que havia entre Davi e Jônatas, filho de Saul.
21:8 O rei tomou os dois filhos que Rispa, filha de Aiá, havia dado a Saul, Armoni e Mefibosete, e os cinco filhos que Mical, filha de Saul, havia dado a Adriel, filho de Barzilai, o meolatita.
21:9 Entregou-os nas mãos dos gibeonitas, que os penduraram no monte diante do SENHOR. Os sete caíram juntos. Foram mortos nos primeiros dias da colheita, no começo da colheita da cevada.
21:10 Rispa, filha de Aiá, pegou um pano de luto e o estendeu para si sobre a rocha. Desde o começo da colheita até cair água do céu sobre eles, não deixou que as aves do céu pousassem sobre eles de dia nem que os animais do campo se aproximassem de noite.
21:11 Contaram a Davi o que Rispa, filha de Aiá, concubina de Saul, havia feito.
21:12 Davi foi buscar os ossos de Saul e os ossos de seu filho Jônatas com os moradores de Jabes-Gileade. Eles os haviam tirado às escondidas da praça de Bete-Seã, onde os filisteus os tinham pendurado no dia em que derrotaram Saul em Gilboa.
21:13 Davi trouxe de lá os ossos de Saul e os ossos de seu filho Jônatas. Também recolheram os ossos dos que haviam sido pendurados.
21:14 Sepultaram os ossos de Saul e de seu filho Jônatas na terra de Benjamim, em Zela, no túmulo de Quis, pai de Saul. Fizeram tudo o que o rei havia ordenado. Depois disso, Deus atendeu às súplicas pela terra.
21:15 Houve outra guerra dos filisteus contra Israel. Davi desceu com seus servos, e eles lutaram contra os filisteus. Davi ficou cansado.
21:16 Isbo-Benobe, um dos descendentes dos gigantes, tinha uma lança cuja ponta de bronze pesava mais de três quilos. Trazia uma espada nova e se propôs matar Davi.
21:17 Mas Abisai, filho de Zeruia, o socorreu, feriu o filisteu e o matou. Então os homens de Davi lhe juraram: “Você não voltará a sair conosco à batalha, para que não apague a lâmpada de Israel.”
21:18 Depois disso, houve outra batalha contra os filisteus em Gobe. Sibecai, o husatita, matou Safe, um dos descendentes dos gigantes.
21:19 Houve outra batalha contra os filisteus em Gobe. Elanã, filho de Jaaré-Oregim, o belemita, matou Golias, o geteu, cuja haste de lança era como um eixo de tear.
21:20 Houve outra batalha em Gate. Ali havia um homem de grande porte, com seis dedos em cada mão e seis em cada pé, vinte e quatro ao todo. Também ele descendia dos gigantes.
21:21 Ele desafiou Israel, e Jônatas, filho de Simei, irmão de Davi, o matou.
21:22 Esses quatro descendiam dos gigantes em Gate e caíram pelas mãos de Davi e de seus servos.

Capítulo 22
22:1 Davi dirigiu ao SENHOR as palavras deste cântico no dia em que o SENHOR o livrou das mãos de todos os seus inimigos e das mãos de Saul.
22:2 Ele disse: “O SENHOR é minha rocha, minha fortaleza e meu libertador,
22:3 meu Deus, minha rocha em quem me refugio, meu escudo e o chifre da minha salvação, meu alto refúgio e meu abrigo.
   Meu Salvador, tu me salvas da violência.
22:4 Invoco o SENHOR, digno de louvor, e sou salvo dos meus inimigos.
22:5 As ondas da morte me cercavam, torrentes de destruição me aterrorizavam.
22:6 As cordas do Seol me envolviam;
   as armadilhas da morte me vinham ao encontro.
22:7 Na minha angústia, invoquei o SENHOR e clamei ao meu Deus.
   Do seu templo ele ouviu minha voz, e meu clamor chegou aos seus ouvidos.
22:8 A terra se abalou e tremeu.
   Os fundamentos dos céus estremeceram e se sacudiram, pois ele se indignou.
22:9 Do seu nariz subiu fumaça;
   da sua boca saiu fogo devorador.
   Brasas se acenderam por ele.
22:10 Ele inclinou os céus e desceu, com densas trevas debaixo de seus pés.
22:11 Montou num querubim e voou;
   apareceu sobre as asas do vento.
22:12 Pôs ao seu redor trevas como tendas, acúmulo de águas e espessas nuvens dos céus.
22:13 Do resplendor diante dele se acenderam brasas de fogo.
22:14 O SENHOR trovejou dos céus, e o Altíssimo fez ouvir sua voz.
22:15 Enviou flechas e os dispersou;
   lançou um relâmpago e os confundiu.
22:16 Os leitos do mar apareceram, e os fundamentos do mundo ficaram descobertos diante da repreensão do SENHOR, ao sopro do vento de seu nariz.
22:17 Do alto estendeu a mão e me tomou;
   tirou-me das muitas águas.
22:18 Livrou-me do meu inimigo poderoso e dos que me odiavam, pois eram mais fortes que eu.
22:19 Eles me enfrentaram no dia da minha desgraça, mas o SENHOR foi meu apoio.
22:20 Ele me tirou para um lugar espaçoso;
   livrou-me porque se agradou de mim.
22:21 O SENHOR me recompensou conforme a minha justiça;
   retribuiu-me conforme a pureza das minhas mãos.
22:22 Pois guardei os caminhos do SENHOR e não me afastei do meu Deus com maldade.
22:23 Todo o seu juízo está diante de mim, e não me afasto de seus estatutos.
22:24 Fui íntegro diante dele e me guardei da minha maldade.
22:25 O SENHOR me retribuiu conforme a minha justiça, conforme a minha pureza diante dos seus olhos.
22:26 Com o fiel te mostras fiel;
   com o valente íntegro te mostras íntegro.
22:27 Com o puro te mostras puro;
   com o tortuoso te mostras sagaz.
22:28 Tu salvas o povo aflito, mas teus olhos estão sobre os altivos para abatê-los.
22:29 Pois tu és minha lâmpada, SENHOR;
   o SENHOR ilumina minhas trevas.
22:30 Contigo avanço contra uma tropa;
   com meu Deus salto uma muralha.
22:31 O caminho de Deus é perfeito;
   a palavra do SENHOR é refinada.
   Ele é escudo para todos os que nele se refugiam.
22:32 Pois quem é Deus além do SENHOR?
   E quem é rocha além do nosso Deus?
22:33 Deus é minha fortaleza poderosa e desimpede por completo o seu caminho.
22:34 Faz seus pés como os das corças e me firma sobre minhas alturas.
22:35 Adestra minhas mãos para a guerra, de modo que meus braços vergam um arco de bronze.
22:36 Tu me deste o escudo da tua salvação, e tua resposta me engrandece.
22:37 Alargaste o lugar dos meus passos debaixo de mim, e meus tornozelos não vacilaram.
22:38 Persegui meus inimigos e os destruí;
   não voltei até acabar com eles.
22:39 Eu os consumi e esmaguei, e não se levantaram;
   caíram debaixo dos meus pés.
22:40 Tu me cingiste de força para a batalha;
   fizeste os que se levantavam contra mim se curvarem debaixo de mim.
22:41 Fizeste meus inimigos me virarem as costas, e destruí os que me odiavam.
22:42 Buscaram ajuda, mas não houve quem os salvasse;
   buscaram o SENHOR, mas ele não lhes respondeu.
22:43 Eu os triturei como o pó da terra;
   como a lama das ruas os esmaguei e pisoteei.
22:44 Tu me livraste das contendas do meu povo e me guardaste como cabeça de nações.
   Um povo que eu não conhecia me serve.
22:45 Os estrangeiros se submetem a mim;
   assim que me ouvem, me obedecem.
22:46 Os estrangeiros desfalecem e se cingem ao sair de suas fortalezas.
22:47 Vive o SENHOR!
   Bendita seja minha rocha!
   Exaltado seja Deus, a rocha da minha salvação,
22:48 o Deus que me concede vingança e submete povos debaixo de mim,
22:49 que me tira do meio dos meus inimigos.
   Tu me exaltas acima dos que se levantam contra mim e me livras do homem violento.
22:50 Por isso te darei graças entre as nações, SENHOR, e cantarei louvores ao teu nome.
22:51 Ele dá grandes livramentos a seu rei e mostra amor fiel a seu ungido, a Davi e à sua descendência para sempre.”

Capítulo 23
23:1 Estas são as últimas palavras de Davi:
 “Declaração de Davi, filho de Jessé, declaração do homem levantado ao alto, do ungido do Deus de Jacó, do agradável cantor de Israel:
23:2 O Espírito do SENHOR falou por mim, e sua palavra esteve na minha língua.
23:3 O Deus de Israel falou;
   a Rocha de Israel me disse: ‘Quem governa os seres humanos com justiça, quem governa no temor de Deus,
23:4 é como a luz da manhã ao nascer do sol, uma manhã sem nuvens, como o resplendor depois da chuva que faz a erva brotar da terra.’
23:5 Não é assim minha casa diante de Deus?
   Pois ele estabeleceu comigo uma aliança eterna, ordenada em tudo e segura.
   Não fará brotar toda a minha salvação e todo o meu desejo?
23:6 Mas os perversos são todos como espinhos que se lançam fora, pois não podem ser apanhados com a mão.
23:7 Quem os toca se arma de ferro e da haste de uma lança, e eles são inteiramente queimados em seu lugar.”
23:8 Estes são os nomes dos valentes de Davi: Josebe-Bassebete, o tacmonita, chefe dos Três. Era Adino, o ezno, que matou oitocentos homens de uma só vez.
23:9 Depois dele estava Eleazar, filho de Dodai, filho de um aoíta. Era um dos três valentes que estavam com Davi quando desafiaram os filisteus reunidos ali para a batalha, enquanto os homens de Israel se retiravam.
23:10 Ele se manteve firme e feriu os filisteus até sua mão se cansar e ficar presa à espada. Naquele dia, o SENHOR deu uma grande vitória. O povo voltou atrás dele somente para recolher o despojo.
23:11 Depois dele estava Samá, filho de Agé, o hararita. Os filisteus se reuniram numa tropa onde havia um campo cheio de lentilhas, e o povo fugiu dos filisteus.
23:12 Mas ele se firmou no meio do campo, o defendeu e feriu os filisteus. E o SENHOR deu uma grande vitória.
23:13 Trinta dos trinta chefes desceram na época da colheita e foram a Davi, à caverna de Adulão. Uma tropa de filisteus estava acampada no vale dos Refains.
23:14 Davi estava então na fortaleza, e uma guarnição dos filisteus estava em Belém.
23:15 Davi expressou este desejo: “Quem me dera beber água do poço de Belém que está junto ao portão!”
23:16 Os três valentes romperam pelo acampamento dos filisteus, tiraram água do poço de Belém junto ao portão e a trouxeram a Davi. Mas ele não quis beber a água e a derramou como oferta ao SENHOR.
23:17 Disse: “Longe de mim, SENHOR, fazer isso! Beberia eu o sangue dos homens que foram arriscando a vida?” E não quis beber a água. Essas coisas fizeram os três valentes.
23:18 Abisai, irmão de Joabe e filho de Zeruia, era chefe dos três. Ele ergueu a lança contra trezentos homens e os matou, e ganhou renome entre os três.
23:19 Foi o mais honrado dos três e se tornou chefe deles, mas não se igualou aos Três.
23:20 Benaia, filho de Joiada, filho de Is-Hai, era de Cabzeel e realizou muitas proezas. Matou dois campeões de Moabe. Também desceu a uma cova e matou ali um leão num dia de neve.
23:21 Ele também matou um egípcio que tinha aparência imponente. O egípcio trazia uma lança na mão, mas Benaia desceu contra ele com um bastão, arrancou a lança da mão do egípcio e o matou com a própria lança.
23:22 Essas coisas fez Benaia, filho de Joiada, e ganhou renome entre os três valentes.
23:23 Era mais honrado que os Trinta, mas não se igualou aos Três. Davi o pôs à frente de sua guarda pessoal.
23:24 Asael, irmão de Joabe, estava entre os Trinta; Elanã, filho de Dodô, de Belém;
23:25 Samá, o harodita; Elica, o harodita;
23:26 Heles, o paltita; Ira, filho de Iques, o tecoíta;
23:27 Abiezer, o anatotita; Mebunai, o husatita;
23:28 Zalmom, o aoíta; Maarai, o netofatita;
23:29 Helebe, filho de Baaná, o netofatita; Itai, filho de Ribai, de Gibeá dos benjaminitas;
23:30 Benaia, o piratonita; Hidai, dos ribeiros de Gaás;
23:31 Abi-Albom, o arbatita; Azmavete, o barumita;
23:32 Eliaba, o saalbonita; os filhos de Jasém; Jônatas;
23:33 Samá, o hararita; Aião, filho de Sarar, o ararita;
23:34 Elifelete, filho de Aasbai, filho de um maacatita; Eliã, filho de Aitofel, o gilonita;
23:35 Hezro, o carmelita; Paarai, o arbita;
23:36 Igal, filho de Natã, de Zobá; Bani, o gadita;
23:37 Zeleque, o amonita, e Naarai, o beerotita, escudeiros de Joabe, filho de Zeruia;
23:38 Ira, o itrita; Garebe, o itrita;
23:39 Urias, o hitita. Trinta e sete ao todo.

Capítulo 24
24:1 A ira do SENHOR voltou a se acender contra Israel, e ele incitou Davi contra eles, dizendo: “Vá e conte Israel e Judá.”
24:2 O rei disse a Joabe, comandante do exército que estava com ele: “Percorra, por favor, todas as tribos de Israel, desde Dã até Berseba, e façam a contagem do povo, para que eu saiba o número do povo.”
24:3 Joabe respondeu ao rei: “Que o SENHOR, seu Deus, multiplique este povo por cem, e que os olhos de meu senhor, o rei, o vejam. Mas por que meu senhor, o rei, deseja isso?”
24:4 Mas a ordem do rei prevaleceu sobre Joabe e os comandantes do exército. Joabe e os comandantes do exército saíram da presença do rei para contar o povo de Israel.
24:5 Atravessaram o Jordão e acamparam em Aroer, ao sul da cidade que está no meio do vale de Gade, em direção a Jazer.
24:6 Foram a Gileade e à terra de Tatim-Hodsi. Depois foram a Dã-Jaã e aos arredores de Sidom.
24:7 Foram à fortaleza de Tiro e a todas as cidades dos heveus e dos cananeus. Depois saíram para o Neguebe de Judá, até Berseba.
24:8 Percorreram toda a terra e, ao fim de nove meses e vinte dias, voltaram a Jerusalém.
24:9 Joabe entregou ao rei o resultado da contagem do povo. Em Israel havia oitocentos mil homens de guerra que manejavam a espada, e em Judá, quinhentos mil homens.
24:10 Depois de contar o povo, o coração de Davi o acusou. Davi disse ao SENHOR: “Pequei gravemente no que fiz. Agora, SENHOR, peço-te que perdoes a culpa do teu servo, pois agi com muita insensatez.”
24:11 Davi se levantou pela manhã, e a palavra do SENHOR veio ao profeta Gade, vidente de Davi, dizendo:
24:12 “Vá dizer a Davi: ‘Assim diz o SENHOR: Proponho a você três coisas. Escolha uma delas, e eu a farei a você.’”
24:13 Gade foi a Davi, transmitiu a mensagem e lhe disse: “Você quer que venham sete anos de fome em sua terra, ou fugir durante três meses dos seus inimigos enquanto o perseguem, ou que haja três dias de peste em sua terra? Agora pense e veja que resposta devo dar àquele que me enviou.”
24:14 Davi respondeu a Gade: “Estou muito angustiado. Caiamos nas mãos do SENHOR, pois muitas são suas misericórdias; mas que eu não caia em mãos humanas.”
24:15 O SENHOR enviou uma peste a Israel desde a manhã até o tempo determinado, e morreram setenta mil homens do povo, desde Dã até Berseba.
24:16 Quando o anjo estendeu a mão para Jerusalém a fim de destruí-la, o SENHOR desistiu daquela calamidade e disse ao anjo que destruía o povo: “Basta! Agora retire sua mão.” O anjo do SENHOR estava junto à eira de Orna, o jebuseu.
24:17 Ao ver o anjo que feria o povo, Davi falou ao SENHOR e disse: “Eu pequei, e eu pratiquei o mal. Mas estas ovelhas, o que fizeram? Peço-te que tua mão caia sobre mim e sobre a casa de meu pai.”
24:18 Naquele dia, Gade foi a Davi e lhe disse: “Suba e levante um altar ao SENHOR na eira de Arniá, o jebuseu.”
24:19 Davi subiu conforme a palavra de Gade, como o SENHOR havia ordenado.
24:20 Araúna olhou e viu o rei e seus servos se aproximando. Araúna saiu e se prostrou diante do rei com o rosto em terra.
24:21 Araúna perguntou: “Por que meu senhor, o rei, vem ao seu servo?” Davi respondeu: “Para comprar de você a eira e construir um altar ao SENHOR, a fim de que a praga cesse sobre o povo.”
24:22 Araúna disse a Davi: “Que meu senhor, o rei, tome e ofereça o que lhe parecer bem. Aqui estão os bois para o holocausto, e os instrumentos de debulhar e os arreios dos bois para lenha.
24:23 Tudo isso, ó rei, Araúna dá ao rei.” E Araúna disse ao rei: “Que o SENHOR, seu Deus, aceite você.”
24:24 Mas o rei respondeu a Araúna: “Não. Eu a comprarei de você pelo seu preço, pois não oferecerei ao SENHOR, meu Deus, holocaustos que não me custem nada.” Assim Davi comprou a eira e os bois por cinquenta siclos de prata, cerca de quinhentos e setenta gramas.
24:25 Davi construiu ali um altar ao SENHOR e ofereceu holocaustos e sacrifícios de paz. O SENHOR atendeu às súplicas pela terra, e a praga cessou em Israel.

1 REIS

Capítulo 1
1:1 O rei Davi já era idoso, de idade avançada. Cobriam-no com mantas, mas ele não se aquecia.
1:2 Seus servos lhe disseram: “Que procurem para meu senhor, o rei, uma jovem virgem que o atenda e cuide dele. Ela se deitará em seus braços, e meu senhor, o rei, se aquecerá”.
1:3 Procuraram uma jovem bonita por todo o território de Israel, encontraram Abisague, a sunamita, e a levaram ao rei.
1:4 A jovem era muito bonita; cuidava do rei e o servia, mas o rei não teve relações com ela.
1:5 Adonias, filho de Hagite, se exaltava, dizendo: “Eu serei rei”. Providenciou para si um carro, cavaleiros e cinquenta homens que corressem à sua frente.
1:6 Seu pai nunca o havia repreendido, perguntando: “Por que você fez isso?”. Ele também era muito bonito e havia nascido depois de Absalão.
1:7 Adonias conversou com Joabe, filho de Zeruia, e com o sacerdote Abiatar, e eles o apoiaram, tomando seu partido.
1:8 Mas o sacerdote Zadoque, Benaia, filho de Joiada, o profeta Natã, Simei, Reí e os guerreiros valentes de Davi não estavam com Adonias.
1:9 Adonias sacrificou ovelhas, bois e animais engordados junto à pedra de Zoelete, perto de En-Rogel. Convidou todos os seus irmãos, os filhos do rei, e todos os homens de Judá que serviam ao rei.
1:10 Mas não convidou o profeta Natã, Benaia, os guerreiros valentes nem seu irmão Salomão.
1:11 Então Natã disse a Bate-Seba, mãe de Salomão: “Você não soube que Adonias, filho de Hagite, se tornou rei sem que nosso senhor Davi saiba?
1:12 Agora venha, deixe-me dar a você um conselho para salvar sua vida e a de seu filho Salomão.
1:13 Vá ao rei Davi e diga a ele: ‘Meu senhor, o rei, não jurou à sua serva, dizendo: “Seu filho Salomão reinará depois de mim e se sentará no meu trono”? Por que, então, Adonias se tornou rei?’.
1:14 Enquanto você ainda estiver ali falando com o rei, eu entrarei em seguida e confirmarei suas palavras”.
1:15 Bate-Seba entrou no quarto do rei. Ele já era muito idoso, e Abisague, a sunamita, o servia.
1:16 Bate-Seba se inclinou e se prostrou diante do rei. Ele lhe perguntou: “O que você deseja?”.
1:17 Ela lhe respondeu: “Meu senhor, você jurou à sua serva pelo SENHOR, seu Deus: ‘Seu filho Salomão reinará depois de mim e se sentará no meu trono’.
1:18 Mas agora Adonias se tornou rei, e você, meu senhor, o rei, não sabe disso.
1:19 Ele sacrificou muitos bois, animais engordados e ovelhas, e convidou todos os filhos do rei, o sacerdote Abiatar e Joabe, comandante do exército; mas não convidou seu servo Salomão.
1:20 Meu senhor, o rei, os olhos de todo Israel estão voltados para você, para que lhes anuncie quem se sentará depois de você no trono de meu senhor, o rei.
1:21 Caso contrário, quando meu senhor, o rei, descansar com seus antepassados, eu e meu filho Salomão seremos considerados culpados”.
1:22 Enquanto ela ainda falava com o rei, chegou o profeta Natã.
1:23 Anunciaram ao rei: “O profeta Natã está aqui”. Ele entrou na presença do rei e se prostrou diante dele com o rosto em terra.
1:24 Natã disse: “Meu senhor, o rei, foi você quem disse: ‘Adonias reinará depois de mim e se sentará no meu trono’?
1:25 Pois hoje ele desceu e sacrificou muitos bois, animais engordados e ovelhas. Convidou todos os filhos do rei, os comandantes do exército e o sacerdote Abiatar. Agora estão comendo e bebendo diante dele, e dizem: ‘Viva o rei Adonias!’.
1:26 Mas não convidou a mim, seu servo, nem o sacerdote Zadoque, nem Benaia, filho de Joiada, nem seu servo Salomão.
1:27 Isso aconteceu por ordem de meu senhor, o rei, sem que você informasse a seus servos quem se sentará depois dele no trono de meu senhor, o rei?”.
1:28 Então o rei Davi respondeu: “Chamem Bate-Seba”. Ela entrou na presença do rei e ficou de pé diante dele.
1:29 O rei jurou, dizendo: “Tão certo como vive o SENHOR, que me resgatou de toda aflição,
1:30 hoje mesmo farei como jurei a você pelo SENHOR, o Deus de Israel, dizendo: ‘Seu filho Salomão reinará depois de mim e se sentará no meu trono, em meu lugar’”.
1:31 Bate-Seba se inclinou com o rosto em terra e se prostrou diante do rei, dizendo: “Viva para sempre meu senhor, o rei Davi!”.
1:32 O rei Davi disse: “Chamem o sacerdote Zadoque, o profeta Natã e Benaia, filho de Joiada”. Eles se apresentaram ao rei.
1:33 O rei lhes disse: “Levem com vocês os servos de seu senhor, façam meu filho Salomão montar na minha mula e o levem para baixo, até Giom.
1:34 Ali o sacerdote Zadoque e o profeta Natã o ungirão rei de Israel. Toquem a trombeta e digam: ‘Viva o rei Salomão!’.
1:35 Depois subam atrás dele. Ele virá, se sentará no meu trono e reinará em meu lugar. Eu o designei governante de Israel e de Judá”.
1:36 Benaia, filho de Joiada, respondeu ao rei: “Amém! Que assim o diga o SENHOR, o Deus de meu senhor, o rei.
1:37 Assim como o SENHOR esteve com meu senhor, o rei, esteja também com Salomão e torne seu trono maior que o trono de meu senhor, o rei Davi”.
1:38 O sacerdote Zadoque, o profeta Natã, Benaia, filho de Joiada, os quereteus e os peleteus desceram, fizeram Salomão montar na mula do rei Davi e o levaram a Giom.
1:39 O sacerdote Zadoque pegou na tenda o chifre com azeite e ungiu Salomão. Tocaram a trombeta, e todo o povo gritou: “Viva o rei Salomão!”.
1:40 Todo o povo subiu atrás dele, tocando flautas e celebrando com grande alegria. A terra se fendia com o clamor deles.
1:41 Adonias e todos os seus convidados ouviram isso quando terminavam de comer. Ao ouvir o som da trombeta, Joabe perguntou: “Por que há tanto alvoroço na cidade?”.
1:42 Ele ainda falava quando chegou Jônatas, filho do sacerdote Abiatar. Adonias lhe disse: “Entre, pois você é um homem de valor e deve trazer boas notícias”.
1:43 Jônatas respondeu a Adonias: “Pelo contrário! Nosso senhor, o rei Davi, constituiu Salomão rei.
1:44 O rei enviou com ele o sacerdote Zadoque, o profeta Natã, Benaia, filho de Joiada, os quereteus e os peleteus. Eles o fizeram montar na mula do rei.
1:45 O sacerdote Zadoque e o profeta Natã o ungiram rei em Giom. De lá subiram alegres, e a cidade está em alvoroço. É esse o barulho que vocês ouviram.
1:46 Além disso, Salomão já se sentou no trono real.
1:47 Os servos do rei também foram abençoar nosso senhor, o rei Davi, dizendo: ‘Que seu Deus torne o nome de Salomão mais ilustre que o seu e engrandeça o trono dele mais que o seu’. E o rei se prostrou na cama.
1:48 O rei também disse: ‘Bendito seja o SENHOR, o Deus de Israel, que hoje concedeu alguém para se sentar no meu trono enquanto meus olhos ainda veem isso’”.
1:49 Todos os convidados de Adonias ficaram apavorados, levantaram-se e foram embora, cada um por seu caminho.
1:50 Adonias teve medo de Salomão; levantou-se, foi e se agarrou aos chifres do altar.
1:51 Informaram a Salomão: “Adonias está com medo do rei Salomão e se agarrou aos chifres do altar, dizendo: ‘Que o rei Salomão me jure hoje que não matará seu servo à espada’”.
1:52 Salomão disse: “Se ele se mostrar um homem de bem, nem um de seus cabelos cairá em terra; mas, se for encontrada maldade nele, morrerá”.
1:53 O rei Salomão mandou buscá-lo, e o fizeram descer do altar. Ele veio e se prostrou diante do rei Salomão, que lhe disse: “Vá para sua casa”.

Capítulo 2
2:1 Quando se aproximava o momento de sua morte, Davi deu estas instruções a seu filho Salomão:
2:2 “Estou seguindo o caminho de todos os que vivem na terra. Seja forte e comporte-se como homem.
2:3 Cumpra o que o SENHOR, seu Deus, exige: ande em seus caminhos e guarde seus estatutos, mandamentos, decretos e testemunhos, conforme está escrito na Lei de Moisés, para que você tenha êxito em tudo o que fizer e por onde quer que for.
2:4 Assim o SENHOR confirmará a palavra que me deu: ‘Se seus filhos cuidarem de sua conduta e andarem fielmente diante de mim, de todo o coração e de toda a alma, nunca faltará a você um sucessor no trono de Israel’.
2:5 Você também sabe o que Joabe, filho de Zeruia, me fez, o que fez aos dois comandantes dos exércitos de Israel, Abner, filho de Ner, e Amasa, filho de Jéter. Ele os matou, derramando sangue de guerra em tempo de paz, e manchou com sangue de guerra o cinto que trazia à cintura e as sandálias que calçava.
2:6 Aja, portanto, segundo sua sabedoria e não deixe que a cabeça grisalha dele desça em paz ao Seol.
2:7 Mas demonstre amor leal aos filhos de Barzilai, o gileadita, e inclua-os entre os que comem à sua mesa, pois eles vieram me ajudar quando eu fugia de seu irmão Absalão.
2:8 Você também tem consigo Simei, filho de Gera, o benjamita de Baurim. Ele me amaldiçoou terrivelmente no dia em que eu ia para Maanaim. Mas desceu ao meu encontro no Jordão, e eu lhe jurei pelo SENHOR: ‘Não matarei você à espada’.
2:9 Agora, não o considere inocente. Você é um homem sábio e saberá o que fazer com ele; fará a cabeça grisalha dele descer ensanguentada ao Seol”.
2:10 Davi descansou com seus antepassados e foi sepultado na Cidade de Davi.
2:11 Davi reinou sobre Israel durante quarenta anos: sete anos em Hebrom e trinta e três em Jerusalém.
2:12 Salomão se sentou no trono de seu pai Davi, e seu reino ficou firmemente estabelecido.
2:13 Adonias, filho de Hagite, foi visitar Bate-Seba, mãe de Salomão. Ela lhe perguntou: “Você vem em paz?”. Ele respondeu: “Em paz”.
2:14 Então ele disse: “Tenho algo a dizer a você”. Ela respondeu: “Fale”.
2:15 Ele disse: “Você sabe que o reino me pertencia e que todo Israel tinha os olhos voltados para mim, para que eu reinasse. Mas o reino mudou de mãos e passou a meu irmão, porque foi o SENHOR quem o deu a ele.
2:16 Agora faço a você um único pedido; não o recuse”. Ela lhe disse: “Fale”.
2:17 Ele disse: “Por favor, fale com o rei Salomão, pois ele não recusará seu pedido, para que me dê Abisague, a sunamita, como esposa”.
2:18 Bate-Seba respondeu: “Está bem, falarei com o rei em seu favor”.
2:19 Bate-Seba foi ao rei Salomão para falar em favor de Adonias. O rei se levantou para recebê-la, inclinou-se diante dela e se sentou no seu trono. Mandou colocar um trono para a mãe do rei, e ela se sentou à sua direita.
2:20 Ela disse: “Tenho um pequeno pedido a fazer a você; não o recuse”. O rei lhe respondeu: “Peça, minha mãe, pois não recusarei seu pedido”.
2:21 Ela disse: “Que Abisague, a sunamita, seja dada como esposa a seu irmão Adonias”.
2:22 O rei Salomão respondeu à sua mãe: “Por que você pede Abisague, a sunamita, para Adonias? Peça também o reino para ele, para o sacerdote Abiatar e para Joabe, filho de Zeruia, já que ele é meu irmão mais velho!”.
2:23 Então o rei Salomão jurou pelo SENHOR: “Que Deus me castigue com todo rigor! Adonias fez esse pedido ao preço da própria vida.
2:24 Agora, tão certo como vive o SENHOR, que me estabeleceu, me fez sentar no trono de meu pai Davi e formou para mim uma dinastia, como havia prometido, Adonias morrerá hoje mesmo!”.
2:25 O rei Salomão enviou Benaia, filho de Joiada, que atacou Adonias e o matou.
2:26 Ao sacerdote Abiatar o rei disse: “Vá para seus campos em Anatote. Você merece morrer, mas hoje não o matarei, porque carregou a arca do Senhor DEUS diante de meu pai Davi e compartilhou todas as suas aflições”.
2:27 Salomão afastou Abiatar do sacerdócio do SENHOR, cumprindo assim a palavra que o SENHOR havia pronunciado em Siló a respeito da família de Eli.
2:28 A notícia chegou a Joabe, que havia apoiado Adonias, embora não tivesse apoiado Absalão. Joabe fugiu para a tenda do SENHOR e se agarrou aos chifres do altar.
2:29 Informaram ao rei Salomão que Joabe havia fugido para a tenda do SENHOR e estava junto ao altar. Então Salomão enviou Benaia, filho de Joiada, dizendo: “Vá e mate-o”.
2:30 Benaia foi à tenda do SENHOR e disse a Joabe: “O rei ordena: ‘Saia’”. Mas ele respondeu: “Não! Morrerei aqui”. Benaia levou a resposta ao rei: “Foi isso que Joabe disse e assim me respondeu”.
2:31 O rei lhe disse: “Faça como ele disse: mate-o e sepulte-o. Assim você tirará de mim e da família de meu pai a culpa pelo sangue que Joabe derramou sem motivo.
2:32 O SENHOR fará o sangue dele recair sobre sua própria cabeça, porque atacou dois homens mais justos e melhores que ele e os matou à espada, sem que meu pai Davi soubesse: Abner, filho de Ner, comandante do exército de Israel, e Amasa, filho de Jéter, comandante do exército de Judá.
2:33 O sangue deles recairá sobre a cabeça de Joabe e sobre a de seus descendentes para sempre. Mas Davi, seus descendentes, sua família e seu trono terão paz da parte do SENHOR para sempre”.
2:34 Benaia, filho de Joiada, subiu, atacou Joabe e o matou. Ele foi sepultado em sua casa, no deserto.
2:35 O rei colocou Benaia, filho de Joiada, no comando do exército, no lugar de Joabe, e o sacerdote Zadoque no lugar de Abiatar.
2:36 O rei mandou chamar Simei e lhe disse: “Construa uma casa em Jerusalém e more ali. Não saia de lá para lugar nenhum.
2:37 Tenha certeza de que, no dia em que sair e atravessar o ribeiro de Cedrom, você morrerá sem falta. Seu sangue recairá sobre sua própria cabeça”.
2:38 Simei respondeu ao rei: “A ordem é boa. Seu servo fará como disse meu senhor, o rei”. E Simei morou em Jerusalém por muito tempo.
2:39 Ao fim de três anos, dois escravos de Simei fugiram para Aquis, filho de Maaca, rei de Gate. Informaram a Simei: “Seus escravos estão em Gate”.
2:40 Simei se levantou, selou seu jumento e foi a Gate, à presença de Aquis, buscar seus escravos. Simei foi e os trouxe de Gate.
2:41 Informaram a Salomão que Simei havia ido de Jerusalém a Gate e voltado.
2:42 O rei mandou chamar Simei e lhe disse: “Não fiz você jurar pelo SENHOR e não o adverti, dizendo: ‘Tenha certeza de que, no dia em que sair para qualquer lugar, você morrerá sem falta’? E você me respondeu: ‘A ordem é boa; obedecerei’.
2:43 Por que, então, você não cumpriu o juramento feito pelo SENHOR nem a ordem que dei a você?”.
2:44 O rei também disse a Simei: “Você sabe todo o mal que fez a meu pai Davi; seu coração bem o sabe. O SENHOR fará sua maldade recair sobre sua própria cabeça.
2:45 Mas o rei Salomão será abençoado, e o trono de Davi permanecerá firme diante do SENHOR para sempre”.
2:46 O rei deu ordem a Benaia, filho de Joiada, que saiu, atacou Simei e o matou. Assim o reino ficou firmado nas mãos de Salomão.

Capítulo 3
3:1 Salomão se uniu por casamento ao faraó, rei do Egito. Casou-se com a filha do faraó e a levou para a Cidade de Davi, até terminar a construção de seu palácio, da casa do SENHOR e da muralha ao redor de Jerusalém.
3:2 O povo, porém, oferecia sacrifícios nos santuários dos lugares altos, pois até aqueles dias ainda não havia sido construída uma casa para o nome do SENHOR.
3:3 Salomão amava o SENHOR e seguia os estatutos de seu pai Davi; contudo, oferecia sacrifícios e queimava incenso nos lugares altos.
3:4 O rei foi a Gibeão para oferecer sacrifícios, pois ali ficava o principal santuário dos lugares altos. Salomão ofereceu mil holocaustos naquele altar.
3:5 Em Gibeão, o SENHOR apareceu a Salomão à noite, num sonho. Deus lhe disse: “Peça o que você quer que eu lhe dê”.
3:6 Salomão respondeu: “Tu demonstraste grande amor leal a teu servo Davi, meu pai, porque ele andou diante de ti com fidelidade, justiça e retidão de coração. Conservaste para ele esse grande amor leal, dando-lhe um filho que se senta em seu trono, como acontece hoje.
3:7 Agora, SENHOR, meu Deus, tu fizeste teu servo reinar no lugar de meu pai Davi. Mas sou apenas um jovem e não sei como me conduzir.
3:8 Teu servo está no meio de teu povo, que escolheste, um povo tão numeroso que não se pode contar nem enumerar.
3:9 Dá, portanto, a teu servo um coração que escute, para julgar teu povo e discernir entre o bem e o mal. Pois quem pode julgar este teu povo tão numeroso?”.
3:10 O Senhor se agradou de Salomão ter feito esse pedido.
3:11 Deus lhe disse: “Já que você pediu isso, e não pediu para si vida longa, riquezas nem a vida de seus inimigos, mas discernimento para ouvir as causas e fazer justiça,
3:12 farei o que você pediu. Dou a você um coração sábio e capaz de discernir, de modo que antes de você não houve ninguém igual, nem surgirá depois de você alguém como você.
3:13 Também dou a você o que não pediu: riquezas e honra, de modo que, durante toda a sua vida, não haverá entre os reis ninguém igual a você.
3:14 E, se você andar nos meus caminhos, guardando meus estatutos e mandamentos, como fez seu pai Davi, prolongarei sua vida”.
3:15 Salomão acordou e percebeu que havia sido um sonho. Foi a Jerusalém, apresentou-se diante da arca da aliança do Senhor e ofereceu holocaustos e sacrifícios de paz. Também deu um banquete para todos os seus servos.
3:16 Então duas prostitutas vieram ao rei e se apresentaram diante dele.
3:17 Uma das mulheres disse: “Por favor, meu senhor, eu e esta mulher moramos na mesma casa, e eu dei à luz enquanto estava com ela na casa.
3:18 No terceiro dia depois de meu parto, esta mulher também deu à luz. Estávamos juntas; não havia mais ninguém conosco na casa, apenas nós duas.
3:19 O filho desta mulher morreu durante a noite, porque ela se deitou sobre ele.
3:20 Ela se levantou no meio da noite e tirou meu filho do meu lado enquanto eu, sua serva, dormia. Ela o deitou em seus braços e pôs seu filho morto nos meus.
3:21 Pela manhã, quando me levantei para amamentar meu filho, ele estava morto. Mas, ao examiná-lo bem de manhã, percebi que não era o filho que eu havia dado à luz”.
3:22 A outra mulher disse: “Não! O vivo é meu filho, e o morto é o seu”. Mas a primeira dizia: “Não! O morto é seu filho, e o vivo é o meu”. Assim discutiam diante do rei.
3:23 O rei disse: “Uma diz: ‘Este que está vivo é meu filho, e o morto é o seu’. A outra diz: ‘Não! O morto é seu filho, e o vivo é o meu’”.
3:24 Então o rei ordenou: “Tragam uma espada”. E levaram uma espada ao rei.
3:25 O rei disse: “Cortem a criança viva em duas partes e deem metade a uma e metade à outra”.
3:26 A mulher cujo filho estava vivo, profundamente comovida por seu filho, disse ao rei: “Por favor, meu senhor, deem a ela a criança viva! De modo nenhum a matem!”. Mas a outra dizia: “Não será nem meu nem seu. Cortem a criança!”.
3:27 Então o rei respondeu: “Deem a ela a criança viva e de modo nenhum a matem. Ela é sua mãe”.
3:28 Todo Israel soube da sentença que o rei havia dado e teve temor do rei, pois viram que a sabedoria de Deus estava nele para fazer justiça.

Capítulo 4
4:1 O rei Salomão reinava sobre todo Israel.
4:2 Estes eram seus principais oficiais: Azarias, filho de Zadoque, era o sacerdote;
4:3 Eliorefe e Aías, filhos de Sisa, eram secretários; Josafá, filho de Ailude, era o cronista;
4:4 Benaia, filho de Joiada, comandava o exército; Zadoque e Abiatar eram sacerdotes;
4:5 Azarias, filho de Natã, era chefe dos governadores; Zabude, filho de Natã, era sacerdote e amigo do rei;
4:6 Aisar era responsável pelo palácio, e Adonirão, filho de Abda, era responsável pelo trabalho forçado.
4:7 Salomão tinha doze governadores sobre todo Israel, que forneciam provisões ao rei e à sua casa. Cada um era responsável por um mês do ano.
4:8 Estes eram seus nomes: Ben-Hur, na região montanhosa de Efraim;
4:9 Ben-Dequer, em Macaz, Saalabim, Bete-Semes e Elom-Bete-Hanã;
4:10 Ben-Hesede, em Arubote; Socó e toda a terra de Héfer estavam sob sua responsabilidade;
4:11 Ben-Abinadabe, em toda a região de Dor; Tafate, filha de Salomão, era sua esposa;
4:12 Baaná, filho de Ailude, em Taanaque, Megido e toda Bete-Seã, junto a Zaretã, abaixo de Jezreel, desde Bete-Seã até Abel-Meolá e além de Jocmeão;
4:13 Ben-Geber, em Ramote-Gileade; estavam sob sua responsabilidade as aldeias de Jair, filho de Manassés, em Gileade, e a região de Argobe, em Basã: sessenta cidades grandes com muralhas e trancas de bronze;
4:14 Ainadabe, filho de Ido, em Maanaim;
4:15 Aimaás, em Naftali; ele também havia tomado por esposa uma filha de Salomão, Basemate;
4:16 Baaná, filho de Husai, em Aser e Alote;
4:17 Josafá, filho de Parua, em Issacar;
4:18 Simei, filho de Elá, em Benjamim;
4:19 Geber, filho de Uri, na terra de Gileade, território de Seom, rei dos amorreus, e de Ogue, rei de Basã. Havia um único governador naquela terra.
4:20 Judá e Israel eram tão numerosos como a areia à beira do mar; comiam, bebiam e se alegravam.
4:21 Salomão governava todos os reinos desde o rio Eufrates até a terra dos filisteus e a fronteira do Egito. Eles traziam tributo e serviram a Salomão durante toda a sua vida.
4:22 As provisões diárias de Salomão eram cerca de 6.600 litros de farinha fina e 13.200 litros de farinha comum;
4:23 dez bois engordados, vinte bois de pasto e cem ovelhas e cabras, além de veados, gazelas, gamos e aves engordadas.
4:24 Pois ele dominava toda a região a oeste do rio Eufrates, desde Tifsa até Gaza, e todos os reis daquela região. Havia paz ao seu redor, por todos os lados.
4:25 Judá e Israel viviam em segurança, cada um debaixo de sua videira e de sua figueira, desde Dã até Berseba, durante toda a vida de Salomão.
4:26 Salomão tinha quarenta mil baias para os cavalos de seus carros e doze mil cavaleiros.
4:27 Esses governadores forneciam provisões ao rei Salomão e a todos os que se aproximavam de sua mesa, cada um no seu mês. Não deixavam faltar nada.
4:28 Também levavam cevada e palha para os cavalos e os corcéis ao lugar onde se encontravam, cada um conforme sua obrigação.
4:29 Deus deu a Salomão muita sabedoria, grande discernimento e uma compreensão tão ampla como a areia à beira do mar.
4:30 A sabedoria de Salomão superava a de todos os povos do Oriente e toda a sabedoria do Egito.
4:31 Ele era mais sábio que todos os homens: mais que Etã, o ezraíta, e que Hemã, Calcol e Darda, filhos de Maol. Sua fama se espalhou por todas as nações vizinhas.
4:32 Ele pronunciou três mil provérbios, e seus cânticos foram mil e cinco.
4:33 Falava das árvores, desde o cedro do Líbano até o hissopo que cresce no muro. Também falava dos animais, das aves, dos répteis e dos peixes.
4:34 Gente de todos os povos vinha ouvir a sabedoria de Salomão, enviada por todos os reis da terra que tinham ouvido falar de sua sabedoria.

Capítulo 5
5:1 Hirão, rei de Tiro, enviou seus servos a Salomão quando soube que ele havia sido ungido rei no lugar de seu pai, pois Hirão sempre havia sido amigo de Davi.
5:2 Salomão enviou esta mensagem a Hirão:
5:3 “Você sabe que meu pai Davi não pôde construir uma casa para o nome do SENHOR, seu Deus, por causa das guerras que o cercavam, até que o SENHOR pôs os inimigos debaixo de seus pés.
5:4 Mas agora o SENHOR, meu Deus, me deu descanso por todos os lados. Não há adversário nem calamidade.
5:5 Por isso, pretendo construir uma casa para o nome do SENHOR, meu Deus, como o SENHOR disse a meu pai Davi: ‘Seu filho, que porei no seu lugar, no seu trono, construirá a casa para o meu nome’.
5:6 Agora, ordene que cortem para mim cedros do Líbano. Meus servos trabalharão com os seus, e eu pagarei a você o salário de seus servos conforme determinar. Pois você sabe que entre nós ninguém sabe cortar madeira como os sidônios”.
5:7 Quando Hirão ouviu as palavras de Salomão, ficou muito alegre e disse: “Bendito seja hoje o SENHOR, que deu a Davi um filho sábio para governar este povo tão numeroso!”.
5:8 Hirão enviou esta resposta a Salomão: “Recebi sua mensagem. Farei tudo o que você deseja quanto à madeira de cedro e de cipreste.
5:9 Meus servos a levarão do Líbano até o mar. Eu a juntarei em jangadas e as conduzirei pelo mar até o lugar que você indicar. Ali as desamarrarei, e você levará a madeira. De sua parte, você atenderá a meu desejo, fornecendo alimento para minha casa”.
5:10 Hirão forneceu a Salomão toda a madeira de cedro e de cipreste que ele desejava.
5:11 Salomão dava a Hirão cerca de 4.400.000 litros de trigo para alimentar sua casa e 4.400 litros de azeite de azeitonas trituradas. Era isso que Salomão dava a Hirão ano após ano.
5:12 O SENHOR deu sabedoria a Salomão, como lhe havia prometido. Houve paz entre Hirão e Salomão, e os dois fizeram uma aliança.
5:13 O rei Salomão recrutou em todo Israel trinta mil homens para o trabalho forçado.
5:14 Ele os enviava ao Líbano em turnos de dez mil por mês. Ficavam um mês no Líbano e dois meses em casa. Adonirão era responsável pelos trabalhadores recrutados.
5:15 Salomão também tinha setenta mil carregadores e oitenta mil cortadores de pedra na região montanhosa,
5:16 além dos três mil e trezentos oficiais de Salomão encarregados da obra, que supervisionavam os trabalhadores.
5:17 Por ordem do rei, extraíram pedras grandes e de grande valor, pedras lavradas para os alicerces da casa.
5:18 Os construtores de Salomão, os de Hirão e os homens de Gebal lavraram e prepararam a madeira e as pedras para construir a casa.

Capítulo 6
6:1 No ano quatrocentos e oitenta depois da saída dos israelitas da terra do Egito, no quarto ano do reinado de Salomão sobre Israel, no mês de zive, que é o segundo mês, ele começou a construir a casa do SENHOR.
6:2 A casa que o rei Salomão construiu para o SENHOR tinha cerca de 27,5 metros de comprimento, 9 metros de largura e 14 metros de altura.
6:3 O pórtico diante do salão principal da casa tinha cerca de 9 metros de comprimento, correspondendo à largura da casa, e se projetava cerca de 4,5 metros à frente dela.
6:4 Ele fez janelas com molduras embutidas para a casa.
6:5 Construiu um anexo em torno das paredes da casa, junto ao salão principal e ao santuário interior, com aposentos laterais ao redor.
6:6 O piso inferior dos aposentos tinha cerca de 2,30 metros de largura; o do meio, 2,80 metros; e o terceiro, 3,20 metros. Ele havia feito saliências ao redor da parte externa da casa para que as vigas não fossem embutidas nas paredes.
6:7 A casa foi construída com pedras já preparadas na pedreira. Durante a construção, não se ouviu na casa martelo, machado ou qualquer outra ferramenta de ferro.
6:8 A entrada dos aposentos do piso do meio ficava no lado direito da casa. Por escadas em caracol subia-se ao piso do meio e, deste, ao terceiro.
6:9 Ele construiu a casa, terminou-a e a cobriu com vigas e tábuas de cedro.
6:10 Construiu os aposentos anexos ao redor de toda a casa, cada piso com cerca de 2,30 metros de altura, e os ligou à casa com vigas de cedro.
6:11 A palavra do SENHOR veio a Salomão:
6:12 “Quanto a esta casa que você está construindo, se seguir meus estatutos, cumprir meus decretos e guardar todos os meus mandamentos para andar segundo eles, confirmarei com você a palavra que dei a seu pai Davi.
6:13 Habitarei no meio dos israelitas e não abandonarei meu povo Israel”.
6:14 Salomão construiu a casa e a terminou.
6:15 Revestiu as paredes internas da casa com tábuas de cedro, desde o chão até o teto. Cobriu o interior com madeira e revestiu o piso da casa com tábuas de cipreste.
6:16 Separou cerca de 9 metros no fundo da casa com tábuas de cedro, do chão até o alto das paredes, preparando ali dentro o santuário interior, o Santo dos Santos.
6:17 A parte da frente da casa, isto é, o salão principal, tinha cerca de 18 metros de comprimento.
6:18 O cedro do interior da casa tinha entalhes de cabaças e flores abertas. Tudo era cedro; nenhuma pedra ficava à vista.
6:19 Preparou o santuário interior dentro da casa para colocar ali a arca da aliança do SENHOR.
6:20 O santuário interior tinha cerca de 9 metros de comprimento, 9 metros de largura e 9 metros de altura. Ele o revestiu de ouro puro e revestiu o altar com cedro.
6:21 Salomão revestiu de ouro puro o interior da casa. Estendeu correntes de ouro diante do santuário interior e o revestiu de ouro.
6:22 Revestiu de ouro toda a casa, até cobri-la por completo. Também revestiu de ouro todo o altar que pertencia ao santuário interior.
6:23 No santuário interior, fez dois querubins de madeira de oliveira, cada um com cerca de 4,60 metros de altura.
6:24 Uma asa do querubim media cerca de 2,30 metros, e a outra asa, outros 2,30 metros: cerca de 4,60 metros de uma ponta à outra das asas.
6:25 O segundo querubim também media cerca de 4,60 metros de uma ponta à outra das asas. Os dois querubins tinham as mesmas medidas e a mesma forma.
6:26 Um querubim tinha cerca de 4,60 metros de altura, e o segundo tinha a mesma altura.
6:27 Colocou os querubins na parte interior da casa, com as asas estendidas. Uma asa do primeiro tocava uma parede, e uma asa do segundo tocava a outra parede. As outras asas se tocavam no meio da casa.
6:28 Revestiu os querubins de ouro.
6:29 Entalhou figuras de querubins, palmeiras e flores abertas em todas as paredes ao redor da casa, tanto no santuário interior como no salão exterior.
6:30 Revestiu de ouro o piso da casa, tanto na parte interior como na exterior.
6:31 Para a entrada do santuário interior, fez portas de madeira de oliveira. A verga e os batentes formavam um marco de cinco lados.
6:32 Nas duas portas de madeira de oliveira, entalhou figuras de querubins, palmeiras e flores abertas. Revestiu-as de ouro, ajustando o ouro sobre os querubins e as palmeiras.
6:33 Da mesma forma, para a entrada do salão principal, fez batentes de madeira de oliveira que formavam um marco de quatro lados.
6:34 Fez duas portas de madeira de cipreste, cada uma com dois painéis articulados.
6:35 Entalhou nelas querubins, palmeiras e flores abertas, e as revestiu de ouro ajustado aos entalhes.
6:36 Construiu o pátio interior com três fileiras de pedras lavradas e uma fileira de vigas de cedro.
6:37 No quarto ano, no mês de zive, foram lançados os alicerces da casa do SENHOR.
6:38 No décimo primeiro ano, no mês de bul, que é o oitavo mês, a casa ficou concluída em todos os seus detalhes, conforme tudo o que havia sido determinado. Ele a construiu em sete anos.

Capítulo 7
7:1 Salomão levou treze anos para construir seu próprio palácio e o terminou por completo.
7:2 Construiu a Casa da Floresta do Líbano, com cerca de 46 metros de comprimento, 23 metros de largura e 14 metros de altura. Havia quatro fileiras de colunas de cedro, com vigas de cedro sobre as colunas.
7:3 O teto era revestido de cedro por cima das vigas que descansavam sobre as colunas. Eram quarenta e cinco vigas, quinze em cada fileira.
7:4 Havia três fileiras de janelas, umas diante das outras, em três níveis.
7:5 Todas as entradas e seus batentes tinham molduras retangulares, e as janelas ficavam umas diante das outras, em três níveis.
7:6 Fez também o Pórtico das Colunas, com cerca de 23 metros de comprimento e 14 metros de largura. À frente havia outro pórtico, com colunas e uma cobertura.
7:7 Fez o Pórtico do Trono, onde julgava, o Pórtico da Justiça. Era revestido de cedro desde o piso de um lado até o piso do outro.
7:8 Sua própria residência ficava em outro pátio, atrás do pórtico, e tinha a mesma construção. Também fez uma casa semelhante àquele pórtico para a filha do faraó, com quem havia se casado.
7:9 Todas essas construções eram de pedras de grande valor, lavradas sob medida e serradas por dentro e por fora, desde os alicerces até os arremates superiores, e do lado de fora até o grande pátio.
7:10 Os alicerces eram de pedras grandes e de grande valor, algumas com cerca de 4,5 metros e outras com cerca de 3,5 metros.
7:11 Acima delas havia pedras de grande valor, lavradas sob medida, e madeira de cedro.
7:12 Ao redor do grande pátio havia três fileiras de pedras lavradas e uma fileira de vigas de cedro, como no pátio interior da casa do SENHOR e no pórtico da casa.
7:13 O rei Salomão mandou trazer de Tiro Hirão.
7:14 Ele era filho de uma viúva da tribo de Naftali. Seu pai era de Tiro e trabalhava com bronze. Hirão possuía muita sabedoria, discernimento e conhecimento para fazer todo tipo de trabalho em bronze. Ele veio ao rei Salomão e realizou toda a sua obra.
7:15 Fundiu as duas colunas de bronze. Uma coluna tinha cerca de 8,30 metros de altura, e um cordão de cerca de 5,5 metros rodeava a outra.
7:16 Fez dois capitéis de bronze fundido para colocar no alto das colunas. Um capitel tinha cerca de 2,30 metros de altura, e o segundo também tinha cerca de 2,30 metros.
7:17 Os capitéis no alto das colunas tinham redes entrelaçadas e cordões em forma de correntes: sete para um capitel e sete para o outro.
7:18 Fez as colunas e pôs duas fileiras ao redor de uma das redes para cobrir os capitéis que ficavam acima das romãs. Fez o mesmo com o segundo capitel.
7:19 Os capitéis no alto das colunas do pórtico tinham formato de lírio e mediam cerca de 1,80 metro.
7:20 Os capitéis das duas colunas ficavam também na parte de cima, junto ao bojo que estava ao lado da rede. Havia duzentas romãs em fileiras ao redor do segundo capitel.
7:21 Ergueu as colunas no pórtico do salão principal. Ergueu a coluna da direita e lhe deu o nome de Jaquim; ergueu a coluna da esquerda e lhe deu o nome de Boaz.
7:22 No alto das colunas havia um trabalho em forma de lírio. Assim ficou concluída a obra das colunas.
7:23 Fez o Mar de metal fundido, redondo, com cerca de 4,60 metros de uma borda à outra, 2,30 metros de altura e 13,80 metros de circunferência.
7:24 Por baixo da borda, figuras de cabaças o rodeavam, cerca de vinte por metro, ao redor de todo o Mar. As cabaças estavam em duas fileiras e foram fundidas numa só peça com ele.
7:25 O Mar se apoiava sobre doze bois: três voltados para o norte, três para o oeste, três para o sul e três para o leste. O Mar ficava em cima deles, e todas as suas partes traseiras estavam voltadas para dentro.
7:26 Sua espessura era de cerca de 8 centímetros. Sua borda tinha o formato da borda de um copo, como uma flor de lírio. Sua capacidade era de cerca de 42.000 litros.
7:27 Fez dez bases de bronze, cada uma com cerca de 1,80 metro de comprimento, 1,80 metro de largura e 1,40 metro de altura.
7:28 As bases eram feitas assim: tinham painéis colocados entre travessas.
7:29 Nos painéis entre as travessas havia leões, bois e querubins. Sobre as travessas havia um suporte, e abaixo dos leões e dos bois havia guirlandas em relevo.
7:30 Cada base tinha quatro rodas de bronze e eixos de bronze. Nos seus quatro cantos havia suportes fundidos debaixo da bacia, cada um junto às guirlandas.
7:31 A abertura dentro do remate se elevava cerca de 46 centímetros. Essa abertura era redonda, em forma de pedestal, com cerca de 69 centímetros de diâmetro. Também havia entalhes ao redor da abertura; os painéis eram quadrados, e não redondos.
7:32 As quatro rodas ficavam debaixo dos painéis, e seus eixos estavam presos à base. Cada roda tinha cerca de 69 centímetros de altura.
7:33 As rodas eram feitas como as rodas de um carro. Seus eixos, aros, cubos e raios eram todos de metal fundido.
7:34 Cada base tinha quatro suportes nos seus quatro cantos; os suportes faziam parte da própria base.
7:35 Na parte superior da base havia uma peça redonda com cerca de 23 centímetros de altura. Seus suportes e seus painéis superiores faziam parte dela.
7:36 Nas superfícies dos suportes e nos painéis, entalhou querubins, leões e palmeiras, conforme o espaço disponível, com guirlandas ao redor.
7:37 Assim fez as dez bases: todas com a mesma fundição, as mesmas medidas e a mesma forma.
7:38 Fez dez bacias de bronze. Cada bacia tinha capacidade para cerca de 840 litros e media cerca de 1,80 metro de diâmetro. Colocou uma bacia sobre cada uma das dez bases.
7:39 Colocou cinco bases do lado direito da casa e cinco do lado esquerdo. Pôs o Mar do lado direito da casa, para o leste, voltado para o sul.
7:40 Hirão fez as bacias, as pás e as tigelas. Assim Hirão terminou toda a obra que fez para o rei Salomão na casa do SENHOR:
7:41 as duas colunas, os dois capitéis arredondados no alto das colunas e as duas redes que cobriam os dois capitéis arredondados no alto das colunas;
7:42 as quatrocentas romãs para as duas redes, duas fileiras de romãs para cada rede, que cobriam os dois capitéis arredondados sobre as colunas;
7:43 as dez bases e as dez bacias sobre as bases;
7:44 o Mar e os doze bois debaixo do Mar;
7:45 as panelas, as pás e as tigelas. Todos os utensílios da tenda que Hirão fez para o rei Salomão na casa do SENHOR eram de bronze polido.
7:46 O rei os fez fundir na planície do Jordão, em terra argilosa, entre Sucote e Zaretã.
7:47 Salomão deixou todos esses utensílios sem pesar, porque eram muitos; não se determinou o peso do bronze.
7:48 Salomão fez todos os utensílios da casa do SENHOR: o altar de ouro e a mesa de ouro sobre a qual se colocava o pão da Presença;
7:49 os candelabros de ouro puro, cinco à direita e cinco à esquerda, diante do santuário interior; as flores, as lâmpadas e as pinças de ouro;
7:50 os recipientes, as tesouras para os pavios, as tigelas, as colheres e os braseiros de ouro puro. Também eram de ouro as peças em que giravam tanto as portas do santuário interior, o Santo dos Santos, como as portas do salão principal da casa.
7:51 Assim foi concluída toda a obra que o rei Salomão fez para a casa do SENHOR. Salomão trouxe as coisas que seu pai Davi havia consagrado: a prata, o ouro e os utensílios, e os depositou nos tesouros da casa do SENHOR.

Capítulo 8
8:1 Então o rei Salomão reuniu diante de si, em Jerusalém, os anciãos de Israel, todos os chefes das tribos e os líderes das famílias dos israelitas, para levar a arca da aliança do SENHOR da Cidade de Davi, isto é, Sião.
8:2 Todos os homens de Israel se reuniram com o rei Salomão durante a festa, no mês de etanim, que é o sétimo mês.
8:3 Todos os anciãos de Israel vieram, e os sacerdotes levantaram a arca.
8:4 Levaram a arca do SENHOR, a tenda do encontro e todos os utensílios sagrados que estavam na tenda. Os sacerdotes e os levitas os levaram.
8:5 O rei Salomão e toda a comunidade de Israel que havia se reunido com ele estavam diante da arca, sacrificando tantas ovelhas e cabeças de gado que não se podiam contar nem enumerar.
8:6 Os sacerdotes levaram a arca da aliança do SENHOR ao seu lugar, no santuário interior da casa, o Santo dos Santos, debaixo das asas dos querubins.
8:7 Os querubins estendiam as asas sobre o lugar da arca e cobriam por cima a arca e suas varas.
8:8 As varas eram tão compridas que suas pontas podiam ser vistas do Lugar Santo, diante do santuário interior, mas não podiam ser vistas de fora. Elas estão ali até hoje.
8:9 Na arca não havia nada além das duas tábuas de pedra que Moisés havia colocado ali em Horebe, onde o SENHOR fez uma aliança com os israelitas quando saíram da terra do Egito.
8:10 Quando os sacerdotes saíram do Lugar Santo, a nuvem encheu a casa do SENHOR.
8:11 Os sacerdotes não puderam permanecer ali para servir por causa da nuvem, pois a glória do SENHOR havia enchido a casa do SENHOR.

8:12 Então Salomão disse:
 “O SENHOR disse que habitaria na escuridão densa.
8:13 Eu te construí uma casa para morada, um lugar para tua habitação eterna”.
8:14 O rei se voltou e abençoou toda a assembleia de Israel, enquanto toda a assembleia permanecia de pé.
8:15 Ele disse: “Bendito seja o SENHOR, o Deus de Israel, que falou com sua boca a meu pai Davi e com sua mão cumpriu o que disse:
8:16 ‘Desde o dia em que tirei meu povo Israel do Egito, não escolhi nenhuma cidade entre todas as tribos de Israel para construir uma casa onde estivesse meu nome. Mas escolhi Davi para governar meu povo Israel’.
8:17 Meu pai Davi teve em seu coração o desejo de construir uma casa para o nome do SENHOR, o Deus de Israel.
8:18 Mas o SENHOR disse a meu pai Davi: ‘Você teve no coração o desejo de construir uma casa para o meu nome, e fez bem em ter esse desejo no coração.
8:19 Contudo, você não construirá a casa; seu filho, que nascerá de você, construirá a casa para o meu nome’.
8:20 O SENHOR cumpriu a palavra que havia dito. Sucedi a meu pai Davi e me sentei no trono de Israel, como o SENHOR prometeu, e construí a casa para o nome do SENHOR, o Deus de Israel.
8:21 Preparei ali um lugar para a arca, na qual está a aliança do SENHOR que ele fez com nossos antepassados quando os tirou da terra do Egito”.
8:22 Salomão se pôs diante do altar do SENHOR, perante toda a assembleia de Israel, e estendeu as mãos para o céu.
8:23 Ele disse: “SENHOR, Deus de Israel, não há Deus como tu, nem em cima nos céus nem embaixo na terra. Tu guardas a aliança e o amor leal para com teus servos que andam diante de ti de todo o coração.
8:24 Cumpriste o que prometeste a teu servo Davi, meu pai. Com tua boca falaste, e com tua mão cumpriste o que disseste, como se vê hoje.
8:25 Agora, SENHOR, Deus de Israel, cumpre para com teu servo Davi, meu pai, o que lhe prometeste: ‘Nunca faltará diante de mim um sucessor seu que se sente no trono de Israel, desde que seus filhos cuidem de sua conduta e andem diante de mim como você andou’.
8:26 Agora, Deus de Israel, que se confirmem as palavras que disseste a teu servo Davi, meu pai.
8:27 Mas será que Deus realmente habitará na terra? Os céus e os céus dos céus não podem te conter; muito menos esta casa que construí!
8:28 Atende à oração de teu servo e à sua súplica, SENHOR, meu Deus. Ouve o clamor e a oração que teu servo apresenta hoje diante de ti.
8:29 Que teus olhos estejam abertos noite e dia para esta casa, para o lugar do qual disseste: ‘Meu nome estará ali’. Ouve a oração que teu servo fizer voltado para este lugar.
8:30 Ouve a súplica de teu servo e de teu povo Israel quando orarem voltados para este lugar. Ouve dos céus, o lugar de tua habitação; ouve e perdoa.
8:31 Se alguém pecar contra seu próximo e lhe exigirem um juramento, e ele vier prestar esse juramento diante de teu altar nesta casa,
8:32 ouve tu dos céus, age e julga teus servos. Condena o culpado, fazendo sua conduta recair sobre sua própria cabeça, e declara justo o inocente, retribuindo-lhe conforme sua justiça.
8:33 Quando teu povo Israel for derrotado pelo inimigo por ter pecado contra ti, e eles se voltarem para ti, reconhecerem teu nome, orarem e suplicarem a ti nesta casa,
8:34 ouve tu dos céus, perdoa o pecado de teu povo Israel e faze-os voltar à terra que deste a seus antepassados.
8:35 Quando os céus se fecharem e não houver chuva porque pecaram contra ti, e eles orarem voltados para este lugar, reconhecerem teu nome e abandonarem seu pecado porque tu os afligiste,
8:36 ouve tu dos céus e perdoa o pecado de teus servos e de teu povo Israel. Ensina-lhes o bom caminho em que devem andar e dá chuva à tua terra, que deste a teu povo como herança.
8:37 Se houver fome na terra, peste, queima das plantações, ferrugem, gafanhotos ou insetos devoradores; se o inimigo os cercar nas cidades de sua terra, ou se houver qualquer praga ou doença,
8:38 seja qual for a oração ou súplica de qualquer pessoa ou de todo teu povo Israel, quando cada um reconhecer a aflição do próprio coração e estender as mãos para esta casa,
8:39 ouve tu dos céus, o lugar de tua habitação; perdoa, age e dá a cada um conforme toda a sua conduta, pois conheces seu coração. Só tu conheces o coração de todos os seres humanos.
8:40 Assim eles te temerão todos os dias em que viverem na terra que deste a nossos antepassados.
8:41 Também quanto ao estrangeiro, que não pertence a teu povo Israel, mas vem de uma terra distante por causa de teu nome
8:42 (pois ouvirão falar de teu grande nome, de tua mão poderosa e de teu braço estendido): quando ele vier e orar voltado para esta casa,
8:43 ouve tu dos céus, o lugar de tua habitação, e faze tudo o que o estrangeiro te pedir. Assim todos os povos da terra conhecerão teu nome e te temerão como teu povo Israel, e saberão que esta casa que construí leva teu nome.
8:44 Quando teu povo sair à guerra contra seu inimigo pelo caminho por onde o enviares, e orarem ao SENHOR voltados para a cidade que escolheste e para a casa que construí para teu nome,
8:45 ouve dos céus a oração e a súplica deles, e faze-lhes justiça.
8:46 Quando pecarem contra ti — pois não há ser humano que não peque —, e tu te indignares com eles e os entregares ao inimigo, e seus captores os levarem para a terra do inimigo, distante ou próxima,
8:47 mas eles caírem em si na terra onde estiverem cativos, se voltarem para ti e te suplicarem na terra de seus captores, dizendo: ‘Pecamos, cometemos injustiças e agimos com maldade’,
8:48 e se voltarem para ti de todo o coração e de toda a alma na terra dos inimigos que os levaram cativos, e orarem a ti voltados para a terra que deste a seus antepassados, para a cidade que escolheste e para a casa que construíste para teu nome,
8:49 ouve dos céus, o lugar de tua habitação, a oração e a súplica deles, e faze-lhes justiça.
8:50 Perdoa teu povo que pecou contra ti e todas as rebeldias com que se rebelaram contra ti. Faze que encontrem compaixão diante de seus captores, para que estes tenham compaixão deles.
8:51 Pois eles são teu povo e tua herança, que tiraste do Egito, do meio da fornalha de ferro.
8:52 Que teus olhos estejam abertos à súplica de teu servo e à súplica de teu povo Israel, para ouvi-los sempre que clamarem a ti.
8:53 Pois tu os separaste para ti como herança dentre todos os povos da terra, conforme disseste por meio de teu servo Moisés quando tiraste nossos antepassados do Egito, Senhor DEUS”.
8:54 Quando Salomão terminou de apresentar ao SENHOR toda essa oração e súplica, levantou-se de diante do altar do SENHOR, onde estivera ajoelhado, com as mãos estendidas para o céu.
8:55 Pôs-se de pé e abençoou toda a assembleia de Israel, dizendo em voz alta:
8:56 “Bendito seja o SENHOR, que deu descanso a seu povo Israel, conforme tudo o que prometeu. Não falhou uma só palavra de todas as boas promessas que fez por meio de Moisés, seu servo.
8:57 Que o SENHOR, nosso Deus, esteja conosco como esteve com nossos antepassados. Que não nos deixe nem nos abandone.
8:58 Que incline nosso coração para ele, para andarmos em todos os seus caminhos e guardarmos seus mandamentos, estatutos e decretos, que deu a nossos antepassados.
8:59 Que estas minhas palavras, com que supliquei diante do SENHOR, estejam perto do SENHOR, nosso Deus, dia e noite, para que faça justiça a seu servo e a seu povo Israel, conforme a necessidade de cada dia.
8:60 Assim todos os povos da terra saberão que o SENHOR é Deus e que não há outro.
8:61 Que o coração de vocês seja inteiramente dedicado ao SENHOR, nosso Deus, para seguirem seus estatutos e guardarem seus mandamentos, como fazem hoje”.
8:62 O rei e todo Israel com ele ofereceram sacrifícios diante do SENHOR.
8:63 Salomão ofereceu ao SENHOR, como sacrifícios de paz, vinte e duas mil cabeças de gado e cento e vinte mil ovelhas e cabras. Assim o rei e todos os israelitas dedicaram a casa do SENHOR.
8:64 Naquele dia, o rei consagrou o centro do pátio diante da casa do SENHOR, pois ali ofereceu os holocaustos, a oferta de cereal e a gordura dos sacrifícios de paz. O altar de bronze diante do SENHOR era pequeno demais para conter os holocaustos, a oferta de cereal e a gordura dos sacrifícios de paz.
8:65 Naquela ocasião, Salomão celebrou a festa, e todo Israel com ele, uma grande assembleia, desde Lebo-Hamate até o ribeiro do Egito, diante do SENHOR, nosso Deus: sete dias e mais sete dias, catorze dias ao todo.
8:66 No oitavo dia, ele despediu o povo. Eles abençoaram o rei e foram para suas tendas, alegres e contentes de coração por todo o bem que o SENHOR havia feito a seu servo Davi e a seu povo Israel.

Capítulo 9
9:1 Quando Salomão terminou de construir a casa do SENHOR, o palácio real e tudo o que havia desejado fazer,
9:2 o SENHOR lhe apareceu pela segunda vez, como havia aparecido em Gibeão.
9:3 O SENHOR lhe disse: “Ouvi sua oração e a súplica que você apresentou diante de mim. Consagrei esta casa que você construiu para pôr nela meu nome para sempre. Meus olhos e meu coração estarão ali todos os dias.
9:4 Quanto a você, se andar diante de mim como andou seu pai Davi, com integridade de coração e retidão, fazendo tudo o que ordenei e guardando meus estatutos e decretos,
9:5 estabelecerei para sempre o trono de seu reino sobre Israel, como prometi a seu pai Davi: ‘Nunca faltará a você um sucessor no trono de Israel’.
9:6 Mas, se vocês e seus filhos se afastarem de mim, deixarem de guardar os mandamentos e estatutos que pus diante de vocês e forem servir a outros deuses e se prostrar diante deles,
9:7 arrancarei Israel da terra que lhes dei e lançarei para longe de minha presença esta casa que consagrei para meu nome. Israel será motivo de provérbios e zombaria entre todos os povos.
9:8 Quanto a esta casa, por mais imponente que seja, todo aquele que passar por ela ficará horrorizado e assobiará. Perguntarão: ‘Por que o SENHOR fez isso a esta terra e a esta casa?’.
9:9 E responderão: ‘Porque abandonaram o SENHOR, seu Deus, que tirou seus antepassados da terra do Egito, e se apegaram a outros deuses, se prostraram diante deles e os serviram. Por isso o SENHOR trouxe sobre eles toda esta calamidade’”.
9:10 Ao fim dos vinte anos em que Salomão construiu as duas casas, a casa do SENHOR e o palácio real,
9:11 o rei Salomão deu a Hirão vinte cidades na terra da Galileia. Hirão, rei de Tiro, havia fornecido a Salomão toda a madeira de cedro e de cipreste e todo o ouro que ele desejava.
9:12 Hirão saiu de Tiro para ver as cidades que Salomão lhe havia dado, mas não gostou delas.
9:13 Ele disse: “Que cidades são essas que você me deu, meu irmão?”. E lhes deu o nome de terra de Cabul, como são chamadas até hoje.
9:14 Hirão havia enviado ao rei cerca de 4.000 quilogramas de ouro.
9:15 Este é o relato do trabalho forçado que o rei Salomão impôs para construir a casa do SENHOR, seu palácio, o Milo, a muralha de Jerusalém, Hazor, Megido e Gezer.
9:16 O faraó, rei do Egito, havia subido, conquistado Gezer e incendiado a cidade. Matou os cananeus que moravam nela e a deu como dote a sua filha, esposa de Salomão.
9:17 Salomão reconstruiu Gezer e Bete-Horom de Baixo,
9:18 Baalate e Tamar, no deserto, dentro de sua terra;
9:19 também todas as suas cidades de armazenamento, as cidades dos carros e as cidades dos cavaleiros, e tudo o que desejou construir em Jerusalém, no Líbano e em toda a terra que governava.
9:20 Quanto aos que restaram dos amorreus, hititas, ferezeus, heveus e jebuseus, que não eram israelitas,
9:21 Salomão submeteu a trabalho forçado seus descendentes que ficaram na terra, a quem os israelitas não haviam conseguido destruir por completo. E assim continuam até hoje.
9:22 Mas Salomão não fez escravo nenhum israelita. Eles eram seus homens de guerra, seus servos, seus oficiais, seus capitães e os comandantes dos carros e dos cavaleiros.
9:23 Os principais oficiais encarregados das obras de Salomão eram quinhentos e cinquenta. Eles supervisionavam as pessoas que faziam o trabalho.
9:24 A filha do faraó subiu da Cidade de Davi para a casa que Salomão havia construído para ela. Então ele construiu o Milo.
9:25 Três vezes por ano, Salomão oferecia holocaustos e sacrifícios de paz no altar que havia construído para o SENHOR e queimava incenso no que estava diante do SENHOR. Assim terminou a casa.
9:26 O rei Salomão construiu uma frota em Eziom-Geber, perto de Elote, à beira do mar Vermelho, na terra de Edom.
9:27 Hirão enviou na frota seus servos, marinheiros que conheciam o mar, junto com os servos de Salomão.
9:28 Eles foram a Ofir, obtiveram ali cerca de catorze toneladas de ouro e as levaram ao rei Salomão.

Capítulo 10
10:1 A rainha de Sabá ouviu a fama de Salomão, ligada ao nome do SENHOR, e veio pô-lo à prova com perguntas difíceis.
10:2 Chegou a Jerusalém com uma comitiva muito numerosa e camelos carregados de especiarias, muito ouro e pedras preciosas. Veio a Salomão e lhe falou de tudo o que tinha no coração.
10:3 Salomão respondeu a todas as suas perguntas. Nenhum assunto estava oculto ao rei a ponto de ele não poder explicá-lo a ela.
10:4 Quando a rainha de Sabá viu toda a sabedoria de Salomão, o palácio que havia construído,
10:5 a comida de sua mesa, a disposição de seus servos, o serviço de seu assistente e suas roupas, seus copeiros e os holocaustos que oferecia na casa do SENHOR, ficou sem fôlego.
10:6 Ela disse ao rei: “Era verdade o que ouvi em minha terra sobre suas palavras e sua sabedoria.
10:7 Eu não acreditava no que diziam até vir e ver com meus próprios olhos. Nem metade me haviam contado! Sua sabedoria e prosperidade superam a fama que ouvi.
10:8 Felizes os seus homens! Felizes estes seus servos, que estão sempre diante de você e ouvem sua sabedoria!
10:9 Bendito seja o SENHOR, seu Deus, que se agradou de você e o colocou no trono de Israel. Por amar Israel para sempre, o SENHOR fez de você rei para praticar o direito e a justiça”.
10:10 Ela deu ao rei cerca de 4.000 quilogramas de ouro, muitas especiarias e pedras preciosas. Nunca mais chegou uma quantidade de especiarias tão grande como a que a rainha de Sabá deu ao rei Salomão.
10:11 A frota de Hirão, que transportava ouro de Ofir, também trouxe de Ofir muita madeira de sândalo e pedras preciosas.
10:12 Com a madeira de sândalo, o rei fez suportes para a casa do SENHOR e para o palácio real, além de liras e harpas para os cantores. Nunca tinha chegado madeira de sândalo como aquela, nem se viu igual até hoje.
10:13 O rei Salomão deu à rainha de Sabá tudo o que ela desejou e pediu, além do que lhe deu com sua generosidade real. Depois ela voltou para sua terra com seus servos.
10:14 O peso do ouro que chegava a Salomão em um ano era de cerca de vinte e três toneladas,
10:15 sem contar o que vinha dos comerciantes viajantes, do comércio dos mercadores, de todos os reis árabes e dos governadores da terra.
10:16 O rei Salomão fez duzentos escudos grandes de ouro batido. Para cada escudo foram usados quase sete quilogramas de ouro.
10:17 Também fez trezentos escudos menores de ouro batido. Para cada escudo foram usados quase dois quilogramas de ouro. O rei os colocou na Casa da Floresta do Líbano.
10:18 O rei fez um grande trono de marfim e o revestiu de ouro fino.
10:19 O trono tinha seis degraus e um encosto com a parte superior arredondada. Havia apoios para os braços dos dois lados do assento, e dois leões ficavam de pé junto aos apoios.
10:20 Outros doze leões ficavam de pé nos dois lados dos seis degraus. Nada semelhante havia sido feito em nenhum reino.
10:21 Todas as taças do rei Salomão eram de ouro, e todos os utensílios da Casa da Floresta do Líbano eram de ouro puro. Nenhum era de prata, pois nos dias de Salomão a prata não era considerada de valor.
10:22 O rei tinha no mar uma frota de Társis, junto com a frota de Hirão. Uma vez a cada três anos, a frota de Társis chegava carregada de ouro, prata, marfim, macacos e pavões.
10:23 O rei Salomão superava todos os reis da terra em riqueza e sabedoria.
10:24 Toda a terra procurava apresentar-se diante de Salomão para ouvir a sabedoria que Deus havia posto em seu coração.
10:25 Cada um trazia seu presente: objetos de prata e de ouro, roupas, armas, especiarias, cavalos e mulas, ano após ano.
10:26 Salomão reuniu carros e cavaleiros. Tinha mil e quatrocentos carros e doze mil cavaleiros, que distribuiu nas cidades dos carros e junto ao rei, em Jerusalém.
10:27 O rei fez a prata ser tão abundante em Jerusalém como as pedras, e os cedros tão numerosos como os sicômoros da Sefelá.
10:28 Os cavalos de Salomão vinham do Egito e de Coa. Os mercadores do rei os compravam em Coa pelo seu preço.
10:29 Um carro era importado do Egito por seiscentas peças de prata, e um cavalo, por cento e cinquenta. Por meio desses mercadores, também eram exportados para todos os reis dos hititas e para os reis de Arã.

Capítulo 11
11:1 O rei Salomão amou muitas mulheres estrangeiras, além da filha do faraó: moabitas, amonitas, edomitas, sidônias e hititas.
11:2 Eram das nações a respeito das quais o SENHOR havia dito aos israelitas: “Não se unam a elas, nem elas se unam a vocês, pois certamente desviarão o coração de vocês para os deuses delas”. Mas Salomão se apegou a elas por amor.
11:3 Ele tinha setecentas esposas de origem principesca e trezentas concubinas. Suas esposas desviaram seu coração.
11:4 Quando Salomão envelheceu, suas esposas inclinaram seu coração para outros deuses. Seu coração não era inteiramente dedicado ao SENHOR, seu Deus, como havia sido o coração de seu pai Davi.
11:5 Salomão seguiu Astarote, deusa dos sidônios, e Milcom, a abominação dos amonitas.
11:6 Salomão fez o que era mau aos olhos do SENHOR e não seguiu plenamente o SENHOR, como seu pai Davi.
11:7 Então Salomão construiu um santuário num lugar alto para Quemos, a abominação de Moabe, no monte diante de Jerusalém, e para Moloque, a abominação dos amonitas.
11:8 Fez o mesmo para todas as suas esposas estrangeiras, que queimavam incenso e ofereciam sacrifícios a seus deuses.
11:9 O SENHOR se indignou com Salomão porque seu coração havia se afastado do SENHOR, o Deus de Israel, que lhe havia aparecido duas vezes
11:10 e lhe havia ordenado que não seguisse outros deuses. Mas ele não guardou o que o SENHOR havia ordenado.
11:11 O SENHOR disse a Salomão: “Já que você fez isso e não guardou minha aliança nem os estatutos que lhe ordenei, certamente arrancarei de você o reino e o darei a seu servo.
11:12 Contudo, não farei isso durante sua vida, por causa de seu pai Davi. Eu o arrancarei das mãos de seu filho.
11:13 Mas não arrancarei todo o reino: darei uma tribo a seu filho, por causa de meu servo Davi e de Jerusalém, que escolhi”.
11:14 O SENHOR levantou um adversário contra Salomão: Hadade, o edomita, que era da família real de Edom.
11:15 Quando Davi estava em Edom, Joabe, comandante do exército, subiu para sepultar os mortos e matou todos os homens de Edom.
11:16 Joabe e todo Israel permaneceram ali seis meses, até exterminar todos os homens de Edom.
11:17 Mas Hadade fugiu para o Egito com alguns edomitas que eram servos de seu pai. Hadade era então um menino pequeno.
11:18 Eles saíram de Midiã e foram a Parã. Levaram consigo alguns homens de Parã e chegaram ao Egito, à presença do faraó, rei do Egito. Ele deu a Hadade uma casa, determinou que lhe fornecessem alimento e lhe deu terras.
11:19 Hadade encontrou grande favor aos olhos do faraó, que lhe deu como esposa a irmã de sua própria mulher, a irmã da rainha Tafnes.
11:20 A irmã de Tafnes deu a Hadade seu filho Genubate. Tafnes o desmamou no palácio do faraó, e Genubate viveu no palácio entre os filhos do faraó.
11:21 No Egito, Hadade soube que Davi havia descansado com seus antepassados e que Joabe, comandante do exército, havia morrido. Então disse ao faraó: “Deixe-me ir para minha terra”.
11:22 O faraó lhe perguntou: “O que falta a você comigo, para querer voltar à sua terra?”. Ele respondeu: “Nada, mas, por favor, deixe-me ir”.
11:23 Deus também levantou outro adversário contra Salomão: Rezom, filho de Eliada, que havia fugido de seu senhor Hadadezer, rei de Zobá.
11:24 Ele reuniu homens ao seu redor e se tornou chefe de uma tropa quando Davi matou os de Zobá. Foram a Damasco, se estabeleceram ali e reinaram em Damasco.
11:25 Ele foi adversário de Israel durante toda a vida de Salomão, além do mal que Hadade fazia. Detestava Israel e reinava sobre Arã.
11:26 Jeroboão, filho de Nebate, um efraimita de Zereda, servo de Salomão, também se rebelou contra o rei. Sua mãe se chamava Zerua e era viúva.
11:27 Esta foi a razão de sua rebelião contra o rei: Salomão construía o Milo e fechava a brecha da cidade de seu pai Davi.
11:28 Jeroboão era um homem capaz. Salomão viu que o jovem era trabalhador e o colocou à frente de todo o trabalho obrigatório dos descendentes de José.
11:29 Naquele tempo, Jeroboão saiu de Jerusalém, e o profeta Aías, de Siló, o encontrou no caminho. Aías estava vestido com uma capa nova, e os dois estavam sozinhos no campo.
11:30 Aías pegou a capa nova que estava usando e a rasgou em doze pedaços.
11:31 Ele disse a Jeroboão: “Pegue dez pedaços para você, pois assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: ‘Estou arrancando o reino das mãos de Salomão e darei a você dez tribos.
11:32 Mas ele terá uma tribo, por causa de meu servo Davi e de Jerusalém, a cidade que escolhi dentre todas as tribos de Israel.
11:33 Isso acontecerá porque me abandonaram e se prostraram diante de Astarote, deusa dos sidônios, de Quemos, deus de Moabe, e de Milcom, deus dos amonitas. Não andaram nos meus caminhos para fazer o que é certo aos meus olhos nem guardaram meus estatutos e decretos, como Davi, pai de Salomão.
11:34 Contudo, não tirarei todo o reino das mãos dele. Eu o manterei como governante durante toda a sua vida por causa de meu servo Davi, que escolhi e que guardou meus mandamentos e estatutos.
11:35 Tirarei o reino das mãos do filho de Salomão e darei a você as dez tribos.
11:36 Ao filho de Salomão darei uma tribo, para que meu servo Davi tenha sempre uma lâmpada diante de mim em Jerusalém, a cidade que escolhi para pôr nela meu nome.
11:37 Quanto a você, eu o tomarei, e reinará sobre tudo o que desejar. Você será rei de Israel.
11:38 Se você ouvir tudo o que eu ordenar, andar nos meus caminhos e fizer o que é certo aos meus olhos, guardando meus estatutos e mandamentos, como fez meu servo Davi, estarei com você. Estabelecerei para você uma dinastia firme, como estabeleci para Davi, e darei Israel a você.
11:39 Por isso afligirei os descendentes de Davi, mas não para sempre’”.
11:40 Salomão procurou matar Jeroboão, mas ele se levantou e fugiu para o Egito, à presença de Sisaque, rei do Egito. Ficou no Egito até a morte de Salomão.
11:41 Quanto aos demais atos de Salomão, a tudo o que fez e à sua sabedoria, não estão escritos no livro dos atos de Salomão?
11:42 Salomão reinou em Jerusalém sobre todo Israel durante quarenta anos.
11:43 Salomão descansou com seus antepassados e foi sepultado na cidade de seu pai Davi. Seu filho Roboão reinou em seu lugar.

Capítulo 12
12:1 Roboão foi a Siquém, pois todo Israel havia ido para lá a fim de fazê-lo rei.
12:2 Jeroboão, filho de Nebate, soube disso quando ainda estava no Egito, para onde havia fugido do rei Salomão. Jeroboão permanecia no Egito.
12:3 Mandaram chamá-lo, e Jeroboão e toda a assembleia de Israel vieram e disseram a Roboão:
12:4 “Seu pai tornou pesado o nosso jugo. Agora alivie o trabalho duro e o pesado jugo que seu pai nos impôs, e serviremos a você”.
12:5 Ele lhes respondeu: “Vão embora por três dias e depois voltem a mim”. E o povo foi embora.
12:6 O rei Roboão consultou os anciãos que haviam servido a seu pai Salomão enquanto ele vivia. Perguntou: “Como vocês aconselham que eu responda a este povo?”.
12:7 Ele lhe respondeu: “Se hoje você se tornar servo deste povo, o servir e lhe responder com boas palavras, eles serão seus servos para sempre”.
12:8 Mas ele rejeitou o conselho que os anciãos lhe deram e consultou os jovens que haviam crescido com ele e estavam a seu serviço.
12:9 Perguntou a eles: “O que vocês aconselham que respondamos a este povo, que me disse: ‘Alivie o jugo que seu pai nos impôs’?”.
12:10 Os jovens que haviam crescido com ele lhe disseram: “Responda assim a este povo que lhe disse: ‘Seu pai tornou pesado o nosso jugo, mas você o alivie’. Diga a eles: ‘Meu dedo mínimo é mais grosso que a cintura de meu pai.
12:11 Meu pai carregou vocês com um jugo pesado, mas eu tornarei seu jugo ainda mais pesado. Meu pai castigou vocês com chicotes, mas eu os castigarei com escorpiões’”.
12:12 Jeroboão e todo o povo voltaram a Roboão no terceiro dia, como o rei havia dito: “Voltem a mim no terceiro dia”.
12:13 O rei respondeu ao povo com dureza, rejeitando o conselho que os anciãos lhe haviam dado.
12:14 Falou a eles conforme o conselho dos jovens: “Meu pai tornou pesado o jugo de vocês, mas eu o tornarei ainda mais pesado. Meu pai castigou vocês com chicotes, mas eu os castigarei com escorpiões”.
12:15 O rei não ouviu o povo, pois essa mudança nos acontecimentos vinha do SENHOR, para cumprir a palavra que o SENHOR havia dado a Jeroboão, filho de Nebate, por meio de Aías, de Siló.
12:16 Quando todo Israel viu que o rei não os ouvia, o povo lhe respondeu: “Que parte temos nós com Davi? Não temos herança no filho de Jessé! Às suas tendas, Israel! Agora cuide de sua própria casa, Davi!”. E Israel foi para suas tendas.
12:17 Mas Roboão reinou sobre os israelitas que moravam nas cidades de Judá.
12:18 O rei Roboão enviou Adorão, responsável pelo trabalho forçado, mas todo Israel o apedrejou, e ele morreu. O rei Roboão se apressou a subir em seu carro para fugir para Jerusalém.
12:19 Assim Israel se rebelou contra a dinastia de Davi, e assim continua até hoje.
12:20 Quando todo Israel soube que Jeroboão havia voltado, mandaram chamá-lo à assembleia e o fizeram rei sobre todo Israel. Só a tribo de Judá permaneceu fiel à dinastia de Davi.
12:21 Roboão chegou a Jerusalém e reuniu todos os de Judá e a tribo de Benjamim: cento e oitenta mil guerreiros escolhidos, para lutar contra Israel e devolver o reino a Roboão, filho de Salomão.
12:22 Mas a palavra de Deus veio a Semaías, homem de Deus:
12:23 “Diga a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, a todos os de Judá e Benjamim e ao restante do povo:
12:24 ‘Assim diz o SENHOR: Não subam nem lutem contra seus irmãos, os israelitas. Voltem, cada um para sua casa, pois isso veio de mim’”. Eles ouviram a palavra do SENHOR e voltaram para casa, conforme a palavra do SENHOR.
12:25 Jeroboão reconstruiu Siquém, na região montanhosa de Efraim, e morou ali. Depois saiu de lá e reconstruiu Penuel.
12:26 Jeroboão pensou em seu coração: “Agora o reino voltará à dinastia de Davi.
12:27 Se este povo subir para oferecer sacrifícios na casa do SENHOR em Jerusalém, o coração deles voltará para seu senhor, Roboão, rei de Judá. Eles me matarão e voltarão para Roboão, rei de Judá”.
12:28 O rei pediu conselho e fez dois bezerros de ouro. Disse ao povo: “Já basta de subir a Jerusalém! Aqui estão seus deuses, Israel, que tiraram você da terra do Egito”.
12:29 Colocou um em Betel e o outro em Dã.
12:30 Isso se tornou pecado, pois o povo ia até Dã para se apresentar diante de um deles.
12:31 Fez um templo para o culto dos lugares altos e nomeou sacerdotes dentre o povo, que não eram descendentes de Levi.
12:32 Jeroboão instituiu uma festa no décimo quinto dia do oitavo mês, semelhante à festa de Judá, e subiu ao altar. Assim fez em Betel, oferecendo sacrifícios aos bezerros que havia feito. Também estabeleceu em Betel os sacerdotes dos santuários dos lugares altos que havia construído.
12:33 Subiu ao altar que havia feito em Betel, no décimo quinto dia do oitavo mês, o mês que havia inventado por conta própria. Instituiu uma festa para os israelitas e subiu ao altar para queimar incenso.

Capítulo 13
13:1 Um homem de Deus veio de Judá a Betel por ordem do SENHOR, enquanto Jeroboão estava junto ao altar para queimar incenso.
13:2 Por ordem do SENHOR, ele proclamou contra o altar: “Altar, altar! Assim diz o SENHOR: ‘Nascerá à dinastia de Davi um filho chamado Josias. Ele sacrificará sobre você os sacerdotes dos lugares altos que queimam incenso sobre você, e sobre você queimarão ossos humanos’”.
13:3 Naquele mesmo dia, deu um sinal, dizendo: “Este é o sinal anunciado pelo SENHOR: o altar se partirá, e as cinzas que estão sobre ele se derramarão”.
13:4 Quando o rei ouviu as palavras que o homem de Deus havia proclamado contra o altar em Betel, Jeroboão estendeu a mão de junto do altar e disse: “Prendam-no!”. Mas a mão que havia estendido contra ele secou, e não pôde recolhê-la.
13:5 O altar se partiu, e as cinzas se derramaram dele, conforme o sinal que o homem de Deus havia dado pela palavra do SENHOR.
13:6 Então o rei disse ao homem de Deus: “Por favor, suplique o favor do SENHOR, seu Deus, e ore por mim, para que minha mão seja restaurada”. O homem de Deus suplicou o favor do SENHOR, e a mão do rei foi restaurada, ficando como antes.
13:7 O rei disse ao homem de Deus: “Venha comigo para casa, recupere suas forças, e darei um presente a você”.
13:8 Mas o homem de Deus respondeu ao rei: “Mesmo que você me desse metade de sua casa, eu não iria com você, nem comeria pão nem beberia água neste lugar,
13:9 pois assim me foi ordenado pela palavra do SENHOR: ‘Não coma pão nem beba água, e não volte pelo caminho por onde foi’”.
13:10 Ele foi por outro caminho e não voltou pelo caminho por onde havia vindo a Betel.
13:11 Em Betel morava um profeta idoso. Seu filho veio e lhe contou tudo o que o homem de Deus havia feito naquele dia em Betel. Também contaram ao pai as palavras que ele havia dito ao rei.
13:12 O pai lhes perguntou: “Por qual caminho ele foi?”. Seus filhos haviam visto o caminho por onde o homem de Deus vindo de Judá havia ido.
13:13 Ele disse a seus filhos: “Selem o jumento para mim”. Eles selaram o jumento, e ele o montou.
13:14 Foi atrás do homem de Deus e o encontrou sentado debaixo do terebinto. Perguntou: “Você é o homem de Deus que veio de Judá?”. Ele respondeu: “Sou eu”.
13:15 Então lhe disse: “Venha comigo para casa e coma pão”.
13:16 Mas ele respondeu: “Não posso voltar nem entrar com você. Também não comerei pão nem beberei água com você neste lugar,
13:17 pois me foi dito pela palavra do SENHOR: ‘Não coma pão nem beba água ali; não volte pelo caminho por onde foi’”.
13:18 O outro lhe disse: “Eu também sou profeta como você, e um anjo falou comigo pela palavra do SENHOR, dizendo: ‘Faça-o voltar com você para sua casa, para que coma pão e beba água’”. Mas ele estava mentindo.
13:19 Então o homem de Deus voltou com ele, comeu pão em sua casa e bebeu água.
13:20 Enquanto estavam sentados à mesa, a palavra do SENHOR veio ao profeta que o havia feito voltar.
13:21 Ele proclamou ao homem de Deus que havia vindo de Judá: “Assim diz o SENHOR: ‘Você desobedeceu à voz do SENHOR e não guardou o mandamento que o SENHOR, seu Deus, lhe ordenou.
13:22 Você voltou, comeu pão e bebeu água no lugar onde ele lhe disse: “Não coma pão nem beba água”. Por isso seu cadáver não entrará no túmulo de seus antepassados’”.
13:23 Depois que o homem de Deus acabou de comer pão e beber, o ancião selou o jumento para o profeta que havia feito voltar.
13:24 O homem de Deus foi embora, e um leão o encontrou no caminho e o matou. Seu cadáver ficou estendido no caminho; o jumento estava parado junto dele, e o leão também estava junto ao cadáver.
13:25 Alguns homens que passavam viram o cadáver estendido no caminho e o leão parado junto dele. Foram e contaram isso na cidade onde morava o profeta idoso.
13:26 Quando o profeta que o havia feito voltar do caminho soube disso, disse: “É o homem de Deus que desobedeceu à voz do SENHOR. O SENHOR o entregou ao leão, que o despedaçou e matou, conforme a palavra que o SENHOR lhe havia dito”.
13:27 Então disse a seus filhos: “Selem o jumento para mim”. E eles o selaram.
13:28 Ele foi e encontrou o cadáver estendido no caminho, e o jumento e o leão parados junto dele. O leão não havia devorado o cadáver nem despedaçado o jumento.
13:29 O profeta levantou o cadáver do homem de Deus, colocou-o sobre o jumento e o levou de volta. O profeta idoso chegou à cidade para lamentar sua morte e sepultá-lo.
13:30 Colocou o cadáver em seu próprio túmulo, e lamentaram por ele, dizendo: “Ah, meu irmão!”.
13:31 Depois de sepultá-lo, disse a seus filhos: “Quando eu morrer, sepultem-me no túmulo onde o homem de Deus está sepultado. Ponham meus ossos junto aos ossos dele,
13:32 pois certamente se cumprirá a palavra que ele proclamou, por ordem do SENHOR, contra o altar de Betel e contra todos os santuários dos lugares altos nas cidades de Samaria”.
13:33 Depois disso, Jeroboão não abandonou seu mau caminho. Voltou a nomear sacerdotes dos lugares altos dentre o povo. Consagrava qualquer um que desejasse ser sacerdote, e assim ele se tornava sacerdote dos lugares altos.
13:34 Isso se tornou pecado para a dinastia de Jeroboão e levou à sua eliminação e destruição da face da terra.

Capítulo 14
14:1 Naquele tempo, Abias, filho de Jeroboão, adoeceu.
14:2 Jeroboão disse a sua esposa: “Levante-se e se disfarce, para que não reconheçam que você é a esposa de Jeroboão. Vá a Siló; ali está o profeta Aías, que me anunciou que eu seria rei deste povo.
14:3 Leve com você dez pães, alguns bolos e um frasco de mel, e vá procurá-lo. Ele dirá a você o que acontecerá ao menino”.
14:4 A esposa de Jeroboão fez isso: levantou-se, foi a Siló e entrou na casa de Aías. Ele já não conseguia enxergar, pois sua vista havia se apagado por causa da velhice.
14:5 O SENHOR havia dito a Aías: “A esposa de Jeroboão vem consultar você sobre seu filho, que está doente. Você lhe dirá isto e aquilo”. Ao chegar, ela se fazia passar por outra pessoa.
14:6 Quando Aías ouviu o som dos passos dela entrando pela porta, disse: “Entre, esposa de Jeroboão. Por que você se faz passar por outra pessoa? Fui enviado a você com uma mensagem dura.
14:7 Vá e diga a Jeroboão: ‘Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Eu o levantei do meio do povo e fiz de você governante de meu povo Israel.
14:8 Arranquei o reino da dinastia de Davi e o dei a você. Mas você não foi como meu servo Davi, que guardou meus mandamentos e me seguiu de todo o coração, fazendo somente o que é certo aos meus olhos.
14:9 Você fez mais mal que todos os que vieram antes. Fez para si outros deuses e imagens de metal fundido para me provocar à ira, e me lançou para trás de suas costas.
14:10 Por isso trarei calamidade sobre a família de Jeroboão. Eliminarei de Jeroboão todos os descendentes do sexo masculino, tanto escravos como livres, em Israel. Varrerei até o último resto da família de Jeroboão, como se varre o esterco até não sobrar nada.
14:11 Os da família de Jeroboão que morrerem na cidade serão devorados pelos cães, e os que morrerem no campo serão devorados pelas aves do céu, pois o SENHOR o disse’.
14:12 Agora levante-se e vá para sua casa. Quando seus pés entrarem na cidade, o menino morrerá.
14:13 Todo Israel chorará por ele e o sepultará. Da família de Jeroboão, só ele receberá sepultura, pois nele se encontrou algo bom para com o SENHOR, o Deus de Israel, dentro da família de Jeroboão.
14:14 O SENHOR levantará para si um rei sobre Israel que eliminará a família de Jeroboão. Isso será hoje. Que digo? Agora mesmo!
14:15 O SENHOR ferirá Israel, que se agitará como uma cana na água. Arrancará Israel desta boa terra que deu a seus antepassados e os espalhará para além do rio Eufrates, pois fizeram seus postes de Aserá, provocando o SENHOR à ira.
14:16 Ele entregará Israel por causa dos pecados que Jeroboão cometeu e com os quais fez Israel pecar”.
14:17 A esposa de Jeroboão se levantou, foi embora e chegou a Tirza. Quando ela atravessou a soleira da casa, o menino morreu.
14:18 Eles o sepultaram, e todo Israel chorou por ele, conforme a palavra do SENHOR, que ele havia pronunciado por meio de seu servo, o profeta Aías.
14:19 Os demais atos de Jeroboão, suas guerras e a maneira como reinou, estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel.
14:20 Jeroboão reinou durante vinte e dois anos. Descansou com seus antepassados, e seu filho Nadabe reinou em seu lugar.
14:21 Roboão, filho de Salomão, reinou em Judá. Tinha quarenta e um anos quando começou a reinar e reinou dezessete anos em Jerusalém, a cidade que o SENHOR escolheu dentre todas as tribos de Israel para pôr nela seu nome. Sua mãe se chamava Naamá, a amonita.
14:22 Judá fez o que era mau aos olhos do SENHOR. Com os pecados que cometeram, provocaram seu ciúme mais do que haviam feito seus antepassados.
14:23 Eles também construíram santuários nos lugares altos, colunas sagradas e postes de Aserá sobre toda colina alta e debaixo de toda árvore frondosa.
14:24 Também havia na terra homens dedicados à prostituição ritual. Praticaram todas as abominações das nações que o SENHOR havia expulsado de diante dos israelitas.
14:25 No quinto ano do rei Roboão, Susaque, rei do Egito, subiu contra Jerusalém.
14:26 Levou os tesouros da casa do SENHOR e os tesouros do palácio real. Levou tudo; também levou todos os escudos de ouro que Salomão havia feito.
14:27 O rei Roboão fez escudos de bronze para substituí-los e os confiou aos chefes da guarda que vigiavam a entrada do palácio real.
14:28 Sempre que o rei entrava na casa do SENHOR, os guardas levavam os escudos e depois os devolviam à sala da guarda.
14:29 Quanto aos demais atos de Roboão e a tudo o que fez, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
14:30 Houve guerra entre Roboão e Jeroboão durante toda a sua vida.
14:31 Roboão descansou com seus antepassados e foi sepultado com eles na Cidade de Davi. Sua mãe se chamava Naamá, a amonita. Seu filho Abião reinou em seu lugar.

Capítulo 15
15:1 No décimo oitavo ano do rei Jeroboão, filho de Nebate, Abião começou a reinar sobre Judá.
15:2 Reinou três anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Maaca, filha de Abisalão.
15:3 Ele seguiu todos os pecados que seu pai havia cometido antes dele. Seu coração não era inteiramente dedicado ao SENHOR, seu Deus, como havia sido o coração de Davi, seu antepassado.
15:4 Mas, por causa de Davi, o SENHOR, seu Deus, lhe deu uma lâmpada em Jerusalém, estabelecendo seu filho depois dele e mantendo Jerusalém firme.
15:5 Pois Davi havia feito o que era certo aos olhos do SENHOR e, durante toda a sua vida, não se havia afastado de nada do que ele lhe ordenara, exceto no caso de Urias, o hitita.
15:6 Houve guerra entre Roboão e Jeroboão durante toda a sua vida.
15:7 Quanto aos demais atos de Abião e a tudo o que fez, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá? Houve guerra entre Abião e Jeroboão.
15:8 Abião descansou com seus antepassados e foi sepultado na Cidade de Davi. Seu filho Asa reinou em seu lugar.
15:9 No vigésimo ano de Jeroboão, rei de Israel, Asa começou a reinar como rei de Judá.
15:10 Reinou quarenta e um anos em Jerusalém. Sua avó se chamava Maaca, filha de Abisalão.
15:11 Asa fez o que era certo aos olhos do SENHOR, como Davi, seu antepassado.
15:12 Expulsou da terra os homens dedicados à prostituição ritual e removeu todos os ídolos que seus antepassados haviam feito.
15:13 Também destituiu sua avó Maaca da posição de rainha-mãe, porque ela havia feito uma imagem abominável para Aserá. Asa cortou essa imagem e a queimou junto ao ribeiro de Cedrom.
15:14 Contudo, os santuários dos lugares altos não foram removidos. Ainda assim, o coração de Asa foi inteiramente dedicado ao SENHOR durante toda a sua vida.
15:15 Ele levou à casa do SENHOR o que seu pai havia consagrado e o que ele mesmo havia consagrado: prata, ouro e utensílios.
15:16 Houve guerra entre Asa e Baasa, rei de Israel, durante toda a vida de ambos.
15:17 Baasa, rei de Israel, subiu contra Judá e fortificou Ramá, para impedir que alguém saísse do território de Asa, rei de Judá, ou entrasse nele.
15:18 Então Asa pegou toda a prata e o ouro que restavam nos tesouros da casa do SENHOR e nos tesouros do palácio real, e os entregou a seus servos. O rei Asa os enviou a Ben-Hadade, filho de Tabrimom, neto de Heziom, rei de Arã, que morava em Damasco, com esta mensagem:
15:19 “Há uma aliança entre mim e você, entre meu pai e seu pai. Estou enviando a você um presente de prata e ouro. Vá e rompa sua aliança com Baasa, rei de Israel, para que ele se retire de meu território”.
15:20 Ben-Hadade atendeu ao rei Asa e enviou os comandantes de suas tropas contra as cidades de Israel. Atacou Ijom, Dã, Abel-Bete-Maaca e toda a região de Quinerote, junto com toda a terra de Naftali.
15:21 Quando Baasa soube disso, parou de fortificar Ramá e permaneceu em Tirza.
15:22 O rei Asa convocou todo Judá, sem exceção. Eles levaram as pedras e a madeira com que Baasa fortificava Ramá, e com elas o rei Asa fortificou Geba de Benjamim e Mispa.
15:23 Quanto aos demais atos de Asa, a todas as suas proezas, a tudo o que fez e às cidades que construiu, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá? Na velhice, ele adoeceu dos pés.
15:24 Asa descansou com seus antepassados e foi sepultado com eles na cidade de Davi, seu antepassado. Seu filho Josafá reinou em seu lugar.
15:25 Nadabe, filho de Jeroboão, começou a reinar sobre Israel no segundo ano de Asa, rei de Judá, e reinou dois anos.
15:26 Ele fez o que era mau aos olhos do SENHOR e seguiu o caminho de seu pai e o pecado com que ele havia feito Israel pecar.
15:27 Baasa, filho de Aías, da tribo de Issacar, conspirou contra ele. Baasa o atacou em Gibetom, que pertencia aos filisteus, enquanto Nadabe e todo Israel cercavam Gibetom.
15:28 Baasa o matou no terceiro ano de Asa, rei de Judá, e reinou em seu lugar.
15:29 Assim que começou a reinar, matou toda a família de Jeroboão. Não deixou com vida ninguém da família de Jeroboão, até exterminá-la, conforme a palavra do SENHOR, que ele havia pronunciado por meio de seu servo Aías, de Siló.
15:30 Isso aconteceu por causa dos pecados que Jeroboão cometeu e com os quais fez Israel pecar, e da provocação com que provocou à ira o SENHOR, o Deus de Israel.
15:31 Quanto aos demais atos de Nadabe e a tudo o que fez, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
15:32 Houve guerra entre Asa e Baasa, rei de Israel, durante toda a vida de ambos.
15:33 No terceiro ano de Asa, rei de Judá, Baasa, filho de Aías, começou a reinar sobre todo Israel em Tirza. Reinou vinte e quatro anos.
15:34 Ele fez o que era mau aos olhos do SENHOR e seguiu o caminho de Jeroboão e o pecado com que ele havia feito Israel pecar.

Capítulo 16
16:1 A palavra do SENHOR veio a Jeú, filho de Hanani, contra Baasa:
16:2 “Eu o levantei do pó e fiz de você governante de meu povo Israel. Mas você seguiu o caminho de Jeroboão e fez meu povo Israel pecar, provocando-me à ira com os pecados deles.
16:3 Por isso varrerei até o último resto de Baasa e de sua família. Farei sua família ser como a família de Jeroboão, filho de Nebate.
16:4 Os da família de Baasa que morrerem na cidade serão devorados pelos cães, e os que morrerem no campo serão devorados pelas aves do céu”.
16:5 Quanto aos demais atos de Baasa, ao que fez e às suas proezas, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
16:6 Baasa descansou com seus antepassados e foi sepultado em Tirza. Seu filho Elá reinou em seu lugar.
16:7 A palavra do SENHOR também veio por meio do profeta Jeú, filho de Hanani, contra Baasa e sua família, por todo o mal que ele havia feito aos olhos do SENHOR, provocando-o à ira com as obras de suas mãos e tornando-se como a família de Jeroboão, e também por ter destruído aquela família.
16:8 No vigésimo sexto ano de Asa, rei de Judá, Elá, filho de Baasa, começou a reinar sobre Israel em Tirza. Reinou dois anos.
16:9 Seu servo Zinri, comandante de metade dos carros, conspirou contra ele. Elá estava em Tirza, bebendo até se embriagar na casa de Arsa, responsável pelo palácio em Tirza.
16:10 Zinri entrou, o atacou e o matou no vigésimo sétimo ano de Asa, rei de Judá, e reinou em seu lugar.
16:11 Assim que começou a reinar e se sentou no trono, matou toda a família de Baasa. Não deixou com vida nenhum homem da família, nem seus parentes nem seus amigos.
16:12 Assim Zinri exterminou toda a família de Baasa, conforme a palavra que o SENHOR havia pronunciado contra Baasa por meio do profeta Jeú,
16:13 por todos os pecados de Baasa e de seu filho Elá, que eles cometeram e com os quais fizeram Israel pecar, provocando à ira o SENHOR, o Deus de Israel, com seus ídolos inúteis.
16:14 Quanto aos demais atos de Elá e a tudo o que fez, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
16:15 No vigésimo sétimo ano de Asa, rei de Judá, Zinri reinou sete dias em Tirza. O povo estava acampado contra Gibetom, que pertencia aos filisteus.
16:16 Os que estavam no acampamento ouviram dizer: “Zinri conspirou e matou o rei”. Naquele mesmo dia, no acampamento, todo Israel fez Onri, comandante do exército, rei sobre Israel.
16:17 Onri subiu de Gibetom com todo Israel, e cercaram Tirza.
16:18 Quando Zinri viu que a cidade havia sido tomada, entrou na fortaleza do palácio real e incendiou o palácio estando dentro dele. Assim morreu,
16:19 por seu pecado, que cometeu ao fazer o que era mau aos olhos do SENHOR, seguindo o caminho de Jeroboão e o pecado com que ele havia feito Israel pecar.
16:20 Quanto aos demais atos de Zinri e à conspiração que tramou, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
16:21 Então o povo de Israel se dividiu em dois grupos: metade seguia Tibni, filho de Ginate, para fazê-lo rei, e a outra metade seguia Onri.
16:22 Os que seguiam Onri foram mais fortes que os que seguiam Tibni, filho de Ginate. Tibni morreu, e Onri reinou.
16:23 No trigésimo primeiro ano de Asa, rei de Judá, Onri começou a reinar sobre Israel. Reinou doze anos, seis deles em Tirza.
16:24 Comprou de Semer o monte de Samaria por cerca de 68 quilogramas de prata e construiu sobre o monte. Deu à cidade que construiu o nome de Samaria, por causa de Semer, dono do monte.
16:25 Onri fez o que era mau aos olhos do SENHOR; fez mais mal que todos os que vieram antes dele.
16:26 Seguiu todo o caminho de Jeroboão, filho de Nebate, e seus pecados, com que havia feito Israel pecar, provocando à ira o SENHOR, o Deus de Israel, com seus ídolos inúteis.
16:27 Quanto aos demais atos de Onri, ao que fez e às proezas que realizou, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
16:28 Onri descansou com seus antepassados e foi sepultado em Samaria. Seu filho Acabe reinou em seu lugar.
16:29 Acabe, filho de Onri, começou a reinar sobre Israel no trigésimo oitavo ano de Asa, rei de Judá. Acabe, filho de Onri, reinou sobre Israel em Samaria durante vinte e dois anos.
16:30 Acabe, filho de Onri, fez o que era mau aos olhos do SENHOR, mais do que todos os que vieram antes dele.
16:31 Como se fosse pouca coisa seguir os pecados de Jeroboão, filho de Nebate, tomou como esposa Jezabel, filha de Etbaal, rei dos sidônios. Foi servir a Baal e se prostrou diante dele.
16:32 Ergueu um altar a Baal no templo de Baal que havia construído em Samaria.
16:33 Acabe fez um poste de Aserá. Fez mais para provocar à ira o SENHOR, o Deus de Israel, do que todos os reis de Israel que vieram antes dele.
16:34 Nos seus dias, Hiel, de Betel, reconstruiu Jericó. Lançou seus alicerces à custa da vida de Abirão, seu primogênito, e colocou suas portas à custa da vida de Segibe, seu filho mais novo, conforme a palavra que o SENHOR havia pronunciado por meio de Josué, filho de Num.

Capítulo 17
17:1 Elias, o tisbita, um dos moradores de Gileade, disse a Acabe: “Tão certo como vive o SENHOR, o Deus de Israel, em cuja presença estou, nestes anos não haverá orvalho nem chuva, a não ser pela minha palavra”.
17:2 A palavra do SENHOR veio a ele:
17:3 “Saia daqui, vá para o leste e esconda-se junto ao ribeiro de Querite, que fica diante do Jordão.
17:4 Você beberá do ribeiro, e ordenei aos corvos que alimentem você ali”.
17:5 Ele foi e fez conforme a palavra do SENHOR. Foi morar junto ao ribeiro de Querite, diante do Jordão.
17:6 Os corvos lhe traziam pão e carne pela manhã e pão e carne ao anoitecer, e ele bebia do ribeiro.
17:7 Passado algum tempo, o ribeiro secou, pois não havia chovido na terra.
17:8 Então a palavra do SENHOR veio a ele:
17:9 “Levante-se, vá a Sarepta, que pertence a Sidom, e more ali. Ordenei a uma viúva de lá que alimente você”.
17:10 Ele se levantou e foi a Sarepta. Ao chegar à entrada da cidade, havia ali uma viúva recolhendo lenha. Ele a chamou e disse: “Por favor, traga para mim um pouco de água numa vasilha, para eu beber”.
17:11 Enquanto ela ia buscar a água, ele a chamou e disse: “Por favor, traga também um pedaço de pão”.
17:12 Ela respondeu: “Tão certo como vive o SENHOR, seu Deus, não tenho nenhum pão pronto. Só tenho um punhado de farinha no pote e um pouco de azeite na vasilha. Estou recolhendo dois pedaços de lenha para preparar isso para mim e para meu filho. Vamos comer e depois morrer”.
17:13 Elias lhe disse: “Não tenha medo. Vá e faça o que você disse, mas primeiro prepare com isso um pequeno pão para mim e o traga. Depois prepare para você e para seu filho.
17:14 Pois assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: ‘A farinha do pote não se acabará, nem o azeite da vasilha faltará, até o dia em que o SENHOR der chuva sobre a terra’”.
17:15 Ela foi e fez conforme a palavra de Elias. Ele, ela e a família dela comeram durante dias.
17:16 A farinha do pote não se acabou, nem o azeite da vasilha faltou, conforme a palavra que o SENHOR havia pronunciado por meio de Elias.
17:17 Depois disso, o filho da mulher, dona da casa, adoeceu. Sua doença se tornou tão grave que nele não restou fôlego.
17:18 Ela disse a Elias: “O que tenho eu com você, homem de Deus? Você veio para trazer à memória minha culpa e fazer meu filho morrer?”.
17:19 Ele lhe respondeu: “Dê seu filho para mim”. Tomou-o dos braços dela, levou-o para o quarto de cima, onde se hospedava, e o deitou em sua cama.
17:20 Clamou ao SENHOR: “SENHOR, meu Deus, até a esta viúva, com quem me hospedo, trouxeste desgraça, fazendo seu filho morrer?”.
17:21 Ele se estendeu sobre o menino três vezes e clamou ao SENHOR: “SENHOR, meu Deus, peço-te que a vida deste menino volte a ele”.
17:22 O SENHOR ouviu a voz de Elias; a vida do menino voltou a ele, e ele reviveu.
17:23 Elias pegou o menino, desceu com ele do quarto de cima para a casa e o entregou à mãe. Elias disse: “Veja, seu filho está vivo”.
17:24 A mulher disse a Elias: “Agora sei que você é um homem de Deus e que a palavra do SENHOR em sua boca é verdade”.

Capítulo 18
18:1 Passado muito tempo, no terceiro ano, a palavra do SENHOR veio a Elias: “Vá apresentar-se a Acabe, e eu darei chuva sobre a terra”.
18:2 Elias foi apresentar-se a Acabe. A fome era muito intensa em Samaria.
18:3 Acabe chamou Obadias, responsável pelo palácio. Obadias temia muito o SENHOR.
18:4 Quando Jezabel exterminava os profetas do SENHOR, Obadias havia acolhido cem profetas e os escondido em cavernas, cinquenta em cada uma, sustentando-os com pão e água.
18:5 Acabe disse a Obadias: “Percorra a terra, indo a todas as fontes de água e a todos os ribeiros. Talvez encontremos pasto para manter vivos os cavalos e as mulas, sem perder os animais”.
18:6 Eles dividiram entre si a terra para percorrê-la. Acabe foi sozinho por um caminho, e Obadias foi sozinho por outro.
18:7 Quando Obadias estava no caminho, Elias veio ao seu encontro. Ele o reconheceu, prostrou-se com o rosto em terra e perguntou: “É você, meu senhor Elias?”.
18:8 Ele respondeu: “Sou eu. Vá e diga a seu senhor: ‘Elias está aqui’”.
18:9 Mas Obadias disse: “Em que pequei, para você entregar seu servo nas mãos de Acabe, para que ele me mate?
18:10 Tão certo como vive o SENHOR, seu Deus, não há nação nem reino aonde meu senhor não tenha mandado procurar você. Quando diziam: ‘Ele não está aqui’, fazia o reino e a nação jurarem que não o haviam encontrado.
18:11 E agora você diz: ‘Vá e diga a seu senhor: “Elias está aqui”’.
18:12 Quando eu me afastar de você, o Espírito do SENHOR poderá levá-lo para algum lugar que não conheço. Então irei avisar a Acabe, e, se ele não encontrar você, me matará. Mas eu, seu servo, temo o SENHOR desde a minha juventude.
18:13 Não contaram a meu senhor o que fiz quando Jezabel matava os profetas do SENHOR? Escondi cem profetas do SENHOR em cavernas, cinquenta em cada uma, e os sustentei com pão e água.
18:14 E agora você diz: ‘Vá e diga a seu senhor: “Elias está aqui”’. Ele me matará!”.
18:15 Elias respondeu: “Tão certo como vive o SENHOR dos Exércitos, em cuja presença estou, hoje me apresentarei a ele”.
18:16 Obadias foi ao encontro de Acabe e o avisou. Então Acabe foi ao encontro de Elias.
18:17 Quando Acabe viu Elias, disse a ele: “É você quem traz desgraça a Israel?”.
18:18 Ele respondeu: “Não fui eu que trouxe desgraça a Israel, mas você e a família de seu pai, pois vocês abandonaram os mandamentos do SENHOR, e você seguiu os baalins.
18:19 Agora mande reunir diante de mim todo Israel no monte Carmelo, os quatrocentos e cinquenta profetas de Baal e os quatrocentos profetas de Aserá que comem à mesa de Jezabel”.
18:20 Acabe enviou mensageiros a todos os israelitas e reuniu os profetas no monte Carmelo.
18:21 Elias se aproximou de todo o povo e disse: “Até quando vocês vão ficar mancando entre duas opiniões? Se o SENHOR é Deus, sigam-no; se é Baal, sigam-no”. Mas o povo não lhe respondeu uma palavra.
18:22 Elias disse ao povo: “Só eu fiquei como profeta do SENHOR, mas os profetas de Baal são quatrocentos e cinquenta homens.
18:23 Que nos deem dois touros. Que eles escolham um, o cortem em pedaços e o coloquem sobre a lenha, sem pôr fogo. Eu prepararei o outro touro e o colocarei sobre a lenha, também sem pôr fogo.
18:24 Vocês invocarão o nome de seu deus, e eu invocarei o nome do SENHOR. O Deus que responder com fogo, esse é Deus”. Todo o povo respondeu: “A proposta é boa”.
18:25 Elias disse aos profetas de Baal: “Escolham um dos touros e preparem-no primeiro, pois vocês são muitos. Invoquem o nome de seu deus, mas não ponham fogo”.
18:26 Eles pegaram o touro que lhes havia sido dado, o prepararam e invocaram o nome de Baal desde a manhã até o meio-dia, dizendo: “Baal, responde-nos!”. Mas não houve voz nem quem respondesse. Saltavam ao redor do altar que havia sido feito.
18:27 Ao meio-dia, Elias zombava deles e dizia: “Gritem mais alto, pois ele é um deus! Talvez esteja meditando, ou esteja ocupado, ou esteja viajando. Talvez esteja dormindo e precise acordar”.
18:28 Eles gritaram em alta voz e, conforme seu costume, se cortaram com espadas e lanças até o sangue correr pelo corpo.
18:29 Passado o meio-dia, continuaram profetizando até a hora de apresentar a oferta. Mas não houve voz, nem resposta, nem atenção.
18:30 Então Elias disse a todo o povo: “Aproximem-se de mim”. Todo o povo se aproximou, e ele restaurou o altar do SENHOR que estava derrubado.
18:31 Elias pegou doze pedras, conforme o número das tribos dos filhos de Jacó, a quem a palavra do SENHOR havia sido dirigida, dizendo: “Seu nome será Israel”.
18:32 Com as pedras, construiu um altar em nome do SENHOR e fez ao redor dele uma vala com espaço para cerca de 15 litros de sementes.
18:33 Arrumou a lenha, cortou o touro em pedaços e o colocou sobre a lenha.
18:34 Disse: “Encham quatro jarros de água e a derramem sobre o holocausto e a lenha”. Depois disse: “Façam isso uma segunda vez”. E fizeram uma segunda vez. Disse: “Façam uma terceira vez”. E fizeram uma terceira vez.
18:35 A água correu ao redor do altar, e ele também encheu a vala de água.
18:36 Na hora de apresentar a oferta, o profeta Elias se aproximou e disse: “SENHOR, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, que hoje se saiba que tu és Deus em Israel, que eu sou teu servo e que fiz todas estas coisas conforme tuas palavras.
18:37 Responde-me, SENHOR, responde-me, para que este povo saiba que tu, SENHOR, és Deus e que fizeste o coração deles voltar”.
18:38 Então caiu o fogo do SENHOR e consumiu o holocausto, a lenha, as pedras e o pó; também lambeu a água que estava na vala.
18:39 Quando todo o povo viu isso, prostrou-se com o rosto em terra e disse: “O SENHOR é Deus! O SENHOR é Deus!”.
18:40 Elias lhes disse: “Prendam os profetas de Baal! Não deixem nenhum escapar!”. Eles os prenderam, e Elias os levou para baixo, até o ribeiro de Quisom, e ali os degolou.
18:41 Depois Elias disse a Acabe: “Suba, coma e beba, pois se ouve o estrondo de uma forte chuva”.
18:42 Acabe subiu para comer e beber. Elias subiu ao cume do Carmelo, inclinou-se até o chão e colocou o rosto entre os joelhos.
18:43 Disse a seu servo: “Suba, por favor, e olhe na direção do mar”. Ele subiu, olhou e disse: “Não há nada”. Sete vezes Elias lhe disse: “Volte”.
18:44 Na sétima vez, ele disse: “Uma pequena nuvem, do tamanho da palma da mão de um homem, está subindo do mar”. Então Elias disse: “Suba e diga a Acabe: ‘Atrele seu carro e desça, para que a chuva não o detenha’”.
18:45 Enquanto isso, o céu escureceu com nuvens e vento, e caiu uma forte chuva. Acabe subiu no carro e foi para Jezreel.
18:46 A mão do SENHOR esteve sobre Elias. Ele prendeu a roupa à cintura e correu à frente de Acabe até a entrada de Jezreel.

Capítulo 19
19:1 Acabe contou a Jezabel tudo o que Elias havia feito e como havia matado todos os profetas à espada.
19:2 Jezabel enviou um mensageiro a Elias, dizendo: “Que os deuses me castiguem com todo rigor se amanhã, a esta hora, eu não fizer com sua vida o mesmo que com a vida de um deles”.
19:3 Ao ver isso, ele se levantou e partiu para salvar a própria vida. Chegou a Berseba, que pertence a Judá, e deixou ali seu servo.
19:4 Ele caminhou um dia pelo deserto, chegou a uma giesta e se sentou debaixo dela. Pediu para morrer, dizendo: “Basta, SENHOR! Toma minha vida, pois não sou melhor que meus antepassados”.
19:5 Deitou-se e dormiu debaixo da giesta. Então um anjo o tocou e disse: “Levante-se e coma”.
19:6 Ele olhou e viu junto à sua cabeça um pão assado sobre pedras quentes e uma vasilha de água. Comeu, bebeu e voltou a se deitar.
19:7 O anjo do SENHOR voltou pela segunda vez, tocou nele e disse: “Levante-se e coma, pois a viagem é longa demais para você”.
19:8 Ele se levantou, comeu e bebeu. Com a força daquela comida, caminhou quarenta dias e quarenta noites até Horebe, o monte de Deus.
19:9 Ali entrou na caverna e passou a noite. A palavra do SENHOR veio a ele, dizendo: “O que você está fazendo aqui, Elias?”.
19:10 Ele respondeu: “Tenho sido muito zeloso pelo SENHOR, o Deus dos Exércitos, pois os israelitas abandonaram tua aliança, derrubaram teus altares e mataram teus profetas à espada. Só eu fiquei, e procuram tirar minha vida”.
19:11 O SENHOR disse: “Saia e fique no monte diante do SENHOR”. Então o SENHOR passou. Um vento muito forte despedaçava os montes e quebrava as rochas diante do SENHOR, mas o SENHOR não estava no vento. Depois do vento houve um terremoto, mas o SENHOR não estava no terremoto.
19:12 Depois do terremoto houve fogo, mas o SENHOR não estava no fogo. Depois do fogo houve um suave sussurro.
19:13 Quando Elias o ouviu, cobriu o rosto com sua capa, saiu e ficou à entrada da caverna. Então uma voz lhe disse: “O que você está fazendo aqui, Elias?”.
19:14 Ele respondeu: “Tenho sido muito zeloso pelo SENHOR, o Deus dos Exércitos, pois os israelitas abandonaram tua aliança, derrubaram teus altares e mataram teus profetas à espada. Só eu fiquei, e procuram tirar minha vida”.
19:15 O SENHOR lhe disse: “Vá, volte pelo seu caminho até o deserto de Damasco. Quando chegar, unja Hazael rei de Arã.
19:16 Unja também Jeú, filho de Ninsi, rei de Israel, e Eliseu, filho de Safate, de Abel-Meolá, profeta em seu lugar.
19:17 Quem escapar da espada de Hazael será morto por Jeú, e quem escapar da espada de Jeú será morto por Eliseu.
19:18 Mas deixarei em Israel sete mil pessoas: todos os joelhos que não se dobraram a Baal e todas as bocas que não o beijaram”.
19:19 Elias partiu dali e encontrou Eliseu, filho de Safate, que estava arando. Havia doze juntas de bois diante dele, e ele estava com a décima segunda. Elias passou junto dele e lançou sobre ele sua capa.
19:20 Eliseu deixou os bois, correu atrás de Elias e disse: “Por favor, deixe-me beijar meu pai e minha mãe, e depois seguirei você”. Elias lhe respondeu: “Vá e volte, pois o que fiz eu a você?”.
19:21 Eliseu voltou, pegou a junta de bois e os sacrificou. Usando os instrumentos de arar como combustível, cozinhou a carne e a deu ao povo, e eles comeram. Depois se levantou, seguiu Elias e passou a servi-lo.

Capítulo 20
20:1 Ben-Hadade, rei de Arã, reuniu todo o seu exército. Com ele estavam trinta e dois reis, com cavalos e carros. Subiu, cercou Samaria e a atacou.
20:2 Enviou mensageiros à cidade, a Acabe, rei de Israel,
20:3 para lhe dizer: “Assim diz Ben-Hadade: Sua prata e seu ouro são meus; suas esposas e seus melhores filhos também são meus”.
20:4 O rei de Israel respondeu: “Conforme sua palavra, meu senhor, o rei, eu e tudo o que tenho somos seus”.
20:5 Os mensageiros voltaram e disseram: “Assim diz Ben-Hadade: Mandei dizer a você: ‘Você me dará sua prata, seu ouro, suas esposas e seus filhos’.
20:6 Mas amanhã, a esta hora, enviarei meus servos para revistar sua casa e as casas de seus servos. Eles pegarão e levarão tudo o que for precioso aos seus olhos”.
20:7 O rei de Israel chamou todos os anciãos da terra e lhes disse: “Notem bem e vejam como este homem quer nos fazer mal. Ele mandou pedir minhas esposas, meus filhos, minha prata e meu ouro, e eu não neguei isso a ele”.
20:8 Todos os anciãos e todo o povo lhe disseram: “Não dê ouvidos a ele, nem aceite”.
20:9 Ele disse aos mensageiros de Ben-Hadade: “Digam a meu senhor, o rei: ‘Farei tudo o que você pediu a seu servo da primeira vez, mas isto não posso fazer’”. Os mensageiros foram e levaram a resposta.
20:10 Ben-Hadade lhe enviou esta mensagem: “Que os deuses me castiguem com todo rigor se o pó de Samaria for suficiente para dar um punhado a cada um dos que me seguem”.
20:11 O rei de Israel respondeu: “Digam a ele: ‘Quem veste a armadura não se gabe como quem a tira’”.
20:12 Quando Ben-Hadade ouviu essas palavras, estava bebendo com os reis nas tendas. Disse a seus servos: “Preparem-se!”. E eles se prepararam contra a cidade.
20:13 Então um profeta se aproximou de Acabe, rei de Israel, e lhe disse: “Assim diz o SENHOR: ‘Você viu toda esta grande multidão? Hoje a entregarei em suas mãos, e você saberá que eu sou o SENHOR’”.
20:14 Acabe perguntou: “Por meio de quem?”. Ele respondeu: “Assim diz o SENHOR: ‘Por meio dos jovens assistentes dos chefes das províncias’”. Acabe perguntou: “Quem começará a batalha?”. Ele respondeu: “Você”.
20:15 Ele contou os jovens assistentes dos chefes das províncias: eram duzentos e trinta e dois. Depois contou todo o povo, todos os israelitas: sete mil.
20:16 Eles saíram ao meio-dia, enquanto Ben-Hadade bebia até se embriagar nas tendas com os trinta e dois reis que o ajudavam.
20:17 Os jovens assistentes dos chefes das províncias saíram primeiro. Ben-Hadade mandou verificar, e lhe disseram: “Alguns homens saíram de Samaria”.
20:18 Ele disse: “Se saíram em paz, capturem-nos vivos; se saíram para a guerra, capturem-nos vivos”.
20:19 Os jovens assistentes dos chefes das províncias saíram da cidade, e o exército os seguiu.
20:20 Cada um matou seu adversário. Os arameus fugiram, e Israel os perseguiu. Ben-Hadade, rei de Arã, escapou a cavalo com alguns cavaleiros.
20:21 O rei de Israel saiu e atacou os cavalos e os carros, impondo uma grande derrota aos arameus.
20:22 O profeta se aproximou do rei de Israel e lhe disse: “Vá, fortaleça-se e considere bem o que deve fazer, pois, na virada do ano, o rei de Arã subirá contra você”.
20:23 Os servos do rei de Arã lhe disseram: “Os deuses deles são deuses dos montes; por isso foram mais fortes que nós. Mas lutemos contra eles na planície, e certamente seremos mais fortes que eles.
20:24 Faça isto: retire cada rei de seu posto e coloque oficiais no lugar deles.
20:25 Reúna um exército como o que perdeu, cavalo por cavalo e carro por carro. Lutaremos contra eles na planície, e certamente seremos mais fortes que eles”. Ele os ouviu e fez isso.
20:26 Na virada do ano, Ben-Hadade reuniu os arameus e subiu a Afeca para lutar contra Israel.
20:27 Os israelitas foram convocados, receberam provisões e saíram ao encontro deles. Acamparam diante deles como dois pequenos rebanhos de cabras, enquanto os arameus enchiam a terra.
20:28 O homem de Deus se aproximou do rei de Israel e lhe disse: “Assim diz o SENHOR: ‘Porque os arameus disseram: “O SENHOR é Deus dos montes, e não Deus dos vales”, entregarei toda esta grande multidão em suas mãos, e vocês saberão que eu sou o SENHOR’”.
20:29 Eles ficaram acampados uns diante dos outros por sete dias. No sétimo dia, começou a batalha, e os israelitas mataram cem mil soldados de infantaria dos arameus em um só dia.
20:30 Os sobreviventes fugiram para a cidade de Afeca, e a muralha caiu sobre os vinte e sete mil homens que restavam. Ben-Hadade também fugiu, entrou na cidade e se escondeu num quarto interior.
20:31 Seus servos lhe disseram: “Ouvimos que os reis de Israel são reis misericordiosos. Vamos pôr pano de saco à cintura e cordas sobre a cabeça, e sair ao rei de Israel. Talvez ele poupe sua vida”.
20:32 Eles puseram pano de saco à cintura e cordas sobre a cabeça, foram ao rei de Israel e disseram: “Seu servo Ben-Hadade diz: ‘Por favor, poupe minha vida’”. Ele respondeu: “Ele ainda está vivo? É meu irmão!”.
20:33 Os homens, que esperavam um bom sinal, se apressaram a aproveitar suas palavras e disseram: “Seu irmão Ben-Hadade!”. Ele respondeu: “Vão buscá-lo”. Ben-Hadade veio ao encontro dele, e Acabe o fez subir no carro.
20:34 Ben-Hadade lhe disse: “Devolverei as cidades que meu pai tomou de seu pai, e você poderá estabelecer mercados em Damasco, como meu pai fez em Samaria”. Acabe respondeu: “Eu o deixarei ir mediante uma aliança”. Fez uma aliança com ele e o deixou ir.
20:35 Um dos membros da comunidade dos profetas disse a seu companheiro por ordem do SENHOR: “Por favor, golpeie-me”. Mas o homem se recusou a golpeá-lo.
20:36 Ele lhe disse: “Como você não ouviu a voz do SENHOR, assim que se afastar de mim, um leão o ferirá”. Quando ele se afastou, um leão o encontrou e o feriu.
20:37 O profeta encontrou outro homem e disse: “Por favor, golpeie-me”. O homem o golpeou e o feriu.
20:38 O profeta foi esperar o rei à beira do caminho, disfarçado com uma faixa sobre os olhos.
20:39 Quando o rei passou, ele gritou: “Seu servo estava no meio da batalha quando um homem se aproximou e me trouxe outro homem, dizendo: ‘Guarde este homem. Se ele desaparecer, sua vida responderá pela vida dele, ou você pagará cerca de 34 quilogramas de prata’.
20:40 Mas, enquanto seu servo estava ocupado aqui e ali, o homem desapareceu”. O rei de Israel lhe disse: “Essa é sua sentença; você mesmo a decidiu”.
20:41 Ele tirou depressa a faixa de sobre os olhos, e o rei de Israel o reconheceu como um dos profetas.
20:42 Ele lhe disse: “Assim diz o SENHOR: ‘Como você deixou escapar de suas mãos o homem que eu havia destinado à destruição, sua vida responderá pela vida dele, e seu povo pelo povo dele’”.
20:43 O rei de Israel foi para sua casa, desgostoso e irritado, e chegou a Samaria.

Capítulo 21
21:1 Depois dessas coisas, Nabote, o jezreelita, possuía uma vinha em Jezreel, junto ao palácio de Acabe, rei de Samaria.
21:2 Acabe disse a Nabote: “Dê sua vinha para mim, para que eu faça uma horta, pois fica perto de minha casa. Em troca, darei a você uma vinha melhor; ou, se preferir, pagarei seu valor em dinheiro”.
21:3 Nabote respondeu a Acabe: “Que o SENHOR me livre de dar a você a herança de meus antepassados!”.
21:4 Acabe voltou para casa desgostoso e irritado por causa das palavras de Nabote, o jezreelita, que lhe havia dito: “Não darei a você a herança de meus antepassados”. Deitou-se na cama, virou o rosto e não comeu.
21:5 Sua esposa Jezabel veio até ele e perguntou: “Por que você está tão desgostoso e não come?”.
21:6 Ele respondeu: “Porque falei com Nabote, o jezreelita, e lhe disse: ‘Dê sua vinha para mim por dinheiro, ou, se preferir, darei outra vinha em troca’. Mas ele respondeu: ‘Não darei minha vinha a você’”.
21:7 Sua esposa Jezabel lhe disse: “É você mesmo quem governa Israel? Levante-se, coma e alegre seu coração. Eu darei a você a vinha de Nabote, o jezreelita”.
21:8 Ela escreveu cartas em nome de Acabe, selou-as com o selo dele e as enviou aos anciãos e nobres da cidade onde Nabote morava.
21:9 Nas cartas, escreveu: “Proclamem um jejum e coloquem Nabote sentado à frente do povo.
21:10 Coloquem diante dele dois homens perversos que testemunhem contra ele, dizendo: ‘Você amaldiçoou Deus e o rei’. Depois levem-no para fora e o apedrejem até que morra”.
21:11 Os homens da cidade, os anciãos e nobres que moravam ali, fizeram como Jezabel havia ordenado, conforme estava escrito nas cartas que lhes enviara.
21:12 Proclamaram um jejum e colocaram Nabote sentado à frente do povo.
21:13 Os dois homens perversos vieram e se sentaram diante dele. Testemunharam contra Nabote perante o povo, dizendo: “Nabote amaldiçoou Deus e o rei”. Levaram-no para fora da cidade, apedrejaram-no, e ele morreu.
21:14 Então enviaram esta mensagem a Jezabel: “Nabote foi apedrejado e morreu”.
21:15 Quando Jezabel soube que Nabote havia sido apedrejado e estava morto, disse a Acabe: “Levante-se e tome posse da vinha de Nabote, o jezreelita, que se recusou a vendê-la a você. Nabote já não vive; está morto”.
21:16 Quando Acabe soube que Nabote havia morrido, levantou-se para descer à vinha de Nabote, o jezreelita, e tomar posse dela.
21:17 A palavra do SENHOR veio a Elias, o tisbita:
21:18 “Levante-se e desça ao encontro de Acabe, rei de Israel, que reside em Samaria. Ele está na vinha de Nabote, aonde desceu para tomar posse dela.
21:19 Diga a ele: ‘Assim diz o SENHOR: Você assassinou e ainda tomou posse?’. Também diga a ele: ‘Assim diz o SENHOR: No lugar onde os cães lamberam o sangue de Nabote, os cães lamberão também seu próprio sangue’”.
21:20 Acabe disse a Elias: “Você me encontrou, meu inimigo?”. Ele respondeu: “Encontrei, pois você se vendeu para fazer o que é mau aos olhos do SENHOR.
21:21 ‘Trarei calamidade sobre você e varrerei seus descendentes. Eliminarei da família de Acabe todos os do sexo masculino, tanto escravos como livres, em Israel.
21:22 Farei sua família ser como a família de Jeroboão, filho de Nebate, e como a família de Baasa, filho de Aías, pela provocação com que você me provocou à ira e por ter feito Israel pecar’.
21:23 Também a respeito de Jezabel o SENHOR disse: ‘Os cães devorarão Jezabel junto à muralha de Jezreel’.
21:24 Os da família de Acabe que morrerem na cidade serão devorados pelos cães, e os que morrerem no campo serão devorados pelas aves do céu”.
21:25 Nunca houve ninguém como Acabe, que se vendeu para fazer o que era mau aos olhos do SENHOR, instigado por sua esposa Jezabel.
21:26 Ele cometeu grandes abominações ao seguir os ídolos, conforme tudo o que haviam feito os amorreus, que o SENHOR havia expulsado de diante dos israelitas.
21:27 Quando Acabe ouviu essas palavras, rasgou suas roupas, cobriu o corpo com pano de saco e jejuou. Dormia sobre o pano de saco e andava devagar.
21:28 A palavra do SENHOR veio a Elias, o tisbita:
21:29 “Você viu como Acabe se humilhou diante de mim? Como se humilhou diante de mim, não trarei a calamidade durante sua vida. Nos dias de seu filho trarei a calamidade sobre sua família”.

Capítulo 22
22:1 Passaram-se três anos sem guerra entre Arã e Israel.
22:2 No terceiro ano, Josafá, rei de Judá, desceu para visitar o rei de Israel.
22:3 O rei de Israel disse a seus servos: “Vocês sabem que Ramote-Gileade nos pertence, e não fazemos nada para recuperá-la das mãos do rei de Arã?”.
22:4 Perguntou a Josafá: “Você irá comigo lutar em Ramote-Gileade?”. Josafá respondeu ao rei de Israel: “Sou como você; meu povo é como seu povo, e meus cavalos são como seus cavalos”.
22:5 Josafá também disse ao rei de Israel: “Por favor, consulte hoje a palavra do SENHOR”.
22:6 O rei de Israel reuniu os profetas, cerca de quatrocentos homens, e lhes perguntou: “Devo subir para lutar contra Ramote-Gileade ou desistir?”. Eles responderam: “Suba, pois o Senhor a entregará nas mãos do rei”.
22:7 Mas Josafá perguntou: “Não há aqui mais algum profeta do SENHOR por meio de quem possamos consultar?”.
22:8 O rei de Israel respondeu a Josafá: “Ainda há um homem por meio de quem podemos consultar o SENHOR, mas eu o odeio, pois não profetiza nada de bom a meu respeito, só calamidades. É Micaías, filho de Inlá”. Josafá respondeu: “Não fale assim, ó rei”.
22:9 O rei de Israel chamou um oficial e disse: “Traga depressa Micaías, filho de Inlá”.
22:10 O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, estavam sentados, cada um em seu trono, vestidos com as roupas reais, na eira junto à entrada da porta de Samaria. Todos os profetas profetizavam diante deles.
22:11 Zedequias, filho de Quenaana, havia feito para si chifres de ferro e disse: “Assim diz o SENHOR: ‘Com estes você ferirá os arameus a chifradas até exterminá-los’”.
22:12 Todos os profetas profetizavam o mesmo: “Suba a Ramote-Gileade e tenha êxito, pois o SENHOR a entregará nas mãos do rei”.
22:13 O mensageiro que havia ido chamar Micaías lhe disse: “Veja, as palavras dos profetas anunciam coisas boas ao rei, a uma só voz. Por favor, que suas palavras sejam como as de um deles, e anuncie algo bom”.
22:14 Micaías respondeu: “Tão certo como vive o SENHOR, direi o que o SENHOR me disser”.
22:15 Quando se apresentou ao rei, este lhe perguntou: “Micaías, devemos ir lutar contra Ramote-Gileade ou desistir?”. Ele respondeu: “Suba e tenha êxito; o SENHOR a entregará nas mãos do rei”.
22:16 O rei lhe disse: “Quantas vezes preciso fazer você jurar que só me dirá a verdade em nome do SENHOR?”.
22:17 Ele disse: “Vi todo Israel disperso pelos montes, como ovelhas sem pastor. O SENHOR disse: ‘Eles não têm senhor. Que cada um volte em paz para sua casa’”.
22:18 O rei de Israel disse a Josafá: “Não disse a você que ele não profetizaria nada de bom a meu respeito, só calamidades?”.
22:19 Micaías disse: “Portanto, ouça a palavra do SENHOR. Vi o SENHOR sentado em seu trono, e todo o exército dos céus estava de pé junto dele, à sua direita e à sua esquerda.
22:20 O SENHOR perguntou: ‘Quem enganará Acabe para que suba e caia em Ramote-Gileade?’. Um dizia uma coisa, e outro dizia outra.
22:21 Então um espírito saiu, se apresentou diante do SENHOR e disse: ‘Eu o enganarei’.
22:22 O SENHOR lhe perguntou: ‘De que maneira?’. Ele respondeu: ‘Sairei e serei um espírito de mentira na boca de todos os profetas de Acabe’. O SENHOR disse: ‘Você o enganará e será bem-sucedido. Vá e faça isso’.
22:23 Agora o SENHOR pôs um espírito de mentira na boca de todos estes seus profetas, e o SENHOR anunciou calamidade contra você”.
22:24 Zedequias, filho de Quenaana, se aproximou, deu um golpe no rosto de Micaías e lhe disse: “Por onde o Espírito do SENHOR saiu de mim para falar com você?”.
22:25 Micaías respondeu: “Você verá no dia em que entrar num quarto interior para se esconder”.
22:26 O rei de Israel disse: “Pegue Micaías e leve-o de volta a Amom, governador da cidade, e a Joás, filho do rei.
22:27 Diga a eles: ‘Assim diz o rei: Ponham este homem na prisão e deem a ele pouco pão e pouca água, até eu voltar em paz’”.
22:28 Micaías disse: “Se você de fato voltar em paz, o SENHOR não falou por meu intermédio”. E acrescentou: “Ouçam, todos os povos!”.
22:29 O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, subiram a Ramote-Gileade.
22:30 O rei de Israel disse a Josafá: “Vou me disfarçar e entrar na batalha, mas você vista suas roupas reais”. O rei de Israel se disfarçou e entrou na batalha.
22:31 O rei de Arã havia ordenado a seus trinta e dois comandantes dos carros: “Não lutem contra ninguém, nem pequeno nem grande, somente contra o rei de Israel”.
22:32 Quando os comandantes dos carros viram Josafá, disseram: “Certamente este é o rei de Israel”. Voltaram-se contra ele para lutar, mas Josafá gritou.
22:33 Quando os comandantes dos carros viram que ele não era o rei de Israel, deixaram de persegui-lo.
22:34 Um homem disparou seu arco ao acaso e atingiu o rei de Israel numa abertura da armadura. O rei disse ao condutor de seu carro: “Dê a volta e me tire do campo de batalha, pois estou ferido”.
22:35 A batalha se intensificou naquele dia. O rei era mantido de pé no carro, de frente para os arameus. Morreu ao anoitecer, e o sangue da ferida escorria para o fundo do carro.
22:36 Ao pôr do sol, um anúncio percorreu o acampamento: “Cada um para sua cidade! Cada um para sua terra!”.
22:37 O rei morreu e foi levado a Samaria. Ali sepultaram o rei.
22:38 O carro foi lavado junto ao tanque de Samaria. Os cães lamberam seu sangue, e as prostitutas se banhavam ali, conforme a palavra que o SENHOR havia pronunciado.
22:39 Quanto aos demais atos de Acabe, a tudo o que fez, ao palácio de marfim que construiu e a todas as cidades que edificou, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
22:40 Acabe descansou com seus antepassados, e seu filho Acazias reinou em seu lugar.
22:41 Josafá, filho de Asa, começou a reinar sobre Judá no quarto ano de Acabe, rei de Israel.
22:42 Josafá tinha trinta e cinco anos quando começou a reinar e reinou vinte e cinco anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Azuba, filha de Sili.
22:43 Ele seguiu todo o caminho de seu pai Asa, sem se afastar dele, fazendo o que era certo aos olhos do SENHOR. Contudo, os santuários dos lugares altos não foram removidos; o povo ainda oferecia sacrifícios e queimava incenso neles.
22:44 Josafá fez a paz com o rei de Israel.
22:45 Quanto aos demais atos de Josafá, às proezas que realizou e às suas guerras, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
22:46 Ele expulsou da terra os homens dedicados à prostituição ritual que ainda restavam desde os dias de seu pai Asa.
22:47 Não havia rei em Edom; um governador exercia o reinado.
22:48 Josafá tinha dez navios de Társis para ir buscar ouro em Ofir, mas não foi, pois os navios se quebraram em Eziom-Geber.
22:49 Então Acazias, filho de Acabe, disse a Josafá: “Que meus servos vão com os seus nos navios”. Mas Josafá não aceitou.
22:50 Josafá descansou com seus antepassados e foi sepultado com eles na cidade de Davi, seu antepassado. Seu filho Jeorão reinou em seu lugar.
22:51 Acazias, filho de Acabe, começou a reinar sobre Israel em Samaria no décimo sétimo ano de Josafá, rei de Judá. Reinou dois anos sobre Israel.
22:52 Ele fez o que era mau aos olhos do SENHOR. Seguiu o caminho de seu pai, o caminho de sua mãe e o caminho de Jeroboão, filho de Nebate, que havia feito Israel pecar.
22:53 Serviu a Baal e se prostrou diante dele, provocando à ira o SENHOR, o Deus de Israel, conforme tudo o que seu pai havia feito.

2 REIS

Capítulo 1
1:1 Depois da morte de Acabe, Moabe se rebelou contra Israel.
1:2 Acazias caiu pela treliça de seu quarto superior em Samaria e ficou doente. Enviou mensageiros e lhes disse: “Vão consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom, para saber se me recuperarei desta doença”.
1:3 Mas o anjo do SENHOR disse a Elias, o tisbita: “Levante-se e suba ao encontro dos mensageiros do rei de Samaria. Diga a eles: ‘É por não haver Deus em Israel que vocês vão consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom?
1:4 Por isso, assim diz o SENHOR: Da cama em que você se deitou não descerá, pois certamente morrerá’”. Então Elias partiu.
1:5 Quando os mensageiros voltaram ao rei, ele lhes perguntou: “Por que vocês voltaram?”.
1:6 Eles lhe responderam: “Um homem veio ao nosso encontro e disse: ‘Voltem ao rei que os enviou e lhe digam: Assim diz o SENHOR: É por não haver Deus em Israel que você manda consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom? Por isso, da cama em que você se deitou não descerá, pois certamente morrerá’”.
1:7 Ele lhes perguntou: “Como era o homem que veio ao encontro de vocês e lhes disse essas palavras?”.
1:8 Eles responderam: “Era um homem coberto de pelos, com um cinto de couro à cintura”. Então ele disse: “É Elias, o tisbita”.
1:9 O rei enviou um capitão com seus cinquenta homens para buscá-lo. O capitão subiu até Elias, que estava sentado no alto do monte, e lhe disse: “Homem de Deus, o rei ordena: ‘Desça’”.
1:10 Elias respondeu ao capitão dos cinquenta: “Se sou homem de Deus, que desça fogo do céu e consuma você e seus cinquenta homens”. Então desceu fogo do céu e consumiu o capitão e seus cinquenta homens.
1:11 O rei enviou outro capitão com seus cinquenta homens. Este lhe disse: “Homem de Deus, assim diz o rei: ‘Desça depressa’”.
1:12 Elias lhes respondeu: “Se sou homem de Deus, que desça fogo do céu e consuma você e seus cinquenta homens”. Então o fogo de Deus desceu do céu e consumiu o capitão e seus cinquenta homens.
1:13 O rei enviou pela terceira vez um capitão com seus cinquenta homens. O terceiro capitão subiu, se aproximou, ajoelhou-se diante de Elias e lhe suplicou: “Homem de Deus, por favor, que minha vida e a vida destes cinquenta servos seus sejam preciosas aos seus olhos.
1:14 Fogo desceu do céu e consumiu os dois primeiros capitães e os cinquenta homens de cada um. Agora, porém, que minha vida seja preciosa aos seus olhos”.
1:15 Então o anjo do SENHOR disse a Elias: “Desça com ele; não tenha medo dele”. Elias se levantou e desceu com ele para encontrar o rei.
1:16 Ele lhe disse: “Assim diz o SENHOR: Como você enviou mensageiros para consultar Baal-Zebube, deus de Ecrom — é por não haver Deus em Israel para consultar sua palavra? —, da cama em que você se deitou não descerá, pois certamente morrerá”.
1:17 Acazias morreu conforme a palavra do SENHOR que Elias havia pronunciado. Jeorão reinou em seu lugar, no segundo ano de Jeorão, filho de Josafá, rei de Judá, pois Acazias não tinha filho.
1:18 Quanto aos demais atos de Acazias e ao que fez, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?

Capítulo 2
2:1 Quando o SENHOR estava para levar Elias ao céu num redemoinho, Elias e Eliseu partiram de Gilgal.
2:2 Elias disse a Eliseu: “Por favor, fique aqui, pois o SENHOR me enviou a Betel”. Mas Eliseu respondeu: “Tão certo como vive o SENHOR e como você vive, não o deixarei”. E desceram a Betel.
2:3 Os membros da comunidade dos profetas que estavam em Betel saíram ao encontro de Eliseu e lhe disseram: “Você sabe que hoje o SENHOR levará seu mestre para longe de você?”. Ele respondeu: “Eu também sei; fiquem em silêncio”.
2:4 Elias lhe disse: “Eliseu, por favor, fique aqui, pois o SENHOR me enviou a Jericó”. Mas ele respondeu: “Tão certo como vive o SENHOR e como você vive, não o deixarei”. E chegaram a Jericó.
2:5 Os membros da comunidade dos profetas de Jericó se aproximaram de Eliseu e lhe disseram: “Você sabe que hoje o SENHOR levará seu mestre para longe de você?”. Ele respondeu: “Eu também sei; fiquem em silêncio”.
2:6 Elias lhe disse: “Por favor, fique aqui, pois o SENHOR me enviou ao Jordão”. Mas ele respondeu: “Tão certo como vive o SENHOR e como você vive, não o deixarei”. E os dois seguiram juntos.
2:7 Cinquenta membros da comunidade dos profetas foram e pararam diante deles, a certa distância, enquanto os dois ficaram junto ao Jordão.
2:8 Elias pegou sua capa, enrolou-a e bateu nas águas. Elas se dividiram para um lado e para o outro, e os dois atravessaram em terra seca.
2:9 Depois de atravessarem, Elias disse a Eliseu: “Peça o que você quer que eu faça por você antes de ser levado de seu lado”. Eliseu respondeu: “Peço que uma porção dobrada de seu espírito seja dada a mim”.
2:10 Ele disse: “Você pediu algo difícil. Se me vir quando eu for levado de seu lado, isso lhe será concedido; caso contrário, não será”.
2:11 Enquanto continuavam andando e conversando, um carro de fogo e cavalos de fogo os separaram, e Elias subiu ao céu num redemoinho.
2:12 Eliseu via isso e gritava: “Meu pai, meu pai! Carro de Israel e seus cavaleiros!”. Quando não o viu mais, pegou suas próprias roupas e as rasgou em duas partes.
2:13 Recolheu a capa que havia caído de Elias, voltou e parou à margem do Jordão.
2:14 Pegou a capa que havia caído de Elias, bateu nas águas e disse: “Onde está o SENHOR, o Deus de Elias?”. Também ele bateu nas águas, e elas se dividiram para um lado e para o outro. Então Eliseu atravessou.
2:15 Quando os membros da comunidade dos profetas de Jericó o viram de longe, disseram: “O espírito de Elias repousa sobre Eliseu”. Vieram ao seu encontro e se prostraram diante dele até o chão.
2:16 Eles lhe disseram: “Veja, entre seus servos há cinquenta homens fortes. Deixe que vão procurar seu mestre. Talvez o Espírito do SENHOR o tenha levado e lançado em algum monte ou vale”. Ele respondeu: “Não os enviem”.
2:17 Mas insistiram até deixá-lo constrangido, e ele disse: “Enviem”. Mandaram cinquenta homens, que o procuraram durante três dias, mas não o encontraram.
2:18 Quando voltaram a Eliseu, que havia ficado em Jericó, ele lhes disse: “Não disse a vocês que não fossem?”.
2:19 Os homens da cidade disseram a Eliseu: “Como meu senhor pode ver, a cidade está bem situada, mas a água é ruim e a terra é estéril”.
2:20 Ele disse: “Tragam para mim uma vasilha nova e ponham sal nela”. E a trouxeram.
2:21 Ele foi à nascente, jogou ali o sal e disse: “Assim diz o SENHOR: Tornei saudáveis estas águas; delas não virão mais morte nem esterilidade”.
2:22 As águas ficaram saudáveis até hoje, conforme a palavra que Eliseu havia pronunciado.
2:23 Dali ele subiu a Betel. Enquanto subia pelo caminho, uns meninos pequenos saíram da cidade e zombavam dele, dizendo: “Suba, careca! Suba, careca!”.
2:24 Ele se voltou, olhou para eles e os amaldiçoou em nome do SENHOR. Então duas ursas saíram do bosque e dilaceraram quarenta e dois dos meninos.
2:25 Dali ele foi ao monte Carmelo e depois voltou para Samaria.

Capítulo 3
3:1 Jeorão, filho de Acabe, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, no décimo oitavo ano de Josafá, rei de Judá, e reinou doze anos.
3:2 Ele fez o que era mau aos olhos do SENHOR, embora não como seu pai e sua mãe, pois removeu a coluna sagrada de Baal que seu pai havia feito.
3:3 Contudo, apegou-se aos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele havia levado Israel a pecar, e não se afastou deles.
3:4 Mesa, rei de Moabe, era criador de ovelhas e entregava ao rei de Israel cem mil cordeiros e a lã de cem mil carneiros.
3:5 Mas, quando Acabe morreu, o rei de Moabe se rebelou contra o rei de Israel.
3:6 Naquele tempo, o rei Jeorão saiu de Samaria e passou em revista todo o Israel.
3:7 Partiu e enviou esta mensagem a Josafá, rei de Judá: “O rei de Moabe se rebelou contra mim. Você irá comigo à guerra contra Moabe?”. Ele respondeu: “Irei. Sou como você, meu povo é como seu povo, e meus cavalos são como seus cavalos”.
3:8 Perguntou: “Por qual caminho subiremos?”. Ele respondeu: “Pelo caminho do deserto de Edom”.
3:9 Partiram o rei de Israel, o rei de Judá e o rei de Edom. Depois de darem um rodeio de sete dias, não havia água para o exército nem para os animais que os acompanhavam.
3:10 Então o rei de Israel disse: “Ah! O SENHOR reuniu estes três reis para entregá-los nas mãos de Moabe!”.
3:11 Mas Josafá perguntou: “Não há aqui um profeta do SENHOR, para consultarmos o SENHOR por meio dele?”. Um dos servos do rei de Israel respondeu: “Aqui está Eliseu, filho de Safate, que derramava água sobre as mãos de Elias”.
3:12 Josafá disse: “A palavra do SENHOR está com ele”. Então o rei de Israel, Josafá e o rei de Edom desceram para vê-lo.
3:13 Eliseu disse ao rei de Israel: “O que tenho eu com você? Vá aos profetas de seu pai e aos profetas de sua mãe”. Mas o rei de Israel lhe respondeu: “Não! Pois o SENHOR reuniu estes três reis para entregá-los nas mãos de Moabe”.
3:14 Eliseu disse: “Tão certo como vive o SENHOR dos Exércitos, em cuja presença estou, se não fosse pelo respeito que tenho a Josafá, rei de Judá, eu nem olharia para você nem lhe daria atenção.
3:15 Agora, porém, tragam-me um músico”. Enquanto o músico tocava, a mão do SENHOR veio sobre Eliseu,
3:16 e ele disse: “Assim diz o SENHOR: Façam neste vale muitas covas.
3:17 Pois assim diz o SENHOR: Vocês não verão vento nem verão chuva, mas este vale se encherá de água, e vocês, seus rebanhos e seus animais beberão.
3:18 Isso é pouca coisa aos olhos do SENHOR; ele também entregará Moabe nas mãos de vocês.
3:19 Vocês atacarão toda cidade fortificada e toda cidade importante, derrubarão toda árvore boa, taparão todas as fontes de água e arruinarão com pedras todo campo fértil”.
3:20 Na manhã seguinte, à hora de apresentar a oferta de cereais, veio água pelo caminho de Edom, e a terra se encheu de água.
3:21 Todos os moabitas ouviram que os reis tinham subido para lutar contra eles. Convocaram todos os que tinham idade para cingir as armas, e os mais velhos, e tomaram posição na fronteira.
3:22 Levantaram-se de madrugada, e o sol brilhava sobre as águas. De onde estavam, os moabitas viram as águas vermelhas como sangue.
3:23 Então disseram: “É sangue! Certamente os reis se destruíram e mataram uns aos outros. Agora, Moabe, ao despojo!”.
3:24 Mas, quando chegaram ao acampamento de Israel, os israelitas se levantaram e atacaram os moabitas, que fugiram diante deles. Entraram no território, atacando Moabe.
3:25 Demoliram as cidades. Em cada campo fértil, cada homem lançava sua pedra, até enchê-lo de pedras; taparam todas as fontes de água e derrubaram todas as árvores boas. Só restaram as pedras de Quir-Haresete, mas os atiradores de funda a cercaram e a atacaram.
3:26 Quando o rei de Moabe viu que a batalha era forte demais para ele, tomou consigo setecentos homens armados de espada para abrir caminho até o rei de Edom, mas não conseguiram.
3:27 Então tomou seu filho primogênito, que reinaria em seu lugar, e o ofereceu em holocausto sobre a muralha. Houve grande ira contra Israel; por isso os israelitas se retiraram dali e voltaram para sua terra.

Capítulo 4
4:1 Uma das mulheres dos membros da comunidade dos profetas clamou a Eliseu: “Seu servo, meu marido, morreu. O senhor sabe que seu servo temia o SENHOR, mas o credor veio levar meus dois filhos para serem escravos dele”.
4:2 Eliseu lhe perguntou: “O que posso fazer por você? Diga-me o que você tem em casa”. Ela respondeu: “Sua serva não tem nada em casa, a não ser um frasco de azeite”.
4:3 Ele disse: “Vá pedir vasilhas emprestadas a todos os seus vizinhos, vasilhas vazias. Não peça poucas.
4:4 Depois entre, feche a porta atrás de você e de seus filhos e derrame o azeite em todas essas vasilhas. Vá separando as que estiverem cheias”.
4:5 Ela se afastou dele e fechou a porta atrás de si e de seus filhos. Eles lhe traziam as vasilhas, e ela derramava o azeite.
4:6 Quando as vasilhas ficaram cheias, ela disse a seu filho: “Traga-me mais uma vasilha”. Ele respondeu: “Não há mais nenhuma”. Então o azeite parou de correr.
4:7 Ela foi contar ao homem de Deus, e ele disse: “Vá, venda o azeite e pague a seus credores. Você e seus filhos poderão viver do que restar”.
4:8 Um dia Eliseu passou por Suném. Havia ali uma mulher de boa posição, que insistiu para que ele ficasse para comer. Desde então, sempre que passava por ali, entrava para comer.
4:9 Ela disse a seu marido: “Sei que este homem que sempre passa por aqui é um santo homem de Deus.
4:10 Vamos fazer um pequeno quarto de alvenaria no andar de cima e pôr ali para ele uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lamparina. Assim, quando vier nos visitar, poderá ficar ali”.
4:11 Um dia ele chegou ali, entrou no quarto de cima e se deitou.
4:12 Então disse a seu servo Geazi: “Chame esta sunamita”. Ele a chamou, e ela se apresentou diante dele.
4:13 Eliseu lhe disse: “Diga a ela, por favor: ‘Você teve todo esse cuidado conosco. O que podemos fazer por você? Quer que se fale em seu favor ao rei ou ao comandante do exército?’”. Ela respondeu: “Eu vivo no meio do meu povo”.
4:14 Ele perguntou: “O que podemos fazer por ela?”. Geazi respondeu: “Bem, ela não tem filho, e seu marido é idoso”.
4:15 Eliseu disse: “Chame-a”. Ele a chamou, e ela ficou à porta.
4:16 Eliseu lhe disse: “Por esta época, no ano que vem, você estará abraçando um filho”. Ela respondeu: “Não, meu senhor, homem de Deus! Não engane sua serva!”.
4:17 A mulher engravidou e deu à luz um filho por aquela época, no ano seguinte, como Eliseu lhe havia dito.
4:18 O menino cresceu. Um dia saiu para junto de seu pai, que estava com os ceifeiros,
4:19 e disse ao pai: “Minha cabeça! Minha cabeça!”. O pai disse a um servo: “Leve-o à mãe dele”.
4:20 Ele o pegou e o levou à mãe. O menino ficou no colo dela até o meio-dia e morreu.
4:21 Ela subiu, deitou-o na cama do homem de Deus, fechou a porta e saiu.
4:22 Chamou seu marido e disse: “Por favor, mande-me um dos servos e uma das jumentas, para que eu vá depressa ao homem de Deus e volte”.
4:23 Ele perguntou: “Por que você vai vê-lo hoje? Não é lua nova nem sábado”. Ela respondeu: “Tudo vai bem”.
4:24 Ela selou a jumenta e disse a seu servo: “Conduza-a e siga em frente. Não diminua o passo por minha causa, a menos que eu mande”.
4:25 Partiu e chegou ao homem de Deus no monte Carmelo. Quando o homem de Deus a viu de longe, disse a seu servo Geazi: “Lá está a sunamita.
4:26 Corra ao encontro dela e pergunte: ‘Você está bem? Seu marido está bem? O menino está bem?’”. Ela respondeu: “Tudo vai bem”.
4:27 Quando chegou ao homem de Deus no monte, agarrou-se aos pés dele. Geazi se aproximou para afastá-la, mas o homem de Deus disse: “Deixe-a, pois sua alma está cheia de amargura. O SENHOR escondeu isso de mim e não me revelou”.
4:28 Ela disse: “Acaso pedi um filho a meu senhor? Não lhe disse que não me enganasse?”.
4:29 Então ele disse a Geazi: “Aperte o cinto à cintura, pegue meu bordão e vá. Se encontrar alguém, não o cumprimente; se alguém cumprimentar você, não responda. Ponha meu bordão sobre o rosto do menino”.
4:30 Mas a mãe do menino disse: “Tão certo como vive o SENHOR e como o senhor vive, não o deixarei”. Então ele se levantou e a seguiu.
4:31 Geazi foi adiante deles e pôs o bordão sobre o rosto do menino, mas não houve voz nem resposta. Voltou ao encontro de Eliseu e lhe disse: “O menino não despertou”.
4:32 Quando Eliseu entrou na casa, o menino estava morto, deitado em sua cama.
4:33 Ele entrou, fechou a porta, ficando a sós com o menino, e orou ao SENHOR.
4:34 Depois subiu e se deitou sobre o menino, pondo sua boca sobre a boca dele, seus olhos sobre os olhos dele e suas mãos sobre a mão dele. Inclinou-se sobre ele, e o corpo do menino se aqueceu.
4:35 Eliseu se levantou e andou pela casa de um lado para o outro. Depois subiu e se inclinou sobre ele. O menino espirrou sete vezes e abriu os olhos.
4:36 Então chamou Geazi e disse: “Chame esta sunamita”. Ele a chamou, e ela entrou. Eliseu lhe disse: “Pegue seu filho”.
4:37 Ela entrou, caiu aos pés dele e se prostrou até o chão. Depois pegou seu filho e saiu.
4:38 Eliseu voltou a Gilgal, e havia fome na terra. Os membros da comunidade dos profetas estavam sentados diante dele, e ele disse a seu servo: “Ponha a panela grande no fogo e prepare um ensopado para os membros da comunidade dos profetas”.
4:39 Um deles saiu ao campo para colher ervas. Encontrou uma trepadeira silvestre e colheu dela cabaças silvestres até encher a dobra de sua roupa. Voltou e as cortou dentro da panela do ensopado, pois não sabiam o que eram.
4:40 Serviram a comida aos homens, mas, quando provaram o ensopado, gritaram: “Homem de Deus, há morte na panela!”. E não puderam comer.
4:41 Ele disse: “Tragam farinha”. Jogou-a na panela e disse: “Sirva ao povo para que coma”. E já não havia nada nocivo na panela.
4:42 Um homem veio de Baal-Salisa e trouxe ao homem de Deus pães das primícias: vinte pães de cevada e grãos frescos em sua sacola. Eliseu disse: “Dê ao povo para que coma”.
4:43 Seu servo perguntou: “Como vou pôr isso diante de cem homens?”. Mas ele disse: “Dê ao povo para que coma, pois assim diz o SENHOR: Comerão, e sobrará”.
4:44 Então pôs a comida diante deles; eles comeram, e ainda sobrou, conforme a palavra do SENHOR.

Capítulo 5
5:1 Naamã, comandante do exército do rei de Arã, era um homem importante e muito estimado por seu senhor, pois por meio dele o SENHOR havia dado vitória a Arã. Era um guerreiro valente, mas leproso.
5:2 Bandos de arameus haviam saído e levado cativa da terra de Israel uma menina, que ficou a serviço da mulher de Naamã.
5:3 Ela disse à sua senhora: “Quem dera meu senhor estivesse diante do profeta que está em Samaria! Ele o livraria de sua lepra”.
5:4 Naamã foi contar a seu senhor: “Foi isso que a menina da terra de Israel disse”.
5:5 O rei de Arã respondeu: “Vá, e eu enviarei uma carta ao rei de Israel”. Naamã partiu, levando consigo cerca de trezentos e quarenta quilos de prata, sessenta e oito quilos de ouro e dez mudas de roupa.
5:6 Levou ao rei de Israel a carta, que dizia: “Ao receber esta carta, saiba que enviei a você meu servo Naamã, para que o livre de sua lepra”.
5:7 Quando o rei de Israel leu a carta, rasgou suas roupas e disse: “Acaso sou Deus, para dar morte e dar vida, para que este homem me mande alguém para eu livrá-lo de sua lepra? Reparem bem e vejam como ele procura um pretexto contra mim!”.
5:8 Quando Eliseu, o homem de Deus, soube que o rei de Israel havia rasgado suas roupas, mandou dizer ao rei: “Por que você rasgou suas roupas? Que ele venha a mim, e saberá que há profeta em Israel”.
5:9 Naamã chegou com seu cavalo e seu carro e parou à porta da casa de Eliseu.
5:10 Eliseu lhe enviou um mensageiro, dizendo: “Vá e lave-se sete vezes no Jordão. Seu corpo será restaurado, e você ficará puro”.
5:11 Mas Naamã ficou indignado e foi embora, dizendo: “Eu pensava: ‘Certamente ele sairá para me receber, ficará em pé, invocará o nome do SENHOR, seu Deus, moverá a mão sobre o lugar afetado e livrará o leproso de sua doença’.
5:12 Não são Abana e Farpar, os rios de Damasco, melhores do que todas as águas de Israel? Não poderia eu me lavar neles e ficar puro?”. Deu meia-volta e saiu furioso.
5:13 Seus servos se aproximaram e lhe disseram: “Meu pai, se o profeta lhe tivesse pedido algo difícil, o senhor não o faria? Quanto mais quando lhe disse: ‘Lave-se e fique puro’!”.
5:14 Então desceu e mergulhou sete vezes no Jordão, conforme a palavra do homem de Deus. Seu corpo foi restaurado e ficou como o de um menino pequeno, e ele ficou puro.
5:15 Ele voltou ao homem de Deus com toda a sua comitiva, apresentou-se diante dele e disse: “Agora sei que não há Deus em toda a terra, a não ser em Israel. Por favor, aceite um presente de seu servo”.
5:16 Mas ele respondeu: “Tão certo como vive o SENHOR, em cuja presença estou, não aceitarei”. Naamã insistiu para que aceitasse, mas ele recusou.
5:17 Naamã disse: “Se não aceita, permita que seu servo leve tanta terra quanto duas mulas podem carregar, pois seu servo não oferecerá mais holocaustos nem sacrifícios a outros deuses, mas somente ao SENHOR.
5:18 Que o SENHOR perdoe seu servo nisto: quando meu senhor entrar no templo de Rimom para se prostrar ali, apoiado em meu braço, e eu me inclinar no templo de Rimom, que o SENHOR perdoe seu servo quando eu me inclinar no templo de Rimom”.
5:19 Eliseu lhe disse: “Vá em paz”. Quando Naamã já havia se afastado certa distância,
5:20 Geazi, servo de Eliseu, o homem de Deus, disse consigo: “Meu senhor deixou este arameu Naamã ir embora sem aceitar dele o que trouxe. Tão certo como vive o SENHOR, correrei atrás dele e conseguirei alguma coisa”.
5:21 Geazi correu atrás de Naamã. Quando Naamã o viu correndo atrás de si, desceu do carro para encontrá-lo e perguntou: “Vai tudo bem?”.
5:22 Ele respondeu: “Tudo vai bem. Meu senhor me mandou dizer: ‘Acabam de chegar a mim dois jovens da comunidade dos profetas, da região montanhosa de Efraim. Por favor, dê a eles cerca de trinta e quatro quilos de prata e duas mudas de roupa’”.
5:23 Naamã disse: “Por favor, aceite o dobro”. Insistiu com ele e amarrou os sessenta e oito quilos de prata em duas bolsas. Entregou-as, junto com duas mudas de roupa, a dois de seus servos, que as levaram à frente de Geazi.
5:24 Quando chegou à colina, Geazi tomou as coisas das mãos deles e as guardou na casa. Despediu os homens, e eles foram embora.
5:25 Depois entrou e se apresentou diante de seu senhor. Eliseu lhe perguntou: “De onde você vem, Geazi?”. Ele respondeu: “Seu servo não foi a lugar nenhum”.
5:26 Eliseu lhe disse: “Meu coração não foi com você quando aquele homem desceu do carro para encontrá-lo? É este o momento de aceitar prata e roupas, olivais e vinhas, ovelhas e bois, servos e servas?
5:27 A lepra de Naamã se apegará a você e à sua descendência para sempre”. Então Geazi saiu da presença dele leproso, branco como a neve.

Capítulo 6
6:1 Os membros da comunidade dos profetas disseram a Eliseu: “Veja, o lugar onde moramos em sua presença é apertado demais para nós.
6:2 Permita que vamos ao Jordão, e cada um traga de lá uma viga. Faremos ali um lugar para morarmos”. Ele respondeu: “Vão”.
6:3 Um deles disse: “Por favor, venha com seus servos”. Ele respondeu: “Eu irei”.
6:4 Foi com eles, e, quando chegaram ao Jordão, começaram a cortar árvores.
6:5 Enquanto um deles derrubava um tronco, o ferro do machado caiu na água. Ele gritou: “Ah, meu senhor! Era emprestado!”.
6:6 O homem de Deus perguntou: “Onde caiu?”. Ele lhe mostrou o lugar. Então Eliseu cortou um pedaço de madeira, jogou-o ali e fez o ferro flutuar.
6:7 Disse: “Pegue-o”. O homem estendeu a mão e o pegou.
6:8 O rei de Arã estava em guerra com Israel. Em reunião com seus servos, disse: “Meu acampamento ficará em tal lugar”.
6:9 Mas o homem de Deus mandou dizer ao rei de Israel: “Cuidado! Não passe por esse lugar, pois os arameus estão descendo para lá”.
6:10 O rei de Israel enviou homens ao lugar que o homem de Deus lhe havia indicado. Assim, advertido por ele, mantinha-se em guarda ali. Isso aconteceu mais de uma ou duas vezes.
6:11 O coração do rei de Arã ficou muito perturbado com isso. Chamou seus servos e lhes disse: “Vocês não vão me dizer quem dos nossos está do lado do rei de Israel?”.
6:12 Um de seus servos respondeu: “Ninguém, ó rei, meu senhor. É Eliseu, o profeta que está em Israel, quem conta ao rei de Israel as palavras que o senhor diz em seu quarto de dormir”.
6:13 Ele disse: “Vão descobrir onde ele está, para que eu mande capturá-lo”. Informaram-lhe: “Ele está em Dotã”.
6:14 Então enviou para lá cavalos, carros e um grande exército. Chegaram de noite e cercaram a cidade.
6:15 O servo do homem de Deus se levantou de madrugada e saiu. Um exército com cavalos e carros cercava a cidade. O servo lhe disse: “Ah, meu senhor! O que faremos?”.
6:16 Ele respondeu: “Não tenha medo, pois os que estão conosco são mais numerosos do que os que estão com eles”.
6:17 Eliseu orou: “SENHOR, abre os olhos dele, por favor, para que veja”. O SENHOR abriu os olhos do servo, e ele viu o monte cheio de cavalos e carros de fogo ao redor de Eliseu.
6:18 Quando os arameus desceram em sua direção, Eliseu orou ao SENHOR: “Peço-te que firas esta gente de cegueira”. E ele os feriu de cegueira, conforme a palavra de Eliseu.
6:19 Então Eliseu lhes disse: “Este não é o caminho, nem esta é a cidade. Sigam-me, e eu os levarei ao homem que vocês procuram”. E os levou a Samaria.
6:20 Quando chegaram a Samaria, Eliseu disse: “SENHOR, abre os olhos destes homens para que vejam”. O SENHOR abriu os olhos deles, e viram que estavam no meio de Samaria.
6:21 Ao vê-los, o rei de Israel perguntou a Eliseu: “Devo matá-los? Devo matá-los, meu pai?”.
6:22 Ele respondeu: “Não os mate. Você mataria os que capturou com sua espada e seu arco? Ponha pão e água diante deles, para que comam e bebam e voltem a seu senhor”.
6:23 Preparou-lhes um grande banquete; eles comeram e beberam. Depois os despediu, e voltaram a seu senhor. Os bandos de arameus não voltaram a entrar na terra de Israel.
6:24 Algum tempo depois, Ben-Hadade, rei de Arã, reuniu todo o seu exército, subiu e cercou Samaria.
6:25 Houve grande fome em Samaria. O cerco foi tão severo que uma cabeça de jumento chegou a ser vendida por cerca de novecentos gramas de prata, e trezentos mililitros de esterco de pomba, por cerca de cinquenta e sete gramas de prata.
6:26 Quando o rei de Israel passava pela muralha, uma mulher clamou a ele: “Ajude-me, ó rei, meu senhor!”.
6:27 Ele respondeu: “Se o SENHOR não ajudar você, de onde tirarei ajuda? Da eira ou do lagar?”.
6:28 Então o rei lhe perguntou: “O que aconteceu com você?”. Ela respondeu: “Esta mulher me disse: ‘Entregue seu filho para que o comamos hoje, e amanhã comeremos o meu’.
6:29 Cozinhamos meu filho e o comemos. No dia seguinte, eu lhe disse: ‘Entregue seu filho para que o comamos’, mas ela escondeu o filho dela”.
6:30 Quando o rei ouviu as palavras da mulher, rasgou suas roupas. Enquanto passava pela muralha, o povo viu que ele usava pano de saco sobre o corpo, por baixo das roupas.
6:31 Ele disse: “Que Deus me faça isto e ainda mais, se hoje a cabeça de Eliseu, filho de Safate, permanecer sobre seus ombros!”.
6:32 Eliseu estava sentado em sua casa, e os anciãos estavam sentados com ele. O rei enviou um homem de sua presença, mas, antes que o mensageiro chegasse, Eliseu disse aos anciãos: “Vocês viram como este filho de assassino mandou cortar minha cabeça? Quando o mensageiro chegar, fechem a porta e mantenham-na fechada contra ele. Não se ouve atrás dele o som dos passos de seu senhor?”.
6:33 Ele ainda falava com eles quando o mensageiro desceu até ele. E disse: “Esta desgraça vem do SENHOR. Por que continuar esperando pelo SENHOR?”.

Capítulo 7
7:1 Eliseu disse: “Ouçam a palavra do SENHOR. Assim diz o SENHOR: Amanhã, a esta hora, no portão de Samaria, cerca de sete litros de farinha fina serão vendidos por onze gramas de prata, e cerca de catorze litros de cevada, por onze gramas de prata”.
7:2 O oficial em cujo braço o rei se apoiava respondeu ao homem de Deus: “Mesmo que o SENHOR abrisse janelas no céu, isso poderia acontecer?”. Ele respondeu: “Você verá com seus próprios olhos, mas não comerá”.
7:3 Havia quatro homens leprosos à entrada do portão. Disseram uns aos outros: “Por que ficar aqui até morrermos?
7:4 Se decidirmos entrar na cidade, morreremos lá, pois há fome na cidade. Se ficarmos aqui, também morreremos. Vamos agora nos entregar ao acampamento de Arã. Se nos deixarem viver, viveremos; se nos matarem, morreremos”.
7:5 Ao anoitecer, levantaram-se para ir ao acampamento de Arã. Quando chegaram à extremidade do acampamento de Arã, não havia ninguém ali.
7:6 O Senhor havia feito o acampamento de Arã ouvir o ruído de carros, o ruído de cavalos e o ruído de um grande exército. Disseram uns aos outros: “O rei de Israel contratou contra nós os reis dos hititas e os reis do Egito para nos atacar!”.
7:7 Então se levantaram e fugiram ao anoitecer, deixando suas tendas, seus cavalos, seus jumentos e o acampamento como estava. Fugiram para salvar a vida.
7:8 Quando aqueles leprosos chegaram à extremidade do acampamento, entraram numa tenda e comeram e beberam. Levaram dali prata, ouro e roupas, e foram escondê-los. Voltaram, entraram em outra tenda, levaram coisas de lá e foram escondê-las.
7:9 Depois disseram uns aos outros: “Não estamos agindo bem. Hoje é dia de boas notícias, e nós estamos calados. Se esperarmos até a luz da manhã, o castigo nos alcançará. Vamos agora levar a notícia ao palácio do rei”.
7:10 Foram chamar o porteiro da cidade e contaram: “Fomos ao acampamento de Arã, e não havia ninguém ali, nem se ouvia voz humana. Só havia cavalos amarrados, jumentos amarrados e as tendas como estavam”.
7:11 Ele chamou os porteiros, e estes levaram a notícia para dentro do palácio do rei.
7:12 O rei se levantou de noite e disse a seus servos: “Vou dizer a vocês o que os arameus nos fizeram. Sabem que estamos com fome; por isso saíram do acampamento para se esconder no campo, pensando: ‘Quando saírem da cidade, nós os capturaremos vivos e entraremos na cidade’”.
7:13 Um de seus servos respondeu: “Tomem cinco dos cavalos que ainda restam na cidade. Eles terão a mesma sorte de toda a multidão de Israel que resta aqui, a mesma sorte de toda a multidão de Israel que já pereceu. Vamos enviá-los e ver”.
7:14 Pegaram dois carros com cavalos, e o rei os enviou atrás do exército de Arã, dizendo: “Vão e vejam”.
7:15 Eles os seguiram até o Jordão. Todo o caminho estava cheio de roupas e objetos que os arameus haviam jogado fora na pressa de fugir. Os mensageiros voltaram e contaram ao rei.
7:16 Então o povo saiu e saqueou o acampamento de Arã. Cerca de sete litros de farinha fina foram vendidos por onze gramas de prata, e cerca de catorze litros de cevada, por onze gramas de prata, conforme a palavra do SENHOR.
7:17 O rei havia posto no comando do portão o oficial em cujo braço se apoiava. O povo o pisoteou no portão, e ele morreu, como o homem de Deus havia dito quando o rei desceu para vê-lo.
7:18 Aconteceu como o homem de Deus havia dito ao rei: “Amanhã, a esta hora, no portão de Samaria, cerca de catorze litros de cevada serão vendidos por onze gramas de prata, e cerca de sete litros de farinha fina, por onze gramas de prata”.
7:19 O oficial havia respondido ao homem de Deus: “Mesmo que o SENHOR abrisse janelas no céu, isso poderia acontecer?”. E ele lhe havia dito: “Você verá com seus próprios olhos, mas não comerá”.
7:20 E foi isso que lhe aconteceu: o povo o pisoteou no portão, e ele morreu.

Capítulo 8
8:1 Eliseu havia dito à mulher a cujo filho devolvera a vida: “Levante-se e vá com sua família morar onde puder, pois o SENHOR chamou a fome, e ela virá sobre a terra durante sete anos”.
8:2 A mulher se levantou e fez conforme a palavra do homem de Deus. Foi com sua família e morou na terra dos filisteus por sete anos.
8:3 Ao fim dos sete anos, a mulher voltou da terra dos filisteus e foi apelar ao rei por sua casa e seu campo.
8:4 O rei estava conversando com Geazi, servo do homem de Deus, e dizia: “Conte-me, por favor, todas as grandes coisas que Eliseu fez”.
8:5 Enquanto ele contava ao rei como Eliseu havia devolvido a vida a um morto, a mulher a cujo filho ele devolvera a vida veio apelar ao rei por sua casa e seu campo. Geazi disse: “Ó rei, meu senhor, esta é a mulher, e este é seu filho, a quem Eliseu devolveu a vida”.
8:6 O rei perguntou à mulher, e ela lhe contou. Então o rei designou um oficial para cuidar do caso dela, dizendo: “Devolva tudo o que lhe pertence, e toda a produção do campo desde o dia em que ela deixou a terra até agora”.
8:7 Eliseu chegou a Damasco quando Ben-Hadade, rei de Arã, estava doente. Informaram ao rei: “O homem de Deus chegou aqui”.
8:8 O rei disse a Hazael: “Leve um presente e vá ao encontro do homem de Deus. Consulte o SENHOR por meio dele, perguntando: ‘Vou me recuperar desta doença?’”.
8:9 Hazael foi ao encontro dele, levando de presente tudo o que havia de melhor em Damasco: a carga de quarenta camelos. Apresentou-se diante dele e disse: “Seu filho Ben-Hadade, rei de Arã, me enviou para lhe perguntar: ‘Vou me recuperar desta doença?’”.
8:10 Eliseu lhe respondeu: “Vá e diga: ‘Você certamente não se recuperará’. E o SENHOR me mostrou que ele certamente morrerá”.
8:11 Fixou o olhar nele até deixá-lo constrangido. Então o homem de Deus chorou.
8:12 Hazael perguntou: “Por que meu senhor está chorando?”. Ele respondeu: “Porque sei o mal que você fará aos israelitas. Porá fogo em suas fortalezas, matará seus jovens à espada, despedaçará suas crianças e abrirá o ventre de suas mulheres grávidas”.
8:13 Hazael disse: “O que é seu servo, este cão, para fazer algo tão grande?”. Eliseu respondeu: “O SENHOR me mostrou você como rei de Arã”.
8:14 Hazael deixou Eliseu e voltou a seu senhor, que lhe perguntou: “O que Eliseu disse a você?”. Ele respondeu: “Disse-me que o senhor certamente se recuperará”.
8:15 No dia seguinte, pegou uma coberta, molhou-a na água e a estendeu sobre o rosto do rei, e ele morreu. Hazael reinou em seu lugar.
8:16 No quinto ano de Jorão, filho de Acabe, rei de Israel, quando Josafá era rei de Judá, Jeorão, filho de Josafá, começou a reinar como rei de Judá.
8:17 Tinha trinta e dois anos quando começou a reinar e reinou oito anos em Jerusalém.
8:18 Andou no caminho dos reis de Israel, como havia feito a família de Acabe, pois era casado com uma filha de Acabe. Fez o que era mau aos olhos do SENHOR.
8:19 Mas o SENHOR não quis destruir Judá por amor a Davi, seu servo, pois lhe havia prometido dar-lhe uma lâmpada para seus filhos para sempre.
8:20 Em seus dias, Edom se rebelou contra o domínio de Judá e estabeleceu seu próprio rei.
8:21 Jorão marchou para Zair com todos os seus carros. Levantou-se de noite e atacou os edomitas que o cercavam, a ele e aos comandantes dos carros, mas o exército fugiu para suas tendas.
8:22 Assim Edom se libertou do domínio de Judá até hoje. Também Libna se rebelou naquela época.
8:23 Os demais atos de Jorão e tudo o que fez não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
8:24 Jorão descansou com seus antepassados e foi sepultado com eles na Cidade de Davi. Seu filho Acazias reinou em seu lugar.
8:25 No décimo segundo ano de Jorão, filho de Acabe, rei de Israel, Acazias, filho de Jeorão, começou a reinar como rei de Judá.
8:26 Acazias tinha vinte e dois anos quando começou a reinar e reinou um ano em Jerusalém. Sua mãe se chamava Atalia, filha de Onri, rei de Israel.
8:27 Andou no caminho da família de Acabe e fez o que era mau aos olhos do SENHOR, como a família de Acabe, pois era ligado a ela por casamento.
8:28 Foi com Jorão, filho de Acabe, à guerra contra Hazael, rei de Arã, em Ramote-Gileade. Os arameus feriram Jorão.
8:29 O rei Jorão voltou a Jezreel para se recuperar das feridas que os arameus lhe haviam causado em Ramá, quando lutava contra Hazael, rei de Arã. Acazias, filho de Jeorão, rei de Judá, desceu a Jezreel para visitar Jorão, filho de Acabe, pois ele estava doente.

Capítulo 9
9:1 O profeta Eliseu chamou um dos membros da comunidade dos profetas e lhe disse: “Aperte o cinto à cintura, pegue este frasco de azeite e vá a Ramote-Gileade.
9:2 Quando chegar lá, procure Jeú, filho de Josafá, filho de Ninsi. Entre, faça-o se levantar do meio de seus companheiros e leve-o a um quarto interior.
9:3 Pegue o frasco de azeite, derrame-o sobre a cabeça dele e diga: ‘Assim diz o SENHOR: Eu ungi você rei sobre Israel’. Depois abra a porta e fuja, sem esperar”.
9:4 O rapaz, o jovem profeta, foi a Ramote-Gileade.
9:5 Quando entrou, os comandantes do exército estavam sentados, e ele disse: “Comandante, tenho uma mensagem para o senhor”. Jeú perguntou: “Para qual de nós?”. Ele respondeu: “Para o senhor, comandante”.
9:6 Jeú se levantou e entrou na casa. O jovem derramou o azeite sobre a cabeça dele e lhe disse: “Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Eu ungi você rei sobre o povo do SENHOR, sobre Israel.
9:7 Você atacará a família de Acabe, seu senhor, e eu vingarei em Jezabel o sangue de meus servos, os profetas, e o sangue de todos os servos do SENHOR.
9:8 Toda a família de Acabe perecerá. Eliminarei de Acabe todo homem em Israel, escravo ou livre.
9:9 Farei a família de Acabe ser como a família de Jeroboão, filho de Nebate, e como a família de Baasa, filho de Aías.
9:10 Os cães devorarão Jezabel no terreno de Jezreel, e não haverá quem a sepulte”. Então abriu a porta e fugiu.
9:11 Jeú saiu para junto dos servos de seu senhor. Um deles lhe perguntou: “Vai tudo bem? Por que esse louco veio falar com você?”. Ele respondeu: “Vocês conhecem o homem e seu modo de falar”.
9:12 Eles disseram: “Mentira! Conte para nós”. Ele respondeu: “Foi isso que ele me disse: ‘Assim diz o SENHOR: Eu ungi você rei sobre Israel’”.
9:13 Rapidamente, cada um pegou seu manto e o estendeu debaixo dele, sobre os degraus. Tocaram a trombeta e proclamaram: “Jeú é rei!”.
9:14 Assim Jeú, filho de Josafá, filho de Ninsi, conspirou contra Jorão. Jorão e todo o Israel estavam defendendo Ramote-Gileade contra Hazael, rei de Arã.
9:15 Mas o rei Jeorão havia voltado a Jezreel para se recuperar das feridas que os arameus lhe haviam causado quando lutava contra Hazael, rei de Arã. Jeú disse: “Se vocês concordam, não deixem que ninguém escape da cidade para ir dar a notícia em Jezreel”.
9:16 Jeú subiu no carro e foi para Jezreel, pois Jorão estava deitado ali. Acazias, rei de Judá, também havia descido para visitar Jorão.
9:17 O vigia que estava na torre de Jezreel viu a tropa de Jeú chegando e disse: “Vejo uma tropa”. Jeorão ordenou: “Mande um cavaleiro ao encontro deles para perguntar: ‘Há paz?’”.
9:18 O cavaleiro foi ao encontro dele e disse: “Assim pergunta o rei: ‘Há paz?’”. Jeú respondeu: “O que você tem a ver com a paz? Passe para trás de mim”. O vigia informou: “O mensageiro chegou até eles, mas não volta”.
9:19 Então enviou um segundo cavaleiro. Ele chegou até eles e disse: “Assim pergunta o rei: ‘Há paz?’”. Jeú respondeu: “O que você tem a ver com a paz? Passe para trás de mim”.
9:20 O vigia informou: “Ele chegou até eles, mas não volta. O modo de dirigir é como o de Jeú, filho de Ninsi, pois dirige como um louco”.
9:21 Jeorão ordenou: “Prepare o carro”. Prepararam seu carro, e Jeorão, rei de Israel, e Acazias, rei de Judá, saíram, cada um em seu carro, ao encontro de Jeú. Encontraram-no no terreno de Nabote, o jezreelita.
9:22 Quando Jeorão viu Jeú, perguntou: “Há paz, Jeú?”. Ele respondeu: “Como pode haver paz enquanto continuam as prostituições de sua mãe Jezabel e suas muitas feitiçarias?”.
9:23 Jeorão deu meia-volta com as rédeas e fugiu, dizendo a Acazias: “Traição, Acazias!”.
9:24 Jeú retesou o arco com toda a força e atingiu Jeorão entre os ombros. A flecha atravessou seu coração, e ele caiu no carro.
9:25 Jeú disse a Bidcar, seu oficial: “Pegue-o e jogue-o no terreno de Nabote, o jezreelita. Lembre-se de quando você e eu cavalgávamos lado a lado atrás de Acabe, pai dele, e o SENHOR pronunciou contra ele esta sentença:
9:26 ‘Certamente vi ontem o sangue de Nabote e o sangue de seus filhos, declara o SENHOR, e lhe darei sua paga neste terreno, declara o SENHOR’. Agora pegue-o e jogue-o no terreno, conforme a palavra do SENHOR”.
9:27 Quando Acazias, rei de Judá, viu isso, fugiu pelo caminho de Bete-Hagã. Jeú o perseguiu e disse: “Ataquem também este em seu carro, na subida de Gur, perto de Ibleão!”. Acazias fugiu para Megido e morreu ali.
9:28 Seus servos o levaram de carro para Jerusalém e o sepultaram em seu túmulo, com seus antepassados, na Cidade de Davi.
9:29 Acazias havia começado a reinar sobre Judá no décimo primeiro ano de Jorão, filho de Acabe.
9:30 Jeú chegou a Jezreel. Quando Jezabel soube, pintou os olhos, enfeitou a cabeça e olhou pela janela.
9:31 Quando Jeú entrou pelo portão, ela perguntou: “Há paz, Zinri, assassino de seu senhor?”.
9:32 Ele ergueu o rosto para a janela e perguntou: “Quem está comigo? Quem?”. Dois ou três eunucos olharam para ele.
9:33 Ele disse: “Joguem-na para baixo!”. Eles a jogaram, e seu sangue respingou na parede e nos cavalos. Jeú a pisoteou.
9:34 Depois entrou, comeu e bebeu. Então disse: “Cuidem dessa maldita e a sepultem, pois é filha de rei”.
9:35 Foram sepultá-la, mas só encontraram o crânio, os pés e as palmas das mãos.
9:36 Voltaram e lhe contaram. Ele disse: “Esta é a palavra do SENHOR, que ele falou por meio de seu servo Elias, o tisbita: ‘No terreno de Jezreel, os cães devorarão a carne de Jezabel.
9:37 O cadáver de Jezabel será como esterco sobre o campo no terreno de Jezreel, de modo que ninguém poderá dizer: Esta é Jezabel’”.

Capítulo 10
10:1 Acabe tinha setenta filhos em Samaria. Jeú escreveu cartas e as enviou a Samaria, aos chefes de Jezreel, aos anciãos e aos tutores dos filhos de Acabe, dizendo:
10:2 “Assim que receberem esta carta, vocês que têm consigo os filhos de seu senhor, os carros, os cavalos, uma cidade fortificada e as armas,
10:3 escolham o melhor e o mais apto dos filhos de seu senhor, ponham-no no trono de seu pai e lutem pela família de seu senhor”.
10:4 Mas eles ficaram com muito, muito medo e disseram: “Dois reis não puderam resistir a ele. Como nós poderíamos?”.
10:5 O administrador do palácio, o governador da cidade, os anciãos e os tutores mandaram dizer a Jeú: “Somos seus servos e faremos tudo o que o senhor nos disser. Não faremos ninguém rei. Faça o que lhe parecer bem”.
10:6 Ele lhes escreveu uma segunda carta, dizendo: “Se vocês estão do meu lado e obedecem à minha voz, peguem as cabeças dos filhos de seu senhor e venham a mim em Jezreel amanhã, a esta hora”. Os setenta filhos do rei estavam com os homens importantes da cidade, que os criavam.
10:7 Quando a carta chegou, pegaram os filhos do rei e degolaram os setenta homens. Puseram as cabeças deles em cestos e as enviaram a Jeú, em Jezreel.
10:8 Um mensageiro veio e lhe contou: “Trouxeram as cabeças dos filhos do rei”. Ele disse: “Coloquem-nas em dois montes à entrada do portão, até de manhã”.
10:9 Pela manhã ele saiu, pôs-se em pé e disse a todo o povo: “Vocês são inocentes. Eu conspirei contra meu senhor e o matei, mas quem matou todos estes?
10:10 Saibam, portanto, que nenhuma palavra do SENHOR, de tudo o que o SENHOR falou contra a família de Acabe, cairá por terra. O SENHOR fez o que falou por meio de seu servo Elias”.
10:11 Jeú matou todos os que restavam da família de Acabe em Jezreel, todos os seus homens importantes, seus conhecidos e seus sacerdotes, até não lhe deixar nenhum sobrevivente.
10:12 Depois se levantou, partiu e foi para Samaria. No caminho, em Bete-Equede dos Pastores,
10:13 Jeú encontrou os irmãos de Acazias, rei de Judá, e perguntou: “Quem são vocês?”. Eles responderam: “Somos irmãos de Acazias e descemos para saudar os filhos do rei e os filhos da rainha-mãe”.
10:14 Ele disse: “Capturem-nos vivos!”. Eles os capturaram vivos e os degolaram junto à cisterna de Bete-Equede: quarenta e dois homens. Não deixou nenhum deles vivo.
10:15 Partindo dali, encontrou Jonadabe, filho de Recabe, que vinha ao seu encontro. Saudou-o e perguntou: “Seu coração é sincero comigo, como o meu coração é com o seu?”. Jonadabe respondeu: “É”. “Se é, dê-me a mão”. Ele lhe deu a mão, e Jeú o fez subir consigo no carro.
10:16 Disse: “Venha comigo e veja meu zelo pelo SENHOR”. E o levaram em seu carro.
10:17 Quando chegou a Samaria, matou todos os que restavam de Acabe em Samaria, até exterminá-los, conforme a palavra que o SENHOR havia falado a Elias.
10:18 Jeú reuniu todo o povo e lhes disse: “Acabe serviu pouco a Baal; Jeú o servirá muito.
10:19 Agora chamem a mim todos os profetas de Baal, todos os seus servos e todos os seus sacerdotes. Que não falte ninguém, pois tenho um grande sacrifício a fazer a Baal. Quem faltar não viverá”. Mas Jeú agia com astúcia, para exterminar os servos de Baal.
10:20 Jeú disse: “Consagrem uma assembleia solene a Baal”. E a proclamaram.
10:21 Jeú enviou aviso por todo o Israel, e todos os servos de Baal vieram; não ficou ninguém sem vir. Entraram no templo de Baal, e o templo de Baal ficou cheio de uma extremidade à outra.
10:22 Ele disse ao encarregado das vestes: “Traga roupas para todos os servos de Baal”. E ele trouxe as roupas para eles.
10:23 Jeú e Jonadabe, filho de Recabe, entraram no templo de Baal. Ele disse aos servos de Baal: “Procurem e vejam se não há aqui entre vocês algum servo do SENHOR. Só devem estar aqui os servos de Baal”.
10:24 Eles entraram para oferecer sacrifícios e holocaustos. Jeú havia colocado oitenta homens do lado de fora e lhes havia dito: “Se escapar algum dos homens que entrego nas mãos de vocês, quem o deixar escapar pagará com a própria vida”.
10:25 Quando terminou de oferecer o holocausto, Jeú disse aos guardas e aos oficiais: “Entrem e matem-nos! Não deixem ninguém sair!”. Eles os mataram ao fio da espada. Os guardas e os oficiais jogaram os corpos para fora e foram até o recinto do templo de Baal.
10:26 Tiraram as colunas sagradas do templo de Baal e as queimaram.
10:27 Derrubaram a coluna sagrada de Baal, demoliram o templo de Baal e o transformaram em latrinas, como permanece até hoje.
10:28 Assim Jeú eliminou Baal de Israel.
10:29 Mas Jeú não se afastou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele havia levado Israel a pecar: os bezerros de ouro de Betel e de Dã.
10:30 O SENHOR disse a Jeú: “Porque você agiu bem, fazendo o que é certo aos meus olhos, e fez à família de Acabe tudo o que estava em meu coração, seus filhos se sentarão no trono de Israel até a quarta geração”.
10:31 Mas Jeú não teve o cuidado de andar de todo o coração na lei do SENHOR, Deus de Israel. Não se afastou dos pecados de Jeroboão, com os quais ele havia levado Israel a pecar.
10:32 Naqueles dias, o SENHOR começou a reduzir o território de Israel. Hazael os atacou por todo o território de Israel:
10:33 a leste do Jordão, toda a terra de Gileade, dos gaditas, rubenitas e manassitas, desde Aroer, junto ao ribeiro de Arnom, tanto Gileade como Basã.
10:34 Os demais atos de Jeú, tudo o que fez e todas as suas proezas não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
10:35 Jeú descansou com seus antepassados, e o sepultaram em Samaria. Seu filho Jeoacaz reinou em seu lugar.
10:36 Jeú reinou sobre Israel, em Samaria, durante vinte e oito anos.

Capítulo 11
11:1 Quando Atalia, mãe de Acazias, viu que seu filho estava morto, levantou-se e destruiu toda a descendência real.
11:2 Mas Jeoseba, filha do rei Jorão e irmã de Acazias, pegou Joás, filho de Acazias, e o tirou às escondidas do meio dos filhos do rei que estavam sendo mortos. Colocou-o com sua ama de leite no quarto de dormir. Eles o esconderam de Atalia, e ele não foi morto.
11:3 Ele ficou escondido com ela na casa do SENHOR durante seis anos, enquanto Atalia reinava sobre a terra.
11:4 No sétimo ano, Joiada mandou chamar os comandantes de cem dos cários e dos guardas e os levou à sua presença na casa do SENHOR. Fez uma aliança com eles e lhes tomou juramento na casa do SENHOR. Então lhes mostrou o filho do rei.
11:5 Deu-lhes esta ordem: “É isto que vocês farão: um terço de vocês, os que entram de serviço no sábado, fará a guarda do palácio do rei;
11:6 outro terço ficará no portão de Sur, e o outro terço, no portão atrás dos guardas. Assim guardarão o palácio para impedir qualquer invasão.
11:7 As duas divisões de vocês, todos os que saem de serviço no sábado, farão a guarda da casa do SENHOR junto ao rei.
11:8 Fiquem ao redor do rei, cada um com suas armas na mão. Quem entrar nas fileiras será morto. Estejam com o rei quando ele sair e quando entrar”.
11:9 Os comandantes de cem fizeram tudo o que o sacerdote Joiada havia ordenado. Cada um levou seus homens, tanto os que entravam de serviço no sábado como os que saíam, e foram ao sacerdote Joiada.
11:10 O sacerdote deu aos comandantes de cem a lança e os escudos que haviam pertencido ao rei Davi e estavam na casa do SENHOR.
11:11 Os guardas se posicionaram, cada um com suas armas na mão, desde o lado direito da casa até o lado esquerdo, junto ao altar e à casa, ao redor do rei.
11:12 Joiada trouxe o filho do rei, pôs-lhe a coroa e lhe entregou o testemunho. Proclamaram-no rei e o ungiram. Bateram palmas e disseram: “Viva o rei!”.
11:13 Atalia ouviu o barulho dos guardas e do povo e foi até o povo na casa do SENHOR.
11:14 Viu o rei de pé junto à coluna, conforme o costume, e os comandantes e os tocadores de trombeta junto ao rei. Todo o povo da terra se alegrava e tocava trombetas. Atalia rasgou suas roupas e gritou: “Traição! Traição!”.
11:15 O sacerdote Joiada ordenou aos comandantes de cem que estavam à frente do exército: “Levem-na para fora, entre as fileiras, e matem à espada quem a seguir”. Pois o sacerdote havia dito: “Não a matem na casa do SENHOR”.
11:16 Agarraram-na, e ela foi pelo caminho da entrada dos cavalos ao palácio do rei. Ali foi morta.
11:17 Joiada fez uma aliança entre o SENHOR, o rei e o povo, para que fossem o povo do SENHOR; também fez uma aliança entre o rei e o povo.
11:18 Todo o povo da terra entrou no templo de Baal e o demoliu. Quebraram completamente seus altares e suas imagens e mataram Matã, sacerdote de Baal, diante dos altares. O sacerdote colocou guardas na casa do SENHOR.
11:19 Levou os comandantes de cem, os cários, os guardas e todo o povo da terra. Fizeram o rei descer da casa do SENHOR e entraram no palácio do rei pelo portão dos guardas. Ele se sentou no trono real.
11:20 Todo o povo da terra se alegrou, e a cidade ficou tranquila. Atalia havia sido morta à espada no palácio do rei.
11:21 Jeoás tinha sete anos quando começou a reinar.

Capítulo 12
12:1 Jeoás começou a reinar no sétimo ano de Jeú e reinou quarenta anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Zíbia, de Berseba.
12:2 Jeoás fez o que era certo aos olhos do SENHOR todos os dias em que o sacerdote Joiada o instruiu.
12:3 Mas os santuários dos lugares altos não foram removidos. O povo continuava a oferecer sacrifícios e a queimar incenso nos lugares altos.
12:4 Jeoás disse aos sacerdotes: “Todo o dinheiro das coisas consagradas que é trazido à casa do SENHOR, o dinheiro do recenseamento, o dinheiro da avaliação das pessoas e todo o dinheiro que cada um decidir de coração trazer à casa do SENHOR,
12:5 os sacerdotes o recebam, cada um de seus conhecidos, e reparem os danos da casa onde quer que sejam encontrados”.
12:6 Mas, no vigésimo terceiro ano do rei Jeoás, os sacerdotes ainda não haviam reparado os danos da casa.
12:7 O rei Jeoás chamou o sacerdote Joiada e os outros sacerdotes e lhes perguntou: “Por que vocês não reparam os danos da casa? Agora parem de receber dinheiro de seus conhecidos e entreguem-no para os reparos da casa”.
12:8 Os sacerdotes concordaram em não mais receber dinheiro do povo nem se encarregar dos reparos da casa.
12:9 O sacerdote Joiada pegou um cofre, fez um furo na tampa e o colocou junto ao altar, à direita de quem entra na casa do SENHOR. Os sacerdotes que guardavam a entrada depositavam ali todo o dinheiro trazido à casa do SENHOR.
12:10 Quando viam que havia muito dinheiro no cofre, o secretário do rei e o sumo sacerdote subiam, colocavam em sacos e contavam o dinheiro que se encontrava na casa do SENHOR.
12:11 Entregavam o dinheiro pesado aos encarregados de supervisionar a obra da casa do SENHOR. Eles o usavam para pagar aos carpinteiros e construtores que trabalhavam na casa do SENHOR,
12:12 aos pedreiros e cortadores de pedra, para comprar madeira e pedras lavradas para reparar os danos da casa do SENHOR e para todas as despesas necessárias aos reparos da casa.
12:13 Mas, com o dinheiro trazido à casa do SENHOR, não se faziam taças de prata, cortadores de pavio, bacias, trombetas nem qualquer utensílio de ouro ou de prata para a casa do SENHOR.
12:14 O dinheiro era entregue aos que faziam a obra, e com ele reparavam a casa do SENHOR.
12:15 Não se exigia prestação de contas dos homens que recebiam o dinheiro para pagar aos trabalhadores, pois agiam com fidelidade.
12:16 O dinheiro das ofertas pela culpa e das ofertas pelo pecado não era levado à casa do SENHOR; pertencia aos sacerdotes.
12:17 Naquele tempo Hazael, rei de Arã, subiu, lutou contra Gate e a tomou. Depois Hazael se preparou para subir contra Jerusalém.
12:18 Jeoás, rei de Judá, pegou todas as coisas que seus antepassados Josafá, Jeorão e Acazias, reis de Judá, haviam consagrado, as que ele próprio havia consagrado e todo o ouro que se encontrava nos tesouros da casa do SENHOR e do palácio do rei. Enviou tudo a Hazael, rei de Arã, que se retirou de Jerusalém.
12:19 Os demais atos de Joás e tudo o que fez não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
12:20 Seus servos se levantaram, tramaram uma conspiração e feriram Joás em Bete-Milo, na descida para Sila.
12:21 Seus servos Jozabade, filho de Simeate, e Jeozabade, filho de Somer, o feriram, e ele morreu. Sepultaram-no com seus antepassados na Cidade de Davi, e seu filho Amazias reinou em seu lugar.

Capítulo 13
13:1 No vigésimo terceiro ano de Joás, filho de Acazias, rei de Judá, Jeoacaz, filho de Jeú, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, e reinou dezessete anos.
13:2 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR e seguiu os pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele havia levado Israel a pecar. Não se afastou deles.
13:3 A ira do SENHOR se acendeu contra Israel, e ele os entregou nas mãos de Hazael, rei de Arã, e nas mãos de Ben-Hadade, filho de Hazael, durante todo aquele tempo.
13:4 Mas Jeoacaz suplicou ao SENHOR, e o SENHOR o ouviu, pois viu a opressão de Israel, porque o rei de Arã os oprimia.
13:5 O SENHOR deu a Israel um libertador, e eles saíram do domínio de Arã. Os israelitas voltaram a morar em suas tendas, como antes.
13:6 Mas não se afastaram dos pecados da família de Jeroboão, que havia levado Israel a pecar; ele continuou nesse caminho. Também o poste de Aserá permaneceu em Samaria.
13:7 Não haviam restado a Jeoacaz mais do que cinquenta cavaleiros, dez carros e dez mil soldados de infantaria, pois o rei de Arã os havia destruído e reduzido a pó, como na debulha.
13:8 Os demais atos de Jeoacaz, tudo o que fez e suas proezas não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
13:9 Jeoacaz descansou com seus antepassados, e o sepultaram em Samaria. Seu filho Joás reinou em seu lugar.
13:10 No trigésimo sétimo ano de Joás, rei de Judá, Jeoás, filho de Jeoacaz, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, e reinou dezesseis anos.
13:11 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR. Não se afastou de nenhum dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele havia levado Israel a pecar, mas continuou nesse caminho.
13:12 Os demais atos de Joás, tudo o que fez e suas proezas na guerra contra Amazias, rei de Judá, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
13:13 Joás descansou com seus antepassados, e Jeroboão se sentou em seu trono. Joás foi sepultado em Samaria, com os reis de Israel.
13:14 Eliseu adoeceu da doença de que morreria. Joás, rei de Israel, desceu para vê-lo e chorou sobre ele, dizendo: “Meu pai, meu pai! Carro de Israel e seus cavaleiros!”.
13:15 Eliseu lhe disse: “Pegue um arco e flechas”. Ele pegou um arco e flechas.
13:16 Então disse ao rei de Israel: “Ponha a mão sobre o arco”. Ele pôs a mão, e Eliseu colocou suas mãos sobre as mãos do rei.
13:17 Disse: “Abra a janela para o leste”. Ele a abriu, e Eliseu disse: “Atire!”. Ele atirou, e Eliseu declarou: “Flecha da vitória do SENHOR, flecha da vitória contra Arã! Você derrotará Arã em Afeca até acabar com ele”.
13:18 Depois disse: “Pegue as flechas”. Ele as pegou, e Eliseu disse ao rei de Israel: “Bata no chão”. Ele bateu três vezes e parou.
13:19 O homem de Deus ficou indignado com ele e disse: “Você deveria ter batido cinco ou seis vezes. Então derrotaria Arã até acabar com ele. Agora, porém, você derrotará Arã apenas três vezes”.
13:20 Eliseu morreu e foi sepultado. Ao começar o ano, bandos de moabitas costumavam invadir a terra.
13:21 Alguns homens estavam sepultando um homem quando viram um desses bandos. Jogaram o morto no túmulo de Eliseu. O corpo chegou a tocar os ossos de Eliseu; então o homem reviveu e se pôs de pé.
13:22 Hazael, rei de Arã, havia oprimido Israel durante todos os dias de Jeoacaz.
13:23 Mas o SENHOR lhes mostrou favor, teve compaixão deles e se voltou para eles por causa de sua aliança com Abraão, Isaque e Jacó. Não quis destruí-los nem os havia lançado de sua presença até então.
13:24 Hazael, rei de Arã, morreu, e seu filho Ben-Hadade reinou em seu lugar.
13:25 Jeoás, filho de Jeoacaz, recuperou de Ben-Hadade, filho de Hazael, as cidades que haviam sido tomadas de seu pai Jeoacaz na guerra. Joás o derrotou três vezes e recuperou as cidades de Israel.

Capítulo 14
14:1 No segundo ano de Joás, filho de Joacaz, rei de Israel, Amazias, filho de Joás, começou a reinar como rei de Judá.
14:2 Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar e reinou vinte e nove anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Jeoadim, de Jerusalém.
14:3 Fez o que era certo aos olhos do SENHOR, embora não como Davi, seu antepassado. Fez tudo como seu pai Joás havia feito.
14:4 Mas os santuários dos lugares altos não foram removidos. O povo continuava a oferecer sacrifícios e a queimar incenso nos lugares altos.
14:5 Quando o reino ficou firme em suas mãos, matou os servos que haviam matado o rei, seu pai.
14:6 Mas não matou os filhos dos assassinos, conforme o que está escrito no livro da lei de Moisés, onde o SENHOR ordenou: “Os pais não serão mortos por causa dos filhos, nem os filhos serão mortos por causa dos pais; cada um morrerá por seu próprio pecado”.
14:7 Derrotou dez mil edomitas no vale do Sal e tomou Sela na guerra. Deu-lhe o nome de Jocteel, que permanece até hoje.
14:8 Então Amazias enviou mensageiros a Jeoás, filho de Jeoacaz, filho de Jeú, rei de Israel, dizendo: “Venha, vamos nos enfrentar face a face”.
14:9 Jeoás, rei de Israel, mandou dizer a Amazias, rei de Judá: “O cardo do Líbano mandou dizer ao cedro do Líbano: ‘Dê sua filha por mulher a meu filho’. Mas um animal selvagem do Líbano passou e pisoteou o cardo.
14:10 Você de fato derrotou Edom, e seu coração se encheu de orgulho. Desfrute de sua glória e fique em casa. Por que provocar uma desgraça e cair, você e Judá com você?”.
14:11 Mas Amazias não ouviu. Jeoás, rei de Israel, subiu, e ele e Amazias, rei de Judá, se enfrentaram face a face em Bete-Semes, que pertence a Judá.
14:12 Judá foi derrotado por Israel, e cada um fugiu para sua tenda.
14:13 Jeoás, rei de Israel, capturou Amazias, rei de Judá, filho de Jeoás, filho de Acazias, em Bete-Semes. Depois foram a Jerusalém, e ele abriu uma brecha de cerca de cento e oitenta metros na muralha de Jerusalém, desde o portão de Efraim até o portão da Esquina.
14:14 Levou todo o ouro, a prata e todos os utensílios que se encontravam na casa do SENHOR e nos tesouros do palácio do rei. Também tomou reféns e voltou a Samaria.
14:15 Os demais atos de Jeoás, o que fez, suas proezas e sua guerra contra Amazias, rei de Judá, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
14:16 Jeoás descansou com seus antepassados e foi sepultado em Samaria, com os reis de Israel. Seu filho Jeroboão reinou em seu lugar.
14:17 Amazias, filho de Joás, rei de Judá, viveu quinze anos depois da morte de Jeoás, filho de Jeoacaz, rei de Israel.
14:18 Os demais atos de Amazias não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
14:19 Tramaram uma conspiração contra ele em Jerusalém, e ele fugiu para Laquis. Mas enviaram homens atrás dele a Laquis e o mataram ali.
14:20 Levaram-no sobre cavalos, e ele foi sepultado em Jerusalém, com seus antepassados, na Cidade de Davi.
14:21 Todo o povo de Judá tomou Azarias, que tinha dezesseis anos, e o fez rei no lugar de seu pai Amazias.
14:22 Ele construiu Elate e a restituiu a Judá, depois que o rei descansou com seus antepassados.
14:23 No décimo quinto ano de Amazias, filho de Joás, rei de Judá, Jeroboão, filho de Joás, começou a reinar como rei de Israel, em Samaria, e reinou quarenta e um anos.
14:24 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR. Não se afastou de nenhum dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele havia levado Israel a pecar.
14:25 Restabeleceu os limites de Israel desde a entrada de Hamate até o mar da Arabá, conforme a palavra que o SENHOR, Deus de Israel, havia falado por meio de seu servo, o profeta Jonas, filho de Amitai, de Gate-Hefer.
14:26 Pois o SENHOR viu que a aflição de Israel era muito amarga; não havia escravo nem livre, nem quem ajudasse Israel.
14:27 O SENHOR não havia dito que apagaria o nome de Israel de debaixo dos céus, e os salvou por meio de Jeroboão, filho de Joás.
14:28 Os demais atos de Jeroboão, tudo o que fez, suas proezas na guerra e como recuperou para Israel Damasco e Hamate, que pertenciam a Judá, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
14:29 Jeroboão descansou com seus antepassados, os reis de Israel, e seu filho Zacarias reinou em seu lugar.

Capítulo 15
15:1 No vigésimo sétimo ano de Jeroboão, rei de Israel, Azarias, filho de Amazias, começou a reinar como rei de Judá.
15:2 Tinha dezesseis anos quando começou a reinar e reinou cinquenta e dois anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Jecolias, de Jerusalém.
15:3 Fez o que era certo aos olhos do SENHOR, como tudo o que seu pai Amazias havia feito.
15:4 Mas os santuários dos lugares altos não foram removidos. O povo continuava a oferecer sacrifícios e a queimar incenso nos lugares altos.
15:5 O SENHOR feriu o rei, que ficou leproso até o dia de sua morte e morou numa casa separada. Jotão, filho do rei, administrava o palácio e governava o povo da terra.
15:6 Os demais atos de Azarias e tudo o que fez não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
15:7 Azarias descansou com seus antepassados, e o sepultaram com eles na Cidade de Davi. Seu filho Jotão reinou em seu lugar.
15:8 No trigésimo oitavo ano de Azarias, rei de Judá, Zacarias, filho de Jeroboão, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, e reinou seis meses.
15:9 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR, como seus antepassados haviam feito. Não se afastou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele havia levado Israel a pecar.
15:10 Salum, filho de Jabes, conspirou contra ele, feriu-o diante do povo e o matou. Depois reinou em seu lugar.
15:11 Os demais atos de Zacarias estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel.
15:12 Esta foi a palavra que o SENHOR havia falado a Jeú: “Seus filhos se sentarão no trono de Israel até a quarta geração”. E assim aconteceu.
15:13 Salum, filho de Jabes, começou a reinar no trigésimo nono ano de Uzias, rei de Judá, e reinou um mês inteiro em Samaria.
15:14 Menaém, filho de Gadi, subiu de Tirza, chegou a Samaria e ali feriu Salum, filho de Jabes. Matou-o e reinou em seu lugar.
15:15 Os demais atos de Salum e a conspiração que tramou estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel.
15:16 Então Menaém atacou Tifsa, todos os que nela estavam e seu território desde Tirza, porque não lhe abriram as portas. Ele a atacou e abriu o ventre de todas as suas mulheres grávidas.
15:17 No trigésimo nono ano de Azarias, rei de Judá, Menaém, filho de Gadi, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, e reinou dez anos.
15:18 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR. Durante todos os seus dias, não se afastou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele havia levado Israel a pecar.
15:19 Pul, rei da Assíria, invadiu a terra. Menaém deu a Pul cerca de trinta e quatro toneladas de prata, para obter seu apoio e firmar o reino em suas mãos.
15:20 Menaém arrecadou essa prata de Israel, de todos os homens ricos, para dá-la ao rei da Assíria: cerca de quinhentos e setenta gramas de prata por homem. O rei da Assíria se retirou e não permaneceu na terra.
15:21 Os demais atos de Menaém e tudo o que fez não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel?
15:22 Menaém descansou com seus antepassados, e seu filho Pecaías reinou em seu lugar.
15:23 No quinquagésimo ano de Azarias, rei de Judá, Pecaías, filho de Menaém, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, e reinou dois anos.
15:24 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR. Não se afastou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele havia levado Israel a pecar.
15:25 Seu oficial Peca, filho de Remalias, conspirou contra ele e o feriu em Samaria, na cidadela do palácio do rei, junto com Argobe e Arié. Com Peca estavam cinquenta homens de Gileade. Ele matou Pecaías e reinou em seu lugar.
15:26 Os demais atos de Pecaías e tudo o que fez estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel.
15:27 No quinquagésimo segundo ano de Azarias, rei de Judá, Peca, filho de Remalias, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, e reinou vinte anos.
15:28 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR. Não se afastou dos pecados de Jeroboão, filho de Nebate, com os quais ele havia levado Israel a pecar.
15:29 Nos dias de Peca, rei de Israel, Tiglate-Pileser, rei da Assíria, veio e tomou Ijom, Abel-Bete-Maaca, Janoa, Quedes, Hazor, Gileade, Galileia e toda a terra de Naftali. Levou seus habitantes para o exílio na Assíria.
15:30 Oseias, filho de Elá, tramou uma conspiração contra Peca, filho de Remalias, feriu-o e o matou. Reinou em seu lugar no vigésimo ano de Jotão, filho de Uzias.
15:31 Os demais atos de Peca e tudo o que fez estão escritos no livro das crônicas dos reis de Israel.
15:32 No segundo ano de Peca, filho de Remalias, rei de Israel, Jotão, filho de Uzias, começou a reinar como rei de Judá.
15:33 Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar e reinou dezesseis anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Jerusa, filha de Zadoque.
15:34 Fez o que era certo aos olhos do SENHOR, como tudo o que seu pai Uzias havia feito.
15:35 Mas os santuários dos lugares altos não foram removidos. O povo continuava a oferecer sacrifícios e a queimar incenso nos lugares altos. Ele construiu o portão superior da casa do SENHOR.
15:36 Os demais atos de Jotão, o que fez, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
15:37 Naqueles dias, o SENHOR começou a enviar contra Judá Rezim, rei de Arã, e Peca, filho de Remalias.
15:38 Jotão descansou com seus antepassados e foi sepultado com eles na Cidade de Davi, seu antepassado. Seu filho Acaz reinou em seu lugar.

Capítulo 16
16:1 No décimo sétimo ano de Peca, filho de Remalias, Acaz, filho de Jotão, começou a reinar como rei de Judá.
16:2 Acaz tinha vinte anos quando começou a reinar e reinou dezesseis anos em Jerusalém. Não fez o que era certo aos olhos do SENHOR, seu Deus, como Davi, seu antepassado.
16:3 Andou no caminho dos reis de Israel e até fez seu filho passar pelo fogo, conforme as práticas detestáveis das nações que o SENHOR havia expulsado de diante dos israelitas.
16:4 Ofereceu sacrifícios e queimou incenso nos lugares altos, nas colinas e debaixo de toda árvore frondosa.
16:5 Então Rezim, rei de Arã, e Peca, filho de Remalias, rei de Israel, subiram a Jerusalém para lutar. Cercaram Acaz, mas não puderam vencê-lo.
16:6 Naquele tempo Rezim, rei de Arã, recuperou Elate para Arã e expulsou de Elote os judeus. Os arameus vieram a Elate e moraram ali até hoje.
16:7 Acaz enviou mensageiros a Tiglate-Pileser, rei da Assíria, dizendo: “Sou seu servo e seu filho. Suba e me salve das mãos do rei de Arã e das mãos do rei de Israel, que se levantaram contra mim”.
16:8 Acaz pegou a prata e o ouro que se encontravam na casa do SENHOR e nos tesouros do palácio do rei e os enviou como suborno ao rei da Assíria.
16:9 O rei da Assíria lhe deu ouvidos. Subiu contra Damasco e a tomou, levou seus habitantes para o exílio em Quir e matou Rezim.
16:10 O rei Acaz foi a Damasco encontrar-se com Tiglate-Pileser, rei da Assíria. Viu o altar que havia em Damasco e enviou ao sacerdote Urias uma representação do altar e seu modelo, com todos os detalhes da construção.
16:11 O sacerdote Urias construiu o altar conforme tudo o que o rei Acaz havia enviado de Damasco. Assim fez o sacerdote Urias antes de o rei Acaz voltar de Damasco.
16:12 Quando o rei voltou de Damasco, viu o altar, aproximou-se dele e nele ofereceu sacrifícios.
16:13 Queimou seu holocausto e sua oferta de cereais, derramou sua libação e aspergiu sobre o altar o sangue de seus sacrifícios de paz.
16:14 Retirou o altar de bronze que estava diante do SENHOR, à frente da casa, entre o novo altar e a casa do SENHOR, e o colocou ao lado norte do novo altar.
16:15 O rei Acaz ordenou ao sacerdote Urias: “No altar grande, queime o holocausto da manhã, a oferta de cereais da tarde, o holocausto do rei e sua oferta de cereais, e o holocausto de todo o povo da terra, com sua oferta de cereais e suas libações. Asperja sobre ele todo o sangue dos holocaustos e todo o sangue dos sacrifícios. O altar de bronze ficará para eu consultar”.
16:16 O sacerdote Urias fez tudo o que o rei Acaz havia ordenado.
16:17 O rei Acaz cortou os painéis das bases e retirou de cima delas a bacia. Também tirou o Mar de cima dos bois de bronze que estavam debaixo dele e o colocou sobre um pavimento de pedra.
16:18 Por causa do rei da Assíria, alterou na casa do SENHOR a cobertura do sábado que haviam construído na casa e a entrada externa do rei.
16:19 Os demais atos de Acaz, o que fez, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
16:20 Acaz descansou com seus antepassados e foi sepultado com eles na Cidade de Davi. Seu filho Ezequias reinou em seu lugar.

Capítulo 17
17:1 No décimo segundo ano de Acaz, rei de Judá, Oseias, filho de Elá, começou a reinar sobre Israel, em Samaria, e reinou nove anos.
17:2 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR, embora não como os reis de Israel que vieram antes dele.
17:3 Salmaneser, rei da Assíria, subiu contra ele. Oseias se tornou seu servo e lhe pagava tributo.
17:4 Mas o rei da Assíria descobriu uma conspiração de Oseias: ele havia enviado mensageiros a Sô, rei do Egito, e deixado de pagar ao rei da Assíria o tributo que pagava ano após ano. Então o rei da Assíria o deteve e o encerrou na prisão.
17:5 O rei da Assíria invadiu toda a terra, subiu a Samaria e a cercou durante três anos.
17:6 No nono ano de Oseias, o rei da Assíria tomou Samaria e levou Israel para o exílio na Assíria. Estabeleceu-os em Hala, junto ao Habor, rio de Gozã, e nas cidades dos medos.
17:7 Isso aconteceu porque os israelitas haviam pecado contra o SENHOR, seu Deus, que os havia tirado da terra do Egito, do poder do faraó, rei do Egito, e haviam temido outros deuses.
17:8 Andaram nos costumes das nações que o SENHOR havia expulsado de diante dos israelitas e nos que os reis de Israel haviam estabelecido.
17:9 Os israelitas fizeram em segredo coisas indevidas contra o SENHOR, seu Deus. Construíram para si santuários nos lugares altos em todas as suas cidades, desde a torre de vigia até a cidade fortificada.
17:10 Ergueram para si colunas sagradas e postes de Aserá em toda colina elevada e debaixo de toda árvore frondosa.
17:11 Queimaram incenso ali, em todos os lugares altos, como as nações que o SENHOR havia expulsado de diante deles. Fizeram coisas más, provocando a ira do SENHOR.
17:12 Serviram aos ídolos, embora o SENHOR lhes tivesse dito: “Não façam isso”.
17:13 O SENHOR advertiu Israel e Judá por meio de todos os seus profetas e de todo vidente, dizendo: “Voltem de seus maus caminhos e guardem meus mandamentos e meus estatutos, conforme toda a lei que ordenei a seus antepassados e que enviei a vocês por meio de meus servos, os profetas”.
17:14 Mas não ouviram. Endureceram a nuca como seus antepassados, que não haviam crido no SENHOR, seu Deus.
17:15 Rejeitaram seus estatutos, a aliança que havia feito com seus antepassados e as advertências que lhes dera. Seguiram o que é vão e se tornaram vãos; seguiram as nações ao redor deles, que o SENHOR lhes havia ordenado não imitar.
17:16 Abandonaram todos os mandamentos do SENHOR, seu Deus. Fizeram para si dois bezerros de metal fundido e um poste de Aserá, prostraram-se diante de todo o exército dos céus e serviram a Baal.
17:17 Fizeram seus filhos e suas filhas passar pelo fogo, praticaram adivinhações e buscaram presságios. Venderam-se para fazer o que era mau aos olhos do SENHOR, provocando sua ira.
17:18 O SENHOR ficou muito indignado com Israel e os afastou de sua presença. Restou apenas a tribo de Judá.
17:19 Também Judá não guardou os mandamentos do SENHOR, seu Deus, mas seguiram os costumes que Israel havia estabelecido.
17:20 O SENHOR rejeitou toda a descendência de Israel, afligiu-os e os entregou nas mãos de saqueadores, até lançá-los para longe de sua presença.
17:21 Pois ele arrancou Israel da casa de Davi, e eles fizeram Jeroboão, filho de Nebate, rei. Jeroboão afastou Israel de seguir o SENHOR e os levou a cometer um grande pecado.
17:22 Os israelitas seguiram todos os pecados que Jeroboão havia cometido, sem se afastar deles,
17:23 até que o SENHOR afastou Israel de sua presença, como havia falado por meio de todos os seus servos, os profetas. Israel foi levado de sua terra para o exílio na Assíria, onde permanece até hoje.
17:24 O rei da Assíria trouxe gente da Babilônia, de Cuta, de Ava, de Hamate e de Sefarvaim e a estabeleceu nas cidades de Samaria, no lugar dos israelitas. Tomaram posse de Samaria e moraram em suas cidades.
17:25 Quando começaram a morar ali, não temiam o SENHOR. Então o SENHOR enviou leões contra eles, que os matavam.
17:26 Informaram ao rei da Assíria: “As nações que o senhor levou para o exílio e estabeleceu nas cidades de Samaria não conhecem o culto do Deus da terra. Ele enviou leões contra elas, que as estão matando, porque não conhecem o culto do Deus da terra”.
17:27 O rei da Assíria ordenou: “Levem para lá um dos sacerdotes que vocês deportaram dali. Que vão e morem lá, e que ele lhes ensine o culto do Deus da terra”.
17:28 Então veio um dos sacerdotes que haviam sido deportados de Samaria e morou em Betel. Ele lhes ensinava como deviam temer o SENHOR.
17:29 Mas cada nação fez seus próprios deuses e os colocou nos santuários dos lugares altos que os samaritanos haviam feito, cada nação nas cidades onde morava.
17:30 Os homens da Babilônia fizeram Sucote-Benote; os homens de Cuta fizeram Nergal, e os homens de Hamate fizeram Asima.
17:31 Os aveus fizeram Nibaz e Tartaque, e os sefarvitas queimavam seus filhos no fogo a Adrameleque e Anameleque, deuses de Sefarim.
17:32 Também temiam o SENHOR e nomearam dentre eles sacerdotes dos lugares altos, que oficiavam por eles nos santuários dos lugares altos.
17:33 Temiam o SENHOR e serviam a seus próprios deuses, conforme os costumes das nações de onde haviam sido deportados.
17:34 Até hoje seguem os antigos costumes. Não temem o SENHOR nem cumprem seus estatutos, suas ordenanças, a lei e o mandamento que o SENHOR ordenou aos filhos de Jacó, a quem deu o nome de Israel.
17:35 O SENHOR havia feito uma aliança com eles e lhes havia ordenado: “Não temam outros deuses, não se prostrem diante deles, não os sirvam nem lhes ofereçam sacrifícios.
17:36 Mas ao SENHOR, que tirou vocês da terra do Egito com grande poder e braço estendido, a ele temam, diante dele se prostrem e a ele ofereçam sacrifícios.
17:37 Tenham o cuidado de cumprir sempre os estatutos, as ordenanças, a lei e o mandamento que ele deu a vocês por escrito. Não temam outros deuses.
17:38 Não se esqueçam da aliança que fiz com vocês e não temam outros deuses.
17:39 Temam somente o SENHOR, seu Deus, e ele livrará vocês das mãos de todos os seus inimigos”.
17:40 Mas não ouviram; continuaram a seguir seus antigos costumes.
17:41 Assim essas nações temiam o SENHOR e serviam a suas imagens esculpidas. Seus filhos e os filhos de seus filhos continuam a fazer até hoje o que seus antepassados fizeram.

Capítulo 18
18:1 No terceiro ano de Oseias, filho de Elá, rei de Israel, Ezequias, filho de Acaz, começou a reinar como rei de Judá.
18:2 Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar e reinou vinte e nove anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Abi, filha de Zacarias.
18:3 Fez o que era certo aos olhos do SENHOR, como tudo o que seu antepassado Davi havia feito.
18:4 Removeu os santuários dos lugares altos, quebrou as colunas sagradas e cortou o poste de Aserá. Também despedaçou a serpente de bronze que Moisés havia feito, pois até aqueles dias os israelitas lhe queimavam incenso. Ele a chamou Neustã.
18:5 Confiou no SENHOR, Deus de Israel. Não houve outro como ele entre todos os reis de Judá, nem depois nem antes dele.
18:6 Manteve-se unido ao SENHOR e não deixou de segui-lo. Guardou os mandamentos que o SENHOR havia ordenado a Moisés.
18:7 O SENHOR estava com ele, e ele tinha êxito por onde quer que fosse. Rebelou-se contra o rei da Assíria e não o serviu.
18:8 Derrotou os filisteus até Gaza e seu território, desde a torre de vigia até a cidade fortificada.
18:9 No quarto ano do rei Ezequias, que era o sétimo ano de Oseias, filho de Elá, rei de Israel, Salmaneser, rei da Assíria, subiu contra Samaria e a cercou.
18:10 Tomaram-na ao fim de três anos. Samaria foi tomada no sexto ano de Ezequias, que era o nono ano de Oseias, rei de Israel.
18:11 O rei da Assíria levou Israel para o exílio na Assíria e os estabeleceu em Hala, junto ao Habor, rio de Gozã, e nas cidades dos medos.
18:12 Isso aconteceu porque não obedeceram à voz do SENHOR, seu Deus, mas quebraram sua aliança, tudo o que Moisés, servo do SENHOR, havia ordenado. Não ouviram nem cumpriram.
18:13 No décimo quarto ano do rei Ezequias, Senaqueribe, rei da Assíria, subiu contra todas as cidades fortificadas de Judá e as tomou.
18:14 Ezequias, rei de Judá, mandou dizer ao rei da Assíria em Laquis: “Errei. Retire-se de mim, e pagarei o que me impuser”. O rei da Assíria impôs a Ezequias, rei de Judá, mais de dez toneladas de prata e cerca de uma tonelada de ouro.
18:15 Ezequias entregou toda a prata que se encontrava na casa do SENHOR e nos tesouros do palácio do rei.
18:16 Naquele tempo Ezequias retirou o revestimento das portas do templo do SENHOR e dos batentes que ele, Ezequias, rei de Judá, havia revestido, e o entregou ao rei da Assíria.
18:17 O rei da Assíria enviou Tartã, Rabe-Saris e Rabsaqué de Laquis ao rei Ezequias, em Jerusalém, com um grande exército. Subiram e chegaram a Jerusalém; ao subir e chegar, pararam junto ao aqueduto do reservatório superior, na estrada do campo do Lavadeiro.
18:18 Chamaram o rei, e saíram ao encontro deles Eliaquim, filho de Hilquias, administrador do palácio, Sebna, o secretário, e Joá, filho de Asafe, o cronista.
18:19 Rabsaqué lhes disse: “Digam a Ezequias: Assim diz o grande rei, o rei da Assíria: Que confiança é essa em que você se apoia?
18:20 Você diz que tem estratégia e força para a guerra, mas são apenas palavras dos lábios. Em quem você confia para se rebelar contra mim?
18:21 Você confia no Egito, esse bordão de cana quebrada que, quando alguém se apoia nele, entra em sua mão e a perfura. Assim é o faraó, rei do Egito, para todos os que confiam nele.
18:22 Se vocês me disserem: ‘Confiamos no SENHOR, nosso Deus’, não é ele aquele cujos lugares altos e altares Ezequias removeu, dizendo a Judá e a Jerusalém: ‘Vocês se prostrarão diante deste altar em Jerusalém’?
18:23 Agora faça uma aposta com meu senhor, o rei da Assíria: darei a você dois mil cavalos, se puder encontrar cavaleiros para montá-los.
18:24 Como você faria recuar um só governador, dos menores servos de meu senhor, se depende do Egito para ter carros e cavaleiros?
18:25 E agora, acaso subi sem o SENHOR contra este lugar para destruí-lo? O SENHOR me disse: ‘Suba contra esta terra e a destrua’”.
18:26 Eliaquim, filho de Hilquias, Sebna e Joá disseram a Rabsaqué: “Por favor, fale com seus servos em aramaico, pois nós entendemos. Não fale conosco na língua de Judá, aos ouvidos do povo que está sobre a muralha”.
18:27 Mas Rabsaqué lhes respondeu: “Meu senhor me enviou para dizer estas palavras apenas a seu senhor e a você? Não foi também aos homens sentados sobre a muralha, que comerão os próprios excrementos e beberão a própria urina junto com vocês?”.
18:28 Rabsaqué se pôs em pé e gritou em voz alta na língua de Judá: “Ouçam a palavra do grande rei, o rei da Assíria.
18:29 Assim diz o rei: Não deixem que Ezequias engane vocês, pois ele não poderá livrá-los das mãos do rei da Assíria.
18:30 Não deixem Ezequias fazer vocês confiarem no SENHOR, dizendo: ‘Certamente o SENHOR nos livrará, e esta cidade não será entregue nas mãos do rei da Assíria’.
18:31 Não ouçam Ezequias, pois assim diz o rei da Assíria: Façam as pazes comigo e saiam para se entregar a mim. Cada um comerá de sua videira e de sua figueira e beberá a água de sua cisterna,
18:32 até que eu venha e leve vocês a uma terra como a de vocês, terra de cereais e vinho novo, terra de pão e vinhas, terra de oliveiras, azeite e mel. Assim vocês viverão e não morrerão. Não ouçam Ezequias quando incita vocês, dizendo: ‘O SENHOR nos livrará’.
18:33 Acaso os deuses das nações livraram, cada um, sua terra das mãos do rei da Assíria?
18:34 Onde estão os deuses de Hamate e Arpade? Onde estão os deuses de Sefarvaim, Hena e Iva? Acaso livraram Samaria de minhas mãos?
18:35 Qual de todos os deuses dessas terras livrou sua terra de minhas mãos, para que o SENHOR livre Jerusalém de minhas mãos?”.
18:36 Mas o povo ficou em silêncio e não lhe respondeu uma palavra, pois o rei havia ordenado: “Não respondam a ele”.
18:37 Eliaquim, filho de Hilquias, administrador do palácio, Sebna, o secretário, e Joá, filho de Asafe, o cronista, foram a Ezequias com as roupas rasgadas e lhe contaram as palavras de Rabsaqué.

Capítulo 19
19:1 Quando o rei Ezequias ouviu isso, rasgou suas roupas, cobriu-se de pano de saco e entrou na casa do SENHOR.
19:2 Enviou Eliaquim, administrador do palácio, Sebna, o secretário, e os anciãos dos sacerdotes, cobertos de pano de saco, ao profeta Isaías, filho de Amoz.
19:3 Eles lhe disseram: “Assim diz Ezequias: Hoje é dia de angústia, repreensão e afronta, pois os filhos chegaram à hora do parto, mas não há força para dar à luz.
19:4 Talvez o SENHOR, seu Deus, ouça todas as palavras de Rabsaqué, a quem seu senhor, o rei da Assíria, enviou para insultar o Deus vivo, e o repreenda pelas palavras que o SENHOR, seu Deus, ouviu. Eleve uma oração pelo remanescente que ainda resta”.
19:5 Os servos do rei Ezequias foram a Isaías,
19:6 e Isaías lhes disse: “Digam a seu senhor: Assim diz o SENHOR: Não tenha medo das palavras que ouviu, com as quais os servos do rei da Assíria blasfemaram contra mim.
19:7 Porei nele um espírito; ele ouvirá uma notícia e voltará para sua terra. E o farei cair à espada em sua terra”.
19:8 Rabsaqué voltou e encontrou o rei da Assíria lutando contra Libna, pois havia ouvido que ele havia partido de Laquis.
19:9 O rei ouviu dizer a respeito de Tiraca, rei de Cuxe: “Ele saiu para lutar contra o senhor”. Então tornou a enviar mensageiros a Ezequias, dizendo:
19:10 “Digam a Ezequias, rei de Judá: Não deixe seu Deus, em quem você confia, enganar você, dizendo: ‘Jerusalém não será entregue nas mãos do rei da Assíria’.
19:11 Você ouviu o que os reis da Assíria fizeram a todas as terras, destruindo-as completamente. E você escapará?
19:12 Acaso os deuses das nações que meus antepassados destruíram as livraram: Gozã, Harã, Rezefe e os filhos de Éden que estavam em Telassar?
19:13 Onde está o rei de Hamate, o rei de Arpade e o rei da cidade de Sefarvaim, de Hena e de Iva?”.
19:14 Ezequias recebeu as cartas das mãos dos mensageiros e as leu. Subiu à casa do SENHOR e estendeu o escrito diante do SENHOR.
19:15 Ezequias orou diante do SENHOR: “SENHOR, Deus de Israel, entronizado entre os querubins, só tu és Deus de todos os reinos da terra. Tu fizeste os céus e a terra.
19:16 Inclina, SENHOR, teu ouvido e ouve; abre, SENHOR, teus olhos e vê. Ouve as palavras que Senaqueribe enviou para insultar o Deus vivo.
19:17 É verdade, SENHOR, que os reis da Assíria devastaram as nações e suas terras
19:18 e lançaram seus deuses no fogo. Pois não eram deuses, mas obra de mãos humanas, madeira e pedra; por isso os destruíram.
19:19 Agora, SENHOR, nosso Deus, salva-nos de suas mãos, por favor, para que todos os reinos da terra saibam que só tu, SENHOR, és Deus”.
19:20 Isaías, filho de Amoz, mandou dizer a Ezequias: “Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Ouvi a oração que você me fez a respeito de Senaqueribe, rei da Assíria.
19:21 Esta é a palavra que o SENHOR falou contra ele:
 A virgem, filha de Sião, despreza você e zomba de você;
   atrás de você, a filha de Jerusalém sacode a cabeça.
19:22 A quem você insultou e contra quem blasfemou?
   Contra quem ergueu a voz e levantou os olhos com arrogância?
   Contra o Santo de Israel!
19:23 Por meio de seus mensageiros você insultou o Senhor e disse: ‘Com a tropa de meus carros, subi ao alto dos montes, aos lugares mais remotos do Líbano.
   Cortarei seus cedros mais altos e seus melhores ciprestes;
   entrarei em seu refúgio mais distante, em sua floresta mais frondosa.
19:24 Eu cavei e bebi águas estrangeiras;
   com a planta de meus pés secarei todos os canais do Egito’.
19:25 Você não ouviu que há muito tempo fiz isso, que desde os dias antigos o planejei?
   Agora o fiz acontecer, para que você reduzisse cidades fortificadas a montões de ruínas.
19:26 Seus habitantes, sem forças, ficaram aterrorizados e envergonhados.
   Eram como a erva do campo, como a relva verde, como o capim dos telhados e como cereal ressequido antes de crescer.
19:27 Conheço seu sentar, seu sair e seu entrar, e sua fúria contra mim.
19:28 Porque você se enfureceu contra mim e sua arrogância chegou aos meus ouvidos, porei meu gancho em seu nariz e meu freio em seus lábios, e o farei voltar pelo caminho por onde veio.
19:29 Este será o sinal para você: Neste ano comerão o que nascer por si mesmo; no segundo ano, o que voltar a brotar. No terceiro ano, semeiem, colham, plantem vinhas e comam seu fruto.
19:30 O remanescente que escapou da casa de Judá tornará a lançar raízes para baixo e a dar fruto para cima.
19:31 Pois de Jerusalém sairá um remanescente, e do monte Sião, os que escaparam. O zelo do SENHOR fará isso.
19:32 Portanto, assim diz o SENHOR acerca do rei da Assíria: Ele não entrará nesta cidade, não atirará nela uma flecha, não se aproximará dela com escudo nem levantará contra ela uma rampa de cerco.
19:33 Voltará pelo caminho por onde vier e não entrará nesta cidade, declara o SENHOR.
19:34 Defenderei esta cidade para salvá-la, por amor de mim e por amor de Davi, meu servo”.
19:35 Naquela noite, o anjo do SENHOR saiu e feriu cento e oitenta e cinco mil no acampamento da Assíria. Quando se levantaram de madrugada, viram que todos aqueles eram cadáveres.
19:36 Então Senaqueribe, rei da Assíria, levantou acampamento, partiu e voltou, e ficou em Nínive.
19:37 Enquanto se prostrava no templo de Nisroque, seu deus, Adrameleque e Sarezer o feriram à espada. Eles escaparam para a terra de Ararate, e seu filho Esar-Hadom reinou em seu lugar.

Capítulo 20
20:1 Naqueles dias, Ezequias adoeceu e estava à morte. O profeta Isaías, filho de Amoz, foi vê-lo e lhe disse: “Assim diz o SENHOR: Ponha sua casa em ordem, pois você morrerá; não viverá”.
20:2 Ele virou o rosto para a parede e orou ao SENHOR:
20:3 “Ah, SENHOR, lembra-te, por favor, de que andei diante de ti com fidelidade e de coração íntegro e fiz o que era bom aos teus olhos”. E Ezequias chorou muito.
20:4 Isaías ainda não havia saído da parte central da cidade quando a palavra do SENHOR veio a ele:
20:5 “Volte e diga a Ezequias, líder do meu povo: Assim diz o SENHOR, Deus de Davi, seu antepassado: Ouvi sua oração e vi suas lágrimas. Eu o curarei; no terceiro dia você subirá à casa do SENHOR.
20:6 Acrescentarei quinze anos à sua vida. Livrarei você e esta cidade das mãos do rei da Assíria. Defenderei esta cidade por amor de mim e por amor de Davi, meu servo”.
20:7 Isaías disse: “Peguem uma massa de figos”. Eles a pegaram e a puseram sobre a ferida, e ele se recuperou.
20:8 Ezequias perguntou a Isaías: “Qual será o sinal de que o SENHOR me curará e de que no terceiro dia subirei à casa do SENHOR?”.
20:9 Isaías respondeu: “Este será para você o sinal da parte do SENHOR de que o SENHOR fará o que disse: A sombra avançará dez degraus ou voltará dez degraus?”.
20:10 Ezequias disse: “É fácil a sombra avançar dez degraus. Não! Que a sombra volte dez degraus”.
20:11 O profeta Isaías clamou ao SENHOR, e o SENHOR fez a sombra voltar dez degraus, pelos degraus de Acaz por onde havia descido.
20:12 Naquele tempo, Berodaque-Baladã, filho de Baladã, rei da Babilônia, enviou cartas e um presente a Ezequias, pois havia ouvido que Ezequias estivera doente.
20:13 Ezequias lhes deu ouvidos e lhes mostrou toda a sua casa do tesouro: a prata, o ouro, as especiarias, o óleo fino, seu arsenal e tudo o que se encontrava em seus tesouros. Não houve nada em seu palácio nem em todo o seu domínio que Ezequias não lhes mostrasse.
20:14 Então o profeta Isaías foi ao rei Ezequias e lhe perguntou: “O que disseram esses homens e de onde vieram para vê-lo?”. Ezequias respondeu: “Vieram de uma terra distante, da Babilônia”.
20:15 Ele perguntou: “O que viram em seu palácio?”. Ezequias respondeu: “Viram tudo o que há em meu palácio. Não houve nada em meus tesouros que eu não lhes mostrasse”.
20:16 Isaías disse a Ezequias: “Ouça a palavra do SENHOR:
20:17 Virão dias em que tudo o que há em seu palácio e o que seus antepassados acumularam até hoje será levado para a Babilônia. Nada restará, diz o SENHOR.
20:18 Alguns de seus filhos, que procederão de você, a quem você gerará, serão levados e se tornarão eunucos no palácio do rei da Babilônia”.
20:19 Ezequias disse a Isaías: “Boa é a palavra do SENHOR que o senhor falou”. E acrescentou: “Não haverá paz e segurança em meus dias?”.
20:20 Os demais atos de Ezequias, todas as suas proezas e como fez o reservatório e o aqueduto e trouxe água para a cidade não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
20:21 Ezequias descansou com seus antepassados, e seu filho Manassés reinou em seu lugar.

Capítulo 21
21:1 Manassés tinha doze anos quando começou a reinar e reinou cinquenta e cinco anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Hefzibá.
21:2 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR, conforme as práticas detestáveis das nações que o SENHOR havia expulsado de diante dos israelitas.
21:3 Reconstruiu os santuários dos lugares altos que seu pai Ezequias havia destruído. Ergueu altares a Baal e fez um poste de Aserá, como Acabe, rei de Israel, havia feito. Prostrou-se diante de todo o exército dos céus e os serviu.
21:4 Construiu altares na casa do SENHOR, da qual o SENHOR havia dito: “Em Jerusalém porei meu nome”.
21:5 Construiu altares a todo o exército dos céus nos dois pátios da casa do SENHOR.
21:6 Fez seu filho passar pelo fogo, praticou magia e buscou presságios; instituiu médiuns e adivinhos. Fez muito mal aos olhos do SENHOR, provocando sua ira.
21:7 Colocou a imagem esculpida de Aserá que havia feito na casa da qual o SENHOR havia dito a Davi e a seu filho Salomão: “Nesta casa e em Jerusalém, que escolhi dentre todas as tribos de Israel, porei meu nome para sempre.
21:8 Não tornarei a fazer o pé de Israel vagar para longe da terra que dei a seus antepassados, contanto que tenham o cuidado de cumprir tudo o que lhes ordenei e toda a lei que meu servo Moisés lhes ordenou”.
21:9 Mas não ouviram, e Manassés os desviou para fazerem mais mal do que as nações que o SENHOR havia destruído de diante dos israelitas.
21:10 Então o SENHOR falou por meio de seus servos, os profetas:
21:11 “Porque Manassés, rei de Judá, fez essas coisas detestáveis, agiu pior do que tudo o que fizeram os amorreus que vieram antes dele e também levou Judá a pecar com seus ídolos,
21:12 assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Trarei sobre Jerusalém e Judá uma desgraça que fará zumbir ambos os ouvidos de todos os que a ouvirem.
21:13 Estenderei sobre Jerusalém o cordel de Samaria e o prumo da família de Acabe. Limparei Jerusalém como se limpa um prato: depois de limpo, ele é virado de boca para baixo.
21:14 Abandonarei os que restam de minha herança e os entregarei nas mãos de seus inimigos. Serão presa e despojo para todos os seus inimigos,
21:15 porque fizeram o que era mau aos meus olhos e provocaram minha ira desde o dia em que seus antepassados saíram do Egito até hoje”.
21:16 Além disso, Manassés derramou tanto sangue inocente que encheu Jerusalém de uma extremidade à outra. Isso além do pecado com que levou Judá a pecar, fazendo o que era mau aos olhos do SENHOR.
21:17 Os demais atos de Manassés, tudo o que fez e o pecado que cometeu não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
21:18 Manassés descansou com seus antepassados e foi sepultado no jardim de seu palácio, no jardim de Uzá. Seu filho Amom reinou em seu lugar.
21:19 Amom tinha vinte e dois anos quando começou a reinar e reinou dois anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Mesulemete, filha de Haruz, de Jotbá.
21:20 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR, como seu pai Manassés havia feito.
21:21 Andou em todo o caminho em que seu pai havia andado, serviu aos ídolos a que seu pai havia servido e se prostrou diante deles.
21:22 Abandonou o SENHOR, Deus de seus antepassados, e não andou no caminho do SENHOR.
21:23 Os servos de Amom conspiraram contra ele e mataram o rei em seu palácio.
21:24 Mas o povo da terra matou todos os que haviam conspirado contra o rei Amom, e o povo da terra fez seu filho Josias rei em seu lugar.
21:25 Os demais atos de Amom, o que fez, não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
21:26 Ele foi sepultado em seu túmulo no jardim de Uzá, e seu filho Josias reinou em seu lugar.

Capítulo 22
22:1 Josias tinha oito anos quando começou a reinar e reinou trinta e um anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Jedida, filha de Adaías, de Bozcate.
22:2 Fez o que era certo aos olhos do SENHOR e andou em todo o caminho de Davi, seu antepassado, sem se desviar para a direita nem para a esquerda.
22:3 No décimo oitavo ano do rei Josias, o rei enviou o secretário Safã, filho de Azalias, filho de Mesulão, à casa do SENHOR, dizendo:
22:4 “Suba ao sumo sacerdote Hilquias, para que ele conte todo o dinheiro trazido à casa do SENHOR, que os guardas da entrada recolheram do povo.
22:5 Que ele o entregue aos encarregados de supervisionar a obra na casa do SENHOR, e que eles o repassem aos trabalhadores que estão na casa do SENHOR para reparar os danos da casa:
22:6 aos carpinteiros, construtores e pedreiros, e para comprar madeira e pedras lavradas para os reparos da casa.
22:7 Mas não se exija deles prestação de contas do dinheiro entregue em suas mãos, pois agem com fidelidade”.
22:8 O sumo sacerdote Hilquias disse ao secretário Safã: “Encontrei o livro da lei na casa do SENHOR”. Hilquias entregou o livro a Safã, e ele o leu.
22:9 O secretário Safã foi ao rei e lhe deu o relatório: “Seus servos retiraram o dinheiro que se encontrava na casa e o entregaram aos encarregados de supervisionar a obra da casa do SENHOR”.
22:10 O secretário Safã também informou ao rei: “O sacerdote Hilquias me deu um livro”. E Safã o leu diante do rei.
22:11 Quando o rei ouviu as palavras do livro da lei, rasgou suas roupas.
22:12 O rei deu esta ordem ao sacerdote Hilquias, a Aicão, filho de Safã, a Acbor, filho de Micaías, ao secretário Safã e a Asaías, servo do rei:
22:13 “Vão consultar o SENHOR por mim, pelo povo e por todo o Judá a respeito das palavras deste livro que foi encontrado. Pois grande é a ira do SENHOR que se acendeu contra nós, porque nossos antepassados não obedeceram às palavras deste livro, para cumprir tudo o que está escrito para nós”.
22:14 O sacerdote Hilquias, Aicão, Acbor, Safã e Asaías foram à profetisa Hulda, mulher de Salum, filho de Ticva, filho de Harás, encarregado das vestes. Ela morava em Jerusalém, no Segundo Bairro. Eles falaram com ela,
22:15 e ela lhes disse: “Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Digam ao homem que enviou vocês a mim:
22:16 Assim diz o SENHOR: Trarei uma desgraça sobre este lugar e seus habitantes, conforme todas as palavras do livro que o rei de Judá leu.
22:17 Porque me abandonaram e queimaram incenso a outros deuses, provocando minha ira com todas as obras de suas mãos, minha ira se acendeu contra este lugar e não se apagará.
22:18 Mas ao rei de Judá, que enviou vocês para consultar o SENHOR, digam: Assim diz o SENHOR, Deus de Israel, a respeito das palavras que você ouviu:
22:19 Porque seu coração se enterneceu e você se humilhou diante do SENHOR ao ouvir o que falei contra este lugar e seus habitantes, que seriam desolação e maldição, e porque rasgou suas roupas e chorou diante de mim, também eu ouvi você, declara o SENHOR.
22:20 Por isso eu reunirei você a seus antepassados, e você será recolhido em paz à sua sepultura. Seus olhos não verão toda a desgraça que trarei sobre este lugar”. E levaram a resposta ao rei.

Capítulo 23
23:1 O rei mandou reunir diante dele todos os anciãos de Judá e de Jerusalém.
23:2 O rei subiu à casa do SENHOR com todos os homens de Judá e todos os habitantes de Jerusalém, os sacerdotes, os profetas e todo o povo, do menor ao maior. Leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro da aliança encontrado na casa do SENHOR.
23:3 O rei ficou de pé junto à coluna e fez uma aliança diante do SENHOR: seguir o SENHOR e guardar seus mandamentos, seus testemunhos e seus estatutos de todo o coração e de toda a alma, cumprindo as palavras desta aliança escritas neste livro. Todo o povo se comprometeu com a aliança.
23:4 O rei ordenou ao sumo sacerdote Hilquias, aos sacerdotes de segunda ordem e aos guardas da entrada que retirassem do templo do SENHOR todos os utensílios feitos para Baal, para Aserá e para todo o exército dos céus. Queimou-os fora de Jerusalém, nos campos de Cedrom, e levou suas cinzas a Betel.
23:5 Destituiu os sacerdotes idólatras que os reis de Judá haviam nomeado para queimar incenso nos lugares altos das cidades de Judá e ao redor de Jerusalém. Também destituiu os que queimavam incenso a Baal, ao sol, à lua, às constelações e a todo o exército dos céus.
23:6 Tirou o poste de Aserá da casa do SENHOR e o levou para fora de Jerusalém, ao ribeiro de Cedrom. Queimou-o junto ao ribeiro de Cedrom, reduziu-o a pó e jogou seu pó sobre as sepulturas da gente do povo.
23:7 Demoliu as dependências dos homens dedicados à prostituição ritual que havia na casa do SENHOR, onde as mulheres teciam tendas para Aserá.
23:8 Trouxe todos os sacerdotes das cidades de Judá e profanou os lugares altos onde os sacerdotes queimavam incenso, desde Geba até Berseba. Demoliu os santuários dos lugares altos dos portões, à entrada do portão de Josué, governador da cidade, que ficavam à esquerda de quem entrava pelo portão da cidade.
23:9 Mas os sacerdotes dos lugares altos não subiam ao altar do SENHOR em Jerusalém, embora comessem pães sem fermento entre seus irmãos.
23:10 Profanou Tofete, no vale dos filhos de Hinom, para que ninguém fizesse seu filho ou sua filha passar pelo fogo a Moloque.
23:11 Retirou os cavalos que os reis de Judá haviam dedicado ao sol, à entrada da casa do SENHOR, junto à sala do eunuco Natã-Meleque, nos recintos externos. Queimou no fogo os carros do sol.
23:12 O rei demoliu os altares que os reis de Judá haviam feito no terraço do quarto de cima de Acaz, e os altares que Manassés havia feito nos dois pátios da casa do SENHOR. Retirou-os dali e jogou seu pó no ribeiro de Cedrom.
23:13 O rei profanou os lugares altos que ficavam diante de Jerusalém, ao sul do monte da Destruição, que Salomão, rei de Israel, havia construído para Astarote, abominação dos sidônios, para Quemos, abominação de Moabe, e para Milcom, abominação dos amonitas.
23:14 Quebrou as colunas sagradas, cortou os postes de Aserá e encheu seus lugares de ossos humanos.
23:15 Também demoliu o altar de Betel e o santuário do lugar alto que Jeroboão, filho de Nebate, havia feito, ele que havia levado Israel a pecar. Demoliu aquele altar e o santuário do lugar alto, queimou o santuário, reduziu-o a pó e queimou o poste de Aserá.
23:16 Josias se voltou e viu as sepulturas que havia ali no monte. Mandou tirar os ossos das sepulturas e os queimou sobre o altar, profanando-o, conforme a palavra do SENHOR proclamada pelo homem de Deus, que havia anunciado essas coisas.
23:17 Perguntou: “Que monumento é esse que estou vendo?”. Os homens da cidade responderam: “É a sepultura do homem de Deus que veio de Judá e anunciou essas coisas que o senhor fez ao altar de Betel”.
23:18 Ele disse: “Deixem-no. Que ninguém mexa nos ossos dele”. Assim preservaram seus ossos, junto com os ossos do profeta que havia vindo de Samaria.
23:19 Josias também removeu todos os santuários dos lugares altos nas cidades de Samaria, que os reis de Israel haviam feito para provocar a ira. Fez com eles tudo o que havia feito em Betel.
23:20 Sacrificou sobre os altares todos os sacerdotes dos lugares altos que havia ali e queimou ossos humanos sobre eles. Depois voltou a Jerusalém.
23:21 O rei ordenou a todo o povo: “Celebrem a Páscoa ao SENHOR, seu Deus, conforme está escrito neste livro da aliança”.
23:22 Não se havia celebrado uma Páscoa como essa desde os dias dos juízes que governaram Israel, nem durante todos os dias dos reis de Israel e dos reis de Judá.
23:23 Foi no décimo oitavo ano do rei Josias que essa Páscoa foi celebrada ao SENHOR em Jerusalém.
23:24 Josias também eliminou os médiuns, os adivinhos, os ídolos domésticos, os outros ídolos e todas as coisas detestáveis que se viam na terra de Judá e em Jerusalém. Fez isso para cumprir as palavras da lei escritas no livro que o sacerdote Hilquias havia encontrado na casa do SENHOR.
23:25 Antes dele não houve rei como ele, que se voltasse para o SENHOR de todo o coração, de toda a alma e com todas as suas forças, conforme toda a lei de Moisés. Depois dele também não se levantou outro como ele.
23:26 Mas o SENHOR não se afastou do ardor de sua grande ira, que se havia acendido contra Judá por todas as provocações com que Manassés o havia provocado.
23:27 O SENHOR disse: “Também afastarei Judá de minha presença, como afastei Israel. Rejeitarei esta cidade que escolhi, Jerusalém, e a casa da qual disse: ‘Ali estará meu nome’”.
23:28 Os demais atos de Josias e tudo o que fez não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
23:29 Em seus dias, o faraó Neco, rei do Egito, subiu contra o rei da Assíria, ao rio Eufrates. O rei Josias foi ao encontro dele, e Neco o matou em Megido quando o viu.
23:30 Seus servos o levaram morto num carro de Megido para Jerusalém e o sepultaram em seu túmulo. O povo da terra tomou Jeoacaz, filho de Josias, ungiu-o e o fez rei no lugar de seu pai.
23:31 Jeoacaz tinha vinte e três anos quando começou a reinar e reinou três meses em Jerusalém. Sua mãe se chamava Hamutal, filha de Jeremias, de Libna.
23:32 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR, como tudo o que seus antepassados haviam feito.
23:33 O faraó Neco o prendeu em Ribla, na terra de Hamate, quando Jeoacaz reinava em Jerusalém. Impôs à terra uma multa de cerca de três mil e quatrocentos quilos de prata e trinta e quatro quilos de ouro.
23:34 O faraó Neco fez Eliaquim, filho de Josias, rei no lugar de seu pai Josias e mudou seu nome para Jeoaquim. Levou Jeoacaz, que foi para o Egito e morreu ali.
23:35 Jeoaquim entregou a prata e o ouro ao faraó, mas impôs um tributo à terra para pagar o dinheiro exigido pelo faraó. Cobrou a prata e o ouro do povo da terra, de cada um segundo sua avaliação, para entregá-los ao faraó Neco.
23:36 Jeoaquim tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar e reinou onze anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Zebida, filha de Pedaías, de Ruma.
23:37 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR, como tudo o que seus antepassados haviam feito.

Capítulo 24
24:1 Em seus dias, Nabucodonosor, rei da Babilônia, subiu, e Jeoaquim se tornou seu servo durante três anos. Depois voltou atrás e se rebelou contra ele.
24:2 O SENHOR enviou contra ele bandos de caldeus, bandos de arameus, bandos de moabitas e bandos de amonitas. Enviou-os contra Judá para destruí-lo, conforme a palavra que o SENHOR havia falado por meio de seus servos, os profetas.
24:3 Isso aconteceu a Judá por ordem do SENHOR, para afastá-lo de sua presença, por causa dos pecados de Manassés e de tudo o que ele havia feito,
24:4 e também por causa do sangue inocente que havia derramado, pois havia enchido Jerusalém de sangue inocente. O SENHOR não quis perdoar.
24:5 Os demais atos de Jeoaquim e tudo o que fez não estão escritos no livro das crônicas dos reis de Judá?
24:6 Jeoaquim descansou com seus antepassados, e seu filho Joaquim reinou em seu lugar.
24:7 O rei do Egito não voltou a sair de sua terra, pois o rei da Babilônia havia tomado tudo o que pertencia ao rei do Egito, desde o ribeiro do Egito até o rio Eufrates.
24:8 Joaquim tinha dezoito anos quando começou a reinar e reinou três meses em Jerusalém. Sua mãe se chamava Neústa, filha de Elnatã, de Jerusalém.
24:9 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR, como tudo o que seu pai havia feito.
24:10 Naquele tempo, os servos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, subiram a Jerusalém, e a cidade ficou cercada.
24:11 Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio contra a cidade enquanto seus servos a cercavam.
24:12 Joaquim, rei de Judá, saiu para se entregar ao rei da Babilônia, ele, sua mãe, seus servos, seus chefes e seus eunucos. O rei da Babilônia o tomou prisioneiro no oitavo ano de seu reinado.
24:13 Tirou dali todos os tesouros da casa do SENHOR e os tesouros do palácio do rei. Cortou em pedaços todos os utensílios de ouro que Salomão, rei de Israel, havia feito para o templo do SENHOR, como o SENHOR havia dito.
24:14 Levou para o exílio toda Jerusalém, todos os chefes e todos os guerreiros valentes, dez mil deportados, e todos os artesãos e ferreiros. Restou apenas a gente pobre da terra.
24:15 Levou Joaquim para o exílio na Babilônia. A mãe do rei, as mulheres do rei, seus eunucos e os notáveis da terra, levou-os de Jerusalém para o exílio na Babilônia.
24:16 O rei da Babilônia levou para o exílio na Babilônia todos os homens de guerra, sete mil, e os artesãos e ferreiros, mil; todos eram homens valentes, aptos para a guerra.
24:17 O rei da Babilônia fez Matanias, tio de Joaquim, rei em seu lugar e mudou seu nome para Zedequias.
24:18 Zedequias tinha vinte e um anos quando começou a reinar e reinou onze anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Hamital, filha de Jeremias, de Libna.
24:19 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR, como tudo o que Jeoaquim havia feito.
24:20 Isso aconteceu em Jerusalém e em Judá por causa da ira do SENHOR, até que ele os lançou para longe de sua presença. Zedequias se rebelou contra o rei da Babilônia.

Capítulo 25
25:1 No nono ano de seu reinado, no décimo dia do décimo mês, Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio contra Jerusalém, ele e todo o seu exército. Acampou diante dela, e construíram obras de cerco ao seu redor.
25:2 A cidade ficou cercada até o décimo primeiro ano do rei Zedequias.
25:3 No nono dia do mês, a fome havia se agravado na cidade, e não havia pão para o povo da terra.
25:4 Foi aberta uma brecha na cidade. Todos os homens de guerra saíram de noite pelo caminho do portão entre as duas muralhas, junto ao jardim do rei, enquanto os caldeus cercavam a cidade. O rei foi pelo caminho da Arabá.
25:5 O exército dos caldeus perseguiu o rei e o alcançou nas planícies de Jericó. Todo o seu exército havia se dispersado, afastando-se dele.
25:6 Capturaram o rei e o levaram ao rei da Babilônia, em Ribla, onde pronunciaram sentença contra ele.
25:7 Degolaram os filhos de Zedequias diante de seus olhos. Depois o rei da Babilônia cegou Zedequias, prendeu-o com correntes de bronze e o levou para a Babilônia.
25:8 No sétimo dia do quinto mês, no décimo nono ano de Nabucodonosor, rei da Babilônia, Nebuzaradã, comandante da guarda e servo do rei da Babilônia, chegou a Jerusalém.
25:9 Queimou a casa do SENHOR, o palácio do rei e todas as casas de Jerusalém; incendiou todas as casas grandes.
25:10 Todo o exército dos caldeus que estava com o comandante da guarda demoliu as muralhas ao redor de Jerusalém.
25:11 Nebuzaradã, comandante da guarda, levou para o exílio o restante do povo que havia ficado na cidade, os desertores que haviam passado para o lado do rei da Babilônia e o restante da população.
25:12 Mas o comandante da guarda deixou alguns dos pobres da terra para cultivar as vinhas e os campos.
25:13 Os caldeus quebraram as colunas de bronze da casa do SENHOR, as bases e o Mar de bronze que havia na casa do SENHOR, e levaram seu bronze para a Babilônia.
25:14 Também levaram as panelas, as pás, os cortadores de pavio, as colheres e todos os utensílios de bronze usados no serviço.
25:15 O comandante da guarda levou os braseiros e as bacias, tudo o que era de ouro e tudo o que era de prata.
25:16 Quanto às duas colunas, ao único Mar e às bases que Salomão havia feito para a casa do SENHOR, não se podia calcular o peso do bronze de todos esses utensílios.
25:17 Uma coluna tinha cerca de oito metros e trinta centímetros de altura, com um capitel de bronze no alto. O capitel tinha cerca de um metro e quarenta centímetros de altura, com uma rede e romãs ao redor, tudo de bronze. A segunda coluna era semelhante, com a rede.
25:18 O comandante da guarda tomou o sumo sacerdote Seraías, o sacerdote de segunda ordem Sofonias e os três guardas da entrada.
25:19 Da cidade tomou um eunuco que estava à frente dos homens de guerra, cinco homens que tinham acesso à presença do rei e se encontravam na cidade, o secretário do comandante do exército, que recrutava o povo da terra, e sessenta homens do povo da terra que se encontravam na cidade.
25:20 Nebuzaradã, comandante da guarda, os tomou e os levou ao rei da Babilônia, em Ribla.
25:21 O rei da Babilônia os feriu e os matou em Ribla, na terra de Hamate. Assim Judá foi levado de sua terra para o exílio.
25:22 Sobre o povo que Nabucodonosor, rei da Babilônia, havia deixado na terra de Judá, ele nomeou Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã.
25:23 Quando todos os comandantes das tropas e seus homens ouviram que o rei da Babilônia havia nomeado Gedalias, foram a ele em Mispa: Ismael, filho de Netanias, Joanã, filho de Careá, Seraías, filho de Tanumete, o netofatita, e Jazanias, filho do maacatita, eles e seus homens.
25:24 Gedalias jurou a eles e a seus homens, dizendo: “Não tenham medo dos servos dos caldeus. Fiquem na terra e sirvam ao rei da Babilônia, e tudo irá bem com vocês”.
25:25 Mas, no sétimo mês, Ismael, filho de Netanias, filho de Elisama, de descendência real, veio com dez homens. Feriram Gedalias, e ele morreu. Também feriram os judeus e os caldeus que estavam com ele em Mispa.
25:26 Todo o povo, do menor ao maior, e os comandantes das tropas se levantaram e foram para o Egito, pois tinham medo dos caldeus.
25:27 No trigésimo sétimo ano do exílio de Joaquim, rei de Judá, no vigésimo sétimo dia do décimo segundo mês, Evil-Merodaque, rei da Babilônia, no ano em que começou a reinar, favoreceu Joaquim, rei de Judá, e o tirou da prisão.
25:28 Falou-lhe com bondade e colocou seu trono acima dos tronos dos reis que estavam com ele na Babilônia.
25:29 Mudou-lhe as roupas de prisioneiro, e Joaquim comia sempre diante dele, durante todos os dias de sua vida.
25:30 O rei lhe dava uma provisão constante, a porção de cada dia no seu dia, durante todos os dias de sua vida.

1 CRÔNICAS

Capítulo 1
1:1 Adão, Sete, Enos,
1:2 Cainã, Maalalel, Jarede,
1:3 Enoque, Metusalém, Lameque,
1:4 Noé, Sem, Cam e Jafé.
1:5 Os filhos de Jafé foram Gomer, Magogue, Madai, Javã, Tubal, Meseque e Tiras.
1:6 Os filhos de Gomer foram Asquenaz, Difate e Togarma.
1:7 Os filhos de Javã foram Elisá, Társis, Quitim e Rodanim.
1:8 Os filhos de Cam foram Cuxe, Mizraim, Pute e Canaã.
1:9 Os filhos de Cuxe foram Sebá, Havilá, Sabtá, Raamá e Sabtecá. Os filhos de Raamá foram Sabá e Dedã.
1:10 Cuxe gerou Ninrode, que começou a ser um homem poderoso na terra.
1:11 Mizraim gerou os ludeus, os anameus, os leabeus e os naftueus,
1:12 os patruseus, os caslueus, de quem vieram os filisteus, e os caftoreus.
1:13 Canaã gerou Sidom, seu primogênito, e Hete,
1:14 os jebuseus, os amorreus e os girgaseus,
1:15 os heveus, os arqueus e os sineus,
1:16 os arvadeus, os zemareus e os hamateus.
1:17 Os filhos de Sem foram Elão, Assur, Arfaxade, Lude, Arã, Uz, Hul, Geter e Meseque.
1:18 Arfaxade gerou Selá, e Selá gerou Héber.
1:19 A Héber nasceram dois filhos. Um se chamava Pelegue, pois em seus dias a terra foi dividida; seu irmão se chamava Joctã.
1:20 Joctã gerou Almodá, Selefe, Hazar-Mavé e Jerá,
1:21 Hadorão, Uzal e Dicla,
1:22 Ebal, Abimael e Sabá,
1:23 Ofir, Havilá e Jobabe. Todos esses foram filhos de Joctã.
1:24 Sem, Arfaxade, Selá,
1:25 Héber, Pelegue, Reú,
1:26 Serugue, Naor, Terá,
1:27 Abrão, que é Abraão.
1:28 Os filhos de Abraão foram Isaque e Ismael.
1:29 Estes são seus descendentes: o primogênito de Ismael foi Nebaiote; depois vieram Quedar, Adbeel, Mibsão,
1:30 Misma, Dumá, Massá, Hadade e Temá,
1:31 Jetur, Nafis e Quedemá. Esses foram os filhos de Ismael.
1:32 Os filhos de Quetura, concubina de Abraão, foram os que ela deu à luz: Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Isbaque e Sua. Os filhos de Jocsã foram Sabá e Dedã.
1:33 Os filhos de Midiã foram Efá, Efer, Enoque, Abida e Elda. Todos esses foram filhos de Quetura.
1:34 Abraão gerou Isaque. Os filhos de Isaque foram Esaú e Israel.
1:35 Os filhos de Esaú foram Elifaz, Reuel, Jeús, Jalão e Corá.
1:36 Os filhos de Elifaz foram Temã, Omar, Zefi, Gaetã, Quenaz, Timna e Amaleque.
1:37 Os filhos de Reuel foram Naate, Zerá, Samá e Mizá.
1:38 Os filhos de Seir foram Lotã, Sobal, Zibeão, Aná, Disom, Eser e Disã.
1:39 Os filhos de Lotã foram Hori e Homã. A irmã de Lotã era Timna.
1:40 Os filhos de Sobal foram Aliã, Manaate, Ebal, Sefi e Onã. Os filhos de Zibeão foram Aías e Aná.
1:41 O filho de Aná foi Disom. Os filhos de Disom foram Hanrão, Esbã, Itrã e Querã.
1:42 Os filhos de Eser foram Bilã, Zaavã e Jaacã. Os filhos de Disom foram Uz e Arã.
1:43 Estes são os reis que reinaram na terra de Edom antes que um rei reinasse sobre os israelitas: Belá, filho de Beor; sua cidade se chamava Dinabá.
1:44 Belá morreu, e Jobabe, filho de Zerá, de Bozra, reinou em seu lugar.
1:45 Jobabe morreu, e Husão, da terra dos temanitas, reinou em seu lugar.
1:46 Husão morreu, e Hadade, filho de Bedade, que derrotou Midiã no campo de Moabe, reinou em seu lugar. Sua cidade se chamava Aiote.
1:47 Hadade morreu, e Samlá, de Masreca, reinou em seu lugar.
1:48 Samlá morreu, e Saul, de Reobote do Rio, reinou em seu lugar.
1:49 Saul morreu, e Baal-Hanã, filho de Acbor, reinou em seu lugar.
1:50 Baal-Hanã morreu, e Hadade reinou em seu lugar. Sua cidade se chamava Paí, e sua mulher se chamava Meetabel, filha de Matrede, filha de Me-Zaabe.
1:51 Hadade morreu. Os chefes de Edom foram o chefe Timna, o chefe Aliá, o chefe Jetete,
1:52 o chefe Oolibama, o chefe Elá, o chefe Pinom,
1:53 o chefe Quenaz, o chefe Temã, o chefe Mibzar,
1:54 o chefe Magdiel e o chefe Irão. Esses foram os chefes de Edom.

Capítulo 2
2:1 Estes foram os filhos de Israel: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar e Zebulom,
2:2 Dã, José e Benjamim, Naftali, Gade e Aser.
2:3 Os filhos de Judá foram Er, Onã e Selá. Esses três lhe nasceram da filha de Sua, a cananeia. Er, o primogênito de Judá, era mau aos olhos do SENHOR, e ele o matou.
2:4 Tamar, sua nora, lhe deu à luz Perez e Zerá. Os filhos de Judá foram cinco ao todo.
2:5 Os filhos de Perez foram Hezrom e Hamul.
2:6 Os filhos de Zerá foram Zinri, Etã, Hemã, Calcol e Dara, cinco ao todo.
2:7 O filho de Carmi foi Acar, aquele que perturbou Israel, sendo infiel quanto às coisas consagradas à destruição.
2:8 O filho de Etã foi Azarias.
2:9 Os filhos que nasceram a Hezrom foram Jerameel, Rão e Quelubai.
2:10 Rão gerou Aminadabe, e Aminadabe gerou Naassom, chefe dos descendentes de Judá.
2:11 Naassom gerou Salma, e Salma gerou Boaz.
2:12 Boaz gerou Obede, e Obede gerou Jessé.
2:13 Jessé gerou Eliabe, seu primogênito, Abinadabe, o segundo, e Simeia, o terceiro,
2:14 Natanael, o quarto, Radai, o quinto,
2:15 Ozém, o sexto, e Davi, o sétimo.
2:16 Suas irmãs foram Zeruia e Abigail. Os filhos de Zeruia foram Abisai, Joabe e Asael, três ao todo.
2:17 Abigail deu à luz Amasa. O pai de Amasa foi Jéter, o ismaelita.
2:18 Calebe, filho de Hezrom, teve filhos com Azuba, sua mulher, e com Jeriote. Os filhos dela foram Jeser, Sobabe e Ardom.
2:19 Azuba morreu, e Calebe tomou Efrata por mulher. Ela lhe deu à luz Hur.
2:20 Hur gerou Uri, e Uri gerou Bezalel.
2:21 Depois Hezrom se uniu à filha de Maquir, pai de Gileade. Ele a tomou por mulher quando tinha sessenta anos, e ela lhe deu à luz Segube.
2:22 Segube gerou Jair, que possuía vinte e três cidades na terra de Gileade.
2:23 Mas Gesur e Arã tomaram deles as aldeias de Jair, Quenate e suas aldeias, sessenta cidades. Todos esses foram filhos de Maquir, pai de Gileade.
2:24 Depois que Hezrom morreu em Calebe-Efrata, Abia, mulher de Hezrom, lhe deu à luz Asur, pai de Tecoa.
2:25 Os filhos de Jerameel, primogênito de Hezrom, foram Rão, o primogênito, Buna, Orém, Ozém e Aías.
2:26 Jerameel teve outra mulher, chamada Atara, que foi a mãe de Onã.
2:27 Os filhos de Rão, primogênito de Jerameel, foram Maaz, Jamim e Equer.
2:28 Os filhos de Onã foram Samai e Jada. Os filhos de Samai foram Nadabe e Abisur.
2:29 A mulher de Abisur se chamava Abiail e lhe deu à luz Abã e Molide.
2:30 Os filhos de Nadabe foram Selede e Apaim. Selede morreu sem filhos.
2:31 O filho de Apaim foi Isi, o filho de Isi foi Sesã, e a descendência de Sesã foi Alai.
2:32 Os filhos de Jada, irmão de Samai, foram Jéter e Jônatas. Jéter morreu sem filhos.
2:33 Os filhos de Jônatas foram Pelete e Zaza. Esses foram os filhos de Jerameel.
2:34 Sesã não teve filhos homens, mas filhas. Ele tinha um servo egípcio chamado Jara.
2:35 Sesã deu sua filha por mulher a Jara, seu servo, e ela lhe deu à luz Atai.
2:36 Atai gerou Natã, e Natã gerou Zabade.
2:37 Zabade gerou Eflal, e Eflal gerou Obede.
2:38 Obede gerou Jeú, e Jeú gerou Azarias.
2:39 Azarias gerou Heles, e Heles gerou Eleasa.
2:40 Eleasa gerou Sismai, e Sismai gerou Salum.
2:41 Salum gerou Jecamias, e Jecamias gerou Elisama.
2:42 Os filhos de Calebe, irmão de Jerameel, foram Messa, seu primogênito, pai de Zife, e os filhos de Maressa, pai de Hebrom.
2:43 Os filhos de Hebrom foram Corá, Tapua, Requém e Sema.
2:44 Sema gerou Raão, pai de Jorqueão, e Requém gerou Samai.
2:45 O filho de Samai foi Maom, e Maom foi pai de Bete-Zur.
2:46 Efá, concubina de Calebe, deu à luz Harã, Mosa e Gazez. Harã gerou Gazez.
2:47 Os filhos de Jadai foram Regém, Jotão, Gesã, Pelete, Efá e Saafe.
2:48 De Maaca, sua concubina, Calebe gerou Seber e Tiraná.
2:49 Ela também deu à luz Saafe, pai de Madmana, e Seva, pai de Macbena e pai de Gibeá. A filha de Calebe foi Acsa.
2:50 Esses foram os filhos de Calebe, filho de Hur, primogênito de Efrata: Sobal, pai de Quiriate-Jearim,
2:51 Salma, pai de Belém, e Harefe, pai de Bete-Gader.
2:52 Os filhos de Sobal, pai de Quiriate-Jearim, foram Haroé e metade dos menuítas.
2:53 As famílias de Quiriate-Jearim foram os itritas, os puteus, os sumateus e os misraeus. Deles vieram os zorateus e os estaoleus.
2:54 Os filhos de Salma foram Belém, os netofatitas, Atarote-Bete-Joabe, metade dos manatitas e os zoreus.
2:55 As famílias dos escribas que habitaram em Jabez foram os tiratitas, os simeatitas e os sucatitas. Esses foram os queneus que vieram de Hamate, pai da casa de Recabe.

Capítulo 3
3:1 Estes foram os filhos de Davi que lhe nasceram em Hebrom: o primogênito, Amnom, de Ainoã, a jezreelita; o segundo, Daniel, de Abigail, a carmelita;
3:2 o terceiro, Absalão, filho de Maaca, filha de Talmai, rei de Gesur; o quarto, Adonias, filho de Hagite;
3:3 o quinto, Sefatias, de Abital; o sexto, Itreão, de Eglá, sua mulher.
3:4 Seis lhe nasceram em Hebrom, onde reinou sete anos e seis meses. Em Jerusalém reinou trinta e três anos.
3:5 Estes lhe nasceram em Jerusalém: Simeia, Sobabe, Natã e Salomão, quatro de Bate-Sua, filha de Amiel;
3:6 Ibar, Elisama e Elifalete,
3:7 Nogá, Nefegue e Jafia,
3:8 Elisama, Eliada e Elifelete, nove ao todo.
3:9 Todos esses foram filhos de Davi, além dos filhos das concubinas. Tamar foi irmã deles.
3:10 O filho de Salomão foi Roboão; Abias, seu filho; Asa, seu filho; Josafá, seu filho;
3:11 Jorão, seu filho; Acazias, seu filho; Joás, seu filho;
3:12 Amazias, seu filho; Azarias, seu filho; Jotão, seu filho;
3:13 Acaz, seu filho; Ezequias, seu filho; Manassés, seu filho;
3:14 Amom, seu filho; Josias, seu filho.
3:15 Os filhos de Josias foram Joanã, o primogênito, Jeoaquim, o segundo, Zedequias, o terceiro, e Salum, o quarto.
3:16 Os filhos de Jeoaquim foram Jeconias, seu filho, e Zedequias, seu filho.
3:17 Os filhos de Jeconias foram Assir e Sealtiel, seu filho,
3:18 Malquirão, Pedaías, Senazar, Jecamias, Hosama e Nedabias.
3:19 Os filhos de Pedaías foram Zorobabel e Simei. Os filhos de Zorobabel foram Mesulão e Hananias, e Selomite foi irmã deles;
3:20 também Hasuba, Oel, Berequias, Hasadias e Jusabe-Hesede, cinco ao todo.
3:21 Os filhos de Hananias foram Pelatias e Jesaías; os filhos de Refaías, os filhos de Arnã, os filhos de Obadias e os filhos de Secanias.
3:22 O filho de Secanias foi Semaías. Os filhos de Semaías foram Hatus, Igal, Barias, Nearias e Safate, seis ao todo.
3:23 Os filhos de Nearias foram Elioenai, Ezequias e Azricão, três ao todo.
3:24 Os filhos de Elioenai foram Hodias, Eliasibe, Pelaías, Acube, Joanã, Delaías e Anani, sete ao todo.

Capítulo 4
4:1 Os filhos de Judá foram Perez, Hezrom, Carmi, Hur e Sobal.
4:2 Reaías, filho de Sobal, gerou Jaate, e Jaate gerou Aumai e Laade. Essas foram as famílias dos zorateus.
4:3 Estes foram os filhos do pai de Etã: Jezreel, Isma e Idbas. Sua irmã se chamava Hazelelponi.
4:4 Penuel foi pai de Gedor, e Eser foi pai de Husa. Esses foram os filhos de Hur, primogênito de Efrata, pai de Belém.
4:5 Asur, pai de Tecoa, teve duas mulheres, Hela e Naara.
4:6 Naara lhe deu à luz Auzão, Héfer, Temeni e Haastari. Esses foram os filhos de Naara.
4:7 Os filhos de Hela foram Zerete, Isar e Etnã.
4:8 Coz gerou Anube, Zobeba e as famílias de Aarel, filho de Harum.
4:9 Jabez foi mais honrado do que seus irmãos. Sua mãe lhe deu o nome de Jabez, dizendo: “Eu o dei à luz com dor”.
4:10 Jabez invocou o Deus de Israel, dizendo: “Que tu me abençoes e amplies meu território! Que tua mão esteja comigo e que me livres do mal, para que eu não sofra!”. E Deus lhe concedeu o que pediu.
4:11 Quelube, irmão de Suá, gerou Meir, que foi pai de Estom.
4:12 Estom gerou Bete-Rafa, Paseia e Teína, pai de Ir-Naás. Esses foram os homens de Reca.
4:13 Os filhos de Quenaz foram Otniel e Seraías. O filho de Otniel foi Hatate.
4:14 Meonotai gerou Ofra, e Seraías gerou Joabe, pai do vale dos Artesãos, pois eram artesãos.
4:15 Os filhos de Calebe, filho de Jefoné, foram Iru, Elá e Naã. O filho de Elá foi Quenaz.
4:16 Os filhos de Jealelel foram Zife, Zifa, Tiria e Asareel.
4:17 Os filhos de Ezra foram Jéter, Merede, Efer e Jalom. Ela concebeu Miriã, Samai e Isbá, pai de Estemoa.
4:18 Sua mulher judia deu à luz Jerede, pai de Gedor, Héber, pai de Socó, e Jecutiel, pai de Zanoa. Esses foram os filhos de Bitia, filha do faraó, a quem Merede tomou por mulher.
4:19 Os filhos da mulher de Hodias, irmã de Naã, foram o pai de Queila, o garmita, e Estemoa, o maacatita.
4:20 Os filhos de Simão foram Amnom, Rina, Ben-Hanã e Tolom. Os filhos de Isi foram Zoete e Ben-Zoete.
4:21 Os filhos de Selá, filho de Judá, foram Er, pai de Leca, Laada, pai de Maressa, e as famílias dos trabalhadores de linho fino da casa de Asbeia;
4:22 Joquim, os homens de Cozeba, Joás e Sarafe, que dominaram Moabe, e Jasubi-Leém. Esses são registros antigos.
4:23 Eles eram oleiros e habitantes de Netaim e Gedera. Moravam ali trabalhando para o rei.
4:24 Os filhos de Simeão foram Nemuel, Jamim, Jaribe, Zerá e Saul;
4:25 Salum, seu filho; Mibsão, seu filho; Misma, seu filho.
4:26 Os descendentes de Misma foram Hamuel, seu filho; Zacur, seu filho; Simei, seu filho.
4:27 Simei teve dezesseis filhos e seis filhas, mas seus irmãos não tiveram muitos filhos. Toda a família deles não se multiplicou tanto quanto os descendentes de Judá.
4:28 Moraram em Berseba, Molada e Hazar-Sual,
4:29 em Bila, Ezém e Tolade,
4:30 em Betuel, Horma e Ziclague,
4:31 em Bete-Marcabote, Hazar-Susim, Bete-Biri e Saaraim. Essas foram suas cidades até o reinado de Davi.
4:32 Suas aldeias foram Etã, Aim, Rimom, Toquém e Asã, cinco cidades,
4:33 com todas as aldeias ao redor dessas cidades, até Baal. Esses foram seus lugares de morada, e tinham seu registro genealógico.
4:34 Mesobabe, Janleque, Josá, filho de Amazias,
4:35 Joel, Jeú, filho de Josibias, filho de Seraías, filho de Asiel,
4:36 Elioenai, Jaacobá, Jesoaías, Asaías, Adiel, Jesimiel, Benaia
4:37 e Ziza, filho de Sifi, filho de Alom, filho de Jedaías, filho de Sinri, filho de Semaías:
4:38 esses, mencionados por seus nomes, foram chefes em suas famílias, e suas casas paternas se multiplicaram muito.
4:39 Foram até a entrada de Gedor, a leste do vale, em busca de pastagens para seus rebanhos.
4:40 Encontraram pastagens boas e abundantes, e a terra era ampla, tranquila e pacífica, pois antes os descendentes de Cam moravam ali.
4:41 Esses que estão registrados por seus nomes vieram nos dias de Ezequias, rei de Judá. Atacaram suas tendas e os meinitas que se encontravam ali e os exterminaram, como permanece até hoje. Moraram em seu lugar, pois ali havia pastagens para seus rebanhos.
4:42 Quinhentos homens dentre os descendentes de Simeão foram ao monte Seir, tendo à frente Pelatias, Nearias, Refaías e Uziel, filhos de Isi.
4:43 Derrotaram o restante dos amalequitas que haviam escapado e moraram ali até hoje.

Capítulo 5
5:1 Quanto aos filhos de Rúben, primogênito de Israel (pois ele era o primogênito, mas, por ter profanado o leito de seu pai, seu direito de primogenitura foi dado aos filhos de José, filho de Israel, e o registro genealógico não seguiu a primogenitura;
5:2 pois Judá prevaleceu sobre seus irmãos, e dele veio um governante, mas o direito de primogenitura pertenceu a José),
5:3 os filhos de Rúben, primogênito de Israel, foram Enoque, Palu, Hezrom e Carmi.
5:4 Os descendentes de Joel foram Semaías, seu filho; Gogue, seu filho; Simei, seu filho;
5:5 Mica, seu filho; Reaías, seu filho; Baal, seu filho;
5:6 Beera, seu filho, a quem Tilgate-Pilneser, rei da Assíria, levou para o exílio. Beera era chefe dos rubenitas.
5:7 Seus irmãos, segundo suas famílias, registrados em suas genealogias por suas gerações, foram Jeiel, o chefe, Zacarias
5:8 e Belá, filho de Azaz, filho de Sema, filho de Joel. Ele morava em Aroer e até Nebo e Baal-Meom.
5:9 Para o leste, morava até a entrada do deserto que se estende desde o rio Eufrates, pois seus rebanhos haviam se multiplicado na terra de Gileade.
5:10 Nos dias de Saul, fizeram guerra contra os hagarenos, que caíram em suas mãos. Moraram nas tendas deles por toda a região a leste de Gileade.
5:11 Os descendentes de Gade moravam diante deles, na terra de Basã, até Salca.
5:12 Joel era o chefe, e Safã, o segundo; também Janai e Safate, em Basã.
5:13 Seus irmãos, segundo suas casas paternas, foram Micael, Mesulão, Seba, Jorai, Jacã, Zia e Héber, sete ao todo.
5:14 Esses foram filhos de Abiail, filho de Huri, filho de Jaroa, filho de Gileade, filho de Micael, filho de Jesisai, filho de Jado, filho de Buz.
5:15 Aí, filho de Abdiel, filho de Guni, era chefe de sua casa paterna.
5:16 Moraram em Gileade, em Basã e suas aldeias, e em todas as pastagens de Sarom, até seus limites.
5:17 Todos foram registrados em suas genealogias nos dias de Jotão, rei de Judá, e nos dias de Jeroboão, rei de Israel.
5:18 Os descendentes de Rúben, os gaditas e a metade da tribo de Manassés tinham quarenta e quatro mil setecentos e sessenta homens valentes, que levavam escudo e espada, retesavam o arco e eram treinados para a guerra, aptos para sair em combate.
5:19 Fizeram guerra contra os hagarenos, Jetur, Nafis e Nodabe.
5:20 Foram ajudados contra eles, e os hagarenos e todos os que estavam com eles foram entregues em suas mãos. Pois clamaram a Deus na batalha, e ele atendeu à sua súplica, porque confiaram nele.
5:21 Capturaram seu gado: cinquenta mil camelos, duzentas e cinquenta mil ovelhas e dois mil jumentos, e também cem mil pessoas.
5:22 Muitos caíram mortos, pois a guerra era de Deus. Moraram no lugar deles até o exílio.
5:23 Os descendentes da metade da tribo de Manassés moravam na terra, desde Basã até Baal-Hermom, Senir e o monte Hermom. Eles se multiplicaram.
5:24 Estes foram os chefes de suas casas paternas: Efer, Isi, Eliel, Azriel, Jeremias, Hodavias e Jadiel, homens valentes, homens de renome, chefes de suas casas paternas.
5:25 Mas foram infiéis ao Deus de seus antepassados e se prostituíram seguindo os deuses dos povos da terra que Deus havia destruído de diante deles.
5:26 Então o Deus de Israel despertou o espírito de Pul, rei da Assíria, e o espírito de Tilgate-Pilneser, rei da Assíria. Ele levou para o exílio os rubenitas, os gaditas e a metade da tribo de Manassés e os levou a Hala, Habor, Hara e ao rio Gozã, onde permanecem até hoje.

Capítulo 6
6:1 Os filhos de Levi foram Gérson, Coate e Merari.
6:2 Os filhos de Coate foram Anrão, Isar, Hebrom e Uziel.
6:3 Os filhos de Anrão foram Arão, Moisés e Miriã. Os filhos de Arão foram Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar.
6:4 Eleazar gerou Fineias, e Fineias gerou Abisua.
6:5 Abisua gerou Buqui, e Buqui gerou Uzi.
6:6 Uzi gerou Zeraías, e Zeraías gerou Meraiote.
6:7 Meraiote gerou Amarias, e Amarias gerou Aitube.
6:8 Aitube gerou Zadoque, e Zadoque gerou Aimaás.
6:9 Aimaás gerou Azarias, e Azarias gerou Joanã.
6:10 Joanã gerou Azarias, que exerceu o sacerdócio na casa que Salomão construiu em Jerusalém.
6:11 Azarias gerou Amarias, e Amarias gerou Aitube.
6:12 Aitube gerou Zadoque, e Zadoque gerou Salum.
6:13 Salum gerou Hilquias, e Hilquias gerou Azarias.
6:14 Azarias gerou Seraías, e Seraías gerou Jeozadaque.
6:15 Jeozadaque foi para o exílio quando o SENHOR levou Judá e Jerusalém para o exílio por meio de Nabucodonosor.
6:16 Os filhos de Levi foram Gérsom, Coate e Merari.
6:17 Estes foram os nomes dos filhos de Gérsom: Libni e Simei.
6:18 Os filhos de Coate foram Anrão, Isar, Hebrom e Uziel.
6:19 Os filhos de Merari foram Mali e Musi. Essas foram as famílias dos levitas, segundo suas casas paternas.
6:20 De Gérsom: Libni, seu filho; Jaate, seu filho; Zima, seu filho;
6:21 Joá, seu filho; Ido, seu filho; Zerá, seu filho; Jeaterai, seu filho.
6:22 Os descendentes de Coate foram Aminadabe, seu filho; Corá, seu filho; Assir, seu filho;
6:23 Elcana, seu filho; Ebiasafe, seu filho; Assir, seu filho;
6:24 Taate, seu filho; Uriel, seu filho; Uzias, seu filho; Saul, seu filho.
6:25 Os filhos de Elcana foram Amasai e Aimote;
6:26 Elcana; seu filho Elcana; Zofai, seu filho; Naate, seu filho;
6:27 Eliabe, seu filho; Jeroão, seu filho; Elcana, seu filho.
6:28 Os filhos de Samuel foram Vasni, o primogênito, e Abias.
6:29 Os descendentes de Merari foram Mali; Libni, seu filho; Simei, seu filho; Uzá, seu filho;
6:30 Simeia, seu filho; Hagias, seu filho; Asaías, seu filho.
6:31 Estes foram os que Davi pôs à frente do canto na casa do SENHOR, depois que a arca encontrou repouso.
6:32 Serviam com cânticos diante do tabernáculo, a tenda do encontro, até que Salomão construiu a casa do SENHOR em Jerusalém. Cumpriam seu serviço conforme a ordem estabelecida.
6:33 Estes foram os que serviam com seus filhos: dentre os coatitas, Hemã, o cantor, filho de Joel, filho de Samuel,
6:34 filho de Elcana, filho de Jeroão, filho de Eliel, filho de Toá,
6:35 filho de Zife, filho de Elcana, filho de Maate, filho de Amasai,
6:36 filho de Elcana, filho de Joel, filho de Azarias, filho de Sofonias,
6:37 filho de Taate, filho de Assir, filho de Ebiasafe, filho de Corá,
6:38 filho de Isar, filho de Coate, filho de Levi, filho de Israel.
6:39 Seu irmão Asafe ficava à sua direita: Asafe, filho de Berequias, filho de Simeia,
6:40 filho de Micael, filho de Baaseias, filho de Malquias,
6:41 filho de Etni, filho de Zerá, filho de Adaías,
6:42 filho de Etã, filho de Zima, filho de Simei,
6:43 filho de Jaate, filho de Gérsom, filho de Levi.
6:44 À esquerda ficavam seus irmãos, os descendentes de Merari: Etã, filho de Quisi, filho de Abdi, filho de Maluque,
6:45 filho de Hasabias, filho de Amazias, filho de Hilquias,
6:46 filho de Anzi, filho de Bani, filho de Semer,
6:47 filho de Mali, filho de Musi, filho de Merari, filho de Levi.
6:48 Seus irmãos, os levitas, estavam encarregados de todo o serviço do tabernáculo da casa de Deus.
6:49 Arão e seus filhos queimavam ofertas sobre o altar do holocausto e sobre o altar do incenso. Cuidavam de todo o serviço do Santo dos Santos e faziam expiação por Israel, conforme tudo o que Moisés, servo de Deus, havia ordenado.
6:50 Estes foram os descendentes de Arão: Eleazar, seu filho; Fineias, seu filho; Abisua, seu filho;
6:51 Buqui, seu filho; Uzi, seu filho; Zeraías, seu filho;
6:52 Meraiote, seu filho; Amarias, seu filho; Aitube, seu filho;
6:53 Zadoque, seu filho; Aimaás, seu filho.
6:54 Estes foram seus lugares de morada, segundo seus povoados dentro de seus territórios: aos descendentes de Arão, da família dos coatitas, coube a distribuição por sorteio.
6:55 Deram-lhes Hebrom, na terra de Judá, com as pastagens ao seu redor.
6:56 Mas o campo da cidade e suas aldeias foram dados a Calebe, filho de Jefoné.
6:57 Aos descendentes de Arão deram as cidades de refúgio: Hebrom, Libna com suas pastagens, Jatir e Estemoa com suas pastagens,
6:58 Hilez com suas pastagens, Debir com suas pastagens,
6:59 Asã com suas pastagens e Bete-Semes com suas pastagens.
6:60 Da tribo de Benjamim, Geba com suas pastagens, Alemete com suas pastagens e Anatote com suas pastagens. Todas as suas cidades foram treze, repartidas entre suas famílias.
6:61 Aos demais descendentes de Coate, das famílias da tribo, couberam por sorteio dez cidades da metade da tribo, a metade de Manassés.
6:62 Aos descendentes de Gérsom, segundo suas famílias, couberam treze cidades da tribo de Issacar, da tribo de Aser, da tribo de Naftali e da tribo de Manassés em Basã.
6:63 Aos descendentes de Merari, segundo suas famílias, couberam por sorteio doze cidades da tribo de Rúben, da tribo de Gade e da tribo de Zebulom.
6:64 Os israelitas deram aos levitas as cidades e suas pastagens.
6:65 Deram-lhes por sorteio, da tribo dos descendentes de Judá, da tribo dos descendentes de Simeão e da tribo dos descendentes de Benjamim, essas cidades mencionadas por seus nomes.
6:66 Algumas famílias dos descendentes de Coate tiveram cidades de seu território na tribo de Efraim.
6:67 Deram-lhes as cidades de refúgio: Siquém com suas pastagens, na região montanhosa de Efraim, e Gezer com suas pastagens,
6:68 Jocmeão com suas pastagens, Bete-Horom com suas pastagens,
6:69 Aijalom com suas pastagens e Gate-Rimom com suas pastagens.
6:70 Da metade da tribo de Manassés, Aner com suas pastagens e Bileão com suas pastagens, para as famílias dos demais descendentes de Coate.
6:71 Aos descendentes de Gérsom deram, das famílias da metade da tribo de Manassés, Golã, em Basã, com suas pastagens, e Astarote com suas pastagens.
6:72 Da tribo de Issacar, Quedes com suas pastagens, Daberate com suas pastagens,
6:73 Ramote com suas pastagens e Aném com suas pastagens.
6:74 Da tribo de Aser, Masal com suas pastagens, Abdom com suas pastagens,
6:75 Hucoque com suas pastagens e Reobe com suas pastagens.
6:76 Da tribo de Naftali, Quedes, na Galileia, com suas pastagens, Hamom com suas pastagens e Quiriataim com suas pastagens.
6:77 Aos demais descendentes de Merari deram, da tribo de Zebulom, Rimono com suas pastagens e Tabor com suas pastagens.
6:78 Do outro lado do Jordão, diante de Jericó, a leste do Jordão, da tribo de Rúben, Bezer, no deserto, com suas pastagens, Jaza com suas pastagens,
6:79 Quedemote com suas pastagens e Mefaate com suas pastagens.
6:80 Da tribo de Gade, Ramote, em Gileade, com suas pastagens, Maanaim com suas pastagens,
6:81 Hesbom com suas pastagens e Jazer com suas pastagens.

Capítulo 7
7:1 Os quatro filhos de Issacar foram Tola, Puva, Jasibe e Sinrom.
7:2 Os filhos de Tola foram Uzi, Refaías, Jeriel, Jamai, Ibsão e Samuel. Eram chefes de suas famílias paternas, descendentes de Tola, guerreiros valentes em suas gerações. Nos dias de Davi, eram 22.600.
7:3 O filho de Uzi foi Izraías. Os filhos de Izraías foram Micael, Obadias, Joel e Issias: cinco, todos eles chefes.
7:4 Com eles, segundo suas genealogias e famílias paternas, havia 36 mil homens em tropas de combate, pois tiveram muitas mulheres e filhos.
7:5 Seus irmãos de todas as famílias de Issacar eram guerreiros valentes. Ao todo, seus registros genealógicos somavam 87 mil.
7:6 Os filhos de Benjamim foram Belá, Bequer e Jediael: três.
7:7 Os filhos de Belá foram Esbom, Uzi, Uziel, Jerimote e Iri: cinco. Eram chefes de famílias paternas e guerreiros valentes. Seus registros genealógicos somavam 22.034.
7:8 Os filhos de Bequer foram Zemira, Joás, Eliézer, Elioenai, Onri, Jerimote, Abias, Anatote e Alamete. Todos estes foram filhos de Bequer.
7:9 Seus registros genealógicos, segundo suas gerações e os chefes de suas famílias paternas, somavam 20.200 guerreiros valentes.
7:10 O filho de Jediael foi Bilã. Os filhos de Bilã foram Jeís, Benjamim, Eúde, Quenaana, Zetã, Társis e Aisaar.
7:11 Todos estes foram descendentes de Jediael e chefes de famílias paternas. Seus guerreiros valentes, aptos para sair à guerra, somavam 17.200.
7:12 Supim e Hupim foram filhos de Ir; Husim foi filho de Aer.
7:13 Os filhos de Naftali foram Jaziel, Guni, Jezer e Salum. Estes eram descendentes de Bila.
7:14 O filho de Manassés foi Asriel, a quem sua concubina arameia deu à luz; ela também deu à luz Maquir, pai de Gileade.
7:15 Maquir tomou por esposa uma mulher de Hupim e Supim. Sua irmã se chamava Maaca. O segundo se chamava Zelofeade, e Zelofeade teve filhas.
7:16 Maaca, esposa de Maquir, deu à luz um filho e o chamou de Peres. Seu irmão se chamava Seres, e seus filhos foram Ulão e Raquém.
7:17 O filho de Ulão foi Bedã. Estes foram os descendentes de Gileade, filho de Maquir, filho de Manassés.
7:18 Sua irmã Hamolequete deu à luz Isode, Abiezer e Maala.
7:19 Os filhos de Semida foram Aiã, Siquém, Liqui e Anião.
7:20 Os descendentes de Efraim foram Sutela; Berede, seu filho; Taate, seu filho; Eleada, seu filho; Taate, seu filho;
7:21 Zabade, seu filho; Sutela, seu filho; Ezer e Eleade. Os homens de Gate, naturais daquela terra, os mataram, pois haviam descido para tomar seus rebanhos.
7:22 Efraim, pai deles, ficou de luto por muitos dias, e seus irmãos vieram consolá-lo.
7:23 Depois ele se uniu à sua mulher, e ela engravidou e deu à luz um filho. Ele o chamou de Berias, porque a desgraça havia atingido sua casa.
7:24 Sua filha Seerá construiu Bete-Horom de Baixo, Bete-Horom de Cima e Uzém-Seerá.
7:25 Refa foi seu filho, e Resefe; Tela, seu filho; Taã, seu filho;
7:26 Ladã, seu filho; Amiúde, seu filho; Elisama, seu filho;
7:27 Num, seu filho; Josué, seu filho.
7:28 Suas propriedades e lugares de moradia eram Betel e suas aldeias; a leste, Naarã; a oeste, Gezer e suas aldeias, Siquém e suas aldeias, até Aia e suas aldeias.
7:29 Junto ao território dos descendentes de Manassés estavam Bete-Seã e suas aldeias, Taanaque e suas aldeias, Megido e suas aldeias, Dor e suas aldeias. Nesses lugares moravam os descendentes de José, filho de Israel.
7:30 Os filhos de Aser foram Imna, Isvá, Isvi e Berias; Sera era irmã deles.
7:31 Os filhos de Berias foram Héber e Malquiel. Este foi pai de Birzavite.
7:32 Héber gerou Jaflete, Somer, Hotão e Suá, irmã deles.
7:33 Os filhos de Jaflete foram Pasaque, Bimal e Asvate. Estes foram os filhos de Jaflete.
7:34 Os filhos de Semer foram Aí, Roga, Jeubá e Arã.
7:35 Os descendentes de Helem, seu irmão, foram Zofa, Imna, Seles e Amal.
7:36 Os filhos de Zofa foram Suá, Harnefer, Sual, Beri, Inra,
7:37 Bezer, Hode, Samá, Silsa, Itrã e Beera.
7:38 Os filhos de Jéter foram Jefoné, Pispa e Ara.
7:39 Os filhos de Ula foram Ara, Haniel e Rizia.
7:40 Todos estes foram descendentes de Aser, chefes de famílias paternas, homens escolhidos, guerreiros valentes e os principais entre os chefes. O número de homens registrados para o serviço militar na guerra era de 26 mil.

Capítulo 8
8:1 Benjamim gerou Belá, seu primogênito; Asbel, o segundo; Aará, o terceiro;
8:2 Noá, o quarto; e Rafa, o quinto.
8:3 Belá teve estes filhos: Adar, Gera, Abiúde,
8:4 Abisua, Naamã, Aoá,
8:5 Gera, Sefufã e Hurão.
8:6 Estes foram os filhos de Eúde, chefes de famílias paternas dos habitantes de Geba, que foram deportados para Manaate:
8:7 Naamã, Aías e Gera. Foi este quem os deportou. Ele gerou Uzá e Aiude.
8:8 Saaraim teve filhos no território de Moabe, depois de despedir suas mulheres Husim e Baara.
8:9 Com Hodes, sua mulher, gerou Jobabe, Zíbia, Messa, Malcã,
8:10 Jeuz, Saquias e Mirma. Estes foram seus filhos, chefes de famílias paternas.
8:11 Com Husim, gerou Abitube e Elpaal.
8:12 Os filhos de Elpaal foram Héber, Misã e Semede. Este construiu Ono, Lode e suas aldeias.
8:13 Berias e Sema eram chefes de famílias paternas dos habitantes de Aijalom. Eles fizeram fugir os habitantes de Gate.
8:14 Aiô, Sasaque, Jeremote,
8:15 Zebadias, Arade, Ader,
8:16 Micael, Ispa e Joá foram filhos de Berias.
8:17 Zebadias, Mesulão, Hizqui, Héber,
8:18 Ismerai, Izlias e Jobabe foram filhos de Elpaal.
8:19 Jaquim, Zicri, Zabdi,
8:20 Elienai, Ziletai, Eliel,
8:21 Adaías, Beraías e Sinrate foram filhos de Simei.
8:22 Ispã, Héber, Eliel,
8:23 Abdom, Zicri, Hanã,
8:24 Hananias, Elão, Anatotias,
8:25 Ifdeias e Peniel foram filhos de Sasaque.
8:26 Sanserai, Searias, Atalias,
8:27 Jaaresias, Elias e Zicri foram filhos de Jeroão.
8:28 Estes foram chefes de famílias paternas, chefes segundo suas genealogias. Eles moravam em Jerusalém.
8:29 Em Gibeão morava o pai de Gibeão. Sua mulher se chamava Maaca.
8:30 Seu filho primogênito foi Abdom; depois vieram Zur, Quis, Baal, Nadabe,
8:31 Gedor, Aiô e Zequer.
8:32 Miclote gerou Simeia. Também eles moravam em Jerusalém, em frente de seus irmãos, junto com seus irmãos.
8:33 Ner gerou Quis, Quis gerou Saul, e Saul gerou Jônatas, Malquisua, Abinadabe e Esbaal.
8:34 O filho de Jônatas foi Meribe-Baal, e Meribe-Baal gerou Mica.
8:35 Os filhos de Mica foram Pitom, Meleque, Tareia e Acaz.
8:36 Acaz gerou Jeoada, Jeoada gerou Alemete, Azmavete e Zinri, e Zinri gerou Mosa.
8:37 Mosa gerou Bineá; Rafa foi seu filho; Eleasa, seu filho; Azel, seu filho.
8:38 Azel teve seis filhos. Estes foram seus nomes: Azricão, Bocru, Ismael, Searias, Obadias e Hanã. Todos estes foram filhos de Azel.
8:39 Os filhos de Eseque, seu irmão, foram Ulão, seu primogênito; Jeús, o segundo; e Elifelete, o terceiro.
8:40 Os filhos de Ulão eram guerreiros valentes, arqueiros, e tiveram muitos filhos e netos: cento e cinquenta. Todos estes eram descendentes de Benjamim.

Capítulo 9
9:1 Todo Israel foi registrado por genealogias; seus nomes estão escritos no livro dos reis de Israel. Os de Judá foram deportados para a Babilônia por sua infidelidade.
9:2 Os primeiros moradores a se estabelecer em suas propriedades, em suas cidades, foram israelitas, sacerdotes, levitas e servidores do templo.
9:3 Em Jerusalém moravam descendentes de Judá, de Benjamim, de Efraim e de Manassés:
9:4 Utai, filho de Amiúde, filho de Onri, filho de Inri, filho de Benjamim, dos descendentes de Perez, filho de Judá.
9:5 Dos silonitas, Asaías, o primogênito, e seus filhos.
9:6 Dos descendentes de Zerá, Jeuel e seus irmãos: seiscentos e noventa.
9:7 Dos descendentes de Benjamim, Salu, filho de Mesulão, filho de Hodavias, filho de Hassenuá;
9:8 Ibneias, filho de Jeroão; Elá, filho de Uzi, filho de Micri; e Mesulão, filho de Sefatias, filho de Reuel, filho de Ibnias.
9:9 Seus irmãos, segundo suas genealogias, somavam novecentos e cinquenta e seis. Todos estes homens eram chefes de famílias paternas em suas respectivas casas.
9:10 Dos sacerdotes, Jedaías, Jeoiaribe, Jaquim
9:11 e Azarias, filho de Hilquias, filho de Mesulão, filho de Zadoque, filho de Meraiote, filho de Aitube, dirigente da casa de Deus;
9:12 Adaías, filho de Jeroão, filho de Pasur, filho de Malquias; e Masai, filho de Adiel, filho de Jazera, filho de Mesulão, filho de Mesilemite, filho de Imer.
9:13 Seus irmãos, chefes de famílias paternas, somavam 1.760. Eram homens capazes para o trabalho no serviço da casa de Deus.
9:14 Dos levitas, Semaías, filho de Hassube, filho de Azricão, filho de Hasabias, dos descendentes de Merari;
9:15 Baquebacar, Heres, Galal e Matanias, filho de Mica, filho de Zicri, filho de Asafe;
9:16 Obadias, filho de Semaías, filho de Galal, filho de Jedutum; e Berequias, filho de Asa, filho de Elcana, que morava nas aldeias dos netofatitas.
9:17 Os porteiros eram Salum, Acube, Talmom, Aimã e seus irmãos. Salum era o chefe.
9:18 Até hoje eles servem na porta do Rei, a leste. São os porteiros dos acampamentos dos descendentes de Levi.
9:19 Salum, filho de Coré, filho de Ebiasafe, filho de Corá, e seus irmãos de sua família paterna, os coraítas, eram responsáveis pelo serviço de guardar os umbrais da tenda. Seus antepassados tinham a seu cargo guardar a entrada do acampamento do SENHOR.
9:20 Fineias, filho de Eleazar, havia sido seu dirigente em outros tempos, e o SENHOR estava com ele.
9:21 Zacarias, filho de Meselemias, era porteiro da entrada da tenda do encontro.
9:22 Todos os escolhidos como porteiros dos umbrais eram duzentos e doze. Estavam registrados por genealogias em suas aldeias. Davi e Samuel, o vidente, os haviam estabelecido nesses cargos de confiança.
9:23 Eles e seus filhos eram responsáveis pelas portas da casa do SENHOR, a casa da tenda, em turnos de guarda.
9:24 Os porteiros ficavam nos quatro lados: a leste, a oeste, ao norte e ao sul.
9:25 Seus irmãos, que moravam nas aldeias, deviam vir de tempos em tempos para estar com eles durante sete dias.
9:26 Os quatro porteiros principais eram levitas e ocupavam cargos de confiança. Eram responsáveis pelas salas e pelos tesouros da casa de Deus.
9:27 Passavam a noite ao redor da casa de Deus, pois tinham a seu cargo a guarda e a abertura das portas a cada manhã.
9:28 Alguns deles eram responsáveis pelos utensílios do serviço: contavam os objetos ao trazê-los e ao levá-los.
9:29 Outros estavam encarregados dos utensílios e de todos os objetos do santuário, da farinha fina, do vinho, do azeite, do incenso e das especiarias.
9:30 Alguns dos sacerdotes preparavam a mistura de especiarias aromáticas.
9:31 Matitias, um dos levitas, primogênito de Salum, o coraíta, era responsável pelas preparações feitas na chapa.
9:32 Alguns de seus irmãos, os descendentes de Coate, eram responsáveis pelos pães da presença, preparando-os a cada sábado.
9:33 Os cantores, chefes de famílias paternas dos levitas, moravam nas salas e eram dispensados de outras tarefas, pois se ocupavam de seu trabalho dia e noite.
9:34 Estes eram chefes de famílias paternas dos levitas, chefes segundo suas genealogias. Eles moravam em Jerusalém.
9:35 Em Gibeão morava Jeuel, pai de Gibeão. Sua mulher se chamava Maaca.
9:36 Seu filho primogênito foi Abdom; depois vieram Zur, Quis, Baal, Ner, Nadabe,
9:37 Gedor, Aiô, Zacarias e Miclote.
9:38 Miclote gerou Simeã. Também eles moravam em Jerusalém, em frente de seus irmãos, junto com seus irmãos.
9:39 Ner gerou Quis, Quis gerou Saul, e Saul gerou Jônatas, Malquisua, Abinadabe e Esbaal.
9:40 O filho de Jônatas foi Meribe-Baal, e Meri-Baal gerou Mica.
9:41 Os filhos de Mica foram Pitom, Meleque e Tareá.
9:42 Acaz gerou Jaerá, Jaerá gerou Alemete, Azmavete e Zinri, e Zinri gerou Mosa.
9:43 Mosa gerou Bineá; Refaías foi seu filho; Eleasa, seu filho; Azel, seu filho.
9:44 Azel teve seis filhos. Estes foram seus nomes: Azricão, Bocru, Ismael, Searias, Obadias e Hanã. Estes foram os filhos de Azel.

Capítulo 10
10:1 Os filisteus combateram contra Israel. Os homens de Israel fugiram diante dos filisteus e caíram mortos no monte Gilboa.
10:2 Os filisteus perseguiram de perto Saul e seus filhos e mataram Jônatas, Abinadabe e Malquisua, filhos de Saul.
10:3 A batalha se intensificou contra Saul. Os arqueiros o alcançaram, e ele ficou aflito por causa dos arqueiros.
10:4 Saul disse ao seu escudeiro: “Desembainhe sua espada e me atravesse com ela, para que esses incircuncisos não venham me maltratar”. Mas seu escudeiro não quis, pois estava com muito medo. Então Saul tomou a espada e se lançou sobre ela.
10:5 Quando seu escudeiro viu que Saul estava morto, também ele se lançou sobre a espada e morreu.
10:6 Assim morreram Saul e seus três filhos; toda a sua casa morreu junto.
10:7 Todos os israelitas que estavam no vale, ao ver que os homens haviam fugido e que Saul e seus filhos estavam mortos, abandonaram suas cidades e fugiram. Então os filisteus vieram e se estabeleceram nelas.
10:8 No dia seguinte, quando os filisteus vieram despojar os mortos, encontraram Saul e seus filhos caídos no monte Gilboa.
10:9 Eles o despojaram, tomaram sua cabeça e suas armas e enviaram mensageiros por todo o território dos filisteus para anunciar a notícia aos seus ídolos e ao povo.
10:10 Puseram suas armas no templo de seus deuses e fixaram seu crânio no templo de Dagom.
10:11 Quando todos os de Jabes-Gileade ouviram tudo o que os filisteus haviam feito a Saul,
10:12 todos os homens valentes se levantaram, tomaram o corpo de Saul e os corpos de seus filhos e os levaram para Jabes. Enterraram seus ossos debaixo do terebinto em Jabes e jejuaram por sete dias.
10:13 Saul morreu por sua infidelidade ao SENHOR, por não ter obedecido à palavra do SENHOR e também por ter consultado um médium em busca de orientação.
10:14 Ele não consultou o SENHOR; por isso o SENHOR lhe deu a morte e transferiu o reino a Davi, filho de Jessé.

Capítulo 11
11:1 Todo Israel se reuniu com Davi em Hebrom e lhe disse: “Somos seus ossos e sua carne.
11:2 Já antes, mesmo quando Saul era rei, era você quem conduzia Israel à batalha e o trazia de volta. O SENHOR, seu Deus, lhe disse: ‘Você pastoreará meu povo Israel e será governante de meu povo Israel’”.
11:3 Todos os anciãos de Israel foram ao rei em Hebrom. Ali Davi fez uma aliança com eles diante do SENHOR, e eles ungiram Davi rei de Israel, conforme a palavra do SENHOR por meio de Samuel.
11:4 Davi e todo Israel marcharam para Jerusalém, isto é, Jebus. Ali viviam os jebuseus, habitantes daquela terra.
11:5 Os habitantes de Jebus disseram a Davi: “Você não entrará aqui”. Mas Davi conquistou a fortaleza de Sião, que é a Cidade de Davi.
11:6 Davi havia dito: “O primeiro a atacar os jebuseus será chefe e comandante”. Joabe, filho de Zeruia, foi o primeiro a subir e se tornou o chefe.
11:7 Davi se estabeleceu na fortaleza; por isso a chamaram de Cidade de Davi.
11:8 Ele construiu a cidade ao redor, desde Milo e por todo o contorno, enquanto Joabe restaurava o restante da cidade.
11:9 Davi se tornava cada vez mais poderoso, e o SENHOR dos Exércitos estava com ele.
11:10 Estes são os chefes dos guerreiros valentes de Davi, que o apoiaram firmemente em seu reino, junto com todo Israel, para fazê-lo rei, conforme a palavra do SENHOR a respeito de Israel.
11:11 Esta é a lista dos guerreiros valentes de Davi: Jasobeão, filho de Hacmoni, chefe dos Trinta. Ele brandiu sua lança contra trezentos e os matou de uma só vez.
11:12 Depois dele estava Eleazar, filho de Dodô, o aoíta, um dos três guerreiros valentes.
11:13 Ele estava com Davi em Pas-Damim, onde os filisteus se haviam reunido para a batalha. Havia ali um terreno cheio de cevada, e o povo fugiu diante dos filisteus.
11:14 Mas eles se posicionaram no meio do terreno, o defenderam e derrotaram os filisteus. O SENHOR lhes concedeu uma grande vitória.
11:15 Três dos trinta chefes desceram à rocha onde estava Davi, à caverna de Adulão, enquanto o exército filisteu acampava no vale dos Refains.
11:16 Davi estava então na fortaleza, e havia uma guarnição filisteia em Belém.
11:17 Davi sentiu um desejo e disse: “Quem me dará de beber água do poço de Belém, junto à porta?”.
11:18 Os três abriram caminho pelo acampamento dos filisteus, tiraram água do poço de Belém, junto à porta, e a levaram a Davi. Mas Davi não quis bebê-la; ele a derramou como oferta ao SENHOR.
11:19 Disse: “Que meu Deus me livre de fazer isso! Eu beberia o sangue destes homens, que arriscaram a própria vida? Pois foi com risco de vida que a trouxeram”. E não quis bebê-la. Estas foram as façanhas dos três guerreiros valentes.
11:20 Abisai, irmão de Joabe, era chefe dos três. Ele brandiu sua lança contra trezentos e os matou, mas não teve renome entre os Três.
11:21 Dos três, era mais honrado que os outros dois e se tornou seu comandante, mas não chegou a se igualar aos Três.
11:22 Benaia, filho de Joiada, filho de um homem valente de Cabzeel, realizou muitas façanhas. Matou os dois campeões de Moabe; também desceu a uma cova e matou um leão num dia de neve.
11:23 Também matou um egípcio de cerca de dois metros e meio de altura. O egípcio tinha na mão uma lança como o eixo de um tear. Benaia desceu contra ele com um bastão, arrancou a lança de sua mão e o matou com a própria lança.
11:24 Estas foram as façanhas de Benaia, filho de Joiada, que teve renome entre os três guerreiros valentes.
11:25 Era mais honrado que os Trinta, mas não chegou a se igualar aos Três. Davi o colocou à frente de sua guarda pessoal.
11:26 Os guerreiros valentes eram Asael, irmão de Joabe; Elanã, filho de Dodô, de Belém;
11:27 Samote, o harorita; Heles, o pelonita;
11:28 Ira, filho de Iques, o tecoíta; Abiezer, o anatotita;
11:29 Sibecai, o husatita; Ilai, o aoíta;
11:30 Maarai, o netofatita; Helede, filho de Baaná, o netofatita;
11:31 Itai, filho de Ribai, de Gibeá dos descendentes de Benjamim; Benaia, o piratonita;
11:32 Hurai, dos vales de Gaás; Abiel, o arbatita;
11:33 Azmavete, o baarumita; Eliaba, o saalbonita;
11:34 os filhos de Hasém, o gizonita; Jônatas, filho de Sage, o hararita;
11:35 Aião, filho de Sacar, o hararita; Elifal, filho de Ur;
11:36 Héfer, o mequeratita; Aías, o pelonita;
11:37 Hezro, o carmelita; Naarai, filho de Ezbai;
11:38 Joel, irmão de Natã; Mibar, filho de Hagri;
11:39 Zeleque, o amonita; Naarai, o berotita, escudeiro de Joabe, filho de Zeruia;
11:40 Ira, o itrita; Garebe, o itrita;
11:41 Urias, o hitita; Zabade, filho de Alai;
11:42 Adina, filho de Siza, o rubenita, chefe dos rubenitas, com quem estavam trinta homens;
11:43 Hanã, filho de Maaca; Josafá, o mitenita;
11:44 Uzias, o astarotita; Sama e Jeuel, filhos de Hotão, o aroerita;
11:45 Jediael, filho de Sinri, e Joá, seu irmão, o tizita;
11:46 Eliel, o maavita; Jeribai e Josavias, filhos de Elnaão; Itma, o moabita;
11:47 Eliel, Obede e Jaasiel, o mezobaíta.

Capítulo 12
12:1 Estes são os que foram até Davi em Ziclague, quando ele ainda estava afastado por causa de Saul, filho de Quis. Eram guerreiros valentes que o ajudavam na guerra.
12:2 Estavam armados de arcos e usavam tanto a mão direita como a esquerda para lançar pedras e disparar flechas com o arco. Eram dos irmãos de Saul, de Benjamim:
12:3 Aiezer, o chefe, e Joás, filhos de Semaá, o gibeatita; Jezuel e Pelete, filhos de Azmavete; Beraca e Jeú, o anatotita;
12:4 Ismaías, o gibeonita, guerreiro valente entre os Trinta e chefe dos Trinta; Jeremias, Jaaziel, Joanã e Jozabade, o gederatita;
12:5 Eluzai, Jerimote, Bealias, Semarias e Sefatias, o harifita;
12:6 Elcana, Issias, Azarel, Joezer e Jasobeão, os coraítas;
12:7 Joela e Zebadias, filhos de Jeroão, de Gedor.
12:8 Alguns gaditas se separaram para se unir a Davi na fortaleza do deserto. Eram guerreiros valentes, homens preparados para a guerra, hábeis com o escudo e a lança. Seus rostos eram como rostos de leões, e eram velozes como gazelas nos montes.
12:9 Ezer era o chefe; Obadias, o segundo; Eliabe, o terceiro;
12:10 Mismana, o quarto; Jeremias, o quinto;
12:11 Atai, o sexto; Eliel, o sétimo;
12:12 Joanã, o oitavo; Elzabade, o nono;
12:13 Jeremias, o décimo; Macbanai, o décimo primeiro.
12:14 Estes descendentes de Gade eram chefes do exército. O menor deles valia por cem homens, e o maior, por mil.
12:15 Foram eles que atravessaram o Jordão no primeiro mês, quando o rio transbordava por todas as suas margens, e fizeram fugir todos os dos vales, tanto a leste como a oeste.
12:16 Também alguns descendentes de Benjamim e de Judá foram até Davi na fortaleza.
12:17 Davi saiu ao encontro deles e disse: “Se vocês vieram a mim em paz para me ajudar, meu coração se unirá ao de vocês. Mas, se vieram me trair e me entregar aos meus adversários, embora não haja violência em minhas mãos, que o Deus de nossos pais o veja e julgue”.
12:18 Então o Espírito revestiu Amasai, chefe dos Trinta, e ele disse: “Somos seus, Davi! Estamos com você, filho de Jessé! Paz, paz a você, e paz aos que o ajudam, pois seu Deus o ajuda!”. Davi os recebeu e os colocou entre os chefes das tropas.
12:19 Alguns de Manassés passaram para o lado de Davi quando ele marchava com os filisteus para a guerra contra Saul. Mas não ajudaram os filisteus, pois seus governantes, depois de deliberar, o mandaram embora, dizendo: “À custa de nossas cabeças ele passará para o lado de Saul, seu senhor”.
12:20 Quando Davi ia para Ziclague, passaram para o seu lado, de Manassés, Adna, Jozabade, Jediael, Micael, Jozabade, Eliú e Ziletai, chefes de milhares de Manassés.
12:21 Eles ajudaram Davi contra o bando de saqueadores, pois todos eram guerreiros valentes, e se tornaram comandantes do exército.
12:22 Dia após dia vinham homens a Davi para ajudá-lo, até que houve um grande exército, como um exército de Deus.
12:23 Estes são os números dos chefes das tropas armadas para a guerra que foram até Davi em Hebrom, para lhe transferir o reino de Saul, conforme a palavra do SENHOR:
12:24 Dos descendentes de Judá, 6.800, com escudos e lanças, armados para a guerra.
12:25 Dos descendentes de Simeão, 7.100 guerreiros valentes para a guerra.
12:26 Dos descendentes de Levi, 4.600.
12:27 Também Joiada, chefe dos descendentes de Arão, e com ele 3.700;
12:28 e Zadoque, jovem guerreiro valente, com vinte e dois chefes de sua família paterna.
12:29 Dos descendentes de Benjamim, irmãos de Saul, 3 mil; até então, a maioria deles havia permanecido leal à casa de Saul.
12:30 Dos descendentes de Efraim, 20.800 guerreiros valentes, homens de renome em suas famílias paternas.
12:31 Da meia tribo de Manassés, 18 mil, designados pelo nome para ir fazer Davi rei.
12:32 Dos descendentes de Issacar, homens que sabiam discernir os tempos para saber o que Israel devia fazer, duzentos chefes; todos os seus irmãos estavam às suas ordens.
12:33 De Zebulom, 50 mil homens aptos para o serviço militar, preparados para a batalha com todas as armas de guerra, prontos para formar fileiras sem duplicidade de coração.
12:34 De Naftali, mil chefes, e com eles 37 mil homens com escudos e lanças.
12:35 Dos danitas, 28.600, preparados para a batalha.
12:36 De Aser, 40 mil homens aptos para o serviço militar e preparados para a batalha.
12:37 Do outro lado do Jordão, dos rubenitas, dos gaditas e da meia tribo de Manassés, 120 mil homens com todas as armas de guerra.
12:38 Todos estes homens de guerra, preparados para formar fileiras, foram a Hebrom de todo o coração para fazer Davi rei de todo Israel. Também todo o restante de Israel tinha um só coração para fazer Davi rei.
12:39 Ficaram ali com Davi três dias, comendo e bebendo, pois seus irmãos lhes haviam preparado provisões.
12:40 Também seus vizinhos, até Issacar, Zebulom e Naftali, trouxeram alimentos em jumentos, camelos, mulas e bois: provisões de farinha, bolos de figos, passas, vinho, azeite e gado bovino, ovelhas e cabras em abundância, pois havia alegria em Israel.

Capítulo 13
13:1 Davi consultou os comandantes de milhares e de centenas, todos os dirigentes.
13:2 Depois Davi disse a toda a assembleia de Israel: “Se lhes parece bem e se isso vem do SENHOR, nosso Deus, enviemos mensageiros por toda parte aos nossos irmãos que restam em todos os territórios de Israel, bem como aos sacerdotes e levitas que estão com eles, em suas cidades e pastagens, para que se reúnam conosco.
13:3 Tragamos de volta para nós a arca de nosso Deus, pois não a buscamos nos dias de Saul”.
13:4 Toda a assembleia concordou em fazer assim, pois a proposta pareceu boa a todo o povo.
13:5 Davi reuniu todo Israel, desde Sior do Egito até a entrada de Hamate, para trazer a arca de Deus de Quiriate-Jearim.
13:6 Davi e todo Israel subiram a Baalá, isto é, Quiriate-Jearim, que pertence a Judá, para trazer de lá a arca de Deus, do SENHOR, que está entronizado sobre os querubins e cujo nome é invocado sobre ela.
13:7 Transportaram a arca de Deus numa carroça nova, desde a casa de Abinadabe. Uzá e Aiô conduziam a carroça.
13:8 Davi e todo Israel celebravam diante de Deus com todas as suas forças, com cânticos, liras, harpas, tamborins, címbalos e trombetas.
13:9 Quando chegaram à eira de Quidom, Uzá estendeu a mão para segurar a arca, pois os bois tropeçavam.
13:10 A ira do SENHOR se acendeu contra Uzá, e ele o feriu por ter estendido a mão sobre a arca. Uzá morreu ali diante de Deus.
13:11 Davi ficou indignado porque o SENHOR havia irrompido contra Uzá. Chamou aquele lugar de Perez-Uzá, nome que permanece até hoje.
13:12 Naquele dia Davi teve medo de Deus e disse: “Como trarei para junto de mim a arca de Deus?”.
13:13 Davi não levou a arca para junto de si, à Cidade de Davi, mas a desviou para a casa de Obede-Edom, o geteu.
13:14 A arca de Deus ficou três meses com a família de Obede-Edom, em sua casa. O SENHOR abençoou a família de Obede-Edom e tudo o que ele tinha.

Capítulo 14
14:1 Hirão, rei de Tiro, enviou mensageiros a Davi, bem como madeira de cedro, pedreiros e carpinteiros, para lhe construir uma casa.
14:2 Davi compreendeu que o SENHOR o havia estabelecido como rei de Israel e que seu reino havia sido grandemente exaltado por amor ao seu povo Israel.
14:3 Davi tomou mais mulheres em Jerusalém e teve mais filhos e filhas.
14:4 Estes são os nomes dos que lhe nasceram em Jerusalém: Samua, Sobabe, Natã, Salomão,
14:5 Ibar, Elisua, Elpelete,
14:6 Nogá, Nefegue, Jafia,
14:7 Elisama, Beeliada e Elifelete.
14:8 Quando os filisteus ouviram que Davi havia sido ungido rei de todo Israel, todos os filisteus subiram em busca dele. Ao saber disso, Davi saiu ao encontro deles.
14:9 Os filisteus chegaram e saquearam o vale dos Refains.
14:10 Davi consultou a Deus: “Subirei contra os filisteus? Tu os entregarás em minhas mãos?”. O SENHOR lhe respondeu: “Suba, e eu os entregarei em suas mãos”.
14:11 Eles subiram a Baal-Perazim, e Davi os derrotou ali. Davi disse: “Deus abriu uma brecha entre meus inimigos por minha mão, como águas que irrompem”. Por isso chamaram aquele lugar de Baal-Perazim.
14:12 Os filisteus abandonaram ali seus deuses. Davi deu a ordem, e eles foram queimados no fogo.
14:13 Os filisteus voltaram a saquear o vale.
14:14 Davi consultou a Deus outra vez, e Deus lhe disse: “Não suba atrás deles. Dê a volta e vá contra eles em frente às balsameiras.
14:15 Quando ouvir o som de passos nas copas das balsameiras, saia para a batalha, pois Deus terá saído à sua frente para derrotar o exército dos filisteus”.
14:16 Davi fez conforme Deus lhe havia ordenado. Eles derrotaram o exército dos filisteus desde Gibeão até Gezer.
14:17 A fama de Davi se espalhou por todas as terras, e o SENHOR fez todas as nações terem medo dele.

Capítulo 15
15:1 Davi construiu casas para si na Cidade de Davi, preparou um lugar para a arca de Deus e armou uma tenda para ela.
15:2 Então Davi disse: “Somente os levitas devem carregar a arca de Deus, pois o SENHOR os escolheu para carregar a arca do SENHOR e para servi-lo para sempre”.
15:3 Davi reuniu todo Israel em Jerusalém para levar a arca do SENHOR ao lugar que lhe havia preparado.
15:4 Davi reuniu os descendentes de Arão e os levitas:
15:5 dos descendentes de Coate, Uriel, o chefe, e seus irmãos, cento e vinte;
15:6 dos descendentes de Merari, Asaías, o chefe, e seus irmãos, duzentos e vinte;
15:7 dos descendentes de Gérsom, Joel, o chefe, e seus irmãos, cento e trinta;
15:8 dos descendentes de Elisafã, Semaías, o chefe, e seus irmãos, duzentos;
15:9 dos descendentes de Hebrom, Eliel, o chefe, e seus irmãos, oitenta;
15:10 dos descendentes de Uziel, Aminadabe, o chefe, e seus irmãos, cento e doze.
15:11 Davi chamou os sacerdotes Zadoque e Abiatar e os levitas Uriel, Asaías, Joel, Semaías, Eliel e Aminadabe.
15:12 Ele lhes disse: “Vocês são os chefes das famílias paternas dos levitas. Santifiquem-se, vocês e seus irmãos, e levem a arca do SENHOR, Deus de Israel, ao lugar que lhe preparei.
15:13 Como da primeira vez não foram vocês que a levaram, o SENHOR, nosso Deus, irrompeu contra nós, pois não o buscamos conforme o que foi estabelecido”.
15:14 Os sacerdotes e os levitas se santificaram para levar a arca do SENHOR, Deus de Israel.
15:15 Os levitas carregaram a arca de Deus nos ombros, com as varas, como Moisés havia ordenado conforme a palavra do SENHOR.
15:16 Davi disse aos chefes dos levitas que designassem seus irmãos, os cantores, com instrumentos musicais, harpas, liras e címbalos, para fazê-los ressoar e elevar a voz com alegria.
15:17 Os levitas designaram Hemã, filho de Joel; dentre seus irmãos, Asafe, filho de Berequias; e dentre seus irmãos descendentes de Merari, Etã, filho de Cusaías.
15:18 Com eles estavam seus irmãos do segundo escalão: Zacarias, Bene, Jaaziel, Semiramote, Jeiel, Uni, Eliabe, Benaia, Maaseias, Matitias, Elifeleu, Micneias, Obede-Edom e Jeiel, os porteiros.
15:19 Os cantores Hemã, Asafe e Etã faziam ressoar os címbalos de bronze.
15:20 Zacarias, Aziel, Semiramote, Jeiel, Uni, Eliabe, Maaseias e Benaia tocavam harpas segundo alamote.
15:21 Matitias, Elifeleu, Micneias, Obede-Edom, Jeiel e Azazias tocavam liras segundo seminite, para dirigir.
15:22 Quenanias, chefe dos levitas, era responsável pelo canto. Ele ensinava o canto, pois era entendido nisso.
15:23 Berequias e Elcana eram porteiros da arca.
15:24 Os sacerdotes Sebanias, Josafá, Netanel, Amasai, Zacarias, Benaia e Eliézer tocavam as trombetas diante da arca de Deus. Obede-Edom e Jeías também eram porteiros da arca.
15:25 Davi, os anciãos de Israel e os comandantes de milhares foram com alegria buscar a arca da aliança do SENHOR na casa de Obede-Edom.
15:26 Como Deus ajudava os levitas que carregavam a arca da aliança do SENHOR, sacrificaram sete novilhos e sete carneiros.
15:27 Davi vestia um manto de linho fino, assim como todos os levitas que carregavam a arca, os cantores e Quenanias, responsável pelo canto dos cantores. Davi usava também um éfode de linho.
15:28 Todo Israel levava a arca da aliança do SENHOR com gritos de alegria, ao som de chifre, trombetas e címbalos, fazendo ressoar harpas e liras.
15:29 Quando a arca da aliança do SENHOR chegou à Cidade de Davi, Mical, filha de Saul, olhou pela janela. Viu o rei Davi dançando e celebrando e o desprezou em seu coração.

Capítulo 16
16:1 Trouxeram a arca de Deus e a colocaram dentro da tenda que Davi havia armado para ela. Ofereceram holocaustos e sacrifícios de paz diante de Deus.
16:2 Quando Davi terminou de oferecer o holocausto e os sacrifícios de paz, abençoou o povo em nome do SENHOR.
16:3 Distribuiu a todos os israelitas, tanto homens como mulheres, um pão, uma porção de carne e um bolo de passas a cada um.
16:4 Designou alguns levitas para servir diante da arca do SENHOR, para invocar, dar graças e louvar o SENHOR, Deus de Israel.
16:5 Asafe era o chefe, e Zacarias, o segundo; depois estavam Jeiel, Semiramote, Jeiel, Matitias, Eliabe, Benaia, Obede-Edom e Jeiel, que tocavam harpas e liras. Asafe fazia ressoar os címbalos.
16:6 Os sacerdotes Benaia e Jaaziel tocavam trombetas continuamente diante da arca da aliança de Deus.
16:7 Naquele dia Davi encarregou pela primeira vez Asafe e seus irmãos de dar graças ao SENHOR:

16:8 Deem graças ao SENHOR, invoquem seu nome;
   tornem conhecidos entre os povos os seus feitos.
16:9 Cantem a ele, entoem-lhe salmos;
   falem de todas as suas maravilhas.
16:10 Gloriem-se em seu santo nome;
   alegre-se o coração dos que buscam o SENHOR.
16:11 Busquem o SENHOR e seu poder;
   busquem sempre a sua face.
16:12 Lembrem-se das maravilhas que ele fez, de seus prodígios e dos juízos de sua boca,
16:13 vocês, descendentes de Israel, seu servo, filhos de Jacó, seus escolhidos.
16:14 Ele é o SENHOR, nosso Deus;
   seus juízos estão em toda a terra.
16:15 Lembrem-se para sempre de sua aliança, da palavra que ordenou para mil gerações,
16:16 da aliança que fez com Abraão e de seu juramento a Isaque.
16:17 Ele a confirmou a Jacó como estatuto, a Israel como aliança eterna,
16:18 dizendo: “A você darei a terra de Canaã, a porção da herança de vocês”.
16:19 Quando vocês eram poucos em número, muito poucos, e estrangeiros naquela terra,
16:20 andavam de nação em nação, de um reino a outro povo.
16:21 Ele não permitiu que ninguém os oprimisse e, por causa deles, repreendeu reis:
16:22 “Não toquem nos meus ungidos, nem façam mal aos meus profetas”.

16:23 Cantem ao SENHOR, toda a terra;
   anunciem dia após dia a sua salvação.
16:24 Contem entre as nações a sua glória, entre todos os povos as suas maravilhas.
16:25 Pois grande é o SENHOR e muito digno de louvor;
   ele é mais temível que todos os deuses.
16:26 Todos os deuses dos povos são ídolos, mas o SENHOR fez os céus.
16:27 Esplendor e majestade estão diante dele;
   força e alegria, em sua morada.
16:28 Deem ao SENHOR, famílias dos povos, deem ao SENHOR glória e poder.
16:29 Deem ao SENHOR a glória devida ao seu nome;
   tragam uma oferta e venham à sua presença.
   Adorem o SENHOR no esplendor da santidade.
16:30 Trema diante dele toda a terra!
   O mundo está firme e não será abalado.
16:31 Alegrem-se os céus, e exulte a terra;
   digam entre as nações: “O SENHOR reina!”.
16:32 Ruja o mar e tudo o que nele há;
   alegre-se o campo e tudo o que há nele.
16:33 Então as árvores da floresta cantarão de alegria diante do SENHOR, pois ele vem julgar a terra.
16:34 Deem graças ao SENHOR, pois ele é bom;
   seu amor fiel dura para sempre.
16:35 Digam: “Salva-nos, ó Deus da nossa salvação;
   reúne-nos e livra-nos das nações, para darmos graças ao teu santo nome e nos gloriarmos em teu louvor”.
16:36 Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, de eternidade a eternidade!
   Todo o povo disse: “Amém!”, e louvou o SENHOR.
16:37 Davi deixou ali, diante da arca da aliança do SENHOR, Asafe e seus irmãos, para servir continuamente diante da arca, cumprindo o que era necessário a cada dia.
16:38 Também deixou Obede-Edom e seus irmãos, sessenta e oito; e Obede-Edom, filho de Jedutum, e Hosa como porteiros.
16:39 O sacerdote Zadoque e seus irmãos, os sacerdotes, ficaram diante do tabernáculo do SENHOR, no santuário do lugar alto em Gibeão,
16:40 para oferecer holocaustos ao SENHOR no altar do holocausto, continuamente, de manhã e à tarde, conforme tudo o que está escrito na lei do SENHOR, que ele havia ordenado a Israel.
16:41 Com eles estavam Hemã, Jedutum e os demais escolhidos, designados pelo nome, para dar graças ao SENHOR, pois seu amor fiel dura para sempre.
16:42 Com eles estavam Hemã e Jedutum, com trombetas e címbalos para fazer ressoar, e instrumentos para o canto a Deus. Os filhos de Jedutum estavam encarregados da porta.
16:43 Todo o povo foi embora, cada um para sua casa, e Davi voltou para abençoar sua família.

Capítulo 17
17:1 Quando Davi se estabeleceu em sua casa, disse ao profeta Natã: “Eu moro numa casa de cedro, mas a arca da aliança do SENHOR está debaixo de cortinas de tenda”.
17:2 Natã disse a Davi: “Faça tudo o que está em seu coração, pois Deus está com você”.
17:3 Mas naquela noite a palavra de Deus veio a Natã:
17:4 “Vá e diga a Davi, meu servo: ‘Assim diz o SENHOR: Não é você quem construirá uma casa para eu morar.
17:5 Pois não morei em casa alguma desde o dia em que fiz Israel subir até hoje. Tenho andado de tenda em tenda e de tabernáculo em tabernáculo.
17:6 Em todos os lugares por onde andei com todo Israel, acaso disse uma palavra a algum dos juízes de Israel, a quem mandei pastorear meu povo, perguntando: “Por que vocês não me construíram uma casa de cedro?”’.
17:7 Agora diga a meu servo Davi: ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Eu o tirei da pastagem, de detrás do rebanho, para ser governante de meu povo Israel.
17:8 Estive com você por onde quer que andou e eliminei todos os seus inimigos de sua frente. Eu lhe farei um nome como o dos grandes da terra.
17:9 Estabelecerei um lugar para meu povo Israel e o plantarei, para que habite em seu próprio lugar e não volte a ser perturbado. Os perversos não voltarão a desgastá-lo como antes,
17:10 como nos dias em que designei juízes sobre meu povo Israel. Subjugarei todos os seus inimigos. Eu lhe anuncio que o SENHOR lhe construirá uma casa.
17:11 Quando seus dias se completarem e você for se reunir a seus pais, levantarei depois de você seu descendente, que será um de seus filhos, e estabelecerei seu reino.
17:12 Ele me construirá uma casa, e eu firmarei seu trono para sempre.
17:13 Eu serei seu pai, e ele será meu filho. Não retirarei dele meu amor fiel, como o retirei daquele que veio antes de você.
17:14 Eu o estabelecerei em minha casa e em meu reino para sempre, e seu trono ficará firme para sempre’”.
17:15 Natã comunicou a Davi todas estas palavras e toda esta visão.
17:16 Então o rei Davi entrou, sentou-se diante do SENHOR e disse: “Quem sou eu, SENHOR Deus, e o que é minha casa, para que me tenhas trazido até aqui?
17:17 E isso ainda te pareceu pouco, ó Deus, pois também falaste da casa de teu servo para um futuro distante. Tu me consideraste como um homem de alta posição, SENHOR Deus.
17:18 Que mais pode Davi te dizer sobre a honra dada ao teu servo? Tu conheces teu servo.
17:19 SENHOR, por amor ao teu servo e segundo teu coração, fizeste toda esta grandeza, para tornar conhecidas todas estas grandes coisas.
17:20 SENHOR, não há ninguém como tu, nem há Deus além de ti, segundo tudo o que ouvimos com nossos ouvidos.
17:21 Que nação é como teu povo Israel, nação única na terra, a quem Deus foi resgatar para si como povo, para fazeres um nome para ti com feitos grandes e temíveis, expulsando nações de diante de teu povo, que resgataste do Egito?
17:22 Estabeleceste teu povo Israel como teu povo para sempre, e tu, SENHOR, te tornaste seu Deus.
17:23 Agora, SENHOR, que a palavra que falaste acerca de teu servo e de sua casa se mantenha firme para sempre. Faze conforme falaste.
17:24 Que ela se confirme e teu nome seja engrandecido para sempre, de modo que se diga: ‘O SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel, é Deus para Israel’. Que a casa de Davi, teu servo, esteja firme diante de ti.
17:25 Pois tu, meu Deus, revelaste ao ouvido de teu servo que lhe construirias uma casa. Por isso teu servo encontrou coragem para orar diante de ti.
17:26 Agora, SENHOR, tu és Deus e prometeste este bem ao teu servo.
17:27 Agora tiveste por bem abençoar a casa de teu servo, para que permaneça diante de ti para sempre. Pois tu, SENHOR, a abençoaste, e ela será abençoada para sempre”.

Capítulo 18
18:1 Depois disso, Davi derrotou os filisteus e os submeteu. Tomou dos filisteus Gate e suas aldeias.
18:2 Também derrotou Moabe, e os moabitas se tornaram súditos de Davi e lhe pagavam tributo.
18:3 Davi derrotou Hadadezer, rei de Zobá, na direção de Hamate, quando ele ia estabelecer seu domínio junto ao rio Eufrates.
18:4 Davi lhe capturou mil carros de guerra, 7 mil cavaleiros e 20 mil soldados a pé. Davi cortou os tendões dos cavalos de todos os carros, mas conservou os necessários para cem carros.
18:5 Quando os arameus de Damasco vieram ajudar Hadadezer, rei de Zobá, Davi matou 22 mil arameus.
18:6 Davi estabeleceu seu domínio em Arã de Damasco, e os arameus se tornaram súditos de Davi e lhe pagavam tributo. O SENHOR dava vitória a Davi por onde quer que ele fosse.
18:7 Davi tomou os escudos de ouro que os servos de Hadadezer carregavam e os levou a Jerusalém.
18:8 De Tibate e de Cum, cidades de Hadadezer, Davi tomou uma enorme quantidade de bronze. Com ele Salomão fez o Mar de bronze, as colunas e os utensílios de bronze.
18:9 Quando Toú, rei de Hamate, soube que Davi havia derrotado todo o exército de Hadadezer, rei de Zobá,
18:10 enviou seu filho Hadorão ao rei Davi para saudá-lo e felicitá-lo por ter combatido Hadadezer e o derrotado, pois Hadadezer havia estado em guerra com Toú. Ele levou toda espécie de objetos de ouro, prata e bronze.
18:11 O rei Davi também os consagrou ao SENHOR, junto com a prata e o ouro que havia tomado de todas as nações: Edom, Moabe, os amonitas, os filisteus e Amaleque.
18:12 Abisai, filho de Zeruia, matou 18 mil edomitas no vale do Sal.
18:13 Estabeleceu guarnições em Edom, e todos os edomitas se tornaram súditos de Davi. O SENHOR dava vitória a Davi por onde quer que ele fosse.
18:14 Davi reinou sobre todo Israel e administrava o direito e a justiça a todo o seu povo.
18:15 Joabe, filho de Zeruia, estava à frente do exército; Josafá, filho de Ailude, era cronista;
18:16 Zadoque, filho de Aitube, e Abimeleque, filho de Abiatar, eram sacerdotes; Sausa era secretário;
18:17 Benaia, filho de Joiada, estava à frente dos quereteus e peleteus; e os filhos de Davi eram os principais auxiliares junto ao rei.

Capítulo 19
19:1 Depois disso morreu Naás, rei dos amonitas, e seu filho reinou em seu lugar.
19:2 Davi disse: “Mostrarei bondade a Hanum, filho de Naás, pois seu pai me tratou com bondade”. Davi enviou mensageiros para consolá-lo pela morte de seu pai. Os servos de Davi chegaram à terra dos amonitas, a Hanum, para consolá-lo.
19:3 Mas os chefes amonitas disseram a Hanum: “Você acha que Davi está honrando seu pai por lhe ter enviado consoladores? Não vieram seus servos até você para explorar, destruir e espionar a terra?”.
19:4 Hanum prendeu os servos de Davi, raspou-lhes a barba, cortou suas roupas pela metade, até as nádegas, e os mandou embora.
19:5 Foram informar a Davi o que havia acontecido àqueles homens, e ele enviou mensageiros ao encontro deles, pois estavam muito envergonhados. O rei disse: “Fiquem em Jericó até que a barba de vocês cresça; depois voltem”.
19:6 Os amonitas perceberam que se haviam tornado odiosos a Davi. Hanum e os amonitas enviaram 34 toneladas de prata para contratar carros de guerra e cavaleiros de Arã-Naaraim, de Arã-Maaca e de Zobá.
19:7 Contrataram 32 mil carros de guerra, o rei de Maaca e sua gente. Eles vieram e acamparam diante de Medeba. Os amonitas se reuniram de suas cidades e foram para a guerra.
19:8 Quando Davi soube disso, enviou Joabe e todo o exército dos guerreiros valentes.
19:9 Os amonitas saíram e se dispuseram para a batalha à entrada da cidade, enquanto os reis que haviam vindo ficaram à parte, no campo.
19:10 Joabe viu que tinha uma frente de batalha diante de si e atrás de si. Escolheu homens dentre os melhores de Israel e os dispôs contra os arameus.
19:11 O restante dos homens ele pôs sob o comando de seu irmão Abisai, e eles se dispuseram contra os amonitas.
19:12 Joabe disse: “Se os arameus forem mais fortes que eu, você virá me ajudar; e, se os amonitas forem mais fortes que você, eu o ajudarei.
19:13 Seja forte, e sejamos fortes em favor de nosso povo e das cidades de nosso Deus. Que o SENHOR faça o que lhe parecer bem”.
19:14 Joabe e os homens que estavam com ele avançaram para combater os arameus, e estes fugiram diante dele.
19:15 Quando os amonitas viram que os arameus haviam fugido, também eles fugiram diante de Abisai, irmão de Joabe, e entraram na cidade. Então Joabe voltou para Jerusalém.
19:16 Ao verem que haviam sido derrotados por Israel, os arameus enviaram mensageiros e fizeram vir os arameus do outro lado do Rio. Sofaque, comandante do exército de Hadadezer, ia à frente deles.
19:17 Quando informaram a Davi, ele reuniu todo Israel, atravessou o Jordão, foi até eles e se dispôs contra eles. Davi formou suas tropas para a batalha contra os arameus, e eles combateram contra ele.
19:18 Os arameus fugiram diante de Israel. Davi matou 7 mil homens dos carros de guerra e 40 mil soldados a pé dos arameus; também matou Sofaque, comandante do exército.
19:19 Quando os servos de Hadadezer viram que haviam sido derrotados por Israel, fizeram paz com Davi e passaram a servi-lo. Os arameus não quiseram voltar a ajudar os amonitas.

Capítulo 20
20:1 No início do ano, na época em que os reis saem para a guerra, Joabe conduziu as forças do exército, devastou a terra dos amonitas e foi cercar Rabá. Davi permanecia em Jerusalém. Joabe atacou Rabá e a destruiu.
20:2 Davi tirou a coroa da cabeça do rei deles e verificou que ela pesava cerca de 34 quilos de ouro. Nela havia uma pedra preciosa, e a coroa foi posta sobre a cabeça de Davi. Ele também tirou da cidade um enorme despojo.
20:3 Retirou os habitantes que estavam nela e os cortou com uma serra, com instrumentos cortantes de ferro e com serras. Assim Davi fazia com todas as cidades dos amonitas. Depois Davi e todo o povo voltaram para Jerusalém.
20:4 Depois disso houve guerra em Gezer contra os filisteus. Sibecai, o husatita, matou Sipai, um dos descendentes dos refaítas, e os filisteus foram submetidos.
20:5 Houve outra guerra contra os filisteus. Elanã, filho de Jaur, matou Lami, irmão de Golias, o geteu. A haste de sua lança era como o eixo de um tear.
20:6 Houve outra guerra em Gate. Ali havia um homem de grande estatura, com seis dedos em cada mão e em cada pé, vinte e quatro ao todo. Também ele era descendente de Rafa.
20:7 Ele insultou Israel, e Jônatas, filho de Simeia, irmão de Davi, o matou.
20:8 Estes eram descendentes de Rafa em Gate e caíram pela mão de Davi e pela mão de seus servos.

Capítulo 21
21:1 Satanás se levantou contra Israel e incitou Davi a fazer um censo de Israel.
21:2 Davi disse a Joabe e aos chefes do povo: “Vão, contem Israel desde Berseba até Dã e me tragam o resultado, para que eu saiba quantos são”.
21:3 Joabe respondeu: “Que o SENHOR multiplique seu povo cem vezes mais! Meu senhor, o rei, não são todos eles servos de meu senhor? Por que meu senhor deseja isso? Por que trazer culpa sobre Israel?”.
21:4 Mas a ordem do rei prevaleceu sobre Joabe. Joabe saiu, percorreu todo Israel e voltou para Jerusalém.
21:5 Joabe entregou a Davi o resultado do censo do povo. Em todo Israel havia 1.100.000 homens que empunhavam a espada; em Judá, 470 mil homens que empunhavam a espada.
21:6 Não contou entre eles Levi nem Benjamim, pois a ordem do rei era repugnante a Joabe.
21:7 Isso desagradou a Deus, e ele castigou Israel.
21:8 Davi disse a Deus: “Pequei gravemente ao fazer isso. Agora, peço-te, tira a culpa de teu servo, pois agi com muita insensatez”.
21:9 O SENHOR falou a Gade, o vidente de Davi:
21:10 “Vá e diga a Davi: ‘Assim diz o SENHOR: Proponho a você três coisas. Escolha uma delas, e eu a aplicarei a você’”.
21:11 Gade foi a Davi e lhe disse: “Assim diz o SENHOR: ‘Escolha:
21:12 ou três anos de fome; ou três meses de derrota diante de seus adversários, enquanto a espada de seus inimigos o alcança; ou três dias da espada do SENHOR, uma peste na terra, com o anjo do SENHOR causando destruição por todo o território de Israel’. Agora veja que resposta devo levar àquele que me enviou”.
21:13 Davi disse a Gade: “Estou em grande angústia. Que eu caia nas mãos do SENHOR, pois são muito grandes as suas misericórdias; mas que eu não caia nas mãos dos homens”.
21:14 O SENHOR enviou uma peste a Israel, e morreram 70 mil homens de Israel.
21:15 Deus enviou um anjo a Jerusalém para destruí-la. Enquanto ele destruía, o SENHOR olhou e desistiu daquela calamidade. Disse ao anjo destruidor: “Basta! Agora retire sua mão”. O anjo do SENHOR estava junto à eira de Ornã, o jebuseu.
21:16 Davi levantou os olhos e viu o anjo do SENHOR de pé entre a terra e o céu, com sua espada desembainhada na mão, estendida sobre Jerusalém. Davi e os anciãos, cobertos de pano de saco, se prostraram com o rosto em terra.
21:17 Davi disse a Deus: “Não fui eu quem mandou contar o povo? Fui eu quem pecou e fez muito mal. Mas estas ovelhas, o que fizeram? SENHOR, meu Deus, que tua mão caia sobre mim e sobre a casa de meu pai, mas que a praga não caia sobre teu povo”.
21:18 O anjo do SENHOR disse a Gade que mandasse Davi subir e levantar um altar ao SENHOR na eira de Ornã, o jebuseu.
21:19 Davi subiu conforme a palavra que Gade havia falado em nome do SENHOR.
21:20 Ornã se voltou e viu o anjo. Seus quatro filhos, que estavam com ele, se esconderam. Ornã estava debulhando trigo.
21:21 Davi chegou até Ornã. Ornã olhou, viu Davi, saiu da eira e se prostrou diante dele com o rosto em terra.
21:22 Davi disse a Ornã: “Dê-me o terreno da eira, para que eu construa nele um altar ao SENHOR. Venda-o a mim pelo preço completo, para que cesse a praga sobre o povo”.
21:23 Ornã respondeu a Davi: “Tome-o para si, e que meu senhor, o rei, faça o que lhe parecer bem. Veja, dou os bois para os holocaustos, os instrumentos de debulhar para lenha e o trigo para a oferta. Dou tudo”.
21:24 Mas o rei Davi disse a Ornã: “Não! Eu o comprarei pelo preço completo. Não tomarei o que é seu para oferecer ao SENHOR, nem oferecerei um holocausto que não me custe nada”.
21:25 Davi deu a Ornã, por aquele lugar, cerca de 6,8 quilos de ouro.
21:26 Davi construiu ali um altar ao SENHOR e ofereceu holocaustos e sacrifícios de paz. Invocou o SENHOR, e ele lhe respondeu com fogo dos céus sobre o altar do holocausto.
21:27 O SENHOR deu ordem ao anjo, e ele guardou sua espada na bainha.
21:28 Naquele tempo, ao ver que o SENHOR lhe havia respondido na eira de Ornã, o jebuseu, Davi ofereceu sacrifícios ali.
21:29 O tabernáculo do SENHOR, que Moisés havia feito no deserto, e o altar do holocausto estavam então no santuário do lugar alto em Gibeão.
21:30 Mas Davi não podia ir até lá consultar a Deus, pois estava aterrorizado diante da espada do anjo do SENHOR.

Capítulo 22
22:1 Davi disse: “Aqui estará a casa do SENHOR Deus, e aqui estará o altar do holocausto para Israel”.
22:2 Davi mandou reunir os estrangeiros que viviam na terra de Israel e designou pedreiros para lavrar as pedras destinadas à construção da casa de Deus.
22:3 Davi preparou ferro em abundância para os pregos das folhas dos portões e para as junções, além de bronze em quantidade que não se podia pesar.
22:4 Também preparou madeira de cedro sem conta, pois os sidônios e os tírios haviam trazido a Davi madeira de cedro em abundância.
22:5 Davi disse: “Meu filho Salomão é jovem e inexperiente, e a casa a ser construída para o SENHOR deve ser extraordinariamente grandiosa, de renome e esplendor em todas as terras. Vou preparar o necessário para ela”. Assim Davi fez abundantes preparativos antes de sua morte.
22:6 Chamou seu filho Salomão e lhe ordenou que construísse uma casa para o SENHOR, Deus de Israel.
22:7 Davi disse a Salomão, seu filho: “Eu tinha em meu coração construir uma casa para o nome do SENHOR, meu Deus.
22:8 Mas a palavra do SENHOR veio a mim: ‘Você derramou muito sangue e travou grandes guerras. Não construirá uma casa para meu nome, pois derramou muito sangue na terra diante de mim.
22:9 Você terá um filho que será homem de descanso. Eu lhe darei descanso de todos os inimigos ao redor. Seu nome será Salomão, e darei paz e tranquilidade a Israel em seus dias.
22:10 Ele construirá uma casa para meu nome. Ele será meu filho, e eu serei seu pai. Estabelecerei o trono de seu reino sobre Israel para sempre’.
22:11 Agora, meu filho, que o SENHOR esteja com você, e que você tenha êxito e construa a casa do SENHOR, seu Deus, conforme ele disse a seu respeito.
22:12 Que o SENHOR lhe dê prudência e entendimento e o ponha à frente de Israel, para que você guarde a lei do SENHOR, seu Deus.
22:13 Então você terá êxito, se tiver o cuidado de cumprir os estatutos e as ordenanças que o SENHOR ordenou a Moisés para Israel. Seja forte e corajoso; não tenha medo nem desanime.
22:14 Em meio às minhas dificuldades, preparei para a casa do SENHOR cerca de 3.400 toneladas de ouro e 34 mil toneladas de prata. O bronze e o ferro não se podem pesar, pois são muito abundantes. Também preparei madeira e pedras, e você acrescentará a tudo isso.
22:15 Você tem consigo muitos trabalhadores: cortadores de pedras, artesãos de pedra e de madeira e peritos em todo tipo de trabalho.
22:16 Há ouro, prata, bronze e ferro sem conta. Levante-se e faça a obra! Que o SENHOR esteja com você”.
22:17 Davi ordenou a todos os chefes de Israel que ajudassem seu filho Salomão:
22:18 “Não está com vocês o SENHOR, seu Deus, e não lhes deu descanso por todos os lados? Ele entregou em minhas mãos os habitantes da terra, e a terra foi submetida diante do SENHOR e de seu povo.
22:19 Agora dediquem o coração e a alma a buscar o SENHOR, seu Deus. Levantem-se e construam o santuário do SENHOR Deus, para levar a arca da aliança do SENHOR e os objetos sagrados de Deus à casa construída para o nome do SENHOR”.

Capítulo 23
23:1 Davi, já idoso e cheio de dias, fez seu filho Salomão rei de Israel.
23:2 Reuniu todos os chefes de Israel, os sacerdotes e os levitas.
23:3 Foram contados os levitas de trinta anos para cima. O número dos homens, contados um por um, era de 38 mil.
23:4 Desses, 24 mil deviam supervisionar o trabalho da casa do SENHOR, e 6 mil deviam servir como oficiais e juízes.
23:5 Quatro mil eram porteiros, e quatro mil louvavam o SENHOR “com os instrumentos que fiz para louvar”.
23:6 Davi os distribuiu em divisões segundo os filhos de Levi: Gérson, Coate e Merari.
23:7 Dos gersonitas, Ladã e Simei.
23:8 Os filhos de Ladã foram Jeiel, o chefe, Zetã e Joel: três.
23:9 Os filhos de Simei foram Selomote, Haziel e Harã: três. Estes foram os chefes das famílias paternas de Ladã.
23:10 Os filhos de Simei foram Jaate, Zina, Jeús e Berias. Estes foram os quatro filhos de Simei.
23:11 Jaate era o chefe, e Ziza, o segundo. Jeús e Berias não tiveram muitos filhos, por isso foram registrados como uma só família paterna.
23:12 Os quatro filhos de Coate foram Anrão, Isar, Hebrom e Uziel.
23:13 Os filhos de Anrão foram Arão e Moisés. Arão foi separado para ser consagrado como santíssimo, ele e seus filhos para sempre, para queimar incenso diante do SENHOR, servi-lo e abençoar em seu nome para sempre.
23:14 Os filhos de Moisés, o homem de Deus, foram contados na tribo de Levi.
23:15 Os filhos de Moisés foram Gérsom e Eliézer.
23:16 Dos filhos de Gérsom, Sebuel era o chefe.
23:17 Dos filhos de Eliézer, Reabias era o chefe. Eliézer não teve outros filhos, mas os descendentes de Reabias foram muito numerosos.
23:18 Dos filhos de Isar, Selomite era o chefe.
23:19 Os filhos de Hebrom foram Jerias, o chefe; Amarias, o segundo; Jaaziel, o terceiro; e Jecameão, o quarto.
23:20 Os filhos de Uziel foram Mica, o chefe, e Issias, o segundo.
23:21 Os filhos de Merari foram Mali e Musi. Os filhos de Mali foram Eleazar e Quis.
23:22 Eleazar morreu sem filhos homens, somente com filhas. Os filhos de Quis, seus parentes, se casaram com elas.
23:23 Os três filhos de Musi foram Mali, Éder e Jeremote.
23:24 Estes foram os descendentes de Levi, segundo suas famílias paternas, os chefes das famílias registrados pelo nome e contados um por um, de vinte anos para cima, que realizavam o trabalho no serviço da casa do SENHOR.
23:25 Pois Davi disse: “O SENHOR, Deus de Israel, deu descanso a seu povo e habitará em Jerusalém para sempre.
23:26 Os levitas já não terão de transportar o tabernáculo nem todos os utensílios de seu serviço”.
23:27 Conforme as últimas instruções de Davi, foram contados os descendentes de Levi de vinte anos para cima.
23:28 Sua função era ajudar os descendentes de Arão no serviço da casa do SENHOR, cuidando dos pátios, das salas, da purificação de todas as coisas sagradas e do trabalho no serviço da casa de Deus.
23:29 Também eram responsáveis pelos pães da presença, pela farinha fina para a oferta, pelos bolos finos sem fermento, pelo que era preparado na chapa, pelo que era escaldado e por todas as medidas de capacidade e de dimensão.
23:30 Deviam se apresentar a cada manhã para dar graças e louvar o SENHOR, e o mesmo à tarde,
23:31 e sempre que se ofereciam holocaustos ao SENHOR, nos sábados, nas luas novas e nas festas determinadas, conforme o número e as normas estabelecidas para eles, continuamente diante do SENHOR.
23:32 Deviam cumprir as responsabilidades da tenda do encontro, do santuário e dos descendentes de Arão, seus irmãos, no serviço da casa do SENHOR.

Capítulo 24
24:1 Estes foram os turnos dos descendentes de Arão. Os filhos de Arão foram Nadabe, Abiú, Eleazar e Itamar.
24:2 Nadabe e Abiú morreram antes de seu pai e não tiveram filhos. Eleazar e Itamar exerceram o sacerdócio.
24:3 Davi, junto com Zadoque, dos descendentes de Eleazar, e Aimeleque, dos descendentes de Itamar, os distribuiu segundo suas responsabilidades no serviço.
24:4 Havia mais chefes de famílias entre os descendentes de Eleazar que entre os de Itamar. Eles foram distribuídos assim: dezesseis chefes de famílias paternas dos descendentes de Eleazar e oito dos descendentes de Itamar.
24:5 Foram distribuídos por sorteio, uns com os outros, pois havia chefes do santuário e chefes a serviço de Deus tanto entre os descendentes de Eleazar como entre os de Itamar.
24:6 O escriba Semaías, filho de Netanel, um dos levitas, os registrou diante do rei, dos chefes, do sacerdote Zadoque, de Aimeleque, filho de Abiatar, e dos chefes das famílias paternas dos sacerdotes e dos levitas. Tomava-se uma família paterna de Eleazar e outra de Itamar.
24:7 A primeira sorte coube a Jeoiaribe; a segunda, a Jedaías;
24:8 a terceira, a Harim; a quarta, a Seorim;
24:9 a quinta, a Malquias; a sexta, a Miamim;
24:10 a sétima, a Hacoz; a oitava, a Abias;
24:11 a nona, a Jesua; a décima, a Secanias;
24:12 a décima primeira, a Eliasibe; a décima segunda, a Jaquim;
24:13 a décima terceira, a Hupá; a décima quarta, a Jesebeabe;
24:14 a décima quinta, a Bilga; a décima sexta, a Imer;
24:15 a décima sétima, a Hezir; a décima oitava, a Hapises;
24:16 a décima nona, a Petaías; a vigésima, a Jeezquel;
24:17 a vigésima primeira, a Jaquim; a vigésima segunda, a Gamul;
24:18 a vigésima terceira, a Delaías; a vigésima quarta, a Maazias.
24:19 Estas eram suas responsabilidades no serviço ao entrarem na casa do SENHOR, segundo as normas dadas por Arão, seu pai, conforme o SENHOR, Deus de Israel, lhe havia ordenado.
24:20 Quanto aos demais descendentes de Levi: dos filhos de Anrão, Subael; dos filhos de Subael, Jedias.
24:21 Quanto a Reabias, dos filhos de Reabias, Issias era o chefe.
24:22 Dos isaritas, Selomote; dos filhos de Selomote, Jaate.
24:23 E os filhos: Jerias; Amarias, o segundo; Jaaziel, o terceiro; Jecameão, o quarto.
24:24 Dos filhos de Uziel, Mica; dos filhos de Mica, Samur.
24:25 O irmão de Mica era Issias; dos filhos de Issias, Zacarias.
24:26 Os filhos de Merari foram Mali e Musi. Dos filhos de Jaazias, Beno.
24:27 Os filhos de Merari por Jaazias foram Beno, Soão, Zacur e Ibri.
24:28 De Mali, Eleazar, que não teve filhos homens.
24:29 Quanto a Quis, o filho de Quis foi Jerameel.
24:30 Os filhos de Musi foram Mali, Éder e Jerimote. Estes foram os descendentes dos levitas segundo suas famílias paternas.
24:31 Também eles lançaram sortes, assim como seus irmãos, os descendentes de Arão, diante do rei Davi, de Zadoque, de Aimeleque e dos chefes das famílias paternas dos sacerdotes e dos levitas. O chefe de família participava da mesma forma que o menor de seus irmãos.

Capítulo 25
25:1 Davi e os comandantes do exército separaram para o serviço os filhos de Asafe, de Hemã e de Jedutum, profetas com liras, harpas e címbalos. Esta é a relação dos homens encarregados desse serviço:
25:2 Dos filhos de Asafe, Zacur, José, Netanias e Asarela, filhos de Asafe, sob a direção de Asafe, que profetizava sob a direção do rei.
25:3 De Jedutum, os filhos de Jedutum eram Gedalias, Zeri, Jesaías, Hasabias e Matitias: seis, sob a direção de seu pai Jedutum, que profetizava com a lira, dando graças e louvando o SENHOR.
25:4 De Hemã, os filhos de Hemã eram Buquias, Matanias, Uziel, Sebuel, Jerimote, Hananias, Hanani, Eliata, Gidalti, Romanti-Ézer, Josbecasa, Maloti, Hotir e Maaziote.
25:5 Todos estes foram filhos de Hemã, vidente do rei nas palavras de Deus, para elevar o chifre. Deus deu a Hemã catorze filhos e três filhas.
25:6 Todos eles estavam sob a direção de seu pai no canto da casa do SENHOR, com címbalos, harpas e liras, para o serviço da casa de Deus. Asafe, Jedutum e Hemã estavam sob a direção do rei.
25:7 Seu número, junto com seus irmãos instruídos no canto ao SENHOR, todos habilidosos, era de duzentos e oitenta e oito.
25:8 Lançaram sortes para os turnos de serviço, igualmente o pequeno e o grande, o mestre e o aprendiz.
25:9 A primeira sorte coube a José, de Asafe; a segunda, a Gedalias: ele, seus irmãos e seus filhos eram doze;
25:10 a terceira, a Zacur: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:11 a quarta, a Izri: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:12 a quinta, a Netanias: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:13 a sexta, a Buquias: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:14 a sétima, a Jesarela: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:15 a oitava, a Jesaías: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:16 a nona, a Matanias: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:17 a décima, a Simei: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:18 a décima primeira, a Azarel: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:19 a décima segunda, a Hasabias: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:20 a décima terceira, a Subael: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:21 a décima quarta, a Matitias: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:22 a décima quinta, a Jeremote: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:23 a décima sexta, a Hananias: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:24 a décima sétima, a Josbecasa: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:25 a décima oitava, a Hanani: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:26 a décima nona, a Maloti: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:27 a vigésima, a Eliata: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:28 a vigésima primeira, a Hotir: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:29 a vigésima segunda, a Gidalti: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:30 a vigésima terceira, a Maaziote: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze;
25:31 a vigésima quarta, a Romanti-Ézer: ele, seus filhos e seus irmãos eram doze.

Capítulo 26
26:1 Estes foram os turnos dos porteiros: dos coraítas, Meselemias, filho de Coré, dos descendentes de Asafe.
26:2 Os filhos de Meselemias foram Zacarias, o primogênito; Jediael, o segundo; Zebadias, o terceiro; Jatniel, o quarto;
26:3 Elão, o quinto; Jeoanã, o sexto; e Elieoenai, o sétimo.
26:4 Os filhos de Obede-Edom foram Semaías, o primogênito; Jeozabade, o segundo; Joá, o terceiro; Sacar, o quarto; Netanel, o quinto;
26:5 Amiel, o sexto; Issacar, o sétimo; e Peuletai, o oitavo, pois Deus o havia abençoado.
26:6 A seu filho Semaías nasceram filhos que governavam em sua família paterna, pois eram homens valentes e capazes.
26:7 Os filhos de Semaías foram Otni, Rafael, Obede e Elzabade; seus irmãos, homens capazes, foram Eliú e Semaquias.
26:8 Todos estes eram descendentes de Obede-Edom. Eles, seus filhos e seus irmãos eram homens capazes e fortes para o serviço: sessenta e dois de Obede-Edom.
26:9 Os filhos e irmãos de Meselemias eram dezoito homens capazes.
26:10 Hosa, dos descendentes de Merari, teve estes filhos: Sinri, o chefe, pois, embora não fosse o primogênito, seu pai o havia posto como chefe;
26:11 Hilquias, o segundo; Tebalias, o terceiro; Zacarias, o quarto. Todos os filhos e irmãos de Hosa somavam treze.
26:12 Estes turnos de porteiros, com seus chefes, tinham postos de guarda, assim como seus irmãos, para servir na casa do SENHOR.
26:13 Lançaram sortes por famílias paternas, igualmente o pequeno e o grande, para cada porta.
26:14 A sorte do lado leste coube a Selemias. Também lançaram sortes por seu filho Zacarias, conselheiro prudente, e sua sorte saiu para o lado norte.
26:15 A Obede-Edom coube o lado sul, e a seus filhos, o depósito.
26:16 A Supim e Hosa coube o lado oeste, junto à porta Salequete, no caminho de subida, guarda diante de guarda.
26:17 A leste havia seis levitas; ao norte, quatro por dia; ao sul, quatro por dia; nos depósitos, dois e dois.
26:18 No Parbar, a oeste, havia quatro no caminho e dois no Parbar.
26:19 Estes foram os turnos dos porteiros, dos descendentes dos coraítas e dos descendentes de Merari.
26:20 Dos levitas, Aías era responsável pelos tesouros da casa de Deus e pelos tesouros das coisas consagradas.
26:21 Dos filhos de Ladã, os descendentes gersonitas de Ladã, entre os chefes das famílias paternas de Ladã, o gersonita, estava Jeieli.
26:22 Os filhos de Jeieli, Zetã e seu irmão Joel, eram responsáveis pelos tesouros da casa do SENHOR.
26:23 Dos anramitas, dos isaritas, dos hebronitas e dos uzielitas:
26:24 Sebuel, filho de Gérsom, filho de Moisés, era o responsável principal pelos tesouros.
26:25 Seus irmãos por parte de Eliézer foram Reabias, seu filho; Jesaías, seu filho; Jorão, seu filho; Zicri, seu filho; e Selomote, seu filho.
26:26 Este Selomote e seus irmãos eram responsáveis por todos os tesouros das coisas consagradas que haviam dedicado o rei Davi, os chefes das famílias paternas, os comandantes de milhares e de centenas e os comandantes do exército.
26:27 Das guerras e dos despojos haviam consagrado parte para a manutenção da casa do SENHOR.
26:28 Tudo o que haviam consagrado Samuel, o vidente, Saul, filho de Quis, Abner, filho de Ner, e Joabe, filho de Zeruia, e tudo o que qualquer pessoa consagrava estava sob a responsabilidade de Selomite e seus irmãos.
26:29 Dos isaritas, Quenanias e seus filhos eram responsáveis pelas tarefas externas, como oficiais e juízes de Israel.
26:30 Dos hebronitas, Hasabias e seus irmãos, 1.700 homens capazes, eram responsáveis pela administração de Israel a oeste do Jordão, em todo o trabalho do SENHOR e no serviço do rei.
26:31 Dos hebronitas, Jerias era o chefe, segundo suas genealogias por famílias paternas. No quadragésimo ano do reinado de Davi, foram investigados, e entre eles se acharam guerreiros valentes em Jazer de Gileade.
26:32 Seus irmãos, homens capazes e chefes de famílias paternas, somavam 2.700. O rei Davi os pôs à frente dos rubenitas, dos gaditas e da meia tribo de Manassés, em todos os assuntos de Deus e nos assuntos do rei.

Capítulo 27
27:1 Esta é a relação dos israelitas, chefes de famílias paternas, comandantes de milhares e de centenas e seus oficiais, que serviam ao rei em tudo o que dizia respeito às divisões que entravam e saíam de serviço mês a mês, durante todos os meses do ano. Cada divisão tinha 24 mil homens.
27:2 À frente da primeira divisão, para o primeiro mês, estava Jasobeão, filho de Zabdiel. Sua divisão tinha 24 mil homens.
27:3 Era descendente de Perez e chefe de todos os comandantes do exército do primeiro mês.
27:4 À frente da divisão do segundo mês estava Dodai, o aoíta. Miclote era o dirigente de sua divisão, que tinha 24 mil homens.
27:5 O terceiro comandante do exército, para o terceiro mês, era Benaia, filho do sacerdote Joiada. Ele estava à frente de uma divisão de 24 mil homens.
27:6 Este Benaia era um dos guerreiros valentes dos Trinta e chefe dos Trinta. Em sua divisão estava Amizabade, seu filho.
27:7 O quarto, para o quarto mês, era Asael, irmão de Joabe, e depois dele, seu filho Zebadias. Sua divisão tinha 24 mil homens.
27:8 O quinto, para o quinto mês, era o chefe Samute, o izraíta. Sua divisão tinha 24 mil homens.
27:9 O sexto, para o sexto mês, era Ira, filho de Iques, o tecoíta. Sua divisão tinha 24 mil homens.
27:10 O sétimo, para o sétimo mês, era Heles, o pelonita, dos descendentes de Efraim. Sua divisão tinha 24 mil homens.
27:11 O oitavo, para o oitavo mês, era Sibecai, o husatita, dos zeraítas. Sua divisão tinha 24 mil homens.
27:12 O nono, para o nono mês, era Abiezer, o anatotita, dos benjaminitas. Sua divisão tinha 24 mil homens.
27:13 O décimo, para o décimo mês, era Maarai, o netofatita, dos zeraítas. Sua divisão tinha 24 mil homens.
27:14 O décimo primeiro, para o décimo primeiro mês, era Benaia, o piratonita, dos descendentes de Efraim. Sua divisão tinha 24 mil homens.
27:15 O décimo segundo, para o décimo segundo mês, era Heldai, o netofatita, de Otniel. Sua divisão tinha 24 mil homens.
27:16 Estes eram os responsáveis pelas tribos de Israel: dos rubenitas, Eliézer, filho de Zicri, era o dirigente; dos simeonitas, Sefatias, filho de Maaca;
27:17 de Levi, Hasabias, filho de Quemuel; de Arão, Zadoque;
27:18 de Judá, Eliú, um dos irmãos de Davi; de Issacar, Onri, filho de Micael;
27:19 de Zebulom, Ismaías, filho de Obadias; de Naftali, Jerimote, filho de Azriel;
27:20 dos descendentes de Efraim, Oseias, filho de Azazias; da meia tribo de Manassés, Joel, filho de Pedaías;
27:21 da meia tribo de Manassés em Gileade, Ido, filho de Zacarias; de Benjamim, Jaasiel, filho de Abner;
27:22 de Dã, Azarel, filho de Jeroão. Estes eram os chefes das tribos de Israel.
27:23 Davi não contou os que tinham vinte anos ou menos, pois o SENHOR havia dito que multiplicaria Israel como as estrelas dos céus.
27:24 Joabe, filho de Zeruia, começou a contar, mas não terminou. Por isso houve ira sobre Israel, e o número não foi incluído no registro das crônicas do rei Davi.
27:25 Azmavete, filho de Adiel, era responsável pelos tesouros do rei; Jônatas, filho de Uzias, pelos depósitos nos campos, nas cidades, nas aldeias e nas torres.
27:26 Ezri, filho de Quelube, era responsável pelos trabalhadores dos campos que cultivavam a terra.
27:27 Simei, o ramatita, era responsável pelas vinhas; Zabdi, o sifmita, pela produção das vinhas destinada às reservas de vinho.
27:28 Baal-Hanã, o gederita, era responsável pelas oliveiras e pelos sicômoros da Sefelá; Joás, pelas reservas de azeite.
27:29 Sitrai, o saronita, era responsável pelo gado que pastava em Sarom; Safate, filho de Adlai, pelo gado dos vales.
27:30 Obil, o ismaelita, era responsável pelos camelos; Jedias, o meronotita, pelas jumentas;
27:31 e Jaziz, o hagarita, pelos rebanhos de ovelhas e cabras. Todos estes eram administradores dos bens do rei Davi.
27:32 Jônatas, tio de Davi, era conselheiro, homem entendido e escriba. Jeiel, filho de Hacmoni, estava com os filhos do rei.
27:33 Aitofel era conselheiro do rei, e Husai, o arquita, era amigo do rei.
27:34 Depois de Aitofel estavam Joiada, filho de Benaia, e Abiatar. Joabe era o comandante do exército do rei.

Capítulo 28
28:1 Davi reuniu em Jerusalém todos os chefes de Israel: os chefes das tribos, os comandantes das divisões que serviam ao rei, os comandantes de milhares e de centenas, os administradores de todos os bens e rebanhos do rei e de seus filhos, os oficiais do palácio, os homens poderosos e todos os guerreiros valentes.
28:2 O rei Davi se pôs de pé e disse: “Escutem-me, meus irmãos e meu povo. Eu tinha em meu coração construir uma casa de descanso para a arca da aliança do SENHOR e para o estrado dos pés de nosso Deus, e havia feito preparativos para construí-la.
28:3 Mas Deus me disse: ‘Você não construirá uma casa para meu nome, pois é homem de guerras e derramou sangue’.
28:4 O SENHOR, Deus de Israel, me escolheu dentre toda a casa de meu pai para ser rei de Israel para sempre. Pois escolheu Judá como governante e, da casa de Judá, a casa de meu pai; dentre os filhos de meu pai, agradou-se de mim para me fazer rei de todo Israel.
28:5 Dentre todos os meus filhos, pois o SENHOR me deu muitos filhos, escolheu meu filho Salomão para se sentar no trono do reino do SENHOR sobre Israel.
28:6 Disse-me: ‘Seu filho Salomão construirá minha casa e meus pátios, pois o escolhi para ser meu filho, e eu serei seu pai.
28:7 Estabelecerei seu reino para sempre, se ele se mantiver firme em cumprir meus mandamentos e minhas ordenanças, como hoje’.
28:8 Agora, aos olhos de todo Israel, a assembleia do SENHOR, e aos ouvidos de nosso Deus, guardem e busquem todos os mandamentos do SENHOR, seu Deus, para que possuam esta boa terra e a deixem como herança a seus filhos depois de vocês, para sempre.
28:9 E você, meu filho Salomão, conheça o Deus de seu pai e sirva-o com coração íntegro e alma disposta, pois o SENHOR sonda todos os corações e compreende toda intenção dos pensamentos. Se você o buscar, ele se deixará encontrar; mas, se o abandonar, ele o rejeitará para sempre.
28:10 Considere agora que o SENHOR o escolheu para construir uma casa como santuário. Seja forte e faça a obra”.
28:11 Davi deu a seu filho Salomão a planta do pórtico, de seus edifícios, de seus depósitos, de suas salas superiores, de suas salas interiores e da sala do propiciatório.
28:12 Também lhe deu a planta de tudo o que tinha em mente para os pátios da casa do SENHOR, todas as salas ao redor, os tesouros da casa de Deus e os tesouros das coisas consagradas;
28:13 para os turnos dos sacerdotes e dos levitas, para todo o trabalho no serviço da casa do SENHOR e para todos os utensílios do serviço da casa do SENHOR.
28:14 Especificou o peso do ouro para os objetos de ouro de cada serviço e o peso da prata para todos os objetos de prata de cada serviço;
28:15 o peso do ouro para os candelabros de ouro e suas lâmpadas, o peso de cada candelabro e suas lâmpadas; também o peso para os candelabros de prata, cada candelabro e suas lâmpadas, conforme o serviço de cada candelabro;
28:16 o peso do ouro para as mesas dos pães da presença, para cada mesa, e a prata para as mesas de prata;
28:17 o ouro puro para os garfos, as bacias e as jarras; o peso do ouro para as taças de ouro, para cada taça, e o peso da prata para as taças de prata, para cada taça;
28:18 o peso do ouro refinado para o altar do incenso e a planta do carro: os querubins de ouro, que estendiam as asas e cobriam a arca da aliança do SENHOR.
28:19 “Tudo isso está por escrito, pela mão do SENHOR sobre mim. Ele me fez entender todos os trabalhos da planta”.
28:20 Davi disse a seu filho Salomão: “Seja forte e corajoso e faça a obra. Não tenha medo nem desanime, pois o SENHOR Deus, meu Deus, está com você. Ele não o deixará nem o abandonará até que se termine todo o trabalho no serviço da casa do SENHOR.
28:21 Aqui estão os turnos dos sacerdotes e dos levitas para todo o serviço da casa de Deus. Em toda a obra estarão com você todos os que se dispõem a trabalhar com habilidade em cada serviço; os chefes e todo o povo estarão às suas ordens”.

Capítulo 29
29:1 O rei Davi disse a toda a assembleia: “Meu filho Salomão, o único a quem Deus escolheu, é jovem e inexperiente. A obra é grande, pois o palácio não é para um ser humano, mas para o SENHOR Deus.
29:2 Com todas as minhas forças preparei para a casa de meu Deus ouro para os objetos de ouro, prata para os de prata, bronze para os de bronze, ferro para os de ferro e madeira para os de madeira; pedras de ônix e pedras para engastes, pedras escuras e de várias cores, toda espécie de pedras preciosas e mármore em abundância.
29:3 Além disso, por meu amor à casa de meu Deus, dou meu tesouro particular de ouro e prata para a casa de meu Deus, além de tudo o que preparei para a casa do santuário:
29:4 mais de 102 toneladas de ouro de Ofir e 238 toneladas de prata refinada para revestir as paredes dos edifícios;
29:5 ouro para o que é de ouro, prata para o que é de prata e para todo o trabalho das mãos dos artesãos. Quem está disposto a consagrar-se hoje voluntariamente ao SENHOR?”.
29:6 Os chefes das famílias paternas, os chefes das tribos de Israel, os comandantes de milhares e de centenas e os responsáveis pelo trabalho do rei contribuíram voluntariamente.
29:7 Deram para o serviço da casa de Deus cerca de 170 toneladas de ouro e 10 mil dáricos de ouro, 340 toneladas de prata, 612 toneladas de bronze e 3.400 toneladas de ferro.
29:8 Os que tinham pedras preciosas as entregaram ao tesouro da casa do SENHOR, sob o cuidado de Jeiel, o gersonita.
29:9 O povo se alegrou com suas ofertas voluntárias, pois haviam dado voluntariamente ao SENHOR de todo o coração. Também o rei Davi se alegrou muito.
29:10 Davi bendisse o SENHOR diante de toda a assembleia e disse: “Bendito sejas tu, SENHOR, Deus de nosso pai Israel, de eternidade a eternidade.
29:11 A ti pertencem, SENHOR, a grandeza, o poder, a glória, a vitória e a majestade, pois tudo o que há nos céus e na terra é teu. Teu é o reino, SENHOR, e tu te elevas como cabeça sobre tudo.
29:12 As riquezas e a honra vêm de ti, e tu governas sobre tudo. Em tua mão estão a força e o poder; em tua mão está engrandecer e fortalecer a todos.
29:13 Agora, nosso Deus, nós te damos graças e louvamos teu nome glorioso.
29:14 Pois quem sou eu, e quem é meu povo, para termos condições de dar voluntariamente desta maneira? Tudo vem de ti, e do que recebemos de tua mão te damos.
29:15 Somos estrangeiros e moradores temporários diante de ti, como todos os nossos pais. Nossos dias sobre a terra são como uma sombra, e não há esperança.
29:16 SENHOR, nosso Deus, toda esta abundância que preparamos para te construir uma casa para teu santo nome vem de tua mão, e tudo é teu.
29:17 Sei, meu Deus, que tu provas o coração e te agradas da retidão. Com retidão de coração dei voluntariamente tudo isso, e agora vi com alegria teu povo aqui presente contribuir voluntariamente para ti.
29:18 SENHOR, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, nossos pais, conserva isso para sempre na intenção dos pensamentos do coração de teu povo e dirige seu coração para ti.
29:19 Dá a meu filho Salomão um coração íntegro para guardar teus mandamentos, teus testemunhos e teus estatutos, para cumprir tudo e construir o palácio para o qual fiz preparativos”.
29:20 Davi disse a toda a assembleia: “Bendigam agora o SENHOR, seu Deus”. Toda a assembleia bendisse o SENHOR, Deus de seus pais, e se inclinou e se prostrou diante do SENHOR e do rei.
29:21 No dia seguinte ofereceram sacrifícios ao SENHOR e holocaustos ao SENHOR: mil novilhos, mil carneiros e mil cordeiros, com suas ofertas líquidas, além de sacrifícios em abundância para todo Israel.
29:22 Naquele dia comeram e beberam diante do SENHOR com grande alegria. Pela segunda vez fizeram Salomão, filho de Davi, rei e o ungiram para o SENHOR como governante, e Zadoque como sacerdote.
29:23 Salomão se sentou no trono do SENHOR como rei no lugar de Davi, seu pai, teve êxito, e todo Israel lhe obedeceu.
29:24 Todos os chefes, os guerreiros valentes e também todos os filhos do rei Davi se submeteram ao rei Salomão.
29:25 O SENHOR engrandeceu muito Salomão aos olhos de todo Israel e lhe deu uma majestade real que nenhum rei de Israel havia tido antes dele.
29:26 Davi, filho de Jessé, reinou sobre todo Israel.
29:27 O tempo em que reinou sobre Israel foi de quarenta anos: reinou sete anos em Hebrom e trinta e três em Jerusalém.
29:28 Morreu em boa velhice, cheio de dias, riquezas e honra. Seu filho Salomão reinou em seu lugar.
29:29 Os feitos do rei Davi, do princípio ao fim, estão escritos nas crônicas de Samuel, o vidente, nas crônicas de Natã, o profeta, e nas crônicas de Gade, o vidente,
29:30 com todo o seu reinado e poder, e os acontecimentos que se deram com ele, com Israel e com todos os reinos daquelas terras.

2 CRÔNICAS

Capítulo 1
1:1 Salomão, filho de Davi, firmou-se em seu reino. O SENHOR, seu Deus, estava com ele e o engrandeceu muito.
1:2 Salomão falou a todo o Israel: aos comandantes de mil e de cem, aos juízes e a todos os líderes de Israel, chefes das famílias.
1:3 Salomão e toda a assembleia que o acompanhava foram ao lugar alto de Gibeão, pois ali estava a tenda do encontro de Deus, que Moisés, servo do SENHOR, havia feito no deserto.
1:4 Davi, porém, havia levado a arca de Deus de Quiriate-Jearim para o lugar que lhe havia preparado, pois tinha armado uma tenda para ela em Jerusalém.
1:5 O altar de bronze que Bezalel, filho de Uri, filho de Hur, havia feito fora colocado diante do tabernáculo do SENHOR. Salomão e a assembleia o procuraram.
1:6 Ali Salomão subiu ao altar de bronze que ficava junto à tenda do encontro, diante do SENHOR, e ofereceu sobre ele mil holocaustos.
1:7 Naquela noite, Deus apareceu a Salomão e lhe disse: “Peça o que você quer que eu lhe dê”.
1:8 Salomão disse a Deus: “Tu demonstraste grande amor fiel a Davi, meu pai, e me fizeste rei em seu lugar.
1:9 Agora, SENHOR Deus, que se confirme a tua palavra a Davi, meu pai, pois tu me fizeste rei sobre um povo tão numeroso como o pó da terra.
1:10 Dá-me, agora, sabedoria e conhecimento para sair e entrar à frente deste povo, pois quem pode governar este teu grande povo?”
1:11 Deus disse a Salomão: “Já que este foi o desejo do seu coração e você não pediu riquezas, bens ou honra, nem a vida dos que o odeiam, nem muitos anos de vida, mas pediu sabedoria e conhecimento para governar o meu povo, sobre o qual o fiz rei,
1:12 a sabedoria e o conhecimento lhe são concedidos. Também lhe darei riquezas, bens e honra como nenhum rei antes de você teve e nenhum depois de você terá”.
1:13 Salomão voltou a Jerusalém do lugar alto de Gibeão, de diante da tenda do encontro, e reinou sobre Israel.
1:14 Salomão reuniu carros de guerra e cavaleiros. Tinha mil e quatrocentos carros e doze mil cavaleiros, que colocou nas cidades dos carros e junto do rei, em Jerusalém.
1:15 O rei tornou a prata e o ouro tão abundantes em Jerusalém como as pedras, e os cedros tão numerosos como os sicômoros da Sefelá.
1:16 Os cavalos de Salomão eram importados do Egito e de Coa. Os comerciantes do rei os compravam em Coa pelo preço estipulado.
1:17 Importavam do Egito um carro por seiscentas peças de prata e um cavalo por cento e cinquenta. Por intermédio deles, também os exportavam a todos os reis dos hititas e aos reis de Arã.

Capítulo 2
2:1 Salomão decidiu construir uma casa para o nome do SENHOR e um palácio para seu reino.
2:2 Salomão designou setenta mil homens para transportar cargas, oitenta mil para cortar pedras nas montanhas e três mil e seiscentos para supervisioná-los.
2:3 Salomão mandou dizer a Hurão, rei de Tiro: “Faça por mim o que fez por Davi, meu pai, quando lhe enviou cedros para construir uma casa onde morar.
2:4 Estou para construir uma casa para o nome do SENHOR, meu Deus, e consagrá-la a ele, para queimar incenso aromático diante dele, apresentar continuamente os pães e oferecer holocaustos de manhã e à tarde, nos sábados, nas luas novas e nas festas determinadas pelo SENHOR, nosso Deus. Essa é uma obrigação de Israel para sempre.
2:5 A casa que vou construir será grande, pois o nosso Deus é maior do que todos os deuses.
2:6 Mas quem tem capacidade de construir uma casa para ele, se os céus e até os céus dos céus não podem contê-lo? Quem sou eu para lhe construir uma casa, a não ser para queimar incenso diante dele?
2:7 Envie-me, agora, um homem habilidoso para trabalhar com ouro, prata, bronze, ferro e tecidos de púrpura, carmesim e azul, que saiba fazer entalhes e trabalhe com os artesãos que tenho em Judá e em Jerusalém, preparados por Davi, meu pai.
2:8 Envie-me também madeira de cedro, cipreste e sândalo do Líbano, pois sei que os seus servos sabem cortar madeira no Líbano. Os meus servos trabalharão com os seus
2:9 para me prepararem madeira em abundância, pois a casa que vou construir será grande e magnífica.
2:10 Darei aos seus servos, os lenhadores que cortarem a madeira, cerca de quatro milhões e quatrocentos mil litros de trigo debulhado, a mesma quantidade de cevada, quatrocentos e vinte mil litros de vinho e quatrocentos e vinte mil litros de azeite”.
2:11 Hurão, rei de Tiro, respondeu por escrito e enviou a Salomão esta mensagem: “Porque o SENHOR ama o seu povo, fez de você rei sobre ele”.
2:12 Hurão disse ainda: “Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, que fez os céus e a terra e deu ao rei Davi um filho sábio, dotado de prudência e entendimento, para construir uma casa para o SENHOR e um palácio para seu reino.
2:13 Agora lhe envio um homem habilidoso e de grande entendimento, Hurão-Abi,
2:14 filho de uma mulher da tribo de Dã e de um homem de Tiro. Ele sabe trabalhar com ouro, prata, bronze, ferro, pedra, madeira, tecidos de púrpura e azul, linho fino e carmesim. Sabe fazer todo tipo de entalhe e elaborar qualquer projeto que lhe seja confiado, trabalhando com os seus artesãos e com os artesãos de Davi, meu senhor, seu pai.
2:15 Agora, que meu senhor envie aos seus servos o trigo, a cevada, o azeite e o vinho de que falou.
2:16 Nós cortaremos no Líbano toda a madeira de que você precisar e a levaremos em jangadas pelo mar até Jope. De lá você a levará a Jerusalém”.
2:17 Salomão recenseou todos os homens estrangeiros que viviam na terra de Israel, depois do recenseamento feito por Davi, seu pai. Foram contados cento e cinquenta e três mil e seiscentos.
2:18 Dentre eles, designou setenta mil para transportar cargas, oitenta mil para cortar pedras nas montanhas e três mil e seiscentos para supervisionar o trabalho do povo.

Capítulo 3
3:1 Salomão começou a construir a casa do SENHOR em Jerusalém, no monte Moriá, onde o SENHOR havia aparecido a Davi, seu pai, no lugar que Davi havia preparado na eira de Ornã, o jebuseu.
3:2 Começou a construção no segundo dia do segundo mês, no quarto ano do seu reinado.
3:3 Estas eram as medidas dos alicerces que Salomão lançou para construir a casa de Deus, segundo o antigo padrão de medida: cerca de vinte e sete metros e meio de comprimento e nove metros de largura.
3:4 O pórtico à frente da casa tinha o mesmo comprimento que a largura da casa, cerca de nove metros, e cerca de cinquenta e cinco metros de altura. Ele revestiu seu interior de ouro puro.
3:5 Revestiu o salão principal de madeira de cipreste e o recobriu de ouro fino, decorando-o com palmeiras e correntes.
3:6 Adornou a casa com pedras preciosas; o ouro era ouro de Parvaim.
3:7 Revestiu de ouro a casa, suas vigas, seus batentes, suas paredes e suas portas, e entalhou querubins nas paredes.
3:8 Fez o Santo dos Santos com o mesmo comprimento que a largura da casa, cerca de nove metros, e também nove metros de largura. Revestiu-o com cerca de vinte toneladas de ouro fino.
3:9 O ouro dos pregos pesava cerca de quinhentos e setenta gramas. Ele também revestiu de ouro as salas superiores.
3:10 No Santo dos Santos, fez duas esculturas de querubins, e os revestiram de ouro.
3:11 As asas dos querubins mediam, juntas, cerca de nove metros. Uma asa do primeiro querubim media cerca de dois metros e trinta centímetros e tocava a parede da casa; a outra asa, também de cerca de dois metros e trinta centímetros, tocava a asa do outro querubim.
3:12 Uma asa do outro querubim media cerca de dois metros e trinta centímetros e tocava a parede da casa; a outra asa, também de cerca de dois metros e trinta centímetros, se unia à asa do primeiro querubim.
3:13 As asas estendidas desses querubins abrangiam cerca de nove metros. Eles estavam de pé, com o rosto voltado para o salão principal.
3:14 Fez o véu de tecido azul, púrpura, carmesim e linho fino, e nele bordou querubins.
3:15 Diante da casa, fez duas colunas de cerca de dezesseis metros e meio de altura, com um capitel de cerca de dois metros e trinta centímetros no alto de cada uma.
3:16 Fez correntes no santuário interior e as colocou no alto das colunas. Fez cem romãs e as prendeu às correntes.
3:17 Ergueu as colunas diante do templo, uma à direita e outra à esquerda. À da direita deu o nome de Jaquim, e à da esquerda, Boaz.

Capítulo 4
4:1 Fez um altar de bronze com cerca de nove metros de comprimento, nove metros de largura e quatro metros e meio de altura.
4:2 Fez o Mar de metal fundido, inteiramente redondo, com cerca de quatro metros e sessenta centímetros de uma borda à outra e dois metros e trinta centímetros de altura. Um cordão de cerca de treze metros e oitenta centímetros o circundava.
4:3 Por baixo dele havia figuras de bois que o rodeavam por todos os lados, cerca de vinte por metro ao redor do Mar. Os bois formavam duas fileiras e haviam sido fundidos numa só peça com ele.
4:4 O Mar se apoiava sobre doze bois: três voltados para o norte, três para o oeste, três para o sul e três para o leste. O Mar ficava sobre eles, e todos tinham a parte traseira voltada para dentro.
4:5 Sua espessura era de cerca de oito centímetros, e sua borda era feita como a borda de uma taça, como uma flor de lírio. Tinha capacidade para cerca de sessenta e três mil litros.
4:6 Fez dez bacias, colocando cinco à direita e cinco à esquerda, para lavar nelas o que se preparava para o holocausto. O Mar era para os sacerdotes se lavarem.
4:7 Fez dez candelabros de ouro, conforme o modelo estabelecido, e os colocou no templo, cinco à direita e cinco à esquerda.
4:8 Fez dez mesas e as colocou no templo, cinco à direita e cinco à esquerda. Também fez cem bacias de ouro.
4:9 Fez o pátio dos sacerdotes, o grande pátio e as portas do pátio, e revestiu as portas de bronze.
4:10 Colocou o Mar do lado direito, para o sudeste.
4:11 Hurão fez os caldeirões, as pás e as bacias. Hirão concluiu o trabalho que fazia para o rei Salomão na casa de Deus:
4:12 as duas colunas, os dois globos dos capitéis no alto das colunas e as duas redes para cobrir os dois globos dos capitéis que ficavam no alto das colunas;
4:13 as quatrocentas romãs para as duas redes, duas fileiras de romãs em cada rede, para cobrir os dois globos dos capitéis no alto das colunas.
4:14 Fez as bases e as bacias que ficavam sobre elas;
4:15 o Mar, que era um só, e os doze bois debaixo dele;
4:16 os caldeirões, as pás, os garfos e todos os seus utensílios. Hurão-Abi os fez de bronze polido para o rei Salomão, para a casa do SENHOR.
4:17 O rei os fundiu na planície do Jordão, em terra argilosa, entre Sucote e Zeredá.
4:18 Salomão fez todos esses utensílios em tão grande quantidade que não se determinou o peso do bronze.
4:19 Salomão fez todos os utensílios da casa de Deus: o altar de ouro e as mesas sobre as quais ficavam os pães da Presença;
4:20 os candelabros com suas lâmpadas de ouro puro, para arderem diante do santuário interior, conforme o que estava estabelecido;
4:21 as flores, as lâmpadas e as pinças de ouro, do ouro mais puro;
4:22 as tesouras para aparar os pavios, as bacias, as colheres e os incensários de ouro puro. Quanto à entrada da casa, suas portas internas, para o Santo dos Santos, e as portas do salão principal eram de ouro.

Capítulo 5
5:1 Assim se concluiu todo o trabalho que Salomão fez para a casa do SENHOR. Salomão trouxe as coisas que Davi, seu pai, havia consagrado e colocou a prata, o ouro e todos os utensílios nos tesouros da casa de Deus.
5:2 Então Salomão reuniu em Jerusalém os anciãos de Israel, todos os chefes das tribos e os líderes das famílias dos israelitas, para levar a arca da aliança do SENHOR da Cidade de Davi, isto é, Sião.
5:3 Todos os homens de Israel se reuniram com o rei durante a festa do sétimo mês.
5:4 Todos os anciãos de Israel chegaram, e os levitas levantaram a arca.
5:5 Levaram a arca, a tenda do encontro e todos os utensílios sagrados que estavam na tenda. Os sacerdotes levitas os levaram.
5:6 O rei Salomão e toda a comunidade de Israel reunida com ele diante da arca sacrificavam ovelhas, cabras e bois em tão grande quantidade que não se podiam contar nem enumerar.
5:7 Os sacerdotes levaram a arca da aliança do SENHOR para seu lugar, no santuário interior da casa, no Santo dos Santos, debaixo das asas dos querubins.
5:8 Os querubins estendiam as asas sobre o lugar da arca e cobriam por cima a arca e suas varas.
5:9 As varas eram tão compridas que suas extremidades se viam saindo da arca, diante do santuário interior, mas não se viam de fora. A arca permanece ali até hoje.
5:10 Na arca só havia as duas tábuas que Moisés havia colocado em Horebe, onde o SENHOR fez aliança com os israelitas quando saíram do Egito.
5:11 Os sacerdotes saíram do santuário. Todos os sacerdotes presentes haviam se santificado, sem levar em conta seus turnos.
5:12 Todos os levitas cantores, Asafe, Hemã e Jedutum, com seus filhos e seus irmãos, vestidos de linho fino, estavam a leste do altar com címbalos, harpas e liras. Com eles estavam cento e vinte sacerdotes que tocavam trombetas.
5:13 Os que tocavam trombetas e os cantores se uniram para fazer ouvir uma só voz, louvando e dando graças ao SENHOR. Quando elevaram o som das trombetas, dos címbalos e dos instrumentos musicais, louvando o SENHOR e dizendo: “Porque ele é bom, porque seu amor fiel dura para sempre”, a casa, a casa do SENHOR, se encheu de uma nuvem.
5:14 Os sacerdotes não podiam permanecer ali para servir por causa da nuvem, pois a glória do SENHOR havia enchido a casa de Deus.

Capítulo 6
6:1 Então Salomão disse:
 “O SENHOR disse que habitaria na escuridão densa.
6:2 Eu te construí uma casa majestosa, um lugar para tua habitação para sempre”.
6:3 O rei se voltou e abençoou toda a assembleia de Israel, que estava de pé.
6:4 Ele disse: “Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, que cumpriu com suas mãos o que falou com sua boca a Davi, meu pai, dizendo:
6:5 ‘Desde o dia em que tirei o meu povo da terra do Egito, não escolhi cidade alguma dentre todas as tribos de Israel para construir uma casa onde estivesse o meu nome, nem escolhi homem algum para governar o meu povo Israel.
6:6 Mas escolhi Jerusalém para que o meu nome estivesse ali, e escolhi Davi para estar à frente do meu povo Israel’.
6:7 Davi, meu pai, tinha no coração construir uma casa para o nome do SENHOR, Deus de Israel.
6:8 O SENHOR, porém, disse a Davi, meu pai: ‘Você teve no coração construir uma casa para o meu nome, e fez bem em ter isso no coração.
6:9 Contudo, você não construirá essa casa; seu filho, que descenderá de você, é quem construirá a casa para o meu nome’.
6:10 O SENHOR cumpriu a palavra que havia falado. Eu sucedi a Davi, meu pai, e me sentei no trono de Israel, como o SENHOR havia dito, e construí a casa para o nome do SENHOR, Deus de Israel.
6:11 Nela coloquei a arca, na qual está a aliança que o SENHOR fez com os israelitas”.
6:12 Salomão se pôs de pé diante do altar do SENHOR, perante toda a assembleia de Israel, e estendeu as mãos.
6:13 Salomão havia feito uma plataforma de bronze com cerca de dois metros e trinta centímetros de comprimento, dois metros e trinta centímetros de largura e um metro e quarenta centímetros de altura, e a havia colocado no meio do pátio. Ele subiu na plataforma, ajoelhou-se diante de toda a assembleia de Israel e estendeu as mãos para os céus.
6:14 Ele disse: “SENHOR, Deus de Israel, não há Deus como tu nos céus nem na terra. Tu manténs a aliança e o amor fiel para com os teus servos que andam diante de ti de todo o coração.
6:15 Cumpriste ao teu servo Davi, meu pai, o que lhe prometeste. Falaste com tua boca e cumpriste com tua mão, como se vê hoje.
6:16 Agora, SENHOR, Deus de Israel, cumpre ao teu servo Davi, meu pai, o que lhe prometeste, dizendo: ‘Nunca faltará a você, diante de mim, um homem que se sente no trono de Israel, desde que seus filhos cuidem de sua conduta e andem na minha lei, como você andou diante de mim’.
6:17 Agora, SENHOR, Deus de Israel, que se confirme a palavra que falaste ao teu servo Davi.
6:18 Mas será que Deus habitará de fato com os seres humanos na terra? Os céus e até os céus dos céus não podem conter-te, muito menos esta casa que construí!
6:19 Atende, porém, à oração do teu servo e à sua súplica, SENHOR, meu Deus. Ouve o clamor e a oração que o teu servo faz diante de ti.
6:20 Que teus olhos estejam abertos dia e noite sobre esta casa, sobre o lugar onde disseste que porias o teu nome, para ouvires a oração que o teu servo fizer voltado para este lugar.
6:21 Ouve as súplicas do teu servo e do teu povo Israel quando orarem voltados para este lugar. Ouve tu do lugar da tua habitação, dos céus; ouve e perdoa.
6:22 Se um homem pecar contra seu próximo e for obrigado a prestar um juramento sob maldição, e esse juramento for feito diante do teu altar nesta casa,
6:23 ouve tu dos céus, age e julga os teus servos. Faz recair sobre a cabeça do culpado sua própria conduta e declara justo o inocente, dando-lhe conforme a sua justiça.
6:24 Se o teu povo Israel for derrotado diante de um inimigo por ter pecado contra ti, e eles voltarem, reconhecerem o teu nome, orarem e suplicarem diante de ti nesta casa,
6:25 ouve tu dos céus, perdoa o pecado do teu povo Israel e faze-os voltar à terra que deste a eles e a seus antepassados.
6:26 Quando os céus se fecharem e não houver chuva por terem pecado contra ti, se orarem voltados para este lugar, reconhecerem o teu nome e se afastarem do seu pecado por tu os teres afligido,
6:27 ouve tu dos céus e perdoa o pecado dos teus servos e do teu povo Israel. Ensina-lhes o bom caminho em que devem andar e dá chuva sobre a tua terra, que deste ao teu povo como herança.
6:28 Se houver fome na terra, peste, crestamento ou ferrugem nas plantações, gafanhotos ou lagartas, se seus inimigos os cercarem nas cidades de sua terra, ou se houver qualquer praga ou doença,
6:29 seja qual for a oração ou a súplica que uma pessoa ou todo o teu povo Israel fizer, quando cada um reconhecer sua própria aflição e sua dor e estender as mãos para esta casa,
6:30 ouve tu dos céus, do lugar da tua habitação, perdoa e dá a cada um conforme toda a sua conduta, pois conheces seu coração. Só tu conheces o coração dos seres humanos,
6:31 para que te temam e andem nos teus caminhos todos os dias em que viverem na terra que deste a nossos antepassados.
6:32 Também quanto ao estrangeiro que não pertence ao teu povo Israel e vem de uma terra distante por causa do teu grande nome, da tua mão poderosa e do teu braço estendido, quando vier orar voltado para esta casa,
6:33 ouve tu dos céus, do lugar da tua habitação, e faze tudo o que o estrangeiro te pedir. Assim todos os povos da terra conhecerão o teu nome e te temerão como o teu povo Israel, e saberão que o teu nome é invocado sobre esta casa que construí.
6:34 Quando o teu povo sair à guerra contra seus inimigos pelo caminho por onde o enviares, e orarem a ti voltados para esta cidade que escolheste e para a casa que construí para o teu nome,
6:35 ouve dos céus sua oração e sua súplica e defende a sua causa.
6:36 Quando pecarem contra ti, pois não há ser humano que não peque, e te indignares com eles e os entregares a um inimigo, e seus captores os levarem cativos para uma terra distante ou próxima,
6:37 se caírem em si na terra para onde foram levados cativos, se voltarem e te suplicarem na terra do seu cativeiro, dizendo: ‘Pecamos, agimos perversamente e fizemos o mal’,
6:38 e se voltarem a ti de todo o coração e de toda a alma na terra do seu cativeiro, para onde foram levados, e orarem voltados para a terra que deste a seus antepassados, para a cidade que escolheste e para a casa que construí para o teu nome,
6:39 ouve dos céus, do lugar da tua habitação, sua oração e suas súplicas, defende a sua causa e perdoa o teu povo, que pecou contra ti.
6:40 Agora, meu Deus, que teus olhos estejam abertos e teus ouvidos atentos à oração feita neste lugar.
6:41 Agora levanta-te, SENHOR Deus, e vem para o teu lugar de descanso, tu e a arca do teu poder. Que os teus sacerdotes, SENHOR Deus, se vistam de salvação, e que os teus fiéis se alegrem com a tua bondade.
6:42 SENHOR Deus, não rejeites o teu ungido. Lembra-te do teu amor fiel para com Davi, teu servo”.

Capítulo 7
7:1 Quando Salomão terminou de orar, desceu fogo dos céus e consumiu o holocausto e os sacrifícios. A glória do SENHOR encheu a casa.
7:2 Os sacerdotes não podiam entrar na casa do SENHOR, pois a glória do SENHOR havia enchido a casa do SENHOR.
7:3 Todos os israelitas viram o fogo descer e a glória do SENHOR sobre a casa. Ajoelharam-se com o rosto em terra sobre o pavimento, prostraram-se e deram graças ao SENHOR, dizendo: “Porque ele é bom, porque seu amor fiel dura para sempre”.
7:4 O rei e todo o povo ofereciam sacrifícios diante do SENHOR.
7:5 O rei Salomão ofereceu em sacrifício vinte e dois mil bois e cento e vinte mil ovelhas e cabras. Assim o rei e todo o povo dedicaram a casa de Deus.
7:6 Os sacerdotes estavam em seus postos, e os levitas, com os instrumentos musicais do SENHOR que o rei Davi havia feito para dar graças ao SENHOR, “porque seu amor fiel dura para sempre”, quando Davi o louvava por meio deles. Os sacerdotes tocavam trombetas diante deles, e todo o Israel estava de pé.
7:7 Salomão consagrou a parte central do pátio que ficava diante da casa do SENHOR, pois ali ofereceu os holocaustos e a gordura dos sacrifícios de comunhão. O altar de bronze que Salomão havia feito não comportava os holocaustos, as ofertas de cereais e a gordura.
7:8 Naquela ocasião, Salomão celebrou a festa por sete dias, e todo o Israel com ele, uma enorme assembleia, desde a entrada de Hamate até o ribeiro do Egito.
7:9 No oitavo dia, fizeram uma assembleia solene, pois haviam celebrado a dedicação do altar por sete dias e a festa por sete dias.
7:10 No dia vinte e três do sétimo mês, ele despediu o povo para suas tendas, alegre e de bom ânimo pelo bem que o SENHOR havia feito a Davi, a Salomão e a Israel, seu povo.
7:11 Salomão concluiu a casa do SENHOR e o palácio real. Realizou com sucesso tudo o que tinha no coração fazer na casa do SENHOR e em seu próprio palácio.
7:12 O SENHOR apareceu a Salomão de noite e lhe disse: “Ouvi a sua oração e escolhi para mim este lugar como casa de sacrifício.
7:13 Se eu fechar os céus e não houver chuva, se ordenar aos gafanhotos que devorem a terra ou se enviar peste entre o meu povo,
7:14 e se o meu povo, que é chamado pelo meu nome, se humilhar, orar, buscar a minha face e se converter dos seus maus caminhos, então ouvirei dos céus, perdoarei seu pecado e sararei sua terra.
7:15 Agora meus olhos estarão abertos e meus ouvidos atentos à oração feita neste lugar.
7:16 Escolhi e consagrei esta casa para que o meu nome esteja nela para sempre. Meus olhos e meu coração estarão ali todos os dias.
7:17 Quanto a você, se andar diante de mim como Davi, seu pai, andou, fizer tudo o que lhe ordenei e guardar os meus estatutos e as minhas ordenanças,
7:18 firmarei o trono do seu reino, conforme a aliança que fiz com Davi, seu pai, dizendo: ‘Nunca faltará a você um homem que governe em Israel’.
7:19 Mas, se vocês se desviarem, abandonarem os meus estatutos e mandamentos, que pus diante de vocês, e forem servir a outros deuses e se prostrarem diante deles,
7:20 eu os arrancarei da minha terra, que lhes dei, e lançarei para longe da minha presença esta casa que consagrei ao meu nome. Farei dela motivo de zombaria e escárnio entre todos os povos.
7:21 Todo aquele que passar por esta casa, que foi tão exaltada, ficará espantado e dirá: ‘Por que o SENHOR fez isso a esta terra e a esta casa?’
7:22 Responderão: ‘Porque abandonaram o SENHOR, Deus de seus antepassados, que os tirou da terra do Egito, e se apegaram a outros deuses, prostraram-se diante deles e os serviram. Por isso ele trouxe sobre eles toda esta calamidade’”.

Capítulo 8
8:1 Ao fim dos vinte anos em que Salomão construiu a casa do SENHOR e seu próprio palácio,
8:2 Salomão reconstruiu as cidades que Hurão lhe havia dado e estabeleceu nelas os israelitas.
8:3 Salomão marchou contra Hamate-Zobá e a conquistou.
8:4 Construiu Tadmor no deserto e todas as cidades de armazenamento que edificou em Hamate.
8:5 Reconstruiu Bete-Horom de Cima e Bete-Horom de Baixo como cidades fortificadas, com muralhas, portas e trancas;
8:6 também Baalate e todas as cidades de armazenamento que pertenciam a Salomão, todas as cidades dos carros de guerra e dos cavaleiros, e tudo o que Salomão desejou construir em Jerusalém, no Líbano e em todo o território do seu domínio.
8:7 Quanto a todos os que restaram dos hititas, amorreus, ferezeus, heveus e jebuseus, que não eram israelitas,
8:8 seus descendentes, que permaneceram depois deles na terra e que os israelitas não haviam exterminado, foram submetidos por Salomão a trabalhos forçados, como acontece até hoje.
8:9 Mas Salomão não empregou os israelitas como escravos em suas obras. Eles eram seus soldados, os chefes de seus oficiais e os comandantes de seus carros de guerra e de seus cavaleiros.
8:10 Os chefes dos supervisores do rei Salomão eram duzentos e cinquenta e dirigiam o povo.
8:11 Salomão levou a filha do faraó da Cidade de Davi para a casa que lhe havia construído, pois disse: “Minha esposa não morará na casa de Davi, rei de Israel, porque são santos os lugares onde entrou a arca do SENHOR”.
8:12 Então Salomão oferecia holocaustos ao SENHOR no altar do SENHOR que havia construído diante do pórtico,
8:13 conforme o que cabia a cada dia, oferecendo-os segundo o mandamento de Moisés, nos sábados, nas luas novas e nas festas determinadas, três vezes ao ano: na Festa dos Pães sem Fermento, na Festa das Semanas e na Festa das Tendas.
8:14 Conforme as determinações de Davi, seu pai, estabeleceu os turnos dos sacerdotes para seu serviço, os levitas em suas funções para louvar e servir diante dos sacerdotes segundo as necessidades de cada dia, e os porteiros em seus turnos em cada porta. Assim havia ordenado Davi, o homem de Deus.
8:15 Eles não se desviaram das ordens do rei a respeito dos sacerdotes e dos levitas em nenhum assunto, nem no que dizia respeito aos tesouros.
8:16 Assim ficou em ordem todo o trabalho de Salomão, desde o dia em que se lançaram os alicerces da casa do SENHOR até sua conclusão. A casa do SENHOR ficou completa.
8:17 Então Salomão foi a Eziom-Geber e a Elote, à beira do mar, na terra de Edom.
8:18 Hurão lhe enviou, por meio de seus servos, navios e homens experientes no mar. Eles foram com os servos de Salomão a Ofir, trouxeram de lá cerca de quinze toneladas de ouro e as entregaram ao rei Salomão.

Capítulo 9
9:1 A rainha de Sabá ouviu falar da fama de Salomão e foi a Jerusalém para pô-lo à prova com enigmas. Chegou com uma comitiva muito grande e camelos carregados de especiarias, ouro em abundância e pedras preciosas. Foi a Salomão e conversou com ele sobre tudo o que tinha no coração.
9:2 Salomão respondeu a todas as suas perguntas. Nada havia que Salomão não pudesse lhe explicar.
9:3 Quando a rainha de Sabá viu a sabedoria de Salomão, o palácio que ele havia construído,
9:4 a comida da sua mesa, os lugares de seus servos, a disposição dos seus auxiliares e suas roupas, seus copeiros e suas roupas, e a escadaria pela qual subia à casa do SENHOR, ficou sem fôlego.
9:5 Ela disse ao rei: “Era verdade o que ouvi na minha terra a respeito de suas palavras e de sua sabedoria.
9:6 Eu não acreditava no que diziam até que vim e vi com meus próprios olhos. Não me contaram nem a metade da grandeza de sua sabedoria. Você supera a fama que ouvi.
9:7 Felizes os seus homens e felizes estes seus servos, que estão sempre diante de você e ouvem a sua sabedoria!
9:8 Bendito seja o SENHOR, seu Deus, que se agradou de você e o colocou no trono dele como rei a serviço do SENHOR, seu Deus! Porque o seu Deus ama Israel e quer estabelecê-lo para sempre, fez de você rei sobre eles para exercer o direito e a justiça”.
9:9 Ela deu ao rei cerca de quatro mil quilos de ouro, especiarias em enorme quantidade e pedras preciosas. Nunca houve especiarias como as que a rainha de Sabá deu ao rei Salomão.
9:10 Os servos de Hirão e os servos de Salomão que haviam trazido ouro de Ofir também trouxeram madeira de sândalo e pedras preciosas.
9:11 Com a madeira de sândalo, o rei fez passagens para a casa do SENHOR e para o palácio real, e liras e harpas para os cantores. Nunca antes se tinham visto coisas semelhantes na terra de Judá.
9:12 O rei Salomão deu à rainha de Sabá tudo o que ela desejou e pediu, além do que ela havia trazido ao rei. Depois ela voltou para sua terra com seus servos.
9:13 O ouro que chegava a Salomão em um ano pesava cerca de vinte e três toneladas,
9:14 sem contar o que traziam os negociantes e os comerciantes. Todos os reis da Arábia e os governadores da terra traziam ouro e prata a Salomão.
9:15 O rei Salomão fez duzentos escudos grandes de ouro batido, usando quase sete quilos de ouro batido em cada escudo.
9:16 Também fez trezentos escudos menores de ouro batido, usando cerca de três quilos e meio de ouro em cada um. O rei os colocou na Casa da Floresta do Líbano.
9:17 O rei fez um grande trono de marfim e o revestiu de ouro puro.
9:18 O trono tinha seis degraus e um estrado de ouro preso a ele. Havia apoios para os braços dos dois lados do assento e dois leões de pé junto aos apoios.
9:19 Doze leões ficavam sobre os seis degraus, de um lado e do outro. Nada semelhante havia sido feito em nenhum reino.
9:20 Todos os copos do rei Salomão eram de ouro, e todos os utensílios da Casa da Floresta do Líbano eram de ouro puro. A prata não era considerada de valor nos dias de Salomão.
9:21 O rei tinha navios que iam a Társis com os servos de Hurão. Uma vez a cada três anos, os navios de Társis chegavam carregados de ouro, prata, marfim, macacos e pavões.
9:22 O rei Salomão superou todos os reis da terra em riqueza e sabedoria.
9:23 Todos os reis da terra procuravam estar na presença de Salomão para ouvir a sabedoria que Deus havia posto em seu coração.
9:24 Cada um trazia seu presente: objetos de prata e de ouro, roupas, armas, especiarias, cavalos e mulas, ano após ano.
9:25 Salomão tinha quatro mil estábulos para cavalos e carros de guerra, e doze mil cavaleiros. Ele os colocou nas cidades dos carros e junto do rei, em Jerusalém.
9:26 Ele dominava sobre todos os reis desde o rio até a terra dos filisteus e até a fronteira do Egito.
9:27 O rei tornou a prata tão abundante em Jerusalém como as pedras, e os cedros tão numerosos como os sicômoros da Sefelá.
9:28 Traziam cavalos para Salomão do Egito e de todas as terras.
9:29 Os demais feitos de Salomão, do primeiro ao último, não estão escritos nos registros de Natã, o profeta, na profecia de Aías, o silonita, e nas visões de Jedi, o vidente, a respeito de Jeroboão, filho de Nebate?
9:30 Salomão reinou em Jerusalém sobre todo o Israel durante quarenta anos.
9:31 Salomão descansou com seus antepassados, e o sepultaram na Cidade de Davi, seu pai. Roboão, seu filho, reinou em seu lugar.

Capítulo 10
10:1 Roboão foi a Siquém, pois todo o Israel havia ido a Siquém para proclamá-lo rei.
10:2 Quando Jeroboão, filho de Nebate, soube disso, estava no Egito, para onde havia fugido do rei Salomão. Jeroboão voltou do Egito.
10:3 Mandaram chamá-lo, e Jeroboão e todo o Israel foram falar com Roboão:
10:4 “Seu pai tornou pesado o nosso jugo. Agora alivie o duro serviço imposto por seu pai e o pesado jugo que ele pôs sobre nós, e nós o serviremos”.
10:5 Ele lhes disse: “Voltem a mim daqui a três dias”. E o povo se retirou.
10:6 O rei Roboão consultou os anciãos que haviam servido diante de Salomão, seu pai, enquanto ele vivia, e perguntou: “Como vocês aconselham que eu responda a este povo?”
10:7 Eles lhe disseram: “Se você for bom para com este povo, os agradar e lhes falar palavras boas, eles serão seus servos para sempre”.
10:8 Mas ele rejeitou o conselho que os anciãos lhe haviam dado e consultou os jovens que haviam crescido com ele e estavam a seu serviço.
10:9 Perguntou-lhes: “O que vocês aconselham que respondamos a este povo, que me disse: ‘Alivie o jugo que seu pai pôs sobre nós’?”
10:10 Os jovens que haviam crescido com ele lhe disseram: “Assim você dirá ao povo que lhe disse: ‘Seu pai tornou pesado o nosso jugo, mas você alivie nossa carga’. Diga-lhes: ‘Meu dedo mínimo é mais grosso que a cintura de meu pai.
10:11 Meu pai pôs sobre vocês um jugo pesado, mas eu o tornarei ainda mais pesado. Meu pai os castigou com chicotes, mas eu os castigarei com escorpiões’”.
10:12 Jeroboão e todo o povo foram a Roboão no terceiro dia, conforme o rei havia dito: “Voltem a mim no terceiro dia”.
10:13 O rei lhes respondeu com dureza. O rei Roboão rejeitou o conselho dos anciãos
10:14 e lhes falou conforme o conselho dos jovens: “Tornarei pesado o jugo de vocês e ainda acrescentarei mais. Meu pai os castigou com chicotes, mas eu os castigarei com escorpiões”.
10:15 O rei não deu ouvidos ao povo, pois essa mudança nos acontecimentos vinha de Deus, para que o SENHOR cumprisse a palavra que havia falado por meio de Aías, o silonita, a Jeroboão, filho de Nebate.
10:16 Como o rei não deu ouvidos a todo o Israel, o povo respondeu ao rei: “Que parte temos em Davi? Não temos herança no filho de Jessé. Cada um às suas tendas, Israel! Agora cuide da sua casa, Davi!” E todo o Israel foi para suas tendas.
10:17 Roboão reinou sobre os israelitas que moravam nas cidades de Judá.
10:18 O rei Roboão enviou Hadorão, encarregado dos trabalhos forçados, mas os israelitas o apedrejaram, e ele morreu. O rei Roboão se apressou em subir no seu carro para fugir para Jerusalém.
10:19 Assim Israel se rebelou contra a casa de Davi, até o dia de hoje.

Capítulo 11
11:1 Roboão chegou a Jerusalém e reuniu da casa de Judá e de Benjamim cento e oitenta mil guerreiros escolhidos, para combater Israel e devolver o reino a Roboão.
11:2 Mas a palavra do SENHOR veio a Semaías, o homem de Deus:
11:3 “Diga a Roboão, filho de Salomão, rei de Judá, e a todo o Israel em Judá e Benjamim:
11:4 ‘Assim diz o SENHOR: Não subam nem lutem contra seus irmãos. Volte cada um para sua casa, pois foi por minha vontade que isso aconteceu’”. Eles ouviram as palavras do SENHOR e desistiram de marchar contra Jeroboão.
11:5 Roboão morou em Jerusalém e construiu cidades fortificadas em Judá.
11:6 Fortificou Belém, Etã, Tecoa,
11:7 Bete-Zur, Socó, Adulão,
11:8 Gate, Maressa, Zife,
11:9 Adoraim, Laquis, Azeca,
11:10 Zorá, Aijalom e Hebrom, cidades fortificadas de Judá e Benjamim.
11:11 Reforçou as fortalezas e colocou nelas comandantes e reservas de alimentos, azeite e vinho.
11:12 Pôs escudos grandes e lanças em cada cidade e as fortaleceu muito. Judá e Benjamim estavam sob seu domínio.
11:13 Os sacerdotes e os levitas de todo o Israel vieram de todos os seus territórios e se colocaram ao lado dele.
11:14 Os levitas abandonaram suas pastagens e propriedades e foram para Judá e Jerusalém, pois Jeroboão e seus filhos os haviam impedido de exercer o sacerdócio para o SENHOR.
11:15 Jeroboão nomeou seus próprios sacerdotes para os lugares altos, para os ídolos em forma de bodes e para os bezerros que havia feito.
11:16 Depois deles, vieram a Jerusalém pessoas de todas as tribos de Israel que haviam disposto o coração a buscar o SENHOR, Deus de Israel, para oferecer sacrifícios ao SENHOR, Deus de seus antepassados.
11:17 Eles fortaleceram o reino de Judá e apoiaram Roboão, filho de Salomão, durante três anos, pois durante três anos andaram no caminho de Davi e de Salomão.
11:18 Roboão tomou por esposa Maalate, descendente de Jerimote, filho de Davi, e de Abiail, filha de Eliabe, filho de Jessé.
11:19 Ela lhe deu os filhos Jeús, Semarias e Zaão.
11:20 Depois dela, tomou Maaca, filha de Absalão, que lhe deu os filhos Abias, Atai, Ziza e Selomite.
11:21 Roboão amava Maaca, filha de Absalão, mais que todas as suas outras esposas e concubinas. Ele havia tomado dezoito esposas e sessenta concubinas e teve vinte e oito filhos e sessenta filhas.
11:22 Roboão colocou Abias, filho de Maaca, como chefe e líder entre seus irmãos, pois queria fazê-lo rei.
11:23 Agiu com prudência e distribuiu alguns de seus filhos por todos os territórios de Judá e Benjamim, por todas as cidades fortificadas. Deu-lhes provisões em abundância e procurou muitas esposas.

Capítulo 12
12:1 Quando o reino de Roboão se firmou e ele se fortaleceu, abandonou a lei do SENHOR, e todo o Israel o acompanhou.
12:2 No quinto ano do rei Roboão, Sisaque, rei do Egito, marchou contra Jerusalém, pois eles haviam sido infiéis ao SENHOR.
12:3 Ele veio com mil e duzentos carros de guerra e sessenta mil cavaleiros. Eram incontáveis as tropas que vieram com ele do Egito: líbios, suquitas e cuxitas.
12:4 Tomou as cidades fortificadas de Judá e chegou até Jerusalém.
12:5 O profeta Semaías foi a Roboão e aos líderes de Judá, que se haviam reunido em Jerusalém por causa de Sisaque, e lhes disse: “Assim diz o SENHOR: Vocês me abandonaram; por isso eu também os abandonei nas mãos de Sisaque”.
12:6 Os líderes de Israel e o rei se humilharam e disseram: “O SENHOR é justo”.
12:7 Quando o SENHOR viu que se haviam humilhado, a palavra do SENHOR veio a Semaías: “Eles se humilharam; não os destruirei, mas lhes darei algum livramento. Minha ira não será derramada sobre Jerusalém por meio de Sisaque.
12:8 Contudo, eles serão servos dele, para que conheçam o que é servir a mim e o que é servir aos reinos da terra”.
12:9 Sisaque, rei do Egito, marchou contra Jerusalém e tomou os tesouros da casa do SENHOR e os tesouros do palácio real. Levou tudo; levou também os escudos de ouro que Salomão havia feito.
12:10 Em lugar deles, o rei Roboão fez escudos de bronze e os confiou aos comandantes da guarda, que vigiavam a entrada do palácio real.
12:11 Sempre que o rei ia à casa do SENHOR, os guardas vinham e levavam os escudos; depois os devolviam à sala da guarda.
12:12 Quando Roboão se humilhou, a ira do SENHOR se afastou dele, e ele não foi destruído por completo. Também em Judá havia coisas boas.
12:13 O rei Roboão se fortaleceu em Jerusalém e reinou. Tinha quarenta e um anos quando começou a reinar e reinou dezessete anos em Jerusalém, a cidade que o SENHOR havia escolhido dentre todas as tribos de Israel para ali pôr o seu nome. Sua mãe se chamava Naamá, a amonita.
12:14 Ele fez o mal, pois não dispôs o coração a buscar o SENHOR.
12:15 Os feitos de Roboão, do primeiro ao último, não estão escritos nos registros de Semaías, o profeta, e de Ido, o vidente, nos registros genealógicos? Houve guerras entre Roboão e Jeroboão durante todo esse tempo.
12:16 Roboão descansou com seus antepassados e foi sepultado na Cidade de Davi. Abias, seu filho, reinou em seu lugar.

Capítulo 13
13:1 No décimo oitavo ano do rei Jeroboão, Abias começou a reinar sobre Judá.
13:2 Ele reinou três anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Micaía, filha de Uriel, de Gibeá. Houve guerra entre Abias e Jeroboão.
13:3 Abias entrou em combate com um exército de quatrocentos mil guerreiros valentes e escolhidos. Jeroboão se dispôs a lutar contra ele com oitocentos mil homens escolhidos, guerreiros valentes.
13:4 Abias se pôs de pé no monte Zemaraim, na região montanhosa de Efraim, e disse: “Ouçam-me, Jeroboão e todo o Israel!
13:5 Vocês não sabem que o SENHOR, Deus de Israel, deu o reino sobre Israel a Davi para sempre, a ele e a seus filhos, por uma aliança de sal?
13:6 Mas Jeroboão, filho de Nebate, servo de Salomão, filho de Davi, se levantou e se rebelou contra seu senhor.
13:7 Homens sem valor e perversos se juntaram a ele e se impuseram a Roboão, filho de Salomão, quando Roboão era jovem e fraco de coração e não conseguiu resistir a eles.
13:8 Agora vocês pensam resistir ao reino do SENHOR, que está nas mãos dos filhos de Davi. Vocês são uma grande multidão e têm consigo os bezerros de ouro que Jeroboão fez para vocês como deuses.
13:9 Vocês não expulsaram os sacerdotes do SENHOR, os filhos de Arão, e os levitas, e nomearam seus próprios sacerdotes, como fazem os povos de outras terras? Qualquer um que venha para ser consagrado com um novilho e sete carneiros se torna sacerdote dos que não são deuses.
13:10 Quanto a nós, o SENHOR é o nosso Deus, e não o abandonamos. Os sacerdotes que servem ao SENHOR são filhos de Arão, e os levitas se ocupam do seu trabalho.
13:11 Todas as manhãs e todas as tardes eles queimam holocaustos e incenso aromático ao SENHOR, dispõem os pães sobre a mesa pura e acendem, a cada tarde, o candelabro de ouro com suas lâmpadas. Nós guardamos o que o SENHOR, nosso Deus, nos confiou, mas vocês o abandonaram.
13:12 Deus está conosco, à nossa frente, e seus sacerdotes têm as trombetas de alarme para fazê-las soar contra vocês. Israelitas, não lutem contra o SENHOR, Deus de seus antepassados, pois vocês não terão êxito”.
13:13 Jeroboão fez as tropas da emboscada darem a volta para chegar por trás deles. Suas tropas estavam diante de Judá, e a emboscada, atrás.
13:14 Os de Judá se voltaram e viram que tinham de lutar pela frente e por trás. Clamaram ao SENHOR, e os sacerdotes tocaram as trombetas.
13:15 Os homens de Judá deram um grito. Quando os homens de Judá gritaram, Deus derrotou Jeroboão e todo o Israel diante de Abias e de Judá.
13:16 Os israelitas fugiram de Judá, e Deus os entregou nas mãos deles.
13:17 Abias e seu povo lhes infligiram uma grande derrota; caíram mortos quinhentos mil homens escolhidos de Israel.
13:18 Naquela ocasião, os israelitas foram humilhados, e os de Judá se fortaleceram, pois se apoiaram no SENHOR, Deus de seus antepassados.
13:19 Abias perseguiu Jeroboão e lhe tomou cidades: Betel e suas aldeias, Jesana e suas aldeias, e Efrom e suas aldeias.
13:20 Jeroboão não recuperou mais sua força nos dias de Abias. O SENHOR o feriu, e ele morreu.
13:21 Abias se fortaleceu, tomou catorze esposas e teve vinte e dois filhos e dezesseis filhas.
13:22 Os demais feitos de Abias, sua conduta e suas palavras estão escritos no comentário do profeta Ido.

Capítulo 14
14:1 Abias descansou com seus antepassados, e o sepultaram na Cidade de Davi. Asa, seu filho, reinou em seu lugar. Em seus dias, a terra esteve em paz por dez anos.
14:2 Asa fez o que era bom e reto aos olhos do SENHOR, seu Deus.
14:3 Removeu os altares estrangeiros e os lugares altos, quebrou as colunas sagradas e cortou os postes de Aserá.
14:4 Ordenou a Judá que buscasse o SENHOR, Deus de seus antepassados, e cumprisse a lei e o mandamento.
14:5 Removeu de todas as cidades de Judá os lugares altos e os altares de incenso, e o reino esteve em paz sob seu governo.
14:6 Construiu cidades fortificadas em Judá, pois a terra estava em paz, e não houve guerra contra ele naqueles anos, porque o SENHOR lhe havia dado descanso.
14:7 Ele disse a Judá: “Vamos construir estas cidades e cercá-las de muralhas, torres, portas e trancas, enquanto a terra ainda está à nossa disposição. Pois buscamos o SENHOR, nosso Deus; nós o buscamos, e ele nos deu descanso por todos os lados”. Assim construíram e prosperaram.
14:8 Asa tinha um exército de trezentos mil homens de Judá, que levavam escudos grandes e lanças, e duzentos e oitenta mil de Benjamim, que levavam escudos menores e manejavam o arco. Todos eram guerreiros valentes.
14:9 Zerá, o cuxita, marchou contra eles com um exército de um milhão de homens e trezentos carros de guerra e chegou até Maressa.
14:10 Asa saiu ao seu encontro, e se dispuseram para a batalha no vale de Zefatá, junto a Maressa.
14:11 Asa clamou ao SENHOR, seu Deus, e disse: “SENHOR, para ti não há diferença em ajudar o poderoso ou quem não tem força. Ajuda-nos, SENHOR, nosso Deus, pois em ti nos apoiamos e em teu nome viemos contra esta multidão. SENHOR, tu és o nosso Deus; que nenhum ser humano prevaleça contra ti”.
14:12 O SENHOR derrotou os cuxitas diante de Asa e de Judá, e os cuxitas fugiram.
14:13 Asa e o povo que estava com ele os perseguiram até Gerar. Caíram tantos cuxitas que não puderam se recuperar, pois foram esmagados diante do SENHOR e do seu exército. Levaram um enorme despojo.
14:14 Atacaram todas as cidades ao redor de Gerar, pois o terror do SENHOR havia caído sobre elas. Saquearam todas as cidades, pois havia nelas muito despojo.
14:15 Também atacaram os acampamentos do gado e capturaram muitas ovelhas, cabras e camelos. Depois voltaram para Jerusalém.

Capítulo 15
15:1 O Espírito de Deus veio sobre Azarias, filho de Odede.
15:2 Ele saiu ao encontro de Asa e lhe disse: “Ouçam-me, Asa e todo o Judá e Benjamim! O SENHOR está com vocês enquanto vocês estão com ele. Se o buscarem, ele se deixará encontrar por vocês; mas, se o abandonarem, ele os abandonará.
15:3 Por muito tempo Israel esteve sem o Deus verdadeiro, sem sacerdote que ensinasse e sem lei.
15:4 Mas, em sua angústia, voltaram ao SENHOR, Deus de Israel. Eles o buscaram, e ele se deixou encontrar por eles.
15:5 Naqueles tempos, não havia paz para quem saía nem para quem entrava, pois grandes perturbações afligiam todos os habitantes das terras.
15:6 Uma nação era despedaçada por outra nação, e uma cidade por outra cidade, pois Deus os afligia com toda espécie de angústia.
15:7 Mas vocês, sejam fortes e não deixem que suas mãos desfaleçam, pois há recompensa para o seu trabalho”.
15:8 Quando Asa ouviu essas palavras e a profecia de Odede, o profeta, tomou coragem e removeu os ídolos abomináveis de toda a terra de Judá e Benjamim e das cidades que havia tomado na região montanhosa de Efraim. Restaurou o altar do SENHOR, que ficava diante do pórtico do SENHOR.
15:9 Reuniu todo o Judá e Benjamim e os que moravam com eles, vindos de Efraim, Manassés e Simeão. Muitos de Israel haviam passado para o lado dele ao verem que o SENHOR, seu Deus, estava com ele.
15:10 Eles se reuniram em Jerusalém no terceiro mês do décimo quinto ano do reinado de Asa.
15:11 Naquele dia, sacrificaram ao SENHOR, dos despojos que haviam trazido, setecentos bois e sete mil ovelhas e cabras.
15:12 Fizeram uma aliança para buscar o SENHOR, Deus de seus antepassados, de todo o coração e de toda a alma.
15:13 Todo aquele que não buscasse o SENHOR, Deus de Israel, seria morto, do menor ao maior, tanto homem como mulher.
15:14 Juraram ao SENHOR em alta voz, com gritos de alegria e ao som de trombetas e chifres.
15:15 Todo o Judá se alegrou com o juramento, pois haviam jurado de todo o coração e o haviam buscado com toda a sua vontade. Ele se deixou encontrar por eles, e o SENHOR lhes deu descanso por todos os lados.
15:16 Ele também depôs Maaca, mãe do rei Asa, da posição de rainha-mãe, pois ela havia feito uma imagem abominável para Aserá. Asa cortou essa imagem abominável, despedaçou-a e a queimou junto ao ribeiro de Cedrom.
15:17 Os lugares altos, porém, não foram removidos de Israel. Contudo, o coração de Asa foi íntegro durante toda a sua vida.
15:18 Ele levou à casa de Deus as coisas que seu pai havia consagrado e as que ele mesmo havia consagrado: prata, ouro e utensílios.
15:19 Não houve guerra até o trigésimo quinto ano do reinado de Asa.

Capítulo 16
16:1 No trigésimo sexto ano do reinado de Asa, Baasa, rei de Israel, marchou contra Judá e fortificou Ramá, para impedir que alguém entrasse ou saísse do território de Asa, rei de Judá.
16:2 Asa tirou prata e ouro dos tesouros da casa do SENHOR e do palácio real e os enviou a Ben-Hadade, rei de Arã, que morava em Damasco, dizendo:
16:3 “Há uma aliança entre mim e você, como havia entre meu pai e seu pai. Estou lhe enviando prata e ouro. Vá, rompa sua aliança com Baasa, rei de Israel, para que ele se afaste de mim”.
16:4 Ben-Hadade deu ouvidos ao rei Asa e enviou os comandantes de seus exércitos contra as cidades de Israel. Atacaram Ijom, Dã, Abel-Maim e todos os depósitos das cidades de Naftali.
16:5 Quando Baasa soube disso, deixou de fortificar Ramá e interrompeu a obra.
16:6 O rei Asa mobilizou todo o Judá, e eles levaram as pedras e a madeira de Ramá com que Baasa construía. Com esses materiais, ele fortificou Geba e Mispa.
16:7 Naquela ocasião, Hanani, o vidente, foi a Asa, rei de Judá, e lhe disse: “Porque você se apoiou no rei de Arã e não se apoiou no SENHOR, seu Deus, o exército do rei de Arã escapou das suas mãos.
16:8 Os cuxitas e os líbios não eram um exército enorme, com muitíssimos carros de guerra e cavaleiros? Contudo, porque você se apoiou no SENHOR, ele os entregou nas suas mãos.
16:9 Pois os olhos do SENHOR percorrem toda a terra para mostrar seu poder a favor daqueles cujo coração é inteiramente dedicado a ele. Você agiu com insensatez nisso; de agora em diante, terá guerras”.
16:10 Asa se irritou com o vidente e o lançou na prisão do tronco, pois estava furioso com ele por causa disso. Naquele tempo, Asa também oprimiu alguns do povo.
16:11 Os feitos de Asa, do primeiro ao último, estão escritos no livro dos reis de Judá e Israel.
16:12 No trigésimo nono ano do seu reinado, Asa adoeceu dos pés, e sua doença se tornou muito grave. Mesmo em sua doença, não buscou o SENHOR, mas os médicos.
16:13 Asa descansou com seus antepassados e morreu no quadragésimo primeiro ano do seu reinado.
16:14 Sepultaram-no nos túmulos que havia escavado para si na Cidade de Davi. Deitaram-no num leito cheio de aromas e de diversas especiarias preparadas segundo a arte dos perfumistas e acenderam em sua honra uma enorme fogueira.

Capítulo 17
17:1 Josafá, seu filho, reinou em seu lugar e se fortaleceu contra Israel.
17:2 Colocou tropas em todas as cidades fortificadas de Judá e guarnições na terra de Judá e nas cidades de Efraim que Asa, seu pai, havia conquistado.
17:3 O SENHOR estava com Josafá, pois ele andou nos caminhos que Davi, seu antepassado, havia seguido no princípio e não buscou os baalins.
17:4 Buscou o Deus de seu pai e andou nos seus mandamentos, sem seguir as práticas de Israel.
17:5 O SENHOR firmou o reino em suas mãos. Todo o Judá levava presentes a Josafá, e ele teve riquezas e honra em abundância.
17:6 Seu coração tomou coragem nos caminhos do SENHOR. Além disso, removeu de Judá os lugares altos e os postes de Aserá.
17:7 No terceiro ano do seu reinado, enviou seus oficiais Ben-Hail, Obadias, Zacarias, Natanael e Micaías para ensinar nas cidades de Judá.
17:8 Com eles foram os levitas Semaías, Netanias, Zebadias, Asael, Semarimote, Jônatas, Adonias, Tobias e Tobe-Adonias; e com eles, os sacerdotes Elisama e Jeorão.
17:9 Ensinaram em Judá, levando consigo o livro da lei do SENHOR. Percorreram todas as cidades de Judá e ensinaram ao povo.
17:10 O terror do SENHOR caiu sobre todos os reinos das terras ao redor de Judá, e eles não fizeram guerra contra Josafá.
17:11 Alguns dos filisteus traziam presentes a Josafá e prata como tributo. Os árabes também lhe traziam animais dos rebanhos: sete mil e setecentos carneiros e sete mil e setecentos bodes.
17:12 Josafá se tornava cada vez mais poderoso. Construiu fortalezas e cidades de armazenamento em Judá.
17:13 Tinha grandes obras nas cidades de Judá e guerreiros valentes em Jerusalém.
17:14 Este era o registro deles segundo suas famílias: de Judá, entre os comandantes de mil, estava o chefe Adna, com trezentos mil guerreiros valentes;
17:15 ao seu lado, o chefe Joanã, com duzentos e oitenta mil;
17:16 ao seu lado, Amasias, filho de Zicri, que se havia oferecido voluntariamente ao SENHOR, com duzentos mil guerreiros valentes.
17:17 De Benjamim, estava Eliada, guerreiro valente, com duzentos mil homens armados de arco e escudo;
17:18 ao seu lado, Jozabade, com cento e oitenta mil homens preparados para a guerra.
17:19 Esses serviam ao rei, além dos que o rei havia colocado nas cidades fortificadas de todo o Judá.

Capítulo 18
18:1 Josafá tinha riquezas e honra em abundância e se uniu por casamento à família de Acabe.
18:2 Depois de alguns anos, foi a Samaria visitar Acabe. Acabe sacrificou muitas ovelhas, cabras e bois para ele e para o povo que o acompanhava e o persuadiu a marchar contra Ramote-Gileade.
18:3 Acabe, rei de Israel, perguntou a Josafá, rei de Judá: “Você irá comigo a Ramote-Gileade?” Ele respondeu: “Sou como você, e meu povo é como o seu povo. Estarei com você na batalha”.
18:4 Josafá disse ao rei de Israel: “Consulte hoje, por favor, a palavra do SENHOR”.
18:5 O rei de Israel reuniu os profetas, quatrocentos homens, e lhes perguntou: “Devemos ir à guerra contra Ramote-Gileade ou devo desistir?” Eles responderam: “Vá, e Deus a entregará nas mãos do rei”.
18:6 Josafá perguntou: “Não há aqui ainda um profeta do SENHOR para consultarmos por meio dele?”
18:7 O rei de Israel respondeu a Josafá: “Ainda há um homem por meio de quem podemos consultar o SENHOR, mas eu o odeio, pois ele nunca profetiza o bem a meu respeito, mas sempre o mal. É Micaías, filho de Inlá”. Josafá disse: “Não fale assim o rei”.
18:8 O rei de Israel chamou um oficial e disse: “Traga depressa Micaías, filho de Inlá”.
18:9 O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, estavam sentados, cada um em seu trono, vestidos com suas roupas reais, numa eira à entrada do portão de Samaria. Todos os profetas profetizavam diante deles.
18:10 Zedequias, filho de Quenaana, havia feito para si chifres de ferro e dizia: “Assim diz o SENHOR: Com estes você dará chifradas em Arã até acabar com eles”.
18:11 Todos os profetas profetizavam da mesma maneira: “Vá a Ramote-Gileade e tenha êxito, pois o SENHOR a entregará nas mãos do rei”.
18:12 O mensageiro que havia ido chamar Micaías lhe disse: “Veja, as palavras dos profetas anunciam a uma só voz o bem para o rei. Por favor, que sua palavra seja como a deles e anuncie o bem”.
18:13 Micaías respondeu: “Tão certo como vive o SENHOR, falarei o que o meu Deus me disser”.
18:14 Ele foi ao rei, e o rei lhe perguntou: “Mica, devemos ir à guerra contra Ramote-Gileade ou devo desistir?” Ele respondeu: “Vão e tenham êxito; eles serão entregues nas mãos de vocês”.
18:15 O rei lhe disse: “Quantas vezes terei de fazê-lo jurar que me dirá somente a verdade em nome do SENHOR?”
18:16 Ele disse: “Vi todo o Israel espalhado pelos montes como ovelhas sem pastor. O SENHOR disse: ‘Eles não têm senhor. Volte cada um em paz para sua casa’”.
18:17 O rei de Israel disse a Josafá: “Eu não lhe disse que ele não profetizaria o bem a meu respeito, mas o mal?”
18:18 Micaías disse: “Então ouçam a palavra do SENHOR: Vi o SENHOR sentado em seu trono e todo o exército dos céus de pé à sua direita e à sua esquerda.
18:19 O SENHOR perguntou: ‘Quem induzirá Acabe, rei de Israel, a subir e cair em Ramote-Gileade?’ Um dizia uma coisa, e outro dizia outra.
18:20 Então o espírito saiu, pôs-se diante do SENHOR e disse: ‘Eu o induzirei’. O SENHOR lhe perguntou: ‘Como?’
18:21 Ele respondeu: ‘Sairei e serei um espírito de mentira na boca de todos os seus profetas’. Ele disse: ‘Você o induzirá e conseguirá. Vá e faça assim’.
18:22 Agora o SENHOR pôs um espírito de mentira na boca destes seus profetas, e o SENHOR anunciou uma calamidade contra você”.
18:23 Zedequias, filho de Quenaana, se aproximou, deu um golpe na bochecha de Micaías e disse: “Por qual caminho o Espírito do SENHOR saiu de mim para falar com você?”
18:24 Micaías respondeu: “Você verá naquele dia, quando entrar no aposento mais interior para se esconder”.
18:25 O rei de Israel disse: “Peguem Micaías e o levem de volta a Amom, o governador da cidade, e a Joás, filho do rei.
18:26 Digam: ‘Assim diz o rei: Ponham este homem na prisão e deem-lhe pão e água racionados até que eu volte em paz’”.
18:27 Micaías disse: “Se você de fato voltar em paz, o SENHOR não falou por meu intermédio”. E acrescentou: “Ouçam, todos os povos!”
18:28 O rei de Israel e Josafá, rei de Judá, marcharam contra Ramote-Gileade.
18:29 O rei de Israel disse a Josafá: “Vou me disfarçar e entrar na batalha, mas você vista suas roupas reais”. O rei de Israel se disfarçou, e eles entraram na batalha.
18:30 O rei de Arã havia ordenado aos comandantes de seus carros: “Não lutem contra ninguém, do menor ao maior, mas somente contra o rei de Israel”.
18:31 Quando os comandantes dos carros viram Josafá, disseram: “É o rei de Israel”. Eles o cercaram para lutar contra ele, mas Josafá clamou, e o SENHOR o ajudou. Deus os afastou dele.
18:32 Quando os comandantes dos carros viram que ele não era o rei de Israel, deixaram de persegui-lo.
18:33 Um homem atirou com o arco a esmo e atingiu o rei de Israel entre as juntas da armadura e a couraça. O rei disse ao condutor do carro: “Dê a volta e me tire do combate, pois estou ferido”.
18:34 A batalha se intensificou naquele dia, e o rei de Israel se manteve de pé no carro, de frente para os arameus, até a tarde. Ao pôr do sol, morreu.

Capítulo 19
19:1 Josafá, rei de Judá, voltou em paz para sua casa em Jerusalém.
19:2 O vidente Jeú, filho de Hanani, saiu ao seu encontro e disse ao rei Josafá: “Você deve ajudar o perverso e amar os que odeiam o SENHOR? Por isso há ira contra você da parte do SENHOR.
19:3 Contudo, foram encontradas coisas boas em você, pois removeu os postes de Aserá da terra e dispôs o coração a buscar a Deus”.
19:4 Josafá morava em Jerusalém. Voltou a sair entre o povo, desde Berseba até a região montanhosa de Efraim, e os fez voltar ao SENHOR, Deus de seus antepassados.
19:5 Estabeleceu juízes na terra, em todas as cidades fortificadas de Judá, cidade por cidade.
19:6 Disse aos juízes: “Tenham cuidado com o que fazem, pois não julgam para os seres humanos, mas para o SENHOR. Ele está com vocês quando julgam.
19:7 Agora, que o temor do SENHOR esteja sobre vocês. Ajam com cuidado, pois no SENHOR, nosso Deus, não há injustiça, parcialidade nem aceitação de suborno”.
19:8 Também em Jerusalém Josafá designou alguns levitas, sacerdotes e chefes das famílias de Israel para administrar a justiça do SENHOR e resolver as disputas. Eles voltaram a Jerusalém.
19:9 Deu-lhes esta ordem: “Assim vocês devem agir: com temor do SENHOR, com fidelidade e com coração íntegro.
19:10 Em toda disputa que chegar a vocês de seus irmãos que moram em suas cidades, seja sobre derramamento de sangue, seja sobre lei, mandamento, estatutos ou ordenanças, vocês devem adverti-los para que não se tornem culpados diante do SENHOR e não venha ira sobre vocês e seus irmãos. Ajam assim e não serão culpados.
19:11 Amarias, o sumo sacerdote, estará à frente de vocês em todo assunto do SENHOR; e Zebadias, filho de Ismael, governante da casa de Judá, em todo assunto do rei. Os levitas estarão à disposição de vocês como oficiais. Sejam fortes e ajam! Que o SENHOR esteja com quem faz o bem”.

Capítulo 20
20:1 Depois disso, os moabitas e os amonitas, com outros amonitas, vieram guerrear contra Josafá.
20:2 Foram avisar Josafá: “Uma grande multidão vem contra você do outro lado do mar, de Arã. Já estão em Hazazom-Tamar, isto é, En-Gedi”.
20:3 Josafá teve medo e se dispôs a buscar o SENHOR. Proclamou um jejum em todo o Judá.
20:4 Judá se reuniu para pedir ajuda ao SENHOR. Também de todas as cidades de Judá vieram buscar o SENHOR.
20:5 Josafá se pôs de pé na assembleia de Judá e de Jerusalém, na casa do SENHOR, diante do pátio novo,
20:6 e disse: “SENHOR, Deus de nossos antepassados, não és tu Deus nos céus? Tu governas todos os reinos das nações. Em tua mão estão a força e o poder, e ninguém pode resistir a ti.
20:7 Nosso Deus, não expulsaste os habitantes desta terra de diante do teu povo Israel e a deste para sempre aos descendentes de Abraão, teu amigo?
20:8 Eles habitaram nela e nela construíram para ti um santuário para o teu nome, dizendo:
20:9 ‘Se vier sobre nós alguma calamidade, a espada do juízo, a peste ou a fome, nós nos apresentaremos diante desta casa e diante de ti, pois o teu nome está nesta casa. Clamaremos a ti em nossa angústia, e tu ouvirás e salvarás’.
20:10 Agora os amonitas, os moabitas e os do monte Seir, cujas terras não permitiste que Israel invadisse quando vinha da terra do Egito — por isso se desviaram deles e não os destruíram —,
20:11 assim nos retribuem: vêm nos expulsar da tua propriedade, que nos deste como herança.
20:12 Nosso Deus, não os julgarás? Não temos força diante desta grande multidão que vem contra nós. Não sabemos o que fazer, mas os nossos olhos estão postos em ti”.
20:13 Todo o Judá estava de pé diante do SENHOR, com suas crianças pequenas, suas esposas e seus filhos.
20:14 No meio da assembleia, o Espírito do SENHOR veio sobre Jaaziel, filho de Zacarias, filho de Benaías, filho de Jeiel, filho de Matanias, levita dos descendentes de Asafe.
20:15 Ele disse: “Escutem, todo o Judá, moradores de Jerusalém e rei Josafá! Assim o SENHOR lhes diz: ‘Não tenham medo nem se apavorem diante desta grande multidão, pois a batalha não é de vocês, mas de Deus.
20:16 Amanhã desçam contra eles. Eles estão subindo pela ladeira de Ziz, e vocês os encontrarão no fim do vale, diante do deserto de Jeruel.
20:17 Nesta ocasião vocês não terão de lutar. Tomem posição, permaneçam firmes e vejam o livramento do SENHOR a favor de vocês, Judá e Jerusalém. Não tenham medo nem se apavorem. Amanhã saiam ao encontro deles, e o SENHOR estará com vocês’”.
20:18 Josafá se inclinou com o rosto em terra, e todo o Judá e os moradores de Jerusalém se prostraram diante do SENHOR para adorá-lo.
20:19 Os levitas descendentes de Coate e de Corá se levantaram para louvar o SENHOR, Deus de Israel, em voz muito alta.
20:20 Levantaram-se de madrugada e saíram para o deserto de Tecoa. Ao saírem, Josafá se pôs de pé e disse: “Ouçam-me, Judá e moradores de Jerusalém! Confiem no SENHOR, seu Deus, e permanecerão firmes. Confiem nos seus profetas e terão êxito”.
20:21 Depois de consultar o povo, designou cantores para cantar ao SENHOR e louvar o esplendor da santidade, marchando à frente dos homens armados e dizendo: “Deem graças ao SENHOR, pois seu amor fiel dura para sempre”.
20:22 Quando começaram os cânticos de alegria e o louvor, o SENHOR preparou emboscadas contra os amonitas, os moabitas e os do monte Seir que vinham contra Judá, e eles foram derrotados.
20:23 Os amonitas e os moabitas se levantaram contra os moradores do monte Seir para exterminá-los e destruí-los. Quando acabaram com os moradores de Seir, ajudaram uns aos outros a se destruírem.
20:24 Quando Judá chegou ao posto de observação no deserto e olhou para a multidão, só havia cadáveres caídos no chão; ninguém havia escapado.
20:25 Josafá e seu povo foram recolher os despojos. Encontraram entre eles muitos bens, cadáveres e objetos preciosos; tomaram para si mais do que podiam carregar. Passaram três dias recolhendo os despojos, pois eram muitos.
20:26 No quarto dia, reuniram-se no vale de Beraca, pois ali bendisseram o SENHOR. Por isso chamaram aquele lugar de vale de Beraca, nome que permanece até hoje.
20:27 Todos os homens de Judá e de Jerusalém, com Josafá à frente, voltaram a Jerusalém com alegria, pois o SENHOR os havia alegrado com a derrota de seus inimigos.
20:28 Entraram em Jerusalém com harpas, liras e trombetas e foram à casa do SENHOR.
20:29 O terror de Deus caiu sobre todos os reinos das terras quando ouviram que o SENHOR havia lutado contra os inimigos de Israel.
20:30 O reino de Josafá esteve em paz, pois seu Deus lhe deu descanso por todos os lados.
20:31 Josafá reinou sobre Judá. Tinha trinta e cinco anos quando começou a reinar e reinou vinte e cinco anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Azuba, filha de Sili.
20:32 Ele andou no caminho de Asa, seu pai, e não se desviou dele, fazendo o que era reto aos olhos do SENHOR.
20:33 Contudo, os lugares altos não foram removidos, e o povo ainda não havia disposto o coração para o Deus de seus antepassados.
20:34 Os demais feitos de Josafá, do primeiro ao último, estão escritos nos registros de Jeú, filho de Hanani, que foram incorporados ao livro dos reis de Israel.
20:35 Depois disso, Josafá, rei de Judá, se aliou a Acazias, rei de Israel, que praticava o mal.
20:36 Associou-se a ele para construir navios que fossem a Társis. Construíram os navios em Eziom-Geber.
20:37 Eliézer, filho de Dodavá, de Maressa, profetizou contra Josafá: “Por você ter se associado a Acazias, o SENHOR destruiu suas obras”. Os navios se despedaçaram e não puderam ir a Társis.

Capítulo 21
21:1 Josafá descansou com seus antepassados e foi sepultado com eles na Cidade de Davi. Jeorão, seu filho, reinou em seu lugar.
21:2 Ele tinha irmãos, filhos de Josafá: Azarias, Jeiel, Zacarias, Azariau, Micael e Sefatias. Todos esses eram filhos de Josafá, rei de Israel.
21:3 Seu pai lhes havia dado muitos presentes de prata, ouro e objetos preciosos, além de cidades fortificadas em Judá. Mas deu o reino a Jeorão, pois ele era o primogênito.
21:4 Quando Jeorão assumiu o reino de seu pai e consolidou seu poder, matou todos os seus irmãos à espada e também alguns dos líderes de Israel.
21:5 Jeorão tinha trinta e dois anos quando começou a reinar e reinou oito anos em Jerusalém.
21:6 Andou no caminho dos reis de Israel, como havia feito a casa de Acabe, pois tinha por esposa uma filha de Acabe. Fez o que era mau aos olhos do SENHOR.
21:7 O SENHOR, porém, não quis destruir a casa de Davi, por causa da aliança que havia feito com Davi e porque havia prometido dar uma lâmpada a ele e a seus filhos para sempre.
21:8 Em seus dias, Edom se rebelou contra o domínio de Judá e estabeleceu um rei sobre si.
21:9 Jeorão marchou com seus comandantes e todos os seus carros de guerra. Levantou-se de noite e atacou os edomitas que cercavam a ele e aos comandantes dos carros.
21:10 Assim Edom se rebelou contra o domínio de Judá, até o dia de hoje. Naquela ocasião, Libna também se rebelou contra o domínio de Jeorão, pois ele havia abandonado o SENHOR, Deus de seus antepassados.
21:11 Ele também construiu lugares altos nos montes de Judá, levou os moradores de Jerusalém a se prostituírem e desviou Judá.
21:12 Chegou-lhe uma carta do profeta Elias, que dizia: “Assim diz o SENHOR, Deus de Davi, seu antepassado: Você não andou nos caminhos de Josafá, seu pai, nem nos caminhos de Asa, rei de Judá,
21:13 mas andou no caminho dos reis de Israel e levou Judá e os moradores de Jerusalém a se prostituírem, como fez a casa de Acabe. Além disso, matou seus irmãos, da família de seu pai, que eram melhores que você.
21:14 Por isso o SENHOR ferirá com uma grande praga o seu povo, seus filhos, suas esposas e todos os seus bens.
21:15 Você sofrerá muitas dores por uma doença nos intestinos, até que seus intestinos saiam por causa dessa doença, dia após dia”.
21:16 O SENHOR despertou contra Jeorão o ânimo dos filisteus e dos árabes que viviam perto dos cuxitas.
21:17 Eles invadiram Judá, penetraram em seu território e levaram todos os bens que encontraram no palácio do rei, além de seus filhos e suas esposas. Não lhe restou nenhum filho, a não ser Jeoacaz, o mais novo de seus filhos.
21:18 Depois de tudo isso, o SENHOR o feriu nos intestinos com uma doença incurável.
21:19 Com o passar dos dias, ao fim de dois anos, seus intestinos saíram por causa da doença, e ele morreu em terríveis sofrimentos. Seu povo não acendeu em sua honra uma fogueira como as que havia acendido para seus antepassados.
21:20 Tinha trinta e dois anos quando começou a reinar e reinou oito anos em Jerusalém. Partiu sem deixar saudades. Sepultaram-no na Cidade de Davi, mas não nos túmulos dos reis.

Capítulo 22
22:1 Os moradores de Jerusalém fizeram Acazias, seu filho mais novo, reinar em seu lugar, pois a tropa que havia vindo com os árabes ao acampamento havia matado todos os mais velhos. Assim reinou Acazias, filho de Jeorão, rei de Judá.
22:2 Acazias tinha quarenta e dois anos quando começou a reinar e reinou um ano em Jerusalém. Sua mãe se chamava Atalia, filha de Onri.
22:3 Ele também andou nos caminhos da casa de Acabe, pois sua mãe o aconselhava a praticar o mal.
22:4 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR, como a casa de Acabe, pois, depois da morte de seu pai, eles foram seus conselheiros, para sua ruína.
22:5 Também seguiu o conselho deles e foi com Jeorão, filho de Acabe, rei de Israel, guerrear contra Hazael, rei de Arã, em Ramote-Gileade. Os arqueiros feriram Jorão,
22:6 e ele voltou a Jezreel para se tratar dos ferimentos que lhe haviam causado em Ramá, quando lutava contra Hazael, rei de Arã. Azarias, filho de Jeorão, rei de Judá, foi a Jezreel visitar Jeorão, filho de Acabe, pois ele estava doente.
22:7 Deus dispôs a ruína de Acazias por meio de sua visita a Jorão. Ao chegar, saiu com Jeorão ao encontro de Jeú, filho de Ninsi, a quem o SENHOR havia ungido para exterminar a casa de Acabe.
22:8 Enquanto Jeú executava juízo contra a casa de Acabe, encontrou os líderes de Judá e os filhos dos irmãos de Acazias, que serviam a Acazias, e os matou.
22:9 Depois procurou Acazias. Eles o capturaram enquanto estava escondido em Samaria, levaram-no a Jeú e o mataram. Deram-lhe sepultura, pois disseram: “Ele é descendente de Josafá, que buscou o SENHOR de todo o coração”. Não restou na casa de Acazias ninguém com força para manter o reino.
22:10 Quando Atalia, mãe de Acazias, viu que seu filho estava morto, levantou-se e exterminou toda a descendência real da casa de Judá.
22:11 Mas Jeosabeate, filha do rei, tomou Joás, filho de Acazias, e o retirou escondido do meio dos filhos do rei que estavam sendo mortos. Colocou-o com sua ama de leite no dormitório. Assim Jeosabeate, filha do rei Jeorão e esposa do sacerdote Joiada, que era irmã de Acazias, o escondeu de Atalia, e ela não o matou.
22:12 Ele ficou escondido com eles na casa de Deus por seis anos, enquanto Atalia reinava sobre a terra.

Capítulo 23
23:1 No sétimo ano, Joiada tomou coragem e fez aliança com os comandantes de cem: Azarias, filho de Jeroão; Ismael, filho de Joanã; Azarias, filho de Obede; Maaseias, filho de Adaías; e Elisafate, filho de Zicri.
23:2 Eles percorreram Judá, reuniram os levitas de todas as cidades de Judá e os chefes das famílias de Israel e foram a Jerusalém.
23:3 Toda a assembleia fez uma aliança com o rei na casa de Deus. Joiada lhes disse: “O filho do rei reinará, conforme o SENHOR falou a respeito dos filhos de Davi.
23:4 Isto é o que vocês devem fazer: um terço de vocês, os sacerdotes e levitas que entram em serviço no sábado, guardará as entradas;
23:5 outro terço ficará no palácio real, e outro terço, no Portão do Fundamento. Todo o povo ficará nos pátios da casa do SENHOR.
23:6 Ninguém deverá entrar na casa do SENHOR, a não ser os sacerdotes e os levitas que estiverem de serviço. Eles poderão entrar, pois estão consagrados. Todo o povo guardará o que o SENHOR ordenou.
23:7 Os levitas cercarão o rei por todos os lados, cada um com suas armas na mão. Quem entrar na casa será morto. Fiquem com o rei quando ele entrar e quando sair”.
23:8 Os levitas e todo o Judá fizeram tudo o que o sacerdote Joiada havia ordenado. Cada um tomou seus homens, tanto os que entravam em serviço no sábado como os que saíam, pois o sacerdote Joiada não havia dispensado os turnos.
23:9 O sacerdote Joiada entregou aos comandantes de cem as lanças, os escudos e as rodelas que haviam pertencido ao rei Davi e estavam na casa de Deus.
23:10 Colocou todo o povo, cada um com sua arma na mão, desde o lado direito da casa até o lado esquerdo, junto ao altar e à casa, ao redor do rei.
23:11 Trouxeram o filho do rei, puseram-lhe a coroa, entregaram-lhe o Testemunho e o proclamaram rei. Joiada e seus filhos o ungiram e disseram: “Viva o rei!”
23:12 Quando Atalia ouviu o barulho do povo que corria e aclamava o rei, foi até o povo na casa do SENHOR.
23:13 Ela olhou e viu o rei de pé junto à sua coluna, na entrada, e os comandantes e os que tocavam trombetas junto ao rei. Todo o povo da terra se alegrava e tocava trombetas, enquanto os cantores, com instrumentos musicais, dirigiam o louvor. Atalia rasgou suas roupas e gritou: “Traição! Traição!”
23:14 O sacerdote Joiada fez sair os comandantes de cem, que estavam à frente do exército, e lhes disse: “Levem-na para fora das fileiras, e quem a seguir será morto à espada”. Pois o sacerdote havia dito: “Não a matem na casa do SENHOR”.
23:15 Eles a prenderam, e ela chegou à entrada do Portão dos Cavalos do palácio real. Ali a mataram.
23:16 Joiada fez uma aliança entre si, todo o povo e o rei, para que fossem o povo do SENHOR.
23:17 Todo o povo foi ao templo de Baal e o demoliu. Despedaçaram seus altares e suas imagens e mataram Matã, sacerdote de Baal, diante dos altares.
23:18 Joiada confiou os serviços da casa do SENHOR aos sacerdotes levitas, que Davi havia organizado em turnos na casa do SENHOR, para oferecer os holocaustos do SENHOR conforme o que estava escrito na lei de Moisés, com alegria e cânticos, segundo as determinações de Davi.
23:19 Colocou porteiros nos portões da casa do SENHOR para que não entrasse ninguém impuro por qualquer motivo.
23:20 Levou consigo os comandantes de cem, os nobres, os governantes do povo e todo o povo da terra e fez o rei descer da casa do SENHOR. Entraram pelo Portão Superior no palácio real e sentaram o rei no trono do reino.
23:21 Todo o povo da terra se alegrou, e a cidade ficou em paz. Atalia havia sido morta à espada.

Capítulo 24
24:1 Joás tinha sete anos quando começou a reinar e reinou quarenta anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Zíbia, de Berseba.
24:2 Joás fez o que era reto aos olhos do SENHOR durante toda a vida do sacerdote Joiada.
24:3 Joiada lhe conseguiu duas esposas, e Joás teve filhos e filhas.
24:4 Depois disso, Joás decidiu restaurar a casa do SENHOR.
24:5 Reuniu os sacerdotes e os levitas e lhes disse: “Vão às cidades de Judá e recolham dinheiro de todo o Israel para reparar, ano após ano, a casa do seu Deus. Apressem-se em fazer isso”. Mas os levitas não se apressaram.
24:6 O rei chamou Joiada, o sacerdote principal, e lhe perguntou: “Por que você não exigiu dos levitas que trouxessem de Judá e de Jerusalém a contribuição estabelecida por Moisés, servo do SENHOR, e pela assembleia de Israel para a tenda do Testemunho?”
24:7 Pois os filhos da perversa Atalia haviam aberto brechas na casa de Deus e empregado para os baalins todas as coisas consagradas da casa do SENHOR.
24:8 Por ordem do rei, fizeram um cofre e o colocaram do lado de fora, junto ao portão da casa do SENHOR.
24:9 Anunciaram em Judá e em Jerusalém que trouxessem ao SENHOR a contribuição que Moisés, servo de Deus, havia imposto a Israel no deserto.
24:10 Todos os líderes e todo o povo se alegraram e trouxeram suas contribuições, lançando-as no cofre até concluírem a entrega.
24:11 Sempre que os levitas levavam o cofre aos encarregados do rei e viam que havia muito dinheiro, vinham o secretário do rei e o representante do sacerdote principal, esvaziavam o cofre e o levavam de volta ao seu lugar. Faziam isso dia após dia e recolhiam dinheiro em abundância.
24:12 O rei e Joiada o entregavam aos encarregados das obras da casa do SENHOR. Eles contratavam pedreiros e carpinteiros para restaurar a casa do SENHOR e também artesãos do ferro e do bronze para reparar a casa do SENHOR.
24:13 Os trabalhadores executavam a obra, e a restauração avançava por suas mãos. Deixaram a casa de Deus conforme seu projeto e a reforçaram.
24:14 Quando terminaram, trouxeram ao rei e a Joiada o dinheiro que havia sobrado. Com ele fizeram utensílios para a casa do SENHOR: utensílios para o serviço e para oferecer holocaustos, colheres e objetos de ouro e prata. Durante toda a vida de Joiada, ofereciam-se holocaustos continuamente na casa do SENHOR.
24:15 Joiada envelheceu e morreu cheio de dias. Tinha cento e trinta anos quando morreu.
24:16 Sepultaram-no na Cidade de Davi, junto aos reis, pois havia feito o bem em Israel, para com Deus e sua casa.
24:17 Depois da morte de Joiada, os líderes de Judá vieram e se prostraram diante do rei, e ele lhes deu ouvidos.
24:18 Abandonaram a casa do SENHOR, Deus de seus antepassados, e serviram aos postes de Aserá e aos ídolos. Por essa culpa, veio ira sobre Judá e Jerusalém.
24:19 Deus lhes enviou profetas para fazê-los voltar ao SENHOR. Estes os advertiram, mas eles não deram ouvidos.
24:20 O Espírito de Deus revestiu Zacarias, filho do sacerdote Joiada. Ele se pôs de pé acima do povo e lhes disse: “Assim diz Deus: Por que vocês transgridem os mandamentos do SENHOR? Vocês não terão êxito. Porque abandonaram o SENHOR, ele também os abandonou”.
24:21 Conspiraram contra ele e, por ordem do rei, o apedrejaram no pátio da casa do SENHOR.
24:22 O rei Joás não se lembrou da bondade que Joiada, pai de Zacarias, havia tido para com ele, mas matou seu filho. Ao morrer, Zacarias disse: “Que o SENHOR veja e peça contas!”
24:23 No começo do ano, o exército de Arã marchou contra Joás. Vieram a Judá e a Jerusalém, eliminaram do meio do povo todos os seus líderes e enviaram todos os seus despojos ao rei de Damasco.
24:24 Embora o exército de Arã tivesse vindo com poucos homens, o SENHOR entregou em suas mãos um exército muito numeroso, pois os de Judá haviam abandonado o SENHOR, Deus de seus antepassados. Assim executaram juízo contra Joás.
24:25 Quando se retiraram, deixando-o com graves doenças, seus servos conspiraram contra ele por causa do sangue dos filhos do sacerdote Joiada. Mataram-no em sua cama, e ele morreu. Sepultaram-no na Cidade de Davi, mas não nos túmulos dos reis.
24:26 Estes foram os que conspiraram contra ele: Zabade, filho de Simeate, a amonita, e Jozabade, filho de Sinrite, a moabita.
24:27 O que diz respeito a seus filhos, aos muitos pronunciamentos contra ele e à restauração da casa de Deus está escrito no comentário do livro dos reis. Amazias, seu filho, reinou em seu lugar.

Capítulo 25
25:1 Amazias tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar e reinou vinte e nove anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Jeoadã, de Jerusalém.
25:2 Ele fez o que era reto aos olhos do SENHOR, mas não de coração íntegro.
25:3 Quando seu reino se firmou, matou os servos que haviam matado o rei, seu pai.
25:4 Mas não matou os filhos deles, conforme o que estava escrito na lei, no livro de Moisés, em que o SENHOR ordenou: “Os pais não morrerão pelos filhos, nem os filhos morrerão pelos pais; cada um morrerá por seu próprio pecado”.
25:5 Amazias reuniu Judá e os organizou por famílias, sob comandantes de mil e de cem, em todo o Judá e Benjamim. Contou os homens de vinte anos para cima e encontrou trezentos mil escolhidos, aptos para a guerra, que manejavam lança e escudo grande.
25:6 Também contratou de Israel cem mil guerreiros valentes por cerca de três mil e quatrocentos quilos de prata.
25:7 Mas um homem de Deus foi até ele e disse: “Ó rei, não deixe o exército de Israel ir com você, pois o SENHOR não está com Israel, com todos esses filhos de Efraim.
25:8 Se você for com eles, por mais que se empenhe e se fortaleça para a batalha, Deus o fará cair diante do inimigo, pois Deus tem poder para ajudar e para fazer cair”.
25:9 Amazias perguntou ao homem de Deus: “E o que farei com os cerca de três mil e quatrocentos quilos de prata que dei às tropas de Israel?” O homem de Deus respondeu: “O SENHOR pode lhe dar muito mais que isso”.
25:10 Então Amazias separou as tropas que haviam vindo de Efraim para que voltassem ao seu lugar. Eles ficaram muito irritados com Judá e voltaram ao seu lugar cheios de ira.
25:11 Amazias tomou coragem, conduziu seu povo ao vale do Sal e matou dez mil dos filhos de Seir.
25:12 Os de Judá capturaram outros dez mil vivos, levaram-nos ao alto de um penhasco e os lançaram de lá. Todos se despedaçaram.
25:13 Mas os homens das tropas que Amazias havia mandado de volta, para que não fossem com ele à guerra, atacaram as cidades de Judá, desde Samaria até Bete-Horom. Mataram três mil de seus habitantes e levaram muitos despojos.
25:14 Quando Amazias voltou da derrota dos edomitas, trouxe os deuses dos filhos de Seir e os estabeleceu como seus próprios deuses. Prostrava-se diante deles e lhes queimava incenso.
25:15 A ira do SENHOR se acendeu contra Amazias, e ele lhe enviou um profeta, que lhe disse: “Por que você buscou os deuses de um povo que não livraram seu próprio povo das suas mãos?”
25:16 Enquanto ele falava, o rei lhe disse: “Acaso nós o nomeamos conselheiro do rei? Cale-se! Por que haveriam de feri-lo?” O profeta deixou de insistir, mas disse: “Sei que Deus decidiu destruí-lo, pois você fez isso e não deu ouvidos ao meu conselho”.
25:17 Depois de se aconselhar, Amazias, rei de Judá, mandou dizer a Joás, filho de Jeoacaz, filho de Jeú, rei de Israel: “Venha, vamos nos enfrentar face a face”.
25:18 Joás, rei de Israel, mandou responder a Amazias, rei de Judá: “O cardo do Líbano mandou dizer ao cedro do Líbano: ‘Dê sua filha por esposa a meu filho’. Mas passou um animal selvagem do Líbano e pisoteou o cardo.
25:19 Você diz que derrotou Edom, e seu coração se encheu de orgulho para se gloriar. Agora fique em casa. Por que provocar uma calamidade que fará cair você e Judá com você?”
25:20 Amazias, porém, não deu ouvidos, pois isso vinha de Deus, para entregá-los nas mãos do inimigo, porque haviam buscado os deuses de Edom.
25:21 Então Joás, rei de Israel, marchou, e ele e Amazias, rei de Judá, se enfrentaram face a face em Bete-Semes, que pertence a Judá.
25:22 Judá foi derrotado por Israel, e cada um fugiu para sua tenda.
25:23 Joás, rei de Israel, capturou em Bete-Semes Amazias, rei de Judá, filho de Joás, filho de Jeoacaz. Levou-o a Jerusalém e abriu uma brecha de cerca de cento e oitenta metros na muralha de Jerusalém, desde o Portão de Efraim até o Portão da Esquina.
25:24 Levou todo o ouro, a prata e todos os utensílios que encontrou na casa de Deus, sob os cuidados de Obede-Edom, os tesouros do palácio real e os reféns, e voltou a Samaria.
25:25 Amazias, filho de Joás, rei de Judá, viveu quinze anos depois da morte de Joás, filho de Jeoacaz, rei de Israel.
25:26 Os demais feitos de Amazias, do primeiro ao último, não estão escritos no livro dos reis de Judá e Israel?
25:27 Desde que Amazias deixou de seguir o SENHOR, tramaram uma conspiração contra ele em Jerusalém. Ele fugiu para Laquis, mas enviaram homens atrás dele a Laquis e o mataram ali.
25:28 Levaram-no sobre cavalos e o sepultaram com seus antepassados na cidade de Judá.

Capítulo 26
26:1 Todo o povo de Judá tomou Uzias, que tinha dezesseis anos, e o fez rei em lugar de Amazias, seu pai.
26:2 Ele reconstruiu Elote e a restituiu a Judá depois que o rei descansou com seus antepassados.
26:3 Uzias tinha dezesseis anos quando começou a reinar e reinou cinquenta e dois anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Jecolias, de Jerusalém.
26:4 Fez o que era reto aos olhos do SENHOR, conforme tudo o que Amazias, seu pai, havia feito.
26:5 Dedicou-se a buscar a Deus durante a vida de Zacarias, que tinha entendimento das visões de Deus. Enquanto buscou o SENHOR, Deus o fez prosperar.
26:6 Saiu para guerrear contra os filisteus e abriu brechas nas muralhas de Gate, Jabné e Asdode. Construiu cidades na região de Asdode e entre os filisteus.
26:7 Deus o ajudou contra os filisteus, contra os árabes que moravam em Gur-Baal e contra os meunitas.
26:8 Os amonitas davam tributo a Uzias, e sua fama chegou até a entrada do Egito, pois ele havia se tornado muito poderoso.
26:9 Uzias construiu torres em Jerusalém, junto ao Portão da Esquina, ao Portão do Vale e ao ângulo da muralha, e as fortificou.
26:10 Também construiu torres no deserto e escavou muitas cisternas, pois tinha muito gado na Sefelá e na planície. Tinha lavradores e vinhateiros nos montes e nos campos férteis, pois amava a terra.
26:11 Uzias tinha um exército de guerreiros que saíam ao combate em tropas, conforme o registro feito pelo secretário Jeuel e pelo oficial Maaseias, sob a direção de Hananias, um dos oficiais do rei.
26:12 O número total dos chefes das famílias, guerreiros valentes, era de dois mil e seiscentos.
26:13 Sob seu comando havia um exército de trezentos e sete mil e quinhentos homens, que combatiam com grande força para ajudar o rei contra o inimigo.
26:14 Uzias forneceu a todo o exército escudos, lanças, capacetes, couraças, arcos e pedras para fundas.
26:15 Em Jerusalém, fez máquinas projetadas por um especialista, para serem colocadas nas torres e nas esquinas e dispararem flechas e grandes pedras. Sua fama se espalhou para longe, pois ele foi ajudado de modo extraordinário até se tornar poderoso.
26:16 Mas, quando se tornou poderoso, seu coração se encheu de orgulho, para sua ruína. Foi infiel ao SENHOR, seu Deus, e entrou no templo do SENHOR para queimar incenso no altar do incenso.
26:17 O sacerdote Azarias entrou atrás dele, acompanhado de oitenta sacerdotes do SENHOR, homens valentes.
26:18 Eles enfrentaram o rei Uzias e lhe disseram: “Não cabe a você, Uzias, queimar incenso ao SENHOR, mas aos sacerdotes, os filhos de Arão, consagrados para queimar incenso. Saia do santuário, pois você foi infiel, e isso não lhe trará honra da parte do SENHOR Deus”.
26:19 Uzias se enfureceu, tendo na mão um incensário para queimar incenso. Enquanto se enfurecia contra os sacerdotes, a lepra brotou em sua testa diante dos sacerdotes, na casa do SENHOR, junto ao altar do incenso.
26:20 Azarias, o sacerdote principal, e todos os sacerdotes olharam para ele e viram a lepra em sua testa. Tiraram-no dali às pressas, e ele mesmo se apressou em sair, pois o SENHOR o havia ferido.
26:21 O rei Uzias ficou leproso até o dia de sua morte. Morou leproso numa casa separada, pois havia sido excluído da casa do SENHOR. Jotão, seu filho, ficou responsável pelo palácio real e governava o povo da terra.
26:22 Os demais feitos de Uzias, do primeiro ao último, foram escritos pelo profeta Isaías, filho de Amoz.
26:23 Uzias descansou com seus antepassados, e o sepultaram com eles no campo de sepulturas dos reis, pois disseram: “Ele é leproso”. Jotão, seu filho, reinou em seu lugar.

Capítulo 27
27:1 Jotão tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar e reinou dezesseis anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Jerusa, filha de Zadoque.
27:2 Fez o que era reto aos olhos do SENHOR, conforme tudo o que Uzias, seu pai, havia feito, mas não entrou no templo do SENHOR. O povo, porém, continuava a se corromper.
27:3 Ele construiu o Portão Superior da casa do SENHOR e fez muitas obras na muralha de Ofel.
27:4 Construiu cidades na região montanhosa de Judá e fortalezas e torres nos bosques.
27:5 Guerreou contra o rei dos amonitas e os venceu. Naquele ano, os amonitas lhe deram cerca de três mil e quatrocentos quilos de prata, dois milhões e duzentos mil litros de trigo e a mesma quantidade de cevada. Os amonitas lhe deram o mesmo no segundo e no terceiro ano.
27:6 Jotão se fortaleceu, pois firmou seus caminhos diante do SENHOR, seu Deus.
27:7 Os demais feitos de Jotão, todas as suas guerras e sua conduta estão escritos no livro dos reis de Israel e Judá.
27:8 Tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar e reinou dezesseis anos em Jerusalém.
27:9 Jotão descansou com seus antepassados, e o sepultaram na Cidade de Davi. Acaz, seu filho, reinou em seu lugar.

Capítulo 28
28:1 Acaz tinha vinte anos quando começou a reinar e reinou dezesseis anos em Jerusalém. Não fez o que era reto aos olhos do SENHOR, como Davi, seu antepassado.
28:2 Andou nos caminhos dos reis de Israel e também fez imagens de metal fundido para os baalins.
28:3 Queimou incenso no vale de Ben-Hinom e queimou seus filhos no fogo, conforme as práticas abomináveis das nações que o SENHOR havia expulsado de diante dos israelitas.
28:4 Oferecia sacrifícios e queimava incenso nos lugares altos, nas colinas e debaixo de toda árvore frondosa.
28:5 Por isso o SENHOR, seu Deus, o entregou nas mãos do rei de Arã. Eles o derrotaram e levaram muitos de seu povo cativos para Damasco. Também foi entregue nas mãos do rei de Israel, que lhe infligiu uma grande derrota.
28:6 Peca, filho de Remalias, matou em Judá cento e vinte mil homens num só dia, todos guerreiros valentes, pois haviam abandonado o SENHOR, Deus de seus antepassados.
28:7 Zicri, guerreiro valente de Efraim, matou Maaseias, filho do rei, Azricão, encarregado do palácio, e Elcana, o segundo depois do rei.
28:8 Os israelitas levaram cativas duzentas mil pessoas dentre seus irmãos: mulheres, filhos e filhas. Também lhes tomaram muitos despojos e os levaram a Samaria.
28:9 Havia ali um profeta do SENHOR chamado Odede. Ele saiu ao encontro do exército que chegava a Samaria e lhes disse: “Porque o SENHOR, Deus de seus antepassados, estava irado com Judá, ele os entregou nas mãos de vocês. Mas vocês os mataram com uma fúria que chegou até os céus.
28:10 E agora vocês pretendem sujeitar os de Judá e de Jerusalém como seus escravos e escravas. Acaso vocês mesmos não têm culpas diante do SENHOR, seu Deus?
28:11 Agora ouçam-me e devolvam os cativos que tomaram dentre seus irmãos, pois a ira ardente do SENHOR está sobre vocês”.
28:12 Então alguns dos chefes de Efraim se levantaram contra os que voltavam da guerra: Azarias, filho de Joanã; Berequias, filho de Mesilemote; Jeizquias, filho de Salum; e Amasa, filho de Hadlai.
28:13 Disseram-lhes: “Não tragam os cativos para cá! Vocês pretendem acrescentar aos nossos pecados e às nossas culpas, tornando-nos culpados diante do SENHOR. Já é grande a nossa culpa, e há ira ardente contra Israel”.
28:14 Os homens armados deixaram os cativos e os despojos diante dos líderes e de toda a assembleia.
28:15 Os homens indicados pelo nome se levantaram e cuidaram dos cativos. Vestiram com os despojos todos os que estavam nus; deram-lhes roupas e calçados, comida e bebida e os ungiram com óleo. Puseram sobre jumentos todos os que estavam fracos e os levaram para junto de seus irmãos em Jericó, a Cidade das Palmeiras. Depois voltaram a Samaria.
28:16 Naquela ocasião, o rei Acaz mandou pedir ajuda aos reis da Assíria.
28:17 Os edomitas haviam voltado, atacado Judá e levado cativos.
28:18 Os filisteus também fizeram incursões nas cidades da Sefelá e do Neguebe de Judá. Tomaram Bete-Semes, Aijalom, Gederote, Socó e suas aldeias, Timna e suas aldeias, e Ginzo e suas aldeias, e se estabeleceram ali.
28:19 O SENHOR humilhou Judá por causa de Acaz, rei de Israel, pois ele havia promovido o desregramento em Judá e sido gravemente infiel ao SENHOR.
28:20 Tilgate-Pilneser, rei da Assíria, veio contra ele e o oprimiu, em vez de fortalecê-lo.
28:21 Acaz havia tirado bens da casa do SENHOR, do palácio real e dos líderes e os dado ao rei da Assíria, mas isso não lhe serviu de ajuda.
28:22 No tempo de sua aflição, esse mesmo rei Acaz foi ainda mais infiel ao SENHOR.
28:23 Ofereceu sacrifícios aos deuses de Damasco, que o haviam derrotado, e disse: “Já que os deuses dos reis de Arã os ajudam, oferecerei sacrifícios a eles para que me ajudem”. Mas eles foram sua ruína e a de todo o Israel.
28:24 Acaz reuniu os utensílios da casa de Deus e os despedaçou. Fechou as portas da casa do SENHOR e fez para si altares em cada canto de Jerusalém.
28:25 Em cada cidade de Judá, construiu lugares altos para queimar incenso a outros deuses. Assim provocou a ira do SENHOR, Deus de seus antepassados.
28:26 Seus demais feitos e toda a sua conduta, do primeiro ao último, estão escritos no livro dos reis de Judá e Israel.
28:27 Acaz descansou com seus antepassados, e o sepultaram na cidade, em Jerusalém, mas não o levaram aos túmulos dos reis de Israel. Ezequias, seu filho, reinou em seu lugar.

Capítulo 29
29:1 Ezequias tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar e reinou vinte e nove anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Abia, filha de Zacarias.
29:2 Ele fez o que era reto aos olhos do SENHOR, conforme tudo o que Davi, seu antepassado, havia feito.
29:3 No primeiro ano do seu reinado, no primeiro mês, abriu as portas da casa do SENHOR e as reparou.
29:4 Mandou trazer os sacerdotes e os levitas e os reuniu na praça oriental.
29:5 Disse-lhes: “Ouçam-me, levitas! Agora consagrem-se e consagrem a casa do SENHOR, Deus de seus antepassados. Retirem a impureza do santuário.
29:6 Nossos antepassados foram infiéis e fizeram o que era mau aos olhos do SENHOR, nosso Deus. Eles o abandonaram, desviaram o rosto da morada do SENHOR e lhe deram as costas.
29:7 Também fecharam as portas do pórtico e apagaram as lâmpadas. Não queimaram incenso nem ofereceram holocaustos no santuário ao Deus de Israel.
29:8 Por isso a ira do SENHOR veio sobre Judá e Jerusalém, e ele os tornou objeto de espanto, desolação e assobios de escárnio, como vocês veem com seus próprios olhos.
29:9 Por causa disso, nossos antepassados caíram à espada, e nossos filhos, nossas filhas e nossas esposas estão no cativeiro.
29:10 Agora tenho no coração fazer uma aliança com o SENHOR, Deus de Israel, para que a sua ira ardente se afaste de nós.
29:11 Meus filhos, não sejam negligentes agora, pois o SENHOR os escolheu para estarem diante dele e o servirem, para serem seus ministros e queimarem incenso”.
29:12 Então se levantaram os levitas: dos descendentes de Coate, Maate, filho de Amasai, e Joel, filho de Azarias; dos descendentes de Merari, Quis, filho de Abdi, e Azarias, filho de Jealelel; dos gersonitas, Joá, filho de Zima, e Éden, filho de Joá;
29:13 dos descendentes de Elisafã, Sinri e Jeuel; dos descendentes de Asafe, Zacarias e Matanias;
29:14 dos descendentes de Hemã, Jeuel e Simei; e dos descendentes de Jedutum, Semaías e Uziel.
29:15 Reuniram seus irmãos, consagraram-se e foram purificar a casa do SENHOR, conforme a ordem do rei, segundo as palavras do SENHOR.
29:16 Os sacerdotes entraram no interior da casa do SENHOR para purificá-la. Levaram para o pátio da casa do SENHOR toda a impureza que encontraram no templo do SENHOR, e os levitas a receberam para levá-la para fora, ao ribeiro de Cedrom.
29:17 Começaram a consagração no primeiro dia do primeiro mês. No oitavo dia do mês chegaram ao pórtico do SENHOR e consagraram a casa do SENHOR por oito dias. Terminaram no décimo sexto dia do primeiro mês.
29:18 Foram ao rei Ezequias e disseram: “Purificamos toda a casa do SENHOR, o altar do holocausto com todos os seus utensílios e a mesa dos pães da Presença com todos os seus utensílios.
29:19 Também preparamos e consagramos todos os utensílios que o rei Acaz havia rejeitado durante seu reinado, em sua infidelidade. Agora estão diante do altar do SENHOR”.
29:20 O rei Ezequias se levantou de madrugada, reuniu os líderes da cidade e foi à casa do SENHOR.
29:21 Trouxeram sete novilhos, sete carneiros, sete cordeiros e sete bodes como oferta pelo pecado, pelo reino, pelo santuário e por Judá. O rei ordenou aos sacerdotes, filhos de Arão, que os oferecessem sobre o altar do SENHOR.
29:22 Abateram os novilhos, e os sacerdotes receberam o sangue e o aspergiram sobre o altar. Abateram os carneiros e aspergiram o sangue sobre o altar. Também abateram os cordeiros e aspergiram o sangue sobre o altar.
29:23 Trouxeram os bodes da oferta pelo pecado diante do rei e da assembleia, e estes puseram as mãos sobre eles.
29:24 Os sacerdotes os abateram e ofereceram seu sangue sobre o altar para fazer expiação por todo o Israel, pois o rei havia ordenado que o holocausto e a oferta pelo pecado fossem por todo o Israel.
29:25 Ezequias colocou os levitas na casa do SENHOR com címbalos, harpas e liras, conforme a ordem de Davi, de Gade, o vidente do rei, e do profeta Natã, pois a ordem vinha do SENHOR por meio de seus profetas.
29:26 Os levitas estavam em seus postos com os instrumentos de Davi, e os sacerdotes, com as trombetas.
29:27 Ezequias ordenou que oferecessem o holocausto no altar. Quando começou o holocausto, começou também o cântico ao SENHOR, ao som das trombetas e com o acompanhamento dos instrumentos de Davi, rei de Israel.
29:28 Toda a assembleia se prostrava, os cantores cantavam e as trombetas soavam. Tudo isso durou até o fim do holocausto.
29:29 Quando acabaram de oferecê-lo, o rei e todos os que estavam com ele se ajoelharam e se prostraram.
29:30 O rei Ezequias e os líderes ordenaram aos levitas que louvassem o SENHOR com as palavras de Davi e de Asafe, o vidente. Eles louvaram com alegria, inclinaram-se e se prostraram.
29:31 Ezequias tomou a palavra e disse: “Agora vocês se consagraram ao SENHOR. Aproximem-se e tragam sacrifícios e ofertas de gratidão à casa do SENHOR”. A assembleia trouxe sacrifícios e ofertas de gratidão, e todos os de coração disposto trouxeram holocaustos.
29:32 O número dos animais que a assembleia trouxe como holocaustos foi de setenta bois, cem carneiros e duzentos cordeiros. Todos eles eram holocaustos para o SENHOR.
29:33 As ofertas consagradas foram seiscentos bois e três mil ovelhas e cabras.
29:34 Mas os sacerdotes eram poucos e não conseguiam tirar a pele de todos os animais dos holocaustos. Por isso seus irmãos, os levitas, os ajudaram até que o trabalho terminasse e os sacerdotes se consagrassem, pois os levitas foram mais retos de coração para se consagrarem que os sacerdotes.
29:35 Houve também holocaustos em abundância, com a gordura dos sacrifícios de comunhão e as libações dos holocaustos. Assim foi restabelecido o serviço da casa do SENHOR.
29:36 Ezequias e todo o povo se alegraram pelo que Deus havia preparado para o povo, pois tudo havia acontecido de repente.

Capítulo 30
30:1 Ezequias enviou mensagens a todo o Israel e Judá e também escreveu cartas a Efraim e Manassés para que viessem à casa do SENHOR, em Jerusalém, celebrar a Páscoa ao SENHOR, Deus de Israel.
30:2 O rei, seus oficiais e toda a assembleia em Jerusalém haviam concordado em celebrar a Páscoa no segundo mês.
30:3 Não haviam podido celebrá-la no tempo devido, pois não havia sacerdotes consagrados em número suficiente, e o povo não se havia reunido em Jerusalém.
30:4 A decisão pareceu boa ao rei e a toda a assembleia.
30:5 Resolveram fazer um anúncio por todo o Israel, desde Berseba até Dã, para que viessem a Jerusalém celebrar a Páscoa ao SENHOR, Deus de Israel, pois não a haviam celebrado em grande número, conforme estava escrito.
30:6 Os mensageiros percorreram todo o Israel e Judá com as cartas do rei e de seus oficiais. Conforme a ordem do rei, diziam: “Israelitas, voltem ao SENHOR, Deus de Abraão, de Isaque e de Israel, para que ele se volte aos que restaram de vocês e escaparam das mãos dos reis da Assíria.
30:7 Não sejam como seus antepassados e seus irmãos, que foram infiéis ao SENHOR, Deus de seus antepassados, e ele os entregou à desolação, como vocês veem.
30:8 Agora não endureçam o pescoço como seus antepassados. Submetam-se ao SENHOR e venham ao seu santuário, que ele consagrou para sempre. Sirvam ao SENHOR, seu Deus, para que a sua ira ardente se afaste de vocês.
30:9 Pois, se vocês voltarem ao SENHOR, seus irmãos e seus filhos encontrarão compaixão diante de seus captores e voltarão a esta terra. O SENHOR, seu Deus, é bondoso e compassivo e não desviará seu rosto de vocês, se voltarem a ele”.
30:10 Os mensageiros passavam de cidade em cidade pela terra de Efraim e Manassés, até Zebulom, mas as pessoas riam e zombavam deles.
30:11 Contudo, alguns homens de Aser, Manassés e Zebulom se humilharam e vieram a Jerusalém.
30:12 Também em Judá a mão de Deus lhes deu um só coração para cumprirem a ordem do rei e dos oficiais, conforme a palavra do SENHOR.
30:13 Muita gente se reuniu em Jerusalém para celebrar a Festa dos Pães sem Fermento no segundo mês. Era uma assembleia muito numerosa.
30:14 Eles se levantaram e removeram os altares que havia em Jerusalém. Também removeram todos os altares de incenso e os lançaram no ribeiro de Cedrom.
30:15 Sacrificaram os animais da Páscoa no décimo quarto dia do segundo mês. Os sacerdotes e os levitas ficaram envergonhados, consagraram-se e trouxeram holocaustos à casa do SENHOR.
30:16 Ocuparam seus postos conforme o que lhes estava determinado na lei de Moisés, o homem de Deus. Os sacerdotes aspergiam o sangue que recebiam das mãos dos levitas.
30:17 Como muitos na assembleia não haviam se consagrado, os levitas ficaram encarregados de sacrificar os animais da Páscoa por todos os que não estavam puros, para consagrá-los ao SENHOR.
30:18 Muitos do povo de Efraim, Manassés, Issacar e Zebulom não se haviam purificado e comeram a Páscoa sem seguir o que estava escrito. Mas Ezequias orou por eles, dizendo: “Que o SENHOR, que é bom, perdoe
30:19 a quem dispôs todo o coração a buscar a Deus, o SENHOR, Deus de seus antepassados, mesmo sem estar purificado segundo a purificação do santuário”.
30:20 O SENHOR ouviu Ezequias e sarou o povo.
30:21 Os israelitas que estavam em Jerusalém celebraram a Festa dos Pães sem Fermento por sete dias, com grande alegria. Dia após dia, os levitas e os sacerdotes louvavam o SENHOR com instrumentos ressonantes para o SENHOR.
30:22 Ezequias dirigiu palavras de ânimo a todos os levitas que demonstravam bom entendimento no serviço do SENHOR. Durante os sete dias, comeram das ofertas da festa, ofereceram sacrifícios de comunhão e deram graças ao SENHOR, Deus de seus antepassados.
30:23 Toda a assembleia concordou em celebrar outros sete dias, e celebraram esses sete dias com alegria.
30:24 Ezequias, rei de Judá, havia dado à assembleia mil novilhos e sete mil ovelhas e cabras. Os oficiais deram à assembleia mil novilhos e dez mil ovelhas e cabras. Muitos sacerdotes se haviam consagrado.
30:25 Alegraram-se toda a assembleia de Judá, os sacerdotes, os levitas, toda a assembleia que havia vindo de Israel e os estrangeiros que haviam vindo da terra de Israel e os que moravam em Judá.
30:26 Houve grande alegria em Jerusalém, pois, desde os dias de Salomão, filho de Davi, rei de Israel, não havia acontecido nada semelhante em Jerusalém.
30:27 Os sacerdotes levitas se levantaram e abençoaram o povo. Sua voz foi ouvida, e sua oração chegou à santa habitação de Deus, aos céus.

Capítulo 31
31:1 Quando tudo isso terminou, todos os israelitas que estavam presentes saíram para as cidades de Judá. Quebraram as colunas sagradas, cortaram os postes de Aserá e derrubaram os lugares altos e os altares em todo o Judá e Benjamim, em Efraim e Manassés, até acabar com todos eles. Depois todos os israelitas voltaram para suas cidades, cada um para sua propriedade.
31:2 Ezequias organizou os turnos dos sacerdotes e dos levitas, cada um conforme seu serviço. Cabia aos sacerdotes e aos levitas oferecer os holocaustos e os sacrifícios de comunhão, servir, dar graças e louvar às portas dos acampamentos do SENHOR.
31:3 O rei destinou parte de seus próprios bens aos holocaustos: os da manhã e da tarde e os dos sábados, das luas novas e das festas determinadas, conforme estava escrito na lei do SENHOR.
31:4 Ordenou ao povo que morava em Jerusalém que desse a parte dos sacerdotes e dos levitas, para que pudessem se dedicar à lei do SENHOR.
31:5 Quando a ordem se espalhou, os israelitas trouxeram em abundância as primícias dos cereais, do vinho novo, do azeite, do mel e de todos os produtos do campo. Também trouxeram em abundância o dízimo de tudo.
31:6 Os israelitas e os de Judá que moravam nas cidades de Judá também trouxeram o dízimo dos bois, das ovelhas e das cabras, e o dízimo das coisas consagradas ao SENHOR, seu Deus. Depositaram tudo em montões e montões.
31:7 No terceiro mês começaram a formar os montões e terminaram no sétimo mês.
31:8 Ezequias e os oficiais vieram, viram os montões e bendisseram o SENHOR e o seu povo Israel.
31:9 Ezequias perguntou aos sacerdotes e aos levitas a respeito dos montões.
31:10 Azarias, o sacerdote principal, da família de Zadoque, lhe respondeu: “Desde que começaram a trazer a contribuição à casa do SENHOR, temos comido até nos saciar, e ainda sobra em abundância. O SENHOR abençoou o seu povo, e toda esta quantidade é o que sobrou”.
31:11 Ezequias mandou preparar depósitos na casa do SENHOR, e os prepararam.
31:12 Trouxeram fielmente as contribuições, os dízimos e as coisas consagradas. O levita Conanias estava à frente delas, e Simei, seu irmão, era o segundo.
31:13 Jeiel, Azazias, Naate, Asael, Jerimote, Jozabade, Eliel, Ismaquias, Maate e Benaías eram supervisores sob a direção de Conanias e de Simei, seu irmão, por nomeação do rei Ezequias e de Azarias, responsável pela casa de Deus.
31:14 O levita Coré, filho de Imna, porteiro do lado oriental, estava encarregado das ofertas voluntárias para Deus, para distribuir as contribuições do SENHOR e as coisas santíssimas.
31:15 Sob sua direção estavam Éden, Miniamim, Jesua, Semaías, Amarias e Secanias. Nas cidades dos sacerdotes, distribuíam fielmente as porções a seus irmãos, segundo seus turnos, tanto ao maior como ao menor.
31:16 Isso era além dos homens e meninos registrados nas genealogias, de três anos para cima, de todos os que entravam na casa do SENHOR para cumprir seu serviço diário, segundo suas funções e seus turnos.
31:17 Os sacerdotes eram registrados segundo suas famílias, e os levitas, de vinte anos para cima, segundo suas funções e seus turnos.
31:18 Os registros incluíam todas as suas crianças pequenas, suas esposas, seus filhos e suas filhas, toda a comunidade, pois com fidelidade se consagravam às coisas santas.
31:19 Para os sacerdotes descendentes de Arão que viviam nos campos de pastagem de suas cidades, havia em cada cidade homens indicados pelo nome para distribuir as porções a todos os homens e meninos entre os sacerdotes e a todos os levitas registrados nas genealogias.
31:20 Assim Ezequias agiu em todo o Judá. Fez o que era bom, reto e fiel diante do SENHOR, seu Deus.
31:21 Em toda obra que empreendeu no serviço da casa de Deus, na lei e no mandamento, buscando o seu Deus, agiu de todo o coração e prosperou.

Capítulo 32
32:1 Depois desses acontecimentos e dessa fidelidade, Senaqueribe, rei da Assíria, veio e invadiu Judá. Acampou contra as cidades fortificadas, com a intenção de conquistá-las para si.
32:2 Quando Ezequias viu que Senaqueribe havia chegado e pretendia guerrear contra Jerusalém,
32:3 consultou seus oficiais e guerreiros sobre fechar as fontes de água que ficavam fora da cidade, e eles o ajudaram.
32:4 Muita gente se reuniu e fechou todas as fontes e o ribeiro que corria pelo meio da terra, dizendo: “Por que os reis da Assíria viriam e encontrariam tanta água?”
32:5 Ezequias tomou coragem e reconstruiu toda a muralha derrubada, levantou torres sobre ela e fez outra muralha do lado de fora. Também reforçou o Milo da Cidade de Davi e fez muitas armas e escudos.
32:6 Pôs comandantes militares à frente do povo, reuniu-os junto de si na praça do portão da cidade e lhes dirigiu palavras de ânimo, dizendo:
32:7 “Sejam fortes e corajosos! Não tenham medo nem se apavorem diante do rei da Assíria e de toda a multidão que está com ele, pois há mais conosco do que com ele.
32:8 Com ele está um braço de carne, mas conosco está o SENHOR, nosso Deus, para nos ajudar e lutar nossas batalhas”. O povo se apoiou nas palavras de Ezequias, rei de Judá.
32:9 Depois disso, enquanto estava diante de Laquis com todas as suas forças, Senaqueribe, rei da Assíria, enviou seus servos a Jerusalém com esta mensagem para Ezequias, rei de Judá, e para todos os de Judá que estavam em Jerusalém:
32:10 “Assim diz Senaqueribe, rei da Assíria: Em que vocês confiam para permanecerem sitiados em Jerusalém?
32:11 Não é Ezequias quem os engana, para entregá-los à morte pela fome e pela sede, dizendo: ‘O SENHOR, nosso Deus, nos livrará das mãos do rei da Assíria’?
32:12 Não foi esse mesmo Ezequias quem removeu os lugares altos e os altares do Deus de vocês e disse a Judá e a Jerusalém: ‘Vocês se prostrarão diante de um só altar e sobre ele queimarão incenso’?
32:13 Vocês não sabem o que eu e meus antepassados fizemos a todos os povos das terras? Os deuses das nações dessas terras puderam livrar suas terras das minhas mãos?
32:14 Qual de todos os deuses das nações que meus antepassados destruíram pôde livrar seu povo das minhas mãos? Como o Deus de vocês poderá livrá-los das minhas mãos?
32:15 Agora não deixem Ezequias enganá-los nem induzi-los desse modo. Não creiam nele, pois nenhum deus de nenhuma nação ou reino pôde livrar seu povo das minhas mãos nem das mãos de meus antepassados. Muito menos o Deus de vocês poderá livrá-los das minhas mãos!”
32:16 Seus servos continuaram falando contra o SENHOR Deus e contra Ezequias, seu servo.
32:17 Senaqueribe também escreveu cartas para insultar o SENHOR, Deus de Israel, e falar contra ele, dizendo: “Assim como os deuses das nações das terras não livraram seu povo das minhas mãos, também o Deus de Ezequias não livrará seu povo das minhas mãos”.
32:18 Gritaram em alta voz, na língua de Judá, para o povo de Jerusalém que estava sobre a muralha, para amedrontá-lo e aterrorizá-lo, a fim de conquistar a cidade.
32:19 Falavam do Deus de Jerusalém como dos deuses dos povos da terra, obras de mãos humanas.
32:20 Por causa disso, o rei Ezequias e o profeta Isaías, filho de Amoz, oraram e clamaram aos céus.
32:21 O SENHOR enviou um anjo, que exterminou todos os guerreiros valentes, os líderes e os comandantes no acampamento do rei da Assíria. Este voltou envergonhado para sua terra. Entrou na casa de seu deus, e ali seus próprios filhos o mataram à espada.
32:22 Assim o SENHOR salvou Ezequias e os moradores de Jerusalém das mãos de Senaqueribe, rei da Assíria, e das mãos de todos, e os guiou por todos os lados.
32:23 Muitos traziam ofertas ao SENHOR em Jerusalém e presentes preciosos a Ezequias, rei de Judá. Desde então, ele foi exaltado aos olhos de todas as nações.
32:24 Naqueles dias, Ezequias ficou doente, à beira da morte, e orou ao SENHOR. Ele lhe respondeu e lhe deu um sinal.
32:25 Mas Ezequias não retribuiu o bem que havia recebido, pois seu coração se encheu de orgulho. Por isso veio ira sobre ele, sobre Judá e sobre Jerusalém.
32:26 Então Ezequias se humilhou por causa do orgulho do seu coração, ele e os moradores de Jerusalém. A ira do SENHOR não veio sobre eles durante os dias de Ezequias.
32:27 Ezequias teve riquezas e honra em grande abundância. Fez depósitos para prata, ouro, pedras preciosas, especiarias, escudos e todos os objetos de valor.
32:28 Também fez armazéns para a produção de cereais, vinho novo e azeite, estábulos para toda espécie de gado e currais para os rebanhos.
32:29 Construiu cidades para si e teve ovelhas, cabras e bois em abundância, pois Deus lhe havia dado muitíssimos bens.
32:30 Esse mesmo Ezequias fechou a saída superior das águas de Giom e as conduziu para baixo, para o lado oeste da Cidade de Davi. Ezequias prosperou em tudo o que fez.
32:31 Mas, no caso dos emissários que os governantes da Babilônia lhe enviaram para perguntar sobre o prodígio ocorrido na terra, Deus o deixou para pô-lo à prova e conhecer tudo o que havia em seu coração.
32:32 Os demais feitos de Ezequias e seus atos de bondade estão escritos na visão do profeta Isaías, filho de Amoz, no livro dos reis de Judá e Israel.
32:33 Ezequias descansou com seus antepassados, e o sepultaram na parte alta dos túmulos dos descendentes de Davi. Todo o Judá e os moradores de Jerusalém lhe prestaram honras quando morreu. Manassés, seu filho, reinou em seu lugar.

Capítulo 33
33:1 Manassés tinha doze anos quando começou a reinar e reinou cinquenta e cinco anos em Jerusalém.
33:2 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR, conforme as práticas abomináveis das nações que o SENHOR havia expulsado de diante dos israelitas.
33:3 Reconstruiu os lugares altos que Ezequias, seu pai, havia derrubado, levantou altares para os baalins e fez postes de Aserá. Prostrou-se diante de todo o exército dos céus e o serviu.
33:4 Construiu altares na casa do SENHOR, da qual o SENHOR havia dito: “Em Jerusalém estará o meu nome para sempre”.
33:5 Construiu altares para todo o exército dos céus nos dois pátios da casa do SENHOR.
33:6 Fez seus filhos passarem pelo fogo no vale de Ben-Hinom. Praticou presságios, adivinhações e feitiçarias e recorreu a evocadores de mortos e adivinhos. Fez muito mal aos olhos do SENHOR, provocando sua ira.
33:7 Colocou a imagem esculpida que havia feito na casa de Deus, da qual Deus havia dito a Davi e a Salomão, seu filho: “Nesta casa e em Jerusalém, que escolhi dentre todas as tribos de Israel, porei o meu nome para sempre.
33:8 Não voltarei a remover o pé de Israel da terra que destinei aos antepassados de vocês, desde que tenham o cuidado de cumprir tudo o que lhes ordenei: toda a lei, os estatutos e as ordenanças dadas por meio de Moisés”.
33:9 Manassés, porém, desviou Judá e os moradores de Jerusalém, levando-os a fazer mais mal que as nações que o SENHOR havia destruído de diante dos israelitas.
33:10 O SENHOR falou a Manassés e a seu povo, mas eles não deram ouvidos.
33:11 Então o SENHOR trouxe contra eles os comandantes do exército do rei da Assíria. Capturaram Manassés com ganchos, prenderam-no com correntes de bronze e o levaram para a Babilônia.
33:12 Em sua aflição, ele implorou o favor do SENHOR, seu Deus, e se humilhou profundamente diante do Deus de seus antepassados.
33:13 Orou a ele, e Deus atendeu seu pedido, ouviu sua súplica e o fez voltar a Jerusalém, ao seu reino. Então Manassés reconheceu que o SENHOR é Deus.
33:14 Depois disso, construiu uma muralha exterior para a Cidade de Davi, a oeste de Giom, no vale, até a entrada do Portão do Peixe. Cercou Ofel com ela e a tornou muito alta. Também colocou comandantes militares em todas as cidades fortificadas de Judá.
33:15 Removeu da casa do SENHOR os deuses estrangeiros e o ídolo, assim como todos os altares que havia construído no monte da casa do SENHOR e em Jerusalém, e os lançou para fora da cidade.
33:16 Pôs em ordem o altar do SENHOR e ofereceu sobre ele sacrifícios de comunhão e de gratidão. Ordenou a Judá que servisse ao SENHOR, Deus de Israel.
33:17 O povo, porém, ainda sacrificava nos lugares altos, mas somente ao SENHOR, seu Deus.
33:18 Os demais feitos de Manassés, sua oração ao seu Deus e as palavras dos videntes que lhe falaram em nome do SENHOR, Deus de Israel, estão nos registros dos reis de Israel.
33:19 Sua oração e como foi atendido, todos os seus pecados e sua infidelidade, e os lugares onde construiu lugares altos e erigiu postes de Aserá e imagens esculpidas antes de se humilhar estão escritos nos registros de Hozai.
33:20 Manassés descansou com seus antepassados, e o sepultaram em sua casa. Amom, seu filho, reinou em seu lugar.
33:21 Amom tinha vinte e dois anos quando começou a reinar e reinou dois anos em Jerusalém.
33:22 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR, como Manassés, seu pai, havia feito. Amom ofereceu sacrifícios a todas as imagens esculpidas que Manassés, seu pai, havia feito e as serviu.
33:23 Não se humilhou diante do SENHOR como Manassés, seu pai, havia se humilhado. Ao contrário, esse Amom multiplicou sua culpa.
33:24 Seus servos conspiraram contra ele e o mataram em sua casa.
33:25 Mas o povo da terra matou todos os que haviam conspirado contra o rei Amom e fez Josias, seu filho, reinar em seu lugar.

Capítulo 34
34:1 Josias tinha oito anos quando começou a reinar e reinou trinta e um anos em Jerusalém.
34:2 Fez o que era reto aos olhos do SENHOR e andou nos caminhos de Davi, seu antepassado, sem se desviar para a direita nem para a esquerda.
34:3 No oitavo ano do seu reinado, ainda jovem, começou a buscar o Deus de Davi, seu antepassado. No décimo segundo ano, começou a purificar Judá e Jerusalém dos lugares altos, dos postes de Aserá, das imagens esculpidas e das imagens de metal fundido.
34:4 Derrubaram em sua presença os altares dos baalins, e ele cortou os altares de incenso que ficavam acima deles. Despedaçou os postes de Aserá, as imagens esculpidas e as imagens de metal fundido, reduziu-os a pó e o espalhou sobre os túmulos dos que lhes haviam oferecido sacrifícios.
34:5 Queimou os ossos dos sacerdotes sobre seus altares e purificou Judá e Jerusalém.
34:6 Fez o mesmo nas cidades de Manassés, Efraim e Simeão, até Naftali, no monte de suas habitações ao redor.
34:7 Derrubou os altares e os postes de Aserá, despedaçou as imagens esculpidas até reduzi-las a pó e cortou todos os altares de incenso em toda a terra de Israel. Depois voltou a Jerusalém.
34:8 No décimo oitavo ano do seu reinado, ao purificar a terra e a casa, enviou Safã, filho de Azalias, Maaseias, governador da cidade, e Joá, filho de Joacaz, o cronista, para reparar a casa do SENHOR, seu Deus.
34:9 Foram ao sumo sacerdote Hilquias e entregaram o dinheiro que havia sido trazido à casa de Deus. Os levitas que guardavam as entradas o haviam recolhido de Manassés, de Efraim, de todo o restante de Israel, de todo o Judá e Benjamim e dos moradores de Jerusalém.
34:10 Entregaram-no aos encarregados das obras da casa do SENHOR, e estes o deram aos trabalhadores que faziam a obra na casa do SENHOR, para consertar e reparar a casa.
34:11 Deram-no aos carpinteiros e aos construtores, para comprar pedras de cantaria e madeira para as estruturas e para cobrir os edifícios que os reis de Judá haviam arruinado.
34:12 Os homens trabalhavam com fidelidade. Seus supervisores eram os levitas Jaate e Obadias, dos descendentes de Merari, e Zacarias e Mesulão, dos descendentes de Coate. Os levitas peritos em instrumentos musicais
34:13 também estavam à frente dos carregadores e dirigiam todos os trabalhadores em cada tipo de serviço. Entre os levitas havia secretários, oficiais e porteiros.
34:14 Quando retiravam o dinheiro que havia sido trazido à casa do SENHOR, o sacerdote Hilquias encontrou o livro da lei do SENHOR, dada por meio de Moisés.
34:15 Hilquias disse ao secretário Safã: “Encontrei o livro da lei na casa do SENHOR”. E Hilquias entregou o livro a Safã.
34:16 Safã levou o livro ao rei e também lhe informou: “Seus servos estão fazendo tudo o que lhes foi confiado.
34:17 Retiraram o dinheiro que se encontrava na casa do SENHOR e o entregaram aos supervisores e aos trabalhadores”.
34:18 O secretário Safã também disse ao rei: “O sacerdote Hilquias me deu um livro”. E Safã o leu diante do rei.
34:19 Quando o rei ouviu as palavras da lei, rasgou suas roupas.
34:20 O rei deu esta ordem a Hilquias, a Aicão, filho de Safã, a Abdom, filho de Mica, ao secretário Safã e a Asaías, servo do rei:
34:21 “Vão consultar o SENHOR por mim e pelos que restam em Israel e em Judá a respeito das palavras do livro que foi encontrado. Grande é a ira do SENHOR que se derramou sobre nós, pois nossos antepassados não guardaram a palavra do SENHOR, para cumprir tudo o que está escrito neste livro”.
34:22 Hilquias e os enviados do rei foram à profetisa Hulda, esposa de Salum, o encarregado das vestes, filho de Tocate, filho de Hasra. Ela morava em Jerusalém, no Segundo Bairro. Falaram com ela a respeito desse assunto.
34:23 Ela lhes disse: “Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Digam ao homem que os enviou a mim:
34:24 ‘Assim diz o SENHOR: Vou trazer calamidade sobre este lugar e seus moradores, todas as maldições escritas no livro que leram diante do rei de Judá.
34:25 Porque me abandonaram e queimaram incenso a outros deuses, provocando minha ira com todas as obras de suas mãos, minha ira se derramará sobre este lugar e não se apagará’.
34:26 Mas ao rei de Judá, que os enviou para consultar o SENHOR, assim dirão: ‘Assim diz o SENHOR, Deus de Israel, a respeito das palavras que você ouviu:
34:27 Porque seu coração se enterneceu e você se humilhou diante de Deus ao ouvir suas palavras contra este lugar e seus moradores, e se humilhou diante de mim, rasgou suas roupas e chorou diante de mim, eu também o ouvi, declara o SENHOR.
34:28 Vou reuni-lo aos seus antepassados, e você será recolhido aos seus túmulos em paz. Seus olhos não verão toda a calamidade que trarei sobre este lugar e seus moradores’”. Eles levaram a resposta ao rei.
34:29 Então o rei mandou reunir todos os anciãos de Judá e de Jerusalém.
34:30 O rei foi à casa do SENHOR com todos os homens de Judá, os moradores de Jerusalém, os sacerdotes, os levitas e todo o povo, do maior ao menor. Leu aos ouvidos deles todas as palavras do livro da aliança encontrado na casa do SENHOR.
34:31 O rei se pôs de pé em seu lugar e fez a aliança diante do SENHOR: seguir o SENHOR e guardar seus mandamentos, seus testemunhos e seus estatutos de todo o coração e de toda a alma, cumprindo as palavras da aliança escritas nesse livro.
34:32 Fez com que todos os presentes em Jerusalém e em Benjamim se pusessem de pé. Os moradores de Jerusalém agiram conforme a aliança de Deus, o Deus de seus antepassados.
34:33 Josias removeu todas as coisas abomináveis de todas as terras que pertenciam aos israelitas e fez todos os que estavam em Israel servirem ao SENHOR, seu Deus. Durante toda a sua vida, eles não deixaram de seguir o SENHOR, Deus de seus antepassados.

Capítulo 35
35:1 Josias celebrou em Jerusalém a Páscoa ao SENHOR. Sacrificaram os animais da Páscoa no décimo quarto dia do primeiro mês.
35:2 Colocou os sacerdotes em seus postos e os encorajou para o serviço da casa do SENHOR.
35:3 Disse aos levitas que instruíam todo o Israel e estavam consagrados ao SENHOR: “Ponham a arca santa na casa que Salomão, filho de Davi, rei de Israel, construiu. Vocês não terão mais de carregá-la nos ombros. Agora sirvam ao SENHOR, seu Deus, e ao seu povo Israel.
35:4 Preparem-se segundo suas famílias e seus turnos, conforme o que foi escrito por Davi, rei de Israel, e por Salomão, seu filho.
35:5 Ocupem seus postos no santuário segundo as divisões das famílias de seus irmãos, o povo, e segundo a divisão das famílias dos levitas.
35:6 Sacrifiquem os animais da Páscoa, consagrem-se e preparem o necessário para seus irmãos, para cumprir a palavra do SENHOR dada por meio de Moisés”.
35:7 Josias deu ao povo trinta mil cordeiros e cabritos, todos para os sacrifícios da Páscoa dos que estavam presentes, e três mil bois. Tudo isso veio dos bens do rei.
35:8 Seus oficiais também deram ofertas voluntárias ao povo, aos sacerdotes e aos levitas. Hilquias, Zacarias e Jeiel, responsáveis pela casa de Deus, deram aos sacerdotes dois mil e seiscentos animais para os sacrifícios da Páscoa e trezentos bois.
35:9 Conanias e seus irmãos Semaías e Natanael, com Hasabias, Jeiel e Jozabade, chefes dos levitas, deram aos levitas cinco mil animais para os sacrifícios da Páscoa e quinhentos bois.
35:10 Assim ficou preparado o serviço. Os sacerdotes ocuparam seus postos, e os levitas, seus turnos, conforme a ordem do rei.
35:11 Sacrificaram os animais da Páscoa, e os sacerdotes aspergiam o sangue recebido das mãos deles, enquanto os levitas tiravam a pele dos animais.
35:12 Separaram o que se destinava ao holocausto para dar às divisões das famílias do povo, a fim de oferecê-lo ao SENHOR, conforme estava escrito no livro de Moisés. Fizeram o mesmo com os bois.
35:13 Assaram a Páscoa no fogo, conforme a determinação. Cozinharam as ofertas consagradas em panelas, caldeirões e frigideiras e as levaram depressa a todo o povo.
35:14 Depois prepararam para si mesmos e para os sacerdotes, pois os sacerdotes, filhos de Arão, estiveram ocupados oferecendo os holocaustos e a gordura até a noite. Por isso os levitas prepararam para si mesmos e para os sacerdotes, filhos de Arão.
35:15 Os cantores, descendentes de Asafe, estavam em seus postos, conforme a ordem de Davi, de Asafe, de Hemã e de Jedutum, o vidente do rei. Os porteiros estavam em cada portão. Não precisavam se afastar de seu serviço, pois seus irmãos, os levitas, preparavam para eles.
35:16 Assim ficou preparado naquele dia todo o serviço do SENHOR para celebrar a Páscoa e oferecer holocaustos sobre o altar do SENHOR, conforme a ordem do rei Josias.
35:17 Os israelitas que estavam presentes celebraram naquela ocasião a Páscoa e a Festa dos Pães sem Fermento por sete dias.
35:18 Não se havia celebrado em Israel uma Páscoa como aquela desde os dias do profeta Samuel. Nenhum dos reis de Israel havia celebrado uma Páscoa como a que celebraram Josias, os sacerdotes, os levitas, todo o Judá e Israel que estavam presentes e os moradores de Jerusalém.
35:19 Essa Páscoa foi celebrada no décimo oitavo ano do reinado de Josias.
35:20 Depois de tudo isso, quando Josias havia preparado a casa, Neco, rei do Egito, marchou para guerrear em Carquemis, junto ao Eufrates. Josias saiu ao seu encontro.
35:21 Neco lhe enviou mensageiros, dizendo: “Que há entre mim e você, rei de Judá? Hoje não venho contra você, mas contra a casa com que estou em guerra. Deus me disse que me apressasse. Deixe de se opor a Deus, que está comigo, para que ele não o destrua”.
35:22 Mas Josias não se afastou dele; ao contrário, disfarçou-se para lutar contra ele. Não deu ouvidos às palavras de Neco, vindas da boca de Deus, e foi lutar na planície de Megido.
35:23 Os arqueiros atiraram contra o rei Josias. O rei disse a seus servos: “Tirem-me daqui, pois estou gravemente ferido”.
35:24 Seus servos o tiraram do carro e o colocaram no segundo carro que ele tinha. Levaram-no a Jerusalém, e ele morreu. Foi sepultado nos túmulos de seus antepassados, e todo o Judá e Jerusalém lamentaram a morte de Josias.
35:25 Jeremias entoou um lamento por Josias. Todos os cantores e cantoras têm falado de Josias em seus lamentos até hoje. Estabeleceram esses lamentos como costume em Israel, e eles estão escritos nos lamentos.
35:26 Os demais feitos de Josias e seus atos de fidelidade, conforme estava escrito na lei do SENHOR,
35:27 e seus feitos, do primeiro ao último, estão escritos no livro dos reis de Israel e Judá.

Capítulo 36
36:1 O povo da terra tomou Joacaz, filho de Josias, e o fez rei em Jerusalém, em lugar de seu pai.
36:2 Joacaz tinha vinte e três anos quando começou a reinar e reinou três meses em Jerusalém.
36:3 O rei do Egito o depôs em Jerusalém e impôs à terra um tributo de cerca de três mil e quatrocentos quilos de prata e trinta e quatro quilos de ouro.
36:4 O rei do Egito fez Eliaquim, irmão de Joacaz, reinar sobre Judá e Jerusalém e mudou seu nome para Jeoaquim. Neco tomou Joacaz, irmão de Eliaquim, e o levou para o Egito.
36:5 Jeoaquim tinha vinte e cinco anos quando começou a reinar e reinou onze anos em Jerusalém. Fez o que era mau aos olhos do SENHOR, seu Deus.
36:6 Nabucodonosor, rei da Babilônia, marchou contra ele e o prendeu com correntes de bronze para levá-lo à Babilônia.
36:7 Nabucodonosor também levou para a Babilônia alguns dos utensílios da casa do SENHOR e os colocou no seu templo na Babilônia.
36:8 Os demais feitos de Jeoaquim, as abominações que praticou e o que se encontrou contra ele estão escritos no livro dos reis de Israel e Judá. Joaquim, seu filho, reinou em seu lugar.
36:9 Joaquim tinha oito anos quando começou a reinar e reinou três meses e dez dias em Jerusalém. Fez o que era mau aos olhos do SENHOR.
36:10 No começo do ano, o rei Nabucodonosor mandou levá-lo à Babilônia com os objetos preciosos da casa do SENHOR. Fez Zedequias, seu irmão, reinar sobre Judá e Jerusalém.
36:11 Zedequias tinha vinte e um anos quando começou a reinar e reinou onze anos em Jerusalém.
36:12 Fez o que era mau aos olhos do SENHOR, seu Deus. Não se humilhou diante do profeta Jeremias, que falava da parte do SENHOR.
36:13 Também se rebelou contra o rei Nabucodonosor, que o havia feito jurar por Deus. Endureceu o pescoço e tornou obstinado o coração, para não voltar ao SENHOR, Deus de Israel.
36:14 Todos os chefes dos sacerdotes e o povo multiplicaram suas infidelidades, seguindo todas as práticas abomináveis das nações. Contaminaram a casa do SENHOR, que ele havia consagrado em Jerusalém.
36:15 O SENHOR, Deus de seus antepassados, lhes enviou mensagens por meio de seus mensageiros, vez após vez, pois tinha compaixão de seu povo e de sua morada.
36:16 Mas eles zombavam dos mensageiros de Deus, desprezavam suas palavras e ridicularizavam seus profetas, até que a ira do SENHOR se levantou contra seu povo e não houve mais remédio.
36:17 Ele trouxe contra eles o rei dos caldeus, que matou seus jovens à espada na casa do seu santuário. Não teve compaixão do jovem nem da virgem, do idoso nem do decrépito. Deus entregou todos nas mãos dele.
36:18 Todos os utensílios da casa de Deus, grandes e pequenos, os tesouros da casa do SENHOR e os tesouros do rei e de seus oficiais, tudo ele levou para a Babilônia.
36:19 Queimaram a casa de Deus, derrubaram a muralha de Jerusalém, incendiaram todos os seus palácios e destruíram todos os seus objetos preciosos.
36:20 Levou para o exílio na Babilônia os que haviam escapado da espada, e eles se tornaram servos dele e de seus filhos até o domínio do reino da Pérsia,
36:21 para cumprir a palavra do SENHOR pela boca de Jeremias, até que a terra desfrutasse de seus sábados. Durante todos os dias de sua desolação, ela descansou, até se completarem setenta anos.
36:22 No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para cumprir a palavra do SENHOR pela boca de Jeremias, o SENHOR despertou o espírito de Ciro, rei da Pérsia. Ele fez proclamar por todo o seu reino, também por escrito:
36:23 “Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de construir para ele uma casa em Jerusalém, que fica em Judá. Quem dentre vocês pertencer ao seu povo, que o SENHOR, seu Deus, esteja com ele, e que ele suba”.

ESDRAS

Capítulo 1
1:1 No primeiro ano de Ciro, rei da Pérsia, para cumprir a palavra do SENHOR pela boca de Jeremias, o SENHOR despertou o espírito de Ciro, rei da Pérsia. Ele fez proclamar por todo o seu reino, também por escrito:
1:2 “Assim diz Ciro, rei da Pérsia: O SENHOR, Deus dos céus, me deu todos os reinos da terra e me encarregou de construir para ele uma casa em Jerusalém, que fica em Judá.
1:3 Quem dentre vocês pertencer ao seu povo, que o seu Deus esteja com ele e que suba a Jerusalém, que fica em Judá, e construa a casa do SENHOR, Deus de Israel. Ele é o Deus que está em Jerusalém.
1:4 A todo aquele que restou, em qualquer lugar onde viva como estrangeiro, que os moradores de seu lugar o ajudem com prata, ouro, bens e gado, além da oferta voluntária para a casa de Deus em Jerusalém”.
1:5 Então se levantaram os chefes das famílias de Judá e Benjamim, os sacerdotes e os levitas, todos aqueles cujo espírito Deus havia despertado para subir e construir a casa do SENHOR em Jerusalém.
1:6 Todos os seus vizinhos os ajudaram com objetos de prata, ouro, bens, gado e coisas preciosas, além de tudo o que ofereceram voluntariamente.
1:7 O rei Ciro também retirou os utensílios da casa do SENHOR que Nabucodonosor havia levado de Jerusalém e colocado na casa de seus deuses.
1:8 Ciro, rei da Pérsia, os retirou por meio do tesoureiro Mitredate, que os contou e os entregou a Sesbazar, príncipe de Judá.
1:9 Esta era a contagem deles: trinta bacias de ouro, mil bacias de prata, vinte e nove facas,
1:10 trinta taças de ouro, quatrocentas e dez taças de prata de segunda categoria e mil outros utensílios.
1:11 O total dos utensílios de ouro e prata era de cinco mil e quatrocentos. Sesbazar levou todos eles quando os exilados subiram da Babilônia para Jerusalém.

Capítulo 2
2:1 Estes são os habitantes da província que voltaram do cativeiro, dentre os exilados que Nabucodonosor, rei da Babilônia, havia levado para a Babilônia. Eles retornaram a Jerusalém e a Judá, cada um à sua cidade.
2:2 Vieram com Zorobabel, Jesua, Neemias, Seraías, Reelaías, Mardoqueu, Bilsã, Mispar, Bigvai, Reum e Baaná. Este é o número dos homens do povo de Israel:
2:3 Os descendentes de Parós: dois mil cento e setenta e dois.
2:4 Os descendentes de Sefatias: trezentos e setenta e dois.
2:5 Os descendentes de Ará: setecentos e setenta e cinco.
2:6 Os descendentes de Paate-Moabe, das famílias de Jesua e Joabe: dois mil oitocentos e doze.
2:7 Os descendentes de Elão: mil duzentos e cinquenta e quatro.
2:8 Os descendentes de Zatu: novecentos e quarenta e cinco.
2:9 Os descendentes de Zacai: setecentos e sessenta.
2:10 Os descendentes de Bani: seiscentos e quarenta e dois.
2:11 Os descendentes de Bebai: seiscentos e vinte e três.
2:12 Os descendentes de Azgade: mil duzentos e vinte e dois.
2:13 Os descendentes de Adonicão: seiscentos e sessenta e seis.
2:14 Os descendentes de Bigvai: dois mil e cinquenta e seis.
2:15 Os descendentes de Adim: quatrocentos e cinquenta e quatro.
2:16 Os descendentes de Ater, da família de Ezequias: noventa e oito.
2:17 Os descendentes de Besai: trezentos e vinte e três.
2:18 Os descendentes de Jora: cento e doze.
2:19 Os descendentes de Hasum: duzentos e vinte e três.
2:20 Os descendentes de Gibar: noventa e cinco.
2:21 Os de Belém: cento e vinte e três.
2:22 Os homens de Netofa: cinquenta e seis.
2:23 Os homens de Anatote: cento e vinte e oito.
2:24 Os de Azmavete: quarenta e dois.
2:25 Os de Quiriate-Arim, Cefira e Beerote: setecentos e quarenta e três.
2:26 Os de Ramá e Geba: seiscentos e vinte e um.
2:27 Os homens de Micmás: cento e vinte e dois.
2:28 Os homens de Betel e Ai: duzentos e vinte e três.
2:29 Os de Nebo: cinquenta e dois.
2:30 Os de Magbis: cento e cinquenta e seis.
2:31 Os do outro Elão: mil duzentos e cinquenta e quatro.
2:32 Os de Harim: trezentos e vinte.
2:33 Os de Lode, Hadide e Ono: setecentos e vinte e cinco.
2:34 Os de Jericó: trezentos e quarenta e cinco.
2:35 Os de Senaá: três mil seiscentos e trinta.
2:36 Os sacerdotes: os descendentes de Jedaías, da família de Jesua, novecentos e setenta e três.
2:37 Os descendentes de Imer: mil e cinquenta e dois.
2:38 Os descendentes de Pasur: mil duzentos e quarenta e sete.
2:39 Os descendentes de Harim: mil e dezessete.
2:40 Os levitas: os descendentes de Jesua e Cadmiel, da linhagem de Hodavias, setenta e quatro.
2:41 Os cantores: os descendentes de Asafe, cento e vinte e oito.
2:42 Os descendentes dos porteiros: os de Salum, Ater, Talmom, Acube, Hatita e Sobai; ao todo, cento e trinta e nove.
2:43 Os servidores do templo: os descendentes de Zia, Hasufa e Tabaote,
2:44 os de Queros, Siaha e Padom,
2:45 os de Lebana, Hagaba e Acube,
2:46 os de Hagabe, Sanlai e Hanã,
2:47 os de Gidel, Gaar e Reaías,
2:48 os de Rezim, Necoda e Gazão,
2:49 os de Uzá, Paseia e Besai,
2:50 os de Asná, Meinim e Nefisim,
2:51 os de Baquebuque, Hacufa e Harur,
2:52 os de Baslute, Meida e Harsa,
2:53 os de Barcos, Sísera e Temá,
2:54 os de Nesias e Hatifa.
2:55 Os descendentes dos servos de Salomão: os de Sotai, Hasoferete e Peruda,
2:56 os de Jaala, Darcom e Gidel,
2:57 os de Sefatias, Hatil, Poquerete-Hazebaim e Ami.
2:58 Todos os servidores do templo e os descendentes dos servos de Salomão somavam trezentos e noventa e dois.
2:59 Estes vieram de Tel-Melá, Tel-Harsa, Querube, Adã e Imer, mas não puderam comprovar sua família paterna nem sua ascendência, para demonstrar que pertenciam a Israel:
2:60 os descendentes de Delaías, Tobias e Necoda; ao todo, seiscentos e cinquenta e dois.
2:61 Dentre os descendentes dos sacerdotes estavam os de Habaías, Coz e Barzilai. Este havia se casado com uma das filhas de Barzilai, o gileadita, e adotado o nome daquela família.
2:62 Eles procuraram seus registros genealógicos, mas não os encontraram. Por isso, foram considerados impuros e excluídos do sacerdócio.
2:63 O governador lhes disse que não comessem das ofertas santíssimas até que se apresentasse um sacerdote com o Urim e o Tumim.
2:64 Toda a assembleia reunida somava quarenta e dois mil trezentos e sessenta,
2:65 além de seus escravos e escravas, que eram sete mil trezentos e trinta e sete. Tinham também duzentos cantores e cantoras.
2:66 Seus cavalos eram setecentos e trinta e seis, e suas mulas, duzentas e quarenta e cinco.
2:67 Seus camelos eram quatrocentos e trinta e cinco, e seus jumentos, seis mil setecentos e vinte.
2:68 Ao chegarem à casa do SENHOR em Jerusalém, alguns chefes de família deram ofertas voluntárias para reconstruir a casa de Deus no seu lugar.
2:69 Conforme suas possibilidades, deram ao tesouro da obra sessenta e um mil dáricos de ouro, três mil quilos de prata e cem túnicas sacerdotais.
2:70 Os sacerdotes, os levitas, alguns do povo, os cantores, os porteiros e os servidores do templo se estabeleceram em suas cidades; todo o Israel se estabeleceu em suas cidades.

Capítulo 3
3:1 Quando chegou o sétimo mês, os israelitas já estavam em suas cidades, e o povo se reuniu como um só homem em Jerusalém.
3:2 Jesua, filho de Jozadaque, e seus irmãos, os sacerdotes, junto com Zorobabel, filho de Sealtiel, e seus irmãos, se puseram a reconstruir o altar do Deus de Israel para oferecer holocaustos sobre ele, conforme está escrito na Lei de Moisés, homem de Deus.
3:3 Firmaram o altar sobre suas bases, pois tinham medo dos povos das terras ao redor. Ali se fazia a oferta de holocaustos ao SENHOR, de manhã e à tarde.
3:4 Celebraram a Festa das Cabanas conforme está escrito e ofereceram os holocaustos diários no número estabelecido, segundo o que era prescrito para cada dia.
3:5 Depois disso, ofereceram o holocausto regular, os das luas novas e os de todas as festas consagradas ao SENHOR, além das ofertas de todos os que apresentavam ofertas voluntárias ao SENHOR.
3:6 Desde o primeiro dia do sétimo mês começaram a oferecer holocaustos ao SENHOR, embora os alicerces do templo do SENHOR ainda não tivessem sido lançados.
3:7 Deram dinheiro aos cortadores de pedra e aos artífices, e alimentos, bebida e azeite aos sidônios e aos tírios, para que trouxessem madeira de cedro do Líbano por mar até Jope, conforme a autorização que Ciro, rei da Pérsia, lhes havia concedido.
3:8 No segundo mês do segundo ano da chegada deles à casa de Deus em Jerusalém, Zorobabel, filho de Sealtiel, Jesua, filho de Jozadaque, o restante de seus irmãos, os sacerdotes e os levitas, e todos os que haviam voltado do cativeiro para Jerusalém começaram a obra. Designaram os levitas de vinte anos para cima para supervisionar os trabalhos da casa do SENHOR.
3:9 Jesua, seus filhos e seus irmãos, Cadmiel e seus filhos, descendentes de Judá, se uniram para supervisionar os trabalhadores da casa de Deus, junto com os descendentes de Henadade, seus filhos e seus irmãos, os levitas.
3:10 Quando os construtores lançaram os alicerces do templo do SENHOR, os sacerdotes foram postos em seus lugares, vestidos com suas vestes sacerdotais e com trombetas, e os levitas, descendentes de Asafe, com címbalos, para louvar o SENHOR conforme as instruções de Davi, rei de Israel.
3:11 Cantavam alternadamente, louvando e dando graças ao SENHOR: “Porque ele é bom, porque seu amor fiel por Israel dura para sempre”. Todo o povo soltava grandes gritos de alegria, louvando o SENHOR, porque os alicerces da casa do SENHOR haviam sido lançados.
3:12 Mas muitos dos sacerdotes, levitas e chefes de família, os mais velhos que haviam visto a primeira casa, choravam em alta voz ao verem os alicerces desta casa sendo lançados diante de seus olhos. Muitos outros levantavam a voz com gritos de alegria.
3:13 Não se conseguia distinguir o som dos gritos de alegria do som do choro do povo, pois o povo gritava tão alto que o som era ouvido de longe.

Capítulo 4
4:1 Os adversários de Judá e de Benjamim souberam que os que haviam voltado do exílio estavam construindo um templo ao SENHOR, o Deus de Israel.
4:2 Aproximaram-se de Zorobabel e dos chefes de família e lhes disseram: “Deixem-nos construir com vocês, pois, assim como vocês, buscamos o seu Deus, e não oferecemos sacrifícios desde os dias de Esar-Hadom, rei da Assíria, que nos trouxe para cá”.
4:3 Mas Zorobabel, Jesua e os demais chefes das famílias de Israel lhes responderam: “Não cabe a vocês e a nós construir juntos uma casa para o nosso Deus. Nós mesmos, sozinhos, a construiremos ao SENHOR, o Deus de Israel, como nos ordenou Ciro, rei da Pérsia”.
4:4 Então o povo da terra passou a desanimar o povo de Judá e a intimidá-lo para que não construísse.
4:5 Contratavam conselheiros contra eles para frustrar seus planos, durante todo o reinado de Ciro, rei da Pérsia, e até o reinado de Dario, rei da Pérsia.
4:6 No reinado de Assuero, no início de seu reinado, escreveram uma acusação contra os habitantes de Judá e de Jerusalém.
4:7 Nos dias de Artaxerxes, Bislão, Mitredate, Tabeel e os demais companheiros dele escreveram a Artaxerxes, rei da Pérsia. A carta estava escrita em caracteres aramaicos e traduzida para o aramaico.
4:8 Reum, o chanceler, e Sinsai, o secretário, escreveram ao rei Artaxerxes uma carta contra Jerusalém, nos seguintes termos.
4:9 Reum, o chanceler, Sinsai, o secretário, e seus demais companheiros — dinaítas, afarsaquitas, tarpelitas, afarsitas, arquevitas, babilônios, susanquitas, deavitas e elamitas —
4:10 e os demais povos que o grande e ilustre Osnapar havia deportado e estabelecido na cidade de Samaria e no restante do território além do rio, e assim por diante.
4:11 Esta é a cópia da carta que enviaram ao rei Artaxerxes: “De seus servos, os homens do território além do rio. E agora:
4:12 Saiba o rei que os judeus que saíram de sua presença e vieram para cá chegaram a Jerusalém. Estão reconstruindo aquela cidade rebelde e perversa; terminaram os muros e estão reparando os alicerces.
4:13 Saiba agora o rei que, se esta cidade for reconstruída e seus muros forem concluídos, eles não pagarão tributo, imposto nem pedágio, e isso prejudicará as receitas dos reis.
4:14 Como comemos o sal do palácio e não nos parece correto presenciar a desonra do rei, enviamos estas informações ao rei,
4:15 para que se faça uma pesquisa no livro dos registros de seus antepassados. O rei encontrará no livro dos registros e saberá que esta cidade é rebelde, prejudicial aos reis e às províncias, e que nela se promovem revoltas desde os tempos antigos. Por isso, esta cidade foi destruída.
4:16 Informamos ao rei que, se esta cidade for reconstruída e seus muros forem concluídos, o rei já não terá nenhuma posse no território além do rio”.
4:17 O rei enviou esta resposta: “A Reum, o chanceler, a Sinsai, o secretário, e aos seus demais companheiros que moram em Samaria e no restante do território além do rio: Paz! E agora:
4:18 A carta que vocês nos enviaram foi lida claramente em minha presença.
4:19 Dei ordem para que se fizesse uma pesquisa, e descobriu-se que, desde os tempos antigos, esta cidade se levanta contra os reis, e nela se praticam rebelião e revolta.
4:20 Houve reis poderosos em Jerusalém que governaram todo o território além do rio, e a eles se pagavam tributo, imposto e pedágio.
4:21 Agora deem ordem para que esses homens parem e para que esta cidade não seja reconstruída até que eu dê uma ordem.
4:22 Tenham o cuidado de não ser negligentes nisso. Por que aumentar o dano em prejuízo dos reis?”
4:23 Assim que a cópia da carta do rei Artaxerxes foi lida diante de Reum, de Sinsai, o secretário, e de seus companheiros, eles foram às pressas a Jerusalém, contra os judeus, e os fizeram parar pela força e pela violência.
4:24 Então a obra da casa de Deus em Jerusalém foi interrompida e permaneceu suspensa até o segundo ano do reinado de Dario, rei da Pérsia.

Capítulo 5
5:1 Os profetas Ageu e Zacarias, filho de Ido, profetizaram aos judeus de Judá e de Jerusalém, em nome do Deus de Israel, que estava sobre eles.
5:2 Então Zorobabel, filho de Sealtiel, e Jesua, filho de Jozadaque, se levantaram e começaram a reconstruir a casa de Deus em Jerusalém. Os profetas de Deus estavam com eles e os ajudavam.
5:3 Naquele tempo, Tatenai, governador do território além do rio, Setar-Bozenai e seus companheiros foram até eles e lhes perguntaram: “Quem autorizou vocês a construir esta casa e a concluir esta estrutura?”
5:4 Então lhes dissemos: “Quais são os nomes dos homens que estão construindo este edifício?”
5:5 Mas o olhar de seu Deus estava sobre os anciãos dos judeus, e não os fizeram parar enquanto o assunto não chegasse a Dario e viesse uma resposta por carta a esse respeito.
5:6 Esta é a cópia da carta que Tatenai, governador do território além do rio, Setar-Bozenai e seus companheiros, os afarsaquitas que estavam no território além do rio, enviaram ao rei Dario.
5:7 Enviaram-lhe um relatório, no qual estava escrito: “Ao rei Dario, toda a paz!
5:8 Saiba o rei que fomos à província de Judá, à casa do grande Deus. Ela está sendo reconstruída com grandes pedras, e madeira está sendo colocada nas paredes. A obra é feita com diligência e avança bem nas mãos deles.
5:9 Perguntamos àqueles anciãos: ‘Quem autorizou vocês a construir esta casa e a concluir esta estrutura?’
5:10 Também lhes perguntamos os nomes, para informar o rei e registrar os nomes dos homens que os dirigem.
5:11 Eles nos deram esta resposta: ‘Somos servos do Deus dos céus e da terra e estamos reconstruindo a casa edificada há muitos anos. Um grande rei de Israel a construiu e a concluiu.
5:12 Mas, como nossos antepassados provocaram a ira do Deus dos céus, ele os entregou nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, o caldeu, que destruiu esta casa e deportou o povo para a Babilônia.
5:13 Porém, no primeiro ano de Ciro, rei da Babilônia, o rei Ciro deu ordem para reconstruir esta casa de Deus.
5:14 O rei Ciro também retirou do templo da Babilônia os utensílios de ouro e de prata da casa de Deus, que Nabucodonosor havia tirado do templo de Jerusalém e levado para o templo da Babilônia. Eles foram entregues a um homem chamado Sesbazar, a quem Ciro havia nomeado governador.
5:15 E lhe disse: “Pegue estes utensílios, vá e deposite-os no templo de Jerusalém, e que a casa de Deus seja reconstruída no seu lugar”.
5:16 Então esse Sesbazar veio e lançou os alicerces da casa de Deus em Jerusalém. Desde então até agora ela está sendo construída e ainda não foi concluída’.
5:17 Agora, se parecer bem ao rei, que se faça uma pesquisa nos arquivos do tesouro real na Babilônia, para saber se o rei Ciro deu ordem para reconstruir esta casa de Deus em Jerusalém. Que o rei nos envie sua decisão sobre o assunto”.

Capítulo 6
6:1 Então o rei Dario deu ordem para que se fizesse uma pesquisa nos arquivos onde eram guardados os tesouros na Babilônia.
6:2 Em Acmetá, na fortaleza da província da Média, foi encontrado um rolo com o seguinte registro:
6:3 “No primeiro ano do rei Ciro, o rei Ciro deu esta ordem a respeito da casa de Deus em Jerusalém: Que a casa seja reconstruída como lugar onde se oferecem sacrifícios, e que seus alicerces sejam firmemente assentados. Sua altura será de vinte e sete metros, e sua largura, de vinte e sete metros,
6:4 com três camadas de grandes pedras e uma camada de madeira nova. A despesa será paga pelo tesouro real.
6:5 Além disso, sejam devolvidos os utensílios de ouro e de prata da casa de Deus que Nabucodonosor tirou do templo de Jerusalém e levou para a Babilônia. Que voltem ao templo de Jerusalém, ao seu lugar, e você os depositará na casa de Deus”.
6:6 “Agora, Tatenai, governador do território além do rio, Setar-Bozenai e seus companheiros, os afarsaquitas do território além do rio, mantenham-se longe dali.
6:7 Deixem prosseguir a obra desta casa de Deus. Que o governador dos judeus e os anciãos dos judeus reconstruam esta casa de Deus no seu lugar.
6:8 Também dou ordem sobre o que vocês devem fazer por esses anciãos dos judeus na reconstrução desta casa de Deus: as despesas serão pagas prontamente a esses homens com os recursos do rei, provenientes dos tributos do território além do rio, para que a obra não seja interrompida.
6:9 Tudo o que for necessário — novilhos, carneiros e cordeiros para holocaustos ao Deus dos céus, bem como trigo, sal, vinho e azeite — lhes será dado dia após dia, sem falta, conforme o pedido dos sacerdotes de Jerusalém,
6:10 para que ofereçam sacrifícios de aroma agradável ao Deus dos céus e orem pela vida do rei e de seus filhos.
6:11 Também decreto que, de todo aquele que alterar esta ordem, seja arrancada uma viga de sua casa, e ele seja erguido e empalado nela. Por causa disso, sua casa será transformada num monte de esterco.
6:12 Que o Deus que fez habitar ali o seu nome derrube todo rei e povo que estender a mão para alterar ou destruir esta casa de Deus em Jerusalém. Eu, Dario, dei a ordem. Que seja cumprida com diligência”.
6:13 Então Tatenai, governador do território além do rio, Setar-Bozenai e seus companheiros fizeram tudo com diligência, conforme a ordem enviada pelo rei Dario.
6:14 Os anciãos dos judeus continuavam a construir e a prosperar por meio da profecia do profeta Ageu e de Zacarias, filho de Ido. Construíram e concluíram a casa conforme a ordem do Deus de Israel e os decretos de Ciro, de Dario e de Artaxerxes, rei da Pérsia.
6:15 Esta casa foi concluída no terceiro dia do mês de adar, no sexto ano do reinado do rei Dario.
6:16 Os israelitas, os sacerdotes, os levitas e os demais que haviam voltado do exílio celebraram com alegria a dedicação desta casa de Deus.
6:17 Para a dedicação desta casa de Deus ofereceram cem novilhos, duzentos carneiros e quatrocentos cordeiros. Ofereceram também doze bodes como oferta pelo pecado por todo o Israel, segundo o número das tribos de Israel.
6:18 Estabeleceram os sacerdotes em suas divisões e os levitas em seus grupos para o serviço de Deus em Jerusalém, conforme está escrito no livro de Moisés.
6:19 Os que haviam voltado do exílio celebraram a Páscoa no dia catorze do primeiro mês.
6:20 Os sacerdotes e os levitas haviam se purificado juntos; todos estavam puros. Os levitas abateram os animais da Páscoa para todos os que haviam voltado do exílio, para seus irmãos, os sacerdotes, e para si mesmos.
6:21 Comeram a Páscoa os israelitas que haviam voltado do exílio e todos os que se haviam separado da impureza das nações da terra e se unido a eles para buscar o SENHOR, o Deus de Israel.
6:22 Celebraram a Festa dos Pães sem Fermento durante sete dias, com alegria, porque o SENHOR os havia alegrado e voltado o coração do rei da Assíria a favor deles, para fortalecê-los na obra da casa de Deus, o Deus de Israel.

Capítulo 7
7:1 Depois desses acontecimentos, no reinado de Artaxerxes, rei da Pérsia, Esdras, filho de Seraías, filho de Azarias, filho de Hilquias,
7:2 filho de Salum, filho de Zadoque, filho de Aitube,
7:3 filho de Amarias, filho de Azarias, filho de Meraiote,
7:4 filho de Zeraías, filho de Uzi, filho de Buqui,
7:5 filho de Abisua, filho de Fineias, filho de Eleazar, filho de Arão, o sumo sacerdote —
7:6 esse Esdras veio da Babilônia. Era um escriba versado na Lei de Moisés, que o SENHOR, o Deus de Israel, havia dado. O rei lhe concedeu tudo o que ele pediu, pois a mão do SENHOR, seu Deus, estava sobre ele.
7:7 No sétimo ano do rei Artaxerxes, também foram a Jerusalém alguns dos israelitas, dos sacerdotes, dos levitas, dos cantores, dos porteiros e dos servidores do templo.
7:8 Esdras chegou a Jerusalém no quinto mês do sétimo ano do rei.
7:9 Ele havia iniciado a viagem da Babilônia no primeiro dia do primeiro mês e chegou a Jerusalém no primeiro dia do quinto mês, pois a boa mão de seu Deus estava sobre ele.
7:10 Esdras havia disposto seu coração a estudar a Lei do SENHOR, a cumpri-la e a ensinar em Israel seus estatutos e ordenanças.
7:11 Esta é a cópia da carta que o rei Artaxerxes entregou a Esdras, sacerdote e escriba, conhecedor das palavras dos mandamentos do SENHOR e de seus estatutos para Israel:
7:12 “Artaxerxes, rei dos reis, a Esdras, sacerdote e escriba da Lei do Deus dos céus: Paz perfeita! E agora:
7:13 Decreto que qualquer um do povo de Israel, de seus sacerdotes e levitas, que esteja em meu reino e queira ir com você a Jerusalém, vá.
7:14 Você é enviado pelo rei e por seus sete conselheiros para investigar a situação de Judá e de Jerusalém conforme a Lei do seu Deus, que está em suas mãos,
7:15 e para levar a prata e o ouro que o rei e seus conselheiros ofereceram voluntariamente ao Deus de Israel, cuja morada está em Jerusalém,
7:16 bem como toda a prata e todo o ouro que você encontrar em toda a província da Babilônia, junto com as ofertas voluntárias que o povo e os sacerdotes apresentarem à casa de seu Deus em Jerusalém.
7:17 Por isso, compre com diligência, com esse dinheiro, novilhos, carneiros e cordeiros, com suas ofertas de cereais e suas libações, e ofereça-os no altar da casa do Deus de vocês em Jerusalém.
7:18 Quanto ao restante da prata e do ouro, façam o que você e seus irmãos acharem melhor, conforme a vontade do Deus de vocês.
7:19 Entregue diante do Deus de Jerusalém os utensílios que lhe forem dados para o serviço da casa do seu Deus.
7:20 Quanto às demais necessidades da casa do seu Deus que couber a você suprir, providencie tudo com os recursos do tesouro real.
7:21 Eu, o rei Artaxerxes, decreto a todos os tesoureiros do território além do rio que atendam com diligência a tudo o que lhes pedir o sacerdote Esdras, escriba da Lei do Deus dos céus,
7:22 até três mil e quatrocentos quilos de prata, até vinte e dois mil litros de trigo, até dois mil e cem litros de vinho, até dois mil e cem litros de azeite e sal sem limite.
7:23 Tudo o que o Deus dos céus ordenar seja feito com todo o cuidado para a casa do Deus dos céus. Por que haveria ira contra o reino do rei e de seus filhos?
7:24 Também informamos a vocês que não é permitido cobrar tributo, imposto nem pedágio de nenhum dos sacerdotes, levitas, cantores, porteiros, servidores do templo e demais trabalhadores desta casa de Deus.
7:25 E você, Esdras, segundo a sabedoria do seu Deus, que está em suas mãos, nomeie magistrados e juízes para julgar todo o povo do território além do rio, todos os que conhecem as leis do seu Deus. A quem não as conhece, vocês as ensinarão.
7:26 Todo aquele que não cumprir a Lei do seu Deus e a lei do rei será julgado prontamente, seja para a morte, seja para o desterro, para a perda de bens ou para a prisão”.
7:27 Bendito seja o SENHOR, o Deus de nossos antepassados, que pôs no coração do rei o desejo de embelezar a casa do SENHOR em Jerusalém
7:28 e estendeu a mim seu amor fiel diante do rei, de seus conselheiros e de todos os poderosos oficiais do rei! Eu tomei coragem, pois a mão do SENHOR, meu Deus, estava sobre mim, e reuni alguns chefes de Israel para irem comigo.

Capítulo 8
8:1 Estes são os chefes de família e os registros genealógicos dos que vieram comigo da Babilônia no reinado do rei Artaxerxes:
8:2 Dos descendentes de Fineias, Gérson; dos descendentes de Itamar, Daniel; dos descendentes de Davi, Hatus,
8:3 dos descendentes de Secanias. Dos descendentes de Parós, Zacarias, e com ele cento e cinquenta homens registrados por genealogia.
8:4 Dos descendentes de Paate-Moabe, Elioenai, filho de Zeraías, e com ele duzentos homens.
8:5 Dos descendentes de Secanias, o filho de Jaaziel, e com ele trezentos homens.
8:6 Dos descendentes de Adim, Ebede, filho de Jônatas, e com ele cinquenta homens.
8:7 Dos descendentes de Elão, Jesaías, filho de Atalias, e com ele setenta homens.
8:8 Dos descendentes de Sefatias, Zebadias, filho de Micael, e com ele oitenta homens.
8:9 Dos descendentes de Joabe, Obadias, filho de Jeiel, e com ele duzentos e dezoito homens.
8:10 Dos descendentes de Selomite, o filho de Josifias, e com ele cento e sessenta homens.
8:11 Dos descendentes de Bebai, Zacarias, filho de Bebai, e com ele vinte e oito homens.
8:12 Dos descendentes de Azgade, Joanã, filho de Hacatã, e com ele cento e dez homens.
8:13 Dos descendentes de Adonicão, os últimos, cujos nomes eram Elifelete, Jeiel e Semaías, e com eles sessenta homens.
8:14 Dos descendentes de Bigvai, Utai e Zabude, e com ele setenta homens.
8:15 Eu os reuni junto ao rio que corre para Aava, e acampamos ali durante três dias. Examinei o povo e os sacerdotes, mas não encontrei ali nenhum dos descendentes de Levi.
8:16 Mandei chamar os chefes Eliézer, Ariel, Semaías, Elnatã, Jaribe, Elnatã, Natã, Zacarias e Mesulão, e também Joiaribe e Elnatã, homens entendidos.
8:17 Eu os encaminhei a Ido, o chefe do lugar chamado Casifia, e lhes pus na boca as palavras que deveriam dizer a Ido, seu irmão, e aos designados para o serviço em Casifia, para que nos trouxessem ministros para a casa de nosso Deus.
8:18 Como a boa mão de nosso Deus estava sobre nós, trouxeram-nos um homem prudente, dos descendentes de Mali, filho de Levi, filho de Israel: Serebias, com seus filhos e seus irmãos, dezoito ao todo;
8:19 e Hasabias, e com ele Jesaías, dos descendentes de Merari, seus irmãos e os filhos deles, vinte ao todo.
8:20 Dos servidores do templo que Davi e os oficiais haviam destinado ao serviço dos levitas, vieram duzentos e vinte. Todos foram designados pelo nome.
8:21 Ali, junto ao rio Aava, proclamei um jejum para nos humilharmos diante de nosso Deus e lhe pedirmos uma viagem segura para nós, para nossas crianças e para todos os nossos bens.
8:22 Tive vergonha de pedir ao rei tropas e cavaleiros para nos defenderem do inimigo no caminho, pois havíamos dito ao rei: “A mão de nosso Deus está para o bem sobre todos os que o buscam, mas seu poder e sua ira estão sobre todos os que o abandonam”.
8:23 Por isso jejuamos e pedimos isso ao nosso Deus, e ele atendeu à nossa súplica.
8:24 Separei doze dos chefes dos sacerdotes, junto com Serebias, Hasabias e dez de seus irmãos.
8:25 Pesei para eles a prata, o ouro e os utensílios, a contribuição para a casa de nosso Deus que o rei, seus conselheiros, seus oficiais e todos os israelitas ali presentes haviam oferecido.
8:26 Pesei e entreguei nas mãos deles vinte e duas toneladas de prata, utensílios de prata que pesavam três mil e quatrocentos quilos, três mil e quatrocentos quilos de ouro,
8:27 vinte taças de ouro no valor de mil dáricos e dois utensílios de bronze polido de boa qualidade, tão preciosos como o ouro.
8:28 Eu lhes disse: “Vocês são consagrados ao SENHOR, e os utensílios são consagrados. A prata e o ouro são uma oferta voluntária ao SENHOR, o Deus de seus antepassados.
8:29 Vigiem e guardem tudo até que o pesem diante dos chefes dos sacerdotes, dos levitas e dos chefes das famílias de Israel em Jerusalém, nas salas da casa do SENHOR”.
8:30 Os sacerdotes e os levitas receberam a prata, o ouro e os utensílios pesados, para levá-los a Jerusalém, à casa de nosso Deus.
8:31 Partimos do rio Aava no dia doze do primeiro mês, para ir a Jerusalém. A mão de nosso Deus estava sobre nós e nos livrou das mãos do inimigo e dos que armavam emboscadas no caminho.
8:32 Chegamos a Jerusalém e permanecemos ali durante três dias.
8:33 No quarto dia, a prata, o ouro e os utensílios foram pesados na casa de nosso Deus e entregues nas mãos do sacerdote Meremote, filho de Urias. Com ele estava Eleazar, filho de Fineias, e com eles os levitas Jozabade, filho de Jesua, e Noadias, filho de Binui.
8:34 Tudo foi contado e pesado, e todo o peso foi registrado naquela ocasião.
8:35 Os exilados que haviam voltado do cativeiro ofereceram holocaustos ao Deus de Israel: doze novilhos por todo o Israel, noventa e seis carneiros, setenta e sete cordeiros e doze bodes como oferta pelo pecado. Tudo foi um holocausto ao SENHOR.
8:36 Entregaram os decretos do rei aos sátrapas do rei e aos governadores do território além do rio, que deram apoio ao povo e à casa de Deus.

Capítulo 9
9:1 Depois que essas coisas terminaram, os líderes se aproximaram de mim e disseram: “O povo de Israel, os sacerdotes e os levitas não se separaram dos povos das terras e de suas práticas abomináveis, as dos cananeus, hititas, ferezeus, jebuseus, amonitas, moabitas, egípcios e amorreus.
9:2 Tomaram mulheres dentre as filhas desses povos para si e para seus filhos, e assim a linhagem santa se misturou com os povos das terras. Os líderes e os oficiais foram os primeiros nessa infidelidade”.
9:3 Quando ouvi isso, rasguei minha roupa e meu manto, arranquei cabelos da cabeça e da barba e me sentei, consternado.
9:4 Todos os que tremiam diante das palavras do Deus de Israel, por causa da infidelidade dos que haviam voltado do exílio, se reuniram ao meu redor. Eu permaneci sentado, consternado, até a oferta da tarde.
9:5 Na hora da oferta da tarde, levantei-me da minha aflição, com a roupa e o manto rasgados, caí de joelhos e estendi as mãos ao SENHOR, meu Deus.
9:6 Eu disse: “Meu Deus, estou envergonhado e humilhado demais para levantar meu rosto a ti, meu Deus, pois nossas iniquidades se acumularam acima de nossa cabeça, e nossa culpa cresceu até os céus.
9:7 Desde os dias de nossos antepassados até hoje, nossa culpa tem sido grande. Por causa de nossas iniquidades, nós, nossos reis e nossos sacerdotes fomos entregues nas mãos dos reis das terras, à espada, ao cativeiro, ao saque e à vergonha, como acontece hoje.
9:8 Agora, por um breve momento, o SENHOR, nosso Deus, nos concedeu favor, deixando-nos sobreviventes e dando-nos uma estaca em seu lugar santo, para que nosso Deus ilumine nossos olhos e nos dê um pouco de vida em nossa escravidão.
9:9 Pois somos escravos, mas nosso Deus não nos abandonou em nossa escravidão. Estendeu a nós seu amor fiel diante dos reis da Pérsia, para nos dar vida, reerguer a casa de nosso Deus, restaurar suas ruínas e nos dar um muro em Judá e em Jerusalém.
9:10 E agora, nosso Deus, o que diremos depois disso? Abandonamos os teus mandamentos,
9:11 que ordenaste por meio de teus servos, os profetas, dizendo: ‘A terra em que vocês vão entrar para tomar posse é uma terra impura, por causa da impureza dos povos das terras e de suas práticas abomináveis, com as quais a encheram de uma extremidade à outra com sua impureza.
9:12 Por isso, não deem suas filhas aos filhos deles, nem tomem as filhas deles para seus filhos. Nunca busquem a paz nem o bem-estar deles, para que vocês sejam fortes, comam o que a terra tem de bom e a deixem como herança a seus filhos para sempre’.
9:13 Depois de tudo o que nos aconteceu por causa de nossas más obras e de nossa grande culpa, uma vez que tu, nosso Deus, nos castigaste menos do que nossas iniquidades mereciam e nos deste sobreviventes como estes,
9:14 voltaremos a violar os teus mandamentos e a nos unir em casamento aos povos dessas práticas abomináveis? Não te irarias contra nós até nos consumir, sem deixar remanescente nem sobrevivente?
9:15 SENHOR, Deus de Israel, tu és justo, pois restamos como sobreviventes, como se vê hoje. Aqui estamos diante de ti com nossa culpa, pois, por causa disso, ninguém pode permanecer em tua presença”.

Capítulo 10
10:1 Enquanto Esdras orava e fazia confissão, chorando e prostrando-se diante da casa de Deus, uma enorme assembleia de israelitas, homens, mulheres e crianças, se reuniu ao seu redor, pois o povo chorava intensamente.
10:2 Então Secanias, filho de Jeiel, dos descendentes de Olão, tomou a palavra e disse a Esdras: “Fomos infiéis ao nosso Deus e nos casamos com mulheres estrangeiras dos povos da terra. Mas, apesar disso, ainda há esperança para Israel.
10:3 Agora façamos uma aliança com o nosso Deus para mandar embora todas essas mulheres e os filhos que nasceram delas, conforme o conselho do Senhor e dos que tremem diante do mandamento de nosso Deus. Que se faça conforme a Lei.
10:4 Levante-se, pois este assunto é de sua responsabilidade, e nós estamos com você. Seja forte e aja!”
10:5 Então Esdras se levantou e fez os chefes dos sacerdotes, os levitas e todo o Israel jurarem que fariam conforme essa palavra. E eles juraram.
10:6 Esdras se retirou de diante da casa de Deus e foi à sala de Jeoanã, filho de Eliasibe. Ali não comeu pão nem bebeu água, pois estava de luto pela infidelidade dos que haviam voltado do exílio.
10:7 Fizeram uma proclamação em Judá e em Jerusalém, para que todos os que haviam voltado do exílio se reunissem em Jerusalém.
10:8 Segundo a decisão dos líderes e dos anciãos, quem não comparecesse dentro de três dias teria todos os seus bens confiscados e seria excluído da assembleia dos que haviam voltado do exílio.
10:9 Todos os homens de Judá e de Benjamim se reuniram em Jerusalém dentro dos três dias. Era o dia vinte do nono mês. Todo o povo estava sentado na praça da casa de Deus, tremendo por causa daquele assunto e das chuvas.
10:10 O sacerdote Esdras se levantou e lhes disse: “Vocês foram infiéis ao se casar com mulheres estrangeiras, aumentando assim a culpa de Israel.
10:11 Agora confessem isso ao SENHOR, o Deus de seus antepassados, e façam a sua vontade. Separem-se dos povos da terra e das mulheres estrangeiras”.
10:12 Toda a assembleia respondeu em alta voz: “Sim, cabe a nós fazer conforme as suas palavras.
10:13 Mas o povo é numeroso, estamos na estação das chuvas e não podemos ficar ao ar livre. Este trabalho não é para um dia nem para dois, pois temos transgredido muito nesse assunto.
10:14 Que nossos líderes representem toda a assembleia. Que todos os que, em nossas cidades, se casaram com mulheres estrangeiras venham em datas marcadas, acompanhados dos anciãos e dos juízes de cada cidade, até que afastemos de nós o ardor da ira de nosso Deus por esse assunto”.
10:15 Somente Jônatas, filho de Asael, e Jazeías, filho de Ticva, se opuseram a isso, apoiados por Mesulão e pelo levita Sabetai.
10:16 Assim fizeram os que haviam voltado do exílio. Foram separados o sacerdote Esdras e alguns homens, chefes de família, segundo suas famílias paternas, todos designados pelo nome. No primeiro dia do décimo mês, eles se sentaram para examinar o assunto.
10:17 No primeiro dia do primeiro mês, terminaram de examinar todos os homens que haviam se casado com mulheres estrangeiras.
10:18 Entre os descendentes dos sacerdotes, foram encontrados estes que haviam se casado com mulheres estrangeiras: dos descendentes de Jesua, filho de Jozadaque, e de seus irmãos, Maaseias, Eliézer, Jaribe e Gedalias.
10:19 Deram a mão em promessa de mandar embora suas mulheres e, por serem culpados, ofereceram um carneiro do rebanho por sua culpa.
10:20 Dos descendentes de Imer: Hanani e Zebadias.
10:21 Dos descendentes de Harim: Maaseias, Elias, Semaías, Jeiel e Uzias.
10:22 Dos descendentes de Pasur: Elioenai, Maaseias, Ismael, Natanael, Jozabade e Elasa.
10:23 Dos levitas: Jozabade, Simei, Quelaías, também chamado Quelita, Petaías, Judá e Eliézer.
10:24 Dos cantores: Eliasibe. Dos porteiros: Salum, Telém e Uri.
10:25 De Israel, dos descendentes de Parós: Ramias, Jezias, Malquias, Miamim, Eleazar, Malquias e Benaia.
10:26 Dos descendentes de Elão: Matanias, Zacarias, Jeiel, Abdi, Jeremote e Elias.
10:27 Dos descendentes de Zatu: Elioenai, Eliasibe, Matanias, Jeremote, Zabade e Aziza.
10:28 Dos descendentes de Bebai: Jeoanã, Hananias, Zabai e Atlai.
10:29 Dos descendentes de Bani: Mesulão, Maluque, Adaías, Jasube, Seal e Jeremote.
10:30 Dos descendentes de Paate-Moabe: Adna, Quelal, Benaia, Maaseias, Matanias, Bezalel, Binui e Manassés.
10:31 Dos descendentes de Harim: Eliézer, Issias, Malquias, Semaías, Simeão,
10:32 Benjamim, Maluque e Semarias.
10:33 Dos descendentes de Hasum: Matenai, Matatá, Zabade, Elifelete, Jeremai, Manassés e Simei.
10:34 Dos descendentes de Bani: Maadai, Anrão, Uel,
10:35 Benaia, Bedias, Queluí,
10:36 Vanias, Meremote, Eliasibe,
10:37 Matanias, Matenai, Jaasu,
10:38 Bani, Binui, Simei,
10:39 Selemias, Natã, Adaías,
10:40 Macnadebai, Sasai, Sarai,
10:41 Azarel, Selemias, Semarias,
10:42 Salum, Amarias e José.
10:43 Dos descendentes de Nebo: Jeiel, Matitias, Zabade, Zebina, Ido, Joel e Benaia.
10:44 Todos esses eram casados com mulheres estrangeiras, e algumas dessas mulheres haviam tido filhos.

NEEMIAS

Capítulo 1
1:1 Palavras de Neemias, filho de Hacalias. No mês de quisleu, no vigésimo ano, eu estava na fortaleza de Susã.
1:2 Hanani, um de meus irmãos, veio de Judá com alguns homens. Perguntei-lhes pelos judeus que haviam escapado, os que restaram do cativeiro, e por Jerusalém.
1:3 Eles me disseram: “Os que restaram do cativeiro, lá na província, estão em grande aflição e humilhação. O muro de Jerusalém está rompido, e suas portas foram queimadas”.
1:4 Quando ouvi essas palavras, sentei-me e chorei. Passei dias de luto, jejuando e orando diante do Deus dos céus.
1:5 Eu disse: “Ah, SENHOR, Deus dos céus, Deus grande e temível, que guardas a aliança e o amor fiel para com os que te amam e guardam os teus mandamentos,
1:6 esteja atento o teu ouvido e abertos os teus olhos para ouvir a oração do teu servo, que hoje faço diante de ti, dia e noite, pelos israelitas, teus servos. Confesso os pecados que nós, os israelitas, cometemos contra ti. Eu e a família de meu pai também pecamos.
1:7 Agimos de modo muito corrupto contra ti e não guardamos os mandamentos, os estatutos e as ordenanças que deste a Moisés, teu servo.
1:8 Lembra-te, por favor, da palavra que ordenaste a Moisés, teu servo: ‘Se vocês forem infiéis, eu os espalharei entre os povos.
1:9 Mas, se voltarem para mim, guardarem os meus mandamentos e os cumprirem, mesmo que seus desterrados estejam nos confins dos céus, de lá eu os reunirei e os trarei ao lugar que escolhi para ali fazer habitar o meu nome’.
1:10 Eles são teus servos e teu povo, que resgataste com o teu grande poder e com a tua mão forte.
1:11 Ah, Senhor, esteja atento o teu ouvido à oração do teu servo e à oração dos teus servos que têm prazer em temer o teu nome. Dá êxito hoje ao teu servo e faze que encontre compaixão diante deste homem”. Eu era copeiro do rei.

Capítulo 2
2:1 No mês de nisã, no vigésimo ano do rei Artaxerxes, havia vinho diante dele. Tomei o vinho e o servi ao rei. Até então, eu não havia ficado triste em sua presença.
2:2 O rei me perguntou: “Por que seu rosto está triste, se você não está doente? Isso só pode ser tristeza do coração”. Então fiquei com muito medo.
2:3 Respondi ao rei: “Viva o rei para sempre! Como meu rosto não estaria triste, se a cidade onde estão os túmulos de meus antepassados está em ruínas, e suas portas foram consumidas pelo fogo?”
2:4 O rei me perguntou: “O que você está pedindo?” Então orei ao Deus dos céus
2:5 e disse ao rei: “Se parecer bem ao rei e se o seu servo lhe agradar, envie-me a Judá, à cidade dos túmulos de meus antepassados, para que eu a reconstrua”.
2:6 O rei, com a rainha sentada ao seu lado, me perguntou: “Quanto tempo durará sua viagem e quando você voltará?” O rei concordou em me enviar, e eu lhe indiquei um prazo.
2:7 Também disse ao rei: “Se parecer bem ao rei, que me sejam dadas cartas para os governadores do território além do rio, para que me permitam passar até eu chegar a Judá,
2:8 e uma carta para Asafe, responsável pela floresta do rei, para que me forneça madeira para as vigas das portas da fortaleza do templo, para o muro da cidade e para a casa em que vou morar”. O rei me concedeu tudo, pois a boa mão de meu Deus estava sobre mim.
2:9 Fui aos governadores do território além do rio e lhes entreguei as cartas do rei. O rei havia enviado comigo oficiais do exército e cavaleiros.
2:10 Quando Sambalate, o horonita, e Tobias, o servo amonita, souberam disso, ficaram muito contrariados por ter vindo alguém procurar o bem dos israelitas.
2:11 Cheguei a Jerusalém e fiquei ali durante três dias.
2:12 À noite, levantei-me com alguns poucos homens. Eu não havia contado a ninguém o que meu Deus tinha posto em meu coração para fazer por Jerusalém. Não levava comigo nenhum animal além daquele em que eu estava montado.
2:13 Saí à noite pela Porta do Vale, em direção à Fonte do Dragão e à Porta do Esterco, examinando os muros de Jerusalém, que estavam rompidos, e suas portas, consumidas pelo fogo.
2:14 Passei à Porta da Fonte e ao Tanque do Rei, mas não havia espaço para passar com o animal em que eu estava montado.
2:15 Subi à noite pelo vale, examinando o muro. Depois dei a volta, entrei pela Porta do Vale e retornei.
2:16 Os oficiais não sabiam aonde eu havia ido nem o que estava fazendo. Até então, eu não tinha contado nada aos judeus, aos sacerdotes, aos nobres, aos oficiais nem aos demais que faziam a obra.
2:17 Então lhes disse: “Vocês estão vendo a aflição em que nos encontramos: Jerusalém está em ruínas, e suas portas foram queimadas. Venham, vamos reconstruir o muro de Jerusalém, para que não continuemos a ser motivo de vergonha”.
2:18 Contei-lhes como a mão de meu Deus havia sido boa para comigo e também as palavras que o rei me dissera. Eles responderam: “Vamos nos levantar e construir!” Assim, fortaleceram as mãos para a boa obra.
2:19 Mas Sambalate, o horonita, Tobias, o servo amonita, e Gesém, o árabe, souberam disso e zombaram de nós, nos desprezaram e disseram: “O que é isso que vocês estão fazendo? Estão se rebelando contra o rei?”
2:20 Eu lhes respondi: “O Deus dos céus nos dará êxito. Nós, seus servos, vamos nos levantar e construir. Mas vocês não têm parte, nem direito, nem memória em Jerusalém”.

Capítulo 3
3:1 O sumo sacerdote Eliasibe se levantou com seus irmãos, os sacerdotes, e reconstruíram a Porta das Ovelhas. Eles a consagraram e instalaram suas folhas; consagraram o trecho até a Torre dos Cem e até a Torre de Hananel.
3:2 Ao lado dele construíram os homens de Jericó, e ao lado dele construiu Zacur, filho de Inri.
3:3 Os descendentes de Hassenaá reconstruíram a Porta do Peixe. Colocaram suas vigas e instalaram suas folhas, fechaduras e ferrolhos.
3:4 Ao lado deles reparou Meremote, filho de Urias, filho de Coz. Ao lado deles reparou Mesulão, filho de Berequias, filho de Mesezabel. Ao lado deles reparou Zadoque, filho de Baaná.
3:5 Ao lado deles repararam os tecoítas, mas seus nobres não curvaram o pescoço ao serviço de seus senhores.
3:6 Joiada, filho de Paseia, e Mesulão, filho de Besodias, repararam a Porta Velha. Colocaram suas vigas e instalaram suas folhas, fechaduras e ferrolhos.
3:7 Ao lado deles repararam Melatias, o gibeonita, e Jadom, o meronotita, homens de Gibeão e de Mispa, sob a autoridade do governador do território além do rio.
3:8 Ao lado dele reparou Uziel, filho de Haraías, um dos ourives. Ao lado dele reparou Hananias, dos perfumistas. Deixaram Jerusalém intacta até o Muro Largo.
3:9 Ao lado deles reparou Refaías, filho de Hur, chefe da metade do distrito de Jerusalém.
3:10 Ao lado deles reparou Jedaías, filho de Harumafe, em frente à sua casa. Ao lado dele reparou Hatus, filho de Hasabneias.
3:11 Malquias, filho de Harim, e Hassube, filho de Paate-Moabe, repararam outro trecho e a Torre dos Fornos.
3:12 Ao lado dele reparou Salum, filho de Haloés, chefe da metade do distrito de Jerusalém, junto com suas filhas.
3:13 Hanum e os habitantes de Zanoa repararam a Porta do Vale. Eles a reconstruíram e instalaram suas folhas, fechaduras e ferrolhos. Repararam também quatrocentos e sessenta metros do muro, até a Porta do Esterco.
3:14 Malquias, filho de Recabe, chefe do distrito de Bete-Haquerém, reparou a Porta do Esterco. Ele a reconstruiu e instalou suas folhas, fechaduras e ferrolhos.
3:15 Salun, filho de Col-Hozé, chefe do distrito de Mispa, reparou a Porta da Fonte. Ele a reconstruiu e cobriu, e instalaram suas folhas, fechaduras e ferrolhos. Reparou também o muro do Tanque de Selá, junto ao jardim do rei, até os degraus que descem da Cidade de Davi.
3:16 Depois dele reparou Neemias, filho de Azbuque, chefe da metade do distrito de Bete-Zur, até em frente aos túmulos de Davi, até o tanque construído e até a casa dos guerreiros.
3:17 Depois dele repararam os levitas: Reum, filho de Bani, e, ao lado dele, Hasabias, chefe da metade do distrito de Queila, em nome de seu distrito.
3:18 Depois dele repararam seus irmãos: Bavai, filho de Henadade, chefe da metade do distrito de Queila.
3:19 Ao lado dele, Ezer, filho de Jesua, chefe de Mispa, reparou outro trecho, em frente à subida do arsenal, no ângulo do muro.
3:20 Depois dele, Baruque, filho de Zabai, reparou com fervor outro trecho, desde o ângulo até a entrada da casa de Eliasibe, o sumo sacerdote.
3:21 Depois dele, Meremote, filho de Urias, filho de Coz, reparou outro trecho, desde a entrada da casa de Eliasibe até a extremidade da casa de Eliasibe.
3:22 Depois dele repararam os sacerdotes, homens da planície.
3:23 Depois dele repararam Benjamim e Hassube, em frente à sua casa. Depois dele reparou Azarias, filho de Maaseias, filho de Ananias, ao lado de sua casa.
3:24 Depois dele, Binui, filho de Henadade, reparou outro trecho, desde a casa de Azarias até o ângulo e até a esquina.
3:25 Palal, filho de Uzai, reparou em frente ao ângulo e à torre que se projeta da casa real superior, junto ao pátio da guarda. Depois dele reparou Pedaías, filho de Parós.
3:26 Os servidores do templo moravam em Ofel, até em frente à Porta das Águas, a leste, e à torre que se projeta para fora.
3:27 Depois dele, os tecoítas repararam outro trecho, desde em frente à grande torre que se projeta para fora até o muro de Ofel.
3:28 Acima da Porta dos Cavalos repararam os sacerdotes, cada um em frente à sua casa.
3:29 Depois dele reparou Zadoque, filho de Imer, em frente à sua casa. Depois dele reparou Semaías, filho de Secanias, guarda da Porta Oriental.
3:30 Em seguida, Hananias, filho de Selemias, e Hanum, o sexto filho de Zalafe, repararam outro trecho. Depois dele reparou Mesulão, filho de Berequias, em frente à sua sala.
3:31 Em seguida reparou Malquias, filho do ourives, até a casa dos servidores do templo e dos comerciantes, em frente à Porta da Inspeção e até a sala superior da esquina.
3:32 Entre a sala superior da esquina e a Porta das Ovelhas repararam os ourives e os comerciantes.

Capítulo 4
4:1 Quando Sambalate soube que estávamos reconstruindo o muro, ficou irado, enfureceu-se muito e zombou dos judeus.
4:2 Diante de seus irmãos e do exército de Samaria, disse: “O que esses fracos judeus estão fazendo? Será que os deixarão agir? Oferecerão sacrifícios? Terminarão num só dia? Farão reviver as pedras dos montes de entulho, mesmo estando queimadas?”
4:3 Tobias, o amonita, estava ao seu lado e disse: “O que eles estão construindo, se uma raposa subir ali, derrubará o muro de pedras deles!”
4:4 “Ouve, nosso Deus, pois somos desprezados! Faz cair sobre a cabeça deles a afronta que nos dirigem e entrega-os ao saque numa terra de cativeiro.
4:5 Não encubras sua iniquidade, nem seja apagado de diante de ti o seu pecado, pois provocaram ira diante dos construtores”.
4:6 Assim reconstruímos o muro, e todo o muro ficou unido até a metade de sua altura, pois o povo tinha ânimo para trabalhar.
4:7 Quando Sambalate, Tobias, os árabes, os amonitas e os asdoditas souberam que a restauração dos muros de Jerusalém avançava e que as brechas começavam a ser fechadas, ficaram muito irados.
4:8 Todos conspiraram juntos para vir atacar Jerusalém e causar confusão nela.
4:9 Mas oramos ao nosso Deus e, por causa deles, pusemos uma guarda contra eles, de dia e de noite.
4:10 O povo de Judá dizia: “As forças dos carregadores estão se esgotando, e há muito entulho. Não conseguimos reconstruir o muro”.
4:11 Nossos adversários diziam: “Eles não saberão nem verão nada até entrarmos no meio deles, os matarmos e fazermos a obra parar”.
4:12 Os judeus que moravam perto deles vieram e nos disseram dez vezes: “De todos os lugares, voltem para nós!”
4:13 Então posicionei gente nas partes mais baixas, atrás do muro, nos lugares descobertos. Coloquei o povo por famílias, com suas espadas, lanças e arcos.
4:14 Depois de olhar, levantei-me e disse aos nobres, aos oficiais e ao restante do povo: “Não tenham medo deles! Lembrem-se do Senhor, grande e temível, e lutem por seus irmãos, seus filhos, suas filhas, suas mulheres e suas casas”.
4:15 Quando nossos inimigos souberam que o plano havia chegado ao nosso conhecimento e que Deus o havia frustrado, todos voltamos ao muro, cada um ao seu trabalho.
4:16 Daquele dia em diante, metade de meus servos trabalhava na obra, enquanto a outra metade segurava as lanças, os escudos, os arcos e as couraças. Os líderes estavam atrás de toda a casa de Judá.
4:17 Os que construíam o muro e os que transportavam as cargas trabalhavam com uma mão e com a outra seguravam uma arma.
4:18 Cada construtor tinha a espada presa à cintura enquanto construía, e o homem que tocava o chifre estava ao meu lado.
4:19 Eu disse aos nobres, aos oficiais e ao restante do povo: “A obra é grande e extensa, e estamos espalhados pelo muro, longe uns dos outros.
4:20 Onde ouvirem o som do chifre, reúnam-se ali conosco. Nosso Deus lutará por nós!”
4:21 Assim trabalhávamos na obra, e metade deles segurava as lanças desde o despontar da aurora até o surgimento das estrelas.
4:22 Naquele tempo também disse ao povo: “Cada um passe a noite em Jerusalém com seu servo, para que nos sirvam de guarda à noite e trabalhem de dia”.
4:23 Nem eu, nem meus irmãos, nem meus servos, nem os homens da guarda que me acompanhavam tirávamos a roupa; cada um levava sua arma ao ir buscar água.

Capítulo 5
5:1 Houve um grande clamor do povo e de suas mulheres contra seus irmãos judeus.
5:2 Alguns diziam: “Nós, nossos filhos e nossas filhas somos muitos. Precisamos conseguir cereal para comer e viver”.
5:3 Outros diziam: “Estamos hipotecando nossos campos, nossas vinhas e nossas casas para conseguir cereal por causa da fome”.
5:4 Outros ainda diziam: “Tomamos dinheiro emprestado para pagar o tributo do rei, dando nossos campos e nossas vinhas como garantia.
5:5 Nossa carne é como a carne de nossos irmãos, e nossos filhos são como os filhos deles. No entanto, estamos submetendo nossos filhos e nossas filhas à escravidão, e algumas de nossas filhas já foram escravizadas. Não temos como remediar isso, pois nossos campos e nossas vinhas pertencem a outros”.
5:6 Fiquei muito irado ao ouvir seu clamor e essas palavras.
5:7 Depois de refletir em meu coração, repreendi os nobres e os oficiais, dizendo: “Vocês estão cobrando juros, cada um de seu irmão!” Convoquei contra eles uma grande assembleia
5:8 e lhes disse: “Nós resgatamos, conforme nossas possibilidades, nossos irmãos judeus que haviam sido vendidos às nações. E agora vocês vão vender seus irmãos, para que voltem a ser vendidos a nós?” Eles ficaram em silêncio e não encontraram o que responder.
5:9 Ele disse: “Não é bom o que vocês estão fazendo. Não deveriam andar no temor de nosso Deus, para evitar a afronta das nações, nossos inimigos?
5:10 Eu, meus irmãos e meus servos também lhes emprestamos dinheiro e cereal. Deixemos, por favor, essa cobrança de juros.
5:11 Devolvam-lhes hoje mesmo seus campos, suas vinhas, seus olivais e suas casas, e também a centésima parte do dinheiro, do cereal, do vinho novo e do azeite que vocês estão cobrando deles”.
5:12 Eles responderam: “Devolveremos tudo e não exigiremos nada deles. Faremos como você diz”. Então chamei os sacerdotes e fiz os nobres e os oficiais jurarem que cumpririam essa palavra.
5:13 Também sacudi as dobras de minha roupa e disse: “Assim sacuda Deus de sua casa e do fruto de seu trabalho todo aquele que não cumprir esta palavra; assim fique sacudido e vazio!” Toda a assembleia respondeu: “Amém!” E louvaram o SENHOR. O povo fez conforme essa palavra.
5:14 Desde o dia em que fui nomeado governador deles na terra de Judá, do vigésimo ao trigésimo segundo ano do rei Artaxerxes, durante doze anos, nem eu nem meus irmãos comemos o pão do governador.
5:15 Os governadores que me precederam haviam imposto pesadas cargas ao povo, tomando dele pão e vinho, além de quarenta siclos de prata. Até seus servos dominavam o povo. Mas eu não agi assim, por temor de Deus.
5:16 Também me dediquei à obra deste muro. Não compramos campos, e todos os meus servos estavam reunidos ali para o trabalho.
5:17 À minha mesa se assentavam cento e cinquenta judeus e oficiais, além dos que vinham a nós dentre as nações ao nosso redor.
5:18 A cada dia se preparavam um boi, seis ovelhas ou cabras escolhidas e também aves para mim. A cada dez dias havia vinho de toda espécie em abundância. Mesmo assim, não exigi o pão do governador, pois o serviço pesava sobre este povo.
5:19 Lembra-te de mim para o bem, meu Deus, por tudo o que fiz por este povo.

Capítulo 6
6:1 Quando Sambalate, Tobias, Gesém, o árabe, e os demais inimigos souberam que eu havia reconstruído o muro e que já não restava nele nenhuma brecha, embora até então eu ainda não tivesse instalado as folhas dos portões,
6:2 Sambalate e Gesém mandaram me dizer: “Venha, vamos nos encontrar em Quefirim, na planície de Ono”. Mas eles planejavam me fazer mal.
6:3 Enviei-lhes mensageiros com esta resposta: “Estou fazendo uma grande obra e não posso descer. Por que a obra deveria parar enquanto eu a deixasse para descer até vocês?”
6:4 Quatro vezes me enviaram a mesma mensagem, e eu lhes dei a mesma resposta.
6:5 Pela quinta vez, Sambalate me enviou seu servo com a mesma mensagem e uma carta aberta na mão.
6:6 Nela estava escrito: “Corre entre as nações, e Gasmu também diz, que você e os judeus estão planejando uma rebelião. Por isso você está construindo o muro e, segundo esses relatos, você será o rei deles.
6:7 Você também nomeou profetas para proclamarem a seu respeito em Jerusalém: ‘Há um rei em Judá!’ Ora, esses relatos chegarão aos ouvidos do rei. Venha, então, para conversarmos juntos”.
6:8 Mandei lhe responder: “Nada do que você está dizendo aconteceu. Você está inventando isso em seu próprio coração”.
6:9 Todos eles procuravam nos amedrontar, dizendo: “Suas mãos vão enfraquecer no trabalho, e a obra não será concluída”. Agora, fortalece as minhas mãos!
6:10 Fui à casa de Semaías, filho de Delaías, filho de Meetabel, que estava recolhido. Ele disse: “Vamos nos encontrar na casa de Deus, dentro do templo, e fechar as portas do templo, pois estão vindo para matar você. À noite virão para matar você”.
6:11 Eu respondi: “Um homem como eu fugiria? Quem, sendo como eu, entraria no templo e continuaria vivo? Não entrarei!”
6:12 Percebi que Deus não o havia enviado, mas que ele havia pronunciado aquela profecia contra mim porque Tobias e Sambalate o tinham contratado.
6:13 Ele havia sido contratado para me amedrontar, para que eu agisse assim e pecasse, e eles tivessem como me dar má fama e me afrontar.
6:14 Lembra-te, meu Deus, de Tobias e de Sambalate, conforme esses seus atos, e também da profetisa Noadias e dos demais profetas que procuravam me amedrontar.
6:15 O muro foi concluído no dia vinte e cinco de elul, em cinquenta e dois dias.
6:16 Quando todos os nossos inimigos souberam disso e todas as nações ao nosso redor o viram, ficaram muito abatidos aos seus próprios olhos, pois reconheceram que esta obra havia sido realizada por nosso Deus.
6:17 Naqueles dias, os nobres de Judá enviavam muitas cartas a Tobias, e as cartas de Tobias chegavam a eles.
6:18 Muitos em Judá estavam ligados a ele por juramento, pois ele era genro de Secanias, filho de Ará, e seu filho Jeoanã havia se casado com a filha de Mesulão, filho de Berequias.
6:19 Também falavam de suas boas ações na minha presença e lhe transmitiam minhas palavras. Tobias enviava cartas para me amedrontar.

Capítulo 7
7:1 Depois que o muro foi reconstruído, instalei as folhas dos portões, e foram nomeados os porteiros, os cantores e os levitas.
7:2 Encarreguei de Jerusalém meu irmão Hanani e Hananias, comandante da fortaleza, pois este era um homem fiel e temia a Deus mais do que muitos.
7:3 Ele lhes disse: “Não se abram os portões de Jerusalém até que o sol aqueça. Enquanto eles ainda estiverem ali, que fechem as folhas dos portões e as tranquem. Estabeleçam guardas dentre os habitantes de Jerusalém, cada um em seu posto e cada um em frente à sua casa”.
7:4 A cidade era ampla e grande, mas havia pouca gente nela, e as casas ainda não estavam reconstruídas.
7:5 Meu Deus pôs em meu coração reunir os nobres, os oficiais e o povo para registrá-los por genealogia. Encontrei o livro do registro genealógico dos que haviam voltado primeiro, e nele achei escrito:
7:6 Estes são os habitantes da província que voltaram do cativeiro, dentre os exilados que Nabucodonosor, rei da Babilônia, havia deportado. Retornaram a Jerusalém e a Judá, cada um à sua cidade.
7:7 Vieram com Zorobabel, Jesua, Neemias, Azarias, Raamias, Naamani, Mardoqueu, Bilsã, Misperete, Bigvai, Neum e Baaná. Este é o número dos homens do povo de Israel:
7:8 Os descendentes de Parós: dois mil cento e setenta e dois.
7:9 Os descendentes de Sefatias: trezentos e setenta e dois.
7:10 Os descendentes de Ará: seiscentos e cinquenta e dois.
7:11 Os descendentes de Paate-Moabe, das famílias de Jesua e Joabe: dois mil oitocentos e dezoito.
7:12 Os descendentes de Elão: mil duzentos e cinquenta e quatro.
7:13 Os descendentes de Zatu: oitocentos e quarenta e cinco.
7:14 Os descendentes de Zacai: setecentos e sessenta.
7:15 Os descendentes de Binui: seiscentos e quarenta e oito.
7:16 Os descendentes de Bebai: seiscentos e vinte e oito.
7:17 Os descendentes de Azgade: dois mil trezentos e vinte e dois.
7:18 Os descendentes de Adonicão: seiscentos e sessenta e sete.
7:19 Os descendentes de Bigvai: dois mil e sessenta e sete.
7:20 Os descendentes de Adim: seiscentos e cinquenta e cinco.
7:21 Os descendentes de Ater, da família de Ezequias: noventa e oito.
7:22 Os descendentes de Hasum: trezentos e vinte e oito.
7:23 Os descendentes de Besai: trezentos e vinte e quatro.
7:24 Os descendentes de Harife: cento e doze.
7:25 Os de Gibeão: noventa e cinco.
7:26 Os homens de Belém e de Netofa: cento e oitenta e oito.
7:27 Os homens de Anatote: cento e vinte e oito.
7:28 Os homens de Bete-Azmavete: quarenta e dois.
7:29 Os homens de Quiriate-Jearim, Cefira e Beerote: setecentos e quarenta e três.
7:30 Os homens de Ramá e de Geba: seiscentos e vinte e um.
7:31 Os homens de Micmás: cento e vinte e dois.
7:32 Os homens de Betel e de Ai: cento e vinte e três.
7:33 Os homens do outro Nebo: cinquenta e dois.
7:34 Os do outro Elão: mil duzentos e cinquenta e quatro.
7:35 Os de Harim: trezentos e vinte.
7:36 Os de Jericó: trezentos e quarenta e cinco.
7:37 Os de Lode, Hadide e Ono: setecentos e vinte e um.
7:38 Os de Senaá: três mil novecentos e trinta.
7:39 Os sacerdotes: os descendentes de Jedaías, da família de Jesua, novecentos e setenta e três.
7:40 Os descendentes de Imer: mil e cinquenta e dois.
7:41 Os descendentes de Pasur: mil duzentos e quarenta e sete.
7:42 Os descendentes de Harim: mil e dezessete.
7:43 Os levitas: os descendentes de Jesua, de Cadmiel, da linhagem de Hodeva, setenta e quatro.
7:44 Os cantores: os descendentes de Asafe, cento e quarenta e oito.
7:45 Os porteiros: os descendentes de Salum, Ater, Talmom, Acube, Hatita e Sobai; cento e trinta e oito.
7:46 Os servidores do templo: os descendentes de Zia, Hasufa e Tabaote,
7:47 os de Queros, Sia e Padom,
7:48 os de Lebana, Hagaba e Salmai,
7:49 os de Hanã, Gidel e Gaar,
7:50 os de Reaías, Rezim e Necoda,
7:51 os de Gazão, Uzá e Paseia,
7:52 os de Besai, Meunim e Nefusesim,
7:53 os de Baquebuque, Hacufa e Harur,
7:54 os de Baslite, Meida e Harsa,
7:55 os de Barcos, Sísera e Temá,
7:56 os de Nesias e Hatifa.
7:57 Os descendentes dos servos de Salomão: os de Sotai, Soferete e Perida,
7:58 os de Jaala, Darcom e Gidel,
7:59 os de Sefatias, Hatil, Poquerete-Hazebaim e Amom.
7:60 Todos os servidores do templo e os descendentes dos servos de Salomão somavam trezentos e noventa e dois.
7:61 Estes vieram de Tel-Melá, Tel-Harsa, Querube, Adom e Imer, mas não puderam comprovar sua família paterna nem sua ascendência, para demonstrar que pertenciam a Israel:
7:62 os descendentes de Delaías, Tobias e Necoda; seiscentos e quarenta e dois.
7:63 Dentre os sacerdotes estavam os descendentes de Habaías, Coz e Barzilai. Este havia se casado com uma das filhas de Barzilai, o gileadita, e adotado o nome daquela família.
7:64 Eles procuraram sua inscrição nos registros genealógicos, mas ela não foi encontrada. Por isso, foram considerados impuros e excluídos do sacerdócio.
7:65 O governador lhes disse que não comessem das ofertas santíssimas até que se apresentasse o sacerdote com o Urim e o Tumim.
7:66 Toda a assembleia reunida somava quarenta e dois mil trezentos e sessenta,
7:67 além de seus escravos e escravas, que eram sete mil trezentos e trinta e sete. Tinham também duzentos e quarenta e cinco cantores e cantoras.
7:68 [Seus cavalos eram setecentos e trinta e seis, e suas mulas, duzentas e quarenta e cinco.]
7:69 Seus camelos eram quatrocentos e trinta e cinco, e seus jumentos, seis mil setecentos e vinte.
7:70 Alguns chefes de família contribuíram para a obra. O governador entregou ao tesouro mil dáricos de ouro, cinquenta bacias e quinhentas e trinta túnicas sacerdotais.
7:71 Alguns dos chefes de família deram ao tesouro da obra vinte mil dáricos de ouro e cerca de mil e trezentos quilos de prata.
7:72 O restante do povo deu vinte mil dáricos de ouro, cerca de mil e duzentos quilos de prata e sessenta e sete túnicas sacerdotais.
7:73 Os sacerdotes, os levitas, os porteiros, os cantores, alguns do povo, os servidores do templo e todo o Israel se estabeleceram em suas cidades. Quando chegou o sétimo mês, os israelitas estavam em suas cidades.

Capítulo 8
8:1 Todo o povo se reuniu como um só homem na praça em frente à Porta das Águas. Pediram a Esdras, o escriba, que trouxesse o livro da Lei de Moisés, que o SENHOR havia ordenado a Israel.
8:2 No primeiro dia do sétimo mês, o sacerdote Esdras trouxe a Lei diante da assembleia, formada por homens, mulheres e todos os que podiam entender o que ouviam.
8:3 Ele leu no livro, em frente à praça da Porta das Águas, desde o amanhecer até o meio-dia, diante dos homens, das mulheres e dos que podiam entender. Os ouvidos de todo o povo estavam atentos ao livro da Lei.
8:4 Esdras, o escriba, estava em pé sobre uma plataforma de madeira feita para a ocasião. À sua direita estavam Matitias, Sema, Anaías, Urias, Hilquias e Maaseias; à sua esquerda, Pedaías, Misael, Malquias, Hasum, Hasbadana, Zacarias e Mesulão.
8:5 Esdras abriu o livro à vista de todo o povo, pois estava acima de todos. Quando abriu o livro, todo o povo se pôs em pé.
8:6 Esdras bendisse o SENHOR, o grande Deus, e todo o povo respondeu: “Amém! Amém!”, levantando as mãos. Inclinaram-se e adoraram o SENHOR com o rosto em terra.
8:7 Jesua, Bani, Serebias, Jamim, Acube, Sabetai, Hodias, Maaseias, Quelita, Azarias, Jozabade, Hanã, Pelaías e os levitas ajudavam o povo a entender a Lei, enquanto o povo permanecia em seu lugar.
8:8 Liam claramente no livro da Lei de Deus, explicavam o sentido e faziam com que a leitura fosse compreendida.
8:9 Neemias, o governador, Esdras, sacerdote e escriba, e os levitas que instruíam o povo disseram a todos: “Este dia é santo para o SENHOR, o Deus de vocês. Não fiquem de luto nem chorem”. Pois todo o povo chorava ao ouvir as palavras da Lei.
8:10 Ele lhes disse: “Vão, comam manjares, tomem bebidas doces e enviem porções a quem não tem nada preparado, pois este dia é santo para o nosso Senhor. Não se entristeçam, pois a alegria do SENHOR é a força de vocês”.
8:11 Os levitas faziam todo o povo se aquietar, dizendo: “Fiquem em silêncio, pois este dia é santo. Não se entristeçam”.
8:12 Todo o povo foi comer, beber, enviar porções e celebrar com grande alegria, porque havia entendido as palavras que lhe tinham sido explicadas.
8:13 No segundo dia, os chefes das famílias de todo o povo, os sacerdotes e os levitas se reuniram com Esdras, o escriba, para compreender as palavras da Lei.
8:14 Encontraram escrito na Lei que o SENHOR havia ordenado, por meio de Moisés, que os israelitas morassem em cabanas durante a festa do sétimo mês
8:15 e que anunciassem e proclamassem em todas as suas cidades e em Jerusalém: “Saiam para o monte e tragam ramos de oliveira, de oliveira silvestre, de murta, de palmeiras e de árvores frondosas, para fazer cabanas, conforme está escrito”.
8:16 O povo saiu, trouxe os ramos e fez cabanas para si, cada um em seu terraço e em seus pátios, nos pátios da casa de Deus, na praça da Porta das Águas e na praça da Porta de Efraim.
8:17 Toda a assembleia dos que haviam voltado do cativeiro fez cabanas e morou nelas. Desde os dias de Jesua, filho de Num, até aquele dia, os israelitas não haviam feito assim. E houve uma alegria muito grande.
8:18 Dia após dia, desde o primeiro até o último, ele lia no livro da Lei de Deus. Celebraram a festa durante sete dias, e no oitavo dia houve uma assembleia solene, conforme a ordenança.

Capítulo 9
9:1 No dia vinte e quatro daquele mês, os israelitas se reuniram em jejum, vestidos de pano de saco e com terra sobre si.
9:2 Os descendentes de Israel se separaram de todos os estrangeiros. Puseram-se em pé e confessaram seus pecados e as iniquidades de seus antepassados.
9:3 Ficaram em pé, em seus lugares, e leram no livro da Lei do SENHOR, seu Deus, durante uma quarta parte do dia. Durante outra quarta parte, fizeram confissão e adoraram o SENHOR, seu Deus.
9:4 Jesua, Bani, Cadmiel, Sebanias, Buni, Serebias, Bani e Quenani se puseram em pé na escadaria dos levitas e clamaram em alta voz ao SENHOR, seu Deus.
9:5 Os levitas Jesua, Cadmiel, Bani, Hasabneias, Serebias, Hodias, Sebanias e Petaías disseram: “Levantem-se e bendigam o SENHOR, o Deus de vocês, de eternidade a eternidade! Que bendigam o teu nome glorioso, exaltado acima de toda bênção e louvor.
9:6 Só tu és o SENHOR.
   Tu fizeste os céus, os céus dos céus e todo o seu exército, a terra e tudo o que nela há, os mares e tudo o que neles há.
   Tu conservas a vida de todos eles, e o exército dos céus te adora.
9:7 Tu és o SENHOR Deus, que escolheste Abrão, o tiraste de Ur dos caldeus e lhe deste o nome de Abraão.
9:8 Achaste seu coração fiel diante de ti e fizeste com ele a aliança de dar a terra dos cananeus, hititas, amorreus, ferezeus, jebuseus e girgaseus, de dá-la à sua descendência.
   Cumpriste as tuas palavras, pois tu és justo.
9:9 Viste a aflição de nossos antepassados no Egito e ouviste seu clamor junto ao mar Vermelho.
9:10 Fizeste sinais e prodígios contra o faraó, contra todos os seus servos e contra todo o povo de sua terra, pois sabias que os haviam tratado com arrogância.
   Fizeste para ti um nome, como se vê até hoje.
9:11 Dividiste o mar diante deles, e eles passaram pelo meio do mar em terra seca.
   Lançaste seus perseguidores nas profundezas, como uma pedra em águas impetuosas.
9:12 De dia os guiaste por uma coluna de nuvem e, de noite, por uma coluna de fogo, para iluminar o caminho por onde deveriam andar.
9:13 Desceste sobre o monte Sinai e lhes falaste dos céus.
   Deste-lhes ordenanças justas, leis verdadeiras, estatutos e bons mandamentos.
9:14 Deste-lhes a conhecer o teu santo sábado e, por meio de Moisés, teu servo, lhes ordenaste mandamentos, estatutos e lei.
9:15 Deste-lhes pão dos céus para sua fome e fizeste sair água da rocha para sua sede.
   Disseste-lhes que entrassem para tomar posse da terra que, de mão levantada, havias jurado lhes dar.
9:16 Mas eles e nossos antepassados agiram com arrogância, endureceram a nuca e não ouviram os teus mandamentos.
9:17 Recusaram-se a ouvir e não se lembraram das maravilhas que havias feito entre eles.
   Endureceram a nuca e, em sua rebeldia, nomearam um chefe para voltarem à sua escravidão.
   Mas tu és um Deus perdoador, clemente e compassivo, lento em irar-te e rico em amor fiel, e não os abandonaste.
9:18 Mesmo quando fizeram para si um bezerro de metal fundido e disseram: ‘Este é o seu deus, que tirou você do Egito’, e cometeram grandes blasfêmias,
9:19 tu, em tua grande compaixão, não os abandonaste no deserto.
   A coluna de nuvem não se afastou deles de dia, para guiá-los pelo caminho, nem a coluna de fogo de noite, para iluminá-los e mostrar o caminho por onde deveriam andar.
9:20 Deste o teu bom Espírito para instruí-los.
   Não retiraste da boca deles o teu maná e lhes deste água para sua sede.
9:21 Durante quarenta anos os sustentaste no deserto, e nada lhes faltou.
   Suas roupas não se gastaram, e seus pés não incharam.
9:22 Deste-lhes reinos e povos e os repartiste em porções.
   Eles tomaram posse da terra de Seom, da terra do rei de Hesbom e da terra de Ogue, rei de Basã.
9:23 Multiplicaste seus filhos como as estrelas dos céus e os trouxeste à terra da qual havias dito a seus antepassados que entrariam nela para tomar posse.
9:24 Seus filhos entraram e tomaram posse da terra.
   Subjugaste diante deles os cananeus, habitantes da terra, e os entregaste em suas mãos, com seus reis e os povos da terra, para que fizessem com eles conforme sua vontade.
9:25 Tomaram cidades fortificadas e terra fértil.
   Possuíram casas cheias de todo tipo de bens, cisternas escavadas, vinhas, olivais e árvores frutíferas em abundância.
   Comeram, ficaram satisfeitos, engordaram e se deleitaram em tua grande bondade.
9:26 Mas foram desobedientes e se rebelaram contra ti.
   Lançaram a tua Lei para trás das costas, mataram os teus profetas que os advertiam para fazê-los voltar a ti e cometeram grandes blasfêmias.
9:27 Tu os entregaste nas mãos de seus adversários, que os oprimiram.
   No tempo de sua angústia, clamavam a ti, e tu os ouvias dos céus.
   Em tua grande compaixão, lhes davas libertadores que os livravam das mãos de seus adversários.
9:28 Mas, quando tinham descanso, voltavam a fazer o mal diante de ti.
   Tu os deixavas nas mãos de seus inimigos, que os dominavam.
   Eles voltavam a clamar a ti, e tu os ouvias dos céus e os livravas muitas vezes, conforme a tua compaixão.
9:29 Tu os advertiste para fazê-los voltar à tua Lei, mas eles agiram com arrogância e não ouviram os teus mandamentos.
   Pecaram contra as tuas ordenanças, pelas quais viverá o homem que as cumprir.
   Viraram o ombro com rebeldia, endureceram a nuca e não ouviram.
9:30 Tu tiveste paciência com eles durante muitos anos e os advertiste pelo teu Espírito, por meio de teus profetas, mas eles não deram ouvidos.
   Então os entregaste nas mãos dos povos das terras.
9:31 Mas, em tua grande compaixão, não os exterminaste nem os abandonaste, pois tu és um Deus clemente e compassivo.
9:32 Agora, nosso Deus, Deus grande, poderoso e temível, que guardas a aliança e o amor fiel, não consideres pequeno todo o sofrimento que nos atingiu, a nós, a nossos reis, a nossos líderes, a nossos sacerdotes, a nossos profetas, a nossos antepassados e a todo o teu povo, desde os dias dos reis da Assíria até hoje.
9:33 Tu és justo em tudo o que nos aconteceu, pois agiste com fidelidade, mas nós agimos com perversidade.
9:34 Nossos reis, nossos líderes, nossos sacerdotes e nossos antepassados não cumpriram a tua Lei nem deram atenção aos teus mandamentos e aos teus testemunhos com que os advertiste.
9:35 Mesmo em seu próprio reino, em meio à abundante bondade que lhes deste e na terra ampla e fértil que puseste diante deles, não te serviram nem se afastaram de suas más obras.
9:36 Aqui estamos hoje, escravos!
   Na terra que deste a nossos antepassados para que comessem de seus frutos e de seus bens, aqui estamos, escravos nela!
9:37 Sua abundante produção pertence aos reis que puseste sobre nós por causa de nossos pecados.
   Eles dominam nossos corpos e nosso gado como querem, e estamos em grande angústia”.
9:38 Por causa de tudo isso, assumimos um compromisso firme e o pomos por escrito. Nossos líderes, nossos levitas e nossos sacerdotes põem seus selos no documento.

Capítulo 10
10:1 Os que puseram seu selo foram: Neemias, o governador, filho de Hacalias, e Zedequias,
10:2 Seraías, Azarias, Jeremias,
10:3 Pasur, Amarias, Malquias,
10:4 Hatus, Sebanias, Maluque,
10:5 Harim, Meremote, Obadias,
10:6 Daniel, Ginetom, Baruque,
10:7 Mesulão, Abias, Miamim,
10:8 Maazias, Bilgai e Semaías. Esses eram os sacerdotes.
10:9 Os levitas: Jesua, filho de Azanias, Binui, dos descendentes de Henadade, Cadmiel
10:10 e seus irmãos Sebanias, Hodias, Quelita, Pelaías, Hanã,
10:11 Mica, Reobe, Hasabias,
10:12 Zacur, Serebias, Sebanias,
10:13 Hodias, Bani e Beninu.
10:14 Os chefes do povo: Parós, Paate-Moabe, Elão, Zatu, Bani,
10:15 Buni, Azgade, Bebai,
10:16 Adonias, Bigvai, Adim,
10:17 Ater, Ezequias, Azur,
10:18 Hodias, Hasum, Besai,
10:19 Harife, Anatote, Nobai,
10:20 Magpias, Mesulão, Hezir,
10:21 Mesezabel, Zadoque, Jadua,
10:22 Pelatias, Hanã, Anaías,
10:23 Oseias, Hananias, Hassube,
10:24 Haloés, Pileá, Sobeque,
10:25 Reum, Hasabna, Maaseias,
10:26 Aías, Hanã, Anã,
10:27 Maluque, Harim e Baaná.
10:28 O restante do povo, os sacerdotes, os levitas, os porteiros, os cantores, os servidores do templo e todos os que haviam se separado dos povos das terras para seguir a Lei de Deus, com suas mulheres, seus filhos e suas filhas, todos os que tinham conhecimento e entendimento,
10:29 se uniram a seus irmãos, os nobres, e se comprometeram sob maldição e juramento a andar na Lei de Deus, dada por meio de Moisés, servo de Deus, e a guardar e cumprir todos os mandamentos do SENHOR, nosso Senhor, suas ordenanças e seus estatutos:
10:30 “Não daremos nossas filhas aos povos da terra, nem tomaremos as filhas deles para nossos filhos.
10:31 Se os povos da terra trouxerem mercadorias ou qualquer tipo de cereal para vender no sábado, não compraremos deles no sábado nem em dia santo. No sétimo ano deixaremos a terra descansar e abriremos mão de toda cobrança de dívida.
10:32 Também nos impusemos a obrigação de dar anualmente quatro gramas de prata para o serviço da casa de nosso Deus:
10:33 para os pães da Presença, para a oferta regular de cereais, para o holocausto regular, para os sábados, as luas novas e as festas determinadas, para as ofertas consagradas, para as ofertas pelo pecado que fazem expiação por Israel e para toda a obra da casa de nosso Deus.
10:34 Nós, os sacerdotes, os levitas e o povo, lançamos sortes sobre a oferta de lenha, para trazê-la à casa de nosso Deus, segundo nossas famílias paternas, em datas determinadas, ano após ano, para queimá-la no altar do SENHOR, nosso Deus, conforme está escrito na Lei.
10:35 Traremos ano após ano à casa do SENHOR as primícias de nossa terra e as primícias de todo fruto de toda árvore.
10:36 Também traremos os primogênitos de nossos filhos e de nossos animais, conforme está escrito na Lei, e os primogênitos de nossos rebanhos de bois, ovelhas e cabras à casa de nosso Deus, aos sacerdotes que servem na casa de nosso Deus.
10:37 Traremos aos sacerdotes, às salas da casa de nosso Deus, as primícias de nossa massa, nossas contribuições, o fruto de toda árvore, o vinho novo e o azeite. Traremos o dízimo de nossa terra aos levitas, pois são eles que recebem os dízimos em todas as cidades onde cultivamos a terra.
10:38 Um sacerdote, descendente de Arão, estará com os levitas quando eles receberem os dízimos. Os levitas levarão o dízimo dos dízimos à casa de nosso Deus, às salas do tesouro.
10:39 Pois os israelitas e os levitas levarão às salas a contribuição de cereal, vinho novo e azeite. Ali estão os utensílios do santuário, os sacerdotes que servem, os porteiros e os cantores. Não abandonaremos a casa de nosso Deus”.

Capítulo 11
11:1 Os líderes do povo se estabeleceram em Jerusalém. O restante do povo lançou sortes para que um de cada dez fosse morar em Jerusalém, a cidade santa, enquanto as outras nove partes ficariam nas demais cidades.
11:2 O povo abençoou todos os homens que se ofereceram voluntariamente para morar em Jerusalém.
11:3 Estes são os chefes da província que moravam em Jerusalém. Nas cidades de Judá moravam os israelitas, os sacerdotes, os levitas, os servidores do templo e os descendentes dos servos de Salomão, cada um em sua propriedade, em suas cidades.
11:4 Em Jerusalém moravam alguns dos descendentes de Judá e de Benjamim. Dos descendentes de Judá: Ataías, filho de Uzias, filho de Zacarias, filho de Amarias, filho de Sefatias, filho de Maalalel, dos descendentes de Perez;
11:5 e Maaseias, filho de Baruque, filho de Col-Hozé, filho de Hazaías, filho de Adaías, filho de Joiaribe, filho de Zacarias, filho do silonita.
11:6 Todos os descendentes de Perez que moravam em Jerusalém eram quatrocentos e sessenta e oito homens valentes.
11:7 Estes são os descendentes de Benjamim: Salu, filho de Mesulão, filho de Joede, filho de Pedaías, filho de Colaías, filho de Maaseias, filho de Itiel, filho de Jesaías;
11:8 e, depois dele, Gabai e Salai: novecentos e vinte e oito ao todo.
11:9 Joel, filho de Zicri, estava à frente deles, e Judá, filho de Senua, era o segundo no comando da cidade.
11:10 Dos sacerdotes: Jedaías, filho de Joiaribe, e Jaquim;
11:11 Seraías, filho de Hilquias, filho de Mesulão, filho de Zadoque, filho de Meraiote, filho de Aitube, responsável pela casa de Deus;
11:12 e seus irmãos, que faziam o trabalho da casa, oitocentos e vinte e dois. Também Adaías, filho de Jeroão, filho de Pelalias, filho de Anzi, filho de Zacarias, filho de Pasur, filho de Malquias;
11:13 e seus irmãos, chefes de família, duzentos e quarenta e dois. Também Amasai, filho de Azarel, filho de Azai, filho de Mesilemote, filho de Imer;
11:14 e seus irmãos, homens valentes, cento e vinte e oito. Zabdiel, de família nobre, estava à frente deles.
11:15 Dos levitas: Semaías, filho de Hassube, filho de Azricão, filho de Hasabias, filho de Buni;
11:16 Sabetai e Jozabade, dentre os chefes dos levitas, responsáveis pelos trabalhos externos da casa de Deus;
11:17 Matanias, filho de Mica, filho de Zabdi, filho de Asafe, o chefe que iniciava a ação de graças na oração; Baquebuquias, o segundo entre seus irmãos; e Abda, filho de Samua, filho de Galal, filho de Jeditum.
11:18 Todos os levitas na cidade santa eram duzentos e oitenta e quatro.
11:19 Os porteiros, Acube, Talmom e seus irmãos, que guardavam os portões, eram cento e setenta e dois.
11:20 O restante de Israel, os sacerdotes e os levitas moravam em todas as cidades de Judá, cada um em sua herança.
11:21 Os servidores do templo moravam em Ofel. Zia e Gispa estavam à frente dos servidores do templo.
11:22 O responsável pelos levitas em Jerusalém era Uzi, filho de Bani, filho de Hasabias, filho de Matanias, filho de Mica, dos descendentes de Asafe, os cantores encarregados do serviço da casa de Deus.
11:23 Pois havia uma ordem do rei a respeito deles e uma provisão estabelecida para os cantores, para cada dia.
11:24 Petaías, filho de Mesezabel, dos descendentes de Zerá, filho de Judá, estava a serviço do rei em todos os assuntos do povo.
11:25 Quanto às aldeias com seus campos, alguns dos descendentes de Judá moravam em Quiriate-Arba e seus povoados, em Dibom e seus povoados, em Jecabzeel e suas aldeias,
11:26 em Jesua, em Molada, em Bete-Palete,
11:27 em Hasar-Sual, em Berseba e seus povoados,
11:28 em Ziclague, em Mecona e seus povoados,
11:29 em En-Rimom, em Zorá, em Jarmute,
11:30 em Zanoa, em Adulão e suas aldeias, em Laquis e seus campos, em Azeca e seus povoados. Acamparam desde Berseba até o vale de Hinom.
11:31 Os descendentes de Benjamim moravam a partir de Geba, em Micmás, Aia, Betel e seus povoados,
11:32 em Anatote, Nobe, Ananias,
11:33 Hazor, Ramá, Gitaim,
11:34 Hadide, Zeboim, Nebalate,
11:35 Lode e Ono, no vale dos Artífices.
11:36 Algumas divisões dos levitas de Judá se estabeleceram em Benjamim.

Capítulo 12
12:1 Estes são os sacerdotes e os levitas que vieram com Zorobabel, filho de Sealtiel, e com Jesua: Seraías, Jeremias, Esdras,
12:2 Amarias, Maluque, Hatus,
12:3 Secanias, Reum, Meremote,
12:4 Ido, Ginetoi, Abias,
12:5 Miamim, Maadias, Bilga,
12:6 Semaías, Joiaribe, Jedaías,
12:7 Salu, Amoque, Hilquias e Jedaías. Esses eram os chefes dos sacerdotes e seus irmãos nos dias de Jesua.
12:8 Os levitas eram Jesua, Binui, Cadmiel, Serebias, Judá e Matanias. Este e seus irmãos eram responsáveis pelos cantos de ação de graças.
12:9 Baquebuquias e Uno, seus irmãos, estavam em frente a eles em seus turnos de serviço.
12:10 Jesua gerou Joiaquim, Joiaquim gerou Eliasibe, e Eliasibe gerou Joiada.
12:11 Joiada gerou Jônatas, e Jônatas gerou Jadua.
12:12 Nos dias de Joiaquim, estes eram os sacerdotes, chefes de família: da família de Seraías, Meraías; da de Jeremias, Hananias;
12:13 da de Esdras, Mesulão; da de Amarias, Jeoanã;
12:14 da de Maluqui, Jônatas; da de Sebanias, José;
12:15 da de Harim, Adna; da de Meraiote, Helcai;
12:16 da de Adia, Zacarias; da de Ginetom, Mesulão;
12:17 da de Abias, Zicri; da de Miniamim; da de Moadias, Piltai;
12:18 da de Bilga, Samua; da de Semaías, Jônatas;
12:19 da de Joiaribe, Matenai; da de Jedaías, Uzi;
12:20 da de Salai, Calai; da de Amoque, Héber;
12:21 da de Hilquias, Hasabias; da de Jedaías, Natanael.
12:22 Nos dias de Eliasibe, Joiada, Joanã e Jadua, foram registrados os chefes das famílias levitas; também os sacerdotes, durante o reinado de Dario, o persa.
12:23 Os descendentes de Levi que eram chefes de família foram registrados no livro das crônicas até os dias de Joanã, filho de Eliasibe.
12:24 Os chefes dos levitas eram Hasabias, Serebias e Jesua, filho de Cadmiel. Seus irmãos estavam em frente a eles para louvar e dar graças, conforme a ordem de Davi, homem de Deus, um turno em frente ao outro.
12:25 Matanias, Baquebuquias, Obadias, Mesulão, Talmom e Acube eram porteiros que faziam a guarda dos depósitos dos portões.
12:26 Esses serviram nos dias de Joiaquim, filho de Jesua, filho de Jozadaque, e nos dias de Neemias, o governador, e de Esdras, sacerdote e escriba.
12:27 Para a dedicação do muro de Jerusalém, buscaram os levitas em todos os lugares onde moravam, para trazê-los a Jerusalém e celebrar a dedicação com alegria, ações de graças e cânticos, com címbalos, harpas e liras.
12:28 Reuniram-se os descendentes dos cantores, tanto da região ao redor de Jerusalém como das aldeias dos netofatitas,
12:29 de Bete-Gilgal e dos campos de Geba e de Azmavete, pois os cantores haviam construído aldeias para si ao redor de Jerusalém.
12:30 Os sacerdotes e os levitas se purificaram e purificaram o povo, os portões e o muro.
12:31 Fiz os líderes de Judá subirem sobre o muro e organizei dois grandes coros de ação de graças. Um seguiu em procissão à direita, sobre o muro, em direção à Porta do Esterco.
12:32 Atrás deles iam Hosaías e metade dos líderes de Judá,
12:33 Azarias, Esdras, Mesulão,
12:34 Judá, Benjamim, Semaías e Jeremias;
12:35 e alguns dos descendentes dos sacerdotes, com trombetas. Também Zacarias, filho de Jônatas, filho de Semaías, filho de Matanias, filho de Micaías, filho de Zacur, filho de Asafe,
12:36 e seus irmãos Semaías, Azarel, Milalai, Gilalai, Maai, Natanael, Judá e Hanani, com os instrumentos musicais de Davi, homem de Deus. Esdras, o escriba, ia à frente deles.
12:37 Na Porta da Fonte, subiram os degraus da Cidade de Davi que estavam diante deles, pela subida do muro, acima da casa de Davi, até a Porta das Águas, a leste.
12:38 O segundo coro de ação de graças seguiu na direção oposta. Eu ia atrás dele com metade do povo, sobre o muro, passando pela Torre dos Fornos até o Muro Largo,
12:39 acima da Porta de Efraim, passando pela Porta Velha, pela Porta do Peixe, pela Torre de Hananel e pela Torre dos Cem, até a Porta das Ovelhas. Pararam na Porta da Guarda.
12:40 Os dois coros de ação de graças pararam na casa de Deus, e também eu, com metade dos oficiais comigo,
12:41 e os sacerdotes Eliaquim, Maaseias, Miniamim, Micaías, Elioenai, Zacarias e Hananias, com trombetas;
12:42 e Maaseias, Semaías, Eleazar, Uzi, Jeoanã, Malquias, Elão e Ezer. Os cantores faziam ouvir suas vozes, sob a direção de Jezraías.
12:43 Naquele dia ofereceram grandes sacrifícios e se alegraram, pois Deus lhes havia dado grande alegria. Também as mulheres e as crianças se alegraram, e a alegria de Jerusalém se ouvia de longe.
12:44 Naquele dia foram nomeados homens responsáveis pelas salas dos tesouros, das contribuições, das primícias e dos dízimos, para nelas recolher, dos campos das cidades, as porções que a Lei destinava aos sacerdotes e aos levitas, pois Judá se alegrava pelos sacerdotes e levitas que serviam.
12:45 Eles cumpriam o serviço de seu Deus e o serviço da purificação, assim como os cantores e os porteiros, conforme a ordem de Davi e de seu filho Salomão.
12:46 Pois, desde os dias de Davi e de Asafe, nos tempos antigos, havia um chefe dos cantores e cânticos de louvor e de ação de graças a Deus.
12:47 Nos dias de Zorobabel e nos dias de Neemias, todo o Israel dava aos cantores e aos porteiros suas porções para cada dia. Também separavam porções consagradas para os levitas, e os levitas separavam porções consagradas para os descendentes de Arão.

Capítulo 13
13:1 Naquele dia, leu-se o livro de Moisés aos ouvidos do povo, e nele se encontrou escrito que nenhum amonita nem moabita jamais deveria entrar na assembleia de Deus,
13:2 pois não haviam saído ao encontro dos israelitas com pão e água, e Balaão fora contratado contra Israel para amaldiçoá-lo. Mas nosso Deus transformou a maldição em bênção.
13:3 Quando ouviram a Lei, separaram de Israel todos os de origem estrangeira.
13:4 Antes disso, o sacerdote Eliasibe, responsável pela sala da casa de nosso Deus, era próximo de Tobias.
13:5 Ele havia preparado para Tobias uma sala grande, onde antes eram guardados a oferta de cereais, o incenso, os utensílios, o dízimo do cereal, do vinho novo e do azeite, destinado aos levitas, aos cantores e aos porteiros, e a contribuição destinada aos sacerdotes.
13:6 Durante tudo isso, eu não estava em Jerusalém, pois, no trigésimo segundo ano de Artaxerxes, rei da Babilônia, havia ido até o rei. Depois de algum tempo, pedi licença ao rei
13:7 e voltei a Jerusalém. Então soube do mal que Eliasibe havia feito em favor de Tobias, preparando-lhe uma sala nos pátios da casa de Deus.
13:8 Isso me desagradou muito, e lancei para fora da sala todos os pertences da casa de Tobias.
13:9 Dei a ordem, e eles purificaram as salas. Tornei a colocar ali os utensílios da casa de Deus, a oferta de cereais e o incenso.
13:10 Também soube que as porções dos levitas não lhes eram dadas, e os levitas e cantores que faziam o serviço haviam fugido, cada um para seu campo.
13:11 Repreendi os oficiais e lhes disse: “Por que a casa de Deus foi abandonada?” Reuni os levitas e os restabeleci em seus postos.
13:12 Todo o Judá trouxe aos depósitos o dízimo do cereal, do vinho novo e do azeite.
13:13 Encarreguei dos depósitos Selemias, o sacerdote, Zadoque, o escriba, e Pedaías, dentre os levitas, e pus ao lado deles Hanã, filho de Zacur, filho de Matanias, pois eram considerados fiéis. Cabia a eles distribuir as porções entre seus irmãos.
13:14 Lembra-te de mim por isso, meu Deus, e não apagues os atos de fidelidade que pratiquei pela casa de meu Deus e por seu serviço.
13:15 Naqueles dias, vi em Judá pessoas pisando uvas nos lagares no sábado, trazendo montes de cereal e carregando-os sobre jumentos, junto com vinho, uvas, figos e todo tipo de carga, que traziam a Jerusalém no sábado. Eu as adverti no dia em que vendiam mantimentos.
13:16 Os tírios que moravam ali também traziam peixe e todo tipo de mercadoria e os vendiam no sábado aos habitantes de Judá, em Jerusalém.
13:17 Repreendi os nobres de Judá e lhes disse: “Que mal é esse que vocês estão fazendo, profanando o dia de sábado?
13:18 Não foi isso que seus antepassados fizeram, de modo que nosso Deus trouxe toda essa calamidade sobre nós e sobre esta cidade? E vocês ainda aumentam a ira contra Israel, profanando o sábado!”
13:19 Quando os portões de Jerusalém começavam a ficar à sombra, antes do sábado, dei ordem para que suas folhas fossem fechadas e para que não fossem abertas até depois do sábado. Coloquei alguns de meus servos nos portões, para que nenhuma carga entrasse no dia de sábado.
13:20 Os comerciantes e vendedores de todo tipo de mercadoria passaram a noite fora de Jerusalém uma ou duas vezes.
13:21 Eu os adverti e lhes disse: “Por que vocês passam a noite em frente ao muro? Se fizerem isso de novo, porei as mãos em vocês!” Desde então, não vieram mais no sábado.
13:22 Ordenei aos levitas que se purificassem e viessem guardar os portões para santificar o dia de sábado. Lembra-te também disso em meu favor, meu Deus, e tem compaixão de mim, conforme a grandeza do teu amor fiel.
13:23 Naqueles dias, também vi judeus que haviam se casado com mulheres asdoditas, amonitas e moabitas.
13:24 Metade de seus filhos falava a língua de Asdode. Não sabiam falar a língua de Judá, mas a língua de cada povo.
13:25 Repreendi esses homens, os amaldiçoei, bati em alguns deles e lhes arranquei os cabelos. Fiz que jurassem por Deus: “Vocês não darão suas filhas aos filhos deles, nem tomarão as filhas deles para seus filhos ou para vocês mesmos.
13:26 Não foi por essas coisas que Salomão, rei de Israel, pecou? Entre as muitas nações não houve rei como ele. Era amado por seu Deus, e Deus o fez rei sobre todo o Israel. Mesmo assim, até ele foi levado a pecar pelas mulheres estrangeiras.
13:27 Vamos dar ouvidos a vocês e praticar todo esse grande mal, sendo infiéis ao nosso Deus ao nos casar com mulheres estrangeiras?”
13:28 Um dos filhos de Joiada, filho do sumo sacerdote Eliasibe, era genro de Sambalate, o horonita, e eu o expulsei de minha presença.
13:29 Lembra-te deles, meu Deus, por terem profanado o sacerdócio e a aliança do sacerdócio e dos levitas.
13:30 Eu os purifiquei de tudo o que era estrangeiro e estabeleci os turnos de serviço dos sacerdotes e dos levitas, cada um em seu trabalho,
13:31 e providenciei a oferta de lenha em datas determinadas e as primícias. Lembra-te de mim, meu Deus, para o bem.

ESTER

Capítulo 1
1:1 Isto aconteceu nos dias de Assuero, o Assuero que reinava sobre cento e vinte e sete províncias, desde a Índia até Cuxe.
1:2 Naqueles dias, quando o rei Assuero se assentava em seu trono real na fortaleza de Susã,
1:3 no terceiro ano de seu reinado, deu um banquete a todos os seus oficiais e servos. Estavam diante dele as forças da Pérsia e da Média, os nobres e os governadores das províncias,
1:4 enquanto ele mostrava as riquezas de seu reino glorioso e o esplendor de sua majestosa grandeza durante muitos dias: cento e oitenta dias.
1:5 Terminados esses dias, o rei ofereceu um banquete de sete dias a todo o povo que se encontrava na fortaleza de Susã, dos maiores aos menores, no pátio do jardim do palácio real.
1:6 Havia cortinas brancas de algodão e tecidos azuis, presos com cordões de linho fino e púrpura a argolas de prata e colunas de mármore. Divãs de ouro e de prata estavam sobre um pavimento de pórfiro, mármore, nácar e pedras coloridas.
1:7 As bebidas eram servidas em taças de ouro, diferentes umas das outras, e havia vinho real em abundância, à altura da generosidade do rei.
1:8 Conforme a norma, ninguém era obrigado a beber, pois o rei havia ordenado a todos os administradores de sua casa que atendessem à vontade de cada um.
1:9 A rainha Vasti também deu um banquete para as mulheres no palácio real do rei Assuero.
1:10 No sétimo dia, quando o coração do rei estava alegre com o vinho, ele ordenou a Meumã, Bizta, Harbona, Bigtá, Abagta, Zetar e Carcas, os sete eunucos que serviam na presença do rei Assuero,
1:11 que trouxessem a rainha Vasti à presença do rei, com a coroa real, para mostrar sua beleza aos povos e aos oficiais, pois ela era bela.
1:12 Mas a rainha Vasti se recusou a comparecer conforme a ordem do rei, transmitida pelos eunucos. O rei ficou muito irado, e sua ira ardia dentro dele.
1:13 Então o rei consultou os sábios que entendiam dos tempos, pois era costume apresentar os assuntos do rei a todos os conhecedores da lei e do direito.
1:14 Os mais próximos dele eram Carsena, Setar, Admata, Társis, Meres, Marsena e Memucã, os sete oficiais da Pérsia e da Média que tinham acesso à presença do rei e ocupavam os primeiros lugares no reino.
1:15 O rei perguntou: “Segundo a lei, o que se deve fazer com a rainha Vasti por não ter cumprido a ordem do rei Assuero, transmitida pelos eunucos?”
1:16 Mumecã respondeu diante do rei e dos oficiais: “A rainha Vasti ofendeu não apenas o rei, mas todos os oficiais e todos os povos de todas as províncias do rei Assuero.
1:17 Pois o que a rainha fez chegará ao conhecimento de todas as mulheres e as levará a desprezar seus maridos, quando disserem: ‘O rei Assuero mandou trazer a rainha Vasti à sua presença, mas ela não veio’.
1:18 Hoje mesmo as damas da Pérsia e da Média que souberem do que a rainha fez dirão o mesmo a todos os oficiais do rei, e haverá desprezo e indignação em abundância.
1:19 Se parecer bem ao rei, que ele emita um decreto real e que seja registrado nas leis da Pérsia e da Média, de modo que não possa ser revogado: Vasti não voltará à presença do rei Assuero, e o rei dará sua dignidade de rainha a uma companheira dela que seja melhor do que ela.
1:20 Quando o decreto que o rei emitir for conhecido em todo o seu reino, por mais vasto que seja, todas as mulheres honrarão seus maridos, dos maiores aos menores”.
1:21 A proposta agradou ao rei e aos oficiais, e o rei fez conforme a palavra de Memucã.
1:22 Ele enviou cartas a todas as províncias do reino, a cada província em sua escrita e a cada povo em sua língua, para que todo homem governasse em sua casa e falasse a língua de seu povo.

Capítulo 2
2:1 Depois desses acontecimentos, quando a ira do rei Assuero se acalmou, ele se lembrou de Vasti, do que ela havia feito e do que se havia decretado contra ela.
2:2 Então os jovens servos que atendiam o rei disseram: “Que se procurem para o rei moças virgens e belas.
2:3 Que o rei nomeie encarregados em todas as províncias de seu reino, para que reúnam todas as moças virgens e belas na fortaleza de Susã, na casa das mulheres, sob os cuidados de Hegué, eunuco do rei e guarda das mulheres. Que lhes sejam dados os tratamentos de beleza,
2:4 e que a moça que agradar ao rei se torne rainha no lugar de Vasti”. A proposta agradou ao rei, e ele fez assim.
2:5 Na fortaleza de Susã havia um judeu chamado Mardoqueu, filho de Jair, filho de Simei, filho de Quis, benjaminita,
2:6 que havia sido deportado de Jerusalém entre os exilados levados com Jeconias, rei de Judá, a quem Nabucodonosor, rei da Babilônia, havia deportado.
2:7 Ele criava Hadassa, isto é, Ester, filha de seu tio, pois ela não tinha pai nem mãe. A moça era bela de corpo e de aparência. Quando seu pai e sua mãe morreram, Mardoqueu a tomou como sua filha.
2:8 Quando a ordem e o decreto do rei foram divulgados e muitas moças foram reunidas na fortaleza de Susã sob os cuidados de Hegai, Ester também foi levada à casa do rei, sob os cuidados de Hegai, guarda das mulheres.
2:9 A moça lhe agradou e conquistou seu favor. Ele se apressou em lhe dar os tratamentos de beleza e suas porções de alimento, além de sete servas escolhidas da casa do rei que lhe cabiam. Transferiu Ester e suas servas para o melhor lugar da casa das mulheres.
2:10 Ester não havia revelado seu povo nem sua origem familiar, pois Mardoqueu lhe havia ordenado que não os revelasse.
2:11 Todos os dias, Mardoqueu caminhava em frente ao pátio da casa das mulheres, para saber como Ester estava e o que lhe acontecia.
2:12 Quando chegava a vez de cada moça se apresentar ao rei Assuero, depois de cumprir os doze meses prescritos para as mulheres — pois assim se completava o tempo de seus tratamentos: seis meses com óleo de mirra e seis meses com perfumes e cosméticos para as mulheres —,
2:13 era assim que a moça se apresentava ao rei. Recebia tudo o que pedisse para levar consigo da casa das mulheres à casa do rei.
2:14 À tarde ela ia e, pela manhã, voltava à segunda casa das mulheres, sob os cuidados de Saasgaz, eunuco do rei e guarda das concubinas. Não voltava a se apresentar ao rei, a menos que ele a desejasse e ela fosse chamada pelo nome.
2:15 Quando chegou a vez de Ester, filha de Abiail, tio de Mardoqueu, que a havia tomado como sua filha, se apresentar ao rei, ela nada pediu além do que lhe indicou Hegai, eunuco do rei e guarda das mulheres. Ester conquistava o favor de todos os que a viam.
2:16 Ester foi levada ao rei Assuero, ao seu palácio real, no décimo mês, o mês de tebete, no sétimo ano de seu reinado.
2:17 O rei amou Ester mais do que todas as outras mulheres, e ela conquistou sua graça e seu favor mais do que todas as outras virgens. Ele pôs a coroa real sobre sua cabeça e a fez rainha no lugar de Vasti.
2:18 O rei deu um grande banquete a todos os seus oficiais e servos, o banquete de Ester. Concedeu descanso às províncias e distribuiu presentes conforme a generosidade real.
2:19 Quando as virgens foram reunidas pela segunda vez, Mardoqueu estava sentado à porta do rei.
2:20 Ester não revelava sua origem familiar nem seu povo, conforme Mardoqueu lhe havia ordenado. Ela continuava a obedecer às palavras de Mardoqueu, como quando era criada por ele.
2:21 Naqueles dias, enquanto Mardoqueu estava sentado à porta do rei, Bigtã e Teres, dois eunucos do rei que guardavam a entrada, se indignaram e tramaram um atentado contra o rei Assuero.
2:22 Mardoqueu soube disso e o comunicou à rainha Ester. Ester contou ao rei em nome de Mardoqueu.
2:23 O assunto foi investigado, e se comprovou que era verdadeiro. Os dois foram pendurados em um madeiro, e o fato foi registrado no livro das crônicas, na presença do rei.

Capítulo 3
3:1 Depois desses acontecimentos, o rei Assuero engrandeceu Hamã, filho de Hamedata, o agagita, e o exaltou, colocando seu assento acima do de todos os oficiais que estavam com ele.
3:2 Todos os servos do rei que estavam à porta do rei se curvavam e se prostravam diante de Hamã, pois assim o rei havia ordenado a respeito dele. Mas Mardoqueu não se curvava nem se prostrava.
3:3 Os servos do rei que estavam à porta do rei perguntaram a Mardoqueu: “Por que você desobedece à ordem do rei?”
3:4 Falavam com ele dia após dia, mas ele não lhes dava ouvidos. Então contaram a Hamã, para ver se as palavras de Mardoqueu se sustentariam, pois ele lhes havia dito que era judeu.
3:5 Quando Hamã viu que Mardoqueu não se curvava nem se prostrava diante dele, encheu-se de ira.
3:6 Pareceu-lhe pouco pôr as mãos apenas em Mardoqueu, pois lhe haviam informado a que povo Mardoqueu pertencia. Por isso, Hamã procurou exterminar todos os judeus que havia em todo o reino de Assuero, o povo de Mardoqueu.
3:7 No primeiro mês, o mês de nisã, no décimo segundo ano do rei Assuero, lançou-se o pur, isto é, a sorte, diante de Hamã, para cada dia e cada mês. A escolha recaiu sobre o décimo segundo mês, o mês de adar.
3:8 Hamã disse ao rei Assuero: “Há um povo disperso e separado entre os povos de todas as províncias do seu reino. Suas leis são diferentes das de todos os outros povos, e eles não cumprem as leis do rei. Não convém ao rei deixá-los em paz.
3:9 Se parecer bem ao rei, que se decrete sua destruição. Eu entregarei, por peso, cerca de trezentas e quarenta toneladas de prata aos encarregados do serviço, para que as levem ao tesouro real”.
3:10 O rei tirou o anel de sua mão e o deu a Hamã, filho de Hamedata, o agagita, inimigo dos judeus.
3:11 O rei disse a Hamã: “A prata é sua, e o povo também, para que faça com ele o que lhe parecer bem”.
3:12 No dia treze do primeiro mês, foram convocados os escribas do rei. Escreveu-se tudo o que Hamã havia ordenado aos sátrapas do rei, aos governadores de cada província e aos chefes de cada povo, a cada província em sua escrita e a cada povo em sua língua. O documento foi escrito em nome do rei Assuero e selado com o anel do rei.
3:13 As cartas foram enviadas por mensageiros a todas as províncias do rei, para destruir, matar e exterminar todos os judeus, dos jovens aos velhos, crianças e mulheres, num só dia: o dia treze do décimo segundo mês, o mês de adar, e para saquear seus bens.
3:14 Uma cópia do documento deveria ser promulgada como lei em cada província e divulgada a todos os povos, para que estivessem preparados para aquele dia.
3:15 Os mensageiros saíram às pressas, por ordem do rei, e o decreto foi promulgado na fortaleza de Susã. O rei e Hamã se sentaram para beber, enquanto a cidade de Susã estava perplexa.

Capítulo 4
4:1 Quando Mardoqueu soube de tudo o que havia sido feito, rasgou suas roupas, vestiu-se de pano de saco e cobriu-se de cinzas. Saiu pelo meio da cidade, soltando um grande e amargo clamor.
4:2 Chegou até diante da porta do rei, pois ninguém podia entrar pela porta do rei vestido de pano de saco.
4:3 Em cada província, em todo lugar aonde chegavam a ordem e o decreto do rei, havia grande luto entre os judeus, com jejum, choro e lamentação. Muitos se deitavam sobre pano de saco e cinzas.
4:4 As servas e os eunucos de Ester vieram lhe contar, e a rainha ficou muito angustiada. Enviou roupas para vestir Mardoqueu e tirar-lhe o pano de saco, mas ele não as aceitou.
4:5 Então Ester chamou Hataque, um dos eunucos do rei que este havia posto a seu serviço, e o encarregou de saber o que estava acontecendo com Mardoqueu e por quê.
4:6 Hataque saiu até Mardoqueu, na praça da cidade, em frente à porta do rei.
4:7 Mardoqueu lhe contou tudo o que lhe havia acontecido e a quantia exata de prata que Hamã havia prometido entregar, por peso, ao tesouro real pela destruição dos judeus.
4:8 Também lhe deu uma cópia do texto do decreto promulgado em Susã para exterminá-los, para que a mostrasse a Ester, a informasse e lhe ordenasse ir até o rei, suplicar e interceder diante dele por seu povo.
4:9 Hataque voltou e contou a Ester as palavras de Mardoqueu.
4:10 Ester falou com Hataque e o mandou dizer a Mardoqueu:
4:11 “Todos os servos do rei e o povo das províncias do rei sabem que qualquer homem ou mulher que entrar no pátio interior para ver o rei sem ter sido chamado está sujeito a uma só lei: a morte. Só viverá aquele a quem o rei estender o cetro de ouro. E faz trinta dias que eu não sou chamada à presença do rei”.
4:12 Contaram a Mardoqueu as palavras de Ester.
4:13 Mardoqueu mandou responder a Ester: “Não pense que, por estar na casa do rei, você será a única entre todos os judeus a escapar.
4:14 Pois, se você ficar em completo silêncio neste momento, socorro e livramento surgirão de outro lugar para os judeus, mas você e a família de seu pai perecerão. E quem sabe se você chegou à posição de rainha para um momento como este?”
4:15 Ester mandou responder a Mardoqueu:
4:16 “Vá, reúna todos os judeus que se encontram em Susã e jejuem por mim. Não comam nem bebam durante três dias, nem de noite nem de dia. Eu e minhas servas também jejuaremos da mesma maneira. Então irei até o rei, embora seja contra a lei. E, se eu perecer, perecerei”.
4:17 Mardoqueu se retirou e fez tudo o que Ester lhe havia ordenado.

Capítulo 5
5:1 No terceiro dia, Ester se vestiu com suas roupas reais e se pôs no pátio interior do palácio, em frente à sala do rei. O rei estava sentado em seu trono real, na sala real, de frente para a entrada.
5:2 Quando o rei viu a rainha Ester em pé no pátio, ela encontrou favor aos seus olhos. Ele estendeu para Ester o cetro de ouro que tinha na mão. Ester se aproximou e tocou a ponta do cetro.
5:3 O rei lhe perguntou: “O que você tem, rainha Ester? Qual é o seu pedido? Até metade do reino será dada a você”.
5:4 Ester respondeu: “Se parecer bem ao rei, que o rei e Hamã venham hoje ao banquete que preparei para o rei”.
5:5 O rei disse: “Tragam Hamã depressa, para atender ao que Ester disse”. Então o rei e Hamã foram ao banquete que Ester havia preparado.
5:6 Enquanto bebiam vinho no banquete, o rei perguntou a Ester: “Qual é o seu pedido? Ele lhe será concedido. E qual é a sua súplica? Mesmo que seja até metade do reino, será atendida”.
5:7 Ester respondeu: “Meu pedido e minha súplica são estes:
5:8 se encontrei favor aos olhos do rei e se parecer bem ao rei conceder meu pedido e atender à minha súplica, que o rei e Hamã venham ao banquete que prepararei para eles. Amanhã farei conforme a palavra do rei”.
5:9 Naquele dia, Hamã saiu alegre e de coração contente. Mas, quando viu Mardoqueu à porta do rei e que ele não se levantava nem tremia diante dele, encheu-se de ira contra Mardoqueu.
5:10 Hamã, porém, se conteve e foi para casa. Mandou chamar seus amigos e sua mulher, Zeres.
5:11 Hamã lhes contou o esplendor de suas riquezas, a multidão de seus filhos e todas as maneiras pelas quais o rei o havia engrandecido e elevado acima dos oficiais e dos servos do rei.
5:12 Hamã acrescentou: “Além disso, a rainha Ester não convidou ninguém além de mim para ir com o rei ao banquete que ela preparou. E amanhã também estou convidado por ela, junto com o rei.
5:13 Mas tudo isso de nada me serve enquanto vejo Mardoqueu, o judeu, sentado à porta do rei”.
5:14 Sua mulher, Zeres, e todos os seus amigos lhe disseram: “Que preparem um madeiro de vinte e três metros de altura. Pela manhã, diga ao rei que pendurem Mardoqueu nele. Depois vá alegre ao banquete com o rei”. A proposta agradou a Hamã, e ele mandou preparar o madeiro.

Capítulo 6
6:1 Naquela noite, o sono fugiu do rei. Ele mandou trazer o livro dos registros, as crônicas, e o leram em sua presença.
6:2 Encontrou-se escrito que Mardoqueu havia denunciado Bigtana e Teres, dois eunucos do rei que guardavam a entrada e que haviam tramado um atentado contra o rei Assuero.
6:3 O rei perguntou: “Que honra e distinção foram dadas a Mardoqueu por isso?” Os jovens servos que atendiam o rei responderam: “Nada foi feito por ele”.
6:4 O rei perguntou: “Quem está no pátio?” Hamã havia chegado ao pátio exterior do palácio para pedir ao rei que pendurassem Mardoqueu no madeiro que lhe havia preparado.
6:5 Os servos do rei lhe disseram: “Hamã está em pé no pátio”. O rei disse: “Que entre”.
6:6 Hamã entrou, e o rei lhe perguntou: “O que se deve fazer pelo homem a quem o rei deseja honrar?” Hamã disse em seu coração: “A quem o rei desejaria honrar mais do que a mim?”
6:7 Então Hamã respondeu ao rei: “Para o homem a quem o rei deseja honrar,
6:8 que tragam uma veste real que o rei tenha usado e um cavalo que o rei tenha montado, em cuja cabeça tenha sido colocada uma coroa real.
6:9 Que entreguem a veste e o cavalo nas mãos de um dos oficiais mais nobres do rei. Que vistam o homem a quem o rei deseja honrar e o conduzam a cavalo pela praça da cidade, proclamando diante dele: ‘Assim se fará ao homem a quem o rei deseja honrar!’”
6:10 O rei disse a Hamã: “Depressa, pegue a veste e o cavalo, como você disse, e faça isso por Mardoqueu, o judeu que está sentado à porta do rei. Não omita nada de tudo o que você disse”.
6:11 Hamã pegou a veste e o cavalo, vestiu Mardoqueu e o conduziu a cavalo pela praça da cidade, proclamando diante dele: “Assim se fará ao homem a quem o rei deseja honrar!”
6:12 Mardoqueu voltou à porta do rei, mas Hamã foi às pressas para casa, de luto e com a cabeça coberta.
6:13 Hamã contou à sua mulher, Zeres, e a todos os seus amigos tudo o que lhe havia acontecido. Seus sábios e sua mulher, Zeres, lhe disseram: “Se Mardoqueu, diante de quem você começou a cair, é da descendência dos judeus, você não prevalecerá contra ele; certamente cairá diante dele”.
6:14 Enquanto ainda falavam com ele, chegaram os eunucos do rei e levaram Hamã às pressas ao banquete que Ester havia preparado.

Capítulo 7
7:1 O rei e Hamã foram beber com a rainha Ester.
7:2 Também no segundo dia, enquanto bebiam vinho no banquete, o rei perguntou a Ester: “Qual é o seu pedido, rainha Ester? Ele lhe será concedido. E qual é a sua súplica? Mesmo que seja até metade do reino, será atendida”.
7:3 A rainha Ester respondeu: “Se encontrei favor aos seus olhos, ó rei, e se parecer bem ao rei, que minha vida me seja concedida por meu pedido, e meu povo, por minha súplica.
7:4 Pois eu e meu povo fomos vendidos para sermos destruídos, mortos e exterminados. Se tivéssemos sido vendidos como escravos e escravas, eu teria ficado em silêncio, pois o adversário não pode compensar o prejuízo do rei”.
7:5 O rei Assuero perguntou à rainha Ester: “Quem é e onde está aquele que teve a ousadia de fazer isso?”
7:6 Ester respondeu: “O adversário e inimigo é este perverso Hamã!” Hamã ficou aterrorizado diante do rei e da rainha.
7:7 O rei se levantou furioso do banquete de vinho e saiu para o jardim do palácio. Hamã ficou em pé para suplicar por sua vida à rainha Ester, pois percebeu que o rei havia decidido sua ruína.
7:8 O rei voltou do jardim do palácio à sala do banquete de vinho, e Hamã estava caído sobre o divã em que Ester se encontrava. O rei disse: “Ele ainda pretende violentar a rainha, comigo aqui no palácio?” Mal as palavras saíram da boca do rei, cobriram o rosto de Hamã.
7:9 Harbona, um dos eunucos que estavam diante do rei, disse: “Além disso, o madeiro que Hamã preparou para Mardoqueu, que falou em favor do rei, está erguido na casa de Hamã e tem vinte e três metros de altura”. O rei ordenou: “Pendurem-no nele!”
7:10 Penduraram Hamã no madeiro que ele havia preparado para Mardoqueu, e a ira do rei se acalmou.

Capítulo 8
8:1 Naquele dia, o rei Assuero deu à rainha Ester a casa de Hamã, inimigo dos judeus. Mardoqueu se apresentou ao rei, pois Ester havia explicado quem ele era para ela.
8:2 O rei tirou o anel que havia recuperado de Hamã e o deu a Mardoqueu. Ester colocou Mardoqueu à frente da casa de Hamã.
8:3 Ester voltou a falar diante do rei. Lançou-se aos seus pés, chorou e lhe suplicou que afastasse o mal de Hamã, o agagita, e o plano que ele havia tramado contra os judeus.
8:4 O rei estendeu para Ester o cetro de ouro, e ela se levantou e ficou em pé diante dele.
8:5 Ela disse: “Se parecer bem ao rei, se encontrei favor diante dele, se o assunto lhe parece correto e se eu lhe agrado, que se dê uma ordem escrita para revogar as cartas do plano de Hamã, filho de Hamedata, o agagita, que ele escreveu para destruir os judeus de todas as províncias do rei.
8:6 Como poderei suportar ver a calamidade que atingirá meu povo? E como poderei suportar ver a destruição de minha família?”
8:7 O rei Assuero disse à rainha Ester e a Mardoqueu, o judeu: “Eu dei a Ester a casa de Hamã, e ele foi pendurado no madeiro por ter estendido a mão contra os judeus.
8:8 Agora vocês escrevam a respeito dos judeus o que lhes parecer melhor, em nome do rei, e selem o documento com o anel do rei. Pois um documento escrito em nome do rei e selado com o anel do rei não pode ser revogado”.
8:9 Naquele tempo foram convocados os escribas do rei, no dia vinte e três do terceiro mês, o mês de sivã. Escreveu-se tudo o que Mardoqueu havia ordenado aos judeus, aos sátrapas, aos governadores e aos chefes das cento e vinte e sete províncias, desde a Índia até Cuxe, a cada província em sua escrita e a cada povo em sua língua, e aos judeus em sua escrita e em sua língua.
8:10 Ele escreveu em nome do rei Assuero e selou com o anel do rei. Enviou as cartas por mensageiros montados em cavalos do serviço real, nascidos de éguas de criação.
8:11 Nelas, o rei permitia aos judeus de cada cidade que se reunissem e defendessem suas vidas, destruíssem, matassem e exterminassem toda a força de qualquer povo ou província que os atacasse, inclusive crianças e mulheres, e saqueassem seus bens,
8:12 num só dia, em todas as províncias do rei Assuero: no dia treze do décimo segundo mês, o mês de adar.
8:13 Uma cópia do documento deveria ser promulgada como lei em cada província e divulgada a todos os povos, para que os judeus estivessem preparados para aquele dia e se vingassem de seus inimigos.
8:14 Os mensageiros, montados nos cavalos do serviço real, saíram apressados e impelidos pela ordem do rei. O decreto foi promulgado na fortaleza de Susã.
8:15 Mardoqueu saiu da presença do rei com vestes reais azuis e brancas, uma grande coroa de ouro e um manto de linho fino e púrpura. A cidade de Susã exultou e se alegrou.
8:16 Para os judeus houve luz, alegria, júbilo e honra.
8:17 Em cada província e em cada cidade, em todo lugar aonde chegavam a ordem e o decreto do rei, havia alegria e júbilo para os judeus, banquetes e dia de festa. Muitos dentre os povos da terra se tornavam judeus, pois o temor dos judeus havia caído sobre eles.

Capítulo 9
9:1 No dia treze do décimo segundo mês, o mês de adar, chegou o momento de executar a ordem e o decreto do rei. No dia em que os inimigos dos judeus esperavam dominá-los, aconteceu o contrário: os judeus dominaram os que os odiavam.
9:2 Os judeus se reuniram em suas cidades, em todas as províncias do rei Assuero, para pôr as mãos sobre os que procuravam seu mal. Ninguém conseguiu lhes resistir, pois o temor deles havia caído sobre todos os povos.
9:3 Todos os chefes das províncias, os sátrapas, os governadores e os encarregados do serviço do rei apoiavam os judeus, pois o temor de Mardoqueu havia caído sobre eles.
9:4 Mardoqueu era grande na casa do rei, e sua fama se espalhava por todas as províncias, pois ele se tornava cada vez mais poderoso.
9:5 Os judeus feriram todos os seus inimigos a golpes de espada, com matança e destruição, e fizeram com os que os odiavam o que quiseram.
9:6 Na fortaleza de Susã, os judeus mataram e exterminaram quinhentos homens.
9:7 E Parsandata, Dalfom e Aspata,
9:8 Porata, Adalia e Aridata,
9:9 Farmasta, Arisai, Aridai e Vaizata,
9:10 os dez filhos de Hamã, filho de Hamedata, inimigo dos judeus, foram mortos. Mas não estenderam a mão ao despojo.
9:11 Naquele dia, o número dos mortos na fortaleza de Susã foi comunicado ao rei.
9:12 O rei disse à rainha Ester: “Na fortaleza de Susã, os judeus mataram e exterminaram quinhentos homens e os dez filhos de Hamã. O que terão feito nas demais províncias do rei? Qual é o seu pedido? Ele lhe será concedido. E qual é ainda a sua súplica? Será atendida”.
9:13 Ester respondeu: “Se parecer bem ao rei, que também amanhã seja permitido aos judeus de Susã agir conforme o decreto de hoje, e que os dez filhos de Hamã sejam pendurados no madeiro”.
9:14 O rei ordenou que assim se fizesse. Foi promulgado um decreto em Susã, e penduraram os dez filhos de Hamã.
9:15 Os judeus de Susã também se reuniram no dia catorze do mês de adar e mataram em Susã trezentos homens. Mas não estenderam a mão ao despojo.
9:16 Os demais judeus das províncias do rei se reuniram e defenderam suas vidas. Tiveram descanso de seus inimigos e mataram setenta e cinco mil dos que os odiavam. Mas não estenderam a mão ao despojo.
9:17 Isso aconteceu no dia treze do mês de adar. No dia catorze, descansaram e fizeram dele um dia de banquete e alegria.
9:18 Mas os judeus de Susã se reuniram nos dias treze e catorze do mês. No dia quinze, descansaram e fizeram dele um dia de banquete e alegria.
9:19 Por isso os judeus do campo, que moram em cidades sem muros, celebram o dia catorze do mês de adar com alegria, banquete e festa, enviando porções de comida uns aos outros.
9:20 Mardoqueu registrou esses acontecimentos e enviou cartas a todos os judeus de todas as províncias do rei Assuero, tanto aos de perto como aos de longe,
9:21 para estabelecer que celebrassem todos os anos o dia catorze do mês de adar e o dia quinze do mesmo mês,
9:22 como os dias em que os judeus tiveram descanso de seus inimigos e o mês em que a tristeza se transformou em alegria e o luto em festa. Deveriam fazer deles dias de banquete e alegria, enviando porções de comida uns aos outros e presentes aos pobres.
9:23 Os judeus aceitaram como norma o que haviam começado a fazer e o que Mardoqueu lhes havia escrito.
9:24 Pois Hamã, filho de Hamedata, o agagita, inimigo de todos os judeus, havia planejado destruir os judeus e lançado o pur, isto é, a sorte, para aterrorizá-los e destruí-los.
9:25 Mas, quando Ester se apresentou ao rei, ele ordenou por escrito que o plano perverso que Hamã havia tramado contra os judeus recaísse sobre sua própria cabeça. Ele e seus filhos foram pendurados no madeiro.
9:26 Por isso chamaram esses dias de Purim, por causa do nome pur. Assim, por causa de tudo o que dizia aquela carta, do que haviam visto a respeito desse assunto e do que lhes havia acontecido,
9:27 os judeus estabeleceram e assumiram, para si mesmos, para seus descendentes e para todos os que se unissem a eles, a obrigação de nunca deixar de celebrar esses dois dias, conforme estava escrito e nas datas determinadas, ano após ano.
9:28 Esses dias seriam lembrados e celebrados em cada geração, em cada família, em cada província e em cada cidade. Esses dias de Purim não desapareceriam do meio dos judeus, nem sua memória deixaria de existir entre seus descendentes.
9:29 A rainha Ester, filha de Abiail, e Mardoqueu, o judeu, escreveram com plena autoridade para confirmar esta segunda carta sobre Purim.
9:30 Ele enviou cartas a todos os judeus das cento e vinte e sete províncias do reino de Assuero, com palavras de paz e verdade,
9:31 para confirmar esses dias de Purim em suas datas determinadas, como Mardoqueu, o judeu, e a rainha Ester lhes haviam prescrito e como eles haviam estabelecido para si mesmos e para seus descendentes o que dizia respeito aos jejuns e ao seu clamor.
9:32 A ordem de Ester confirmou essas disposições sobre Purim, e isso foi registrado no livro.

Capítulo 10
10:1 O rei Assuero impôs um tributo sobre a terra e as ilhas do mar.
10:2 Todos os feitos de seu poder e de sua força, e o relato detalhado da grandeza de Mardoqueu, a quem o rei engrandeceu, não estão escritos no livro das crônicas dos reis da Média e da Pérsia?
10:3 Pois Mardoqueu, o judeu, era o segundo depois do rei Assuero, grande entre os judeus e estimado pela multidão de seus irmãos. Procurava o bem de seu povo e falava em favor da paz de toda a sua descendência.

JÓ

Capítulo 1
1:1 Havia na terra de Uz um homem chamado Jó. Esse homem era íntegro e reto, temia a Deus e se afastava do mal.
1:2 Nasceram-lhe sete filhos e três filhas.
1:3 Possuía sete mil cabeças de ovelhas e cabras, três mil camelos, quinhentas juntas de bois, quinhentas jumentas e muitíssimos servos. Esse homem era o mais importante de todos os habitantes do Oriente.
1:4 Seus filhos costumavam dar banquetes, cada um por sua vez, em sua casa, e convidavam suas três irmãs para comer e beber com eles.
1:5 Quando terminava o ciclo dos banquetes, Jó mandava chamá-los e os consagrava. Levantava-se de madrugada e oferecia holocaustos conforme o número de todos eles, pois dizia: “Talvez meus filhos tenham pecado e amaldiçoado a Deus em seu coração”. Assim Jó fazia continuamente.
1:6 Certo dia, os filhos de Deus vieram se apresentar diante do SENHOR, e Satanás também veio entre eles.
1:7 O SENHOR perguntou a Satanás: “De onde você vem?” Satanás respondeu ao SENHOR: “De percorrer a terra e andar por ela”.
1:8 O SENHOR disse a Satanás: “Você observou meu servo Jó? Não há ninguém como ele na terra: homem íntegro e reto, que teme a Deus e se afasta do mal”.
1:9 Satanás respondeu ao SENHOR: “Acaso Jó teme a Deus sem receber nada em troca?
1:10 Não puseste uma cerca ao redor dele, de sua família e de tudo o que possui? Abençoaste a obra de suas mãos, e seus rebanhos se espalharam pela terra.
1:11 Mas estende agora a tua mão e toca em tudo o que ele tem. Verás se não te amaldiçoa na tua própria face!”
1:12 O SENHOR disse a Satanás: “Veja, tudo o que ele tem está em suas mãos. Só não estenda a mão contra ele”. Então Satanás saiu da presença do SENHOR.
1:13 Certo dia, seus filhos e suas filhas estavam comendo e bebendo vinho na casa do irmão mais velho,
1:14 quando um mensageiro veio a Jó e disse: “Os bois estavam arando, e as jumentas pastavam perto deles.
1:15 Os sabeus atacaram e os levaram. Mataram os servos ao fio da espada. Só eu escapei para lhe contar!”
1:16 Enquanto ele ainda falava, veio outro e disse: “Fogo de Deus caiu do céu, queimou os rebanhos e os servos e os consumiu. Só eu escapei para lhe contar!”
1:17 Enquanto ele ainda falava, veio outro e disse: “Os caldeus formaram três bandos, atacaram os camelos e os levaram. Mataram os servos ao fio da espada. Só eu escapei para lhe contar!”
1:18 Enquanto ele ainda falava, veio outro e disse: “Seus filhos e suas filhas estavam comendo e bebendo vinho na casa do irmão mais velho,
1:19 quando um forte vento veio do outro lado do deserto e atingiu os quatro cantos da casa. Ela caiu sobre os jovens, e eles morreram. Só eu escapei para lhe contar!”
1:20 Então Jó se levantou, rasgou seu manto e raspou a cabeça. Prostrou-se em terra e adorou,
1:21 dizendo: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei para lá. O SENHOR deu, e o SENHOR tomou; bendito seja o nome do SENHOR”.
1:22 Em tudo isso, Jó não pecou nem atribuiu a Deus nenhum despropósito.

Capítulo 2
2:1 Certo dia, os filhos de Deus vieram se apresentar diante do SENHOR, e Satanás também veio entre eles para se apresentar diante do SENHOR.
2:2 O SENHOR perguntou a Satanás: “De onde você vem?” Satanás respondeu ao SENHOR: “De percorrer a terra e andar por ela”.
2:3 O SENHOR disse a Satanás: “Você observou meu servo Jó? Não há ninguém como ele na terra: homem íntegro e reto, que teme a Deus e se afasta do mal. Ele ainda se apega à sua integridade, embora você tenha me incitado contra ele para arruiná-lo sem motivo”.
2:4 Satanás respondeu ao SENHOR: “Pele por pele! O homem dará tudo o que tem por sua vida.
2:5 Mas estende agora a tua mão e toca nos ossos e na carne dele. Verás se não te amaldiçoa na tua própria face!”
2:6 O SENHOR disse a Satanás: “Veja, ele está em suas mãos. Mas poupe a vida dele”.
2:7 Então Satanás saiu da presença do SENHOR e feriu Jó com chagas terríveis, da planta do pé ao alto da cabeça.
2:8 Jó pegou um caco de barro para se coçar, enquanto estava sentado no meio das cinzas.
2:9 Sua mulher lhe disse: “Você ainda se apega à sua integridade? Amaldiçoe a Deus e morra!”
2:10 Ele lhe respondeu: “Você fala como uma das mulheres insensatas. Receberemos de Deus o bem e não receberemos o mal?” Em tudo isso, Jó não pecou com seus lábios.
2:11 Três amigos de Jó — Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita — souberam de todo o mal que lhe havia acontecido. Vieram, cada um de seu lugar, pois haviam combinado ir juntos se compadecer dele e consolá-lo.
2:12 Quando levantaram os olhos de longe, não o reconheceram. Ergueram a voz e choraram, cada um rasgou seu manto, e lançaram pó para o alto, sobre suas cabeças.
2:13 Sentaram-se com ele no chão durante sete dias e sete noites. Nenhum deles lhe dizia palavra alguma, pois viam que sua dor era muito grande.

Capítulo 3
3:1 Depois disso, Jó abriu a boca e amaldiçoou o dia de seu nascimento.
3:2 Jó tomou a palavra e disse:
3:3 “Pereça o dia em que nasci e a noite que anunciou: ‘Foi concebido um menino!’
3:4 Que aquele dia seja trevas;
   que Deus, lá do alto, não cuide dele, nem a luz brilhe sobre ele.
3:5 Que as trevas e a sombra da morte o reclamem para si;
   que uma nuvem paire sobre ele e a escuridão do dia o aterrorize.
3:6 Que a escuridão se apodere daquela noite;
   que ela não se alegre entre os dias do ano, nem entre na contagem dos meses.
3:7 Que aquela noite seja estéril e nela não entre grito de alegria.
3:8 Que a amaldiçoem os que amaldiçoam o dia, os que estão prontos para despertar Leviatã.
3:9 Que se escureçam as estrelas de seu crepúsculo;
   que espere a luz sem que ela venha e não veja as pálpebras da aurora,
3:10 pois não fechou as portas do ventre de minha mãe, nem escondeu a aflição de meus olhos.
3:11 Por que não morri ao nascer?
   Por que não expirei ao sair do ventre?
3:12 Por que houve joelhos que me acolhessem e peitos em que eu mamasse?
3:13 Agora eu estaria deitado e tranquilo;
   dormiria e teria descanso,
3:14 com reis e conselheiros da terra que reconstruíam ruínas para si,
3:15 ou com príncipes que tinham ouro e enchiam suas casas de prata.
3:16 Ou, como um aborto oculto, eu não existiria, como crianças que nunca viram a luz.
3:17 Ali os maus deixam de perturbar, e ali descansam os que esgotaram suas forças.
3:18 Os prisioneiros repousam juntos;
   não ouvem a voz do capataz.
3:19 Ali estão o pequeno e o grande, e o escravo está livre de seu senhor.
3:20 Por que se dá luz ao que sofre e vida aos amargurados de alma,
3:21 aos que esperam a morte, e ela não vem, e cavam em busca dela mais do que em busca de tesouros escondidos,
3:22 aos que se alegram intensamente e exultam quando encontram uma sepultura?
3:23 Por que se dá luz ao homem cujo caminho está oculto e a quem Deus cercou?
3:24 Pois antes de meu pão vem meu suspiro, e meus gemidos se derramam como água.
3:25 O que eu tanto temia me sobreveio;
   o que me aterrava me aconteceu.
3:26 Não tenho paz, nem sossego, nem descanso;
   vem a perturbação.”

Capítulo 4
4:1 Então Elifaz, o temanita, respondeu:
4:2 “Se tentarmos falar com você, ficará impaciente?
   Mas quem pode conter as palavras?
4:3 Veja, você instruiu muitos e fortaleceu mãos fracas.
4:4 Suas palavras levantavam quem tropeçava, e você firmava joelhos vacilantes.
4:5 Mas agora que isso lhe acontece, você desanima;
   isso o atinge, e você se apavora.
4:6 Seu temor não é sua confiança, e a integridade de seus caminhos, sua esperança?
4:7 Lembre-se: que inocente pereceu?
   Onde os retos foram destruídos?
4:8 Pelo que tenho visto, os que aram a maldade e semeiam a aflição colhem isso mesmo.
4:9 Pelo sopro de Deus perecem;
   pelo hálito de sua ira são consumidos.
4:10 Cessam o rugido do leão e o bramido do leão feroz, e os dentes dos leões novos se quebram.
4:11 O leão perece por falta de presa, e os filhotes da leoa se dispersam.
4:12 Uma palavra chegou até mim às escondidas, e meu ouvido captou um sussurro dela.
4:13 Entre pensamentos inquietantes de visões noturnas, quando o sono profundo cai sobre os homens,
4:14 sobrevieram-me medo e tremor, que fizeram estremecer todos os meus ossos.
4:15 Um espírito passou diante de meu rosto, e os pelos de meu corpo se arrepiaram.
4:16 Ele parou, mas não reconheci seu aspecto.
   Havia uma figura diante de meus olhos;
   houve silêncio, e ouvi uma voz:
4:17 ‘Pode um mortal ser mais justo que Deus?
   Pode um homem ser mais puro que seu Criador?
4:18 Se ele nem sequer confia em seus servos e atribui erros a seus anjos,
4:19 quanto menos nos que habitam em casas de barro, com alicerces no pó, que são esmagados como uma traça!
4:20 Da manhã à tarde são despedaçados;
   perecem para sempre sem que ninguém se importe.
4:21 Não lhes é arrancada a corda de sua tenda?
   Morrem sem sabedoria.’

Capítulo 5
5:1 Clame agora!
   Haverá quem lhe responda?
   A qual dos santos você se voltará?
5:2 Pois a ira mata o insensato, e a inveja dá morte ao ingênuo.
5:3 Eu vi o insensato criar raízes, mas logo amaldiçoei sua morada.
5:4 Seus filhos estão longe da segurança;
   são esmagados à porta da cidade, e não há quem os livre.
5:5 O faminto devora sua colheita e a tira até do meio dos espinhos;
   uma armadilha arrebata a riqueza deles.
5:6 Pois a desgraça não sai do pó, nem a aflição brota da terra.
5:7 Mas o homem nasce para a aflição, como as faíscas voam para o alto.
5:8 Eu, porém, buscaria a Deus e a Deus apresentaria minha causa.
5:9 Ele faz coisas grandes e insondáveis, maravilhas sem conta.
5:10 Dá chuva sobre a terra e envia água sobre os campos,
5:11 para pôr os humildes no alto e elevar os enlutados a um lugar seguro.
5:12 Frustra os planos dos astutos, de modo que suas mãos não alcançam o sucesso.
5:13 Apanha os sábios em sua própria astúcia e faz fracassar depressa os planos dos tortuosos.
5:14 De dia eles encontram trevas e, ao meio-dia, tateiam como de noite.
5:15 Mas ele livra o necessitado da espada de suas bocas e da mão do poderoso.
5:16 Assim há esperança para o pobre, e a injustiça fecha a boca.
5:17 Feliz o homem a quem Deus corrige!
   Não despreze a disciplina do Todo-Poderoso.
5:18 Pois ele causa a ferida e a enfaixa;
   ele golpeia, e sua mão cura.
5:19 De seis angústias ele o livrará, e em sete o mal não o atingirá.
5:20 Na fome, ele o resgatará da morte e, na guerra, do poder da espada.
5:21 Você estará protegido do açoite da língua e não temerá a devastação quando ela chegar.
5:22 Você rirá da devastação e da fome;
   não tema os animais da terra.
5:23 Pois terá uma aliança com as pedras do campo, e os animais do campo estarão em paz com você.
5:24 Você saberá que sua tenda está em paz;
   examinará sua morada e não sentirá falta de nada.
5:25 Saberá que sua descendência é numerosa e seus descendentes, como a erva da terra.
5:26 Você chegará à sepultura em plena maturidade, como um feixe recolhido no tempo certo.
5:27 Veja, nós investigamos isso, e assim é.
   Ouça e reconheça isso para seu próprio bem.”

Capítulo 6
6:1 Então Jó respondeu:
6:2 “Ah, se minha angústia fosse de fato pesada e, junto com ela, minha desgraça fosse posta na balança!
6:3 Pesaria mais que a areia dos mares;
   por isso minhas palavras foram precipitadas.
6:4 Pois as flechas do Todo-Poderoso estão em mim, e meu espírito bebe seu veneno;
   os terrores de Deus se alinham contra mim.
6:5 O jumento selvagem zurra quando tem relva?
   O boi muge junto de seu alimento?
6:6 Come-se sem sal o que é insípido?
   Há sabor na clara de um ovo?
6:7 Minha alma se recusa a tocar nessas coisas;
   são para mim alimento repugnante.
6:8 Ah, se meu pedido se cumprisse e Deus me concedesse o que espero!
6:9 Se Deus quisesse me esmagar, soltar sua mão e acabar comigo!
6:10 Ainda teria este consolo e saltaria de alegria na dor, mesmo que ele não me poupasse: não neguei as palavras do Santo.
6:11 Que força tenho para continuar esperando?
   Que fim me aguarda para que eu tenha paciência?
6:12 Minha força é a das pedras?
   Minha carne é de bronze?
6:13 Não fiquei sem socorro em mim mesmo?
   Não se afastou de mim todo recurso?
6:14 O abatido deve receber lealdade de seu amigo, ainda que abandone o temor do Todo-Poderoso.
6:15 Meus irmãos foram desleais como um ribeiro, como o leito de torrentes que desaparecem,
6:16 escurecidas pelo gelo, sobre as quais a neve se esconde.
6:17 Quando chega o calor, elas secam;
   ao aquecer, desaparecem de seu lugar.
6:18 As caravanas se desviam de seu caminho, entram no deserto e perecem.
6:19 As caravanas de Temá procuram essas torrentes;
   os viajantes de Sabá põem nelas sua esperança.
6:20 Ficam envergonhados por terem confiado;
   chegam ali e se decepcionam.
6:21 Agora vocês se tornaram nada;
   veem o terror e têm medo.
6:22 Acaso eu disse: ‘Deem-me alguma coisa;
   de seus bens ofereçam presentes em meu favor,
6:23 livrem-me da mão do adversário e resgatem-me do poder dos violentos’?
6:24 Ensinem-me, e eu me calarei;
   façam-me entender em que errei.
6:25 Como são fortes as palavras sinceras!
   Mas o que demonstram as censuras de vocês?
6:26 Vocês pretendem censurar palavras, tratando como vento o que diz um desesperado?
6:27 Até lançariam sortes sobre um órfão e negociariam seu próprio amigo!
6:28 Agora, por favor, olhem para mim: eu mentiria na cara de vocês?
6:29 Reconsiderem, por favor, que não haja injustiça;
   que se reconsidere ainda: minha causa é justa.
6:30 Há injustiça em minha língua?
   Meu paladar não distingue a maldade?

Capítulo 7
7:1 O mortal não tem um serviço árduo na terra?
   Seus dias não são como os de um jornaleiro?
7:2 Como o escravo que anseia pela sombra e o jornaleiro que espera sua paga,
7:3 assim me couberam meses vazios e me foram destinadas noites de aflição.
7:4 Quando me deito, digo: ‘Quando me levantarei?’ A noite se alonga, e eu me canso de dar voltas até o amanhecer.
7:5 Minha carne está coberta de vermes e torrões de pó;
   minha pele se rompe e supura.
7:6 Meus dias são mais velozes que a lançadeira do tecelão e se acabam sem esperança.
7:7 Lembra-te de que minha vida é um sopro;
   meu olho não voltará a ver o bem.
7:8 O olho que me vê não me verá mais;
   teus olhos estarão sobre mim, mas já não estarei.
7:9 Como a nuvem se desfaz e passa, assim quem desce ao Seol não volta a subir.
7:10 Não voltará mais à sua casa, nem seu lugar voltará a reconhecê-lo.
7:11 Por isso, também eu não refrearei minha boca;
   falarei na angústia de meu espírito e me queixarei na amargura de minha alma.
7:12 Sou eu o mar ou um monstro marinho, para que me ponhas sob vigilância?
7:13 Quando digo: ‘Meu leito me consolará, minha cama aliviará minha queixa’,
7:14 então me assustas com sonhos e me apavoras com visões.
7:15 Minha alma prefere o estrangulamento, a morte em vez destes meus ossos.
7:16 Abomino minha vida;
   não viverei para sempre.
   Deixa-me, pois meus dias são um sopro.
7:17 Que é o mortal, para que tanto o engrandeças e nele ponhas teu coração,
7:18 para que o examines a cada manhã e o ponhas à prova a cada instante?
7:19 Até quando não afastarás de mim teu olhar?
   Não me deixarás sequer engolir minha saliva?
7:20 Se pequei, que te fiz, ó guardião dos seres humanos?
   Por que me fizeste teu alvo, de modo que me tornei um peso para mim mesmo?
7:21 Por que não perdoas minha transgressão nem removes minha culpa?
   Pois logo me deitarei no pó;
   tu me buscarás, mas já não estarei.”

Capítulo 8
8:1 Então Bildade, o suíta, respondeu:
8:2 “Até quando você dirá essas coisas?
   Até quando as palavras de sua boca serão um vento impetuoso?
8:3 Acaso Deus torce o direito?
   O Todo-Poderoso torce a justiça?
8:4 Se seus filhos pecaram contra ele, ele os entregou ao poder de sua transgressão.
8:5 Mas, se você buscar a Deus com empenho e implorar ao Todo-Poderoso,
8:6 se for puro e reto, certamente ele despertará em seu favor e restaurará sua morada de justiça.
8:7 Seu começo parecerá pequeno, mas seu futuro será muito próspero.
8:8 Pergunte, por favor, à geração passada e considere o que os pais daquela geração investigaram.
8:9 Pois nós somos de ontem e nada sabemos;
   nossos dias na terra são uma sombra.
8:10 Não ensinarão você e lhe falarão?
   Não tirarão palavras do coração deles?
8:11 Pode o papiro crescer sem brejo?
   Pode o junco crescer sem água?
8:12 Ainda verde e sem ter sido cortado, seca antes de qualquer outra erva.
8:13 Assim são os caminhos de todos os que se esquecem de Deus;
   a esperança do ímpio perecerá.
8:14 Sua confiança se desfaz, e seu apoio é uma teia de aranha.
8:15 Ele se apoia em sua casa, mas ela não se sustenta;
   agarra-se a ela, mas ela não fica em pé.
8:16 Está cheio de seiva sob o sol, e seus brotos se estendem pelo jardim.
8:17 Suas raízes se enredam sobre um monte de pedras;
   ele contempla uma casa de pedras.
8:18 Se o arrancarem de seu lugar, o lugar o negará: ‘Nunca vi você!’
8:19 Veja, essa é a alegria de seu caminho!
   Do pó brotarão outros.
8:20 Veja, Deus não rejeita o íntegro, nem toma os malfeitores pela mão.
8:21 Ele ainda encherá sua boca de riso e seus lábios de gritos de alegria.
8:22 Os que odeiam você se vestirão de vergonha, e a tenda dos ímpios deixará de existir.”

Capítulo 9
9:1 Então Jó respondeu:
9:2 “De fato, sei que é assim.
   Mas como pode um mortal ter razão diante de Deus?
9:3 Se quisesse disputar com ele, não poderia responder-lhe nem uma vez em mil.
9:4 Ele é sábio de coração e poderoso em força.
   Quem se obstinou contra ele e saiu ileso?
9:5 Ele remove as montanhas sem que elas o saibam e, em sua ira, as revolve.
9:6 Sacode a terra de seu lugar, e suas colunas estremecem.
9:7 Dá ordens ao sol, e ele não nasce;
   sela as estrelas.
9:8 Sozinho estende os céus e pisa sobre as cristas do mar.
9:9 Fez a Ursa, Órion e as Plêiades, e as câmaras do sul.
9:10 Ele faz coisas grandes e insondáveis, maravilhas sem conta.
9:11 Passa por mim, e não o vejo;
   segue adiante, e não o percebo.
9:12 Se ele arrebata algo, quem o fará voltar atrás?
   Quem lhe dirá: ‘Que fazes?’
9:13 Deus não retira sua ira;
   debaixo dele se curvam os auxiliares de Raabe.
9:14 Quanto menos poderia eu responder-lhe e escolher minhas palavras diante dele!
9:15 Ainda que tivesse razão, não poderia responder;
   teria de suplicar a meu juiz.
9:16 Se eu o chamasse, e ele me respondesse, não acreditaria que tivesse ouvido minha voz.
9:17 Pois ele me esmaga com uma tempestade e multiplica minhas feridas sem motivo.
9:18 Não me deixa recuperar o fôlego, mas me enche de amarguras.
9:19 Se é questão de força, eis o poderoso!
   Se é questão de juízo, quem me convocará?
9:20 Ainda que eu tenha razão, minha boca me condenaria;
   mesmo sendo íntegro, eu seria declarado perverso.
9:21 Sou íntegro;
   não me importo comigo mesmo;
   desprezo minha vida.
9:22 É tudo o mesmo.
   Por isso digo: ele acaba com o íntegro e com o ímpio.
9:23 Se um açoite mata de repente, ele zomba da provação dos inocentes.
9:24 A terra foi entregue à mão do ímpio;
   ele cobre o rosto de seus juízes.
   Se não é ele, quem é, então?
9:25 Meus dias são mais velozes que um corredor;
   fogem sem ver o bem.
9:26 Passam como barcos de papiro, como a águia que se lança sobre a presa.
9:27 Se digo: ‘Esquecerei minha queixa, mudarei meu semblante e me alegrarei’,
9:28 ainda temo todas as minhas dores;
   sei que não me terás por inocente.
9:29 Eu serei declarado culpado;
   por que me esforçar em vão?
9:30 Ainda que eu me lave com neve e purifique minhas mãos com sabão,
9:31 ainda assim tu me mergulharias no fosso, e minhas próprias roupas me abominariam.
9:32 Pois ele não é um homem como eu, para que eu lhe responda e compareçamos juntos a juízo.
9:33 Não há entre nós um árbitro que ponha a mão sobre nós dois.
9:34 Que ele retire de mim sua vara e que seu terror não me apavore.
9:35 Então eu falaria sem temê-lo;
   mas não é assim comigo.

Capítulo 10
10:1 Minha alma está farta de minha vida.
   Darei livre curso à minha queixa;
   falarei na amargura de minha alma.
10:2 Direi a Deus: ‘Não me condenes;
   faze-me saber por que contendes comigo.
10:3 Parece-te bem oprimir, rejeitar a obra de tuas mãos e resplandecer sobre os planos dos ímpios?
10:4 Tens olhos de carne?
   Vês como vê um mortal?
10:5 São teus dias como os dias de um mortal, ou teus anos como os dias de um homem,
10:6 para que investigues minha culpa e procures meu pecado,
10:7 embora saibas que não sou culpado e que ninguém pode me livrar de tua mão?
10:8 Tuas mãos me moldaram e me fizeram por inteiro, mas agora me destróis.
10:9 Lembra-te, por favor, de que me formaste como barro e me farás voltar ao pó.
10:10 Não me derramaste como leite e me coalhaste como queijo?
10:11 Tu me vestiste de pele e carne e me entreteceste com ossos e tendões.
10:12 Concedeste-me vida e amor leal, e teu cuidado guardou meu espírito.
10:13 Mas escondeste essas coisas em teu coração;
   sei que essa era tua intenção:
10:14 se eu pecasse, tu me vigiarias e não me absolverias de minha culpa.
10:15 Se eu for ímpio, ai de mim!
   E, se eu for justo, não levantarei a cabeça, farto de vergonha.
   Vê minha aflição!
10:16 Se ela se ergue, tu me caças como um leão e de novo fazes maravilhas contra mim.
10:17 Renovas tuas testemunhas contra mim e multiplicas tua ira contra mim;
   tropas se sucedem contra mim.
10:18 Por que me tiraste do ventre?
   Ah, se eu tivesse expirado sem que nenhum olho me visse!
10:19 Eu seria como se nunca tivesse existido, levado do ventre à sepultura.
10:20 Não são poucos meus dias?
   Que ele cesse e me deixe, para que eu tenha um pouco de alegria,
10:21 antes que eu me vá, para não voltar, à terra de trevas e sombra da morte,
10:22 terra de profunda escuridão, como as próprias trevas, de sombra da morte e sem ordem alguma, onde a luz é como as trevas.’”

Capítulo 11
11:1 Então Zofar, o naamatita, respondeu:
11:2 “Tanta conversa ficará sem resposta?
   Um homem será considerado justo por falar muito?
11:3 Suas palavras vazias farão os homens se calarem?
   Você zombará sem que ninguém o envergonhe?
11:4 Você diz: ‘Meu ensino é puro, e estou limpo diante de teus olhos.’
11:5 Ah, se Deus falasse e abrisse seus lábios para falar com você!
11:6 Se lhe revelasse os segredos da sabedoria, pois o bom senso tem alcance duplo!
   Saiba que Deus deixa no esquecimento parte de sua culpa.
11:7 Você pode descobrir as profundezas de Deus?
   Pode alcançar os limites do Todo-Poderoso?
11:8 São altos como os céus: o que você pode fazer?
   São mais profundos que o Seol: o que você pode saber?
11:9 Sua medida é mais longa que a terra e mais larga que o mar.
11:10 Se ele passar, aprisionar e convocar a juízo, quem o fará voltar atrás?
11:11 Pois ele conhece os homens falsos;
   vê a maldade e não a levará em conta?
11:12 O homem de cabeça vazia se tornará sábio quando uma cria de jumento selvagem nascer homem.
11:13 Se você preparar seu coração e estender para ele as mãos,
11:14 se houver maldade em sua mão, afaste-a e não deixe a injustiça morar em suas tendas.
11:15 Então você erguerá o rosto sem mancha, estará firme e não terá medo.
11:16 Você se esquecerá da aflição;
   lembrará dela como de águas que já passaram.
11:17 Sua vida se levantará mais clara que o meio-dia;
   mesmo a escuridão será como a manhã.
11:18 Você terá confiança, pois haverá esperança;
   olhará em volta e se deitará em segurança.
11:19 Descansará sem que ninguém o assuste, e muitos buscarão seu favor.
11:20 Mas os olhos dos ímpios se consumirão;
   eles não terão para onde fugir, e sua esperança será dar o último suspiro.”

Capítulo 12
12:1 Então Jó respondeu:
12:2 “Sem dúvida, vocês são o povo, e com vocês morrerá a sabedoria!
12:3 Mas eu também tenho entendimento como vocês;
   não sou inferior a vocês.
   Quem não sabe essas coisas?
12:4 Sou motivo de riso para meu amigo, eu, que invocava a Deus, e ele me respondia.
   O justo e íntegro é motivo de riso!
12:5 Quem vive tranquilo despreza a desgraça;
   o desprezo está reservado aos que têm os pés vacilantes.
12:6 As tendas dos saqueadores estão em paz, e os que provocam a Deus vivem seguros, aqueles que trazem Deus na mão.
12:7 Mas pergunte, por favor, aos animais, e eles ensinarão você;
   às aves do céu, e elas lhe dirão.
12:8 Ou fale com a terra, e ela ensinará você;
   os peixes do mar lhe contarão.
12:9 Quem, entre todos eles, não sabe que a mão do SENHOR fez isso?
12:10 Em sua mão está a vida de todo ser vivo e o fôlego de todo ser humano.
12:11 Não examina o ouvido as palavras, como o paladar prova o alimento?
12:12 Nos anciãos há sabedoria, e numa vida longa, entendimento.
12:13 Com ele estão a sabedoria e a força;
   dele são o conselho e o entendimento.
12:14 O que ele derruba não se reconstrói;
   quem ele aprisiona não é solto.
12:15 Se retém as águas, elas secam;
   se as solta, elas devastam a terra.
12:16 Com ele estão a força e o bom senso;
   dele são aquele que erra e aquele que induz ao erro.
12:17 Ele leva os conselheiros despojados e faz os juízes perderem o juízo.
12:18 Solta as ataduras dos reis e amarra um cinto à cintura deles.
12:19 Leva os sacerdotes despojados e derruba os poderosos.
12:20 Tira a palavra dos homens de confiança e priva os anciãos de discernimento.
12:21 Derrama desprezo sobre os nobres e afrouxa o cinturão dos fortes.
12:22 Revela as profundezas das trevas e traz à luz a sombra da morte.
12:23 Engrandece as nações e as destrói;
   expande as nações e as leva embora.
12:24 Tira o entendimento dos chefes do povo da terra e os faz vagar por um deserto sem caminho.
12:25 Tateiam nas trevas, sem luz, e ele os faz cambalear como bêbados.

Capítulo 13
13:1 Vejam, meus olhos viram tudo isso;
   meus ouvidos ouviram e entenderam.
13:2 O que vocês sabem, eu também sei;
   não sou inferior a vocês.
13:3 Mas eu falarei com o Todo-Poderoso e desejo defender minha causa diante de Deus.
13:4 Vocês, porém, fabricam mentiras;
   são todos médicos inúteis.
13:5 Ah, se vocês se calassem de todo!
   Isso lhes serviria de sabedoria.
13:6 Ouçam, por favor, minha defesa e prestem atenção aos argumentos de meus lábios.
13:7 Vocês falarão injustamente em favor de Deus?
   Dirão mentiras por ele?
13:8 Serão parciais em seu favor?
   Defenderão a causa de Deus?
13:9 Será bom para vocês quando ele os examinar?
   Vocês o enganarão como se engana um mortal?
13:10 Certamente ele os repreenderá se, em segredo, forem parciais.
13:11 Sua majestade não os apavorará?
   Seu terror não cairá sobre vocês?
13:12 Suas máximas são provérbios de cinzas, e suas defesas, defesas de barro.
13:13 Calem-se e me deixem falar;
   venha sobre mim o que vier.
13:14 Por que tomaria minha carne entre meus dentes e poria minha vida em minha mão?
13:15 Vejam, ele me matará;
   não tenho esperança.
   Contudo, defenderei meus caminhos diante dele.
13:16 Isso também será minha salvação, pois nenhum ímpio se apresentaria diante dele.
13:17 Ouçam com atenção minhas palavras;
   que minha declaração chegue aos ouvidos de vocês.
13:18 Vejam, preparei minha causa;
   sei que serei declarado justo.
13:19 Quem contenderá comigo?
   Então eu me calaria e morreria.
13:20 Só não faças duas coisas comigo;
   então não me esconderei de teu rosto:
13:21 afasta de mim tua mão, e que teu terror não me apavore.
13:22 Chama, e eu responderei;
   ou eu falarei: responde-me tu.
13:23 Quantas culpas e pecados tenho?
   Faze-me conhecer minha transgressão e meu pecado.
13:24 Por que escondes teu rosto e me consideras teu inimigo?
13:25 Aterrorizarás uma folha levada pelo vento e perseguirás palha seca?
13:26 Pois escreves contra mim coisas amargas e me fazes herdar as culpas de minha juventude.
13:27 Pões meus pés no cepo, vigias todos os meus caminhos e traças um limite para as plantas de meus pés.
13:28 O homem se consome como coisa podre, como uma roupa devorada pela traça.

Capítulo 14
14:1 O homem nascido de mulher tem poucos dias e está cheio de inquietação.
14:2 Brota como uma flor e murcha;
   foge como uma sombra e não permanece.
14:3 E sobre alguém assim abres teus olhos, e a mim me fazes comparecer a juízo contigo?
14:4 Quem pode tirar o puro do impuro?
   Ninguém!
14:5 Se seus dias estão determinados, se o número de seus meses está contigo e lhe fixaste um limite que não ultrapassará,
14:6 desvia dele o olhar, para que descanse, até que desfrute seu dia como um jornaleiro.
14:7 Pois há esperança para a árvore: se for cortada, tornará a brotar, e seus brotos não deixarão de surgir.
14:8 Ainda que sua raiz envelheça na terra e seu tronco morra no pó,
14:9 ao cheiro das águas, brotará e produzirá ramos como uma planta.
14:10 Mas o homem morre e fica sem forças;
   o ser humano expira, e onde está?
14:11 Como as águas desaparecem do mar e um rio se esgota e seca,
14:12 assim o homem se deita e não se levanta;
   até que os céus deixem de existir, não despertará nem será acordado de seu sono.
14:13 Quem dera que me escondesses no Seol e me ocultasses até tua ira passar, que me fixasses um prazo e te lembrasses de mim!
14:14 Se um homem morrer, tornará a viver?
   Todos os dias de meu serviço árduo eu esperaria, até que viesse minha mudança.
14:15 Tu me chamarias, e eu te responderia;
   ansiarias pela obra de tuas mãos.
14:16 Pois agora contarias meus passos;
   não vigiarias meu pecado.
14:17 Minha transgressão estaria selada num saco, e tu encobririas minha culpa.
14:18 Mas a montanha cai e se desfaz;
   a rocha é removida de seu lugar.
14:19 As águas desgastam as pedras;
   suas enxurradas arrastam o pó da terra.
   Assim destróis a esperança do mortal.
14:20 Tu o dominas para sempre, e ele se vai;
   mudas seu rosto e o mandas embora.
14:21 Seus filhos recebem honra, mas ele não sabe;
   são rebaixados, mas ele não percebe.
14:22 Só sua própria carne sente dor, e sua alma se lamenta por ele.”

Capítulo 15
15:1 Então Elifaz, o temanita, respondeu:
15:2 “Um sábio responderia com conhecimento de vento e encheria seu ventre com o vento do leste?
15:3 Argumentaria com palavras inúteis, com razões que não servem de nada?
15:4 Você, porém, desfaz o temor e diminui a meditação diante de Deus.
15:5 Pois sua culpa instrui sua boca, e você escolhe a linguagem dos astutos.
15:6 Sua própria boca condena você, e não eu;
   seus lábios testemunham contra você.
15:7 Foi você o primeiro homem a nascer?
   Foi gerado antes das colinas?
15:8 Você ouviu o conselho secreto de Deus?
   Reserva a sabedoria só para si?
15:9 O que você sabe que nós não sabemos?
   O que entende que nós não entendemos?
15:10 Entre nós há homens de cabelos brancos e anciãos, muito mais velhos que seu pai.
15:11 São pouca coisa para você os consolos de Deus e as palavras suaves que lhe são ditas?
15:12 Por que seu coração arrebata você?
   Por que seus olhos piscam,
15:13 para que você volte seu espírito contra Deus e deixe sair tais palavras de sua boca?
15:14 Que é o mortal para ser puro, e o nascido de mulher para ser justo?
15:15 Se ele não confia nem em quem lhe é santo, e nem os céus são puros a seus olhos,
15:16 quanto menos o homem abominável e corrompido, que bebe injustiça como água!
15:17 Vou lhe mostrar;
   escute-me.
   Contarei o que vi,
15:18 o que os sábios anunciam sem esconder o que receberam de seus pais,
15:19 aos quais somente foi dada a terra, sem que nenhum estrangeiro passasse entre eles.
15:20 O ímpio se contorce de dor todos os seus dias, durante os anos reservados ao violento.
15:21 Sons de terror ressoam em seus ouvidos;
   quando está em paz, o destruidor o ataca.
15:22 Não crê que voltará das trevas;
   a espada o espera.
15:23 Vaga em busca de pão, dizendo: ‘Onde está?’ Sabe que o dia das trevas está perto, à sua mão.
15:24 A aflição e a angústia o aterrorizam;
   dominam-no como um rei preparado para a batalha.
15:25 Pois estendeu sua mão contra Deus e desafiou o Todo-Poderoso.
15:26 Arremete contra ele de pescoço erguido, com as grossas saliências de seus escudos.
15:27 Pois cobriu seu rosto de gordura e acumulou banha nos flancos.
15:28 Habitou em cidades devastadas, em casas onde ninguém morava, destinadas a montes de ruínas.
15:29 Não ficará rico, seus bens não durarão, e suas posses não se estenderão pela terra.
15:30 Não escapará das trevas;
   uma chama secará seus brotos, e ele desaparecerá ao sopro de sua boca.
15:31 Que o iludido não confie no vazio, pois o vazio será sua recompensa.
15:32 Ela se cumprirá antes do tempo, e seu ramo não estará verde.
15:33 Sacudirá suas uvas verdes como a videira e deixará cair sua flor como a oliveira.
15:34 Pois a comunidade dos ímpios é estéril, e o fogo consumirá as tendas do suborno.
15:35 Concebem a aflição e dão à luz a maldade;
   seu ventre prepara o engano.”

Capítulo 16
16:1 Então Jó respondeu:
16:2 “Já ouvi muitas coisas assim;
   todos vocês são consoladores que trazem aflição.
16:3 Terão fim essas palavras de vento?
   O que o provoca a continuar respondendo?
16:4 Eu também poderia falar como vocês, se vocês estivessem em meu lugar.
   Poderia juntar palavras contra vocês e sacudir a cabeça diante de vocês.
16:5 Mas eu os fortaleceria com minha boca, e o consolo de meus lábios aliviaria sua dor.
16:6 Se falo, minha dor não diminui;
   se me calo, o que se afasta de mim?
16:7 Mas agora ele me deixou exausto;
   tu devastaste toda a minha companhia.
16:8 Tu me enrugaste, e isso se tornou testemunha contra mim;
   minha magreza se levanta contra mim e depõe diante de mim.
16:9 Sua ira me despedaçou, e ele me tratou com ódio;
   rangeu os dentes contra mim.
   Meu adversário me crava os olhos.
16:10 Abriram a boca contra mim;
   com desprezo me bateram nas faces, e todos se reúnem contra mim.
16:11 Deus me entrega ao perverso e me lança nas mãos dos ímpios.
16:12 Eu estava tranquilo, mas ele me esmagou;
   agarrou-me pela nuca e me despedaçou.
   Fez de mim seu alvo.
16:13 Seus arqueiros me cercam;
   ele me atravessa os rins sem compaixão e derrama meu fel no chão.
16:14 Abre em mim brecha após brecha;
   arremete contra mim como um guerreiro.
16:15 Costurei pano de saco sobre minha pele e revolvi meu chifre no pó.
16:16 Meu rosto está avermelhado de tanto chorar, e sobre minhas pálpebras há sombra da morte,
16:17 embora não haja violência em minhas mãos e minha oração seja pura.
16:18 Ó terra, não cubras meu sangue!
   Que meu clamor não encontre lugar de repouso!
16:19 Mesmo agora, minha testemunha está nos céus;
   quem atesta em meu favor está nas alturas.
16:20 Meus amigos zombam de mim;
   meus olhos derramam lágrimas diante de Deus.
16:21 Que ele defenda o homem diante de Deus, como um ser humano defende seu amigo!
16:22 Pois passarão poucos anos, e seguirei o caminho pelo qual não voltarei.

Capítulo 17
17:1 Meu espírito está quebrantado, meus dias se apagam;
   sepulturas me aguardam.
17:2 Não há zombadores comigo?
   Meus olhos se detêm em suas provocações.
17:3 Dá, por favor, uma garantia;
   sê meu fiador diante de ti.
   Quem apertará minha mão?
17:4 Pois escondeste do coração deles o entendimento;
   por isso não os exaltarás.
17:5 Os olhos dos filhos de quem denuncia os amigos por uma recompensa se consumirão.
17:6 Ele fez de mim um provérbio entre os povos;
   sou alguém em cujo rosto se cospe.
17:7 Meus olhos se apagam de mágoa, e todos os meus membros são como uma sombra.
17:8 Os retos se espantam com isso, e o inocente se levanta contra o ímpio.
17:9 Mas o justo segue firme em seu caminho, e o puro de mãos cresce em força.
17:10 Mas voltem todos vocês, venham, por favor;
   não encontrarei entre vocês um só sábio.
17:11 Meus dias passaram;
   romperam-se meus planos, os anseios de meu coração.
17:12 Eles transformam a noite em dia;
   dizem que a luz está perto, diante das trevas.
17:13 Se espero que o Seol seja minha casa, se estendo meu leito nas trevas,
17:14 se digo à cova: ‘Você é meu pai’ e ao verme: ‘Minha mãe e minha irmã’,
17:15 onde está, então, minha esperança?
   Minha esperança, quem a verá?
17:16 Ela descerá aos ferrolhos do Seol, quando juntos descansarmos no pó.”

Capítulo 18
18:1 Então Bildade, o suíta, respondeu:
18:2 “Até quando vocês armarão laços para as palavras?
   Reflitam, e depois falaremos.
18:3 Por que somos considerados animais, estúpidos aos olhos de vocês?
18:4 Você, que se despedaça em sua ira: por sua causa será abandonada a terra?
   A rocha será removida de seu lugar?
18:5 Sim, a luz dos ímpios se apagará, e a faísca de seu fogo não brilhará.
18:6 A luz escurecerá em sua tenda, e a lâmpada sobre ele se apagará.
18:7 Seus passos vigorosos se estreitarão, e seu próprio conselho o derrubará.
18:8 Pois seus próprios pés o levam para uma rede, e ele anda sobre uma malha.
18:9 Um laço o apanhará pelo calcanhar, e uma armadilha o prenderá.
18:10 Sua corda está escondida no chão, e sua armadilha, sobre a trilha.
18:11 Terrores o apavoram de todos os lados e o perseguem a cada passo.
18:12 Sua força definhará de fome, e a desgraça estará pronta ao seu lado.
18:13 Partes de sua pele serão devoradas;
   o primogênito da morte devorará seus membros.
18:14 Será arrancado da segurança de sua tenda e conduzido ao rei dos terrores.
18:15 Em sua tenda habitará o que não lhe pertence;
   enxofre será espalhado sobre sua morada.
18:16 Embaixo, suas raízes secarão;
   em cima, seus ramos serão cortados.
18:17 Sua lembrança desaparecerá da terra, e ele não terá nome nas ruas.
18:18 Da luz o lançarão nas trevas e o expulsarão do mundo.
18:19 Não terá filho nem neto entre seu povo, nem sobrevivente onde morava.
18:20 Os do ocidente se espantarão com seu dia;
   os do oriente ficarão tomados de horror.
18:21 Assim são as moradas do injusto;
   esse é o lugar de quem não conhece a Deus.”

Capítulo 19
19:1 Então Jó respondeu:
19:2 “Até quando vocês afligirão minha alma e me esmagarão com palavras?
19:3 Já me humilharam dez vezes;
   não têm vergonha de me maltratar.
19:4 Ainda que eu tenha de fato errado, meu erro fica comigo.
19:5 Se vocês realmente se engrandecem contra mim e usam minha humilhação para me acusar,
19:6 saibam, então, que Deus me fez injustiça e me cercou com sua rede.
19:7 Clamo: ‘Violência!’ Mas não recebo resposta;
   peço socorro, mas não há justiça.
19:8 Ele fechou meu caminho, e não posso passar;
   pôs trevas em minhas trilhas.
19:9 Despiu-me de minha honra e tirou a coroa de minha cabeça.
19:10 Derrubou-me de todos os lados, e eu me vou;
   arrancou minha esperança como uma árvore.
19:11 Acendeu sua ira contra mim e me contou entre seus adversários.
19:12 Suas tropas vêm juntas, preparam seu caminho contra mim e acampam ao redor de minha tenda.
19:13 Ele afastou de mim meus irmãos, e meus conhecidos se tornaram estranhos para mim.
19:14 Meus parentes se afastaram, e meus amigos íntimos se esqueceram de mim.
19:15 Os que habitam em minha casa e minhas servas me consideram um estranho;
   tornei-me um estrangeiro a seus olhos.
19:16 Chamei meu servo, mas ele não responde;
   com minha própria boca lhe suplico.
19:17 Meu hálito é repugnante para minha esposa, e sou repugnante aos filhos de meu ventre.
19:18 Até os meninos me desprezam;
   quando me levanto, falam contra mim.
19:19 Todos os homens de minha confiança me abominam, e os que eu amava se voltaram contra mim.
19:20 Meus ossos se colaram à minha pele e à minha carne;
   escapei só com a pele dos meus dentes.
19:21 Tenham compaixão de mim, tenham compaixão de mim, vocês, meus amigos, pois a mão de Deus me tocou!
19:22 Por que vocês me perseguem como Deus e não se saciam de minha carne?
19:23 Quem dera que minhas palavras fossem escritas!
   Quem dera que ficassem registradas num livro!
19:24 Que, com cinzel de ferro e com chumbo, fossem gravadas na rocha para sempre!
19:25 Eu sei que meu redentor vive e que, por fim, se levantará sobre o pó.
19:26 Depois de destruída esta minha pele, em minha carne verei a Deus.
19:27 Eu mesmo o verei;
   meus olhos o verão, e não os de outro.
   Minhas entranhas se consomem dentro de mim.
19:28 Se vocês disserem: ‘Como o perseguiremos?’ e afirmarem que a raiz da questão está em mim,
19:29 temam a espada, pois o furor traz os castigos da espada, para que saibam que há juízo.”

Capítulo 20
20:1 Então Zofar, o naamatita, respondeu:
20:2 “Por isso meus pensamentos me levam a responder, por causa da agitação que há em mim.
20:3 Ouço uma repreensão que me humilha, mas meu espírito me responde com entendimento.
20:4 Você sabe que, desde a antiguidade, desde que o homem foi posto na terra,
20:5 o júbilo dos ímpios é breve e a alegria do perverso dura um instante?
20:6 Ainda que sua altura alcance os céus e sua cabeça toque as nuvens,
20:7 perecerá para sempre como seu próprio esterco;
   os que o viam perguntarão: ‘Onde está?’
20:8 Voará como um sonho, e não o encontrarão;
   será afugentado como uma visão noturna.
20:9 O olho que o via não tornará a vê-lo, nem seu lugar voltará a contemplá-lo.
20:10 Seus filhos buscarão o favor dos pobres, e suas mãos devolverão suas riquezas.
20:11 Seus ossos estão cheios de juventude, mas ela se deitará com ele no pó.
20:12 Ainda que a maldade seja doce em sua boca, e ele a esconda debaixo da língua,
20:13 a conserve sem a soltar e a retenha em seu paladar,
20:14 seu alimento se transformará em suas entranhas;
   será fel de cobras dentro dele.
20:15 Engoliu riquezas, mas as vomitará;
   Deus as expulsará de seu ventre.
20:16 Sugará veneno de cobras, e a língua de uma víbora o matará.
20:17 Que ele não veja os córregos, os rios, os ribeiros de mel e coalhada!
20:18 Devolverá o fruto de seu trabalho, sem o engolir;
   não se alegrará com o ganho de suas trocas.
20:19 Pois esmagou e abandonou os pobres;
   roubou uma casa que não construiu.
20:20 Pois seu ventre não conheceu sossego;
   não salvará o que cobiçava.
20:21 Nada escapa à sua voracidade;
   por isso sua prosperidade não durará.
20:22 No auge de sua fartura, sofrerá aperto;
   a mão de todo aflito virá contra ele.
20:23 Quando ele estiver para encher o ventre, Deus enviará contra ele o ardor de sua ira e o fará chover sobre ele enquanto come.
20:24 Fugirá de uma arma de ferro, mas um arco de bronze o atravessará.
20:25 Ele arrancará a flecha, e ela sairá de suas costas;
   a ponta reluzente sairá de seu fel.
   Terrores virão sobre ele.
20:26 Toda escuridão está reservada para seus tesouros.
   Um fogo que ninguém atiçou o consumirá e devorará o que restar em sua tenda.
20:27 Os céus revelarão sua culpa, e a terra se levantará contra ele.
20:28 Os bens de sua casa serão arrastados por torrentes no dia de sua ira.
20:29 Esta é, da parte de Deus, a porção do homem ímpio, a herança que Deus lhe decretou.”

Capítulo 21
21:1 Então Jó respondeu:
21:2 “Ouçam com atenção minhas palavras;
   que esse seja o consolo que vocês me dão.
21:3 Tenham paciência comigo, e eu falarei;
   depois que eu falar, você pode zombar.
21:4 Minha queixa se dirige a um homem?
   Por que meu espírito não ficaria impaciente?
21:5 Olhem para mim e fiquem horrorizados;
   ponham a mão sobre a boca.
21:6 Quando me lembro disso, fico apavorado, e um tremor se apodera de minha carne.
21:7 Por que os ímpios vivem, envelhecem e ainda crescem em poder?
21:8 Seus descendentes se firmam diante deles, ao seu lado;
   seus filhos estão diante de seus olhos.
21:9 Suas casas estão em paz, sem medo, e a vara de Deus não está sobre eles.
21:10 Seu touro fecunda sem falhar;
   sua vaca dá cria sem abortar.
21:11 Deixam seus pequenos sair como um rebanho, e seus filhos saltam de alegria.
21:12 Cantam ao som do tamborim e da lira e se alegram ao som da flauta.
21:13 Passam seus dias na prosperidade e, num instante, descem ao Seol.
21:14 E dizem a Deus: ‘Afasta-te de nós;
   não desejamos conhecer teus caminhos.
21:15 Que é o Todo-Poderoso, para que o sirvamos?
   Que ganhamos em suplicar-lhe?’
21:16 Vejam, a prosperidade deles não está em suas mãos.
   Longe de mim o conselho dos ímpios!
21:17 Quantas vezes a lâmpada dos ímpios se apaga e a desgraça lhes sobrevém?
   Quantas vezes ele lhes reparte dores em sua ira?
21:18 Quantas vezes são como palha diante do vento, como cascas de grãos que a tempestade arrebata?
21:19 ‘Deus reserva para os filhos do ímpio o castigo de sua maldade.’ Que o retribua ao próprio homem, para que ele saiba!
21:20 Que seus próprios olhos vejam sua ruína e que ele beba do furor do Todo-Poderoso!
21:21 Pois que lhe importa sua casa depois de sua morte, quando o número de seus meses foi cortado?
21:22 Pode alguém ensinar conhecimento a Deus, que julga os que estão nas alturas?
21:23 Um morre em pleno vigor, inteiramente tranquilo e sossegado.
21:24 Suas vasilhas estão cheias de leite, e a medula de seus ossos está bem nutrida.
21:25 Outro morre com a alma amargurada, sem ter provado o bem.
21:26 Os dois se deitam juntos no pó, e os vermes os cobrem.
21:27 Vejam, conheço os pensamentos de vocês e as tramas com que cometem violência contra mim.
21:28 Pois vocês dizem: ‘Onde está a casa do nobre?
   Onde está a tenda em que moravam os ímpios?’
21:29 Vocês não perguntaram aos viajantes?
   Não reconhecem os testemunhos deles,
21:30 de que o mau é poupado no dia da desgraça e levado para longe no dia do furor?
21:31 Quem lhe censura a conduta cara a cara?
   Quem lhe retribui o que fez?
21:32 Ele é levado à sepultura, e sobre seu túmulo se mantém vigilância.
21:33 São doces para ele os torrões do vale;
   todos os homens o seguem, e antes dele foram incontáveis.
21:34 Como, então, vocês me consolam em vão?
   Nas respostas de vocês só resta falsidade.”

Capítulo 22
22:1 Então Elifaz, o temanita, respondeu:
22:2 “Pode um homem ser útil a Deus?
   O prudente é útil a si mesmo.
22:3 O Todo-Poderoso tem prazer em que você seja justo?
   Ou ganha algo se seus caminhos forem íntegros?
22:4 É por causa de seu temor que ele o repreende e entra em juízo com você?
22:5 Não é grande sua maldade?
   Suas culpas não têm fim.
22:6 Pois você exigiu penhores de seus irmãos sem motivo e tirou as roupas de quem mal tinha o que vestir.
22:7 Não deu água ao cansado e negou pão ao faminto.
22:8 Mas a terra era do homem poderoso, e nela morava o favorecido.
22:9 Mandou embora as viúvas de mãos vazias, e os braços dos órfãos foram quebrados.
22:10 Por isso laços o rodeiam, e um pavor repentino o aterroriza,
22:11 ou trevas que não o deixam ver, e uma inundação de águas o cobre.
22:12 Não está Deus no alto dos céus?
   Olhe as estrelas mais altas: como são elevadas!
22:13 Mas você diz: ‘O que Deus sabe?
   Pode julgar através da escuridão espessa?
22:14 As nuvens o encobrem, e ele não vê;
   passeia pela abóbada dos céus.’
22:15 Você seguirá a antiga vereda que os homens maus pisaram,
22:16 que foram arrebatados antes do tempo e cujos alicerces foram arrastados por um rio?
22:17 Diziam a Deus: ‘Afasta-te de nós!’ E que lhes faria o Todo-Poderoso?
22:18 No entanto, ele enchera suas casas de bens.
   Longe de mim o conselho dos ímpios!
22:19 Os justos veem isso e se alegram, e o inocente zomba deles:
22:20 ‘Certamente nossos adversários foram destruídos, e o fogo consumiu o que lhes restava!’
22:21 Reconcilie-se com ele e tenha paz;
   assim lhe virá o bem.
22:22 Receba, por favor, a instrução de sua boca e ponha suas palavras em seu coração.
22:23 Se você voltar ao Todo-Poderoso, será reconstruído;
   afaste a injustiça de sua tenda.
22:24 Ponha o ouro no pó e o ouro de Ofir entre as pedras dos ribeiros.
22:25 Então o Todo-Poderoso será seu ouro e sua prata preciosa.
22:26 Pois então você se deleitará no Todo-Poderoso e levantará seu rosto para Deus.
22:27 Você lhe suplicará, e ele o ouvirá;
   você cumprirá seus votos.
22:28 O que você decidir se cumprirá para você, e a luz brilhará sobre seus caminhos.
22:29 Quando houver abatimento, você dirá: ‘Há exaltação!’ Ele salvará o de olhar humilde.
22:30 Ele livrará até quem não é inocente;
   será libertado pela pureza de suas mãos.”

Capítulo 23
23:1 Então Jó respondeu:
23:2 “Ainda hoje minha queixa é rebelde;
   minha mão pesa sobre meus gemidos.
23:3 Ah, se eu soubesse onde encontrá-lo!
   Chegaria até sua morada.
23:4 Apresentaria minha causa diante dele e encheria minha boca de argumentos.
23:5 Saberia as palavras com que ele me responderia e entenderia o que me dissesse.
23:6 Disputaria comigo com todo seu poder?
   Não;
   antes, me daria atenção.
23:7 Ali um homem reto poderia argumentar com ele, e eu ficaria livre para sempre de meu juiz.
23:8 Vejam, vou para o oriente, e ele não está lá;
   para o ocidente, e não o percebo.
23:9 Quando age ao norte, não o avisto;
   encobre-se ao sul, e não o vejo.
23:10 Mas ele conhece o caminho que sigo;
   quando me puser à prova, sairei como o ouro.
23:11 Meu pé se firmou em suas pegadas;
   guardei seu caminho e não me desviei.
23:12 Não me afastei do mandamento de seus lábios;
   prezei as palavras de sua boca mais que minha porção de alimento.
23:13 Mas ele está decidido;
   quem o fará voltar atrás?
   O que sua alma deseja, ele faz.
23:14 Pois cumprirá o que me está destinado, e muitas coisas como essas ele tem consigo.
23:15 Por isso me apavoro em sua presença;
   quando considero isso, tenho medo dele.
23:16 Deus enfraqueceu meu coração, e o Todo-Poderoso me encheu de espanto.
23:17 Pois não fui silenciado pelas trevas, nem pela escuridão que cobre meu rosto.

Capítulo 24
24:1 Por que o Todo-Poderoso não fixa tempos para julgar?
   Por que os que o conhecem não veem seus dias?
24:2 Há os que mudam os marcos de limite, roubam rebanhos e os apascentam.
24:3 Levam o jumento dos órfãos e tomam em penhor o boi da viúva.
24:4 Desviam os necessitados do caminho;
   os pobres da terra se escondem juntos.
24:5 Vejam, como jumentos selvagens no deserto, saem para seu trabalho em busca de alimento;
   a planície árida lhes dá pão para os meninos.
24:6 No campo, ceifam sua forragem e recolhem as últimas uvas na vinha do ímpio.
24:7 Passam a noite nus, sem roupa, sem coberta contra o frio.
24:8 Ficam encharcados pela chuva das montanhas e, sem abrigo, abraçam a rocha.
24:9 Os maus arrancam o órfão do peito e tomam penhores dos pobres.
24:10 Os pobres andam nus, sem roupa;
   famintos, carregam feixes de cereal.
24:11 Entre seus muros, extraem azeite;
   pisam os lagares, mas passam sede.
24:12 Da cidade gemem os homens, e a alma dos feridos clama;
   mas Deus não leva em conta a injustiça.
24:13 Há os que se rebelam contra a luz;
   não conhecem seus caminhos nem permanecem em suas veredas.
24:14 Ao amanhecer, o assassino se levanta e mata o pobre e o necessitado;
   de noite, age como um ladrão.
24:15 Os olhos do adúltero esperam o anoitecer.
   Ele diz: ‘Nenhum olho me verá’, e cobre o rosto.
24:16 Nas trevas, abrem buracos nas casas;
   de dia se trancam.
   Não conhecem a luz.
24:17 Pois, para todos eles, a manhã é sombra da morte;
   conhecem bem os terrores da sombra da morte.
24:18 Ele é ligeiro sobre a superfície das águas;
   a porção deles na terra é amaldiçoada, e ele não segue o caminho das vinhas.
24:19 A seca e o calor arrebatam as águas da neve;
   assim o Seol arrebata os que pecaram.
24:20 O ventre que o levou o esquecerá;
   ele será doce para o verme.
   Nunca mais será lembrado, e a injustiça será quebrada como uma árvore.
24:21 Maltrata a estéril que não dá à luz e não faz bem à viúva.
24:22 Arrasta os poderosos com sua força;
   ele se levanta e não tem a vida por segura.
24:23 Deus lhes concede segurança, e nela se apoiam;
   mas seus olhos estão sobre os caminhos deles.
24:24 São elevados por um instante e desaparecem;
   são abatidos e recolhidos como todos, cortados como as pontas das espigas.
24:25 Se não é assim, quem me desmentirá e reduzirá minhas palavras a nada?”

Capítulo 25
25:1 Então Bildade, o suíta, respondeu:
25:2 “A ele pertencem o domínio e o temor;
   ele estabelece a paz em suas alturas.
25:3 Seus exércitos podem ser contados?
   Sobre quem não se levanta sua luz?
25:4 Como pode um mortal ser justo diante de Deus?
   Como pode ser puro o nascido de mulher?
25:5 Se nem mesmo a lua brilha, e as estrelas não são puras a seus olhos,
25:6 quanto menos o mortal, uma larva, e o ser humano, um verme!”

Capítulo 26
26:1 Então Jó respondeu:
26:2 “Como você ajudou quem não tem força!
   Como salvou o braço sem vigor!
26:3 Que conselho deu a quem não tem sabedoria!
   Quanto bom senso deu a conhecer!
26:4 A quem você dirigiu essas palavras?
   De quem é o sopro que saiu de você?
26:5 As sombras dos mortos tremem debaixo das águas e de seus habitantes.
26:6 O Seol está nu diante dele, e não há cobertura para o Abadom.
26:7 Ele estende o norte sobre o vazio e suspende a terra sobre o nada.
26:8 Prende as águas em suas nuvens, e a nuvem não se rompe sob elas.
26:9 Encobre a face de seu trono e estende sobre ele sua nuvem.
26:10 Traçou um limite circular sobre a superfície das águas, na fronteira entre a luz e as trevas.
26:11 As colunas dos céus tremem e ficam atônitas diante de sua repreensão.
26:12 Com seu poder agitou o mar e com seu entendimento esmagou Raabe.
26:13 Com seu sopro os céus ficaram límpidos;
   sua mão traspassou a serpente fugitiva.
26:14 Vejam, essas são apenas as orlas de seu caminho.
   Que tênue sussurro se ouve dele!
   Mas o trovão de seu poder, quem o compreenderá?”

Capítulo 27
27:1 Jó prosseguiu seu discurso e disse:
27:2 “Tão certo como vive Deus, que me privou de meu direito, e o Todo-Poderoso, que amargou minha alma,
27:3 enquanto houver alento em mim e o sopro de Deus estiver em minhas narinas,
27:4 meus lábios não falarão injustiça, nem minha língua pronunciará engano.
27:5 Longe de mim dar razão a vocês!
   Até que eu morra, não renunciarei à minha integridade.
27:6 Apeguei-me à minha justiça e não a soltarei;
   meu coração não me reprovará por nenhum de meus dias.
27:7 Seja meu inimigo como o ímpio, e quem se levanta contra mim, como o injusto!
27:8 Pois que esperança tem o ímpio quando é ceifado, quando Deus lhe arranca a vida?
27:9 Deus ouvirá seu clamor quando a angústia vier sobre ele?
27:10 Ele se deleitará no Todo-Poderoso?
   Invocará a Deus em todo tempo?
27:11 Ensinarei vocês a respeito da mão de Deus;
   não esconderei o que está com o Todo-Poderoso.
27:12 Vejam, todos vocês viram isso.
   Por que, então, se perdem em tanta vaidade?
27:13 Esta é a porção do homem ímpio diante de Deus, a herança que os violentos recebem do Todo-Poderoso:
27:14 se seus filhos se multiplicarem, serão para a espada, e seus descendentes não se saciarão de pão.
27:15 Os que lhe sobreviverem serão sepultados pela morte, e suas viúvas não chorarão.
27:16 Ainda que amontoe prata como pó e prepare roupas como barro,
27:17 ele as preparará, mas o justo as vestirá, e o inocente repartirá a prata.
27:18 Construiu sua casa como a traça, como uma cabana feita por um vigia.
27:19 Deita-se rico, mas não será recolhido;
   abre os olhos, e já não está.
27:20 Terrores o alcançam como águas;
   de noite uma tempestade o arrebata.
27:21 O vento do leste o leva, e ele se vai;
   varre-o de seu lugar.
27:22 Lança-se contra ele sem compaixão;
   de sua mão ele foge a toda pressa.
27:23 Batem palmas contra ele e o afugentam de seu lugar entre assobios.

Capítulo 28
28:1 Pois há uma mina para a prata e um lugar onde se refina o ouro.
28:2 O ferro é extraído da terra, e da pedra se funde o cobre.
28:3 O homem põe fim às trevas e explora até o último limite as pedras na escuridão e na sombra da morte.
28:4 Escava um poço de mina longe dos lugares habitados;
   esquecidos por quem passa a pé, homens pendem e se balançam longe dos demais.
28:5 Da terra sai o pão, mas, por baixo, ela é revolvida como por fogo.
28:6 Em suas pedras há safiras, e seu pó contém ouro.
28:7 Há uma vereda que a ave de rapina não conhece, nem os olhos do falcão a viram.
28:8 As feras altivas não a pisaram, nem o leão passou por ela.
28:9 O homem estende a mão contra a pederneira e revolve os montes desde a raiz.
28:10 Abre canais nas rochas, e seu olho vê tudo o que é precioso.
28:11 Represa os rios para que não gotejem e traz à luz o que estava escondido.

28:12 Mas onde se encontrará a sabedoria?
   Onde está o lugar do entendimento?
28:13 O ser humano não conhece o valor dela, nem ela se encontra na terra dos vivos.
28:14 O abismo diz: ‘Não está em mim’, e o mar diz: ‘Não está comigo’.
28:15 Não se pode dar ouro fino em troca dela, nem pesar prata para pagar seu preço.
28:16 Não se pode avaliá-la em ouro de Ofir, nem em ônix precioso ou safira.
28:17 O ouro e o vidro não se comparam a ela, nem se pode trocá-la por objetos de ouro puro.
28:18 Coral e cristal nem serão mencionados;
   obter sabedoria vale mais que pérolas.
28:19 O topázio de Cuxe não se compara a ela, nem se pode avaliá-la em ouro puro.

28:20 De onde, então, virá a sabedoria?
   Onde está o lugar do entendimento?
28:21 Está escondida dos olhos de todo ser vivo e oculta às aves do céu.
28:22 O Abadom e a morte dizem: ‘Com nossos ouvidos ouvimos falar dela’.
28:23 Deus entende o caminho dela e conhece o lugar dela,
28:24 pois ele olha até os confins da terra e vê tudo o que há debaixo dos céus.
28:25 Quando deu peso ao vento e dispôs as águas por medida,
28:26 quando estabeleceu uma lei para a chuva e um caminho para o relâmpago dos trovões,
28:27 então a viu e a proclamou;
   estabeleceu-a e também a examinou.
28:28 E disse ao ser humano: ‘Veja, o temor do Senhor é sabedoria, e afastar-se do mal é entendimento.’”

Capítulo 29
29:1 Jó prosseguiu seu discurso e disse:
29:2 “Quem dera eu fosse como nos meses de antes, como nos dias em que Deus me guardava,
29:3 quando sua lâmpada brilhava sobre minha cabeça e, à sua luz, eu caminhava pelas trevas,
29:4 como eu era nos dias de minha plenitude, quando a amizade de Deus estava sobre minha tenda,
29:5 quando o Todo-Poderoso ainda estava comigo e meus meninos me rodeavam,
29:6 quando meus passos se banhavam em coalhada e a rocha derramava para mim ribeiros de azeite!
29:7 Quando eu saía à porta da cidade e preparava meu assento na praça,
29:8 os jovens me viam e se escondiam, e os anciãos se levantavam e permaneciam de pé.
29:9 Os príncipes paravam de falar e punham a mão sobre a boca.
29:10 A voz dos nobres se calava, e a língua deles se pegava ao paladar.
29:11 Pois o ouvido que me escutava me chamava feliz, e o olho que me via testemunhava em meu favor,
29:12 porque eu livrava o pobre que clamava por socorro e o órfão que não tinha quem o ajudasse.
29:13 A bênção de quem estava para perecer vinha sobre mim, e eu fazia cantar de alegria o coração da viúva.
29:14 Vestia-me de justiça, e ela me vestia;
   meu juízo era como um manto e um turbante.
29:15 Eu era olhos para o cego e pés para o coxo.
29:16 Era pai para os necessitados e investigava a causa que não conhecia.
29:17 Quebrava as mandíbulas do injusto e lhe arrancava a presa dos dentes.
29:18 Eu dizia: ‘Morrerei em meu ninho e multiplicarei meus dias como a areia.
29:19 Minha raiz se estende até as águas, e o orvalho passa a noite em meus ramos.
29:20 Minha honra se renova em mim, e meu arco se fortalece em minha mão’.
29:21 Eles me ouviam e esperavam;
   ficavam em silêncio diante de meu conselho.
29:22 Depois que eu falava, não replicavam;
   minha palavra gotejava sobre eles.
29:23 Esperavam por mim como pela chuva;
   abriam a boca como para receber a chuva tardia.
29:24 Eu lhes sorria, e não acreditavam;
   não faziam decair a luz de meu rosto.
29:25 Eu escolhia o caminho para eles e me sentava como chefe;
   vivia como um rei entre suas tropas, como quem consola os enlutados.

Capítulo 30
30:1 Mas agora zombam de mim os que são mais jovens que eu, cujos pais eu desdenhava pôr com os cães de meu rebanho.
30:2 De que me serviria a força de suas mãos?
   Seu vigor se havia esgotado.
30:3 Definhados pela miséria e pela fome, roíam a terra seca, na escuridão de lugares devastados e desertos.
30:4 Colhiam plantas salgadas junto aos arbustos, e raízes de retama eram seu alimento.
30:5 Eram expulsos da comunidade;
   gritava-se contra eles como contra um ladrão.
30:6 Moravam nos barrancos dos vales, nos buracos da terra e das rochas.
30:7 Zurravam entre os arbustos e se amontoavam debaixo das urtigas.
30:8 Filhos de insensatos, filhos também de gente sem nome, eram enxotados da terra a golpes.
30:9 E agora me tornei a canção deles;
   sou para eles um provérbio.
30:10 Eles me abominam e se afastam de mim;
   não se abstêm de cuspir em meu rosto.
30:11 Pois ele soltou sua corda e me humilhou;
   eles largaram o freio diante de mim.
30:12 À minha direita se levanta a turba;
   empurra meus pés e constrói contra mim caminhos de destruição.
30:13 Destroem minha vereda e contribuem para minha ruína;
   não há quem os ajude.
30:14 Vêm como por uma grande brecha e se precipitam em meio à devastação.
30:15 Terrores se voltam contra mim;
   perseguem minha honra como o vento, e meu bem-estar passa como uma nuvem.
30:16 E agora minha alma se derrama em mim;
   os dias de aflição se apoderam de mim.
30:17 De noite, meus ossos são perfurados, e as dores que me roem não descansam.
30:18 Com grande força minha roupa se deforma e me aperta como a gola de minha túnica.
30:19 Ele me lançou na lama, e fiquei como pó e cinza.
30:20 Clamo a ti, e não me respondes;
   estou de pé, e tu me observas.
30:21 Tornaste-te cruel comigo;
   com a força de tua mão me tratas com ódio.
30:22 Levantas-me sobre o vento, fazes-me cavalgar nele e me dissolves na tempestade.
30:23 Pois sei que me levarás à morte, à casa destinada a todo ser vivo.
30:24 Contudo, não estende a mão quem está arruinado?
   Não clama por socorro em sua desgraça?
30:25 Não chorei por quem passava dias difíceis?
   Minha alma não se entristeceu pelo necessitado?
30:26 Eu esperava o bem, mas veio o mal;
   aguardava a luz, mas veio a escuridão.
30:27 Minhas entranhas fervem e não sossegam;
   os dias de aflição me saem ao encontro.
30:28 Ando enegrecido, mas não pelo sol;
   levanto-me na assembleia e clamo por socorro.
30:29 Tornei-me irmão dos chacais e companheiro dos avestruzes.
30:30 Minha pele enegrece sobre mim, e meus ossos ardem de calor.
30:31 Minha lira se transformou em luto, e minha flauta, na voz dos que choram.

Capítulo 31
31:1 Fiz um pacto com meus olhos;
   como, então, fixaria a atenção numa virgem?
31:2 Pois qual é a porção vinda de Deus, lá do alto, e a herança do Todo-Poderoso, das alturas?
31:3 Não é a calamidade para o injusto e o desastre para os que praticam o mal?
31:4 Não é ele quem vê meus caminhos e conta todos os meus passos?
31:5 Se andei com falsidade e meu pé se apressou para o engano,
31:6 que me pese em balanças justas, e Deus conhecerá minha integridade.
31:7 Se meu passo se desviou do caminho, meu coração seguiu meus olhos e uma mancha se apegou às minhas mãos,

31:8 que eu semeie e outro coma, e que meus rebentos sejam arrancados pela raiz.
31:9 Se meu coração se deixou seduzir por uma mulher e fiquei à espreita à porta de meu próximo,
31:10 que minha mulher moa para outro e outros se encurvem sobre ela.
31:11 Pois isso é uma infâmia e uma culpa a ser julgada pelos juízes.
31:12 É um fogo que consome até o Abadom e arrancaria pela raiz toda a minha colheita.
31:13 Se desprezei o direito de meu servo e de minha serva quando tinham uma queixa contra mim,
31:14 que farei quando Deus se levantar?
   Quando pedir contas, que lhe responderei?
31:15 Quem me fez no ventre não o fez também?
   Não foi o mesmo quem nos formou no ventre materno?
31:16 Se neguei aos pobres o que desejavam e fiz desfalecer os olhos da viúva;
31:17 se comi meu bocado sozinho, sem que o órfão comesse dele
31:18 (pois desde minha juventude ele cresceu comigo como com um pai, e desde o ventre de minha mãe fui guia da viúva);
31:19 se vi alguém perecer por falta de roupa e o necessitado sem coberta;
31:20 se seus lombos não me abençoaram quando ele se aquecia com a lã de minhas ovelhas;
31:21 se levantei minha mão contra o órfão porque via meu apoio na porta da cidade,
31:22 que meu ombro se desprenda das costas e meu braço se quebre na articulação!
31:23 Pois a calamidade de Deus era um terror para mim, e eu não podia resistir à sua majestade.
31:24 Se fiz do ouro minha confiança e disse ao ouro fino: ‘Você é minha segurança’;
31:25 se me alegrei porque minha riqueza era grande e minha mão tinha conseguido muito;
31:26 se, ao ver o sol brilhando e a lua caminhando em seu esplendor,
31:27 meu coração se deixou seduzir em segredo e minha mão beijou minha boca,
31:28 também isso seria uma culpa a ser julgada pelos juízes, pois eu teria negado o Deus do alto.
31:29 Acaso me alegrei com a desgraça de quem me odiava e exultei quando o mal o atingiu?
31:30 Não deixei minha boca pecar, pedindo sua morte com uma maldição.
31:31 Não diziam os homens de minha tenda: ‘Quem não se saciou da carne que ele dava?’
31:32 O estrangeiro não passava a noite na rua;
   eu abria minhas portas ao viajante.
31:33 Se, como os homens, encobri minhas transgressões, ocultando minha culpa no peito,
31:34 porque eu temia a grande multidão e o desprezo das famílias me aterrorizava, de modo que me calava e não saía à porta...
31:35 Quem dera eu tivesse quem me ouvisse!
   Aqui está minha assinatura;
   que o Todo-Poderoso me responda!
   Quem dera eu tivesse a acusação escrita por meu adversário!
31:36 Certamente eu a levaria sobre meu ombro e a ataria a mim como coroas.
31:37 Eu lhe declararia o número dos meus passos;
   como um príncipe me aproximaria dele.
31:38 Se minha terra clama contra mim e seus sulcos choram juntos;
31:39 se comi seus frutos sem pagar e fiz seus donos perderem a vida,
31:40 que em lugar de trigo nasçam espinhos, e em lugar de cevada, erva fétida!”
   Terminaram as palavras de Jó.

Capítulo 32
32:1 Aqueles três homens deixaram de responder a Jó, porque ele era justo aos próprios olhos.
32:2 Então se acendeu a ira de Eliú, filho de Baraquel, o buzita, da família de Rão. Sua ira se acendeu contra Jó, porque justificava a si mesmo mais do que a Deus.
32:3 Sua ira também se acendeu contra os três amigos de Jó, porque não haviam encontrado uma resposta e, mesmo assim, condenaram Jó.
32:4 Eliú esperara para falar a Jó, pois eles tinham mais idade que ele.
32:5 Quando Eliú viu que não havia resposta na boca dos três homens, sua ira se acendeu.

32:6 Então Eliú, filho de Baraquel, o buzita, respondeu:
 “Eu sou jovem, e vocês são idosos;
   por isso me retraí e temi expor a vocês minha opinião.
32:7 Eu dizia: ‘Que os dias falem, e a multidão dos anos ensine sabedoria.’
32:8 Contudo, é o espírito no ser humano, o sopro do Todo-Poderoso, que lhe dá entendimento.
32:9 Não são os de muita idade que são sábios, nem os anciãos que entendem o que é justo.
32:10 Por isso digo: escute-me;
   eu também exporei minha opinião.
32:11 Vejam, esperei pelas palavras de vocês;
   dei ouvidos aos seus raciocínios, enquanto procuravam o que dizer.
32:12 Prestei atenção a vocês, mas nenhum de vocês refutou Jó nem respondeu às palavras dele.
32:13 Não digam: ‘Encontramos a sabedoria;
   Deus o derrotará, e não um homem.’
32:14 Ele não dirigiu suas palavras contra mim, e não lhe responderei com os argumentos de vocês.
32:15 Eles estão atônitos, não respondem mais;
   faltam-lhes palavras.
32:16 Devo esperar, já que não falam, pois pararam e não respondem mais?
32:17 Também eu responderei por minha parte;
   também eu exporei minha opinião.
32:18 Pois estou cheio de palavras;
   o espírito em meu interior me impele.
32:19 Vejam, meu ventre é como vinho sem respiradouro, como odres novos prestes a arrebentar.
32:20 Falarei e terei alívio;
   abrirei meus lábios e responderei.
32:21 Que eu não mostre parcialidade por ninguém nem adule homem algum.
32:22 Pois não sei adular;
   em breve meu Criador me levaria.

Capítulo 33
33:1 Agora, porém, Jó, escute minhas palavras e dê ouvidos a tudo o que digo.
33:2 Veja, abri minha boca;
   minha língua fala em meu paladar.
33:3 Minhas palavras vêm da retidão de meu coração;
   meus lábios dizem com sinceridade o que sabem.
33:4 O espírito de Deus me fez, e o sopro do Todo-Poderoso me dá vida.
33:5 Se puder, responda-me;
   ordene seus argumentos diante de mim e ponha-se de pé.
33:6 Veja, diante de Deus sou como você;
   eu também fui formado do barro.
33:7 Veja, o terror que eu inspiro não o apavorará, nem minha pressão pesará sobre você.
33:8 De fato, você falou aos meus ouvidos, e eu ouvi o som destas palavras:
33:9 ‘Sou puro, sem transgressão;
   estou limpo e não tenho culpa.
33:10 Veja, ele encontra pretextos contra mim e me considera seu inimigo.
33:11 Põe meus pés no tronco e vigia todos os meus caminhos’.
33:12 Veja, respondo a você: nisto você não tem razão, pois Deus é maior que o mortal.
33:13 Por que você discute com ele por não prestar contas de nenhum de seus assuntos?
33:14 Pois Deus fala uma e duas vezes, mas o ser humano não percebe.
33:15 Em sonho, em visão da noite, quando o sono profundo cai sobre os homens, quando dormitam em suas camas,
33:16 então ele abre os ouvidos dos homens e sela neles sua instrução,
33:17 para afastar o ser humano de seu proceder e manter a soberba longe do homem.
33:18 Assim preserva sua alma da cova e sua vida de passar pela espada.
33:19 Também é corrigido com dor em sua cama e com uma luta incessante em seus ossos,
33:20 de modo que sua vida detesta o pão e sua alma, a comida desejável.
33:21 Sua carne se consome até desaparecer da vista, e seus ossos, que não se viam, ficam expostos.
33:22 Sua alma se aproxima da cova, e sua vida, dos que causam a morte.
33:23 Se houver junto dele um mensageiro, um intérprete, um entre mil, para declarar ao homem o que é reto para ele,
33:24 então terá compaixão dele e dirá: ‘Livre-o de descer à cova;
   encontrei um resgate’.
33:25 Sua carne se tornará mais tenra que na juventude;
   voltará aos dias de seu vigor juvenil.
33:26 Orará a Deus, e ele o aceitará;
   verá seu rosto com júbilo, e Deus devolverá ao ser humano sua justiça.
33:27 Cantará diante dos homens e dirá: ‘Pequei e perverti o que era reto, e isso de nada me valeu.
33:28 Ele resgatou minha alma de ir para a cova, e minha vida verá a luz’.
33:29 Veja, tudo isso Deus faz duas e três vezes com o homem,
33:30 para fazer sua alma voltar da cova e iluminá-lo com a luz dos vivos.
33:31 Preste atenção, Jó, escute-me;
   cale-se, e eu falarei.
33:32 Se tiver palavras, responda-me;
   fale, pois desejo lhe dar razão.
33:33 Se não tiver, escute-me;
   cale-se, e eu lhe ensinarei sabedoria.”

Capítulo 34
34:1 Eliú prosseguiu e disse:
34:2 “Escutem minhas palavras, sábios;
   deem-me ouvidos, vocês que têm conhecimento.
34:3 Pois o ouvido examina as palavras, e o paladar prova a comida.
34:4 Escolhamos para nós o que é justo;
   reconheçamos entre nós o que é bom.
34:5 Pois Jó disse: ‘Sou justo, e Deus me tirou meu direito.
34:6 Hei de mentir contra meu direito?
   Minha ferida de flecha é incurável, embora eu não tenha cometido transgressão’.
34:7 Que homem há como Jó, que bebe zombaria como água,
34:8 anda em companhia dos que praticam o mal e caminha com homens ímpios?
34:9 Pois ele disse: ‘De nada serve ao homem se deleitar em Deus.’
34:10 Por isso, homens de entendimento, escutem-me: longe de Deus a maldade, e do Todo-Poderoso a injustiça!
34:11 Pois ele retribui ao ser humano conforme suas obras e faz cada um receber segundo seu caminho.
34:12 Sim, é certo: Deus não pratica o mal, e o Todo-Poderoso não perverte o juízo.
34:13 Quem lhe confiou a terra?
   E quem dispôs o mundo inteiro?
34:14 Se ele voltasse o coração para si mesmo e recolhesse para si seu espírito e seu sopro,
34:15 toda carne expiraria junta, e o ser humano voltaria ao pó.
34:16 Se você tem entendimento, escute isto;
   dê ouvidos ao som de minhas palavras.
34:17 Pode governar quem odeia o direito?
   Você condenará aquele que é justo e poderoso?
34:18 Dirá alguém a um rei: ‘Infame!’, e aos nobres: ‘Ímpios!’?
34:19 Ele não mostra parcialidade para com os príncipes nem favorece o rico em detrimento do pobre, pois todos são obra de suas mãos.
34:20 Num instante morrem;
   à meia-noite, o povo é abalado e passa.
   O poderoso é removido sem mão humana.
34:21 Pois seus olhos estão sobre os caminhos do homem, e ele vê todos os seus passos.
34:22 Não há trevas nem sombra da morte onde os que praticam o mal possam se esconder.
34:23 Ele não precisa examinar o homem de novo para que compareça diante de Deus em juízo.
34:24 Quebra os poderosos sem investigação e põe outros em seu lugar.
34:25 Por isso conhece suas obras;
   de noite os derruba, e são esmagados.
34:26 Ele os golpeia como ímpios, à vista dos que observam,
34:27 porque se desviaram de segui-lo e não prestaram atenção a nenhum de seus caminhos,
34:28 fazendo chegar a ele o clamor do pobre, e ele ouve o clamor dos aflitos.
34:29 Se ele guardar silêncio, quem o condenará?
   Se esconder o rosto, quem poderá vê-lo?
   Isso vale tanto para uma nação como para um homem,
34:30 para que não reine um homem ímpio e não haja laços para o povo.
34:31 Acaso alguém disse a Deus: ‘Sofri;
   não farei o mal.
34:32 O que não vejo, ensina-me tu;
   se cometi injustiça, não voltarei a praticá-la’?
34:33 Deve ele retribuir segundo o seu parecer, porque você rejeitou?
   Cabe a você escolher, e não a mim;
   diga o que sabe.
34:34 Os homens de entendimento me dirão, assim como o sábio que me ouve:
34:35 ‘Jó fala sem conhecimento, e suas palavras são sem discernimento.’
34:36 Quem dera Jó fosse provado até o fim, por respostas como as dos homens que praticam o mal!
34:37 Pois ele acrescenta rebeldia a seu pecado;
   bate palmas entre nós e multiplica suas palavras contra Deus.”

Capítulo 35
35:1 Eliú prosseguiu e disse:
35:2 “Você acha justo dizer: ‘Minha justiça é maior que a de Deus’?
35:3 Pois você diz: ‘De que lhe serve?
   Que proveito tenho a mais do que com meu pecado?’
35:4 Eu darei resposta a você e a seus amigos que estão com você.
35:5 Olhe para os céus e veja;
   contemple as nuvens, mais altas que você.
35:6 Se você pecar, que fará contra ele?
   Se suas transgressões se multiplicarem, que lhe fará?
35:7 Se você for justo, que lhe dará?
   Ou o que ele receberá de sua mão?
35:8 Sua maldade atinge um homem como você, e sua justiça, outro ser humano.
35:9 Por causa das muitas opressões eles clamam;
   pedem socorro contra o braço dos poderosos.
35:10 Mas ninguém diz: ‘Onde está Deus, meu Criador, que dá cânticos na noite,
35:11 que nos ensina mais que aos animais da terra e nos faz mais sábios que as aves do céu?’
35:12 Ali clamam, mas ele não responde, por causa da arrogância dos maus.
35:13 Certamente Deus não ouve o que é vazio, e o Todo-Poderoso não lhe presta atenção.
35:14 Quanto menos quando você diz que não o vê!
   A causa está diante dele;
   espere por ele.
35:15 E agora, porque sua ira não castigou e não tomou muito em conta a insolência,
35:16 Jó abre a boca com palavras vazias e multiplica palavras sem conhecimento.”

Capítulo 36
36:1 Eliú prosseguiu e disse:
36:2 “Tenha um pouco de paciência comigo, e eu lhe mostrarei, pois ainda tenho palavras em favor de Deus.
36:3 Trarei meu conhecimento de longe e atribuirei justiça a meu Criador.
36:4 Pois, de fato, minhas palavras não são falsas;
   está com você alguém de conhecimento completo.
36:5 Veja, Deus é poderoso e não despreza ninguém;
   é poderoso na força de seu entendimento.
36:6 Não mantém o ímpio com vida, mas faz justiça aos aflitos.
36:7 Não retira seus olhos dos justos;
   com reis, no trono, os assenta para sempre, e são exaltados.
36:8 Se estiverem presos em grilhões, capturados por cordas de aflição,
36:9 ele lhes revela suas obras e suas transgressões, porque se exaltaram.
36:10 Abre seus ouvidos à correção e lhes diz que se afastem do mal.
36:11 Se ouvirem e o servirem, terminarão seus dias em bem-estar e seus anos em alegria.
36:12 Mas, se não ouvirem, passarão pela espada e expirarão sem conhecimento.
36:13 Os ímpios de coração acumulam ira;
   não clamam por socorro quando ele os prende.
36:14 Sua alma morre na juventude, e sua vida termina entre os prostitutos dos santuários.
36:15 Ele livra o aflito por meio de sua aflição e abre seus ouvidos por meio da opressão.
36:16 Também atrai você para fora das fauces da angústia, para um lugar amplo, sem aperto, e o que é posto em sua mesa está cheio de gordura.
36:17 Mas você está cheio do juízo do ímpio;
   juízo e justiça o seguram.
36:18 Cuidado para que o furor não o leve à zombaria e para que um grande resgate não o desvie.
36:19 Poderão seu clamor e todos os esforços de sua força livrá-lo da angústia?
36:20 Não anseie pela noite, quando os povos são arrancados de seu lugar.
36:21 Tenha cuidado, não se volte para o mal, pois o preferiu à aflição.
36:22 Veja, Deus é excelso em seu poder.
   Quem é mestre como ele?
36:23 Quem lhe determinou seu caminho?
   E quem lhe disse: ‘Praticaste injustiça’?
36:24 Lembre-se de engrandecer sua obra, que os homens têm celebrado em cânticos.
36:25 Todos os homens a viram;
   o mortal a contempla de longe.
36:26 Veja, Deus é grande e não o compreendemos;
   o número de seus anos é insondável.
36:27 Pois atrai as gotas de água, que destilam chuva de seu vapor.
36:28 As nuvens a derramam e a fazem gotejar sobre os homens em abundância.
36:29 Pode alguém entender como se estendem as nuvens e os estrondos de sua tenda?
36:30 Veja, ele estende sua luz ao redor de si e cobre as raízes do mar.
36:31 Pois por esses meios julga os povos e dá alimento em abundância.
36:32 Com as mãos encobre o relâmpago e lhe ordena que atinja o alvo.
36:33 Seu trovão o anuncia;
   o gado também anuncia o que se aproxima.

Capítulo 37
37:1 Diante disso, também meu coração treme e salta de seu lugar.
37:2 Escutem com atenção o estrondo de sua voz e o som que sai de sua boca.
37:3 Ele o solta debaixo de todos os céus, e seu relâmpago chega aos confins da terra.
37:4 Depois dele ruge uma voz;
   troveja com sua voz majestosa e não retém os relâmpagos quando sua voz é ouvida.
37:5 Deus troveja maravilhosamente com sua voz;
   faz grandes coisas que não compreendemos.
37:6 Pois diz à neve: ‘Caia sobre a terra’;
   e assim também ao aguaceiro, às suas chuvas fortes.
37:7 Sela a mão de todo homem, para que todos os homens reconheçam sua obra.
37:8 As feras entram em seus esconderijos e ficam em suas tocas.
37:9 Da câmara vem a tempestade, e dos ventos do norte, o frio.
37:10 Pelo sopro de Deus se forma o gelo, e a vastidão das águas se torna sólida.
37:11 Também carrega a nuvem de umidade e espalha a nuvem de seu relâmpago.
37:12 Ela gira e dá voltas sob sua direção, para fazer tudo o que ele lhe ordena sobre a face do mundo.
37:13 Seja para castigo, seja para sua terra, seja por amor leal, ele a faz chegar.
37:14 Escute isto, Jó;
   pare e considere as maravilhas de Deus.
37:15 Você sabe como Deus as dirige e faz brilhar o relâmpago de sua nuvem?
37:16 Você sabe como as nuvens se equilibram, as maravilhas daquele que é perfeito em conhecimento?
37:17 Você, cujas roupas ficam quentes quando a terra se aquieta sob o vento do sul,
37:18 pode com ele estender os céus, firmes como um espelho de metal fundido?
37:19 Mostre-nos o que lhe devemos dizer;
   por causa das trevas, não podemos ordenar nossos argumentos.
37:20 Será que lhe dirão que quero falar?
   Pediria um homem para ser engolido?
37:21 Agora não se pode olhar a luz que resplandece nos céus, depois que o vento passou e os limpou.
37:22 Do norte vem um resplendor de ouro;
   sobre Deus há temível majestade.
37:23 Ao Todo-Poderoso não podemos alcançar;
   é grande em poder, em juízo e em abundante justiça;
   não oprime.
37:24 Por isso os homens o temem;
   ele não mostra consideração pelos sábios de coração.”

Capítulo 38
38:1 Então o SENHOR respondeu a Jó do meio da tempestade e disse:
38:2 “Quem é este que escurece o conselho com palavras sem conhecimento?
38:3 Cinja a cintura como um homem;
   eu lhe perguntarei, e você me instruirá.
38:4 Onde você estava quando lancei os alicerces da terra?
   Diga-me, se tem entendimento.
38:5 Quem determinou suas medidas?
   Certamente você sabe!
   Ou quem estendeu sobre ela o cordel?
38:6 Sobre o que foram assentadas suas bases?
   Ou quem lançou sua pedra angular,
38:7 quando as estrelas da manhã cantavam juntas e todos os filhos de Deus gritavam de alegria?
38:8 Ou quem fechou o mar com portas quando ele irrompeu, saindo do ventre,
38:9 quando lhe pus a nuvem por roupa e a densa escuridão por fraldas,
38:10 quando lhe tracei meu limite e pus ferrolho e portas,
38:11 e disse: ‘Até aqui você virá e não passará adiante;
   aqui se deterá o orgulho de suas ondas’?
38:12 Desde o início de seus dias, você já deu ordens à manhã e mostrou à aurora seu lugar,
38:13 para que ela agarre os confins da terra e os ímpios sejam sacudidos dela?
38:14 A terra se transforma como barro sob o selo e se apresenta como uma veste.
38:15 Dos ímpios é retirada sua luz, e o braço erguido é quebrado.
38:16 Você chegou às fontes do mar ou caminhou pelas profundezas do abismo?
38:17 As portas da morte lhe foram reveladas?
   Você viu as portas da sombra da morte?
38:18 Você compreendeu a vastidão da terra?
   Diga-me, se a conhece toda.
38:19 Onde está o caminho da morada da luz?
   E as trevas, onde têm seu lugar,
38:20 para que você as leve ao seu território e conheça as veredas de sua casa?
38:21 Você sabe, pois já tinha nascido, e o número de seus dias é grande!
38:22 Você entrou nos depósitos da neve ou viu os depósitos do granizo,
38:23 que reservei para o tempo de angústia, para o dia de batalha e de guerra?
38:24 Por que caminho a luz se reparte e o vento do leste se espalha sobre a terra?
38:25 Quem abriu um canal para a enxurrada e um caminho para o relâmpago dos trovões,
38:26 para fazer chover sobre uma terra sem gente, sobre um deserto onde não há ser humano,
38:27 para saciar a terra desolada e deserta e fazer brotar a relva?
38:28 A chuva tem pai?
   Ou quem gerou as gotas de orvalho?
38:29 De que ventre saiu o gelo?
   E quem deu à luz a geada do céu?
38:30 As águas se endurecem como pedra, e a superfície do abismo se torna compacta.
38:31 Você pode atar os laços das Plêiades ou soltar as cordas de Órion?
38:32 Pode fazer sair as constelações a seu tempo ou guiar a Ursa com suas crias?
38:33 Você conhece as leis dos céus ou pode estabelecer seu domínio na terra?
38:34 Pode erguer sua voz às nuvens, para que a abundância de águas o cubra?
38:35 Pode enviar os relâmpagos para que saiam e lhe digam: ‘Aqui estamos’?
38:36 Quem pôs sabedoria no íntimo?
   Ou quem deu entendimento à mente?
38:37 Quem conta as nuvens com sabedoria?
   Ou quem inclina os odres do céu,
38:38 quando o pó se funde numa massa e os torrões se pegam uns aos outros?
38:39 Você caça a presa para a leoa ou sacia a fome dos leõezinhos,
38:40 quando se agacham em suas tocas e ficam à espreita no abrigo?
38:41 Quem prepara o alimento do corvo quando seus filhotes clamam a Deus e vagueiam por falta de comida?

Capítulo 39
39:1 Você sabe o tempo em que as cabras monteses dão à luz?
   Observa o parto das cervas?
39:2 Conta os meses que elas completam e sabe o tempo de seu parto?
39:3 Elas se agacham, dão à luz seus filhotes e se livram das dores do parto.
39:4 Seus filhotes se fortalecem e crescem em campo aberto;
   saem e não voltam para elas.
39:5 Quem deixou livre o jumento selvagem?
   Ou quem soltou as amarras do asno da estepe,
39:6 a quem dei o deserto por casa e a terra salgada por morada?
39:7 Ele ri do tumulto da cidade e não ouve os gritos do condutor.
39:8 Percorre as montanhas em busca de pasto e procura tudo o que é verde.
39:9 O touro selvagem desejará servir você?
   Passará a noite junto de sua manjedoura?
39:10 Você pode prender o touro selvagem ao sulco com sua corda?
   Ele gradeará os vales atrás de você?
39:11 Confiará nele por ser grande sua força?
   Deixará seu trabalho a cargo dele?
39:12 Confiará nele para que seu grão volte e ele reúna a colheita de sua eira?
39:13 A asa da avestruz bate alegremente;
   mas são suas asas e sua plumagem como as da cegonha?
39:14 Pois deixa seus ovos na terra e os aquece sobre o pó.
39:15 Esquece que um pé pode esmagá-los e uma fera do campo pode pisoteá-los.
39:16 Trata com dureza seus filhotes, como se não fossem seus;
   não teme que seu trabalho seja em vão.
39:17 Pois Deus a privou de sabedoria e não lhe deu parte no entendimento.
39:18 Mas, quando se ergue bem alto, ri do cavalo e de seu cavaleiro.
39:19 Você dá força ao cavalo ou reveste seu pescoço de crinas?
39:20 Faz que ele salte como o gafanhoto?
   Seu resfolegar majestoso é aterrador.
39:21 Escarva no vale e se alegra em sua força;
   sai ao encontro das armas.
39:22 Ri do medo e não se apavora;
   não recua diante da espada.
39:23 Sobre ele ressoa a aljava;
   reluzem a lâmina da lança e a javelina.
39:24 Com ímpeto e furor devora a terra;
   não se contém ao som do chifre.
39:25 A cada toque do chifre diz: ‘Ah!’ De longe fareja a guerra, o estrondo dos chefes e o grito de combate.
39:26 É por seu entendimento que o gavião voa e estende sua asa para o sul?
39:27 É por sua ordem que a águia se eleva e põe seu ninho no alto?
39:28 Mora e passa a noite na rocha, no dente do rochedo, sua fortaleza.
39:29 Dali procura alimento;
   seus olhos o avistam de longe.
39:30 Seus filhotes sugam sangue;
   onde há mortos, ali ela está.”

Capítulo 40
40:1 O SENHOR respondeu a Jó e disse:
40:2 “Quem censura contenderá com o Todo-Poderoso?
   Quem repreende a Deus, que responda a isto!”
40:3 Então Jó respondeu ao SENHOR e disse:
40:4 “Eis que sou insignificante;
   que te responderei?
   Ponho minha mão sobre a boca.
40:5 Falei uma vez e não responderei;
   duas vezes, e não acrescentarei mais nada.”
40:6 O SENHOR respondeu a Jó do meio da tempestade e disse:
40:7 “Cinja a cintura como um homem;
   eu lhe perguntarei, e você me instruirá.
40:8 Você invalidará meu juízo?
   Vai me condenar para se declarar justo?
40:9 Você tem um braço como o de Deus?
   Troveja com uma voz como a dele?
40:10 Adorne-se de majestade e grandeza;
   vista-se de glória e esplendor.
40:11 Derrame os furores de sua ira;
   olhe para todo soberbo e humilhe-o.
40:12 Olhe para todo soberbo e abata-o;
   esmague os ímpios onde estão.
40:13 Esconda-os juntos no pó;
   prenda-lhes os rostos no lugar oculto.
40:14 Então também eu reconhecerei que sua mão direita pode salvar você.
40:15 Veja o Beemote, que criei assim como criei você;
   come capim como o boi.
40:16 Veja sua força nos lombos e seu vigor nos músculos do ventre.
40:17 Enrijece sua cauda como um cedro;
   os tendões de sua coxa estão entrelaçados.
40:18 Seus ossos são tubos de bronze;
   sua ossada, como barras de ferro.
40:19 Ele é o primeiro entre as obras de Deus;
   seu Criador pode aproximar dele sua espada.
40:20 Pois os montes lhe produzem alimento, e ali brincam todas as feras do campo.
40:21 Deita-se sob as árvores de lótus, no abrigo dos juncos e do pântano.
40:22 As árvores de lótus o cobrem com sua sombra;
   os salgueiros do ribeiro o cercam.
40:23 Veja, mesmo que o rio avance com violência, ele não se apavora;
   fica confiante, ainda que o Jordão se precipite contra sua boca.
40:24 Pode alguém capturá-lo enquanto ele olha ou furar seu nariz com laços?

Capítulo 41
41:1 Você pode puxar o Leviatã com um anzol ou prender sua língua com uma corda?
41:2 Pode pôr uma corda de junco em seu nariz ou perfurar sua mandíbula com um gancho?
41:3 Ele fará muitas súplicas a você?
   Falará suavemente com você?
41:4 Fará um pacto com você, para que o tome por servo para sempre?
41:5 Você brincará com ele como com um pássaro?
   Ou o amarrará para suas meninas?
41:6 Os sócios negociarão por ele?
   Irão reparti-lo entre os mercadores?
41:7 Você encherá sua pele de arpões e sua cabeça de lanças de pesca?
41:8 Ponha sua mão sobre ele;
   lembre-se da batalha e não torne a fazê-lo.
41:9 Veja, a esperança de capturá-lo é falsa;
   não será alguém derrubado só de vê-lo?
41:10 Ninguém é tão feroz que o desperte.
   Quem, então, poderá se manter de pé diante de mim?
41:11 Quem me deu primeiro para que eu lhe retribua?
   Tudo o que há debaixo de todos os céus é meu.
41:12 Não me calarei sobre seus membros, sobre sua grande força e a graça de sua forma.
41:13 Quem pode descobrir a superfície de sua veste?
   Quem entrará entre seu freio duplo?
41:14 Quem abre as portas de seu rosto?
   Ao redor de seus dentes há terror.
41:15 Seu orgulho são fileiras de escudos, fechadas com um selo apertado.
41:16 Um se junta ao outro, e o ar não passa entre eles.
41:17 Estão colados uns aos outros;
   prendem-se e não se separam.
41:18 Seus espirros lançam clarões de luz, e seus olhos são como as pálpebras da aurora.
41:19 De sua boca saem tochas, e escapam faíscas de fogo.
41:20 De suas narinas sai fumaça, como de uma panela atiçada com juncos.
41:21 Seu hálito incendeia carvões, e de sua boca sai uma chama.
41:22 Em seu pescoço mora a força, e diante dele salta o desespero.
41:23 As dobras de sua carne estão unidas, firmes sobre ele, sem se mover.
41:24 Seu coração é duro como pedra, duro como a pedra inferior do moinho.
41:25 Ao se levantar, os poderosos se amedrontam;
   diante de seus abalos, purificam-se.
41:26 A espada que o atinge não resiste, nem a lança, o dardo ou a couraça.
41:27 Considera o ferro como palha e o bronze como madeira podre.
41:28 A flecha não o faz fugir;
   as pedras de funda se tornam para ele restolho.
41:29 Os porretes são considerados como palha, e ele ri do brandir da javelina.
41:30 Por baixo tem pontas como cacos de cerâmica;
   estende-se sobre a lama como um trilho de debulhar.
41:31 Faz ferver as profundezas como uma panela;
   torna o mar como uma vasilha de unguento.
41:32 Atrás dele brilha uma vereda;
   parece que o abismo tem cabelos brancos.
41:33 Sobre o pó não há quem se compare a ele, criatura feita sem temor.
41:34 Vê tudo o que é altivo;
   é rei sobre todos os filhos do orgulho.”

Capítulo 42
42:1 Então Jó respondeu ao SENHOR e disse:
42:2 “Tu sabes que tudo podes e que nenhum de teus propósitos pode ser impedido.
42:3 ‘Quem é este que oculta o conselho sem conhecimento?’ Por isso falei do que não entendia, de coisas maravilhosas demais para mim, que eu não conhecia.
42:4 ‘Escute, e eu falarei;
   eu lhe perguntarei, e você me instruirá.’
42:5 Eu te ouvira pelo ouvir dos ouvidos, mas agora meus olhos te viram.
42:6 Por isso me retrato e me arrependo no pó e na cinza.”
42:7 Depois que o SENHOR disse essas palavras a Jó, o SENHOR disse a Elifaz, o temanita: “Minha ira se acendeu contra você e contra seus dois amigos, porque vocês não falaram a meu respeito o que é reto, como meu servo Jó.
42:8 Agora tomem sete touros e sete carneiros, vão a meu servo Jó e ofereçam um holocausto por vocês. Meu servo Jó orará por vocês; pois a ele aceitarei, para não tratá-los conforme sua insensatez, porque vocês não falaram a meu respeito o que é reto, como meu servo Jó.”
42:9 Elifaz, o temanita, Bildade, o suíta, e Zofar, o naamatita, foram e fizeram conforme o SENHOR lhes havia dito, e o SENHOR aceitou Jó.
42:10 O SENHOR restaurou o bem-estar de Jó quando ele orou por seus amigos, e o SENHOR lhe deu o dobro de tudo o que tinha antes.
42:11 Vieram até ele todos os seus irmãos, todas as suas irmãs e todos os seus antigos conhecidos, e comeram pão com ele em sua casa. Compartilharam sua dor e o consolaram por toda a desgraça que o SENHOR havia trazido sobre ele. Cada um lhe deu uma quesita e uma argola de ouro.
42:12 O SENHOR abençoou os últimos dias de Jó mais que os primeiros. Ele teve um rebanho de catorze mil ovelhas e cabras, seis mil camelos, mil juntas de bois e mil jumentas.
42:13 Também teve sete filhos e três filhas.
42:14 Deu à primeira o nome de Jemima, à segunda o de Quézia e à terceira o de Quéren-Hapuque.
42:15 Em toda a terra não se encontravam mulheres tão belas como as filhas de Jó. Seu pai lhes deu herança entre os irmãos delas.
42:16 Depois disso, Jó viveu cento e quarenta anos e viu seus filhos e os filhos de seus filhos, quatro gerações.
42:17 Jó morreu idoso e cheio de dias.

SALMOS

Capítulo 1
1:1 Bem-aventurado o homem que não segue o conselho dos ímpios, não se detém no caminho dos pecadores nem se assenta na roda dos zombadores,
1:2 mas tem prazer na lei do SENHOR e nela medita dia e noite.
1:3 Ele é como árvore plantada junto a correntes de água, que dá seu fruto no tempo certo e cuja folhagem não murcha.
   Tudo o que ele faz prospera.
1:4 Os ímpios não são assim;
   são como a palha que o vento dispersa.
1:5 Por isso, os ímpios não permanecerão de pé no juízo, nem os pecadores na assembleia dos justos.
1:6 Pois o SENHOR conhece o caminho dos justos, mas o caminho dos ímpios perecerá.

Capítulo 2
2:1 Por que as nações se agitam e os povos tramam coisas vãs?
2:2 Os reis da terra se levantam, e os governantes conspiram juntos contra o SENHOR e contra seu ungido:
2:3 “Rompamos suas amarras e lancemos para longe de nós suas cordas!”
2:4 Aquele que está sentado nos céus ri;
   o Senhor zomba deles.
2:5 Então lhes fala em sua ira e, em seu furor, os aterroriza:
2:6 “Eu estabeleci meu rei em Sião, meu santo monte.”
2:7 Proclamarei o decreto: o SENHOR me disse: “Você é meu filho;
   hoje eu o gerei.
2:8 Peça-me, e eu lhe darei as nações por herança e os confins da terra por possessão.
2:9 Você as quebrará com vara de ferro e as despedaçará como um vaso de oleiro.”
2:10 Agora, reis, sejam prudentes;
   aceitem a correção, juízes da terra.
2:11 Sirvam ao SENHOR com temor e alegrem-se com tremor.
2:12 Beijem o filho, para que ele não se ire e vocês pereçam no caminho, pois sua ira se acende em um instante.
   Bem-aventurados todos os que nele se refugiam!

Capítulo 3
Salmo de Davi, quando fugia de seu filho Absalão.
3:1 SENHOR, como se multiplicaram os meus adversários!
   Muitos se levantam contra mim.
3:2 Muitos dizem de mim: “Não há salvação para ele em Deus.” Selá.

3:3 Mas tu, SENHOR, és um escudo ao meu redor, minha glória e aquele que levanta minha cabeça.
3:4 Com minha voz clamo ao SENHOR, e ele me responde do seu santo monte. Selá.

3:5 Deitei-me e dormi;
   acordei, pois o SENHOR me sustenta.
3:6 Não temerei as dezenas de milhares de pessoas que se posicionam contra mim por todos os lados.
3:7 Levanta-te, SENHOR!
   Salva-me, meu Deus!
   Pois feriste no queixo todos os meus inimigos;
   quebraste os dentes dos ímpios.
3:8 A salvação pertence ao SENHOR.
   Que tua bênção esteja sobre teu povo! Selá.

Capítulo 4
4:1 Responde-me quando clamo, ó Deus da minha justiça!
   Na angústia me deste alívio;
   tem misericórdia de mim e ouve minha oração.
4:2 Ó homens, até quando transformarão minha honra em vergonha?
   Até quando amarão o que é vão e buscarão a mentira? Selá.

4:3 Saibam que o SENHOR separou para si aquele que lhe é fiel;
   o SENHOR me ouve quando clamo a ele.
4:4 Tremam e não pequem;
   reflitam em seu coração, deitados em suas camas, e fiquem em silêncio. Selá.

4:5 Ofereçam sacrifícios de justiça e confiem no SENHOR.
4:6 Muitos dizem: “Quem nos mostrará o bem?”
   SENHOR, faze brilhar sobre nós a luz do teu rosto!
4:7 Puseste em meu coração mais alegria do que a deles quando seu cereal e seu vinho novo são abundantes.
4:8 Em paz me deitarei e logo dormirei, pois só tu, SENHOR, me fazes viver em segurança.

Capítulo 5
5:1 Dá ouvidos às minhas palavras, SENHOR;
   considera meu gemido.
5:2 Atende à voz do meu clamor, meu Rei e meu Deus, pois a ti dirijo minha oração.
5:3 SENHOR, pela manhã ouvirás minha voz;
   pela manhã apresentarei a ti minha oração e ficarei à espera.
5:4 Pois tu não és um Deus que se agrada da maldade;
   o mal não habita contigo.
5:5 Os arrogantes não permanecem diante dos teus olhos;
   odeias todos os que praticam o mal.
5:6 Destróis os que falam mentiras;
   o SENHOR abomina o homem sanguinário e enganador.
5:7 Mas eu, pela abundância do teu amor leal, entrarei em tua casa;
   com temor de ti, me prostrarei em direção ao teu santo templo.
5:8 SENHOR, guia-me na tua justiça, por causa dos que me espreitam;
   endireita diante de mim o teu caminho.
5:9 Pois não há sinceridade na boca deles;
   no seu íntimo há destruição.
   Sua garganta é um sepulcro aberto;
   com a língua, bajulam.
5:10 Declara-os culpados, ó Deus!
   Que caiam por seus próprios planos;
   expulsa-os por suas muitas transgressões, pois se rebelaram contra ti.
5:11 Que se alegrem todos os que se refugiam em ti;
   que cantem de alegria para sempre.
   Estende tua proteção sobre eles;
   que exultem em ti os que amam teu nome.
5:12 Pois tu, SENHOR, abençoas o justo;
   como um escudo, tu o cercas com teu favor.

Capítulo 6
6:1 SENHOR, não me repreendas em tua ira nem me disciplines em teu furor.
6:2 Tem misericórdia de mim, SENHOR, pois estou sem forças;
   cura-me, SENHOR, pois meus ossos estremecem.
6:3 Também minha alma está profundamente perturbada.
   E tu, SENHOR, até quando?
6:4 Volta-te, SENHOR, e livra minha alma;
   salva-me por teu amor leal.
6:5 Pois na morte não há lembrança de ti;
   no Seol, quem te louvará?
6:6 Estou exausto de tanto gemer;
   todas as noites inundo minha cama e encharco meu leito com minhas lágrimas.
6:7 Meus olhos se consomem de tristeza;
   envelhecem por causa de todos os meus adversários.
6:8 Afastem-se de mim, todos vocês que praticam o mal, pois o SENHOR ouviu a voz do meu choro.
6:9 O SENHOR ouviu minha súplica;
   o SENHOR acolherá minha oração.
6:10 Todos os meus inimigos ficarão envergonhados e profundamente perturbados;
   recuarão, cobertos de vergonha num instante.

Capítulo 7
7:1 SENHOR, meu Deus, em ti me refugio;
   salva-me de todos os que me perseguem e livra-me,
7:2 para que ninguém me dilacere como um leão e me despedace, sem que haja quem me livre.
7:3 SENHOR, meu Deus, se fiz isso, se há injustiça em minhas mãos,
7:4 se retribuí com mal a quem estava em paz comigo — eu, que livrei quem me hostilizava sem motivo —,
7:5 que o inimigo persiga minha alma e me alcance;
   que pisoteie minha vida na terra e deite minha honra no pó. Selá.

7:6 Levanta-te, SENHOR, em tua ira!
   Ergue-te contra a fúria dos meus adversários!
   Desperta em meu favor, pois ordenaste o juízo.
7:7 Que a assembleia dos povos te cerque;
   volta às alturas, acima dela.
7:8 O SENHOR julga os povos.
   Julga-me, SENHOR, segundo minha justiça e a integridade que há em mim.
7:9 Que cesse a maldade dos ímpios, mas firma o justo, tu que sondas corações e mentes, ó Deus justo!
7:10 Deus é meu escudo;
   ele salva os retos de coração.
7:11 Deus é um juiz justo, um Deus que se indigna todos os dias.
7:12 Se o homem não se voltar, Deus afiará sua espada;
   já armou seu arco e o deixou pronto.
7:13 Preparou para ele armas de morte;
   faz de suas flechas setas flamejantes.
7:14 Eis que o ímpio sofre dores de parto com a maldade;
   concebe o mal e dá à luz a mentira.
7:15 Cavou uma cova e a aprofundou, mas caiu no buraco que fez.
7:16 O mal que causou voltará sobre sua cabeça;
   sua violência cairá sobre o alto de sua própria cabeça.
7:17 Darei graças ao SENHOR por sua justiça e cantarei louvores ao nome do SENHOR Altíssimo.

Capítulo 8
8:1 SENHOR, nosso Senhor, como é majestoso teu nome em toda a terra!
   Puseste tua glória acima dos céus.
8:2 Da boca de crianças e dos que mamam suscitaste força, por causa dos teus adversários, para fazer calar o inimigo e o vingador.
8:3 Quando contemplo teus céus, obra dos teus dedos, a lua e as estrelas que estabeleceste,
8:4 que é o homem mortal, para que dele te lembres, e o filho do homem, para que dele cuides?
8:5 Tu o fizeste um pouco menor que Deus e o coroaste de glória e esplendor.
8:6 Deste-lhe domínio sobre as obras das tuas mãos;
   tudo puseste debaixo dos seus pés:
8:7 todas as ovelhas e os bois, e também os animais do campo,
8:8 as aves dos céus e os peixes do mar, tudo o que percorre as veredas dos mares.
8:9 SENHOR, nosso Senhor, como é majestoso teu nome em toda a terra!

Capítulo 9
9:1 Eu te darei graças, SENHOR, de todo o coração;
   contarei todas as tuas maravilhas.
9:2 Em ti me alegrarei e exultarei;
   cantarei louvores ao teu nome, ó Altíssimo.
9:3 Quando meus inimigos recuam, tropeçam e perecem diante de ti.
9:4 Pois defendeste meu direito e minha causa;
   sentaste no trono como juiz justo.
9:5 Repreendeste as nações, destruíste o ímpio;
   apagaste o nome deles para todo o sempre.
9:6 O inimigo acabou em ruínas para sempre;
   arrancaste suas cidades, e até a lembrança deles desapareceu.
9:7 Mas o SENHOR está entronizado para sempre;
   estabeleceu seu trono para o juízo.
9:8 Ele julgará o mundo com justiça e os povos com retidão.
9:9 O SENHOR é um alto refúgio para o oprimido, um alto refúgio em tempos de angústia.
9:10 Em ti confiam os que conhecem teu nome, pois não abandonas os que te buscam, SENHOR.
9:11 Cantem louvores ao SENHOR, que habita em Sião;
   anunciem seus feitos entre os povos.
9:12 Pois aquele que exige contas pelo sangue derramado se lembra deles;
   não se esquece do clamor dos aflitos.
9:13 Tem misericórdia de mim, SENHOR!
   Vê minha aflição, causada pelos que me odeiam, tu que me levantas das portas da morte,
9:14 para que eu proclame todos os teus louvores às portas da filha de Sião e me alegre na tua salvação.
9:15 As nações afundaram na cova que fizeram;
   seu pé ficou preso na rede que esconderam.
9:16 O SENHOR se deu a conhecer ao fazer justiça;
   o ímpio ficou preso na obra das próprias mãos.
   Higaiom. Selá.

9:17 Os ímpios voltarão ao Seol, todas as nações que se esquecem de Deus.
9:18 Pois o necessitado não será esquecido para sempre, nem a esperança dos humildes se perderá para sempre.
9:19 Levanta-te, SENHOR!
   Que o mortal não prevaleça!
   Que as nações sejam julgadas diante de ti!
9:20 Infunde-lhes temor, SENHOR;
   que as nações saibam que são mortais. Selá.

Capítulo 10
10:1 Por que, SENHOR, te manténs distante e te escondes em tempos de angústia?
10:2 Em sua arrogância, o ímpio persegue o pobre;
   que os ímpios sejam apanhados nas tramas que arquitetaram.
10:3 Pois o ímpio se gaba dos desejos de sua alma;
   o ganancioso amaldiçoa e despreza o SENHOR.
10:4 Em sua altivez, o ímpio não busca a Deus;
   todos os seus pensamentos são: “Não há Deus.”
10:5 Seu caminho prospera em todo tempo;
   teus juízos estão muito acima do seu alcance.
   Ele despreza todos os seus adversários.
10:6 Diz em seu coração: “Não serei abalado;
   de geração em geração estarei livre da desgraça.”
10:7 Sua boca está cheia de maldição, engano e opressão;
   debaixo de sua língua há sofrimento e maldade.
10:8 Fica de tocaia nas aldeias;
   nos esconderijos mata o inocente.
   Seus olhos espreitam o desamparado.
10:9 Fica à espreita no esconderijo, como um leão em seu covil;
   fica à espreita para capturar o pobre.
   Captura o pobre, arrastando-o para sua rede.
10:10 Ele se agacha e se encolhe;
   os indefesos caem sob sua força.
10:11 Diz em seu coração: “Deus se esqueceu;
   escondeu o rosto e nunca verá isso.”
10:12 Levanta-te, SENHOR!
   Ó Deus, ergue tua mão!
   Não te esqueças dos aflitos!
10:13 Por que o ímpio despreza a Deus?
   Diz em seu coração: “Tu não pedirás contas.”
10:14 Mas tu o viste;
   observas o sofrimento e a dor para tomá-los em tuas mãos.
   A ti se entrega o desamparado;
   tu tens sido o auxílio do órfão.
10:15 Quebra o braço do ímpio e do malvado;
   pede contas de sua maldade até que não se encontre mais nenhuma.
10:16 O SENHOR é Rei para todo o sempre;
   as nações desapareceram de sua terra.
10:17 Ouviste o desejo dos humildes, SENHOR;
   fortaleces seu coração e inclinas teu ouvido,
10:18 para fazer justiça ao órfão e ao oprimido, a fim de que o homem mortal, que é da terra, não volte a causar terror.

Capítulo 11
11:1 No SENHOR me refugio.
   Como vocês podem me dizer: “Fujam para o monte de vocês, como um pássaro”?
11:2 Pois eis que os ímpios armam o arco e preparam sua flecha na corda, para atirar na escuridão contra os retos de coração.
11:3 Se os fundamentos forem destruídos, o que poderá fazer o justo?
11:4 O SENHOR está em seu santo templo;
   o trono do SENHOR está nos céus.
   Seus olhos observam;
   suas pálpebras sondam os seres humanos.
11:5 O SENHOR põe o justo à prova, mas sua alma odeia o ímpio e quem ama a violência.
11:6 Fará chover armadilhas sobre os ímpios;
   fogo, enxofre e vento abrasador serão a porção do seu cálice.
11:7 Pois o SENHOR é justo e ama as obras justas;
   os retos contemplarão seu rosto.

Capítulo 12
12:1 Salva, SENHOR, pois já não há quem seja fiel;
   os leais desapareceram de entre os seres humanos.
12:2 Cada um fala falsidade ao seu próximo;
   falam com lábios bajuladores e coração dividido.
12:3 Que o SENHOR corte todos os lábios bajuladores e a língua que fala com arrogância!
12:4 Eles dizem: “Com nossa língua venceremos;
   nossos lábios são nossos.
   Quem é senhor sobre nós?”
12:5 “Por causa da opressão dos pobres e do gemido dos necessitados, agora me levantarei”, diz o SENHOR.
   “Porei a salvo aquele que suspira por isso.”
12:6 As palavras do SENHOR são palavras puras, como prata refinada em forno de barro, purificada sete vezes.
12:7 Tu, SENHOR, os guardarás;
   tu o protegerás desta geração para sempre.
12:8 Os ímpios andam por toda parte quando a vileza é exaltada entre os seres humanos.

Capítulo 13
13:1 Até quando, SENHOR?
   Tu te esquecerás de mim para sempre?
   Até quando esconderás de mim teu rosto?
13:2 Até quando buscarei conselho dentro de mim, com tristeza no coração dia após dia?
   Até quando meu inimigo se exaltará sobre mim?
13:3 Olha para mim e responde-me, SENHOR, meu Deus!
   Ilumina meus olhos, para que eu não durma o sono da morte,
13:4 para que meu inimigo não diga: “Eu o venci”, e meus adversários não se alegrem quando eu vacilar.
13:5 Mas eu confio no teu amor leal;
   meu coração se alegrará na tua salvação.
13:6 Cantarei ao SENHOR, pois ele tem sido bom para mim.

Capítulo 14
14:1 O insensato diz em seu coração: “Não há Deus.”
   Eles se corromperam e praticaram atos abomináveis;
   não há quem faça o bem.
14:2 O SENHOR olha dos céus para os seres humanos, para ver se há alguém que tenha entendimento, alguém que busque a Deus.
14:3 Todos se desviaram;
   juntos se corromperam.
   Não há quem faça o bem, nem sequer um.
14:4 Será que não entendem todos os que praticam o mal, que devoram meu povo como quem come pão e não invocam o SENHOR?
14:5 Ali ficam tomados de grande pavor, pois Deus está com a geração dos justos.
14:6 Vocês envergonham os planos do pobre, mas o SENHOR é seu refúgio.
14:7 Quem dera viesse de Sião a salvação de Israel!
   Quando o SENHOR restaurar a sorte do seu povo, Jacó exultará e Israel se alegrará.

Capítulo 15
15:1 SENHOR, quem poderá hospedar-se em tua tenda?
   Quem poderá habitar em teu santo monte?
15:2 Aquele que anda com integridade, pratica a justiça e fala a verdade de coração;
15:3 que não calunia com a língua, não faz mal ao próximo nem lança insulto contra seu semelhante;
15:4 que despreza o homem vil, mas honra os que temem o SENHOR;
   que mantém seu juramento, mesmo com prejuízo próprio, e não volta atrás;
15:5 que não empresta seu dinheiro a juros nem aceita suborno contra o inocente.
   Quem faz essas coisas jamais será abalado.

Capítulo 16
16:1 Guarda-me, ó Deus, pois em ti me refugio.
16:2 Minha alma, você disse ao SENHOR: “Tu és meu Senhor;
   não tenho bem algum além de ti.”
16:3 Quanto aos santos que há na terra, são os nobres em quem tenho todo o meu prazer.
16:4 Multiplicam-se as dores dos que correm atrás de outro deus.
   Não derramarei suas libações de sangue nem pronunciarei seus nomes com meus lábios.
16:5 O SENHOR é a porção da minha herança e meu cálice;
   tu sustentas minha sorte.
16:6 As cordas de demarcação caíram para mim em lugares agradáveis;
   bela é a herança que me coube.
16:7 Bendirei o SENHOR, que me aconselha;
   até de noite minha consciência me instrui.
16:8 Tenho o SENHOR sempre diante de mim;
   porque ele está à minha direita, não serei abalado.
16:9 Por isso meu coração se alegra e minha glória exulta;
   também minha carne repousará em segurança.
16:10 Pois não abandonarás minha alma ao Seol nem permitirás que teu fiel veja a cova.
16:11 Tu me farás conhecer o caminho da vida;
   em tua presença há plenitude de alegria, à tua direita há delícias para sempre.

Capítulo 17
17:1 Ouve, SENHOR, uma causa justa;
   atende ao meu clamor.
   Dá ouvidos à minha oração, que vem de lábios sem engano.
17:2 Que de tua presença venha meu julgamento;
   que teus olhos vejam o que é reto.
17:3 Examinaste meu coração, visitaste-me de noite e me puseste à prova;
   nada encontrarás.
   Resolvi que minha boca não cometa transgressão.
17:4 Quanto às ações humanas, pela palavra dos teus lábios me guardei das veredas do violento.
17:5 Meus passos se firmaram em tuas veredas;
   meus pés não escorregaram.
17:6 Eu te invoco, pois tu me responderás, ó Deus;
   inclina para mim teu ouvido e ouve minhas palavras.
17:7 Mostra as maravilhas do teu amor leal, tu que, com tua mão direita, salvas dos adversários os que em ti se refugiam.
17:8 Guarda-me como a menina dos olhos;
   esconde-me à sombra das tuas asas,
17:9 dos ímpios que me atacam, dos meus inimigos mortais que me cercam.
17:10 Seu coração está fechado e insensível;
   sua boca fala com arrogância.
17:11 Agora me cercam a cada passo nosso;
   fixam os olhos em me derrubar por terra.
17:12 Ele é como um leão ávido por despedaçar, como um leão jovem de tocaia nos esconderijos.
17:13 Levanta-te, SENHOR!
   Vai ao seu encontro e abate-o!
   Livra minha alma do ímpio com tua espada,
17:14 e, com tua mão, SENHOR, livra-me dos homens, dos homens deste mundo, cuja porção está nesta vida.
   Tu lhes enches o ventre com teus tesouros;
   seus filhos se fartam e deixam suas sobras aos seus pequeninos.
17:15 Quanto a mim, contemplarei teu rosto em justiça;
   ao despertar, me saciarei com tua imagem.

Capítulo 18
Ao regente. De Davi, servo do SENHOR, que dirigiu ao SENHOR as palavras deste cântico no dia em que o SENHOR o livrou das mãos de todos os seus inimigos e da mão de Saul.
18:1 E disse: “Eu te amo, SENHOR, minha força.
18:2 O SENHOR é minha rocha, minha fortaleza e meu libertador;
   meu Deus é meu rochedo, em quem me refugio, meu escudo, o chifre da minha salvação e meu alto refúgio.
18:3 Invoco o SENHOR, digno de louvor, e sou salvo dos meus inimigos.
18:4 As cordas da morte me envolveram;
   as torrentes da destruição me aterrorizaram.
18:5 As cordas do Seol me cercaram;
   as armadilhas da morte vieram ao meu encontro.
18:6 Na minha angústia invoquei o SENHOR e clamei por socorro ao meu Deus.
   Do seu templo ele ouviu minha voz;
   meu clamor chegou diante dele, aos seus ouvidos.
18:7 Então a terra se abalou e tremeu;
   os alicerces dos montes estremeceram e se abalaram, pois ele se indignou.
18:8 Das suas narinas subiu fumaça;
   da sua boca saiu fogo devorador, e dele se acenderam brasas.
18:9 Inclinou os céus e desceu;
   havia densa escuridão debaixo dos seus pés.
18:10 Montou num querubim e voou;
   planou sobre as asas do vento.
18:11 Fez das trevas seu esconderijo;
   ao seu redor, seu abrigo era a escuridão das águas e as densas nuvens dos céus.
18:12 Diante do seu resplendor, suas nuvens passaram com granizo e brasas de fogo.
18:13 O SENHOR trovejou nos céus;
   o Altíssimo fez ressoar sua voz, com granizo e brasas de fogo.
18:14 Lançou suas flechas e os dispersou;
   lançou muitos relâmpagos e os pôs em confusão.
18:15 Os leitos das águas ficaram à vista, e os alicerces do mundo foram descobertos, diante da tua repreensão, SENHOR, ao sopro do alento das tuas narinas.
18:16 Do alto estendeu a mão e me tomou;
   tirou-me das muitas águas.
18:17 Livrou-me do meu inimigo poderoso e dos que me odiavam, pois eram mais fortes do que eu.
18:18 Vieram contra mim no dia da minha calamidade, mas o SENHOR foi meu amparo.
18:19 Trouxe-me para um lugar amplo;
   livrou-me porque se agradou de mim.
18:20 O SENHOR me recompensou segundo minha justiça;
   retribuiu-me segundo a pureza das minhas mãos.
18:21 Pois guardei os caminhos do SENHOR e não me afastei perversamente do meu Deus.
18:22 Todos os seus juízos estão diante de mim;
   não afastei de mim seus estatutos.
18:23 Fui íntegro para com ele e me guardei da minha iniquidade.
18:24 O SENHOR me retribuiu segundo minha justiça, segundo a pureza das minhas mãos diante dos seus olhos.
18:25 Com o fiel, te mostras fiel;
   com o homem íntegro, te mostras íntegro.
18:26 Com o puro, te mostras puro;
   com o tortuoso, te mostras sagaz.
18:27 Pois tu salvas o povo aflito, mas abates os olhos altivos.
18:28 Tu acendes minha lâmpada;
   o SENHOR, meu Deus, ilumina minhas trevas.
18:29 Contigo avanço contra uma tropa;
   com meu Deus salto uma muralha.
18:30 O caminho de Deus é perfeito;
   a palavra do SENHOR foi refinada.
   Ele é escudo para todos os que nele se refugiam.
18:31 Pois quem é Deus além do SENHOR?
   E quem é rocha além do nosso Deus?
18:32 É Deus quem me reveste de força e torna perfeito meu caminho.
18:33 Faz meus pés como os das corças e me firma nas minhas alturas.
18:34 Treina minhas mãos para a guerra, de modo que meus braços vergam um arco de bronze.
18:35 Tu me deste o escudo da tua salvação;
   tua mão direita me sustenta, e tua mansidão me engrandece.
18:36 Alargaste o caminho debaixo dos meus passos, e meus tornozelos não vacilaram.
18:37 Persegui meus inimigos e os alcancei;
   não voltei até acabar com eles.
18:38 Eu os esmaguei, e não puderam se levantar;
   caíram debaixo dos meus pés.
18:39 Tu me revestiste de força para a guerra;
   fizeste cair debaixo de mim os que se levantavam contra mim.
18:40 Fizeste que meus inimigos me dessem as costas, e destruí os que me odiavam.
18:41 Clamaram por socorro, mas não houve quem os salvasse;
   clamaram ao SENHOR, mas ele não lhes respondeu.
18:42 Eu os triturei como pó diante do vento;
   lancei-os fora como a lama das ruas.
18:43 Livraste-me das contendas do povo e me puseste à frente das nações;
   um povo que eu não conhecia me serve.
18:44 Assim que ouvem falar de mim, me obedecem;
   os estrangeiros fingem submissão a mim.
18:45 Os estrangeiros desfalecem e saem tremendo de suas fortalezas.
18:46 Vive o SENHOR!
   Bendito seja meu rochedo!
   Exaltado seja o Deus da minha salvação!
18:47 É Deus quem me concede vingança e sujeita povos debaixo de mim,
18:48 quem me livra dos meus inimigos.
   Tu me elevas acima dos que se levantam contra mim e me livras do homem violento.
18:49 Por isso eu te darei graças entre as nações, SENHOR, e cantarei louvores ao teu nome.
18:50 Ele concede grandes vitórias ao seu rei e mostra amor leal ao seu ungido, a Davi e à sua descendência para sempre.”

Capítulo 19
19:1 Os céus proclamam a glória de Deus, e o firmamento anuncia a obra das suas mãos.
19:2 Um dia transmite sua mensagem a outro dia;
   uma noite revela conhecimento a outra noite.
19:3 Não há fala nem palavras;
   não se ouve sua voz.
19:4 Seu traçado alcança toda a terra, e suas palavras, os confins do mundo.
   Neles pôs uma tenda para o sol,
19:5 que é como um noivo saindo de sua câmara nupcial e se alegra como um guerreiro ao percorrer seu caminho.
19:6 Sai de uma extremidade dos céus e percorre até a outra;
   nada se esconde do seu calor.
19:7 A lei do SENHOR é perfeita e restaura a alma;
   o testemunho do SENHOR é fiel e dá sabedoria ao inexperiente.
19:8 Os preceitos do SENHOR são retos e alegram o coração;
   o mandamento do SENHOR é puro e ilumina os olhos.
19:9 O temor do SENHOR é puro e permanece para sempre;
   os juízos do SENHOR são verdadeiros e todos eles são justos.
19:10 São mais desejáveis que o ouro, mais que muito ouro fino;
   mais doces que o mel e que o mel que escorre dos favos.
19:11 Também teu servo é advertido por eles;
   em guardá-los há grande recompensa.
19:12 Quem pode discernir os próprios erros?
   Absolve-me das faltas ocultas.
19:13 Guarda também teu servo dos arrogantes;
   que não me dominem.
   Então serei íntegro e ficarei livre de grande transgressão.
19:14 Sejam agradáveis diante de ti as palavras da minha boca e a meditação do meu coração, SENHOR, minha rocha e meu redentor.

Capítulo 20
20:1 Que o SENHOR responda a você no dia da angústia;
   que o nome do Deus de Jacó o ponha em segurança.
20:2 Que lhe envie socorro do santuário e o sustente desde Sião.
20:3 Que se lembre de todas as suas ofertas e aceite seu holocausto. Selá.

20:4 Que lhe conceda o que seu coração deseja e realize todos os seus planos.
20:5 Celebraremos com gritos de alegria sua salvação e ergueremos bandeiras em nome do nosso Deus.
   Que o SENHOR atenda a todos os seus pedidos!
20:6 Agora sei que o SENHOR salva seu ungido;
   ele lhe responderá dos seus santos céus, com a força salvadora da sua mão direita.
20:7 Uns confiam em carros de guerra e outros em cavalos;
   nós, porém, nos lembramos do nome do SENHOR, nosso Deus.
20:8 Eles se curvam e caem;
   nós nos levantamos e permanecemos firmes.
20:9 SENHOR, salva!
   Que o rei nos responda no dia em que clamarmos!

Capítulo 21
21:1 SENHOR, o rei se alegra na tua força;
   como exulta na tua salvação!
21:2 Tu lhe concedeste o desejo do coração e não negaste o pedido dos seus lábios. Selá.

21:3 Pois vais ao encontro dele com bênçãos de bondade;
   pões em sua cabeça uma coroa de ouro puro.
21:4 Ele te pediu vida, e tu lhe deste longos dias, para todo o sempre.
21:5 Grande é sua glória por tua salvação;
   tu o revestes de esplendor e majestade.
21:6 Tu o fazes uma bênção para sempre;
   enches seu coração de alegria em tua presença.
21:7 Pois o rei confia no SENHOR e, pelo amor leal do Altíssimo, não será abalado.
21:8 Sua mão alcançará todos os seus inimigos;
   sua mão direita alcançará os que o odeiam.
21:9 Você os tornará como um forno em chamas quando se manifestar.
   O SENHOR os devorará em sua ira, e o fogo os consumirá.
21:10 Você destruirá da terra o fruto deles e sua descendência de entre os seres humanos.
21:11 Pois intentaram o mal contra você;
   tramaram um plano, mas não prevalecerão.
21:12 Pois você os fará virar as costas, ao mirar seu arco contra o rosto deles.
21:13 Exalta-te, SENHOR, na tua força!
   Cantaremos e celebraremos teu poder com louvores.

Capítulo 22
22:1 Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?
   Longe da minha salvação estão as palavras do meu gemido.
22:2 Meu Deus, clamo de dia, e tu não respondes;
   de noite, e não tenho descanso.
22:3 Contudo, tu és santo, entronizado entre os louvores de Israel.
22:4 Em ti confiaram nossos pais;
   confiaram, e tu os livraste.
22:5 A ti clamaram e foram resgatados;
   em ti confiaram e não ficaram envergonhados.
22:6 Mas eu sou verme, e não homem, vergonha dos homens e desprezado pelo povo.
22:7 Todos os que me veem zombam de mim;
   fazem caretas com os lábios e balançam a cabeça:
22:8 “Entregue-se ao SENHOR!
   Que ele o livre e o salve, já que nele tem prazer!”
22:9 Tu me tiraste do ventre e me fizeste confiar junto aos seios da minha mãe.
22:10 A ti fui confiado desde o nascimento;
   desde o ventre da minha mãe tu és meu Deus.
22:11 Não te afastes de mim, pois a angústia está perto e não há quem me ajude.
22:12 Muitos touros me cercam;
   os fortes touros de Basã me rodeiam.
22:13 Abrem contra mim a boca, como um leão que despedaça e ruge.
22:14 Derramo-me como água, e todos os meus ossos se desconjuntam.
   Meu coração se tornou como cera;
   derrete-se em minhas entranhas.
22:15 Minha força secou como um caco de barro;
   minha língua se cola ao paladar.
   Tu me deitas no pó da morte.
22:16 Pois cães me cercam;
   um bando de malfeitores me rodeia;
   como um leão, cercam minhas mãos e meus pés.
22:17 Posso contar todos os meus ossos;
   eles me olham e me encaram.
22:18 Repartem minhas roupas entre si e lançam sortes sobre minha veste.
22:19 Mas tu, SENHOR, não te afastes!
   Minha força, apressa-te em me socorrer!
22:20 Livra minha alma da espada, minha única vida do poder do cão.
22:21 Salva-me da boca do leão!
   Dos chifres dos bois selvagens tu me respondeste.
22:22 Anunciarei teu nome aos meus irmãos;
   no meio da assembleia te louvarei.
22:23 Vocês que temem o SENHOR, louvem-no!
   Todos os descendentes de Jacó, honrem-no!
   Todos os descendentes de Israel, temam-no!
22:24 Pois ele não desprezou nem abominou a aflição do aflito;
   não lhe escondeu o rosto, mas ouviu quando ele clamou por socorro.
22:25 De ti vem meu louvor na grande assembleia;
   cumprirei meus votos diante dos que o temem.
22:26 Os humildes comerão e ficarão satisfeitos;
   os que buscam o SENHOR o louvarão.
   Que o coração de vocês viva para sempre!
22:27 Todos os confins da terra se lembrarão e voltarão ao SENHOR;
   todas as famílias das nações se prostrarão diante de ti.
22:28 Pois o reino pertence ao SENHOR, e ele governa as nações.
22:29 Todos os abastados da terra comerão e se prostrarão;
   diante dele se curvarão todos os que descem ao pó, até quem não pode conservar a própria vida.
22:30 Uma descendência o servirá;
   falarão do Senhor à geração vindoura.
22:31 Virão e anunciarão sua justiça ao povo que nascerá: ele o fez!

Capítulo 23
23:1 O SENHOR é o meu pastor;
   nada me faltará.
23:2 Em verdes pastos me faz repousar;
   conduz-me a águas tranquilas.
23:3 Restaura minha alma;
   guia-me pelas veredas da justiça por amor do seu nome.
23:4 Ainda que eu ande pelo vale da sombra da morte, não temerei mal algum, pois tu estás comigo;
   tua vara e teu cajado me consolam.
23:5 Preparas uma mesa diante de mim, na presença dos meus adversários;
   unges minha cabeça com óleo, e meu cálice transborda.
23:6 Certamente a bondade e o amor leal me seguirão todos os dias da minha vida, e voltarei à casa do SENHOR por longos dias.

Capítulo 24
24:1 Ao SENHOR pertencem a terra e tudo o que nela há, o mundo e os que nele habitam.
24:2 Pois ele a fundou sobre os mares e a firmou sobre os rios.
24:3 Quem subirá ao monte do SENHOR?
   Quem permanecerá em seu lugar santo?
24:4 Quem tem mãos limpas e coração puro, que não invoca minha vida em vão nem jura com engano.
24:5 Esse receberá bênção do SENHOR e justiça do Deus da sua salvação.
24:6 Esta é a geração dos que o buscam, dos que procuram teu rosto: Jacó. Selá.

24:7 Portas, levantem suas cabeças!
   Elevem-se, portais eternos, para que entre o Rei da glória!
24:8 Quem é esse Rei da glória?
   O SENHOR, forte e poderoso;
   o SENHOR, poderoso na batalha.
24:9 Portas, levantem suas cabeças!
   Levantem-se, portais eternos, para que entre o Rei da glória!
24:10 Quem é esse Rei da glória?
   O SENHOR dos Exércitos;
   ele é o Rei da glória. Selá.

Capítulo 25
25:1 A ti, SENHOR, elevo minha alma.
25:2 Meu Deus, em ti confio;
   não me deixes envergonhado, nem deixes que meus inimigos exultem sobre mim.
25:3 Nenhum dos que esperam em ti ficará envergonhado;
   envergonhados ficarão os que traem sem motivo.
25:4 Faze-me conhecer teus caminhos, SENHOR;
   ensina-me tuas veredas.
25:5 Guia-me em tua verdade e ensina-me, pois tu és o Deus da minha salvação;
   em ti espero o dia inteiro.
25:6 Lembra-te, SENHOR, das tuas misericórdias e dos teus atos de amor leal, pois vêm de tempos antigos.
25:7 Não te lembres dos pecados da minha juventude nem das minhas transgressões;
   lembra-te de mim segundo teu amor leal, por tua bondade, SENHOR.
25:8 Bom e reto é o SENHOR;
   por isso ensina o caminho aos pecadores.
25:9 Guia os humildes na justiça e ensina aos humildes seu caminho.
25:10 Todas as veredas do SENHOR são amor leal e verdade para os que guardam sua aliança e seus testemunhos.
25:11 Por amor do teu nome, SENHOR, perdoa minha iniquidade, pois é grande.
25:12 Quem é o homem que teme o SENHOR?
   Ele lhe ensinará o caminho que deve escolher.
25:13 Ele viverá em bem-estar, e sua descendência herdará a terra.
25:14 A intimidade do SENHOR é para os que o temem;
   ele lhes dá a conhecer sua aliança.
25:15 Meus olhos estão sempre voltados para o SENHOR, pois ele tirará meus pés da rede.
25:16 Volta-te para mim e tem misericórdia de mim, pois estou sozinho e aflito.
25:17 As angústias do meu coração aumentaram;
   tira-me das minhas aflições.
25:18 Vê minha aflição e meu sofrimento, e perdoa todos os meus pecados.
25:19 Vê meus inimigos, pois são muitos e me odeiam com ódio violento.
25:20 Guarda minha alma e livra-me;
   não me deixes envergonhado, pois em ti me refugio.
25:21 Que a integridade e a retidão me protejam, pois espero em ti.
25:22 Resgata, ó Deus, Israel de todas as suas angústias.

Capítulo 26
26:1 Julga-me, SENHOR, pois tenho andado em minha integridade e confiado no SENHOR;
   não vacilarei.
26:2 Examina-me, SENHOR, e põe-me à prova;
   refina meus pensamentos e meu coração.
26:3 Pois teu amor leal está diante dos meus olhos, e tenho andado em tua verdade.
26:4 Não me sentei com homens falsos nem me associo aos dissimulados.
26:5 Odeio a reunião dos malfeitores e não me sentarei com os ímpios.
26:6 Lavo minhas mãos em inocência e ando ao redor do teu altar, SENHOR,
26:7 para fazer ouvir minha voz de gratidão e contar todas as tuas maravilhas.
26:8 SENHOR, amo a habitação da tua casa e o lugar onde tua glória reside.
26:9 Não recolhas minha alma com a dos pecadores nem minha vida com a dos homens sanguinários,
26:10 em cujas mãos há maldade, e cuja mão direita está cheia de subornos.
26:11 Quanto a mim, andarei em minha integridade;
   resgata-me e tem misericórdia de mim.
26:12 Meu pé está firme em terreno plano;
   nas assembleias bendirei o SENHOR.

Capítulo 27
27:1 O SENHOR é minha luz e minha salvação;
   a quem temerei?
   O SENHOR é a fortaleza da minha vida;
   de quem terei medo?
27:2 Quando os malfeitores se aproximaram para devorar minha carne, meus adversários e inimigos tropeçaram e caíram.
27:3 Ainda que um exército acampe contra mim, meu coração não temerá;
   ainda que se levante uma guerra contra mim, mesmo assim confiarei.
27:4 Uma coisa pedi ao SENHOR, e é isso que buscarei: habitar na casa do SENHOR todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do SENHOR e meditar em seu templo.
27:5 Pois ele me esconderá em seu abrigo no dia da adversidade;
   me ocultará no esconderijo da sua tenda e me elevará sobre uma rocha.
27:6 Agora minha cabeça se erguerá acima dos inimigos que me cercam;
   em sua tenda oferecerei sacrifícios com gritos de alegria.
   Cantarei e entoarei louvores ao SENHOR.
27:7 Ouve, SENHOR, minha voz quando clamo;
   tem misericórdia de mim e responde-me.
27:8 Em teu nome, meu coração diz: “Busquem meu rosto.”
   Teu rosto, SENHOR, buscarei.
27:9 Não escondas de mim teu rosto;
   não rejeites com ira teu servo.
   Tu tens sido meu auxílio;
   não me deixes nem me abandones, ó Deus da minha salvação.
27:10 Pois meu pai e minha mãe me abandonaram, mas o SENHOR me acolherá.
27:11 Ensina-me teu caminho, SENHOR, e guia-me por uma vereda plana, por causa dos que me espreitam.
27:12 Não me entregues à vontade dos meus adversários, pois se levantaram contra mim testemunhas falsas e quem respira violência.
27:13 Se eu não cresse que veria a bondade do SENHOR na terra dos vivos…!
27:14 Espere no SENHOR;
   seja forte, e seu coração crie coragem.
   Espere no SENHOR!

Capítulo 28
28:1 A ti clamo, SENHOR;
   minha rocha, não te cales para comigo.
   Se ficares em silêncio, serei como os que descem à cova.
28:2 Ouve a voz das minhas súplicas quando clamo a ti por socorro, quando levanto minhas mãos para o recinto interior do teu santuário.
28:3 Não me arrastes com os ímpios nem com os que praticam o mal, que falam de paz ao próximo, mas têm maldade no coração.
28:4 Dá-lhes segundo suas obras e segundo a maldade dos seus atos;
   dá-lhes segundo a obra das suas mãos.
   Retribui-lhes o que merecem.
28:5 Pois não atentam para os feitos do SENHOR nem para a obra das suas mãos;
   ele os derrubará e não os reconstruirá.
28:6 Bendito seja o SENHOR, pois ouviu a voz das minhas súplicas!
28:7 O SENHOR é minha força e meu escudo;
   nele confiou meu coração, e fui socorrido.
   Meu coração exulta, e com meu cântico lhe darei graças.
28:8 O SENHOR é a força deles e a fortaleza salvadora do seu ungido.
28:9 Salva teu povo e abençoa tua herança;
   pastoreia-os e carrega-os para sempre.

Capítulo 29
29:1 Atribuam ao SENHOR, filhos dos poderosos, atribuam ao SENHOR glória e força.
29:2 Atribuam ao SENHOR a glória devida ao seu nome;
   prostrem-se diante do SENHOR no esplendor da santidade.
29:3 A voz do SENHOR está sobre as águas;
   o Deus da glória troveja;
   o SENHOR está sobre as muitas águas.
29:4 A voz do SENHOR é poderosa;
   a voz do SENHOR é majestosa.
29:5 A voz do SENHOR quebra os cedros;
   o SENHOR despedaça os cedros do Líbano.
29:6 Faz o Líbano saltar como um bezerro, e o Siriom, como um filhote de boi selvagem.
29:7 A voz do SENHOR fende labaredas de fogo.
29:8 A voz do SENHOR faz tremer o deserto;
   o SENHOR faz tremer o deserto de Cades.
29:9 A voz do SENHOR faz as corças darem cria e desnuda os bosques.
   Em seu templo, tudo diz: “Glória!”
29:10 O SENHOR se assentou sobre o dilúvio;
   o SENHOR se assenta como Rei para sempre.
29:11 O SENHOR dará força ao seu povo;
   o SENHOR abençoará seu povo com paz.

Capítulo 30
30:1 Eu te exaltarei, SENHOR, pois me levantaste e não deixaste que meus inimigos se alegrassem à minha custa.
30:2 SENHOR, meu Deus, clamei a ti por socorro, e tu me curaste.
30:3 SENHOR, fizeste minha alma subir do Seol;
   mantiveste-me vivo, longe dos que descem à cova.
30:4 Cantem louvores ao SENHOR, vocês que lhe são fiéis;
   deem graças ao recordar sua santidade.
30:5 Pois sua ira dura um instante, e seu favor, a vida inteira.
   O choro passa a noite, mas pela manhã vem a alegria.
30:6 Na minha tranquilidade eu dizia: “Jamais serei abalado.”
30:7 SENHOR, por teu favor firmaste minha montanha com força;
   escondeste teu rosto, e fiquei aterrorizado.
30:8 A ti clamava, SENHOR, e ao Senhor dirigia minha súplica:
30:9 “Que proveito há no meu sangue, em eu descer à cova?
   O pó te louvará?
   Anunciará tua fidelidade?
30:10 Ouve, SENHOR, e tem misericórdia de mim!
   SENHOR, sê meu auxílio!”
30:11 Transformaste meu luto em dança;
   desataste minha roupa de pano de saco e me vestiste de alegria,
30:12 para que minha glória te cante louvores e não se cale.
   SENHOR, meu Deus, eu te darei graças para sempre.

Capítulo 31
31:1 Em ti me refugio, SENHOR;
   jamais me deixes envergonhado.
   Livra-me por tua justiça.
31:2 Inclina para mim teu ouvido;
   livra-me depressa.
   Sê para mim uma rocha de refúgio, uma fortaleza que me salve.
31:3 Pois tu és minha rocha e minha fortaleza;
   por amor do teu nome, tu me conduzirás e me guiarás.
31:4 Tira-me da rede que esconderam para mim, pois tu és meu refúgio.
31:5 Em tua mão entrego meu espírito;
   tu me resgataste, SENHOR, Deus fiel.
31:6 Odeio os que se apegam a ídolos vãos;
   eu, porém, confio no SENHOR.
31:7 Exultarei e me alegrarei no teu amor leal, pois viste minha aflição e conheceste as angústias da minha alma.
31:8 Não me entregaste nas mãos do inimigo;
   firmaste meus pés num lugar amplo.
31:9 Tem misericórdia de mim, SENHOR, pois estou angustiado;
   meus olhos, minha alma e meu corpo se consomem de tristeza.
31:10 Minha vida se esgota na tristeza, e meus anos, em gemidos;
   minha força desfalece por minha iniquidade, e meus ossos se consomem.
31:11 Tornei-me objeto de desprezo para todos os meus adversários, e ainda mais para meus vizinhos, um horror para meus conhecidos;
   os que me veem na rua fogem de mim.
31:12 Esqueceram-se de mim, como de um morto;
   sou como uma vasilha perdida.
31:13 Pois ouço a calúnia de muitos: terror por todos os lados!
   Conspiram juntos contra mim e tramam tirar minha vida.
31:14 Mas eu confio em ti, SENHOR;
   digo: “Tu és meu Deus.”
31:15 Meus dias estão em tua mão;
   livra-me das mãos dos meus inimigos e dos que me perseguem.
31:16 Faze brilhar teu rosto sobre teu servo;
   salva-me por teu amor leal.
31:17 SENHOR, não me deixes envergonhado, pois te invoquei.
   Que os ímpios fiquem envergonhados e emudeçam no Seol.
31:18 Que emudeçam os lábios mentirosos que falam insolentemente contra o justo, com arrogância e desprezo.
31:19 Como é grande tua bondade, que reservaste para os que te temem e mostraste aos que em ti se refugiam, diante dos seres humanos!
31:20 Tu os escondes no abrigo da tua presença, longe das tramas dos homens;
   tu os ocultas em tua tenda, longe da contenda das línguas.
31:21 Bendito seja o SENHOR, pois mostrou de modo admirável seu amor leal para comigo numa cidade sitiada!
31:22 Na minha agitação, eu dizia: “Fui excluído de diante dos teus olhos.”
   Contudo, ouviste a voz das minhas súplicas quando clamei a ti por socorro.
31:23 Amem o SENHOR, todos vocês que lhe são fiéis!
   O SENHOR guarda os leais e retribui com abundância a quem age com arrogância.
31:24 Sejam fortes, e que o coração de vocês crie coragem, todos vocês que esperam no SENHOR!

Capítulo 32
32:1 Bem-aventurado aquele cuja transgressão foi perdoada e cujo pecado foi coberto!
32:2 Bem-aventurado o homem a quem o SENHOR não atribui iniquidade e em cujo espírito não há engano!
32:3 Enquanto guardei silêncio, meus ossos se consumiam com meus gemidos o dia inteiro.
32:4 Pois dia e noite tua mão pesava sobre mim;
   meu vigor secava como no calor do verão. Selá.

32:5 Eu te dei a conhecer meu pecado e não escondi minha iniquidade.
   Disse: “Confessarei minhas transgressões ao SENHOR”, e tu perdoaste a culpa do meu pecado. Selá.

32:6 Por isso, que todo fiel ore a ti enquanto podes ser encontrado;
   mesmo quando transbordarem as muitas águas, elas não o alcançarão.
32:7 Tu és meu esconderijo;
   tu me guardas da angústia e me cercas com cânticos de livramento. Selá.

32:8 Eu o instruirei e lhe ensinarei o caminho que deve seguir;
   eu o aconselharei, com meus olhos voltados para você.
32:9 Não sejam como o cavalo ou a mula, sem entendimento, que precisam ser dominados com freio e rédeas;
   de outro modo, não se aproximam de você.
32:10 Muitas são as dores do ímpio, mas o amor leal cerca aquele que confia no SENHOR.
32:11 Alegrem-se no SENHOR e exultem, ó justos!
   Gritem de alegria, todos vocês que são retos de coração!

Capítulo 33
33:1 Cantem de alegria no SENHOR, ó justos!
   Aos retos convém o louvor.
33:2 Deem graças ao SENHOR com a lira;
   cantem-lhe louvores com a harpa de dez cordas.
33:3 Cantem-lhe um cântico novo;
   toquem com habilidade e com gritos de alegria.
33:4 Pois a palavra do SENHOR é reta, e todas as suas obras são feitas com fidelidade.
33:5 Ele ama a justiça e o direito;
   a terra está cheia do amor leal do SENHOR.
33:6 Pela palavra do SENHOR foram feitos os céus, e pelo sopro da sua boca, todo o seu exército.
33:7 Ele ajunta as águas do mar como num montão e guarda os abismos em depósitos.
33:8 Que toda a terra tema o SENHOR;
   que todos os habitantes do mundo tremam diante dele.
33:9 Pois ele falou, e tudo veio a existir;
   ele ordenou, e tudo ficou firme.
33:10 O SENHOR frustra o conselho das nações e anula os planos dos povos.
33:11 O conselho do SENHOR permanece para sempre;
   os propósitos do seu coração, de geração em geração.
33:12 Bem-aventurada a nação cujo Deus é o SENHOR, o povo que ele escolheu para sua herança!
33:13 O SENHOR olha dos céus e vê todos os seres humanos.
33:14 Da sua morada observa todos os habitantes da terra.
33:15 Ele forma o coração de todos e compreende todas as suas obras.
33:16 O rei não é salvo por seu grande exército, nem o guerreiro se livra por sua muita força.
33:17 O cavalo é uma falsa esperança de vitória;
   sua grande força não pode livrar ninguém.
33:18 Eis que o olhar do SENHOR está sobre os que o temem, sobre os que esperam em seu amor leal,
33:19 para livrar da morte a alma deles e mantê-los vivos durante a fome.
33:20 Nossa alma espera no SENHOR;
   ele é nosso auxílio e nosso escudo.
33:21 Nele nosso coração se alegra, pois confiamos em seu santo nome.
33:22 Que teu amor leal esteja sobre nós, SENHOR, assim como esperamos em ti.

Capítulo 34
34:1 Bendirei o SENHOR em todo tempo;
   seu louvor estará sempre em minha boca.
34:2 Minha alma se gloriará no SENHOR;
   os humildes ouvirão e se alegrarão.
34:3 Engrandeçam o SENHOR comigo;
   juntos exaltemos seu nome.
34:4 Busquei o SENHOR, e ele me respondeu;
   livrou-me de todos os meus temores.
34:5 Olharam para ele e ficaram radiantes;
   seus rostos não se cobrirão de vergonha.
34:6 Este pobre clamou, e o SENHOR ouviu;
   salvou-o de todas as suas angústias.
34:7 O anjo do SENHOR acampa ao redor dos que o temem e os livra.
34:8 Provem e vejam que o SENHOR é bom!
   Bem-aventurado o homem que nele se refugia!
34:9 Temam o SENHOR, vocês que são seus santos, pois nada falta aos que o temem.
34:10 Os leões jovens sofrem necessidade e passam fome, mas aos que buscam o SENHOR não faltará bem algum.
34:11 Venham, filhos, e escutem-me;
   eu lhes ensinarei o temor do SENHOR.
34:12 Quem é o homem que deseja a vida e anseia por dias para desfrutar o bem?
34:13 Guarde sua língua do mal e seus lábios de falar com engano.
34:14 Afaste-se do mal e faça o bem;
   busque a paz e empenhe-se em alcançá-la.
34:15 Os olhos do SENHOR estão sobre os justos, e seus ouvidos, atentos ao seu clamor.
34:16 O rosto do SENHOR se volta contra os que praticam o mal, para apagar da terra a lembrança deles.
34:17 Os justos clamam, e o SENHOR ouve;
   livra-os de todas as suas angústias.
34:18 O SENHOR está perto dos que têm o coração quebrantado e salva os de espírito abatido.
34:19 Muitas são as aflições do justo, mas o SENHOR o livrará de todas elas.
34:20 Ele guarda todos os seus ossos;
   nem um deles será quebrado.
34:21 O mal matará o ímpio;
   os que odeiam o justo serão condenados.
34:22 O SENHOR resgata a vida dos seus servos;
   nenhum dos que nele se refugiam será condenado.

Capítulo 35
35:1 Defende minha causa, SENHOR, contra os que contendem comigo;
   combate os que me combatem.
35:2 Toma o escudo e o grande escudo, e levanta-te em meu auxílio.
35:3 Empunha a lança e fecha o caminho aos meus perseguidores.
   Dize à minha alma: “Eu sou a sua salvação.”
35:4 Que fiquem envergonhados e humilhados os que procuram tirar minha vida;
   que recuem cobertos de vergonha os que tramam meu mal.
35:5 Que sejam como palha diante do vento, enquanto o anjo do SENHOR os impele.
35:6 Que seu caminho seja escuro e escorregadio, enquanto o anjo do SENHOR os persegue.
35:7 Pois sem motivo esconderam sua rede para mim numa cova;
   sem motivo cavaram para tirar minha vida.
35:8 Que a ruína o surpreenda sem que ele saiba;
   que a rede que escondeu o prenda, e nela caia para sua própria destruição.
35:9 Minha alma se alegrará no SENHOR e exultará em sua salvação.
35:10 Todos os meus ossos dirão: “SENHOR, quem é como tu, que livras o aflito de quem é mais forte do que ele, o pobre e o necessitado de quem os rouba?”
35:11 Levantam-se testemunhas violentas;
   interrogam-me sobre coisas que desconheço.
35:12 Retribuem-me mal por bem, deixando minha alma desolada.
35:13 Mas, quando eles adoeciam, eu vestia pano de saco e humilhava minha alma com jejum;
   minha oração voltava ao meu peito.
35:14 Eu os tratava como a um amigo ou irmão;
   andava curvado de luto, como quem chora pela mãe.
35:15 Mas, quando tropecei, eles se alegraram e se reuniram;
   reuniram-se contra mim agressores que eu não conhecia.
   Dilaceravam-me sem parar.
35:16 Como zombadores ímpios em banquetes, rangiam os dentes contra mim.
35:17 Senhor, até quando ficarás olhando?
   Resgata minha alma dos estragos deles, minha única vida dos leões.
35:18 Eu te darei graças na grande assembleia;
   eu te louvarei entre um povo numeroso.
35:19 Não deixes que meus inimigos sem razão se alegrem à minha custa, nem que os que me odeiam sem motivo pisquem os olhos.
35:20 Pois não falam de paz;
   tramam palavras enganosas contra os que vivem tranquilos na terra.
35:21 Escancaram contra mim a boca e dizem: “Ahá, ahá!
   Nossos olhos viram!”
35:22 Tu viste, SENHOR;
   não te cales!
   Senhor, não te afastes de mim!
35:23 Desperta e acorda para me fazer justiça, meu Deus e meu Senhor, para defender minha causa!
35:24 Julga-me segundo tua justiça, SENHOR, meu Deus;
   não deixes que se alegrem à minha custa.
35:25 Não deixes que digam em seu coração: “Ahá, era o que queríamos!”
   Não deixes que digam: “Nós o devoramos!”
35:26 Que fiquem envergonhados e humilhados juntos os que se alegram com minha desgraça;
   que se vistam de vergonha e desonra os que se engrandecem contra mim.
35:27 Que gritem de alegria e se alegrem os que desejam que me seja feita justiça;
   que digam sempre: “Engrandecido seja o SENHOR, que se agrada do bem-estar do seu servo!”
35:28 Minha língua falará da tua justiça e do teu louvor o dia inteiro.

Capítulo 36
36:1 No íntimo do meu coração, a transgressão fala ao ímpio: não há temor de Deus diante dos seus olhos.
36:2 Pois, aos próprios olhos, ele se bajula tanto que não reconhece nem odeia sua iniquidade.
36:3 As palavras da sua boca são maldade e engano;
   deixou de agir com entendimento e de fazer o bem.
36:4 Trama maldade em sua cama;
   firma-se num caminho que não é bom e não rejeita o mal.
36:5 SENHOR, teu amor leal alcança os céus, e tua fidelidade, as nuvens.
36:6 Tua justiça é como os montes de Deus;
   teus juízos são como um grande abismo.
   Tu salvas homens e animais, SENHOR.
36:7 Como é precioso teu amor leal, ó Deus!
   Os seres humanos se refugiam à sombra das tuas asas.
36:8 Fartam-se da abundância da tua casa;
   tu lhes dás de beber da torrente das tuas delícias.
36:9 Pois contigo está a fonte da vida;
   na tua luz vemos a luz.
36:10 Estende teu amor leal aos que te conhecem e tua justiça aos retos de coração.
36:11 Que não me alcance o pé do arrogante, nem me expulse a mão dos ímpios.
36:12 Ali caíram os que praticam o mal;
   foram derrubados e não podem se levantar.

Capítulo 37
37:1 Não se irrite por causa dos malfeitores nem tenha inveja dos que praticam a injustiça.
37:2 Pois logo secarão como a relva e murcharão como a erva verde.
37:3 Confie no SENHOR e faça o bem;
   habite na terra e alimente-se de fidelidade.
37:4 Deleite-se no SENHOR, e ele lhe concederá os desejos do seu coração.
37:5 Entregue seu caminho ao SENHOR;
   confie nele, e ele agirá.
37:6 Ele fará sua justiça brilhar como a luz, e seu direito, como o meio-dia.
37:7 Fique em silêncio diante do SENHOR e espere por ele com paciência.
   Não se irrite por causa de quem prospera em seu caminho, do homem que executa suas intrigas.
37:8 Deixe a ira e abandone o furor;
   não se irrite, pois isso só leva ao mal.
37:9 Pois os malfeitores serão eliminados, mas os que esperam no SENHOR herdarão a terra.
37:10 Mais um pouco, e o ímpio já não existirá;
   você olhará para o lugar dele, mas ele não estará lá.
37:11 Os mansos herdarão a terra e se deleitarão na abundância de paz.
37:12 O ímpio trama contra o justo e range os dentes contra ele.
37:13 O Senhor ri dele, pois vê que seu dia está chegando.
37:14 Os ímpios desembainham a espada e armam seu arco, para derrubar o pobre e o necessitado e matar os que andam em retidão.
37:15 A espada deles entrará em seu próprio coração, e seus arcos serão quebrados.
37:16 Mais vale o pouco do justo que a abundância de muitos ímpios.
37:17 Pois os braços dos ímpios serão quebrados, mas o SENHOR sustenta os justos.
37:18 O SENHOR conhece os dias dos íntegros;
   a herança deles permanecerá para sempre.
37:19 Não ficarão envergonhados em tempos de adversidade;
   nos dias de fome, ficarão satisfeitos.
37:20 Pois os ímpios perecerão;
   os inimigos do SENHOR serão como a beleza das pastagens: desaparecerão, desaparecerão em fumaça.
37:21 O ímpio toma emprestado e não paga;
   o justo tem compaixão e dá.
37:22 Pois os que ele abençoa herdarão a terra, mas os que ele amaldiçoa serão eliminados.
37:23 O SENHOR firma os passos do homem e se agrada do seu caminho.
37:24 Ainda que caia, não ficará prostrado, pois o SENHOR o segura pela mão.
37:25 Fui jovem e agora sou velho, mas nunca vi o justo abandonado nem sua descendência mendigando pão.
37:26 Ele sempre tem compaixão e empresta;
   sua descendência é uma bênção.
37:27 Afaste-se do mal e faça o bem, e terá morada para sempre.
37:28 Pois o SENHOR ama o direito e não abandona seus fiéis.
   Serão guardados para sempre, mas a descendência dos ímpios será eliminada.
37:29 Os justos herdarão a terra e nela habitarão para sempre.
37:30 A boca do justo profere sabedoria, e sua língua fala o que é justo.
37:31 A lei do seu Deus está em seu coração;
   seus passos não vacilam.
37:32 O ímpio espreita o justo e procura matá-lo.
37:33 O SENHOR não o abandonará nas mãos dele nem o condenará quando for julgado.
37:34 Espere no SENHOR e guarde seu caminho;
   ele o exaltará para herdar a terra.
   Você verá quando os ímpios forem eliminados.
37:35 Vi um ímpio violento espalhando-se como árvore frondosa na sua terra natal.
37:36 Mas ele passou e já não estava;
   procurei-o, mas não o encontrei.
37:37 Observe o íntegro e atente para o reto, pois há futuro para o homem de paz.
37:38 Mas os transgressores serão destruídos juntos;
   o futuro dos ímpios será cortado.
37:39 A salvação dos justos vem do SENHOR;
   ele é seu refúgio em tempos de angústia.
37:40 O SENHOR os ajuda e os livra;
   livra-os dos ímpios e os salva, pois nele se refugiam.

Capítulo 38
38:1 SENHOR, não me repreendas em tua indignação nem me disciplines em teu furor.
38:2 Pois tuas flechas se cravaram em mim, e tua mão desceu sobre mim.
38:3 Não há parte sã em minha carne por causa da tua indignação;
   não há paz em meus ossos por causa do meu pecado.
38:4 Minhas iniquidades ultrapassaram minha cabeça;
   como um fardo pesado, pesam mais do que posso suportar.
38:5 Minhas feridas cheiram mal e supuram por causa da minha insensatez.
38:6 Estou encurvado e profundamente abatido;
   o dia inteiro ando de luto.
38:7 Pois meus lombos estão cheios de ardor, e não há parte sã em minha carne.
38:8 Estou entorpecido e completamente esmagado;
   rujo por causa da agitação do meu coração.
38:9 Senhor, diante de ti está todo o meu desejo;
   meu gemido não te está oculto.
38:10 Meu coração palpita, minha força me abandona;
   até a luz dos meus olhos se foi.
38:11 Meus amigos e companheiros ficam longe da minha ferida;
   meus parentes permanecem à distância.
38:12 Os que procuram tirar minha vida armam ciladas;
   os que desejam meu mal falam de destruição e tramam enganos o dia inteiro.
38:13 Mas eu, como um surdo, não ouço;
   como um mudo, não abro a boca.
38:14 Sou como um homem que não ouve e em cuja boca não há resposta.
38:15 Pois em ti espero, SENHOR;
   tu responderás, Senhor, meu Deus.
38:16 Pois eu dizia: “Que não se alegrem à minha custa!”
   Quando meu pé vacila, eles se engrandecem contra mim.
38:17 Estou prestes a tropeçar, e minha dor está sempre diante de mim.
38:18 Confesso minha iniquidade e me angustio por causa do meu pecado.
38:19 Meus inimigos estão vivos e fortes;
   multiplicaram-se os que me odeiam sem razão.
38:20 Os que retribuem mal por bem se opõem a mim porque sigo o que é bom.
38:21 Não me abandones, SENHOR!
   Meu Deus, não te afastes de mim!
38:22 Apressa-te em meu auxílio, Senhor, minha salvação!

Capítulo 39
39:1 Eu disse: “Vigiarei meus caminhos para não pecar com a língua;
   porei uma mordaça em minha boca enquanto o ímpio estiver diante de mim.”
39:2 Fiquei mudo e em silêncio;
   calei-me até acerca do bem, mas minha dor se agravou.
39:3 Meu coração ardia dentro de mim;
   enquanto eu meditava, o fogo se acendeu.
   Então falei com minha língua:
39:4 “Faze-me conhecer, SENHOR, meu fim e a medida dos meus dias, para que eu saiba como sou passageiro.
39:5 Deste aos meus dias apenas a largura de uma mão;
   minha vida é como nada diante de ti.
   Certamente todo homem, por mais firme que esteja, é apenas um sopro. Selá.

39:6 O homem anda como uma sombra;
   em vão se agita.
   Acumula riquezas sem saber quem as recolherá.
39:7 E agora, Senhor, o que espero?
   Minha esperança está em ti.
39:8 Livra-me de todas as minhas transgressões;
   não me tornes objeto de zombaria do insensato.
39:9 Fiquei mudo e não abro a boca, pois tu o fizeste.
39:10 Afasta de mim teu golpe;
   estou consumido pelo ataque da tua mão.
39:11 Com repreensões por causa da iniquidade, disciplinas o homem;
   como a traça, consomes o que lhe é precioso.
   Certamente todo homem é um sopro. Selá.

39:12 Ouve minha oração, SENHOR, e dá ouvidos ao meu clamor;
   não te cales diante das minhas lágrimas.
   Pois sou um estrangeiro junto a ti, um residente de passagem, como todos os meus pais.
39:13 Desvia de mim teu olhar, para que eu recobre o ânimo antes de partir e deixar de existir.”

Capítulo 40
40:1 Esperei com paciência pelo SENHOR;
   ele se inclinou para mim e ouviu meu clamor.
40:2 Tirou-me de um poço de tumulto, da lama viscosa;
   pôs meus pés sobre uma rocha e firmou meus passos.
40:3 Pôs em minha boca um cântico novo, um louvor ao nosso Deus.
   Muitos verão, temerão e confiarão no SENHOR.
40:4 Bem-aventurado o homem que põe no SENHOR sua confiança e não se volta para os arrogantes nem para os que se desviam para a mentira!
40:5 Muitas são as maravilhas que fizeste, SENHOR, meu Deus, e teus planos para nós;
   ninguém se compara a ti.
   Eu os anunciaria e deles falaria, mas são mais do que se pode contar.
40:6 Não desejaste sacrifício nem oferta;
   abriste meus ouvidos.
   Não pediste holocausto nem oferta pelo pecado.
40:7 Então eu disse: “Eis que venho;
   no rolo do livro está escrito a meu respeito.
40:8 Tenho prazer em fazer tua vontade, meu Deus;
   tua lei está no íntimo do meu ser.”
40:9 Anunciei boas-novas de justiça na grande assembleia;
   não contive meus lábios, SENHOR, tu o sabes.
40:10 Não escondi tua justiça no meu coração;
   proclamei tua fidelidade e tua salvação.
   Não ocultei teu amor leal e tua verdade da grande assembleia.
40:11 Tu, SENHOR, não reterás de mim tuas misericórdias;
   teu amor leal e tua verdade sempre me guardarão.
40:12 Pois males sem número me cercam;
   minhas iniquidades me alcançaram, e não consigo ver.
   São mais numerosas que os cabelos da minha cabeça, e meu coração desfalece.
40:13 Digna-te livrar-me, SENHOR!
   SENHOR, apressa-te em meu auxílio!
40:14 Que fiquem envergonhados e humilhados juntos os que procuram destruir minha vida;
   que recuem cobertos de desonra os que desejam meu mal.
40:15 Que fiquem desolados por sua vergonha os que me dizem: “Ahá, ahá!”
40:16 Que exultem e se alegrem em ti todos os que te buscam;
   que os que amam tua salvação digam sempre: “Engrandecido seja o SENHOR!”
40:17 Eu sou pobre e necessitado, mas o Senhor pensa em mim.
   Tu és meu auxílio e meu libertador;
   meu Deus, não demores!

Capítulo 41
41:1 Bem-aventurado aquele que considera o pobre!
   O SENHOR o livrará no dia da adversidade.
41:2 O SENHOR o guardará e o manterá vivo;
   fará com que seja feliz na terra.
   Não o entregues à vontade dos seus inimigos.
41:3 O SENHOR o sustentará no leito da enfermidade;
   em sua doença, tu lhe renovas o leito por completo.
41:4 Eu disse: “SENHOR, tem misericórdia de mim;
   cura minha alma, pois pequei contra ti.”
41:5 Meus inimigos falam mal de mim: “Quando ele morrerá, e seu nome desaparecerá?”
41:6 Se alguém vem me visitar, fala falsidade;
   seu coração acumula maldade e, quando sai, ele a divulga.
41:7 Todos os que me odeiam sussurram juntos contra mim;
   tramam meu mal:
41:8 “Um mal mortal tomou conta dele;
   agora que está deitado, não voltará a se levantar.”
41:9 Até meu amigo íntimo, em quem eu confiava, que comia do meu pão, levantou contra mim o calcanhar.
41:10 Mas tu, SENHOR, tem misericórdia de mim e levanta-me, para que eu lhes retribua.
41:11 Nisto sei que te agradas de mim: meu inimigo não grita vitória sobre mim.
41:12 Quanto a mim, tu me susténs em minha integridade e me colocas diante de ti para sempre.
41:13 Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, de eternidade a eternidade!
   Amém e amém!

Capítulo 42
42:1 Como o cervo anseia pelas correntes de água, assim minha alma anseia por ti, ó Deus.
42:2 Minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo.
   Quando irei e me apresentarei diante de Deus?
42:3 Minhas lágrimas têm sido meu pão dia e noite, enquanto me dizem o dia inteiro: “Onde está seu Deus?”
42:4 Lembro-me destas coisas e derramo minha alma dentro de mim: como eu passava com a multidão e a conduzia à casa de Deus, com vozes de alegria e gratidão, uma multidão em festa.
42:5 Por que você está abatida, minha alma, e se agita dentro de mim?
   Espere em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação que vem da sua presença.
42:6 Meu Deus, minha alma está abatida dentro de mim;
   por isso me lembro de ti desde a terra do Jordão e dos montes do Hermom, desde o monte Mizar.
42:7 Um abismo chama outro abismo ao estrondo das tuas cachoeiras;
   todas as tuas ondas e vagas passaram sobre mim.
42:8 De dia o SENHOR envia seu amor leal;
   à noite um cântico está comigo, uma oração ao Deus da minha vida.
42:9 Digo a Deus, minha rocha: “Por que te esqueceste de mim?
   Por que ando de luto sob a opressão do inimigo?”
42:10 Como um golpe mortal nos meus ossos, meus adversários me insultam, dizendo o dia inteiro: “Onde está seu Deus?”
42:11 Por que você está abatida, minha alma, e por que se agita dentro de mim?
   Espere em Deus, pois ainda o louvarei, salvação da minha face e meu Deus.

Capítulo 43
43:1 Faze-me justiça, ó Deus, e defende minha causa contra uma nação desleal;
   livra-me do homem enganador e injusto.
43:2 Pois tu és o Deus do meu refúgio;
   por que me rejeitaste?
   Por que ando de luto sob a opressão do inimigo?
43:3 Envia tua luz e tua verdade;
   que elas me guiem e me levem ao teu santo monte e às tuas moradas.
43:4 Então irei ao altar de Deus, ao Deus que é minha maior alegria;
   eu te darei graças com a lira, ó Deus, meu Deus.
43:5 Por que você está abatida, minha alma, e por que se agita dentro de mim?
   Espere em Deus, pois ainda o louvarei, salvação da minha face e meu Deus.

Capítulo 44
44:1 Ó Deus, ouvimos com nossos próprios ouvidos;
   nossos pais nos contaram a obra que fizeste nos dias deles, nos tempos antigos.
44:2 Com tua mão expulsaste as nações e plantaste nossos pais;
   afligiste os povos e fizeste os nossos se expandirem.
44:3 Pois não conquistaram a terra com sua espada, nem seu braço os salvou, mas tua mão direita, teu braço e a luz do teu rosto, porque te agradaste deles.
44:4 Tu és meu Rei, ó Deus;
   ordena livramentos para Jacó.
44:5 Com teu auxílio fazemos recuar nossos adversários;
   em teu nome pisamos os que se levantam contra nós.
44:6 Pois não confio em meu arco, e minha espada não me salva.
44:7 Tu nos salvaste dos nossos adversários e envergonhaste os que nos odeiam.
44:8 Em Deus nos gloriamos o dia inteiro e daremos graças ao teu nome para sempre. Selá.

44:9 Mas tu nos rejeitaste e humilhaste;
   já não sais com nossos exércitos.
44:10 Tu nos fazes recuar diante do adversário;
   os que nos odeiam nos saqueiam.
44:11 Tu nos entregas como ovelhas para serem comidas e nos dispersaste entre as nações.
44:12 Vendes teu povo por quase nada e não obténs lucro com seu preço.
44:13 Tu nos tornas objeto de afronta para nossos vizinhos, de escárnio e zombaria para os que nos rodeiam.
44:14 Tu nos fazes um provérbio entre as nações;
   os povos balançam a cabeça ao nos ver.
44:15 Minha desonra está diante de mim o dia inteiro, e a vergonha cobre meu rosto,
44:16 por causa da voz de quem insulta e blasfema, por causa do inimigo e do vingador.
44:17 Tudo isso nos sobreveio, mas não nos esquecemos de ti nem fomos infiéis à tua aliança.
44:18 Nosso coração não voltou atrás, nem nossos passos se desviaram da tua vereda,
44:19 embora nos esmagasses num lugar de chacais e nos cobrisses com a sombra da morte.
44:20 Se tivéssemos esquecido o nome do nosso Deus ou estendido as mãos a um deus estranho,
44:21 Deus não o teria descoberto?
   Pois ele conhece os segredos do coração.
44:22 Mas por tua causa somos mortos o dia inteiro;
   somos considerados ovelhas para o matadouro.
44:23 Desperta! Por que dormes, Senhor?
   Acorda!
   Não nos rejeites para sempre!
44:24 Por que escondes teu rosto e te esqueces da nossa aflição e da nossa opressão?
44:25 Pois nossa alma se afundou no pó, e nosso ventre se colou à terra.
44:26 Levanta-te em nosso auxílio e resgata-nos por teu amor leal!

Capítulo 45
45:1 Meu coração transborda de um belo tema;
   dedico ao rei o que compus.
   Minha língua é a pena de um escriba habilidoso.
45:2 Você é o mais belo dos seres humanos;
   a graça se derramou em seus lábios.
   Por isso Deus o abençoou para sempre.
45:3 Prenda sua espada à coxa, ó guerreiro poderoso, com seu esplendor e sua majestade.
45:4 Em sua majestade, cavalgue vitoriosamente pela causa da verdade, da humildade e da justiça;
   que sua mão direita lhe ensine feitos temíveis.
45:5 Suas flechas são afiadas;
   os povos caem debaixo de você.
   Elas atingem o coração dos inimigos do rei.
45:6 Seu trono, ó Deus, é para todo o sempre;
   o cetro do seu reino é um cetro de retidão.
45:7 Você amou a justiça e odiou a maldade;
   por isso Deus, seu Deus, o ungiu com óleo de alegria, mais que a seus companheiros.
45:8 Todas as suas vestes cheiram a mirra, aloés e cássia;
   dos palácios de marfim, instrumentos de cordas o alegram.
45:9 Entre suas damas ilustres há filhas de reis;
   à sua direita está a rainha, adornada com ouro de Ofir.
45:10 Escute, filha, veja e incline seu ouvido;
   esqueça seu povo e a casa de seu pai.
45:11 O rei desejará sua beleza;
   ele é seu senhor, prostre-se diante dele.
45:12 A filha de Tiro virá com presentes;
   os ricos do povo buscarão seu favor.
45:13 No interior do palácio, a filha do rei está toda esplêndida;
   sua veste é tecida com ouro.
45:14 Com roupas bordadas ela é conduzida ao rei;
   atrás dela, as virgens, suas companheiras, são trazidas a você.
45:15 São conduzidas com alegria e júbilo;
   entram no palácio do rei.
45:16 Em lugar dos seus pais estarão seus filhos;
   você os fará príncipes por toda a terra.
45:17 Farei seu nome ser lembrado por todas as gerações;
   por isso os povos o louvarão para todo o sempre.

Capítulo 46
46:1 Deus é nosso refúgio e nossa fortaleza, socorro sempre presente na angústia.
46:2 Por isso não temeremos, ainda que a terra se transforme e os montes se abalem no coração dos mares,
46:3 ainda que suas águas rujam e espumem, e os montes tremam com sua fúria. Selá.

46:4 Há um rio cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo.
46:5 Deus está no meio dela;
   ela não será abalada.
   Deus a ajudará ao romper da manhã.
46:6 As nações rugiram, os reinos se abalaram;
   ele fez ouvir sua voz, e a terra se derreteu.
46:7 O SENHOR dos Exércitos está conosco;
   o Deus de Jacó é nosso alto refúgio. Selá.

46:8 Venham e contemplem as obras do SENHOR, as desolações que fez na terra.
46:9 Ele faz cessar as guerras até os confins da terra;
   quebra o arco, corta a lança e queima os carros no fogo.
46:10 “Aquietem-se e saibam que eu sou Deus;
   serei exaltado entre as nações, serei exaltado na terra.”
46:11 O SENHOR dos Exércitos está conosco;
   o Deus de Jacó é nosso alto refúgio. Selá.

Capítulo 47
47:1 Batam palmas, todos os povos!
   Aclamem a Deus com gritos de alegria!
47:2 Pois o SENHOR, o Altíssimo, é temível, grande Rei sobre toda a terra.
47:3 Ele submete povos debaixo de nós e nações debaixo dos nossos pés.
47:4 Escolhe para nós nossa herança, a glória de Jacó, a quem ama. Selá.

47:5 Deus subiu entre aclamações;
   o SENHOR, ao som da trombeta de chifre.
47:6 Cantem louvores a Deus, cantem louvores!
   Cantem louvores ao nosso Rei, cantem louvores!
47:7 Pois Deus é Rei de toda a terra;
   cantem louvores com entendimento.
47:8 Deus reina sobre as nações;
   Deus se assentou no seu santo trono.
47:9 Os nobres dos povos se reúnem como povo do Deus de Abraão.
  47:10 Pois a Deus pertencem os escudos da terra;
   ele é grandemente exaltado.

Capítulo 48
48:1 Grande é o SENHOR e muito digno de louvor na cidade do nosso Deus, em seu santo monte.
48:2 Belo em sua elevação, alegria de toda a terra, é o monte Sião, nos confins do norte, a cidade do grande Rei.
48:3 Em seus palácios, Deus se deu a conhecer como alto refúgio.
48:4 Pois eis que os reis se reuniram e avançaram juntos.
48:5 Eles viram e ficaram espantados;
   aterrorizados, fugiram às pressas.
48:6 Ali o tremor os tomou, uma dor como a de uma mulher em trabalho de parto.
48:7 Com o vento do leste, tu despedaças os navios de Társis.
48:8 Como ouvimos, assim vimos na cidade do SENHOR dos Exércitos, na cidade do nosso Deus.
   Deus a firmará para sempre. Selá.

48:9 Meditamos em teu amor leal, ó Deus, no meio do teu templo.
48:10 Como teu nome, ó Deus, assim teu louvor alcança os confins da terra;
   tua mão direita está cheia de justiça.
48:11 Que o monte Sião se alegre, e as filhas de Judá exultem por causa dos teus juízos.
48:12 Percorram Sião e deem a volta ao seu redor;
   contem suas torres.
48:13 Prestem atenção às suas muralhas e examinem seus palácios, para contar à geração vindoura:
48:14 “Pois este Deus é nosso Deus para todo o sempre;
   ele nos guiará até a morte.”

Capítulo 49
49:1 Ouçam isto, todos os povos;
   deem ouvidos, todos os habitantes do mundo,
49:2 tanto a gente comum como os nobres, ricos e pobres juntos.
49:3 Minha boca falará sabedoria, e a meditação do meu coração, entendimento.
49:4 Inclinarei meu ouvido ao provérbio;
   exporei meu enigma ao som da lira.
49:5 Por que temerei nos dias maus, quando me cerca a iniquidade dos que me espreitam,
49:6 dos que confiam em seus bens e se gabam da abundância das suas riquezas?
49:7 Ninguém pode de modo algum resgatar seu irmão nem dar a Deus o preço do seu resgate
49:8 (pois o resgate de sua vida é caro demais;
   é preciso desistir dele para sempre),
49:9 para que viva eternamente e não veja a cova.
49:10 Pois ele vê que os sábios morrem;
   juntos perecem o tolo e o insensato, deixando a outros seus bens.
49:11 No íntimo, pensam que suas casas durarão para sempre, suas moradas, de geração em geração;
   dão seus próprios nomes às suas terras.
49:12 Mas o homem não permanece em sua honra;
   é como os animais que perecem.
49:13 Esse é o caminho deles, sua insensatez;
   mesmo assim, os que vêm depois aprovam suas palavras. Selá.

49:14 Como ovelhas, são destinados ao Seol;
   a morte os pastoreará.
   Pela manhã, os retos dominarão sobre eles;
   o Seol consumirá sua figura, longe da sua morada.
49:15 Mas Deus resgatará minha alma do poder do Seol, pois ele me tomará consigo. Selá.

49:16 Não tenha medo quando um homem enriquecer, quando aumentar o esplendor da sua casa.
49:17 Pois, ao morrer, nada levará;
   seu esplendor não descerá atrás dele.
49:18 Embora em vida ele se considere feliz (e elogiam você quando prospera),
49:19 irá para a geração dos seus pais, que jamais verão a luz.
49:20 O homem que vive em honra, mas não tem entendimento, é como os animais que perecem.

Capítulo 50
50:1 O Poderoso, Deus, o SENHOR, falou e convocou a terra, do nascer do sol até o seu poente.
50:2 De Sião, perfeição de beleza, Deus resplandece.
50:3 Nosso Deus vem e não se cala;
   diante dele um fogo devora, e ao seu redor há uma violenta tempestade.
50:4 Ele convoca os céus lá em cima e a terra, para julgar seu povo:
50:5 “Reúnam junto a mim meus fiéis, os que fizeram comigo uma aliança por meio de sacrifício.”
50:6 Os céus proclamam sua justiça, pois o próprio Deus é o juiz. Selá.

50:7 “Escute, meu povo, e falarei;
   Israel, testemunharei contra você.
   Eu sou Deus, seu Deus.
50:8 Não o repreendo por seus sacrifícios;
   seus holocaustos estão sempre diante de mim.
50:9 Não tirarei da sua casa um novilho, nem bodes dos seus currais,
50:10 pois todos os animais da floresta são meus, e o gado de mil montes.
50:11 Conheço todas as aves dos montes;
   tudo o que se move no campo me pertence.
50:12 Se eu tivesse fome, não diria a você, pois o mundo é meu, e tudo o que nele há.
50:13 Acaso como carne de touros ou bebo sangue de bodes?
50:14 Ofereça a Deus um sacrifício de gratidão e cumpra seus votos ao Altíssimo.
50:15 Invoque-me no dia da angústia;
   eu o livrarei, e você me honrará.”
50:16 Mas ao ímpio Deus diz: “Que direito você tem de recitar meus estatutos e de trazer minha aliança na boca,
50:17 se odeia a disciplina e lança minhas palavras para trás de si?
50:18 Quando vê um ladrão, você o aprova e se associa aos adúlteros.
50:19 Você solta a boca para o mal, e sua língua tece enganos.
50:20 Você se senta para falar contra seu irmão;
   difama o filho da sua mãe.
50:21 Você fez essas coisas, e eu me calei;
   pensou que eu era igual a você.
   Mas eu o repreenderei e as porei diante dos seus olhos.
50:22 Entendam isto, vocês que se esquecem de Deus, para que eu não os despedace, sem que haja quem os livre.
50:23 Quem oferece gratidão como sacrifício me honra;
   a quem ordena seu caminho mostrarei a salvação de Deus.”

Capítulo 51
Ao regente. Salmo de Davi, quando o profeta Natã foi até ele, depois de Davi ter se unido a Bate-Seba.
51:1 Tem misericórdia de mim, ó Deus, segundo teu amor leal;
   pela abundância das tuas misericórdias, apaga minhas transgressões.
51:2 Lava-me por completo da minha iniquidade e purifica-me do meu pecado.
51:3 Pois reconheço minhas transgressões, e meu pecado está sempre diante de mim.
51:4 Contra ti, somente contra ti pequei e fiz o que é mau aos teus olhos, de modo que és justo quando falas e puro quando julgas.
51:5 Em iniquidade fui dado à luz;
   em pecado minha mãe me concebeu.
51:6 Eis que desejas verdade no íntimo e, no secreto, me fazes conhecer sabedoria.
51:7 Purifica-me com hissopo, e ficarei puro;
   lava-me, e ficarei mais branco que a neve.
51:8 Faze-me ouvir júbilo e alegria;
   que exultem os ossos que esmagaste.
51:9 Esconde teu rosto dos meus pecados e apaga todas as minhas iniquidades.
51:10 Cria em mim, ó Deus, um coração puro e renova dentro de mim um espírito firme.
51:11 Não me lances fora da tua presença nem retires de mim teu Espírito Santo.
51:12 Devolve-me a alegria da tua salvação, e que um espírito disposto me sustente.
51:13 Ensinarei teus caminhos aos transgressores, e os pecadores voltarão a ti.
51:14 Livra-me da culpa de derramar sangue, ó Deus, Deus da minha salvação;
   minha língua cantará com alegria tua justiça.
51:15 Senhor, abre meus lábios, e minha boca proclamará teu louvor.
51:16 Pois não te agradas de sacrifício, senão eu o ofereceria;
   não tens prazer em holocaustos.
51:17 Os sacrifícios para Deus são um espírito quebrantado;
   a um coração quebrantado e contrito não desprezarás, ó Deus.
51:18 Faze bem a Sião por teu favor;
   edifica as muralhas de Jerusalém.
51:19 Então te agradarás de sacrifícios de justiça, holocaustos e ofertas inteiramente queimadas;
   então oferecerão novilhos sobre teu altar.

Capítulo 52
52:1 Por que você se gaba da maldade, ó poderoso?
   O amor leal de Deus permanece o dia inteiro.
52:2 Sua língua trama destruição;
   como navalha afiada, age com engano.
52:3 Você ama o mal mais que o bem, a mentira mais que falar com justiça. Selá.

52:4 Você ama toda palavra devoradora, ó língua enganadora.
52:5 Deus também o derrubará para sempre;
   ele o arrebatará, o arrancará da sua tenda e o desenraizará da terra dos vivos. Selá.

52:6 Os justos verão e temerão;
   rirão dele:
52:7 “Eis o homem que não fez de Deus sua fortaleza, mas confiou na abundância das suas riquezas e se fortaleceu na sua maldade!”
52:8 Mas eu sou como uma oliveira verdejante na casa de Deus;
   confio no amor leal de Deus para todo o sempre.
52:9 Eu te darei graças para sempre, pois tu o fizeste;
   diante dos teus fiéis esperarei em teu nome, pois é bom.

Capítulo 53
53:1 O insensato diz em seu coração: “Não há Deus.”
   Eles se corromperam e praticaram injustiças abomináveis;
   não há quem faça o bem.
53:2 Deus olha dos céus para os seres humanos, para ver se há alguém que tenha entendimento, alguém que busque a Deus.
53:3 Todos se afastaram;
   juntos se corromperam.
   Não há quem faça o bem, nem sequer um.
53:4 Será que não entendem os que praticam o mal, que devoram meu povo como quem come pão e não invocam a Deus?
53:5 Ali ficaram tomados de grande pavor, onde não havia o que temer, pois Deus espalhou os ossos de quem acampava contra você.
   Você os envergonhou, pois Deus os rejeitou.
53:6 Quem dera viessem de Sião os livramentos de Israel!
   Quando Deus restaurar a sorte do seu povo, Jacó exultará e Israel se alegrará.

Capítulo 54
54:1 Ó Deus, salva-me por teu nome e faze-me justiça por teu poder.
54:2 Ó Deus, ouve minha oração;
   dá ouvidos às palavras da minha boca.
54:3 Pois estranhos se levantaram contra mim, e homens violentos procuram tirar minha vida;
   não põem Deus diante de si. Selá.

54:4 Eis que Deus me ajuda;
   o Senhor está entre os que sustentam minha vida.
54:5 O mal voltará sobre os que me espreitam;
   por tua fidelidade, destrói-os.
54:6 De boa vontade te oferecerei sacrifícios;
   darei graças ao teu nome, SENHOR, pois é bom.
54:7 Pois ele me livrou de toda angústia, e meus olhos viram a derrota dos meus inimigos.

Capítulo 55
55:1 Dá ouvidos à minha oração, ó Deus, e não te escondas da minha súplica.
55:2 Atende-me e responde-me;
   agito-me em minha queixa e gemo
55:3 por causa da voz do inimigo e da opressão do ímpio.
   Lançam calamidade sobre mim e me hostilizam com furor.
55:4 Meu coração se retorce dentro de mim;
   terrores de morte caíram sobre mim.
55:5 Temor e tremor me invadem, e o horror me cobre.
55:6 Eu disse: “Quem me dera asas como as da pomba!
   Voaria e encontraria descanso.
55:7 Eu fugiria para longe e passaria a noite no deserto. Selá.

55:8 Eu me apressaria em buscar abrigo contra o vento impetuoso e a tempestade.”
55:9 Destrói-os, Senhor, e divide suas línguas, pois vejo violência e contenda na cidade.
55:10 Dia e noite rondam suas muralhas;
   dentro dela há iniquidade e sofrimento.
55:11 Há destruição em seu interior;
   a opressão e o engano não se afastam das suas praças.
55:12 Pois não é um inimigo que me insulta;
   isso eu suportaria.
   Não é alguém que me odeia que se engrandece contra mim;
   dele eu me esconderia.
55:13 Mas é você, um homem como eu, meu companheiro e meu amigo íntimo!
55:14 Juntos desfrutávamos de doces conversas;
   íamos à casa de Deus entre a multidão.
55:15 Que desolações venham sobre eles!
   Que desçam vivos ao Seol!
   Pois há maldade em suas moradas e no seu íntimo.
55:16 Eu, porém, clamarei a Deus, e o SENHOR me salvará.
55:17 À tarde, pela manhã e ao meio-dia me queixarei e gemerei, e ele ouvirá minha voz.
55:18 Resgatou minha alma em paz da batalha contra mim, pois eram muitos os que me combatiam.
55:19 Deus ouvirá e lhes responderá, ele que está entronizado desde os tempos antigos.
   Selá.
   Eles não mudam nem temem a Deus.
55:20 Ele estendeu as mãos contra os que estavam em paz com ele;
   violou sua aliança.
55:21 Sua boca era mais macia que a manteiga, mas no seu coração havia guerra;
   suas palavras eram mais suaves que o óleo, mas eram espadas desembainhadas.
55:22 Lance sobre o SENHOR seu fardo, e ele o sustentará;
   jamais permitirá que o justo seja abalado.
55:23 Mas tu, ó Deus, os farás descer ao poço da destruição;
   homens sanguinários e enganadores não viverão metade dos seus dias.
   Eu, porém, confiarei em ti.

Capítulo 56
Ao regente; segundo «Jonate-Élem-Reoquim». Mictam de Davi, quando os filisteus o capturaram em Gate.
56:1 Tem misericórdia de mim, ó Deus, pois o homem me pisoteia;
   o dia inteiro me combate e me oprime.
56:2 Os que me espreitam me pisoteiam o dia inteiro;
   muitos são os que me combatem com altivez.
56:3 No dia em que eu temer, confiarei em ti.
56:4 Em Deus, cuja palavra louvo, em Deus confio e não temerei.
   Que pode um mortal me fazer?
56:5 O dia inteiro torcem minhas palavras;
   todos os seus planos contra mim visam o mal.
56:6 Reúnem-se, escondem-se e vigiam meus passos, esperando tirar minha vida.
56:7 Escaparão apesar da sua iniquidade?
   Ó Deus, derruba os povos em tua ira!
56:8 Tu contaste minhas andanças;
   põe minhas lágrimas no teu odre.
   Não estão elas em teu livro?
56:9 Então meus inimigos recuarão no dia em que eu te invocar.
   Isto sei: Deus está do meu lado.
56:10 Em Deus louvarei sua palavra;
   no SENHOR louvarei sua palavra.
56:11 Em Deus confio e não temerei.
   Que pode o homem me fazer?
56:12 Devo cumprir os votos que te fiz, ó Deus;
   eu te apresentarei ofertas de gratidão.
56:13 Pois livraste minha alma da morte.
   Não livraste também meus pés da queda, para que eu ande diante de Deus na luz dos vivos?

Capítulo 57
57:1 Tem misericórdia de mim, ó Deus, tem misericórdia de mim, pois em ti minha alma se refugia.
   À sombra das tuas asas me abrigarei, até que passem as calamidades.
57:2 Clamarei ao Deus Altíssimo, ao Deus que tudo realiza por mim.
57:3 Ele enviará socorro dos céus e me salvará;
   cobrirá de vergonha quem me pisoteia.
   Selá.
   Deus enviará seu amor leal e sua verdade.
57:4 Minha alma está entre leões;
   deito-me entre homens que ardem em fúria, cujos dentes são lanças e flechas, e cuja língua é uma espada afiada.
57:5 Sê exaltado acima dos céus, ó Deus;
   tua glória esteja sobre toda a terra.
57:6 Prepararam uma rede para meus passos;
   minha alma ficou abatida.
   Cavaram uma cova diante de mim, mas eles mesmos caíram nela. Selá.

57:7 Meu coração está firme, ó Deus, meu coração está firme;
   cantarei e entoarei louvores.
57:8 Desperte, minha glória!
   Despertem, harpa e lira!
   Despertarei a aurora!
57:9 Eu te darei graças entre os povos, Senhor;
   cantarei louvores a ti entre as nações.
57:10 Pois teu amor leal é grande até os céus, e tua verdade alcança as nuvens.
57:11 Sê exaltado acima dos céus, ó Deus;
   tua glória esteja sobre toda a terra.

Capítulo 58
58:1 Vocês que se calam, é mesmo a justiça que proclamam?
   Julgam com retidão, seres humanos?
58:2 Antes, no coração vocês praticam injustiças;
   sobre a terra distribuem a violência das suas mãos.
58:3 Os ímpios se desviam desde o ventre;
   desde que nascem se extraviam os que falam mentiras.
58:4 Seu veneno é como o veneno da serpente, como o da víbora surda que tapa o ouvido
58:5 e não ouve a voz dos encantadores, por mais habilidoso que seja quem pronuncia os encantamentos.
58:6 Ó Deus, quebra os dentes deles na boca;
   SENHOR, despedaça as presas desses leões jovens.
58:7 Que se desfaçam como água que escoa;
   quando o ímpio armar sua flecha, que ela se parta.
58:8 Como a lesma que se desfaz ao avançar, como um feto perdido por uma mulher, que não vejam o sol.
58:9 Antes que as panelas de vocês sintam o calor dos espinheiros, ele os varrerá num redemoinho, quer verdes, quer em brasa.
58:10 O justo se alegrará ao ver a vingança;
   lavará seus pés no sangue do ímpio.
58:11 Então o homem dirá: “Certamente há recompensa para o justo;
   certamente há um Deus que julga na terra.”

Capítulo 59
59:1 Livra-me dos meus inimigos, meu Deus;
   põe-me a salvo dos que se levantam contra mim.
59:2 Livra-me dos que praticam o mal e salva-me dos homens sanguinários.
59:3 Pois eis que armam ciladas para tirar minha vida;
   homens fortes se reúnem contra mim, sem transgressão minha nem pecado meu, SENHOR.
59:4 Sem culpa minha, correm e se preparam.
   Desperta, vem ao meu encontro e vê!
59:5 Tu, SENHOR, Deus dos Exércitos, Deus de Israel, acorda para castigar todas as nações;
   não tenhas misericórdia de nenhum traidor que pratique a iniquidade. Selá.

59:6 Voltam ao anoitecer, rosnam como cães e rondam a cidade.
59:7 Eis o que jorra de suas bocas: há espadas em seus lábios, pois dizem: “Quem ouve?”
59:8 Mas tu, SENHOR, rirás deles;
   zombarás de todas as nações.
59:9 Por causa da força dele, esperarei em ti, pois Deus é meu alto refúgio.
59:10 Meu Deus virá ao meu encontro com seu amor leal;
   Deus me fará ver a derrota dos que me espreitam.
59:11 Não os mates, para que meu povo não se esqueça;
   dispersa-os com teu poder e abate-os, Senhor, nosso escudo.
59:12 Pelo pecado da sua boca e pelas palavras dos seus lábios, que sejam presos em seu orgulho, por causa das maldições e mentiras que contam.
59:13 Consome-os em teu furor;
   consome-os, para que deixem de existir.
   Que saibam que Deus governa em Jacó até os confins da terra. Selá.

59:14 Que voltem ao anoitecer, rosnem como cães e rondem a cidade.
59:15 Que vagueiem em busca de comida e, se não se saciarem, passem a noite assim.
59:16 Eu, porém, cantarei tua força;
   pela manhã celebrarei com alegria teu amor leal, pois tens sido meu alto refúgio e meu abrigo no dia da angústia.
59:17 Minha força, cantarei louvores a ti, pois Deus é meu alto refúgio, o Deus que me mostra amor leal.

Capítulo 60
60:1 Ó Deus, tu nos rejeitaste e nos quebrantaste;
   ficaste indignado.
   Restaura-nos!
60:2 Fizeste a terra tremer e a fendeste;
   cura suas fendas, pois ela vacila.
60:3 Fizeste teu povo passar por coisas duras;
   deste-nos a beber um vinho que nos faz cambalear.
60:4 Deste aos que te temem um estandarte, para ser erguido por causa da verdade. Selá.

60:5 Para que teus amados sejam livres, salva com tua mão direita e responde-nos.
60:6 Deus falou em sua santidade: “Eu me alegrarei;
   repartirei Siquém e medirei o vale de Sucote.
60:7 Meu é Gileade, e meu é Manassés;
   Efraim é a defesa da minha cabeça;
   Judá é meu cetro.
60:8 Moabe é minha bacia de lavar;
   sobre Edom lançarei minha sandália.
   Filístia, dê seu grito por minha causa!”
60:9 Quem me levará à cidade fortificada?
   Quem me guiará até Edom?
60:10 Não foste tu, ó Deus, que nos rejeitaste?
   Já não sais, ó Deus, com nossos exércitos.
60:11 Dá-nos auxílio contra o adversário, pois vão é o socorro do homem.
60:12 Com Deus faremos proezas;
   ele pisará nossos adversários.

Capítulo 61
61:1 Ouve meu clamor, ó Deus;
   atende à minha oração.
61:2 Dos confins da terra clamo a ti quando meu coração desfalece;
   guia-me à rocha mais alta que eu.
61:3 Pois tens sido meu refúgio, uma torre forte contra o inimigo.
61:4 Que eu habite em tua tenda para sempre e me refugie no abrigo das tuas asas. Selá.

61:5 Pois tu, ó Deus, ouviste meus votos;
   deste-me a herança dos que temem teu nome.
61:6 Acrescenta dias aos dias do rei;
   que seus anos durem de geração em geração.
61:7 Que ele permaneça para sempre diante de Deus;
   determina que o amor leal e a verdade o guardem.
61:8 Assim cantarei louvores ao teu nome para sempre, para cumprir meus votos dia após dia.

Capítulo 62
62:1 Só em Deus minha alma espera em silêncio;
   dele vem minha salvação.
62:2 Só ele é minha rocha e minha salvação, meu alto refúgio;
   não serei muito abalado.
62:3 Até quando atacarão um homem, todos vocês, para abatê-lo como uma parede inclinada, como um muro prestes a cair?
62:4 Só planejam derrubá-lo da sua posição elevada;
   têm prazer na mentira.
   Com a boca abençoam, mas por dentro amaldiçoam. Selá.

62:5 Minha alma, espere em silêncio só em Deus, pois dele vem minha esperança.
62:6 Só ele é minha rocha e minha salvação, meu alto refúgio;
   não serei abalado.
62:7 De Deus dependem minha salvação e minha glória;
   em Deus estão minha rocha forte e meu refúgio.
62:8 Confiem nele em todo tempo, ó povo;
   derramem diante dele seu coração.
   Deus é nosso refúgio. Selá.

62:9 A gente comum é só um sopro, e os nobres, uma mentira;
   postos juntos na balança, sobem, pois são mais leves que um sopro.
62:10 Não confiem na extorsão nem se iludam com o roubo;
   se as riquezas aumentarem, não ponham nelas o coração.
62:11 Uma vez Deus falou;
   duas vezes ouvi isto: o poder pertence a Deus,
62:12 e a ti, Senhor, pertence o amor leal, pois retribuis a cada um segundo suas obras.

Capítulo 63
63:1 Ó Deus, tu és meu Deus;
   eu te busco com fervor.
   Minha alma tem sede de ti, meu corpo anseia por ti, numa terra seca, exausta e sem água.
63:2 Assim te contemplei no santuário, para ver teu poder e tua glória.
63:3 Pois teu amor leal é melhor que a vida;
   meus lábios te louvarão.
63:4 Assim te bendirei enquanto viver;
   em teu nome levantarei minhas mãos.
63:5 Minha alma se fartará como de manjares ricos em gordura;
   com lábios alegres, minha boca te louvará,
63:6 quando eu me lembrar de ti na cama e meditar em ti nas vigílias da noite.
63:7 Pois tens sido meu auxílio;
   à sombra das tuas asas cantarei de alegria.
63:8 Minha alma se apega a ti;
   tua mão direita me sustenta.
63:9 Mas os que procuram destruir minha vida irão para as profundezas da terra.
63:10 Serão entregues ao poder da espada e servirão de alimento aos chacais.
63:11 Mas o rei se alegrará em Deus;
   todos os que juram por ele se gloriarão, pois a boca dos que falam mentira será fechada.

Capítulo 64
64:1 Ouve minha voz, ó Deus, quando me queixo;
   guarda minha vida do terror do inimigo.
64:2 Esconde-me da conspiração dos malfeitores e do tumulto dos que praticam o mal,
64:3 que afiam a língua como espada e armam como flecha uma palavra amarga,
64:4 para atirar às escondidas contra o íntegro;
   atiram de repente contra ele, sem temor.
64:5 Fortalecem uns aos outros em seu mau propósito;
   falam de esconder armadilhas e dizem: “Quem as verá?”
64:6 Tramam injustiças: “Concluímos um plano bem elaborado.”
   Profundos são o íntimo e o coração do homem!
64:7 Mas Deus disparará contra eles uma flecha;
   de repente ficarão feridos.
64:8 Sua própria língua os fará tropeçar;
   todos os que os virem se afastarão.
64:9 Todos temerão, anunciarão a obra de Deus e compreenderão o que ele fez.
64:10 O justo se alegrará no SENHOR e nele se refugiará;
   todos os retos de coração se gloriarão.

Capítulo 65
65:1 Em Sião, ó Deus, o louvor te espera em silêncio;
   a ti será cumprido o voto.
65:2 Tu que ouves a oração, a ti virão todos os seres humanos.
65:3 As iniquidades prevalecem contra mim;
   nossas transgressões, tu as expias.
65:4 Bem-aventurado aquele que escolhes e aproximas de ti, para habitar em teus átrios!
   Seremos saciados com a bondade da tua casa, do teu santo templo.
65:5 Com feitos temíveis nos respondes em justiça, ó Deus da nossa salvação, esperança de todos os confins da terra e dos mares distantes.
65:6 Ele firma os montes com sua força, revestido de poder;
65:7 acalma o rugido dos mares, o rugido das suas ondas e o tumulto dos povos.
65:8 Os habitantes dos confins da terra temem teus sinais;
   tu fazes o amanhecer e o anoitecer cantarem de alegria.
65:9 Tu visitas a terra e a regas;
   tu a enriqueces abundantemente.
   O rio de Deus está cheio de água;
   preparas o cereal para eles, pois assim preparas a terra.
65:10 Encharcas seus sulcos e aplanas seus torrões;
   com chuvas a amoleces e abençoas o que nela brota.
65:11 Coroas o ano com tua bondade;
   tuas veredas gotejam fartura.
65:12 As pastagens do deserto gotejam fartura, e as colinas se revestem de alegria.
65:13 Os prados se cobrem de rebanhos, e os vales se vestem de cereal;
   dão gritos de alegria e cantam.

Capítulo 66
66:1 Aclamem a Deus, habitantes de toda a terra!
66:2 Cantem a glória do seu nome;
   tornem glorioso seu louvor.
66:3 Digam a Deus: “Como são temíveis tuas obras!
   Pela grandeza do teu poder, teus inimigos fingem submissão a ti.
66:4 Toda a terra se prostrará diante de ti e te cantará louvores;
   cantará louvores ao teu nome.” Selá.

66:5 Venham e vejam as obras de Deus;
   temíveis são seus feitos entre os seres humanos.
66:6 Transformou o mar em terra seca;
   atravessaram o rio a pé.
   Ali nos alegramos nele.
66:7 Ele governa para sempre com seu poder;
   seus olhos vigiam as nações.
   Que os rebeldes não exaltem a si mesmos! Selá.

66:8 Bendigam nosso Deus, ó povos;
   façam ressoar seu louvor.
66:9 Ele conserva nossa alma com vida e não permite que nossos pés vacilem.
66:10 Pois tu nos puseste à prova, ó Deus;
   tu nos refinaste como se refina a prata.
66:11 Tu nos fizeste entrar na rede;
   puseste uma carga pesada sobre nossas costas.
66:12 Fizeste homens cavalgar sobre nossas cabeças;
   passamos pelo fogo e pela água, mas nos trouxeste a um lugar de abundância.
66:13 Entrarei em tua casa com holocaustos;
   cumprirei os votos que te fiz,
66:14 que meus lábios pronunciaram e minha boca declarou quando eu estava angustiado.
66:15 Eu te oferecerei holocaustos de animais engordados, com a fumaça dos carneiros;
   sacrificarei gado e bodes. Selá.

66:16 Venham e ouçam, todos vocês que temem a Deus;
   eu lhes contarei o que ele fez por minha vida.
66:17 A ele clamei com minha boca, e minha língua o exaltou.
66:18 Se eu tivesse acolhido iniquidade no coração, o Senhor não me teria ouvido.
66:19 Mas Deus certamente ouviu;
   atendeu à voz da minha oração.
66:20 Bendito seja Deus, que não rejeitou minha oração nem afastou de mim seu amor leal!

Capítulo 67
67:1 Que Deus tenha misericórdia de nós e nos abençoe;
   que faça brilhar seu rosto sobre nós. Selá.

67:2 Para que teu caminho seja conhecido na terra, e tua salvação, entre todas as nações.
67:3 Que os povos te louvem, ó Deus;
   que todos os povos te louvem.
67:4 Que as nações se alegrem e cantem de júbilo, pois julgas os povos com retidão e guias as nações na terra. Selá.

67:5 Que os povos te louvem, ó Deus;
   que todos os povos te louvem.
67:6 A terra deu sua colheita;
   Deus, nosso Deus, nos abençoará.
67:7 Deus nos abençoará, e todos os confins da terra o temerão.

Capítulo 68
68:1 Que Deus se levante e seus inimigos se dispersem;
   que os que o odeiam fujam da sua presença.
68:2 Como a fumaça é dissipada, assim tu os dissipas;
   como a cera derrete diante do fogo, que os ímpios pereçam diante de Deus.
68:3 Mas que os justos se alegrem, exultem diante de Deus e transbordem de alegria.
68:4 Cantem a Deus, cantem louvores ao seu nome;
   preparem o caminho para quem cavalga pelos desertos.
   Yah é seu nome;
   alegrem-se diante dele.
68:5 Pai dos órfãos e defensor das viúvas é Deus em sua santa morada.
68:6 Deus dá um lar aos solitários e faz os prisioneiros sair para a prosperidade;
   mas os rebeldes habitam em terra ressequida.
68:7 Ó Deus, quando saíste à frente do teu povo, quando marchaste pelo deserto, Selá,
68:8 a terra tremeu, e os céus derramaram chuva diante de Deus;
   o próprio Sinai tremeu diante de Deus, do Deus de Israel.
68:9 Derramaste chuva generosa, ó Deus;
   quando tua herança estava exausta, tu a restauraste.
68:10 Tua comunidade habitou nela;
   por tua bondade, ó Deus, proveste o pobre.
68:11 O Senhor dá a palavra;
   as mulheres que anunciam as boas-novas são um grande exército:
68:12 “Os reis dos exércitos fogem, fogem!”
   E a mulher que fica em casa reparte os despojos.
68:13 Ainda que vocês se deitem entre os apriscos, as asas da pomba estão cobertas de prata, e suas penas têm reflexos de ouro esverdeado.
68:14 Quando o Todo-Poderoso dispersou ali os reis, caiu neve em Zalmom.
68:15 Monte de Deus é o monte de Basã;
   monte de muitos cumes é o monte de Basã.
68:16 Montes de muitos cumes, por que olham com inveja para o monte que Deus desejou para sua morada?
   Sim, o SENHOR habitará nele para sempre.
68:17 Os carros de Deus são vinte mil, milhares e milhares;
   o Senhor está entre eles;
   o Sinai está no santuário.
68:18 Subiste às alturas, levaste cativos e recebeste dádivas entre os homens, até entre rebeldes, para que Yah Deus habite ali.
68:19 Bendito seja o Senhor, que dia após dia leva nossas cargas, o Deus da nossa salvação. Selá.

68:20 Nosso Deus é um Deus de livramentos;
   ao SENHOR, o Senhor, pertencem as saídas para escapar da morte.
68:21 Deus certamente esmagará a cabeça dos seus inimigos, o crânio cabeludo de quem persiste em suas culpas.
68:22 O Senhor disse: “Eu os farei voltar de Basã;
   eu os farei voltar das profundezas do mar,
68:23 para que você esmague seus inimigos com o pé no sangue deles, e a língua dos seus cães receba deles sua parte.”
68:24 Viram teus cortejos, ó Deus, os cortejos do meu Deus, meu Rei, no santuário.
68:25 Os cantores vão à frente, e os músicos, atrás;
   entre eles vão as jovens tocando pandeiros.
68:26 Nas assembleias bendigam a Deus;
   bendigam o SENHOR, vocês que procedem da fonte de Israel.
68:27 Ali está Benjamim, o mais novo, que os dirige;
   os chefes de Judá com sua multidão, os chefes de Zebulom e os chefes de Naftali.
68:28 Seu Deus determinou sua força.
   Fortalece, ó Deus, o que realizaste por nós.
68:29 Por causa do teu templo em Jerusalém, os reis te trarão presentes.
68:30 Repreende a fera dos canaviais, a manada de touros com os bezerros dos povos, até que se prostrem com peças de prata.
   Ele dispersou os povos que se agradam das guerras.
68:31 Dignitários virão do Egito;
   Cuxe se apressará a estender suas mãos para Deus.
68:32 Reinos da terra, cantem a Deus;
   cantem louvores ao Senhor. Selá.

68:33 Ele cavalga pelos céus dos céus antigos;
   eis que faz ressoar sua voz, uma voz poderosa.
68:34 Atribuam poder a Deus;
   sua majestade está sobre Israel, e sua força, nas nuvens.
68:35 Temível és, ó Deus, desde teus santuários;
   o Deus de Israel dá força e vigor ao povo.
   Bendito seja Deus!

Capítulo 69
69:1 Salva-me, ó Deus, pois as águas me chegam ao pescoço.
69:2 Afundei num lamaçal profundo, onde não consigo firmar os pés;
   entrei em águas profundas, e a corrente me arrasta.
69:3 Estou exausto de tanto clamar;
   minha garganta está seca.
   Meus olhos desfalecem de esperar por meu Deus.
69:4 Mais numerosos que os cabelos da minha cabeça são os que me odeiam sem motivo;
   poderosos são os que procuram me destruir, meus inimigos sem razão.
   Tenho de devolver o que não roubei.
69:5 Ó Deus, tu conheces minha insensatez;
   minhas culpas não te estão ocultas.
69:6 Que não fiquem envergonhados por minha causa os que esperam em ti, Senhor, SENHOR dos Exércitos;
   que não sejam humilhados por minha causa os que te buscam, ó Deus de Israel.
69:7 Pois por tua causa suportei afrontas, e a vergonha cobriu meu rosto.
69:8 Tornei-me um estranho para meus irmãos, um estrangeiro para os filhos da minha mãe.
69:9 Pois o zelo por tua casa me consumiu;
   as afrontas dos que te afrontam caíram sobre mim.
69:10 Chorei e jejuei, e isso se tornou motivo de afronta contra mim.
69:11 Vesti-me de pano de saco e me tornei para eles um provérbio de zombaria.
69:12 Os que se sentam à porta falam de mim;
   sou o tema das canções dos que bebem bebida forte.
69:13 Mas eu dirijo minha oração a ti, SENHOR, num tempo de favor.
   Ó Deus, pela abundância do teu amor leal, responde-me com tua salvação fiel.
69:14 Livra-me do lamaçal e não me deixes afundar;
   que eu seja salvo dos que me odeiam e das águas profundas.
69:15 Que a corrente das águas não me arraste, que o abismo não me engula, nem o poço feche sua boca sobre mim.
69:16 Responde-me, SENHOR, pois teu amor leal é bom;
   volta-te para mim segundo a abundância das tuas misericórdias.
69:17 Não escondas teu rosto do teu servo, pois estou angustiado;
   responde-me depressa!
69:18 Aproxima-te da minha alma e redime-a;
   resgata-me por causa dos meus inimigos.
69:19 Tu conheces minha afronta, minha vergonha e minha desonra;
   todos os meus adversários estão diante de ti.
69:20 As afrontas partiram meu coração, e estou abatido.
   Esperei por compaixão, mas não houve;
   por consoladores, mas não os encontrei.
69:21 Deram-me veneno por alimento e, na minha sede, deram-me vinagre para beber.
69:22 Que a mesa deles se torne diante deles um laço e, quando estiverem em paz, uma armadilha.
69:23 Que seus olhos se escureçam para que não vejam;
   faze seus lombos vacilarem continuamente.
69:24 Derrama sobre eles tua indignação;
   que o ardor da tua ira os alcance.
69:25 Que seu acampamento fique desolado;
   não haja quem habite em suas tendas.
69:26 Pois perseguem quem feriste e relatam a dor dos que traspassaste.
69:27 Acrescenta culpa à culpa deles;
   não os deixes entrar em tua justiça.
69:28 Que sejam apagados do livro dos vivos e não sejam inscritos com os justos.
69:29 Eu, porém, estou aflito e dolorido;
   que tua salvação, ó Deus, me ponha em segurança no alto.
69:30 Louvarei o nome de Deus com um cântico e o engrandecerei com ações de graças.
69:31 Isso agradará ao SENHOR mais que um touro, mais que um novilho com chifres e cascos.
69:32 Os humildes verão e se alegrarão;
   vocês que buscam a Deus, que seu coração reviva!
69:33 Pois o SENHOR ouve os necessitados e não despreza seus prisioneiros.
69:34 Que o louvem os céus e a terra, os mares e tudo o que neles se move.
69:35 Pois Deus salvará Sião e reconstruirá as cidades de Judá;
   ali habitarão e tomarão posse dela.
69:36 A descendência dos seus servos a herdará;
   os que amam seu nome habitarão nela.

Capítulo 70
70:1 Ó Deus, vem livrar-me!
   SENHOR, apressa-te em meu auxílio!
70:2 Que fiquem envergonhados e humilhados os que procuram tirar minha vida;
   que recuem cobertos de desonra os que desejam meu mal.
70:3 Que recuem por causa da sua vergonha os que dizem: “Ahá, ahá!”
70:4 Que exultem e se alegrem em ti todos os que te buscam;
   que os que amam tua salvação digam sempre: “Engrandecido seja Deus!”
70:5 Eu, porém, sou pobre e necessitado;
   ó Deus, apressa-te em me socorrer!
   Tu és meu auxílio e meu libertador;
   SENHOR, não demores!

Capítulo 71
71:1 Em ti me refugio, SENHOR;
   jamais me deixes envergonhado.
71:2 Por tua justiça, livra-me e resgata-me;
   inclina para mim teu ouvido e salva-me.
71:3 Sê para mim uma rocha de abrigo, à qual eu possa sempre recorrer;
   deste ordem para me salvar, pois tu és meu rochedo e minha fortaleza.
71:4 Meu Deus, livra-me da mão do ímpio, das garras do injusto e do cruel.
71:5 Pois tu és minha esperança, Senhor, SENHOR, minha confiança desde a juventude.
71:6 Em ti me apoiei desde o ventre;
   tu me tiraste das entranhas da minha mãe.
   Meu louvor é sempre para ti.
71:7 Tornei-me um motivo de espanto para muitos, mas tu és meu forte refúgio.
71:8 Que minha boca se encha do teu louvor e da tua glória o dia inteiro.
71:9 Não me rejeites no tempo da velhice;
   quando minhas forças se acabarem, não me abandones.
71:10 Pois meus inimigos falam contra mim;
   os que espreitam minha vida conspiram juntos,
71:11 dizendo: “Deus o abandonou;
   persigam-no e prendam-no, pois não há quem o livre.”
71:12 Ó Deus, não te afastes de mim;
   meu Deus, apressa-te em meu auxílio!
71:13 Que fiquem envergonhados e sejam consumidos os adversários da minha alma;
   que se cubram de afronta e humilhação os que procuram meu mal.
71:14 Eu, porém, esperarei sempre e te louvarei cada vez mais.
71:15 Minha boca contará tua justiça e tua salvação o dia inteiro, embora eu não saiba enumerá-las.
71:16 Virei proclamar os feitos poderosos do Senhor, SENHOR;
   farei lembrar tua justiça, somente a tua.
71:17 Ó Deus, tu me ensinaste desde a juventude, e até agora anuncio tuas maravilhas.
71:18 Mesmo na velhice e de cabelos brancos, não me abandones, ó Deus, até que eu anuncie teu braço à próxima geração, teu poder a todos os que virão.
71:19 Tua justiça, ó Deus, alcança as alturas;
   tu fizeste grandes coisas.
   Ó Deus, quem é como tu?
71:20 Tu, que nos fizeste ver muitas angústias e males, voltarás a nos dar vida;
   das profundezas da terra voltarás a me levantar.
71:21 Aumentarás minha grandeza e voltarás a me consolar.
71:22 Eu também te darei graças com a harpa por tua verdade, meu Deus;
   com a lira te cantarei louvores, Santo de Israel.
71:23 Meus lábios gritarão de alegria quando eu te cantar, e também minha alma, que tu resgataste.
71:24 Minha língua falará da tua justiça o dia inteiro, pois ficaram envergonhados e humilhados os que procuram meu mal.

Capítulo 72
72:1 Ó Deus, dá ao rei teus juízos e ao filho do rei tua justiça.
72:2 Que ele julgue teu povo com justiça e teus aflitos com retidão.
72:3 Que os montes tragam paz ao povo;
   que as colinas a tragam com justiça.
72:4 Que faça justiça aos aflitos do povo, salve os filhos do necessitado e esmague o opressor.
72:5 Que te temam enquanto durarem o sol e a lua, de geração em geração.
72:6 Que desça como chuva sobre a relva ceifada, como chuvas que regam a terra.
72:7 Que em seus dias floresça o justo e haja abundância de paz, até que a lua deixe de existir.
72:8 Que domine de mar a mar, e do rio até os confins da terra.
72:9 Que os habitantes do deserto se curvem diante dele, e seus inimigos lambam o pó.
72:10 Que os reis de Társis e das terras costeiras tragam tributo;
   que os reis de Sabá e de Sebá ofereçam presentes.
72:11 Que todos os reis se prostrem diante dele, e todas as nações o sirvam.
72:12 Pois ele livrará o necessitado que clama e o aflito que não tem quem o ajude.
72:13 Terá compaixão do fraco e do necessitado e salvará a vida dos necessitados.
72:14 Resgatará a vida deles da opressão e da violência;
   seu sangue será precioso aos seus olhos.
72:15 Que ele viva!
   Que lhe deem ouro de Sabá;
   que orem por ele continuamente e o bendigam o dia inteiro.
72:16 Que haja abundância de cereal na terra, até no alto dos montes;
   que seu fruto se agite como o Líbano, e os habitantes das cidades floresçam como a erva da terra.
72:17 Que seu nome permaneça para sempre;
   que se perpetue enquanto durar o sol.
   Que todas as nações sejam abençoadas nele e o chamem bem-aventurado.
72:18 Bendito seja o SENHOR Deus, o Deus de Israel, o único que faz maravilhas!
72:19 Bendito seja seu nome glorioso para sempre;
   que toda a terra se encha da sua glória.
   Amém e amém!
72:20 Terminaram as orações de Davi, filho de Jessé.

Capítulo 73
73:1 Certamente Deus é bom para Israel, para os puros de coração.
73:2 Quanto a mim, meus pés quase se desviaram;
   pouco faltou para que meus passos escorregassem.
73:3 Pois tive inveja dos arrogantes ao ver a prosperidade dos ímpios.
73:4 Eles não sofrem tormentos ao morrer, e seu corpo é bem alimentado.
73:5 Não passam pelas aflições dos outros mortais nem são atingidos como os demais homens.
73:6 Por isso o orgulho lhes serve de colar, e a violência os cobre como uma veste.
73:7 Seus olhos saltam da gordura;
   os desejos do seu coração transbordam.
73:8 Zombam e falam com maldade de opressão;
   falam com altivez.
73:9 Erguem a boca contra os céus, e sua língua percorre a terra.
73:10 Por isso ele faz seu povo voltar para cá, e eles bebem água em abundância.
73:11 E dizem: “Como Deus saberá?
   Há conhecimento no Altíssimo?”
73:12 Eis que assim são os ímpios: sempre tranquilos, aumentam suas riquezas.
73:13 Certamente foi em vão que purifiquei meu coração e lavei minhas mãos em inocência,
73:14 pois sou atingido o dia inteiro e corrigido a cada manhã.
73:15 Se eu tivesse dito: “Falarei assim”, teria traído a geração dos teus filhos.
73:16 Quando procurei compreender isso, pareceu-me uma tarefa penosa,
73:17 até que entrei nos santuários de Deus e compreendi o fim deles.
73:18 Certamente tu os pões em lugares escorregadios e os fazes cair na ruína.
73:19 Como ficam desolados num instante!
   São totalmente consumidos de terrores.
73:20 Como um sonho ao despertar, Senhor, quando despertares desprezarás sua imagem.
73:21 Quando meu coração se amargava e eu sentia pontadas no íntimo,
73:22 eu era embrutecido e não entendia;
   era como um animal diante de ti.
73:23 Mas estou sempre contigo;
   tu me seguraste pela mão direita.
73:24 Tu me guiarás com teu conselho e depois me receberás em glória.
73:25 Quem tenho nos céus além de ti?
   E, além de ti, nada desejo na terra.
73:26 Meu corpo e meu coração desfalecem, mas Deus é a rocha do meu coração e minha porção para sempre.
73:27 Pois os que se afastam de ti perecerão;
   tu destróis todos os que te são infiéis, afastando-se de ti.
73:28 Quanto a mim, bom é estar perto de Deus;
   fiz do Senhor, SENHOR, meu refúgio, para contar todas as tuas obras.

Capítulo 74
74:1 Ó Deus, por que nos rejeitaste para sempre?
   Por que tua ira fumega contra as ovelhas do teu pasto?
74:2 Lembra-te da tua comunidade, que adquiriste desde os tempos antigos, da tribo que resgataste para ser tua herança, deste monte Sião onde habitaste.
74:3 Dirige teus passos às ruínas perpétuas, a tudo o que o inimigo destruiu no santuário.
74:4 Teus adversários rugiram no interior do teu lugar de reunião;
   colocaram seus estandartes como sinais.
74:5 Pareciam homens que erguem machados na espessura de uma floresta.
74:6 Agora despedaçam todos os seus entalhes com machados e martelos.
74:7 Puseram fogo em teu santuário;
   profanaram a morada do teu nome, derrubando-a até o chão.
74:8 Disseram em seu coração: “Acabemos com eles de uma vez!”
   Queimaram todos os lugares de reunião de Deus na terra.
74:9 Não vemos nossos sinais;
   já não há profeta, e entre nós ninguém sabe até quando.
74:10 Até quando, ó Deus, o adversário afrontará?
   O inimigo desprezará teu nome para sempre?
74:11 Por que retrais tua mão, tua mão direita?
   Tira-a do teu peito e acaba com eles!
74:12 Mas Deus é meu Rei desde os tempos antigos, realizando atos de salvação no meio da terra.
74:13 Tu dividiste o mar com tua força;
   quebraste as cabeças dos monstros sobre as águas.
74:14 Tu esmagaste as cabeças do Leviatã e o deste como alimento aos habitantes do deserto.
74:15 Tu abriste fontes e ribeiros;
   tu secaste rios perenes.
74:16 Teu é o dia, e tua também é a noite;
   tu estabeleceste a luz e o sol.
74:17 Tu fixaste todos os limites da terra;
   verão e inverno, tu os formaste.
74:18 Lembra-te disto: o inimigo afrontou o SENHOR, e um povo insensato desprezou teu nome.
74:19 Não entregues à fera a vida da tua rolinha;
   não te esqueças para sempre da vida dos teus aflitos.
74:20 Considera a aliança, pois os lugares escuros da terra estão cheios de moradas de violência.
74:21 Que o oprimido não volte envergonhado;
   que o aflito e o necessitado louvem teu nome.
74:22 Levanta-te, ó Deus, defende tua causa!
   Lembra-te de como o insensato te afronta o dia inteiro.
74:23 Não te esqueças da gritaria dos teus adversários;
   o tumulto dos que se levantam contra ti sobe sem cessar.

Capítulo 75
75:1 Te damos graças, ó Deus, te damos graças;
   teu nome está perto, e tuas maravilhas são contadas.
75:2 “Quando eu determinar o tempo, julgarei com retidão.
75:3 Ainda que a terra e todos os seus habitantes se dissolvam, eu firmo suas colunas. Selá.

75:4 Disse aos arrogantes: ‘Não se gabem’;
   e aos ímpios: ‘Não ergam o chifre.
75:5 Não ergam altivamente seu chifre nem falem de pescoço erguido, com arrogância.’”
75:6 Pois a exaltação não vem do leste nem do oeste nem do deserto.
75:7 Deus é quem julga: a um abate e a outro exalta.
75:8 Pois na mão do SENHOR há um cálice de vinho espumoso, bem misturado;
   ele o derrama.
   Todos os ímpios da terra o beberão, sorvendo-o até a borra.
75:9 Eu, porém, o anunciarei para sempre;
   cantarei louvores ao Deus de Jacó.
75:10 Cortarei todos os chifres dos ímpios, mas os chifres do justo serão erguidos.

Capítulo 76
76:1 Deus é conhecido em Judá;
   grande é seu nome em Israel.
76:2 Em Salém está sua tenda, e em Sião, sua morada.
76:3 Ali ele quebrou as flechas flamejantes do arco, o escudo, a espada e as armas de guerra. Selá.

76:4 Tu és radiante, mais majestoso que os montes cheios de despojos.
76:5 Os valentes foram despojados;
   dormiram seu sono, e nenhum dos guerreiros pôde mover as mãos.
76:6 Diante da tua repreensão, ó Deus de Jacó, carro e cavalo caíram em sono profundo.
76:7 Tu, sim, tu és temível!
   Quem poderá ficar de pé diante de ti quando tua ira se acender?
76:8 Do céu fizeste ouvir a sentença;
   a terra temeu e ficou em silêncio,
76:9 quando Deus se levantou para julgar, para salvar todos os humildes da terra. Selá.

76:10 Pois a ira humana te louvará;
   com o que restar dessa ira te cingirás.
76:11 Façam votos ao SENHOR, seu Deus, e os cumpram;
   todos os que o cercam tragam presentes àquele que é temível.
76:12 Ele corta o fôlego dos governantes;
   é temível aos reis da terra.

Capítulo 77
77:1 Com minha voz clamo a Deus;
   a Deus elevo minha voz, e ele me escuta.
77:2 No dia da minha angústia busquei o Senhor;
   à noite estendi minha mão sem descanso, e minha alma recusava consolo.
77:3 Lembro-me de Deus e gemo;
   medito, e meu espírito desfalece. Selá.

77:4 Tu manténs meus olhos abertos;
   estou tão perturbado que não consigo falar.
77:5 Penso nos dias de outrora, nos anos de tempos distantes.
77:6 À noite recordo meu cântico;
   medito em meu coração, e meu espírito procura uma resposta:
77:7 “O Senhor nos rejeitará para sempre?
   Nunca mais nos mostrará seu favor?
77:8 Seu amor leal acabou para sempre?
   Sua promessa deixou de valer por todas as gerações?
77:9 Deus se esqueceu de ter compaixão?
   Em sua ira, fechou o coração à misericórdia?” Selá.

77:10 Então eu disse: “Esta é minha dor: a mudança da mão direita do Altíssimo.”
77:11 Proclamarei os feitos de Yah;
   sim, recordarei tuas maravilhas de outrora.
77:12 Meditarei em toda a tua obra e refletirei sobre teus feitos.
77:13 Teu caminho, ó Deus, é santo.
   Que deus é tão grande como Deus?
77:14 Tu és o Deus que faz maravilhas;
   fizeste conhecer tua força entre os povos.
77:15 Com teu braço resgataste teu povo, os filhos de Jacó e de José. Selá.

77:16 As águas te viram, ó Deus;
   as águas te viram e se contorceram;
   até os abismos estremeceram.
77:17 As nuvens derramaram água, os céus fizeram sua voz ressoar, e tuas flechas cruzaram o espaço.
77:18 Teu trovão ressoou no redemoinho;
   os relâmpagos iluminaram o mundo, e a terra estremeceu e tremeu.
77:19 Teu caminho passou pelo mar, e tuas veredas, pelas águas caudalosas;
   tuas pegadas, porém, não foram reconhecidas.
77:20 Conduziste teu povo como um rebanho, pela mão de Moisés e de Arão.

Capítulo 78
78:1 Escute minha instrução, meu povo;
   inclinem os ouvidos às palavras da minha boca.
78:2 Abrirei minha boca com uma parábola;
   exporei enigmas de tempos antigos,
78:3 coisas que ouvimos e conhecemos, que nossos pais nos contaram.
78:4 Não as esconderemos de seus filhos;
   contaremos à geração futura os feitos dignos de louvor do SENHOR, seu poder e as maravilhas que fez.
78:5 Ele estabeleceu um testemunho em Jacó e instituiu uma lei em Israel;
   ordenou a nossos pais que a ensinassem a seus filhos,
78:6 para que a geração futura a conhecesse, os filhos que ainda nasceriam, e estes se levantassem e a contassem a seus próprios filhos.
78:7 Assim poriam sua confiança em Deus, não esqueceriam os feitos de Deus e guardariam seus mandamentos.
78:8 Não seriam como seus pais, uma geração obstinada e rebelde, uma geração de coração inconstante e de espírito infiel a Deus.
78:9 Os filhos de Efraim, armados de arcos, deram as costas no dia da batalha.
78:10 Não guardaram a aliança de Deus e se recusaram a andar em sua lei.
78:11 Esqueceram seus feitos e as maravilhas que lhes havia mostrado.
78:12 Diante de seus pais ele fez maravilhas na terra do Egito, nos campos de Zoã.
78:13 Dividiu o mar e os fez atravessar;
   manteve as águas erguidas como um montão.
78:14 Guiou-os de dia com uma nuvem e, durante toda a noite, com a luz do fogo.
78:15 Fendeu rochas no deserto e lhes deu de beber em abundância, como de grandes profundezas.
78:16 Fez brotar correntes da rocha e fez as águas descerem como rios.
78:17 Mas continuaram a pecar contra ele, rebelando-se contra o Altíssimo na terra ressequida.
78:18 Puseram Deus à prova em seu coração, pedindo comida para satisfazer seu apetite.
78:19 Falaram contra Deus, dizendo: “Será que Deus pode preparar uma mesa no deserto?
78:20 É verdade que feriu a rocha, e as águas jorraram, e os ribeiros transbordaram.
   Mas poderá também dar pão?
   Poderá preparar carne para seu povo?”
78:21 Por isso o SENHOR ouviu e se indignou;
   um fogo se acendeu contra Jacó, e sua ira se levantou contra Israel,
78:22 porque não creram em Deus nem confiaram em sua salvação.
78:23 Ainda assim, deu ordens às nuvens do alto e abriu as portas dos céus.
78:24 Fez chover maná sobre eles para comerem e lhes deu cereal do céu.
78:25 O ser humano comeu o pão dos poderosos;
   ele lhes enviou provisões até que se fartassem.
78:26 Fez soprar no céu o vento do leste e, com seu poder, conduziu o vento do sul.
78:27 Fez chover carne sobre eles como pó, aves aladas como a areia dos mares.
78:28 Fez que caíssem no meio do acampamento, ao redor de suas moradas.
78:29 Comeram e se fartaram plenamente;
   ele lhes trouxe o que desejavam.
78:30 Mas ainda não haviam abandonado sua avidez, e a comida ainda estava em sua boca,
78:31 quando a ira de Deus se levantou contra eles.
   Matou os mais robustos entre eles e derrubou os jovens de Israel.
78:32 Apesar de tudo isso, continuaram pecando e não creram em suas maravilhas.
78:33 Por isso consumiu seus dias num sopro e seus anos no terror.
78:34 Quando os fazia morrer, eles o buscavam;
   voltavam e procuravam Deus com fervor.
78:35 Lembravam que Deus era sua rocha e que o Deus Altíssimo era seu redentor.
78:36 Mas o adulavam com a boca e lhe mentiam com a língua.
78:37 Seu coração não era firme para com ele, e não eram fiéis à sua aliança.
78:38 Ele, porém, sendo compassivo, perdoava a culpa e não os destruía.
   Muitas vezes desviou sua ira e não despertou todo o seu furor.
78:39 Lembrou que eram carne, um vento que passa e não volta.
78:40 Quantas vezes se rebelaram contra ele no deserto e o entristeceram na terra desolada!
78:41 Voltaram a pôr Deus à prova e afligiram o Santo de Israel.
78:42 Não se lembraram de sua mão poderosa nem do dia em que os resgatou do adversário,
78:43 quando realizou seus sinais no Egito e seus prodígios nos campos de Zoã.
78:44 Transformou os rios deles em sangue, e não puderam beber de suas correntes.
78:45 Enviou contra eles enxames de moscas que os devoravam e rãs que os arruinavam.
78:46 Entregou suas colheitas aos gafanhotos devoradores e o fruto de seu trabalho aos enxames de gafanhotos.
78:47 Destruiu suas videiras com granizo e seus sicômoros com geada.
78:48 Entregou seu gado ao granizo e seus rebanhos aos raios.
78:49 Lançou contra eles o ardor de sua ira, furor, indignação e angústia: uma comitiva de mensageiros de calamidade.
78:50 Abriu caminho para sua ira;
   não poupou suas vidas da morte, mas as entregou à peste.
78:51 Feriu todos os primogênitos no Egito, as primícias de seu vigor nas tendas de Cam.
78:52 Mas fez seu povo sair como ovelhas e o conduziu como um rebanho pelo deserto.
78:53 Guiou-os em segurança, e não tiveram medo;
   o mar cobriu seus inimigos.
78:54 Levou-os a seu território santo, a este monte que sua mão direita adquiriu.
78:55 Expulsou nações de diante deles, repartiu suas terras como herança com o cordel e fez as tribos de Israel habitar em suas tendas.
78:56 Mas puseram à prova o Deus Altíssimo e se rebelaram contra ele;
   não guardaram seus testemunhos.
78:57 Voltaram atrás e foram desleais como seus pais;
   desviaram-se como um arco traiçoeiro.
78:58 Provocaram sua ira com seus lugares altos e despertaram seus ciúmes com suas imagens esculpidas.
78:59 Deus ouviu e se indignou;
   rejeitou Israel com grande desgosto.
78:60 Abandonou o tabernáculo de Siló, a tenda em que habitava entre os seres humanos.
78:61 Entregou seu poder ao cativeiro e seu esplendor às mãos do adversário.
78:62 Entregou seu povo à espada e se enfureceu contra sua herança.
78:63 O fogo devorou seus jovens, e para suas virgens não houve cantos de casamento.
78:64 Seus sacerdotes caíram à espada, e suas viúvas não choraram.
78:65 Então o Senhor despertou como quem dorme, como um guerreiro que grita animado pelo vinho.
78:66 Feriu seus adversários por trás e lhes impôs vergonha perpétua.
78:67 Rejeitou a tenda de José e não escolheu a tribo de Efraim.
78:68 Escolheu a tribo de Judá, o monte Sião, que ele amava.
78:69 Edificou seu santuário como as alturas, como a terra que firmou para sempre.
78:70 Escolheu Davi, seu servo, e o tirou dos currais das ovelhas.
78:71 Trouxe-o de seguir as ovelhas que amamentavam, para pastorear Jacó, seu povo, e Israel, sua herança.
78:72 Ele os pastoreou com um coração íntegro e os guiou com mãos habilidosas.

Capítulo 79
79:1 Ó Deus, as nações invadiram tua herança, profanaram teu santo templo e reduziram Jerusalém a montões de ruínas.
79:2 Deram os cadáveres de teus servos como alimento às aves do céu, e a carne de teus fiéis, às feras da terra.
79:3 Derramaram seu sangue como água ao redor de Jerusalém, e não houve quem os sepultasse.
79:4 Tornamo-nos motivo de insulto para nossos vizinhos, de zombaria e escárnio para os que nos cercam.
79:5 Até quando, SENHOR?
   Ficarás irado para sempre?
   Teu zelo arderá como fogo?
79:6 Derrama teu furor sobre as nações que não te conhecem e sobre os reinos que não invocam teu nome.
79:7 Pois devoraram Jacó e devastaram sua morada.
79:8 Não recordes contra nós as culpas de nossos antepassados;
   que tua compaixão venha depressa ao nosso encontro, pois estamos muito abatidos.
79:9 Ajuda-nos, ó Deus da nossa salvação, pela glória do teu nome;
   livra-nos e faz expiação por nossos pecados, por causa do teu nome.
79:10 Por que diriam as nações: “Onde está o Deus deles?”
   Que se torne conhecida entre as nações, diante de nossos olhos, a vingança pelo sangue derramado de teus servos.
79:11 Que o gemido do prisioneiro chegue à tua presença;
   com a grandeza do teu braço, preserva os condenados à morte.
79:12 Retribui sete vezes aos nossos vizinhos, em seu próprio regaço, os insultos com que te insultaram, Senhor.
79:13 Então nós, teu povo e ovelhas do teu pasto, te daremos graças para sempre;
   de geração em geração contaremos teus louvores.

Capítulo 80
80:1 Escuta, Pastor de Israel, tu que conduzes José como um rebanho;
   tu que estás entronizado sobre os querubins, resplandece!
80:2 Diante de Efraim, Benjamim e Manassés, desperta teu poder e vem salvar-nos.
80:3 Ó Deus, restaura-nos;
   faze teu rosto resplandecer, e seremos salvos.
80:4 SENHOR, Deus dos Exércitos, até quando tua ira fumegará contra a oração do teu povo?
80:5 Tu lhes deste pão de lágrimas para comer e lágrimas em abundância para beber.
80:6 Tu nos fizeste motivo de disputa entre nossos vizinhos, e nossos inimigos riem entre si.
80:7 Ó Deus dos Exércitos, restaura-nos;
   faze teu rosto resplandecer, e seremos salvos.
80:8 Trouxeste uma videira do Egito;
   expulsaste nações e a plantaste.
80:9 Limpaste o terreno diante dela;
   ela lançou raízes e encheu a terra.
80:10 Os montes se cobriram com sua sombra, e os cedros de Deus, com seus ramos.
80:11 Ela estendeu seus ramos até o mar e seus brotos até o rio.
80:12 Por que derrubaste suas cercas, de modo que todos os que passam pelo caminho colhem seus frutos?
80:13 O javali da floresta a devasta, e os animais do campo se alimentam dela.
80:14 Ó Deus dos Exércitos, volta-te, por favor!
   Olha do céu, vê e cuida desta videira,
80:15 da cepa que tua mão direita plantou e do filho que fortaleceste para ti.
80:16 Ela foi queimada pelo fogo, foi cortada;
   diante da repreensão do teu rosto, eles perecem.
80:17 Que tua mão esteja sobre o homem da tua direita, sobre o filho do homem que fortaleceste para ti.
80:18 Então não nos afastaremos de ti;
   dá-nos vida, e invocaremos teu nome.
80:19 SENHOR, Deus dos Exércitos, restaura-nos;
   faze teu rosto resplandecer, e seremos salvos.

Capítulo 81
81:1 Cantem de alegria a Deus, nossa força;
   aclamem o Deus de Jacó.
81:2 Entoem um cântico e façam soar o pandeiro, a doce lira com a harpa.
81:3 Toquem a trombeta de chifre na lua nova e na lua cheia, no dia da nossa festa.
81:4 Pois isso é um estatuto para Israel, uma ordenança do Deus de Jacó.
81:5 Ele o estabeleceu como testemunho em José, quando saiu contra a terra do Egito.
   Ouço uma língua que não conhecia:
81:6 “Retirei a carga de seu ombro;
   suas mãos ficaram livres do cesto.
81:7 Na angústia você clamou, e eu o livrei;
   respondi do esconderijo do trovão e o pus à prova junto às águas de Meribá. Selá.

81:8 Escute, meu povo, e eu o advertirei.
   Israel, se ao menos você me escutasse!
81:9 Não haja no seu meio nenhum deus estranho;
   não se prostre diante de um deus estrangeiro.
81:10 Eu sou o SENHOR, seu Deus, que o fiz subir da terra do Egito.
   Abra bem a boca, e eu a encherei.
81:11 Mas meu povo não ouviu minha voz, e Israel não me quis.
81:12 Por isso o entreguei à obstinação de seu coração, para que andassem segundo seus próprios planos.
81:13 Ah, se meu povo me escutasse, se Israel andasse em meus caminhos!
81:14 Em pouco tempo eu subjugaria seus inimigos e voltaria minha mão contra seus adversários.
81:15 Os que odeiam o SENHOR lhe prestariam submissão fingida, e o tempo deles duraria para sempre.
81:16 Ele o alimentaria com o melhor do trigo;
   e eu saciaria você com mel da rocha.”

Capítulo 82
82:1 Deus se põe de pé na assembleia divina;
   no meio dos deuses ele julga:
82:2 “Até quando vocês julgarão injustamente e favorecerão os ímpios? Selá.

82:3 Defendam o fraco e o órfão;
   façam justiça ao aflito e ao pobre.
82:4 Resgatem o fraco e o necessitado;
   livrem-nos da mão dos ímpios.
82:5 Eles nada sabem nem entendem;
   andam na escuridão.
   Todos os fundamentos da terra vacilam.
82:6 Eu disse: ‘Vocês são deuses;
   todos vocês são filhos do Altíssimo.’
82:7 Contudo, vocês morrerão como os seres humanos e cairão como qualquer dos governantes.”
82:8 Levanta-te, ó Deus, julga a terra, pois terás todas as nações por herança.

Capítulo 83
83:1 Ó Deus, não permaneças em silêncio;
   não te cales nem fiques imóvel, ó Deus.
83:2 Pois teus inimigos se agitam, e os que te odeiam erguem a cabeça.
83:3 Tramam com astúcia contra teu povo e conspiram contra teus protegidos.
83:4 Dizem: “Venham, vamos destruí-los como nação, para que o nome de Israel não seja mais lembrado.”
83:5 Pois conspiram de comum acordo;
   fazem uma aliança contra ti:
83:6 as tendas de Edom e os ismaelitas, Moabe e os hagarenos,
83:7 Gebal, Amom e Amaleque, a Filístia com os habitantes de Tiro.
83:8 Também a Assíria se uniu a eles;
   tornaram-se o braço dos filhos de Ló. Selá.

83:9 Faze com eles como fizeste com Midiã, com Sísera e com Jabim junto ao ribeiro Quisom.
83:10 Foram destruídos em En-Dor e se tornaram esterco para a terra.
83:11 Faze seus nobres serem como Orebe e Zeebe, e todos os seus príncipes, como Zeba e Zalmuna,
83:12 que disseram: “Tomemos para nós as pastagens de Deus.”
83:13 Meu Deus, faze-os como cardos que rolam, como palha diante do vento.
83:14 Como o fogo que consome a floresta e como a chama que incendeia os montes,
83:15 assim persegue-os com tua tempestade e aterroriza-os com teu vendaval.
83:16 Enche seu rosto de desonra, para que busquem teu nome, SENHOR.
83:17 Que sejam envergonhados e aterrorizados para sempre;
   que sejam humilhados e pereçam.
83:18 Que saibam que tu, cujo nome é SENHOR, somente tu és o Altíssimo sobre toda a terra.

Capítulo 84
84:1 Como são amadas tuas moradas, SENHOR dos Exércitos!
84:2 Minha alma anseia e até desfalece pelos átrios do SENHOR;
   meu coração e meu corpo cantam de alegria ao Deus vivo.
84:3 Até o pardal encontrou uma casa, e a andorinha, um ninho onde acolher seus filhotes, junto aos teus altares, SENHOR dos Exércitos, meu Rei e meu Deus.
84:4 Bem-aventurados os que habitam em tua casa;
   eles te louvam sem cessar. Selá.

84:5 Bem-aventurados os que têm em ti sua força, em cujo coração estão os caminhos.
84:6 Ao passarem pelo vale de Baca, fazem dele um lugar de fontes;
   a primeira chuva também o cobre de bênçãos.
84:7 Vão de força em força;
   cada um se apresenta diante de Deus em Sião.
84:8 SENHOR, Deus dos Exércitos, escuta minha oração;
   dá ouvidos, ó Deus de Jacó. Selá.

84:9 Olha para nosso escudo, ó Deus;
   contempla o rosto do teu ungido.
84:10 Pois um dia em teus átrios é melhor que mil.
   Prefiro ficar à porta da casa do meu Deus a morar nas tendas da maldade.
84:11 Pois o SENHOR Deus é sol e escudo;
   o SENHOR concede graça e glória.
   Não nega bem algum aos que andam com integridade.
84:12 SENHOR dos Exércitos, bem-aventurado o homem que confia em ti!

Capítulo 85
85:1 SENHOR, favoreceste tua terra;
   restauraste o bem-estar de Jacó.
85:2 Perdoaste a culpa do teu povo e cobriste todos os seus pecados. Selá.

85:3 Recolheste todo o teu furor e te afastaste do ardor da tua ira.
85:4 Restaura-nos, ó Deus da nossa salvação;
   põe fim à tua indignação contra nós.
85:5 Ficarás irado conosco para sempre?
   Prolongarás tua ira de geração em geração?
85:6 Não voltarás a nos dar vida, para que teu povo se alegre em ti?
85:7 Mostra-nos teu amor leal, SENHOR, e concede-nos tua salvação.
85:8 Escutarei o que Deus, o SENHOR, disser, pois falará de paz a seu povo e a seus fiéis.
   Mas que não voltem à insensatez.
85:9 Certamente sua salvação está perto dos que o temem, para que a glória habite em nossa terra.
85:10 O amor leal e a verdade se encontraram;
   a justiça e a paz se beijaram.
85:11 A verdade brotará da terra, e a justiça olhará do céu.
85:12 O SENHOR também dará o que é bom, e nossa terra dará sua colheita.
85:13 A justiça irá à sua frente e preparará o caminho para seus passos.

Capítulo 86
86:1 Inclina teu ouvido, SENHOR, e responde-me, pois sou aflito e necessitado.
86:2 Guarda minha vida, pois sou fiel;
   tu és meu Deus.
   Salva teu servo, que confia em ti.
86:3 Tem compaixão de mim, Senhor, pois a ti clamo o dia inteiro.
86:4 Alegra a alma do teu servo, pois a ti, Senhor, elevo minha alma.
86:5 Pois tu, Senhor, és bom e pronto a perdoar, abundante em amor leal para com todos os que te invocam.
86:6 Escuta minha oração, SENHOR, e atende à voz das minhas súplicas.
86:7 No dia da minha angústia te invocarei, pois me responderás.
86:8 Entre os deuses não há ninguém como tu, Senhor, nem há obras como as tuas.
86:9 Todas as nações que fizeste virão e se prostrarão diante de ti, Senhor, e glorificarão teu nome.
86:10 Pois tu és grande e fazes maravilhas;
   somente tu és Deus.
86:11 Ensina-me teu caminho, SENHOR, e andarei em tua verdade;
   dá-me um coração sem divisões, para temer teu nome.
86:12 Eu te darei graças de todo o meu coração, Senhor, meu Deus, e glorificarei teu nome para sempre.
86:13 Pois grande é teu amor leal por mim;
   livraste minha vida das profundezas do Seol.
86:14 Ó Deus, os arrogantes se levantaram contra mim;
   um bando de violentos procura tirar minha vida e não te tem diante dos olhos.
86:15 Mas tu, Senhor, és Deus compassivo e bondoso, lento para a ira e abundante em amor leal e verdade.
86:16 Volta-te para mim e tem compaixão de mim;
   dá tua força a teu servo e salva o filho da tua serva.
86:17 Dá-me um sinal do teu favor, para que os que me odeiam o vejam e se envergonhem, pois tu, SENHOR, me ajudaste e me consolaste.

Capítulo 87
87:1 Seu fundamento está nos montes santos.
87:2 O SENHOR ama as portas de Sião mais que todas as moradas de Jacó.
87:3 Coisas gloriosas se dizem de você, ó cidade de Deus. Selá.

87:4 “Mencionarei Raabe e Babilônia entre os que me conhecem.
   Vejam a Filístia e Tiro, junto com Cuxe: este nasceu ali.”
87:5 De Sião se dirá: “Este e aquele nasceram nela”, e o próprio Altíssimo a firmará.
87:6 O SENHOR contará, ao registrar os povos: “Este nasceu ali.” Selá.

87:7 Cantores e dançarinos dirão: “Todas as minhas fontes estão em você.”

Capítulo 88
Cântico. Salmo para os filhos de Corá. Ao regente; segundo «Maalate Leanote». Masquil de Hemã, o ezraíta.
88:1 SENHOR, Deus da minha salvação, dia e noite clamo diante de ti.
88:2 Que minha oração chegue à tua presença;
   inclina teu ouvido ao meu clamor.
88:3 Pois minha alma está cheia de males, e minha vida se aproxima do Seol.
88:4 Sou contado entre os que descem à cova;
   sou como um homem sem forças,
88:5 abandonado entre os mortos, como os que foram mortos e jazem na sepultura, dos quais já não te lembras e que foram separados da tua mão.
88:6 Puseste-me na cova mais profunda, em lugares escuros, nos abismos.
88:7 Teu furor pesa sobre mim;
   tu me afligiste com todas as tuas ondas. Selá.

88:8 Afastaste de mim meus conhecidos e me tornaste repugnante para eles.
   Estou preso e não posso sair.
88:9 Meus olhos se consomem de aflição.
   Todos os dias te invoco, SENHOR;
   estendo minhas mãos para ti.
88:10 Farás maravilhas pelos mortos?
   As sombras dos mortos se levantarão para te dar graças? Selá.

88:11 Teu amor leal será contado na sepultura, ou tua fidelidade, no Abadom?
88:12 Tuas maravilhas serão conhecidas na escuridão, ou tua justiça, na terra do esquecimento?
88:13 Mas eu clamo a ti por socorro, SENHOR;
   de manhã minha oração vai ao teu encontro.
88:14 Por que rejeitas minha alma, SENHOR?
   Por que escondes de mim teu rosto?
88:15 Sou aflito e estou à beira da morte desde a juventude;
   suporto teus terrores e estou desorientado.
88:16 Tuas iras passaram sobre mim;
   teus terrores acabaram comigo.
88:17 Eles me cercam como água o dia inteiro;
   todos juntos me rodeiam.
88:18 Afastaste de mim o amado e o amigo;
   meus conhecidos são as trevas.

Capítulo 89
89:1 Cantarei para sempre os atos de amor leal do SENHOR;
   com minha boca anunciarei tua fidelidade de geração em geração.
89:2 Pois eu disse: “O amor leal será edificado para sempre;
   nos céus firmarás tua fidelidade.”
89:3 “Fiz uma aliança com meu escolhido;
   jurei a Davi, meu servo:
89:4 ‘Firmarei sua descendência para sempre e edificarei seu trono de geração em geração.’” Selá.

89:5 Os céus celebrarão tuas maravilhas, SENHOR, e tua fidelidade na assembleia dos santos.
89:6 Pois quem nas alturas pode se comparar ao SENHOR?
   Quem entre os filhos dos poderosos é semelhante ao SENHOR?
89:7 Deus é muito temível no conselho dos santos, mais temível que todos os que o cercam.
89:8 SENHOR, Deus dos Exércitos, quem é poderoso como tu, Yah?
   Tua fidelidade te rodeia.
89:9 Tu dominas a fúria do mar;
   quando suas ondas se levantam, tu as acalmas.
89:10 Tu esmagaste Raabe como alguém ferido de morte;
   com teu braço poderoso dispersaste teus inimigos.
89:11 Teus são os céus, e tua também é a terra;
   tu fundaste o mundo e tudo o que nele há.
89:12 Tu criaste o norte e o sul;
   Tabor e Hermom cantam de alegria em teu nome.
89:13 Tens um braço poderoso;
   forte é tua mão, elevada é tua mão direita.
89:14 Justiça e direito são o fundamento do teu trono;
   amor leal e verdade vão à tua frente.
89:15 Bem-aventurado o povo que conhece a aclamação de alegria!
   SENHOR, eles andarão à luz do teu rosto.
89:16 Em teu nome se alegram o dia inteiro e por tua justiça são exaltados.
89:17 Pois tu és a glória da força deles e, por teu favor, levantarás nosso chifre.
89:18 Pois ao SENHOR pertence nosso escudo, e ao Santo de Israel, nosso rei.
89:19 Então falaste em visão a teus fiéis e disseste: “Pus o auxílio sobre um guerreiro;
   exaltei um escolhido do meio do povo.
89:20 Encontrei Davi, meu servo;
   com meu santo óleo o ungi.
89:21 Minha mão permanecerá firme com ele, e meu braço o fortalecerá.
89:22 O inimigo não o oprimirá, nem o perverso o afligirá.
89:23 Esmagarei seus adversários diante dele e ferirei os que o odeiam.
89:24 Minha fidelidade e meu amor leal estarão com ele;
   em meu nome seu chifre será elevado.
89:25 Porei sua mão sobre o mar e sua mão direita sobre os rios.
89:26 Ele me invocará: ‘Tu és meu pai, meu Deus e a rocha da minha salvação.’
89:27 Eu também farei dele o primogênito, o mais elevado dos reis da terra.
89:28 Conservarei para sempre meu amor leal por ele, e minha aliança com ele permanecerá firme.
89:29 Firmarei sua descendência para sempre, e seu trono durará como os dias dos céus.
89:30 Se seus filhos abandonarem minha lei e não andarem segundo meus juízos,
89:31 se profanarem meus estatutos e não guardarem meus mandamentos,
89:32 castigarei sua rebeldia com vara e sua culpa com açoites.
89:33 Mas não retirarei dele meu amor leal nem faltarei à minha fidelidade.
89:34 Não profanarei minha aliança nem mudarei o que saiu dos meus lábios.
89:35 Uma vez jurei por minha santidade: não mentirei a Davi.
89:36 Sua descendência permanecerá para sempre, e seu trono será como o sol diante de mim.
89:37 Como a lua, estará firme para sempre;
   a testemunha nas alturas é fiel.” Selá.

89:38 Mas tu o rejeitaste e desprezaste;
   ficaste furioso com teu ungido.
89:39 Repudiaste a aliança do teu servo;
   profanaste sua coroa, lançando-a por terra.
89:40 Derrubaste todas as suas cercas e reduziste suas fortalezas a ruínas.
89:41 Todos os que passam pelo caminho o saqueiam;
   ele se tornou motivo de insulto para seus vizinhos.
89:42 Levantaste a mão direita de seus adversários e alegraste todos os seus inimigos.
89:43 Também fizeste recuar o fio de sua espada e não o sustentaste na batalha.
89:44 Fizeste cessar seu esplendor e lançaste seu trono por terra.
89:45 Abreviaste os dias de sua juventude e o cobriste de vergonha. Selá.

89:46 Até quando, SENHOR?
   Tu te esconderás para sempre?
   Teu furor arderá como fogo?
89:47 Lembra como é breve minha vida.
   Por que criaste em vão todos os seres humanos?
89:48 Que homem viverá sem ver a morte?
   Poderá livrar sua vida da mão do Seol? Selá.

89:49 Onde estão, Senhor, teus atos de amor leal de outrora, que juraste a Davi por tua fidelidade?
89:50 Lembra-te, Senhor, dos insultos contra teus servos;
   levo no peito os insultos de todos os numerosos povos,
89:51 com que teus inimigos insultam, SENHOR, com que insultam os passos do teu ungido.
89:52 Bendito seja o SENHOR para sempre!
   Amém e amém!

Capítulo 90
90:1 Senhor, tu tens sido nossa morada de geração em geração.
90:2 Antes de os montes nascerem e de dares à luz a terra e o mundo, de eternidade a eternidade, tu és Deus.
90:3 Tu fazes o mortal voltar ao pó e dizes: “Voltem, seres humanos!”
90:4 Pois mil anos, aos teus olhos, são como o dia de ontem, que passou, como uma vigília da noite.
90:5 Tu os arrastas como uma torrente;
   são como um sono, como a erva que brota de manhã.
90:6 De manhã floresce e cresce;
   ao anoitecer murcha e seca.
90:7 Pois somos consumidos por tua ira e aterrorizados por teu furor.
90:8 Puseste nossas culpas diante de ti, nossos segredos à luz do teu rosto.
90:9 Pois todos os nossos dias passam sob tua indignação;
   terminamos nossos anos como um suspiro.
90:10 Os anos da nossa vida são setenta, ou oitenta, se houver vigor;
   mesmo o melhor deles é trabalho e dor, pois passam depressa, e nós voamos.
90:11 Quem conhece o poder da tua ira e tua indignação segundo o temor que mereces?
90:12 Ensina-nos a contar assim nossos dias, para que alcancemos um coração sábio.
90:13 Volta-te, SENHOR!
   Até quando?
   Tem compaixão de teus servos.
90:14 Sacia-nos de manhã com teu amor leal, para que cantemos de alegria e nos alegremos todos os nossos dias.
90:15 Alegra-nos por tantos dias quantos nos afligiste, por tantos anos quantos vimos o mal.
90:16 Que tua obra apareça a teus servos, e tua majestade, sobre os filhos deles.
90:17 Que o favor do Senhor, nosso Deus, esteja sobre nós.
   Firma para nós a obra das nossas mãos;
   sim, firma a obra das nossas mãos.

Capítulo 91
91:1 Quem habita no abrigo do Altíssimo descansará à sombra do Todo-Poderoso.
91:2 Direi ao SENHOR: “Meu refúgio e minha fortaleza, meu Deus, em quem confio!”
91:3 Pois ele livrará você da armadilha do caçador de aves e da peste destruidora.
91:4 Ele o cobrirá com suas penas, e sob suas asas você encontrará refúgio;
   sua fidelidade é escudo e proteção.
91:5 Você não temerá o terror da noite nem a flecha que voa de dia,
91:6 nem a peste que anda na escuridão, nem a destruição que devasta ao meio-dia.
91:7 Mil cairão ao seu lado e dez mil à sua direita, mas isso não se aproximará de você.
91:8 Você apenas contemplará com seus olhos e verá a retribuição dos ímpios.
91:9 Pois tu, SENHOR, és meu refúgio!
   Você fez do Altíssimo sua morada.
91:10 Nenhum mal acontecerá a você, e nenhuma praga se aproximará da sua tenda.
91:11 Pois ele dará ordens a seus anjos a seu respeito, para que o guardem em todos os seus caminhos.
91:12 Eles o levarão nas mãos, para que seu pé não bata numa pedra.
91:13 Você pisará o leão e a cobra;
   esmagará o leão jovem e a serpente.
91:14 “Porque ele se apegou a mim com amor, eu o livrarei;
   eu o colocarei em lugar seguro, pois conhece meu nome.
91:15 Ele me invocará, e eu lhe responderei;
   estarei com ele na angústia, eu o resgatarei e o honrarei.
91:16 Eu o saciarei com vida longa e lhe mostrarei minha salvação.”

Capítulo 92
92:1 É bom dar graças ao SENHOR e cantar louvores ao teu nome, ó Altíssimo,
92:2 anunciar de manhã teu amor leal e, durante as noites, tua fidelidade,
92:3 ao som do instrumento de dez cordas e da harpa, com a melodia da lira.
92:4 Pois tu me alegraste com tua obra, SENHOR;
   cantarei de alegria pelos feitos das tuas mãos.
92:5 Como são grandes tuas obras, SENHOR!
   Como são profundos teus pensamentos!
92:6 O insensato não sabe, e o tolo não entende isto:
92:7 quando os ímpios brotam como a erva e todos os que praticam o mal florescem, é para serem destruídos para sempre.
92:8 Mas tu, SENHOR, és exaltado para sempre.
92:9 Pois eis teus inimigos, SENHOR;
   eis que teus inimigos perecerão.
   Todos os que praticam o mal serão dispersos.
92:10 Tu levantaste meu chifre como o do touro selvagem;
   fui ungido com óleo fresco.
92:11 Meus olhos viram os que me espreitam;
   meus ouvidos ouvirão os malfeitores que se levantam contra mim.
92:12 O justo florescerá como a palmeira e crescerá como um cedro no Líbano.
92:13 Plantados na casa do SENHOR, florescerão nos átrios do nosso Deus.
92:14 Ainda na velhice darão fruto;
   estarão cheios de seiva e de verdor,
92:15 para anunciar que o SENHOR é reto;
   ele é minha rocha, e nele não há injustiça.

Capítulo 93
93:1 O SENHOR reina;
   vestiu-se de majestade.
   O SENHOR se vestiu de força e com ela se cingiu.
   O mundo está firme e não será abalado.
93:2 Teu trono está firme desde a antiguidade;
   tu existes desde a eternidade.
93:3 Os rios se ergueram, SENHOR, os rios ergueram sua voz;
   os rios erguem seu fragor.
93:4 Mais poderoso que o estrondo das muitas águas, que as ondas impetuosas do mar, é o SENHOR nas alturas.
93:5 Teus testemunhos são muito firmes;
   a santidade convém à tua casa, SENHOR, por longos dias.

Capítulo 94
94:1 SENHOR, Deus das vinganças, Deus das vinganças, resplandece!
94:2 Ergue-te, Juiz da terra;
   retribui aos arrogantes o que merecem.
94:3 Até quando os ímpios, SENHOR, até quando os ímpios exultarão?
94:4 Derramam palavras insolentes;
   todos os que praticam o mal se vangloriam.
94:5 Esmagam teu povo, SENHOR, e afligem tua herança.
94:6 Matam a viúva e o estrangeiro e assassinam os órfãos.
94:7 Dizem: “Yah não vê;
   o Deus de Jacó não percebe.”
94:8 Entendam, insensatos do povo!
   Tolos, quando terão discernimento?
94:9 Quem fez o ouvido não ouvirá?
   Quem formou o olho não verá?
94:10 Quem disciplina as nações não castigará, ele que ensina o conhecimento ao ser humano?
94:11 O SENHOR conhece os pensamentos humanos: são apenas um sopro.
94:12 Bem-aventurado o homem a quem corriges, Yah, e a quem ensinas tua lei,
94:13 para lhe dar descanso dos dias de aflição, até que uma cova seja aberta para o ímpio.
94:14 Pois o SENHOR não rejeitará seu povo nem abandonará sua herança.
94:15 O julgamento voltará à justiça, e todos os retos de coração o seguirão.
94:16 Quem se levantará por mim contra os malfeitores?
   Quem ficará ao meu lado contra os que praticam o mal?
94:17 Se o SENHOR não tivesse sido meu auxílio, minha alma logo habitaria no silêncio.
94:18 Quando digo: “Meu pé resvala”, teu amor leal, SENHOR, me sustenta.
94:19 Quando as inquietações se multiplicam dentro de mim, teus consolos alegram minha alma.
94:20 Poderá se aliar a ti um trono corrupto, que forja o mal amparado na lei?
94:21 Eles se unem contra a vida do justo e condenam o sangue inocente.
94:22 Mas o SENHOR se tornou minha fortaleza, e meu Deus, a rocha do meu refúgio.
94:23 Ele fará recair sobre eles sua própria maldade e por seu mal os destruirá;
   o SENHOR, nosso Deus, os destruirá.

Capítulo 95
95:1 Venham, cantemos de alegria ao SENHOR;
   aclamemos a rocha da nossa salvação.
95:2 Vamos à sua presença com ações de graças;
   vamos aclamá-lo com cânticos.
95:3 Pois o SENHOR é um grande Deus, um grande Rei acima de todos os deuses.
95:4 Em sua mão estão as profundezas da terra, e seus são os cumes dos montes.
95:5 Seu é o mar, pois ele o fez, e suas mãos formaram a terra firme.
95:6 Venham, prostremo-nos e nos curvemos;
   ajoelhemo-nos diante do SENHOR, que nos fez.
95:7 Pois ele é nosso Deus, e nós, o povo do seu pasto, as ovelhas da sua mão.
   Hoje, se ouvirem sua voz:
95:8 “Não endureçam seu coração como em Meribá, como no dia de Massá, no deserto,
95:9 onde seus pais me puseram à prova e me experimentaram, embora tivessem visto minha obra.
95:10 Durante quarenta anos senti desgosto por aquela geração e disse: ‘Eles são um povo de coração desviado e não conhecem meus caminhos.’
95:11 Por isso jurei em minha ira: ‘Não entrarão no meu descanso.’”

Capítulo 96
96:1 Cantem ao SENHOR um cântico novo;
   cantem ao SENHOR, todos os habitantes da terra.
96:2 Cantem ao SENHOR e bendigam seu nome;
   anunciem dia após dia as boas-novas da sua salvação.
96:3 Contem sua glória entre as nações e suas maravilhas entre todos os povos.
96:4 Pois o SENHOR é grande e muito digno de louvor, mais temível que todos os deuses.
96:5 Pois todos os deuses dos povos são ídolos, mas o SENHOR fez os céus.
96:6 Esplendor e majestade estão diante dele;
   força e beleza estão em seu santuário.
96:7 Deem ao SENHOR, famílias dos povos, deem ao SENHOR glória e força.
96:8 Deem ao SENHOR a glória devida a seu nome;
   tragam uma oferta e entrem em seus átrios.
96:9 Prostrem-se diante do SENHOR no esplendor da santidade;
   tremam diante dele, todos os habitantes da terra.
96:10 Digam entre as nações: “O SENHOR reina!”
   O mundo está firme e não será abalado;
   ele julgará os povos com equidade.
96:11 Alegrem-se os céus, e exulte a terra;
   ruja o mar e tudo o que nele há.
96:12 Alegre-se o campo e tudo o que nele há;
   então todas as árvores da floresta cantarão de alegria
96:13 diante do SENHOR, pois ele vem, pois vem julgar a terra.
   Julgará o mundo com justiça e os povos com sua fidelidade.

Capítulo 97
97:1 O SENHOR reina!
   Exulte a terra, alegrem-se as muitas ilhas.
97:2 Nuvens e densa escuridão o rodeiam;
   justiça e direito são o fundamento do seu trono.
97:3 O fogo vai à sua frente e consome seus adversários ao redor.
97:4 Seus relâmpagos iluminaram o mundo;
   a terra viu e tremeu.
97:5 Os montes se derreteram como cera diante do SENHOR, diante do Senhor de toda a terra.
97:6 Os céus anunciaram sua justiça, e todos os povos viram sua glória.
97:7 Sejam envergonhados todos os que servem a imagens esculpidas e se orgulham dos ídolos.
   Prostrem-se diante dele, todos os deuses!
97:8 Sião ouviu e se alegrou;
   as filhas de Judá exultaram por causa dos teus juízos, SENHOR.
97:9 Pois tu, SENHOR, és o Altíssimo sobre toda a terra;
   és muito exaltado acima de todos os deuses.
97:10 Vocês que amam o SENHOR, odeiem o mal!
   Ele guarda a vida de seus fiéis e os livra da mão dos ímpios.
97:11 A luz está semeada para o justo, e a alegria, para os retos de coração.
97:12 Alegrem-se no SENHOR, justos, e deem graças ao lembrar sua santidade.

Capítulo 98
98:1 Cantem ao SENHOR um cântico novo, pois ele fez maravilhas;
   sua mão direita e seu santo braço lhe deram a vitória.
98:2 O SENHOR fez conhecer sua salvação;
   revelou sua justiça diante dos olhos das nações.
98:3 Lembrou-se de seu amor leal e de sua fidelidade à casa de Israel;
   todos os confins da terra viram a salvação do nosso Deus.
98:4 Aclamem o SENHOR, todos os habitantes da terra;
   irrompam em alegria, cantem e façam música.
98:5 Cantem louvores ao SENHOR com a lira, com a lira e com voz de canto.
98:6 Com trombetas e ao som da trombeta de chifre, aclamem diante do Rei, o SENHOR.
98:7 Ruja o mar e tudo o que nele há, o mundo e seus habitantes.
98:8 Batam palmas os rios, e os montes cantem juntos de alegria
98:9 diante do SENHOR, pois vem julgar a terra.
   Julgará o mundo com justiça e os povos com equidade.

Capítulo 99
99:1 O SENHOR reina;
   tremam os povos!
   Ele está entronizado sobre os querubins;
   estremeça a terra!
99:2 O SENHOR é grande em Sião e exaltado acima de todos os povos.
99:3 Louvem teu nome grande e temível.
   Ele é santo!
99:4 A força do Rei ama o direito.
   Tu estabeleceste a equidade;
   fizeste direito e justiça em Jacó.
99:5 Exaltem o SENHOR, nosso Deus, e se prostrem diante do estrado de seus pés.
   Ele é santo!
99:6 Moisés e Arão estavam entre seus sacerdotes, e Samuel, entre os que invocavam seu nome.
   Clamavam ao SENHOR, e ele lhes respondia.
99:7 Da coluna de nuvem ele lhes falava;
   guardavam seus testemunhos e o estatuto que lhes dera.
99:8 SENHOR, nosso Deus, tu lhes respondeste;
   foste para eles um Deus que perdoa, embora punisses suas ações.
99:9 Exaltem o SENHOR, nosso Deus, e se prostrem diante do seu santo monte, pois o SENHOR, nosso Deus, é santo.

Capítulo 100
100:1 Aclamem com alegria o SENHOR, todos os habitantes da terra.
100:2 Sirvam ao SENHOR com alegria;
   venham à sua presença com cânticos de júbilo.
100:3 Reconheçam que o SENHOR é Deus;
   foi ele quem nos fez, e não nós mesmos.
   Somos seu povo e as ovelhas do seu pasto.
100:4 Entrem por suas portas com ações de graças e em seus átrios com louvor;
   deem-lhe graças e bendigam seu nome.
100:5 Pois o SENHOR é bom;
   seu amor leal dura para sempre, e sua fidelidade, de geração em geração.

Capítulo 101
101:1 Cantarei o amor leal e o direito;
   a ti, SENHOR, cantarei louvores.
101:2 Agirei com discernimento no caminho íntegro.
   Quando virás a mim?
   Dentro da minha casa andarei com um coração íntegro.
101:3 Não porei diante dos meus olhos coisa indigna;
   odeio a conduta dos que se desviam, e ela não se apegará a mim.
101:4 O coração perverso se afastará de mim;
   não terei trato com o mal.
101:5 Destruirei quem calunia seu próximo em segredo;
   não suportarei quem tem olhar altivo e coração arrogante.
101:6 Meus olhos estarão sobre os fiéis da terra, para que habitem comigo;
   quem anda num caminho íntegro me servirá.
101:7 Quem pratica o engano não habitará em minha casa;
   quem profere mentiras não permanecerá diante dos meus olhos.
101:8 A cada manhã destruirei todos os ímpios da terra, para eliminar da cidade do SENHOR todos os que praticam o mal.

Capítulo 102
Oração de um aflito, quando desfalece e derrama seu lamento diante do SENHOR.
102:1 SENHOR, escuta minha oração;
   que meu clamor chegue a ti.
102:2 Não escondas de mim teu rosto no dia da minha angústia;
   inclina teu ouvido para mim.
   No dia em que eu te invocar, responde-me depressa.
102:3 Pois meus dias se desfazem como fumaça, e meus ossos ardem como uma fornalha.
102:4 Meu coração foi ferido e secou como a erva;
   até me esqueço de comer meu pão.
102:5 De tanto gemer, meus ossos se colaram à minha carne.
102:6 Sou como o pelicano do deserto, como a coruja entre as ruínas.
102:7 Passo a noite em claro;
   sou como um pássaro solitário no telhado.
102:8 Meus inimigos me insultam o dia inteiro;
   os que se enfurecem contra mim usam meu nome para amaldiçoar.
102:9 Pois comi cinza como pão e misturei minha bebida com lágrimas,
102:10 por causa da tua indignação e do teu furor, pois me levantaste e me arremessaste.
102:11 Meus dias são como uma sombra que se alonga, e eu me seco como a erva.
102:12 Mas tu, SENHOR, permaneces entronizado para sempre;
   tua memória dura de geração em geração.
102:13 Tu te levantarás e terás compaixão de Sião, pois é tempo de lhe mostrar favor;
   chegou o momento determinado.
102:14 Pois teus servos amam suas pedras e se compadecem de seu pó.
102:15 As nações temerão o nome do SENHOR, e todos os reis da terra, tua glória.
102:16 Pois o SENHOR reconstruiu Sião e apareceu em sua glória.
102:17 Voltou-se para a oração do desamparado e não desprezou suas orações.
102:18 Que isto seja escrito para a geração futura, e um povo ainda por ser criado louvará Yah.
102:19 Pois olhou da altura do seu santuário;
   do céu o SENHOR contemplou a terra,
102:20 para ouvir o gemido do prisioneiro e libertar os condenados à morte,
102:21 para que se anunciem em Sião o nome do SENHOR e seu louvor em Jerusalém,
102:22 quando os povos e os reinos se reunirem para servir ao SENHOR.
102:23 Ele enfraqueceu sua força no caminho e abreviou meus dias.
102:24 Eu digo: “Meu Deus, não me leves na metade dos meus dias;
   teus anos duram por todas as gerações.
102:25 Desde a antiguidade fundaste a terra, e os céus são obra das tuas mãos.
102:26 Eles perecerão, mas tu permanecerás;
   todos se desgastarão como uma veste.
   Como roupa os trocarás, e serão trocados.
102:27 Mas tu és o mesmo, e teus anos não terão fim.
102:28 Os filhos de teus servos habitarão seguros, e sua descendência será firmada diante de ti.”

Capítulo 103
103:1 Bendiga o SENHOR, minha alma;
   tudo o que há em mim bendiga seu santo nome.
103:2 Bendiga o SENHOR, minha alma, e não esqueça nenhum de seus benefícios.
103:3 Ele perdoa todas as suas culpas e cura todas as suas enfermidades.
103:4 Resgata sua vida da cova e a coroa de amor leal e compaixão.
103:5 Ele a sacia de coisas boas, e sua juventude se renova como a da águia.
103:6 O SENHOR realiza atos de justiça e defende o direito de todos os oprimidos.
103:7 Fez conhecer seus caminhos a Moisés e seus feitos aos filhos de Israel.
103:8 O SENHOR é compassivo e bondoso, lento para a ira e abundante em amor leal.
103:9 Não acusará para sempre nem guardará sua ira eternamente.
103:10 Não nos tratou segundo nossos pecados nem nos retribuiu conforme nossas culpas.
103:11 Pois, tão alto como os céus acima da terra, assim é grande seu amor leal pelos que o temem.
103:12 Tão longe como o leste está do oeste, assim afastou de nós nossas transgressões.
103:13 Como um pai se compadece dos filhos, o SENHOR se compadece dos que o temem.
103:14 Pois ele sabe de que somos feitos;
   lembra que somos pó.
103:15 Os dias do mortal são como a erva;
   ele floresce como a flor do campo.
103:16 Passa o vento sobre ele, e ele desaparece;
   seu lugar já não o reconhece.
103:17 Mas o amor leal do SENHOR é de eternidade a eternidade sobre os que o temem, e sua justiça alcança os filhos de seus filhos,
103:18 os que guardam sua aliança e se lembram de seus preceitos para cumpri-los.
103:19 O SENHOR firmou seu trono nos céus, e seu reino domina sobre tudo.
103:20 Bendigam o SENHOR, seus anjos, poderosos em força, que cumprem sua palavra e obedecem à voz da sua palavra.
103:21 Bendigam o SENHOR, todos os seus exércitos, seus servidores que fazem sua vontade.
103:22 Bendigam o SENHOR, todas as suas obras, em todos os lugares do seu domínio.
   Bendiga o SENHOR, minha alma!

Capítulo 104
104:1 Bendiga o SENHOR, minha alma!
   SENHOR, meu Deus, tu és imensamente grande;
   vestiste-te de esplendor e majestade.
104:2 Ele se envolve em luz como num manto e estende os céus como uma cortina.
104:3 Põe nas águas as vigas de seus aposentos altos, faz das nuvens seu carro e caminha sobre as asas do vento.
104:4 Faz dos ventos seus mensageiros e do fogo flamejante seus servidores.
104:5 Fundou a terra sobre suas bases, para que nunca seja abalada.
104:6 Tu a cobriste com o abismo como com uma veste;
   as águas estavam acima dos montes.
104:7 À tua repreensão fugiram;
   ao som do teu trovão se apressaram.
104:8 Os montes se ergueram, os vales desceram até o lugar que lhes preparaste.
104:9 Puseste um limite que as águas não ultrapassarão;
   não voltarão a cobrir a terra.
104:10 Ele faz brotar fontes nos vales;
   elas correm entre os montes.
104:11 Dão de beber a todos os animais do campo;
   os jumentos selvagens saciam sua sede.
104:12 Junto a elas habitam as aves do céu;
   entre os ramos fazem ouvir seu canto.
104:13 De seus aposentos altos ele rega os montes;
   a terra se sacia com o fruto das tuas obras.
104:14 Ele faz brotar erva para o gado e plantas para o cultivo humano, para tirar alimento da terra:
104:15 vinho que alegra o coração do mortal, azeite que faz brilhar seu rosto e pão que fortalece seu coração.
104:16 As árvores do SENHOR se saciam, os cedros do Líbano que ele plantou.
104:17 Neles as aves fazem seus ninhos;
   a cegonha tem sua casa nos ciprestes.
104:18 Os altos montes são para as cabras monteses;
   as rochas são refúgio para os damões.
104:19 Ele fez a lua para marcar os tempos;
   o sol conhece a hora de se pôr.
104:20 Tu pões a escuridão, e chega a noite;
   nela se movem todos os animais da floresta.
104:21 Os leões jovens rugem pela presa e buscam de Deus seu alimento.
104:22 Quando o sol nasce, eles se recolhem e se deitam em suas tocas.
104:23 O ser humano sai para seu trabalho, para suas tarefas até o anoitecer.
104:24 Como são numerosas tuas obras, SENHOR!
   Fizeste todas com sabedoria;
   a terra está cheia das tuas criaturas.
104:25 Ali está o mar, grande e amplo;
   nele se movem seres sem conta, animais pequenos e grandes.
104:26 Por ele navegam os navios;
   ali está o Leviatã, que formaste para brincar nele.
104:27 Todos esperam em ti para que lhes dês alimento no tempo certo.
104:28 Tu lhes dás, e eles recolhem;
   abres tua mão, e se saciam de coisas boas.
104:29 Escondes teu rosto, e eles se apavoram;
   retiras seu fôlego, e morrem e voltam ao seu pó.
104:30 Envias teu Espírito, e são criados;
   renovas a face da terra.
104:31 Que a glória do SENHOR dure para sempre;
   que o SENHOR se alegre em suas obras!
104:32 Ele olha para a terra, e ela treme;
   toca nos montes, e eles fumegam.
104:33 Cantarei ao SENHOR enquanto eu viver;
   cantarei louvores ao meu Deus enquanto existir.
104:34 Que minha meditação lhe seja agradável;
   eu me alegrarei no SENHOR.
104:35 Desapareçam da terra os pecadores, e os ímpios deixem de existir.
   Bendiga o SENHOR, minha alma!
   Aleluia!

Capítulo 105
105:1 Deem graças ao SENHOR e invoquem seu nome;
   façam conhecer seus feitos entre os povos.
105:2 Cantem para ele, cantem seus louvores;
   falem de todas as suas maravilhas.
105:3 Gloriem-se em seu santo nome;
   alegre-se o coração dos que buscam o SENHOR.
105:4 Busquem o SENHOR e sua força;
   busquem sempre seu rosto.
105:5 Lembrem as maravilhas que fez, seus prodígios e os juízos de sua boca,
105:6 vocês, descendentes de Abraão, seu servo, filhos de Jacó, seus escolhidos.
105:7 Ele é o SENHOR, nosso Deus;
   seus juízos alcançam toda a terra.
105:8 Ele se lembra para sempre de sua aliança, da palavra que ordenou para mil gerações,
105:9 da aliança que fez com Abraão e do juramento a Isaque.
105:10 Ele a confirmou a Jacó como estatuto, a Israel como aliança eterna,
105:11 dizendo: “A você darei a terra de Canaã, como porção da herança de vocês.”
105:12 Quando eram poucos em número, muito poucos, e estrangeiros nela,
105:13 andavam de nação em nação, de um reino a outro povo.
105:14 Ele não permitiu que ninguém os oprimisse;
   por causa deles repreendeu reis:
105:15 “Não toquem em meus ungidos nem façam mal a meus profetas.”
105:16 Fez vir fome sobre a terra e cortou todo o suprimento de pão.
105:17 Enviou adiante deles um homem: José, vendido como escravo.
105:18 Feriram seus pés com grilhões;
   seu pescoço foi posto em ferros,
105:19 até o tempo em que sua palavra se cumpriu;
   a palavra do SENHOR o pôs à prova.
105:20 O rei mandou soltá-lo;
   o governante dos povos o libertou.
105:21 Pôs José como senhor de sua casa e administrador de todos os seus bens,
105:22 para prender seus governantes conforme desejasse e ensinar sabedoria a seus anciãos.
105:23 Então Israel entrou no Egito;
   Jacó viveu como estrangeiro na terra de Cam.
105:24 Deus tornou seu povo muito fecundo e o fez mais forte que seus adversários.
105:25 Mudou o coração deles para que odiassem seu povo e tramassem contra seus servos.
105:26 Enviou Moisés, seu servo, e Arão, a quem escolhera.
105:27 Eles realizaram entre os egípcios os sinais que ele ordenara e prodígios na terra de Cam.
105:28 Enviou escuridão, e tudo escureceu;
   eles não se rebelaram contra suas palavras.
105:29 Transformou suas águas em sangue e fez morrer seus peixes.
105:30 A terra deles ficou repleta de rãs, até os aposentos de seus reis.
105:31 Ele falou, e vieram enxames de moscas e mosquitos por todo o território deles.
105:32 Deu-lhes granizo em vez de chuva, fogo flamejante em sua terra.
105:33 Feriu suas videiras e figueiras e quebrou as árvores do seu território.
105:34 Ele falou, e vieram gafanhotos, gafanhotos jovens sem conta.
105:35 Devoraram todas as plantas de sua terra e comeram o fruto do seu solo.
105:36 Feriu todos os primogênitos de sua terra, as primícias de todo o seu vigor.
105:37 Mas os fez sair com prata e ouro;
   entre suas tribos não havia quem tropeçasse.
105:38 O Egito se alegrou quando eles saíram, pois o terror deles havia caído sobre os egípcios.
105:39 Ele estendeu uma nuvem como cobertura e um fogo para iluminar a noite.
105:40 O povo pediu, e ele trouxe codornizes;
   saciou-os com pão do céu.
105:41 Abriu uma rocha, e brotaram águas, que correram como um rio pelos lugares secos.
105:42 Pois se lembrou de sua santa palavra a Abraão, seu servo.
105:43 Fez seu povo sair com alegria, seus escolhidos, com cânticos de júbilo.
105:44 Deu-lhes as terras das nações, e herdaram o fruto do trabalho dos povos,
105:45 para que guardassem seus estatutos e observassem suas leis.
   Aleluia!

Capítulo 106
106:1 Aleluia! Deem graças ao SENHOR, pois ele é bom, pois seu amor leal dura para sempre.
106:2 Quem poderá contar os feitos poderosos do SENHOR e fazer ouvir todo o seu louvor?
106:3 Bem-aventurados os que guardam o direito, os que praticam a justiça em todo tempo.
106:4 Lembra-te de mim, SENHOR, quando mostrares favor a teu povo;
   visita-me com tua salvação,
106:5 para que eu veja o bem-estar dos teus escolhidos, me alegre com a alegria da tua nação e me glorie com tua herança.
106:6 Pecamos, nós e nossos pais;
   cometemos iniquidade e agimos com maldade.
106:7 Nossos pais, no Egito, não compreenderam tuas maravilhas;
   não lembraram teus muitos atos de amor leal e se rebelaram junto ao mar, ao mar Vermelho.
106:8 Mas ele os salvou por causa do seu nome, para fazer conhecer seu poder.
106:9 Repreendeu o mar Vermelho, e ele secou;
   conduziu-os pelas profundezas como por um deserto.
106:10 Salvou-os da mão de quem os odiava e os resgatou da mão do inimigo.
106:11 As águas cobriram seus adversários;
   não restou um só deles.
106:12 Então creram em suas palavras e cantaram seu louvor.
106:13 Mas logo esqueceram seus feitos;
   não esperaram seu conselho.
106:14 Entregaram-se à cobiça no deserto e puseram Deus à prova na terra desolada.
106:15 Ele lhes deu o que pediram, mas enviou definhamento a suas vidas.
106:16 No acampamento tiveram inveja de Moisés e de Arão, o santo do SENHOR.
106:17 A terra se abriu e engoliu Datã;
   cobriu o grupo de Abirão.
106:18 Um fogo se acendeu entre seu grupo, e a chama consumiu os ímpios.
106:19 Fizeram um bezerro em Horebe e se prostraram diante de uma imagem de metal fundido.
106:20 Trocaram sua glória pela figura de um boi que come erva.
106:21 Esqueceram Deus, seu Salvador, que fizera grandes coisas no Egito,
106:22 maravilhas na terra de Cam, feitos temíveis junto ao mar Vermelho.
106:23 Ele disse que os destruiria, se Moisés, seu escolhido, não se tivesse posto na brecha diante dele, para desviar seu furor e impedir a destruição.
106:24 Desprezaram a terra desejável e não creram em sua palavra.
106:25 Murmuraram em suas tendas e não ouviram a voz do SENHOR.
106:26 Então ele ergueu a mão e jurou que os faria cair no deserto,
106:27 que faria seus descendentes cair entre as nações e os dispersaria pelas terras.
106:28 Uniram-se a Baal-Peor e comeram sacrifícios oferecidos aos mortos.
106:29 Provocaram sua ira com suas ações, e uma praga irrompeu entre eles.
106:30 Então Fineias se levantou e interveio, e a praga cessou.
106:31 Isso lhe foi contado como justiça, de geração em geração, para sempre.
106:32 Também o provocaram junto às águas de Meribá, e por causa deles sucedeu mal a Moisés.
106:33 Pois amarguraram seu espírito, e ele falou precipitadamente com seus lábios.
106:34 Não destruíram os povos que o SENHOR lhes indicara,
106:35 mas se misturaram com as nações e aprenderam suas práticas.
106:36 Serviram seus ídolos, que se tornaram uma armadilha para eles.
106:37 Sacrificaram seus filhos e suas filhas aos demônios.
106:38 Derramaram sangue inocente, o sangue de seus filhos e de suas filhas, a quem sacrificaram aos ídolos de Canaã;
   a terra ficou contaminada com sangue.
106:39 Contaminaram-se com suas obras e se prostituíram com suas ações.
106:40 Então a ira do SENHOR se acendeu contra seu povo, e ele abominou sua herança.
106:41 Entregou-os nas mãos das nações, e os que os odiavam dominaram sobre eles.
106:42 Seus inimigos os oprimiram, e ficaram subjugados sob sua mão.
106:43 Muitas vezes ele os livrou, mas se rebelavam com seus planos e afundaram por sua culpa.
106:44 Contudo, viu sua aflição ao ouvir seu clamor.
106:45 Lembrou-se de sua aliança em favor deles e voltou atrás conforme a abundância do seu amor leal.
106:46 Fez que todos os que os mantinham cativos tivessem compaixão deles.
106:47 Salva-nos, SENHOR, nosso Deus, e reúne-nos de entre as nações, para darmos graças a teu santo nome e nos gloriarmos em teu louvor.
106:48 Bendito seja o SENHOR, Deus de Israel, de eternidade a eternidade!
   Que todo o povo diga: “Amém!”
   Aleluia!

Capítulo 107
107:1 Deem graças ao SENHOR, pois ele é bom, pois seu amor leal dura para sempre.
107:2 Digam isso os resgatados do SENHOR, a quem ele resgatou da mão do adversário
107:3 e reuniu de várias terras, do leste e do oeste, do norte e do mar.
107:4 Vagaram pelo deserto, por um caminho desolado;
   não encontraram uma cidade onde habitar.
107:5 Famintos e sedentos, sua alma desfalecia dentro deles.
107:6 Então clamaram ao SENHOR em sua angústia, e ele os livrou de suas aflições.
107:7 Conduziu-os por um caminho reto, para chegarem a uma cidade onde habitar.
107:8 Deem graças ao SENHOR por seu amor leal e por suas maravilhas em favor dos seres humanos.
107:9 Pois saciou a alma sedenta e encheu de coisas boas a alma faminta.
107:10 Outros viviam na escuridão e na sombra da morte, presos em aflição e em ferros,
107:11 pois se haviam rebelado contra as palavras de Deus e desprezado o conselho do Altíssimo.
107:12 Ele humilhou seu coração com trabalhos penosos;
   tropeçaram, e não havia quem os ajudasse.
107:13 Então clamaram ao SENHOR em sua angústia, e ele os salvou de suas aflições.
107:14 Tirou-os da escuridão e da sombra da morte e rompeu suas correntes.
107:15 Deem graças ao SENHOR por seu amor leal e por suas maravilhas em favor dos seres humanos.
107:16 Pois quebrou as portas de bronze e despedaçou as trancas de ferro.
107:17 Os insensatos foram afligidos por seu caminho de rebeldia e por suas culpas.
107:18 Sua alma rejeitava todo alimento, e chegaram às portas da morte.
107:19 Então clamaram ao SENHOR em sua angústia, e ele os salvou de suas aflições.
107:20 Enviou sua palavra e os curou;
   resgatou-os de suas covas.
107:21 Deem graças ao SENHOR por seu amor leal e por suas maravilhas em favor dos seres humanos.
107:22 Ofereçam sacrifícios de gratidão e contem seus feitos com cânticos de alegria.
107:23 Os que descem ao mar em navios e fazem comércio nas grandes águas
107:24 viram os feitos do SENHOR e suas maravilhas nas profundezas.
107:25 Ele falou e levantou um vento de tempestade, que ergueu as ondas.
107:26 Subiam aos céus, desciam aos abismos;
   sua alma se derretia de aflição.
107:27 Davam voltas e cambaleavam como um bêbado;
   toda a sua perícia se esgotava.
107:28 Então clamaram ao SENHOR em sua angústia, e ele os tirou de suas aflições.
107:29 Transformou a tempestade em calmaria, e as ondas se aquietaram.
107:30 Alegraram-se com a calma, e ele os conduziu ao porto desejado.
107:31 Deem graças ao SENHOR por seu amor leal e por suas maravilhas em favor dos seres humanos.
107:32 Exaltem-no na assembleia do povo e o louvem na reunião dos anciãos.
107:33 Ele transforma rios em deserto e fontes de água em terra sedenta,
107:34 a terra fértil em terreno salgado, por causa da maldade dos seus habitantes.
107:35 Transforma o deserto em lagos e a terra seca em fontes de água.
107:36 Ali estabelece os famintos, e eles fundam uma cidade onde habitar.
107:37 Semeiam campos e plantam vinhas, que produzem suas colheitas.
107:38 Ele os abençoa, e se multiplicam muito;
   não deixa seu gado diminuir.
107:39 Mas diminuem e são abatidos pela opressão, pela desgraça e pela dor.
107:40 Ele derrama desprezo sobre os nobres e os faz vagar num ermo sem caminhos.
107:41 Mas eleva o necessitado acima da aflição e faz as famílias serem como rebanhos.
107:42 Os retos veem e se alegram;
   toda maldade fecha a boca.
107:43 Quem é sábio preste atenção a essas coisas e considere os atos de amor leal do SENHOR.

Capítulo 108
108:1 Meu coração está firme, ó Deus;
   cantarei e entoarei louvores, também com minha glória.
108:2 Despertem, harpa e lira!
   Eu despertarei a aurora.
108:3 Eu te darei graças entre os povos, SENHOR, e cantarei teus louvores entre as nações.
108:4 Pois teu amor leal é grande acima dos céus, e tua verdade alcança as nuvens.
108:5 Sê exaltado acima dos céus, ó Deus;
   esteja tua glória sobre toda a terra.
108:6 Para que teus amados sejam libertos, salva com tua mão direita e responde-me.
108:7 Deus falou em sua santidade: “Eu exultarei;
   repartirei Siquém e medirei o vale de Sucote.
108:8 Meu é Gileade, meu é Manassés;
   Efraim é a proteção da minha cabeça, e Judá, meu cetro.
108:9 Moabe é minha bacia de lavar;
   sobre Edom lançarei minha sandália;
   sobre a Filístia darei meu grito de triunfo.”
108:10 Quem me levará à cidade fortificada?
   Quem me guiará até Edom?
108:11 Ó Deus, não nos rejeitaste?
   Tu não sais, ó Deus, com nossos exércitos.
108:12 Dá-nos auxílio contra o adversário, pois inútil é o socorro humano.
108:13 Com Deus faremos proezas;
   ele pisará nossos adversários.

Capítulo 109
109:1 Ó Deus, a quem louvo, não guardes silêncio.
109:2 Pois abriram contra mim uma boca ímpia e uma boca enganosa;
   falaram comigo com língua mentirosa.
109:3 Cercam-me com palavras de ódio e me combatem sem motivo.
109:4 Em troca do meu amor me acusam, mas eu me entrego à oração.
109:5 Retribuem-me mal por bem e ódio em troca do meu amor.
109:6 Põe um ímpio sobre ele, e que um acusador se coloque à sua direita.
109:7 Quando for julgado, saia culpado;
   que sua oração seja considerada pecado.
109:8 Sejam poucos os seus dias, e outro tome seu cargo.
109:9 Seus filhos fiquem órfãos, e sua mulher, viúva.
109:10 Que seus filhos andem errantes e mendiguem;
   busquem sustento longe de suas casas em ruínas.
109:11 Que o credor se apodere de tudo o que ele tem, e estranhos saqueiem o fruto do seu trabalho.
109:12 Não haja quem lhe mostre amor leal nem quem se compadeça de seus órfãos.
109:13 Que sua descendência seja exterminada;
   na geração seguinte, seja apagado o nome deles.
109:14 Que a culpa de seus pais seja lembrada diante do SENHOR, e não seja apagado o pecado de sua mãe.
109:15 Estejam sempre diante do SENHOR, para que ele elimine da terra a memória deles.
109:16 Pois não se lembrou de mostrar amor leal, mas perseguiu o aflito, o necessitado e o quebrantado de coração, para lhes dar morte.
109:17 Amou a maldição, e ela veio sobre ele;
   não desejou a bênção, e ela se afastou dele.
109:18 Vestiu-se de maldição como de uma túnica;
   ela entrou como água em seu interior e como azeite em seus ossos.
109:19 Seja para ele como a roupa que o cobre, como o cinto que usa sempre.
109:20 Seja essa a retribuição do SENHOR aos meus acusadores e aos que falam mal contra minha vida.
109:21 Mas tu, SENHOR, o Senhor, age a meu favor por causa do teu nome;
   livra-me, pois teu amor leal é bom.
109:22 Pois sou aflito e necessitado, e meu coração está ferido dentro de mim.
109:23 Eu me vou como a sombra que se alonga;
   sou sacudido como um gafanhoto.
109:24 Meus joelhos fraquejam de tanto jejuar, e meu corpo perdeu sua gordura.
109:25 Tornei-me motivo de insulto para eles;
   quando me veem, balançam a cabeça.
109:26 Ajuda-me, SENHOR, meu Deus;
   salva-me segundo teu amor leal.
109:27 Que saibam que esta é tua mão, que tu, SENHOR, fizeste isso.
109:28 Eles amaldiçoem, mas tu abençoa;
   levantem-se e sejam envergonhados, enquanto teu servo se alegra.
109:29 Vistam-se meus acusadores de desonra e se cubram de vergonha como de um manto.
109:30 Com minha boca darei muitas graças ao SENHOR e o louvarei no meio da multidão.
109:31 Pois ele se coloca à direita do necessitado, para salvá-lo dos que condenam sua vida.

Capítulo 110
110:1 Declaração do SENHOR ao meu senhor: “Sente-se à minha direita, até que eu ponha seus inimigos como estrado dos seus pés.”
110:2 O SENHOR estenderá de Sião o cetro da sua força: domine no meio dos seus inimigos!
110:3 Seu povo se oferecerá voluntariamente no dia do seu poder, em esplendores de santidade;
   desde o ventre da aurora, você tem o orvalho da sua juventude.
110:4 O SENHOR jurou e não voltará atrás: “Você é sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.”
110:5 O Senhor está à sua direita;
   esmagará reis no dia da sua ira.
110:6 Julgará entre as nações, enchendo-as de cadáveres;
   esmagará cabeças por uma vasta terra.
110:7 Beberá do ribeiro pelo caminho;
   por isso erguerá a cabeça.

Capítulo 111
111:1 Aleluia! Darei graças ao SENHOR de todo o coração, no conselho dos retos e na assembleia.
111:2 Grandes são as obras do SENHOR, estudadas por todos os que nelas têm prazer.
111:3 Sua obra é esplendor e majestade, e sua justiça permanece para sempre.
111:4 Fez que suas maravilhas fossem lembradas;
   o SENHOR é bondoso e compassivo.
111:5 Deu alimento aos que o temem;
   ele se lembra para sempre de sua aliança.
111:6 Mostrou a seu povo o poder dos seus feitos, ao lhe dar a herança das nações.
111:7 As obras das suas mãos são verdade e direito;
   todos os seus preceitos são firmes,
111:8 sustentados para todo o sempre, estabelecidos em verdade e retidão.
111:9 Enviou redenção a seu povo e estabeleceu sua aliança para sempre;
   santo e temível é seu nome.
111:10 O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria;
   todos os que os praticam têm bom entendimento.
   Seu louvor permanece para sempre.

Capítulo 112
112:1 Aleluia! Bem-aventurado o homem que teme o SENHOR e tem grande prazer em seus mandamentos.
112:2 Sua descendência será poderosa na terra;
   a geração dos retos será abençoada.
112:3 Em sua casa há bens e riquezas, e sua justiça permanece para sempre.
112:4 Nasce luz na escuridão para os retos;
   ele é bondoso, compassivo e justo.
112:5 Bem irá ao homem que se compadece e empresta, que conduz seus negócios com justiça.
112:6 Pois jamais será abalado;
   o justo será lembrado para sempre.
112:7 Não temerá más notícias;
   seu coração está firme, confiante no SENHOR.
112:8 Seu coração está seguro, e não temerá, até contemplar seus adversários.
112:9 Distribui, dá aos necessitados;
   sua justiça permanece para sempre, e seu chifre será elevado com honra.
112:10 O ímpio verá e ficará irado;
   rangerá os dentes e se consumirá.
   O desejo dos ímpios perecerá.

Capítulo 113
113:1 Aleluia! Louvem, servos do SENHOR;
   louvem o nome do SENHOR.
113:2 Seja bendito o nome do SENHOR, desde agora e para sempre.
113:3 Do nascer do sol até o seu pôr, seja louvado o nome do SENHOR.
113:4 O SENHOR é exaltado acima de todas as nações;
   sua glória está acima dos céus.
113:5 Quem é como o SENHOR, nosso Deus, que se assenta nas alturas
113:6 e se inclina para olhar os céus e a terra?
113:7 Ele levanta do pó o fraco e ergue do monte de lixo o necessitado,
113:8 para fazê-lo sentar com os nobres, com os nobres do seu povo.
113:9 Faz a mulher estéril habitar num lar, como mãe feliz de filhos.
   Aleluia!

Capítulo 114
114:1 Quando Israel saiu do Egito, a casa de Jacó de um povo de língua estranha,
114:2 Judá se tornou seu santuário, e Israel, seu domínio.
114:3 O mar viu e fugiu;
   o Jordão voltou atrás.
114:4 Os montes saltaram como carneiros, as colinas, como cordeiros.
114:5 O que você tem, ó mar, para fugir assim?
   E você, Jordão, para voltar atrás?
114:6 E vocês, montes, por que saltam como carneiros, e vocês, colinas, como cordeiros?
114:7 Estremeça, terra, diante do Senhor, diante do Deus de Jacó,
114:8 que transforma a rocha num lago de água e a pederneira numa fonte de água.

Capítulo 115
115:1 Não a nós, SENHOR, não a nós, mas a teu nome dá glória, por teu amor leal e por tua verdade.
115:2 Por que diriam as nações: “Onde está agora o Deus deles?”
115:3 Nosso Deus está nos céus;
   fez tudo o que quis.
115:4 Os ídolos deles são prata e ouro, obra de mãos humanas.
115:5 Têm boca, mas não falam;
   têm olhos, mas não veem.
115:6 Têm ouvidos, mas não ouvem;
   têm nariz, mas não sentem cheiro.
115:7 Têm mãos, mas não apalpam;
   têm pés, mas não andam;
   não emitem som com sua garganta.
115:8 Como eles serão os que os fazem e todos os que neles confiam.
115:9 Israel, confie no SENHOR;
   ele é o auxílio e o escudo deles.
115:10 Casa de Arão, confiem no SENHOR;
   ele é o auxílio e o escudo deles.
115:11 Vocês que temem o SENHOR, confiem no SENHOR;
   ele é o auxílio e o escudo deles.
115:12 O SENHOR se lembrou de nós e nos abençoará;
   abençoará a casa de Israel, abençoará a casa de Arão.
115:13 Abençoará os que temem o SENHOR, tanto pequenos como grandes.
115:14 Que o SENHOR os multiplique, a vocês e a seus filhos.
115:15 Vocês são abençoados pelo SENHOR, que fez os céus e a terra.
115:16 Os céus são os céus do SENHOR, mas a terra ele deu aos seres humanos.
115:17 Os mortos não louvam Yah, nem os que descem ao silêncio.
115:18 Mas nós bendiremos Yah, desde agora e para sempre.
   Aleluia!

Capítulo 116
116:1 Amo o SENHOR, pois ele ouve minha voz e minhas súplicas.
116:2 Porque inclinou seu ouvido para mim, eu o invocarei enquanto viver.
116:3 Os laços da morte me cercaram, as angústias do Seol me alcançaram;
   encontrei aflição e dor.
116:4 Então invoquei o nome do SENHOR: “Por favor, SENHOR, livra minha vida!”
116:5 O SENHOR é bondoso e justo;
   nosso Deus é compassivo.
116:6 O SENHOR guarda os simples;
   eu estava abatido, e ele me salvou.
116:7 Volte ao seu descanso, minha alma, pois o SENHOR lhe fez bem.
116:8 Pois tu livraste minha vida da morte, meus olhos das lágrimas e meus pés da queda.
116:9 Andarei diante do SENHOR nas terras dos vivos.
116:10 Eu cri, mesmo quando disse: “Estou muito aflito.”
116:11 Na minha perturbação eu disse: “Todo ser humano é mentiroso.”
116:12 Que retribuirei ao SENHOR por todos os seus benefícios para comigo?
116:13 Erguerei o cálice da salvação e invocarei o nome do SENHOR.
116:14 Cumprirei agora meus votos ao SENHOR, diante de todo o seu povo.
116:15 Preciosa é aos olhos do SENHOR a morte de seus fiéis.
116:16 Ó SENHOR, sou de fato teu servo;
   sou teu servo, filho da tua serva.
   Soltaste minhas correntes.
116:17 Eu te oferecerei um sacrifício de gratidão e invocarei o nome do SENHOR.
116:18 Cumprirei agora meus votos ao SENHOR, diante de todo o seu povo,
116:19 nos átrios da casa do SENHOR, em seu meio, Jerusalém.
   Aleluia!

Capítulo 117
117:1 Louvem o SENHOR, todas as nações;
   exaltem-no, todos os povos.
117:2 Pois poderoso é seu amor leal para conosco, e a verdade do SENHOR dura para sempre.
   Aleluia!

Capítulo 118
118:1 Deem graças ao SENHOR, pois ele é bom, pois seu amor leal dura para sempre.
118:2 Diga agora Israel: “Seu amor leal dura para sempre.”
118:3 Diga agora a casa de Arão: “Seu amor leal dura para sempre.”
118:4 Digam agora os que temem o SENHOR: “Seu amor leal dura para sempre.”
118:5 Na angústia invoquei Yah;
   Yah me respondeu e me pôs num lugar amplo.
118:6 O SENHOR está ao meu lado;
   não temerei.
   Que poderá o ser humano me fazer?
118:7 O SENHOR está ao meu lado, entre os que me ajudam;
   contemplarei os que me odeiam.
118:8 É melhor refugiar-se no SENHOR que confiar no ser humano.
118:9 É melhor refugiar-se no SENHOR que confiar nos nobres.
118:10 Todas as nações me cercaram;
   em nome do SENHOR eu as destruirei.
118:11 Cercaram-me, sim, cercaram-me;
   em nome do SENHOR eu as destruirei.
118:12 Cercaram-me como abelhas, apagaram-se como fogo de espinhos;
   em nome do SENHOR eu as destruirei.
118:13 Você me empurrou com força para me fazer cair, mas o SENHOR me ajudou.
118:14 Yah é minha força e meu cântico;
   ele se tornou minha salvação.
118:15 Há voz de alegria e de salvação nas tendas dos justos: “A mão direita do SENHOR faz proezas!
118:16 A mão direita do SENHOR se eleva;
   a mão direita do SENHOR faz proezas!”
118:17 Não morrerei, mas viverei e contarei os feitos de Yah.
118:18 Yah me disciplinou severamente, mas não me entregou à morte.
118:19 Abram-me as portas da justiça;
   entrarei por elas e darei graças a Yah.
118:20 Esta é a porta do SENHOR;
   por ela entrarão os justos.
118:21 Eu te darei graças, pois me respondeste e te tornaste minha salvação.
118:22 A pedra que os construtores rejeitaram tornou-se a pedra angular.
118:23 Isso veio do SENHOR e é maravilhoso aos nossos olhos.
118:24 Este é o dia que o SENHOR fez;
   exultemos e nos alegremos nele.
118:25 Por favor, SENHOR, salva-nos!
   Por favor, SENHOR, concede-nos êxito!
118:26 Bendito o que vem em nome do SENHOR!
   Da casa do SENHOR nós abençoamos vocês.
118:27 O SENHOR é Deus e nos deu luz.
   Amarrem o sacrifício da festa com cordas, até os chifres do altar.
118:28 Tu és meu Deus, e eu te darei graças;
   meu Deus, eu te exaltarei.
118:29 Deem graças ao SENHOR, pois ele é bom, pois seu amor leal dura para sempre.

Capítulo 119
119:1 Bem-aventurados os de caminho íntegro, que andam na lei do SENHOR.
119:2 Bem-aventurados os que guardam seus testemunhos e o buscam de todo o coração.
119:3 Também não praticam injustiça;
   andam em seus caminhos.
119:4 Tu ordenaste que teus preceitos fossem guardados com todo o cuidado.
119:5 Quem dera meus caminhos fossem firmes para guardar teus estatutos!
119:6 Então não serei envergonhado ao atentar para todos os teus mandamentos.
119:7 Eu te darei graças com retidão de coração, ao aprender teus justos juízos.
119:8 Guardarei teus estatutos;
   não me abandones por completo.
119:9 Como o jovem manterá puro seu caminho?
   Guardando-o conforme tua palavra.
119:10 De todo o meu coração te busquei;
   não me deixes desviar de teus mandamentos.
119:11 Guardei tua palavra no meu coração, para não pecar contra ti.
119:12 Bendito és tu, SENHOR;
   ensina-me teus estatutos.
119:13 Com meus lábios contei todos os juízos da tua boca.
119:14 Alegrei-me no caminho dos teus testemunhos tanto quanto em todas as riquezas.
119:15 Meditarei em teus preceitos e considerarei tuas veredas.
119:16 Terei prazer em teus estatutos;
   não esquecerei tua palavra.
119:17 Trata teu servo com bondade, para que eu viva e guarde tua palavra.
119:18 Abre meus olhos, para que eu contemple as maravilhas da tua lei.
119:19 Sou estrangeiro na terra;
   não escondas de mim teus mandamentos.
119:20 Minha alma se consome de tanto desejar teus juízos em todo tempo.
119:21 Repreendeste os arrogantes, os malditos que se desviam de teus mandamentos.
119:22 Afasta de mim a desonra e o desprezo, pois guardei teus testemunhos.
119:23 Até os príncipes se assentaram e falaram contra mim, mas teu servo medita em teus estatutos.
119:24 Teus testemunhos também são meu prazer e meus conselheiros.
119:25 Minha alma está apegada ao pó;
   dá-me vida conforme tua palavra.
119:26 Contei meus caminhos, e tu me respondeste;
   ensina-me teus estatutos.
119:27 Faze-me entender o caminho dos teus preceitos, e meditarei em tuas maravilhas.
119:28 Minha alma se desfaz de tristeza;
   sustenta-me conforme tua palavra.
119:29 Afasta de mim o caminho da mentira e, por tua bondade, concede-me tua lei.
119:30 Escolhi o caminho da fidelidade;
   pus teus juízos diante de mim.
119:31 Apeguei-me a teus testemunhos, SENHOR;
   não me envergonhes.
119:32 Correrei pelo caminho dos teus mandamentos, pois alargas meu coração.
119:33 Ensina-me, SENHOR, o caminho dos teus estatutos, e eu o guardarei até o fim.
119:34 Dá-me entendimento, e guardarei tua lei;
   eu a cumprirei de todo o coração.
119:35 Guia-me pela vereda dos teus mandamentos, pois nela tenho prazer.
119:36 Inclina meu coração para teus testemunhos, e não para o ganho desonesto.
119:37 Desvia meus olhos de contemplar o que é vão;
   dá-me vida em teus caminhos.
119:38 Confirma a teu servo tua palavra, que leva ao temor de ti.
119:39 Afasta a desonra que temo, pois teus juízos são bons.
119:40 Eis que anseio por teus preceitos;
   dá-me vida por tua justiça.
119:41 Venham a mim teus atos de amor leal, SENHOR, tua salvação conforme tua palavra.
119:42 Assim terei o que responder a quem me insulta, pois confiei em tua palavra.
119:43 Não retires por completo da minha boca a palavra da verdade, pois esperei em teu juízo.
119:44 Guardarei tua lei continuamente, para todo o sempre.
119:45 Andarei num lugar amplo, pois busquei teus preceitos.
119:46 Falarei de teus testemunhos diante de reis e não me envergonharei.
119:47 Terei prazer em teus mandamentos, que amo.
119:48 Levantarei minhas mãos para teus mandamentos, que amo, e meditarei em teus estatutos.
119:49 Lembra-te da palavra dada a teu servo, na qual me fizeste esperar.
119:50 Este é meu consolo na aflição: tua palavra me deu vida.
119:51 Os arrogantes zombaram muito de mim, mas não me desviei da tua lei.
119:52 Lembrei teus juízos de outrora, SENHOR, e fui consolado.
119:53 A indignação tomou conta de mim por causa dos ímpios que abandonam tua lei.
119:54 Teus estatutos têm sido meus cânticos na casa onde vivo como estrangeiro.
119:55 À noite lembrei teu nome, SENHOR, e guardei tua lei.
119:56 Isso me aconteceu porque guardei teus preceitos.
119:57 Minha porção é o SENHOR;
   disse que guardaria tuas palavras.
119:58 Supliquei teu favor de todo o coração;
   tem compaixão de mim conforme tua palavra.
119:59 Considerei meus caminhos e voltei meus pés para teus testemunhos.
119:60 Apressei-me e não demorei a guardar teus mandamentos.
119:61 As cordas dos ímpios me enlaçaram, mas não esqueci tua lei.
119:62 À meia-noite me levanto para te dar graças por teus justos juízos.
119:63 Sou companheiro de todos os que te temem e dos que guardam teus preceitos.
119:64 A terra está cheia do teu amor leal, SENHOR;
   ensina-me teus estatutos.
119:65 Fizeste bem a teu servo, SENHOR, conforme tua palavra.
119:66 Ensina-me bom discernimento e conhecimento, pois creio em teus mandamentos.
119:67 Antes de ser afligido, eu andava desviado;
   agora, porém, guardo tua palavra.
119:68 Tu és bom e fazes o bem;
   ensina-me teus estatutos.
119:69 Os arrogantes forjaram mentiras contra mim, mas eu guardarei teus preceitos de todo o coração.
119:70 O coração deles engrossou como gordura;
   eu, porém, tenho prazer em tua lei.
119:71 Foi bom para mim ser afligido, para que aprendesse teus estatutos.
119:72 Para mim, a lei da tua boca vale mais que milhares em ouro e prata.
119:73 Tuas mãos me fizeram e me formaram;
   dá-me entendimento para aprender teus mandamentos.
119:74 Os que te temem me verão e se alegrarão, pois esperei em tua palavra.
119:75 Sei, SENHOR, que teus juízos são justos e que em tua fidelidade me afligiste.
119:76 Que teu amor leal me console, conforme tua palavra a teu servo.
119:77 Venham a mim tuas misericórdias, para que eu viva, pois tua lei é meu prazer.
119:78 Sejam envergonhados os arrogantes, pois me prejudicaram com mentiras;
   eu meditarei em teus preceitos.
119:79 Voltem-se para mim os que te temem, e conheçam teus testemunhos.
119:80 Seja íntegro meu coração em teus estatutos, para que eu não seja envergonhado.
119:81 Minha alma desfalece à espera da tua salvação;
   pus minha esperança em tua palavra.
119:82 Meus olhos desfalecem à espera da tua palavra;
   digo: “Quando me consolarás?”
119:83 Embora eu seja como um odre na fumaça, não esqueci teus estatutos.
119:84 Quantos são os dias do teu servo?
   Quando executarás juízo contra os que me perseguem?
119:85 Os arrogantes cavaram covas para mim, o que não está de acordo com tua lei.
119:86 Todos os teus mandamentos são dignos de confiança.
   Com mentiras me perseguem;
   ajuda-me!
119:87 Quase acabaram comigo na terra, mas não abandonei teus preceitos.
119:88 Dá-me vida segundo teu amor leal, e guardarei o testemunho da tua boca.
119:89 Para sempre, SENHOR, tua palavra está firme nos céus.
119:90 Tua fidelidade dura de geração em geração;
   firmaste a terra, e ela permanece.
119:91 Conforme teus juízos, permanecem até hoje, pois todas as coisas são tuas servas.
119:92 Se tua lei não fosse meu prazer, eu teria perecido em minha aflição.
119:93 Jamais esquecerei teus preceitos, pois por eles me deste vida.
119:94 Sou teu; salva-me, pois busquei teus preceitos.
119:95 Os ímpios me espreitam para me destruir, mas eu considerarei teus testemunhos.
119:96 Vi um limite para toda perfeição;
   teu mandamento é muito amplo.
119:97 Como amo tua lei!
   Ela é minha meditação o dia inteiro.
119:98 Teus mandamentos me fazem mais sábio que meus inimigos, pois estão sempre comigo.
119:99 Tenho mais entendimento que todos os meus mestres, pois teus testemunhos são minha meditação.
119:100 Tenho mais discernimento que os anciãos, pois guardei teus preceitos.
119:101 Contive meus pés de todo caminho mau, para guardar tua palavra.
119:102 Não me afastei de teus juízos, pois tu me ensinaste.
119:103 Como são doces tuas palavras ao meu paladar, mais que o mel à minha boca!
119:104 Por teus preceitos adquiro entendimento;
   por isso odeio todo caminho de mentira.
119:105 Tua palavra é lâmpada para meus pés e luz para meu caminho.
119:106 Jurei e confirmo que guardarei teus justos juízos.
119:107 Estou muito aflito;
   SENHOR, dá-me vida conforme tua palavra.
119:108 Aceita, por favor, SENHOR, as ofertas voluntárias da minha boca e ensina-me teus juízos.
119:109 Minha vida está sempre em perigo, mas não esqueci tua lei.
119:110 Os ímpios armaram uma cilada para mim, mas não me desviei de teus preceitos.
119:111 Tomei teus testemunhos como herança para sempre, pois são a alegria do meu coração.
119:112 Inclinei meu coração a cumprir teus estatutos para sempre, até o fim.
119:113 Odeio os de coração dividido, mas amo tua lei.
119:114 Tu és meu abrigo e meu escudo;
   pus minha esperança em tua palavra.
119:115 Afastem-se de mim, malfeitores, para que eu guarde os mandamentos do meu Deus.
119:116 Sustenta-me conforme tua palavra, e viverei;
   não me deixes envergonhado por minha esperança.
119:117 Ampara-me, e serei salvo;
   sempre atentarei para teus estatutos.
119:118 Rejeitaste todos os que se desviam de teus estatutos, pois sua astúcia é falsidade.
119:119 Eliminaste como escória todos os ímpios da terra;
   por isso amo teus testemunhos.
119:120 Minha carne se arrepia de temor de ti, e temo teus juízos.
119:121 Pratiquei direito e justiça;
   não me abandones a meus opressores.
119:122 Sê fiador do teu servo para seu bem;
   não deixes os arrogantes me oprimir.
119:123 Meus olhos desfalecem à espera da tua salvação e da tua justa palavra.
119:124 Trata teu servo segundo teu amor leal e ensina-me teus estatutos.
119:125 Sou teu servo;
   dá-me entendimento para que eu conheça teus testemunhos.
119:126 É tempo de agires, SENHOR, pois violaram tua lei.
119:127 Por isso amo teus mandamentos mais que o ouro, mais que o ouro puro.
119:128 Por isso considero retos todos os teus preceitos a respeito de tudo e odeio todo caminho de mentira.
119:129 Maravilhosos são teus testemunhos;
   por isso minha alma os guarda.
119:130 A exposição das tuas palavras ilumina e dá entendimento aos simples.
119:131 Abro a boca e suspiro, pois anseio por teus mandamentos.
119:132 Volta-te para mim e tem compaixão de mim, como costumas fazer aos que amam teu nome.
119:133 Firma meus passos em tua palavra;
   não deixes nenhuma maldade me dominar.
119:134 Resgata-me da opressão humana, e guardarei teus preceitos.
119:135 Faze teu rosto resplandecer sobre teu servo e ensina-me teus estatutos.
119:136 Rios de água correm dos meus olhos, pois não guardam tua lei.
119:137 Tu és justo, SENHOR, e retos são teus juízos.
119:138 Ordenaste teus testemunhos com justiça e grande fidelidade.
119:139 Meu zelo me consome, pois meus adversários esqueceram tuas palavras.
119:140 Tua palavra é muito pura, e teu servo a ama.
119:141 Sou pequeno e desprezado, mas não esqueci teus preceitos.
119:142 Tua justiça é justiça eterna, e tua lei é verdade.
119:143 Aflição e angústia me alcançaram, mas teus mandamentos são meu prazer.
119:144 A justiça dos teus testemunhos é eterna;
   dá-me entendimento, e viverei.
119:145 Clamei de todo o coração.
   Responde-me, SENHOR;
   guardarei teus estatutos.
119:146 A ti clamei;
   salva-me, e guardarei teus testemunhos.
119:147 Antecipei-me à aurora e clamei;
   esperei em tuas palavras.
119:148 Meus olhos se antecipam às vigílias, para meditar em tua palavra.
119:149 Escuta minha voz segundo teu amor leal;
   SENHOR, dá-me vida conforme teu juízo.
119:150 Aproximam-se os que perseguem a maldade;
   estão longe da tua lei.
119:151 Tu estás perto, SENHOR, e todos os teus mandamentos são verdade.
119:152 Há muito sei por teus testemunhos que os estabeleceste para sempre.
119:153 Olha minha aflição e livra-me, pois não esqueci tua lei.
119:154 Defende minha causa e resgata-me;
   dá-me vida conforme tua palavra.
119:155 A salvação está longe dos ímpios, pois não buscam teus estatutos.
119:156 Muitas são tuas misericórdias, SENHOR;
   dá-me vida conforme teus juízos.
119:157 Muitos são meus perseguidores e adversários, mas não me desviei de teus testemunhos.
119:158 Vi os desleais e senti repugnância, pois não guardaram tua palavra.
119:159 Vê como amo teus preceitos;
   SENHOR, dá-me vida segundo teu amor leal.
119:160 A soma da tua palavra é verdade, e cada um dos teus justos juízos dura para sempre.
119:161 Príncipes me perseguiram sem motivo, mas meu coração treme diante das tuas palavras.
119:162 Alegro-me em tua palavra como quem encontra um grande despojo.
119:163 Odeio e detesto a mentira, mas amo tua lei.
119:164 Sete vezes ao dia te louvo por teus justos juízos.
119:165 Grande paz têm os que amam tua lei, e não há tropeço para eles.
119:166 Esperei tua salvação, SENHOR, e cumpri teus mandamentos.
119:167 Minha alma guardou teus testemunhos, e eu os amo muito.
119:168 Guardei teus preceitos e teus testemunhos, pois todos os meus caminhos estão diante de ti.
119:169 Que meu clamor chegue à tua presença, SENHOR;
   dá-me entendimento conforme tua palavra.
119:170 Que minha súplica chegue à tua presença;
   livra-me conforme tua palavra.
119:171 Meus lábios transbordarão de louvor, pois me ensinas teus estatutos.
119:172 Minha língua cantará tua palavra, pois todos os teus mandamentos são justiça.
119:173 Que tua mão venha me ajudar, pois escolhi teus preceitos.
119:174 Anseio por tua salvação, SENHOR, e tua lei é meu prazer.
119:175 Que minha alma viva e te louve;
   que teus juízos me ajudem.
119:176 Andei errante como ovelha perdida;
   busca teu servo, pois não esqueci teus mandamentos.

Capítulo 120
120:1 Na minha angústia clamei ao SENHOR, e ele me respondeu.
120:2 SENHOR, livra minha vida dos lábios mentirosos e da língua enganosa.
120:3 O que será dado a você e que mais lhe será acrescentado, língua enganosa?
120:4 Flechas afiadas de um guerreiro e brasas de retama.
120:5 Ai de mim, que vivo como estrangeiro em Meseque e habito entre as tendas de Quedar!
120:6 Há tempo demais minha alma habita com os que odeiam a paz.
120:7 Sou pela paz, mas, quando falo, eles são pela guerra.

Capítulo 121
121:1 Ergo meus olhos para os montes.
   De onde virá meu socorro?
121:2 Meu socorro vem do SENHOR, que fez os céus e a terra.
121:3 Que ele não deixe seu pé resvalar;
   que não cochile aquele que guarda você.
121:4 Eis que não cochila nem dorme aquele que guarda Israel.
121:5 O SENHOR é quem guarda você;
   o SENHOR é sua sombra à sua direita.
121:6 O sol não ferirá você de dia, nem a lua, de noite.
121:7 O SENHOR guardará você de todo mal;
   ele guardará sua vida.
121:8 O SENHOR guardará sua saída e sua entrada, desde agora e para sempre.

Capítulo 122
122:1 Alegrei-me quando me disseram: “Vamos à casa do SENHOR!”
122:2 Nossos pés estão dentro de suas portas, Jerusalém.
122:3 Jerusalém, edificada como uma cidade unida em todas as suas partes,
122:4 para onde sobem as tribos, as tribos de Yah, conforme o testemunho dado a Israel, para dar graças ao nome do SENHOR.
122:5 Pois ali estão os tronos de julgamento, os tronos da casa de Davi.
122:6 Peçam pela paz de Jerusalém;
   vivam tranquilos os que amam você.
122:7 Haja paz dentro de suas muralhas e tranquilidade em seus palácios.
122:8 Por causa dos meus irmãos e companheiros, direi: “Haja paz em você!”
122:9 Por causa da casa do SENHOR, nosso Deus, buscarei seu bem.

Capítulo 123
123:1 A ti ergo meus olhos, tu que estás entronizado nos céus.
123:2 Como os olhos dos servos se voltam para a mão de seus senhores, e os olhos da serva, para a mão de sua senhora, assim nossos olhos se voltam para o SENHOR, nosso Deus, até que tenha compaixão de nós.
123:3 Tem compaixão de nós, SENHOR, tem compaixão de nós, pois estamos fartos de desprezo.
123:4 Nossa alma está mais que farta da zombaria dos que vivem à vontade e do desprezo dos arrogantes.

Capítulo 124
124:1 Se o SENHOR não tivesse estado ao nosso lado — diga agora Israel —,
124:2 se o SENHOR não tivesse estado ao nosso lado, quando os homens se levantaram contra nós,
124:3 então nos teriam engolido vivos, quando sua ira se acendeu contra nós.
124:4 Então as águas nos teriam arrastado;
   a torrente teria passado sobre nós.
124:5 Então as águas impetuosas teriam passado sobre nós.
124:6 Bendito seja o SENHOR, que não nos entregou como presa aos dentes deles!
124:7 Nossa alma escapou como um pássaro da armadilha dos caçadores de aves;
   a armadilha se rompeu, e nós escapamos.
124:8 Nosso socorro está no nome do SENHOR, que fez os céus e a terra.

Capítulo 125
125:1 Os que confiam no SENHOR são como o monte Sião, que não se abala, mas permanece para sempre.
125:2 Como os montes cercam Jerusalém, assim o SENHOR cerca seu povo, desde agora e para sempre.
125:3 Pois o cetro da maldade não permanecerá sobre a herança dos justos, para que os justos não estendam suas mãos à injustiça.
125:4 Faze o bem, SENHOR, aos bons e aos retos de coração.
125:5 Mas os que se desviam por seus caminhos tortuosos, o SENHOR os levará junto com os que praticam o mal.
   Paz sobre Israel!

Capítulo 126
126:1 Quando o SENHOR restaurou o bem-estar de Sião, ficamos como quem sonha.
126:2 Então nossa boca se encheu de riso, e nossa língua, de cânticos de alegria.
   Então se dizia entre as nações: “O SENHOR fez grandes coisas por eles.”
126:3 O SENHOR fez grandes coisas por nós;
   ficamos alegres.
126:4 Restaura nosso bem-estar, SENHOR, como as torrentes do Neguebe.
126:5 Os que semeiam com lágrimas colherão com cânticos de alegria.
126:6 Quem sai andando e chorando, levando a bolsa de sementes, voltará, sim, com cânticos de alegria, trazendo seus feixes.

Capítulo 127
127:1 Se o SENHOR não construir a casa, em vão trabalham seus construtores;
   se o SENHOR não guardar a cidade, em vão vigia a sentinela.
127:2 É inútil vocês se levantarem cedo e se deitarem tarde, comendo o pão do esforço penoso;
   pois ele dá sono a seu amado.
127:3 Eis que os filhos são herança do SENHOR, e o fruto do ventre é recompensa.
127:4 Como flechas na mão de um guerreiro, assim são os filhos da juventude.
127:5 Bem-aventurado o homem que enche deles sua aljava;
   não serão envergonhados quando falarem com os inimigos à porta.

Capítulo 128
128:1 Bem-aventurado todo aquele que teme o SENHOR e anda em seus caminhos.
128:2 Você comerá do trabalho de suas mãos;
   será feliz, e tudo lhe irá bem.
128:3 Sua esposa será como uma videira fecunda no interior da sua casa;
   seus filhos, como brotos de oliveira ao redor da sua mesa.
128:4 Eis como será abençoado o homem que teme o SENHOR.
128:5 Que o SENHOR abençoe você de Sião;
   que você veja o bem-estar de Jerusalém todos os dias da sua vida
128:6 e veja os filhos de seus filhos.
   Paz sobre Israel!

Capítulo 129
129:1 Muito me oprimiram desde a juventude — diga agora Israel —.
129:2 Muito me oprimiram desde a juventude, mas não puderam me vencer.
129:3 Sobre minhas costas araram os lavradores;
   alongaram seus sulcos.
129:4 O SENHOR é justo;
   cortou as cordas dos ímpios.
129:5 Sejam envergonhados e voltem atrás todos os que odeiam Sião.
129:6 Sejam como a erva dos telhados, que seca antes de ser arrancada,
129:7 com a qual o ceifeiro não enche a mão, nem quem ata os feixes enche os braços.
129:8 Nem os que passam dizem: “A bênção do SENHOR esteja sobre vocês;
   nós abençoamos vocês em nome do SENHOR.”

Capítulo 130
130:1 Das profundezas clamo a ti, SENHOR.
130:2 Senhor, escuta minha voz;
   estejam teus ouvidos atentos à voz das minhas súplicas.
130:3 Se levares em conta as culpas, Yah, quem, Senhor, poderá permanecer de pé?
130:4 Mas contigo está o perdão, para que sejas temido.
130:5 Espero no SENHOR;
   minha alma espera, e em sua palavra ponho minha esperança.
130:6 Minha alma espera pelo Senhor mais que os guardas pela manhã, mais que os guardas pela manhã.
130:7 Israel, espere no SENHOR, pois no SENHOR há amor leal, e nele há abundante redenção.
130:8 Ele mesmo redimirá Israel de todas as suas culpas.

Capítulo 131
131:1 SENHOR, meu coração não é arrogante, nem meus olhos são altivos;
   não ando atrás de grandezas nem de coisas maravilhosas demais para mim.
131:2 De fato, acalmei e aquietei minha alma;
   como criança desmamada junto à mãe, como criança desmamada está minha alma dentro de mim.
131:3 Israel, espere no SENHOR, desde agora e para sempre.

Capítulo 132
132:1 Lembra-te, SENHOR, de Davi e de todas as suas aflições,
132:2 de como jurou ao SENHOR e fez um voto ao Poderoso de Jacó:
132:3 “Não entrarei na tenda em que moro nem subirei ao leito em que durmo;
132:4 não darei sono aos meus olhos nem repouso às minhas pálpebras,
132:5 até encontrar um lugar para o SENHOR, moradas para o Poderoso de Jacó.”
132:6 Eis que ouvimos falar dela em Efrata;
   nós a encontramos nos campos do bosque.
132:7 Entremos em suas moradas;
   prostremo-nos diante do estrado de seus pés.
132:8 Levanta-te, SENHOR, para teu lugar de descanso, tu e a arca da tua força.
132:9 Vistam-se teus sacerdotes de justiça, e teus fiéis cantem de alegria.
132:10 Por causa de Davi, teu servo, não rejeites teu ungido.
132:11 O SENHOR jurou a Davi uma verdade da qual não voltará atrás: “Porei em seu trono alguém do fruto do seu ventre.
132:12 Se seus filhos guardarem minha aliança e meus testemunhos que lhes ensinarei, também os filhos deles se assentarão para sempre em seu trono.”
132:13 Pois o SENHOR escolheu Sião;
   desejou-a para sua morada:
132:14 “Este é meu lugar de descanso para sempre;
   aqui habitarei, pois a desejei.
132:15 Abençoarei abundantemente suas provisões;
   saciarei de pão seus necessitados.
132:16 Vestirei de salvação seus sacerdotes, e seus fiéis cantarão com grande alegria.
132:17 Ali farei brotar um chifre para Davi;
   preparei uma lâmpada para meu ungido.
132:18 Vestirei de vergonha seus inimigos, mas sobre ele florescerá sua coroa.”

Capítulo 133
133:1 Vejam como é bom e agradável que os irmãos vivam unidos!
133:2 É como o bom óleo sobre a cabeça, que desce pela barba, a barba de Arão, e desce até a gola de suas vestes.
133:3 É como o orvalho do Hermom, que desce sobre os montes de Sião;
   pois ali o SENHOR ordenou a bênção: vida para sempre.

Capítulo 134
134:1 Bendigam o SENHOR, todos os servos do SENHOR que permanecem à noite na casa do SENHOR.
134:2 Levantem suas mãos para o santuário e bendigam o SENHOR.
134:3 Que o SENHOR abençoe você de Sião, ele que fez os céus e a terra.

Capítulo 135
135:1 Aleluia! Louvem o nome do SENHOR;
   louvem, servos do SENHOR,
135:2 vocês que permanecem na casa do SENHOR, nos átrios da casa do nosso Deus.
135:3 Aleluia! Pois o SENHOR é bom;
   cantem louvores a seu nome, pois é agradável.
135:4 Pois Yah escolheu Jacó para si, Israel como seu tesouro especial.
135:5 Eu sei que o SENHOR é grande e que nosso Senhor está acima de todos os deuses.
135:6 O SENHOR fez tudo o que quis, nos céus e na terra, nos mares e em todos os abismos.
135:7 Faz subir as nuvens dos confins da terra, faz os relâmpagos para a chuva e tira o vento dos seus depósitos.
135:8 Ele feriu os primogênitos do Egito, tanto dos seres humanos como dos animais.
135:9 Enviou sinais e prodígios em seu meio, ó Egito, contra Faraó e todos os seus servos.
135:10 Feriu muitas nações e matou reis poderosos:
135:11 Seom, rei dos amorreus, Ogue, rei de Basã, e todos os reinos de Canaã.
135:12 Deu suas terras como herança, como herança a Israel, seu povo.
135:13 SENHOR, teu nome dura para sempre;
   SENHOR, tua memória, de geração em geração.
135:14 Pois o SENHOR julgará seu povo e terá compaixão de seus servos.
135:15 Os ídolos das nações são prata e ouro, obra de mãos humanas.
135:16 Têm boca, mas não falam;
   têm olhos, mas não veem.
135:17 Têm ouvidos, mas não escutam;
   não há fôlego em sua boca.
135:18 Como eles serão os que os fazem e todos os que neles confiam.
135:19 Casa de Israel, bendigam o SENHOR;
   casa de Arão, bendigam o SENHOR.
135:20 Casa de Levi, bendigam o SENHOR;
   vocês que temem o SENHOR, bendigam o SENHOR.
135:21 Bendito seja de Sião o SENHOR, que habita em Jerusalém.
   Aleluia!

Capítulo 136
136:1 Deem graças ao SENHOR, pois ele é bom, pois seu amor leal dura para sempre.
136:2 Deem graças ao Deus dos deuses, pois seu amor leal dura para sempre.
136:3 Deem graças ao Senhor dos senhores, pois seu amor leal dura para sempre.
136:4 Àquele que sozinho faz grandes maravilhas, pois seu amor leal dura para sempre.
136:5 Àquele que fez os céus com entendimento, pois seu amor leal dura para sempre.
136:6 Àquele que estendeu a terra sobre as águas, pois seu amor leal dura para sempre.
136:7 Àquele que fez os grandes luminares, pois seu amor leal dura para sempre.
136:8 O sol para governar o dia, pois seu amor leal dura para sempre.
136:9 A lua e as estrelas para governar a noite, pois seu amor leal dura para sempre.
136:10 Àquele que feriu o Egito em seus primogênitos, pois seu amor leal dura para sempre.
136:11 E tirou Israel do meio deles, pois seu amor leal dura para sempre.
136:12 Com mão forte e braço estendido, pois seu amor leal dura para sempre.
136:13 Àquele que dividiu o mar Vermelho em partes, pois seu amor leal dura para sempre.
136:14 E fez Israel passar pelo meio dele, pois seu amor leal dura para sempre.
136:15 E lançou Faraó e seu exército no mar Vermelho, pois seu amor leal dura para sempre.
136:16 Àquele que conduziu seu povo pelo deserto, pois seu amor leal dura para sempre.
136:17 Àquele que feriu grandes reis, pois seu amor leal dura para sempre.
136:18 E matou reis poderosos, pois seu amor leal dura para sempre.
136:19 Seom, rei dos amorreus, pois seu amor leal dura para sempre.
136:20 E Ogue, rei de Basã, pois seu amor leal dura para sempre.
136:21 E deu suas terras como herança, pois seu amor leal dura para sempre.
136:22 Como herança a Israel, seu servo, pois seu amor leal dura para sempre.
136:23 Ele se lembrou de nós em nosso abatimento, pois seu amor leal dura para sempre.
136:24 E nos libertou de nossos adversários, pois seu amor leal dura para sempre.
136:25 Ele dá alimento a todo ser vivente, pois seu amor leal dura para sempre.
136:26 Deem graças ao Deus dos céus, pois seu amor leal dura para sempre.

Capítulo 137
137:1 Junto aos rios da Babilônia nos assentávamos e chorávamos, ao lembrar Sião.
137:2 Nos salgueiros que havia ali penduramos nossas liras.
137:3 Pois ali nossos captores nos pediam cânticos, e nossos atormentadores, alegria: “Cantem para nós um dos cânticos de Sião!”
137:4 Como cantaríamos o cântico do SENHOR em terra estrangeira?
137:5 Se eu esquecer você, Jerusalém, que minha mão direita esqueça sua destreza.
137:6 Que minha língua se cole ao céu da boca, se eu não lembrar você, se não puser Jerusalém acima da minha maior alegria.
137:7 Lembra-te, SENHOR, contra os filhos de Edom, do dia de Jerusalém, quando diziam: “Arrasem, arrasem até os seus alicerces!”
137:8 Filha da Babilônia, que será devastada, bem-aventurado quem lhe retribuir o que você nos fez!
137:9 Bem-aventurado quem agarrar seus pequeninos e os esmagar contra a rocha!

Capítulo 138
138:1 Eu te darei graças de todo o meu coração;
   diante dos deuses cantarei teus louvores.
138:2 Eu me prostrarei em direção a teu santo templo e darei graças a teu nome por teu amor leal e tua verdade, pois engrandeceste tua palavra acima de todo o teu nome.
138:3 No dia em que clamei, tu me respondeste;
   deste-me coragem, fortalecendo minha alma.
138:4 Todos os reis da terra te darão graças, SENHOR, pois ouviram as palavras da tua boca.
138:5 Cantarão os caminhos do SENHOR, pois grande é a glória do SENHOR.
138:6 Embora o SENHOR seja exaltado, olha para o humilde e conhece de longe o arrogante.
138:7 Ainda que eu ande em meio à angústia, tu me darás vida;
   estenderás tua mão contra a ira dos meus inimigos, e tua mão direita me salvará.
138:8 O SENHOR completará o que faz por mim.
   SENHOR, teu amor leal dura para sempre;
   não abandones as obras das tuas mãos.

Capítulo 139
139:1 SENHOR, tu me sondaste e me conheces.
139:2 Tu sabes quando me sento e quando me levanto;
   de longe entendes meu pensamento.
139:3 Examinas meu andar e meu deitar;
   conheces bem todos os meus caminhos.
139:4 Ainda não há uma palavra na minha língua, e tu, SENHOR, já a conheces por completo.
139:5 Tu me cercas por trás e pela frente e pões tua mão sobre mim.
139:6 Esse conhecimento é maravilhoso demais para mim, tão elevado que não posso alcançá-lo.
139:7 Para onde irei longe do teu Espírito?
   Para onde fugirei da tua presença?
139:8 Se subir aos céus, lá estás tu;
   se fizer minha cama no Seol, eis que ali estás.
139:9 Se tomar as asas da aurora e habitar nos confins do mar,
139:10 ainda ali tua mão me guiará, e tua mão direita me segurará.
139:11 Se eu disser: “Certamente a escuridão me encobrirá, e a luz ao meu redor se tornará noite”,
139:12 nem a escuridão será escura para ti;
   a noite brilhará como o dia, pois para ti as trevas são como a luz.
139:13 Pois tu formaste meu interior e me teceste no ventre da minha mãe.
139:14 Eu te darei graças porque fui feito de modo assombroso e maravilhoso;
   maravilhosas são tuas obras, e minha alma o sabe muito bem.
139:15 Minha estrutura não estava oculta de ti quando fui feito em segredo, entretecido nas profundezas da terra.
139:16 Teus olhos viram meu corpo ainda sem forma;
   em teu livro foram escritos todos os dias que foram formados, quando nenhum deles ainda existia.
139:17 Como são preciosos para mim teus pensamentos, ó Deus!
   Como é imensa sua soma!
139:18 Se os contasse, seriam mais que os grãos de areia;
   ao despertar, ainda estou contigo.
139:19 Quem dera, ó Deus, matasses o ímpio!
   Afastem-se de mim, homens sanguinários!
139:20 Pois falam de ti com malícia;
   teus adversários tomam teu nome em vão.
139:21 SENHOR, não odeio os que te odeiam e sinto repugnância pelos que se levantam contra ti?
139:22 Eu os odeio com ódio completo;
   tornaram-se meus inimigos.
139:23 Sonda-me, ó Deus, e conhece meu coração;
   põe-me à prova e conhece minhas inquietações.
139:24 Vê se há em mim algum caminho mau e guia-me pelo caminho eterno.

Capítulo 140
140:1 Livra-me, SENHOR, do homem mau;
   protege-me do homem violento,
140:2 dos que planejam males no coração e provocam guerras todos os dias.
140:3 Afiaram sua língua como a serpente;
   sob seus lábios há veneno de víbora. Selá.

140:4 Guarda-me, SENHOR, das mãos do ímpio;
   protege-me do homem violento, dos que planejam fazer meus passos tropeçar.
140:5 Os arrogantes esconderam uma armadilha para mim;
   estenderam cordas e uma rede à beira do caminho, armaram ciladas para mim. Selá.

140:6 Eu disse ao SENHOR: “Tu és meu Deus;
   escuta, SENHOR, a voz das minhas súplicas.”
140:7 SENHOR, o Senhor, força da minha salvação, tu cobriste minha cabeça no dia da batalha.
140:8 Não concedas, SENHOR, os desejos do ímpio;
   não faças seu plano prosperar, para que não se exaltem. Selá.

140:9 Que os males dos próprios lábios cubram a cabeça dos que me cercam.
140:10 Que façam cair brasas sobre eles;
   que ele os lance ao fogo, a covas profundas, de onde não se levantem.
140:11 Que o caluniador não se firme na terra;
   que o mal persiga o homem violento até derrubá-lo.
140:12 Tu sabes que o SENHOR defenderá a causa do aflito e fará justiça aos necessitados.
140:13 Certamente os justos darão graças a teu nome, e os retos habitarão em tua presença.

Capítulo 141
141:1 SENHOR, a ti clamo;
   vem depressa a mim.
   Escuta minha voz quando te invoco.
141:2 Seja minha oração disposta como incenso diante de ti, e o levantar das minhas mãos, como a oferta da tarde.
141:3 Põe uma guarda à minha boca, SENHOR;
   vigia a porta dos meus lábios.
141:4 Não inclines meu coração para coisa má, para praticar atos perversos com os que fazem o mal;
   que eu não coma de suas iguarias.
141:5 Que o justo me fira: será amor leal;
   que me repreenda: será óleo para minha cabeça.
   Que minha cabeça não o rejeite, pois minha oração continua contra as maldades deles.
141:6 Quando seus juízes forem lançados pelas encostas do rochedo, ouvirão minhas palavras, pois são agradáveis.
141:7 Como quando se lavra e se fende a terra, nossos ossos foram espalhados à boca do Seol.
141:8 Mas para ti se voltam meus olhos, SENHOR, o Senhor;
   em ti me refugiei.
   Não derrames minha vida.
141:9 Guarda-me da armadilha que me prepararam e dos laços dos que praticam o mal.
141:10 Caiam os ímpios juntos nas redes dele, enquanto eu passo a salvo.

Capítulo 142
142:1 Com minha voz clamo ao SENHOR;
   com minha voz suplico ao SENHOR.
142:2 Derramo diante dele minha queixa;
   exponho em sua presença minha angústia.
142:3 Quando meu espírito desfalece dentro de mim, tu conheces minha vereda.
   No caminho por onde ando esconderam uma armadilha para mim.
142:4 Olha à minha direita e vê: não há quem me reconheça.
   Não me resta refúgio;
   ninguém se importa com minha vida.
142:5 Clamei a ti, SENHOR;
   disse: “Tu és meu refúgio, minha porção na terra dos vivos.”
142:6 Atende a meu clamor, pois estou muito abatido;
   livra-me de meus perseguidores, pois são mais fortes que eu.
142:7 Tira minha alma da prisão, para que eu dê graças a teu nome.
   Os justos me cercarão, pois me tratarás com bondade.

Capítulo 143
143:1 SENHOR, escuta minha oração, dá ouvidos às minhas súplicas;
   em tua fidelidade e tua justiça, responde-me.
143:2 Não entres em juízo com teu servo, pois nenhum ser vivo é justo diante de ti.
143:3 Pois o inimigo persegue minha vida;
   esmagou-a contra o chão e me fez habitar na escuridão, como os mortos de há muito tempo.
143:4 Meu espírito desfalece dentro de mim;
   em meu interior meu coração está desolado.
143:5 Lembro os dias de outrora;
   medito em toda a tua obra e reflito nos feitos das tuas mãos.
143:6 Estendo minhas mãos para ti;
   minha alma te anseia como terra sedenta. Selá.

143:7 Responde-me depressa, SENHOR, pois meu espírito se consome.
   Não escondas de mim teu rosto, para que eu não seja como os que descem à cova.
143:8 Faze-me ouvir de manhã teu amor leal, pois em ti confio.
   Mostra-me o caminho por onde devo andar, pois a ti elevo minha alma.
143:9 Livra-me de meus inimigos, SENHOR;
   em ti me escondo.
143:10 Ensina-me a fazer tua vontade, pois tu és meu Deus;
   que teu bom Espírito me guie por terra plana.
143:11 Por causa do teu nome, SENHOR, dá-me vida;
   em tua justiça, tira minha alma da angústia.
143:12 Em teu amor leal, acaba com meus inimigos e destrói todos os que afligem minha alma, pois sou teu servo.

Capítulo 144
144:1 Bendito seja o SENHOR, minha rocha, que treina minhas mãos para a batalha e meus dedos para a guerra.
144:2 Ele me mostra amor leal e é minha fortaleza, meu alto refúgio e meu libertador, meu escudo, em quem me refugio;
   ele submete meu povo debaixo de mim.
144:3 SENHOR, que é o ser humano para que o conheças, o filho do mortal para que o tenhas em conta?
144:4 O ser humano é como um sopro;
   seus dias são como a sombra que passa.
144:5 SENHOR, inclina teus céus e desce;
   toca nos montes, e eles fumegarão.
144:6 Faze brilhar relâmpagos e dispersa-os;
   envia tuas flechas e confunde-os.
144:7 Estende tuas mãos do alto;
   resgata-me e livra-me das muitas águas, da mão dos estrangeiros,
144:8 cuja boca fala falsidade e cuja mão direita é mão de mentira.
144:9 Ó Deus, cantarei a ti um cântico novo;
   com uma harpa de dez cordas cantarei teus louvores.
144:10 É ele quem dá vitória aos reis e livra Davi, seu servo, da espada maligna.
144:11 Resgata-me e livra-me da mão dos estrangeiros, cuja boca fala falsidade e cuja mão direita é mão de mentira.
144:12 Que nossos filhos sejam como plantas crescidas desde a juventude;
   nossas filhas, como colunas de esquina esculpidas para um palácio.
144:13 Que nossos celeiros estejam cheios, fornecendo toda espécie de produtos;
   nossos rebanhos se multipliquem aos milhares e às dezenas de milhares em nossos campos.
144:14 Que nossos bois estejam bem carregados;
   não haja brechas nem saídas, nem gritos de aflição em nossas praças.
144:15 Bem-aventurado o povo a quem assim acontece;
   bem-aventurado o povo cujo Deus é o SENHOR!

Capítulo 145
145:1 Eu te exaltarei, meu Deus e Rei, e bendirei teu nome para todo o sempre.
145:2 Todos os dias te bendirei e louvarei teu nome para todo o sempre.
145:3 O SENHOR é grande e muito digno de louvor;
   sua grandeza não pode ser sondada.
145:4 Uma geração celebrará teus feitos diante de outra e anunciará teus atos poderosos.
145:5 Meditarei no esplendor glorioso da tua majestade e em tuas obras maravilhosas.
145:6 Falarão da força dos teus feitos temíveis, e eu contarei tuas grandezas.
145:7 Proclamarão a memória da tua abundante bondade e cantarão de alegria por tua justiça.
145:8 O SENHOR é bondoso e compassivo, lento para a ira e grande em amor leal.
145:9 O SENHOR é bom para todos;
   suas misericórdias estão sobre todas as suas obras.
145:10 Todas as tuas obras te darão graças, SENHOR, e teus fiéis te bendirão.
145:11 Falarão da glória do teu reino e contarão teu poder,
145:12 para fazer conhecer aos seres humanos seus feitos poderosos e o esplendor glorioso do seu reino.
145:13 Teu reino é reino de todos os séculos, e teu domínio dura por todas as gerações.
145:14 O SENHOR sustenta todos os que caem e levanta todos os encurvados.
145:15 Os olhos de todos esperam em ti, e tu lhes dás alimento no tempo certo.
145:16 Abres tua mão e satisfazes o desejo de todo ser vivo.
145:17 O SENHOR é justo em todos os seus caminhos e leal em todas as suas obras.
145:18 O SENHOR está perto de todos os que o invocam, de todos os que o invocam em verdade.
145:19 Cumpre o desejo dos que o temem;
   ouve seu clamor e os salva.
145:20 O SENHOR guarda todos os que o amam, mas destruirá todos os ímpios.
145:21 Minha boca proclamará o louvor do SENHOR, e toda carne bendiga seu santo nome para todo o sempre.

Capítulo 146
146:1 Aleluia! Louve o SENHOR, minha alma!
146:2 Louvarei o SENHOR enquanto viver;
   cantarei louvores ao meu Deus enquanto existir.
146:3 Não confiem nos nobres nem no ser humano, em quem não há salvação.
146:4 Seu fôlego se vai, e ele volta à terra;
   naquele dia perecem seus planos.
146:5 Bem-aventurado quem tem o Deus de Jacó por auxílio, cuja esperança está no SENHOR, seu Deus,
146:6 que fez os céus e a terra, o mar e tudo o que neles há, e mantém sua fidelidade para sempre.
146:7 Ele faz justiça aos oprimidos e dá pão aos famintos.
   O SENHOR liberta os prisioneiros.
146:8 O SENHOR abre os olhos dos cegos;
   o SENHOR levanta os encurvados;
   o SENHOR ama os justos.
146:9 O SENHOR guarda os estrangeiros, ampara o órfão e a viúva, mas transtorna o caminho dos ímpios.
146:10 O SENHOR reinará para sempre, seu Deus, ó Sião, de geração em geração.
   Aleluia!

Capítulo 147
147:1 Aleluia! É bom cantar louvores ao nosso Deus;
   o louvor é agradável e apropriado.
147:2 O SENHOR reconstrói Jerusalém e reúne os dispersos de Israel.
147:3 Cura os de coração quebrantado e enfaixa suas feridas.
147:4 Conta o número das estrelas e chama todas pelo nome.
147:5 Nosso Senhor é grande e abundante em poder;
   seu entendimento não tem limite.
147:6 O SENHOR ampara os humildes e abate os ímpios até o chão.
147:7 Cantem ao SENHOR com ações de graças;
   cantem louvores ao nosso Deus com a lira.
147:8 Ele cobre os céus com nuvens, prepara chuva para a terra e faz brotar erva nos montes.
147:9 Dá alimento aos animais e aos filhotes de corvo que clamam.
147:10 Não tem prazer na força do cavalo nem se compraz nas pernas do homem.
147:11 O SENHOR se agrada dos que o temem, dos que esperam em seu amor leal.
147:12 Exalte o SENHOR, Jerusalém;
   louve seu Deus, Sião.
147:13 Pois ele reforçou as trancas das suas portas e abençoou seus filhos em seu meio.
147:14 Ele põe paz em suas fronteiras e sacia você com o melhor do trigo.
147:15 Envia sua ordem à terra;
   sua palavra corre velozmente.
147:16 Dá a neve como lã e espalha a geada como cinza.
147:17 Lança seu gelo como migalhas.
   Quem pode resistir ao seu frio?
147:18 Envia sua palavra e os derrete;
   faz soprar seu vento, e as águas correm.
147:19 Anuncia sua palavra a Jacó, seus estatutos e seus juízos a Israel.
147:20 Não fez assim com nenhuma outra nação;
   elas não conheceram seus juízos.
   Aleluia!

Capítulo 148
148:1 Aleluia! Louvem o SENHOR desde os céus;
   louvem-no nas alturas.
148:2 Louvem-no, todos os seus anjos;
   louvem-no, todo o seu exército.
148:3 Louvem-no, sol e lua;
   louvem-no, todas as estrelas luminosas.
148:4 Louvem-no, céus dos céus e águas que estão acima dos céus.
148:5 Louvem o nome do SENHOR, pois ele ordenou, e foram criados.
148:6 Ele os firmou para todo o sempre;
   deu um decreto que não passará.
148:7 Louvem o SENHOR desde a terra, monstros marinhos e todos os abismos,
148:8 fogo e granizo, neve e névoa, vento de tempestade que cumpre sua palavra,
148:9 montes e todas as colinas, árvores frutíferas e todos os cedros,
148:10 animais selvagens e todo o gado, seres que rastejam e aves aladas,
148:11 reis da terra e todos os povos, governantes e todos os juízes da terra,
148:12 rapazes e moças, idosos junto com crianças.
148:13 Louvem o nome do SENHOR, pois somente seu nome é exaltado;
   seu esplendor está acima da terra e dos céus.
148:14 Ele ergueu um chifre para seu povo, motivo de louvor para todos os seus fiéis, para os filhos de Israel, povo que lhe é próximo.
   Aleluia!

Capítulo 149
149:1 Aleluia! Cantem ao SENHOR um cântico novo;
   cantem seu louvor na assembleia dos fiéis.
149:2 Alegre-se Israel em seu Criador;
   exultem os filhos de Sião em seu Rei.
149:3 Louvem seu nome com dança;
   cantem seus louvores com pandeiro e lira.
149:4 Pois o SENHOR se agrada do seu povo;
   adorna os humildes com salvação.
149:5 Exultem os fiéis em glória;
   cantem de alegria em suas camas.
149:6 Estejam os altos louvores de Deus em sua garganta e uma espada de dois gumes em sua mão,
149:7 para executar vingança entre as nações e castigos entre os povos,
149:8 para prender seus reis com correntes e seus nobres com grilhões de ferro,
149:9 para executar neles o juízo escrito.
   Isso é honra para todos os seus fiéis.
   Aleluia!

Capítulo 150
150:1 Aleluia! Louvem a Deus em seu santuário;
   louvem-no no firmamento do seu poder.
150:2 Louvem-no por seus feitos poderosos;
   louvem-no conforme sua imensa grandeza.
150:3 Louvem-no ao som da trombeta de chifre;
   louvem-no com harpa e lira.
150:4 Louvem-no com pandeiro e dança;
   louvem-no com instrumentos de cordas e flauta.
150:5 Louvem-no com címbalos sonoros;
   louvem-no com címbalos retumbantes.
150:6 Tudo o que respira louve Yah.
   Aleluia!

PROVÉRBIOS

Capítulo 1
1:1 Provérbios de Salomão, filho de Davi, rei de Israel:
1:2 para conhecer a sabedoria e a disciplina, para compreender palavras de discernimento;
1:3 para receber instrução em uma conduta prudente, em justiça, direito e equidade;
1:4 para dar prudência aos ingênuos, conhecimento e discernimento ao jovem.
1:5 Que o sábio ouça e aumente seu saber, e que o entendido adquira orientação,
1:6 para compreender provérbios e figuras, as palavras dos sábios e seus enigmas.
1:7 O temor do SENHOR é o princípio do conhecimento;
   os insensatos desprezam a sabedoria e a disciplina.

1:8 Meu filho, ouça a instrução de seu pai e não abandone o ensino de sua mãe,
1:9 pois serão uma bela grinalda para sua cabeça e colares para seu pescoço.
1:10 Meu filho, se os pecadores quiserem seduzir você, não consinta.
1:11 Se disserem: “Venha conosco;
   vamos armar uma emboscada para derramar sangue, vamos espreitar o inocente sem motivo;
1:12 vamos engoli-los vivos, como o mundo dos mortos, inteiros, como os que descem à cova.
1:13 Encontraremos todo tipo de riquezas preciosas e encheremos nossas casas de despojos.
1:14 Lance sua sorte entre nós;
   teremos todos uma só bolsa”,
1:15 meu filho, não siga pelo caminho deles;
   afaste seus pés das veredas deles,
1:16 pois seus pés correm para o mal e se apressam em derramar sangue.
1:17 É inútil estender uma rede à vista de qualquer ave;
1:18 mas eles armam emboscadas contra o próprio sangue, espreitam a própria vida.
1:19 Assim são os caminhos de todos os que buscam ganhos injustos: esses ganhos tiram a vida de quem os possui.

1:20 A sabedoria clama nas ruas, ergue sua voz nas praças;
1:21 clama nos lugares mais movimentados e, à entrada dos portões da cidade, pronuncia suas palavras:
1:22 “Até quando vocês, ingênuos, amarão a ingenuidade?
   Até quando os zombadores terão prazer na zombaria e os tolos odiarão o conhecimento?
1:23 Voltem-se para a minha repreensão!
   Derramarei sobre vocês meu espírito e lhes darei a conhecer minhas palavras.
1:24 Eu chamei, mas vocês se recusaram a ouvir;
   estendi a mão, mas ninguém prestou atenção.
1:25 Vocês desprezaram todos os meus conselhos e não quiseram minha repreensão.
1:26 Por isso, também eu rirei da desgraça de vocês;
   zombarei quando chegar aquilo que temem,
1:27 quando o que temem vier como uma tempestade, e a desgraça de vocês chegar como um redemoinho, quando a aflição e a angústia caírem sobre vocês.
1:28 Então me chamarão, mas não responderei;
   me buscarão com empenho, mas não me encontrarão.
1:29 Pois odiaram o conhecimento e não escolheram o temor do SENHOR;
1:30 não quiseram meus conselhos e desprezaram toda a minha repreensão.
1:31 Por isso, comerão do fruto de seu caminho e se fartarão de suas próprias tramas.
1:32 Porque o desvio dos ingênuos os matará, e a despreocupação dos tolos os destruirá.
1:33 Mas quem me ouvir viverá em segurança, tranquilo e sem temer o mal.”

Capítulo 2
2:1 Meu filho, se você acolher minhas palavras e guardar consigo meus mandamentos,
2:2 dando ouvidos à sabedoria e inclinando seu coração ao entendimento;
2:3 se clamar por discernimento e erguer sua voz em busca de entendimento;
2:4 se o buscar como a prata e o procurar como a tesouros escondidos,
2:5 então compreenderá o temor do SENHOR e encontrará o conhecimento de Deus.
2:6 Pois o SENHOR dá a sabedoria;
   de sua boca vêm o conhecimento e o entendimento.
2:7 Ele reserva a sabedoria eficaz para os retos;
   é escudo para quem anda com integridade,
2:8 guardando as veredas da justiça e protegendo o caminho de quem lhe é fiel.
2:9 Então você compreenderá a justiça, o direito e a equidade: todo bom caminho.
2:10 Pois a sabedoria entrará em seu coração, e o conhecimento será agradável à sua alma.
2:11 O discernimento velará por você, e o entendimento o protegerá,
2:12 para livrar você do mau caminho, do homem que fala perversidades,
2:13 dos que abandonam as veredas retas para andar pelos caminhos das trevas,
2:14 dos que se alegram em fazer o mal e têm prazer na perversidade do mal,
2:15 cujas veredas são tortuosas e cujos caminhos se desviam.
2:16 Também livrarão você da mulher alheia, da estranha que seduz com suas palavras,
2:17 que abandona o companheiro de sua juventude e se esquece da aliança de seu Deus.
2:18 Pois a casa dela se inclina para a morte, e suas veredas levam aos mortos.
2:19 Nenhum dos que vão até ela retorna nem alcança as veredas da vida.
2:20 Assim você andará pelo caminho dos bons e seguirá as veredas dos justos.
2:21 Pois os retos habitarão a terra, e os íntegros permanecerão nela;
2:22 mas os ímpios serão eliminados da terra, e os traiçoeiros serão arrancados dela.

Capítulo 3
3:1 Meu filho, não se esqueça de meu ensino;
   que seu coração guarde meus mandamentos,
3:2 pois eles lhe acrescentarão longos dias, anos de vida e paz.
3:3 Que o amor leal e a fidelidade não abandonem você;
   amarre-os ao pescoço, escreva-os na tábua de seu coração.
3:4 Assim você encontrará favor e boa estima aos olhos de Deus e das pessoas.

3:5 Confie no SENHOR de todo o seu coração e não se apoie em seu próprio entendimento.
3:6 Reconheça-o em todos os seus caminhos, e ele endireitará suas veredas.
3:7 Não seja sábio aos seus próprios olhos;
   tema o SENHOR e afaste-se do mal.
3:8 Isso será saúde para seu corpo e alívio para seus ossos.
3:9 Honre o SENHOR com seus bens e com os primeiros frutos de todas as suas colheitas;
3:10 então seus celeiros se encherão de fartura, e seus lagares transbordarão de vinho novo.

3:11 Meu filho, não rejeite a disciplina do SENHOR nem se irrite com sua repreensão,
3:12 pois o SENHOR repreende a quem ama, como um pai ao filho de quem se agrada.
3:13 Feliz quem encontra a sabedoria, quem adquire entendimento,
3:14 pois o lucro que ela dá é melhor que o da prata, e seu rendimento é melhor que o ouro fino.
3:15 Ela é mais preciosa que as pedras preciosas;
   nada do que você deseja se compara a ela.
3:16 Em sua mão direita há vida longa;
   na esquerda, riquezas e honra.
3:17 Seus caminhos são agradáveis, e todas as suas veredas são paz.
3:18 Ela é árvore de vida para os que se apegam a ela;
   felizes os que a retêm.

3:19 Com sabedoria o SENHOR fundou a terra;
   com entendimento estabeleceu os céus.
3:20 Por seu conhecimento os abismos se abriram, e as nuvens destilam orvalho.
3:21 Meu filho, não perca essas coisas de vista;
   guarde a sabedoria eficaz e o discernimento.
3:22 Serão vida para sua alma e adorno para seu pescoço.
3:23 Então você andará seguro por seu caminho, e seu pé não tropeçará.
3:24 Quando se deitar, não terá medo;
   você se deitará, e seu sono será tranquilo.
3:25 Não tema o terror repentino nem a devastação dos ímpios, quando vier,
3:26 pois o SENHOR será sua confiança e impedirá que seu pé fique preso.
3:27 Não negue o bem a quem é devido, quando estiver em suas mãos fazê-lo.
3:28 Não diga ao seu próximo: “Vá e volte;
   amanhã lhe darei”, se você já tem o que dar.
3:29 Não planeje o mal contra seu próximo, que vive confiante ao seu lado.
3:30 Não entre em conflito com ninguém sem motivo, se essa pessoa não lhe fez mal.
3:31 Não inveje o homem violento nem escolha nenhum de seus caminhos,
3:32 pois o perverso é detestável ao SENHOR, mas ele compartilha sua intimidade com os retos.
3:33 A maldição do SENHOR está sobre a casa do ímpio, mas ele abençoa o lar dos justos.
3:34 Ele zomba dos zombadores, mas concede graça aos humildes.
3:35 Os sábios herdarão honra, mas os tolos só alcançarão desonra.

Capítulo 4
4:1 Ouçam, filhos, a instrução de um pai;
   prestem atenção para adquirir entendimento,
4:2 pois lhes dou bom ensino.
   Não abandonem minha instrução.
4:3 Quando eu era menino junto de meu pai, ainda pequeno e único aos olhos de minha mãe,
4:4 ele me ensinava e dizia: “Que seu coração retenha minhas palavras;
   guarde meus mandamentos e viva.
4:5 Adquira sabedoria, adquira entendimento;
   não se esqueça das palavras de minha boca nem se afaste delas.
4:6 Não abandone a sabedoria, e ela cuidará de você;
   ame-a, e ela o protegerá.
4:7 O princípio da sabedoria é este: adquira sabedoria;
   com tudo o que você adquirir, adquira entendimento.
4:8 Tenha-a em alta estima, e ela o exaltará;
   ela o honrará quando você a abraçar.
4:9 Colocará uma bela grinalda em sua cabeça e lhe entregará uma coroa esplêndida.”
4:10 Ouça, meu filho, e acolha minhas palavras;
   assim os anos de sua vida se multiplicarão.
4:11 Eu lhe ensinei o caminho da sabedoria e guiei você por veredas retas.
4:12 Quando você andar, seus passos não serão impedidos;
   se correr, não tropeçará.
4:13 Apegue-se à instrução e não a solte;
   guarde-a, pois ela é sua vida.
4:14 Não entre na vereda dos ímpios nem avance pelo caminho dos maus.
4:15 Evite-o, não passe por ele;
   afaste-se e siga adiante.
4:16 Pois eles não dormem enquanto não fazem o mal;
   perdem o sono se não fizerem alguém tropeçar.
4:17 Comem o pão da maldade e bebem o vinho da violência.
4:18 Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora, que brilha cada vez mais até a plena luz do dia.
4:19 O caminho dos ímpios é como a escuridão;
   nem sabem em que tropeçam.

4:20 Meu filho, preste atenção às minhas palavras;
   dê ouvidos ao que eu digo.
4:21 Não as perca de vista;
   guarde-as no íntimo de seu coração.
4:22 Pois são vida para quem as encontra e saúde para todo o seu corpo.
4:23 Acima de tudo, guarde seu coração, pois dele brota a vida.
4:24 Afaste de você a fala tortuosa e mantenha longe a perversidade dos lábios.
4:25 Que seus olhos olhem para a frente, e seu olhar se dirija ao que está diante de você.
4:26 Pondere a vereda de seus pés, e todos os seus caminhos serão firmes.
4:27 Não se desvie nem para a direita nem para a esquerda;
   afaste seus pés do mal.

Capítulo 5
5:1 Meu filho, preste atenção à minha sabedoria;
   dê ouvidos ao meu entendimento,
5:2 para conservar o discernimento e para que seus lábios guardem o conhecimento.
5:3 Pois os lábios da mulher alheia destilam mel, e seu paladar é mais suave que o azeite;
5:4 mas, no fim, ela é amarga como o absinto, afiada como uma espada de dois gumes.
5:5 Seus pés descem para a morte;
   seus passos conduzem ao mundo dos mortos.
5:6 Ela não pondera a vereda da vida;
   seus caminhos são instáveis, e ela não percebe.

5:7 Agora, pois, filhos, ouçam-me e não se afastem das palavras de minha boca.
5:8 Mantenha seu caminho longe dela e não se aproxime da porta de sua casa,
5:9 para não entregar a outros seu vigor nem seus anos a alguém cruel;
5:10 para que estranhos não se fartem do fruto de sua força, e seu trabalho não vá parar na casa de um desconhecido;
5:11 para que você não venha a gemer no fim, quando sua carne e seu corpo se consumirem,
5:12 nem diga: “Como odiei a disciplina!
   Como meu coração desprezou a repreensão!
5:13 Não ouvi a voz de meus mestres nem dei ouvidos aos que me ensinavam.
5:14 Estive à beira da ruína completa, no meio da assembleia e da congregação!”
5:15 Beba a água de sua própria cisterna, a água que corre de seu próprio poço.
5:16 Acaso seus mananciais devem se espalhar pelas ruas, e suas correntes de água pelas praças?
5:17 Que sejam só seus, sem reparti-los com estranhos.
5:18 Que sua fonte seja abençoada, e alegre-se com a esposa de sua juventude,
5:19 corça amorosa e gazela graciosa.
   Que os seios dela o saciem em todo tempo;
   embriague-se sempre com o amor dela.
5:20 Por que, meu filho, você se embriagaria com uma mulher alheia e abraçaria o seio de uma estranha?
5:21 Pois os caminhos do homem estão diante dos olhos do SENHOR, e ele examina todas as suas veredas.
5:22 As próprias maldades prenderão o ímpio, e ele ficará amarrado pelas cordas de seu pecado.
5:23 Ele morrerá por falta de disciplina e se perderá por sua imensa insensatez.

Capítulo 6
6:1 Meu filho, se você se tornou fiador de seu próximo, se deu sua mão em garantia a um estranho,
6:2 se ficou enredado pelas palavras de sua boca, preso pelas palavras de sua boca,
6:3 faça isto, meu filho, e livre-se, pois você caiu nas mãos de seu próximo: vá, humilhe-se e insista com ele.
6:4 Não dê sono aos seus olhos nem descanso às suas pálpebras.
6:5 Livre-se como a gazela da mão do caçador, como a ave da mão de quem arma laços.

6:6 Vá observar a formiga, preguiçoso;
   considere seus caminhos e torne-se sábio.
6:7 Ela não tem chefe, supervisor nem governante;
6:8 mesmo assim, prepara seu alimento no verão e reúne sua comida durante a colheita.
6:9 Até quando você ficará deitado, preguiçoso?
   Quando se levantará de seu sono?
6:10 Um pouco de sono, um pouco de cochilo, um pouco de cruzar as mãos para descansar,
6:11 e a pobreza virá sobre você como um assaltante, e a necessidade, como um homem armado.

6:12 O homem sem valor, o homem perverso, anda com palavras tortuosas;
6:13 pisca os olhos, faz sinais com os pés e aponta com os dedos.
6:14 Com perversidade no coração, planeja o mal o tempo todo e semeia discórdia.
6:15 Por isso, a desgraça virá sobre ele de repente;
   num instante será quebrado, sem remédio.

6:16 Seis coisas o SENHOR odeia, e sete são detestáveis para ele:
6:17 olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente,
6:18 coração que trama planos perversos, pés que se apressam em correr para o mal,
6:19 testemunha falsa que profere mentiras e quem semeia discórdia entre irmãos.

6:20 Meu filho, guarde o mandamento de seu pai e não abandone o ensino de sua mãe.
6:21 Amarre-os sempre ao seu coração;
   prenda-os ao seu pescoço.
6:22 Esse ensino guiará você ao caminhar;
   cuidará de você ao se deitar e falará com você ao despertar.
6:23 Pois o mandamento é lâmpada, e o ensino é luz;
   as repreensões da disciplina são caminho de vida,
6:24 para guardar você da mulher perversa, da língua sedutora da estranha.
6:25 Não cobice sua beleza em seu coração nem se deixe prender por seus olhares.
6:26 Pois, por causa de uma prostituta, um homem pode ficar reduzido a um pedaço de pão, mas a mulher casada caça uma vida preciosa.

6:27 Pode um homem levar fogo junto ao peito sem que suas roupas se queimem?
6:28 Pode um homem andar sobre brasas sem que seus pés se queimem?
6:29 Assim acontece com quem se deita com a esposa de seu próximo: ninguém que a toque ficará sem castigo.
6:30 Não se despreza o ladrão que rouba para matar a fome;
6:31 mas, se for descoberto, terá de devolver sete vezes o que roubou, ainda que entregue todos os bens de sua casa.
6:32 Quem comete adultério com uma mulher não tem juízo;
   quem faz isso destrói a própria vida.
6:33 Encontrará feridas e desonra, e sua vergonha não será apagada.
6:34 Pois o ciúme desperta a fúria do marido, e ele não terá compaixão no dia da vingança.
6:35 Não aceitará compensação alguma nem consentirá, ainda que você multiplique os presentes.

Capítulo 7
7:1 Meu filho, guarde minhas palavras e conserve consigo meus mandamentos.
7:2 Guarde meus mandamentos e viva;
   guarde meu ensino como a menina de seus olhos.
7:3 Amarre-os aos dedos;
   escreva-os na tábua de seu coração.
7:4 Diga à sabedoria: “Você é minha irmã”, e chame o entendimento de seu parente,
7:5 para que guardem você da mulher alheia, da estranha que seduz com suas palavras.
7:6 Da janela de minha casa, eu olhava através da treliça
7:7 e vi entre os ingênuos, percebi entre os rapazes, um jovem sem juízo.
7:8 Ele passava pela rua, perto da esquina dela, e caminhava em direção à casa dela,
7:9 ao entardecer, no fim do dia, na profunda escuridão da noite.
7:10 Então uma mulher saiu ao encontro dele, vestida como prostituta e com o coração astuto.
7:11 Era barulhenta e rebelde;
   seus pés não paravam em casa.
7:12 Ora na rua, ora nas praças, ela ficava à espreita em cada esquina.
7:13 Ela o agarrou, beijou-o e, com descaramento, lhe disse:
7:14 “Eu tinha de oferecer sacrifícios de paz;
   hoje cumpri meus votos.
7:15 Por isso saí ao seu encontro;
   procurei você com empenho e o encontrei.
7:16 Cobri minha cama com colchas, com tecidos trabalhados de linho do Egito.
7:17 Perfumei meu leito com mirra, aloés e canela.
7:18 Venha, vamos nos saciar de carícias até de manhã;
   vamos nos deleitar no amor.
7:19 Pois meu marido não está em casa;
   saiu para uma longa viagem.
7:20 Levou consigo uma bolsa de dinheiro;
   só voltará para casa na lua cheia.”
7:21 Com muita persuasão ela o convenceu;
   com a suavidade de seus lábios o seduziu.
7:22 Logo ele a seguiu, como um boi que vai ao matadouro, como um insensato acorrentado que vai ao castigo,
7:23 até que uma flecha lhe atravesse o fígado;
   como uma ave que se precipita para a armadilha, sem saber que isso lhe custará a vida.

7:24 Agora, pois, filhos, ouçam-me;
   prestem atenção às palavras de minha boca.
7:25 Não deixe seu coração se desviar para os caminhos dela;
   não se perca em suas veredas.
7:26 Pois ela fez muitos caírem mortos, e são numerosos todos os que matou.
7:27 Sua casa é caminho para o mundo dos mortos;
   seus caminhos descem às câmaras da morte.

Capítulo 8
8:1 Acaso a sabedoria não chama, e o entendimento não ergue sua voz?
8:2 No alto das elevações, junto ao caminho, no cruzamento das veredas, ela se coloca.
8:3 Junto aos portões, à entrada da cidade, no acesso às portas, ela clama:
8:4 “A vocês, homens, eu chamo;
   minha voz se dirige aos filhos dos homens.
8:5 Aprendam prudência, ingênuos;
   e vocês, tolos, aprendam a ter juízo.
8:6 Ouçam, pois falarei coisas nobres;
   ao abrir meus lábios, direi o que é reto.
8:7 Pois minha boca pronuncia a verdade, e meus lábios detestam a maldade.
8:8 Todas as palavras de minha boca são justas;
   nelas não há nada tortuoso nem perverso.
8:9 Todas são claras para quem entende e retas para quem encontra conhecimento.
8:10 Acolham minha instrução em vez da prata, e o conhecimento antes do ouro escolhido.
8:11 Pois a sabedoria é melhor que as pedras preciosas;
   nada do que se deseja pode se comparar a ela.
8:12 Eu, a sabedoria, habito com a prudência e encontro conhecimento e discernimento.
8:13 O temor do SENHOR é odiar o mal.
   Odeio o orgulho e a arrogância, o mau caminho e a boca perversa.
8:14 Meus são o conselho e a sabedoria eficaz;
   eu sou o entendimento, meu é o poder.
8:15 Por mim reinam os reis, e os governantes decretam o que é justo.
8:16 Por mim governam os príncipes e os nobres, todos os que julgam com justiça.
8:17 Eu amo os que me amam, e os que me buscam com empenho me encontrarão.
8:18 Comigo estão as riquezas e a honra, os bens duradouros e a justiça.
8:19 Meu fruto é melhor que o ouro, que o ouro puro;
   meu rendimento é melhor que a prata escolhida.
8:20 Ando pela vereda da justiça, pelo meio dos caminhos do direito,
8:21 para dar bens como herança aos que me amam e encher seus tesouros.

8:22 O SENHOR me possuía no princípio de seu caminho, antes de suas obras mais antigas.
8:23 Desde os tempos mais antigos fui estabelecida, desde o princípio, antes das origens da terra.
8:24 Quando não havia abismos, fui dada à luz;
   quando não havia fontes abundantes em água.
8:25 Antes de os montes serem firmados, antes das colinas, fui dada à luz,
8:26 quando ele ainda não havia feito a terra nem os campos, nem o primeiro pó do mundo.
8:27 Quando ele estabeleceu os céus, lá estava eu;
   quando traçou um círculo sobre a superfície do abismo,
8:28 quando firmou as nuvens nas alturas, quando se fortaleceram as fontes do abismo,
8:29 quando pôs seu limite ao mar, para que as águas não ultrapassassem sua ordem, quando traçou os alicerces da terra,
8:30 eu estava ao lado dele como artífice;
   era sua alegria dia após dia, alegrando-me sempre em sua presença,
8:31 alegrando-me em seu mundo habitado;
   minha alegria estava com os filhos dos homens.

8:32 Agora, pois, filhos, ouçam-me: felizes os que guardam meus caminhos.
8:33 Ouçam a instrução e sejam sábios;
   não a rejeitem.
8:34 Feliz quem me ouve, vigiando dia após dia às minhas portas, esperando junto aos batentes de minha entrada.
8:35 Pois quem me encontra acha a vida e obtém o favor do SENHOR.
8:36 Mas quem peca contra mim prejudica a própria vida;
   todos os que me odeiam amam a morte.”

Capítulo 9
9:1 A sabedoria construiu sua casa;
   talhou suas sete colunas.
9:2 Abateu seus animais, misturou seu vinho e preparou sua mesa.
9:3 Enviou suas criadas e clama dos lugares mais altos da cidade:
9:4 “Quem é ingênuo venha para cá!”
   Ao que não tem juízo ela diz:
9:5 “Venham, comam de meu pão e bebam do vinho que misturei.
9:6 Abandonem a ingenuidade e vivam;
   avancem pelo caminho do entendimento.
9:7 Quem corrige um zombador atrai desonra para si;
   quem repreende um ímpio recebe afronta.
9:8 Não repreenda o zombador, para que ele não odeie você;
   repreenda o sábio, e ele o amará.
9:9 Instrua o sábio, e ele ficará mais sábio;
   ensine o justo, e ele aumentará seu saber.

9:10 O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria, e o conhecimento do Santo é entendimento.
9:11 Pois por mim seus dias se multiplicarão, e anos serão acrescentados à sua vida.
9:12 Se você for sábio, será sábio para seu próprio proveito;
   se zombar, só você arcará com isso.”
9:13 A insensatez é uma mulher barulhenta;
   é ingênua e nada sabe.
9:14 Ela se senta à porta de sua casa, num assento nas alturas da cidade,
9:15 para chamar os que passam pelo caminho, os que seguem direito por suas veredas:
9:16 “Quem é ingênuo venha para cá!”
   Ao que não tem juízo ela diz:
9:17 “As águas roubadas são doces, e o pão comido em segredo é saboroso.”
9:18 Mas ele não sabe que ali estão os mortos, que os convidados dela estão nas profundezas do mundo dos mortos.

Capítulo 10
10:1 Provérbios de Salomão.
   O filho sábio alegra seu pai, mas o filho tolo é a tristeza de sua mãe.

10:2 Os tesouros da maldade de nada servem, mas a justiça livra da morte.
10:3 O SENHOR não deixa o justo passar fome, mas frustra a avidez dos ímpios.
10:4 A mão preguiçosa empobrece, mas a mão dos diligentes enriquece.
10:5 Quem recolhe no verão é filho prudente;
   quem dorme durante a colheita é filho que envergonha.
10:6 Há bênçãos sobre a cabeça do justo, mas a violência cobre a boca dos ímpios.
10:7 A memória do justo é uma bênção, mas o nome dos ímpios apodrecerá.
10:8 O sábio de coração aceita mandamentos, mas o insensato tagarela se arruína.
10:9 Quem anda com integridade anda seguro, mas quem torce seus caminhos será descoberto.
10:10 Quem pisca o olho causa dor, e o insensato tagarela se arruína.
10:11 A boca do justo é fonte de vida, mas a violência cobre a boca dos ímpios.
10:12 O ódio provoca conflitos, mas o amor cobre todas as ofensas.
10:13 Nos lábios de quem tem entendimento se encontra sabedoria, mas a vara é para as costas de quem não tem juízo.
10:14 Os sábios guardam conhecimento, mas a boca do insensato aproxima a ruína.
10:15 Os bens do rico são sua cidade fortificada;
   a pobreza dos pobres é sua ruína.
10:16 O salário do justo conduz à vida;
   o rendimento do ímpio, ao pecado.
10:17 Quem guarda a disciplina segue o caminho da vida, mas quem abandona a repreensão leva outros ao erro.
10:18 Quem esconde o ódio tem lábios mentirosos, e quem espalha calúnias é tolo.
10:19 Quando há muitas palavras, não falta transgressão, mas quem refreia seus lábios é prudente.
10:20 A língua do justo é prata escolhida;
   o coração dos ímpios vale muito pouco.
10:21 Os lábios do justo alimentam muitos, mas os insensatos morrem por falta de juízo.
10:22 A bênção do SENHOR é que enriquece, e ele não acrescenta tristeza a ela.
10:23 Praticar a maldade é diversão para o tolo;
   a sabedoria o é para o homem de entendimento.
10:24 Ao ímpio virá o que ele teme, mas aos justos será concedido o que desejam.
10:25 Quando passa o redemoinho, o ímpio desaparece, mas o justo é um fundamento permanente.
10:26 Como vinagre para os dentes e fumaça para os olhos, assim é o preguiçoso para quem o envia.
10:27 O temor do SENHOR prolonga os dias, mas os anos dos ímpios serão abreviados.
10:28 A esperança dos justos é alegria, mas a expectativa dos ímpios perecerá.
10:29 O caminho do SENHOR é refúgio para o íntegro, mas ruína para quem pratica o mal.
10:30 O justo jamais será abalado, mas os ímpios não habitarão a terra.
10:31 A boca do justo faz brotar sabedoria, mas a língua perversa será cortada.
10:32 Os lábios do justo sabem o que agrada, mas a boca dos ímpios fala perversidades.

Capítulo 11
11:1 O SENHOR detesta a balança enganosa, mas se agrada do peso justo.
11:2 Quando vem o orgulho, vem também a desonra, mas com os humildes está a sabedoria.
11:3 A integridade dos retos os guia, mas a perversidade dos traiçoeiros os destrói.
11:4 As riquezas de nada servem no dia da ira, mas a justiça livra da morte.
11:5 A justiça do íntegro endireita seu caminho, mas o ímpio cai por sua própria maldade.
11:6 A justiça dos retos os livra, mas os traiçoeiros são apanhados em sua cobiça.
11:7 Quando morre um homem ímpio, sua esperança perece, e a expectativa depositada na força se acaba.
11:8 O justo é livrado da aflição, e o ímpio ocupa seu lugar.
11:9 Com a boca o ímpio destrói seu próximo, mas pelo conhecimento os justos são livrados.
11:10 Quando os justos prosperam, a cidade se alegra;
   quando os ímpios perecem, há gritos de júbilo.
11:11 Pela bênção dos retos a cidade é exaltada, mas pela boca dos ímpios é derrubada.
11:12 Quem despreza seu próximo não tem juízo, mas o homem de entendimento fica em silêncio.
11:13 Quem anda espalhando fofocas revela segredos, mas quem é fiel de espírito guarda o assunto.
11:14 Sem orientação sábia o povo cai, mas na multidão de conselheiros há segurança.
11:15 Quem se torna fiador de um estranho sofrerá muito, mas quem rejeita dar garantias vive seguro.
11:16 A mulher graciosa conserva a honra, e os homens cruéis conservam as riquezas.
11:17 O homem bondoso faz bem a si mesmo, mas o cruel fere a própria carne.
11:18 O ímpio recebe um salário enganoso, mas quem semeia justiça tem recompensa verdadeira.
11:19 A justiça de fato conduz à vida, mas quem persegue o mal caminha para a própria morte.
11:20 O SENHOR detesta os perversos de coração, mas se agrada dos que andam com integridade.
11:21 Certamente o mau não ficará sem castigo, mas a descendência dos justos será livrada.
11:22 Como um anel de ouro no focinho de um porco é a mulher bela sem discernimento.
11:23 O desejo dos justos é somente o bem, mas a expectativa dos ímpios é a ira.
11:24 Há quem reparta e receba ainda mais, e há quem retenha além do que é justo e acabe na pobreza.
11:25 A pessoa generosa prosperará;
   quem dá de beber também receberá água.
11:26 O povo amaldiçoa quem retém o cereal, mas há bênção sobre a cabeça de quem o vende.
11:27 Quem procura o bem busca favor, mas a quem busca o mal, o mal virá.
11:28 Quem confia em suas riquezas cairá, mas os justos florescerão como a folhagem.
11:29 Quem perturba sua casa herdará vento, e o insensato será servo do sábio de coração.
11:30 O fruto do justo é árvore de vida, e quem ganha almas é sábio.
11:31 Se o justo recebe sua retribuição na terra, quanto mais o ímpio e o pecador!

Capítulo 12
12:1 Quem ama a disciplina ama o conhecimento, mas quem odeia a repreensão é um bruto.
12:2 O homem bom obtém o favor do SENHOR, mas ele condena o homem de más intenções.
12:3 Ninguém se firma por meio da maldade, mas a raiz dos justos não será abalada.
12:4 A esposa virtuosa é a coroa de seu marido, mas a que o envergonha é como podridão em seus ossos.
12:5 Os pensamentos dos justos são retos;
   os planos dos ímpios são engano.
12:6 As palavras dos ímpios são emboscadas para derramar sangue, mas a boca dos retos os livra.
12:7 Os ímpios são derrubados e desaparecem, mas a casa dos justos permanecerá firme.
12:8 O homem é elogiado por seu bom senso, mas quem tem coração perverso será desprezado.
12:9 Melhor ser pouco estimado e ter um servo do que se dar importância e não ter pão.
12:10 O justo cuida da vida de seu animal, mas a compaixão dos ímpios é cruel.
12:11 Quem cultiva sua terra terá pão em abundância, mas quem corre atrás de coisas vãs não tem juízo.
12:12 O ímpio cobiça a rede dos maus, mas a raiz dos justos dá fruto.
12:13 O mau se enreda na transgressão de seus lábios, mas o justo sai da aflição.
12:14 Do fruto de sua boca o homem se farta de bem, e o trabalho de suas mãos volta a ele como recompensa.
12:15 O caminho do insensato é reto aos seus próprios olhos, mas quem ouve conselhos é sábio.
12:16 O insensato logo mostra sua irritação, mas o prudente ignora a afronta.
12:17 Quem fala a verdade declara o que é justo, mas a testemunha falsa declara enganos.
12:18 Há quem fale sem pensar e fira como uma espada, mas a língua dos sábios traz cura.
12:19 O lábio verdadeiro permanece para sempre, mas a língua mentirosa dura só um instante.
12:20 Há engano no coração de quem trama o mal, mas alegria para quem aconselha a paz.
12:21 Nenhum mal sobrevirá ao justo, mas os ímpios se encherão de males.
12:22 O SENHOR detesta os lábios mentirosos, mas se agrada dos que agem com fidelidade.
12:23 O homem prudente reserva seu conhecimento, mas o coração dos tolos proclama insensatez.
12:24 A mão dos diligentes governará, mas a preguiça acabará em trabalhos forçados.
12:25 A ansiedade no coração do homem o abate, mas uma boa palavra o alegra.
12:26 O justo serve de guia para seu próximo, mas o caminho dos ímpios os faz se desviar.
12:27 O preguiçoso não assa sua caça, mas a diligência é um bem precioso para o homem.
12:28 Na vereda da justiça há vida;
   em seu caminho não há morte.

Capítulo 13
13:1 O filho sábio ouve a disciplina de seu pai, mas o zombador não escuta a repreensão.
13:2 Do fruto de sua boca o homem come o bem, mas o apetite dos traiçoeiros é a violência.
13:3 Quem guarda sua boca protege sua vida;
   quem abre demais os lábios se arruína.
13:4 O preguiçoso deseja e nada alcança, mas os diligentes ficam satisfeitos.
13:5 O justo odeia a mentira, mas o ímpio causa repugnância e vergonha.
13:6 A justiça guarda quem tem conduta íntegra, mas a maldade transtorna o pecador.
13:7 Há quem se faça de rico e não tenha nada, e quem se faça de pobre e possua muitas riquezas.
13:8 As riquezas de um homem são o resgate de sua vida, mas o pobre não ouve ameaças.
13:9 A luz dos justos brilha com alegria, mas a lâmpada dos ímpios se apaga.
13:10 Do orgulho só nasce o conflito, mas com os que aceitam conselho está a sabedoria.
13:11 A riqueza fácil diminui, mas quem a junta pouco a pouco a aumenta.
13:12 A esperança adiada adoece o coração, mas o desejo realizado é árvore de vida.
13:13 Quem despreza a palavra pagará por isso, mas quem respeita o mandamento será recompensado.
13:14 O ensino do sábio é fonte de vida para afastar dos laços da morte.
13:15 O bom senso traz favor, mas o caminho dos traiçoeiros é áspero.
13:16 Todo prudente age com conhecimento, mas o tolo exibe sua insensatez.
13:17 O mensageiro perverso cai na desgraça, mas o enviado fiel traz cura.
13:18 Pobreza e desonra esperam quem rejeita a disciplina, mas quem acolhe a repreensão será honrado.
13:19 O desejo realizado é doce para a alma, mas os tolos detestam se afastar do mal.
13:20 Ande com os sábios e seja sábio, mas quem se associa aos tolos sofrerá dano.
13:21 O mal persegue os pecadores, mas os justos serão recompensados com o bem.
13:22 O homem bom deixa herança aos filhos de seus filhos, mas a riqueza do pecador está reservada para o justo.
13:23 Há muito alimento na lavoura dos pobres, mas há quem seja arruinado pela injustiça.
13:24 Quem poupa a vara odeia seu filho, mas quem o ama se empenha em discipliná-lo.
13:25 O justo come até se saciar, mas o ventre dos ímpios passa necessidade.

Capítulo 14
14:1 A mulher sábia edifica sua casa, mas a tola a derruba com as próprias mãos.
14:2 Quem anda em retidão teme o SENHOR, mas quem segue caminhos tortuosos o despreza.
14:3 Na boca do insensato há uma vara de orgulho, mas os lábios dos sábios os protegem.
14:4 Onde não há bois, a manjedoura está limpa, mas a força do boi traz colheita abundante.
14:5 A testemunha fiel não mente, mas a testemunha falsa profere mentiras.
14:6 O zombador busca sabedoria e não a encontra, mas o conhecimento é fácil para quem tem entendimento.
14:7 Afaste-se do homem tolo, pois você não encontrará conhecimento em seus lábios.
14:8 A sabedoria do prudente é compreender seu caminho;
   a insensatez dos tolos é engano.
14:9 Os insensatos zombam da culpa, mas entre os retos há boa vontade.
14:10 O coração conhece a amargura de sua alma, e um estranho não compartilha de sua alegria.
14:11 A casa dos ímpios será destruída, mas a tenda dos retos florescerá.
14:12 Há caminho que ao homem parece reto, mas seu fim são caminhos de morte.
14:13 Mesmo entre risos o coração pode doer, e a alegria pode terminar em tristeza.
14:14 O de coração desviado se fartará de seus caminhos, e o homem bom, de suas próprias ações.
14:15 O ingênuo acredita em tudo o que se diz, mas o prudente considera bem seus passos.
14:16 O sábio teme e se afasta do mal, mas o tolo é arrogante e confiante.
14:17 Quem se irrita depressa faz insensatezes, e o homem que trama o mal é odiado.
14:18 Os ingênuos herdam insensatez, mas os prudentes se coroam de conhecimento.
14:19 Os maus se curvarão diante dos bons, e os ímpios, às portas do justo.
14:20 O pobre é odiado até por seu próximo, mas são muitos os que amam o rico.
14:21 Quem despreza seu próximo peca, mas feliz é quem se compadece dos pobres.
14:22 Acaso não se desviam os que tramam o mal?
   Mas amor leal e fidelidade estão com os que planejam o bem.
14:23 Em todo trabalho há proveito, mas só falar leva à pobreza.
14:24 A coroa dos sábios é sua riqueza;
   a insensatez dos tolos é insensatez.
14:25 A testemunha verdadeira salva vidas, mas quem profere mentiras é enganador.
14:26 No temor do SENHOR há confiança firme, e seus filhos terão refúgio.
14:27 O temor do SENHOR é fonte de vida para afastar dos laços da morte.
14:28 Um povo numeroso é a glória do rei;
   a falta de povo é a ruína do governante.
14:29 Quem demora a se irar tem grande entendimento, mas o impaciente exalta a insensatez.
14:30 Um coração tranquilo dá vida ao corpo, mas a inveja é podridão nos ossos.
14:31 Quem oprime o pobre insulta seu Criador, mas quem se compadece do necessitado o honra.
14:32 O ímpio é derrubado por sua maldade, mas o justo tem refúgio mesmo em sua morte.
14:33 A sabedoria repousa no coração de quem tem entendimento e se dá a conhecer entre os tolos.
14:34 A justiça exalta uma nação, mas o pecado é a vergonha dos povos.
14:35 O favor do rei é para o servo prudente, mas sua ira é para quem causa vergonha.

Capítulo 15
15:1 A resposta branda desvia o furor, mas a palavra dura desperta a ira.
15:2 A língua dos sábios apresenta bem o conhecimento, mas a boca dos tolos derrama insensatez.
15:3 Os olhos do SENHOR estão em todo lugar, observando os maus e os bons.
15:4 A língua que traz cura é árvore de vida, mas a perversidade nela quebra o espírito.
15:5 O insensato despreza a disciplina de seu pai, mas quem acolhe a repreensão se torna prudente.
15:6 Na casa do justo há grande riqueza, mas nos ganhos do ímpio há perturbação.
15:7 Os lábios dos sábios espalham conhecimento;
   o coração dos tolos não faz o mesmo.
15:8 O SENHOR detesta o sacrifício dos ímpios, mas se agrada da oração dos retos.
15:9 O SENHOR detesta o caminho do ímpio, mas ama quem busca a justiça.
15:10 Há disciplina severa para quem abandona o caminho;
   quem odeia a repreensão morrerá.
15:11 O mundo dos mortos e a perdição estão diante do SENHOR;
   quanto mais os corações dos filhos dos homens!
15:12 O zombador não ama quem o repreende nem procura os sábios.
15:13 O coração alegre embeleza o rosto, mas a dor do coração abate o espírito.
15:14 O coração de quem tem entendimento busca conhecimento, mas o rosto dos tolos se alimenta de insensatez.
15:15 Todos os dias do aflito são maus, mas quem tem o coração contente tem um banquete contínuo.
15:16 Melhor é o pouco com o temor do SENHOR do que um grande tesouro com inquietação.
15:17 Melhor um prato de verduras onde há amor do que um boi engordado onde há ódio.
15:18 O homem irado provoca conflitos, mas quem demora a se irar acalma a discussão.
15:19 O caminho do preguiçoso é como uma cerca de espinhos, mas a vereda dos retos é uma estrada nivelada.
15:20 O filho sábio alegra seu pai, mas o homem tolo despreza sua mãe.
15:21 A insensatez alegra quem não tem juízo, mas o homem de entendimento anda retamente.
15:22 Sem consulta os planos fracassam, mas com muitos conselheiros se firmam.
15:23 O homem se alegra com a resposta de sua boca;
   como é boa uma palavra no momento certo!
15:24 A vereda da vida leva o prudente para cima, para afastá-lo do mundo dos mortos, lá embaixo.
15:25 O SENHOR derruba a casa dos orgulhosos, mas firma os limites da propriedade da viúva.
15:26 O SENHOR detesta os planos maus, mas as palavras agradáveis são puras.
15:27 Quem busca ganhos injustos prejudica sua casa, mas quem odeia subornos viverá.
15:28 O coração do justo medita antes de responder, mas a boca dos ímpios derrama maldades.
15:29 O SENHOR está longe dos ímpios, mas ouve a oração dos justos.
15:30 O brilho dos olhos alegra o coração, e uma boa notícia revigora os ossos.
15:31 Quem dá ouvidos à repreensão que traz vida habitará entre os sábios.
15:32 Quem rejeita a disciplina despreza a própria vida, mas quem ouve a repreensão adquire entendimento.
15:33 O temor do SENHOR ensina sabedoria, e a humildade precede a honra.

Capítulo 16
16:1 Ao homem pertencem os planos do coração, mas do SENHOR vem a resposta da língua.
16:2 Todos os caminhos do homem são puros aos seus próprios olhos, mas o SENHOR pesa os espíritos.
16:3 Entregue ao SENHOR suas obras, e seus planos serão firmados.
16:4 O SENHOR fez tudo para seus devidos fins, até o ímpio para o dia da calamidade.
16:5 O SENHOR detesta todo orgulhoso de coração;
   certamente ele não ficará sem castigo.
16:6 Pelo amor leal e pela fidelidade a culpa é expiada, e pelo temor do SENHOR a pessoa se afasta do mal.
16:7 Quando os caminhos do homem agradam ao SENHOR, ele faz até seus inimigos viverem em paz com ele.
16:8 Melhor o pouco com justiça do que muitos ganhos sem direito.
16:9 O coração do homem planeja seu caminho, mas o SENHOR firma seus passos.
16:10 Há um oráculo nos lábios do rei;
   sua boca não deve ser infiel ao julgar.
16:11 A balança e os pratos justos pertencem ao SENHOR;
   todos os pesos da bolsa são obra sua.
16:12 Praticar a maldade é detestável para os reis, pois o trono se firma pela justiça.
16:13 Os lábios justos agradam aos reis, e eles amam quem fala com retidão.
16:14 A fúria do rei é como mensageiros de morte, mas o homem sábio a aplaca.
16:15 Na luz do rosto do rei há vida, e seu favor é como uma nuvem de chuva tardia.
16:16 Como é melhor adquirir sabedoria do que ouro!
   Adquirir entendimento é preferível à prata.
16:17 A estrada dos retos é afastar-se do mal;
   quem cuida de seu caminho protege sua vida.
16:18 O orgulho precede a ruína, e a altivez de espírito precede a queda.
16:19 Melhor ser humilde de espírito com os pobres do que repartir despojos com os orgulhosos.
16:20 Quem dá atenção à palavra encontrará o bem;
   feliz quem confia no SENHOR.
16:21 O sábio de coração será chamado de entendido, e a doçura dos lábios aumenta a persuasão.
16:22 O bom senso é fonte de vida para quem o possui, mas a disciplina dos insensatos é insensatez.
16:23 O coração do sábio instrui sua boca e torna seus lábios mais persuasivos.
16:24 As palavras agradáveis são favo de mel, doces para a alma e cura para os ossos.
16:25 Há caminho que ao homem parece reto, mas seu fim são caminhos de morte.
16:26 O apetite do trabalhador trabalha a seu favor, pois sua boca o impulsiona.
16:27 O homem sem valor cava em busca do mal, e em seus lábios há como que fogo ardente.
16:28 O homem perverso semeia discórdia, e o fofoqueiro separa amigos íntimos.
16:29 O homem violento seduz seu próximo e o conduz por um caminho que não é bom.
16:30 Quem entrecerra os olhos trama perversidades;
   quem aperta os lábios leva o mal a cabo.
16:31 Os cabelos brancos são coroa de glória;
   encontram-se no caminho da justiça.
16:32 Melhor é quem demora a se irar do que um guerreiro, e quem domina seu espírito do que quem conquista uma cidade.
16:33 A sorte é lançada no colo, mas sua decisão vem inteiramente do SENHOR.

Capítulo 17
17:1 Melhor um pedaço de pão seco com tranquilidade do que uma casa cheia de banquetes com conflitos.
17:2 O servo prudente governará sobre o filho que causa vergonha e terá parte na herança com os irmãos.
17:3 O crisol é para a prata, e o forno, para o ouro, mas o SENHOR prova os corações.
17:4 O malfeitor dá ouvidos a lábios perversos;
   o mentiroso escuta a língua maldosa.
17:5 Quem zomba do pobre insulta seu Criador;
   quem se alegra com a desgraça não ficará sem castigo.
17:6 Os filhos dos filhos são a coroa dos idosos, e os pais são a glória de seus filhos.
17:7 Não convém ao insensato uma fala elevada;
   muito menos ao nobre, lábios mentirosos.
17:8 O suborno é uma pedra preciosa aos olhos de quem o possui;
   para onde quer que se volte, tem sucesso.
17:9 Quem encobre uma ofensa busca amor, mas quem insiste no assunto separa amigos íntimos.
17:10 Uma repreensão penetra mais em quem tem entendimento do que cem golpes no tolo.
17:11 O mau só busca rebelião, e um mensageiro cruel será enviado contra ele.
17:12 Melhor encontrar uma ursa privada de seus filhotes do que um tolo em sua insensatez.
17:13 A quem retribui o bem com o mal, o mal não se afastará de sua casa.
17:14 Começar um conflito é como soltar as águas;
   abandone a discussão antes que ela estoure.
17:15 Quem absolve o ímpio e quem condena o justo são igualmente detestáveis ao SENHOR.
17:16 Para que serve o dinheiro na mão do tolo para comprar sabedoria, se ele não tem juízo?
17:17 O amigo ama em todo tempo, e o irmão nasce para a aflição.
17:18 O homem sem juízo dá sua mão em garantia e se torna fiador na presença de seu próximo.
17:19 Quem ama o conflito ama a transgressão;
   quem eleva sua porta busca a ruína.
17:20 Quem tem coração perverso não encontra o bem, e quem tem língua tortuosa cai no mal.
17:21 Quem gera um tolo terá tristeza, e o pai do insensato não terá alegria.
17:22 O coração alegre é bom remédio, mas o espírito abatido seca os ossos.
17:23 O ímpio aceita um suborno tirado de dentro da roupa para torcer as veredas da justiça.
17:24 A sabedoria está diante de quem tem entendimento, mas os olhos do tolo estão nos confins da terra.
17:25 O filho tolo causa desgosto a seu pai e amargura a quem o deu à luz.
17:26 Não é bom multar o justo nem golpear os nobres por sua retidão.
17:27 Quem refreia suas palavras tem conhecimento;
   quem tem espírito sereno é homem de entendimento.
17:28 Até o insensato, quando fica em silêncio, é tido por sábio;
   quem fecha os lábios, por entendido.

Capítulo 18
18:1 Quem se isola busca seu próprio desejo e se rebela contra todo bom senso.
18:2 O tolo não tem prazer no entendimento, mas apenas em expor o que há em seu coração.
18:3 Quando vem o ímpio, vem também o desprezo, e com a desonra vem a afronta.
18:4 As palavras da boca do homem são águas profundas;
   a fonte da sabedoria é um riacho que jorra.
18:5 Não é bom favorecer o ímpio para privar o justo de seu direito no julgamento.
18:6 Os lábios do tolo se metem em conflitos, e sua boca clama por golpes.
18:7 A boca do tolo é sua ruína, e seus lábios são uma armadilha para sua vida.
18:8 As palavras do fofoqueiro são como bocados saborosos que descem ao íntimo do ventre.
18:9 Quem é negligente em seu trabalho é irmão de quem destrói.
18:10 O nome do SENHOR é torre forte;
   para ela corre o justo e fica a salvo.
18:11 Os bens do rico são sua cidade fortificada, como uma muralha alta em sua imaginação.
18:12 Antes da ruína o coração do homem se enche de orgulho, mas a humildade precede a honra.
18:13 Responder antes de ouvir é insensatez e vergonha para quem o faz.
18:14 O espírito do homem o sustenta na doença, mas quem pode suportar um espírito abatido?
18:15 O coração de quem tem entendimento adquire conhecimento, e o ouvido dos sábios busca conhecimento.
18:16 O presente de um homem abre caminho para ele e o leva à presença dos grandes.
18:17 O primeiro a apresentar sua causa parece justo, até que chega seu adversário e o examina.
18:18 O sorteio põe fim aos conflitos e decide entre os poderosos.
18:19 Um irmão ofendido é mais difícil de conquistar que uma cidade fortificada, e as disputas são como os ferrolhos de um palácio.
18:20 Do fruto de sua boca o homem sacia o ventre;
   da colheita de seus lábios ele se sacia.
18:21 A morte e a vida estão no poder da língua, e os que a amam comerão de seu fruto.
18:22 Quem encontra uma esposa encontra o bem e obtém o favor do SENHOR.
18:23 O pobre fala com súplicas, mas o rico responde com dureza.
18:24 O homem de muitos amigos pode se arruinar, mas há amigo mais chegado que um irmão.

Capítulo 19
19:1 Melhor o pobre que anda com integridade do que quem tem lábios perversos e é tolo.
19:2 Não é bom ter zelo sem conhecimento;
   quem se apressa com os pés erra o caminho.
19:3 A insensatez do homem torce seu caminho, mas seu coração se enfurece contra o SENHOR.
19:4 A riqueza traz muitos amigos, mas o pobre é separado de seu amigo.
19:5 A testemunha falsa não ficará sem castigo, e quem profere mentiras não escapará.
19:6 Muitos buscam o favor de quem é generoso, e todos são amigos de quem dá presentes.
19:7 Todos os irmãos do pobre o odeiam;
   quanto mais seus amigos se afastam dele!
   Ele os persegue com palavras, mas eles já não estão.
19:8 Quem adquire juízo ama sua própria vida;
   quem guarda o entendimento encontrará o bem.
19:9 A testemunha falsa não ficará sem castigo, e quem profere mentiras perecerá.

19:10 Não convém ao tolo viver no luxo;
   muito menos ao servo governar sobre príncipes.
19:11 O bom senso do homem o faz demorar a se irar, e sua glória é deixar passar uma ofensa.
19:12 A ira do rei é como o rugido de um leão novo, e seu favor, como orvalho sobre a relva.
19:13 O filho tolo é ruína para seu pai, e as disputas de uma esposa são goteira contínua.
19:14 Casa e riquezas são herança dos pais, mas a esposa prudente vem do SENHOR.
19:15 A preguiça faz cair em sono profundo, e a pessoa ociosa passará fome.
19:16 Quem guarda o mandamento guarda sua vida, mas quem despreza seus caminhos será morto.
19:17 Quem se compadece do pobre empresta ao SENHOR, e ele lhe retribuirá o bem que fez.
19:18 Discipline seu filho enquanto há esperança, mas não deseje causar a morte dele.
19:19 O homem de grande ira sofrerá o castigo;
   se você o livrar, terá de fazê-lo outra vez.
19:20 Ouça o conselho e aceite a disciplina, para ser sábio em seus dias futuros.
19:21 Há muitos planos no coração do homem, mas o propósito do SENHOR permanecerá firme.
19:22 O que se deseja no homem é seu amor leal;
   melhor é o pobre que o mentiroso.
19:23 O temor do SENHOR conduz à vida;
   quem o tem descansa satisfeito e não é visitado pelo mal.
19:24 O preguiçoso afunda a mão no prato e nem sequer a leva de volta à boca.
19:25 Golpeie o zombador, e o ingênuo aprenderá prudência;
   repreenda quem tem entendimento, e ele adquirirá conhecimento.
19:26 Quem despoja seu pai e expulsa sua mãe é filho que causa vergonha e desonra.
19:27 Meu filho, se você deixar de ouvir a disciplina, se desviará das palavras de conhecimento.
19:28 A testemunha sem valor zomba da justiça, e a boca dos ímpios devora maldade.
19:29 Há castigos preparados para os zombadores e golpes para as costas dos tolos.

Capítulo 20
20:1 O vinho é zombador, e a bebida forte é barulhenta;
   quem se perde por causa deles não é sábio.
20:2 O terror que o rei inspira é como o rugido de um leão novo;
   quem o enfurece atenta contra a própria vida.
20:3 É honra para o homem evitar conflitos, mas todo insensato se envolve neles.
20:4 O preguiçoso não ara na estação fria;
   na colheita pedirá, mas nada haverá.
20:5 O conselho no coração do homem é água profunda, mas o homem de entendimento o extrai.
20:6 Muitos homens proclamam sua própria lealdade, mas um homem fiel, quem o encontrará?
20:7 O justo anda com integridade;
   felizes seus filhos depois dele.
20:8 O rei sentado no trono do julgamento dissipa todo mal com seu olhar.
20:9 Quem pode dizer: “Purifiquei meu coração;
   estou limpo de meu pecado”?
20:10 Dois pesos e duas medidas: ambas as coisas são detestáveis ao SENHOR.
20:11 Até o jovem se dá a conhecer por suas ações, que mostram se sua conduta é pura e reta.
20:12 O ouvido que ouve e o olho que vê: o SENHOR fez ambos.
20:13 Não ame o sono, para não empobrecer;
   abra os olhos e terá pão em abundância.
20:14 “É ruim, é ruim!”, diz o comprador;
   mas, quando vai embora, se vangloria.
20:15 Há ouro e abundância de pedras preciosas, mas lábios com conhecimento são joia valiosa.
20:16 Tome a roupa de quem se fez fiador por um estranho;
   exija dele penhor por causa de estrangeiros.
20:17 O pão do engano é doce para o homem, mas depois sua boca se enche de cascalho.
20:18 Os planos se firmam com conselho;
   faça a guerra com orientação sábia.
20:19 Quem anda espalhando fofocas revela segredos;
   não se associe com quem fala sem reserva.
20:20 A lâmpada de quem amaldiçoa seu pai ou sua mãe se apagará na mais densa escuridão.
20:21 Uma herança adquirida às pressas no princípio não será abençoada no fim.
20:22 Não diga: “Retribuirei o mal”.
   Espere no SENHOR, e ele salvará você.
20:23 O SENHOR detesta os pesos desiguais, e a balança enganosa não é boa.
20:24 Do SENHOR vêm os passos do homem;
   como pode o homem compreender seu caminho?
20:25 É armadilha para o homem dizer sem pensar: “É sagrado!”, e só refletir depois de fazer os votos.
20:26 O rei sábio joeira os ímpios e faz passar sobre eles a roda de debulhar.
20:27 O espírito do homem é lâmpada do SENHOR;
   ela sonda todo o íntimo do ventre.
20:28 O amor leal e a fidelidade guardam o rei;
   com amor leal ele sustenta seu trono.
20:29 A força é a glória dos jovens, e os cabelos brancos, o esplendor dos idosos.
20:30 Os golpes que ferem purificam do mal, e os açoites purificam o íntimo do ventre.

Capítulo 21
21:1 O coração do rei é como canais de água na mão do SENHOR;
   ele o dirige para onde quer.
21:2 Todo caminho do homem é reto aos seus próprios olhos, mas o SENHOR pesa os corações.
21:3 Praticar a justiça e o direito é mais agradável ao SENHOR do que o sacrifício.
21:4 Olhos altivos e coração orgulhoso, lâmpada dos ímpios, são pecado.
21:5 Os planos do diligente levam à abundância, mas todo apressado acaba na pobreza.
21:6 Obter tesouros com língua mentirosa é vapor que se dissipa;
   os que fazem isso buscam a morte.
21:7 A violência dos ímpios os arrastará, pois se recusam a praticar a justiça.
21:8 Tortuoso é o caminho do homem culpado, mas a conduta do puro é reta.
21:9 Melhor morar num canto do terraço do que dividir a casa com uma mulher briguenta.
21:10 A alma do ímpio deseja o mal;
   seu próximo não encontra compaixão aos seus olhos.
21:11 Quando o zombador é castigado, o ingênuo se torna sábio;
   quando o sábio é instruído, adquire conhecimento.
21:12 O justo observa a casa do ímpio e precipita os ímpios na desgraça.
21:13 Quem fecha o ouvido ao clamor do pobre também clamará e não receberá resposta.
21:14 O presente em segredo acalma a ira, e o suborno escondido na roupa, a fúria violenta.
21:15 Praticar a justiça é alegria para o justo, mas terror para quem faz o mal.
21:16 O homem que se desvia do caminho da prudência repousará na assembleia dos mortos.
21:17 Quem ama o prazer passará necessidade;
   quem ama o vinho e o azeite não enriquecerá.
21:18 O ímpio é resgate pelo justo, e o traiçoeiro toma o lugar dos retos.
21:19 Melhor morar numa terra deserta do que com uma mulher briguenta e irritadiça.
21:20 Na morada do sábio há tesouro precioso e azeite, mas o homem tolo devora tudo.
21:21 Quem busca a justiça e o amor leal encontrará vida, justiça e honra.
21:22 O sábio escala a cidade dos guerreiros e derruba a fortaleza em que ela confiava.
21:23 Quem guarda sua boca e sua língua guarda sua vida de aflições.
21:24 Zombador é o nome do orgulhoso e arrogante, que age com orgulho insolente.
21:25 O desejo do preguiçoso o mata, pois suas mãos se recusam a trabalhar.
21:26 Ele cobiça avidamente o dia todo, mas o justo dá sem reter.
21:27 O sacrifício dos ímpios é detestável;
   quanto mais quando o oferecem com más intenções!
21:28 A testemunha mentirosa perecerá, mas o homem que escuta falará sempre.
21:29 O homem ímpio mostra um rosto descarado, mas o reto firma seus caminhos.
21:30 Não há sabedoria, não há entendimento, não há conselho contra o SENHOR.

21:31 O cavalo é preparado para o dia da batalha, mas a vitória pertence ao SENHOR.

Capítulo 22
22:1 É melhor escolher um bom nome do que grandes riquezas, e a boa estima vale mais que prata e ouro.
22:2 O rico e o pobre se encontram: o SENHOR fez a todos.
22:3 O prudente vê o perigo e se esconde, mas os ingênuos seguem adiante e sofrem as consequências.
22:4 A recompensa da humildade e do temor do SENHOR é riqueza, honra e vida.
22:5 Há espinhos e armadilhas no caminho do perverso;
   quem guarda sua vida se afasta deles.
22:6 Instrua o menino em seu caminho;
   mesmo quando envelhecer, não se desviará dele.
22:7 O rico domina os pobres, e quem toma emprestado é servo de quem empresta.
22:8 Quem semeia injustiça colherá desgraça, e a vara de sua fúria se acabará.
22:9 Quem tem olhar generoso será abençoado, pois reparte seu pão com o pobre.
22:10 Expulse o zombador, e a discórdia se irá;
   cessarão os conflitos e as afrontas.
22:11 Quem ama a pureza de coração e tem graça nos lábios terá o rei por amigo.
22:12 Os olhos do SENHOR guardam o conhecimento, mas ele transtorna as palavras do traiçoeiro.
22:13 O preguiçoso diz: “Há um leão lá fora!
   Serei morto no meio das praças!”
22:14 A boca das mulheres alheias é cova profunda;
   aquele contra quem o SENHOR está irado cairá nela.
22:15 A insensatez está presa ao coração do menino, mas a vara da disciplina a afastará dele.
22:16 Quem oprime o pobre para se enriquecer e quem dá ao rico acabarão na pobreza.
22:17 Incline o ouvido e ouça as palavras dos sábios;
   aplique seu coração ao meu conhecimento.
22:18 Pois será agradável guardá-las em seu íntimo e tê-las todas prontas em seus lábios.
22:19 Para que sua confiança esteja no SENHOR, hoje eu as dei a conhecer a você, sim, a você.
22:20 Não escrevi a você antes, com conselhos e conhecimento,
22:21 para lhe fazer conhecer a certeza das palavras verdadeiras, a fim de que responda com palavras verdadeiras aos que enviaram você?

22:22 Não roube o pobre por ser pobre nem esmague o aflito à porta da cidade,
22:23 pois o SENHOR defenderá a causa deles e tirará a vida de quem os despoja.
22:24 Não faça amizade com quem se ira facilmente nem ande com o homem furioso,
22:25 para não aprender seus caminhos e cair numa armadilha para sua vida.
22:26 Não esteja entre os que dão a mão em garantia, entre os que se tornam fiadores de dívidas.
22:27 Se você não tem com que pagar, por que haveriam de tirar sua cama de debaixo de você?
22:28 Não remova o marco antigo que seus pais colocaram.
22:29 Você já viu um homem hábil em seu trabalho?
   Ele estará diante de reis;
   não estará diante de homens sem destaque.

Capítulo 23
23:1 Quando você se sentar para comer com um governante, observe bem o que está diante de você.
23:2 Ponha uma faca à garganta se você tem muito apetite.
23:3 Não cobice os pratos saborosos dele, pois são alimento enganoso.
23:4 Não se desgaste para enriquecer;
   pare de aplicar nisso sua inteligência.
23:5 Você fixa os olhos nas riquezas?
   Elas já não estão, pois certamente criam asas e voam para o céu como uma águia.

23:6 Não coma o pão de quem tem olhar mesquinho nem cobice seus pratos saborosos,
23:7 pois, como ele calcula em seu íntimo, assim ele é.
   Diz a você: “Coma e beba”, mas seu coração não está com você.
23:8 Você vomitará o bocado que comeu e terá desperdiçado suas palavras amáveis.
23:9 Não fale aos ouvidos do tolo, pois ele desprezará o bom senso de suas palavras.
23:10 Não remova o marco antigo nem invada os campos dos órfãos,
23:11 pois o redentor deles é forte;
   ele defenderá a causa deles contra você.
23:12 Aplique seu coração à disciplina e seus ouvidos às palavras de conhecimento.
23:13 Não negue disciplina ao menino;
   se você o golpear com a vara, ele não morrerá.
23:14 Você o golpeará com a vara e livrará sua vida do mundo dos mortos.
23:15 Meu filho, se seu coração for sábio, meu coração também se alegrará;
23:16 minhas entranhas exultarão quando seus lábios falarem com retidão.
23:17 Que seu coração não inveje os pecadores;
   antes, permaneça no temor do SENHOR o dia todo.
23:18 Pois certamente há um futuro, e sua esperança não será cortada.
23:19 Ouça, meu filho, e seja sábio;
   dirija seu coração pelo caminho.
23:20 Não esteja entre os beberrões de vinho nem entre os que se empanturram de carne,
23:21 pois o beberrão e o glutão empobrecerão, e a sonolência os vestirá de trapos.
23:22 Ouça seu pai, que o gerou, e não despreze sua mãe quando ela envelhecer.
23:23 Compre a verdade e não a venda;
   adquira sabedoria, disciplina e entendimento.
23:24 O pai do justo se alegrará muito;
   quem gera um sábio se alegrará por ele.
23:25 Que seu pai e sua mãe se alegrem;
   que exulte aquela que o deu à luz.
23:26 Meu filho, dê-me seu coração, e que seus olhos tenham prazer em meus caminhos.
23:27 Pois a prostituta é cova profunda, e a mulher alheia, poço estreito.
23:28 Ela também fica à espreita como um ladrão e multiplica os infiéis entre os homens.
23:29 De quem são os lamentos?
   De quem, as dores?
   De quem, os conflitos?
   De quem, as queixas?
   De quem, as feridas sem motivo?
   De quem, os olhos vermelhos?
23:30 Dos que se demoram com o vinho, dos que vão provar vinhos misturados.
23:31 Não olhe para o vinho quando fica vermelho, quando brilha no copo e desce suavemente.
23:32 No fim, ele morde como uma serpente e pica como uma víbora.
23:33 Seus olhos verão coisas estranhas, e seu coração falará perversidades.
23:34 Você será como quem se deita no meio do mar, como quem se deita no alto de um mastro.
23:35 “Bateram em mim, mas não me doeu;
   espancaram-me, mas não senti.
   Quando vou despertar?
   Voltarei a procurá-lo outra vez.”

Capítulo 24
24:1 Não inveje os homens maus nem deseje estar com eles,
24:2 pois seu coração trama violência, e seus lábios falam de causar dano.
24:3 Com sabedoria se edifica uma casa, e com entendimento ela se firma.
24:4 Com conhecimento seus cômodos se enchem de todo tipo de bens preciosos e agradáveis.
24:5 O homem sábio é forte, e o homem de conhecimento aumenta sua força.
24:6 Pois com orientação sábia você fará a guerra, e na multidão de conselheiros está a vitória.
24:7 A sabedoria é elevada demais para o insensato;
   à porta da cidade ele não abre a boca.
24:8 Quem planeja fazer o mal será chamado de mestre de intrigas.
24:9 As tramas da insensatez são pecado, e o zombador é detestável às pessoas.
24:10 Se você desanima no dia da aflição, sua força é pequena.
24:11 Resgate os que são levados à morte;
   detenha os que cambaleiam rumo à matança.
24:12 Se você disser: “Não sabíamos disso”, acaso não o perceberá aquele que pesa os corações?
   Aquele que guarda sua vida sabe e retribuirá a cada um conforme suas obras.
24:13 Coma mel, meu filho, pois é bom;
   o mel que escorre do favo é doce ao seu paladar.
24:14 Saiba que assim é a sabedoria para sua alma: se você a encontrar, haverá futuro, e sua esperança não será cortada.

24:15 Ímpio, não fique à espreita da morada do justo nem saqueie seu lugar de descanso.
24:16 Pois sete vezes cai o justo e se levanta, mas os ímpios tropeçam na desgraça.
24:17 Não se alegre quando seus inimigos caírem;
   não exulte seu coração quando um deles tropeçar,
24:18 para que o SENHOR não veja isso, se desagrade e desvie dele sua ira.
24:19 Não se irrite por causa dos malfeitores nem inveje os ímpios,
24:20 pois não haverá futuro para o mau;
   a lâmpada dos ímpios se apagará.
24:21 Meu filho, tema o SENHOR e o rei;
   não se associe aos rebeldes.
24:22 Pois a desgraça deles virá de repente;
   quem sabe que destruição virá de ambos?

24:23 Também estes são ditos dos sábios: não é bom mostrar parcialidade no julgamento.
24:24 Quem disser ao ímpio: “Você é inocente” será amaldiçoado pelos povos e detestado pelas nações.
24:25 Mas aos que o repreendem irá bem, e sobre eles virá uma boa bênção.
24:26 Quem responde com palavras retas dá um beijo nos lábios.
24:27 Prepare seu trabalho lá fora e deixe-o pronto no campo;
   depois edifique sua casa.

24:28 Não seja testemunha sem motivo contra seu próximo nem engane com seus lábios.
24:29 Não diga: “Como ele fez comigo, farei com ele;
   eu lhe retribuirei conforme suas obras”.
24:30 Passei pelo campo do preguiçoso e pela vinha do homem sem juízo,
24:31 e vi que tudo estava coberto de espinhos;
   urtigas cobriam o terreno, e o muro de pedras estava derrubado.
24:32 Ao ver isso, prestei atenção;
   observei e aprendi a lição.
24:33 Um pouco de sono, um pouco de cochilo, um pouco de cruzar as mãos para descansar,
24:34 e a pobreza virá sobre você como um assaltante, e a necessidade, como um homem armado.

Capítulo 25
25:1 Também estes são provérbios de Salomão, que os homens de Ezequias, rei de Judá, copiaram.
25:2 A glória de Deus é ocultar um assunto;
   a glória dos reis é investigá-lo.
25:3 Como a altura dos céus e a profundidade da terra, o coração dos reis é insondável.
25:4 Retire as impurezas da prata, e sairá uma vasilha para o ourives.
25:5 Retire o ímpio da presença do rei, e seu trono se firmará na justiça.
25:6 Não se engrandeça diante do rei nem ocupe o lugar dos grandes,
25:7 pois é melhor que lhe digam: “Suba para cá”, do que ser humilhado diante de um nobre a quem seus olhos viram.
25:8 Não se apresse em entrar numa disputa, pois o que você fará no fim, quando seu próximo o deixar envergonhado?
25:9 Discuta sua causa com seu próximo, mas não revele o segredo de outro,
25:10 senão, quem o ouvir poderá desonrar você, e sua má fama não se apagará.
25:11 A palavra dita no momento certo é como maçãs de ouro em adornos de prata.
25:12 Como um brinco de ouro e uma joia de ouro fino é o sábio que repreende um ouvido atento.
25:13 Como o frescor da neve no tempo da colheita é o mensageiro fiel para os que o enviam;
   ele reanima a alma de seus senhores.

25:14 Como nuvens e vento sem chuva é o homem que se vangloria de presentes que não dá.
25:15 Com paciência se persuade um governante, e a língua branda quebra ossos.
25:16 Você encontrou mel?
   Coma só o suficiente, para não se fartar e vomitá-lo.
25:17 Ponha raramente os pés na casa de seu próximo, para que ele não se canse de você e passe a odiá-lo.
25:18 Como clava, espada e flecha afiada é o homem que dá falso testemunho contra seu próximo.
25:19 Como um dente estragado e um pé que escorrega é confiar no traiçoeiro no dia da aflição.
25:20 Como tirar a roupa num dia frio ou pôr vinagre sobre soda é cantar canções a um coração aflito.

25:21 Se seu inimigo tiver fome, dê-lhe pão para comer;
   se tiver sede, dê-lhe água para beber,
25:22 pois assim você amontoará brasas sobre a cabeça dele, e o SENHOR o recompensará.
25:23 O vento norte traz chuva, e a língua que fala às escondidas provoca rostos irados.
25:24 Melhor morar num canto do terraço do que dividir a casa com uma mulher briguenta.
25:25 Como água fria para a alma cansada é uma boa notícia de uma terra distante.
25:26 Como manancial turvado e fonte contaminada é o justo que cede diante do ímpio.
25:27 Comer muito mel não é bom, e buscar a própria glória não é honroso.
25:28 Como cidade aberta, sem muralhas, é o homem que não domina seu espírito.

Capítulo 26
26:1 Como neve no verão e chuva na colheita, a honra não convém ao tolo.
26:2 Como o pássaro que esvoaça e a andorinha que voa, a maldição sem motivo não vem pousar.
26:3 O chicote é para o cavalo, o freio para o jumento e a vara para as costas dos tolos.
26:4 Não responda ao tolo segundo sua insensatez, para que você também não se torne como ele.
26:5 Responda ao tolo segundo sua insensatez, para que ele não seja sábio aos seus próprios olhos.
26:6 Quem envia uma mensagem pelas mãos de um tolo corta os próprios pés e bebe violência.
26:7 Como as pernas sem força de um manco é o provérbio na boca dos tolos.
26:8 Como amarrar uma pedra à funda é dar honra a um tolo.
26:9 Como um espinho que penetra na mão de um bêbado é o provérbio na boca dos tolos.
26:10 Como um arqueiro que fere a todos é quem contrata um tolo e quem contrata os que passam.
26:11 Como o cão que volta ao seu vômito é o tolo que repete sua insensatez.
26:12 Você já viu um homem sábio aos seus próprios olhos?
   Há mais esperança para um tolo do que para ele.
26:13 O preguiçoso diz: “Há um leão no caminho!
   Um leão no meio das praças!”
26:14 A porta gira sobre suas dobradiças, e o preguiçoso, sobre sua cama.
26:15 O preguiçoso afunda a mão no prato;
   cansa-se de levá-la de volta à boca.
26:16 O preguiçoso se considera mais sábio do que sete que respondem com bom senso.
26:17 Como agarrar um cão pelas orelhas é passar e se meter numa briga alheia.
26:18 Como um louco que lança tochas acesas, flechas e morte,
26:19 assim é o homem que engana seu próximo e diz: “Eu não estava só brincando?”
26:20 Sem lenha o fogo se apaga;
   sem fofoqueiro o conflito se acalma.
26:21 O carvão é para as brasas, e a lenha para o fogo;
   o homem briguento é para acender conflitos.

26:22 As palavras do fofoqueiro são como bocados saborosos que descem ao íntimo do ventre.
26:23 Como escória de prata que cobre um vaso de barro são os lábios ardentes e um coração mau.
26:24 Quem odeia dissimula em sua fala, mas guarda engano em seu íntimo.
26:25 Ainda que sua voz seja amável, não acredite nele, pois há sete abominações em seu coração.
26:26 Ainda que seu ódio se esconda no engano, sua maldade será revelada na assembleia.
26:27 Quem cava uma cova cairá nela, e a pedra voltará sobre quem a faz rolar.
26:28 A língua mentirosa odeia suas vítimas, e a boca bajuladora provoca ruína.

Capítulo 27
27:1 Não se vanglorie do dia de amanhã, pois você não sabe o que um dia trará.
27:2 Que outro elogie você, e não sua boca;
   um estranho, e não seus lábios.
27:3 Pesada é a pedra, e a areia é uma carga, mas a provocação do insensato pesa mais que ambas.
27:4 O furor é cruel, e a ira é uma inundação, mas quem pode resistir ao ciúme?
27:5 Melhor uma repreensão aberta do que um amor escondido.
27:6 Fiéis são as feridas de quem ama, mas numerosos são os beijos de quem odeia.
27:7 A alma satisfeita pisa o mel do favo, mas para a alma faminta tudo o que é amargo é doce.
27:8 Como a ave que vagueia longe de seu ninho é o homem que vagueia longe de seu lugar.
27:9 O óleo e o incenso alegram o coração, e a doçura do amigo vem de seu conselho sincero.
27:10 Não abandone seu amigo nem o amigo de seu pai;
   no dia de sua desgraça, não vá à casa de seu irmão.
   Melhor um vizinho perto do que um irmão longe.
27:11 Seja sábio, meu filho, e alegre meu coração, para que eu possa responder a quem me insulta.
27:12 O prudente vê o perigo e se esconde;
   os ingênuos seguem adiante e sofrem as consequências.
27:13 Tome a roupa de quem se fez fiador por um estranho;
   exija dele penhor por causa de uma mulher alheia.
27:14 A quem abençoa seu próximo em alta voz, de manhã bem cedo, isso será contado como maldição.
27:15 Uma goteira contínua em dia de chuva e uma mulher briguenta se parecem.
27:16 Quem tenta contê-la tenta conter o vento e segurar óleo com a mão direita.
27:17 O ferro afia o ferro, e o homem afia o rosto de seu amigo.
27:18 Quem cuida da figueira comerá de seu fruto, e quem vela por seu senhor será honrado.
27:19 Como na água o rosto reflete o rosto, assim o coração do homem reflete o homem.
27:20 O mundo dos mortos e a perdição não se saciam;
   os olhos do homem também não se saciam.
27:21 O crisol é para a prata, e o forno, para o ouro;
   o homem é provado pelo elogio que recebe.
27:22 Ainda que você triture o insensato num pilão, entre grãos, com a mão de pilão, sua insensatez não se afastará dele.

27:23 Conheça bem o estado de suas ovelhas;
   dê atenção aos seus rebanhos,
27:24 pois as riquezas não duram para sempre;
   e a coroa dura de geração em geração?
27:25 O feno é retirado, a relva nova aparece, e as ervas dos montes são recolhidas.
27:26 Os cordeiros fornecerão sua roupa, e os bodes, o preço de um campo.
27:27 Haverá leite de cabra suficiente para seu alimento, para o alimento de sua casa e para o sustento de suas criadas.

Capítulo 28
28:1 O ímpio foge sem que ninguém o persiga, mas os justos são confiantes como um leão novo.
28:2 Pela rebeldia de uma terra seus governantes se multiplicam, mas com um homem de entendimento e conhecimento a estabilidade se prolonga.
28:3 O homem pobre que oprime os necessitados é como chuva torrencial que não deixa pão.
28:4 Os que abandonam a lei elogiam o ímpio, mas os que guardam a lei se opõem a eles.

28:5 Os homens maus não entendem a justiça, mas os que buscam o SENHOR entendem tudo.
28:6 Melhor o pobre que anda com integridade do que quem tem caminhos perversos, mesmo sendo rico.
28:7 Quem guarda a lei é filho de entendimento, mas o companheiro dos glutões envergonha seu pai.
28:8 Quem aumenta seus bens com juros e usura os acumula para quem se compadece dos pobres.
28:9 Até a oração de quem desvia o ouvido para não ouvir a lei é detestável.
28:10 Quem desvia os retos para um mau caminho cairá em sua própria cova, mas os íntegros herdarão o bem.
28:11 O homem rico é sábio aos seus próprios olhos, mas o pobre de entendimento o examina.
28:12 Quando os justos triunfam, há grande esplendor, mas quando os ímpios se levantam, as pessoas se escondem.
28:13 Quem encobre suas transgressões não prosperará, mas quem as confessa e abandona alcançará misericórdia.
28:14 Feliz o homem que sempre teme, mas quem endurece seu coração cairá na desgraça.
28:15 Como leão que ruge e urso que ataca é o governante ímpio sobre um povo pobre.
28:16 O governante sem entendimento multiplica as opressões, mas os que odeiam os ganhos injustos prolongarão seus dias.

28:17 O homem carregado de sangue humano fugirá até a cova;
   que ninguém o ampare.
28:18 Quem anda com integridade será livrado, mas quem segue caminhos tortuosos cairá de repente.
28:19 Quem cultiva sua terra se fartará de pão, mas quem corre atrás de coisas vãs se fartará de pobreza.
28:20 O homem fiel terá muitas bênçãos, mas quem se apressa em enriquecer não ficará sem castigo.
28:21 Não é bom mostrar parcialidade, mas por um pedaço de pão o homem comete transgressão.
28:22 O homem de olhar mesquinho corre atrás da riqueza e não sabe que a pobreza virá sobre ele.
28:23 Quem repreende um homem encontrará depois mais favor do que quem bajula com a língua.
28:24 Quem rouba seu pai e sua mãe e diz: “Não é transgressão” é companheiro do destruidor.
28:25 O ganancioso provoca conflitos, mas quem confia no SENHOR prosperará.
28:26 Quem confia em seu próprio coração é tolo, mas quem anda com sabedoria será livrado.
28:27 Quem dá ao pobre não passará necessidade, mas quem fecha os olhos receberá muitas maldições.
28:28 Quando os ímpios se levantam, as pessoas se escondem;
   quando eles perecem, os justos se multiplicam.

Capítulo 29
29:1 O homem que, apesar das repreensões, endurece o pescoço será quebrado de repente, sem remédio.
29:2 Quando os justos se multiplicam, o povo se alegra;
   quando o ímpio governa, o povo geme.
29:3 O homem que ama a sabedoria alegra seu pai, mas quem frequenta prostitutas desperdiça seus bens.
29:4 Com justiça o rei firma a terra, mas quem exige subornos a destrói.
29:5 O homem que bajula seu próximo estende uma rede diante de seus passos.
29:6 Na transgressão do homem mau há uma armadilha, mas o justo canta e se alegra.
29:7 O justo conhece a causa dos pobres, mas o ímpio não compreende tal conhecimento.
29:8 Os zombadores põem a cidade em chamas, mas os sábios acalmam a ira.
29:9 Quando um homem sábio entra em disputa com um insensato, haja ira ou riso, não há sossego.
29:10 Os sanguinários odeiam o íntegro, mas os retos se importam com sua vida.
29:11 O tolo dá vazão a toda a sua ira, mas o sábio a contém e acalma.
29:12 Se um governante dá ouvidos à mentira, todos os seus servidores se tornam ímpios.
29:13 O pobre e o opressor se encontram: o SENHOR dá luz aos olhos de ambos.
29:14 O rei que julga os pobres com fidelidade terá seu trono firme para sempre.
29:15 A vara e a repreensão dão sabedoria, mas o menino entregue a si mesmo envergonha sua mãe.
29:16 Quando os ímpios se multiplicam, a transgressão aumenta, mas os justos verão a queda deles.
29:17 Discipline seu filho, e ele lhe dará descanso e trará alegria à sua alma.

29:18 Sem visão profética o povo fica sem freio, mas feliz é quem guarda a lei.
29:19 O servo não é corrigido só com palavras;
   mesmo que entenda, não responde.
29:20 Você já viu um homem precipitado em suas palavras?
   Há mais esperança para um tolo do que para ele.
29:21 Quem mima seu servo desde a infância acabará por tê-lo como herdeiro.
29:22 O homem irado provoca conflitos, e o furioso multiplica as transgressões.
29:23 O orgulho do homem o humilhará, mas o humilde de espírito obterá honra.
29:24 Quem reparte com o ladrão odeia sua própria vida: ouve a maldição do juramento, mas nada declara.
29:25 O temor ao homem arma uma cilada, mas quem confia no SENHOR fica a salvo.
29:26 Muitos buscam o favor do governante, mas do SENHOR vem a justiça para o homem.
29:27 O homem injusto é detestável aos justos, e quem anda retamente é detestável ao ímpio.

Capítulo 30
30:1 Palavras de Agur, filho de Jaque: o oráculo. Declaração do homem a Itiel, a Itiel e a Ucal.
30:2 Sou mais bruto do que qualquer homem;
   não tenho entendimento humano.
30:3 Não aprendi sabedoria nem tenho conhecimento do Santo.
30:4 Quem subiu ao céu e desceu?
   Quem recolheu o vento em seus punhos?
   Quem envolveu as águas num manto?
   Quem estabeleceu todos os confins da terra?
   Qual é seu nome e qual é o nome de seu filho, se é que você sabe?
30:5 Toda palavra de Deus é pura;
   ele é escudo para os que nele se refugiam.
30:6 Não acrescente nada às palavras dele;
   senão ele o repreenderá, e você será tido por mentiroso.

30:7 Duas coisas te pedi;
   não me negues isso antes que eu morra:
30:8 afasta de mim a falsidade e a palavra mentirosa;
   não me dês pobreza nem riqueza;
   alimenta-me com minha porção de pão,
30:9 para que, estando farto, eu não te negue, dizendo: “Quem é o SENHOR?”, e para que, empobrecido, eu não roube nem profane o nome de meu Deus.

30:10 Não calunie um servo diante de seu senhor;
   senão ele poderá amaldiçoar você, e você ficará culpado.
30:11 Há uma geração que amaldiçoa seu pai e não abençoa sua mãe.
30:12 Há uma geração pura aos seus próprios olhos, mas que não foi lavada de sua sujeira.
30:13 Há uma geração cujos olhos são tão altivos e cujas pálpebras se erguem tão alto!
30:14 Há uma geração cujos dentes são espadas e cujos molares são facas, para devorar os pobres da terra e os necessitados dentre os homens.

30:15 A sanguessuga tem duas filhas: “Dá!
   Dá!”
   Três coisas não se saciam, quatro nunca dizem basta:
30:16 o mundo dos mortos, o ventre estéril, a terra que não se sacia de água e o fogo que não diz: “Basta!”
30:17 O olho que zomba de seu pai e despreza a obediência à sua mãe será arrancado pelos corvos do vale e devorado pelos filhotes da águia.

30:18 Três coisas são maravilhosas demais para mim, quatro eu não compreendo:
30:19 o caminho da águia no céu, o caminho da serpente sobre a rocha, o caminho do navio no meio do mar e o caminho do homem com uma jovem.
30:20 Assim é o caminho da mulher adúltera: come, limpa a boca e diz: “Não fiz nada de mau”.

30:21 Por três coisas a terra treme, e quatro ela não pode suportar:
30:22 o servo quando se torna rei, o insensato quando se farta de pão,
30:23 a mulher odiada quando se casa e a serva quando toma o lugar de sua senhora.

30:24 Quatro seres são pequenos na terra, mas extraordinariamente sábios:
30:25 as formigas, povo sem força, que prepara seu alimento no verão;
30:26 os híraces, povo sem poder, que põe sua casa nas rochas;
30:27 os gafanhotos, que não têm rei, mas saem todos em esquadrões;
30:28 a lagartixa, que se pode pegar com as mãos, mas que está nos palácios do rei.

30:29 Três têm passo majestoso, quatro andam com elegância:
30:30 o leão, poderoso entre os animais, que não recua diante de nada;
30:31 o de lombos cingidos, o bode e o rei com seu exército.
30:32 Se você agiu como insensato ao se exaltar ou se planejou o mal, ponha a mão sobre a boca.
30:33 Pois bater o leite produz manteiga, apertar o nariz produz sangue, e provocar a ira produz conflito.

Capítulo 31
31:1 Palavras do rei Lemuel, oráculo que sua mãe lhe ensinou:
31:2 “Que lhe direi, meu filho?
   O que, filho de meu ventre?
   O que, filho de meus votos?
31:3 Não dê às mulheres seu vigor nem seus caminhos ao que destrói os reis.
31:4 Não é próprio dos reis, Lemuel, não é próprio dos reis beber vinho, nem dos governantes, a bebida forte,
31:5 pois, ao beberem, podem esquecer o que foi decretado e perverter o direito de todos os aflitos.
31:6 Deem bebida forte a quem está perecendo, e vinho aos amargurados de alma.
31:7 Que ele beba e se esqueça de sua pobreza, e não se lembre mais de sua aflição.
31:8 Abra sua boca por quem não pode falar, pela causa de todos os desamparados.
31:9 Abra sua boca, julgue com justiça e defenda a causa do pobre e do necessitado.”

31:10 Mulher virtuosa, quem a encontrará?
   Seu valor supera em muito o das pedras preciosas.
31:11 O coração de seu marido confia nela, e a ele não faltarão ganhos.
31:12 Ela lhe faz bem, e não mal, todos os dias de sua vida.
31:13 Busca lã e linho e trabalha com prazer com suas mãos.
31:14 É como os navios mercantes: de longe traz seu alimento.
31:15 Levanta-se quando ainda é noite, dá alimento aos de sua casa e uma porção às suas criadas.
31:16 Considera um campo e o compra;
   com o fruto de suas mãos planta uma vinha.
31:17 Cinge sua cintura de força e fortalece seus braços.
31:18 Percebe que seus ganhos são bons;
   sua lâmpada não se apaga durante a noite.
31:19 Estende suas mãos à roca, e suas palmas seguram o fuso.
31:20 Abre sua palma ao pobre e estende suas mãos ao necessitado.
31:21 Não teme a neve pelos de sua casa, pois todos os de sua casa estão vestidos de escarlate.
31:22 Faz colchas para si;
   suas roupas são de linho fino e púrpura.
31:23 Seu marido é conhecido nos portões da cidade, quando se senta com os anciãos da terra.
31:24 Faz roupas de linho e as vende;
   fornece cintos ao comerciante.
31:25 Força e dignidade são suas vestes, e ela ri do dia que virá.
31:26 Abre sua boca com sabedoria, e o ensino da bondade está em sua língua.
31:27 Vigia o andamento de sua casa e não come o pão da ociosidade.
31:28 Seus filhos se levantam e a chamam feliz;
   seu marido também a elogia:
31:29 “Muitas mulheres agiram com valor, mas você supera todas elas”.
31:30 Enganoso é o encanto, e passageira a beleza;
   a mulher que teme o SENHOR, essa será elogiada.
31:31 Deem a ela do fruto de suas mãos, e que suas obras a elogiem nos portões da cidade.

ECLESIASTES

Capítulo 1
1:1 Palavras do Pregador, filho de Davi, rei em Jerusalém.
1:2 “Vaidade de vaidades”, diz o Pregador, “vaidade de vaidades;
   tudo é vaidade.”
1:3 Que proveito tem o homem de todo o trabalho com que se afadiga debaixo do sol?
1:4 Uma geração vai, e outra geração vem, mas a terra permanece para sempre.
1:5 O sol nasce, e o sol se põe;
   apressa-se de volta ao lugar onde torna a nascer.
1:6 O vento vai para o sul e gira para o norte;
   gira e gira o vento, e volta aos seus giros.
1:7 Todos os rios vão para o mar, mas o mar não se enche;
   ao lugar para onde vão os rios, para lá voltam a ir.
1:8 Todas as coisas são cansativas, mais do que o homem pode expressar.
   O olho não se farta de ver, nem o ouvido se enche de ouvir.
1:9 O que foi é o que será, e o que se fez é o que se fará;
   não há nada de novo debaixo do sol.
1:10 Há algo de que se possa dizer: “Veja, isto é novo”?
   Já existiu nos tempos que vieram antes de nós.
1:11 Não há memória dos que vieram antes;
   também dos que ainda virão não haverá memória entre os que vierem depois.
1:12 Eu, o Pregador, fui rei sobre Israel em Jerusalém.
1:13 Dediquei meu coração a buscar e investigar com sabedoria tudo o que se faz debaixo dos céus. É uma tarefa penosa que Deus deu aos filhos dos homens para nela se ocuparem.
1:14 Vi todas as obras que se fazem debaixo do sol: tudo é vaidade e correr atrás do vento.
1:15 O que é torto não se pode endireitar, e o que falta não se pode contar.
1:16 Disse a meu coração: “Cresci e aumentei em sabedoria mais que todos os que governaram Jerusalém antes de mim; meu coração viu muita sabedoria e conhecimento”.
1:17 Dediquei meu coração a conhecer a sabedoria e a conhecer a loucura e a insensatez. Percebi que também isso é correr atrás do vento.
1:18 Pois, onde há muita sabedoria, há muito desgosto;
   quem aumenta o conhecimento aumenta a dor.

Capítulo 2
2:1 Disse em meu coração: “Venha, vou pôr você à prova com a alegria; desfrute o que é bom”. Mas também isso era vaidade.
2:2 Do riso eu disse: “É loucura”, e da alegria: “O que ela consegue?”
2:3 Procurei em meu coração como estimular meu corpo com vinho, enquanto meu coração me guiava com sabedoria, e como me apegar à insensatez, até descobrir o que é bom os filhos dos homens fazerem debaixo dos céus durante os contados dias de sua vida.
2:4 Ampliei minhas obras: construí casas para mim e plantei vinhas para mim.
2:5 Fiz jardins e pomares para mim e plantei neles árvores de todo tipo de fruto.
2:6 Fiz reservatórios de água para regar com eles um bosque de árvores em crescimento.
2:7 Comprei escravos e escravas e tive escravos nascidos em minha casa. Tive também muitos bois e ovelhas, mais do que todos os que vieram antes de mim em Jerusalém.
2:8 Reuni para mim prata e ouro, tesouros de reis e de províncias. Providenciei cantores e cantoras e os prazeres dos filhos dos homens: concubinas em abundância.
2:9 Engrandeci-me e superei todos os que vieram antes de mim em Jerusalém; minha sabedoria também permaneceu comigo.
2:10 Não neguei aos meus olhos nada do que pediram nem privei meu coração de alegria alguma, pois meu coração se alegrava com todo o meu trabalho; essa foi minha porção de todo o meu trabalho.
2:11 Depois considerei todas as obras que minhas mãos tinham feito e o trabalho com que me afadiguei para fazê-las: tudo era vaidade e correr atrás do vento; não havia proveito debaixo do sol.
2:12 Voltei-me para considerar a sabedoria, a loucura e a insensatez. Pois o que pode fazer o homem que vier depois do rei? O que já foi feito.
2:13 Vi que a sabedoria é superior à insensatez, assim como a luz é superior à escuridão.
2:14 O sábio tem os olhos na cabeça, mas o tolo anda na escuridão. Porém, também percebi que o mesmo destino alcança a todos.
2:15 Então disse em meu coração: “O que acontece ao tolo também acontecerá comigo. Para que, então, fui tão sábio?” E disse em meu coração: “Também isso é vaidade”.
2:16 Pois não haverá memória eterna do sábio nem do tolo; nos dias que virão, todos terão sido esquecidos. Como morre o sábio, assim morre o tolo!
2:17 Eu odiei a vida, pois me era penoso o que se faz debaixo do sol; tudo é vaidade e correr atrás do vento.
2:18 Odiei também todo o trabalho com que me afadigo debaixo do sol, pois terei de deixá-lo ao homem que vier depois de mim.
2:19 Quem sabe se ele será sábio ou tolo? Mesmo assim, terá domínio sobre todo o fruto de meu trabalho, em que me afadiguei e agi com sabedoria debaixo do sol. Também isso é vaidade.
2:20 Então entreguei meu coração ao desespero por todo o trabalho com que me afadiguei debaixo do sol.
2:21 Pois há quem trabalhe com sabedoria, conhecimento e habilidade e tenha de deixar sua porção a outro que não trabalhou por ela. Também isso é vaidade e um grande mal.
2:22 Pois o que o homem obtém de todo o seu trabalho e da inquietação de seu coração com que se afadiga debaixo do sol?
2:23 Todos os seus dias são dores, e sua ocupação é desgosto; nem à noite seu coração descansa. Também isso é vaidade.
2:24 Não há nada melhor para o homem do que comer, beber e desfrutar o bem de seu trabalho. Vi que também isso vem da mão de Deus.
2:25 Pois quem pode comer e quem pode desfrutar mais do que eu?
2:26 Pois Deus dá sabedoria, conhecimento e alegria ao homem que lhe agrada; mas ao pecador dá a tarefa de reunir e acumular, para entregar ao que agrada a Deus. Também isso é vaidade e correr atrás do vento.

Capítulo 3
3:1 Tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para cada propósito debaixo dos céus:

3:2 tempo de nascer e tempo de morrer;
   tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou;
3:3 tempo de matar e tempo de curar;
   tempo de derrubar e tempo de edificar;
3:4 tempo de chorar e tempo de rir;
   tempo de prantear e tempo de dançar;
3:5 tempo de espalhar pedras e tempo de juntar pedras;
   tempo de abraçar e tempo de se abster de abraçar;
3:6 tempo de buscar e tempo de perder;
   tempo de guardar e tempo de jogar fora;
3:7 tempo de rasgar e tempo de costurar;
   tempo de calar e tempo de falar;
3:8 tempo de amar e tempo de odiar;
   tempo de guerra e tempo de paz.
3:9 Que proveito tem o trabalhador naquilo em que se afadiga?
3:10 Vi a tarefa que Deus deu aos filhos dos homens para nela se ocuparem.
3:11 Tudo ele fez belo em seu tempo. Também pôs a eternidade no coração deles, sem que o homem possa descobrir a obra que Deus fez do princípio ao fim.
3:12 Percebi que não há nada melhor para eles do que se alegrar e fazer o bem durante sua vida.
3:13 Também é dom de Deus que todo homem coma, beba e desfrute o bem de todo o seu trabalho.
3:14 Percebi que tudo o que Deus faz permanece para sempre; nada se pode acrescentar e nada se pode tirar. Deus fez assim para que temam diante dele.
3:15 O que é já foi, e o que será também já foi; Deus busca o que é perseguido.
3:16 Vi ainda debaixo do sol: no lugar do direito havia maldade, e no lugar da justiça havia maldade.
3:17 Disse em meu coração: “Deus julgará o justo e o ímpio, pois ali há um tempo para cada propósito e para toda obra”.
3:18 Disse em meu coração acerca dos filhos dos homens: “Deus os prova para que vejam que, por si mesmos, são como os animais”.
3:19 Pois o que acontece aos filhos dos homens e o que acontece aos animais é o mesmo: como morre um, morre o outro; todos têm o mesmo fôlego. O homem não tem vantagem sobre o animal, pois tudo é vaidade.
3:20 Todos vão para o mesmo lugar; todos vieram do pó e todos voltam ao pó.
3:21 Quem sabe se o espírito dos filhos dos homens sobe e se o espírito do animal desce para a terra?
3:22 Vi que não há nada melhor do que o homem se alegrar em suas obras, pois essa é sua porção. Quem o levará a ver o que acontecerá depois dele?

Capítulo 4
4:1 Voltei-me e vi todas as opressões que se praticam debaixo do sol: ali estavam as lágrimas dos oprimidos, sem ninguém que os consolasse. O poder estava nas mãos de seus opressores, e não havia quem os consolasse.
4:2 Considerei os mortos, que já morreram, mais felizes do que os vivos, que ainda vivem.
4:3 Mas melhor do que ambos está quem ainda não existiu, quem não viu as más obras que se fazem debaixo do sol.
4:4 Vi que todo trabalho e toda habilidade nas obras vêm da rivalidade do homem com seu próximo. Também isso é vaidade e correr atrás do vento.
4:5 O tolo cruza as mãos e devora sua própria carne.
4:6 Melhor uma mão cheia com descanso do que duas mãos cheias com trabalho e correr atrás do vento.
4:7 Voltei a ver vaidade debaixo do sol:
4:8 há quem esteja só, sem ninguém mais; não tem filho nem irmão, mas seu trabalho não tem fim, e seus olhos não se fartam de riquezas. “Para quem trabalho e privo minha alma do bem?” Também isso é vaidade e tarefa penosa.
4:9 Melhor serem dois do que um, pois têm boa recompensa por seu trabalho.
4:10 Pois, se caírem, um levanta seu companheiro.
   Mas ai de quem está só quando cai, sem outro que o levante!
4:11 Também, se dois se deitam juntos, se aquecem;
   mas um sozinho, como se aquecerá?
4:12 Se alguém vence quem está sozinho, dois podem resistir-lhe;
   o cordão de três fios não se rompe facilmente.
4:13 Melhor um jovem pobre e sábio do que um rei velho e tolo que já não sabe aceitar advertências.
4:14 Pois ele saiu da prisão para reinar, embora tivesse nascido pobre em seu reino.
4:15 Vi todos os vivos que andam debaixo do sol ao lado do segundo jovem, que ocuparia seu lugar.
4:16 Era incontável todo o povo à frente do qual ele estava; contudo, os que vierem depois não se alegrarão com ele. Também isso é vaidade e correr atrás do vento.

Capítulo 5
5:1 Cuide de seus passos quando for à casa de Deus. Aproximar-se para ouvir é melhor do que oferecer o sacrifício dos tolos, pois não sabem que fazem o mal.
5:2 Não se precipite com a boca nem apresse seu coração a pronunciar palavras diante de Deus, pois Deus está nos céus, e você, na terra. Por isso, sejam poucas suas palavras.
5:3 Pois o sonho vem de muita ocupação, e a voz do tolo, de muitas palavras.
5:4 Quando fizer um voto a Deus, não demore a cumpri-lo, pois ele não se agrada dos tolos. Cumpra o que prometer.
5:5 É melhor não fazer um voto do que fazê-lo e não cumpri-lo.
5:6 Não permita que sua boca leve seu corpo ao pecado, nem diga diante do mensageiro: “Foi um erro”. Por que Deus se iraria por suas palavras e destruiria a obra de suas mãos?
5:7 Pois nos muitos sonhos e nas muitas palavras há vaidades. Você, porém, tema a Deus.
5:8 Se você vir numa província opressão do pobre e violação do direito e da justiça, não se espante com isso: um superior vigia outro superior, e há superiores acima deles.
5:9 O proveito da terra é para todos; até o rei depende do campo cultivado.
5:10 Quem ama o dinheiro não se farta de dinheiro; quem ama a abundância não se farta de ganhos. Também isso é vaidade.
5:11 Quando os bens aumentam, aumentam os que os consomem. Que proveito tem seu dono além de contemplá-los com os olhos?
5:12 Doce é o sono do trabalhador, quer coma pouco, quer muito; mas a fartura do rico não o deixa dormir.
5:13 Há um mal doloroso que vi debaixo do sol: riquezas guardadas por seu dono para seu próprio dano.
5:14 Essas riquezas se perdem num mau negócio; ele gera um filho, mas nada lhe resta na mão.
5:15 Como saiu do ventre de sua mãe, nu, assim partirá novamente, como veio. Não levará nada de seu trabalho que possa carregar na mão.
5:16 Também isso é um mal doloroso: como veio, assim partirá. Que proveito tem de trabalhar para o vento?
5:17 Além disso, todos os seus dias ele come na escuridão, com muito desgosto, doença e ira.
5:18 Isto é o que vi ser bom e conveniente: comer, beber e desfrutar o bem de todo o trabalho com que o homem se afadiga debaixo do sol, nos contados dias de vida que Deus lhe deu, pois essa é sua porção.
5:19 Também, quando Deus dá a um homem riquezas e bens e lhe permite desfrutá-los, receber sua porção e se alegrar em seu trabalho, isso é dom de Deus.
5:20 Pois ele não se lembra muito dos dias de sua vida, porque Deus o mantém ocupado com a alegria de seu coração.

Capítulo 6
6:1 Há um mal que vi debaixo do sol e que pesa muito sobre o homem:
6:2 um homem a quem Deus dá riquezas, bens e honra, sem que lhe falte nada do que sua alma deseja, mas Deus não lhe permite desfrutá-los; um estranho os desfruta. Isso é vaidade e uma aflição dolorosa.
6:3 Ainda que um homem gere cem filhos e viva muitos anos, por numerosos que sejam os dias de seus anos, se sua alma não se fartar do bem e ele nem sequer receber sepultura, digo que um nascido sem vida está melhor do que ele.
6:4 Pois vem em vaidade e se vai na escuridão; na escuridão seu nome fica encoberto.
6:5 Embora não tenha visto o sol nem conhecido nada, tem mais descanso do que aquele homem.
6:6 Ainda que aquele vivesse duas vezes mil anos sem desfrutar o bem, não vão todos para o mesmo lugar?
6:7 Todo o trabalho do homem é para sua boca, mas seu apetite não se satisfaz.
6:8 Pois que vantagem tem o sábio sobre o tolo? Que vantagem tem o pobre que sabe se conduzir entre os vivos?
6:9 Melhor o que os olhos veem do que o vagar do desejo. Também isso é vaidade e correr atrás do vento.
6:10 O que existe já recebeu um nome, e sabe-se o que é o homem: ele não pode contender com quem é mais forte que ele.
6:11 Pois há muitas palavras que aumentam a vaidade; que proveito o homem tem?
6:12 Pois quem sabe o que é bom para o homem na vida, nos contados dias de sua vida fugaz, que ele passa como uma sombra? Quem dirá ao homem o que acontecerá depois dele debaixo do sol?

Capítulo 7
7:1 Melhor um bom nome do que um bom perfume, e o dia da morte do que o dia do nascimento.
7:2 Melhor ir à casa de luto do que à casa de banquete, pois esse é o fim de todo homem, e quem vive leva isso a sério.
7:3 Melhor a tristeza do que o riso, pois a tristeza do rosto melhora o coração.
7:4 O coração dos sábios está na casa de luto, mas o coração dos tolos, na casa de alegria.
7:5 Melhor ouvir a repreensão de um sábio do que ouvir a canção dos tolos.
7:6 Pois como o crepitar dos espinhos debaixo da panela é o riso do tolo.
   Também isso é vaidade.
7:7 A opressão enlouquece o sábio, e o suborno corrompe o coração.
7:8 Melhor o fim de um assunto do que seu começo;
   melhor o paciente de espírito do que o orgulhoso de espírito.
7:9 Não se apresse em seu espírito a ficar irado, pois a ira se abriga no peito dos tolos.
7:10 Não diga: “Por que os dias passados foram melhores do que estes?”
   Pois não é com sabedoria que você pergunta isso.
7:11 A sabedoria é boa junto com uma herança e proveitosa para os que veem o sol.
7:12 Pois a sabedoria serve de sombra, como o dinheiro serve de sombra;
   mas a vantagem do conhecimento é que a sabedoria preserva a vida de quem a possui.
7:13 Considere a obra de Deus: quem pode endireitar o que ele tornou torto?
7:14 No dia do bem, desfrute o bem;
   no dia da adversidade, considere: Deus fez tanto um como o outro, para que o homem não descubra nada do que virá depois dele.
7:15 Tudo vi nos dias de minha vida fugaz: há justo que perece em sua justiça e há ímpio que prolonga sua vida em sua maldade.
7:16 Não seja justo em excesso nem se faça sábio demais. Por que você se destruiria?
7:17 Não seja ímpio em excesso nem seja insensato. Por que você morreria antes de seu tempo?
7:18 É bom se apegar a isto sem soltar aquilo de sua mão, pois quem teme a Deus escapará de tudo isso.
7:19 A sabedoria torna o sábio mais forte do que dez governantes de uma cidade.
7:20 Pois não há homem justo na terra que faça o bem e nunca peque.
7:21 Também não leve a sério todas as palavras que se dizem, para não ouvir seu servo amaldiçoar você.
7:22 Pois seu coração sabe que muitas vezes você também amaldiçoou outros.
7:23 Tudo isso pus à prova com sabedoria. Disse: “Serei sábio”, mas a sabedoria estava longe de mim.
7:24 Longe está o que existe, e é profundo, muito profundo. Quem o descobrirá?
7:25 Voltei-me, eu e meu coração, a conhecer, investigar e buscar sabedoria e a razão das coisas, e a compreender que a maldade é tolice e que a insensatez é loucura.
7:26 Encontro mais amarga que a morte a mulher que é armadilha, cujo coração é rede e cujas mãos são correntes. Quem agrada a Deus escapará dela, mas o pecador será preso por ela.
7:27 “Veja, isto encontrei”, diz o Pregador, “comparando uma coisa com outra para achar a razão,
7:28 que minha alma ainda busca sem ter encontrado: encontrei um homem entre mil, mas não encontrei uma mulher entre todas estas.
7:29 Veja, só isto encontrei: Deus fez o homem reto, mas eles buscaram muitas artimanhas.”

Capítulo 8
8:1 Quem é como o sábio? Quem conhece a explicação de um assunto? A sabedoria do homem ilumina seu rosto e muda a dureza de seu semblante.
8:2 Eu digo: “Guarde o mandamento do rei por causa do juramento diante de Deus.
8:3 Não se apresse em sair da presença dele nem persista num mau assunto, pois ele faz tudo o que quer”.
8:4 Pois a palavra do rei tem autoridade; quem lhe dirá: “O que você está fazendo?”
8:5 Quem guarda o mandamento não experimentará nenhum mal, e o coração do sábio conhece o tempo e o modo.
8:6 Pois para todo propósito há tempo e modo, embora a aflição do homem pese muito sobre ele.
8:7 Ele não sabe o que acontecerá; quem lhe dirá como acontecerá?
8:8 Nenhum homem tem domínio sobre o vento para reter o vento, nem domínio sobre o dia da morte. Não há dispensa na guerra, e a maldade não livrará quem a pratica.
8:9 Tudo isso vi ao dedicar meu coração a toda obra que se faz debaixo do sol, quando um homem domina outro para seu mal.
8:10 Vi também ímpios sepultados, que haviam entrado e saído do lugar santo e foram esquecidos na cidade onde assim agiram. Também isso é vaidade.
8:11 Como a sentença contra uma má obra não é executada depressa, o coração dos filhos dos homens se enche de disposição para fazer o mal.
8:12 Ainda que o pecador faça o mal cem vezes e prolongue sua vida, sei que irá bem aos que temem a Deus, aos que temem diante dele.
8:13 Mas não irá bem ao ímpio, nem ele prolongará seus dias, que são como sombra, pois não teme diante de Deus.
8:14 Há uma vaidade que acontece na terra: há justos que recebem o que corresponde às obras dos ímpios, e há ímpios que recebem o que corresponde às obras dos justos. Digo que também isso é vaidade.
8:15 Elogiei a alegria, pois não há nada melhor para o homem debaixo do sol do que comer, beber e se alegrar. Isso o acompanhará em seu trabalho durante os dias de vida que Deus lhe deu debaixo do sol.
8:16 Quando dediquei meu coração a conhecer a sabedoria e a observar a ocupação que se exerce na terra (pois há quem não durma nem de dia nem de noite),
8:17 vi toda a obra de Deus: o homem não pode descobrir a obra que se faz debaixo do sol. Por mais que o homem se esforce para buscá-la, não a descobrirá; e, ainda que o sábio diga que a conhece, não poderá descobri-la.

Capítulo 9
9:1 Pus tudo isso em meu coração para examiná-lo: os justos, os sábios e suas obras estão na mão de Deus. Os homens não sabem se os espera amor ou ódio; tudo está diante deles.
9:2 Tudo acontece igualmente a todos: o mesmo destino alcança o justo e o ímpio, o bom, o puro e o impuro, quem oferece sacrifícios e quem não os oferece. Ao bom acontece como ao pecador, e a quem jura, como a quem teme jurar.
9:3 Este é o mal em tudo o que se faz debaixo do sol: o mesmo destino alcança a todos. Além disso, o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade, e há loucura em seu coração durante a vida; depois vão para os mortos.
9:4 Para quem faz parte dos vivos há esperança, pois um cão vivo é melhor do que um leão morto.
9:5 Pois os vivos sabem que morrerão, mas os mortos não sabem nada; já não têm recompensa, porque sua memória foi esquecida.
9:6 Seu amor, seu ódio e seu ciúme já pereceram; nunca mais terão parte em tudo o que se faz debaixo do sol.
9:7 Vá, coma seu pão com alegria e beba seu vinho com o coração contente, pois Deus já aceitou suas obras.
9:8 Em todo tempo sejam brancas suas roupas, e não falte óleo sobre sua cabeça.
9:9 Desfrute a vida com a mulher que você ama, todos os dias de sua vida fugaz que ele lhe deu debaixo do sol, todos os dias de sua vida fugaz, pois essa é sua porção na vida e no trabalho com que você se afadiga debaixo do sol.
9:10 Tudo o que sua mão encontrar para fazer, faça com suas forças, pois no mundo dos mortos, para onde você vai, não há obra, planos, conhecimento nem sabedoria.
9:11 Voltei a ver debaixo do sol que a corrida não é dos velozes, nem a batalha dos fortes, nem o pão dos sábios, nem as riquezas dos que têm entendimento, nem o favor dos que têm conhecimento; o tempo e o acaso alcançam a todos.
9:12 Pois o homem também não conhece sua hora. Como peixes presos numa rede fatal e aves apanhadas numa armadilha, assim os filhos dos homens são apanhados no tempo da desgraça, quando ela cai de repente sobre eles.
9:13 Também vi esta sabedoria debaixo do sol, e ela me pareceu grande:
9:14 havia uma cidade pequena com poucos homens. Um grande rei veio contra ela, cercou-a e construiu grandes obras de cerco contra ela.
9:15 Nela se encontrou um homem pobre e sábio, que livrou a cidade com sua sabedoria; contudo, ninguém se lembrou daquele homem pobre.
9:16 Então eu disse: “Melhor a sabedoria do que a força”. Mas a sabedoria do pobre é desprezada, e suas palavras não são ouvidas.
9:17 As palavras dos sábios, ouvidas com calma, são melhores que os gritos de quem governa entre os tolos.
9:18 Melhor a sabedoria do que as armas de guerra, mas um só pecador destrói muito do que é bom.

Capítulo 10
10:1 Moscas mortas fazem cheirar mal e borbulhar o óleo do perfumista;
   um pouco de insensatez pesa mais do que a sabedoria e a honra.
10:2 O coração do sábio se inclina para a direita, e o coração do tolo, para a esquerda.
10:3 Até quando o tolo anda pelo caminho, falta-lhe juízo, e ele mostra a todos que é tolo.
10:4 Se a ira do governante se levantar contra você, não abandone seu posto, pois a serenidade acalma grandes ofensas.
10:5 Há um mal que vi debaixo do sol, como um erro que procede do governante:
10:6 a insensatez é colocada em postos muito elevados, enquanto os ricos se sentam em lugares baixos.
10:7 Vi servos a cavalo e príncipes andando a pé como servos.
10:8 Quem cava uma cova cairá nela, e quem abre uma brecha no muro será mordido por uma serpente.
10:9 Quem extrai pedras será ferido por elas, e quem racha lenha corre perigo com ela.
10:10 Se o ferro está sem fio e seu corte não é afiado, é preciso empregar mais força;
   mas a sabedoria tem a vantagem de dar bom resultado.
10:11 Se a serpente morde antes de ser encantada, não há proveito para o encantador.
10:12 As palavras da boca do sábio têm graça, mas os lábios do tolo o devoram.
10:13 O começo das palavras de sua boca é insensatez, e o fim de sua fala é loucura perversa.
10:14 O tolo multiplica as palavras, mas o homem não sabe o que acontecerá.
   Quem lhe dirá o que virá depois dele?
10:15 O trabalho dos tolos os cansa, pois nem sabem ir à cidade.
10:16 Ai de você, terra, cujo rei é um menino e cujos príncipes banqueteiam pela manhã!
10:17 Feliz é você, terra, cujo rei é filho de nobres e cujos príncipes comem no tempo certo, para se fortalecer, e não para se embriagar!
10:18 Pela preguiça o teto cede, e pela negligência das mãos a casa tem goteiras.
10:19 Prepara-se um banquete para a alegria, o vinho alegra a vida, e o dinheiro responde a tudo.
10:20 Não amaldiçoe o rei nem em seu pensamento, nem amaldiçoe o rico no íntimo de seu quarto, pois uma ave do céu levará sua voz, e o que tem asas contará suas palavras.

Capítulo 11
11:1 Lance seu pão sobre as águas, pois depois de muitos dias você o encontrará.
11:2 Dê uma porção a sete e também a oito, pois você não sabe que calamidade virá sobre a terra.
11:3 Se as nuvens se enchem de chuva, a derramam sobre a terra;
   se uma árvore cai para o sul ou para o norte, no lugar em que cair, ali ficará.
11:4 Quem observa o vento não semeará, e quem olha para as nuvens não colherá.
11:5 Assim como você não sabe qual é o caminho do vento nem como os ossos se formam no ventre de uma mulher grávida, também não conhece a obra de Deus, que faz todas as coisas.
11:6 De manhã semeie sua semente e, à tarde, não dê descanso à sua mão, pois você não sabe qual prosperará, se esta ou aquela, ou se ambas serão igualmente boas.
11:7 Doce é a luz, e é bom para os olhos ver o sol.
11:8 Se o homem viver muitos anos, que se alegre em todos eles, mas que se lembre de que os dias de escuridão serão muitos.
   Tudo o que está por vir é vaidade.
11:9 Alegre-se, jovem, em sua juventude, e que seu coração lhe traga alegria nos dias de sua juventude.
   Siga os caminhos de seu coração e o que seus olhos veem, mas saiba que, por todas essas coisas, Deus levará você a julgamento.
11:10 Afaste o desgosto de seu coração e o sofrimento de seu corpo, pois a juventude e a flor da vida são vaidade.

Capítulo 12
12:1 Lembre-se de seu Criador nos dias de sua juventude, antes que venham os dias maus e cheguem os anos em que você dirá: “Não tenho prazer neles”;
12:2 antes que se escureçam o sol e a luz, a lua e as estrelas, e as nuvens voltem depois da chuva;
12:3 no dia em que tremerem os guardas da casa e se curvarem os homens fortes, cessarem as que moem, por serem poucas, e se escurecerem as que olham pelas janelas;
12:4 quando as duas portas da rua se fecharem e o ruído da moagem baixar, alguém se levantar ao canto do pássaro, e todas as filhas do canto se abaterem;
12:5 quando se temerem as alturas e houver terrores no caminho, a amendoeira florescer, o gafanhoto se arrastar e a alcaparra perder seu efeito.
   Pois o homem vai para sua morada eterna, e os pranteadores percorrem as ruas.
12:6 Lembre-se dele antes que se solte o cordão de prata, se quebre a taça de ouro, se despedace o cântaro junto à fonte e se quebre a roda junto ao poço;
12:7 e o pó volte à terra, como era, e o espírito volte a Deus, que o deu.
12:8 “Vaidade de vaidades”, diz o Pregador, “tudo é vaidade”.
12:9 Além de ser sábio, o Pregador também ensinou conhecimento ao povo. Ponderou, investigou e pôs em ordem muitos provérbios.
12:10 O Pregador procurou achar palavras agradáveis e escrever com retidão palavras de verdade.
12:11 As palavras dos sábios são como aguilhões, e as dos mestres dessas coleções, como pregos bem fincados; foram dadas por um só pastor.
12:12 Além disso, meu filho, fique advertido: fazer muitos livros não tem fim, e estudar muito cansa o corpo.
12:13 A conclusão de tudo o que foi ouvido é esta: tema a Deus e guarde seus mandamentos, pois esse é o dever de todo homem.
12:14 Pois Deus levará a julgamento toda obra, com tudo o que está oculto, seja bom, seja mau.

CÂNTICOS

Capítulo 1
1:1 Cântico dos cânticos, de Salomão.
1:2 “Que ele me beije com os beijos de sua boca!
   Pois suas carícias são melhores que o vinho.
1:3 Seus perfumes têm fragrância agradável;
   seu nome é perfume derramado.
   Por isso as jovens amam você.
1:4 Atraia-me, e correremos atrás de você.
   O rei me levou aos seus aposentos.
   Exultaremos e nos alegraremos em você;
   celebraremos suas carícias mais que o vinho.
   Com razão amam você!”

1:5 “Sou negra e bela, filhas de Jerusalém, como as tendas de Quedar, como as cortinas de Salomão.
1:6 Não olhem para mim por eu ser escura, pois o sol me queimou.
   Os filhos de minha mãe se iraram contra mim;
   puseram-me a guardar as vinhas, mas minha própria vinha não guardei.
1:7 Diga-me, você a quem minha alma ama: onde apascenta o rebanho?
   Onde o faz repousar ao meio-dia?
   Por que eu seria como uma mulher coberta de véu junto aos rebanhos de seus companheiros?”
1:8 “Se você não sabe, bela entre as mulheres, siga as pegadas do rebanho e apascente suas cabritas junto às cabanas dos pastores.”

1:9 “À minha égua entre os carros do faraó comparo você, minha amada.
1:10 Belas são suas faces entre os adornos, e seu pescoço entre os colares.”
1:11 “Faremos para você ornamentos de ouro com incrustações de prata.”
1:12 “Enquanto o rei estava em seu divã, meu nardo exalou sua fragrância.
1:13 Meu amado é para mim uma bolsinha de mirra que passa a noite entre meus seios.
1:14 Meu amado é para mim um cacho de flores de hena nas vinhas de En-Gedi.”

1:15 “Como você é bela, minha amada!
   Como é bela!
   Seus olhos são pombas.”
1:16 “Como você é belo, meu amado, e como é agradável!
   Nosso leito é verdejante.
1:17 As vigas de nossas casas são cedros, e nossos caibros, ciprestes.”

Capítulo 2
2:1 “Eu sou a flor de açafrão de Sarom, o lírio dos vales.”
2:2 “Como o lírio entre os espinhos, assim é minha amada entre as jovens.”
2:3 “Como a macieira entre as árvores do bosque, assim é meu amado entre os jovens.
   Com prazer me sentei à sua sombra, e seu fruto foi doce ao meu paladar.
2:4 Ele me levou à casa do banquete, e seu estandarte sobre mim é amor.
2:5 Sustentem-me com bolos de passas, reanimem-me com maçãs, pois estou doente de amor.
2:6 Que sua esquerda esteja debaixo de minha cabeça, e sua direita me abrace.
2:7 Faço vocês jurarem, filhas de Jerusalém, pelas gazelas ou pelas corças do campo: não despertem nem provoquem o amor até que ele queira.”

2:8 “A voz de meu amado!
   Vejam, ele vem, saltando sobre os montes, pulando sobre as colinas!
2:9 Meu amado é como uma gazela ou um filhote de cervo.
   Vejam, ele está atrás de nosso muro, olhando pelas janelas, espiando pelas treliças.”
2:10 Meu amado falou e me disse: “Levante-se, minha amada, minha bela, e venha.
2:11 Pois veja, o inverno passou;
   a chuva cessou e se foi.
2:12 As flores aparecem na terra, chegou o tempo do canto, e a voz da rola se ouve em nossa terra.
2:13 A figueira amadurece seus primeiros figos, e as videiras em flor exalam sua fragrância.
   Levante-se e venha, minha amada, minha bela; venha.

2:14 Minha pomba, que está nas fendas da rocha, no esconderijo do penhasco, deixe-me ver seu rosto, deixe-me ouvir sua voz, pois sua voz é doce, e seu rosto é belo.”

2:15 “Apanhem para nós as raposas, as raposinhas que destroem as vinhas, pois nossas vinhas estão em flor.”
2:16 “Meu amado é meu, e eu sou dele;
   ele apascenta entre os lírios.
2:17 Até que sopre a brisa do dia e as sombras fujam, volte-se, meu amado;
   seja como uma gazela ou um filhote de cervo sobre os montes de Beter.”

Capítulo 3
3:1 “Durante as noites, em meu leito, busquei aquele a quem minha alma ama;
   busquei-o, mas não o encontrei.
3:2 ‘Vou me levantar agora e percorrer a cidade;
   pelas ruas e praças buscarei aquele a quem minha alma ama.’ Busquei-o, mas não o encontrei.
3:3 Os guardas que rondam a cidade me encontraram.
   ‘Vocês viram aquele a quem minha alma ama?’
3:4 Mal eu os tinha deixado para trás, encontrei aquele a quem minha alma ama.
   Segurei-o e não o soltei até levá-lo à casa de minha mãe, ao quarto daquela que me concebeu.
3:5 Faço vocês jurarem, filhas de Jerusalém, pelas gazelas ou pelas corças do campo: não despertem nem provoquem o amor até que ele queira.”

3:6 “Quem é esta que sobe do deserto como colunas de fumaça, perfumada com mirra e incenso, com todos os pós aromáticos do mercador?
3:7 Vejam, é a liteira de Salomão;
   sessenta guerreiros a rodeiam, dos guerreiros de Israel.
3:8 Todos empunham espada, experientes na guerra;
   cada um traz sua espada junto à coxa, contra os terrores das noites.

3:9 O rei Salomão fez para si um palanquim de madeiras do Líbano.
3:10 Fez suas colunas de prata, seu estrado de ouro e seu assento de púrpura;
   seu interior foi revestido com amor pelas filhas de Jerusalém.
3:11 Saiam, filhas de Sião, e contemplem o rei Salomão com a coroa com que sua mãe o coroou no dia de seu casamento, no dia da alegria de seu coração.”

Capítulo 4
4:1 “Como você é bela, minha amada!
   Como é bela!
   Seus olhos são pombas por trás de seu véu;
   seu cabelo é como um rebanho de cabras que descem do monte Gileade.
4:2 Seus dentes são como um rebanho de ovelhas tosquiadas que sobem do lavadouro;
   todas têm crias gêmeas, e nenhuma perdeu sua cria.
4:3 Seus lábios são como um fio escarlate, e sua fala é bela;
   suas têmporas são como fatias de romã por trás de seu véu.
4:4 Seu pescoço é como a torre de Davi, construída para guardar armas;
   dela pendem mil escudos, todos escudos de guerreiros.
4:5 Seus dois seios são como dois filhotes gêmeos de gazela, que pastam entre os lírios.
4:6 Até que sopre a brisa do dia e as sombras fujam, irei ao monte da mirra e à colina do incenso.
4:7 Você é toda bela, minha amada, e não há defeito em você.

4:8 Venha comigo do Líbano, minha noiva, venha comigo do Líbano.
   Olhe do cume do Amana, do cume do Senir e do Hermom, das tocas dos leões, dos montes dos leopardos.
4:9 Você cativou meu coração, minha irmã, minha noiva;
   cativou meu coração com um só de seus olhos, com um só colar de seu pescoço.
4:10 Como são belas suas carícias, minha irmã, minha noiva!
   Como suas carícias são melhores que o vinho, e a fragrância de seus perfumes, melhor que todas as especiarias!
4:11 Seus lábios destilam mel do favo, minha noiva;
   mel e leite estão debaixo de sua língua, e a fragrância de suas roupas é como a fragrância do Líbano.

4:12 Você é jardim fechado, minha irmã, minha noiva;
   manancial fechado, fonte selada.
4:13 Seus brotos são um pomar de romãzeiras com frutos excelentes, hena junto com nardos;
4:14 nardo e açafrão, cana aromática e canela, com todas as árvores de incenso, mirra e aloés, com as melhores especiarias.
4:15 Você é fonte de jardins, poço de águas vivas e correntes que fluem do Líbano.”
4:16 “Desperte, vento norte, e venha, vento sul!
   Sopre sobre meu jardim, para que seus aromas se espalhem.
   Que meu amado entre em seu jardim e coma seus frutos excelentes.”

Capítulo 5
5:1 “Entrei em meu jardim, minha irmã, minha noiva;
   colhi minha mirra com minhas especiarias, comi meu favo com meu mel, bebi meu vinho com meu leite.
   Comam, amigos;
   bebam e embriaguem-se, amados.”

5:2 “Eu dormia, mas meu coração estava desperto.
   A voz de meu amado, que bate à porta!
   ‘Abra para mim, minha irmã, minha amada, minha pomba, minha perfeita, pois minha cabeça está cheia de orvalho, meus cabelos, das gotas da noite.’
5:3 ‘Tirei minha túnica;
   como tornarei a vesti-la?
   Lavei meus pés;
   como tornarei a sujá-los?’
5:4 Meu amado pôs a mão pela abertura, e minhas entranhas estremeceram por ele.
5:5 Levantei-me para abrir ao meu amado;
   minhas mãos destilavam mirra, e meus dedos, mirra líquida nas alças do ferrolho.
5:6 Abri ao meu amado, mas meu amado tinha se retirado, tinha ido embora.
   Minha alma desfaleceu quando ele falou.
   Busquei-o, mas não o encontrei;
   chamei-o, mas não me respondeu.
5:7 Os guardas que rondam a cidade me encontraram;
   bateram em mim, feriram-me.
   Os guardas das muralhas tiraram meu manto.
5:8 Faço vocês jurarem, filhas de Jerusalém: se encontrarem meu amado, o que dirão a ele?
   Que estou doente de amor.”
5:9 “O que seu amado tem de melhor que outro amado, bela entre as mulheres?
   O que seu amado tem de melhor que outro amado, para você nos fazer jurar assim?”
5:10 “Meu amado é radiante e rosado, destacado entre dez mil.
5:11 Sua cabeça é ouro, ouro puro;
   seus cabelos são cacheados, negros como o corvo.
5:12 Seus olhos são como pombas junto a correntes de água, banhadas em leite, colocadas em seu engaste.
5:13 Suas faces são como canteiros de especiarias, colinas de plantas aromáticas;
   seus lábios são lírios que destilam mirra líquida.
5:14 Suas mãos são barras de ouro incrustadas de berilo;
   seu ventre é marfim trabalhado, recoberto de safiras.
5:15 Suas pernas são colunas de mármore assentadas sobre bases de ouro puro;
   seu aspecto é como o Líbano, excelente como os cedros.
5:16 Seu paladar é doçura, e todo ele é desejável.
   Este é meu amado e este é meu amigo, filhas de Jerusalém.”

Capítulo 6
6:1 “Para onde foi seu amado, bela entre as mulheres?
   Para onde se voltou seu amado, para o buscarmos com você?”
6:2 “Meu amado desceu ao seu jardim, aos canteiros de especiarias, para apascentar nos jardins e colher lírios.
6:3 Eu sou de meu amado, e meu amado é meu;
   ele apascenta entre os lírios.”

6:4 “Você é bela como Tirza, minha amada, encantadora como Jerusalém, imponente como exércitos com estandartes.
6:5 Desvie de mim seus olhos, pois me perturbam.
   Seu cabelo é como um rebanho de cabras que descem de Gileade.
6:6 Seus dentes são como um rebanho de ovelhas que sobem do lavadouro;
   todas têm crias gêmeas, e nenhuma perdeu sua cria.
6:7 Suas têmporas são como fatias de romã por trás de seu véu.
6:8 Sessenta são as rainhas, oitenta as concubinas, e as jovens são incontáveis.
6:9 Mas uma só é minha pomba, minha perfeita;
   única para sua mãe, a preferida daquela que a deu à luz.
   As jovens a viram e a chamaram feliz;
   as rainhas e as concubinas a elogiaram.”

6:10 “Quem é esta que surge como a aurora, bela como a lua, radiante como o sol, imponente como exércitos com estandartes?”

6:11 “Desci ao jardim das nogueiras para ver o verdor do vale, para ver se a videira tinha brotado e se as romãzeiras tinham florescido.
6:12 Sem que eu percebesse, minha alma me pôs nos carros de meu povo nobre.”
6:13 “Volte, volte, sulamita!
   Volte, volte, para que contemplemos você!”
   “O que vocês contemplam na sulamita, como na dança de dois acampamentos?”

Capítulo 7
7:1 “Como são belos seus passos com sandálias, filha de príncipe!
   As curvas de seus quadris são como joias, obra das mãos de um artesão.
7:2 Seu umbigo é uma taça redonda: que não lhe falte vinho misturado.
   Seu ventre é um monte de trigo cercado de lírios.
7:3 Seus dois seios são como dois filhotes gêmeos de gazela.
7:4 Seu pescoço é como uma torre de marfim;
   seus olhos, como os tanques de Hesbom junto à porta de Bate-Rabim;
   seu nariz, como a torre do Líbano que olha para Damasco.
7:5 Sua cabeça se ergue como o Carmelo, e o cabelo de sua cabeça é como púrpura;
   um rei está preso em suas tranças.
7:6 Como você é bela e agradável, meu amor, com suas delícias!
7:7 Sua estatura é como uma palmeira, e seus seios, como cachos.
7:8 Disse: ‘Subirei à palmeira e me agarrarei aos seus ramos.’ Que seus seios sejam como cachos da videira, e o aroma de seu hálito, como maçãs;
7:9 e seu paladar, como o bom vinho.”
   “Que ele flua suavemente para meu amado, fazendo falar os lábios dos que dormem.
7:10 Eu sou de meu amado, e seu desejo é por mim.

7:11 Venha, meu amado, vamos sair ao campo;
   passemos a noite nas aldeias.
7:12 Vamos cedo às vinhas;
   vejamos se a videira brotou, se suas flores se abriram e se as romãzeiras floresceram.
   Ali darei a você minhas carícias.
7:13 As mandrágoras exalam sua fragrância, e às nossas portas há todo tipo de frutos excelentes, novos e velhos, que guardei para você, meu amado.”

Capítulo 8
8:1 “Quem dera você fosse como um irmão para mim, que tivesse mamado nos seios de minha mãe!
   Se eu o encontrasse na rua, o beijaria, e não me desprezariam.
8:2 Eu o guiaria e levaria à casa de minha mãe, que me ensinava;
   daria a você vinho com especiarias, o suco de minhas romãs.
8:3 Que sua esquerda esteja debaixo de minha cabeça, e sua direita me abrace.
8:4 Faço vocês jurarem, filhas de Jerusalém: por que despertar, por que provocar o amor antes que ele queira?”

8:5 “Quem é esta que sobe do deserto, apoiada em seu amado?”
   “Debaixo da macieira despertei você;
   ali sua mãe teve dores de parto por você, ali teve dores aquela que o deu à luz.
8:6 Ponha-me como selo sobre seu coração, como selo sobre seu braço, pois o amor é forte como a morte, e o ciúme é inflexível como o mundo dos mortos.
   Seus clarões são clarões de fogo, uma chama do SENHOR.
8:7 As muitas águas não podem apagar o amor, nem os rios o afogarão.
   Se um homem desse todos os bens de sua casa pelo amor, seria totalmente desprezado.”

8:8 “Temos uma irmã pequena que ainda não tem seios.
   O que faremos por nossa irmã no dia em que a pedirem?
8:9 Se ela for uma muralha, construiremos sobre ela um baluarte de prata;
   se for uma porta, a reforçaremos com uma tábua de cedro.”
8:10 “Eu sou uma muralha, e meus seios são como torres;
   então fui aos seus olhos como quem encontra paz.

8:11 Salomão tinha uma vinha em Baal-Hamom;
   entregou a vinha a cuidadores, e cada um devia trazer mil peças de prata por seu fruto.
8:12 Minha vinha, que é minha, está à minha disposição.
   As mil peças são para você, Salomão, e duzentas para os que cuidam de seu fruto.”
8:13 “Você que habita nos jardins, os companheiros estão atentos à sua voz;
   deixe-me ouvi-la.”
8:14 “Fuja, meu amado, e seja como uma gazela ou um filhote de cervo sobre os montes de especiarias.”

ISAÍAS

Capítulo 1
1:1 Visão de Isaías, filho de Amoz, que ele viu a respeito de Judá e Jerusalém nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá.
1:2 Ouçam, céus, e dê ouvidos, terra, pois o SENHOR falou: “Criei filhos e os fiz crescer, mas eles se rebelaram contra mim.
1:3 O boi conhece seu dono, e o jumento, a manjedoura de seu senhor, mas Israel não conhece;
   meu povo não compreende”.
1:4 Ai, nação pecadora, povo carregado de culpa, descendência de malfeitores, filhos corruptores!
   Abandonaram o SENHOR, desprezaram o Santo de Israel e lhe deram as costas.
1:5 Por que vocês ainda receberiam golpes?
   Continuarão se rebelando?
   Toda cabeça está doente, e todo coração, enfraquecido.
1:6 Da planta do pé à cabeça não há parte sã: só feridas, vergões e chagas abertas, que não foram limpas nem enfaixadas nem aliviadas com óleo.
1:7 Sua terra está desolada, suas cidades queimadas pelo fogo;
   estrangeiros devoram seus campos diante de vocês.
   Tudo está desolado, como numa destruição causada por estrangeiros.
1:8 A filha de Sião ficou como cabana numa vinha, como abrigo num campo de pepinos, como cidade sitiada.
1:9 Se o SENHOR dos Exércitos não nos tivesse deixado alguns poucos sobreviventes, teríamos sido como Sodoma, seríamos semelhantes a Gomorra.

1:10 Ouçam a palavra do SENHOR, governantes de Sodoma;
   deem ouvidos à instrução de nosso Deus, povo de Gomorra.
1:11 “Para que me serve a multidão de seus sacrifícios?”, diz o SENHOR.
   “Estou farto de holocaustos de carneiros e da gordura de animais engordados;
   não me agrada o sangue de touros, cordeiros e bodes.
1:12 Quando vocês vêm se apresentar diante de mim, quem pediu isso de suas mãos, que pisoteassem meus pátios?
1:13 Não continuem trazendo ofertas vãs;
   o incenso me é detestável.
   Lua nova, sábado e convocação de assembleias: não suporto maldade junto com reunião solene.
1:14 Minha alma odeia suas luas novas e suas festas marcadas;
   tornaram-se um peso para mim, estou cansado de suportá-las.
1:15 Quando estenderem suas mãos, esconderei de vocês meus olhos;
   ainda que multipliquem as orações, não ouvirei.
   Suas mãos estão cheias de sangue.
1:16 Lavem-se, purifiquem-se;
   tirem de diante de meus olhos a maldade de seus atos.
   Parem de fazer o mal;
1:17 aprendam a fazer o bem, busquem a justiça, corrijam o opressor, façam justiça ao órfão, defendam a causa da viúva.

1:18 Venham agora, vamos raciocinar juntos”, diz o SENHOR.
   “Ainda que seus pecados sejam como escarlate, ficarão brancos como a neve;
   ainda que sejam vermelhos como carmesim, serão como a lã.
1:19 Se vocês estiverem dispostos e obedecerem, comerão o melhor da terra;
1:20 mas, se recusarem e se rebelarem, serão devorados pela espada.”
   Pois a boca do SENHOR falou.

1:21 Como a cidade fiel se tornou prostituta!
   Estava cheia de justiça, a retidão habitava nela, mas agora há assassinos.
1:22 Sua prata se tornou escória;
   seu vinho está diluído em água.
1:23 Seus governantes são rebeldes e companheiros de ladrões;
   todos amam subornos e correm atrás de recompensas.
   Não fazem justiça ao órfão, e a causa da viúva não chega diante deles.

1:24 Por isso o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, o Poderoso de Israel, declara: “Ah, tomarei satisfação de meus adversários e me vingarei de meus inimigos!
1:25 Voltarei minha mão contra você;
   removerei suas escórias como com lixívia e retirarei todas as suas impurezas.
1:26 Restaurarei seus juízes como antes e seus conselheiros como no princípio.
   Depois você será chamada Cidade de Justiça, Cidade Fiel.”
1:27 Sião será resgatada com justiça, e os dela que se arrependem, com retidão.
1:28 Mas os rebeldes e os pecadores serão quebrados juntos, e os que abandonam o SENHOR perecerão.
1:29 Pois eles se envergonharão dos carvalhos que vocês desejaram, e vocês ficarão envergonhados dos jardins que escolheram.
1:30 Pois vocês serão como um carvalho cujas folhas murcham, como um jardim que não tem água.
1:31 O forte se tornará estopa, e sua obra, faísca;
   ambos arderão juntos, e não haverá quem os apague.

Capítulo 2
2:1 Palavra que Isaías, filho de Amoz, recebeu em visão a respeito de Judá e Jerusalém.
2:2 Nos últimos dias, o monte da casa do SENHOR ficará firmemente estabelecido acima dos montes e se elevará sobre as colinas;
   todas as nações afluirão a ele.
2:3 Muitos povos irão e dirão: “Venham, subamos ao monte do SENHOR, à casa do Deus de Jacó, para que ele nos ensine seus caminhos e andemos por suas veredas”.
   Pois de Sião sairá a instrução, e de Jerusalém, a palavra do SENHOR.
2:4 Ele julgará entre as nações e resolverá as disputas de muitos povos.
   Eles transformarão suas espadas em lâminas de arado e suas lanças em podadeiras.
   Uma nação não levantará a espada contra outra, e nunca mais aprenderão a guerrear.

2:5 Casa de Jacó, venham, andemos na luz do SENHOR!
2:6 Pois tu abandonaste teu povo, a casa de Jacó, porque estão cheios das práticas do Oriente, são adivinhos como os filisteus e dão as mãos a filhos de estrangeiros.
2:7 Sua terra está cheia de prata e ouro, e seus tesouros não têm fim;
   sua terra está cheia de cavalos, e seus carros de guerra não têm fim.
2:8 Sua terra está cheia de ídolos;
   eles se prostram diante da obra de suas mãos, diante do que seus dedos fizeram.
2:9 O ser humano se curvou, e os homens se rebaixaram;
   não lhes perdoes.
2:10 Entre nas rochas e esconda-se no pó, diante do terror do SENHOR e do esplendor de sua majestade.
2:11 O olhar altivo do ser humano será abatido, e a arrogância dos homens será humilhada;
   só o SENHOR será exaltado naquele dia.

2:12 Pois o SENHOR dos Exércitos tem um dia contra todo soberbo e altivo, contra todo aquele que se exalta, que será abatido;
2:13 contra todos os cedros do Líbano, altos e elevados, e contra todos os carvalhos de Basã;
2:14 contra todos os montes altos e contra todas as colinas elevadas;
2:15 contra toda torre alta e contra toda muralha fortificada;
2:16 contra todos os navios de Társis e contra todas as embarcações suntuosas.
2:17 A altivez do ser humano será abatida, e a arrogância dos homens será humilhada;
   só o SENHOR será exaltado naquele dia.
2:18 Os ídolos desaparecerão por completo.
2:19 As pessoas entrarão nas cavernas das rochas e nos buracos da terra, diante do terror do SENHOR e do esplendor de sua majestade, quando ele se levantar para fazer a terra tremer.
2:20 Naquele dia, o ser humano lançará às toupeiras e aos morcegos seus ídolos de prata e seus ídolos de ouro, que fizeram para ele adorar,
2:21 para entrar nas fendas das rochas e nas aberturas dos penhascos, diante do terror do SENHOR e do esplendor de sua majestade, quando ele se levantar para fazer a terra tremer.
2:22 Deixem de confiar no ser humano, cujo fôlego está nas narinas.
   Que valor se pode atribuir a ele?

Capítulo 3
3:1 Pois vejam: o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, retirará de Jerusalém e de Judá o sustento e o apoio, todo suprimento de pão e todo suprimento de água;
3:2 o valente e o guerreiro, o juiz e o profeta, o adivinho e o ancião;
3:3 o comandante de cinquenta homens e o homem respeitado, o conselheiro, o artesão habilidoso e o perito em encantamentos.
3:4 “Porei jovens como seus governantes, e crianças caprichosas dominarão sobre eles.”
3:5 No povo, uns oprimirão os outros, cada um o seu próximo;
   o jovem será insolente com o ancião, e o desprezível, com o homem honrado.
3:6 Um homem agarrará seu irmão na casa de seu pai e dirá: “Você tem um manto;
   seja nosso chefe e tome estas ruínas sob seus cuidados”.
3:7 Naquele dia, o outro levantará a voz e dirá: “Não serei eu quem vai curá-los;
   em minha casa não há pão nem manto.
   Não me ponham como chefe do povo”.
3:8 Pois Jerusalém tropeçou, e Judá caiu, porque suas palavras e seus atos são contra o SENHOR, desafiando seu olhar glorioso.
3:9 A expressão de seus rostos testemunha contra eles;
   como Sodoma, proclamam seu pecado, sem escondê-lo.
   Ai deles, pois trouxeram o mal sobre si mesmos!
3:10 Digam aos justos que lhes irá bem, pois comerão o fruto de seus atos.
3:11 Ai do perverso!
   Irá mal para ele, pois receberá a recompensa do que suas mãos fizeram.
3:12 Meu povo tem crianças como opressores, e mulheres o governam.
   Meu povo, os que guiam você o fazem se desviar e destroem o caminho de suas veredas.

3:13 O SENHOR se levanta para apresentar sua causa e se põe de pé para julgar os povos.
3:14 O SENHOR entrará em juízo contra os anciãos e os governantes de seu povo: “Vocês devoraram a vinha;
   o que roubaram dos pobres está em suas casas.
3:15 O que vocês pretendem ao esmagar meu povo e moer o rosto dos pobres?”, declara o Senhor, o SENHOR dos Exércitos.

3:16 O SENHOR diz: “Visto que as filhas de Sião são altivas, andam de pescoço erguido e com olhares sedutores, caminham a passos curtos e fazem tilintar os adornos de seus pés,
3:17 o Senhor cobrirá de sarna a cabeça das filhas de Sião, e o SENHOR exporá sua nudez”.

3:18 Naquele dia, o Senhor tirará seus belos adornos: as tornozeleiras, os enfeites da cabeça e os pendentes em forma de meia-lua;
3:19 os brincos, os braceletes e os véus;
3:20 os turbantes, as correntinhas dos pés, as faixas, os frascos de perfume e os amuletos;
3:21 os anéis e as joias do nariz;
3:22 as roupas de festa, os mantos, os xales e as bolsas;
3:23 os espelhos, as peças de linho, os adornos da cabeça e os véus grandes.
3:24 Em lugar de perfume haverá mau cheiro;
   em lugar de cinto, uma corda;
   em lugar de penteados elaborados, calvície;
   em lugar de roupa fina, uma faixa de pano de saco;
   em lugar de beleza, uma marca de queimadura.
3:25 Seus homens cairão à espada, e seus guerreiros, na batalha.
3:26 As portas dela gemerão e estarão de luto;
   despojada, ela se sentará no chão.

Capítulo 4
4:1 Naquele dia, sete mulheres se agarrarão a um só homem e dirão: “Comeremos nosso próprio pão e vestiremos nossas próprias roupas;
   apenas permita que levemos seu nome.
   Tire nossa desonra!”

4:2 Naquele dia, o renovo do SENHOR será beleza e glória, e o fruto da terra será orgulho e esplendor para os sobreviventes de Israel.
4:3 Quem ficar em Sião e permanecer em Jerusalém será chamado santo: todo aquele que estiver inscrito entre os vivos em Jerusalém,
4:4 quando o Senhor lavar a imundície das filhas de Sião e limpar de Jerusalém o sangue derramado em seu meio, com espírito de juízo e com espírito abrasador.
4:5 O SENHOR criará sobre todo lugar do monte Sião e sobre suas assembleias uma nuvem e fumaça durante o dia, e o resplendor de fogo flamejante durante a noite;
   pois sobre toda a glória haverá um dossel.
4:6 Haverá um abrigo que dará sombra contra o calor do dia, refúgio e proteção contra a tempestade e a chuva.

Capítulo 5
5:1 Cantarei agora para meu amado o cântico de meu querido a respeito de sua vinha.
   Meu amado tinha uma vinha numa colina fértil.
5:2 Ele cavou a terra, retirou as pedras e plantou videiras escolhidas;
   construiu uma torre no meio dela e também escavou um lagar.
   Esperava que produzisse uvas, mas ela produziu uvas ruins.
5:3 “Agora, moradores de Jerusalém e homens de Judá, julguem entre mim e minha vinha.
5:4 O que mais se poderia fazer por minha vinha que eu não tenha feito?
   Por que, quando eu esperava que produzisse uvas, ela produziu uvas ruins?
5:5 Agora lhes direi o que farei com minha vinha: retirarei sua cerca, e ela será devorada;
   derrubarei seu muro, e ela será pisoteada.
5:6 Eu a transformarei em terreno desolado;
   ela não será podada nem cultivada, e nela crescerão espinheiros e ervas daninhas.
   Também ordenarei às nuvens que não derramem chuva sobre ela.”
5:7 Pois a vinha do SENHOR dos Exércitos é a casa de Israel, e os homens de Judá são seu plantio predileto.
   Ele esperava justiça, mas houve derramamento de sangue;
   retidão, mas houve gritos de aflição.

5:8 Ai dos que juntam casa a casa e acrescentam campo a campo, até não restar espaço e vocês serem os únicos moradores da terra!
5:9 O SENHOR dos Exércitos disse aos meus ouvidos: “Certamente muitas casas ficarão desoladas, grandes e belas, mas sem moradores.
5:10 Uma vinha de cerca de quatro hectares produzirá apenas uns vinte e um litros de vinho, e uns duzentos e vinte litros de sementes produzirão só uns vinte e dois litros de grãos”.

5:11 Ai dos que se levantam de madrugada para correr atrás de bebida forte e ficam até tarde da noite, até que o vinho os inflame!
5:12 Em seus banquetes há lira e harpa, tamborim e flauta, e vinho;
   mas não prestam atenção à obra do SENHOR nem veem o que suas mãos fazem.
5:13 Por isso meu povo irá para o exílio por falta de conhecimento;
   seus nobres morrerão de fome, e sua multidão definhará de sede.
5:14 Por isso o mundo dos mortos alargou sua garganta e abriu a boca sem medida;
   para lá descerão o esplendor da cidade, sua multidão, seu alvoroço e os que nela se divertem.
5:15 O ser humano será abatido, os homens serão humilhados, e o olhar dos altivos será rebaixado.
5:16 Mas o SENHOR dos Exércitos será exaltado por seu juízo, e o Deus santo mostrará sua santidade por sua justiça.
5:17 Os cordeiros pastarão como em suas próprias pastagens, e os estrangeiros comerão nas ruínas dos ricos.
5:18 Ai dos que arrastam a culpa com cordas de falsidade e o pecado como com cordas de carroça!
5:19 Eles dizem: “Que ele se apresse e adiante sua obra, para que a vejamos!
   Que se aproxime e se cumpra o plano do Santo de Israel, para que o conheçamos!”

5:20 Ai dos que chamam o mal de bem e o bem de mal, dos que fazem das trevas luz e da luz trevas, do amargo doce e do doce amargo!

5:21 Ai dos que são sábios aos próprios olhos e se consideram inteligentes!
5:22 Ai dos valentes para beber vinho e dos fortes para misturar bebida forte,
5:23 dos que absolvem o perverso por suborno e negam aos justos seu direito!

5:24 Por isso, assim como a língua de fogo devora a palha e o capim seco se desfaz na chama, sua raiz apodrecerá, e sua flor se levantará como pó;
   pois rejeitaram a instrução do SENHOR dos Exércitos e desprezaram a palavra do Santo de Israel.
5:25 Por isso a ira do SENHOR se acendeu contra seu povo;
   ele estendeu a mão contra o povo e o feriu.
   Os montes tremeram, e seus cadáveres ficaram como lixo no meio das ruas.
   Apesar de tudo isso, sua ira não se afastou, e sua mão continua estendida.
5:26 Ele levantará um estandarte para as nações distantes e assobiará para quem está nos confins da terra.
   Vejam, virá depressa, velozmente!
5:27 Ninguém entre eles estará cansado nem tropeçará;
   ninguém cochilará nem dormirá.
   Não se soltará o cinto de ninguém nem se romperá a correia de suas sandálias.
5:28 Suas flechas estarão afiadas, e todos os seus arcos, retesados;
   os cascos de seus cavalos serão como pedra de sílex, e as rodas de seus carros, como um vendaval.
5:29 Seu rugido será como o de um leão;
   rugirá como leões novos, rosnará, agarrará a presa e a levará, sem que ninguém a resgate.
5:30 Naquele dia, rugirá contra ele como o rugido do mar.
   Se alguém olhar para a terra, verá trevas e angústia;
   até a luz ficará escurecida por suas nuvens.

Capítulo 6
6:1 No ano em que morreu o rei Uzias, vi o Senhor sentado num trono alto e elevado, e as abas de seu manto enchiam o templo.
6:2 Acima dele estavam serafins. Cada um tinha seis asas: com duas cobria o rosto, com duas cobria os pés e com duas voava.
6:3 Clamavam uns aos outros:
 “Santo, santo, santo é o SENHOR dos Exércitos!
   Toda a terra está cheia de sua glória!”
6:4 As bases das portas tremeram com a voz daquele que clamava, e a casa se encheu de fumaça.
6:5 Então eu disse: “Ai de mim! Estou perdido! Pois sou um homem de lábios impuros e vivo no meio de um povo de lábios impuros, e meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos!”
6:6 Um dos serafins voou até mim, trazendo na mão uma brasa que havia tirado do altar com uma tenaz.
6:7 Com ela tocou minha boca e disse: “Veja, isto tocou seus lábios; sua culpa foi removida, e seu pecado foi expiado”.
6:8 Ouvi a voz do Senhor, que dizia: “A quem enviarei? Quem irá por nós?”. Eu respondi: “Aqui estou! Envia-me!”
6:9 Ele disse: “Vá e diga a este povo: ‘Ouçam bem, mas não entendam; olhem bem, mas não compreendam’.
6:10 Torne insensível o coração deste povo, endureça seus ouvidos e feche seus olhos, para que não venha a ver com os olhos, ouvir com os ouvidos, entender com o coração, voltar-se e ser curado”.
6:11 Eu perguntei: “Até quando, Senhor?”. Ele respondeu: “Até que as cidades fiquem desoladas, sem moradores, as casas fiquem sem gente, e a terra esteja completamente devastada;
6:12 até que o SENHOR afaste os seres humanos e sejam muitos os lugares abandonados no meio da terra.
6:13 Ainda que reste nela uma décima parte, ela voltará a ser consumida, como o terebinto e o carvalho, dos quais fica um toco quando são derrubados. A descendência santa será seu toco”.

Capítulo 7
7:1 Nos dias de Acaz, filho de Jotão, filho de Uzias, rei de Judá, Rezim, rei de Arã, e Peca, filho de Remalias, rei de Israel, subiram a Jerusalém para lutar contra ela, mas não conseguiram conquistá-la.
7:2 A casa de Davi foi informada: “Arã acampou em Efraim”. O coração do rei e o coração de seu povo estremeceram como as árvores da floresta estremecem com o vento.
7:3 O SENHOR disse a Isaías: “Saia ao encontro de Acaz, você e seu filho Sear-Jasube, até o fim do canal do reservatório superior, no caminho do campo do lavandeiro,
7:4 e diga a ele: ‘Tenha cuidado e mantenha a calma. Não tenha medo nem desanime por causa destes dois restos de tições fumegantes, por causa da ira ardente de Rezim e de Arã e do filho de Remalias.
7:5 Pois Arã tramou o mal contra você, junto com Efraim e o filho de Remalias, dizendo:
7:6 “Vamos subir contra Judá, aterrorizá-la e abrir uma brecha nela para nós, e pôr como rei no meio dela o filho de Tabeal”.

7:7 Assim diz o Senhor, o SENHOR:
 “Isso não se firmará nem acontecerá.
7:8 Pois a cabeça de Arã é Damasco, e a cabeça de Damasco é Rezim;
   dentro de sessenta e cinco anos, Efraim será destruído e deixará de ser povo.
7:9 A cabeça de Efraim é Samaria, e a cabeça de Samaria é o filho de Remalias.
   Se não tiverem fé, vocês certamente não ficarão firmes”’”.
7:10 O SENHOR voltou a falar com Acaz:
7:11 “Peça para você um sinal ao SENHOR, seu Deus, seja nas profundezas, seja nas alturas”.
7:12 Acaz respondeu: “Não pedirei nem porei o SENHOR à prova”.
7:13 Então ele disse: “Ouçam, casa de Davi! Não basta a vocês cansar os homens, para cansarem também o meu Deus?
7:14 Por isso o próprio Senhor lhes dará um sinal: vejam, a virgem conceberá e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Emanuel.
7:15 Ele comerá coalhada e mel quando souber rejeitar o mal e escolher o bem.
7:16 Pois, antes que o menino saiba rejeitar o mal e escolher o bem, ficará abandonada a terra cujos dois reis você teme.
7:17 O SENHOR trará sobre você, sobre seu povo e sobre a casa de seu pai dias como não houve desde que Efraim se separou de Judá: trará o rei da Assíria”.
7:18 Naquele dia, o SENHOR assobiará para a mosca que está nos confins dos rios do Egito e para a abelha que está na terra da Assíria.
7:19 Todas virão e pousarão nos vales profundos, nas fendas das rochas, em todos os espinheiros e em todas as pastagens.
7:20 Naquele dia, com uma navalha alugada do outro lado do Rio, isto é, com o rei da Assíria, o Senhor rapará a cabeça e os pelos das pernas, e também removerá a barba.
7:21 Naquele dia, um homem criará uma novilha e duas ovelhas.
7:22 Pela abundância de leite que elas darão, ele comerá coalhada; pois todo aquele que restar no meio da terra comerá coalhada e mel.
7:23 Naquele dia, todo lugar onde havia mil videiras, no valor de mil peças de prata, ficará coberto de espinheiros e ervas daninhas.
7:24 Será preciso entrar ali com arco e flechas, pois toda a terra será coberta de espinheiros e ervas daninhas.
7:25 A nenhum dos montes que antes eram cultivados com enxada você irá, por medo dos espinheiros e das ervas daninhas; eles se tornarão lugares onde se soltam bois e onde as ovelhas pisam.

Capítulo 8
8:1 O SENHOR me disse: “Pegue uma placa grande e escreva nela em caracteres comuns: ‘Maer-Salal-Hás-Baz’.
8:2 Tomarei para mim testemunhas fiéis: o sacerdote Urias e Zacarias, filho de Jeberequias”.
8:3 Aproximei-me da profetisa, e ela concebeu e deu à luz um filho. O SENHOR me disse: “Ponha nele o nome de Maer-Salal-Hás-Baz,
8:4 pois, antes que o menino saiba dizer ‘meu pai’ e ‘minha mãe’, as riquezas de Damasco e os despojos de Samaria serão levados diante do rei da Assíria”.
8:5 O SENHOR voltou a falar comigo:
8:6 “Visto que este povo rejeitou as águas de Siloé, que correm suavemente, e se alegra com Rezim e com o filho de Remalias,
8:7 o Senhor fará subir contra eles as águas fortes e abundantes do Rio: o rei da Assíria com toda a sua glória. O rio sairá de todos os seus canais e transbordará por todas as suas margens;
8:8 avançará por Judá, inundará e passará adiante, até chegar ao pescoço. A extensão de suas asas cobrirá toda a largura de sua terra, Emanuel”.

8:9 Enfureçam-se, povos, e serão despedaçados!
   Deem ouvidos, todos os que estão em terras distantes!
   Preparem-se, e serão despedaçados;
   preparem-se, e serão despedaçados!
8:10 Tracem um plano, e ele será frustrado;
   pronunciem uma palavra, e ela não se firmará, pois Deus está conosco.
8:11 Pois assim o SENHOR me falou, com sua mão forte sobre mim, e me advertiu a não andar pelo caminho deste povo. Ele disse:
8:12 “Não chamem conspiração a tudo o que este povo chama conspiração. Não tenham medo do que eles temem nem fiquem aterrorizados.
8:13 Reconheçam como santo o SENHOR dos Exércitos; seja ele o seu temor, seja ele o seu terror.
8:14 Ele será um santuário, mas também uma pedra de tropeço e uma rocha de queda para as duas casas de Israel, armadilha e laço para os moradores de Jerusalém.
8:15 Muitos tropeçarão nelas, cairão e serão despedaçados, ficarão enlaçados e serão capturados”.
8:16 “Amarre o testemunho, sele a instrução entre meus discípulos.”
8:17 Esperarei pelo SENHOR, que esconde seu rosto da casa de Jacó, e nele porei minha esperança.
8:18 Aqui estou eu e os filhos que o SENHOR me deu, como sinais e prodígios em Israel da parte do SENHOR dos Exércitos, que habita no monte Sião.
8:19 Quando lhes disserem: “Consultem os médiuns e os adivinhos que sussurram e murmuram”, acaso um povo não deve consultar seu Deus? Consultará os mortos em favor dos vivos?
8:20 À instrução e ao testemunho! Se não falarem de acordo com esta palavra, não haverá amanhecer para eles.
8:21 Passará pela terra, oprimido e faminto; quando tiver fome, ficará furioso e amaldiçoará seu rei e seu Deus, voltando o rosto para o alto.
8:22 Olhará para a terra e verá aflição e escuridão, sombras de angústia; será lançado nas trevas.

Capítulo 9
9:1 Mas não haverá escuridão para a terra que estava em aflição. No passado ele humilhou a terra de Zebulom e a terra de Naftali; no futuro, porém, tornará glorioso o caminho do mar, além do Jordão, a Galileia das nações.
9:2 O povo que andava em trevas viu uma grande luz;
   sobre os que habitavam na terra da sombra da morte, uma luz resplandeceu.
9:3 Tu multiplicaste a nação e aumentaste sua alegria.
   Eles se alegram diante de ti como na alegria da colheita, como os que exultam ao repartir os despojos.
9:4 Pois tu quebraste o jugo de sua carga, a vara sobre seus ombros e o bastão de seu opressor, como no dia de Midiã.
9:5 Toda bota que marcha com estrondo e todo manto revolvido em sangue serão queimados, serão alimento para o fogo.
9:6 Pois um menino nos nasceu, um filho nos foi dado;
   o governo estará sobre seus ombros, e ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz.
9:7 O crescimento de seu governo e a paz não terão fim, sobre o trono de Davi e sobre seu reino, para estabelecê-lo e sustentá-lo com justiça e retidão, desde agora e para sempre.
   O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isso.

9:8 O Senhor enviou uma palavra contra Jacó, e ela caiu sobre Israel.
9:9 Todo o povo saberá disso, Efraim e os moradores de Samaria, que, com orgulho e arrogância de coração, dizem:
9:10 “Os tijolos caíram, mas construiremos com pedras talhadas;
   os sicômoros foram cortados, mas os substituiremos por cedros”.
9:11 O SENHOR levantará contra ele os adversários de Rezim e incitará seus inimigos:
9:12 os arameus do Oriente e os filisteus do Ocidente devorarão Israel de boca aberta.
   Apesar de tudo isso, sua ira não se afastou, e sua mão continua estendida.
9:13 Mas o povo não voltou para aquele que o feria nem buscou o SENHOR dos Exércitos.

9:14 Por isso o SENHOR cortará de Israel cabeça e cauda, ramo de palmeira e junco, num só dia.
9:15 O ancião e o homem respeitado são a cabeça, e o profeta que ensina mentiras é a cauda.
9:16 Os que guiam este povo o fazem se desviar, e aqueles que eles guiam são destruídos.
9:17 Por isso o Senhor não terá prazer em seus jovens nem se compadecerá de seus órfãos e de suas viúvas, pois todos são ímpios e malfeitores, e toda boca fala insensatez.
   Apesar de tudo isso, sua ira não se afastou, e sua mão continua estendida.
9:18 Pois a maldade arde como fogo, devora espinheiros e ervas daninhas e incendeia o emaranhado da floresta, que se levanta em colunas de fumaça.
9:19 Pela fúria do SENHOR dos Exércitos, a terra fica escurecida, e o povo se torna alimento para o fogo.
   Ninguém poupa seu irmão.
9:20 Arranca à direita, mas continua com fome;
   come à esquerda, mas não se saciam.
   Cada um come a carne de seu próprio braço:
9:21 Manassés devora Efraim, e Efraim, Manassés;
   juntos, ambos se voltam contra Judá.
   Apesar de tudo isso, sua ira não se afastou, e sua mão continua estendida.

Capítulo 10
10:1 Ai dos que decretam leis injustas e dos escribas que redigem decisões opressoras,
10:2 para negar justiça aos necessitados e roubar os direitos dos pobres de meu povo, fazendo das viúvas seu despojo e saqueando os órfãos!
10:3 O que vocês farão no dia do castigo, diante da devastação que virá de longe?
   A quem recorrerão em busca de ajuda?
   Onde deixarão suas riquezas?
10:4 Nada restará senão se curvar entre os prisioneiros ou cair entre os mortos.
   Apesar de tudo isso, sua ira não se afastou, e sua mão continua estendida.

10:5 “Ai da Assíria, vara de minha ira!
   O bastão em suas mãos é minha indignação.
10:6 Eu a enviarei contra uma nação ímpia e lhe darei ordens contra o povo de meu furor, para tomar despojos, saquear e pisoteá-lo como a lama das ruas.
10:7 Mas ela não pensa assim, nem seu coração planeja dessa forma;
   em seu coração está destruir e exterminar muitas nações.
10:8 Pois diz: ‘Não são todos os meus governantes reis?
10:9 Não é Calno como Carquemis?
   Não é Hamate como Arpade?
   Não é Samaria como Damasco?
10:10 Assim como minha mão alcançou os reinos dos ídolos, cujas imagens superavam as de Jerusalém e Samaria,
10:11 não farei a Jerusalém e a suas imagens o mesmo que fiz a Samaria e a seus ídolos?’

10:12 Quando o Senhor terminar toda a sua obra no monte Sião e em Jerusalém, castigarei o fruto do coração arrogante do rei da Assíria e o esplendor de seu olhar altivo.”
10:13 Pois ele disse: “Com a força de minha mão fiz isso e com minha sabedoria, pois sou inteligente.
   Removi as fronteiras dos povos, saqueei seus tesouros e, como um valente, derrubei os que se sentavam em tronos.
10:14 Minha mão alcançou as riquezas dos povos como a um ninho;
   como quem recolhe ovos abandonados, recolhi toda a terra.
   Não houve quem movesse uma asa, abrisse a boca ou desse um pio”.
10:15 Acaso o machado se vangloria diante de quem corta com ele?
   Ou a serra se engrandece diante de quem a maneja?
   Seria como se a vara movesse quem a levanta, como se o bastão levantasse aquele que não é madeira!
10:16 Por isso o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, fará definhar os seus robustos;
   debaixo de sua glória arderá uma fogueira como fogo abrasador.
10:17 A Luz de Israel será fogo, e seu Santo, uma chama;
   num só dia ela queimará e consumirá suas ervas daninhas e seus espinheiros.
10:18 Consumirá a glória de sua floresta e de seu campo fértil, da alma ao corpo;
   será como um doente que definha.
10:19 As árvores que restarem de sua floresta serão tão poucas que uma criança poderá anotá-las.

10:20 Naquele dia, os que restarem de Israel e os sobreviventes da casa de Jacó não voltarão a se apoiar naquele que os feriu;
   se apoiarão de verdade no SENHOR, o Santo de Israel.
10:21 Um remanescente voltará, o remanescente de Jacó, ao Deus Forte.
10:22 Ainda que seu povo, Israel, seja como a areia do mar, só um remanescente dele voltará.
   Uma destruição foi decretada, transbordando de justiça.
10:23 Pois o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, executará a destruição decretada no meio de toda a terra.

10:24 Por isso assim diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos: “Meu povo, que habita em Sião, não tenha medo da Assíria, que o fere com a vara e levanta o bastão contra você, à maneira do Egito.
10:25 Pois, dentro de muito pouco tempo, minha indignação terminará, e minha ira se voltará para destruí-los”.
10:26 O SENHOR dos Exércitos levantará um chicote contra ele, como na derrota de Midiã junto à rocha de Orebe;
   levantará sua vara sobre o mar, como fez no Egito.
10:27 Naquele dia, a carga dele será retirada de seus ombros, e seu jugo, de seu pescoço;
   o jugo será quebrado por causa da gordura.
10:28 Chegou a Aiate, passou por Migrom;
   em Micmás deixa seu equipamento.
10:29 Atravessaram o desfiladeiro: “Geba será nosso alojamento”.
   Ramá treme, Gibeá de Saul fugiu.
10:30 Grite bem alto, filha de Galim!
   Preste atenção, Laís!
   Pobre Anatote!
10:31 Madmena fugiu;
   os moradores de Gebim procuram refúgio.
10:32 Ainda hoje ele parará em Nobe;
   agitará sua mão contra o monte da filha de Sião, a colina de Jerusalém.

10:33 Vejam! O Senhor, o SENHOR dos Exércitos, corta os ramos com força terrível;
   as árvores de grande porte serão derrubadas, e as altas serão abatidas.
10:34 Ele cortará com ferro o emaranhado da floresta, e o Líbano cairá pela mão de um poderoso.

Capítulo 11
11:1 Do tronco de Jessé sairá um broto, e de suas raízes um renovo dará fruto.
11:2 Sobre ele repousará o Espírito do SENHOR: Espírito de sabedoria e entendimento, Espírito de conselho e poder, Espírito de conhecimento e temor do SENHOR.
11:3 Seu prazer estará no temor do SENHOR.
   Ele não julgará pelo que seus olhos veem nem decidirá pelo que seus ouvidos ouvem;
11:4 julgará os pobres com justiça e decidirá com equidade em favor dos humildes da terra.
   Ferirá a terra com a vara de sua boca e matará o perverso com o sopro de seus lábios.
11:5 A justiça será o cinto de seus lombos, e a fidelidade, o cinto de sua cintura.
11:6 O lobo viverá com o cordeiro, e o leopardo se deitará com o cabrito;
   o bezerro, o leão novo e o animal engordado estarão juntos, e uma criança pequena os guiará.
11:7 A vaca e a ursa pastarão, seus filhotes se deitarão juntos, e o leão comerá palha como o boi.
11:8 A criança de peito brincará junto à toca da serpente venenosa, e a criança desmamada estenderá a mão sobre o esconderijo da víbora.
11:9 “Não farão mal nem destruirão em todo o meu santo monte, pois a terra estará cheia do conhecimento do SENHOR, como as águas cobrem o mar.”

11:10 Naquele dia, a raiz de Jessé se erguerá como estandarte para os povos;
   as nações a buscarão, e seu lugar de descanso será glorioso.

11:11 Naquele dia, o Senhor estenderá a mão pela segunda vez para recuperar o remanescente de seu povo que restar da Assíria, do Egito, de Patros, de Cuxe, de Elão, de Sinar, de Hamate e das ilhas do mar.
11:12 Ele levantará um estandarte para as nações, reunirá os desterrados de Israel e juntará os dispersos de Judá dos quatro cantos da terra.
11:13 A inveja de Efraim desaparecerá, e os adversários de Judá serão exterminados;
   Efraim não invejará Judá, e Judá não hostilizará Efraim.
11:14 Voarão sobre o flanco dos filisteus, ao Ocidente;
   juntos saquearão os povos do Oriente.
   Edom e Moabe estarão sob sua mão, e os filhos de Amom lhes obedecerão.
11:15 O SENHOR destruirá o braço do mar do Egito e agitará sua mão sobre o Rio com seu vento poderoso;
   ele o ferirá, dividindo-o em sete canais, para que se possa atravessá-lo de sandálias.
11:16 Haverá uma estrada para o remanescente de seu povo que restar da Assíria, como houve para Israel no dia em que saiu da terra do Egito.

Capítulo 12
12:1 Naquele dia, você dirá: “Eu te darei graças, SENHOR!
   Embora tenhas te irado contra mim, tua ira se afastou, e tu me consolaste.
12:2 Eis que Deus é minha salvação;
   confiarei e não terei medo, pois Jah, o SENHOR, é minha força e meu cântico;
   ele se tornou minha salvação”.
12:3 Com alegria vocês tirarão água das fontes da salvação.
12:4 Naquele dia, vocês dirão: “Deem graças ao SENHOR, invoquem seu nome, anunciem seus feitos entre os povos, proclamem que seu nome é exaltado.
12:5 Cantem ao SENHOR, pois ele fez coisas grandiosas;
   que isso seja conhecido em toda a terra.
12:6 Grite e cante de alegria, habitante de Sião, pois grande é o Santo de Israel em seu meio!”

Capítulo 13
13:1 Profecia contra Babilônia que Isaías, filho de Amoz, recebeu em visão.
13:2 “Ergam um estandarte sobre um monte nu, chamem-nos em alta voz e façam sinais com a mão, para que entrem pelas portas dos nobres.
13:3 Eu dei ordens aos meus consagrados;
   também convoquei meus valentes para executar minha ira, aqueles que exultam em minha grandeza.”
13:4 Ouçam o barulho de uma multidão nos montes, como o de um povo numeroso!
   Ouçam o tumulto de reinos, de nações reunidas!
   O SENHOR dos Exércitos passa em revista o exército para a batalha.
13:5 Eles vêm de uma terra distante, dos confins dos céus: o SENHOR e os instrumentos de sua indignação, para devastar toda a terra.
13:6 Lamentem, pois o dia do SENHOR está perto!
   Virá como destruição enviada pelo Todo-Poderoso.
13:7 Por isso todas as mãos ficarão fracas, e todo coração humano se derreterá.
13:8 Eles ficarão aterrorizados;
   dores e angústias se apoderarão deles, e se contorcerão como uma mulher em trabalho de parto.
   Olharão espantados uns para os outros;
   seus rostos estarão em chamas.
13:9 Vejam, vem o dia do SENHOR, cruel, com fúria e ira ardente, para tornar a terra desolada e exterminar dela seus pecadores.
13:10 As estrelas dos céus e suas constelações não darão sua luz;
   o sol escurecerá ao nascer, e a lua não fará brilhar sua luz.
13:11 “Castigarei o mundo por sua maldade e os perversos por sua culpa;
   farei cessar a arrogância dos soberbos e abaterei o orgulho dos tiranos.
13:12 Tornarei o mortal mais raro que o ouro puro, o ser humano mais raro que o ouro de Ofir.
13:13 Por isso farei os céus estremecerem, e a terra será sacudida de seu lugar, pela fúria do SENHOR dos Exércitos, no dia de sua ira ardente.”
13:14 Como uma gazela perseguida e como um rebanho que ninguém reúne, cada um voltará para seu povo, cada um fugirá para sua terra.
13:15 Todo aquele que for encontrado será traspassado, e todo aquele que for capturado cairá à espada.
13:16 Seus pequeninos serão esmagados diante de seus olhos, suas casas serão saqueadas, e suas mulheres serão violentadas.
13:17 “Vejam, eu incitarei contra eles os medos, que não dão valor à prata nem desejam ouro.
13:18 Seus arcos despedaçarão os jovens;
   não terão compaixão do fruto do ventre, e seus olhos não terão piedade das crianças.”
13:19 Babilônia, a beleza dos reinos, o esplendor do orgulho dos caldeus, será como Sodoma e Gomorra quando Deus as destruiu.
13:20 Nunca mais será habitada nem povoada, de geração em geração;
   nenhum árabe armará ali sua tenda, nem os pastores farão seus rebanhos se deitarem ali.
13:21 Mas as feras do deserto se deitarão ali, e suas casas se encherão de corujas;
   ali viverão avestruzes, e bodes peludos saltarão ali.
13:22 Hienas uivarão em suas fortalezas, e chacais, em seus palácios luxuosos.
   Seu tempo está perto de chegar, e seus dias não serão prolongados.

Capítulo 14
14:1 Pois o SENHOR terá compaixão de Jacó, voltará a escolher Israel e os estabelecerá em sua própria terra. Os estrangeiros se unirão a eles e se incorporarão à casa de Jacó.
14:2 Os povos os tomarão e os levarão ao seu lugar, e a casa de Israel possuirá esses povos como escravos e escravas na terra do SENHOR. Levarão cativos os que os haviam levado cativos e dominarão seus opressores.
14:3 No dia em que o SENHOR der a você descanso de sua dor, de sua agitação e da dura escravidão a que foi submetido,
14:4 você entoará esta sátira contra o rei da Babilônia e dirá:
 “Como cessou o opressor!
   Como acabou a tirania!
14:5 O SENHOR quebrou o bastão dos perversos, o cetro dos governantes,
14:6 que feria os povos com fúria, com golpes incessantes, que dominava as nações com ira, numa perseguição sem freio.
14:7 Toda a terra descansa e está tranquila;
   todos irrompem em cantos de alegria.
14:8 Até os ciprestes se alegram por sua causa, e os cedros do Líbano dizem: ‘Desde que você foi derrubado, ninguém mais sobe contra nós para nos cortar’.
14:9 O mundo dos mortos, lá embaixo, se agita para receber você quando chegar;
   desperta por sua causa os mortos, todos os chefes da terra, e faz levantar de seus tronos todos os reis das nações.
14:10 Todos eles responderão e dirão a você: ‘Você também ficou fraco como nós!
   Tornou-se semelhante a nós!
14:11 Seu esplendor e o som de suas harpas foram levados para o mundo dos mortos.
   Larvas se estendem debaixo de você, e vermes são sua coberta’.
14:12 Como você caiu do céu, astro brilhante, filho da alvorada!
   Como foi lançado por terra, você que enfraquecia as nações!
14:13 Você dizia em seu coração: ‘Subirei aos céus, levantarei meu trono acima das estrelas de Deus.
   Vou me sentar no monte da assembleia, nos confins do Norte.
14:14 Subirei acima das alturas das nuvens;
   serei semelhante ao Altíssimo’.
14:15 Mas você será levado para o mundo dos mortos, às profundezas da cova.
14:16 Os que virem você o observarão com atenção e dirão: ‘É este o homem que fazia a terra tremer, que sacudia os reinos,
14:17 que transformou o mundo num deserto, destruiu suas cidades e não deixava seus prisioneiros voltarem para casa?’
14:18 Todos os reis das nações, todos eles, repousam com honra, cada um em sua morada.
14:19 Mas você foi lançado para fora de seu túmulo como um broto detestável, coberto de mortos traspassados pela espada, dos que descem às pedras da cova, como um cadáver pisoteado.
14:20 Você não se unirá a eles na sepultura, pois destruiu sua terra e matou seu povo.
   Que nunca mais seja mencionada a descendência dos malfeitores!
14:21 Preparem a matança dos filhos dele por causa da culpa de seus pais, para que não se levantem, tomem posse da terra e encham de cidades a face do mundo”.
14:22 “Eu me levantarei contra eles”, declara o SENHOR dos Exércitos.
   “Eliminarei de Babilônia nome e remanescente, filhos e netos”, declara o SENHOR.
14:23 “Eu a transformarei em morada de ouriços e em lagoas de água;
   eu a varrerei com a vassoura da destruição”, declara o SENHOR dos Exércitos.

14:24 O SENHOR dos Exércitos jurou: “Certamente, como pensei, assim acontecerá;
   como planejei, assim se cumprirá:
14:25 quebrarei a Assíria em minha terra e a pisotearei sobre meus montes.
   Seu jugo será tirado de cima deles, e sua carga será retirada de seus ombros”.
14:26 Este é o plano determinado para toda a terra, e esta é a mão estendida sobre todas as nações.
14:27 Pois o SENHOR dos Exércitos o planejou;
   quem o frustrará?
   Sua mão está estendida;
   quem a fará recuar?
14:28 No ano em que morreu o rei Acaz, veio esta profecia:
14:29 “Não se alegre, Filístia inteira, porque foi quebrada a vara de quem a feria;
   pois da raiz da serpente sairá uma víbora, e seu fruto será uma serpente ardente que voa.
14:30 Os mais pobres pastarão, e os necessitados se deitarão em segurança;
   mas farei sua raiz morrer de fome, e ele matará os que restarem de você.
14:31 Lamente, porta!
   Grite, cidade!
   Desfaleça, Filístia inteira!
   Pois do Norte vem fumaça, e ninguém se afasta de suas fileiras”.
14:32 O que se responderá aos mensageiros da nação?
   Que o SENHOR fundou Sião, e nela os aflitos de seu povo buscarão refúgio.

Capítulo 15
15:1 Profecia contra Moabe.
   Numa só noite, Ar de Moabe foi devastada, reduzida ao silêncio;
   numa só noite, Quir de Moabe foi devastada, reduzida ao silêncio.
15:2 O povo sobe ao templo e a Dibom, aos lugares altos, para chorar.
   Moabe lamenta por Nebo e Medeba;
   todas as cabeças estão rapadas, e toda barba foi cortada.
15:3 Em suas ruas, vestem pano de saco;
   em seus terraços e em suas praças, todos lamentam, desfeitos em lágrimas.
15:4 Hesbom e Eleale gritam, e sua voz é ouvida até Jaza;
   por isso os guerreiros de Moabe clamam, e a alma de Moabe treme.
15:5 Meu coração clama por Moabe;
   seus fugitivos chegam até Zoar e Eglate-Selisia.
   Sobem chorando pela ladeira de Luíte;
   no caminho de Horonaim, levantam gritos de desespero.
15:6 Pois as águas de Ninrim ficarão desoladas;
   o capim secou, a relva desapareceu, e nada verde restou.
15:7 Por isso levarão para o outro lado do ribeiro dos Salgueiros as riquezas que acumularam e o que guardaram.
15:8 Pois o clamor percorreu as fronteiras de Moabe;
   seu lamento chega até Eglaim, seu lamento chega até Beer-Elim.
15:9 Pois as águas de Dimom estão cheias de sangue.
   “Acrescentarei ainda mais males a Dimom: um leão contra os fugitivos de Moabe e contra os que restarem da terra.”

Capítulo 16
16:1 Enviem um cordeiro ao governante da terra, desde Sela, pelo deserto, até o monte da filha de Sião.
16:2 Como aves que fogem, como uma ninhada dispersa, assim estarão as filhas de Moabe nos vaus do Arnom.
16:3 “Deem conselho, façam justiça;
   faça sua sombra como a noite em pleno meio-dia.
   Esconda os desterrados, não exponha o fugitivo.
16:4 Que meus desterrados vivam com você, Moabe;
   seja um abrigo para eles diante do devastador.
   Pois o opressor chegará ao fim, a devastação cessará, e os que pisoteiam desaparecerão da terra.”
16:5 Um trono será firmado no amor leal, e nele se sentará com fidelidade, na tenda de Davi, um juiz que busca o direito e se apressa em fazer justiça.
16:6 Ouvimos falar do orgulho de Moabe, de seu enorme orgulho, de sua arrogância, de sua soberba e de sua fúria;
   suas vanglórias são falsas.

16:7 Por isso Moabe lamentará por Moabe, todo ele lamentará.
   Vocês gemerão pelos bolos de passas de Quir-Haresete, completamente abatidos.
16:8 Pois os campos de Hesbom e a videira de Sibma murcharam;
   os senhores das nações golpearam suas videiras escolhidas, que chegavam até Jazer e se estendiam pelo deserto.
   Seus ramos se espalhavam e atravessavam o mar.
16:9 Por isso chorarei com o pranto de Jazer pela videira de Sibma.
   Regarei vocês com minhas lágrimas, Hesbom e Eleale, pois sobre seus frutos de verão e sua colheita caiu o grito de guerra.
16:10 A alegria e o júbilo foram retirados do campo fértil;
   nas vinhas ninguém canta nem grita de alegria, e quem pisa as uvas já não faz vinho nos lagares.
   “Eu fiz cessar os gritos de alegria.”
16:11 Por isso minhas entranhas vibram como uma lira por Moabe, e meu íntimo, por Quir-Heres.
16:12 Quando Moabe se apresentar e se cansar no lugar alto, e entrar em seu santuário para orar, nada conseguirá.
16:13 Esta é a palavra que o SENHOR falou anteriormente a respeito de Moabe.
16:14 Agora, porém, o SENHOR diz: “Dentro de três anos, como os conta um trabalhador contratado, a glória de Moabe será desprezada, com toda a sua grande multidão;
   o remanescente será muito pequeno e fraco”.

Capítulo 17
17:1 Profecia contra Damasco.
   “Vejam, Damasco deixará de ser cidade e se tornará um monte de ruínas.
17:2 As cidades de Aroer ficarão abandonadas;
   pertencerão aos rebanhos, que se deitarão ali sem que ninguém os espante.
17:3 A fortaleza desaparecerá de Efraim, e o reino, de Damasco;
   os que restarem de Arã serão como a glória dos filhos de Israel”, declara o SENHOR dos Exércitos.

17:4 “Naquele dia, a glória de Jacó diminuirá, e a gordura de seu corpo desaparecerá.
17:5 Será como quando o ceifeiro recolhe o cereal e seu braço corta as espigas, como quem recolhe as espigas que restam no vale de Refaim.
17:6 Restarão nele sobras da colheita, como quando se sacode uma oliveira: duas ou três azeitonas no ramo mais alto, quatro ou cinco em seus ramos frutíferos”, declara o SENHOR, Deus de Israel.

17:7 Naquele dia, o ser humano olhará para seu Criador, e seus olhos contemplarão o Santo de Israel.
17:8 Não olhará para os altares, obra de suas mãos, nem contemplará o que seus dedos fizeram: os postes de Aserá e os altares de incenso.
17:9 Naquele dia, suas cidades fortificadas serão como os lugares abandonados no bosque e nos altos, que foram deixados diante dos filhos de Israel;
   tudo ficará desolado.
17:10 Pois você se esqueceu do Deus de sua salvação e não se lembrou da Rocha de seu refúgio.
   Por isso você planta belas mudas e cultiva ramos estrangeiros.
17:11 No dia em que planta, você as faz crescer, e pela manhã faz sua semente florescer;
   mas a colheita desaparecerá num dia de doença e dor incurável.

17:12 Ai, o tumulto de muitos povos, que bramam como o bramido dos mares!
   O estrondo das nações, que rugem como o rugido de águas impetuosas!
17:13 As nações rugem como o rugido de muitas águas, mas ele as repreende, e elas fogem para longe, perseguidas como a palha dos montes diante do vento, como um cardo que rola diante do vendaval.
17:14 Ao anoitecer, há terror;
   antes de amanhecer, eles já não existem.
   Essa é a parte dos que nos despojam e o destino dos que nos saqueiam.

Capítulo 18
18:1 Ai da terra do zumbido de asas, que está além dos rios de Cuxe,
18:2 que envia embaixadores pelo mar, em embarcações de papiro sobre as águas!
   Vão, mensageiros velozes, a uma nação de gente alta e de pele lisa, a um povo temido de perto e de longe, uma nação poderosa e conquistadora, cuja terra os rios dividem.
18:3 Todos os habitantes do mundo e moradores da terra: quando se erguer um estandarte nos montes, vocês verão;
   quando se tocar a trombeta, vocês ouvirão.

18:4 Pois assim o SENHOR me disse: “Ficarei quieto e observarei de minha morada, como o calor do sol resplandecente, como uma nuvem de orvalho no calor da colheita”.
18:5 Pois, antes da colheita, quando a floração terminar e a flor se tornar uva que amadurece, ele cortará os brotos com podadeiras, retirará e cortará os ramos.
18:6 Serão deixados todos juntos para as aves de rapina dos montes e para os animais da terra;
   as aves de rapina passarão o verão sobre eles, e todos os animais da terra passarão ali o inverno.
18:7 Naquele tempo, será levado um presente ao SENHOR dos Exércitos da parte de um povo de gente alta e de pele lisa, de um povo temido de perto e de longe, uma nação poderosa e conquistadora, cuja terra os rios dividem, ao lugar do nome do SENHOR dos Exércitos, ao monte Sião.

Capítulo 19
19:1 Profecia contra o Egito.
   Vejam, o SENHOR cavalga sobre uma nuvem veloz e vem ao Egito;
   os ídolos do Egito tremerão diante dele, e o coração do Egito se derreterá em seu interior.
19:2 “Incitarei egípcios contra egípcios;
   cada um lutará contra seu irmão e contra seu próximo, cidade contra cidade, reino contra reino.
19:3 O espírito do Egito se esvaziará dentro dele, e anularei seus planos.
   Eles consultarão os ídolos, os encantadores, os médiuns e os adivinhos.
19:4 Entregarei o Egito nas mãos de um senhor cruel, e um rei feroz os governará”, declara o Senhor, o SENHOR dos Exércitos.
19:5 As águas do mar se esgotarão, e o rio ficará seco e ressequido.
19:6 Os canais cheirarão mal;
   as correntes do Egito diminuirão e secarão;
   as canas e os juncos murcharão.
19:7 As pastagens junto ao Nilo, às margens do Nilo, e tudo o que foi semeado junto ao Nilo secarão, serão levados pelo vento e deixarão de existir.
19:8 Os pescadores gemerão;
   todos os que lançam anzol no Nilo lamentarão, e os que estendem redes sobre as águas desfalecerão.
19:9 Os que trabalham o linho penteado e os que tecem pano branco ficarão envergonhados.
19:10 Seus pilares serão esmagados, e todos os assalariados terão a alma angustiada.
19:11 Os governantes de Zoã são verdadeiramente insensatos;
   o conselho dos sábios conselheiros do faraó se tornou tolice.
   Como vocês podem dizer ao faraó: “Sou filho de sábios, filho de reis antigos”?
19:12 Onde estão, então, seus sábios?
   Que digam agora a você e lhe façam saber o que o SENHOR dos Exércitos planejou contra o Egito.
19:13 Os governantes de Zoã se tornaram insensatos;
   os governantes de Mênfis foram enganados.
   Os que são a pedra angular de suas tribos fizeram o Egito se desviar.
19:14 O SENHOR misturou em seu interior um espírito de confusão;
   eles fizeram o Egito cambalear em tudo o que faz, como um bêbado que cambaleia em seu vômito.
19:15 Não haverá para o Egito trabalho que a cabeça ou a cauda, o ramo de palmeira ou o junco possam fazer.

19:16 Naquele dia, os egípcios serão como mulheres;
   tremerão e terão medo diante da mão que o SENHOR dos Exércitos agita contra eles.
19:17 A terra de Judá será um terror para o Egito;
   todo aquele a quem ela for mencionada terá medo, por causa do plano que o SENHOR dos Exércitos determinou contra ele.

19:18 Naquele dia, haverá cinco cidades na terra do Egito que falarão a língua de Canaã e farão juramento ao SENHOR dos Exércitos.
   Uma delas será chamada Cidade da Destruição.

19:19 Naquele dia, haverá um altar ao SENHOR no meio da terra do Egito e um monumento ao SENHOR junto à sua fronteira.
19:20 Será um sinal e um testemunho para o SENHOR dos Exércitos na terra do Egito, pois clamarão ao SENHOR por causa dos opressores, e ele lhes enviará um salvador e defensor que os livrará.
19:21 O SENHOR se dará a conhecer ao Egito, e os egípcios conhecerão o SENHOR naquele dia.
   Eles o adorarão com sacrifícios e ofertas, farão votos ao SENHOR e os cumprirão.
19:22 O SENHOR ferirá o Egito;
   ferirá e curará.
   Eles voltarão ao SENHOR, e ele atenderá suas súplicas e os curará.
19:23 Naquele dia, haverá uma estrada do Egito até a Assíria;
   os assírios irão ao Egito, e os egípcios, à Assíria;
   os egípcios adorarão junto com os assírios.

19:24 Naquele dia, Israel será o terceiro junto com o Egito e a Assíria, uma bênção no meio da terra,
19:25 pois o SENHOR dos Exércitos os abençoará, dizendo: “Bendito seja o Egito, meu povo, e a Assíria, obra de minhas mãos, e Israel, minha herança”.

Capítulo 20
20:1 No ano em que o comandante em chefe veio a Asdode, enviado por Sargão, rei da Assíria, ele lutou contra Asdode e a conquistou.
20:2 Naquele tempo, o SENHOR falou por meio de Isaías, filho de Amoz: “Vá, tire o pano de saco de sua cintura e tire as sandálias de seus pés”. Ele fez isso e andou nu e descalço.
20:3 O SENHOR disse: “Assim como meu servo Isaías andou nu e descalço durante três anos, como sinal e presságio contra o Egito e contra Cuxe,
20:4 assim o rei da Assíria levará os prisioneiros do Egito e os desterrados de Cuxe, jovens e velhos, nus e descalços, com as nádegas descobertas, para vergonha do Egito.
20:5 Eles ficarão aterrorizados e envergonhados por causa de Cuxe, sua esperança, e do Egito, seu orgulho.
20:6 Naquele dia, os habitantes desta costa dirão: ‘Vejam o que aconteceu à nossa esperança, àqueles a quem recorremos em busca de ajuda para nos livrarmos do rei da Assíria! Como escaparemos nós?’”.

Capítulo 21
21:1 Profecia contra o deserto do mar.
   Como os vendavais que atravessam o Neguebe, ele vem do deserto, de uma terra temível.
21:2 Uma visão dura me foi anunciada: o traidor trai, e o saqueador saqueia.
   “Avance, Elão!
   Cerque, Média!
   Fiz cessar todos os gemidos que ela causou.”
21:3 Por isso meus lombos se encheram de angústia;
   dores se apoderaram de mim, como as dores de uma mulher em trabalho de parto.
   Eu me contorço com o que ouço e fico aterrorizado com o que vejo.
21:4 Meu coração se agita, o pavor me domina;
   o anoitecer que eu desejava se tornou um terror para mim.
21:5 Preparam a mesa, estendem os tapetes, comem e bebem.
   “Levantem-se, governantes, untem os escudos!”

21:6 Pois assim o Senhor me disse: “Vá, ponha um vigia que anuncie o que vir.
21:7 Quando ele vir cavaleiros de dois em dois, gente montada em jumentos e gente montada em camelos, que preste atenção, muita atenção”.
21:8 Ele clamou como um leão: “Senhor, permaneço na torre de vigia continuamente durante o dia e fico em meu posto de guarda todas as noites.
21:9 Eis que vêm homens montados, cavaleiros de dois em dois!”
   Então respondeu: “Caiu, caiu Babilônia!
   Todas as imagens de seus deuses foram quebradas contra o chão”.
21:10 Meu povo debulhado, grão de minha eira!
   O que ouvi do SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel, eu anunciei a vocês.

21:11 Profecia contra Dumá.
   Alguém me chama de Seir: “Guarda, quanto resta da noite?
   Guarda, quanto resta da noite?”
21:12 O guarda respondeu: “Vem a manhã, e também a noite.
   Se querem perguntar, perguntem;
   voltem, venham”.

21:13 Profecia contra a Arábia.
   Nos matagais da Arábia vocês passarão a noite, caravanas de dedanitas.
21:14 Levem água ao encontro do sedento, moradores da terra de Tema;
   saiam com pão para receber o fugitivo.
21:15 Pois eles fugiram das espadas, da espada desembainhada, do arco retesado e do peso da guerra.

21:16 Pois assim o Senhor me disse: “Dentro de um ano, como o conta um trabalhador contratado, toda a glória de Quedar chegará ao fim,
21:17 e serão poucos os arqueiros restantes, os valentes dos filhos de Quedar;
   pois o SENHOR, Deus de Israel, falou”.

Capítulo 22
22:1 Profecia contra o vale da visão.
   O que há com você agora, para que todos os seus habitantes tenham subido aos terraços?
22:2 Você, cheia de alvoroço, cidade barulhenta, cidade alegre!
   Seus mortos não foram mortos à espada nem morreram na guerra.
22:3 Todos os seus governantes fugiram juntos;
   foram capturados sem que se usasse o arco.
   Todos os seus que foram encontrados ficaram presos juntos, embora tivessem fugido para longe.
22:4 Por isso eu disse: “Desviem de mim o olhar;
   deixem-me chorar amargamente.
   Não insistam em me consolar pela devastação da filha de meu povo”.
22:5 Pois é um dia de tumulto, de pisoteio e de confusão da parte do Senhor, o SENHOR dos Exércitos, no vale da visão: muros são derrubados, e um clamor sobe ao monte.
22:6 Elão carrega a aljava, com carros de homens e cavaleiros, e Quir descobre o escudo.
22:7 Seus melhores vales se encheram de carros, e os cavaleiros tomaram posição junto à porta.
22:8 A proteção de Judá foi retirada, e naquele dia você olhou para as armas da Casa da Floresta.
22:9 Vocês viram que eram muitas as brechas da Cidade de Davi e reuniram as águas do reservatório inferior.
22:10 Contaram as casas de Jerusalém e derrubaram casas para reforçar a muralha.
22:11 Fizeram um depósito entre as duas muralhas para as águas do reservatório antigo, mas não olharam para quem o fez nem consideraram quem o formou há muito tempo.
22:12 Naquele dia, o Senhor, o SENHOR dos Exércitos, chamou ao choro e ao lamento, a rapar a cabeça e a vestir pano de saco.
22:13 Mas vejam: há júbilo e alegria, matança de bois e de ovelhas, comer carne e beber vinho: “Comamos e bebamos, pois amanhã morreremos!”
22:14 O SENHOR dos Exércitos revelou aos meus ouvidos: “Certamente esta culpa de vocês não será expiada até que morram”, diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos.

22:15 Assim diz o Senhor, o SENHOR dos Exércitos: “Vá procurar este administrador, Sebna, que está encarregado do palácio:
22:16 ‘O que você tem aqui, e a quem você tem aqui, para escavar aqui um túmulo para si, você que escava seu túmulo no alto e talha para si uma morada na rocha?
22:17 Veja, o SENHOR arremessará você com violência, homem forte;
   ele o agarrará firmemente,
22:18 o enrolará bem como uma bola e o lançará numa terra espaçosa.
   Ali você morrerá, e ali ficarão seus carros gloriosos, você, vergonha da casa de seu senhor’.
22:19 Expulsarei você de seu cargo, e ele o derrubará de seu posto.
22:20 Naquele dia, chamarei meu servo Eliaquim, filho de Hilquias.
22:21 Eu o vestirei com a túnica que você usa e o cingirei com sua faixa;
   porei nas mãos dele a autoridade que você tem.
   Ele será um pai para os moradores de Jerusalém e para a casa de Judá.
22:22 Porei sobre seu ombro a chave da casa de Davi;
   ele abrirá, e ninguém fechará;
   fechará, e ninguém abrirá.
22:23 Eu o fixarei como uma estaca em lugar firme, e ele será um trono de honra para a casa de seu pai.
22:24 Nele pendurarão toda a honra da casa de seu pai, os descendentes e os rebentos, todas as vasilhas pequenas, desde as tigelas até todo tipo de jarro”.
22:25 “Naquele dia”, declara o SENHOR dos Exércitos, “a estaca fixada em lugar firme cederá, será quebrada e cairá;
   a carga que está sobre ela será destruída, pois o SENHOR falou”.

Capítulo 23
23:1 Profecia contra Tiro.
   Lamentem, navios de Társis, pois ela foi devastada, sem casas e sem entrada!
   Da terra de Quitim lhes veio a notícia.
23:2 Calem-se, habitantes da costa;
   os comerciantes de Sidom, que atravessam o mar, abasteceram você.
23:3 Pelas muitas águas vinham os grãos de Sior, a colheita do Nilo, que eram sua renda;
   ela era o mercado das nações.
23:4 Envergonhe-se, Sidom, pois o mar, a fortaleza do mar, falou: “Não tive dores de parto nem dei à luz;
   não criei rapazes nem fiz crescer virgens”.
23:5 Quando a notícia chegar ao Egito, eles se contorcerão de angústia ao ouvir o que aconteceu a Tiro.
23:6 Atravessem para Társis;
   lamentem, habitantes da costa.
23:7 É essa a cidade alegre de vocês, cuja origem vem dos dias antigos?
   Seus próprios pés a levarão para viver longe.
23:8 Quem planejou isso contra Tiro, a distribuidora de coroas, cujos comerciantes eram príncipes e cujos negociantes eram os nobres da terra?
23:9 O SENHOR dos Exércitos o planejou, para profanar o orgulho de toda beleza e humilhar todos os nobres da terra.
23:10 Percorra sua terra como o Nilo, filha de Társis;
   já não há restrição.
23:11 Ele estendeu sua mão sobre o mar e fez os reinos tremerem;
   o SENHOR deu uma ordem contra Canaã, para destruir suas fortalezas.
23:12 Ele disse: “Você não voltará a se alegrar, virgem oprimida, filha de Sidom.
   Levante-se, atravesse para Quitim;
   nem ali você terá descanso”.
23:13 Olhem a terra dos caldeus: esse povo já não existe.
   A Assíria a destinou às feras do deserto;
   levantaram suas torres de cerco, desmantelaram seus palácios e a transformaram em ruínas.
23:14 Lamentem, navios de Társis, pois sua fortaleza foi devastada!
23:15 Naquele dia, Tiro será esquecida durante setenta anos, como os dias de um só rei. Ao fim dos setenta anos, acontecerá com Tiro o que diz a canção da prostituta:
23:16 “Pegue uma lira, percorra a cidade, prostituta esquecida;
   toque bem, multiplique suas canções, para que voltem a se lembrar de você.”
23:17 Ao fim dos setenta anos, o SENHOR visitará Tiro; ela voltará à sua paga de prostituta e se prostituirá com todos os reinos da terra sobre a face do mundo.
23:18 Mas seus ganhos comerciais e sua paga serão consagrados ao SENHOR. Não serão guardados nem acumulados, pois seus ganhos serão para os que habitam diante do SENHOR, para comerem até se saciarem e se vestirem com roupas finas.

Capítulo 24
24:1 Vejam, o SENHOR esvazia a terra e a devasta, transtorna sua superfície e dispersa seus moradores.
24:2 O mesmo acontecerá ao povo e ao sacerdote, ao escravo e ao seu senhor, à escrava e à sua senhora, ao comprador e ao vendedor, a quem empresta e a quem toma emprestado, ao credor e ao devedor.
24:3 A terra será completamente esvaziada e inteiramente saqueada, pois o SENHOR pronunciou esta palavra.
24:4 A terra está de luto e murcha;
   o mundo definha e murcha;
   definham os grandes do povo da terra.
24:5 A terra está contaminada por seus moradores, pois transgrediram as leis, violaram o estatuto e romperam a aliança eterna.
24:6 Por isso uma maldição devora a terra, e seus moradores carregam sua culpa;
   por isso os habitantes da terra são queimados, e restam muito poucos seres humanos.
24:7 O vinho novo está de luto, a videira definha, e todos os de coração alegre suspiram.
24:8 Cessou a alegria dos tamborins, acabou o alvoroço dos que se divertem, cessou a alegria da lira.
24:9 Já não bebem vinho com canções;
   a bebida forte se torna amarga para os que a bebem.
24:10 A cidade do caos está destruída;
   todas as casas estão fechadas, para que ninguém entre.
24:11 Há clamor pelo vinho nas ruas;
   toda alegria se escureceu, o júbilo foi desterrado da terra.
24:12 Na cidade resta desolação, e a porta foi golpeada até ficar em ruínas.
24:13 Pois assim será no meio da terra, entre os povos: como quando se sacode uma oliveira, como as uvas que restam quando termina a vindima.
24:14 Eles levantarão a voz e cantarão de alegria;
   desde o mar aclamarão a majestade do SENHOR.
24:15 Por isso, glorifiquem o SENHOR no Oriente, e nas ilhas do mar, o nome do SENHOR, Deus de Israel.

24:16 Dos confins da terra ouvimos canções: “Glória ao justo!”
   Mas eu digo: “Estou definhando, estou definhando!
   Ai de mim!
   Os traidores traíram;
   com traição os traidores traíram”.
24:17 Terror, cova e armadilha estão sobre você, habitante da terra.
24:18 Quem fugir do som do terror cairá na cova, e quem sair da cova será apanhado na armadilha;
   pois as comportas do alto se abriram, e os fundamentos da terra tremem.
24:19 A terra está completamente quebrada, a terra está inteiramente rachada, a terra é sacudida com violência.
24:20 A terra cambaleia como um bêbado e balança como uma cabana;
   sua rebelião pesa sobre ela, e ela cairá e não voltará a se levantar.

24:21 Naquele dia, o SENHOR castigará o exército do alto, nas alturas, e os reis da terra, sobre a terra.
24:22 Eles serão reunidos como prisioneiros numa cova e encerrados na prisão;
   depois de muitos dias, serão castigados.
24:23 A lua ficará constrangida, e o sol se envergonhará, pois o SENHOR dos Exércitos reinará no monte Sião e em Jerusalém, e diante de seus anciãos haverá glória.

Capítulo 25
25:1 SENHOR, tu és meu Deus;
   eu te exaltarei e louvarei teu nome, pois fizeste maravilhas, cumprindo planos antigos com plena fidelidade.
25:2 Pois transformaste a cidade num monte de escombros, a cidade fortificada em ruínas;
   o palácio dos estrangeiros deixou de ser cidade e nunca será reconstruído.
25:3 Por isso um povo poderoso te honrará, e a cidade de nações cruéis te temerá.
25:4 Pois foste fortaleza para o pobre, fortaleza para o necessitado em sua angústia, refúgio contra a tempestade e sombra contra o calor;
   pois o sopro dos tiranos é como uma tempestade contra o muro.
25:5 Como o calor em terra seca, tu abates o tumulto dos estrangeiros;
   como o calor que cede à sombra de uma nuvem, assim é silenciado o canto dos tiranos.

25:6 O SENHOR dos Exércitos preparará neste monte, para todos os povos, um banquete de manjares suculentos, um banquete de vinhos envelhecidos: manjares cheios de tutano, vinhos envelhecidos bem filtrados.
25:7 Neste monte, ele devorará a cobertura que envolve todos os povos, o véu estendido sobre todas as nações.
25:8 Devorará a morte para sempre;
   o Senhor, o SENHOR, enxugará as lágrimas de todos os rostos e retirará de toda a terra a desonra de seu povo, pois o SENHOR falou.

25:9 Naquele dia, se dirá: “Vejam, este é o nosso Deus!
   Esperamos por ele, e ele nos salvará.
   Este é o SENHOR, por quem esperamos;
   exultemos e nos alegremos em sua salvação”.
25:10 Pois a mão do SENHOR repousará neste monte, mas Moabe será pisoteado em seu lugar, como se pisa a palha na água da esterqueira.
25:11 Moabe estenderá ali as mãos, como o nadador as estende para nadar;
   mas seu orgulho será abatido, junto com a destreza de suas mãos.
25:12 Ele derrubará a fortaleza de suas altas muralhas, a abaterá e a lançará ao chão, até o pó.

Capítulo 26
26:1 Naquele dia, este cântico será entoado na terra de Judá: “Temos uma cidade forte;
   ele põe a salvação como muralhas e baluartes.
26:2 Abram as portas, para que entre a nação justa, que guarda a fidelidade.
26:3 Tu guardarás em paz, em paz, aquele de pensamento firme, pois ele confia em ti.
26:4 Confiem no SENHOR para sempre, pois Jah, o SENHOR, é Rocha eterna.
26:5 Pois ele abateu os que habitam no alto, a cidade elevada;
   ele a humilha, a humilha até o chão e a faz chegar ao pó.
26:6 O pé a pisoteará, os pés do aflito, os passos dos necessitados”.
26:7 A vereda do justo é reta;
   tu, que és reto, aplainas o caminho do justo.
26:8 Também na vereda de teus juízos te esperamos, SENHOR;
   teu nome e a lembrança de ti são o desejo de nossa alma.
26:9 Minha alma anseia por ti de noite;
   meu espírito, dentro de mim, te busca com afinco.
   Pois, quando teus juízos chegam à terra, os moradores do mundo aprendem justiça.
26:10 Ainda que se mostre favor ao perverso, ele não aprende justiça;
   na terra da retidão, pratica a injustiça e não contempla a majestade do SENHOR.

26:11 SENHOR, tua mão está levantada, mas eles não a veem.
   Que vejam teu zelo pelo povo e se envergonhem;
   que o fogo destinado a teus adversários os devore.

26:12 SENHOR, tu estabelecerás paz para nós, pois também realizaste por nós todas as nossas obras.
26:13 SENHOR, nosso Deus, outros senhores além de ti nos dominaram, mas só por ti nos lembramos de teu nome.
26:14 Os mortos não viverão;
   as sombras dos mortos não se levantarão.
   Pois tu os castigaste e destruíste, e apagaste toda lembrança deles.
26:15 Aumentaste a nação, SENHOR, aumentaste a nação;
   foste glorificado e alargaste todos os limites da terra.
26:16 SENHOR, na angústia eles te buscaram;
   derramaram uma oração sussurrada quando tua disciplina estava sobre eles.
26:17 Como a grávida que está prestes a dar à luz se contorce e grita em suas dores, assim estivemos diante de ti, SENHOR.
26:18 Concebemos, tivemos dores de parto, mas demos à luz como que vento.
   Não trouxemos libertação à terra, nem nasceram habitantes no mundo.
26:19 Teus mortos viverão;
   meu cadáver se levantará.
   Despertem e cantem de alegria, moradores do pó!
   Pois teu orvalho é orvalho de luz, e a terra dará à luz os mortos.

26:20 “Vá, meu povo, entre em seus quartos e feche suas portas atrás de você;
   esconda-se por um breve momento, até que passe a indignação.”
26:21 Pois vejam, o SENHOR sai de seu lugar para castigar a culpa dos habitantes da terra;
   a terra revelará seu sangue derramado e não ocultará mais os que nela foram mortos.

Capítulo 27
27:1 Naquele dia, o SENHOR castigará com sua espada dura, grande e forte o Leviatã, a serpente fugidia, o Leviatã, a serpente tortuosa, e matará o monstro que está no mar.

27:2 Naquele dia: “Uma vinha preciosa!
   Cantem sobre ela!
27:3 Eu, o SENHOR, a guardo;
   a cada momento a rego.
   Para que ninguém lhe faça mal, eu a guardo de noite e de dia.
27:4 Não há indignação em mim.
   Quem poria espinheiros e ervas daninhas contra mim em batalha?
   Eu avançaria contra eles e os queimaria juntos.
27:5 Ou que se apegue à minha proteção e faça paz comigo;
   que comigo faça paz”.
27:6 Nos dias que virão, Jacó criará raízes, Israel brotará e florescerá, e encherão de fruto a face do mundo.

27:7 Acaso ele o feriu como feriu quem o feria?
   Ou foi morto numa matança como a de seus mortos?
27:8 Com medida, contendeste com ela ao desterrá-la;
   ele a expulsou com seu vento forte, no dia do vento do Oriente.
27:9 Portanto, por esse meio será expiada a culpa de Jacó, e este será todo o fruto da remoção de seu pecado: quando ele deixar todas as pedras do altar como pedras de calcário despedaçadas, e não ficarem de pé os postes de Aserá nem os altares de incenso.
27:10 Pois a cidade fortificada está solitária, uma morada desamparada e abandonada como o deserto.
   Ali pastará um bezerro, ali se deitará e consumirá seus ramos.
27:11 Quando seus ramos secarem, serão quebrados;
   mulheres virão e lhes porão fogo.
   Pois é um povo sem discernimento;
   por isso seu Criador não terá compaixão dele, e quem o formou não lhe mostrará favor.

27:12 Naquele dia, o SENHOR fará a debulha desde a corrente do Rio até o ribeiro do Egito;
   e vocês, filhos de Israel, serão colhidos um a um.

27:13 Naquele dia, uma grande trombeta será tocada, e virão os que pereciam na terra da Assíria e os desterrados na terra do Egito;
   eles se prostrarão diante do SENHOR no monte santo, em Jerusalém.

Capítulo 28
28:1 Ai da coroa orgulhosa dos bêbados de Efraim, da flor murcha de sua gloriosa beleza, que está no alto do vale fértil dos vencidos pelo vinho!
28:2 Vejam, o Senhor tem alguém forte e poderoso;
   como uma tempestade de granizo, um vendaval destruidor, como uma torrente de águas impetuosas e transbordantes, ele a lançará ao chão com sua mão.
28:3 A coroa orgulhosa dos bêbados de Efraim será pisoteada.
28:4 A flor murcha de sua gloriosa beleza, que está no alto do vale fértil, será como um figo maduro antes do verão: quem o vê o engole assim que o tem na mão.

28:5 Naquele dia, o SENHOR dos Exércitos será uma coroa de beleza e um diadema de esplendor para o remanescente de seu povo;
28:6 será espírito de justiça para quem se assenta para julgar e força para os que repelem o ataque junto à porta.

28:7 Também estes cambaleiam por causa do vinho e se desviam por causa da bebida forte.
   O sacerdote e o profeta cambaleiam por causa da bebida forte, são devorados pelo vinho e se desviam por causa da bebida forte;
   erram na visão e tropeçam ao julgar.
28:8 Pois todas as mesas estão cheias de vômito e imundície;
   não há um lugar limpo.

28:9 “A quem ele ensinará conhecimento?
   A quem fará entender a mensagem?
   Aos recém-desmamados, aos recém-afastados dos seios?
28:10 Pois é preceito sobre preceito, preceito sobre preceito, linha sobre linha, linha sobre linha, um pouco ali, um pouco ali.”
28:11 Pois com lábios balbuciantes e em outra língua ele falará a este povo,
28:12 ao qual havia dito: “Este é o repouso;
   deem repouso ao cansado, e este é o descanso”.
   Mas eles não quiseram ouvir.
28:13 A palavra do SENHOR será para eles: “Preceito sobre preceito, preceito sobre preceito, linha sobre linha, linha sobre linha, um pouco ali, um pouco ali”, para que vão, tropecem para trás, sejam despedaçados, enlaçados e capturados.

28:14 Por isso ouçam a palavra do SENHOR, homens zombadores, que governam este povo em Jerusalém.
28:15 Pois vocês disseram: “Fizemos uma aliança com a morte e um acordo com o mundo dos mortos.
   Quando passar o açoite avassalador, ele não nos atingirá, pois fizemos da mentira nosso refúgio e nos escondemos na falsidade”.

28:16 Por isso assim diz o Senhor, o SENHOR: “Vejam, estou assentando em Sião uma pedra, uma pedra provada, pedra angular preciosa, fundamento firme.
   Quem crê não se apressará.
28:17 Farei da justiça o cordel e da retidão o prumo;
   o granizo varrerá o refúgio da mentira, e as águas inundarão o esconderijo.
28:18 A aliança de vocês com a morte será anulada, e seu acordo com o mundo dos mortos não se firmará;
   quando o açoite avassalador passar, vocês serão pisoteados por ele.
28:19 Toda vez que passar, ele os arrebatará, pois passará manhã após manhã, de dia e de noite;
   entender a mensagem trará somente terror”.
28:20 Pois a cama é curta demais para alguém se esticar, e o cobertor, estreito demais para alguém se envolver.
28:21 Pois o SENHOR se levantará como no monte Perazim, se agitará como no vale de Gibeão, para fazer sua obra, sua obra estranha, e realizar seu trabalho, seu trabalho incomum.
28:22 Agora, não zombem mais, para que suas amarras não se apertem ainda mais;
   pois ouvi da parte do Senhor, o SENHOR dos Exércitos, que uma destruição foi decretada para toda a terra.
28:23 Deem ouvidos e escutem minha voz;
   prestem atenção e ouçam minhas palavras.
28:24 Acaso quem ara para semear fica arando o tempo todo?
   Abre e gradeia sua terra continuamente?
28:25 Depois de nivelar sua superfície, não espalha o cominho-preto e semeia o cominho, põe o trigo em fileiras, a cevada no lugar marcado e a espelta nas bordas?
28:26 Seu Deus o instrui no que é correto e o ensina.
28:27 Pois o cominho-preto não é debulhado com um trenó de debulha, nem se faz passar a roda de uma carroça sobre o cominho;
   o cominho-preto é batido com um bastão, e o cominho, com uma vara.
28:28 O grão para o pão é moído, mas não é debulhado para sempre;
   embora faça passar sobre ele a roda de sua carroça e seus cavalos, ele não o pulveriza.
28:29 Também isso vem do SENHOR dos Exércitos, maravilhoso em conselho e grande em sabedoria eficaz.

Capítulo 29
29:1 “Ai de Ariel, Ariel, cidade onde Davi acampou!
   Acrescentem ano após ano;
   que as festas sigam seu ciclo.
29:2 Mas eu porei Ariel em angústia;
   haverá lamento e pranto, e ela será para mim como Ariel.
29:3 Acamparei em círculo contra você, eu a cercarei com postos de cerco e levantarei baluartes contra você.
29:4 Você será abatida e falará do chão;
   do pó suas palavras sairão fracas.
   Sua voz será como a de um espírito que vem da terra, e suas palavras sussurrarão do pó.”
29:5 Mas a multidão de seus invasores será como pó fino, e a multidão dos tiranos, como palha que o vento leva.
   Isso acontecerá num instante, de repente.
29:6 Você será visitada pelo SENHOR dos Exércitos com trovões, terremoto e grande estrondo, com vendaval, tempestade e chama de fogo devorador.
29:7 Como um sonho, uma visão noturna, será a multidão de todas as nações que combatem contra Ariel, todos os que combatem contra ela e sua fortaleza, e os que a afligem.
29:8 Como o faminto sonha que está comendo, mas acorda com o estômago vazio, ou o sedento sonha que está bebendo, mas acorda enfraquecido e ainda com sede, assim será a multidão de todas as nações que combatem contra o monte Sião.

29:9 Parem e fiquem espantados!
   Ceguem-se e permaneçam cegos!
   Estão bêbados, mas não de vinho;
   cambaleiam, mas não por bebida forte.
29:10 Pois o SENHOR derramou sobre vocês um espírito de sono profundo;
   fechou seus olhos, os profetas, e cobriu suas cabeças, os videntes.
29:11 Toda a visão será para vocês como as palavras de um rolo selado que se entrega a quem sabe ler, dizendo: “Leia isto, por favor”.
   Ele responde: “Não posso, pois está selado”.
29:12 Se o rolo é entregue a quem não sabe ler, dizendo: “Leia isto, por favor”, ele responde: “Não sei ler”.

29:13 O Senhor disse: “Visto que este povo se aproxima de mim com a boca e me honra com os lábios, mas seu coração está longe de mim, e seu temor por mim é um mandamento humano que lhes foi ensinado,
29:14 por isso voltarei a fazer maravilhas com este povo, maravilha após maravilha;
   a sabedoria de seus sábios perecerá, e o entendimento de seus entendidos se ocultará”.

29:15 Ai dos que se escondem nas profundezas para ocultar seus planos do SENHOR, que fazem suas obras nas trevas e dizem: “Quem nos vê?
   Quem nos conhece?”
29:16 Vocês inverteram tudo!
   Acaso o oleiro será considerado como barro?
   Pode a obra dizer de quem a fez: “Ele não me fez”, ou aquilo que foi formado dizer de quem o formou: “Ele não tem entendimento”?
29:17 Não falta muito para que o Líbano se transforme em campo fértil, e o campo fértil seja considerado um bosque?
29:18 Naquele dia, os surdos ouvirão as palavras de um rolo, e os olhos dos cegos verão em meio às trevas e à escuridão.
29:19 Os humildes aumentarão sua alegria no SENHOR, e os necessitados da humanidade se alegrarão no Santo de Israel.
29:20 Pois o tirano chegará ao fim, o zombador desaparecerá, e serão exterminados todos os que se dedicam a fazer o mal:
29:21 os que fazem alguém culpado por uma palavra, armam laços a quem repreende na porta e, com alegações vazias, privam o justo de seu direito.

29:22 Por isso assim diz o SENHOR, que resgatou Abraão, a respeito da casa de Jacó: “Agora Jacó não será envergonhado, nem seu rosto ficará pálido.
29:23 Pois, quando ele vir seus filhos, obra de minhas mãos, em seu meio, eles santificarão meu nome;
   santificarão o Santo de Jacó e terão temor reverente ao Deus de Israel.
29:24 Os desviados de espírito adquirirão entendimento, e os murmuradores aprenderão o ensinamento”.

Capítulo 30
30:1 “Ai dos filhos rebeldes”, declara o SENHOR, “que executam planos que não vêm de mim e firmam alianças que não são segundo meu Espírito, acrescentando pecado a pecado!
30:2 Eles descem ao Egito sem me consultar, para buscar proteção no amparo do faraó e se refugiar à sombra do Egito.
30:3 Mas o amparo do faraó será vergonha para vocês, e o refúgio à sombra do Egito será sua humilhação.
30:4 Pois seus governantes estão em Zoã, e seus mensageiros chegam a Hanes.
30:5 Todos ficarão envergonhados por causa de um povo que não lhes traz proveito, que não lhes dá ajuda nem benefício, mas vergonha e desonra.”

30:6 Profecia sobre os animais do Neguebe.
   Por uma terra de aflição e angústia, de onde saem a leoa e o leão, a víbora e a serpente ardente que voa, levam suas riquezas nos lombos de jumentinhos e seus tesouros nas corcovas de camelos, a um povo que não lhes trará proveito.
30:7 A ajuda do Egito é vã e vazia;
   por isso o chamei: “Raabe, que fica inerte”.
30:8 “Agora vá, escreva isto numa tábua diante deles e registre num rolo, para que permaneça para o dia que virá, para sempre, por toda a eternidade.
30:9 Pois são um povo rebelde, filhos mentirosos, filhos que não querem ouvir a instrução do SENHOR.
30:10 Eles dizem aos videntes: ‘Não vejam’, e aos que recebem visões: ‘Não nos anunciem o que é reto;
   falem-nos de coisas agradáveis, anunciem ilusões.
30:11 Afastem-se do caminho, desviem-se da vereda;
   tirem de nossa presença o Santo de Israel’.”

30:12 Por isso assim diz o Santo de Israel: “Visto que rejeitaram esta palavra e confiaram na opressão e na perversidade, apoiando-se nelas,
30:13 esta culpa será para vocês como uma rachadura que ameaça desabar, um abaulamento numa muralha alta, cuja queda vem de repente, num instante.
30:14 Ele a quebrará como uma vasilha de oleiro esmigalhada sem piedade;
   entre seus cacos não se achará um que sirva para tirar brasas da fogueira ou água de uma poça”.

30:15 Pois assim diz o Senhor, o SENHOR, o Santo de Israel: “No arrependimento e no repouso vocês serão salvos;
   na quietude e na confiança estará sua força.
   Mas vocês não quiseram,
30:16 e disseram: ‘Não!
   Fugiremos a cavalo’.
   Por isso vocês fugirão.
   ‘Cavalgaremos em cavalos velozes’.
   Por isso seus perseguidores serão velozes.
30:17 Mil fugirão diante da ameaça de um só;
   diante da ameaça de cinco vocês fugirão, até restarem como um mastro no cume do monte, como um estandarte na colina”.
30:18 Por isso o SENHOR espera para mostrar graça a vocês, e por isso se levantará para ter compaixão de vocês;
   pois o SENHOR é um Deus de justiça.
   Felizes todos os que esperam nele!

30:19 Pois o povo habitará em Sião, em Jerusalém.
   Você não chorará mais;
   ele certamente lhe mostrará graça ao ouvir seu clamor.
   Assim que o ouvir, lhe responderá.
30:20 Ainda que o Senhor dê a vocês pão de adversidade e água de opressão, seus mestres já não se esconderão;
   seus olhos verão seus mestres.
30:21 Seus ouvidos ouvirão atrás de você uma palavra dizendo: “Este é o caminho, andem por ele”, quando se voltarem para a direita ou para a esquerda.
30:22 Vocês profanarão o revestimento de prata de suas imagens esculpidas e a cobertura de ouro de suas imagens fundidas.
   Você as lançará fora como um trapo imundo e lhes dirá: “Fora!”
30:23 Ele dará chuva para a semente que você semear na terra, e o pão, produto da terra, será rico e farto.
   Naquele dia, seu gado pastará em pastagens espaçosas.
30:24 Os bois e os jumentos que trabalham a terra comerão forragem temperada, limpa ao vento com pá e forquilha.
30:25 Em todo monte alto e em toda colina elevada haverá ribeiros, correntes de água, no dia da grande matança, quando caírem as torres.
30:26 A luz da lua será como a luz do sol, e a luz do sol será sete vezes maior, como a luz de sete dias, no dia em que o SENHOR enfaixar a fratura de seu povo e curar a ferida causada pelo golpe.

30:27 Vejam, o nome do SENHOR vem de longe, com sua ira ardente e fumaça espessa;
   seus lábios estão cheios de indignação, e sua língua é como fogo devorador.
30:28 Seu sopro é como uma torrente transbordante que chega até o pescoço, para peneirar as nações numa peneira de destruição;
   sobre as mandíbulas dos povos há um freio que os faz se desviar.
30:29 Vocês terão um cântico como na noite em que se celebra uma festa santa, e alegria de coração como quem caminha ao som da flauta para ir ao monte do SENHOR, à Rocha de Israel.
30:30 O SENHOR fará ouvir a majestade de sua voz e mostrará o golpe de seu braço, com ira feroz e chama de fogo devorador, com estrondo, aguaceiro e pedras de granizo.
30:31 Pois, diante da voz do SENHOR, a Assíria ficará aterrorizada;
   ele a ferirá com a vara.
30:32 Cada golpe da vara preparada que o SENHOR descarregar sobre ela será ao som de tamborins e liras;
   em batalhas, ele lutará contra ela, desferindo golpes.
30:33 Pois Tofete está preparado há muito tempo;
   também foi disposto para o rei.
   Foi feito profundo e largo;
   sua fogueira tem fogo e muita lenha.
   O sopro do SENHOR, como uma torrente de enxofre, a acende.

Capítulo 31
31:1 Ai dos que descem ao Egito em busca de ajuda, se apoiam em cavalos e confiam nos carros de guerra porque são muitos, e nos cavaleiros porque são muito fortes, mas não olham para o Santo de Israel nem buscam o SENHOR!
31:2 Mas ele também é sábio;
   trará calamidade e não retirará suas palavras.
   Ele se levantará contra a casa dos malfeitores e contra a ajuda dos que praticam a maldade.
31:3 Os egípcios são seres humanos, e não Deus;
   seus cavalos são carne, e não espírito.
   Quando o SENHOR estender a mão, quem ajuda tropeçará, e quem é ajudado cairá;
   todos perecerão juntos.

31:4 Pois assim o SENHOR me disse: “Como o leão e o leão novo rosnam sobre sua presa, e, embora uma multidão de pastores seja convocada contra ele, ele não teme suas vozes nem se abate com seu alvoroço, assim o SENHOR dos Exércitos descerá para combater no monte Sião e em sua colina.
31:5 Como aves que voam, assim o SENHOR dos Exércitos protegerá Jerusalém;
   ele a protegerá e a livrará, passará por cima dela e a resgatará”.
31:6 Voltem para aquele contra quem os filhos de Israel se rebelaram tão profundamente.
31:7 Pois, naquele dia, cada um rejeitará seus ídolos de prata e seus ídolos de ouro, que suas mãos fizeram para vocês em pecado.
31:8 “A Assíria cairá por uma espada que não é de homem, e uma espada que não é humana a devorará.
   Ela fugirá diante da espada, e seus jovens serão submetidos a trabalhos forçados.
31:9 Sua fortaleza desaparecerá de terror, e seus governantes se apavorarão diante do estandarte”, declara o SENHOR, cujo fogo está em Sião e cuja fornalha está em Jerusalém.

Capítulo 32
32:1 Vejam, um rei reinará com justiça, e os príncipes governarão com direito.
32:2 Cada um será como um refúgio contra o vento e um abrigo contra a tempestade, como correntes de água em terra seca, como a sombra de uma grande rocha em terra ressequida.
32:3 Os olhos dos que veem não se fecharão, e os ouvidos dos que ouvem escutarão com atenção.
32:4 O coração dos precipitados saberá discernir, e a língua dos que gaguejam estará pronta para falar com clareza.
32:5 Já não se chamará nobre ao insensato, nem se dirá generoso ao mesquinho.
32:6 Pois o insensato fala insensatez, e seu coração trama maldade, para praticar a impiedade e falar falsidades a respeito do SENHOR, para deixar o faminto sem comida e privar o sedento de bebida.
32:7 Os meios do mesquinho são maus;
   ele trama intrigas para arruinar os humildes com palavras mentirosas, mesmo quando o necessitado apresenta uma causa justa.
32:8 Mas o nobre faz planos nobres e se mantém firme no que é nobre.

32:9 Mulheres despreocupadas, levantem-se e ouçam minha voz;
   filhas confiantes, deem ouvidos às minhas palavras.
32:10 Daqui a um ano e alguns dias, vocês que estão confiantes tremerão, pois faltará a vindima, e a colheita não virá.
32:11 Tremam, despreocupadas;
   estremeçam, confiantes!
   Tirem a roupa, fiquem nuas e cinjam a cintura com pano de saco.
32:12 Baterão no peito em luto pelos campos agradáveis, pela videira frutífera.
32:13 Na terra de meu povo crescerão espinhos e espinheiros, também sobre todas as casas de alegria da cidade alegre.
32:14 Pois o palácio será abandonado, e a cidade barulhenta ficará deserta;
   o Ofel e a torre de vigia se tornarão cavernas para sempre, alegria de jumentos selvagens, pastagem de rebanhos,
32:15 até que o Espírito seja derramado sobre nós do alto, e o deserto se torne campo fértil, e o campo fértil seja considerado um bosque.
32:16 O direito habitará no deserto, e a justiça morará no campo fértil.
32:17 A obra da justiça será paz, e o resultado da justiça, quietude e segurança para sempre.
32:18 Meu povo habitará numa morada de paz, em habitações seguras e em lugares de descanso tranquilos.
32:19 Cairá granizo quando cair a floresta, e a cidade será completamente abatida.
32:20 Felizes vocês que semeiam junto a todas as águas e deixam soltos o boi e o jumento!

Capítulo 33
33:1 Ai de você, saqueador que não foi saqueado, traidor a quem não traíram!
   Quando acabar de saquear, você será saqueado;
   quando terminar de trair, trairão você.

33:2 SENHOR, tem compaixão de nós;
   em ti esperamos.
   Sê o braço deles a cada manhã e também nossa salvação no tempo da angústia.
33:3 Ao estrondo do tumulto, os povos fogem;
   quando te levantas, as nações se dispersam.
33:4 Os despojos de vocês serão recolhidos como a lagarta recolhe alimento;
   irão se lançar sobre eles como se lançam os gafanhotos.
33:5 O SENHOR é exaltado, pois habita nas alturas;
   encheu Sião de direito e justiça.
33:6 Ele será a estabilidade de seus tempos, abundância de salvação, sabedoria e conhecimento;
   o temor do SENHOR é seu tesouro.

33:7 Vejam, seus valentes gritam do lado de fora;
   os mensageiros de paz choram amargamente.
33:8 As estradas estão desoladas;
   o viajante já não passa.
   Ele quebrou a aliança, desprezou as cidades e não tem consideração pelo ser humano.
33:9 A terra está de luto e definha;
   o Líbano está envergonhado e murcha.
   Sarom se tornou como o deserto, e Basã e Carmelo perdem sua folhagem.
33:10 “Agora me levantarei”, diz o SENHOR;
   “agora serei exaltado, agora serei elevado.
33:11 Vocês conceberão capim seco e darão à luz restolho;
   seu próprio sopro será um fogo que os devorará.
33:12 Os povos serão calcinados como a cal;
   como espinhos cortados, arderão no fogo.

33:13 Ouçam, vocês que estão longe, o que fiz;
   reconheçam, vocês que estão perto, meu poder”.
33:14 Os pecadores em Sião têm medo;
   o tremor se apodera dos ímpios: “Quem de nós habitará com o fogo devorador?
   Quem de nós habitará com as chamas eternas?”
33:15 Quem anda em justiça e fala com retidão, rejeita o ganho da extorsão, sacode as mãos para não aceitar suborno, tapa os ouvidos para não ouvir falar de derramamento de sangue e fecha os olhos para não ver o mal,
33:16 esse habitará nas alturas;
   as fortalezas das rochas serão seu refúgio.
   Seu pão lhe será dado, e sua água será garantida.
33:17 Seus olhos verão o rei em sua beleza;
   contemplarão uma terra que se estende para longe.
33:18 Seu coração meditará no terror: “Onde está quem contava?
   Onde está quem pesava?
   Onde está quem contava as torres?”
33:19 Você não verá mais aquele povo feroz, povo de fala difícil de entender, de língua balbuciante que não se compreende.
33:20 Olhe para Sião, cidade de nossas festas solenes.
   Seus olhos verão Jerusalém, morada tranquila, tenda que não será desmontada: suas estacas nunca serão arrancadas, e nenhuma de suas cordas se romperá.
33:21 Pois ali o SENHOR será majestoso para nós, um lugar de rios e canais largos.
   Por ele não navegará embarcação a remos, nem passará um navio poderoso.
33:22 Pois o SENHOR é nosso juiz, o SENHOR é nosso legislador, o SENHOR é nosso rei;
   ele nos salvará.
33:23 Suas cordas se afrouxaram;
   não mantêm firme a base de seu mastro nem estenderam a vela.
   Então serão repartidos despojos abundantes;
   até os que mancam saquearão os despojos.
33:24 Nenhum morador dirá: “Estou doente”.
   O povo que habita nela terá sua culpa perdoada.

Capítulo 34
34:1 Aproximem-se, nações, para ouvir;
   prestem atenção, povos.
   Ouça a terra e tudo o que a enche, o mundo e tudo o que dele brota.
34:2 Pois o SENHOR está indignado contra todas as nações, e seu furor está contra todos os seus exércitos;
   ele as destinou à destruição e as entregou à matança.
34:3 Seus mortos serão lançados fora, e de seus cadáveres subirá o mau cheiro;
   os montes se derreterão com seu sangue.
34:4 Todo o exército dos céus se dissolverá;
   os céus se enrolarão como um rolo, e todo o seu exército cairá como a folha que cai da videira e como o figo murcho que cai da figueira.
34:5 “Pois minha espada se embriagou nos céus;
   vejam, ela descerá sobre Edom e sobre o povo que destinei à destruição, para julgá-lo.”
34:6 A espada do SENHOR está cheia de sangue e coberta de gordura: sangue de cordeiros e de bodes, gordura dos rins de carneiros.
   Pois o SENHOR tem um sacrifício em Bozra e uma grande matança na terra de Edom.
34:7 Com eles cairão os bois selvagens, os novilhos junto com os touros.
   A terra deles se embriagará de sangue, e seu pó ficará coberto de gordura.
34:8 Pois é o dia da vingança do SENHOR, o ano da retribuição pela causa de Sião.
34:9 Seus ribeiros se transformarão em piche, e seu pó, em enxofre;
   sua terra se tornará piche ardente.
34:10 Não se apagará nem de noite nem de dia;
   sua fumaça subirá para sempre.
   De geração em geração ficará desolada;
   nunca mais ninguém passará por ela.
34:11 O pelicano e o ouriço tomarão posse dela;
   o bufo e o corvo habitarão ali.
   Ele estenderá sobre ela o cordel do caos e os prumos do vazio.
34:12 Não haverá ali nobres a quem proclamar rei;
   todos os seus príncipes serão reduzidos a nada.
34:13 Em seus palácios crescerão espinhos;
   em suas fortalezas, urtigas e cardos.
   Ela será morada de chacais e abrigo de avestruzes.
34:14 As feras do deserto se encontrarão com as hienas, e o bode peludo chamará seu companheiro.
   Também ali a criatura noturna repousará e encontrará para si um lugar de descanso.
34:15 Ali a coruja fará seu ninho, porá ovos, os chocará e abrigará seus filhotes à sua sombra.
   Também ali se reunirão os abutres, cada qual com seu par.
34:16 Busquem no livro do SENHOR e leiam: nenhuma delas faltará, nenhuma ficará sem seu par.
   Pois minha boca o ordenou, e seu Espírito as reuniu.
34:17 Ele lhes lançou sortes, e sua mão lhes repartiu a terra com o cordel.
   Elas a possuirão para sempre;
   de geração em geração habitarão nela.

Capítulo 35
35:1 O deserto e a terra seca se alegrarão;
   o ermo exultará e florescerá como a flor de açafrão.
35:2 Florescerá abundantemente e exultará com alegria e cânticos.
   A ele será dada a glória do Líbano, o esplendor do Carmelo e de Sarom.
   Eles verão a glória do SENHOR, o esplendor de nosso Deus.

35:3 Fortaleçam as mãos fracas e firmem os joelhos vacilantes.
35:4 Digam aos de coração angustiado: “Sejam fortes, não tenham medo.
   Vejam, seu Deus virá com vingança, com a retribuição de Deus;
   ele virá e salvará vocês”.
35:5 Então se abrirão os olhos dos cegos, e se destaparão os ouvidos dos surdos.
35:6 Então quem manca saltará como um cervo, e a língua do mudo cantará de alegria.
   Pois águas brotarão no deserto, e ribeiros, no ermo.
35:7 O solo abrasado se transformará em lago, e a terra sedenta, em fontes de água.
   Na guarida dos chacais, seu lugar de descanso, a relva dará lugar a canas e papiros.
35:8 Ali haverá uma estrada, um caminho, que será chamado Caminho de Santidade.
   Nenhum impuro passará por ele;
   será para eles.
   Quem andar por esse caminho, mesmo que seja insensato, não se perderá.
35:9 Ali não haverá leão, nem animal feroz subirá por ele;
   nenhum será encontrado ali.
   Por ele andarão os redimidos.
35:10 Os resgatados do SENHOR voltarão e entrarão em Sião com cânticos de júbilo;
   haverá alegria eterna sobre suas cabeças.
   Alcançarão júbilo e alegria, e a tristeza e o gemido fugirão.

Capítulo 36
36:1 No décimo quarto ano do reinado de Ezequias, Senaqueribe, rei da Assíria, subiu contra todas as cidades fortificadas de Judá e as conquistou.
36:2 O rei da Assíria enviou o Rabsaqué com um grande exército, de Laquis a Jerusalém, ao rei Ezequias. Ele parou junto ao canal do reservatório superior, no caminho do campo do lavandeiro.
36:3 Saíram ao encontro dele Eliaquim, filho de Hilquias, administrador do palácio; Sebna, o escriba; e Joá, filho de Asafe, o cronista.
36:4 O Rabsaqué lhes disse: “Digam, por favor, a Ezequias: Assim diz o grande rei, o rei da Assíria: Em que confiança você se apoia?
36:5 Eu digo: sua estratégia e sua força para a guerra são apenas palavras. Em quem você confia agora, para ter se rebelado contra mim?
36:6 Veja, você confia no apoio desta cana quebrada, no Egito; se alguém se apoiar nela, ela entrará em sua mão e a perfurará. Assim é o faraó, rei do Egito, para todos os que confiam nele.
36:7 E, se você me disser: ‘Confiamos no SENHOR, nosso Deus’, não é ele aquele cujos lugares altos e altares Ezequias retirou, dizendo a Judá e a Jerusalém: ‘Diante deste altar vocês se prostrarão’?
36:8 Agora, por favor, faça uma aposta com meu senhor, o rei da Assíria: eu lhe darei dois mil cavalos, se você conseguir cavaleiros para montá-los.
36:9 Como você poderá fazer recuar um só governador entre os servos de menor posição de meu senhor? E ainda confia no Egito por causa de carros de guerra e cavaleiros!
36:10 Será que subi contra esta terra para destruí-la sem o SENHOR? O SENHOR me disse: ‘Suba contra esta terra e destrua-a’.”
36:11 Eliaquim, Sebna e Joá disseram ao Rabsaqué: “Por favor, fale a seus servos em arameu, pois nós entendemos; não nos fale na língua de Judá, aos ouvidos do povo que está sobre a muralha”.
36:12 O Rabsaqué respondeu: “Meu senhor me enviou para dizer estas palavras somente ao seu senhor e a você? Não foi aos homens sentados sobre a muralha, que terão de comer os próprios excrementos e beber a própria urina junto com vocês?”
36:13 Então o Rabsaqué se pôs de pé e gritou em alta voz, na língua de Judá: “Ouçam as palavras do grande rei, o rei da Assíria!
36:14 Assim diz o rei: Não deixem que Ezequias os engane, pois ele não poderá livrar vocês.
36:15 Não deixem que Ezequias os faça confiar no SENHOR, dizendo: ‘O SENHOR certamente nos livrará; esta cidade não será entregue nas mãos do rei da Assíria’.
36:16 Não ouçam Ezequias, pois assim diz o rei da Assíria: Façam as pazes comigo e saiam ao meu encontro. Que cada um coma de sua videira e de sua figueira e beba a água de sua cisterna,
36:17 até que eu venha e leve vocês para uma terra como a de vocês, terra de cereais e vinho novo, terra de pão e vinhas.
36:18 Não deixem que Ezequias os iluda, dizendo: ‘O SENHOR nos livrará’. Acaso algum dos deuses das nações livrou sua terra das mãos do rei da Assíria?
36:19 Onde estão os deuses de Hamate e de Arpade? Onde estão os deuses de Sefarvaim? Acaso livraram Samaria de minha mão?
36:20 Quem, entre todos os deuses destas terras, livrou sua terra de minha mão, para que o SENHOR livre Jerusalém de minha mão?”
36:21 Eles, porém, ficaram em silêncio e não lhe responderam uma palavra, pois o rei havia ordenado: “Não lhe respondam”.
36:22 Então Eliaquim, filho de Hilquias, administrador do palácio; Sebna, o escriba; e Joá, filho de Asafe, o cronista, foram a Ezequias com as roupas rasgadas e lhe contaram as palavras do Rabsaqué.

Capítulo 37
37:1 Quando o rei Ezequias ouviu isso, rasgou suas roupas, cobriu-se de pano de saco e entrou na casa do SENHOR.
37:2 Enviou Eliaquim, administrador do palácio, Sebna, o escriba, e os anciãos dos sacerdotes, cobertos de pano de saco, ao profeta Isaías, filho de Amoz.
37:3 Eles lhe disseram: “Assim diz Ezequias: Este dia é dia de angústia, de repreensão e de afronta; os filhos chegaram à hora de nascer, mas não há força para dar à luz.
37:4 Talvez o SENHOR, seu Deus, ouça as palavras do Rabsaqué, a quem seu senhor, o rei da Assíria, enviou para insultar o Deus vivo, e o repreenda pelas palavras que o SENHOR, seu Deus, ouviu. Eleve, pois, uma oração pelo remanescente que ainda resta”.
37:5 Os servos do rei Ezequias chegaram a Isaías,
37:6 e Isaías lhes disse: “Assim dirão a seu senhor: Assim diz o SENHOR: Não tenha medo das palavras que você ouviu, com as quais os servidores do rei da Assíria blasfemaram contra mim.
37:7 Eis que porei nele um espírito; ele ouvirá um rumor e voltará para sua terra. Eu o farei cair à espada em sua terra”.
37:8 O Rabsaqué voltou e encontrou o rei da Assíria lutando contra Libna, pois havia ouvido que ele tinha partido de Laquis.
37:9 O rei ouviu dizer a respeito de Tiraca, rei de Cuxe: “Ele saiu para lutar contra você”. Ao ouvir isso, enviou mensageiros a Ezequias, dizendo:
37:10 “Assim dirão a Ezequias, rei de Judá: Não deixe que seu Deus, em quem você confia, o engane, dizendo: ‘Jerusalém não será entregue nas mãos do rei da Assíria’.
37:11 Veja, você ouviu o que os reis da Assíria fizeram a todas as terras, destruindo-as completamente. E você será livrado?
37:12 Acaso os deuses das nações que meus antepassados destruíram as livraram: Gozã, Harã, Rezefe e os filhos de Éden que estavam em Telassar?
37:13 Onde estão o rei de Hamate, o rei de Arpade e o rei da cidade de Sefarvaim, de Hena e de Iva?”
37:14 Ezequias recebeu as cartas das mãos dos mensageiros e as leu. Depois subiu à casa do SENHOR e as estendeu diante do SENHOR.
37:15 Ezequias orou ao SENHOR, dizendo:
37:16 “SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel, que estás entronizado sobre os querubins, só tu és Deus de todos os reinos da terra; tu fizeste os céus e a terra.
37:17 Inclina, SENHOR, teu ouvido e ouve; abre, SENHOR, teus olhos e vê. Ouve todas as palavras que Senaqueribe enviou para insultar o Deus vivo.
37:18 É verdade, SENHOR, que os reis da Assíria devastaram todos os países e suas terras,
37:19 e lançaram seus deuses no fogo, pois não eram deuses, mas obra de mãos humanas, madeira e pedra; por isso os destruíram.
37:20 Agora, SENHOR, nosso Deus, salva-nos de sua mão, para que todos os reinos da terra saibam que só tu és o SENHOR”.
37:21 Então Isaías, filho de Amoz, mandou dizer a Ezequias: “Assim diz o SENHOR, Deus de Israel: Quanto ao que você me pediu em oração a respeito de Senaqueribe, rei da Assíria,
37:22 esta é a palavra que o SENHOR falou contra ele:
 A virgem, filha de Sião, despreza você e zomba de você;
   a filha de Jerusalém balança a cabeça às suas costas.
37:23 A quem você insultou e contra quem blasfemou?
   Contra quem levantou a voz e ergueu os olhos com arrogância?
   Contra o Santo de Israel!
37:24 Por meio de seus servos você insultou o Senhor e disse: ‘Com meus numerosos carros, subi às alturas dos montes, aos recantos do Líbano;
   cortarei seus cedros mais altos e seus ciprestes escolhidos;
   chegarei ao seu cume mais distante, ao seu bosque frondoso.
37:25 Eu cavei e bebi água, e com a planta de meus pés sequei todos os rios do Egito’.
37:26 Você não ouviu que há muito tempo fiz isso, que desde os dias antigos o planejei?
   Agora o fiz acontecer, para que você reduza cidades fortificadas a montes de ruínas.
37:27 Seus habitantes, sem forças, ficaram atemorizados e envergonhados.
   Eram como a erva do campo, como os brotos verdes, como o capim dos telhados e como uma plantação antes de o cereal se erguer.
37:28 Eu sei quando você se senta, sai e entra, e conheço seu furor contra mim.
37:29 Porque você se enfureceu contra mim e sua arrogância chegou aos meus ouvidos, porei meu gancho em seu nariz e meu freio em seus lábios;
   farei você voltar pelo caminho por onde veio.
37:30 Este será o sinal para você: neste ano comerão o que nascer por si só;
   no segundo ano, o que voltar a brotar;
   e no terceiro ano semeiem, colham, plantem vinhas e comam seus frutos.
37:31 O remanescente da casa de Judá que escapar voltará a criar raízes por baixo e dará fruto por cima.
37:32 Pois de Jerusalém sairá um remanescente, e do monte Sião, sobreviventes.
   O zelo do SENHOR dos Exércitos fará isso”.

37:33 Por isso assim diz o SENHOR a respeito do rei da Assíria: “Ele não entrará nesta cidade nem atirará ali uma flecha;
   não se apresentará diante dela com escudo nem erguerá contra ela uma rampa de cerco.
37:34 Voltará pelo caminho por onde veio e não entrará nesta cidade”, declara o SENHOR.
37:35 “Defenderei esta cidade para salvá-la, por mim mesmo e por Davi, meu servo.”
37:36 O anjo do SENHOR saiu e feriu, no acampamento da Assíria, cento e oitenta e cinco mil. Quando se levantaram de manhã cedo, viram que todos eram cadáveres.
37:37 Então Senaqueribe, rei da Assíria, levantou o acampamento, partiu e voltou; ficou em Nínive.
37:38 Enquanto adorava na casa de Nisroque, seu deus, seus filhos Adrameleque e Sarezer o mataram à espada. Eles fugiram para a terra de Ararate, e seu filho Esar-Hadom reinou em seu lugar.

Capítulo 38
38:1 Naqueles dias, Ezequias adoeceu à beira da morte. O profeta Isaías, filho de Amoz, foi até ele e lhe disse: “Assim diz o SENHOR: Ponha sua casa em ordem, pois você morrerá e não viverá”.
38:2 Ezequias virou o rosto para a parede e orou ao SENHOR.
38:3 Disse: “Peço-te, SENHOR, lembra-te de como andei diante de ti com fidelidade e com coração íntegro, fazendo o que é bom aos teus olhos”. E Ezequias chorou muito.
38:4 Então a palavra do SENHOR veio a Isaías:
38:5 “Vá e diga a Ezequias: Assim diz o SENHOR, o Deus de Davi, seu antepassado: Ouvi sua oração e vi suas lágrimas. Eis que acrescentarei quinze anos aos seus dias.
38:6 Livrarei você e esta cidade das mãos do rei da Assíria e defenderei esta cidade”.
38:7 Este será para você o sinal da parte do SENHOR de que o SENHOR cumprirá esta palavra que falou:
38:8 “Eis que farei voltar dez degraus a sombra que desceu com o sol pelos degraus de Acaz.” Então o sol retrocedeu dez degraus pelos degraus por onde havia descido.
38:9 Escrito de Ezequias, rei de Judá, quando adoeceu e se recuperou de sua doença:
38:10 “Eu disse: Em pleno vigor dos meus dias, irei às portas do mundo dos mortos;
   estou privado do resto de meus anos.
38:11 Eu disse: Não verei Jah, Jah na terra dos vivos;
   já não contemplarei ser humano algum entre os moradores do mundo.
38:12 Minha morada foi arrancada e levada para longe de mim, como a tenda de um pastor.
   Como um tecelão, enrolei minha vida;
   ele me cortará do tear.
   Do dia à noite tu acabas comigo.
38:13 Mantive-me em calma até a manhã;
   como um leão ele quebra todos os meus ossos.
   Do dia à noite tu acabas comigo.
38:14 Chilreio como a andorinha, como o grou;
   gemo como a pomba.
   Meus olhos se cansam de olhar para o alto.
   Senhor, estou oprimido;
   sê meu fiador!
38:15 O que direi?
   Ele me falou, e ele mesmo o fez.
   Caminharei humildemente todos os meus anos por causa da amargura de minha alma.
38:16 Senhor, por essas coisas se vive, e em todas elas está a vida de meu espírito.
   Restaura-me e faze-me viver.
38:17 Eis que foi para meu bem que tive amargura, grande amargura;
   mas tu, por amor, livraste minha vida da cova da destruição, pois lançaste atrás de tuas costas todos os meus pecados.
38:18 Pois o mundo dos mortos não te dá graças, nem a morte te louva;
   os que descem à cova não esperam em tua fidelidade.
38:19 Quem vive, quem vive, esse te dá graças, como eu hoje;
   o pai dá a conhecer aos filhos tua fidelidade.
38:20 O SENHOR me salvará, e tocaremos minhas canções com instrumentos de corda todos os dias de nossa vida na casa do SENHOR”.
38:21 Isaías havia dito: “Tomem uma pasta de figos e a apliquem sobre a chaga, e ele viverá”.
38:22 Ezequias havia perguntado: “Qual será o sinal de que subirei à casa do SENHOR?”

Capítulo 39
39:1 Naquele tempo, Merodaque-Baladã, filho de Baladã, rei da Babilônia, enviou cartas e um presente a Ezequias, pois havia ouvido que ele estivera doente e se recuperara.
39:2 Ezequias se alegrou com eles e lhes mostrou a casa de seus tesouros: a prata, o ouro, as especiarias, o óleo precioso, todo o seu arsenal e tudo o que havia em seus depósitos. Não houve nada em sua casa nem em todos os seus domínios que Ezequias não lhes mostrasse.
39:3 Então o profeta Isaías foi ao rei Ezequias e lhe perguntou: “O que esses homens disseram? De onde vieram até você?” Ezequias respondeu: “Vieram a mim de uma terra distante, da Babilônia”.
39:4 Isaías perguntou: “O que viram em sua casa?” Ezequias respondeu: “Viram tudo o que há em minha casa; não houve nada em meus tesouros que eu não lhes mostrasse”.
39:5 Então Isaías disse a Ezequias: “Ouça a palavra do SENHOR dos Exércitos:
39:6 Eis que virão dias em que tudo o que há em sua casa e o que seus antepassados acumularam até hoje será levado para a Babilônia. Nada restará, diz o SENHOR.
39:7 Levarão alguns de seus filhos, que procederão de você, os que você gerará, e eles serão eunucos no palácio do rei da Babilônia”.
39:8 Ezequias disse a Isaías: “É boa a palavra do SENHOR que você falou”. E acrescentou: “Pois haverá paz e segurança em meus dias”.

Capítulo 40
40:1 “Consolem, consolem o meu povo”, diz o Deus de vocês.
40:2 “Falem ao coração de Jerusalém e proclamem a ela que seu serviço está cumprido, que sua culpa foi expiada, que ela recebeu da mão do SENHOR o dobro por todos os seus pecados.”

40:3 Uma voz clama: “Preparem no deserto o caminho do SENHOR;
   endireitem na terra árida uma estrada para o nosso Deus.
40:4 Todo vale será elevado, e todo monte e colina serão rebaixados;
   o terreno acidentado se tornará plano, e os lugares escarpados, uma planície.
40:5 A glória do SENHOR será revelada, e toda a humanidade a verá em conjunto, pois a boca do SENHOR falou”.

40:6 Uma voz diz: “Proclame!”
   E alguém responde: “O que devo proclamar?”
   Toda carne é erva, e toda a sua beleza é como a flor do campo.
40:7 A erva seca, a flor murcha, pois o sopro do SENHOR sopra sobre ela.
   De fato, o povo é erva.
40:8 A erva seca, a flor murcha, mas a palavra do nosso Deus permanece para sempre.

40:9 Suba a um monte alto, Sião, portadora de boas notícias!
   Levante com força a voz, Jerusalém, portadora de boas notícias!
   Levante-a, não tenha medo!
   Diga às cidades de Judá: “Aqui está o Deus de vocês!”
40:10 Eis que o Senhor, o SENHOR, vem com poder, e seu braço governa por ele.
   Sua recompensa está com ele, e sua retribuição vai à sua frente.
40:11 Como um pastor, ele apascentará seu rebanho;
   com seu braço reunirá os cordeiros e os levará junto ao peito;
   guiará com cuidado as ovelhas que amamentam.

40:12 Quem mediu as águas na concha da mão, calculou os céus com o palmo, recolheu o pó da terra num terço de medida e pesou os montes numa balança e as colinas em balanças?
40:13 Quem dirigiu o Espírito do SENHOR, ou, como seu conselheiro, o instruiu?
40:14 A quem ele consultou para que lhe desse entendimento, lhe ensinasse o caminho da justiça, lhe ensinasse conhecimento e lhe mostrasse o caminho do discernimento?
40:15 Eis que as nações são como uma gota de um balde, consideradas como o pó fino de uma balança.
   Eis que ele levanta as ilhas como um pouco de pó.
40:16 O Líbano não bastaria para o fogo, nem seus animais bastariam para o holocausto.

40:17 Todas as nações são como nada diante dele;
   para ele, valem menos que nada e que o vazio.
40:18 A quem, então, vocês compararão Deus?
   Que imagem colocarão ao lado dele?
40:19 O artesão funde o ídolo, o ourives o reveste de ouro e funde correntes de prata para ele.
40:20 Quem é pobre demais para essa oferta escolhe madeira que não apodreça;
   procura um artesão hábil para preparar um ídolo que não tombe.
40:21 Vocês não sabem?
   Não ouviram?
   Não lhes foi contado desde o princípio?
   Não compreenderam os fundamentos da terra?
40:22 Ele está sentado acima do círculo da terra, cujos habitantes são como gafanhotos.
   Estende os céus como uma cortina fina e os desdobra como uma tenda para habitar.
40:23 Ele reduz a nada os governantes e transforma em vazio os juízes da terra.
40:24 Mal foram plantados, mal foram semeados, mal seu tronco criou raízes na terra, ele sopra sobre eles, e eles secam;
   a tempestade os leva como palha.

40:25 “A quem vocês me compararão, para que eu seja seu igual?”, diz o Santo.
40:26 Levantem os olhos para o alto e vejam: quem criou essas coisas?
   Aquele que faz sair o seu exército, um por um, e chama cada um pelo nome.
   Por sua grande força e seu imenso poder, nenhum deles falta.

40:27 Por que você diz, Jacó, e afirma, Israel: “Meu caminho está oculto ao SENHOR, e meu direito passa despercebido ao meu Deus”?
40:28 Você não sabe?
   Não ouviu?
   O SENHOR é o Deus eterno, o Criador dos confins da terra.
   Ele não se cansa nem se fatiga;
   seu entendimento é insondável.
40:29 Ele dá força ao cansado e aumenta o vigor de quem não tem forças.
40:30 Os rapazes se cansam e se fatigam;
   os jovens tropeçam e caem.
40:31 Mas os que esperam no SENHOR renovarão suas forças;
   subirão com asas como águias.
   Correrão e não se fatigarão;
   caminharão e não se cansarão.

Capítulo 41
41:1 “Fiquem em silêncio diante de mim, ilhas!
   Que os povos renovem suas forças;
   que se aproximem e então falem.
   Vamos nos apresentar juntos para o julgamento.
41:2 Quem levantou do Oriente aquele a quem, com justiça, chama para junto de si?
   Entrega nações diante dele e lhe submete reis;
   faz deles pó diante de sua espada, palha levada pelo vento diante de seu arco.
41:3 Ele os persegue e segue em segurança por um caminho que seus pés nunca haviam percorrido.
41:4 Quem realizou e fez isso, chamando as gerações desde o princípio?
   Eu, o SENHOR, sou o primeiro;
   e, com os últimos, eu sou o mesmo.”
41:5 As ilhas viram e temeram;
   os confins da terra tremeram.
   Eles se aproximaram e vieram.
41:6 Cada um ajuda o seu próximo e diz a seu irmão: “Seja forte!”
41:7 O artesão encoraja o ourives, e quem alisa com o martelo encoraja quem bate na bigorna.
   Diz da solda: “Está boa”, e firma o ídolo com pregos para que não tombe.

41:8 “Mas você, Israel, meu servo, Jacó, a quem escolhi, descendência de Abraão, meu amigo,
41:9 você, a quem tomei dos confins da terra e chamei dos seus cantos mais remotos, a quem disse: ‘Você é meu servo;
   eu escolhi você e não o rejeitei’.
41:10 Não tenha medo, pois estou com você;
   não se apavore, pois sou o seu Deus.
   Eu fortalecerei você;
   sim, eu o ajudarei;
   sim, eu o sustentarei com a mão direita da minha justiça.
41:11 Eis que todos os que se enfurecem contra você serão envergonhados e humilhados;
   os que discutem com você se tornarão nada e perecerão.
41:12 Você procurará os que lutam contra você e não os encontrará;
   os que lhe fazem guerra se tornarão nada, coisa nenhuma.
41:13 Pois eu sou o SENHOR, seu Deus, que segura a sua mão direita e lhe diz: ‘Não tenha medo;
   eu ajudo você’.

41:14 Não tenha medo, verme Jacó, homens de Israel!
   Eu ajudo você, declara o SENHOR;
   seu Redentor é o Santo de Israel.
41:15 Eis que farei de você um instrumento de debulhar novo, afiado e cheio de dentes.
   Você debulhará os montes e os triturará;
   fará das colinas palha.
41:16 Você os lançará ao vento, e o vento os levará;
   a tempestade os espalhará.
   Mas você se alegrará no SENHOR e se gloriará no Santo de Israel.

41:17 Os pobres e os necessitados buscam água, mas não há;
   sua língua está ressequida de sede.
   Eu, o SENHOR, lhes responderei;
   eu, o Deus de Israel, não os abandonarei.
41:18 Abrirei rios nas alturas desertas e fontes no meio dos vales.
   Transformarei o deserto num lago de água e a terra seca em mananciais.
41:19 Plantarei no deserto cedros, acácias, murtas e oliveiras;
   porei juntos na terra árida ciprestes, olmos e buxos,
41:20 para que vejam, saibam, considerem e compreendam juntos que a mão do SENHOR fez isso e que o Santo de Israel o criou.

41:21 Apresentem sua causa, diz o SENHOR;
   exponham seus argumentos, diz o Rei de Jacó.
41:22 Que os apresentem e nos anunciem o que vai acontecer.
   Contem quais foram as coisas anteriores, para que as consideremos e conheçamos seu desfecho, ou nos façam ouvir o que está por vir.
41:23 Anunciem o que acontecerá depois, para que saibamos que vocês são deuses.
   Façam o bem ou o mal, para que nos assombremos e o vejamos juntos.
41:24 Eis que vocês são menos que nada, e suas obras, menos que coisa nenhuma;
   quem escolhe vocês é uma abominação.
41:25 Levantei alguém do norte, e ele veio;
   do lugar onde o sol nasce, ele invocará meu nome.
   Pisará os governantes como lodo, como o oleiro que pisa o barro.
41:26 Quem anunciou isso desde o princípio, para que soubéssemos, ou de antemão, para que disséssemos: ‘Ele tem razão’?
   Não há quem anuncie, não há quem proclame, não há quem ouça as palavras de vocês.
41:27 Fui o primeiro a dizer a Sião: ‘Olhe, aqui estão!’ E darei a Jerusalém um mensageiro de boas notícias.
41:28 Olho, mas não há ninguém;
   entre eles não há conselheiro a quem eu pergunte e que me responda uma palavra.
41:29 Eis que todos eles são falsidade;
   suas obras são nada;
   suas imagens fundidas são vento e vazio.”

Capítulo 42
42:1 “Eis o meu servo, a quem sustento, meu escolhido, em quem minha alma se agrada.
   Pus meu Espírito sobre ele;
   ele levará justiça às nações.
42:2 Não gritará, não levantará a voz nem a fará ouvir na rua.
42:3 Não quebrará a cana rachada nem apagará o pavio que mal arde;
   com fidelidade levará a justiça.
42:4 Não perderá o vigor nem será esmagado até estabelecer a justiça na terra;
   as ilhas esperarão sua instrução.”

42:5 Assim diz Deus, o SENHOR, que cria os céus e os estende, que expande a terra e o que nela brota, que dá fôlego ao povo que nela está e espírito aos que nela caminham:
42:6 “Eu, o SENHOR, chamei você com justiça;
   segurarei sua mão, guardarei você e o darei como aliança para o povo, como luz para as nações,
42:7 para abrir os olhos dos cegos, tirar da prisão o cativo e do cárcere os que habitam nas trevas.
42:8 Eu sou o SENHOR;
   esse é o meu nome.
   Não darei minha glória a outro nem meu louvor às imagens esculpidas.
42:9 Eis que as coisas anteriores se cumpriram, e anuncio coisas novas;
   antes de brotarem, eu as faço ouvir a vocês.”

42:10 Cantem ao SENHOR um cântico novo, seu louvor desde os confins da terra, vocês que descem ao mar e tudo o que o enche, as ilhas e seus habitantes!
42:11 Que levantem a voz o deserto e suas cidades, as aldeias onde Quedar habita.
   Que cantem de alegria os habitantes de Sela;
   que gritem do alto dos montes.
42:12 Que deem glória ao SENHOR e anunciem seu louvor nas ilhas.
42:13 O SENHOR sairá como um guerreiro;
   como um homem de guerra, despertará seu zelo.
   Gritará, lançará um clamor e prevalecerá sobre seus inimigos.

42:14 “Por muito tempo me calei, fiquei em silêncio e me contive.
   Agora gritarei como uma mulher em trabalho de parto;
   ofegarei e respirarei com dificuldade ao mesmo tempo.
42:15 Devastarei montes e colinas e secarei toda a sua vegetação;
   transformarei os rios em ilhas e secarei os lagos.
42:16 Conduzirei os cegos por um caminho que não conhecem;
   por veredas que não conhecem eu os guiarei.
   Transformarei as trevas diante deles em luz e o terreno acidentado em planície.
   Farei essas coisas e não os abandonarei.
42:17 Recuarão e ficarão profundamente envergonhados os que confiam em imagens esculpidas, os que dizem às imagens fundidas: ‘Vocês são nossos deuses’.

42:18 Surdos, ouçam!
   Cegos, olhem para ver!
42:19 Quem é cego, senão meu servo, ou surdo como meu mensageiro que envio?
   Quem é tão cego como aquele que está em paz comigo, tão cego como o servo do SENHOR?
42:20 Você vê muitas coisas, mas não presta atenção;
   ele tem os ouvidos abertos, mas não ouve.”
42:21 Foi do agrado do SENHOR, por causa de sua justiça, engrandecer a instrução e torná-la gloriosa.
42:22 Mas este é um povo roubado e saqueado, todos presos em cavernas e escondidos em prisões.
   Tornaram-se presa, e ninguém os livra;
   despojo, e ninguém diz: “Devolva!”
42:23 Quem entre vocês dará ouvidos a isso, prestará atenção e ouvirá de agora em diante?
42:24 Quem entregou Jacó como despojo e Israel aos saqueadores?
   Não foi o SENHOR, contra quem pecamos?
   Eles não quiseram andar em seus caminhos nem deram ouvidos à sua instrução.
42:25 Por isso ele derramou sobre o povo o ardor de sua ira e a violência da guerra.
   Isso o envolveu em chamas por todos os lados, mas ele não compreendeu;
   ardeu nele, mas ele não levou isso a sério.

Capítulo 43
43:1 Mas agora, assim diz o SENHOR, que criou você, Jacó, e que o formou, Israel: “Não tenha medo, pois eu o redimi;
   chamei você pelo nome;
   você é meu.
43:2 Quando você passar pelas águas, estarei com você;
   quando passar pelos rios, eles não o arrastarão.
   Quando caminhar pelo fogo, você não se queimará, e a chama não o consumirá.
43:3 Pois eu sou o SENHOR, seu Deus, o Santo de Israel, seu Salvador.
   Dei o Egito como seu resgate, Cuxe e Sebá em seu lugar.
43:4 Porque você é precioso aos meus olhos, é honrado e eu o amo, darei pessoas em seu lugar e povos em troca de sua vida.
43:5 Não tenha medo, pois estou com você;
   trarei sua descendência do Oriente e reunirei você do Ocidente.
43:6 Direi ao norte: ‘Entregue-os!’ E ao sul: ‘Não os retenha!
   Traga meus filhos de longe e minhas filhas dos confins da terra,
43:7 todos os que são chamados pelo meu nome, a quem criei para minha glória, a quem formei e também fiz’.”
43:8 Faça sair o povo cego, embora tenha olhos, e os surdos, embora tenham ouvidos.
43:9 Todas as nações se reúnem, e os povos se ajuntam.
   Quem entre eles anunciará isso e nos fará ouvir as coisas anteriores?
   Que apresentem suas testemunhas e provem que têm razão;
   que ouçam e digam: “É verdade”.
43:10 “Vocês são minhas testemunhas, declara o SENHOR, e meu servo, a quem escolhi, para que saibam, creiam em mim e compreendam que eu sou.
   Antes de mim nenhum deus foi formado, e depois de mim nenhum haverá.

43:11 Eu, eu sou o SENHOR, e além de mim não há salvador.
43:12 Eu anunciei, salvei e fiz ouvir, e não havia entre vocês nenhum deus estrangeiro.
   Vocês são minhas testemunhas, declara o SENHOR, e eu sou Deus.
43:13 Desde sempre eu sou o mesmo, e ninguém pode livrar da minha mão.
   Eu ajo, e quem pode desfazer o que faço?”

43:14 Assim diz o SENHOR, o Redentor de vocês, o Santo de Israel: “Por causa de vocês, enviei alguém à Babilônia;
   farei todos eles descer como fugitivos, os caldeus nos navios de que se orgulhavam.
43:15 Eu sou o SENHOR, o Santo de vocês, o Criador de Israel, o Rei de vocês”.

43:16 Assim diz o SENHOR, que abre um caminho no mar e uma vereda nas águas impetuosas,
43:17 que faz sair carro e cavalo, exército e força;
   juntos se deitam e não se levantam, extinguem-se, apagam-se como um pavio:
43:18 “Não fiquem lembrando as coisas anteriores nem se detenham nas antigas.
43:19 Eis que faço algo novo;
   agora está brotando.
   Vocês não percebem?
   Abrirei um caminho no deserto e rios na terra árida.
43:20 Os animais do campo me honrarão, os chacais e as avestruzes, pois pus água no deserto e rios na terra árida para dar de beber ao meu povo, meu escolhido.
43:21 O povo que formei para mim proclamará meu louvor.

43:22 Mas você não me invocou, Jacó;
   pelo contrário, cansou-se de mim, Israel.
43:23 Você não me trouxe as ovelhas de seus holocaustos nem me honrou com seus sacrifícios.
   Não sobrecarreguei você com ofertas de cereais nem o cansei com incenso.
43:24 Você não comprou para mim cana aromática com prata nem me saciou com a gordura de seus sacrifícios.
   Em vez disso, sobrecarregou-me com seus pecados e me cansou com suas iniquidades.

43:25 Eu, eu sou aquele que apaga suas transgressões por amor de mim mesmo e não me lembrarei de seus pecados.
43:26 Faça-me lembrar;
   vamos juntos a julgamento.
   Apresente você a sua causa, para que seja declarado justo.
43:27 Seu primeiro pai pecou, e seus porta-vozes se rebelaram contra mim.
43:28 Por isso profanei os chefes do santuário e entreguei Jacó à destruição total e Israel aos insultos.”

Capítulo 44
44:1 “Agora ouça, Jacó, meu servo, Israel, a quem escolhi.
44:2 Assim diz o SENHOR, que fez você e o formou desde o ventre, aquele que o ajudará: Não tenha medo, Jacó, meu servo, Jesurum, a quem escolhi.
44:3 Pois derramarei água sobre a terra sedenta e correntes sobre o solo seco;
   derramarei meu Espírito sobre sua descendência e minha bênção sobre seus filhos.
44:4 Eles brotarão entre a erva, como salgueiros junto às correntes de água.
44:5 Um dirá: ‘Eu sou do SENHOR’;
   outro tomará o nome de Jacó;
   outro escreverá na própria mão: ‘Do SENHOR’, e adotará o nome de Israel.”

44:6 Assim diz o SENHOR, Rei de Israel, e seu Redentor, o SENHOR dos Exércitos: “Eu sou o primeiro e eu sou o último;
   além de mim não há Deus.
44:7 Quem é como eu?
   Que proclame, declare e exponha em ordem diante de mim o que aconteceu desde que estabeleci o povo antigo.
   Que lhes anunciem as coisas futuras e o que está por vir.
44:8 Não tremam nem tenham medo.
   Não fiz você ouvir isso e não o anunciei desde muito tempo?
   Vocês são minhas testemunhas.
   Há algum Deus além de mim?
   Não há outra Rocha;
   não conheço nenhuma”.
44:9 Todos os que fabricam ídolos são vazio, e seus objetos mais preciosos de nada servem.
   Suas próprias testemunhas não veem nem entendem e ficarão envergonhadas.
44:10 Quem fabrica um deus e funde um ídolo que de nada serve?
44:11 Eis que todos os seus companheiros ficarão envergonhados;
   os artesãos não passam de seres humanos.
   Que todos se reúnam e se apresentem;
   tremerão e serão envergonhados juntos.
44:12 O ferreiro prepara um machado e trabalha nas brasas;
   dá-lhe forma com martelos e o forja com a força de seu braço.
   Depois sente fome e perde as forças;
   não bebe água e desfalece.
44:13 O carpinteiro estende um cordel, traça o desenho com giz vermelho, trabalha a madeira com plainas e a marca com o compasso.
   Dá-lhe a forma de um homem, com a beleza humana, para que habite numa casa.
44:14 Ele corta cedros para si, toma um cipreste e um carvalho e os deixa crescer fortes entre as árvores do bosque.
   Planta um pinheiro, e a chuva o faz crescer.
44:15 A madeira serve ao ser humano para fazer fogo;
   ele toma parte dela e se aquece, acende o fogo e assa pão.
   Também fabrica um deus e o adora;
   faz dela um ídolo e se prostra diante dele.
44:16 Queima metade da madeira no fogo;
   com essa metade come carne, prepara um assado e se sacia.
   Também se aquece e diz: “Ah!
   Eu me aqueci, vi o fogo!”
44:17 Com o resto faz um deus, seu ídolo;
   ajoelha-se diante dele, prostra-se e lhe dirige uma oração: “Livra-me, pois tu és o meu deus!”
44:18 Eles não sabem nem entendem, pois seus olhos foram cobertos para que não vejam, e seus corações, para que não compreendam.
44:19 Ninguém reflete nem tem conhecimento ou discernimento para dizer: “Queimei metade no fogo;
   sobre suas brasas assei pão, assei carne e comi.
   Farei do resto uma abominação?
   Vou me ajoelhar diante de um pedaço de madeira?”
44:20 Ele se alimenta de cinzas;
   um coração enganado o desviou.
   Não livra sua vida nem diz: “Não é uma mentira o que está na minha mão direita?”

44:21 “Lembre-se dessas coisas, Jacó, Israel, pois você é meu servo.
   Eu o formei;
   você é meu servo.
   Israel, não me esquecerei de você.
44:22 Apaguei suas transgressões como uma nuvem e seus pecados como a névoa.
   Volte para mim, pois eu o redimi.”
44:23 Cantem de alegria, céus, pois o SENHOR fez isso!
   Gritem, profundezas da terra!
   Irrompam em cânticos, montes, bosque e todas as suas árvores!
   Pois o SENHOR redimiu Jacó e mostrará sua glória em Israel.

44:24 Assim diz o SENHOR, seu Redentor, que formou você desde o ventre: “Eu sou o SENHOR, que faço todas as coisas, que sozinho estendi os céus e expandi a terra.
   Quem estava comigo?
44:25 Eu frustro os sinais dos impostores e enlouqueço os adivinhos;
   faço os sábios recuar e transformo seu conhecimento em tolice.
44:26 Sou aquele que confirma a palavra de seu servo e cumpre o conselho de seus mensageiros, que diz a Jerusalém: ‘Você será habitada’, e às cidades de Judá: ‘Vocês serão reconstruídas, e levantarei suas ruínas’;
44:27 que diz à profundeza: ‘Seque!
   Eu secarei seus rios’;
44:28 que diz de Ciro: ‘Ele é meu pastor e cumprirá tudo o que desejo’, e diz a Jerusalém: ‘Você será reconstruída’, e ao templo: ‘Seus alicerces serão lançados’.”

Capítulo 45
45:1 Assim diz o SENHOR ao seu ungido, a Ciro, cuja mão direita segurei para submeter nações diante dele e afrouxar os cintos dos reis, para abrir portas diante dele, sem que os portões se fechem:
45:2 “Eu irei à sua frente e aplainarei os lugares acidentados;
   quebrarei portas de bronze e despedaçarei ferrolhos de ferro.
45:3 Darei a você os tesouros das trevas e as riquezas de lugares ocultos, para que saiba que eu sou o SENHOR, o Deus de Israel, que chama você pelo nome.
45:4 Por causa de Jacó, meu servo, e de Israel, meu escolhido, chamei você pelo nome;
   dei a você um título, embora não me conhecesse.
45:5 Eu sou o SENHOR, e não há outro;
   além de mim não há Deus.
   Eu cingirei você de força, embora não me conheça,
45:6 para que saibam, do nascente ao poente, que não há ninguém além de mim.
   Eu sou o SENHOR, e não há outro.
45:7 Eu formo a luz e crio as trevas, faço a paz e crio a adversidade.
   Eu, o SENHOR, faço todas essas coisas.

45:8 Gotejem, céus, lá do alto, e as nuvens derramem justiça!
   Que a terra se abra e produza salvação e faça brotar a justiça junto com ela.
   Eu, o SENHOR, criei isso.

45:9 Ai de quem discute com aquele que o formou, um caco entre os cacos de barro!
   Acaso o barro dirá a quem o forma: ‘O que você está fazendo?’, ou a sua obra dirá: ‘Ele não tem mãos’?

45:10 Ai de quem diz a um pai: ‘O que você está gerando?’, e a uma mulher: ‘O que você está dando à luz?’”

45:11 Assim diz o SENHOR, o Santo de Israel e aquele que o formou: “Perguntem-me a respeito das coisas futuras;
   deem-me ordens sobre meus filhos e sobre a obra de minhas mãos.
45:12 Eu fiz a terra e criei nela o ser humano.
   Minhas mãos estenderam os céus, e dei ordens a todo o seu exército.
45:13 Eu o levantei com justiça e endireitarei todos os seus caminhos.
   Ele reconstruirá minha cidade e deixará livres os meus exilados, sem pagamento nem suborno”, diz o SENHOR dos Exércitos.

45:14 Assim diz o SENHOR: “O produto do trabalho do Egito, as mercadorias de Cuxe e os sabeus, homens de alta estatura, passarão para você e serão seus.
   Caminharão atrás de você, virão acorrentados, se prostrarão diante de você e lhe suplicarão: ‘Certamente Deus está com você, e não há outro;
   não há outro Deus’”.
45:15 Verdadeiramente tu és um Deus que se oculta, o Deus de Israel, o Salvador.
45:16 Todos eles serão envergonhados e humilhados;
   juntos irão embora cobertos de vergonha os fabricantes de ídolos.
45:17 Israel será salvo pelo SENHOR com salvação eterna.
   Vocês não serão envergonhados nem humilhados por toda a eternidade.

45:18 Pois assim diz o SENHOR, que criou os céus — ele é Deus —, que formou a terra e a fez, que a estabeleceu;
   não a criou para ser vazia, mas a formou para ser habitada: “Eu sou o SENHOR, e não há outro.
45:19 Não falei em segredo, num lugar de uma terra de trevas;
   não disse à descendência de Jacó: ‘Busquem-me em vão’.
   Eu, o SENHOR, falo justiça e anuncio o que é reto.
45:20 Reúnam-se e venham;
   aproximem-se juntos, sobreviventes das nações!
   Nada sabem os que carregam a madeira de seu ídolo e oram a um deus que não salva.
45:21 Anunciem e apresentem sua causa;
   que deliberem juntos.
   Quem fez ouvir isso desde os tempos antigos, quem o anunciou desde então?
   Não fui eu, o SENHOR?
   Não há outro Deus além de mim, Deus justo e Salvador;
   não há nenhum além de mim.
45:22 Voltem-se para mim e sejam salvos, todos os confins da terra, pois eu sou Deus, e não há outro.
45:23 Jurei por mim mesmo;
   de minha boca saiu com justiça uma palavra que não será revogada: diante de mim todo joelho se dobrará, toda língua jurará.
45:24 De mim se dirá: ‘Somente no SENHOR há justiça e força’.
   A ele virão, e ficarão envergonhados todos os que se enfurecem contra ele.
45:25 No SENHOR será justificada e se gloriará toda a descendência de Israel.”

Capítulo 46
46:1 Bel se curva, Nebo desaba;
   suas imagens são colocadas sobre animais e bestas de carga.
   Aquilo que vocês carregavam se torna um fardo pesado para o animal cansado.
46:2 Eles desabam, curvam-se juntos;
   não puderam salvar a carga, e eles mesmos foram para o cativeiro.

46:3 “Ouçam-me, casa de Jacó e todo o remanescente da casa de Israel, vocês que são carregados desde o ventre, levados desde o seio materno.
46:4 Até a velhice de vocês eu serei o mesmo, e até os cabelos brancos eu os sustentarei.
   Eu os fiz e eu os carregarei;
   eu os sustentarei e os livrarei.

46:5 A quem vocês me assemelharão, me igualarão ou me compararão, para que sejamos semelhantes?
46:6 Eles tiram ouro da bolsa e pesam prata na balança;
   contratam um ourives para fazer disso um deus, ajoelham-se e se prostram diante dele.
46:7 Eles o erguem sobre o ombro, carregam-no e o colocam em seu lugar;
   ali fica, sem sair do lugar.
   Ainda que alguém clame a ele, não responde nem o salva de sua aflição.

46:8 Lembrem-se disso e mantenham-se firmes;
   rebeldes, levem isso a sério.
46:9 Lembrem-se das coisas anteriores, dos tempos antigos, pois eu sou Deus, e não há outro;
   sou Deus, e não há ninguém como eu.
46:10 Desde o princípio anuncio o fim e, desde a antiguidade, o que ainda não aconteceu.
   Digo: ‘Meu propósito permanecerá, e farei tudo o que desejo’.
46:11 Chamo do Oriente uma ave de rapina e de uma terra distante o homem do meu propósito.
   Eu disse e farei acontecer;
   planejei e realizarei.

46:12 Ouçam-me, duros de coração, vocês que estão longe da justiça.
46:13 Fiz minha justiça se aproximar;
   ela não está longe, e minha salvação não tardará.
   Estabelecerei salvação em Sião e, para Israel, minha glória.”

Capítulo 47
47:1 “Desça e sente-se no pó, virgem filha da Babilônia!
   Sente-se no chão, sem trono, filha dos caldeus, pois nunca mais chamarão você de meiga e delicada.
47:2 Pegue as pedras de moinho e moa farinha.
   Tire o véu, levante a saia, descubra as pernas e atravesse os rios.
47:3 Sua nudez será exposta, e sua vergonha será vista.
   Tomarei vingança e não pouparei ninguém.”

47:4 Nosso Redentor, cujo nome é SENHOR dos Exércitos, é o Santo de Israel.
47:5 “Sente-se em silêncio e entre nas trevas, filha dos caldeus, pois nunca mais chamarão você de senhora dos reinos.
47:6 Eu me irritei com meu povo, profanei minha herança e os entreguei em sua mão.
   Você não teve compaixão deles;
   sobre os idosos tornou muito pesado o seu jugo.
47:7 Você disse: ‘Serei senhora para sempre’.
   Não levou essas coisas a sério nem se lembrou de seu desfecho.

47:8 Agora ouça isto, amante dos prazeres, que vive segura e diz em seu coração: ‘Eu, e ninguém mais!
   Não ficarei viúva nem conhecerei a perda de filhos’.
47:9 Mas essas duas coisas virão sobre você num instante, num só dia: perda de filhos e viuvez.
   Virão sobre você em toda a sua força, apesar de suas muitas feitiçarias e do grande poder de seus encantamentos.
47:10 Você confiou em sua maldade e disse: ‘Ninguém me vê’.
   Sua sabedoria e seu conhecimento a desviaram, e você disse em seu coração: ‘Eu, e ninguém mais!’
47:11 Virá sobre você um mal que não saberá afastar com encantamentos;
   cairá sobre você uma calamidade que não poderá remediar;
   virá de repente sobre você uma devastação que não conhece.
47:12 Persista, então, em seus encantamentos e em suas muitas feitiçarias, com as quais se fatigou desde a juventude.
   Talvez consiga algum proveito, talvez consiga causar terror.
47:13 Você se cansou com seus muitos conselhos.
   Que agora se apresentem e salvem você os que dividem os céus, os que observam as estrelas, os que anunciam a cada mês o que está para vir sobre você.
47:14 Eis que são como palha;
   o fogo os queimará.
   Não livrarão a própria vida do poder das chamas.
   Não restará brasa para se aquecer, nem fogo diante do qual se sentar.
47:15 Assim serão para você aqueles com quem se fatigou, seus comerciantes desde a juventude.
   Cada um vagueia para seu lado;
   ninguém salvará você.”

Capítulo 48
48:1 “Ouçam isto, casa de Jacó, vocês que levam o nome de Israel e saíram das águas de Judá, que juram pelo nome do SENHOR e fazem menção do Deus de Israel, mas sem verdade nem justiça.
48:2 Pois eles se dizem da cidade santa e se apoiam no Deus de Israel;
   SENHOR dos Exércitos é o seu nome.

48:3 Anunciei as coisas anteriores há muito tempo;
   elas saíram de minha boca, e eu as fiz ouvir.
   De repente agi, e elas aconteceram.
48:4 Porque eu sabia que você era obstinado, que seu pescoço era um tendão de ferro e sua testa era de bronze,
48:5 eu lhe anunciei essas coisas há muito tempo;
   antes de acontecerem, eu as fiz ouvir a você, para que não dissesse: ‘Meu ídolo fez essas coisas;
   minha imagem esculpida e minha imagem fundida as ordenaram’.
48:6 Você ouviu;
   olhe tudo isso.
   E vocês, não o anunciarão?
   Desde agora faço você ouvir coisas novas, coisas ocultas que não conhecia.
48:7 Agora elas foram criadas, e não antes;
   antes de hoje você não as tinha ouvido, para que não dissesse: ‘Olhe, eu já sabia’.
48:8 Você não tinha ouvido, não tinha conhecido;
   desde antes seu ouvido não se havia aberto.
   Pois eu sabia que você agiria com grande deslealdade e que era chamado de rebelde desde o ventre.
48:9 Por causa do meu nome retardarei minha ira e, por causa do meu louvor, eu a conterei contra você, para não o destruir.
48:10 Eis que refinei você, mas não como a prata;
   escolhi você na fornalha da aflição.
48:11 Por amor de mim, por amor de mim, agirei, pois como poderia meu nome ser profanado?
   Não darei minha glória a outro.

48:12 Ouça-me, Jacó, Israel, a quem chamei.
   Eu sou o mesmo;
   eu sou o primeiro e também sou o último.
48:13 Minha mão fundou a terra, e minha mão direita estendeu os céus;
   quando os chamo, eles se apresentam juntos.
48:14 Reúnam-se todos e ouçam: quem entre eles anunciou essas coisas?
   O SENHOR o ama;
   ele cumprirá sua vontade contra a Babilônia, e seu braço estará contra os caldeus.
48:15 Eu, eu falei e o chamei;
   eu o trouxe, e seu caminho prosperará.
48:16 Aproximem-se de mim e ouçam isto: desde o princípio não falei em segredo;
   desde que isso aconteceu, eu estava ali.”
   E agora o Senhor, o SENHOR, me enviou, e seu Espírito.

48:17 Assim diz o SENHOR, seu Redentor, o Santo de Israel: “Eu sou o SENHOR, seu Deus, que ensina você para seu proveito e o guia pelo caminho em que deve andar.
48:18 Ah, se você tivesse dado ouvidos aos meus mandamentos!
   Sua paz teria sido como um rio, e sua justiça, como as ondas do mar.
48:19 Sua descendência teria sido como a areia, e os que procedem de suas entranhas, como seus grãos;
   o nome de sua descendência não teria sido cortado nem destruído de diante de mim.”
48:20 Saiam da Babilônia, fujam dos caldeus!
   Anunciem com voz de alegria, façam isso ser ouvido, levem a notícia até os confins da terra.
   Digam: “O SENHOR redimiu seu servo Jacó!”
48:21 Eles não tiveram sede quando ele os conduziu pelos desertos;
   fez correr para eles água da rocha, partiu a rocha, e as águas fluíram.
48:22 “Não há paz para os ímpios”, diz o SENHOR.

Capítulo 49
49:1 Ouçam-me, ilhas!
   Prestem atenção, povos distantes!
   O SENHOR me chamou desde o ventre;
   desde as entranhas de minha mãe mencionou meu nome.
49:2 Fez minha boca como uma espada afiada e me escondeu à sombra de sua mão.
   Fez de mim uma flecha polida e me ocultou em sua aljava.
49:3 Ele me disse: “Você é meu servo, Israel, em quem mostrarei minha glória”.
49:4 Mas eu disse: “Trabalhei em vão;
   no vazio e na vaidade gastei minhas forças.
   Contudo, minha causa está com o SENHOR, e minha recompensa, com meu Deus”.
49:5 E agora fala o SENHOR, que me formou desde o ventre para ser seu servo, para fazer Jacó voltar a ele e reunir Israel junto dele;
   sou honrado aos olhos do SENHOR, e meu Deus se tornou minha força.
49:6 Ele diz: “É pouco que você seja meu servo para restaurar as tribos de Jacó e fazer voltar os preservados de Israel.
   Também farei de você luz para as nações, para que seja minha salvação até os confins da terra”.

49:7 Assim diz o SENHOR, o Redentor de Israel, seu Santo, ao desprezado, ao que a nação abomina, ao servo de governantes: “Reis verão e se levantarão;
   príncipes se prostrarão por causa do SENHOR, que é fiel, do Santo de Israel, que escolheu você”.
49:8 Assim diz o SENHOR: “No tempo favorável respondi a você e, no dia da salvação, o ajudei.
   Guardarei você e o darei como aliança para o povo, para restaurar a terra e repartir as heranças devastadas,
49:9 para dizer aos presos: ‘Saiam!’, e aos que estão nas trevas: ‘Apareçam!’ Eles pastarão junto aos caminhos e terão pasto em todas as alturas desertas.
49:10 Não terão fome nem sede;
   o calor abrasador e o sol não os ferirão, pois aquele que tem compaixão deles os guiará e os conduzirá junto a fontes de água.
49:11 Transformarei todos os meus montes em caminho, e minhas estradas serão elevadas.
49:12 Eis que estes virão de longe, aqueles do norte e do Ocidente, e aqueles outros da terra de Sinim.”
49:13 Cantem de alegria, céus!
   Alegre-se, terra!
   Irrompam em cânticos, montes!
   Pois o SENHOR consolou seu povo e terá compaixão dos seus aflitos.

49:14 Mas Sião disse: “O SENHOR me abandonou;
   o Senhor se esqueceu de mim”.
49:15 “Pode uma mulher se esquecer do filho que amamenta e deixar de ter compaixão do filho de seu ventre?
   Mesmo que elas se esqueçam, eu não me esquecerei de você.
49:16 Eis que gravei você nas palmas das minhas mãos;
   seus muros estão sempre diante de mim.
49:17 Seus filhos se apressam;
   seus destruidores e devastadores sairão do seu meio.
49:18 Levante os olhos ao redor e veja: todos eles se reúnem e vêm até você.
   Tão certo como eu vivo, declara o SENHOR, você os vestirá todos como joias e se adornará com eles como uma noiva.
49:19 Quanto às suas ruínas, seus lugares desolados e sua terra destruída, agora você será estreita demais para os habitantes, e os que a devoravam estarão longe.
49:20 Os filhos de que você foi privada ainda dirão aos seus ouvidos: ‘Este lugar é estreito demais para mim;
   dê-me espaço para que eu habite’.
49:21 Então você dirá em seu coração: ‘Quem gerou estes para mim?
   Eu estava privada de filhos e solitária, exilada e afastada.
   Quem criou estes?
   Eu havia ficado sozinha;
   onde eles estavam?’”

49:22 Assim diz o Senhor, o SENHOR: “Eis que levantarei minha mão para as nações e erguerei meu estandarte para os povos.
   Eles trarão seus filhos nos braços, e suas filhas serão carregadas nos ombros.
49:23 Reis serão seus tutores, e suas princesas, suas amas de leite.
   Eles se prostrarão diante de você com o rosto em terra e lamberão o pó dos seus pés.
   Você saberá que eu sou o SENHOR e que os que esperam em mim não serão envergonhados”.

49:24 Pode-se tirar o despojo de um guerreiro?
   Poderá escapar o cativo do justo?
49:25 Pois assim diz o SENHOR: “Até os cativos do guerreiro serão tomados, e o despojo do tirano será resgatado.
   Eu lutarei contra quem lutar contra você e salvarei seus filhos.
49:26 Farei seus opressores comerem a própria carne, e eles se embriagarão com seu próprio sangue, como com vinho doce.
   Toda a humanidade saberá que eu, o SENHOR, sou seu Salvador e seu Redentor, o Poderoso de Jacó”.

Capítulo 50
50:1 Assim diz o SENHOR: “Onde está a carta de divórcio da mãe de vocês, com a qual a mandei embora?
   Ou a qual dos meus credores vendi vocês?
   Eis que vocês foram vendidos por suas iniquidades, e sua mãe foi mandada embora por suas transgressões.
50:2 Por que, quando vim, não havia ninguém, e, quando chamei, ninguém respondeu?
   Minha mão ficou tão curta que não pode resgatar?
   Ou não tenho força para livrar?
   Eis que, com minha repreensão, seco o mar e transformo os rios em deserto;
   seus peixes apodrecem por falta de água e morrem de sede.
50:3 Visto os céus de escuridão e faço do pano de saco sua cobertura.”

50:4 O Senhor, o SENHOR, me deu língua de discípulo, para que eu saiba sustentar o cansado com uma palavra.
   Manhã após manhã ele me desperta;
   desperta meu ouvido para ouvir como os discípulos.
50:5 O Senhor, o SENHOR, abriu meu ouvido;
   eu não me rebelei nem recuei.
50:6 Ofereci minhas costas aos que me golpeavam e minhas faces aos que me arrancavam a barba;
   não escondi meu rosto dos insultos e das cusparadas.
50:7 O Senhor, o SENHOR, me ajuda;
   por isso não fui humilhado.
   Por isso firmei meu rosto como sílex e sei que não serei envergonhado.
50:8 Está perto aquele que me justifica.
   Quem discutirá comigo?
   Vamos nos apresentar juntos.
   Quem é o adversário da minha causa?
   Que se aproxime de mim.
50:9 Eis que o Senhor, o SENHOR, me ajuda;
   quem me condenará?
   Todos eles se desgastarão como uma roupa;
   a traça os devorará.
50:10 Quem entre vocês teme o SENHOR e obedece à voz de seu servo?
   Aquele que anda nas trevas e não tem luz, que confie no nome do SENHOR e se apoie em seu Deus.
50:11 “Eis que todos vocês que acendem fogo e se cercam de tochas: caminhem à luz do seu fogo e das tochas que acenderam.
   Isto virá da minha mão para vocês: vocês se deitarão em sofrimento.”

Capítulo 51
51:1 “Ouçam-me, vocês que seguem a justiça, que buscam o SENHOR.
   Olhem para a rocha de que foram talhados e para a cavidade da pedreira de que foram extraídos.
51:2 Olhem para Abraão, seu pai, e para Sara, que os deu à luz.
   Quando ele era um só, eu o chamei, o abençoei e o multipliquei.”

51:3 Pois o SENHOR consolará Sião, consolará todas as suas ruínas;
   fará seu deserto como o Éden e sua terra árida como o jardim do SENHOR.
   Nela haverá júbilo e alegria, ação de graças e voz de cântico.

51:4 “Prestem atenção em mim, meu povo;
   deem ouvidos a mim, minha nação!
   Pois de mim sairá a instrução, e estabelecerei minha justiça como luz para os povos.
51:5 Minha justiça está perto, minha salvação já saiu, e meus braços julgarão os povos.
   As ilhas esperam em mim e põem sua esperança em meu braço.
51:6 Levantem os olhos para os céus e olhem para a terra abaixo.
   Pois os céus se dissiparão como fumaça, a terra se desgastará como uma roupa, e seus habitantes morrerão da mesma forma.
   Mas minha salvação durará para sempre, e minha justiça não será quebrantada.

51:7 Ouçam-me, vocês que conhecem a justiça, povo que tem minha instrução no coração.
   Não temam os insultos dos seres humanos nem se assustem com suas afrontas.
51:8 Pois a traça os devorará como a uma roupa, e o verme, como à lã.
   Mas minha justiça durará para sempre, e minha salvação, de geração em geração.”

51:9 Desperta, desperta!
   Veste-te de força, braço do SENHOR!
   Desperta como nos dias antigos, nas gerações de outrora.
   Não foste tu que despedaçaste Raabe e traspassaste o monstro marinho?
51:10 Não foste tu que secaste o mar, as águas do grande abismo, que fizeste das profundezas do mar um caminho para os redimidos passarem?
51:11 Os resgatados do SENHOR voltarão e entrarão em Sião com cânticos de júbilo;
   haverá alegria eterna sobre suas cabeças.
   Alcançarão júbilo e alegria, e a tristeza e o gemido fugirão.

51:12 “Eu, eu sou aquele que consola vocês.
   Quem é você para temer o ser humano que morre, o filho do homem que se tornará como a erva?
51:13 Você se esqueceu do SENHOR, que o fez, que estendeu os céus e fundou a terra.
   Teme continuamente, o dia inteiro, a fúria do opressor quando ele se prepara para destruir.
   Mas onde está a fúria do opressor?
51:14 O cativo encurvado logo será libertado;
   não morrerá na cova, nem lhe faltará pão.
51:15 Eu sou o SENHOR, seu Deus, que agita o mar e faz suas ondas rugirem;
   SENHOR dos Exércitos é o seu nome.
51:16 Pus minhas palavras em sua boca e cobri você com a sombra da minha mão, para plantar os céus, fundar a terra e dizer a Sião: ‘Você é meu povo’.”

51:17 Desperte, desperte!
   Levante-se, Jerusalém, você que bebeu da mão do SENHOR a taça de sua fúria.
   Você bebeu o cálice, a taça do atordoamento, e a esvaziou.
51:18 De todos os filhos que ela deu à luz, não há quem a guie;
   de todos os filhos que criou, não há quem a segure pela mão.
51:19 Essas duas coisas aconteceram com você: devastação e ruína, fome e espada.
   Quem terá compaixão de você?
   Como consolarei você?
51:20 Seus filhos desfaleceram;
   estão deitados nas esquinas de todas as ruas, como um antílope numa rede, cheios da fúria do SENHOR, da repreensão de seu Deus.
51:21 Por isso ouça agora isto, aflita e embriagada, mas não de vinho:

51:22 Assim diz seu Senhor, o SENHOR, e seu Deus, que defende a causa de seu povo: “Eis que tirei de sua mão a taça do atordoamento, o cálice, a taça da minha fúria;
   você nunca mais a beberá.
51:23 Eu a porei na mão dos que atormentam você, os que lhe disseram: ‘Curve-se para que passemos por cima!’ E você fez de suas costas chão, uma rua para os que passavam.”

Capítulo 52
52:1 Desperte, desperte!
   Vista-se de sua força, Sião!
   Vista suas roupas de esplendor, Jerusalém, cidade santa!
   Pois nunca mais entrarão em você o incircunciso e o impuro.
52:2 Sacuda o pó, levante-se e sente-se, Jerusalém!
   Solte as amarras do seu pescoço, cativa filha de Sião!

52:3 Pois assim diz o SENHOR: “Vocês foram vendidos por nada, e não será com prata que serão redimidos”.
52:4 Pois assim diz o Senhor, o SENHOR: “No princípio meu povo desceu ao Egito para morar ali, e a Assíria o oprimiu sem motivo.
52:5 E agora, o que faço aqui, declara o SENHOR, já que meu povo foi levado sem pagamento?
   Seus dominadores uivam, declara o SENHOR, e continuamente, o dia inteiro, meu nome é blasfemado.
52:6 Por isso meu povo conhecerá meu nome;
   por isso, naquele dia saberá que sou eu quem fala: ‘Aqui estou!’”
52:7 Como são belos sobre os montes os pés de quem traz boas notícias, de quem anuncia a paz, de quem anuncia o bem, de quem anuncia salvação, de quem diz a Sião: “Seu Deus reina!”
52:8 Ouça a voz dos seus sentinelas!
   Eles levantam a voz e cantam juntos de alegria, pois verão com os próprios olhos o SENHOR voltar a Sião.
52:9 Irrompam em cânticos, cantem juntas, ruínas de Jerusalém!
   Pois o SENHOR consolou seu povo e redimiu Jerusalém.
52:10 O SENHOR desnudou seu santo braço diante dos olhos de todas as nações, e todos os confins da terra verão a salvação do nosso Deus.

52:11 Afastem-se, afastem-se, saiam de lá!
   Não toquem em nada impuro.
   Saiam do meio dela, purifiquem-se, vocês que levam os utensílios do SENHOR.
52:12 Pois vocês não sairão às pressas nem partirão em fuga;
   o SENHOR irá à sua frente, e o Deus de Israel será sua retaguarda.

52:13 “Eis que meu servo agirá com sabedoria;
   será exaltado, elevado e posto muito alto.
52:14 Assim como muitos se espantaram com você — tão desfigurada estava a aparência dele, mais que a de qualquer homem, e seu aspecto, mais que o dos filhos dos homens —,
52:15 assim ele aspergirá muitas nações.
   Diante dele reis fecharão a boca, pois verão o que não lhes havia sido contado e compreenderão o que não tinham ouvido.”

Capítulo 53
53:1 Quem creu em nossa mensagem?
   A quem foi revelado o braço do SENHOR?
53:2 Ele cresceu diante dele como um broto tenro, como raiz de terra seca.
   Não tinha beleza nem esplendor;
   ao olharmos para ele, nada havia em sua aparência que nos atraísse.
53:3 Foi desprezado e abandonado pelos homens, homem de dores, familiarizado com a doença.
   Como alguém de quem se esconde o rosto, foi desprezado, e não lhe demos valor.
53:4 Certamente ele levou nossas doenças e carregou nossas dores;
   mas nós o consideramos castigado, ferido por Deus e afligido.
53:5 Mas ele foi traspassado por nossas transgressões, esmagado por nossas iniquidades.
   O castigo que nos traz paz estava sobre ele, e por sua ferida fomos curados.
53:6 Todos nós nos desviamos como ovelhas;
   cada um se voltou para seu próprio caminho, mas o SENHOR fez recair sobre ele a iniquidade de todos nós.
53:7 Foi oprimido e afligido, mas não abriu a boca.
   Como um cordeiro levado ao matadouro, como uma ovelha muda diante de seus tosquiadores, ele não abriu a boca.
53:8 Por opressão e julgamento foi levado;
   sua geração, quem a considerará?
   Pois foi cortado da terra dos vivos;
   pela transgressão de meu povo ele foi atingido.
53:9 Destinaram-lhe sepultura com os ímpios, e em sua morte esteve com um rico, embora não tivesse cometido violência nem houvesse engano em sua boca.
53:10 Mas o SENHOR quis esmagá-lo e o fez adoecer.
   Se a vida dele for oferecida como oferta pela culpa, ele verá descendência e prolongará seus dias;
   a vontade do SENHOR prosperará em sua mão.
53:11 Depois da aflição de sua alma, ele verá e ficará satisfeito.
   Por seu conhecimento, meu servo justo justificará a muitos, e ele levará as iniquidades deles.
53:12 Por isso lhe darei uma parte entre os grandes, e ele repartirá o despojo com os poderosos, pois derramou sua vida até a morte e foi contado entre os transgressores.
   Ele levou o pecado de muitos e intercedeu pelos transgressores.

Capítulo 54
54:1 “Cante de alegria, estéril, você que não deu à luz!
   Irrompa em cânticos e grite de alegria, você que não teve dores de parto!
   Pois os filhos da desolada são mais numerosos que os da casada, diz o SENHOR.
54:2 Amplie o lugar da sua tenda;
   que estendam as cortinas de suas moradas.
   Não economize;
   alongue suas cordas e firme suas estacas.
54:3 Pois você se expandirá para a direita e para a esquerda;
   sua descendência possuirá nações e povoará cidades desoladas.
54:4 Não tenha medo, pois você não será envergonhada;
   não se sinta humilhada, pois não será desonrada.
   Você se esquecerá da vergonha de sua juventude e não se lembrará mais da afronta de sua viuvez.
54:5 Pois seu marido é aquele que fez você;
   SENHOR dos Exércitos é o seu nome.
   Seu Redentor é o Santo de Israel;
   ele será chamado Deus de toda a terra.
54:6 Pois o SENHOR chamou você como a uma mulher abandonada e aflita de espírito, como a uma esposa da juventude que foi rejeitada, diz seu Deus.
54:7 Por um breve momento abandonei você, mas com grande compaixão a reunirei.
54:8 Num transbordar de ira escondi de você meu rosto por um momento, mas com amor eterno terei compaixão de você, diz o SENHOR, seu Redentor.

54:9 Pois isso é para mim como as águas de Noé: assim como jurei que as águas de Noé não voltariam a cobrir a terra, assim jurei que não me irritarei com você nem a repreenderei.
54:10 Ainda que os montes se afastem e as colinas vacilem, meu amor fiel não se afastará de você, e minha aliança de paz não vacilará, diz o SENHOR, que tem compaixão de você.

54:11 Aflita, açoitada pela tempestade, sem consolo!
   Eis que assentarei suas pedras com antimônio e porei seus alicerces com safiras.
54:12 Farei suas ameias de rubis, seus portões de pedras resplandecentes e toda a sua muralha de pedras preciosas.
54:13 Todos os seus filhos serão ensinados pelo SENHOR, e grande será a paz dos seus filhos.
54:14 Você será estabelecida em justiça.
   Afaste-se da opressão, pois não temerá, e do terror, pois não se aproximará de você.
54:15 Eis que, se houver conspiração contra você, não será de minha parte;
   quem conspirar contra você cairá por sua causa.
54:16 Fui eu que criei o ferreiro que sopra as brasas no fogo e produz uma ferramenta para seu trabalho;
   fui eu que criei o devastador para destruir.
54:17 Nenhuma arma forjada contra você prosperará, e você condenará toda língua que se levantar contra você em julgamento.
   Esta é a herança dos servos do SENHOR, e a justiça deles vem de mim, declara o SENHOR.”

Capítulo 55
55:1 “Todos vocês que têm sede, venham às águas!
   Vocês que não têm dinheiro, venham, comprem e comam!
   Venham, comprem vinho e leite sem dinheiro e sem custo.
55:2 Por que vocês gastam dinheiro com o que não é pão e o fruto do seu trabalho com o que não sacia?
   Ouçam-me com atenção e comam o que é bom;
   que sua alma se delicie na abundância.
55:3 Inclinem os ouvidos e venham a mim;
   ouçam, e sua alma viverá.
   Firmarei com vocês uma aliança eterna, as fiéis misericórdias prometidas a Davi.
55:4 Eis que o dei como testemunha aos povos, como chefe e comandante dos povos.
55:5 Eis que você chamará uma nação que não conhecia, e uma nação que não o conhecia correrá até você por causa do SENHOR, seu Deus, e do Santo de Israel, pois ele o glorificou.”

55:6 Busquem o SENHOR enquanto pode ser encontrado;
   invoquem-no enquanto está perto.
55:7 Que o ímpio abandone seu caminho, e o homem mau, seus pensamentos;
   que volte para o SENHOR, e ele terá compaixão dele;
   que volte para o nosso Deus, pois perdoará abundantemente.
55:8 “Pois meus pensamentos não são os pensamentos de vocês, nem seus caminhos são os meus caminhos, declara o SENHOR.
55:9 Assim como os céus são mais altos que a terra, meus caminhos são mais altos que os caminhos de vocês, e meus pensamentos, mais altos que seus pensamentos.
55:10 Pois, assim como a chuva e a neve descem dos céus e não voltam para lá sem regar a terra, fazê-la produzir e brotar, dando semente ao semeador e pão a quem come,
55:11 assim será minha palavra que sai de minha boca: ela não voltará para mim vazia, mas fará o que desejo e cumprirá aquilo para que a enviei.
55:12 Pois vocês sairão com alegria e serão conduzidos em paz;
   os montes e as colinas irromperão em cânticos diante de vocês, e todas as árvores do campo baterão palmas.
55:13 Em lugar do espinheiro crescerá o cipreste, e em lugar da urtiga crescerá a murta.
   Isso trará renome ao SENHOR e será um sinal eterno, que não será destruído.”

Capítulo 56
56:1 Assim diz o SENHOR: “Guardem o direito e pratiquem a justiça, pois minha salvação está perto de chegar, e minha justiça, de ser revelada.
56:2 Feliz o ser humano que faz isso, o filho do homem que se apega a isso: que guarda o sábado sem profaná-lo e guarda sua mão de fazer qualquer mal”.

56:3 Que o estrangeiro que se uniu ao SENHOR não diga: “Certamente o SENHOR me separará de seu povo”.
   Nem diga o eunuco: “Eis que sou uma árvore seca”.

56:4 Pois assim diz o SENHOR: “Aos eunucos que guardam meus sábados, escolhem o que me agrada e se apegam à minha aliança,
56:5 darei em minha casa e dentro dos meus muros um memorial e um nome melhores que filhos e filhas;
   darei a cada um um nome eterno, que não será apagado.

56:6 E os estrangeiros que se unem ao SENHOR para servi-lo, amar o nome do SENHOR e ser seus servos, todos os que guardam o sábado sem profaná-lo e se apegam à minha aliança,
56:7 eu os levarei ao meu santo monte e os alegrarei em minha casa de oração.
   Seus holocaustos e sacrifícios serão aceitos sobre meu altar, pois minha casa será chamada casa de oração para todos os povos”.
56:8 Declara o Senhor, o SENHOR, que reúne os dispersos de Israel: “Ainda reunirei outros junto dele, além dos que já foram reunidos”.
56:9 Todos os animais do campo, venham devorar, todos os animais do bosque!

56:10 Seus sentinelas são cegos, nenhum sabe nada.
   Todos são cães mudos, incapazes de latir;
   sonham, ficam deitados, amam dormir.
56:11 São cães vorazes que não conhecem saciedade;
   são pastores que não sabem compreender.
   Todos se voltaram para seu próprio caminho, cada um para seu próprio ganho, até o último.
56:12 “Venham, vou buscar vinho, e nos embriagaremos com bebida forte!
   Amanhã será como hoje, ainda muito mais grandioso!”

Capítulo 57
57:1 O justo perece, e ninguém leva isso a sério;
   os homens fiéis são recolhidos, sem que ninguém compreenda que o justo é retirado de diante do mal.
57:2 Ele entra na paz;
   descansam em seus leitos os que andam com retidão.
57:3 “Mas vocês, aproximem-se daqui, filhos de feiticeira, descendência de adúltero e de prostituta.
57:4 De quem vocês zombam?
   Contra quem escancaram a boca e põem a língua para fora?
   Não são vocês filhos da transgressão, descendência da mentira,
57:5 vocês que ardem de paixão entre os carvalhos, debaixo de toda árvore frondosa, que sacrificam crianças nos vales, debaixo das saliências das rochas?
57:6 Entre as pedras lisas do ribeiro está sua porção;
   elas, elas são sua sorte.
   Para elas você derramou libações e ofereceu ofertas de cereais.
   Deveria eu me contentar com essas coisas?
57:7 Num monte alto e elevado você pôs seu leito;
   também subiu até lá para oferecer sacrifícios.
57:8 Atrás da porta e da ombreira você pôs seu memorial;
   afastando-se de mim, despiu-se e subiu.
   Alargou seu leito e firmou uma aliança com eles;
   amou o leito deles e contemplou sua virilidade.
57:9 Você foi ao rei com óleo e multiplicou seus perfumes;
   enviou seus mensageiros para longe e desceu até o mundo dos mortos.
57:10 Você se cansou com a longa jornada, mas não disse: ‘Não há esperança’.
   Encontrou vigor em sua mão;
   por isso não desfaleceu.
57:11 De quem você teve receio e medo, para mentir e não se lembrar de mim nem me levar a sério?
   Não é porque guardei silêncio por muito tempo que você não me teme?
57:12 Eu exporei sua justiça e suas obras, mas elas não lhe servirão de nada.
57:13 Quando você clamar, que a livrem os que você reuniu!
   O vento levará todos eles, um sopro os arrebatará.
   Mas quem se refugia em mim herdará a terra e possuirá meu santo monte.”
57:14 E dirá: “Construam, construam, preparem o caminho!
   Retirem os obstáculos do caminho do meu povo!”

57:15 Pois assim diz o Alto e Sublime, que habita a eternidade e cujo nome é Santo: “Habito num lugar alto e santo e também com o contrito e humilde de espírito, para reanimar o espírito dos humildes e reanimar o coração dos contritos.
57:16 Pois não discutirei para sempre nem ficarei irado eternamente, pois o espírito desfaleceria diante de mim, e as almas que eu fiz.
57:17 Por causa da iniquidade de sua ganância, eu me irritei e o feri;
   escondi-me e me indignei, mas ele seguiu rebelde pelo caminho de seu coração.
57:18 Vi seus caminhos, mas o curarei;
   eu o guiarei e restaurarei o consolo a ele e aos que choram por ele,
57:19 criando o fruto dos lábios.
   Paz, paz a quem está longe e a quem está perto”, diz o SENHOR, “e eu o curarei”.
57:20 Mas os ímpios são como o mar agitado, que não pode se aquietar, e cujas águas lançam lama e lodo.
57:21 “Não há paz para os ímpios”, diz o meu Deus.

Capítulo 58
58:1 “Clame a plena voz, não se contenha!
   Levante a voz como uma trombeta e anuncie ao meu povo sua transgressão e à casa de Jacó seus pecados.
58:2 Eles me buscam dia após dia e têm prazer em conhecer meus caminhos, como uma nação que tivesse praticado a justiça e não tivesse abandonado o direito de seu Deus.
   Pedem-me julgamentos justos e têm prazer em se aproximar de Deus.
58:3 ‘Por que jejuamos, e tu não viste?
   Afligimos nossa alma, e tu não levaste em conta?’ Eis que, no dia do seu jejum, vocês buscam seu próprio prazer e oprimem todos os seus trabalhadores.
58:4 Eis que vocês jejuam para discutir e brigar, para golpear com punho perverso.
   Não jejuem como hoje para fazer sua voz ser ouvida nas alturas.
58:5 É esse o jejum que escolho, um dia em que o ser humano aflija sua alma?
   Inclinar a cabeça como um junco e estender pano de saco e cinza como leito?
   Você chamará isso de jejum e dia agradável ao SENHOR?
58:6 Não é este o jejum que escolho: soltar as correntes da maldade, desatar as cordas do jugo, deixar livres os oprimidos e quebrar todo jugo?
58:7 Não é repartir seu pão com o faminto e acolher em casa os pobres sem abrigo;
   ao ver alguém nu, cobri-lo, e não se esconder de sua própria carne?
58:8 Então sua luz despontará como a alvorada, e sua recuperação logo brotará;
   sua justiça irá à sua frente, e a glória do SENHOR será sua retaguarda.
58:9 Então você chamará, e o SENHOR responderá;
   clamará por socorro, e ele dirá: ‘Aqui estou!’ Se você retirar do seu meio o jugo, o apontar do dedo e o falar maldade,
58:10 se você se doar ao faminto e saciar a alma aflita, sua luz brilhará nas trevas, e sua escuridão será como o meio-dia.
58:11 O SENHOR guiará você continuamente, saciará sua alma nos lugares áridos e dará vigor aos seus ossos.
   Você será como um jardim regado, como um manancial cujas águas não faltam.
58:12 Os seus reconstruirão as ruínas antigas;
   você levantará os alicerces de geração em geração.
   Será chamado reparador de brechas, restaurador de caminhos para habitar.
58:13 Se você refrear o pé no sábado, deixando de fazer sua vontade no meu dia santo, se chamar o sábado de deleite e o dia santo do SENHOR de honrado, e o honrar sem seguir seus próprios caminhos, buscar seu próprio prazer ou falar de seus próprios assuntos,
58:14 então você terá prazer no SENHOR.
   Eu o farei cavalgar sobre as alturas da terra e o alimentarei com a herança de Jacó, seu pai, pois a boca do SENHOR falou.”

Capítulo 59
59:1 Eis que a mão do SENHOR não ficou curta para salvar, nem seu ouvido ficou pesado para ouvir.
59:2 Mas as iniquidades de vocês fizeram separação entre vocês e seu Deus;
   seus pecados esconderam de vocês o rosto dele, para que não os ouça.
59:3 Pois suas mãos estão manchadas de sangue, e seus dedos, de iniquidade;
   seus lábios falam mentira, e sua língua murmura perversidade.
59:4 Ninguém clama com justiça nem vai a julgamento com honestidade.
   Confiam no vazio e falam falsidade;
   concebem malícia e dão à luz iniquidade.
59:5 Chocam ovos de serpente venenosa e tecem teias de aranha.
   Quem come desses ovos morre;
   do ovo esmagado sai uma víbora.
59:6 Suas teias não servirão como roupa, nem eles se cobrirão com suas obras.
   Suas obras são obras de iniquidade, e há atos de violência em suas mãos.
59:7 Seus pés correm para o mal e se apressam em derramar sangue inocente.
   Seus pensamentos são pensamentos de iniquidade;
   devastação e ruína estão em suas estradas.
59:8 Não conhecem o caminho da paz, e não há direito em seus caminhos.
   Tornaram tortuosas as próprias veredas;
   quem anda por elas não conhece a paz.
59:9 Por isso o direito está longe de nós, e a justiça não nos alcança.
   Esperamos luz, mas há trevas;
   claridade, mas andamos na escuridão.
59:10 Apalpamos a parede como cegos, tateamos como os que não têm olhos.
   Tropeçamos ao meio-dia como ao anoitecer;
   entre os vigorosos, somos como mortos.
59:11 Todos nós rosnamos como ursos e gememos sem cessar como pombas.
   Esperamos o direito, mas ele não vem;
   a salvação, mas ela está longe de nós.
59:12 Pois nossas transgressões se multiplicaram diante de ti, e nossos pecados testemunham contra nós.
   Nossas transgressões estão conosco, e conhecemos nossas iniquidades:
59:13 rebelar-nos e negar o SENHOR, afastar-nos do nosso Deus, falar opressão e rebeldia, conceber e pronunciar do coração palavras de mentira.
59:14 O direito foi feito recuar, e a justiça permanece longe, pois a verdade tropeçou na praça, e a retidão não pode entrar.
59:15 A verdade está ausente, e quem se afasta do mal se torna presa.
   O SENHOR viu isso e se desagradou por não haver direito.
59:16 Viu que não havia ninguém e se espantou por não haver quem intercedesse.
   Seu próprio braço lhe trouxe salvação, e sua justiça o sustentou.
59:17 Vestiu a justiça como couraça e pôs na cabeça o capacete da salvação.
   Vestiu roupas de vingança e se envolveu no zelo como num manto.
59:18 Conforme as obras deles, assim retribuirá: fúria aos adversários, retribuição aos inimigos;
   às ilhas dará sua retribuição.
59:19 Do Ocidente temerão o nome do SENHOR, e do nascente do sol, sua glória;
   pois ele virá como um rio impetuoso, impelido pelo vento do SENHOR.
59:20 “Virá um redentor a Sião e aos que abandonam a transgressão em Jacó”, declara o SENHOR.
59:21 “Quanto a mim, esta é minha aliança com eles, diz o SENHOR: Meu Espírito, que está sobre você, e minhas palavras, que pus em sua boca, não se afastarão de sua boca, nem da boca de sua descendência, nem da boca da descendência de sua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para sempre.”

Capítulo 60
60:1 Levante-se, resplandeça, pois sua luz chegou, e a glória do SENHOR nasceu sobre você.
60:2 Eis que as trevas cobrirão a terra, e a escuridão densa, os povos;
   mas sobre você o SENHOR raiará, e sua glória será vista sobre você.
60:3 As nações caminharão para sua luz, e os reis, para o resplendor de sua alvorada.
60:4 Levante os olhos ao redor e veja: todos se reúnem e vêm até você.
   Seus filhos virão de longe, e suas filhas serão carregadas no quadril.
60:5 Então você verá e ficará radiante;
   seu coração estremecerá e se alargará, pois a abundância do mar se voltará para você, e as riquezas das nações virão até você.
60:6 Uma multidão de camelos cobrirá você, camelos jovens de Midiã e de Efa.
   Todos virão de Sabá, trazendo ouro e incenso e anunciando os louvores do SENHOR.
60:7 “Todos os rebanhos de Quedar se reunirão para você, e os carneiros de Nebaiote a servirão.
   Subirão ao meu altar como oferta agradável, e glorificarei a casa da minha glória.
60:8 Quem são estes que voam como nuvem, como pombas para seus pombais?
60:9 Pois as ilhas esperam em mim, e os navios de Társis vêm à frente, para trazer seus filhos de longe, com sua prata e seu ouro, por causa do nome do SENHOR, seu Deus, e do Santo de Israel, pois ele glorificou você.
60:10 Estrangeiros reconstruirão seus muros, e os reis deles servirão você.
   Pois em minha ira eu a feri, mas em meu favor tive compaixão de você.
60:11 Seus portões estarão sempre abertos;
   não se fecharão de dia nem de noite, para que tragam a você as riquezas das nações, com os reis delas sendo conduzidos.
60:12 Pois a nação e o reino que não servirem você perecerão;
   essas nações serão completamente devastadas.
60:13 A glória do Líbano virá até você, ciprestes, olmos e buxos juntos, para embelezar o lugar do meu santuário;
   honrarei o lugar dos meus pés.
60:14 Os filhos dos que a afligiram virão curvados até você, e todos os que a desprezaram se prostrarão às plantas dos seus pés.
   Chamarão você de Cidade do SENHOR, Sião do Santo de Israel.
60:15 Em lugar de estar abandonada e odiada, sem que ninguém passasse por você, eu a farei glória eterna, alegria de geração em geração.
60:16 Você mamará o leite das nações, mamará do peito dos reis.
   Saberá que eu, o SENHOR, sou seu Salvador e seu Redentor, o Poderoso de Jacó.
60:17 Em lugar de bronze trarei ouro e em lugar de ferro trarei prata;
   em lugar de madeira, bronze, e em lugar de pedras, ferro.
   Porei a paz como sua supervisora e a justiça como seus governantes.
60:18 Não se ouvirá mais violência em sua terra, nem devastação ou ruína dentro de suas fronteiras.
   Você chamará seus muros de Salvação e seus portões de Louvor.
60:19 O sol não será mais sua luz de dia, nem o brilho da lua iluminará você;
   o SENHOR será sua luz eterna, e seu Deus será sua glória.
60:20 Seu sol nunca mais se porá, e sua lua não desaparecerá, pois o SENHOR será sua luz eterna, e os dias do seu luto terminarão.
60:21 Todos os do seu povo serão justos e possuirão a terra para sempre: renovo que plantei, obra de minhas mãos, para mostrar minha glória.
60:22 O pequeno se tornará um milhar, e o menor, uma nação poderosa.
   Eu, o SENHOR, apressarei isso a seu tempo.”

Capítulo 61
61:1 O Espírito do Senhor, o SENHOR, está sobre mim, pois o SENHOR me ungiu para anunciar boas notícias aos pobres.
   Enviou-me para enfaixar os de coração quebrantado, proclamar liberdade aos cativos e abertura da prisão aos presos,
61:2 para proclamar o ano do favor do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus, para consolar todos os que estão de luto,
61:3 para conceder aos que estão de luto em Sião um diadema em lugar de cinza, óleo de alegria em lugar de luto, manto de louvor em lugar de espírito abatido.
   Serão chamados carvalhos de justiça, plantação do SENHOR para mostrar sua glória.
61:4 Eles reconstruirão as ruínas antigas, levantarão os lugares desolados de outrora e renovarão as cidades arruinadas, desoladas de geração em geração.
61:5 Estrangeiros se apresentarão e apascentarão os rebanhos de vocês;
   os forasteiros serão seus lavradores e seus vinhateiros.
61:6 Mas vocês serão chamados sacerdotes do SENHOR;
   serão chamados ministros do nosso Deus.
   Comerão as riquezas das nações e se gloriarão na glória delas.
61:7 Em lugar da vergonha de vocês haverá porção dupla;
   em lugar de humilhação, eles cantarão de alegria por sua porção.
   Por isso possuirão o dobro em sua terra e terão alegria eterna.
61:8 “Pois eu, o SENHOR, amo o direito e odeio o roubo no holocausto.
   Darei fielmente a eles sua recompensa e firmarei com eles uma aliança eterna.
61:9 Sua descendência será conhecida entre as nações, e seus filhos, no meio dos povos.
   Todos os que os virem reconhecerão que são descendência abençoada pelo SENHOR.”

61:10 Eu me alegrarei intensamente no SENHOR;
   minha alma exultará em meu Deus.
   Pois ele me vestiu com roupas de salvação e me envolveu num manto de justiça, como noivo que se adorna com turbante sacerdotal, como noiva que se enfeita com suas joias.
61:11 Pois, assim como a terra produz seus brotos e o jardim faz germinar suas sementes, o Senhor, o SENHOR, fará brotar justiça e louvor diante de todas as nações.

Capítulo 62
62:1 Por causa de Sião não me calarei, e por causa de Jerusalém não descansarei, até que sua justiça surja como um resplendor, e sua salvação arda como uma tocha.
62:2 As nações verão sua justiça, e todos os reis, sua glória.
   Você será chamada por um nome novo, que a boca do SENHOR determinará.
62:3 Você será uma coroa de esplendor na mão do SENHOR, um diadema real na palma de seu Deus.
62:4 Nunca mais chamarão você de Abandonada, nem sua terra de Desolada;
   chamarão você de Meu deleite está nela, e sua terra de Casada.
   Pois o SENHOR tem prazer em você, e sua terra será desposada.
62:5 Pois, como um jovem se casa com uma virgem, seus filhos se casarão com você;
   como o noivo se alegra com a noiva, seu Deus se alegrará com você.
62:6 Sobre seus muros, Jerusalém, pus guardas;
   o dia inteiro e a noite inteira, jamais se calarão.
   Vocês que fazem o SENHOR se lembrar, não descansem,
62:7 nem deem descanso a ele, até que a estabeleça e faça de Jerusalém motivo de louvor na terra.
62:8 O SENHOR jurou por sua mão direita e por seu braço poderoso: “Nunca mais darei seus cereais como alimento aos seus inimigos, nem estrangeiros beberão seu vinho novo, pelo qual você trabalhou.
62:9 Os que colherem os cereais os comerão e louvarão o SENHOR;
   os que recolherem o vinho o beberão nos pátios do meu santuário”.

62:10 Passem, passem pelos portões!
   Preparem o caminho do povo!
   Construam, construam a estrada, retirem as pedras, levantem um estandarte sobre os povos!
62:11 Eis que o SENHOR fez ouvir até os confins da terra: “Digam à filha de Sião: ‘Eis que vem sua salvação!
   Sua recompensa está com ele, e sua retribuição, à sua frente’”.
62:12 Eles serão chamados Povo Santo, Redimidos do SENHOR;
   e você será chamada Procurada, Cidade não abandonada.

Capítulo 63
63:1 Quem é este que vem de Edom, de Bozra, com roupas tingidas de vermelho, este majestoso em suas vestes, que avança com a grandeza de sua força?
   “Sou eu, que falo com justiça, poderoso para salvar.”
63:2 Por que sua roupa está vermelha, e suas vestes, como as de quem pisa no lagar?
63:3 “Pisei o lagar sozinho;
   dos povos, ninguém estava comigo.
   Eu os pisei em minha ira e os esmaguei em minha fúria;
   seu sangue salpicou minhas vestes, e manchei toda a minha roupa.
63:4 Pois o dia da vingança estava em meu coração, e chegou o ano dos meus redimidos.
63:5 Olhei, e não havia quem ajudasse;
   espantei-me por não haver quem sustentasse.
   Meu próprio braço me trouxe salvação, e minha fúria me sustentou.
63:6 Pisei os povos em minha ira, embriaguei-os em minha fúria e derramei seu sangue na terra.”

63:7 Recordarei as misericórdias do SENHOR, os louvores do SENHOR, conforme tudo o que o SENHOR nos concedeu, e a grande bondade para com a casa de Israel, que lhes concedeu segundo sua compaixão e a abundância de suas misericórdias.
63:8 Ele disse: “Certamente eles são meu povo, filhos que não mentirão”.
   E se tornou seu Salvador.
63:9 Em todas as suas angústias ele se angustiou, e o anjo de sua presença os salvou.
   Em seu amor e em sua compaixão ele os redimiu, os ergueu e os carregou todos os dias da antiguidade.
63:10 Mas eles se rebelaram e entristeceram seu Espírito Santo;
   por isso ele se tornou inimigo deles e ele mesmo lutou contra eles.
63:11 Então seu povo se lembrou dos dias antigos, dos dias de Moisés: “Onde está aquele que os fez subir do mar com os pastores do seu rebanho?
   Onde está aquele que pôs nele seu Espírito Santo,
63:12 que fez seu braço glorioso andar à direita de Moisés, que dividiu as águas diante deles para fazer para si um nome eterno,
63:13 que os conduziu pelos abismos?
   Como um cavalo no deserto, eles não tropeçaram”.
63:14 Como o gado que desce ao vale, o Espírito do SENHOR lhe deu descanso.
   Assim guiaste teu povo para fazer para ti um nome glorioso.
63:15 Olha dos céus e vê, de tua santa e gloriosa morada.
   Onde estão teu zelo e teus feitos poderosos?
   A ternura de tuas entranhas e tua compaixão se contiveram para comigo.
63:16 Pois tu és nosso Pai, ainda que Abraão não nos conheça e Israel não nos reconheça.
   Tu, SENHOR, és nosso Pai;
   “Nosso Redentor desde a antiguidade” é teu nome.
63:17 Por que, SENHOR, nos fazes desviar de teus caminhos e endureces nosso coração para que não te temamos?
   Volta por causa de teus servos, as tribos de tua herança.
63:18 Por pouco tempo teu povo santo a possuiu;
   nossos adversários pisotearam teu santuário.
63:19 Tornamo-nos como aqueles sobre quem nunca governaste, sobre quem teu nome nunca foi invocado.

Capítulo 64
64:1 Ah, se rasgasses os céus e descesses, se os montes se derretessem diante de ti,
64:2 como o fogo que incendeia os gravetos, como o fogo que faz ferver a água, para dares a conhecer teu nome aos teus adversários e fazeres as nações tremer diante de ti!
64:3 Quando fizeste coisas temíveis que não esperávamos, desceste, e os montes se derreteram diante de ti.
64:4 Desde a antiguidade não se ouviu nem se percebeu, nem olho algum viu um Deus além de ti, que age a favor de quem nele espera.
64:5 Vens ao encontro de quem se alegra e pratica a justiça, daqueles que se lembram de ti em teus caminhos.
   Eis que tu te iraste, e nós pecamos;
   há muito estamos nessa situação.
   Seremos salvos?
64:6 Todos nós nos tornamos como o impuro, e todos os nossos atos de justiça são como um pano menstrual.
   Todos nós murchamos como a folha, e nossas iniquidades nos arrastam como o vento.
64:7 Não há quem invoque teu nome, quem desperte para se apegar a ti, pois escondeste de nós teu rosto e nos fizeste derreter sob o poder de nossas iniquidades.
64:8 Mas agora, SENHOR, tu és nosso Pai;
   nós somos o barro, e tu és nosso oleiro.
   Todos nós somos obra de tua mão.
64:9 Não te enfureças tanto, SENHOR, nem te lembres para sempre da iniquidade.
   Olha, nós te pedimos: todos nós somos teu povo.
64:10 Tuas cidades santas se tornaram um deserto;
   Sião se tornou deserto, Jerusalém, desolação.
64:11 Nossa casa santa e gloriosa, onde nossos antepassados te louvaram, foi queimada pelo fogo;
   todas as nossas coisas preciosas se tornaram ruínas.
64:12 Diante disso, ainda te conterás, SENHOR?
   Ficarás em silêncio e nos afligirás tanto?

Capítulo 65
65:1 “Deixei-me buscar pelos que não perguntavam por mim;
   deixei-me encontrar pelos que não me procuravam.
   Disse: ‘Aqui estou, aqui estou’, a uma nação que não levava meu nome.
65:2 Estendi minhas mãos o dia inteiro a um povo rebelde, que anda por um caminho que não é bom, seguindo seus próprios pensamentos.
65:3 Um povo que me provoca continuamente diante do meu rosto, que oferece sacrifícios nos jardins e queima incenso sobre tijolos,
65:4 que se senta entre os túmulos e passa a noite em lugares secretos, que come carne de porco e tem caldo de coisas impuras em suas vasilhas,
65:5 que diz: ‘Fique onde está, não se aproxime de mim, pois sou mais santo que você’.
   Eles são fumaça em meu nariz, um fogo que arde o dia inteiro.
65:6 Eis que está escrito diante de mim: não me calarei;
   eu retribuirei, retribuirei no regaço deles
65:7 as iniquidades de vocês e as de seus antepassados juntas, diz o SENHOR.
   Pois queimaram incenso nos montes e me afrontaram nas colinas;
   medirei no regaço deles a retribuição por suas obras antigas.”

65:8 Assim diz o SENHOR: “Como quando se encontra vinho novo num cacho de uvas e alguém diz: ‘Não o destrua, pois há bênção nele’, assim farei por causa de meus servos, para não destruir tudo.
65:9 Farei sair de Jacó uma descendência e de Judá um herdeiro dos meus montes.
   Meus escolhidos herdarão a terra, e meus servos habitarão ali.
65:10 Sarom será pastagem para ovelhas, e o vale de Acor, lugar de repouso para o gado, para meu povo que me busca.
65:11 Mas vocês, que abandonam o SENHOR e se esquecem do meu santo monte, que preparam uma mesa para a Fortuna e enchem taças de vinho misturado para o Destino,
65:12 eu destinarei vocês à espada, e todos se curvarão para a matança.
   Pois chamei, e vocês não responderam;
   falei, e não ouviram, mas fizeram o que é mau aos meus olhos e escolheram o que não me agrada.”

65:13 Por isso, assim diz o Senhor, o SENHOR: “Eis que meus servos comerão, mas vocês terão fome;
   eis que meus servos beberão, mas vocês terão sede;
   eis que meus servos se alegrarão, mas vocês serão envergonhados.
65:14 Eis que meus servos cantarão de coração alegre, mas vocês gritarão pela dor do coração e uivarão pelo quebrantamento do espírito.
65:15 Vocês deixarão seu nome como maldição aos meus escolhidos;
   o Senhor, o SENHOR, matará você, mas chamará seus servos por outro nome.
65:16 Quem se abençoar na terra se abençoará pelo Deus da verdade, e quem jurar na terra jurará pelo Deus da verdade, pois as angústias anteriores foram esquecidas e se ocultaram dos meus olhos.
65:17 Pois eis que crio céus novos e uma terra nova;
   as coisas anteriores não serão lembradas nem virão ao coração.
65:18 Mas alegrem-se e exultem para sempre no que eu crio, pois eis que crio Jerusalém para alegria e seu povo para júbilo.
65:19 Eu me alegrarei em Jerusalém e exultarei em meu povo;
   nela não se ouvirá mais voz de choro nem voz de clamor.
65:20 Não haverá mais ali criança que viva poucos dias, nem idoso que não complete seus dias.
   Pois o jovem morrerá aos cem anos, e o pecador de cem anos será amaldiçoado.
65:21 Eles construirão casas e as habitarão;
   plantarão vinhas e comerão seu fruto.
65:22 Não construirão para outro habitar, nem plantarão para outro comer, pois os dias do meu povo serão como os dias de uma árvore, e meus escolhidos desfrutarão por muito tempo da obra de suas mãos.
65:23 Não trabalharão em vão nem darão à luz para a desgraça, pois são descendência dos abençoados do SENHOR, e seus descendentes estarão com eles.
65:24 Antes que clamem, eu responderei;
   enquanto ainda estiverem falando, eu ouvirei.
65:25 O lobo e o cordeiro pastarão juntos, e o leão comerá palha como o boi;
   o pó será o alimento da serpente.
   Não farão mal nem destruirão em todo o meu santo monte, diz o SENHOR.”

Capítulo 66
66:1 Assim diz o SENHOR: “Os céus são meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés.
   Onde está a casa que vocês construirão para mim?
   Onde está o lugar do meu descanso?
66:2 Minha mão fez todas essas coisas, e todas elas vieram a existir, declara o SENHOR.
   Mas olharei para este: o humilde e quebrantado de espírito, que treme diante da minha palavra.
66:3 Quem abate um boi é como quem mata um homem;
   quem sacrifica um cordeiro, como quem quebra o pescoço de um cão;
   quem apresenta uma oferta de cereais, como quem oferece sangue de porco;
   quem queima incenso como memorial, como quem abençoa um ídolo.
   Assim como eles escolheram seus próprios caminhos e sua alma tem prazer em suas abominações,
66:4 também eu escolherei seus castigos e trarei sobre eles o que temem.
   Pois chamei, e ninguém respondeu;
   falei, e não ouviram, mas fizeram o que é mau aos meus olhos e escolheram o que não me agradava.”

66:5 Ouçam a palavra do SENHOR, vocês que tremem diante de sua palavra: “Seus irmãos que odeiam vocês e os expulsam por causa do meu nome disseram: ‘Que o SENHOR seja glorificado, para que vejamos a alegria de vocês!’ Mas eles serão envergonhados”.
66:6 Voz de tumulto vinda da cidade, voz vinda do templo!
   É a voz do SENHOR, que retribui aos seus inimigos.
66:7 Antes de entrar em trabalho de parto, ela deu à luz;
   antes que lhe viessem as dores, deu à luz um menino.
66:8 Quem ouviu coisa assim?
   Quem viu coisas como essas?
   Pode uma terra nascer num só dia?
   Pode uma nação nascer de uma só vez?
   Pois Sião, assim que entrou em trabalho de parto, deu à luz seus filhos.
66:9 “Eu levaria ao momento do parto e não faria nascer?”, diz o SENHOR.
   “Eu, que faço nascer, fecharia o ventre?”, diz seu Deus.

66:10 Alegrem-se com Jerusalém e exultem por ela, todos os que a amam!
   Transbordem de alegria com ela, todos os que choram por ela,
66:11 para que vocês mamem e se saciem do peito de suas consolações, para que suguem e se deleitem na abundância de sua glória.

66:12 Pois assim diz o SENHOR: “Eis que estendo para ela a paz como um rio, e a glória das nações, como uma torrente que transborda.
   Vocês mamarão, serão carregados no quadril e acariciados sobre os joelhos.
66:13 Como alguém a quem sua mãe consola, assim eu consolarei vocês;
   em Jerusalém serão consolados.”
66:14 Vocês verão, e seu coração se alegrará;
   seus ossos florescerão como a erva.
   A mão do SENHOR se dará a conhecer aos seus servos, e ele mostrará indignação contra seus inimigos.
66:15 Pois eis que o SENHOR virá com fogo, e seus carros virão como um vendaval, para descarregar sua ira com fúria e sua repreensão com chamas de fogo.
66:16 Com fogo e com sua espada o SENHOR julgará toda a humanidade, e serão muitos os mortos pelo SENHOR.
66:17 “Os que se santificam e se purificam para ir aos jardins, atrás de um que está no meio, os que comem carne de porco, coisas detestáveis e ratos, todos juntos perecerão, declara o SENHOR.
66:18 Eu conheço suas obras e seus pensamentos;
   vem o tempo de reunir todas as nações e línguas.
   Elas virão e verão minha glória.
66:19 Porei um sinal entre elas e enviarei sobreviventes dentre elas às nações: a Társis, a Pul e a Lude, que retesam o arco, a Tubal e a Javã, às ilhas distantes que não ouviram minha fama nem viram minha glória.
   Eles anunciarão minha glória entre as nações.
66:20 Trarão todos os irmãos de vocês de todas as nações como oferta ao SENHOR, em cavalos, carros, liteiras, mulas e camelos, ao meu santo monte, Jerusalém, diz o SENHOR, como os filhos de Israel trazem a oferta em vasilhas puras à casa do SENHOR.
66:21 Também tomarei dentre eles alguns para sacerdotes e levitas, diz o SENHOR.
66:22 Pois, assim como os céus novos e a terra nova que eu faço permanecem diante de mim, declara o SENHOR, assim permanecerão a descendência e o nome de vocês.
66:23 De lua nova em lua nova e de sábado em sábado, toda a humanidade virá para se prostrar diante de mim, diz o SENHOR.
66:24 Eles sairão e verão os cadáveres das pessoas que se rebelaram contra mim, pois seu verme não morrerá, e seu fogo não se apagará;
   serão um horror para toda a humanidade.”

JEREMIAS

Capítulo 1
1:1 Palavras de Jeremias, filho de Hilquias, um dos sacerdotes de Anatote, na terra de Benjamim.
1:2 A ele veio a palavra do SENHOR nos dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá, no décimo terceiro ano de seu reinado.
1:3 Ela também veio nos dias de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, até o fim do décimo primeiro ano de Zedequias, filho de Josias, rei de Judá, até que Jerusalém foi levada para o exílio no quinto mês.
1:4 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
1:5 “Antes de formar você no ventre, eu o conheci;
   antes de você sair do ventre materno, eu o consagrei.
   Eu o constituí profeta para as nações.”
1:6 Então respondi: “Ah, Senhor DEUS! Não sei falar, pois sou jovem.”
1:7 Mas o SENHOR me disse: “Não diga: ‘Sou jovem’, pois você irá a todos a quem eu o enviar e dirá tudo o que eu lhe ordenar.
1:8 Não tenha medo deles, porque eu estou com você para livrá-lo”, declara o SENHOR.
1:9 O SENHOR estendeu a mão, tocou minha boca e me disse: “Veja, pus minhas palavras em sua boca.
1:10 Veja, hoje ponho você sobre as nações e os reinos, para arrancar e derrubar, para destruir e demolir, para construir e plantar.”
1:11 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo: “O que você vê, Jeremias?” Respondi: “Vejo um ramo de amendoeira.”
1:12 O SENHOR me disse: “Você viu bem, pois eu vigio a minha palavra para cumpri-la.”
1:13 A palavra do SENHOR veio a mim pela segunda vez, dizendo: “O que você vê?” Respondi: “Vejo uma panela fervendo, inclinada do norte para cá.”
1:14 O SENHOR me disse: “Do norte se desencadeará a calamidade sobre todos os habitantes desta terra.
1:15 Pois vou convocar todos os clãs dos reinos do norte”, declara o SENHOR. “Eles virão, e cada um estabelecerá seu trono à entrada das portas de Jerusalém, contra todas as suas muralhas ao redor e contra todas as cidades de Judá.
1:16 Pronunciarei meus juízos contra eles por toda a sua maldade, porque me abandonaram, queimaram incenso a outros deuses e se prostraram diante das obras de suas próprias mãos.
1:17 Você, porém, amarre a roupa à cintura, levante-se e diga a eles tudo o que eu lhe ordenar. Não se acovarde diante deles, para que eu não faça você se acovardar na presença deles.
1:18 Veja, hoje faço de você uma cidade fortificada, uma coluna de ferro e muralhas de bronze contra toda esta terra: contra os reis de Judá, seus governantes, seus sacerdotes e o povo da terra.
1:19 Eles lutarão contra você, mas não o vencerão, porque eu estou com você para livrá-lo”, declara o SENHOR.

Capítulo 2
2:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
2:2 “Vá e proclame aos ouvidos de Jerusalém: Assim diz o SENHOR: ‘Lembro-me da fidelidade da sua juventude, do amor de quando era noiva, de como você me seguia pelo deserto, por uma terra não semeada.
2:3 Israel era consagrado ao SENHOR, as primícias de sua colheita.
   Todos os que o devoravam se tornavam culpados;
   a calamidade vinha sobre eles’, declara o SENHOR.”

2:4 Ouçam a palavra do SENHOR, casa de Jacó e todos os clãs da casa de Israel.
2:5 Assim diz o SENHOR: “Que injustiça seus antepassados encontraram em mim para se afastarem de mim?
   Seguiram o que é vazio e se tornaram vazios.
2:6 Não perguntaram: ‘Onde está o SENHOR, que nos tirou da terra do Egito e nos conduziu pelo deserto, por uma terra de solidão e barrancos, uma terra de seca e densas trevas, uma terra pela qual ninguém passava e onde ninguém morava?’
2:7 Eu trouxe vocês a uma terra fértil para comerem seus frutos e seus bens.
   Mas vocês entraram e contaminaram minha terra;
   fizeram de minha herança uma abominação.
2:8 Os sacerdotes não perguntaram: ‘Onde está o SENHOR?’ Os que lidavam com a lei não me conheceram;
   os pastores se rebelaram contra mim.
   Os profetas profetizaram por Baal e seguiram o que não serve para nada.
2:9 Por isso, ainda apresentarei minha causa contra vocês”, declara o SENHOR, “e contra os filhos de seus filhos apresentarei minha causa.
2:10 Atravessem até as ilhas de Quitim e vejam;
   mandem gente a Quedar e examinem com atenção.
   Vejam se aconteceu algo assim.
2:11 Alguma nação trocou seus deuses, embora eles nem sejam deuses?
   Mas o meu povo trocou a sua glória pelo que não serve para nada.
2:12 Espantem-se com isso, ó céus!
   Estremeçam e fiquem inteiramente desolados!”, declara o SENHOR.
2:13 “Pois o meu povo cometeu dois males: abandonou a mim, a fonte de águas vivas, para cavar cisternas para si, cisternas rachadas que não retêm água.
2:14 Israel é escravo?
   É um servo nascido em casa?
   Por que se tornou presa?
2:15 Leões novos rugiram contra ele, fizeram ouvir sua voz e deixaram sua terra desolada.
   Suas cidades foram queimadas e ficaram sem habitantes.
2:16 Até os homens de Mênfis e de Tafnes raparam o alto de sua cabeça.
2:17 Não foi você mesma que causou isso ao abandonar o SENHOR, seu Deus, quando ele a guiava pelo caminho?
2:18 E agora, por que você toma o caminho do Egito para beber as águas do Sior?
   Por que toma o caminho da Assíria para beber as águas do Rio?
2:19 Sua maldade a castigará, e suas infidelidades a repreenderão.
   Reconheça e veja como é mau e amargo abandonar o SENHOR, seu Deus, e não ter temor de mim”, declara o Senhor DEUS dos Exércitos.
2:20 “Pois há muito quebrei seu jugo e rompi suas amarras, mas você disse: ‘Não servirei!’ Em toda colina alta e debaixo de toda árvore frondosa, você se deitava como prostituta.
2:21 Eu a plantei como videira escolhida, de semente inteiramente genuína.
   Como você se tornou para mim uma videira estranha, de ramos degenerados?
2:22 Mesmo que você se lave com soda e use muito sabão, a mancha de sua culpa continua diante de mim”, declara o Senhor DEUS.
2:23 “Como você pode dizer: ‘Não me contaminei, não segui os baalins’?
   Veja sua conduta no vale;
   reconheça o que fez.
   Você é uma camela jovem e veloz que cruza seus caminhos;
2:24 uma jumenta selvagem acostumada ao deserto, que, no ardor de seu desejo, fareja o vento.
   Quem pode detê-la quando está no cio?
   Os que a procuram não precisarão se cansar: no mês dela a encontrarão.
2:25 Evite que seus pés fiquem descalços e que sua garganta tenha sede.
   Mas você disse: ‘Não adianta!
   Não!
   Amo os estranhos e irei atrás deles.’
2:26 Como o ladrão fica envergonhado quando é apanhado, assim ficou envergonhada a casa de Israel: eles, seus reis, seus governantes, seus sacerdotes e seus profetas.
2:27 Dizem a um pedaço de madeira: ‘Tu és meu pai’, e a uma pedra: ‘Tu me deste à luz.’ Viraram para mim as costas, e não o rosto, mas na hora da calamidade dizem: ‘Levanta-te e salva-nos!’
2:28 Onde estão os deuses que você fez para si?
   Que se levantem, se podem salvar você na hora da calamidade!
   Pois seus deuses, Judá, são tão numerosos quanto suas cidades.

2:29 Por que vocês apresentam sua causa contra mim?
   Todos vocês se rebelaram contra mim”, declara o SENHOR.
2:30 “Em vão castiguei seus filhos;
   eles não aceitaram a correção.
   A espada de vocês devorou seus profetas como um leão destruidor.
2:31 Vocês desta geração, considerem a palavra do SENHOR!
   Acaso fui um deserto para Israel ou uma terra de densas trevas?
   Por que o meu povo diz: ‘Somos livres!
   Não voltaremos mais a ti’?
2:32 Pode uma virgem esquecer seus enfeites, ou uma noiva, os adornos de seu casamento?
   Mas o meu povo se esqueceu de mim por dias sem conta.
2:33 Como você prepara bem seu caminho em busca de amor!
   Até às mulheres perversas você ensinou seus caminhos.
2:34 Também nas bordas de suas vestes foi encontrado o sangue de pobres inocentes.
   Você não os surpreendeu arrombando uma casa.
   Apesar de tudo isso,
2:35 você diz: ‘Sou inocente!
   Certamente a ira dele se afastou de mim.’ Pois vou entrar em juízo com você por ter dito: ‘Não pequei.’
2:36 Por que você anda tanto de um lado para outro, mudando de caminho?
   Você também ficará envergonhada por causa do Egito, como ficou envergonhada por causa da Assíria.
2:37 Também de lá você sairá com as mãos sobre a cabeça, pois o SENHOR rejeitou aqueles em quem você confia, e com eles você não terá sucesso.”

Capítulo 3
3:1 Diz-se: “Se um homem mandar sua mulher embora, e ela o deixar e se casar com outro, ele poderá voltar para ela?
   Essa terra não ficaria inteiramente contaminada?
   Você se prostituiu com muitos amantes e agora quer voltar para mim?”, declara o SENHOR.
3:2 “Erga os olhos para as colinas desertas e veja: onde você não foi possuída?
   À beira dos caminhos você se sentava à espera deles, como um árabe no deserto.
   Contaminou a terra com suas prostituições e sua maldade.
3:3 Por isso as chuvas foram retidas, e não houve chuva tardia.
   Mas você tem a testa de uma prostituta e se recusa a sentir vergonha.
3:4 Não foi agora mesmo que você me chamou: ‘Meu Pai, tu és o companheiro da minha juventude’?
3:5 ‘Ele guardará rancor para sempre?
   Ficará irado eternamente?’ Assim você falou, mas praticou todo o mal que pôde.”

3:6 Nos dias do rei Josias, o SENHOR me disse: “Você viu o que fez a infiel Israel?
   Ela ia a todo monte alto e para debaixo de toda árvore frondosa, e ali se prostituía.
3:7 Eu disse: ‘Depois de fazer tudo isso, ela voltará para mim.’ Mas ela não voltou, e sua irmã, a desleal Judá, viu isso.
3:8 Vi que, apesar de eu ter mandado a infiel Israel embora e lhe dado uma carta de divórcio por todos os seus adultérios, sua irmã, a desleal Judá, não teve medo;
   ela também foi e se prostituiu.
3:9 Pela leviandade de sua prostituição, contaminou a terra e cometeu adultério com a pedra e com a madeira.
3:10 Apesar de tudo isso, sua irmã, a desleal Judá, não voltou para mim de todo o coração, mas apenas com fingimento”, declara o SENHOR.

3:11 O SENHOR me disse: “A infiel Israel se mostrou mais justa do que a desleal Judá.
3:12 Vá e proclame estas palavras para o norte: ‘Volte, infiel Israel’, declara o SENHOR.
   ‘Não olharei para vocês com ira, pois sou misericordioso’, declara o SENHOR.
   ‘Não guardarei rancor para sempre.
3:13 Apenas reconheça sua culpa: você se rebelou contra o SENHOR, seu Deus, espalhou seus caminhos entre estranhos debaixo de toda árvore frondosa, e vocês não ouviram minha voz’, declara o SENHOR.
3:14 ‘Voltem, filhos infiéis’, declara o SENHOR, ‘pois eu sou o esposo de vocês.
   Eu os tomarei, um de cada cidade e dois de cada clã, e os levarei a Sião.
3:15 Darei a vocês pastores segundo o meu coração, que os apascentarão com conhecimento e discernimento.
3:16 Quando vocês se multiplicarem e forem fecundos na terra, naqueles dias’, declara o SENHOR, ‘ninguém mais dirá: A arca da aliança do SENHOR!
   Ela não lhes virá à mente, não se lembrarão dela nem sentirão sua falta, e não se fará outra.
3:17 Naquele tempo chamarão Jerusalém de Trono do SENHOR.
   Todas as nações se reunirão nela, em Jerusalém, por causa do nome do SENHOR.
   Já não seguirão a obstinação de seu coração mau.

3:18 Naqueles dias a casa de Judá caminhará com a casa de Israel.
   Juntas virão da terra do norte para a terra que dei em herança aos seus antepassados.’”
3:19 “Eu dizia: ‘Como desejo colocar você entre os filhos e lhe dar uma terra desejável, uma herança esplêndida entre as multidões das nações!’ Eu disse: Vocês me chamarão de ‘Meu Pai’ e não deixarão de me seguir.
3:20 Mas, como uma mulher é desleal ao seu companheiro, assim vocês foram desleais a mim, casa de Israel”, declara o SENHOR.
3:21 Nas colinas desertas se ouve uma voz: o choro e as súplicas dos filhos de Israel, porque perverteram seu caminho e se esqueceram do SENHOR, seu Deus.
3:22 “Voltem, filhos infiéis;
   curarei suas infidelidades.”
   “Aqui estamos!
   Viemos a ti, pois tu és o SENHOR, nosso Deus.
3:23 De fato, as colinas e o tumulto dos montes são um engano.
   De fato, no SENHOR, nosso Deus, está a salvação de Israel.
3:24 Desde a nossa juventude, a coisa vergonhosa devorou o fruto do trabalho de nossos antepassados: suas ovelhas, seu gado, seus filhos e suas filhas.
3:25 Deitemo-nos em nossa vergonha, e que a nossa desonra nos cubra, pois pecamos contra o SENHOR, nosso Deus, nós e nossos antepassados, desde a nossa juventude até o dia de hoje.
   Não ouvimos a voz do SENHOR, nosso Deus.”

Capítulo 4
4:1 “Se você voltar, Israel”, declara o SENHOR, “volte para mim.
   Se afastar de minha presença suas abominações e não tornar a se desviar,
4:2 e jurar: ‘Tão certo como vive o SENHOR’, com verdade, juízo e justiça, então as nações se abençoarão nele e nele se gloriarão.”

4:3 Pois assim diz o SENHOR aos homens de Judá e a Jerusalém: “Lavrem a terra não cultivada e não semeiem entre espinhos.
4:4 Circuncidem-se para o SENHOR e removam os prepúcios de seus corações, homens de Judá e habitantes de Jerusalém, para que minha ira não irrompa como fogo e arda sem que ninguém a apague, por causa da maldade de suas ações.”
4:5 Anunciem em Judá, façam ouvir em Jerusalém e digam: “Toquem a trombeta na terra!”
   Gritem com força e digam: “Reúnam-se, e entremos nas cidades fortificadas!”
4:6 “Ergam uma bandeira em direção a Sião!
   Busquem refúgio, não parem, pois eu trago do norte uma calamidade e uma grande destruição.
4:7 Um leão saiu de sua mata fechada;
   um destruidor de nações se pôs em marcha.
   Saiu de seu lugar para deixar sua terra desolada.
   Suas cidades ficarão em ruínas, sem habitantes.”
4:8 Por isso, vistam pano de saco, lamentem e gemam, pois a ira ardente do SENHOR não se afastou de nós.

4:9 “Naquele dia”, declara o SENHOR, “o rei e os governantes perderão a coragem;
   os sacerdotes ficarão horrorizados, e os profetas, atônitos.”
4:10 Então eu disse: “Ah, Senhor DEUS!
   De fato, enganaste por completo este povo e Jerusalém, dizendo: ‘Vocês terão paz’, quando a espada chega à própria vida!”
4:11 Naquele tempo se dirá a este povo e a Jerusalém: “Um vento abrasador das colinas nuas do deserto vem na direção da filha do meu povo, não para joeirar nem para limpar.
4:12 Um vento forte demais para isso virá de minha parte.
   Agora também eu pronunciarei juízos contra eles.”
4:13 Vejam! Ele sobe como as nuvens;
   seus carros são como um vendaval, e seus cavalos são mais velozes que as águias.
   Ai de nós!
   Fomos saqueados!
4:14 Jerusalém, lave da maldade o seu coração para que seja salva!
   Até quando seus pensamentos perversos se abrigarão dentro de você?
4:15 Pois uma voz anuncia desde Dã e proclama a calamidade desde os montes de Efraim.
4:16 Façam saber às nações!
   Anunciem a respeito de Jerusalém: “De uma terra distante vêm os que a sitiam, levantando a voz contra as cidades de Judá.
4:17 Eles a cercam como guardas de um campo, pois ela se rebelou contra mim”, declara o SENHOR.
4:18 “Sua conduta e suas ações trouxeram isso sobre você.
   Esta é a sua desgraça: como é amarga!
   Como chega até o seu coração!”

4:19 Minhas entranhas!
   Minhas entranhas!
   Eu me contorço de dor!
   As paredes do meu coração!
   Meu coração se agita dentro de mim.
   Não posso me calar, pois você ouviu, minha alma, o som da trombeta, o grito de guerra.
4:20 Anuncia-se desastre após desastre, pois toda a terra foi devastada.
   De repente minhas tendas foram destruídas;
   num instante, minhas cortinas.
4:21 Até quando verei a bandeira e ouvirei o som da trombeta?

4:22 “Pois o meu povo é insensato e não me conhece.
   São filhos tolos, sem entendimento.
   São sábios para fazer o mal, mas não sabem fazer o bem.”
4:23 Olhei para a terra, e ela estava sem forma e vazia;
   para os céus, e não tinham luz.
4:24 Olhei para os montes, e tremiam;
   todas as colinas se abalavam.
4:25 Olhei, e não havia ser humano algum;
   todas as aves dos céus tinham fugido.
4:26 Olhei, e a terra fértil era um deserto;
   todas as suas cidades tinham sido derrubadas diante do SENHOR, diante de sua ira ardente.

4:27 Pois assim diz o SENHOR: “Toda a terra ficará desolada, mas não a destruirei por completo.
4:28 Por isso a terra ficará de luto, e os céus acima se escurecerão, pois eu falei e decidi.
   Não mudei de ideia nem voltarei atrás.”
4:29 Ao som dos cavaleiros e dos arqueiros, toda a cidade foge.
   Entram nas matas e sobem nos rochedos.
   Todas as cidades estão abandonadas, e não há ninguém morando nelas.
4:30 E você, devastada, o que fará?
   Ainda que se vista de escarlate, se adorne com joias de ouro e faça os olhos parecerem maiores com pintura, em vão você se embeleza.
   Seus amantes a desprezam e procuram tirar sua vida.
4:31 Pois ouvi um grito como o de uma mulher em trabalho de parto, a angústia de quem dá à luz o primeiro filho.
   É a voz da filha de Sião, que geme ofegante e estende as mãos: “Ai de mim!
   Minha vida desfalece diante dos assassinos!”

Capítulo 5
5:1 “Percorram as ruas de Jerusalém!
   Olhem, examinem e procurem em suas praças.
   Se encontrarem alguém que pratique a justiça e busque a fidelidade, eu perdoarei a cidade.
5:2 Embora digam: ‘Tão certo como vive o SENHOR’, na verdade juram falsamente.”
5:3 SENHOR, teus olhos não procuram a fidelidade?
   Tu os feriste, mas não sentiram dor;
   tu os consumiste, mas se recusaram a aceitar a correção.
   Endureceram o rosto mais do que uma rocha e se recusaram a voltar.
5:4 Então eu disse: “São apenas os pobres;
   agem como tolos porque não conhecem o caminho do SENHOR nem o direito de seu Deus.
5:5 Irei aos grandes e falarei com eles, pois conhecem o caminho do SENHOR e o direito de seu Deus.”
   Mas também eles, todos juntos, quebraram o jugo e romperam as amarras.
5:6 Por isso um leão da floresta os ferirá, um lobo do deserto os devastará, e um leopardo ficará à espreita junto de suas cidades.
   Quem sair delas será despedaçado, pois suas transgressões se multiplicaram, e são muitas as suas infidelidades.
5:7 “Como posso perdoar você por isso?
   Seus filhos me abandonaram e juraram por aqueles que não são deuses.
   Eu os saciei, mas cometeram adultério e se ajuntaram em bandos na casa de uma prostituta.
5:8 Eram cavalos bem alimentados e fogosos;
   cada um relinchava pela mulher de seu próximo.
5:9 Não os castigarei por essas coisas?”, declara o SENHOR.
   “Não me vingarei de uma nação como esta?

5:10 Subam pelos terraços de suas vinhas e destruam, mas não façam uma destruição total.
   Arranquem seus ramos, pois não pertencem ao SENHOR.
5:11 Pois a casa de Israel e a casa de Judá foram inteiramente desleais a mim”, declara o SENHOR.
5:12 Renegaram o SENHOR e disseram: “Não é ele!
   Nenhuma calamidade virá sobre nós;
   não veremos espada nem fome.
5:13 Os profetas se tornarão vento, e a palavra não está neles.
   Que isso aconteça com eles!”

5:14 Por isso, assim diz o SENHOR, o Deus dos Exércitos: “Porque vocês disseram essas palavras, farei de minhas palavras fogo na sua boca, e deste povo, lenha.
   O fogo os devorará.
5:15 Vou trazer de longe uma nação contra vocês, casa de Israel”, declara o SENHOR.
   “É uma nação poderosa, uma nação antiga, uma nação cuja língua você não conhece e cuja fala não entende.
5:16 Sua aljava é como uma sepultura aberta;
   todos eles são guerreiros valentes.
5:17 Ela devorará sua colheita e seu pão;
   eles devorarão seus filhos e suas filhas.
   Devorará suas ovelhas e seu gado, suas videiras e suas figueiras.
   Destruirá à espada as cidades fortificadas em que você confia.
5:18 Mesmo naqueles dias”, declara o SENHOR, “não destruirei vocês por completo.
5:19 Quando vocês perguntarem: ‘Por que o SENHOR, nosso Deus, fez tudo isso conosco?’, você responderá a eles: Assim como vocês me abandonaram e serviram a deuses estrangeiros em sua terra, também servirão a estrangeiros numa terra que não é de vocês.

5:20 Anunciem isto na casa de Jacó e façam ouvir em Judá:
5:21 ‘Ouçam isto, povo tolo e sem entendimento: vocês têm olhos, mas não veem;
   têm ouvidos, mas não ouvem.
5:22 Vocês não temem a mim?’, declara o SENHOR.
   ‘Não tremem diante de mim, que pus a areia como limite para o mar, fronteira permanente que ele não pode ultrapassar?
   Ainda que suas ondas se agitem, não poderão vencê-la;
   ainda que rujam, não poderão ultrapassá-la.
5:23 Mas este povo tem um coração obstinado e rebelde;
   eles se desviaram e foram embora.
5:24 Não dizem em seu coração: Vamos temer o SENHOR, nosso Deus, que dá a chuva no tempo certo, as primeiras e as últimas chuvas, e reserva para nós as semanas determinadas para a colheita.
5:25 As culpas de vocês afastaram essas coisas, e seus pecados os privaram do bem.
5:26 Pois entre o meu povo há perversos.
   Ficam à espreita como caçadores de aves agachados, armam ciladas e capturam pessoas.
5:27 Como uma gaiola cheia de aves, suas casas estão cheias de engano;
   por isso se tornaram grandes e ricos.
5:28 Engordaram e se tornaram lustrosos;
   ultrapassaram todo limite de maldade.
   Não defendem a causa, a causa do órfão, e ainda prosperam;
   não fazem justiça aos pobres.
5:29 Não os castigarei por essas coisas?’, declara o SENHOR.
   ‘Não me vingarei de uma nação como esta?’

5:30 Algo espantoso e horrível aconteceu nesta terra:
5:31 os profetas profetizam mentiras, e os sacerdotes governam com o apoio deles.
   E o meu povo gosta que seja assim!
   Mas o que vocês farão quando tudo isso chegar ao fim?”

Capítulo 6
6:1 Fujam de Jerusalém e busquem refúgio, filhos de Benjamim!
   Toquem a trombeta em Tecoa e ergam um sinal em Bete-Haquerém, pois do norte se aproxima uma calamidade, uma grande destruição.
6:2 “Destruirei a bela e delicada filha de Sião.
6:3 Pastores virão contra ela com seus rebanhos;
   armarão suas tendas ao redor dela, e cada um apascentará em seu lugar.”
6:4 “Consagrem a guerra contra ela!
   Levantem-se, e ataquemos ao meio-dia!
   Ai de nós!
   O dia já declina, e as sombras da tarde se alongam.
6:5 Levantem-se, e ataquemos de noite!
   Destruamos seus palácios!”

6:6 Pois assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Cortem árvores e levantem uma rampa de cerco contra Jerusalém.
   Esta é a cidade que deve ser castigada;
   dentro dela só há opressão.
6:7 Como um poço faz brotar suas águas, ela faz brotar sua maldade.
   Nela se ouvem violência e destruição;
   diante de mim há continuamente doenças e feridas.
6:8 Aceite a correção, Jerusalém, para que eu não me afaste de você, para que eu não a transforme em desolação, numa terra sem habitantes.”

6:9 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Rebuscarão inteiramente o restante de Israel, como uma videira.
   Passe de novo a mão pelos ramos, como quem colhe uvas.”
6:10 A quem falarei e advertirei para que ouça?
   Seus ouvidos são incircuncisos e não conseguem prestar atenção.
   A palavra do SENHOR é uma ofensa para eles;
   não têm prazer nela.
6:11 Estou cheio da ira do SENHOR;
   estou cansado de contê-la.
   “Derrame-a sobre as crianças na rua e sobre os jovens reunidos, pois serão capturados o marido com a mulher, o velho com o muito idoso.
6:12 Suas casas passarão a outros, junto com seus campos e suas mulheres, pois estenderei a mão contra os habitantes desta terra”, declara o SENHOR.
6:13 “Pois, do menor ao maior, todos procuram lucro injusto;
   do profeta ao sacerdote, todos praticam o engano.
6:14 Tratam superficialmente a ferida do meu povo, dizendo: ‘Paz, paz!’, quando não há paz.
6:15 Ficaram envergonhados por terem cometido abominação?
   Não sentem vergonha alguma, nem sabem corar.
   Por isso cairão entre os que caem;
   quando eu os castigar, tropeçarão”, diz o SENHOR.

6:16 Assim diz o SENHOR: “Detenham-se nos caminhos e olhem;
   perguntem pelas veredas antigas, onde está o bom caminho.
   Andem por ele e encontrarão descanso para suas almas.
   Mas eles disseram: ‘Não andaremos por ele.’
6:17 Coloquei sentinelas sobre vocês, dizendo: ‘Prestem atenção ao som da trombeta!’ Mas eles disseram: ‘Não prestaremos atenção.’
6:18 Por isso, ouçam, nações!
   Saiba, congregação, o que lhes acontecerá.
6:19 Ouça, terra!
   Vou trazer uma calamidade sobre este povo, o fruto de seus pensamentos, pois não prestaram atenção às minhas palavras e rejeitaram minha lei.
6:20 Para que me trazem incenso de Sabá e cana aromática de uma terra distante?
   Seus holocaustos não são aceitáveis, e seus sacrifícios não me agradam.”

6:21 Por isso, assim diz o SENHOR: “Vou pôr obstáculos diante deste povo.
   Pais e filhos tropeçarão neles juntos;
   o vizinho e seu companheiro perecerão.”

6:22 Assim diz o SENHOR: “Vejam!
   Um povo vem da terra do norte;
   uma grande nação se levanta dos confins da terra.
6:23 Eles empunham arco e lança;
   são cruéis e não têm compaixão.
   Sua voz ruge como o mar;
   vêm montados a cavalo, formados como homens para a guerra contra você, filha de Sião.”
6:24 Ouvimos as notícias deles, e nossas mãos enfraqueceram.
   A angústia se apoderou de nós, dores como as de uma mulher em trabalho de parto.
6:25 Não saia para o campo nem ande pelo caminho, pois o inimigo tem espada.
   Há terror por todos os lados!
6:26 Filha do meu povo, vista pano de saco e revolva-se nas cinzas.
   Faça luto como por um filho único, com amarga lamentação, pois de repente o destruidor virá sobre nós.
6:27 “Eu o pus como examinador entre o meu povo, como uma fortaleza, para que conheça e examine a conduta deles.
6:28 Todos são rebeldes obstinados que andam espalhando calúnias;
   são bronze e ferro, todos eles corruptores.
6:29 O fole sopra com força;
   o chumbo se consome no fogo.
   O fundidor refina e refina em vão, pois os perversos não são separados.
6:30 São chamados de prata rejeitada, pois o SENHOR os rejeitou.”

Capítulo 7
7:1 Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do SENHOR:
7:2 “Fique à porta da casa do SENHOR e proclame ali esta palavra. Diga: ‘Ouçam a palavra do SENHOR, todos de Judá que entram por estas portas para se prostrar diante do SENHOR.’”
7:3 Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: “Corrijam sua conduta e suas ações, e eu deixarei vocês morar neste lugar.
7:4 Não confiem em palavras enganosas, dizendo: ‘Estes edifícios são o templo do SENHOR, o templo do SENHOR, o templo do SENHOR!’
7:5 Pois, se vocês de fato corrigirem sua conduta e suas ações, se de fato fizerem justiça entre uma pessoa e seu próximo,
7:6 se não oprimirem o estrangeiro, o órfão e a viúva, não derramarem sangue inocente neste lugar nem seguirem outros deuses para sua própria ruína,
7:7 então deixarei vocês morar neste lugar, na terra que dei a seus antepassados desde os tempos antigos e para sempre.
7:8 Mas vocês confiam em palavras enganosas que não servem para nada.
7:9 Vocês roubam, assassinam, cometem adultério, juram falsamente, queimam incenso a Baal e seguem outros deuses que não conheciam,
7:10 e depois vêm e se apresentam diante de mim nesta casa que leva o meu nome e dizem: ‘Estamos a salvo!’, para continuar praticando todas essas abominações?
7:11 Esta casa que leva o meu nome se tornou uma caverna de ladrões aos olhos de vocês? Pois eu também vi isso”, declara o SENHOR.
7:12 “Vão agora ao meu lugar em Siló, onde no princípio fiz habitar o meu nome, e vejam o que fiz a ele por causa da maldade do meu povo Israel.
7:13 Agora, porque vocês fizeram todas essas coisas”, declara o SENHOR, “e porque falei com vocês desde cedo e insistentemente, mas não ouviram, e os chamei, mas não responderam,
7:14 farei a esta casa que leva o meu nome, na qual vocês confiam, e a este lugar que dei a vocês e a seus antepassados o mesmo que fiz a Siló.
7:15 Expulsarei vocês da minha presença, como expulsei todos os seus irmãos, toda a descendência de Efraim.
7:16 E você, não ore por este povo, não erga por eles clamor nem oração, nem interceda junto a mim, pois não o ouvirei.
7:17 Você não vê o que eles fazem nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém?
7:18 Os filhos juntam lenha, os pais acendem o fogo, e as mulheres sovam a massa para fazer bolos à Rainha dos Céus. Derramam ofertas de bebida a outros deuses para me provocar à ira.
7:19 É a mim que eles provocam?”, declara o SENHOR. “Não é a si mesmos, para sua própria vergonha?”
7:20 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: “Minha ira e meu furor serão derramados sobre este lugar, sobre os seres humanos e os animais, sobre as árvores do campo e o fruto da terra. Arderão e não se apagarão.”
7:21 Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: “Juntem seus holocaustos aos seus sacrifícios e comam a carne.
7:22 Pois, no dia em que tirei seus antepassados da terra do Egito, não lhes falei nem dei ordens a respeito de holocaustos e sacrifícios.
7:23 Mas esta foi a ordem que lhes dei: ‘Ouçam minha voz, e eu serei o seu Deus, e vocês serão o meu povo. Andem por todo o caminho que eu lhes ordenar, para que tudo lhes vá bem.’
7:24 Mas eles não ouviram nem inclinaram os ouvidos. Seguiram seus próprios conselhos, a obstinação de seu coração mau. Andaram para trás e não para a frente.
7:25 Desde o dia em que seus antepassados saíram da terra do Egito até hoje, enviei a vocês todos os meus servos, os profetas, dia após dia, desde cedo e insistentemente.
7:26 Mas não me ouviram nem inclinaram os ouvidos; endureceram a nuca e fizeram pior do que seus antepassados.
7:27 Você lhes dirá todas estas palavras, mas eles não o ouvirão; você os chamará, mas eles não lhe responderão.
7:28 Diga a eles: ‘Esta é a nação que não ouviu a voz do SENHOR, seu Deus, nem aceitou a correção. A fidelidade pereceu; foi eliminada da boca deles.’

7:29 Corte sua cabeleira e jogue-a fora;
   entoe uma lamentação nas colinas desertas, pois o SENHOR rejeitou e abandonou a geração que é alvo de seu furor.
7:30 Pois os filhos de Judá fizeram o que é mau aos meus olhos”, declara o SENHOR. “Puseram suas abominações na casa que leva o meu nome, para contaminá-la.
7:31 Construíram os lugares altos de Tofete, no vale do filho de Hinom, para queimar seus filhos e suas filhas no fogo, coisa que não ordenei e que nem me passou pela mente.
7:32 Por isso, vêm dias”, declara o SENHOR, “em que já não se chamará Tofete nem vale do filho de Hinom, mas Vale da Matança. Enterrarão em Tofete por falta de lugar.
7:33 Os cadáveres deste povo servirão de alimento às aves dos céus e aos animais da terra, sem que ninguém os espante.
7:34 Farei cessar nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém a voz de júbilo e a voz de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva, pois a terra ficará em ruínas.”

Capítulo 8
8:1 “Naquele tempo”, declara o SENHOR, “tirarão de suas sepulturas os ossos dos reis de Judá, os ossos de seus governantes, os ossos dos sacerdotes, os ossos dos profetas e os ossos dos habitantes de Jerusalém.
8:2 Eles os espalharão diante do sol, da lua e de todo o exército do céu, que amaram, a quem serviram, que seguiram, que consultaram e diante de quem se prostraram. Os ossos não serão recolhidos nem sepultados; serão como esterco sobre a superfície da terra.
8:3 Todos os sobreviventes que restarem desta família perversa preferirão a morte à vida, em todos os lugares para onde eu tiver expulsado os que restarem”, declara o SENHOR dos Exércitos.

8:4 Diga a eles: “Assim diz o SENHOR: Acaso quem cai não se levanta?
   Quem se desvia não volta?
8:5 Por que este povo, Jerusalém, persiste em sua infidelidade?
   Eles se agarram ao engano e se recusam a voltar.
8:6 Prestei atenção e ouvi: eles não falam com retidão.
   Ninguém se arrepende de sua maldade, dizendo: ‘O que foi que eu fiz?’ Cada um volta à sua corrida, como um cavalo que se lança à batalha.
8:7 Até a cegonha no céu conhece suas estações;
   a rola, a andorinha e o grou observam o tempo de sua chegada.
   Mas o meu povo não conhece o direito do SENHOR.
8:8 Como vocês podem dizer: ‘Somos sábios, e a lei do SENHOR está conosco’, se a pena mentirosa dos escribas a transformou em mentira?
8:9 Os sábios ficaram envergonhados, aterrorizados e presos.
   Rejeitaram a palavra do SENHOR;
   que sabedoria têm?

8:10 Por isso darei suas mulheres a outros e seus campos a novos donos, pois, do menor ao maior, todos procuram lucro injusto;
   do profeta ao sacerdote, todos praticam o engano.
8:11 Tratam superficialmente a ferida da filha do meu povo, dizendo: ‘Paz, paz!’, quando não há paz.
8:12 Ficaram envergonhados por terem cometido abominação?
   Não sentem vergonha alguma, nem sabem corar.
   Por isso cairão entre os que caem;
   quando chegar seu castigo, tropeçarão”, diz o SENHOR.

8:13 “Eu os consumirei por completo”, declara o SENHOR.
   “Não haverá uvas na videira nem figos na figueira, e a folha murchará.
   O que lhes dei lhes será tirado.”
8:14 “Por que continuamos sentados?
   Reúnam-se, e entremos nas cidades fortificadas para perecermos ali, pois o SENHOR, nosso Deus, decretou que pereceremos e nos deu água envenenada para beber, porque pecamos contra o SENHOR.
8:15 Esperávamos paz, mas não há bem algum;
   um tempo de cura, mas só há terror.”
8:16 Desde Dã se ouve o resfolegar de seus cavalos;
   ao som do relincho de seus corcéis, toda a terra treme.
   Eles vêm e devoram a terra e tudo o que há nela, a cidade e seus habitantes.

8:17 “Vou enviar entre vocês serpentes, víboras contra as quais não há encantamento, e elas os picarão”, declara o SENHOR.

8:18 Ah, se eu pudesse encontrar consolo na minha tristeza!
   Meu coração desfalece dentro de mim.
8:19 Eis o clamor da filha do meu povo, vindo de uma terra distante: “O SENHOR não está em Sião?
   Seu rei não está nela?”
   “Por que me provocaram à ira com suas imagens esculpidas, com seus ídolos estrangeiros?”
8:20 “Passou a colheita, terminou o verão, e nós não fomos salvos.”
8:21 Estou quebrantado pelo quebrantamento da filha do meu povo;
   estou de luto, e o horror se apoderou de mim.
8:22 Não há bálsamo em Gileade?
   Não há médico ali?
   Por que, então, não se restabeleceu a saúde da filha do meu povo?

Capítulo 9
9:1 Quem me dera que minha cabeça fosse água e meus olhos, uma fonte de lágrimas!
   Eu choraria dia e noite pelos mortos da filha do meu povo.
9:2 Quem me dera no deserto uma hospedaria de viajantes!
   Eu deixaria o meu povo e me afastaria deles, pois todos são adúlteros, uma assembleia de traidores.
9:3 “Eles retesam a língua como um arco para a mentira.
   Tornaram-se fortes na terra, mas não por sua fidelidade.
   Avançam de maldade em maldade e não me conhecem”, declara o SENHOR.

9:4 “Cada um se cuide de seu próximo;
   não confiem em irmão algum, pois todo irmão não faz senão enganar, e todo próximo anda espalhando calúnias.
9:5 Cada um engana seu próximo, e não falam a verdade.
   Ensinaram a língua a dizer mentiras;
   esgotam-se de tanto praticar o mal.
9:6 Você mora no meio do engano;
   por causa do engano eles se recusam a me conhecer”, declara o SENHOR.

9:7 Por isso, assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Vou refiná-los e pô-los à prova.
   Que mais posso fazer por causa da filha do meu povo?
9:8 A língua deles é uma flecha mortífera: fala engano.
   Com a boca cada um fala de paz ao seu próximo, mas por dentro prepara uma emboscada contra ele.
9:9 Não os castigarei por essas coisas?”, declara o SENHOR.
   “Não me vingarei de uma nação como esta?”

9:10 Pelos montes erguerei choro e pranto;
   pelas pastagens do deserto, uma lamentação.
   Foram queimadas, ninguém passa por elas, e já não se ouve o mugido do gado.
   Desde as aves dos céus até os animais, todos fugiram e foram embora.
9:11 “Farei de Jerusalém montões de ruínas, uma morada de chacais.
   Farei das cidades de Judá uma desolação, sem habitantes.”

9:12 Quem é o homem sábio que pode entender isso?
   A quem falou a boca do SENHOR, para que possa explicá-lo?
   Por que a terra pereceu, queimada como um deserto por onde ninguém passa?

9:13 O SENHOR respondeu: “Porque abandonaram minha lei, que pus diante deles.
   Não ouviram minha voz nem andaram de acordo com ela.
9:14 Seguiram a obstinação de seu coração e os baalins, como seus antepassados lhes ensinaram.”

9:15 Por isso, assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: “Vou dar losna a este povo para comer e água envenenada para beber.
9:16 Vou espalhá-los entre nações que nem eles nem seus antepassados conheceram.
   Enviarei a espada atrás deles até acabar com eles.”

9:17 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Prestem atenção!
   Chamem as carpideiras, para que venham;
   mandem buscar as mulheres hábeis, para que venham.
9:18 Que se apressem e ergam uma lamentação por nós, para que nossos olhos derramem lágrimas e nossas pálpebras deixem correr água.
9:19 Pois de Sião se ouve uma voz de lamento: ‘Como fomos devastados!
   Como é grande a nossa vergonha!
   Tivemos de deixar a terra, pois derrubaram nossas moradas.’”

9:20 Ouçam, mulheres, a palavra do SENHOR;
   que seus ouvidos recebam a palavra de sua boca.
   Ensinem suas filhas a chorar, e cada uma ensine à sua companheira uma lamentação.
9:21 Pois a morte subiu por nossas janelas e entrou em nossos palácios para eliminar as crianças das ruas e os jovens das praças.
9:22 Diga: “Assim declara o SENHOR: Os cadáveres humanos cairão como esterco sobre a superfície do campo, como feixes atrás do ceifeiro, sem que ninguém os recolha.”

9:23 Assim diz o SENHOR: “Não se glorie o sábio em sua sabedoria, nem o forte em sua força, nem o rico em sua riqueza.
9:24 Mas quem se gloriar, glorie-se nisto: em me compreender e me conhecer, em saber que eu sou o SENHOR, que pratico o amor fiel, o juízo e a justiça na terra.
   Pois é dessas coisas que me agrado”, declara o SENHOR.
9:25 “Vêm dias”, declara o SENHOR, “em que castigarei todos os circuncidados apenas na carne:
9:26 o Egito, Judá, Edom, os filhos de Amom, Moabe e todos os que rapam as têmporas e moram no deserto. Pois todas as nações são incircuncisas, e toda a casa de Israel é incircuncisa de coração.”

Capítulo 10
10:1 Ouçam a palavra que o SENHOR pronunciou a respeito de vocês, casa de Israel.
10:2 Assim diz o SENHOR: “Não aprendam o caminho das nações nem se apavorem com os sinais dos céus, embora as nações se apavorem com eles.
10:3 Pois os costumes dos povos são vazios: cortam uma árvore da floresta, e as mãos de um artesão a trabalham com uma enxó.
10:4 Enfeitam-na com prata e ouro;
   prendem-na com pregos e martelos, para que não se mova.
10:5 São como espantalhos numa plantação de pepinos e não falam.
   Precisam ser carregados, pois não conseguem andar.
   Não tenham medo deles: não podem fazer o mal, nem está neles o poder de fazer o bem.”

10:6 Não há ninguém como tu, SENHOR!
   Tu és grande, e grande é o teu nome em poder.
10:7 Quem não te temerá, Rei das nações?
   Pois a ti isso é devido.
   Entre todos os sábios das nações e em todos os seus reinos, não há ninguém como tu.
10:8 Todos são estúpidos e tolos;
   o ensino dos ídolos não passa de madeira.
10:9 De Társis vem prata batida em lâminas, e de Ufaz, ouro: obra do artesão e das mãos do ourives.
   Suas roupas são de azul e púrpura;
   tudo é obra de artesãos hábeis.
10:10 Mas o SENHOR é o Deus verdadeiro;
   ele é o Deus vivo e o Rei eterno.
   Diante de sua ira a terra treme, e as nações não podem suportar sua indignação.
10:11 Assim vocês dirão a eles: “Os deuses que não fizeram os céus e a terra perecerão da terra e de debaixo destes céus.”

10:12 Ele fez a terra com seu poder, estabeleceu o mundo com sua sabedoria e estendeu os céus com seu entendimento.
10:13 Quando faz ouvir sua voz, as águas retumbam nos céus.
   Ele faz subir as nuvens dos confins da terra, faz os relâmpagos para a chuva e tira o vento de seus depósitos.
10:14 Todo ser humano é insensato e sem conhecimento;
   todo ourives fica envergonhado por seu ídolo.
   Sua imagem fundida é mentira, e esses ídolos não têm fôlego.
10:15 São vazios, obra de engano;
   quando chegar seu castigo, perecerão.
10:16 A porção de Jacó não é como eles, pois ele é quem formou todas as coisas, e Israel é a tribo de sua herança.
   SENHOR dos Exércitos é o seu nome.

10:17 Recolha do chão seus pertences, você que está sitiada.

10:18 Pois assim diz o SENHOR: “Desta vez arremessarei com a funda os habitantes desta terra e os afligirei para que o sintam.”

10:19 Ai de mim, por minha ruína!
   Minha ferida é grave.
   Mas eu disse: “De fato, esta é a minha doença, e devo suportá-la.”
10:20 Minha tenda foi destruída, e todas as minhas cordas foram rompidas.
   Meus filhos se foram de mim e já não estão aqui.
   Não há quem volte a estender minha tenda nem quem erga minhas cortinas.
10:21 Pois os pastores se tornaram insensatos e não buscaram o SENHOR;
   por isso não prosperaram, e todo o seu rebanho se dispersou.

10:22 Ouçam a notícia!
   Ela vem, e com ela um grande estrondo da terra do norte, para transformar as cidades de Judá em desolação, numa morada de chacais.

10:23 Sei, SENHOR, que o ser humano não é dono de seu caminho;
   não cabe ao homem que anda dirigir seus próprios passos.
10:24 Corrige-me, SENHOR, mas com justiça, e não com a tua ira, para que não me reduzas a nada.
10:25 Derrama o teu furor sobre as nações que não te conhecem e sobre os clãs que não invocam o teu nome.
   Pois devoraram Jacó, devoraram-no e o consumiram;
   deixaram desolada a sua morada.

Capítulo 11
11:1 Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do SENHOR:
11:2 “Ouçam as palavras desta aliança, e você as comunique aos homens de Judá e aos habitantes de Jerusalém.”
11:3 Diga a eles: Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: “Maldito o homem que não obedecer às palavras desta aliança,
11:4 que ordenei a seus antepassados no dia em que os tirei da terra do Egito, da fornalha de ferro, dizendo: ‘Ouçam minha voz e façam tudo o que eu lhes ordenar. Vocês serão o meu povo, e eu serei o seu Deus’,
11:5 para cumprir o juramento que fiz a seus antepassados de lhes dar uma terra que mana leite e mel, como acontece hoje.” Então respondi: “Amém, SENHOR!”
11:6 O SENHOR me disse: “Proclame todas estas palavras nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém. Diga: ‘Ouçam as palavras desta aliança e as cumpram.
11:7 Pois adverti solenemente seus antepassados desde o dia em que os tirei da terra do Egito até hoje, advertindo desde cedo e insistentemente: Ouçam minha voz.
11:8 Mas eles não ouviram nem inclinaram os ouvidos; cada um seguiu a obstinação de seu coração mau. Por isso fiz cair sobre eles todas as palavras desta aliança, que ordenei que cumprissem, mas não cumpriram.’”
11:9 O SENHOR me disse: “Foi descoberta uma conspiração entre os homens de Judá e os habitantes de Jerusalém.
11:10 Voltaram às culpas de seus primeiros antepassados, que se recusaram a ouvir minhas palavras, e seguiram outros deuses para servi-los. A casa de Israel e a casa de Judá quebraram a minha aliança, que fiz com seus antepassados.”
11:11 Por isso, assim diz o SENHOR: “Vou trazer sobre eles uma calamidade da qual não poderão escapar. Clamarão a mim, mas eu não os ouvirei.
11:12 As cidades de Judá e os habitantes de Jerusalém irão clamar aos deuses aos quais queimam incenso, mas eles de modo algum os salvarão na hora da calamidade.
11:13 Pois seus deuses, Judá, são tão numerosos quanto suas cidades. Vocês ergueram tantos altares à coisa vergonhosa quantas são as ruas de Jerusalém, altares para queimar incenso a Baal.
11:14 E você, não ore por este povo, nem erga por eles clamor ou oração, pois não ouvirei quando clamarem a mim por causa da calamidade.

11:15 O que minha amada faz em minha casa, depois de tantos atos infames?
   A carne consagrada se afastará de você, pois você se alegra com sua maldade.
11:16 O SENHOR chamou você de ‘Oliveira frondosa, bela em fruto e aparência’.
   Com grande estrondo ele lhe ateou fogo, e seus ramos foram quebrados.
11:17 O SENHOR dos Exércitos, que plantou você, decretou uma calamidade contra você por causa da maldade que a casa de Israel e a casa de Judá praticaram para seu próprio mal, provocando-me à ira ao queimar incenso a Baal.”

11:18 O SENHOR me fez saber, e eu soube;
   então tu me mostraste as ações deles.
11:19 Eu era como um cordeiro manso levado ao matadouro.
   Não sabia que tramavam planos contra mim: “Destruamos a árvore com seu fruto e a cortemos da terra dos vivos, para que seu nome não seja mais lembrado.”
11:20 Mas tu, SENHOR dos Exércitos, que julgas com justiça e examinas os sentimentos e o coração, deixa-me ver tua vingança contra eles, pois a ti expus minha causa.
11:21 Por isso, assim diz o SENHOR acerca dos homens de Anatote que procuram tirar sua vida e dizem: “Não profetize em nome do SENHOR, para que não morra por nossas mãos.”
11:22 Por isso, assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Vou castigá-los. Os jovens morrerão à espada; seus filhos e suas filhas morrerão de fome.
11:23 Não restará nenhum sobrevivente deles, pois trarei uma calamidade sobre os homens de Anatote no ano de seu castigo.”

Capítulo 12
12:1 Tu és justo, SENHOR, quando apresento minha causa diante de ti.
   Ainda assim, quero falar contigo sobre justiça: por que prospera o caminho dos perversos?
   Por que vivem tranquilos todos os que agem com deslealdade?
12:2 Tu os plantaste, e eles criaram raízes;
   crescem e dão fruto.
   Estás perto da boca deles, mas longe de seu íntimo.
12:3 Mas tu, SENHOR, me conheces, me vês e examinas meu coração para contigo.
   Arrasta-os como ovelhas para o matadouro e separa-os para o dia da matança.

12:4 Até quando a terra ficará de luto, e a vegetação de todos os campos secará?
   Por causa da maldade de seus habitantes, os animais e as aves pereceram, pois dizem: “Ele não verá o nosso fim.”
12:5 “Se você correu com homens a pé e eles o cansaram, como poderá competir com cavalos?
   Se você se sente seguro numa terra de paz, como se sairá na mata cerrada do Jordão?
12:6 Pois até seus irmãos e a casa de seu pai traíram você;
   até eles gritaram com força atrás de você.
   Não acredite neles, mesmo que lhe digam coisas boas.

12:7 Deixei minha casa, abandonei minha herança;
   entreguei a amada da minha alma nas mãos de seus inimigos.
12:8 Minha herança se tornou para mim como um leão na floresta: levantou a voz contra mim;
   por isso eu a odiei.
12:9 Minha herança é para mim uma ave de rapina malhada?
   Outras aves de rapina a cercam?
   Vão, reúnam todos os animais selvagens e tragam-nos para devorá-la.
12:10 Muitos pastores destruíram minha vinha, pisotearam meu campo.
   Transformaram meu campo precioso num deserto desolado.
12:11 Foi transformado em desolação;
   desolado, lamenta diante de mim.
   Toda a terra ficou desolada, pois ninguém se importa.
12:12 Saqueadores vieram sobre todas as colinas nuas do deserto, pois a espada do SENHOR devora de uma extremidade da terra à outra.
   Ninguém tem paz.

12:13 Semearam trigo e colheram espinhos;
   esgotaram-se sem proveito.
   Envergonhem-se de suas colheitas, por causa da ira ardente do SENHOR.”
12:14 Assim diz o SENHOR a respeito de todos os meus maus vizinhos que atacam a herança que dei ao meu povo Israel: “Vou arrancá-los de sua terra e arrancar a casa de Judá do meio deles.
12:15 Depois de arrancá-los, voltarei a ter compaixão deles e os farei retornar, cada um à sua herança e cada um à sua terra.
12:16 Se de fato aprenderem os caminhos do meu povo, jurando pelo meu nome: ‘Tão certo como vive o SENHOR’, assim como ensinaram o meu povo a jurar por Baal, serão estabelecidos no meio do meu povo.
12:17 Mas, se não ouvirem, arrancarei essa nação; vou arrancá-la e destruí-la”, declara o SENHOR.

Capítulo 13
13:1 Assim o SENHOR me disse: “Vá, compre um cinto de linho e coloque-o na cintura, mas não o ponha na água.”
13:2 Comprei o cinto conforme a palavra do SENHOR e o coloquei na cintura.
13:3 A palavra do SENHOR veio a mim pela segunda vez, dizendo:
13:4 “Pegue o cinto que você comprou e está usando na cintura. Levante-se, vá ao Eufrates e esconda-o ali numa fenda da rocha.”
13:5 Fui e o escondi junto ao Eufrates, como o SENHOR me havia ordenado.
13:6 Depois de muitos dias, o SENHOR me disse: “Levante-se, vá ao Eufrates e pegue de lá o cinto que ordenei que você escondesse ali.”
13:7 Fui ao Eufrates, cavei e tirei o cinto do lugar onde o havia escondido. O cinto estava estragado; não servia para nada.
13:8 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
13:9 “Assim diz o SENHOR: Desse mesmo modo arruinarei o orgulho de Judá e o grande orgulho de Jerusalém.
13:10 Este povo perverso, que se recusa a ouvir minhas palavras, que segue a obstinação de seu coração e vai atrás de outros deuses para servi-los e se prostrar diante deles, será como este cinto, que não serve para nada.
13:11 Pois, assim como o cinto se prende à cintura de um homem, fiz com que toda a casa de Israel e toda a casa de Judá se prendessem a mim”, declara o SENHOR, “para serem meu povo, meu renome, meu louvor e minha glória. Mas eles não ouviram.
13:12 Diga a eles estas palavras: ‘Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Toda jarra se encherá de vinho.’ Eles dirão a você: ‘Acaso não sabemos muito bem que toda jarra se encherá de vinho?’
13:13 Então responda a eles: ‘Assim diz o SENHOR: Vou encher de embriaguez todos os habitantes desta terra, os reis que se assentam no trono de Davi em sucessão a ele, os sacerdotes, os profetas e todos os habitantes de Jerusalém.
13:14 Eu os despedaçarei uns contra os outros, pais e filhos juntos’, declara o SENHOR. ‘Não terei pena, nem piedade, nem compaixão que me impeça de destruí-los.’”

13:15 Ouçam e prestem atenção;
   não sejam orgulhosos, pois o SENHOR falou.
13:16 Deem glória ao SENHOR, seu Deus, antes que ele traga escuridão, antes que seus pés tropecem nos montes ao anoitecer.
   Vocês esperarão a luz, mas ele a transformará em sombra de morte e a tornará densa escuridão.
13:17 Mas, se vocês não ouvirem, minha alma chorará em segredo por causa do orgulho;
   chorarei muito, e meus olhos derramarão lágrimas, pois o rebanho do SENHOR foi levado cativo.

13:18 Diga ao rei e à rainha-mãe: “Humilhem-se e sentem-se no chão, pois sua coroa gloriosa caiu de suas cabeças.”
13:19 As cidades do Neguebe estão fechadas, e ninguém as abre.
   Todo Judá foi levado para o exílio, levado cativo por completo.

13:20 Ergam os olhos e vejam os que vêm do norte!
   Onde está o rebanho que lhe foi confiado, suas belas ovelhas?
13:21 O que você dirá quando ele puser como chefes sobre você aqueles que você mesma acostumou a ser seus aliados?
   Não virão dores sobre você, como as de uma mulher em trabalho de parto?
13:22 Se você disser em seu coração: “Por que tudo isso me aconteceu?”, foi pela enormidade de sua culpa que levantaram suas saias e você sofreu violência.
13:23 Pode o etíope mudar sua pele, ou o leopardo, suas manchas?
   Assim também vocês, acostumados a fazer o mal, poderão fazer o bem?
13:24 “Vou espalhá-los como a palha que o vento do deserto carrega.
13:25 Esta é a sua sorte, a porção que medi para você”, declara o SENHOR, “pois você se esqueceu de mim e confiou na mentira.
13:26 Eu também levantarei suas saias sobre o seu rosto, e sua vergonha ficará exposta.
13:27 Seus adultérios e seus relinchos, a infâmia de sua prostituição: nas colinas, no campo, vi suas abominações.
   Ai de você, Jerusalém!
   Até quando continuará sem se purificar?”

Capítulo 14
14:1 Esta é a palavra do SENHOR que veio a Jeremias a respeito das secas:
14:2 Judá está de luto, e suas portas definham;
   enlutadas, abatem-se até o chão, e o clamor de Jerusalém se eleva.
14:3 Seus nobres mandam os servos buscar água;
   eles vão às cisternas, mas não encontram água.
   Voltam com seus vasos vazios, envergonhados e humilhados, e cobrem a cabeça.
14:4 O solo está rachado porque não choveu na terra.
   Os lavradores ficam envergonhados e cobrem a cabeça.
14:5 Até a corça no campo dá à luz e abandona a cria, pois não há pasto.
14:6 Os jumentos selvagens ficam nas colinas nuas e sorvem o ar como chacais;
   seus olhos desfalecem, pois não há vegetação.
14:7 Embora nossas culpas testemunhem contra nós, SENHOR, age por amor do teu nome.
   Pois são muitas as nossas infidelidades;
   contra ti pecamos.
14:8 Esperança de Israel, seu Salvador em tempo de angústia, por que és como um estrangeiro na terra, como um viajante que se detém para passar a noite?
14:9 Por que és como um homem atordoado, como um guerreiro incapaz de salvar?
   Tu estás no meio de nós, SENHOR, e levamos o teu nome.
   Não nos abandones!

14:10 Assim diz o SENHOR a respeito deste povo: “Eles gostaram tanto de vaguear e não contiveram os pés.
   O SENHOR não os aceita;
   agora se lembrará de sua culpa e castigará seus pecados.”

14:11 O SENHOR me disse: “Não ore pelo bem deste povo.
14:12 Ainda que jejuem, não ouvirei seu clamor;
   ainda que ofereçam holocaustos e ofertas de cereal, não os aceitarei.
   Eu os consumirei pela espada, pela fome e pela peste.”

14:13 Então eu disse: “Ah, Senhor DEUS!
   Os profetas dizem a eles: ‘Vocês não verão espada nem terão fome;
   eu lhes darei paz verdadeira neste lugar.’”

14:14 O SENHOR me disse: “Os profetas profetizam mentiras em meu nome.
   Não os enviei, não lhes dei ordens nem falei com eles.
   São visões falsas, adivinhação, coisas sem valor e enganos de seu coração o que profetizam a vocês.

14:15 Por isso, assim diz o SENHOR a respeito dos profetas que profetizam em meu nome, sem que eu os tenha enviado, e dizem: ‘Não haverá espada nem fome nesta terra’: Pela espada e pela fome esses profetas serão consumidos.
14:16 O povo a quem eles profetizam ficará jogado nas ruas de Jerusalém por causa da fome e da espada.
   Não haverá quem os sepulte, a eles, a suas mulheres, a seus filhos e a suas filhas.
   Derramarei sobre eles sua própria maldade.
14:17 Diga a eles estas palavras: ‘Que meus olhos derramem lágrimas noite e dia, sem cessar, pois a virgem filha do meu povo sofreu um grande golpe, uma ferida gravíssima.
14:18 Se saio ao campo, vejo os mortos à espada;
   se entro na cidade, vejo os debilitados pela fome.
   Pois tanto o profeta como o sacerdote vagueiam pela terra sem entendimento.’”

14:19 Acaso rejeitaste por completo Judá?
   Tua alma tem aversão a Sião?
   Por que nos feriste, sem que haja cura para nós?
   Esperávamos paz, mas não há bem algum;
   um tempo de cura, mas só há terror.
14:20 Reconhecemos, SENHOR, nossa maldade e a culpa de nossos antepassados, pois pecamos contra ti.
14:21 Por amor do teu nome, não nos desprezes;
   não desonres o teu trono glorioso.
   Lembra-te da tua aliança conosco;
   não a quebres.
14:22 Há entre os ídolos das nações algum que faça chover?
   Podem os céus dar chuvas?
   Não és tu, SENHOR, nosso Deus?
   Em ti esperamos, pois tu fizeste todas essas coisas.

Capítulo 15
15:1 O SENHOR me disse: “Ainda que Moisés e Samuel se apresentassem diante de mim, minha alma não se voltaria para este povo. Expulse-os da minha presença; que vão embora.
15:2 Quando perguntarem a você: ‘Para onde iremos?’, diga a eles: Assim diz o SENHOR: Os destinados à morte, à morte; os destinados à espada, à espada; os destinados à fome, à fome; os destinados ao cativeiro, ao cativeiro.
15:3 Enviarei contra eles quatro tipos de destruidores”, declara o SENHOR: “a espada para matar, os cães para arrastar, as aves dos céus e os animais da terra para devorar e destruir.
15:4 Farei deles motivo de horror para todos os reinos da terra, por causa de Manassés, filho de Ezequias, rei de Judá, por tudo o que fez em Jerusalém.
15:5 Quem terá compaixão de você, Jerusalém?
   Quem lamentará por você?
   Quem se desviará do caminho para perguntar por seu bem-estar?
15:6 Você me abandonou”, declara o SENHOR, “e continua andando para trás.
   Por isso estenderei a mão contra você e a destruirei.
   Estou cansado de voltar atrás.
15:7 Vou joeirá-los com uma forquilha às portas do país.
   Deixarei o meu povo sem filhos e o destruirei, pois não abandonaram seus caminhos.
15:8 Suas viúvas serão diante de mim mais numerosas que a areia dos mares.
   Trarei um destruidor ao meio-dia contra a mãe do jovem;
   farei cair de repente sobre ela angústia e terrores.
15:9 Aquela que deu à luz sete filhos desfalece e exala a vida;
   seu sol se pôs quando ainda era dia.
   Ficou envergonhada e humilhada.
   Entregarei os que restarem à espada diante de seus inimigos”, declara o SENHOR.

15:10 Ai de mim, minha mãe!
   Você me deu à luz como homem de disputa e de contenda para toda a terra!
   Não emprestei nem tomei emprestado, e todos me amaldiçoam.

15:11 O SENHOR disse: “Certamente o livrarei para o seu bem;
   certamente farei o inimigo dirigir súplicas a você no tempo da calamidade e no tempo da angústia.
15:12 Pode o ferro quebrar o ferro do norte ou o bronze?
15:13 Entregarei suas riquezas e seus tesouros como saque, sem preço algum, por todos os seus pecados em todo o seu território.
15:14 Farei você passar com seus inimigos para uma terra que não conhece, pois um fogo se acendeu em minha ira e arderá contra vocês.”

15:15 Tu sabes, SENHOR!
   Lembra-te de mim, cuida de mim e vinga-me de meus perseguidores.
   Não permitas que eu seja arrebatado por causa de tua paciência;
   reconhece que por ti tenho sofrido afronta.
15:16 Encontrei tuas palavras e as comi;
   tuas palavras foram para mim júbilo e alegria do coração, pois levo o teu nome, SENHOR, Deus dos Exércitos.

15:17 Não me sentei na reunião dos que se divertem nem me alegrei com eles.
   Por causa de tua mão me sentei sozinho, pois me encheste de indignação.

15:18 Por que minha dor não tem fim, e minha ferida é incurável e se recusa a sarar?
   Serás para mim como um riacho enganoso, como águas em que não se pode confiar?

15:19 Por isso, assim diz o SENHOR: “Se você voltar, eu o restaurarei, e você estará diante de mim.
   Se separar o precioso do que não tem valor, será como minha boca.
   Que eles se voltem para você, mas você não se volte para eles.
15:20 Farei de você uma muralha fortificada de bronze contra este povo.
   Lutarão contra você, mas não o vencerão, pois eu estou com você para salvá-lo e livrá-lo”, declara o SENHOR.
15:21 “Eu o livrarei da mão dos perversos e o resgatarei da mão dos violentos.”

Capítulo 16
16:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
16:2 “Não tome esposa nem tenha filhos ou filhas neste lugar.”
16:3 Pois assim diz o SENHOR a respeito dos filhos e das filhas que nascerem neste lugar, de suas mães que os derem à luz e de seus pais que os gerarem nesta terra:
16:4 “Morrerão de doenças dolorosas. Ninguém os lamentará nem os sepultará; serão como esterco sobre a superfície da terra. Serão consumidos pela espada e pela fome, e seus cadáveres servirão de alimento às aves dos céus e aos animais da terra.”
16:5 Pois assim diz o SENHOR: “Não entre numa casa de luto, não vá lamentar nem consolá-los, pois retirei deste povo a minha paz”, declara o SENHOR, “o meu amor fiel e a minha compaixão.
16:6 Grandes e pequenos morrerão nesta terra. Não serão sepultados, e ninguém os lamentará; ninguém fará cortes no próprio corpo nem rapará a cabeça por eles.
16:7 Não repartirão pão para consolar os enlutados por um morto, nem lhes darão a taça de consolação por seu pai ou sua mãe.
16:8 Também não entre numa casa de banquete para se sentar com eles, comer e beber.”
16:9 Pois assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: “Farei cessar neste lugar, diante dos olhos de vocês e em seus dias, a voz de júbilo e a voz de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva.
16:10 Quando você anunciar todas estas palavras a este povo, eles lhe perguntarão: ‘Por que o SENHOR pronunciou contra nós toda esta grande calamidade? Qual é a nossa culpa e qual é o pecado que cometemos contra o SENHOR, nosso Deus?’
16:11 Você responderá a eles: ‘Porque seus antepassados me abandonaram, declara o SENHOR, seguiram outros deuses, os serviram e se prostraram diante deles. Abandonaram-me e não guardaram minha lei.
16:12 E vocês fizeram pior do que seus antepassados! Cada um de vocês segue a obstinação de seu coração mau e não me ouve.
16:13 Por isso expulsarei vocês desta terra para uma terra que nem vocês nem seus antepassados conheceram. Ali servirão a outros deuses dia e noite, pois não terei clemência de vocês.’
16:14 Por isso, vêm dias”, declara o SENHOR, “em que já não se dirá: ‘Tão certo como vive o SENHOR, que tirou os filhos de Israel da terra do Egito’,
16:15 mas: ‘Tão certo como vive o SENHOR, que tirou os filhos de Israel da terra do norte e de todas as terras para onde os havia expulsado.’ Eu os farei voltar à sua terra, que dei a seus antepassados.
16:16 Vou enviar muitos pescadores”, declara o SENHOR, “e eles os pescarão. Depois enviarei muitos caçadores, e eles os caçarão em todo monte, em toda colina e nas fendas das rochas.
16:17 Pois meus olhos estão sobre todos os seus caminhos. Eles não se escondem de minha presença, nem sua culpa fica oculta aos meus olhos.
16:18 Primeiro retribuirei em dobro sua culpa e seu pecado, pois profanaram minha terra com os cadáveres de seus ídolos detestáveis e encheram minha herança de suas abominações.”

16:19 SENHOR, minha força e minha fortaleza, meu refúgio no dia da angústia, a ti virão as nações dos confins da terra e dirão: “Nossos antepassados só herdaram mentira, coisas vazias que não servem para nada.”
16:20 Pode um ser humano fazer deuses para si?
   Eles não são deuses!
16:21 “Por isso, vou fazê-los conhecer;
   desta vez os farei conhecer minha mão e meu poder.
   Saberão que meu nome é SENHOR.”

Capítulo 17
17:1 “O pecado de Judá está escrito com um estilete de ferro e ponta de pedra dura, gravado na tábua do coração deles e nos chifres dos altares de vocês.
17:2 Seus filhos se lembram de seus altares e de seus postes de Aserá junto às árvores frondosas, nas colinas altas.
17:3 Meu monte no campo, entregarei ao saque suas riquezas, todos os seus tesouros e seus lugares altos, por causa do pecado em todo o seu território.
17:4 Por sua própria culpa você perderá a herança que lhe dei.
   Eu o farei servir a seus inimigos numa terra que não conhece, pois vocês acenderam em minha ira um fogo que arderá para sempre.”

17:5 Assim diz o SENHOR: “Maldito o homem que confia no ser humano, faz da carne o seu braço e afasta do SENHOR o seu coração.
17:6 Será como um arbusto no deserto e não verá quando chegar o bem.
   Morará nos lugares ressequidos do deserto, numa terra salgada e sem habitantes.

17:7 Bendito o homem que confia no SENHOR e cuja confiança é o SENHOR.
17:8 Será como uma árvore plantada junto às águas, que estende suas raízes para a corrente.
   Não temerá quando vier o calor, e suas folhas ficarão verdes;
   no ano de seca não se preocupará nem deixará de dar fruto.
17:9 Mais enganoso que tudo é o coração, e está incuravelmente doente.
   Quem pode conhecê-lo?
17:10 Eu, o SENHOR, examino o coração e ponho à prova os sentimentos, para dar a cada um segundo seu caminho, segundo o fruto de suas ações.

17:11 Como a perdiz que choca ovos que não pôs, assim é quem ajunta riqueza injustamente.
   A riqueza o abandonará na metade de seus dias, e no fim ele será um tolo.”
17:12 Um trono de glória, elevado desde o princípio, é o lugar do nosso santuário.
17:13 SENHOR, esperança de Israel, todos os que te abandonam ficarão envergonhados.
   “Os que se afastam de mim serão escritos na terra, pois abandonaram o SENHOR, a fonte de águas vivas.”

17:14 Cura-me, SENHOR, e serei curado;
   salva-me, e serei salvo, pois tu és o meu louvor.
17:15 Vê, eles me dizem: “Onde está a palavra do SENHOR?
   Que se cumpra agora!”
17:16 Não me apressei a abandonar o pastoreio, seguindo-te, nem desejei o dia da calamidade.
   Tu sabes;
   o que saiu dos meus lábios esteve diante de tua presença.
17:17 Não sejas para mim motivo de terror;
   tu és o meu refúgio no dia da calamidade.
17:18 Que meus perseguidores fiquem envergonhados, e não eu;
   que eles fiquem apavorados, e não eu.
   Traze sobre eles o dia da calamidade e destrói-os com dupla destruição.
17:19 Assim o SENHOR me disse: “Vá e fique à porta do povo, pela qual entram e saem os reis de Judá, e em todas as portas de Jerusalém.
17:20 Diga a eles: ‘Ouçam a palavra do SENHOR, reis de Judá, todo Judá e todos os habitantes de Jerusalém que entram por estas portas.
17:21 Assim diz o SENHOR: Guardem sua vida e não carreguem cargas no dia de sábado, nem as façam entrar pelas portas de Jerusalém.
17:22 Não levem cargas para fora de suas casas no dia de sábado, nem façam trabalho algum. Santifiquem o dia de sábado, como ordenei a seus antepassados.
17:23 Mas eles não ouviram nem inclinaram os ouvidos; endureceram a nuca para não ouvir nem aceitar a correção.
17:24 Se vocês de fato me ouvirem, declara o SENHOR, e não fizerem entrar cargas pelas portas desta cidade no dia de sábado, mas santificarem o dia de sábado sem fazer nele trabalho algum,
17:25 então entrarão pelas portas desta cidade reis e governantes que se assentam no trono de Davi, montados em carros e cavalos, eles e seus governantes, os homens de Judá e os habitantes de Jerusalém. Esta cidade será habitada para sempre.
17:26 Virão das cidades de Judá, dos arredores de Jerusalém, da terra de Benjamim, da Sefelá, da região montanhosa e do Neguebe, trazendo holocaustos, sacrifícios, ofertas de cereal e incenso, e trazendo ofertas de ação de graças à casa do SENHOR.
17:27 Mas, se vocês não me ouvirem para santificar o dia de sábado e deixar de carregar cargas pelas portas de Jerusalém no dia de sábado, atearei fogo às suas portas. Ele consumirá os palácios de Jerusalém e não se apagará.’”

Capítulo 18
18:1 Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do SENHOR:
18:2 “Levante-se e desça à casa do oleiro; ali farei você ouvir minhas palavras.”
18:3 Desci à casa do oleiro, e ele estava trabalhando no torno.
18:4 O vaso de barro que ele fazia se estragou nas mãos do oleiro. Então tornou a fazer dele outro vaso, como lhe pareceu melhor.
18:5 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
18:6 “Não posso fazer com vocês como fez este oleiro, casa de Israel?”, declara o SENHOR. “Como o barro nas mãos do oleiro, assim vocês estão em minha mão, casa de Israel.
18:7 Num momento anuncio a respeito de uma nação ou de um reino que vou arrancá-lo, derrubá-lo e destruí-lo;
18:8 mas, se aquela nação contra a qual falei abandonar sua maldade, desistirei da calamidade que havia planejado trazer sobre ela.
18:9 Em outro momento anuncio a respeito de uma nação ou de um reino que vou construí-lo e plantá-lo;
18:10 mas, se fizer o que é mau aos meus olhos e não ouvir minha voz, desistirei do bem que havia dito que lhe faria.
18:11 Agora diga aos homens de Judá e aos habitantes de Jerusalém: ‘Assim diz o SENHOR: Estou moldando uma calamidade contra vocês e traçando um plano contra vocês. Voltem, cada um de seu mau caminho; corrijam sua conduta e suas ações.’
18:12 Mas eles dirão: ‘Não adianta! Seguiremos nossos próprios planos, e cada um fará conforme a obstinação de seu coração mau.’”

18:13 Por isso, assim diz o SENHOR: “Perguntem entre as nações: Quem ouviu coisa semelhante?
   A virgem de Israel fez algo absolutamente horrível.
18:14 Acaso a neve do Líbano abandona as rochas agrestes?
   Deixam de correr as águas frias que vêm de longe?
18:15 Mas o meu povo se esqueceu de mim e queima incenso ao que não tem valor.
   Fizeram-nos tropeçar em seus caminhos, nas veredas antigas, para andarem por trilhas, por um caminho não preparado,
18:16 para fazer de sua terra uma desolação, objeto de assobios de desprezo para sempre.
   Todo aquele que passar por ela ficará horrorizado e balançará a cabeça.
18:17 Como o vento do leste, eu os espalharei diante do inimigo;
   mostrarei a eles as costas, e não o rosto, no dia de sua calamidade.”
18:18 Então disseram: “Venham, tramemos planos contra Jeremias, pois não faltará a instrução ao sacerdote, nem o conselho ao sábio, nem a palavra ao profeta. Venham, vamos atacá-lo com a língua e não prestar atenção a nenhuma de suas palavras.”
18:19 Presta atenção em mim, SENHOR, e ouve a voz de meus adversários.
18:20 Acaso se paga o bem com o mal?
   Eles cavaram uma cova para tirar minha vida.
   Lembra-te de que me apresentei diante de ti para falar a favor deles, para afastar deles o teu furor.
18:21 Por isso entrega seus filhos à fome e entrega-os ao poder da espada.
   Que suas mulheres fiquem sem filhos e viúvas;
   que seus homens sejam mortos, e seus jovens caiam à espada na batalha.
18:22 Que se ouçam gritos em suas casas quando trouxeres de repente contra eles uma tropa de saqueadores.
   Pois cavaram uma cova para me apanhar e esconderam armadilhas para os meus pés.
18:23 Mas tu, SENHOR, conheces todos os seus planos para me matar.
   Não perdoes sua culpa nem apagues de tua presença seu pecado.
   Que sejam derrubados diante de ti;
   age contra eles no tempo de tua ira.

Capítulo 19
19:1 Assim diz o SENHOR: “Vá e compre de um oleiro uma jarra de barro. Leve consigo alguns dos anciãos do povo e dos anciãos dos sacerdotes.
19:2 Saia para o vale do filho de Hinom, junto à entrada da Porta dos Cacos, e proclame ali as palavras que eu lhe disser.
19:3 Diga: ‘Ouçam a palavra do SENHOR, reis de Judá e habitantes de Jerusalém. Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Vou trazer sobre este lugar uma calamidade que fará zumbir os ouvidos de quem ouvir falar dela.
19:4 Pois me abandonaram e tornaram este lugar alheio a mim. Nele queimaram incenso a outros deuses, que nem eles, nem seus antepassados, nem os reis de Judá conheceram. Encheram este lugar de sangue de inocentes.
19:5 Construíram os lugares altos de Baal para queimar seus filhos no fogo como holocaustos a Baal, coisa que não ordenei, nem falei, nem me passou pela mente.
19:6 Por isso, vêm dias, declara o SENHOR, em que este lugar já não se chamará Tofete nem vale do filho de Hinom, mas Vale da Matança.
19:7 Neste lugar frustrarei os planos de Judá e de Jerusalém. Eu os farei cair à espada diante de seus inimigos e nas mãos dos que procuram tirar sua vida. Darei seus cadáveres como alimento às aves dos céus e aos animais da terra.
19:8 Farei desta cidade uma desolação e objeto de assobios. Todo aquele que passar por ela ficará horrorizado e assobiará por causa de todas as suas feridas.
19:9 Eu os farei comer a carne de seus filhos e de suas filhas; cada um comerá a carne de seu próximo durante o cerco e a aflição com que os oprimirão seus inimigos e os que procuram tirar sua vida.’
19:10 Então quebre a jarra à vista dos homens que o acompanham.
19:11 Diga a eles: ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Desse modo quebrarei este povo e esta cidade, como se quebra um vaso de oleiro que já não pode ser consertado. Enterrarão em Tofete por falta de lugar para sepultar.
19:12 Assim farei a este lugar e a seus habitantes, declara o SENHOR; farei desta cidade um Tofete.
19:13 As casas de Jerusalém e as casas dos reis de Judá ficarão impuras como o lugar de Tofete: todas as casas em cujos terraços queimaram incenso a todo o exército dos céus e derramaram ofertas de bebida a outros deuses.’”
19:14 Jeremias voltou de Tofete, para onde o SENHOR o havia enviado a profetizar. Ficou de pé no pátio da casa do SENHOR e disse a todo o povo:
19:15 “Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Vou trazer sobre esta cidade e sobre todas as suas cidades toda a calamidade que anunciei contra ela, pois endureceram a nuca para não ouvir minhas palavras.”

Capítulo 20
20:1 O sacerdote Pasur, filho de Imer, supervisor principal da casa do SENHOR, ouviu Jeremias profetizar essas palavras.
20:2 Pasur bateu no profeta Jeremias e o prendeu no tronco que havia na Porta Superior de Benjamim, na casa do SENHOR.
20:3 No dia seguinte, Pasur tirou Jeremias do tronco. Jeremias lhe disse: “O SENHOR não chama você de Pasur, mas de Magor-Missabibe.
20:4 Pois assim diz o SENHOR: ‘Farei de você um terror para si mesmo e para todos os seus amigos. Eles cairão pela espada de seus inimigos, e seus olhos verão isso. Entregarei todo Judá nas mãos do rei da Babilônia, que os levará cativos para a Babilônia e os matará à espada.
20:5 Entregarei todas as riquezas desta cidade, todo o fruto de seu trabalho e todas as suas coisas preciosas. Entregarei todos os tesouros dos reis de Judá nas mãos de seus inimigos, que os saquearão, tomarão e levarão para a Babilônia.
20:6 E você, Pasur, e todos os que moram em sua casa irão para o cativeiro. Você chegará à Babilônia, ali morrerá e ali será sepultado, você e todos os seus amigos a quem profetizou mentiras.’”

20:7 Tu me seduziste, SENHOR, e eu me deixei seduzir.
   Foste mais forte do que eu e prevaleceste.
   Sou motivo de riso o dia inteiro;
   todos zombam de mim.
20:8 Cada vez que falo, grito e proclamo: “Violência e destruição!”
   Pois a palavra do SENHOR se tornou para mim motivo de afronta e zombaria o dia inteiro.
20:9 Quando digo: “Não o mencionarei nem falarei mais em seu nome”, há em meu coração como um fogo ardente, encerrado nos meus ossos.
   Estou cansado de contê-lo e não consigo.
20:10 Pois ouvi a murmuração de muitos: “Terror por todos os lados!
   Denunciem-no!
   Vamos denunciá-lo!”
   Todos os meus amigos vigiam meus tropeços: “Talvez ele se deixe seduzir;
   então o venceremos e nos vingaremos dele.”
20:11 Mas o SENHOR está comigo como um guerreiro temível.
   Por isso meus perseguidores tropeçarão e não prevalecerão.
   Ficarão muito envergonhados, pois não terão êxito.
   Sua desonra será eterna, não será esquecida.
20:12 SENHOR dos Exércitos, que provas o justo e vês os sentimentos e o coração, deixa-me ver tua vingança contra eles, pois a ti expus minha causa.

20:13 Cantem ao SENHOR!
   Louvem o SENHOR!
   Pois ele livrou a vida do pobre das mãos dos malfeitores.

20:14 Maldito o dia em que nasci!
   Não seja bendito o dia em que minha mãe me deu à luz.
20:15 Maldito o homem que deu a notícia a meu pai: “Nasceu um filho homem para você!”, enchendo-o de alegria.
20:16 Que esse homem seja como as cidades que o SENHOR destruiu sem voltar atrás.
   Que ele ouça gritos pela manhã e o clamor de guerra ao meio-dia,
20:17 pois não me matou no ventre;
   assim minha mãe teria sido minha sepultura, e seu ventre teria ficado grávido para sempre.
20:18 Por que saí do ventre para ver sofrimento e tristeza e ter meus dias consumidos em vergonha?

Capítulo 21
21:1 Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do SENHOR quando o rei Zedequias lhe enviou Pasur, filho de Malquias, e o sacerdote Sofonias, filho de Maaseias, para dizer:
21:2 “Consulte o SENHOR por nós, pois Nabucodonosor, rei da Babilônia, guerreia contra nós. Talvez o SENHOR aja conosco segundo todas as suas maravilhas, e o rei se retire de nós.”
21:3 Jeremias respondeu a eles: “Assim vocês dirão a Zedequias:
21:4 ‘Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Farei retroceder as armas de guerra que vocês têm nas mãos, com as quais combatem contra o rei da Babilônia e os caldeus que os cercam fora da muralha. Eu os reunirei no meio desta cidade.
21:5 Eu mesmo lutarei contra vocês com mão estendida e braço forte, com ira, furor e grande indignação.
21:6 Ferirei os habitantes desta cidade, tanto os seres humanos como os animais; morrerão de uma grande peste.
21:7 Depois disso, declara o SENHOR, entregarei Zedequias, rei de Judá, seus servos, o povo e os que nesta cidade sobreviverem à peste, à espada e à fome nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, nas mãos de seus inimigos e dos que procuram tirar sua vida. Ele os matará ao fio da espada, sem poupá-los, sem ter piedade nem compaixão.’
21:8 A este povo você dirá: ‘Assim diz o SENHOR: Ponho diante de vocês o caminho da vida e o caminho da morte.
21:9 Quem ficar nesta cidade morrerá pela espada, pela fome e pela peste. Mas quem sair e se render aos caldeus que cercam vocês viverá e terá a própria vida como despojo.
21:10 Pois voltei meu rosto contra esta cidade para o mal, e não para o bem, declara o SENHOR. Ela será entregue nas mãos do rei da Babilônia, e ele a queimará.’

21:11 À casa do rei de Judá: ‘Ouçam a palavra do SENHOR!
21:12 Casa de Davi, assim diz o SENHOR: Façam justiça pela manhã e livrem das mãos do opressor quem foi roubado, para que meu furor não irrompa como fogo e arda sem que ninguém o apague, por causa da maldade de suas ações.
21:13 Estou contra você, moradora do vale, rocha da planície, declara o SENHOR, vocês que dizem: Quem descerá contra nós?
   Quem entrará em nossas moradas?
21:14 Eu os castigarei segundo o fruto de suas ações, declara o SENHOR.
   Atearei fogo à floresta dela, e ele consumirá todos os arredores da cidade.’”

Capítulo 22
22:1 Assim diz o SENHOR: “Desça à casa do rei de Judá e proclame ali estas palavras.
22:2 Diga: ‘Ouça a palavra do SENHOR, rei de Judá, que se assenta no trono de Davi, você, seus servos e seu povo que entram por estas portas.
22:3 Assim diz o SENHOR: Pratiquem o juízo e a justiça; livrem das mãos do opressor quem foi roubado. Não maltratem nem façam violência ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, nem derramem sangue inocente neste lugar.
22:4 Se vocês de fato cumprirem esta palavra, entrarão pelas portas desta casa reis que sucederão a Davi em seu trono, montados em carros e cavalos, cada um com seus servos e seu povo.
22:5 Mas, se não ouvirem estas palavras, por mim mesmo jurei, declara o SENHOR, que esta casa ficará em ruínas.’”

22:6 Pois assim diz o SENHOR a respeito da casa do rei de Judá: “Você é para mim Gileade, o cume do Líbano;
   mas certamente farei de você um deserto, cidades sem habitantes.
22:7 Consagrarei destruidores contra você, cada um com suas armas.
   Cortarão seus cedros escolhidos e os lançarão ao fogo.
22:8 Muitas nações passarão por esta cidade, e cada um perguntará ao seu próximo: ‘Por que o SENHOR fez isso a esta grande cidade?’
22:9 E responderão: ‘Porque abandonaram a aliança do SENHOR, seu Deus, se prostraram diante de outros deuses e os serviram.’”

22:10 Não chorem pelo morto nem o lamentem;
   chorem muito por aquele que se vai, pois ele não voltará nem verá de novo sua terra natal.

22:11 Pois assim diz o SENHOR a respeito de Salum, filho de Josias, rei de Judá, que reinou no lugar de seu pai Josias e saiu deste lugar: “Ele não voltará mais aqui.
22:12 Morrerá no lugar para onde o levaram cativo e não verá de novo esta terra.

22:13 Ai de quem constrói sua casa sem justiça e seus aposentos superiores sem direito, faz seu próximo trabalhar sem pagamento e não lhe dá seu salário!
22:14 Ele diz: ‘Construirei para mim uma casa espaçosa, com amplos aposentos superiores.’ Abre janelas, reveste a casa de cedro e a pinta de vermelhão.
22:15 Acaso você reina por competir no uso de cedro?
   Seu pai não comia e bebia, praticando o juízo e a justiça?
   Por isso tudo lhe ia bem.
22:16 Defendia a causa do pobre e do necessitado;
   por isso tudo lhe ia bem.
   Não é isso me conhecer?”, declara o SENHOR.
22:17 “Mas seus olhos e seu coração só procuram lucro injusto, derramar sangue inocente e praticar a opressão e a violência.”

22:18 Por isso, assim diz o SENHOR a respeito de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá: “Não o lamentarão, dizendo: ‘Ai, meu irmão!
   Ai, irmã!’ Não o lamentarão, dizendo: ‘Ai, senhor!
   Ai, sua majestade!’
22:19 Será sepultado como um jumento: arrastado e lançado para longe, fora das portas de Jerusalém.

22:20 Suba ao Líbano e clame;
   levante a voz em Basã e grite desde Abarim, pois todos os seus amantes foram quebrantados.
22:21 Falei com você em sua prosperidade, mas você disse: ‘Não ouvirei.’ Essa tem sido sua conduta desde a juventude: você não ouviu minha voz.
22:22 O vento apascentará todos os seus pastores, e seus amantes irão para o cativeiro.
   Então você ficará envergonhada e humilhada por toda a sua maldade.
22:23 Você que mora no Líbano e faz seu ninho entre os cedros, como gemerá quando lhe vierem dores, dores como as de uma mulher em trabalho de parto!
22:24 Tão certo como eu vivo”, declara o SENHOR, “ainda que Conias, filho de Jeoaquim, rei de Judá, fosse o anel de selar da minha mão direita, eu o arrancaria dali.
22:25 Eu o entregarei nas mãos dos que procuram tirar sua vida, nas mãos dos que você teme, nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, e nas mãos dos caldeus.
22:26 Expulsarei você e sua mãe, que o deu à luz, para outra terra, onde vocês não nasceram, e ali morrerão.
22:27 À terra para a qual anseiam voltar, não voltarão.”

22:28 Será este homem Conias um objeto desprezado e quebrado?
   É um vaso que ninguém quer?
   Por que foram expulsos, ele e sua descendência, e lançados numa terra que não conheciam?
22:29 Terra, terra, terra, ouça a palavra do SENHOR!

22:30 Assim diz o SENHOR: “Registrem este homem como sem filhos, um homem que não prosperará em seus dias, pois nenhum de seus descendentes conseguirá sentar-se no trono de Davi nem voltar a governar Judá.”

Capítulo 23
23:1 “Ai dos pastores que destroem e espalham as ovelhas do meu pasto!”, declara o SENHOR.
23:2 Por isso, assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, a respeito dos pastores que apascentam o meu povo: “Vocês espalharam minhas ovelhas, as afugentaram e não se ocuparam delas. Agora me ocuparei de vocês por causa da maldade de suas ações”, declara o SENHOR.
23:3 “Eu mesmo reunirei o restante das minhas ovelhas de todas as terras para onde as expulsei e as farei voltar às suas pastagens. Serão fecundas e se multiplicarão.
23:4 Porei sobre elas pastores que as apascentem. Não terão mais medo nem ficarão apavoradas, e nenhuma faltará”, declara o SENHOR.
23:5 “Vêm dias”, declara o SENHOR, “em que levantarei para Davi um Renovo justo. Ele reinará como rei, agirá com sabedoria e praticará o juízo e a justiça na terra.
23:6 Em seus dias Judá será salvo, e Israel viverá em segurança. Este é o nome pelo qual será chamado: ‘SENHOR, nossa justiça.’
23:7 Por isso, vêm dias”, declara o SENHOR, “em que já não dirão: ‘Tão certo como vive o SENHOR, que tirou os filhos de Israel da terra do Egito’,
23:8 mas: ‘Tão certo como vive o SENHOR, que fez subir e trouxe a descendência da casa de Israel da terra do norte e de todas as terras para onde eu os havia expulsado.’ E habitarão em sua própria terra.”

23:9 A respeito dos profetas: meu coração está quebrantado dentro de mim, e todos os meus ossos tremem.
   Sou como um homem embriagado, como um homem dominado pelo vinho, por causa do SENHOR e de suas santas palavras.
23:10 Pois a terra está cheia de adúlteros;
   por causa da maldição a terra fica de luto, e as pastagens do deserto secaram.
   A corrida deles é má, e sua força não se exerce com retidão.
23:11 “Tanto o profeta como o sacerdote se corromperam;
   até em minha casa encontrei sua maldade”, declara o SENHOR.
23:12 “Por isso seu caminho será para eles como lugares escorregadios na escuridão.
   Serão empurrados e cairão nele, pois trarei sobre eles uma calamidade no ano de seu castigo”, declara o SENHOR.
23:13 “Entre os profetas de Samaria vi insensatez: profetizavam por Baal e faziam o meu povo Israel se desviar.

23:14 Entre os profetas de Jerusalém vi algo horrível: cometem adultério, andam na mentira e fortalecem as mãos dos malfeitores, de modo que ninguém abandona sua maldade.
   Todos eles são para mim como Sodoma, e os habitantes dela, como Gomorra.

23:15 Por isso, assim diz o SENHOR dos Exércitos a respeito dos profetas: Vou dar a eles losna para comer e água envenenada para beber, pois dos profetas de Jerusalém se espalhou a corrupção por toda a terra.”

23:16 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Não ouçam as palavras dos profetas que profetizam a vocês.
   Eles os iludem;
   falam de visões do próprio coração, e não da boca do SENHOR.
23:17 Dizem sem parar aos que me desprezam: ‘O SENHOR disse: Vocês terão paz.’ E dizem a todos os que seguem a obstinação de seu coração: ‘Nenhuma calamidade virá sobre vocês.’
23:18 Pois quem esteve no conselho do SENHOR para ver e ouvir sua palavra?
   Quem prestou atenção às minhas palavras e as ouviu?

23:19 Vejam! A tempestade do SENHOR saiu com furor;
   um vendaval gira sobre a cabeça dos perversos.
23:20 A ira do SENHOR não voltará atrás até realizar e cumprir os propósitos de seu coração.
   No fim dos dias vocês compreenderão isso plenamente.
23:21 Não enviei esses profetas, mas eles correram;
   não falei com eles, mas eles profetizaram.
23:22 Se tivessem estado em meu conselho, teriam feito o meu povo ouvir minhas palavras e o teriam feito abandonar seu mau caminho e a maldade de suas ações.

23:23 Sou Deus apenas de perto”, declara o SENHOR, “e não também Deus de longe?
23:24 Pode alguém se esconder em esconderijos sem que eu o veja?”, declara o SENHOR.
   “Não encho eu os céus e a terra?”, declara o SENHOR.
23:25 “Ouvi o que dizem os profetas que profetizam mentiras em meu nome: ‘Sonhei! Sonhei!’
23:26 Até quando estará isso no coração dos profetas que profetizam mentiras, que profetizam o engano do próprio coração,
23:27 que planejam fazer o meu povo se esquecer do meu nome com os sonhos que contam uns aos outros, como seus antepassados se esqueceram do meu nome por causa de Baal?
23:28 O profeta que tem um sonho, que conte o sonho; quem tem minha palavra, que fale minha palavra com fidelidade. O que a palha tem a ver com o grão?”, declara o SENHOR.
23:29 “Minha palavra não é como fogo”, declara o SENHOR, “e como um martelo que despedaça a rocha?
23:30 Por isso estou contra os profetas”, declara o SENHOR, “que roubam minhas palavras uns dos outros.
23:31 Estou contra os profetas”, declara o SENHOR, “que usam sua própria língua e proferem oráculos.
23:32 Estou contra os que profetizam sonhos falsos”, declara o SENHOR, “e os contam, fazendo o meu povo se desviar com suas mentiras e sua irresponsabilidade. Eu não os enviei nem lhes dei ordens, e de modo algum são úteis a este povo”, declara o SENHOR.
23:33 “Quando este povo, um profeta ou um sacerdote perguntar a você: ‘Qual é o oráculo do SENHOR?’, diga a eles: ‘Que oráculo? Eu abandonarei vocês, declara o SENHOR.’
23:34 Quanto ao profeta, ao sacerdote ou a alguém do povo que disser: ‘Oráculo do SENHOR’, eu castigarei esse homem e sua casa.
23:35 Assim cada um dirá ao seu próximo e ao seu irmão: ‘O que o SENHOR respondeu? O que o SENHOR falou?’
23:36 Não voltem a mencionar o oráculo do SENHOR, pois a palavra de cada um será seu próprio peso. Vocês torceram as palavras do Deus vivo, do SENHOR dos Exércitos, nosso Deus.
23:37 Assim você dirá ao profeta: ‘O que o SENHOR respondeu a você? O que o SENHOR falou?’
23:38 Mas, se vocês disserem: ‘Oráculo do SENHOR’, então assim diz o SENHOR: Porque vocês disseram estas palavras, ‘Oráculo do SENHOR’, quando lhes mandei dizer que não dissessem ‘Oráculo do SENHOR’,
23:39 vou me esquecer de vocês por completo e afastarei da minha presença vocês e a cidade que dei a vocês e a seus antepassados.
23:40 Porei sobre vocês uma afronta eterna e uma humilhação eterna, que não será esquecida.”

Capítulo 24
24:1 O SENHOR me mostrou dois cestos de figos colocados diante do templo do SENHOR. Isso foi depois que Nabucodonosor, rei da Babilônia, levou de Jerusalém para o exílio Jeconias, filho de Jeoaquim, rei de Judá, os governantes de Judá, os artesãos e os ferreiros, e os trouxe à Babilônia.
24:2 Um cesto tinha figos muito bons, como os primeiros figos maduros; o outro tinha figos muito ruins, tão ruins que não se podiam comer.
24:3 O SENHOR me perguntou: “O que você vê, Jeremias?” Respondi: “Figos. Os figos bons são muito bons, e os ruins são muito ruins, tão ruins que não se podem comer.”
24:4 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
24:5 “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Assim como estes figos bons, olharei com favor para os exilados de Judá que enviei deste lugar para a terra dos caldeus.
24:6 Porei meus olhos sobre eles para o bem e os farei voltar a esta terra. Eu os edificarei e não os derrubarei; eu os plantarei e não os arrancarei.
24:7 Darei a eles um coração para me conhecerem, pois eu sou o SENHOR. Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus, pois voltarão para mim de todo o coração.
24:8 Mas, como os figos ruins, tão ruins que não se podem comer, assim diz o SENHOR, assim tratarei Zedequias, rei de Judá, seus governantes e o restante de Jerusalém, os que ficaram nesta terra e os que moram na terra do Egito.
24:9 Farei deles motivo de horror e desgraça para todos os reinos da terra, motivo de afronta, provérbio, zombaria e maldição em todos os lugares para onde os expulsar.
24:10 Enviarei contra eles a espada, a fome e a peste, até que sejam exterminados da terra que dei a eles e a seus antepassados.”

Capítulo 25
25:1 Esta é a palavra que veio a Jeremias a respeito de todo o povo de Judá, no quarto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, que era o primeiro ano de Nabucodonosor, rei da Babilônia.
25:2 O profeta Jeremias a anunciou a todo o povo de Judá e a todos os habitantes de Jerusalém, dizendo:
25:3 “Desde o décimo terceiro ano de Josias, filho de Amom, rei de Judá, até hoje, durante estes vinte e três anos, a palavra do SENHOR veio a mim. Falei com vocês desde cedo e insistentemente, mas vocês não ouviram.
25:4 O SENHOR enviou a vocês todos os seus servos, os profetas, desde cedo e insistentemente, mas vocês não ouviram nem inclinaram os ouvidos para escutar.”
25:5 Eles diziam: “Voltem, cada um de seu mau caminho e da maldade de suas ações, e habitem na terra que o SENHOR deu a vocês e a seus antepassados desde os tempos antigos e para sempre.
25:6 Não sigam outros deuses para servi-los e se prostrar diante deles. Não me provoquem à ira com as obras de suas mãos, e não lhes farei mal.”
25:7 “Mas vocês não me ouviram”, declara o SENHOR, “e me provocaram à ira com as obras de suas mãos, para seu próprio mal.”
25:8 Por isso, assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Porque vocês não ouviram minhas palavras,
25:9 vou mandar buscar todos os clãs do norte”, declara o SENHOR, “e Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo. Eu os trarei contra esta terra, contra seus habitantes e contra todas estas nações ao redor. Eu os destruirei completamente e farei deles motivo de horror e de assobios, ruínas perpétuas.
25:10 Farei desaparecer do meio deles a voz de júbilo e a voz de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva, o som do moinho e a luz da lâmpada.
25:11 Toda esta terra será ruína e desolação, e estas nações servirão ao rei da Babilônia durante setenta anos.
25:12 Quando se completarem os setenta anos, castigarei por sua culpa o rei da Babilônia e aquela nação”, declara o SENHOR, “e a terra dos caldeus, que tornarei uma desolação perpétua.
25:13 Farei cair sobre aquela terra todas as palavras que pronunciei contra ela, tudo o que está escrito neste livro, o que Jeremias profetizou contra todas as nações.
25:14 Pois muitas nações e grandes reis também os submeterão. Eu lhes retribuirei segundo seus atos e as obras de suas mãos.”
25:15 Pois assim o SENHOR, o Deus de Israel, me disse: “Pegue de minha mão esta taça do vinho do furor e faça todas as nações às quais eu o envio beberem dela.
25:16 Elas beberão, cambalearão e enlouquecerão por causa da espada que enviarei ao meio delas.”
25:17 Peguei a taça da mão do SENHOR e dei de beber a todas as nações às quais o SENHOR me havia enviado:
25:18 a Jerusalém e às cidades de Judá, a seus reis e seus governantes, para fazer deles ruína, horror, motivo de assobios e maldição, como acontece hoje;
25:19 ao faraó, rei do Egito, a seus servos, seus governantes e todo o seu povo;
25:20 a toda a população de origens diversas, a todos os reis da terra de Uz, a todos os reis da terra dos filisteus, a Asquelom, Gaza, Ecrom e ao restante de Asdode;
25:21 a Edom, Moabe e aos filhos de Amom;
25:22 a todos os reis de Tiro, a todos os reis de Sidom e aos reis das ilhas que ficam além do mar;
25:23 a Dedã, Tema, Buz e a todos os que rapam as têmporas;
25:24 a todos os reis da Arábia e a todos os reis dos povos misturados que moram no deserto;
25:25 a todos os reis de Zinri, a todos os reis de Elão e a todos os reis da Média;
25:26 a todos os reis do norte, os próximos e os distantes, uns após outros, e a todos os reinos do mundo que estão sobre a superfície da terra. O rei de Sesaque beberá depois deles.
25:27 “Diga a eles: ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Bebam, embriaguem-se, vomitem, caiam e não se levantem, por causa da espada que enviarei ao meio de vocês.’
25:28 Se eles se recusarem a tomar a taça de sua mão para beber, diga a eles: ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Certamente vocês beberão!
25:29 Pois começo a trazer calamidade à cidade que leva o meu nome, e vocês ficariam impunes? Não ficarão impunes, pois convoco a espada contra todos os habitantes da terra, declara o SENHOR dos Exércitos.’
25:30 Você profetizará contra eles todas estas palavras. Diga a eles:
 ‘O SENHOR rugirá do alto e fará ouvir sua voz de sua santa morada.
   Rugirá com força contra seu redil;
   levantará um grito como o dos que pisam uvas contra todos os habitantes da terra.
25:31 O estrondo chegará aos confins da terra, pois o SENHOR tem uma causa contra as nações.
   Ele entra em juízo com todo ser humano e entrega os perversos à espada, declara o SENHOR.’”

25:32 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Uma calamidade passa de nação em nação;
   uma grande tempestade se levanta dos confins da terra.
25:33 Naquele dia, os mortos pelo SENHOR estarão de uma extremidade da terra à outra.
   Não serão lamentados, nem recolhidos, nem sepultados;
   serão como esterco sobre a superfície da terra.
25:34 Gemam e gritem, pastores!
   Revolvam-se no pó, chefes do rebanho!
   Chegou o tempo de sua matança e de sua dispersão;
   vocês cairão como um vaso precioso.
25:35 Não haverá fuga para os pastores nem escape para os chefes do rebanho.
25:36 Ouve-se o grito dos pastores e o gemido dos chefes do rebanho, pois o SENHOR está devastando suas pastagens.
25:37 As pastagens tranquilas ficam desoladas por causa da ira ardente do SENHOR.
25:38 Como um leão novo, ele deixou sua toca, pois a terra deles ficou desolada por causa do furor do opressor e de sua ira ardente.”

Capítulo 26
26:1 No início do reinado de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, veio esta palavra da parte do SENHOR:
26:2 Assim diz o SENHOR: “Fique no pátio da casa do SENHOR e diga aos habitantes de todas as cidades de Judá que vêm se prostrar na casa do SENHOR todas as palavras que ordenei que você lhes dissesse. Não omita uma palavra.
26:3 Talvez eles ouçam e cada um abandone seu mau caminho. Então desistirei da calamidade que planejo trazer sobre eles por causa da maldade de suas ações.
26:4 Diga a eles: ‘Assim diz o SENHOR: Se vocês não me ouvirem para andar segundo a minha lei, que pus diante de vocês,
26:5 para ouvir as palavras de meus servos, os profetas, que envio a vocês desde cedo e insistentemente, mas que vocês não ouviram,
26:6 farei desta casa outra Siló e desta cidade uma maldição para todas as nações da terra.’”
26:7 Os sacerdotes, os profetas e todo o povo ouviram Jeremias dizer essas palavras na casa do SENHOR.
26:8 Quando Jeremias terminou de dizer a todo o povo tudo o que o SENHOR lhe havia ordenado, os sacerdotes, os profetas e todo o povo o agarraram, dizendo: “Você certamente morrerá!
26:9 Por que profetizou em nome do SENHOR: ‘Esta casa será como Siló, e esta cidade ficará em ruínas, sem habitantes’?” Todo o povo se reuniu contra Jeremias na casa do SENHOR.
26:10 Quando os governantes de Judá ouviram essas coisas, subiram da casa do rei à casa do SENHOR e se sentaram à entrada da Porta Nova do SENHOR.
26:11 Os sacerdotes e os profetas disseram aos governantes e a todo o povo: “Este homem merece a pena de morte, pois profetizou contra esta cidade, como vocês ouviram com os próprios ouvidos.”
26:12 Jeremias respondeu a todos os governantes e a todo o povo: “O SENHOR me enviou a profetizar contra esta casa e contra esta cidade todas as palavras que vocês ouviram.
26:13 Agora corrijam sua conduta e suas ações e ouçam a voz do SENHOR, seu Deus. Então o SENHOR desistirá da calamidade que anunciou contra vocês.
26:14 Quanto a mim, estou nas mãos de vocês. Façam comigo o que lhes parecer bom e correto.
26:15 Mas saibam com certeza: Se me matarem, trarão sangue inocente sobre vocês, sobre esta cidade e sobre seus habitantes, pois de fato o SENHOR me enviou a vocês para dizer aos seus ouvidos todas estas palavras.”
26:16 Os governantes e todo o povo disseram aos sacerdotes e aos profetas: “Este homem não merece a pena de morte, pois nos falou em nome do SENHOR, nosso Deus.”
26:17 Alguns homens dentre os anciãos do país se levantaram e disseram a toda a assembleia do povo:
26:18 “Miqueias, o morastita, profetizou nos dias de Ezequias, rei de Judá. Disse a todo o povo de Judá: ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Sião será arada como um campo, Jerusalém se tornará montões de ruínas, e o monte da casa será como as alturas de uma floresta.’
26:19 Acaso Ezequias, rei de Judá, e todo Judá o mataram? Não temeu ele o SENHOR e suplicou o favor do SENHOR? E o SENHOR desistiu da calamidade que havia anunciado contra eles. Nós estamos trazendo um grande mal sobre nossas próprias vidas!”
26:20 Houve também um homem que profetizava em nome do SENHOR: Urias, filho de Semaías, de Quiriate-Jearim. Ele profetizou contra esta cidade e contra esta terra segundo todas as palavras de Jeremias.
26:21 O rei Jeoaquim, todos os seus guerreiros e todos os governantes ouviram suas palavras, e o rei procurou matá-lo. Urias soube disso, teve medo, fugiu e foi para o Egito.
26:22 O rei Jeoaquim enviou homens ao Egito: Elnatã, filho de Acbor, e outros homens com ele.
26:23 Eles tiraram Urias do Egito e o levaram ao rei Jeoaquim, que o matou à espada e lançou seu cadáver nas sepulturas do povo.
26:24 Mas Aicão, filho de Safã, apoiou Jeremias, para que ele não fosse entregue nas mãos do povo para ser morto.

Capítulo 27
27:1 No início do reinado de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, veio esta palavra a Jeremias da parte do SENHOR:
27:2 Assim o SENHOR me disse: “Faça correias e jugos e coloque-os sobre o seu pescoço.
27:3 Envie-os ao rei de Edom, ao rei de Moabe, ao rei dos filhos de Amom, ao rei de Tiro e ao rei de Sidom, por meio dos mensageiros que vêm a Jerusalém para encontrar Zedequias, rei de Judá.
27:4 Dê a eles esta mensagem para seus senhores: ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Assim vocês dirão a seus senhores:
27:5 Eu fiz a terra, os seres humanos e os animais que estão sobre a superfície da terra, com meu grande poder e meu braço estendido, e a dou a quem me parece bom.
27:6 Agora entreguei todas estas terras nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo. Também lhe dei os animais selvagens, para que o sirvam.
27:7 Todas as nações servirão a ele, a seu filho e ao filho de seu filho, até chegar também a hora de sua própria terra. Então muitas nações e grandes reis o submeterão.
27:8 Quanto à nação e ao reino que não servirem a Nabucodonosor, rei da Babilônia, e não puserem o pescoço sob o jugo do rei da Babilônia, castigarei essa nação com a espada, a fome e a peste, declara o SENHOR, até destruí-los por sua mão.
27:9 Vocês não ouçam seus profetas, seus adivinhos, seus sonhos, seus agoureiros nem seus feiticeiros, que dizem a vocês: Não servirão ao rei da Babilônia.
27:10 Pois profetizam mentiras a vocês para afastá-los de sua terra, para que eu os expulse e vocês pereçam.
27:11 Mas a nação que puser o pescoço sob o jugo do rei da Babilônia e o servir, eu a deixarei em sua terra, declara o SENHOR. Ela a cultivará e habitará nela.’”
27:12 Também falei a Zedequias, rei de Judá, segundo todas essas palavras: “Ponham o pescoço sob o jugo do rei da Babilônia, sirvam a ele e ao seu povo, e vivam.
27:13 Por que morreriam você e seu povo pela espada, pela fome e pela peste, como o SENHOR disse da nação que não servir ao rei da Babilônia?
27:14 Não ouçam as palavras dos profetas que dizem a vocês: ‘Não servirão ao rei da Babilônia’, pois profetizam mentiras a vocês.
27:15 ‘Eu não os enviei, declara o SENHOR, mas eles profetizam mentiras em meu nome, para que eu expulse vocês e vocês pereçam, vocês e os profetas que profetizam a vocês.’”
27:16 Também falei aos sacerdotes e a todo este povo: “Assim diz o SENHOR: Não ouçam as palavras de seus profetas que profetizam a vocês: ‘Os utensílios da casa do SENHOR voltarão da Babilônia muito em breve.’ Pois profetizam mentiras a vocês.
27:17 Não os ouçam! Sirvam ao rei da Babilônia e vivam. Por que esta cidade deveria ficar em ruínas?
27:18 Se são profetas e têm a palavra do SENHOR, que intercedam junto ao SENHOR dos Exércitos, para que os utensílios que restam na casa do SENHOR, na casa do rei de Judá e em Jerusalém não sejam levados à Babilônia.
27:19 Pois assim diz o SENHOR dos Exércitos a respeito das colunas, do Mar, das bases e dos demais utensílios que restam nesta cidade,
27:20 que Nabucodonosor, rei da Babilônia, não levou quando exilou de Jerusalém para a Babilônia Jeconias, filho de Jeoaquim, rei de Judá, e todos os nobres de Judá e de Jerusalém:
27:21 Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, a respeito dos utensílios que restam na casa do SENHOR, na casa do rei de Judá e em Jerusalém:
27:22 ‘Serão levados à Babilônia e ali ficarão até o dia em que eu me ocupar deles, declara o SENHOR. Então os farei subir e os trarei de volta a este lugar.’”

Capítulo 28
28:1 Naquele mesmo ano, no início do reinado de Zedequias, rei de Judá, no quarto ano, no quinto mês, o profeta Hananias, filho de Azur, de Gibeão, falou comigo na casa do SENHOR, diante dos sacerdotes e de todo o povo:
28:2 “Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Quebrei o jugo do rei da Babilônia.
28:3 Dentro de dois anos completos trarei de volta a este lugar todos os utensílios da casa do SENHOR que Nabucodonosor, rei da Babilônia, tirou deste lugar e levou à Babilônia.
28:4 Também trarei de volta a este lugar Jeconias, filho de Jeoaquim, rei de Judá, e todos os exilados de Judá que foram à Babilônia, declara o SENHOR, pois quebrarei o jugo do rei da Babilônia.”
28:5 O profeta Jeremias respondeu ao profeta Hananias diante dos sacerdotes e de todo o povo que estava de pé na casa do SENHOR.
28:6 O profeta Jeremias disse: “Amém! Que assim faça o SENHOR! Que o SENHOR cumpra as palavras que você profetizou e faça voltar da Babilônia a este lugar os utensílios da casa do SENHOR e todos os exilados.
28:7 Mas ouça esta palavra que digo aos seus ouvidos e aos ouvidos de todo o povo:
28:8 Os profetas que existiram antes de mim e de você, desde os tempos antigos, profetizaram guerra, calamidade e peste contra muitas terras e grandes reinos.
28:9 Quanto ao profeta que profetiza paz, quando sua palavra se cumprir, se saberá que o SENHOR de fato enviou esse profeta.”
28:10 Então o profeta Hananias tirou o jugo do pescoço do profeta Jeremias e o quebrou.
28:11 Hananias disse diante de todo o povo: “Assim diz o SENHOR: Desse modo, dentro de dois anos completos, quebrarei o jugo de Nabucodonosor, rei da Babilônia, do pescoço de todas as nações.” E o profeta Jeremias seguiu seu caminho.
28:12 Depois que o profeta Hananias quebrou o jugo do pescoço do profeta Jeremias, a palavra do SENHOR veio a Jeremias, dizendo:
28:13 “Vá e diga a Hananias: ‘Assim diz o SENHOR: Você quebrou jugos de madeira, mas em seu lugar fará jugos de ferro.
28:14 Pois assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Pus um jugo de ferro sobre o pescoço de todas estas nações para servirem a Nabucodonosor, rei da Babilônia, e elas o servirão. Também lhe dei os animais selvagens.’”
28:15 O profeta Jeremias disse ao profeta Hananias: “Ouça, Hananias: O SENHOR não enviou você, mas você fez este povo confiar numa mentira.
28:16 Por isso, assim diz o SENHOR: ‘Vou tirar você da superfície da terra. Neste ano você morrerá, pois pregou rebelião contra o SENHOR.’”
28:17 O profeta Hananias morreu naquele mesmo ano, no sétimo mês.

Capítulo 29
29:1 Estas são as palavras da carta que o profeta Jeremias enviou de Jerusalém ao restante dos anciãos do exílio, aos sacerdotes, aos profetas e a todo o povo que Nabucodonosor havia levado de Jerusalém para o exílio na Babilônia.
29:2 Isso foi depois que saíram de Jerusalém o rei Jeconias, a rainha-mãe, os oficiais da corte, os governantes de Judá e de Jerusalém, os artesãos e os ferreiros.
29:3 Ele a enviou por meio de Elasa, filho de Safã, e de Gemarias, filho de Hilquias, aos quais Zedequias, rei de Judá, enviara à Babilônia para encontrar Nabucodonosor, rei da Babilônia. A carta dizia:
29:4 “Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, a todos os exilados que levei de Jerusalém para a Babilônia:
29:5 Construam casas e morem nelas; plantem hortas e comam de seus frutos.
29:6 Casem-se e tenham filhos e filhas. Procurem esposas para seus filhos e deem suas filhas em casamento, para que elas tenham filhos e filhas. Multipliquem-se ali e não diminuam.
29:7 Procurem a paz da cidade para onde levei vocês para o exílio e orem por ela ao SENHOR, pois na paz dela vocês terão paz.
29:8 Pois assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Não se deixem enganar pelos profetas que estão entre vocês nem por seus adivinhos. Não ouçam os sonhos que vocês mesmos provocam.
29:9 Pois eles profetizam mentiras a vocês em meu nome. Eu não os enviei”, declara o SENHOR.
29:10 “Pois assim diz o SENHOR: Quando se completarem setenta anos para a Babilônia, eu me ocuparei de vocês e cumprirei minha boa palavra de fazê-los voltar a este lugar.
29:11 Pois eu conheço os planos que tenho para vocês”, declara o SENHOR, “planos de paz, e não de calamidade, para dar a vocês um futuro e uma esperança.
29:12 Vocês me invocarão, virão e orarão a mim, e eu os ouvirei.
29:13 Vocês me buscarão e me encontrarão quando me buscarem de todo o coração.
29:14 Eu me deixarei encontrar por vocês”, declara o SENHOR. “Restaurarei seu bem-estar e reunirei vocês de todas as nações e de todos os lugares para onde os expulsei”, declara o SENHOR. “Eu os farei voltar ao lugar de onde os levei para o exílio.”
29:15 Vocês disseram: “O SENHOR levantou profetas para nós na Babilônia.”
29:16 Pois assim diz o SENHOR a respeito do rei que se assenta no trono de Davi e de todo o povo que mora nesta cidade, seus irmãos que não foram com vocês para o exílio:
29:17 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Vou enviar contra eles a espada, a fome e a peste. Eu os tornarei como figos podres, tão ruins que não se podem comer.
29:18 Vou persegui-los com a espada, a fome e a peste. Farei deles motivo de horror para todos os reinos da terra, uma maldição, um espanto, motivo de assobios e afronta entre todas as nações para onde os expulsei.
29:19 Pois eles não ouviram minhas palavras”, declara o SENHOR, “que lhes enviei por meio de meus servos, os profetas, desde cedo e insistentemente. E vocês não ouviram”, declara o SENHOR.
29:20 “Mas vocês, todos os exilados que enviei de Jerusalém para a Babilônia, ouçam a palavra do SENHOR.”
29:21 Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, a respeito de Acabe, filho de Colaías, e de Zedequias, filho de Maaseias, que profetizam mentiras a vocês em meu nome: “Vou entregá-los nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, e ele os matará diante dos olhos de vocês.
29:22 Todos os exilados de Judá que estão na Babilônia usarão seus nomes como maldição: ‘Que o SENHOR faça de você como fez de Zedequias e de Acabe, a quem o rei da Babilônia assou no fogo.’
29:23 Pois cometeram uma infâmia em Israel: cometeram adultério com as mulheres de seus próximos e falaram em meu nome palavras falsas que não lhes ordenei. Eu sou aquele que sabe e sou testemunha”, declara o SENHOR.
29:24 A Semaías, o neelamita, você dirá:
29:25 “Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Porque você enviou em seu próprio nome cartas a todo o povo que está em Jerusalém, ao sacerdote Sofonias, filho de Maaseias, e a todos os sacerdotes, dizendo:
29:26 ‘O SENHOR pôs você como sacerdote no lugar do sacerdote Joiada, para que fique encarregado, na casa do SENHOR, de todo homem louco que profetize, para prendê-lo no tronco e na argola.
29:27 Por que, então, você não repreendeu Jeremias, de Anatote, que profetiza a vocês?
29:28 Pois ele nos enviou à Babilônia esta mensagem: “O exílio será longo. Construam casas e morem nelas; plantem hortas e comam de seus frutos.”’”
29:29 O sacerdote Sofonias leu esta carta aos ouvidos do profeta Jeremias.
29:30 A palavra do SENHOR veio a Jeremias, dizendo:
29:31 “Envie esta mensagem a todos os exilados: ‘Assim diz o SENHOR a respeito de Semaías, o neelamita: Porque Semaías profetizou a vocês sem que eu o tivesse enviado e fez vocês confiarem numa mentira,
29:32 por isso, assim diz o SENHOR: Vou castigar Semaías, o neelamita, e sua descendência. Ele não terá ninguém que more no meio deste povo nem verá o bem que farei ao meu povo, declara o SENHOR, pois pregou rebelião contra o SENHOR.’”

Capítulo 30
30:1 Esta é a palavra que veio a Jeremias da parte do SENHOR:
30:2 “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Escreva num livro todas as palavras que lhe falei.
30:3 Pois vêm dias”, declara o SENHOR, “em que restaurarei o bem-estar do meu povo Israel e Judá”, diz o SENHOR. “Eu os farei voltar à terra que dei a seus antepassados, e eles a possuirão.”
30:4 Estas são as palavras que o SENHOR falou a respeito de Israel e de Judá:
30:5 Assim diz o SENHOR: “Ouvimos gritos de terror;
   há pavor, e não paz.
30:6 Perguntem e vejam: Acaso um homem dá à luz?
   Por que vejo todos os homens com as mãos nos quadris, como uma mulher em trabalho de parto?
   Por que todos os rostos ficaram pálidos?
30:7 Ai! Como é grande aquele dia!
   Não há outro como ele.
   É um tempo de angústia para Jacó, mas ele será salvo dela.
30:8 Naquele dia”, declara o SENHOR dos Exércitos, “quebrarei o jugo dele de cima do seu pescoço e romperei suas amarras.
   Os estrangeiros não voltarão a escravizá-lo,
30:9 mas servirão ao SENHOR, seu Deus, e a Davi, seu rei, que levantarei para eles.

30:10 Não tenha medo, meu servo Jacó”, declara o SENHOR, “nem fique apavorado, Israel.
   Vou salvar você de uma terra distante e sua descendência da terra do cativeiro.
   Jacó voltará e ficará tranquilo e seguro, sem que ninguém o amedronte.
30:11 Pois eu estou com você para salvá-lo”, declara o SENHOR.
   “Ainda que eu acabe com todas as nações entre as quais o espalhei, não acabarei com você.
   Eu o disciplinarei com justiça, mas de modo algum o deixarei sem castigo.”

30:12 Pois assim diz o SENHOR: “Seu quebrantamento é incurável, sua ferida é grave.
30:13 Não há quem defenda sua causa.
   Para sua ferida não há remédios nem cura.
30:14 Todos os seus amantes se esqueceram de você e não a procuram.
   Pois eu a feri como um inimigo, com um castigo cruel, por causa da grandeza de sua culpa e de seus muitos pecados.
30:15 Por que você grita por causa de seu quebrantamento?
   Sua dor é incurável.
   Pela grandeza de sua culpa e por seus muitos pecados, fiz essas coisas a você.
30:16 Por isso todos os que a devoram serão devorados;
   todos os seus adversários, todos eles, irão para o cativeiro.
   Os que a saqueiam serão saqueados, e entregarei ao saque todos os que a despojam.
30:17 Pois devolverei a você a saúde e curarei suas feridas”, declara o SENHOR, “porque chamaram você de rejeitada: ‘Esta é Sião, por quem ninguém se interessa.’”

30:18 Assim diz o SENHOR: “Vou restaurar o bem-estar das tendas de Jacó e terei compaixão de suas moradas.
   A cidade será reconstruída sobre seu monte de ruínas, e o palácio ficará em seu devido lugar.
30:19 Deles sairão ações de graças e vozes de alegria.
   Eu os multiplicarei, e não diminuirão;
   eu os honrarei, e não serão desprezados.
30:20 Seus filhos serão como antes, sua assembleia ficará estabelecida diante de mim, e castigarei todos os seus opressores.
30:21 Seu príncipe será um deles, e seu governante sairá do meio deles.
   Eu o farei se aproximar, e ele se achegará a mim, pois quem é que arrisca a própria vida para se aproximar de mim?”, declara o SENHOR.
30:22 “Vocês serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.”

30:23 Vejam! A tempestade do SENHOR saiu com furor;
   uma tempestade devastadora gira sobre a cabeça dos perversos.
30:24 A ira ardente do SENHOR não voltará atrás até realizar e cumprir os propósitos de seu coração.
   No fim dos dias vocês compreenderão isso.

Capítulo 31
31:1 “Naquele tempo”, declara o SENHOR, “serei o Deus de todos os clãs de Israel, e eles serão o meu povo.”

31:2 Assim diz o SENHOR: “O povo que sobreviveu à espada encontrou graça no deserto, quando eu ia dar descanso a Israel.”
31:3 De longe o SENHOR me apareceu: “Com amor eterno eu a amei;
   por isso a atraí com amor fiel.
31:4 Eu a edificarei de novo, e você será reconstruída, virgem de Israel.
   De novo você se enfeitará com seus tamborins e sairá nas danças dos que se alegram.
31:5 De novo você plantará vinhas nos montes de Samaria;
   os plantadores plantarão e desfrutarão de seus frutos.
31:6 Pois haverá um dia em que os sentinelas clamarão nos montes de Efraim: ‘Levantem-se, e subamos a Sião, ao SENHOR, nosso Deus!’”

31:7 Pois assim diz o SENHOR: “Cantem de alegria por Jacó, aclamem a primeira das nações!
   Proclamem, louvem e digam: ‘Salva, SENHOR, o teu povo, o restante de Israel!’
31:8 Vou trazê-los da terra do norte e reuni-los dos confins da terra.
   Entre eles estarão o cego e o coxo, a grávida e a mulher em trabalho de parto, juntos.
   Uma grande multidão voltará para cá.
31:9 Virão com choro, e entre súplicas eu os conduzirei.
   Eu os guiarei junto a correntes de água, por um caminho reto em que não tropeçarão, pois sou um pai para Israel, e Efraim é o meu primogênito.”

31:10 Ouçam a palavra do SENHOR, nações!
   Anunciem nas ilhas distantes e digam: “Aquele que espalhou Israel o reunirá e o guardará como um pastor guarda seu rebanho.”
31:11 Pois o SENHOR resgatou Jacó e o redimiu das mãos de quem era mais forte do que ele.
31:12 “Virão e cantarão de alegria nas alturas de Sião;
   afluirão aos bens do SENHOR: ao grão, ao vinho novo, ao azeite e às crias das ovelhas e do gado.
   Sua vida será como um jardim regado, e não voltarão a definhar.
31:13 Então a virgem se alegrará na dança, e os jovens e os idosos, juntos.
   Transformarei seu luto em júbilo;
   eu os consolarei e lhes darei alegria em lugar da tristeza.
31:14 Saciarei a vida dos sacerdotes com fartura, e o meu povo se encherá dos meus bens”, declara o SENHOR.

31:15 Assim diz o SENHOR: “Ouve-se uma voz em Ramá, lamento e choro amargo.
   Raquel chora por seus filhos;
   recusa ser consolada por seus filhos, pois eles já não estão.”

31:16 Assim diz o SENHOR: “Contenha sua voz de choro e seus olhos de lágrimas, pois há recompensa para seu trabalho”, declara o SENHOR.
   “Eles voltarão da terra do inimigo.
31:17 Há esperança para seu futuro”, declara o SENHOR.
   “Os filhos voltarão ao seu território.

31:18 Ouvi claramente Efraim lamentar: ‘Tu me disciplinaste, e fui disciplinado como um novilho não domado.
   Faze-me voltar, e voltarei, pois tu és o SENHOR, meu Deus.
31:19 Depois de voltar, arrependi-me;
   depois de compreender, bati na coxa.
   Fiquei envergonhado e humilhado, pois carregava a afronta da minha juventude.’
31:20 Efraim não é para mim um filho precioso, uma criança em quem tenho prazer?
   Sempre que falo dele, continuo a me lembrar dele.
   Por isso minhas entranhas se comovem por ele;
   certamente terei compaixão dele”, declara o SENHOR.

31:21 “Erga marcos e coloque postes indicadores.
   Preste atenção à estrada, ao caminho que percorreu.
   Volte, virgem de Israel, volte a estas suas cidades.
31:22 Até quando você andará de um lado para outro, filha infiel?
   Pois o SENHOR criou algo novo na terra: uma mulher rodeará um homem.”
31:23 Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: “Quando eu restaurar seu bem-estar, voltarão a dizer na terra de Judá e em suas cidades: ‘Que o SENHOR abençoe você, morada de justiça, monte santo!’
31:24 Nela morarão juntos Judá e todas as suas cidades, os lavradores e os que andam com o rebanho.
31:25 Pois darei alívio à alma cansada e saciarei toda alma que desfalece.”
31:26 Nisso despertei e olhei; meu sono tinha sido agradável para mim.
31:27 “Vêm dias”, declara o SENHOR, “em que semearei a casa de Israel e a casa de Judá com semente humana e semente animal.
31:28 Assim como vigiei sobre eles para arrancar, derrubar, demolir, destruir e trazer calamidade, assim vigiarei sobre eles para edificar e plantar”, declara o SENHOR.
31:29 “Naqueles dias não dirão mais: ‘Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos ficaram sensíveis.’
31:30 Mas cada um morrerá por sua própria culpa; quem comer uvas verdes terá os próprios dentes sensíveis.
31:31 Vêm dias”, declara o SENHOR, “em que farei uma nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá.
31:32 Não será como a aliança que fiz com seus antepassados no dia em que os tomei pela mão para tirá-los da terra do Egito. Eles quebraram minha aliança, embora eu fosse seu esposo”, declara o SENHOR.
31:33 “Esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias”, declara o SENHOR: “Porei minha lei no íntimo deles e a escreverei em seu coração. Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
31:34 Já não ensinará cada um ao seu próximo nem ao seu irmão, dizendo: ‘Conheçam o SENHOR’, pois todos me conhecerão, do menor ao maior”, declara o SENHOR. “Pois perdoarei sua culpa e não me lembrarei mais de seu pecado.”

31:35 Assim diz o SENHOR, que dá o sol para iluminar o dia e fixa as leis da lua e das estrelas para iluminar a noite, que agita o mar e faz suas ondas rugirem;
   SENHOR dos Exércitos é o seu nome:
31:36 “Se essas leis se afastarem de minha presença”, declara o SENHOR, “também a descendência de Israel deixará de ser uma nação diante de mim para sempre.”

31:37 Assim diz o SENHOR: “Se puderem medir os céus acima e explorar os fundamentos da terra abaixo, também eu rejeitarei toda a descendência de Israel por tudo o que fizeram”, declara o SENHOR.
31:38 “Vêm dias”, declara o SENHOR, “em que a cidade será reconstruída para o SENHOR, desde a Torre de Hananel até a Porta da Esquina.
31:39 A corda de medir se estenderá adiante, até a colina de Garebe, e fará uma curva para Goa.
31:40 Todo o vale dos cadáveres e das cinzas e todos os campos até o ribeiro de Cedrom, até a esquina da Porta dos Cavalos, a leste, serão santos para o SENHOR. A cidade nunca mais será arrancada nem derrubada.”

Capítulo 32
32:1 A palavra do SENHOR veio a Jeremias no décimo ano de Zedequias, rei de Judá, que era o décimo oitavo ano de Nabucodonosor.
32:2 Naquele tempo, o exército do rei da Babilônia cercava Jerusalém, e o profeta Jeremias estava preso no pátio da guarda, no palácio do rei de Judá.
32:3 Zedequias, rei de Judá, o havia prendido, dizendo: “Por que você profetiza: ‘Assim diz o SENHOR: Vou entregar esta cidade nas mãos do rei da Babilônia, e ele a conquistará.
32:4 Zedequias, rei de Judá, não escapará das mãos dos caldeus, mas certamente será entregue nas mãos do rei da Babilônia. Falará com ele face a face, e seus olhos verão os dele.
32:5 Ele levará Zedequias à Babilônia, e ali ele ficará até que eu me ocupe dele, declara o SENHOR. Ainda que vocês lutem contra os caldeus, não terão êxito’?”
32:6 Jeremias disse: “A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
32:7 ‘Hanameel, filho de seu tio Salum, virá a você e dirá: Compre o meu campo em Anatote, pois a você pertence o direito de resgate para comprá-lo.’
32:8 Hanameel, filho de meu tio, veio até mim no pátio da guarda, conforme a palavra do SENHOR, e me disse: ‘Compre, por favor, o meu campo em Anatote, na terra de Benjamim, pois você tem o direito de herança e a você pertence o resgate. Compre-o para si.’ Então soube que era a palavra do SENHOR.
32:9 Comprei de Hanameel, filho de meu tio, o campo em Anatote e pesei para ele a prata: aproximadamente 194 gramas.
32:10 Escrevi a escritura e a selei, chamei testemunhas e pesei a prata numa balança.
32:11 Peguei a escritura de compra, tanto a selada, com seus termos e condições, como a aberta,
32:12 e entreguei a escritura de compra a Baruque, filho de Nerias, filho de Maaseias, diante de Hanameel, meu tio, das testemunhas que assinaram a escritura de compra e de todos os judeus que estavam sentados no pátio da guarda.
32:13 Na presença deles, dei esta ordem a Baruque:
32:14 ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Pegue estas escrituras, esta escritura de compra selada e esta escritura aberta, e coloque-as num vaso de barro, para que se conservem por muito tempo.
32:15 Pois assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Nesta terra voltarão a ser compradas casas, campos e vinhas.’
32:16 Depois de entregar a escritura de compra a Baruque, filho de Nerias, orei ao SENHOR:
32:17 ‘Ah, Senhor DEUS! Tu fizeste os céus e a terra com teu grande poder e teu braço estendido. Nada é difícil demais para ti.
32:18 Mostras amor fiel a milhares e fazes recair a culpa dos pais no colo de seus filhos depois deles. Tu és o grande e poderoso Deus, cujo nome é SENHOR dos Exércitos.
32:19 És grande em conselho e poderoso em obras. Teus olhos estão abertos a todos os caminhos dos seres humanos, para dar a cada um segundo seus caminhos e o fruto de suas ações.
32:20 Fizeste sinais e prodígios na terra do Egito, e até hoje em Israel e entre os seres humanos. Assim fizeste para ti um nome, como se vê hoje.
32:21 Tiraste teu povo Israel da terra do Egito com sinais e prodígios, com mão forte, braço estendido e grande terror.
32:22 Deste a eles esta terra, que juraste dar a seus antepassados, uma terra que mana leite e mel.
32:23 Eles entraram e tomaram posse dela, mas não ouviram tua voz nem andaram segundo tua lei. Não fizeram nada do que ordenaste que fizessem. Por isso fizeste toda esta calamidade vir sobre eles.
32:24 Vê! As rampas de cerco chegaram à cidade para conquistá-la. A cidade está sendo entregue nas mãos dos caldeus que a atacam, por causa da espada, da fome e da peste. O que disseste aconteceu, e tu mesmo o vês.
32:25 Mas tu, Senhor DEUS, me disseste: Compre o campo por prata e chame testemunhas, embora a cidade esteja sendo entregue nas mãos dos caldeus.’”
32:26 A palavra do SENHOR veio a Jeremias, dizendo:
32:27 “Eu sou o SENHOR, o Deus de toda carne. Há algo difícil demais para mim?
32:28 Por isso, assim diz o SENHOR: Vou entregar esta cidade nas mãos dos caldeus e de Nabucodonosor, rei da Babilônia, e ele a conquistará.
32:29 Os caldeus que atacam esta cidade entrarão, atearão fogo nela e a queimarão, junto com as casas em cujos terraços queimaram incenso a Baal e derramaram ofertas de bebida a outros deuses para me provocar à ira.
32:30 Pois os filhos de Israel e os filhos de Judá só fizeram o que é mau aos meus olhos desde sua juventude. Os filhos de Israel só me provocaram à ira com as obras de suas mãos”, declara o SENHOR.
32:31 “Esta cidade provocou minha ira e meu furor desde o dia em que a construíram até hoje, de modo que a tirarei da minha presença
32:32 por toda a maldade que os filhos de Israel e os filhos de Judá praticaram para me provocar à ira: eles, seus reis, seus governantes, seus sacerdotes, seus profetas, os homens de Judá e os habitantes de Jerusalém.
32:33 Viraram para mim as costas, e não o rosto. Embora eu os ensinasse desde cedo e insistentemente, eles não ouviam para aceitar a correção.
32:34 Puseram suas abominações na casa que leva o meu nome, para contaminá-la.
32:35 Construíram os lugares altos de Baal no vale do filho de Hinom para entregar seus filhos e suas filhas a Moloque. Não lhes ordenei isso, nem me passou pela mente que praticassem essa abominação e fizessem Judá pecar.
32:36 Agora, pois, assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, a respeito desta cidade, da qual vocês dizem: ‘Está entregue nas mãos do rei da Babilônia pela espada, pela fome e pela peste’:
32:37 Vou reuni-los de todas as terras para onde os expulsei em minha ira, meu furor e minha grande indignação. Eu os farei voltar a este lugar e viver em segurança.
32:38 Eles serão o meu povo, e eu serei o seu Deus.
32:39 Darei a eles um só coração e um só caminho, para que me temam todos os dias, para o bem deles e de seus filhos depois deles.
32:40 Farei com eles uma aliança eterna: Não me afastarei deles nem deixarei de lhes fazer o bem. Porei meu temor em seu coração, para que não se afastem de mim.
32:41 Eu me alegrarei neles, fazendo-lhes o bem, e os plantarei com fidelidade nesta terra, de todo o meu coração e de toda a minha alma.
32:42 Pois assim diz o SENHOR: Assim como trouxe sobre este povo toda esta grande calamidade, trarei sobre eles todo o bem que lhes estou prometendo.
32:43 Serão comprados campos nesta terra, da qual vocês dizem: ‘É uma desolação, sem seres humanos nem animais, entregue nas mãos dos caldeus.’
32:44 Comprarão campos por prata, escreverão e selarão escrituras e chamarão testemunhas na terra de Benjamim, nos arredores de Jerusalém, nas cidades de Judá, nas cidades da região montanhosa, nas cidades da Sefelá e nas cidades do Neguebe, pois restaurarei seu bem-estar”, declara o SENHOR.

Capítulo 33
33:1 A palavra do SENHOR veio a Jeremias pela segunda vez, enquanto ele ainda estava preso no pátio da guarda, dizendo:
33:2 “Assim diz o SENHOR, que faz estas coisas, o SENHOR, que as forma para estabelecê-las — SENHOR é seu nome:
33:3 Clame a mim, e eu responderei a você. Anunciarei a você coisas grandes e inacessíveis, que você não conhece.
33:4 Pois assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, a respeito das casas desta cidade e das casas dos reis de Judá, derrubadas para a defesa contra as rampas de cerco e a espada:
33:5 Eles vêm lutar contra os caldeus, mas acabam enchendo essas casas com os cadáveres dos homens que feri em minha ira e em meu furor. Escondi meu rosto desta cidade por causa de toda a maldade deles.
33:6 Mas vou trazer a ela saúde e cura. Eu os curarei e lhes revelarei abundância de paz e fidelidade.
33:7 Restaurarei o bem-estar de Judá e o bem-estar de Israel e os edificarei como no princípio.
33:8 Eu os purificarei de toda a culpa com que pecaram contra mim e perdoarei todas as maldades com que pecaram contra mim e se rebelaram contra mim.
33:9 Esta cidade será para mim motivo de alegria, louvor e glória diante de todas as nações da terra. Elas ouvirão todo o bem que lhes faço e temerão e tremerão por todo o bem e toda a paz que concedo à cidade.
33:10 Assim diz o SENHOR: Neste lugar, do qual vocês dizem: ‘Está desolado, sem seres humanos nem animais’, nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, desertas, sem seres humanos, sem moradores nem animais, voltarão a ser ouvidas
33:11 a voz de júbilo e a voz de alegria, a voz do noivo e a voz da noiva, a voz dos que dizem: ‘Deem graças ao SENHOR dos Exércitos, pois o SENHOR é bom, pois seu amor fiel dura para sempre’, enquanto trazem ofertas de ação de graças à casa do SENHOR. Pois restaurarei o bem-estar desta terra como no princípio, diz o SENHOR.
33:12 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Neste lugar desolado, sem seres humanos nem animais, e em todas as suas cidades, voltará a haver moradas de pastores que façam seus rebanhos descansar.
33:13 Nas cidades da região montanhosa, nas cidades da Sefelá, nas cidades do Neguebe, na terra de Benjamim, nos arredores de Jerusalém e nas cidades de Judá, os rebanhos voltarão a passar sob a mão de quem os conta, diz o SENHOR.
33:14 Vêm dias, declara o SENHOR, em que cumprirei a boa promessa que fiz à casa de Israel e à casa de Judá.
33:15 Naqueles dias e naquele tempo, farei brotar para Davi um Renovo justo, e ele praticará o direito e a justiça na terra.
33:16 Naqueles dias Judá será salvo, e Jerusalém viverá em segurança. Este será o nome pelo qual a chamarão: ‘SENHOR, nossa justiça’.
33:17 Pois assim diz o SENHOR: Nunca faltará a Davi um homem que se sente no trono da casa de Israel.
33:18 E aos sacerdotes levitas nunca faltará um homem diante de mim para oferecer holocaustos, queimar ofertas de cereal e apresentar sacrifícios todos os dias.”
33:19 A palavra do SENHOR veio a Jeremias, dizendo:
33:20 “Assim diz o SENHOR: Se vocês puderem romper minha aliança com o dia e minha aliança com a noite, de modo que o dia e a noite deixem de vir em seu devido tempo,
33:21 também poderá ser rompida minha aliança com Davi, meu servo, de modo que ele não tenha um filho que reine em seu trono, e minha aliança com os sacerdotes levitas, meus servidores.
33:22 Assim como não se pode contar o exército dos céus nem medir a areia do mar, assim multiplicarei a descendência de Davi, meu servo, e os levitas que me servem.”
33:23 A palavra do SENHOR veio a Jeremias, dizendo:
33:24 “Você não viu o que este povo diz? Dizem: ‘O SENHOR rejeitou as duas famílias que havia escolhido.’ Desprezam meu povo e já não o consideram uma nação diante deles.
33:25 Assim diz o SENHOR: Se não permanecer minha aliança com o dia e a noite e se eu não tiver estabelecido as leis dos céus e da terra,
33:26 também rejeitarei a descendência de Jacó e de Davi, meu servo, deixando de tomar de sua descendência governantes para a descendência de Abraão, Isaque e Jacó. Pois restaurarei seu bem-estar e terei compaixão deles.”

Capítulo 34
34:1 A palavra que veio a Jeremias da parte do SENHOR, quando Nabucodonosor, rei da Babilônia, todo o seu exército, todos os reinos da terra sob seu domínio e todos os povos lutavam contra Jerusalém e contra todas as suas cidades, dizia:
34:2 “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Vá falar com Zedequias, rei de Judá, e diga a ele: ‘Assim diz o SENHOR: Vou entregar esta cidade nas mãos do rei da Babilônia, e ele a queimará.
34:3 Você não escapará de suas mãos, mas certamente será capturado e entregue em seu poder. Seus olhos verão os olhos do rei da Babilônia, ele falará com você face a face, e você irá à Babilônia.
34:4 Mas ouça a palavra do SENHOR, Zedequias, rei de Judá. Assim diz o SENHOR a seu respeito: Você não morrerá à espada.
34:5 Você morrerá em paz. Assim como queimaram perfumes em honra de seus antepassados, os reis anteriores que o precederam, também os queimarão em sua honra. Lamentarão por você, dizendo: “Ai, senhor!” Pois eu pronunciei esta palavra, declara o SENHOR.’”
34:6 O profeta Jeremias comunicou todas estas palavras a Zedequias, rei de Judá, em Jerusalém,
34:7 enquanto o exército do rei da Babilônia lutava contra Jerusalém e contra todas as cidades de Judá que restavam, Laquis e Azeca, pois eram as únicas cidades fortificadas que restavam em Judá.
34:8 A palavra veio a Jeremias da parte do SENHOR depois que o rei Zedequias fez uma aliança com todo o povo de Jerusalém para lhes proclamar liberdade:
34:9 cada um deveria deixar livres seu escravo hebreu e sua escrava hebreia, de modo que ninguém mantivesse na escravidão um judeu, seu irmão.
34:10 Todos os governantes e todo o povo que haviam entrado na aliança concordaram em deixar livres seus escravos e suas escravas e não os manter mais na escravidão. Obedeceram e os deixaram livres.
34:11 Mas depois voltaram atrás, fizeram voltar os escravos e as escravas que haviam deixado livres e os submeteram novamente como escravos e escravas.
34:12 Então a palavra do SENHOR veio a Jeremias da parte do SENHOR, dizendo:
34:13 “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Eu fiz uma aliança com seus antepassados no dia em que os tirei da terra do Egito, da casa da escravidão, dizendo:
34:14 ‘Ao fim de sete anos, cada um de vocês deverá deixar livre seu irmão hebreu que tiver sido vendido a você e o tiver servido seis anos. Você o deixará ir livre de seu serviço.’ Mas seus antepassados não me ouviram nem inclinaram os ouvidos.
34:15 Vocês tinham voltado a mim recentemente e feito o que é reto aos meus olhos, proclamando cada um a liberdade de seu próximo. Tinham feito uma aliança diante de mim, na casa que leva o meu nome.
34:16 Mas voltaram atrás e profanaram meu nome. Cada um fez voltar seu escravo e sua escrava, que vocês haviam deixado livres para viver por conta própria, e os sujeitaram para que fossem seus escravos e suas escravas.
34:17 Por isso, assim diz o SENHOR: Vocês não me obedeceram, proclamando cada um a liberdade de seu irmão e de seu próximo. Agora eu lhes proclamo liberdade, declara o SENHOR: liberdade para a espada, para a peste e para a fome. Farei de vocês motivo de horror para todos os reinos da terra.
34:18 Farei com os homens que violaram minha aliança e não cumpriram as palavras da aliança que fizeram diante de mim como eles fizeram com o bezerro que cortaram em dois e entre cujas metades passaram:
34:19 os governantes de Judá, os governantes de Jerusalém, os eunucos, os sacerdotes e todo o povo da terra que passou entre as metades do bezerro.
34:20 Eu os entregarei nas mãos de seus inimigos e nas mãos dos que procuram tirar-lhes a vida. Seus cadáveres serão alimento para as aves dos céus e para os animais da terra.
34:21 Também entregarei Zedequias, rei de Judá, e seus governantes nas mãos de seus inimigos e nas mãos dos que procuram tirar-lhes a vida, e nas mãos do exército do rei da Babilônia, que se retirou de vocês.
34:22 Vou dar a ordem, declara o SENHOR, e os farei voltar a esta cidade. Eles lutarão contra ela, a conquistarão e a queimarão. Farei das cidades de Judá uma desolação sem habitantes.”

Capítulo 35
35:1 A palavra que veio a Jeremias da parte do SENHOR, nos dias de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, dizia:
35:2 “Vá à família dos recabitas e fale com eles. Leve-os à casa do SENHOR, a uma das salas, e dê-lhes vinho para beber.”
35:3 Então levei Jazanias, filho de Jeremias, filho de Habazinias, seus irmãos, todos os seus filhos e toda a família dos recabitas
35:4 à casa do SENHOR, à sala dos filhos de Hanã, filho de Jigdalias, homem de Deus. Ela ficava ao lado da sala dos governantes, acima da sala de Maaseias, filho de Salum, guarda da entrada.
35:5 Pus diante dos membros da família dos recabitas vasilhas cheias de vinho e copos, e lhes disse: “Bebam vinho.”
35:6 Mas eles responderam: “Não beberemos vinho, pois Jonadabe, filho de Recabe, nosso antepassado, nos ordenou: ‘Nunca bebam vinho, nem vocês nem seus filhos.
35:7 Não construam casas, não semeiem sementes, não plantem vinhas nem as possuam. Vivam em tendas todos os seus dias, para que vivam muito tempo na terra onde residem como estrangeiros.’
35:8 Temos obedecido à voz de Jonadabe, filho de Recabe, nosso antepassado, em tudo o que nos ordenou. Não bebemos vinho em toda a nossa vida, nem nós, nem nossas mulheres, nem nossos filhos, nem nossas filhas.
35:9 Não construímos casas para morar, nem temos vinhas, campos ou sementes.
35:10 Vivemos em tendas, obedecemos e fizemos tudo o que Jonadabe, nosso antepassado, nos ordenou.
35:11 Mas, quando Nabucodonosor, rei da Babilônia, subiu contra esta terra, dissemos: ‘Venham, vamos para Jerusalém, para escapar do exército dos caldeus e do exército de Arã.’ Por isso moramos em Jerusalém.”
35:12 A palavra do SENHOR veio a Jeremias, dizendo:
35:13 “Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Vá dizer aos homens de Judá e aos habitantes de Jerusalém: ‘Vocês não aceitarão a correção para ouvir minhas palavras?’, declara o SENHOR.
35:14 As palavras de Jonadabe, filho de Recabe, que ordenou a seus filhos que não bebessem vinho, foram cumpridas. Eles não o beberam até hoje, pois obedecem à ordem de seu antepassado. Eu lhes tenho falado desde cedo e insistentemente, mas vocês não me ouviram.
35:15 Enviei a vocês todos os meus servos, os profetas, desde cedo e insistentemente, para dizer: ‘Volte cada um de seu mau caminho, melhorem suas ações e não sigam outros deuses para servi-los. Assim vocês viverão na terra que dei a vocês e a seus antepassados.’ Mas vocês não inclinaram os ouvidos nem me ouviram.
35:16 Os filhos de Jonadabe, filho de Recabe, cumpriram a ordem que seu antepassado lhes deu, mas este povo não me obedeceu.
35:17 Por isso, assim diz o SENHOR, o Deus dos Exércitos, o Deus de Israel: Vou trazer sobre Judá e sobre todos os habitantes de Jerusalém toda a calamidade que anunciei contra eles, pois lhes falei, e não ouviram; eu os chamei, e não responderam.”
35:18 À família dos recabitas Jeremias disse: “Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Vocês obedeceram à ordem de Jonadabe, seu antepassado, guardaram todos os seus mandamentos e fizeram tudo o que ele lhes ordenou.
35:19 Por isso, assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Nunca faltará a Jonadabe, filho de Recabe, um homem que esteja diante de mim todos os dias.”

Capítulo 36
36:1 No quarto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, veio esta palavra a Jeremias da parte do SENHOR:
36:2 “Pegue um rolo e escreva nele todas as palavras que falei a você a respeito de Israel, de Judá e de todas as nações, desde o dia em que falei a você, nos dias de Josias, até hoje.
36:3 Talvez a casa de Judá ouça toda a calamidade que planejo trazer sobre eles, e cada um volte de seu mau caminho. Então perdoarei sua culpa e seu pecado.”
36:4 Jeremias chamou Baruque, filho de Nerias, e Baruque escreveu num rolo, ao ditado de Jeremias, todas as palavras que o SENHOR lhe havia falado.
36:5 Jeremias deu esta ordem a Baruque: “Estou impedido e não posso entrar na casa do SENHOR.
36:6 Vá você e leia, na casa do SENHOR, as palavras do SENHOR que escreveu no rolo ao meu ditado, para que o povo as ouça num dia de jejum. Leia-as também para que as ouçam todos os de Judá que vierem de suas cidades.
36:7 Talvez apresentem sua súplica diante do SENHOR e cada um volte de seu mau caminho, pois grande é a ira e o furor que o SENHOR anunciou contra este povo.”
36:8 Baruque, filho de Nerias, fez tudo o que o profeta Jeremias lhe havia ordenado, lendo no rolo as palavras do SENHOR na casa do SENHOR.
36:9 No quinto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, no nono mês, todo o povo de Jerusalém e todo o povo que vinha das cidades de Judá a Jerusalém proclamaram um jejum diante do SENHOR.
36:10 Baruque leu no rolo as palavras de Jeremias na casa do SENHOR, para que todo o povo as ouvisse, na sala de Gemarias, filho de Safã, o escriba, no pátio superior, à entrada da Porta Nova da casa do SENHOR.
36:11 Micaías, filho de Gemarias, filho de Safã, ouviu todas as palavras do SENHOR lidas no rolo.
36:12 Então desceu ao palácio do rei, à sala do escriba. Ali estavam sentados todos os governantes: Elisama, o escriba; Delaías, filho de Semaías; Elnatã, filho de Acbor; Gemarias, filho de Safã; Zedequias, filho de Hananias; e todos os demais governantes.
36:13 Micaías lhes contou todas as palavras que ouvira quando Baruque leu no rolo para o povo ouvir.
36:14 Todos os governantes enviaram Jeudi, filho de Netanias, filho de Selemias, filho de Cusi, para dizer a Baruque: “Pegue na mão o rolo que você leu diante do povo e venha.” Baruque, filho de Nerias, pegou o rolo na mão e foi até eles.
36:15 Eles lhe disseram: “Sente-se, por favor, e leia-o para nós.” E Baruque o leu para eles.
36:16 Quando ouviram todas aquelas palavras, olharam uns para os outros com medo e disseram a Baruque: “Certamente comunicaremos todas estas palavras ao rei.”
36:17 Também perguntaram a Baruque: “Conte-nos, por favor, como você escreveu todas estas palavras ao ditado dele.”
36:18 Baruque lhes respondeu: “Ele me ditava todas estas palavras, e eu as escrevia com tinta no rolo.”
36:19 Então os governantes disseram a Baruque: “Vá se esconder, você e Jeremias, e que ninguém saiba onde vocês estão.”
36:20 Depois foram ao pátio falar com o rei. Deixaram o rolo na sala de Elisama, o escriba, e comunicaram todas aquelas palavras ao rei.
36:21 O rei enviou Jeudi para buscar o rolo. Ele o pegou na sala de Elisama, o escriba, e o leu para o rei e para todos os governantes que estavam junto ao rei.
36:22 O rei estava sentado na casa de inverno, no nono mês, com um braseiro aceso diante dele.
36:23 Cada vez que Jeudi lia três ou quatro colunas, o rei as cortava com a faca do escriba e as jogava no fogo do braseiro, até que todo o rolo foi consumido no fogo do braseiro.
36:24 Nem o rei nem qualquer de seus servos que ouviram todas aquelas palavras tiveram medo ou rasgaram suas vestes.
36:25 Embora Elnatã, Delaías e Gemarias suplicassem ao rei que não queimasse o rolo, ele não os ouviu.
36:26 O rei ordenou a Jerameel, filho do rei, a Seraías, filho de Azriel, e a Selemias, filho de Abdeel, que prendessem Baruque, o escriba, e Jeremias, o profeta. Mas o SENHOR os escondeu.
36:27 A palavra do SENHOR veio a Jeremias depois que o rei queimou o rolo com as palavras que Baruque havia escrito ao ditado de Jeremias, dizendo:
36:28 “Pegue outro rolo e escreva nele todas as palavras anteriores que estavam no primeiro rolo, que Jeoaquim, rei de Judá, queimou.
36:29 E a respeito de Jeoaquim, rei de Judá, diga: ‘Assim diz o SENHOR: Você queimou este rolo, dizendo: “Por que você escreveu nele que o rei da Babilônia certamente virá, destruirá esta terra e fará desaparecer dela os seres humanos e os animais?”
36:30 Por isso, assim diz o SENHOR a respeito de Jeoaquim, rei de Judá: Ele não terá quem se sente no trono de Davi, e seu cadáver será lançado ao calor do dia e à geada da noite.
36:31 Castigarei a culpa dele, de sua descendência e de seus servos. Trarei sobre eles, sobre os habitantes de Jerusalém e sobre os homens de Judá toda a calamidade que lhes anunciei, pois não ouviram.’”
36:32 Jeremias pegou outro rolo e o deu a Baruque, filho de Nerias, o escriba. Ele escreveu nele, ao ditado de Jeremias, todas as palavras do rolo que Jeoaquim, rei de Judá, havia queimado no fogo. E ainda foram acrescentadas muitas outras palavras semelhantes.

Capítulo 37
37:1 Zedequias, filho de Josias, reinou no lugar de Conias, filho de Jeoaquim. Nabucodonosor, rei da Babilônia, o havia constituído rei na terra de Judá.
37:2 Mas nem ele, nem seus servos, nem o povo da terra ouviram as palavras que o SENHOR havia falado por meio do profeta Jeremias.
37:3 O rei Zedequias enviou Jucal, filho de Selemias, e o sacerdote Sofonias, filho de Maaseias, ao profeta Jeremias, para lhe dizer: “Ore, por favor, por nós ao SENHOR, nosso Deus.”
37:4 Jeremias ainda entrava e saía entre o povo, pois não o haviam posto na prisão.
37:5 O exército do faraó havia saído do Egito. Quando os caldeus que cercavam Jerusalém ouviram a notícia, retiraram-se de Jerusalém.
37:6 Então a palavra do SENHOR veio ao profeta Jeremias, dizendo:
37:7 “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel: Digam ao rei de Judá, que os enviou para me consultar: ‘O exército do faraó, que saiu para ajudá-los, voltará à sua terra, ao Egito.
37:8 Os caldeus voltarão, lutarão contra esta cidade, a conquistarão e a queimarão.’
37:9 Assim diz o SENHOR: Não enganem a si mesmos, dizendo: ‘Os caldeus certamente se afastarão de nós’, pois não se afastarão.
37:10 Mesmo que vocês derrotassem todo o exército dos caldeus que luta contra vocês e restassem entre eles apenas homens gravemente feridos, cada um se levantaria em sua tenda, e eles queimariam esta cidade.”
37:11 Quando o exército dos caldeus se retirou de Jerusalém por causa do exército do faraó,
37:12 Jeremias saiu de Jerusalém para ir à terra de Benjamim receber ali sua parte entre o povo.
37:13 Quando ele estava na Porta de Benjamim, havia ali um capitão da guarda chamado Jerias, filho de Selemias, filho de Hananias. Ele prendeu o profeta Jeremias, dizendo: “Você está desertando para os caldeus!”
37:14 Jeremias respondeu: “É mentira! Não estou desertando para os caldeus.” Mas Jerias não o ouviu. Prendeu Jeremias e o levou aos governantes.
37:15 Os governantes se enfureceram contra Jeremias, bateram nele e o puseram na prisão, na casa de Jônatas, o escriba, pois a haviam transformado em cárcere.
37:16 Assim Jeremias entrou no calabouço e nas celas, e ficou ali muitos dias.
37:17 O rei Zedequias mandou buscá-lo e, em segredo, lhe perguntou em seu palácio: “Há alguma palavra da parte do SENHOR?” Jeremias respondeu: “Há.” E acrescentou: “Você será entregue nas mãos do rei da Babilônia.”
37:18 Jeremias também disse ao rei Zedequias: “Em que pequei contra você, contra seus servos e contra este povo, para que vocês me pusessem na prisão?
37:19 Onde estão seus profetas, que profetizavam a vocês, dizendo: ‘O rei da Babilônia não virá contra vocês nem contra esta terra’?
37:20 Agora, por favor, ouça, meu senhor, o rei. Que minha súplica seja aceita diante de você: não me mande de volta à casa de Jônatas, o escriba, para que eu não morra ali.”
37:21 Então o rei Zedequias ordenou que mantivessem Jeremias no pátio da guarda e lhe dessem, a cada dia, um pão da Rua dos Padeiros, até que se acabasse todo o pão da cidade. Assim Jeremias ficou no pátio da guarda.

Capítulo 38
38:1 Sefatias, filho de Matã, Gedalias, filho de Pasur, Jucal, filho de Selemias, e Pasur, filho de Malquias, ouviram as palavras que Jeremias dizia a todo o povo:
38:2 “Assim diz o SENHOR: Quem ficar nesta cidade morrerá pela espada, pela fome e pela peste; mas quem sair para se entregar aos caldeus viverá. Terá a própria vida como despojo e continuará vivo.
38:3 Assim diz o SENHOR: Esta cidade certamente será entregue nas mãos do exército do rei da Babilônia, e ele a conquistará.”
38:4 Então os governantes disseram ao rei: “Que este homem seja morto, pois com essas palavras ele enfraquece as mãos dos guerreiros que restam nesta cidade e as mãos de todo o povo. Este homem não procura o bem-estar deste povo, mas sua desgraça.”
38:5 O rei Zedequias respondeu: “Ele está nas mãos de vocês, pois o rei nada pode contra vocês.”
38:6 Então pegaram Jeremias e o lançaram na cisterna de Malquias, filho do rei, que ficava no pátio da guarda. Desceram Jeremias com cordas. Na cisterna não havia água, mas lama, e Jeremias afundou na lama.
38:7 Ebede-Meleque, o etíope, um eunuco que estava no palácio do rei, ouviu que haviam posto Jeremias na cisterna. O rei estava sentado na Porta de Benjamim.
38:8 Ebede-Meleque saiu do palácio e disse ao rei:
38:9 “Meu senhor, o rei, estes homens agiram mal em tudo o que fizeram ao profeta Jeremias, lançando-o na cisterna. Ele morrerá de fome ali, pois já não há pão na cidade.”
38:10 Então o rei deu esta ordem a Ebede-Meleque, o etíope: “Leve daqui trinta homens sob seu comando e tire o profeta Jeremias da cisterna antes que ele morra.”
38:11 Ebede-Meleque levou os homens consigo e entrou no palácio, ao lugar debaixo da tesouraria. Pegou dali trapos velhos e roupas gastas e os desceu com cordas até Jeremias, na cisterna.
38:12 Ebede-Meleque, o etíope, disse a Jeremias: “Ponha, por favor, estes trapos velhos e roupas gastas sob as axilas, por baixo das cordas.” Jeremias fez assim.
38:13 Puxaram Jeremias com as cordas e o tiraram da cisterna. E Jeremias ficou no pátio da guarda.
38:14 O rei Zedequias mandou trazer o profeta Jeremias à sua presença, à terceira entrada da casa do SENHOR. O rei disse a Jeremias: “Vou perguntar uma coisa a você. Não esconda nada de mim.”
38:15 Jeremias respondeu a Zedequias: “Se eu lhe disser, não é certo que você me mandará matar? E, se eu lhe der um conselho, você não me ouvirá.”
38:16 O rei Zedequias jurou em segredo a Jeremias: “Tão certo como vive o SENHOR, que nos deu esta vida, não o matarei nem o entregarei nas mãos destes homens que procuram tirar-lhe a vida.”
38:17 Então Jeremias disse a Zedequias: “Assim diz o SENHOR, o Deus dos Exércitos, o Deus de Israel: Se você de fato sair para se entregar aos comandantes do rei da Babilônia, conservará a vida, esta cidade não será queimada, e você e sua família viverão.
38:18 Mas, se você não sair para se entregar aos comandantes do rei da Babilônia, esta cidade será entregue nas mãos dos caldeus, e eles a queimarão. Você não escapará de suas mãos.”
38:19 O rei Zedequias disse a Jeremias: “Tenho medo dos judeus que desertaram para os caldeus. Talvez me entreguem nas mãos deles, e eles me maltratem.”
38:20 Jeremias respondeu: “Não o entregarão. Por favor, ouça a voz do SENHOR no que estou dizendo a você. Tudo irá bem com você, e conservará a vida.
38:21 Mas, se você se recusar a sair, isto é o que o SENHOR me mostrou:
38:22 Todas as mulheres que restam no palácio do rei de Judá serão levadas aos comandantes do rei da Babilônia, e elas dirão: ‘Seus amigos de confiança o enganaram e o dominaram. Quando seus pés afundaram na lama, eles recuaram.’
38:23 Levarão todas as suas mulheres e seus filhos aos caldeus. Você não escapará de suas mãos, mas será capturado pelo rei da Babilônia, e fará esta cidade arder no fogo.”
38:24 Zedequias disse a Jeremias: “Que ninguém saiba destas palavras, e você não morrerá.
38:25 Se os governantes ouvirem que falei com você, vierem até você e disserem: ‘Conte-nos, por favor, o que você disse ao rei. Não esconda nada de nós, e não o mataremos. E o que o rei disse a você?’,
38:26 você lhes responderá: ‘Eu apresentava minha súplica diante do rei para que ele não me mandasse de volta à casa de Jônatas, para morrer ali.’”
38:27 Todos os governantes foram interrogar Jeremias, e ele lhes respondeu conforme todas as palavras que o rei lhe havia ordenado. Então deixaram de interrogá-lo, pois a conversa não tinha sido ouvida.
38:28 Jeremias ficou no pátio da guarda até o dia em que Jerusalém foi conquistada. Isto aconteceu quando Jerusalém foi conquistada:

Capítulo 39
39:1 No nono ano de Zedequias, rei de Judá, no décimo mês, Nabucodonosor, rei da Babilônia, e todo o seu exército vieram contra Jerusalém e a cercaram.
39:2 No décimo primeiro ano de Zedequias, no nono dia do quarto mês, foi aberta uma brecha na cidade.
39:3 Todos os comandantes do rei da Babilônia entraram e se sentaram na Porta do Meio: Nergal-Sarezer, Sangar-Nebo, Sarsequim, o Rabe-Saris, Nergal-Sarezer, o Rabe-Mague, e todos os demais comandantes do rei da Babilônia.
39:4 Quando Zedequias, rei de Judá, e todos os guerreiros os viram, fugiram. Saíram da cidade à noite, pelo caminho do jardim do rei, pela porta entre as duas muralhas, e o rei tomou o caminho da Arabá.
39:5 Mas o exército dos caldeus os perseguiu e alcançou Zedequias nas planícies de Jericó. Eles o capturaram e o levaram a Nabucodonosor, rei da Babilônia, em Ribla, na terra de Hamate, onde ele pronunciou sentenças contra Zedequias.
39:6 O rei da Babilônia degolou os filhos de Zedequias em Ribla diante dos olhos dele. O rei da Babilônia também degolou todos os nobres de Judá.
39:7 Depois cegou Zedequias e o prendeu com grilhões de bronze, para levá-lo à Babilônia.
39:8 Os caldeus queimaram o palácio do rei e as casas do povo e derrubaram as muralhas de Jerusalém.
39:9 Nebuzaradã, capitão da guarda, levou para o exílio na Babilônia o restante do povo que ficara na cidade, os desertores que haviam passado para o seu lado e todos os demais que restavam do povo.
39:10 Mas Nebuzaradã, capitão da guarda, deixou na terra de Judá alguns dos pobres do povo, que nada possuíam, e naquele dia lhes deu vinhas e campos.
39:11 Nabucodonosor, rei da Babilônia, havia dado a Nebuzaradã, capitão da guarda, esta ordem a respeito de Jeremias:
39:12 “Pegue-o e cuide dele. Não lhe faça nenhum mal, mas faça por ele o que ele pedir a você.”
39:13 Então Nebuzaradã, capitão da guarda, Nebusazbã, o Rabe-Saris, Nergal-Sarezer, o Rabe-Mague, e todos os altos oficiais do rei da Babilônia
39:14 mandaram tirar Jeremias do pátio da guarda e o entregaram a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, para que o levasse para casa. Assim Jeremias passou a morar entre o povo.
39:15 A palavra do SENHOR havia vindo a Jeremias enquanto ele estava preso no pátio da guarda, dizendo:
39:16 “Vá dizer a Ebede-Meleque, o etíope: ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Vou cumprir minhas palavras contra esta cidade para desgraça, e não para bem. Elas se cumprirão diante de você naquele dia.
39:17 Mas eu o livrarei naquele dia, declara o SENHOR, e você não será entregue nas mãos dos homens a quem teme.
39:18 Certamente eu o resgatarei. Você não cairá à espada, mas terá a própria vida como despojo, porque confiou em mim, declara o SENHOR.’”

Capítulo 40
40:1 A palavra que veio a Jeremias da parte do SENHOR depois que Nebuzaradã, capitão da guarda, o deixou livre em Ramá. Ele o havia tomado enquanto estava preso com correntes entre todos os exilados de Jerusalém e de Judá que eram levados à Babilônia.
40:2 O capitão da guarda chamou Jeremias e lhe disse: “O SENHOR, seu Deus, anunciou esta calamidade contra este lugar.
40:3 E o SENHOR a trouxe e fez como havia dito. Vocês pecaram contra o SENHOR e não ouviram sua voz; por isso isto aconteceu a vocês.
40:4 Agora, hoje eu o solto das correntes que estão em suas mãos. Se lhe parece bom vir comigo à Babilônia, venha, e eu cuidarei de você. Mas, se não lhe parece bom vir comigo à Babilônia, não venha. Veja, toda a terra está diante de você. Vá para onde lhe pareça bom e conveniente ir.”
40:5 Como Jeremias ainda não se voltava, ele acrescentou: “Volte a Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, a quem o rei da Babilônia encarregou das cidades de Judá, e more com ele entre o povo. Ou vá para qualquer lugar que lhe pareça conveniente.” O capitão da guarda lhe deu provisões e um presente e o deixou ir.
40:6 Jeremias foi até Gedalias, filho de Aicão, em Mispa, e morou com ele entre o povo que havia restado na terra.
40:7 Todos os comandantes das tropas que estavam no campo, eles e seus homens, ouviram que o rei da Babilônia havia encarregado Gedalias, filho de Aicão, da terra e lhe confiara os homens, as mulheres, as crianças e os pobres da terra que não haviam sido levados para o exílio na Babilônia.
40:8 Então foram até Gedalias, em Mispa: Ismael, filho de Netanias, Joanã e Jônatas, filhos de Careá, Seraías, filho de Tanumete, os filhos de Efai, o netofatita, e Jezanias, filho do maacatita, eles e seus homens.
40:9 Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã, jurou a eles e a seus homens: “Não tenham medo de servir aos caldeus. Fiquem na terra, sirvam ao rei da Babilônia, e tudo irá bem com vocês.
40:10 Eu ficarei em Mispa para me apresentar diante dos caldeus que vierem até nós. Vocês, porém, recolham vinho, frutas de verão e azeite, guardem-nos em suas vasilhas e morem nas cidades que ocuparam.”
40:11 Também todos os judeus que estavam em Moabe, entre os amonitas, em Edom e em todas as outras terras ouviram que o rei da Babilônia havia deixado um remanescente em Judá e encarregado deles Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã.
40:12 Então todos esses judeus voltaram de todos os lugares para onde haviam sido dispersos e vieram à terra de Judá, a Gedalias, em Mispa. Recolheram vinho e frutas de verão em grande abundância.
40:13 Joanã, filho de Careá, e todos os comandantes das tropas que estavam no campo foram até Gedalias, em Mispa,
40:14 e lhe disseram: “Você sabe que Baalis, rei dos amonitas, enviou Ismael, filho de Netanias, para tirar sua vida?” Mas Gedalias, filho de Aicão, não acreditou neles.
40:15 Então Joanã, filho de Careá, disse em segredo a Gedalias, em Mispa: “Deixe-me ir matar Ismael, filho de Netanias, e ninguém saberá. Por que ele tiraria sua vida, fazendo com que todos os judeus reunidos ao seu redor sejam dispersos e o remanescente de Judá pereça?”
40:16 Mas Gedalias, filho de Aicão, respondeu a Joanã, filho de Careá: “Não faça isso, pois é mentira o que você diz a respeito de Ismael.”

Capítulo 41
41:1 No sétimo mês, Ismael, filho de Netanias, filho de Elisama, de linhagem real e um dos altos oficiais do rei, foi com dez homens até Gedalias, filho de Aicão, em Mispa. Ali, em Mispa, comeram pão juntos.
41:2 Ismael, filho de Netanias, e os dez homens que estavam com ele se levantaram e feriram à espada Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã. Assim mataram aquele que o rei da Babilônia havia encarregado da terra.
41:3 Ismael também matou todos os judeus que estavam com Gedalias em Mispa e os soldados caldeus que se encontravam ali.
41:4 No dia seguinte ao assassinato de Gedalias, quando ninguém ainda sabia,
41:5 vieram oitenta homens de Siquém, Siló e Samaria, com as barbas rapadas, as vestes rasgadas e cortes no corpo. Traziam nas mãos ofertas de cereal e incenso para levar à casa do SENHOR.
41:6 Ismael, filho de Netanias, saiu de Mispa ao encontro deles, caminhando e chorando. Quando os encontrou, disse: “Venham a Gedalias, filho de Aicão.”
41:7 Quando entraram na cidade, Ismael, filho de Netanias, e os homens que estavam com ele os degolaram e os lançaram na cisterna.
41:8 Mas havia entre eles dez homens que disseram a Ismael: “Não nos mate, pois temos reservas escondidas no campo: trigo, cevada, azeite e mel.” Então ele se conteve e não os matou com seus companheiros.
41:9 A cisterna na qual Ismael lançou todos os cadáveres dos homens que havia matado por causa de Gedalias era a que o rei Asa fizera por causa de Baasa, rei de Israel. Foi essa que Ismael, filho de Netanias, encheu de mortos.
41:10 Ismael levou cativo todo o restante do povo que estava em Mispa: as filhas do rei e todo o povo que restava em Mispa, que Nebuzaradã, capitão da guarda, havia confiado a Gedalias, filho de Aicão. Ismael, filho de Netanias, os levou cativos e partiu para passar ao território dos amonitas.
41:11 Joanã, filho de Careá, e todos os comandantes das tropas que estavam com ele ouviram todo o mal que Ismael, filho de Netanias, havia feito.
41:12 Levaram todos os seus homens e foram lutar contra Ismael, filho de Netanias. Encontraram-no junto às grandes águas de Gibeão.
41:13 Quando todo o povo que estava com Ismael viu Joanã, filho de Careá, e todos os comandantes das tropas que estavam com ele, alegrou-se.
41:14 Todo o povo que Ismael havia levado cativo de Mispa deu a volta e retornou para se juntar a Joanã, filho de Careá.
41:15 Mas Ismael, filho de Netanias, escapou de Joanã com oito homens e foi para os amonitas.
41:16 Então Joanã, filho de Careá, e todos os comandantes das tropas que estavam com ele levaram todo o restante do povo que ele havia recuperado de Ismael, filho de Netanias, de Mispa, depois que Ismael matara Gedalias, filho de Aicão: homens de guerra, mulheres, crianças e eunucos, que Joanã havia trazido de Gibeão.
41:17 Partiram e ficaram em Gerute-Quimã, perto de Belém, para dali entrarem no Egito,
41:18 por causa dos caldeus, pois tinham medo deles, porque Ismael, filho de Netanias, havia matado Gedalias, filho de Aicão, a quem o rei da Babilônia havia encarregado da terra.

Capítulo 42
42:1 Então se aproximaram todos os comandantes das tropas, Joanã, filho de Careá, Jezanias, filho de Hosaías, e todo o povo, do menor ao maior,
42:2 e disseram ao profeta Jeremias: “Aceite, por favor, nossa súplica e ore por nós ao SENHOR, seu Deus, por todo este remanescente. De muitos que éramos, restamos poucos, como seus próprios olhos veem.
42:3 Que o SENHOR, seu Deus, nos mostre o caminho que devemos seguir e o que devemos fazer.”
42:4 O profeta Jeremias lhes respondeu: “Eu ouvi. Vou orar ao SENHOR, o Deus de vocês, como pediram. Tudo o que o SENHOR responder a vocês, eu lhes comunicarei. Não esconderei de vocês nenhuma palavra.”
42:5 Eles disseram a Jeremias: “Que o SENHOR seja testemunha verdadeira e fiel contra nós, se não fizermos tudo o que o SENHOR, seu Deus, o enviar a nos dizer.
42:6 Seja bom ou seja mau para nós, obedeceremos à voz do SENHOR, nosso Deus, a quem estamos enviando você, para que tudo vá bem conosco ao obedecermos à voz do SENHOR, nosso Deus.”
42:7 Ao fim de dez dias, a palavra do SENHOR veio a Jeremias.
42:8 Ele chamou Joanã, filho de Careá, todos os comandantes das tropas que estavam com ele e todo o povo, do menor ao maior,
42:9 e lhes disse: “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, a quem vocês me enviaram para apresentar sua súplica diante dele:
42:10 ‘Se de fato ficarem nesta terra, eu os edificarei e não os derrubarei; eu os plantarei e não os arrancarei, pois lamento a calamidade que causei a vocês.
42:11 Não tenham medo do rei da Babilônia, a quem vocês temem. Não tenham medo dele, declara o SENHOR, pois estou com vocês para salvá-los e livrá-los de suas mãos.
42:12 Concederei compaixão a vocês, e ele terá compaixão de vocês e os fará voltar à sua terra.’
42:13 Mas, se vocês disserem: ‘Não ficaremos nesta terra’, desobedecendo à voz do SENHOR, seu Deus,
42:14 e disserem: ‘Não! Vamos para a terra do Egito, onde não veremos guerra, não ouviremos o som da trombeta nem passaremos fome por falta de pão. Ali moraremos’,
42:15 então ouçam a palavra do SENHOR, remanescente de Judá. Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: ‘Se vocês se decidirem firmemente a entrar no Egito e forem morar ali,
42:16 a espada que vocês temem os alcançará ali, na terra do Egito; a fome que os preocupa os seguirá de perto ali, no Egito, e ali vocês morrerão.
42:17 Todos os homens que se decidirem a entrar no Egito para morar ali morrerão pela espada, pela fome e pela peste. Não haverá entre eles sobrevivente nem quem escape da calamidade que trarei sobre eles.’
42:18 Pois assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: ‘Assim como minha ira e meu furor foram derramados sobre os habitantes de Jerusalém, meu furor será derramado sobre vocês quando entrarem no Egito. Vocês serão objeto de imprecação, de horror, de maldição e de desonra, e nunca mais verão este lugar.’
42:19 O SENHOR falou a vocês, remanescente de Judá: ‘Não entrem no Egito.’ Saibam com certeza que hoje os adverti.
42:20 Vocês enganaram a si mesmos, pondo em risco a própria vida, pois me enviaram ao SENHOR, seu Deus, dizendo: ‘Ore por nós ao SENHOR, nosso Deus. Tudo o que o SENHOR, nosso Deus, disser, comunique-nos, e o faremos.’
42:21 Eu lhes comuniquei isso hoje, mas vocês não ouviram a voz do SENHOR, seu Deus, nem atenderam a nada do que ele me enviou a lhes dizer.
42:22 Agora saibam com certeza que vocês morrerão pela espada, pela fome e pela peste no lugar para onde desejam ir morar.”

Capítulo 43
43:1 Quando Jeremias terminou de comunicar a todo o povo todas as palavras do SENHOR, seu Deus, todas estas palavras que o SENHOR, seu Deus, o havia enviado a lhes dizer,
43:2 Azarias, filho de Hosaías, Joanã, filho de Careá, e todos os homens arrogantes disseram a Jeremias: “Você está mentindo! O SENHOR, nosso Deus, não o enviou para dizer: ‘Não entrem no Egito para morar ali.’
43:3 É Baruque, filho de Nerias, quem o incita contra nós, para nos entregar nas mãos dos caldeus, para que nos matem ou nos levem para o exílio na Babilônia.”
43:4 Assim Joanã, filho de Careá, todos os comandantes das tropas e todo o povo não obedeceram à voz do SENHOR, que lhes mandava ficar na terra de Judá.
43:5 Joanã, filho de Careá, e todos os comandantes das tropas levaram todo o remanescente de Judá que havia voltado de todas as nações para onde fora disperso, para morar na terra de Judá:
43:6 os homens, as mulheres, as crianças, as filhas do rei e todas as pessoas que Nebuzaradã, capitão da guarda, havia deixado com Gedalias, filho de Aicão, filho de Safã. Levaram também Jeremias, o profeta, e Baruque, filho de Nerias.
43:7 Entraram na terra do Egito, pois não ouviram a voz do SENHOR, e chegaram até Tafnes.
43:8 A palavra do SENHOR veio a Jeremias em Tafnes, dizendo:
43:9 “Pegue nas mãos pedras grandes e esconda-as na argamassa do pavimento de tijolos que fica à entrada do palácio do faraó, em Tafnes, à vista dos homens de Judá.
43:10 Diga a eles: ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Vou mandar buscar Nabucodonosor, rei da Babilônia, meu servo. Porei seu trono sobre estas pedras que escondi, e ele estenderá seu dossel sobre elas.
43:11 Ele virá e atacará a terra do Egito: os destinados à morte, para a morte; os destinados ao cativeiro, para o cativeiro; e os destinados à espada, para a espada.
43:12 Eu atearei fogo aos templos dos deuses do Egito. Ele os queimará e levará os deuses cativos. Ele se envolverá na terra do Egito como o pastor se envolve em seu manto e sairá dali em paz.
43:13 Quebrará as colunas sagradas de Bete-Semes, na terra do Egito, e queimará os templos dos deuses do Egito.’”

Capítulo 44
44:1 A palavra que veio a Jeremias para todos os judeus que moravam na terra do Egito, em Migdol, Tafnes, Mênfis e na terra de Patros, dizia:
44:2 “Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Vocês viram toda a calamidade que trouxe sobre Jerusalém e sobre todas as cidades de Judá. Hoje elas estão em ruínas, sem habitantes,
44:3 por causa da maldade que praticaram para me provocar à ira, indo queimar incenso e servir a outros deuses que não haviam conhecido, nem eles, nem vocês, nem seus antepassados.
44:4 Enviei a vocês todos os meus servos, os profetas, desde cedo e insistentemente, para dizer: ‘Por favor, não façam esta coisa abominável que eu odeio.’
44:5 Mas eles não ouviram nem inclinaram os ouvidos para voltar de sua maldade e deixar de queimar incenso a outros deuses.
44:6 Por isso meu furor e minha ira foram derramados e arderam nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, que se tornaram ruínas e desolação, como estão hoje.
44:7 Agora, assim diz o SENHOR, o Deus dos Exércitos, o Deus de Israel: Por que vocês causam a si mesmos tão grande mal, eliminando do meio de Judá homens e mulheres, crianças e bebês de peito, sem deixar remanescente algum para vocês,
44:8 provocando-me à ira com as obras de suas mãos, ao queimar incenso a outros deuses na terra do Egito, onde vieram morar? Por que se expõem ao extermínio e se tornam objeto de maldição e de desonra entre todas as nações da terra?
44:9 Vocês se esqueceram das maldades de seus antepassados, das maldades dos reis de Judá, das maldades de suas mulheres, das maldades de vocês e das maldades de suas próprias mulheres, que cometeram na terra de Judá e nas ruas de Jerusalém?
44:10 Até hoje não se humilharam, não tiveram temor e não andaram segundo minha lei e meus estatutos, que pus diante de vocês e de seus antepassados.
44:11 Por isso, assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Vou voltar meu rosto contra vocês para desgraça e para eliminar todo o Judá.
44:12 Tomarei o remanescente de Judá que se decidiu firmemente a entrar na terra do Egito para morar ali, e todos perecerão na terra do Egito. Cairão à espada e serão consumidos pela fome. Do menor ao maior, morrerão pela espada e pela fome e serão objeto de imprecação, de horror, de maldição e de desonra.
44:13 Castigarei os que moram na terra do Egito como castiguei Jerusalém: com a espada, a fome e a peste.
44:14 Do remanescente de Judá que veio morar na terra do Egito, não haverá quem escape ou sobreviva para voltar à terra de Judá, à qual tanto anseiam voltar para morar ali. Pois não voltarão, a não ser alguns que escaparem.”
44:15 Então responderam a Jeremias todos os homens que sabiam que suas mulheres queimavam incenso a outros deuses, todas as mulheres presentes, uma grande assembleia, e todo o povo que morava na terra do Egito, em Patros:
44:16 “Quanto à palavra que você nos falou em nome do SENHOR, não vamos ouvi-lo.
44:17 Certamente faremos tudo o que prometemos com nossa boca: queimar incenso à Rainha dos Céus e derramar ofertas de bebida a ela, como fazíamos nós, nossos antepassados, nossos reis e nossos governantes nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém. Então tínhamos pão em abundância, vivíamos bem e não víamos desgraça.
44:18 Mas, desde que deixamos de queimar incenso à Rainha dos Céus e de derramar ofertas de bebida a ela, tudo nos faltou e fomos consumidos pela espada e pela fome.
44:19 E, quando nós queimávamos incenso à Rainha dos Céus e derramávamos ofertas de bebida a ela, acaso foi sem nossos maridos que fizemos bolos com a imagem dela e derramamos ofertas de bebida a ela?”
44:20 Jeremias respondeu a todo o povo, aos homens, às mulheres e a todos os que lhe haviam dado essa resposta:
44:21 “O incenso que vocês queimaram nas cidades de Judá e nas ruas de Jerusalém, vocês, seus antepassados, seus reis, seus governantes e o povo da terra, não foi disso que o SENHOR se lembrou e que lhe veio ao coração?
44:22 O SENHOR já não pôde suportar a maldade de suas ações e as abominações que vocês praticaram. Por isso sua terra se tornou ruínas, motivo de horror e de maldição, sem habitantes, como está hoje.
44:23 Porque vocês queimaram incenso, pecaram contra o SENHOR, não ouviram a voz do SENHOR e não andaram segundo sua lei, seus estatutos e seus testemunhos, esta calamidade veio sobre vocês, como se vê hoje.”
44:24 Jeremias disse a todo o povo e a todas as mulheres: “Ouçam a palavra do SENHOR, todos os de Judá que estão na terra do Egito:
44:25 Assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Vocês e suas mulheres falaram com sua boca e cumpriram com suas mãos, dizendo: ‘Certamente cumpriremos os votos que fizemos de queimar incenso à Rainha dos Céus e derramar ofertas de bebida a ela.’ Confirmem, pois, seus votos! Cumpram seus votos!
44:26 Por isso ouçam a palavra do SENHOR, todos os de Judá que moram na terra do Egito: Jurei por meu grande nome, diz o SENHOR, que meu nome nunca mais será invocado pela boca de qualquer homem de Judá em toda a terra do Egito, dizendo: ‘Vive o Senhor DEUS!’
44:27 Vou vigiar sobre eles para desgraça, e não para bem. Todos os homens de Judá que estão na terra do Egito serão consumidos pela espada e pela fome, até perecerem por completo.
44:28 Os que escaparem da espada voltarão da terra do Egito à terra de Judá, poucos em número. Então todo o remanescente de Judá que veio morar na terra do Egito saberá qual palavra se cumprirá: a minha ou a deles.
44:29 Este será o sinal para vocês, declara o SENHOR, de que eu os castigarei neste lugar, para que saibam que minhas palavras contra vocês certamente se cumprirão para sua desgraça.
44:30 Assim diz o SENHOR: Vou entregar o faraó Hofra, rei do Egito, nas mãos de seus inimigos e nas mãos dos que procuram tirar-lhe a vida, assim como entreguei Zedequias, rei de Judá, nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, seu inimigo, que procurava tirar-lhe a vida.”

Capítulo 45
45:1 A palavra que o profeta Jeremias falou a Baruque, filho de Nerias, quando ele escrevia estas palavras num rolo ao ditado de Jeremias, no quarto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá, dizia:
45:2 “Assim diz o SENHOR, o Deus de Israel, a seu respeito, Baruque:
45:3 Você disse: ‘Ai de mim! O SENHOR acrescentou tristeza à minha dor. Estou cansado de gemer e não encontrei descanso.’”
45:4 Assim você lhe dirá: “Assim diz o SENHOR: O que edifiquei estou derrubando, e o que plantei estou arrancando, isto é, toda esta terra.
45:5 E você procura grandes coisas para si? Não as procure, pois vou trazer calamidade sobre toda carne, declara o SENHOR. Mas darei a você a própria vida como despojo em todos os lugares para onde for.”

Capítulo 46
46:1 A palavra do SENHOR que veio ao profeta Jeremias a respeito das nações.
46:2 A respeito do Egito, sobre o exército do faraó Neco, rei do Egito, que estava junto ao rio Eufrates, em Carquemis, e que Nabucodonosor, rei da Babilônia, derrotou no quarto ano de Jeoaquim, filho de Josias, rei de Judá:
46:3 “Preparem os escudos pequenos e os grandes e avancem para a batalha!
46:4 Atrelem os cavalos!
   Montem, cavaleiros!
   Tomem suas posições com os capacetes!
   Deem brilho às lanças e vistam as couraças!
46:5 Por que vejo que estão aterrorizados e recuam?
   Seus guerreiros foram derrotados, fogem às pressas e não olham para trás.
   Há terror por todos os lados, declara o SENHOR.
46:6 Que o veloz não fuja nem o guerreiro escape.
   Ao norte, junto ao rio Eufrates, tropeçaram e caíram.
46:7 Quem é este que sobe como o Nilo, cujas águas se agitam como rios?
46:8 É o Egito, que sobe como o Nilo, cujas águas se agitam como rios.
   Ele diz: ‘Subirei e cobrirei a terra;
   destruirei a cidade e seus habitantes.’
46:9 Avancem, cavalos!
   Corram furiosos, carros de guerra!
   Saiam os guerreiros: os de Cuxe e de Pute, que empunham escudos, e os de Lude, que empunham e retesam o arco!
46:10 Mas aquele dia pertence ao Senhor DEUS dos Exércitos, dia de vingança, para se vingar de seus adversários.
   A espada devorará e se fartará, e ficará saciada do sangue deles.
   Pois o Senhor DEUS dos Exércitos tem um sacrifício na terra do norte, junto ao rio Eufrates.
46:11 Suba a Gileade e pegue bálsamo, virgem filha do Egito.
   Em vão você multiplica os remédios;
   não há cura para você.
46:12 As nações ouviram sua desonra, e seu grito encheu a terra, pois um guerreiro tropeçou em outro, e ambos caíram juntos.”
46:13 A palavra que o SENHOR falou ao profeta Jeremias a respeito da vinda de Nabucodonosor, rei da Babilônia, para atacar a terra do Egito, dizia:
46:14 “Anunciem no Egito, façam ouvir em Migdol, façam ouvir em Mênfis e em Tafnes.
   Digam: ‘Tome sua posição e prepare-se, pois a espada devorou tudo ao seu redor.’
46:15 Por que seus valentes foram arrastados?
   Não resistiram, pois o SENHOR os derrubou.
46:16 Ele multiplicou os que tropeçavam.
   Uns caíram sobre os outros e disseram: ‘Levante-se!
   Voltemos ao nosso povo e à nossa terra natal, para longe da espada opressora.’
46:17 Ali gritaram: ‘O faraó, rei do Egito, é puro barulho!
   Ele deixou passar o tempo marcado.’
46:18 Tão certo como eu vivo, declara o Rei, cujo nome é SENHOR dos Exércitos, assim como o Tabor entre os montes e o Carmelo junto ao mar, ele virá.
46:19 Prepare sua bagagem para o exílio, moradora, filha do Egito, pois Mênfis será uma desolação, queimada e sem habitantes.

46:20 O Egito é uma novilha muito bonita, mas do norte vem uma mutuca;
   vem, já vem!
46:21 Até os mercenários que estão no meio dela são como bezerros cevados.
   Eles também viraram as costas e fugiram juntos;
   não resistiram, pois chegou sobre eles o dia de sua ruína, o tempo de seu castigo.
46:22 Sua voz soa como a de uma serpente que se afasta, pois eles avançam com um exército e vêm contra ela com machados, como lenhadores.
46:23 Cortarão seu bosque, declara o SENHOR, embora seja impenetrável, pois são mais numerosos que os gafanhotos e não podem ser contados.
46:24 A filha do Egito está envergonhada, entregue nas mãos do povo do norte.”
46:25 O SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel, diz: “Vou castigar Amom de Tebas, o faraó, o Egito, seus deuses e seus reis;
   o faraó e os que confiam nele.
46:26 Eu os entregarei nas mãos dos que procuram tirar-lhes a vida, nas mãos de Nabucodonosor, rei da Babilônia, e nas mãos de seus servos.
   Mas depois o Egito será habitado como nos dias antigos, declara o SENHOR.

46:27 Mas não tenha medo, Jacó, meu servo, nem se aterrorize, Israel.
   Vou salvá-lo de longe, e sua descendência da terra de seu cativeiro.
   Jacó voltará e ficará tranquilo e seguro, sem que ninguém o atemorize.

46:28 Não tenha medo, Jacó, meu servo, declara o SENHOR, pois estou com você.
   Acabarei com todas as nações para onde o expulsei, mas não acabarei com você.
   Eu o disciplinarei com justiça e de modo algum o deixarei sem castigo.”

Capítulo 47
47:1 A palavra do SENHOR que veio ao profeta Jeremias a respeito dos filisteus, antes que o faraó atacasse Gaza.

47:2 Assim diz o SENHOR: “Vejam, águas sobem do norte e se tornarão uma torrente transbordante.
   Inundarão a terra e tudo o que nela há, a cidade e seus habitantes.
   As pessoas gritarão, e todos os habitantes da terra lamentarão
47:3 ao som do galope dos cascos de seus fortes cavalos, ao estrondo de seus carros de guerra e ao barulho de suas rodas.
   Os pais não se voltarão para os filhos, pois suas mãos perderão as forças,
47:4 por causa do dia que vem para destruir todos os filisteus e eliminar todos os aliados que ainda restam a Tiro e a Sidom.
   Pois o SENHOR está destruindo os filisteus, o remanescente da ilha de Caftor.
47:5 A calvície chegou a Gaza;
   Asquelom foi silenciada.
   Remanescente de seu vale, até quando fará cortes em si?

47:6 Ah, espada do SENHOR!
   Até quando ficará sem descanso?
   Volte à sua bainha, repouse e fique quieta!
47:7 Como pode descansar?
   O SENHOR lhe deu ordens contra Asquelom e contra a costa do mar.
   Ali ele a destinou.”

Capítulo 48
48:1 A respeito de Moabe, assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: “Ai de Nebo, pois foi devastada!
   Quiriataim foi envergonhada e conquistada;
   a fortaleza foi envergonhada e arrasada.
48:2 Já não há louvor para Moabe.
   Em Hesbom tramaram sua desgraça: ‘Venham, vamos eliminá-la como nação.’ Você também, Madmém, será silenciada;
   a espada a perseguirá.
48:3 Uma voz grita de Horonaim: devastação e grande destruição!
48:4 Moabe foi quebrantado;
   seus pequenos fazem ouvir seus gritos.
48:5 Pois pela subida de Luíte eles sobem com choro contínuo;
   na descida de Horonaim se ouvem gritos angustiosos de destruição.
48:6 Fujam, salvem suas vidas!
   Sejam como um arbusto no deserto.
48:7 Pois você confiou em suas obras e em seus tesouros;
   por isso você também será conquistada.
   Quemos irá para o exílio, junto com seus sacerdotes e seus governantes.
48:8 O devastador virá contra cada cidade, e nenhuma escapará.
   O vale perecerá, e o planalto será destruído, como disse o SENHOR.
48:9 Deem asas a Moabe, para que saia voando, pois suas cidades se tornarão uma desolação, sem ninguém que more nelas.
48:10 Maldito quem faz com negligência a obra do SENHOR!
   Maldito quem retém sua espada do sangue!
48:11 Moabe vive tranquilo desde a juventude;
   repousou sobre sua borra, não foi despejado de vasilha em vasilha nem foi para o exílio.
   Por isso conservou seu sabor, e seu aroma não mudou.

48:12 Por isso vêm dias, declara o SENHOR, em que enviarei homens para despejá-lo, e eles o despejarão.
   Esvaziarão suas vasilhas e despedaçarão seus jarros.
48:13 Moabe terá vergonha de Quemos, como a casa de Israel teve vergonha de Betel, em quem confiava.
48:14 Como vocês podem dizer: ‘Somos valentes, homens fortes para a batalha’?
48:15 Moabe foi devastado;
   o devastador subiu contra suas cidades, e seus jovens escolhidos desceram para a matança, declara o Rei, cujo nome é SENHOR dos Exércitos.
48:16 A ruína de Moabe está prestes a chegar;
   sua calamidade vem muito depressa.
48:17 Lamentem por ele todos os seus vizinhos e todos os que conhecem seu nome.
   Digam: ‘Como foi quebrado o cetro poderoso, o bastão glorioso!’
48:18 Desça de sua glória e sente-se em terra seca, moradora, filha de Dibom, pois o devastador de Moabe subiu contra você e destruiu suas fortalezas.
48:19 Fique à beira do caminho e observe, moradora de Aroer.
   Pergunte ao homem que foge e à mulher que escapa: ‘O que aconteceu?’
48:20 Moabe foi envergonhado, pois foi arrasado.
   Lamentem e gritem!
   Anunciem em Arnom que Moabe foi devastado.
48:21 O juízo chegou à terra do planalto: sobre Holom, Jaza e Mefaate,
48:22 sobre Dibom, Nebo e Bete-Diblataim,
48:23 sobre Quiriataim, Bete-Gamul e Bete-Meom,
48:24 sobre Queriote, Bozra e todas as cidades da terra de Moabe, as distantes e as próximas.
48:25 O chifre de Moabe foi cortado, e seu braço foi quebrado, declara o SENHOR.
48:26 Embriaguem-no, pois se engrandeceu contra o SENHOR.
   Moabe se revolverá em seu vômito e também será motivo de zombaria.
48:27 Israel não foi motivo de zombaria para você?
   Acaso foi encontrado entre ladrões, para que, sempre que falava dele, você balançasse a cabeça?
48:28 Abandonem as cidades e morem entre as rochas, habitantes de Moabe.
   Sejam como a pomba que faz seu ninho nas bordas da entrada de uma caverna.
48:29 Ouvimos falar do orgulho de Moabe, de como é orgulhoso: sua arrogância, sua soberba, sua altivez e a presunção de seu coração.
48:30 Eu conheço sua insolência, declara o SENHOR, mas ela é vã.
   Suas vanglórias nada realizam.
48:31 Por isso lamentarei por Moabe e gritarei por todo o Moabe;
   pelos homens de Quir-Heres se gemerá.
48:32 Chorarei por você mais do que por Jazer, videira de Sibma.
   Seus ramos atravessaram o mar, chegaram até o mar de Jazer.
   O devastador caiu sobre suas frutas de verão e sobre sua colheita de uvas.
48:33 A alegria e o júbilo desapareceram do campo fértil e da terra de Moabe.
   Fiz cessar o vinho nos lagares;
   ninguém pisa as uvas com gritos de alegria.
   Há gritos, mas não são gritos de alegria.
48:34 Ouviram-se seus gritos desde Hesbom até Eleale e Jaza, desde Zoar até Horonaim e Eglate-Selisias, pois até as águas de Ninrim se tornarão uma desolação.
48:35 Farei desaparecer de Moabe, declara o SENHOR, quem oferece sacrifícios nos lugares altos e quem queima incenso a seus deuses.
48:36 Por isso meu coração geme por Moabe como flautas, e meu coração geme como flautas pelos homens de Quir-Heres, pois as riquezas que acumulou se perderam.
48:37 Toda cabeça está rapada, e toda barba cortada;
   em todas as mãos há cortes, e nas cinturas, pano de saco.
48:38 Em todos os terraços de Moabe e em suas praças, tudo é lamento, pois quebrei Moabe como um vaso que ninguém quer, declara o SENHOR.
48:39 Como foi arrasado!
   Lamentem!
   Como Moabe virou as costas, envergonhado!
   Moabe se tornou motivo de zombaria e de terror para todos os seus vizinhos.

48:40 Pois assim diz o SENHOR: Vejam, ele voa como uma águia e estende suas asas sobre Moabe.
48:41 As cidades foram conquistadas, e as fortalezas, tomadas.
   Naquele dia o coração dos guerreiros de Moabe será como o coração de uma mulher com dores de parto.
48:42 Moabe será destruído e deixará de ser povo, pois se engrandeceu contra o SENHOR.
48:43 Terror, cova e armadilha vêm sobre você, morador de Moabe, declara o SENHOR.
48:44 Quem fugir do terror cairá na cova, e quem subir da cova ficará preso na armadilha.
   Pois trarei sobre Moabe o ano de seu castigo, declara o SENHOR.
48:45 À sombra de Hesbom param sem forças os fugitivos.
   Mas de Hesbom saiu fogo, e uma chama do meio de Seom;
   ela devorou as têmporas de Moabe e o alto da cabeça dos filhos do tumulto.
48:46 Ai de você, Moabe!
   O povo de Quemos pereceu, pois seus filhos foram levados cativos, e suas filhas, para o cativeiro.
48:47 Mas restaurarei o bem-estar de Moabe no fim dos dias, declara o SENHOR.”
   Até aqui o juízo de Moabe.

Capítulo 49
49:1 A respeito dos amonitas, assim diz o SENHOR: “Israel não tem filhos?
   Não tem herdeiro?
   Por que Milcom tomou posse de Gade, e seu povo mora nas cidades dele?
49:2 Por isso vêm dias, declara o SENHOR, em que farei ouvir o grito de guerra contra Rabá dos amonitas.
   Ela se tornará um monte de ruínas, e suas povoações serão queimadas.
   Então Israel tomará posse daqueles que se apossaram dele, diz o SENHOR.
49:3 Lamente, Hesbom, pois Ai foi devastada!
   Gritem, filhas de Rabá!
   Vistam pano de saco, lamentem e corram de um lado para outro entre os cercados, pois Milcom irá para o exílio, junto com seus sacerdotes e seus governantes.
49:4 Por que você se vangloria dos vales, de seu vale transbordante, filha rebelde, que confia em seus tesouros e diz: ‘Quem virá contra mim?’
49:5 Vou trazer terror sobre você de todos os seus arredores, declara o Senhor DEUS dos Exércitos.
   Vocês serão expulsos, cada um por seu lado, sem que ninguém reúna os fugitivos.
49:6 Mas depois disso restaurarei o bem-estar dos amonitas, declara o SENHOR.”

49:7 A respeito de Edom, assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Já não há sabedoria em Temã?
   Desapareceu o conselho dos entendidos?
   Sua sabedoria se desfez?
49:8 Fujam, voltem para trás e procurem abrigo em lugares profundos, habitantes de Dedã!
   Pois trouxe sobre Esaú sua ruína, o tempo de seu castigo.
49:9 Se viessem a você colhedores de uvas, não deixariam alguns cachos?
   Se viessem ladrões à noite, destruiriam apenas o que lhes bastasse.
49:10 Mas eu despi Esaú e descobri seus esconderijos;
   ele não poderá se esconder.
   Sua descendência, seus irmãos e seus vizinhos foram devastados, e ele já não existe.
49:11 Deixe seus órfãos;
   eu os manterei vivos.
   Que suas viúvas confiem em mim.

49:12 Pois assim diz o SENHOR: Os que não estavam condenados a beber a taça certamente a beberão.
   E você ficará inteiramente impune?
   Não ficará impune;
   certamente a beberá.
49:13 Pois jurei por mim mesmo, declara o SENHOR, que Bozra será motivo de horror, de desonra, de ruína e de maldição.
   Todas as suas cidades serão ruínas para sempre.”
49:14 Ouvi uma mensagem da parte do SENHOR, e um mensageiro foi enviado às nações: “Reúnam-se e venham contra ela!
   Levantem-se para a guerra!”
49:15 “Eu o fiz pequeno entre as nações, desprezado entre os seres humanos.
49:16 O terror que você inspira e a arrogância de seu coração o enganaram, você que mora nas fendas das rochas e ocupa o alto da colina.
   Ainda que faça seu ninho tão alto como a águia, de lá o farei descer, declara o SENHOR.
49:17 Edom se tornará motivo de horror.
   Todo aquele que passar por ele ficará horrorizado e assobiará por causa de todas as suas feridas.
49:18 Como na destruição de Sodoma, Gomorra e suas vizinhas, diz o SENHOR, ninguém morará ali, nenhum ser humano residirá nela.
49:19 Vejam: como um leão que sobe da mata cerrada do Jordão contra uma pastagem perene, eu o farei fugir dali num instante e porei sobre ela quem eu escolher.
   Pois quem é como eu?
   Quem me chamará a prestar contas?
   Que pastor poderá resistir diante de mim?”

49:20 Por isso ouçam o plano que o SENHOR traçou contra Edom e os propósitos que concebeu contra os habitantes de Temã: certamente arrastarão até os menores do rebanho;
   certamente sua pastagem ficará desolada por causa deles.
49:21 A terra treme ao estrondo de sua queda;
   o som de seu grito se ouve no mar Vermelho.
49:22 Vejam, ele sobe e voa como uma águia, estendendo suas asas sobre Bozra.
   Naquele dia o coração dos guerreiros de Edom será como o coração de uma mulher com dores de parto.

49:23 A respeito de Damasco: “Hamate e Arpade estão envergonhadas, pois ouviram más notícias e se desmancharam de medo.
   Há inquietação no mar, que não pode se acalmar.
49:24 Damasco perdeu as forças;
   virou-se para fugir, e o tremor se apoderou dela.
   Angústia e dores a dominaram, como a uma mulher que dá à luz.
49:25 Como não foi abandonada a cidade louvada, a cidade de minha alegria?
49:26 Por isso seus jovens cairão em suas praças, e todos os homens de guerra serão silenciados naquele dia, declara o SENHOR dos Exércitos.
49:27 Atearei fogo à muralha de Damasco, e ele consumirá os palácios de Ben-Hadade.”

49:28 A respeito de Quedar e dos reinos de Hazor, que Nabucodonosor, rei da Babilônia, atacou, assim diz o SENHOR: “Levantem-se, subam contra Quedar e devastem os povos do Oriente!
49:29 Tomarão suas tendas e seus rebanhos, levarão para si as cortinas de suas tendas, todos os seus utensílios e seus camelos, e gritarão contra eles: ‘Terror por todos os lados!’
49:30 Fujam, afastem-se para bem longe e procurem abrigo em lugares profundos, habitantes de Hazor, declara o SENHOR.
   Pois Nabucodonosor, rei da Babilônia, traçou um plano contra vocês e concebeu um propósito contra eles.
49:31 Levantem-se e subam contra uma nação tranquila, que mora em segurança, declara o SENHOR.
   Ela não tem portas nem ferrolhos;
   vivem isolados.
49:32 Seus camelos serão saqueados, e seus numerosos rebanhos serão despojo.
   Espalharei a todos os ventos os que rapam as têmporas e, de todos os lados, trarei sua ruína, declara o SENHOR.
49:33 Hazor se tornará morada de chacais, uma desolação para sempre.
   Ninguém morará ali, nenhum ser humano residirá nela.”
49:34 A palavra do SENHOR que veio ao profeta Jeremias a respeito de Elão, no começo do reinado de Zedequias, rei de Judá, dizia:
49:35 “Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Vou quebrar o arco de Elão, o principal de seu poder.
49:36 Trarei contra Elão os quatro ventos dos quatro extremos dos céus e os espalharei por todos esses ventos.
   Não haverá nação à qual não cheguem os desterrados de Elão.
49:37 Aterrorizarei Elão diante de seus inimigos e diante dos que procuram tirar-lhes a vida.
   Trarei sobre eles calamidade, o ardor de minha ira, declara o SENHOR.
   Enviarei a espada atrás deles até acabar com eles.
49:38 Porei meu trono em Elão e farei desaparecer dali o rei e os governantes, declara o SENHOR.
49:39 Mas, no fim dos dias, restaurarei o bem-estar de Elão, declara o SENHOR.”

Capítulo 50
50:1 A palavra que o SENHOR falou contra Babilônia, contra a terra dos caldeus, por meio do profeta Jeremias, dizia:
50:2 “Anunciem entre as nações, façam ouvir e levantem um estandarte.
   Façam ouvir, não escondam!
   Digam: ‘Babilônia foi conquistada!
   Bel foi envergonhado, Merodaque foi arrasado;
   suas imagens foram envergonhadas, seus ídolos foram arrasados.’
50:3 Pois uma nação subiu contra ela do norte.
   Ela tornará sua terra uma desolação, sem ninguém que nela more.
   Tanto os seres humanos como os animais fugiram e foram embora.
50:4 Naqueles dias e naquele tempo, declara o SENHOR, virão os filhos de Israel junto com os filhos de Judá.
   Virão caminhando e chorando e buscarão o SENHOR, seu Deus.
50:5 Perguntarão pelo caminho de Sião, com o rosto voltado para lá: ‘Venham e unam-se ao SENHOR numa aliança eterna, que não será esquecida.’

50:6 Meu povo era um rebanho de ovelhas perdidas.
   Seus pastores as extraviaram e as fizeram vagar pelos montes.
   Andaram de monte em colina e se esqueceram de seu lugar de descanso.
50:7 Todos os que as encontravam as devoravam.
   Seus adversários diziam: ‘Não somos culpados, pois pecaram contra o SENHOR, morada da justiça, contra o SENHOR, esperança de seus antepassados.’

50:8 Fujam do meio de Babilônia e saiam da terra dos caldeus!
   Sejam como bodes à frente do rebanho.
50:9 Pois vou despertar e fazer subir contra Babilônia uma assembleia de grandes nações da terra do norte.
   Elas se porão em ordem de batalha contra ela, e dali será conquistada.
   Suas flechas serão como as de um guerreiro mortífero que não volta de mãos vazias.
50:10 A Caldeia será despojo;
   todos os que a saquearem se fartarão, declara o SENHOR.
50:11 Pois vocês se alegram e exultam, saqueadores de minha herança, pois saltam como uma novilha que debulha e relincham como garanhões.
50:12 Sua mãe será profundamente envergonhada;
   será humilhada aquela que os deu à luz.
   Ela será a última das nações: um deserto, uma terra seca e uma região desolada.
50:13 Por causa da indignação do SENHOR, não será habitada, mas ficará inteiramente desolada.
   Todo aquele que passar por Babilônia ficará horrorizado e assobiará por causa de todas as suas feridas.
50:14 Ponham-se em ordem de batalha ao redor de Babilônia, todos os que retesam o arco!
   Atirem contra ela, não poupem flechas, pois ela pecou contra o SENHOR!
50:15 Lancem o grito de guerra contra ela por todos os lados!
   Ela se rendeu;
   seus baluartes caíram, suas muralhas foram derrubadas.
   Pois esta é a vingança do SENHOR.
   Vinguem-se dela!
   Façam a ela como ela fez!
50:16 Eliminem de Babilônia o semeador e quem empunha a foice no tempo da colheita.
   Diante da espada opressora, cada um voltará a seu povo e cada um fugirá para sua terra.

50:17 Israel é uma ovelha dispersa que os leões afugentaram.
   Primeiro o rei da Assíria a devorou;
   por último, Nabucodonosor, rei da Babilônia, lhe quebrou os ossos.

50:18 Por isso, assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: Vou castigar o rei da Babilônia e sua terra, como castiguei o rei da Assíria.
50:19 Farei Israel voltar à sua pastagem.
   Pastará no Carmelo e em Basã e se fartará na região montanhosa de Efraim e em Gileade.
50:20 Naqueles dias e naquele tempo, declara o SENHOR, procurarão a culpa de Israel, mas ela não existirá, e os pecados de Judá, mas não serão encontrados, pois perdoarei os que eu deixar como remanescente.
50:21 Suba contra a terra de Merataim e contra os habitantes de Pecode!
   Persiga-os, passe-os à espada e destrua-os por completo, declara o SENHOR.
   Faça tudo o que ordenei a você!

50:22 Há estrondo de guerra na terra e grande destruição!
50:23 Como foi cortado e quebrado o martelo de toda a terra!
   Como Babilônia se tornou motivo de horror entre as nações!
50:24 Armei uma armadilha para você, Babilônia, e você ficou presa sem saber.
   Você foi encontrada e capturada, pois desafiou o SENHOR.
50:25 O SENHOR abriu seu arsenal e tirou as armas de sua indignação, pois o Senhor DEUS dos Exércitos tem uma obra a realizar na terra dos caldeus.
50:26 Venham contra ela dos confins!
   Abram seus celeiros, amontoem-na em montes de ruínas e destruam-na por completo!
   Que não lhe reste remanescente algum!
50:27 Passem à espada todos os seus novilhos;
   que desçam para a matança!
   Ai deles, pois chegou seu dia, o tempo de seu castigo!

50:28 Ouçam a voz dos que fogem e escapam da terra de Babilônia, para anunciar em Sião a vingança do SENHOR, nosso Deus, a vingança por seu templo.
50:29 Convoquem contra Babilônia os arqueiros, todos os que retesam o arco!
   Acampem ao redor dela;
   que ninguém escape!
   Paguem a ela conforme suas ações, façam a ela tudo o que fez, pois agiu com arrogância contra o SENHOR, contra o Santo de Israel.
50:30 Por isso seus jovens cairão em suas praças, e todos os seus homens de guerra serão silenciados naquele dia, declara o SENHOR.

50:31 Estou contra você, arrogante, declara o Senhor DEUS dos Exércitos, pois chegou seu dia, o tempo em que o castigarei.
50:32 O arrogante tropeçará e cairá, sem que ninguém o levante.
   Atearei fogo às suas cidades, e ele consumirá tudo ao seu redor.

50:33 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Os filhos de Israel e os filhos de Judá estão oprimidos juntos.
   Todos os seus captores os retêm e se recusam a deixá-los ir.
50:34 Seu Redentor é forte;
   SENHOR dos Exércitos é seu nome.
   Certamente defenderá a causa deles, para dar descanso à terra e inquietar os habitantes de Babilônia.
50:35 Espada contra os caldeus, declara o SENHOR, e contra os habitantes de Babilônia, contra seus governantes e contra seus sábios!
50:36 Espada contra os mentirosos, que se tornarão insensatos!
   Espada contra seus guerreiros, que ficarão aterrorizados!
50:37 Espada contra seus cavalos, contra seus carros de guerra e contra todos os estrangeiros que estão no meio dela, que se tornarão como mulheres!
   Espada contra seus tesouros, que serão saqueados!
50:38 Seca sobre suas águas, que secarão!
   Pois é uma terra de imagens esculpidas, e eles deliram por ídolos aterradores.
50:39 Por isso as feras do deserto e os chacais morarão ali, e as avestruzes habitarão nela.
   Nunca mais será habitada, nem povoada de geração em geração.
50:40 Como quando Deus destruiu Sodoma, Gomorra e suas vizinhas, declara o SENHOR, ninguém morará ali, nenhum ser humano residirá nela.
50:41 Vejam, um povo vem do norte;
   uma grande nação e muitos reis se levantam dos confins da terra.
50:42 Empunham arco e lança, são cruéis e não têm compaixão.
   Sua voz ruge como o mar, e montam a cavalo, postos em ordem de batalha como um só homem contra você, filha de Babilônia.
50:43 O rei da Babilônia ouviu notícias deles, e suas mãos perderam as forças.
   A angústia se apoderou dele, dores como as de uma mulher que dá à luz.
50:44 Vejam: como um leão que sobe da mata cerrada do Jordão contra uma pastagem perene, eu os farei fugir dali num instante e porei sobre ela quem eu escolher.
   Pois quem é como eu?
   Quem me chamará a prestar contas?
   Que pastor poderá resistir diante de mim?
50:45 Por isso ouçam o plano que o SENHOR traçou contra Babilônia e os propósitos que concebeu contra a terra dos caldeus: certamente arrastarão até os menores do rebanho;
   certamente sua pastagem ficará desolada por causa deles.
50:46 Ao estrondo da conquista de Babilônia, a terra treme, e um grito se ouve entre as nações.”

Capítulo 51
51:1 Assim diz o SENHOR: “Vou levantar um vento destruidor contra Babilônia e contra os habitantes de Lebe-Camai.
51:2 Enviarei estrangeiros a Babilônia, e eles a joeirarão e esvaziarão sua terra, pois estarão contra ela por todos os lados no dia da calamidade.
51:3 Que o arqueiro retese seu arco contra quem retesa o seu e contra quem se ergue em sua couraça!
   Não poupem seus jovens;
   destruam por completo todo o seu exército.
51:4 Cairão mortos na terra dos caldeus e traspassados em suas ruas.”
51:5 Pois Israel e Judá não ficaram viúvos de seu Deus, do SENHOR dos Exércitos, embora sua terra esteja cheia de culpa contra o Santo de Israel.
51:6 Fujam do meio de Babilônia, e salve cada um a própria vida!
   Não pereçam por sua culpa, pois é o tempo da vingança do SENHOR;
   ele está dando a ela o seu pagamento.
51:7 Babilônia era uma taça de ouro na mão do SENHOR, que embriagava toda a terra.
   As nações beberam de seu vinho;
   por isso as nações enlouqueceram.
51:8 De repente Babilônia caiu e se despedaçou.
   Lamentem por ela!
   Peguem bálsamo para sua dor;
   talvez seja curada.
51:9 “Tentamos curar Babilônia, mas ela não foi curada.
   Abandonem-na, e vamos cada um para sua terra, pois seu juízo chegou aos céus e se elevou até as nuvens.”
51:10 “O SENHOR trouxe nossa justiça à luz.
   Venham, contemos em Sião a obra do SENHOR, nosso Deus.”
51:11 Afiem as flechas!
   Preparem os escudos!
   O SENHOR despertou o espírito dos reis da Média, pois seu propósito contra Babilônia é destruí-la.
   Esta é a vingança do SENHOR, a vingança por seu templo.
51:12 Levantem um estandarte contra as muralhas de Babilônia!
   Reforcem a guarda, coloquem sentinelas e preparem as emboscadas!
   Pois o SENHOR planejou e fez o que falou contra os habitantes de Babilônia.
51:13 Você que mora junto a muitas águas, rica em tesouros, chegou seu fim, o limite de sua cobiça.
51:14 O SENHOR dos Exércitos jurou por si mesmo: “Certamente encherei você de homens como gafanhotos, e eles lançarão contra você gritos de vitória.”

51:15 Ele fez a terra com seu poder, estabeleceu o mundo com sua sabedoria e estendeu os céus com seu entendimento.
51:16 Quando faz ouvir sua voz, as águas retumbam nos céus.
   Ele faz subir as nuvens dos confins da terra, faz os relâmpagos para a chuva e tira o vento de seus depósitos.
51:17 Todo ser humano é insensato e sem conhecimento;
   todo ourives fica envergonhado por seu ídolo.
   Sua imagem fundida é mentira, e esses ídolos não têm fôlego.
51:18 São vazios, obra de engano;
   quando chegar seu castigo, perecerão.
51:19 A porção de Jacó não é como eles, pois ele é quem formou todas as coisas, inclusive a tribo de sua herança.
   SENHOR dos Exércitos é o seu nome.

51:20 “Você é meu martelo e minhas armas de guerra.
   Com você despedaçarei nações, e com você destruirei reinos.
51:21 Com você despedaçarei o cavalo e seu cavaleiro;
   com você despedaçarei o carro de guerra e seu condutor.
51:22 Com você despedaçarei o homem e a mulher;
   com você despedaçarei o idoso e o menino;
   com você despedaçarei o jovem e a virgem.
51:23 Com você despedaçarei o pastor e seu rebanho;
   com você despedaçarei o lavrador e sua junta de bois;
   com você despedaçarei governadores e magistrados.
51:24 Pagarei a Babilônia e a todos os habitantes da Caldeia todo o mal que fizeram em Sião, diante dos olhos de vocês, declara o SENHOR.

51:25 Estou contra você, monte destruidor, declara o SENHOR, que destrói toda a terra.
   Estenderei minha mão contra você, farei você rolar das rochas e o tornarei um monte queimado.
51:26 Não tirarão de você pedra de esquina nem pedra para alicerces, pois será uma desolação para sempre, declara o SENHOR.”
51:27 Levantem um estandarte na terra!
   Toquem a trombeta entre as nações!
   Consagrem nações contra ela, convoquem contra ela os reinos de Ararate, Mini e Asquenaz!
   Nomeiem um comandante contra ela;
   façam subir cavalos como gafanhotos eriçados!
51:28 Consagrem contra ela as nações, os reis da Média, seus governadores, todos os seus magistrados e toda a terra de seu domínio!
51:29 A terra treme e se contorce, pois se cumprem contra Babilônia os propósitos do SENHOR, de tornar a terra de Babilônia uma desolação sem habitantes.
51:30 Os guerreiros de Babilônia deixaram de lutar e ficaram nas fortalezas.
   Sua força se esgotou, e se tornaram como mulheres.
   Suas moradas foram incendiadas, seus ferrolhos foram quebrados.
51:31 Um correio corre ao encontro de outro, e um mensageiro ao encontro de outro, para anunciar ao rei da Babilônia que sua cidade foi conquistada de um extremo ao outro.
51:32 As passagens do rio foram ocupadas, os caniçais foram queimados, e os homens de guerra ficaram aterrorizados.

51:33 Pois assim diz o SENHOR dos Exércitos, o Deus de Israel: “A filha de Babilônia é como uma eira no tempo de ser pisada;
   daqui a pouco chegará para ela o tempo da colheita.”
51:34 “Nabucodonosor, rei da Babilônia, nos devorou e nos esmagou;
   fez de nós um vaso vazio.
   Engoliu-nos como um monstro, encheu seu ventre com minhas iguarias e nos expulsou.
51:35 A violência feita a mim e à minha carne caia sobre Babilônia”, dirá a moradora de Sião.
   “Meu sangue caia sobre os habitantes da Caldeia”, dirá Jerusalém.

51:36 Por isso, assim diz o SENHOR: “Vou defender sua causa e vingá-la.
   Secarei o mar dela e farei secar seu manancial.
51:37 Babilônia se tornará montes de ruínas, morada de chacais, motivo de horror e de assobios, sem habitantes.
51:38 Juntos rugirão como leões jovens, rosnarão como filhotes de leão.
51:39 Quando estiverem acalorados, prepararei seu banquete e os embriagarei, para que exultem, durmam um sono eterno e não despertem, declara o SENHOR.
51:40 Eu os farei descer como cordeiros para a matança, como carneiros junto com bodes.
51:41 Como Sesaque foi conquistada, e capturada a glória de toda a terra!
   Como Babilônia se tornou motivo de horror entre as nações!
51:42 O mar subiu sobre Babilônia;
   ela foi coberta pela multidão de suas ondas.
51:43 Suas cidades se tornaram uma desolação, uma terra seca e deserta, uma terra onde ninguém mora e por onde nenhum ser humano passa.
51:44 Castigarei Bel em Babilônia e tirarei de sua boca o que engoliu.
   As nações não mais afluirão a ele;
   também a muralha de Babilônia caiu.
51:45 Saiam do meio dela, meu povo, e salve cada um a própria vida do ardor da ira do SENHOR!
51:46 Não desfaleça seu coração, nem tenham medo das notícias ouvidas na terra.
   Num ano virá uma notícia, e no ano seguinte outra notícia;
   haverá violência na terra e governante contra governante.
51:47 Por isso vêm dias em que castigarei as imagens esculpidas de Babilônia.
   Toda a sua terra será envergonhada, e todos os seus mortos cairão no meio dela.
51:48 Os céus, a terra e tudo o que neles há cantarão de alegria por Babilônia, pois do norte virão contra ela os devastadores, declara o SENHOR.”
51:49 Babilônia também cairá por causa dos mortos de Israel;
   por causa de Babilônia também caíram os mortos de toda a terra.
51:50 Vocês que escaparam da espada, sigam, não parem!
   Lembrem-se do SENHOR de longe, e que Jerusalém venha ao seu coração.
51:51 “Estamos envergonhados, pois ouvimos insultos.
   A desonra cobriu nosso rosto, pois estrangeiros entraram nos santuários da casa do SENHOR.”

51:52 “Por isso vêm dias, declara o SENHOR, em que castigarei suas imagens esculpidas, e em toda a sua terra gemerá o ferido de morte.
51:53 Ainda que Babilônia suba aos céus e fortifique no alto seu baluarte, de minha parte virão devastadores contra ela, declara o SENHOR.”

51:54 Ouve-se um grito de Babilônia e grande destruição da terra dos caldeus,
51:55 pois o SENHOR está devastando Babilônia e faz desaparecer dela sua grande voz.
   Suas ondas rugem como muitas águas;
   ressoa o estrondo de suas vozes.
51:56 Pois um devastador veio contra ela, contra Babilônia;
   seus guerreiros foram capturados, seus arcos foram quebrados.
   Porque o SENHOR é um Deus de retribuição;
   certamente retribuirá.
51:57 “Embriagarei seus governantes e seus sábios, seus governadores, seus magistrados e seus guerreiros.
   Dormirão um sono eterno e não despertarão, declara o Rei, cujo nome é SENHOR dos Exércitos.”

51:58 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “As largas muralhas de Babilônia serão inteiramente demolidas, e suas altas portas serão queimadas.
   Os povos trabalharam em vão, e as nações se cansaram apenas para o fogo.”
51:59 Esta é a ordem que o profeta Jeremias deu a Seraías, filho de Nerias, filho de Maaseias, quando este foi com Zedequias, rei de Judá, à Babilônia, no quarto ano de seu reinado. Seraías era o encarregado do alojamento.
51:60 Jeremias escreveu num só rolo toda a calamidade que viria sobre Babilônia, todas estas palavras escritas contra Babilônia.
51:61 Jeremias disse a Seraías: “Quando chegar a Babilônia, cuide de ler todas estas palavras.
51:62 Diga: ‘SENHOR, tu falaste contra este lugar, para destruí-lo, de modo que não haja nele morador algum, nem ser humano nem animal, mas que se torne uma desolação para sempre.’
51:63 Quando terminar de ler este rolo, amarre nele uma pedra e jogue-o no meio do Eufrates.
51:64 E diga: ‘Assim Babilônia afundará e não se levantará, por causa da calamidade que trarei sobre ela; e ficarão exaustos.’” Até aqui as palavras de Jeremias.

Capítulo 52
52:1 Zedequias tinha vinte e um anos quando começou a reinar e reinou onze anos em Jerusalém. Sua mãe se chamava Hamutal, filha de Jeremias, de Libna.
52:2 Ele fez o que era mau aos olhos do SENHOR, conforme tudo o que Jeoaquim havia feito.
52:3 Isso aconteceu a Jerusalém e a Judá por causa da ira do SENHOR, até que ele os lançou para fora de sua presença. Zedequias se rebelou contra o rei da Babilônia.
52:4 No nono ano de seu reinado, no décimo dia do décimo mês, Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio com todo o seu exército contra Jerusalém. Acamparam contra ela e construíram um muro de cerco ao seu redor.
52:5 A cidade ficou cercada até o décimo primeiro ano do rei Zedequias.
52:6 No nono dia do quarto mês, a fome se agravou na cidade, e não havia pão para o povo da terra.
52:7 Foi aberta uma brecha na cidade, e todos os homens de guerra fugiram. Saíram da cidade à noite pelo caminho da porta entre as duas muralhas, junto ao jardim do rei, embora os caldeus cercassem a cidade. Tomaram o caminho da Arabá.
52:8 O exército dos caldeus perseguiu o rei e alcançou Zedequias nas planícies de Jericó. Todo o seu exército havia se dispersado, abandonando-o.
52:9 Eles capturaram o rei e o levaram ao rei da Babilônia, em Ribla, na terra de Hamate, onde ele pronunciou sentenças contra Zedequias.
52:10 O rei da Babilônia degolou os filhos de Zedequias diante dos olhos dele. Também degolou todos os governantes de Judá em Ribla.
52:11 Depois cegou Zedequias e o prendeu com grilhões de bronze. O rei da Babilônia o levou à Babilônia e o pôs na prisão até o dia de sua morte.
52:12 No décimo dia do quinto mês, no décimo nono ano de Nabucodonosor, rei da Babilônia, Nebuzaradã, capitão da guarda, que servia na presença do rei da Babilônia, chegou a Jerusalém.
52:13 Ele queimou a casa do SENHOR, o palácio do rei e todas as casas de Jerusalém; queimou todos os grandes edifícios.
52:14 Todo o exército dos caldeus que estava com o capitão da guarda derrubou todas as muralhas ao redor de Jerusalém.
52:15 Nebuzaradã, capitão da guarda, levou para o exílio alguns dos pobres do povo, o restante do povo que havia ficado na cidade, os desertores que haviam passado para o rei da Babilônia e o restante dos artesãos.
52:16 Mas Nebuzaradã, capitão da guarda, deixou alguns dos pobres da terra para serem cultivadores de vinhas e lavradores.
52:17 Os caldeus despedaçaram as colunas de bronze da casa do SENHOR, as bases e o Mar de bronze que estava na casa do SENHOR, e levaram todo o seu bronze à Babilônia.
52:18 Também levaram os caldeirões, as pás, as tesouras de aparar pavios, as bacias, as conchas e todos os utensílios de bronze usados no serviço.
52:19 O capitão da guarda levou as tigelas, os braseiros, as bacias, os caldeirões, os candelabros, as conchas e as taças para as ofertas de bebida: tudo o que era de ouro e tudo o que era de prata.
52:20 Quanto às duas colunas, ao único Mar e aos doze bois de bronze debaixo das bases, que o rei Salomão fizera para a casa do SENHOR, o bronze de todos esses utensílios não podia ser pesado.
52:21 Cada coluna tinha cerca de 8,3 metros de altura, e um cordão de cerca de 5,5 metros a rodeava. Era oca, com cerca de 8 centímetros de espessura.
52:22 Sobre ela havia um capitel de bronze, com cerca de 2,3 metros de altura. Uma rede e romãs rodeavam o capitel, tudo de bronze. A segunda coluna era igual, com suas romãs.
52:23 Havia noventa e seis romãs aos lados; ao todo eram cem romãs ao redor da rede.
52:24 O capitão da guarda capturou Seraías, o sacerdote principal, Sofonias, o segundo sacerdote, e os três guardas da entrada.
52:25 Da cidade capturou um oficial encarregado dos homens de guerra, sete homens que tinham acesso à presença do rei e que se encontravam na cidade, o escriba do comandante do exército que recrutava o povo da terra e sessenta homens do povo da terra que se encontravam na cidade.
52:26 Nebuzaradã, capitão da guarda, os levou ao rei da Babilônia, em Ribla.
52:27 O rei da Babilônia os feriu e os matou em Ribla, na terra de Hamate. Assim Judá foi levado para o exílio, longe de sua terra.
52:28 Este é o povo que Nabucodonosor levou para o exílio: no sétimo ano, três mil e vinte e três judeus;
52:29 no décimo oitavo ano de Nabucodonosor, oitocentas e trinta e duas pessoas de Jerusalém;
52:30 no vigésimo terceiro ano de Nabucodonosor, Nebuzaradã, capitão da guarda, levou para o exílio setecentos e quarenta e cinco judeus. Ao todo foram quatro mil e seiscentas pessoas.
52:31 No trigésimo sétimo ano do exílio de Joaquim, rei de Judá, no vigésimo quinto dia do décimo segundo mês, Evil-Merodaque, rei da Babilônia, no ano em que começou a reinar, levantou a cabeça de Joaquim, rei de Judá, e o tirou da prisão.
52:32 Falou com ele bondosamente e pôs seu trono acima dos tronos dos reis que estavam com ele na Babilônia.
52:33 Joaquim trocou suas roupas de prisão e passou a comer pão regularmente na presença do rei por todos os dias de sua vida.
52:34 Para seu sustento, o rei da Babilônia lhe dava uma ração contínua, a porção de cada dia, até o dia de sua morte, por todos os dias de sua vida.

LAMENTAÇÕES

Capítulo 1
1:1 Como está sentada sozinha a cidade antes tão cheia de gente!
   Tornou-se como viúva a que era grande entre as nações;
   a princesa entre as províncias foi submetida a trabalhos forçados.

1:2 Ela chora amargamente durante a noite, e suas lágrimas correm pelas faces.
   Entre todos os seus amantes, não há quem a console.
   Todos os seus amigos a traíram e se tornaram seus inimigos.

1:3 Judá foi para o exílio, em aflição e dura servidão.
   Mora entre as nações, mas não encontrou descanso.
   Todos os seus perseguidores a alcançaram em lugares sem saída.

1:4 Os caminhos de Sião estão de luto, pois ninguém vem às festas solenes.
   Todas as suas portas estão desertas;
   seus sacerdotes gemem, suas virgens estão aflitas, e ela sofre amargamente.

1:5 Seus adversários se tornaram seus senhores, e seus inimigos prosperam, pois o SENHOR a afligiu por suas muitas rebeliões.
   Seus pequenos foram para o cativeiro diante do adversário.

1:6 Todo o esplendor se foi da filha de Sião.
   Seus governantes se tornaram como cervos que não encontram pasto e caminham sem forças diante do perseguidor.

1:7 Nos dias de sua aflição e de seu desabrigo, Jerusalém se lembra de todas as coisas preciosas que tinha desde os tempos antigos.
   Quando seu povo caiu nas mãos do adversário, ninguém a ajudou.
   Seus adversários a viram e zombaram de sua ruína.

1:8 Jerusalém pecou gravemente;
   por isso se tornou impura.
   Todos os que a honravam a desprezam, pois viram sua nudez.
   Ela mesma geme e se volta para trás.

1:9 Sua impureza está em suas saias;
   ela não pensou em seu fim.
   Caiu de modo espantoso, e não há quem a console.
   “Vê, SENHOR, minha aflição, pois o inimigo se engrandeceu!”

1:10 O adversário estendeu sua mão sobre todas as coisas preciosas dela.
   Ela viu as nações entrarem em seu santuário, aquelas às quais ordenaste que não entrassem em tua assembleia.

1:11 Todo o seu povo geme, procurando pão.
   Trocaram suas coisas preciosas por alimento para se manterem vivos.
   “Vê, SENHOR, e olha como me tornei desprezada.

1:12 Isso não comove vocês, todos os que passam pelo caminho?
   Olhem e vejam se há dor como a minha dor, que me foi infligida, com a qual o SENHOR me afligiu no dia de sua ardente ira.

1:13 Do alto enviou fogo que se apoderou de meus ossos.
   Estendeu uma rede aos meus pés e me fez voltar para trás.
   Deixou-me desolada e enferma o dia todo.

1:14 Com sua mão, atou o jugo de minhas rebeliões;
   elas se entrelaçaram e subiram ao meu pescoço.
   Ele abateu minha força.
   O Senhor me entregou nas mãos daqueles a quem não posso resistir.

1:15 O Senhor rejeitou todos os meus valentes no meio de mim.
   Convocou contra mim uma assembleia para esmagar meus jovens.
   O Senhor pisou no lagar a virgem filha de Judá.

1:16 Por essas coisas eu choro;
   meus olhos, meus olhos derramam lágrimas, pois está longe de mim quem me console e restaure minha vida.
   Meus filhos estão desolados, pois o inimigo prevaleceu.”

1:17 Sião estende suas mãos, mas não há quem a console.
   O SENHOR ordenou contra Jacó que os vizinhos fossem seus adversários.
   Jerusalém se tornou impura no meio deles.

1:18 “O SENHOR é justo, pois me rebelei contra sua palavra.
   Ouçam, por favor, todos os povos, e vejam minha dor: minhas virgens e meus jovens foram para o cativeiro.

1:19 Chamei meus amantes, mas eles me enganaram.
   Meus sacerdotes e meus anciãos morreram na cidade, enquanto procuravam alimento para se manterem vivos.

1:20 Vê, SENHOR, como estou angustiada!
   Minhas entranhas se agitam, meu coração se revolve dentro de mim, pois fui muito rebelde.
   Lá fora a espada me deixa sem filhos;
   dentro de casa é como a morte.

1:21 Ouviram que estou gemendo, mas não há quem me console.
   Todos os meus inimigos ouviram minha desgraça e se alegraram, pois tu a fizeste.
   Trouxeste o dia que anunciaste;
   que eles sejam como eu.

1:22 Que toda a maldade deles venha à tua presença.
   Trata-os como me trataste por todas as minhas rebeliões, pois meus gemidos são muitos, e meu coração desfalece.”

Capítulo 2
2:1 Como o Senhor cobriu de nuvem a filha de Sião em sua ira!
   Lançou dos céus à terra o esplendor de Israel e não se lembrou do estrado de seus pés no dia de sua ira.

2:2 O Senhor devorou sem compaixão todas as moradas de Jacó.
   Em seu furor derrubou as fortalezas da filha de Judá e as lançou por terra;
   profanou o reino e seus governantes.

2:3 No ardor de sua ira cortou todo chifre de Israel.
   Retirou sua mão direita diante do inimigo e ardeu em Jacó como uma chama de fogo que devora tudo ao redor.

2:4 Retesou seu arco como um inimigo, firmou sua mão direita como um adversário e matou tudo o que era precioso aos olhos.
   Na tenda da filha de Sião derramou seu furor como fogo.

2:5 O Senhor se tornou como um inimigo: devorou Israel, devorou todos os seus palácios e destruiu suas fortalezas.
   Multiplicou na filha de Judá o lamento e o pranto.

2:6 Destroçou sua cabana como a de um jardim;
   destruiu seu lugar de reunião.
   O SENHOR fez esquecer em Sião a festa solene e o sábado;
   no ardor de sua ira rejeitou com desprezo o rei e o sacerdote.

2:7 O Senhor rejeitou seu altar e repudiou seu santuário.
   Entregou nas mãos do inimigo as muralhas de seus palácios.
   Eles fizeram ressoar gritos na casa do SENHOR como num dia de festa solene.

2:8 O SENHOR decidiu destruir a muralha da filha de Sião.
   Estendeu o cordão de medir e não retirou a mão da destruição.
   Fez lamentar a muralha externa e a muralha;
   juntas desfaleceram.

2:9 Suas portas afundaram na terra;
   ele destruiu e quebrou seus ferrolhos.
   Seu rei e seus governantes estão entre as nações;
   não há lei.
   Seus profetas também não encontram visão da parte do SENHOR.

2:10 Os anciãos da filha de Sião estão sentados no chão, em silêncio.
   Puseram pó sobre a cabeça e vestiram pano de saco.
   As virgens de Jerusalém inclinaram a cabeça até o chão.

2:11 Meus olhos se consomem em lágrimas, minhas entranhas se agitam, meu fígado se derrama pelo chão por causa da ruína da filha de meu povo, enquanto crianças e bebês de peito desfalecem nas praças da cidade.

2:12 Eles dizem a suas mães: “Onde estão o cereal e o vinho?”, enquanto desfalecem como feridos nas praças da cidade e sua vida se derrama no colo de suas mães.

2:13 Que testemunho posso dar a você?
   Com que a compararei, filha de Jerusalém?
   A que a igualarei para consolá-la, virgem filha de Sião?
   Pois sua ruína é grande como o mar.
   Quem poderá curá-la?

2:14 Seus profetas tiveram para você visões falsas e insensatas.
   Não expuseram sua culpa para restaurar seu bem-estar, mas tiveram para você oráculos falsos e enganosos.

2:15 Todos os que passam pelo caminho batem palmas contra você.
   Assobiam e balançam a cabeça diante da filha de Jerusalém: “É esta a cidade que chamavam de ‘perfeição da beleza, alegria de toda a terra’?”

2:16 Todos os seus inimigos abrem a boca contra você, assobiam e rangem os dentes.
   Dizem: “Nós a devoramos!
   Este é o dia que esperávamos!
   Nós o alcançamos, nós o vimos!”

2:17 O SENHOR fez o que planejou;
   cumpriu a palavra que ordenou desde os tempos antigos.
   Derrubou sem compaixão, fez o inimigo se alegrar à sua custa e ergueu o chifre de seus adversários.

2:18 O coração deles clamou ao Senhor.
   Muralha da filha de Sião, deixe correr suas lágrimas como uma torrente, dia e noite.
   Não se dê descanso;
   que a menina de seu olho não pare de chorar.

2:19 Levante-se e clame à noite, no começo das vigílias.
   Derrame seu coração como água diante da presença do Senhor.
   Erga para ele suas mãos pela vida de seus pequenos, que desfalecem de fome nas esquinas de todas as ruas.

2:20 “Vê, SENHOR, e considera a quem trataste assim.
   Hão de as mulheres comer o fruto de suas entranhas, as crianças que criaram com carinho?
   Hão de ser mortos no santuário do Senhor o sacerdote e o profeta?

2:21 Jovens e idosos jazem no chão das ruas;
   minhas virgens e meus jovens caíram à espada.
   Tu mataste no dia de tua ira;
   massacraste sem compaixão.

2:22 Como num dia de festa solene, convocaste meus terrores de todos os lados.
   No dia da ira do SENHOR, não houve quem escapasse ou sobrevivesse.
   Aqueles de quem cuidei e que criei, meu inimigo exterminou.”

Capítulo 3
3:1 Eu sou o homem que viu a aflição sob a vara de seu furor.
3:2 Ele me conduziu e me fez andar nas trevas, e não na luz.
3:3 Contra mim voltou sua mão repetidas vezes, o dia todo.

3:4 Consumiu minha carne e minha pele;
   quebrou meus ossos.
3:5 Construiu um cerco contra mim e me rodeou de fel e fadiga.
3:6 Fez-me morar em lugares escuros, como os que morreram há muito tempo.

3:7 Cercou-me com um muro, e não posso sair;
   tornou pesados meus grilhões.
3:8 Mesmo quando grito e peço socorro, ele fecha o caminho à minha oração.
3:9 Bloqueou meus caminhos com pedras lavradas e tornou tortuosas minhas veredas.

3:10 Ele é para mim um urso à espreita, um leão em esconderijos.
3:11 Desviou-me dos caminhos e me despedaçou;
   deixou-me desolado.
3:12 Retesou seu arco e me pôs como alvo de sua flecha.

3:13 Fez entrar em meus rins as flechas de sua aljava.
3:14 Tornei-me motivo de zombaria para todo o meu povo, sua canção o dia todo.
3:15 Fartou-me de ervas amargas e me saciou com losna.

3:16 Quebrou meus dentes com cascalho e me afundou nas cinzas.
3:17 Minha alma está privada de paz;
   esqueci o que é o bem-estar.
3:18 Então eu disse: “Pereceram minha força e minha esperança no SENHOR.”

3:19 Lembra-te de minha aflição e de meu desabrigo, da losna e do fel.
3:20 Minha alma se lembra sem cessar e se abate dentro de mim.
3:21 Mas isto trago ao coração e, por isso, tenho esperança:

3:22 As misericórdias do SENHOR são a causa de não sermos consumidos, pois suas compaixões não se esgotaram.
3:23 São novas cada manhã;
   grande é tua fidelidade!
3:24 “O SENHOR é minha porção”, diz minha alma, “por isso esperarei nele.”

3:25 O SENHOR é bom para os que esperam nele, para a alma que o busca.
3:26 Bom é esperar em silêncio a salvação do SENHOR.
3:27 Bom é para o homem carregar o jugo em sua juventude.

3:28 Que se sente sozinho e fique em silêncio, pois ele lhe impôs o jugo.
3:29 Que ponha sua boca no pó;
   talvez haja esperança.
3:30 Que ofereça a face a quem o fere e se farte de afrontas.

3:31 Pois o Senhor não rejeitará para sempre.
3:32 Embora aflija, terá compaixão conforme a abundância de seu amor fiel.
3:33 Pois não aflige nem entristece de bom grado os seres humanos.

3:34 Esmagar sob seus pés todos os prisioneiros da terra,
3:35 perverter o direito de um homem diante da face do Altíssimo,
3:36 fraudar uma pessoa em sua causa — o Senhor não vê isso?

3:37 Quem disse algo, e isso aconteceu, sem que o Senhor o tivesse ordenado?
3:38 Não saem da boca do Altíssimo as calamidades e o bem?
3:39 Por que se queixa o ser humano que vive, o homem do castigo de seu pecado?

3:40 Examinemos nossos caminhos, investiguemos e voltemos ao SENHOR.
3:41 Ergamos nosso coração com as mãos a Deus nos céus:
3:42 “Nós pecamos e nos rebelamos;
   tu não perdoaste.

3:43 Tu te cobriste de ira e nos perseguiste;
   mataste sem compaixão.
3:44 Cobriste-te de uma nuvem para que a oração não passasse.
3:45 Fizeste de nós lixo e refugo no meio dos povos.

3:46 Todos os nossos inimigos abriram a boca contra nós.
3:47 Terror e cova vieram sobre nós, desolação e ruína.”
3:48 Meus olhos derramam correntes de água por causa da ruína da filha de meu povo.

3:49 Meus olhos choram sem cessar, sem descanso,
3:50 até que o SENHOR olhe e veja desde os céus.
3:51 O que meus olhos veem aflige minha alma por todas as filhas de minha cidade.

3:52 Meus inimigos me caçaram como a um pássaro, sem motivo.
3:53 Puseram fim à minha vida na cova e atiraram uma pedra contra mim.
3:54 As águas cobriram minha cabeça, e eu disse: “Estou perdido!”

3:55 Invoquei teu nome, SENHOR, das profundezas da cova.
3:56 Ouviste minha voz: “Não feches teu ouvido aos meus suspiros, ao meu grito de socorro.”
3:57 Tu te aproximaste no dia em que te invoquei e disseste: “Não tenha medo!”

3:58 Defendeste, Senhor, as causas de minha alma;
   redimiste minha vida.
3:59 Viste, SENHOR, a injustiça que sofri;
   julga minha causa.
3:60 Viste toda a vingança deles, todas as suas tramas contra mim.

3:61 Ouviste seus insultos, SENHOR, todas as suas tramas contra mim,
3:62 as palavras de meus adversários e suas murmurações contra mim o dia todo.
3:63 Observa-os quando se sentam e quando se levantam;
   eu sou sua canção.

3:64 Retribui-lhes, SENHOR, conforme a obra de suas mãos.
3:65 Dá-lhes dureza de coração;
   caia sobre eles tua maldição!
3:66 Persegue-os em tua ira e extermina-os debaixo dos céus do SENHOR.

Capítulo 4
4:1 Como o ouro perdeu o brilho, como mudou o ouro fino!
   As pedras sagradas estão espalhadas nas esquinas de todas as ruas.

4:2 Os preciosos filhos de Sião, que valiam seu peso em ouro puro, como são considerados vasos de barro, obra das mãos de um oleiro!

4:3 Até os chacais oferecem o peito e amamentam suas crias, mas a filha de meu povo se tornou cruel como as avestruzes no deserto.

4:4 A língua do bebê de peito se pega ao céu da boca por causa da sede.
   As crianças pedem pão, mas ninguém o reparte com elas.

4:5 Os que comiam iguarias estão desolados nas ruas;
   os que foram criados entre tecidos escarlates abraçam montes de lixo.

4:6 O castigo da filha de meu povo foi maior que o de Sodoma, que foi destruída num instante, sem que mãos atuassem contra ela.

4:7 Seus consagrados eram mais puros que a neve, mais brancos que o leite;
   seus corpos eram mais vermelhos que os corais, sua forma era como o lápis-lazúli.

4:8 Agora seu aspecto é mais escuro que o negrume;
   não são reconhecidos nas ruas.
   Sua pele colou-se aos ossos, secou e se tornou como madeira.

4:9 Mais felizes foram os mortos pela espada do que os mortos pela fome, que se consomem, traspassados pela falta dos frutos do campo.

4:10 As mãos de mulheres compassivas cozinharam seus próprios filhos;
   eles lhes serviram de alimento na ruína da filha de meu povo.

4:11 O SENHOR esgotou seu furor e derramou o ardor de sua ira.
   Acendeu em Sião um fogo que consumiu seus alicerces.

4:12 Nem os reis da terra nem qualquer dos habitantes do mundo acreditavam que o adversário e o inimigo entrariam pelas portas de Jerusalém.

4:13 Isso aconteceu por causa dos pecados de seus profetas e das culpas de seus sacerdotes, que derramaram no meio dela o sangue dos justos.

4:14 Vagavam como cegos pelas ruas, manchados de sangue, de modo que ninguém podia tocar em suas roupas.

4:15 “Afastem-se!
   Impuros!”, gritavam a eles.
   “Afastem-se, afastem-se, não toquem!”
   Assim fugiram e vagaram, e entre as nações diziam: “Não voltarão a morar aqui.”

4:16 O rosto do SENHOR os dispersou;
   ele não tornará a olhar para eles.
   Não honraram os sacerdotes nem tiveram compaixão dos anciãos.

4:17 Nossos olhos ainda desfaleciam, esperando em vão nosso socorro.
   De nosso posto de vigilância esperávamos por uma nação que não podia salvar.

4:18 Espreitavam nossos passos, para que não andássemos por nossas praças.
   Nosso fim se aproximava, nossos dias se cumpriram, pois chegou nosso fim.

4:19 Nossos perseguidores eram mais velozes que as águias dos céus.
   Perseguiram-nos pelos montes e nos armaram emboscadas no deserto.

4:20 O fôlego de nossas narinas, o ungido do SENHOR, foi capturado nas covas deles, aquele de quem dizíamos: “À sua sombra viveremos entre as nações.”

4:21 Exulte e alegre-se, filha de Edom, que mora na terra de Uz!
   A taça também chegará a você;
   você se embriagará e ficará nua.

4:22 Seu castigo está consumado, filha de Sião;
   ele não tornará a levá-la para o exílio.
   Castigará sua culpa, filha de Edom, e descobrirá seus pecados.

Capítulo 5
5:1 Lembra-te, SENHOR, do que nos aconteceu;
   olha e vê nossa desonra.
5:2 Nossa herança passou a estranhos, nossas casas a estrangeiros.
5:3 Ficamos órfãos, sem pai;
   nossas mães são como viúvas.
5:4 Pagamos para beber nossa água, e nossa lenha só vem por um preço.
5:5 Nossos perseguidores estão sobre nosso pescoço;
   estamos cansados e não nos dão descanso.
5:6 Nós nos submetemos ao Egito e à Assíria para nos fartarmos de pão.
5:7 Nossos antepassados pecaram e já não existem, mas nós carregamos suas culpas.
5:8 Escravos dominam sobre nós;
   ninguém nos livra de suas mãos.
5:9 Com risco de nossa vida conseguimos nosso pão, por causa da espada do deserto.
5:10 Nossa pele arde como um forno por causa do ardor da fome.
5:11 Violaram as mulheres em Sião e as virgens nas cidades de Judá.
5:12 Os governantes foram pendurados pelas mãos;
   o rosto dos anciãos não foi honrado.
5:13 Os jovens suportam o trabalho de moer, e os meninos tropeçam debaixo da lenha.
5:14 Os anciãos deixaram de se reunir à porta, e os jovens deixaram sua música.
5:15 Cessou a alegria de nosso coração;
   nossa dança se transformou em luto.
5:16 A coroa caiu de nossa cabeça.
   Ai de nós, pois pecamos!
5:17 Por isso nosso coração está abatido;
   por essas coisas nossos olhos se escureceram,
5:18 por causa do monte Sião, que está desolado;
   as raposas andam por ele.

5:19 Tu, SENHOR, estás entronizado para sempre;
   teu trono permanece de geração em geração.
5:20 Por que nos esqueces para sempre e nos abandonas por tanto tempo?
5:21 Faze-nos voltar a ti, SENHOR, e voltaremos.
   Renova nossos dias como antigamente,
5:22 a não ser que nos tenhas rejeitado por completo e te tenhas enfurecido demais contra nós.

EZEQUIEL

Capítulo 1
1:1 No trigésimo ano, no quinto dia do quarto mês, enquanto eu estava entre os exilados junto ao rio Quebar, os céus se abriram, e eu vi visões de Deus.
1:2 No quinto dia do mês, no quinto ano do exílio do rei Joaquim,
1:3 a palavra do SENHOR veio de fato ao sacerdote Ezequiel, filho de Buzi, na terra dos caldeus, junto ao rio Quebar. Ali a mão do SENHOR veio sobre ele.
1:4 Olhei e vi um vento tempestuoso vindo do norte, uma grande nuvem com fogo fulgurante e um brilho ao seu redor. No meio dela, no meio do fogo, havia algo com aspecto de metal reluzente.
1:5 No meio dela havia a semelhança de quatro seres vivos. Este era seu aspecto: tinham forma humana.
1:6 Cada um tinha quatro rostos, e cada um deles tinha quatro asas.
1:7 Suas pernas eram retas, e a planta de seus pés era como o casco de um bezerro. Reluziam como bronze polido.
1:8 Debaixo de suas asas, em seus quatro lados, havia mãos humanas. Os quatro tinham rostos e asas.
1:9 Suas asas se tocavam umas nas outras. Não se viravam ao andar; cada um seguia em frente.
1:10 Quanto à forma de seus rostos, tinham rosto humano. Os quatro tinham rosto de leão à direita e rosto de boi à esquerda, e os quatro tinham rosto de águia.
1:11 Assim eram seus rostos. Suas asas se abriam separadas para cima; cada um tinha duas que se tocavam com as de outro e duas que cobriam seus corpos.
1:12 Cada um seguia em frente. Iam para onde o espírito queria ir; não se viravam ao andar.
1:13 O aspecto dos seres vivos era como brasas de fogo acesas, como o aspecto de tochas. O fogo se movia entre os seres vivos; o fogo resplandecia, e dele saíam relâmpagos.
1:14 Os seres vivos iam e vinham como o clarão do relâmpago.
1:15 Enquanto eu olhava os seres vivos, vi uma roda no chão junto a cada um daqueles seres de quatro rostos.
1:16 O aspecto e a estrutura das rodas eram como o brilho do berilo. As quatro tinham a mesma forma; por seu aspecto e estrutura, pareciam uma roda dentro de outra.
1:17 Ao andar, iam para seus quatro lados, sem se virar.
1:18 Seus aros eram altos e inspiravam temor; os aros das quatro estavam cheios de olhos ao redor.
1:19 Quando os seres vivos andavam, as rodas andavam ao lado deles. Quando os seres vivos se elevavam da terra, as rodas se elevavam.
1:20 Iam para onde o espírito queria ir; ali o espírito queria ir. As rodas se elevavam junto deles, pois o espírito do ser vivo estava nas rodas.
1:21 Quando eles andavam, elas andavam; quando eles paravam, elas paravam. Quando eles se elevavam da terra, as rodas se elevavam junto deles, pois o espírito do ser vivo estava nas rodas.
1:22 Sobre as cabeças dos seres vivos havia algo semelhante a um firmamento, com o brilho do gelo que inspirava temor, estendido acima de suas cabeças.
1:23 Debaixo do firmamento, suas asas se estendiam retas umas em direção às outras. Cada um tinha duas que o cobriam, e cada um tinha duas que cobriam seu corpo.
1:24 Quando andavam, ouvi o som de suas asas como o estrondo de muitas águas, como a voz do Todo-Poderoso, um ruído de tumulto como o som de um exército. Quando paravam, baixavam as asas.
1:25 Ouviu-se uma voz acima do firmamento que estava sobre suas cabeças. Quando paravam, baixavam as asas.
1:26 Acima do firmamento que estava sobre suas cabeças havia algo semelhante a um trono, com aspecto de pedra de lápis-lazúli. Sobre o que parecia um trono, no alto, havia uma figura com aparência humana.
1:27 Do que parecia ser sua cintura para cima, vi algo como metal reluzente, com aspecto de fogo por dentro e ao redor. Do que parecia ser sua cintura para baixo, vi algo com aspecto de fogo, com brilho ao seu redor.
1:28 Como o aspecto do arco-íris que aparece na nuvem num dia de chuva, assim era o brilho ao redor. Esse era o aspecto da semelhança da glória do SENHOR. Quando o vi, caí com o rosto em terra e ouvi uma voz que falava.

Capítulo 2
2:1 Ele me disse: “Filho do homem, fique de pé, e falarei com você.”
2:2 Enquanto ele falava comigo, o Espírito entrou em mim e me pôs de pé, e ouvi aquele que me falava.
2:3 Ele me disse: “Filho do homem, envio você aos filhos de Israel, às nações rebeldes que se rebelaram contra mim. Eles e seus antepassados transgrediram contra mim até este mesmo dia.
2:4 Os filhos a quem envio você têm rosto endurecido e coração obstinado. Você lhes dirá: ‘Assim diz o Senhor DEUS.’
2:5 Quer ouçam, quer deixem de ouvir (pois são uma casa rebelde), saberão que um profeta esteve entre eles.
2:6 Você, filho do homem, não tenha medo deles e não tenha medo de suas palavras, ainda que haja sarças e espinhos ao seu redor e você more entre escorpiões. Não tenha medo de suas palavras nem se aterrorize diante deles, pois são uma casa rebelde.
2:7 Você lhes falará minhas palavras, quer ouçam, quer deixem de ouvir, pois são rebeldes.
2:8 Mas você, filho do homem, ouça o que estou dizendo a você. Não seja rebelde como a casa rebelde. Abra a boca e coma o que estou dando a você.”
2:9 Olhei e vi uma mão estendida para mim, e nela havia um rolo escrito.
2:10 Ele o desenrolou diante de mim. Estava escrito na frente e no verso, e nele estavam escritas lamentações, gemidos e ais.

Capítulo 3
3:1 Ele me disse: “Filho do homem, coma o que encontrar; coma este rolo e vá falar à casa de Israel.”
3:2 Abri minha boca, e ele me deu o rolo para comer.
3:3 Ele me disse: “Filho do homem, alimente seu ventre e encha suas entranhas com este rolo que estou dando a você.” Eu o comi, e em minha boca era doce como mel.
3:4 Ele me disse: “Filho do homem, vá à casa de Israel e fale a eles minhas palavras.
3:5 Pois você não é enviado a um povo de fala obscura e língua difícil, mas à casa de Israel;
3:6 nem a muitos povos de fala obscura e língua difícil, cujas palavras você não entende. Se eu o tivesse enviado a eles, eles ouviriam você.
3:7 Mas a casa de Israel não vai querer ouvir você, pois não quer ouvir a mim. Toda a casa de Israel tem testa obstinada e coração duro.
3:8 Fiz seu rosto firme diante do rosto deles e sua testa dura diante da testa deles.
3:9 Fiz sua testa como uma pedra dura, mais resistente que a pederneira. Não tenha medo deles nem se aterrorize diante deles, pois são uma casa rebelde.”
3:10 Ele também me disse: “Filho do homem, acolha em seu coração todas as minhas palavras que eu falar a você e ouça-as com seus ouvidos.
3:11 Vá aos exilados, aos filhos de seu povo. Fale a eles e lhes diga: ‘Assim diz o Senhor DEUS’, quer ouçam, quer deixem de ouvir.”
3:12 Então o Espírito me levantou, e ouvi atrás de mim um grande estrondo: “Bendita seja a glória do SENHOR desde seu lugar!”
3:13 Ouvi o som das asas dos seres vivos ao se tocarem umas nas outras, o som das rodas junto deles e um grande estrondo.
3:14 O Espírito me levantou e me levou. Fui amargurado, no ardor de meu espírito, e a mão do SENHOR era forte sobre mim.
3:15 Cheguei aos exilados de Tel-Abibe, que moravam junto ao rio Quebar. Ali, onde eles moravam, fiquei sentado sete dias, atônito no meio deles.
3:16 Ao fim de sete dias, a palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
3:17 “Filho do homem, eu o constituí sentinela para a casa de Israel. Você ouvirá a palavra de minha boca e os advertirá de minha parte.
3:18 Quando eu disser ao ímpio: ‘Certamente você morrerá’, se você não o advertir nem falar para avisá-lo de seu caminho perverso, para que viva, esse ímpio morrerá por sua própria culpa; mas de sua mão exigirei o sangue dele.
3:19 Mas, se você advertir o ímpio e ele não voltar de sua impiedade e de seu caminho perverso, ele morrerá por sua própria culpa, mas você terá livrado sua vida.
3:20 Quando um justo se afastar de sua justiça e praticar injustiça, e eu puser diante dele um tropeço, ele morrerá. Por você não o ter advertido, ele morrerá em seu próprio pecado, e os atos de justiça que praticou não serão lembrados; mas de sua mão exigirei o sangue dele.
3:21 Mas, se você advertir o justo para que não peque e ele não pecar, certamente viverá, pois recebeu a advertência, e você terá livrado sua vida.”
3:22 Ali a mão do SENHOR veio sobre mim, e ele me disse: “Levante-se, saia ao vale, e ali falarei com você.”
3:23 Levantei-me e saí ao vale. Ali estava a glória do SENHOR, como a glória que eu havia visto junto ao rio Quebar, e caí com o rosto em terra.
3:24 Então o Espírito entrou em mim e me pôs de pé. Falou comigo e me disse: “Entre e se feche dentro de sua casa.
3:25 Quanto a você, filho do homem, eles porão cordas sobre você e o amarrarão com elas. Você não sairá para o meio deles.
3:26 Farei sua língua se pegar ao céu da boca, e você ficará mudo e não será para eles um homem que os repreenda, pois são uma casa rebelde.
3:27 Mas, quando eu falar com você, abrirei sua boca, e você lhes dirá: ‘Assim diz o Senhor DEUS.’ Quem ouvir, ouça; quem deixar de ouvir, deixe, pois são uma casa rebelde.”

Capítulo 4
4:1 “Você, filho do homem, pegue um tijolo, coloque-o diante de você e grave nele uma cidade: Jerusalém.
4:2 Ponha-a sob cerco: construa contra ela um muro de cerco, levante uma rampa, estabeleça acampamentos e coloque aríetes ao seu redor.
4:3 Pegue também uma assadeira de ferro e coloque-a como muro de ferro entre você e a cidade. Volte seu rosto para ela; ela ficará cercada, e você a cercará. Isso será um sinal para a casa de Israel.
4:4 Deite-se sobre seu lado esquerdo e ponha sobre ele a culpa da casa de Israel. Você carregará a culpa deles durante o número de dias em que ficar deitado sobre esse lado.
4:5 Fixei para você um número de dias pelos anos de culpa deles: trezentos e noventa dias. Assim você carregará a culpa da casa de Israel.
4:6 Quando os completar, deite-se novamente, sobre seu lado direito, e carregue a culpa da casa de Judá durante quarenta dias. Dei a você um dia por ano, um dia por ano.
4:7 Volte seu rosto para o cerco de Jerusalém e profetize contra ela com o braço descoberto.
4:8 Vou pôr cordas sobre você, e você não se virará de um lado para o outro até completar os dias de seu cerco.
4:9 Pegue trigo, cevada, favas, lentilhas, painço e espelta, coloque-os num só recipiente e faça pão com eles. Você o comerá durante os dias em que ficar deitado sobre seu lado: trezentos e noventa dias.
4:10 O alimento que você comer pesará cerca de 228 gramas por dia; você o comerá de tempo em tempo.
4:11 Você beberá água por medida: cerca de 0,6 litro. Você a beberá de tempo em tempo.
4:12 Você o comerá como um bolo de cevada e o assará à vista deles sobre um fogo de excrementos humanos.”
4:13 O SENHOR disse: “Assim os filhos de Israel comerão seu pão impuro entre as nações para onde eu os expulsarei.”
4:14 Eu disse: “Ah, Senhor DEUS! Minha alma nunca foi contaminada. Desde minha juventude até agora não comi animal morto por si mesmo nem despedaçado por uma fera, e carne impura nunca entrou em minha boca.”
4:15 Ele me respondeu: “Veja, concedo a você esterco de gado em lugar de excrementos humanos. Sobre ele você preparará seu pão.”
4:16 Ele também me disse: “Filho do homem, vou cortar o abastecimento de pão em Jerusalém. Comerão pão por peso e com angústia; beberão água por medida e com espanto,
4:17 para que lhes faltem pão e água, fiquem assombrados uns com os outros e definhem por sua culpa.”

Capítulo 5
5:1 “Você, filho do homem, pegue uma espada afiada e use-a como navalha de barbeiro; passe-a sobre sua cabeça e sua barba. Depois pegue uma balança de pesar e divida o cabelo.
5:2 Queime uma terça parte no fogo, no meio da cidade, quando se completarem os dias do cerco. Pegue outra terça parte e golpeie-a com a espada ao redor da cidade. Espalhe a outra terça parte ao vento, e eu desembainharei a espada atrás deles.
5:3 Pegue dali alguns poucos cabelos e amarre-os nas bordas de sua veste.
5:4 Desses, pegue ainda alguns, lance-os no meio do fogo e queime-os no fogo. Dali sairá fogo contra toda a casa de Israel.
5:5 Assim diz o Senhor DEUS: Esta é Jerusalém. Eu a coloquei no meio das nações, com países ao seu redor.
5:6 Mas ela se rebelou contra meus juízos com mais maldade que as nações, e contra meus estatutos mais que os países ao seu redor. Pois rejeitaram meus juízos e não andaram nos meus estatutos.
5:7 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Porque vocês são mais rebeldes que as nações ao seu redor, não andaram nos meus estatutos nem cumpriram meus juízos, e nem mesmo procederam segundo os juízos das nações ao seu redor,
5:8 por isso, assim diz o Senhor DEUS: Eu, eu mesmo, estou contra você e executarei juízos em seu meio, à vista das nações.
5:9 Por causa de todas as suas abominações, farei a você o que nunca fiz, e nunca mais farei coisa semelhante.
5:10 Por isso, no meio de você, pais comerão seus filhos e filhos comerão seus pais. Executarei juízos contra você e espalharei tudo o que restar de você a todos os ventos.
5:11 Por isso, tão certo como eu vivo, declara o Senhor DEUS, porque você contaminou meu santuário com todas as suas coisas detestáveis e todas as suas abominações, eu também a reduzirei. Meu olho não terá piedade, e eu também não terei compaixão.
5:12 Uma terça parte de você morrerá de peste e será consumida pela fome em seu meio; outra terça parte cairá à espada ao seu redor; e a outra terça parte espalharei a todos os ventos e desembainharei a espada atrás deles.
5:13 Minha ira se esgotará, descarregarei meu furor sobre eles e ficarei satisfeito. Quando tiver esgotado meu furor contra eles, saberão que eu, o SENHOR, falei em meu zelo.
5:14 Transformarei você em ruína e em motivo de vergonha entre as nações ao seu redor, à vista de todos os que passarem.
5:15 Ela será motivo de vergonha e zombaria, de advertência e espanto para as nações ao seu redor, quando eu executar juízos contra você com ira, furor e repreensões furiosas. Eu, o SENHOR, falei.
5:16 Quando eu lançar contra eles as terríveis flechas da fome, destinadas à destruição, que enviarei para destruir vocês, aumentarei a fome sobre vocês e lhes cortarei o sustento de pão.
5:17 Enviarei contra vocês fome e feras que deixarão você sem filhos. Peste e sangue passarão por você, e trarei a espada contra você. Eu, o SENHOR, falei.”

Capítulo 6
6:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
6:2 “Filho do homem, volte seu rosto para os montes de Israel e profetize contra eles.
6:3 Diga: Montes de Israel, ouçam a palavra do Senhor DEUS. Assim diz o Senhor DEUS aos montes e às colinas, aos desfiladeiros e aos vales: Eu, eu mesmo, trarei a espada contra vocês e destruirei seus lugares altos.
6:4 Seus altares ficarão devastados, seus altares de incenso serão quebrados, e farei seus mortos caírem diante de seus ídolos.
6:5 Porei os cadáveres dos filhos de Israel diante de seus ídolos e espalharei os ossos de vocês ao redor de seus altares.
6:6 Em todos os lugares onde vocês moram, as cidades ficarão em ruínas e os lugares altos serão devastados, para que seus altares fiquem arruinados e desolados, seus ídolos sejam quebrados e eliminados, seus altares de incenso sejam derrubados e suas obras sejam apagadas.
6:7 Os mortos cairão no meio de vocês, e vocês saberão que eu sou o SENHOR.
6:8 Mas deixarei um remanescente: alguns de vocês escaparão da espada entre as nações, quando forem espalhados pelos países.
6:9 Os sobreviventes dentre vocês se lembrarão de mim entre as nações para onde forem levados cativos: de como fui quebrantado por seu coração adúltero, que se afastou de mim, e por seus olhos, que se prostituíram atrás de seus ídolos. Terão nojo de si mesmos pelos males que fizeram, por todas as suas abominações.
6:10 Saberão que eu sou o SENHOR; não falei em vão quando disse que lhes faria esta calamidade.
6:11 Assim diz o Senhor DEUS: Bata palmas, bata o pé e diga: Ah, por todas as abominações perversas da casa de Israel! Pois cairão pela espada, pela fome e pela peste.
6:12 Quem estiver longe morrerá de peste; quem estiver perto cairá à espada; e quem restar e estiver cercado morrerá de fome. Assim esgotarei meu furor contra eles.
6:13 Vocês saberão que eu sou o SENHOR quando os mortos deles estiverem entre seus ídolos, ao redor de seus altares, em toda colina elevada, em todos os cumes dos montes, debaixo de toda árvore verdejante e de todo carvalho frondoso, nos lugares onde ofereciam aroma agradável a todos os seus ídolos.
6:14 Estenderei minha mão contra eles e deixarei a terra desolada e devastada, desde o deserto até Dibla, em todos os lugares onde habitam. Então saberão que eu sou o SENHOR.”

Capítulo 7
7:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
7:2 “Você, filho do homem, assim diz o Senhor DEUS à terra de Israel: O fim! Chegou o fim sobre os quatro cantos da terra!
7:3 Agora o fim está sobre você. Enviarei minha ira contra você, julgarei você segundo seus caminhos e farei recair sobre você todas as suas abominações.
7:4 Meu olho não terá piedade de você, e não terei compaixão. Farei seus caminhos recaírem sobre você, e suas abominações estarão em seu meio. Então vocês saberão que eu sou o SENHOR.
7:5 Assim diz o Senhor DEUS: Uma calamidade, uma só calamidade! Ela está chegando!
7:6 Chegou o fim, chegou o fim! Despertou contra você. Ele está chegando!
7:7 Chegou sua sentença, habitante da terra. Chegou o tempo, está perto o dia: tumulto, e não gritos de alegria nos montes.
7:8 Agora, em breve, derramarei meu furor sobre você e esgotarei minha ira contra você. Julgarei você segundo seus caminhos e farei recair sobre você todas as suas abominações.
7:9 Meu olho não terá piedade, e não terei compaixão. Darei a você a retribuição por seus caminhos, e suas abominações estarão em seu meio. Então vocês saberão que eu, o SENHOR, sou quem fere.
7:10 Veja o dia! Ele está chegando! Saiu a sentença, a vara floresceu e a arrogância brotou.
7:11 A violência se levantou como vara de maldade. Nada restará deles, nem de sua multidão, nem de suas riquezas, nem haverá glória entre eles.
7:12 Chegou o tempo, chegou o dia. Quem compra não se alegre, e quem vende não se lamente, pois a ira está contra toda a sua multidão.
7:13 Quem vende não recuperará o que vendeu, mesmo que continuem vivos, pois a visão contra toda a sua multidão não será revogada. Por causa de sua culpa, ninguém conseguirá preservar a própria vida.
7:14 Tocaram a trombeta e prepararam tudo, mas ninguém sai para a batalha, pois meu furor está contra toda a sua multidão.
7:15 Lá fora está a espada; dentro, a peste e a fome. Quem estiver no campo morrerá à espada; quem estiver na cidade será devorado pela fome e pela peste.
7:16 Os sobreviventes escaparão e estarão nos montes como pombas dos vales, todos gemendo, cada um por sua culpa.
7:17 Todas as mãos ficarão fracas, e todos os joelhos se tornarão água.
7:18 Vestirão panos de saco, e o terror os cobrirá. Em todos os rostos haverá vergonha, e todas as cabeças estarão rapadas.
7:19 Lançarão sua prata nas ruas, e seu ouro se tornará impuro. Nem sua prata nem seu ouro poderão livrá-los no dia do furor do SENHOR. Não saciarão seu apetite nem encherão seu estômago, pois foram motivo de tropeço para sua culpa.
7:20 Fizeram da beleza de seu adorno motivo de orgulho e com ele fizeram as imagens de suas abominações, seus ídolos detestáveis. Por isso o tornei para eles algo impuro.
7:21 Eu o entregarei nas mãos de estrangeiros como presa e aos ímpios da terra como despojo, e eles o profanarão.
7:22 Desviarei deles meu rosto, e profanarão meu lugar oculto. Homens violentos entrarão nele e o profanarão.
7:23 Faça a corrente! Pois a terra está cheia de crimes de sangue, e a cidade está cheia de violência.
7:24 Trarei os piores dentre as nações, que tomarão posse de suas casas. Farei cessar o orgulho dos poderosos, e seus santuários serão profanados.
7:25 A angústia está chegando. Buscarão a paz, mas não haverá nenhuma.
7:26 Virá calamidade após calamidade, e notícia após notícia. Buscarão uma visão do profeta, mas a instrução desaparecerá do sacerdote, e o conselho, dos anciãos.
7:27 O rei se lamentará, o príncipe se vestirá de desolação, e as mãos do povo da terra tremerão. Eu os tratarei segundo seus caminhos e os julgarei segundo seus próprios juízos. Então saberão que eu sou o SENHOR.”

Capítulo 8
8:1 No sexto ano, no quinto dia do sexto mês, eu estava sentado em minha casa, com os anciãos de Judá sentados diante de mim, quando ali a mão do Senhor DEUS caiu sobre mim.
8:2 Olhei e vi uma figura com aparência de fogo. Desde o que pareciam seus quadris para baixo era fogo; dos quadris para cima, tinha aspecto de resplendor, como metal reluzente.
8:3 Ele estendeu algo semelhante a uma mão e me pegou por um tufo de cabelo da cabeça. O Espírito me levantou entre a terra e o céu e me levou a Jerusalém em visões de Deus, à entrada da porta interior voltada para o norte. Ali estava colocada a imagem do ciúme, que provoca ciúme.
8:4 Ali estava a glória do Deus de Israel, como na visão que eu tinha visto na planície.
8:5 Ele me disse: “Filho do homem, levante agora os olhos para o norte.” Levantei os olhos para o norte e vi aquela imagem do ciúme, ao norte da porta do altar, na entrada.
8:6 Ele me disse: “Filho do homem, você vê o que eles fazem, as grandes abominações que a casa de Israel comete aqui para me afastar do meu santuário? Você ainda verá outras grandes abominações.”
8:7 Ele me levou à entrada do pátio. Olhei e vi um buraco na parede.
8:8 Ele me disse: “Filho do homem, cave agora na parede.” Cavei na parede e vi uma entrada.
8:9 Então ele me disse: “Entre e veja as abominações perversas que eles cometem aqui.”
8:10 Entrei e vi toda espécie de representações de répteis e animais detestáveis, e todos os ídolos da casa de Israel, gravados na parede por toda a volta.
8:11 Diante deles estavam em pé setenta homens dentre os anciãos da casa de Israel, com Jazanias, filho de Safã, em seu meio. Cada um tinha um incensário na mão, e subia uma espessa nuvem de incenso.
8:12 Ele me disse: “Filho do homem, você viu o que os anciãos da casa de Israel fazem nas trevas, cada um em suas salas de imagens? Pois dizem: ‘O SENHOR não nos vê; o SENHOR abandonou a terra.’”
8:13 Ele me disse ainda: “Você ainda verá outras grandes abominações que eles cometem.”
8:14 Ele me levou à entrada da porta da casa do SENHOR voltada para o norte. Ali estavam mulheres sentadas, chorando por Tamuz.
8:15 Ele me disse: “Você viu, filho do homem? Você ainda verá abominações maiores que estas.”
8:16 Ele me levou ao pátio interior da casa do SENHOR. À entrada do templo do SENHOR, entre o pórtico e o altar, estavam cerca de vinte e cinco homens, de costas para o templo do SENHOR e com o rosto para o leste. Prostravam-se para o leste diante do sol.
8:17 Ele me disse: “Você viu, filho do homem? É pouca coisa para a casa de Judá cometer as abominações que cometeram aqui? Pois encheram a terra de violência e voltaram a me provocar à ira. Veja como levam o ramo ao próprio nariz!
8:18 Por isso, eu também agirei com furor. Meu olho não terá piedade, e não terei compaixão. Ainda que gritem bem alto aos meus ouvidos, não os ouvirei.”

Capítulo 9
9:1 Então ele gritou aos meus ouvidos em alta voz: “Aproximem-se, encarregados do castigo da cidade, cada um com sua arma destruidora na mão!”
9:2 Vi seis homens que vinham pelo caminho da porta superior voltada para o norte, cada um com sua arma de esmagar na mão. Entre eles estava um homem vestido de linho, com um estojo de escriba à cintura. Entraram e se puseram junto ao altar de bronze.
9:3 A glória do Deus de Israel se elevou de cima do querubim sobre o qual estava até o limiar da casa. Então ele chamou o homem vestido de linho, que tinha o estojo de escriba à cintura.
9:4 O SENHOR lhe disse: “Passe pelo meio da cidade, pelo meio de Jerusalém, e marque com um sinal a testa dos homens que suspiram e gemem por todas as abominações que se cometem no meio dela.”
9:5 Aos outros ele disse, enquanto eu ouvia: “Passem pela cidade atrás dele e firam. Que o olho de vocês não tenha piedade; não tenham compaixão.
9:6 Matem até exterminar idosos, jovens, virgens, crianças e mulheres, mas não se aproximem de ninguém que tenha o sinal. Comecem pelo meu santuário.” E começaram pelos anciãos que estavam diante da casa.
9:7 Ele lhes disse: “Contaminem a casa e encham os pátios de mortos. Saiam!” Eles saíram e foram matando pela cidade.
9:8 Enquanto eles matavam e eu ficava sozinho, caí com o rosto em terra e clamei: “Ah, Senhor DEUS! Destruirás todo o remanescente de Israel ao derramares teu furor sobre Jerusalém?”
9:9 Ele me respondeu: “A culpa da casa de Israel e de Judá é muito, muito grande. A terra está cheia de sangue, e a cidade está cheia de injustiça, pois dizem: ‘O SENHOR abandonou a terra; o SENHOR não vê.’
9:10 Por isso, meu olho também não terá piedade, e não terei compaixão. Farei seus caminhos recaírem sobre a cabeça deles.”
9:11 Então o homem vestido de linho, que tinha o estojo à cintura, trouxe a resposta: “Fiz como me ordenaste.”

Capítulo 10
10:1 Olhei e vi, sobre o firmamento que estava acima das cabeças dos querubins, algo como pedra de lápis-lazúli, com aparência semelhante à de um trono, que apareceu sobre eles.
10:2 Ele falou ao homem vestido de linho e disse: “Entre por entre as rodas, debaixo do querubim; encha as mãos de brasas acesas dentre os querubins e espalhe-as sobre a cidade.” Ele entrou diante dos meus olhos.
10:3 Os querubins estavam à direita da casa quando o homem entrou, e a nuvem enchia o pátio interior.
10:4 A glória do SENHOR se elevou de cima do querubim até o limiar da casa. A casa se encheu da nuvem, e o pátio se encheu do resplendor da glória do SENHOR.
10:5 O som das asas dos querubins se ouvia até o pátio exterior, como a voz do Deus Todo-Poderoso quando fala.
10:6 Quando ele ordenou ao homem vestido de linho: “Pegue fogo dentre as rodas, dentre os querubins”, ele entrou e se pôs junto à roda.
10:7 O querubim estendeu a mão de entre os querubins para o fogo que estava entre eles. Pegou-o e o pôs nas mãos do homem vestido de linho, que o recebeu e saiu.
10:8 Debaixo das asas dos querubins se via algo semelhante a uma mão humana.
10:9 Olhei e vi quatro rodas junto aos querubins: uma roda junto a um querubim e outra roda junto a outro querubim. O aspecto das rodas era como o brilho de uma pedra de berilo.
10:10 As quatro tinham a mesma aparência, como se uma roda estivesse dentro de outra.
10:11 Quando avançavam, iam para seus quatro lados, sem se virar ao avançar. Seguiam para o lugar para onde a cabeça se voltava; não se viravam ao avançar.
10:12 Todo o seu corpo, suas costas, suas mãos, suas asas e as rodas — as rodas dos quatro — estavam cheios de olhos por toda a volta.
10:13 Ouvi as rodas serem chamadas de “Rodas giratórias”.
10:14 Cada um tinha quatro rostos. O primeiro era rosto de querubim; o segundo, rosto humano; o terceiro, rosto de leão; e o quarto, rosto de águia.
10:15 Os querubins se elevaram. Este era o ser vivo que eu tinha visto junto ao rio Quebar.
10:16 Quando os querubins avançavam, as rodas avançavam ao lado deles. Quando os querubins levantavam as asas para se elevarem da terra, as rodas também não se afastavam do lado deles.
10:17 Quando eles paravam, elas paravam; quando eles se elevavam, elas se elevavam com eles, pois o espírito do ser vivo estava nelas.
10:18 A glória do SENHOR saiu de cima do limiar da casa e se pôs sobre os querubins.
10:19 Os querubins levantaram as asas e se elevaram da terra diante dos meus olhos. Ao saírem, as rodas estavam ao lado deles. Pararam à entrada da porta leste da casa do SENHOR, e a glória do Deus de Israel estava acima deles.
10:20 Este era o ser vivo que eu tinha visto debaixo do Deus de Israel, junto ao rio Quebar; então soube que eram querubins.
10:21 Cada um tinha quatro rostos, e cada um tinha quatro asas, com algo semelhante a mãos humanas debaixo das asas.
10:22 A aparência de seus rostos era a dos mesmos rostos que eu tinha visto junto ao rio Quebar. Tinham a mesma aparência e eram os mesmos seres. Cada um avançava diretamente para a frente.

Capítulo 11
11:1 O Espírito me levantou e me levou à porta leste da casa do SENHOR, voltada para o leste. À entrada da porta estavam vinte e cinco homens. Entre eles vi Jazanias, filho de Azur, e Pelatias, filho de Benaías, chefes do povo.
11:2 Ele me disse: “Filho do homem, estes são os homens que tramam maldade e dão maus conselhos nesta cidade.
11:3 Eles dizem: ‘Não está próximo o tempo de construir casas. Esta cidade é a panela, e nós somos a carne.’
11:4 Por isso, profetize contra eles; profetize, filho do homem!”
11:5 O Espírito do SENHOR caiu sobre mim e me disse: “Diga: Assim diz o SENHOR: Foi isso que vocês disseram, casa de Israel. Eu conheço o que sobe ao espírito de vocês.
11:6 Vocês multiplicaram seus mortos nesta cidade e encheram suas ruas de cadáveres.
11:7 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Os mortos que vocês puseram no meio dela são a carne, e ela é a panela. Mas ele tirou vocês do meio dela.
11:8 Vocês temeram a espada, e trarei a espada contra vocês, declara o Senhor DEUS.
11:9 Tirarei vocês do meio dela, entregarei vocês nas mãos de estrangeiros e executarei juízos contra vocês.
11:10 Vocês cairão à espada; na fronteira de Israel eu os julgarei. Então saberão que eu sou o SENHOR.
11:11 Ela não será uma panela para vocês, nem vocês serão a carne dentro dela. Na fronteira de Israel eu os julgarei.
11:12 Vocês saberão que eu sou o SENHOR, pois não andaram nos meus estatutos nem cumpriram meus juízos, mas procederam segundo os juízos das nações ao seu redor.”
11:13 Enquanto eu profetizava, Pelatias, filho de Benaías, morreu. Caí com o rosto em terra e clamei em alta voz: “Ah, Senhor DEUS! Darás fim ao remanescente de Israel?”
11:14 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
11:15 “Filho do homem, seus irmãos, seus irmãos, os homens de sua parentela e toda a casa de Israel, toda ela, são aqueles a quem os habitantes de Jerusalém disseram: ‘Afastem-se do SENHOR; esta terra foi dada a nós como propriedade.’
11:16 Por isso, diga: Assim diz o Senhor DEUS: Embora eu os tenha afastado para entre as nações e espalhado pelos países, tenho sido para eles um pequeno santuário nos países para onde foram.
11:17 Por isso, diga: Assim diz o Senhor DEUS: Reunirei vocês dentre os povos e recolherei vocês dos países por onde foram espalhados, e lhes darei a terra de Israel.
11:18 Eles chegarão ali e removerão dela todas as suas coisas detestáveis e todas as suas abominações.
11:19 Eu lhes darei um só coração e porei um espírito novo dentro de vocês. Tirarei de sua carne o coração de pedra e lhes darei um coração de carne,
11:20 para que andem nos meus estatutos, guardem meus juízos e os cumpram. Eles serão meu povo, e eu serei seu Deus.
11:21 Mas, quanto àqueles cujo coração segue o desejo de suas coisas detestáveis e de suas abominações, farei seu caminho recair sobre a cabeça deles, declara o Senhor DEUS.”
11:22 Os querubins levantaram as asas, com as rodas ao lado deles, e a glória do Deus de Israel estava acima deles.
11:23 A glória do SENHOR se elevou do meio da cidade e se pôs sobre o monte a leste da cidade.
11:24 O Espírito me levantou e me levou à Caldeia, aos exilados, numa visão pelo Espírito de Deus. Então a visão que eu tinha visto se afastou de mim.
11:25 Contei aos exilados todas as palavras do SENHOR que ele me tinha mostrado.

Capítulo 12
12:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
12:2 “Filho do homem, você mora no meio de uma casa rebelde. Eles têm olhos para ver, mas não veem; têm ouvidos para ouvir, mas não ouvem, pois são uma casa rebelde.
12:3 Você, filho do homem, prepare uma bagagem de exilado e saia para o exílio de dia, diante dos olhos deles. Mude de seu lugar para outro lugar diante dos olhos deles. Talvez vejam, embora sejam uma casa rebelde.
12:4 Leve sua bagagem para fora de dia, diante dos olhos deles, como bagagem de exílio. Você sairá ao entardecer, diante dos olhos deles, como saem os exilados.
12:5 Diante dos olhos deles, abra um buraco na parede e leve a bagagem para fora por ele.
12:6 Diante dos olhos deles, carregue-a sobre o ombro e leve-a para fora na escuridão. Cubra o rosto para não ver a terra, pois fiz de você um sinal para a casa de Israel.”
12:7 Fiz como me foi ordenado: levei minha bagagem para fora de dia, como bagagem de exílio; ao entardecer, abri com a mão um buraco na parede. Levei-a para fora na escuridão e a carreguei sobre o ombro, diante dos olhos deles.
12:8 Pela manhã, a palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
12:9 “Filho do homem, a casa de Israel, essa casa rebelde, não perguntou a você: ‘O que você está fazendo?’?
12:10 Diga-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Este pronunciamento diz respeito ao príncipe em Jerusalém e a toda a casa de Israel que está no meio deles.
12:11 Diga: Eu sou um sinal para vocês. Como eu fiz, assim será feito com eles: irão para o exílio, para o cativeiro.
12:12 O príncipe que está no meio deles carregará a bagagem sobre o ombro e sairá na escuridão. Abrirão um buraco na parede para tirá-lo por ele. Cobrirá o rosto para que seus próprios olhos não vejam a terra.
12:13 Estenderei minha rede sobre ele, e será apanhado na minha armadilha. Eu o levarei à Babilônia, à terra dos caldeus, mas ele não a verá, e ali morrerá.
12:14 Espalharei a todos os ventos todos os que estão ao redor dele, seus ajudantes e todas as suas tropas, e desembainharei a espada atrás deles.
12:15 Saberão que eu sou o SENHOR quando eu os dispersar entre as nações e os espalhar pelos países.
12:16 Mas deixarei que alguns poucos deles sobrevivam à espada, à fome e à peste, para que contem todas as suas abominações entre as nações para onde forem. Então saberão que eu sou o SENHOR.”
12:17 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
12:18 “Filho do homem, coma seu pão tremendo e beba sua água com estremecimento e angústia.
12:19 Diga ao povo da terra: Assim diz o Senhor DEUS acerca dos habitantes de Jerusalém na terra de Israel: Comerão seu pão com angústia e beberão sua água com espanto, para que sua terra fique despojada de tudo o que contém, por causa da violência de todos os que nela habitam.
12:20 As cidades habitadas ficarão em ruínas, e a terra ficará desolada. Então vocês saberão que eu sou o SENHOR.”
12:21 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
12:22 “Filho do homem, que provérbio é esse que vocês têm na terra de Israel, dizendo: ‘Os dias se prolongam, e toda visão dá em nada’?
12:23 Por isso, diga-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Porei fim a esse provérbio, e não o repetirão mais em Israel. Diga-lhes, em vez disso: Estão próximos os dias e o cumprimento de toda visão.
12:24 Pois não haverá mais nenhuma visão falsa nem adivinhação bajuladora no meio da casa de Israel.
12:25 Pois eu, o SENHOR, falarei; a palavra que eu falar se cumprirá e não será mais adiada. Nos dias de vocês, casa rebelde, falarei uma palavra e a cumprirei, declara o Senhor DEUS.”
12:26 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
12:27 “Filho do homem, a casa de Israel diz: ‘A visão que ele vê é para daqui a muitos dias, e ele profetiza para tempos distantes.’
12:28 Por isso, diga-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Nenhuma das minhas palavras será mais adiada. A palavra que eu falar se cumprirá, declara o Senhor DEUS.”

Capítulo 13
13:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
13:2 “Filho do homem, profetize contra os profetas de Israel que andam profetizando. Diga aos que profetizam de seu próprio coração: Ouçam a palavra do SENHOR!
13:3 Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos profetas insensatos que seguem seu próprio espírito sem terem visto nada!
13:4 Seus profetas, Israel, têm sido como raposas entre ruínas.
13:5 Vocês não subiram às brechas nem ergueram um muro em torno da casa de Israel para resistir na batalha no dia do SENHOR.
13:6 Veem falsidade e adivinhação mentirosa. Dizem: ‘O SENHOR declara’, embora o SENHOR não os tenha enviado, e esperam que a palavra se cumpra.
13:7 Vocês não tiveram uma visão falsa e não proferiram uma adivinhação mentirosa, quando dizem: ‘O SENHOR declara’, embora eu não tenha falado?
13:8 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Porque vocês falaram falsidade e viram mentira, por isso estou contra vocês, declara o Senhor DEUS.
13:9 Minha mão estará contra os profetas que veem falsidade e adivinham mentira. Não estarão no conselho do meu povo, não serão inscritos no registro da casa de Israel nem entrarão na terra de Israel. Então vocês saberão que eu sou o Senhor DEUS.
13:10 Porque, sim, porque desviaram meu povo, dizendo: ‘Paz!’, quando não há paz. Um constrói um muro, e eles o cobrem com reboco sem liga.
13:11 Diga aos que o cobrem com reboco sem liga que ele cairá. Virá uma chuva torrencial; vocês, pedras de granizo, cairão, e um vento de tempestade o rasgará.
13:12 Quando o muro cair, não perguntarão a vocês: ‘Onde está o reboco com que o cobriram?’?
13:13 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Desencadearei um vento de tempestade no meu furor; haverá chuva torrencial na minha ira e pedras de granizo no meu furor, para destruir.
13:14 Derrubarei o muro que vocês cobriram com reboco sem liga e o lançarei por terra, deixando seu alicerce exposto. Ele cairá, e vocês perecerão no meio dele. Então saberão que eu sou o SENHOR.
13:15 Esgotarei meu furor contra o muro e contra os que o cobrem com reboco sem liga. Direi a vocês: Já não existe o muro nem os que o cobriram,
13:16 os profetas de Israel que profetizam acerca de Jerusalém e veem para ela uma visão de paz, quando não há paz, declara o Senhor DEUS.
13:17 Você, filho do homem, volte seu rosto contra as filhas de seu povo que profetizam de seu próprio coração. Profetize contra elas
13:18 e diga: Assim diz o Senhor DEUS: Ai das que costuram cintas sobre todas as articulações das minhas mãos e fazem véus para as cabeças de pessoas de toda estatura, a fim de caçar vidas! Vocês caçarão as vidas do meu povo e manterão suas próprias vidas?
13:19 Vocês me profanaram diante do meu povo por punhados de cevada e pedaços de pão, matando pessoas que não deveriam morrer e mantendo com vida as que não deveriam viver, ao mentirem ao meu povo que ouve mentiras.
13:20 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Estou contra suas cintas, com as quais vocês caçam vidas como aves. Eu as arrancarei de seus braços e deixarei livres as vidas, as vidas que vocês caçam como aves.
13:21 Também rasgarei seus véus e livrarei meu povo das mãos de vocês. Não serão mais presa nas mãos de vocês. Então vocês saberão que eu sou o SENHOR.
13:22 Porque vocês entristeceram com mentiras o coração do justo, a quem eu não entristeci, e fortaleceram as mãos do ímpio, impedindo que se desviasse de seu mau caminho e vivesse,
13:23 por isso vocês não terão mais visões falsas nem praticarão adivinhação. Livrarei meu povo das mãos de vocês, e vocês saberão que eu sou o SENHOR.”

Capítulo 14
14:1 Alguns homens dentre os anciãos de Israel vieram a mim e se sentaram diante de mim.
14:2 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
14:3 “Filho do homem, estes homens ergueram seus ídolos em seu coração e puseram diante do rosto aquilo que os faz cair na culpa. Devo permitir que me consultem?
14:4 Por isso, fale com eles e diga: Assim diz o Senhor DEUS: A qualquer homem da casa de Israel que erguer seus ídolos em seu coração, puser diante do rosto aquilo que o faz cair na culpa e vier ao profeta, eu, o SENHOR, responderei, quando ele vier, conforme a multidão de seus ídolos,
14:5 para apanhar a casa de Israel pelo coração, pois todos se afastaram de mim por causa de seus ídolos.
14:6 Por isso, diga à casa de Israel: Assim diz o Senhor DEUS: Voltem e afastem-se de seus ídolos! Desviem o rosto de todas as suas abominações!
14:7 Pois a qualquer homem da casa de Israel ou estrangeiro que resida em Israel, que se afaste de me seguir, erga seus ídolos em seu coração, ponha diante do rosto aquilo que o faz cair na culpa e venha ao profeta para me consultar por meio dele, eu, o SENHOR, responderei pessoalmente.
14:8 Voltarei meu rosto contra esse homem, farei dele um sinal e um motivo de provérbios, e o eliminarei do meio do meu povo. Então vocês saberão que eu sou o SENHOR.
14:9 Se um profeta for enganado e proferir uma palavra, eu, o SENHOR, enganei esse profeta. Estenderei minha mão contra ele e o destruirei do meio do meu povo Israel.
14:10 Eles carregarão sua culpa: a culpa de quem consulta será igual à culpa do profeta,
14:11 para que a casa de Israel não volte a se desviar de mim nem volte a se contaminar com todas as suas rebeliões. Eles serão meu povo, e eu serei seu Deus, declara o Senhor DEUS.”
14:12 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
14:13 “Filho do homem, se uma terra pecar contra mim, agindo com infidelidade, e eu estender minha mão contra ela, cortar seu sustento de pão, enviar fome sobre ela e eliminar dela seres humanos e animais,
14:14 mesmo que estes três homens estivessem no meio dela — Noé, Daniel e Jó —, eles livrariam suas próprias vidas por sua justiça, declara o Senhor DEUS.
14:15 Se eu fizer feras passarem pela terra e a despovoarem, de modo que fique desolada e ninguém passe por ela por causa das feras,
14:16 mesmo que estes três homens estivessem no meio dela, tão certo como eu vivo, declara o Senhor DEUS, não livrariam filhos nem filhas. Somente eles seriam livrados, e a terra ficaria desolada.
14:17 Ou se eu trouxer a espada contra essa terra e disser: ‘Espada, percorra a terra!’, e eliminar dela seres humanos e animais,
14:18 mesmo que estes três homens estivessem no meio dela, tão certo como eu vivo, declara o Senhor DEUS, não livrariam filhos nem filhas. Somente eles seriam livrados.
14:19 Ou se eu enviar peste contra essa terra e derramar sobre ela meu furor com sangue, para eliminar dela seres humanos e animais,
14:20 mesmo que Noé, Daniel e Jó estivessem no meio dela, tão certo como eu vivo, declara o Senhor DEUS, não livrariam filho nem filha. Eles livrariam suas próprias vidas por sua justiça.
14:21 Pois assim diz o Senhor DEUS: Quanto mais quando eu enviar contra Jerusalém meus quatro juízos terríveis — espada, fome, feras e peste — para eliminar dela seres humanos e animais!
14:22 Contudo, restarão nela sobreviventes, filhos e filhas que serão levados para fora. Eles virão a vocês, e vocês verão a conduta e as ações deles. Então serão consolados quanto à calamidade que fiz vir sobre Jerusalém, quanto a tudo o que fiz vir sobre ela.
14:23 Eles consolarão vocês quando vocês virem a conduta e as ações deles. Vocês saberão que não fiz sem motivo tudo o que fiz nela, declara o Senhor DEUS.”

Capítulo 15
15:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
15:2 “Filho do homem, em que a madeira da videira é melhor que qualquer outra madeira, esse ramo que está entre as árvores da floresta?
15:3 Tira-se dela madeira para fazer algum trabalho? Ou se tira dela uma estaca para pendurar algum utensílio?
15:4 Veja, ela é entregue ao fogo como combustível. O fogo consumiu suas duas pontas, e seu meio ficou chamuscado. Servirá para algum trabalho?
15:5 Se, quando estava inteira, não servia para nenhum trabalho, quanto menos servirá depois que o fogo a consumiu e ela ficou chamuscada!
15:6 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Assim como a madeira da videira entre as árvores da floresta, que entreguei ao fogo como combustível, assim entreguei os habitantes de Jerusalém.
15:7 Voltarei meu rosto contra eles. Saíram do fogo, mas o fogo os consumirá. Vocês saberão que eu sou o SENHOR quando eu voltar meu rosto contra eles.
15:8 Deixarei a terra desolada porque agiram com infidelidade, declara o Senhor DEUS.”

Capítulo 16
16:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
16:2 “Filho do homem, faça Jerusalém conhecer suas abominações
16:3 e diga: Assim diz o Senhor DEUS a Jerusalém: Sua origem e seu nascimento vêm da terra dos cananeus. Seu pai era amorreu, e sua mãe, hitita.
16:4 Quanto ao seu nascimento, no dia em que você nasceu não cortaram seu cordão umbilical, não a lavaram com água para limpá-la, não a esfregaram com sal nem a envolveram em faixas.
16:5 Nenhum olho teve piedade de você para fazer alguma dessas coisas por compaixão. Você foi lançada em campo aberto, por desprezo à sua vida, no dia em que nasceu.
16:6 Passei por você e a vi se debatendo em seu sangue. Eu lhe disse: Em seu sangue, viva! Eu lhe disse: Em seu sangue, viva!
16:7 Fiz você se multiplicar como as plantas do campo. Você cresceu, desenvolveu-se e chegou à plenitude da beleza. Seus seios se formaram e seus pelos cresceram, mas você estava nua e descoberta.
16:8 Passei por você e a vi: tinha chegado seu tempo, o tempo do amor. Estendi sobre você a borda do meu manto e cobri sua nudez. Fiz um juramento a você e entrei em aliança com você, declara o Senhor DEUS, e você se tornou minha.
16:9 Eu a banhei com água, lavei o sangue que estava sobre você e a ungi com óleo.
16:10 Eu a vesti com roupas bordadas, calcei seus pés com couro fino, envolvi você em linho fino e a cobri de seda.
16:11 Eu a adornei com joias: pus pulseiras em suas mãos e um colar em seu pescoço.
16:12 Pus uma argola em seu nariz, brincos em suas orelhas e uma bela coroa em sua cabeça.
16:13 Assim você se adornou de ouro e prata, e sua roupa era de linho fino, seda e bordados. Você comia farinha fina, mel e óleo. Tornou-se muito, muito bela e chegou à realeza.
16:14 Sua fama se espalhou entre as nações por sua beleza, pois ela era perfeita graças ao esplendor que eu tinha posto sobre você, declara o Senhor DEUS.
16:15 Mas você confiou em sua beleza e se prostituiu por causa de sua fama. Derramou suas prostituições sobre todo aquele que passava; você era dele.
16:16 Você pegou algumas de suas roupas, fez para si lugares altos de várias cores e se prostituiu sobre eles. Coisas assim nunca tinham acontecido nem voltarão a acontecer.
16:17 Você pegou suas belas joias, feitas do meu ouro e da minha prata que eu lhe tinha dado, fez para si imagens masculinas e se prostituiu com elas.
16:18 Pegou suas roupas bordadas e cobriu as imagens; pôs diante delas meu óleo e meu incenso.
16:19 Também meu pão que eu lhe tinha dado — a farinha fina, o óleo e o mel com que eu a alimentava — você pôs diante delas como aroma agradável. Assim aconteceu, declara o Senhor DEUS.
16:20 Você pegou seus filhos e suas filhas, que tinha dado à luz para mim, e os sacrificou a elas como alimento. Acaso eram pouca coisa suas prostituições,
16:21 para que você degolasse meus filhos e os entregasse a elas como oferta?
16:22 Em todas as suas abominações e prostituições, você não se lembrou dos dias de sua juventude, quando estava nua e descoberta, debatendo-se em seu sangue.
16:23 Depois de toda a sua maldade — ai, ai de você, declara o Senhor DEUS —,
16:24 você construiu para si um santuário e fez para si um lugar elevado em cada praça.
16:25 Em cada cruzamento de caminhos você construiu seu lugar elevado, tornou sua beleza abominável, abriu as pernas a todo aquele que passava e multiplicou suas prostituições.
16:26 Você se prostituiu com os egípcios, seus vizinhos de grandes membros, e multiplicou suas prostituições para me provocar à ira.
16:27 Então estendi minha mão contra você e diminuí sua porção. Eu a entreguei à vontade das que a odeiam, as filhas dos filisteus, que se envergonhavam de sua conduta depravada.
16:28 Você se prostituiu com os assírios porque não estava satisfeita. Prostituiu-se com eles e, mesmo assim, não ficou satisfeita.
16:29 Multiplicou suas prostituições na terra de Canaã até a Caldeia, e nem com isso ficou satisfeita.
16:30 Como seu coração é fraco, declara o Senhor DEUS, ao fazer todas essas coisas, obras de uma prostituta descarada!
16:31 Ao construir seu santuário em cada cruzamento de caminhos e fazer seu lugar elevado em cada praça, você não foi como uma prostituta, pois desprezou a paga.
16:32 Mulher adúltera, que recebe estranhos em lugar do marido!
16:33 A todas as prostitutas dão presentes, mas você dava seus presentes a todos os seus amantes e os subornava para que viessem de toda parte a você, para suas prostituições.
16:34 Em suas prostituições você fez o contrário das outras mulheres: ninguém procurava você como prostituta; você dava a paga, e a você não era dada paga. Você foi o contrário!
16:35 Por isso, prostituta, ouça a palavra do SENHOR.
16:36 Assim diz o Senhor DEUS: Porque sua lascívia foi derramada e sua nudez foi exposta em suas prostituições com seus amantes e com todos os seus ídolos abomináveis, e por causa do sangue de seus filhos que você entregou a eles,
16:37 por isso reunirei todos os seus amantes com quem você se agradou, todos os que você amou, junto com todos os que odiou. Eu os reunirei de toda parte contra você, exporei sua nudez diante deles, e eles verão toda a sua nudez.
16:38 Julgarei você com os juízos que se aplicam às adúlteras e às que derramam sangue. Entregarei você ao derramamento de sangue, com furor e ciúme.
16:39 Entregarei você nas mãos deles. Eles derrubarão seu santuário, destruirão seus lugares elevados, tirarão suas roupas, tomarão suas belas joias e deixarão você nua e descoberta.
16:40 Farão uma multidão subir contra você, apedrejarão você e a despedaçarão com suas espadas.
16:41 Queimarão suas casas com fogo e executarão juízos contra você à vista de muitas mulheres. Porei fim à sua prostituição, e você não dará mais paga.
16:42 Descarregarei meu furor sobre você, e meu ciúme se afastará de você. Eu me aquietarei e não me indignarei mais.
16:43 Porque você não se lembrou dos dias de sua juventude e me irritou com todas essas coisas, eu também farei sua conduta recair sobre sua cabeça, declara o Senhor DEUS. Você não acrescentou depravação a todas as suas abominações?
16:44 Veja, todo aquele que usa provérbios aplicará a você este provérbio: Tal mãe, tal filha.
16:45 Você é filha de sua mãe, que desprezava o marido e os filhos; é irmã de suas irmãs, que desprezavam seus maridos e seus filhos. A mãe de vocês era hitita, e o pai de vocês, amorreu.
16:46 Sua irmã maior é Samaria, que habita com suas filhas à sua esquerda; sua irmã menor é Sodoma, que habita com suas filhas à sua direita.
16:47 Você não apenas andou nos caminhos delas e praticou suas abominações; como se isso fosse muito pouco, corrompeu-se mais que elas em todos os seus caminhos.
16:48 Tão certo como eu vivo, declara o Senhor DEUS, sua irmã Sodoma e suas filhas não fizeram o que você e suas filhas fizeram.
16:49 Esta foi a culpa de sua irmã Sodoma: ela e suas filhas tinham orgulho, fartura de pão e tranquilidade despreocupada, mas não fortaleciam a mão do pobre e do necessitado.
16:50 Elas se tornaram arrogantes e cometeram uma abominação diante de mim; eu as removi quando vi isso.
16:51 Samaria não cometeu nem a metade de seus pecados. Você multiplicou suas abominações mais que elas e fez suas irmãs parecerem justas com todas as abominações que praticou.
16:52 Você também carregue sua humilhação, pois favoreceu a causa de suas irmãs. Por seus pecados, em que agiu de modo mais abominável que elas, elas são mais justas que você. Envergonhe-se você também e carregue sua humilhação, pois fez suas irmãs parecerem justas.
16:53 Restaurarei o bem-estar delas, o bem-estar de Sodoma e de suas filhas, e o bem-estar de Samaria e de suas filhas; restaurarei também seu bem-estar no meio delas,
16:54 para que você carregue sua humilhação e se envergonhe de tudo o que fez, ao lhes servir de consolo.
16:55 Suas irmãs, Sodoma e suas filhas, voltarão ao estado anterior; Samaria e suas filhas voltarão ao estado anterior. Você e suas filhas também voltarão ao estado anterior.
16:56 Sua irmã Sodoma não era mencionada por sua boca nos dias de seu orgulho,
16:57 antes que sua maldade fosse exposta, como agora, no tempo dos insultos das filhas de Aram e de todas as suas vizinhas, das filhas dos filisteus que desprezam você de toda parte.
16:58 Você carrega sua depravação e suas abominações, declara o SENHOR.
16:59 Pois assim diz o Senhor DEUS: Farei com você como você fez, pois desprezou o juramento, quebrando a aliança.
16:60 Mas eu me lembrarei da minha aliança com você nos dias de sua juventude e estabelecerei com você uma aliança eterna.
16:61 Você se lembrará de seus caminhos e se envergonhará quando receber suas irmãs, as maiores e as menores que você. Eu as darei a você como filhas, mas não por causa de sua aliança.
16:62 Eu estabelecerei minha aliança com você, e você saberá que eu sou o SENHOR,
16:63 para que se lembre e se envergonhe, e nunca mais abra a boca por causa de sua humilhação, quando eu lhe perdoar tudo o que você fez, declara o Senhor DEUS.”

Capítulo 17
17:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
17:2 “Filho do homem, proponha um enigma e conte uma parábola à casa de Israel.
17:3 Diga: Assim diz o Senhor DEUS: Uma grande águia, de grandes asas e longas penas, coberta de abundante plumagem de várias cores, veio ao Líbano e pegou a copa do cedro.
17:4 Arrancou a ponta de seus brotos, levou-a a uma terra de negociantes e a colocou numa cidade de mercadores.
17:5 Também pegou uma semente da terra e a colocou num campo de semeadura. Colocou-a junto a muitas águas e a plantou como um salgueiro.
17:6 Ela brotou e se tornou uma videira que se espalhava, de pouca altura, com seus ramos voltados para a águia e suas raízes debaixo dela. Tornou-se uma videira, produziu ramos e lançou brotos.
17:7 Havia outra grande águia, de grandes asas e abundante plumagem. Essa videira voltou suas raízes para ela e estendeu seus ramos em direção a ela, desde os canteiros onde estava plantada, para que a regasse.
17:8 Ela estava plantada num bom campo, junto a muitas águas, para produzir ramos, dar fruto e se tornar uma videira magnífica.
17:9 Diga: Assim diz o Senhor DEUS: Ela prosperará? A águia não lhe arrancará as raízes e cortará seu fruto, para que seque? Todas as folhas de seus brotos secarão. Não será preciso um braço poderoso nem muita gente para arrancá-la pela raiz.
17:10 Ali está plantada: prosperará? Não secará por completo quando o vento leste a atingir? Nos próprios canteiros onde cresceu, ela secará.”
17:11 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
17:12 “Diga agora à casa rebelde: Vocês não sabem o que essas coisas significam? Diga: O rei da Babilônia veio a Jerusalém, pegou seu rei e seus príncipes e os levou consigo à Babilônia.
17:13 Pegou um da descendência real, fez uma aliança com ele e o pôs sob juramento. Também levou os poderosos da terra,
17:14 para que o reino ficasse rebaixado e não se exaltasse, mas pudesse subsistir guardando a aliança dele.
17:15 Mas ele se rebelou contra o rei, enviando seus mensageiros ao Egito para que lhe dessem cavalos e muita gente. Prosperará? Escapará quem faz essas coisas? Quebrará a aliança e escapará?
17:16 Tão certo como eu vivo, declara o Senhor DEUS, ele morrerá na Babilônia, junto ao rei que o fez reinar, cujo juramento desprezou e cuja aliança quebrou.
17:17 Faraó não o ajudará na guerra com um grande exército nem com uma multidão numerosa, quando se levantarem rampas e se construírem obras de cerco para eliminar muitas vidas.
17:18 Ele desprezou o juramento, quebrando a aliança, embora tivesse dado sua mão. Fez todas essas coisas: não escapará.
17:19 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Tão certo como eu vivo, farei recair sobre a cabeça dele meu juramento, que ele desprezou, e minha aliança, que ele quebrou.
17:20 Estenderei minha rede sobre ele, e será apanhado na minha armadilha. Eu o levarei à Babilônia e ali entrarei em juízo com ele pela infidelidade que cometeu contra mim.
17:21 Todos os seus fugitivos, em todas as suas tropas, cairão à espada, e os que restarem serão espalhados a todos os ventos. Então vocês saberão que eu, o SENHOR, falei.
17:22 Assim diz o Senhor DEUS: Eu mesmo tomarei um broto da copa do cedro alto e o plantarei. Da ponta de seus brotos arrancarei um tenro, e eu mesmo o plantarei num monte alto e elevado.
17:23 No alto monte de Israel eu o plantarei. Ele produzirá ramos, dará fruto e se tornará um cedro majestoso. Debaixo dele habitarão todas as aves, tudo o que tem asas; à sombra de seus ramos habitarão.
17:24 Todas as árvores do campo saberão que eu, o SENHOR, rebaixei a árvore alta e elevei a árvore baixa, sequei a árvore verde e fiz florescer a árvore seca. Eu, o SENHOR, falei e o farei.”

Capítulo 18
18:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
18:2 “Por que vocês repetem este provérbio acerca da terra de Israel: ‘Os pais comem uvas verdes, e os dentes dos filhos ficam embotados’?
18:3 Tão certo como eu vivo, declara o Senhor DEUS, vocês não repetirão mais este provérbio em Israel.
18:4 Todas as vidas me pertencem: tanto a vida do pai como a vida do filho são minhas. A pessoa que pecar, essa morrerá.
18:5 Se um homem for justo e praticar o direito e a justiça,
18:6 não comer nos montes nem levantar os olhos para os ídolos da casa de Israel, não desonrar a mulher de seu próximo nem se aproximar de uma mulher durante sua menstruação,
18:7 não oprimir ninguém, devolver ao devedor seu penhor, não roubar, dar seu pão ao faminto e cobrir com roupa quem está nu,
18:8 não emprestar a juros nem cobrar acréscimos, afastar sua mão da injustiça e julgar com verdade entre uma pessoa e outra,
18:9 andar nos meus estatutos e guardar meus juízos para agir com fidelidade, esse homem é justo. Certamente viverá, declara o Senhor DEUS.
18:10 Mas, se ele gerar um filho violento, que derrame sangue e pratique contra um irmão alguma dessas coisas,
18:11 e não cumpra nenhum daqueles deveres, mas coma nos montes e desonre a mulher de seu próximo,
18:12 oprima o pobre e o necessitado, cometa roubos, não devolva o penhor, levante os olhos para os ídolos e pratique abominação,
18:13 empreste a juros e cobre acréscimos, viverá? Não viverá! Praticou todas essas abominações: certamente será morto; seu sangue recairá sobre ele.
18:14 Mas, se este gerar um filho que veja todos os pecados cometidos por seu pai e, vendo-os, não faça o mesmo,
18:15 não coma nos montes nem levante os olhos para os ídolos da casa de Israel, não desonre a mulher de seu próximo,
18:16 não oprima ninguém, não tome nada em penhor nem roube, dê seu pão ao faminto e cubra com roupa quem está nu,
18:17 retire sua mão de oprimir o pobre, não cobre juros nem acréscimos, cumpra meus juízos e ande nos meus estatutos, esse não morrerá pela culpa de seu pai; certamente viverá.
18:18 Seu pai, por ter praticado opressão, roubado seu irmão e feito o que não é bom no meio de seu povo, morrerá por sua própria culpa.
18:19 Mas vocês dizem: ‘Por que o filho não carrega a culpa do pai?’ Porque o filho praticou o direito e a justiça, guardou todos os meus estatutos e os cumpriu: certamente viverá.
18:20 A pessoa que pecar, essa morrerá. O filho não carregará a culpa do pai, nem o pai carregará a culpa do filho. A justiça do justo estará sobre ele, e a maldade do ímpio estará sobre ele.
18:21 Mas, se o ímpio se afastar de todo o pecado que cometeu, guardar todos os meus estatutos e praticar o direito e a justiça, certamente viverá; não morrerá.
18:22 Nenhuma das rebeliões que cometeu será lembrada contra ele. Pela justiça que praticou, viverá.
18:23 O Senhor DEUS declara: Acaso tenho prazer na morte do ímpio? Não tenho prazer em que se afaste de seus caminhos e viva?
18:24 Mas, se o justo se afastar de sua justiça e praticar injustiça, fazendo todas as abominações que o ímpio pratica, viverá? Nenhum dos atos justos que praticou será lembrado. Pela infidelidade que cometeu e pelo pecado com que pecou, por eles morrerá.
18:25 Mas vocês dizem: ‘O caminho do Senhor não é justo.’ Ouçam agora, casa de Israel: Meu caminho não é justo? Não são os caminhos de vocês que não são justos?
18:26 Quando o justo se afasta de sua justiça, pratica injustiça e morre por isso, é pela injustiça que praticou que morre.
18:27 E, quando o ímpio se afasta da maldade que praticou e faz o que é direito e justo, conservará sua vida.
18:28 Porque refletiu e se afastou de todas as rebeliões que cometeu, certamente viverá; não morrerá.
18:29 Mas a casa de Israel diz: ‘O caminho do Senhor não é justo.’ Meus caminhos não são justos, casa de Israel? Não são os caminhos de vocês que não são justos?
18:30 Por isso, julgarei vocês, casa de Israel, cada um segundo seus caminhos, declara o Senhor DEUS. Voltem e afastem-se de todas as suas rebeliões, para que a culpa não faça vocês tropeçarem.
18:31 Lancem para longe de vocês todas as rebeliões com que se rebelaram. Façam para si um coração novo e um espírito novo. Por que vocês morreriam, casa de Israel?
18:32 Pois não tenho prazer na morte de quem morre, declara o Senhor DEUS. Voltem e vivam!”

Capítulo 19
19:1 “Você, entoe um lamento pelos príncipes de Israel
19:2 e diga: Que era sua mãe?
   Uma leoa.
   Ela se deitava entre leões;
   no meio de leões jovens criava seus filhotes.
19:3 Ela criou um de seus filhotes, que se tornou um leão jovem.
   Aprendeu a despedaçar a presa e devorou seres humanos.
19:4 As nações ouviram falar dele;
   ele foi apanhado na cova delas, e o levaram com ganchos à terra do Egito.
19:5 Quando ela viu que sua espera era em vão e sua esperança estava perdida, pegou outro de seus filhotes e fez dele um leão jovem.
19:6 Ele andou entre leões e se tornou um leão jovem.
   Aprendeu a despedaçar a presa e devorou seres humanos.
19:7 Conheceu suas viúvas e devastou as cidades deles.
   A terra e tudo o que nela havia ficaram desolados ao som de seu rugido.
19:8 As nações das províncias ao redor se lançaram contra ele e estenderam sobre ele sua rede.
   Ele foi apanhado na cova delas.
19:9 Puseram-no numa jaula, preso com ganchos, e o levaram ao rei da Babilônia.
   Levaram-no a fortalezas, para que sua voz não fosse mais ouvida nos montes de Israel.

19:10 Sua mãe era como uma videira em seu sangue, plantada junto às águas.
   Era frutífera e cheia de ramos por causa das muitas águas.
19:11 Ela tinha ramos fortes para cetros de governantes.
   Sua altura se elevou entre a folhagem espessa, e ela se destacava por sua altura e seus numerosos ramos.
19:12 Mas foi arrancada com furor e lançada por terra.
   O vento leste secou seu fruto;
   seu ramo forte foi quebrado e secou, e o fogo o consumiu.
19:13 Agora ela está plantada no deserto, numa terra seca e sedenta.
19:14 De uma vara de seus ramos saiu fogo que consumiu seu fruto.
   Não restou nela nenhuma vara forte, nenhum cetro para governar.
   Este é um lamento e ficou como lamento.”

Capítulo 20
20:1 No sétimo ano, no décimo dia do quinto mês, alguns homens dentre os anciãos de Israel vieram consultar o SENHOR e se sentaram diante de mim.
20:2 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
20:3 “Filho do homem, fale com os anciãos de Israel e diga-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Vocês vieram me consultar? Tão certo como eu vivo, não permitirei que vocês me consultem, declara o Senhor DEUS.
20:4 Você os julgará? Você os julgará, filho do homem? Faça que conheçam as abominações de seus pais.
20:5 Diga-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: No dia em que escolhi Israel, ergui minha mão diante da descendência da casa de Jacó e me dei a conhecer a eles na terra do Egito. Ergui minha mão diante deles, dizendo: Eu sou o SENHOR, seu Deus.
20:6 Naquele dia ergui minha mão diante deles, para tirá-los da terra do Egito e levá-los a uma terra que eu tinha explorado para eles, onde correm leite e mel, a mais bela de todas as terras.
20:7 Eu lhes disse: Cada um lance fora as coisas detestáveis que estão diante de seus olhos. Não se contaminem com os ídolos do Egito. Eu sou o SENHOR, seu Deus.
20:8 Mas eles se rebelaram contra mim e não quiseram me ouvir. Ninguém lançou fora as coisas detestáveis que estavam diante de seus olhos, nem abandonaram os ídolos do Egito. Então eu disse que derramaria meu furor sobre eles e esgotaria minha ira contra eles no meio da terra do Egito.
20:9 Mas agi por causa do meu nome, para que não fosse profanado diante dos olhos das nações entre as quais estavam, diante de quem eu me tinha dado a conhecer a eles ao tirá-los da terra do Egito.
20:10 Eu os tirei da terra do Egito e os levei ao deserto.
20:11 Dei-lhes meus estatutos e lhes fiz conhecer meus juízos, pelos quais viverá a pessoa que os cumprir.
20:12 Também lhes dei meus sábados como sinal entre mim e eles, para que soubessem que eu sou o SENHOR, que os santifica.
20:13 Mas a casa de Israel se rebelou contra mim no deserto. Não andaram nos meus estatutos e rejeitaram meus juízos, pelos quais viverá a pessoa que os cumprir. Profanaram grandemente meus sábados. Então eu disse que derramaria meu furor sobre eles no deserto para exterminá-los.
20:14 Mas agi por causa do meu nome, para que não fosse profanado diante dos olhos das nações à vista das quais eu os tinha tirado.
20:15 Também ergui minha mão diante deles no deserto, para não os levar à terra que eu lhes tinha dado, onde correm leite e mel, a mais bela de todas as terras,
20:16 porque rejeitaram meus juízos, não andaram nos meus estatutos e profanaram meus sábados, pois seu coração seguia seus ídolos.
20:17 Contudo, meu olho teve piedade deles para não os destruir, e não acabei com eles no deserto.
20:18 Disse a seus filhos no deserto: Não andem nos estatutos de seus pais, não guardem seus juízos nem se contaminem com seus ídolos.
20:19 Eu sou o SENHOR, seu Deus. Andem nos meus estatutos, guardem meus juízos e os cumpram.
20:20 Santifiquem meus sábados, e eles serão um sinal entre mim e vocês, para que saibam que eu sou o SENHOR, seu Deus.
20:21 Mas os filhos se rebelaram contra mim. Não andaram nos meus estatutos nem guardaram meus juízos para cumpri-los, pelos quais viverá a pessoa que os cumprir. Profanaram meus sábados. Então eu disse que derramaria meu furor sobre eles para esgotar minha ira contra eles no deserto.
20:22 Mas recolhi minha mão e agi por causa do meu nome, para que não fosse profanado diante dos olhos das nações à vista das quais eu os tinha tirado.
20:23 Também ergui minha mão diante deles no deserto, para dispersá-los entre as nações e espalhá-los pelos países,
20:24 porque não cumpriram meus juízos, rejeitaram meus estatutos e profanaram meus sábados. Seus olhos seguiam os ídolos de seus pais.
20:25 Eu também lhes dei estatutos que não eram bons e juízos pelos quais não viveriam.
20:26 Eu os contaminei com suas ofertas, ao oferecerem todo primogênito do ventre, para deixá-los desolados, para que soubessem que eu sou o SENHOR.
20:27 Por isso, filho do homem, fale à casa de Israel e diga-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Também nisto seus pais me afrontaram, ao agirem com infidelidade contra mim.
20:28 Eu os levei à terra que tinha erguido minha mão para lhes dar. Mas olharam para toda colina elevada e toda árvore frondosa: ali ofereceram seus sacrifícios, ali apresentaram suas ofertas provocadoras, ali puseram seus aromas agradáveis e ali derramaram suas ofertas líquidas.
20:29 Eu lhes disse: Que lugar alto é esse aonde vocês vão? E até o dia de hoje ele é chamado Bamá.
20:30 Por isso, diga à casa de Israel: Assim diz o Senhor DEUS: Vocês se contaminam seguindo o caminho de seus pais e se prostituem atrás de suas coisas detestáveis?
20:31 Ao apresentarem suas ofertas e fazerem seus filhos passar pelo fogo, vocês se contaminam com todos os seus ídolos até o dia de hoje. E eu permitiria que vocês me consultassem, casa de Israel? Tão certo como eu vivo, declara o Senhor DEUS, não permitirei que vocês me consultem.
20:32 O que sobe ao espírito de vocês de modo algum acontecerá, quando dizem: Seremos como as nações, como as famílias dos países, servindo à madeira e à pedra.
20:33 Tão certo como eu vivo, declara o Senhor DEUS, reinarei sobre vocês com mão forte, braço estendido e furor derramado.
20:34 Tirarei vocês dentre os povos e reunirei vocês dos países por onde foram espalhados, com mão forte, braço estendido e furor derramado.
20:35 Levarei vocês ao deserto dos povos e ali entrarei em juízo com vocês, face a face.
20:36 Como entrei em juízo com seus pais no deserto da terra do Egito, assim entrarei em juízo com vocês, declara o Senhor DEUS.
20:37 Farei vocês passarem debaixo da vara e os farei entrar no vínculo da aliança.
20:38 Separarei dentre vocês os rebeldes e os que transgridem contra mim. Eu os tirarei da terra onde residem, mas não entrarão na terra de Israel. Então vocês saberão que eu sou o SENHOR.
20:39 Quanto a vocês, casa de Israel, assim diz o Senhor DEUS: Vão, cada um sirva aos seus ídolos, também de agora em diante, se não me ouvirem. Mas não profanem mais meu santo nome com suas ofertas e seus ídolos.
20:40 Pois no meu santo monte, no alto monte de Israel, declara o Senhor DEUS, ali toda a casa de Israel, toda ela, me servirá na terra. Ali os aceitarei e ali requererei suas ofertas e as primícias de suas dádivas, com todas as suas coisas consagradas.
20:41 Aceitarei vocês como aroma agradável quando eu os tirar dentre os povos e os reunir dos países por onde foram espalhados. Mostrarei minha santidade em vocês diante dos olhos das nações.
20:42 Vocês saberão que eu sou o SENHOR quando eu os levar à terra de Israel, à terra que ergui minha mão para dar a seus pais.
20:43 Ali vocês se lembrarão de seus caminhos e de todas as ações com que se contaminaram. Terão nojo de si mesmos por todas as maldades que praticaram.
20:44 Vocês saberão que eu sou o SENHOR quando eu tratar vocês por causa do meu nome, e não segundo seus maus caminhos e suas ações corruptas, casa de Israel, declara o Senhor DEUS.”
20:45 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
20:46 “Filho do homem, volte o rosto para o sul e proclame sua palavra contra o sul. Profetize contra a floresta da região do Neguebe.
20:47 Diga à floresta do Neguebe: Ouça a palavra do SENHOR. Assim diz o Senhor DEUS: Vou acender em você um fogo que consumirá toda árvore verde e toda árvore seca que houver em você. A chama ardente não se apagará, e nela serão queimados todos os rostos, do sul ao norte.
20:48 Todos os seres humanos verão que eu, o SENHOR, o acendi. Ele não se apagará.”
20:49 Então eu disse: “Ah, Senhor DEUS! Eles dizem de mim: ‘Não é ele um contador de parábolas?’”

Capítulo 21
21:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
21:2 “Filho do homem, volte seu rosto contra Jerusalém, proclame sua palavra contra os santuários e profetize contra a terra de Israel.
21:3 Diga à terra de Israel: Assim diz o SENHOR: Estou contra você. Tirarei minha espada da bainha e eliminarei de você o justo e o ímpio.
21:4 Porque eliminarei de você o justo e o ímpio, minha espada sairá da bainha contra todos os seres humanos, do sul ao norte.
21:5 Todos os seres humanos saberão que eu, o SENHOR, tirei minha espada da bainha. Ela não voltará mais.
21:6 Você, filho do homem, gema com os lombos quebrantados; gema com amargura diante dos olhos deles.
21:7 Quando perguntarem a você: ‘Por que você geme?’, diga: Por causa da notícia que está chegando. Todo coração se derreterá, todas as mãos ficarão fracas, todo espírito desfalecerá e todos os joelhos se tornarão água. Ela está chegando e acontecerá, declara o Senhor DEUS.”
21:8 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
21:9 “Filho do homem, profetize e diga: Assim diz o Senhor. Diga: Uma espada, uma espada, afiada e também polida!
21:10 Foi afiada para a matança e polida para brilhar como relâmpago. Ou vamos nos alegrar? Ela despreza o cetro do meu filho como qualquer madeira.
21:11 Ele a entregou para ser polida, para ser empunhada. A espada foi afiada e polida para ser posta na mão de quem mata.
21:12 Grite e lamente, filho do homem! Pois ela está contra meu povo, contra todos os príncipes de Israel. Eles foram entregues à espada junto com meu povo. Por isso, bata na coxa.
21:13 Pois haverá uma prova. E se até o cetro que ela despreza deixar de existir? Assim declara o Senhor DEUS.
21:14 Você, filho do homem, profetize e bata uma palma na outra. Que a espada se duplique e se triplique! É a espada dos mortos, a espada da grande vítima, que os cerca.
21:15 Para que o coração se derreta e os tropeços se multipliquem, pus em todas as suas portas o terror da espada. Ah, ela foi feita para brilhar como relâmpago, preparada para a matança!
21:16 Concentre-se, vire-se para a direita! Posicione-se, vire-se para a esquerda, para onde seu rosto se dirigir!
21:17 Eu também baterei uma palma na outra e aplacarei meu furor. Eu, o SENHOR, falei.”
21:18 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
21:19 “Você, filho do homem, trace dois caminhos por onde venha a espada do rei da Babilônia. Ambos sairão de uma mesma terra. Faça um sinal; faça-o no começo do caminho para a cidade.
21:20 Trace um caminho para a espada chegar a Rabá dos filhos de Amom e a Judá, contra Jerusalém, a fortificada.
21:21 Pois o rei da Babilônia parou na bifurcação do caminho, no começo dos dois caminhos, para praticar adivinhação. Sacudiu as flechas, consultou os ídolos domésticos e examinou o fígado.
21:22 À sua direita estava a adivinhação: Jerusalém, para colocar aríetes, abrir a boca clamando por matança, levantar a voz em grito de guerra, colocar aríetes contra as portas, erguer rampas e construir obras de cerco.
21:23 A eles isso parecerá uma adivinhação falsa; eles têm juramentos solenes. Mas ele fará lembrar a culpa deles, para que sejam apanhados.
21:24 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Porque vocês fizeram sua culpa ser lembrada, ao serem expostas suas rebeliões e vistos seus pecados em todas as suas ações, porque vocês foram lembrados, serão apanhados pela mão.
21:25 E você, ferido de morte, ímpio príncipe de Israel, cujo dia chegou, o tempo do castigo final,
21:26 assim diz o Senhor DEUS: Tire o turbante e remova a coroa! Isso não será mais o mesmo. Eleve o que é baixo e rebaixe o que é alto!
21:27 Ruína, ruína, ruína! A isso eu a reduzirei. Ela não existirá mais até que venha aquele a quem pertence o direito, e eu a darei a ele.
21:28 Você, filho do homem, profetize e diga: Assim diz o Senhor DEUS acerca dos filhos de Amom e de seus insultos. Diga: Uma espada, uma espada desembainhada para a matança, polida para consumir, para brilhar como relâmpago!
21:29 Enquanto veem falsidade para você e lhe adivinham mentira, você será posta sobre os pescoços dos ímpios feridos de morte, cujo dia chegou, o tempo do castigo final.
21:30 Devolva-a à bainha! No lugar onde você foi criada, na terra de sua origem, julgarei você.
21:31 Derramarei minha indignação sobre você; soprarei contra você com o fogo do meu furor e entregarei você nas mãos de homens brutais, peritos em destruição.
21:32 Você será combustível para o fogo; seu sangue estará no meio da terra. Você não será lembrada, pois eu, o SENHOR, falei.”

Capítulo 22
22:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
22:2 “Você, filho do homem, julgará? Julgará a cidade sanguinária? Faça que ela conheça todas as suas abominações.
22:3 Diga: Assim diz o Senhor DEUS: Cidade que derrama sangue em seu meio, fazendo sua hora chegar, e que faz ídolos para se contaminar!
22:4 Pelo sangue que derramou você se tornou culpada, e pelos ídolos que fez se contaminou. Aproximou seus dias e chegou ao fim de seus anos. Por isso, fiz de você motivo de vergonha para as nações e de zombaria para todos os países.
22:5 As que estão perto e as que estão longe de você zombarão de você, cidade de nome impuro, cheia de tumulto.
22:6 Veja, os príncipes de Israel, cada um segundo seu poder, têm estado em você para derramar sangue.
22:7 Em você desprezaram pai e mãe; em seu meio extorquiram o estrangeiro; em você oprimiram o órfão e a viúva.
22:8 Você desprezou minhas coisas sagradas e profanou meus sábados.
22:9 Em você houve caluniadores para derramar sangue; em você comeram nos montes; em seu meio praticaram depravação.
22:10 Em você descobriram a nudez do pai; em você violentaram a mulher impura por sua menstruação.
22:11 Um cometeu abominação com a mulher de seu próximo; outro contaminou sua nora com depravação; outro, em você, violentou sua irmã, filha de seu pai.
22:12 Em você aceitaram subornos para derramar sangue. Você cobrou juros e acréscimos, obteve ganhos de seus próximos por extorsão e se esqueceu de mim, declara o Senhor DEUS.
22:13 Veja, bati palmas por causa dos ganhos injustos que você obteve e do sangue derramado em seu meio.
22:14 Seu coração resistirá? Suas mãos permanecerão fortes nos dias em que eu agir contra você? Eu, o SENHOR, falei e o farei.
22:15 Espalharei você entre as nações e a dispersarei pelos países. Porei fim à sua impureza.
22:16 Você será profanada em si mesma diante dos olhos das nações e saberá que eu sou o SENHOR.”
22:17 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
22:18 “Filho do homem, a casa de Israel se tornou escória para mim. Todos são cobre, estanho, ferro e chumbo no meio do forno; tornaram-se escória de prata.
22:19 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Porque todos vocês se tornaram escória, por isso vou reunir vocês no meio de Jerusalém.
22:20 Como se reúnem prata, cobre, ferro, chumbo e estanho no meio do forno, para soprar fogo sobre eles e fundi-los, assim reunirei vocês na minha ira e no meu furor. Eu os porei ali e os fundirei.
22:21 Reunirei vocês e soprarei sobre vocês com o fogo do meu furor, e vocês serão fundidos no meio dela.
22:22 Como se funde a prata no meio do forno, assim vocês serão fundidos no meio dela. Então saberão que eu, o SENHOR, derramei meu furor sobre vocês.”
22:23 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
22:24 “Filho do homem, diga-lhe: Você é uma terra que não foi purificada nem recebeu chuva no dia da indignação.
22:25 Há uma conspiração de seus profetas no meio dela, como um leão que ruge e despedaça a presa. Eles devoraram vidas, tomaram riquezas e coisas preciosas, e multiplicaram as viúvas no meio dela.
22:26 Seus sacerdotes violentaram minha lei e profanaram minhas coisas sagradas. Não distinguiram entre o santo e o profano nem ensinaram a distinguir entre o impuro e o puro. Fecharam os olhos aos meus sábados, e eu fui profanado no meio deles.
22:27 Seus príncipes no meio dela são como lobos que despedaçam a presa, derramando sangue e destruindo vidas para obter ganhos injustos.
22:28 Seus profetas os cobriram com reboco sem liga, tendo visões falsas e adivinhando mentiras para eles. Dizem: ‘Assim diz o Senhor DEUS’, embora o SENHOR não tenha falado.
22:29 O povo da terra praticou extorsão e cometeu roubos. Oprimiram o pobre e o necessitado e extorquiram o estrangeiro, sem justiça.
22:30 Busquei entre eles um homem que erguesse um muro e se pusesse na brecha diante de mim, a favor da terra, para que eu não a destruísse, mas não o encontrei.
22:31 Por isso, derramei minha indignação sobre eles; com o fogo do meu furor os consumi. Fiz seus caminhos recaírem sobre a cabeça deles, declara o Senhor DEUS.”

Capítulo 23
23:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
23:2 “Filho do homem, havia duas mulheres, filhas de uma mesma mãe.
23:3 Elas se prostituíram no Egito; prostituíram-se em sua juventude. Ali seus peitos foram apertados, e ali apalparam os seios de sua virgindade.
23:4 Seus nomes eram Oolá, a mais velha, e Oolibá, sua irmã. Tornaram-se minhas e deram à luz filhos e filhas. Quanto a seus nomes, Samaria é Oolá, e Jerusalém é Oolibá.
23:5 Oolá se prostituiu quando era minha e se apaixonou por seus amantes, os assírios, seus vizinhos,
23:6 vestidos de azul, governadores e oficiais, todos jovens atraentes, cavaleiros montados em cavalos.
23:7 Ela se entregou à prostituição com eles, todos homens escolhidos da Assíria. Com todos por quem se apaixonou, com todos os seus ídolos, ela se contaminou.
23:8 Não abandonou suas prostituições do Egito, pois se tinham deitado com ela em sua juventude, tinham apalpado os seios de sua virgindade e derramado sobre ela suas prostituições.
23:9 Por isso, eu a entreguei nas mãos de seus amantes, nas mãos dos assírios por quem se tinha apaixonado.
23:10 Eles expuseram sua nudez, levaram seus filhos e suas filhas e a mataram à espada. Ela ficou conhecida entre as mulheres, pois executaram juízos contra ela.
23:11 Sua irmã Oolibá viu isso, mas se corrompeu em sua paixão mais que ela, e suas prostituições superaram as de sua irmã.
23:12 Ela se apaixonou pelos assírios, governadores e oficiais, seus vizinhos, vestidos com esplendor, cavaleiros montados em cavalos, todos jovens atraentes.
23:13 Eu vi que ela se tinha contaminado; as duas seguiam o mesmo caminho.
23:14 Mas ela aumentou suas prostituições. Viu homens desenhados na parede, imagens de caldeus pintadas de vermelho vivo,
23:15 com cintos à cintura e amplos turbantes na cabeça, todos com aparência de oficiais, semelhantes aos babilônios, cuja terra natal é a Caldeia.
23:16 Assim que os viu com seus olhos, ela se apaixonou por eles e lhes enviou mensageiros à Caldeia.
23:17 Os babilônios vieram a ela para o leito de amores e a contaminaram com suas prostituições. Ela se contaminou com eles, e depois sua alma se afastou deles com repulsa.
23:18 Ela expôs suas prostituições e descobriu sua nudez. Então minha alma se afastou dela com repulsa, como minha alma se tinha afastado de sua irmã.
23:19 Mas ela multiplicou suas prostituições, lembrando-se dos dias de sua juventude, quando se prostituía na terra do Egito.
23:20 Ela se apaixonou por seus amantes, cujos membros eram como os de jumentos e cuja emissão de sêmen era como a dos cavalos.
23:21 Assim você recordou a depravação de sua juventude, quando os egípcios apalpavam seus seios, os peitos de sua juventude.
23:22 Por isso, Oolibá, assim diz o Senhor DEUS: Vou levantar contra você seus amantes, de quem sua alma se afastou com repulsa, e os trarei contra você de toda parte:
23:23 os babilônios e todos os caldeus, Pecode, Soa e Coa, e com eles todos os assírios, jovens atraentes, todos governadores e oficiais, capitães e homens de renome, todos montados em cavalos.
23:24 Virão contra você com armamentos, carros e rodas, com uma multidão de povos. Cercarão você com grandes escudos, pequenos escudos e capacetes. Entregarei o julgamento a eles, e julgarão você segundo seus juízos.
23:25 Voltarei meu ciúme contra você, e eles a tratarão com furor. Tirarão seu nariz e suas orelhas, e os que restarem de você cairão à espada. Levarão seus filhos e suas filhas, e o que restar de você será consumido pelo fogo.
23:26 Tirarão suas roupas e tomarão suas belas joias.
23:27 Porei fim à sua depravação e à sua prostituição do Egito. Você não levantará mais os olhos para eles nem se lembrará mais do Egito.
23:28 Pois assim diz o Senhor DEUS: Vou entregar você nas mãos dos que você odeia, nas mãos daqueles de quem sua alma se afastou com repulsa.
23:29 Eles tratarão você com ódio, tomarão todo o fruto de seu trabalho e deixarão você nua e descoberta. Serão expostas a nudez de suas prostituições, sua depravação e suas prostituições.
23:30 Essas coisas serão feitas a você porque se prostituiu atrás das nações e se contaminou com seus ídolos.
23:31 Você andou no caminho de sua irmã, e porei a taça dela em sua mão.
23:32 Assim diz o Senhor DEUS: Você beberá a taça de sua irmã, funda e larga. Será motivo de riso e zombaria; ela comporta muito.
23:33 Você se encherá de embriaguez e dor. É a taça de espanto e desolação, a taça de sua irmã Samaria.
23:34 Você a beberá e a esvaziará; roerá seus cacos e rasgará seus próprios peitos, pois eu falei, declara o Senhor DEUS.
23:35 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Porque você se esqueceu de mim e me lançou para trás de suas costas, carregue também sua depravação e suas prostituições.”
23:36 O SENHOR me disse: “Filho do homem, você julgará Oolá e Oolibá? Declare a elas suas abominações.
23:37 Pois cometeram adultério, e há sangue em suas mãos. Cometeram adultério com seus ídolos e até seus filhos, que deram à luz para mim, ofereceram a eles como alimento.
23:38 Também fizeram isto contra mim: contaminaram meu santuário naquele mesmo dia e profanaram meus sábados.
23:39 Ao degolarem seus filhos para seus ídolos, entraram no meu santuário naquele mesmo dia para profaná-lo. Foi isso que fizeram no meio da minha casa.
23:40 Além disso, mandaram buscar homens que viessem de longe. Um mensageiro lhes foi enviado, e eles vieram. Para eles você se banhou, pintou os olhos e se adornou de joias.
23:41 Você se sentou num leito suntuoso, com uma mesa preparada diante dele, sobre a qual pôs meu incenso e meu óleo.
23:42 Nela se ouvia o barulho de uma multidão despreocupada. Com homens da multidão foram trazidos bêbados do deserto, que puseram pulseiras nas mãos das mulheres e belas coroas em suas cabeças.
23:43 Então eu disse acerca da envelhecida em adultérios: Agora se prostituirão com ela, e ela com eles?
23:44 Vieram a ela como se vai a uma prostituta. Assim vieram a Oolá e Oolibá, mulheres depravadas.
23:45 Mas homens justos as julgarão com o juízo das adúlteras e com o juízo das que derramam sangue, pois são adúlteras e há sangue em suas mãos.
23:46 Pois assim diz o Senhor DEUS: Faça uma multidão subir contra elas e entregue-as ao terror e ao saque.
23:47 A multidão as apedrejará e as despedaçará com suas espadas. Matarão seus filhos e suas filhas e queimarão suas casas com fogo.
23:48 Porei fim à depravação na terra, e todas as mulheres receberão advertência e não praticarão a depravação de vocês.
23:49 Farão a depravação de vocês recair sobre vocês, e vocês carregarão os pecados de seus ídolos. Então saberão que eu sou o Senhor DEUS.”

Capítulo 24
24:1 A palavra do SENHOR veio a mim no nono ano, no décimo dia do décimo mês, dizendo:
24:2 “Filho do homem, anote a data deste dia, deste mesmo dia. O rei da Babilônia cercou Jerusalém neste mesmo dia.
24:3 Conte uma parábola à casa rebelde e diga-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Ponha a panela, ponha-a e despeje água nela!
24:4 Reúna nela os pedaços, todos os bons pedaços, perna e espádua; encha-a de ossos escolhidos.
24:5 Pegue o melhor do rebanho e empilhe também os ossos debaixo dela. Faça-a ferver bem, e que seus ossos também cozinhem dentro dela.
24:6 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Ai da cidade sanguinária, da panela que tem ferrugem e da qual a ferrugem não saiu! Esvazie-a pedaço por pedaço, pedaço por pedaço, sem lançar sortes sobre ela.
24:7 Pois seu sangue estava no meio dela. Ela o pôs sobre uma rocha nua; não o derramou na terra para cobri-lo com pó.
24:8 Para despertar o furor e tomar vingança, pus seu sangue sobre uma rocha nua, para que não fosse coberto.
24:9 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Ai da cidade sanguinária! Eu também aumentarei a fogueira.
24:10 Amontoe a lenha, acenda o fogo, cozinhe bem a carne, prepare a mistura de temperos e que se queimem os ossos.
24:11 Depois ponha a panela vazia sobre suas brasas, para que esquente, seu cobre fique vermelho de tão quente, sua impureza se funda dentro dela e sua ferrugem seja consumida.
24:12 Os esforços se esgotaram, mas sua abundante ferrugem não sai dela. Ao fogo com sua ferrugem!
24:13 Na sua impureza há depravação. Porque eu a purifiquei, mas você não ficou pura, você não ficará mais pura de sua impureza até que eu aplaque meu furor contra você.
24:14 Eu, o SENHOR, falei. Isso está chegando, e eu agirei. Não me conterei, não terei piedade nem mudarei de ideia. Segundo seus caminhos e suas ações, julgarão você, declara o Senhor DEUS.”
24:15 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
24:16 “Filho do homem, vou tirar de você, de um golpe, o deleite de seus olhos. Não se lamente nem chore; que suas lágrimas não corram.
24:17 Gema em silêncio; não faça luto pelos mortos. Prenda seu turbante e ponha suas sandálias nos pés. Não cubra o lábio superior nem coma o pão trazido por outros.”
24:18 Falei ao povo pela manhã, e ao entardecer minha esposa morreu. Na manhã seguinte fiz como me foi ordenado.
24:19 O povo me perguntou: “Você não nos dirá o que significam para nós essas coisas que está fazendo?”
24:20 Eu lhes respondi: “A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
24:21 ‘Diga à casa de Israel: Assim diz o Senhor DEUS: Vou profanar meu santuário, orgulho da força de vocês, deleite de seus olhos e objeto do afeto de sua alma. Seus filhos e suas filhas que vocês deixaram para trás cairão à espada.’
24:22 Vocês farão como eu fiz: não cobrirão o lábio superior nem comerão o pão trazido por outros.
24:23 Seus turbantes estarão sobre suas cabeças, e suas sandálias, em seus pés. Vocês não se lamentarão nem chorarão, mas definharão por suas culpas e gemerão uns com os outros.
24:24 ‘Ezequiel será um sinal para vocês. Vocês farão tudo o que ele fez, e, quando isso acontecer, saberão que eu sou o Senhor DEUS.
24:25 E você, filho do homem, não é certo que, no dia em que eu lhes tirar sua fortaleza, a alegria de seu esplendor, o deleite de seus olhos e o anseio de sua alma, seus filhos e suas filhas,
24:26 naquele dia um sobrevivente chegará a você para trazer notícias aos seus ouvidos?
24:27 Naquele dia sua boca se abrirá para falar com o sobrevivente. Você falará e não ficará mais mudo. Será um sinal para eles, e saberão que eu sou o SENHOR.’”

Capítulo 25
25:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
25:2 “Filho do homem, volte seu rosto para os filhos de Amom e profetize contra eles.
25:3 Diga aos filhos de Amom: Ouçam a palavra do Senhor DEUS. Assim diz o Senhor DEUS: Porque você disse ‘Ahá!’ acerca do meu santuário quando foi profanado, da terra de Israel quando ficou desolada e da casa de Judá quando foi para o exílio,
25:4 por isso vou entregar você como propriedade aos filhos do oriente. Estabelecerão em você seus acampamentos e porão em você suas moradas. Eles comerão seus frutos e beberão seu leite.
25:5 Transformarei Rabá em pastagem de camelos, e os filhos de Amom, em lugar de repouso para rebanhos. Então vocês saberão que eu sou o SENHOR.
25:6 Pois assim diz o Senhor DEUS: Porque você bateu palmas, bateu o pé e se alegrou com todo o desprezo de sua alma contra a terra de Israel,
25:7 por isso estendi minha mão contra você. Entregarei você como despojo às nações, eliminarei você dentre os povos e farei você desaparecer dentre os países. Destruirei você, e você saberá que eu sou o SENHOR.
25:8 Assim diz o Senhor DEUS: Porque Moabe e Seir disseram: A casa de Judá é como todas as nações,
25:9 por isso vou abrir o flanco de Moabe desde as cidades, desde suas cidades da fronteira, a glória da terra: Bete-Jesimote, Baal-Meom e Quiriataim,
25:10 aos filhos do oriente, junto com os filhos de Amom. Eu a entregarei como propriedade, para que os filhos de Amom não sejam mais lembrados entre as nações.
25:11 Executarei juízos contra Moabe, e saberão que eu sou o SENHOR.
25:12 Assim diz o Senhor DEUS: Porque Edom agiu vingativamente contra a casa de Judá e se tornaram muito culpados ao se vingarem deles,
25:13 por isso, assim diz o Senhor DEUS: Estenderei minha mão contra Edom e eliminarei de sua terra seres humanos e animais. Eu a deixarei desolada; de Temã até Dedã cairão à espada.
25:14 Porei minha vingança contra Edom nas mãos do meu povo Israel. Eles agirão contra Edom segundo minha ira e meu furor, e conhecerão minha vingança, declara o Senhor DEUS.
25:15 Assim diz o Senhor DEUS: Porque os filisteus agiram com vingança e se vingaram com desprezo na alma, para destruir por uma inimizade perpétua,
25:16 por isso, assim diz o Senhor DEUS: Vou estender minha mão contra os filisteus, eliminar os quereteus e destruir o remanescente da costa do mar.
25:17 Executarei grandes vinganças contra eles com castigos furiosos. Saberão que eu sou o SENHOR quando eu exercer minha vingança contra eles.”

Capítulo 26
26:1 No décimo primeiro ano, no primeiro dia do mês, a palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
26:2 “Filho do homem, porque Tiro disse acerca de Jerusalém: ‘Ahá! Foi quebrada a porta dos povos; ela se voltou para mim. Eu me encherei, pois ela ficou devastada’,
26:3 por isso, assim diz o Senhor DEUS: Estou contra você, Tiro. Farei muitas nações subirem contra você, como o mar faz suas ondas subirem.
26:4 Elas destruirão as muralhas de Tiro e derrubarão suas torres. Varrerei dela seu pó e a transformarei numa rocha nua.
26:5 Ela será um lugar de estender redes no meio do mar, pois eu falei, declara o Senhor DEUS. Será despojo para as nações.
26:6 Suas filhas que estão no campo serão mortas à espada. Então saberão que eu sou o SENHOR.
26:7 Pois assim diz o Senhor DEUS: Vou trazer contra Tiro, do norte, Nabucodonosor, rei da Babilônia, rei de reis, com cavalos, carros, cavaleiros, tropas e muita gente.
26:8 Ele matará à espada suas filhas que estão no campo, levantará obras de cerco contra você, amontoará uma rampa contra você e erguerá um grande escudo contra você.
26:9 Dirigirá o golpe de seu aríete contra suas muralhas e derrubará suas torres com suas espadas.
26:10 A multidão de seus cavalos cobrirá você com o pó deles. Suas muralhas tremerão ao estrondo dos cavaleiros, das rodas e dos carros, quando ele entrar por suas portas, como se entra numa cidade onde foi aberta uma brecha.
26:11 Com os cascos de seus cavalos pisoteará todas as suas ruas. Matará seu povo à espada, e suas fortes colunas cairão por terra.
26:12 Eles saquearão suas riquezas, roubarão suas mercadorias, derrubarão suas muralhas e destruirão suas belas casas. Lançarão suas pedras, suas madeiras e seu pó no meio das águas.
26:13 Porei fim ao barulho de suas canções, e o som de suas liras não será mais ouvido.
26:14 Transformarei você numa rocha nua. Você será um lugar de estender redes e não será mais reconstruída, pois eu, o SENHOR, falei, declara o Senhor DEUS.
26:15 Assim diz o Senhor DEUS a Tiro: Não tremerão as ilhas ao estrondo de sua queda, quando os feridos gemerem e houver matança em seu meio?
26:16 Todos os príncipes do mar descerão de seus tronos, tirarão seus mantos e se despirão de suas roupas bordadas. Vestirão tremores, sentarão no chão, tremerão a cada momento e ficarão horrorizados por você.
26:17 Entoarão um lamento por você e lhe dirão: ‘Como você pereceu, povoada por gente dos mares, cidade celebrada, que era poderosa no mar! Ela e seus habitantes infundiam terror a todos os que nela habitavam.
26:18 Agora as ilhas tremerão no dia de sua queda; as ilhas do mar ficarão apavoradas com sua partida.’
26:19 Pois assim diz o Senhor DEUS: Quando eu fizer de você uma cidade devastada, como as cidades desabitadas, quando eu fizer o abismo subir sobre você e as muitas águas a cobrirem,
26:20 farei você descer com os que descem à cova, ao povo de outrora. Farei você habitar nas profundezas da terra, como as ruínas de outrora, com os que descem à cova, para que não seja habitada. E darei esplendor na terra dos viventes.
26:21 Farei de você um espanto, e você deixará de existir. Embora a procurem, nunca mais será encontrada, declara o Senhor DEUS.”

Capítulo 27
27:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
27:2 “Você, filho do homem, entoe um lamento por Tiro.
27:3 Diga a Tiro, que habita nas entradas do mar e negocia com os povos de muitas ilhas: Assim diz o Senhor DEUS:
 Tiro, você disse: ‘Sou perfeita em beleza.’
27:4 Suas fronteiras estão no coração dos mares;
   seus construtores aperfeiçoaram sua beleza.
27:5 Com ciprestes de Senir fizeram todas as suas tábuas;
   pegaram um cedro do Líbano para fazer seu mastro.
27:6 Com carvalhos de Basã fizeram seus remos.
   Uma companhia de assuritas fez seu convés de marfim vindo das ilhas de Quitim.
27:7 Sua vela era de linho fino bordado do Egito, para servir de estandarte;
   sua cobertura era de azul e púrpura das ilhas de Elisá.
27:8 Os habitantes de Sidom e Arvade eram seus remadores.
   Seus sábios, Tiro, estavam em você;
   eles eram seus pilotos.
27:9 Os anciãos de Gebal e seus sábios estavam em você, consertando suas fendas.
   Todos os navios do mar e seus marinheiros estavam em você para negociar suas mercadorias.
27:10 Pérsia, Lude e Pute estavam no seu exército, eram seus homens de guerra. Penduravam em você escudos e capacetes; eles lhe davam esplendor.
27:11 Os filhos de Arvade e seu exército estavam em suas muralhas por toda a volta, e os gamaditas estavam em suas torres. Penduravam seus escudos em suas muralhas por toda a volta; eles aperfeiçoavam sua beleza.
27:12 Társis negociava com você por causa da abundância de toda a sua riqueza; davam prata, ferro, estanho e chumbo em troca de suas mercadorias.
27:13 Javã, Tubal e Meseque negociavam com você. Davam seres humanos e utensílios de cobre em troca de seus produtos.
27:14 Os da casa de Togarma davam cavalos, corcéis e mulos em troca de suas mercadorias.
27:15 Os filhos de Dedã negociavam com você. Muitas ilhas eram suas clientes; traziam presas de marfim e ébano como pagamento.
27:16 Aram negociava com você por causa da abundância de seus produtos. Davam turquesas, púrpura, bordados, linho fino, corais e rubis em troca de suas mercadorias.
27:17 Judá e a terra de Israel negociavam com você. Davam trigo de Minite, panag, mel, azeite e bálsamo em troca de seus produtos.
27:18 Damasco negociava com você por causa da abundância de seus produtos e de toda a sua riqueza, com vinho de Helbom e lã branca.
27:19 Também Dã e Javã, de Uzal, davam em troca de suas mercadorias ferro trabalhado, cássia e cálamo aromático; estavam entre seus produtos.
27:20 Dedã negociava com você mantas para montaria.
27:21 Arábia e todos os príncipes de Quedar eram seus clientes. Negociavam com você cordeiros, carneiros e bodes; nessas coisas eram seus clientes.
27:22 Os mercadores de Sabá e Raamá negociavam com você. Davam o melhor de todas as especiarias, toda espécie de pedra preciosa e ouro em troca de suas mercadorias.
27:23 Harã, Cane, Éden, os mercadores de Sabá, Assur e Quilmade negociavam com você.
27:24 Negociavam com você roupas luxuosas, mantos azuis e bordados, e tapetes de várias cores, amarrados com cordas e bem presos, entre suas mercadorias.
27:25 Os navios de Társis transportavam seus produtos. Você ficou cheia e muito carregada no coração dos mares.
27:26 Seus remadores levaram você a muitas águas.
   O vento leste despedaçou você no coração dos mares.
27:27 Suas riquezas, suas mercadorias, seus produtos, seus marinheiros, seus pilotos, os que consertam suas fendas, os que negociam seus produtos e todos os seus homens de guerra que estão em você, com toda a multidão que está em seu meio, cairão no coração dos mares no dia de sua queda.
27:28 Ao som dos gritos de seus pilotos, os campos abertos tremerão.
27:29 Todos os que empunham o remo descerão de seus navios.
   Os marinheiros e todos os pilotos do mar ficarão em terra.
27:30 Farão ouvir sua voz por você e gritarão amargamente.
   Lançarão pó sobre a cabeça e se revolverão em cinzas.
27:31 Rasparão a cabeça por você e se vestirão de panos de saco.
   Chorarão por você com amargura de alma, com amargo lamento.
27:32 Em seus gemidos entoarão um lamento por você e lamentarão por você: ‘Quem é como Tiro, reduzida ao silêncio no meio do mar?
27:33 Quando suas mercadorias saíam pelos mares, você saciava muitos povos.
   Com a abundância de suas riquezas e de seus produtos, enriqueceu os reis da terra.
27:34 Agora que você foi despedaçada pelos mares, nas profundezas das águas, seus produtos e toda a sua multidão caíram em seu meio.
27:35 Todos os habitantes das ilhas ficaram horrorizados por você.
   Seus reis tremeram de terror, com o rosto transtornado.
27:36 Os mercadores entre os povos assobiaram por você.
   Você se tornou um espanto e nunca mais existirá.’”

Capítulo 28
28:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
28:2 “Filho do homem, diga ao príncipe de Tiro: Assim diz o Senhor DEUS:
 Porque seu coração se elevou e você disse: ‘Sou um deus;
   estou sentado no trono dos deuses, no coração dos mares’, embora seja um ser humano e não um deus, você pôs seu coração como o coração de um deus.
28:3 Veja, você é mais sábio que Daniel!
   Nenhum segredo lhe é oculto.
28:4 Com sua sabedoria e seu entendimento você adquiriu riquezas e acumulou ouro e prata em seus tesouros.
28:5 Com sua grande sabedoria no comércio, você multiplicou suas riquezas, e seu coração se elevou por causa de suas riquezas.

28:6 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Porque você pôs seu coração como o coração de um deus,
28:7 por isso vou trazer estrangeiros contra você, os cruéis dentre as nações.
   Desembainharão suas espadas contra a beleza de sua sabedoria e profanarão seu esplendor.
28:8 Eles farão você descer à cova, e você morrerá de morte violenta no coração dos mares.
28:9 Você ainda dirá: ‘Sou um deus’, diante de quem o matar?
   Você é um ser humano e não um deus nas mãos dos que o traspassam.
28:10 Você morrerá a morte dos incircuncisos pelas mãos de estrangeiros, pois eu falei, declara o Senhor DEUS.”
28:11 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
28:12 “Filho do homem, entoe um lamento pelo rei de Tiro e diga-lhe: Assim diz o Senhor DEUS:
 Você era o selo da perfeição, cheio de sabedoria e perfeito em beleza.
28:13 Você estava no Éden, jardim de Deus.
   Toda pedra preciosa era sua cobertura: cornalina, topázio e diamante;
   berilo, ônix e jaspe;
   lápis-lazúli, turquesa e esmeralda, e ouro.
   A obra de seus engastes e encaixes estava em você;
   foram preparados no dia em que você foi criado.
28:14 Você era um querubim ungido, protetor, e eu o estabeleci.
   Você estava no monte santo de Deus e andava entre pedras de fogo.
28:15 Você era íntegro em seus caminhos desde o dia em que foi criado, até que se encontrou injustiça em você.
28:16 Com a abundância de seu comércio, encheram seu interior de violência, e você pecou.
   Eu o expulsei, profanado, do monte de Deus e o eliminei, querubim protetor, dentre as pedras de fogo.
28:17 Seu coração se elevou por causa de sua beleza;
   você corrompeu sua sabedoria por causa de seu esplendor.
   Eu o lancei por terra e o pus diante dos reis, para que olhassem para você.
28:18 Com a multidão de suas culpas e a injustiça de seu comércio, você profanou seus santuários.
   Fiz sair fogo de seu interior, e ele o consumiu;
   reduzi você a cinzas sobre a terra, diante dos olhos de todos os que o viam.
28:19 Todos os que o conhecem entre os povos ficaram horrorizados por você.
   Você se tornou um espanto e nunca mais existirá.”
28:20 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
28:21 “Filho do homem, volte seu rosto para Sidom e profetize contra ela.
28:22 Diga: Assim diz o Senhor DEUS: Estou contra você, Sidom, e serei glorificado em seu meio. Saberão que eu sou o SENHOR quando eu executar juízos nela e mostrar nela minha santidade.
28:23 Enviarei peste sobre ela e sangue às suas ruas. Cairão mortos em seu meio pela espada que a ataca de todos os lados. Então saberão que eu sou o SENHOR.
28:24 Não haverá mais para a casa de Israel sarça que fira nem espinho que cause dor da parte de todos os que os rodeiam e desprezam. Então saberão que eu sou o Senhor DEUS.
28:25 Assim diz o Senhor DEUS: Quando eu reunir a casa de Israel dentre os povos por onde foram espalhados e mostrar minha santidade neles diante dos olhos das nações, habitarão em sua terra, que dei ao meu servo Jacó.
28:26 Viverão seguros nela, construirão casas e plantarão vinhas. Viverão seguros quando eu executar juízos contra todos os que os desprezam ao seu redor. Então saberão que eu sou o SENHOR, seu Deus.”

Capítulo 29
29:1 No décimo ano, no décimo segundo dia do décimo mês, a palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
29:2 “Filho do homem, volte seu rosto contra Faraó, rei do Egito, e profetize contra ele e contra todo o Egito.
29:3 Fale e diga: Assim diz o Senhor DEUS: Estou contra você, Faraó, rei do Egito, grande monstro que se deita no meio de seus rios e que disse: Meu Nilo é meu, e eu o fiz para mim.
29:4 Porei ganchos em suas mandíbulas e farei os peixes de seus rios se prenderem às suas escamas. Eu o tirarei do meio de seus rios, e todos os peixes de seus rios ficarão presos às suas escamas.
29:5 Eu o abandonarei no deserto, você e todos os peixes de seus rios. Você cairá em campo aberto; não será recolhido nem reunido. Eu o dei como alimento às feras da terra e às aves do céu.
29:6 Todos os habitantes do Egito saberão que eu sou o SENHOR, porque foram um bastão de caniço para a casa de Israel.
29:7 Quando pegaram você com a mão, você se estilhaçou e lhes rasgou todos os ombros. Quando se apoiaram em você, você se quebrou e fez todos os lombos deles se endireitarem.
29:8 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Vou trazer a espada contra você e eliminar de você seres humanos e animais.
29:9 A terra do Egito se tornará desolação e ruína, e saberão que eu sou o SENHOR. Porque ele disse: O Nilo é meu, e eu o fiz,
29:10 por isso estou contra você e contra seus rios. Farei da terra do Egito ruínas, secura e desolação, de Migdol a Sevene, até a fronteira de Cuxe.
29:11 Nenhum pé humano passará por ela, nem pé de animal passará por ela. Não será habitada durante quarenta anos.
29:12 Farei da terra do Egito uma desolação no meio de terras desoladas. Suas cidades, no meio de cidades devastadas, ficarão desoladas durante quarenta anos. Espalharei os egípcios entre as nações e os dispersarei pelos países.
29:13 Pois assim diz o Senhor DEUS: Ao fim de quarenta anos reunirei os egípcios dentre os povos por onde foram espalhados.
29:14 Restaurarei o bem-estar do Egito e os farei voltar à terra de Patros, à terra de sua origem. Ali serão um reino rebaixado.
29:15 Será o mais baixo dos reinos e não se exaltará mais sobre as nações. Eu os diminuirei, para que não dominem as nações.
29:16 Não será mais uma fonte de confiança para a casa de Israel, trazendo à lembrança a culpa de terem se voltado para eles. Então saberão que eu sou o Senhor DEUS.”
29:17 No vigésimo sétimo ano, no primeiro dia do primeiro mês, a palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
29:18 “Filho do homem, Nabucodonosor, rei da Babilônia, fez seu exército realizar um grande trabalho contra Tiro. Todas as cabeças ficaram calvas, e todos os ombros ficaram esfolados. Mas nem ele nem seu exército receberam paga de Tiro pelo trabalho que fizeram contra ela.
29:19 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Vou dar a Nabucodonosor, rei da Babilônia, a terra do Egito. Ele levará suas riquezas, tomará seu despojo e saqueará sua presa. Será a paga de seu exército.
29:20 Como paga pelo trabalho que realizou contra ela, dei-lhe a terra do Egito, porque trabalharam para mim, declara o Senhor DEUS.
29:21 Naquele dia farei brotar um chifre para a casa de Israel e a você concederei abrir a boca no meio deles. Então saberão que eu sou o SENHOR.”

Capítulo 30
30:1 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
30:2 “Filho do homem, profetize e diga: Assim diz o Senhor DEUS: Lamentem: Ai daquele dia!
30:3 Pois está perto o dia, está perto o dia do SENHOR. Será um dia de nuvens, o tempo das nações.
30:4 A espada virá contra o Egito, e haverá angústia em Cuxe quando os mortos caírem no Egito, suas riquezas forem levadas e seus alicerces forem derrubados.
30:5 Cuxe, Pute, Lude, toda a população mista, Cube e os filhos da terra da aliança cairão à espada com eles.
30:6 Assim diz o SENHOR: Cairão os que sustentam o Egito, e o orgulho de seu poder será rebaixado. De Migdol a Sevene cairão ali à espada, declara o Senhor DEUS.
30:7 Ficarão desolados no meio de terras desoladas, e suas cidades estarão no meio de cidades devastadas.
30:8 Saberão que eu sou o SENHOR quando eu atear fogo ao Egito e todos os seus ajudantes forem quebrantados.
30:9 Naquele dia sairão da minha presença mensageiros em navios para aterrorizar Cuxe, confiante. Haverá angústia entre eles no dia do Egito, pois ele está chegando.
30:10 Assim diz o Senhor DEUS: Porei fim à multidão do Egito pela mão de Nabucodonosor, rei da Babilônia.
30:11 Ele e seu povo com ele, os cruéis dentre as nações, serão trazidos para destruir a terra. Desembainharão suas espadas contra o Egito e encherão a terra de mortos.
30:12 Secarei os rios e venderei a terra nas mãos de malvados. Deixarei a terra e tudo o que ela contém desolados pela mão de estrangeiros. Eu, o SENHOR, falei.
30:13 Assim diz o Senhor DEUS: Destruirei os ídolos e porei fim às imagens de Mênfis. Não haverá mais príncipe da terra do Egito, e porei temor na terra do Egito.
30:14 Devastarei Patros, atearei fogo a Zoã e executarei juízos contra Tebas.
30:15 Derramarei meu furor sobre Sim, fortaleza do Egito, e eliminarei a multidão de Tebas.
30:16 Atearei fogo ao Egito. Sim se contorcerá de dor, Tebas será aberta por uma brecha, e Mênfis terá inimigos em pleno dia.
30:17 Os jovens de Áven e Pi-Besete cairão à espada, e elas irão para o cativeiro.
30:18 Em Tafnes o dia escurecerá, quando eu quebrar ali os jugos do Egito e nela cessar o orgulho de seu poder. Uma nuvem a cobrirá, e suas filhas irão para o cativeiro.
30:19 Executarei juízos contra o Egito, e saberão que eu sou o SENHOR.”
30:20 No décimo primeiro ano, no sétimo dia do primeiro mês, a palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
30:21 “Filho do homem, quebrei o braço de Faraó, rei do Egito. Veja, ele não foi enfaixado para ser curado nem envolvido com uma faixa para prendê-lo e fortalecê-lo, a fim de empunhar a espada.
30:22 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Estou contra Faraó, rei do Egito. Quebrarei seus braços, o forte e o quebrado, e farei a espada cair de sua mão.
30:23 Espalharei os egípcios entre as nações e os dispersarei pelos países.
30:24 Fortalecerei os braços do rei da Babilônia e porei minha espada em sua mão. Quebrarei os braços de Faraó, e ele gemerá diante dele com gemidos de ferido de morte.
30:25 Fortalecerei os braços do rei da Babilônia, mas os braços de Faraó cairão. Saberão que eu sou o SENHOR quando eu puser minha espada na mão do rei da Babilônia e ele a estender contra a terra do Egito.
30:26 Espalharei os egípcios entre as nações e os dispersarei pelos países. Então saberão que eu sou o SENHOR.”

Capítulo 31
31:1 No décimo primeiro ano, no primeiro dia do terceiro mês, a palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
31:2 “Filho do homem, diga a Faraó, rei do Egito, e à sua multidão:
 A quem você se compara em sua grandeza?
31:3 Veja, a Assíria era um cedro no Líbano, de belos ramos, folhagem espessa que dava sombra e elevada altura.
   Sua copa estava entre a folhagem espessa.
31:4 As águas o fizeram crescer, e o abismo o elevou.
   Seus rios corriam ao redor de sua plantação, e o abismo enviava seus canais a todas as árvores do campo.
31:5 Por isso, sua altura superou a de todas as árvores do campo.
   Seus ramos se multiplicaram e seus galhos se alongaram por causa das muitas águas, enquanto se estendia.
31:6 Em seus ramos aninhavam todas as aves do céu;
   debaixo de seus galhos davam à luz todas as feras do campo, e à sua sombra habitavam todas as numerosas nações.
31:7 Ele era belo em sua grandeza e na extensão de seus ramos, pois sua raiz estava junto a muitas águas.
31:8 Os cedros do jardim de Deus não podiam lhe fazer sombra;
   os ciprestes não se comparavam aos seus ramos, nem os plátanos aos seus galhos.
   Nenhuma árvore do jardim de Deus o igualava em beleza.
31:9 Eu o fiz belo com a abundância de seus ramos.
   Todas as árvores do Éden que estavam no jardim de Deus o invejavam.
31:10 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Porque você se elevou em altura, e ele pôs sua copa entre a folhagem espessa e seu coração se elevou por causa de sua altura,
31:11 eu o entreguei nas mãos do poderoso das nações, que certamente agirá contra ele. Por sua maldade eu o expulsei.
31:12 Estrangeiros, os cruéis dentre as nações, o cortaram e o abandonaram. Seus ramos caíram sobre os montes e em todos os vales; seus galhos se quebraram em todos os leitos de rios da terra. Todos os povos da terra se retiraram de sua sombra e o abandonaram.
31:13 Sobre seu tronco caído habitavam todas as aves do céu, e entre seus ramos estavam todas as feras do campo,
31:14 para que nenhuma árvore junto às águas se exalte por sua altura nem ponha sua copa entre a folhagem espessa, e para que nenhum dos que bebem água confie em sua altura. Pois todos foram entregues à morte, às profundezas da terra, entre os seres humanos, com os que descem à cova.
31:15 Assim diz o Senhor DEUS: No dia em que ele desceu ao Seol, fiz haver luto. Cobri de luto por ele o abismo e retive seus rios; as muitas águas ficaram contidas. Escureci por ele o Líbano, e todas as árvores do campo desfaleceram por ele.
31:16 Com o estrondo de sua queda fiz tremer as nações, quando o fiz descer ao Seol com os que descem à cova. Todas as árvores do Éden, as escolhidas e as melhores do Líbano, todas as que bebem água, foram consoladas nas profundezas da terra.
31:17 Também eles desceram com ele ao Seol, com os mortos à espada, e os que eram seu braço habitavam à sua sombra no meio das nações.
31:18 A quem você se compara assim em glória e grandeza entre as árvores do Éden? Você será feito descer com as árvores do Éden às profundezas da terra. Ficará deitado entre os incircuncisos, com os mortos à espada. Este é Faraó e toda a sua multidão, declara o Senhor DEUS.”

Capítulo 32
32:1 No décimo segundo ano, no primeiro dia do décimo segundo mês, a palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
32:2 “Filho do homem, entoe um lamento por Faraó, rei do Egito, e diga-lhe:
 Você foi comparado a um leão jovem entre as nações, mas é como um monstro nos mares.
   Você irrompia em seus rios, turvava as águas com seus pés e enlameava os rios deles.
32:3 Assim diz o Senhor DEUS: Estenderei minha rede sobre você com uma multidão de muitos povos, e eles tirarão você na minha rede.
32:4 Abandonarei você em terra e o lançarei em campo aberto.
   Farei todas as aves do céu pousarem sobre você e saciarei de você as feras de toda a terra.
32:5 Porei sua carne sobre os montes e encherei os vales com sua corpulência.
32:6 Encharcarei com seu sangue a terra onde você nada, até os montes, e os leitos dos rios se encherão de você.
32:7 Quando você for apagado, cobrirei os céus e escurecerei suas estrelas.
   Cobrirei o sol com uma nuvem, e a lua não dará sua luz.
32:8 Escurecerei sobre você todos os astros brilhantes do céu e porei trevas sobre sua terra, declara o Senhor DEUS.
32:9 Afligirei o coração de muitos povos quando eu levar sua destruição entre as nações, a terras que você não conheceu.
32:10 Farei muitos povos ficarem horrorizados por você, e seus reis tremerão de terror por você quando eu brandir minha espada diante deles.
   Tremerão a cada momento, cada um por sua própria vida, no dia de sua queda.

32:11 Pois assim diz o Senhor DEUS: A espada do rei da Babilônia virá contra você.
32:12 Com as espadas de guerreiros, todos cruéis dentre as nações, farei sua multidão cair.
   Eles devastarão o orgulho do Egito, e toda a sua multidão será destruída.
32:13 Destruirei todo o seu gado junto às muitas águas.
   Nenhum pé humano voltará a turvá-las, nem cascos de animais as turvarão.
32:14 Então farei suas águas se assentarem e seus rios correrem como azeite, declara o Senhor DEUS.
32:15 Quando eu deixar a terra do Egito desolada e ela ficar despojada de tudo o que a enchia, quando eu ferir todos os seus habitantes, saberão que eu sou o SENHOR.
32:16 Este é um lamento, e o entoarão. As filhas das nações o entoarão; pelo Egito e por toda a sua multidão o entoarão, declara o Senhor DEUS.”
32:17 No décimo segundo ano, no décimo quinto dia do mês, a palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
32:18 “Filho do homem, lamente pela multidão do Egito e faça-a descer, ela e as filhas das nações poderosas, às profundezas da terra, com os que descem à cova.
32:19 A quem você supera em beleza?
   Desça e deite-se com os incircuncisos!
32:20 Cairão entre os mortos à espada.
   A espada foi entregue.
   Arrastem-na, a ela e a todas as suas multidões!
32:21 Os mais poderosos dos guerreiros lhe falarão do meio do Seol, com seus ajudantes: ‘Desceram;
   jazem os incircuncisos, mortos à espada.’
32:22 Ali está a Assíria com toda a sua multidão;
   suas sepulturas a rodeiam.
   Todos estão mortos, caídos à espada.
32:23 Suas sepulturas foram postas nas profundezas da cova, e sua multidão está ao redor de seu sepulcro.
   Todos estão mortos, caídos à espada, os que infundiam terror na terra dos viventes.
32:24 Ali está Elão com toda a sua multidão ao redor de seu sepulcro.
   Todos estão mortos, caídos à espada, os que desceram incircuncisos às profundezas da terra.
   Infundiam seu terror na terra dos viventes e carregam sua humilhação com os que descem à cova.
32:25 Puseram-lhe um leito entre os mortos, com toda a sua multidão;
   suas sepulturas o rodeiam.
   Todos são incircuncisos, mortos à espada.
   Porque infundiam seu terror na terra dos viventes, carregam sua humilhação com os que descem à cova.
   Foi posto entre os mortos.
32:26 Ali estão Meseque, Tubal e toda a sua multidão;
   suas sepulturas os rodeiam.
   Todos são incircuncisos, mortos à espada, porque infundiam seu terror na terra dos viventes.
32:27 Não jazerão com os guerreiros caídos dentre os incircuncisos, que desceram ao Seol com suas armas de guerra e puseram suas espadas debaixo de suas cabeças.
   Suas culpas estarão sobre seus ossos, pois o terror dos guerreiros estava na terra dos viventes.
32:28 Você também será quebrantado entre os incircuncisos e jazerá com os mortos à espada.
32:29 Ali está Edom, seus reis e todos os seus príncipes, que, com todo o seu poder, foram postos com os mortos à espada.
   Eles jazerão com os incircuncisos e com os que descem à cova.
32:30 Ali estão todos os príncipes do norte e todos os sidônios, que desceram com os mortos, envergonhados apesar do terror que seu poder causava.
   Jazem incircuncisos com os mortos à espada e carregam sua humilhação com os que descem à cova.
32:31 Faraó os verá e se consolará a respeito de toda a sua multidão: Faraó e todo seu exército, mortos à espada, declara o Senhor DEUS.
32:32 Pois eu pus o terror dele na terra dos viventes;
   Faraó e toda a sua multidão serão postos no meio dos incircuncisos, com os mortos à espada, declara o Senhor DEUS.”

Capítulo 33
33:1 A palavra do SENHOR veio a mim:
33:2 “Filho do homem, fale aos filhos do seu povo e diga-lhes: Se eu trouxer a espada contra uma terra, e o povo dessa terra escolher um homem dentre os seus e o colocar como seu sentinela,
33:3 e ele vir a espada vindo contra a terra, tocar a trombeta e advertir o povo,
33:4 mas alguém ouvir o som da trombeta e não atender à advertência, e a espada vier e o levar, seu sangue recairá sobre sua própria cabeça.
33:5 Ele ouviu o som da trombeta e não atendeu à advertência; seu sangue recairá sobre ele. Mas, se tivesse atendido à advertência, teria salvado sua vida.
33:6 Se, porém, o sentinela vir a espada chegando e não tocar a trombeta, e o povo não for advertido, e a espada vier e levar uma pessoa dentre eles, ela será levada por sua própria culpa, mas do sentinela exigirei o sangue dela.
33:7 Quanto a você, filho do homem, eu o coloquei como sentinela para a casa de Israel. Você ouvirá a palavra da minha boca e os advertirá da minha parte.
33:8 Quando eu disser ao ímpio: ‘Ímpio, certamente você morrerá’, se você não falar para advertir o ímpio a abandonar seu caminho, esse ímpio morrerá por sua culpa, mas de você exigirei o sangue dele.
33:9 Mas, se você advertir o ímpio para que se afaste do seu caminho, e ele não se afastar, morrerá por sua culpa, mas você terá livrado sua própria vida.
33:10 Quanto a você, filho do homem, diga à casa de Israel: Assim vocês têm dito: ‘Nossas transgressões e nossos pecados pesam sobre nós, e por causa deles estamos definhando. Como poderemos viver?’.
33:11 Diga-lhes: Tão certo como eu vivo, declara o Senhor DEUS, não tenho prazer na morte do ímpio, mas em que o ímpio se afaste do seu caminho e viva. Voltem, voltem dos seus maus caminhos! Por que vocês morreriam, ó casa de Israel?
33:12 Quanto a você, filho do homem, diga aos filhos do seu povo: A justiça do justo não o livrará no dia em que ele se rebelar. A maldade do ímpio não o fará cair no dia em que ele se afastar da sua maldade. O justo não poderá viver por sua justiça no dia em que pecar.
33:13 Quando eu disser ao justo que certamente viverá, se ele confiar em sua justiça e praticar injustiça, nenhum dos seus atos de justiça será lembrado. Pela injustiça que praticou, por ela morrerá.
33:14 E, quando eu disser ao ímpio: ‘Certamente você morrerá’, se ele se afastar do seu pecado e praticar o direito e a justiça,
33:15 se esse ímpio devolver o que recebeu como penhor, restituir o que roubou e andar nos estatutos da vida, sem praticar injustiça, certamente viverá; não morrerá.
33:16 Nenhum dos pecados que cometeu será lembrado contra ele. Praticou o direito e a justiça; certamente viverá.
33:17 Mas os filhos do seu povo dizem: ‘O caminho do Senhor não é justo’. É o caminho deles que não é justo.
33:18 Quando o justo se afastar da sua justiça e praticar injustiça, morrerá por isso.
33:19 E, quando o ímpio se afastar da sua maldade e praticar o direito e a justiça, por isso viverá.
33:20 Vocês, porém, dizem: ‘O caminho do Senhor não é justo’. Eu julgarei cada um de vocês conforme os seus caminhos, ó casa de Israel.”
33:21 No décimo segundo ano do nosso exílio, no quinto dia do décimo mês, um sobrevivente de Jerusalém veio a mim e disse: “A cidade caiu!”.
33:22 A mão do SENHOR estivera sobre mim na tarde anterior à chegada do sobrevivente, e ele havia aberto minha boca antes de o homem chegar a mim pela manhã. Minha boca se abriu, e não fiquei mais mudo.
33:23 A palavra do SENHOR veio a mim:
33:24 “Filho do homem, os que habitam estas ruínas na terra de Israel dizem: ‘Abraão era um só e tomou posse da terra. Nós somos muitos; a nós foi dada a terra como propriedade’.
33:25 Por isso, diga-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Vocês comem com sangue, levantam os olhos para os seus ídolos e derramam sangue. E ainda tomarão posse da terra?
33:26 Vocês se apoiam na sua espada, praticam abominações e cada um contamina a mulher do seu próximo. E ainda tomarão posse da terra?
33:27 Assim você lhes dirá: Assim diz o Senhor DEUS: Tão certo como eu vivo, os que estão nas ruínas cairão à espada. Quem estiver em campo aberto, eu o entregarei às feras para ser devorado; e os que estiverem nas fortalezas e nas cavernas morrerão de peste.
33:28 Tornarei a terra uma desolação e uma devastação; cessará o orgulho da sua força. Os montes de Israel ficarão desolados, sem ninguém que passe por eles.
33:29 Saberão que eu sou o SENHOR quando eu tornar a terra uma desolação e uma devastação por todas as abominações que praticaram.
33:30 Quanto a você, filho do homem, os filhos do seu povo conversam sobre você junto aos muros e nas entradas das casas. Falam uns com os outros, cada um com seu irmão, dizendo: ‘Venham, por favor, e ouçam qual é a palavra que vem do SENHOR’.
33:31 Eles vêm a você como o povo costuma vir, e os do meu povo se sentam diante de você. Ouvem suas palavras, mas não as praticam, pois com a boca expressam amor, enquanto o coração deles vai atrás do lucro.
33:32 Para eles, você é como uma canção de amor de alguém que tem bela voz e toca bem um instrumento. Ouvem suas palavras, mas não as praticam.
33:33 Quando isso acontecer — e está chegando! —, saberão que houve um profeta no meio deles.”

Capítulo 34
34:1 A palavra do SENHOR veio a mim:
34:2 “Filho do homem, profetize contra os pastores de Israel. Profetize e diga a esses pastores: Assim diz o Senhor DEUS: Ai dos pastores de Israel que pastoreiam a si mesmos! Não deveriam os pastores pastorear as ovelhas?
34:3 Vocês comem a gordura, vestem-se com a lã e abatem a ovelha gorda, mas não pastoreiam as ovelhas.
34:4 Não fortaleceram as fracas, não curaram a doente, não enfaixaram a que sofreu fratura, não trouxeram de volta a desgarrada nem buscaram a perdida. Pelo contrário, dominaram sobre elas com força e crueldade.
34:5 Elas se dispersaram por falta de pastor e se tornaram alimento para todas as feras do campo. Ficaram dispersas!
34:6 Minhas ovelhas vagueiam por todos os montes e por toda colina alta. Minhas ovelhas foram dispersas por toda a face da terra, e ninguém se importa com elas, ninguém as busca.
34:7 Por isso, pastores, ouçam a palavra do SENHOR.
34:8 Tão certo como eu vivo, declara o Senhor DEUS, visto que minhas ovelhas se tornaram saque e alimento para todas as feras do campo por falta de pastor, e meus pastores não se importaram com minhas ovelhas, mas pastorearam a si mesmos e não pastorearam minhas ovelhas,
34:9 por isso, pastores, ouçam a palavra do SENHOR.
34:10 Assim diz o Senhor DEUS: Aqui estou contra os pastores! Exigirei deles minhas ovelhas e os farei deixar de pastorear o rebanho. Os pastores não mais pastorearão a si mesmos. Livrarei minhas ovelhas da boca deles, e elas não lhes servirão mais de alimento.
34:11 Pois assim diz o Senhor DEUS: Eu mesmo buscarei minhas ovelhas e cuidarei delas.
34:12 Como um pastor cuida do seu rebanho no dia em que se encontra entre suas ovelhas dispersas, assim cuidarei das minhas ovelhas. Eu as livrarei de todos os lugares por onde foram dispersas no dia de nuvens e escuridão.
34:13 Eu as tirarei do meio dos povos, as reunirei dos países e as levarei à sua terra. Eu as pastorearei nos montes de Israel, nos leitos dos rios e em todos os lugares habitados da terra.
34:14 Eu as pastorearei em boas pastagens, e nos altos montes de Israel estará seu lugar de descanso. Ali se deitarão num bom lugar e pastarão em pastagens abundantes nos montes de Israel.
34:15 Eu pastorearei minhas ovelhas e eu as farei repousar, declara o Senhor DEUS.
34:16 Buscarei a perdida, trarei de volta a desgarrada, enfaixarei a que sofreu fratura e fortalecerei a doente. Mas destruirei a gorda e a forte. Eu as pastorearei com justiça.
34:17 Quanto a vocês, minhas ovelhas, assim diz o Senhor DEUS: Julgarei entre uma ovelha e outra, entre carneiros e bodes.
34:18 Não basta a vocês pastar nas boas pastagens, para ainda pisotearem o que resta delas? Não basta beber as águas límpidas, para ainda enlamearem com os pés as que restam?
34:19 Minhas ovelhas pastam o que vocês pisotearam e bebem o que vocês enlamearam com os pés.
34:20 Por isso, assim lhes diz o Senhor DEUS: Eu mesmo julgarei entre a ovelha gorda e a ovelha magra.
34:21 Visto que vocês empurram com o flanco e com o ombro e dão chifradas em todas as fracas até expulsá-las para longe,
34:22 eu livrarei minhas ovelhas, e elas não serão mais saqueadas. Julgarei entre uma ovelha e outra.
34:23 Estabelecerei sobre elas um só pastor, que as pastoreará: meu servo Davi. Ele as pastoreará e será seu pastor.
34:24 Eu, o SENHOR, serei seu Deus, e meu servo Davi será príncipe no meio delas. Eu, o SENHOR, falei.
34:25 Farei com elas uma aliança de paz e eliminarei da terra as feras nocivas. Habitarão em segurança no deserto e dormirão nos bosques.
34:26 Farei delas e dos arredores da minha colina uma bênção. Farei descer a chuva no tempo certo; serão chuvas de bênção.
34:27 As árvores do campo darão seu fruto, e a terra dará sua colheita. Elas estarão seguras em sua terra e saberão que eu sou o SENHOR quando eu quebrar as travessas do seu jugo e as livrar das mãos daqueles que as escravizam.
34:28 Não serão mais saqueadas pelas nações, e as feras da terra não as devorarão. Habitarão em segurança, sem ninguém que as amedronte.
34:29 Estabelecerei para elas uma plantação de renome. Não serão mais consumidas pela fome na terra nem carregarão a humilhação das nações.
34:30 Saberão que eu, o SENHOR, seu Deus, estou com elas e que elas, a casa de Israel, são meu povo, declara o Senhor DEUS.
34:31 Vocês, minhas ovelhas, ovelhas do meu pasto, são seres humanos, e eu sou seu Deus, declara o Senhor DEUS.”

Capítulo 35
35:1 A palavra do SENHOR veio a mim:
35:2 “Filho do homem, volte o rosto contra o monte Seir e profetize contra ele.
35:3 Diga-lhe: Assim diz o Senhor DEUS: Aqui estou contra você, monte Seir! Estenderei minha mão contra você e o tornarei uma desolação e uma devastação.
35:4 Deixarei suas cidades em ruínas, e você ficará desolado. Então saberá que eu sou o SENHOR.
35:5 Porque você manteve uma inimizade perpétua e entregou os filhos de Israel ao poder da espada no tempo da calamidade deles, no tempo do castigo final,
35:6 por isso, tão certo como eu vivo, declara o Senhor DEUS, eu o destinarei ao sangue, e o sangue o perseguirá. Já que você não odiou o sangue, o sangue o perseguirá.
35:7 Tornarei o monte Seir uma desolação e uma devastação e eliminarei dele quem vai e quem vem.
35:8 Encherei seus montes com seus mortos. Nas suas colinas, nos seus vales e em todos os leitos dos seus rios cairão os mortos à espada.
35:9 Eu o tornarei uma desolação perpétua, e suas cidades não serão restabelecidas. Então vocês saberão que eu sou o SENHOR.
35:10 Porque você disse: ‘As duas nações e as duas terras serão minhas, e tomaremos posse delas’, embora o SENHOR estivesse ali,
35:11 por isso, tão certo como eu vivo, declara o Senhor DEUS, agirei conforme a ira e a inveja com que você os tratou no seu ódio contra eles. Eu me darei a conhecer entre eles quando julgar você.
35:12 Você saberá que eu, o SENHOR, ouvi todas as injúrias que proferiu contra os montes de Israel, dizendo: ‘Ficaram desolados; foram entregues a nós para serem devorados’.
35:13 Vocês se engrandeceram contra mim com a boca e multiplicaram suas palavras contra mim. Eu ouvi!
35:14 Assim diz o Senhor DEUS: Enquanto toda a terra se alegrar, eu farei de você uma desolação.
35:15 Como você se alegrou porque a herança da casa de Israel ficou desolada, assim farei com você. Você ficará desolado, monte Seir, e todo o Edom, todo ele. Então saberão que eu sou o SENHOR.”

Capítulo 36
36:1 “Quanto a você, filho do homem, profetize aos montes de Israel e diga: Montes de Israel, ouçam a palavra do SENHOR.
36:2 Assim diz o Senhor DEUS: Porque o inimigo disse a respeito de vocês: ‘Ahá! As antigas alturas passaram a ser nossa propriedade’,
36:3 por isso, profetize e diga: Assim diz o Senhor DEUS: Justamente porque vocês foram devastados e cobiçados de todos os lados, a ponto de se tornarem propriedade das demais nações e assunto de falatórios e calúnias do povo,
36:4 por isso, montes de Israel, ouçam a palavra do Senhor DEUS. Assim diz o Senhor DEUS aos montes e às colinas, aos leitos dos rios e aos vales, às ruínas desoladas e às cidades abandonadas, que se tornaram saque e zombaria das demais nações ao redor:
36:5 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Certamente, no fogo do meu zelo, falei contra as demais nações e contra todo o Edom, que se apropriaram da minha terra com alegria de todo o coração e profundo desprezo, para despovoá-la e saqueá-la.
36:6 Por isso, profetize a respeito da terra de Israel e diga aos montes e às colinas, aos leitos dos rios e aos vales: Assim diz o Senhor DEUS: Eu falei no meu zelo e no meu furor, porque vocês suportaram a humilhação imposta pelas nações.
36:7 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Eu levantei a mão em juramento: certamente as nações ao redor de vocês carregarão sua própria humilhação.
36:8 Mas vocês, montes de Israel, produzirão seus ramos e darão seu fruto para o meu povo Israel, pois eles estão perto de voltar.
36:9 Pois aqui estou a favor de vocês; eu me voltarei para vocês, e vocês serão cultivados e semeados.
36:10 Multiplicarei sobre vocês os seres humanos, toda a casa de Israel, toda ela. As cidades serão habitadas, e as ruínas serão reconstruídas.
36:11 Multiplicarei sobre vocês os seres humanos e os animais; eles se multiplicarão e serão fecundos. Farei com que vocês sejam habitados como antes e lhes farei mais bem do que no princípio. Então saberão que eu sou o SENHOR.
36:12 Farei andar sobre vocês os seres humanos, meu povo Israel. Eles tomarão posse de você, e você será sua herança; nunca mais os deixará sem filhos.
36:13 Assim diz o Senhor DEUS: Porque dizem de vocês: ‘Você devora seres humanos e tem deixado suas nações sem filhos’,
36:14 por isso, você não devorará mais seres humanos nem voltará a deixar suas nações sem filhos, declara o Senhor DEUS.
36:15 Não farei você ouvir de novo a humilhação imposta pelas nações. Você não carregará mais os insultos dos povos nem voltará a fazer suas nações tropeçar, declara o Senhor DEUS.”
36:16 A palavra do SENHOR veio a mim:
36:17 “Filho do homem, quando a casa de Israel habitava em sua terra, eles a contaminaram com seus caminhos e suas ações. Seus caminhos eram diante de mim como a impureza de uma mulher durante a menstruação.
36:18 Derramei meu furor sobre eles por causa do sangue que derramaram na terra e porque a contaminaram com seus ídolos.
36:19 Eu os dispersei entre as nações, e foram espalhados pelos países. Eu os julguei conforme seus caminhos e suas ações.
36:20 Ao chegarem às nações para onde foram, profanaram meu santo nome, pois se dizia a respeito deles: ‘Estes são o povo do SENHOR, mas saíram da terra dele’.
36:21 Então me preocupei com meu santo nome, que a casa de Israel havia profanado entre as nações para onde foi.
36:22 Por isso, diga à casa de Israel: Assim diz o Senhor DEUS: Não é por causa de vocês que eu faço isso, ó casa de Israel, mas por causa do meu santo nome, que vocês profanaram entre as nações para onde foram.
36:23 Mostrarei a santidade do meu grande nome, profanado entre as nações, que vocês profanaram no meio delas. As nações saberão que eu sou o SENHOR, declara o Senhor DEUS, quando eu mostrar minha santidade em vocês, diante dos olhos delas.
36:24 Eu os tirarei do meio das nações, os reunirei de todos os países e os levarei à sua terra.
36:25 Aspergirei água pura sobre vocês, e ficarão puros. Eu os purificarei de todas as suas impurezas e de todos os seus ídolos.
36:26 Eu lhes darei um coração novo e porei um espírito novo dentro de vocês. Tirarei da sua carne o coração de pedra e lhes darei um coração de carne.
36:27 Porei meu Espírito dentro de vocês e farei com que andem nos meus estatutos, guardem meus preceitos e os cumpram.
36:28 Vocês habitarão na terra que dei aos seus pais; serão meu povo, e eu serei seu Deus.
36:29 Eu os livrarei de todas as suas impurezas. Chamarei o cereal e o multiplicarei; não trarei fome sobre vocês.
36:30 Multiplicarei o fruto das árvores e a colheita do campo, para que vocês não sofram mais a humilhação da fome entre as nações.
36:31 Vocês se lembrarão dos seus maus caminhos e das suas ações que não foram boas, e sentirão repulsa por si mesmos por causa das suas culpas e abominações.
36:32 Não é por causa de vocês que eu faço isso, declara o Senhor DEUS; saibam bem disso. Envergonhem-se e sintam-se humilhados por causa dos seus caminhos, ó casa de Israel.
36:33 Assim diz o Senhor DEUS: No dia em que eu os purificar de todas as suas culpas, farei com que as cidades sejam habitadas e as ruínas sejam reconstruídas.
36:34 A terra desolada será cultivada, em vez de permanecer deserta aos olhos de todos os que passam.
36:35 Dirão: ‘Esta terra desolada se tornou como o jardim do Éden, e as cidades em ruínas, desoladas e destruídas estão fortificadas e habitadas’.
36:36 As nações que restarem ao redor de vocês saberão que eu, o SENHOR, reconstruí o que estava destruído e plantei o que estava desolado. Eu, o SENHOR, falei e farei.
36:37 Assim diz o Senhor DEUS: Ainda permitirei que a casa de Israel me peça que eu faça isto por eles: multiplicarei sua população como um rebanho.
36:38 Como os rebanhos consagrados, como os rebanhos de Jerusalém durante suas festas estabelecidas, assim as cidades em ruínas ficarão cheias de rebanhos de seres humanos. Então saberão que eu sou o SENHOR.”

Capítulo 37
37:1 A mão do SENHOR veio sobre mim. Ele me levou pelo Espírito do SENHOR e me deixou no meio do vale, que estava cheio de ossos.
37:2 Fez-me passar ao redor deles por todos os lados. Havia muitíssimos ossos sobre a superfície do vale, e estavam muito secos.
37:3 Ele me perguntou: “Filho do homem, estes ossos poderão viver?”. Respondi: “Senhor DEUS, tu o sabes”.
37:4 Então ele me disse: “Profetize sobre estes ossos e diga-lhes: Ossos secos, ouçam a palavra do SENHOR.
37:5 Assim diz o Senhor DEUS a estes ossos: Farei entrar fôlego em vocês, e vocês viverão.
37:6 Porei tendões sobre vocês, farei crescer carne sobre vocês e os cobrirei de pele. Porei fôlego em vocês, e vocês viverão. Então saberão que eu sou o SENHOR.”
37:7 Profetizei como me havia sido ordenado. Enquanto eu profetizava, houve um ruído e um tremor, e os ossos se aproximaram, cada osso do seu osso.
37:8 Olhei e vi tendões sobre eles; a carne havia crescido e a pele os havia coberto, mas não havia fôlego neles.
37:9 Ele me disse: “Profetize ao fôlego; profetize, filho do homem, e diga ao fôlego: Assim diz o Senhor DEUS: Venha dos quatro ventos, ó fôlego, e sopre nestes mortos, para que vivam”.
37:10 Profetizei como ele me havia ordenado. O fôlego entrou neles, e viveram e se puseram de pé: um exército imenso, muitíssimo numeroso.
37:11 Então ele me disse: “Filho do homem, estes ossos são toda a casa de Israel. Eles dizem: ‘Nossos ossos secaram, nossa esperança pereceu. Estamos de todo eliminados!’.
37:12 Por isso, profetize e diga-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Abrirei suas sepulturas e os farei subir das suas sepulturas, ó meu povo, e os levarei à terra de Israel.
37:13 Vocês saberão que eu sou o SENHOR quando eu abrir suas sepulturas e os fizer subir das suas sepulturas, ó meu povo.
37:14 Porei meu Espírito em vocês, e vocês viverão; eu os estabelecerei em sua terra. Então saberão que eu, o SENHOR, falei e fiz, declara o SENHOR.”
37:15 A palavra do SENHOR veio a mim:
37:16 “Quanto a você, filho do homem, pegue um pedaço de madeira e escreva nele: ‘Para Judá e para os filhos de Israel, seus companheiros’. Depois pegue outro pedaço de madeira e escreva nele: ‘Para José, pedaço de madeira de Efraim, e para toda a casa de Israel, seus companheiros’.
37:17 Junte um ao outro, para que formem um só pedaço de madeira e sejam um só na sua mão.
37:18 Quando os filhos do seu povo perguntarem a você: ‘Você não vai nos explicar o que essas coisas significam?’,
37:19 diga-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Pegarei o pedaço de madeira de José, que está na mão de Efraim, e as tribos de Israel que o acompanham, e os juntarei ao pedaço de madeira de Judá. Farei deles um só pedaço de madeira, e serão um só na minha mão.
37:20 Os pedaços de madeira em que você escrever estarão na sua mão, à vista deles.
37:21 Diga-lhes: Assim diz o Senhor DEUS: Tirarei os filhos de Israel do meio das nações para onde foram; eu os reunirei de todos os lados e os levarei à sua terra.
37:22 Farei deles uma só nação na terra, nos montes de Israel, e um só rei será rei de todos eles. Não serão mais duas nações nem voltarão a se dividir em dois reinos, nunca mais.
37:23 Não se contaminarão mais com seus ídolos, com suas coisas detestáveis nem com nenhuma das suas transgressões. Eu os livrarei de todas as suas moradas em que pecaram e os purificarei. Eles serão meu povo, e eu serei seu Deus.
37:24 Meu servo Davi será rei sobre eles, e todos terão um só pastor. Andarão nos meus preceitos, guardarão meus estatutos e os cumprirão.
37:25 Habitarão na terra que dei ao meu servo Jacó, onde habitaram os pais de vocês. Habitarão nela, eles, seus filhos e os filhos dos seus filhos, para sempre. Meu servo Davi será seu príncipe para sempre.
37:26 Farei com eles uma aliança de paz; será uma aliança eterna com eles. Eu os estabelecerei e os multiplicarei; porei meu santuário no meio deles para sempre.
37:27 Minha morada estará sobre eles. Eu serei seu Deus, e eles serão meu povo.
37:28 As nações saberão que eu sou o SENHOR, que santifica Israel, quando meu santuário estiver no meio deles para sempre.”

Capítulo 38
38:1 A palavra do SENHOR veio a mim:
38:2 “Filho do homem, volte o rosto contra Gogue, da terra de Magogue, príncipe supremo de Meseque e Tubal, e profetize contra ele.
38:3 Diga: Assim diz o Senhor DEUS: Aqui estou contra você, Gogue, príncipe supremo de Meseque e Tubal!
38:4 Eu o farei dar meia-volta, porei ganchos nas suas mandíbulas e farei sair você e todo o seu exército: cavalos e cavaleiros, todos vestidos com esplendor, uma grande multidão com escudos grandes e pequenos, todos empunhando espadas.
38:5 Pérsia, Cuxe e Pute estarão com eles, todos com escudo e capacete;
38:6 Gômer e todas as suas tropas, a casa de Togarma, dos confins do norte, e todas as suas tropas: muitos povos estarão com você.
38:7 Prepare-se e fique pronto, você e toda a multidão reunida ao seu redor, e seja o guarda deles.
38:8 Depois de muitos dias você receberá ordens. No fim dos anos, virá a uma terra recuperada da espada, cuja população foi reunida dentre muitos povos, aos montes de Israel, que por muito tempo estiveram desolados. Sua população foi tirada do meio dos povos, e todos habitam em segurança.
38:9 Você subirá e virá como uma tempestade. Será como uma nuvem que cobre a terra, você, todas as suas tropas e muitos povos com você.
38:10 Assim diz o Senhor DEUS: Naquele dia surgirão pensamentos no seu coração, e você conceberá um plano perverso.
38:11 Você dirá: ‘Subirei contra uma terra de aldeias sem muralhas; irei contra gente tranquila, que habita em segurança. Todos vivem sem muralhas, sem ferrolhos nem portas’.
38:12 Isso para tomar despojos e arrebatar o saque, para voltar sua mão contra ruínas agora habitadas e contra um povo reunido dentre as nações, que adquiriu gado e bens e habita no centro da terra.
38:13 Sabá, Dedã, os comerciantes de Társis e todos os seus leões jovens dirão a você: ‘Você vem para tomar despojos? Reuniu sua multidão para arrebatar o saque, para levar prata e ouro, para tomar gado e bens, para apoderar-se de grandes despojos?’.
38:14 Por isso, profetize, filho do homem, e diga a Gogue: Assim diz o Senhor DEUS: Naquele dia, quando meu povo Israel habitar em segurança, você não saberá disso?
38:15 Você virá do seu lugar, dos confins do norte, você e muitos povos com você, todos montados a cavalo, uma grande multidão e um exército numeroso.
38:16 Você subirá contra meu povo Israel como uma nuvem que cobre a terra. Isso acontecerá no fim dos dias. Eu o trarei contra minha terra para que as nações me conheçam, quando eu mostrar minha santidade por meio de você diante dos olhos delas, Gogue.
38:17 Assim diz o Senhor DEUS: É você aquele de quem falei nos tempos antigos por meio dos meus servos, os profetas de Israel, que naqueles dias profetizaram durante anos que eu o traria contra eles?
38:18 Naquele dia, no dia em que Gogue vier contra a terra de Israel, declara o Senhor DEUS, meu furor se acenderá.
38:19 No meu zelo e no fogo da minha ira, eu falei: Certamente, naquele dia haverá um grande terremoto na terra de Israel.
38:20 Diante de mim tremerão os peixes do mar, as aves do céu, as feras do campo, todos os animais que rastejam pelo chão e todos os seres humanos sobre a face da terra. Os montes serão derrubados, os precipícios cairão e toda muralha virá ao chão.
38:21 Convocarei contra ele a espada em todos os meus montes, declara o Senhor DEUS. A espada de cada um se voltará contra seu irmão.
38:22 Eu o julgarei com peste e sangue. Farei cair chuva torrencial, pedras de granizo, fogo e enxofre sobre ele, sobre suas tropas e sobre os muitos povos que estiverem com ele.
38:23 Mostrarei minha grandeza e minha santidade e me darei a conhecer aos olhos de muitas nações. Então saberão que eu sou o SENHOR.”

Capítulo 39
39:1 “Quanto a você, filho do homem, profetize contra Gogue e diga: Assim diz o Senhor DEUS: Aqui estou contra você, Gogue, príncipe supremo de Meseque e Tubal!
39:2 Eu o farei dar meia-volta e o conduzirei; eu o farei subir dos confins do norte e o trarei contra os montes de Israel.
39:3 Com um golpe, tirarei seu arco da sua mão esquerda e farei cair suas flechas da sua mão direita.
39:4 Nos montes de Israel você cairá, você, todas as suas tropas e os povos que estiverem com você. Eu o darei como alimento às aves de rapina de toda espécie e às feras do campo.
39:5 Você cairá em campo aberto, pois eu falei, declara o Senhor DEUS.
39:6 Enviarei fogo sobre Magogue e sobre os que habitam em segurança nas regiões costeiras. Então saberão que eu sou o SENHOR.
39:7 Darei a conhecer meu santo nome no meio do meu povo Israel e não permitirei mais que meu santo nome seja profanado. As nações saberão que eu sou o SENHOR, o Santo em Israel.
39:8 Está chegando e se cumprirá, declara o Senhor DEUS. Este é o dia de que falei.
39:9 Os habitantes das cidades de Israel sairão, acenderão fogo e queimarão as armas: escudos pequenos e grandes, arcos e flechas, bastões e lanças. Farão fogo com elas durante sete anos.
39:10 Não recolherão lenha do campo nem a cortarão dos bosques, pois farão fogo com as armas. Despojarão aqueles que os despojaram e saquearão aqueles que os saquearam, declara o Senhor DEUS.
39:11 Naquele dia darei a Gogue um lugar de sepultura em Israel: o vale dos Viajantes, a leste do mar. Ele bloqueará a passagem dos viajantes. Ali sepultarão Gogue e toda a sua multidão e o chamarão de vale de Hamom-Gogue.
39:12 A casa de Israel os sepultará durante sete meses, para purificar a terra.
39:13 Todo o povo da terra os sepultará, e isso lhes dará renome no dia em que eu manifestar minha glória, declara o Senhor DEUS.
39:14 Separarão homens para um trabalho permanente: percorrer a terra e sepultar os corpos dos que passaram por ela e ainda restarem sobre sua superfície, para purificá-la. Ao fim de sete meses, farão uma busca.
39:15 Os que percorrem a terra passarão por ela e, se algum deles vir um osso humano, colocará um sinal ao lado dele, até que os sepultadores o enterrem no vale de Hamom-Gogue.
39:16 Também uma cidade terá o nome de Hamoná. Assim purificarão a terra.
39:17 Quanto a você, filho do homem, assim diz o Senhor DEUS: Diga às aves de toda espécie e a todas as feras do campo: ‘Reúnam-se e venham; ajuntem-se de todos os lados para o sacrifício que ofereço para vocês, um grande sacrifício nos montes de Israel. Vocês comerão carne e beberão sangue.
39:18 Comerão carne de guerreiros e beberão sangue dos príncipes da terra: carneiros, cordeiros, bodes e touros, todos engordados em Basã.
39:19 Comerão gordura até se fartar e beberão sangue até se embriagar, do sacrifício que ofereci para vocês.
39:20 À minha mesa vocês se fartarão de cavalos e cavaleiros, de guerreiros e de todos os homens de guerra, declara o Senhor DEUS’.
39:21 Porei minha glória entre as nações. Todas as nações verão o juízo que executei e a mão que pus sobre eles.
39:22 Daquele dia em diante, a casa de Israel saberá que eu sou o SENHOR, seu Deus.
39:23 As nações saberão que a casa de Israel foi para o exílio por sua culpa, porque foram infiéis a mim. Escondi deles meu rosto e os entreguei nas mãos dos seus adversários, e todos caíram à espada.
39:24 Eu os tratei conforme sua impureza e suas transgressões e escondi deles meu rosto.
39:25 Por isso, assim diz o Senhor DEUS: Agora restaurarei o bem-estar de Jacó, terei compaixão de toda a casa de Israel e zelarei pelo meu santo nome.
39:26 Carregarão sua humilhação e toda a infidelidade com que foram infiéis a mim, quando habitarem em segurança na sua terra, sem ninguém que os amedronte.
39:27 Quando eu os fizer voltar do meio dos povos e os reunir das terras dos seus inimigos, mostrarei minha santidade neles aos olhos de muitas nações.
39:28 Saberão que eu sou o SENHOR, seu Deus, pois, depois de tê-los levado ao exílio entre as nações, eu os reunirei na sua terra, sem deixar nenhum deles lá.
39:29 Não esconderei mais deles meu rosto, pois terei derramado meu Espírito sobre a casa de Israel, declara o Senhor DEUS.”

Capítulo 40
40:1 No vigésimo quinto ano do nosso exílio, no começo do ano, no décimo dia do mês, catorze anos depois da queda da cidade, naquele mesmo dia a mão do SENHOR veio sobre mim e me levou para lá.
40:2 Em visões de Deus, ele me levou à terra de Israel e me deixou sobre um monte muito alto. Sobre ele, ao sul, havia uma construção semelhante a uma cidade.
40:3 Ele me levou até lá, e vi um homem cuja aparência era como a do bronze. Tinha na mão um cordão de linho e uma vara de medir e estava de pé junto ao portão.
40:4 O homem me disse: “Filho do homem, veja com seus olhos, ouça com seus ouvidos e preste atenção a tudo o que eu lhe mostrar, pois você foi trazido aqui para que eu lhe mostrasse isso. Conte à casa de Israel tudo o que você vir”.
40:5 Havia um muro por fora do templo, ao seu redor. O homem tinha na mão uma vara de medir de seis côvados longos, cada um de um côvado e um palmo menor, cerca de 3,20 metros ao todo. Ele mediu a espessura do muro: cerca de 3,20 metros; e sua altura: cerca de 3,20 metros.
40:6 Chegou ao portão voltado para o leste, subiu seus degraus e mediu o limiar do portão: cerca de 3,20 metros de largura; e o outro limiar: cerca de 3,20 metros de largura.
40:7 Cada câmara tinha cerca de 3,20 metros de comprimento e 3,20 metros de largura. Entre as câmaras havia cerca de 2,70 metros. O limiar do portão junto ao pórtico, do lado do templo, media cerca de 3,20 metros.
40:8 Mediu o pórtico do portão, do lado do templo: cerca de 3,20 metros.
40:9 Mediu o pórtico do portão: cerca de 4,20 metros; e seus pilares: cerca de 1,10 metro. O pórtico do portão ficava do lado do templo.
40:10 O portão voltado para o leste tinha três câmaras de um lado e três do outro. As três tinham a mesma medida, e os pilares de ambos os lados também tinham a mesma medida.
40:11 Mediu a largura da abertura do portão: cerca de 5,30 metros; e o comprimento do portão: cerca de 6,90 metros.
40:12 Diante das câmaras havia uma barreira de cerca de 53 centímetros de um lado e uma barreira de cerca de 53 centímetros do outro. Cada câmara media cerca de 3,20 metros de um lado e 3,20 metros do outro.
40:13 Mediu o portão desde o telhado de uma câmara até o telhado da outra: cerca de 13,30 metros de largura, com uma abertura de frente para a outra.
40:14 Determinou a medida dos pilares: cerca de 31,80 metros; o átrio se estendia até o pilar ao redor do portão.
40:15 Da frente do portão de entrada até a frente do pórtico interior do portão havia cerca de 26,50 metros.
40:16 As câmaras e seus pilares tinham janelas estreitas voltadas para dentro do portão, ao redor. Assim também era nos pórticos: havia janelas voltadas para dentro, ao redor, e figuras de palmeiras nos pilares.
40:17 Ele me levou ao átrio exterior. Havia salas e um pavimento construído ao redor do átrio; trinta salas davam para o pavimento.
40:18 O pavimento ficava ao lado dos portões e correspondia ao comprimento deles. Era o pavimento inferior.
40:19 Mediu a largura desde a frente do portão inferior até a parte exterior da frente do átrio interior: cerca de 53 metros, tanto a leste como ao norte.
40:20 Mediu o comprimento e a largura do portão do átrio exterior voltado para o norte.
40:21 Suas câmaras, três de um lado e três do outro, seus pilares e seus pórticos tinham as mesmas medidas do primeiro portão: cerca de 26,50 metros de comprimento e 13,30 metros de largura.
40:22 Suas janelas, seus pórticos e suas figuras de palmeiras tinham as mesmas medidas dos do portão voltado para o leste. Subia-se até ele por sete degraus, e seus pórticos ficavam diante deles.
40:23 Havia um portão do átrio interior de frente para o portão do norte e para o do leste. Mediu de portão a portão: cerca de 53 metros.
40:24 Ele me levou para o sul, e ali havia um portão voltado para o sul. Mediu seus pilares e seus pórticos, que tinham aquelas mesmas medidas.
40:25 O portão e seus pórticos tinham janelas ao redor, como as outras janelas. Media cerca de 26,50 metros de comprimento e 13,30 metros de largura.
40:26 Subia-se até ele por sete degraus, e seus pórticos ficavam diante deles. Havia figuras de palmeiras nos seus pilares, uma de um lado e outra do outro.
40:27 Havia um portão do átrio interior voltado para o sul. Mediu de portão a portão na direção do sul: cerca de 53 metros.
40:28 Ele me levou ao átrio interior pelo portão do sul e mediu esse portão, que tinha aquelas mesmas medidas.
40:29 Suas câmaras, seus pilares e seus pórticos tinham aquelas mesmas medidas. O portão e seus pórticos tinham janelas ao redor. Media cerca de 26,50 metros de comprimento e 13,30 metros de largura.
40:30 Havia pórticos ao redor, com cerca de 13,30 metros de comprimento e 2,70 metros de largura.
40:31 Seus pórticos davam para o átrio exterior, e havia figuras de palmeiras nos seus pilares. Subia-se até ele por oito degraus.
40:32 Ele me levou ao átrio interior, na direção do leste, e mediu o portão, que tinha aquelas mesmas medidas.
40:33 Suas câmaras, seus pilares e seus pórticos tinham aquelas mesmas medidas. O portão e seus pórticos tinham janelas ao redor. Media cerca de 26,50 metros de comprimento e 13,30 metros de largura.
40:34 Seus pórticos davam para o átrio exterior, e havia figuras de palmeiras nos seus pilares, de um lado e do outro. Subia-se até ele por oito degraus.
40:35 Ele me levou ao portão do norte e o mediu; tinha aquelas mesmas medidas:
40:36 suas câmaras, seus pilares e seus pórticos, com janelas ao redor. Media cerca de 26,50 metros de comprimento e 13,30 metros de largura.
40:37 Seus pilares davam para o átrio exterior, e havia figuras de palmeiras nos seus pilares, de um lado e do outro. Subia-se até ele por oito degraus.
40:38 Havia uma sala com sua entrada junto aos pilares dos portões; ali lavavam o holocausto.
40:39 No pórtico do portão havia duas mesas de um lado e duas do outro, para abater sobre elas as vítimas do holocausto, da oferta pelo pecado e da oferta pela culpa.
40:40 Do lado de fora, ao subir para a entrada do portão do norte, havia duas mesas; e do outro lado do pórtico do portão, outras duas mesas.
40:41 Havia quatro mesas de um lado e quatro do outro, ao lado do portão: oito mesas sobre as quais abatiam as vítimas.
40:42 As quatro mesas para o holocausto eram de pedra lavrada, com cerca de 80 centímetros de comprimento, 80 centímetros de largura e 53 centímetros de altura. Sobre elas colocavam os utensílios com que abatiam as vítimas do holocausto e dos sacrifícios.
40:43 Havia ganchos duplos de cerca de 8 centímetros, fixados por dentro do edifício, ao redor. Sobre as mesas ficava a carne da oferta.
40:44 Fora do portão interior, no átrio interior, ficavam as salas dos cantores, junto à lateral do portão do norte, voltadas para o sul. Havia outra junto à lateral do portão do leste, voltada para o norte.
40:45 Ele me disse: “Esta sala voltada para o sul é para os sacerdotes encarregados do serviço do templo.
40:46 A sala voltada para o norte é para os sacerdotes encarregados do serviço do altar. Estes são os filhos de Zadoque que, dentre os filhos de Levi, se aproximam do SENHOR para servi-lo”.
40:47 Mediu o átrio: cerca de 53 metros de comprimento e 53 metros de largura; era quadrado. O altar ficava diante do templo.
40:48 Ele me levou ao pórtico do templo e mediu os pilares do pórtico: cerca de 2,70 metros de um lado e 2,70 metros do outro. A largura do portão era de cerca de 1,60 metro de um lado e 1,60 metro do outro.
40:49 O pórtico media cerca de 10,60 metros de comprimento e onze côvados de largura. Subia-se até ele por degraus; junto aos pilares havia colunas, uma de um lado e outra do outro.

Capítulo 41
41:1 Ele me levou ao salão principal e mediu os pilares: cerca de 3,20 metros de largura de um lado e 3,20 metros do outro; essa era a largura da tenda.
41:2 A abertura tinha cerca de 5,30 metros de largura, e as laterais da entrada, cerca de 2,70 metros de um lado e 2,70 metros do outro. Mediu seu comprimento: cerca de 21,20 metros; e sua largura: cerca de 10,60 metros.
41:3 Ele entrou mais para dentro e mediu o pilar da entrada: cerca de 1,10 metro; a entrada: cerca de 3,20 metros; e a largura da entrada: cerca de 3,70 metros.
41:4 Mediu seu comprimento: cerca de 10,60 metros; e sua largura: cerca de 10,60 metros, diante do salão principal. Ele me disse: “Este é o Lugar Santíssimo”.
41:5 Mediu a parede do templo: cerca de 3,20 metros. As câmaras laterais tinham cerca de 2,10 metros de largura e rodeavam todo o templo.
41:6 As câmaras laterais ficavam umas sobre as outras, em três andares, trinta em cada andar. Apoiavam-se nas saliências da parede do templo destinadas às câmaras laterais, ao redor, para que ficassem sustentadas sem serem embutidas na parede do templo.
41:7 As câmaras laterais se alargavam de andar em andar, para cima, pois a estrutura que rodeava o templo se ampliava para cima, ao redor. Por isso o templo tinha maior largura em cima. Subia-se do andar inferior ao superior passando pelo intermediário.
41:8 Vi que o templo tinha uma plataforma elevada ao redor. Os alicerces das câmaras laterais mediam uma vara inteira, seis côvados longos, cerca de 3,20 metros.
41:9 A parede exterior das câmaras laterais tinha cerca de 2,70 metros de espessura. Havia um espaço livre entre as câmaras laterais do templo
41:10 e as salas, com cerca de 10,60 metros de largura, por todos os lados ao redor do templo.
41:11 As entradas das câmaras laterais davam para o espaço livre: uma entrada para o norte e outra para o sul. O espaço livre tinha cerca de 2,70 metros de largura ao redor.
41:12 O edifício diante da área separada, a oeste, tinha cerca de 37,10 metros de largura. Sua parede tinha cerca de 2,70 metros de espessura ao redor, e seu comprimento era de cerca de 47,70 metros.
41:13 Mediu o templo: cerca de 53 metros de comprimento. A área separada, o edifício e suas paredes tinham cerca de 53 metros de comprimento.
41:14 A largura da frente do templo e da área separada, a leste, era de cerca de 53 metros.
41:15 Mediu o comprimento do edifício diante da área separada, atrás dela, com suas galerias de um lado e do outro: cerca de 53 metros. Quanto ao salão interior e aos pórticos do átrio,
41:16 os umbrais, as janelas estreitas e as galerias ao redor dos três espaços, diante do limiar, eram revestidos de madeira ao redor, desde o chão até as janelas. As janelas estavam cobertas.
41:17 Acima da entrada, até o interior do templo e por fora, em toda a parede ao redor, por dentro e por fora, tudo estava feito segundo suas medidas.
41:18 Havia querubins e palmeiras esculpidos, com uma palmeira entre um querubim e outro. Cada querubim tinha dois rostos:
41:19 um rosto humano voltado para a palmeira de um lado e um rosto de leão jovem voltado para a palmeira do outro. Assim estava esculpido todo o templo ao redor.
41:20 Os querubins e as palmeiras estavam esculpidos desde o chão até acima da entrada, na parede do salão principal.
41:21 As ombreiras do salão principal eram quadradas, e a frente do santuário tinha a mesma aparência.
41:22 O altar era de madeira, com cerca de 1,60 metro de altura e 1,10 metro de comprimento. Era de madeira nos seus cantos, em toda a sua extensão e nas suas paredes. Ele me disse: “Esta é a mesa que está diante do SENHOR”.
41:23 O salão principal e o santuário tinham portas duplas.
41:24 As portas tinham duas folhas, duas folhas móveis: duas numa porta e duas na outra.
41:25 Nelas, nas portas do salão principal, havia querubins e palmeiras esculpidos, como nas paredes. Havia uma viga de madeira na frente exterior do pórtico.
41:26 Havia janelas estreitas e figuras de palmeiras de um lado e do outro, nas laterais do pórtico, bem como as câmaras laterais do templo e as vigas.

Capítulo 42
42:1 Ele me levou para fora, ao átrio exterior, na direção do norte, e me conduziu às salas diante da área separada e diante do edifício, ao norte.
42:2 Diante do lado com cerca de 53 metros de comprimento ficava a entrada voltada para o norte; a largura era de cerca de 26,50 metros.
42:3 Diante do espaço de cerca de 10,60 metros do átrio interior e diante do pavimento do átrio exterior havia uma galeria de frente para a outra, em três andares.
42:4 Diante das salas havia um corredor interior com cerca de 5,30 metros de largura e uma passagem de cerca de 53 centímetros. Suas entradas davam para o norte.
42:5 As salas superiores eram mais estreitas, pois as galerias tomavam mais espaço delas do que das inferiores e das intermediárias do edifício.
42:6 Elas ficavam em três andares e não tinham colunas como as colunas dos átrios. Por isso, a partir do chão, as superiores se estreitavam mais do que as inferiores e as intermediárias.
42:7 O muro exterior diante das salas, na direção do átrio exterior, em frente às salas, tinha cerca de 26,50 metros de comprimento.
42:8 Pois as salas voltadas para o átrio exterior tinham cerca de 26,50 metros de comprimento, enquanto as que ficavam diante do salão principal tinham cerca de 53 metros.
42:9 Debaixo dessas salas ficava o acesso pelo leste, para quem entrasse nelas pelo átrio exterior.
42:10 Ao longo da largura do muro do átrio, na direção do leste, diante da área separada e diante do edifício, havia salas.
42:11 Diante delas havia um corredor. Eram semelhantes às salas voltadas para o norte: tinham o mesmo comprimento e a mesma largura, as mesmas saídas, a mesma disposição e as mesmas entradas.
42:12 Uma entrada semelhante às das salas voltadas para o sul ficava no começo do corredor, o corredor diante do muro correspondente, na direção do leste, por onde se entrava nelas.
42:13 Ele me disse: “As salas do norte e as salas do sul diante da área separada são as salas santas onde os sacerdotes que se aproximam do SENHOR comerão as coisas santíssimas. Ali colocarão as coisas santíssimas: a oferta de cereais, a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa, pois o lugar é santo.
42:14 Quando os sacerdotes entrarem ali, não sairão do santuário para o átrio exterior sem deixar ali as vestes com que servem, pois são santas. Vestirão outras roupas e então se aproximarão dos lugares destinados ao povo”.
42:15 Quando terminou de medir o interior do templo, ele me levou para fora pelo portão voltado para o leste e o mediu ao redor.
42:16 Mediu o lado leste com a vara de medir: quinhentas varas, cerca de 1.590 metros, medidas com a vara de medir, ao longo desse lado.
42:17 Mediu o lado norte: quinhentas varas, cerca de 1.590 metros, medidas com a vara de medir, ao longo desse lado.
42:18 Mediu o lado sul: quinhentas varas, cerca de 1.590 metros, com a vara de medir.
42:19 Voltou-se para o lado oeste e mediu quinhentas varas, cerca de 1.590 metros, com a vara de medir.
42:20 Ele o mediu pelos quatro lados. Havia um muro ao redor, com cerca de 1.590 metros de comprimento e 1.590 metros de largura, para separar o santo do comum.

Capítulo 43
43:1 Ele me levou ao portão, ao portão voltado para o leste.
43:2 Vi que a glória do Deus de Israel vinha do leste. Sua voz era como o estrondo de muitas águas, e a terra resplandecia com sua glória.
43:3 A aparência da visão que tive era como a da visão que eu tivera quando vim destruir a cidade. As visões eram como a visão que eu tivera junto ao rio Quebar. Caí com o rosto em terra.
43:4 A glória do SENHOR entrou no templo pelo portão voltado para o leste.
43:5 O Espírito me levantou e me levou ao átrio interior. A glória do SENHOR enchia o templo.
43:6 Ouvi alguém falando comigo de dentro do templo, enquanto um homem estava de pé ao meu lado.
43:7 Ele me disse: “Filho do homem, este é o lugar do meu trono e o lugar das plantas dos meus pés, onde habitarei para sempre no meio dos filhos de Israel. A casa de Israel não profanará mais meu santo nome, nem eles nem seus reis, com sua prostituição nem com os cadáveres dos seus reis nos seus lugares altos.
43:8 Ao colocarem seu limiar junto ao meu limiar e sua ombreira junto à minha ombreira, com apenas uma parede entre mim e eles, profanaram meu santo nome com as abominações que praticaram. Por isso eu os consumi na minha ira.
43:9 Agora, que afastem de mim sua prostituição e os cadáveres dos seus reis, e habitarei no meio deles para sempre.
43:10 Quanto a você, filho do homem, descreva o templo à casa de Israel, para que se envergonhem das suas culpas e meçam o seu projeto.
43:11 Se eles se envergonharem de tudo o que fizeram, dê a conhecer a eles a forma do templo, sua disposição, suas saídas e suas entradas, todas as suas formas, todos os seus estatutos, todas as suas formas e todas as suas leis. Escreva isso diante dos olhos deles, para que observem toda a sua forma e todos os seus estatutos e os cumpram.
43:12 Esta é a lei do templo: no alto do monte, toda a área ao redor será santíssima. Esta é a lei do templo.
43:13 Estas são as medidas do altar em côvados longos, cada um de um côvado e um palmo menor. O canal terá cerca de 53 centímetros de profundidade e 53 centímetros de largura, e a borda ao seu redor será de cerca de 23 centímetros. Esta é a base do altar.
43:14 Desde o canal ao nível do chão até a plataforma inferior haverá cerca de 1,10 metro, e sua largura será de cerca de 53 centímetros. Da plataforma menor até a maior haverá cerca de 2,10 metros, e sua largura será de cerca de 53 centímetros.
43:15 A lareira do altar terá cerca de 2,10 metros de altura, e dela se erguerão quatro chifres.
43:16 A lareira do altar terá cerca de 6,40 metros de comprimento e 6,40 metros de largura; será quadrada nos seus quatro lados.
43:17 A plataforma terá cerca de 7,40 metros de comprimento e 7,40 metros de largura nos seus quatro lados. A borda ao redor dela será de cerca de 27 centímetros, e seu canal terá cerca de 53 centímetros ao redor. Seus degraus estarão voltados para o leste.”
43:18 Ele me disse: “Filho do homem, assim diz o Senhor DEUS: Estes são os estatutos do altar para o dia em que for construído, para oferecer sobre ele holocaustos e aspergir sangue.
43:19 Você dará aos sacerdotes levitas da descendência de Zadoque, que se aproximam de mim para me servir, declara o Senhor DEUS, um novilho do rebanho como oferta pelo pecado.
43:20 Pegará parte do seu sangue e o porá nos quatro chifres do altar, nas quatro esquinas da plataforma e na borda ao redor. Assim você o purificará e fará expiação por ele.
43:21 Pegará o novilho da oferta pelo pecado, e ele será queimado no lugar designado do templo, fora do santuário.
43:22 No segundo dia, você oferecerá um bode sem defeito como oferta pelo pecado. Purificarão o altar como o purificaram com o novilho.
43:23 Quando terminar de purificá-lo, oferecerá um novilho do rebanho, sem defeito, e um carneiro do rebanho, sem defeito.
43:24 Você os apresentará diante do SENHOR. Os sacerdotes lançarão sal sobre eles e os oferecerão como holocausto ao SENHOR.
43:25 Durante sete dias você preparará a cada dia um bode como oferta pelo pecado. Também prepararão um novilho do rebanho e um carneiro do rebanho, ambos sem defeito.
43:26 Durante sete dias farão expiação pelo altar e o purificarão; assim o consagrarão.
43:27 Quando completarem esses dias, a partir do oitavo dia os sacerdotes oferecerão sobre o altar os holocaustos e as ofertas de paz de vocês. Então eu os aceitarei, declara o Senhor DEUS.”

Capítulo 44
44:1 Ele me fez voltar pelo caminho do portão exterior do santuário, voltado para o leste. Estava fechado.
44:2 O SENHOR me disse: “Este portão permanecerá fechado. Não será aberto, e ninguém entrará por ele, porque o SENHOR, o Deus de Israel, entrou por ele. Permanecerá fechado.
44:3 Quanto ao príncipe, por ser príncipe ele se sentará ali para comer pão diante do SENHOR. Entrará pelo caminho do pórtico do portão e sairá por esse mesmo caminho”.
44:4 Ele me levou pelo caminho do portão do norte até a frente do templo. Olhei e vi que a glória do SENHOR enchia o templo do SENHOR. Caí com o rosto em terra.
44:5 O SENHOR me disse: “Filho do homem, preste atenção, veja com seus olhos e ouça com seus ouvidos tudo o que eu lhe disser sobre todos os estatutos do templo do SENHOR e todas as suas leis. Preste atenção à entrada do templo e a todas as saídas do santuário.
44:6 Diga aos rebeldes, à casa de Israel: Assim diz o Senhor DEUS: Basta de todas as suas abominações, ó casa de Israel!
44:7 Vocês trouxeram estrangeiros, incircuncisos de coração e incircuncisos de carne, para estarem no meu santuário e profanarem meu templo enquanto vocês ofereciam meu alimento, a gordura e o sangue. Eles quebraram minha aliança, além de todas as abominações de vocês.
44:8 Vocês não cuidaram das minhas coisas santas, mas puseram outros para cumprir em seu lugar os deveres no meu santuário.
44:9 Assim diz o Senhor DEUS: Nenhum estrangeiro incircunciso de coração e incircunciso de carne entrará no meu santuário, nenhum dos estrangeiros que estão no meio dos filhos de Israel.
44:10 Mas os levitas que se afastaram de mim quando Israel se desviou, que se extraviaram para longe de mim atrás dos seus ídolos, carregarão sua culpa.
44:11 Serão servidores no meu santuário, encarregados dos portões do templo e do serviço do templo. Abaterão as vítimas do holocausto e dos sacrifícios para o povo e estarão diante dele para servi-lo.
44:12 Porque serviram ao povo diante dos seus ídolos e foram para a casa de Israel um tropeço que a levou à culpa, por isso levantei minha mão contra eles, declara o Senhor DEUS, e carregarão sua culpa.
44:13 Não se aproximarão de mim para me servir como sacerdotes nem se aproximarão de nenhuma das minhas coisas santas, das coisas santíssimas. Carregarão sua humilhação e as abominações que praticaram.
44:14 Eu os encarregarei da guarda do templo, de todo o seu serviço e de tudo o que nele se fizer.
44:15 Mas os sacerdotes levitas, filhos de Zadoque, que mantiveram a guarda do meu santuário quando os filhos de Israel se extraviaram para longe de mim, eles se aproximarão de mim para me servir. Estarão diante de mim para me oferecer a gordura e o sangue, declara o Senhor DEUS.
44:16 Eles entrarão no meu santuário e eles se aproximarão da minha mesa para me servir. Cumprirão os deveres que lhes confiei.
44:17 Quando entrarem pelos portões do átrio interior, vestirão roupas de linho. Não usarão lã ao servir nos portões do átrio interior nem dentro do templo.
44:18 Terão turbantes de linho na cabeça e calções de linho sobre os quadris. Não se cingirão com nada que os faça suar.
44:19 Quando saírem para o átrio exterior, para o átrio exterior onde está o povo, tirarão as vestes com que servem e as deixarão nas salas santas. Vestirão outras roupas para não santificarem o povo com suas vestes.
44:20 Não rasparão a cabeça nem deixarão o cabelo crescer sem apará-lo; deverão aparar o cabelo.
44:21 Nenhum sacerdote beberá vinho ao entrar no átrio interior.
44:22 Não tomarão como esposa uma viúva nem uma divorciada, mas virgens da descendência da casa de Israel. Também poderão tomar uma viúva que seja viúva de um sacerdote.
44:23 Ensinarão ao meu povo a diferença entre o santo e o comum e o farão distinguir entre o impuro e o puro.
44:24 Nas disputas atuarão como juízes e julgarão conforme os meus preceitos. Guardarão minhas leis e meus estatutos em todas as minhas festas estabelecidas e santificarão meus sábados.
44:25 Não se aproximarão de um cadáver humano para se contaminar. Mas por seu pai, sua mãe, seu filho, sua filha, seu irmão ou sua irmã que não tenha tido marido poderão se contaminar.
44:26 Depois da sua purificação, contarão sete dias para ele.
44:27 No dia em que entrar no santuário, no átrio interior, para servir no santuário, ele apresentará sua oferta pelo pecado, declara o Senhor DEUS.
44:28 Eles terão uma herança: eu sou sua herança. Vocês não lhes darão propriedade em Israel; eu sou sua propriedade.
44:29 Eles comerão a oferta de cereais, a oferta pelo pecado e a oferta pela culpa. Tudo o que for inteiramente consagrado em Israel será deles.
44:30 O melhor de todas as primícias de tudo, e toda oferta de tudo o que vocês apresentarem entre suas ofertas, será dos sacerdotes. Vocês darão ao sacerdote a primeira porção das suas massas, para que uma bênção repouse sobre sua casa.
44:31 Os sacerdotes não comerão nenhuma ave nem animal que tenha morrido por si mesmo ou tenha sido despedaçado.”

Capítulo 45
45:1 “Quando vocês repartirem a terra por sorteio como herança, separarão para o SENHOR uma porção santa da terra, com cerca de 13,3 quilômetros de comprimento e 5,3 quilômetros de largura. Ela será santa em toda a sua extensão, ao redor.
45:2 Dela será destinado ao santuário um quadrado com cerca de 265 metros de comprimento e 265 metros de largura, com um espaço livre de cerca de 26,50 metros ao redor.
45:3 Dessa área você medirá cerca de 13,3 quilômetros de comprimento e 5,3 quilômetros de largura. Ali estará o santuário, que é santíssimo.
45:4 Essa porção santa da terra será para os sacerdotes que servem no santuário e se aproximam para servir ao SENHOR. Ali terão um lugar para suas casas e um recinto santo para o santuário.
45:5 Uma área com cerca de 13,3 quilômetros de comprimento e 5,3 quilômetros de largura será dos levitas que servem no templo, como sua propriedade, com vinte salas.
45:6 Como propriedade da cidade, vocês darão uma área com cerca de 2,65 quilômetros de largura e 13,3 quilômetros de comprimento, junto à porção santa. Será para toda a casa de Israel.
45:7 O príncipe terá terras de um lado e do outro da porção santa e da propriedade da cidade, diante da porção santa e diante da propriedade da cidade: do lado oeste para o oeste e do lado leste para o leste. Seu comprimento corresponderá ao de uma das porções, desde o limite oeste até o limite leste.
45:8 Essa terra será sua propriedade em Israel. Meus príncipes não oprimirão mais meu povo, mas darão a terra à casa de Israel conforme suas tribos.
45:9 Assim diz o Senhor DEUS: Basta, príncipes de Israel! Abandonem a violência e o saque; pratiquem o direito e a justiça. Parem de expulsar meu povo, declara o Senhor DEUS.
45:10 Vocês terão balanças justas, uma efa justa e um bato justo.
45:11 A efa e o bato terão a mesma capacidade: o bato conterá a décima parte de um hômer, e a efa, a décima parte de um hômer. Sua medida terá como base o hômer, de cerca de 220 litros.
45:12 O siclo, de cerca de 11 gramas, corresponderá a vinte geras. Vinte siclos, vinte e cinco siclos e quinze siclos constituirão uma mina para vocês.
45:13 Esta é a contribuição que vocês apresentarão: a sexta parte de uma efa por hômer de trigo e a sexta parte de uma efa por hômer de cevada.
45:14 A porção prescrita de azeite, medida em batos, será a décima parte de um bato por coro, que equivale a dez batos, ou um hômer, pois dez batos são um hômer.
45:15 Também uma ovelha ou cabra de cada duzentas do rebanho, das pastagens bem regadas de Israel, para a oferta de cereais, para o holocausto e para as ofertas de paz, a fim de fazer expiação por eles, declara o Senhor DEUS.
45:16 Todo o povo da terra contribuirá com essa oferta para o príncipe em Israel.
45:17 Ao príncipe caberá fornecer os holocaustos, a oferta de cereais e a libação nas festas, nas luas novas e nos sábados, em todas as festas estabelecidas da casa de Israel. Ele preparará a oferta pelo pecado, a oferta de cereais, o holocausto e as ofertas de paz, para fazer expiação pela casa de Israel.
45:18 Assim diz o Senhor DEUS: No primeiro mês, no primeiro dia do mês, você pegará um novilho do rebanho, sem defeito, e purificará o santuário.
45:19 O sacerdote pegará parte do sangue da oferta pelo pecado e o porá na ombreira da entrada do templo, nas quatro esquinas da plataforma do altar e na ombreira do portão do átrio interior.
45:20 Você fará o mesmo no sétimo dia do mês, por quem errar ou agir por ignorância. Assim vocês farão expiação pelo templo.
45:21 No primeiro mês, no décimo quarto dia do mês, vocês celebrarão a Páscoa, uma festa de sete dias, em que se comerão pães sem fermento.
45:22 Naquele dia o príncipe preparará um novilho como oferta pelo pecado, por si mesmo e por todo o povo da terra.
45:23 Durante os sete dias da festa, ele oferecerá como holocausto ao SENHOR sete novilhos e sete carneiros sem defeito, a cada dia dos sete dias, e um bode por dia como oferta pelo pecado.
45:24 Preparará uma oferta de cereais com cerca de 22 litros por novilho e 22 litros por carneiro, e cerca de 4 litros de azeite por 22 litros de cereais.
45:25 No sétimo mês, no décimo quinto dia do mês, durante a festa, ele fará o mesmo durante os sete dias quanto à oferta pelo pecado, ao holocausto, à oferta de cereais e ao azeite.”

Capítulo 46
46:1 “Assim diz o Senhor DEUS: O portão do átrio interior voltado para o leste permanecerá fechado nos seis dias de trabalho. No dia de sábado será aberto, e no dia da lua nova será aberto.
46:2 O príncipe entrará pelo caminho do pórtico do portão, pelo lado de fora, e ficará junto à ombreira do portão. Os sacerdotes oferecerão seu holocausto e suas ofertas de paz. Ele se prostrará no limiar do portão e sairá; o portão não será fechado até a tarde.
46:3 O povo da terra se prostrará diante do SENHOR à entrada desse portão, nos sábados e nas luas novas.
46:4 O holocausto que o príncipe oferecerá ao SENHOR no dia de sábado será de seis cordeiros sem defeito e um carneiro sem defeito.
46:5 A oferta de cereais será de cerca de 22 litros pelo carneiro e, pelos cordeiros, uma oferta conforme o que ele puder dar, com cerca de 4 litros de azeite por 22 litros de cereais.
46:6 No dia da lua nova oferecerá um novilho do rebanho, sem defeito, seis cordeiros e um carneiro; serão sem defeito.
46:7 Preparará como oferta de cereais cerca de 22 litros pelo novilho e 22 litros pelo carneiro; pelos cordeiros, conforme o que sua mão alcançar, com cerca de 4 litros de azeite por 22 litros de cereais.
46:8 Quando o príncipe entrar, entrará pelo caminho do pórtico do portão e sairá por esse mesmo caminho.
46:9 Quando o povo da terra vier diante do SENHOR nas festas estabelecidas, quem entrar pelo portão do norte para se prostrar sairá pelo portão do sul, e quem entrar pelo portão do sul sairá pelo portão do norte. Não voltará pelo portão por onde entrou, mas sairá pelo que fica em frente.
46:10 O príncipe estará no meio deles: entrará quando eles entrarem e, quando eles saírem, sairão juntos.
46:11 Nas festas e nas ocasiões estabelecidas, a oferta de cereais será de cerca de 22 litros pelo novilho, 22 litros pelo carneiro e, pelos cordeiros, conforme o que ele puder dar, com cerca de 4 litros de azeite por 22 litros de cereais.
46:12 Quando o príncipe preparar uma oferta voluntária, um holocausto ou ofertas de paz como oferta voluntária ao SENHOR, o portão voltado para o leste será aberto para ele. Oferecerá seu holocausto e suas ofertas de paz como faz no dia de sábado; depois sairá, e o portão será fechado após sua saída.
46:13 A cada dia você oferecerá como holocausto ao SENHOR um cordeiro de um ano, sem defeito. Você o oferecerá manhã após manhã.
46:14 Com ele preparará, manhã após manhã, uma oferta de cereais de uma sexta parte de uma efa, cerca de 3 litros, e um terço de um hin de azeite, cerca de um litro e um terço, para umedecer a farinha fina. Será uma oferta de cereais ao SENHOR, como estatuto perpétuo e contínuo.
46:15 Prepararão o cordeiro, a oferta de cereais e o azeite, manhã após manhã, como holocausto contínuo.
46:16 Assim diz o Senhor DEUS: Se o príncipe der um presente a um dos seus filhos, será parte da sua herança e pertencerá aos seus filhos; será propriedade deles por herança.
46:17 Mas, se der um presente da sua herança a um dos seus servos, será dele até o ano da libertação e depois voltará ao príncipe. Sua herança pertencerá somente aos seus filhos.
46:18 O príncipe não tomará nada da herança do povo, despojando-o da sua propriedade. Dará herança aos seus filhos da sua própria propriedade, para que ninguém do meu povo seja expulso da sua propriedade.”
46:19 Ele me levou pelo acesso ao lado do portão até as salas santas dos sacerdotes, voltadas para o norte. Ali havia um lugar ao fundo, a oeste.
46:20 Ele me disse: “Este é o lugar onde os sacerdotes cozinharão a oferta pela culpa e a oferta pelo pecado e assarão a oferta de cereais, para não levá-las ao átrio exterior e assim santificar o povo”.
46:21 Ele me levou para fora, ao átrio exterior, e me fez passar pelos quatro cantos do átrio. Havia um pátio num canto do átrio e um pátio em outro canto do átrio.
46:22 Nos quatro cantos do átrio havia pátios cercados, com cerca de 21,20 metros de comprimento e 15,90 metros de largura. Os quatro pátios dos cantos tinham a mesma medida.
46:23 Neles havia um rebordo ao redor, ao redor dos quatro, e debaixo dos rebordos havia fogões construídos ao redor.
46:24 Ele me disse: “Estas são as cozinhas onde os servidores do templo cozinharão os sacrifícios do povo”.

Capítulo 47
47:1 Ele me fez voltar à entrada do templo. Vi águas saindo de debaixo do limiar do templo para o leste, pois a frente do templo dava para o leste. As águas desciam de debaixo do lado direito do templo, ao sul do altar.
47:2 Ele me levou para fora pelo portão do norte e me fez dar a volta por fora até o portão exterior voltado para o leste. Vi água jorrando do lado direito.
47:3 O homem saiu para o leste com um cordão na mão. Mediu cerca de 530 metros e me fez passar pelas águas; elas chegavam aos meus tornozelos.
47:4 Mediu mais cerca de 530 metros e me fez passar pelas águas; elas chegavam aos joelhos. Mediu mais cerca de 530 metros e me fez passar; as águas chegavam à cintura.
47:5 Mediu mais cerca de 530 metros, e já era um rio que eu não podia atravessar a pé, pois as águas haviam subido. Eram águas para nadar, um rio que não se podia atravessar a pé.
47:6 Ele me perguntou: “Você viu, filho do homem?”. Depois me conduziu de volta à margem do rio.
47:7 Ao voltar, vi muitíssimas árvores na margem do rio, de um lado e do outro.
47:8 Ele me disse: “Estas águas saem para a região do leste, descem ao Arabá e entram no mar. Ao desembocarem no mar, suas águas serão curadas.
47:9 Por onde chegarem os dois rios, toda criatura viva que pulula viverá. Haverá muitíssimos peixes, pois estas águas chegarão ali, e as águas serão curadas. Tudo viverá por onde chegar o rio.
47:10 Haverá pescadores junto a ele. De En-Gedi até En-Eglaim haverá lugares para estender as redes. Seus peixes serão de muitas espécies, tão numerosos como os peixes do mar Grande.
47:11 Mas seus pântanos e suas lagoas não serão curados; ficarão para o sal.
47:12 Junto ao rio, nas suas margens, de um lado e do outro, crescerá toda espécie de árvore frutífera. Suas folhas não murcharão, e seu fruto não se esgotará. A cada mês darão frutos novos, pois suas águas saem do santuário. Seu fruto servirá de alimento, e suas folhas, de remédio.”
47:13 Assim diz o Senhor DEUS: “Este será o limite pelo qual vocês repartirão a terra como herança entre as doze tribos de Israel. José terá duas porções.
47:14 Vocês a herdarão em partes iguais, cada um como seu irmão. Levantei minha mão em juramento para dá-la aos seus pais, e esta terra lhes caberá como herança.
47:15 Este será o limite da terra pelo lado norte: desde o mar Grande, pelo caminho de Hetlom, até a entrada de Zedade;
47:16 Hamate, Berota e Sibraim, entre o limite de Damasco e o limite de Hamate; Hazer-Haticom, que fica no limite de Haurã.
47:17 O limite irá desde o mar até Hazer-Enom, no limite de Damasco; mais ao norte estará o limite de Hamate. Este será o lado norte.
47:18 Pelo lado leste, entre Haurã e Damasco, e entre Gileade e a terra de Israel, o limite será o Jordão. Vocês medirão desde o limite até o mar oriental. Este será o lado leste.
47:19 O lado sul, na direção do sul, irá de Tamar até as águas de Meribá-Cades e pelo ribeiro até o mar Grande. Este será o lado sul, na direção do sul.
47:20 O lado oeste será o mar Grande, desde o limite até o ponto de frente para a entrada de Hamate. Este será o lado oeste.
47:21 Vocês repartirão esta terra entre si conforme as tribos de Israel.
47:22 Vocês a sortearão como herança para si e para os estrangeiros que residem no meio de vocês e que tiveram filhos entre vocês. Eles serão para vocês como os naturais entre os filhos de Israel; junto com vocês receberão herança entre as tribos de Israel.
47:23 Na tribo em que o estrangeiro residir, ali vocês lhe darão sua herança, declara o Senhor DEUS.”

Capítulo 48
48:1 “Estes são os nomes das tribos: desde o extremo norte, junto ao caminho de Hetlom até a entrada de Hamate, até Hazer-Enã, no limite de Damasco, ao norte, junto a Hamate, desde o lado leste até o oeste, Dã terá uma porção.
48:2 Junto ao limite de Dã, desde o lado leste até o lado oeste, Aser terá uma porção.
48:3 Junto ao limite de Aser, desde o lado leste até o lado oeste, Naftali terá uma porção.
48:4 Junto ao limite de Naftali, desde o lado leste até o lado oeste, Manassés terá uma porção.
48:5 Junto ao limite de Manassés, desde o lado leste até o lado oeste, Efraim terá uma porção.
48:6 Junto ao limite de Efraim, desde o lado leste até o lado oeste, Rúben terá uma porção.
48:7 Junto ao limite de Rúben, desde o lado leste até o lado oeste, Judá terá uma porção.
48:8 Junto ao limite de Judá, desde o lado leste até o lado oeste, ficará a porção que vocês separarão, com cerca de 13,3 quilômetros de largura. Seu comprimento será como o de uma das outras porções, desde o lado leste até o lado oeste, e o santuário estará no meio dela.
48:9 A porção que vocês separarão para o SENHOR terá cerca de 13,3 quilômetros de comprimento e 5,3 quilômetros de largura.
48:10 A porção santa será para estes, para os sacerdotes: ao norte, cerca de 13,3 quilômetros; a oeste, cerca de 5,3 quilômetros de largura; a leste, cerca de 5,3 quilômetros de largura; e ao sul, cerca de 13,3 quilômetros de comprimento. O santuário do SENHOR estará no meio dela.
48:11 Será para os sacerdotes consagrados dentre os filhos de Zadoque, que cumpriram os deveres que lhes confiei e não se desviaram quando os filhos de Israel se desviaram, como se desviaram os levitas.
48:12 Eles terão uma porção santíssima da terra separada, junto ao limite dos levitas.
48:13 Os levitas terão, junto ao limite dos sacerdotes, cerca de 13,3 quilômetros de comprimento e 5,3 quilômetros de largura. O comprimento total será de cerca de 13,3 quilômetros, e a largura, de cerca de 5,3 quilômetros.
48:14 Não venderão nada dela; ninguém trocará nem transferirá o melhor da terra, pois é santo para o SENHOR.
48:15 O que restar, cerca de 2,65 quilômetros de largura ao longo dos 13,3 quilômetros, será para uso comum da cidade, para moradias e espaços abertos. A cidade estará no meio dessa área.
48:16 Estas serão suas medidas: o lado norte, cerca de 2,4 quilômetros; o lado sul, cerca de 2,4 quilômetros; o lado leste, cerca de 2,4 quilômetros; e o lado oeste, cerca de 2,4 quilômetros.
48:17 A cidade terá espaços abertos: ao norte, cerca de 133 metros; ao sul, cerca de 133 metros; a leste, cerca de 133 metros; e a oeste, cerca de 133 metros.
48:18 O que restar do comprimento junto à porção santa será de cerca de 5,3 quilômetros a leste e 5,3 quilômetros a oeste. Ficará junto à porção santa, e sua colheita servirá de alimento para os trabalhadores da cidade.
48:19 Os trabalhadores da cidade, de todas as tribos de Israel, cultivarão esse terreno.
48:20 Toda a porção terá cerca de 13,3 quilômetros por 13,3 quilômetros. Vocês separarão a porção santa em um quadrado, junto com a propriedade da cidade.
48:21 O que restar será para o príncipe, de um lado e do outro da porção santa e da propriedade da cidade: ao longo dos 13,3 quilômetros da porção até o limite leste e, para o oeste, ao longo dos 13,3 quilômetros até o limite oeste, junto às porções das tribos, será para o príncipe. A porção santa e o santuário do templo estarão no meio dessa área.
48:22 Excetuando a propriedade dos levitas e a propriedade da cidade, que estarão no meio do que pertence ao príncipe, o que houver entre o limite de Judá e o limite de Benjamim será para o príncipe.
48:23 Quanto às demais tribos, desde o lado leste até o lado oeste, Benjamim terá uma porção.
48:24 Junto ao limite de Benjamim, desde o lado leste até o lado oeste, Simeão terá uma porção.
48:25 Junto ao limite de Simeão, desde o lado leste até o lado oeste, Issacar terá uma porção.
48:26 Junto ao limite de Issacar, desde o lado leste até o lado oeste, Zebulom terá uma porção.
48:27 Junto ao limite de Zebulom, desde o lado leste até o lado oeste, Gade terá uma porção.
48:28 Junto ao limite de Gade, pelo lado sul, na direção do sul, o limite irá de Tamar às águas de Meribá-Cades e pelo ribeiro até o mar Grande.
48:29 Esta é a terra que vocês sortearão como herança para as tribos de Israel, e estas são suas porções, declara o Senhor DEUS.
48:30 Estas serão as saídas da cidade: pelo lado norte, a medida será de cerca de 2,4 quilômetros.
48:31 Os portões da cidade terão os nomes das tribos de Israel. Haverá três portões ao norte: um portão de Rúben, um portão de Judá e um portão de Levi.
48:32 Pelo lado leste, cerca de 2,4 quilômetros e três portões: um portão de José, um portão de Benjamim e um portão de Dã.
48:33 Pelo lado sul, a medida será de cerca de 2,4 quilômetros, e haverá três portões: um portão de Simeão, um portão de Issacar e um portão de Zebulom.
48:34 Pelo lado oeste, cerca de 2,4 quilômetros e seus três portões: um portão de Gade, um portão de Aser e um portão de Naftali.
48:35 Seu perímetro será de cerca de 9,6 quilômetros. Desde aquele dia, o nome da cidade será: ‘O SENHOR está ali’.”

DANIEL

Capítulo 1
1:1 No terceiro ano do reinado de Jeoaquim, rei de Judá, Nabucodonosor, rei da Babilônia, veio a Jerusalém e a sitiou.
1:2 O Senhor entregou em suas mãos Jeoaquim, rei de Judá, e parte dos utensílios do templo de Deus. O rei os levou para a terra de Sinar, para o templo do seu deus, e colocou os utensílios na casa do tesouro do seu deus.
1:3 O rei ordenou a Aspenaz, chefe dos seus eunucos, que trouxesse alguns israelitas da linhagem real e das famílias nobres:
1:4 jovens sem nenhum defeito, de boa aparência, instruídos em toda sabedoria, dotados de conhecimento e discernimento, e aptos para servir no palácio do rei. Aspenaz deveria ensinar-lhes a literatura e a língua dos caldeus.
1:5 O rei lhes destinou uma porção diária da comida da sua mesa e do vinho que bebia. Eles seriam preparados durante três anos e, ao fim desse período, entrariam a serviço do rei.
1:6 Entre eles estavam Daniel, Hananias, Misael e Azarias, da tribo de Judá.
1:7 O chefe dos eunucos lhes deu outros nomes: a Daniel, Beltessazar; a Hananias, Sadraque; a Misael, Mesaque; e a Azarias, Abede-Nego.
1:8 Daniel, porém, decidiu em seu coração não se contaminar com a comida do rei nem com o vinho que ele bebia. Por isso, pediu ao chefe dos eunucos que lhe permitisse não se contaminar.
1:9 Deus fez com que Daniel encontrasse favor e compaixão diante do chefe dos eunucos.
1:10 O chefe dos eunucos disse a Daniel: “Tenho medo do meu senhor, o rei, que determinou a comida e a bebida de vocês. Por que ele haveria de ver o rosto de vocês mais abatido que o dos outros jovens da mesma idade? Assim vocês colocariam minha cabeça em risco diante do rei”.
1:11 Então Daniel disse ao encarregado que o chefe dos eunucos havia designado para cuidar de Daniel, Hananias, Misael e Azarias:
1:12 “Por favor, ponha estes seus servos à prova durante dez dias. Que nos deem alimentos vegetais para comer e água para beber.
1:13 Depois, compare nossa aparência com a dos jovens que comem a comida do rei e trate estes seus servos conforme o que você vir”.
1:14 Ele aceitou a proposta e os pôs à prova durante dez dias.
1:15 Ao fim dos dez dias, eles tinham melhor aparência e estavam mais robustos que todos os jovens que comiam a comida do rei.
1:16 Assim, o encarregado retirava a comida deles e o vinho que deviam beber e lhes dava alimentos vegetais.
1:17 Deus deu a esses quatro jovens conhecimento e inteligência em toda literatura e sabedoria. Daniel entendia toda espécie de visões e sonhos.
1:18 Ao fim do prazo que o rei havia fixado para que fossem apresentados, o chefe dos eunucos os levou à presença de Nabucodonosor.
1:19 O rei conversou com eles e, entre todos, não encontrou ninguém como Daniel, Hananias, Misael e Azarias. Assim, eles entraram a serviço do rei.
1:20 Em todo assunto de sabedoria e discernimento sobre o qual o rei os consultava, ele os achava dez vezes superiores a todos os magos e encantadores de todo o seu reino.
1:21 Daniel permaneceu até o primeiro ano do rei Ciro.

Capítulo 2
2:1 No segundo ano do reinado de Nabucodonosor, Nabucodonosor teve sonhos. Seu espírito ficou perturbado, e ele perdeu o sono.
2:2 O rei mandou chamar os magos, os encantadores, os feiticeiros e os caldeus para que lhe contassem seus sonhos. Eles vieram e se apresentaram diante do rei.
2:3 O rei lhes disse: “Tive um sonho, e meu espírito está inquieto por conhecer o sonho”.
2:4 Os caldeus responderam ao rei em aramaico: “Ó rei, viva para sempre! Conte o sonho a estes seus servos, e lhe daremos a interpretação”.
2:5 O rei respondeu aos caldeus: “Minha decisão é firme: se vocês não me contarem o sonho e a sua interpretação, serão despedaçados, e suas casas serão transformadas em monturos.
2:6 Mas, se me contarem o sonho e a sua interpretação, receberão de mim presentes, recompensas e grandes honras. Portanto, contem-me o sonho e a sua interpretação”.
2:7 Eles responderam pela segunda vez: “Que o rei conte o sonho aos seus servos, e daremos a interpretação”.
2:8 O rei respondeu: “Sei muito bem que vocês estão tentando ganhar tempo, porque veem que minha decisão é firme.
2:9 Se não me contarem o sonho, haverá uma só sentença para vocês. Vocês combinaram dizer diante de mim palavras mentirosas e perversas até que a situação mude. Portanto, contem-me o sonho, e saberei que podem me dar a sua interpretação”.
2:10 Os caldeus responderam ao rei: “Não há ninguém na terra que possa revelar o que o rei pede. Nenhum rei, por maior e mais poderoso que seja, jamais pediu algo assim a um mago, encantador ou caldeu.
2:11 O que o rei pede é difícil, e ninguém pode revelá-lo ao rei, a não ser os deuses, cuja morada não é entre os seres humanos”.
2:12 Por causa disso, o rei ficou indignado e muito furioso e mandou matar todos os sábios da Babilônia.
2:13 O decreto foi publicado: os sábios deveriam ser mortos. Também procuraram Daniel e seus companheiros para matá-los.
2:14 Então Daniel falou com prudência e discernimento a Arioque, chefe da guarda do rei, que havia saído para matar os sábios da Babilônia.
2:15 Ele perguntou a Arioque, oficial do rei: “Por que o decreto do rei é tão severo?” Então Arioque explicou o caso a Daniel.
2:16 Daniel foi à presença do rei e lhe pediu um prazo para lhe apresentar a interpretação.
2:17 Depois, Daniel foi para casa e contou o caso a seus companheiros Hananias, Misael e Azarias,
2:18 para que pedissem misericórdia ao Deus dos céus a respeito desse mistério, a fim de que Daniel e seus companheiros não perecessem com os demais sábios da Babilônia.
2:19 Então o mistério foi revelado a Daniel numa visão noturna. Daniel bendisse o Deus dos céus
2:20 e disse:
 “Bendito seja o nome de Deus de eternidade a eternidade, pois a ele pertencem a sabedoria e o poder.
2:21 Ele muda os tempos e as épocas;
   remove reis e estabelece reis.
   Dá sabedoria aos sábios e conhecimento aos que têm discernimento.
2:22 Ele revela as coisas profundas e ocultas;
   conhece o que está nas trevas, e a luz habita com ele.
2:23 A ti, Deus dos meus pais, dou graças e louvor, pois me deste sabedoria e poder.
   Agora me revelaste o que te pedimos: tu nos revelaste o assunto do rei”.
2:24 Por isso, Daniel foi procurar Arioque, a quem o rei havia encarregado de matar os sábios da Babilônia, e lhe disse: “Não mate os sábios da Babilônia. Leve-me à presença do rei, e lhe darei a interpretação”.
2:25 Arioque levou Daniel depressa à presença do rei e lhe disse: “Encontrei entre os exilados de Judá um homem que dará ao rei a interpretação”.
2:26 O rei perguntou a Daniel, chamado Beltessazar: “Você pode me contar o sonho que tive e a sua interpretação?”
2:27 Daniel respondeu ao rei: “O mistério que o rei pede não pode ser revelado ao rei por sábios, encantadores, magos ou adivinhos.
2:28 Mas há um Deus nos céus que revela mistérios. Ele mostrou ao rei Nabucodonosor o que acontecerá no fim dos dias. Este é o sonho que você teve e estas são as visões que lhe vieram à mente enquanto estava deitado:
2:29 Ó rei, enquanto você estava deitado, vieram-lhe pensamentos sobre o que aconteceria depois disso. Aquele que revela os mistérios lhe mostrou o que acontecerá.
2:30 Quanto a mim, esse mistério me foi revelado, não por eu ter mais sabedoria que qualquer outro ser vivente, mas para que o rei receba a interpretação e compreenda os pensamentos do seu coração.
2:31 Ó rei, você estava olhando e viu uma grande estátua. A estátua era enorme e de um esplendor extraordinário. Estava em pé diante de você, e sua aparência era assustadora.
2:32 A cabeça da estátua era de ouro puro; o peito e os braços, de prata; o ventre e as coxas, de bronze;
2:33 as pernas, de ferro; e os pés, em parte de ferro e em parte de barro cozido.
2:34 Enquanto você olhava, uma pedra foi cortada sem intervenção de mãos humanas. Ela atingiu a estátua nos pés de ferro e de barro cozido e os despedaçou.
2:35 Então o ferro, o barro cozido, o bronze, a prata e o ouro foram despedaçados juntos e se tornaram como a palha das eiras no verão. O vento os levou, sem deixar vestígio. Mas a pedra que havia atingido a estátua se tornou um grande monte e encheu toda a terra.
2:36 Esse é o sonho. Agora apresentaremos ao rei a sua interpretação.
2:37 Ó rei, você é rei de reis, a quem o Deus dos céus deu o reino, o poder, a força e a honra.
2:38 Ele entregou em suas mãos os seres humanos, onde quer que vivam, os animais do campo e as aves dos céus, e fez de você governante sobre todos eles. Você é a cabeça de ouro.
2:39 Depois de você, surgirá outro reino, inferior ao seu, e, depois, um terceiro reino, de bronze, que governará sobre toda a terra.
2:40 O quarto reino será forte como o ferro. Assim como o ferro despedaça e quebra tudo, esse reino despedaçará e destruirá todos os outros, como o ferro que tudo quebra.
2:41 Quanto aos pés e dedos que você viu, em parte de barro de oleiro e em parte de ferro, será um reino dividido. Haverá nele algo da firmeza do ferro, pois você viu o ferro misturado com barro.
2:42 Assim como os dedos dos pés eram em parte de ferro e em parte de barro cozido, o reino será em parte forte e em parte frágil.
2:43 Quanto ao ferro que você viu misturado com barro, eles se misturarão por meio da descendência humana, mas não se unirão uns aos outros, assim como o ferro não se mistura com o barro cozido.
2:44 Nos dias desses reis, o Deus dos céus estabelecerá um reino que jamais será destruído. Esse reino não será entregue a outro povo; despedaçará e porá fim a todos esses reinos, mas ele mesmo permanecerá para sempre.
2:45 Foi isso que você viu quando uma pedra foi cortada do monte, sem intervenção de mãos humanas, e despedaçou o ferro, o bronze, o barro cozido, a prata e o ouro. O grande Deus mostrou ao rei o que acontecerá depois disso. O sonho é verdadeiro, e sua interpretação é digna de confiança”.
2:46 Então o rei Nabucodonosor caiu com o rosto em terra, prostrou-se diante de Daniel e ordenou que lhe apresentassem uma oferta e incenso.
2:47 O rei disse a Daniel: “De fato, o Deus de vocês é Deus dos deuses, Senhor dos reis e revelador de mistérios, pois você pôde revelar esse mistério”.
2:48 Então o rei exaltou Daniel, deu-lhe muitos presentes de grande valor e o fez governador de toda a província da Babilônia e chefe supremo de todos os sábios da Babilônia.
2:49 A pedido de Daniel, o rei nomeou Sadraque, Mesaque e Abede-Nego para cuidar dos negócios da província da Babilônia. Daniel, porém, permaneceu na corte do rei.

Capítulo 3
3:1 O rei Nabucodonosor fez uma estátua de ouro com cerca de vinte e sete metros de altura e dois metros e meio de largura. Ele a ergueu na planície de Dura, na província da Babilônia.
3:2 Então o rei Nabucodonosor mandou reunir os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os conselheiros, os tesoureiros, os juízes, os magistrados e todas as autoridades das províncias para que viessem à dedicação da estátua que ele havia erguido.
3:3 Os sátrapas, os prefeitos, os governadores, os conselheiros, os tesoureiros, os juízes, os magistrados e todas as autoridades das províncias se reuniram para a dedicação da estátua que o rei Nabucodonosor havia erguido. Ficaram em pé diante da estátua que Nabucodonosor havia erguido.
3:4 O arauto proclamou em alta voz: “A vocês, povos, nações e gente de todas as línguas, é dada esta ordem:
3:5 quando ouvirem o som da trombeta, da flauta, da cítara, da harpa, do saltério, da gaita de foles e de toda espécie de música, prostrem-se e adorem a estátua de ouro que o rei Nabucodonosor ergueu.
3:6 Quem não se prostrar e não a adorar será lançado imediatamente numa fornalha de fogo ardente”.
3:7 Por isso, assim que todos os povos ouviram o som da trombeta, da flauta, da cítara, da harpa, do saltério e de toda espécie de música, todos os povos, nações e gente de todas as línguas se prostraram e adoraram a estátua de ouro que o rei Nabucodonosor havia erguido.
3:8 Naquele momento, alguns caldeus se aproximaram e fizeram acusações maldosas contra os judeus.
3:9 Eles disseram ao rei Nabucodonosor: “Ó rei, viva para sempre!
3:10 Você, ó rei, emitiu um decreto segundo o qual todo aquele que ouvisse o som da trombeta, da flauta, da cítara, da harpa, do saltério, da gaita de foles e de toda espécie de música deveria se prostrar e adorar a estátua de ouro.
3:11 Quem não se prostrasse e não a adorasse seria lançado numa fornalha de fogo ardente.
3:12 Mas há alguns judeus que você nomeou para cuidar dos negócios da província da Babilônia: Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Esses homens não fazem caso de você, ó rei. Não servem aos seus deuses nem adoram a estátua de ouro que você ergueu”.
3:13 Então Nabucodonosor, cheio de ira e furor, mandou trazer Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Eles foram levados à presença do rei.
3:14 Nabucodonosor lhes perguntou: “É verdade, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que vocês não servem aos meus deuses nem adoram a estátua de ouro que ergui?
3:15 Agora, se estão dispostos, quando ouvirem o som da trombeta, da flauta, da cítara, da harpa, do saltério, da gaita de foles e de toda espécie de música, prostrem-se e adorem a estátua que fiz. Mas, se não a adorarem, serão lançados imediatamente numa fornalha de fogo ardente. E que deus poderá livrá-los das minhas mãos?”
3:16 Sadraque, Mesaque e Abede-Nego responderam ao rei: “Nabucodonosor, não precisamos lhe dar uma resposta sobre esse assunto.
3:17 Se assim for, o nosso Deus, a quem servimos, pode nos livrar da fornalha de fogo ardente e nos livrará das suas mãos, ó rei.
3:18 Mas, se não, saiba, ó rei, que não serviremos aos seus deuses nem adoraremos a estátua de ouro que você ergueu”.
3:19 Então Nabucodonosor ficou cheio de furor, e a expressão do seu rosto mudou contra Sadraque, Mesaque e Abede-Nego. Ele ordenou que aquecessem a fornalha sete vezes mais do que de costume.
3:20 Ordenou também a homens fortes e valentes do seu exército que amarrassem Sadraque, Mesaque e Abede-Nego e os lançassem na fornalha de fogo ardente.
3:21 Então aqueles homens foram amarrados com seus mantos, suas calças, seus turbantes e suas outras roupas e lançados na fornalha de fogo ardente.
3:22 Como a ordem do rei era urgente e a fornalha estava extremamente quente, as chamas mataram os homens que haviam levado Sadraque, Mesaque e Abede-Nego até a fornalha.
3:23 E os três homens, Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, caíram amarrados dentro da fornalha de fogo ardente.
3:24 Então o rei Nabucodonosor ficou espantado, levantou-se depressa e perguntou aos seus conselheiros: “Não lançamos três homens amarrados no fogo?” Eles responderam ao rei: “É verdade, ó rei”.
3:25 Ele disse: “Mas eu vejo quatro homens soltos, andando no meio do fogo, sem nenhum ferimento! E o aspecto do quarto é semelhante ao de um filho dos deuses”.
3:26 Nabucodonosor se aproximou da porta da fornalha de fogo ardente e disse: “Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, servos do Deus Altíssimo, saiam e venham aqui!” Então Sadraque, Mesaque e Abede-Nego saíram do meio do fogo.
3:27 Os sátrapas, os prefeitos, os governadores e os conselheiros do rei se reuniram e viram que o fogo não havia tido poder sobre o corpo daqueles homens. O cabelo deles não estava chamuscado, seus mantos não tinham sofrido alteração, e nem cheiro de fogo havia neles.
3:28 Nabucodonosor disse: “Bendito seja o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego, que enviou seu anjo e livrou seus servos que confiaram nele! Eles desobedeceram à ordem do rei e entregaram seus corpos para não servir nem adorar nenhum outro deus, a não ser o seu Deus.
3:29 Por isso, decreto que qualquer pessoa, de qualquer povo, nação ou língua, que disser uma blasfêmia contra o Deus de Sadraque, Mesaque e Abede-Nego será despedaçada, e sua casa será transformada em monturo, pois não há outro deus que possa livrar dessa maneira”.
3:30 Então o rei fez prosperar Sadraque, Mesaque e Abede-Nego na província da Babilônia.

Capítulo 4
4:1 Nabucodonosor, rei, a todos os povos, nações e gente de todas as línguas que habitam em toda a terra: que a paz de vocês se multiplique!
4:2 Pareceu-me bem tornar conhecidos os sinais e as maravilhas que o Deus Altíssimo fez comigo.
4:3 Como são grandes os seus sinais, e como são poderosas as suas maravilhas!
   Seu reino é um reino eterno, e seu domínio dura de geração em geração.
4:4 Eu, Nabucodonosor, estava tranquilo em minha casa e próspero no meu palácio.
4:5 Tive um sonho que me assustou. Os pensamentos que me vieram enquanto estava deitado e as visões da minha mente me aterrorizaram.
4:6 Por isso, ordenei que trouxessem à minha presença todos os sábios da Babilônia para que me dessem a interpretação do sonho.
4:7 Então vieram os magos, os encantadores, os caldeus e os adivinhos. Contei-lhes o sonho, mas eles não me deram a sua interpretação.
4:8 Por fim, entrou na minha presença Daniel, cujo nome era Beltessazar, segundo o nome do meu deus, e em quem havia o espírito dos deuses santos. Contei-lhe o sonho:
4:9 “Beltessazar, chefe dos magos, sei que o espírito dos deuses santos está em você e que nenhum mistério é difícil demais para você. Diga-me as visões do sonho que tive e a sua interpretação.
4:10 Estas foram as visões da minha mente enquanto estava deitado: eu olhava e vi uma árvore no meio da terra, de grande altura.
4:11 A árvore cresceu e se tornou forte; sua altura alcançava os céus, e ela podia ser vista até os confins de toda a terra.
4:12 Sua folhagem era bela, seu fruto era abundante, e nela havia alimento para todos. Os animais do campo encontravam sombra debaixo dela, as aves dos céus habitavam em seus ramos, e todos os seres vivos se alimentavam dela.
4:13 Enquanto eu contemplava as visões da minha mente, deitado em minha cama, vi um vigilante santo que descia dos céus.
4:14 Ele gritou em alta voz: ‘Derrubem a árvore e cortem seus ramos! Arranquem sua folhagem e espalhem seus frutos! Fujam os animais de debaixo dela e as aves dos seus ramos!
4:15 Mas deixem na terra o toco com suas raízes, preso com uma cinta de ferro e de bronze, entre a erva do campo. Que ele seja molhado pelo orvalho dos céus e partilhe com os animais a erva da terra.
4:16 Que seu coração humano seja mudado e lhe seja dado um coração de animal. Que passem sobre ele sete períodos de tempo.
4:17 Essa sentença é por decreto dos vigilantes, e essa decisão, por ordem dos santos, para que os vivos saibam que o Altíssimo governa sobre o reino dos homens, dá esse reino a quem quer e põe sobre ele o mais humilde dos homens’.
4:18 Esse é o sonho que eu, o rei Nabucodonosor, tive. Você, Beltessazar, diga-me a sua interpretação, pois nenhum dos sábios do meu reino pôde me dar a interpretação. Mas você pode, porque o espírito dos deuses santos está em você”.
4:19 Então Daniel, chamado Beltessazar, ficou atônito por algum tempo, e seus pensamentos o aterrorizaram. O rei lhe disse: “Beltessazar, não deixe que o sonho e sua interpretação o assustem”. Beltessazar respondeu: “Meu senhor, que o sonho seja para os que o odeiam, e a interpretação, para os seus adversários!
4:20 A árvore que você viu, que cresceu e se tornou forte, cuja altura alcançava os céus e que podia ser vista em toda a terra,
4:21 cuja folhagem era bela e cujo fruto era abundante, na qual havia alimento para todos, debaixo da qual viviam os animais do campo e em cujos ramos habitavam as aves dos céus,
4:22 é você, ó rei, que cresceu e se tornou forte. Sua grandeza cresceu e alcançou os céus, e seu domínio chegou aos confins da terra.
4:23 Quanto ao vigilante santo que o rei viu descer dos céus e dizer: ‘Derrubem a árvore e a destruam, mas deixem na terra o toco com suas raízes, preso com uma cinta de ferro e de bronze, entre a erva do campo. Que ele seja molhado pelo orvalho dos céus e partilhe a vida com os animais do campo até que passem sobre ele sete períodos de tempo’,
4:24 esta é a interpretação, ó rei, e este é o decreto do Altíssimo que veio sobre o rei, meu senhor:
4:25 Você será expulso do convívio dos homens e viverá com os animais do campo. Darão a você erva para comer, como aos bois, e você será molhado pelo orvalho dos céus. Sete períodos de tempo passarão sobre você, até que reconheça que o Altíssimo governa sobre o reino dos homens e o dá a quem quer.
4:26 A ordem de deixar o toco com as raízes da árvore significa que seu reino lhe ficará assegurado depois que você reconhecer que os céus governam.
4:27 Portanto, ó rei, aceite o meu conselho: abandone seus pecados praticando a justiça e suas iniquidades mostrando misericórdia aos pobres. Talvez assim sua tranquilidade se prolongue”.
4:28 Tudo isso aconteceu ao rei Nabucodonosor.
4:29 Doze meses depois, ele estava passeando pelo terraço do palácio real da Babilônia.
4:30 O rei disse: “Não é esta a grande Babilônia que eu construí para residência real, com a força do meu poder e para a glória da minha majestade?”
4:31 Ainda estavam essas palavras na boca do rei quando veio uma voz dos céus: “A você se declara, rei Nabucodonosor: o reino lhe foi tirado.
4:32 Você será expulso do convívio dos homens e viverá com os animais do campo. Darão a você erva para comer, como aos bois, e sete períodos de tempo passarão sobre você, até que reconheça que o Altíssimo governa sobre o reino dos homens e o dá a quem quer”.
4:33 Naquele mesmo instante, cumpriu-se a palavra a respeito de Nabucodonosor. Ele foi expulso do convívio dos homens, passou a comer erva como os bois, e seu corpo era molhado pelo orvalho dos céus, até que seus cabelos cresceram como as penas das águias, e suas unhas, como as das aves.
4:34 Ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os olhos aos céus, e minha razão voltou. Bendisse o Altíssimo, louvei e honrei aquele que vive para sempre,
 pois seu domínio é um domínio eterno, e seu reino dura de geração em geração.
4:35 Todos os habitantes da terra são considerados como nada.
   Ele faz o que quer no exército dos céus e entre os habitantes da terra.
   Não há quem possa deter sua mão ou lhe perguntar: “O que fizeste?”
4:36 Naquele momento, minha razão voltou, e minha majestade e meu esplendor me foram restituídos para a honra do meu reino. Meus conselheiros e meus nobres me procuraram. Fui restabelecido no meu reino, e uma grandeza ainda maior me foi acrescentada.
4:37 Agora eu, Nabucodonosor, louvo, exalto e honro o Rei dos céus, pois todas as suas obras são verdadeiras, e seus caminhos são justos. Ele pode humilhar os que andam com soberba.

Capítulo 5
5:1 O rei Belsazar deu um grande banquete a mil dos seus nobres e bebia vinho na presença dos mil.
5:2 Enquanto provava o vinho, Belsazar mandou trazer os utensílios de ouro e de prata que Nabucodonosor, seu pai, havia tirado do templo de Jerusalém, para que neles bebessem o rei, seus nobres, suas mulheres e suas concubinas.
5:3 Então trouxeram os utensílios de ouro que haviam sido tirados do templo, a casa de Deus em Jerusalém. Neles beberam o rei, seus nobres, suas mulheres e suas concubinas.
5:4 Beberam vinho e louvaram os deuses de ouro, de prata, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra.
5:5 Naquele mesmo instante, apareceram os dedos de uma mão humana, que escreviam no reboco da parede do palácio real, diante do candelabro. O rei via a mão que escrevia.
5:6 Então o semblante do rei mudou, e seus pensamentos o aterrorizaram. As juntas dos seus quadris se afrouxaram, e seus joelhos batiam um no outro.
5:7 O rei gritou que trouxessem os encantadores, os caldeus e os adivinhos. Disse aos sábios da Babilônia: “Quem ler esta inscrição e me der a sua interpretação será vestido de púrpura, terá uma corrente de ouro no pescoço e governará como terceiro no reino”.
5:8 Todos os sábios do rei entraram, mas não puderam ler a inscrição nem dar ao rei a sua interpretação.
5:9 Então o rei Belsazar ficou muito assustado, e seu semblante mudou. Seus nobres estavam perplexos.
5:10 A rainha, ao ouvir as palavras do rei e dos seus nobres, entrou na sala do banquete e disse: “Ó rei, viva para sempre! Não deixe que seus pensamentos o assustem nem que seu semblante se altere.
5:11 Há no seu reino um homem em quem está o espírito dos deuses santos. Nos dias do seu pai, foram encontrados nele luz, inteligência e sabedoria como a sabedoria dos deuses. O rei Nabucodonosor, seu pai, nomeou esse homem chefe dos magos, dos encantadores, dos caldeus e dos adivinhos — seu pai, o rei.
5:12 Pois em Daniel, a quem o rei deu o nome de Beltessazar, foram encontrados um espírito extraordinário, conhecimento e inteligência para interpretar sonhos, explicar enigmas e resolver dificuldades. Que chamem Daniel agora, e ele dará a interpretação”.
5:13 Então Daniel foi levado à presença do rei. O rei lhe perguntou: “Você é Daniel, um dos exilados de Judá que o rei, meu pai, trouxe de Judá?
5:14 Ouvi dizer que o espírito dos deuses está em você e que em você se encontram luz, inteligência e sabedoria extraordinária.
5:15 Acabam de trazer à minha presença os sábios e os encantadores para lerem esta inscrição e me darem a sua interpretação, mas eles não puderam explicar o significado.
5:16 Ouvi dizer que você pode dar interpretações e resolver dificuldades. Agora, se puder ler a inscrição e me dar a interpretação, será vestido de púrpura, terá uma corrente de ouro no pescoço e governará como terceiro no reino”.
5:17 Daniel respondeu ao rei: “Fique com seus presentes e dê suas recompensas a outro. Mesmo assim, lerei a inscrição ao rei e lhe darei a interpretação.
5:18 Ó rei, o Deus Altíssimo deu a Nabucodonosor, seu pai, o reino, a grandeza, a honra e a majestade.
5:19 Por causa da grandeza que Deus lhe deu, todos os povos, nações e gente de todas as línguas tremiam de medo diante dele. Ele matava quem queria e deixava viver quem queria; exaltava quem queria e humilhava quem queria.
5:20 Mas, quando seu coração se encheu de orgulho e seu espírito se endureceu em arrogância, ele foi deposto do seu trono real e privado da sua honra.
5:21 Foi expulso do convívio dos homens, e seu coração se tornou como o dos animais. Viveu com os jumentos selvagens, deram-lhe erva para comer, como aos bois, e seu corpo era molhado pelo orvalho dos céus, até que reconheceu que o Deus Altíssimo governa sobre o reino dos homens e põe sobre ele quem quer.
5:22 Mas você, Belsazar, seu filho, não humilhou seu coração, embora soubesse de tudo isso.
5:23 Pelo contrário, você se exaltou contra o Senhor dos céus. Trouxeram à sua presença os utensílios da casa dele, e você, seus nobres, suas mulheres e suas concubinas beberam vinho neles. Você louvou os deuses de prata, de ouro, de bronze, de ferro, de madeira e de pedra, que não veem, não ouvem e nada sabem. Mas não honrou o Deus em cuja mão está seu fôlego de vida e a quem pertencem todos os seus caminhos.
5:24 Por isso, da presença dele foi enviada a mão que traçou esta inscrição.
5:25 Esta é a inscrição que foi traçada: ‘Mene, Mene, Tequel e Parsim’.
5:26 Esta é a interpretação das palavras: Mene: Deus contou os dias do seu reinado e lhe pôs fim.
5:27 Tequel: você foi pesado na balança e achado em falta.
5:28 Peres: seu reino foi dividido e entregue aos medos e aos persas”.
5:29 Então Belsazar deu uma ordem, e vestiram Daniel de púrpura, puseram uma corrente de ouro em seu pescoço e proclamaram que ele governaria como terceiro no reino.
5:30 Naquela mesma noite, Belsazar, rei dos caldeus, foi morto.
5:31 Dario, o medo, recebeu o reino quando tinha cerca de sessenta e dois anos.

Capítulo 6
6:1 Pareceu bem a Dario nomear cento e vinte sátrapas para governarem por todo o reino.
6:2 Acima deles, pôs três administradores, dos quais Daniel era um. Os sátrapas deviam prestar contas a esses três, para que o rei não sofresse prejuízo.
6:3 Daniel se destacava entre os administradores e os sátrapas, pois havia nele um espírito extraordinário. Por isso, o rei pensava em colocá-lo à frente de todo o reino.
6:4 Então os administradores e os sátrapas procuravam um motivo para acusar Daniel nos assuntos do reino, mas não conseguiam encontrar nenhuma falta nem corrupção. Ele era fiel, e não se achava nele nenhuma negligência nem corrupção.
6:5 Aqueles homens disseram: “Não encontraremos nenhum motivo para acusar esse Daniel, a não ser que encontremos algo relacionado à lei do seu Deus”.
6:6 Então esses administradores e sátrapas foram juntos ao rei e lhe disseram: “Ó rei Dario, viva para sempre!
6:7 Todos os administradores do reino, os prefeitos, os sátrapas, os conselheiros e os governadores concordaram que o rei deve estabelecer um decreto real e fazer vigorar esta proibição: durante trinta dias, quem fizer uma petição a qualquer deus ou homem, a não ser a você, ó rei, será lançado na cova dos leões.
6:8 Agora, ó rei, estabeleça a proibição e assine o documento, para que não possa ser alterado, conforme a lei dos medos e dos persas, que não pode ser revogada”.
6:9 Por isso, o rei Dario assinou o documento e a proibição.
6:10 Quando Daniel soube que o documento estava assinado, foi para casa. As janelas do seu quarto no andar de cima estavam abertas em direção a Jerusalém. Três vezes por dia, ele se ajoelhava, orava e dava graças diante do seu Deus, como costumava fazer antes.
6:11 Então aqueles homens foram juntos e encontraram Daniel fazendo pedidos e súplicas diante do seu Deus.
6:12 Eles se apresentaram ao rei e lhe falaram da proibição real: “Você não assinou uma proibição segundo a qual, durante trinta dias, quem fizer uma petição a qualquer deus ou homem, a não ser a você, ó rei, será lançado na cova dos leões?” O rei respondeu: “Essa determinação está em vigor, conforme a lei dos medos e dos persas, que não pode ser revogada”.
6:13 Então disseram ao rei: “Daniel, um dos exilados de Judá, não faz caso de você, ó rei, nem da proibição que assinou. Ele faz suas petições três vezes por dia”.
6:14 Quando o rei ouviu isso, ficou muito angustiado e decidiu livrar Daniel. Até o pôr do sol, esforçou-se para salvá-lo.
6:15 Então aqueles homens foram juntos ao rei e lhe disseram: “Saiba, ó rei, que, pela lei dos medos e dos persas, nenhuma proibição ou decreto estabelecido pelo rei pode ser alterado”.
6:16 Então o rei deu a ordem, e trouxeram Daniel e o lançaram na cova dos leões. O rei disse a Daniel: “O seu Deus, a quem você serve continuamente, ele o livrará”.
6:17 Trouxeram uma pedra e a colocaram sobre a boca da cova. O rei a selou com o seu anel e com os anéis dos seus nobres, para que nada fosse mudado quanto à decisão a respeito de Daniel.
6:18 Depois, o rei voltou para o seu palácio e passou a noite em jejum. Não permitiu que trouxessem diversões à sua presença e perdeu o sono.
6:19 Ao raiar do dia, o rei se levantou e foi depressa à cova dos leões.
6:20 Quando se aproximou da cova, chamou Daniel com voz angustiada: “Daniel, servo do Deus vivo, o seu Deus, a quem você serve continuamente, pôde livrá-lo dos leões?”
6:21 Daniel respondeu ao rei: “Ó rei, viva para sempre!
6:22 O meu Deus enviou o seu anjo e fechou a boca dos leões, e eles não me feriram, pois fui considerado inocente diante dele. Também contra você, ó rei, não fiz mal algum”.
6:23 Então o rei ficou muito alegre por Daniel e ordenou que o tirassem da cova. Daniel foi tirado da cova, e não se encontrou nele nenhum ferimento, pois havia confiado no seu Deus.
6:24 O rei mandou trazer os homens que haviam acusado Daniel, e eles foram lançados na cova dos leões, junto com seus filhos e suas mulheres. Antes que chegassem ao fundo da cova, os leões se apoderaram deles e lhes trituraram todos os ossos.
6:25 Então o rei Dario escreveu a todos os povos, nações e gente de todas as línguas que habitam em toda a terra: “Que a paz de vocês se multiplique!
6:26 Decreto que, em todos os domínios do meu reino, todos tremam e temam diante do Deus de Daniel.
 Pois ele é o Deus vivo e permanece para sempre.
   Seu reino não será destruído, e seu domínio durará até o fim.
6:27 Ele livra e salva;
   faz sinais e maravilhas nos céus e na terra.
   Ele livrou Daniel do poder dos leões”.
6:28 Assim, Daniel prosperou durante o reinado de Dario e durante o reinado de Ciro, o persa.

Capítulo 7
7:1 No primeiro ano de Belsazar, rei da Babilônia, Daniel teve um sonho e visões em sua mente enquanto estava deitado. Ele escreveu o sonho e relatou o essencial do que havia visto.
7:2 Daniel disse: “Na minha visão noturna, eu olhava e vi os quatro ventos dos céus agitando o grande mar.
7:3 Quatro grandes bestas, diferentes umas das outras, subiam do mar.
7:4 A primeira era como um leão e tinha asas de águia. Continuei olhando até que suas asas foram arrancadas. Ela foi erguida da terra e posta em pé como um homem, e lhe foi dado um coração humano.
7:5 Vi uma segunda besta, semelhante a um urso, levantada de um dos lados. Ela tinha três costelas na boca, entre os dentes, e lhe diziam: ‘Levante-se e devore muita carne!’
7:6 Depois disso, continuei olhando e vi outra besta, como um leopardo, que tinha quatro asas de ave nas costas. A besta tinha quatro cabeças, e lhe foi dado domínio.
7:7 Depois disso, continuei olhando nas visões noturnas e vi uma quarta besta, terrível, assustadora e extremamente forte. Tinha grandes dentes de ferro; devorava e despedaçava, e pisoteava com as patas o que restava. Era diferente de todas as bestas anteriores e tinha dez chifres.
7:8 Eu observava os chifres quando outro chifre, pequeno, surgiu entre eles. Três dos primeiros chifres foram arrancados diante dele. Esse chifre tinha olhos como olhos humanos e uma boca que falava com arrogância.
7:9 Continuei olhando até que foram colocados tronos, e o Ancião de Dias se assentou.
   Sua roupa era branca como a neve, e os cabelos da sua cabeça eram como lã pura.
   Seu trono era de chamas de fogo, e suas rodas, de fogo ardente.
7:10 Um rio de fogo corria, saindo da sua presença.
   Mil vezes mil o serviam, e dez mil vezes dez mil estavam em pé diante dele.
   O tribunal se assentou, e os livros foram abertos.
7:11 Continuei olhando por causa do som das palavras arrogantes que o chifre dizia. Olhei até que a besta foi morta, seu corpo foi destruído e entregue para ser queimado no fogo.
7:12 Quanto às outras bestas, seu domínio lhes foi tirado, mas receberam um prolongamento de vida por uma época e um tempo.
7:13 Continuei olhando nas visões noturnas e vi alguém como um filho de homem, que vinha com as nuvens dos céus.
   Ele chegou ao Ancião de Dias e foi conduzido à sua presença.
7:14 A ele foram dados domínio, honra e reino, para que todos os povos, nações e gente de todas as línguas o servissem.
   Seu domínio é um domínio eterno, que não passará, e seu reino não será destruído.
7:15 Quanto a mim, Daniel, meu espírito ficou angustiado dentro do meu corpo, e as visões da minha mente me aterrorizavam.
7:16 Aproximei-me de um dos que estavam ali em pé e lhe pedi a verdade sobre tudo aquilo. Ele me explicou e me deu a interpretação:
7:17 ‘Essas quatro grandes bestas são quatro reis que se levantarão da terra.
7:18 Mas os santos do Altíssimo receberão o reino e o possuirão para sempre, pelos séculos dos séculos’.
7:19 Então quis saber a verdade a respeito da quarta besta, diferente de todas as outras, extremamente terrível, com dentes de ferro e garras de bronze. Ela devorava e despedaçava, e pisoteava com as patas o que restava.
7:20 Também quis saber a respeito dos dez chifres da sua cabeça e do outro que havia surgido, diante do qual três haviam caído. Esse chifre tinha olhos e uma boca que falava com arrogância, e sua aparência era mais imponente que a dos outros.
7:21 Enquanto eu olhava, esse chifre fazia guerra contra os santos e os vencia,
7:22 até que veio o Ancião de Dias e foi pronunciada a sentença a favor dos santos do Altíssimo. Chegou o tempo, e os santos tomaram posse do reino.
7:23 Ele me disse: ‘A quarta besta será um quarto reino na terra, diferente de todos os outros reinos. Devorará toda a terra, a pisoteará e a despedaçará.
7:24 Os dez chifres são dez reis que se levantarão desse reino. Depois deles, outro se levantará, diferente dos anteriores, e subjugará três reis.
7:25 Ele falará contra o Altíssimo, oprimirá os santos do Altíssimo e tentará mudar os tempos e a lei. Os santos serão entregues em sua mão por um tempo, tempos e metade de um tempo.
7:26 Mas o tribunal se assentará, e seu domínio lhe será tirado, para ser aniquilado e destruído por completo.
7:27 O reino, o domínio e a grandeza dos reinos debaixo de todos os céus serão dados ao povo dos santos do Altíssimo. Seu reino será um reino eterno, e todos os domínios o servirão e lhe obedecerão’.
7:28 Aqui termina o relato. Quanto a mim, Daniel, meus pensamentos me aterrorizaram muito, e meu semblante mudou. Mas guardei o assunto no meu coração”.

Capítulo 8
8:1 No terceiro ano do reinado do rei Belsazar, apareceu uma visão a mim, Daniel, depois da que eu havia tido no princípio.
8:2 Na visão, eu me encontrava na cidadela de Susã, na província de Elão. Vi, na visão, que estava junto ao canal Ulai.
8:3 Levantei os olhos e vi um carneiro em pé diante do canal. Ele tinha dois chifres altos, um mais alto que o outro, e o mais alto havia crescido depois.
8:4 Vi o carneiro dando chifradas para o oeste, para o norte e para o sul. Nenhum animal podia resistir a ele, e não havia quem pudesse livrar alguém do seu poder. Ele fazia o que queria e se engrandecia.
8:5 Enquanto eu observava, vi um bode vindo do oeste, atravessando toda a terra sem tocar o chão. O bode tinha um chifre proeminente entre os olhos.
8:6 Ele se aproximou do carneiro de dois chifres que eu havia visto em pé diante do canal e correu contra ele com toda a fúria da sua força.
8:7 Eu o vi chegar perto do carneiro, enfurecer-se contra ele e atacá-lo, quebrando seus dois chifres. O carneiro não teve forças para resistir. O bode o lançou ao chão e o pisoteou, e ninguém pôde livrar o carneiro do seu poder.
8:8 O bode se engrandeceu muito. Mas, no auge da sua força, o grande chifre foi quebrado. Em seu lugar, surgiram quatro chifres proeminentes, voltados para os quatro ventos dos céus.
8:9 De um deles saiu um chifre pequeno, que cresceu muito para o sul, para o leste e para a terra gloriosa.
8:10 Ele cresceu até o exército dos céus, lançou por terra parte desse exército e das estrelas e os pisoteou.
8:11 Engrandeceu-se até contra o príncipe do exército, tirou dele o sacrifício contínuo, e o lugar do seu santuário foi derrubado.
8:12 Por causa da transgressão, o exército lhe será entregue junto com o sacrifício contínuo. O chifre lançará a verdade por terra; agirá e prosperará.
8:13 Ouvi um santo falando, e outro santo perguntou àquele que falava: “Até quando durará a visão do sacrifício contínuo, da transgressão devastadora e da entrega do santuário e do exército para serem pisoteados?”
8:14 Ele me respondeu: “Até duas mil e trezentas tardes e manhãs; então o santuário será restaurado”.
8:15 Enquanto eu, Daniel, contemplava a visão e procurava compreendê-la, alguém com aparência de homem se pôs em pé diante de mim.
8:16 Ouvi uma voz humana que vinha de entre as margens do Ulai e que chamou: “Gabriel, faça esse homem entender a visão”.
8:17 Ele se aproximou de onde eu estava. Quando chegou, fiquei aterrorizado e caí com o rosto em terra. Ele me disse: “Entenda, filho de homem: a visão se refere ao tempo do fim”.
8:18 Enquanto ele falava comigo, caí num sono profundo, com o rosto em terra. Ele me tocou e me pôs em pé.
8:19 Então me disse: “Vou lhe mostrar o que acontecerá no fim da indignação, pois a visão se refere ao tempo determinado do fim.
8:20 O carneiro de dois chifres que você viu representa os reis da Média e da Pérsia.
8:21 O bode peludo é o rei da Grécia, e o grande chifre entre os seus olhos é o primeiro rei.
8:22 O chifre quebrado e os quatro que surgiram em seu lugar significam que quatro reinos se levantarão dessa nação, mas não terão o poder daquele rei.
8:23 No fim do reinado deles, quando os transgressores chegarem ao limite, surgirá um rei de semblante feroz e entendido em enigmas.
8:24 Seu poder aumentará, mas não por sua própria força. Ele causará uma destruição espantosa, agirá e prosperará; destruirá os poderosos e o povo dos santos.
8:25 Por sua astúcia, fará prosperar o engano em sua mão e se engrandecerá no seu coração. Em meio à tranquilidade, destruirá muitos. Ele se levantará contra o Príncipe dos príncipes, mas será quebrado sem intervenção de mão humana.
8:26 A visão das tardes e das manhãs que foi relatada é verdadeira. Você, porém, mantenha a visão em segredo, pois ela se refere a dias ainda distantes”.
8:27 Eu, Daniel, fiquei esgotado e doente por vários dias. Depois me levantei e cuidei dos negócios do rei. Fiquei assombrado com a visão, e não havia quem a entendesse.

Capítulo 9
9:1 No primeiro ano de Dario, filho de Assuero, da linhagem dos medos, que havia sido constituído rei sobre o reino dos caldeus,
9:2 no primeiro ano do seu reinado, eu, Daniel, compreendi pelos livros o número de anos que, segundo a palavra do SENHOR ao profeta Jeremias, deveriam se cumprir para a desolação de Jerusalém: setenta anos.
9:3 Voltei meu rosto para o Senhor Deus, para buscá-lo com oração e súplicas, com jejum, pano de saco e cinzas.
9:4 Orei ao SENHOR, meu Deus, e confessei: “Ah, Senhor, Deus grande e temível, que guardas a aliança e o amor fiel para com os que te amam e guardam teus mandamentos!
9:5 Pecamos, cometemos iniquidade, agimos com maldade, nos rebelamos e nos afastamos dos teus mandamentos e das tuas ordenanças.
9:6 Não demos ouvidos aos teus servos, os profetas, que falaram em teu nome aos nossos reis, aos nossos príncipes, aos nossos pais e a todo o povo da terra.
9:7 A ti, Senhor, pertence a justiça; a nós, a vergonha no rosto, como acontece hoje: aos homens de Judá, aos habitantes de Jerusalém e a todo o Israel, aos de perto e aos de longe, em todas as terras para onde os expulsaste por causa da infidelidade que cometeram contra ti.
9:8 SENHOR, a nós pertence a vergonha no rosto, aos nossos reis, aos nossos príncipes e aos nossos pais, porque pecamos contra ti.
9:9 Ao Senhor, nosso Deus, pertencem a compaixão e o perdão, embora tenhamos nos rebelado contra ele
9:10 e não tenhamos obedecido à voz do SENHOR, nosso Deus, para andar nas suas leis, que ele nos deu por meio dos seus servos, os profetas.
9:11 Todo o Israel transgrediu a tua lei e se afastou, recusando-se a obedecer à tua voz. Por isso, foram derramados sobre nós a maldição e o juramento escritos na Lei de Moisés, servo de Deus, pois pecamos contra ele.
9:12 Ele cumpriu as palavras que pronunciou contra nós e contra os juízes que nos julgavam, trazendo sobre nós uma grande calamidade. Debaixo de todos os céus, nunca aconteceu algo como o que aconteceu em Jerusalém.
9:13 Como está escrito na Lei de Moisés, toda essa calamidade veio sobre nós. Mesmo assim, não buscamos o favor do SENHOR, nosso Deus, para nos afastarmos das nossas iniquidades e atendermos à tua verdade.
9:14 O SENHOR esteve vigilante e trouxe sobre nós a calamidade, pois o SENHOR, nosso Deus, é justo em todas as obras que fez, e nós não obedecemos à sua voz.
9:15 Agora, Senhor, nosso Deus, que tiraste o teu povo da terra do Egito com mão poderosa e fizeste para ti um nome que permanece até hoje: pecamos e agimos com maldade.
9:16 Senhor, segundo todos os teus atos de justiça, afasta, por favor, a tua ira e o teu furor da tua cidade, Jerusalém, o teu santo monte. Pois, por causa dos nossos pecados e das iniquidades dos nossos pais, Jerusalém e o teu povo se tornaram motivo de desprezo para todos os que nos rodeiam.
9:17 Agora, nosso Deus, ouve a oração do teu servo e as suas súplicas. Faze resplandecer o teu rosto sobre o teu santuário desolado, por amor do Senhor.
9:18 Meu Deus, inclina teu ouvido e ouve! Abre teus olhos e vê nossas desolações e a cidade sobre a qual é invocado o teu nome. Não apresentamos nossas súplicas diante de ti por causa dos nossos atos de justiça, mas por causa das tuas muitas misericórdias.
9:19 Senhor, ouve! Senhor, perdoa! Senhor, atende e age! Não demores, por amor de ti mesmo, meu Deus, pois o teu nome é invocado sobre a tua cidade e sobre o teu povo”.
9:20 Eu ainda falava, orava, confessava o meu pecado e o pecado do meu povo Israel e apresentava minha súplica diante do SENHOR, meu Deus, pelo santo monte do meu Deus.
9:21 Eu ainda falava em oração quando o homem Gabriel, que eu havia visto na visão anterior, veio voando rapidamente e me tocou, por volta da hora da oferta da tarde.
9:22 Ele me instruiu e me disse: “Daniel, agora vim para lhe dar compreensão e entendimento.
9:23 No início das suas súplicas, saiu uma palavra, e eu vim para anunciá-la a você, pois você é muito amado. Preste atenção à palavra e entenda a visão.
9:24 Setenta semanas foram determinadas sobre o seu povo e sobre a sua cidade santa para pôr fim à transgressão, selar os pecados, expiar a iniquidade, trazer a justiça eterna, selar a visão e o profeta e ungir o Lugar Santíssimo.
9:25 Saiba e entenda: desde a saída da ordem para restaurar e reconstruir Jerusalém até um príncipe ungido haverá sete semanas. Durante sessenta e duas semanas, ela voltará a ser construída, com praça e fosso, mas em tempos de angústia.
9:26 Depois das sessenta e duas semanas, um ungido será eliminado e não terá nada. O povo de um príncipe que virá destruirá a cidade e o santuário. Seu fim será com uma inundação, e até o fim haverá guerra; desolações foram decretadas.
9:27 Ele firmará uma aliança com muitos por uma semana e, na metade da semana, fará cessar o sacrifício e a oferta de cereal. Sobre uma asa de abominações virá um devastador, até que a destruição completa que foi decretada se derrame sobre o devastador”.

Capítulo 10
10:1 No terceiro ano de Ciro, rei da Pérsia, uma mensagem foi revelada a Daniel, chamado Beltessazar. A mensagem era verdadeira e tratava de um grande conflito. Ele compreendeu a mensagem e teve entendimento da visão.
10:2 Naqueles dias, eu, Daniel, estive de luto durante três semanas completas.
10:3 Não comi iguarias; carne e vinho não entraram na minha boca, e não me ungi com óleo até que se completaram as três semanas.
10:4 No dia vinte e quatro do primeiro mês, eu estava à margem do grande rio, o Tigre.
10:5 Levantei os olhos e vi um homem vestido de linho, com um cinto de ouro puro de Ufaz na cintura.
10:6 Seu corpo era como crisólito, seu rosto parecia um relâmpago, seus olhos eram como tochas de fogo, seus braços e seus pés brilhavam como bronze polido, e o som das suas palavras era como o estrondo de uma multidão.
10:7 Só eu, Daniel, vi a visão. Os homens que estavam comigo não a viram, mas um grande terror se apoderou deles, e fugiram para se esconder.
10:8 Fiquei sozinho e contemplei essa grande visão. Não me restou força alguma; minha aparência se desfigurou, e fiquei sem forças.
10:9 Ouvi o som das suas palavras e, ao ouvir o som das suas palavras, caí num sono profundo, com o rosto voltado para o chão.
10:10 Então uma mão me tocou e me fez erguer, tremendo, sobre os joelhos e as palmas das mãos.
10:11 Ele me disse: “Daniel, homem muito amado, preste atenção às palavras que lhe digo e fique em pé, pois fui enviado a você”. Enquanto ele me dizia essas palavras, eu me pus em pé, tremendo.
10:12 Então ele me disse: “Não tenha medo, Daniel. Desde o primeiro dia em que você dispôs seu coração a compreender e a se humilhar diante do seu Deus, suas palavras foram ouvidas. Eu vim por causa das suas palavras.
10:13 Mas o príncipe do reino da Pérsia se opôs a mim durante vinte e um dias. Então Miguel, um dos principais príncipes, veio me ajudar, e eu fiquei ali junto aos reis da Pérsia.
10:14 Vim para fazer você compreender o que acontecerá ao seu povo no fim dos dias, pois a visão se refere a dias ainda por vir”.
10:15 Enquanto ele me dizia essas palavras, voltei meu rosto para o chão e fiquei sem fala.
10:16 Então alguém com aparência humana tocou meus lábios. Abri a boca e disse àquele que estava em pé diante de mim: “Meu senhor, por causa da visão, dores me sobrevieram, e fiquei sem forças.
10:17 Como pode este servo do meu senhor falar com este meu senhor? Agora não me resta força alguma, nem fôlego”.
10:18 Aquele que tinha aparência de homem voltou a me tocar e me fortaleceu.
10:19 Ele disse: “Não tenha medo, homem muito amado! Que a paz esteja com você! Seja forte, seja forte!” Enquanto ele falava comigo, recobrei as forças e disse: “Fale, meu senhor, pois você me fortaleceu”.
10:20 Então ele disse: “Você sabe por que vim até você? Agora voltarei a lutar contra o príncipe da Pérsia. Quando eu sair, virá o príncipe da Grécia.
10:21 Mas vou lhe revelar o que está escrito no livro da verdade. Não há quem me apoie contra esses, a não ser Miguel, o príncipe de vocês.

Capítulo 11
11:1 Quanto a mim, no primeiro ano de Dario, o medo, levantei-me para apoiá-lo e fortalecê-lo.
11:2 Agora vou lhe revelar a verdade: ainda se levantarão três reis na Pérsia, e um quarto será muito mais rico que todos eles. Quando se fortalecer com suas riquezas, incitará todos contra o reino da Grécia.
11:3 Então se levantará um rei poderoso, que governará com grande domínio e fará o que quiser.
11:4 Mas, assim que se estabelecer, seu reino será quebrado e repartido para os quatro ventos dos céus. Não passará aos seus descendentes nem terá o domínio com que ele governou, pois seu reino será arrancado e entregue a outros, além desses.
11:5 O rei do sul se tornará forte, mas um dos seus príncipes se tornará mais forte que ele e governará; seu domínio será um grande domínio.
11:6 Depois de alguns anos, eles farão uma aliança. A filha do rei do sul irá ao rei do norte para estabelecer um acordo. Mas ela não conservará a força do seu braço, e nem ele nem seu braço permanecerão. Ela será entregue, junto com os que a trouxeram, seu pai e aquele que a apoiava naqueles tempos.
11:7 Um rebento das raízes dela se levantará em seu lugar. Ele avançará contra o exército, entrará na fortaleza do rei do norte, agirá contra eles e prevalecerá.
11:8 Também levará cativos para o Egito os deuses deles, suas imagens fundidas e seus objetos preciosos de prata e de ouro. Durante alguns anos, deixará o rei do norte em paz.
11:9 O rei do norte entrará no reino do rei do sul, mas voltará para a sua própria terra.
11:10 Seus filhos se mobilizarão e reunirão uma multidão de grandes exércitos. Um deles avançará, inundará tudo e passará adiante. Ele voltará, e eles levarão a guerra até a sua fortaleza.
11:11 O rei do sul ficará furioso, sairá e lutará contra o rei do norte. Este porá em campo uma grande multidão, mas ela será entregue nas mãos do rei do sul.
11:12 Quando a multidão for levada, o coração dele se encherá de orgulho. Ele derrubará dezenas de milhares, mas não prevalecerá.
11:13 O rei do norte voltará a reunir uma multidão maior que a primeira. Depois de algum tempo, ao fim de alguns anos, virá com certeza, com um grande exército e muitos recursos.
11:14 Naqueles tempos, muitos se levantarão contra o rei do sul. Também os violentos do seu povo se levantarão para fazer cumprir a visão, mas cairão.
11:15 O rei do norte virá, levantará uma rampa de cerco e tomará uma cidade fortificada. As forças do sul não poderão resistir, nem mesmo suas tropas escolhidas; não terão forças para resistir.
11:16 Aquele que vier contra ele fará o que quiser, e ninguém poderá resistir a ele. Ele se estabelecerá na terra gloriosa, com a destruição em sua mão.
11:17 Ele decidirá vir com a força de todo o seu reino, trazendo condições justas de acordo que porá em prática. Dará ao outro uma jovem para arruinar o reino, mas ela não o apoiará nem ficará do seu lado.
11:18 Depois voltará sua atenção para as regiões costeiras e conquistará muitas delas. Mas um comandante porá fim à sua afronta e fará essa afronta recair sobre ele.
11:19 Então ele se voltará para as fortalezas da sua própria terra, mas tropeçará, cairá e não será mais encontrado.
11:20 Em seu lugar se levantará outro, que fará passar um cobrador de tributos pela parte mais esplêndida do reino. Em poucos dias, porém, será destruído, mas não por ira nem em batalha.
11:21 Em seu lugar se levantará um homem desprezível, a quem não terá sido dada a honra real. Ele virá em meio à tranquilidade e se apoderará do reino por meio de intrigas.
11:22 As forças que avançam como uma inundação serão varridas diante dele e destruídas, assim como o príncipe da aliança.
11:23 Depois de feita uma aliança com ele, agirá com engano; subirá e se tornará forte com pouca gente.
11:24 Em meio à tranquilidade, entrará nos lugares mais ricos da província e fará o que não fizeram seus pais nem os pais dos seus pais. Distribuirá entre eles despojos, saques e riquezas e fará planos contra as fortalezas, mas só por algum tempo.
11:25 Ele despertará sua força e seu ânimo contra o rei do sul, com um grande exército. O rei do sul se preparará para a guerra com um exército grande e extremamente poderoso, mas não poderá resistir, pois farão planos contra ele.
11:26 Os que comem das suas iguarias o destruirão. Seu exército transbordará, e muitos cairão mortos.
11:27 Os dois reis terão o coração voltado para o mal e, sentados à mesma mesa, dirão mentiras. Mas isso não prosperará, pois o fim ainda está reservado para o tempo determinado.
11:28 Ele voltará para a sua terra com grandes riquezas, com o coração voltado contra a santa aliança. Agirá contra ela e voltará para a sua terra.
11:29 No tempo determinado, voltará e entrará no sul, mas dessa vez não será como da primeira.
11:30 Navios de Quitim virão contra ele, e ele ficará desanimado. Voltará e se enfurecerá contra a santa aliança e agirá contra ela. Voltará e dará atenção aos que abandonarem a santa aliança.
11:31 Forças enviadas por ele se levantarão, profanarão o santuário, a fortaleza, retirarão o sacrifício contínuo e estabelecerão a abominação devastadora.
11:32 Ele corromperá com adulações os que violam a aliança, mas o povo que conhece o seu Deus se manterá forte e agirá.
11:33 Os sábios do povo instruirão muitos, mas, por algum tempo, cairão pela espada, pelas chamas, pelo cativeiro e pelo saque.
11:34 Quando caírem, receberão um pouco de ajuda, e muitos se unirão a eles com adulações.
11:35 Alguns dos sábios cairão para serem refinados, purificados e embranquecidos até o tempo do fim, pois ainda falta para o tempo determinado.
11:36 O rei fará o que quiser; ele se exaltará e se engrandecerá acima de todo deus. Falará coisas espantosas contra o Deus dos deuses e prosperará até que se complete a indignação, pois o que foi decretado se cumprirá.
11:37 Não fará caso dos deuses dos seus pais, nem do desejo das mulheres, nem de deus algum, pois se engrandecerá acima de todos.
11:38 Em seu lugar, honrará o deus das fortalezas. Honrará um deus que seus pais não conheceram, com ouro, prata, pedras preciosas e objetos de grande valor.
11:39 Atacará as fortalezas mais poderosas com um deus estrangeiro. Aos que reconheceu, dará grandes honras, fará com que governem sobre muitos e repartirá a terra por um preço.
11:40 No tempo do fim, o rei do sul entrará em combate com ele, e o rei do norte se lançará contra ele como uma tempestade, com carros, cavaleiros e muitos navios. Entrará nas terras, inundará tudo e passará adiante.
11:41 Entrará também na terra gloriosa, e muitas terras cairão. Mas estes escaparão da sua mão: Edom, Moabe e a parte principal dos amonitas.
11:42 Ele estenderá a mão contra as terras, e a terra do Egito não escapará.
11:43 Dominará os tesouros escondidos de ouro e de prata e todos os objetos preciosos do Egito. Os líbios e os cuxitas seguirão seus passos.
11:44 Mas notícias do leste e do norte o assustarão, e ele sairá com grande furor para destruir e aniquilar muitos.
11:45 Armará as tendas do seu palácio entre os mares e o monte santo e glorioso. Mas chegará ao seu fim, e não haverá quem o ajude.

Capítulo 12
12:1 Naquele tempo, se levantará Miguel, o grande príncipe que se põe em defesa dos filhos do seu povo. Haverá um tempo de angústia como nunca houve desde que existe nação até aquele tempo. Mas, naquele tempo, o seu povo será liberto: todos os que forem encontrados escritos no livro.
12:2 Muitos dos que dormem no pó da terra despertarão, uns para a vida eterna e outros para vergonha e desprezo eterno.
12:3 Os sábios brilharão como o resplendor do firmamento, e os que conduzirem muitos à justiça, como as estrelas, para todo o sempre.
12:4 Você, porém, Daniel, guarde estas palavras em segredo e sele o livro até o tempo do fim. Muitos correrão de um lado para outro, e o conhecimento aumentará”.
12:5 Então eu, Daniel, olhei e vi outros dois em pé: um de um lado do rio e outro do outro lado.
12:6 Um deles perguntou ao homem vestido de linho, que estava acima das águas do rio: “Quanto tempo falta até o fim dessas maravilhas?”
12:7 Ouvi o homem vestido de linho, que estava acima das águas do rio. Ele levantou a mão direita e a esquerda para os céus e jurou por aquele que vive para sempre: “Será por um tempo, tempos e metade de um tempo. Quando se acabar de quebrar o poder do povo santo, todas essas coisas se cumprirão”.
12:8 Eu ouvi, mas não entendi. Então perguntei: “Meu senhor, qual será o desfecho dessas coisas?”
12:9 Ele respondeu: “Siga seu caminho, Daniel, pois estas palavras estão fechadas e seladas até o tempo do fim.
12:10 Muitos serão purificados, embranquecidos e refinados. Os perversos agirão com perversidade, e nenhum deles entenderá; mas os sábios entenderão.
12:11 Desde o tempo em que for retirado o sacrifício contínuo e estabelecida a abominação devastadora, haverá mil duzentos e noventa dias.
12:12 Bem-aventurado aquele que espera e chega aos mil trezentos e trinta e cinco dias!
12:13 Você, porém, siga seu caminho até o fim. Descansará e se levantará para receber a sua porção no fim dos dias”.

OSÉIAS

Capítulo 1
1:1 Palavra do SENHOR que veio a Oseias, filho de Beeri, nos dias de Uzias, Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá, e nos dias de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel.
1:2 Quando o SENHOR começou a falar por meio de Oseias, disse-lhe: “Vá, tome por esposa uma mulher que se prostitui e tenha filhos de prostituição, pois a terra se entrega à prostituição, afastando-se do SENHOR”.
1:3 Ele foi e tomou por esposa Gômer, filha de Diblaim. Ela engravidou e lhe deu um filho.
1:4 O SENHOR lhe disse: “Dê a ele o nome de Jezreel, pois em breve castigarei a casa de Jeú pelo sangue derramado em Jezreel e porei fim ao reino da casa de Israel.
1:5 Naquele dia, quebrarei o arco de Israel no vale de Jezreel”.
1:6 Ela engravidou novamente e deu à luz uma filha. O SENHOR lhe disse: “Dê a ela o nome de Lo-Ruama, pois não voltarei a ter compaixão da casa de Israel, nem lhes concederei perdão.
1:7 Mas terei compaixão da casa de Judá e os salvarei pelo SENHOR, seu Deus. Não os salvarei por arco, espada, guerra, cavalos ou cavaleiros”.
1:8 Depois de desmamar Lo-Ruama, ela engravidou e deu à luz um filho.
1:9 O SENHOR disse: “Dê a ele o nome de Lo-Ami, pois vocês não são o meu povo, e eu não serei de vocês”.

1:10 Mas o número dos filhos de Israel será como a areia do mar, que não se pode medir nem contar.
   No lugar onde se dizia a eles: “Vocês não são o meu povo”, será dito: “Filhos do Deus vivo”.
1:11 Os filhos de Judá e os filhos de Israel se reunirão, escolherão para si um só chefe e subirão da terra, pois grande será o dia de Jezreel.

Capítulo 2
2:1 Digam aos seus irmãos: “Ami”, e às suas irmãs: “Ruama”.
2:2 “Acusem sua mãe, acusem-na, pois ela não é minha mulher, e eu não sou seu marido.
   Que ela afaste do seu rosto suas prostituições e de entre os seus seios seus adultérios,
2:3 para que eu não a deixe nua como no dia em que nasceu, não a torne como um deserto, não a reduza a uma terra seca e não a faça morrer de sede.
2:4 Não terei compaixão dos seus filhos, pois são filhos de prostituição.
2:5 A mãe deles se prostituiu;
   aquela que os concebeu agiu de modo vergonhoso.
   Ela disse: ‘Irei atrás dos meus amantes, que me dão meu pão e minha água, minha lã e meu linho, meu azeite e minhas bebidas’.
2:6 Por isso, vou cercar o seu caminho com espinhos.
   Erguerei um muro ao redor dela, e ela não encontrará suas veredas.
2:7 Ela irá atrás dos seus amantes, mas não os alcançará;
   procurará por eles, mas não os encontrará.
   Então dirá: ‘Vou voltar para o meu primeiro marido, pois eu estava melhor antes do que agora’.
2:8 Ela não reconheceu que fui eu quem lhe deu o cereal, o vinho novo e o azeite.
   Multipliquei para ela a prata e o ouro que eles usaram para Baal.
2:9 Por isso, tomarei de volta o meu cereal no seu tempo e o meu vinho novo na sua estação.
   Retirarei a minha lã e o meu linho, que cobriam sua nudez.
2:10 Agora exporei sua vergonha diante dos seus amantes, e ninguém a livrará da minha mão.
2:11 Farei cessar toda a sua alegria, suas festas, suas luas novas, seus sábados e todas as suas celebrações determinadas.
2:12 Devastarei suas videiras e suas figueiras, das quais ela disse: ‘São o pagamento que meus amantes me deram’.
   Eu as transformarei em um bosque, e os animais do campo as devorarão.
2:13 Eu a castigarei pelos dias dos baalins, quando ela lhes queimava incenso, se enfeitava com seu anel e seus adornos, ia atrás dos seus amantes e se esquecia de mim”, declara o SENHOR.

2:14 “Por isso, eu a atrairei, a levarei ao deserto e lhe falarei ao coração.
2:15 Dali lhe darei suas vinhas e o vale de Acor como porta de esperança.
   Ali ela responderá como nos dias da sua juventude, como no dia em que subiu da terra do Egito.

2:16 Naquele dia”, declara o SENHOR, “você me chamará ‘Meu marido’ e não me chamará mais ‘Meu Baal’.
2:17 Tirarei da boca dela os nomes dos baalins, e seus nomes não serão mais lembrados.
2:18 Naquele dia, farei para eles uma aliança com os animais do campo, as aves dos céus e os seres que rastejam pela terra.
   Quebrarei o arco, a espada e a guerra, retirando-os da terra, e os farei repousar em segurança.
2:19 Eu a desposarei para sempre;
   eu a desposarei em justiça e direito, em amor fiel e compaixão.
2:20 Eu a desposarei em fidelidade, e você conhecerá o SENHOR.

2:21 Naquele dia, eu responderei”, declara o SENHOR.
   “Responderei aos céus, e eles responderão à terra.
2:22 A terra responderá ao cereal, ao vinho novo e ao azeite, e eles responderão a Jezreel.
2:23 Eu a semearei para mim na terra e terei compaixão de Lo-Ruama.
   Direi a Lo-Ami: ‘Você é o meu povo’, e ele dirá: ‘Meu Deus’”.

Capítulo 3
3:1 O SENHOR me disse outra vez: “Vá e ame uma mulher amada por um companheiro, mas adúltera, assim como o SENHOR ama os filhos de Israel, embora eles se voltem para outros deuses e amem os bolos de passas”.
3:2 Eu a comprei para mim por cerca de cento e setenta e um gramas de prata, cerca de duzentos e vinte litros de cevada e cerca de cento e dez litros de cevada.
3:3 E lhe disse: “Você ficará comigo por muitos dias. Não se prostituirá nem será de homem algum, e eu também serei seu”.
3:4 Pois os filhos de Israel ficarão muitos dias sem rei nem príncipe, sem sacrifício nem coluna sagrada, sem éfode nem ídolos domésticos.
3:5 Depois, os filhos de Israel voltarão e buscarão o SENHOR, seu Deus, e Davi, seu rei. Nos últimos dias, virão tremendo ao SENHOR e à sua bondade.

Capítulo 4
4:1 Ouçam a palavra do SENHOR, filhos de Israel, pois o SENHOR tem uma acusação contra os habitantes da terra: “Não há verdade, nem amor fiel, nem conhecimento de Deus na terra.
4:2 Juramentos falsos, mentiras, assassinatos, roubos e adultérios se alastram, e um derramamento de sangue segue outro.
4:3 Por isso, a terra está de luto, e todos os que nela vivem definham, junto com os animais do campo e as aves dos céus.
   Até os peixes do mar desaparecem.
4:4 Mas que ninguém acuse nem repreenda outro, pois o seu povo é como os que discutem com um sacerdote.
4:5 Você tropeçará de dia, e o profeta também tropeçará com você de noite.
   Eu destruirei sua mãe.
4:6 O meu povo é destruído por falta de conhecimento.
   Porque você rejeitou o conhecimento, eu também o rejeitarei como meu sacerdote.
   Como você se esqueceu da lei do seu Deus, eu também me esquecerei dos seus filhos.
4:7 Quanto mais se multiplicavam, mais pecavam contra mim.
   Trocarei sua glória por vergonha.
4:8 Eles se alimentam do pecado do meu povo, e cada um anseia pela iniquidade desse povo.
4:9 O que acontecer ao povo acontecerá ao sacerdote.
   Eu o castigarei pelos seus caminhos e lhe retribuirei suas ações.
4:10 Comerão, mas não ficarão satisfeitos;
   se prostituirão, mas não se multiplicarão, pois deixaram de dar atenção ao SENHOR.
4:11 A prostituição, o vinho e o vinho novo tiram o entendimento.
4:12 Meu povo consulta sua madeira, e sua vara lhe responde.
   Pois um espírito de prostituição os desviou, e eles se prostituíram, afastando-se do seu Deus.
4:13 Sacrificam no alto dos montes e queimam incenso nas colinas, debaixo de carvalhos, álamos e terebintos, pois sua sombra é boa.
   Por isso, suas filhas se prostituem, e suas noras cometem adultério.
4:14 Não castigarei suas filhas quando se prostituírem, nem suas noras quando cometerem adultério, pois os próprios homens se afastam com prostitutas e sacrificam com prostitutas de culto.
   O povo sem entendimento cairá.
4:15 Embora você se prostitua, Israel, que Judá não se torne culpado.
   Não vão a Gilgal, não subam a Bete-Áven e não jurem: ‘Tão certo como vive o SENHOR!’
4:16 Israel é rebelde como uma novilha indomável.
   Será que agora o SENHOR os apascentará como a um cordeiro num lugar espaçoso?
4:17 Efraim está unido aos ídolos;
   deixe-o.
4:18 Quando acaba sua bebida, eles se entregam completamente à prostituição.
   Seus governantes amam intensamente a desonra.
4:19 O vento a envolveu em suas asas, e eles ficarão envergonhados por causa dos seus sacrifícios”.

Capítulo 5
5:1 “Ouçam isto, sacerdotes!
   Prestem atenção, casa de Israel!
   Escutem, casa do rei!
   Pois o julgamento é contra vocês: vocês foram uma armadilha em Mispa e uma rede estendida sobre o Tabor.
5:2 Os rebeldes se afundaram na matança, mas eu disciplinarei todos eles.
5:3 Eu conheço Efraim, e Israel não está oculto de mim.
   Agora você se prostituiu, Efraim, e Israel se contaminou.
5:4 Suas ações não lhes permitem voltar ao seu Deus, pois um espírito de prostituição está no meio deles, e eles não conhecem o SENHOR.
5:5 A arrogância de Israel testemunha contra ele.
   Israel e Efraim tropeçarão por causa da sua iniquidade;
   Judá também tropeçou com eles.
5:6 Eles irão com suas ovelhas e seu gado à procura do SENHOR, mas não o encontrarão;
   ele se afastou deles.
5:7 Foram infiéis ao SENHOR, pois geraram filhos ilegítimos.
   Agora a lua nova os devorará, junto com suas terras.

5:8 Toquem a trompa em Gibeá e a trombeta em Ramá!
   Deem o alarme em Bete-Áven: ‘Atrás de você, Benjamim!’
5:9 Efraim ficará desolado no dia do castigo.
   Entre as tribos de Israel, dei a conhecer o que é certo.
5:10 Os príncipes de Judá se tornaram como os que mudam os marcos de divisa.
   Derramarei minha ira sobre eles como água.
5:11 Efraim está oprimido, esmagado pelo julgamento, pois decidiu seguir uma ordem.
5:12 Eu sou como traça para Efraim e como podridão para a casa de Judá.
5:13 Quando Efraim viu sua doença e Judá sua ferida, Efraim foi à Assíria e mandou uma mensagem ao rei Jarebe.
   Mas ele não poderá curar vocês nem sarar sua ferida.
5:14 Pois eu serei como um leão para Efraim e como um leão jovem para a casa de Judá.
   Eu, eu mesmo, os despedaçarei e irei embora.
   Levarei a presa, e não haverá quem a livre.
5:15 Irei embora e voltarei para o meu lugar, até que reconheçam sua culpa e busquem meu rosto.
   Em sua angústia, eles me buscarão com empenho”.

Capítulo 6
6:1 “Venham, voltemos para o SENHOR!
   Ele nos despedaçou, mas nos curará;
   ele nos feriu, mas enfaixará nossas feridas.
6:2 Depois de dois dias, nos dará vida;
   no terceiro dia, nos levantará, e viveremos na sua presença.
6:3 Conheçamos e prossigamos em conhecer o SENHOR!
   Sua vinda é tão certa quanto o amanhecer.
   Ele virá a nós como a chuva, como a chuva tardia que rega a terra”.
6:4 “O que farei com você, Efraim?
   O que farei com você, Judá?
   O amor de vocês é como a nuvem da manhã, como o orvalho que logo desaparece.
6:5 Por isso, eu os despedacei por meio dos profetas e os matei com as palavras da minha boca.
   Os juízos contra você sairão como a luz.
6:6 Pois quero misericórdia, e não sacrifício;
   conhecimento de Deus, mais que holocaustos.
6:7 Mas eles, como Adão, transgrediram a aliança;
   ali foram infiéis a mim.
6:8 Gileade é uma cidade de malfeitores, marcada por pegadas de sangue.
6:9 Como bandos de assaltantes que ficam à espreita de um homem, uma companhia de sacerdotes assassina no caminho para Siquém.
   Eles cometeram infâmia.
6:10 Na casa de Israel, vi algo horrível: ali está a prostituição de Efraim;
   Israel se contaminou.
6:11 Também para você, Judá, está marcada uma colheita.
   Quando eu restaurar o bem-estar do meu povo,

Capítulo 7
7:1 quando eu curar Israel, serão reveladas a iniquidade de Efraim e as maldades de Samaria, pois praticam a falsidade.
   O ladrão entra, e uma quadrilha saqueia lá fora.
7:2 Eles não consideram em seu coração que eu me lembro de toda a sua maldade.
   Agora suas ações os cercam e estão diante do meu rosto.
7:3 Com sua maldade, alegram o rei;
   com suas mentiras, os príncipes.
7:4 Todos são adúlteros, como um forno aceso pelo padeiro, que deixa de atiçar o fogo desde que sova a massa até que ela fermente.
7:5 No dia do nosso rei, os príncipes adoeceram com o ardor do vinho, e ele estendeu a mão aos zombadores.
7:6 Prepararam seu coração como um forno enquanto ficam à espreita.
   Seu padeiro dorme toda a noite;
   de manhã, o forno arde como fogo flamejante.
7:7 Todos ardem como um forno e devoram seus juízes.
   Todos os seus reis caíram;
   não há entre eles quem me invoque.
7:8 Efraim se mistura com os povos;
   Efraim se tornou um bolo que não foi virado.
7:9 Estrangeiros devoraram sua força, e ele não sabe.
   Cabelos brancos se espalharam por ele, e ele não sabe.
7:10 A arrogância de Israel testemunha contra ele.
   Mesmo assim, não voltaram ao SENHOR, seu Deus, nem o buscaram.
7:11 Efraim se tornou como uma pomba ingênua, sem entendimento.
   Chamam o Egito e vão à Assíria.
7:12 Quando forem, estenderei minha rede sobre eles;
   eu os farei descer como aves dos céus.
   Eu os disciplinarei conforme o que foi anunciado à sua congregação.

7:13 Ai deles, pois se afastaram de mim!
   Destruição sobre eles, pois se rebelaram contra mim!
   Eu os resgataria, mas eles falaram mentiras contra mim.
7:14 Não clamaram a mim de coração, mas gemem em suas camas.
   Reúnem-se por causa do cereal e do vinho novo e se afastam de mim.
7:15 Eu os treinei e fortaleci seus braços, mas eles tramam o mal contra mim.
7:16 Eles voltam, mas não para o alto.
   Tornaram-se como um arco defeituoso.
   Seus príncipes cairão pela espada por causa da insolência da sua língua.
   Por isso, serão motivo de zombaria na terra do Egito”.

Capítulo 8
8:1 “Leve a trompa aos lábios!
   Como uma águia, ele vem contra a casa do SENHOR, pois transgrediram minha aliança e se rebelaram contra minha lei.
8:2 Israel clama a mim: ‘Meu Deus, nós te conhecemos!’
8:3 Israel rejeitou o bem;
   um inimigo o perseguirá.
8:4 Eles constituíram reis, mas não por mim;
   nomearam príncipes sem que eu soubesse.
   Com sua prata e seu ouro, fizeram ídolos para si, para sua própria destruição.
8:5 Seu bezerro foi rejeitado, Samaria.
   Minha ira se acendeu contra eles.
   Até quando serão incapazes de ser inocentes?
8:6 Pois esse bezerro vem de Israel: um artesão o fez, e ele não é Deus.
   O bezerro de Samaria será despedaçado.
8:7 Pois semeiam vento e colherão tempestade.
   Não terão colheita;
   o broto não produzirá farinha.
   E, se a produzir, estrangeiros a devorarão.
8:8 Israel foi devorado.
   Agora estão entre as nações como uma vasilha que ninguém quer.
8:9 Pois eles subiram à Assíria como um jumento selvagem e solitário.
   Efraim contratou amantes.
8:10 Embora contratem amantes entre as nações, agora eu os reunirei, e começarão a definhar sob a carga do rei dos príncipes.
8:11 Pois Efraim multiplicou altares para pecar;
   eles se tornaram para ele altares para pecar.
8:12 Escrevo para ele as muitas instruções da minha lei, mas elas são consideradas coisa estranha.
8:13 Quanto às ofertas dos meus sacrifícios, eles sacrificam carne e a comem, mas o SENHOR não se agrada deles.
   Agora ele se lembrará da sua iniquidade e castigará seus pecados.
   Eles voltarão ao Egito.
8:14 Israel se esqueceu do seu Criador e construiu palácios;
   Judá multiplicou cidades fortificadas.
   Mas enviarei fogo contra suas cidades, e ele consumirá seus palácios”.

Capítulo 9
9:1 Não se alegre, Israel, com júbilo como os povos, pois você se prostituiu, afastando-se do seu Deus.
   Você amou o pagamento de prostituição em todas as eiras de cereal.
9:2 A eira e o lagar não os alimentarão, e o vinho novo lhe faltará.
9:3 Não permanecerão na terra do SENHOR.
   Efraim voltará ao Egito, e na Assíria comerão alimentos impuros.
9:4 Não derramarão vinho como oferta ao SENHOR, nem seus sacrifícios lhe serão agradáveis.
   Serão para eles como pão de enlutados: todos os que dele comerem ficarão impuros.
   Seu pão será só para eles;
   não entrará na casa do SENHOR.
9:5 O que vocês farão no dia da celebração marcada e no dia da festa do SENHOR?
9:6 Vejam, eles se foram por causa da destruição.
   O Egito os recolherá, Mênfis os sepultará.
   As urtigas tomarão seus tesouros de prata, e espinhos crescerão em suas tendas.
9:7 Chegaram os dias do castigo, chegaram os dias da retribuição;
   Israel saberá disso.
   O profeta é insensato, o homem inspirado é louco, por causa da grandeza da sua iniquidade e da imensa hostilidade.
9:8 O profeta é sentinela de Efraim junto ao meu Deus.
   Há armadilhas de caçador em todos os seus caminhos e hostilidade na casa do seu Deus.
9:9 Eles se corromperam profundamente, como nos dias de Gibeá.
   Ele se lembrará da iniquidade deles e castigará seus pecados.

9:10 “Encontrei Israel como uvas no deserto.
   Vi seus pais como o primeiro figo de uma figueira em sua primeira colheita.
   Mas eles foram a Baal-Peor, consagraram-se à vergonha e se tornaram abomináveis como aquilo que amavam.
9:11 Quanto a Efraim, sua glória voará como uma ave: não haverá nascimento, nem gravidez, nem concepção.
9:12 Mesmo que criem seus filhos, eu os privarei deles, até que não reste ninguém.
   Ai deles também quando eu me afastar deles!
9:13 Efraim, conforme eu o vi, é como Tiro, plantado numa campina.
   Mas Efraim levará seus filhos ao matador”.
9:14 Dá-lhes, SENHOR!
   O que lhes darás?
   Dá-lhes um ventre que aborte e seios secos.
9:15 “Toda a sua maldade está em Gilgal;
   ali eu os odiei.
   Por causa da maldade das suas ações, eu os expulsarei da minha casa.
   Não os amarei mais;
   todos os seus príncipes são rebeldes.
9:16 Efraim foi ferido, sua raiz secou, e não produzirão fruto.
   Mesmo que deem à luz, matarei os filhos queridos do seu ventre”.

9:17 O meu Deus os rejeitará, porque não lhe deram ouvidos, e andarão errantes entre as nações.

Capítulo 10
10:1 Israel é uma videira frondosa que produz fruto para si.
   Quanto mais abundante era seu fruto, mais multiplicava os altares;
   quanto mais prosperava sua terra, mais belas faziam suas colunas sagradas.
10:2 O coração deles está dividido;
   agora carregarão sua culpa.
   Ele derrubará seus altares e destruirá suas colunas sagradas.
10:3 Agora dirão: “Não temos rei, porque não tememos o SENHOR.
   E o rei, o que poderia fazer por nós?”
10:4 Eles dizem palavras, fazem juramentos falsos e estabelecem alianças.
   O juízo brota como erva venenosa nos sulcos do campo.
10:5 Os habitantes de Samaria tremerão por causa das bezerras de Bete-Áven.
   Seu povo ficará de luto pelo ídolo, e seus sacerdotes idólatras, que nele se alegravam, lamentarão sua glória, pois ela se afastou dele.
10:6 Ele também será levado à Assíria como tributo ao rei Jarebe.
   Efraim receberá vergonha, e Israel se envergonhará do seu próprio conselho.
10:7 Quanto a Samaria, seu rei desaparecerá como uma lasca de madeira na superfície da água.
10:8 Os lugares altos de Áven, o pecado de Israel, serão destruídos.
   Espinhos e cardos crescerão sobre seus altares.
   Dirão aos montes: “Cubram-nos!”, e às colinas: “Caiam sobre nós!”

10:9 “Desde os dias de Gibeá, você pecou, Israel.
   Ali eles permaneceram.
   Não os alcançará em Gibeá a guerra contra os filhos da iniquidade?
10:10 Quando eu quiser, eu os disciplinarei.
   Os povos se reunirão contra eles, quando forem amarrados por causa das suas duas iniquidades.
10:11 Efraim é uma novilha treinada que gosta de debulhar.
   Mas eu colocarei um jugo sobre seu belo pescoço.
   Atrelarei Efraim;
   Judá arará, e Jacó lhe quebrará os torrões.
10:12 Semeiem para vocês em justiça, colham segundo a misericórdia.
   Lavrem a terra não cultivada, pois é tempo de buscar o SENHOR, até que ele venha e faça chover justiça sobre vocês.
10:13 Vocês araram a maldade, colheram a injustiça e comeram o fruto da mentira, pois você confiou no seu caminho, na multidão dos seus guerreiros.
10:14 Por isso, um tumulto se levantará entre o seu povo, e todas as suas fortalezas serão devastadas, como Salmã devastou Bete-Arbel no dia da batalha, quando a mãe foi despedaçada junto com seus filhos.
10:15 Assim Betel fará a vocês por causa da sua enorme maldade.
   Ao amanhecer, o rei de Israel será completamente destruído”.

Capítulo 11
11:1 “Quando Israel era menino, eu o amei, e do Egito chamei meu filho.
11:2 Quanto mais os chamavam, mais se afastavam deles.
   Sacrificavam aos baalins e queimavam incenso às imagens esculpidas.
11:3 Fui eu quem ensinou Efraim a andar, tomando-os pelos braços, mas eles não sabiam que eu os curava.
11:4 Eu os atraía com cordas humanas, com laços de amor.
   Fui para eles como quem levanta o jugo de sobre suas queixadas.
   Inclinei-me para ele e lhe dei de comer.
11:5 Ele não voltará à terra do Egito, mas a Assíria será seu rei, pois se recusaram a voltar.
11:6 A espada se voltará contra suas cidades, consumirá seus ferrolhos e os devorará por causa dos seus planos.
11:7 Meu povo está apegado a se afastar de mim.
   Embora o chamem ao Altíssimo, ninguém o exalta.
11:8 Como eu poderia entregar você, Efraim?
   Como poderia abandonar você, Israel?
   Como poderia fazer de você uma Admá, tratar você como Zeboim?
   Meu coração se comove dentro de mim;
   toda a minha compaixão se acende.
11:9 Não executarei o ardor da minha ira, não voltarei a destruir Efraim, pois sou Deus, e não homem, o Santo no meio de você.
   Não entrarei na cidade.
11:10 Eles seguirão o SENHOR, que rugirá como um leão.
   Quando ele rugir, os filhos virão tremendo do oeste.
11:11 Virão tremendo como uma ave do Egito e como uma pomba da terra da Assíria.
   Eu os farei habitar em suas casas”, declara o SENHOR.

11:12 “Efraim me cercou de mentiras, e a casa de Israel, de engano.
   Judá ainda é indócil diante de Deus, diante do Santo fiel.

Capítulo 12
12:1 Efraim se alimenta de vento e persegue o vento do leste.
   O dia inteiro multiplica a mentira e a violência.
   Fazem aliança com a Assíria, e o azeite é levado ao Egito”.
12:2 O SENHOR tem uma acusação contra Judá e castigará Jacó conforme seus caminhos;
   ele lhe retribuirá conforme suas ações.
12:3 No ventre, ele segurou o calcanhar do seu irmão;
   em seu vigor, lutou com Deus.
12:4 Lutou com o anjo e prevaleceu;
   chorou e lhe suplicou.
   Ele o encontrou em Betel, e ali falou conosco.
12:5 O SENHOR é o Deus dos Exércitos;
   SENHOR é o seu nome.
12:6 Você, portanto, volte para o seu Deus.
   Guarde o amor fiel e a justiça e espere sempre no seu Deus.
12:7 O mercador tem na mão balanças fraudulentas e ama a opressão.
12:8 Efraim diz: “Certamente fiquei rico, adquiri riqueza para mim.
   Em todo o meu trabalho, não encontrarão em mim culpa alguma que seja pecado”.
12:9 “Mas eu sou o SENHOR, seu Deus, desde a terra do Egito.
   Eu o farei morar em tendas outra vez, como nos dias da festa marcada.
12:10 Falei aos profetas, multipliquei as visões e, por meio dos profetas, apresentei comparações”.
12:11 Se há iniquidade em Gileade, eles não passam de vaidade.
   Em Gilgal, sacrificam bois;
   seus altares são como montões de pedras nos sulcos do campo.
12:12 Jacó fugiu para os campos de Arã.
   Israel serviu por uma mulher e, por uma mulher, guardou rebanhos.
12:13 Por meio de um profeta, o SENHOR fez Israel subir do Egito e, por meio de um profeta, ele foi guardado.
12:14 Efraim provocou amargamente a ira.
   Seu Senhor deixará sobre ele sua culpa de sangue e lhe retribuirá sua afronta.

Capítulo 13
13:1 Quando Efraim falava, havia tremor;
   ele se exaltou em Israel.
   Mas se tornou culpado por causa de Baal e morreu.
13:2 Agora continuam pecando: com sua prata, fizeram para si uma imagem fundida, ídolos segundo seu próprio engenho, todos obra de artesãos.
   A respeito deles, dizem: “Que os homens que sacrificam beijem os bezerros”.
13:3 Por isso, serão como a nuvem da manhã, como o orvalho que logo desaparece, como a palha que o vendaval leva da eira e como a fumaça que sai por uma abertura.
13:4 “Mas eu sou o SENHOR, seu Deus, desde a terra do Egito.
   Você não reconhecerá outro deus além de mim, pois não há salvador fora de mim.
13:5 Eu conheci você no deserto, numa terra de sequidão.
13:6 Com o pasto que tinham, eles se saciaram;
   saciaram-se, e seu coração se encheu de orgulho.
   Por isso, se esqueceram de mim.
13:7 Fui para eles como um leão;
   como um leopardo, ficarei à espreita junto ao caminho.
13:8 Eu os encontrarei como uma ursa privada dos seus filhotes e lhes rasgarei o peito.
   Ali os devorarei como um leão;
   um animal selvagem os despedaçará.
13:9 Sua ruína, Israel, vem de estar contra mim, contra o seu socorro.
13:10 Onde está agora seu rei, para que salve você em todas as suas cidades?
   E os seus juízes, dos quais você disse: ‘Dá-me um rei e príncipes’?
13:11 Eu lhe dei um rei na minha ira e o tirei no meu furor.

13:12 A iniquidade de Efraim está amarrada;
   seu pecado está guardado.
13:13 Virão sobre ele dores de parto.
   Ele é um filho insensato, pois, chegado o momento, não se apresenta no lugar por onde nascem os filhos.
13:14 Eu os resgatarei do poder do Seol?
   Eu os redimirei da morte?
   Onde estão suas pragas, morte?
   Onde está sua destruição, Seol?
   A compaixão ficará escondida dos meus olhos.
13:15 Embora ele dê fruto entre os seus irmãos, virá o vento do leste, o vento do SENHOR que sobe do deserto.
   Sua nascente secará, e sua fonte se esgotará.
   Ele saqueará o tesouro de todos os objetos preciosos.
13:16 Samaria carregará sua culpa, pois se rebelou contra o seu Deus.
   Cairão pela espada;
   seus pequeninos serão esmagados, e suas mulheres grávidas serão abertas”.

Capítulo 14
14:1 Volte, Israel, para o SENHOR, seu Deus, pois você tropeçou por causa da sua iniquidade.
14:2 Levem palavras com vocês e voltem para o SENHOR.
   Digam-lhe: “Perdoa toda a iniquidade e aceita o que é bom;
   em lugar de novilhos, te ofereceremos as palavras dos nossos lábios.
14:3 A Assíria não nos salvará;
   não montaremos em cavalos.
   Nunca mais diremos à obra das nossas mãos: ‘Nosso Deus’, pois em ti o órfão encontra misericórdia”.
14:4 “Eu curarei sua infidelidade e os amarei de livre vontade, pois minha ira se afastou dele.
14:5 Serei como orvalho para Israel.
   Ele florescerá como o lírio e lançará suas raízes como o Líbano.
14:6 Seus brotos se estenderão;
   seu esplendor será como o da oliveira, e sua fragrância, como a do Líbano.
14:7 Voltarão os que habitavam à sua sombra;
   farão o cereal brotar de novo e florescerão como a videira.
   Sua fama será como a do vinho do Líbano.

14:8 Efraim, o que tenho eu ainda com os ídolos?
   Eu respondo e cuido dele.
   Sou como um cipreste verdejante;
   de mim vem o seu fruto”.
14:9 Quem é sábio para entender estas coisas?
   Quem é prudente para conhecê-las?
   Pois os caminhos do SENHOR são retos: os justos andarão por eles, mas os transgressores tropeçarão neles.

JOEL

Capítulo 1
1:1 Palavra do SENHOR que veio a Joel, filho de Petuel.
1:2 Ouçam isto, anciãos!
   Prestem atenção, todos os habitantes da terra!
   Algo assim aconteceu nos dias de vocês ou nos dias dos seus pais?
1:3 Contem isso aos seus filhos;
   que os seus filhos contem aos filhos deles, e estes, à geração seguinte.
1:4 O que o gafanhoto cortador deixou, o gafanhoto migrador comeu;
   o que o gafanhoto migrador deixou, o gafanhoto devorador comeu;
   e o que o gafanhoto devorador deixou, o gafanhoto destruidor comeu.
1:5 Acordem, bêbados, e chorem!
   Lamentem, todos os que bebem vinho, por causa do vinho doce, pois ele foi tirado da boca de vocês!
1:6 Uma nação poderosa e incontável invadiu minha terra.
   Seus dentes são dentes de leão, e ela tem presas de leão.
1:7 Ela devastou minha videira e arrancou a casca da minha figueira.
   Despiu-a por completo e a lançou fora;
   seus ramos ficaram brancos.
1:8 Lamente-se como uma virgem vestida de pano de saco pelo marido da sua juventude.
1:9 A oferta de cereal e a oferta de vinho cessaram na casa do SENHOR.
   Os sacerdotes, ministros do SENHOR, estão de luto.
1:10 O campo foi devastado, a terra está de luto, pois o cereal foi destruído, o vinho novo secou e o azeite se perdeu.
1:11 Envergonhem-se, lavradores!
   Lamentem, cultivadores de vinhas, pelo trigo e pela cevada, pois a colheita do campo se perdeu!
1:12 A videira secou, a figueira murchou;
   a romãzeira, a palmeira e a macieira, todas as árvores do campo secaram.
   A alegria secou entre os seres humanos.

1:13 Vistam pano de saco e façam luto, sacerdotes!
   Lamentem, ministros do altar!
   Venham, passem a noite vestidos de pano de saco, ministros do meu Deus, pois faltam na casa do seu Deus a oferta de cereal e a oferta de vinho.
1:14 Consagrem um jejum, convoquem uma assembleia.
   Reúnam os anciãos e todos os habitantes da terra na casa do SENHOR, seu Deus, e clamem ao SENHOR.
1:15 Ai daquele dia!
   Pois o dia do SENHOR está perto e virá como destruição da parte do Todo-Poderoso.
1:16 Não foi tirado o alimento diante dos nossos olhos, e a alegria e o júbilo da casa do nosso Deus?
1:17 As sementes mirraram sob os torrões.
   Os depósitos foram devastados, os celeiros foram derrubados, pois o cereal secou.
1:18 Como geme o gado!
   As manadas de bois andam desorientadas, pois não têm pasto;
   também os rebanhos de ovelhas sofrem.
1:19 A ti clamo, SENHOR, pois o fogo consumiu os pastos do deserto, e a chama queimou todas as árvores do campo.
1:20 Até os animais do campo clamam a ti, pois os cursos de água secaram, e o fogo consumiu os pastos do deserto.

Capítulo 2
2:1 Toquem a trompa em Sião e deem o alarme no meu santo monte!
   Tremam todos os habitantes da terra, pois o dia do SENHOR vem;
   ele está perto!
2:2 É dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e densas sombras.
   Como o amanhecer que se estende sobre os montes, vem um povo numeroso e poderoso.
   Nunca houve outro como ele, nem haverá depois dele, pelos anos de geração em geração.
2:3 Diante dele, o fogo devora;
   atrás dele, a chama queima.
   Diante dele, a terra é como o jardim do Éden;
   atrás dele, um deserto desolado.
   Nada lhe escapa.
2:4 Sua aparência é como a de cavalos, e correm como cavaleiros.
2:5 Saltam pelos cumes dos montes com um estrondo como o de carros, com um ruído como o da chama que consome a palha, como um povo poderoso preparado para a batalha.
2:6 Diante dele, os povos se angustiam, e todos os rostos empalidecem.
2:7 Correm como guerreiros, escalam a muralha como homens de guerra.
   Cada um marcha pelo seu caminho, sem se desviar das suas veredas.
2:8 Não empurram uns aos outros;
   cada um segue seu rumo.
   Avançam entre as armas sem se dispersar.
2:9 Lançam-se contra a cidade, correm pela muralha, sobem às casas e entram pelas janelas como um ladrão.
2:10 Diante dele, a terra treme, e os céus se abalam.
   O sol e a lua escurecem, e as estrelas recolhem seu brilho.
2:11 O SENHOR faz ouvir sua voz diante do seu exército, pois seu acampamento é imenso, e poderoso é aquele que cumpre sua palavra.
   O dia do SENHOR é grande e muito terrível;
   quem poderá suportá-lo?
2:12 “Ainda agora”, declara o SENHOR, “voltem para mim de todo o coração, com jejum, choro e lamento.
2:13 Rasguem seu coração, e não suas roupas”.
   Voltem para o SENHOR, seu Deus, pois ele é misericordioso e compassivo, lento para se irar e rico em amor fiel, e desiste de trazer a calamidade.
2:14 Quem sabe ele volte e desista, e deixe atrás de si uma bênção: oferta de cereal e de vinho para o SENHOR, seu Deus?

2:15 Toquem a trompa em Sião, consagrem um jejum, convoquem uma assembleia.
2:16 Reúnam o povo, consagrem a congregação, juntem os anciãos, reúnam os pequeninos e as crianças de peito.
   Saia o noivo do seu quarto, e a noiva, da sua câmara nupcial.
2:17 Entre o pórtico e o altar, chorem os sacerdotes, os ministros do SENHOR, e digam: “Tem compaixão do teu povo, SENHOR!
   Não entregues tua herança à vergonha, para que as nações a dominem.
   Por que diriam entre os povos: ‘Onde está o Deus deles?’”
2:18 Então o SENHOR terá zelo pela sua terra e se compadecerá do seu povo.
2:19 O SENHOR responderá ao seu povo: “Eu lhes envio o cereal, o vinho novo e o azeite, e vocês se saciarão.
   Não farei mais de vocês motivo de vergonha entre as nações.
2:20 Afastarei de vocês aquele que vem do norte e o lançarei numa terra seca e desolada, sua vanguarda para o mar oriental, e sua retaguarda, para o mar ocidental.
   Seu mau cheiro subirá, sua podridão subirá, pois ele fez grandes coisas”.
2:21 Não tenha medo, terra!
   Alegre-se e exulte, pois o SENHOR fez grandes coisas.
2:22 Não tenham medo, animais do campo, pois os pastos do deserto reverdeceram.
   As árvores deram seu fruto;
   a figueira e a videira deram sua abundância.
2:23 Filhos de Sião, alegrem-se e exultem no SENHOR, seu Deus, pois ele lhes deu em justiça a chuva do início da estação.
   Fez descer para vocês a chuva, tanto a do início como a do fim da estação, como antes.
2:24 As eiras se encherão de cereal, e os lagares transbordarão de vinho novo e azeite.
2:25 “Eu lhes restituirei os anos que foram devorados pelo gafanhoto migrador, pelo gafanhoto devorador, pelo gafanhoto destruidor e pelo gafanhoto cortador, meu grande exército que enviei contra vocês.
2:26 Vocês comerão com fartura e ficarão satisfeitos.
   Louvarão o nome do SENHOR, seu Deus, que fez maravilhas por vocês.
   Meu povo jamais será envergonhado.
2:27 Vocês saberão que estou no meio de Israel e que sou o SENHOR, seu Deus, e não há outro.
   Meu povo jamais será envergonhado.

2:28 Depois disso, derramarei meu Espírito sobre toda a carne.
   Seus filhos e suas filhas profetizarão, seus anciãos terão sonhos, e seus jovens terão visões.
2:29 Também sobre os servos e sobre as servas derramarei meu Espírito naqueles dias.
2:30 Farei prodígios nos céus e na terra: sangue, fogo e colunas de fumaça.
2:31 O sol se transformará em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e terrível dia do SENHOR.
2:32 Todo aquele que invocar o nome do SENHOR será salvo.
   Pois no monte Sião e em Jerusalém haverá livramento, como o SENHOR disse, e entre os sobreviventes estarão aqueles que o SENHOR chamar”.

Capítulo 3
3:1 “Naqueles dias e naquele tempo, quando eu restaurar o bem-estar de Judá e de Jerusalém,
3:2 reunirei todas as nações e as farei descer ao vale de Josafá.
   Ali entrarei em juízo com elas por causa do meu povo e da minha herança, Israel, que elas espalharam entre as nações.
   Também repartiram minha terra.
3:3 Lançaram sortes sobre o meu povo, deram um menino por uma prostituta e venderam uma menina por vinho, e beberam.
3:4 O que vocês têm contra mim, Tiro, Sidom e todas as regiões da Filístia?
   Estão me dando uma retribuição?
   Se me retribuem assim, depressa, bem depressa, farei sua retribuição voltar sobre a cabeça de vocês.
3:5 Pois vocês tomaram minha prata e meu ouro e levaram meus tesouros preciosos para os seus templos.
3:6 Venderam os filhos de Judá e os filhos de Jerusalém aos gregos, para afastá-los do seu território.
3:7 Eu os levantarei do lugar para onde vocês os venderam e farei sua retribuição voltar sobre a cabeça de vocês.
3:8 Venderei seus filhos e suas filhas aos filhos de Judá, e eles os venderão aos sabeus, a uma nação distante.
   Pois o SENHOR falou”.

3:9 Proclamem isto entre as nações: “Consagrem a guerra!
   Despertem os guerreiros!
   Aproximem-se e subam todos os homens de guerra!
3:10 Forjem suas relhas de arado em espadas e suas podadeiras em lanças.
   Que o fraco diga: ‘Eu sou forte!’
3:11 Apressem-se e venham, todas as nações ao redor, e reúnam-se”.
   Faze descer ali os teus guerreiros, SENHOR!
3:12 “Despertem as nações e subam ao vale de Josafá, pois ali me assentarei para julgar todas as nações ao redor.
3:13 Metam a foice, pois a colheita está madura.
   Venham, pisem, pois o lagar está cheio;
   as cubas transbordam, pois a maldade deles é grande”.
3:14 Multidões, multidões no vale da decisão!
   Pois o dia do SENHOR está perto, no vale da decisão.
3:15 O sol e a lua escurecem, e as estrelas recolhem seu brilho.
3:16 O SENHOR rugirá de Sião e fará ouvir sua voz de Jerusalém;
   os céus e a terra tremerão.
   Mas o SENHOR será refúgio para o seu povo e fortaleza para os filhos de Israel.
3:17 “Vocês saberão que sou o SENHOR, seu Deus, que habito em Sião, meu santo monte.
   Jerusalém será santa, e estrangeiros não passarão mais por ela.

3:18 Naquele dia, os montes destilarão vinho doce, das colinas fluirá leite, e por todos os cursos de água de Judá correrá água.
   Uma fonte sairá da casa do SENHOR e regará o vale de Sitim.
3:19 O Egito ficará desolado, e Edom se tornará um deserto desolado, por causa da violência contra os filhos de Judá, pois derramaram sangue inocente na terra deles.
3:20 Mas Judá será habitada para sempre, e Jerusalém, de geração em geração.
3:21 Purificarei o sangue deles, que eu não havia purificado.
   O SENHOR habita em Sião”.

AMÓS

Capítulo 1
1:1 Palavras de Amós, um dos pastores de Tecoa, a respeito do que viu sobre Israel nos dias de Uzias, rei de Judá, e de Jeroboão, filho de Joás, rei de Israel, dois anos antes do terremoto.
1:2 Ele disse:
 “O SENHOR rugirá de Sião e fará ouvir sua voz de Jerusalém.
   Os pastos dos pastores ficarão de luto, e o cume do Carmelo secará”.

1:3 Assim diz o SENHOR: “Por três transgressões de Damasco e por quatro, não revogarei o castigo, pois debulharam Gileade com trilhos de ferro.
1:4 Enviarei fogo contra a casa de Hazael, e ele consumirá os palácios de Ben-Hadade.
1:5 Quebrarei o ferrolho de Damasco, eliminarei o habitante do vale de Áven e aquele que segura o cetro em Bete-Éden.
   O povo de Arã será levado para o exílio em Quir”, diz o SENHOR.

1:6 Assim diz o SENHOR: “Por três transgressões de Gaza e por quatro, não revogarei o castigo, pois levaram uma população inteira para o exílio, a fim de entregá-la a Edom.
1:7 Enviarei fogo contra a muralha de Gaza, e ele consumirá seus palácios.
1:8 Eliminarei o habitante de Asdode e aquele que segura o cetro em Asquelom.
   Voltarei minha mão contra Ecrom, e os filisteus que restarem perecerão”, diz o Senhor, o SENHOR.

1:9 Assim diz o SENHOR: “Por três transgressões de Tiro e por quatro, não revogarei o castigo, pois entregaram a Edom uma população inteira de cativos e não se lembraram da aliança de irmãos.
1:10 Enviarei fogo contra a muralha de Tiro, e ele consumirá seus palácios”.

1:11 Assim diz o SENHOR: “Por três transgressões de Edom e por quatro, não revogarei o castigo, pois perseguiu seu irmão com a espada e eliminou sua compaixão.
   Sua ira despedaçava sem cessar, e ele guardou seu furor para sempre.
1:12 Enviarei fogo contra Temã, e ele consumirá os palácios de Bozra”.

1:13 Assim diz o SENHOR: “Por três transgressões dos filhos de Amom e por quatro, não revogarei o castigo, pois abriram as mulheres grávidas de Gileade para ampliar seu território.
1:14 Acenderei fogo na muralha de Rabá, e ele consumirá seus palácios, em meio a gritos de guerra no dia da batalha, em meio à tempestade no dia da tormenta.
1:15 Seu rei irá para o exílio, ele e seus príncipes juntos”, diz o SENHOR.

Capítulo 2
2:1 Assim diz o SENHOR: “Por três transgressões de Moabe e por quatro, não revogarei o castigo, pois queimou os ossos do rei de Edom até reduzi-los a cal.
2:2 Enviarei fogo contra Moabe, e ele consumirá os palácios de Queriote.
   Moabe morrerá em meio ao tumulto, aos gritos de guerra e ao som da trompa.
2:3 Eliminarei o juiz do meio dele e matarei com ele todos os seus príncipes”, diz o SENHOR.

2:4 Assim diz o SENHOR: “Por três transgressões de Judá e por quatro, não revogarei o castigo, pois rejeitaram a lei do SENHOR e não guardaram seus estatutos.
   Suas mentiras os fizeram se desviar, as mesmas que seus antepassados seguiram.
2:5 Enviarei fogo contra Judá, e ele consumirá os palácios de Jerusalém”.

2:6 Assim diz o SENHOR: “Por três transgressões de Israel e por quatro, não revogarei o castigo, pois vendem o justo por dinheiro e o necessitado por um par de sandálias.
2:7 Cobiçam até o pó da terra sobre a cabeça dos pobres e pervertem o caminho dos humildes.
   Um homem e seu pai vão à mesma jovem, profanando meu santo nome.
2:8 Deitam-se sobre roupas tomadas como garantia junto a todo altar e, na casa de seu Deus, bebem o vinho dos que foram multados.
2:9 Eu destruí diante deles o amorreu, cuja altura era como a dos cedros e que era forte como os carvalhos.
   Destruí seu fruto por cima e suas raízes por baixo.
2:10 Eu fiz vocês subirem da terra do Egito e os conduzi pelo deserto durante quarenta anos, para que tomassem posse da terra do amorreu.
2:11 Levantei profetas dentre seus filhos e nazireus dentre seus jovens.
   Não é assim, filhos de Israel?
   — declara o SENHOR.
2:12 Mas vocês deram vinho aos nazireus e ordenaram aos profetas: ‘Não profetizem’.
2:13 Eis que vou esmagá-los onde estão, como esmaga uma carroça carregada de feixes.
2:14 O veloz não terá como fugir, o forte não poderá usar sua força, e o guerreiro não salvará sua vida.
2:15 Quem empunha o arco não resistirá, o ligeiro de pés não escapará, e quem monta a cavalo não salvará sua vida.
2:16 Até o mais corajoso entre os guerreiros fugirá nu naquele dia”, declara o SENHOR.

Capítulo 3
3:1 Ouçam esta palavra que o SENHOR pronunciou contra vocês, filhos de Israel, contra toda a família que fiz subir da terra do Egito:
3:2 “Somente a vocês conheci dentre todas as famílias da terra.
   Por isso, castigarei vocês por todas as suas iniquidades”.
3:3 Duas pessoas andam juntas sem terem combinado?
3:4 Um leão ruge no bosque sem ter uma presa?
   Um leão novo faz ouvir sua voz da toca sem ter apanhado nada?
3:5 Uma ave cai numa armadilha no chão se não houver isca para ela?
   Uma armadilha se levanta do chão sem ter apanhado nada?
3:6 Se a trompa for tocada numa cidade, o povo não tremerá?
   Se uma calamidade acontecer numa cidade, não terá sido o SENHOR quem a causou?
3:7 Pois o Senhor, o SENHOR, não faz coisa alguma sem revelar seu segredo aos seus servos, os profetas.
3:8 O leão rugiu: quem não temerá?
   O Senhor, o SENHOR, falou: quem não profetizará?
3:9 Proclamem nos palácios de Asdode e nos palácios da terra do Egito e digam: “Reúnam-se nos montes de Samaria e vejam os grandes tumultos dentro dela e as opressões em seu meio”.
3:10 “Não sabem fazer o que é reto — declara o SENHOR — aqueles que acumulam violência e saque em seus palácios”.

3:11 Por isso, assim diz o Senhor, o SENHOR: “Um inimigo cercará a terra, tirará de você sua força, e seus palácios serão saqueados”.
3:12 Assim diz o SENHOR: “Como um pastor resgata da boca do leão duas patas ou um pedaço de orelha, assim serão resgatados os filhos de Israel que se sentam em Samaria, no canto de uma cama, e em Damasco, num divã.
3:13 Ouçam e testemunhem contra a casa de Jacó — declara o Senhor, o SENHOR, Deus dos Exércitos.
3:14 Pois, no dia em que eu castigar Israel por suas transgressões, também castigarei os altares de Betel.
   Os chifres do altar serão cortados e cairão no chão.
3:15 Derrubarei a casa de inverno junto com a casa de verão.
   As casas de marfim perecerão, e muitas casas desaparecerão”, declara o SENHOR.

Capítulo 4
4:1 Ouçam esta palavra, vacas de Basã que estão no monte de Samaria, que oprimem os pobres, esmagam os necessitados e dizem a seus senhores: “Traga, e vamos beber”.
4:2 O Senhor, o SENHOR, jurou por sua santidade: “Eis que vêm dias sobre vocês em que as levarão com ganchos, e as últimas de vocês, com anzóis de pesca.
4:3 Vocês sairão pelas brechas, cada uma seguindo em frente, e se lançarão para Harmom”, declara o SENHOR.
4:4 “Vão a Betel e transgridam;
   em Gilgal, multipliquem as transgressões.
   Tragam seus sacrifícios todas as manhãs e seus dízimos a cada três dias.
4:5 Queimem pão com fermento como oferta de gratidão;
   proclamem ofertas voluntárias, divulguem-nas, pois é disso que vocês gostam, filhos de Israel”, declara o Senhor, o SENHOR.
4:6 “Eu também deixei vocês de dentes limpos em todas as suas cidades e sem pão em todos os seus lugares.
   Mas vocês não voltaram para mim”, declara o SENHOR.
4:7 “Também retive de vocês a chuva quando ainda faltavam três meses para a colheita.
   Fiz chover sobre uma cidade, mas sobre outra não fiz chover.
   Um campo recebia chuva, e o campo sobre o qual não chovia secava.
4:8 De duas ou três cidades, as pessoas iam cambaleando a uma cidade para beber água, mas não se saciavam.
   Mas vocês não voltaram para mim”, declara o SENHOR.
4:9 “Castiguei vocês com queima e ferrugem.
   O gafanhoto cortador devorou suas muitas hortas e vinhas, suas figueiras e oliveiras.
   Mas vocês não voltaram para mim”, declara o SENHOR.

4:10 “Enviei entre vocês uma peste como a do Egito;
   matei seus jovens à espada enquanto seus cavalos eram levados cativos.
   Fiz subir o mau cheiro de seus acampamentos até suas narinas.
   Mas vocês não voltaram para mim”, declara o SENHOR.
4:11 “Causei destruição entre vocês, como Deus destruiu Sodoma e Gomorra, e vocês foram como um tição resgatado do incêndio.
   Mas vocês não voltaram para mim”, declara o SENHOR.

4:12 “Por isso, assim farei com você, Israel.
   E, porque farei isso com você, prepare-se para se encontrar com seu Deus, Israel”.
4:13 Pois eis aquele que forma os montes, cria o vento e revela ao ser humano qual é seu pensamento, que transforma o amanhecer em escuridão e pisa as alturas da terra: SENHOR, Deus dos Exércitos, é seu nome.

Capítulo 5
5:1 Ouçam esta palavra que levanto como lamentação sobre vocês, casa de Israel:
5:2 “A virgem de Israel caiu e não voltará a se levantar.
   Está abandonada em sua terra;
   não há quem a levante”.
5:3 Pois assim diz o Senhor, o SENHOR: “A cidade que sai com mil ficará com cem, e a que sai com cem ficará com dez, para a casa de Israel”.

5:4 Pois assim diz o SENHOR à casa de Israel: “Busquem-me e vivam.
5:5 Não busquem Betel, não entrem em Gilgal nem passem a Berseba, pois Gilgal certamente irá para o exílio, e Betel será reduzida a nada”.
5:6 Busquem o SENHOR e vivam, para que ele não avance como fogo contra a casa de José e a consuma, sem que haja quem o apague em Betel.
5:7 Vocês transformam o juízo em absinto e lançam a justiça por terra.
5:8 Aquele que fez as Plêiades e o Órion, que transforma as trevas profundas em amanhecer e escurece o dia até torná-lo noite, que chama as águas do mar e as derrama sobre a face da terra: SENHOR é seu nome.

5:9 Ele faz irromper a destruição sobre o forte, e a destruição vem sobre a fortaleza.
5:10 Odeiam quem os repreende à porta da cidade e detestam quem fala com integridade.
5:11 Por isso, porque vocês pisoteiam o pobre e dele exigem um tributo de cereal, construíram casas de pedras lavradas, mas não morarão nelas;
   plantaram belas vinhas, mas não beberão seu vinho.
5:12 “Pois conheço suas muitas transgressões e seus graves pecados: oprimem o justo, aceitam suborno e negam aos necessitados o direito à porta da cidade”.
5:13 Por isso, o prudente se cala naquele tempo, pois é um tempo mau.
5:14 Busquem o bem, e não o mal, para que vivam.
   Assim o SENHOR, Deus dos Exércitos, estará com vocês, como vocês dizem.
5:15 Odeiem o mal, amem o bem e estabeleçam o juízo à porta da cidade.
   Talvez o SENHOR, Deus dos Exércitos, tenha compaixão do remanescente de José.

5:16 Por isso, assim diz o SENHOR, Deus dos Exércitos, o Senhor: “Em todas as praças haverá lamentação, e em todas as ruas dirão: ‘Ai!
   Ai!’.
   Chamarão o lavrador para o luto e os que sabem prantear para a lamentação.
5:17 Em todas as vinhas haverá lamentação, pois passarei pelo meio de você”, diz o SENHOR.

5:18 Ai dos que desejam o dia do SENHOR!
   Para que vocês querem o dia do SENHOR?
   Será trevas, e não luz.
5:19 Será como um homem que foge de um leão e encontra um urso;
   entra em casa, apoia a mão na parede, e uma cobra o morde.
5:20 O dia do SENHOR não será trevas, e não luz, escuridão sem nenhum brilho?
5:21 “Odeio, rejeito suas festas e não me agrado de suas assembleias solenes.
5:22 Ainda que me ofereçam holocaustos e suas ofertas de cereal, não os aceitarei, nem olharei para as ofertas de paz de seus animais cevados.
5:23 Afaste de mim o barulho de seus cânticos, pois não ouvirei a música de suas harpas.
5:24 Que o juízo corra como as águas, e a justiça, como um rio perene.
5:25 Foi a mim que vocês apresentaram sacrifícios e ofertas de cereal no deserto durante quarenta anos, casa de Israel?
5:26 Vocês carregaram Sicute, seu rei, e Quium, a estrela de seu deus, as imagens que fizeram para vocês mesmos.
5:27 Eu levarei vocês para o exílio além de Damasco”, diz o SENHOR, cujo nome é Deus dos Exércitos.

Capítulo 6
6:1 Ai dos que vivem tranquilos em Sião e dos que se sentem seguros no monte de Samaria, os notáveis da primeira das nações, a quem recorre a casa de Israel!
6:2 Passem a Calné e vejam;
   dali, vão à grande Hamate e desçam a Gate dos filisteus.
   São eles melhores que estes reinos?
   Ou seu território é maior que o território de vocês?
6:3 Vocês afastam o dia da calamidade, mas aproximam o trono da violência.
6:4 Deitam-se em camas de marfim e se espreguiçam em seus divãs;
   comem cordeiros do rebanho e bezerros do curral de engorda.
6:5 Improvisam ao som da harpa e, como Davi, inventam para si instrumentos musicais.
6:6 Bebem vinho em grandes taças e se ungem com os melhores óleos, mas não se afligem com a ruína de José.
6:7 Por isso, agora irão para o exílio à frente dos exilados, e cessará o banquete dos que se espreguiçam.

6:8 O Senhor, o SENHOR, jurou por si mesmo.
   O SENHOR, Deus dos Exércitos, declara: “Detesto a soberba de Jacó e odeio seus palácios.
   Entregarei a cidade e tudo o que nela há”.
6:9 Se restarem dez homens numa casa, eles morrerão.
6:10 Seu tio, o encarregado de queimá-lo, o levará para tirar os ossos da casa.
   Dirá a quem estiver no fundo da casa: “Há mais alguém com você?”.
   Este responderá: “Ninguém”.
   Então aquele dirá: “Silêncio!
   Pois não se deve mencionar o nome do SENHOR”.
6:11 Pois eis que o SENHOR dá a ordem: fará a casa grande em pedaços e abrirá fendas na casa pequena.
6:12 Acaso os cavalos correm sobre a rocha?
   Alguém a ara com bois?
   Pois vocês transformaram o juízo em veneno e o fruto da justiça em absinto.
6:13 Vocês se alegram por Lo-Debar e dizem: “Não foi com nossa força que tomamos Carnaim para nós?”.
6:14 “Eis que levantarei contra vocês, casa de Israel — declara o SENHOR, Deus dos Exércitos —, uma nação que os oprimirá desde a entrada de Hamate até o ribeiro do Arabá”.

Capítulo 7
7:1 Isto o Senhor, o SENHOR, me mostrou: eis que ele formava gafanhotos quando começava a brotar a erva tardia; era a erva tardia depois das ceifas do rei.
7:2 Quando acabaram de devorar a erva da terra, eu disse: “Senhor, SENHOR, perdoa, por favor. Como Jacó se manterá de pé? Pois ele é pequeno”.
7:3 O SENHOR desistiu disso. “Não acontecerá”, disse o SENHOR.
7:4 Isto o Senhor, o SENHOR, me mostrou: eis que o Senhor, o SENHOR, convocava um julgamento pelo fogo. O fogo consumiu o grande abismo e consumiu a porção de terra.
7:5 Então eu disse: “Senhor, SENHOR, para, por favor. Como Jacó se manterá de pé? Pois ele é pequeno”.
7:6 O SENHOR desistiu disso. “Isso também não acontecerá”, disse o Senhor, o SENHOR.
7:7 Isto ele me mostrou: eis que o Senhor estava de pé sobre um muro levantado a prumo, com um prumo na mão.
7:8 O SENHOR me perguntou: “O que você vê, Amós?”. Respondi: “Um prumo”. Então o Senhor disse: “Eis que porei um prumo no meio do meu povo Israel; não voltarei a poupá-lo.
7:9 Os lugares altos de Isaque ficarão desolados, os santuários de Israel serão arrasados, e me levantarei com a espada contra a casa de Jeroboão”.
7:10 Amazias, sacerdote de Betel, mandou dizer a Jeroboão, rei de Israel: “Amós conspirou contra você no meio da casa de Israel. A terra não pode suportar todas as suas palavras.
7:11 Pois assim diz Amós: ‘Jeroboão morrerá à espada, e Israel certamente irá para o exílio, longe de sua terra’”.
7:12 Amazias disse a Amós: “Vidente, vá embora, fuja para a terra de Judá; coma pão ali e profetize ali.
7:13 Mas não volte a profetizar em Betel, pois é santuário do rei e templo do reino”.
7:14 Amós respondeu a Amazias: “Eu não era profeta nem filho de profeta; era boiadeiro e cultivador de sicômoros.
7:15 O SENHOR me tirou de detrás do rebanho, e o SENHOR me disse: ‘Vá e profetize ao meu povo Israel’.
7:16 Agora, ouça a palavra do SENHOR. Você diz: ‘Não profetize contra Israel nem pregue contra a casa de Isaque’.
7:17 Por isso, assim diz o SENHOR: ‘Sua mulher se prostituirá na cidade, seus filhos e suas filhas cairão à espada, e sua terra será repartida a cordel. Você morrerá numa terra impura, e Israel certamente irá para o exílio, longe de sua terra’”.

Capítulo 8
8:1 Isto o Senhor, o SENHOR, me mostrou: eis um cesto de frutas de verão.
8:2 Ele perguntou: “O que você vê, Amós?”. Respondi: “Um cesto de frutas de verão”. Então o SENHOR me disse: “Chegou o fim para o meu povo Israel; não voltarei a poupá-lo.
8:3 Naquele dia, os cânticos do templo se tornarão lamentos — declara o Senhor, o SENHOR. Haverá muitos cadáveres; serão lançados por toda parte. Silêncio!”

8:4 Ouçam isto, vocês que devoram o necessitado e fazem desaparecer os pobres da terra,
8:5 dizendo: “Quando passará a lua nova, para vendermos cereal, e o sábado, para pormos o trigo à venda, para diminuirmos a medida de cereal, aumentarmos o peso da prata e falsearmos as balanças com engano,
8:6 para comprarmos os pobres por dinheiro e o necessitado por um par de sandálias, e vendermos até os restos do trigo?”.
8:7 O SENHOR jurou pelo orgulho de Jacó: “Jamais esquecerei nenhuma de suas obras.
8:8 Por causa disso, não tremerá a terra, e não ficará de luto todo o que nela habita?
   Ela toda se elevará como o Nilo, se agitará e baixará como o Nilo do Egito.

8:9 Naquele dia — declara o Senhor, o SENHOR — farei o sol se pôr ao meio-dia e escurecerei a terra em pleno dia.
8:10 Transformarei suas festas em luto e todos os seus cânticos em lamentação;
   cobrirei toda cintura com pano de saco e deixarei toda cabeça calva.
   Farei que isso seja como luto por um filho único, e seu fim, como um dia amargo.
8:11 Eis que vêm dias — declara o Senhor, o SENHOR — em que enviarei fome à terra, não fome de pão nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR.
8:12 Vagarão de mar a mar e do norte ao oriente;
   andarão de um lado para outro buscando a palavra do SENHOR, mas não a encontrarão.
8:13 Naquele dia, as belas virgens e os jovens desmaiarão de sede.
8:14 Os que juram pelo pecado de Samaria e dizem: ‘Pela vida do seu deus, Dã!’ e ‘Pela vida do caminho de Berseba!’ cairão e não voltarão a se levantar”.

Capítulo 9
9:1 Vi o Senhor de pé sobre o altar, e ele disse: “Golpeie o capitel, para que as soleiras tremam, e faça-os em pedaços sobre a cabeça de todos eles.
   Matarei à espada os que restarem;
   nenhum deles conseguirá fugir, nenhum fugitivo escapará.
9:2 Ainda que cavem até o Seol, de lá minha mão os tirará;
   ainda que subam aos céus, de lá os farei descer.
9:3 Ainda que se escondam no cume do Carmelo, lá os buscarei e os tomarei;
   ainda que se ocultem dos meus olhos no fundo do mar, lá ordenarei à serpente que os morda.
9:4 Ainda que vão para o cativeiro diante de seus inimigos, lá ordenarei à espada que os mate.
   Fixarei meu olhar sobre eles para o mal, e não para o bem”.
9:5 O Senhor, o SENHOR dos Exércitos, toca a terra, e ela se derrete;
   todos os seus habitantes ficam de luto.
   Ela toda se eleva como o Nilo e baixa como o Nilo do Egito.
9:6 Ele constrói nos céus seus aposentos elevados e estabelece sua abóbada sobre a terra;
   chama as águas do mar e as derrama sobre a face da terra.
   SENHOR é seu nome.
9:7 “Vocês não são para mim como os filhos dos cuxitas, filhos de Israel?
   — declara o SENHOR.
   Não fiz subir Israel da terra do Egito, os filisteus de Caftor e Arã de Quir?
9:8 Eis que os olhos do Senhor, o SENHOR, estão sobre o reino pecador, e eu o destruirei da face da terra.
   Mas não destruirei por completo a casa de Jacó — declara o SENHOR.
9:9 Pois eis que darei a ordem e sacudirei a casa de Israel entre todas as nações, como se sacode o cereal numa peneira, sem que uma só pedrinha caia no chão.
9:10 Todos os pecadores do meu povo morrerão à espada, os que dizem: ‘A calamidade não se aproximará nem nos alcançará’.
9:11 Naquele dia, levantarei a tenda caída de Davi, fecharei suas brechas, levantarei suas ruínas e a reconstruirei como nos dias antigos,
9:12 para que tomem posse do remanescente de Edom e de todas as nações sobre as quais meu nome é invocado — declara o SENHOR, que faz isso.

9:13 Eis que vêm dias — declara o SENHOR — em que o lavrador alcançará o ceifeiro, e o que pisa as uvas, o que lança a semente.
   Os montes destilarão vinho doce, e todas as colinas se derreterão.
9:14 Restaurarei o bem-estar do meu povo Israel.
   Reconstruirão as cidades desoladas e morarão nelas;
   plantarão vinhas e beberão seu vinho;
   cultivarão hortas e comerão seu fruto.
9:15 Eu os plantarei em sua terra, e não voltarão a ser arrancados da terra que lhes dei”, diz o SENHOR, seu Deus.

OBADIAS

Capítulo 1
1:1 Visão de Obadias.
   Assim diz o Senhor, o SENHOR, a respeito de Edom: Ouvimos uma mensagem do SENHOR, e um mensageiro foi enviado entre as nações: “Levantem-se!
   Vamos nos levantar contra ela para a guerra!”.
1:2 “Eis que fiz você pequeno entre as nações;
   você é muito desprezado.
1:3 A soberba do seu coração enganou você, que mora nas fendas da rocha, cuja morada está nas alturas, que diz em seu coração: ‘Quem me fará descer à terra?’.
1:4 Ainda que você se eleve como a águia e ponha seu ninho entre as estrelas, de lá o farei descer — declara o SENHOR.
1:5 Se ladrões viessem a você, se salteadores viessem de noite — como você foi destruído!
   —, não roubariam apenas o que lhes bastasse?
   Se os que colhem uvas viessem a você, não deixariam alguns cachos?
1:6 Como Esaú foi vasculhado!
   Como seus tesouros escondidos foram procurados!
1:7 Todos os seus aliados expulsaram você até a fronteira;
   os que estavam em paz com você o enganaram e prevaleceram contra você.
   Os que comiam seu pão puseram uma armadilha debaixo de você.
   Não há entendimento nele.
1:8 Naquele dia — declara o SENHOR — não destruirei os sábios de Edom e o entendimento do monte de Esaú?
1:9 Seus guerreiros ficarão aterrorizados, Temã, para que todo homem do monte de Esaú seja exterminado pela matança.
1:10 Por causa da violência contra seu irmão Jacó, a vergonha cobrirá você, e você será eliminado para sempre.
1:11 No dia em que você ficou à parte, no dia em que estrangeiros levaram sua riqueza, em que forasteiros entraram por suas portas e lançaram sortes sobre Jerusalém, você também era como um deles.
1:12 Não olhe com satisfação para o dia de seu irmão, o dia de sua desgraça;
   não se alegre com os filhos de Judá no dia de sua ruína, nem se vanglorie no dia da angústia.
1:13 Não entre pela porta do meu povo no dia de sua calamidade;
   não olhe você também com satisfação para sua desgraça no dia de sua calamidade, nem estenda a mão às suas riquezas no dia de sua calamidade.
1:14 Não se ponha na encruzilhada para exterminar seus fugitivos, nem entregue seus sobreviventes no dia da angústia.
1:15 Pois o dia do SENHOR está perto sobre todas as nações.
   Como você fez, assim se fará com você;
   sua retribuição voltará sobre sua cabeça.
1:16 Pois, assim como vocês beberam no meu santo monte, todas as nações beberão continuamente;
   beberão e engolirão, e serão como se nunca tivessem existido.
1:17 Mas no monte Sião haverá livramento, e ele será santo.
   A casa de Jacó tomará posse de suas heranças.
1:18 A casa de Jacó será fogo, a casa de José será chama, e a casa de Esaú será palha.
   Incendiarão e consumirão os da casa de Esaú, e não restará sobrevivente da casa de Esaú, pois o SENHOR falou.
1:19 Os do Neguebe tomarão posse do monte de Esaú, e os da Sefelá, dos filisteus.
   Tomarão posse dos campos de Efraim e dos campos de Samaria, e Benjamim tomará posse de Gileade.
1:20 Os exilados deste exército dos filhos de Israel tomarão posse da terra dos cananeus até Sarepta;
   os exilados de Jerusalém que estão em Sefarade tomarão posse das cidades do Neguebe.
1:21 Libertadores subirão ao monte Sião para julgar o monte de Esaú, e o reino será do SENHOR”.

JONAS

Capítulo 1
1:1 A palavra do SENHOR veio a Jonas, filho de Amitai, dizendo:
1:2 “Levante-se, vá a Nínive, a grande cidade, e proclame contra ela, pois sua maldade subiu à minha presença”.
1:3 Mas Jonas se levantou para fugir para Társis, para longe da presença do SENHOR. Desceu a Jope e encontrou um navio que ia para Társis; pagou a passagem e desceu para dentro dele, para ir com eles a Társis, para longe da presença do SENHOR.
1:4 O SENHOR lançou um forte vento sobre o mar, e houve uma grande tempestade no mar; o navio ameaçava se despedaçar.
1:5 Os marinheiros ficaram com medo, e cada um clamou ao seu deus. Lançaram ao mar a carga que havia no navio para aliviar o peso sobre eles. Mas Jonas havia descido ao fundo do navio, tinha se deitado e dormia profundamente.
1:6 O capitão se aproximou dele e disse: “Como você pode estar dormindo? Levante-se, invoque seu Deus! Talvez Deus cuide de nós, e não pereçamos”.
1:7 Disseram uns aos outros: “Venham, vamos lançar sortes para saber por causa de quem nos veio esta calamidade”. Lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Jonas.
1:8 Disseram a ele: “Diga-nos, por favor, por causa de quem nos veio esta calamidade. Qual é sua ocupação? De onde você vem? Qual é sua terra? De que povo você é?”.
1:9 Ele respondeu: “Sou hebreu e temo o SENHOR, Deus dos céus, que fez o mar e a terra seca”.
1:10 Os homens ficaram com muito medo e disseram: “O que você fez?”. Pois sabiam que ele fugia da presença do SENHOR, porque ele lhes havia contado.
1:11 Perguntaram: “O que faremos com você para que o mar se acalme para nós?”. Pois o mar ficava cada vez mais agitado.
1:12 Ele respondeu: “Levantem-me e lancem-me ao mar, e o mar se acalmará para vocês. Pois sei que é por minha causa que esta grande tempestade veio sobre vocês”.
1:13 Os homens remaram com força para voltar à terra seca, mas não conseguiram, pois o mar ficava cada vez mais agitado contra eles.
1:14 Então clamaram ao SENHOR: “Ah, SENHOR, nós te rogamos: não nos deixes perecer por causa da vida deste homem, nem ponhas sobre nós sangue inocente. Pois tu, SENHOR, fizeste como quiseste”.
1:15 Levantaram Jonas e o lançaram ao mar, e o mar cessou sua fúria.
1:16 Os homens temeram muito o SENHOR, ofereceram um sacrifício ao SENHOR e fizeram votos.
1:17 O SENHOR designou um grande peixe para engolir Jonas, e Jonas esteve no ventre do peixe três dias e três noites.

Capítulo 2
2:1 Jonas orou ao SENHOR, seu Deus, do ventre do peixe,
2:2 e disse: “Na minha angústia, clamei ao SENHOR, e ele me respondeu.
   Do ventre do Seol pedi socorro, e tu ouviste minha voz.
2:3 Tu me lançaste nas profundezas, no coração dos mares, e a corrente me cercou;
   todas as tuas vagas e ondas passaram sobre mim.
2:4 Eu disse: ‘Fui expulso de diante dos teus olhos;
   contudo, voltarei a olhar para o teu santo templo’.
2:5 As águas me cercaram até a garganta, o abismo me envolveu;
   as algas se enroscaram na minha cabeça.
2:6 Desci às bases dos montes;
   os ferrolhos da terra se fecharam sobre mim para sempre.
   Mas tu fizeste subir da cova a minha vida, SENHOR, meu Deus.
2:7 Quando minha alma desfalecia em mim, lembrei-me do SENHOR, e minha oração chegou a ti, ao teu santo templo.
2:8 Os que se apegam a vaidades ilusórias abandonam sua misericórdia.
2:9 Mas eu te oferecerei sacrifício com voz de gratidão;
   cumprirei o que prometi.
   A salvação pertence ao SENHOR”.
2:10 O SENHOR falou ao peixe, e ele vomitou Jonas em terra seca.

Capítulo 3
3:1 A palavra do SENHOR veio a Jonas pela segunda vez, dizendo:
3:2 “Levante-se, vá a Nínive, a grande cidade, e proclame a ela a mensagem que eu lhe disser”.
3:3 Jonas se levantou e foi a Nínive, conforme a palavra do SENHOR. Nínive era uma cidade grande aos olhos de Deus, de três dias de caminhada.
3:4 Jonas começou a entrar na cidade, percorrendo um dia de caminhada, e proclamava: “Dentro de quarenta dias, Nínive será destruída”.
3:5 Os habitantes de Nínive creram em Deus, proclamaram um jejum e se vestiram de pano de saco, do maior ao menor.
3:6 A notícia chegou ao rei de Nínive. Ele se levantou de seu trono, tirou seu manto, cobriu-se de pano de saco e sentou-se sobre as cinzas.
3:7 Fez proclamar em Nínive: “Por decreto do rei e de seus nobres: que nem pessoas nem animais, nem bois nem ovelhas, provem coisa alguma. Não pastem nem bebam água.
3:8 Que as pessoas e os animais se cubram de pano de saco e clamem com força a Deus. Que cada um abandone seu mau caminho e a violência que há em suas mãos.
3:9 Quem sabe? Talvez Deus volte atrás, desista e se afaste do ardor de sua ira, para que não pereçamos”.
3:10 Deus viu o que fizeram, que tinham abandonado seu mau caminho. Então Deus desistiu da calamidade que havia dito que lhes faria e não a fez.

Capítulo 4
4:1 Isso desagradou muitíssimo a Jonas, e ele ficou furioso.
4:2 Ele orou ao SENHOR: “Ah, SENHOR, não era isso o que eu dizia quando ainda estava em minha terra? Por isso me apressei a fugir para Társis, pois sabia que tu és Deus clemente e compassivo, lento para te irar e grande em amor fiel, que desistes da calamidade.
4:3 Agora, SENHOR, tira minha vida, por favor, pois para mim é melhor morrer do que viver”.
4:4 O SENHOR perguntou: “Você faz bem em ficar irado?”.
4:5 Jonas saiu da cidade e se sentou a leste dela. Ali fez uma cabana e se sentou debaixo dela, à sombra, para ver o que aconteceria à cidade.
4:6 O SENHOR Deus designou uma planta, que cresceu acima de Jonas para fazer sombra sobre sua cabeça e livrá-lo de seu mal-estar. Jonas ficou muito alegre por causa da planta.
4:7 Mas, ao amanhecer do dia seguinte, Deus designou um verme que atacou a planta, e ela secou.
4:8 Quando o sol nasceu, Deus designou um vento abrasador do oriente. O sol castigou a cabeça de Jonas, e ele desfaleceu. Desejou morrer e disse: “Para mim é melhor morrer do que viver”.
4:9 Deus perguntou a Jonas: “Você faz bem em ficar irado por causa da planta?”. Ele respondeu: “Faço bem em ficar irado até a morte!”.
4:10 O SENHOR disse: “Você teve compaixão da planta, pela qual não trabalhou e que não fez crescer, que em uma noite nasceu e em uma noite pereceu.
4:11 E eu não teria compaixão de Nínive, a grande cidade, onde há mais de cento e vinte mil pessoas que não sabem distinguir entre sua direita e sua esquerda, além de muitos animais?”.

MIQUÉIAS

Capítulo 1
1:1 Palavra do SENHOR que veio a Miqueias, de Moresete, nos dias de Jotão, Acaz e Ezequias, reis de Judá, a respeito do que viu sobre Samaria e Jerusalém.
1:2 Ouçam, todos os povos!
   Preste atenção, terra e tudo o que nela há!
   Que o Senhor, o SENHOR, seja testemunha contra vocês, o Senhor, desde seu santo templo.
1:3 Pois eis que o SENHOR sai de seu lugar;
   descerá e pisará as alturas da terra.
1:4 Os montes se derreterão debaixo dele, e os vales se abrirão, como a cera diante do fogo, como águas derramadas por uma encosta.
1:5 Tudo isso por causa da transgressão de Jacó e dos pecados da casa de Israel.
   Qual é a transgressão de Jacó?
   Não é Samaria?
   E quais são os lugares altos de Judá?
   Não é Jerusalém?
1:6 “Farei de Samaria um monte de ruínas no campo, um lugar para plantar vinhas.
   Farei suas pedras rolarem para o vale e deixarei seus alicerces descobertos.
1:7 Todas as suas imagens esculpidas serão despedaçadas, todos os seus ganhos de prostituição serão queimados, e reduzirei todos os seus ídolos à desolação.
   Pois ela os ajuntou com pagamento de prostituta, e a pagamento de prostituta voltarão”.
1:8 Por isso, lamentarei e gemerei;
   andarei descalço e nu.
   Farei lamentação como os chacais e pranto como os avestruzes.
1:9 Pois suas feridas são incuráveis;
   seu mal chegou até Judá, alcançou a porta do meu povo, até Jerusalém.
1:10 Não anunciem isso em Gate, não chorem de modo algum.
   Em Bete-Leafra, revolva-se no pó.
1:11 Passe, moradora de Safir, em vergonhosa nudez.
   A moradora de Zaanã não saiu.
   A lamentação de Bete-Ezel tirará de vocês seu apoio.
1:12 Pois a moradora de Marote se consome esperando o bem, porque a calamidade desceu da parte do SENHOR até a porta de Jerusalém.
1:13 Atrele o carro aos corcéis, moradora de Laquis.
   Ela foi o começo do pecado para a filha de Sião, pois em você se encontraram as transgressões de Israel.
1:14 Por isso, você dará presentes de despedida a Moresete-Gate;
   as casas de Aczibe serão um engano para os reis de Israel.
1:15 “Mais uma vez trarei contra você o conquistador, moradora de Maressa”.
   A glória de Israel chegará até Adulão.
1:16 Raspe a cabeça e corte o cabelo por causa dos filhos que lhe dão alegria.
   Amplie sua calvície como a do abutre, pois foram para o exílio, longe de você.

Capítulo 2
2:1 Ai dos que planejam a iniquidade e tramam o mal em suas camas!
   À luz da manhã o praticam, pois têm o poder em suas mãos.
2:2 Cobiçam campos e os roubam, casas e se apoderam delas.
   Oprimem o homem e sua casa, o homem e sua herança.

2:3 Por isso, assim diz o SENHOR: “Eis que planejo contra esta família uma calamidade da qual vocês não poderão tirar o pescoço.
   Não andarão de cabeça erguida, pois será um tempo mau.
2:4 Naquele dia, levantarão contra vocês um dito de zombaria e entoarão uma lamentação: ‘Fomos completamente devastados!
   Ele troca a porção do meu povo.
   Como a tira de mim!
   Reparte nossos campos ao infiel’.
2:5 Por isso, você não terá quem estenda o cordel por sorteio na congregação do SENHOR”.
2:6 “Não preguem”, pregam eles.
   Não pregarão sobre essas coisas;
   as afrontas não se afastarão.
2:7 “É isso o que se diz, casa de Jacó: ‘O Espírito do SENHOR ficou impaciente?
   São essas as suas obras?’.
   Minhas palavras não fazem bem a quem anda retamente?
2:8 Mas, ultimamente, meu povo se levantou como um inimigo.
   Vocês tiram o manto de cima da roupa dos que passam seguros, dos que voltam da guerra.
2:9 Expulsam as mulheres do meu povo de seus lares agradáveis;
   de seus pequeninos tiram minha glória para sempre.
2:10 Levantem-se e vão embora, pois este não é o lugar de descanso.
   Por causa da impureza, este lugar trará destruição, uma destruição terrível.
2:11 Se um homem que anda atrás do vento e da falsidade mentir, dizendo: ‘Pregarei a você sobre o vinho e a bebida forte’, esse será o pregador deste povo”.
2:12 “Certamente reunirei você por inteiro, Jacó;
   certamente ajuntarei o remanescente de Israel.
   Eu os porei todos juntos como ovelhas num aprisco, como um rebanho no meio de seu pasto;
   farão alvoroço pela multidão de pessoas.
2:13 O que abre a brecha subirá à frente deles;
   abrirão a brecha, atravessarão a porta e sairão por ela.
   Seu rei passará à frente deles, e o SENHOR estará à frente deles”.

Capítulo 3
3:1 Eu disse: “Ouçam, por favor, chefes de Jacó e governantes da casa de Israel!
   Não cabe a vocês conhecer o direito?
3:2 Vocês odeiam o bem e amam o mal;
   arrancam deles a pele e a carne de seus ossos.
3:3 Devoraram a carne do meu povo, arrancaram sua pele, quebraram seus ossos e os cortaram em pedaços como para a panela, como carne dentro do caldeirão”.
3:4 Então clamarão ao SENHOR, mas ele não lhes responderá.
   Naquele tempo, esconderá deles seu rosto, pela maldade de suas obras.

3:5 Assim diz o SENHOR acerca dos profetas que fazem meu povo se desviar, que mordem com seus dentes e proclamam: “Paz!”, mas consagram guerra contra quem não põe nada em sua boca:
3:6 “Por isso, vocês terão noite sem visão e escuridão sem adivinhação.
   O sol se porá sobre os profetas, e o dia escurecerá sobre eles.
3:7 Os videntes serão envergonhados, e os adivinhos serão humilhados.
   Todos cobrirão o bigode, pois não haverá resposta de Deus”.
3:8 Mas eu estou cheio de poder, do Espírito do SENHOR, de juízo e de força, para anunciar a Jacó sua transgressão e a Israel seu pecado.

3:9 Ouçam isto, por favor, chefes da casa de Jacó e governantes da casa de Israel, que detestam o juízo e pervertem tudo o que é reto.
3:10 Edificam Sião com sangue e Jerusalém com injustiça.
3:11 Seus chefes julgam por suborno, seus sacerdotes ensinam por pagamento, e seus profetas adivinham por dinheiro.
   Ainda assim, apoiam-se no SENHOR, dizendo: “O SENHOR não está no meio de nós?
   Nenhuma calamidade virá sobre nós”.
3:12 Por isso, por causa de vocês, Sião será arada como um campo, Jerusalém se tornará montões de ruínas, e o monte do templo, alturas cobertas de floresta.

Capítulo 4
4:1 Nos últimos dias, o monte da casa do SENHOR será estabelecido como o principal dos montes e será elevado acima das colinas.
   A ele afluirão os povos.
4:2 Muitas nações virão e dirão: “Venham, vamos subir ao monte do SENHOR, à casa do Deus de Jacó.
   Ele nos ensinará seus caminhos, e andaremos por suas veredas”.
   Pois de Sião sairá a lei, e de Jerusalém, a palavra do SENHOR.
4:3 Ele julgará entre muitos povos e resolverá as questões de nações poderosas e distantes.
   Transformarão suas espadas em relhas de arado e suas lanças em podadeiras.
   Uma nação não levantará a espada contra outra, e não aprenderão mais a guerrear.
4:4 Cada um se sentará debaixo de sua videira e de sua figueira, e não haverá quem os amedronte, pois a boca do SENHOR dos Exércitos falou.
4:5 Pois todos os povos andam, cada um em nome de seu deus;
   nós, porém, andaremos em nome do SENHOR, nosso Deus, para todo o sempre.

4:6 “Naquele dia — declara o SENHOR — reunirei a que manca, ajuntarei a que foi expulsa e a que afligi.
4:7 Farei da que manca um remanescente e da que foi afastada uma nação forte.
   O SENHOR reinará sobre eles no monte Sião, de agora e para sempre.

4:8 E você, torre do rebanho, colina da filha de Sião, a você virá, chegará o domínio de antes, o reino para a filha de Jerusalém.
4:9 Agora, por que você grita tanto?
   Não há rei em você?
   Ou seu conselheiro pereceu, para que a dor a tenha tomado como a uma mulher em trabalho de parto?
4:10 Contorça-se e faça força, filha de Sião, como uma mulher em trabalho de parto, pois agora você sairá da cidade e morará no campo;
   chegará até a Babilônia.
   Ali será resgatada;
   ali o SENHOR a redimirá da mão de seus inimigos.
4:11 Agora muitas nações se reuniram contra você e dizem: ‘Que ela seja profanada, e que nossos olhos contemplem Sião!’.
4:12 Mas elas não conhecem os pensamentos do SENHOR nem compreendem seu propósito, pois ele as reuniu como feixes na eira.
4:13 Levante-se e debulhe, filha de Sião, pois farei seu chifre de ferro e seus cascos de bronze, e você despedaçará muitos povos.
   Consagrarei ao SENHOR seus ganhos, e suas riquezas, ao Senhor de toda a terra”.

Capítulo 5
5:1 Agora reúna suas tropas, filha de tropas!
   Puseram cerco contra nós.
   Com uma vara ferirão na face o juiz de Israel.

5:2 “Mas você, Belém Efrata, pequena entre os clãs de Judá, de você sairá para mim alguém que governará em Israel, cujas origens são desde a antiguidade, desde os dias da eternidade”.
5:3 Por isso, os entregará até o tempo em que a que está de parto tiver dado à luz.
   Então o restante de seus irmãos voltará para junto dos filhos de Israel.
5:4 Ele se levantará e pastoreará na força do SENHOR, na majestade do nome do SENHOR, seu Deus.
   Eles permanecerão, pois então ele será grande até os confins da terra.
5:5 Ele será a paz.
   Quando a Assíria entrar em nossa terra e pisar nossos palácios, levantaremos contra ela sete pastores e oito príncipes dentre os homens.
5:6 Eles pastorearão a terra da Assíria com a espada e a terra de Ninrode em suas entradas.
   Ele nos livrará da Assíria quando ela entrar em nossa terra e pisar nosso território.

5:7 O remanescente de Jacó será, no meio de muitos povos, como o orvalho que vem do SENHOR, como chuvas sobre a erva, que não espera pelo homem nem aguarda os filhos dos homens.
5:8 O remanescente de Jacó será entre as nações, no meio de muitos povos, como um leão entre os animais do bosque, como um leão novo entre os rebanhos de ovelhas, que, quando passa, pisoteia e despedaça, sem que haja quem livre.
5:9 Sua mão se elevará sobre seus adversários, e todos os seus inimigos serão exterminados.

5:10 “Naquele dia — declara o SENHOR — eliminarei seus cavalos do meio de você e destruirei seus carros.
5:11 Eliminarei as cidades de sua terra e derrubarei todas as suas fortalezas.
5:12 Eliminarei as feitiçarias de sua mão, e você não terá adivinhos.
5:13 Eliminarei suas imagens esculpidas e suas colunas sagradas do meio de você, e você não voltará a se prostrar diante da obra de suas mãos.
5:14 Arrancarei seus postes de Aserá do meio de você e destruirei suas cidades.
5:15 Com ira e furor exercerei vingança sobre as nações que não obedeceram”.

Capítulo 6
6:1 Ouçam, por favor, o que o SENHOR diz: “Levante-se, apresente sua causa diante dos montes, e que as colinas ouçam sua voz”.
6:2 Ouçam, montes, a causa do SENHOR, e vocês, duradouros alicerces da terra!
   Pois o SENHOR tem uma causa contra seu povo e entrará em juízo com Israel.
6:3 “Meu povo, o que fiz a você?
   Em que o cansei?
   Responda contra mim.
6:4 Pois fiz você subir da terra do Egito e o resgatei da casa da escravidão.
   Enviei à sua frente Moisés, Arão e Miriã.
6:5 Meu povo, lembre-se, por favor, do que Balaque, rei de Moabe, planejou e do que Balaão, filho de Beor, lhe respondeu;
   lembre-se do que aconteceu desde Sitim até Gilgal, para que conheça os atos justos do SENHOR”.
6:6 Com que me apresentarei ao SENHOR e me inclinarei diante do Deus das alturas?
   Eu me apresentarei a ele com holocaustos, com bezerros de um ano?
6:7 O SENHOR se agradará de milhares de carneiros, de dezenas de milhares de rios de azeite?
   Darei meu primogênito pela minha transgressão, o fruto do meu ventre pelo pecado da minha alma?
6:8 Ele declarou a você, ó homem, o que é bom.
   E o que o SENHOR exige de você, senão que pratique a justiça, ame a misericórdia e ande humildemente com seu Deus?

6:9 A voz do SENHOR clama à cidade, e quem tem sabedoria verá teu nome.
   Ouçam a vara e quem a determinou.
6:10 Ainda há na casa do ímpio tesouros de impiedade e uma medida de cereal reduzida, detestável?
6:11 Serei inocente com balanças injustas e uma bolsa de pesos enganosos?
6:12 Seus ricos estão cheios de violência, seus habitantes falam mentiras, e sua língua é enganosa em sua boca.
6:13 “Eu também fiz você adoecer, ferindo-o e deixando-o desolado por causa de seus pecados.
6:14 Você comerá, mas não se saciará, e o vazio estará em seu interior.
   Você porá de lado, mas não salvará;
   e o que salvar, eu entregarei à espada.
6:15 Você semeará, mas não colherá;
   pisará azeitonas, mas não se ungirá com azeite, e pisará uvas, mas não beberá vinho.
6:16 São observados os estatutos de Onri e todas as obras da casa de Acabe, e vocês seguem seus conselhos, para que eu faça de você uma desolação e de seus habitantes motivo de assobios.
   Vocês carregarão a vergonha do meu povo”.

Capítulo 7
7:1 Ai de mim!
   Pois sou como quem recolhe frutas de verão, como quem procura o que restou da colheita das uvas.
   Não há cacho para comer;
   minha alma deseja um figo temporão.
7:2 O piedoso desapareceu da terra;
   não há ninguém reto entre os seres humanos.
   Todos armam emboscadas para derramar sangue;
   cada um caça seu irmão com uma rede.
7:3 As duas mãos são hábeis para fazer o mal.
   O príncipe exige, o juiz julga por pagamento, e o poderoso expressa o desejo de sua alma;
   juntos o tramam.
7:4 O melhor deles é como um espinho, e o mais reto, pior que uma cerca de espinhos.
   Chegou o dia de seus vigias, o seu castigo;
   agora virá a confusão deles.
7:5 Não se fiem no próximo nem confiem no amigo íntimo.
   Guarde as portas de sua boca diante daquela que se deita em seu peito.
7:6 Pois o filho despreza o pai, a filha se levanta contra sua mãe, e a nora, contra sua sogra.
   Os inimigos de um homem são os de sua própria casa.
7:7 Eu, porém, olharei para o SENHOR;
   esperarei no Deus da minha salvação.
   Meu Deus me ouvirá.
7:8 “Não se alegre por minha causa, minha inimiga!
   Ainda que eu tenha caído, me levantarei;
   ainda que eu habite nas trevas, o SENHOR será minha luz.

7:9 Suportarei a indignação do SENHOR, pois pequei contra ele, até que defenda minha causa e me faça justiça.
   Ele me fará sair para a luz, e verei sua justiça.
7:10 Minha inimiga verá isso, e a vergonha cobrirá aquela que me dizia: ‘Onde está o SENHOR, seu Deus?’.
   Meus olhos a verão;
   agora ela será pisoteada como a lama das ruas”.
7:11 Chegará o dia de reconstruir seus muros;
   naquele dia, o limite se estenderá.
7:12 Naquele dia, virão até você desde a Assíria e as cidades do Egito, desde o Egito até o Rio, de mar a mar e de monte a monte.
7:13 A terra ficará desolada por causa de seus habitantes, pelo fruto de suas obras.

7:14 Pastoreia teu povo com teu cajado, o rebanho da tua herança, que mora sozinho no bosque, em meio a um campo fértil.
   Que pastem em Basã e Gileade, como nos dias antigos.
7:15 “Como nos dias em que você saiu da terra do Egito, mostrarei a ele maravilhas”.
7:16 As nações verão e se envergonharão de todo o seu poder.
   Porão a mão sobre a boca, e seus ouvidos ficarão surdos.
7:17 Lamberão o pó como a serpente;
   como os répteis da terra, sairão tremendo de seus esconderijos.
   Virão com pavor ao SENHOR, nosso Deus, e terão medo de ti.
7:18 Que Deus há como tu, que perdoas a iniquidade e passas por alto a transgressão do remanescente de sua herança?
   Ele não mantém sua ira para sempre, pois tem prazer na misericórdia.
7:19 Voltará a ter compaixão de nós e subjugará nossas iniquidades;
   tu lançarás nas profundezas do mar todos os pecados deles.
7:20 Darás a Jacó fidelidade e a Abraão misericórdia, como juraste aos nossos antepassados desde os dias antigos.

NAUM

Capítulo 1
1:1 Profecia acerca de Nínive. Livro da visão de Naum, o elcosita.
1:2 O SENHOR é um Deus zeloso e vingador;
   o SENHOR é vingador e cheio de furor.
   O SENHOR se vinga de seus adversários e guarda ira para seus inimigos.
1:3 O SENHOR é lento para se irar e grande em poder;
   de modo algum deixa o culpado sem castigo.
   O SENHOR avança no redemoinho e na tempestade, e as nuvens são o pó de seus pés.
1:4 Ele repreende o mar e o seca;
   faz secar todos os rios.
   Basã e o Carmelo murcham;
   a flor do Líbano murcha.
1:5 Os montes tremem diante dele, e as colinas se derretem.
   A terra se agita diante dele, o mundo e todos os que nele habitam.
1:6 Quem pode se manter de pé diante de sua indignação?
   Quem pode resistir ao ardor de sua ira?
   Seu furor se derrama como fogo, e as rochas são despedaçadas diante dele.
1:7 O SENHOR é bom, uma fortaleza no dia da angústia;
   ele conhece os que se refugiam nele.
1:8 Mas, com uma inundação transbordante, dará fim ao lugar dela, e as trevas perseguirão seus inimigos.
1:9 O que vocês tramam contra o SENHOR?
   Ele dará fim a tudo;
   a angústia não se levantará duas vezes.
1:10 Ainda que estejam entrelaçados como espinhos e embriagados com sua bebida, serão consumidos como palha completamente seca.
1:11 De você saiu um que trama o mal contra o SENHOR, um conselheiro de perversidade.

1:12 Assim diz o SENHOR: “Ainda que estejam intactos e sejam numerosos, mesmo assim serão ceifados, e ele passará.
   Eu afligi você, mas não voltarei a afligi-la.
1:13 Agora quebrarei o jugo dele que está sobre você e romperei suas amarras”.
1:14 O SENHOR deu esta ordem a seu respeito: “Não haverá mais descendência que perpetue seu nome.
   Da casa de seus deuses eliminarei as imagens esculpidas e as de metal fundido.
   Prepararei sua sepultura, pois você é desprezível”.

1:15 Eis sobre os montes os pés do que traz boas notícias, do que anuncia a paz!
   Celebre suas festas, Judá;
   cumpra seus votos, pois o perverso não voltará a passar por você: foi exterminado por completo.

Capítulo 2
2:1 O destruidor avança contra você.
   Guarde a fortaleza!
   Vigie o caminho!
   Firme a cintura!
   Reúna todas as suas forças!
2:2 Pois o SENHOR restaurará o esplendor de Jacó, como o esplendor de Israel, pois os saqueadores os saquearam e destruíram os ramos de suas videiras.
2:3 Os escudos de seus guerreiros são vermelhos;
   seus homens de guerra se vestem de escarlate.
   O aço dos carros reluz como fogo no dia dos preparativos, e as lanças de cipreste se agitam.
2:4 Os carros correm furiosos pelas ruas e se chocam nas praças.
   Parecem tochas;
   correm como relâmpagos.
2:5 Ele convoca seus nobres, que tropeçam ao avançar.
   Apressam-se para a muralha, e a cobertura protetora é preparada.
2:6 As comportas dos rios se abrem, e o palácio desmorona.
2:7 Está decretado: ela será despida e levada para o exílio.
   Suas servas gemem como pombas e batem no peito.
2:8 Nínive tem sido como um tanque de água desde que existe, mas eles fogem.
   “Parem!
   Parem!”, mas ninguém olha para trás.
2:9 Saqueiem a prata!
   Saqueiem o ouro!
   Não têm fim os tesouros, a riqueza de toda espécie de objetos preciosos.
2:10 Vazia, devastada e desolada!
   O coração desfalece, os joelhos tremem, há tremor em toda cintura, e todos os rostos empalidecem.
2:11 Onde está a morada dos leões, o lugar onde os leõezinhos se alimentavam, onde andavam o leão, a leoa e o filhote, sem que ninguém os amedrontasse?
2:12 O leão despedaçava presas suficientes para seus filhotes e as estrangulava para suas leoas.
   Enchia de presas suas cavernas e de carne despedaçada suas moradas.
2:13 “Eis que estou contra você — declara o SENHOR dos Exércitos.
   Queimarei os carros dela até reduzi-los a fumaça, e a espada devorará seus leõezinhos.
   Eliminarei da terra sua presa, e a voz de seus mensageiros não voltará a ser ouvida”.

Capítulo 3
3:1 Ai da cidade sanguinária, toda cheia de mentira e saque, onde nunca falta presa!
3:2 Estalo de chicote, estrondo de rodas, cavalo a galope e carro aos saltos!
3:3 Cavaleiro que avança, espada reluzente e lança cintilante!
   Multidão de mortos, montões de cadáveres, corpos sem fim!
   Tropeçam nos cadáveres!
3:4 Tudo por causa das muitas prostituições da prostituta bela e encantadora, mestra de feitiçarias, que vende nações com suas prostituições e famílias com suas feitiçarias.
3:5 “Eis que estou contra você — declara o SENHOR dos Exércitos.
   Levantarei suas saias até seu rosto;
   mostrarei às nações sua nudez e aos reinos sua vergonha.
3:6 Lançarei imundícies sobre você, a humilharei e farei de você um espetáculo.
3:7 Todos os que a virem fugirão de você e dirão: ‘Nínive está devastada!
   Quem lamentará por ela?’.
   Onde procurarei quem console você?”.
3:8 Você é melhor que Nô-Amom, situada entre os canais do Nilo, cercada de águas, cujo baluarte era o mar, e o mar, sua muralha?
3:9 Cuxe e o Egito eram sua força, sem limite;
   Pute e os líbios vieram em seu auxílio.
3:10 Mesmo assim, ela também foi para o exílio, levada cativa.
   Seus pequeninos também foram despedaçados nas esquinas de todas as ruas.
   Lançaram sortes sobre seus nobres, e todos os seus grandes foram presos com correntes.
3:11 Você também se embriagará e ficará escondida;
   você também buscará refúgio contra o inimigo.
3:12 Todas as suas fortalezas são figueiras com figos temporãos: quando sacudidas, eles caem na boca de quem os come.
3:13 Eis que seu povo no meio de você são mulheres!
   As portas de sua terra se abrem de par em par aos seus inimigos;
   o fogo consumiu seus ferrolhos.
3:14 Tire água para o cerco!
   Reforce suas fortalezas!
   Entre no lodo e pise o barro!
   Pegue o molde de tijolos!
3:15 Ali o fogo devorará você, a espada a exterminará;
   a devorará como o gafanhoto devorador.
   Multiplique-se como o gafanhoto devorador!
   Multiplique-se como o gafanhoto migrador!
3:16 Você multiplicou seus comerciantes mais que as estrelas do céu.
   O gafanhoto devorador saqueia e sai voando.
3:17 Seus príncipes são como gafanhotos migradores, e seus oficiais, como enxames de gafanhotos que pousam nas cercas num dia frio.
   O sol nasce, e eles vão embora;
   ninguém sabe onde estão.
3:18 Seus pastores dormem, rei da Assíria;
   seus nobres repousam.
   Seu povo está disperso pelos montes, e não há quem o reúna.
3:19 Não há alívio para sua ruína;
   sua ferida é incurável.
   Todos os que ouvirem notícias de você baterão palmas por sua causa.
   Pois sobre quem não passou continuamente sua maldade?

HABACUQUE

Capítulo 1
1:1 Profecia que o profeta Habacuque recebeu em visão.
1:2 Até quando, SENHOR, pedirei socorro sem que ouças?
   Clamo a ti: “Violência!”, mas não salvas.
1:3 Por que me fazes ver a iniquidade e contemplas a opressão?
   Destruição e violência estão diante de mim;
   surge a contenda, e a discórdia se levanta.
1:4 Por isso, a lei fica paralisada, e nunca se faz justiça.
   O ímpio cerca o justo;
   por isso, o juízo sai pervertido.
1:5 “Olhem entre as nações e observem;
   espantem-se, fiquem espantados!
   Pois realizo em seus dias uma obra em que vocês não creriam, ainda que lhes fosse contada.
1:6 Pois eis que levanto os caldeus, essa nação cruel e impetuosa que percorre a extensão da terra para se apoderar de moradas que não são suas.
1:7 Ela é temível e terrível;
   dela mesma procedem seu juízo e sua autoridade.
1:8 Seus cavalos são mais velozes que leopardos e mais ferozes que lobos ao anoitecer.
   Seus cavaleiros avançam ao galope;
   seus cavaleiros vêm de longe.
   Voam como a águia que se apressa a devorar.
1:9 Todos vêm para a violência;
   seus rostos se dirigem para o leste, e ela reúne cativos como areia.
1:10 Ela zomba dos reis, e os governantes são motivo de riso para ela.
   Ri de toda fortaleza: amontoa terra e a toma.
1:11 Então passa como o vento e segue adiante;
   é culpada, pois faz de sua força seu deus”.
1:12 Não és tu desde a eternidade, SENHOR, meu Deus, meu Santo?
   Não morreremos.
   SENHOR, tu o designaste para o juízo;
   tu, Rocha, o estabeleceste para corrigir.
1:13 Teus olhos são puros demais para ver o mal, e não podes contemplar a opressão.
   Por que contemplas os traidores e te calas quando o ímpio devora quem é mais justo que ele?
1:14 Fazes os seres humanos como os peixes do mar, como os animais que rastejam, sem quem os governe.
1:15 Ele tira todos com o anzol, arrasta-os em sua rede e os reúne em sua rede de arrasto;
   por isso, se alegra e exulta.
1:16 Por isso, oferece sacrifícios à sua rede e queima incenso à sua rede de arrasto, pois graças a elas sua porção é abundante, e sua comida, suculenta.
1:17 Continuará, então, a esvaziar sua rede e a matar nações continuamente, sem piedade?

Capítulo 2
2:1 Ficarei no meu posto de guarda, tomarei posição sobre a fortaleza e vigiarei para ver o que ele me dirá e o que responderei acerca da minha queixa.
2:2 O SENHOR me respondeu: “Escreva a visão e torne-a clara em tábuas, para que corra quem a lê.
2:3 Pois a visão ainda aguarda o tempo marcado;
   ela se apressa para o fim e não mente.
   Ainda que demore, espere por ela, pois certamente virá, não se atrasará.
2:4 Eis o orgulhoso: sua alma não é reta nele;
   mas o justo viverá pela sua fé.
2:5 Além disso, o vinho é traiçoeiro;
   o homem arrogante não encontra repouso.
   Alarga seu apetite como o Seol e é como a morte, que nunca se sacia.
   Reúne para si todas as nações e ajunta para si todos os povos.
2:6 Todos eles não levantarão contra ele uma sátira, com zombarias e enigmas a seu respeito?
   Dirão: ‘Ai de quem acumula o que não é seu!
   Até quando?
   E de quem se carrega de bens tomados como garantia!
2:7 Não se levantarão de repente os que mordem você, e não despertarão os que o farão tremer?
   Então você será despojo para eles.
2:8 Pois você saqueou muitas nações;
   todos os povos que restam o saquearão, por causa do sangue humano derramado e da violência contra a terra, a cidade e todos os seus habitantes’.

2:9 Ai de quem obtém ganhos injustos para sua casa, para pôr seu ninho nas alturas e se livrar do poder da calamidade!
2:10 Você tramou vergonha para sua casa;
   ao exterminar muitos povos, pecou contra sua própria vida.
2:11 Pois a pedra clamará da parede, e a viga de madeira lhe responderá.

2:12 Ai de quem edifica uma cidade com sangue e funda uma povoação com injustiça!
2:13 Não vem do SENHOR dos Exércitos que os povos trabalhem para o fogo e as nações se cansem em vão?
2:14 Pois a terra se encherá do conhecimento da glória do SENHOR, como as águas cobrem o mar.

2:15 Ai de quem dá de beber ao próximo, misturando seu veneno até embriagá-lo, para contemplar a nudez deles!
2:16 Você se saciou de desonra em vez de glória.
   Beba você também e exponha sua incircuncisão!
   O cálice da mão direita do SENHOR se voltará contra você, e vômito vergonhoso cobrirá sua glória.
2:17 Pois a violência contra o Líbano cobrirá você, e a destruição dos animais os aterrorizará, por causa do sangue humano derramado e da violência contra a terra, a cidade e todos os seus habitantes.

2:18 De que serve a imagem esculpida por seu artífice, a imagem fundida, mestra de mentiras, para que seu criador confie em sua própria obra, fazendo ídolos mudos?

2:19 Ai de quem diz à madeira: ‘Acorde!’ e à pedra muda: ‘Desperte!’.
   Poderá isso ensinar?
   Eis que está coberto de ouro e prata, mas não há nenhum fôlego em seu interior.
2:20 Mas o SENHOR está em seu santo templo.
   Cale-se diante dele toda a terra”.

Capítulo 3
3:1 Oração do profeta Habacuque, segundo Sigionot.
3:2 SENHOR, ouvi o que se diz de ti e temi.
   SENHOR, aviva tua obra no meio dos anos;
   no meio dos anos, faze-a conhecida.
   Na ira, lembra-te da misericórdia.
3:3 Deus vem de Temã, e o Santo, do monte Parã.
   Selá.
   Seu esplendor cobre os céus, e seu louvor enche a terra.
3:4 Seu resplendor é como a luz;
   raios saem de sua mão, e ali se esconde seu poder.
3:5 Diante dele vai a peste, e a pestilência segue seus passos.
3:6 Ele se detém e mede a terra;
   olha e faz as nações estremecerem.
   Os montes perpétuos se despedaçam, e as colinas antigas se curvam.
   Seus caminhos são eternos.
3:7 Vi as tendas de Cusã em aflição;
   as cortinas da terra de Midiã tremiam.

3:8 Foi contra os rios que o SENHOR se irou?
   Foi contra os rios a tua ira, ou contra o mar o teu furor, quando montaste teus cavalos, teus carros de salvação?
3:9 Deixaste teu arco inteiramente descoberto;
   por juramentos deste ordens às tuas flechas.
   Selá.
   Fendeste a terra com rios.
3:10 Os montes te viram e se contorceram;
   passou a torrente de água.
   O abismo fez ouvir sua voz e levantou bem alto suas mãos.
3:11 O sol e a lua pararam em sua morada, à luz de tuas flechas que avançavam, ao fulgor de tua lança cintilante.
3:12 Com indignação marchaste pela terra;
   com ira debulhaste as nações.
3:13 Saíste para salvar teu povo, para salvar teu ungido.
   Esmagaste a cabeça da casa do ímpio, deixando-a descoberta desde o alicerce até o pescoço. Selá.

3:14 Com suas próprias lanças atravessaste a cabeça de seus guerreiros, que avançavam como uma tempestade para me dispersar.
   Alegravam-se como quem devora o pobre às escondidas.
3:15 Pisaste o mar com teus cavalos, a massa das grandes águas.
3:16 Ouvi, e minhas entranhas estremeceram;
   ao som, meus lábios tremeram.
   A podridão entrou em meus ossos, e tremi onde estava.
   Mas esperarei em silêncio o dia da angústia, que virá contra o povo que nos invade.
3:17 Ainda que a figueira não floresça e não haja fruto nas videiras, ainda que falhe a colheita da oliveira e os campos não produzam alimento, ainda que faltem as ovelhas no aprisco e não haja gado nos currais,
3:18 mesmo assim, eu me alegrarei no SENHOR, exultarei no Deus da minha salvação.
3:19 O SENHOR, o Senhor, é minha força;
   faz meus pés como os das cervas e me faz andar sobre minhas alturas.
   Ao regente, com meus instrumentos de cordas.

SOFONIAS

Capítulo 1
1:1 Palavra do SENHOR que veio a Sofonias, filho de Cusi, filho de Gedalias, filho de Amarias, filho de Ezequias, nos dias de Josias, filho de Amom, rei de Judá.
1:2 “Eliminarei por completo tudo da face da terra — declara o SENHOR.
1:3 Eliminarei os seres humanos e os animais;
   eliminarei as aves do céu e os peixes do mar, os motivos de tropeço juntamente com os ímpios.
   Exterminarei a humanidade da face da terra — declara o SENHOR.
1:4 Estenderei minha mão contra Judá e contra todos os habitantes de Jerusalém.
   Eliminarei deste lugar o que resta de Baal e o nome dos sacerdotes idólatras junto com os sacerdotes;
1:5 os que se prostram nos terraços diante do exército do céu;
   os que se prostram e juram ao SENHOR e juram por Malcã;
1:6 os que deixaram de seguir o SENHOR e os que não buscam o SENHOR nem o consultam”.
1:7 Silêncio diante do Senhor, o SENHOR, pois o dia do SENHOR está perto!
   O SENHOR preparou um sacrifício e consagrou seus convidados.
1:8 “No dia do sacrifício do SENHOR, castigarei os príncipes, os filhos do rei e todos os que se vestem com roupas estrangeiras.
1:9 Naquele dia, castigarei todos os que saltam sobre a soleira, os que enchem a casa de seus senhores de violência e engano.

1:10 Naquele dia — declara o SENHOR — haverá um clamor desde a Porta do Peixe, um lamento desde o Segundo Bairro e um grande estrondo desde as colinas.
1:11 Lamentem, habitantes de Mactés!
   Pois todos os comerciantes foram aniquilados;
   todos os que carregam prata foram exterminados.
1:12 Naquele tempo, vasculharei Jerusalém com lâmpadas e castigarei os homens que repousam como vinho sobre suas borras, que dizem em seu coração: ‘O SENHOR não fará nem bem nem mal’.
1:13 Suas riquezas serão saqueadas, e suas casas ficarão desoladas.
   Construirão casas, mas não morarão nelas;
   plantarão vinhas, mas não beberão seu vinho”.
1:14 O grande dia do SENHOR está perto, está perto e vem muito depressa.
   É amargo o clamor do dia do SENHOR!
   Ali o guerreiro grita.
1:15 Aquele dia é dia de ira, dia de angústia e aflição, dia de ruína e devastação, dia de trevas e escuridão, dia de nuvens e densas trevas;
1:16 dia de trompa e grito de guerra contra as cidades fortificadas e contra as torres altas.
1:17 “Trarei angústia sobre os seres humanos, e andarão como cegos, pois pecaram contra o SENHOR.
   Seu sangue será derramado como pó, e sua carne, como esterco”.
1:18 Nem sua prata nem seu ouro poderão livrá-los no dia da ira do SENHOR.
   Toda a terra será consumida pelo fogo do seu zelo, pois ele dará um fim total e repentino a todos os habitantes da terra.

Capítulo 2
2:1 Reúnam-se, sim, reúnam-se, nação sem vergonha,
2:2 antes que se cumpra o decreto — o dia passa como a palha —, antes que venha sobre vocês o ardor da ira do SENHOR, antes que venha sobre vocês o dia da ira do SENHOR.
2:3 Busquem o SENHOR, todos os humildes da terra que praticam seus preceitos.
   Busquem a justiça, busquem a humildade;
   talvez vocês sejam abrigados no dia da ira do SENHOR.
2:4 Pois Gaza ficará abandonada, e Asquelom, desolada;
   expulsarão Asdode ao meio-dia, e Ecrom será arrancada pela raiz.

2:5 Ai dos habitantes da costa do mar, nação dos quereteus!
   A palavra do SENHOR é contra vocês: “Canaã, terra dos filisteus, eu a destruirei até que não reste habitante”.
2:6 A costa do mar se tornará pastagens, abrigos de pastores e currais de ovelhas.
2:7 A costa pertencerá ao remanescente da casa de Judá.
   Ali pastorearão seus rebanhos e, ao entardecer, repousarão nas casas de Asquelom, pois o SENHOR, seu Deus, cuidará deles e restaurará seu bem-estar.
2:8 “Ouvi as afrontas de Moabe e os insultos dos filhos de Amom, com que afrontaram meu povo e se engrandeceram contra seu território.
2:9 Por isso, tão certo como eu vivo — declara o SENHOR dos Exércitos, Deus de Israel —, Moabe será como Sodoma, e os filhos de Amom, como Gomorra: um lugar de urtigas, poços de sal e desolação perpétua.
   O remanescente do meu povo os saqueará, e os que restarem da minha nação tomarão posse deles”.
2:10 Essa será a paga por seu orgulho, pois afrontaram o povo do SENHOR dos Exércitos e se engrandeceram contra ele.
2:11 O SENHOR será temível contra eles, pois deixará sem forças todos os deuses da terra.
   Todas as ilhas das nações se prostrarão diante dele, cada uma desde seu lugar.
2:12 “Também vocês, cuxitas, serão mortos pela minha espada”.
2:13 Ele estenderá sua mão contra o norte e destruirá a Assíria;
   fará de Nínive uma desolação, um lugar seco como o deserto.
2:14 No meio dela se deitarão rebanhos e animais de toda espécie.
   O pelicano e o ouriço passarão a noite em seus capitéis;
   uma voz cantará na janela, e haverá desolação na soleira, pois o revestimento de cedro ficou descoberto.
2:15 Esta é a cidade alegre que vivia segura e dizia em seu coração: “Eu, e nenhuma outra!”.
   Como ficou desolada, um lugar de repouso para os animais!
   Todo o que passar por ela assobiará e agitará a mão.

Capítulo 3
3:1 Ai da rebelde e contaminada, da cidade opressora!
3:2 Não ouviu a voz, não aceitou a correção;
   não confiou no SENHOR, não se aproximou de seu Deus.
3:3 Seus príncipes no meio dela são leões que rugem;
   seus juízes são lobos ao anoitecer, que não deixam osso para a manhã.
3:4 Seus profetas são levianos, homens traiçoeiros.
   Seus sacerdotes profanam o santuário e violam a lei.
3:5 O SENHOR é justo no meio dela;
   não comete injustiça.
   Manhã após manhã traz seu juízo à luz, sem falhar;
   mas o injusto não conhece a vergonha.
3:6 “Exterminei nações;
   suas torres ficaram desoladas.
   Deixei desertas suas ruas, sem quem passasse por elas.
   Suas cidades foram destruídas, sem pessoa alguma, sem habitantes.
3:7 Eu disse: ‘Certamente você me temerá e aceitará a correção’.
   Assim, sua morada não seria destruída, apesar de tudo o que determinei contra ela.
   Mas eles se apressaram a corromper todas as suas ações.
3:8 Por isso, esperem por mim — declara o SENHOR — até o dia em que eu me levantar para tomar despojo.
   Pois decidi reunir as nações, ajuntar os reinos, para derramar sobre eles minha indignação, todo o ardor da minha ira.
   Pois toda a terra será consumida pelo fogo do meu zelo.
3:9 Então darei lábios puros aos povos, para que todos invoquem o nome do SENHOR e o sirvam ombro a ombro.
3:10 De além dos rios de Cuxe, meus suplicantes, a filha da minha dispersão, trarão minha oferta.
3:11 Naquele dia, você não se envergonhará de todas as suas ações com que se rebelou contra mim, pois então tirarei do meio de você os que exultam em seu orgulho.
   Você não voltará a se ensoberbecer no meu santo monte.
3:12 Deixarei no meio de você um povo humilde e pobre, que se refugiará no nome do SENHOR.
3:13 O remanescente de Israel não cometerá injustiça nem falará mentira;
   não se encontrará em sua boca uma língua enganosa.
   Pois eles pastarão e repousarão, sem que ninguém os amedronte”.

3:14 Cante de alegria, filha de Sião!
   Gritem de júbilo, Israel!
   Alegre-se e exulte de todo o coração, filha de Jerusalém!
3:15 O SENHOR retirou as sentenças contra você e afastou seu inimigo.
   O Rei de Israel, o SENHOR, está no meio de você;
   você não temerá mais mal algum.
3:16 Naquele dia, se dirá a Jerusalém: “Não tema, Sião!
   Que suas mãos não desfaleçam.
3:17 O SENHOR, seu Deus, está no meio de você, guerreiro poderoso que salva.
   Ele se alegrará por você com alegria;
   em seu amor, ficará em silêncio;
   exultará por você com cantos”.
3:18 “Reunirei os que se afligem pela festa solene;
   eram de você.
   A afronta era um fardo sobre ela.
3:19 Naquele tempo, agirei contra todos os que afligem você.
   Salvarei a que manca e reunirei a que foi expulsa;
   darei a eles louvor e renome em toda a terra onde sofreram vergonha.
3:20 Naquele tempo, trarei vocês;
   naquele tempo, reunirei vocês.
   Pois lhes darei renome e louvor entre todos os povos da terra, quando restaurar seu bem-estar diante de seus olhos”, diz o SENHOR.

AGEU

Capítulo 1
1:1 No segundo ano do rei Dario, no primeiro dia do sexto mês, a palavra do SENHOR veio por meio do profeta Ageu a Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, e a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, dizendo:
1:2 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Este povo diz: ‘Não chegou o tempo, o tempo de reconstruir a casa do SENHOR’”.
1:3 Então a palavra do SENHOR veio por meio do profeta Ageu, dizendo:
1:4 “É tempo de vocês morarem em suas casas revestidas de madeira, enquanto esta casa está em ruínas?”.
1:5 Agora, pois, assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Considerem bem seus caminhos.
1:6 Vocês semearam muito, mas recolhem pouco; comem, mas não se saciam; bebem, mas não chegam a se embriagar; vestem-se, mas ninguém se aquece. E quem recebe salário o recebe numa bolsa furada”.
1:7 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Considerem bem seus caminhos.
1:8 Subam ao monte, tragam madeira e reconstruam a casa. Eu me agradarei dela e serei glorificado — diz o SENHOR.
1:9 Vocês esperavam muito, mas veio pouco; trouxeram para casa, e eu o dispersei com um sopro. Por quê? — declara o SENHOR dos Exércitos. Porque minha casa está em ruínas, enquanto cada um de vocês corre para sua própria casa.
1:10 Por isso, por causa de vocês, os céus retiveram o orvalho, e a terra reteve sua colheita.
1:11 Convoquei a seca sobre a terra e sobre os montes, sobre o cereal, o vinho novo e o azeite, sobre tudo o que o solo produz, sobre os seres humanos e os animais e sobre todo o trabalho das mãos”.
1:12 Então Zorobabel, filho de Sealtiel, Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e todo o remanescente do povo obedeceram à voz do SENHOR, seu Deus, e às palavras do profeta Ageu, a quem o SENHOR, seu Deus, havia enviado. E o povo temeu diante do SENHOR.
1:13 Ageu, mensageiro do SENHOR, comunicou ao povo a mensagem do SENHOR: “Eu estou com vocês”, declara o SENHOR.
1:14 O SENHOR despertou o espírito de Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, o espírito de Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e o espírito de todo o remanescente do povo. Vieram e trabalharam na casa do SENHOR dos Exércitos, seu Deus,
1:15 no dia vinte e quatro do sexto mês, no segundo ano do rei Dario.

Capítulo 2
2:1 No dia vinte e um do sétimo mês, a palavra do SENHOR veio por meio do profeta Ageu, dizendo:
2:2 “Fale, por favor, a Zorobabel, filho de Sealtiel, governador de Judá, a Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote, e ao remanescente do povo:
2:3 ‘Quem resta entre vocês que viu esta casa em sua primeira glória? Como vocês a veem agora? Não lhes parece como nada?
2:4 Mas agora, seja forte, Zorobabel — declara o SENHOR. Seja forte, Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote. Sejam fortes, todo o povo da terra — declara o SENHOR —, e trabalhem, pois eu estou com vocês — declara o SENHOR dos Exércitos.
2:5 Conforme a promessa que firmei com vocês quando saíram do Egito, meu Espírito permanece no meio de vocês. Não temam!’.
2:6 Pois assim diz o SENHOR dos Exércitos: ‘Mais uma vez, dentro de pouco, farei tremer os céus e a terra, o mar e a terra seca.
2:7 Farei tremer todas as nações, e virão os tesouros de todas as nações. Encherei esta casa de glória — diz o SENHOR dos Exércitos.
2:8 Minha é a prata, e meu é o ouro — declara o SENHOR dos Exércitos.
2:9 A glória futura desta casa será maior que a primeira — diz o SENHOR dos Exércitos. E neste lugar darei paz — declara o SENHOR dos Exércitos’”.
2:10 No dia vinte e quatro do nono mês, no segundo ano de Dario, a palavra do SENHOR veio ao profeta Ageu, dizendo:
2:11 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Peça, por favor, aos sacerdotes uma instrução sobre a lei:
2:12 ‘Se alguém levar carne consagrada na dobra de sua roupa, e a dobra tocar pão, ensopado, vinho, azeite ou qualquer alimento, isso ficará consagrado?’”. Os sacerdotes responderam: “Não”.
2:13 Ageu perguntou: “Se alguém impuro pelo contato com um cadáver tocar qualquer uma dessas coisas, ela ficará impura?”. Os sacerdotes responderam: “Ficará impura”.
2:14 Então Ageu disse: “Assim é este povo e assim é esta nação diante de mim — declara o SENHOR. Assim é toda a obra de suas mãos: o que oferecem ali é impuro.
2:15 Agora, considerem bem, a partir deste dia, o que acontecia antes de se pôr pedra sobre pedra no templo do SENHOR.
2:16 Quando alguém ia a um monte que devia render vinte medidas de cereal, havia apenas dez. Quando ia ao lagar para tirar cinquenta litros, havia apenas vinte.
2:17 Castiguei vocês com queima, ferrugem e granizo em toda a obra de suas mãos, mas vocês não voltaram para mim — declara o SENHOR.
2:18 Considerem bem desde este dia em diante, desde o dia vinte e quatro do nono mês, desde o dia em que foram lançados os alicerces do templo do SENHOR; considerem bem.
2:19 Ainda há semente no celeiro? A videira, a figueira, a romãzeira e a oliveira ainda não deram fruto. Mas, desde este dia, abençoarei vocês”.
2:20 A palavra do SENHOR veio a Ageu pela segunda vez no dia vinte e quatro do mês, dizendo:
2:21 “Fale a Zorobabel, governador de Judá: ‘Farei tremer os céus e a terra.
2:22 Derrubarei o trono dos reinos e destruirei o poder dos reinos das nações. Virarei o carro e seus ocupantes; cairão os cavalos e seus cavaleiros, cada um pela espada de seu irmão.
2:23 Naquele dia — declara o SENHOR dos Exércitos — tomarei você, Zorobabel, filho de Sealtiel, meu servo — declara o SENHOR —, e farei com que você seja como um anel de selar, pois escolhi você — declara o SENHOR dos Exércitos’”.

ZACARIAS

Capítulo 1
1:1 No oitavo mês do segundo ano de Dario, a palavra do SENHOR veio ao profeta Zacarias, filho de Berequias, filho de Ido, dizendo:
1:2 O SENHOR ficou muito irado contra os antepassados de vocês.
1:3 Diga-lhes: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Voltem para mim — declara o SENHOR dos Exércitos —, e eu voltarei para vocês — diz o SENHOR dos Exércitos.
1:4 Não sejam como seus antepassados, a quem os antigos profetas proclamaram: ‘Assim diz o SENHOR dos Exércitos: Afastem-se, por favor, de seus maus caminhos e de suas más ações’. Mas não ouviram nem me deram atenção — declara o SENHOR.
1:5 Seus antepassados, onde estão? E os profetas, vivem para sempre?
1:6 Mas minhas palavras e meus decretos, que ordenei aos meus servos, os profetas, não alcançaram seus antepassados? Então eles voltaram e disseram: ‘Como o SENHOR dos Exércitos determinou nos tratar conforme nossos caminhos e nossas ações, assim nos tratou’”.
1:7 No dia vinte e quatro do décimo primeiro mês, o mês de sebate, no segundo ano de Dario, a palavra do SENHOR veio ao profeta Zacarias, filho de Berequias, filho de Ido, dizendo:
1:8 Vi durante a noite um homem montado num cavalo vermelho. Ele estava entre as murtas de uma baixada, e atrás dele havia cavalos vermelhos, castanhos e brancos.
1:9 Perguntei: “O que são estes, meu senhor?”. O anjo que falava comigo respondeu: “Eu mostrarei a você o que são”.
1:10 O homem que estava entre as murtas respondeu: “Estes são os que o SENHOR enviou para percorrer a terra”.
1:11 Eles responderam ao anjo do SENHOR que estava entre as murtas: “Percorremos a terra, e eis que toda a terra está tranquila e em repouso”.
1:12 Então o anjo do SENHOR disse: “SENHOR dos Exércitos, até quando não terás compaixão de Jerusalém e das cidades de Judá, contra as quais estiveste indignado estes setenta anos?”.
1:13 O SENHOR respondeu ao anjo que falava comigo com palavras boas, palavras de consolo.
1:14 O anjo que falava comigo me disse: “Proclame: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: ‘Tenho grande zelo por Jerusalém e por Sião.
1:15 Estou muito irado contra as nações que vivem tranquilas, pois eu estava um pouco irado, mas elas agravaram o mal’.
1:16 Por isso, assim diz o SENHOR: ‘Voltei a Jerusalém com compaixão. Minha casa será reconstruída nela — declara o SENHOR dos Exércitos —, e um cordel de medir será estendido sobre Jerusalém’.
1:17 Proclame ainda: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: ‘Minhas cidades voltarão a transbordar de prosperidade. O SENHOR voltará a consolar Sião e voltará a escolher Jerusalém’”.
1:18 Levantei os olhos e vi quatro chifres.
1:19 Perguntei ao anjo que falava comigo: “O que são estes?”. Ele respondeu: “Estes são os chifres que dispersaram Judá, Israel e Jerusalém”.
1:20 Depois o SENHOR me mostrou quatro artesãos.
1:21 Perguntei: “O que estes vêm fazer?”. Ele respondeu: “Aqueles são os chifres que dispersaram Judá, de modo que ninguém conseguia levantar a cabeça. Mas estes vieram para aterrorizá-los, para derrubar os chifres das nações que levantaram seu chifre contra a terra de Judá para dispersá-la”.

Capítulo 2
2:1 Levantei os olhos e vi um homem com um cordel de medir na mão.
2:2 Perguntei: “Aonde você vai?”. Ele respondeu: “Medir Jerusalém, para ver qual é sua largura e qual é seu comprimento”.
2:3 Eis que o anjo que falava comigo saiu, e outro anjo saiu ao seu encontro.
2:4 Ele lhe disse: “Corra, fale àquele jovem: ‘Jerusalém será habitada sem muralhas, por causa da multidão de pessoas e animais que haverá nela.
2:5 Eu serei para ela — declara o SENHOR — uma muralha de fogo ao redor e serei a glória no meio dela’”.
2:6 “Vamos, vamos! Fujam da terra do norte — declara o SENHOR —, pois espalhei vocês como os quatro ventos do céu — declara o SENHOR.
2:7 Vamos, Sião! Escape, você que mora com a filha da Babilônia”.
2:8 Pois assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Depois da glória, ele me enviou às nações que saquearam vocês, pois quem toca em vocês toca na menina de seu olho.
2:9 Pois eis que levantarei minha mão contra elas, e elas serão despojo para seus próprios servos. Então vocês saberão que o SENHOR dos Exércitos me enviou.
2:10 Cante e alegre-se, filha de Sião! Pois eis que venho e habitarei no meio de você — declara o SENHOR.
2:11 Muitas nações se unirão ao SENHOR naquele dia e serão meu povo. Habitarei no meio de você, e você saberá que o SENHOR dos Exércitos me enviou a você”.
2:12 O SENHOR tomará posse de Judá como sua porção na terra santa e voltará a escolher Jerusalém.
2:13 Cale-se toda carne diante do SENHOR, pois ele se levantou de sua santa morada!

Capítulo 3
3:1 Ele me mostrou Josué, o sumo sacerdote, de pé diante do anjo do SENHOR; Satanás estava à sua direita para acusá-lo.
3:2 O SENHOR disse a Satanás: “O SENHOR o repreenda, Satanás! O SENHOR, que escolheu Jerusalém, o repreenda! Não é este um tição resgatado do fogo?”.
3:3 Josué estava vestido com roupas sujas, de pé diante do anjo.
3:4 Ele disse aos que estavam diante dele: “Tirem dele as roupas sujas”. E a Josué disse: “Veja, retirei de você sua culpa e o vestirei com roupas de gala”.
3:5 Então eu disse: “Ponham um turbante limpo na cabeça dele”. Puseram um turbante limpo em sua cabeça e o vestiram, enquanto o anjo do SENHOR permanecia de pé.
3:6 O anjo do SENHOR advertiu solenemente Josué:
3:7 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Se você andar nos meus caminhos e cumprir o encargo que lhe dei, governará minha casa e guardará meus átrios. Eu lhe darei acesso entre estes que estão aqui de pé.
3:8 Ouça, por favor, Josué, sumo sacerdote, você e seus companheiros que se sentam diante de você, pois eles são homens que servem de sinal. Eis que trarei meu servo, o Renovo.
3:9 Veja a pedra que pus diante de Josué: sobre uma só pedra há sete olhos. Eu gravarei sua inscrição — declara o SENHOR dos Exércitos — e retirarei a culpa daquela terra num só dia.
3:10 Naquele dia — declara o SENHOR dos Exércitos — cada um convidará seu próximo para debaixo da videira e da figueira”.

Capítulo 4
4:1 O anjo que falava comigo voltou e me despertou, como se desperta alguém do sono.
4:2 Ele perguntou: “O que você vê?”. Respondi: “Vejo um candelabro todo de ouro, com um depósito na parte superior. Sobre ele há sete lâmpadas, com sete condutos para cada uma das lâmpadas.
4:3 Junto dele há duas oliveiras, uma à direita do depósito e outra à sua esquerda”.
4:4 Perguntei ao anjo que falava comigo: “O que são estas coisas, meu senhor?”.
4:5 O anjo que falava comigo respondeu: “Você não sabe o que são estas coisas?”. Respondi: “Não, meu senhor”.
4:6 Ele me respondeu: Esta é a palavra do SENHOR a Zorobabel: “Não por poder nem por força, mas pelo meu Espírito — diz o SENHOR dos Exércitos.
4:7 Quem é você, grande monte? Diante de Zorobabel se tornará uma planície. Ele trará a pedra de remate entre aclamações: ‘Graça, graça sobre ela!’”.
4:8 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
4:9 “As mãos de Zorobabel lançaram os alicerces desta casa, e suas mãos a terminarão. Então você saberá que o SENHOR dos Exércitos me enviou a vocês.
4:10 Pois quem desprezou o dia das coisas pequenas? Estes sete se alegrarão ao ver o prumo na mão de Zorobabel: são os olhos do SENHOR que percorrem toda a terra”.
4:11 Perguntei a ele: “O que são estas duas oliveiras à direita e à esquerda do candelabro?”.
4:12 Perguntei outra vez: “O que são os dois ramos de oliveira que estão junto aos dois tubos de ouro, pelos quais vertem o azeite dourado?”.
4:13 Ele respondeu: “Você não sabe o que são estas coisas?”. Respondi: “Não, meu senhor”.
4:14 Ele disse: “Estes são os dois ungidos que estão de pé diante do Senhor de toda a terra”.

Capítulo 5
5:1 Tornei a levantar os olhos e vi um rolo que voava.
5:2 Ele perguntou: “O que você vê?”. Respondi: “Vejo um rolo que voa, com cerca de dez metros de comprimento e cinco de largura”.
5:3 Ele me disse: “Esta é a maldição que sai sobre a face de toda a terra. Todo o que rouba será eliminado conforme o que está escrito de um lado, e todo o que jura será eliminado conforme o que está escrito do outro lado.
5:4 Eu a fiz sair — declara o SENHOR dos Exércitos —, e ela entrará na casa do ladrão e na casa de quem jura falsamente pelo meu nome. Permanecerá no meio de sua casa e a consumirá, com suas madeiras e suas pedras”.
5:5 O anjo que falava comigo saiu e me disse: “Levante os olhos, por favor, e veja o que é isto que sai”.
5:6 Perguntei: “O que é?”. Ele respondeu: “Este é o cesto para medir cereal que está saindo, com capacidade de cerca de vinte e dois litros”. E acrescentou: “Esta é a aparência deles em toda a terra”.
5:7 Eis que uma tampa de chumbo foi levantada, e havia uma mulher sentada dentro do cesto.
5:8 Ele disse: “Esta é a Maldade”. Lançou-a para dentro do cesto e lançou a tampa de chumbo sobre a abertura.
5:9 Levantei os olhos e vi duas mulheres saindo, com vento em suas asas. Tinham asas como as da cegonha e levantaram o cesto entre a terra e o céu.
5:10 Perguntei ao anjo que falava comigo: “Aonde elas estão levando o cesto?”.
5:11 Ele respondeu: “Para lhe construírem uma casa na terra de Sinar. Quando estiver pronta, o cesto será colocado ali sobre sua base”.

Capítulo 6
6:1 Tornei a levantar os olhos e vi quatro carros saindo de entre dois montes; os montes eram de bronze.
6:2 No primeiro carro havia cavalos vermelhos; no segundo, cavalos pretos;
6:3 no terceiro, cavalos brancos; e no quarto, cavalos malhados e fortes.
6:4 Perguntei ao anjo que falava comigo: “O que são estes, meu senhor?”.
6:5 O anjo respondeu: “Estes são os quatro espíritos do céu, que saem depois de se apresentarem diante do Senhor de toda a terra.
6:6 O carro com os cavalos pretos sai para a terra do norte; os brancos saem atrás deles, e os malhados saem para a terra do sul”.
6:7 Os cavalos fortes saíram, desejosos de percorrer a terra. Ele disse: “Vão, percorram a terra!”. E percorreram a terra.
6:8 Então ele me chamou e disse: “Veja, os que saíram para a terra do norte deram repouso ao meu Espírito na terra do norte”.
6:9 A palavra do SENHOR veio a mim, dizendo:
6:10 “Receba as ofertas dos exilados, de Heldai, de Tobias e de Jedaías, que vieram da Babilônia. Vá naquele mesmo dia à casa de Josias, filho de Sofonias.
6:11 Tome prata e ouro, faça coroas e ponha-as na cabeça de Josué, filho de Jozadaque, o sumo sacerdote.
6:12 Diga a ele: Assim diz o SENHOR dos Exércitos: ‘Eis o homem cujo nome é Renovo. Ele brotará de seu lugar e construirá o templo do SENHOR.
6:13 Ele construirá o templo do SENHOR, ostentará majestade e se sentará para governar em seu trono. Haverá um sacerdote em seu trono, e haverá acordo de paz entre ambos’.
6:14 As coroas ficarão no templo do SENHOR como memorial de Helém, de Tobias, de Jedaías e de Hem, filho de Sofonias.
6:15 Os que estão longe virão e construirão no templo do SENHOR. Então vocês saberão que o SENHOR dos Exércitos me enviou a vocês. Isso acontecerá se vocês obedecerem atentamente à voz do SENHOR, seu Deus”.

Capítulo 7
7:1 No quarto ano do rei Dario, a palavra do SENHOR veio a Zacarias, no dia quatro do nono mês, em quisleu.
7:2 Betel havia enviado Sarezer, Regém-Meleque e seus homens para suplicar o favor do SENHOR
7:3 e perguntar aos sacerdotes da casa do SENHOR dos Exércitos e aos profetas: “Devo continuar chorando no quinto mês e me abstendo, como tenho feito há tantos anos?”.
7:4 A palavra do SENHOR dos Exércitos veio a mim, dizendo:
7:5 “Diga a todo o povo da terra e aos sacerdotes: ‘Quando vocês jejuaram e se lamentaram no quinto e no sétimo mês durante estes setenta anos, foi de fato para mim que jejuaram, para mim?
7:6 E quando comem e quando bebem, não são vocês mesmos que comem e que bebem?
7:7 Não são estas as palavras que o SENHOR proclamou por meio dos antigos profetas, quando Jerusalém estava habitada e em paz, assim como as cidades ao seu redor, e o Neguebe e a Sefelá estavam habitados?’”.
7:8 A palavra do SENHOR veio a Zacarias, dizendo:
7:9 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Julguem com verdadeira justiça e pratiquem a misericórdia e a compaixão, cada um para com seu irmão.
7:10 Não oprimam a viúva, o órfão, o estrangeiro nem o pobre. Não tramem em seu coração o mal contra seu irmão.
7:11 Mas eles se recusaram a dar atenção, deram o ombro rebelde e tornaram seus ouvidos pesados para não ouvir.
7:12 Fizeram seu coração duro como diamante para não ouvir a lei nem as palavras que o SENHOR dos Exércitos enviara por seu Espírito, por meio dos antigos profetas. Por isso veio grande indignação da parte do SENHOR dos Exércitos.
7:13 Assim como ele chamou, e eles não ouviram, assim eles chamaram, mas eu não ouvi — diz o SENHOR dos Exércitos.
7:14 Eu os dispersei como uma tempestade entre todas as nações que não conheciam. A terra ficou desolada depois deles, sem quem fosse nem viesse. Assim fizeram da terra desejável uma desolação”.

Capítulo 8
8:1 Veio a palavra do SENHOR dos Exércitos, dizendo:
8:2 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Tenho grande zelo por Sião; com grande furor tenho zelo por ela”.
8:3 Assim diz o SENHOR: “Voltei para Sião e habitarei no meio de Jerusalém. Jerusalém será chamada Cidade da Verdade, e o monte do SENHOR dos Exércitos, Monte Santo”.
8:4 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Idosos e idosas voltarão a se sentar nas praças de Jerusalém, cada um com seu bastão na mão por causa da idade avançada.
8:5 As praças da cidade se encherão de meninos e meninas brincando nelas”.
8:6 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Se isso parecer difícil demais aos olhos do remanescente deste povo naqueles dias, será difícil demais também aos meus olhos?”, declara o SENHOR dos Exércitos.
8:7 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Eis que salvarei meu povo da terra do oriente e da terra onde o sol se põe.
8:8 Eu os trarei, e habitarão no meio de Jerusalém. Eles serão meu povo, e eu serei seu Deus, com fidelidade e justiça”.
8:9 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Que suas mãos sejam fortes, vocês que nestes dias ouvem estas palavras da boca dos profetas que falaram no dia em que foram lançados os alicerces da casa do SENHOR dos Exércitos, para reconstruir o templo.
8:10 Pois, antes daqueles dias, não havia paga pelo trabalho de pessoas nem de animais, e não havia segurança para quem saía nem para quem entrava, por causa do inimigo. Eu havia lançado todos uns contra os outros.
8:11 Mas agora não tratarei o remanescente deste povo como nos dias passados — declara o SENHOR dos Exércitos.
8:12 Pois haverá semente de paz: a videira dará seu fruto, a terra dará sua colheita, e os céus darão seu orvalho. Farei o remanescente deste povo herdar todas essas coisas.
8:13 Assim como vocês foram maldição entre as nações, casa de Judá e casa de Israel, assim eu os salvarei, e vocês serão bênção. Não temam! Que suas mãos sejam fortes!
8:14 Pois assim diz o SENHOR dos Exércitos: Assim como planejei trazer calamidade sobre vocês quando seus antepassados me provocaram à ira — diz o SENHOR dos Exércitos —, e não desisti,
8:15 assim, nestes dias, voltei a planejar fazer o bem a Jerusalém e à casa de Judá. Não temam!
8:16 Estas são as coisas que vocês devem fazer: falem a verdade uns aos outros; pronunciem, às portas de suas cidades, sentenças verdadeiras que conduzam à paz.
8:17 Não tramem em seu coração o mal contra seu próximo nem amem o juramento falso, pois odeio todas essas coisas”, declara o SENHOR.
8:18 A palavra do SENHOR dos Exércitos veio a mim, dizendo:
8:19 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “O jejum do quarto mês, o jejum do quinto, o jejum do sétimo e o jejum do décimo serão para a casa de Judá júbilo, alegria e festas felizes. Portanto, amem a verdade e a paz”.
8:20 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Ainda virão povos e habitantes de muitas cidades.
8:21 Os habitantes de uma cidade irão a outra e dirão: ‘Vamos sem falta suplicar o favor do SENHOR e buscar o SENHOR dos Exércitos! Eu também irei’.
8:22 Muitos povos e nações poderosas virão buscar o SENHOR dos Exércitos em Jerusalém e suplicar o favor do SENHOR”.
8:23 Assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Naqueles dias, dez homens de todas as línguas das nações se agarrarão à borda da roupa de um judeu e dirão: ‘Iremos com vocês, pois ouvimos que Deus está com vocês’”.

Capítulo 9
9:1 Profecia da palavra do SENHOR contra a terra de Hadraque.
   Essa palavra repousará sobre Damasco, pois o olhar da humanidade e de todas as tribos de Israel se volta para o SENHOR.
9:2 Também contra Hamate, que faz fronteira com ela, e contra Tiro e Sidom, embora sejam muito sábias.
9:3 Tiro construiu para si uma fortaleza e amontoou prata como pó e ouro como a lama das ruas.
9:4 Eis que o Senhor a despojará, destruirá seu poder no mar, e ela será consumida pelo fogo.
9:5 Asquelom verá isso e terá medo;
   Gaza se contorcerá de angústia, assim como Ecrom, pois sua esperança será frustrada.
   O rei de Gaza perecerá, e Asquelom não será habitada.
9:6 “Um povo bastardo habitará em Asdode, e acabarei com o orgulho dos filisteus.
9:7 Tirarei o sangue de sua boca e suas abominações de entre seus dentes.
   Também ele restará para o nosso Deus e será como um chefe em Judá;
   Ecrom será como o jebuseu.
9:8 Acamparei junto à minha casa para guardá-la do exército, de quem vai e de quem vem.
   O opressor não voltará a passar sobre eles, pois agora vi com meus próprios olhos”.

9:9 Alegre-se muito, filha de Sião!
   Grite de júbilo, filha de Jerusalém!
   Eis que seu rei vem a você: justo e vitorioso, humilde e montado num jumento, num jumentinho, cria de jumenta.
9:10 “Eliminarei os carros de Efraim e os cavalos de Jerusalém;
   o arco de guerra será eliminado.
   Ele proclamará paz às nações, e seu domínio irá de mar a mar, desde o Rio até os confins da terra.
9:11 Quanto a você, pelo sangue de sua aliança libertei seus prisioneiros da cisterna sem água.
9:12 Voltem à fortaleza, prisioneiros da esperança!
   Hoje mesmo anuncio a você: devolverei o dobro.
9:13 Pois curvei Judá para mim como arco e o carreguei com Efraim.
   Levantarei seus filhos, Sião, contra seus filhos, Grécia, e farei você ser como a espada de um guerreiro”.
9:14 O SENHOR aparecerá sobre eles, e sua flecha sairá como um relâmpago.
   O Senhor, o SENHOR, tocará a trompa e avançará entre as tempestades do sul.
9:15 O SENHOR dos Exércitos os protegerá;
   eles devorarão e pisotearão as pedras da funda.
   Beberão e farão barulho como por causa do vinho;
   se encherão como uma taça, como os cantos do altar.
9:16 O SENHOR, seu Deus, os salvará naquele dia como ao rebanho do seu povo, pois serão pedras de uma coroa que resplandecem sobre sua terra.
9:17 Como é grande sua bondade!
   Como é grande sua beleza!
   O cereal fará florescer os jovens, e o vinho novo, as virgens.

Capítulo 10
10:1 Peçam ao SENHOR chuva no tempo da chuva tardia.
   O SENHOR faz as nuvens de tempestade e lhes dará aguaceiros, a cada um vegetação no campo.
10:2 Pois os ídolos domésticos falam engano;
   os adivinhos veem mentira, contam sonhos falsos e oferecem consolo vazio.
   Por isso o povo vagueia como ovelhas e sofre por falta de pastor.

10:3 “Minha ira se acendeu contra os pastores, e castigarei os bodes.
   Pois o SENHOR dos Exércitos cuida de seu rebanho, a casa de Judá, e fará deles seu majestoso cavalo de batalha.
10:4 Dele sairá a pedra angular, dele a estaca da tenda, dele o arco de guerra;
   dele sairão todos os governantes juntos.
10:5 Serão como guerreiros que pisoteiam a lama das ruas na batalha.
   Lutarão porque o SENHOR está com eles, e os cavaleiros ficarão envergonhados.
10:6 Fortalecerei a casa de Judá e salvarei a casa de José.
   Eu os restaurarei porque tenho compaixão deles.
   Serão como se eu nunca os tivesse rejeitado, pois eu sou o SENHOR, seu Deus, e lhes responderei.
10:7 Os de Efraim serão como um guerreiro, e seu coração se alegrará como por causa do vinho.
   Seus filhos verão isso e se alegrarão;
   seu coração exultará no SENHOR.
10:8 Eu os chamarei com um assobio e os reunirei, pois os resgatei.
   Serão tão numerosos como antes.
10:9 Eu os semearei entre os povos, e em lugares distantes se lembrarão de mim.
   Viverão com seus filhos e voltarão.
10:10 Eu os farei voltar da terra do Egito e os reunirei da Assíria.
   Eu os trarei à terra de Gileade e ao Líbano, até que não haja espaço para eles.
10:11 Ele atravessará o mar da angústia e golpeará as ondas do mar;
   todas as profundezas do Nilo secarão.
   O orgulho da Assíria será abatido, e o cetro do Egito desaparecerá.
10:12 Eu os fortalecerei no SENHOR, e andarão em seu nome”, declara o SENHOR.

Capítulo 11
11:1 Abra suas portas, Líbano, para que o fogo devore seus cedros!
11:2 Lamente, cipreste, pois o cedro caiu, pois os majestosos foram destruídos!
   Lamentem, carvalhos de Basã, pois a floresta densa caiu!
11:3 Ouve-se o lamento dos pastores, pois seu esplendor foi devastado!
   Ouve-se o rugido dos leõezinhos, pois a exuberância do Jordão foi destruída!
11:4 Assim diz o SENHOR, meu Deus: “Pastoreie o rebanho destinado à matança,
11:5 cujos compradores o matam e não se consideram culpados, e cujos vendedores dizem: ‘Bendito seja o SENHOR, pois fiquei rico!’. Seus próprios pastores não têm compaixão dele.
11:6 Pois não terei mais compaixão dos habitantes da terra — declara o SENHOR. Eis que entregarei cada um nas mãos de seu próximo e nas mãos de seu rei. Eles despedaçarão a terra, e eu não os livrarei de suas mãos”.
11:7 Então pastoreei o rebanho destinado à matança, em especial os pobres do rebanho. Tomei para mim dois cajados: a um chamei Favor e ao outro, União. E pastoreei o rebanho.
11:8 Num só mês eliminei os três pastores. Perdi a paciência com eles, e eles também me detestaram.
11:9 Eu disse: “Não pastorearei mais vocês. A que tiver de morrer, que morra; a que tiver de perecer, que pereça. E as que restarem, que cada uma coma a carne de sua companheira”.
11:10 Tomei meu cajado chamado Favor e o quebrei, para anular a aliança que havia feito com todos os povos.
11:11 Naquele dia, ela foi anulada. Assim os pobres do rebanho que me observavam souberam que aquilo era palavra do SENHOR.
11:12 Eu lhes disse: “Se lhes parece bem, deem-me minha paga; se não, deixem”. Então pesaram como minha paga trinta peças de prata.
11:13 O SENHOR me disse: “Lance isso ao oleiro: o belo preço pelo qual fui avaliado por eles!”. Tomei as trinta peças de prata e as lancei ao oleiro na casa do SENHOR.
11:14 Depois quebrei meu segundo cajado, União, para romper a fraternidade entre Judá e Israel.
11:15 O SENHOR me disse: “Tome novamente para você os utensílios de um pastor insensato.
11:16 Pois eis que levantarei na terra um pastor que não cuidará das que perecem, não buscará a jovem, não curará a ferida nem alimentará a saudável. Ao contrário, comerá a carne da gorda e lhe arrancará os cascos.

11:17 Ai do pastor inútil que abandona o rebanho!
   Caia a espada sobre seu braço e sobre seu olho direito!
   Que seu braço seque por completo e seu olho direito fique completamente cego!”.

Capítulo 12
12:1 Profecia da palavra do SENHOR a respeito de Israel. Declara o SENHOR, que estende os céus, lança os alicerces da terra e forma o espírito do ser humano dentro dele:
12:2 “Eis que farei de Jerusalém uma taça que fará cambalear todos os povos ao redor. Isso também recairá sobre Judá quando Jerusalém for sitiada.
12:3 Naquele dia, farei de Jerusalém uma pedra pesada para todos os povos. Todos os que a levantarem ficarão gravemente feridos, e todas as nações da terra se reunirão contra ela.
12:4 Naquele dia — declara o SENHOR — ferirei todo cavalo de pânico e seu cavaleiro de loucura. Abrirei meus olhos sobre a casa de Judá, mas ferirei de cegueira todos os cavalos dos povos.
12:5 Os chefes de Judá dirão em seu coração: ‘Os habitantes de Jerusalém são minha força por meio do SENHOR dos Exércitos, seu Deus’.
12:6 Naquele dia, farei dos chefes de Judá um braseiro aceso entre a lenha, uma tocha de fogo entre os feixes. Consumirão à direita e à esquerda todos os povos ao redor. Jerusalém voltará a ser habitada em seu lugar, em Jerusalém.
12:7 O SENHOR salvará primeiro as tendas de Judá, para que a glória da casa de Davi e a glória dos habitantes de Jerusalém não se exaltem acima de Judá.
12:8 Naquele dia, o SENHOR protegerá os habitantes de Jerusalém. Naquele dia, quem tropeçar entre eles será como Davi, e a casa de Davi será como Deus, como o anjo do SENHOR diante deles.
12:9 Naquele dia, procurarei destruir todas as nações que vierem contra Jerusalém.
12:10 Derramarei sobre a casa de Davi e sobre os habitantes de Jerusalém um espírito de graça e de súplicas. Olharão para mim, a quem traspassaram, e farão luto por ele, como se faz luto por um filho único; chorarão amargamente por ele, como se chora pelo primogênito.
12:11 Naquele dia, será grande o luto em Jerusalém, como o luto de Hadade-Rimom no vale de Megido.
12:12 A terra fará luto, cada família à parte: a família da casa de Davi à parte e suas mulheres à parte; a família da casa de Natã à parte e suas mulheres à parte;
12:13 a família da casa de Levi à parte e suas mulheres à parte; a família de Simei à parte e suas mulheres à parte;
12:14 todas as famílias restantes, cada família à parte e suas mulheres à parte”.

Capítulo 13
13:1 Naquele dia, haverá uma fonte aberta para a casa de Davi e para os habitantes de Jerusalém, para purificá-los do pecado e da impureza.
13:2 “Naquele dia — declara o SENHOR dos Exércitos — eliminarei da terra os nomes dos ídolos, e eles não serão mais lembrados. Também retirarei da terra os profetas e o espírito de impureza.
13:3 Se alguém ainda profetizar, seu pai e sua mãe, que o geraram, lhe dirão: ‘Você não viverá, porque falou mentira em nome do SENHOR’. Seu pai e sua mãe, que o geraram, o traspassarão quando profetizar.
13:4 Naquele dia, os profetas se envergonharão, cada um de sua visão ao profetizar. Não vestirão mais um manto de pelos para enganar.
13:5 Ele dirá: ‘Não sou profeta; sou um homem que trabalha a terra, pois um homem me comprou quando eu era jovem’.
13:6 Se alguém lhe perguntar: ‘Que feridas são essas no seu peito?’, responderá: ‘Fui ferido na casa dos que me amam’”.

13:7 “Espada, desperte contra meu pastor, contra o homem que é meu companheiro!
   — declara o SENHOR dos Exércitos.
   — Fira o pastor, e as ovelhas se dispersarão.
   Voltarei minha mão contra os pequenos.
13:8 Em toda a terra — declara o SENHOR — dois terços serão exterminados e morrerão;
   um terço restará nela.
13:9 Farei esse terço passar pelo fogo;
   eu os refinarei como se refina a prata e os provarei como se prova o ouro.
   Ele invocará meu nome, e eu lhe responderei.
   Direi: ‘Ele é meu povo’, e ele dirá: ‘O SENHOR é meu Deus’”.

Capítulo 14
14:1 Eis que vem um dia para o SENHOR, e seus despojos serão repartidos no meio de você.
14:2 “Reunirei todas as nações para combater contra Jerusalém. A cidade será tomada, as casas serão saqueadas e as mulheres serão violentadas. Metade da cidade irá para o exílio, mas o restante do povo não será eliminado da cidade”.
14:3 Então o SENHOR sairá e combaterá contra essas nações, como quando combate em dia de batalha.
14:4 Naquele dia, seus pés estarão sobre o monte das Oliveiras, que fica diante de Jerusalém, a leste. O monte das Oliveiras se partirá ao meio, de leste a oeste, formando um vale muito grande. Metade do monte se moverá para o norte, e a outra metade, para o sul.
14:5 Vocês fugirão pelo vale dos meus montes, pois o vale dos montes chegará até Azal. Fugirão como fugiram do terremoto nos dias de Uzias, rei de Judá. Então virá o SENHOR, meu Deus, e todos os santos contigo.
14:6 Naquele dia, não haverá luz; as luminárias se apagarão.
14:7 Será um dia único, conhecido pelo SENHOR: não será dia nem noite. Ao entardecer, haverá luz.
14:8 Naquele dia, águas vivas sairão de Jerusalém: metade delas para o mar oriental e metade para o mar ocidental. Assim será no verão e no inverno.
14:9 O SENHOR será rei sobre toda a terra. Naquele dia, o SENHOR será um só, e um só será seu nome.
14:10 Toda a terra ficará como uma planície, de Geba até Rimom, ao sul de Jerusalém. Jerusalém será elevada e habitada em seu lugar, desde a Porta de Benjamim até o lugar da primeira porta, até a Porta da Esquina, e da Torre de Hananel até os lagares do rei.
14:11 Habitarão nela, e nunca mais haverá extermínio. Jerusalém viverá em segurança.
14:12 Esta será a praga com que o SENHOR ferirá todos os povos que guerrearam contra Jerusalém: sua carne apodrecerá enquanto ainda estiverem de pé; seus olhos apodrecerão nas órbitas, e sua língua apodrecerá na boca.
14:13 Naquele dia, haverá entre eles um grande pânico vindo do SENHOR. Cada um agarrará a mão de seu companheiro e levantará a mão contra a mão de seu companheiro.
14:14 Judá também combaterá em Jerusalém. Serão reunidas as riquezas de todas as nações ao redor: ouro, prata e roupas em enorme abundância.
14:15 A mesma praga atingirá os cavalos, os mulos, os camelos, os jumentos e todos os animais que houver naqueles acampamentos.
14:16 Todos os sobreviventes de todas as nações que vieram contra Jerusalém subirão, ano após ano, para adorar o Rei, o SENHOR dos Exércitos, e celebrar a Festa das Cabanas.
14:17 Se alguma das famílias da terra não subir a Jerusalém para adorar o Rei, o SENHOR dos Exércitos, não haverá chuva sobre ela.
14:18 Se a família do Egito não subir nem vier, também não haverá chuva sobre eles; virá a praga com que o SENHOR ferirá as nações que não subirem para celebrar a Festa das Cabanas.
14:19 Este será o castigo do Egito e o castigo de todas as nações que não subirem para celebrar a Festa das Cabanas.
14:20 Naquele dia, nas campainhas dos cavalos estará escrito: “Consagrado ao SENHOR”. As panelas da casa do SENHOR serão como as bacias diante do altar.
14:21 Toda panela em Jerusalém e em Judá será consagrada ao SENHOR dos Exércitos. Todos os que oferecerem sacrifícios virão, tomarão dessas panelas e cozinharão nelas. Naquele dia, não haverá mais mercador na casa do SENHOR dos Exércitos.

MALAQUIAS

Capítulo 1
1:1 Profecia da palavra do SENHOR a Israel por meio de Malaquias.
1:2 “Eu tenho amado vocês — diz o SENHOR. — Mas vocês perguntam: ‘Como nos tens amado?’ Não era Esaú irmão de Jacó? — declara o SENHOR. — No entanto, amei Jacó
1:3 e odiei Esaú. Transformei seus montes em desolação e entreguei sua herança aos chacais do deserto”.
1:4 Ainda que Edom diga: “Fomos arrasados, mas voltaremos a reconstruir as ruínas”, assim diz o SENHOR dos Exércitos: “Eles construirão, mas eu derrubarei. Serão chamados ‘Território da Maldade’ e ‘Povo contra o qual o SENHOR está irado para sempre’.
1:5 Seus próprios olhos verão isso, e vocês dirão: ‘Grande é o SENHOR além das fronteiras de Israel!’
1:6 O filho honra seu pai, e o servo, seu senhor. Se sou Pai, onde está minha honra? Se sou Senhor, onde está o temor que me devem? — diz o SENHOR dos Exércitos a vocês, sacerdotes que desprezam meu nome. — Mas vocês perguntam: ‘Em que desprezamos teu nome?’
1:7 Vocês oferecem alimento impuro sobre meu altar e perguntam: ‘Em que te contaminamos?’ Ao dizerem: ‘A mesa do SENHOR é desprezível’.
1:8 Quando oferecem um animal cego em sacrifício, isso não é errado? E, quando oferecem um coxo ou doente, isso não é errado? Pois apresente-o ao seu governador! Ele se agradará de você ou o receberá com favor? — diz o SENHOR dos Exércitos.
1:9 Agora, supliquem o favor de Deus, para que tenha compaixão de nós. Isso veio de suas mãos: será que ele receberá algum de vocês com favor? — diz o SENHOR dos Exércitos.
1:10 Quem dera um de vocês fechasse as portas, para que não acendessem meu altar em vão! Não tenho prazer em vocês — diz o SENHOR dos Exércitos — e não aceitarei oferta de suas mãos.
1:11 Pois, do nascer do sol ao poente, meu nome é grande entre as nações. Em todo lugar se oferece incenso ao meu nome e se apresenta uma oferta pura, pois meu nome é grande entre as nações — diz o SENHOR dos Exércitos.
1:12 Mas vocês o profanam ao dizer: ‘A mesa do Senhor está contaminada, e seu fruto, seu alimento, é desprezível’.
1:13 Vocês dizem: ‘Que canseira!’, e o desprezam, bufando — diz o SENHOR dos Exércitos. — Trazem animais roubados, coxos e doentes e assim apresentam a oferta. Será que a aceitarei de suas mãos? — diz o SENHOR.
1:14 Maldito seja o enganador que tem um macho em seu rebanho e faz um voto, mas sacrifica ao Senhor um animal defeituoso! Pois eu sou um grande Rei — diz o SENHOR dos Exércitos — e meu nome é temível entre as nações”.

Capítulo 2
2:1 “Agora, sacerdotes, este mandamento é para vocês.
2:2 Se não ouvirem e não levarem a sério dar glória ao meu nome — diz o SENHOR dos Exércitos —, enviarei sobre vocês a maldição e amaldiçoarei suas bênçãos. Já as amaldiçoei, porque não levam isso a sério.
2:3 Eis que repreenderei sua descendência e espalharei esterco no rosto de vocês, o esterco de suas festas. Vocês serão levados junto com ele.
2:4 Então saberão que lhes enviei este mandamento, para que permaneça minha aliança com Levi — diz o SENHOR dos Exércitos.
2:5 Minha aliança com ele era de vida e paz. Eu lhe dei ambas para que me temesse; ele me temeu e tremeu diante do meu nome.
2:6 A instrução verdadeira estava em sua boca, e não se encontrou injustiça em seus lábios. Ele andou comigo em paz e retidão e afastou muitos da iniquidade.
2:7 Pois os lábios do sacerdote devem guardar o conhecimento, e de sua boca se deve buscar a instrução, porque ele é mensageiro do SENHOR dos Exércitos.
2:8 Mas vocês se desviaram do caminho; com sua instrução fizeram muitos tropeçar. Corromperam a aliança de Levi — diz o SENHOR dos Exércitos.
2:9 Por isso, eu também os tornei desprezíveis e humilhados diante de todo o povo, pois não guardam meus caminhos e mostram favoritismo ao aplicar a lei”.
2:10 Não temos todos um só pai? Não nos criou um só Deus? Por que somos infiéis uns aos outros, profanando a aliança de nossos antepassados?
2:11 Judá foi infiel, e uma abominação foi cometida em Israel e em Jerusalém. Pois Judá profanou o santuário do SENHOR, que ele ama, e se casou com a filha de um deus estrangeiro.
2:12 Que o SENHOR elimine das tendas de Jacó o homem que fizer isso, quem está desperto e quem responde, ainda que apresente uma oferta ao SENHOR dos Exércitos!
2:13 E esta é a segunda coisa que fazem: cobrem de lágrimas o altar do SENHOR, de choro e gemidos, porque ele já não olha para a oferta nem a aceita com agrado de suas mãos.
2:14 E perguntam: “Por quê?” Porque o SENHOR foi testemunha entre você e a esposa de sua juventude, à qual você foi infiel, embora ela seja sua companheira e a esposa de sua aliança.
2:15 Não os fez um só, embora lhe restasse espírito? E o que buscava esse um? Uma descendência para Deus. Portanto, guardem seu espírito; que ninguém seja infiel à esposa de sua juventude.
2:16 “Pois quem odeia e repudia sua esposa — diz o SENHOR, Deus de Israel — cobre sua veste de violência — diz o SENHOR dos Exércitos. Portanto, guardem seu espírito e não sejam infiéis”.
2:17 Vocês cansaram o SENHOR com suas palavras e perguntam: “Em que o cansamos?” Ao dizerem: “Todo o que faz o mal é bom aos olhos do SENHOR, e é deles que ele se agrada”, ou: “Onde está o Deus da justiça?”

Capítulo 3
3:1 “Eis que envio meu mensageiro, e ele preparará o caminho diante de mim. De repente, virá ao seu templo o Senhor a quem vocês buscam, o mensageiro da aliança a quem vocês desejam. Eis que ele vem! — diz o SENHOR dos Exércitos.
3:2 Mas quem suportará o dia de sua vinda? Quem se manterá de pé quando ele aparecer? Pois ele é como o fogo do refinador e como o sabão dos lavandeiros.
3:3 Ele se sentará como refinador e purificador de prata. Purificará os filhos de Levi e os refinará como ouro e prata, para que apresentem ao SENHOR ofertas com justiça.
3:4 Então a oferta de Judá e de Jerusalém será agradável ao SENHOR, como nos dias antigos, como nos anos de outrora.
3:5 Eu me aproximarei de vocês para o juízo e serei uma testemunha pronta contra os feiticeiros, os adúlteros, os que juram falsamente, os que defraudam o trabalhador em seu salário, os que oprimem a viúva e o órfão e negam justiça ao estrangeiro, sem me temerem — diz o SENHOR dos Exércitos.
3:6 Pois eu, o SENHOR, não mudo; por isso vocês, filhos de Jacó, não foram exterminados.
3:7 Desde os dias de seus antepassados, vocês se desviaram de meus decretos e não os guardaram. Voltem para mim, e eu voltarei para vocês — diz o SENHOR dos Exércitos. — Mas vocês perguntam: ‘Como voltaremos?’
3:8 Poderá o ser humano roubar a Deus? No entanto, vocês me roubam e perguntam: ‘Em que te roubamos?’ Nos dízimos e nas ofertas.
3:9 Vocês estão sob maldição e me roubam, a nação inteira.
3:10 Tragam todo o dízimo ao depósito, para que haja alimento em minha casa. Ponham-me à prova nisto — diz o SENHOR dos Exércitos — e vejam se não lhes abrirei as janelas dos céus e derramarei sobre vocês bênção até não haver espaço suficiente.
3:11 Por vocês, repreenderei o devorador, e ele não destruirá o fruto da terra, nem a videira do campo perderá seu fruto antes do tempo — diz o SENHOR dos Exércitos.
3:12 Todas as nações chamarão vocês de felizes, pois vocês serão uma terra desejável — diz o SENHOR dos Exércitos.
3:13 Suas palavras contra mim têm sido duras — diz o SENHOR. — Mas vocês perguntam: ‘O que temos dito contra ti?’
3:14 Vocês disseram: ‘É inútil servir a Deus. O que ganhamos por guardar o que ele manda e andar de luto diante do SENHOR dos Exércitos?
3:15 Agora, nós chamamos os arrogantes de felizes. Os que praticam a maldade prosperam; até põem Deus à prova e escapam’”.
3:16 Então os que temem o SENHOR falaram uns com os outros. O SENHOR prestou atenção e ouviu, e um livro de memória foi escrito diante dele para os que temem o SENHOR e estimam seu nome.
3:17 “Eles serão meus — diz o SENHOR dos Exércitos —, meu tesouro especial no dia em que eu agir. Terei compaixão deles como um homem tem compaixão de seu filho que o serve.
3:18 Então vocês voltarão a distinguir entre o justo e o perverso, entre quem serve a Deus e quem não o serve”.

Capítulo 4
4:1 “Pois eis que vem o dia, ardente como um forno. Todos os arrogantes e todos os que praticam a maldade serão palha. O dia que vem os abrasará — diz o SENHOR dos Exércitos — e não lhes deixará raiz nem ramo.
4:2 Mas, para vocês que temem meu nome, nascerá o sol da justiça, com cura em suas asas. Vocês sairão e saltarão como bezerros do estábulo.
4:3 Vocês pisotearão os perversos, pois serão cinzas debaixo das plantas de seus pés no dia em que eu agir — diz o SENHOR dos Exércitos.
4:4 Lembrem-se da lei de Moisés, meu servo, dos decretos e das ordenanças que lhe ordenei em Horebe para todo Israel.
4:5 Eis que envio a vocês o profeta Elias antes que venha o grande e temível dia do SENHOR.
4:6 Ele fará voltar o coração dos pais para os filhos e o coração dos filhos para seus pais, para que eu não venha e fira a terra com extermínio”.

MATEUS

Capítulo 1
1:1 Registro da genealogia de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
1:2 Abraão gerou Isaque; Isaque gerou Jacó; Jacó gerou Judá e seus irmãos.
1:3 Judá gerou Perez e Zerá de Tamar; Perez gerou Esrom; Esrom gerou Arã.
1:4 Arã gerou Aminadabe; Aminadabe gerou Naassom; Naassom gerou Salmom.
1:5 Salmom gerou Boaz de Raabe; Boaz gerou Obede de Rute; Obede gerou Jessé.
1:6 Jessé gerou o rei Davi. Davi gerou Salomão daquela que havia sido mulher de Urias.
1:7 Salomão gerou Roboão; Roboão gerou Abias; Abias gerou Asafe.
1:8 Asafe gerou Josafá; Josafá gerou Jorão; Jorão gerou Uzias.
1:9 Uzias gerou Jotão; Jotão gerou Acaz; Acaz gerou Ezequias.
1:10 Ezequias gerou Manassés; Manassés gerou Amós; Amós gerou Josias.
1:11 Josias gerou Jeconias e seus irmãos no tempo da deportação para a Babilônia.
1:12 Depois da deportação para a Babilônia, Jeconias gerou Salatiel; Salatiel gerou Zorobabel.
1:13 Zorobabel gerou Abiúde; Abiúde gerou Eliaquim; Eliaquim gerou Azor.
1:14 Azor gerou Sadoque; Sadoque gerou Aquim; Aquim gerou Eliúde.
1:15 Eliúde gerou Eleazar; Eleazar gerou Matã; Matã gerou Jacó.
1:16 Jacó gerou José, marido de Maria, da qual nasceu Jesus, chamado Cristo.
1:17 Assim, todas as gerações de Abraão até Davi são catorze gerações; de Davi até a deportação para a Babilônia, catorze gerações; e da deportação para a Babilônia até Cristo, catorze gerações.
1:18 O nascimento de Jesus Cristo aconteceu assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José e, antes de viverem juntos, descobriu-se que ela estava grávida por obra do Espírito Santo.
1:19 José, seu marido, era justo e não queria expô-la à vergonha pública; por isso, decidiu divorciar-se dela em segredo.
1:20 Enquanto ele pensava nisso, um anjo do Senhor lhe apareceu em sonho e disse: “José, filho de Davi, não tenha medo de receber Maria, sua esposa, pois o que nela foi gerado é do Espírito Santo.
1:21 Ela dará à luz um filho, e você lhe dará o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo dos seus pecados”.
1:22 Tudo isso aconteceu para que se cumprisse o que o Senhor havia dito por meio do profeta:
1:23 “Eis que a virgem ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe darão o nome de Emanuel”, que significa “Deus conosco”.
1:24 Ao despertar do sono, José fez como o anjo do Senhor lhe havia ordenado e recebeu sua esposa.
1:25 Mas não teve relações com ela até que ela deu à luz um filho. E deu a ele o nome de Jesus.

Capítulo 2
2:1 Depois que Jesus nasceu em Belém da Judeia, no tempo do rei Herodes, uns magos chegaram do Oriente a Jerusalém
2:2 e perguntaram: “Onde está aquele que nasceu rei dos judeus? Pois vimos sua estrela surgir e viemos adorá-lo”.
2:3 Ao ouvir isso, o rei Herodes ficou perturbado, e toda Jerusalém com ele.
2:4 Reunindo todos os chefes dos sacerdotes e os escribas do povo, perguntou-lhes onde o Cristo deveria nascer.
2:5 Eles responderam: “Em Belém da Judeia, pois assim está escrito por meio do profeta:
2:6 ‘E você, Belém, terra de Judá, de modo algum é a menor entre os governantes de Judá, pois de você sairá um governante que pastoreará o meu povo Israel’”.
2:7 Então Herodes chamou os magos em segredo e apurou com eles o tempo exato em que a estrela havia aparecido.
2:8 Enviou-os a Belém e disse: “Vão e procurem informações exatas sobre o menino. Quando o encontrarem, avisem-me, para que eu também vá adorá-lo”.
2:9 Depois de ouvirem o rei, eles partiram. E a estrela que tinham visto surgir ia adiante deles, até que parou sobre o lugar onde estava o menino.
2:10 Ao verem a estrela, alegraram-se com imensa alegria.
2:11 Entraram na casa e viram o menino com Maria, sua mãe. Prostraram-se e o adoraram. Então abriram seus tesouros e lhe ofereceram presentes: ouro, incenso e mirra.
2:12 Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, regressaram à sua terra por outro caminho.
2:13 Depois que eles partiram, um anjo do Senhor apareceu a José em sonho e disse: “Levante-se, tome o menino e a mãe dele e fuja para o Egito. Fique lá até que eu lhe diga, pois Herodes vai procurar o menino para matá-lo”.
2:14 José se levantou, tomou o menino e a mãe dele durante a noite e partiu para o Egito.
2:15 Permaneceu lá até a morte de Herodes, para que se cumprisse o que o Senhor havia dito por meio do profeta: “Do Egito chamei o meu filho”.
2:16 Então Herodes, percebendo que havia sido enganado pelos magos, ficou furioso e mandou matar todos os meninos de Belém e de todos os seus arredores, de dois anos para baixo, conforme o tempo que havia apurado com os magos.
2:17 Então se cumpriu o que havia sido dito por meio do profeta Jeremias:
2:18 “Uma voz se ouviu em Ramá, choro e grande lamento: Raquel chorava por seus filhos e não queria ser consolada, porque eles já não existem”.
2:19 Depois que Herodes morreu, um anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito,
2:20 e disse: “Levante-se, tome o menino e a mãe dele e vá para a terra de Israel, pois morreram os que procuravam tirar a vida do menino”.
2:21 José se levantou, tomou o menino e a mãe dele e entrou na terra de Israel.
2:22 Mas, ao saber que Arquelau reinava na Judeia em lugar de seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Avisado em sonho, retirou-se para a região da Galileia.
2:23 Foi morar numa cidade chamada Nazaré, para que se cumprisse o que havia sido dito por meio dos profetas: “Ele será chamado nazareno”.

Capítulo 3
3:1 Naqueles dias, apareceu João Batista, pregando no deserto da Judeia
3:2 e dizendo: “Arrependam-se, porque o reino dos céus está próximo”.
3:3 Pois ele é aquele de quem falou o profeta Isaías: “Voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho do Senhor; endireitem as suas veredas’”.
3:4 João usava roupa de pelos de camelo e um cinto de couro em volta da cintura; alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre.
3:5 Então iam até ele os habitantes de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região do Jordão,
3:6 e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando seus pecados.
3:7 Ao ver muitos fariseus e saduceus vindo ao seu batismo, disse-lhes: “Raça de víboras! Quem ensinou vocês a fugir da ira que está por vir?
3:8 Deem, pois, fruto digno de arrependimento.
3:9 E não pensem em dizer a si mesmos: ‘Temos Abraão por pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode suscitar filhos a Abraão.
3:10 O machado já está posto à raiz das árvores. Por isso, toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.
3:11 Eu batizo vocês com água para o arrependimento, mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu. Não sou digno de carregar as suas sandálias. Ele batizará vocês com o Espírito Santo e com fogo.
3:12 Ele tem na mão a pá de joeirar; limpará completamente a sua eira e recolherá o seu trigo no celeiro, mas queimará a palha com fogo que não se apaga”.
3:13 Então Jesus veio da Galileia ao Jordão, até João, para ser batizado por ele.
3:14 Mas João tentava impedi-lo, dizendo: “Eu preciso ser batizado por você, e você vem a mim?”
3:15 Jesus lhe respondeu: “Deixe por enquanto, pois assim nos convém cumprir toda a justiça”. Então João consentiu.
3:16 Depois de ser batizado, Jesus saiu imediatamente da água. E os céus se abriram, e ele viu o Espírito de Deus descendo como uma pomba e vindo sobre ele.
3:17 E uma voz dos céus disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado”.

Capítulo 4
4:1 Então Jesus foi levado pelo Espírito ao deserto para ser tentado pelo diabo.
4:2 Depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, sentiu fome.
4:3 O tentador se aproximou e lhe disse: “Se você é o Filho de Deus, mande que estas pedras se transformem em pães”.
4:4 Jesus respondeu: “Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus’”.
4:5 Então o diabo o levou à cidade santa e o colocou sobre o pináculo do templo.
4:6 E lhe disse: “Se você é o Filho de Deus, jogue-se daqui para baixo, pois está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus anjos a seu respeito’, e: ‘Eles o sustentarão nas mãos, para que o seu pé não tropece numa pedra’”.
4:7 Jesus lhe disse: “Também está escrito: ‘Não ponha à prova o Senhor, seu Deus’”.
4:8 O diabo o levou novamente, desta vez a um monte muito alto, e lhe mostrou todos os reinos do mundo e a glória deles.
4:9 E lhe disse: “Eu lhe darei tudo isso, se você se prostrar e me adorar”.
4:10 Então Jesus lhe disse: “Vá embora, Satanás! Pois está escrito: ‘Ao Senhor, seu Deus, você adorará, e só a ele servirá’”.
4:11 Então o diabo o deixou, e anjos se aproximaram e o serviam.
4:12 Ao saber que João havia sido preso, Jesus se retirou para a Galileia.
4:13 Deixando Nazaré, foi morar em Cafarnaum, à beira-mar, nos territórios de Zebulom e Naftali,
4:14 para que se cumprisse o que havia sido dito por meio do profeta Isaías:
4:15 “Terra de Zebulom e terra de Naftali, caminho do mar, além do Jordão, Galileia dos gentios:
4:16 o povo que estava sentado em trevas viu uma grande luz;
   e, para os que estavam sentados na região e sombra da morte, uma luz raiou”.
4:17 Desde então Jesus começou a pregar e a dizer: “Arrependam-se, porque o reino dos céus está próximo”.
4:18 Caminhando à beira do mar da Galileia, viu dois irmãos: Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão. Eles lançavam uma rede ao mar, pois eram pescadores.
4:19 E lhes disse: “Venham após mim, e eu farei de vocês pescadores de homens”.
4:20 Imediatamente eles deixaram as redes e o seguiram.
4:21 Seguindo adiante, viu outros dois irmãos: Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão. Estavam no barco com Zebedeu, seu pai, consertando as suas redes. E ele os chamou.
4:22 Imediatamente eles deixaram o barco e seu pai e o seguiram.
4:23 Jesus percorria toda a Galileia, ensinando nas sinagogas deles, proclamando o evangelho do reino e curando toda doença e toda enfermidade entre o povo.
4:24 Sua fama se espalhou por toda a Síria. Trouxeram-lhe todos os doentes, afligidos por várias doenças e dores, os endemoninhados, os que sofriam convulsões e os paralíticos, e ele os curou.
4:25 Grandes multidões o seguiram, vindas da Galileia, da Decápolis, de Jerusalém, da Judeia e do outro lado do Jordão.

Capítulo 5
5:1 Ao ver as multidões, Jesus subiu ao monte. Depois que se sentou, seus discípulos se aproximaram dele.
5:2 Então abriu a boca e lhes ensinava, dizendo:

5:3 “Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o reino dos céus.

5:4 Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados.

5:5 Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra.

5:6 Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão saciados.

5:7 Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles receberão misericórdia.

5:8 Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.

5:9 Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus.

5:10 Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus.
5:11 Bem-aventurados são vocês quando os insultarem, os perseguirem e, mentindo, disserem todo tipo de mal contra vocês por minha causa.
5:12 Alegrem-se e exultem, porque é grande a recompensa de vocês nos céus. Pois assim perseguiram os profetas que vieram antes de vocês.
5:13 Vocês são o sal da terra. Mas, se o sal perder o sabor, com que será salgado? Já não serve para nada, a não ser para ser jogado fora e pisado pelas pessoas.
5:14 Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade situada sobre um monte.
5:15 Também não se acende uma lâmpada para colocá-la debaixo de um cesto, mas no suporte, e ela ilumina todos os que estão na casa.
5:16 Assim brilhe a luz de vocês diante das pessoas, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem o Pai de vocês, que está nos céus.
5:17 Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim abolir, mas cumprir.
5:18 Pois em verdade lhes digo: até que passem o céu e a terra, nem um jota nem um traço desaparecerá da Lei, até que tudo se cumpra.
5:19 Portanto, quem desobedecer a um destes menores mandamentos e assim ensinar às pessoas será chamado o menor no reino dos céus. Mas quem os praticar e ensinar será chamado grande no reino dos céus.
5:20 Pois eu lhes digo: se a justiça de vocês não superar a dos escribas e fariseus, de modo algum entrarão no reino dos céus.
5:21 Vocês ouviram que foi dito aos antigos: ‘Não assassine’, e: ‘Quem assassinar estará sujeito a julgamento’.
5:22 Mas eu lhes digo que todo aquele que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento. Quem disser a seu irmão: ‘Cabeça vazia!’ responderá perante o Sinédrio. E quem disser: ‘Tolo!’ estará sujeito ao inferno de fogo.
5:23 Portanto, se você estiver apresentando sua oferta no altar e ali se lembrar de que seu irmão tem algo contra você,
5:24 deixe a sua oferta ali, diante do altar, e vá primeiro se reconciliar com seu irmão. Depois volte e apresente sua oferta.
5:25 Entre depressa em acordo com seu adversário, enquanto você está a caminho com ele, para que o adversário não o entregue ao juiz, e o juiz ao guarda, e você seja lançado na prisão.
5:26 Em verdade lhe digo: você de modo algum sairá dali até pagar o último quadrante.
5:27 Vocês ouviram que foi dito: ‘Não cometa adultério’.
5:28 Mas eu lhes digo que todo aquele que olha para uma mulher para cobiçá-la já cometeu adultério com ela em seu coração.
5:29 Se o seu olho direito faz você pecar, arranque-o e jogue-o para longe. Pois é melhor perder um dos seus membros do que todo o seu corpo ser lançado no inferno.
5:30 E, se a sua mão direita faz você pecar, corte-a e jogue-a para longe. Pois é melhor perder um dos seus membros do que todo o seu corpo ir para o inferno.
5:31 Também foi dito: ‘Quem se divorciar de sua esposa deve dar a ela uma certidão de divórcio’.
5:32 Mas eu lhes digo que todo aquele que se divorcia de sua esposa, exceto por causa de imoralidade sexual, faz com que ela cometa adultério; e quem se casa com uma mulher divorciada comete adultério.
5:33 Vocês também ouviram que foi dito aos antigos: ‘Não jure em falso, mas cumpra seus juramentos ao Senhor’.
5:34 Mas eu lhes digo que não jurem de modo algum: nem pelo céu, porque é o trono de Deus;
5:35 nem pela terra, porque é o apoio dos seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei.
5:36 Não jure também pela sua cabeça, pois você não pode tornar branco ou preto um só cabelo.
5:37 Que a palavra de vocês seja ‘sim, sim; não, não’. O que passa disso vem do maligno.
5:38 Vocês ouviram que foi dito: ‘Olho por olho e dente por dente’.
5:39 Mas eu lhes digo que não resistam ao malvado. Se alguém bater na sua face direita, ofereça-lhe também a outra.
5:40 E, se alguém quiser processar você e tirar a sua túnica, deixe-lhe também a capa.
5:41 Se alguém obrigar você a caminhar um quilômetro, vá com ele dois.
5:42 Dê a quem lhe pedir e não vire as costas a quem quiser tomar emprestado de você.
5:43 Vocês ouviram que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo’.
5:44 Mas eu lhes digo: amem os seus inimigos e orem pelos que perseguem vocês,
5:45 para que sejam filhos do Pai de vocês, que está nos céus. Pois ele faz o seu sol nascer sobre maus e bons e faz chover sobre justos e injustos.
5:46 Pois, se vocês amarem os que os amam, que recompensa vocês têm? Os cobradores de impostos não fazem o mesmo?
5:47 E, se saudarem apenas os seus irmãos, o que fazem de mais? Os gentios não fazem o mesmo?
5:48 Portanto, sejam perfeitos, como é perfeito o Pai celestial de vocês.

Capítulo 6
6:1 Tenham cuidado de não praticar a justiça de vocês diante das pessoas para serem vistos por elas. Se fizerem isso, não terão recompensa junto ao Pai de vocês, que está nos céus.
6:2 Portanto, quando você der esmola, não faça tocar trombeta à sua frente, como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas, para serem elogiados pelas pessoas. Em verdade lhes digo: eles já receberam sua recompensa.
6:3 Mas, quando você der esmola, que a sua mão esquerda não saiba o que faz a sua direita,
6:4 para que a sua esmola fique em segredo. E seu Pai, que vê em segredo, recompensará você.
6:5 Quando vocês orarem, não sejam como os hipócritas, que gostam de orar em pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas para serem vistos pelas pessoas. Em verdade lhes digo: eles já receberam sua recompensa.
6:6 Mas você, quando orar, entre em seu quarto, feche a porta e ore a seu Pai, que está em segredo. E seu Pai, que vê em segredo, recompensará você.
6:7 Ao orar, não usem repetições vazias como os gentios, pois eles pensam que serão ouvidos por falarem muito.
6:8 Não sejam como eles, pois o Pai de vocês sabe do que vocês precisam antes que lhe peçam.

6:9 Portanto, orem assim:
 ‘Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome.
6:10 Venha o teu reino.
   Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.
6:11 Dá-nos hoje o nosso pão de cada dia.
6:12 Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós também já perdoamos aos nossos devedores.
6:13 E não nos conduzas à tentação, mas livra-nos do maligno’.
6:14 Pois, se vocês perdoarem às pessoas as suas ofensas, o Pai celestial de vocês também lhes perdoará.
6:15 Mas, se vocês não perdoarem às pessoas, o Pai de vocês também não perdoará as suas ofensas.
6:16 Quando vocês jejuarem, não fiquem com o rosto abatido como os hipócritas, pois eles desfiguram o rosto para mostrar às pessoas que estão jejuando. Em verdade lhes digo: eles já receberam sua recompensa.
6:17 Mas você, quando jejuar, passe óleo na cabeça e lave o rosto,
6:18 para que o seu jejum seja visto por seu Pai, que está em segredo, e não pelas pessoas. E seu Pai, que vê em segredo, recompensará você.
6:19 Não acumulem tesouros para vocês na terra, onde a traça e a ferrugem destroem e onde os ladrões arrombam e roubam.
6:20 Mas acumulem tesouros para vocês no céu, onde nem a traça nem a ferrugem destroem e onde os ladrões não arrombam nem roubam.
6:21 Pois onde estiver o seu tesouro, aí também estará o seu coração.
6:22 A lâmpada do corpo é o olho. Portanto, se o seu olho for bom, todo o seu corpo estará iluminado.
6:23 Mas, se o seu olho for mau, todo o seu corpo estará em trevas. Se a luz que há em você é trevas, como são grandes essas trevas!
6:24 Ninguém pode servir a dois senhores, pois odiará um e amará o outro, ou se apegará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e às riquezas.
6:25 Por isso eu lhes digo: não se preocupem com a sua vida, com o que comerão, nem com o seu corpo, com o que vestirão. A vida não vale mais do que o alimento, e o corpo mais do que a roupa?
6:26 Olhem as aves do céu: não semeiam, não colhem nem ajuntam em celeiros, e o Pai celestial de vocês as alimenta. Vocês não valem muito mais do que elas?
6:27 Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só momento à sua vida?
6:28 E por que se preocupam com a roupa? Observem como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam.
6:29 Mas eu lhes digo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.
6:30 Se Deus veste assim a erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais vestirá vocês, gente de pequena fé!
6:31 Portanto, não se preocupem, dizendo: ‘O que comeremos?’, ‘O que beberemos?’ ou ‘Com que nos vestiremos?’
6:32 Pois os gentios procuram todas essas coisas, e o Pai celestial de vocês sabe que vocês precisam de todas elas.
6:33 Mas busquem primeiro o seu reino e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas a vocês.
6:34 Portanto, não se preocupem com o amanhã, pois o amanhã se preocupará consigo mesmo. Basta a cada dia o seu próprio mal.

Capítulo 7
7:1 Não julguem, para que não sejam julgados.
7:2 Pois com o julgamento com que julgam, vocês serão julgados; e com a medida com que medem, vocês serão medidos.
7:3 Por que você olha para o cisco no olho do seu irmão e não percebe a viga no seu próprio olho?
7:4 Ou como pode dizer a seu irmão: ‘Deixe-me tirar o cisco do seu olho’, quando há uma viga no seu próprio olho?
7:5 Hipócrita! Tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.
7:6 Não deem aos cães o que é santo, nem joguem as suas pérolas diante dos porcos, para que não as pisem com as patas e, voltando-se contra vocês, os despedacem.
7:7 Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e lhes será aberto.
7:8 Pois todo aquele que pede recebe; quem busca encontra; e a quem bate será aberto.
7:9 Qual de vocês, se o filho lhe pedir pão, lhe dará uma pedra?
7:10 Ou, se lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente?
7:11 Se vocês, sendo maus, sabem dar coisas boas aos seus filhos, quanto mais o Pai de vocês, que está nos céus, dará coisas boas aos que lhe pedirem!
7:12 Portanto, tudo o que vocês querem que as pessoas lhes façam, façam também a elas, pois isto é a Lei e os Profetas.
7:13 Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela.
7:14 Pois estreita é a porta e apertado o caminho que conduz à vida, e poucos são os que o encontram.
7:15 Tenham cuidado com os falsos profetas, que vêm a vocês vestidos de ovelhas, mas por dentro são lobos vorazes.
7:16 Pelos seus frutos vocês os reconhecerão. Por acaso se colhem uvas de espinheiros ou figos de cardos?
7:17 Assim, toda árvore boa produz frutos bons, mas a árvore apodrecida produz frutos maus.
7:18 Uma árvore boa não pode produzir frutos maus, nem uma árvore apodrecida pode produzir frutos bons.
7:19 Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo.
7:20 Portanto, pelos seus frutos vocês os reconhecerão.
7:21 Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor!’ entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de meu Pai, que está nos céus.
7:22 Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitos milagres?’
7:23 Então eu lhes declararei: ‘Nunca os conheci. Afastem-se de mim, vocês que praticam a iniquidade!’
7:24 Portanto, todo aquele que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que construiu sua casa sobre a rocha.
7:25 Caiu a chuva, vieram os rios, sopraram os ventos e se lançaram contra aquela casa; ela não caiu, pois estava alicerçada sobre a rocha.
7:26 E todo aquele que ouve estas minhas palavras e não as pratica será comparado a um homem insensato que construiu sua casa sobre a areia.
7:27 Caiu a chuva, vieram os rios, sopraram os ventos e bateram contra aquela casa; ela caiu, e grande foi a sua queda”.
7:28 Quando Jesus terminou de dizer essas palavras, as multidões estavam maravilhadas com o seu ensino,
7:29 pois ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os seus escribas.

Capítulo 8
8:1 Quando Jesus desceu do monte, grandes multidões o seguiram.
8:2 Um leproso se aproximou e se prostrou diante dele, dizendo: “Senhor, se quiseres, podes purificar-me”.
8:3 Jesus estendeu a mão e tocou nele, dizendo: “Quero. Fique limpo”. E imediatamente ele ficou purificado da lepra.
8:4 Então Jesus lhe disse: “Tenha cuidado de não contar isso a ninguém. Mas vá, mostre-se ao sacerdote e apresente a oferta que Moisés ordenou, como testemunho para eles”.
8:5 Quando Jesus entrou em Cafarnaum, um centurião se aproximou dele, suplicando
8:6 e dizendo: “Senhor, meu servo está deitado em casa, paralítico e sofrendo terrivelmente”.
8:7 Jesus lhe disse: “Eu irei curá-lo”.
8:8 O centurião respondeu: “Senhor, não sou digno de que entres debaixo do meu teto. Mas dize apenas uma palavra, e meu servo será curado.
8:9 Pois eu também sou um homem sujeito à autoridade e tenho soldados às minhas ordens. Digo a um: ‘Vá’, e ele vai; a outro: ‘Venha’, e ele vem; e ao meu escravo: ‘Faça isto’, e ele faz”.
8:10 Ao ouvir isso, Jesus ficou admirado e disse aos que o seguiam: “Em verdade lhes digo: em ninguém de Israel encontrei tamanha fé.
8:11 E eu lhes digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente e se sentarão à mesa com Abraão, Isaque e Jacó no reino dos céus.
8:12 Mas os filhos do reino serão lançados nas trevas exteriores; ali haverá choro e ranger de dentes”.
8:13 Então Jesus disse ao centurião: “Vá. Que lhe aconteça conforme você creu”. E o servo foi curado naquela mesma hora.
8:14 Quando Jesus chegou à casa de Pedro, viu a sogra dele deitada, com febre.
8:15 Tocou na mão dela, e a febre a deixou. Ela se levantou e passou a servi-lo.
8:16 Ao anoitecer, trouxeram-lhe muitos endemoninhados. Ele expulsou os espíritos com uma palavra e curou todos os doentes,
8:17 para que se cumprisse o que havia sido dito por meio do profeta Isaías:
 “Ele tomou as nossas fraquezas e carregou as nossas doenças”.
8:18 Ao ver grandes multidões ao seu redor, Jesus ordenou que fossem para a outra margem.
8:19 Um escriba se aproximou e lhe disse: “Mestre, eu o seguirei aonde quer que vá”.
8:20 Jesus lhe disse: “As raposas têm tocas, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”.
8:21 Outro dos discípulos lhe disse: “Senhor, permita-me ir primeiro sepultar meu pai”.
8:22 Mas Jesus lhe disse: “Siga-me e deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos”.
8:23 Quando ele entrou num barco, seus discípulos o seguiram.
8:24 De repente, uma grande tempestade se levantou no mar, de modo que as ondas cobriam o barco. Mas ele dormia.
8:25 Eles se aproximaram e o acordaram, dizendo: “Senhor, salva-nos! Estamos perecendo!”
8:26 Ele lhes disse: “Por que vocês estão com medo, gente de pequena fé?” Então se levantou, repreendeu os ventos e o mar, e houve grande calmaria.
8:27 Os homens ficaram admirados e disseram: “Que homem é este, que até os ventos e o mar lhe obedecem?”
8:28 Quando Jesus chegou à outra margem, à região dos gadarenos, dois endemoninhados saíram dos sepulcros ao seu encontro. Eram tão violentos que ninguém conseguia passar por aquele caminho.
8:29 E gritaram: “O que temos a ver com você, Filho de Deus? Você veio aqui para nos atormentar antes do tempo?”
8:30 Longe deles, pastava uma grande manada de porcos.
8:31 Os demônios lhe suplicavam: “Se você nos expulsar, mande-nos para a manada de porcos”.
8:32 Ele lhes disse: “Vão!” E eles saíram e entraram nos porcos. Então toda a manada se precipitou pelo despenhadeiro para dentro do mar, e os porcos morreram nas águas.
8:33 Os que cuidavam dos porcos fugiram e foram à cidade, onde contaram tudo, inclusive o que havia acontecido com os endemoninhados.
8:34 Então todos os habitantes da cidade saíram ao encontro de Jesus e, ao vê-lo, pediram que ele se retirasse do território deles.

Capítulo 9
9:1 Jesus entrou num barco, atravessou o mar e chegou à sua própria cidade.
9:2 Trouxeram-lhe um paralítico deitado numa maca. Ao ver a fé deles, Jesus disse ao paralítico: “Tenha ânimo, filho! Seus pecados estão perdoados”.
9:3 Então alguns escribas disseram a si mesmos: “Este homem blasfema”.
9:4 Conhecendo os pensamentos deles, Jesus disse: “Por que vocês pensam coisas más em seus corações?
9:5 Pois o que é mais fácil: dizer ‘Seus pecados estão perdoados’ ou dizer ‘Levante-se e ande’?
9:6 Mas, para que vocês saibam que o Filho do Homem tem autoridade na terra para perdoar pecados...” Então disse ao paralítico: “Levante-se, pegue sua maca e vá para casa”.
9:7 Ele se levantou e foi para sua casa.
9:8 Ao verem isso, as multidões ficaram com medo e glorificaram a Deus, que havia dado tal autoridade aos seres humanos.
9:9 Saindo dali, Jesus viu um homem chamado Mateus sentado no posto de cobrança de impostos e lhe disse: “Siga-me”. Ele se levantou e o seguiu.
9:10 Enquanto Jesus estava à mesa na casa, chegaram muitos cobradores de impostos e pecadores e se sentaram à mesa com ele e seus discípulos.
9:11 Ao verem isso, os fariseus perguntavam aos discípulos dele: “Por que o mestre de vocês come com cobradores de impostos e pecadores?”
9:12 Jesus ouviu e disse: “Os saudáveis não precisam de médico, mas os doentes.
9:13 Vão e aprendam o que significa: ‘Quero misericórdia, e não sacrifício’. Pois não vim chamar justos, mas pecadores”.
9:14 Então os discípulos de João se aproximaram dele e perguntaram: “Por que nós e os fariseus jejuamos com frequência, mas os seus discípulos não jejuam?”
9:15 Jesus lhes disse: “Podem os convidados do casamento ficar de luto enquanto o noivo está com eles? Mas virão dias em que o noivo lhes será tirado, e então jejuarão.
9:16 Ninguém põe um remendo de tecido que ainda não encolheu numa roupa velha, pois o remendo repuxa a roupa e o rasgo fica maior.
9:17 Também não se põe vinho novo em odres velhos. Se fizerem isso, os odres se rompem, o vinho se derrama e os odres se estragam. Mas se põe vinho novo em odres novos, e ambos se conservam”.
9:18 Enquanto Jesus lhes dizia essas coisas, um chefe se aproximou e se prostrou diante dele, dizendo: “Minha filha acaba de morrer. Mas vem, põe a tua mão sobre ela, e ela viverá”.
9:19 Jesus se levantou e o seguiu, e seus discípulos também.
9:20 Uma mulher que sofria de hemorragias havia doze anos se aproximou por trás e tocou na borda do manto dele,
9:21 pois dizia a si mesma: “Se eu apenas tocar no manto dele, ficarei curada”.
9:22 Jesus se voltou e, ao vê-la, disse: “Tenha ânimo, filha! Sua fé a curou”. E a mulher ficou curada a partir daquela hora.
9:23 Quando Jesus chegou à casa do chefe e viu os flautistas e a multidão em alvoroço,
9:24 disse: “Retirem-se, pois a menina não morreu, mas dorme”. E zombavam dele.
9:25 Depois que a multidão foi posta para fora, ele entrou, tomou a menina pela mão, e ela se levantou.
9:26 Essa notícia se espalhou por toda aquela região.
9:27 Quando Jesus saiu dali, dois cegos o seguiram, gritando: “Tem compaixão de nós, Filho de Davi!”
9:28 Quando ele entrou em casa, os cegos se aproximaram dele. Jesus lhes perguntou: “Vocês creem que posso fazer isso?” Eles responderam: “Sim, Senhor”.
9:29 Então tocou nos olhos deles, dizendo: “Que lhes aconteça conforme a fé de vocês”.
9:30 E os olhos deles se abriram. Jesus os advertiu severamente: “Cuidem para que ninguém saiba disso”.
9:31 Mas eles saíram e espalharam a fama dele por toda aquela região.
9:32 Enquanto eles saíam, trouxeram a Jesus um homem mudo e endemoninhado.
9:33 Depois que o demônio foi expulso, o mudo falou. As multidões ficaram admiradas e diziam: “Nunca se viu nada assim em Israel!”
9:34 Mas os fariseus diziam: “É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios”.
9:35 Jesus percorria todas as cidades e aldeias, ensinando nas sinagogas deles, proclamando o evangelho do reino e curando toda doença e toda enfermidade.
9:36 Ao ver as multidões, teve compaixão delas, porque estavam aflitas e abatidas, como ovelhas sem pastor.
9:37 Então disse aos seus discípulos: “A colheita é abundante, mas os trabalhadores são poucos.
9:38 Portanto, peçam ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a sua colheita”.

Capítulo 10
10:1 Jesus chamou seus doze discípulos e lhes deu autoridade sobre os espíritos impuros, para expulsá-los e curar toda doença e toda enfermidade.
10:2 Estes são os nomes dos doze apóstolos: primeiro, Simão, chamado Pedro, e André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão;
10:3 Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o cobrador de impostos; Tiago, filho de Alfeu, e Tadeu;
10:4 Simão, o Zelote, e Judas Iscariotes, que o traiu.
10:5 Jesus enviou esses doze, dando-lhes estas instruções: “Não tomem o caminho dos gentios, nem entrem em cidade de samaritanos.
10:6 Vão, antes, às ovelhas perdidas da casa de Israel.
10:7 Pelo caminho, proclamem: ‘O reino dos céus está próximo’.
10:8 Curem os doentes, ressuscitem os mortos, purifiquem os leprosos e expulsem os demônios. De graça vocês receberam; de graça deem.
10:9 Não procurem obter ouro, prata nem cobre para os seus cintos,
10:10 nem bolsa para a viagem, nem duas túnicas, nem sandálias, nem cajado, pois o trabalhador é digno do seu alimento.
10:11 Em qualquer cidade ou aldeia em que entrarem, procurem saber quem nela é digno e fiquem ali até partirem.
10:12 Ao entrarem na casa, saúdem-na.
10:13 Se a casa for digna, que a paz de vocês venha sobre ela; mas, se não for digna, que a paz de vocês volte para vocês.
10:14 Se alguém não receber vocês nem ouvir suas palavras, ao saírem daquela casa ou cidade, sacudam o pó dos seus pés.
10:15 Em verdade lhes digo: no dia do juízo, haverá mais tolerância para a terra de Sodoma e Gomorra do que para aquela cidade.
10:16 Eis que eu envio vocês como ovelhas no meio de lobos. Portanto, sejam prudentes como as serpentes e inocentes como as pombas.
10:17 Tenham cuidado com as pessoas, pois elas entregarão vocês aos tribunais e os açoitarão nas sinagogas delas.
10:18 Por minha causa, vocês serão levados à presença de governadores e reis, para dar testemunho a eles e aos gentios.
10:19 Quando entregarem vocês, não se preocupem com a maneira de falar nem com o que dirão, pois naquela hora lhes será dado o que dizer.
10:20 Pois não são vocês que falam, mas o Espírito do Pai de vocês que fala em vocês.
10:21 Um irmão entregará o outro à morte, e o pai entregará o filho. Os filhos se levantarão contra os pais e os farão morrer.
10:22 Vocês serão odiados por todos por causa do meu nome. Mas aquele que perseverar até o fim será salvo.
10:23 Quando perseguirem vocês numa cidade, fujam para outra. Pois em verdade lhes digo: vocês não acabarão de percorrer as cidades de Israel antes que venha o Filho do Homem.
10:24 O discípulo não está acima do mestre, nem o escravo acima do seu senhor.
10:25 Basta ao discípulo tornar-se como seu mestre, e ao escravo como seu senhor. Se chamaram de Belzebul o dono da casa, quanto mais os da sua casa!
10:26 Portanto, não tenham medo deles. Pois nada há encoberto que não será revelado, nem oculto que não será conhecido.
10:27 O que lhes digo nas trevas, digam à luz; e o que ouvem ao pé do ouvido, proclamem dos terraços.
10:28 Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Temam, antes, aquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno.
10:29 Não se vendem dois pardais por um asse? No entanto, nenhum deles cairá em terra sem o Pai de vocês.
10:30 Quanto a vocês, até os cabelos da cabeça estão todos contados.
10:31 Portanto, não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais.
10:32 Assim, todo aquele que me reconhecer diante das pessoas, eu também o reconhecerei diante de meu Pai, que está nos céus.
10:33 Mas aquele que me negar diante das pessoas, eu também o negarei diante de meu Pai, que está nos céus.
10:34 Não pensem que vim trazer paz à terra. Não vim trazer paz, mas espada.
10:35 Pois vim pôr o homem contra seu pai, a filha contra sua mãe e a nora contra sua sogra;
10:36 e os inimigos de uma pessoa serão os da sua própria casa.
10:37 Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim. E quem ama o filho ou a filha mais do que a mim não é digno de mim.
10:38 Quem não toma a sua cruz e não me segue não é digno de mim.
10:39 Quem encontrar a sua vida a perderá; e quem perder a sua vida por minha causa a encontrará.
10:40 Quem recebe vocês recebe a mim; e quem me recebe recebe aquele que me enviou.
10:41 Quem recebe um profeta por ele ser profeta receberá recompensa de profeta; e quem recebe um justo por ele ser justo receberá recompensa de justo.
10:42 E quem der a um destes pequeninos, ainda que seja apenas um copo de água fria, por ele ser discípulo, em verdade lhes digo: de modo algum perderá sua recompensa”.

Capítulo 11
11:1 Quando Jesus terminou de dar instruções aos seus doze discípulos, partiu dali para ensinar e pregar nas cidades deles.
11:2 João, que estava na prisão, ouviu falar das obras de Cristo e, por meio dos seus discípulos,
11:3 mandou perguntar a ele: “Você é aquele que havia de vir, ou devemos esperar outro?”
11:4 Jesus lhes respondeu: “Vão e contem a João o que vocês ouvem e veem:
11:5 os cegos veem, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos são ressuscitados e aos pobres é anunciado o evangelho.
11:6 E bem-aventurado é aquele que não tropeça por minha causa”.
11:7 Enquanto eles partiam, Jesus começou a falar às multidões a respeito de João: “O que vocês saíram para ver no deserto? Uma cana agitada pelo vento?
11:8 Mas o que saíram para ver? Um homem vestido de roupas finas? Os que usam roupas finas estão nos palácios dos reis.
11:9 Então, por que saíram? Para ver um profeta? Sim, eu lhes digo, e mais do que um profeta.
11:10 É dele que está escrito: ‘Eis que envio o meu mensageiro à sua frente, que preparará o seu caminho diante de você’.
11:11 Em verdade lhes digo: entre os nascidos de mulher, não surgiu ninguém maior do que João Batista. Mas o menor no reino dos céus é maior do que ele.
11:12 Desde os dias de João Batista até agora, o reino dos céus sofre violência, e os violentos se apoderam dele.
11:13 Pois todos os Profetas e a Lei profetizaram até João.
11:14 E, se vocês quiserem aceitar, ele é Elias, aquele que havia de vir.
11:15 Quem tem ouvidos ouça.
11:16 A que compararei esta geração? É semelhante a crianças sentadas nas praças, que chamam as outras
11:17 e dizem:
 ‘Tocamos flauta para vocês, e vocês não dançaram;
   cantamos lamentações, e vocês não bateram no peito’.
11:18 Pois João veio sem comer nem beber, e dizem: ‘Ele tem um demônio’.
11:19 O Filho do Homem veio comendo e bebendo, e dizem: ‘Vejam! Um comilão e beberrão, amigo de cobradores de impostos e pecadores!’ E a sabedoria foi justificada por suas obras”.
11:20 Então Jesus começou a repreender as cidades onde havia realizado a maior parte dos seus milagres, porque não se arrependeram:
11:21 “Ai de você, Corazim! Ai de você, Betsaida! Pois, se em Tiro e Sidom tivessem sido realizados os milagres que foram realizados em vocês, há muito teriam se arrependido com pano de saco e cinza.
11:22 Mas eu lhes digo: no dia do juízo, haverá mais tolerância para Tiro e Sidom do que para vocês.
11:23 E você, Cafarnaum, por acaso será elevada até o céu? Você descerá até o Hades. Pois, se em Sodoma tivessem sido realizados os milagres que foram realizados em você, ela teria permanecido até hoje.
11:24 Mas eu lhes digo: no dia do juízo, haverá mais tolerância para a terra de Sodoma do que para você”.
11:25 Naquele tempo, Jesus disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos.
11:26 Sim, Pai, porque assim foi do teu agrado”.
11:27 “Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém conhece o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece o Pai, senão o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar.
11:28 Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso.
11:29 Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas.
11:30 Pois o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve”.

Capítulo 12
12:1 Naquele tempo, Jesus atravessou os campos de cereais num sábado. Seus discípulos sentiram fome e começaram a arrancar espigas e a comer.
12:2 Ao verem isso, os fariseus lhe disseram: “Veja! Seus discípulos estão fazendo o que não é permitido fazer no sábado”.
12:3 Mas ele lhes disse: “Vocês não leram o que Davi fez quando ele e seus companheiros sentiram fome?
12:4 Como ele entrou na casa de Deus, e eles comeram os pães da Presença, que não era permitido comer nem a ele nem aos seus companheiros, mas somente aos sacerdotes?
12:5 Ou vocês não leram na Lei que, aos sábados, os sacerdotes no templo profanam o sábado e ficam sem culpa?
12:6 Mas eu lhes digo que aqui há algo maior do que o templo.
12:7 Se vocês soubessem o que significa ‘Quero misericórdia, e não sacrifício’, não teriam condenado os inocentes.
12:8 Pois o Filho do Homem é Senhor do sábado”.
12:9 Saindo dali, Jesus foi à sinagoga deles.
12:10 Havia ali um homem com uma das mãos atrofiada. Para poderem acusá-lo, perguntaram a Jesus: “É permitido curar no sábado?”
12:11 Ele lhes disse: “Qual de vocês, tendo uma ovelha, se ela cair num buraco no sábado, não a segurará e a tirará de lá?
12:12 Quanto mais vale uma pessoa do que uma ovelha! Portanto, é permitido fazer o bem no sábado”.
12:13 Então disse ao homem: “Estenda a mão”. Ele a estendeu, e ela foi restaurada, ficando sadia como a outra.
12:14 Mas os fariseus saíram e se reuniram para planejar como matá-lo.
12:15 Ao saber disso, Jesus se retirou dali. Muitos o seguiram, e ele curou a todos.
12:16 E os advertiu severamente para que não o tornassem conhecido,
12:17 para que se cumprisse o que havia sido dito por meio do profeta Isaías:
12:18 “Eis o meu servo, a quem escolhi, o meu amado, em quem minha alma se agrada.
   Porei sobre ele o meu Espírito, e ele anunciará justiça às nações.
12:19 Não discutirá nem gritará, e ninguém ouvirá a sua voz nas ruas.
12:20 Não quebrará a cana rachada nem apagará o pavio que fumega, até que faça triunfar a justiça.
12:21 E no seu nome as nações esperarão”.
12:22 Então trouxeram a Jesus um endemoninhado cego e mudo. Ele o curou, de modo que o mudo passou a falar e a ver.
12:23 Todas as multidões ficaram admiradas e diziam: “Será este o Filho de Davi?”
12:24 Mas os fariseus, ao ouvirem isso, disseram: “Este só expulsa os demônios por Belzebul, o príncipe dos demônios”.
12:25 Conhecendo os pensamentos deles, Jesus lhes disse: “Todo reino dividido contra si mesmo fica devastado, e nenhuma cidade ou casa dividida contra si mesma permanecerá em pé.
12:26 Se Satanás expulsa Satanás, está dividido contra si mesmo. Como, então, permanecerá em pé o seu reino?
12:27 E, se eu expulso os demônios por Belzebul, por quem os filhos de vocês os expulsam? Por isso, eles mesmos serão os seus juízes.
12:28 Mas, se eu expulso os demônios pelo Espírito de Deus, então o reino de Deus chegou a vocês.
12:29 Ou como alguém pode entrar na casa do homem forte e saquear os seus bens, se primeiro não amarrar o homem forte? Só então saqueará a sua casa.
12:30 Quem não está comigo está contra mim, e quem não ajunta comigo espalha.
12:31 Por isso eu lhes digo: todo pecado e blasfêmia serão perdoados às pessoas, mas a blasfêmia contra o Espírito não será perdoada.
12:32 Quem disser uma palavra contra o Filho do Homem será perdoado; mas quem falar contra o Espírito Santo não será perdoado, nem nesta era nem na que há de vir.
12:33 Ou tornem boa a árvore e bom o seu fruto, ou tornem ruim a árvore e ruim o seu fruto, pois é pelo fruto que se conhece a árvore.
12:34 Raça de víboras! Como vocês podem falar coisas boas, sendo maus? Pois a boca fala do que transborda do coração.
12:35 O homem bom tira coisas boas do seu bom tesouro, e o homem mau tira coisas más do seu mau tesouro.
12:36 Mas eu lhes digo: no dia do juízo, as pessoas prestarão contas de toda palavra inútil que disserem.
12:37 Pois pelas suas palavras você será justificado, e pelas suas palavras será condenado”.
12:38 Então alguns escribas e fariseus lhe disseram: “Mestre, queremos ver um sinal da sua parte”.
12:39 Ele lhes respondeu: “Uma geração má e adúltera procura um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o do profeta Jonas.
12:40 Pois, assim como Jonas ficou três dias e três noites no ventre do grande peixe, assim o Filho do Homem ficará três dias e três noites no coração da terra.
12:41 Os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração e a condenarão, pois se arrependeram com a pregação de Jonas. E eis que aqui há algo maior do que Jonas.
12:42 A rainha do Sul se levantará no juízo com esta geração e a condenará, pois veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E eis que aqui há algo maior do que Salomão.
12:43 Quando o espírito impuro sai de uma pessoa, percorre lugares áridos à procura de descanso, mas não o encontra.
12:44 Então diz: ‘Voltarei para a minha casa, de onde saí’. Ao voltar, encontra a casa vazia, varrida e arrumada.
12:45 Então vai e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele. Eles entram e passam a morar ali, e a situação final daquela pessoa fica pior do que a primeira. Assim acontecerá também com esta geração má”.
12:46 Enquanto Jesus ainda falava às multidões, sua mãe e seus irmãos estavam do lado de fora, querendo falar com ele.
12:47 Alguém lhe disse: “Veja! Sua mãe e seus irmãos estão lá fora e querem falar com você”.
12:48 Mas ele respondeu ao que lhe falava: “Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos?”
12:49 Estendendo a mão para os seus discípulos, disse: “Eis minha mãe e meus irmãos!
12:50 Pois quem fizer a vontade de meu Pai, que está nos céus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Capítulo 13
13:1 Naquele dia, Jesus saiu de casa e se sentou à beira do mar.
13:2 Grandes multidões se reuniram ao redor dele, de modo que ele entrou num barco e se sentou, enquanto toda a multidão permanecia em pé na praia.
13:3 Ele lhes falou muitas coisas em parábolas, dizendo: “Eis que o semeador saiu a semear.
13:4 Enquanto semeava, algumas sementes caíram à beira do caminho, e as aves vieram e as comeram.
13:5 Outras caíram em terreno pedregoso, onde não havia muita terra, e logo brotaram, porque a terra não era profunda.
13:6 Mas, quando o sol nasceu, foram queimadas e secaram, por não terem raiz.
13:7 Outras caíram entre espinhos, e os espinhos cresceram e as sufocaram.
13:8 Outras caíram em boa terra e deram fruto: umas cem, outras sessenta e outras trinta por um.
13:9 Quem tem ouvidos ouça”.
13:10 Os discípulos se aproximaram dele e perguntaram: “Por que você lhes fala em parábolas?”
13:11 Ele lhes respondeu: “Porque a vocês foi dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não foi dado.
13:12 Pois a quem tem será dado, e terá em abundância; mas de quem não tem será tirado até o que tem.
13:13 Por isso lhes falo em parábolas: porque, vendo, não veem e, ouvindo, não ouvem nem entendem.
13:14 Neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz:
 ‘Vocês ouvirão e ouvirão, mas de modo algum entenderão;
   olharão e olharão, mas de modo algum verão.
13:15 Pois o coração deste povo se tornou insensível;
   com os ouvidos, ouviram com dificuldade, e fecharam os seus olhos, para que não aconteça que vejam com os olhos, ouçam com os ouvidos, entendam com o coração e se convertam, e eu os cure’.
13:16 Mas bem-aventurados são os olhos de vocês, porque veem, e os seus ouvidos, porque ouvem.
13:17 Pois em verdade lhes digo: muitos profetas e justos desejaram ver o que vocês veem, mas não viram, e ouvir o que vocês ouvem, mas não ouviram.
13:18 Portanto, ouçam a parábola do semeador.
13:19 Quando alguém ouve a palavra do reino e não a entende, vem o maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração. Este é o que foi semeado à beira do caminho.
13:20 O que foi semeado em terreno pedregoso é aquele que ouve a palavra e logo a recebe com alegria,
13:21 mas não tem raiz em si mesmo e dura pouco. Quando vem a aflição ou a perseguição por causa da palavra, logo tropeça.
13:22 O que foi semeado entre espinhos é aquele que ouve a palavra, mas as preocupações desta era e o engano das riquezas sufocam a palavra, e fica sem fruto.
13:23 Mas o que foi semeado em boa terra é aquele que ouve a palavra e a entende. Esse dá fruto e produz: um cem, outro sessenta e outro trinta por um”.
13:24 Ele lhes apresentou outra parábola, dizendo: “O reino dos céus é semelhante a um homem que semeou boa semente no seu campo.
13:25 Mas, enquanto as pessoas dormiam, seu inimigo veio, semeou joio no meio do trigo e foi embora.
13:26 Quando as plantas cresceram e deram fruto, o joio também apareceu.
13:27 Os escravos do dono da casa se aproximaram e lhe disseram: ‘Senhor, você não semeou boa semente no seu campo? De onde, então, veio o joio?’
13:28 Ele lhes respondeu: ‘Um inimigo fez isso’. Os escravos lhe perguntaram: ‘Você quer que vamos recolhê-lo?’
13:29 Mas ele disse: ‘Não, para que, ao recolherem o joio, não arranquem também o trigo com ele.
13:30 Deixem ambos crescer juntos até a colheita. Na época da colheita, direi aos ceifeiros: “Recolham primeiro o joio e amarrem-no em feixes para queimá-lo; mas recolham o trigo no meu celeiro”’”.
13:31 Ele lhes apresentou outra parábola, dizendo: “O reino dos céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem pegou e semeou no seu campo.
13:32 É a menor de todas as sementes, mas, quando cresce, é maior do que as hortaliças e se torna uma árvore, de modo que as aves do céu vêm fazer ninho nos seus ramos”.
13:33 Ele lhes contou outra parábola: “O reino dos céus é semelhante ao fermento que uma mulher pegou e misturou em três satos de farinha, até que toda a massa fermentou”.
13:34 Jesus disse todas essas coisas às multidões em parábolas e nada lhes falava sem parábolas,
13:35 para que se cumprisse o que havia sido dito por meio do profeta:
 “Abrirei a minha boca em parábolas;
   proclamarei coisas ocultas desde a criação”.
13:36 Então deixou as multidões e entrou em casa. Seus discípulos se aproximaram dele e disseram: “Explique-nos a parábola do joio do campo”.
13:37 Ele respondeu: “Quem semeia a boa semente é o Filho do Homem.
13:38 O campo é o mundo; a boa semente são os filhos do reino, e o joio são os filhos do maligno.
13:39 O inimigo que o semeou é o diabo; a colheita é o fim da era, e os ceifeiros são os anjos.
13:40 Assim como o joio é recolhido e queimado no fogo, assim será no fim da era.
13:41 O Filho do Homem enviará os seus anjos, e eles recolherão do seu reino tudo o que faz tropeçar e os que praticam a iniquidade,
13:42 e os lançarão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes.
13:43 Então os justos brilharão como o sol no reino de seu Pai. Quem tem ouvidos ouça.
13:44 O reino dos céus é semelhante a um tesouro escondido num campo, que um homem encontrou e escondeu de novo. Por causa da sua alegria, ele vai, vende tudo o que tem e compra aquele campo.
13:45 O reino dos céus também é semelhante a um comerciante que busca boas pérolas.
13:46 Ao encontrar uma pérola de grande valor, foi, vendeu tudo o que tinha e a comprou.
13:47 O reino dos céus também é semelhante a uma rede lançada ao mar, que recolheu peixes de toda espécie.
13:48 Quando ficou cheia, puxaram-na para a praia e se sentaram. Recolheram os bons em recipientes e jogaram fora os ruins.
13:49 Assim será no fim da era: os anjos sairão e separarão os maus dentre os justos
13:50 e os lançarão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes.
13:51 Vocês entenderam todas essas coisas?” Eles lhe responderam: “Sim”.
13:52 Então ele lhes disse: “Por isso, todo escriba que se tornou discípulo do reino dos céus é semelhante a um dono de casa que tira do seu tesouro coisas novas e antigas”.
13:53 Quando Jesus terminou essas parábolas, partiu dali.
13:54 Chegando à sua terra, ensinava na sinagoga deles, de modo que ficavam admirados e diziam: “De onde lhe vêm esta sabedoria e estes milagres?
13:55 Não é este o filho do carpinteiro? Sua mãe não se chama Maria, e seus irmãos, Tiago, José, Simão e Judas?
13:56 E suas irmãs não estão todas entre nós? De onde, então, lhe vêm todas essas coisas?”
13:57 E tropeçavam por causa dele. Mas Jesus lhes disse: “Um profeta só fica sem honra na sua própria terra e na sua casa”.
13:58 E não realizou ali muitos milagres, por causa da incredulidade deles.

Capítulo 14
14:1 Naquele tempo, Herodes, o tetrarca, ouviu falar da fama de Jesus
14:2 e disse aos seus servos: “Este é João Batista. Ele ressuscitou dentre os mortos, e por isso poderes milagrosos atuam nele”.
14:3 Pois Herodes havia prendido, amarrado e colocado João na prisão por causa de Herodias, mulher de seu irmão Filipe.
14:4 João lhe dizia: “Não é permitido a você tê-la”.
14:5 Herodes queria matá-lo, mas temia a multidão, porque o consideravam profeta.
14:6 Quando se comemorou o aniversário de Herodes, a filha de Herodias dançou no meio dos convidados e agradou a Herodes.
14:7 Por isso ele prometeu, sob juramento, dar a ela o que pedisse.
14:8 Ela, instigada pela mãe, disse: “Dê-me aqui, numa bandeja, a cabeça de João Batista”.
14:9 O rei ficou triste, mas, por causa dos juramentos e dos que estavam à mesa com ele, ordenou que a cabeça lhe fosse dada.
14:10 E mandou decapitar João na prisão.
14:11 Sua cabeça foi trazida numa bandeja e entregue à moça, que a levou à mãe.
14:12 Os discípulos de João vieram, recolheram o corpo e o sepultaram. Depois foram contar a Jesus.
14:13 Ao ouvir isso, Jesus se retirou dali de barco para um lugar deserto, a sós. Mas as multidões souberam e o seguiram a pé, vindas das cidades.
14:14 Ao desembarcar, viu uma grande multidão, teve compaixão dela e curou os seus doentes.
14:15 Ao entardecer, os discípulos se aproximaram dele e disseram: “O lugar é deserto, e já é tarde. Despeça as multidões, para que vão às aldeias e comprem comida para si”.
14:16 Mas Jesus lhes disse: “Eles não precisam ir embora. Deem vocês mesmos de comer a eles”.
14:17 Eles lhe disseram: “Só temos aqui cinco pães e dois peixes”.
14:18 Ele disse: “Tragam-nos aqui para mim”.
14:19 Depois de mandar as multidões se recostarem na relva, pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu e pronunciou a bênção. Partiu os pães e os deu aos discípulos, e os discípulos às multidões.
14:20 Todos comeram e ficaram satisfeitos. E recolheram os pedaços que sobraram: doze cestos cheios.
14:21 Os que comeram eram cerca de cinco mil homens, sem contar mulheres e crianças.
14:22 Logo em seguida, Jesus fez os discípulos entrar no barco e ir adiante dele para a outra margem, enquanto despedia as multidões.
14:23 Depois de despedir as multidões, subiu ao monte para orar a sós. Ao cair da noite, estava ali sozinho.
14:24 O barco já estava a muitos estádios da terra, açoitado pelas ondas, pois o vento era contrário.
14:25 Por volta das três da madrugada, Jesus foi até eles, caminhando sobre o mar.
14:26 Quando os discípulos o viram caminhando sobre o mar, ficaram apavorados e disseram: “É um fantasma!” E gritaram de medo.
14:27 Mas Jesus logo lhes disse: “Tenham ânimo! Sou eu. Não tenham medo”.
14:28 Pedro lhe respondeu: “Senhor, se és tu, manda-me ir até ti sobre as águas”.
14:29 Ele disse: “Venha”. Pedro desceu do barco, caminhou sobre as águas e foi em direção a Jesus.
14:30 Mas, ao ver o vento forte, teve medo e, começando a afundar, gritou: “Senhor, salva-me!”
14:31 Imediatamente Jesus estendeu a mão, segurou-o e lhe disse: “Homem de pequena fé, por que você duvidou?”
14:32 Quando eles subiram no barco, o vento cessou.
14:33 Os que estavam no barco o adoraram, dizendo: “Verdadeiramente és o Filho de Deus!”
14:34 Depois de atravessarem, chegaram à terra de Genesaré.
14:35 Os homens daquele lugar o reconheceram e mandaram avisar por toda aquela região. Trouxeram-lhe todos os doentes
14:36 e lhe suplicavam que pudessem ao menos tocar na borda do seu manto. E todos os que tocaram ficaram curados.

Capítulo 15
15:1 Então alguns fariseus e escribas de Jerusalém se aproximaram de Jesus e perguntaram:
15:2 “Por que os seus discípulos transgridem a tradição dos anciãos? Pois não lavam as mãos quando comem pão”.
15:3 Ele lhes respondeu: “Por que vocês também transgridem o mandamento de Deus por causa da tradição de vocês?
15:4 Pois Deus disse: ‘Honre seu pai e sua mãe’, e: ‘Quem amaldiçoar o pai ou a mãe deve morrer’.
15:5 Mas vocês dizem: ‘Quem disser ao pai ou à mãe: “É uma oferta o que você poderia receber de mim como ajuda”,
15:6 não terá de honrar seu pai’. Assim vocês anularam a palavra de Deus por causa da tradição de vocês.
15:7 Hipócritas! Bem profetizou Isaías a respeito de vocês, dizendo:
15:8 ‘Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
15:9 Em vão me adoram, ensinando como doutrinas mandamentos humanos’”.
15:10 Então chamou a multidão e lhes disse: “Ouçam e entendam:
15:11 não é o que entra pela boca que contamina a pessoa, mas o que sai da boca; isso é o que contamina a pessoa”.
15:12 Então os discípulos se aproximaram dele e disseram: “Você sabe que os fariseus ficaram ofendidos ao ouvir essas palavras?”
15:13 Ele respondeu: “Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada pela raiz.
15:14 Deixem-nos. São cegos que guiam cegos. Se um cego guiar outro cego, ambos cairão num buraco”.
15:15 Pedro lhe disse: “Explique-nos esta parábola”.
15:16 Ele disse: “Vocês também ainda não entendem?
15:17 Não compreendem que tudo o que entra pela boca passa para o estômago e é eliminado na latrina?
15:18 Mas o que sai da boca vem do coração, e isso contamina a pessoa.
15:19 Pois do coração saem maus pensamentos, assassinatos, adultérios, imoralidades sexuais, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.
15:20 São essas coisas que contaminam a pessoa; comer sem lavar as mãos não contamina a pessoa”.
15:21 Jesus saiu dali e se retirou para a região de Tiro e Sidom.
15:22 Uma mulher cananeia daquela região veio gritando: “Tem misericórdia de mim, Senhor, Filho de Davi! Minha filha está terrivelmente atormentada por um demônio”.
15:23 Mas ele não lhe respondeu uma palavra. Seus discípulos se aproximaram e lhe pediam: “Despeça-a, pois vem gritando atrás de nós”.
15:24 Ele respondeu: “Só fui enviado às ovelhas perdidas da casa de Israel”.
15:25 Mas ela se aproximou e se prostrou diante dele, dizendo: “Senhor, socorre-me!”
15:26 Ele respondeu: “Não é bom pegar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”.
15:27 Ela disse: “Sim, Senhor, pois até os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos”.
15:28 Então Jesus lhe respondeu: “Ó mulher, grande é a sua fé! Que lhe aconteça como você deseja”. E a filha dela ficou curada a partir daquela hora.
15:29 Jesus saiu dali e foi para a beira do mar da Galileia. Subiu ao monte e se sentou ali.
15:30 Grandes multidões se aproximaram dele, trazendo mudos, cegos, coxos, pessoas com membros deformados e muitos outros. Colocaram-nos aos seus pés, e ele os curou.
15:31 A multidão ficou admirada ao ver os mudos falarem, a recuperação dos que tinham membros deformados, os coxos andarem e os cegos verem. E glorificaram o Deus de Israel.
15:32 Jesus chamou os seus discípulos e disse: “Tenho compaixão da multidão, pois já está comigo há três dias e não tem o que comer. Não quero mandá-la embora em jejum, para que não desfaleça pelo caminho”.
15:33 Os discípulos lhe disseram: “De onde conseguiremos, num lugar deserto, tantos pães para saciar uma multidão tão grande?”
15:34 Jesus lhes perguntou: “Quantos pães vocês têm?” Eles disseram: “Sete e alguns peixinhos”.
15:35 Então mandou a multidão se recostar no chão.
15:36 Pegou os sete pães e os peixes, deu graças, partiu-os e os ia dando aos discípulos, e os discípulos às multidões.
15:37 Todos comeram e ficaram satisfeitos. E recolheram os pedaços que sobraram: sete cestos grandes cheios.
15:38 Os que comeram eram quatro mil homens, sem contar mulheres e crianças.
15:39 Depois de despedir as multidões, entrou no barco e foi para a região de Magadã.

Capítulo 16
16:1 Os fariseus e saduceus se aproximaram de Jesus e, para pô-lo à prova, pediram que lhes mostrasse um sinal do céu.
16:2 Ele lhes respondeu: “Ao entardecer, vocês dizem: ‘Haverá bom tempo, pois o céu está vermelho’.
16:3 E de manhã: ‘Hoje haverá tempestade, pois o céu está vermelho e sombrio’. Vocês sabem interpretar o aspecto do céu, mas não conseguem interpretar os sinais dos tempos.
16:4 Uma geração má e adúltera procura um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, senão o de Jonas”. E os deixou e foi embora.
16:5 Ao chegarem à outra margem, os discípulos haviam se esquecido de levar pães.
16:6 Jesus lhes disse: “Fiquem atentos e tenham cuidado com o fermento dos fariseus e saduceus”.
16:7 Eles discutiam entre si, dizendo: “Não trouxemos pães”.
16:8 Percebendo isso, Jesus disse: “Gente de pequena fé, por que vocês discutem entre si por não terem trazido pães?
16:9 Ainda não entendem? Não se lembram dos cinco pães para os cinco mil e de quantos cestos recolheram?
16:10 Nem dos sete pães para os quatro mil e de quantos cestos grandes recolheram?
16:11 Como não entendem que não falei a vocês a respeito de pães? Tenham cuidado com o fermento dos fariseus e saduceus”.
16:12 Então entenderam que ele não havia dito que tivessem cuidado com o fermento dos pães, mas com o ensino dos fariseus e saduceus.
16:13 Quando Jesus chegou à região de Cesareia de Filipe, perguntou aos seus discípulos: “Quem as pessoas dizem que é o Filho do Homem?”
16:14 Eles responderam: “Alguns dizem João Batista; outros, Elias; e outros, Jeremias ou um dos profetas”.
16:15 Ele lhes perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?”
16:16 Simão Pedro respondeu: “Você é o Cristo, o Filho do Deus vivo”.
16:17 Jesus lhe respondeu: “Bem-aventurado é você, Simão, filho de Jonas, pois não foram carne e sangue que lhe revelaram isso, mas meu Pai, que está nos céus.
16:18 E eu lhe digo que você é Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do Hades não prevalecerão contra ela.
16:19 Eu lhe darei as chaves do reino dos céus. O que você ligar na terra estará ligado nos céus; e o que desligar na terra estará desligado nos céus”.
16:20 Então ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Cristo.
16:21 Desde então, Jesus começou a mostrar aos seus discípulos que precisava ir a Jerusalém, sofrer muito da parte dos anciãos, dos chefes dos sacerdotes e dos escribas, ser morto e ser ressuscitado no terceiro dia.
16:22 Pedro o levou à parte e começou a repreendê-lo, dizendo: “Que isso não aconteça com você, Senhor! De modo algum isso lhe acontecerá!”
16:23 Mas Jesus se voltou e disse a Pedro: “Para trás de mim, Satanás! Você é um tropeço para mim, pois não pensa nas coisas de Deus, mas nas coisas humanas”.
16:24 Então Jesus disse aos seus discípulos: “Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, tome a sua cruz e me siga.
16:25 Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa a encontrará.
16:26 Pois de que adiantará ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma? Ou o que dará o homem em troca da sua alma?
16:27 Pois o Filho do Homem virá na glória de seu Pai, com os seus anjos, e então retribuirá a cada um conforme a sua conduta.
16:28 Em verdade lhes digo que alguns dos que estão aqui de pé não provarão a morte antes de verem o Filho do Homem vindo no seu reino”.

Capítulo 17
17:1 Seis dias depois, Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago, e os conduziu à parte a um monte alto.
17:2 Ele foi transfigurado diante deles; seu rosto brilhou como o sol, e suas roupas se tornaram brancas como a luz.
17:3 E lhes apareceram Moisés e Elias, conversando com ele.
17:4 Pedro disse a Jesus: “Senhor, é bom estarmos aqui. Se você quiser, farei aqui três tendas: uma para você, uma para Moisés e uma para Elias”.
17:5 Enquanto ele ainda falava, uma nuvem luminosa os cobriu, e uma voz da nuvem disse: “Este é o meu Filho amado, em quem me agrado. Ouçam-no!”
17:6 Ao ouvirem isso, os discípulos caíram com o rosto em terra e ficaram com muito medo.
17:7 Jesus se aproximou, tocou neles e disse: “Levantem-se e não tenham medo”.
17:8 Ao erguerem os olhos, não viram ninguém, a não ser Jesus.
17:9 Enquanto desciam do monte, Jesus lhes ordenou: “Não contem a ninguém a visão até que o Filho do Homem seja ressuscitado dentre os mortos”.
17:10 Os discípulos lhe perguntaram: “Por que, então, os escribas dizem que Elias deve vir primeiro?”
17:11 Ele respondeu: “Elias vem e restaurará todas as coisas.
17:12 Mas eu lhes digo que Elias já veio, e não o reconheceram, mas fizeram com ele tudo o que quiseram. Assim também o Filho do Homem sofrerá nas mãos deles”.
17:13 Então os discípulos entenderam que ele lhes falava de João Batista.
17:14 Quando chegaram à multidão, um homem se aproximou de Jesus, ajoelhou-se diante dele
17:15 e disse: “Senhor, tem misericórdia do meu filho, pois ele sofre convulsões e padece muito. Muitas vezes cai no fogo e muitas vezes na água.
17:16 Eu o trouxe aos teus discípulos, mas eles não puderam curá-lo”.
17:17 Jesus respondeu: “Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei com vocês? Até quando terei de suportar vocês? Tragam-no aqui para mim”.
17:18 Jesus o repreendeu, e o demônio saiu dele. E o menino ficou curado a partir daquela hora.
17:19 Então os discípulos se aproximaram de Jesus em particular e perguntaram: “Por que nós não pudemos expulsá-lo?”
17:20 Ele lhes disse: “Por causa da pequena fé de vocês. Pois em verdade lhes digo: se vocês tiverem fé como um grão de mostarda, dirão a este monte: ‘Passe daqui para lá’, e ele passará. Nada será impossível para vocês.
17:21 [Mas esta espécie não sai senão com oração e jejum”.]
17:22 Enquanto estavam reunidos na Galileia, Jesus lhes disse: “O Filho do Homem será entregue nas mãos dos homens,
17:23 e eles o matarão, e no terceiro dia ele será ressuscitado”. E eles ficaram muito tristes.
17:24 Quando chegaram a Cafarnaum, os cobradores do imposto de duas dracmas se aproximaram de Pedro e perguntaram: “O mestre de vocês não paga as duas dracmas?”
17:25 Ele respondeu: “Sim”. Quando Pedro entrou em casa, Jesus se antecipou a ele e disse: “O que você acha, Simão? De quem os reis da terra cobram tributos ou impostos: dos seus filhos ou dos estranhos?”
17:26 Ele respondeu: “Dos estranhos”. Jesus lhe disse: “Então os filhos estão isentos.
17:27 Mas, para não os escandalizarmos, vá ao mar, lance um anzol e pegue o primeiro peixe que subir. Ao abrir a boca dele, você encontrará um estáter. Pegue-o e entregue a eles por mim e por você”.

Capítulo 18
18:1 Naquela hora, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no reino dos céus?”
18:2 Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles
18:3 e disse: “Em verdade lhes digo: se vocês não se converterem e não se tornarem como crianças, de modo algum entrarão no reino dos céus.
18:4 Portanto, quem se humilhar como esta criança, esse é o maior no reino dos céus.
18:5 E quem receber em meu nome uma criança como esta recebe a mim.
18:6 Mas, para quem fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, seria melhor que lhe pendurassem no pescoço uma pedra de moinho movida por um jumento e o afundassem nas profundezas do mar.
18:7 Ai do mundo por causa das ocasiões de tropeço! Pois é inevitável que venham tropeços, mas ai da pessoa por meio de quem vem o tropeço!
18:8 Se a sua mão ou o seu pé faz você pecar, corte-o e jogue-o para longe. É melhor entrar na vida mutilado ou coxo do que, tendo duas mãos ou dois pés, ser lançado no fogo eterno.
18:9 E, se o seu olho faz você pecar, arranque-o e jogue-o para longe. É melhor entrar na vida com um só olho do que, tendo dois olhos, ser lançado no inferno de fogo.
18:10 Cuidem para não desprezar nenhum destes pequeninos, pois eu lhes digo que os anjos deles nos céus veem sempre o rosto de meu Pai, que está nos céus.
18:11 [Pois o Filho do Homem veio salvar o que estava perdido.]
18:12 O que vocês acham? Se um homem tiver cem ovelhas, e uma delas se perder, não deixará as noventa e nove nos montes e irá procurar a que se perdeu?
18:13 E, se a encontrar, em verdade lhes digo: ele se alegra mais por ela do que pelas noventa e nove que não se perderam.
18:14 Assim, não é da vontade do Pai de vocês, que está nos céus, que um destes pequeninos se perca.
18:15 Se o seu irmão pecar contra você, vá e mostre a ele a sua falta, a sós com ele. Se ele ouvir você, você terá ganhado o seu irmão.
18:16 Mas, se não ouvir, leve com você mais uma ou duas pessoas, para que, pela boca de duas ou três testemunhas, todo assunto seja confirmado.
18:17 Se ele não as ouvir, diga à igreja. E, se também não ouvir a igreja, que seja para você como um gentio e um cobrador de impostos.
18:18 Em verdade lhes digo: tudo o que vocês ligarem na terra estará ligado no céu, e tudo o que desligarem na terra estará desligado no céu.
18:19 Novamente, em verdade lhes digo: se dois de vocês concordarem na terra a respeito de qualquer coisa que pedirem, isso lhes será feito por meu Pai, que está nos céus.
18:20 Pois onde dois ou três estão reunidos em meu nome, ali estou no meio deles”.
18:21 Então Pedro se aproximou dele e perguntou: “Senhor, quantas vezes devo perdoar meu irmão quando pecar contra mim? Até sete vezes?”
18:22 Jesus lhe disse: “Não lhe digo até sete vezes, mas até setenta vezes sete.
18:23 Por isso, o reino dos céus é comparado a um rei que quis acertar contas com os seus servos.
18:24 Quando começou a acertar contas, trouxeram-lhe um que lhe devia dez mil talentos.
18:25 Como ele não tinha com que pagar, seu senhor ordenou que fossem vendidos ele, sua mulher, seus filhos e tudo o que possuía, para pagar a dívida.
18:26 Então o servo se prostrou diante dele e lhe suplicou: ‘Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei tudo’.
18:27 O senhor daquele servo teve compaixão dele, deixou-o livre e lhe perdoou a dívida.
18:28 Mas, ao sair, aquele servo encontrou um dos seus companheiros que lhe devia cem denários. Agarrou-o e o sufocava, dizendo: ‘Pague o que você deve!’
18:29 Então seu companheiro se prostrou e lhe suplicava: ‘Tenha paciência comigo, e eu lhe pagarei’.
18:30 Mas ele não quis. Foi e o pôs na prisão até que pagasse a dívida.
18:31 Ao verem o que havia acontecido, os seus companheiros ficaram muito tristes e foram contar ao seu senhor tudo o que tinha ocorrido.
18:32 Então seu senhor o chamou e lhe disse: ‘Servo malvado! Eu lhe perdoei toda aquela dívida porque você me suplicou.
18:33 Você não devia também ter misericórdia do seu companheiro, assim como eu tive misericórdia de você?’
18:34 E, indignado, seu senhor o entregou aos torturadores até que pagasse tudo o que devia.
18:35 Assim também meu Pai celestial fará com vocês, se cada um de vocês não perdoar de coração ao seu irmão”.

Capítulo 19
19:1 Quando Jesus terminou de dizer essas palavras, saiu da Galileia e foi para a região da Judeia, além do Jordão.
19:2 Grandes multidões o seguiram, e ele as curou ali.
19:3 Alguns fariseus se aproximaram dele para pô-lo à prova e perguntaram: “É permitido a um homem se divorciar de sua esposa por qualquer motivo?”
19:4 Ele respondeu: “Vocês não leram que o Criador, desde o princípio, os fez homem e mulher
19:5 e disse: ‘Por isso o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher, e os dois serão uma só carne’?
19:6 Assim, já não são dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe”.
19:7 Eles lhe perguntaram: “Por que, então, Moisés mandou dar uma certidão de divórcio e se divorciar dela?”
19:8 Ele lhes disse: “Por causa da dureza do coração de vocês, Moisés permitiu que se divorciassem das suas esposas. Mas desde o princípio não foi assim.
19:9 Eu lhes digo: quem se divorciar de sua esposa, exceto por imoralidade sexual, e se casar com outra comete adultério; e quem se casar com uma mulher divorciada comete adultério”.
19:10 Os discípulos lhe disseram: “Se é assim a situação do homem com sua mulher, não convém casar”.
19:11 Ele lhes disse: “Nem todos aceitam esta palavra, mas somente aqueles a quem foi concedido.
19:12 Pois há eunucos que nasceram assim do ventre da mãe; há eunucos que foram feitos eunucos pelos homens; e há eunucos que se fizeram eunucos por causa do reino dos céus. Quem puder aceitar, que aceite”.
19:13 Então trouxeram crianças a Jesus, para que lhes impusesse as mãos e orasse, mas os discípulos os repreenderam.
19:14 Mas Jesus disse: “Deixem as crianças vir a mim e não as impeçam, pois o reino dos céus pertence aos que são como elas”.
19:15 Depois de lhes impor as mãos, partiu dali.
19:16 Um homem se aproximou dele e perguntou: “Mestre, que coisa boa devo fazer para ter a vida eterna?”
19:17 Ele lhe disse: “Por que você me pergunta sobre o que é bom? Só um é bom. Mas, se você quer entrar na vida, guarde os mandamentos”.
19:18 Ele lhe perguntou: “Quais?” Jesus respondeu: “‘Não assassine, não cometa adultério, não furte, não dê falso testemunho,
19:19 honre seu pai e sua mãe’, e ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’”.
19:20 O jovem lhe disse: “Guardei tudo isso. O que ainda me falta?”
19:21 Jesus lhe disse: “Se você quer ser perfeito, vá, venda os seus bens e dê aos pobres, e terá um tesouro nos céus. Depois venha e siga-me”.
19:22 Ao ouvir essa palavra, o jovem foi embora triste, pois tinha muitas propriedades.
19:23 Então Jesus disse aos seus discípulos: “Em verdade lhes digo: dificilmente um rico entrará no reino dos céus.
19:24 E eu lhes digo novamente: é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus”.
19:25 Ao ouvirem isso, os discípulos ficaram muito admirados e perguntaram: “Quem, então, pode ser salvo?”
19:26 Jesus olhou para eles e disse: “Para os homens isso é impossível, mas para Deus tudo é possível”.
19:27 Então Pedro lhe disse: “Veja! Nós deixamos tudo e o seguimos. O que receberemos, então?”
19:28 Jesus lhes disse: “Em verdade lhes digo: na renovação, quando o Filho do Homem se sentar no trono da sua glória, vocês que me seguiram também se sentarão em doze tronos, julgando as doze tribos de Israel.
19:29 E todo aquele que tiver deixado casas, irmãos, irmãs, pai, mãe, esposa, filhos ou campos por causa do meu nome receberá cem vezes tanto e herdará a vida eterna.
19:30 Mas muitos primeiros serão últimos, e muitos últimos serão primeiros”.

Capítulo 20
20:1 “Pois o reino dos céus é semelhante a um proprietário que saiu ao amanhecer para contratar trabalhadores para a sua vinha.
20:2 Depois de combinar com os trabalhadores o pagamento de um denário por dia, enviou-os à sua vinha.
20:3 Por volta das nove da manhã, saiu e viu outros que estavam na praça sem trabalho.
20:4 E lhes disse: ‘Vão vocês também para a vinha, e eu lhes darei o que for justo’.
20:5 Eles foram. Ele saiu novamente por volta do meio-dia e das três da tarde e fez o mesmo.
20:6 Por volta das cinco da tarde, saiu e encontrou outros que estavam ali. E lhes perguntou: ‘Por que vocês ficaram aqui o dia inteiro sem trabalhar?’
20:7 Eles lhe disseram: ‘Porque ninguém nos contratou’. Ele lhes disse: ‘Vão vocês também para a vinha’.
20:8 Ao entardecer, o dono da vinha disse ao seu administrador: ‘Chame os trabalhadores e pague-lhes o salário, começando pelos últimos até os primeiros’.
20:9 Vieram os que haviam sido contratados por volta das cinco da tarde, e cada um recebeu um denário.
20:10 Quando vieram os primeiros, pensaram que receberiam mais, mas também receberam um denário cada um.
20:11 Ao receberem o pagamento, murmuravam contra o proprietário,
20:12 dizendo: ‘Esses últimos trabalharam apenas uma hora, e você os igualou a nós, que suportamos o peso do dia e o calor abrasador’.
20:13 Mas ele respondeu a um deles: ‘Amigo, não estou sendo injusto com você. Você não combinou comigo um denário?
20:14 Pegue o que é seu e vá embora. Quero dar a este último o mesmo que a você.
20:15 Não tenho o direito de fazer o que quero com o que é meu? Ou o seu olho é mau porque eu sou bom?’
20:16 Assim, os últimos serão primeiros, e os primeiros serão últimos”.
20:17 Enquanto subia para Jerusalém, Jesus chamou à parte os doze discípulos e, pelo caminho, lhes disse:
20:18 “Eis que estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos chefes dos sacerdotes e aos escribas, e eles o condenarão à morte.
20:19 Eles o entregarão aos gentios para que zombem dele, o açoitem e o crucifiquem; e no terceiro dia ele será ressuscitado”.
20:20 Então a mãe dos filhos de Zebedeu se aproximou dele com seus filhos, prostrou-se diante dele e lhe fez um pedido.
20:21 Ele lhe perguntou: “O que você quer?” Ela lhe disse: “Ordena que estes meus dois filhos se sentem no teu reino, um à tua direita e outro à tua esquerda”.
20:22 Mas Jesus respondeu: “Vocês não sabem o que estão pedindo. Podem beber o cálice que estou para beber?” Eles lhe disseram: “Podemos”.
20:23 Ele lhes disse: “De fato, vocês beberão o meu cálice. Mas sentar-se à minha direita e à minha esquerda não me cabe conceder; é para aqueles para quem foi preparado por meu Pai”.
20:24 Ao ouvirem isso, os dez ficaram indignados com os dois irmãos.
20:25 Mas Jesus os chamou e disse: “Vocês sabem que os governantes das nações as dominam e que os poderosos exercem autoridade sobre elas.
20:26 Entre vocês não será assim. Mas quem quiser tornar-se grande entre vocês será o servidor de vocês,
20:27 e quem quiser ser o primeiro entre vocês será o escravo de vocês,
20:28 assim como o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate por muitos”.
20:29 Quando eles saíam de Jericó, uma grande multidão o seguiu.
20:30 Dois cegos estavam sentados à beira do caminho. Ao ouvirem que Jesus passava, gritaram: “Senhor, tem misericórdia de nós, Filho de Davi!”
20:31 A multidão os repreendeu para que se calassem, mas eles gritaram ainda mais alto: “Senhor, tem misericórdia de nós, Filho de Davi!”
20:32 Jesus parou, chamou-os e perguntou: “O que vocês querem que eu lhes faça?”
20:33 Eles lhe disseram: “Senhor, que os nossos olhos se abram”.
20:34 Movido de compaixão, Jesus tocou nos olhos deles. Imediatamente passaram a ver e o seguiram.

Capítulo 21
21:1 Quando se aproximaram de Jerusalém e chegaram a Betfagé, no monte das Oliveiras, Jesus enviou dois discípulos
21:2 e lhes disse: “Vão à aldeia que está diante de vocês. Logo encontrarão uma jumenta amarrada e um jumentinho com ela. Desamarrem-nos e tragam-nos a mim.
21:3 Se alguém lhes disser alguma coisa, respondam: ‘O Senhor precisa deles’, e logo os enviará”.
21:4 Isso aconteceu para que se cumprisse o que havia sido dito por meio do profeta:
21:5 “Digam à filha de Sião: ‘Eis que o seu rei vem a você, manso e montado numa jumenta e num jumentinho, cria de um animal de carga’”.
21:6 Os discípulos foram e fizeram como Jesus lhes havia ordenado.
21:7 Trouxeram a jumenta e o jumentinho, puseram sobre eles os mantos, e Jesus se sentou sobre eles.
21:8 A maior parte da multidão estendeu os seus mantos no caminho; outros cortavam ramos das árvores e os espalhavam pelo caminho.
21:9 As multidões que iam à frente dele e as que o seguiam gritavam: “Hosana ao Filho de Davi! Bendito o que vem em nome do Senhor! Hosana nas alturas!”
21:10 Quando ele entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou alvoroçada e perguntava: “Quem é este?”
21:11 As multidões diziam: “Este é o profeta Jesus, de Nazaré da Galileia”.
21:12 Jesus entrou no templo e expulsou todos os que vendiam e compravam ali. Derrubou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas.
21:13 E lhes disse: “Está escrito: ‘Minha casa será chamada casa de oração’, mas vocês fazem dela um covil de ladrões”.
21:14 Cegos e coxos se aproximaram dele no templo, e ele os curou.
21:15 Mas os chefes dos sacerdotes e os escribas, ao verem as maravilhas que ele fez e os meninos gritando no templo: “Hosana ao Filho de Davi!”, ficaram indignados
21:16 e lhe perguntaram: “Você está ouvindo o que eles dizem?” Jesus lhes disse: “Sim. Vocês nunca leram: ‘Da boca de pequeninos e de crianças de peito preparaste louvor’?”
21:17 Então os deixou, saiu da cidade e foi para Betânia, onde passou a noite.
21:18 De manhã, ao voltar para a cidade, sentiu fome.
21:19 Ao ver uma figueira à beira do caminho, foi até ela, mas não encontrou nada, a não ser folhas. E lhe disse: “Que nunca mais nasça fruto de você”. E a figueira secou imediatamente.
21:20 Ao verem isso, os discípulos ficaram admirados e perguntaram: “Como a figueira secou imediatamente?”
21:21 Jesus lhes respondeu: “Em verdade lhes digo: se vocês tiverem fé e não duvidarem, não só farão o que foi feito à figueira. Mesmo se disserem a este monte: ‘Seja erguido e lançado no mar’, isso acontecerá.
21:22 E tudo o que pedirem em oração, crendo, vocês receberão”.
21:23 Quando Jesus entrou no templo, os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo se aproximaram dele enquanto ensinava e perguntaram: “Com que autoridade você faz estas coisas? E quem lhe deu essa autoridade?”
21:24 Jesus lhes respondeu: “Eu também lhes farei uma pergunta. Se me responderem, também lhes direi com que autoridade faço estas coisas.
21:25 De onde vinha o batismo de João: do céu ou dos homens?” Eles discutiam entre si, dizendo: “Se dissermos: ‘Do céu’, ele nos dirá: ‘Por que, então, vocês não creram nele?’
21:26 Mas, se dissermos: ‘Dos homens’, temos medo da multidão, pois todos consideram João um profeta”.
21:27 Então responderam a Jesus: “Não sabemos”. Ele lhes disse: “Tampouco eu lhes digo com que autoridade faço estas coisas.
21:28 Mas o que vocês acham? Um homem tinha dois filhos. Foi ao primeiro e lhe disse: ‘Filho, vá trabalhar hoje na vinha’.
21:29 Ele respondeu: ‘Não quero’. Mas depois se arrependeu e foi.
21:30 Foi ao segundo e disse a mesma coisa. Ele respondeu: ‘Eu vou, senhor’, mas não foi.
21:31 Qual dos dois fez a vontade do pai?” Eles responderam: “O primeiro”. Jesus lhes disse: “Em verdade lhes digo que os cobradores de impostos e as prostitutas vão adiante de vocês para o reino de Deus.
21:32 Pois João veio a vocês no caminho da justiça, e vocês não creram nele. Mas os cobradores de impostos e as prostitutas creram nele. E vocês, mesmo depois de verem isso, não se arrependeram para crer nele.
21:33 Ouçam outra parábola. Havia um proprietário que plantou uma vinha, cercou-a, cavou nela um lagar e construiu uma torre. Então a arrendou a uns lavradores e partiu em viagem.
21:34 Quando se aproximou o tempo dos frutos, enviou seus servos aos lavradores para receber os seus frutos.
21:35 Os lavradores agarraram os seus servos: espancaram um, mataram outro e apedrejaram outro.
21:36 Ele enviou novamente outros servos, em maior número do que os primeiros, e fizeram o mesmo com eles.
21:37 Por fim, enviou-lhes o seu filho, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’.
21:38 Mas os lavradores, ao verem o filho, disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vamos matá-lo e ficar com a sua herança’.
21:39 Então o agarraram, jogaram-no para fora da vinha e o mataram.
21:40 Quando vier o dono da vinha, o que fará com aqueles lavradores?”
21:41 Eles lhe responderam: “Dará uma morte terrível a esses malvados e arrendará a vinha a outros lavradores, que lhe entregarão os frutos no tempo certo”.
21:42 Jesus lhes disse: “Vocês nunca leram nas Escrituras:
 ‘A pedra que os construtores rejeitaram, essa se tornou a pedra angular.
   Isso veio do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos’?
21:43 Por isso eu lhes digo que o reino de Deus será tirado de vocês e dado a um povo que produza os frutos do reino.
21:44 Quem cair sobre esta pedra ficará despedaçado; e aquele sobre quem ela cair, ela o reduzirá a pó”.
21:45 Quando os chefes dos sacerdotes e os fariseus ouviram as suas parábolas, entenderam que falava deles.
21:46 E procuravam prendê-lo, mas tiveram medo das multidões, pois elas o consideravam profeta.

Capítulo 22
22:1 Jesus voltou a lhes falar em parábolas, dizendo:
22:2 “O reino dos céus é semelhante a um rei que preparou uma festa de casamento para o seu filho.
22:3 Enviou os seus servos para chamar os convidados para a festa, mas eles não queriam vir.
22:4 Enviou novamente outros servos, dizendo: ‘Digam aos convidados: “Eis que preparei o meu banquete. Meus touros e os animais engordados foram abatidos, e tudo está pronto. Venham à festa de casamento”’.
22:5 Mas eles não deram atenção e foram embora, um para o seu campo, outro para o seu negócio.
22:6 Os demais agarraram os seus servos, maltrataram-nos e os mataram.
22:7 O rei ficou irado, enviou suas tropas, destruiu aqueles assassinos e incendiou a cidade deles.
22:8 Então disse aos seus servos: ‘A festa de casamento está pronta, mas os convidados não eram dignos.
22:9 Portanto, vão aos cruzamentos das estradas e convidem para a festa todos os que encontrarem’.
22:10 Aqueles servos saíram pelas estradas e reuniram todos os que encontraram, maus e bons. E a festa ficou cheia de convidados.
22:11 Quando o rei entrou para ver os convidados, viu ali um homem que não estava vestido com traje de casamento.
22:12 E lhe disse: ‘Amigo, como você entrou aqui sem traje de casamento?’ Mas ele emudeceu.
22:13 Então o rei disse aos servidores: ‘Amarrem os pés e as mãos dele e joguem-no nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes’.
22:14 Pois muitos são chamados, mas poucos são escolhidos”.
22:15 Então os fariseus saíram e se reuniram para planejar como apanhá-lo em alguma palavra.
22:16 Enviaram a ele seus discípulos, junto com os herodianos, que disseram: “Mestre, sabemos que você é verdadeiro e ensina com verdade o caminho de Deus. Você não se deixa influenciar por ninguém, pois não olha para a aparência das pessoas.
22:17 Diga-nos, então, o que você acha: é permitido pagar imposto a César ou não?”
22:18 Mas Jesus, conhecendo a maldade deles, disse: “Por que vocês me põem à prova, hipócritas?
22:19 Mostrem-me a moeda do imposto”. Eles lhe trouxeram um denário.
22:20 Ele lhes perguntou: “De quem são esta imagem e esta inscrição?”
22:21 Eles lhe disseram: “De César”. Então ele lhes disse: “Deem, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus”.
22:22 Ao ouvirem isso, ficaram admirados, deixaram-no e foram embora.
22:23 Naquele dia, aproximaram-se dele alguns saduceus, que dizem não haver ressurreição, e lhe perguntaram:
22:24 “Mestre, Moisés disse: ‘Se alguém morrer sem ter filhos, seu irmão se casará com a mulher dele e dará descendência ao seu irmão’.
22:25 Ora, havia entre nós sete irmãos. O primeiro se casou e morreu; como não tinha descendência, deixou sua mulher ao seu irmão.
22:26 O mesmo aconteceu com o segundo, com o terceiro e assim até os sete.
22:27 Depois de todos, morreu a mulher.
22:28 Na ressurreição, então, de qual dos sete ela será esposa? Pois todos a tiveram”.
22:29 Jesus lhes respondeu: “Vocês estão enganados, pois não conhecem as Escrituras nem o poder de Deus.
22:30 Pois, na ressurreição, não se casam nem são dados em casamento, mas são como os anjos de Deus no céu.
22:31 E, quanto à ressurreição dos mortos, vocês não leram o que Deus lhes disse:
22:32 ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’? Ele não é Deus de mortos, mas de vivos”.
22:33 Ao ouvirem isso, as multidões ficaram maravilhadas com o seu ensino.
22:34 Quando os fariseus ouviram que ele havia feito os saduceus se calarem, reuniram-se.
22:35 E um deles, especialista na Lei, perguntou-lhe para pô-lo à prova:
22:36 “Mestre, qual é o grande mandamento na Lei?”
22:37 Ele lhe disse: “‘Ame o Senhor, seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma e com toda a sua mente’.
22:38 Este é o grande e primeiro mandamento.
22:39 E o segundo é semelhante a este: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’.
22:40 Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”.
22:41 Enquanto os fariseus estavam reunidos, Jesus lhes perguntou:
22:42 “O que vocês acham do Cristo? De quem ele é filho?” Eles lhe disseram: “De Davi”.
22:43 Ele lhes disse: “Como, então, Davi, no Espírito, o chama de Senhor, dizendo:
22:44 ‘O Senhor disse ao meu Senhor: “Sente-se à minha direita, até que eu ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés”’?
22:45 Se Davi o chama de Senhor, como ele é seu filho?”
22:46 E ninguém podia lhe responder uma palavra. E, desde aquele dia, ninguém mais ousou fazer-lhe perguntas.

Capítulo 23
23:1 Então Jesus falou às multidões e aos seus discípulos,
23:2 dizendo: “Os escribas e os fariseus se sentaram na cadeira de Moisés.
23:3 Portanto, façam e observem tudo o que eles lhes disserem, mas não ajam conforme as suas obras, pois dizem e não fazem.
23:4 Amarram fardos pesados e os põem nos ombros das pessoas, mas eles mesmos não querem movê-los nem com um dedo.
23:5 Fazem todas as suas obras para serem vistos pelas pessoas. Alargam os seus filactérios e alongam as franjas.
23:6 Amam os primeiros lugares nos banquetes e os primeiros assentos nas sinagogas,
23:7 as saudações nas praças e ser chamados de ‘Rabi’ pelas pessoas.
23:8 Mas vocês não se façam chamar ‘Rabi’, pois um só é o mestre de vocês, e todos vocês são irmãos.
23:9 E não chamem ninguém na terra de seu pai, pois um só é o Pai de vocês, o celestial.
23:10 Também não se façam chamar instrutores, pois um só é o instrutor de vocês, o Cristo.
23:11 O maior entre vocês será o servidor de vocês.
23:12 Quem se exaltar será humilhado, e quem se humilhar será exaltado.
23:13 Mas ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas! Pois fecham o reino dos céus diante das pessoas. Vocês não entram nem deixam entrar os que estão entrando.
23:14 [Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas! Pois devoram as casas das viúvas e, por fingimento, fazem longas orações. Por isso receberão uma condenação maior.]
23:15 Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas! Pois percorrem mar e terra para fazer um só prosélito e, quando o conseguem, fazem dele um filho do inferno duas vezes mais do que vocês.
23:16 Ai de vocês, guias cegos, que dizem: ‘Quem jurar pelo santuário não fica obrigado a nada, mas quem jurar pelo ouro do santuário fica obrigado’!
23:17 Insensatos e cegos! Pois o que é maior: o ouro ou o santuário que santificou o ouro?
23:18 E dizem: ‘Quem jurar pelo altar não fica obrigado a nada, mas quem jurar pela oferta que está sobre ele fica obrigado’.
23:19 Cegos! Pois o que é maior: a oferta ou o altar que santifica a oferta?
23:20 Portanto, quem jura pelo altar jura por ele e por tudo o que está sobre ele.
23:21 E quem jura pelo santuário jura por ele e por aquele que nele habita.
23:22 E quem jura pelo céu jura pelo trono de Deus e por aquele que está sentado nele.
23:23 Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas! Pois dão o dízimo da hortelã, do endro e do cominho, mas deixaram de lado o que há de mais importante na Lei: a justiça, a misericórdia e a fé. Deviam praticar estas coisas sem deixar de lado aquelas.
23:24 Guias cegos! Coam o mosquito, mas engolem o camelo!
23:25 Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas! Pois limpam o exterior do copo e do prato, mas por dentro estão cheios de roubo e desregramento.
23:26 Fariseu cego! Limpe primeiro o interior do copo e do prato, para que também o seu exterior fique limpo.
23:27 Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas! Pois são semelhantes a sepulcros caiados, que por fora parecem bonitos, mas por dentro estão cheios de ossos de mortos e de toda impureza.
23:28 Assim também vocês, por fora, parecem justos às pessoas, mas por dentro estão cheios de hipocrisia e iniquidade.
23:29 Ai de vocês, escribas e fariseus, hipócritas! Pois constroem os túmulos dos profetas e enfeitam os monumentos dos justos,
23:30 e dizem: ‘Se tivéssemos vivido nos dias dos nossos antepassados, não teríamos sido cúmplices deles no derramamento do sangue dos profetas’.
23:31 Assim vocês dão testemunho contra si mesmos de que são filhos dos que assassinaram os profetas.
23:32 Completem vocês a medida dos seus antepassados!
23:33 Serpentes, raça de víboras! Como vocês escaparão da condenação do inferno?
23:34 Por isso, eis que eu envio a vocês profetas, sábios e escribas. A alguns vocês matarão e crucificarão; a outros açoitarão nas suas sinagogas e perseguirão de cidade em cidade,
23:35 para que venha sobre vocês todo o sangue justo derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até o sangue de Zacarias, filho de Baraquias, a quem vocês assassinaram entre o santuário e o altar.
23:36 Em verdade lhes digo que todas essas coisas virão sobre esta geração.
23:37 Jerusalém, Jerusalém, você que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes quis reunir os seus filhos, como a galinha reúne os seus pintinhos debaixo das asas, mas vocês não quiseram!
23:38 Eis que a casa de vocês lhes é deixada deserta.
23:39 Pois eu lhes digo: de agora em diante, vocês não me verão até que digam: ‘Bendito o que vem em nome do Senhor’”.

Capítulo 24
24:1 Jesus saiu do templo e se afastava, quando seus discípulos se aproximaram para lhe mostrar os edifícios do templo.
24:2 Ele lhes disse: “Vocês não veem todas essas coisas? Em verdade lhes digo: não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada”.
24:3 Enquanto ele estava sentado no monte das Oliveiras, os discípulos se aproximaram dele em particular e disseram: “Diga-nos: quando acontecerão essas coisas, e qual será o sinal da sua vinda e do fim da era?”
24:4 Jesus lhes respondeu: “Cuidem para que ninguém engane vocês.
24:5 Pois muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Eu sou o Cristo’, e enganarão a muitos.
24:6 Vocês ouvirão falar de guerras e rumores de guerras. Tenham cuidado para não se alarmar, pois é necessário que isso aconteça, mas ainda não é o fim.
24:7 Pois nação se levantará contra nação, e reino contra reino, e haverá fomes e terremotos em vários lugares.
24:8 Mas todas essas coisas são o começo das dores de parto.
24:9 Então entregarão vocês à tribulação e os matarão, e vocês serão odiados por todas as nações por causa do meu nome.
24:10 Então muitos tropeçarão, trairão uns aos outros e odiarão uns aos outros.
24:11 Surgirão muitos falsos profetas e enganarão a muitos.
24:12 E, por se multiplicar a iniquidade, o amor de muitos se esfriará.
24:13 Mas aquele que perseverar até o fim será salvo.
24:14 E este evangelho do reino será proclamado em todo o mundo habitado, como testemunho a todas as nações. Então virá o fim.
24:15 Portanto, quando vocês virem a abominação da desolação, de que falou o profeta Daniel, colocada no lugar santo (quem lê entenda),
24:16 então os que estiverem na Judeia fujam para os montes.
24:17 Quem estiver no terraço não desça para pegar as coisas da sua casa,
24:18 e quem estiver no campo não volte atrás para pegar o seu manto.
24:19 Ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias!
24:20 Orem para que a fuga de vocês não aconteça no inverno nem no sábado.
24:21 Pois então haverá grande tribulação, como nunca houve desde o princípio do mundo até agora, nem jamais haverá.
24:22 Se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém sobreviveria. Mas, por causa dos escolhidos, aqueles dias serão abreviados.
24:23 Então, se alguém lhes disser: ‘Vejam, aqui está o Cristo’ ou ‘Está aqui’, não acreditem.
24:24 Pois surgirão falsos cristos e falsos profetas e farão grandes sinais e prodígios para enganar, se possível, até os escolhidos.
24:25 Vejam, eu lhes disse isso de antemão.
24:26 Portanto, se lhes disserem: ‘Vejam, ele está no deserto’, não saiam; ou: ‘Vejam, ele está nos aposentos internos’, não acreditem.
24:27 Pois, assim como o relâmpago sai do oriente e brilha até o ocidente, assim será a vinda do Filho do Homem.
24:28 Onde estiver o cadáver, ali se reunirão as águias.
24:29 Imediatamente depois da tribulação daqueles dias, o sol escurecerá, e a lua não dará a sua luz; as estrelas cairão do céu, e os poderes dos céus serão abalados.
24:30 Então aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem. E todas as tribos da terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e grande glória.
24:31 Ele enviará os seus anjos com um forte toque de trombeta, e eles reunirão os seus escolhidos dos quatro ventos, de uma extremidade dos céus à outra.
24:32 Aprendam a parábola da figueira: quando o seu ramo fica tenro e brotam as folhas, vocês sabem que o verão está próximo.
24:33 Assim também vocês, quando virem todas essas coisas, saibam que está perto, às portas.
24:34 Em verdade lhes digo que esta geração não passará até que todas essas coisas aconteçam.
24:35 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão.
24:36 Quanto àquele dia e hora, ninguém sabe, nem os anjos dos céus nem o Filho, mas somente o Pai.
24:37 Pois, como nos dias de Noé, assim será a vinda do Filho do Homem.
24:38 Pois, nos dias anteriores ao dilúvio, comiam e bebiam, casavam-se e davam em casamento, até o dia em que Noé entrou na arca,
24:39 e não se deram conta até que veio o dilúvio e levou a todos. Assim também será a vinda do Filho do Homem.
24:40 Então dois estarão no campo: um será levado, e o outro deixado.
24:41 Duas mulheres estarão moendo no moinho: uma será levada, e a outra deixada.
24:42 Portanto, vigiem, pois vocês não sabem em que dia vem o seu Senhor.
24:43 Mas saibam isto: se o dono da casa soubesse em que hora da noite o ladrão viria, teria ficado vigiando e não teria deixado que a sua casa fosse arrombada.
24:44 Por isso, estejam também vocês preparados, pois o Filho do Homem vem numa hora em que vocês não esperam.
24:45 Quem é, então, o servo fiel e prudente que o seu senhor pôs à frente dos servos da casa, para lhes dar alimento no tempo certo?
24:46 Bem-aventurado aquele servo que o seu senhor, ao chegar, encontrar fazendo isso.
24:47 Em verdade lhes digo que ele o porá à frente de todos os seus bens.
24:48 Mas, se aquele servo mau disser no seu coração: ‘Meu senhor está demorando’,
24:49 e começar a espancar os seus companheiros e a comer e beber com os bêbados,
24:50 o senhor daquele servo virá num dia em que ele não espera e numa hora que ele não sabe,
24:51 e o cortará em dois e lhe dará a sua parte junto dos hipócritas. Ali haverá choro e ranger de dentes.

Capítulo 25
25:1 Então o reino dos céus será comparado a dez virgens que pegaram as suas lâmpadas e saíram ao encontro do noivo.
25:2 Cinco delas eram insensatas, e cinco eram prudentes.
25:3 Pois as insensatas pegaram as suas lâmpadas, mas não levaram azeite consigo.
25:4 As prudentes, porém, levaram azeite em vasilhas, junto com as suas lâmpadas.
25:5 Como o noivo demorava, todas ficaram sonolentas e adormeceram.
25:6 À meia-noite, ouviu-se um grito: ‘Eis o noivo! Saiam ao encontro dele!’
25:7 Então todas aquelas virgens se levantaram e prepararam as suas lâmpadas.
25:8 As insensatas disseram às prudentes: ‘Deem-nos um pouco do azeite de vocês, pois as nossas lâmpadas estão se apagando’.
25:9 Mas as prudentes responderam: ‘Pode ser que não haja o suficiente para nós e para vocês. É melhor irem aos vendedores e comprarem para vocês mesmas’.
25:10 Enquanto elas iam comprar, o noivo chegou, e as que estavam preparadas entraram com ele para a festa de casamento, e a porta foi fechada.
25:11 Depois vieram também as outras virgens, dizendo: ‘Senhor, senhor, abra a porta para nós!’
25:12 Mas ele respondeu: ‘Em verdade lhes digo: não conheço vocês’.
25:13 Portanto, vigiem, pois vocês não sabem o dia nem a hora.
25:14 Pois é como um homem que, ao partir em viagem, chamou os seus servos e lhes entregou os seus bens.
25:15 A um deu cinco talentos, a outro dois e a outro um, a cada um conforme a sua capacidade. E partiu em viagem. Imediatamente,
25:16 o que havia recebido os cinco talentos foi negociar com eles e ganhou outros cinco.
25:17 Do mesmo modo, o que havia recebido dois ganhou outros dois.
25:18 Mas o que havia recebido um foi, cavou na terra e escondeu o dinheiro do seu senhor.
25:19 Depois de muito tempo, veio o senhor daqueles servos e acertou contas com eles.
25:20 O que havia recebido cinco talentos se aproximou e trouxe outros cinco talentos, dizendo: ‘Senhor, você me entregou cinco talentos. Veja, ganhei outros cinco talentos’.
25:21 Seu senhor lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco; eu o porei à frente de muito. Entre na alegria do seu senhor’.
25:22 O que havia recebido dois talentos também se aproximou e disse: ‘Senhor, você me entregou dois talentos. Veja, ganhei outros dois talentos’.
25:23 Seu senhor lhe disse: ‘Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco; eu o porei à frente de muito. Entre na alegria do seu senhor’.
25:24 Mas o que havia recebido um talento também se aproximou e disse: ‘Senhor, eu sabia que você é um homem duro, que colhe onde não semeou e ajunta onde não espalhou.
25:25 Tive medo, fui e escondi o seu talento na terra. Veja, aqui está o que é seu’.
25:26 Seu senhor lhe respondeu: ‘Servo malvado e preguiçoso! Você sabia que colho onde não semeei e ajunto onde não espalhei?
25:27 Então você devia ter entregue o meu dinheiro aos banqueiros e, ao voltar, eu teria recebido o que é meu com juros.
25:28 Portanto, tirem dele o talento e deem ao que tem os dez talentos.
25:29 Pois a todo aquele que tem será dado, e terá em abundância; mas de quem não tem será tirado até o que tem.
25:30 E joguem o servo inútil nas trevas exteriores. Ali haverá choro e ranger de dentes’.
25:31 Quando o Filho do Homem vier em sua glória, e todos os anjos com ele, então se sentará no trono da sua glória.
25:32 Todas as nações serão reunidas diante dele, e ele separará uns dos outros, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos.
25:33 Porá as ovelhas à sua direita e os cabritos à esquerda.
25:34 Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham, benditos de meu Pai! Recebam por herança o reino preparado para vocês desde a fundação do mundo.
25:35 Pois tive fome, e vocês me deram de comer; tive sede, e me deram de beber; fui forasteiro, e me acolheram;
25:36 estive nu, e me vestiram; adoeci, e me visitaram; estive na prisão, e vieram me ver’.
25:37 Então os justos lhe responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome e te alimentamos, ou com sede e te demos de beber?
25:38 E quando te vimos forasteiro e te acolhemos, ou nu e te vestimos?
25:39 E quando te vimos doente ou na prisão e fomos te ver?’
25:40 O Rei lhes responderá: ‘Em verdade lhes digo: sempre que fizeram isso a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim o fizeram’.
25:41 Então dirá também aos que estiverem à esquerda: ‘Afastem-se de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e os seus anjos.
25:42 Pois tive fome, e vocês não me deram de comer; tive sede, e não me deram de beber;
25:43 fui forasteiro, e não me acolheram; estive nu, e não me vestiram; doente e na prisão, e não me visitaram’.
25:44 Então também eles responderão: ‘Senhor, quando te vimos com fome ou com sede, ou forasteiro, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te servimos?’
25:45 Então ele lhes responderá: ‘Em verdade lhes digo: sempre que deixaram de fazer isso a um destes mais pequeninos, também a mim deixaram de fazê-lo’.
25:46 E estes irão para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna”.

Capítulo 26
26:1 Quando Jesus terminou de dizer todas essas palavras, disse aos seus discípulos:
26:2 “Vocês sabem que daqui a dois dias é a Páscoa, e o Filho do Homem será entregue para ser crucificado”.
26:3 Então os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram no pátio do sumo sacerdote, chamado Caifás,
26:4 e planejaram prender Jesus por meio de um ardil e matá-lo.
26:5 Mas diziam: “Não durante a festa, para que não haja tumulto entre o povo”.
26:6 Enquanto Jesus estava em Betânia, na casa de Simão, o leproso,
26:7 uma mulher se aproximou dele com um frasco de alabastro contendo perfume muito caro e o derramou sobre a cabeça dele, enquanto ele estava à mesa.
26:8 Ao verem isso, os discípulos ficaram indignados e disseram: “Para que este desperdício?
26:9 Pois esse perfume poderia ter sido vendido por muito dinheiro, e o dinheiro dado aos pobres”.
26:10 Percebendo isso, Jesus lhes disse: “Por que vocês incomodam esta mulher? Pois ela praticou uma boa ação para comigo.
26:11 Vocês sempre têm os pobres com vocês, mas nem sempre têm a mim.
26:12 Pois, ao derramar este perfume sobre o meu corpo, ela o fez para o meu sepultamento.
26:13 Em verdade lhes digo: onde quer que este evangelho seja proclamado no mundo inteiro, também se contará o que ela fez, em memória dela”.
26:14 Então um dos doze, chamado Judas Iscariotes, foi aos chefes dos sacerdotes
26:15 e disse: “O que vocês querem me dar para que eu o entregue a vocês?” Eles lhe pesaram trinta peças de prata.
26:16 E, desde então, ele procurava uma oportunidade para entregá-lo.
26:17 No primeiro dia dos Pães sem Fermento, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram: “Onde você quer que preparemos a refeição da Páscoa para você?”
26:18 Ele disse: “Vão à cidade, a um certo homem, e lhe digam: ‘O Mestre diz: “O meu tempo está próximo. Celebrarei a Páscoa na sua casa com os meus discípulos”’”.
26:19 Os discípulos fizeram como Jesus lhes havia ordenado e prepararam a Páscoa.
26:20 Ao entardecer, Jesus se pôs à mesa com os doze discípulos.
26:21 Enquanto comiam, ele disse: “Em verdade lhes digo que um de vocês me entregará”.
26:22 Muito tristes, começaram a lhe perguntar, um por um: “Por acaso sou eu, Senhor?”
26:23 Ele respondeu: “Quem mergulhou comigo a mão no prato, esse me entregará.
26:24 O Filho do Homem se vai, como está escrito a seu respeito. Mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é entregue! Seria melhor para esse homem não ter nascido”.
26:25 Judas, que o traía, perguntou: “Por acaso sou eu, Rabi?” Jesus lhe disse: “Você o disse”.
26:26 Enquanto comiam, Jesus pegou pão, pronunciou a bênção, partiu-o e o deu aos discípulos, dizendo: “Tomem, comam; isto é o meu corpo”.
26:27 Depois pegou um cálice, deu graças e o deu a eles, dizendo: “Bebam dele todos,
26:28 pois isto é o meu sangue da aliança, derramado por muitos para o perdão dos pecados.
26:29 Eu lhes digo que, de agora em diante, não beberei deste fruto da videira até aquele dia em que o beba novo com vocês no reino de meu Pai”.
26:30 Depois de cantarem um hino, saíram para o monte das Oliveiras.

26:31 Então Jesus lhes disse: “Todos vocês tropeçarão por minha causa nesta noite, pois está escrito:
 ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas do rebanho se dispersarão’.
26:32 Mas, depois de ser ressuscitado, irei adiante de vocês para a Galileia”.
26:33 Pedro lhe respondeu: “Mesmo que todos tropecem por sua causa, eu jamais tropeçarei”.
26:34 Jesus lhe disse: “Em verdade lhe digo: nesta noite, antes que o galo cante, você me negará três vezes”.
26:35 Pedro lhe disse: “Mesmo que eu tenha de morrer com você, jamais o negarei”. E todos os discípulos disseram o mesmo.
26:36 Então Jesus foi com eles a um lugar chamado Getsêmani e disse aos discípulos: “Sentem-se aqui enquanto vou ali orar”.
26:37 Levou consigo Pedro e os dois filhos de Zebedeu e começou a ficar triste e angustiado.
26:38 Então lhes disse: “Minha alma está profundamente triste, até a morte. Fiquem aqui e vigiem comigo”.
26:39 Adiantou-se um pouco, caiu com o rosto em terra e orou, dizendo: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice. Contudo, não como eu quero, mas como tu queres”.
26:40 Voltou aos discípulos e os encontrou dormindo. E disse a Pedro: “Então vocês não puderam vigiar comigo nem uma hora?
26:41 Vigiem e orem para não entrarem em tentação. O espírito está disposto, mas a carne é fraca”.
26:42 Afastou-se novamente, pela segunda vez, e orou: “Meu Pai, se isto não pode passar sem que eu o beba, seja feita a tua vontade”.
26:43 Quando voltou, encontrou-os dormindo outra vez, pois os olhos deles estavam pesados.
26:44 Então os deixou, afastou-se novamente e orou pela terceira vez, dizendo outra vez as mesmas palavras.
26:45 Depois voltou aos discípulos e lhes disse: “Durmam agora e descansem. Eis que a hora chegou, e o Filho do Homem é entregue nas mãos de pecadores.
26:46 Levantem-se, vamos! Eis que está próximo aquele que me entrega”.
26:47 Enquanto ele ainda falava, chegou Judas, um dos doze, e com ele uma grande multidão com espadas e porretes, enviada pelos chefes dos sacerdotes e pelos anciãos do povo.
26:48 O que o entregava havia lhes dado um sinal, dizendo: “Aquele que eu beijar é ele. Prendam-no”.
26:49 Logo se aproximou de Jesus e disse: “Salve, Rabi!” E o beijou.
26:50 Mas Jesus lhe disse: “Amigo, faça o que veio fazer”. Então eles se aproximaram, puseram as mãos em Jesus e o prenderam.
26:51 Um dos que estavam com Jesus estendeu a mão, puxou a sua espada e feriu o servo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha.
26:52 Então Jesus lhe disse: “Ponha a sua espada de volta no lugar, pois todos os que tomam a espada morrerão pela espada.
26:53 Ou você acha que não posso pedir a meu Pai, que poria agora mesmo à minha disposição mais de doze legiões de anjos?
26:54 Mas como se cumpririam as Escrituras, segundo as quais isso deve acontecer assim?”
26:55 Naquela hora, Jesus disse às multidões: “Vocês saíram com espadas e porretes para me prender, como se eu fosse um bandido? Todos os dias eu me sentava no templo para ensinar, e vocês não me prenderam.
26:56 Mas tudo isso aconteceu para que se cumprissem as Escrituras dos profetas”. Então todos os discípulos o abandonaram e fugiram.
26:57 Os que haviam prendido Jesus o levaram a Caifás, o sumo sacerdote, onde estavam reunidos os escribas e os anciãos.
26:58 Pedro o seguia de longe, até o pátio do sumo sacerdote. Entrou e se sentou com os guardas para ver como tudo terminaria.
26:59 Os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho falso contra Jesus, para matá-lo,
26:60 mas não o encontraram, embora muitas testemunhas falsas se apresentassem. Por fim, aproximaram-se duas
26:61 e disseram: “Este disse: ‘Posso destruir o santuário de Deus e reconstruí-lo em três dias’”.
26:62 O sumo sacerdote se levantou e lhe disse: “Você não responde nada? O que estes testemunham contra você?”
26:63 Mas Jesus permanecia em silêncio. O sumo sacerdote lhe disse: “Eu o conjuro pelo Deus vivo: diga-nos se você é o Cristo, o Filho de Deus”.
26:64 Jesus lhe disse: “Você o disse. Contudo, eu lhes digo: de agora em diante, vocês verão o Filho do Homem sentado à direita do Poder e vindo sobre as nuvens do céu”.
26:65 Então o sumo sacerdote rasgou as suas roupas, dizendo: “Ele blasfemou! Para que ainda precisamos de testemunhas? Vejam, vocês acabaram de ouvir a blasfêmia.
26:66 O que vocês acham?” Eles responderam: “Merece a morte”.
26:67 Então cuspiram no rosto dele e lhe deram socos; outros lhe deram tapas,
26:68 dizendo: “Profetize para nós, Cristo: quem bateu em você?”
26:69 Pedro estava sentado do lado de fora, no pátio. Uma criada se aproximou dele e disse: “Você também estava com Jesus, o galileu”.
26:70 Mas ele negou diante de todos, dizendo: “Não sei o que você está dizendo”.
26:71 Quando saiu para a entrada, outra criada o viu e disse aos que estavam ali: “Este estava com Jesus, o nazareno”.
26:72 Ele negou outra vez, sob juramento: “Não conheço esse homem”.
26:73 Pouco depois, os que estavam ali se aproximaram e disseram a Pedro: “Certamente você também é um deles, pois até o seu modo de falar denuncia você”.
26:74 Então começou a amaldiçoar e a jurar: “Não conheço esse homem!” E imediatamente um galo cantou.
26:75 Pedro se lembrou da palavra que Jesus havia dito: “Antes que o galo cante, você me negará três vezes”. E saiu e chorou amargamente.

Capítulo 27
27:1 Ao amanhecer, todos os chefes dos sacerdotes e os anciãos do povo se reuniram para decidir como dar morte a Jesus.
27:2 Amarraram-no, levaram-no e o entregaram a Pilatos, o governador.
27:3 Então Judas, que o havia entregado, ao ver que Jesus fora condenado, sentiu remorso e devolveu as trinta peças de prata aos chefes dos sacerdotes e aos anciãos,
27:4 dizendo: “Pequei ao entregar sangue inocente”. Mas eles disseram: “Que nos importa? Isso é com você!”
27:5 Ele jogou as peças de prata no santuário e se retirou. Depois foi e se enforcou.
27:6 Os chefes dos sacerdotes pegaram as peças de prata e disseram: “Não é permitido colocá-las no cofre das ofertas, pois são preço de sangue”.
27:7 Depois de deliberarem, compraram com elas o campo do oleiro, para sepultar os estrangeiros.
27:8 Por isso aquele campo é chamado Campo de Sangue até o dia de hoje.
27:9 Então se cumpriu o que havia sido dito por meio do profeta Jeremias: “Tomaram as trinta peças de prata, o preço daquele que foi avaliado, a quem os filhos de Israel puseram preço,
27:10 e as deram pelo campo do oleiro, como o Senhor me ordenou”.
27:11 Jesus estava diante do governador, e o governador lhe perguntou: “Você é o rei dos judeus?” Jesus lhe disse: “Você o diz”.
27:12 Mas, quando era acusado pelos chefes dos sacerdotes e pelos anciãos, não respondeu nada.
27:13 Então Pilatos lhe disse: “Você não ouve quantas coisas testemunham contra você?”
27:14 Mas ele não lhe respondeu nem uma palavra, de modo que o governador ficou muito admirado.
27:15 Durante a festa, o governador costumava soltar para a multidão um preso que eles escolhessem.
27:16 Naquele tempo, tinham um preso conhecido, chamado Jesus Barrabás.
27:17 Por isso, quando estavam reunidos, Pilatos lhes disse: “Quem vocês querem que eu solte: Jesus Barrabás ou Jesus, chamado Cristo?”
27:18 Pois sabia que o haviam entregado por inveja.
27:19 Enquanto ele estava sentado no tribunal, sua mulher mandou lhe dizer: “Não tenha nada a ver com esse justo, pois hoje sofri muito num sonho por causa dele”.
27:20 Mas os chefes dos sacerdotes e os anciãos convenceram as multidões a pedir Barrabás e a dar morte a Jesus.
27:21 O governador lhes perguntou: “Qual dos dois vocês querem que eu solte?” Eles disseram: “Barrabás”.
27:22 Pilatos lhes disse: “O que farei, então, com Jesus, chamado Cristo?” Todos disseram: “Que seja crucificado!”
27:23 Ele perguntou: “Mas que mal ele fez?” Porém gritavam ainda mais: “Que seja crucificado!”
27:24 Ao ver que nada conseguia, mas que o tumulto aumentava, Pilatos pegou água e lavou as mãos diante da multidão, dizendo: “Sou inocente deste sangue. Isso é com vocês!”
27:25 Todo o povo respondeu: “Que o sangue dele caia sobre nós e sobre nossos filhos!”
27:26 Então soltou Barrabás para eles e, depois de mandar açoitar Jesus, o entregou para ser crucificado.
27:27 Então os soldados do governador levaram Jesus para o pretório e reuniram ao redor dele toda a coorte.
27:28 Tiraram a roupa dele e o cobriram com uma capa escarlate.
27:29 Trançaram uma coroa de espinhos, colocaram-na na cabeça dele e puseram uma cana na sua mão direita. Então se ajoelharam diante dele e zombaram, dizendo: “Salve, rei dos judeus!”
27:30 Cuspiram nele, pegaram a cana e batiam na cabeça dele.
27:31 Depois de zombarem dele, tiraram-lhe a capa, vestiram-no com as suas roupas e o levaram para ser crucificado.
27:32 Ao saírem, encontraram um homem de Cirene, chamado Simão, e o obrigaram a carregar a cruz de Jesus.
27:33 Quando chegaram a um lugar chamado Gólgota, que significa Lugar da Caveira,
27:34 deram-lhe vinho misturado com fel para beber. Mas ele, depois de provar, não quis beber.
27:35 Depois de o crucificarem, repartiram as suas roupas, lançando sortes,
27:36 e, sentados, ficaram ali vigiando-o.
27:37 Acima da cabeça dele, colocaram por escrito a acusação contra ele: “Este é Jesus, o rei dos judeus”.
27:38 Então foram crucificados com ele dois bandidos, um à direita e outro à esquerda.
27:39 Os que passavam o insultavam, balançando as cabeças
27:40 e dizendo: “Você que destrói o santuário e o reconstrói em três dias, salve a si mesmo! Se você é o Filho de Deus, desça da cruz!”
27:41 Do mesmo modo, os chefes dos sacerdotes, com os escribas e os anciãos, zombavam e diziam:
27:42 “Salvou outros; a si mesmo não pode salvar. É rei de Israel! Que desça agora da cruz, e creremos nele.
27:43 Confiou em Deus; que Deus o livre agora, se lhe quer bem, pois disse: ‘Sou Filho de Deus’”.
27:44 E os bandidos crucificados com ele também o insultavam da mesma maneira.
27:45 Do meio-dia até as três da tarde, houve trevas sobre toda a terra.
27:46 Por volta das três da tarde, Jesus clamou em alta voz: “Eli, Eli, lemá sabactâni?”, que significa: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”
27:47 Alguns dos que estavam ali, ao ouvirem isso, diziam: “Este está chamando Elias”.
27:48 Imediatamente um deles correu, pegou uma esponja, embebeu-a em vinagre, colocou-a numa cana e lhe dava de beber.
27:49 Mas os outros diziam: “Espere! Vamos ver se Elias vem salvá-lo”.
27:50 Jesus clamou novamente em alta voz e entregou o espírito.
27:51 E eis que o véu do santuário se rasgou de cima a baixo, em duas partes. A terra tremeu, e as rochas se partiram.
27:52 Os sepulcros se abriram, e muitos corpos dos santos que haviam adormecido foram ressuscitados.
27:53 E, saindo dos sepulcros depois da ressurreição dele, entraram na cidade santa e apareceram a muitos.
27:54 O centurião e os que com ele vigiavam Jesus, ao verem o terremoto e o que havia acontecido, ficaram com muito medo e disseram: “Verdadeiramente este era o Filho de Deus”.
27:55 Havia ali muitas mulheres observando de longe. Elas haviam seguido Jesus desde a Galileia, servindo-o.
27:56 Entre elas estavam Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e de José, e a mãe dos filhos de Zebedeu.
27:57 Ao entardecer, chegou um homem rico de Arimateia, chamado José, que também se havia tornado discípulo de Jesus.
27:58 Ele foi a Pilatos e pediu o corpo de Jesus. Então Pilatos ordenou que lhe fosse entregue.
27:59 José pegou o corpo, envolveu-o num lençol limpo
27:60 e o colocou no seu próprio sepulcro novo, que havia escavado na rocha. Rolou uma grande pedra para a entrada do sepulcro e foi embora.
27:61 Maria Madalena e a outra Maria estavam ali sentadas, diante do sepulcro.
27:62 No dia seguinte, depois da Preparação, os chefes dos sacerdotes e os fariseus se reuniram diante de Pilatos
27:63 e disseram: “Senhor, lembramos que aquele enganador, quando ainda estava vivo, disse: ‘Depois de três dias ressuscitarei’.
27:64 Portanto, ordene que o sepulcro fique seguro até o terceiro dia, para que os seus discípulos não venham, o roubem e digam ao povo: ‘Ressuscitou dentre os mortos’. E assim o último engano será pior do que o primeiro”.
27:65 Pilatos lhes disse: “Vocês têm uma guarda. Vão e deixem o sepulcro seguro o melhor que souberem”.
27:66 Eles foram e puseram o sepulcro em segurança, selando a pedra e colocando a guarda.

Capítulo 28
28:1 Depois do sábado, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver o sepulcro.
28:2 E eis que houve um grande terremoto, pois um anjo do Senhor desceu do céu, aproximou-se, rolou a pedra e se sentou sobre ela.
28:3 Seu aspecto era como um relâmpago, e sua roupa, branca como a neve.
28:4 Os guardas tremeram de medo dele e ficaram como mortos.
28:5 Mas o anjo disse às mulheres: “Vocês não tenham medo, pois sei que procuram Jesus, que foi crucificado.
28:6 Ele não está aqui, pois ressuscitou, como havia dito. Venham ver o lugar onde ele estava deitado.
28:7 Vão depressa e digam aos seus discípulos que ele ressuscitou dentre os mortos. E vejam: ele vai à frente de vocês para a Galileia. Ali vocês o verão. Eis que eu lhes disse”.
28:8 Elas saíram depressa do sepulcro, com medo e grande alegria, e correram para anunciar aos discípulos dele.
28:9 E eis que Jesus foi ao encontro delas e disse: “Saudações!” Elas se aproximaram, abraçaram os pés dele e o adoraram.
28:10 Então Jesus lhes disse: “Não tenham medo. Vão anunciar aos meus irmãos que se dirijam à Galileia; ali me verão”.
28:11 Enquanto elas iam, alguns da guarda foram à cidade e anunciaram aos chefes dos sacerdotes tudo o que havia acontecido.
28:12 Estes se reuniram com os anciãos e, depois de deliberarem, deram uma boa quantia de dinheiro aos soldados,
28:13 dizendo: “Digam: ‘Os discípulos dele vieram de noite e o roubaram enquanto nós dormíamos’.
28:14 E, se isso chegar aos ouvidos do governador, nós o convenceremos e livraremos vocês de preocupação”.
28:15 Eles receberam o dinheiro e fizeram como haviam sido instruídos. E essa história se espalhou entre os judeus até o dia de hoje.
28:16 Os onze discípulos foram para a Galileia, para o monte que Jesus lhes havia indicado.
28:17 Quando o viram, o adoraram; mas alguns duvidaram.
28:18 Jesus se aproximou e lhes falou, dizendo: “Toda a autoridade me foi dada no céu e na terra.
28:19 Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo,
28:20 ensinando-os a guardar tudo o que ordenei a vocês. E eis que estou com vocês todos os dias, até o fim da era”.

MARCOS

Capítulo 1
1:1 Princípio do evangelho de Jesus Cristo.
1:2 Como está escrito no profeta Isaías:
 “Eis que envio o meu mensageiro à tua frente;
   ele preparará o teu caminho.
1:3 Voz do que clama no deserto: ‘Preparem o caminho do Senhor, tornem retas as suas veredas’”.
1:4 João Batista apareceu no deserto, proclamando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados.
1:5 Toda a região da Judeia e todos os habitantes de Jerusalém iam até ele e eram batizados por ele no rio Jordão, confessando os seus pecados.
1:6 João vestia roupa de pelos de camelo e um cinto de couro em volta da cintura, e comia gafanhotos e mel silvestre.
1:7 Ele proclamava: “Depois de mim vem aquele que é mais poderoso do que eu, de quem não sou digno de me abaixar para desamarrar a correia das sandálias.
1:8 Eu batizei vocês com água, mas ele os batizará com o Espírito Santo”.
1:9 Naqueles dias, Jesus veio de Nazaré da Galileia e foi batizado por João no Jordão.
1:10 Assim que saiu da água, viu os céus se rasgando e o Espírito descendo sobre ele como uma pomba.
1:11 E veio uma voz dos céus: “Tu és o meu Filho amado; em ti me agrado”.
1:12 Logo o Espírito o impeliu para o deserto.
1:13 Ele esteve no deserto quarenta dias, sendo tentado por Satanás. Estava com as feras, e os anjos o serviam.
1:14 Depois que João foi entregue, Jesus foi para a Galileia, proclamando o evangelho de Deus
1:15 e dizendo: “O tempo se cumpriu, e o reino de Deus se aproximou. Arrependam-se e creiam no evangelho”.
1:16 Ao passar junto ao mar da Galileia, viu Simão e André, irmão de Simão, lançando redes no mar, pois eram pescadores.
1:17 Jesus lhes disse: “Venham após mim, e farei com que se tornem pescadores de homens”.
1:18 Imediatamente deixaram as redes e o seguiram.
1:19 Indo um pouco mais adiante, viu Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão dele, que também estavam no barco consertando as redes.
1:20 Logo os chamou, e eles deixaram seu pai Zebedeu no barco com os empregados e foram após ele.
1:21 Entraram em Cafarnaum, e logo, no sábado, Jesus ensinava na sinagoga.
1:22 As pessoas se admiravam do seu ensino, pois ele as ensinava como quem tem autoridade, e não como os escribas.
1:23 Naquele momento, estava na sinagoga deles um homem com um espírito impuro, que gritou,
1:24 dizendo: “O que você tem conosco, Jesus Nazareno? Veio nos destruir? Sei quem você é: o Santo de Deus!”
1:25 Jesus o repreendeu, dizendo: “Cale-se e saia dele!”
1:26 O espírito impuro sacudiu o homem violentamente e, dando um forte grito, saiu dele.
1:27 Todos ficaram espantados, a ponto de discutirem entre si, dizendo: “O que é isto? Um ensino novo! Com autoridade ordena até aos espíritos impuros, e eles lhe obedecem”.
1:28 Logo a sua fama se espalhou por toda parte, por toda a região da Galileia.
1:29 Assim que saíram da sinagoga, foram à casa de Simão e André, com Tiago e João.
1:30 A sogra de Simão estava deitada com febre, e logo lhe falaram dela.
1:31 Ele se aproximou, tomou-a pela mão e a levantou. A febre a deixou, e ela passou a servi-los.
1:32 Ao entardecer, quando o sol se pôs, levavam até ele todos os doentes e os endemoninhados.
1:33 Toda a cidade estava reunida à porta.
1:34 Ele curou muitos que sofriam de diversas doenças e expulsou muitos demônios; não deixava os demônios falar, pois o conheciam.
1:35 De madrugada, quando ainda estava muito escuro, ele se levantou, saiu e foi para um lugar deserto, onde orava.
1:36 Simão e os que estavam com ele foram à sua procura.
1:37 Quando o encontraram, lhe disseram: “Todos estão procurando você”.
1:38 Ele lhes disse: “Vamos a outro lugar, aos povoados vizinhos, para que eu pregue também ali, pois foi para isso que saí”.
1:39 E foi por toda a Galileia, pregando nas sinagogas deles e expulsando os demônios.
1:40 Um leproso se aproximou dele, suplicando de joelhos: “Se queres, podes me purificar”.
1:41 Indignado, ele estendeu a mão, tocou no homem e lhe disse: “Quero. Fique limpo!”
1:42 Imediatamente a lepra o deixou, e ele ficou limpo.
1:43 Jesus o despediu logo, com uma advertência severa,
1:44 e lhe disse: “Veja, não diga nada a ninguém; vá se apresentar ao sacerdote e ofereça pela sua purificação o que Moisés ordenou, como testemunho a eles”.
1:45 Mas ele saiu e começou a anunciar isso amplamente e a espalhar a notícia, de modo que Jesus já não podia entrar publicamente numa cidade. Ficava fora, em lugares desertos, e as pessoas vinham até ele de toda parte.

Capítulo 2
2:1 Alguns dias depois, Jesus entrou novamente em Cafarnaum, e se soube que estava em casa.
2:2 Reuniram-se tantas pessoas que já não havia espaço nem junto à porta, e ele lhes anunciava a palavra.
2:3 Vieram trazer-lhe um paralítico, carregado por quatro pessoas.
2:4 Como não podiam levá-lo até Jesus por causa da multidão, destelharam o teto acima de onde ele estava e, depois de abrirem um buraco, baixaram a maca em que o paralítico estava deitado.
2:5 Ao ver a fé deles, Jesus disse ao paralítico: “Filho, os seus pecados estão perdoados”.
2:6 Alguns escribas estavam ali sentados, pensando nos seus corações:
2:7 “Por que este fala assim? Está blasfemando! Quem pode perdoar pecados, a não ser somente Deus?”
2:8 Logo Jesus percebeu em seu espírito que eles pensavam assim e lhes disse: “Por que vocês pensam essas coisas nos seus corações?
2:9 O que é mais fácil: dizer ao paralítico ‘Os seus pecados estão perdoados’ ou dizer ‘Levante-se, pegue a sua maca e ande’?
2:10 Mas, para que vocês saibam que o Filho do Homem tem autoridade na terra para perdoar pecados — disse ao paralítico —,
2:11 eu digo a você: levante-se, pegue a sua maca e vá para casa”.
2:12 Ele se levantou, pegou logo a maca e saiu diante de todos, de modo que todos ficaram maravilhados e glorificavam a Deus, dizendo: “Nunca vimos uma coisa assim!”
2:13 Jesus saiu novamente para a beira do mar. Toda a multidão ia até ele, e ele os ensinava.
2:14 Ao passar, viu Levi, filho de Alfeu, sentado na coletoria de impostos, e lhe disse: “Siga-me”. Ele se levantou e o seguiu.
2:15 Enquanto Jesus estava à mesa na casa dele, muitos cobradores de impostos e pecadores estavam à mesa com Jesus e seus discípulos, pois eram muitos e o seguiam.
2:16 Os escribas dos fariseus, vendo que ele comia com os pecadores e cobradores de impostos, diziam aos seus discípulos: “Por que ele come com cobradores de impostos e pecadores?”
2:17 Ao ouvir isso, Jesus lhes disse: “Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes. Não vim chamar justos, mas pecadores”.
2:18 Os discípulos de João e os fariseus estavam jejuando. Vieram e lhe perguntaram: “Por que os discípulos de João e os discípulos dos fariseus jejuam, mas os seus discípulos não jejuam?”
2:19 Jesus lhes disse: “Podem os convidados do casamento jejuar enquanto o noivo está com eles? Enquanto têm o noivo com eles, não podem jejuar.
2:20 Mas virão dias em que o noivo será tirado deles, e então, naquele dia, jejuarão.
2:21 Ninguém costura um remendo de pano que ainda não encolheu numa roupa velha. Se o fizer, o remendo novo arranca parte da roupa velha, e o rasgo fica pior.
2:22 E ninguém põe vinho novo em odres velhos. Se o fizer, o vinho romperá os odres, e tanto o vinho como os odres se perderão. Mas vinho novo se põe em odres novos”.
2:23 Num sábado, Jesus passava pelos campos semeados, e os seus discípulos, enquanto caminhavam, começaram a arrancar espigas.
2:24 Os fariseus lhe diziam: “Veja, por que eles fazem no sábado o que não é permitido?”
2:25 Ele lhes disse: “Vocês nunca leram o que Davi fez quando passou necessidade e teve fome, ele e os que estavam com ele?
2:26 Como entrou na casa de Deus, no tempo de Abiatar, sumo sacerdote, comeu os pães da Presença, que só aos sacerdotes é permitido comer, e deu também aos que estavam com ele?”
2:27 E lhes dizia: “O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado.
2:28 Assim, o Filho do Homem é Senhor também do sábado”.

Capítulo 3
3:1 Jesus entrou novamente numa sinagoga. Havia ali um homem com uma mão atrofiada.
3:2 Observavam Jesus para ver se curaria o homem no sábado, a fim de acusá-lo.
3:3 Ele disse ao homem que tinha a mão atrofiada: “Levante-se e venha para o meio”.
3:4 Então lhes perguntou: “É permitido no sábado fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou matar?” Mas eles ficaram em silêncio.
3:5 Ele olhou ao redor para eles com ira, entristecido pela dureza do coração deles, e disse ao homem: “Estenda a mão”. Ele a estendeu, e a sua mão foi restaurada.
3:6 Os fariseus saíram e logo começaram a tramar com os herodianos contra Jesus, para ver como o matariam.
3:7 Jesus se retirou com os seus discípulos para junto do mar, e uma grande multidão da Galileia o seguiu. Também da Judeia,
3:8 de Jerusalém, da Idumeia, do outro lado do Jordão e dos arredores de Tiro e Sidom veio até ele uma grande multidão, ao ouvir tudo o que ele fazia.
3:9 Ele disse aos seus discípulos que deixassem um pequeno barco à sua disposição, por causa da multidão, para que não o apertassem.
3:10 Pois havia curado muitos, de modo que todos os que sofriam de doenças se lançavam sobre ele para tocá-lo.
3:11 Os espíritos impuros, quando o viam, se prostravam diante dele e gritavam: “Você é o Filho de Deus!”
3:12 Mas ele os repreendia com firmeza, para que não o tornassem conhecido.
3:13 Jesus subiu ao monte e chamou os que ele quis; eles foram até ele.
3:14 Designou doze para que estivessem com ele e para enviá-los a pregar
3:15 e para que tivessem autoridade para expulsar os demônios.
3:16 Designou os Doze: Simão, a quem deu o nome de Pedro;
3:17 Tiago, filho de Zebedeu, e João, irmão de Tiago, aos quais deu o nome de Boanerges, que significa Filhos do Trovão;
3:18 André, Filipe, Bartolomeu, Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Tadeu, Simão, o Zelote,
3:19 e Judas Iscariotes, que o entregou.
3:20 Jesus entrou numa casa, e novamente se reuniu a multidão, de modo que eles não podiam nem comer pão.
3:21 Quando os seus souberam disso, saíram para segurá-lo, pois diziam: “Está fora de si”.
3:22 Os escribas que haviam descido de Jerusalém diziam: “Ele tem Belzebul” e “É pelo príncipe dos demônios que ele expulsa os demônios”.
3:23 Jesus os chamou e lhes falava em parábolas: “Como pode Satanás expulsar Satanás?
3:24 Se um reino se dividir contra si mesmo, esse reino não pode permanecer de pé.
3:25 E, se uma casa se dividir contra si mesma, essa casa não poderá permanecer de pé.
3:26 Se Satanás se levantou contra si mesmo e está dividido, não pode permanecer de pé, mas chegou ao fim.
3:27 Mas ninguém pode entrar na casa do homem forte e saquear os seus bens sem primeiro amarrar o homem forte; então saqueará a sua casa.
3:28 Em verdade lhes digo que serão perdoados aos seres humanos todos os pecados e todas as blasfêmias que proferirem.
3:29 Mas quem blasfemar contra o Espírito Santo jamais terá perdão; é culpado de um pecado eterno”.
3:30 Isso porque diziam: “Ele tem um espírito impuro”.
3:31 Chegaram a mãe dele e os seus irmãos e, ficando do lado de fora, mandaram chamá-lo.
3:32 Uma multidão estava sentada ao redor dele, e lhe disseram: “Veja, a sua mãe e os seus irmãos estão lá fora procurando você”.
3:33 Ele lhes respondeu: “Quem é minha mãe ou quem são meus irmãos?”
3:34 Olhando ao redor para os que estavam sentados em círculo à sua volta, disse: “Eis minha mãe e meus irmãos!
3:35 Pois quem fizer a vontade de Deus, esse é meu irmão, minha irmã e minha mãe”.

Capítulo 4
4:1 Jesus começou novamente a ensinar à beira do mar. Reuniu-se junto dele uma multidão tão grande que ele entrou num barco e se sentou nele, no mar, enquanto toda a multidão ficava em terra, junto ao mar.
4:2 Ele lhes ensinava muitas coisas por parábolas e lhes dizia no seu ensino:
4:3 “Escutem! Eis que o semeador saiu a semear.
4:4 Enquanto semeava, uma parte da semente caiu à beira do caminho; as aves vieram e a comeram.
4:5 Outra parte caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra, e brotou logo, porque a terra não era profunda.
4:6 Quando o sol nasceu, ela foi queimada e, por não ter raiz, secou.
4:7 Outra parte caiu entre os espinhos; os espinhos cresceram e a sufocaram, e ela não deu fruto.
4:8 Outras sementes caíram em boa terra e davam fruto, brotando e crescendo; produziam trinta, sessenta e cem por um”.
4:9 E dizia: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça”.
4:10 Quando ficou a sós, os que estavam ao redor dele, junto com os Doze, lhe perguntavam sobre as parábolas.
4:11 Ele lhes dizia: “A vocês foi dado o mistério do reino de Deus; mas aos de fora tudo se apresenta em parábolas,
4:12 para que, vendo, vejam e não percebam e, ouvindo, ouçam e não entendam, para que não se voltem e sejam perdoados”.
4:13 E lhes disse: “Vocês não entendem esta parábola? Como compreenderão todas as parábolas?
4:14 O semeador semeia a palavra.
4:15 Estes são os que estão à beira do caminho, onde a palavra é semeada: quando a ouvem, logo vem Satanás e tira a palavra semeada neles.
4:16 Da mesma forma, estes são os semeados em terreno pedregoso: quando ouvem a palavra, logo a recebem com alegria,
4:17 mas não têm raiz em si mesmos e duram pouco tempo. Depois, quando vem aflição ou perseguição por causa da palavra, logo tropeçam.
4:18 Outros são os semeados entre os espinhos: são os que ouviram a palavra,
4:19 mas as preocupações desta era, o engano das riquezas e os desejos por outras coisas entram e sufocam a palavra, e ela se torna infrutífera.
4:20 E estes são os semeados em boa terra: ouvem a palavra, a acolhem e dão fruto, trinta, sessenta e cem por um”.
4:21 Ele lhes dizia: “Acaso se traz uma lamparina para colocá-la debaixo de um cesto ou da cama? Não é para colocá-la no suporte?
4:22 Pois nada está oculto senão para ser revelado, e nada foi escondido senão para vir à luz.
4:23 Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça”.
4:24 E lhes dizia: “Prestem atenção ao que vocês ouvem. Com a medida com que medirem, vocês serão medidos, e ainda lhes será acrescentado.
4:25 Pois a quem tem será dado; e de quem não tem será tirado até o que tem”.
4:26 E dizia: “O reino de Deus é como um homem que lança a semente na terra.
4:27 Ele dorme e se levanta, de noite e de dia, e a semente brota e cresce sem que ele saiba como.
4:28 A terra produz fruto por si mesma: primeiro o broto, depois a espiga e, por fim, o grão cheio na espiga.
4:29 Quando o fruto está pronto, logo ele passa a foice, pois chegou a colheita”.
4:30 E dizia: “Como compararemos o reino de Deus ou com que parábola o representaremos?
4:31 É como um grão de mostarda, que, ao ser semeado na terra, é menor do que todas as sementes que há na terra.
4:32 Mas, depois de semeado, cresce e se torna maior do que todas as hortaliças, e faz grandes ramos, de modo que as aves do céu podem se abrigar à sua sombra”.
4:33 Com muitas parábolas assim, ele lhes anunciava a palavra, conforme podiam ouvir.
4:34 Não lhes falava sem parábolas; mas, em particular, explicava tudo aos seus próprios discípulos.
4:35 Naquele dia, ao entardecer, ele lhes disse: “Passemos para o outro lado”.
4:36 Deixaram a multidão e o levaram consigo, assim como estava, no barco; outros barcos também estavam com ele.
4:37 Levantou-se uma grande tempestade de vento, e as ondas se lançavam para dentro do barco, de modo que ele já estava se enchendo.
4:38 Jesus estava na popa, dormindo sobre uma almofada. Eles o acordaram e lhe disseram: “Mestre, não se importa que estejamos perecendo?”
4:39 Ele acordou, repreendeu o vento e disse ao mar: “Silêncio! Cale-se!” O vento cessou, e houve uma grande calmaria.
4:40 Então lhes disse: “Por que vocês estão com medo? Ainda não têm fé?”
4:41 Eles ficaram com grande temor e diziam uns aos outros: “Quem é este, que até o vento e o mar lhe obedecem?”

Capítulo 5
5:1 Chegaram ao outro lado do mar, à região dos gerasenos.
5:2 Assim que Jesus saiu do barco, veio ao seu encontro, dos sepulcros, um homem com um espírito impuro.
5:3 Ele morava nos sepulcros, e já ninguém conseguia prendê-lo, nem mesmo com uma corrente,
5:4 pois muitas vezes o haviam prendido com grilhões e correntes, mas ele arrebentava as correntes e despedaçava os grilhões. Ninguém tinha força para dominá-lo.
5:5 Continuamente, de noite e de dia, ele estava nos sepulcros e nos montes, gritando e se ferindo com pedras.
5:6 Ao ver Jesus de longe, correu e se prostrou diante dele,
5:7 gritando em alta voz: “O que você tem comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Eu o conjuro por Deus: não me atormente!”
5:8 Pois Jesus lhe dizia: “Espírito impuro, saia desse homem!”
5:9 Jesus lhe perguntou: “Qual é o seu nome?” Ele lhe disse: “Meu nome é Legião, porque somos muitos”.
5:10 E lhe suplicava insistentemente que não os enviasse para fora daquela região.
5:11 Havia ali, junto ao monte, uma grande manada de porcos pastando.
5:12 Eles lhe suplicaram, dizendo: “Envie-nos para os porcos, para que entremos neles”.
5:13 Ele permitiu. Os espíritos impuros saíram e entraram nos porcos, e a manada, de cerca de dois mil, se precipitou pelo despenhadeiro para dentro do mar, onde se afogaram.
5:14 Os que cuidavam dos porcos fugiram e anunciaram o ocorrido na cidade e nos campos. As pessoas foram ver o que havia acontecido.
5:15 Chegaram até Jesus e viram o endemoninhado, que tivera a legião, sentado, vestido e em seu perfeito juízo; e ficaram com medo.
5:16 Os que tinham visto contaram a eles o que havia acontecido ao endemoninhado e aos porcos.
5:17 Então começaram a suplicar a Jesus que saísse do território deles.
5:18 Quando ele entrava no barco, o homem que havia estado endemoninhado lhe suplicava que o deixasse ficar com ele.
5:19 Jesus não permitiu, mas lhe disse: “Vá para sua casa, para os seus, e anuncie a eles tudo o que o Senhor fez por você e como teve misericórdia de você”.
5:20 Ele foi e começou a proclamar na Decápolis tudo o que Jesus havia feito por ele, e todos se admiravam.
5:21 Jesus atravessou novamente de barco para o outro lado, e uma grande multidão se reuniu junto dele. Ele estava à beira do mar.
5:22 Chegou um dos dirigentes da sinagoga, chamado Jairo; ao vê-lo, caiu aos seus pés
5:23 e lhe suplicava insistentemente, dizendo: “Minha filhinha está à morte. Vem e põe as mãos sobre ela, para que seja curada e viva”.
5:24 Jesus foi com ele. Uma grande multidão o seguia e o apertava.
5:25 Uma mulher sofria de um fluxo de sangue havia doze anos.
5:26 Ela havia sofrido muito com muitos médicos e gastado tudo o que tinha, sem melhorar em nada; pelo contrário, ficava cada vez pior.
5:27 Ao ouvir falar de Jesus, veio por trás, no meio da multidão, e tocou no manto dele.
5:28 Pois dizia: “Se eu tocar ao menos nas roupas dele, ficarei curada”.
5:29 Imediatamente a fonte do sangue dela secou, e ela percebeu no seu corpo que estava curada daquele mal.
5:30 Logo Jesus percebeu em si mesmo que dele havia saído poder. Voltou-se no meio da multidão e perguntou: “Quem tocou nas minhas roupas?”
5:31 Seus discípulos lhe diziam: “Você vê a multidão apertando você e pergunta: ‘Quem me tocou?’”
5:32 Mas ele olhava ao redor para ver a mulher que havia feito aquilo.
5:33 Então a mulher, com medo e tremendo, sabendo o que lhe havia acontecido, veio, prostrou-se diante dele e lhe contou toda a verdade.
5:34 Ele lhe disse: “Filha, a sua fé a salvou. Vá em paz e fique curada do seu mal”.
5:35 Enquanto ele ainda falava, chegaram alguns da casa do dirigente da sinagoga, dizendo: “A sua filha morreu. Por que ainda incomoda o Mestre?”
5:36 Jesus, sem dar atenção ao que se dizia, falou ao dirigente da sinagoga: “Não tenha medo; apenas creia”.
5:37 Não permitiu que ninguém o acompanhasse, a não ser Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago.
5:38 Chegaram à casa do dirigente da sinagoga, e ele viu o alvoroço e os que choravam e se lamentavam em alta voz.
5:39 Ao entrar, lhes disse: “Por que vocês fazem alvoroço e choram? A criança não morreu; está dormindo”.
5:40 Eles riam dele. Mas ele pôs todos para fora, levou consigo o pai e a mãe da criança e os que estavam com ele, e entrou onde a criança estava.
5:41 Tomou a mão da criança e lhe disse: “Talitá cum”, que traduzido significa: “Menina, eu digo a você: levante-se!”
5:42 Imediatamente a menina se levantou e começou a andar, pois tinha doze anos. E logo ficaram tomados de grande espanto.
5:43 Ele lhes ordenou com insistência que ninguém soubesse daquilo e disse que dessem de comer à menina.

Capítulo 6
6:1 Jesus saiu dali e foi para sua terra, e os seus discípulos o seguiam.
6:2 Quando chegou o sábado, começou a ensinar na sinagoga. Muitos dos que o ouviam se admiravam, dizendo: “De onde lhe vêm essas coisas? Que sabedoria é essa que lhe foi dada? E esses milagres realizados por suas mãos?
6:3 Não é este o carpinteiro, filho de Maria e irmão de Tiago, Josés, Judas e Simão? As irmãs dele não estão aqui conosco?” E tropeçavam por causa dele.
6:4 Jesus lhes dizia: “Um profeta só fica sem honra em sua terra, entre os seus parentes e em sua casa”.
6:5 Ali não pôde fazer nenhum milagre, a não ser curar alguns poucos doentes, impondo-lhes as mãos.
6:6 E se admirava da incredulidade deles. Percorria as aldeias ao redor, ensinando.
6:7 Chamou os Doze e começou a enviá-los de dois em dois, dando-lhes autoridade sobre os espíritos impuros.
6:8 Ordenou-lhes que não levassem nada para o caminho, a não ser um cajado: nem pão, nem bolsa, nem moedas de cobre no cinto;
6:9 que calçassem sandálias e não vestissem duas túnicas.
6:10 Ele lhes dizia: “Quando entrarem numa casa, fiquem ali até partirem daquele lugar.
6:11 Se algum lugar não receber vocês nem os ouvir, ao saírem dali sacudam o pó de debaixo dos seus pés, como testemunho a eles”.
6:12 Eles saíram e proclamaram que as pessoas se arrependessem.
6:13 Expulsavam muitos demônios, ungiam muitos doentes com óleo e os curavam.
6:14 O rei Herodes ouviu falar de Jesus, pois o seu nome se havia tornado conhecido. Alguns diziam: “João Batista ressuscitou dentre os mortos, e por isso esses poderes atuam nele”.
6:15 Outros diziam: “É Elias”. E outros diziam: “É um profeta como um dos profetas”.
6:16 Mas Herodes, ao ouvir isso, dizia: “João, a quem eu decapitei, ressuscitou”.
6:17 Pois o próprio Herodes havia mandado prender João e o acorrentara na prisão por causa de Herodias, mulher de Filipe, seu irmão, pois havia se casado com ela.
6:18 João dizia a Herodes: “Não é permitido a você ter a mulher do seu irmão”.
6:19 Herodias guardava rancor contra João e queria matá-lo, mas não podia,
6:20 pois Herodes temia João, sabendo que era um homem justo e santo, e o protegia. Quando o ouvia, ficava muito perplexo, mas gostava de ouvi-lo.
6:21 Chegou um dia oportuno: no seu aniversário, Herodes ofereceu um jantar aos seus altos funcionários, aos comandantes militares e aos principais da Galileia.
6:22 A filha da própria Herodias entrou e dançou, agradando a Herodes e aos que estavam à mesa com ele. O rei disse à jovem: “Peça-me o que quiser, e eu lhe darei”.
6:23 E lhe jurou: “Tudo o que você me pedir eu lhe darei, até a metade do meu reino”.
6:24 Ela saiu e perguntou à mãe: “O que devo pedir?” A mãe disse: “A cabeça de João Batista”.
6:25 Logo a jovem entrou apressadamente na presença do rei e pediu: “Quero que você me dê agora mesmo, num prato, a cabeça de João Batista”.
6:26 O rei ficou profundamente triste, mas, por causa dos juramentos e dos que estavam à mesa, não quis negar o pedido dela.
6:27 Logo o rei enviou um executor, com a ordem de trazer a cabeça de João. Ele foi e o decapitou na prisão,
6:28 trouxe a cabeça dele num prato e a deu à jovem, que a entregou à mãe.
6:29 Quando os discípulos de João souberam disso, foram, levaram o seu cadáver e o colocaram num sepulcro.
6:30 Os apóstolos se reuniram com Jesus e lhe contaram tudo o que haviam feito e tudo o que haviam ensinado.
6:31 Ele lhes disse: “Venham vocês a sós para um lugar deserto e descansem um pouco”. Pois eram muitos os que iam e vinham, e eles não tinham tempo nem para comer.
6:32 Então foram a sós, no barco, para um lugar deserto.
6:33 Muitos os viram partir e os reconheceram. De todas as cidades correram juntos para lá, a pé, e chegaram antes deles.
6:34 Ao desembarcar, Jesus viu uma grande multidão e teve compaixão deles, pois eram como ovelhas sem pastor. E começou a lhes ensinar muitas coisas.
6:35 Como já era muito tarde, seus discípulos se aproximaram dele e disseram: “O lugar é deserto e já é muito tarde.
6:36 Mande-os embora, para que vão aos campos e aldeias ao redor e comprem algo para comer”.
6:37 Ele lhes respondeu: “Deem vocês de comer a eles”. E lhe disseram: “Vamos comprar duzentos denários de pão para dar de comer a eles?”
6:38 Ele lhes perguntou: “Quantos pães vocês têm? Vão ver”. Depois de verificarem, disseram: “Cinco, e dois peixes”.
6:39 Então lhes ordenou que fizessem todos se sentar em grupos sobre a grama verde.
6:40 Sentaram-se em grupos de cem e de cinquenta.
6:41 Ele pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos para o céu, pronunciou a bênção e partiu os pães. Ia dando-os aos seus discípulos para que os servissem à multidão, e repartiu os dois peixes entre todos.
6:42 Todos comeram e ficaram satisfeitos.
6:43 Recolheram doze cestos cheios de pedaços, e também sobras dos peixes.
6:44 Os que comeram os pães eram cinco mil homens.
6:45 Logo Jesus obrigou os seus discípulos a entrarem no barco e irem à frente dele para o outro lado, em direção a Betsaida, enquanto ele despedia a multidão.
6:46 Depois de se despedir deles, foi ao monte para orar.
6:47 Ao entardecer, o barco estava no meio do mar, e ele, sozinho em terra.
6:48 Ao vê-los fatigados de remar, pois o vento lhes era contrário, por volta das três da madrugada foi até eles, andando sobre o mar. E queria passar adiante deles.
6:49 Quando o viram andando sobre o mar, pensaram que era um fantasma e gritaram,
6:50 pois todos o viram e ficaram apavorados. Mas logo ele lhes falou e disse: “Tenham coragem! Sou eu. Não tenham medo!”
6:51 Ele entrou no barco com eles, e o vento cessou. Eles ficaram completamente maravilhados,
6:52 pois não haviam compreendido o que aconteceu com os pães, mas o coração deles estava endurecido.
6:53 Depois de atravessarem, chegaram à terra de Genesaré e atracaram.
6:54 Assim que saíram do barco, as pessoas logo reconheceram Jesus
6:55 e percorreram correndo toda aquela região. Começaram a levar os doentes em macas para onde ouviam que ele estava.
6:56 Onde quer que entrasse, em aldeias, cidades ou campos, colocavam os doentes nas praças e lhe suplicavam que os deixasse tocar ao menos na borda do seu manto. E todos os que o tocavam eram curados.

Capítulo 7
7:1 Os fariseus e alguns escribas vindos de Jerusalém se reuniram junto de Jesus
7:2 e viram que alguns dos seus discípulos comiam pão com as mãos impuras, isto é, sem lavar.
7:3 Pois os fariseus e todos os judeus não comem sem lavar cuidadosamente as mãos, apegando-se à tradição dos anciãos.
7:4 E, ao voltarem do mercado, não comem sem se lavar. Há muitas outras práticas que receberam para observar, como a lavagem de copos, jarros, recipientes de bronze e leitos.
7:5 Os fariseus e os escribas lhe perguntaram: “Por que os seus discípulos não vivem conforme a tradição dos anciãos, mas comem pão com mãos impuras?”
7:6 Ele lhes disse: “Bem profetizou Isaías a respeito de vocês, hipócritas, como está escrito:
 ‘Este povo me honra com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.
7:7 Em vão me adoram, ensinando como doutrinas mandamentos humanos’.
7:8 Vocês abandonam o mandamento de Deus e se apegam à tradição dos homens”.
7:9 E lhes dizia: “Como vocês rejeitam bem o mandamento de Deus para conservar a sua tradição!
7:10 Pois Moisés disse: ‘Honre o seu pai e a sua mãe’ e ‘Quem amaldiçoar pai ou mãe deve morrer’.
7:11 Mas vocês dizem que, se alguém disser ao pai ou à mãe: ‘Tudo o que de mim poderia beneficiar você é corbã, isto é, oferta’,
7:12 já não o deixam fazer nada pelo pai ou pela mãe,
7:13 anulando a palavra de Deus pela tradição que vocês transmitiram. E fazem muitas coisas semelhantes a essas”.
7:14 Jesus chamou novamente a multidão e lhes dizia: “Todos vocês, escutem-me e entendam.
7:15 Nada que vem de fora e entra na pessoa pode torná-la impura; mas as coisas que saem da pessoa é que a tornam impura.
7:16 [Se alguém tem ouvidos para ouvir, ouça”.]
7:17 Quando deixou a multidão e entrou numa casa, os seus discípulos lhe perguntavam sobre a parábola.
7:18 Ele lhes disse: “Também vocês têm tão pouco entendimento? Não compreendem que tudo o que vem de fora e entra na pessoa não pode torná-la impura,
7:19 porque não entra no seu coração, mas no ventre, e vai para a latrina?” Assim, declarava puros todos os alimentos.
7:20 E dizia: “O que sai da pessoa é o que a torna impura.
7:21 Pois de dentro, do coração dos seres humanos, saem os maus pensamentos, as imoralidades sexuais, os roubos, os homicídios,
7:22 os adultérios, as cobiças, as maldades, o engano, a libertinagem, o olho mau, a blasfêmia, a soberba e a insensatez.
7:23 Todos esses males saem de dentro e tornam a pessoa impura”.
7:24 Jesus saiu dali e foi para a região de Tiro. Entrou numa casa e não queria que ninguém soubesse, mas não pôde passar despercebido.
7:25 Logo uma mulher, cuja filhinha tinha um espírito impuro, ouviu falar dele, veio e se prostrou aos seus pés.
7:26 A mulher era grega, siro-fenícia de nascimento, e lhe pedia que expulsasse o demônio da sua filha.
7:27 Ele lhe dizia: “Deixe primeiro os filhos ficarem satisfeitos, pois não é bom tirar o pão dos filhos e jogá-lo aos cachorrinhos”.
7:28 Ela lhe respondeu: “Senhor, também os cachorrinhos debaixo da mesa comem das migalhas das crianças”.
7:29 Ele lhe disse: “Por causa dessa resposta, vá; o demônio saiu da sua filha”.
7:30 Ela foi para sua casa e encontrou a criança deitada na cama, e o demônio havia saído.
7:31 Saindo novamente da região de Tiro, Jesus foi por Sidom até o mar da Galileia, passando pela região da Decápolis.
7:32 Trouxeram-lhe um surdo que tinha dificuldade para falar e lhe suplicaram que pusesse a mão sobre ele.
7:33 Jesus o levou à parte, longe da multidão, colocou os dedos nos ouvidos dele e, depois de cuspir, tocou na língua dele.
7:34 Ergueu os olhos para o céu, suspirou e lhe disse: “Efatá”, que significa: “Abra-se!”
7:35 Os ouvidos dele se abriram, a amarra da sua língua se desfez, e ele falava com clareza.
7:36 Jesus lhes ordenou que não contassem a ninguém; mas, quanto mais lhes ordenava, mais eles o proclamavam.
7:37 Ficavam imensamente admirados e diziam: “Ele fez tudo bem. Faz os surdos ouvir e os mudos falar”.

Capítulo 8
8:1 Naqueles dias, reuniu-se novamente uma grande multidão, e não tinham o que comer. Jesus chamou os discípulos e lhes disse:
8:2 “Tenho compaixão da multidão, pois já faz três dias que estão comigo e não têm o que comer.
8:3 Se eu os mandar para casa em jejum, desfalecerão no caminho; e alguns deles vieram de longe”.
8:4 Seus discípulos lhe responderam: “De onde alguém poderá conseguir pão para satisfazê-los aqui, num lugar deserto?”
8:5 Ele lhes perguntou: “Quantos pães vocês têm?” Eles disseram: “Sete”.
8:6 Então ordenou à multidão que se sentasse no chão. Pegou os sete pães, deu graças, partiu-os e os dava aos seus discípulos para que os servissem; e eles os serviram à multidão.
8:7 Tinham também uns poucos peixinhos. Ele os abençoou e disse que servissem esses também.
8:8 Comeram e ficaram satisfeitos, e recolheram sete cestos grandes com os pedaços que sobraram.
8:9 Eram cerca de quatro mil. Então ele os despediu.
8:10 Logo entrou no barco com os seus discípulos e foi para a região de Dalmanuta.
8:11 Os fariseus vieram e começaram a discutir com ele, pedindo-lhe um sinal do céu para pô-lo à prova.
8:12 Ele suspirou profundamente em seu espírito e disse: “Por que esta geração pede um sinal? Em verdade lhes digo que nenhum sinal será dado a esta geração”.
8:13 Deixou-os, entrou novamente no barco e foi para o outro lado.
8:14 Os discípulos haviam se esquecido de levar pães e só tinham um pão consigo no barco.
8:15 Jesus os advertia, dizendo: “Fiquem atentos! Cuidado com o fermento dos fariseus e com o fermento de Herodes”.
8:16 Eles discutiam entre si por não terem pães.
8:17 Percebendo isso, Jesus lhes disse: “Por que vocês discutem por não terem pães? Ainda não percebem nem entendem? Têm o coração endurecido?
8:18 Vocês têm olhos e não veem, e têm ouvidos e não ouvem? E não se lembram de
8:19 quando parti os cinco pães para os cinco mil? Quantos cestos cheios de pedaços vocês recolheram?” Eles lhe disseram: “Doze”.
8:20 “E, quando parti os sete para os quatro mil, quantos cestos grandes cheios de pedaços vocês recolheram?” Eles lhe disseram: “Sete”.
8:21 E ele lhes dizia: “Ainda não entendem?”
8:22 Chegaram a Betsaida. Trouxeram-lhe um cego e lhe suplicaram que o tocasse.
8:23 Jesus pegou o cego pela mão e o levou para fora da aldeia. Cuspiu nos olhos dele, pôs as mãos sobre ele e lhe perguntou: “Você vê alguma coisa?”
8:24 Ele ergueu os olhos e disse: “Vejo as pessoas; eu as vejo como árvores andando”.
8:25 Então Jesus pôs novamente as mãos nos olhos dele. O homem olhou firmemente, foi restabelecido e via tudo com clareza.
8:26 Jesus o mandou para sua casa, dizendo: “Nem entre na aldeia”.
8:27 Jesus e seus discípulos saíram para as aldeias de Cesareia de Filipe. No caminho, ele perguntava aos seus discípulos: “Quem as pessoas dizem que eu sou?”
8:28 Eles lhe responderam: “João Batista; outros, Elias; e outros, um dos profetas”.
8:29 Então ele lhes perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?” Pedro lhe respondeu: “Você é o Cristo”.
8:30 Ele os advertiu com firmeza para que não falassem a ninguém a respeito dele.
8:31 Começou a lhes ensinar que o Filho do Homem devia sofrer muito, ser rejeitado pelos anciãos, pelos chefes dos sacerdotes e pelos escribas, ser morto e, depois de três dias, ressuscitar.
8:32 Falava disso abertamente. Pedro o levou à parte e começou a repreendê-lo.
8:33 Mas Jesus se voltou, olhou para os seus discípulos e repreendeu Pedro, dizendo: “Vá para trás de mim, Satanás! Pois você não pensa nas coisas de Deus, mas nas dos seres humanos”.
8:34 Chamou a multidão junto com os seus discípulos e lhes disse: “Se alguém quer vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e me siga.
8:35 Pois quem quiser salvar a sua vida a perderá; mas quem perder a sua vida por minha causa e por causa do evangelho a salvará.
8:36 Pois de que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?
8:37 Pois o que o homem poderia dar em troca da sua alma?
8:38 Porque quem se envergonhar de mim e das minhas palavras nesta geração adúltera e pecadora, também o Filho do Homem se envergonhará dele quando vier na glória do seu Pai, com os santos anjos”.

Capítulo 9
9:1 Ele lhes dizia: “Em verdade lhes digo que alguns dos que estão aqui de pé não provarão a morte até verem o reino de Deus chegado com poder”.
9:2 Seis dias depois, Jesus levou consigo Pedro, Tiago e João e os fez subir a um monte alto, a sós, em particular. E foi transfigurado diante deles.
9:3 As suas roupas ficaram resplandecentes, de uma brancura que nenhum lavadeiro na terra poderia alcançar.
9:4 Apareceu-lhes Elias com Moisés, e eles conversavam com Jesus.
9:5 Pedro disse a Jesus: “Rabi, é bom estarmos aqui. Façamos três tendas: uma para você, uma para Moisés e uma para Elias”.
9:6 Pois ele não sabia o que responder, porque estavam apavorados.
9:7 Veio uma nuvem que os cobriu com a sua sombra, e da nuvem saiu uma voz: “Este é o meu Filho amado; escutem-no”.
9:8 De repente, olharam ao redor e já não viram ninguém, a não ser Jesus, sozinho com eles.
9:9 Enquanto desciam do monte, Jesus lhes ordenou que não contassem a ninguém o que tinham visto, até que o Filho do Homem ressuscitasse dentre os mortos.
9:10 Eles guardaram aquilo entre si, discutindo o que significava ressuscitar dentre os mortos.
9:11 E lhe perguntavam: “Por que os escribas dizem que Elias deve vir primeiro?”
9:12 Ele lhes respondeu: “Elias vem primeiro e restaura todas as coisas. E como está escrito a respeito do Filho do Homem que ele deve sofrer muito e ser desprezado?
9:13 Mas eu lhes digo que Elias já veio, e fizeram com ele tudo o que quiseram, como está escrito a seu respeito”.
9:14 Quando chegaram aos discípulos, viram uma grande multidão ao redor deles e escribas discutindo com eles.
9:15 Logo toda a multidão, ao vê-lo, ficou muito admirada e correu para saudá-lo.
9:16 Ele lhes perguntou: “O que vocês estão discutindo entre si?”
9:17 Um da multidão lhe respondeu: “Mestre, eu te trouxe o meu filho, que tem um espírito mudo.
9:18 Onde quer que se apodere dele, o joga no chão; ele espuma, range os dentes e fica rígido. Pedi aos teus discípulos que o expulsassem, mas não puderam”.
9:19 Ele lhes respondeu: “Ó geração incrédula! Até quando estarei com vocês? Até quando os suportarei? Tragam-no para mim”.
9:20 Levaram o menino até ele. Quando o espírito viu Jesus, logo sacudiu o menino violentamente, e ele caiu no chão e se revolvia, espumando.
9:21 Jesus perguntou ao pai dele: “Há quanto tempo isso acontece com ele?” O pai respondeu: “Desde a infância.
9:22 Muitas vezes o lançou no fogo e na água para destruí-lo. Mas, se podes fazer alguma coisa, tem compaixão de nós e ajuda-nos”.
9:23 Jesus lhe disse: “Esse ‘se podes’? Tudo é possível a quem crê”.
9:24 Logo o pai da criança gritou: “Creio! Ajuda a minha incredulidade!”
9:25 Ao ver que uma multidão vinha correndo, Jesus repreendeu o espírito impuro, dizendo: “Espírito mudo e surdo, eu ordeno a você: saia dele e nunca mais entre nele!”
9:26 O espírito gritou, sacudiu o menino com muita violência e saiu. O menino ficou como morto, de modo que a maioria dizia: “Ele morreu”.
9:27 Mas Jesus o pegou pela mão, o ergueu, e ele se levantou.
9:28 Quando Jesus entrou numa casa, os seus discípulos lhe perguntavam em particular: “Por que nós não pudemos expulsá-lo?”
9:29 Ele lhes disse: “Essa espécie não pode sair por nenhum meio, a não ser pela oração”.
9:30 Saíram dali e atravessavam a Galileia. Jesus não queria que ninguém soubesse,
9:31 pois ensinava os seus discípulos e lhes dizia: “O Filho do Homem é entregue nas mãos dos homens, e eles o matarão; depois de morto, ressuscitará depois de três dias”.
9:32 Mas eles não entendiam essas palavras e tinham medo de lhe perguntar.
9:33 Chegaram a Cafarnaum. Quando estava em casa, ele lhes perguntou: “O que vocês discutiam no caminho?”
9:34 Eles ficaram em silêncio, pois haviam discutido entre si, no caminho, quem era o maior.
9:35 Jesus se sentou, chamou os Doze e lhes disse: “Se alguém quer ser o primeiro, será o último de todos e o servidor de todos”.
9:36 Pegou uma criança, colocou-a no meio deles e, abraçando-a, lhes disse:
9:37 “Quem recebe em meu nome uma destas crianças recebe a mim; e quem recebe a mim não recebe a mim, mas àquele que me enviou”.
9:38 João lhe disse: “Mestre, vimos alguém expulsando demônios em seu nome e tentávamos impedi-lo, porque não nos seguia”.
9:39 Mas Jesus disse: “Não o impeçam, pois ninguém que faça um milagre em meu nome poderá logo falar mal de mim.
9:40 Pois quem não é contra nós é a nosso favor.
9:41 Pois quem lhes der um copo de água para beber por vocês pertencerem a Cristo, em verdade lhes digo que de modo nenhum perderá a sua recompensa.
9:42 E, se alguém fizer tropeçar um destes pequeninos que creem em mim, seria melhor que lhe pusessem ao pescoço uma pedra de moinho movida por um jumento e o lançassem no mar.
9:43 Se a sua mão faz você tropeçar, corte-a. É melhor entrar na vida sem uma mão do que, tendo as duas mãos, ir para o inferno, para o fogo que não se apaga,
9:44 [onde o verme deles não morre e o fogo não se apaga.]
9:45 E, se o seu pé faz você tropeçar, corte-o. É melhor entrar na vida manco do que, tendo os dois pés, ser lançado no inferno,
9:46 [onde o verme deles não morre e o fogo não se apaga.]
9:47 E, se o seu olho faz você tropeçar, arranque-o. É melhor entrar no reino de Deus com um só olho do que, tendo os dois olhos, ser lançado no inferno,
9:48 onde o verme deles não morre e o fogo não se apaga.
9:49 Pois cada um será salgado com fogo.
9:50 O sal é bom; mas, se o sal perder o sabor, com que vocês o temperarão? Tenham sal em vocês mesmos e vivam em paz uns com os outros”.

Capítulo 10
10:1 Jesus saiu dali e foi para a região da Judeia e para o outro lado do Jordão. Novamente multidões se reuniram junto dele, e ele voltou a ensiná-las, como costumava fazer.
10:2 Perguntavam-lhe se era permitido a um homem se divorciar da sua mulher, para pô-lo à prova.
10:3 Ele lhes respondeu: “O que Moisés ordenou a vocês?”
10:4 Eles disseram: “Moisés permitiu escrever uma carta de divórcio e repudiá-la”.
10:5 Jesus lhes disse: “Foi por causa da dureza do coração de vocês que ele lhes escreveu esse mandamento.
10:6 Mas, desde o princípio da criação, ‘ele os fez homem e mulher’.
10:7 ‘Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua mulher,
10:8 e os dois serão uma só carne’. Assim, já não são dois, mas uma só carne.
10:9 Portanto, o que Deus uniu, o homem não separe”.
10:10 Em casa, os discípulos voltaram a lhe perguntar sobre isso.
10:11 Ele lhes disse: “Quem se divorcia da sua mulher e se casa com outra comete adultério contra ela.
10:12 E, se ela se divorcia do seu marido e se casa com outro, comete adultério”.
10:13 Levavam crianças até Jesus para que ele as tocasse, mas os discípulos repreendiam os que as levavam.
10:14 Ao ver isso, Jesus se indignou e lhes disse: “Deixem as crianças vir a mim, não as impeçam, pois o reino de Deus é dos que são como elas.
10:15 Em verdade lhes digo que quem não receber o reino de Deus como uma criança jamais entrará nele”.
10:16 Ele as abraçava e as abençoava, colocando as mãos sobre elas.
10:17 Quando Jesus se punha a caminho, um homem correu até ele, ajoelhou-se e lhe perguntou: “Bom Mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna?”
10:18 Jesus lhe disse: “Por que você me chama de bom? Ninguém é bom, a não ser um só: Deus.
10:19 Você conhece os mandamentos: ‘Não mate, não cometa adultério, não roube, não dê falso testemunho, não defraude, honre seu pai e sua mãe’”.
10:20 Ele lhe disse: “Mestre, tenho guardado tudo isso desde a minha juventude”.
10:21 Jesus olhou para ele, o amou e lhe disse: “Falta uma coisa a você: vá, venda tudo o que tem e dê aos pobres, e terá um tesouro no céu. Depois venha e siga-me”.
10:22 Mas ele ficou abatido com essas palavras e foi embora triste, pois tinha muitas propriedades.
10:23 Jesus olhou ao redor e disse aos seus discípulos: “Como será difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!”
10:24 Os discípulos ficaram espantados com as suas palavras. Jesus voltou a lhes dizer: “Filhos, como é difícil entrar no reino de Deus!
10:25 É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus”.
10:26 Eles ficaram ainda mais admirados e diziam uns aos outros: “Então quem pode ser salvo?”
10:27 Jesus olhou para eles e disse: “Para os seres humanos é impossível, mas para Deus não; pois para Deus tudo é possível”.
10:28 Pedro começou a lhe dizer: “Veja, nós deixamos tudo e seguimos você”.
10:29 Jesus disse: “Em verdade lhes digo que não há ninguém que tenha deixado casa, irmãos, irmãs, mãe, pai, filhos ou campos por minha causa e por causa do evangelho
10:30 que não receba cem vezes mais agora, neste tempo: casas, irmãos, irmãs, mães, filhos e campos, com perseguições; e, na era que virá, a vida eterna.
10:31 Mas muitos primeiros serão últimos, e os últimos, primeiros”.
10:32 Estavam a caminho, subindo para Jerusalém, e Jesus ia à frente deles. Eles estavam espantados, e os que o seguiam tinham medo. Jesus levou novamente os Doze à parte e começou a lhes dizer o que ia acontecer com ele:
10:33 “Vejam, estamos subindo para Jerusalém, e o Filho do Homem será entregue aos chefes dos sacerdotes e aos escribas. Eles o condenarão à morte e o entregarão aos gentios,
10:34 que zombarão dele, cuspirão nele, o açoitarão e o matarão; e, depois de três dias, ele ressuscitará”.
10:35 Tiago e João, os filhos de Zebedeu, se aproximaram dele e disseram: “Mestre, queremos que você faça por nós o que lhe pedirmos”.
10:36 Ele lhes perguntou: “O que vocês querem que eu faça por vocês?”
10:37 Eles lhe disseram: “Conceda-nos sentar na sua glória, um à sua direita e outro à sua esquerda”.
10:38 Jesus lhes disse: “Vocês não sabem o que estão pedindo. Podem beber o cálice que eu bebo ou ser batizados com o batismo com que sou batizado?”
10:39 Eles lhe disseram: “Podemos”. Jesus lhes disse: “Vocês beberão o cálice que eu bebo e serão batizados com o batismo com que sou batizado.
10:40 Mas sentar à minha direita ou à minha esquerda não cabe a mim conceder, mas é para aqueles para quem foi preparado”.
10:41 Ao ouvirem isso, os dez começaram a se indignar contra Tiago e João.
10:42 Jesus os chamou e lhes disse: “Vocês sabem que os considerados governantes das nações as dominam, e os seus grandes exercem autoridade sobre elas.
10:43 Mas entre vocês não é assim. Quem quiser se tornar grande entre vocês será o servidor de vocês,
10:44 e quem quiser ser o primeiro entre vocês será escravo de todos.
10:45 Pois também o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida como resgate por muitos”.
10:46 Chegaram a Jericó. Quando Jesus saía de Jericó com os seus discípulos e uma grande multidão, Bartimeu, filho de Timeu, um mendigo cego, estava sentado à beira do caminho.
10:47 Ao ouvir que era Jesus Nazareno, começou a gritar: “Filho de Davi, Jesus, tem misericórdia de mim!”
10:48 Muitos o repreendiam para que se calasse, mas ele gritava ainda mais: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”
10:49 Jesus parou e disse: “Chamem-no”. Chamaram o cego, dizendo: “Tenha coragem! Levante-se, ele está chamando você”.
10:50 Ele jogou o manto de lado, levantou-se de um salto e foi até Jesus.
10:51 Jesus lhe perguntou: “O que você quer que eu faça por você?” O cego lhe disse: “Rabuni, que eu volte a enxergar”.
10:52 Jesus lhe disse: “Vá, a sua fé o salvou”. Logo ele voltou a enxergar e o seguia pelo caminho.

Capítulo 11
11:1 Quando se aproximavam de Jerusalém, de Betfagé e de Betânia, junto ao monte das Oliveiras, Jesus enviou dois dos seus discípulos
11:2 e lhes disse: “Vão à aldeia que está em frente de vocês. Assim que entrarem nela, encontrarão um jumentinho amarrado, no qual ninguém ainda montou. Desamarrem-no e tragam-no.
11:3 Se alguém lhes perguntar: ‘Por que vocês fazem isso?’, digam: ‘O Senhor precisa dele e logo o enviará de volta para cá’”.
11:4 Eles foram e encontraram um jumentinho amarrado junto a uma porta, do lado de fora, na rua, e o desamarraram.
11:5 Alguns dos que estavam ali lhes diziam: “O que vocês estão fazendo, desamarrando o jumentinho?”
11:6 Eles responderam como Jesus lhes havia dito, e os deixaram ir.
11:7 Levaram o jumentinho até Jesus, colocaram sobre ele os seus mantos, e Jesus montou nele.
11:8 Muitos estenderam os seus mantos pelo caminho, e outros, ramos que haviam cortado nos campos.
11:9 Os que iam à frente e os que seguiam atrás gritavam: “Hosana!
   Bendito o que vem em nome do Senhor!
11:10 Bendito o reino que vem, do nosso pai Davi!
   Hosana nas alturas!”
11:11 Jesus entrou em Jerusalém, no templo, e olhou tudo ao redor. Como já era tarde, saiu para Betânia com os Doze.
11:12 No dia seguinte, quando saíram de Betânia, ele teve fome.
11:13 Viu de longe uma figueira com folhas e foi ver se encontrava alguma coisa nela. Quando chegou, não encontrou nada, a não ser folhas, pois não era tempo de figos.
11:14 Então lhe disse: “Que ninguém jamais volte a comer do seu fruto!” E os seus discípulos ouviam.
11:15 Chegaram a Jerusalém. Jesus entrou no templo e começou a expulsar os que vendiam e os que compravam no templo. Virou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos vendedores de pombas
11:16 e não permitia que ninguém atravessasse o templo carregando algum utensílio.
11:17 Ele os ensinava e lhes dizia: “Não está escrito: ‘Minha casa será chamada casa de oração para todas as nações’? Mas vocês fizeram dela uma caverna de bandidos”.
11:18 Os chefes dos sacerdotes e os escribas ouviram isso e procuravam um modo de matá-lo, pois tinham medo dele, já que toda a multidão se admirava do seu ensino.
11:19 Quando entardecia, eles saíam da cidade.
11:20 De manhã, ao passarem, viram que a figueira estava seca desde as raízes.
11:21 Pedro se lembrou e lhe disse: “Rabi, veja! A figueira que você amaldiçoou secou”.
11:22 Jesus lhes respondeu: “Tenham fé em Deus.
11:23 Em verdade lhes digo: se alguém disser a este monte: ‘Seja erguido e lançado no mar’, e não duvidar no seu coração, mas crer que acontece o que diz, isso lhe será feito.
11:24 Por isso lhes digo: tudo o que pedirem em oração, creiam que o receberam, e vocês o terão.
11:25 E, quando estiverem de pé orando, se tiverem algo contra alguém, perdoem, para que também o Pai de vocês, que está nos céus, lhes perdoe as suas ofensas.
11:26 [Mas, se vocês não perdoarem, também o Pai de vocês, que está nos céus, não perdoará as suas ofensas”.]
11:27 Chegaram novamente a Jerusalém. Enquanto Jesus andava pelo templo, os chefes dos sacerdotes, os escribas e os anciãos se aproximaram dele
11:28 e lhe perguntavam: “Com que autoridade você faz essas coisas? Ou quem lhe deu essa autoridade para fazê-las?”
11:29 Jesus lhes disse: “Vou lhes fazer uma pergunta. Respondam-me, e eu lhes direi com que autoridade faço essas coisas.
11:30 O batismo de João era do céu ou dos seres humanos? Respondam-me”.
11:31 Eles discutiam entre si, dizendo: “O que diremos? Se dissermos ‘Do céu’, ele dirá: ‘Então por que vocês não creram nele?’
11:32 Mas vamos dizer ‘Dos seres humanos’?” Temiam a multidão, pois todos consideravam que João era de fato um profeta.
11:33 Então responderam a Jesus: “Não sabemos”. E Jesus lhes disse: “Eu também não lhes digo com que autoridade faço essas coisas”.

Capítulo 12
12:1 Jesus começou a lhes falar por parábolas: “Um homem plantou uma vinha, cercou-a, cavou um tanque para o lagar e construiu uma torre. Arrendou-a a uns lavradores e partiu de viagem.
12:2 No tempo devido, enviou um escravo aos lavradores para receber deles parte dos frutos da vinha.
12:3 Eles o agarraram, espancaram e mandaram embora de mãos vazias.
12:4 Enviou-lhes novamente outro escravo, e a esse feriram na cabeça e insultaram.
12:5 Enviou outro, e a esse mataram; e enviou muitos outros: a uns espancaram, a outros mataram.
12:6 Ainda tinha um: um filho amado. Por último, o enviou a eles, dizendo: ‘Respeitarão o meu filho’.
12:7 Mas aqueles lavradores disseram entre si: ‘Este é o herdeiro. Vamos matá-lo, e a herança será nossa’.
12:8 Eles o agarraram, mataram e lançaram para fora da vinha.
12:9 O que fará o dono da vinha? Virá, destruirá os lavradores e dará a vinha a outros.
12:10 Vocês nem sequer leram esta Escritura:
 ‘A pedra que os construtores rejeitaram se tornou a pedra angular;
12:11 isso veio do Senhor e é maravilhoso aos nossos olhos’?”
12:12 Procuravam prendê-lo, mas tinham medo da multidão, pois perceberam que ele havia contado a parábola contra eles. Então o deixaram e foram embora.
12:13 Enviaram até ele alguns fariseus e herodianos para apanhá-lo em alguma palavra.
12:14 Eles chegaram e lhe disseram: “Mestre, sabemos que você é verdadeiro e não se deixa influenciar por ninguém, pois não faz favoritismos, mas ensina com verdade o caminho de Deus. É permitido pagar o imposto a César ou não? Devemos pagar ou não pagar?”
12:15 Ele, conhecendo a hipocrisia deles, lhes disse: “Por que vocês me põem à prova? Tragam-me um denário para que eu veja”.
12:16 Eles o trouxeram, e ele lhes perguntou: “De quem são esta imagem e esta inscrição?” Eles lhe disseram: “De César”.
12:17 Jesus lhes disse: “Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”. E ficavam muito admirados com ele.
12:18 Vieram até ele saduceus, que dizem não haver ressurreição, e lhe perguntavam:
12:19 “Mestre, Moisés nos escreveu que, se o irmão de alguém morrer e deixar mulher, mas não deixar filho, o seu irmão deve se casar com a mulher e dar descendência ao irmão.
12:20 Havia sete irmãos. O primeiro se casou e morreu sem deixar descendência.
12:21 O segundo se casou com ela e morreu sem deixar descendência; o terceiro fez o mesmo.
12:22 Os sete não deixaram descendência. Por último, depois de todos, morreu também a mulher.
12:23 Na ressurreição, quando ressuscitarem, de qual deles ela será mulher? Pois os sete a tiveram por mulher”.
12:24 Jesus lhes disse: “Não é por isso que vocês estão enganados, por não conhecerem as Escrituras nem o poder de Deus?
12:25 Pois, quando ressuscitarem dentre os mortos, nem se casarão nem serão dados em casamento, mas serão como anjos nos céus.
12:26 Quanto ao fato de os mortos serem ressuscitados, vocês não leram no livro de Moisés, no trecho sobre a sarça, como Deus lhe disse: ‘Eu sou o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó’?
12:27 Ele não é Deus de mortos, mas de vivos. Vocês estão muito enganados”.
12:28 Um dos escribas, que os tinha ouvido discutir, se aproximou e, vendo que Jesus lhes havia respondido bem, perguntou: “Qual é o primeiro de todos os mandamentos?”
12:29 Jesus respondeu: “O primeiro é: ‘Escute, Israel: o Senhor, nosso Deus, é o único Senhor,
12:30 e ame o Senhor, seu Deus, com todo o seu coração, com toda a sua alma, com toda a sua mente e com todas as suas forças’.
12:31 O segundo é este: ‘Ame o seu próximo como a si mesmo’. Não há outro mandamento maior do que estes”.
12:32 O escriba lhe disse: “Muito bem, Mestre. Você disse com verdade que ele é um só e não há outro além dele,
12:33 e que amá-lo com todo o coração, com todo o entendimento e com todas as forças, e amar o próximo como a si mesmo, vale mais do que todos os holocaustos e sacrifícios”.
12:34 Jesus, vendo que ele havia respondido com sensatez, lhe disse: “Você não está longe do reino de Deus”. E ninguém mais se atrevia a lhe fazer perguntas.
12:35 Enquanto ensinava no templo, Jesus tomou a palavra e dizia: “Como os escribas dizem que o Cristo é filho de Davi?
12:36 O próprio Davi disse pelo Espírito Santo:
 ‘O Senhor disse ao meu Senhor: “Sente-se à minha direita, até que eu ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés”’.
12:37 O próprio Davi o chama de Senhor; como, então, ele é seu filho?” E a grande multidão o ouvia com prazer.
12:38 No seu ensino, ele dizia: “Cuidado com os escribas, que gostam de andar com roupas compridas, de receber saudações nas praças
12:39 e de ocupar os primeiros assentos nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes.
12:40 Eles devoram as casas das viúvas e fazem longas orações para aparentar. Esses receberão condenação mais severa”.
12:41 Ele se sentou em frente ao cofre das ofertas e observava como a multidão depositava dinheiro nele. Muitos ricos depositavam grandes quantias.
12:42 Veio uma viúva pobre e depositou dois leptos, que equivalem a um quadrante.
12:43 Então chamou os seus discípulos e lhes disse: “Em verdade lhes digo que esta viúva pobre depositou mais do que todos os que depositam no cofre das ofertas.
12:44 Pois todos depositaram do que lhes sobrava, mas ela, da sua pobreza, depositou tudo o que tinha, todo o seu sustento”.

Capítulo 13
13:1 Quando Jesus saía do templo, um dos seus discípulos lhe disse: “Mestre, veja que pedras e que construções!”
13:2 Jesus lhe disse: “Você vê estas grandes construções? Não ficará aqui pedra sobre pedra que não seja derrubada”.
13:3 Ele estava sentado no monte das Oliveiras, em frente ao templo, quando Pedro, Tiago, João e André lhe perguntaram em particular:
13:4 “Diga-nos, quando acontecerão essas coisas? E qual será o sinal de que tudo isso está para se cumprir?”
13:5 Jesus começou a lhes dizer: “Tenham cuidado para que ninguém engane vocês.
13:6 Muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Sou eu’, e enganarão muitos.
13:7 Quando ouvirem falar de guerras e rumores de guerras, não se alarmem. É necessário que isso aconteça, mas ainda não é o fim.
13:8 Pois nação se levantará contra nação, e reino contra reino. Haverá terremotos em diversos lugares e haverá fomes. Essas coisas são o princípio das dores de parto.
13:9 Mas vocês, cuidem de si mesmos. Vocês serão entregues a tribunais, serão espancados nas sinagogas e comparecerão diante de governadores e reis por minha causa, como testemunho a eles.
13:10 E é necessário que primeiro o evangelho seja proclamado a todas as nações.
13:11 Quando levarem vocês para entregá-los, não se preocupem de antemão com o que vão dizer; falem o que lhes for dado naquela hora, pois não são vocês que falam, mas o Espírito Santo.
13:12 Um irmão entregará o irmão à morte, e um pai, o filho. Filhos se levantarão contra os pais e farão com que sejam mortos.
13:13 Vocês serão odiados por todos por causa do meu nome, mas quem perseverar até o fim será salvo.
13:14 Quando vocês virem a abominação desoladora de pé onde não deve estar — quem lê entenda —, então os que estiverem na Judeia fujam para os montes.
13:15 Quem estiver no terraço não desça nem entre para pegar alguma coisa em sua casa,
13:16 e quem estiver no campo não volte atrás para pegar o seu manto.
13:17 Ai das grávidas e das que estiverem amamentando naqueles dias!
13:18 Orem para que isso não aconteça no inverno.
13:19 Pois aqueles dias serão de uma tribulação como nunca houve desde o princípio da criação que Deus criou até agora, e jamais haverá.
13:20 Se o Senhor não tivesse abreviado os dias, ninguém seria salvo; mas, por causa dos escolhidos que ele escolheu, abreviou os dias.
13:21 Então, se alguém lhes disser: ‘Vejam, aqui está o Cristo!’ ou ‘Vejam, está ali!’, não acreditem.
13:22 Pois surgirão falsos cristos e falsos profetas e farão sinais e prodígios para desviar, se possível, os escolhidos.
13:23 Mas vocês, fiquem atentos. Eu lhes anunciei tudo de antemão.
13:24 Mas, naqueles dias, depois daquela tribulação, o sol se escurecerá, e a lua não dará a sua luz;
13:25 as estrelas cairão do céu, e os poderes que estão nos céus serão abalados.
13:26 Então verão o Filho do Homem vindo nas nuvens com grande poder e glória.
13:27 Ele enviará os anjos e reunirá os escolhidos dos quatro ventos, desde a extremidade da terra até a extremidade do céu.
13:28 Aprendam da figueira esta parábola: quando o seu ramo se torna tenro e brotam as folhas, vocês sabem que o verão está perto.
13:29 Assim também vocês, quando virem essas coisas acontecendo, saibam que está perto, às portas.
13:30 Em verdade lhes digo que esta geração não passará até que todas essas coisas aconteçam.
13:31 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão.
13:32 Mas, a respeito daquele dia ou da hora, ninguém sabe, nem os anjos no céu, nem o Filho, senão o Pai.
13:33 Fiquem atentos e permaneçam acordados, pois vocês não sabem quando é o momento.
13:34 É como um homem que sai de viagem, deixa sua casa, dá autoridade aos seus escravos, a cada um a sua tarefa, e ordena ao porteiro que vigie.
13:35 Portanto, vigiem, pois vocês não sabem quando vem o dono da casa: se ao entardecer, à meia-noite, ao cantar do galo ou ao amanhecer,
13:36 para que, chegando de repente, não encontre vocês dormindo.
13:37 O que digo a vocês digo a todos: vigiem!”

Capítulo 14
14:1 Faltavam dois dias para a Páscoa e a festa dos Pães sem Fermento. Os chefes dos sacerdotes e os escribas procuravam um modo de prender Jesus por meio de engano e matá-lo.
14:2 Pois diziam: “Durante a festa, não, para que não haja tumulto entre o povo”.
14:3 Jesus estava em Betânia, na casa de Simão, o leproso, à mesa, quando veio uma mulher com um frasco de alabastro contendo perfume de nardo puro, muito caro. Ela quebrou o frasco e derramou o perfume sobre a cabeça dele.
14:4 Alguns se indignavam entre si: “Por que esse desperdício de perfume?
14:5 Esse perfume poderia ter sido vendido por mais de trezentos denários, e o dinheiro, dado aos pobres”. E a repreendiam severamente.
14:6 Mas Jesus disse: “Deixem-na. Por que vocês a incomodam? Ela fez uma boa obra para mim.
14:7 Pois vocês sempre têm os pobres com vocês e podem lhes fazer o bem quando quiserem; mas a mim nem sempre têm.
14:8 Ela fez o que pôde: antecipou-se a perfumar o meu corpo para a sepultura.
14:9 Em verdade lhes digo que, onde quer que o evangelho seja proclamado em todo o mundo, também o que ela fez será contado em memória dela”.
14:10 Judas Iscariotes, um dos Doze, foi aos chefes dos sacerdotes para entregar Jesus a eles.
14:11 Ao ouvirem isso, ficaram alegres e prometeram lhe dar dinheiro. E ele procurava um modo de entregá-lo na ocasião oportuna.
14:12 No primeiro dia dos Pães sem Fermento, quando sacrificavam o cordeiro da Páscoa, seus discípulos lhe perguntaram: “Aonde você quer que vamos fazer os preparativos para você comer a Páscoa?”
14:13 Ele enviou dois dos seus discípulos e lhes disse: “Vão à cidade, e um homem carregando um cântaro de água virá ao encontro de vocês. Sigam-no
14:14 e, onde ele entrar, digam ao dono da casa: ‘O Mestre diz: “Onde está o meu aposento em que comerei a Páscoa com os meus discípulos?”’
14:15 Ele lhes mostrará uma grande sala no andar de cima, mobiliada e pronta. Preparem ali para nós”.
14:16 Os discípulos saíram, foram à cidade e encontraram tudo como ele lhes havia dito. E prepararam a Páscoa.
14:17 Ao entardecer, Jesus chegou com os Doze.
14:18 Enquanto estavam à mesa e comiam, Jesus disse: “Em verdade lhes digo que um de vocês, que come comigo, me entregará”.
14:19 Eles começaram a se entristecer e a lhe perguntar, um por um: “Por acaso sou eu?”
14:20 Ele lhes disse: “É um dos Doze, o que molha a comida comigo no prato.
14:21 Pois o Filho do Homem vai, como está escrito a seu respeito; mas ai daquele homem por quem o Filho do Homem é entregue! Seria melhor para esse homem não ter nascido”.
14:22 Enquanto comiam, Jesus pegou pão, pronunciou a bênção, partiu-o, o deu a eles e disse: “Tomem, isto é o meu corpo”.
14:23 Pegou um cálice, deu graças e o deu a eles; e todos beberam dele.
14:24 E lhes disse: “Isto é o meu sangue da aliança, que é derramado por muitos.
14:25 Em verdade lhes digo que nunca mais beberei do fruto da videira até aquele dia em que o beba novo no reino de Deus”.
14:26 Depois de cantarem um hino, saíram para o monte das Oliveiras.
14:27 Jesus lhes disse: “Todos vocês tropeçarão, pois está escrito: ‘Ferirei o pastor, e as ovelhas serão dispersas’.
14:28 Mas, depois de ressuscitar, irei à frente de vocês para a Galileia”.
14:29 Pedro lhe disse: “Mesmo que todos tropecem, eu não”.
14:30 Jesus lhe disse: “Em verdade eu digo a você: hoje, nesta mesma noite, antes que o galo cante duas vezes, você me negará três vezes”.
14:31 Mas Pedro insistia com muita veemência: “Ainda que eu tenha de morrer com você, jamais o negarei”. E todos diziam o mesmo.
14:32 Chegaram a um lugar chamado Getsêmani, e Jesus disse aos seus discípulos: “Sentem-se aqui enquanto eu oro”.
14:33 Levou consigo Pedro, Tiago e João e começou a sentir pavor e angústia.
14:34 Ele lhes disse: “A minha alma está profundamente triste, até a morte. Fiquem aqui e vigiem”.
14:35 Indo um pouco mais adiante, caiu por terra e orava para que, se fosse possível, aquela hora passasse dele.
14:36 E dizia: “Aba, Pai, tudo te é possível. Afasta de mim este cálice; mas que não seja o que eu quero, e sim o que tu queres”.
14:37 Ele voltou e os encontrou dormindo. Disse a Pedro: “Simão, você está dormindo? Não conseguiu vigiar uma hora?
14:38 Vigiem e orem, para que não entrem em tentação. O espírito está disposto, mas a carne é fraca”.
14:39 Ele se afastou novamente e orou, dizendo as mesmas palavras.
14:40 Quando voltou, encontrou-os novamente dormindo, pois seus olhos estavam pesados, e não sabiam o que lhe responder.
14:41 Voltou pela terceira vez e lhes disse: “Durmam agora e descansem. Basta! A hora chegou. Vejam, o Filho do Homem é entregue nas mãos dos pecadores.
14:42 Levantem-se, vamos! Vejam, aquele que me entrega está perto”.
14:43 Logo, enquanto Jesus ainda falava, chegou Judas, um dos Doze, e com ele uma multidão com espadas e porretes, enviada pelos chefes dos sacerdotes, pelos escribas e pelos anciãos.
14:44 Aquele que o entregava havia combinado um sinal com eles, dizendo: “Aquele que eu beijar, é ele. Prendam-no e o levem bem guardado”.
14:45 Assim que chegou, aproximou-se de Jesus e disse: “Rabi!” E o beijou.
14:46 Eles puseram as mãos nele e o prenderam.
14:47 Mas um dos que estavam ali puxou a espada, feriu o escravo do sumo sacerdote e lhe cortou a orelha.
14:48 Jesus lhes disse: “Vocês saíram com espadas e porretes para me prender, como se eu fosse um bandido?
14:49 Todos os dias eu estava com vocês, ensinando no templo, e vocês não me prenderam. Mas isso acontece para que as Escrituras se cumpram”.
14:50 Todos o abandonaram e fugiram.
14:51 Um jovem o seguia, coberto por um lençol sobre o corpo nu, e o agarraram.
14:52 Mas ele largou o lençol e fugiu nu.
14:53 Levaram Jesus ao sumo sacerdote, e se reuniram todos os chefes dos sacerdotes, os anciãos e os escribas.
14:54 Pedro o seguiu de longe até dentro do pátio do sumo sacerdote. Estava sentado com os guardas e se aquecia junto ao fogo.
14:55 Os chefes dos sacerdotes e todo o Sinédrio procuravam um testemunho contra Jesus para levá-lo à morte, mas não encontravam.
14:56 Pois muitos davam falso testemunho contra ele, mas os testemunhos não concordavam entre si.
14:57 Alguns se levantaram e deram falso testemunho contra ele, dizendo:
14:58 “Nós o ouvimos dizer: ‘Eu destruirei este santuário feito por mãos humanas e, em três dias, construirei outro não feito por mãos humanas’”.
14:59 Mas nem assim o testemunho deles concordava.
14:60 O sumo sacerdote se levantou no meio deles e perguntou a Jesus: “Você não responde nada? O que estes testemunham contra você?”
14:61 Mas ele permanecia em silêncio e não respondeu nada. O sumo sacerdote voltou a lhe perguntar: “Você é o Cristo, o Filho do Bendito?”
14:62 Jesus disse: “Eu sou. E vocês verão o Filho do Homem sentado à direita do Poder e vindo com as nuvens do céu”.
14:63 O sumo sacerdote rasgou as suas túnicas e disse: “Que necessidade ainda temos de testemunhas?
14:64 Vocês ouviram a blasfêmia. O que lhes parece?” Todos o condenaram como merecedor de morte.
14:65 Alguns começaram a cuspir nele, a cobrir o seu rosto e a lhe dar socos, dizendo: “Profetize!” E os guardas o receberam com tapas.
14:66 Enquanto Pedro estava embaixo, no pátio, chegou uma das criadas do sumo sacerdote.
14:67 Ao ver Pedro se aquecendo, olhou fixamente para ele e disse: “Você também estava com Jesus Nazareno”.
14:68 Mas ele negou, dizendo: “Não sei nem entendo o que você está dizendo”. Saiu para fora, para o pátio da entrada, e um galo cantou.
14:69 A criada o viu e começou novamente a dizer aos que estavam ali: “Este é um deles”.
14:70 Mas ele negava de novo. Pouco depois, os que estavam ali voltaram a dizer a Pedro: “Certamente você é um deles, pois também é galileu, e o seu modo de falar é como o deles”.
14:71 Ele começou a proferir maldições e a jurar: “Não conheço esse homem de quem vocês falam”.
14:72 Logo um galo cantou pela segunda vez. Pedro se lembrou das palavras que Jesus lhe havia dito: “Antes que o galo cante duas vezes, você me negará três vezes”. E se pôs a chorar.

Capítulo 15
15:1 Logo ao amanhecer, os chefes dos sacerdotes, com os anciãos, os escribas e todo o Sinédrio, deliberaram, amarraram Jesus, o levaram e o entregaram a Pilatos.
15:2 Pilatos lhe perguntou: “Você é o rei dos judeus?” Ele lhe respondeu: “Você o diz”.
15:3 Os chefes dos sacerdotes o acusavam de muitas coisas.
15:4 Pilatos voltou a lhe perguntar: “Você não responde nada? Veja de quantas coisas o acusam”.
15:5 Mas Jesus não respondeu mais nada, de modo que Pilatos se admirava.
15:6 Durante a festa, Pilatos costumava lhes soltar um preso, aquele que pedissem.
15:7 Havia um chamado Barrabás, preso com os rebeldes que haviam cometido um homicídio na revolta.
15:8 A multidão subiu e começou a pedir que ele fizesse como costumava fazer por eles.
15:9 Pilatos lhes respondeu: “Vocês querem que eu lhes solte o rei dos judeus?”
15:10 Pois sabia que os chefes dos sacerdotes o haviam entregado por inveja.
15:11 Mas os chefes dos sacerdotes incitaram a multidão para que ele lhes soltasse Barrabás em vez de Jesus.
15:12 Pilatos voltou a lhes perguntar: “Então o que vocês querem que eu faça com aquele a quem chamam rei dos judeus?”
15:13 Eles tornaram a gritar: “Crucifique-o!”
15:14 Pilatos lhes perguntava: “Mas que mal ele fez?” Eles, porém, gritavam ainda mais: “Crucifique-o!”
15:15 Pilatos, querendo satisfazer a multidão, soltou Barrabás para eles e, depois de mandar açoitar Jesus, o entregou para ser crucificado.
15:16 Os soldados o levaram para dentro do pátio, isto é, do pretório, e convocaram toda a coorte.
15:17 Vestiram-no com um manto de púrpura e lhe puseram uma coroa que haviam trançado de espinhos.
15:18 E começaram a saudá-lo: “Salve, rei dos judeus!”
15:19 Batiam na cabeça dele com uma cana, cuspiam nele e, pondo-se de joelhos, se prostravam diante dele.
15:20 Depois de zombarem dele, tiraram-lhe o manto de púrpura, vestiram-no com as suas próprias roupas e o levaram para fora, para crucificá-lo.
15:21 Obrigaram um homem que passava, Simão de Cirene, que vinha do campo e era pai de Alexandre e Rufo, a carregar a cruz de Jesus.
15:22 Levaram Jesus ao lugar chamado Gólgota, que traduzido significa Lugar da Caveira.
15:23 Ofereciam-lhe vinho misturado com mirra, mas ele não o aceitou.
15:24 Então o crucificaram e repartiram as suas roupas, lançando sortes para decidir o que cada um levaria.
15:25 Eram nove horas da manhã quando o crucificaram.
15:26 A inscrição com a acusação contra ele dizia: “O rei dos judeus”.
15:27 Com ele crucificaram dois bandidos, um à sua direita e outro à sua esquerda.
15:28 [E se cumpriu a Escritura que diz: “E foi contado entre os transgressores”.]
15:29 Os que passavam o insultavam, balançando a cabeça e dizendo: “Ah! Você que destrói o santuário e o reconstrói em três dias,
15:30 salve a si mesmo descendo da cruz!”
15:31 Do mesmo modo, os chefes dos sacerdotes, com os escribas, zombavam e diziam uns aos outros: “Salvou outros; a si mesmo não pode salvar.
15:32 Que o Cristo, o rei de Israel, desça agora da cruz, para que vejamos e creiamos!” Também os que foram crucificados com ele o insultavam.
15:33 Ao meio-dia, houve trevas sobre toda a terra até as três da tarde.
15:34 Às três da tarde, Jesus clamou em alta voz: “Eloí, Eloí, lemá sabactâni?”, que traduzido significa: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonaste?”
15:35 Alguns dos que estavam ali, ao ouvirem isso, diziam: “Vejam, está chamando Elias”.
15:36 Um deles correu, encharcou uma esponja de vinagre, colocou-a numa cana e lhe dava de beber, dizendo: “Esperem, vamos ver se Elias vem descê-lo”.
15:37 Jesus deu um forte grito e expirou.
15:38 O véu do santuário se rasgou em duas partes, de cima a baixo.
15:39 O centurião que estava de frente para ele, ao ver como havia expirado, disse: “Verdadeiramente este homem era Filho de Deus”.
15:40 Havia também mulheres observando de longe, entre elas Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, o menor, e de Josés, e Salomé.
15:41 Elas o seguiam e o serviam quando ele estava na Galileia. Havia também muitas outras que tinham subido com ele para Jerusalém.
15:42 Já era o entardecer e, como era o dia da Preparação, isto é, a véspera do sábado,
15:43 José de Arimateia, um membro respeitado do conselho, que também esperava o reino de Deus, veio e teve coragem de se apresentar a Pilatos para pedir o corpo de Jesus.
15:44 Pilatos se admirou de que ele já estivesse morto. Chamou o centurião e lhe perguntou se fazia tempo que havia morrido.
15:45 Depois de se informar com o centurião, entregou o cadáver a José.
15:46 José comprou um lençol, desceu o corpo de Jesus, envolveu-o no lençol e o colocou num sepulcro escavado na rocha. Rolou uma pedra para a entrada do sepulcro.
15:47 Maria Madalena e Maria, mãe de Josés, observavam onde ele havia sido colocado.

Capítulo 16
16:1 Passado o sábado, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago, e Salomé compraram especiarias aromáticas para irem ungir Jesus.
16:2 Bem cedo, no primeiro dia da semana, foram ao sepulcro, quando o sol já havia nascido.
16:3 Diziam umas às outras: “Quem rolará para nós a pedra da entrada do sepulcro?”
16:4 Ao erguerem os olhos, viram que a pedra já havia sido rolada; ela era muito grande.
16:5 Entraram no sepulcro e viram um jovem sentado à direita, vestido com uma túnica branca, e ficaram assustadas.
16:6 Ele lhes disse: “Não se assustem. Vocês procuram Jesus Nazareno, que foi crucificado. Ele ressuscitou, não está aqui. Vejam o lugar onde o colocaram.
16:7 Mas vão e digam aos seus discípulos e a Pedro que ele vai à frente de vocês para a Galileia. Ali vocês o verão, como ele lhes disse”.
16:8 Elas saíram e fugiram do sepulcro, pois estavam tomadas de tremor e assombro. Não disseram nada a ninguém, pois estavam com medo.
16:9 [Depois de ressuscitar, bem cedo, no primeiro dia da semana, ele apareceu primeiro a Maria Madalena, de quem havia expulsado sete demônios.]
16:10 [Ela foi e anunciou aos que haviam estado com ele, que estavam de luto e chorando.]
16:11 [Quando ouviram que ele estava vivo e que havia sido visto por ela, não creram.]
16:12 [Depois disso, ele se manifestou em outra forma a dois deles que caminhavam para o campo.]
16:13 [Eles foram e contaram aos demais, mas estes também não creram neles.]
16:14 [Mais tarde, ele se manifestou aos Onze enquanto estavam à mesa e os repreendeu pela incredulidade e dureza de coração, porque não haviam crido nos que o tinham visto ressuscitado.]
16:15 [E lhes disse: “Vão por todo o mundo e preguem o evangelho a toda criatura.]
16:16 [Quem crer e for batizado será salvo, mas quem não crer será condenado.]
16:17 [Estes sinais acompanharão os que crerem: em meu nome expulsarão demônios, falarão novas línguas;]
16:18 [pegarão serpentes e, mesmo que bebam algo mortífero, isso de modo nenhum lhes fará mal; colocarão as mãos sobre os doentes, e estes ficarão bem”.]
16:19 [Então o Senhor Jesus, depois de lhes falar, foi levado ao céu e se sentou à direita de Deus.]
16:20 [Eles saíram e pregaram por toda parte, enquanto o Senhor cooperava com eles e confirmava a palavra por meio dos sinais que a acompanhavam.]

LUCAS

Capítulo 1
1:1 Já que muitos se dedicaram a organizar um relato dos acontecimentos que se cumpriram entre nós,
1:2 conforme nos transmitiram aqueles que desde o princípio foram testemunhas oculares e servidores da palavra,
1:3 também a mim, depois de investigar tudo cuidadosamente desde o começo, pareceu bem escrever um relato em ordem para você, excelentíssimo Teófilo,
1:4 para que você tenha certeza daquilo que lhe foi ensinado.
1:5 Nos dias de Herodes, rei da Judeia, havia um sacerdote chamado Zacarias, do grupo de Abias. Sua esposa era descendente de Arão e se chamava Isabel.
1:6 Ambos eram justos diante de Deus e viviam de modo irrepreensível, seguindo todos os mandamentos e preceitos do Senhor.
1:7 Mas não tinham filhos, porque Isabel era estéril, e ambos já eram de idade avançada.
1:8 Certa vez, quando Zacarias exercia o sacerdócio diante de Deus, no turno de seu grupo,
1:9 coube a ele por sorteio, conforme o costume sacerdotal, entrar no santuário do Senhor para queimar incenso.
1:10 Toda a multidão do povo estava do lado de fora, orando à hora do incenso.
1:11 Então lhe apareceu um anjo do Senhor, de pé à direita do altar do incenso.
1:12 Ao vê-lo, Zacarias ficou perturbado e foi tomado de medo.
1:13 Mas o anjo lhe disse: “Não tenha medo, Zacarias, porque sua oração foi ouvida. Isabel, sua esposa, lhe dará um filho, e você lhe dará o nome de João.
1:14 Você terá alegria e grande júbilo, e muitos se alegrarão com o nascimento dele,
1:15 pois ele será grande diante do Senhor. Não beberá vinho nem bebida forte e será cheio do Espírito Santo já desde o ventre de sua mãe.
1:16 Ele fará muitos dos filhos de Israel voltarem ao Senhor, seu Deus.
1:17 Irá adiante dele com o espírito e o poder de Elias, para fazer o coração dos pais voltar aos filhos, e os desobedientes, à sabedoria dos justos, preparando para o Senhor um povo bem disposto”.
1:18 Zacarias disse ao anjo: “Como terei certeza disso? Pois sou velho, e minha esposa já é de idade avançada”.
1:19 O anjo lhe respondeu: “Eu sou Gabriel, que estou na presença de Deus, e fui enviado para falar com você e lhe anunciar estas boas notícias.
1:20 E agora você ficará em silêncio e não poderá falar até o dia em que estas coisas acontecerem, porque não creu em minhas palavras, que se cumprirão no tempo certo”.
1:21 O povo esperava por Zacarias e se admirava de que ele demorasse tanto no santuário.
1:22 Quando saiu, não conseguia falar com eles, e perceberam que ele havia tido uma visão no santuário. Ele lhes fazia sinais e continuava mudo.
1:23 Quando se completaram os dias de seu serviço, voltou para casa.
1:24 Depois daqueles dias, Isabel, sua esposa, ficou grávida e se manteve recolhida por cinco meses. Ela dizia:
1:25 “Foi assim que o Senhor agiu em meu favor, nestes dias em que olhou para mim e tirou minha vergonha diante das pessoas”.
1:26 No sexto mês, o anjo Gabriel foi enviado por Deus a uma cidade da Galileia chamada Nazaré,
1:27 a uma virgem prometida em casamento a um homem chamado José, da casa de Davi. O nome da virgem era Maria.
1:28 O anjo entrou onde ela estava e disse: “Salve, agraciada! O Senhor está com você”.
1:29 Ela ficou muito perturbada com essas palavras e se perguntava o que significava aquela saudação.
1:30 O anjo lhe disse: “Não tenha medo, Maria, pois você encontrou graça diante de Deus.
1:31 Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe dará o nome de Jesus.
1:32 Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de Davi, seu antepassado,
1:33 e ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó; seu reino não terá fim”.
1:34 Maria disse ao anjo: “Como acontecerá isso, se não tenho relações com homem algum?”.
1:35 O anjo lhe respondeu: “O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com sua sombra. Por isso, aquele que nascerá será chamado santo, Filho de Deus.
1:36 Também Isabel, sua parenta, concebeu um filho na velhice, e este é o sexto mês daquela que era chamada estéril.
1:37 Pois nada é impossível para Deus”.
1:38 Maria disse: “Aqui está a serva do Senhor. Que aconteça comigo conforme a sua palavra”. Então o anjo se afastou dela.
1:39 Naqueles dias, Maria se levantou e foi depressa à região montanhosa, a uma cidade de Judá.
1:40 Entrou na casa de Zacarias e cumprimentou Isabel.
1:41 Quando Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança saltou em seu ventre, e Isabel ficou cheia do Espírito Santo.
1:42 Ela exclamou em alta voz: “Bendita é você entre as mulheres, e bendito é o fruto do seu ventre!
1:43 Como me é concedido que a mãe do meu Senhor venha me visitar?
1:44 Pois, assim que o som da sua saudação chegou aos meus ouvidos, a criança saltou de alegria em meu ventre.
1:45 Bem-aventurada aquela que creu que se cumpriria o que lhe foi dito da parte do Senhor!”.

1:46 Então Maria disse:
 “Minha alma engrandece o Senhor,
1:47 e meu espírito se alegrou em Deus, meu Salvador,
1:48 porque olhou para a humilde condição de sua serva.
   De agora em diante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada,
1:49 pois o Poderoso fez grandes coisas por mim, e santo é o seu nome.
1:50 Sua misericórdia se estende de geração em geração sobre os que o temem.
1:51 Com seu braço mostrou poder;
   dispersou os soberbos nos pensamentos de seu coração.
1:52 Derrubou os poderosos de seus tronos e exaltou os humildes.
1:53 Encheu de bens os famintos e despediu os ricos de mãos vazias.
1:54 Socorreu Israel, seu servo, lembrando-se de sua misericórdia
1:55 para com Abraão e sua descendência para sempre, como havia dito aos nossos antepassados”.
1:56 Maria ficou com Isabel cerca de três meses e depois voltou para casa.
1:57 Quando se completou o tempo de Isabel dar à luz, ela teve um filho.
1:58 Seus vizinhos e parentes ouviram que o Senhor havia mostrado grande misericórdia para com ela e se alegraram com ela.
1:59 No oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar a ele o nome de seu pai, Zacarias.
1:60 Mas sua mãe respondeu: “Não! Ele se chamará João”.
1:61 Disseram a ela: “Não há ninguém em sua família com esse nome”.
1:62 Então perguntaram por sinais ao pai como ele queria que o menino se chamasse.
1:63 Ele pediu uma pequena tábua e escreveu: “O nome dele é João”. E todos se admiraram.
1:64 No mesmo instante sua boca se abriu e sua língua se soltou, e ele começou a falar, bendizendo a Deus.
1:65 Todos os seus vizinhos ficaram tomados de temor, e em toda a região montanhosa da Judeia se comentavam esses acontecimentos.
1:66 Todos os que ouviam essas coisas as guardavam no coração, dizendo: “O que virá a ser este menino?”. Pois a mão do Senhor estava com ele.
1:67 Zacarias, seu pai, ficou cheio do Espírito Santo e profetizou:
1:68 “Bendito seja o Senhor, o Deus de Israel, porque visitou seu povo e lhe trouxe redenção.
1:69 Fez surgir para nós uma salvação poderosa na casa de Davi, seu servo,
1:70 como havia dito desde os tempos antigos pela boca de seus santos profetas:
1:71 salvação dos nossos inimigos e das mãos de todos os que nos odeiam,
1:72 para mostrar misericórdia aos nossos antepassados e se lembrar de sua santa aliança,
1:73 do juramento que fez a Abraão, nosso pai, de nos conceder
1:74 que, livres das mãos dos inimigos, o sirvamos sem temor,
1:75 em santidade e justiça diante dele, todos os nossos dias.
1:76 E você, menino, será chamado profeta do Altíssimo, pois irá adiante do Senhor para preparar seus caminhos,
1:77 para dar ao seu povo o conhecimento da salvação mediante o perdão de seus pecados,
1:78 pela profunda misericórdia do nosso Deus, pela qual nos visitará a aurora que vem do alto,
1:79 para iluminar os que estão sentados nas trevas e na sombra da morte e guiar nossos pés pelo caminho da paz”.
1:80 O menino crescia e se fortalecia em espírito. Viveu em lugares desertos até o dia de se apresentar a Israel.

Capítulo 2
2:1 Naqueles dias, César Augusto publicou um decreto para que toda a população do mundo habitado fosse recenseada.
2:2 Este foi o primeiro recenseamento, realizado quando Cirênio governava a Síria.
2:3 Todos iam se registrar, cada um à sua própria cidade.
2:4 José também subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, para a Judeia, à cidade de Davi chamada Belém, porque era da casa e da linhagem de Davi,
2:5 para se registrar com Maria, que estava prometida em casamento a ele e estava grávida.
2:6 Enquanto estavam ali, chegou o tempo de ela dar à luz.
2:7 Ela deu à luz seu filho primogênito, envolveu-o em panos e o deitou numa manjedoura, porque não havia lugar para eles no alojamento.
2:8 Naquela mesma região havia pastores que passavam a noite ao ar livre, vigiando seu rebanho por turnos.
2:9 Um anjo do Senhor se apresentou a eles, e a glória do Senhor os cercou de resplendor. Eles ficaram com muito medo.
2:10 Mas o anjo lhes disse: “Não tenham medo! Trago a vocês boas notícias de grande alegria, que será para todo o povo:
2:11 hoje, na cidade de Davi, nasceu para vocês um Salvador, que é Cristo, o Senhor.
2:12 Este será o sinal para vocês: encontrarão um bebê envolto em panos e deitado numa manjedoura”.
2:13 De repente, apareceu com o anjo uma multidão do exército celestial, louvando a Deus e dizendo:
2:14 “Glória a Deus nas alturas, e paz na terra entre as pessoas a quem ele concede seu favor!”.
2:15 Quando os anjos se afastaram deles e foram para o céu, os pastores disseram uns aos outros: “Vamos até Belém e vejamos o que aconteceu e que o Senhor nos deu a conhecer”.
2:16 Foram depressa e encontraram Maria, José e o bebê deitado na manjedoura.
2:17 Ao vê-lo, contaram o que lhes tinha sido dito a respeito daquele menino.
2:18 Todos os que ouviram se admiraram do que os pastores lhes contavam.
2:19 Maria, porém, guardava todas essas coisas, meditando nelas em seu coração.
2:20 Os pastores voltaram, glorificando e louvando a Deus por tudo o que tinham ouvido e visto, conforme lhes havia sido dito.
2:21 Quando se completaram os oito dias para circuncidá-lo, deram a ele o nome de Jesus, nome dado pelo anjo antes de ele ser concebido no ventre.
2:22 Quando se completaram os dias da purificação deles, conforme a lei de Moisés, levaram o menino a Jerusalém para apresentá-lo ao Senhor,
2:23 como está escrito na lei do Senhor: “Todo menino que abrir o ventre materno será consagrado ao Senhor”,
2:24 e para oferecer um sacrifício, conforme o que diz a lei do Senhor: “Um par de rolas ou dois pombinhos”.
2:25 Havia em Jerusalém um homem chamado Simeão. Ele era justo e piedoso, esperava a consolação de Israel, e o Espírito Santo estava sobre ele.
2:26 O Espírito Santo lhe havia revelado que ele não veria a morte antes de ver o Cristo do Senhor.
2:27 Movido pelo Espírito, foi ao templo. Quando os pais levaram o menino Jesus para cumprir a seu respeito o costume da lei,
2:28 Simeão o tomou nos braços, bendisse a Deus e disse:
2:29 “Agora, Senhor soberano, despedes em paz o teu servo, conforme a tua palavra,
2:30 pois meus olhos viram a tua salvação,
2:31 que preparaste diante de todos os povos:
2:32 luz para revelação às nações e glória do teu povo Israel”.
2:33 O pai e a mãe do menino se admiravam do que era dito a respeito dele.
2:34 Simeão os abençoou e disse a Maria, a mãe do menino: “Este menino está destinado à queda e ao reerguimento de muitos em Israel e a ser um sinal ao qual se oporão
2:35 (e uma espada atravessará também a sua própria alma), para que sejam revelados os pensamentos de muitos corações”.
2:36 Havia também uma profetisa, Ana, filha de Fanuel, da tribo de Aser. Ela era de idade muito avançada; tinha vivido com o marido sete anos desde que se casara
2:37 e agora, viúva, tinha oitenta e quatro anos. Não se afastava do templo, servindo a Deus noite e dia com jejuns e orações.
2:38 Chegando naquele mesmo momento, ela dava graças a Deus e falava do menino a todos os que esperavam a redenção de Jerusalém.
2:39 Depois de cumprirem tudo conforme a lei do Senhor, voltaram à Galileia, à sua cidade de Nazaré.
2:40 O menino crescia e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria, e a graça de Deus estava sobre ele.
2:41 Todos os anos seus pais iam a Jerusalém para a festa da Páscoa.
2:42 Quando ele tinha doze anos, subiram conforme o costume da festa.
2:43 Terminados os dias da festa, seus pais voltaram, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém sem que eles soubessem.
2:44 Pensando que ele estava na caravana, caminharam um dia e começaram a procurá-lo entre os parentes e conhecidos.
2:45 Como não o encontraram, voltaram a Jerusalém à sua procura.
2:46 Depois de três dias o encontraram no templo, sentado entre os mestres, ouvindo-os e fazendo perguntas.
2:47 Todos os que o ouviam ficavam admirados com sua compreensão e suas respostas.
2:48 Quando seus pais o viram, ficaram espantados. Sua mãe lhe disse: “Filho, por que você fez isso conosco? Seu pai e eu estávamos aflitos, procurando você”.
2:49 Ele lhes respondeu: “Por que vocês estavam me procurando? Não sabiam que eu devo estar na casa de meu Pai?”.
2:50 Mas eles não compreenderam as palavras que ele lhes disse.
2:51 Então desceu com eles para Nazaré e lhes era obediente. Sua mãe guardava todas essas coisas no coração.
2:52 E Jesus crescia em sabedoria, estatura e graça diante de Deus e das pessoas.

Capítulo 3
3:1 No décimo quinto ano do governo de Tibério César, quando Pôncio Pilatos era governador da Judeia, Herodes era tetrarca da Galileia, seu irmão Filipe era tetrarca da Itureia e da região de Traconites, e Lisânias era tetrarca de Abilene,
3:2 durante o sumo sacerdócio de Anás e Caifás, a palavra de Deus veio a João, filho de Zacarias, no deserto.
3:3 Ele percorreu toda a região do Jordão, proclamando um batismo de arrependimento para o perdão dos pecados,
3:4 como está escrito no livro das palavras do profeta Isaías:
 “Voz de quem clama no deserto: ‘Preparem o caminho do Senhor;
   endireitem suas veredas.
3:5 Todo vale será aterrado, e todo monte e colina serão rebaixados.
   Os caminhos tortuosos se tornarão retos, e os acidentados, planos.
3:6 E toda a humanidade verá a salvação de Deus’”.
3:7 João dizia às multidões que saíam para ser batizadas por ele: “Raça de víboras! Quem avisou vocês para fugirem da ira que está por vir?
3:8 Produzam, portanto, frutos dignos de arrependimento e não comecem a dizer a si mesmos: ‘Temos Abraão por pai’. Pois eu lhes digo que destas pedras Deus pode fazer surgir filhos para Abraão.
3:9 O machado já está posto à raiz das árvores. Toda árvore que não produz bom fruto é cortada e lançada ao fogo”.
3:10 As multidões lhe perguntavam: “Então, o que devemos fazer?”.
3:11 Ele lhes respondia: “Quem tiver duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tiver comida faça o mesmo”.
3:12 Também vieram cobradores de impostos para ser batizados e lhe perguntaram: “Mestre, o que devemos fazer?”.
3:13 Ele lhes disse: “Não cobrem nada além do que foi determinado a vocês”.
3:14 Alguns soldados também lhe perguntavam: “E nós, o que devemos fazer?”. Ele lhes disse: “Não pratiquem extorsão contra ninguém nem façam falsas acusações, e se contentem com o seu salário”.
3:15 O povo estava na expectativa, e todos se perguntavam no coração se João não seria o Cristo.
3:16 João respondeu a todos: “Eu batizo vocês com água, mas vem aquele que é mais poderoso do que eu. Não sou digno de desamarrar a correia de suas sandálias. Ele batizará vocês com o Espírito Santo e com fogo.
3:17 Ele tem na mão a pá de joeirar, para limpar completamente a sua eira e recolher o trigo no celeiro; mas queimará a palha com fogo que não se apaga”.
3:18 Com muitas outras exortações, João anunciava as boas notícias ao povo.
3:19 Mas Herodes, o tetrarca, que era repreendido por João por causa de Herodias, a mulher de seu irmão, e por todas as maldades que havia cometido,
3:20 acrescentou a todas elas mais esta: encerrou João na prisão.
3:21 Quando todo o povo foi batizado, Jesus também foi batizado. Enquanto ele orava, o céu se abriu,
3:22 e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corporal, como uma pomba. Então veio uma voz do céu: “Você é meu Filho amado; em você me agrado”.
3:23 Jesus tinha cerca de trinta anos quando começou seu ministério. Era, como se pensava, filho de José, filho de Eli,
3:24 filho de Matate, filho de Levi, filho de Melqui, filho de Janai, filho de José,
3:25 filho de Matatias, filho de Amós, filho de Naum, filho de Esli, filho de Nagai,
3:26 filho de Maate, filho de Matatias, filho de Semeim, filho de Joseque, filho de Jodá,
3:27 filho de Joanã, filho de Resa, filho de Zorobabel, filho de Salatiel, filho de Neri,
3:28 filho de Melqui, filho de Adi, filho de Cosã, filho de Elmadã, filho de Er,
3:29 filho de Josué, filho de Eliézer, filho de Jorim, filho de Matate, filho de Levi,
3:30 filho de Simeão, filho de Judá, filho de José, filho de Jonã, filho de Eliaquim,
3:31 filho de Meleá, filho de Mená, filho de Matatá, filho de Natã, filho de Davi,
3:32 filho de Jessé, filho de Jobel, filho de Boaz, filho de Salá, filho de Naassom,
3:33 filho de Aminadabe, filho de Admim, filho de Arni, filho de Esrom, filho de Perez, filho de Judá,
3:34 filho de Jacó, filho de Isaque, filho de Abraão, filho de Terá, filho de Naor,
3:35 filho de Serugue, filho de Ragaú, filho de Pelegue, filho de Éber, filho de Salá,
3:36 filho de Cainã, filho de Arfaxade, filho de Sem, filho de Noé, filho de Lameque,
3:37 filho de Metusalém, filho de Enoque, filho de Jarede, filho de Maalalel, filho de Cainã,
3:38 filho de Enos, filho de Sete, filho de Adão, filho de Deus.

Capítulo 4
4:1 Jesus, cheio do Espírito Santo, voltou do Jordão e era guiado pelo Espírito no deserto
4:2 durante quarenta dias, sendo tentado pelo diabo. Não comeu nada naqueles dias e, quando eles terminaram, teve fome.
4:3 O diabo lhe disse: “Se você é Filho de Deus, diga a esta pedra que se transforme em pão”.
4:4 Jesus lhe respondeu: “Está escrito: ‘Nem só de pão viverá o homem’”.
4:5 O diabo o levou a um lugar elevado e lhe mostrou, num instante, todos os reinos do mundo habitado.
4:6 Então lhe disse: “Darei a você toda esta autoridade e a glória desses reinos, pois ela me foi entregue, e eu a dou a quem quero.
4:7 Portanto, se você me adorar, tudo será seu”.
4:8 Jesus lhe respondeu: “Está escrito: ‘Adore o Senhor, seu Deus, e sirva somente a ele’”.
4:9 Então o levou a Jerusalém, colocou-o no ponto mais alto do templo e lhe disse: “Se você é Filho de Deus, jogue-se daqui para baixo,
4:10 pois está escrito: ‘Ele dará ordens aos seus anjos a seu respeito, para que protejam você’,
4:11 e: ‘Eles o sustentarão nas mãos, para que seu pé não tropece em alguma pedra’”.
4:12 Jesus lhe respondeu: “Foi dito: ‘Não ponha à prova o Senhor, seu Deus’”.
4:13 Depois de terminar todas as tentações, o diabo se afastou dele até um momento oportuno.
4:14 Jesus voltou para a Galileia no poder do Espírito, e sua fama se espalhou por toda a região ao redor.
4:15 Ele ensinava nas sinagogas deles e era louvado por todos.
4:16 Foi a Nazaré, onde havia sido criado. No sábado, entrou na sinagoga, como era seu costume, e se levantou para ler.
4:17 Entregaram a ele o rolo do profeta Isaías. Ao desenrolá-lo, encontrou o lugar onde estava escrito:
4:18 “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para anunciar boas notícias aos pobres.
   Enviou-me para proclamar liberdade aos cativos e recuperação da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos,
4:19 para proclamar o ano do favor do Senhor”.
4:20 Então enrolou o rolo, devolveu-o ao assistente e se sentou. Os olhos de todos na sinagoga estavam fixos nele.
4:21 Ele começou a lhes dizer: “Hoje se cumpriu esta Escritura que vocês acabaram de ouvir”.
4:22 Todos falavam bem dele e se admiravam das palavras de graça que saíam de sua boca. E diziam: “Não é este o filho de José?”.
4:23 Ele lhes disse: “Sem dúvida vocês me citarão este provérbio: ‘Médico, cure a si mesmo!’. E dirão: ‘Faça também aqui, em sua própria terra, tudo o que ouvimos que aconteceu em Cafarnaum’”.
4:24 E acrescentou: “Em verdade lhes digo que nenhum profeta é bem recebido em sua própria terra.
4:25 Digo a vocês a verdade: havia muitas viúvas em Israel nos dias de Elias, quando o céu se fechou por três anos e seis meses e houve uma grande fome em toda a terra.
4:26 No entanto, Elias não foi enviado a nenhuma delas, mas a uma viúva em Sarepta, na região de Sidom.
4:27 Também havia muitos leprosos em Israel no tempo do profeta Eliseu, mas nenhum deles foi purificado, a não ser Naamã, o sírio”.
4:28 Ao ouvirem essas coisas, todos na sinagoga ficaram cheios de ira.
4:29 Levantaram-se, expulsaram Jesus da cidade e o levaram até a beira do monte sobre o qual a cidade deles estava construída, para atirá-lo lá de cima.
4:30 Mas ele passou pelo meio deles e seguiu seu caminho.
4:31 Então desceu a Cafarnaum, cidade da Galileia, e ensinava o povo aos sábados.
4:32 Eles ficavam admirados com seu ensino, porque sua palavra tinha autoridade.
4:33 Na sinagoga havia um homem que tinha um espírito demoníaco impuro. Ele gritou em alta voz:
4:34 “Ah! O que você tem a ver conosco, Jesus de Nazaré? Veio para nos destruir? Eu sei quem você é: o Santo de Deus!”.
4:35 Jesus o repreendeu: “Cale-se e saia dele!”. O demônio lançou o homem no meio deles e saiu dele sem lhe fazer mal algum.
4:36 Todos ficaram espantados e diziam uns aos outros: “Que palavra é esta? Com autoridade e poder ele dá ordens aos espíritos impuros, e eles saem!”.
4:37 E as notícias a respeito dele se espalhavam por todos os lugares da região.
4:38 Jesus saiu da sinagoga e entrou na casa de Simão. A sogra de Simão estava sofrendo com uma febre alta, e pediram a ele que a ajudasse.
4:39 Ele se colocou junto dela, repreendeu a febre, e a febre a deixou. No mesmo instante ela se levantou e começou a servi-los.
4:40 Ao pôr do sol, todos os que tinham doentes com diversas enfermidades os levavam a Jesus. Ele punha as mãos sobre cada um deles e os curava.
4:41 De muitos também saíam demônios, gritando: “Você é o Filho de Deus!”. Mas ele os repreendia e não os deixava falar, porque sabiam que ele era o Cristo.
4:42 Ao amanhecer, Jesus saiu e foi para um lugar solitário. As multidões o procuravam e, quando chegaram até ele, tentavam retê-lo para que não se afastasse delas.
4:43 Mas ele lhes disse: “Também devo anunciar às outras cidades as boas notícias do reino de Deus, pois para isso fui enviado”.
4:44 E pregava nas sinagogas da Judeia.

Capítulo 5
5:1 Certa vez, Jesus estava de pé junto ao lago de Genesaré, e a multidão se apertava ao seu redor para ouvir a palavra de Deus.
5:2 Ele viu dois barcos junto à margem do lago. Os pescadores tinham desembarcado e estavam lavando as redes.
5:3 Entrou num dos barcos, que pertencia a Simão, e lhe pediu que o afastasse um pouco da terra. Então se sentou e, do barco, ensinava as multidões.
5:4 Quando terminou de falar, disse a Simão: “Leve o barco para águas profundas, e lancem as redes de vocês para pescar”.
5:5 Simão respondeu: “Mestre, trabalhamos a noite inteira e não pegamos nada. Mas, por causa da sua palavra, lançarei as redes”.
5:6 Quando fizeram isso, pegaram uma grande quantidade de peixes, e suas redes começaram a se romper.
5:7 Fizeram sinais aos companheiros que estavam no outro barco para que viessem ajudá-los. Eles vieram, e encheram os dois barcos a ponto de começarem a afundar.
5:8 Ao ver isso, Simão Pedro caiu aos joelhos de Jesus e disse: “Senhor, afasta-te de mim, porque sou um homem pecador!”.
5:9 Pois ele e todos os que estavam com ele ficaram tomados de espanto por causa da pesca que tinham feito.
5:10 O mesmo aconteceu com Tiago e João, filhos de Zebedeu, que eram sócios de Simão. Então Jesus disse a Simão: “Não tenha medo. De agora em diante você será pescador de pessoas”.
5:11 Depois de levarem os barcos para a terra, deixaram tudo e o seguiram.
5:12 Quando Jesus estava numa das cidades, apareceu um homem coberto de lepra. Ao ver Jesus, caiu com o rosto em terra e lhe suplicou: “Senhor, se quiseres, podes me purificar”.
5:13 Jesus estendeu a mão, tocou nele e disse: “Quero. Fique purificado!”. No mesmo instante a lepra o deixou.
5:14 Jesus lhe ordenou que não contasse a ninguém e disse: “Vá, apresente-se ao sacerdote e ofereça pela sua purificação o que Moisés determinou, para servir de testemunho a eles”.
5:15 Mas as notícias a respeito de Jesus se espalhavam cada vez mais, e grandes multidões se reuniam para ouvi-lo e ser curadas de suas doenças.
5:16 Ele, porém, se retirava para lugares solitários e orava.
5:17 Certo dia, Jesus estava ensinando. Ali estavam sentados fariseus e mestres da lei, vindos de todas as aldeias da Galileia e da Judeia, e de Jerusalém. E o poder do Senhor estava com ele para curar.
5:18 Alguns homens traziam numa maca um homem paralítico e procuravam levá-lo para dentro e colocá-lo diante de Jesus.
5:19 Como não encontravam por onde entrar com ele por causa da multidão, subiram ao telhado e, por entre as telhas, o baixaram com a maca até o meio do grupo, diante de Jesus.
5:20 Vendo a fé deles, Jesus disse: “Homem, seus pecados estão perdoados”.
5:21 Os escribas e os fariseus começaram a pensar: “Quem é este que diz blasfêmias? Quem pode perdoar pecados, a não ser somente Deus?”.
5:22 Jesus, conhecendo seus pensamentos, lhes respondeu: “O que vocês estão pensando em seu coração?
5:23 O que é mais fácil: dizer ‘Seus pecados estão perdoados’, ou dizer ‘Levante-se e ande’?
5:24 Mas, para que vocês saibam que o Filho do Homem tem autoridade na terra para perdoar pecados” — disse ao paralítico —, “eu digo a você: levante-se, pegue sua maca e vá para casa”.
5:25 No mesmo instante, ele se levantou diante deles, pegou aquilo em que estivera deitado e foi para casa, glorificando a Deus.
5:26 Todos ficaram maravilhados e glorificavam a Deus. Cheios de temor, diziam: “Hoje vimos coisas extraordinárias!”.
5:27 Depois disso, Jesus saiu e viu um cobrador de impostos chamado Levi, sentado no posto de cobrança. Disse a ele: “Siga-me”.
5:28 Levi deixou tudo, levantou-se e passou a segui-lo.
5:29 Então Levi ofereceu a Jesus um grande banquete em sua casa. Uma grande multidão de cobradores de impostos e de outras pessoas estava à mesa com eles.
5:30 Os fariseus e os escribas deles murmuravam contra os discípulos de Jesus, dizendo: “Por que vocês comem e bebem com cobradores de impostos e pecadores?”.
5:31 Jesus lhes respondeu: “Os que têm saúde não precisam de médico, mas sim os doentes.
5:32 Não vim chamar justos, mas pecadores ao arrependimento”.
5:33 Eles lhe disseram: “Os discípulos de João jejuam com frequência e fazem orações, e o mesmo fazem os discípulos dos fariseus. Mas os seus comem e bebem”.
5:34 Jesus lhes disse: “Vocês podem fazer os convidados de um casamento jejuarem enquanto o noivo está com eles?
5:35 Mas virão dias em que o noivo será tirado deles. Então, naqueles dias, jejuarão”.
5:36 Também lhes contou uma parábola: “Ninguém rasga um pedaço de uma roupa nova para remendar uma velha. Se fizer isso, rasgará a nova, e o remendo tirado dela não combinará com a velha.
5:37 E ninguém põe vinho novo em odres velhos. Se fizer isso, o vinho novo arrebentará os odres, será derramado, e os odres se perderão.
5:38 Vinho novo deve ser posto em odres novos.
5:39 E ninguém, depois de beber vinho velho, quer o novo, pois diz: ‘O velho é bom’”.

Capítulo 6
6:1 Num sábado, Jesus atravessava uns campos de cereais. Seus discípulos arrancavam espigas, esfregavam-nas com as mãos e comiam os grãos.
6:2 Alguns fariseus disseram: “Por que vocês fazem o que não é permitido no sábado?”.
6:3 Jesus lhes respondeu: “Vocês nem sequer leram o que Davi fez quando ele e seus companheiros tiveram fome?
6:4 Como entrou na casa de Deus, pegou os pães da presença, comeu deles e os deu aos seus companheiros, embora só os sacerdotes tenham permissão para comê-los?”.
6:5 E lhes dizia: “O Filho do Homem é Senhor do sábado”.
6:6 Em outro sábado, Jesus entrou na sinagoga e ensinava. Havia ali um homem cuja mão direita era atrofiada.
6:7 Os escribas e os fariseus observavam Jesus para ver se ele curaria no sábado, a fim de encontrarem um motivo para acusá-lo.
6:8 Mas ele conhecia os pensamentos deles e disse ao homem que tinha a mão atrofiada: “Levante-se e fique de pé aqui no meio”. Ele se levantou e ficou de pé.
6:9 Então Jesus lhes disse: “Eu pergunto a vocês: no sábado é permitido fazer o bem ou fazer o mal, salvar uma vida ou destruí-la?”.
6:10 Depois de olhar para todos ao redor, disse ao homem: “Estenda a mão”. Ele fez isso, e sua mão foi restaurada.
6:11 Mas eles ficaram furiosos e discutiam entre si o que poderiam fazer contra Jesus.
6:12 Naqueles dias, Jesus foi ao monte para orar e passou a noite inteira em oração a Deus.
6:13 Ao amanhecer, chamou seus discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais também deu o nome de apóstolos:
6:14 Simão, a quem também deu o nome de Pedro, André, seu irmão, Tiago, João, Filipe, Bartolomeu,
6:15 Mateus, Tomé, Tiago, filho de Alfeu, Simão, chamado Zelote,
6:16 Judas, filho de Tiago, e Judas Iscariotes, que se tornou traidor.
6:17 Jesus desceu com eles e parou num lugar plano. Ali havia uma grande multidão de seus discípulos e muita gente de toda a Judeia, de Jerusalém e da região costeira de Tiro e Sidom,
6:18 que tinham vindo para ouvi-lo e ser curados de suas doenças. Também os que eram atormentados por espíritos impuros eram curados.
6:19 Toda a multidão procurava tocar nele, pois dele saía poder que curava a todos.
6:20 Então, olhando para seus discípulos, Jesus disse: “Bem-aventurados vocês, os pobres, pois de vocês é o reino de Deus.
6:21 Bem-aventurados vocês que agora têm fome, pois serão saciados. Bem-aventurados vocês que agora choram, pois irão rir.
6:22 Bem-aventurados são vocês quando as pessoas os odiarem, excluírem, insultarem e rejeitarem o nome de vocês como mau por causa do Filho do Homem.
6:23 Alegrem-se naquele dia e saltem de alegria, pois grande é a recompensa de vocês no céu. Era assim que os antepassados deles tratavam os profetas.
6:24 Mas ai de vocês, os ricos, pois já receberam sua consolação!
6:25 Ai de vocês que agora estão saciados, pois terão fome! Ai de vocês que agora riem, pois irão se lamentar e chorar!
6:26 Ai de vocês quando todos falarem bem de vocês, pois era assim que os antepassados deles tratavam os falsos profetas!
6:27 Mas a vocês que me ouvem eu digo: amem seus inimigos, façam o bem aos que os odeiam,
6:28 abençoem os que os amaldiçoam e orem pelos que os maltratam.
6:29 A quem lhe bater numa face, ofereça também a outra. E, se alguém tirar sua capa, não o impeça de levar também a túnica.
6:30 Dê a todo aquele que lhe pedir, e não exija de volta o que alguém tirar de você.
6:31 Tratem os outros como vocês querem que eles os tratem.
6:32 Se vocês amam os que os amam, que mérito têm? Até os pecadores amam aqueles que os amam.
6:33 E, se fazem o bem aos que lhes fazem o bem, que mérito têm? Até os pecadores fazem isso.
6:34 E, se emprestam àqueles de quem esperam receber de volta, que mérito têm? Até os pecadores emprestam a pecadores para receberem a mesma quantia de volta.
6:35 Mas amem seus inimigos, façam o bem e emprestem sem esperar nada em troca. A recompensa de vocês será grande, e vocês serão filhos do Altíssimo, pois ele é bondoso para com os ingratos e maus.
6:36 Sejam misericordiosos, como o Pai de vocês é misericordioso.
6:37 Não julguem, e não serão julgados. Não condenem, e não serão condenados. Perdoem, e serão perdoados.
6:38 Deem, e lhes será dado: uma boa medida, apertada, sacudida e transbordante será derramada no colo de vocês. Pois com a medida que vocês usarem também serão medidos”.
6:39 Também lhes contou uma parábola: “Pode um cego guiar outro cego? Não cairão os dois num buraco?
6:40 O discípulo não está acima de seu mestre, mas todo aquele que completar sua formação será como seu mestre.
6:41 Por que você olha para o cisco no olho de seu irmão e não percebe a viga no seu próprio olho?
6:42 Como pode dizer a seu irmão: ‘Irmão, deixe-me tirar o cisco do seu olho’, se você mesmo não vê a viga no seu olho? Hipócrita! Tire primeiro a viga do seu olho; então enxergará bem para tirar o cisco do olho de seu irmão.
6:43 Não há árvore boa que produza fruto podre, nem árvore podre que produza fruto bom.
6:44 Cada árvore é reconhecida pelo seu próprio fruto. Não se colhem figos dos espinheiros, nem uvas das sarças.
6:45 A pessoa boa tira o bem do bom tesouro de seu coração, e a pessoa má tira o mal do seu mau tesouro. Pois a boca fala do que transborda do coração.
6:46 Por que vocês me chamam ‘Senhor, Senhor’ e não fazem o que eu digo?
6:47 Vou mostrar a vocês a quem se parece todo aquele que vem a mim, ouve minhas palavras e as põe em prática:
6:48 é como um homem que, ao construir uma casa, cavou fundo e pôs o alicerce sobre a rocha. Quando veio a enchente, o rio bateu contra aquela casa, mas não conseguiu abalá-la, porque estava bem construída.
6:49 Mas quem ouve e não põe em prática é como um homem que construiu uma casa sobre a terra, sem alicerce. O rio bateu contra ela, e logo ela desabou. E foi grande a ruína daquela casa”.

Capítulo 7
7:1 Depois de terminar todas essas palavras diante do povo que o ouvia, Jesus entrou em Cafarnaum.
7:2 Um centurião tinha um escravo a quem estimava muito. Ele estava doente e à beira da morte.
7:3 Ao ouvir falar de Jesus, o centurião enviou a ele alguns anciãos dos judeus, pedindo que viesse salvar seu escravo.
7:4 Eles chegaram a Jesus e lhe pediram com insistência: “Ele merece que você lhe conceda isso,
7:5 pois ama a nossa nação e ele mesmo construiu a sinagoga para nós”.
7:6 Jesus foi com eles. Quando já estava perto da casa, o centurião enviou amigos para lhe dizer: “Senhor, não te incomodes, pois não sou digno de que entres debaixo do meu teto.
7:7 Por isso nem me considerei digno de ir a ti. Mas dize uma palavra, e que meu servo seja curado.
7:8 Pois eu também sou um homem sujeito à autoridade e tenho soldados sob minhas ordens. Digo a um: ‘Vá’, e ele vai; a outro: ‘Venha’, e ele vem; e ao meu escravo: ‘Faça isto’, e ele faz”.
7:9 Ao ouvir isso, Jesus se admirou dele e, voltando-se para a multidão que o seguia, disse: “Eu lhes digo que nem mesmo em Israel encontrei uma fé tão grande”.
7:10 Quando os enviados voltaram para casa, encontraram o escravo com saúde.
7:11 Pouco depois, Jesus foi a uma cidade chamada Naim. Seus discípulos e uma grande multidão iam com ele.
7:12 Ao se aproximar da porta da cidade, viu que levavam para fora um morto, filho único de sua mãe, que era viúva. Muita gente da cidade a acompanhava.
7:13 Ao vê-la, o Senhor teve compaixão dela e lhe disse: “Não chore”.
7:14 Então se aproximou e tocou no esquife. Os que o carregavam pararam, e ele disse: “Jovem, eu digo a você: levante-se!”.
7:15 O morto se sentou e começou a falar, e Jesus o entregou à sua mãe.
7:16 Todos ficaram tomados de temor e glorificavam a Deus, dizendo: “Um grande profeta surgiu entre nós!” e “Deus visitou seu povo!”.
7:17 Essas notícias a respeito de Jesus se espalharam por toda a Judeia e por toda a região ao redor.
7:18 Os discípulos de João lhe contaram todas essas coisas. Então João chamou dois de seus discípulos
7:19 e os enviou ao Senhor para perguntar: “Você é aquele que havia de vir, ou devemos esperar outro?”.
7:20 Ao chegarem a Jesus, os homens disseram: “João Batista nos enviou para perguntar a você: ‘Você é aquele que havia de vir, ou devemos esperar outro?’”.
7:21 Naquela mesma hora, Jesus curou muitos de doenças, sofrimentos e espíritos maus, e concedeu a visão a muitos cegos.
7:22 Então lhes respondeu: “Vão contar a João o que vocês viram e ouviram: os cegos recuperam a visão, os coxos andam, os leprosos são purificados, os surdos ouvem, os mortos ressuscitam e aos pobres são anunciadas boas notícias.
7:23 E bem-aventurado é aquele que não tropeça por minha causa”.
7:24 Depois que os mensageiros de João partiram, Jesus começou a falar às multidões a respeito de João: “O que vocês foram ver no deserto? Uma cana sacudida pelo vento?
7:25 Então, o que foram ver? Um homem vestido com roupas finas? Os que usam roupas luxuosas e vivem no luxo estão nos palácios.
7:26 Então, o que foram ver? Um profeta? Sim, eu lhes digo, e mais do que um profeta.
7:27 Este é aquele de quem está escrito: ‘Eis que envio meu mensageiro à sua frente; ele preparará diante de você o seu caminho’.
7:28 Eu lhes digo: entre os nascidos de mulher, ninguém é maior do que João. Mas o menor no reino de Deus é maior do que ele”.
7:29 (Todo o povo que o ouviu, inclusive os cobradores de impostos, reconheceu a justiça de Deus, pois havia recebido o batismo de João.
7:30 Mas os fariseus e os especialistas na lei rejeitaram o propósito de Deus para si mesmos, pois não tinham sido batizados por João.)
7:31 “Com quem, então, compararei as pessoas desta geração? Com quem elas se parecem?
7:32 São como crianças sentadas na praça, que gritam umas para as outras:
 ‘Tocamos flauta para vocês, e não dançaram;
   cantamos lamentos, e não choraram’.
7:33 Pois veio João Batista, que não come pão nem bebe vinho, e vocês dizem: ‘Ele tem um demônio’.
7:34 Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e vocês dizem: ‘Vejam um comilão e beberrão, amigo de cobradores de impostos e pecadores!’
7:35 Mas a sabedoria é reconhecida como justa por todos os seus filhos”.
7:36 Um dos fariseus convidou Jesus para comer com ele. Jesus entrou na casa do fariseu e se reclinou à mesa.
7:37 Uma mulher daquela cidade, que era pecadora, soube que Jesus estava à mesa na casa do fariseu e levou um frasco de alabastro com perfume.
7:38 Ela se colocou atrás dele, aos seus pés, chorando. Começou a molhar seus pés com lágrimas e os enxugava com os cabelos. Beijava seus pés e os ungia com o perfume.
7:39 Ao ver isso, o fariseu que o havia convidado pensou: “Se este homem fosse profeta, saberia quem é e que tipo de mulher é essa que toca nele, pois é pecadora”.
7:40 Jesus lhe disse: “Simão, tenho algo para dizer a você”. Ele respondeu: “Diga, Mestre”.
7:41 “Um credor tinha dois devedores. Um lhe devia quinhentos denários, e o outro, cinquenta.
7:42 Como não tinham com que pagar, ele perdoou a dívida dos dois. Qual deles o amará mais?”.
7:43 Simão respondeu: “Suponho que aquele a quem mais perdoou”. Jesus lhe disse: “Você julgou corretamente”.
7:44 Então, voltando-se para a mulher, disse a Simão: “Você vê esta mulher? Entrei em sua casa, e você não me deu água para os pés. Mas ela molhou meus pés com suas lágrimas e os enxugou com seus cabelos.
7:45 Você não me deu um beijo, mas ela, desde que entrei, não parou de beijar meus pés.
7:46 Você não ungiu minha cabeça com óleo, mas ela ungiu meus pés com perfume.
7:47 Por isso eu digo a você: os muitos pecados dela estão perdoados, pois ela amou muito. Mas aquele a quem pouco se perdoa, pouco ama”.
7:48 Então disse à mulher: “Seus pecados estão perdoados”.
7:49 Os que estavam à mesa com ele começaram a dizer entre si: “Quem é este que até perdoa pecados?”.
7:50 Mas Jesus disse à mulher: “Sua fé a salvou. Vá em paz”.

Capítulo 8
8:1 Depois disso, Jesus percorria cidades e aldeias, proclamando e anunciando as boas notícias do reino de Deus. Os Doze iam com ele,
8:2 assim como algumas mulheres que haviam sido curadas de espíritos maus e de doenças: Maria, chamada Madalena, de quem tinham saído sete demônios;
8:3 Joana, esposa de Cuza, administrador de Herodes; Susana e muitas outras, que os serviam com seus próprios bens.
8:4 Quando uma grande multidão se reuniu e pessoas de várias cidades vinham a ele, Jesus contou uma parábola:
8:5 “O semeador saiu para semear sua semente. Enquanto semeava, parte dela caiu à beira do caminho, foi pisada, e as aves do céu a comeram.
8:6 Outra parte caiu sobre a rocha e, depois de brotar, secou por falta de umidade.
8:7 Outra caiu entre espinhos, que cresceram junto com ela e a sufocaram.
8:8 E outra caiu em boa terra, brotou e produziu fruto, cem por um”. Ao dizer isso, exclamava: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”.
8:9 Seus discípulos lhe perguntaram o que significava aquela parábola.
8:10 Ele disse: “A vocês foi concedido conhecer os mistérios do reino de Deus. Aos demais, porém, se fala por parábolas, para que, vendo, não vejam e, ouvindo, não entendam.
8:11 Este é o sentido da parábola: a semente é a palavra de Deus.
8:12 Os que estão à beira do caminho são os que ouvem; depois vem o diabo e tira a palavra do coração deles, para que não venham a crer e ser salvos.
8:13 Os que estão sobre a rocha são os que, ao ouvirem, recebem a palavra com alegria, mas não têm raiz. Creem por algum tempo, mas na hora da provação se afastam.
8:14 A semente que caiu entre espinhos representa os que ouvem, mas, seguindo seu caminho, são sufocados pelas preocupações, riquezas e prazeres da vida, e seu fruto não chega a amadurecer.
8:15 A que caiu em boa terra representa os que ouvem a palavra com coração nobre e bom, a guardam e produzem fruto com perseverança.
8:16 Ninguém acende uma lâmpada para cobri-la com uma vasilha ou colocá-la debaixo da cama. Pelo contrário, coloca-a num suporte, para que os que entram vejam a luz.
8:17 Pois não há nada oculto que não venha a ser revelado, nem escondido que não venha a ser conhecido e trazido à luz.
8:18 Portanto, prestem atenção em como vocês ouvem. Pois a quem tem será dado; e de quem não tem será tirado até o que pensa ter”.
8:19 A mãe e os irmãos de Jesus foram vê-lo, mas não conseguiam chegar até ele por causa da multidão.
8:20 Então lhe avisaram: “Sua mãe e seus irmãos estão lá fora e querem ver você”.
8:21 Ele lhes respondeu: “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põem em prática”.
8:22 Certo dia, Jesus entrou num barco com seus discípulos e lhes disse: “Vamos atravessar para o outro lado do lago”. E partiram.
8:23 Enquanto navegavam, Jesus adormeceu. Uma forte tempestade de vento se abateu sobre o lago. O barco se enchia de água, e eles corriam perigo.
8:24 Os discípulos se aproximaram e o acordaram, dizendo: “Mestre, Mestre, estamos morrendo!”. Jesus se levantou e repreendeu o vento e a agitação das águas. Eles cessaram, e veio a calmaria.
8:25 Então lhes disse: “Onde está a fé de vocês?”. Tomados de medo e admiração, diziam uns aos outros: “Quem é este, que dá ordens até aos ventos e à água, e eles lhe obedecem?”.
8:26 Navegaram até a região dos gerasenos, que fica em frente à Galileia.
8:27 Quando Jesus desembarcou, veio ao seu encontro um homem da cidade que tinha demônios. Havia muito tempo ele não usava roupa e não morava numa casa, mas nos túmulos.
8:28 Ao ver Jesus, gritou, prostrou-se diante dele e disse em alta voz: “O que você tem a ver comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Eu lhe imploro: não me atormente!”.
8:29 Pois Jesus ordenava ao espírito impuro que saísse do homem. Muitas vezes o espírito se apoderava dele. Prendiam-no com correntes e grilhões e o vigiavam, mas ele arrebentava as amarras e era levado pelo demônio a lugares desertos.
8:30 Jesus lhe perguntou: “Qual é o seu nome?”. Ele respondeu: “Legião”, pois muitos demônios tinham entrado nele.
8:31 Eles suplicavam a Jesus que não lhes ordenasse ir para o abismo.
8:32 Havia ali uma grande manada de porcos pastando no monte. Os demônios pediram a Jesus que os deixasse entrar nos porcos, e ele permitiu.
8:33 Os demônios saíram do homem e entraram nos porcos. A manada se lançou precipício abaixo, para dentro do lago, e se afogou.
8:34 Quando os que cuidavam dos porcos viram o que havia acontecido, fugiram e contaram tudo na cidade e nos campos.
8:35 As pessoas saíram para ver o que tinha acontecido e foram até Jesus. Encontraram o homem de quem os demônios haviam saído sentado aos pés de Jesus, vestido e em perfeito juízo, e ficaram com medo.
8:36 Os que tinham visto contaram a eles como o homem endemoninhado havia sido salvo.
8:37 Todo o povo da região dos gerasenos pediu a Jesus que se afastasse deles, pois estavam tomados de muito medo. Então ele entrou no barco e voltou.
8:38 O homem de quem os demônios haviam saído lhe suplicava que o deixasse ficar com ele. Mas Jesus o despediu, dizendo:
8:39 “Volte para sua casa e conte tudo o que Deus fez por você”. Ele foi por toda a cidade proclamando tudo o que Jesus havia feito por ele.
8:40 Quando Jesus voltou, a multidão o recebeu, pois todos estavam esperando por ele.
8:41 Então chegou um homem chamado Jairo, que era dirigente da sinagoga. Ele caiu aos pés de Jesus e lhe suplicou que fosse à sua casa,
8:42 pois tinha uma filha única, de cerca de doze anos, que estava morrendo. Enquanto Jesus ia, a multidão o apertava.
8:43 Uma mulher sofria de uma hemorragia havia doze anos. Ela gastara tudo o que tinha com médicos, mas ninguém conseguira curá-la.
8:44 Ela se aproximou por trás de Jesus e tocou na borda de seu manto. No mesmo instante a hemorragia parou.
8:45 Jesus perguntou: “Quem tocou em mim?”. Como todos negavam, Pedro disse: “Mestre, as multidões rodeiam e apertam você”.
8:46 Mas Jesus disse: “Alguém tocou em mim, pois percebi que de mim saiu poder”.
8:47 Quando a mulher viu que não tinha passado despercebida, aproximou-se tremendo e se prostrou diante dele. Na presença de todo o povo, contou por que havia tocado nele e como fora curada no mesmo instante.
8:48 Então ele lhe disse: “Filha, sua fé a salvou. Vá em paz”.
8:49 Enquanto Jesus ainda falava, chegou alguém da casa do dirigente da sinagoga e disse: “Sua filha morreu. Não incomode mais o Mestre”.
8:50 Ao ouvir isso, Jesus respondeu a Jairo: “Não tenha medo. Apenas creia, e ela será salva”.
8:51 Quando chegou à casa, não deixou ninguém entrar com ele, a não ser Pedro, João, Tiago, o pai e a mãe da menina.
8:52 Todos choravam e se lamentavam por ela. Mas Jesus disse: “Não chorem, pois ela não morreu; está dormindo”.
8:53 Eles zombavam dele, pois sabiam que ela tinha morrido.
8:54 Mas Jesus a tomou pela mão e chamou em voz alta: “Menina, levante-se!”.
8:55 O espírito dela voltou, e ela se levantou no mesmo instante. Então Jesus mandou que lhe dessem de comer.
8:56 Os pais dela ficaram maravilhados, mas ele lhes ordenou que não contassem a ninguém o que havia acontecido.

Capítulo 9
9:1 Jesus reuniu os Doze e lhes deu poder e autoridade sobre todos os demônios e para curar doenças.
9:2 Ele os enviou para proclamar o reino de Deus e curar os enfermos.
9:3 E lhes disse: “Não levem nada para a viagem: nem bordão, nem bolsa, nem pão, nem dinheiro. Tampouco levem duas túnicas cada um.
9:4 Em qualquer casa em que entrarem, fiquem ali até partirem daquele lugar.
9:5 Se não receberem vocês, ao saírem daquela cidade sacudam o pó dos seus pés, como testemunho contra eles”.
9:6 Então partiram e percorreram as aldeias, anunciando as boas notícias e curando por toda parte.
9:7 Herodes, o tetrarca, ouviu falar de tudo o que estava acontecendo e ficou perplexo, pois alguns diziam que João havia ressuscitado dos mortos;
9:8 outros, que Elias tinha aparecido; e outros, que um dos antigos profetas havia ressuscitado.
9:9 Mas Herodes disse: “Eu mandei decapitar João. Quem, então, é este de quem ouço tais coisas?”. E procurava vê-lo.
9:10 Quando os apóstolos voltaram, contaram a Jesus tudo o que haviam feito. Ele os levou consigo e se retirou em particular para uma cidade chamada Betsaida.
9:11 Mas as multidões souberam disso e o seguiram. Ele as acolheu, lhes falava do reino de Deus e curava os que precisavam de cura.
9:12 O dia começava a declinar. Os Doze se aproximaram e lhe disseram: “Dispense a multidão, para que vá às aldeias e aos campos ao redor, encontre alojamento e consiga comida, pois aqui estamos num lugar deserto”.
9:13 Ele lhes disse: “Deem vocês mesmos de comer a eles”. Mas responderam: “Não temos mais que cinco pães e dois peixes, a menos que nós mesmos vamos comprar comida para todo este povo”.
9:14 Pois havia ali cerca de cinco mil homens. Jesus disse aos seus discípulos: “Façam que se sentem em grupos de cerca de cinquenta”.
9:15 Eles fizeram assim e mandaram que todos se sentassem.
9:16 Então Jesus pegou os cinco pães e os dois peixes, ergueu os olhos ao céu, os abençoou e os partiu. E os ia dando aos discípulos para que servissem à multidão.
9:17 Todos comeram e ficaram satisfeitos, e foram recolhidos doze cestos dos pedaços que sobraram.
9:18 Certa vez, Jesus estava orando em particular, e seus discípulos estavam com ele. Então lhes perguntou: “Quem as multidões dizem que eu sou?”.
9:19 Eles responderam: “João Batista; outros dizem que é Elias; e outros, que um dos antigos profetas ressuscitou”.
9:20 Então lhes perguntou: “E vocês, quem dizem que eu sou?”. Pedro respondeu: “O Cristo de Deus”.
9:21 Jesus os advertiu e lhes ordenou que não contassem isso a ninguém.
9:22 E disse: “É necessário que o Filho do Homem sofra muitas coisas, seja rejeitado pelos anciãos, pelos principais sacerdotes e pelos escribas, seja morto e ressuscite no terceiro dia”.
9:23 Então dizia a todos: “Se alguém quer vir após mim, negue a si mesmo, tome sua cruz a cada dia e me siga.
9:24 Pois quem quiser salvar sua vida a perderá; mas quem perder sua vida por minha causa a salvará.
9:25 De que adianta alguém ganhar o mundo inteiro e perder ou arruinar a si mesmo?
9:26 Pois, se alguém se envergonhar de mim e das minhas palavras, o Filho do Homem se envergonhará dele quando vier em sua glória e na glória do Pai e dos santos anjos.
9:27 Digo a vocês a verdade: alguns dos que estão aqui não provarão a morte antes de verem o reino de Deus”.
9:28 Cerca de oito dias depois dessas palavras, Jesus levou consigo Pedro, João e Tiago e subiu ao monte para orar.
9:29 Enquanto orava, a aparência de seu rosto mudou, e sua roupa ficou branca e resplandecente.
9:30 E dois homens conversavam com ele: eram Moisés e Elias,
9:31 que apareceram em glória e falavam de sua partida, que ele estava para cumprir em Jerusalém.
9:32 Pedro e seus companheiros estavam tomados de sono. Mas, quando ficaram bem despertos, viram a glória de Jesus e os dois homens que estavam com ele.
9:33 Quando os dois se afastavam de Jesus, Pedro lhe disse: “Mestre, é bom estarmos aqui. Vamos fazer três tendas: uma para você, uma para Moisés e uma para Elias”. Ele não sabia o que estava dizendo.
9:34 Enquanto dizia isso, veio uma nuvem e os cobriu com sua sombra. Eles ficaram com medo ao entrarem na nuvem.
9:35 Então veio da nuvem uma voz que dizia: “Este é meu Filho, o Escolhido. Ouçam-no!”.
9:36 Depois que a voz soou, Jesus estava sozinho. Eles guardaram silêncio e, naqueles dias, não contaram a ninguém nada do que tinham visto.
9:37 No dia seguinte, quando desceram do monte, uma grande multidão veio ao encontro de Jesus.
9:38 Um homem da multidão gritou: “Mestre, eu lhe suplico que olhe para meu filho, pois é o único que tenho.
9:39 Um espírito se apodera dele, e de repente ele grita. O espírito o sacode com violência, fazendo-o espumar, e mal se afasta dele, deixando-o machucado.
9:40 Supliquei aos seus discípulos que o expulsassem, mas eles não conseguiram”.
9:41 Jesus respondeu: “Ó geração incrédula e perversa! Até quando estarei com vocês e terei de suportá-los? Traga seu filho aqui”.
9:42 Enquanto o menino se aproximava, o demônio o lançou ao chão e o sacudiu com violência. Mas Jesus repreendeu o espírito impuro, curou o menino e o devolveu ao pai.
9:43 Todos ficaram admirados com a grandeza de Deus. Enquanto todos se maravilhavam de tudo o que Jesus fazia, ele disse aos seus discípulos:
9:44 “Prestem bem atenção a estas palavras: o Filho do Homem está para ser entregue nas mãos dos homens”.
9:45 Mas eles não entendiam essas palavras. Seu sentido lhes estava encoberto para que não o compreendessem, e tinham medo de perguntar a Jesus a respeito disso.
9:46 Surgiu entre eles uma discussão sobre qual deles seria o maior.
9:47 Jesus, conhecendo os pensamentos do coração deles, tomou uma criança e a colocou ao seu lado.
9:48 E lhes disse: “Quem recebe esta criança em meu nome recebe a mim; e quem me recebe, recebe aquele que me enviou. Pois aquele que é o menor entre todos vocês, esse é grande”.
9:49 João disse: “Mestre, vimos alguém expulsando demônios em seu nome e tentamos impedi-lo, porque ele não nos acompanha”.
9:50 Jesus lhe disse: “Não o impeçam, pois quem não é contra vocês é a favor de vocês”.
9:51 Quando se aproximou o tempo de ser levado ao céu, Jesus tomou a firme decisão de ir a Jerusalém.
9:52 Ele enviou mensageiros à sua frente. Eles foram e entraram numa aldeia de samaritanos para fazer os preparativos para ele.
9:53 Mas não o receberam, porque ele ia para Jerusalém.
9:54 Quando os discípulos Tiago e João viram isso, disseram: “Senhor, quer que mandemos descer fogo do céu para consumi-los?”.
9:55 Mas Jesus se voltou e os repreendeu.
9:56 E foram para outra aldeia.
9:57 Enquanto seguiam pelo caminho, alguém lhe disse: “Eu seguirei você aonde quer que vá”.
9:58 Jesus lhe respondeu: “As raposas têm tocas, e as aves do céu têm ninhos, mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça”.
9:59 Disse a outro: “Siga-me”. Mas ele respondeu: “Senhor, permita que eu vá primeiro sepultar meu pai”.
9:60 Jesus lhe disse: “Deixe que os mortos sepultem os seus próprios mortos. Você, porém, vá anunciar o reino de Deus”.
9:61 Outro ainda disse: “Eu o seguirei, Senhor, mas primeiro permita que eu me despeça dos de minha casa”.
9:62 Jesus lhe respondeu: “Ninguém que põe a mão no arado e olha para trás está apto para o reino de Deus”.

Capítulo 10
10:1 Depois disso, o Senhor designou outros setenta e dois e os enviou de dois em dois à sua frente, a toda cidade e lugar aonde ele estava para ir.
10:2 Ele lhes dizia: “A colheita é grande, mas os trabalhadores são poucos. Por isso, peçam ao Senhor da colheita que envie trabalhadores para a sua colheita.
10:3 Vão! Eu envio vocês como cordeiros para o meio de lobos.
10:4 Não levem bolsa de dinheiro, nem bolsa de viagem, nem sandálias, e não cumprimentem ninguém pelo caminho.
10:5 Em qualquer casa em que entrarem, digam primeiro: ‘Paz a esta casa’.
10:6 Se houver ali um filho da paz, a paz de vocês repousará sobre ele; se não, voltará para vocês.
10:7 Fiquem naquela mesma casa, comendo e bebendo o que lhes oferecerem, pois o trabalhador é digno de seu salário. Não mudem de casa em casa.
10:8 Quando entrarem numa cidade e forem recebidos, comam o que lhes servirem.
10:9 Curem os doentes que houver ali e digam a eles: ‘O reino de Deus se aproximou de vocês’.
10:10 Mas, quando entrarem numa cidade e não forem recebidos, saiam pelas ruas dela e digam:
10:11 ‘Até o pó da cidade de vocês que se grudou aos nossos pés nós sacudimos contra vocês. Saibam, porém, que o reino de Deus se aproximou’.
10:12 Eu lhes digo: naquele dia será mais tolerável para Sodoma do que para aquela cidade.
10:13 Ai de você, Corazim! Ai de você, Betsaida! Pois, se os milagres realizados entre vocês tivessem sido realizados em Tiro e Sidom, há muito elas teriam se arrependido, sentadas em pano de saco e cinzas.
10:14 Mas no juízo será mais tolerável para Tiro e Sidom do que para vocês.
10:15 E você, Cafarnaum, será elevada até o céu? Será rebaixada até o Hades!
10:16 Quem ouve vocês ouve a mim; quem rejeita vocês rejeita a mim; e quem me rejeita rejeita aquele que me enviou”.
10:17 Os setenta e dois voltaram com alegria, dizendo: “Senhor, até os demônios se submetem a nós em seu nome!”.
10:18 Ele lhes disse: “Eu via Satanás cair do céu como um relâmpago.
10:19 Eu dei a vocês autoridade para pisar serpentes e escorpiões e sobre todo o poder do inimigo, e nada lhes fará mal algum.
10:20 Mas não se alegrem porque os espíritos se submetem a vocês; alegrem-se porque os nomes de vocês estão escritos nos céus”.
10:21 Naquela mesma hora, Jesus se alegrou no Espírito Santo e disse: “Eu te louvo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas dos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim, Pai, pois assim foi do teu agrado”.
10:22 “Tudo me foi entregue por meu Pai. Ninguém sabe quem é o Filho, a não ser o Pai; nem quem é o Pai, a não ser o Filho e aquele a quem o Filho o quiser revelar”.
10:23 Então, voltando-se para os discípulos, disse em particular: “Bem-aventurados os olhos que veem o que vocês veem!
10:24 Pois eu lhes digo que muitos profetas e reis quiseram ver o que vocês veem e não viram, e ouvir o que vocês ouvem e não ouviram”.
10:25 Então um especialista na lei se levantou para pôr Jesus à prova e perguntou: “Mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna?”.
10:26 Jesus lhe disse: “O que está escrito na lei? Como você a lê?”.
10:27 Ele respondeu: “Ame o Senhor, seu Deus, de todo o seu coração, de toda a sua alma, com toda a sua força e com toda a sua mente; e ame o seu próximo como a si mesmo”.
10:28 Jesus lhe disse: “Você respondeu corretamente. Faça isso e viverá”.
10:29 Mas ele, querendo justificar a si mesmo, perguntou a Jesus: “E quem é o meu próximo?”.
10:30 Jesus respondeu: “Um homem descia de Jerusalém para Jericó e caiu nas mãos de assaltantes. Eles o despiram, espancaram e foram embora, deixando-o meio morto.
10:31 Por acaso, um sacerdote descia por aquele caminho e, ao vê-lo, passou pelo outro lado.
10:32 Do mesmo modo, um levita chegou ao lugar, viu o homem e passou pelo outro lado.
10:33 Mas um samaritano que estava viajando chegou perto dele e, ao vê-lo, teve compaixão.
10:34 Aproximou-se, enfaixou suas feridas, derramando nelas azeite e vinho. Depois o colocou sobre seu próprio animal, levou-o a uma hospedaria e cuidou dele.
10:35 No dia seguinte, tirou dois denários, deu-os ao hospedeiro e disse: ‘Cuide dele. Se gastar algo a mais, eu pagarei a você quando voltar’.
10:36 Qual desses três parece a você ter sido o próximo do homem que caiu nas mãos dos assaltantes?”.
10:37 Ele respondeu: “Aquele que teve misericórdia dele”. Então Jesus lhe disse: “Vá e faça o mesmo”.
10:38 Enquanto seguiam viagem, Jesus entrou numa aldeia, e uma mulher chamada Marta o recebeu.
10:39 Ela tinha uma irmã chamada Maria, que se sentou aos pés de Jesus e ouvia sua palavra.
10:40 Marta, porém, estava distraída com as muitas tarefas do serviço. Aproximou-se e disse: “Senhor, não se importa que minha irmã me tenha deixado sozinha para servir? Diga a ela que me ajude!”.
10:41 O Senhor lhe respondeu: “Marta, Marta, você está preocupada e inquieta com muitas coisas,
10:42 mas poucas coisas são necessárias, ou apenas uma. Maria escolheu a boa parte, e esta não lhe será tirada”.

Capítulo 11
11:1 Jesus estava orando em certo lugar. Quando terminou, um de seus discípulos lhe disse: “Senhor, ensine-nos a orar, como João também ensinou aos seus discípulos”.
11:2 Ele lhes disse: “Quando orarem, digam: ‘Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu reino.
11:3 Dá-nos a cada dia o pão de que precisamos.
11:4 Perdoa os nossos pecados, pois também nós perdoamos a todo aquele que nos deve. E não nos conduzas à tentação’”.
11:5 Então lhes disse: “Suponham que um de vocês tenha um amigo e vá procurá-lo à meia-noite, dizendo: ‘Amigo, empreste-me três pães,
11:6 pois um amigo meu chegou de viagem, e não tenho o que lhe oferecer’.
11:7 E que ele responda lá de dentro: ‘Não me incomode. A porta já está fechada, e meus filhos estão comigo na cama. Não posso me levantar para dar os pães a você’.
11:8 Eu lhes digo: mesmo que não se levante para lhe dar os pães por ser seu amigo, por causa de sua insistência se levantará e lhe dará tudo de que precisar.
11:9 Por isso eu lhes digo: peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta.
11:10 Pois todo aquele que pede recebe; quem busca encontra; e, a quem bate, a porta será aberta.
11:11 Qual pai entre vocês, se o filho lhe pedir um peixe, lhe dará uma serpente em lugar do peixe?
11:12 Ou, se lhe pedir um ovo, lhe dará um escorpião?
11:13 Se vocês, sendo maus, sabem dar boas dádivas aos seus filhos, quanto mais o Pai do céu dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem!”.
11:14 Jesus estava expulsando um demônio mudo. Quando o demônio saiu, o homem mudo falou, e as multidões ficaram admiradas.
11:15 Mas alguns disseram: “É por Belzebu, o príncipe dos demônios, que ele expulsa os demônios”.
11:16 Outros, para pô-lo à prova, pediam a ele um sinal do céu.
11:17 Mas Jesus conhecia seus pensamentos e lhes disse: “Todo reino dividido contra si mesmo fica devastado, e uma casa cai sobre outra.
11:18 Se Satanás também está dividido contra si mesmo, como seu reino permanecerá de pé? Pois vocês dizem que eu expulso os demônios por Belzebu.
11:19 Se eu expulso os demônios por Belzebu, por quem os filhos de vocês os expulsam? Por isso, eles serão os juízes de vocês.
11:20 Mas, se é pelo dedo de Deus que expulso os demônios, então o reino de Deus chegou a vocês.
11:21 Quando um homem forte e bem armado guarda sua casa, seus bens estão em segurança.
11:22 Mas, quando alguém mais forte o ataca e vence, tira dele toda a armadura em que confiava e reparte os seus despojos.
11:23 Quem não está comigo está contra mim, e quem não ajunta comigo espalha.
11:24 Quando um espírito impuro sai de uma pessoa, passa por lugares secos procurando descanso. Como não o encontra, diz: ‘Voltarei para a minha casa, de onde saí’.
11:25 Ao chegar, encontra a casa varrida e arrumada.
11:26 Então vai e traz outros sete espíritos piores do que ele. Eles entram e passam a morar ali, e o estado final daquela pessoa fica pior do que o primeiro”.
11:27 Enquanto Jesus dizia essas coisas, uma mulher da multidão levantou a voz e lhe disse: “Bem-aventurados o ventre que carregou você e os seios em que mamou!”.
11:28 Mas ele respondeu: “Antes, bem-aventurados os que ouvem a palavra de Deus e a guardam”.
11:29 À medida que as multidões se aglomeravam, Jesus começou a dizer: “Esta geração é uma geração má. Ela pede um sinal, mas nenhum sinal lhe será dado, a não ser o sinal de Jonas.
11:30 Pois, assim como Jonas foi um sinal para os ninivitas, o Filho do Homem também será um sinal para esta geração.
11:31 A rainha do Sul se levantará no juízo com os homens desta geração e os condenará, pois veio dos confins da terra para ouvir a sabedoria de Salomão. E aqui está algo maior do que Salomão.
11:32 Os homens de Nínive se levantarão no juízo com esta geração e a condenarão, pois se arrependeram com a pregação de Jonas. E aqui está algo maior do que Jonas.
11:33 Ninguém acende uma lâmpada e a coloca num lugar escondido ou debaixo de um cesto. Pelo contrário, coloca-a num suporte, para que os que entram vejam a luz.
11:34 Seu olho é a lâmpada do corpo. Quando seu olho está bom, todo o seu corpo fica iluminado; mas, quando está ruim, seu corpo também fica escuro.
11:35 Portanto, tenha cuidado para que a luz que há em você não seja escuridão.
11:36 Se todo o seu corpo estiver iluminado e não tiver nenhuma parte escura, ficará inteiramente iluminado, como quando uma lâmpada ilumina você com seu brilho”.
11:37 Quando Jesus terminou de falar, um fariseu o convidou para comer com ele. Jesus entrou e se reclinou à mesa.
11:38 O fariseu ficou admirado ao ver que ele não tinha se lavado antes da refeição.
11:39 Então o Senhor lhe disse: “Vocês, fariseus, limpam o lado de fora do copo e do prato, mas por dentro estão cheios de roubo e maldade.
11:40 Insensatos! Quem fez o lado de fora não fez também o de dentro?
11:41 Antes, deem como esmola o que está dentro, e tudo ficará limpo para vocês.
11:42 Mas ai de vocês, fariseus! Pois dão o dízimo da hortelã, da arruda e de toda hortaliça, mas deixam de lado a justiça e o amor de Deus. Vocês deveriam praticar estas coisas sem deixar de fazer aquelas.
11:43 Ai de vocês, fariseus! Pois amam os primeiros lugares nas sinagogas e as saudações nas praças.
11:44 Ai de vocês! Pois são como túmulos que não se veem, sobre os quais as pessoas andam sem saber”.
11:45 Um dos especialistas na lei lhe disse: “Mestre, ao dizer essas coisas, você também nos insulta”.
11:46 Jesus respondeu: “Ai também de vocês, especialistas na lei! Pois carregam as pessoas com fardos difíceis de levar, mas vocês mesmos não tocam nesses fardos nem com um dedo.
11:47 Ai de vocês! Pois constroem os túmulos dos profetas, mas os antepassados de vocês os mataram.
11:48 Assim, vocês são testemunhas e aprovam as obras dos seus antepassados: eles os mataram, e vocês constroem os túmulos.
11:49 Por isso a sabedoria de Deus também disse: ‘Enviarei a eles profetas e apóstolos; a alguns matarão, e a outros perseguirão’,
11:50 para que desta geração seja cobrado o sangue de todos os profetas derramado desde a fundação do mundo,
11:51 desde o sangue de Abel até o sangue de Zacarias, que morreu entre o altar e o santuário. Sim, eu lhes digo, isso será cobrado desta geração.
11:52 Ai de vocês, especialistas na lei! Pois tiraram a chave do conhecimento. Vocês mesmos não entraram e impediram os que estavam entrando”.
11:53 Quando Jesus saiu dali, os escribas e os fariseus começaram a pressioná-lo com dureza e a interrogá-lo sobre muitas coisas,
11:54 armando ciladas para apanhá-lo em alguma palavra que saísse de sua boca.

Capítulo 12
12:1 Enquanto isso, reuniram-se dezenas de milhares de pessoas, a ponto de pisarem umas nas outras. Jesus começou a dizer primeiro aos seus discípulos: “Cuidado com o fermento dos fariseus, que é a hipocrisia.
12:2 Não há nada encoberto que não será revelado, nem oculto que não será conhecido.
12:3 Por isso, tudo o que vocês disseram na escuridão será ouvido à luz, e o que sussurraram ao ouvido nos quartos será proclamado dos telhados.
12:4 Eu digo a vocês, meus amigos: não tenham medo dos que matam o corpo e depois não podem fazer mais nada.
12:5 Mas vou mostrar a vocês a quem devem temer: temam aquele que, depois de matar, tem autoridade para lançar na Geena. Sim, eu lhes digo, é a ele que devem temer.
12:6 Não se vendem cinco pardais por dois assários? No entanto, nenhum deles é esquecido diante de Deus.
12:7 Até os cabelos da cabeça de vocês estão todos contados. Não tenham medo; vocês valem mais do que muitos pardais.
12:8 Eu lhes digo: todo aquele que me reconhecer diante das pessoas, o Filho do Homem também o reconhecerá diante dos anjos de Deus.
12:9 Mas aquele que me negar diante das pessoas será negado diante dos anjos de Deus.
12:10 Todo aquele que disser uma palavra contra o Filho do Homem será perdoado; mas quem blasfemar contra o Espírito Santo não será perdoado.
12:11 Quando levarem vocês às sinagogas e diante dos governantes e das autoridades, não se preocupem com a maneira ou com as palavras de sua defesa, nem com o que devem dizer,
12:12 pois o Espírito Santo lhes ensinará naquela mesma hora o que devem dizer”.
12:13 Alguém da multidão lhe disse: “Mestre, diga a meu irmão que divida a herança comigo”.
12:14 Mas Jesus lhe respondeu: “Homem, quem me colocou como juiz ou repartidor sobre vocês?”.
12:15 Então lhes disse: “Tenham cuidado e se guardem de toda ganância, pois a vida de uma pessoa não consiste na abundância dos bens que possui”.
12:16 E lhes contou uma parábola: “As terras de um homem rico produziram uma grande colheita.
12:17 Ele pensou consigo mesmo: ‘O que farei? Não tenho onde guardar a minha colheita’.
12:18 Então disse: ‘Farei isto: derrubarei meus celeiros e construirei outros maiores. Ali guardarei todo o trigo e os meus bens,
12:19 e direi à minha alma: “Alma, você tem muitos bens guardados para muitos anos. Descanse, coma, beba e se alegre”’.
12:20 Mas Deus lhe disse: ‘Insensato! Nesta mesma noite exigirão de você a sua alma. E o que você preparou, de quem será?’.
12:21 Assim acontece com quem acumula tesouros para si, mas não é rico para com Deus”.
12:22 Então disse aos seus discípulos: “Por isso eu lhes digo: não se preocupem com a vida, quanto ao que comerão, nem com o corpo, quanto ao que vestirão.
12:23 Pois a vida é mais do que a comida, e o corpo, mais do que a roupa.
12:24 Observem os corvos: não semeiam nem colhem, não têm despensa nem celeiro, mas Deus os alimenta. Quanto mais vocês valem do que as aves!
12:25 Quem de vocês, por mais que se preocupe, pode acrescentar um só momento à sua vida?
12:26 Se não podem fazer nem mesmo uma coisa tão pequena, por que se preocupam com as outras?
12:27 Observem os lírios, como crescem. Não trabalham nem fiam. Mas eu lhes digo que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles.
12:28 Se Deus veste assim a erva que hoje está no campo e amanhã é lançada no forno, quanto mais vestirá vocês, gente de pouca fé!
12:29 Não fiquem buscando o que comer ou beber, nem vivam inquietos.
12:30 Pois as nações do mundo é que buscam todas essas coisas, mas o Pai de vocês sabe que precisam delas.
12:31 Busquem, antes, o reino dele, e essas coisas lhes serão acrescentadas.
12:32 Não tenha medo, pequeno rebanho, pois foi do agrado do Pai de vocês dar a vocês o reino.
12:33 Vendam seus bens e deem esmolas. Façam para vocês bolsas que não se desgastem, um tesouro inesgotável nos céus, onde o ladrão não se aproxima e a traça não destrói.
12:34 Pois onde estiver o tesouro de vocês, ali também estará o seu coração.
12:35 Estejam com a cintura cingida e as lâmpadas acesas.
12:36 Sejam como pessoas que esperam seu senhor voltar de uma festa de casamento, para lhe abrirem a porta assim que ele chegar e bater.
12:37 Bem-aventurados aqueles escravos que o senhor encontrar vigiando quando chegar. Em verdade lhes digo que ele cingirá a cintura, fará que se sentem à mesa e se aproximará para servi-los.
12:38 Mesmo que chegue na segunda ou na terceira vigília e os encontre assim, bem-aventurados serão eles.
12:39 Saibam disto: se o dono da casa soubesse a que hora o ladrão viria, não deixaria que sua casa fosse arrombada.
12:40 Estejam vocês também preparados, pois o Filho do Homem vem numa hora em que não esperam”.
12:41 Então Pedro perguntou: “Senhor, esta parábola é para nós ou também para todos?”.
12:42 O Senhor respondeu: “Quem é, então, o administrador fiel e prudente que seu senhor colocará à frente dos demais servos, para lhes dar a ração de alimento no tempo certo?
12:43 Bem-aventurado aquele escravo que seu senhor, ao chegar, encontrar fazendo assim.
12:44 Eu lhes digo a verdade: ele o colocará à frente de todos os seus bens.
12:45 Mas, se aquele escravo disser no coração: ‘Meu senhor está demorando a voltar’, e começar a espancar os criados e as criadas, a comer, beber e se embriagar,
12:46 o senhor daquele escravo chegará num dia em que ele não espera e numa hora que não sabe. Ele o cortará em dois e lhe dará um lugar com os infiéis.
12:47 O escravo que conhecia a vontade de seu senhor e não se preparou nem agiu conforme essa vontade receberá muitos açoites.
12:48 Mas aquele que não a conhecia e fez coisas dignas de açoites receberá poucos. De todo aquele a quem muito foi dado, muito será exigido; e daquele a quem muito foi confiado, ainda mais será pedido.
12:49 Vim lançar fogo sobre a terra, e como desejo que já estivesse aceso!
12:50 Mas tenho de ser batizado com um batismo, e como estou angustiado até que ele se cumpra!
12:51 Vocês pensam que vim trazer paz à terra? Não, eu lhes digo, mas divisão.
12:52 Pois, de agora em diante, cinco pessoas numa mesma casa estarão divididas: três contra duas e duas contra três.
12:53 Estarão divididos pai contra filho e filho contra pai, mãe contra filha e filha contra mãe, sogra contra nora e nora contra sogra”.
12:54 Ele também dizia às multidões: “Quando vocês veem uma nuvem se formando no oeste, logo dizem: ‘Vem chuva’, e assim acontece.
12:55 Quando veem o vento sul soprando, dizem: ‘Vai fazer calor’, e assim acontece.
12:56 Hipócritas! Vocês sabem interpretar o aspecto da terra e do céu. Como não sabem interpretar este tempo?
12:57 Por que também não julgam por si mesmos o que é justo?
12:58 Quando você estiver indo com seu adversário ao magistrado, esforce-se para chegar a um acordo com ele pelo caminho. Caso contrário, ele poderá arrastá-lo ao juiz, o juiz o entregará ao oficial, e o oficial o lançará na prisão.
12:59 Eu digo a você: de lá não sairá enquanto não pagar até o último lépton”.

Capítulo 13
13:1 Naquela mesma ocasião, algumas pessoas contaram a Jesus a respeito dos galileus cujo sangue Pilatos havia misturado com os sacrifícios deles.
13:2 Jesus lhes respondeu: “Vocês pensam que esses galileus eram mais pecadores do que todos os outros galileus, por terem sofrido essas coisas?
13:3 Eu lhes digo que não! Mas, se não se arrependerem, todos vocês perecerão igualmente.
13:4 Ou aqueles dezoito sobre os quais caiu a torre de Siloé e os matou, vocês pensam que eram mais culpados do que todos os outros habitantes de Jerusalém?
13:5 Eu lhes digo que não! Mas, se não se arrependerem, todos vocês perecerão da mesma maneira”.
13:6 Então contou esta parábola: “Um homem tinha uma figueira plantada em sua vinha. Foi procurar fruto nela e não encontrou.
13:7 Disse ao homem que cuidava da vinha: ‘Há três anos venho procurar fruto nesta figueira e não encontro. Corte-a! Por que ela continua ocupando a terra inutilmente?’.
13:8 Mas ele respondeu: ‘Senhor, deixe-a ainda este ano, até que eu cave ao redor dela e ponha esterco.
13:9 Se der fruto no futuro, muito bem; se não, o senhor a cortará’”.
13:10 Num sábado, Jesus estava ensinando numa das sinagogas.
13:11 Havia ali uma mulher que tinha um espírito de enfermidade havia dezoito anos. Ela andava encurvada e não conseguia se endireitar completamente.
13:12 Quando Jesus a viu, chamou-a e disse: “Mulher, você está livre da sua enfermidade”.
13:13 Então pôs as mãos sobre ela. No mesmo instante ela se endireitou e começou a glorificar a Deus.
13:14 Mas o dirigente da sinagoga ficou indignado porque Jesus havia curado no sábado e disse à multidão: “Há seis dias em que se deve trabalhar. Venham nesses dias para ser curados, e não no sábado”.
13:15 O Senhor lhe respondeu: “Hipócritas! No sábado, cada um de vocês não solta da manjedoura o seu boi ou o seu jumento e o leva para beber?
13:16 E esta mulher, filha de Abraão, que Satanás manteve presa por dezoito anos, não deveria ser solta dessa prisão no dia de sábado?”.
13:17 Quando ele disse essas coisas, todos os seus adversários ficaram envergonhados. E toda a multidão se alegrava com todas as coisas gloriosas que ele fazia.
13:18 Então Jesus disse: “Com o que se parece o reino de Deus? Com o que o compararei?
13:19 É como uma semente de mostarda que um homem pegou e plantou em seu jardim. Ela cresceu e se tornou uma árvore, e as aves do céu fizeram ninhos nos seus ramos”.
13:20 E disse outra vez: “Com o que compararei o reino de Deus?
13:21 É como o fermento que uma mulher pegou e escondeu em três medidas de farinha, até que toda a massa ficou fermentada”.
13:22 Jesus percorria cidades e aldeias, ensinando, enquanto seguia para Jerusalém.
13:23 Alguém lhe perguntou: “Senhor, são poucos os que se salvam?”. Ele lhes respondeu:
13:24 “Esforcem-se para entrar pela porta estreita, pois eu lhes digo que muitos tentarão entrar e não conseguirão.
13:25 Quando o dono da casa se levantar e fechar a porta, vocês ficarão do lado de fora, batendo à porta e dizendo: ‘Senhor, abra para nós!’. Mas ele lhes responderá: ‘Não sei de onde vocês são’.
13:26 Então vocês começarão a dizer: ‘Comemos e bebemos na sua presença, e você ensinou nas nossas praças’.
13:27 Mas ele lhes dirá: ‘Não sei de onde vocês são. Afastem-se de mim, todos vocês que praticam a injustiça!’.
13:28 Ali haverá choro e ranger de dentes, quando vocês virem Abraão, Isaque, Jacó e todos os profetas no reino de Deus, enquanto vocês são lançados fora.
13:29 Virão pessoas do leste e do oeste, do norte e do sul, e se sentarão à mesa no reino de Deus.
13:30 Há últimos que serão primeiros, e há primeiros que serão últimos”.
13:31 Naquela mesma hora, alguns fariseus se aproximaram e disseram a Jesus: “Saia e vá embora daqui, pois Herodes quer matar você”.
13:32 Ele lhes respondeu: “Vão dizer àquela raposa: ‘Eu expulso demônios e realizo curas hoje e amanhã, e no terceiro dia chegarei ao fim’.
13:33 Porém, devo seguir meu caminho hoje, amanhã e no dia seguinte, pois não cabe que um profeta morra fora de Jerusalém.
13:34 Jerusalém, Jerusalém, que mata os profetas e apedreja os que lhe são enviados! Quantas vezes quis reunir seus filhos como a galinha reúne seus pintinhos debaixo das asas, mas vocês não quiseram!
13:35 A casa de vocês fica abandonada. Eu lhes digo que não me verão até que chegue o momento em que digam: ‘Bendito o que vem em nome do Senhor’”.

Capítulo 14
14:1 Num sábado, Jesus entrou na casa de um dos principais fariseus para comer pão, e eles o observavam atentamente.
14:2 Diante dele estava um homem que sofria de hidropisia.
14:3 Então Jesus perguntou aos especialistas na lei e aos fariseus: “É permitido curar no sábado ou não?”.
14:4 Mas eles ficaram em silêncio. Jesus tomou o homem, o curou e o despediu.
14:5 Depois lhes disse: “Qual de vocês, se seu filho ou seu boi cair num poço, não o tirará imediatamente, mesmo em dia de sábado?”.
14:6 E eles não conseguiram responder a isso.
14:7 Ao observar como os convidados escolhiam os lugares de honra, Jesus lhes contou uma parábola:
14:8 “Quando alguém convidar você para uma festa de casamento, não ocupe o lugar de honra. Pode ser que ele tenha convidado alguém mais importante que você,
14:9 e aquele que convidou os dois venha lhe dizer: ‘Dê o lugar a este’. Então você terá de ocupar o último lugar, envergonhado.
14:10 Pelo contrário, quando for convidado, vá ocupar o último lugar. Assim, quando chegar aquele que convidou você, dirá: ‘Amigo, venha para um lugar mais acima’. Então você será honrado diante de todos os que estiverem à mesa com você.
14:11 Pois todo aquele que se exalta será humilhado, e aquele que se humilha será exaltado”.
14:12 Disse também ao homem que o havia convidado: “Quando oferecer um almoço ou um jantar, não convide seus amigos, seus irmãos, seus parentes ou seus vizinhos ricos. Se fizer isso, eles poderão convidar você em troca, e assim você terá sua recompensa.
14:13 Pelo contrário, quando oferecer um banquete, convide pobres, pessoas com deficiência física, coxos e cegos.
14:14 Você será bem-aventurado, pois eles não têm com que recompensá-lo. Sua recompensa virá na ressurreição dos justos”.
14:15 Ao ouvir isso, um dos que estavam à mesa lhe disse: “Bem-aventurado aquele que comer pão no reino de Deus!”.
14:16 Jesus lhe respondeu: “Um homem preparava um grande jantar e convidou muitas pessoas.
14:17 Na hora do jantar, enviou seu escravo para dizer aos convidados: ‘Venham, pois já está tudo pronto’.
14:18 Mas todos, sem exceção, começaram a se desculpar. O primeiro disse ao escravo: ‘Comprei um campo e preciso ir vê-lo. Peço que me dispense’.
14:19 Outro disse: ‘Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las. Peço que me dispense’.
14:20 E outro disse: ‘Casei-me e, por isso, não posso ir’.
14:21 O escravo voltou e contou essas coisas ao seu senhor. Então o dono da casa ficou irado e disse ao escravo: ‘Saia depressa pelas praças e ruas da cidade e traga aqui os pobres, as pessoas com deficiência física, os cegos e os coxos’.
14:22 O escravo disse: ‘Senhor, foi feito o que o senhor ordenou, e ainda há lugar’.
14:23 Então o senhor disse ao escravo: ‘Saia pelos caminhos e junto às cercas e obrigue as pessoas a entrar, para que minha casa fique cheia.
14:24 Pois eu digo a vocês: nenhum daqueles homens que foram convidados provará meu jantar’”.
14:25 Grandes multidões acompanhavam Jesus. Ele se voltou e lhes disse:
14:26 “Se alguém vem a mim e não odeia o próprio pai, a mãe, a esposa, os filhos, os irmãos, as irmãs e até a própria vida, não pode ser meu discípulo.
14:27 Quem vem após mim e não carrega sua própria cruz não pode ser meu discípulo.
14:28 Pois qual de vocês, querendo construir uma torre, não se senta primeiro para calcular o custo e ver se tem com que terminá-la?
14:29 Caso contrário, poderá lançar o alicerce e não conseguir terminar, e todos os que virem começarão a zombar dele,
14:30 dizendo: ‘Este homem começou a construir e não conseguiu terminar’.
14:31 Ou qual rei, quando vai guerrear contra outro rei, não se senta primeiro para avaliar se, com dez mil homens, pode enfrentar aquele que vem contra ele com vinte mil?
14:32 Se não puder, enquanto o outro ainda estiver longe, enviará uma delegação para pedir condições de paz.
14:33 Assim, qualquer um de vocês que não renuncia a tudo o que possui não pode ser meu discípulo.
14:34 O sal é bom. Mas, se até o sal perder o sabor, com que será temperado?
14:35 Não serve nem para a terra nem para o monte de esterco; é jogado fora. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça!”.

Capítulo 15
15:1 Todos os cobradores de impostos e os pecadores se aproximavam de Jesus para ouvi-lo.
15:2 Mas os fariseus e os escribas murmuravam: “Este homem acolhe pecadores e come com eles”.
15:3 Então Jesus lhes contou esta parábola:
15:4 “Quem de vocês, tendo cem ovelhas e perdendo uma delas, não deixa as noventa e nove no deserto e vai atrás da que se perdeu até encontrá-la?
15:5 Quando a encontra, põe a ovelha nos ombros, cheio de alegria,
15:6 e, ao chegar em casa, reúne os amigos e vizinhos e lhes diz: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei minha ovelha que estava perdida’.
15:7 Eu lhes digo que, da mesma forma, haverá mais alegria no céu por um pecador que se arrepende do que por noventa e nove justos que não precisam de arrependimento.
15:8 Ou qual mulher, tendo dez dracmas e perdendo uma, não acende uma lâmpada, varre a casa e procura com cuidado até encontrá-la?
15:9 Quando a encontra, reúne suas amigas e vizinhas e diz: ‘Alegrem-se comigo, pois encontrei a dracma que tinha perdido’.
15:10 Da mesma forma, eu lhes digo, há alegria diante dos anjos de Deus por um pecador que se arrepende”.
15:11 Jesus disse ainda: “Um homem tinha dois filhos.
15:12 O mais novo disse ao pai: ‘Pai, dê-me a parte dos bens que me cabe’. Então o pai repartiu os bens entre eles.
15:13 Poucos dias depois, o filho mais novo reuniu tudo o que tinha e partiu para um país distante. Ali desperdiçou seus bens, vivendo de modo desregrado.
15:14 Depois que gastou tudo, uma grande fome atingiu aquele país, e ele começou a passar necessidade.
15:15 Foi então trabalhar para um dos cidadãos daquele país, que o mandou aos seus campos para cuidar de porcos.
15:16 Ele desejava encher a barriga com as alfarrobas que os porcos comiam, mas ninguém lhe dava nada.
15:17 Então, caindo em si, disse: ‘Quantos empregados de meu pai têm pão de sobra, enquanto eu aqui morro de fome!
15:18 Vou me levantar, ir ao meu pai e lhe dizer: “Pai, pequei contra o céu e diante de você.
15:19 Já não sou digno de ser chamado seu filho. Trate-me como um dos seus empregados”’.
15:20 Então se levantou e foi ao seu pai. Quando ainda estava longe, seu pai o viu e teve compaixão. Correu, lançou-se ao pescoço do filho e o beijou afetuosamente.
15:21 O filho lhe disse: ‘Pai, pequei contra o céu e diante de você. Já não sou digno de ser chamado seu filho’.
15:22 Mas o pai disse aos seus escravos: ‘Depressa, tragam a melhor roupa e vistam-no. Ponham um anel na sua mão e sandálias nos seus pés.
15:23 Tragam o bezerro engordado e o matem. Vamos comer e festejar,
15:24 pois este meu filho estava morto e voltou a viver; estava perdido e foi encontrado’. E começaram a festejar.
15:25 O filho mais velho estava no campo. Quando voltou e se aproximou da casa, ouviu música e danças.
15:26 Chamou um dos criados e perguntou o que estava acontecendo.
15:27 Ele respondeu: ‘Seu irmão voltou, e seu pai matou o bezerro engordado porque o recebeu de volta com saúde’.
15:28 Mas ele ficou irado e não queria entrar. Então seu pai saiu e lhe suplicava que entrasse.
15:29 Ele, porém, respondeu ao pai: ‘Há tantos anos sirvo a você como escravo e nunca desobedeci a uma ordem sua. Mas você nunca me deu um cabrito para festejar com meus amigos.
15:30 Porém, quando chegou esse seu filho, que devorou seus bens com prostitutas, você matou para ele o bezerro engordado’.
15:31 O pai lhe disse: ‘Filho, você está sempre comigo, e tudo o que é meu é seu.
15:32 Mas era preciso festejar e nos alegrar, pois este seu irmão estava morto e voltou a viver; estava perdido e foi encontrado’”.

Capítulo 16
16:1 Jesus também dizia aos discípulos: “Havia um homem rico que tinha um administrador. Este foi acusado de desperdiçar os bens de seu senhor.
16:2 Então o senhor o chamou e lhe disse: ‘O que é isso que ouço a seu respeito? Preste contas da sua administração, pois você não pode mais continuar administrando’.
16:3 O administrador pensou consigo mesmo: ‘O que farei, já que meu senhor está tirando de mim a administração? Não tenho força para cavar e tenho vergonha de mendigar.
16:4 Já sei o que fazer para que, quando eu for afastado da administração, as pessoas me recebam em suas casas’.
16:5 Então chamou um por um os devedores de seu senhor e perguntou ao primeiro: ‘Quanto você deve ao meu senhor?’.
16:6 Ele respondeu: ‘Cem batos de azeite’. O administrador lhe disse: ‘Pegue sua conta, sente-se depressa e escreva cinquenta’.
16:7 Depois perguntou a outro: ‘E você, quanto deve?’. Ele respondeu: ‘Cem coros de trigo’. Disse a ele: ‘Pegue sua conta e escreva oitenta’.
16:8 E o senhor elogiou o administrador injusto porque havia agido com astúcia. Pois os filhos deste mundo são mais astutos no trato com sua própria geração do que os filhos da luz.
16:9 Eu lhes digo: façam amigos com as riquezas injustas, para que, quando elas acabarem, eles recebam vocês nas moradas eternas.
16:10 Quem é fiel no pouco também é fiel no muito; e quem é injusto no pouco também é injusto no muito.
16:11 Se vocês não foram fiéis nas riquezas injustas, quem lhes confiará o que é verdadeiro?
16:12 E, se não foram fiéis no que é dos outros, quem lhes dará o que é de vocês?
16:13 Nenhum criado pode servir a dois senhores. Pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e às riquezas”.
16:14 Os fariseus, que amavam o dinheiro, ouviam tudo isso e zombavam de Jesus.
16:15 Ele lhes disse: “Vocês são os que se justificam diante das pessoas, mas Deus conhece o coração de vocês. Pois aquilo que é exaltado entre as pessoas é abominação diante de Deus.
16:16 A lei e os profetas chegaram até João. Desde então, são anunciadas as boas notícias do reino de Deus, e todos se esforçam para entrar nele.
16:17 Mas é mais fácil passarem o céu e a terra do que cair um só traço da lei.
16:18 Todo aquele que se divorcia de sua esposa e se casa com outra comete adultério; e quem se casa com uma mulher divorciada de seu marido comete adultério.
16:19 Havia um homem rico que se vestia de púrpura e linho fino e vivia festejando com luxo todos os dias.
16:20 Um pobre chamado Lázaro estava deitado junto ao portão dele, coberto de feridas,
16:21 desejando se saciar com o que caía da mesa do rico. Até os cães vinham lamber suas feridas.
16:22 O pobre morreu e foi levado pelos anjos ao seio de Abraão. O rico também morreu e foi sepultado.
16:23 No Hades, em meio a tormentos, ergueu os olhos e viu Abraão ao longe, e Lázaro no seio dele.
16:24 Então gritou: ‘Pai Abraão, tenha misericórdia de mim! Envie Lázaro para molhar a ponta do dedo na água e refrescar minha língua, pois estou sofrendo nesta chama’.
16:25 Mas Abraão disse: ‘Filho, lembre-se de que você recebeu seus bens durante a vida, enquanto Lázaro recebeu males. Agora ele é consolado aqui, e você sofre.
16:26 Além de tudo isso, um grande abismo foi estabelecido entre nós e vocês, de modo que os que querem passar daqui para vocês não podem, e os de lá não podem atravessar para nós’.
16:27 Então ele disse: ‘Peço, pois, pai, que envie Lázaro à casa de meu pai,
16:28 pois tenho cinco irmãos. Que ele os advirta, para que também não venham para este lugar de tormento’.
16:29 Abraão respondeu: ‘Eles têm Moisés e os profetas. Que os ouçam’.
16:30 Ele disse: ‘Não, pai Abraão! Mas, se alguém dentre os mortos for até eles, eles se arrependerão’.
16:31 Abraão lhe respondeu: ‘Se não ouvem Moisés e os profetas, não se deixarão convencer nem mesmo se alguém ressuscitar dos mortos’”.

Capítulo 17
17:1 Jesus disse aos seus discípulos: “É inevitável que venham tropeços, mas ai daquele por meio de quem eles vêm!
17:2 Seria melhor para ele que lhe pendurassem uma pedra de moinho no pescoço e o lançassem ao mar do que fazer tropeçar um destes pequeninos.
17:3 Tenham cuidado consigo mesmos. Se seu irmão pecar, repreenda-o; e, se ele se arrepender, perdoe-o.
17:4 Mesmo que ele peque contra você sete vezes no dia e sete vezes volte a você, dizendo: ‘Estou arrependido’, perdoe-o”.
17:5 Os apóstolos disseram ao Senhor: “Aumenta a nossa fé!”.
17:6 O Senhor respondeu: “Se vocês tivessem fé como uma semente de mostarda, diriam a esta amoreira: ‘Seja arrancada pela raiz e plantada no mar’, e ela lhes obedeceria.
17:7 Qual de vocês, tendo um escravo que trabalha no arado ou cuida do rebanho, lhe dirá, quando ele voltar do campo: ‘Venha depressa e sente-se à mesa’?
17:8 Não dirá, antes: ‘Prepare meu jantar, cinja a cintura e me sirva enquanto eu como e bebo; depois você comerá e beberá’?
17:9 Por acaso ele agradece ao escravo por ter feito o que foi mandado?
17:10 Assim também vocês, quando fizerem tudo o que lhes foi ordenado, digam: ‘Somos escravos inúteis; fizemos o que devíamos fazer’”.
17:11 A caminho de Jerusalém, Jesus passava entre Samaria e Galileia.
17:12 Ao entrar numa aldeia, dez homens leprosos vieram ao seu encontro. Eles pararam a distância
17:13 e levantaram a voz, dizendo: “Jesus, Mestre, tem misericórdia de nós!”.
17:14 Ao vê-los, Jesus lhes disse: “Vão se apresentar aos sacerdotes”. E, enquanto iam, foram purificados.
17:15 Um deles, ao ver que estava curado, voltou, glorificando a Deus em alta voz.
17:16 Caiu com o rosto em terra aos pés de Jesus e lhe agradeceu. E ele era samaritano.
17:17 Então Jesus perguntou: “Não foram purificados os dez? Onde estão os nove?
17:18 Não houve quem voltasse para dar glória a Deus, a não ser este estrangeiro?”.
17:19 E lhe disse: “Levante-se e vá. Sua fé o salvou”.
17:20 Os fariseus perguntaram a Jesus quando viria o reino de Deus. Ele lhes respondeu: “O reino de Deus não vem de um modo que se possa observar.
17:21 Nem dirão: ‘Vejam, está aqui!’ ou ‘Está ali!’ Pois o reino de Deus está entre vocês”.
17:22 Então disse aos discípulos: “Virão dias em que vocês desejarão ver um dos dias do Filho do Homem e não verão.
17:23 Dirão a vocês: ‘Vejam, está ali!’ ou ‘Vejam, está aqui!’ Não vão nem corram atrás deles.
17:24 Pois, assim como o relâmpago brilha de uma extremidade do céu à outra, assim será o Filho do Homem no seu dia.
17:25 Mas primeiro ele deve sofrer muitas coisas e ser rejeitado por esta geração.
17:26 Assim como aconteceu nos dias de Noé, também acontecerá nos dias do Filho do Homem.
17:27 Comiam, bebiam, casavam-se e eram dados em casamento até o dia em que Noé entrou na arca. Então veio o dilúvio e destruiu a todos.
17:28 O mesmo aconteceu nos dias de Ló: comiam, bebiam, compravam, vendiam, plantavam e construíam.
17:29 Mas, no dia em que Ló saiu de Sodoma, choveu do céu fogo e enxofre e destruiu a todos.
17:30 Assim será no dia em que o Filho do Homem for revelado.
17:31 Naquele dia, quem estiver no terraço e tiver seus bens dentro de casa não desça para pegá-los. Da mesma forma, quem estiver no campo não volte para trás.
17:32 Lembrem-se da mulher de Ló.
17:33 Quem procurar conservar sua vida a perderá; mas quem a perder a manterá viva.
17:34 Eu lhes digo: naquela noite, dois estarão numa mesma cama; um será levado, e o outro será deixado.
17:35 Duas mulheres estarão moendo juntas; uma será levada, e a outra será deixada.
17:36 [Dois estarão no campo; um será levado, e o outro será deixado”.]
17:37 Então eles lhe perguntaram: “Onde, Senhor?”. Ele lhes respondeu: “Onde estiver o corpo, ali também se reunirão as águias”.

Capítulo 18
18:1 Jesus lhes contou uma parábola para mostrar que deviam orar sempre e não desanimar.
18:2 Ele disse: “Em certa cidade havia um juiz que não temia a Deus nem respeitava ninguém.
18:3 Naquela cidade havia também uma viúva que ia procurá-lo, dizendo: ‘Faça-me justiça contra o meu adversário’.
18:4 Durante algum tempo ele não quis, mas depois pensou consigo mesmo: ‘Embora eu não tema a Deus nem respeite ninguém,
18:5 como esta viúva está me incomodando, farei justiça a ela, para que não acabe me esgotando com suas constantes visitas’”.
18:6 Então o Senhor disse: “Ouçam o que diz o juiz injusto.
18:7 E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a ele dia e noite? Demorará em atendê-los?
18:8 Eu lhes digo que logo fará justiça a eles. Mas, quando o Filho do Homem vier, encontrará fé na terra?”.
18:9 Jesus também contou esta parábola a alguns que confiavam em si mesmos, considerando-se justos, e desprezavam os outros:
18:10 “Dois homens subiram ao templo para orar: um era fariseu, e o outro, cobrador de impostos.
18:11 O fariseu, de pé, orava assim consigo mesmo: ‘Ó Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, injustos, adúlteros, nem mesmo como este cobrador de impostos.
18:12 Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo o que adquiro’.
18:13 Mas o cobrador de impostos ficou de pé a distância e nem sequer queria levantar os olhos ao céu. Batia no peito e dizia: ‘Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!’
18:14 Eu lhes digo que este voltou para casa justificado, e não o outro. Pois todo aquele que se exalta será humilhado, e aquele que se humilha será exaltado”.
18:15 Também levavam bebês a Jesus, para que ele os tocasse. Ao verem isso, os discípulos repreendiam os que os levavam.
18:16 Mas Jesus chamou as crianças para perto de si e disse: “Deixem as crianças vir a mim e não as impeçam, pois o reino de Deus pertence aos que são como elas.
18:17 Em verdade lhes digo: quem não receber o reino de Deus como uma criança jamais entrará nele”.
18:18 Um dirigente lhe perguntou: “Bom Mestre, o que devo fazer para herdar a vida eterna?”.
18:19 Jesus lhe respondeu: “Por que você me chama bom? Ninguém é bom, a não ser um só: Deus.
18:20 Você conhece os mandamentos: ‘Não cometa adultério, não assassine, não furte, não dê falso testemunho; honre seu pai e sua mãe’”.
18:21 Ele disse: “Tenho guardado tudo isso desde a minha juventude”.
18:22 Ao ouvir isso, Jesus lhe disse: “Ainda lhe falta uma coisa: venda tudo o que tem e distribua aos pobres, e terá um tesouro nos céus. Depois venha e siga-me”.
18:23 Mas, ao ouvir essas palavras, ele ficou muito triste, pois era muito rico.
18:24 Jesus olhou para ele e disse: “Como é difícil para os que têm riquezas entrar no reino de Deus!
18:25 Pois é mais fácil um camelo entrar pelo buraco de uma agulha do que um rico entrar no reino de Deus”.
18:26 Os que ouviram perguntaram: “Então, quem pode ser salvo?”.
18:27 Ele respondeu: “O que é impossível para as pessoas é possível para Deus”.
18:28 Então Pedro disse: “Nós deixamos o que era nosso e seguimos você”.
18:29 Jesus lhes disse: “Em verdade lhes digo: não há ninguém que tenha deixado casa, esposa, irmãos, pais ou filhos por causa do reino de Deus
18:30 que não receba muitas vezes mais neste tempo e, na era que virá, a vida eterna”.
18:31 Jesus tomou os Doze à parte e lhes disse: “Estamos subindo para Jerusalém, e tudo o que foi escrito pelos profetas a respeito do Filho do Homem se cumprirá.
18:32 Pois ele será entregue aos gentios; zombarão dele, o insultarão e cuspirão nele.
18:33 Depois de o açoitarem, o matarão, e no terceiro dia ele ressuscitará”.
18:34 Mas eles não compreenderam nada disso. O sentido dessas palavras lhes estava oculto, e não entendiam o que era dito.
18:35 Quando Jesus se aproximava de Jericó, um cego estava sentado à beira do caminho, pedindo esmolas.
18:36 Ao ouvir a multidão passando, ele perguntou o que estava acontecendo.
18:37 Disseram a ele que Jesus, o Nazareno, estava passando.
18:38 Então ele gritou: “Jesus, Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”.
18:39 Os que iam à frente o repreendiam para que se calasse, mas ele gritava ainda mais: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!”.
18:40 Jesus parou e mandou que o trouxessem. Quando o homem chegou perto, perguntou a ele:
18:41 “O que você quer que eu faça por você?”. Ele respondeu: “Senhor, que eu receba a visão”.
18:42 Jesus lhe disse: “Receba a visão. Sua fé o salvou”.
18:43 No mesmo instante ele recebeu a visão e passou a seguir Jesus, glorificando a Deus. Todo o povo, ao ver isso, deu louvor a Deus.

Capítulo 19
19:1 Jesus entrou em Jericó e atravessava a cidade.
19:2 Havia ali um homem chamado Zaqueu, que era chefe dos cobradores de impostos e era rico.
19:3 Ele procurava ver quem era Jesus, mas não conseguia por causa da multidão, pois era de baixa estatura.
19:4 Então correu adiante e subiu num sicômoro para vê-lo, pois Jesus ia passar por ali.
19:5 Quando Jesus chegou àquele lugar, olhou para cima e lhe disse: “Zaqueu, desça depressa, pois hoje devo ficar em sua casa”.
19:6 Ele desceu depressa e o recebeu com alegria.
19:7 Ao verem isso, todos murmuravam: “Ele foi se hospedar na casa de um pecador”.
19:8 Mas Zaqueu se levantou e disse ao Senhor: “Senhor, dou aos pobres a metade dos meus bens e, se extorqui alguma coisa de alguém, devolvo quatro vezes o valor”.
19:9 Jesus lhe disse: “Hoje a salvação chegou a esta casa, pois ele também é filho de Abraão.
19:10 Pois o Filho do Homem veio buscar e salvar o que estava perdido”.
19:11 Enquanto ouviam essas coisas, Jesus contou ainda uma parábola, pois estava perto de Jerusalém, e eles pensavam que o reino de Deus ia se manifestar imediatamente.
19:12 Então disse: “Um homem de origem nobre partiu para um país distante, a fim de receber um reino e voltar.
19:13 Chamou dez de seus escravos, deu a eles dez minas de prata, cerca de cinco quilos ao todo, e lhes disse: ‘Negociem com isso até que eu volte’.
19:14 Mas seus concidadãos o odiavam e enviaram uma delegação atrás dele, dizendo: ‘Não queremos que este homem reine sobre nós’.
19:15 Quando voltou, depois de receber o reino, mandou chamar os escravos a quem dera o dinheiro, para saber o que tinham ganho negociando.
19:16 O primeiro se apresentou e disse: ‘Senhor, sua mina rendeu dez minas’.
19:17 Ele lhe disse: ‘Muito bem, bom escravo! Porque você foi fiel no muito pouco, tenha autoridade sobre dez cidades’.
19:18 O segundo veio e disse: ‘Senhor, sua mina produziu cinco minas’.
19:19 Ele também disse a este: ‘Você também ficará à frente de cinco cidades’.
19:20 Veio outro e disse: ‘Senhor, aqui está a sua mina, que guardei num lenço.
19:21 Pois eu tinha medo do senhor, porque é um homem severo: retira o que não depositou e colhe o que não semeou’.
19:22 Ele lhe disse: ‘Por suas próprias palavras eu o julgo, escravo mau! Você sabia que sou um homem severo, que retiro o que não depositei e colho o que não semeei?
19:23 Por que, então, não pôs meu dinheiro no banco? Ao voltar, eu o teria recebido com juros’.
19:24 Então disse aos que estavam ali: ‘Tirem dele a mina e deem a quem tem dez minas’.
19:25 Eles lhe disseram: ‘Senhor, ele já tem dez minas!’
19:26 ‘Eu digo a vocês: a todo aquele que tem será dado; mas de quem não tem será tirado até o que tem.
19:27 Quanto a esses meus inimigos que não quiseram que eu reinasse sobre eles, tragam-nos aqui e os matem diante de mim’”.
19:28 Depois de dizer essas coisas, Jesus foi adiante deles, subindo para Jerusalém.
19:29 Ao se aproximar de Betfagé e Betânia, junto ao monte chamado das Oliveiras, enviou dois de seus discípulos,
19:30 dizendo: “Vão à aldeia que está em frente. Ao entrarem nela, encontrarão um jumentinho amarrado, em que ninguém jamais montou. Desamarrem-no e o tragam.
19:31 Se alguém perguntar: ‘Por que estão desamarrando o animal?’, respondam: ‘O Senhor precisa dele’”.
19:32 Os enviados foram e encontraram tudo como ele lhes havia dito.
19:33 Enquanto desamarravam o jumentinho, os donos lhes perguntaram: “Por que estão desamarrando o jumentinho?”.
19:34 Eles responderam: “O Senhor precisa dele”.
19:35 Levaram-no a Jesus, puseram seus mantos sobre o jumentinho e fizeram Jesus montar.
19:36 Enquanto ele seguia, as pessoas estendiam seus mantos pelo caminho.
19:37 Quando já se aproximava da descida do monte das Oliveiras, toda a multidão dos discípulos começou a louvar a Deus com alegria e em alta voz, por todos os milagres que haviam visto.
19:38 Diziam: “Bendito o Rei que vem em nome do Senhor!
   Paz no céu e glória nas alturas!”.
19:39 Alguns fariseus que estavam na multidão lhe disseram: “Mestre, repreenda os seus discípulos”.
19:40 Ele respondeu: “Eu lhes digo que, se eles se calarem, as pedras clamarão”.
19:41 Quando se aproximou e viu a cidade, Jesus chorou por ela,
19:42 dizendo: “Se você também soubesse, neste dia, o que conduz à paz! Mas agora isso está oculto aos seus olhos.
19:43 Pois virão dias em que os seus inimigos levantarão uma paliçada contra você, a cercarão e a apertarão por todos os lados.
19:44 Arrasarão você e seus filhos que estão dentro de você e não deixarão em você pedra sobre pedra, porque não reconheceu o tempo em que foi visitada”.
19:45 Então Jesus entrou no templo e começou a expulsar os vendedores,
19:46 dizendo a eles: “Está escrito: ‘E minha casa será casa de oração’. Mas vocês fizeram dela um covil de assaltantes”.
19:47 Ele ensinava todos os dias no templo. Os principais sacerdotes, os escribas e os líderes do povo procuravam matá-lo,
19:48 mas não encontravam o que fazer, pois todo o povo o ouvia com muita atenção.

Capítulo 20
20:1 Certo dia, enquanto Jesus ensinava o povo no templo e anunciava as boas notícias, os principais sacerdotes e os escribas se aproximaram com os anciãos
20:2 e lhe disseram: “Diga-nos: com que autoridade você faz estas coisas? Ou quem lhe deu esta autoridade?”.
20:3 Ele lhes respondeu: “Eu também farei uma pergunta a vocês. Respondam-me:
20:4 o batismo de João vinha do céu ou dos homens?”.
20:5 Eles discutiam entre si: “Se dissermos: ‘Do céu’, ele dirá: ‘Por que vocês não creram nele?’
20:6 Mas, se dissermos: ‘Dos homens’, todo o povo nos apedrejará, pois está convencido de que João era profeta”.
20:7 Então responderam que não sabiam de onde vinha.
20:8 Jesus lhes disse: “Eu também não direi a vocês com que autoridade faço estas coisas”.
20:9 Então começou a contar ao povo esta parábola: “Um homem plantou uma vinha, arrendou-a a uns lavradores e se ausentou por muito tempo.
20:10 Na época da colheita, enviou um escravo aos lavradores, para que lhe dessem parte dos frutos da vinha. Mas eles o espancaram e o mandaram embora de mãos vazias.
20:11 Enviou outro escravo, mas também o espancaram, o humilharam e o mandaram embora de mãos vazias.
20:12 Ainda enviou um terceiro, mas também o feriram e o expulsaram.
20:13 Então o senhor da vinha disse: ‘O que farei? Enviarei meu filho amado. Talvez a ele respeitem’.
20:14 Mas, quando os lavradores o viram, disseram uns aos outros: ‘Este é o herdeiro. Vamos matá-lo, para que a herança seja nossa’.
20:15 Então o lançaram para fora da vinha e o mataram. O que o senhor da vinha fará a eles?
20:16 Virá, destruirá aqueles lavradores e dará a vinha a outros”. Ao ouvirem isso, disseram: “Que isso não aconteça!”.
20:17 Mas Jesus olhou para eles e disse: “Então, o que significa isto que está escrito:
 ‘A pedra que os construtores rejeitaram se tornou a pedra angular’?
20:18 Todo aquele que cair sobre essa pedra será despedaçado; e aquele sobre quem ela cair será reduzido a pó”.
20:19 Os escribas e os principais sacerdotes procuraram prender Jesus naquela mesma hora, pois perceberam que ele havia contado aquela parábola contra eles. Mas tiveram medo do povo.
20:20 Então passaram a observá-lo e enviaram espiões que fingiam ser justos, para apanhá-lo em alguma palavra e entregá-lo ao poder e à autoridade do governador.
20:21 Eles lhe perguntaram: “Mestre, sabemos que você fala e ensina corretamente e não faz distinção entre pessoas, mas ensina com verdade o caminho de Deus.
20:22 É permitido que paguemos tributo a César ou não?”.
20:23 Mas Jesus percebeu a astúcia deles e lhes disse:
20:24 “Mostrem-me um denário. De quem são a imagem e a inscrição que ele tem?”. Eles responderam: “De César”.
20:25 Então ele lhes disse: “Deem a César o que é de César e a Deus o que é de Deus”.
20:26 Eles não conseguiram apanhá-lo em palavra alguma diante do povo. Admirados com sua resposta, ficaram em silêncio.
20:27 Alguns saduceus, que negam que haja ressurreição, se aproximaram e lhe perguntaram:
20:28 “Mestre, Moisés nos deixou escrito que, se um homem morrer deixando esposa, mas sem filhos, seu irmão deve se casar com a mulher e dar descendência ao irmão falecido.
20:29 Havia sete irmãos. O primeiro se casou e morreu sem filhos.
20:30 O segundo
20:31 e o terceiro se casaram com ela. Da mesma forma, todos os sete morreram sem deixar filhos.
20:32 Por fim, a mulher também morreu.
20:33 Na ressurreição, de qual deles ela será esposa? Pois os sete foram casados com ela”.
20:34 Jesus lhes disse: “Os filhos desta era se casam e são dados em casamento.
20:35 Mas os que forem considerados dignos de alcançar aquela era e a ressurreição dos mortos não se casam nem são dados em casamento.
20:36 Pois já não podem morrer, porque são iguais aos anjos e são filhos de Deus, sendo filhos da ressurreição.
20:37 Que os mortos ressuscitam, o próprio Moisés mostrou na passagem da sarça, quando chama ao Senhor ‘Deus de Abraão, Deus de Isaque e Deus de Jacó’.
20:38 Ele não é Deus de mortos, mas de vivos, pois para ele todos vivem”.
20:39 Então alguns escribas disseram: “Mestre, você falou bem”.
20:40 Pois já não ousavam lhe perguntar coisa alguma.
20:41 Jesus lhes perguntou: “Como dizem que o Cristo é filho de Davi?
20:42 Pois o próprio Davi diz no livro dos Salmos:
 ‘O Senhor disse ao meu Senhor: “Sente-se à minha direita,
20:43 até que eu ponha seus inimigos como estrado de seus pés”’.
20:44 Portanto, Davi o chama Senhor. Como, então, ele é seu filho?”.
20:45 Enquanto todo o povo ouvia, Jesus disse aos discípulos:
20:46 “Cuidado com os escribas, que gostam de andar com roupas longas e amam as saudações nas praças, os primeiros lugares nas sinagogas e os lugares de honra nos banquetes.
20:47 Eles devoram as casas das viúvas e, para disfarçar, fazem longas orações. Esses receberão maior condenação”.

Capítulo 21
21:1 Jesus ergueu os olhos e viu os ricos colocando suas ofertas no tesouro.
21:2 Viu também uma viúva pobre que depositou ali dois léptons.
21:3 Então disse: “Eu lhes digo a verdade: esta viúva pobre deu mais do que todos.
21:4 Pois todos eles deram ofertas do que lhes sobrava, mas ela, em sua pobreza, deu tudo o que tinha para viver”.
21:5 Alguns falavam a respeito do templo, de como estava adornado com belas pedras e ofertas dedicadas. Jesus disse:
21:6 “Quanto a estas coisas que vocês estão vendo, virão dias em que não ficará pedra sobre pedra que não seja derrubada”.
21:7 Eles lhe perguntaram: “Mestre, quando acontecerão essas coisas? E qual será o sinal de que estão para acontecer?”.
21:8 Jesus respondeu: “Tenham cuidado para não serem enganados. Pois muitos virão em meu nome, dizendo: ‘Eu sou’ e ‘O tempo está próximo’. Não os sigam.
21:9 Quando ouvirem falar de guerras e revoltas, não se assustem. É necessário que essas coisas aconteçam primeiro, mas o fim não virá imediatamente”.
21:10 Então lhes disse: “Nação se levantará contra nação, e reino contra reino.
21:11 Haverá grandes terremotos e, em vários lugares, fome e epidemias. Também haverá acontecimentos aterradores e grandes sinais do céu.
21:12 Mas, antes de tudo isso, prenderão e perseguirão vocês. Entregarão vocês às sinagogas e às prisões, e vocês serão levados diante de reis e governadores por causa do meu nome.
21:13 Isso lhes servirá de oportunidade para dar testemunho.
21:14 Portanto, decidam em seu coração não preparar antecipadamente sua defesa,
21:15 pois eu lhes darei palavras e sabedoria. Nenhum dos seus adversários poderá resistir a elas nem contradizê-las.
21:16 Vocês serão entregues até por pais, irmãos, parentes e amigos, e alguns de vocês serão mortos.
21:17 Todos odiarão vocês por causa do meu nome.
21:18 Mas nem um cabelo da cabeça de vocês se perderá.
21:19 Com a perseverança de vocês, ganhem suas vidas.
21:20 Quando virem Jerusalém cercada de exércitos, saibam que a desolação dela está próxima.
21:21 Então os que estiverem na Judeia fujam para os montes; os que estiverem dentro da cidade saiam, e os que estiverem nos campos não entrem nela.
21:22 Pois esses são dias de retribuição, para que se cumpra tudo o que está escrito.
21:23 Ai das grávidas e das que amamentarem naqueles dias! Pois haverá grande aflição na terra e ira contra este povo.
21:24 Cairão ao fio da espada e serão levados cativos para todas as nações. Jerusalém será pisada pelos gentios até que se cumpram os tempos dos gentios.
21:25 Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas. Na terra, as nações ficarão angustiadas e perplexas com o estrondo do mar e das ondas.
21:26 As pessoas desfalecerão de medo, na expectativa do que virá sobre o mundo habitado, pois os poderes dos céus serão abalados.
21:27 Então verão o Filho do Homem vindo numa nuvem, com poder e grande glória.
21:28 Quando essas coisas começarem a acontecer, endireitem-se e levantem a cabeça, pois a redenção de vocês está próxima”.
21:29 Então lhes contou uma parábola: “Observem a figueira e todas as árvores.
21:30 Quando elas começam a brotar, vocês mesmos veem e sabem que o verão já está perto.
21:31 Da mesma forma, quando vocês virem essas coisas acontecendo, saibam que o reino de Deus está perto.
21:32 Em verdade lhes digo: esta geração não passará até que tudo aconteça.
21:33 O céu e a terra passarão, mas as minhas palavras jamais passarão.
21:34 Tenham cuidado consigo mesmos, para que o coração de vocês não fique sobrecarregado de excessos, embriaguez e preocupações da vida, e aquele dia lhes sobrevenha de repente,
21:35 como uma armadilha. Pois virá sobre todos os que habitam em toda a face da terra.
21:36 Vigiem em todo tempo, orando para que tenham forças para escapar de todas essas coisas que vão acontecer e permanecer de pé diante do Filho do Homem”.
21:37 Durante o dia, Jesus ensinava no templo; à noite, saía e passava a noite no monte chamado das Oliveiras.
21:38 Todo o povo ia procurá-lo bem cedo no templo para ouvi-lo.

Capítulo 22
22:1 Aproximava-se a festa dos Pães sem Fermento, chamada Páscoa.
22:2 Os principais sacerdotes e os escribas procuravam uma maneira de matar Jesus, pois tinham medo do povo.
22:3 Então Satanás entrou em Judas, chamado Iscariotes, que era um dos Doze.
22:4 Ele foi conversar com os principais sacerdotes e os chefes da guarda sobre como entregar Jesus a eles.
22:5 Eles se alegraram e combinaram dar-lhe dinheiro.
22:6 Judas concordou e procurava uma oportunidade de entregar Jesus a eles sem a presença da multidão.
22:7 Chegou o dia dos Pães sem Fermento, em que se devia sacrificar o cordeiro da Páscoa.
22:8 Jesus enviou Pedro e João, dizendo: “Vão preparar a Páscoa para comermos”.
22:9 Eles lhe perguntaram: “Onde você quer que a preparemos?”.
22:10 Ele lhes respondeu: “Quando entrarem na cidade, encontrarão um homem carregando um cântaro de água. Sigam-no até a casa em que entrar
22:11 e digam ao dono da casa: ‘O Mestre pergunta: Onde está a sala em que comerei a Páscoa com meus discípulos?’.
22:12 Ele lhes mostrará uma grande sala mobiliada no andar de cima. Preparem tudo ali”.
22:13 Eles foram, encontraram tudo como Jesus lhes havia dito e prepararam a Páscoa.
22:14 Quando chegou a hora, Jesus se reclinou à mesa, e os apóstolos estavam com ele.
22:15 Então lhes disse: “Desejei muito comer esta Páscoa com vocês antes de sofrer.
22:16 Pois eu lhes digo que não voltarei a comê-la até que ela se cumpra no reino de Deus”.
22:17 Tomando um cálice, deu graças e disse: “Tomem isto e repartam entre vocês.
22:18 Pois eu lhes digo que, de agora em diante, não beberei do fruto da videira até que venha o reino de Deus”.
22:19 Então pegou o pão, deu graças, o partiu e o deu a eles, dizendo: “Isto é o meu corpo, entregue por vocês. Façam isto em memória de mim”.
22:20 Da mesma forma, depois do jantar, tomou o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vocês.
22:21 Mas a mão daquele que me trai está comigo à mesa.
22:22 Pois o Filho do Homem segue conforme o que foi determinado, mas ai daquele homem por meio de quem ele é traído!”.
22:23 Então começaram a perguntar uns aos outros qual deles faria isso.
22:24 Surgiu também entre eles uma discussão sobre qual deles era considerado o maior.
22:25 Jesus lhes disse: “Os reis das nações dominam sobre elas, e os que exercem autoridade sobre elas são chamados benfeitores.
22:26 Mas vocês não devem ser assim. Pelo contrário, o maior entre vocês seja como o mais jovem, e aquele que dirige, como quem serve.
22:27 Pois quem é maior: aquele que está à mesa ou aquele que serve? Não é aquele que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como quem serve.
22:28 Vocês são os que permaneceram comigo nas minhas provações.
22:29 Eu lhes concedo um reino, assim como meu Pai o concedeu a mim,
22:30 para que comam e bebam à minha mesa no meu reino. E vocês se sentarão em tronos para julgar as doze tribos de Israel.
22:31 Simão, Simão, Satanás pediu para peneirar vocês como trigo.
22:32 Mas eu orei por você, para que sua fé não desfaleça. E você, quando voltar, fortaleça seus irmãos”.
22:33 Pedro lhe disse: “Senhor, estou pronto para ir com você tanto para a prisão como para a morte”.
22:34 Mas Jesus respondeu: “Eu digo a você, Pedro: hoje o galo não cantará antes que você negue três vezes que me conhece”.
22:35 Então lhes perguntou: “Quando enviei vocês sem bolsa de dinheiro, sem bolsa de viagem e sem sandálias, faltou alguma coisa?”. Eles responderam: “Nada”.
22:36 Ele lhes disse: “Mas agora quem tem bolsa de dinheiro deve levá-la, e também a bolsa de viagem. Quem não tem espada venda seu manto e compre uma.
22:37 Pois eu lhes digo que deve se cumprir em mim o que está escrito: ‘E foi contado entre os transgressores’. Pois o que se refere a mim está chegando ao cumprimento”.
22:38 Eles disseram: “Senhor, aqui estão duas espadas”. Ele lhes respondeu: “Basta”.
22:39 Então Jesus saiu e foi, como de costume, ao monte das Oliveiras. Os discípulos o seguiram.
22:40 Quando chegou ao lugar, lhes disse: “Orem para não entrar em tentação”.
22:41 Ele se afastou deles à distância de cerca de um tiro de pedra, pôs-se de joelhos e orava,
22:42 dizendo: “Pai, se queres, afasta de mim este cálice. Contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua”.
22:43 Então um anjo do céu lhe apareceu e o fortalecia.
22:44 Em agonia, ele orava com mais intensidade. Seu suor se tornou como grossas gotas de sangue que caíam no chão.
22:45 Quando se levantou da oração e foi até os discípulos, encontrou-os dormindo por causa da tristeza.
22:46 Ele lhes disse: “Por que estão dormindo? Levantem-se e orem para não entrar em tentação”.
22:47 Enquanto ele ainda falava, chegou uma multidão. Judas, um dos Doze, ia à frente e se aproximou de Jesus para beijá-lo.
22:48 Mas Jesus lhe disse: “Judas, é com um beijo que você trai o Filho do Homem?”.
22:49 Quando os que estavam com Jesus viram o que ia acontecer, perguntaram: “Senhor, devemos golpear com a espada?”.
22:50 E um deles feriu o escravo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita.
22:51 Mas Jesus disse: “Basta!”. Então tocou na orelha do homem e o curou.
22:52 Jesus disse aos principais sacerdotes, aos chefes da guarda do templo e aos anciãos que tinham vindo contra ele: “Vocês saíram com espadas e porretes, como se eu fosse um assaltante?
22:53 Todos os dias eu estava com vocês no templo, e vocês não estenderam as mãos contra mim. Mas esta é a hora de vocês e o domínio das trevas”.
22:54 Então prenderam Jesus, o levaram e o fizeram entrar na casa do sumo sacerdote. Pedro o seguia de longe.
22:55 Acenderam uma fogueira no meio do pátio e se sentaram juntos. Pedro se sentou entre eles.
22:56 Uma criada o viu sentado à luz do fogo, olhou bem para ele e disse: “Este também estava com ele”.
22:57 Mas Pedro negou: “Mulher, não o conheço”.
22:58 Pouco depois, outro o viu e disse: “Você também é um deles”. Mas Pedro respondeu: “Homem, não sou”.
22:59 Cerca de uma hora depois, outro insistia: “Certamente este também estava com ele, pois também é galileu”.
22:60 Mas Pedro disse: “Homem, não sei do que você está falando”. No mesmo instante, enquanto ele ainda falava, um galo cantou.
22:61 Então o Senhor se voltou e olhou fixamente para Pedro. Pedro se lembrou do que o Senhor lhe havia dito: “Hoje, antes que o galo cante, você me negará três vezes”.
22:62 E saiu e chorou amargamente.
22:63 Os homens que mantinham Jesus preso zombavam dele e o espancavam.
22:64 Cobriram seu rosto e lhe perguntavam: “Profetize! Quem bateu em você?”.
22:65 E diziam muitas outras coisas contra ele, blasfemando.
22:66 Ao amanhecer, reuniu-se o conselho dos anciãos do povo, com os principais sacerdotes e os escribas, e levaram Jesus ao seu concílio.
22:67 Disseram: “Se você é o Cristo, diga-nos”. Ele lhes respondeu: “Se eu disser a vocês, não crerão.
22:68 E, se eu perguntar, não responderão.
22:69 Mas, de agora em diante, o Filho do Homem estará sentado à direita do poder de Deus”.
22:70 Então todos perguntaram: “Logo, você é o Filho de Deus?”. Ele lhes respondeu: “Vocês dizem que eu sou”.
22:71 Eles disseram: “Para que precisamos de mais testemunho? Nós mesmos ouvimos de sua própria boca”.

Capítulo 23
23:1 Então todos eles se levantaram e levaram Jesus a Pilatos.
23:2 Começaram a acusá-lo, dizendo: “Encontramos este homem desviando nossa nação, proibindo o pagamento de impostos a César e dizendo que ele é o Cristo, um rei”.
23:3 Pilatos lhe perguntou: “Você é o rei dos judeus?”. Jesus respondeu: “Você o diz”.
23:4 Então Pilatos disse aos principais sacerdotes e às multidões: “Não encontro crime algum neste homem”.
23:5 Mas eles insistiam: “Ele agita o povo, ensinando por toda a Judeia, desde a Galileia até aqui”.
23:6 Ao ouvir isso, Pilatos perguntou se o homem era galileu.
23:7 Quando soube que Jesus estava sob a jurisdição de Herodes, o enviou a ele, que também estava em Jerusalém naqueles dias.
23:8 Herodes ficou muito alegre ao ver Jesus. Havia muito tempo queria vê-lo, por ter ouvido falar a seu respeito, e esperava vê-lo realizar algum sinal.
23:9 Fez muitas perguntas a Jesus, mas ele não respondeu nada.
23:10 Os principais sacerdotes e os escribas estavam ali, acusando-o com veemência.
23:11 Herodes e seus soldados o desprezaram e zombaram dele. Vestiram-no com uma roupa esplêndida e o enviaram de volta a Pilatos.
23:12 Naquele mesmo dia, Herodes e Pilatos se tornaram amigos, pois antes eram inimigos.
23:13 Pilatos reuniu os principais sacerdotes, os dirigentes e o povo
23:14 e lhes disse: “Vocês trouxeram este homem como alguém que desvia o povo. Eu o examinei diante de vocês e não encontrei nele nenhum dos crimes de que o acusam.
23:15 Herodes também não encontrou, pois o mandou de volta a nós. Como veem, ele não fez nada que mereça a morte.
23:16 Portanto, vou castigá-lo e soltá-lo”.
23:17 [Pilatos tinha a obrigação de soltar um preso para eles a cada festa.]
23:18 Mas todos gritaram juntos: “Fora com este! Solte Barrabás para nós!”.
23:19 Barrabás havia sido preso por uma revolta ocorrida na cidade e por um homicídio.
23:20 Pilatos falou de novo com eles, pois queria soltar Jesus.
23:21 Mas eles gritavam: “Crucifique-o! Crucifique-o!”.
23:22 Pela terceira vez, Pilatos lhes disse: “Que mal ele fez? Não encontrei nele crime algum que mereça a morte. Por isso, vou castigá-lo e soltá-lo”.
23:23 Mas eles insistiam em altos gritos, exigindo que Jesus fosse crucificado, e os gritos deles prevaleceram.
23:24 Então Pilatos decidiu atender ao pedido deles.
23:25 Soltou o homem preso por revolta e homicídio, que eles pediam, e entregou Jesus à vontade deles.
23:26 Quando o levavam, agarraram Simão, um cireneu que vinha do campo, e puseram sobre ele a cruz, para que a carregasse atrás de Jesus.
23:27 Uma grande multidão do povo o seguia, e também mulheres que batiam no peito e lamentavam por ele.
23:28 Jesus se voltou para elas e disse: “Filhas de Jerusalém, não chorem por mim. Chorem por vocês mesmas e por seus filhos.
23:29 Pois virão dias em que dirão: ‘Felizes as estéreis, os ventres que não deram à luz e os seios que não amamentaram’.
23:30 Então começarão a dizer aos montes: ‘Caiam sobre nós!’ e às colinas: ‘Cubram-nos!’
23:31 Pois, se fazem estas coisas com a madeira verde, o que acontecerá com a seca?”.
23:32 Também levavam outros dois, que eram criminosos, para serem mortos com ele.
23:33 Quando chegaram ao lugar chamado Caveira, ali crucificaram Jesus e os criminosos, um à sua direita e o outro à esquerda.
23:34 Jesus dizia: “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem”. E repartiram suas roupas, lançando sortes.
23:35 O povo ficou observando. Os dirigentes também zombavam, dizendo: “Ele salvou os outros. Que salve a si mesmo, se é o Cristo de Deus, o Escolhido!”.
23:36 Os soldados também zombavam dele. Aproximavam-se, ofereciam-lhe vinho azedo
23:37 e diziam: “Se você é o rei dos judeus, salve a si mesmo!”.
23:38 Acima dele também havia uma inscrição: “Este é o rei dos judeus”.
23:39 Um dos criminosos pendurados o insultava: “Você não é o Cristo? Salve a si mesmo e a nós!”.
23:40 Mas o outro o repreendeu: “Você nem sequer teme a Deus, estando sob a mesma condenação?
23:41 Nós estamos condenados com justiça, pois recebemos o que nossos atos merecem. Mas este homem não fez nada de errado”.
23:42 Então disse: “Jesus, lembra-te de mim quando vieres em teu reino”.
23:43 Jesus lhe respondeu: “Em verdade lhe digo: hoje você estará comigo no paraíso”.
23:44 Já era cerca do meio-dia, e houve escuridão sobre toda a terra até as três da tarde,
23:45 pois a luz do sol se apagou. E o véu do santuário se rasgou ao meio.
23:46 Então Jesus clamou em alta voz: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito”. Depois de dizer isso, expirou.
23:47 Ao ver o que havia acontecido, o centurião glorificava a Deus e dizia: “Realmente, este homem era justo”.
23:48 Todas as multidões que tinham se reunido para ver aquele espetáculo, ao presenciarem o que havia acontecido, voltavam batendo no peito.
23:49 Todos os conhecidos de Jesus estavam a distância, e também as mulheres que o haviam acompanhado desde a Galileia, observando essas coisas.
23:50 Havia um homem chamado José, membro do concílio, homem bom e justo.
23:51 Ele não tinha concordado com a decisão e os atos dos outros. Era de Arimateia, cidade dos judeus, e esperava o reino de Deus.
23:52 Ele foi a Pilatos e pediu o corpo de Jesus.
23:53 Depois de baixar o corpo, o envolveu num lençol de linho e o colocou num túmulo escavado na rocha, onde ninguém ainda havia sido colocado.
23:54 Era o dia da Preparação, e o sábado estava para começar.
23:55 As mulheres que tinham vindo com Jesus da Galileia acompanharam José e viram o túmulo e como o corpo de Jesus foi colocado.
23:56 Depois voltaram e prepararam especiarias aromáticas e óleos perfumados. E, no sábado, descansaram conforme o mandamento.

Capítulo 24
24:1 No primeiro dia da semana, bem de madrugada, as mulheres foram ao túmulo, levando as especiarias aromáticas que tinham preparado.
24:2 Encontraram a pedra removida da entrada do túmulo,
24:3 mas, ao entrarem, não encontraram o corpo.
24:4 Enquanto estavam perplexas com isso, dois homens com roupas resplandecentes apareceram junto delas.
24:5 Elas ficaram com medo e inclinaram o rosto para o chão. Os homens lhes disseram: “Por que vocês procuram entre os mortos aquele que vive?
24:6 Ele não está aqui; ressuscitou! Lembrem-se de como falou com vocês quando ainda estava na Galileia,
24:7 dizendo que o Filho do Homem devia ser entregue nas mãos de homens pecadores, ser crucificado e ressuscitar no terceiro dia”.
24:8 Então elas se lembraram das palavras dele
24:9 e, voltando do túmulo, contaram tudo isso aos Onze e a todos os demais.
24:10 Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago, e as outras mulheres que estavam com elas. Elas contavam essas coisas aos apóstolos.
24:11 Mas essas palavras lhes pareciam um absurdo, e não acreditavam nelas.
24:12 Pedro, porém, se levantou e correu ao túmulo. Ao se inclinar para olhar, viu apenas os panos de linho e voltou para casa, admirado com o que tinha acontecido.
24:13 Naquele mesmo dia, dois deles iam para uma aldeia chamada Emaús, a cerca de onze quilômetros de Jerusalém.
24:14 Conversavam entre si sobre tudo o que tinha acontecido.
24:15 Enquanto conversavam e discutiam, o próprio Jesus se aproximou e começou a caminhar com eles.
24:16 Mas os olhos deles estavam impedidos de reconhecê-lo.
24:17 Ele lhes perguntou: “O que vocês estão discutindo pelo caminho?”. Eles pararam, entristecidos.
24:18 Um deles, chamado Cleopas, respondeu: “Você é o único visitante em Jerusalém que não sabe o que aconteceu ali nestes dias?”.
24:19 Ele lhes perguntou: “O que aconteceu?”. Eles responderam: “O que aconteceu com Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obras e palavras diante de Deus e de todo o povo.
24:20 Os principais sacerdotes e os nossos dirigentes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram.
24:21 Nós esperávamos que ele fosse aquele que ia redimir Israel. Além de tudo isso, já é o terceiro dia desde que essas coisas aconteceram.
24:22 Também algumas mulheres do nosso grupo nos deixaram admirados. Foram bem cedo ao túmulo
24:23 e, não encontrando o corpo dele, voltaram dizendo que tinham tido uma visão de anjos, que diziam que ele está vivo.
24:24 Alguns dos que estavam conosco foram ao túmulo e encontraram tudo como as mulheres tinham dito, mas a ele não viram”.
24:25 Então Jesus lhes disse: “Insensatos e lentos de coração para crer em tudo o que os profetas disseram!
24:26 Não era necessário que o Cristo sofresse essas coisas e entrasse em sua glória?”.
24:27 E, começando por Moisés e por todos os profetas, explicou a eles o que se referia a si mesmo em todas as Escrituras.
24:28 Quando se aproximaram da aldeia para onde iam, Jesus fez como quem seguiria mais adiante.
24:29 Mas eles insistiram: “Fique conosco, pois está anoitecendo, e o dia já está terminando”. Então ele entrou para ficar com eles.
24:30 Quando estava à mesa com eles, pegou o pão, pronunciou a bênção, o partiu e o ia dando a eles.
24:31 Então os olhos deles se abriram, e o reconheceram. Mas ele desapareceu da vista deles.
24:32 Disseram um ao outro: “Não ardia o nosso coração dentro de nós enquanto ele nos falava pelo caminho e nos abria as Escrituras?”.
24:33 Na mesma hora, levantaram-se e voltaram a Jerusalém. Encontraram reunidos os Onze e os que estavam com eles,
24:34 que diziam: “O Senhor ressuscitou de verdade e apareceu a Simão!”.
24:35 Então os dois contaram o que tinha acontecido no caminho e como o haviam reconhecido ao partir o pão.
24:36 Enquanto falavam dessas coisas, o próprio Jesus se colocou no meio deles.
24:37 Eles ficaram assustados e com medo, pensando que estavam vendo um espírito.
24:38 Ele lhes disse: “Por que vocês estão perturbados? Por que surgem dúvidas em seu coração?
24:39 Vejam minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo. Toquem em mim e vejam, pois um espírito não tem carne nem ossos, como vocês veem que eu tenho”.
24:40 Depois de dizer isso, mostrou a eles as mãos e os pés.
24:41 Como eles ainda não acreditavam, de tanta alegria, e estavam admirados, ele lhes perguntou: “Vocês têm aqui alguma coisa para comer?”.
24:42 Eles lhe deram um pedaço de peixe assado,
24:43 e ele o pegou e comeu diante deles.
24:44 Então lhes disse: “Estas são as palavras que falei a vocês enquanto ainda estava com vocês: era necessário que se cumprisse tudo o que está escrito a meu respeito na lei de Moisés, nos profetas e nos Salmos”.
24:45 Então abriu o entendimento deles para compreenderem as Escrituras
24:46 e lhes disse: “Assim está escrito: o Cristo havia de sofrer e ressuscitar dos mortos no terceiro dia,
24:47 e em seu nome seriam proclamados o arrependimento e o perdão dos pecados a todas as nações, começando por Jerusalém.
24:48 Vocês são testemunhas dessas coisas.
24:49 Eu envio sobre vocês a promessa de meu Pai. Permaneçam na cidade até que sejam revestidos de poder do alto”.
24:50 Ele os levou até perto de Betânia e, levantando as mãos, os abençoou.
24:51 Enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi levado ao céu.
24:52 Eles o adoraram e voltaram para Jerusalém com grande alegria,
24:53 e estavam sempre no templo, bendizendo a Deus.

JOÃO

Capítulo 1
1:1 No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
1:2 Ele estava no princípio com Deus.
1:3 Todas as coisas vieram a existir por meio dele, e sem ele nada do que veio a existir foi feito.
1:4 Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens.
1:5 A luz brilha nas trevas, e as trevas não a venceram.
1:6 Houve um homem enviado por Deus, chamado João.
1:7 Ele veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele.
1:8 Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz.
1:9 A verdadeira luz, que ilumina todo ser humano, estava vindo ao mundo.

1:10 Ele estava no mundo, e o mundo veio a existir por meio dele, mas o mundo não o conheceu.
1:11 Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.
1:12 Mas a todos os que o receberam, aos que creem em seu nome, deu o direito de se tornarem filhos de Deus.
1:13 Eles não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade de homem, mas de Deus.

1:14 E o Verbo se fez carne e habitou entre nós.
   Contemplamos sua glória, glória como a do Unigênito vindo do Pai, cheio de graça e de verdade.
1:15 João dá testemunho dele e proclama: “Este era aquele de quem eu disse: ‘O que vem depois de mim está à minha frente, porque já existia antes de mim’”.
1:16 Pois todos nós recebemos da sua plenitude, graça sobre graça.
1:17 Porque a lei foi dada por meio de Moisés;
   a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo.
1:18 Ninguém jamais viu a Deus.
   O Unigênito, que é Deus e está no seio do Pai, é quem o deu a conhecer.
1:19 Este é o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para lhe perguntar: “Quem é você?”.
1:20 Ele confessou e não negou; confessou: “Eu não sou o Cristo”.
1:21 Então lhe perguntaram: “Quem, então? Você é Elias?”. Ele disse: “Não sou”. “Você é o Profeta?”. Ele respondeu: “Não”.
1:22 Então lhe disseram: “Quem é você? Precisamos dar uma resposta aos que nos enviaram. O que diz a respeito de si mesmo?”.
1:23 Ele respondeu: “Eu sou a voz de quem clama no deserto: ‘Endireitem o caminho do Senhor’, como disse o profeta Isaías”.
1:24 Os enviados eram dos fariseus.
1:25 E lhe perguntaram: “Por que, então, você batiza, se não é o Cristo, nem Elias, nem o Profeta?”.
1:26 João lhes respondeu: “Eu batizo com água. No meio de vocês está alguém que vocês não conhecem,
1:27 aquele que vem depois de mim. Não sou digno de desamarrar a correia da sandália dele”.
1:28 Isso aconteceu em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João estava batizando.
1:29 No dia seguinte, João viu Jesus vindo em sua direção e disse: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo!
1:30 Este é aquele de quem eu disse: ‘Depois de mim vem um homem que está à minha frente, porque já existia antes de mim’.
1:31 Eu não o conhecia, mas vim batizando com água para que ele fosse revelado a Israel”.
1:32 E João deu testemunho: “Eu vi o Espírito descer do céu como uma pomba e permanecer sobre ele.
1:33 Eu não o conhecia, mas aquele que me enviou a batizar com água me disse: ‘Aquele sobre quem você vir o Espírito descer e permanecer é quem batiza com o Espírito Santo’.
1:34 Eu vi e dei testemunho de que este é o Escolhido de Deus”.
1:35 No dia seguinte, João estava ali outra vez com dois de seus discípulos.
1:36 Ao ver Jesus passar, disse: “Eis o Cordeiro de Deus!”.
1:37 Os dois discípulos o ouviram dizer isso e seguiram Jesus.
1:38 Jesus se voltou e, vendo que o seguiam, lhes perguntou: “O que vocês procuram?”. Eles lhe disseram: “Rabi” — que traduzido significa Mestre —, “onde você está hospedado?”.
1:39 Ele lhes respondeu: “Venham e verão”. Então foram e viram onde ele estava hospedado e ficaram com ele naquele dia. Eram cerca de quatro horas da tarde.
1:40 André, irmão de Simão Pedro, era um dos dois que tinham ouvido João e seguido Jesus.
1:41 Ele encontrou primeiro seu próprio irmão Simão e lhe disse: “Encontramos o Messias” — que traduzido significa Cristo.
1:42 Então o levou a Jesus. Jesus olhou fixamente para ele e disse: “Você é Simão, filho de João. Você será chamado Cefas” — que se traduz Pedro.
1:43 No dia seguinte, Jesus quis ir para a Galileia. Encontrou Filipe e lhe disse: “Siga-me”.
1:44 Filipe era de Betsaida, a cidade de André e Pedro.
1:45 Filipe encontrou Natanael e lhe disse: “Encontramos aquele de quem Moisés escreveu na lei e de quem os profetas escreveram: Jesus, filho de José, de Nazaré”.
1:46 Natanael lhe perguntou: “Pode vir alguma coisa boa de Nazaré?”. Filipe respondeu: “Venha e veja”.
1:47 Quando Jesus viu Natanael se aproximar, disse a respeito dele: “Eis um verdadeiro israelita, em quem não há engano!”.
1:48 Natanael lhe perguntou: “De onde você me conhece?”. Jesus respondeu: “Antes de Filipe chamar você, eu o vi debaixo da figueira”.
1:49 Natanael lhe respondeu: “Rabi, você é o Filho de Deus! Você é o Rei de Israel!”.
1:50 Jesus lhe disse: “Você crê porque eu disse que o vi debaixo da figueira? Você verá coisas maiores do que estas”.
1:51 E lhe disse: “Em verdade, em verdade lhes digo: vocês verão o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem”.

Capítulo 2
2:1 No terceiro dia houve uma festa de casamento em Caná da Galileia, e a mãe de Jesus estava ali.
2:2 Jesus e seus discípulos também foram convidados para o casamento.
2:3 Quando acabou o vinho, a mãe de Jesus lhe disse: “Eles não têm vinho”.
2:4 Jesus lhe respondeu: “Mulher, por que você me envolve nisso? Minha hora ainda não chegou”.
2:5 Sua mãe disse aos que serviam: “Façam tudo o que ele lhes disser”.
2:6 Havia ali seis talhas de pedra para água, destinadas à purificação dos judeus, com capacidade aproximada de setenta e cinco a cento e treze litros cada uma.
2:7 Jesus lhes disse: “Encham as talhas de água”. E eles as encheram até a borda.
2:8 Então lhes disse: “Agora tirem um pouco e levem ao encarregado da festa”. E eles levaram.
2:9 Quando o encarregado da festa provou a água transformada em vinho, sem saber de onde vinha — embora os que haviam tirado a água soubessem —, chamou o noivo
2:10 e lhe disse: “Todos servem primeiro o vinho bom e, quando os convidados já se embriagaram, o de qualidade inferior. Você guardou o vinho bom até agora!”.
2:11 Jesus realizou este primeiro sinal em Caná da Galileia, manifestou sua glória, e seus discípulos creram nele.
2:12 Depois disso, ele desceu a Cafarnaum com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos, e ficaram ali poucos dias.
2:13 A Páscoa dos judeus estava próxima, e Jesus subiu a Jerusalém.
2:14 No templo, encontrou os que vendiam bois, ovelhas e pombas, e os cambistas sentados.
2:15 Fez um chicote de cordas e expulsou todos do templo, tanto as ovelhas como os bois. Espalhou as moedas dos cambistas e virou as mesas.
2:16 E disse aos que vendiam pombas: “Tirem estas coisas daqui! Não façam da casa de meu Pai um mercado!”.
2:17 Seus discípulos se lembraram do que está escrito: “O zelo pela tua casa me consumirá”.
2:18 Então os judeus lhe perguntaram: “Que sinal você nos mostra, já que faz estas coisas?”.
2:19 Jesus lhes respondeu: “Destruam este santuário, e em três dias eu o levantarei”.
2:20 Os judeus disseram: “Este santuário levou quarenta e seis anos para ser construído, e você o levantará em três dias?”.
2:21 Mas ele falava do santuário de seu corpo.
2:22 Por isso, quando Jesus ressuscitou dos mortos, seus discípulos se lembraram do que ele havia dito e creram na Escritura e na palavra que Jesus tinha falado.
2:23 Enquanto ele estava em Jerusalém durante a festa da Páscoa, muitos creram em seu nome ao verem os sinais que realizava.
2:24 Mas o próprio Jesus não se confiava a eles, pois conhecia a todos
2:25 e não precisava que ninguém lhe desse testemunho a respeito do ser humano, pois ele mesmo sabia o que havia no ser humano.

Capítulo 3
3:1 Havia entre os fariseus um homem chamado Nicodemos, um dirigente dos judeus.
3:2 Ele foi a Jesus à noite e lhe disse: “Rabi, sabemos que você veio de Deus como mestre. Pois ninguém pode fazer estes sinais que você faz se Deus não estiver com ele”.
3:3 Jesus lhe respondeu: “Em verdade, em verdade lhe digo: se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus”.
3:4 Nicodemos lhe perguntou: “Como um homem pode nascer sendo velho? Pode entrar pela segunda vez no ventre de sua mãe e nascer?”.
3:5 Jesus respondeu: “Em verdade, em verdade lhe digo: se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.
3:6 O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito.
3:7 Não se admire de eu lhe ter dito: ‘Vocês precisam nascer de novo’.
3:8 O vento sopra onde quer. Você ouve seu som, mas não sabe de onde vem nem para onde vai. Assim é todo aquele que nasceu do Espírito”.
3:9 Nicodemos lhe perguntou: “Como isso pode acontecer?”.
3:10 Jesus lhe respondeu: “Você é o mestre de Israel e não entende estas coisas?
3:11 Em verdade, em verdade lhe digo: falamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos, mas vocês não recebem o nosso testemunho.
3:12 Se falei a vocês de coisas terrenas e não creem, como crerão se eu lhes falar das celestiais?
3:13 Ninguém subiu ao céu, a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem.
3:14 Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, é necessário que o Filho do Homem seja levantado,
3:15 para que todo aquele que nele crê tenha a vida eterna.
3:16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
3:17 Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condenar o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por meio dele.
3:18 Quem crê nele não é condenado. Mas quem não crê já está condenado, porque não creu no nome do Filho unigênito de Deus.
3:19 A condenação é esta: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois suas obras eram más.
3:20 Pois todo aquele que pratica o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam expostas.
3:21 Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se manifeste que suas obras foram feitas em Deus”.
3:22 Depois disso, Jesus foi com seus discípulos para a região da Judeia. Ali permanecia com eles e batizava.
3:23 João também estava batizando em Enom, perto de Salim, pois havia muita água ali. As pessoas vinham e eram batizadas,
3:24 pois João ainda não tinha sido lançado na prisão.
3:25 Então surgiu uma discussão entre os discípulos de João e um judeu a respeito da purificação.
3:26 Eles foram a João e lhe disseram: “Rabi, aquele que estava com você do outro lado do Jordão, de quem você deu testemunho, está batizando, e todos vão a ele”.
3:27 João respondeu: “Ninguém pode receber coisa alguma se não lhe for dada do céu.
3:28 Vocês mesmos são testemunhas de que eu disse: ‘Eu não sou o Cristo, mas fui enviado à frente dele’.
3:29 Quem tem a noiva é o noivo. Mas o amigo do noivo, que está ali e o ouve, se alegra muito com a voz do noivo. Assim, esta minha alegria está completa.
3:30 É necessário que ele cresça e que eu diminua.
3:31 Quem vem do alto está acima de todos. Quem é da terra pertence à terra e fala da terra. Quem vem do céu está acima de todos.
3:32 Ele dá testemunho do que viu e ouviu, mas ninguém recebe seu testemunho.
3:33 Quem recebeu seu testemunho confirmou que Deus é verdadeiro.
3:34 Pois aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, pois dá o Espírito sem medida.
3:35 O Pai ama o Filho e entregou tudo em sua mão.
3:36 Quem crê no Filho tem a vida eterna. Mas quem desobedece ao Filho não verá a vida; a ira de Deus permanece sobre ele”.

Capítulo 4
4:1 Quando Jesus soube que os fariseus tinham ouvido que ele fazia e batizava mais discípulos do que João
4:2 — embora não fosse o próprio Jesus quem batizava, mas os seus discípulos —,
4:3 deixou a Judeia e voltou para a Galileia.
4:4 Era necessário que ele passasse por Samaria.
4:5 Chegou então a uma cidade de Samaria chamada Sicar, perto do terreno que Jacó havia dado a seu filho José.
4:6 Ali ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus se sentou junto ao poço. Era cerca do meio-dia.
4:7 Uma mulher de Samaria veio tirar água. Jesus lhe disse: “Dê-me de beber”.
4:8 Pois os seus discípulos tinham ido à cidade comprar comida.
4:9 A mulher samaritana lhe disse: “Como você, sendo judeu, pede de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?”. Pois os judeus não se relacionam com os samaritanos.
4:10 Jesus lhe respondeu: “Se você conhecesse o dom de Deus e quem é que lhe diz: ‘Dê-me de beber’, teria pedido a ele, e ele lhe teria dado água viva”.
4:11 A mulher lhe disse: “Senhor, não tem com que tirar água, e o poço é fundo. De onde vem, então, essa água viva?
4:12 Acaso você é maior que nosso pai Jacó, que nos deu este poço e dele bebeu, assim como seus filhos e seu gado?”.
4:13 Jesus lhe respondeu: “Quem bebe desta água voltará a ter sede.
4:14 Mas quem beber da água que eu lhe der nunca mais terá sede. A água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”.
4:15 A mulher lhe disse: “Senhor, dê-me dessa água, para que eu não tenha sede nem precise vir aqui tirá-la”.
4:16 Ele lhe disse: “Vá, chame seu marido e volte aqui”.
4:17 A mulher respondeu: “Não tenho marido”. Jesus lhe disse: “Você disse bem: ‘Não tenho marido’.
4:18 Pois teve cinco maridos, e o homem que tem agora não é seu marido. Nisso você falou a verdade”.
4:19 A mulher lhe disse: “Senhor, vejo que você é profeta.
4:20 Nossos antepassados adoraram neste monte, mas vocês dizem que Jerusalém é o lugar onde se deve adorar”.
4:21 Jesus lhe disse: “Creia em mim, mulher: vem a hora em que vocês não adorarão o Pai nem neste monte nem em Jerusalém.
4:22 Vocês adoram o que não conhecem; nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus.
4:23 Mas vem a hora, e já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, pois o Pai procura pessoas que o adorem assim.
4:24 Deus é espírito, e os que o adoram devem adorá-lo em espírito e em verdade”.
4:25 A mulher lhe disse: “Sei que vem o Messias, chamado Cristo. Quando ele vier, nos anunciará tudo”.
4:26 Jesus lhe disse: “Eu sou, eu que falo com você”.
4:27 Nesse momento chegaram seus discípulos e se admiraram de que ele estivesse falando com uma mulher. Mas ninguém perguntou: “O que você procura?” ou “Por que fala com ela?”.
4:28 Então a mulher deixou seu cântaro, foi à cidade e disse às pessoas:
4:29 “Venham ver um homem que me disse tudo o que fiz. Será que ele não é o Cristo?”.
4:30 Eles saíram da cidade e foram ao encontro de Jesus.
4:31 Enquanto isso, os discípulos insistiam com ele: “Rabi, coma”.
4:32 Mas ele lhes disse: “Tenho para comer um alimento que vocês não conhecem”.
4:33 Então os discípulos diziam uns aos outros: “Será que alguém trouxe comida para ele?”.
4:34 Jesus lhes disse: “Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e completar sua obra.
4:35 Vocês não dizem: ‘Ainda faltam quatro meses para a colheita’? Pois eu lhes digo: levantem os olhos e olhem os campos, que já estão brancos para a colheita.
4:36 Quem colhe recebe salário e recolhe fruto para a vida eterna, para que tanto quem semeia como quem colhe se alegrem juntos.
4:37 Pois nisso se confirma o ditado: ‘Um semeia, e outro colhe’.
4:38 Eu enviei vocês para colher onde não trabalharam. Outros trabalharam, e vocês entraram no trabalho deles”.
4:39 Muitos samaritanos daquela cidade creram em Jesus por causa do testemunho da mulher, que dizia: “Ele me disse tudo o que fiz”.
4:40 Quando os samaritanos chegaram até ele, pediram que ficasse com eles. E ele ficou ali dois dias.
4:41 Muitos mais creram por causa da palavra dele,
4:42 e diziam à mulher: “Já não cremos por causa do que você disse, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo”.
4:43 Depois daqueles dois dias, Jesus partiu para a Galileia.
4:44 Pois o próprio Jesus havia declarado que um profeta não tem honra em sua própria terra.
4:45 Quando chegou à Galileia, os galileus o receberam, pois tinham visto tudo o que ele havia feito em Jerusalém durante a festa, porque eles também tinham ido à festa.
4:46 Ele voltou a Caná da Galileia, onde havia transformado a água em vinho. Havia um funcionário do rei cujo filho estava doente em Cafarnaum.
4:47 Ao ouvir que Jesus tinha chegado da Judeia à Galileia, ele foi procurá-lo e pediu que descesse e curasse seu filho, pois o menino estava à beira da morte.
4:48 Jesus lhe disse: “Se vocês não virem sinais e prodígios, jamais crerão”.
4:49 O funcionário do rei lhe disse: “Senhor, desça antes que meu menino morra”.
4:50 Jesus lhe respondeu: “Vá, seu filho vive”. O homem creu na palavra que Jesus lhe disse e foi embora.
4:51 Enquanto descia, seus escravos vieram ao seu encontro e disseram que seu filho estava vivo.
4:52 Então ele lhes perguntou a que hora o menino tinha começado a melhorar. Eles responderam: “Ontem, à uma da tarde, a febre o deixou”.
4:53 O pai reconheceu que fora naquela mesma hora que Jesus lhe dissera: “Seu filho vive”. E ele e toda a sua casa creram.
4:54 Este foi outro sinal que Jesus realizou, o segundo, depois de vir da Judeia para a Galileia.

Capítulo 5
5:1 Depois disso, houve uma festa dos judeus, e Jesus subiu a Jerusalém.
5:2 Há em Jerusalém, junto à Porta das Ovelhas, um tanque chamado em hebraico Betesda, que tem cinco pórticos.
5:3 Neles ficava deitada uma multidão de enfermos: cegos, coxos e pessoas com membros atrofiados.
5:4 [Pois um anjo descia de tempos em tempos ao tanque e agitava a água. O primeiro que entrasse depois de a água ser agitada ficava curado de qualquer doença que tivesse.]
5:5 Havia ali um homem que estava doente havia trinta e oito anos.
5:6 Jesus o viu deitado e, sabendo que já estava assim havia muito tempo, lhe perguntou: “Você quer ficar curado?”.
5:7 O enfermo lhe respondeu: “Senhor, não tenho ninguém que me coloque no tanque quando a água é agitada. Enquanto estou indo, outro desce antes de mim”.
5:8 Jesus lhe disse: “Levante-se, pegue sua maca e ande”.
5:9 No mesmo instante o homem ficou curado, pegou sua maca e começou a andar. Aquele dia era sábado.
5:10 Então os judeus disseram ao homem que tinha sido curado: “É sábado, e você não tem permissão para carregar a maca”.
5:11 Ele lhes respondeu: “Aquele que me curou me disse: ‘Pegue sua maca e ande’”.
5:12 Perguntaram a ele: “Quem é o homem que disse a você: ‘Pegue-a e ande’?”.
5:13 Mas o homem curado não sabia quem era, pois Jesus havia se afastado em meio à multidão que estava naquele lugar.
5:14 Depois disso, Jesus o encontrou no templo e lhe disse: “Você está curado. Não peque mais, para que não lhe aconteça algo pior”.
5:15 O homem foi contar aos judeus que Jesus era quem o havia curado.
5:16 Por isso os judeus perseguiam Jesus, pois ele fazia essas coisas no sábado.
5:17 Mas Jesus lhes respondeu: “Meu Pai trabalha até agora, e eu também trabalho”.
5:18 Por isso os judeus procuravam ainda mais matá-lo, pois ele não só quebrava o sábado, mas também chamava a Deus seu próprio Pai, fazendo-se igual a Deus.
5:19 Então Jesus lhes respondeu: “Em verdade, em verdade lhes digo: o Filho não pode fazer nada por sua própria conta, a não ser o que vê o Pai fazer. Pois tudo o que o Pai faz o Filho também faz da mesma forma.
5:20 Pois o Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que faz. E lhe mostrará obras maiores do que estas, para que vocês fiquem admirados.
5:21 Assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, o Filho também dá vida a quem quer.
5:22 Pois o Pai não julga ninguém, mas entregou todo o juízo ao Filho,
5:23 para que todos honrem o Filho como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que o enviou.
5:24 Em verdade, em verdade lhes digo: quem ouve minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não entra em juízo, mas passou da morte para a vida.
5:25 Em verdade, em verdade lhes digo: vem a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão.
5:26 Pois, assim como o Pai tem vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter vida em si mesmo.
5:27 E lhe deu autoridade para exercer juízo, porque ele é o Filho do Homem.
5:28 Não se admirem disso, pois vem a hora em que todos os que estão nos túmulos ouvirão sua voz
5:29 e sairão: os que fizeram o bem, para a ressurreição de vida; e os que praticaram o mal, para a ressurreição de juízo.
5:30 Eu não posso fazer nada por minha própria conta. Julgo conforme ouço, e meu juízo é justo, pois não busco a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.
5:31 Se eu der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não é verdadeiro.
5:32 Outro dá testemunho de mim, e sei que o testemunho que ele dá de mim é verdadeiro.
5:33 Vocês enviaram mensageiros a João, e ele deu testemunho da verdade.
5:34 Eu, porém, não recebo testemunho de um ser humano, mas digo essas coisas para que vocês sejam salvos.
5:35 João era a lâmpada que ardia e brilhava, e vocês quiseram se alegrar por algum tempo com sua luz.
5:36 Mas eu tenho um testemunho maior que o de João. Pois as obras que o Pai me deu para realizar, estas mesmas obras que faço, dão testemunho de mim: o Pai me enviou.
5:37 E o próprio Pai que me enviou deu testemunho de mim. Vocês nunca ouviram sua voz nem viram sua forma,
5:38 e a palavra dele não permanece em vocês, pois não creem naquele que ele enviou.
5:39 Vocês examinam as Escrituras porque pensam ter nelas a vida eterna, e são elas que dão testemunho de mim.
5:40 Mas vocês não querem vir a mim para ter vida.
5:41 Não recebo glória dos homens,
5:42 mas conheço vocês: não têm em si mesmos o amor de Deus.
5:43 Eu vim em nome de meu Pai, e vocês não me recebem. Se outro vier em seu próprio nome, vocês o receberão.
5:44 Como podem crer, se recebem glória uns dos outros e não buscam a glória que vem do único Deus?
5:45 Não pensem que eu os acusarei diante do Pai. Quem os acusa é Moisés, em quem vocês puseram sua esperança.
5:46 Pois, se cressem em Moisés, creriam em mim, porque ele escreveu a meu respeito.
5:47 Mas, se não creem nos escritos dele, como crerão nas minhas palavras?”.

Capítulo 6
6:1 Depois disso, Jesus foi para o outro lado do mar da Galileia, também chamado de Tiberíades.
6:2 Uma grande multidão o seguia, pois via os sinais que ele realizava nos enfermos.
6:3 Jesus subiu ao monte e se sentou ali com seus discípulos.
6:4 A Páscoa, a festa dos judeus, estava próxima.
6:5 Então Jesus ergueu os olhos e, vendo uma grande multidão vir ao seu encontro, disse a Filipe: “Onde compraremos pão para que estas pessoas comam?”.
6:6 Dizia isso para pô-lo à prova, pois ele mesmo sabia o que ia fazer.
6:7 Filipe lhe respondeu: “Duzentos denários de pão não seriam suficientes para que cada um recebesse um pouco”.
6:8 Um de seus discípulos, André, irmão de Simão Pedro, lhe disse:
6:9 “Há aqui um menino que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos. Mas o que é isso para tanta gente?”.
6:10 Jesus disse: “Façam as pessoas se sentarem”. Havia muita relva naquele lugar. Então os homens se sentaram, em número de cerca de cinco mil.
6:11 Jesus pegou os pães, deu graças e os distribuiu aos que estavam sentados. Fez o mesmo com os peixes, dando quanto queriam.
6:12 Quando ficaram satisfeitos, disse aos seus discípulos: “Recolham os pedaços que sobraram, para que nada se perca”.
6:13 Eles os recolheram e encheram doze cestos com os pedaços dos cinco pães de cevada que sobraram aos que haviam comido.
6:14 Ao verem o sinal que Jesus tinha realizado, as pessoas diziam: “Este é verdadeiramente o Profeta que vem ao mundo”.
6:15 Jesus, sabendo que estavam para vir e levá-lo à força para fazê-lo rei, retirou-se outra vez para o monte, sozinho.
6:16 Ao anoitecer, seus discípulos desceram ao mar,
6:17 entraram num barco e começaram a atravessar para Cafarnaum. Já estava escuro, e Jesus ainda não tinha vindo até eles.
6:18 O mar estava agitado, pois soprava um vento forte.
6:19 Depois de remarem cerca de cinco ou seis quilômetros, viram Jesus andando sobre o mar e se aproximando do barco. E ficaram com medo.
6:20 Mas ele lhes disse: “Sou eu. Não tenham medo”.
6:21 Então quiseram recebê-lo no barco, e no mesmo instante o barco chegou à terra para onde iam.
6:22 No dia seguinte, a multidão que tinha ficado do outro lado do mar percebeu que ali havia apenas um barco. Jesus não tinha entrado nele com seus discípulos, mas os discípulos haviam partido sozinhos.
6:23 Outros barcos chegaram de Tiberíades, perto do lugar onde tinham comido o pão depois de o Senhor dar graças.
6:24 Quando a multidão viu que nem Jesus nem seus discípulos estavam ali, entraram nos barcos e foram a Cafarnaum à procura de Jesus.
6:25 Quando o encontraram do outro lado do mar, perguntaram: “Rabi, quando você chegou aqui?”.
6:26 Jesus lhes respondeu: “Em verdade, em verdade lhes digo: vocês me procuram não porque viram sinais, mas porque comeram dos pães e ficaram satisfeitos.
6:27 Trabalhem não pelo alimento que perece, mas pelo alimento que permanece para a vida eterna, que o Filho do Homem lhes dará. Pois Deus, o Pai, pôs seu selo sobre ele”.
6:28 Então lhe perguntaram: “O que devemos fazer para realizar as obras de Deus?”.
6:29 Jesus lhes respondeu: “A obra de Deus é esta: que vocês creiam naquele que ele enviou”.
6:30 Eles lhe perguntaram: “Que sinal você faz, então, para que vejamos e creiamos em você? Que obra realiza?
6:31 Nossos antepassados comeram o maná no deserto, como está escrito: ‘Deu-lhes pão do céu para comer’”.
6:32 Então Jesus lhes disse: “Em verdade, em verdade lhes digo: não foi Moisés quem deu a vocês o pão do céu; é meu Pai quem lhes dá o verdadeiro pão do céu.
6:33 Pois o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo”.
6:34 Eles lhe disseram: “Senhor, dê-nos sempre esse pão”.
6:35 Jesus lhes disse: “Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim jamais terá fome, e quem crê em mim nunca terá sede.
6:36 Mas eu lhes disse que vocês me viram e, mesmo assim, não creem.
6:37 Tudo o que o Pai me dá virá a mim, e quem vem a mim eu jamais lançarei fora.
6:38 Pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.
6:39 E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nada de tudo o que ele me deu, mas o ressuscite no último dia.
6:40 Pois esta é a vontade de meu Pai: que todo aquele que vê o Filho e crê nele tenha a vida eterna. E eu o ressuscitarei no último dia”.
6:41 Então os judeus murmuravam a respeito dele, porque dissera: “Eu sou o pão que desceu do céu”.
6:42 E diziam: “Este não é Jesus, filho de José? Não conhecemos o pai e a mãe dele? Como agora diz: ‘Desci do céu’?”.
6:43 Jesus lhes respondeu: “Não murmurem entre vocês.
6:44 Ninguém pode vir a mim se o Pai que me enviou não o atrair. E eu o ressuscitarei no último dia.
6:45 Está escrito nos profetas: ‘Todos serão ensinados por Deus’. Todo aquele que ouviu o Pai e aprendeu vem a mim.
6:46 Não que alguém tenha visto o Pai, a não ser aquele que vem de Deus. Este viu o Pai.
6:47 Em verdade, em verdade lhes digo: quem crê tem a vida eterna.
6:48 Eu sou o pão da vida.
6:49 Seus antepassados comeram o maná no deserto e morreram.
6:50 Este é o pão que desce do céu, para que quem dele comer não morra.
6:51 Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Se alguém comer deste pão, viverá para sempre. E o pão que eu darei é a minha carne, pela vida do mundo”.
6:52 Então os judeus discutiam entre si: “Como este homem pode nos dar sua carne para comer?”.
6:53 Jesus lhes disse: “Em verdade, em verdade lhes digo: se vocês não comerem a carne do Filho do Homem e não beberem seu sangue, não têm vida em si mesmos.
6:54 Quem come minha carne e bebe meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia.
6:55 Pois minha carne é verdadeira comida, e meu sangue é verdadeira bebida.
6:56 Quem come minha carne e bebe meu sangue permanece em mim, e eu nele.
6:57 Assim como o Pai que vive me enviou, e eu vivo por causa do Pai, também quem se alimenta de mim viverá por minha causa.
6:58 Este é o pão que desceu do céu. Os antepassados comeram e morreram, mas quem come este pão viverá para sempre”.
6:59 Jesus disse essas coisas enquanto ensinava numa sinagoga em Cafarnaum.
6:60 Ao ouvirem isso, muitos dos seus discípulos disseram: “Esta palavra é dura. Quem pode ouvi-la?”.
6:61 Jesus, sabendo em si mesmo que seus discípulos murmuravam a respeito disso, lhes perguntou: “Isso faz vocês tropeçarem?
6:62 E se vocês virem o Filho do Homem subir para onde estava antes?
6:63 O Espírito é quem dá vida; a carne não serve para nada. As palavras que falei a vocês são espírito e são vida.
6:64 Mas há alguns entre vocês que não creem”. Pois Jesus sabia desde o princípio quem eram os que não criam e quem o trairia.
6:65 E dizia: “Por isso eu lhes disse que ninguém pode vir a mim se isso não lhe for concedido pelo Pai”.
6:66 A partir daí, muitos dos seus discípulos voltaram atrás e já não andavam com ele.
6:67 Então Jesus perguntou aos Doze: “Vocês também querem ir embora?”.
6:68 Simão Pedro lhe respondeu: “Senhor, a quem iremos? Você tem palavras de vida eterna.
6:69 Nós cremos e sabemos que você é o Santo de Deus”.
6:70 Jesus lhes respondeu: “Não fui eu que escolhi vocês, os Doze? Contudo, um de vocês é um diabo”.
6:71 Ele falava de Judas, filho de Simão Iscariotes, pois este o trairia, embora fosse um dos Doze.

Capítulo 7
7:1 Depois disso, Jesus percorria a Galileia. Não queria andar pela Judeia, pois os judeus procuravam matá-lo.
7:2 A festa dos judeus chamada Festa dos Tabernáculos estava próxima.
7:3 Então seus irmãos lhe disseram: “Saia daqui e vá para a Judeia, para que seus discípulos também vejam as obras que você faz.
7:4 Pois ninguém age em segredo quando procura ser conhecido publicamente. Se você faz essas coisas, mostre-se ao mundo”.
7:5 Pois nem mesmo seus irmãos criam nele.
7:6 Jesus lhes disse: “Meu tempo ainda não chegou, mas o tempo de vocês é sempre oportuno.
7:7 O mundo não pode odiar vocês, mas a mim ele odeia, pois dou testemunho de que suas obras são más.
7:8 Subam vocês para a festa. Eu não subo a esta festa, pois meu tempo ainda não se cumpriu”.
7:9 Depois de dizer isso, ficou na Galileia.
7:10 Mas, depois que seus irmãos subiram para a festa, ele também subiu, sem se mostrar publicamente, como que em segredo.
7:11 Os judeus o procuravam na festa e diziam: “Onde ele está?”.
7:12 Havia muita murmuração sobre ele entre as multidões. Alguns diziam: “Ele é bom”. Outros diziam: “Não, ele engana o povo”.
7:13 Mas ninguém falava dele abertamente, por medo dos judeus.
7:14 Quando a festa já estava pela metade, Jesus subiu ao templo e começou a ensinar.
7:15 Os judeus se admiravam e diziam: “Como este homem tem instrução sem ter estudado?”.
7:16 Jesus lhes respondeu: “Meu ensino não é meu, mas daquele que me enviou.
7:17 Se alguém quiser fazer a vontade dele, saberá se o ensino vem de Deus ou se falo por minha própria conta.
7:18 Quem fala por sua própria conta procura sua própria glória. Mas quem procura a glória daquele que o enviou é verdadeiro, e nele não há injustiça.
7:19 Moisés não deu a vocês a lei? Contudo, nenhum de vocês cumpre a lei. Por que procuram me matar?”.
7:20 A multidão respondeu: “Você tem um demônio! Quem procura matar você?”.
7:21 Jesus lhes respondeu: “Realizei uma obra, e todos vocês se admiram.
7:22 Por isso Moisés deu a vocês a circuncisão — embora ela não venha de Moisés, mas dos antepassados —, e vocês circuncidam um homem no sábado.
7:23 Se um homem recebe a circuncisão no sábado para que a lei de Moisés não seja quebrada, por que ficam irados comigo por eu ter curado um homem por inteiro no sábado?
7:24 Não julguem pela aparência, mas julguem com justiça”.
7:25 Então alguns habitantes de Jerusalém diziam: “Não é este a quem procuram matar?
7:26 Vejam, ele fala abertamente, e não lhe dizem nada. Será que os dirigentes reconheceram de verdade que ele é o Cristo?
7:27 Mas nós sabemos de onde este homem vem. Quando o Cristo vier, ninguém saberá de onde ele vem”.
7:28 Então Jesus, enquanto ensinava no templo, clamou: “Vocês me conhecem e sabem de onde eu sou. Mas não vim por minha própria conta. Aquele que me enviou é verdadeiro, e vocês não o conhecem.
7:29 Eu o conheço, pois venho dele, e ele me enviou”.
7:30 Então procuravam prendê-lo, mas ninguém pôs as mãos nele, pois sua hora ainda não tinha chegado.
7:31 Muitos da multidão creram nele e diziam: “Quando o Cristo vier, fará mais sinais do que este homem fez?”.
7:32 Os fariseus ouviram a multidão murmurar essas coisas sobre Jesus, e os principais sacerdotes e os fariseus enviaram guardas para prendê-lo.
7:33 Então Jesus disse: “Ainda estou com vocês por um pouco de tempo e vou para aquele que me enviou.
7:34 Vocês me procurarão e não me encontrarão. E onde estou vocês não podem vir”.
7:35 Os judeus diziam entre si: “Para onde ele pretende ir, que não o encontraremos? Será que vai aos judeus dispersos entre os gregos e ensinará os gregos?
7:36 O que significa isso que ele disse: ‘Vocês me procurarão e não me encontrarão, e onde estou vocês não podem vir’?”.
7:37 No último dia, o grande dia da festa, Jesus se pôs de pé e clamou: “Se alguém tem sede, venha a mim e beba.
7:38 Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior correrão rios de água viva”.
7:39 Ele disse isso a respeito do Espírito que receberiam os que tinham crido nele. Pois o Espírito ainda não havia sido dado, porque Jesus ainda não tinha sido glorificado.
7:40 Ao ouvirem essas palavras, alguns da multidão diziam: “Este é verdadeiramente o Profeta”.
7:41 Outros diziam: “Este é o Cristo”. Mas outros perguntavam: “Por acaso o Cristo vem da Galileia?
7:42 A Escritura não diz que o Cristo vem da descendência de Davi e de Belém, a aldeia de onde era Davi?”.
7:43 Assim houve divisão entre a multidão por causa dele.
7:44 Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém pôs as mãos nele.
7:45 Os guardas voltaram aos principais sacerdotes e aos fariseus, que lhes perguntaram: “Por que não o trouxeram?”.
7:46 Os guardas responderam: “Nunca homem algum falou assim!”.
7:47 Então os fariseus lhes disseram: “Vocês também foram enganados?
7:48 Algum dos dirigentes ou dos fariseus creu nele?
7:49 Mas esta multidão que não conhece a lei é maldita”.
7:50 Nicodemos, um deles, que antes tinha ido a Jesus, lhes disse:
7:51 “Acaso nossa lei julga um homem sem primeiro ouvi-lo e saber o que ele faz?”.
7:52 Eles responderam: “Você também é da Galileia? Examine e veja que da Galileia não surge profeta”.
7:53 E cada um foi para sua casa.

Capítulo 8
8:1 Jesus, porém, foi para o monte das Oliveiras.
8:2 Ao amanhecer, voltou ao templo, e todo o povo ia até ele. Jesus se sentou e começou a ensiná-los.
8:3 Os escribas e os fariseus trouxeram a Jesus uma mulher apanhada em adultério e a colocaram no meio de todos.
8:4 Para pôr Jesus à prova, disseram: “Mestre, esta mulher foi apanhada no próprio ato de adultério.
8:5 Na Lei, Moisés nos mandou apedrejar mulheres como ela. E você, o que diz?”
8:6 Diziam isso para testá-lo, a fim de terem de que acusá-lo. Mas Jesus se inclinou e escrevia com o dedo no chão, sem lhes dar atenção.
8:7 Como insistiam em perguntar, ele se endireitou e lhes disse: “Quem de vocês estiver sem pecado seja o primeiro a atirar uma pedra contra ela”.
8:8 E, inclinando-se novamente, continuou a escrever no chão.
8:9 Ao ouvirem isso, acusados pela própria consciência, foram saindo um a um, a começar pelos mais velhos. Jesus ficou sozinho, e a mulher permaneceu no meio.
8:10 Jesus se endireitou e, não vendo ninguém além da mulher, perguntou: “Onde estão os seus acusadores? Ninguém condenou você?”
8:11 Ela respondeu: “Ninguém, Senhor”. Jesus lhe disse: “Eu também não condeno você. Vá e, de agora em diante, não peque mais”.
8:12 Jesus voltou a lhes falar: “Eu sou a luz do mundo. Quem me segue nunca andará nas trevas, mas terá a luz da vida”.
8:13 Então os fariseus lhe disseram: “Você dá testemunho de si mesmo; seu testemunho não é verdadeiro”.
8:14 Jesus lhes respondeu: “Ainda que eu dê testemunho de mim mesmo, meu testemunho é verdadeiro, pois sei de onde vim e para onde vou. Mas vocês não sabem de onde venho nem para onde vou.
8:15 Vocês julgam segundo a carne; eu não julgo ninguém.
8:16 E, mesmo que eu julgue, meu julgamento é verdadeiro, porque não estou sozinho: estou com o Pai, que me enviou.
8:17 Na própria Lei de vocês está escrito que o testemunho de duas pessoas é verdadeiro.
8:18 Eu dou testemunho de mim mesmo, e o Pai, que me enviou, também dá testemunho de mim”.
8:19 Então lhe perguntaram: “Onde está o seu Pai?” Jesus respondeu: “Vocês não conhecem nem a mim nem a meu Pai. Se me conhecessem, conheceriam também meu Pai”.
8:20 Jesus disse essas palavras enquanto ensinava no templo, junto ao lugar das ofertas. Ninguém o prendeu, porque sua hora ainda não havia chegado.
8:21 Jesus lhes disse outra vez: “Eu vou embora, e vocês me procurarão, mas morrerão em seu pecado. Para onde eu vou, vocês não podem ir”.
8:22 Então os judeus diziam: “Será que ele vai se matar? Pois diz: ‘Para onde eu vou, vocês não podem ir’”.
8:23 Ele lhes disse: “Vocês são de baixo; eu sou do alto. Vocês são deste mundo; eu não sou deste mundo.
8:24 Por isso lhes disse que morrerão em seus pecados. Se não crerem que eu sou, morrerão em seus pecados”.
8:25 Então lhe perguntaram: “Quem é você?” Jesus lhes respondeu: “Por que sequer falo com vocês?
8:26 Tenho muito que dizer e julgar a respeito de vocês. Mas aquele que me enviou é verdadeiro, e eu digo ao mundo o que ouvi dele”.
8:27 Eles não entenderam que Jesus lhes falava do Pai.
8:28 Então Jesus disse: “Quando vocês levantarem o Filho do Homem, saberão que eu sou e que nada faço por minha própria conta, mas falo como o Pai me ensinou.
8:29 Aquele que me enviou está comigo; não me deixou sozinho, porque sempre faço o que lhe agrada”.
8:30 Enquanto ele dizia essas coisas, muitos creram nele.
8:31 Então Jesus disse aos judeus que haviam crido nele: “Se vocês permanecerem na minha palavra, são verdadeiramente meus discípulos.
8:32 Conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”.
8:33 Eles lhe responderam: “Somos descendentes de Abraão e nunca fomos escravos de ninguém. Como você diz que seremos livres?”
8:34 Jesus lhes respondeu: “Em verdade, em verdade lhes digo: todo aquele que pratica o pecado é escravo do pecado.
8:35 O escravo não permanece para sempre na casa; o filho permanece para sempre.
8:36 Portanto, se o Filho os libertar, vocês serão verdadeiramente livres.
8:37 Sei que vocês são descendentes de Abraão. No entanto, procuram me matar, porque minha palavra não encontra lugar em vocês.
8:38 Eu falo do que vi junto ao Pai; vocês fazem o que ouviram do pai”.
8:39 Eles lhe responderam: “Nosso pai é Abraão”. Jesus lhes disse: “Se vocês fossem filhos de Abraão, fariam as obras de Abraão.
8:40 Mas agora procuram me matar, a mim, um homem que lhes disse a verdade que ouvi de Deus. Abraão não fez isso.
8:41 Vocês fazem as obras do pai de vocês”. Eles lhe disseram: “Nós não nascemos de imoralidade sexual; temos um só Pai, Deus”.
8:42 Jesus lhes disse: “Se Deus fosse o Pai de vocês, vocês me amariam, pois saí de Deus e vim. Não vim por minha própria conta; foi ele quem me enviou.
8:43 Por que vocês não entendem minha linguagem? Porque não conseguem ouvir minha palavra.
8:44 Vocês são do pai de vocês, o diabo, e querem realizar os desejos dele. Ele foi homicida desde o princípio e não permanece na verdade, porque nele não há verdade. Quando mente, fala do que lhe é próprio, pois é mentiroso e pai da mentira.
8:45 Mas, porque digo a verdade, vocês não creem em mim.
8:46 Quem de vocês pode provar que cometi pecado? Se digo a verdade, por que não creem em mim?
8:47 Quem é de Deus ouve as palavras de Deus. Por isso vocês não ouvem: porque não são de Deus”.
8:48 Os judeus lhe responderam: “Não temos razão em dizer que você é samaritano e tem demônio?”
8:49 Jesus respondeu: “Eu não tenho demônio. Honro meu Pai, e vocês me desonram.
8:50 Eu não busco minha própria glória; há quem a busque e julgue.
8:51 Em verdade, em verdade lhes digo: se alguém guardar minha palavra, nunca verá a morte”.
8:52 Os judeus lhe disseram: “Agora sabemos que você tem demônio. Abraão morreu, e os profetas também, mas você diz: ‘Se alguém guardar minha palavra, nunca provará a morte’.
8:53 Será que você é maior que nosso pai Abraão, que morreu? Os profetas também morreram. Quem você pretende ser?”
8:54 Jesus respondeu: “Se eu glorificar a mim mesmo, minha glória não é nada. Quem me glorifica é meu Pai, de quem vocês dizem: ‘É nosso Deus’.
8:55 Vocês não o conhecem, mas eu o conheço. Se eu dissesse que não o conheço, seria mentiroso como vocês. Mas eu o conheço e guardo sua palavra.
8:56 Abraão, o pai de vocês, se alegrou por ver o meu dia; ele o viu e se alegrou”.
8:57 Então os judeus lhe disseram: “Você ainda não tem cinquenta anos e viu Abraão?”
8:58 Jesus lhes respondeu: “Em verdade, em verdade lhes digo: antes que Abraão existisse, eu sou”.
8:59 Então pegaram pedras para atirar nele. Mas Jesus se escondeu e saiu do templo.

Capítulo 9
9:1 Ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença.
9:2 Seus discípulos lhe perguntaram: “Rabi, quem pecou, ele ou seus pais, para que nascesse cego?”
9:3 Jesus respondeu: “Não foi porque ele pecou, nem porque seus pais pecaram, mas para que as obras de Deus se manifestem nele.
9:4 Precisamos realizar as obras daquele que me enviou enquanto é dia. Vem a noite, quando ninguém pode trabalhar.
9:5 Enquanto estou no mundo, sou a luz do mundo”.
9:6 Depois de dizer isso, cuspiu no chão, fez lama com a saliva e a passou nos olhos do homem.
9:7 Então lhe disse: “Vá lavar-se no tanque de Siloé”, que significa Enviado. Ele foi, se lavou e voltou enxergando.
9:8 Os vizinhos e os que antes o viam como mendigo diziam: “Não é este o homem que ficava sentado mendigando?”
9:9 Uns diziam: “É ele”. Outros diziam: “Não, mas se parece com ele”. Ele, porém, dizia: “Sou eu”.
9:10 Então lhe perguntaram: “Como seus olhos foram abertos?”
9:11 Ele respondeu: “O homem chamado Jesus fez lama, passou nos meus olhos e me disse: ‘Vá a Siloé e lave-se’. Então fui, me lavei e passei a enxergar”.
9:12 Perguntaram-lhe: “Onde ele está?” Ele respondeu: “Não sei”.
9:13 Levaram aos fariseus o homem que antes era cego.
9:14 Era sábado o dia em que Jesus havia feito a lama e aberto os olhos dele.
9:15 Os fariseus também lhe perguntavam como havia passado a enxergar. Ele lhes disse: “Pôs lama nos meus olhos, eu me lavei e agora enxergo”.
9:16 Alguns dos fariseus diziam: “Esse homem não vem de Deus, porque não guarda o sábado”. Outros diziam: “Como um homem pecador pode fazer sinais como esses?” E havia divisão entre eles.
9:17 Então perguntaram outra vez ao cego: “E você, o que diz dele, já que abriu os seus olhos?” Ele respondeu: “É um profeta”.
9:18 Os judeus não acreditaram que ele tivesse sido cego e passado a enxergar, até chamarem os pais do homem que havia recebido a visão.
9:19 Perguntaram a eles: “Este é o filho de vocês, que vocês dizem ter nascido cego? Como é que agora enxerga?”
9:20 Seus pais responderam: “Sabemos que este é nosso filho e que nasceu cego.
9:21 Mas como agora enxerga, não sabemos; nem sabemos quem abriu os olhos dele. Perguntem a ele; já tem idade. Ele falará por si mesmo”.
9:22 Seus pais disseram isso porque tinham medo dos judeus, pois estes já haviam concordado que, se alguém reconhecesse Jesus como o Cristo, seria expulso da sinagoga.
9:23 Por isso seus pais disseram: “Ele já tem idade; perguntem a ele”.
9:24 Então chamaram pela segunda vez o homem que havia sido cego e lhe disseram: “Dê glória a Deus. Nós sabemos que esse homem é pecador”.
9:25 Ele respondeu: “Se é pecador, não sei. Uma coisa sei: eu era cego e agora enxergo”.
9:26 Então lhe perguntaram: “O que ele fez com você? Como abriu os seus olhos?”
9:27 Ele lhes respondeu: “Já lhes disse, mas vocês não ouviram. Por que querem ouvir de novo? Será que vocês também querem se tornar discípulos dele?”
9:28 Então o insultaram e disseram: “Você é discípulo dele; nós somos discípulos de Moisés.
9:29 Sabemos que Deus falou com Moisés, mas, quanto a esse, não sabemos de onde vem”.
9:30 O homem lhes respondeu: “É justamente isso que é espantoso: vocês não sabem de onde ele vem, mas ele abriu os meus olhos!
9:31 Sabemos que Deus não ouve os pecadores, mas ouve quem o teme e faz sua vontade.
9:32 Jamais se ouviu dizer que alguém tenha aberto os olhos de um cego de nascença.
9:33 Se esse homem não viesse de Deus, não poderia fazer nada”.
9:34 Eles lhe responderam: “Você nasceu inteiramente em pecados e ensina a nós?” E o expulsaram.
9:35 Jesus ouviu que o haviam expulsado e, ao encontrá-lo, perguntou: “Você crê no Filho do Homem?”
9:36 Ele respondeu: “E quem é, Senhor, para que eu creia nele?”
9:37 Jesus lhe disse: “Você já o viu; é aquele que está falando com você”.
9:38 Ele disse: “Creio, Senhor”. E o adorou.
9:39 Jesus disse: “Eu vim a este mundo para juízo, a fim de que os que não veem vejam, e os que veem se tornem cegos”.
9:40 Alguns dos fariseus que estavam com ele ouviram isso e lhe perguntaram: “Será que nós também somos cegos?”
9:41 Jesus lhes respondeu: “Se vocês fossem cegos, não teriam pecado. Mas agora dizem: ‘Nós vemos’. O pecado de vocês permanece”.

Capítulo 10
10:1 “Em verdade, em verdade lhes digo: quem não entra pela porta no aprisco das ovelhas, mas sobe por outro lugar, é ladrão e bandido.
10:2 Quem entra pela porta é o pastor das ovelhas.
10:3 O porteiro abre para ele, e as ovelhas ouvem sua voz. Ele chama suas próprias ovelhas pelo nome e as leva para fora.
10:4 Depois de fazer sair todas as suas ovelhas, vai à frente delas, e elas o seguem, porque conhecem sua voz.
10:5 Nunca seguirão um estranho; pelo contrário, fugirão dele, porque não conhecem a voz dos estranhos”.
10:6 Jesus lhes apresentou essa comparação, mas eles não entenderam o que lhes dizia.
10:7 Então Jesus lhes disse outra vez: “Em verdade, em verdade lhes digo: eu sou a porta das ovelhas.
10:8 Todos os que vieram antes de mim são ladrões e bandidos, mas as ovelhas não os ouviram.
10:9 Eu sou a porta. Se alguém entrar por mim, será salvo; entrará, sairá e encontrará pastagem.
10:10 O ladrão só vem para roubar, matar e destruir. Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância.
10:11 Eu sou o bom pastor. O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.
10:12 O assalariado, que não é pastor e a quem as ovelhas não pertencem, vê o lobo vindo, abandona as ovelhas e foge; então o lobo as arrebata e dispersa.
10:13 Isso acontece porque ele é assalariado e não se importa com as ovelhas.
10:14 Eu sou o bom pastor. Conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem,
10:15 assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.
10:16 Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco. Também preciso trazê-las. Elas ouvirão minha voz, e haverá um só rebanho e um só pastor.
10:17 Por isso o Pai me ama: porque dou a minha vida para retomá-la.
10:18 Ninguém a tira de mim; eu a dou por minha própria vontade. Tenho autoridade para dá-la e autoridade para retomá-la. Esse mandamento recebi de meu Pai”.
10:19 Houve novamente divisão entre os judeus por causa dessas palavras.
10:20 Muitos deles diziam: “Ele tem demônio e está fora de si. Por que vocês o ouvem?”
10:21 Outros diziam: “Essas palavras não são de um endemoniado. Pode um demônio abrir os olhos dos cegos?”
10:22 Naquele tempo, celebrava-se em Jerusalém a festa da Dedicação. Era inverno,
10:23 e Jesus caminhava pelo templo, no pórtico de Salomão.
10:24 Então os judeus o rodearam e lhe perguntaram: “Até quando você nos deixará em dúvida? Se você é o Cristo, diga-nos abertamente”.
10:25 Jesus lhes respondeu: “Eu já lhes disse, mas vocês não creem. As obras que faço em nome de meu Pai dão testemunho de mim.
10:26 Mas vocês não creem, porque não são das minhas ovelhas.
10:27 Minhas ovelhas ouvem minha voz; eu as conheço, e elas me seguem.
10:28 Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão. Ninguém as arrebatará da minha mão.
10:29 Meu Pai, quanto ao que me deu, é maior que todos, e ninguém pode arrebatá-las da mão do Pai.
10:30 Eu e o Pai somos um”.
10:31 Os judeus pegaram pedras outra vez para apedrejá-lo.
10:32 Jesus lhes disse: “Eu lhes mostrei muitas boas obras da parte do Pai. Por qual delas vocês me apedrejam?”
10:33 Os judeus lhe responderam: “Não apedrejamos você por uma boa obra, mas por blasfêmia, porque você, sendo homem, se faz Deus”.
10:34 Jesus lhes respondeu: “Não está escrito na Lei de vocês: ‘Eu disse: vocês são deuses’?
10:35 Se chamou deuses àqueles a quem a palavra de Deus veio, e a Escritura não pode ser anulada,
10:36 como vocês dizem àquele que o Pai santificou e enviou ao mundo: ‘Você blasfema!’, por eu ter dito: ‘Sou Filho de Deus’?
10:37 Se não faço as obras de meu Pai, não creiam em mim.
10:38 Mas, se as faço, ainda que não creiam em mim, creiam nas obras, para que saibam e continuem a reconhecer que o Pai está em mim e eu no Pai”.
10:39 Então procuraram prendê-lo outra vez, mas ele escapou das mãos deles.
10:40 Jesus foi novamente para o outro lado do Jordão, ao lugar onde João havia batizado no início, e ficou ali.
10:41 Muitos foram até ele e diziam: “João não fez nenhum sinal, mas tudo o que disse a respeito deste homem era verdade”.
10:42 E muitos creram nele ali.

Capítulo 11
11:1 Estava doente um homem chamado Lázaro, de Betânia, a aldeia de Maria e de sua irmã Marta.
11:2 Maria era a que ungiu o Senhor com perfume e lhe enxugou os pés com os cabelos. Seu irmão Lázaro estava doente.
11:3 Então as irmãs mandaram dizer a Jesus: “Senhor, veja, aquele que você ama está doente”.
11:4 Ao ouvir isso, Jesus disse: “Essa doença não é para a morte, mas para a glória de Deus, a fim de que o Filho de Deus seja glorificado por meio dela”.
11:5 Jesus amava Marta, sua irmã e Lázaro.
11:6 Assim, quando ouviu que Lázaro estava doente, ficou mais dois dias no lugar onde estava.
11:7 Depois disso, disse aos discípulos: “Vamos outra vez para a Judeia”.
11:8 Os discípulos lhe disseram: “Rabi, há pouco os judeus procuravam apedrejar você, e você vai voltar para lá?”
11:9 Jesus respondeu: “O dia não tem doze horas? Se alguém anda de dia, não tropeça, porque vê a luz deste mundo.
11:10 Mas, se anda de noite, tropeça, porque a luz não está nele”.
11:11 Depois de dizer isso, acrescentou: “Nosso amigo Lázaro adormeceu, mas vou despertá-lo”.
11:12 Os discípulos lhe disseram: “Senhor, se adormeceu, vai se recuperar”.
11:13 Jesus havia falado da morte de Lázaro, mas eles pensavam que falava do descanso do sono.
11:14 Então Jesus lhes disse claramente: “Lázaro morreu,
11:15 e, por causa de vocês, alegro-me por não ter estado lá, para que creiam. Mas vamos até ele”.
11:16 Então Tomé, chamado Dídimo, disse aos outros discípulos: “Vamos nós também, para morrermos com ele”.
11:17 Quando Jesus chegou, soube que Lázaro já estava no túmulo havia quatro dias.
11:18 Betânia ficava perto de Jerusalém, a poucos quilômetros de distância.
11:19 Muitos dos judeus tinham ido visitar Marta e Maria para consolá-las por causa do irmão.
11:20 Quando Marta ouviu que Jesus estava chegando, saiu ao encontro dele, mas Maria ficou sentada em casa.
11:21 Marta disse a Jesus: “Senhor, se você estivesse aqui, meu irmão não teria morrido.
11:22 Mas, mesmo agora, sei que tudo o que você pedir a Deus, Deus lhe dará”.
11:23 Jesus lhe disse: “Seu irmão ressuscitará”.
11:24 Marta lhe respondeu: “Sei que ele ressuscitará na ressurreição, no último dia”.
11:25 Jesus lhe disse: “Eu sou a ressurreição e a vida. Quem crê em mim, ainda que morra, viverá.
11:26 E todo aquele que vive e crê em mim nunca morrerá. Você crê nisso?”
11:27 Ela lhe respondeu: “Sim, Senhor. Eu creio que você é o Cristo, o Filho de Deus, aquele que vem ao mundo”.
11:28 Depois de dizer isso, Marta foi chamar sua irmã Maria e lhe disse em segredo: “O Mestre está aqui e chama você”.
11:29 Ao ouvir isso, Maria se levantou depressa e foi até ele.
11:30 Jesus ainda não havia entrado na aldeia; continuava no lugar onde Marta o havia encontrado.
11:31 Os judeus que estavam com Maria em casa e a consolavam, vendo que ela se levantou depressa e saiu, a seguiram, pensando que ia ao túmulo para chorar ali.
11:32 Quando Maria chegou ao lugar onde Jesus estava e o viu, caiu aos pés dele e lhe disse: “Senhor, se você estivesse aqui, meu irmão não teria morrido”.
11:33 Ao vê-la chorar, e também os judeus que tinham vindo com ela, Jesus se indignou em seu espírito e ficou perturbado.
11:34 Perguntou: “Onde vocês o colocaram?” Eles responderam: “Senhor, venha e veja”.
11:35 Jesus chorou.
11:36 Então os judeus diziam: “Vejam como ele o amava!”
11:37 Mas alguns deles disseram: “Ele, que abriu os olhos do cego, não poderia ter impedido que este homem morresse?”
11:38 Jesus, novamente indignado em seu íntimo, foi até o túmulo. Era uma caverna, com uma pedra colocada sobre a entrada.
11:39 Jesus disse: “Tirem a pedra”. Marta, a irmã do morto, lhe disse: “Senhor, ele já cheira mal, pois faz quatro dias”.
11:40 Jesus lhe respondeu: “Não lhe disse que, se você crer, verá a glória de Deus?”
11:41 Então tiraram a pedra. Jesus levantou os olhos e disse: “Pai, eu te agradeço porque me ouviste.
11:42 Eu sabia que sempre me ouves, mas disse isso por causa da multidão que está ao redor, para que creiam que tu me enviaste”.
11:43 Depois de dizer isso, gritou com voz forte: “Lázaro, venha para fora!”
11:44 O morto saiu, com os pés e as mãos amarrados com faixas e o rosto envolto num pano. Jesus lhes disse: “Desamarrem-no e deixem-no ir”.
11:45 Muitos dos judeus que tinham ido visitar Maria e viram o que Jesus fez creram nele.
11:46 Mas alguns deles foram aos fariseus e lhes contaram o que Jesus havia feito.
11:47 Então os principais sacerdotes e os fariseus reuniram o concílio e diziam: “O que estamos fazendo? Este homem realiza muitos sinais.
11:48 Se o deixarmos continuar assim, todos crerão nele, e os romanos virão e nos tirarão tanto o nosso lugar como a nossa nação”.
11:49 Um deles, Caifás, que era sumo sacerdote naquele ano, lhes disse: “Vocês não sabem nada,
11:50 nem consideram que é melhor para vocês que um só homem morra pelo povo, em vez de a nação inteira perecer”.
11:51 Ele não disse isso por sua própria conta, mas, como era sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus morreria pela nação,
11:52 e não somente pela nação, mas também para reunir em um só os filhos de Deus que estavam dispersos.
11:53 A partir daquele dia, decidiram matá-lo.
11:54 Por isso Jesus já não andava abertamente entre os judeus, mas se retirou dali para a região próxima ao deserto, para uma cidade chamada Efraim, e ali ficou com os discípulos.
11:55 A Páscoa dos judeus estava próxima, e muitos subiram do campo a Jerusalém antes da Páscoa para se purificarem.
11:56 Eles procuravam Jesus e diziam uns aos outros, enquanto estavam no templo: “O que vocês acham? Será que ele não virá à festa?”
11:57 Os principais sacerdotes e os fariseus haviam dado ordens para que, se alguém soubesse onde ele estava, o denunciasse, a fim de o prenderem.

Capítulo 12
12:1 Seis dias antes da Páscoa, Jesus foi a Betânia, onde estava Lázaro, a quem ele havia ressuscitado dentre os mortos.
12:2 Ali prepararam um jantar para Jesus. Marta servia, e Lázaro era um dos que estavam reclinados à mesa com ele.
12:3 Então Maria tomou quase meio litro de perfume de nardo puro, muito caro, ungiu os pés de Jesus e os enxugou com seus cabelos. A casa ficou cheia da fragrância do perfume.
12:4 Mas Judas Iscariotes, um de seus discípulos, que iria entregá-lo, disse:
12:5 “Por que esse perfume não foi vendido por trezentos denários, e o dinheiro dado aos pobres?”
12:6 Ele disse isso porque era ladrão, e não porque se importasse com os pobres. Como cuidava da bolsa de dinheiro, tirava o que nela era colocado.
12:7 Então Jesus disse: “Deixe-a, para que guarde isso para o dia do meu sepultamento.
12:8 Pois vocês sempre têm os pobres com vocês, mas a mim nem sempre têm”.
12:9 Uma grande multidão de judeus soube que Jesus estava ali e foi até lá, não só por causa dele, mas também para ver Lázaro, a quem ele havia ressuscitado dentre os mortos.
12:10 Os principais sacerdotes decidiram matar também Lázaro,
12:11 porque, por causa dele, muitos judeus se afastavam e criam em Jesus.
12:12 No dia seguinte, a grande multidão que tinha vindo para a festa, ao ouvir que Jesus estava chegando a Jerusalém,
12:13 pegou ramos de palmeiras e saiu ao encontro dele, gritando: “Hosana! Bendito aquele que vem em nome do Senhor, o Rei de Israel!”
12:14 Jesus encontrou um jumentinho e montou nele, como está escrito:
12:15 “Não tenha medo, filha de Sião!
   Veja, seu rei vem, montado num filhote de jumenta”.
12:16 A princípio, seus discípulos não entenderam essas coisas. Mas, quando Jesus foi glorificado, lembraram-se de que elas estavam escritas a respeito dele e de que as haviam feito a ele.
12:17 A multidão que estava com Jesus quando ele chamou Lázaro para fora do túmulo e o ressuscitou dentre os mortos dava testemunho.
12:18 Por isso a multidão saiu ao encontro dele, porque tinha ouvido que ele havia realizado esse sinal.
12:19 Então os fariseus disseram uns aos outros: “Vocês estão vendo que não conseguem nada! Vejam, o mundo foi atrás dele”.
12:20 Havia alguns gregos entre os que tinham subido para adorar na festa.
12:21 Eles se aproximaram de Filipe, que era de Betsaida da Galileia, e lhe pediram: “Senhor, queremos ver Jesus”.
12:22 Filipe foi contar a André, e André e Filipe foram contar a Jesus.
12:23 Jesus lhes respondeu: “Chegou a hora de o Filho do Homem ser glorificado.
12:24 Em verdade, em verdade lhes digo: se o grão de trigo não cair na terra e morrer, fica só. Mas, se morrer, produz muito fruto.
12:25 Quem ama sua vida a perde, e quem odeia sua vida neste mundo a guardará para a vida eterna.
12:26 Se alguém me serve, que me siga. Onde eu estou, ali também estará meu servidor. Se alguém me servir, o Pai o honrará.
12:27 Agora minha alma está perturbada. E o que direi? Pai, salva-me desta hora. Mas foi para isso que cheguei a esta hora.
12:28 Pai, glorifica teu nome”. Então veio uma voz do céu: “Eu já o glorifiquei e o glorificarei outra vez”.
12:29 A multidão que estava ali e ouviu dizia que tinha sido um trovão. Outros diziam: “Um anjo falou com ele”.
12:30 Jesus respondeu: “Essa voz não veio por minha causa, mas por causa de vocês.
12:31 Agora é o juízo deste mundo; agora o governante deste mundo será expulso.
12:32 E eu, se for levantado da terra, atrairei todos a mim”.
12:33 Ele dizia isso para indicar de que morte iria morrer.
12:34 A multidão lhe respondeu: “Nós ouvimos da Lei que o Cristo permanece para sempre. Como você diz que o Filho do Homem precisa ser levantado? Quem é esse Filho do Homem?”
12:35 Jesus lhes disse: “A luz ainda está entre vocês por mais um pouco de tempo. Andem enquanto têm a luz, para que as trevas não os alcancem. Quem anda nas trevas não sabe para onde vai.
12:36 Enquanto têm a luz, creiam na luz, para que se tornem filhos da luz”. Depois de dizer essas coisas, Jesus se retirou e se escondeu deles.
12:37 Embora tivesse feito tantos sinais diante deles, não criam nele,
12:38 para que se cumprisse a palavra do profeta Isaías, que disse:
 “Senhor, quem creu em nossa mensagem?
   E a quem foi revelado o braço do Senhor?”
12:39 Por isso não podiam crer, pois Isaías disse também:
12:40 “Cegou os olhos deles e endureceu seu coração, para que não vejam com os olhos, nem entendam com o coração, nem se voltem, e eu os cure”.
12:41 Isaías disse essas coisas porque viu a glória dele e falou a seu respeito.
12:42 Apesar disso, muitos, até entre as autoridades, creram nele. Mas, por causa dos fariseus, não o confessavam, para não serem expulsos da sinagoga,
12:43 pois amaram mais a glória dos homens do que a glória de Deus.
12:44 Jesus gritou: “Quem crê em mim não crê em mim, mas naquele que me enviou.
12:45 E quem me vê, vê aquele que me enviou.
12:46 Eu vim ao mundo como luz, para que todo aquele que crê em mim não permaneça nas trevas.
12:47 Se alguém ouvir minhas palavras e não as guardar, eu não o julgo, pois não vim para julgar o mundo, mas para salvá-lo.
12:48 Quem me rejeita e não recebe minhas palavras tem quem o julgue: a palavra que falei o julgará no último dia.
12:49 Pois não falei por minha própria conta; o próprio Pai, que me enviou, me deu um mandamento sobre o que dizer e o que falar.
12:50 E sei que o mandamento dele é vida eterna. Por isso, o que falo, falo exatamente como o Pai me disse”.

Capítulo 13
13:1 Antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que havia chegado sua hora de passar deste mundo para o Pai. Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.
13:2 Durante o jantar, o diabo já havia posto no coração a intenção de que Judas, filho de Simão Iscariotes, entregasse Jesus.
13:3 Jesus, sabendo que o Pai havia colocado tudo em suas mãos, que ele havia saído de Deus e ia para Deus,
13:4 levantou-se do jantar, tirou o manto e, pegando uma toalha, amarrou-a à cintura.
13:5 Depois pôs água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos e a enxugá-los com a toalha que tinha à cintura.
13:6 Quando chegou a Simão Pedro, este lhe disse: “Senhor, você vai lavar os meus pés?”
13:7 Jesus lhe respondeu: “Agora você não entende o que estou fazendo, mas entenderá depois”.
13:8 Pedro lhe disse: “Você nunca lavará meus pés!” Jesus respondeu: “Se eu não lavar você, você não tem parte comigo”.
13:9 Simão Pedro lhe disse: “Senhor, não só os meus pés, mas também as mãos e a cabeça!”
13:10 Jesus lhe disse: “Quem já se banhou só precisa lavar os pés, pois está inteiramente limpo. Vocês estão limpos, mas nem todos”.
13:11 Ele sabia quem o entregaria; por isso disse: “Nem todos vocês estão limpos”.
13:12 Depois de lavar os pés deles, Jesus vestiu o manto e se reclinou novamente à mesa. Então lhes perguntou: “Vocês entendem o que fiz com vocês?
13:13 Vocês me chamam Mestre e Senhor, e dizem bem, pois é o que sou.
13:14 Se eu, o Senhor e o Mestre, lavei os pés de vocês, vocês também devem lavar os pés uns dos outros.
13:15 Pois lhes dei o exemplo, para que vocês também façam como eu fiz com vocês.
13:16 Em verdade, em verdade lhes digo: o escravo não é maior que seu senhor, nem o enviado é maior que aquele que o enviou.
13:17 Se vocês sabem essas coisas, são felizes se as praticarem.
13:18 Não falo de todos vocês. Eu sei quem escolhi. Mas é para que se cumpra a Escritura: ‘Aquele que come o meu pão levantou contra mim o calcanhar’.
13:19 Eu lhes digo isso desde já, antes que aconteça, para que, quando acontecer, creiam que eu sou.
13:20 Em verdade, em verdade lhes digo: quem recebe alguém que eu enviar recebe a mim; e quem me recebe recebe aquele que me enviou”.
13:21 Depois de dizer isso, Jesus ficou perturbado em seu espírito e declarou: “Em verdade, em verdade lhes digo: um de vocês me entregará”.
13:22 Os discípulos olhavam uns para os outros, sem saber de quem ele falava.
13:23 Um dos seus discípulos, aquele a quem Jesus amava, estava reclinado junto ao peito de Jesus.
13:24 Simão Pedro fez sinal a ele para que perguntasse de quem Jesus estava falando.
13:25 Então ele se inclinou sobre o peito de Jesus e lhe perguntou: “Senhor, quem é?”
13:26 Jesus respondeu: “É aquele a quem darei o pedaço de pão depois de molhá-lo”. Então molhou o pedaço e o deu a Judas, filho de Simão Iscariotes.
13:27 Depois do pedaço de pão, Satanás entrou nele. Então Jesus lhe disse: “O que você está fazendo, faça depressa”.
13:28 Nenhum dos que estavam à mesa entendeu por que Jesus lhe havia dito isso.
13:29 Como Judas cuidava da bolsa de dinheiro, alguns pensavam que Jesus lhe dizia: “Compre o que precisamos para a festa”, ou que desse alguma coisa aos pobres.
13:30 Depois de receber o pedaço de pão, Judas saiu imediatamente. Era noite.
13:31 Depois que ele saiu, Jesus disse: “Agora o Filho do Homem foi glorificado, e Deus foi glorificado nele.
13:32 Se Deus foi glorificado nele, Deus também o glorificará em si mesmo e o glorificará imediatamente.
13:33 Filhinhos, ainda estou com vocês por mais um pouco de tempo. Vocês me procurarão, e, como eu disse aos judeus, agora também digo a vocês: ‘Para onde eu vou, vocês não podem ir’.
13:34 Eu lhes dou um novo mandamento: que amem uns aos outros. Assim como eu os amei, que vocês também amem uns aos outros.
13:35 Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos: se tiverem amor uns pelos outros”.
13:36 Simão Pedro lhe perguntou: “Senhor, para onde você vai?” Jesus respondeu: “Para onde eu vou, você não pode me seguir agora, mas me seguirá depois”.
13:37 Pedro lhe disse: “Senhor, por que não posso seguir você agora? Darei minha vida por você”.
13:38 Jesus respondeu: “Você dará sua vida por mim? Em verdade, em verdade lhe digo: o galo não cantará antes de você me negar três vezes”.

Capítulo 14
14:1 “Não se perturbe o coração de vocês. Creiam em Deus; creiam também em mim.
14:2 Na casa de meu Pai há muitas moradas. Se não fosse assim, eu lhes teria dito, pois vou preparar um lugar para vocês.
14:3 E, se eu for e lhes preparar um lugar, voltarei e os levarei para junto de mim, para que vocês também estejam onde eu estou.
14:4 Vocês conhecem o caminho para onde eu vou”.
14:5 Tomé lhe disse: “Senhor, não sabemos para onde você vai. Como podemos conhecer o caminho?”
14:6 Jesus lhe respondeu: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai senão por mim.
14:7 Se vocês me conhecessem, conheceriam também meu Pai. Desde agora vocês o conhecem e o têm visto”.
14:8 Filipe lhe disse: “Senhor, mostre-nos o Pai, e isso nos basta”.
14:9 Jesus lhe respondeu: “Estou com vocês há tanto tempo, e você ainda não me conhece, Filipe? Quem me viu, viu o Pai. Como você diz: ‘Mostre-nos o Pai’?
14:10 Você não crê que eu estou no Pai e que o Pai está em mim? As palavras que lhes digo não falo por minha própria conta; o Pai, que permanece em mim, realiza suas obras.
14:11 Creiam em mim: eu estou no Pai, e o Pai está em mim. Se não, creiam por causa das próprias obras.
14:12 Em verdade, em verdade lhes digo: quem crê em mim também fará as obras que eu faço, e fará obras maiores que estas, porque eu vou para o Pai.
14:13 E tudo o que vocês pedirem em meu nome, eu farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
14:14 Se vocês me pedirem alguma coisa em meu nome, eu farei.
14:15 Se vocês me amam, guardarão meus mandamentos.
14:16 E eu pedirei ao Pai, e ele lhes dará outro Consolador, para que esteja com vocês para sempre:
14:17 o Espírito da verdade, que o mundo não pode receber, porque não o vê nem o conhece. Vocês o conhecem, porque ele permanece com vocês e estará em vocês.
14:18 Não os deixarei órfãos; virei até vocês.
14:19 Dentro de pouco tempo, o mundo não me verá mais, mas vocês me verão. Porque eu vivo, vocês também viverão.
14:20 Naquele dia vocês saberão que eu estou em meu Pai, vocês em mim, e eu em vocês.
14:21 Quem tem meus mandamentos e os guarda, esse é quem me ama. Quem me ama será amado por meu Pai, e eu o amarei e me manifestarei a ele”.
14:22 Judas, não o Iscariotes, lhe perguntou: “Senhor, o que aconteceu para que você vá se manifestar a nós, e não ao mundo?”
14:23 Jesus lhe respondeu: “Se alguém me ama, guardará minha palavra. Meu Pai o amará, e nós viremos a ele e faremos morada com ele.
14:24 Quem não me ama não guarda minhas palavras. E a palavra que vocês ouvem não é minha, mas do Pai, que me enviou.
14:25 Tenho lhes dito essas coisas enquanto permaneço com vocês.
14:26 Mas o Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, ensinará a vocês todas as coisas e fará com que se lembrem de tudo o que eu lhes disse.
14:27 Deixo a paz a vocês; a minha paz lhes dou. Eu não a dou como o mundo a dá. Não se perturbe nem se acovarde o coração de vocês.
14:28 Vocês ouviram o que lhes disse: ‘Vou embora e voltarei para vocês’. Se me amassem, teriam se alegrado porque vou para o Pai, pois o Pai é maior que eu.
14:29 Eu lhes disse isso agora, antes que aconteça, para que, quando acontecer, vocês creiam.
14:30 Já não falarei muito com vocês, pois o governante do mundo está vindo. Ele não tem nada em mim,
14:31 mas, para que o mundo saiba que amo o Pai, faço exatamente como o Pai me ordenou. Levantem-se, vamos sair daqui”.

Capítulo 15
15:1 “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o lavrador.
15:2 Todo ramo em mim que não dá fruto, ele o retira; e todo ramo que dá fruto, ele o poda, para que dê mais fruto.
15:3 Vocês já estão limpos por causa da palavra que lhes falei.
15:4 Permaneçam em mim, e eu em vocês. Assim como o ramo não pode dar fruto por si mesmo se não permanecer na videira, vocês também não podem, se não permanecerem em mim.
15:5 Eu sou a videira; vocês são os ramos. Quem permanece em mim, e eu nele, esse dá muito fruto, pois sem mim vocês não podem fazer nada.
15:6 Se alguém não permanece em mim, é lançado fora como um ramo e seca. Esses ramos são recolhidos, lançados no fogo e queimados.
15:7 Se vocês permanecerem em mim, e minhas palavras permanecerem em vocês, peçam o que quiserem, e lhes será feito.
15:8 Meu Pai é glorificado nisto: em que vocês deem muito fruto e se tornem meus discípulos.
15:9 Assim como o Pai me amou, eu também amei vocês. Permaneçam no meu amor.
15:10 Se vocês guardarem meus mandamentos, permanecerão no meu amor, assim como eu tenho guardado os mandamentos de meu Pai e permaneço no amor dele.
15:11 Eu lhes disse essas coisas para que minha alegria esteja em vocês e a alegria de vocês seja completa.
15:12 Este é o meu mandamento: que vocês amem uns aos outros como eu os amei.
15:13 Ninguém tem amor maior do que este: dar a própria vida pelos seus amigos.
15:14 Vocês são meus amigos se fazem o que eu lhes ordeno.
15:15 Já não chamo vocês de escravos, porque o escravo não sabe o que seu senhor faz. Eu os tenho chamado de amigos, porque lhes dei a conhecer tudo o que ouvi de meu Pai.
15:16 Não foram vocês que me escolheram; eu escolhi vocês e os designei para que vão e deem fruto, e o fruto de vocês permaneça, a fim de que o Pai lhes dê tudo o que lhe pedirem em meu nome.
15:17 Isto lhes ordeno: que amem uns aos outros.
15:18 Se o mundo odeia vocês, saibam que, antes de vocês, odiou a mim.
15:19 Se vocês fossem do mundo, o mundo amaria o que é seu. Mas, porque vocês não são do mundo, e eu os escolhi do meio do mundo, por isso o mundo os odeia.
15:20 Lembrem-se da palavra que lhes disse: ‘O escravo não é maior que seu senhor’. Se perseguiram a mim, também perseguirão vocês. Se guardaram minha palavra, também guardarão a de vocês.
15:21 Mas farão tudo isso com vocês por causa do meu nome, porque não conhecem aquele que me enviou.
15:22 Se eu não tivesse vindo e falado com eles, não teriam pecado. Mas agora não têm desculpa para seu pecado.
15:23 Quem me odeia também odeia meu Pai.
15:24 Se eu não tivesse feito entre eles as obras que nenhum outro fez, não teriam pecado. Mas agora viram e odiaram tanto a mim como a meu Pai.
15:25 Mas é para que se cumpra a palavra escrita na Lei deles: ‘Odiaram-me sem motivo’.
15:26 Quando vier o Consolador, que eu lhes enviarei da parte do Pai, o Espírito da verdade, que procede do Pai, ele dará testemunho de mim.
15:27 Vocês também dão testemunho, porque estão comigo desde o princípio”.

Capítulo 16
16:1 “Eu lhes disse essas coisas para que não tropecem.
16:2 Vocês serão expulsos das sinagogas. Mais ainda, vem a hora em que todo aquele que os matar pensará que está prestando um serviço a Deus.
16:3 Farão essas coisas porque não conheceram o Pai nem a mim.
16:4 Mas eu lhes disse essas coisas para que, quando chegar a hora delas, se lembrem de que eu as disse a vocês. Não lhes disse isso desde o princípio porque estava com vocês.
16:5 Agora, porém, vou para aquele que me enviou, e nenhum de vocês me pergunta: ‘Para onde você vai?’
16:6 Mas, porque lhes disse essas coisas, a tristeza encheu o coração de vocês.
16:7 Eu lhes digo a verdade: é melhor para vocês que eu vá. Pois, se eu não for, o Consolador não virá a vocês; mas, se eu for, eu o enviarei a vocês.
16:8 Quando ele vier, convencerá o mundo a respeito do pecado, da justiça e do juízo:
16:9 do pecado, porque não creem em mim;
16:10 da justiça, porque vou para o Pai, e vocês não me verão mais;
16:11 e do juízo, porque o governante deste mundo já foi julgado.
16:12 Ainda tenho muitas coisas para lhes dizer, mas vocês não podem suportá-las agora.
16:13 Mas, quando vier ele, o Espírito da verdade, guiará vocês em toda a verdade. Pois não falará por sua própria conta, mas falará tudo o que ouvir e anunciará a vocês as coisas que virão.
16:14 Ele me glorificará, porque receberá do que é meu e anunciará a vocês.
16:15 Tudo o que o Pai tem é meu. Por isso eu disse que ele recebe do que é meu e anunciará a vocês.
16:16 Daqui a pouco vocês não me verão mais, e, mais um pouco, vocês me verão”.
16:17 Então alguns dos seus discípulos disseram uns aos outros: “O que significa isso que ele nos diz: ‘Daqui a pouco vocês não me verão, e, mais um pouco, vocês me verão’, e: ‘Porque vou para o Pai’?”
16:18 E diziam: “O que significa esse pouco de tempo de que ele fala? Não sabemos o que está dizendo”.
16:19 Jesus percebeu que queriam lhe perguntar e lhes disse: “Vocês estão discutindo entre si porque eu disse: ‘Daqui a pouco vocês não me verão, e, mais um pouco, vocês me verão’?
16:20 Em verdade, em verdade lhes digo: vocês chorarão e se lamentarão, mas o mundo se alegrará. Vocês ficarão tristes, mas sua tristeza se transformará em alegria.
16:21 Quando a mulher está dando à luz, sente dor, porque chegou sua hora. Mas, depois de dar à luz a criança, já não se lembra da aflição, pela alegria de ter nascido um ser humano no mundo.
16:22 Assim também vocês agora estão tristes. Mas eu os verei outra vez, e o coração de vocês se alegrará. E ninguém tira a alegria de vocês.
16:23 Naquele dia vocês não me perguntarão nada. Em verdade, em verdade lhes digo: se pedirem alguma coisa ao Pai, ele a dará a vocês em meu nome.
16:24 Até agora vocês não pediram nada em meu nome. Peçam e receberão, para que a alegria de vocês seja completa.
16:25 Eu lhes disse essas coisas em linguagem figurada. Vem a hora em que já não lhes falarei em linguagem figurada, mas lhes falarei abertamente a respeito do Pai.
16:26 Naquele dia vocês pedirão em meu nome. E não lhes digo que eu pedirei ao Pai por vocês,
16:27 pois o próprio Pai ama vocês, porque vocês me amaram e creram que eu saí de Deus.
16:28 Saí do Pai e vim ao mundo. Agora deixo o mundo e volto para o Pai”.
16:29 Seus discípulos disseram: “Veja, agora você fala abertamente, sem usar linguagem figurada.
16:30 Agora sabemos que você sabe todas as coisas e não precisa que alguém lhe pergunte. Por isso cremos que você saiu de Deus”.
16:31 Jesus lhes respondeu: “Agora vocês creem?
16:32 Vejam, vem a hora, e já chegou, em que vocês serão dispersos, cada um para o seu lugar, e me deixarão sozinho. Mas não estou sozinho, porque o Pai está comigo.
16:33 Eu lhes disse essas coisas para que em mim vocês tenham paz. No mundo vocês têm aflição, mas tenham coragem: eu venci o mundo”.

Capítulo 17
17:1 Depois de dizer essas coisas, Jesus levantou os olhos ao céu e disse: “Pai, chegou a hora. Glorifica teu Filho, para que o Filho te glorifique,
17:2 assim como lhe deste autoridade sobre toda a humanidade, para que dê vida eterna a todos os que lhe deste.
17:3 E a vida eterna é esta: que conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste.
17:4 Eu te glorifiquei na terra, concluindo a obra que me deste para fazer.
17:5 Agora, Pai, glorifica-me junto de ti, com a glória que eu tinha junto de ti antes que o mundo existisse.
17:6 Manifestei teu nome aos homens que me deste do meio do mundo. Eram teus, e tu os deste a mim, e eles guardaram tua palavra.
17:7 Agora sabem que tudo o que me deste vem de ti,
17:8 pois lhes dei as palavras que me deste. Eles as receberam e reconheceram verdadeiramente que saí de ti, e creram que tu me enviaste.
17:9 Eu peço por eles. Não peço pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.
17:10 Tudo o que é meu é teu, e tudo o que é teu é meu; e fui glorificado neles.
17:11 Já não estou no mundo, mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda-os em teu nome, o nome que me deste, para que sejam um, assim como nós.
17:12 Quando estava com eles, eu os guardava em teu nome, o nome que me deste. Eu os protegi, e nenhum deles se perdeu, a não ser o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura.
17:13 Agora vou para ti e digo essas coisas no mundo para que tenham minha alegria completa em si mesmos.
17:14 Eu lhes dei tua palavra, e o mundo os odiou, porque não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.
17:15 Não peço que os tires do mundo, mas que os guardes do maligno.
17:16 Eles não são do mundo, assim como eu não sou do mundo.
17:17 Santifica-os na verdade; tua palavra é a verdade.
17:18 Assim como me enviaste ao mundo, eu também os enviei ao mundo.
17:19 Por eles eu me consagro, para que também eles sejam santificados na verdade.
17:20 Não peço somente por estes, mas também pelos que creem em mim por meio da palavra deles,
17:21 para que todos sejam um, assim como tu, Pai, estás em mim e eu em ti; para que eles também estejam em nós, a fim de que o mundo creia que tu me enviaste.
17:22 Eu lhes dei a glória que me deste, para que sejam um, assim como nós somos um:
17:23 eu neles e tu em mim, para que sejam aperfeiçoados em unidade, a fim de que o mundo saiba que tu me enviaste e os amaste como amaste a mim.
17:24 Pai, quero que aqueles que me deste estejam comigo onde eu estou, para que contemplem minha glória, a glória que me deste, porque me amaste antes da fundação do mundo.
17:25 Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheci, e estes reconheceram que tu me enviaste.
17:26 Eu lhes dei a conhecer teu nome e o darei a conhecer, para que o amor com que me amaste esteja neles, e eu neles”.

Capítulo 18
18:1 Depois de dizer essas coisas, Jesus saiu com seus discípulos para o outro lado do ribeiro de Cedrom. Ali havia um jardim, onde ele entrou com seus discípulos.
18:2 Judas, que o entregava, também conhecia o lugar, porque Jesus se reunia ali muitas vezes com seus discípulos.
18:3 Então Judas, levando consigo o destacamento de soldados e guardas dos principais sacerdotes e dos fariseus, chegou ali com lanternas, tochas e armas.
18:4 Jesus, sabendo tudo o que lhe aconteceria, foi à frente e lhes perguntou: “Quem vocês procuram?”
18:5 Eles responderam: “Jesus, o Nazareno”. Ele lhes disse: “Eu sou”. Judas, que o entregava, também estava com eles.
18:6 Quando Jesus lhes disse: “Eu sou”, eles recuaram e caíram no chão.
18:7 Ele lhes perguntou novamente: “Quem vocês procuram?” Eles responderam: “Jesus, o Nazareno”.
18:8 Jesus respondeu: “Eu lhes disse que eu sou. Se é a mim que vocês procuram, deixem estes irem embora”.
18:9 Isso aconteceu para que se cumprisse a palavra que ele havia dito: “Daqueles que me deste, não perdi nenhum”.
18:10 Simão Pedro, que tinha uma espada, a puxou e feriu o escravo do sumo sacerdote, cortando-lhe a orelha direita. O escravo se chamava Malco.
18:11 Então Jesus disse a Pedro: “Guarde a espada na bainha. Será que não devo beber o cálice que o Pai me deu?”
18:12 Então o destacamento, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus, o amarraram
18:13 e o levaram primeiro a Anás, pois era sogro de Caifás, que era sumo sacerdote naquele ano.
18:14 Caifás era quem havia aconselhado aos judeus que era melhor um só homem morrer pelo povo.
18:15 Simão Pedro e outro discípulo seguiam Jesus. Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote.
18:16 Pedro, porém, ficou do lado de fora, junto à porta. Então o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu, falou com a porteira e levou Pedro para dentro.
18:17 A criada que cuidava da porta perguntou a Pedro: “Você também não é um dos discípulos desse homem?” Ele respondeu: “Não sou”.
18:18 Os escravos e os guardas tinham acendido um fogo de carvão, porque fazia frio, e estavam em pé se aquecendo. Pedro também estava com eles, em pé, se aquecendo.
18:19 O sumo sacerdote interrogou Jesus sobre seus discípulos e seu ensino.
18:20 Jesus lhe respondeu: “Eu falei abertamente ao mundo. Sempre ensinei na sinagoga e no templo, onde todos os judeus se reúnem, e nada disse em segredo.
18:21 Por que você me interroga? Pergunte aos que ouviram o que lhes falei. Veja, eles sabem o que eu disse”.
18:22 Quando Jesus disse isso, um dos guardas que estavam ali lhe deu uma bofetada e disse: “É assim que você responde ao sumo sacerdote?”
18:23 Jesus lhe respondeu: “Se falei mal, dê testemunho do que houve de errado. Mas, se falei bem, por que você me bate?”
18:24 Então Anás o enviou amarrado a Caifás, o sumo sacerdote.
18:25 Simão Pedro estava em pé se aquecendo. Perguntaram a ele: “Você também não é um dos discípulos dele?” Pedro negou e disse: “Não sou”.
18:26 Um dos escravos do sumo sacerdote, parente do homem de quem Pedro havia cortado a orelha, perguntou: “Não vi você no jardim com ele?”
18:27 Pedro negou outra vez, e imediatamente um galo cantou.
18:28 Então levaram Jesus da casa de Caifás ao pretório. Era de manhã cedo. Eles não entraram no pretório, para não se contaminarem e poderem comer a Páscoa.
18:29 Por isso Pilatos saiu até eles e perguntou: “Que acusação vocês apresentam contra este homem?”
18:30 Eles lhe responderam: “Se ele não fosse alguém que pratica o mal, não o teríamos entregado a você”.
18:31 Pilatos lhes disse: “Levem-no vocês e o julguem segundo a Lei de vocês”. Os judeus lhe responderam: “Nós não temos permissão para matar ninguém”.
18:32 Isso aconteceu para que se cumprisse a palavra que Jesus havia dito, indicando de que morte ele iria morrer.
18:33 Pilatos entrou novamente no pretório, chamou Jesus e lhe perguntou: “Você é o rei dos judeus?”
18:34 Jesus respondeu: “Você diz isso por sua própria conta, ou outros lhe falaram a meu respeito?”
18:35 Pilatos respondeu: “Será que eu sou judeu? Sua nação e os principais sacerdotes entregaram você a mim. O que você fez?”
18:36 Jesus respondeu: “Meu reino não é deste mundo. Se meu reino fosse deste mundo, meus servidores lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas agora meu reino não é daqui”.
18:37 Então Pilatos lhe perguntou: “Assim, você é rei?” Jesus respondeu: “Você diz que sou rei. Foi para isso que nasci e foi para isso que vim ao mundo: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve minha voz”.
18:38 Pilatos lhe perguntou: “O que é a verdade?” Depois de dizer isso, saiu novamente até os judeus e lhes disse: “Não encontro nele crime algum.
18:39 Mas vocês têm o costume de que eu lhes solte alguém na Páscoa. Então querem que eu lhes solte o rei dos judeus?”
18:40 Eles gritaram novamente: “Esse não, mas Barrabás!” Barrabás era um bandido.

Capítulo 19
19:1 Então Pilatos tomou Jesus e mandou açoitá-lo.
19:2 Os soldados trançaram uma coroa de espinhos, colocaram na cabeça dele e o vestiram com um manto de púrpura.
19:3 Eles se aproximavam dele e diziam: “Salve, rei dos judeus!” E lhe davam bofetadas.
19:4 Pilatos saiu novamente e lhes disse: “Vejam, eu o trago para fora, para que vocês saibam que não encontro nele crime algum”.
19:5 Então Jesus saiu, usando a coroa de espinhos e o manto de púrpura. Pilatos lhes disse: “Eis o homem!”
19:6 Quando os principais sacerdotes e os guardas o viram, gritaram: “Crucifique! Crucifique!” Pilatos lhes disse: “Levem-no vocês e o crucifiquem, pois não encontro nele crime algum”.
19:7 Os judeus lhe responderam: “Nós temos uma lei, e, segundo essa lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus”.
19:8 Quando Pilatos ouviu essas palavras, ficou com ainda mais medo.
19:9 Entrou novamente no pretório e perguntou a Jesus: “De onde você é?” Mas Jesus não lhe respondeu.
19:10 Então Pilatos lhe disse: “Você não fala comigo? Não sabe que tenho autoridade para soltar você e autoridade para crucificá-lo?”
19:11 Jesus lhe respondeu: “Você não teria nenhuma autoridade sobre mim se não lhe tivesse sido dada do alto. Por isso, quem me entregou a você tem maior pecado”.
19:12 A partir disso, Pilatos procurava soltá-lo. Mas os judeus gritaram: “Se você soltar esse homem, não é amigo de César. Todo aquele que se faz rei se opõe a César”.
19:13 Ao ouvir essas palavras, Pilatos levou Jesus para fora e se sentou no tribunal, no lugar chamado Pavimento de Pedras, em hebraico, Gabatá.
19:14 Era o dia da Preparação da Páscoa, cerca do meio-dia. Pilatos disse aos judeus: “Eis o rei de vocês!”
19:15 Eles gritaram: “Fora! Fora! Crucifique-o!” Pilatos lhes perguntou: “Vou crucificar o rei de vocês?” Os principais sacerdotes responderam: “Não temos rei senão César”.
19:16 Então Pilatos o entregou a eles para ser crucificado. E eles tomaram Jesus.
19:17 Carregando sua própria cruz, Jesus saiu para o chamado Lugar da Caveira, que em hebraico se chama Gólgota.
19:18 Ali o crucificaram, e com ele outros dois, um de cada lado, e Jesus no meio.
19:19 Pilatos também escreveu uma inscrição e a colocou na cruz. Nela estava escrito: “Jesus, o Nazareno, o rei dos judeus”.
19:20 Muitos judeus leram essa inscrição, porque o lugar onde Jesus foi crucificado ficava perto da cidade. Estava escrita em hebraico, latim e grego.
19:21 Então os principais sacerdotes dos judeus diziam a Pilatos: “Não escreva: ‘O rei dos judeus’, mas que ele disse: ‘Sou rei dos judeus’”.
19:22 Pilatos respondeu: “O que escrevi, escrevi”.
19:23 Depois de crucificar Jesus, os soldados pegaram as roupas dele e as dividiram em quatro partes, uma para cada soldado. Pegaram também a túnica, que não tinha costura, tecida de cima a baixo numa só peça.
19:24 Então disseram uns aos outros: “Não vamos rasgá-la. Vamos tirar a sorte para ver de quem será”. Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura: “Repartiram entre si minhas roupas e tiraram a sorte sobre minha veste”. Foi isso que os soldados fizeram.
19:25 Junto à cruz de Jesus estavam sua mãe, a irmã de sua mãe, Maria de Clopas e Maria Madalena.
19:26 Quando Jesus viu sua mãe e o discípulo a quem amava, que estava ali, disse à mãe: “Mulher, aí está seu filho”.
19:27 Depois disse ao discípulo: “Aí está sua mãe”. E, desde aquela hora, o discípulo a recebeu em sua casa.
19:28 Depois disso, sabendo que tudo já estava cumprido, Jesus disse, para que se cumprisse a Escritura: “Tenho sede”.
19:29 Havia ali um recipiente cheio de vinho azedo. Então ensoparam uma esponja no vinho azedo, prenderam-na a um ramo de hissopo e a levaram à boca dele.
19:30 Depois de tomar o vinho azedo, Jesus disse: “Está consumado”. Então inclinou a cabeça e entregou o espírito.
19:31 Como era o dia da Preparação, os judeus pediram a Pilatos que as pernas dos crucificados fossem quebradas e os corpos retirados, para que não ficassem na cruz durante o sábado, pois aquele sábado era um dia de grande solenidade.
19:32 Então os soldados foram e quebraram as pernas do primeiro e do outro que havia sido crucificado com Jesus.
19:33 Mas, quando chegaram a Jesus e viram que já estava morto, não lhe quebraram as pernas.
19:34 Um dos soldados, porém, perfurou o lado dele com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água.
19:35 Quem viu isso deu testemunho, e seu testemunho é verdadeiro. Ele sabe que diz a verdade, para que vocês também creiam.
19:36 Pois essas coisas aconteceram para que se cumprisse a Escritura: “Nenhum dos seus ossos será quebrado”.
19:37 E outra Escritura diz: “Olharão para aquele que perfuraram”.
19:38 Depois disso, José de Arimateia, que era discípulo de Jesus, mas em segredo por medo dos judeus, pediu a Pilatos para retirar o corpo de Jesus. Pilatos permitiu. Então ele foi e retirou o corpo.
19:39 Nicodemos, que antes havia procurado Jesus à noite, também foi, levando cerca de trinta e três quilos de uma mistura de mirra e aloés.
19:40 Eles pegaram o corpo de Jesus e o envolveram em panos de linho com as especiarias, conforme o costume dos judeus para o sepultamento.
19:41 No lugar onde Jesus havia sido crucificado havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ninguém ainda havia sido colocado.
19:42 Por ser o dia da Preparação dos judeus, e porque o túmulo ficava perto, foi ali que colocaram Jesus.

Capítulo 20
20:1 No primeiro dia da semana, Maria Madalena foi cedo ao túmulo, quando ainda estava escuro, e viu que a pedra havia sido retirada.
20:2 Então correu até Simão Pedro e o outro discípulo, aquele a quem Jesus amava, e lhes disse: “Levaram o Senhor do túmulo, e não sabemos onde o colocaram”.
20:3 Pedro e o outro discípulo saíram e foram ao túmulo.
20:4 Os dois corriam juntos, mas o outro discípulo correu mais depressa que Pedro e chegou primeiro ao túmulo.
20:5 Ele se inclinou e viu os panos de linho ali, mas não entrou.
20:6 Simão Pedro, que vinha atrás dele, também chegou e entrou no túmulo. Viu os panos de linho ali
20:7 e o pano que havia coberto a cabeça de Jesus. Esse pano não estava junto aos panos de linho, mas enrolado à parte, num lugar separado.
20:8 Então entrou também o outro discípulo, que havia chegado primeiro ao túmulo. Ele viu e creu.
20:9 Pois ainda não haviam entendido a Escritura, segundo a qual Jesus devia ressuscitar dentre os mortos.
20:10 Então os discípulos voltaram para casa.
20:11 Maria, porém, ficou do lado de fora do túmulo, chorando. Enquanto chorava, inclinou-se para olhar dentro do túmulo
20:12 e viu dois anjos vestidos de branco, sentados onde estivera o corpo de Jesus, um à cabeceira e outro aos pés.
20:13 Eles lhe perguntaram: “Mulher, por que você está chorando?” Ela lhes respondeu: “Levaram meu Senhor, e não sei onde o colocaram”.
20:14 Depois de dizer isso, voltou-se para trás e viu Jesus em pé, mas não sabia que era Jesus.
20:15 Jesus lhe perguntou: “Mulher, por que você está chorando? Quem você procura?” Pensando que ele era o jardineiro, ela lhe disse: “Senhor, se você o levou, diga-me onde o colocou, e eu o levarei”.
20:16 Jesus lhe disse: “Maria!” Ela se voltou e lhe disse em hebraico: “Rabôni!” (que significa Mestre).
20:17 Jesus lhe disse: “Não se agarre a mim, pois ainda não subi para o Pai. Mas vá até meus irmãos e lhes diga: ‘Subo para meu Pai e Pai de vocês, meu Deus e Deus de vocês’”.
20:18 Maria Madalena foi anunciar aos discípulos: “Eu vi o Senhor!” E contou o que ele lhe havia dito.
20:19 Ao anoitecer daquele dia, o primeiro da semana, as portas do lugar onde os discípulos estavam se encontravam fechadas por medo dos judeus. Jesus veio, ficou no meio deles e lhes disse: “Paz a vocês!”
20:20 Depois de dizer isso, mostrou-lhes as mãos e o lado. Os discípulos se alegraram ao ver o Senhor.
20:21 Jesus lhes disse outra vez: “Paz a vocês! Assim como o Pai me enviou, eu também envio vocês”.
20:22 Depois de dizer isso, soprou e lhes disse: “Recebam o Espírito Santo.
20:23 Se vocês perdoarem os pecados de alguém, eles lhe estão perdoados; se os retiverem, estão retidos”.
20:24 Tomé, um dos Doze, chamado Dídimo, não estava com eles quando Jesus veio.
20:25 Os outros discípulos lhe diziam: “Vimos o Senhor!” Mas ele lhes respondeu: “Se eu não vir a marca dos pregos nas mãos dele, não puser meu dedo na marca dos pregos e não puser minha mão no lado dele, de modo nenhum crerei”.
20:26 Oito dias depois, seus discípulos estavam outra vez dentro de casa, e Tomé estava com eles. Jesus veio, com as portas fechadas, ficou no meio deles e disse: “Paz a vocês!”
20:27 Então disse a Tomé: “Traga seu dedo aqui e veja minhas mãos. Traga sua mão e ponha no meu lado. Não seja incrédulo, mas crente”.
20:28 Tomé lhe respondeu: “Meu Senhor e meu Deus!”
20:29 Jesus lhe disse: “Você creu porque me viu? Felizes os que não viram e creram”.
20:30 Jesus também fez diante dos discípulos muitos outros sinais que não estão escritos neste livro.
20:31 Mas estes foram escritos para que vocês creiam que Jesus é o Cristo, o Filho de Deus, e para que, crendo, tenham vida em seu nome.

Capítulo 21
21:1 Depois disso, Jesus se manifestou novamente aos discípulos junto ao mar de Tiberíades. Foi assim que se manifestou:
21:2 Estavam juntos Simão Pedro, Tomé, chamado Dídimo, Natanael, de Caná da Galileia, os filhos de Zebedeu e outros dois dos seus discípulos.
21:3 Simão Pedro lhes disse: “Vou pescar”. Eles responderam: “Nós também vamos com você”. Saíram e entraram no barco, mas naquela noite não pescaram nada.
21:4 Quando já amanhecia, Jesus estava em pé na praia, mas os discípulos não sabiam que era Jesus.
21:5 Jesus lhes perguntou: “Filhos, vocês têm alguma coisa para comer?” Eles responderam: “Não”.
21:6 Ele lhes disse: “Lancem a rede do lado direito do barco, e encontrarão”. Então a lançaram, mas já não conseguiam puxá-la, por causa da quantidade de peixes.
21:7 O discípulo a quem Jesus amava disse a Pedro: “É o Senhor!” Ao ouvir que era o Senhor, Simão Pedro amarrou a roupa ao corpo, pois estava despido, e se jogou no mar.
21:8 Os outros discípulos vieram no pequeno barco, arrastando a rede de peixes, pois não estavam longe da terra, mas a cerca de noventa metros.
21:9 Quando desembarcaram, viram um fogo de carvão com um peixe sobre as brasas e pão.
21:10 Jesus lhes disse: “Tragam alguns dos peixes que acabaram de pescar”.
21:11 Então Simão Pedro subiu no barco e puxou a rede para a terra, cheia de cento e cinquenta e três peixes grandes. E, apesar de serem tantos, a rede não se rompeu.
21:12 Jesus lhes disse: “Venham tomar o café da manhã”. Nenhum dos discípulos se atrevia a perguntar: “Quem é você?”, pois sabiam que era o Senhor.
21:13 Jesus se aproximou, pegou o pão e o deu a eles, e fez o mesmo com o peixe.
21:14 Essa já era a terceira vez que Jesus se manifestava aos discípulos depois de ressuscitar dentre os mortos.
21:15 Depois de tomarem o café da manhã, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, você me ama mais do que estes?” Ele respondeu: “Sim, Senhor, você sabe que eu amo você”. Jesus lhe disse: “Alimente meus cordeiros”.
21:16 Jesus lhe perguntou pela segunda vez: “Simão, filho de João, você me ama?” Ele respondeu: “Sim, Senhor, você sabe que eu amo você”. Jesus lhe disse: “Pastoreie minhas ovelhas”.
21:17 Pela terceira vez, Jesus lhe perguntou: “Simão, filho de João, você me ama?” Pedro ficou triste porque ele lhe perguntou pela terceira vez: “Você me ama?” E lhe respondeu: “Senhor, você sabe todas as coisas; você sabe que eu amo você”. Jesus lhe disse: “Alimente minhas ovelhas.
21:18 Em verdade, em verdade lhe digo: quando você era mais jovem, você mesmo amarrava sua roupa à cintura e andava por onde queria. Mas, quando envelhecer, estenderá as mãos, e outro amarrará sua roupa e levará você para onde não quer ir”.
21:19 Jesus disse isso para indicar com que morte Pedro glorificaria a Deus. Depois lhe disse: “Siga-me”.
21:20 Pedro se virou e viu que o discípulo a quem Jesus amava os seguia. Era o mesmo que, durante o jantar, havia se inclinado sobre o peito de Jesus e perguntado: “Senhor, quem vai entregar você?”
21:21 Ao vê-lo, Pedro perguntou a Jesus: “Senhor, e ele?”
21:22 Jesus lhe respondeu: “Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, o que isso tem a ver com você? Você, siga-me”.
21:23 Então se espalhou entre os irmãos a notícia de que aquele discípulo não morreria. Mas Jesus não lhe disse que não morreria, e sim: “Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, o que isso tem a ver com você?”
21:24 Esse é o discípulo que dá testemunho dessas coisas e as escreveu, e sabemos que seu testemunho é verdadeiro.
21:25 Jesus também fez muitas outras coisas. Se cada uma delas fosse escrita, penso que nem o próprio mundo poderia conter os livros que seriam escritos.

ATOS

Capítulo 1
1:1 No meu primeiro relato, Teófilo, escrevi acerca de tudo o que Jesus começou a fazer e a ensinar
1:2 até o dia em que foi elevado ao céu, depois de dar instruções, por meio do Espírito Santo, aos apóstolos que havia escolhido.
1:3 A eles também se apresentou vivo, depois de seu sofrimento, com muitas provas convincentes. Durante quarenta dias, apareceu a eles e falou sobre o reino de Deus.
1:4 Enquanto estava reunido com eles, ordenou: “Não se afastem de Jerusalém, mas esperem a promessa do Pai, da qual vocês me ouviram falar;
1:5 pois João batizou com água, mas vocês serão batizados com o Espírito Santo dentro de poucos dias”.
1:6 Então os que estavam reunidos lhe perguntaram: “Senhor, é neste tempo que restaurarás o reino a Israel?”.
1:7 Ele lhes respondeu: “Não cabe a vocês conhecer os tempos ou as ocasiões que o Pai estabeleceu por sua própria autoridade.
1:8 Mas vocês receberão poder quando o Espírito Santo vier sobre vocês e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria e até os confins da terra”.
1:9 Depois de dizer isso, foi elevado enquanto eles observavam, e uma nuvem o encobriu, ocultando-o de seus olhos.
1:10 Enquanto olhavam fixamente para o céu, à medida que ele se afastava, de repente dois homens vestidos de branco se colocaram ao lado deles
1:11 e disseram: “Homens da Galileia, por que vocês ficam olhando para o céu? Este Jesus, que foi levado dentre vocês para o céu, virá da mesma maneira como vocês o viram ir para o céu”.
1:12 Então voltaram para Jerusalém, vindos do monte chamado das Oliveiras, que fica perto de Jerusalém, a cerca de um quilômetro de distância.
1:13 Quando chegaram, subiram ao aposento no andar de cima onde estavam hospedados: Pedro, João, Tiago e André; Filipe e Tomé; Bartolomeu e Mateus; Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelote, e Judas, filho de Tiago.
1:14 Todos eles perseveravam unidos na oração, com as mulheres, com Maria, mãe de Jesus, e com os irmãos dele.
1:15 Naqueles dias, Pedro se levantou no meio dos irmãos — estavam reunidas cerca de cento e vinte pessoas — e disse:
1:16 “Irmãos, era necessário que se cumprisse a Escritura que o Espírito Santo anunciou de antemão pela boca de Davi a respeito de Judas, que serviu de guia aos que prenderam Jesus.
1:17 Ele era um dos nossos e havia recebido uma parte neste ministério”.
1:18 Esse homem adquiriu um terreno com a recompensa de sua injustiça. Ele caiu de cabeça, rompeu-se ao meio, e todas as suas entranhas se derramaram.
1:19 Isso se tornou conhecido de todos os habitantes de Jerusalém, de modo que aquele terreno foi chamado, na língua deles, Aceldama, isto é, Campo de Sangue.
1:20 “Pois está escrito no livro dos Salmos:
 ‘Que sua morada fique deserta, e não haja quem nela habite’;
 e:
 ‘Que outro tome o seu encargo’.
1:21 Portanto, é necessário que, dentre os homens que nos acompanharam durante todo o tempo em que o Senhor Jesus viveu entre nós,
1:22 desde o batismo de João até o dia em que foi levado dentre nós, um deles se torne, junto conosco, testemunha de sua ressurreição”.
1:23 Então apresentaram dois: José, chamado Barsabás, que tinha o sobrenome Justo, e Matias.
1:24 E oraram: “Tu, Senhor, que conheces o coração de todos, mostra qual destes dois escolheste
1:25 para ocupar o lugar neste ministério e apostolado do qual Judas se desviou para ir ao seu próprio lugar”.
1:26 Então lançaram sortes, e a sorte caiu sobre Matias, que foi contado com os onze apóstolos.

Capítulo 2
2:1 Quando chegou o dia de Pentecostes, estavam todos reunidos no mesmo lugar.
2:2 De repente, veio do céu um som como o de um vento forte e impetuoso, que encheu toda a casa onde estavam sentados.
2:3 E apareceram a eles línguas como de fogo, que se repartiam, e uma pousou sobre cada um deles.
2:4 Todos ficaram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que se expressassem.
2:5 Em Jerusalém viviam judeus, homens piedosos de todas as nações debaixo do céu.
2:6 Quando se ouviu aquele som, a multidão se reuniu e ficou confusa, pois cada um os ouvia falar em sua própria língua.
2:7 Eles estavam admirados e maravilhados e diziam: “Vejam! Não são galileus todos esses que estão falando?
2:8 Como é que cada um de nós os ouve em sua própria língua materna?
2:9 Partos, medos e elamitas; os que moram na Mesopotâmia, na Judeia, na Capadócia, no Ponto e na Ásia,
2:10 na Frígia, na Panfília, no Egito e nas regiões da Líbia próximas de Cirene; visitantes de Roma,
2:11 tanto judeus como convertidos ao judaísmo; cretenses e árabes: nós os ouvimos falar em nossas línguas sobre as grandezas de Deus!”.
2:12 Todos estavam admirados e perplexos e perguntavam uns aos outros: “O que isso significa?”.
2:13 Outros, porém, zombavam e diziam: “Estão cheios de vinho doce”.
2:14 Então Pedro se levantou com os onze, ergueu a voz e lhes declarou: “Homens judeus e todos vocês que moram em Jerusalém, tomem conhecimento disto e escutem as minhas palavras.
2:15 Estes homens não estão embriagados, como vocês pensam, pois são apenas nove horas da manhã.
2:16 Mas isto é o que foi anunciado por meio do profeta Joel:
2:17 ‘Nos últimos dias, diz Deus, derramarei do meu Espírito sobre toda carne.
   Os filhos e as filhas de vocês profetizarão;
   os seus jovens terão visões, e os seus idosos terão sonhos.
2:18 Até sobre os meus servos e as minhas servas derramarei do meu Espírito naqueles dias, e eles profetizarão.
2:19 Farei prodígios no céu, lá em cima, e sinais na terra, aqui embaixo: sangue, fogo e nuvens de fumaça.
2:20 O sol se transformará em trevas, e a lua, em sangue, antes que venha o grande e glorioso dia do Senhor.
2:21 E todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo’.
2:22 Homens de Israel, escutem estas palavras: Jesus, o Nazareno, foi um homem aprovado por Deus diante de vocês por obras poderosas, prodígios e sinais que Deus realizou por meio dele entre vocês, como vocês mesmos sabem.
2:23 Esse homem foi entregue segundo o plano determinado e o conhecimento antecipado de Deus; e vocês o mataram, pregando-o numa cruz por mãos de homens sem lei.
2:24 Mas Deus o ressuscitou, livrando-o das dores da morte, porque não era possível que ela o retivesse.
2:25 Pois Davi diz a respeito dele:
 ‘Eu via o Senhor sempre diante de mim, porque ele está à minha direita, para que eu não seja abalado.
2:26 Por isso, meu coração se alegrou e minha língua exultou;
   também o meu corpo repousará em esperança,
2:27 pois não abandonarás minha alma no Hades, nem permitirás que o teu Santo veja a decomposição.
2:28 Tu me deste a conhecer os caminhos da vida e me encherás de alegria com a tua presença’.
2:29 Irmãos, posso lhes falar com franqueza a respeito do patriarca Davi: ele morreu e foi sepultado, e seu túmulo está entre nós até hoje.
2:30 Como era profeta e sabia que Deus lhe havia jurado que faria um de seus descendentes se sentar em seu trono,
2:31 previu a ressurreição de Cristo e falou a respeito dela: ele não foi abandonado no Hades, nem o seu corpo sofreu decomposição.
2:32 Deus ressuscitou este Jesus, e disso todos nós somos testemunhas.
2:33 Portanto, exaltado à direita de Deus e tendo recebido do Pai a promessa do Espírito Santo, ele derramou isto que vocês estão vendo e ouvindo.
2:34 Pois Davi não subiu aos céus, mas ele mesmo diz:
 ‘O Senhor disse ao meu Senhor: “Senta-te à minha direita,
2:35 até que eu ponha os teus inimigos como estrado dos teus pés”’.
2:36 Portanto, que toda a casa de Israel saiba com certeza que Deus fez deste Jesus que vocês crucificaram Senhor e Cristo”.
2:37 Ao ouvirem isso, ficaram com o coração traspassado e perguntaram a Pedro e aos demais apóstolos: “Irmãos, o que devemos fazer?”.
2:38 Pedro lhes respondeu: “Arrependam-se, e cada um de vocês seja batizado em nome de Jesus Cristo para o perdão dos seus pecados, e vocês receberão o dom do Espírito Santo.
2:39 Pois a promessa é para vocês, para os seus filhos e para todos os que estão longe, para quantos o Senhor, nosso Deus, chamar”.
2:40 Com muitas outras palavras, ele dava testemunho e os exortava, dizendo: “Salvem-se desta geração perversa”.
2:41 Assim, os que acolheram sua palavra foram batizados, e naquele dia foram acrescentadas cerca de três mil pessoas.
2:42 Eles perseveravam no ensino dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações.
2:43 O temor tomava conta de todos, e muitos prodígios e sinais eram realizados por meio dos apóstolos.
2:44 Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum.
2:45 Vendiam suas propriedades e seus bens e os repartiam entre todos, conforme a necessidade de cada um.
2:46 Dia após dia, perseveravam unidos no templo, partiam o pão nas casas e compartilhavam as refeições com alegria e simplicidade de coração,
2:47 louvando a Deus e desfrutando do favor de todo o povo. E o Senhor acrescentava à comunidade, a cada dia, os que estavam sendo salvos.

Capítulo 3
3:1 Pedro e João subiam ao templo na hora da oração, às três da tarde.
3:2 Estavam carregando um homem coxo de nascença, que todos os dias era colocado junto à porta do templo chamada Formosa, para pedir esmolas aos que entravam no templo.
3:3 Quando viu Pedro e João prestes a entrar no templo, pediu que lhe dessem uma esmola.
3:4 Pedro, junto com João, olhou fixamente para ele e disse: “Olhe para nós”.
3:5 O homem lhes deu atenção, esperando receber alguma coisa deles.
3:6 Mas Pedro disse: “Não tenho prata nem ouro, mas o que tenho, isso dou a você: em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, ande!”.
3:7 Então o tomou pela mão direita e o levantou. Imediatamente seus pés e tornozelos se firmaram.
3:8 Ele se pôs de pé com um salto e começou a andar. Entrou com eles no templo, andando, saltando e louvando a Deus.
3:9 Todo o povo o viu andando e louvando a Deus.
3:10 Reconheceram que era ele quem se sentava para pedir esmolas à porta Formosa do templo e ficaram cheios de espanto e admiração pelo que lhe havia acontecido.
3:11 Enquanto ele se agarrava a Pedro e João, todo o povo, cheio de espanto, correu para junto deles no pórtico chamado de Salomão.
3:12 Ao ver isso, Pedro se dirigiu ao povo: “Homens de Israel, por que vocês se admiram disso? Por que olham fixamente para nós, como se tivéssemos feito este homem andar por nosso próprio poder ou piedade?
3:13 O Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó, o Deus de nossos antepassados, glorificou seu servo Jesus, a quem vocês entregaram e rejeitaram diante de Pilatos, embora ele tivesse decidido soltá-lo.
3:14 Vocês rejeitaram o Santo e Justo e pediram que um assassino lhes fosse concedido em liberdade.
3:15 Vocês mataram o Autor da vida, a quem Deus ressuscitou dentre os mortos. Disso nós somos testemunhas.
3:16 Pela fé no nome de Jesus, o seu nome fortaleceu este homem que vocês veem e conhecem; e a fé que vem por meio dele deu a este homem esta saúde perfeita diante de todos vocês.
3:17 Agora, irmãos, sei que vocês agiram por ignorância, assim como os seus governantes.
3:18 Mas foi assim que Deus cumpriu o que havia anunciado de antemão pela boca de todos os profetas: que o seu Cristo sofreria.
3:19 Portanto, arrependam-se e voltem-se para Deus, para que sejam apagados os seus pecados,
3:20 a fim de que venham tempos de alívio da presença do Senhor, e ele envie Jesus, o Cristo previamente designado para vocês.
3:21 É necessário que o céu o receba até os tempos da restauração de todas as coisas, das quais Deus falou desde a antiguidade pela boca dos seus santos profetas.
3:22 Moisés disse: ‘O Senhor Deus levantará para vocês, dentre os seus irmãos, um profeta como eu. Escutem tudo o que ele lhes disser.
3:23 E toda pessoa que não escutar esse profeta será exterminada do meio do povo’.
3:24 Também todos os profetas que falaram, desde Samuel e seus sucessores, anunciaram estes dias.
3:25 Vocês são os filhos dos profetas e da aliança que Deus estabeleceu com os seus antepassados, quando disse a Abraão: ‘Na sua descendência serão abençoadas todas as famílias da terra’.
3:26 Depois de levantar o seu servo, Deus o enviou primeiro a vocês para abençoá-los, desviando cada um de vocês de suas maldades”.

Capítulo 4
4:1 Enquanto eles falavam ao povo, aproximaram-se deles os sacerdotes, o comandante da guarda do templo e os saduceus,
4:2 muito incomodados porque ensinavam o povo e anunciavam, em Jesus, a ressurreição dentre os mortos.
4:3 Eles os prenderam e os puseram sob custódia até o dia seguinte, pois já era tarde.
4:4 Mas muitos dos que tinham ouvido a palavra creram, e o número dos homens chegou a cerca de cinco mil.
4:5 No dia seguinte, reuniram-se em Jerusalém as autoridades, os anciãos e os escribas,
4:6 com Anás, o sumo sacerdote, Caifás, João, Alexandre e todos os que eram da família dos sumos sacerdotes.
4:7 Colocaram os dois no meio deles e perguntaram: “Com que poder ou em nome de quem vocês fizeram isso?”.
4:8 Então Pedro, cheio do Espírito Santo, lhes disse: “Autoridades do povo e anciãos,
4:9 se hoje somos interrogados por causa de um benefício feito a um homem enfermo e sobre como ele foi curado,
4:10 saibam todos vocês e todo o povo de Israel que é em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, a quem vocês crucificaram e a quem Deus ressuscitou dentre os mortos, que este homem está curado diante de vocês.
4:11 Ele é a pedra rejeitada por vocês, os construtores, que se tornou a pedra angular.
4:12 E em nenhum outro há salvação, pois não há outro nome debaixo do céu, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”.
4:13 Ao verem a ousadia de Pedro e João e perceberem que eram homens sem instrução e gente comum, ficaram admirados. Reconheciam também que eles haviam estado com Jesus.
4:14 E, vendo de pé junto deles o homem que havia sido curado, não tinham como contestar.
4:15 Então ordenaram que saíssem do Sinédrio e começaram a deliberar entre si:
4:16 “O que faremos com estes homens? Pois é evidente a todos os habitantes de Jerusalém que um sinal notório foi realizado por meio deles, e não podemos negá-lo.
4:17 Mas, para que isso não se espalhe ainda mais entre o povo, vamos ameaçá-los para que não falem mais a ninguém nesse nome”.
4:18 Então os chamaram e ordenaram que de modo algum falassem ou ensinassem em nome de Jesus.
4:19 Mas Pedro e João lhes responderam: “Julguem vocês se é justo diante de Deus obedecer a vocês mais do que a Deus,
4:20 pois nós não podemos deixar de falar do que vimos e ouvimos”.
4:21 Depois de fazerem novas ameaças, eles os soltaram. Por causa do povo, não encontravam como castigá-los, pois todos glorificavam a Deus pelo que havia acontecido.
4:22 Pois o homem em quem se havia realizado esse sinal de cura tinha mais de quarenta anos.
4:23 Assim que foram soltos, voltaram para os seus e contaram tudo o que os principais sacerdotes e os anciãos lhes haviam dito.
4:24 Ao ouvirem isso, levantaram unidos a voz a Deus e disseram: “Soberano Senhor, tu fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há.
4:25 Tu disseste pelo Espírito Santo, pela boca de nosso antepassado Davi, teu servo:
 ‘Por que se enfureceram as nações, e os povos tramaram coisas vãs?
4:26 Os reis da terra se levantaram, e os governantes se reuniram contra o Senhor e contra o seu Cristo’.
4:27 Pois, de fato, nesta cidade Herodes e Pôncio Pilatos se reuniram com os gentios e os povos de Israel contra o teu santo servo Jesus, a quem ungiste,
4:28 para fazer tudo o que a tua mão e o teu plano haviam determinado de antemão que acontecesse.
4:29 Agora, Senhor, olha para as ameaças deles e concede aos teus servos que falem a tua palavra com toda a ousadia,
4:30 enquanto estendes a tua mão para curar e se realizam sinais e prodígios por meio do nome do teu santo servo Jesus”.
4:31 Depois de orarem, o lugar onde estavam reunidos tremeu; todos ficaram cheios do Espírito Santo e falavam a palavra de Deus com ousadia.
4:32 A multidão dos que haviam crido tinha um só coração e uma só alma. Ninguém dizia que coisa alguma do que possuía era só sua, mas tinham tudo em comum.
4:33 Com grande poder, os apóstolos davam testemunho da ressurreição do Senhor Jesus, e abundante graça estava sobre todos eles.
4:34 Não havia necessitado algum entre eles, pois todos os que possuíam terrenos ou casas os vendiam, traziam o valor do que era vendido
4:35 e o depositavam aos pés dos apóstolos. Então era distribuído a cada um conforme a sua necessidade.
4:36 José, a quem os apóstolos deram o sobrenome Barnabé, que significa “filho da consolação”, era levita e natural de Chipre.
4:37 Ele vendeu um campo que possuía, trouxe o dinheiro e o depositou aos pés dos apóstolos.

Capítulo 5
5:1 Um homem chamado Ananias, com Safira, sua esposa, vendeu uma propriedade
5:2 e reteve parte do valor, com o conhecimento de sua esposa. Levou uma parte e a depositou aos pés dos apóstolos.
5:3 Então Pedro disse: “Ananias, por que Satanás encheu o seu coração, para que você mentisse ao Espírito Santo e retivesse parte do valor do terreno?
5:4 Enquanto não era vendido, o terreno não continuava sendo seu? E, depois de vendido, o dinheiro não estava em seu poder? Por que você concebeu esse propósito no coração? Você não mentiu aos homens, mas a Deus”.
5:5 Ao ouvir essas palavras, Ananias caiu e morreu. E grande temor tomou conta de todos os que ouviram isso.
5:6 Os jovens se levantaram, envolveram o corpo, levaram-no para fora e o sepultaram.
5:7 Cerca de três horas depois, sua esposa entrou, sem saber o que havia acontecido.
5:8 Pedro lhe perguntou: “Diga-me: foi por este valor que vocês venderam o terreno?”. Ela respondeu: “Sim, por esse valor”.
5:9 Então Pedro lhe disse: “Por que vocês entraram em acordo para pôr à prova o Espírito do Senhor? Veja! Os pés dos que sepultaram o seu marido estão à porta, e eles também levarão você para fora”.
5:10 No mesmo instante, ela caiu aos pés dele e morreu. Quando os jovens entraram, encontraram-na morta; levaram-na para fora e a sepultaram junto de seu marido.
5:11 E grande temor tomou conta de toda a igreja e de todos os que ouviam essas coisas.
5:12 Muitos sinais e prodígios eram realizados entre o povo pelas mãos dos apóstolos. Todos estavam unidos no pórtico de Salomão.
5:13 Nenhum dos demais ousava se juntar a eles, mas o povo os tinha em grande estima.
5:14 E cada vez mais pessoas que criam no Senhor eram acrescentadas, multidões de homens e mulheres.
5:15 Chegavam a levar os enfermos para as ruas e a colocá-los em leitos e macas, para que, quando Pedro passasse, ao menos sua sombra cobrisse algum deles.
5:16 Também vinha uma multidão das cidades próximas de Jerusalém, trazendo enfermos e pessoas atormentadas por espíritos impuros, e todos eram curados.
5:17 Então o sumo sacerdote e todos os que estavam com ele, do partido dos saduceus, se levantaram cheios de inveja,
5:18 prenderam os apóstolos e os colocaram na prisão pública.
5:19 Mas, durante a noite, um anjo do Senhor abriu as portas da prisão, levou-os para fora e disse:
5:20 “Vão, apresentem-se no templo e anunciem ao povo todas as palavras desta vida”.
5:21 Ao ouvirem isso, eles entraram no templo ao amanhecer e começaram a ensinar. Quando chegaram o sumo sacerdote e os que estavam com ele, convocaram o Sinédrio e toda a assembleia dos anciãos de Israel e mandaram buscar os apóstolos na prisão.
5:22 Mas, ao chegarem, os guardas não os encontraram na prisão. Então voltaram e informaram:
5:23 “Encontramos a prisão fechada com toda a segurança, e os guardas, de pé junto às portas. Mas, quando abrimos, não encontramos ninguém lá dentro”.
5:24 Ao ouvirem essas palavras, o comandante da guarda do templo e os principais sacerdotes ficaram perplexos a respeito deles e se perguntavam no que aquilo daria.
5:25 Então alguém chegou e lhes contou: “Vejam! Os homens que vocês colocaram na prisão estão no templo, de pé, ensinando o povo”.
5:26 O comandante foi com os guardas e os trouxe, mas sem violência, pois tinham medo de ser apedrejados pelo povo.
5:27 Depois de trazê-los, apresentaram-nos ao Sinédrio. E o sumo sacerdote os interrogou:
5:28 “Nós ordenamos expressamente que vocês não ensinassem nesse nome. E vejam! Vocês encheram Jerusalém com o seu ensino e querem fazer recair sobre nós o sangue desse homem”.
5:29 Pedro e os apóstolos responderam: “É necessário obedecer a Deus antes que aos homens.
5:30 O Deus de nossos antepassados ressuscitou Jesus, a quem vocês mataram, pendurando-o num madeiro.
5:31 Deus o exaltou à sua direita como Príncipe e Salvador, para conceder a Israel arrependimento e perdão dos pecados.
5:32 Nós somos testemunhas destas coisas, e também o Espírito Santo, que Deus deu aos que lhe obedecem”.
5:33 Ao ouvirem isso, ficaram furiosos e queriam matá-los.
5:34 Mas um fariseu chamado Gamaliel, mestre da lei respeitado por todo o povo, levantou-se no Sinédrio e ordenou que levassem os homens para fora por um momento.
5:35 Então lhes disse: “Homens de Israel, tomem cuidado com o que vocês estão prestes a fazer a estes homens.
5:36 Pois, algum tempo atrás, levantou-se Teudas, dizendo ser alguém importante, e cerca de quatrocentos homens se uniram a ele. Ele foi morto, e todos os que o seguiam se dispersaram e foram reduzidos a nada.
5:37 Depois dele, levantou-se Judas, o Galileu, nos dias do recenseamento, e arrastou o povo atrás de si. Ele também morreu, e todos os que o seguiam foram dispersos.
5:38 Agora lhes digo: afastem-se destes homens e deixem-nos em paz, pois, se este plano ou esta obra vem dos homens, se desfará;
5:39 mas, se vem de Deus, vocês não poderão destruí-los. Cuidado para não se encontrarem lutando contra Deus!”. Eles se deixaram convencer por ele.
5:40 Chamaram os apóstolos e, depois de açoitá-los, ordenaram que não falassem em nome de Jesus e os soltaram.
5:41 Eles saíram da presença do Sinédrio alegres por terem sido considerados dignos de sofrer desonra por causa do Nome.
5:42 E todos os dias, no templo e nas casas, não deixavam de ensinar e de anunciar a boa notícia de que Jesus é o Cristo.

Capítulo 6
6:1 Naqueles dias, com o aumento do número dos discípulos, os judeus de língua grega começaram a se queixar dos de língua hebraica, porque suas viúvas estavam sendo deixadas de lado na distribuição diária.
6:2 Então os Doze convocaram a multidão dos discípulos e disseram: “Não é adequado que abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas.
6:3 Portanto, irmãos, escolham dentre vocês sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais confiaremos esta tarefa.
6:4 Nós, porém, perseveraremos na oração e no ministério da palavra”.
6:5 A proposta agradou a toda a multidão. Escolheram Estêvão, homem cheio de fé e do Espírito Santo, Filipe, Prócoro, Nicanor, Timão, Pármenas e Nicolau, um convertido ao judaísmo, de Antioquia.
6:6 Apresentaram-nos aos apóstolos, que oraram e lhes impuseram as mãos.
6:7 A palavra de Deus se espalhava, e o número dos discípulos se multiplicava muito em Jerusalém. Também um grande número de sacerdotes obedecia à fé.
6:8 Estêvão, cheio de graça e de poder, realizava grandes prodígios e sinais entre o povo.
6:9 Mas alguns dos que pertenciam à sinagoga chamada dos Libertos, dos cireneus e dos alexandrinos, e dos que eram da Cilícia e da Ásia, se levantaram e começaram a discutir com Estêvão.
6:10 Mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que ele falava.
6:11 Então instigaram em segredo alguns homens a dizer: “Nós o ouvimos falar palavras blasfemas contra Moisés e contra Deus”.
6:12 Agitaram o povo, os anciãos e os escribas; avançaram contra ele, agarraram-no e o levaram ao Sinédrio.
6:13 Apresentaram falsas testemunhas, que diziam: “Este homem não para de falar contra o lugar santo e contra a lei,
6:14 pois nós o ouvimos dizer que esse Jesus, o Nazareno, destruirá este lugar e mudará os costumes que Moisés nos transmitiu”.
6:15 Todos os que estavam sentados no Sinédrio olharam fixamente para ele e viram que seu rosto era como o rosto de um anjo.

Capítulo 7
7:1 Então o sumo sacerdote perguntou: “Essas coisas são assim?”.
7:2 Estêvão respondeu: “Irmãos e pais, escutem. O Deus da glória apareceu a nosso pai Abraão quando ele estava na Mesopotâmia, antes de morar em Harã,
7:3 e lhe disse: ‘Saia da sua terra e do meio dos seus parentes e venha para a terra que eu lhe mostrarei’.
7:4 Então ele saiu da terra dos caldeus e foi morar em Harã. De lá, depois da morte de seu pai, Deus o trouxe para esta terra em que vocês agora vivem.
7:5 Deus não lhe deu nenhuma herança nela, nem sequer um metro quadrado. Mas prometeu dar-lhe a terra como propriedade, a ele e à sua descendência depois dele, embora ele ainda não tivesse filho.
7:6 Deus lhe falou assim: seus descendentes viveriam como estrangeiros em terra alheia, onde seriam escravizados e maltratados durante quatrocentos anos.
7:7 ‘Mas eu julgarei a nação à qual eles servirem como escravos’, disse Deus. ‘Depois disso, eles sairão e me prestarão culto neste lugar’.
7:8 E lhe deu a aliança da circuncisão. Assim, Abraão gerou Isaque e o circuncidou no oitavo dia; Isaque gerou Jacó, e Jacó gerou os doze patriarcas.
7:9 Os patriarcas, por inveja de José, o venderam para o Egito. Mas Deus estava com ele
7:10 e o livrou de todas as suas aflições. Deu-lhe favor e sabedoria diante do faraó, rei do Egito, que o nomeou governador do Egito e de toda a sua casa.
7:11 Então veio fome sobre todo o Egito e Canaã, e houve grande aflição. Nossos antepassados não encontravam alimento.
7:12 Quando Jacó soube que havia cereais no Egito, enviou nossos antepassados para lá pela primeira vez.
7:13 Na segunda vez, José se deu a conhecer a seus irmãos, e o faraó ficou sabendo da família de José.
7:14 José mandou chamar Jacó, seu pai, e toda a sua família, setenta e cinco pessoas.
7:15 Jacó desceu ao Egito. Ali morreram ele e nossos antepassados.
7:16 Foram transportados para Siquém e colocados no túmulo que Abraão havia comprado por uma quantia em prata dos filhos de Hamor, em Siquém.
7:17 À medida que se aproximava o tempo da promessa que Deus havia feito a Abraão, o povo crescia e se multiplicava no Egito,
7:18 até que surgiu outro rei no Egito, que não conhecia José.
7:19 Ele agiu com astúcia contra o nosso povo e maltratou nossos antepassados, obrigando-os a abandonar os seus recém-nascidos para que não sobrevivessem.
7:20 Naquele tempo nasceu Moisés, que era belo aos olhos de Deus. Ele foi criado por três meses na casa de seu pai.
7:21 Quando foi abandonado, a filha do faraó o recolheu e o criou como seu próprio filho.
7:22 Moisés foi instruído em toda a sabedoria dos egípcios e era poderoso em suas palavras e ações.
7:23 Quando completou quarenta anos, veio-lhe ao coração visitar seus irmãos, os filhos de Israel.
7:24 Ao ver um deles sendo maltratado, ele o defendeu e vingou o oprimido, matando o egípcio.
7:25 Ele pensava que seus irmãos entenderiam que Deus lhes dava libertação por meio dele, mas eles não entenderam.
7:26 No dia seguinte, apareceu a eles enquanto brigavam e tentou reconciliá-los, dizendo: ‘Homens, vocês são irmãos! Por que maltratam uns aos outros?’.
7:27 Mas o que maltratava o próximo o empurrou, dizendo: ‘Quem nomeou você governante e juiz sobre nós?
7:28 Você quer me matar, como matou ontem o egípcio?’.
7:29 Ao ouvir isso, Moisés fugiu e foi viver como estrangeiro na terra de Midiã, onde teve dois filhos.
7:30 Depois de quarenta anos, um anjo lhe apareceu no deserto do monte Sinai, na chama de fogo de uma sarça.
7:31 Ao ver aquilo, Moisés ficou admirado com a visão. Quando se aproximava para observar, ouviu-se a voz do Senhor:
7:32 ‘Eu sou o Deus dos seus antepassados, o Deus de Abraão, de Isaque e de Jacó’. Moisés começou a tremer e não ousava olhar.
7:33 O Senhor lhe disse: ‘Tire as sandálias dos pés, pois o lugar onde você está é terra santa.
7:34 Certamente vi a opressão do meu povo no Egito e ouvi o seu gemido, e desci para libertá-lo. Agora venha, eu enviarei você ao Egito’.
7:35 Foi esse Moisés, a quem rejeitaram dizendo: ‘Quem nomeou você governante e juiz?’, que Deus enviou como governante e libertador, com a ajuda do anjo que lhe apareceu na sarça.
7:36 Ele os conduziu para fora, realizando prodígios e sinais na terra do Egito, no mar Vermelho e no deserto durante quarenta anos.
7:37 Foi esse Moisés que disse aos filhos de Israel: ‘Deus levantará para vocês, dentre os seus irmãos, um profeta como eu’.
7:38 Foi ele que esteve na assembleia no deserto, com o anjo que lhe falava no monte Sinai e com nossos antepassados; ele recebeu palavras vivas para nos transmitir.
7:39 Mas nossos antepassados não quiseram lhe obedecer. Pelo contrário, o rejeitaram e, em seus corações, voltaram para o Egito,
7:40 dizendo a Arão: ‘Faça para nós deuses que vão à nossa frente, pois não sabemos o que aconteceu com esse Moisés que nos tirou da terra do Egito’.
7:41 Naqueles dias, fizeram um bezerro, ofereceram sacrifício ao ídolo e se alegraram com as obras das próprias mãos.
7:42 Mas Deus se afastou e os entregou ao culto do exército do céu, como está escrito no livro dos profetas:
 ‘Acaso vocês me ofereceram vítimas e sacrifícios por quarenta anos no deserto, ó casa de Israel?
7:43 Vocês carregaram a tenda de Moloque e a estrela do deus Raifã, as imagens que fizeram para adorá-las.
   Por isso eu os levarei para o exílio além de Babilônia’.
7:44 Nossos antepassados tinham no deserto a tenda do testemunho, como havia ordenado aquele que falou a Moisés, para que a fizesse segundo o modelo que havia visto.
7:45 Nossos antepassados a receberam e a trouxeram com Josué, ao tomarem posse das terras das nações que Deus expulsou de diante deles. Assim foi até os dias de Davi,
7:46 que encontrou favor diante de Deus e pediu para encontrar uma morada para o Deus de Jacó.
7:47 Mas foi Salomão quem lhe construiu uma casa.
7:48 O Altíssimo, porém, não habita em lugares feitos por mãos humanas, como diz o profeta:
7:49 ‘O céu é o meu trono, e a terra, o estrado dos meus pés.
   Que casa vocês construirão para mim, diz o Senhor, ou qual será o lugar do meu descanso?
7:50 Não foi a minha mão que fez todas estas coisas?’.
7:51 Duros de cerviz e incircuncisos de coração e de ouvidos! Vocês sempre resistem ao Espírito Santo. Assim como os seus antepassados, vocês também!
7:52 A qual dos profetas os seus antepassados não perseguiram? Mataram os que anunciaram de antemão a vinda do Justo, de quem agora vocês se tornaram traidores e assassinos,
7:53 vocês que receberam a lei por disposição de anjos e não a guardaram!”.
7:54 Ao ouvirem isso, ficaram furiosos em seus corações e rangiam os dentes contra ele.
7:55 Mas Estêvão, cheio do Espírito Santo, olhou fixamente para o céu e viu a glória de Deus e Jesus de pé à direita de Deus.
7:56 E disse: “Vejam! Estou vendo os céus abertos e o Filho do Homem de pé à direita de Deus!”.
7:57 Então eles gritaram em alta voz, taparam os ouvidos e avançaram todos juntos contra ele.
7:58 Expulsaram-no da cidade e começaram a apedrejá-lo. As testemunhas puseram seus mantos aos pés de um jovem chamado Saulo.
7:59 Enquanto apedrejavam Estêvão, ele invocava o Senhor, dizendo: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito”.
7:60 Então se ajoelhou e clamou em alta voz: “Senhor, não lhes atribuas este pecado!”. E, depois de dizer isso, adormeceu.

Capítulo 8
8:1 Saulo aprovava a morte de Estêvão. Naquele dia, começou uma grande perseguição contra a igreja em Jerusalém, e todos, exceto os apóstolos, foram dispersos pelas regiões da Judeia e de Samaria.
8:2 Homens piedosos sepultaram Estêvão e fizeram grande lamentação por ele.
8:3 Saulo, porém, devastava a igreja. Entrava de casa em casa, arrastava homens e mulheres e os entregava à prisão.
8:4 Os que haviam sido dispersos iam de um lugar a outro, anunciando a palavra como boa notícia.
8:5 Filipe desceu à cidade de Samaria e lhes proclamava o Cristo.
8:6 As multidões davam atenção, em comum acordo, ao que Filipe dizia, ouvindo-o e vendo os sinais que fazia.
8:7 Pois espíritos impuros saíam de muitas pessoas, dando gritos em alta voz, e muitos paralíticos e coxos eram curados.
8:8 E houve grande alegria naquela cidade.
8:9 Havia na cidade um homem chamado Simão, que praticava magia e deixava o povo de Samaria admirado, dizendo ser alguém importante.
8:10 Todos, do menor ao maior, lhe davam atenção e diziam: “Este é o poder de Deus chamado ‘Grande’”.
8:11 Davam-lhe atenção porque, havia muito tempo, ele os deixava admirados com suas artes mágicas.
8:12 Mas, quando creram em Filipe, que anunciava a boa notícia do reino de Deus e do nome de Jesus Cristo, tanto homens como mulheres eram batizados.
8:13 O próprio Simão também creu e, depois de ser batizado, permanecia junto de Filipe. Ficava admirado ao ver os sinais e os grandes milagres que eram realizados.
8:14 Quando os apóstolos que estavam em Jerusalém souberam que Samaria havia recebido a palavra de Deus, enviaram Pedro e João para lá.
8:15 Eles desceram e oraram por aquelas pessoas para que recebessem o Espírito Santo,
8:16 pois ele ainda não havia descido sobre nenhuma delas; tinham apenas sido batizadas em nome do Senhor Jesus.
8:17 Então lhes impunham as mãos, e eles recebiam o Espírito Santo.
8:18 Quando Simão viu que o Espírito era dado por meio da imposição das mãos dos apóstolos, ofereceu-lhes dinheiro
8:19 e disse: “Deem também a mim essa autoridade, para que aquele sobre quem eu impuser as mãos receba o Espírito Santo”.
8:20 Mas Pedro lhe disse: “Que o seu dinheiro pereça com você, porque você pensou que o dom de Deus podia ser adquirido com dinheiro!
8:21 Você não tem parte nem participação neste assunto, pois o seu coração não é reto diante de Deus.
8:22 Arrependa-se, portanto, dessa sua maldade e rogue ao Senhor. Talvez a intenção do seu coração lhe seja perdoada,
8:23 pois vejo que você está em fel de amargura e preso por laços de injustiça”.
8:24 Simão respondeu: “Roguem vocês ao Senhor por mim, para que nada do que disseram aconteça comigo”.
8:25 Depois de darem testemunho e falarem a palavra do Senhor, eles voltavam para Jerusalém, anunciando a boa notícia em muitas aldeias dos samaritanos.
8:26 Um anjo do Senhor falou a Filipe: “Levante-se e vá para o sul, para o caminho que desce de Jerusalém a Gaza”. Esse é um caminho deserto.
8:27 Ele se levantou e foi. Havia um homem etíope, eunuco e alto funcionário de Candace, rainha dos etíopes, encarregado de todo o seu tesouro. Ele tinha ido a Jerusalém para adorar
8:28 e voltava sentado em sua carruagem, lendo o profeta Isaías.
8:29 O Espírito disse a Filipe: “Aproxime-se e acompanhe essa carruagem”.
8:30 Filipe correu até lá e o ouviu lendo o profeta Isaías. Então perguntou: “Você entende o que está lendo?”.
8:31 Ele respondeu: “Como poderia, a menos que alguém me orientasse?”. E convidou Filipe a subir e se sentar com ele.
8:32 O trecho da Escritura que estava lendo era este:
 “Como ovelha, foi levado ao matadouro;
   e, como cordeiro mudo diante de quem o tosquia, assim ele não abre a boca.
8:33 Na sua humilhação, foi-lhe negada a justiça.
   Quem falará de sua descendência?
   Pois a sua vida é tirada da terra”.
8:34 O eunuco perguntou a Filipe: “Por favor, diga-me: de quem o profeta está falando? De si mesmo ou de outra pessoa?”.
8:35 Então Filipe tomou a palavra e, começando por essa Escritura, anunciou-lhe a boa notícia de Jesus.
8:36 Enquanto seguiam pelo caminho, chegaram a um lugar onde havia água. O eunuco disse: “Veja, aqui há água! O que impede que eu seja batizado?”.
8:37 [Filipe disse: “Se você crê de todo o coração, pode”. Ele respondeu: “Creio que Jesus Cristo é o Filho de Deus”.]
8:38 Então mandou parar a carruagem. Os dois, Filipe e o eunuco, desceram à água, e Filipe o batizou.
8:39 Quando saíram da água, o Espírito do Senhor arrebatou Filipe, e o eunuco não o viu mais, pois seguiu seu caminho cheio de alegria.
8:40 Filipe se encontrou em Azoto e, percorrendo a região, anunciava a boa notícia em todas as cidades, até chegar a Cesareia.

Capítulo 9
9:1 Saulo ainda respirava ameaças e morte contra os discípulos do Senhor. Foi ao sumo sacerdote
9:2 e lhe pediu cartas para as sinagogas de Damasco, a fim de que, se encontrasse pessoas que pertenciam ao Caminho, tanto homens como mulheres, as levasse presas para Jerusalém.
9:3 Durante a viagem, quando se aproximava de Damasco, de repente uma luz do céu brilhou ao seu redor.
9:4 Ele caiu no chão e ouviu uma voz que lhe dizia: “Saulo, Saulo, por que você me persegue?”.
9:5 Ele perguntou: “Quem és, Senhor?”. E a voz respondeu: “Eu sou Jesus, a quem você persegue.
9:6 Mas levante-se e entre na cidade, e lhe será dito o que você deve fazer”.
9:7 Os homens que viajavam com ele ficaram parados, sem conseguir falar; ouviam a voz, mas não viam ninguém.
9:8 Saulo se levantou do chão, mas, embora seus olhos estivessem abertos, não via nada. Então o levaram pela mão até Damasco.
9:9 Ele ficou três dias sem enxergar e não comeu nem bebeu.
9:10 Havia em Damasco um discípulo chamado Ananias. O Senhor lhe disse numa visão: “Ananias!”. Ele respondeu: “Aqui estou, Senhor!”.
9:11 O Senhor lhe disse: “Levante-se, vá à rua chamada Direita e procure, na casa de Judas, um homem de Tarso chamado Saulo. Ele está orando
9:12 e viu, numa visão, um homem chamado Ananias entrar e lhe impor as mãos para que recobrasse a vista”.
9:13 Ananias respondeu: “Senhor, ouvi muitos falarem desse homem e de todo o mal que ele fez aos teus santos em Jerusalém.
9:14 E aqui ele tem autoridade dos principais sacerdotes para prender todos os que invocam o teu nome”.
9:15 Mas o Senhor lhe disse: “Vá, pois ele é meu instrumento escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, dos reis e dos filhos de Israel.
9:16 Eu lhe mostrarei quanto ele deve sofrer pelo meu nome”.
9:17 Ananias foi, entrou na casa, impôs as mãos sobre ele e disse: “Irmão Saulo, o Senhor Jesus, que apareceu a você no caminho por onde vinha, me enviou para que você recobre a vista e fique cheio do Espírito Santo”.
9:18 No mesmo instante, caíram dos seus olhos como que escamas, e ele recobrou a vista. Então se levantou e foi batizado.
9:19 Depois comeu e recuperou as forças. Ele ficou alguns dias com os discípulos que estavam em Damasco
9:20 e imediatamente começou a proclamar Jesus nas sinagogas, dizendo que ele é o Filho de Deus.
9:21 Todos os que o ouviam ficavam admirados e diziam: “Não é este o homem que devastava, em Jerusalém, os que invocam este nome? E não veio aqui justamente para levá-los presos aos principais sacerdotes?”.
9:22 Saulo, porém, se fortalecia cada vez mais e deixava confusos os judeus que moravam em Damasco, demonstrando que Jesus é o Cristo.
9:23 Depois de muitos dias, os judeus se reuniram para planejar a morte dele.
9:24 Mas Saulo ficou sabendo da conspiração. Eles vigiavam as portas dia e noite para matá-lo.
9:25 Então seus discípulos o levaram de noite e o desceram pela muralha, baixando-o num cesto.
9:26 Quando chegou a Jerusalém, ele tentava se juntar aos discípulos, mas todos tinham medo dele, pois não acreditavam que fosse discípulo.
9:27 Mas Barnabé o tomou consigo e o levou aos apóstolos. Contou-lhes como ele havia visto o Senhor no caminho, como o Senhor lhe havia falado e como, em Damasco, ele havia falado com ousadia em nome de Jesus.
9:28 Assim, ele andava com eles por Jerusalém, entrando e saindo, e falava com ousadia em nome do Senhor.
9:29 Conversava e discutia com os judeus de língua grega, mas eles tentavam matá-lo.
9:30 Quando os irmãos souberam disso, levaram-no a Cesareia e o enviaram a Tarso.
9:31 Assim, a igreja tinha paz por toda a Judeia, Galileia e Samaria. Era edificada e vivia no temor do Senhor; e, com o consolo do Espírito Santo, se multiplicava.
9:32 Pedro, que percorria todos aqueles lugares, desceu também para visitar os santos que moravam em Lida.
9:33 Ali encontrou um homem chamado Eneias, que era paralítico e estava deitado numa cama havia oito anos.
9:34 Pedro lhe disse: “Eneias, Jesus Cristo o cura. Levante-se e arrume a sua cama”. E ele se levantou imediatamente.
9:35 Todos os que moravam em Lida e Sarom o viram e se voltaram para o Senhor.
9:36 Em Jope havia uma discípula chamada Tabita, nome que, traduzido, é Dorcas. Ela praticava muitas boas obras e dava muitas esmolas.
9:37 Naqueles dias, ela adoeceu e morreu. Depois de lavarem o corpo, colocaram-no num aposento no andar de cima.
9:38 Como Lida ficava perto de Jope, os discípulos, ao saberem que Pedro estava lá, enviaram dois homens para lhe suplicar: “Não demore a vir até nós”.
9:39 Pedro se levantou e foi com eles. Quando chegou, levaram-no ao aposento no andar de cima. Todas as viúvas se aproximaram dele chorando e mostrando as túnicas e os mantos que Dorcas fazia quando estava com elas.
9:40 Pedro mandou todos saírem, ajoelhou-se e orou. Então se voltou para o corpo e disse: “Tabita, levante-se”. Ela abriu os olhos e, ao ver Pedro, se sentou.
9:41 Ele lhe deu a mão e a levantou. Então chamou os santos e as viúvas e a apresentou viva.
9:42 Isso se tornou conhecido em toda a cidade de Jope, e muitos creram no Senhor.
9:43 Pedro ficou muitos dias em Jope, na casa de um homem chamado Simão, que era curtidor.

Capítulo 10
10:1 Em Cesareia havia um homem chamado Cornélio, centurião da coorte chamada Italiana.
10:2 Ele era piedoso e temia a Deus com todos os da sua casa; dava muitas esmolas ao povo e orava a Deus continuamente.
10:3 Por volta das três da tarde, viu claramente, numa visão, um anjo de Deus entrar onde ele estava e lhe dizer: “Cornélio!”.
10:4 Ele olhou fixamente para o anjo e, cheio de medo, perguntou: “O que é, senhor?”. O anjo lhe disse: “Suas orações e suas esmolas subiram como memorial diante de Deus.
10:5 Agora envie homens a Jope e mande chamar um homem chamado Simão, que tem o sobrenome Pedro.
10:6 Ele está hospedado na casa de um certo Simão, curtidor, cuja casa fica junto ao mar”.
10:7 Quando o anjo que lhe falava foi embora, Cornélio chamou dois dos servos de sua casa e um soldado piedoso dentre os que o serviam.
10:8 Contou-lhes tudo e os enviou a Jope.
10:9 No dia seguinte, enquanto eles viajavam e se aproximavam da cidade, Pedro subiu ao terraço para orar, por volta do meio-dia.
10:10 Ele ficou com fome e quis comer. Enquanto preparavam a comida, caiu em êxtase.
10:11 Viu o céu aberto e algo semelhante a um grande lençol que descia à terra, baixado pelas quatro pontas.
10:12 Nele havia toda espécie de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu.
10:13 E uma voz lhe disse: “Levante-se, Pedro, mate e coma”.
10:14 Mas Pedro respondeu: “De modo nenhum, Senhor! Pois nunca comi nada profano e impuro”.
10:15 A voz lhe falou novamente, pela segunda vez: “Não chame de profano o que Deus purificou”.
10:16 Isso aconteceu três vezes, e imediatamente o lençol foi recolhido ao céu.
10:17 Enquanto Pedro, perplexo, se perguntava o que significava a visão que tivera, os homens enviados por Cornélio, depois de perguntarem pela casa de Simão, chegaram ao portão.
10:18 Chamaram e perguntaram se Simão, de sobrenome Pedro, estava hospedado ali.
10:19 Enquanto Pedro refletia sobre a visão, o Espírito lhe disse: “Veja! Há homens procurando você.
10:20 Levante-se, desça e vá com eles sem hesitar, pois fui eu que os enviei”.
10:21 Pedro desceu até os homens e disse: “Aqui estou; sou eu quem vocês procuram. Por que vieram?”.
10:22 Eles responderam: “O centurião Cornélio, homem justo e temente a Deus, de quem toda a nação judaica dá bom testemunho, recebeu instruções de um santo anjo para chamar você à casa dele e ouvir as suas palavras”.
10:23 Então Pedro os convidou a entrar e os hospedou. No dia seguinte, levantou-se e saiu com eles, acompanhado de alguns dos irmãos de Jope.
10:24 No outro dia, entrou em Cesareia. Cornélio os esperava e havia reunido seus parentes e amigos íntimos.
10:25 Quando Pedro ia entrar, Cornélio foi ao seu encontro, caiu aos seus pés e se prostrou diante dele.
10:26 Mas Pedro o levantou, dizendo: “Levante-se! Eu também sou um homem”.
10:27 Conversando com ele, entrou e encontrou muitas pessoas reunidas.
10:28 Então lhes disse: “Vocês sabem que não é permitido a um homem judeu se associar a um estrangeiro ou visitá-lo. Mas Deus me mostrou que não devo chamar nenhum ser humano de profano ou impuro.
10:29 Por isso, quando mandaram me chamar, vim sem fazer objeção. Pergunto, então: por que mandaram me chamar?”.
10:30 Cornélio respondeu: “Há quatro dias, a esta mesma hora, às três da tarde, eu estava orando em minha casa. De repente, um homem de roupas resplandecentes se pôs diante de mim
10:31 e disse: ‘Cornélio, sua oração foi ouvida, e suas esmolas foram lembradas diante de Deus.
10:32 Envie, portanto, a Jope e mande chamar Simão, de sobrenome Pedro. Ele está hospedado na casa de Simão, curtidor, junto ao mar’.
10:33 Então mandei chamar você imediatamente, e você fez bem em vir. Agora estamos todos aqui diante de Deus para ouvir tudo o que o Senhor lhe ordenou”.
10:34 Pedro tomou a palavra e disse: “De fato, compreendo que Deus não faz acepção de pessoas,
10:35 mas, em qualquer nação, quem o teme e pratica a justiça lhe é aceitável.
10:36 Ele enviou a palavra aos filhos de Israel, anunciando a boa notícia da paz por meio de Jesus Cristo, que é Senhor de todos.
10:37 Vocês sabem o que aconteceu por toda a Judeia, começando na Galileia depois do batismo que João proclamou:
10:38 como Deus ungiu Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com poder. Ele andou fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo diabo, porque Deus estava com ele.
10:39 Nós somos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém. Eles o mataram, pendurando-o num madeiro,
10:40 mas Deus o ressuscitou no terceiro dia e permitiu que ele aparecesse,
10:41 não a todo o povo, mas às testemunhas escolhidas de antemão por Deus: a nós, que comemos e bebemos com ele depois que ressuscitou dentre os mortos.
10:42 Ele nos ordenou que pregássemos ao povo e déssemos testemunho solene de que ele é o designado por Deus como juiz dos vivos e dos mortos.
10:43 Dele todos os profetas dão testemunho: todo aquele que nele crê recebe, por meio do seu nome, o perdão dos pecados”.
10:44 Enquanto Pedro ainda dizia essas palavras, o Espírito Santo desceu sobre todos os que ouviam a palavra.
10:45 Os crentes da circuncisão que haviam vindo com Pedro ficaram admirados, porque também sobre os gentios havia sido derramado o dom do Espírito Santo,
10:46 pois os ouviam falar em línguas e engrandecer a Deus. Então Pedro disse:
10:47 “Pode alguém recusar a água para o batismo destas pessoas que receberam o Espírito Santo, assim como nós?”.
10:48 E ordenou que fossem batizadas em nome de Jesus Cristo. Então lhe pediram que ficasse alguns dias.

Capítulo 11
11:1 Os apóstolos e os irmãos que estavam na Judeia souberam que os gentios também haviam recebido a palavra de Deus.
11:2 Quando Pedro subiu a Jerusalém, os da circuncisão começaram a discutir com ele,
11:3 dizendo: “Você entrou na casa de homens incircuncisos e comeu com eles!”.
11:4 Então Pedro começou a lhes explicar tudo em ordem:
11:5 “Eu estava orando na cidade de Jope e, em êxtase, tive uma visão: algo semelhante a um grande lençol descia do céu, baixado pelas quatro pontas, e chegou até mim.
11:6 Olhei fixamente para ele e, ao observá-lo, vi quadrúpedes da terra, animais selvagens, répteis e aves do céu.
11:7 Também ouvi uma voz que me dizia: ‘Levante-se, Pedro, mate e coma’.
11:8 Mas respondi: ‘De modo nenhum, Senhor! Pois nunca entrou na minha boca nada profano ou impuro’.
11:9 A voz me respondeu do céu pela segunda vez: ‘Não chame de profano o que Deus purificou’.
11:10 Isso aconteceu três vezes, e tudo foi recolhido de novo ao céu.
11:11 Naquele mesmo instante, três homens enviados a mim de Cesareia chegaram à casa onde estávamos.
11:12 O Espírito me disse que fosse com eles sem fazer distinção. Estes seis irmãos também foram comigo, e entramos na casa daquele homem.
11:13 Ele nos contou como havia visto o anjo de pé em sua casa, que lhe disse: ‘Envie a Jope e mande chamar Simão, de sobrenome Pedro.
11:14 Ele lhe dirá palavras pelas quais você e todos os da sua casa serão salvos’.
11:15 Quando comecei a falar, o Espírito Santo desceu sobre eles, assim como sobre nós no princípio.
11:16 Então me lembrei da palavra do Senhor, quando disse: ‘João batizou com água, mas vocês serão batizados com o Espírito Santo’.
11:17 Portanto, se Deus lhes deu o mesmo dom que deu a nós quando cremos no Senhor Jesus Cristo, quem era eu para poder impedir a Deus?”.
11:18 Ao ouvirem isso, eles se acalmaram e glorificaram a Deus, dizendo: “Então Deus também concedeu aos gentios o arrependimento que conduz à vida!”.
11:19 Os que haviam sido dispersos pela perseguição que surgiu por causa de Estêvão foram até a Fenícia, Chipre e Antioquia, anunciando a palavra somente aos judeus.
11:20 Mas alguns deles, homens de Chipre e de Cirene, ao chegarem a Antioquia, falavam também aos de língua grega, anunciando a boa notícia do Senhor Jesus.
11:21 A mão do Senhor estava com eles, e um grande número creu e se voltou para o Senhor.
11:22 A notícia a respeito deles chegou aos ouvidos da igreja em Jerusalém, e enviaram Barnabé até Antioquia.
11:23 Quando ele chegou e viu a graça de Deus, alegrou-se e exortava todos a permanecerem no Senhor com firme propósito de coração,
11:24 pois era um homem bom, cheio do Espírito Santo e de fé. E muita gente foi acrescentada ao Senhor.
11:25 Então Barnabé partiu para Tarso à procura de Saulo
11:26 e, quando o encontrou, levou-o a Antioquia. Durante um ano inteiro, eles se reuniram com a igreja e ensinaram muita gente. Foi em Antioquia que os discípulos foram chamados cristãos pela primeira vez.
11:27 Naqueles dias, alguns profetas desceram de Jerusalém a Antioquia.
11:28 Um deles, chamado Ágabo, levantou-se e anunciou pelo Espírito que haveria uma grande fome sobre toda a terra habitada. Isso aconteceu no tempo de Cláudio.
11:29 Então os discípulos decidiram enviar ajuda aos irmãos que moravam na Judeia, cada um conforme os seus recursos.
11:30 E assim fizeram, enviando-a aos anciãos por meio de Barnabé e Saulo.

Capítulo 12
12:1 Por aquele tempo, o rei Herodes mandou prender alguns da igreja para maltratá-los.
12:2 Mandou matar à espada Tiago, irmão de João.
12:3 Quando viu que isso agradava aos judeus, mandou prender também Pedro. Eram os dias dos Pães sem Fermento.
12:4 Depois de prendê-lo, colocou-o na prisão e o entregou a quatro grupos de quatro soldados para guardá-lo. Pretendia apresentá-lo ao povo depois da Páscoa.
12:5 Assim, Pedro era mantido na prisão, mas a igreja orava fervorosamente a Deus por ele.
12:6 Na noite anterior ao dia em que Herodes iria apresentá-lo, Pedro dormia entre dois soldados, preso com duas correntes, enquanto guardas vigiavam a prisão diante da porta.
12:7 De repente, um anjo do Senhor apareceu, e uma luz brilhou na cela. Ele tocou no lado de Pedro, o despertou e disse: “Levante-se depressa!”. E as correntes caíram das mãos dele.
12:8 O anjo lhe disse: “Ajuste o cinto e calce as sandálias”. Ele fez isso. Então o anjo lhe disse: “Ponha o seu manto e me siga”.
12:9 Pedro saiu e o seguia, sem saber que era real o que acontecia por meio do anjo; pensava que estava tendo uma visão.
12:10 Passaram pelo primeiro posto de guarda e pelo segundo e chegaram ao portão de ferro que dava para a cidade. Ele se abriu sozinho para eles. Saíram, percorreram uma rua, e imediatamente o anjo se afastou dele.
12:11 Então Pedro, caindo em si, disse: “Agora sei de verdade que o Senhor enviou o seu anjo e me livrou da mão de Herodes e de tudo o que o povo judeu esperava”.
12:12 Ao perceber isso, foi à casa de Maria, mãe de João, de sobrenome Marcos, onde muitas pessoas estavam reunidas e oravam.
12:13 Quando ele bateu ao portão de entrada, uma serva chamada Rode se aproximou para atender.
12:14 Reconhecendo a voz de Pedro, ficou tão alegre que não abriu o portão, mas correu para dentro e anunciou que Pedro estava à entrada.
12:15 Eles lhe disseram: “Você está louca!”. Mas ela insistia que era verdade. Então diziam: “É o anjo dele”.
12:16 Pedro, porém, continuava batendo. Quando abriram e o viram, ficaram admirados.
12:17 Ele fez sinal com a mão para que ficassem em silêncio e lhes contou como o Senhor o havia tirado da prisão. Disse ainda: “Contem isso a Tiago e aos irmãos”. Então saiu e foi para outro lugar.
12:18 Quando amanheceu, houve grande alvoroço entre os soldados, que se perguntavam o que teria acontecido com Pedro.
12:19 Herodes o procurou e, não o encontrando, interrogou os guardas e mandou que fossem executados. Depois desceu da Judeia para Cesareia e permaneceu ali.
12:20 Herodes estava muito irado com os habitantes de Tiro e Sidom. Eles foram juntos procurá-lo e, depois de conquistarem o apoio de Blasto, encarregado dos aposentos do rei, pediram a paz, porque sua região dependia do território do rei para obter alimento.
12:21 No dia marcado, Herodes vestiu roupas reais, tomou assento na tribuna e lhes dirigiu um discurso.
12:22 O povo gritava: “É voz de um deus, e não de um homem!”.
12:23 No mesmo instante, um anjo do Senhor o feriu, porque não deu glória a Deus. E ele morreu, devorado por vermes.
12:24 Mas a palavra de Deus crescia e se multiplicava.
12:25 Barnabé e Saulo voltaram para Jerusalém depois de cumprirem o seu serviço, levando consigo João, de sobrenome Marcos.

Capítulo 13
13:1 Na igreja de Antioquia havia profetas e mestres: Barnabé, Simeão, chamado Níger, Lúcio de Cirene, Manaém, que havia sido criado com Herodes, o tetrarca, e Saulo.
13:2 Enquanto serviam ao Senhor e jejuavam, o Espírito Santo disse: “Separem para mim Barnabé e Saulo para a obra à qual os chamei”.
13:3 Então, depois de jejuar e orar, impuseram as mãos sobre eles e os despediram.
13:4 Assim, enviados pelo Espírito Santo, desceram a Selêucia e de lá navegaram para Chipre.
13:5 Quando chegaram a Salamina, anunciavam a palavra de Deus nas sinagogas dos judeus. Tinham também João como auxiliar.
13:6 Percorreram toda a ilha até Pafos e encontraram um mago judeu, falso profeta, chamado Barjesus.
13:7 Ele estava com o procônsul Sérgio Paulo, homem inteligente. Este mandou chamar Barnabé e Saulo, pois desejava ouvir a palavra de Deus.
13:8 Mas Elimas, o mago — pois assim se traduz o seu nome —, se opunha a eles, procurando afastar o procônsul da fé.
13:9 Então Saulo, também chamado Paulo, cheio do Espírito Santo, olhou fixamente para ele
13:10 e disse: “Você, cheio de todo engano e de toda maldade, filho do diabo, inimigo de toda justiça! Não vai parar de torcer os caminhos retos do Senhor?
13:11 Agora, veja: a mão do Senhor está sobre você, e você ficará cego, sem ver o sol por algum tempo”. Imediatamente uma névoa e escuridão caíram sobre ele, e andava de um lado para outro, procurando quem o guiasse pela mão.
13:12 Ao ver o que havia acontecido, o procônsul creu, admirado com o ensino do Senhor.
13:13 Paulo e seus companheiros zarparam de Pafos e chegaram a Perge, na Panfília. Mas João se separou deles e voltou para Jerusalém.
13:14 Eles seguiram de Perge e chegaram a Antioquia da Pisídia. No sábado, entraram na sinagoga e se sentaram.
13:15 Depois da leitura da Lei e dos Profetas, os dirigentes da sinagoga mandaram lhes dizer: “Irmãos, se vocês têm alguma palavra de exortação para o povo, falem”.
13:16 Paulo se levantou, fez um sinal com a mão e disse: “Homens de Israel e vocês que temem a Deus, escutem.
13:17 O Deus deste povo de Israel escolheu nossos antepassados e engrandeceu o povo durante sua permanência como estrangeiro na terra do Egito. Com braço erguido, ele os tirou de lá
13:18 e, por cerca de quarenta anos, suportou a conduta deles no deserto.
13:19 Depois de destruir sete nações na terra de Canaã, deu-lhes a terra delas como herança,
13:20 tudo isso em cerca de quatrocentos e cinquenta anos. Depois disso, deu-lhes juízes até o profeta Samuel.
13:21 Então pediram um rei, e Deus lhes deu Saul, filho de Quis, homem da tribo de Benjamim, por quarenta anos.
13:22 Depois de removê-lo, levantou Davi como rei para eles, de quem deu testemunho, dizendo: ‘Encontrei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração, que fará toda a minha vontade’.
13:23 Da descendência dele, conforme a promessa, Deus trouxe a Israel um Salvador, Jesus.
13:24 Antes da chegada de Jesus, João proclamou um batismo de arrependimento a todo o povo de Israel.
13:25 Quando João terminava sua carreira, dizia: ‘Quem vocês pensam que eu sou? Eu não sou ele. Mas vem depois de mim alguém de quem não sou digno de desatar as sandálias dos pés’.
13:26 Irmãos, descendentes de Abraão, e os que entre vocês temem a Deus: a nós foi enviada a palavra desta salvação.
13:27 Pois os habitantes de Jerusalém e seus governantes não o reconheceram, nem reconheceram as palavras dos profetas que são lidas a cada sábado; ao condená-lo, eles as cumpriram.
13:28 Embora não encontrassem motivo algum para a pena de morte, pediram a Pilatos que ele fosse morto.
13:29 Quando cumpriram tudo o que estava escrito a respeito dele, tiraram-no do madeiro e o colocaram num túmulo.
13:30 Mas Deus o ressuscitou dentre os mortos.
13:31 Durante muitos dias, ele apareceu aos que haviam subido com ele da Galileia a Jerusalém, os quais agora são suas testemunhas diante do povo.
13:32 E nós anunciamos a vocês a boa notícia da promessa feita aos antepassados:
13:33 Deus a cumpriu aos nossos filhos, ressuscitando Jesus, como está escrito no segundo salmo: ‘Tu és meu Filho; eu hoje te gerei’.
13:34 Quanto a tê-lo ressuscitado dentre os mortos, para nunca mais voltar à decomposição, Deus disse assim: ‘Eu lhes darei as santas e fiéis bênçãos de Davi’.
13:35 Por isso, também diz em outro lugar: ‘Não permitirás que o teu Santo veja a decomposição’.
13:36 Pois Davi, depois de servir à sua própria geração conforme o propósito de Deus, adormeceu, foi reunido aos seus antepassados e sofreu decomposição.
13:37 Mas aquele a quem Deus ressuscitou não sofreu decomposição.
13:38 Portanto, irmãos, saibam que por meio dele lhes é anunciado o perdão dos pecados; e de tudo aquilo de que vocês não puderam ser justificados pela lei de Moisés,
13:39 nele é justificado todo aquele que crê.
13:40 Tomem cuidado, portanto, para que não lhes aconteça o que foi dito nos profetas:
13:41 ‘Vejam, desprezadores, admirem-se e desapareçam!
   Pois eu realizo uma obra nos dias de vocês, uma obra em que vocês jamais acreditarão, ainda que alguém a conte a vocês’”.
13:42 Quando eles saíam, as pessoas lhes pediam que, no sábado seguinte, lhes falassem dessas coisas.
13:43 Depois de encerrada a reunião, muitos dos judeus e dos convertidos piedosos ao judaísmo seguiram Paulo e Barnabé, que conversavam com eles e os exortavam a permanecer na graça de Deus.
13:44 No sábado seguinte, quase toda a cidade se reuniu para ouvir a palavra do Senhor.
13:45 Mas os judeus, ao verem as multidões, ficaram cheios de inveja e, blasfemando, contradiziam o que Paulo dizia.
13:46 Então Paulo e Barnabé disseram com ousadia: “Era necessário que a palavra de Deus fosse anunciada primeiro a vocês. Mas, visto que a rejeitam e não se julgam dignos da vida eterna, nós nos voltamos para os gentios.
13:47 Pois assim o Senhor nos ordenou: ‘Eu coloquei você como luz para os gentios, para que leve a salvação até os confins da terra’”.
13:48 Ao ouvirem isso, os gentios se alegravam e glorificavam a palavra do Senhor. E creram todos os que estavam destinados à vida eterna.
13:49 A palavra do Senhor se espalhava por toda a região.
13:50 Mas os judeus incitaram as mulheres piedosas de posição elevada e os principais da cidade, provocaram uma perseguição contra Paulo e Barnabé e os expulsaram do seu território.
13:51 Então eles sacudiram contra aqueles o pó dos seus pés e foram para Icônio.
13:52 E os discípulos ficavam cheios de alegria e do Espírito Santo.

Capítulo 14
14:1 Em Icônio, eles entraram juntos na sinagoga dos judeus e falaram de tal modo que uma grande multidão de judeus e gregos creu.
14:2 Mas os judeus que se recusaram a crer incitaram os gentios e os indispuseram contra os irmãos.
14:3 Assim, permaneceram ali bastante tempo, falando com ousadia, confiados no Senhor, que confirmava a palavra da sua graça, concedendo que sinais e prodígios fossem realizados pelas mãos deles.
14:4 A população da cidade ficou dividida: uns estavam do lado dos judeus, e outros, do lado dos apóstolos.
14:5 Quando os gentios e os judeus, com os seus governantes, se mobilizaram para maltratá-los e apedrejá-los,
14:6 eles souberam disso e fugiram para Listra e Derbe, cidades da Licaônia, e para a região ao redor.
14:7 Ali continuavam a anunciar a boa notícia.
14:8 Em Listra estava sentado um homem que não tinha força nos pés. Era coxo de nascença e nunca havia andado.
14:9 Ele ouviu Paulo falar. Paulo olhou fixamente para ele e, vendo que tinha fé para ser curado,
14:10 disse em alta voz: “Fique de pé, bem ereto!”. Ele deu um salto e começou a andar.
14:11 Quando as multidões viram o que Paulo havia feito, ergueram a voz e disseram em língua licaônica: “Os deuses tomaram forma humana e desceram até nós!”.
14:12 Chamavam Barnabé de Zeus e Paulo de Hermes, porque ele era o principal orador.
14:13 O sacerdote de Zeus, cujo templo ficava em frente à cidade, trouxe touros e guirlandas aos portões e, com as multidões, queria oferecer sacrifícios.
14:14 Quando os apóstolos Barnabé e Paulo souberam disso, rasgaram suas roupas e se lançaram no meio da multidão, gritando:
14:15 “Homens, por que vocês fazem isso? Nós também somos seres humanos da mesma condição que vocês. Anunciamos a vocês a boa notícia para que se afastem destas coisas inúteis e se voltem para o Deus vivo, que fez o céu, a terra, o mar e tudo o que neles há.
14:16 Nas gerações passadas, ele permitiu que todas as nações seguissem seus próprios caminhos.
14:17 Mas não deixou de dar testemunho de si mesmo: fez o bem, dando a vocês chuvas do céu e estações frutíferas, enchendo o coração de vocês de alimento e alegria”.
14:18 Mesmo dizendo essas coisas, mal conseguiram impedir que as multidões lhes oferecessem sacrifícios.
14:19 Mas chegaram judeus de Antioquia e de Icônio, que convenceram as multidões. Apedrejaram Paulo e o arrastaram para fora da cidade, pensando que estivesse morto.
14:20 Quando os discípulos o rodearam, ele se levantou e entrou na cidade. No dia seguinte, saiu com Barnabé para Derbe.
14:21 Depois de anunciarem a boa notícia naquela cidade e fazerem muitos discípulos, voltaram a Listra, Icônio e Antioquia,
14:22 fortalecendo o ânimo dos discípulos e exortando-os a permanecer na fé. Diziam: “É necessário que entremos no reino de Deus por meio de muitas tribulações”.
14:23 Nomearam anciãos para eles em cada igreja e, depois de orarem com jejuns, os confiaram ao Senhor em quem haviam crido.
14:24 Atravessaram a Pisídia e chegaram à Panfília.
14:25 Depois de anunciarem a palavra em Perge, desceram a Atália
14:26 e de lá navegaram para Antioquia, onde haviam sido confiados à graça de Deus para a obra que tinham cumprido.
14:27 Quando chegaram, reuniram a igreja e contaram tudo o que Deus havia feito com eles e como havia aberto aos gentios a porta da fé.
14:28 E permaneceram bastante tempo com os discípulos.

Capítulo 15
15:1 Alguns homens desceram da Judeia e ensinavam aos irmãos: “Se vocês não forem circuncidados segundo o costume de Moisés, não poderão ser salvos”.
15:2 Paulo e Barnabé tiveram forte discussão e debate com eles. Decidiu-se, então, que Paulo, Barnabé e alguns outros dentre eles subissem a Jerusalém para tratar dessa questão com os apóstolos e os anciãos.
15:3 Assim, enviados pela igreja, atravessavam a Fenícia e Samaria, contando em detalhes a conversão dos gentios e causando grande alegria a todos os irmãos.
15:4 Quando chegaram a Jerusalém, foram recebidos pela igreja, pelos apóstolos e pelos anciãos e contaram tudo o que Deus havia feito com eles.
15:5 Mas alguns do partido dos fariseus que haviam crido se levantaram e disseram: “É necessário circuncidá-los e ordenar que guardem a lei de Moisés”.
15:6 Então os apóstolos e os anciãos se reuniram para examinar esse assunto.
15:7 Depois de muita discussão, Pedro se levantou e lhes disse: “Irmãos, vocês sabem que, há muito tempo, Deus me escolheu dentre vocês para que os gentios ouvissem da minha boca a palavra do evangelho e cressem.
15:8 E Deus, que conhece os corações, deu testemunho a favor deles, concedendo-lhes o Espírito Santo, assim como a nós.
15:9 Não fez distinção alguma entre nós e eles, pois purificou os seus corações pela fé.
15:10 Agora, portanto, por que vocês põem Deus à prova, colocando sobre o pescoço dos discípulos um jugo que nem nossos antepassados nem nós pudemos suportar?
15:11 Pelo contrário, cremos que somos salvos pela graça do Senhor Jesus, assim como eles”.
15:12 Toda a multidão ficou em silêncio e escutava Barnabé e Paulo contarem quantos sinais e prodígios Deus havia feito por meio deles entre os gentios.
15:13 Quando terminaram de falar, Tiago tomou a palavra e disse: “Irmãos, escutem-me.
15:14 Simeão contou como Deus interveio pela primeira vez para tomar dentre os gentios um povo para o seu nome.
15:15 E com isso concordam as palavras dos profetas, como está escrito:
15:16 ‘Depois disso, voltarei e reconstruirei a tenda caída de Davi.
   Reconstruirei suas ruínas e a erguerei de novo,
15:17 para que o restante dos seres humanos busque o Senhor, e todas as nações sobre as quais é invocado o meu nome, diz o Senhor, que faz estas coisas,
15:18 conhecidas desde a antiguidade’.
15:19 Por isso, considero que não devemos criar dificuldades para os gentios que se voltam para Deus,
15:20 mas escrever-lhes que se abstenham do que foi contaminado pelos ídolos, da imoralidade sexual, da carne de animais estrangulados e do sangue.
15:21 Pois, desde as gerações antigas, Moisés tem em cada cidade quem o proclame, sendo lido nas sinagogas a cada sábado”.
15:22 Então os apóstolos e os anciãos, com toda a igreja, decidiram escolher homens dentre eles e enviá-los a Antioquia com Paulo e Barnabé: Judas, chamado Barsabás, e Silas, líderes entre os irmãos.
15:23 Por meio deles, enviaram esta carta: “Os apóstolos e os anciãos, seus irmãos, aos irmãos dentre os gentios em Antioquia, na Síria e na Cilícia: saudações.
15:24 Soubemos que alguns que saíram do nosso meio, sem receber instruções nossas, perturbaram vocês com suas palavras e transtornaram suas almas.
15:25 Por isso, de comum acordo, decidimos escolher homens e enviá-los a vocês com nossos amados Barnabé e Paulo,
15:26 homens que arriscaram a vida pelo nome do nosso Senhor Jesus Cristo.
15:27 Portanto, enviamos Judas e Silas, que também lhes comunicarão de viva voz as mesmas coisas.
15:28 Pois pareceu bem ao Espírito Santo e a nós não impor a vocês nenhuma carga além destas coisas necessárias:
15:29 que se abstenham do que foi sacrificado aos ídolos, do sangue, da carne de animais estrangulados e da imoralidade sexual. Se vocês se guardarem dessas coisas, farão bem. Passem bem”.
15:30 Assim, depois de serem despedidos, eles desceram a Antioquia, reuniram a congregação e entregaram a carta.
15:31 Quando a leram, alegraram-se com o encorajamento que ela trazia.
15:32 Judas e Silas, que também eram profetas, encorajaram e fortaleceram os irmãos com muitas palavras.
15:33 Depois de passarem ali algum tempo, foram despedidos em paz pelos irmãos para voltar àqueles que os haviam enviado.
15:34 [Mas Silas achou por bem permanecer ali.]
15:35 Paulo e Barnabé permaneceram em Antioquia, ensinando e anunciando, com muitos outros, a palavra do Senhor como boa notícia.
15:36 Depois de alguns dias, Paulo disse a Barnabé: “Vamos voltar e visitar os irmãos em todas as cidades onde anunciamos a palavra do Senhor, para ver como estão”.
15:37 Barnabé queria levar também João, chamado Marcos.
15:38 Mas Paulo considerava que não deviam levar aquele que havia se separado deles na Panfília e não os acompanhara na obra.
15:39 Houve um desentendimento tão intenso que eles se separaram. Barnabé levou Marcos e navegou para Chipre.
15:40 Paulo escolheu Silas e partiu, confiado pelos irmãos à graça do Senhor.
15:41 Ele percorria a Síria e a Cilícia, fortalecendo as igrejas.

Capítulo 16
16:1 Paulo chegou também a Derbe e a Listra. Havia ali um discípulo chamado Timóteo, filho de uma mulher judia que era crente, mas de pai grego.
16:2 Os irmãos de Listra e de Icônio davam bom testemunho dele.
16:3 Paulo quis que ele o acompanhasse e o circuncidou por causa dos judeus daqueles lugares, pois todos sabiam que seu pai era grego.
16:4 Ao passarem pelas cidades, entregavam as decisões tomadas pelos apóstolos e pelos anciãos em Jerusalém, para que fossem observadas.
16:5 Assim, as igrejas se fortaleciam na fé e cresciam em número a cada dia.
16:6 Eles atravessaram a região da Frígia e da Galácia, pois o Espírito Santo os havia impedido de anunciar a palavra na Ásia.
16:7 Ao chegarem perto da Mísia, tentaram ir para a Bitínia, mas o Espírito de Jesus não lhes permitiu.
16:8 Passaram pela Mísia e desceram a Trôade.
16:9 Durante a noite, Paulo teve uma visão: um homem da Macedônia estava de pé e lhe suplicava: “Venha à Macedônia e nos ajude!”.
16:10 Depois que ele teve essa visão, procuramos partir imediatamente para a Macedônia, concluindo que Deus nos havia chamado para lhes anunciar a boa notícia.
16:11 Então zarpamos de Trôade e navegamos diretamente para Samotrácia; no dia seguinte, chegamos a Neápolis
16:12 e de lá fomos a Filipos, cidade principal daquela região da Macedônia e colônia romana. Permanecemos alguns dias nessa cidade.
16:13 No sábado, saímos pelo portão da cidade e fomos à beira do rio, onde pensávamos haver um lugar de oração. Sentamo-nos e falamos às mulheres que estavam reunidas.
16:14 Uma mulher chamada Lídia, vendedora de tecidos de púrpura, da cidade de Tiatira, que adorava a Deus, nos escutava. O Senhor abriu o seu coração para que desse atenção ao que Paulo dizia.
16:15 Depois de ser batizada com os da sua casa, ela nos suplicou: “Se vocês me consideram fiel ao Senhor, venham ficar em minha casa”. E insistiu até nos convencer.
16:16 Quando íamos ao lugar de oração, uma escrava que tinha um espírito de adivinhação veio ao nosso encontro. Com suas adivinhações, ela dava muito lucro aos seus senhores.
16:17 Ela seguia Paulo e a nós, gritando: “Estes homens são servos do Deus Altíssimo e anunciam a vocês o caminho da salvação”.
16:18 Ela fazia isso por muitos dias. Paulo, muito incomodado, voltou-se e disse ao espírito: “Eu ordeno a você, em nome de Jesus Cristo, que saia dela!”. E ele saiu naquele mesmo instante.
16:19 Quando os senhores dela viram que sua esperança de lucro havia ido embora, agarraram Paulo e Silas e os arrastaram à praça, diante das autoridades.
16:20 Apresentaram-nos aos magistrados e disseram: “Estes homens são judeus e estão perturbando a nossa cidade.
16:21 Eles anunciam costumes que nós, sendo romanos, não podemos aceitar nem praticar”.
16:22 A multidão se levantou unida contra eles, e os magistrados lhes arrancaram as roupas e mandaram que fossem golpeados com varas.
16:23 Depois de lhes darem muitos golpes, lançaram-nos na prisão e ordenaram ao carcereiro que os guardasse com segurança.
16:24 Ao receber essa ordem, ele os colocou na parte mais interna da prisão e prendeu os pés deles no tronco.
16:25 Por volta da meia-noite, Paulo e Silas oravam e cantavam hinos a Deus, e os presos os escutavam.
16:26 De repente, houve um grande terremoto, que abalou os alicerces da prisão. No mesmo instante, todas as portas se abriram, e as correntes de todos se soltaram.
16:27 O carcereiro acordou e, vendo as portas da prisão abertas, sacou a espada e estava prestes a se matar, pensando que os presos haviam fugido.
16:28 Mas Paulo gritou em alta voz: “Não faça mal a si mesmo! Estamos todos aqui!”.
16:29 Ele pediu luzes, entrou correndo e, tremendo, caiu diante de Paulo e Silas.
16:30 Então os levou para fora e perguntou: “Senhores, o que devo fazer para ser salvo?”.
16:31 Eles responderam: “Creia no Senhor Jesus, e você e os da sua casa serão salvos”.
16:32 E anunciaram a palavra do Senhor a ele e a todos os que estavam em sua casa.
16:33 Naquela mesma hora da noite, ele os levou consigo e lavou as feridas deles. Imediatamente foi batizado, ele e todos os seus.
16:34 Então os levou para sua casa, pôs-lhes a mesa e se alegrou com toda a sua casa por ter crido em Deus.
16:35 Quando amanheceu, os magistrados enviaram os oficiais de justiça com a ordem: “Solte aqueles homens”.
16:36 O carcereiro comunicou essas palavras a Paulo: “Os magistrados mandaram soltar vocês. Agora, portanto, saiam e vão em paz”.
16:37 Mas Paulo lhes disse: “Eles nos espancaram publicamente, sem condenação, e nos lançaram na prisão, sendo nós cidadãos romanos. E agora querem nos mandar embora às escondidas? De modo nenhum! Que venham eles mesmos nos tirar daqui”.
16:38 Os oficiais de justiça comunicaram essas palavras aos magistrados. Eles tiveram medo ao saber que eram cidadãos romanos.
16:39 Então vieram e lhes fizeram um apelo; tiraram-nos para fora e pediram que deixassem a cidade.
16:40 Depois de saírem da prisão, foram à casa de Lídia. Viram os irmãos, os encorajaram e partiram.

Capítulo 17
17:1 Depois de passarem por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga dos judeus.
17:2 Como era seu costume, Paulo foi até eles e, durante três sábados, dialogou com eles com base nas Escrituras,
17:3 explicando e demonstrando que o Cristo precisava sofrer e ressuscitar dentre os mortos. Ele dizia: “Este Jesus que eu anuncio a vocês é o Cristo”.
17:4 Alguns deles foram convencidos e se uniram a Paulo e Silas, assim como uma grande multidão de gregos piedosos e muitas mulheres de destaque.
17:5 Mas os judeus, cheios de inveja, reuniram alguns homens perversos da praça, formaram uma multidão e agitaram a cidade. Invadiram a casa de Jasom, procurando aqueles homens para apresentá-los ao povo.
17:6 Como não os encontraram, arrastaram Jasom e alguns irmãos diante das autoridades da cidade, gritando: “Estes que têm transtornado o mundo chegaram também aqui,
17:7 e Jasom os recebeu! Todos eles agem contra os decretos de César, dizendo que há outro rei, Jesus”.
17:8 Com isso, alarmaram a multidão e as autoridades da cidade que ouviam essas coisas.
17:9 Depois de receberem uma fiança de Jasom e dos demais, as autoridades os soltaram.
17:10 Os irmãos enviaram imediatamente Paulo e Silas, de noite, para Bereia. Quando chegaram, foram à sinagoga dos judeus.
17:11 Os de Bereia eram mais nobres que os de Tessalônica, pois receberam a palavra com toda a disposição, examinando as Escrituras a cada dia para ver se essas coisas eram assim.
17:12 Assim, muitos deles creram, e também muitas mulheres gregas de posição elevada e muitos homens.
17:13 Mas, quando os judeus de Tessalônica souberam que a palavra de Deus também era anunciada por Paulo em Bereia, foram até lá e começaram a agitar e a perturbar as multidões.
17:14 Então os irmãos enviaram Paulo imediatamente para o litoral, enquanto Silas e Timóteo permaneceram ali.
17:15 Os que acompanhavam Paulo o levaram até Atenas. Depois de receberem instruções para que Silas e Timóteo fossem até ele o mais depressa possível, partiram.
17:16 Enquanto Paulo os esperava em Atenas, seu espírito se indignava ao ver a cidade cheia de ídolos.
17:17 Por isso, dialogava na sinagoga com os judeus e os que adoravam a Deus, e todos os dias, na praça, com os que ali se encontravam.
17:18 Alguns filósofos epicureus e estoicos também debatiam com ele. Uns diziam: “O que esse tagarela quer dizer?”. Outros diziam: “Parece ser um anunciador de divindades estrangeiras”, pois ele anunciava a boa notícia de Jesus e da ressurreição.
17:19 Então o levaram ao Areópago, dizendo: “Podemos saber que novo ensino é esse de que você está falando?
17:20 Pois você traz coisas estranhas aos nossos ouvidos, e queremos saber o que elas significam”.
17:21 Todos os atenienses e os estrangeiros que ali estavam de passagem não dedicavam seu tempo a outra coisa senão contar ou ouvir alguma novidade.
17:22 Então Paulo ficou de pé no meio do Areópago e disse: “Homens de Atenas, vejo que em tudo vocês são muito religiosos.
17:23 Pois, ao passar e observar os seus objetos de culto, encontrei também um altar com esta inscrição: ‘A um deus desconhecido’. Pois bem, aquilo que vocês adoram sem conhecer é o que eu lhes anuncio.
17:24 O Deus que fez o mundo e tudo o que nele há, sendo Senhor do céu e da terra, não habita em templos feitos por mãos humanas,
17:25 nem é servido por mãos humanas, como se precisasse de alguma coisa, pois ele mesmo dá a todos vida, respiração e todas as coisas.
17:26 De um só, ele fez todas as nações humanas para habitarem sobre toda a face da terra, determinando os tempos estabelecidos e os limites dos seus territórios,
17:27 para que buscassem a Deus e talvez, tateando, pudessem encontrá-lo, embora ele não esteja longe de cada um de nós.
17:28 Pois nele vivemos, nos movemos e existimos, como também disseram alguns dos poetas de vocês: ‘Pois também somos sua descendência’.
17:29 Portanto, sendo descendência de Deus, não devemos pensar que a divindade seja semelhante a ouro, prata ou pedra, uma imagem esculpida pela arte e pela imaginação humana.
17:30 Deus passou por alto os tempos da ignorância, mas agora ordena que todos os seres humanos, em toda parte, se arrependam,
17:31 pois estabeleceu um dia em que julgará o mundo com justiça por meio de um homem que designou. E deu a todos garantia disso, ressuscitando-o dentre os mortos”.
17:32 Quando ouviram sobre a ressurreição dos mortos, alguns zombavam, mas outros disseram: “Voltaremos a ouvir você sobre isso”.
17:33 Assim, Paulo saiu do meio deles.
17:34 Mas algumas pessoas se uniram a ele e creram. Entre elas estavam Dionísio, o areopagita, uma mulher chamada Dâmaris e outros com eles.

Capítulo 18
18:1 Depois disso, Paulo saiu de Atenas e chegou a Corinto.
18:2 Ali encontrou um judeu chamado Áquila, natural do Ponto, que havia chegado recentemente da Itália com Priscila, sua esposa, porque Cláudio havia ordenado que todos os judeus saíssem de Roma. Paulo foi vê-los
18:3 e, como tinha o mesmo ofício, ficou com eles e trabalhava, pois eram fabricantes de tendas.
18:4 A cada sábado, dialogava na sinagoga e procurava convencer judeus e gregos.
18:5 Quando Silas e Timóteo desceram da Macedônia, Paulo passou a se dedicar inteiramente à palavra, dando testemunho solene aos judeus de que Jesus é o Cristo.
18:6 Mas, como eles se opunham e blasfemavam, ele sacudiu suas roupas e lhes disse: “O sangue de vocês recaia sobre a cabeça de vocês! Eu estou limpo. De agora em diante, irei aos gentios”.
18:7 Saiu dali e entrou na casa de um homem chamado Tício Justo, que adorava a Deus e cuja casa ficava ao lado da sinagoga.
18:8 Crispo, dirigente da sinagoga, creu no Senhor com todos os da sua casa. Também muitos dos coríntios, ao ouvirem, criam e eram batizados.
18:9 Uma noite, o Senhor disse a Paulo numa visão: “Não tenha medo; continue falando e não se cale,
18:10 pois eu estou com você, e ninguém o atacará para lhe fazer mal, porque tenho muito povo nesta cidade”.
18:11 Ele ficou ali um ano e seis meses, ensinando entre eles a palavra de Deus.
18:12 Quando Gálio era procônsul da Acaia, os judeus se levantaram juntos contra Paulo e o levaram ao tribunal,
18:13 dizendo: “Este homem convence as pessoas a adorar a Deus de maneira contrária à lei”.
18:14 Quando Paulo ia tomar a palavra, Gálio disse aos judeus: “Se fosse alguma injustiça ou um crime grave, judeus, seria razoável que eu escutasse vocês.
18:15 Mas, se são questões de palavras, nomes e da lei de vocês, resolvam isso vocês mesmos. Eu não quero ser juiz dessas coisas”.
18:16 E os expulsou do tribunal.
18:17 Então todos agarraram Sóstenes, dirigente da sinagoga, e o espancavam diante do tribunal. Mas Gálio não se importava com nada disso.
18:18 Paulo permaneceu ali ainda muitos dias. Depois se despediu dos irmãos e navegou para a Síria, acompanhado de Priscila e Áquila. Ele havia cortado o cabelo em Cencreia, porque tinha feito um voto.
18:19 Chegaram a Éfeso, e ele os deixou ali. Entrou na sinagoga e dialogou com os judeus.
18:20 Eles lhe pediram que ficasse mais tempo, mas ele não aceitou.
18:21 Despediu-se, dizendo: “Voltarei a vocês, se Deus quiser”. Então zarpou de Éfeso.
18:22 Desembarcou em Cesareia, subiu para saudar a igreja e depois desceu a Antioquia.
18:23 Depois de passar ali algum tempo, partiu e percorreu sucessivamente a região da Galácia e a Frígia, fortalecendo todos os discípulos.
18:24 Um judeu chamado Apolo, natural de Alexandria, homem eloquente e poderoso nas Escrituras, chegou a Éfeso.
18:25 Ele havia sido instruído no caminho do Senhor e, com espírito fervoroso, falava e ensinava com exatidão as coisas a respeito de Jesus, embora conhecesse somente o batismo de João.
18:26 Começou a falar com ousadia na sinagoga. Quando Priscila e Áquila o ouviram, levaram-no consigo e lhe explicaram com mais exatidão o caminho de Deus.
18:27 Quando ele quis ir à Acaia, os irmãos o encorajaram e escreveram aos discípulos para que o recebessem. Ao chegar, ajudou muito os que haviam crido pela graça,
18:28 pois refutava com vigor os judeus em público, demonstrando pelas Escrituras que Jesus é o Cristo.

Capítulo 19
19:1 Enquanto Apolo estava em Corinto, Paulo atravessou as regiões do interior e chegou a Éfeso. Ali encontrou alguns discípulos
19:2 e lhes perguntou: “Vocês receberam o Espírito Santo quando creram?”. Eles responderam: “Nem sequer ouvimos que há Espírito Santo”.
19:3 Então perguntou: “Em que, pois, vocês foram batizados?”. Eles responderam: “No batismo de João”.
19:4 Paulo disse: “João batizou com um batismo de arrependimento, dizendo ao povo que cresse naquele que viria depois dele, isto é, em Jesus”.
19:5 Ao ouvirem isso, foram batizados em nome do Senhor Jesus.
19:6 Quando Paulo lhes impôs as mãos, o Espírito Santo veio sobre eles, e falavam em línguas e profetizavam.
19:7 Eram, ao todo, cerca de doze homens.
19:8 Paulo entrou na sinagoga e, por três meses, falou com ousadia, dialogando e procurando convencê-los a respeito do reino de Deus.
19:9 Mas alguns se endureciam, recusavam-se a crer e falavam mal do Caminho diante da multidão. Então ele se afastou deles, separou os discípulos e passou a dialogar diariamente na escola de Tirano.
19:10 Isso continuou por dois anos, de modo que todos os habitantes da Ásia, tanto judeus como gregos, ouviram a palavra do Senhor.
19:11 Deus realizava milagres extraordinários pelas mãos de Paulo,
19:12 a ponto de levarem aos enfermos lenços ou aventais que haviam tocado a sua pele; as doenças os deixavam, e os espíritos malignos saíam.
19:13 Alguns exorcistas judeus que andavam de um lugar para outro também tentaram invocar o nome do Senhor Jesus sobre os que tinham espíritos malignos, dizendo: “Eu conjuro vocês por Jesus, a quem Paulo prega”.
19:14 Sete filhos de um certo Ceva, sumo sacerdote judeu, faziam isso.
19:15 Mas o espírito maligno lhes respondeu: “Conheço Jesus e sei quem é Paulo. Mas vocês, quem são?”.
19:16 Então o homem em quem estava o espírito maligno se lançou sobre eles, dominou ambos e os venceu, de modo que fugiram daquela casa nus e feridos.
19:17 Isso se tornou conhecido de todos os judeus e gregos que moravam em Éfeso. O temor tomou conta de todos eles, e o nome do Senhor Jesus era engrandecido.
19:18 Muitos dos que haviam crido vinham confessar e declarar suas práticas.
19:19 Muitos dos que haviam praticado magia reuniram seus livros e os queimaram diante de todos. Calcularam o valor deles e chegaram a cinquenta mil moedas de prata.
19:20 Assim, a palavra do Senhor crescia poderosamente e prevalecia.
19:21 Depois dessas coisas, Paulo decidiu em seu espírito passar pela Macedônia e pela Acaia e ir a Jerusalém, dizendo: “Depois de estar lá, preciso ver também Roma”.
19:22 Enviou à Macedônia dois dos seus auxiliares, Timóteo e Erasto, enquanto ele mesmo permaneceu algum tempo na Ásia.
19:23 Por aquele tempo, houve grande tumulto a respeito do Caminho.
19:24 Um ourives chamado Demétrio, que fabricava pequenos templos de prata de Ártemis, proporcionava muito lucro aos artesãos.
19:25 Ele os reuniu com os trabalhadores de ofícios semelhantes e disse: “Homens, vocês sabem que deste trabalho vem a nossa prosperidade.
19:26 E vocês veem e ouvem que esse Paulo convenceu e desviou muita gente, não somente em Éfeso, mas em quase toda a Ásia, dizendo que os que são feitos por mãos humanas não são deuses.
19:27 Não há apenas o perigo de o nosso ofício cair em descrédito, mas também de o templo da grande deusa Ártemis ser considerado sem valor e de ela ser destituída da sua grandeza, ela a quem toda a Ásia e o mundo habitado adoram”.
19:28 Ao ouvirem isso, ficaram cheios de ira e gritavam: “Grande é Ártemis dos efésios!”.
19:29 A cidade ficou cheia de confusão, e todos correram juntos para o teatro, arrastando Gaio e Aristarco, macedônios, companheiros de viagem de Paulo.
19:30 Paulo queria entrar para falar ao povo, mas os discípulos não o deixavam.
19:31 Também alguns dos principais da Ásia, que eram amigos dele, mandaram lhe pedir que não se apresentasse no teatro.
19:32 Uns gritavam uma coisa, e outros, outra, pois a assembleia estava confusa, e a maioria não sabia por que se havia reunido.
19:33 Da multidão, deram instruções a Alexandre, a quem os judeus haviam empurrado para a frente. Ele fez sinal com a mão, querendo apresentar sua defesa ao povo.
19:34 Mas, quando reconheceram que ele era judeu, todos gritaram a uma só voz durante cerca de duas horas: “Grande é Ártemis dos efésios!”.
19:35 Então o secretário da cidade acalmou a multidão e disse: “Homens de Éfeso, quem não sabe que a cidade dos efésios é guardiã do templo da grande Ártemis e da imagem que caiu do céu?
19:36 Como essas coisas são incontestáveis, vocês devem se acalmar e não fazer nada precipitado.
19:37 Pois vocês trouxeram estes homens, que não são ladrões de templos nem blasfemam contra a nossa deusa.
19:38 Portanto, se Demétrio e os artesãos que estão com ele têm uma acusação contra alguém, há audiências e há procônsules. Que apresentem suas acusações uns contra os outros.
19:39 Mas, se vocês procuram alguma coisa além disso, ela será resolvida numa assembleia legal.
19:40 Pois corremos o risco de ser acusados de sedição pelo que aconteceu hoje, sem haver motivo algum que nos permita justificar este ajuntamento tumultuado”.
19:41 Depois de dizer isso, ele dissolveu a assembleia.

Capítulo 20
20:1 Quando o tumulto cessou, Paulo mandou chamar os discípulos, encorajou-os e se despediu deles. Então partiu para a Macedônia.
20:2 Percorreu aquelas regiões, encorajou os irmãos com muitas palavras e chegou à Grécia,
20:3 onde passou três meses. Quando estava prestes a navegar para a Síria, os judeus tramaram uma conspiração contra ele; por isso decidiu voltar pela Macedônia.
20:4 Acompanhavam-no Sópatro, filho de Pirro, de Bereia; Aristarco e Segundo, de Tessalônica; Gaio, de Derbe, e Timóteo; e Tíquico e Trófimo, da Ásia.
20:5 Eles chegaram a Trôade e ali nos esperavam.
20:6 Nós zarpamos de Filipos depois dos dias dos Pães sem Fermento e, em cinco dias, chegamos até eles em Trôade, onde passamos sete dias.
20:7 No primeiro dia da semana, quando estávamos reunidos para partir o pão, Paulo lhes falava. Como pretendia partir no dia seguinte, prolongou sua fala até a meia-noite.
20:8 Havia muitas lâmpadas no aposento no andar de cima onde estávamos reunidos.
20:9 Um jovem chamado Êutico estava sentado na janela e era vencido por um sono profundo, enquanto Paulo continuava falando. Vencido pelo sono, caiu do terceiro andar e foi levantado morto.
20:10 Mas Paulo desceu, deitou-se sobre ele e o abraçou, dizendo: “Não se alarmem, pois ele está vivo”.
20:11 Depois subiu, partiu o pão e comeu. Continuou conversando por muito tempo, até o amanhecer, e então partiu.
20:12 Levaram o jovem vivo e ficaram muito consolados.
20:13 Nós nos adiantamos até o navio e navegamos para Assôs, onde iríamos receber Paulo a bordo. Assim ele havia determinado, pois pretendia ir a pé.
20:14 Quando se encontrou conosco em Assôs, nós o recebemos a bordo e fomos a Mitilene.
20:15 Zarpamos de lá e, no dia seguinte, chegamos em frente a Quios; no outro dia, aportamos em Samos e, no seguinte, chegamos a Mileto.
20:16 Paulo havia decidido navegar sem parar em Éfeso, para não se demorar na Ásia, pois tinha pressa de estar em Jerusalém no dia de Pentecostes, se fosse possível.
20:17 De Mileto, mandou chamar os anciãos da igreja de Éfeso.
20:18 Quando chegaram, ele lhes disse: “Vocês sabem como vivi entre vocês todo o tempo, desde o primeiro dia em que pus os pés na Ásia,
20:19 servindo ao Senhor com toda a humildade, com lágrimas e com as provações que me aconteceram por causa das conspirações dos judeus.
20:20 Não deixei de anunciar a vocês nada que fosse proveitoso, nem de lhes ensinar publicamente e de casa em casa,
20:21 dando testemunho solene a judeus e gregos do arrependimento para com Deus e da fé em nosso Senhor Jesus.
20:22 Agora, preso pelo espírito, vou a Jerusalém, sem saber o que ali me acontecerá.
20:23 Sei apenas que o Espírito Santo me dá testemunho, em cada cidade, de que me esperam prisões e tribulações.
20:24 Mas não considero a minha vida preciosa para mim mesmo, contanto que complete a minha carreira e o ministério que recebi do Senhor Jesus: dar testemunho solene do evangelho da graça de Deus.
20:25 Agora sei que nenhum de vocês, entre os quais passei proclamando o reino, voltará a ver o meu rosto.
20:26 Por isso, declaro a vocês neste dia que estou limpo do sangue de todos,
20:27 pois não deixei de anunciar a vocês todo o propósito de Deus.
20:28 Cuidem de vocês mesmos e de todo o rebanho, no qual o Espírito Santo os colocou como supervisores, para pastorearem a igreja de Deus, que ele adquiriu com o seu próprio sangue.
20:29 Sei que, depois da minha partida, entrarão no meio de vocês lobos ferozes, que não pouparão o rebanho.
20:30 E dentre vocês mesmos se levantarão homens que falarão coisas distorcidas para arrastar os discípulos atrás de si.
20:31 Portanto, vigiem e lembrem-se de que, durante três anos, noite e dia, não parei de advertir com lágrimas cada um de vocês.
20:32 Agora confio vocês a Deus e à palavra da sua graça, que pode edificá-los e dar-lhes a herança entre todos os santificados.
20:33 Não cobicei prata, ouro ou roupas de ninguém.
20:34 Vocês mesmos sabem que estas mãos atenderam às minhas necessidades e às dos que estavam comigo.
20:35 Em tudo mostrei a vocês que, trabalhando assim, devemos ajudar os fracos e lembrar as palavras do Senhor Jesus, que ele mesmo disse: ‘É mais bem-aventurado dar do que receber’”.
20:36 Depois de dizer isso, ajoelhou-se e orou com todos eles.
20:37 Todos choraram muito, lançaram-se ao pescoço de Paulo e o beijavam,
20:38 entristecidos principalmente com a palavra que ele havia dito: que não voltariam a ver seu rosto. E o acompanharam até o navio.

Capítulo 21
21:1 Depois de nos separarmos deles, zarpamos e navegamos diretamente para Cós; no dia seguinte, chegamos a Rodes e de lá a Pátara.
21:2 Encontramos um navio que atravessava para a Fenícia, embarcamos e zarpamos.
21:3 Quando avistamos Chipre, deixamos a ilha à esquerda e navegamos para a Síria. Desembarcamos em Tiro, pois ali o navio ia descarregar sua carga.
21:4 Encontramos os discípulos e ficamos ali sete dias. Eles diziam a Paulo, pelo Espírito, que não fosse a Jerusalém.
21:5 Quando se completaram aqueles dias, saímos e continuamos a viagem. Todos nos acompanharam para fora da cidade, com suas mulheres e filhos. Ajoelhados na praia, oramos
21:6 e nos despedimos uns dos outros. Então embarcamos no navio, e eles voltaram para suas casas.
21:7 Concluímos a travessia de Tiro e chegamos a Ptolemaida. Saudamos os irmãos e ficamos um dia com eles.
21:8 No dia seguinte, partimos e chegamos a Cesareia. Entramos na casa de Filipe, o evangelista, que era um dos sete, e ficamos com ele.
21:9 Ele tinha quatro filhas virgens que profetizavam.
21:10 Enquanto permanecíamos ali por vários dias, desceu da Judeia um profeta chamado Ágabo.
21:11 Ele veio até nós, tomou o cinto de Paulo, amarrou os próprios pés e mãos e disse: “Assim diz o Espírito Santo: ‘Desta maneira, os judeus em Jerusalém amarrarão o homem a quem pertence este cinto e o entregarão nas mãos dos gentios’”.
21:12 Quando ouvimos isso, tanto nós como os daquele lugar suplicamos a Paulo que não subisse a Jerusalém.
21:13 Então Paulo respondeu: “O que vocês estão fazendo, chorando e partindo meu coração? Pois estou pronto não apenas para ser preso, mas também para morrer em Jerusalém pelo nome do Senhor Jesus”.
21:14 Como ele não se deixava convencer, paramos de insistir e dissemos: “Seja feita a vontade do Senhor”.
21:15 Depois daqueles dias, fizemos os preparativos e subimos a Jerusalém.
21:16 Alguns discípulos de Cesareia também foram conosco e nos levaram a Mnasom, natural de Chipre e discípulo desde os primeiros tempos, em cuja casa iríamos nos hospedar.
21:17 Quando chegamos a Jerusalém, os irmãos nos receberam com alegria.
21:18 No dia seguinte, Paulo foi conosco visitar Tiago, e todos os anciãos estavam presentes.
21:19 Depois de saudá-los, contou uma por uma as coisas que Deus havia feito entre os gentios por meio do seu ministério.
21:20 Ao ouvirem isso, glorificavam a Deus e lhe disseram: “Você vê, irmão, quantas dezenas de milhares de judeus creram, e todos são zelosos da lei.
21:21 Mas eles foram informados de que você ensina todos os judeus que vivem entre os gentios a abandonar Moisés, dizendo que não circuncidem os filhos nem sigam os costumes.
21:22 O que fazer, então? Certamente saberão que você chegou.
21:23 Portanto, faça o que lhe dizemos. Temos aqui quatro homens que fizeram um voto.
21:24 Leve-os com você, purifique-se com eles e pague as despesas deles, para que rapem a cabeça. Assim todos saberão que não há verdade alguma nas informações que receberam a seu respeito e que você mesmo vive guardando a lei.
21:25 Quanto aos gentios que creram, já lhes enviamos nossa decisão: que se abstenham do que foi sacrificado aos ídolos, do sangue, da carne de animais estrangulados e da imoralidade sexual”.
21:26 Então Paulo levou aqueles homens e, no dia seguinte, depois de se purificar com eles, entrou no templo, anunciando quando se completariam os dias da purificação e seria apresentada a oferta por cada um deles.
21:27 Quando os sete dias estavam para terminar, os judeus da Ásia o viram no templo, agitaram toda a multidão e o agarraram,
21:28 gritando: “Homens de Israel, ajudem! Este é o homem que ensina a todos, em toda parte, contra o povo, contra a lei e contra este lugar. Além disso, trouxe gregos para dentro do templo e profanou este lugar santo”.
21:29 Pois antes haviam visto Trófimo, o efésio, com ele na cidade e supunham que Paulo o havia levado para dentro do templo.
21:30 Toda a cidade se agitou, e o povo correu para lá. Agarraram Paulo e o arrastaram para fora do templo, e imediatamente as portas foram fechadas.
21:31 Enquanto procuravam matá-lo, chegou ao comandante da coorte a notícia de que toda Jerusalém estava em confusão.
21:32 Ele levou imediatamente soldados e centuriões e correu até eles. Quando viram o comandante e os soldados, pararam de espancar Paulo.
21:33 Então o comandante se aproximou, prendeu-o e mandou que fosse amarrado com duas correntes. Perguntava quem era ele e o que havia feito.
21:34 Na multidão, uns gritavam uma coisa, e outros, outra. Como não conseguia saber ao certo por causa do tumulto, ordenou que Paulo fosse levado ao quartel.
21:35 Quando ele chegou às escadas, os soldados tiveram de carregá-lo por causa da violência da multidão,
21:36 pois o povo o seguia gritando: “Acabem com ele!”.
21:37 Quando estava para ser levado para dentro do quartel, Paulo disse ao comandante: “Posso lhe dizer uma coisa?”. Ele perguntou: “Você sabe grego?
21:38 Então você não é o egípcio que, algum tempo atrás, provocou uma revolta e levou para o deserto os quatro mil homens dos sicários?”.
21:39 Paulo respondeu: “Sou judeu de Tarso, na Cilícia, cidadão de uma cidade importante. Por favor, permita que eu fale ao povo”.
21:40 Com a permissão dele, Paulo ficou de pé nas escadas e fez sinal com a mão ao povo. Fez-se um grande silêncio, e ele lhes falou em língua hebraica, dizendo:

Capítulo 22
22:1 “Irmãos e pais, escutem agora a defesa que apresento a vocês”.
22:2 Quando ouviram que ele lhes falava em língua hebraica, ficaram ainda mais em silêncio. Então ele disse:
22:3 “Sou judeu, nascido em Tarso, na Cilícia, mas criado nesta cidade. Fui instruído aos pés de Gamaliel segundo o rigor da lei dos nossos antepassados e era zeloso por Deus, como todos vocês são hoje.
22:4 Persegui este Caminho até a morte, prendendo e entregando às prisões tanto homens como mulheres,
22:5 como também podem testemunhar o sumo sacerdote e todo o conselho dos anciãos. Deles recebi cartas para os irmãos e me dirigia a Damasco, para trazer presos a Jerusalém também os que estavam lá, a fim de que fossem castigados.
22:6 Enquanto eu viajava e me aproximava de Damasco, por volta do meio-dia, de repente uma luz intensa do céu brilhou ao meu redor.
22:7 Caí no chão e ouvi uma voz que me dizia: ‘Saulo, Saulo, por que você me persegue?’.
22:8 Eu respondi: ‘Quem és, Senhor?’. Ele me disse: ‘Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem você persegue’.
22:9 Os que estavam comigo viram a luz, mas não ouviram a voz daquele que falava comigo.
22:10 Então perguntei: ‘O que devo fazer, Senhor?’. O Senhor me disse: ‘Levante-se e vá a Damasco, e ali lhe será dito tudo o que foi determinado que você faça’.
22:11 Como eu não enxergava por causa do resplendor daquela luz, cheguei a Damasco levado pela mão dos que estavam comigo.
22:12 Um homem chamado Ananias, piedoso segundo a lei e de quem todos os judeus que moravam ali davam bom testemunho,
22:13 veio até mim e, de pé ao meu lado, disse: ‘Irmão Saulo, recobre a vista’. Naquele mesmo instante, recobrei a vista e olhei para ele.
22:14 Ele disse: ‘O Deus dos nossos antepassados escolheu você para conhecer a sua vontade, ver o Justo e ouvir a voz da boca dele,
22:15 pois você será testemunha dele diante de todos os seres humanos a respeito do que viu e ouviu.
22:16 Agora, o que está esperando? Levante-se, seja batizado e lave os seus pecados, invocando o nome dele’.
22:17 Quando voltei a Jerusalém, enquanto orava no templo, caí em êxtase
22:18 e o vi me dizendo: ‘Apresse-se e saia depressa de Jerusalém, porque não aceitarão o seu testemunho a meu respeito’.
22:19 Eu disse: ‘Senhor, eles sabem que eu prendia e espancava nas sinagogas os que criam em ti.
22:20 E, quando se derramava o sangue de Estêvão, tua testemunha, eu mesmo estava presente, aprovando e guardando as roupas dos que o matavam’.
22:21 Mas ele me disse: ‘Vá, pois eu enviarei você para longe, aos gentios’”.
22:22 Eles o escutaram até essas palavras. Então ergueram a voz e disseram: “Tirem da terra um homem desses! Ele não deve viver!”.
22:23 Enquanto eles gritavam, atiravam seus mantos e lançavam pó ao ar,
22:24 o comandante mandou levá-lo para dentro do quartel e ordenou que o interrogassem com açoites, para descobrir por que gritavam assim contra ele.
22:25 Enquanto o prendiam estendido com correias, Paulo disse ao centurião que estava ali: “Vocês têm permissão para açoitar um cidadão romano sem que tenha sido condenado?”.
22:26 Ao ouvir isso, o centurião foi informar o comandante e disse: “O que você está prestes a fazer? Pois este homem é cidadão romano”.
22:27 O comandante se aproximou e lhe perguntou: “Diga-me: você é cidadão romano?”. Ele respondeu: “Sim”.
22:28 O comandante disse: “Eu adquiri essa cidadania por uma grande quantia”. Paulo respondeu: “Pois eu a tenho de nascimento”.
22:29 Imediatamente se afastaram dele os que iam interrogá-lo. O comandante também ficou com medo ao saber que ele era cidadão romano e que o havia amarrado.
22:30 No dia seguinte, querendo saber com certeza de que os judeus o acusavam, ele o desamarrou e mandou que os principais sacerdotes e todo o Sinédrio se reunissem. Então fez Paulo descer e o apresentou diante deles.

Capítulo 23
23:1 Paulo olhou fixamente para o Sinédrio e disse: “Irmãos, até o dia de hoje tenho vivido diante de Deus com a consciência inteiramente limpa”.
23:2 Mas o sumo sacerdote Ananias ordenou aos que estavam junto dele que batessem na boca de Paulo.
23:3 Então Paulo lhe disse: “Deus vai bater em você, parede caiada! Você se senta para me julgar conforme a lei e, violando a lei, manda que me batam?”.
23:4 Os que estavam ali disseram: “Você está insultando o sumo sacerdote de Deus?”.
23:5 Paulo respondeu: “Irmãos, eu não sabia que ele era o sumo sacerdote, pois está escrito: ‘Não fale mal de um governante do seu povo’”.
23:6 Quando Paulo percebeu que uma parte era de saduceus e a outra de fariseus, gritou no Sinédrio: “Irmãos, sou fariseu, filho de fariseus. Estou sendo julgado por causa da esperança e da ressurreição dos mortos”.
23:7 Quando ele disse isso, surgiu uma discussão entre fariseus e saduceus, e a assembleia se dividiu.
23:8 Pois os saduceus dizem que não há ressurreição, nem anjo, nem espírito, mas os fariseus reconhecem ambas as coisas.
23:9 Houve grande gritaria. Alguns escribas do partido dos fariseus se levantaram e discutiam com força, dizendo: “Não encontramos mal algum neste homem. Mas, se um espírito ou um anjo lhe falou…”.
23:10 A discussão se tornou tão violenta que o comandante teve medo de que Paulo fosse despedaçado por eles. Mandou a tropa descer, tirá-lo do meio deles e levá-lo ao quartel.
23:11 Na noite seguinte, o Senhor se pôs ao lado dele e disse: “Tenha ânimo! Pois, assim como você deu testemunho a meu respeito em Jerusalém, também deve dar testemunho em Roma”.
23:12 Quando amanheceu, os judeus formaram uma conspiração e se comprometeram sob maldição a não comer nem beber até matarem Paulo.
23:13 Eram mais de quarenta os que haviam feito esse juramento.
23:14 Eles foram aos principais sacerdotes e aos anciãos e disseram: “Nós nos comprometemos sob solene maldição a não provar nada até matarmos Paulo.
23:15 Agora, vocês e o Sinédrio peçam ao comandante que o traga até vocês, como se quisessem examinar o caso dele com mais exatidão. Nós estamos prontos para matá-lo antes que ele chegue”.
23:16 Mas o filho da irmã de Paulo soube da emboscada, foi ao quartel, entrou e contou tudo a Paulo.
23:17 Então Paulo chamou um dos centuriões e disse: “Leve este jovem ao comandante, pois tem algo a lhe comunicar”.
23:18 Ele levou o jovem até o comandante e disse: “O prisioneiro Paulo me chamou e pediu que trouxesse este jovem, que tem algo a lhe dizer”.
23:19 O comandante o tomou pela mão, levou-o à parte e perguntou em particular: “O que você tem a me comunicar?”.
23:20 Ele respondeu: “Os judeus combinaram pedir que você leve Paulo amanhã ao Sinédrio, como se este quisesse examinar o caso dele com mais exatidão.
23:21 Mas não se deixe convencer por eles, pois mais de quarenta homens dentre eles preparam uma emboscada para ele. Comprometeram-se sob maldição a não comer nem beber até o matarem. Agora estão prontos, esperando o seu consentimento”.
23:22 Então o comandante despediu o jovem e ordenou: “Não conte a ninguém que você me comunicou estas coisas”.
23:23 Chamou dois dos centuriões e disse: “Preparem duzentos soldados para irem a Cesareia, com setenta cavaleiros e duzentos lanceiros, às nove da noite.
23:24 Providenciem também montarias para Paulo e o levem em segurança ao governador Félix”.
23:25 E escreveu uma carta nestes termos:
23:26 “Cláudio Lísias ao excelentíssimo governador Félix: saudações.
23:27 Este homem foi preso pelos judeus e estava prestes a ser morto por eles. Eu fui com a tropa e o resgatei, ao saber que era cidadão romano.
23:28 Querendo descobrir o motivo da acusação contra ele, levei-o ao Sinédrio deles.
23:29 Verifiquei que era acusado por questões da lei deles, sem haver acusação alguma que merecesse morte ou prisão.
23:30 Quando fui informado de que haveria uma conspiração contra esse homem, enviei-o imediatamente a você e ordenei aos acusadores que apresentassem diante de você o que têm contra ele”.
23:31 Então os soldados, conforme as ordens recebidas, levaram Paulo de noite a Antipátride.
23:32 No dia seguinte, deixaram os cavaleiros seguir com ele e voltaram ao quartel.
23:33 Quando os cavaleiros chegaram a Cesareia, entregaram a carta ao governador e lhe apresentaram também Paulo.
23:34 Depois de ler a carta, o governador perguntou de que província ele era. Ao saber que era da Cilícia,
23:35 disse: “Ouvirei o seu caso quando chegarem também os seus acusadores”. E mandou que ele fosse guardado no pretório de Herodes.

Capítulo 24
24:1 Cinco dias depois, o sumo sacerdote Ananias desceu com alguns anciãos e um advogado chamado Tértulo. Eles apresentaram ao governador suas acusações contra Paulo.
24:2 Quando Paulo foi chamado, Tértulo começou a acusá-lo, dizendo: “Por meio de você, desfrutamos de muita paz, e, graças à sua prudência, reformas têm sido realizadas para esta nação.
24:3 Em tudo e em toda parte, reconhecemos isso com toda a gratidão, excelentíssimo Félix.
24:4 Mas, para não tomar mais do seu tempo, peço que, com sua bondade, nos ouça brevemente.
24:5 Pois verificamos que este homem é uma peste, que provoca revoltas entre todos os judeus do mundo habitado e é líder da seita dos nazarenos.
24:6 Ele até tentou profanar o templo, e nós o prendemos.
24:7 [Mas o comandante Lísias interveio e, com grande violência, o tirou das nossas mãos.]
24:8 Você mesmo poderá, ao interrogá-lo, saber de todas estas coisas de que o acusamos”.
24:9 Os judeus também se juntaram à acusação, afirmando que as coisas eram assim.
24:10 Quando o governador fez sinal para que falasse, Paulo respondeu: “Sei que você é juiz desta nação há muitos anos; por isso apresento minha defesa com confiança.
24:11 Você pode verificar que não faz mais de doze dias que subi a Jerusalém para adorar.
24:12 Não me encontraram discutindo com ninguém nem provocando tumulto, seja no templo, nas sinagogas ou na cidade.
24:13 Também não podem provar a você as coisas de que agora me acusam.
24:14 Mas confesso isto a você: segundo o Caminho que eles chamam de seita, assim presto culto ao Deus dos nossos antepassados, crendo em tudo o que está escrito na Lei e nos Profetas.
24:15 Tenho em Deus a esperança, que eles mesmos também têm, de que haverá ressurreição tanto dos justos como dos injustos.
24:16 Por isso, também me esforço para ter sempre uma consciência sem culpa diante de Deus e dos seres humanos.
24:17 Depois de vários anos, vim trazer esmolas à minha nação e apresentar ofertas.
24:18 Enquanto fazia isso, encontraram-me purificado no templo, sem multidão nem tumulto.
24:19 Mas alguns judeus da Ásia deveriam estar aqui diante de você para me acusar, caso tenham algo contra mim.
24:20 Ou que estes mesmos digam que delito encontraram quando compareci diante do Sinédrio,
24:21 a não ser esta única declaração que fiz em voz alta, de pé entre eles: ‘É por causa da ressurreição dos mortos que estou sendo julgado hoje diante de vocês’”.
24:22 Félix, que conhecia com bastante exatidão as coisas a respeito do Caminho, adiou o caso, dizendo: “Quando o comandante Lísias descer, decidirei o caso de vocês”.
24:23 Ordenou ao centurião que o mantivesse sob custódia, mas lhe concedesse certa liberdade e não impedisse nenhum dos seus de atendê-lo.
24:24 Alguns dias depois, Félix veio com Drusila, sua esposa, que era judia. Mandou chamar Paulo e o ouviu a respeito da fé em Cristo Jesus.
24:25 Quando Paulo discorria sobre justiça, domínio próprio e o juízo que virá, Félix ficou com medo e respondeu: “Por agora, pode ir. Quando tiver oportunidade, mandarei chamar você”.
24:26 Ao mesmo tempo, esperava receber dinheiro de Paulo. Por isso, mandava chamá-lo com mais frequência e conversava com ele.
24:27 Depois de dois anos, Félix foi sucedido por Pórcio Festo. Como queria conquistar o favor dos judeus, Félix deixou Paulo preso.

Capítulo 25
25:1 Três dias depois de chegar à província, Festo subiu de Cesareia a Jerusalém.
25:2 Os principais sacerdotes e os líderes dos judeus lhe apresentaram suas acusações contra Paulo e lhe suplicavam,
25:3 pedindo, como favor contra ele, que o mandasse trazer a Jerusalém. Preparavam uma emboscada para matá-lo pelo caminho.
25:4 Mas Festo respondeu que Paulo estava sob custódia em Cesareia e que ele mesmo partiria em breve para lá.
25:5 “Portanto”, disse, “os que têm autoridade entre vocês desçam comigo e, se esse homem tiver cometido algo errado, apresentem suas acusações contra ele”.
25:6 Depois de passar entre eles não mais que oito ou dez dias, desceu a Cesareia. No dia seguinte, tomou assento no tribunal e mandou trazer Paulo.
25:7 Quando ele chegou, os judeus que haviam descido de Jerusalém o rodearam, apresentando muitas acusações graves que não podiam provar.
25:8 Paulo dizia em sua defesa: “Não cometi nenhuma falta contra a lei dos judeus, contra o templo ou contra César”.
25:9 Mas Festo, querendo conquistar o favor dos judeus, perguntou a Paulo: “Você quer subir a Jerusalém e ser julgado lá diante de mim por estas coisas?”.
25:10 Paulo respondeu: “Estou diante do tribunal de César, onde devo ser julgado. Não fiz mal algum aos judeus, como você mesmo sabe muito bem.
25:11 Se cometi alguma injustiça e fiz algo digno de morte, não me recuso a morrer. Mas, se não há verdade nas acusações destes homens contra mim, ninguém pode me entregar a eles para lhes fazer um favor. Apelo a César!”.
25:12 Então Festo, depois de consultar seu conselho, respondeu: “Você apelou a César; a César irá”.
25:13 Alguns dias depois, o rei Agripa e Berenice chegaram a Cesareia para saudar Festo.
25:14 Como passaram ali vários dias, Festo expôs ao rei o caso de Paulo, dizendo: “Há um homem que Félix deixou preso.
25:15 Quando estive em Jerusalém, os principais sacerdotes e os anciãos dos judeus apresentaram acusações contra ele, pedindo sua condenação.
25:16 Respondi-lhes que não é costume dos romanos entregar um homem antes que o acusado tenha seus acusadores frente a frente e receba a oportunidade de se defender da acusação.
25:17 Portanto, quando eles se reuniram aqui, não demorei: no dia seguinte, tomei assento no tribunal e mandei trazer o homem.
25:18 Quando os acusadores se apresentaram, não alegaram nenhum dos crimes que eu suspeitava.
25:19 Tinham contra ele certas questões a respeito da sua própria religião e de um tal Jesus, que morreu, mas que Paulo afirmava estar vivo.
25:20 Como eu não sabia como investigar essas questões, perguntei se ele queria ir a Jerusalém e ser julgado lá a respeito delas.
25:21 Mas Paulo apelou para ser mantido sob custódia até a decisão do imperador. Então mandei que fosse guardado até que eu o enviasse a César”.
25:22 Agripa disse a Festo: “Eu também gostaria de ouvir esse homem”. Ele respondeu: “Amanhã você o ouvirá”.
25:23 No dia seguinte, Agripa e Berenice chegaram com grande pompa e entraram na sala de audiências com os comandantes e os homens mais importantes da cidade. Por ordem de Festo, Paulo foi trazido.
25:24 Então Festo disse: “Rei Agripa e todos os homens aqui presentes conosco, vocês veem este homem a respeito de quem toda a multidão dos judeus me procurou, tanto em Jerusalém como aqui, gritando que ele não deve continuar vivo.
25:25 Mas eu verifiquei que ele não havia feito nada digno de morte. Como ele mesmo apelou ao imperador, decidi enviá-lo.
25:26 Não tenho nada concreto para escrever ao soberano a respeito dele. Por isso o apresentei diante de vocês e, principalmente, diante de você, rei Agripa, para que, depois do interrogatório, eu tenha algo a escrever.
25:27 Pois me parece absurdo enviar um preso sem indicar também as acusações contra ele”.

Capítulo 26
26:1 Agripa disse a Paulo: “Você tem permissão para falar em sua defesa”. Então Paulo estendeu a mão e começou sua defesa:
26:2 “Rei Agripa, considero-me feliz por poder apresentar hoje diante de você minha defesa contra todas as acusações que os judeus fazem contra mim,
26:3 especialmente porque você conhece bem todos os costumes e as controvérsias dos judeus. Por isso, peço que me escute com paciência.
26:4 Todos os judeus conhecem meu modo de viver desde a juventude, que transcorreu desde o começo entre o meu povo e em Jerusalém.
26:5 Eles me conhecem há muito tempo e, se quiserem, podem testemunhar que vivi como fariseu, segundo o grupo mais rigoroso da nossa religião.
26:6 Agora estou sendo julgado por causa da esperança na promessa que Deus fez aos nossos antepassados,
26:7 cujo cumprimento nossas doze tribos esperam alcançar, prestando culto com fervor, noite e dia. É por essa esperança, ó rei, que sou acusado pelos judeus.
26:8 Por que vocês consideram inacreditável que Deus ressuscite os mortos?
26:9 Eu mesmo pensava que devia fazer muitas coisas contra o nome de Jesus, o Nazareno.
26:10 E foi o que fiz em Jerusalém: com a autoridade que recebi dos principais sacerdotes, encerrei nas prisões muitos dos santos e, quando eles eram mortos, dava meu voto contra eles.
26:11 Muitas vezes os castigava em todas as sinagogas e procurava obrigá-los a blasfemar. Na minha fúria extrema contra eles, eu os perseguia até em cidades estrangeiras.
26:12 Foi assim que viajei para Damasco, com autoridade e por incumbência dos principais sacerdotes.
26:13 Ao meio-dia, ó rei, vi no caminho uma luz do céu, mais brilhante que o sol, que brilhou ao meu redor e ao redor dos que viajavam comigo.
26:14 Todos caímos no chão, e ouvi uma voz que me dizia em língua hebraica: ‘Saulo, Saulo, por que você me persegue? É duro para você dar coices contra os aguilhões’.
26:15 Eu perguntei: ‘Quem és, Senhor?’. O Senhor respondeu: ‘Eu sou Jesus, a quem você persegue.
26:16 Mas levante-se e fique de pé, pois eu apareci a você para nomeá-lo servidor e testemunha do que você viu de mim e das coisas em que ainda aparecerei a você.
26:17 Eu o livrarei do povo e dos gentios, aos quais eu o envio
26:18 para abrir os olhos deles, a fim de que se voltem das trevas para a luz e do domínio de Satanás para Deus, para que recebam perdão dos pecados e herança entre os santificados pela fé em mim’.
26:19 Por isso, rei Agripa, não fui desobediente à visão celestial.
26:20 Pelo contrário, anunciei primeiro aos de Damasco, depois em Jerusalém e em toda a região da Judeia, e também aos gentios, que se arrependessem e se voltassem para Deus, praticando obras dignas de arrependimento.
26:21 Por causa disso, os judeus me prenderam no templo e tentavam me matar.
26:22 Mas, tendo recebido a ajuda de Deus, permaneço até este dia dando testemunho a pequenos e grandes, sem dizer nada além do que os profetas e Moisés anunciaram que haveria de acontecer:
26:23 que o Cristo sofreria e que, sendo o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, anunciaria luz tanto ao povo como aos gentios”.
26:24 Enquanto Paulo dizia isso em sua defesa, Festo exclamou em alta voz: “Você está louco, Paulo! Tanto estudo está levando você à loucura!”.
26:25 Mas Paulo respondeu: “Não estou louco, excelentíssimo Festo. Estou falando palavras de verdade e de bom senso.
26:26 Pois o rei conhece essas coisas, e é a ele que falo com confiança. Estou convencido de que nada disso lhe passou despercebido, pois isso não aconteceu num canto escondido.
26:27 Rei Agripa, você crê nos profetas? Sei que crê”.
26:28 Agripa disse a Paulo: “Em tão pouco tempo você quer me convencer a me tornar cristão?”.
26:29 Paulo respondeu: “Eu pediria a Deus que, em pouco ou muito tempo, não só você, mas todos os que me ouvem hoje se tornassem como eu, exceto por estas correntes”.
26:30 Então se levantaram o rei, o governador, Berenice e os que estavam sentados com eles.
26:31 Ao se retirarem, conversavam entre si e diziam: “Este homem não faz nada que mereça morte ou prisão”.
26:32 E Agripa disse a Festo: “Este homem poderia ter sido solto se não tivesse apelado a César”.

Capítulo 27
27:1 Quando se decidiu que navegaríamos para a Itália, entregaram Paulo e alguns outros presos a um centurião chamado Júlio, da coorte Augusta.
27:2 Embarcamos num navio de Adramítio que ia navegar para os portos da Ásia e zarpamos. Estava conosco Aristarco, um macedônio de Tessalônica.
27:3 No dia seguinte, chegamos a Sidom. Júlio tratou Paulo com bondade e permitiu que fosse aos seus amigos para receber cuidados.
27:4 Zarpamos de lá e navegamos ao abrigo de Chipre, porque os ventos eram contrários.
27:5 Depois de atravessarmos o mar diante da Cilícia e da Panfília, chegamos a Mirra, na Lícia.
27:6 Ali o centurião encontrou um navio de Alexandria que navegava para a Itália e nos fez embarcar nele.
27:7 Navegamos lentamente por muitos dias e, com dificuldade, chegamos em frente a Cnido. Como o vento não nos permitia avançar, navegamos ao abrigo de Creta, junto de Salmona.
27:8 Com dificuldade, fomos costeando a ilha e chegamos a um lugar chamado Bons Portos, perto da cidade de Laseia.
27:9 Já havia passado muito tempo, e a navegação se tornara perigosa, pois até o Jejum já havia passado. Então Paulo os advertia:
27:10 “Homens, vejo que esta viagem trará danos e grandes perdas, não apenas para a carga e o navio, mas também para as nossas vidas”.
27:11 Mas o centurião dava mais crédito ao piloto e ao dono do navio do que às palavras de Paulo.
27:12 Como aquele porto não era adequado para passar o inverno, a maioria decidiu partir de lá, para ver se conseguiria chegar a Fenice e passar ali o inverno. Era um porto de Creta voltado para o sudoeste e o noroeste.
27:13 Quando começou a soprar suavemente um vento do sul, pensaram ter conseguido o que pretendiam. Levantaram a âncora e foram costeando Creta bem de perto.
27:14 Mas, pouco depois, um vento com força de furacão, chamado Euroaquilão, desceu da ilha.
27:15 O navio foi arrastado e não conseguia enfrentar o vento. Então cedemos e nos deixamos levar.
27:16 Passamos ao abrigo de uma pequena ilha chamada Cauda e, com dificuldade, conseguimos segurar o bote.
27:17 Depois de içá-lo, usaram cordas de reforço para cingir o navio. Como temiam encalhar na Sirte, baixaram o equipamento e assim se deixavam levar.
27:18 A tempestade nos castigava com tanta força que, no dia seguinte, começaram a lançar a carga ao mar.
27:19 No terceiro dia, lançaram ao mar, com as próprias mãos, o equipamento do navio.
27:20 Por muitos dias, não apareceram nem o sol nem as estrelas, e uma grande tempestade nos castigava. Por fim, desaparecia toda a esperança de nos salvarmos.
27:21 Estavam havia muito tempo sem comer. Então Paulo se pôs de pé no meio deles e disse: “Homens, vocês deveriam ter me dado ouvidos e não ter partido de Creta. Assim teriam evitado estes danos e perdas.
27:22 Agora, porém, aconselho que tenham ânimo, pois nenhum de vocês perderá a vida; somente o navio se perderá.
27:23 Pois nesta noite esteve ao meu lado um anjo do Deus a quem pertenço e a quem presto culto,
27:24 dizendo: ‘Não tenha medo, Paulo. Você precisa comparecer diante de César. Veja! Deus lhe concedeu todos os que navegam com você’.
27:25 Portanto, tenham ânimo, homens, pois creio em Deus: acontecerá exatamente como me foi dito.
27:26 Mas é necessário que encalhemos em alguma ilha”.
27:27 Quando chegou a décima quarta noite, enquanto éramos levados de um lado para outro no mar Adriático, por volta da meia-noite os marinheiros suspeitaram que se aproximavam de terra.
27:28 Lançaram a sonda e encontraram cerca de trinta e sete metros de profundidade. Um pouco mais adiante, tornaram a lançar a sonda e encontraram cerca de vinte e sete metros.
27:29 Com medo de que batêssemos nas rochas, lançaram quatro âncoras pela popa e rogavam que amanhecesse.
27:30 Os marinheiros tentavam fugir do navio e baixaram o bote ao mar, com o pretexto de que iam lançar âncoras pela proa.
27:31 Então Paulo disse ao centurião e aos soldados: “Se estes não ficarem no navio, vocês não poderão se salvar”.
27:32 Os soldados cortaram as cordas do bote e o deixaram cair.
27:33 Quando estava para amanhecer, Paulo encorajava todos a comer, dizendo: “Hoje faz catorze dias que vocês permanecem esperando e sem comer, sem ter tomado nada.
27:34 Por isso, peço que comam, pois isso é necessário para a sua sobrevivência. Nenhum de vocês perderá um só fio de cabelo da cabeça”.
27:35 Depois de dizer isso, tomou pão, deu graças a Deus diante de todos, partiu-o e começou a comer.
27:36 Todos ficaram animados e também comeram.
27:37 Éramos, ao todo, duzentas e setenta e seis pessoas no navio.
27:38 Depois de comerem até ficarem satisfeitos, aliviaram o peso do navio, lançando o trigo ao mar.
27:39 Quando amanheceu, não reconheceram a terra, mas avistaram uma baía com uma praia, na qual pretendiam encalhar o navio, se pudessem.
27:40 Soltaram as âncoras e as deixaram no mar. Ao mesmo tempo, desataram as amarras dos lemes, içaram a vela de proa ao vento e seguiram em direção à praia.
27:41 Mas deram num lugar onde se encontravam duas correntes, e o navio encalhou. A proa ficou presa e imóvel, enquanto a popa se despedaçava pela força do mar.
27:42 Os soldados planejaram matar os presos, para que nenhum fugisse a nado.
27:43 Mas o centurião, querendo salvar Paulo, impediu que executassem o plano. Mandou que os que sabiam nadar se lançassem primeiro à água e fossem para terra,
27:44 e que os demais fossem, uns em tábuas e outros em destroços do navio. Assim, todos chegaram a salvo à terra.

Capítulo 28
28:1 Depois de chegarmos a salvo, soubemos que a ilha se chamava Malta.
28:2 Os habitantes da ilha nos trataram com bondade extraordinária. Acenderam uma fogueira e nos receberam a todos, por causa da chuva que caía e do frio.
28:3 Paulo ajuntou um feixe de gravetos e os colocou no fogo. Uma víbora, fugindo do calor, prendeu-se à mão dele.
28:4 Quando os habitantes da ilha viram o animal pendurado na mão dele, diziam uns aos outros: “Certamente este homem é um assassino. Embora tenha escapado do mar, a justiça não o deixa viver”.
28:5 Mas ele sacudiu o animal para dentro do fogo e não sofreu mal algum.
28:6 Eles esperavam que ele inchasse ou caísse morto de repente. Depois de esperarem muito e verem que nada de anormal lhe acontecia, mudaram de opinião e diziam que ele era um deus.
28:7 Perto daquele lugar havia terras pertencentes ao principal da ilha, chamado Públio. Ele nos recebeu e nos hospedou com bondade durante três dias.
28:8 O pai de Públio estava de cama, sofrendo de febres e disenteria. Paulo entrou para vê-lo, orou, impôs as mãos sobre ele e o curou.
28:9 Depois disso, os demais enfermos da ilha também vinham e eram curados.
28:10 Eles nos honraram com muitas atenções e, quando partimos, nos forneceram o necessário.
28:11 Três meses depois, zarpamos num navio de Alexandria que havia passado o inverno na ilha e tinha como emblema Cástor e Pólux.
28:12 Chegamos a Siracusa e permanecemos ali três dias.
28:13 De lá, levantamos âncora e chegamos a Régio. Um dia depois, começou a soprar um vento do sul, e no segundo dia chegamos a Putéoli.
28:14 Ali encontramos irmãos que nos convidaram a ficar com eles sete dias. E assim chegamos a Roma.
28:15 Os irmãos de lá, ao saberem de nós, vieram ao nosso encontro até o Fórum de Ápio e as Três Tabernas. Quando Paulo os viu, deu graças a Deus e ganhou ânimo.
28:16 Quando entramos em Roma, permitiram que Paulo morasse por sua conta, com o soldado que o guardava.
28:17 Três dias depois, ele convocou os principais dos judeus. Quando se reuniram, disse-lhes: “Irmãos, embora eu não tenha feito nada contra o povo nem contra os costumes dos nossos antepassados, fui entregue preso, desde Jerusalém, às mãos dos romanos.
28:18 Eles me interrogaram e queriam me soltar, porque não havia contra mim motivo algum para a pena de morte.
28:19 Mas, como os judeus se opunham, fui obrigado a apelar a César, sem ter nada de que acusar a minha nação.
28:20 Por isso pedi para ver vocês e lhes falar, pois é por causa da esperança de Israel que estou preso com esta corrente”.
28:21 Eles lhe responderam: “Nós não recebemos cartas da Judeia a seu respeito, nem veio algum dos irmãos informar ou dizer algo ruim sobre você.
28:22 Mas queremos ouvir de você o que pensa, pois sabemos que em toda parte se fala contra esta seita”.
28:23 Marcaram um dia com ele e vieram em maior número ao lugar onde estava hospedado. Da manhã até a tarde, ele lhes explicava e dava testemunho solene do reino de Deus, procurando convencê-los a respeito de Jesus, com base na lei de Moisés e nos Profetas.
28:24 Alguns se deixavam convencer pelo que ele dizia, mas outros não criam.
28:25 Como discordavam entre si, começaram a se retirar, depois que Paulo disse estas palavras: “O Espírito Santo falou bem aos antepassados de vocês por meio do profeta Isaías,
28:26 dizendo: ‘Vá a este povo e diga: “Vocês ouvirão e ouvirão, mas de modo nenhum entenderão; olharão e olharão, mas de modo nenhum perceberão.
28:27 Pois o coração deste povo se tornou insensível; ouviram com dificuldade e fecharam os olhos, para que não vejam com os olhos, nem ouçam com os ouvidos, nem entendam com o coração, nem se voltem, e eu os cure”’.
28:28 Portanto, saibam que esta salvação de Deus foi enviada aos gentios. Eles ouvirão!”.
28:29 [Depois de ele dizer isso, os judeus foram embora, discutindo muito entre si.]
28:30 Paulo permaneceu dois anos inteiros num alojamento que ele mesmo alugava e recebia todos os que vinham vê-lo,
28:31 proclamando o reino de Deus e ensinando a respeito do Senhor Jesus Cristo, com toda a ousadia, sem impedimento algum.

ROMANOS

Capítulo 1
1:1 Paulo, servo de Cristo Jesus, chamado para ser apóstolo, separado para o evangelho de Deus,
1:2 que ele prometeu de antemão por meio dos seus profetas nas santas Escrituras,
1:3 a respeito do seu Filho, que nasceu da descendência de Davi segundo a carne
1:4 e foi declarado Filho de Deus com poder, segundo o Espírito de santidade, pela ressurreição dentre os mortos: Jesus Cristo, nosso Senhor.
1:5 Por meio dele recebemos graça e apostolado para a obediência da fé entre todas as nações, por causa do seu nome,
1:6 entre as quais também estão vocês, chamados para pertencer a Jesus Cristo.
1:7 A todos os que estão em Roma, amados de Deus, chamados para ser santos: graça e paz a vocês da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
1:8 Primeiro, dou graças ao meu Deus, por meio de Jesus Cristo, por todos vocês, pois a fé de vocês é anunciada em todo o mundo.
1:9 Pois Deus, a quem sirvo em meu espírito no evangelho do seu Filho, é minha testemunha de como me lembro de vocês sem cessar,
1:10 sempre nas minhas orações, pedindo que, enfim, de alguma maneira, pela vontade de Deus, eu consiga ir até vocês.
1:11 Pois desejo muito vê-los, para compartilhar com vocês algum dom espiritual, a fim de que sejam fortalecidos,
1:12 isto é, para que sejamos encorajados mutuamente pela fé que compartilhamos, vocês e eu.
1:13 Não quero que vocês ignorem, irmãos, que muitas vezes me propus visitá-los, mas até agora fui impedido, para colher algum fruto também entre vocês, assim como entre os demais gentios.
1:14 Sou devedor tanto a gregos como a não gregos, tanto a sábios como a ignorantes.
1:15 Por isso, de minha parte, estou pronto para anunciar o evangelho também a vocês que estão em Roma.
1:16 Pois não me envergonho do evangelho, porque ele é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego.
1:17 Pois nele se revela a justiça de Deus, de fé em fé, como está escrito: “O justo viverá pela fé”.
1:18 Pois a ira de Deus se revela do céu contra toda a impiedade e injustiça dos seres humanos que suprimem a verdade pela injustiça,
1:19 porque o que se pode conhecer de Deus é evidente entre eles, pois Deus lhes tornou isso manifesto.
1:20 Desde a criação do mundo, seus atributos invisíveis, seu poder eterno e sua divindade, são claramente percebidos por meio das coisas criadas. Por isso, eles não têm desculpa,
1:21 pois, embora conhecessem a Deus, não o glorificaram como Deus nem lhe deram graças. Pelo contrário, seus raciocínios se tornaram vazios, e seu coração insensato ficou em trevas.
1:22 Dizendo-se sábios, tornaram-se tolos
1:23 e trocaram a glória do Deus incorruptível por imagens semelhantes ao ser humano corruptível, a aves, a quadrúpedes e a répteis.
1:24 Por isso, Deus os entregou, nos desejos de seus corações, à impureza, para que desonrassem seus corpos entre si.
1:25 Eles trocaram a verdade de Deus pela mentira e adoraram e serviram à criatura em vez do Criador, que é bendito para sempre. Amém.
1:26 Por isso, Deus os entregou a paixões desonrosas. Pois as mulheres entre eles trocaram as relações naturais pelas que são contrárias à natureza;
1:27 do mesmo modo, os homens abandonaram as relações naturais com a mulher e se inflamaram de desejo uns pelos outros. Homens com homens praticavam atos vergonhosos e recebiam em si mesmos a retribuição devida ao seu desvio.
1:28 E, como não consideraram digno conservar o conhecimento de Deus, Deus os entregou a uma mente reprovada, para fazerem o que não convém.
1:29 Estão cheios de toda injustiça, perversidade, ganância e maldade; repletos de inveja, homicídio, discórdia, engano e malícia. São murmuradores,
1:30 caluniadores, inimigos de Deus, insolentes, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais,
1:31 insensatos, desleais, sem afeição natural e sem misericórdia.
1:32 Embora conheçam o justo decreto de Deus, de que os que praticam essas coisas são dignos de morte, não só as praticam, mas também aprovam os que as praticam.

Capítulo 2
2:1 Portanto, você que julga não tem desculpa, seja quem for. Pois, ao julgar o outro, condena a si mesmo, já que você, que julga, pratica as mesmas coisas.
2:2 Sabemos que o juízo de Deus contra os que praticam essas coisas é segundo a verdade.
2:3 Você, que julga os que praticam essas coisas e também as faz, pensa que escapará do juízo de Deus?
2:4 Ou despreza a riqueza da sua bondade, tolerância e paciência, sem reconhecer que a bondade de Deus o conduz ao arrependimento?
2:5 Mas, pela sua dureza e pelo seu coração que não se arrepende, você acumula ira para si mesmo, para o dia da ira e da revelação do justo juízo de Deus,
2:6 que retribuirá a cada um segundo as suas obras:
2:7 vida eterna aos que, perseverando em fazer o bem, buscam glória, honra e incorruptibilidade;
2:8 mas ira e furor aos que agem por ambição egoísta, desobedecem à verdade e obedecem à injustiça.
2:9 Haverá tribulação e angústia para todo ser humano que pratica o mal, primeiro para o judeu e também para o grego;
2:10 mas glória, honra e paz para todo aquele que pratica o bem, primeiro para o judeu e também para o grego.
2:11 Pois Deus não faz acepção de pessoas.
2:12 Todos os que pecaram sem a lei também perecerão sem a lei; e todos os que pecaram sob a lei serão julgados pela lei
2:13 (pois não são justos diante de Deus os que ouvem a lei, mas serão justificados os que a praticam.
2:14 Pois, quando os gentios, que não têm a lei, fazem por natureza o que a lei exige, eles, embora não tenham a lei, são lei para si mesmos.
2:15 Eles mostram a obra da lei escrita em seus corações. Sua consciência também dá testemunho, e seus pensamentos os acusam ou também os defendem)
2:16 no dia em que Deus, segundo o meu evangelho, julgará os segredos dos seres humanos por meio de Cristo Jesus.
2:17 Mas, se você se chama judeu, se apoia na lei e se gloria em Deus,
2:18 conhece a sua vontade e aprova o que é superior, por ser instruído pela lei,
2:19 e está convencido de que é guia dos cegos, luz dos que estão nas trevas,
2:20 instrutor dos insensatos e mestre das crianças, tendo na lei a expressão do conhecimento e da verdade,
2:21 você, que ensina o outro, não ensina a si mesmo? Você, que prega que não se deve roubar, rouba?
2:22 Você, que diz que não se deve cometer adultério, comete adultério? Você, que abomina os ídolos, saqueia templos?
2:23 Você, que se gloria na lei, desonra a Deus ao transgredir a lei?
2:24 Pois, como está escrito, “o nome de Deus é blasfemado entre os gentios por causa de vocês”.
2:25 A circuncisão tem valor se você pratica a lei. Mas, se é transgressor da lei, sua circuncisão se tornou incircuncisão.
2:26 Portanto, se o incircunciso guarda os preceitos da lei, sua incircuncisão não será considerada como circuncisão?
2:27 E aquele que é incircunciso por natureza, mas cumpre a lei, julgará você, que, apesar de ter a letra e a circuncisão, transgride a lei.
2:28 Pois não é judeu quem o é apenas exteriormente, nem é circuncisão a que é feita exteriormente na carne.
2:29 Mas é judeu quem o é no íntimo, e a circuncisão é a do coração, no Espírito, não na letra. Seu louvor não vem dos seres humanos, mas de Deus.

Capítulo 3
3:1 Qual é, então, a vantagem do judeu? Ou qual é o benefício da circuncisão?
3:2 Muito, em todos os sentidos. Em primeiro lugar, as palavras de Deus lhes foram confiadas.
3:3 Pois o que acontece se alguns foram infiéis? A infidelidade deles anulará a fidelidade de Deus?
3:4 De modo nenhum! Seja Deus verdadeiro, e todo ser humano mentiroso, como está escrito: “Para que sejas reconhecido justo nas tuas palavras e venças quando fores julgado”.
3:5 Mas, se a nossa injustiça demonstra a justiça de Deus, o que diremos? Será Deus injusto por trazer a ira? Falo em termos humanos.
3:6 De modo nenhum! Caso contrário, como Deus julgará o mundo?
3:7 Mas, se, pela minha mentira, a verdade de Deus se tornou ainda mais abundante para a sua glória, por que ainda sou julgado como pecador?
3:8 E por que não dizer, como alguns nos caluniam e afirmam que dizemos: “Façamos o mal para que venha o bem”? A condenação deles é justa.
3:9 O que, então? Temos alguma vantagem? De modo nenhum! Pois já acusamos tanto judeus como gregos de estarem todos debaixo do pecado,
3:10 como está escrito:
 “Não há justo, nem um sequer;
3:11 não há quem entenda, não há quem busque a Deus.
3:12 Todos se desviaram e juntos se tornaram inúteis.
   Não há quem faça o bem, não há nem um só.
3:13 A garganta deles é um túmulo aberto;
   com suas línguas enganavam.
   Veneno de víboras está debaixo dos seus lábios.
3:14 A boca deles está cheia de maldição e amargura.
3:15 Seus pés são rápidos para derramar sangue;
3:16 destruição e miséria estão nos seus caminhos,
3:17 e não conheceram o caminho da paz.
3:18 Não há temor de Deus diante dos seus olhos”.
3:19 Sabemos que tudo o que a lei diz, ela diz aos que estão sob a lei, para que toda boca se cale e o mundo inteiro fique sujeito ao juízo de Deus.
3:20 Pois nenhum ser humano será justificado diante dele pelas obras da lei, porque pela lei vem o conhecimento do pecado.
3:21 Mas agora, à parte da lei, a justiça de Deus foi manifestada, tendo o testemunho da Lei e dos Profetas:
3:22 a justiça de Deus por meio da fé em Jesus Cristo, para todos os que creem. Pois não há distinção:
3:23 todos pecaram e carecem da glória de Deus,
3:24 sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus.
3:25 Deus o apresentou como sacrifício de propiciação, mediante a fé no seu sangue, para demonstrar a sua justiça, por ter deixado sem punição os pecados cometidos anteriormente,
3:26 na tolerância de Deus, a fim de demonstrar sua justiça no tempo presente, para que ele seja justo e justificador daquele que tem fé em Jesus.
3:27 Onde está, então, a vanglória? Foi excluída. Por qual lei? A das obras? Não, mas pela lei da fé.
3:28 Pois consideramos que o ser humano é justificado pela fé, à parte das obras da lei.
3:29 Ou Deus é somente dos judeus? Não é também dos gentios? Sim, também dos gentios,
3:30 visto que Deus é um só e justificará os circuncisos pela fé e os incircuncisos por meio da fé.
3:31 Então anulamos a lei por meio da fé? De modo nenhum! Pelo contrário, confirmamos a lei.

Capítulo 4
4:1 O que diremos, então, que Abraão, nosso antepassado segundo a carne, alcançou?
4:2 Pois, se Abraão foi justificado pelas obras, tem de que se gloriar, mas não diante de Deus.
4:3 Pois o que diz a Escritura? “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi contado como justiça”.
4:4 Ora, para quem trabalha, o salário não é contado como favor, mas como dívida.
4:5 Mas, para quem não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, sua fé lhe é contada como justiça.
4:6 Assim também Davi fala da felicidade do ser humano a quem Deus atribui justiça à parte das obras:
4:7 “Felizes aqueles cujas transgressões foram perdoadas e cujos pecados foram cobertos.
4:8 Feliz o homem a quem o Senhor jamais atribuirá pecado”.
4:9 Essa felicidade, então, é para os circuncisos ou também para os incircuncisos? Pois dizemos: “A fé foi contada como justiça a Abraão”.
4:10 Como, então, lhe foi contada? Quando estava circuncidado ou quando era incircunciso? Não quando estava circuncidado, mas quando era incircunciso.
4:11 Ele recebeu o sinal da circuncisão como selo da justiça da fé que teve quando era incircunciso, para ser pai de todos os que creem sem estar circuncidados, a fim de que a justiça também lhes seja contada,
4:12 e pai dos circuncisos que não apenas são circuncidados, mas também seguem os passos da fé que nosso pai Abraão teve antes de ser circuncidado.
4:13 Pois a promessa de que seria herdeiro do mundo não veio a Abraão ou à sua descendência por meio da lei, mas por meio da justiça da fé.
4:14 Porque, se os que procedem da lei são herdeiros, a fé foi esvaziada e a promessa foi anulada.
4:15 Pois a lei produz ira; mas, onde não há lei, também não há transgressão.
4:16 Por isso, é pela fé, para que seja segundo a graça e a promessa esteja assegurada a toda a descendência: não apenas à que procede da lei, mas também à que procede da fé de Abraão, que é pai de todos nós,
4:17 como está escrito: “Eu fiz de você pai de muitas nações”. Ele é nosso pai diante de Deus, em quem creu, aquele que dá vida aos mortos e chama as coisas que não existem como se existissem.
4:18 Contra toda esperança, Abraão creu com esperança, para se tornar pai de muitas nações, conforme o que lhe fora dito: “Assim será a sua descendência”.
4:19 Sem enfraquecer na fé, considerou seu próprio corpo, já como morto, pois tinha cerca de cem anos, e a falta de vida do ventre de Sara.
4:20 Diante da promessa de Deus, não vacilou por incredulidade, mas foi fortalecido na fé, dando glória a Deus
4:21 e estando plenamente convencido de que ele também era poderoso para cumprir o que havia prometido.
4:22 Por essa razão, isso lhe foi contado como justiça.
4:23 Mas não foi somente por causa dele que se escreveu que lhe foi contado,
4:24 e sim também por nossa causa, a quem será contado: nós, que cremos naquele que ressuscitou dentre os mortos Jesus, nosso Senhor,
4:25 que foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitado para a nossa justificação.

Capítulo 5
5:1 Portanto, justificados pela fé, temos paz com Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo,
5:2 por meio de quem também obtivemos, pela fé, acesso a esta graça na qual permanecemos firmes; e nos gloriamos na esperança da glória de Deus.
5:3 E não somente isso: também nos gloriamos nas aflições, sabendo que a aflição produz perseverança;
5:4 a perseverança, caráter aprovado; e o caráter aprovado, esperança.
5:5 E a esperança não decepciona, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações por meio do Espírito Santo que nos foi dado.
5:6 Pois, quando ainda éramos fracos, Cristo morreu pelos ímpios no tempo devido.
5:7 Dificilmente alguém morrerá por um justo, embora por uma pessoa boa talvez alguém até se atreva a morrer.
5:8 Mas Deus demonstra seu próprio amor por nós no fato de que Cristo morreu por nós quando ainda éramos pecadores.
5:9 Muito mais, então, agora que fomos justificados pelo seu sangue, seremos salvos da ira por meio dele.
5:10 Pois, se, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte do seu Filho, muito mais, estando reconciliados, seremos salvos pela sua vida.
5:11 E não somente isso: também nos gloriamos em Deus por meio de nosso Senhor Jesus Cristo, por quem agora recebemos a reconciliação.
5:12 Por isso, assim como por meio de um só homem o pecado entrou no mundo, e, pelo pecado, a morte, e assim a morte passou a todos os seres humanos, porque todos pecaram —
5:13 pois, antes da lei, o pecado já estava no mundo, mas o pecado não é levado em conta quando não há lei.
5:14 Contudo, a morte reinou de Adão até Moisés, mesmo sobre aqueles que não pecaram à semelhança da transgressão de Adão, que é figura daquele que havia de vir.
5:15 Mas o dom gratuito não é como a transgressão. Pois, se pela transgressão de um só muitos morreram, muito mais a graça de Deus e o dom pela graça de um só homem, Jesus Cristo, transbordaram para muitos.
5:16 E o dom não é como o que veio por meio de um só que pecou. Pois o julgamento, a partir de uma só transgressão, levou à condenação, mas o dom gratuito, a partir de muitas transgressões, levou à justificação.
5:17 Pois, se pela transgressão de um só a morte reinou por meio desse um, muito mais aqueles que recebem a abundância da graça e do dom da justiça reinarão em vida por meio de um só, Jesus Cristo.
5:18 Assim, portanto, como por uma só transgressão veio a condenação para todos os seres humanos, assim também por um só ato de justiça veio para todos os seres humanos a justificação que dá vida.
5:19 Pois, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um só muitos serão constituídos justos.
5:20 A lei foi introduzida para que a transgressão aumentasse; mas, onde o pecado aumentou, a graça transbordou ainda mais,
5:21 para que, assim como o pecado reinou na morte, também a graça reine por meio da justiça para a vida eterna, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor.

Capítulo 6
6:1 O que diremos, então? Continuaremos no pecado para que a graça aumente?
6:2 De modo nenhum! Nós, que morremos para o pecado, como ainda viveremos nele?
6:3 Ou vocês não sabem que todos nós que fomos batizados em Cristo Jesus fomos batizados na sua morte?
6:4 Portanto, fomos sepultados com ele pelo batismo na morte, para que, assim como Cristo foi ressuscitado dentre os mortos pela glória do Pai, também nós andemos em uma vida nova.
6:5 Pois, se fomos unidos a ele na semelhança da sua morte, também o seremos na semelhança da sua ressurreição.
6:6 Sabemos isto: nosso velho homem foi crucificado com ele, para que o corpo do pecado perca seu poder e não sejamos mais escravos do pecado.
6:7 Pois quem morreu foi absolvido do pecado.
6:8 Ora, se morremos com Cristo, cremos que também viveremos com ele,
6:9 sabendo que Cristo, ressuscitado dentre os mortos, já não morre; a morte já não tem domínio sobre ele.
6:10 Pois ele morreu para o pecado de uma vez por todas; mas a vida que vive, vive para Deus.
6:11 Assim também vocês, considerem-se mortos para o pecado, mas vivos para Deus em Cristo Jesus.
6:12 Portanto, que o pecado não reine no corpo mortal de vocês, de modo que obedeçam aos desejos dele.
6:13 Não ofereçam os membros do seu corpo ao pecado como armas de injustiça. Pelo contrário, ofereçam-se a Deus como vivos dentre os mortos, e ofereçam os membros do seu corpo a Deus como armas de justiça.
6:14 Pois o pecado não terá domínio sobre vocês, porque vocês não estão debaixo da lei, mas debaixo da graça.
6:15 E então? Pecaremos porque não estamos debaixo da lei, mas debaixo da graça? De modo nenhum!
6:16 Vocês não sabem que, quando se oferecem a alguém como escravos para obedecer, são escravos daquele a quem obedecem, seja do pecado, que leva à morte, seja da obediência, que leva à justiça?
6:17 Mas graças a Deus, porque, embora vocês fossem escravos do pecado, obedeceram de coração ao padrão de ensino ao qual foram entregues.
6:18 E, libertados do pecado, foram feitos escravos da justiça.
6:19 Falo em termos humanos por causa da fraqueza da carne de vocês. Pois, assim como ofereceram os membros do seu corpo como escravos à impureza e à iniquidade, para a prática da iniquidade, assim agora ofereçam os membros do seu corpo como escravos à justiça, para a santificação.
6:20 Pois, quando eram escravos do pecado, vocês estavam livres em relação à justiça.
6:21 Que fruto, então, vocês obtinham das coisas de que agora se envergonham? Pois o fim dessas coisas é a morte.
6:22 Mas agora, libertados do pecado e feitos escravos de Deus, vocês têm seu fruto para a santificação e, como fim, a vida eterna.
6:23 Pois o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Capítulo 7
7:1 Ou vocês não sabem, irmãos — pois falo a quem conhece a lei —, que a lei tem domínio sobre a pessoa enquanto ela vive?
7:2 Pois a mulher casada está ligada pela lei ao marido enquanto ele vive; mas, se o marido morrer, ela fica livre da lei que a ligava a ele.
7:3 Assim, se ela se unir a outro homem enquanto o marido estiver vivo, será chamada adúltera. Mas, se o marido morrer, ela fica livre da lei e não será adúltera ao se unir a outro homem.
7:4 Assim, meus irmãos, também vocês foram mortos para a lei por meio do corpo de Cristo, para pertencerem a outro, àquele que foi ressuscitado dentre os mortos, a fim de que demos fruto para Deus.
7:5 Pois, quando estávamos na carne, as paixões pecaminosas, que vinham por meio da lei, atuavam nos membros do nosso corpo para dar fruto para a morte.
7:6 Mas agora fomos libertados da lei, tendo morrido para aquilo que nos mantinha presos, de modo que sirvamos na novidade do Espírito e não na velhice da letra.
7:7 O que diremos, então? A lei é pecado? De modo nenhum! No entanto, eu não teria conhecido o pecado senão por meio da lei. Pois não teria conhecido a cobiça se a lei não dissesse: “Não cobice”.
7:8 Mas o pecado, aproveitando a oportunidade por meio do mandamento, produziu em mim toda espécie de cobiça. Pois, sem a lei, o pecado está morto.
7:9 Eu vivia sem a lei em outro tempo; mas, quando veio o mandamento, o pecado reviveu,
7:10 e eu morri. Assim, o mandamento que era para a vida resultou em morte para mim.
7:11 Pois o pecado, aproveitando a oportunidade por meio do mandamento, me enganou e, por meio dele, me matou.
7:12 Portanto, a lei é santa, e o mandamento é santo, justo e bom.
7:13 Então o que é bom se tornou morte para mim? De modo nenhum! Foi o pecado que, para se mostrar como pecado, produziu a minha morte por meio do que é bom, a fim de que, por meio do mandamento, o pecado se tornasse extremamente pecaminoso.
7:14 Pois sabemos que a lei é espiritual, mas eu sou de carne, vendido sob o pecado.
7:15 Pois não entendo o que faço: não pratico o que quero, mas faço o que odeio.
7:16 Se faço o que não quero, concordo que a lei é boa.
7:17 Assim, já não sou eu quem faz isso, mas o pecado que habita em mim.
7:18 Pois sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum. Querer o bem está ao meu alcance, mas realizá-lo não.
7:19 Pois não faço o bem que quero, mas pratico o mal que não quero.
7:20 Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem faz isso, mas o pecado que habita em mim.
7:21 Encontro, portanto, esta lei: quando quero fazer o bem, o mal está presente em mim.
7:22 Pois, no meu ser interior, tenho prazer na lei de Deus,
7:23 mas vejo nos membros do meu corpo outra lei que luta contra a lei da minha mente e me leva cativo à lei do pecado que está nos membros do meu corpo.
7:24 Miserável homem que sou! Quem me livrará deste corpo de morte?
7:25 Graças a Deus, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor! Assim, eu mesmo sirvo, com a mente, à lei de Deus, mas, com a carne, à lei do pecado.

Capítulo 8
8:1 Portanto, agora não há condenação alguma para os que estão em Cristo Jesus.
8:2 Pois a lei do Espírito da vida em Cristo Jesus libertou você da lei do pecado e da morte.
8:3 Pois o que a lei não podia fazer, por estar enfraquecida pela carne, Deus o fez: enviando seu próprio Filho em semelhança de carne pecaminosa e como oferta pelo pecado, condenou o pecado na carne,
8:4 para que a justa exigência da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito.
8:5 Pois os que vivem segundo a carne voltam seu pensamento para as coisas da carne; mas os que vivem segundo o Espírito, para as coisas do Espírito.
8:6 Pois a mente voltada para a carne é morte, mas a mente voltada para o Espírito é vida e paz.
8:7 Porque a mente voltada para a carne é inimizade contra Deus, pois não se submete à lei de Deus, nem pode fazê-lo.
8:8 E os que estão na carne não podem agradar a Deus.
8:9 Vocês, porém, não estão na carne, mas no Espírito, se de fato o Espírito de Deus habita em vocês. Se alguém não tem o Espírito de Cristo, não pertence a ele.
8:10 Mas, se Cristo está em vocês, o corpo está morto por causa do pecado, mas o espírito é vida por causa da justiça.
8:11 E, se o Espírito daquele que ressuscitou Jesus dentre os mortos habita em vocês, aquele que ressuscitou Cristo Jesus dentre os mortos também dará vida aos seus corpos mortais, por causa do seu Espírito que habita em vocês.
8:12 Assim, portanto, irmãos, somos devedores, mas não à carne, para vivermos segundo a carne.
8:13 Pois, se vocês viverem segundo a carne, morrerão; mas, se pelo Espírito fizerem morrer as práticas do corpo, viverão.
8:14 Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus são filhos de Deus.
8:15 Pois vocês não receberam um espírito de escravidão para voltarem ao medo, mas receberam o Espírito de adoção, por meio do qual clamamos: “Aba, Pai!”
8:16 O próprio Espírito dá testemunho com o nosso espírito de que somos filhos de Deus.
8:17 E, se somos filhos, também somos herdeiros: herdeiros de Deus e coerdeiros com Cristo, se de fato sofremos com ele, para que também sejamos glorificados com ele.
8:18 Pois considero que os sofrimentos do tempo presente não se comparam com a glória que há de ser revelada em nós.
8:19 Pois a criação aguarda com intenso anseio a revelação dos filhos de Deus.
8:20 Porque a criação foi submetida à futilidade, não por sua própria vontade, mas por causa daquele que a submeteu, na esperança
8:21 de que a própria criação também será libertada da escravidão da corrupção para a liberdade gloriosa dos filhos de Deus.
8:22 Pois sabemos que toda a criação geme e sofre em conjunto dores de parto até agora.
8:23 E não somente ela: nós mesmos, que temos as primícias do Espírito, também gememos em nosso íntimo, aguardando a adoção, a redenção do nosso corpo.
8:24 Pois nessa esperança fomos salvos. Mas a esperança que se vê não é esperança; pois quem espera o que já vê?
8:25 Mas, se esperamos o que não vemos, aguardamos com perseverança.
8:26 Da mesma forma, o Espírito também nos ajuda em nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir em oração como convém, mas o próprio Espírito intercede com gemidos inexprimíveis.
8:27 E aquele que examina os corações sabe qual é a intenção do Espírito, porque ele intercede pelos santos segundo a vontade de Deus.
8:28 E sabemos que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.
8:29 Pois aqueles que de antemão conheceu, também predestinou para serem conformes à imagem do seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
8:30 E aqueles que predestinou, também chamou; e aqueles que chamou, também justificou; e aqueles que justificou, também glorificou.
8:31 O que diremos, então, diante dessas coisas? Se Deus é por nós, quem será contra nós?
8:32 Aquele que não poupou seu próprio Filho, mas o entregou por todos nós, como não nos dará graciosamente, com ele, todas as coisas?
8:33 Quem apresentará acusação contra os eleitos de Deus? É Deus quem justifica.
8:34 Quem condenará? Cristo é quem morreu; mais ainda, quem foi ressuscitado, quem está à direita de Deus e também intercede por nós.
8:35 Quem nos separará do amor de Cristo? A aflição, a angústia, a perseguição, a fome, a nudez, o perigo ou a espada?
8:36 Como está escrito:
 “Por tua causa somos entregues à morte o dia inteiro;
   fomos considerados como ovelhas para o matadouro”.
8:37 Mas em todas essas coisas somos mais que vencedores por meio daquele que nos amou.
8:38 Pois estou convencido de que nem a morte nem a vida, nem os anjos nem os principados, nem as coisas presentes nem as futuras, nem os poderes,
8:39 nem a altura nem a profundidade, nem qualquer outra coisa criada poderá nos separar do amor de Deus que está em Cristo Jesus, nosso Senhor.

Capítulo 9
9:1 Digo a verdade em Cristo, não minto; minha consciência dá testemunho comigo no Espírito Santo
9:2 de que tenho grande tristeza e dor incessante no meu coração.
9:3 Pois eu desejaria ser, eu mesmo, amaldiçoado e separado de Cristo por meus irmãos, meus parentes segundo a carne.
9:4 Eles são israelitas; a eles pertencem a adoção como filhos, a glória, as alianças, a entrega da lei, o culto e as promessas.
9:5 Deles são os patriarcas, e deles procede o Cristo segundo a carne, o qual está acima de tudo, Deus bendito para sempre. Amém.
9:6 Mas não é que a palavra de Deus tenha falhado. Pois nem todos os que descendem de Israel são Israel,
9:7 nem todos são filhos por serem descendência de Abraão; mas: “Em Isaque será reconhecida a sua descendência”.
9:8 Isto é, não são os filhos da carne que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa são contados como descendência.
9:9 Pois esta é a palavra da promessa: “Por este tempo virei, e Sara terá um filho”.
9:10 E não somente isso: Rebeca também concebeu de um só homem, Isaque, nosso pai.
9:11 Pois, antes de eles terem nascido ou praticado algo bom ou mau, para que permanecesse o propósito de Deus segundo a eleição,
9:12 não por obras, mas por aquele que chama, foi dito a ela: “O mais velho servirá ao mais novo”.
9:13 Como está escrito: “Amei Jacó, mas odiei Esaú”.
9:14 O que diremos, então? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum!
9:15 Pois ele diz a Moisés: “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e terei compaixão de quem eu tiver compaixão”.
9:16 Assim, portanto, não depende de quem quer nem de quem corre, mas de Deus, que tem misericórdia.
9:17 Pois a Escritura diz ao faraó: “Foi precisamente para isto que levantei você: para mostrar em você o meu poder e para que o meu nome seja proclamado em toda a terra”.
9:18 Assim, portanto, ele tem misericórdia de quem quer e endurece a quem quer.
9:19 Você me dirá, então: “Por que ele ainda culpa? Pois quem resistiu à sua vontade?”
9:20 Mas, ó ser humano, quem é você para contestar a Deus? Acaso o que foi formado dirá àquele que o formou: “Por que me fizeste assim?”
9:21 Ou o oleiro não tem autoridade sobre o barro para fazer da mesma massa um vaso para honra e outro para desonra?
9:22 E se Deus, querendo mostrar sua ira e dar a conhecer seu poder, suportou com muita paciência vasos de ira preparados para a destruição,
9:23 e para dar a conhecer a riqueza da sua glória sobre vasos de misericórdia que preparou de antemão para a glória,
9:24 a nós, a quem também chamou, não apenas dentre os judeus, mas também dentre os gentios?
9:25 Como também diz em Oseias:
 “Chamarei de meu povo aquele que não era meu povo, e de amada aquela que não era amada”.
9:26 “E acontecerá que, no lugar onde lhes foi dito: ‘Vocês não são meu povo’, ali serão chamados filhos do Deus vivo”.

9:27 E Isaías clama a respeito de Israel:
 “Ainda que o número dos filhos de Israel seja como a areia do mar, o remanescente será salvo;
9:28 pois o Senhor executará sua sentença sobre a terra de modo completo e sem demora”.
9:29 E, como Isaías havia dito antes:
 “Se o Senhor dos Exércitos não nos tivesse deixado descendência, teríamos nos tornado como Sodoma e teríamos sido semelhantes a Gomorra”.
9:30 O que diremos, então? Que os gentios, que não buscavam a justiça, alcançaram a justiça, a justiça que vem da fé;
9:31 mas Israel, que buscava uma lei de justiça, não alcançou essa lei.
9:32 Por quê? Porque não a buscou pela fé, mas como se fosse pelas obras. Tropeçaram na pedra de tropeço,
9:33 como está escrito: “Eis que ponho em Sião uma pedra de tropeço e uma rocha que faz cair; e aquele que nele crê não será envergonhado”.

Capítulo 10
10:1 Irmãos, o que desejo de coração e peço a Deus em favor deles é que sejam salvos.
10:2 Pois dou testemunho de que têm zelo por Deus, mas esse zelo não se baseia no conhecimento.
10:3 Pois, desconhecendo a justiça de Deus e procurando estabelecer a própria, não se submeteram à justiça de Deus.
10:4 Pois Cristo é o fim da lei, para justiça de todo aquele que crê.
10:5 Pois Moisés escreve que a pessoa que praticar a justiça que vem da lei viverá por ela.
10:6 Mas a justiça que vem da fé diz assim: “Não diga no seu coração: ‘Quem subirá ao céu?’”, isto é, para fazer Cristo descer;
10:7 ou: “Quem descerá ao abismo?”, isto é, para fazer Cristo subir dentre os mortos.
10:8 Mas o que ela diz? “A palavra está perto de você, na sua boca e no seu coração”, isto é, a palavra da fé que pregamos:
10:9 se você confessar com a sua boca que Jesus é Senhor e crer no seu coração que Deus o ressuscitou dentre os mortos, será salvo.
10:10 Pois com o coração se crê para a justiça, e com a boca se confessa para a salvação.
10:11 Pois a Escritura diz: “Todo aquele que nele crê não será envergonhado”.
10:12 Pois não há distinção entre judeu e grego, porque o mesmo Senhor é Senhor de todos, rico para com todos os que o invocam.
10:13 Pois “todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo”.
10:14 Como, então, invocarão aquele em quem não creram? E como crerão naquele a quem não ouviram? E como ouvirão sem alguém que pregue?
10:15 E como pregarão se não forem enviados? Como está escrito: “Como são belos os pés dos que anunciam boas notícias!”
10:16 Mas nem todos obedeceram ao evangelho. Pois Isaías diz: “Senhor, quem creu no nosso anúncio?”
10:17 Portanto, a fé vem pelo ouvir, e o ouvir, pela palavra de Cristo.
10:18 Mas pergunto: será que não ouviram? Certamente que sim: “Por toda a terra saiu a voz deles, e suas palavras chegaram aos confins do mundo”.
10:19 Mas pergunto: será que Israel não entendeu? Primeiro Moisés diz: “Eu provocarei ciúme em vocês por meio do que não é uma nação; por meio de uma nação sem entendimento provocarei a ira de vocês”.
10:20 E Isaías ousa dizer: “Fui encontrado pelos que não me buscavam; manifestei-me aos que não perguntavam por mim”.
10:21 Mas, a respeito de Israel, diz: “O dia inteiro estendi minhas mãos a um povo que desobedece e se opõe”.

Capítulo 11
11:1 Pergunto, então: será que Deus rejeitou seu povo? De modo nenhum! Pois eu também sou israelita, da descendência de Abraão, da tribo de Benjamim.
11:2 Deus não rejeitou seu povo, que de antemão conheceu. Ou vocês não sabem o que a Escritura diz no relato de Elias, como ele suplica a Deus contra Israel?
11:3 “Senhor, mataram teus profetas, derrubaram teus altares, e só eu fiquei; e procuram tirar a minha vida”.
11:4 Mas o que lhe diz a resposta divina? “Reservei para mim sete mil homens que não dobraram o joelho diante de Baal”.
11:5 Assim também, no tempo presente, há um remanescente segundo a eleição da graça.
11:6 E, se é pela graça, já não é por obras; caso contrário, a graça já não seria graça.
11:7 E então? O que Israel busca, não alcançou; mas os eleitos alcançaram, e os demais foram endurecidos,
11:8 como está escrito:
 “Deus lhes deu um espírito de torpor, olhos para não ver e ouvidos para não ouvir, até o dia de hoje”.
11:9 E Davi diz:
 “Que a mesa deles se torne um laço e uma armadilha, um tropeço e uma retribuição para eles.
11:10 Que seus olhos se escureçam para não ver, e encurva para sempre as costas deles”.
11:11 Pergunto, então: será que tropeçaram para cair? De modo nenhum! Mas, pela transgressão deles, a salvação veio aos gentios, para provocar ciúme neles.
11:12 Ora, se a transgressão deles é riqueza para o mundo, e seu fracasso é riqueza para os gentios, quanto mais será a sua plenitude!
11:13 É a vocês, gentios, que falo. Como sou apóstolo dos gentios, honro o meu ministério,
11:14 para ver se de algum modo provoco ciúme nos da minha própria carne e salvo alguns deles.
11:15 Pois, se a rejeição deles é reconciliação para o mundo, o que será sua aceitação, senão vida dentre os mortos?
11:16 Se a primeira porção da massa é santa, também a massa o é; e, se a raiz é santa, os ramos também são.
11:17 Mas, se alguns dos ramos foram quebrados, e você, sendo uma oliveira silvestre, foi enxertado entre eles e passou a compartilhar com eles a raiz nutritiva da oliveira,
11:18 não se glorie contra os ramos. Mas, se você se gloria, não é você quem sustenta a raiz, mas a raiz sustenta você.
11:19 Você dirá, então: “Ramos foram quebrados para que eu fosse enxertado”.
11:20 É verdade. Eles foram quebrados por causa da incredulidade, mas você permanece firme pela fé. Não seja arrogante, mas tema.
11:21 Pois, se Deus não poupou os ramos naturais, também não poupará você.
11:22 Considere, portanto, a bondade e a severidade de Deus: severidade para com os que caíram, mas a bondade de Deus para com você, se permanecer nessa bondade; caso contrário, você também será cortado.
11:23 E eles também, se não permanecerem na incredulidade, serão enxertados, pois Deus tem poder para enxertá-los de novo.
11:24 Pois, se você foi cortado de uma oliveira silvestre por natureza e, contra a natureza, foi enxertado numa oliveira cultivada, quanto mais estes, que são ramos naturais, serão enxertados na sua própria oliveira!
11:25 Pois não quero, irmãos, que vocês desconheçam este mistério, para que não sejam sábios aos próprios olhos: um endurecimento parcial veio sobre Israel, até que entre a plenitude dos gentios.
11:26 E assim todo Israel será salvo, como está escrito:
 “De Sião virá o Libertador, que afastará de Jacó as impiedades.
11:27 E esta é a minha aliança com eles, quando eu tirar os seus pecados”.
11:28 Quanto ao evangelho, são inimigos por causa de vocês; mas, quanto à eleição, são amados por causa dos patriarcas.
11:29 Pois os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis.
11:30 Pois, assim como vocês antes desobedeceram a Deus, mas agora receberam misericórdia por causa da desobediência deles,
11:31 assim também eles agora desobedeceram, para que, pela misericórdia concedida a vocês, eles também recebam agora misericórdia.
11:32 Pois Deus encerrou todos na desobediência para ter misericórdia de todos.

11:33 Ó profundidade da riqueza, da sabedoria e do conhecimento de Deus!
   Como são insondáveis os seus juízos e inescrutáveis os seus caminhos!
11:34 Pois “quem conheceu a mente do Senhor?
   Ou quem foi seu conselheiro?”
11:35 “Ou quem lhe deu primeiro, para que lhe seja retribuído?”
11:36 Pois dele, por ele e para ele são todas as coisas.
   A ele seja a glória para sempre. Amém.

Capítulo 12
12:1 Portanto, irmãos, rogo a vocês, pelas misericórdias de Deus, que ofereçam seus corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o culto racional de vocês.
12:2 E não se amoldem a esta era, mas sejam transformados pela renovação da mente, para que comprovem qual é a vontade de Deus: boa, agradável e perfeita.
12:3 Pois, pela graça que me foi dada, digo a cada um de vocês que não pense de si mesmo além do que deve pensar, mas pense com sensatez, segundo a medida de fé que Deus repartiu a cada um.
12:4 Pois, assim como em um só corpo temos muitos membros, mas nem todos os membros têm a mesma função,
12:5 assim nós, embora muitos, somos um só corpo em Cristo, e, individualmente, somos membros uns dos outros.
12:6 Temos dons diferentes segundo a graça que nos foi dada: se é profecia, profetizemos conforme a proporção da fé;
12:7 se é serviço, sirvamos; quem ensina, dedique-se ao ensino;
12:8 quem exorta, à exortação; quem reparte, faça-o com generosidade; quem dirige, com dedicação; quem exerce misericórdia, com alegria.
12:9 Que o amor seja sem hipocrisia. Odeiem o mal e apeguem-se ao bem.
12:10 Tenham afeto uns pelos outros com amor fraternal; tomem a iniciativa de honrar uns aos outros.
12:11 Não sejam negligentes na dedicação; sejam fervorosos no espírito, servindo ao Senhor.
12:12 Alegrem-se na esperança, perseverem na aflição, sejam constantes na oração.
12:13 Compartilhem com os santos em suas necessidades; empenhem-se na hospitalidade.
12:14 Abençoem os perseguidores; abençoem e não amaldiçoem.
12:15 Alegrem-se com os que se alegram; chorem com os que choram.
12:16 Tenham o mesmo modo de pensar uns para com os outros. Não aspirem a coisas elevadas, mas se associem aos humildes. Não sejam sábios aos próprios olhos.
12:17 Não retribuam a ninguém mal por mal. Procurem fazer o que é bom diante de todas as pessoas.
12:18 Se possível, no que depender de vocês, vivam em paz com todas as pessoas.
12:19 Amados, não se vinguem, mas deem lugar à ira, pois está escrito: “A mim pertence a vingança; eu retribuirei, diz o Senhor”.
12:20 Pelo contrário, “se o seu inimigo tiver fome, dê-lhe de comer; se tiver sede, dê-lhe de beber; pois, fazendo isso, você amontoará brasas sobre a cabeça dele”.
12:21 Não se deixe vencer pelo mal, mas vença o mal com o bem.

Capítulo 13
13:1 Que toda pessoa se submeta às autoridades superiores, pois não há autoridade que não venha de Deus, e as que existem foram estabelecidas por Deus.
13:2 Assim, quem se opõe à autoridade resiste ao que Deus estabeleceu; e os que resistem receberão juízo contra si mesmos.
13:3 Pois os governantes não são motivo de temor para a boa conduta, mas para a má. Você quer não temer a autoridade? Faça o bem e receberá elogio dela,
13:4 pois ela é servidora de Deus para o seu bem. Mas, se você fizer o mal, tema, pois não é sem razão que ela carrega a espada. Ela é servidora de Deus, encarregada de aplicar o castigo a quem pratica o mal.
13:5 Por isso, é necessário submeter-se, não apenas por causa do castigo, mas também por causa da consciência.
13:6 Pois é por essa razão que vocês também pagam tributos, porque as autoridades são servidoras de Deus, dedicadas continuamente a essa tarefa.
13:7 Paguem a todos o que lhes é devido: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem respeito, respeito; a quem honra, honra.
13:8 Não devam nada a ninguém, a não ser o amor de uns para com os outros; pois quem ama o outro cumpriu a lei.
13:9 Pois “Não cometa adultério”, “Não assassine”, “Não roube”, “Não cobice” e qualquer outro mandamento se resumem nesta palavra: “Ame o seu próximo como a si mesmo”.
13:10 O amor não faz mal ao próximo. Portanto, o amor é o cumprimento da lei.
13:11 E façam isso sabendo em que tempo vivemos: já é hora de vocês despertarem do sono, pois agora a nossa salvação está mais perto do que quando cremos.
13:12 A noite já avançou, e o dia se aproximou. Portanto, deixemos as obras das trevas e nos revistamos das armas da luz.
13:13 Andemos com decência, como de dia, não em festas desenfreadas e bebedeiras, não em imoralidades sexuais e libertinagem, não em brigas e ciúmes.
13:14 Pelo contrário, revistam-se do Senhor Jesus Cristo e não façam provisão para satisfazer os desejos da carne.

Capítulo 14
14:1 Acolham quem é fraco na fé, mas não para discutir opiniões.
14:2 Um crê que pode comer de tudo, mas quem é fraco come vegetais.
14:3 Quem come não despreze quem não come; e quem não come não julgue quem come, pois Deus o acolheu.
14:4 Quem é você para julgar o servo de outra pessoa? É diante do seu próprio senhor que ele fica de pé ou cai. Mas será mantido de pé, pois o Senhor tem poder para sustentá-lo.
14:5 Um considera um dia superior a outro; outro considera iguais todos os dias. Cada um esteja plenamente convicto em sua própria mente.
14:6 Quem observa o dia, observa-o para o Senhor. E quem come, come para o Senhor, pois dá graças a Deus; e quem não come, abstém-se para o Senhor e dá graças a Deus.
14:7 Pois nenhum de nós vive para si mesmo, e nenhum morre para si mesmo.
14:8 Pois, se vivemos, vivemos para o Senhor; e, se morremos, morremos para o Senhor. Portanto, quer vivamos, quer morramos, pertencemos ao Senhor.
14:9 Pois foi para isto que Cristo morreu e voltou a viver: para ser Senhor tanto dos mortos como dos vivos.
14:10 Mas você, por que julga seu irmão? Ou você, por que despreza seu irmão? Pois todos compareceremos diante do tribunal de Deus.
14:11 Pois está escrito: “Pela minha vida, diz o Senhor, todo joelho se dobrará diante de mim, e toda língua confessará a Deus”.
14:12 Assim, cada um de nós dará contas de si mesmo.
14:13 Portanto, não julguemos mais uns aos outros. Pelo contrário, decidam não pôr tropeço ou ocasião de queda diante do irmão.
14:14 Sei e estou convencido, no Senhor Jesus, de que nada é impuro em si mesmo; mas, para quem considera algo impuro, para ele é impuro.
14:15 Pois, se o seu irmão se entristece por causa de comida, você já não anda segundo o amor. Não destrua, por causa da sua comida, aquele por quem Cristo morreu.
14:16 Portanto, não deixem que se fale mal do que é bom para vocês.
14:17 Pois o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo.
14:18 Pois quem serve a Cristo dessa maneira agrada a Deus e é aprovado pelas pessoas.
14:19 Portanto, busquemos o que contribui para a paz e para a edificação mútua.
14:20 Não destrua a obra de Deus por causa de comida. Todas as coisas são puras, mas é errado alguém comer causando tropeço.
14:21 É bom não comer carne nem beber vinho, nem fazer algo que leve seu irmão a tropeçar, a se escandalizar ou a enfraquecer.
14:22 A fé que você tem, conserve-a para si mesmo diante de Deus. Feliz quem não julga a si mesmo naquilo que aprova.
14:23 Mas quem tem dúvidas, se comer, está condenado, porque não come por fé; e tudo o que não vem da fé é pecado.

Capítulo 15
15:1 Nós, que somos fortes, devemos suportar as fraquezas dos que não são fortes e não agradar a nós mesmos.
15:2 Cada um de nós agrade ao próximo para o bem dele, para a sua edificação.
15:3 Pois também Cristo não agradou a si mesmo, mas, como está escrito: “Os insultos dos que te insultavam caíram sobre mim”.
15:4 Pois tudo o que foi escrito anteriormente foi escrito para o nosso ensino, a fim de que, pela perseverança e pela consolação das Escrituras, tenhamos esperança.
15:5 Que o Deus da perseverança e da consolação conceda a vocês o mesmo modo de pensar uns para com os outros, segundo Cristo Jesus,
15:6 para que, unidos e a uma só voz, glorifiquem o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo.
15:7 Portanto, acolham uns aos outros, como Cristo também acolheu vocês, para a glória de Deus.
15:8 Pois digo que Cristo se tornou servidor dos circuncisos por causa da verdade de Deus, para confirmar as promessas feitas aos patriarcas,
15:9 e para que os gentios glorifiquem a Deus por sua misericórdia, como está escrito:
 “Por isso, eu te louvarei entre os gentios e cantarei ao teu nome”.
15:10 E outra vez diz:
 “Alegrem-se, gentios, com o seu povo”.
15:11 E outra vez:
 “Louvem o Senhor, todas as nações, e todos os povos o louvem”.
15:12 E outra vez Isaías diz:
 “Virá a raiz de Jessé, aquele que se levanta para governar as nações;
   nele as nações colocarão sua esperança”.
15:13 Que o Deus da esperança encha vocês de toda alegria e paz ao crerem, para que transbordem de esperança pelo poder do Espírito Santo.
15:14 Eu mesmo, meus irmãos, estou convencido a respeito de vocês de que estão cheios de bondade, repletos de todo conhecimento e capazes de admoestar uns aos outros.
15:15 Mas escrevi a vocês com mais ousadia sobre alguns pontos, para fazê-los lembrar, por causa da graça que me foi dada por Deus
15:16 para ser ministro de Cristo Jesus aos gentios, exercendo o serviço sacerdotal do evangelho de Deus, a fim de que a oferta dos gentios seja aceitável, santificada pelo Espírito Santo.
15:17 Portanto, tenho motivo para me gloriar em Cristo Jesus nas coisas referentes a Deus.
15:18 Pois não ousarei falar de coisa alguma que Cristo não tenha realizado por meu intermédio para levar os gentios à obediência, por palavra e por obra,
15:19 pelo poder de sinais e prodígios, pelo poder do Espírito. Assim, desde Jerusalém e pelos arredores até o Ilírico, anunciei plenamente o evangelho de Cristo.
15:20 E tive como aspiração anunciar o evangelho onde Cristo ainda não havia sido mencionado, para não construir sobre fundamento de outro,
15:21 mas, como está escrito:
 “Aqueles a quem nada foi anunciado a respeito dele verão, e os que não ouviram entenderão”.
15:22 Por isso, muitas vezes fui impedido de ir até vocês.
15:23 Mas agora já não tenho campo de trabalho nestas regiões e há muitos anos desejo ir até vocês,
15:24 quando viajar à Espanha. Pois espero vê-los de passagem e receber de vocês ajuda para seguir até lá, depois de desfrutar um pouco da companhia de vocês.
15:25 Agora, porém, vou a Jerusalém para servir aos santos.
15:26 Pois a Macedônia e a Acaia decidiram de boa vontade fazer uma contribuição para os pobres dentre os santos que estão em Jerusalém.
15:27 Decidiram de boa vontade e são devedores deles. Pois, se os gentios participaram dos seus bens espirituais, também devem servi-los com os bens materiais.
15:28 Portanto, depois de concluir isso e lhes entregar com segurança este fruto, partirei para a Espanha, passando por vocês.
15:29 E sei que, quando for até vocês, irei na plenitude da bênção de Cristo.
15:30 Rogo a vocês, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que lutem comigo nas orações a Deus por mim,
15:31 para que eu seja livrado dos desobedientes da Judeia e meu serviço destinado a Jerusalém seja bem recebido pelos santos,
15:32 a fim de que eu chegue até vocês com alegria, pela vontade de Deus, e encontre descanso junto com vocês.
15:33 Que o Deus da paz esteja com todos vocês. Amém.

Capítulo 16
16:1 Recomendo a vocês Febe, nossa irmã, que também é servidora da igreja que está em Cencreia,
16:2 para que a recebam no Senhor de maneira digna dos santos e a ajudem em qualquer assunto em que precisar de vocês, pois ela tem sido protetora de muitos e de mim mesmo.
16:3 Saúdem Priscila e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus,
16:4 que arriscaram o próprio pescoço pela minha vida. Não apenas eu lhes dou graças, mas também todas as igrejas dos gentios.
16:5 Saúdem também a igreja que se reúne na casa deles. Saúdem meu amado Epêneto, que é o primeiro fruto da Ásia para Cristo.
16:6 Saúdem Maria, que trabalhou muito por vocês.
16:7 Saúdem Andrônico e Júnia, meus parentes e companheiros de prisão, que são notáveis entre os apóstolos e estavam em Cristo antes de mim.
16:8 Saúdem Amplíato, meu amado no Senhor.
16:9 Saúdem Urbano, nosso colaborador em Cristo, e meu amado Estáquis.
16:10 Saúdem Apeles, aprovado em Cristo. Saúdem os da casa de Aristóbulo.
16:11 Saúdem Herodião, meu parente. Saúdem os da casa de Narciso que estão no Senhor.
16:12 Saúdem Trifena e Trifosa, que trabalham arduamente no Senhor. Saúdem a amada Pérside, que muito trabalhou no Senhor.
16:13 Saúdem Rufo, escolhido no Senhor, e sua mãe, que também é mãe para mim.
16:14 Saúdem Asíncrito, Flegonte, Hermes, Pátrobas, Hermas e os irmãos que estão com eles.
16:15 Saúdem Filólogo e Júlia, Nereu e sua irmã, Olimpas e todos os santos que estão com eles.
16:16 Saúdem uns aos outros com um beijo santo. Todas as igrejas de Cristo saúdam vocês.
16:17 Rogo a vocês, irmãos, que observem os que causam divisões e tropeços contrários ao ensino que aprenderam, e afastem-se deles.
16:18 Pois essas pessoas não servem a nosso Senhor Cristo, mas ao próprio ventre; e, com palavras suaves e bajulações, enganam os corações dos ingênuos.
16:19 Pois a notícia da obediência de vocês chegou a todos. Por isso, alegro-me por vocês, mas quero que sejam sábios para o bem e inocentes para o mal.
16:20 E o Deus da paz em breve esmagará Satanás debaixo dos pés de vocês. Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja com vocês.
16:21 Timóteo, meu colaborador, saúda vocês, e também Lúcio, Jasom e Sosípatro, meus parentes.
16:22 Eu, Tércio, que escrevi esta carta, saúdo vocês no Senhor.
16:23 Gaio, que hospeda a mim e a toda a igreja, saúda vocês. Erasto, administrador da cidade, e o irmão Quarto saúdam vocês.
16:24 Que a graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos vocês. Amém.
16:25 [Àquele que pode fortalecer vocês segundo o meu evangelho e a proclamação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério mantido em silêncio por longas eras,]
16:26 [mas agora manifestado e, pelas Escrituras proféticas, segundo a ordem do Deus eterno, dado a conhecer a todas as nações para a obediência da fé,]
16:27 [ao único Deus sábio, por meio de Jesus Cristo, seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém.]

1 CORÍNTIOS

Capítulo 1
1:1 Paulo, chamado para ser apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão Sóstenes,
1:2 à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para ser santos, com todos os que, em todo lugar, invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:
1:3 graça e paz a vocês, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
1:4 Sempre dou graças ao meu Deus por vocês, por causa da graça de Deus que lhes foi dada em Cristo Jesus,
1:5 pois em tudo vocês foram enriquecidos nele, em toda palavra e em todo conhecimento,
1:6 assim como o testemunho de Cristo foi confirmado entre vocês.
1:7 Por isso, nenhum dom lhes falta, enquanto aguardam a revelação de nosso Senhor Jesus Cristo.
1:8 Ele também manterá vocês firmes até o fim, irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.
1:9 Fiel é Deus, por quem vocês foram chamados à comunhão com seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor.
1:10 Rogo a vocês, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que todos digam a mesma coisa e que não haja divisões entre vocês, mas estejam unidos no mesmo modo de pensar e no mesmo parecer.
1:11 Pois os da casa de Cloe me informaram a respeito de vocês, meus irmãos, que há brigas entre vocês.
1:12 Quero dizer que cada um de vocês diz: “Eu sou de Paulo”, “Eu, de Apolo”, “Eu, de Cefas” ou “Eu, de Cristo”.
1:13 Cristo está dividido? Por acaso Paulo foi crucificado por vocês? Ou vocês foram batizados em nome de Paulo?
1:14 Dou graças porque não batizei nenhum de vocês, a não ser Crispo e Gaio,
1:15 para que ninguém diga que vocês foram batizados em meu nome.
1:16 Batizei também os da casa de Estéfanas; além desses, não sei se batizei mais alguém.
1:17 Pois Cristo não me enviou para batizar, mas para anunciar o evangelho, não com sabedoria de palavras, para que a cruz de Cristo não seja esvaziada.
1:18 Pois a palavra da cruz é loucura para os que se perdem, mas, para nós, que somos salvos, é poder de Deus.
1:19 Pois está escrito:
 “Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei o entendimento dos entendidos”.
1:20 Onde está o sábio? Onde está o escriba? Onde está quem debate nesta era? Acaso Deus não tornou louca a sabedoria do mundo?
1:21 Pois, uma vez que, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus por meio da sabedoria, agradou a Deus salvar os que creem por meio da loucura da pregação.
1:22 Pois os judeus pedem sinais, e os gregos buscam sabedoria,
1:23 mas nós pregamos Cristo crucificado, motivo de tropeço para os judeus e loucura para os gentios;
1:24 mas, para os chamados, tanto judeus como gregos, Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus.
1:25 Pois a loucura de Deus é mais sábia que os seres humanos, e a fraqueza de Deus é mais forte que os seres humanos.
1:26 Considerem o chamado de vocês, irmãos: entre vocês não há muitos sábios segundo os critérios humanos, nem muitos poderosos, nem muitos de origem nobre.
1:27 Mas Deus escolheu as coisas loucas do mundo para envergonhar os sábios, e escolheu as coisas fracas do mundo para envergonhar as fortes.
1:28 E Deus escolheu as coisas de origem humilde do mundo e as desprezadas, as que não são, para anular as que são,
1:29 a fim de que nenhum ser humano se glorie diante de Deus.
1:30 Mas é por ele que vocês estão em Cristo Jesus, que se tornou para nós sabedoria da parte de Deus, e justiça, santificação e redenção,
1:31 para que, como está escrito: “Quem se gloria, glorie-se no Senhor”.

Capítulo 2
2:1 Eu também, irmãos, quando fui até vocês, não fui com superioridade de palavras ou de sabedoria ao lhes anunciar o testemunho de Deus.
2:2 Pois decidi nada saber entre vocês, a não ser Jesus Cristo, e este crucificado.
2:3 E estive entre vocês em fraqueza, temor e muito tremor.
2:4 Minha palavra e minha pregação não se basearam na persuasão da sabedoria, mas na demonstração do Espírito e de poder,
2:5 para que a fé de vocês não se apoiasse na sabedoria humana, mas no poder de Deus.
2:6 No entanto, falamos sabedoria entre os maduros, mas uma sabedoria que não é desta era nem dos governantes desta era, que estão sendo reduzidos a nada.
2:7 Pelo contrário, falamos a sabedoria de Deus em mistério, a sabedoria oculta que Deus predestinou antes das eras para a nossa glória.
2:8 Nenhum dos governantes desta era a conheceu, pois, se a tivessem conhecido, não teriam crucificado o Senhor da glória.
2:9 Mas, como está escrito:
 “As coisas que o olho não viu, nem o ouvido ouviu, nem chegaram ao coração humano são as que Deus preparou para os que o amam”.
2:10 Pois Deus as revelou a nós por meio do Espírito, porque o Espírito examina todas as coisas, até as profundezas de Deus.
2:11 Pois quem, dentre as pessoas, conhece as coisas de uma pessoa, a não ser o espírito dela que nela está? Assim também ninguém conhece as coisas de Deus, a não ser o Espírito de Deus.
2:12 Mas nós não recebemos o espírito do mundo, e sim o Espírito que vem de Deus, para conhecermos o que Deus nos deu gratuitamente.
2:13 Dessas coisas também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com as ensinadas pelo Espírito, explicando coisas espirituais com palavras espirituais.
2:14 Mas a pessoa natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, pois para ela são loucura; e não pode entendê-las, porque se discernem espiritualmente.
2:15 Mas a pessoa espiritual discerne todas as coisas, e ela mesma não é julgada por ninguém.
2:16 Pois “quem conheceu a mente do Senhor, para que possa instruí-lo?” Mas nós temos a mente de Cristo.

Capítulo 3
3:1 Eu também, irmãos, não pude falar a vocês como a pessoas espirituais, mas como a carnais, como a crianças em Cristo.
3:2 Dei a vocês leite para beber, não alimento sólido, pois ainda não podiam recebê-lo. E nem agora podem,
3:3 pois ainda são carnais. Porque, enquanto há ciúmes e brigas entre vocês, não são carnais e não andam segundo os padrões humanos?
3:4 Pois, quando alguém diz: “Eu sou de Paulo”, e outro: “Eu, de Apolo”, não são vocês meros seres humanos?
3:5 O que é Apolo, então? E o que é Paulo? Servidores por meio dos quais vocês creram, conforme o Senhor concedeu a cada um.
3:6 Eu plantei, Apolo regou, mas Deus fazia crescer.
3:7 Portanto, nem quem planta nem quem rega é alguma coisa, mas Deus, que dá o crescimento.
3:8 Quem planta e quem rega são um; mas cada um receberá sua própria recompensa segundo o seu próprio trabalho.
3:9 Pois nós somos colaboradores de Deus; vocês são lavoura de Deus, edifício de Deus.
3:10 Segundo a graça de Deus que me foi dada, lancei o fundamento como um sábio mestre de obras, e outro constrói sobre ele. Mas cada um veja como constrói.
3:11 Pois ninguém pode lançar outro fundamento além do que já está posto, que é Jesus Cristo.
3:12 Se alguém constrói sobre esse fundamento com ouro, prata, pedras preciosas, madeira, feno ou palha,
3:13 a obra de cada um se tornará evidente, pois o dia a mostrará, porque se revelará com fogo; e o próprio fogo provará a qualidade da obra de cada um.
3:14 Se a obra que alguém construiu permanecer, ele receberá recompensa.
3:15 Se a obra de alguém for queimada, ele sofrerá perda; mas ele mesmo será salvo, porém como que através do fogo.
3:16 Vocês não sabem que são templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vocês?
3:17 Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá; pois o templo de Deus é santo, e esse templo são vocês.
3:18 Ninguém engane a si mesmo. Se alguém entre vocês se considera sábio nesta era, torne-se louco para se tornar sábio.
3:19 Pois a sabedoria deste mundo é loucura diante de Deus. Pois está escrito: “Ele apanha os sábios na própria astúcia deles”.
3:20 E outra vez: “O Senhor conhece os pensamentos dos sábios e sabe que são vãos”.
3:21 Portanto, ninguém se glorie nos seres humanos, pois tudo pertence a vocês:
3:22 seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, sejam as coisas presentes, sejam as futuras; tudo pertence a vocês,
3:23 e vocês pertencem a Cristo, e Cristo pertence a Deus.

Capítulo 4
4:1 Que as pessoas nos considerem servidores de Cristo e administradores dos mistérios de Deus.
4:2 Ora, o que se exige dos administradores é que cada um seja encontrado fiel.
4:3 Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vocês ou por um tribunal humano. Nem eu julgo a mim mesmo.
4:4 Pois minha consciência não me acusa de nada, mas nem por isso estou justificado. Quem me julga é o Senhor.
4:5 Portanto, não julguem nada antes do tempo, até que venha o Senhor, que trará à luz o que está oculto nas trevas e revelará as intenções dos corações. Então cada um receberá de Deus o seu louvor.
4:6 Irmãos, apliquei essas coisas a mim e a Apolo como exemplo por causa de vocês, para que aprendam em nós o sentido de “Não ir além do que está escrito”, a fim de que nenhum de vocês se encha de orgulho a favor de um contra outro.
4:7 Pois quem faz você diferente? O que você tem que não tenha recebido? E, se recebeu, por que se gloria como se não tivesse recebido?
4:8 Vocês já estão satisfeitos! Já enriqueceram! Reinaram sem nós! E quem dera estivessem de fato reinando, para que nós também reinássemos com vocês!
4:9 Pois penso que Deus nos exibiu, a nós, apóstolos, em último lugar, como condenados à morte, porque nos tornamos um espetáculo para o mundo, tanto para anjos como para seres humanos.
4:10 Nós somos loucos por causa de Cristo, mas vocês são prudentes em Cristo; nós somos fracos, mas vocês são fortes; vocês são honrados, mas nós somos desprezados.
4:11 Até este momento passamos fome e sede, falta-nos roupa, somos espancados e não temos morada certa.
4:12 E nos fatigamos, trabalhando com nossas próprias mãos. Quando somos insultados, abençoamos; quando somos perseguidos, suportamos;
4:13 quando somos difamados, respondemos com brandura. Até agora nos tornamos como o lixo do mundo, o refugo de todos.
4:14 Não escrevo essas coisas para envergonhar vocês, mas para admoestá-los como meus filhos amados.
4:15 Pois, ainda que tenham dez mil tutores em Cristo, não têm muitos pais; pois eu gerei vocês em Cristo Jesus por meio do evangelho.
4:16 Portanto, rogo a vocês que sejam meus imitadores.
4:17 Por isso, enviei a vocês Timóteo, meu filho amado e fiel no Senhor. Ele fará vocês se lembrarem dos meus caminhos em Cristo Jesus, como ensino em toda parte, em cada igreja.
4:18 Alguns se encheram de orgulho, como se eu não fosse até vocês.
4:19 Mas irei até vocês em breve, se o Senhor quiser, e conhecerei não as palavras dos que se encheram de orgulho, mas o poder.
4:20 Pois o reino de Deus não consiste em palavras, mas em poder.
4:21 O que vocês querem? Que eu vá até vocês com vara ou com amor e espírito de mansidão?

Capítulo 5
5:1 De fato, ouve-se por toda parte que há imoralidade sexual entre vocês, e de uma espécie que nem entre os gentios existe: alguém tem a esposa do próprio pai.
5:2 E vocês estão cheios de orgulho! Não deveriam antes ter lamentado, para que fosse tirado do meio de vocês quem praticou tal ação?
5:3 Pois eu, ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se estivesse presente, a respeito daquele que praticou tal coisa:
5:4 em nome de nosso Senhor Jesus, reunidos vocês e o meu espírito, com o poder de nosso Senhor Jesus,
5:5 que tal pessoa seja entregue a Satanás para destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia do Senhor.
5:6 Não é boa a vanglória de vocês. Não sabem que um pouco de fermento faz toda a massa fermentar?
5:7 Retirem o fermento velho para serem uma massa nova, pois vocês são sem fermento. Porque Cristo, nossa Páscoa, foi sacrificado.
5:8 Portanto, celebremos a festa, não com fermento velho, nem com o fermento da malícia e da maldade, mas com os pães sem fermento da sinceridade e da verdade.
5:9 Escrevi a vocês na carta que não se associassem com os que praticam imoralidade sexual.
5:10 Não me referia de modo absoluto aos que praticam imoralidade sexual neste mundo, ou aos gananciosos e roubadores, ou aos idólatras; pois, nesse caso, vocês teriam de sair do mundo.
5:11 Mas agora escrevi a vocês que não se associem com alguém que se diz irmão e pratica imoralidade sexual, ou é ganancioso, idólatra, insultador, bêbado ou roubador. Com tal pessoa, nem sequer comam.
5:12 Pois que tenho eu a ver com julgar os de fora? Não são os de dentro que vocês julgam?
5:13 Mas os de fora, Deus julga. “Expulsem o malvado do meio de vocês”.

Capítulo 6
6:1 Algum de vocês, tendo uma questão contra outro, se atreve a buscar julgamento diante dos injustos, e não diante dos santos?
6:2 Ou vocês não sabem que os santos julgarão o mundo? E, se o mundo será julgado por vocês, são incapazes de julgar questões de pouca importância?
6:3 Vocês não sabem que julgaremos anjos? Quanto mais as questões desta vida!
6:4 Portanto, se vocês têm questões desta vida para julgar, colocam como juízes os que não têm estima na igreja?
6:5 Digo isso para envergonhar vocês. Será que não há entre vocês nem um só sábio capaz de decidir uma questão entre irmãos,
6:6 mas um irmão vai a juízo contra outro irmão, e isso diante de incrédulos?
6:7 O simples fato de terem processos uns contra os outros já é uma derrota para vocês. Por que não preferem sofrer a injustiça? Por que não preferem ser defraudados?
6:8 Mas vocês mesmos cometem injustiça e defraudam, e isso contra irmãos!
6:9 Ou vocês não sabem que os injustos não herdarão o reino de Deus? Não se enganem: nem os que praticam imoralidade sexual, nem os idólatras, nem os adúlteros, nem os que se entregam passivamente a relações sexuais com homens, nem os homens que se deitam com homens,
6:10 nem os ladrões, nem os gananciosos, nem os bêbados, nem os insultadores, nem os roubadores herdarão o reino de Deus.
6:11 E isso eram alguns de vocês. Mas vocês foram lavados, foram santificados, foram justificados em nome do Senhor Jesus e pelo Espírito do nosso Deus.
6:12 Tudo me é lícito, mas nem tudo convém. Tudo me é lícito, mas eu não me deixarei dominar por coisa alguma.
6:13 Os alimentos são para o estômago, e o estômago, para os alimentos, mas Deus porá fim tanto a um como aos outros. O corpo, porém, não é para a imoralidade sexual, mas para o Senhor, e o Senhor para o corpo.
6:14 E Deus ressuscitou o Senhor e também nos ressuscitará pelo seu poder.
6:15 Vocês não sabem que seus corpos são membros de Cristo? Tomarei, então, os membros de Cristo e os farei membros de uma prostituta? De modo nenhum!
6:16 Ou vocês não sabem que quem se une a uma prostituta é um só corpo com ela? Pois está dito: “Os dois serão uma só carne”.
6:17 Mas quem se une ao Senhor é um só espírito com ele.
6:18 Fujam da imoralidade sexual. Todo pecado que uma pessoa comete está fora do corpo, mas quem pratica imoralidade sexual peca contra o próprio corpo.
6:19 Ou vocês não sabem que o corpo de vocês é templo do Espírito Santo que está em vocês, o qual receberam de Deus? E vocês não pertencem a si mesmos,
6:20 pois foram comprados por um preço. Portanto, glorifiquem a Deus no corpo de vocês.

Capítulo 7
7:1 Quanto ao que vocês escreveram, é bom que o homem não tenha relações sexuais com mulher.
7:2 Mas, por causa das imoralidades sexuais, cada homem tenha sua própria esposa, e cada mulher, seu próprio marido.
7:3 O marido cumpra seu dever conjugal para com a esposa, e, da mesma forma, a esposa para com o marido.
7:4 A esposa não tem autoridade sobre o próprio corpo, mas o marido; da mesma forma, o marido não tem autoridade sobre o próprio corpo, mas a esposa.
7:5 Não se privem um ao outro, a não ser de comum acordo, por algum tempo, para se dedicarem à oração. Depois voltem a se unir, para que Satanás não tente vocês por causa da falta de domínio próprio.
7:6 Digo isso como concessão, não como ordem.
7:7 Eu gostaria que todas as pessoas fossem como eu; mas cada um tem seu próprio dom da parte de Deus, um de uma maneira, outro de outra.
7:8 Aos que não são casados e às viúvas, digo que é bom permanecerem como eu.
7:9 Mas, se não conseguem se dominar, que se casem, pois é melhor casar do que arder de paixão.
7:10 Aos casados, ordeno, não eu, mas o Senhor: que a esposa não se separe do marido —
7:11 mas, se vier a se separar, permaneça sem casar ou se reconcilie com o marido —, e que o marido não abandone a esposa.
7:12 Aos demais, digo eu, não o Senhor: se algum irmão tem esposa que não crê, e ela concorda em viver com ele, não a abandone.
7:13 E, se alguma mulher tem marido que não crê, e ele concorda em viver com ela, não abandone o marido.
7:14 Pois o marido que não crê foi santificado pela esposa, e a esposa que não crê foi santificada pelo irmão. Caso contrário, os filhos de vocês seriam impuros; mas agora são santos.
7:15 Mas, se quem não crê se separa, que se separe. Em tais casos, o irmão ou a irmã não está sob escravidão; Deus nos chamou à paz.
7:16 Pois como você sabe, esposa, se salvará seu marido? Ou como você sabe, marido, se salvará sua esposa?
7:17 Em todo caso, cada um viva conforme o Senhor lhe repartiu, conforme Deus o chamou. É assim que ordeno em todas as igrejas.
7:18 Alguém foi chamado estando circuncidado? Não procure desfazer a circuncisão. Alguém foi chamado sem estar circuncidado? Não se circuncide.
7:19 A circuncisão nada é, e a incircuncisão nada é; o que importa é guardar os mandamentos de Deus.
7:20 Cada um permaneça na condição em que foi chamado.
7:21 Você foi chamado sendo escravo? Não se preocupe com isso. Mas, se puder se tornar livre, aproveite a oportunidade.
7:22 Pois quem foi chamado no Senhor sendo escravo é liberto do Senhor; da mesma forma, quem foi chamado sendo livre é escravo de Cristo.
7:23 Vocês foram comprados por um preço; não se tornem escravos de seres humanos.
7:24 Irmãos, cada um permaneça diante de Deus na condição em que foi chamado.
7:25 Quanto às virgens, não tenho ordem do Senhor, mas dou meu parecer como alguém que recebeu misericórdia do Senhor para ser fiel.
7:26 Considero, portanto, que, por causa da dificuldade presente, é bom que a pessoa permaneça como está.
7:27 Você está ligado a uma esposa? Não procure se separar. Está livre de esposa? Não procure esposa.
7:28 Mas, se você se casar, não peca; e, se a virgem se casar, não peca. Contudo, essas pessoas terão aflições na carne, e eu gostaria de poupar vocês.
7:29 Isto digo, irmãos: o tempo se abreviou. Daqui em diante, os que têm esposa sejam como se não tivessem;
7:30 os que choram, como se não chorassem; os que se alegram, como se não se alegrassem; os que compram, como se não possuíssem;
7:31 e os que usam o mundo, como se não o aproveitassem plenamente, pois a forma deste mundo está passando.
7:32 Quero que vocês estejam livres de preocupações. Quem não é casado se preocupa com as coisas do Senhor, em como agradar ao Senhor;
7:33 mas quem é casado se preocupa com as coisas do mundo, em como agradar à esposa,
7:34 e está dividido. E a mulher que não é casada e a virgem se preocupam com as coisas do Senhor, para serem santas tanto no corpo como no espírito; mas a casada se preocupa com as coisas do mundo, em como agradar ao marido.
7:35 Digo isso para o próprio benefício de vocês, para que vivam com dignidade e se dediquem ao Senhor sem distração, e não para lançar um laço sobre vocês.
7:36 Mas, se alguém considera que trata sua filha virgem de maneira indevida, se ela já passou da idade habitual de casar e o casamento deve acontecer, faça o que quiser; não peca. Que se casem.
7:37 Mas quem permanece firme em seu coração, sem estar sob obrigação, tendo autoridade sobre a própria vontade, e decidiu em seu coração conservar sua filha virgem, fará bem.
7:38 Assim, quem dá sua filha virgem em casamento faz bem, e quem não a dá fará melhor.
7:39 A esposa está ligada ao marido enquanto ele viver. Mas, se o marido morrer, ela está livre para se casar com quem quiser, somente no Senhor.
7:40 Porém, será mais feliz se permanecer como está, segundo o meu parecer. E penso que também eu tenho o Espírito de Deus.

Capítulo 8
8:1 Quanto às coisas sacrificadas aos ídolos, sabemos que todos temos conhecimento. O conhecimento enche de orgulho, mas o amor edifica.
8:2 Se alguém pensa que conhece alguma coisa, ainda não conhece como deveria conhecer.
8:3 Mas, se alguém ama a Deus, é conhecido por ele.
8:4 Portanto, quanto a comer o que foi sacrificado aos ídolos, sabemos que um ídolo nada é no mundo e que não há Deus a não ser um só.
8:5 Pois, ainda que haja os chamados deuses, seja no céu, seja na terra, como há muitos deuses e muitos senhores,
8:6 para nós há um só Deus, o Pai, de quem procedem todas as coisas e para quem existimos, e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem existem todas as coisas e por meio de quem nós existimos.
8:7 Mas nem todos têm esse conhecimento. Alguns, por estarem até agora habituados ao ídolo, comem o alimento como algo sacrificado a um ídolo; e sua consciência, sendo fraca, fica contaminada.
8:8 A comida, porém, não nos tornará aceitáveis diante de Deus. Pois, se comemos, nada ganhamos; e, se não comemos, nada perdemos.
8:9 Mas tenham cuidado para que essa liberdade de vocês não se torne motivo de tropeço para os fracos.
8:10 Pois, se alguém vir você, que tem conhecimento, à mesa num templo de ídolos, a consciência dele, sendo fraca, não será encorajada a comer o que foi sacrificado aos ídolos?
8:11 Pois, pelo seu conhecimento, perde-se quem é fraco, o irmão por quem Cristo morreu.
8:12 E assim, pecando contra os irmãos e ferindo sua consciência fraca, vocês pecam contra Cristo.
8:13 Por isso, se um alimento faz meu irmão tropeçar, nunca mais comerei carne, para não fazer meu irmão tropeçar.

Capítulo 9
9:1 Não sou livre? Não sou apóstolo? Não vi Jesus, nosso Senhor? Vocês não são minha obra no Senhor?
9:2 Se para outros não sou apóstolo, ao menos para vocês sou, pois vocês são o selo do meu apostolado no Senhor.
9:3 Esta é minha defesa diante dos que me examinam:
9:4 não temos direito de comer e beber?
9:5 Não temos direito de levar conosco uma esposa crente, como os demais apóstolos, os irmãos do Senhor e Cefas?
9:6 Ou só eu e Barnabé não temos direito de deixar de trabalhar?
9:7 Quem alguma vez serve como soldado à própria custa? Quem planta uma vinha e não come do seu fruto? Quem cuida de um rebanho e não se alimenta do leite do rebanho?
9:8 Será que digo essas coisas apenas segundo critérios humanos? Ou a lei também não diz essas coisas?
9:9 Pois na lei de Moisés está escrito: “Não ponha focinheira no boi que debulha o grão”. Será que Deus se preocupa com os bois?
9:10 Ou é de fato por nossa causa que ele diz isso? Pois foi por nossa causa que se escreveu que quem ara deve arar com esperança, e quem debulha deve fazê-lo na esperança de receber sua parte.
9:11 Se nós semeamos entre vocês as coisas espirituais, será demais colher de vocês as coisas materiais?
9:12 Se outros participam desse direito sobre vocês, não temos nós ainda mais esse direito? Mas não fizemos uso dele; pelo contrário, suportamos tudo para não pôr nenhum obstáculo ao evangelho de Cristo.
9:13 Vocês não sabem que os que trabalham nas coisas sagradas comem do que é do templo, e que os que servem ao altar recebem sua parte do altar?
9:14 Assim também o Senhor ordenou que os que anunciam o evangelho vivam do evangelho.
9:15 Mas eu não fiz uso de nenhum desses direitos. E não escrevi essas coisas para que se faça assim comigo, pois seria melhor para mim morrer do que... Ninguém esvaziará o meu motivo de glória!
9:16 Pois, se anuncio o evangelho, não tenho motivo de glória, porque essa obrigação me foi imposta. Ai de mim se não anunciar o evangelho!
9:17 Pois, se faço isso de livre vontade, tenho recompensa; mas, se o faço contra a vontade, foi-me confiada uma administração.
9:18 Qual é, então, minha recompensa? Que, ao anunciar o evangelho, eu o ofereça gratuitamente, sem fazer pleno uso do meu direito no evangelho.
9:19 Pois, embora seja livre de todos, fiz de mim mesmo escravo de todos, para ganhar o maior número.
9:20 Para os judeus, tornei-me como judeu, para ganhar os judeus; para os que estão debaixo da lei, como se estivesse debaixo da lei, embora eu mesmo não esteja debaixo da lei, para ganhar os que estão debaixo da lei;
9:21 para os que estão sem lei, como se estivesse sem lei, embora eu não esteja sem a lei de Deus, mas debaixo da lei de Cristo, para ganhar os que estão sem lei.
9:22 Tornei-me fraco para os fracos, para ganhar os fracos. Fiz-me tudo para todos, para, por todos os meios, salvar alguns.
9:23 Faço tudo por causa do evangelho, para me tornar participante dele.
9:24 Vocês não sabem que, dos que correm no estádio, todos correm, mas um só recebe o prêmio? Corram de tal maneira que o alcancem.
9:25 Todo aquele que compete exerce domínio próprio em tudo. Eles o fazem para receber uma coroa perecível, mas nós, uma imperecível.
9:26 Portanto, eu corro assim: não sem uma meta; boxeio assim: não como quem golpeia o ar.
9:27 Pelo contrário, golpeio meu corpo e o faço meu escravo, para que, depois de pregar a outros, eu mesmo não venha a ser desqualificado.

Capítulo 10
10:1 Pois não quero, irmãos, que vocês desconheçam que nossos antepassados estiveram todos debaixo da nuvem e todos atravessaram o mar,
10:2 e todos foram batizados em Moisés, na nuvem e no mar,
10:3 e todos comeram o mesmo alimento espiritual,
10:4 e todos beberam a mesma bebida espiritual; pois bebiam de uma rocha espiritual que os acompanhava, e a rocha era Cristo.
10:5 Mas Deus não se agradou da maioria deles, pois ficaram caídos no deserto.
10:6 Essas coisas aconteceram como exemplos para nós, para que não desejemos coisas más, como eles desejaram.
10:7 Não se tornem idólatras, como alguns deles, conforme está escrito: “O povo se sentou para comer e beber e se levantou para se divertir”.
10:8 Nem pratiquemos imoralidade sexual, como alguns deles praticaram, e caíram vinte e três mil num só dia.
10:9 Nem ponhamos Cristo à prova, como alguns deles o puseram à prova e foram mortos pelas serpentes.
10:10 Nem murmurem, como alguns deles murmuraram e foram mortos pelo destruidor.
10:11 Essas coisas lhes aconteciam como exemplos e foram escritas para nossa advertência, a nós, a quem chegaram os fins das eras.
10:12 Portanto, quem pensa estar de pé tenha cuidado para não cair.
10:13 Nenhuma tentação alcançou vocês que não seja comum aos seres humanos. Mas Deus é fiel e não permitirá que sejam tentados além do que podem suportar; pelo contrário, com a tentação dará também a saída, para que possam suportá-la.
10:14 Por isso, meus amados, fujam da idolatria.
10:15 Falo como a pessoas sensatas; julguem vocês o que digo.
10:16 O cálice da bênção que abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo?
10:17 Pois há um só pão, e nós, embora muitos, somos um só corpo, porque todos participamos desse único pão.
10:18 Considerem Israel segundo a carne: os que comem dos sacrifícios não são participantes do altar?
10:19 O que digo, então? Que o que foi sacrificado aos ídolos é alguma coisa, ou que um ídolo é alguma coisa?
10:20 Pelo contrário, digo que o que sacrificam, sacrificam aos demônios, e não a Deus; e não quero que vocês se tornem participantes com os demônios.
10:21 Vocês não podem beber o cálice do Senhor e o cálice dos demônios; não podem participar da mesa do Senhor e da mesa dos demônios.
10:22 Ou provocamos ciúme no Senhor? Será que somos mais fortes que ele?
10:23 Tudo é lícito, mas nem tudo convém. Tudo é lícito, mas nem tudo edifica.
10:24 Ninguém busque o próprio bem, mas o do outro.
10:25 Comam de tudo o que se vende no mercado de carnes, sem perguntar nada por causa da consciência,
10:26 pois “do Senhor é a terra e tudo o que nela há”.
10:27 Se algum dos incrédulos convidar vocês, e quiserem ir, comam de tudo o que lhes servirem, sem perguntar nada por causa da consciência.
10:28 Mas, se alguém disser a vocês: “Isto foi oferecido em sacrifício”, não comam, por causa de quem informou e por causa da consciência.
10:29 Refiro-me à consciência do outro, não à sua. Pois por que a minha liberdade é julgada pela consciência de outra pessoa?
10:30 Se participo com gratidão, por que sou difamado por aquilo pelo que dou graças?
10:31 Portanto, quer vocês comam, quer bebam, quer façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.
10:32 Não sejam motivo de tropeço nem para judeus, nem para gregos, nem para a igreja de Deus,
10:33 assim como eu também procuro agradar a todos em tudo, sem buscar o meu próprio benefício, mas o de muitos, para que sejam salvos.

Capítulo 11
11:1 Sejam meus imitadores, como eu também sou de Cristo.
11:2 Eu elogio vocês porque se lembram de mim em tudo e conservam as tradições conforme as transmiti a vocês.
11:3 Mas quero que vocês saibam que Cristo é a cabeça de todo homem, o homem é a cabeça da mulher, e Deus é a cabeça de Cristo.
11:4 Todo homem que ora ou profetiza com a cabeça coberta desonra sua cabeça.
11:5 Mas toda mulher que ora ou profetiza com a cabeça descoberta desonra sua cabeça, pois é a mesma coisa que estar rapada.
11:6 Pois, se a mulher não se cobre, que também corte o cabelo. Mas, se é vergonhoso para a mulher cortar o cabelo ou rapar a cabeça, que se cubra.
11:7 Pois o homem não deve cobrir a cabeça, por ser imagem e glória de Deus; mas a mulher é glória do homem.
11:8 Pois o homem não procede da mulher, mas a mulher do homem.
11:9 E o homem não foi criado por causa da mulher, mas a mulher por causa do homem.
11:10 Por isso, a mulher deve ter autoridade sobre a cabeça, por causa dos anjos.
11:11 Contudo, no Senhor, nem a mulher é independente do homem, nem o homem é independente da mulher.
11:12 Pois, assim como a mulher procede do homem, também o homem vem por meio da mulher; mas tudo procede de Deus.
11:13 Julguem por vocês mesmos: é apropriado que a mulher ore a Deus com a cabeça descoberta?
11:14 A própria natureza não ensina a vocês que, se um homem tem cabelo comprido, isso é desonra para ele,
11:15 mas, se uma mulher tem cabelo comprido, isso é glória para ela? Pois o cabelo foi dado como cobertura.
11:16 Mas, se alguém quer discutir, nós não temos tal costume, nem as igrejas de Deus.
11:17 Ao dar estas instruções, porém, não elogio vocês, pois se reúnem para pior, e não para melhor.
11:18 Pois, em primeiro lugar, ouço que, quando vocês se reúnem como igreja, há divisões entre vocês, e em parte creio nisso.
11:19 Pois é necessário que haja também facções entre vocês, para que os aprovados se tornem evidentes entre vocês.
11:20 Portanto, quando vocês se reúnem no mesmo lugar, isso não é comer a ceia do Senhor.
11:21 Pois, ao comer, cada um se adianta com a própria ceia; e um fica com fome, enquanto outro se embriaga.
11:22 Será que vocês não têm casas para comer e beber? Ou desprezam a igreja de Deus e envergonham os que nada têm? O que direi a vocês? Vou elogiá-los? Nisso não os elogio.
11:23 Pois recebi do Senhor o que também transmiti a vocês: que o Senhor Jesus, na noite em que foi entregue, tomou pão,
11:24 e, tendo dado graças, o partiu e disse: “Isto é o meu corpo, que é para vocês. Façam isto em memória de mim”.
11:25 Da mesma forma, depois da ceia, tomou também o cálice, dizendo: “Este cálice é a nova aliança no meu sangue. Façam isto, todas as vezes que beberem, em memória de mim”.
11:26 Pois, todas as vezes que vocês comem este pão e bebem o cálice, anunciam a morte do Senhor, até que ele venha.
11:27 Portanto, quem comer o pão ou beber o cálice do Senhor de maneira indigna será culpado de pecar contra o corpo e o sangue do Senhor.
11:28 Cada um examine a si mesmo e assim coma do pão e beba do cálice.
11:29 Pois quem come e bebe sem discernir o corpo come e bebe juízo para si mesmo.
11:30 Por isso há entre vocês muitos fracos e doentes, e um bom número morreu.
11:31 Mas, se julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados.
11:32 Mas, quando somos julgados pelo Senhor, somos disciplinados para que não sejamos condenados com o mundo.
11:33 Portanto, meus irmãos, quando vocês se reunirem para comer, esperem uns pelos outros.
11:34 Se alguém tem fome, coma em casa, para que vocês não se reúnam para juízo. Quanto às demais coisas, darei instruções quando chegar.

Capítulo 12
12:1 Quanto aos dons espirituais, irmãos, não quero que vocês os desconheçam.
12:2 Vocês sabem que, quando eram pagãos, eram arrastados aos ídolos mudos, conforme eram conduzidos.
12:3 Por isso, faço saber a vocês que ninguém que fala pelo Espírito de Deus diz: “Jesus é maldito”; e ninguém pode dizer: “Jesus é Senhor”, a não ser pelo Espírito Santo.
12:4 Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.
12:5 Há diversidade de serviços, mas o Senhor é o mesmo.
12:6 E há diversidade de atuações, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos.
12:7 A cada um, porém, é dada a manifestação do Espírito para o bem comum.
12:8 Pois a um é dada, pelo Espírito, palavra de sabedoria; a outro, palavra de conhecimento, segundo o mesmo Espírito;
12:9 a outro, fé, pelo mesmo Espírito; a outro, dons de curas, pelo único Espírito;
12:10 a outro, realização de milagres; a outro, profecia; a outro, discernimento de espíritos; a outro, diversos tipos de línguas; a outro, interpretação de línguas.
12:11 Mas um só e o mesmo Espírito realiza todas essas coisas, distribuindo a cada um em particular como quer.
12:12 Pois, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros do corpo, embora muitos, são um só corpo, assim também é Cristo.
12:13 Pois em um só Espírito todos nós fomos batizados em um só corpo, quer judeus, quer gregos, quer escravos, quer livres; e a todos nós foi dado beber de um só Espírito.
12:14 Pois o corpo não é um só membro, mas muitos.
12:15 Se o pé disser: “Porque não sou mão, não pertenço ao corpo”, nem por isso deixa de pertencer ao corpo.
12:16 E, se a orelha disser: “Porque não sou olho, não pertenço ao corpo”, nem por isso deixa de pertencer ao corpo.
12:17 Se todo o corpo fosse olho, onde estaria o ouvido? Se todo fosse ouvido, onde estaria o olfato?
12:18 Mas Deus colocou os membros no corpo, cada um deles como quis.
12:19 Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo?
12:20 Agora, porém, há muitos membros, mas um só corpo.
12:21 O olho não pode dizer à mão: “Não preciso de você”; nem a cabeça aos pés: “Não preciso de vocês”.
12:22 Pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são indispensáveis,
12:23 e os que consideramos menos honrosos no corpo, a esses revestimos de maior honra; e nossas partes menos apresentáveis são tratadas com maior decoro,
12:24 do qual nossas partes apresentáveis não precisam. Mas Deus compôs o corpo, dando maior honra ao que dela carecia,
12:25 para que não haja divisão no corpo, mas os membros tenham o mesmo cuidado uns pelos outros.
12:26 Se um membro sofre, todos os membros sofrem com ele; se um membro é honrado, todos os membros se alegram com ele.
12:27 Vocês são corpo de Cristo e, individualmente, membros dele.
12:28 E Deus estabeleceu na igreja, em primeiro lugar, apóstolos; em segundo, profetas; em terceiro, mestres; depois, milagres; depois, dons de curas, auxílios, administrações, diversos tipos de línguas.
12:29 São todos apóstolos? São todos profetas? São todos mestres? Todos realizam milagres?
12:30 Todos têm dons de curas? Todos falam em línguas? Todos interpretam?
12:31 Mas busquem com zelo os dons maiores. E eu mostro a vocês um caminho ainda mais excelente.

Capítulo 13
13:1 Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei bronze que ressoa ou címbalo que retine.
13:2 E, ainda que tenha profecia, conheça todos os mistérios e possua todo o conhecimento, e ainda que tenha toda a fé, a ponto de mover montanhas, se não tiver amor, nada sou.
13:3 E, ainda que distribua todos os meus bens para dar de comer e entregue meu corpo para ser queimado, se não tiver amor, de nada me serve.
13:4 O amor é paciente; o amor é bondoso. O amor não tem inveja, não se vangloria, não se enche de orgulho,
13:5 não se comporta de modo indecoroso, não busca seus próprios interesses, não se irrita, não guarda registro do mal,
13:6 não se alegra com a injustiça, mas se alegra com a verdade.
13:7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
13:8 O amor nunca acaba. Mas as profecias terão fim; as línguas cessarão; o conhecimento terá fim.
13:9 Pois em parte conhecemos e em parte profetizamos;
13:10 mas, quando vier o que é perfeito, o que é parcial terá fim.
13:11 Quando eu era menino, falava como menino, pensava como menino, raciocinava como menino. Quando me tornei homem, deixei para trás as coisas de menino.
13:12 Pois agora vemos por meio de um espelho, de forma enigmática; mas então veremos face a face. Agora conheço em parte, mas então conhecerei plenamente, como também fui conhecido.
13:13 Agora, porém, permanecem a fé, a esperança e o amor, estes três; mas o maior deles é o amor.

Capítulo 14
14:1 Sigam o amor e busquem com zelo os dons espirituais, principalmente o de profetizar.
14:2 Pois quem fala em uma língua não fala às pessoas, mas a Deus; pois ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.
14:3 Mas quem profetiza fala às pessoas para edificação, exortação e consolo.
14:4 Quem fala em uma língua edifica a si mesmo, mas quem profetiza edifica a igreja.
14:5 Quero que todos vocês falem em línguas, mas muito mais que profetizem. Quem profetiza é maior do que quem fala em línguas, a não ser que também interprete, para que a igreja receba edificação.
14:6 Agora, irmãos, se eu for até vocês falando em línguas, de que lhes servirei, se não lhes falar por revelação, conhecimento, profecia ou ensino?
14:7 Até as coisas sem vida que produzem som, seja flauta, seja cítara, se não emitirem notas distintas, como se reconhecerá o que é tocado na flauta ou na cítara?
14:8 Pois, se a trombeta der um som incerto, quem se preparará para a batalha?
14:9 Assim também vocês, se não pronunciarem com a língua palavras compreensíveis, como se saberá o que está sendo dito? Pois estarão falando ao ar.
14:10 Há, por exemplo, tantos tipos de idiomas no mundo, e nenhum é sem significado.
14:11 Portanto, se eu não conhecer o significado do idioma, serei estrangeiro para quem fala, e quem fala será estrangeiro para mim.
14:12 Assim também vocês, visto que desejam dons espirituais, procurem abundar neles para a edificação da igreja.
14:13 Por isso, quem fala em uma língua ore para que a possa interpretar.
14:14 Pois, se eu orar em uma língua, meu espírito ora, mas meu entendimento fica sem fruto.
14:15 O que farei, então? Orarei com o espírito, mas também orarei com o entendimento; cantarei com o espírito, mas também cantarei com o entendimento.
14:16 Pois, se você bendisser em espírito, como quem ocupa o lugar de alguém não instruído dirá o “Amém” à sua ação de graças, visto que não sabe o que você diz?
14:17 Pois você dá graças muito bem, mas o outro não é edificado.
14:18 Dou graças a Deus porque falo em línguas mais do que todos vocês.
14:19 Mas, na igreja, prefiro falar cinco palavras com o meu entendimento, para instruir também os outros, a dez mil palavras em uma língua.
14:20 Irmãos, não sejam crianças no modo de pensar. Quanto à maldade, sejam criancinhas, mas, no modo de pensar, sejam maduros.
14:21 Na lei está escrito: “Por meio de pessoas de outras línguas e por lábios de outros falarei a este povo, e nem assim me ouvirão, diz o Senhor”.
14:22 Portanto, as línguas são um sinal, não para os que creem, mas para os incrédulos; a profecia, porém, não é para os incrédulos, mas para os que creem.
14:23 Portanto, se toda a igreja se reunir no mesmo lugar e todos falarem em línguas, e entrarem pessoas não instruídas ou incrédulos, não dirão que vocês estão loucos?
14:24 Mas, se todos profetizarem e entrar algum incrédulo ou alguém não instruído, ele é convencido por todos e examinado por todos;
14:25 as coisas ocultas do seu coração se tornam evidentes, e assim, caindo com o rosto em terra, adorará a Deus, declarando: “Deus está realmente entre vocês”.
14:26 O que fazer, então, irmãos? Quando vocês se reúnem, cada um tem salmo, tem ensino, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Que tudo seja feito para edificação.
14:27 Se alguém falar em uma língua, que falem dois, ou no máximo três, um de cada vez, e um interprete.
14:28 Mas, se não houver intérprete, fique calado na igreja e fale consigo mesmo e com Deus.
14:29 Falem dois ou três profetas, e os outros avaliem o que é dito.
14:30 Mas, se algo for revelado a outro que está sentado, cale-se o primeiro.
14:31 Pois todos vocês podem profetizar, um de cada vez, para que todos aprendam e todos sejam encorajados.
14:32 E os espíritos dos profetas estão sujeitos aos profetas,
14:33 pois Deus não é Deus de desordem, mas de paz, como em todas as igrejas dos santos.
14:34 As mulheres guardem silêncio nas igrejas, pois não lhes é permitido falar; mas estejam sujeitas, como também diz a lei.
14:35 Se querem aprender alguma coisa, perguntem em casa aos próprios maridos, pois é vergonhoso que uma mulher fale na igreja.
14:36 Ou foi de vocês que saiu a palavra de Deus? Ou chegou somente a vocês?
14:37 Se alguém se considera profeta ou espiritual, reconheça que o que escrevo a vocês é do Senhor.
14:38 Mas, se alguém não reconhece isso, também não é reconhecido.
14:39 Portanto, meus irmãos, busquem com zelo profetizar e não impeçam o falar em línguas.
14:40 Mas que tudo seja feito com decência e ordem.

Capítulo 15
15:1 Faço saber a vocês, irmãos, o evangelho que lhes anunciei, que também receberam e no qual permanecem firmes,
15:2 pelo qual também são salvos, se conservarem a palavra que lhes anunciei, a não ser que tenham crido em vão.
15:3 Pois transmiti a vocês, em primeiro lugar, o que também recebi: que Cristo morreu por nossos pecados, segundo as Escrituras,
15:4 que foi sepultado e que ressuscitou no terceiro dia, segundo as Escrituras,
15:5 e que apareceu a Cefas e depois aos Doze.
15:6 Depois apareceu a mais de quinhentos irmãos de uma só vez, dos quais a maioria ainda vive, mas alguns adormeceram.
15:7 Depois apareceu a Tiago e então a todos os apóstolos.
15:8 Por último de todos, apareceu também a mim, como a um nascido fora de tempo.
15:9 Pois eu sou o menor dos apóstolos e não sou digno de ser chamado apóstolo, porque persegui a igreja de Deus.
15:10 Mas, pela graça de Deus, sou o que sou, e sua graça para comigo não foi vã. Pelo contrário, trabalhei mais do que todos eles; mas não eu, e sim a graça de Deus comigo.
15:11 Portanto, seja eu, sejam eles, assim pregamos e assim vocês creram.
15:12 Mas, se se prega que Cristo ressuscitou dentre os mortos, como alguns entre vocês dizem que não há ressurreição de mortos?
15:13 Se não há ressurreição de mortos, Cristo também não ressuscitou.
15:14 E, se Cristo não ressuscitou, nossa pregação é vã, e a fé de vocês também é vã.
15:15 E somos também considerados falsas testemunhas de Deus, porque testemunhamos contra Deus que ele ressuscitou Cristo, a quem não ressuscitou se, de fato, os mortos não ressuscitam.
15:16 Pois, se os mortos não ressuscitam, Cristo também não ressuscitou.
15:17 E, se Cristo não ressuscitou, a fé de vocês é inútil; vocês ainda estão em seus pecados.
15:18 Então também os que adormeceram em Cristo pereceram.
15:19 Se somente para esta vida temos esperança em Cristo, somos, de todos os seres humanos, os mais dignos de pena.
15:20 Mas agora Cristo ressuscitou dentre os mortos, as primícias dos que dormem.
15:21 Pois, visto que a morte veio por um homem, também por um homem veio a ressurreição dos mortos.
15:22 Pois, assim como todos morrem em Adão, assim também todos receberão vida em Cristo.
15:23 Mas cada um na sua própria ordem: Cristo, as primícias; depois, os que pertencem a Cristo, na sua vinda.
15:24 Depois virá o fim, quando ele entregar o reino a Deus, o Pai, quando tiver anulado todo domínio, toda autoridade e poder.
15:25 Pois é necessário que ele reine até que ponha todos os inimigos debaixo dos seus pés.
15:26 O último inimigo a ser destruído é a morte.
15:27 Pois “sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés”. Mas, quando diz que todas as coisas foram sujeitas, é evidente que se exclui aquele que lhe sujeitou todas as coisas.
15:28 E, quando todas as coisas lhe forem sujeitas, então o próprio Filho ficará sujeito àquele que lhe sujeitou todas as coisas, para que Deus seja tudo em todos.
15:29 De outra forma, que farão os que se batizam pelos mortos? Se os mortos de modo algum ressuscitam, por que se batizam por eles?
15:30 E por que nós também corremos perigo a toda hora?
15:31 Morro todos os dias; eu o afirmo pelo motivo de glória que tenho em vocês, em Cristo Jesus, nosso Senhor.
15:32 Se, segundo critérios humanos, lutei contra feras em Éfeso, de que me serve isso? Se os mortos não ressuscitam, “comamos e bebamos, pois amanhã morreremos”.
15:33 Não se enganem: “As más companhias corrompem os bons costumes”.
15:34 Voltem à sensatez como é devido e não pequem, pois alguns não têm conhecimento de Deus. Digo isso para vergonha de vocês.
15:35 Mas alguém dirá: “Como ressuscitam os mortos? E com que corpo vêm?”
15:36 Insensato! O que você semeia não recebe vida se não morrer.
15:37 E o que você semeia não é o corpo que há de surgir, mas um grão nu, de trigo, por exemplo, ou de outra planta.
15:38 Mas Deus lhe dá um corpo como quis, e a cada semente o seu próprio corpo.
15:39 Nem toda carne é a mesma carne: uma é a dos seres humanos, outra a carne dos animais, outra a carne das aves e outra a dos peixes.
15:40 Há corpos celestiais e corpos terrenos; mas uma é a glória dos celestiais, e outra a dos terrenos.
15:41 Uma é a glória do sol, outra a glória da lua e outra a glória das estrelas; pois uma estrela difere de outra em glória.
15:42 Assim também é a ressurreição dos mortos: o corpo é semeado em corrupção e ressuscitado em incorrupção.
15:43 É semeado em desonra e ressuscitado em glória; é semeado em fraqueza e ressuscitado em poder.
15:44 É semeado um corpo natural e ressuscitado um corpo espiritual. Se há corpo natural, há também espiritual.
15:45 Assim também está escrito: “O primeiro homem, Adão, tornou-se um ser vivente”; o último Adão, espírito que dá vida.
15:46 Mas não é primeiro o espiritual, e sim o natural; depois, o espiritual.
15:47 O primeiro homem é da terra, feito de pó; o segundo homem é do céu.
15:48 Assim como é o homem de pó, assim também são os de pó; e, como é o celestial, assim também são os celestiais.
15:49 E, assim como levamos a imagem daquele que é de pó, também levaremos a imagem do celestial.
15:50 Isto digo, irmãos: carne e sangue não podem herdar o reino de Deus, nem a corrupção herda a incorrupção.
15:51 Vejam, digo a vocês um mistério: nem todos dormiremos, mas todos seremos transformados,
15:52 num instante, num abrir e fechar de olhos, ao soar da última trombeta. Pois a trombeta soará, os mortos serão ressuscitados incorruptíveis, e nós seremos transformados.
15:53 Pois é necessário que isto que é corruptível se revista de incorrupção e que isto que é mortal se revista de imortalidade.
15:54 E, quando isto que é corruptível se revestir de incorrupção, e isto que é mortal se revestir de imortalidade, então se cumprirá a palavra que está escrita:
 “A morte foi tragada na vitória”.
15:55 “Onde está, ó morte, a sua vitória?
   Onde está, ó morte, o seu aguilhão?”
15:56 O aguilhão da morte é o pecado, e o poder do pecado é a lei.
15:57 Mas graças a Deus, que nos dá a vitória por meio de nosso Senhor Jesus Cristo.
15:58 Portanto, meus amados irmãos, sejam firmes, inabaláveis, sempre abundantes na obra do Senhor, sabendo que o trabalho de vocês não é vão no Senhor.

Capítulo 16
16:1 Quanto à coleta para os santos, façam vocês também como ordenei às igrejas da Galácia.
16:2 No primeiro dia de cada semana, cada um de vocês separe e guarde consigo algo, conforme tiver prosperado, para que não se façam coletas quando eu chegar.
16:3 Quando eu chegar, enviarei com cartas os que vocês aprovarem, para levar a doação de vocês a Jerusalém.
16:4 E, se for conveniente que eu também vá, eles irão comigo.
16:5 Irei até vocês depois de atravessar a Macedônia, pois passarei pela Macedônia.
16:6 Talvez eu permaneça com vocês ou até passe o inverno, para que me ajudem a seguir viagem para onde quer que eu vá.
16:7 Pois não quero ver vocês agora apenas de passagem; espero permanecer algum tempo com vocês, se o Senhor permitir.
16:8 Mas permanecerei em Éfeso até Pentecostes,
16:9 pois uma porta grande e eficaz se abriu para mim, e há muitos adversários.
16:10 Se Timóteo chegar, cuidem para que esteja entre vocês sem temor, pois ele trabalha na obra do Senhor, como eu também.
16:11 Portanto, ninguém o despreze. Ajudem-no a seguir viagem em paz, para que venha até mim, pois o espero com os irmãos.
16:12 Quanto ao irmão Apolo, roguei-lhe muito que fosse até vocês com os irmãos, mas de modo algum quis ir agora. Irá, porém, quando tiver oportunidade.
16:13 Vigiem, permaneçam firmes na fé, sejam corajosos, sejam fortes.
16:14 Tudo o que vocês fizerem seja feito com amor.
16:15 Rogo a vocês, irmãos — vocês conhecem os da casa de Estéfanas, que são as primícias da Acaia e se dedicaram ao serviço dos santos —,
16:16 que também vocês se sujeitem a pessoas como essas e a todo aquele que coopera e trabalha com esforço.
16:17 Alegro-me com a chegada de Estéfanas, Fortunato e Acaico, pois eles supriram o que faltava da parte de vocês.
16:18 Pois deram descanso ao meu espírito e ao de vocês. Reconheçam, portanto, pessoas como essas.
16:19 As igrejas da Ásia saúdam vocês. Áquila e Priscila, com a igreja que se reúne na casa deles, enviam a vocês muitas saudações no Senhor.
16:20 Todos os irmãos saúdam vocês. Saúdem uns aos outros com um beijo santo.
16:21 Esta saudação escrevo de minha própria mão: eu, Paulo.
16:22 Se alguém não ama o Senhor, seja amaldiçoado. Nosso Senhor, vem!
16:23 Que a graça do Senhor Jesus esteja com vocês.
16:24 Meu amor esteja com todos vocês em Cristo Jesus.

2 CORÍNTIOS

Capítulo 1
1:1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo, à igreja de Deus que está em Corinto, com todos os santos que estão em toda a Acaia:
1:2 Graça e paz a vocês, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
1:3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai das misericórdias e Deus de toda consolação,
1:4 que nos consola em toda a nossa aflição, para que possamos consolar os que passam por qualquer aflição, com a consolação que nós mesmos recebemos de Deus.
1:5 Pois, assim como os sofrimentos de Cristo transbordam em nós, também por meio de Cristo transborda a nossa consolação.
1:6 Se somos afligidos, é para a consolação e a salvação de vocês; se somos consolados, é para a consolação de vocês, que atua quando suportam com perseverança os mesmos sofrimentos que nós também padecemos.
1:7 E a nossa esperança a respeito de vocês é firme, pois sabemos que, assim como participam dos sofrimentos, também participam da consolação.
1:8 Pois não queremos, irmãos, que vocês desconheçam a aflição que nos sobreveio na Ásia. Fomos sobrecarregados muito além das nossas forças, a ponto de perdermos até a esperança de continuar vivos.
1:9 De fato, dentro de nós já tínhamos a sentença de morte, para que não confiássemos em nós mesmos, mas em Deus, que ressuscita os mortos.
1:10 Ele nos livrou de tão grande perigo de morte e nos livrará. Nele temos colocado a esperança de que ainda nos livrará,
1:11 enquanto vocês também nos ajudam com suas orações, para que muitas pessoas deem graças por nós, pela dádiva que nos foi concedida por meio de muitos.
1:12 Pois este é o nosso motivo de glória: o testemunho da nossa consciência de que temos nos conduzido no mundo, e especialmente com vocês, com a santidade e a sinceridade que vêm de Deus, pela graça de Deus, e não com sabedoria carnal.
1:13 Pois não escrevemos a vocês nada além do que leem e compreendem. E espero que venham a compreender plenamente,
1:14 assim como já nos compreenderam em parte: somos motivo de glória para vocês, assim como vocês serão para nós no dia de nosso Senhor Jesus.
1:15 Com essa confiança, eu pretendia visitá-los primeiro, para que recebessem uma segunda bênção;
1:16 passar por vocês a caminho da Macedônia, voltar da Macedônia para visitá-los e receber a ajuda de vocês para prosseguir viagem à Judeia.
1:17 Será que, ao planejar isso, agi com leviandade? Ou faço meus planos segundo a carne, de modo que haja em mim o “sim, sim” e o “não, não”?
1:18 Mas, tão certo como Deus é fiel, a nossa palavra a vocês não é “sim” e “não”.
1:19 Pois o Filho de Deus, Jesus Cristo, que foi proclamado entre vocês por nós, por mim, Silvano e Timóteo, não foi “sim” e “não”; nele, porém, o “sim” se tornou realidade.
1:20 Pois todas as promessas de Deus têm nele o seu “sim”. Por isso, também por meio dele, o “amém” é dado a Deus, para a sua glória, por nosso intermédio.
1:21 É Deus quem nos firma com vocês em Cristo e quem nos ungiu.
1:22 Ele também nos selou e pôs em nossos corações o Espírito como garantia.
1:23 Invoco a Deus como testemunha, por minha própria vida, de que foi para poupar vocês que não voltei a Corinto.
1:24 Não que dominemos a fé de vocês, mas somos cooperadores da alegria de vocês, pois pela fé vocês permanecem firmes.

Capítulo 2
2:1 Pois decidi comigo mesmo não voltar a visitar vocês em tristeza.
2:2 Porque, se eu entristeço vocês, quem me alegrará, senão aquele que eu entristeço?
2:3 E escrevi justamente isso para que, ao chegar, eu não tenha tristeza por parte daqueles que deveriam me alegrar. Tenho confiança em todos vocês de que a minha alegria é a alegria de todos vocês.
2:4 Pois escrevi a vocês com muita aflição e angústia de coração, com muitas lágrimas, não para entristecê-los, mas para que conhecessem o amor tão grande que tenho por vocês.
2:5 Se alguém causou tristeza, não a causou apenas a mim, mas, em certa medida, para não exagerar, a todos vocês.
2:6 Para essa pessoa, basta a repreensão imposta pela maioria.
2:7 Agora, pelo contrário, vocês devem perdoá-lo e consolá-lo, para que não seja consumido por uma tristeza excessiva.
2:8 Por isso, peço que reafirmem o amor de vocês por ele.
2:9 Pois também foi para isso que escrevi: para pôr vocês à prova e saber se são obedientes em tudo.
2:10 A quem vocês perdoam alguma coisa, eu também perdoo. Pois o que perdoei, se é que perdoei alguma coisa, foi por vocês, na presença de Cristo,
2:11 para que Satanás não se aproveite de nós, pois não ignoramos as suas intenções.
2:12 Quando cheguei a Trôade para anunciar o evangelho de Cristo e uma porta me foi aberta no Senhor,
2:13 não tive descanso em meu espírito, porque não encontrei Tito, meu irmão. Então me despedi deles e parti para a Macedônia.
2:14 Mas graças a Deus, que sempre nos conduz em seu cortejo triunfal em Cristo e, por nosso intermédio, manifesta em todo lugar a fragrância do conhecimento dele.
2:15 Pois somos para Deus o bom perfume de Cristo, entre os que estão sendo salvos e entre os que estão perecendo:
2:16 para uns, cheiro de morte que leva à morte; para outros, fragrância de vida que leva à vida. E quem está à altura de tudo isso?
2:17 Pois não somos como tantos que fazem comércio da palavra de Deus. Pelo contrário, falamos com sinceridade, da parte de Deus, diante de Deus, em Cristo.

Capítulo 3
3:1 Estamos começando outra vez a recomendar a nós mesmos? Ou precisamos, como alguns, de cartas de recomendação para vocês ou da parte de vocês?
3:2 Vocês são a nossa carta, escrita em nossos corações, conhecida e lida por todos.
3:3 É evidente que vocês são uma carta de Cristo, preparada por nosso serviço, escrita não com tinta, mas com o Espírito do Deus vivo; não em tábuas de pedra, mas em tábuas que são corações de carne.
3:4 É essa a confiança que temos diante de Deus por meio de Cristo.
3:5 Não que sejamos capazes, por nós mesmos, de considerar alguma coisa como vinda de nós; nossa capacidade vem de Deus,
3:6 que também nos capacitou para sermos ministros de uma nova aliança, não da letra, mas do Espírito. Pois a letra mata, mas o Espírito dá vida.
3:7 Se o ministério da morte, gravado com letras em pedras, veio com glória, a ponto de os filhos de Israel não poderem fixar os olhos no rosto de Moisés por causa da glória de seu rosto, que se desvanecia,
3:8 como não terá ainda mais glória o ministério do Espírito?
3:9 Pois, se o ministério da condenação teve glória, muito mais transborda em glória o ministério da justiça.
3:10 De fato, nesse aspecto, o que antes tinha glória já não tem glória, por causa da glória que o supera.
3:11 Pois, se aquilo que desaparece veio com glória, muito mais glorioso é o que permanece.
3:12 Assim, tendo essa esperança, agimos com muita franqueza.
3:13 Não somos como Moisés, que punha um véu sobre o rosto para que os filhos de Israel não fixassem os olhos no fim daquilo que desaparecia.
3:14 Mas a mente deles se endureceu. Pois até hoje, na leitura da antiga aliança, esse mesmo véu permanece sem ser retirado, porque é em Cristo que ele é removido.
3:15 Sim, até hoje, quando Moisés é lido, um véu está sobre o coração deles.
3:16 Mas, quando alguém se volta para o Senhor, o véu é retirado.
3:17 O Senhor é o Espírito, e onde está o Espírito do Senhor há liberdade.
3:18 E todos nós, com o rosto descoberto, contemplando como num espelho a glória do Senhor, somos transformados na mesma imagem, de glória em glória, pelo Senhor, que é o Espírito.

Capítulo 4
4:1 Por isso, tendo este ministério pela misericórdia que recebemos, não desanimamos.
4:2 Pelo contrário, renunciamos às práticas ocultas e vergonhosas. Não agimos com astúcia nem adulteramos a palavra de Deus, mas, manifestando a verdade, recomendamos a nós mesmos à consciência de todos, diante de Deus.
4:3 E, se o nosso evangelho está encoberto, é para os que estão perecendo que está encoberto.
4:4 O deus desta era cegou a mente dos incrédulos, para que não lhes brilhe a luz do evangelho da glória de Cristo, que é a imagem de Deus.
4:5 Pois não pregamos a nós mesmos, mas a Cristo Jesus como Senhor, e a nós como escravos de vocês por causa de Jesus.
4:6 Pois Deus, que disse: “Das trevas brilhará a luz”, brilhou em nossos corações para iluminar o conhecimento da glória de Deus no rosto de Cristo.
4:7 Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a grandeza extraordinária do poder seja de Deus, e não de nós.
4:8 Em tudo somos afligidos, mas não esmagados; perplexos, mas não desesperados;
4:9 perseguidos, mas não abandonados; derrubados, mas não destruídos.
4:10 Levamos sempre no corpo a morte de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nosso corpo.
4:11 Pois nós, que vivemos, somos continuamente entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal.
4:12 Assim, a morte atua em nós, mas a vida em vocês.
4:13 Tendo, porém, o mesmo espírito de fé, conforme está escrito: “Cri, por isso falei”, nós também cremos e, por isso, também falamos,
4:14 sabendo que aquele que ressuscitou Jesus também nos ressuscitará com Jesus e nos apresentará com vocês.
4:15 Pois tudo isso é por vocês, para que a graça, multiplicando-se por meio de mais pessoas, faça transbordar a ação de graças para a glória de Deus.
4:16 Por isso, não desanimamos. Embora o nosso ser exterior se desgaste, o nosso ser interior se renova dia após dia.
4:17 Pois a nossa aflição leve e passageira produz para nós um peso eterno de glória, que supera toda medida,
4:18 enquanto fixamos o olhar nas coisas que não se veem, e não nas que se veem. Pois as coisas que se veem são passageiras, mas as que não se veem são eternas.

Capítulo 5
5:1 Pois sabemos que, se a nossa habitação terrena, esta tenda, for desfeita, temos da parte de Deus um edifício, uma casa não feita por mãos humanas, eterna, nos céus.
5:2 Pois nesta tenda gememos, desejando intensamente nos revestir da nossa habitação que vem do céu,
5:3 se é que, uma vez vestidos, não seremos encontrados nus.
5:4 Pois nós, que estamos nesta tenda, gememos sob esse peso, porque não queremos ser despidos, mas revestidos, para que o que é mortal seja absorvido pela vida.
5:5 Foi Deus quem nos preparou para isso mesmo e nos deu o Espírito como garantia.
5:6 Por isso, temos sempre confiança e sabemos que, enquanto habitamos no corpo, estamos ausentes do Senhor.
5:7 Pois andamos por fé, e não pelo que vemos.
5:8 Sim, temos confiança e preferimos deixar o corpo para habitar com o Senhor.
5:9 Por isso, também nos empenhamos em agradar a ele, quer presentes, quer ausentes.
5:10 Pois todos nós devemos comparecer diante do tribunal de Cristo, para que cada um receba de acordo com o que fez por meio do corpo, seja o bem, seja o mal.
5:11 Assim, conhecendo o temor do Senhor, procuramos persuadir as pessoas. O que somos está manifesto diante de Deus, e espero que também esteja manifesto na consciência de vocês.
5:12 Não estamos novamente recomendando a nós mesmos a vocês, mas dando a vocês motivo para se gloriarem de nós, a fim de que tenham o que responder aos que se gloriam na aparência, e não no coração.
5:13 Pois, se perdemos o juízo, é para Deus; se estamos em nosso juízo, é para vocês.
5:14 Pois o amor de Cristo nos impulsiona, porque chegamos a esta conclusão: um morreu por todos; logo, todos morreram.
5:15 E ele morreu por todos para que os que vivem já não vivam para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e foi ressuscitado.
5:16 Assim, de agora em diante, não conhecemos ninguém segundo a carne. Mesmo que tenhamos conhecido Cristo segundo a carne, agora já não o conhecemos desse modo.
5:17 Portanto, se alguém está em Cristo, é nova criatura. As coisas antigas passaram; eis que surgiu o novo.
5:18 Tudo isso vem de Deus, que nos reconciliou consigo por meio de Cristo e nos deu o ministério da reconciliação:
5:19 Deus estava em Cristo reconciliando o mundo consigo, sem levar em conta as transgressões das pessoas, e nos confiou a palavra da reconciliação.
5:20 Portanto, somos embaixadores em nome de Cristo, como se Deus fizesse seu apelo por nosso intermédio. Em nome de Cristo, suplicamos: reconciliem-se com Deus.
5:21 Deus fez pecado por nós aquele que não conheceu pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus.

Capítulo 6
6:1 Como cooperadores, também exortamos vocês a não receberem em vão a graça de Deus.
6:2 Pois ele diz:
 “No tempo favorável, ouvi você, e no dia da salvação ajudei você”.
 Eis agora o tempo favorável; eis agora o dia da salvação.
6:3 Não damos motivo de tropeço em coisa alguma, para que o ministério não seja desacreditado.
6:4 Pelo contrário, em tudo nos recomendamos como ministros de Deus: com muita perseverança, nas aflições, nas necessidades, nas angústias,
6:5 nos açoites, nas prisões, nos tumultos, nos trabalhos, nas noites sem dormir, nos jejuns;
6:6 na pureza, no conhecimento, na paciência, na bondade, no Espírito Santo, no amor sem hipocrisia,
6:7 na palavra da verdade, no poder de Deus; com as armas da justiça à direita e à esquerda;
6:8 na honra e na desonra, na má fama e na boa fama; tidos como enganadores, mas sendo verdadeiros;
6:9 como desconhecidos, mas sendo bem conhecidos; como moribundos, mas eis que vivemos; como castigados, mas não mortos;
6:10 como entristecidos, mas sempre alegres; como pobres, mas enriquecendo muitos; como quem nada tem, mas possui tudo.
6:11 Falamos abertamente a vocês, coríntios; nosso coração se alargou.
6:12 Da nossa parte, não falta espaço para vocês; a falta de espaço está nos próprios afetos de vocês.
6:13 Como retribuição — falo como a filhos —, alarguem também o coração.
6:14 Não se prendam a um jugo desigual com os incrédulos. Pois que parceria existe entre a justiça e a maldade? Ou que comunhão existe entre a luz e as trevas?
6:15 Que harmonia existe entre Cristo e Beliar? Ou que parte tem o crente com o incrédulo?
6:16 Que acordo existe entre o templo de Deus e os ídolos? Pois nós somos templo do Deus vivo, como Deus disse:
 “Habitarei neles e andarei entre eles;
   serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
6:17 Por isso, saiam do meio deles e separem-se, diz o Senhor.
   Não toquem em coisa impura, e eu receberei vocês.
6:18 Serei Pai para vocês, e vocês serão meus filhos e minhas filhas”, diz o Senhor Todo-Poderoso.

Capítulo 7
7:1 Portanto, amados, já que temos essas promessas, purifiquemo-nos de toda contaminação da carne e do espírito, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus.
7:2 Abram espaço para nós. Não tratamos ninguém injustamente, não corrompemos ninguém, não nos aproveitamos de ninguém.
7:3 Não digo isso para condenar vocês, pois já disse que estão em nossos corações para morrermos e vivermos juntos.
7:4 Tenho muita franqueza com vocês e muito me glorio de vocês. Estou cheio de consolação e transbordo de alegria em toda a nossa aflição.
7:5 Pois, mesmo quando chegamos à Macedônia, nosso corpo não teve descanso algum. Pelo contrário, fomos afligidos de todos os modos: conflitos por fora, temores por dentro.
7:6 Mas Deus, que consola os abatidos, nos consolou com a chegada de Tito;
7:7 e não apenas com a chegada dele, mas também com a consolação que recebeu de vocês. Ele nos contou das saudades, do pranto e do zelo de vocês por mim, de modo que me alegrei ainda mais.
7:8 Pois, mesmo que eu tenha entristecido vocês com a carta, não lamento. Ainda que eu tenha lamentado — pois vejo que aquela carta entristeceu vocês, mesmo que só por algum tempo —,
7:9 agora me alegro, não porque vocês ficaram tristes, mas porque essa tristeza os levou ao arrependimento. Pois vocês se entristeceram conforme Deus, para que não sofressem prejuízo algum por nossa causa.
7:10 Pois a tristeza conforme Deus produz um arrependimento que leva à salvação e que não se deve lamentar; mas a tristeza do mundo produz morte.
7:11 Vejam quanto empenho essa tristeza conforme Deus produziu em vocês! Que defesa, que indignação, que temor, que saudade, que zelo, que disposição para fazer justiça! Em tudo vocês demonstraram estar puros nesse assunto.
7:12 Assim, embora eu tenha escrito a vocês, não foi por causa de quem cometeu a injustiça, nem de quem a sofreu, mas para que o empenho de vocês por nós ficasse claro a vocês diante de Deus.
7:13 Por isso, fomos consolados. E, além da nossa consolação, muito mais nos alegramos com a alegria de Tito, porque o espírito dele recebeu descanso por meio de todos vocês.
7:14 Pois, se em alguma coisa me gloriei de vocês diante dele, não fiquei envergonhado. Pelo contrário, assim como tudo o que dissemos a vocês era verdade, também o que dissemos a Tito ao nos gloriarmos de vocês se mostrou verdadeiro.
7:15 E o afeto dele por vocês é ainda maior quando se lembra da obediência de todos vocês e de como o receberam com temor e tremor.
7:16 Alegro-me por ter confiança em vocês em tudo.

Capítulo 8
8:1 Irmãos, queremos que conheçam a graça de Deus concedida às igrejas da Macedônia:
8:2 em meio a uma grande prova de aflição, a alegria abundante e a pobreza profunda deles transbordaram em rica generosidade.
8:3 Pois dou testemunho de que deram de acordo com suas possibilidades, e até além delas, por vontade própria,
8:4 pedindo-nos com muita insistência o privilégio de participar desse serviço aos santos.
8:5 E foram além do que esperávamos: deram primeiro a si mesmos ao Senhor e depois a nós, pela vontade de Deus.
8:6 Por isso, exortamos Tito a completar entre vocês esta obra de graça, assim como a havia começado.
8:7 Assim como vocês transbordam em tudo — na fé, na palavra, no conhecimento, em todo empenho e no amor que de nós chegou a vocês —, transbordem também nesta obra de graça.
8:8 Não digo isso como uma ordem, mas para pôr à prova a autenticidade do amor de vocês por meio do empenho de outros.
8:9 Pois vocês conhecem a graça de nosso Senhor Jesus Cristo: sendo rico, ele se fez pobre por vocês, para que, por meio da pobreza dele, vocês se tornassem ricos.
8:10 E dou meu parecer a respeito disso, pois convém a vocês, que desde o ano passado foram os primeiros não apenas a fazer, mas também a querer.
8:11 Agora, completem também a obra, para que, assim como houve disposição para querer, haja também a conclusão, de acordo com o que vocês têm.
8:12 Pois, quando há boa disposição, ela é aceita de acordo com o que a pessoa tem, e não com o que não tem.
8:13 Não se trata de dar alívio a outros e aflição a vocês, mas de haver igualdade:
8:14 neste momento, que a abundância de vocês supra a necessidade deles, para que também a abundância deles venha a suprir a necessidade de vocês, e assim haja igualdade.
8:15 Como está escrito:
 “A quem recolheu muito, nada sobrou;
   a quem recolheu pouco, nada faltou”.
8:16 Graças a Deus, que põe no coração de Tito o mesmo empenho por vocês.
8:17 Pois ele aceitou a exortação e, com empenho ainda maior, partiu para encontrar vocês por vontade própria.
8:18 Com ele enviamos o irmão que é elogiado em todas as igrejas por seu trabalho no evangelho.
8:19 E não apenas isso: ele também foi escolhido pelas igrejas para ser nosso companheiro de viagem com esta oferta que administramos para a glória do próprio Senhor e para demonstrar nossa boa disposição.
8:20 Assim, evitamos que alguém nos censure por esta oferta abundante que administramos.
8:21 Pois procuramos fazer o que é honesto, não apenas diante do Senhor, mas também diante das pessoas.
8:22 Com eles enviamos também o nosso irmão, cujo empenho comprovamos muitas vezes e em muitas situações, e que agora está ainda mais empenhado pela grande confiança que tem em vocês.
8:23 Quanto a Tito, é meu companheiro e cooperador no trabalho entre vocês; quanto aos nossos irmãos, são mensageiros das igrejas, glória de Cristo.
8:24 Portanto, demonstrem a eles, diante das igrejas, a prova do amor de vocês e de que temos razão para nos gloriarmos de vocês.

Capítulo 9
9:1 Quanto ao serviço em favor dos santos, não preciso escrever a vocês,
9:2 pois conheço a boa disposição de vocês. Dela me glorio diante dos macedônios, dizendo que a Acaia está preparada desde o ano passado; e o zelo de vocês estimulou a maioria.
9:3 Mas enviei os irmãos para que o nosso motivo de glória a respeito de vocês não se mostre vazio nesse assunto e para que estejam preparados, como eu dizia.
9:4 Não aconteça que alguns macedônios venham comigo e encontrem vocês despreparados, e nós — para não dizer vocês — fiquemos envergonhados por essa confiança.
9:5 Por isso, achei necessário exortar os irmãos a irem antes até vocês e prepararem de antemão a oferta generosa que vocês já haviam prometido. Assim, ela estará pronta como expressão de generosidade, e não como uma contribuição forçada.
9:6 Digo isto: quem semeia pouco também colherá pouco, e quem semeia com generosidade também colherá com generosidade.
9:7 Cada um dê conforme decidiu em seu coração, sem tristeza nem obrigação, pois Deus ama quem dá com alegria.
9:8 E Deus pode fazer toda graça transbordar para vocês, para que, tendo sempre em tudo o suficiente, vocês transbordem em toda boa obra.
9:9 Como está escrito:
 “Distribuiu, deu aos pobres;
   a sua justiça permanece para sempre”.
9:10 Aquele que fornece semente ao semeador e pão para alimento também fornecerá e multiplicará a semente de vocês e aumentará os frutos da justiça de vocês.
9:11 Vocês serão enriquecidos em tudo para toda generosidade, que, por nosso intermédio, produz ação de graças a Deus.
9:12 Pois a realização desse serviço não apenas supre as necessidades dos santos, mas também transborda em muitas ações de graças a Deus.
9:13 Pela prova dada por esse serviço, eles glorificam a Deus pela obediência de vocês ao evangelho de Cristo que professam e pela generosidade com que compartilham com eles e com todos.
9:14 E, ao orarem por vocês, sentem saudades de vocês por causa da extraordinária graça de Deus sobre vocês.
9:15 Graças a Deus por seu dom indescritível!

Capítulo 10
10:1 Eu mesmo, Paulo, suplico a vocês pela mansidão e pela bondade de Cristo; eu, que pessoalmente sou humilde entre vocês, mas, quando estou ausente, sou ousado com vocês.
10:2 Peço que, quando eu estiver presente, não tenha de usar a confiança com que pretendo agir ousadamente contra alguns que pensam que vivemos segundo a carne.
10:3 Pois, embora vivamos na carne, não combatemos segundo a carne.
10:4 Porque as armas da nossa luta não são carnais, mas poderosas em Deus para destruir fortalezas. Derrubamos argumentos
10:5 e toda arrogância que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levamos cativo todo pensamento à obediência a Cristo.
10:6 E estamos prontos para punir toda desobediência quando a obediência de vocês estiver completa.
10:7 Vocês olham para as coisas segundo a aparência. Se alguém está convencido de que pertence a Cristo, considere novamente por si mesmo: assim como ele pertence a Cristo, nós também pertencemos.
10:8 Pois, mesmo que eu me glorie um pouco mais da nossa autoridade, que o Senhor nos deu para edificar vocês, e não para destruí-los, não ficarei envergonhado.
10:9 Não quero parecer alguém que tenta intimidar vocês por meio das cartas.
10:10 Pois alguém diz: “As cartas dele são severas e fortes, mas sua presença física é fraca, e sua palavra é desprezível”.
10:11 Essa pessoa considere isto: o que somos em palavras por meio de cartas, quando ausentes, também somos em ações, quando presentes.
10:12 Pois não nos atrevemos a nos incluir entre alguns que recomendam a si mesmos, nem a nos comparar com eles. Mas eles, medindo a si mesmos por si mesmos e comparando-se consigo mesmos, não têm entendimento.
10:13 Nós, porém, não nos gloriaremos além dos limites, mas de acordo com a medida do campo que Deus nos atribuiu, o qual alcança também vocês.
10:14 Pois não ultrapassamos nossos limites, como se não tivéssemos chegado até vocês; de fato, chegamos até vocês com o evangelho de Cristo.
10:15 Não nos gloriamos além dos limites, em trabalhos alheios. Esperamos, porém, que, à medida que a fé de vocês cresça, nosso trabalho entre vocês se amplie grandemente, dentro do nosso campo,
10:16 para anunciarmos o evangelho nas regiões além de vocês, sem nos gloriarmos no trabalho já realizado em campo alheio.
10:17 Mas “quem se gloria, glorie-se no Senhor”.
10:18 Pois quem é aprovado não é aquele que recomenda a si mesmo, mas aquele que o Senhor recomenda.

Capítulo 11
11:1 Quem dera vocês tolerassem um pouco de insensatez da minha parte! Sim, tolerem-me.
11:2 Pois tenho ciúme de vocês com o zelo de Deus, porque os prometi em casamento a um só esposo, para apresentá-los a Cristo como uma virgem pura.
11:3 Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com sua astúcia, a mente de vocês seja corrompida e se afaste da simplicidade e da pureza da devoção a Cristo.
11:4 Pois, se alguém vem e prega outro Jesus, que não pregamos, ou se vocês recebem um espírito diferente, que não receberam, ou um evangelho diferente, que não aceitaram, vocês o toleram muito bem!
11:5 Pois considero que em nada tenho sido inferior aos apóstolos mais eminentes.
11:6 Mesmo que eu seja inexperiente na fala, não o sou no conhecimento. Em tudo e de todas as maneiras, temos demonstrado isso a vocês.
11:7 Ou cometi algum pecado ao me humilhar para que vocês fossem exaltados, por lhes anunciar gratuitamente o evangelho de Deus?
11:8 Despojei outras igrejas, recebendo delas sustento para servir a vocês.
11:9 E, quando estive entre vocês e passei necessidade, não fui um peso para ninguém, pois os irmãos que vieram da Macedônia supriram o que me faltava. Em tudo evitei ser um peso para vocês e continuarei evitando.
11:10 Pela verdade de Cristo que está em mim, ninguém me tirará esse motivo de glória nas regiões da Acaia.
11:11 Por quê? Porque não amo vocês? Deus sabe!
11:12 Mas continuarei fazendo o que faço, para tirar a oportunidade dos que buscam uma oportunidade de serem considerados iguais a nós naquilo de que se gloriam.
11:13 Pois essas pessoas são falsos apóstolos, trabalhadores fraudulentos, que se disfarçam de apóstolos de Cristo.
11:14 E não é de admirar, pois o próprio Satanás se disfarça de anjo de luz.
11:15 Portanto, não é surpreendente que também os servos dele se disfarcem de servos da justiça. O fim deles será de acordo com suas obras.
11:16 Repito: ninguém me considere insensato. Mas, se o fizerem, recebam-me ao menos como insensato, para que eu também me glorie um pouco.
11:17 O que digo com esta confiança em me gloriar, não digo segundo o Senhor, mas como em insensatez.
11:18 Já que muitos se gloriam segundo a carne, eu também me gloriarei.
11:19 Pois vocês, sendo sensatos, toleram de bom grado os insensatos.
11:20 Vocês toleram quem os escraviza, quem os devora, quem se aproveita de vocês, quem se exalta, quem lhes bate no rosto.
11:21 Digo isso para nossa vergonha, como se fôssemos fracos. Mas, naquilo em que alguém se atreve — falo como insensato —, eu também me atrevo.
11:22 São hebreus? Eu também. São israelitas? Eu também. São descendentes de Abraão? Eu também.
11:23 São ministros de Cristo? Falo como quem está fora de si: eu ainda mais! Em trabalhos, muito mais; em prisões, muito mais; em açoites, sem medida; em perigos de morte, muitas vezes.
11:24 Cinco vezes recebi dos judeus trinta e nove açoites.
11:25 Três vezes fui espancado com varas, uma vez fui apedrejado, três vezes sofri naufrágio; passei uma noite e um dia em alto-mar.
11:26 Em viagens, muitas vezes; em perigos de rios, perigos de assaltantes, perigos da parte dos meus compatriotas, perigos da parte dos gentios, perigos na cidade, perigos no deserto, perigos no mar, perigos entre falsos irmãos;
11:27 em trabalho e fadiga, em muitas noites sem dormir, em fome e sede, em jejuns frequentes, em frio e nudez.
11:28 Além das outras coisas, há a pressão diária sobre mim: a preocupação com todas as igrejas.
11:29 Quem está fraco, sem que eu também esteja fraco? Quem é levado a tropeçar, sem que eu arda por dentro?
11:30 Se é necessário me gloriar, vou me gloriar no que mostra a minha fraqueza.
11:31 O Deus e Pai do Senhor Jesus, que é bendito para sempre, sabe que não minto.
11:32 Em Damasco, o governador do rei Aretas vigiava a cidade dos damascenos para me prender,
11:33 mas fui descido num cesto por uma janela da muralha e escapei das mãos dele.

Capítulo 12
12:1 É necessário me gloriar, embora isso não traga proveito. Passarei, então, às visões e revelações do Senhor.
12:2 Conheço um homem em Cristo que, há catorze anos, foi arrebatado até o terceiro céu — se no corpo, não sei; se fora do corpo, não sei; Deus sabe.
12:3 E conheço esse homem — se no corpo ou fora do corpo, não sei; Deus sabe —,
12:4 que foi arrebatado ao paraíso e ouviu palavras inexprimíveis, que não é permitido a um ser humano dizer.
12:5 Desse homem me gloriarei; de mim mesmo, porém, não me gloriarei, a não ser nas fraquezas.
12:6 Pois, se eu quisesse me gloriar, não seria insensato, porque diria a verdade. Mas me abstenho, para que ninguém pense de mim mais do que vê em mim ou ouve de mim.
12:7 Por isso, devido à grandeza extraordinária das revelações, para que eu não me exaltasse, foi-me dado um espinho na carne, um mensageiro de Satanás para me golpear, para que eu não me exaltasse.
12:8 Por causa disso, três vezes supliquei ao Senhor que o afastasse de mim.
12:9 E ele me disse: “A minha graça lhe basta, pois o poder se aperfeiçoa na fraqueza”. Portanto, de muito boa vontade, vou me gloriar antes nas minhas fraquezas, para que o poder de Cristo repouse sobre mim.
12:10 Por isso, tenho prazer nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições e nas angústias por causa de Cristo. Pois, quando estou fraco, então sou forte.
12:11 Tornei-me insensato; vocês me obrigaram. Pois eu deveria ter sido recomendado por vocês, porque em nada fui inferior aos apóstolos mais eminentes, embora eu nada seja.
12:12 Os sinais de um apóstolo foram realizados entre vocês com toda perseverança, com sinais, prodígios e milagres.
12:13 Pois em que vocês foram tratados pior do que as outras igrejas, a não ser no fato de eu mesmo não ter sido um peso para vocês? Perdoem-me essa injustiça!
12:14 Eis que, pela terceira vez, estou pronto para visitar vocês e não serei um peso. Pois não procuro o que é de vocês, mas vocês mesmos. Não são os filhos que devem ajuntar bens para os pais, mas os pais para os filhos.
12:15 Eu, de muito boa vontade, gastarei o que tenho e me gastarei por inteiro pelas almas de vocês. Se amo vocês ainda mais, sou menos amado?
12:16 Mas admitamos: não fui um peso para vocês. Porém, sendo astuto, capturei vocês com engano.
12:17 Acaso me aproveitei de vocês por meio de algum daqueles que lhes enviei?
12:18 Exortei Tito e enviei com ele o irmão. Acaso Tito se aproveitou de vocês? Não andamos no mesmo espírito? Não seguimos os mesmos passos?
12:19 Todo esse tempo vocês têm pensado que estamos nos defendendo diante de vocês? Falamos em Cristo diante de Deus; e tudo, amados, é para a edificação de vocês.
12:20 Pois temo que, ao chegar, não encontre vocês como eu gostaria, e que vocês me encontrem como não gostariam. Temo que haja brigas, ciúmes, explosões de ira, ambições egoístas, calúnias, murmurações, arrogância e desordens;
12:21 que, quando eu voltar, o meu Deus me humilhe diante de vocês e eu tenha de chorar por muitos dos que pecaram antes e não se arrependeram da impureza, da imoralidade sexual e da libertinagem que praticaram.

Capítulo 13
13:1 Esta é a terceira vez que vou visitar vocês. “Pela boca de duas ou três testemunhas, toda questão será confirmada”.
13:2 Já adverti quando estive presente pela segunda vez, e agora, estando ausente, volto a advertir os que pecaram antes e todos os demais: se eu voltar, não serei indulgente,
13:3 pois vocês procuram uma prova de que Cristo fala em mim. Ele não é fraco para com vocês, mas é poderoso entre vocês.
13:4 Pois foi crucificado em fraqueza, mas vive pelo poder de Deus. Nós também somos fracos nele, mas viveremos com ele pelo poder de Deus para com vocês.
13:5 Examinem a si mesmos para ver se estão na fé; ponham a si mesmos à prova. Ou não reconhecem que Jesus Cristo está em vocês? A menos que estejam reprovados.
13:6 Mas espero que reconheçam que nós não estamos reprovados.
13:7 Oramos a Deus para que vocês não façam mal algum, não para que nós pareçamos aprovados, mas para que vocês façam o bem, mesmo que nós pareçamos reprovados.
13:8 Pois nada podemos contra a verdade, mas somente a favor da verdade.
13:9 Pois nos alegramos quando nós estamos fracos e vocês estão fortes. E também oramos por isto: a restauração de vocês.
13:10 Por isso, escrevo estas coisas enquanto estou ausente, para que, estando presente, eu não tenha de agir com severidade segundo a autoridade que o Senhor me deu para edificar, e não para destruir.
13:11 Por fim, irmãos, alegrem-se, sejam restaurados, sejam consolados, tenham o mesmo modo de pensar e vivam em paz. E o Deus de amor e de paz estará com vocês.
13:12 Saúdem uns aos outros com um beijo santo.
13:13 Todos os santos saúdam vocês.
13:14 A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo sejam com todos vocês.

GÁLATAS

Capítulo 1
1:1 Paulo, apóstolo — não da parte de seres humanos, nem por intermédio de um homem, mas por Jesus Cristo e por Deus Pai, que o ressuscitou dentre os mortos —,
1:2 e todos os irmãos que estão comigo, às igrejas da Galácia:
1:3 Graça e paz a vocês, da parte de Deus Pai e de nosso Senhor Jesus Cristo,
1:4 que entregou a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar da presente era má, conforme a vontade de nosso Deus e Pai,
1:5 a quem seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
1:6 Estou admirado de que vocês estejam se afastando tão depressa daquele que os chamou pela graça de Cristo, para seguir um evangelho diferente,
1:7 que, na verdade, não é outro evangelho. O que há são algumas pessoas que perturbam vocês e querem perverter o evangelho de Cristo.
1:8 Mas, ainda que nós ou um anjo do céu anunciemos a vocês um evangelho diferente daquele que lhes anunciamos, seja anátema.
1:9 Como já dissemos, agora repito: se alguém anuncia a vocês um evangelho diferente daquele que receberam, seja anátema.
1:10 Pois busco agora a aprovação das pessoas ou a de Deus? Ou procuro agradar às pessoas? Se eu ainda agradasse às pessoas, não seria escravo de Cristo.
1:11 Pois faço saber a vocês, irmãos, que o evangelho anunciado por mim não é de origem humana.
1:12 Não o recebi de um ser humano, nem me foi ensinado, mas o recebi por revelação de Jesus Cristo.
1:13 Pois vocês ouviram sobre a minha antiga conduta no judaísmo: eu perseguia sem medida a igreja de Deus e procurava destruí-la.
1:14 E, no judaísmo, eu avançava mais do que muitos da minha idade entre o meu povo, sendo muito mais zeloso das tradições de meus antepassados.
1:15 Mas, quando aquele que me separou desde o ventre de minha mãe e me chamou pela sua graça teve por bem
1:16 revelar seu Filho em mim, para que eu o anunciasse entre os gentios, não consultei de imediato carne e sangue,
1:17 nem subi a Jerusalém para encontrar os que eram apóstolos antes de mim. Pelo contrário, parti para a Arábia e depois voltei a Damasco.
1:18 Então, passados três anos, subi a Jerusalém para conhecer Cefas e fiquei com ele quinze dias.
1:19 Não vi nenhum outro dos apóstolos, a não ser Tiago, o irmão do Senhor.
1:20 Quanto ao que escrevo a vocês, declaro diante de Deus que não minto.
1:21 Depois fui às regiões da Síria e da Cilícia.
1:22 Eu não era conhecido de vista pelas igrejas da Judeia que estão em Cristo.
1:23 Elas apenas ouviam dizer: “Aquele que antes nos perseguia agora anuncia a fé que antes procurava destruir”.
1:24 E glorificavam a Deus por minha causa.

Capítulo 2
2:1 Depois, passados catorze anos, subi novamente a Jerusalém com Barnabé, levando também Tito.
2:2 Subi por causa de uma revelação e expus a eles o evangelho que prego entre os gentios, mas em particular aos que eram considerados importantes, para não correr nem ter corrido em vão.
2:3 Mas nem mesmo Tito, que estava comigo, foi obrigado a se circuncidar, embora fosse grego.
2:4 Isso ocorreu por causa dos falsos irmãos introduzidos às escondidas, que se infiltraram para espiar a liberdade que temos em Cristo Jesus, a fim de nos escravizar.
2:5 A eles não cedemos em submissão nem por um momento, para que a verdade do evangelho permanecesse com vocês.
2:6 Quanto aos que eram considerados importantes — o que eram não faz diferença para mim; Deus não faz acepção de pessoas —, eles nada me acrescentaram.
2:7 Pelo contrário, viram que me havia sido confiado o evangelho para os incircuncisos, assim como a Pedro para os circuncisos,
2:8 pois aquele que atuou em Pedro para o apostolado entre os circuncisos também atuou em mim para o trabalho entre os gentios.
2:9 E, reconhecendo a graça que me havia sido dada, Tiago, Cefas e João, considerados colunas, deram a mim e a Barnabé a mão direita em sinal de comunhão, para que nós fôssemos aos gentios e eles aos circuncisos.
2:10 Somente pediram que nos lembrássemos dos pobres, o que também me empenhei em fazer.
2:11 Mas, quando Cefas veio a Antioquia, eu me opus a ele face a face, porque era repreensível.
2:12 Pois, antes de chegarem alguns da parte de Tiago, ele comia com os gentios. Mas, quando chegaram, começou a recuar e a se separar, por medo dos da circuncisão.
2:13 E os outros judeus também se uniram a ele nessa hipocrisia, de modo que até Barnabé foi levado pela hipocrisia deles.
2:14 Mas, quando vi que não andavam retamente conforme a verdade do evangelho, disse a Cefas diante de todos: “Se você, sendo judeu, vive como gentio, e não como judeu, como obriga os gentios a viver como judeus?
2:15 Nós somos judeus de nascimento, e não pecadores dentre os gentios;
2:16 mas, sabendo que o ser humano não é justificado pelas obras da lei, e sim pela fé em Jesus Cristo, também nós cremos em Cristo Jesus, para sermos justificados pela fé em Cristo, e não pelas obras da lei, pois pelas obras da lei ninguém será justificado.
2:17 Mas, se, buscando ser justificados em Cristo, nós mesmos também fomos encontrados pecadores, será que Cristo é ministro do pecado? De modo nenhum!
2:18 Pois, se volto a construir o que destruí, demonstro que eu mesmo sou transgressor.
2:19 Pois eu, por meio da lei, morri para a lei, a fim de viver para Deus. Estou crucificado com Cristo;
2:20 e já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim. E a vida que agora vivo na carne, vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e entregou a si mesmo por mim.
2:21 Não anulo a graça de Deus, pois, se a justiça vem por meio da lei, então Cristo morreu em vão”.

Capítulo 3
3:1 Ó gálatas insensatos! Quem enfeitiçou vocês, diante de cujos olhos Jesus Cristo foi claramente apresentado como crucificado?
3:2 Só quero saber isto de vocês: receberam o Espírito pelas obras da lei ou por ouvirem com fé?
3:3 Vocês são tão insensatos? Tendo começado pelo Espírito, agora vão ser aperfeiçoados pela carne?
3:4 Vocês sofreram tantas coisas em vão? Se é que foi em vão!
3:5 Aquele que lhes concede o Espírito e realiza milagres entre vocês faz isso pelas obras da lei ou por ouvirem com fé?
3:6 Assim, Abraão “creu em Deus, e isso lhe foi contado como justiça”.
3:7 Saibam, portanto, que os que são da fé é que são filhos de Abraão.
3:8 E a Escritura, prevendo que Deus justifica os gentios pela fé, anunciou de antemão o evangelho a Abraão: “Em você serão abençoadas todas as nações”.
3:9 Assim, os que são da fé são abençoados com Abraão, o crente.
3:10 Pois todos os que dependem das obras da lei estão sob maldição, porque está escrito: “Maldito todo aquele que não permanece em todas as coisas escritas no livro da lei para cumpri-las”.
3:11 É evidente que ninguém é justificado diante de Deus pela lei, pois “o justo viverá pela fé”.
3:12 A lei, porém, não se baseia na fé, mas diz: “Quem cumprir estas coisas viverá por elas”.
3:13 Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós, pois está escrito: “Maldito todo aquele que é pendurado num madeiro”,
3:14 para que, em Cristo Jesus, a bênção de Abraão chegasse aos gentios e recebêssemos pela fé a promessa do Espírito.
3:15 Irmãos, falo em termos humanos: mesmo uma aliança humana, depois de confirmada, ninguém a anula nem lhe acrescenta coisa alguma.
3:16 As promessas foram feitas a Abraão e ao seu descendente. Não diz “e aos descendentes”, como se falasse de muitos, mas de um só: “e ao seu descendente”, que é Cristo.
3:17 O que digo é isto: a lei, que veio quatrocentos e trinta anos depois, não invalida a aliança anteriormente confirmada por Deus, de modo a anular a promessa.
3:18 Pois, se a herança vem da lei, já não vem da promessa. Mas Deus a concedeu gratuitamente a Abraão por meio de uma promessa.
3:19 Então, para que serve a lei? Ela foi acrescentada por causa das transgressões, até que viesse o descendente a quem a promessa havia sido feita. Foi estabelecida por meio de anjos, pela mão de um mediador.
3:20 Ora, um mediador não é de uma só parte, mas Deus é um.
3:21 Então a lei é contrária às promessas de Deus? De modo nenhum! Pois, se tivesse sido dada uma lei capaz de dar vida, a justiça realmente viria da lei.
3:22 Mas a Escritura encerrou tudo sob o pecado, para que a promessa, pela fé em Jesus Cristo, fosse dada aos que creem.
3:23 Antes que viesse a fé, estávamos sob a guarda da lei, encerrados até a fé que seria revelada.
3:24 Assim, a lei foi nosso tutor até a chegada de Cristo, para que fôssemos justificados pela fé.
3:25 Mas, tendo vindo a fé, já não estamos sob um tutor.
3:26 Pois todos vocês são filhos de Deus pela fé em Cristo Jesus.
3:27 Pois todos vocês que foram batizados em Cristo se revestiram de Cristo.
3:28 Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem e mulher, pois todos vocês são um em Cristo Jesus.
3:29 E, se vocês pertencem a Cristo, são descendência de Abraão, herdeiros segundo a promessa.

Capítulo 4
4:1 Digo, porém, que, enquanto o herdeiro é menor de idade, em nada difere de um escravo, embora seja dono de tudo.
4:2 Ele está sob tutores e administradores até o prazo determinado pelo pai.
4:3 Assim também nós, quando éramos menores de idade, estávamos escravizados aos elementos básicos do mundo.
4:4 Mas, quando chegou a plenitude do tempo, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei,
4:5 para resgatar os que estavam sob a lei, a fim de que recebêssemos a adoção como filhos.
4:6 E, porque vocês são filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: “Aba, Pai!”
4:7 Assim, você já não é escravo, mas filho; e, se é filho, também é herdeiro por meio de Deus.
4:8 Antes, porém, quando vocês não conheciam a Deus, eram escravos daqueles que, por natureza, não são deuses.
4:9 Mas agora que conhecem a Deus, ou melhor, que são conhecidos por Deus, como voltam novamente aos elementos básicos, fracos e pobres, aos quais querem de novo servir como escravos?
4:10 Vocês observam cuidadosamente dias, meses, épocas e anos.
4:11 Tenho receio de que o meu trabalho por vocês tenha sido em vão.
4:12 Sejam como eu, pois eu também me tornei como vocês. Suplico a vocês, irmãos. Vocês não me fizeram injustiça alguma.
4:13 Vocês sabem que foi por causa de uma enfermidade física que lhes anunciei o evangelho pela primeira vez.
4:14 E, embora minha condição física fosse uma provação para vocês, não me desprezaram nem me rejeitaram; pelo contrário, receberam-me como um anjo de Deus, como Cristo Jesus.
4:15 Onde está, então, a felicidade de vocês? Pois dou testemunho de que, se fosse possível, vocês teriam arrancado os próprios olhos para dá-los a mim.
4:16 Será que me tornei inimigo de vocês por lhes dizer a verdade?
4:17 Eles se interessam por vocês, mas não para o bem. Querem afastar vocês, para que vocês se interessem por eles.
4:18 É bom que se interessem por vocês para o bem, sempre, e não apenas quando estou presente entre vocês.
4:19 Meus filhos, por quem novamente sinto dores de parto, até que Cristo seja formado em vocês,
4:20 eu gostaria de estar agora com vocês e mudar meu tom de voz, pois estou perplexo a respeito de vocês.
4:21 Digam-me, vocês que querem estar sob a lei: não ouvem a lei?
4:22 Pois está escrito que Abraão teve dois filhos, um da escrava e outro da mulher livre.
4:23 Mas o filho da escrava nasceu segundo a carne, e o da mulher livre, por meio da promessa.
4:24 Essas coisas têm sentido alegórico, pois essas mulheres representam duas alianças. Uma vem do monte Sinai e gera filhos para a escravidão; ela é Agar.
4:25 Ora, Agar é o monte Sinai, na Arábia, e corresponde à Jerusalém atual, pois ela é escrava com seus filhos.
4:26 Mas a Jerusalém do alto é livre, e ela é nossa mãe.
4:27 Pois está escrito:
 “Alegre-se, estéril, você que não dá à luz;
   irrompa em gritos, você que não sente dores de parto!
   Pois os filhos da abandonada são mais numerosos que os daquela que tem marido”.
4:28 E vocês, irmãos, são filhos da promessa, como Isaque.
4:29 Mas, assim como naquele tempo o que nasceu segundo a carne perseguia o que nasceu segundo o Espírito, assim também acontece agora.
4:30 Mas o que diz a Escritura? “Expulse a escrava e o filho dela, pois o filho da escrava de modo nenhum herdará com o filho da mulher livre”.
4:31 Portanto, irmãos, não somos filhos da escrava, mas da mulher livre.

Capítulo 5
5:1 Foi para a liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se prendam novamente a um jugo de escravidão.
5:2 Vejam, eu, Paulo, digo a vocês que, se deixarem que os circuncidem, Cristo de nada lhes servirá.
5:3 E declaro novamente a todo homem que se deixa circuncidar que está obrigado a cumprir toda a lei.
5:4 Vocês que procuram ser justificados pela lei estão separados de Cristo; caíram da graça.
5:5 Pois nós, pelo Espírito, aguardamos pela fé a justiça que é a nossa esperança.
5:6 Pois, em Cristo Jesus, nem a circuncisão nem a incircuncisão têm valor algum, mas a fé que atua por meio do amor.
5:7 Vocês corriam bem. Quem impediu vocês de obedecer à verdade?
5:8 Essa persuasão não vem daquele que chama vocês.
5:9 Um pouco de fermento leveda toda a massa.
5:10 Tenho confiança em vocês, no Senhor, de que não pensarão de outro modo. Mas quem perturba vocês carregará a condenação, seja quem for.
5:11 Quanto a mim, irmãos, se ainda prego a circuncisão, por que ainda sou perseguido? Nesse caso, o escândalo da cruz foi anulado.
5:12 Quem dera os que transtornam vocês chegassem até a se mutilar!
5:13 Pois vocês, irmãos, foram chamados à liberdade. Apenas não usem a liberdade como oportunidade para a carne, mas sirvam uns aos outros por meio do amor.
5:14 Pois toda a lei se cumpre numa só palavra: “Ame o seu próximo como a si mesmo”.
5:15 Mas, se vocês mordem e devoram uns aos outros, tenham cuidado para não serem consumidos uns pelos outros.
5:16 Digo, porém: andem pelo Espírito e de modo nenhum satisfarão o desejo da carne.
5:17 Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito, e o Espírito, o que é contrário à carne. Eles se opõem entre si, para que vocês não façam o que querem.
5:18 Mas, se são guiados pelo Espírito, vocês não estão sob a lei.
5:19 As obras da carne são evidentes: imoralidade sexual, impureza, libertinagem,
5:20 idolatria, feitiçaria, inimizades, brigas, ciúmes, explosões de ira, ambições egoístas, divisões, facções,
5:21 invejas, bebedeiras, festas desenfreadas e coisas semelhantes a essas. A respeito disso, advirto vocês, como já adverti: os que praticam tais coisas não herdarão o reino de Deus.
5:22 Mas o fruto do Espírito é amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade,
5:23 mansidão e domínio próprio. Contra essas coisas não há lei.
5:24 E os que pertencem a Cristo crucificaram a carne com suas paixões e desejos.
5:25 Se vivemos pelo Espírito, sigamos também o passo do Espírito.
5:26 Não nos tornemos vaidosos, provocando uns aos outros e invejando uns aos outros.

Capítulo 6
6:1 Irmãos, se alguém for surpreendido em alguma transgressão, vocês que são espirituais restaurem essa pessoa com espírito de mansidão. Cuide de si mesmo, para que você também não seja tentado.
6:2 Levem as cargas uns dos outros, e assim cumprirão a lei de Cristo.
6:3 Pois, se alguém pensa ser alguma coisa, não sendo nada, engana a si mesmo.
6:4 Cada um examine a própria obra; então terá motivo para se gloriar apenas em si mesmo, e não em outro,
6:5 pois cada um levará a sua própria carga.
6:6 Quem recebe instrução na palavra compartilhe todas as coisas boas com quem o instrui.
6:7 Não se enganem: de Deus não se zomba. Pois o que uma pessoa semear, isso também colherá.
6:8 Quem semeia para a própria carne colherá da carne corrupção; mas quem semeia para o Espírito colherá do Espírito vida eterna.
6:9 E não nos desanimemos de fazer o bem, pois, no tempo próprio, colheremos, se não desistirmos.
6:10 Portanto, enquanto temos oportunidade, façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé.
6:11 Vejam com que letras grandes escrevo a vocês de próprio punho.
6:12 Os que querem causar boa impressão na carne obrigam vocês a se circuncidar, somente para não serem perseguidos por causa da cruz de Cristo.
6:13 Pois nem mesmo os que se circuncidam guardam a lei, mas querem que vocês sejam circuncidados para se gloriarem na carne de vocês.
6:14 Mas longe esteja de mim gloriar-me, a não ser na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo, por meio da qual o mundo está crucificado para mim, e eu para o mundo.
6:15 Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão são coisa alguma, mas sim a nova criação.
6:16 E sobre todos os que andarem conforme esta regra haja paz e misericórdia, e sobre o Israel de Deus.
6:17 De agora em diante, ninguém me cause dificuldades, pois eu levo em meu corpo as marcas de Jesus.
6:18 A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com o espírito de vocês, irmãos. Amém.

EFÉSIOS

Capítulo 1
1:1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, aos santos que estão em Éfeso e são fiéis em Cristo Jesus:
1:2 Graça e paz a vocês, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
1:3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou com toda bênção espiritual nos lugares celestiais, em Cristo,
1:4 assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e sem mancha diante dele. Em amor,
1:5 nos predestinou para a adoção como seus filhos por meio de Jesus Cristo, de acordo com o bom propósito de sua vontade,
1:6 para louvor da glória de sua graça, que nos concedeu gratuitamente no Amado.
1:7 Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão das transgressões, segundo a riqueza de sua graça,
1:8 que fez transbordar para nós com toda sabedoria e discernimento,
1:9 dando-nos a conhecer o mistério de sua vontade, conforme o seu bom propósito, que estabeleceu nele,
1:10 para realizar seu plano na plenitude dos tempos: reunir em Cristo todas as coisas, as que estão nos céus e as que estão na terra, todas nele.
1:11 Nele também recebemos herança, tendo sido predestinados segundo o propósito daquele que realiza todas as coisas conforme o conselho de sua vontade,
1:12 para sermos para louvor de sua glória, nós, os que de antemão esperamos em Cristo.
1:13 Nele também vocês, depois de ouvirem a palavra da verdade, o evangelho da salvação de vocês, e de crerem nele, foram selados com o Espírito Santo prometido,
1:14 que é a garantia da nossa herança, até a redenção da propriedade adquirida, para louvor de sua glória.
1:15 Por isso, também eu, depois de ouvir sobre a fé que vocês têm no Senhor Jesus e sobre o amor para com todos os santos,
1:16 não deixo de dar graças por vocês, lembrando-me de vocês em minhas orações,
1:17 para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, lhes dê espírito de sabedoria e de revelação no conhecimento dele,
1:18 com os olhos do coração de vocês iluminados, para que saibam qual é a esperança do seu chamado, qual é a riqueza da glória da herança dele entre os santos
1:19 e qual é a extraordinária grandeza do seu poder para conosco, os que cremos, conforme a atuação da força do seu poder,
1:20 que exerceu em Cristo, ressuscitando-o dentre os mortos e fazendo-o sentar à sua direita nos lugares celestiais,
1:21 muito acima de todo principado, autoridade, poder e domínio, e de todo nome que se possa nomear, não apenas nesta era, mas também na que há de vir.
1:22 E sujeitou todas as coisas debaixo dos pés dele e o deu à igreja como cabeça sobre todas as coisas,
1:23 a qual é o corpo dele, a plenitude daquele que preenche tudo em tudo.

Capítulo 2
2:1 Vocês estavam mortos em suas transgressões e pecados,
2:2 nos quais antes andavam, seguindo o curso deste mundo, conforme o governante do poder do ar, o espírito que agora atua nos filhos da desobediência.
2:3 Entre eles também todos nós vivíamos antes, nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos. Éramos, por natureza, filhos da ira, como os demais.
2:4 Mas Deus, sendo rico em misericórdia, por causa do grande amor com que nos amou,
2:5 mesmo estando nós mortos nas transgressões, nos deu vida com Cristo — pela graça vocês são salvos —
2:6 e com ele nos ressuscitou e nos fez sentar nos lugares celestiais, em Cristo Jesus,
2:7 para mostrar, nas eras que hão de vir, a extraordinária riqueza de sua graça, em sua bondade para conosco em Cristo Jesus.
2:8 Pois pela graça vocês são salvos, por meio da fé, e isso não vem de vocês: é dom de Deus;
2:9 não vem das obras, para que ninguém se glorie.
2:10 Pois somos obra dele, criados em Cristo Jesus para boas obras, que Deus preparou de antemão para que andássemos nelas.
2:11 Portanto, lembrem-se de que antes vocês, gentios na carne, eram chamados “incircuncisão” pela chamada “circuncisão”, feita por mãos humanas na carne.
2:12 Naquele tempo, vocês estavam sem Cristo, excluídos da cidadania de Israel e alheios às alianças da promessa, sem esperança e sem Deus no mundo.
2:13 Mas agora, em Cristo Jesus, vocês, que antes estavam longe, foram aproximados pelo sangue de Cristo.
2:14 Pois ele mesmo é a nossa paz: dos dois fez um e, em sua carne, derrubou o muro de separação, a inimizade,
2:15 anulando a lei dos mandamentos expressos em ordenanças, para criar em si mesmo, dos dois, um só homem novo, fazendo a paz,
2:16 e reconciliar ambos com Deus em um só corpo, por meio da cruz, dando morte nela à inimizade.
2:17 E, vindo, anunciou paz a vocês que estavam longe e paz aos que estavam perto,
2:18 pois, por meio dele, ambos temos acesso ao Pai em um só Espírito.
2:19 Assim, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus,
2:20 edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, sendo o próprio Cristo Jesus a pedra angular.
2:21 Nele todo o edifício, bem ajustado, cresce para ser um templo santo no Senhor.
2:22 Nele também vocês estão sendo edificados juntos para serem morada de Deus no Espírito.

Capítulo 3
3:1 Por esta razão, eu, Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus por vocês, os gentios —
3:2 se é que vocês ouviram falar da administração da graça de Deus que me foi concedida em favor de vocês:
3:3 por revelação me foi dado a conhecer o mistério, como antes escrevi brevemente.
3:4 Ao lerem isso, vocês podem perceber a minha compreensão do mistério de Cristo,
3:5 que em outras gerações não foi dado a conhecer aos seres humanos como agora foi revelado pelo Espírito aos seus santos apóstolos e profetas:
3:6 os gentios são coerdeiros, membros do mesmo corpo e participantes da mesma promessa em Cristo Jesus, por meio do evangelho.
3:7 Desse evangelho me tornei ministro, segundo o dom da graça de Deus que me foi concedida pela atuação do seu poder.
3:8 A mim, que sou menos que o menor de todos os santos, foi concedida esta graça: anunciar aos gentios as insondáveis riquezas de Cristo
3:9 e esclarecer a todos qual é a administração do mistério que, desde as eras passadas, estava oculto em Deus, que criou todas as coisas,
3:10 para que agora, por meio da igreja, a multiforme sabedoria de Deus seja dada a conhecer aos principados e às autoridades nos lugares celestiais,
3:11 segundo o propósito eterno que realizou em Cristo Jesus, nosso Senhor.
3:12 Nele temos ousadia e acesso com confiança, por meio da fé nele.
3:13 Por isso, peço que não desanimem por causa das minhas aflições em favor de vocês, que são a glória de vocês.
3:14 Por esta razão, dobro os joelhos diante do Pai,
3:15 de quem toda família nos céus e na terra recebe o nome,
3:16 para que, segundo as riquezas de sua glória, lhes conceda ser fortalecidos com poder por meio do seu Espírito no ser interior;
3:17 que Cristo habite pela fé no coração de vocês e que, enraizados e alicerçados em amor,
3:18 possam compreender, com todos os santos, qual é a largura, o comprimento, a altura e a profundidade,
3:19 e conhecer o amor de Cristo, que ultrapassa o conhecimento, para que sejam cheios de toda a plenitude de Deus.
3:20 Àquele que é poderoso para fazer muitíssimo mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, segundo o poder que atua em nós,
3:21 a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, pelos séculos dos séculos. Amém.

Capítulo 4
4:1 Portanto, eu, prisioneiro no Senhor, suplico a vocês que andem de modo digno do chamado com que foram chamados,
4:2 com toda humildade e mansidão, com paciência, suportando uns aos outros em amor,
4:3 empenhando-se em conservar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz.
4:4 Há um só corpo e um só Espírito, assim como vocês também foram chamados em uma só esperança do seu chamado;
4:5 um só Senhor, uma só fé, um só batismo;
4:6 um só Deus e Pai de todos, que está sobre todos, por meio de todos e em todos.
4:7 Mas a cada um de nós foi dada a graça segundo a medida do dom de Cristo.
4:8 Por isso diz: “Quando subiu ao alto, levou cativa uma multidão e deu dons aos seres humanos”.
4:9 Ora, o que significa “subiu”, senão que também desceu às regiões inferiores da terra?
4:10 Aquele que desceu é o mesmo que também subiu muito acima de todos os céus, para preencher todas as coisas.
4:11 E ele mesmo deu uns como apóstolos, outros como profetas, outros como evangelistas e outros como pastores e mestres,
4:12 para capacitar os santos para a obra do ministério, para a edificação do corpo de Cristo,
4:13 até que todos cheguemos à unidade da fé e do pleno conhecimento do Filho de Deus, a um homem maduro, à medida da estatura da plenitude de Cristo,
4:14 para que já não sejamos crianças, sacudidas pelas ondas e levadas de um lado para outro por todo vento de doutrina, pela fraude das pessoas e pela astúcia das artimanhas do erro.
4:15 Pelo contrário, falando a verdade em amor, cresçamos em tudo para aquele que é a cabeça, Cristo.
4:16 Dele todo o corpo, bem ajustado e unido por todas as juntas que o sustentam, segundo a atuação de cada parte em sua medida, promove o crescimento do corpo para a sua própria edificação em amor.
4:17 Portanto, digo e afirmo no Senhor que vocês não devem mais andar como os gentios andam, na futilidade da mente deles,
4:18 com o entendimento obscurecido, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do coração deles.
4:19 Tendo perdido toda sensibilidade, entregaram-se à libertinagem, para praticar com avidez toda espécie de impureza.
4:20 Mas não foi assim que vocês aprenderam a Cristo,
4:21 se é que o ouviram e nele foram ensinados, conforme a verdade que está em Jesus:
4:22 que, quanto à antiga maneira de viver, vocês se despojem do velho homem, que se corrompe segundo os desejos enganosos;
4:23 que sejam renovados no espírito da mente de vocês
4:24 e se revistam do novo homem, criado segundo Deus na justiça e na santidade verdadeiras.
4:25 Por isso, abandonando a mentira, cada um fale a verdade com o seu próximo, pois somos membros uns dos outros.
4:26 “Fiquem irados, mas não pequem”. Que o sol não se ponha sobre a ira de vocês,
4:27 nem deem lugar ao diabo.
4:28 Quem rouba não roube mais; antes, trabalhe com empenho, fazendo o que é bom com as próprias mãos, para ter o que compartilhar com quem passa necessidade.
4:29 Nenhuma palavra corrompida saia da boca de vocês, mas apenas a que for boa para edificar conforme a necessidade, para conceder graça aos que ouvem.
4:30 E não entristeçam o Espírito Santo de Deus, com quem vocês foram selados para o dia da redenção.
4:31 Sejam retirados de vocês toda amargura, furor, ira, gritaria e insulto, junto com toda maldade.
4:32 Sejam bondosos uns com os outros, compassivos, perdoando uns aos outros, como também Deus perdoou vocês em Cristo.

Capítulo 5
5:1 Portanto, sejam imitadores de Deus, como filhos amados,
5:2 e andem em amor, como também Cristo nos amou e entregou a si mesmo por nós como oferta e sacrifício a Deus, de aroma agradável.
5:3 Mas a imoralidade sexual, toda impureza ou avareza nem sequer sejam mencionadas entre vocês, como convém aos santos;
5:4 nem obscenidade, palavras tolas ou brincadeiras grosseiras, que não convêm; antes, haja ação de graças.
5:5 Pois saibam disto com certeza: nenhuma pessoa sexualmente imoral, impura ou avarenta — o avarento é idólatra — tem herança no reino de Cristo e de Deus.
5:6 Ninguém engane vocês com palavras vazias, pois por essas coisas a ira de Deus vem sobre os filhos da desobediência.
5:7 Portanto, não participem com eles.
5:8 Pois antes vocês eram trevas, mas agora são luz no Senhor. Andem como filhos da luz
5:9 — pois o fruto da luz consiste em toda bondade, justiça e verdade —,
5:10 examinando o que agrada ao Senhor.
5:11 E não participem das obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, exponham-nas,
5:12 pois é vergonhoso até falar do que eles fazem em segredo.
5:13 Mas todas as coisas, quando expostas pela luz, se tornam manifestas,
5:14 pois tudo o que se torna manifesto é luz. Por isso diz:
 “Desperte, você que dorme, levante-se dentre os mortos, e Cristo iluminará você”.
5:15 Portanto, tenham cuidado com a maneira como andam, não como insensatos, mas como sábios,
5:16 aproveitando bem o tempo, pois os dias são maus.
5:17 Por isso, não sejam insensatos, mas compreendam qual é a vontade do Senhor.
5:18 E não se embriaguem com vinho, pois nisso há desregramento, mas sejam cheios do Espírito,
5:19 falando uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando e entoando louvores ao Senhor no coração de vocês,
5:20 dando sempre graças por tudo a Deus e Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo,
5:21 sujeitando-se uns aos outros no temor de Cristo.
5:22 Esposas, sujeitem-se aos próprios maridos, como ao Senhor,
5:23 pois o marido é cabeça da esposa, como também Cristo é cabeça da igreja, sendo ele mesmo o Salvador do corpo.
5:24 Assim como a igreja se sujeita a Cristo, também as esposas aos maridos, em tudo.
5:25 Maridos, amem suas esposas, como também Cristo amou a igreja e entregou a si mesmo por ela,
5:26 para santificá-la, tendo-a purificado pela lavagem da água, por meio da palavra,
5:27 para ele mesmo apresentar a si a igreja gloriosa, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e sem defeito.
5:28 Assim também os maridos devem amar suas próprias esposas como aos próprios corpos. Quem ama sua esposa ama a si mesmo,
5:29 pois ninguém jamais odiou a própria carne; antes, a alimenta e cuida dela, como também Cristo faz com a igreja,
5:30 porque somos membros do corpo dele.
5:31 “Por isso, o homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá à sua esposa, e os dois serão uma só carne”.
5:32 Esse mistério é grande; eu, porém, falo a respeito de Cristo e da igreja.
5:33 Em todo caso, cada um de vocês ame sua própria esposa como a si mesmo, e a esposa respeite o marido.

Capítulo 6
6:1 Filhos, obedeçam a seus pais no Senhor, pois isso é justo.
6:2 “Honre seu pai e sua mãe”, que é o primeiro mandamento com promessa:
6:3 “Para que lhe vá bem e tenha vida longa sobre a terra”.
6:4 E vocês, pais, não provoquem seus filhos à ira, mas criem-nos na disciplina e na instrução do Senhor.
6:5 Escravos, obedeçam a seus senhores segundo a carne, com temor e tremor, na sinceridade do coração de vocês, como a Cristo;
6:6 não apenas quando são observados, como quem procura agradar às pessoas, mas como escravos de Cristo, fazendo de coração a vontade de Deus,
6:7 servindo de boa vontade, como ao Senhor, e não às pessoas,
6:8 sabendo que cada um receberá do Senhor o bem que fizer, seja escravo, seja livre.
6:9 E vocês, senhores, façam o mesmo para com eles e abandonem as ameaças, sabendo que o Senhor deles e de vocês está nos céus e que para ele não há acepção de pessoas.
6:10 Por fim, fortaleçam-se no Senhor e no poder de sua força.
6:11 Revistam-se de toda a armadura de Deus, para poderem permanecer firmes contra as artimanhas do diabo.
6:12 Pois a nossa luta não é contra carne e sangue, mas contra os principados, contra as autoridades, contra os governantes deste mundo de trevas, contra as forças espirituais da maldade nos lugares celestiais.
6:13 Por isso, tomem toda a armadura de Deus, para que possam resistir no dia mau e, depois de terem feito tudo, permanecer firmes.
6:14 Portanto, permaneçam firmes, com a cintura cingida com a verdade e vestidos com a couraça da justiça,
6:15 e com os pés calçados com a preparação do evangelho da paz.
6:16 Em todas as circunstâncias, tomem o escudo da fé, com o qual poderão apagar todas as flechas em chamas do maligno.
6:17 Recebam também o capacete da salvação e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus,
6:18 orando em todo tempo no Espírito, com toda oração e súplica. Para isso, permaneçam vigilantes com toda perseverança e súplica por todos os santos
6:19 e também por mim, para que, ao abrir a boca, me seja dada a palavra para dar a conhecer com ousadia o mistério do evangelho,
6:20 pelo qual sou embaixador em correntes, para que eu fale dele com ousadia, como devo falar.
6:21 Para que vocês também saibam da minha situação e do que faço, Tíquico, o irmão amado e fiel ministro no Senhor, contará tudo a vocês.
6:22 Eu o enviei a vocês para isso mesmo: para que saibam de nós e para que ele console o coração de vocês.
6:23 Paz aos irmãos e amor com fé, da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo.
6:24 A graça seja com todos os que amam nosso Senhor Jesus Cristo com amor que não perece.

FILIPENSES

Capítulo 1
1:1 Paulo e Timóteo, escravos de Cristo Jesus, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os supervisores e diáconos:
1:2 Graça e paz a vocês, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
1:3 Dou graças ao meu Deus sempre que me lembro de vocês,
1:4 fazendo sempre, em todas as minhas súplicas por todos vocês, a minha oração com alegria,
1:5 pela participação de vocês no evangelho desde o primeiro dia até agora.
1:6 Estou convencido disto: aquele que começou em vocês uma boa obra a completará até o dia de Cristo Jesus.
1:7 É justo que eu pense assim de todos vocês, pois os tenho no coração. Todos vocês participam comigo da graça, tanto nas minhas correntes como na defesa e na confirmação do evangelho.
1:8 Pois Deus é minha testemunha de quanta saudade tenho de todos vocês, com o afeto de Cristo Jesus.
1:9 E isto peço em oração: que o amor de vocês transborde cada vez mais em conhecimento e em todo discernimento,
1:10 para que aprovem o que é melhor e sejam sinceros e irrepreensíveis para o dia de Cristo,
1:11 cheios do fruto de justiça que vem por meio de Jesus Cristo, para a glória e o louvor de Deus.
1:12 Quero que saibam, irmãos, que o que me aconteceu contribuiu, antes, para o avanço do evangelho.
1:13 Assim, em toda a guarda pretoriana e entre todos os demais, ficou evidente que as minhas correntes são por Cristo;
1:14 e a maioria dos irmãos, ganhando confiança no Senhor por causa das minhas correntes, tem muito mais ousadia para falar a palavra sem medo.
1:15 Alguns pregam a Cristo por inveja e rivalidade, mas outros por boa vontade.
1:16 Estes o fazem por amor, sabendo que fui posto para a defesa do evangelho;
1:17 aqueles anunciam a Cristo por ambição egoísta, sem sinceridade, pensando aumentar a aflição das minhas correntes.
1:18 Mas que importa? De qualquer modo, seja por pretexto, seja com sinceridade, Cristo é anunciado, e nisso me alegro. Sim, continuarei me alegrando,
1:19 pois sei que isso resultará em minha salvação, por meio da súplica de vocês e da ajuda do Espírito de Jesus Cristo.
1:20 Essa é a minha ardente expectativa e esperança: em nada serei envergonhado; pelo contrário, com toda ousadia, agora como sempre, Cristo será engrandecido em meu corpo, seja pela vida, seja pela morte.
1:21 Pois, para mim, o viver é Cristo, e o morrer é ganho.
1:22 Mas, se viver na carne significa para mim trabalho frutífero, não sei o que escolher.
1:23 Sinto-me pressionado dos dois lados: desejo partir e estar com Cristo, pois isso é muitíssimo melhor;
1:24 mas permanecer na carne é mais necessário por vocês.
1:25 Convencido disso, sei que ficarei e permanecerei com todos vocês para o progresso e a alegria de vocês na fé,
1:26 para que, pela minha presença novamente entre vocês, transborde em Cristo Jesus o motivo de vocês se gloriarem por mim.
1:27 Somente comportem-se de modo digno do evangelho de Cristo, para que, quer eu vá ver vocês, quer esteja ausente, ouça a respeito de vocês que permanecem firmes em um só espírito, lutando juntos, com uma só alma, pela fé do evangelho,
1:28 sem se deixarem intimidar em nada pelos adversários. Isso é para eles sinal de perdição, mas para vocês de salvação, e isso vem de Deus.
1:29 Pois foi concedido a vocês, em favor de Cristo, não apenas crer nele, mas também sofrer por ele,
1:30 tendo a mesma luta que viram em mim e que agora ouvem que continuo tendo.

Capítulo 2
2:1 Portanto, se há algum encorajamento em Cristo, algum consolo de amor, alguma comunhão do Espírito, algum afeto e compaixão,
2:2 completem a minha alegria, tendo o mesmo modo de pensar, o mesmo amor, unidos em alma, pensando uma só coisa.
2:3 Não façam nada por ambição egoísta nem por vanglória, mas, com humildade, considerem os outros superiores a vocês mesmos.
2:4 Cada um cuide não apenas dos próprios interesses, mas também dos interesses dos outros.
2:5 Tenham entre vocês o mesmo modo de pensar que houve em Cristo Jesus,
2:6 que, existindo em forma de Deus, não considerou a igualdade com Deus algo a que se apegar,
2:7 mas esvaziou-se, tomando a forma de escravo, tornando-se semelhante aos seres humanos.
   E, reconhecido em sua condição de homem,
2:8 humilhou a si mesmo, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz.
2:9 Por isso, Deus também o exaltou soberanamente e lhe concedeu o nome que está acima de todo nome,
2:10 para que, no nome de Jesus, se dobre todo joelho dos que estão nos céus, na terra e debaixo da terra,
2:11 e toda língua confesse que Jesus Cristo é Senhor, para a glória de Deus Pai.
2:12 Portanto, meus amados, assim como sempre obedeceram, desenvolvam a própria salvação com temor e tremor, não apenas na minha presença, mas muito mais agora na minha ausência,
2:13 pois é Deus quem produz em vocês tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.
2:14 Façam tudo sem murmurações nem discussões,
2:15 para que sejam irrepreensíveis e puros, filhos de Deus sem mancha em meio a uma geração tortuosa e perversa, entre a qual brilham como luzeiros no mundo,
2:16 apegando-se à palavra da vida. Assim, no dia de Cristo, terei motivo para me gloriar, pois não terei corrido em vão nem trabalhado em vão.
2:17 Mas, mesmo que eu seja derramado como oferta sobre o sacrifício e o serviço da fé de vocês, alegro-me e compartilho a alegria com todos vocês.
2:18 Do mesmo modo, alegrem-se também vocês e compartilhem a alegria comigo.
2:19 Espero, no Senhor Jesus, enviar Timóteo a vocês em breve, para que eu também me anime ao saber de vocês.
2:20 Pois não tenho ninguém com o mesmo sentir, que se preocupe sinceramente com vocês.
2:21 Pois todos buscam os próprios interesses, e não os de Jesus Cristo.
2:22 Mas vocês conhecem o caráter provado dele: como um filho com seu pai, serviu comigo no evangelho.
2:23 Assim, espero enviá-lo logo que eu veja com clareza a minha situação.
2:24 E confio no Senhor que eu mesmo também irei em breve.
2:25 Mas considerei necessário enviar a vocês Epafrodito, meu irmão, cooperador e companheiro de luta, mensageiro de vocês e servidor nas minhas necessidades.
2:26 Pois ele tinha saudades de todos vocês e estava angustiado porque vocês souberam que ele havia adoecido.
2:27 De fato, esteve doente, perto da morte. Mas Deus teve misericórdia dele, e não somente dele, mas também de mim, para que eu não tivesse tristeza sobre tristeza.
2:28 Por isso, eu o enviei com maior empenho, para que, ao vê-lo novamente, vocês se alegrem e eu tenha menos tristeza.
2:29 Portanto, recebam-no no Senhor com toda alegria e tenham em honra pessoas como ele,
2:30 porque, pela obra de Cristo, chegou perto da morte, arriscando a vida para suprir o que faltava no serviço de vocês para comigo.

Capítulo 3
3:1 Por fim, meus irmãos, alegrem-se no Senhor. Escrever as mesmas coisas a vocês não me é penoso, e para vocês é segurança.
3:2 Cuidado com os cães, cuidado com os maus trabalhadores, cuidado com os mutiladores!
3:3 Pois a circuncisão somos nós, que prestamos culto pelo Espírito de Deus, nos gloriamos em Cristo Jesus e não pomos a confiança na carne,
3:4 embora eu também tenha motivos para confiar na carne. Se algum outro pensa ter motivos para confiar na carne, eu tenho mais:
3:5 circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu;
3:6 quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei, irrepreensível.
3:7 Mas as coisas que para mim eram ganhos, essas considerei perda por causa de Cristo.
3:8 Mais ainda, considero tudo como perda, por causa do valor supremo de conhecer Cristo Jesus, meu Senhor. Por ele perdi todas as coisas e as considero lixo, para ganhar a Cristo
3:9 e ser encontrado nele, não tendo a minha própria justiça, que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a justiça que vem de Deus e se baseia na fé,
3:10 para conhecê-lo, conhecer o poder de sua ressurreição e a participação nos seus sofrimentos, tornando-me semelhante a ele em sua morte,
3:11 se, de algum modo, eu chegar à ressurreição dentre os mortos.
3:12 Não que eu já tenha alcançado isso ou já tenha sido aperfeiçoado; mas prossigo para alcançá-lo, porque também fui alcançado por Cristo.
3:13 Irmãos, não considero que eu mesmo já tenha alcançado isso. Mas uma coisa faço: esquecendo o que fica para trás e me estendendo para o que está adiante,
3:14 prossigo para o alvo, para o prêmio do chamado celestial de Deus em Cristo Jesus.
3:15 Portanto, todos os que somos maduros tenhamos esse modo de pensar. E, se em alguma coisa vocês pensam de modo diferente, Deus também revelará isso a vocês.
3:16 Em todo caso, andemos de acordo com o que já alcançamos.
3:17 Irmãos, unam-se para me imitar e observem os que andam segundo o exemplo que vocês têm em nós.
3:18 Pois muitos andam como inimigos da cruz de Cristo. Muitas vezes falei deles a vocês, e agora digo isso até chorando.
3:19 O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na própria vergonha; têm a mente voltada para as coisas terrenas.
3:20 Pois a nossa cidadania está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,
3:21 que transformará o nosso corpo humilhado para torná-lo semelhante ao seu corpo glorioso, segundo o poder com que também pode sujeitar a si todas as coisas.

Capítulo 4
4:1 Portanto, meus irmãos amados, de quem sinto saudades, minha alegria e coroa, permaneçam assim firmes no Senhor, amados.
4:2 Peço a Evódia e peço a Síntique que tenham o mesmo modo de pensar no Senhor.
4:3 Sim, peço também a você, verdadeiro companheiro, que ajude essas mulheres, que lutaram comigo pelo evangelho, com Clemente e os meus demais cooperadores, cujos nomes estão no livro da vida.
4:4 Alegrem-se sempre no Senhor. Direi outra vez: alegrem-se!
4:5 Que a amabilidade de vocês seja conhecida por todos. O Senhor está perto.
4:6 Não se preocupem com coisa alguma, mas, em toda situação, apresentem suas petições a Deus por meio de oração e súplica, com ação de graças.
4:7 E a paz de Deus, que ultrapassa todo entendimento, guardará os corações e os pensamentos de vocês em Cristo Jesus.
4:8 Por fim, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é digno, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que tem boa fama, se há alguma virtude e algum motivo de louvor, nisso pensem.
4:9 O que vocês aprenderam, receberam, ouviram e viram em mim, ponham em prática. E o Deus da paz estará com vocês.
4:10 Alegrei-me muito no Senhor porque, finalmente, voltou a florescer o cuidado de vocês por mim. Vocês já tinham esse cuidado, mas faltava oportunidade.
4:11 Não digo isso por estar passando necessidade, pois aprendi a me contentar em qualquer situação em que me encontre.
4:12 Sei viver com pouco e sei ter abundância. Em toda situação e em todas as coisas, aprendi o segredo de estar saciado e de passar fome, de ter abundância e de passar necessidade.
4:13 Tudo posso naquele que me fortalece.
4:14 Contudo, vocês fizeram bem em participar da minha aflição.
4:15 Vocês mesmos sabem, filipenses, que, no início do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja participou comigo no dar e no receber, a não ser somente vocês.
4:16 Pois até em Tessalônica vocês me enviaram ajuda, uma e outra vez, para as minhas necessidades.
4:17 Não que eu procure a oferta, mas procuro o fruto que aumenta o crédito na conta de vocês.
4:18 Recebi tudo e tenho de sobra. Estou bem suprido, depois de receber de Epafrodito o que vocês enviaram: aroma agradável, sacrifício aceitável e agradável a Deus.
4:19 E o meu Deus suprirá toda necessidade de vocês, segundo a sua riqueza em glória, em Cristo Jesus.
4:20 Ao nosso Deus e Pai seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
4:21 Saúdem a cada um dos santos em Cristo Jesus. Os irmãos que estão comigo saúdam vocês.
4:22 Todos os santos saúdam vocês, especialmente os da casa de César.
4:23 A graça do Senhor Jesus Cristo seja com o espírito de vocês.

COLOSSENSES

Capítulo 1
1:1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, e o irmão Timóteo,
1:2 aos santos e fiéis irmãos em Cristo que estão em Colossos: graça e paz a vocês, da parte de Deus, nosso Pai.
1:3 Damos graças a Deus, Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, orando sempre por vocês,
1:4 pois ouvimos da fé que vocês têm em Cristo Jesus e do amor que têm por todos os santos,
1:5 por causa da esperança que está reservada para vocês nos céus. Dela vocês ouviram antes na palavra da verdade do evangelho,
1:6 que chegou a vocês. Assim como em todo o mundo ele está dando fruto e crescendo, também entre vocês, desde o dia em que ouviram e conheceram verdadeiramente a graça de Deus.
1:7 Assim vocês aprenderam de Epafras, nosso amado companheiro de serviço, que é fiel ministro de Cristo em nosso favor
1:8 e também nos deu a conhecer o amor de vocês no Espírito.
1:9 Por isso, também nós, desde o dia em que ouvimos, não deixamos de orar por vocês e de pedir que sejam cheios do conhecimento da vontade dele, com toda sabedoria e compreensão espiritual,
1:10 para andarem de modo digno do Senhor, agradando-lhe em tudo, dando fruto em toda boa obra e crescendo no conhecimento de Deus;
1:11 fortalecidos com todo poder, segundo a força de sua glória, para toda perseverança e paciência, com alegria,
1:12 dando graças ao Pai, que tornou vocês aptos a participar da herança dos santos na luz.
1:13 Ele nos livrou do domínio das trevas e nos transferiu para o reino de seu Filho amado,
1:14 em quem temos a redenção, o perdão dos pecados.
1:15 Ele é a imagem do Deus invisível, o primogênito de toda a criação,
1:16 pois nele foram criadas todas as coisas, nos céus e na terra, as visíveis e as invisíveis, sejam tronos, domínios, principados ou autoridades.
   Tudo foi criado por meio dele e para ele.
1:17 Ele existe antes de todas as coisas, e todas as coisas se mantêm unidas nele.
1:18 Ele também é a cabeça do corpo, que é a igreja.
   Ele é o princípio, o primogênito dentre os mortos, para que em tudo tenha o primeiro lugar.
1:19 Pois Deus teve por bem fazer habitar nele toda a plenitude
1:20 e, por meio dele, reconciliar consigo todas as coisas, fazendo a paz pelo sangue de sua cruz;
   por meio dele, tanto as coisas da terra como as dos céus.
1:21 E vocês, que antes estavam afastados e eram inimigos na mente, pelas obras más,
1:22 agora foram reconciliados em seu corpo de carne, por meio da morte, para apresentá-los santos, sem mancha e irrepreensíveis diante dele,
1:23 se de fato permanecerem alicerçados e firmes na fé, sem se afastarem da esperança do evangelho que ouviram, proclamado em toda a criação debaixo do céu, do qual eu, Paulo, me tornei ministro.
1:24 Agora me alegro nos sofrimentos por vocês e completo em minha carne o que falta das aflições de Cristo, em favor do corpo dele, que é a igreja.
1:25 Dela me tornei ministro, segundo a administração que Deus me confiou em favor de vocês, para dar a conhecer plenamente a palavra de Deus:
1:26 o mistério que esteve oculto durante eras e gerações, mas que agora foi manifestado aos seus santos.
1:27 A eles Deus quis dar a conhecer qual é a riqueza da glória deste mistério entre os gentios: Cristo em vocês, a esperança da glória.
1:28 É a ele que proclamamos, advertindo toda pessoa e ensinando toda pessoa com toda sabedoria, para apresentar toda pessoa madura em Cristo.
1:29 Para isso também trabalho com esforço, lutando segundo a força dele, que atua em mim com poder.

Capítulo 2
2:1 Pois quero que saibam da grande luta que tenho por vocês, pelos de Laodiceia e por todos os que não me viram pessoalmente,
2:2 para que os corações deles sejam encorajados e eles estejam unidos em amor, alcançando toda a riqueza da plena certeza do entendimento e o conhecimento do mistério de Deus, que é Cristo.
2:3 Nele estão ocultos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento.
2:4 Digo isso para que ninguém engane vocês com argumentos persuasivos.
2:5 Pois, embora esteja ausente no corpo, estou com vocês em espírito, alegrando-me e vendo a boa ordem de vocês e a firmeza da fé que têm em Cristo.
2:6 Portanto, assim como receberam Cristo Jesus, o Senhor, andem nele,
2:7 enraizados e edificados nele, firmados na fé, como foram ensinados, transbordando em ação de graças.
2:8 Tenham cuidado para que ninguém leve vocês cativos por meio da filosofia e do engano vazio, segundo a tradição humana, segundo os elementos básicos do mundo, e não segundo Cristo.
2:9 Pois nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade,
2:10 e vocês estão completos nele, que é a cabeça de todo principado e autoridade.
2:11 Nele também vocês foram circuncidados com uma circuncisão não feita por mãos humanas, no despojamento do corpo da carne, na circuncisão de Cristo.
2:12 Vocês foram sepultados com ele no batismo, no qual também foram ressuscitados com ele, por meio da fé na ação poderosa de Deus, que o ressuscitou dentre os mortos.
2:13 E a vocês, que estavam mortos nas transgressões e na incircuncisão da sua carne, ele deu vida com Cristo, perdoando-nos todas as transgressões.
2:14 Cancelou o registro da dívida, com seus decretos, que estava contra nós e nos era contrário, e o tirou do meio, pregando-o na cruz.
2:15 Desarmou os principados e as autoridades e os expôs publicamente, triunfando sobre eles na cruz.
2:16 Portanto, ninguém julgue vocês por comida ou bebida, nem por causa de festa, lua nova ou sábados.
2:17 Essas coisas são sombra do que há de vir, mas a realidade pertence a Cristo.
2:18 Ninguém prive vocês do prêmio, comprazendo-se em humildade e culto aos anjos, detendo-se no que viu, enchendo-se sem motivo de orgulho pela sua mente carnal,
2:19 sem se manter unido à cabeça, da qual todo o corpo, suprido e unido pelas juntas e ligamentos, cresce com o crescimento que vem de Deus.
2:20 Se vocês morreram com Cristo para os elementos básicos do mundo, por que, como se ainda vivessem no mundo, se submetem a preceitos
2:21 como “Não manuseie, não prove, não toque”,
2:22 que se referem a coisas que todas perecem com o uso, segundo mandamentos e ensinamentos humanos?
2:23 Essas coisas têm aparência de sabedoria no culto que eles mesmos escolhem, na humildade e no rigor para com o corpo, mas não têm valor algum para impedir a satisfação da carne.

Capítulo 3
3:1 Portanto, se vocês foram ressuscitados com Cristo, busquem as coisas do alto, onde Cristo está, sentado à direita de Deus.
3:2 Tenham a mente voltada para as coisas do alto, não para as da terra,
3:3 pois vocês morreram, e a vida de vocês está escondida com Cristo em Deus.
3:4 Quando Cristo, que é a vida de vocês, se manifestar, então também vocês serão manifestados com ele em glória.
3:5 Portanto, façam morrer o que é terreno em vocês: imoralidade sexual, impureza, paixão, maus desejos e avareza, que é idolatria.
3:6 Por essas coisas, a ira de Deus vem sobre os filhos da desobediência.
3:7 Nelas vocês também andaram no passado, quando viviam nessas coisas.
3:8 Mas agora abandonem também tudo isto: ira, furor, maldade, calúnia e linguagem obscena da boca de vocês.
3:9 Não mintam uns aos outros, pois vocês se despojaram do velho homem com suas práticas
3:10 e se revestiram do novo, que está sendo renovado para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou.
3:11 Aqui não há grego nem judeu, circuncisão nem incircuncisão, bárbaro nem escita, escravo nem livre; mas Cristo é tudo e está em todos.
3:12 Portanto, como eleitos de Deus, santos e amados, revistam-se de profunda compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência,
3:13 suportando uns aos outros e perdoando uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro. Assim como o Senhor perdoou vocês, façam também vocês.
3:14 E, sobre tudo isso, revistam-se do amor, que é o vínculo da perfeição.
3:15 Que a paz de Cristo governe os corações de vocês, pois para essa paz também foram chamados em um só corpo. E sejam agradecidos.
3:16 Que a palavra de Cristo habite em vocês com abundância e com toda sabedoria. Ensinem e advirtam uns aos outros com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando a Deus com gratidão nos corações de vocês.
3:17 E tudo o que fizerem, em palavra ou em ação, façam tudo em nome do Senhor Jesus, dando graças a Deus Pai por meio dele.
3:18 Esposas, sujeitem-se aos maridos, como convém no Senhor.
3:19 Maridos, amem suas esposas e não sejam amargos com elas.
3:20 Filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso é agradável no Senhor.
3:21 Pais, não irritem seus filhos, para que não desanimem.
3:22 Escravos, obedeçam em tudo a seus senhores segundo a carne, não apenas quando são observados, como quem procura agradar às pessoas, mas com sinceridade de coração, temendo ao Senhor.
3:23 Em tudo o que fizerem, trabalhem de coração, como para o Senhor, e não para as pessoas,
3:24 sabendo que receberão do Senhor a herança como recompensa. É a Cristo, o Senhor, que vocês servem.
3:25 Pois quem pratica injustiça receberá de acordo com a injustiça que praticou, e não há acepção de pessoas.

Capítulo 4
4:1 Senhores, deem aos escravos o que é justo e equitativo, sabendo que também vocês têm um Senhor no céu.
4:2 Perseverem na oração, mantendo-se vigilantes nela com ação de graças,
4:3 orando ao mesmo tempo também por nós, para que Deus nos abra uma porta para a palavra, a fim de falarmos do mistério de Cristo, pelo qual também estou preso,
4:4 para que eu o torne conhecido, falando como devo.
4:5 Andem com sabedoria para com os de fora, aproveitando bem o tempo.
4:6 Que a conversa de vocês seja sempre cheia de graça, temperada com sal, para que saibam como devem responder a cada pessoa.
4:7 Tíquico, o irmão amado, fiel ministro e companheiro de serviço no Senhor, contará a vocês tudo a meu respeito.
4:8 Eu o enviei a vocês para isso mesmo: para que saibam de nós e para que ele console os corações de vocês,
4:9 junto com Onésimo, o fiel e amado irmão, que é um de vocês. Eles contarão a vocês tudo o que acontece aqui.
4:10 Aristarco, meu companheiro de prisão, saúda vocês, e também Marcos, primo de Barnabé, a respeito de quem receberam instruções: se ele for até vocês, recebam-no;
4:11 e Jesus, chamado Justo. Esses são os únicos da circuncisão que cooperam comigo para o reino de Deus, e têm sido um consolo para mim.
4:12 Epafras, que é um de vocês, escravo de Cristo, saúda vocês. Ele sempre luta por vocês em suas orações, para que permaneçam firmes, maduros e plenamente convictos de toda a vontade de Deus.
4:13 Pois dou testemunho de que ele se esforça muito por vocês, pelos de Laodiceia e pelos de Hierápolis.
4:14 Lucas, o médico amado, e Demas saúdam vocês.
4:15 Saúdem os irmãos de Laodiceia, Ninfa e a igreja que se reúne na casa dela.
4:16 E, quando esta carta tiver sido lida entre vocês, façam que também seja lida na igreja dos laodicenses; e vocês também leiam a que vem de Laodiceia.
4:17 E digam a Arquipo: “Cuide de cumprir o ministério que você recebeu no Senhor”.
4:18 Eu, Paulo, escrevo esta saudação de próprio punho. Lembrem-se das minhas correntes. A graça seja com vocês.

1 TESSALONICENSES

Capítulo 1
1:1 Paulo, Silvano e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses em Deus Pai e no Senhor Jesus Cristo: graça e paz a vocês.
1:2 Sempre damos graças a Deus por todos vocês, mencionando vocês sem cessar em nossas orações,
1:3 lembrando diante de nosso Deus e Pai a obra da fé de vocês, o esforço do amor e a perseverança da esperança em nosso Senhor Jesus Cristo.
1:4 Sabemos, irmãos amados por Deus, que ele escolheu vocês,
1:5 pois o nosso evangelho não chegou a vocês apenas em palavra, mas também em poder, no Espírito Santo e com plena convicção. Vocês sabem como nos comportamos entre vocês, em seu favor.
1:6 E vocês se tornaram nossos imitadores e do Senhor, recebendo a palavra em meio a muita aflição, com a alegria do Espírito Santo,
1:7 de modo que se tornaram exemplo para todos os que creem na Macedônia e na Acaia.
1:8 Pois, a partir de vocês, ressoou a palavra do Senhor, não apenas na Macedônia e na Acaia; a fé de vocês em Deus se espalhou por todo lugar, de modo que não precisamos dizer nada.
1:9 Pois eles mesmos contam a nosso respeito como fomos recebidos entre vocês e como vocês se voltaram dos ídolos para Deus, para servir ao Deus vivo e verdadeiro
1:10 e aguardar dos céus o seu Filho, a quem ressuscitou dentre os mortos, Jesus, que nos livra da ira que vem.

Capítulo 2
2:1 Pois vocês mesmos sabem, irmãos, que a nossa visita a vocês não foi em vão.
2:2 Pelo contrário, depois de sofrermos e sermos maltratados em Filipos, como sabem, tivemos ousadia em nosso Deus para anunciar a vocês o evangelho de Deus, em meio a grande luta.
2:3 Pois a nossa exortação não vem de erro nem de impureza, nem é feita com engano.
2:4 Mas, assim como fomos aprovados por Deus para que o evangelho nos fosse confiado, assim falamos, não para agradar às pessoas, mas a Deus, que examina os nossos corações.
2:5 Pois nunca usamos palavras de bajulação, como vocês sabem, nem pretexto para a avareza; Deus é testemunha.
2:6 Também não buscamos glória das pessoas, nem de vocês, nem de outros,
2:7 embora pudéssemos ser um peso, como apóstolos de Cristo. Pelo contrário, fomos ternos entre vocês, como uma ama que cuida com carinho dos próprios filhos.
2:8 Assim, com tanto afeto por vocês, estávamos dispostos a compartilhar não apenas o evangelho de Deus, mas também as nossas próprias vidas, porque vocês se tornaram muito queridos para nós.
2:9 Pois vocês se lembram, irmãos, do nosso trabalho e fadiga: trabalhando noite e dia, para não sermos um peso para nenhum de vocês, proclamamos a vocês o evangelho de Deus.
2:10 Vocês e Deus são testemunhas de como nos comportamos de modo santo, justo e irrepreensível com vocês, os que creem.
2:11 Vocês sabem que, como um pai a seus próprios filhos, a cada um de vocês
2:12 exortávamos, encorajávamos e insistíamos para que vivesse de modo digno de Deus, que chama vocês para o seu próprio reino e glória.
2:13 Por isso, também nós damos graças a Deus sem cessar: quando receberam a palavra de Deus que ouviram de nós, vocês a acolheram não como palavra humana, mas como ela verdadeiramente é, palavra de Deus, que também atua em vocês, os que creem.
2:14 Pois vocês, irmãos, se tornaram imitadores das igrejas de Deus em Cristo Jesus que estão na Judeia, porque também sofreram dos próprios compatriotas as mesmas coisas que elas sofreram dos judeus,
2:15 que mataram o Senhor Jesus e os profetas, e nos expulsaram. Não agradam a Deus e se opõem a todos os seres humanos,
2:16 impedindo-nos de falar aos gentios para que sejam salvos. Assim, enchem sempre a medida dos seus pecados; mas a ira os alcançou plenamente.
2:17 Nós, porém, irmãos, separados de vocês por um breve tempo — em presença, mas não em coração —, nos empenhamos ainda mais, com grande desejo, em ver o rosto de vocês.
2:18 Por isso, quisemos ir até vocês — eu, Paulo, uma e outra vez —, mas Satanás nos impediu.
2:19 Pois qual é a nossa esperança, alegria ou coroa de glória diante de nosso Senhor Jesus, na sua vinda? Não são também vocês?
2:20 Pois vocês são a nossa glória e alegria.

Capítulo 3
3:1 Por isso, não podendo mais suportar, decidimos ficar sozinhos em Atenas
3:2 e enviamos Timóteo, nosso irmão e cooperador de Deus no evangelho de Cristo, para fortalecer e encorajar vocês na fé,
3:3 para que ninguém seja abalado por essas aflições. Pois vocês mesmos sabem que para isso estamos destinados.
3:4 De fato, quando estávamos com vocês, já avisávamos que sofreríamos aflições, como aconteceu e vocês sabem.
3:5 Por isso, também eu, não podendo mais suportar, enviei Timóteo para saber da fé de vocês, temendo que o tentador os tivesse tentado e o nosso trabalho se tornasse inútil.
3:6 Mas agora Timóteo voltou de vocês para nós e nos trouxe boas notícias da fé e do amor de vocês, e de que sempre guardam uma boa lembrança de nós, desejando nos ver, assim como nós também desejamos ver vocês.
3:7 Por isso, irmãos, em toda a nossa necessidade e aflição, fomos consolados a respeito de vocês por meio da fé de vocês,
3:8 pois agora vivemos, se vocês permanecem firmes no Senhor.
3:9 Pois que ação de graças podemos dar em retribuição a Deus por vocês, por toda a alegria com que nos alegramos por causa de vocês diante do nosso Deus,
3:10 suplicando noite e dia, com grande insistência, para ver o rosto de vocês e suprir o que falta à fé de vocês?
3:11 Que o próprio Deus, nosso Pai, e nosso Senhor Jesus dirijam o nosso caminho até vocês.
3:12 E que o Senhor faça vocês crescerem e transbordarem em amor uns pelos outros e por todos, assim como nós amamos vocês,
3:13 para fortalecer os corações de vocês, irrepreensíveis em santidade diante de nosso Deus e Pai, na vinda de nosso Senhor Jesus com todos os seus santos.

Capítulo 4
4:1 Por fim, irmãos, pedimos e exortamos vocês no Senhor Jesus a que progridam ainda mais no modo de viver e agradar a Deus que receberam de nós, como de fato já vivem.
4:2 Pois vocês sabem quais instruções lhes demos por meio do Senhor Jesus.
4:3 Pois esta é a vontade de Deus: a santificação de vocês, que se abstenham da imoralidade sexual;
4:4 que cada um de vocês saiba controlar o próprio corpo com santidade e honra,
4:5 sem se deixar dominar pelo desejo, como os gentios que não conhecem a Deus;
4:6 que ninguém ultrapasse os limites nem se aproveite do seu irmão nesse assunto, pois o Senhor faz justiça em todas essas coisas, como já dissemos e advertimos solenemente a vocês.
4:7 Pois Deus não nos chamou para a impureza, mas para a santificação.
4:8 Portanto, quem rejeita isso não rejeita um ser humano, mas a Deus, que dá a vocês o seu Espírito Santo.
4:9 Quanto ao amor fraternal, vocês não precisam que lhes escrevamos, pois vocês mesmos foram ensinados por Deus a amar uns aos outros.
4:10 De fato, vocês fazem isso com todos os irmãos em toda a Macedônia. Mas exortamos vocês, irmãos, a progredirem ainda mais
4:11 e a se empenharem em viver tranquilamente, cuidar dos próprios assuntos e trabalhar com as próprias mãos, como ordenamos a vocês,
4:12 para que se comportem dignamente para com os de fora e não dependam de ninguém.
4:13 Não queremos que vocês desconheçam, irmãos, a situação dos que dormem, para que não se entristeçam como os demais, que não têm esperança.
4:14 Pois, se cremos que Jesus morreu e ressuscitou, assim também Deus, por meio de Jesus, trará com ele os que adormeceram.
4:15 Pois dizemos isto a vocês pela palavra do Senhor: nós, os que estivermos vivos e permanecermos até a vinda do Senhor, de modo nenhum precederemos os que adormeceram.
4:16 Pois o próprio Senhor descerá do céu com voz de comando, com voz de arcanjo e com a trombeta de Deus, e os mortos em Cristo ressuscitarão primeiro.
4:17 Depois nós, os que estivermos vivos e permanecermos, seremos arrebatados com eles nas nuvens, para o encontro com o Senhor no ar. E assim estaremos para sempre com o Senhor.
4:18 Portanto, consolem uns aos outros com essas palavras.

Capítulo 5
5:1 Quanto aos tempos e às épocas, irmãos, vocês não precisam que lhes escrevamos,
5:2 pois vocês mesmos sabem muito bem que o dia do Senhor vem como um ladrão na noite.
5:3 Quando disserem: “Paz e segurança”, então lhes sobrevirá destruição repentina, como as dores de parto à mulher grávida, e de modo nenhum escaparão.
5:4 Mas vocês, irmãos, não estão nas trevas, para que esse dia surpreenda vocês como um ladrão,
5:5 pois todos vocês são filhos da luz e filhos do dia. Não somos da noite nem das trevas.
5:6 Portanto, não durmamos como os demais, mas vigiemos e sejamos sóbrios.
5:7 Pois os que dormem dormem de noite, e os que se embriagam se embriagam de noite.
5:8 Mas nós, que somos do dia, sejamos sóbrios, vestidos com a couraça da fé e do amor, e tendo como capacete a esperança da salvação.
5:9 Pois Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançar a salvação por meio de nosso Senhor Jesus Cristo,
5:10 que morreu por nós para que, quer estejamos acordados, quer dormindo, vivamos juntos com ele.
5:11 Por isso, encorajem e edifiquem uns aos outros, como de fato já fazem.
5:12 Pedimos a vocês, irmãos, que reconheçam os que trabalham com esforço entre vocês, os lideram no Senhor e os advertem,
5:13 e que os tenham em altíssima estima, com amor, por causa do trabalho deles. Vivam em paz uns com os outros.
5:14 Exortamos vocês, irmãos: advirtam os indisciplinados, encorajem os desanimados, amparem os fracos e sejam pacientes com todos.
5:15 Tenham cuidado para que ninguém retribua a outro mal por mal; pelo contrário, busquem sempre o bem uns dos outros e de todos.
5:16 Alegrem-se sempre.
5:17 Orem sem cessar.
5:18 Deem graças em tudo, pois esta é a vontade de Deus para vocês em Cristo Jesus.
5:19 Não apaguem o Espírito.
5:20 Não desprezem as profecias.
5:21 Mas examinem tudo; retenham o que é bom.
5:22 Abstenham-se de toda forma de mal.
5:23 Que o próprio Deus da paz santifique vocês por completo, e que o espírito, a alma e o corpo de vocês sejam preservados íntegros e irrepreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.
5:24 Fiel é aquele que chama vocês, e ele também o fará.
5:25 Irmãos, orem por nós.
5:26 Saúdem todos os irmãos com um beijo santo.
5:27 Encarrego vocês solenemente, pelo Senhor, de fazer que esta carta seja lida a todos os irmãos.
5:28 A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com vocês.

2 TESSALONICENSES

Capítulo 1
1:1 Paulo, Silvano e Timóteo, à igreja dos tessalonicenses em Deus, nosso Pai, e no Senhor Jesus Cristo:
1:2 Graça e paz a vocês, da parte de Deus Pai e do Senhor Jesus Cristo.
1:3 Devemos sempre dar graças a Deus por vocês, irmãos, como é justo, pois a fé de vocês cresce extraordinariamente, e o amor de cada um de vocês pelos demais aumenta,
1:4 de modo que nós mesmos nos gloriamos de vocês nas igrejas de Deus, por sua perseverança e fé em todas as perseguições e aflições que suportam.
1:5 Isso é demonstração do justo juízo de Deus, para que vocês sejam considerados dignos do reino de Deus, pelo qual também sofrem,
1:6 pois é justo diante de Deus retribuir com aflição aos que afligem vocês
1:7 e dar a vocês, os afligidos, descanso conosco, quando o Senhor Jesus se revelar do céu com os anjos do seu poder,
1:8 em chama de fogo, dando retribuição aos que não conhecem a Deus e aos que não obedecem ao evangelho de nosso Senhor Jesus.
1:9 Eles sofrerão o castigo da destruição eterna, longe da presença do Senhor e da glória de sua força,
1:10 quando ele vier, naquele dia, para ser glorificado nos seus santos e admirado em todos os que creram, pois o nosso testemunho foi crido entre vocês.
1:11 Por isso, também oramos sempre por vocês, para que o nosso Deus os considere dignos do chamado e cumpra com poder todo desejo de bondade e toda obra de fé,
1:12 a fim de que o nome de nosso Senhor Jesus seja glorificado em vocês, e vocês nele, segundo a graça de nosso Deus e do Senhor Jesus Cristo.

Capítulo 2
2:1 Quanto à vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e à nossa reunião com ele, pedimos a vocês, irmãos,
2:2 que não percam depressa a serenidade nem fiquem alarmados, seja por manifestação espiritual, por palavra ou por carta supostamente nossa, como se o dia do Senhor já tivesse chegado.
2:3 Ninguém engane vocês de modo algum, pois esse dia não virá sem que primeiro venha a apostasia e seja revelado o homem da iniquidade, o filho da perdição,
2:4 que se opõe e se exalta acima de tudo o que é chamado deus ou objeto de culto, a ponto de se sentar no templo de Deus, apresentando a si mesmo como Deus.
2:5 Não se lembram de que eu lhes dizia essas coisas quando ainda estava com vocês?
2:6 E agora vocês sabem o que o detém, para que seja revelado no seu devido tempo.
2:7 Pois o mistério da iniquidade já está atuando; apenas aquele que agora o detém continuará a fazê-lo até que seja retirado do meio.
2:8 Então será revelado o iníquo, a quem o Senhor Jesus matará com o sopro de sua boca e anulará com a manifestação de sua vinda.
2:9 A vinda desse iníquo será segundo a atuação de Satanás, com todo poder, sinais e prodígios de mentira
2:10 e com todo engano de injustiça para os que estão perecendo, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos.
2:11 Por isso, Deus lhes envia uma força de engano, para que creiam na mentira,
2:12 a fim de que sejam julgados todos os que não creram na verdade, mas tiveram prazer na injustiça.
2:13 Nós, porém, devemos sempre dar graças a Deus por vocês, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus escolheu vocês como primícias para a salvação, pela santificação do Espírito e pela fé na verdade.
2:14 Para isso ele chamou vocês por meio do nosso evangelho, para alcançarem a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.
2:15 Portanto, irmãos, permaneçam firmes e conservem as tradições que lhes foram ensinadas, seja por palavra, seja por carta nossa.
2:16 Que o próprio nosso Senhor Jesus Cristo e Deus, nosso Pai, que nos amou e nos deu, pela graça, consolação eterna e boa esperança,
2:17 consolem os corações de vocês e os fortaleçam em toda boa obra e palavra.

Capítulo 3
3:1 Por fim, irmãos, orem por nós, para que a palavra do Senhor corra e seja glorificada, como também aconteceu entre vocês,
3:2 e para que sejamos livrados de pessoas perversas e más, pois nem todos têm fé.
3:3 Mas o Senhor é fiel; ele fortalecerá vocês e os guardará do maligno.
3:4 E temos confiança no Senhor a respeito de vocês: estão fazendo e continuarão a fazer o que ordenamos.
3:5 Que o Senhor dirija os corações de vocês para o amor de Deus e para a perseverança de Cristo.
3:6 Ordenamos a vocês, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que se afastem de todos os irmãos que vivem de modo desordenado, e não segundo a tradição que receberam de nós.
3:7 Pois vocês mesmos sabem como devem nos imitar, porque não vivemos de modo desordenado entre vocês,
3:8 nem comemos de graça o pão de ninguém. Pelo contrário, trabalhamos com esforço e fadiga, noite e dia, para não sermos um peso para nenhum de vocês.
3:9 Não porque não tenhamos esse direito, mas para oferecer a vocês, em nós mesmos, um exemplo a imitar.
3:10 Pois, quando ainda estávamos com vocês, ordenávamos isto: “Se alguém não quer trabalhar, também não coma”.
3:11 Pois ouvimos que alguns entre vocês vivem de modo desordenado, sem trabalhar, mas se intrometendo nos assuntos alheios.
3:12 A essas pessoas ordenamos e exortamos, no Senhor Jesus Cristo, que trabalhem tranquilamente e comam o próprio pão.
3:13 Vocês, porém, irmãos, não se cansem de fazer o bem.
3:14 Se alguém não obedece à nossa palavra nesta carta, assinalem essa pessoa e não se associem com ela, para que se envergonhe.
3:15 Mas não a considerem inimiga; antes, advirtam-na como a um irmão.
3:16 Que o próprio Senhor da paz dê a vocês paz sempre, de todas as maneiras. O Senhor seja com todos vocês.
3:17 Eu, Paulo, escrevo esta saudação de próprio punho, o que é sinal em toda carta. É assim que escrevo.
3:18 A graça de nosso Senhor Jesus Cristo seja com todos vocês.

1 TIMÓTEO

Capítulo 1
1:1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus por ordem de Deus, nosso Salvador, e de Cristo Jesus, nossa esperança,
1:2 a Timóteo, verdadeiro filho na fé: graça, misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor.
1:3 Quando eu partia para a Macedônia, pedi a você que permanecesse em Éfeso, para ordenar a alguns que não ensinassem uma doutrina diferente
1:4 nem se dedicassem a mitos e genealogias intermináveis, que produzem especulações em vez de promover a administração de Deus que se realiza pela fé.
1:5 O propósito dessa ordem é o amor que procede de um coração puro, de uma boa consciência e de uma fé sem hipocrisia.
1:6 Alguns, desviando-se dessas coisas, se voltaram para conversas vazias.
1:7 Querem ser mestres da lei, sem entender o que dizem nem aquilo que afirmam com tanta segurança.
1:8 Sabemos, porém, que a lei é boa, se alguém a usa de modo legítimo,
1:9 sabendo isto: a lei não é estabelecida para o justo, mas para os transgressores e rebeldes, os ímpios e pecadores, os irreverentes e profanos, os que matam o pai ou a mãe, os homicidas,
1:10 os que praticam imoralidade sexual, os homens que se deitam com homens, os traficantes de escravos, os mentirosos, os que juram em falso e qualquer outra coisa que se oponha à sã doutrina,
1:11 segundo o evangelho da glória do Deus bendito, que me foi confiado.
1:12 Dou graças a Cristo Jesus, nosso Senhor, que me fortaleceu, pois me considerou fiel, colocando-me no ministério,
1:13 embora antes eu fosse blasfemo, perseguidor e violento. Mas recebi misericórdia, porque agi por ignorância, na incredulidade.
1:14 E a graça de nosso Senhor transbordou com a fé e o amor que estão em Cristo Jesus.
1:15 Fiel é esta palavra e digna de toda aceitação: Cristo Jesus veio ao mundo para salvar pecadores, dos quais eu sou o principal.
1:16 Mas por isso recebi misericórdia: para que Cristo Jesus mostrasse em mim, o principal, toda a sua paciência, como exemplo aos que haveriam de crer nele para a vida eterna.
1:17 Ao Rei dos séculos, incorruptível, invisível, ao único Deus, sejam honra e glória pelos séculos dos séculos. Amém.
1:18 Confio esta ordem a você, meu filho Timóteo, de acordo com as profecias anteriormente feitas a seu respeito, para que, apoiado nelas, combata o bom combate,
1:19 conservando a fé e uma boa consciência. Alguns rejeitaram a boa consciência e naufragaram na fé.
1:20 Entre eles estão Himeneu e Alexandre, que entreguei a Satanás para que aprendam a não blasfemar.

Capítulo 2
2:1 Portanto, exorto, antes de tudo, que sejam feitas súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todas as pessoas,
2:2 pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que levemos uma vida tranquila e serena, com toda piedade e dignidade.
2:3 Isso é bom e aceitável diante de Deus, nosso Salvador,
2:4 que deseja que todas as pessoas sejam salvas e cheguem ao conhecimento da verdade.
2:5 Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os seres humanos: o homem Cristo Jesus,
2:6 que entregou a si mesmo como resgate por todos, testemunho dado no devido tempo.
2:7 Para isso fui designado pregador e apóstolo — digo a verdade, não minto —, mestre dos gentios na fé e na verdade.
2:8 Quero, portanto, que os homens orem em todo lugar, levantando mãos santas, sem ira nem discussão.
2:9 Da mesma forma, que as mulheres se adornem com roupa decente, com pudor e domínio próprio, não com tranças, ouro, pérolas ou roupas caras,
2:10 mas com boas obras, como convém a mulheres que professam reverência a Deus.
2:11 Que a mulher aprenda em silêncio, com toda sujeição.
2:12 Não permito que a mulher ensine nem exerça autoridade sobre o homem, mas que permaneça em silêncio.
2:13 Pois Adão foi formado primeiro, depois Eva.
2:14 E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, incorreu em transgressão.
2:15 Mas será salva por meio do parto, se permanecerem na fé, no amor e na santificação com domínio próprio.

Capítulo 3
3:1 Fiel é esta palavra: se alguém aspira à função de supervisor, deseja uma boa obra.
3:2 Portanto, o supervisor deve ser irrepreensível, marido de uma só mulher, sóbrio, prudente, respeitável, hospitaleiro, apto para ensinar;
3:3 não dado ao vinho nem violento, mas amável, pacífico, sem amor ao dinheiro.
3:4 Deve dirigir bem a própria casa, mantendo os filhos em sujeição com toda dignidade.
3:5 Pois, se alguém não sabe dirigir a própria casa, como cuidará da igreja de Deus?
3:6 Não deve ser recém-convertido, para que não se encha de orgulho e caia na condenação do diabo.
3:7 Também deve ter boa reputação entre os de fora, para que não caia em descrédito e na armadilha do diabo.
3:8 Da mesma forma, os diáconos devem ser dignos, sem duplicidade no falar, não dados a muito vinho nem cobiçosos de ganhos desonestos,
3:9 conservando o mistério da fé com uma consciência pura.
3:10 Também eles devem ser primeiro provados; depois, se forem irrepreensíveis, sirvam como diáconos.
3:11 Da mesma forma, as mulheres devem ser dignas, não caluniadoras, sóbrias e fiéis em tudo.
3:12 Os diáconos sejam maridos de uma só mulher e dirijam bem seus filhos e suas próprias casas.
3:13 Pois os que servem bem como diáconos adquirem para si uma posição honrosa e muita confiança na fé em Cristo Jesus.
3:14 Escrevo essas coisas a você, esperando ir vê-lo em breve,
3:15 para que, se eu demorar, você saiba como se deve proceder na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e sustentáculo da verdade.
3:16 E, sem dúvida, grande é o mistério da piedade:
 ele foi manifestado em carne, vindicado em espírito, visto por anjos, proclamado entre as nações, crido no mundo e recebido no alto em glória.

Capítulo 4
4:1 Mas o Espírito diz expressamente que, em tempos posteriores, alguns se afastarão da fé, dando atenção a espíritos enganadores e a ensinos de demônios,
4:2 pela hipocrisia de mentirosos que têm a própria consciência cauterizada.
4:3 Eles proíbem o casamento e ordenam a abstinência de alimentos que Deus criou para serem recebidos com ação de graças pelos que creem e conhecem a verdade.
4:4 Pois tudo o que Deus criou é bom, e nada deve ser rejeitado quando recebido com ação de graças,
4:5 porque é santificado pela palavra de Deus e pela oração.
4:6 Ao apresentar essas coisas aos irmãos, você será um bom ministro de Cristo Jesus, nutrido com as palavras da fé e do bom ensino que tem seguido.
4:7 Mas rejeite os mitos profanos e os contos de velhas. Exercite-se, antes, na piedade.
4:8 Pois o exercício físico tem utilidade limitada, mas a piedade é útil para tudo, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir.
4:9 Fiel é esta palavra e digna de toda aceitação.
4:10 Pois para isso trabalhamos com esforço e suportamos insultos, porque pusemos a esperança no Deus vivo, que é o Salvador de todas as pessoas, especialmente dos que creem.
4:11 Ordene e ensine essas coisas.
4:12 Ninguém despreze a sua juventude; antes, seja exemplo para os que creem, na palavra, na conduta, no amor, na fé e na pureza.
4:13 Até que eu chegue, dedique-se à leitura pública, à exortação e ao ensino.
4:14 Não descuide do dom que há em você, que lhe foi dado por meio de profecia, com a imposição das mãos do conselho de presbíteros.
4:15 Pratique essas coisas e dedique-se inteiramente a elas, para que o seu progresso seja evidente a todos.
4:16 Cuide de si mesmo e do ensino. Persevere nessas coisas, pois, fazendo isso, salvará tanto a si mesmo como aos que ouvem você.

Capítulo 5
5:1 Não repreenda com dureza um homem idoso, mas exorte-o como a um pai; aos mais jovens, como a irmãos;
5:2 às mulheres idosas, como a mães; às mais jovens, como a irmãs, com toda pureza.
5:3 Honre as viúvas que são de fato viúvas.
5:4 Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, que eles aprendam primeiro a praticar a piedade para com a própria família e a retribuir o que receberam de seus pais e avós, pois isso é aceitável diante de Deus.
5:5 A que é de fato viúva e ficou sozinha tem posto a esperança em Deus e persevera em súplicas e orações noite e dia.
5:6 Mas a que vive entregue aos prazeres está morta, embora viva.
5:7 Ordene também essas coisas, para que sejam irrepreensíveis.
5:8 Se alguém não cuida dos seus, especialmente dos da própria casa, negou a fé e é pior que um incrédulo.
5:9 Seja inscrita a viúva que tenha pelo menos sessenta anos, que tenha sido esposa de um só homem
5:10 e seja reconhecida por boas obras: se criou filhos, se praticou a hospitalidade, se lavou os pés dos santos, se socorreu os aflitos, se se dedicou a toda boa obra.
5:11 Mas não admita as viúvas mais jovens, pois, quando seus desejos as afastam de Cristo, querem casar-se,
5:12 incorrendo em juízo por terem rejeitado o primeiro compromisso.
5:13 Ao mesmo tempo, aprendem a ficar ociosas, indo de casa em casa; e não apenas ociosas, mas também fofoqueiras e intrometidas, falando o que não devem.
5:14 Por isso, quero que as mais jovens se casem, tenham filhos, dirijam a casa e não deem ao adversário ocasião alguma para insultar.
5:15 Pois algumas já se desviaram para seguir Satanás.
5:16 Se alguma mulher que crê tem viúvas sob seus cuidados, que as ajude, e não seja sobrecarregada a igreja, para que possa ajudar as que são de fato viúvas.
5:17 Os presbíteros que dirigem bem sejam considerados dignos de dupla honra, especialmente os que trabalham com esforço na palavra e no ensino.
5:18 Pois a Escritura diz: “Não ponha focinheira no boi que debulha”, e: “O trabalhador é digno do seu salário”.
5:19 Não aceite acusação contra um presbítero, a não ser com duas ou três testemunhas.
5:20 Aos que pecam, repreenda-os diante de todos, para que também os demais tenham temor.
5:21 Encarrego você solenemente, diante de Deus, de Cristo Jesus e dos anjos eleitos, de guardar essas coisas sem preconceito, nada fazendo por favoritismo.
5:22 Não imponha as mãos a ninguém com precipitação, nem participe dos pecados alheios. Conserve-se puro.
5:23 Não beba apenas água; use um pouco de vinho por causa do seu estômago e das suas frequentes enfermidades.
5:24 Os pecados de algumas pessoas são evidentes e vão adiante delas ao juízo; os de outras as seguem depois.
5:25 Da mesma forma, as boas obras são evidentes, e as que não são evidentes não podem permanecer ocultas.

Capítulo 6
6:1 Todos os escravos que estão sob jugo considerem seus próprios senhores dignos de toda honra, para que o nome de Deus e o ensino não sejam blasfemados.
6:2 Os que têm senhores que creem não os desprezem por serem irmãos; antes, sirvam-lhes ainda melhor, pois os que recebem o benefício são crentes e amados. Ensine e exorte essas coisas.
6:3 Se alguém ensina uma doutrina diferente e não se atém às sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e ao ensino conforme a piedade,
6:4 está cheio de orgulho e nada entende. Tem uma inclinação doentia para discussões e disputas de palavras, das quais surgem inveja, rivalidade, calúnias, suspeitas maldosas
6:5 e atritos constantes entre pessoas de mente corrompida e privadas da verdade, que consideram a piedade um meio de ganho.
6:6 Mas a piedade com contentamento é grande ganho.
6:7 Pois nada trouxemos para o mundo, e nada podemos levar dele.
6:8 Mas, tendo alimento e com que nos cobrir, com isso nos contentaremos.
6:9 Os que querem enriquecer, porém, caem em tentação, em armadilha e em muitos desejos insensatos e nocivos, que afundam as pessoas na destruição e na perdição.
6:10 Pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Nessa cobiça, alguns se desviaram da fé e traspassaram a si mesmos com muitas dores.
6:11 Mas você, homem de Deus, fuja dessas coisas. Busque a justiça, a piedade, a fé, o amor, a perseverança e a mansidão.
6:12 Combata o bom combate da fé; agarre-se à vida eterna, para a qual você foi chamado e fez a boa confissão diante de muitas testemunhas.
6:13 Ordeno a você, diante de Deus, que dá vida a todas as coisas, e de Cristo Jesus, que deu testemunho da boa confissão diante de Pôncio Pilatos,
6:14 que guarde o mandamento sem mancha e irrepreensível, até a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo,
6:15 que, no devido tempo, será mostrada pelo bendito e único Soberano, o Rei dos reis e Senhor dos senhores,
6:16 o único que tem imortalidade, que habita em luz inacessível, a quem nenhum ser humano viu nem pode ver. A ele sejam honra e poder eterno. Amém.
6:17 Ordene aos ricos desta era que não sejam arrogantes nem ponham a esperança na incerteza das riquezas, mas em Deus, que nos dá todas as coisas em abundância para desfrutarmos delas;
6:18 que façam o bem, sejam ricos em boas obras, generosos e dispostos a compartilhar,
6:19 acumulando para si um bom fundamento para o futuro, a fim de se agarrarem à vida verdadeira.
6:20 Timóteo, guarde o que lhe foi confiado, evitando as conversas profanas e vazias e as contradições do que falsamente se chama conhecimento,
6:21 que alguns professaram e se desviaram da fé. A graça seja com vocês.

2 TIMÓTEO

Capítulo 1
1:1 Paulo, apóstolo de Cristo Jesus pela vontade de Deus, segundo a promessa da vida que está em Cristo Jesus,
1:2 a Timóteo, filho amado: graça, misericórdia e paz, da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Senhor.
1:3 Dou graças a Deus, a quem sirvo com consciência pura, como os meus antepassados, lembrando-me de você sem cessar em minhas súplicas, noite e dia.
1:4 Ao me lembrar das suas lágrimas, desejo ver você, para me encher de alegria.
1:5 Trago à memória a fé sem hipocrisia que há em você, que habitou primeiro em sua avó Loide e em sua mãe Eunice; e estou convencido de que também habita em você.
1:6 Por essa razão, lembro a você que avive o fogo do dom de Deus que está em você pela imposição das minhas mãos.
1:7 Pois Deus não nos deu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de domínio próprio.
1:8 Portanto, não se envergonhe do testemunho de nosso Senhor nem de mim, prisioneiro dele; antes, participe do sofrimento pelo evangelho, segundo o poder de Deus,
1:9 que nos salvou e nos chamou com um chamado santo, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos.
1:10 Essa graça foi agora manifestada pela aparição de nosso Salvador Jesus Cristo, que anulou a morte e trouxe à luz a vida e a incorruptibilidade por meio do evangelho,
1:11 para o qual fui designado pregador, apóstolo e mestre.
1:12 Por essa razão, também sofro essas coisas, mas não me envergonho, pois sei em quem tenho crido e estou convencido de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia.
1:13 Conserve o modelo das sãs palavras que ouviu de mim, na fé e no amor que estão em Cristo Jesus.
1:14 Guarde o bom depósito por meio do Espírito Santo que habita em nós.
1:15 Você sabe que todos os da Ásia me abandonaram, entre eles Fígelo e Hermógenes.
1:16 Que o Senhor conceda misericórdia à casa de Onesíforo, pois muitas vezes me reanimou e não se envergonhou das minhas correntes.
1:17 Pelo contrário, quando esteve em Roma, procurou-me com empenho e me encontrou.
1:18 Que o Senhor lhe conceda encontrar misericórdia da parte do Senhor naquele dia. E você sabe melhor quanto ele serviu em Éfeso.

Capítulo 2
2:1 Você, portanto, meu filho, fortaleça-se na graça que está em Cristo Jesus.
2:2 E o que ouviu de mim diante de muitas testemunhas, confie a pessoas fiéis que também sejam capazes de ensinar a outros.
2:3 Participe do sofrimento como bom soldado de Cristo Jesus.
2:4 Nenhum soldado em serviço se envolve nos negócios da vida, para agradar àquele que o recrutou.
2:5 E, se alguém compete como atleta, não recebe a coroa se não competir de acordo com as regras.
2:6 O agricultor que trabalha com esforço deve ser o primeiro a participar dos frutos.
2:7 Considere o que digo, pois o Senhor dará a você entendimento em tudo.
2:8 Lembre-se de Jesus Cristo, ressuscitado dentre os mortos, descendente de Davi, segundo o meu evangelho,
2:9 pelo qual sofro até estar em correntes, como um criminoso. Mas a palavra de Deus não está acorrentada.
2:10 Por isso, suporto tudo pelos eleitos, para que também eles alcancem a salvação que está em Cristo Jesus, com glória eterna.
2:11 Fiel é esta palavra:
 se morremos com ele, também viveremos com ele;
2:12 se perseveramos, também reinaremos com ele;
   se o negarmos, ele também nos negará;
2:13 se somos infiéis, ele permanece fiel, pois não pode negar a si mesmo.
2:14 Relembre essas coisas, advertindo solenemente diante do Senhor que não discutam sobre palavras, o que não serve para nada e arruína os que ouvem.
2:15 Empenhe-se em apresentar-se aprovado diante de Deus, como trabalhador que não tem de que se envergonhar e que maneja bem a palavra da verdade.
2:16 Evite, porém, as conversas profanas e vazias, pois os que as praticam avançarão ainda mais na impiedade,
2:17 e a palavra deles se espalhará como gangrena. Entre eles estão Himeneu e Fileto,
2:18 que se desviaram da verdade, dizendo que a ressurreição já aconteceu, e transtornam a fé de alguns.
2:19 Contudo, o firme fundamento de Deus permanece, tendo este selo: “O Senhor conhece os que são seus”, e: “Afaste-se da injustiça todo aquele que invoca o nome do Senhor”.
2:20 Numa casa grande não há apenas utensílios de ouro e de prata, mas também de madeira e de barro; uns para usos honrosos, outros para usos desonrosos.
2:21 Portanto, se alguém se purificar dessas coisas, será utensílio para honra, santificado, útil ao Senhor, preparado para toda boa obra.
2:22 Fuja dos desejos da juventude e busque a justiça, a fé, o amor e a paz, junto com os que invocam o Senhor com coração puro.
2:23 Rejeite as discussões insensatas e ignorantes, sabendo que produzem brigas.
2:24 O escravo do Senhor não deve brigar, mas ser amável com todos, apto para ensinar, paciente diante dos maus-tratos,
2:25 corrigindo com mansidão os que se opõem. Talvez Deus lhes conceda arrependimento para o conhecimento da verdade,
2:26 e eles voltem ao bom senso, escapando da armadilha do diabo, que os mantém cativos para fazerem a vontade dele.

Capítulo 3
3:1 Saiba, porém, isto: nos últimos dias virão tempos difíceis.
3:2 Pois as pessoas serão amantes de si mesmas, amantes do dinheiro, presunçosas, arrogantes, blasfemas, desobedientes aos pais, ingratas, irreverentes,
3:3 sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadoras, sem domínio próprio, cruéis, inimigas do bem,
3:4 traidoras, precipitadas, cheias de orgulho, mais amigas dos prazeres do que amigas de Deus,
3:5 tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também dessas pessoas.
3:6 Pois entre elas estão os que se infiltram nas casas e levam cativas mulheres frágeis, carregadas de pecados e arrastadas por desejos de toda espécie,
3:7 que estão sempre aprendendo, mas nunca conseguem chegar ao conhecimento da verdade.
3:8 Assim como Janes e Jambres se opuseram a Moisés, também esses homens se opõem à verdade. Têm a mente corrompida e são reprovados quanto à fé.
3:9 Mas não avançarão mais, pois a insensatez deles será evidente para todos, como também foi a daqueles.
3:10 Você, porém, acompanhou de perto o meu ensino, a minha conduta, o meu propósito, a minha fé, a minha paciência, o meu amor, a minha perseverança,
3:11 as minhas perseguições e os meus sofrimentos, como os que me aconteceram em Antioquia, Icônio e Listra. Que perseguições suportei! E de todas o Senhor me livrou.
3:12 De fato, todos os que querem viver piedosamente em Cristo Jesus serão perseguidos.
3:13 Mas as pessoas más e os impostores irão de mal a pior, enganando e sendo enganados.
3:14 Você, porém, permaneça naquilo que aprendeu e de que se convenceu, sabendo de quem o aprendeu,
3:15 e que, desde a infância, conhece as Sagradas Escrituras, que podem torná-lo sábio para a salvação mediante a fé em Cristo Jesus.
3:16 Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para ensinar, para repreender, para corrigir e para instruir na justiça,
3:17 a fim de que o homem de Deus esteja plenamente capacitado, equipado para toda boa obra.

Capítulo 4
4:1 Diante de Deus e de Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, e por sua manifestação e seu reino, eu lhe faço este encargo solene:
4:2 Pregue a palavra, esteja pronto a tempo e fora de tempo; corrija, repreenda e exorte, com toda paciência e ensino.
4:3 Pois virá um tempo em que não suportarão o ensino sadio, mas acumularão mestres para si, conforme os próprios desejos, por sentirem coceira nos ouvidos,
4:4 e desviarão os ouvidos da verdade, voltando-se para as fábulas.
4:5 Você, porém, seja sóbrio em tudo, suporte os sofrimentos, faça a obra de um evangelista e cumpra plenamente o seu ministério.
4:6 Pois eu já estou sendo derramado como oferta de libação, e chegou o tempo da minha partida.
4:7 Combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé.
4:8 Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, o justo juiz, me dará naquele dia; e não apenas a mim, mas também a todos os que amam a sua manifestação.
4:9 Procure vir logo ao meu encontro.
4:10 Pois Demas me abandonou por amar a era presente e foi para Tessalônica. Crescente foi para a Galácia, e Tito para a Dalmácia.
4:11 Somente Lucas está comigo. Busque Marcos e traga-o com você, pois ele me é útil para o ministério.
4:12 Enviei Tíquico a Éfeso.
4:13 Quando vier, traga a capa que deixei em Trôade com Carpo, e os livros, especialmente os pergaminhos.
4:14 Alexandre, o ferreiro, me fez muito mal. O Senhor lhe retribuirá conforme as suas obras.
4:15 Você também tenha cuidado com ele, pois se opôs fortemente às nossas palavras.
4:16 Na minha primeira defesa, ninguém esteve ao meu lado; todos me abandonaram. Que isso não lhes seja levado em conta.
4:17 Mas o Senhor esteve ao meu lado e me fortaleceu, para que, por meu intermédio, a proclamação se cumprisse plenamente e todos os gentios a ouvissem. E fui livrado da boca do leão.
4:18 O Senhor me livrará de toda obra má e me levará a salvo para o seu reino celestial. A ele seja a glória pelos séculos dos séculos. Amém.
4:19 Cumprimente Prisca e Áquila e a família de Onesíforo.
4:20 Erasto ficou em Corinto, e deixei Trófimo doente em Mileto.
4:21 Procure vir antes do inverno. Êubulo, Pudente, Lino, Cláudia e todos os irmãos enviam saudações a você.
4:22 Que o Senhor esteja com o seu espírito. Que a graça esteja com vocês.

TITO

Capítulo 1
1:1 Paulo, escravo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, para a fé dos eleitos de Deus e o conhecimento da verdade que está de acordo com a piedade,
1:2 na esperança da vida eterna, que Deus, que não mente, prometeu antes dos tempos eternos.
1:3 No tempo devido, ele manifestou a sua palavra por meio da proclamação que me foi confiada por ordem de Deus, nosso Salvador,
1:4 a Tito, verdadeiro filho na fé que compartilhamos: graça e paz da parte de Deus Pai e de Cristo Jesus, nosso Salvador.
1:5 Por esta razão deixei você em Creta: para pôr em ordem o que ainda faltava e estabelecer presbíteros em cada cidade, como lhe ordenei.
1:6 Deve ser alguém irrepreensível, marido de uma só mulher, que tenha filhos crentes, não acusados de devassidão nem rebeldes.
1:7 Pois o supervisor, como administrador de Deus, deve ser irrepreensível: não arrogante, nem irascível, nem dado ao vinho, nem violento, nem ávido por ganhos desonestos,
1:8 mas hospitaleiro, amigo do bem, sensato, justo, santo, com domínio próprio,
1:9 apegado à palavra fiel, conforme o ensino, para que seja capaz tanto de exortar pelo ensino sadio como de refutar os que o contradizem.
1:10 Pois há muitos rebeldes, faladores de coisas vazias e enganadores, especialmente os da circuncisão.
1:11 É preciso fazê-los calar, pois transtornam famílias inteiras, ensinando o que não devem por ganhos desonestos.
1:12 Um deles, seu próprio profeta, disse: “Os cretenses são sempre mentirosos, feras más, ventres preguiçosos”.
1:13 Esse testemunho é verdadeiro. Por essa razão, repreenda-os severamente, para que sejam sadios na fé,
1:14 sem dar atenção a fábulas judaicas e a mandamentos de pessoas que se afastam da verdade.
1:15 Todas as coisas são puras para os puros; para os contaminados e incrédulos, porém, nada é puro. Tanto a mente como a consciência deles estão contaminadas.
1:16 Afirmam conhecer a Deus, mas o negam com suas obras. São detestáveis, desobedientes e reprovados para toda boa obra.

Capítulo 2
2:1 Você, porém, fale o que está de acordo com o ensino sadio.
2:2 Que os homens idosos sejam sóbrios, dignos, sensatos, sadios na fé, no amor e na perseverança.
2:3 Da mesma forma, que as mulheres idosas sejam reverentes em sua conduta, não caluniadoras nem escravizadas a muito vinho, mas mestras do bem,
2:4 para que ensinem as mais jovens a amar o marido e os filhos,
2:5 a ser sensatas, puras, trabalhadoras no lar, bondosas, sujeitas ao próprio marido, para que a palavra de Deus não seja blasfemada.
2:6 Da mesma forma, exorte os jovens a serem sensatos.
2:7 Em tudo, apresente-se como exemplo de boas obras; no ensino, mostre integridade e dignidade,
2:8 com uma palavra sadia e irrepreensível, para que o adversário fique envergonhado, sem ter nada de mau a dizer a nosso respeito.
2:9 Que os escravos se sujeitem em tudo aos próprios senhores, procurem agradar-lhes e não os contradigam;
2:10 que não desviem o que lhes é confiado, mas demonstrem toda a boa fidelidade, para que, em tudo, adornem o ensino de Deus, nosso Salvador.
2:11 Pois a graça de Deus se manifestou, trazendo salvação a todas as pessoas,
2:12 ensinando-nos a renunciar à impiedade e aos desejos mundanos, para vivermos de modo sensato, justo e piedoso na era presente,
2:13 enquanto aguardamos a bem-aventurada esperança e a manifestação da glória do nosso grande Deus e Salvador Jesus Cristo,
2:14 que se entregou por nós para nos redimir de toda iniquidade e purificar para si um povo exclusivamente seu, dedicado às boas obras.
2:15 Fale essas coisas, exorte e repreenda com toda autoridade. Que ninguém despreze você.

Capítulo 3
3:1 Lembre-os de que se sujeitem aos governantes e às autoridades, sejam obedientes e estejam prontos para toda boa obra;
3:2 que não difamem ninguém, sejam pacíficos e amáveis, mostrando toda mansidão para com todas as pessoas.
3:3 Pois também nós antes éramos insensatos, desobedientes, extraviados, escravizados a desejos e prazeres de toda espécie. Vivíamos na maldade e na inveja, sendo detestáveis e odiando uns aos outros.
3:4 Mas, quando se manifestaram a bondade de Deus, nosso Salvador, e o seu amor pela humanidade,
3:5 ele nos salvou, não por obras de justiça que nós tivéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, mediante o lavar do novo nascimento e a renovação do Espírito Santo,
3:6 que ele derramou abundantemente sobre nós por meio de Jesus Cristo, nosso Salvador,
3:7 para que, justificados por sua graça, nos tornássemos herdeiros segundo a esperança da vida eterna.
3:8 Fiel é esta palavra. Quero que você afirme essas coisas com firmeza, para que os que creem em Deus procurem dedicar-se às boas obras. Essas coisas são boas e úteis às pessoas.
3:9 Evite, porém, discussões insensatas, genealogias, rivalidades e disputas sobre a lei, pois são inúteis e vazias.
3:10 Rejeite quem causa divisões depois de uma primeira e uma segunda advertência,
3:11 sabendo que tal pessoa se perverteu e continua pecando, já condenada por si mesma.
3:12 Quando eu enviar Ártemas ou Tíquico a você, procure vir ao meu encontro em Nicópolis, pois decidi passar o inverno ali.
3:13 Ajude com todo cuidado Zenas, o especialista em leis, e Apolo a prosseguir viagem, para que nada lhes falte.
3:14 Que os nossos também aprendam a dedicar-se às boas obras para suprir o que é necessário, a fim de que não sejam infrutíferos.
3:15 Todos os que estão comigo enviam saudações a você. Cumprimente os que nos amam na fé. Que a graça esteja com todos vocês.

FILEMOM

Capítulo 1
1:1 Paulo, prisioneiro de Cristo Jesus, e o irmão Timóteo, a Filemom, nosso amado colaborador,
1:2 à irmã Áfia, a Arquipo, nosso companheiro de combate, e à igreja que se reúne na sua casa:
1:3 graça e paz a vocês da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.
1:4 Sempre dou graças ao meu Deus ao mencionar você nas minhas orações,
1:5 pois ouço falar da sua fé no Senhor Jesus e do seu amor por todos os santos.
1:6 Que a sua participação na fé se torne eficaz pelo conhecimento de todo o bem que há em nós para Cristo.
1:7 Pois tive muita alegria e consolo por causa do seu amor, porque, por seu intermédio, irmão, os corações dos santos receberam descanso.
1:8 Por isso, embora tenha em Cristo plena liberdade para ordenar a você o que convém,
1:9 prefiro pedir por amor, sendo eu como sou, Paulo, um homem idoso e agora também prisioneiro de Cristo Jesus.
1:10 Faço um pedido em favor do meu filho Onésimo, que gerei enquanto estava acorrentado.
1:11 Antes ele era inútil a você, mas agora é útil tanto a você como a mim.
1:12 Eu o envio de volta a você, ele que é o meu próprio coração.
1:13 Eu queria mantê-lo comigo, para que me servisse em seu lugar enquanto estou acorrentado por causa do evangelho.
1:14 Mas não quis fazer nada sem o seu consentimento, para que a sua boa ação fosse espontânea, sem parecer uma obrigação.
1:15 Pois talvez ele tenha sido separado de você por algum tempo para que o tivesse de volta para sempre,
1:16 já não como escravo, mas mais do que escravo, como irmão amado. Ele o é especialmente para mim, e quanto mais para você, tanto na carne como no Senhor.
1:17 Portanto, se me considera seu companheiro, receba-o como receberia a mim.
1:18 E, se ele lhe causou algum dano ou deve alguma coisa, ponha isso na minha conta.
1:19 Eu, Paulo, escrevo de próprio punho: eu pagarei. Para não dizer que você mesmo se deve a mim.
1:20 Sim, irmão, que eu receba de você esse benefício no Senhor. Dê descanso ao meu coração em Cristo.
1:21 Escrevo a você confiante na sua obediência, sabendo que fará ainda mais do que digo.
1:22 Ao mesmo tempo, prepare também hospedagem para mim, pois espero que, por meio das orações de vocês, me seja concedido voltar a vocês.
1:23 Epafras, meu companheiro de prisão em Cristo Jesus, envia saudações a você,
1:24 assim como Marcos, Aristarco, Demas e Lucas, meus colaboradores.
1:25 Que a graça do Senhor Jesus Cristo esteja com o espírito de vocês.

HEBREUS

Capítulo 1
1:1 Deus, que no passado falou muitas vezes e de muitas maneiras aos antepassados por meio dos profetas,
1:2 nestes últimos dias nos falou pelo Filho, a quem estabeleceu como herdeiro de todas as coisas e por meio de quem também fez o universo.
1:3 Ele é o resplendor da glória de Deus e a expressão exata do seu ser; sustenta todas as coisas pela sua palavra poderosa. Depois de realizar por si mesmo a purificação dos pecados, sentou-se à direita da Majestade nas alturas,
1:4 tornando-se tão superior aos anjos quanto o nome que herdou é mais excelente que o deles.

1:5 Pois a qual dos anjos Deus alguma vez disse:
 “Tu és meu Filho;
   hoje eu te gerei”?
 E, outra vez:
 “Eu serei seu Pai, e ele será meu Filho”?
1:6 E, quando introduz novamente o Primogênito no mundo, diz:
 “Que todos os anjos de Deus o adorem”.
1:7 A respeito dos anjos, diz:
 “Ele faz dos seus anjos ventos e dos seus servidores uma chama de fogo”.
1:8 Mas, a respeito do Filho:
 “O teu trono, ó Deus, é pelos séculos dos séculos, e o cetro da retidão é o cetro do teu reino.
1:9 Amaste a justiça e odiaste a iniquidade;
   por isso Deus, o teu Deus, te ungiu com óleo de alegria mais do que aos teus companheiros”.
1:10 E:
 “Tu, Senhor, no princípio lançaste os alicerces da terra, e os céus são obra das tuas mãos.
1:11 Eles perecerão, mas tu permaneces;
   todos envelhecerão como uma roupa,
1:12 e tu os enrolarás como um manto;
   como uma roupa serão trocados.
   Mas tu és o mesmo, e os teus anos não terão fim”.
1:13 E a qual dos anjos ele alguma vez disse:
 “Senta-te à minha direita até que eu ponha os teus inimigos como estrado dos teus pés”?
1:14 Não são todos espíritos servidores, enviados para servir em favor dos que hão de herdar a salvação?

Capítulo 2
2:1 Por isso, devemos prestar ainda mais atenção ao que ouvimos, para que não sejamos levados para longe.
2:2 Pois, se a palavra falada por meio de anjos se mostrou firme, e toda transgressão e desobediência recebeu justa retribuição,
2:3 como escaparemos nós, se negligenciarmos tão grande salvação? Ela começou a ser anunciada pelo Senhor e nos foi confirmada pelos que a ouviram,
2:4 enquanto Deus também dava testemunho com sinais, prodígios, diversos milagres e dons do Espírito Santo, distribuídos segundo a sua vontade.
2:5 Pois não foi aos anjos que Deus sujeitou o mundo que há de vir, do qual falamos.
2:6 Mas alguém testemunhou em certo lugar:
 “Que é o ser humano para que te lembres dele, ou o filho do homem para que cuides dele?
2:7 Tu o fizeste por pouco tempo inferior aos anjos;
   de glória e honra o coroaste;
2:8 tudo sujeitaste debaixo dos seus pés”.
 Ao lhe sujeitar todas as coisas, Deus não deixou nada que não lhe estivesse sujeito. Agora, porém, ainda não vemos todas as coisas sujeitas a ele.
2:9 Mas vemos Jesus, que foi feito por pouco tempo inferior aos anjos, coroado de glória e honra por causa do sofrimento da morte, para que, à parte de Deus, provasse a morte por todos.
2:10 Pois convinha que aquele para quem e por meio de quem todas as coisas existem, ao conduzir muitos filhos à glória, aperfeiçoasse por meio de sofrimentos o autor da salvação deles.
2:11 Pois tanto aquele que santifica como os que são santificados procedem todos de um só. Por essa razão, ele não se envergonha de chamá-los irmãos,
2:12 dizendo:
 “Anunciarei o teu nome aos meus irmãos;
   no meio da congregação cantarei louvores a ti”.
2:13 E outra vez:
 “Eu porei nele a minha confiança”.
 E ainda:
 “Aqui estou eu e os filhos que Deus me deu”.
2:14 Portanto, visto que os filhos compartilham de sangue e carne, ele também participou dessas mesmas coisas, para que, por meio da morte, reduzisse à impotência aquele que tem o poder da morte, isto é, o diabo,
2:15 e libertasse aqueles que, por medo da morte, estavam sujeitos à escravidão durante toda a vida.
2:16 Pois é certo que ele não vem em auxílio de anjos, mas da descendência de Abraão.
2:17 Por isso, ele devia tornar-se semelhante aos irmãos em tudo, para ser sumo sacerdote misericordioso e fiel nas coisas referentes a Deus, a fim de fazer expiação pelos pecados do povo.
2:18 Pois, por ter ele mesmo sofrido ao ser tentado, pode socorrer os que são tentados.

Capítulo 3
3:1 Por isso, irmãos santos, participantes do chamado celestial, considerem Jesus, o apóstolo e sumo sacerdote da nossa confissão.
3:2 Ele é fiel àquele que o constituiu, como também Moisés o foi na casa de Deus.
3:3 Pois Jesus foi considerado digno de maior glória do que Moisés, assim como quem constrói uma casa tem mais honra do que a própria casa.
3:4 Pois toda casa é construída por alguém, mas quem construiu todas as coisas é Deus.
3:5 Moisés foi fiel em toda a casa de Deus como servidor, para dar testemunho das coisas que seriam anunciadas,
3:6 mas Cristo é fiel como Filho sobre a sua casa. E essa casa somos nós, se conservarmos a confiança e a esperança em que nos gloriamos.

3:7 Por isso, como diz o Espírito Santo:
 “Hoje, se vocês ouvirem a sua voz,
3:8 não endureçam o coração como na rebelião, no dia da provação no deserto,
3:9 onde os seus antepassados me puseram à prova e viram as minhas obras
3:10 por quarenta anos.
   Por isso me indignei com esta geração e disse: ‘Eles sempre se desviam no coração e não conheceram os meus caminhos’.
3:11 Assim jurei na minha ira: ‘Não entrarão no meu descanso’”.
3:12 Cuidem, irmãos, para que não haja em nenhum de vocês um coração mau e incrédulo que se afaste do Deus vivo.
3:13 Pelo contrário, exortem uns aos outros todos os dias, enquanto ainda se diz “Hoje”, para que nenhum de vocês seja endurecido pelo engano do pecado.
3:14 Pois nos tornamos participantes de Cristo, se conservarmos firme até o fim a confiança que tivemos no princípio,
3:15 enquanto se diz: “Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração como na rebelião”.
3:16 Pois quem se rebelou depois de ouvir? Não foram todos os que saíram do Egito por meio de Moisés?
3:17 E com quem Deus se indignou por quarenta anos? Não foi com os que pecaram, cujos cadáveres caíram no deserto?
3:18 E a quem jurou que não entrariam no seu descanso, senão aos que desobedeceram?
3:19 E vemos que não puderam entrar por causa da incredulidade.

Capítulo 4
4:1 Temamos, portanto, que, enquanto permanece a promessa de entrar no seu descanso, algum de vocês pareça ter ficado para trás.
4:2 Pois também nós recebemos as boas-novas, assim como eles; mas a palavra que ouviram não lhes trouxe proveito, por não estarem unidos pela fé aos que escutaram.
4:3 Pois nós, os que cremos, entramos no descanso, como ele disse: “Assim jurei na minha ira: ‘Não entrarão no meu descanso’”, embora as suas obras estivessem concluídas desde a fundação do mundo.
4:4 Pois em certo lugar ele disse assim a respeito do sétimo dia: “E Deus descansou no sétimo dia de todas as suas obras”.
4:5 E novamente, nesse trecho: “Não entrarão no meu descanso”.
4:6 Portanto, visto que ainda resta que alguns entrem nele, e os que antes receberam as boas-novas não entraram por desobediência,
4:7 ele determina outra vez um dia, “Hoje”, dizendo por meio de Davi, depois de tanto tempo, como já foi dito: “Hoje, se vocês ouvirem a sua voz, não endureçam o coração”.
4:8 Pois, se Josué lhes tivesse dado descanso, Deus não teria falado depois de outro dia.
4:9 Portanto, resta um descanso sabático para o povo de Deus.
4:10 Pois aquele que entrou no descanso de Deus também descansou das suas obras, assim como Deus das suas.
4:11 Empenhemo-nos, portanto, em entrar naquele descanso, para que ninguém caia ao seguir o mesmo exemplo de desobediência.
4:12 Pois a palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante do que qualquer espada de dois gumes. Penetra até a divisão da alma e do espírito, das articulações e das medulas, e discerne os pensamentos e as intenções do coração.
4:13 E nenhuma criatura está oculta diante dele. Todas as coisas estão nuas e expostas aos olhos daquele a quem devemos prestar contas.
4:14 Portanto, visto que temos um grande sumo sacerdote que atravessou os céus, Jesus, o Filho de Deus, conservemos a nossa confissão.
4:15 Pois não temos um sumo sacerdote incapaz de se compadecer das nossas fraquezas, mas um que foi tentado em tudo de modo semelhante a nós, sem pecado.
4:16 Aproximemo-nos, portanto, com confiança do trono da graça, para recebermos misericórdia e encontrarmos graça para socorro no momento oportuno.

Capítulo 5
5:1 Pois todo sumo sacerdote, tomado dentre os seres humanos, é constituído em favor deles nas coisas referentes a Deus, para oferecer dádivas e sacrifícios pelos pecados.
5:2 Ele pode tratar com paciência os que ignoram e os que se desviam, pois ele próprio está sujeito à fraqueza.
5:3 Por causa dessa fraqueza, deve oferecer sacrifícios pelos pecados tanto do povo como de si mesmo.
5:4 E ninguém toma para si essa honra, mas é chamado por Deus, como também Arão.

5:5 Assim também Cristo não glorificou a si mesmo para se tornar sumo sacerdote, mas foi glorificado por aquele que lhe disse:
 “Tu és meu Filho;
   hoje eu te gerei”.
5:6 Como também diz em outro lugar:
 “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”.
5:7 Ele, nos dias da sua carne, ofereceu orações e súplicas, com forte clamor e lágrimas, àquele que podia salvá-lo da morte, e foi ouvido por causa da sua reverência.
5:8 Embora fosse Filho, aprendeu a obediência por meio do que sofreu.
5:9 E, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se fonte de salvação eterna para todos os que lhe obedecem,
5:10 sendo designado por Deus sumo sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque.
5:11 A esse respeito temos muito a dizer, mas é difícil explicar, porque vocês se tornaram lentos para ouvir.
5:12 Pois, pelo tempo decorrido, vocês já deveriam ser mestres, mas precisam que alguém lhes ensine novamente os princípios elementares das palavras de Deus. Vocês passaram a precisar de leite, e não de alimento sólido.
5:13 Pois todo aquele que se alimenta de leite é inexperiente na palavra da justiça, porque é uma criança pequena.
5:14 Mas o alimento sólido é para os maduros, que têm os sentidos exercitados pela prática para distinguir o bem do mal.

Capítulo 6
6:1 Portanto, deixando o ensino elementar acerca de Cristo, avancemos para a maturidade, sem lançar novamente o fundamento do arrependimento de obras mortas e da fé em Deus,
6:2 do ensino sobre batismos, da imposição de mãos, da ressurreição dos mortos e do juízo eterno.
6:3 E isso faremos, se Deus permitir.
6:4 Pois é impossível que aqueles que foram uma vez iluminados, provaram o dom celestial e se tornaram participantes do Espírito Santo,
6:5 e provaram a boa palavra de Deus e os poderes da era que há de vir,
6:6 e caíram sejam renovados outra vez para arrependimento, pois crucificam de novo para si mesmos o Filho de Deus e o expõem à vergonha pública.
6:7 Pois a terra que bebe a chuva que muitas vezes cai sobre ela e produz vegetação útil para aqueles em favor de quem é cultivada recebe bênção de Deus.
6:8 Mas, se produz espinhos e abrolhos, é reprovada e está perto da maldição; seu fim é ser queimada.
6:9 Quanto a vocês, porém, amados, estamos convencidos de coisas melhores, que acompanham a salvação, embora falemos dessa maneira.
6:10 Pois Deus não é injusto para se esquecer da obra de vocês e do amor que mostraram pelo seu nome, ao servir aos santos e continuar servindo.
6:11 Desejamos que cada um de vocês mostre o mesmo empenho até o fim, para a plena certeza da esperança,
6:12 para que não se tornem indolentes, mas imitadores dos que, pela fé e pela paciência, herdam as promessas.
6:13 Pois, quando Deus fez a promessa a Abraão, como não tinha ninguém maior por quem jurar, jurou por si mesmo,
6:14 dizendo: “Certamente eu o abençoarei com abundância e o multiplicarei grandemente”.
6:15 E assim, depois de esperar com paciência, Abraão alcançou a promessa.
6:16 Pois as pessoas juram por alguém maior, e o juramento serve de confirmação que põe fim a toda disputa entre elas.
6:17 Por isso Deus, querendo mostrar com maior clareza aos herdeiros da promessa que o seu propósito não muda, interveio com um juramento,
6:18 para que, por meio de duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos forte consolo, nós, que buscamos refúgio para nos apegarmos à esperança posta diante de nós.
6:19 Essa esperança temos como âncora da alma, segura e firme, que penetra no interior, além do véu,
6:20 onde Jesus entrou por nós como precursor, tendo se tornado sumo sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque.

Capítulo 7
7:1 Pois este Melquisedeque, rei de Salém, sacerdote do Deus Altíssimo, saiu ao encontro de Abraão quando ele voltava da matança dos reis e o abençoou.
7:2 A ele Abraão também deu a décima parte de tudo. Seu nome significa, primeiro, “rei de justiça”; depois, ele é também rei de Salém, isto é, “rei de paz”.
7:3 Sem pai, sem mãe, sem genealogia, não tendo princípio de dias nem fim de vida, mas feito semelhante ao Filho de Deus, permanece sacerdote continuamente.
7:4 Considerem como era grande aquele a quem Abraão, o patriarca, deu a décima parte dos despojos.
7:5 Os descendentes de Levi que recebem o sacerdócio têm, segundo a lei, a ordem de cobrar o dízimo do povo, isto é, dos seus irmãos, embora também tenham saído dos lombos de Abraão.
7:6 Mas aquele cuja genealogia não é contada entre eles recebeu o dízimo de Abraão e abençoou aquele que tinha as promessas.
7:7 E, sem qualquer discussão, o menor é abençoado pelo maior.
7:8 Aqui recebem dízimos pessoas que morrem; ali, porém, aquele de quem se dá testemunho de que vive.
7:9 E, por assim dizer, também Levi, que recebe os dízimos, pagou dízimo por meio de Abraão,
7:10 pois Levi ainda estava nos lombos do seu antepassado quando Melquisedeque saiu ao encontro de Abraão.
7:11 Se, portanto, a perfeição fosse alcançada por meio do sacerdócio levítico — pois sob ele o povo recebeu a lei —, que necessidade haveria ainda de surgir outro sacerdote segundo a ordem de Melquisedeque, em vez de ser chamado segundo a ordem de Arão?
7:12 Pois, quando se muda o sacerdócio, necessariamente ocorre também mudança de lei.
7:13 Pois aquele de quem se dizem essas coisas pertence a outra tribo, da qual ninguém serviu ao altar.
7:14 Pois é evidente que o nosso Senhor surgiu de Judá, tribo a respeito da qual Moisés nada disse sobre sacerdotes.
7:15 E isso se torna ainda mais evidente se surge outro sacerdote à semelhança de Melquisedeque,
7:16 que se tornou sacerdote não segundo a lei de uma exigência física, mas segundo o poder de uma vida indestrutível.
7:17 Pois dele se dá este testemunho: “Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque”.
7:18 Assim, o mandamento anterior é anulado por causa da sua fraqueza e inutilidade,
7:19 pois a lei nada aperfeiçoou; mas é introduzida uma esperança melhor, por meio da qual nos aproximamos de Deus.
7:20 E, na medida em que isso não aconteceu sem juramento — pois os outros se tornaram sacerdotes sem juramento,
7:21 mas ele com juramento, por aquele que lhe disse: “O Senhor jurou e não se arrependerá: ‘Tu és sacerdote para sempre’” —,
7:22 nessa mesma medida Jesus se tornou garantia de uma aliança melhor.
7:23 Os outros se tornaram sacerdotes em grande número, porque a morte os impedia de permanecer;
7:24 mas ele, porque permanece para sempre, possui um sacerdócio permanente.
7:25 Por isso, pode também salvar completamente os que se aproximam de Deus por meio dele, pois vive sempre para interceder por eles.
7:26 Pois era de tal sumo sacerdote que precisávamos: santo, inocente, sem mancha, separado dos pecadores e exaltado acima dos céus.
7:27 Ele não precisa, como os sumos sacerdotes, oferecer sacrifícios todos os dias, primeiro pelos próprios pecados e depois pelos do povo, pois fez isso uma vez por todas, ao oferecer a si mesmo.
7:28 Pois a lei constitui como sumos sacerdotes homens sujeitos à fraqueza; mas a palavra do juramento, posterior à lei, constitui o Filho, aperfeiçoado para sempre.

Capítulo 8
8:1 O ponto principal do que estamos dizendo é este: temos tal sumo sacerdote, que se sentou à direita do trono da Majestade nos céus,
8:2 servidor do santuário e do verdadeiro tabernáculo, que o Senhor ergueu, e não um ser humano.
8:3 Pois todo sumo sacerdote é constituído para oferecer dádivas e sacrifícios; por isso é necessário que também ele tenha algo para oferecer.
8:4 Se ele estivesse na terra, nem sequer seria sacerdote, pois há os que oferecem as dádivas segundo a lei.
8:5 Eles servem a uma representação e sombra das coisas celestiais, como Moisés foi advertido por Deus quando estava para construir o tabernáculo. Pois ele diz: “Veja: faça tudo segundo o modelo que lhe foi mostrado no monte”.
8:6 Agora, porém, ele obteve um ministério tanto mais excelente quanto é mediador de uma aliança melhor, estabelecida sobre promessas melhores.
8:7 Pois, se aquela primeira aliança fosse irrepreensível, não se teria buscado lugar para uma segunda.
8:8 Pois, ao repreendê-los, ele diz:
 “Eis que vêm dias, diz o Senhor, em que estabelecerei uma nova aliança com a casa de Israel e com a casa de Judá.
8:9 Ela não será como a aliança que fiz com os seus antepassados no dia em que os tomei pela mão para tirá-los da terra do Egito.
   Pois eles não permaneceram na minha aliança, e eu deixei de cuidar deles, diz o Senhor.
8:10 Pois esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois daqueles dias, diz o Senhor: porei as minhas leis na mente deles e as escreverei nos seus corações.
   Eu serei o seu Deus, e eles serão o meu povo.
8:11 E ninguém ensinará ao seu concidadão, nem ao seu irmão, dizendo: ‘Conheça o Senhor’, pois todos me conhecerão, desde o menor até o maior deles.
8:12 Pois serei misericordioso para com as suas injustiças e nunca mais me lembrarei dos seus pecados”.
8:13 Ao dizer “nova”, ele tornou antiga a primeira. E o que se torna antigo e envelhece está perto de desaparecer.

Capítulo 9
9:1 Ora, a primeira aliança também tinha normas de culto e um santuário terreno.
9:2 Pois foi preparado um tabernáculo cuja primeira parte, onde estavam o candelabro, a mesa e os pães da presença, é chamada Lugar Santo.
9:3 Além do segundo véu ficava a parte do tabernáculo chamada Santo dos Santos,
9:4 que tinha o altar de ouro para o incenso e a arca da aliança, toda revestida de ouro. Nela havia um vaso de ouro com o maná, a vara de Arão que havia brotado e as tábuas da aliança.
9:5 Acima dela estavam os querubins da glória, que faziam sombra sobre o propiciatório. Dessas coisas não é possível falar agora em detalhes.
9:6 Estando essas coisas assim preparadas, os sacerdotes entram continuamente na primeira parte do tabernáculo para realizar os serviços do culto.
9:7 Mas na segunda entra somente o sumo sacerdote, uma vez por ano, e não sem sangue, que oferece por si mesmo e pelos pecados que o povo cometeu por ignorância.
9:8 Com isso o Espírito Santo mostra que o caminho para o santuário ainda não foi revelado enquanto o primeiro tabernáculo permanece de pé.
9:9 Isso é um símbolo para o tempo presente, segundo o qual se oferecem dádivas e sacrifícios que não podem aperfeiçoar, quanto à consciência, aquele que presta culto.
9:10 São apenas normas sobre alimentos, bebidas e diversas lavagens: exigências referentes ao corpo, impostas até o tempo da reforma.
9:11 Cristo, porém, veio como sumo sacerdote dos bens que já chegaram e, por meio do tabernáculo maior e mais perfeito, não feito por mãos humanas, isto é, que não pertence a esta criação,
9:12 entrou uma vez por todas no santuário, não por meio de sangue de bodes e bezerros, mas pelo seu próprio sangue, tendo obtido redenção eterna.
9:13 Pois, se o sangue de bodes e de touros e a cinza de uma novilha, aspergida sobre os contaminados, santificam para a purificação do corpo,
9:14 quanto mais o sangue de Cristo, que, pelo espírito eterno, ofereceu a si mesmo sem mancha a Deus, purificará a nossa consciência das obras mortas para servirmos ao Deus vivo!
9:15 Por isso ele é mediador de uma nova aliança, para que, tendo ocorrido uma morte para a redenção das transgressões cometidas sob a primeira aliança, os chamados recebam a promessa da herança eterna.
9:16 Pois, onde há testamento, é necessário comprovar a morte de quem o fez.
9:17 Pois um testamento tem validade quando há morte, já que nunca entra em vigor enquanto vive quem o fez.
9:18 Por isso, nem mesmo a primeira aliança foi inaugurada sem sangue.
9:19 Pois, depois de anunciar a todo o povo todos os mandamentos segundo a lei, Moisés tomou o sangue dos bezerros com água, lã escarlate e hissopo, e aspergiu o próprio livro e todo o povo,
9:20 dizendo: “Este é o sangue da aliança que Deus ordenou a vocês”.
9:21 Da mesma forma, aspergiu com sangue o tabernáculo e todos os utensílios do culto.
9:22 E, segundo a lei, quase todas as coisas são purificadas com sangue; sem derramamento de sangue não há perdão.
9:23 Era necessário, portanto, que as representações das coisas que estão nos céus fossem purificadas com esses meios, mas as próprias coisas celestiais, com sacrifícios melhores do que esses.
9:24 Pois Cristo não entrou num santuário feito por mãos humanas, representação do verdadeiro, mas no próprio céu, para se apresentar agora diante de Deus a nosso favor.
9:25 Nem entrou para oferecer a si mesmo muitas vezes, como o sumo sacerdote entra todos os anos no santuário com sangue alheio.
9:26 Se assim fosse, ele teria de sofrer muitas vezes desde a fundação do mundo. Mas agora, na consumação das eras, manifestou-se uma única vez para remover o pecado por meio do seu sacrifício.
9:27 E, assim como está estabelecido que os seres humanos morram uma só vez, e depois disso vem o juízo,
9:28 assim também Cristo, tendo sido oferecido uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá pela segunda vez, sem relação com o pecado, para a salvação dos que o aguardam com anseio.

Capítulo 10
10:1 Pois a lei, tendo uma sombra dos bens que hão de vir, e não a própria imagem das coisas, nunca pode, por meio dos mesmos sacrifícios que se oferecem continuamente, ano após ano, aperfeiçoar os que se aproximam.
10:2 Se assim fosse, não teriam deixado de ser oferecidos, já que os que prestam culto, uma vez purificados, não teriam mais consciência de pecados?
10:3 Mas nesses sacrifícios há uma lembrança dos pecados a cada ano,
10:4 pois é impossível que o sangue de touros e de bodes remova pecados.
10:5 Por isso, ao entrar no mundo, ele diz:
 “Sacrifício e oferta não quiseste, mas um corpo me preparaste.
10:6 Não te agradaste de holocaustos nem de sacrifícios pelo pecado.
10:7 Então eu disse: ‘Aqui estou — no rolo do livro está escrito a meu respeito — para fazer, ó Deus, a tua vontade’”.
10:8 Primeiro ele diz: “Sacrifícios, ofertas, holocaustos e sacrifícios pelo pecado não quiseste, nem deles te agradaste”, os quais são oferecidos segundo a lei.
10:9 Depois disse: “Aqui estou para fazer a tua vontade”. Ele remove o primeiro para estabelecer o segundo.
10:10 Por essa vontade, fomos santificados por meio da oferta do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez por todas.
10:11 E todo sacerdote permanece de pé, dia após dia, realizando seu serviço e oferecendo muitas vezes os mesmos sacrifícios, que nunca podem remover pecados.
10:12 Mas ele, depois de oferecer um único sacrifício pelos pecados para sempre, sentou-se à direita de Deus,
10:13 esperando, desde então, até que os seus inimigos sejam postos como estrado dos seus pés.
10:14 Pois, com uma única oferta, aperfeiçoou para sempre os que são santificados.
10:15 E o Espírito Santo também nos dá testemunho, pois, depois de dizer:
10:16 “Esta é a aliança que farei com eles depois daqueles dias, diz o Senhor: porei as minhas leis nos seus corações e as escreverei na mente deles”,
10:17 acrescenta:
 “E nunca mais me lembrarei dos seus pecados e das suas iniquidades”.
10:18 Ora, onde há perdão dessas coisas, já não há oferta pelo pecado.
10:19 Portanto, irmãos, visto que temos confiança para entrar no santuário pelo sangue de Jesus,
10:20 pelo caminho novo e vivo que ele inaugurou para nós através do véu, isto é, da sua carne,
10:21 e que temos um grande sacerdote sobre a casa de Deus,
10:22 aproximemo-nos com coração sincero, em plena certeza de fé, com os corações purificados da má consciência por aspersão e o corpo lavado com água pura.
10:23 Conservemos inabalável a confissão da nossa esperança, pois fiel é aquele que prometeu.
10:24 E prestemos atenção uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras,
10:25 sem deixar de nos reunir, como é costume de alguns, mas encorajando uns aos outros, e tanto mais quanto vocês veem que o dia se aproxima.
10:26 Pois, se continuarmos pecando deliberadamente depois de termos recebido o conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados,
10:27 mas uma terrível expectativa de juízo e o ardor de um fogo que há de devorar os adversários.
10:28 Quem rejeita a lei de Moisés morre sem compaixão, pelo testemunho de duas ou três testemunhas.
10:29 Quanto pior castigo vocês acham que merecerá aquele que pisoteou o Filho de Deus, considerou profano o sangue da aliança pelo qual foi santificado e ultrajou o Espírito da graça?
10:30 Pois conhecemos aquele que disse: “A mim pertence a vingança; eu retribuirei”. E outra vez: “O Senhor julgará o seu povo”.
10:31 É terrível cair nas mãos do Deus vivo!
10:32 Lembrem-se, porém, dos dias passados, quando, depois de serem iluminados, suportaram uma grande luta em meio a sofrimentos.
10:33 Ora vocês foram expostos publicamente a insultos e aflições, ora se tornaram companheiros dos que eram tratados dessa maneira.
10:34 Pois se compadeceram dos prisioneiros e aceitaram com alegria o saque dos seus bens, sabendo que vocês mesmos possuem um bem melhor e permanente.
10:35 Portanto, não abandonem a confiança de vocês, que tem grande recompensa.
10:36 Pois vocês precisam de perseverança para que, depois de fazerem a vontade de Deus, recebam a promessa.
10:37 Pois “dentro de muito pouco tempo, aquele que vem virá e não demorará.
10:38 Mas o meu justo viverá pela fé; e, se ele recuar, a minha alma não terá prazer nele”.
10:39 Nós, porém, não somos dos que recuam para a perdição, mas dos que têm fé para a preservação da alma.

Capítulo 11
11:1 Ora, a fé é a certeza do que se espera, a convicção do que não se vê.
11:2 Pois por ela os antigos receberam bom testemunho.
11:3 Pela fé entendemos que o universo foi formado pela palavra de Deus, de modo que o que se vê não veio a existir a partir de coisas visíveis.
11:4 Pela fé Abel ofereceu a Deus um sacrifício melhor que o de Caim. Por ela recebeu testemunho de que era justo, quando Deus deu testemunho das suas dádivas; e, por ela, mesmo depois de morto, ainda fala.
11:5 Pela fé Enoque foi levado para não ver a morte, e não era encontrado, porque Deus o havia levado. Pois, antes de ser levado, recebeu testemunho de que agradara a Deus.
11:6 Mas sem fé é impossível agradar a Deus, pois quem se aproxima dele deve crer que ele existe e recompensa os que o buscam.
11:7 Pela fé Noé, advertido por Deus a respeito de coisas que ainda não se viam, construiu com temor reverente uma arca para a salvação da sua família. Por ela condenou o mundo e se tornou herdeiro da justiça que é segundo a fé.
11:8 Pela fé Abraão, quando foi chamado, obedeceu e saiu para um lugar que haveria de receber como herança. E saiu sem saber para onde ia.
11:9 Pela fé viveu como estrangeiro na terra da promessa, como em terra alheia, morando em tendas com Isaque e Jacó, coerdeiros da mesma promessa.
11:10 Pois aguardava a cidade que tem alicerces, da qual Deus é o arquiteto e construtor.
11:11 Pela fé, também junto com a própria Sara, Abraão recebeu poder para gerar descendência, mesmo além da idade apropriada, pois considerou fiel aquele que havia prometido.
11:12 Por isso, de um só homem, e esse já como morto, nasceu uma descendência tão numerosa como as estrelas do céu e incontável como a areia à beira do mar.
11:13 Todos esses morreram na fé, sem ter recebido as promessas, mas as viram e saudaram de longe, reconhecendo que eram estrangeiros e peregrinos na terra.
11:14 Pois os que dizem essas coisas deixam claro que buscam uma pátria.
11:15 E, se estivessem pensando naquela de onde saíram, teriam oportunidade de voltar.
11:16 Mas agora anseiam por uma pátria melhor, isto é, celestial. Por isso Deus não se envergonha de ser chamado o Deus deles, pois lhes preparou uma cidade.
11:17 Pela fé Abraão, ao ser posto à prova, ofereceu Isaque. Aquele que havia acolhido as promessas oferecia o seu único filho,
11:18 embora a Abraão tivesse sido dito: “Em Isaque será chamada a sua descendência”.
11:19 Ele considerou que Deus era capaz até de ressuscitá-lo dentre os mortos, de onde também, em sentido figurado, o recebeu de volta.
11:20 Pela fé Isaque abençoou Jacó e Esaú, também a respeito de coisas futuras.
11:21 Pela fé Jacó, ao morrer, abençoou cada um dos filhos de José e adorou apoiado na extremidade do seu cajado.
11:22 Pela fé José, ao se aproximar da morte, mencionou a saída dos filhos de Israel e deu instruções a respeito dos seus ossos.
11:23 Pela fé Moisés, ao nascer, foi escondido pelos pais durante três meses, porque viram que o menino era belo e não temeram o decreto do rei.
11:24 Pela fé Moisés, quando se tornou adulto, recusou ser chamado filho da filha do faraó,
11:25 preferindo ser maltratado com o povo de Deus a desfrutar por um tempo dos prazeres do pecado.
11:26 Ele considerou os insultos por causa de Cristo uma riqueza maior que os tesouros do Egito, pois tinha os olhos postos na recompensa.
11:27 Pela fé deixou o Egito, sem temer a ira do rei, pois permaneceu firme como quem vê aquele que é invisível.
11:28 Pela fé celebrou a Páscoa e a aspersão do sangue, para que o destruidor dos primogênitos não os tocasse.
11:29 Pela fé atravessaram o mar Vermelho como por terra seca, mas os egípcios, ao tentarem fazer o mesmo, foram tragados.
11:30 Pela fé caíram as muralhas de Jericó, depois de serem rodeadas durante sete dias.
11:31 Pela fé Raabe, a prostituta, não pereceu com os desobedientes, pois recebeu os espias em paz.
11:32 E que mais direi? Faltaria tempo para contar a respeito de Gideão, Baraque, Sansão, Jefté, Davi, Samuel e dos profetas,
11:33 que, pela fé, conquistaram reinos, praticaram a justiça, alcançaram promessas, fecharam bocas de leões,
11:34 apagaram a força do fogo, escaparam do fio da espada, da fraqueza tiraram forças, tornaram-se poderosos na guerra e puseram em fuga exércitos estrangeiros.
11:35 Mulheres receberam de volta os seus mortos pela ressurreição. Outros, porém, foram torturados sem aceitar a libertação, para alcançar uma ressurreição melhor.
11:36 Outros experimentaram zombarias e açoites, e ainda correntes e prisão.
11:37 Foram apedrejados, serrados e mortos à espada; andaram de um lugar para outro com peles de ovelhas e de cabras, passando necessidade, afligidos e maltratados.
11:38 O mundo não era digno deles. Andaram errantes por desertos, montanhas, cavernas e fendas da terra.
11:39 E todos esses, embora tenham recebido bom testemunho pela fé, não receberam a promessa,
11:40 pois Deus havia previsto algo melhor para nós, para que eles não fossem aperfeiçoados à parte de nós.

Capítulo 12
12:1 Portanto, também nós, rodeados de tão grande nuvem de testemunhas, deixemos de lado todo peso e o pecado que tão facilmente nos enreda, e corramos com perseverança a corrida que está diante de nós,
12:2 com os olhos voltados para Jesus, o autor e consumador da fé. Pela alegria que estava diante dele, suportou a cruz, desprezando a vergonha, e se sentou à direita do trono de Deus.
12:3 Pois considerem aquele que suportou tamanha hostilidade dos pecadores contra si mesmos, para que vocês não se cansem nem desfaleçam em suas almas.
12:4 Vocês ainda não resistiram até derramar sangue na luta contra o pecado,
12:5 e se esqueceram da exortação que lhes fala como a filhos:
 “Meu filho, não despreze a disciplina do Senhor, nem desanime quando ele o repreender,
12:6 pois o Senhor disciplina a quem ama e açoita todo filho que recebe”.
12:7 Suportem o sofrimento como disciplina. Deus trata vocês como filhos. Pois que filho há a quem o pai não discipline?
12:8 Mas, se vocês estão sem disciplina, da qual todos se tornaram participantes, então são ilegítimos, e não filhos.
12:9 Além disso, nossos pais humanos nos disciplinavam, e nós os respeitávamos. Não nos sujeitaremos muito mais ao Pai dos espíritos, e viveremos?
12:10 Pois eles nos disciplinavam por poucos dias, como lhes parecia melhor; mas ele o faz para o nosso bem, para que participemos da sua santidade.
12:11 No momento, nenhuma disciplina parece motivo de alegria, mas de tristeza. Depois, porém, produz um fruto pacífico de justiça para os que por ela foram exercitados.
12:12 Por isso, levantem as mãos caídas e fortaleçam os joelhos enfraquecidos,
12:13 e façam caminhos retos para os seus pés, para que o que manqueja não se desvie, mas seja curado.
12:14 Busquem a paz com todos e a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor,
12:15 cuidando para que ninguém deixe de alcançar a graça de Deus, e para que nenhuma raiz de amargura brote, causando perturbação e contaminando muitos,
12:16 e para que ninguém seja sexualmente imoral ou profano como Esaú, que vendeu o seu direito de primogenitura por uma única refeição.
12:17 Pois vocês sabem que, mesmo depois, quando quis herdar a bênção, ele foi rejeitado, pois não encontrou oportunidade de arrependimento, embora a tenha buscado com lágrimas.
12:18 Pois vocês não se aproximaram de algo que se pode tocar, de fogo ardente, de escuridão, trevas e tempestade,
12:19 nem do som de trombeta ou de uma voz que pronunciava palavras tais que os que a ouviram pediram que nenhuma outra palavra lhes fosse dita.
12:20 Pois não suportavam o que era ordenado: “Mesmo que um animal toque o monte, será apedrejado”.
12:21 E tão terrível era o que se via que Moisés disse: “Estou apavorado e tremendo”.
12:22 Mas vocês se aproximaram do monte Sião, da cidade do Deus vivo, a Jerusalém celestial, e de milhares e milhares de anjos em reunião festiva,
12:23 da congregação dos primogênitos inscritos nos céus, de Deus, juiz de todos, e dos espíritos dos justos aperfeiçoados,
12:24 de Jesus, mediador de uma nova aliança, e do sangue da aspersão, que fala melhor do que Abel.
12:25 Cuidem para não rejeitar aquele que fala. Pois, se não escaparam os que rejeitaram aquele que os advertia na terra, muito menos escaparemos nós, se nos afastarmos daquele que nos adverte dos céus.
12:26 A voz dele abalou então a terra; agora, porém, ele prometeu: “Mais uma vez abalarei não apenas a terra, mas também o céu”.
12:27 A expressão “mais uma vez” indica a remoção das coisas que são abaladas, por serem coisas criadas, para que permaneçam as que não são abaladas.
12:28 Portanto, já que recebemos um reino inabalável, tenhamos gratidão e, por meio dela, prestemos a Deus um culto que lhe agrade, com reverência e temor,
12:29 pois o nosso Deus é fogo consumidor.

Capítulo 13
13:1 Que permaneça o amor fraternal.
13:2 Não se esqueçam da hospitalidade, pois por ela alguns hospedaram anjos sem saber.
13:3 Lembrem-se dos presos como se estivessem presos com eles, e dos maltratados, pois vocês também vivem num corpo.
13:4 Que o casamento seja honrado por todos, e o leito conjugal permaneça sem mancha, pois Deus julgará os sexualmente imorais e os adúlteros.
13:5 Que a conduta de vocês seja livre do amor ao dinheiro; contentem-se com o que têm, pois ele mesmo disse: “Nunca deixarei você, nem jamais o abandonarei”.
13:6 Assim podemos dizer com confiança:
 “O Senhor é o meu auxílio;
   não temerei.
   O que o ser humano poderá me fazer?”
13:7 Lembrem-se dos seus líderes, que lhes falaram a palavra de Deus. Considerando o resultado da sua conduta, imitem a fé deles.
13:8 Jesus Cristo é o mesmo ontem, hoje e para sempre.
13:9 Não se deixem levar por ensinos diversos e estranhos, pois é bom que o coração seja fortalecido pela graça, e não por alimentos, que não trouxeram proveito aos que deles se ocupavam.
13:10 Temos um altar do qual não têm direito de comer os que servem no tabernáculo.
13:11 Pois os corpos dos animais cujo sangue é levado pelo sumo sacerdote ao santuário pelo pecado são queimados fora do acampamento.
13:12 Por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, sofreu fora do portão.
13:13 Portanto, saiamos ao seu encontro, fora do acampamento, levando a sua desonra.
13:14 Pois não temos aqui uma cidade permanente, mas buscamos a que há de vir.
13:15 Por meio dele, portanto, ofereçamos continuamente a Deus um sacrifício de louvor, isto é, o fruto de lábios que confessam o seu nome.
13:16 E não se esqueçam de fazer o bem e de compartilhar, pois Deus se agrada de tais sacrifícios.
13:17 Obedeçam aos seus líderes e sejam submissos a eles, pois velam pelas almas de vocês como quem há de prestar contas. Que façam isso com alegria, e não gemendo, pois isso não seria proveitoso para vocês.
13:18 Orem por nós, pois estamos convencidos de que temos boa consciência, desejando agir de maneira honrada em tudo.
13:19 Peço com especial insistência que façam isso, para que eu lhes seja restituído mais depressa.
13:20 Que o Deus da paz, que pelo sangue da aliança eterna trouxe de volta dentre os mortos o grande pastor das ovelhas, nosso Senhor Jesus,
13:21 prepare vocês com todo o bem para fazerem a sua vontade, realizando em nós o que é agradável diante dele por meio de Jesus Cristo. A ele seja a glória pelos séculos. Amém.
13:22 Peço a vocês, irmãos, que recebam com paciência esta palavra de exortação, pois lhes escrevi brevemente.
13:23 Saibam que o nosso irmão Timóteo foi posto em liberdade. Se ele vier em breve, irei com ele ver vocês.
13:24 Cumprimentem todos os seus líderes e todos os santos. Os da Itália enviam saudações a vocês.
13:25 Que a graça esteja com todos vocês.

TIAGO

Capítulo 1
1:1 Tiago, escravo de Deus e do Senhor Jesus Cristo, às doze tribos na dispersão: saudações.
1:2 Considerem motivo de grande alegria, meus irmãos, quando se depararem com provações de vários tipos,
1:3 sabendo que a prova da fé de vocês produz perseverança.
1:4 Que a perseverança complete a sua obra, para que vocês sejam perfeitos e íntegros, sem que lhes falte coisa alguma.
1:5 Se a algum de vocês falta sabedoria, peça-a a Deus, que dá a todos generosamente e sem censurar, e ela lhe será dada.
1:6 Mas peça com fé, sem duvidar de nada, pois quem duvida é como uma onda do mar, levada e agitada pelo vento.
1:7 Pois essa pessoa não pense que receberá coisa alguma do Senhor,
1:8 sendo um homem de ânimo dividido, inconstante em todos os seus caminhos.
1:9 Que o irmão de condição humilde se glorie na sua exaltação,
1:10 e o rico, na sua humilhação, pois passará como a flor da erva.
1:11 Pois o sol se levanta com seu calor abrasador e seca a erva; a sua flor cai, e a beleza da sua aparência desaparece. Assim também o rico murchará em meio aos seus empreendimentos.
1:12 Bem-aventurado o homem que persevera na provação, pois, depois de aprovado, receberá a coroa da vida que ele prometeu aos que o amam.
1:13 Que ninguém, ao ser tentado, diga: “Sou tentado por Deus”. Pois Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo não tenta ninguém.
1:14 Mas cada um é tentado quando é arrastado e seduzido pelo seu próprio desejo.
1:15 Então o desejo, ao conceber, dá à luz o pecado; e o pecado, ao se consumar, gera a morte.
1:16 Não se enganem, meus amados irmãos.
1:17 Toda boa dádiva e todo dom perfeito vêm do alto, descendo do Pai das luzes, em quem não há mudança nem sombra de variação.
1:18 Por sua vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como primícias das suas criaturas.
1:19 Saibam disso, meus amados irmãos. Que toda pessoa seja pronta para ouvir, lenta para falar, lenta para se irar,
1:20 pois a ira humana não produz a justiça de Deus.
1:21 Por isso, deixem de lado toda impureza e todo acúmulo de maldade, e recebam com mansidão a palavra implantada, que pode salvar as almas de vocês.
1:22 Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes que enganam a si mesmos.
1:23 Pois, se alguém é ouvinte da palavra, mas não a pratica, é como um homem que observa o seu rosto natural num espelho:
1:24 ele observa a si mesmo, vai embora e logo se esquece de como era.
1:25 Mas quem examina atentamente a lei perfeita, a da liberdade, e nela permanece, não sendo um ouvinte esquecido, mas alguém que põe mãos à obra, será bem-aventurado no que faz.
1:26 Se alguém se considera religioso, mas não refreia a sua língua e engana o próprio coração, a religião dessa pessoa é inútil.
1:27 A religião pura e sem mancha diante de Deus e Pai é esta: cuidar dos órfãos e das viúvas na sua aflição e guardar-se sem mancha do mundo.

Capítulo 2
2:1 Meus irmãos, não pratiquem favoritismo ao manter a fé em nosso glorioso Senhor Jesus Cristo.
2:2 Pois, se entrar na reunião de vocês um homem com anel de ouro e roupa esplêndida, e também entrar um pobre com roupa suja,
2:3 e vocês derem atenção ao que veste a roupa esplêndida e lhe disserem: “Você, sente-se aqui, num bom lugar”, e disserem ao pobre: “Você fique em pé ou sente-se ali, abaixo do meu estrado”,
2:4 não fizeram distinções entre vocês e se tornaram juízes com pensamentos maus?
2:5 Ouçam, meus amados irmãos: Deus não escolheu os pobres aos olhos do mundo para serem ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?
2:6 Mas vocês desonraram o pobre. Não são os ricos que oprimem vocês e os arrastam aos tribunais?
2:7 Não são eles que blasfemam o bom nome que foi invocado sobre vocês?
2:8 Se de fato cumprem a lei real conforme a Escritura: “Ame o seu próximo como a si mesmo”, fazem bem.
2:9 Mas, se praticam favoritismo, cometem pecado e são declarados culpados pela lei como transgressores.
2:10 Pois quem guarda toda a lei, mas tropeça num só ponto, tornou-se culpado de todos.
2:11 Pois aquele que disse: “Não cometa adultério”, também disse: “Não assassine”. Se você não comete adultério, mas assassina, tornou-se transgressor da lei.
2:12 Falem e ajam como quem há de ser julgado pela lei da liberdade.
2:13 Pois o juízo será sem misericórdia para quem não mostrou misericórdia. A misericórdia triunfa sobre o juízo.
2:14 De que adianta, meus irmãos, alguém dizer que tem fé, se não tem obras? Acaso essa fé pode salvá-lo?
2:15 Se um irmão ou uma irmã estiverem sem roupa e lhes faltar o alimento diário,
2:16 e algum de vocês lhes disser: “Vão em paz, aqueçam-se e saciem-se”, mas vocês não lhes derem o necessário para o corpo, de que adianta?
2:17 Assim também a fé, se não tem obras, está morta em si mesma.
2:18 Mas alguém dirá: “Você tem fé, e eu tenho obras”. Mostre-me a sua fé sem as obras, e eu lhe mostrarei a fé pelas minhas obras.
2:19 Você crê que Deus é um só? Faz bem. Também os demônios creem e estremecem.
2:20 Mas você quer saber, ó homem insensato, que a fé sem as obras é inútil?
2:21 Não foi Abraão, nosso pai, justificado pelas obras quando ofereceu seu filho Isaque sobre o altar?
2:22 Você vê que a fé cooperava com as suas obras e que, pelas obras, a fé foi aperfeiçoada,
2:23 e se cumpriu a Escritura que diz: “Abraão creu em Deus, e isso lhe foi contado como justiça”, e ele foi chamado amigo de Deus.
2:24 Vocês veem que uma pessoa é justificada pelas obras, e não somente pela fé.
2:25 Da mesma forma, não foi também Raabe, a prostituta, justificada pelas obras quando acolheu os mensageiros e os enviou por outro caminho?
2:26 Pois, assim como o corpo sem espírito está morto, também a fé sem obras está morta.

Capítulo 3
3:1 Não se tornem mestres em grande número, meus irmãos, sabendo que receberemos um juízo mais severo.
3:2 Pois todos tropeçamos de muitas maneiras. Se alguém não tropeça no falar, é um homem perfeito, capaz de refrear também todo o seu corpo.
3:3 Se colocamos freios na boca dos cavalos para que nos obedeçam, dirigimos também todo o seu corpo.
3:4 Vejam também os navios: embora sejam tão grandes e impelidos por ventos fortes, são dirigidos por um leme muito pequeno para onde o piloto deseja.
3:5 Assim também a língua é um membro pequeno, mas se gaba de grandes coisas. Vejam como um fogo tão pequeno incendeia um bosque tão grande!
3:6 A língua é fogo, um mundo de injustiça. A língua se encontra entre os nossos membros, contamina todo o corpo, incendeia o curso da vida e é incendiada pelo inferno.
3:7 Pois toda espécie de feras, aves, répteis e animais marinhos é domada e tem sido domada pelo ser humano.
3:8 Mas nenhum ser humano pode domar a língua. Ela é um mal irrequieto e está cheia de veneno mortal.
3:9 Com ela bendizemos o Senhor e Pai, e com ela amaldiçoamos os seres humanos, feitos à semelhança de Deus.
3:10 Da mesma boca saem bênção e maldição. Meus irmãos, essas coisas não devem ser assim.
3:11 Acaso uma fonte faz brotar água doce e amarga pela mesma abertura?
3:12 Meus irmãos, pode uma figueira produzir azeitonas ou uma videira, figos? Tampouco a água salgada pode produzir água doce.
3:13 Quem é sábio e entendido entre vocês? Mostre, pela boa conduta, as suas obras com a mansidão da sabedoria.
3:14 Mas, se vocês têm inveja amarga e ambição egoísta no coração, não se gabem nem mintam contra a verdade.
3:15 Essa não é a sabedoria que desce do alto, mas é terrena, natural e demoníaca.
3:16 Pois, onde há inveja e ambição egoísta, aí há desordem e toda prática perversa.
3:17 Mas a sabedoria do alto é, antes de tudo, pura; depois, pacífica, amável, dócil, cheia de misericórdia e de bons frutos, imparcial e sem hipocrisia.
3:18 E o fruto da justiça é semeado em paz para os que promovem a paz.

Capítulo 4
4:1 De onde vêm as guerras e de onde vêm as brigas entre vocês? Não vêm dos prazeres de vocês, que guerreiam nos seus membros?
4:2 Vocês desejam e não têm; assassinam e têm inveja, mas não conseguem alcançar o que querem. Brigam e fazem guerra. Não têm porque não pedem.
4:3 Pedem e não recebem, porque pedem mal, para gastar nos seus prazeres.
4:4 Adúlteras! Vocês não sabem que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus? Portanto, quem quiser ser amigo do mundo torna-se inimigo de Deus.
4:5 Ou vocês pensam que a Escritura diz em vão: “Ele anseia com ciúme pelo espírito que fez habitar em nós”?
4:6 Mas ele dá graça maior. Por isso diz: “Deus resiste aos orgulhosos, mas dá graça aos humildes”.
4:7 Sujeitem-se, portanto, a Deus. Resistam ao diabo, e ele fugirá de vocês.
4:8 Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês. Limpem as mãos, pecadores, e purifiquem os corações, vocês de ânimo dividido.
4:9 Aflijam-se, lamentem-se e chorem. Que o riso de vocês se transforme em lamento, e a alegria, em tristeza.
4:10 Humilhem-se diante do Senhor, e ele exaltará vocês.
4:11 Não falem mal uns dos outros, irmãos. Quem fala mal de um irmão ou julga seu irmão fala mal da lei e julga a lei. Mas, se você julga a lei, não é praticante da lei, e sim juiz.
4:12 Há um só legislador e juiz, aquele que pode salvar e destruir. Mas você, quem é para julgar o próximo?
4:13 Escutem agora, vocês que dizem: “Hoje ou amanhã iremos a tal cidade, passaremos ali um ano, faremos negócios e teremos lucro”.
4:14 Vocês não sabem como será a vida de vocês amanhã. Pois vocês são um vapor que aparece por pouco tempo e depois desaparece.
4:15 Em vez disso, deveriam dizer: “Se o Senhor quiser, viveremos e faremos isto ou aquilo”.
4:16 Agora, porém, vocês se gabam das suas presunções. Toda vanglória desse tipo é má.
4:17 Portanto, quem sabe fazer o bem e não o faz comete pecado.

Capítulo 5
5:1 Escutem agora, ricos: chorem e gritem de angústia pelas misérias que virão sobre vocês.
5:2 As riquezas de vocês apodreceram, e as suas roupas foram comidas pelas traças.
5:3 O ouro e a prata de vocês se corroeram, e a corrosão deles será testemunho contra vocês e devorará a carne de vocês como fogo. Vocês acumularam tesouros nos últimos dias.
5:4 Vejam: o salário dos trabalhadores que colheram os campos de vocês, retido por vocês, clama, e os clamores dos ceifeiros chegaram aos ouvidos do Senhor dos Exércitos.
5:5 Vocês viveram em luxo e prazeres sobre a terra; engordaram os seus corações num dia de matança.
5:6 Vocês condenaram e assassinaram o justo. Não resiste a vocês?
5:7 Portanto, irmãos, tenham paciência até a vinda do Senhor. Vejam como o agricultor espera o precioso fruto da terra, aguardando com paciência até receber as chuvas do início e do fim da estação.
5:8 Tenham paciência também vocês e fortaleçam os seus corações, pois a vinda do Senhor está próxima.
5:9 Não se queixem uns contra os outros, irmãos, para que não sejam julgados. Vejam: o juiz está às portas.
5:10 Irmãos, tomem como exemplo de sofrimento e paciência os profetas que falaram em nome do Senhor.
5:11 Vejam: consideramos bem-aventurados os que perseveraram. Vocês ouviram da perseverança de Jó e viram o desfecho que o Senhor deu, pois o Senhor é cheio de compaixão e misericordioso.
5:12 Acima de tudo, porém, meus irmãos, não jurem, nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outro juramento. Que o “sim” de vocês seja sim, e o “não”, não, para que não caiam sob juízo.
5:13 Alguém entre vocês está sofrendo? Que ore. Alguém está alegre? Que cante louvores.
5:14 Alguém entre vocês está doente? Que chame os presbíteros da igreja, e eles orem por ele, ungindo-o com azeite em nome do Senhor.
5:15 E a oração da fé salvará o doente, e o Senhor o levantará; e, se tiver cometido pecados, eles lhe serão perdoados.
5:16 Portanto, confessem os pecados uns aos outros e orem uns pelos outros, para que sejam curados. A súplica eficaz de um justo pode muito.
5:17 Elias era um ser humano sujeito às mesmas fraquezas que nós, e orou com fervor para que não chovesse; e não choveu sobre a terra por três anos e seis meses.
5:18 E orou outra vez, e o céu deu chuva, e a terra produziu o seu fruto.
5:19 Meus irmãos, se alguém entre vocês se desviar da verdade e alguém o fizer voltar,
5:20 saiba que quem faz um pecador voltar do erro do seu caminho salvará sua alma da morte e cobrirá uma multidão de pecados.

1 PEDRO

Capítulo 1
1:1 Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos eleitos que vivem como estrangeiros da dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia,
1:2 segundo o conhecimento prévio de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo: que a graça e a paz sejam multiplicadas a vocês.
1:3 Bendito seja o Deus e Pai do nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos fez nascer de novo para uma esperança viva, por meio da ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,
1:4 para uma herança incorruptível, sem mancha e que não murcha, reservada nos céus para vocês,
1:5 que são guardados pelo poder de Deus, mediante a fé, para uma salvação pronta para ser revelada no tempo final.
1:6 Nisso vocês exultam, embora agora, por pouco tempo, se necessário, tenham sido entristecidos por provações de vários tipos,
1:7 para que a autenticidade comprovada da fé de vocês, mais preciosa que o ouro que perece, embora provado pelo fogo, resulte em louvor, glória e honra na revelação de Jesus Cristo.
1:8 Vocês o amam sem o terem visto; e, embora agora não o vejam, creem nele e exultam com alegria indescritível e gloriosa,
1:9 recebendo o resultado da fé de vocês: a salvação das almas.
1:10 Os profetas que profetizaram sobre a graça destinada a vocês investigaram e examinaram com cuidado essa salvação,
1:11 procurando saber que tempo ou que circunstâncias indicava o Espírito de Cristo que estava neles, ao dar testemunho de antemão dos sofrimentos destinados a Cristo e das glórias que viriam depois.
1:12 A eles foi revelado que serviam a vocês nessas coisas, e não a si mesmos. Agora elas lhes foram anunciadas por aqueles que lhes pregaram o evangelho pelo Espírito Santo enviado do céu, coisas que os anjos anseiam contemplar.
1:13 Por isso, preparem a mente, sejam sóbrios e ponham inteiramente a esperança na graça que será trazida a vocês na revelação de Jesus Cristo.
1:14 Como filhos obedientes, não se amoldem aos desejos que antes tinham na sua ignorância.
1:15 Mas, assim como é santo aquele que chamou vocês, sejam também vocês santos em toda a sua maneira de viver,
1:16 pois está escrito: “Vocês serão santos, porque eu sou santo”.
1:17 E, se invocam como Pai aquele que julga sem favoritismo segundo a obra de cada um, vivam com temor durante o tempo da sua permanência como estrangeiros,
1:18 sabendo que não foi com coisas perecíveis, como prata ou ouro, que vocês foram resgatados da vã maneira de viver herdada dos seus antepassados,
1:19 mas com o sangue precioso de Cristo, como de um cordeiro sem defeito e sem mancha.
1:20 Ele foi conhecido de antemão, antes da fundação do mundo, mas foi manifestado nestes últimos tempos por causa de vocês,
1:21 que por meio dele creem em Deus, que o ressuscitou dentre os mortos e lhe deu glória, de modo que a fé e a esperança de vocês estejam em Deus.
1:22 Tendo purificado as almas de vocês pela obediência à verdade para um amor fraternal sem hipocrisia, amem uns aos outros intensamente, de coração,
1:23 pois nasceram de novo, não de semente perecível, mas incorruptível, por meio da palavra de Deus, viva e permanente.
1:24 Pois
 “toda carne é como erva, e toda a sua glória, como a flor da erva.
   A erva secou, e a flor caiu,
1:25 mas a palavra do Senhor permanece para sempre”.
 E esta é a palavra que lhes foi anunciada como boas-novas.

Capítulo 2
2:1 Portanto, deixem de lado toda maldade, todo engano, hipocrisias, invejas e toda maledicência.
2:2 Como bebês recém-nascidos, desejem o leite espiritual puro, para que, por ele, cresçam para a salvação,
2:3 se é que provaram que o Senhor é bom.
2:4 Aproximando-se dele, pedra viva, rejeitada pelos seres humanos, mas eleita e preciosa diante de Deus,
2:5 também vocês, como pedras vivas, são edificados como casa espiritual para serem um sacerdócio santo, a fim de oferecer sacrifícios espirituais aceitáveis a Deus por meio de Jesus Cristo.
2:6 Pois assim está na Escritura:
 “Eis que ponho em Sião uma pedra angular, eleita e preciosa, e quem nela crê jamais será envergonhado”.
2:7 Portanto, para vocês que creem há honra; mas, para os que não creem:
 “A pedra que os construtores rejeitaram se tornou a pedra angular”,
2:8 e:
 “Pedra de tropeço e rocha que faz cair”.
 Eles tropeçam ao desobedecer à palavra, para o que também foram destinados.
2:9 Mas vocês são linhagem eleita, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido por Deus, para proclamar as virtudes daquele que chamou vocês das trevas para a sua luz maravilhosa.
2:10 Vocês, que antes não eram povo, agora são povo de Deus; antes não tinham recebido misericórdia, mas agora receberam misericórdia.
2:11 Amados, peço a vocês, como a estrangeiros e residentes temporários, que se abstenham dos desejos carnais, que guerreiam contra a alma.
2:12 Mantenham uma boa conduta entre os gentios, para que, embora falem mal de vocês como de malfeitores, ao observarem as suas boas obras glorifiquem a Deus no dia da sua visitação.
2:13 Por causa do Senhor, sujeitem-se a toda instituição humana, seja ao rei, como autoridade superior,
2:14 seja aos governadores, como enviados por ele para castigar os malfeitores e louvar os que fazem o bem.
2:15 Pois esta é a vontade de Deus: que, fazendo o bem, vocês façam calar a ignorância das pessoas insensatas.
2:16 Vivam como livres, sem usar a liberdade como cobertura para a maldade, mas como escravos de Deus.
2:17 Honrem a todos, amem a irmandade, temam a Deus e honrem o rei.
2:18 Escravos domésticos, sujeitem-se com todo temor aos seus senhores, não somente aos bons e amáveis, mas também aos perversos.
2:19 Pois é digno de aprovação que alguém, por ter consciência de Deus, suporte aflições ao sofrer injustamente.
2:20 Pois que honra há em suportarem bofetadas quando pecam? Mas, se vocês perseveram ao sofrer por fazer o bem, isso é digno de aprovação diante de Deus.
2:21 Pois para isso foram chamados, porque também Cristo sofreu por vocês, deixando-lhes um exemplo, para que sigam as suas pegadas.
2:22 Ele não cometeu pecado, nem se encontrou engano na sua boca.
2:23 Quando o insultavam, não devolvia os insultos; quando sofria, não ameaçava, mas se entregava àquele que julga justamente.
2:24 Ele mesmo levou os nossos pecados no seu corpo sobre o madeiro, para que, mortos para os pecados, vivêssemos para a justiça. Pela sua ferida vocês foram curados.
2:25 Pois vocês andavam desgarrados como ovelhas, mas agora voltaram ao pastor e guardião das almas de vocês.

Capítulo 3
3:1 Do mesmo modo, esposas, sujeitem-se aos próprios maridos, para que, mesmo se alguns desobedecem à palavra, sejam ganhos sem palavras pela conduta das esposas,
3:2 ao observarem a conduta pura e respeitosa de vocês.
3:3 Que o adorno de vocês não seja o exterior: tranças nos cabelos, uso de ouro ou roupas,
3:4 mas a pessoa interior do coração, com o adorno incorruptível de um espírito manso e sereno, que é de grande valor diante de Deus.
3:5 Pois assim também se adornavam antigamente as mulheres santas que esperavam em Deus, sujeitando-se aos próprios maridos,
3:6 como Sara, que obedeceu a Abraão, chamando-o senhor. Vocês se tornaram filhas dela, fazendo o bem e não temendo ameaça alguma.
3:7 Do mesmo modo, maridos, convivam com elas com entendimento, dando honra à mulher como vaso mais frágil e como coerdeira da graça da vida, para que as suas orações não sejam impedidas.
3:8 Por fim, tenham todos o mesmo sentir; sejam compassivos, cheios de amor fraternal, misericordiosos e humildes,
3:9 não retribuindo mal por mal ou insulto por insulto, mas, ao contrário, abençoando, pois para isso foram chamados: para herdar bênção.
3:10 Pois
 “quem quer amar a vida e ver dias bons refreie a língua do mal e os lábios de falar engano;
3:11 afaste-se do mal e faça o bem;
   busque a paz e siga-a.
3:12 Pois os olhos do Senhor estão sobre os justos, e os seus ouvidos, atentos à súplica deles, mas o rosto do Senhor está contra os que fazem o mal”.
3:13 E quem fará mal a vocês, se forem zelosos do bem?
3:14 Mas, mesmo que sofram por causa da justiça, vocês são bem-aventurados. Não temam o que eles temem nem se perturbem,
3:15 mas santifiquem Cristo como Senhor nos seus corações, sempre prontos a apresentar defesa a todo aquele que lhes pedir razão da esperança que há em vocês,
3:16 porém com mansidão e respeito, tendo boa consciência, para que, naquilo em que vocês são difamados, fiquem envergonhados os que maltratam a boa conduta de vocês em Cristo.
3:17 Pois é melhor sofrer por fazer o bem, se assim o quiser a vontade de Deus, do que por fazer o mal.
3:18 Pois também Cristo sofreu uma única vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar vocês a Deus; morto na carne, mas vivificado em espírito,
3:19 no qual também foi e proclamou aos espíritos em prisão,
3:20 que antes haviam desobedecido, quando a paciência de Deus aguardava nos dias de Noé, enquanto se construía a arca. Nela poucos, isto é, oito pessoas, foram salvos por meio da água.
3:21 O batismo, que corresponde a isso, agora salva também vocês, não como remoção da sujeira do corpo, mas como pedido a Deus por uma boa consciência, por meio da ressurreição de Jesus Cristo,
3:22 que está à direita de Deus, depois de ter ido ao céu, com anjos, autoridades e poderes sujeitos a ele.

Capítulo 4
4:1 Portanto, já que Cristo sofreu na carne, armem-se também vocês com o mesmo pensamento, pois quem sofreu na carne rompeu com o pecado,
4:2 para viver o tempo que resta na carne segundo a vontade de Deus, e não mais segundo os desejos humanos.
4:3 Pois basta o tempo passado em que vocês fizeram a vontade dos gentios, vivendo em devassidões, desejos, bebedeiras, festas desregradas, reuniões para beber e idolatrias ilícitas.
4:4 Eles estranham que vocês não corram com eles para o mesmo transbordamento de libertinagem, e os difamam.
4:5 Eles prestarão contas àquele que está pronto para julgar vivos e mortos.
4:6 Pois para isso o evangelho foi anunciado também aos mortos: para que fossem julgados na carne segundo os seres humanos, mas vivessem em espírito segundo Deus.
4:7 O fim de todas as coisas se aproximou. Portanto, sejam sensatos e sóbrios para as orações.
4:8 Acima de tudo, mantenham um amor intenso uns pelos outros, pois o amor cobre uma multidão de pecados.
4:9 Sejam hospitaleiros uns com os outros, sem murmuração.
4:10 Como bons administradores da multiforme graça de Deus, sirvam uns aos outros, cada um com o dom que recebeu.
4:11 Se alguém fala, fale segundo as palavras de Deus; se alguém serve, sirva com a força que Deus fornece, para que em tudo Deus seja glorificado por meio de Jesus Cristo, a quem pertencem a glória e o poder pelos séculos dos séculos. Amém.
4:12 Amados, não estranhem o fogo que surge entre vocês para pô-los à prova, como se algo estranho lhes acontecesse,
4:13 mas alegrem-se na medida em que participam dos sofrimentos de Cristo, para que também exultem de alegria na revelação da sua glória.
4:14 Se vocês são insultados pelo nome de Cristo, são bem-aventurados, pois o Espírito da glória e de Deus repousa sobre vocês.
4:15 Que nenhum de vocês sofra como assassino, ladrão, malfeitor ou como intrometido em assuntos alheios.
4:16 Mas, se sofre como cristão, não se envergonhe, e sim glorifique a Deus por esse nome.
4:17 Pois é tempo de começar o juízo pela casa de Deus. E, se começa primeiro por nós, qual será o fim dos que desobedecem ao evangelho de Deus?
4:18 E: “Se o justo é salvo com dificuldade, onde aparecerão o ímpio e o pecador?”
4:19 Portanto, também os que sofrem segundo a vontade de Deus confiem as suas almas ao Criador fiel, fazendo o bem.

Capítulo 5
5:1 Portanto, exorto os presbíteros entre vocês, eu, que sou presbítero com eles, testemunha dos sofrimentos de Cristo e participante da glória que há de ser revelada:
5:2 pastoreiem o rebanho de Deus que está entre vocês, cuidando dele não por obrigação, mas voluntariamente, como Deus quer; não por ganhos desonestos, mas de boa vontade;
5:3 não como dominadores dos que lhes foram confiados, mas tornando-se exemplos para o rebanho.
5:4 E, quando o pastor supremo se manifestar, vocês receberão a coroa de glória que não murcha.
5:5 Do mesmo modo, jovens, sujeitem-se aos presbíteros. E todos se revistam de humildade uns para com os outros, pois “Deus resiste aos orgulhosos, mas dá graça aos humildes”.
5:6 Humilhem-se, portanto, sob a poderosa mão de Deus, para que ele os exalte no tempo devido,
5:7 lançando sobre ele toda a ansiedade de vocês, pois ele cuida de vocês.
5:8 Sejam sóbrios e vigiem. O adversário de vocês, o diabo, ronda como um leão que ruge, procurando alguém para devorar.
5:9 Resistam a ele, firmes na fé, sabendo que os mesmos sofrimentos se cumprem na irmandade de vocês pelo mundo.
5:10 E o Deus de toda graça, que chamou vocês à sua glória eterna em Cristo, depois de terem sofrido por pouco tempo, ele mesmo restaurará vocês, os firmará e fortalecerá e lhes dará alicerces.
5:11 A ele seja o domínio pelos séculos dos séculos. Amém.
5:12 Por meio de Silvano, a quem considero um irmão fiel, escrevi brevemente a vocês, exortando e testemunhando que esta é a verdadeira graça de Deus. Permaneçam firmes nela.
5:13 Aquela que está em Babilônia, eleita com vocês, envia saudações a vocês, e também Marcos, meu filho.
5:14 Cumprimentem uns aos outros com um beijo de amor. Paz a todos vocês que estão em Cristo.

2 PEDRO

Capítulo 1
1:1 Simeão Pedro, escravo e apóstolo de Jesus Cristo, aos que receberam uma fé tão preciosa como a nossa pela justiça do nosso Deus e Salvador Jesus Cristo:
1:2 que a graça e a paz sejam multiplicadas a vocês no pleno conhecimento de Deus e de Jesus, nosso Senhor.
1:3 O seu poder divino nos concedeu tudo o que diz respeito à vida e à piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou por sua própria glória e excelência.
1:4 Por meio delas, ele nos concedeu preciosas e grandíssimas promessas, para que, por elas, vocês se tornem participantes da natureza divina, tendo escapado da corrupção que há no mundo por causa dos desejos.
1:5 Por isso mesmo, façam todo esforço para acrescentar à fé de vocês a virtude; à virtude, o conhecimento;
1:6 ao conhecimento, o domínio próprio; ao domínio próprio, a perseverança; à perseverança, a piedade;
1:7 à piedade, o afeto fraternal; e ao afeto fraternal, o amor.
1:8 Pois, se essas coisas existem em vocês e aumentam, não os deixam ociosos nem infrutíferos no pleno conhecimento do nosso Senhor Jesus Cristo.
1:9 Pois quem não tem essas coisas é cego, de vista curta, tendo se esquecido da purificação dos seus antigos pecados.
1:10 Por isso, irmãos, empenhem-se ainda mais em tornar firmes o chamado e a eleição de vocês, pois, fazendo essas coisas, jamais tropeçarão.
1:11 Pois assim lhes será concedida generosamente a entrada no reino eterno do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.
1:12 Por isso, estarei sempre pronto a lembrar essas coisas a vocês, embora já as saibam e estejam firmados na verdade presente.
1:13 Considero justo, enquanto estiver nesta tenda, despertar vocês por meio da lembrança,
1:14 sabendo que em breve deixarei a minha tenda, como também nosso Senhor Jesus Cristo me mostrou.
1:15 Também me empenharei para que, depois da minha partida, vocês possam lembrar essas coisas em todo momento.
1:16 Pois não foi seguindo fábulas habilmente inventadas que lhes demos a conhecer o poder e a vinda do nosso Senhor Jesus Cristo, mas como testemunhas oculares da sua majestade.
1:17 Pois ele recebeu honra e glória de Deus Pai quando da glória majestosa lhe veio esta voz: “Este é meu Filho, meu amado, em quem me comprazi”.
1:18 E nós ouvimos essa voz vinda do céu quando estávamos com ele no monte santo.
1:19 E temos a palavra profética mais firme, à qual vocês fazem bem em prestar atenção como a uma lâmpada que brilha num lugar escuro, até que o dia amanheça e a estrela da manhã nasça nos seus corações.
1:20 Saibam, antes de tudo, que nenhuma profecia da Escritura surge de interpretação própria,
1:21 pois nenhuma profecia jamais veio por vontade humana, mas homens falaram da parte de Deus, movidos pelo Espírito Santo.

Capítulo 2
2:1 Mas também houve falsos profetas entre o povo, assim como haverá falsos mestres entre vocês. Eles introduzirão às escondidas heresias destrutivas, negando até o Senhor que os comprou e trazendo sobre si repentina destruição.
2:2 Muitos seguirão as suas devassidões e, por causa deles, o caminho da verdade será difamado.
2:3 Por ganância, explorarão vocês com palavras inventadas. Há muito a condenação deles não está inativa, e a sua destruição não dorme.
2:4 Pois, se Deus não poupou os anjos que pecaram, mas os lançou no Tártaro, entregando-os a correntes de escuridão, reservados para o juízo;
2:5 se não poupou o mundo antigo, mas guardou Noé, proclamador da justiça, com outras sete pessoas, ao trazer o dilúvio sobre o mundo dos ímpios;
2:6 se reduziu a cinzas as cidades de Sodoma e Gomorra, condenando-as à destruição e estabelecendo-as como exemplo do que há de vir para os ímpios;
2:7 e se livrou o justo Ló, oprimido pela conduta devassa dos que vivem sem lei
2:8 — pois aquele justo, ao morar entre eles, atormentava dia após dia a sua alma justa com as obras sem lei que via e ouvia —,
2:9 o Senhor sabe livrar da provação os piedosos e manter os injustos sob castigo até o dia do juízo,
2:10 especialmente os que seguem a carne em desejos contaminantes e desprezam a autoridade. Atrevidos e arrogantes, não tremem ao blasfemar dos seres gloriosos,
2:11 enquanto os anjos, embora maiores em força e poder, não apresentam contra eles um juízo blasfemo.
2:12 Mas esses, como animais irracionais, guiados pelo instinto, nascidos para serem capturados e destruídos, blasfemam do que não conhecem e, na sua corrupção, também serão destruídos,
2:13 sofrendo dano como pagamento da injustiça. Consideram prazer o luxo em pleno dia. São manchas e defeitos, deleitando-se em seus enganos enquanto se banqueteiam com vocês.
2:14 Têm os olhos cheios de adultério e não cessam de pecar; seduzem almas instáveis e têm o coração treinado na ganância. São filhos de maldição.
2:15 Deixaram o caminho reto e se desviaram, seguindo o caminho de Balaão, filho de Bosor, que amou o pagamento da injustiça,
2:16 mas recebeu repreensão pela sua própria transgressão: um animal de carga sem fala, falando com voz humana, refreou a loucura do profeta.
2:17 Eles são fontes sem água e neblinas impelidas pela tempestade, para os quais está reservada a escuridão das trevas.
2:18 Pois, pronunciando palavras arrogantes e vazias, seduzem com desejos da carne e devassidões os que mal estão escapando dos que vivem no erro.
2:19 Prometem liberdade a eles, sendo eles mesmos escravos da corrupção; pois, por aquilo que alguém é vencido, também é escravizado.
2:20 Pois, se, depois de escaparem das contaminações do mundo pelo pleno conhecimento do Senhor e Salvador Jesus Cristo, tornam a se enredar nelas e são vencidos, o seu estado final tornou-se pior que o primeiro.
2:21 Pois teria sido melhor para eles não terem conhecido o caminho da justiça do que, depois de conhecê-lo, voltarem atrás do santo mandamento que lhes foi entregue.
2:22 Aconteceu a eles o que diz o provérbio verdadeiro: “O cão voltou ao próprio vômito”, e: “A porca lavada voltou a se revolver na lama”.

Capítulo 3
3:1 Amados, esta já é a segunda carta que escrevo a vocês. Em ambas desperto, por meio da lembrança, o entendimento sincero de vocês,
3:2 para que se lembrem das palavras ditas de antemão pelos santos profetas e do mandamento do Senhor e Salvador transmitido pelos apóstolos de vocês.
3:3 Saibam, antes de tudo, que nos últimos dias virão zombadores com suas zombarias, andando segundo os próprios desejos
3:4 e dizendo: “Onde está a promessa da sua vinda? Pois, desde que os pais adormeceram, tudo permanece igual, desde o princípio da criação”.
3:5 Pois eles ignoram deliberadamente que, desde a antiguidade, havia céus e uma terra formada da água e por meio da água pela palavra de Deus.
3:6 Por esses meios, o mundo de então pereceu, inundado de água.
3:7 Mas os céus e a terra de agora estão reservados pela mesma palavra para o fogo, guardados até o dia do juízo e da destruição dos seres humanos ímpios.
3:8 Mas não se esqueçam disto, amados: para o Senhor um dia é como mil anos, e mil anos, como um dia.
3:9 O Senhor não demora em cumprir a promessa, como alguns entendem a demora, mas é paciente com vocês, não querendo que ninguém pereça, e sim que todos cheguem ao arrependimento.
3:10 Mas o dia do Senhor virá como um ladrão. Nesse dia os céus passarão com estrondo, os elementos, ardendo, serão desfeitos, e a terra e as obras que nela há ficarão a descoberto.
3:11 Visto que todas essas coisas serão desfeitas assim, que tipo de pessoas vocês devem ser em conduta santa e piedade,
3:12 aguardando e apressando a vinda do dia de Deus? Por causa desse dia, os céus em fogo serão desfeitos, e os elementos, abrasados, se derreterão.
3:13 Mas nós, segundo a sua promessa, aguardamos novos céus e nova terra, nos quais habita a justiça.
3:14 Por isso, amados, enquanto esperam essas coisas, empenhem-se para serem encontrados por ele sem mancha e irrepreensíveis, em paz,
3:15 e considerem a paciência do nosso Senhor como salvação, assim como também o nosso amado irmão Paulo escreveu a vocês segundo a sabedoria que lhe foi dada,
3:16 como faz em todas as cartas ao falar nelas dessas coisas. Nelas há algumas coisas difíceis de entender, que os ignorantes e instáveis distorcem, como também as demais Escrituras, para a própria destruição.
3:17 Portanto, amados, sabendo disso de antemão, guardem-se para que não caiam da própria firmeza, arrastados pelo erro dos que vivem sem lei,
3:18 mas cresçam na graça e no conhecimento do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja a glória, agora e até o dia da eternidade. Amém.

1 JOÃO

Capítulo 1
1:1 O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que contemplamos e as nossas mãos tocaram, a respeito da Palavra da vida —
1:2 e a vida se manifestou, e nós a vimos, damos testemunho e anunciamos a vocês a vida eterna, que estava com o Pai e se manifestou a nós —,
1:3 o que vimos e ouvimos, isso anunciamos também a vocês, para que também tenham comunhão conosco. E a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho Jesus Cristo.
1:4 E nós escrevemos estas coisas para que a nossa alegria seja completa.
1:5 E esta é a mensagem que dele ouvimos e anunciamos a vocês: Deus é luz, e nele não há treva alguma.
1:6 Se dissermos que temos comunhão com ele, mas andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.
1:7 Mas, se andarmos na luz, como ele está na luz, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado.
1:8 Se dissermos que não temos pecado, enganamos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.
1:9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.
1:10 Se dissermos que não pecamos, fazemos dele um mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

Capítulo 2
2:1 Meus filhinhos, escrevo estas coisas a vocês para que não pequem. Mas, se alguém pecar, temos um advogado junto ao Pai: Jesus Cristo, o justo.
2:2 Ele mesmo é o sacrifício de propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.
2:3 E nisto sabemos que o conhecemos: se guardamos os seus mandamentos.
2:4 Quem diz: “Eu o conheço”, mas não guarda os seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele.
2:5 Mas, em quem guarda a sua palavra, o amor de Deus verdadeiramente alcançou a plenitude. Nisto sabemos que estamos nele:
2:6 quem diz que permanece nele deve também andar como ele andou.
2:7 Amados, não escrevo a vocês um mandamento novo, mas um mandamento antigo que têm desde o princípio. O mandamento antigo é a palavra que vocês ouviram.
2:8 Ainda assim, escrevo a vocês um mandamento novo, que é verdadeiro nele e em vocês, pois as trevas estão passando, e a verdadeira luz já brilha.
2:9 Quem diz que está na luz e odeia o seu irmão ainda está nas trevas.
2:10 Quem ama o seu irmão permanece na luz, e nele não há motivo de tropeço.
2:11 Mas quem odeia o seu irmão está nas trevas e anda nas trevas; não sabe para onde vai, pois as trevas cegaram os seus olhos.

2:12 Escrevo a vocês, filhinhos, porque os seus pecados foram perdoados por causa do nome dele.
2:13 Escrevo a vocês, pais, porque conhecem aquele que é desde o princípio.
   Escrevo a vocês, jovens, porque venceram o maligno.
2:14 Escrevi a vocês, filhos, porque conhecem o Pai.
   Escrevi a vocês, pais, porque conhecem aquele que é desde o princípio.
   Escrevi a vocês, jovens, porque são fortes, a palavra de Deus permanece em vocês e venceram o maligno.
2:15 Não amem o mundo nem o que há no mundo. Se alguém ama o mundo, o amor do Pai não está nele.
2:16 Pois tudo o que há no mundo — o desejo da carne, o desejo dos olhos e a ostentação dos bens — não vem do Pai, mas vem do mundo.
2:17 E o mundo passa, assim como o seu desejo; mas quem faz a vontade de Deus permanece para sempre.
2:18 Filhos, é a última hora. E, assim como ouviram que vem o anticristo, também agora surgiram muitos anticristos. Por isso sabemos que é a última hora.
2:19 Saíram do nosso meio, mas não eram dos nossos; pois, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco. Mas saíram para que ficasse claro que nem todos são dos nossos.
2:20 E vocês têm uma unção que vem do Santo, e todos vocês têm conhecimento.
2:21 Não escrevi a vocês por não conhecerem a verdade, mas porque a conhecem e porque nenhuma mentira vem da verdade.
2:22 Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o anticristo: aquele que nega o Pai e o Filho.
2:23 Todo aquele que nega o Filho também não tem o Pai. Quem confessa o Filho tem também o Pai.
2:24 Quanto a vocês, permaneça em vocês o que ouviram desde o princípio. Se permanecer em vocês o que ouviram desde o princípio, também vocês permanecerão no Filho e no Pai.
2:25 E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna.
2:26 Escrevi estas coisas a vocês a respeito dos que os enganam.
2:27 Quanto a vocês, a unção que receberam dele permanece em vocês, e não precisam que ninguém lhes ensine. Mas, assim como a sua unção ensina vocês a respeito de todas as coisas, e é verdadeira e não é mentira, permaneçam nele, como ela lhes ensinou.
2:28 E agora, filhinhos, permaneçam nele, para que, quando se manifestar, tenhamos confiança e não fiquemos envergonhados diante dele na sua vinda.
2:29 Se vocês sabem que ele é justo, saibam que todo aquele que pratica a justiça nasceu dele.

Capítulo 3
3:1 Vejam que amor o Pai nos concedeu, para que sejamos chamados filhos de Deus! E nós o somos. Por isso o mundo não nos conhece, pois não o conheceu.
3:2 Amados, agora somos filhos de Deus, e ainda não se manifestou o que seremos. Sabemos que, quando ele se manifestar, seremos semelhantes a ele, pois o veremos como ele é.
3:3 E todo aquele que tem nele essa esperança purifica a si mesmo, assim como ele é puro.
3:4 Todo aquele que pratica o pecado também transgride a lei, pois o pecado é transgressão da lei.
3:5 E vocês sabem que ele se manifestou para remover os pecados, e nele não há pecado.
3:6 Todo aquele que permanece nele não peca; todo aquele que peca não o viu nem o conheceu.
3:7 Filhinhos, que ninguém engane vocês. Quem pratica a justiça é justo, assim como ele é justo.
3:8 Quem pratica o pecado é do diabo, pois o diabo peca desde o princípio. Para isso o Filho de Deus se manifestou: para desfazer as obras do diabo.
3:9 Todo aquele que nasceu de Deus não pratica o pecado, pois a semente de Deus permanece nele; e não pode pecar, porque nasceu de Deus.
3:10 Nisto se distinguem os filhos de Deus e os filhos do diabo: todo aquele que não pratica a justiça não é de Deus, nem aquele que não ama o seu irmão.
3:11 Pois esta é a mensagem que vocês ouviram desde o princípio: que nos amemos uns aos outros.
3:12 Não sejamos como Caim, que era do maligno e assassinou o seu irmão. E por que o assassinou? Porque as suas obras eram más, mas as do seu irmão eram justas.
3:13 Não se admirem, irmãos, se o mundo odeia vocês.
3:14 Nós sabemos que passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte.
3:15 Todo aquele que odeia o seu irmão é assassino, e vocês sabem que nenhum assassino tem vida eterna que permaneça nele.
3:16 Nisto conhecemos o amor: ele deu a sua vida por nós. E também nós devemos dar as nossas vidas pelos irmãos.
3:17 Se alguém tem bens deste mundo e vê o seu irmão passando necessidade, mas fecha o coração para ele, como permanece nessa pessoa o amor de Deus?
3:18 Filhinhos, não amemos de palavra nem de lábios, mas com ações e de verdade.
3:19 Nisto saberemos que somos da verdade e tranquilizaremos o nosso coração diante dele,
3:20 pois, se o nosso coração nos condena, Deus é maior que o nosso coração e sabe todas as coisas.
3:21 Amados, se o nosso coração não nos condena, temos confiança diante de Deus
3:22 e dele recebemos tudo o que pedimos, porque guardamos os seus mandamentos e fazemos o que lhe agrada.
3:23 E este é o seu mandamento: que creiamos no nome do seu Filho Jesus Cristo e amemos uns aos outros, assim como ele nos ordenou.
3:24 E quem guarda os seus mandamentos permanece nele, e ele permanece nessa pessoa. E nisto sabemos que ele permanece em nós: pelo Espírito que nos deu.

Capítulo 4
4:1 Amados, não creiam em todo espírito, mas ponham à prova os espíritos para ver se são de Deus, pois muitos falsos profetas saíram pelo mundo.
4:2 Nisto vocês reconhecem o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus,
4:3 e todo espírito que não confessa Jesus não é de Deus. Esse é o espírito do anticristo, do qual vocês ouviram que vem, e agora já está no mundo.
4:4 Vocês são de Deus, filhinhos, e os venceram, pois maior é aquele que está em vocês do que aquele que está no mundo.
4:5 Eles são do mundo; por isso falam a partir do mundo, e o mundo os ouve.
4:6 Nós somos de Deus. Quem conhece a Deus nos ouve; quem não é de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o Espírito da verdade e o espírito do erro.
4:7 Amados, amemos uns aos outros, pois o amor vem de Deus, e todo aquele que ama nasceu de Deus e conhece a Deus.
4:8 Quem não ama não conheceu a Deus, pois Deus é amor.
4:9 Nisto se manifestou o amor de Deus entre nós: Deus enviou seu Filho único ao mundo, para que vivamos por meio dele.
4:10 Nisto consiste o amor: não em que nós tenhamos amado a Deus, mas em que ele nos amou e enviou seu Filho como sacrifício de propiciação pelos nossos pecados.
4:11 Amados, se Deus nos amou assim, também nós devemos amar uns aos outros.
4:12 Ninguém jamais viu a Deus. Se amamos uns aos outros, Deus permanece em nós, e o seu amor alcançou a plenitude em nós.
4:13 Nisto sabemos que permanecemos nele, e ele em nós: porque nos deu do seu Espírito.
4:14 E nós vimos e damos testemunho de que o Pai enviou o Filho como Salvador do mundo.
4:15 Deus permanece em quem confessa que Jesus é o Filho de Deus, e essa pessoa permanece em Deus.
4:16 E nós conhecemos o amor que Deus tem por nós e cremos nesse amor. Deus é amor, e quem permanece no amor permanece em Deus, e Deus permanece nele.
4:17 Nisto o amor alcançou a plenitude entre nós, para que tenhamos confiança no dia do juízo, pois, como ele é, também nós somos neste mundo.
4:18 No amor não há temor, mas o amor perfeito lança fora o temor, pois o temor está ligado ao castigo; e quem teme não foi aperfeiçoado no amor.
4:19 Nós amamos, porque ele nos amou primeiro.
4:20 Se alguém disser: “Amo a Deus”, mas odiar o seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama o seu irmão, a quem viu, não pode amar a Deus, a quem não viu.
4:21 E este mandamento temos dele: quem ama a Deus ame também o seu irmão.

Capítulo 5
5:1 Todo aquele que crê que Jesus é o Cristo nasceu de Deus; e todo aquele que ama aquele que gerou ama também aquele que dele nasceu.
5:2 Nisto sabemos que amamos os filhos de Deus: quando amamos a Deus e cumprimos os seus mandamentos.
5:3 Pois o amor a Deus consiste em guardarmos os seus mandamentos, e os seus mandamentos não são pesados,
5:4 porque todo aquele que nasceu de Deus vence o mundo. E esta é a vitória que venceu o mundo: a nossa fé.
5:5 E quem vence o mundo, senão aquele que crê que Jesus é o Filho de Deus?
5:6 Este é aquele que veio por meio de água e sangue: Jesus Cristo. Não somente com a água, mas com a água e com o sangue. E o Espírito é quem dá testemunho, pois o Espírito é a verdade.
5:7 Pois três são os que dão testemunho:
5:8 o Espírito, a água e o sangue; e os três concordam.
5:9 Se recebemos o testemunho dos seres humanos, o testemunho de Deus é maior. Pois este é o testemunho de Deus: o que ele deu a respeito do seu Filho.
5:10 Quem crê no Filho de Deus tem o testemunho em si mesmo. Quem não dá crédito a Deus fez dele um mentiroso, pois não creu no testemunho que Deus deu a respeito do seu Filho.
5:11 E este é o testemunho: Deus nos deu vida eterna, e essa vida está no seu Filho.
5:12 Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.
5:13 Escrevi estas coisas a vocês que creem no nome do Filho de Deus, para que saibam que têm vida eterna.
5:14 E esta é a confiança que temos diante dele: se pedimos alguma coisa segundo a sua vontade, ele nos ouve.
5:15 E, se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que lhe pedimos.
5:16 Se alguém vir o seu irmão cometendo pecado que não leva à morte, pedirá por ele, e Deus lhe dará vida; isso é para os que cometem pecado que não leva à morte. Há pecado que leva à morte; não digo que se peça por esse.
5:17 Toda injustiça é pecado, e há pecado que não leva à morte.
5:18 Sabemos que todo aquele que nasceu de Deus não peca, mas aquele que nasceu de Deus o guarda, e o maligno não o toca.
5:19 Sabemos que somos de Deus, e o mundo inteiro está sob o poder do maligno.
5:20 Sabemos também que o Filho de Deus veio e nos deu entendimento para conhecermos aquele que é verdadeiro. E estamos naquele que é verdadeiro, no seu Filho Jesus Cristo. Este é o Deus verdadeiro e a vida eterna.
5:21 Filhinhos, guardem-se dos ídolos.

2 JOÃO

Capítulo 1
1:1 O ancião, à senhora eleita e aos seus filhos, a quem amo na verdade; e não somente eu, mas também todos os que conheceram a verdade,
1:2 por causa da verdade que permanece em nós e estará conosco para sempre.
1:3 Estarão conosco a graça, a misericórdia e a paz da parte de Deus Pai e de Jesus Cristo, o Filho do Pai, na verdade e no amor.
1:4 Alegrei-me muito ao encontrar alguns dos seus filhos andando na verdade, conforme o mandamento que recebemos do Pai.
1:5 E agora, senhora, peço a você que amemos uns aos outros. Não escrevo um mandamento novo, mas o que temos desde o princípio.
1:6 E o amor consiste em andarmos segundo os seus mandamentos. Este é o mandamento, como vocês ouviram desde o princípio: que andem no amor.
1:7 Pois muitos enganadores saíram pelo mundo: os que não confessam Jesus Cristo vindo em carne. Esse é o enganador e o anticristo.
1:8 Cuidem de vocês, para que não percam o que realizamos, mas recebam uma recompensa completa.
1:9 Todo aquele que vai além e não permanece no ensino de Cristo não tem a Deus. Quem permanece no ensino tem tanto o Pai como o Filho.
1:10 Se alguém vem a vocês e não traz esse ensino, não o recebam em casa nem lhe deem boas-vindas,
1:11 pois quem lhe dá boas-vindas participa das suas obras más.
1:12 Embora tenha muitas coisas para escrever a vocês, não quis fazê-lo com papel e tinta. Mas espero estar com vocês e falar face a face, para que a alegria de vocês seja completa.
1:13 Os filhos da sua irmã eleita enviam saudações a você.

3 JOÃO

Capítulo 1
1:1 O ancião, ao amado Gaio, a quem amo na verdade.
1:2 Amado, desejo que tudo vá bem com você e que tenha saúde, assim como vai bem a sua alma.
1:3 Pois muito me alegrei quando irmãos vieram e deram testemunho da sua fidelidade à verdade, de como você anda na verdade.
1:4 Não tenho alegria maior do que ouvir que os meus filhos andam na verdade.
1:5 Amado, você age com fidelidade em tudo o que faz pelos irmãos, mesmo sendo eles desconhecidos,
1:6 que deram testemunho do seu amor diante da igreja. Você fará bem em ajudá-los a prosseguir viagem de maneira digna de Deus,
1:7 pois saíram por causa do Nome, sem receber nada dos gentios.
1:8 Portanto, nós devemos apoiar pessoas assim, para nos tornarmos colaboradores da verdade.
1:9 Escrevi algo à igreja, mas Diótrefes, que gosta de ocupar o primeiro lugar entre eles, não nos recebe.
1:10 Por isso, se eu for, chamarei atenção para as obras que ele faz, pois fala contra nós com palavras maldosas. Não satisfeito com isso, ele mesmo não recebe os irmãos; impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja.
1:11 Amado, não imite o mal, mas o bem. Quem faz o bem é de Deus; quem faz o mal não viu a Deus.
1:12 Demétrio tem o testemunho de todos e da própria verdade. Também nós damos testemunho, e você sabe que o nosso testemunho é verdadeiro.
1:13 Eu tinha muitas coisas para escrever a você, mas não quero fazê-lo com tinta e pena.
1:14 Mas espero ver você em breve, e falaremos face a face.
1:15 Paz a você. Os amigos enviam saudações a você. Cumprimente os amigos, cada um pelo nome.

JUDAS

Capítulo 1
1:1 Judas, escravo de Jesus Cristo e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai e guardados para Jesus Cristo:
1:2 que a misericórdia, a paz e o amor sejam multiplicados a vocês.
1:3 Amados, embora desejasse com todo empenho escrever a vocês sobre a salvação que compartilhamos, senti a necessidade de escrever para exortá-los a lutar pela fé entregue aos santos uma vez por todas.
1:4 Pois se infiltraram alguns homens, cuja condenação já estava escrita há muito tempo: ímpios que transformam a graça do nosso Deus em libertinagem e negam o nosso único Soberano e Senhor Jesus Cristo.
1:5 Quero lembrar a vocês, embora já saibam tudo isso, que Jesus, depois de salvar um povo da terra do Egito, destruiu em seguida os que não creram.
1:6 E aos anjos que não guardaram a própria posição de autoridade, mas abandonaram a sua morada, ele os tem mantido em correntes eternas sob escuridão, para o juízo do grande dia.
1:7 Da mesma forma, Sodoma, Gomorra e as cidades ao redor, que, de modo semelhante àqueles, se entregaram à imoralidade sexual e foram atrás de outra carne, servem de exemplo ao sofrer o castigo do fogo eterno.
1:8 Do mesmo modo, esses sonhadores também contaminam a carne, rejeitam a autoridade e blasfemam dos seres gloriosos.
1:9 Mas o arcanjo Miguel, quando disputava com o diabo e discutia a respeito do corpo de Moisés, não ousou pronunciar contra ele um juízo blasfemo, mas disse: “Que o Senhor o repreenda”.
1:10 Mas esses blasfemam do que não conhecem; e se destroem naquilo que conhecem por instinto, como os animais irracionais.
1:11 Ai deles! Pois seguiram o caminho de Caim, por uma recompensa se precipitaram no erro de Balaão e pereceram na rebelião de Corá.
1:12 Eles são recifes nas refeições de amor fraternal de vocês, banqueteando-se com vocês e pastoreando a si mesmos sem temor. São nuvens sem água levadas pelos ventos; árvores de outono sem fruto, duas vezes mortas e arrancadas pela raiz;
1:13 ondas furiosas do mar, lançando como espuma as próprias vergonhas; estrelas errantes, para as quais está reservada para sempre a escuridão das trevas.
1:14 Também a respeito desses profetizou Enoque, o sétimo a partir de Adão, dizendo: “Eis que veio o Senhor com dezenas de milhares dos seus santos,
1:15 para executar juízo contra todos e declarar culpados todos os ímpios por todas as suas obras de impiedade que praticaram impiamente e por todas as palavras duras que pecadores ímpios proferiram contra ele”.
1:16 Eles são murmuradores e queixosos, andando segundo os próprios desejos; a sua boca profere palavras arrogantes, e bajulam as pessoas para obter vantagem.
1:17 Mas vocês, amados, lembrem-se das palavras ditas de antemão pelos apóstolos do nosso Senhor Jesus Cristo.
1:18 Eles diziam a vocês: “No último tempo haverá zombadores que andarão segundo os próprios desejos ímpios”.
1:19 Esses são os que causam divisões, pessoas naturais, que não têm o Espírito.
1:20 Mas vocês, amados, edificando-se sobre a santíssima fé de vocês e orando no Espírito Santo,
1:21 mantenham-se no amor de Deus, aguardando a misericórdia do nosso Senhor Jesus Cristo para a vida eterna.
1:22 Tenham misericórdia dos que duvidam;
1:23 a outros, salvem, arrebatando-os do fogo; e de outros tenham misericórdia com temor, odiando até a túnica manchada pela carne.
1:24 Àquele que pode guardar vocês de tropeçar e apresentá-los sem mancha, com exultação, diante da sua glória,
1:25 ao único Deus, nosso Salvador, por meio de Jesus Cristo, nosso Senhor, sejam glória, majestade, domínio e autoridade, antes de todos os tempos, agora e por todos os séculos. Amém.

APOCALIPSE

Capítulo 1
1:1 Revelação de Jesus Cristo, que Deus lhe deu para mostrar aos seus escravos o que deve acontecer em breve. Ele a deu a conhecer, enviando o seu anjo ao seu escravo João,
1:2 que deu testemunho da palavra de Deus e do testemunho de Jesus Cristo, de tudo o que viu.
1:3 Bem-aventurado aquele que lê, e bem-aventurados os que ouvem as palavras desta profecia e guardam o que nela está escrito, pois o tempo está próximo.
1:4 João, às sete igrejas que estão na Ásia: graça e paz a vocês da parte daquele que é, que era e que vem, e dos sete espíritos que estão diante do seu trono,
1:5 e de Jesus Cristo, a testemunha fiel, o primogênito dos mortos e o soberano dos reis da terra. Àquele que nos ama e nos libertou dos nossos pecados pelo seu sangue
1:6 e fez de nós um reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai, a ele sejam a glória e o domínio pelos séculos dos séculos. Amém.
1:7 Eis que ele vem com as nuvens, e todo olho o verá, até os que o traspassaram, e todas as tribos da terra se lamentarão por ele. Sim, amém.
1:8 “Eu sou o Alfa e o Ômega”, diz o Senhor Deus, aquele que é, que era e que vem, o Todo-Poderoso.
1:9 Eu, João, irmão de vocês e companheiro na tribulação, no reino e na perseverança em Jesus, estava na ilha chamada Patmos por causa da palavra de Deus e do testemunho de Jesus.
1:10 No dia do Senhor, eu estava no Espírito e ouvi atrás de mim uma voz forte como trombeta,
1:11 que dizia: “Escreva num livro o que você vê e envie às sete igrejas: a Éfeso, Esmirna, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Filadélfia e Laodiceia”.
1:12 Voltei-me para ver a voz que falava comigo e, ao me voltar, vi sete candelabros de ouro,
1:13 e, no meio dos candelabros, alguém semelhante a um filho de homem, vestido com uma túnica que chegava aos pés e cingido à altura do peito com uma faixa de ouro.
1:14 A sua cabeça e os seus cabelos eram brancos como lã branca, como neve, e os seus olhos eram como chama de fogo.
1:15 Os seus pés eram semelhantes a bronze polido, como refinado numa fornalha, e a sua voz era como o som de muitas águas.
1:16 Ele tinha sete estrelas na mão direita, e da sua boca saía uma espada afiada de dois gumes. O seu rosto era como o sol quando brilha com toda a sua força.
1:17 Quando o vi, caí aos seus pés como morto. Ele pôs a mão direita sobre mim e disse: “Não tema. Eu sou o Primeiro e o Último
1:18 e aquele que vive. Estive morto, mas eis que estou vivo pelos séculos dos séculos, e tenho as chaves da morte e do Hades.
1:19 Escreva, portanto, o que você viu, o que é e o que há de acontecer depois dessas coisas.
1:20 Quanto ao mistério das sete estrelas que você viu na minha mão direita e dos sete candelabros de ouro: as sete estrelas são os anjos das sete igrejas, e os sete candelabros são sete igrejas”.

Capítulo 2
2:1 Escreva ao anjo da igreja em Éfeso: “Assim diz aquele que segura as sete estrelas na mão direita e anda no meio dos sete candelabros de ouro:
2:2 Conheço as suas obras, o seu esforço e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar os maus e pôs à prova os que se dizem apóstolos, mas não são, e descobriu que são mentirosos.
2:3 Você tem perseverança e suportou por causa do meu nome, sem se cansar.
2:4 Mas tenho isto contra você: abandonou o seu primeiro amor.
2:5 Lembre-se, portanto, de onde caiu, arrependa-se e pratique as primeiras obras. Caso contrário, virei a você e removerei o seu candelabro do seu lugar, se não se arrepender.
2:6 Mas você tem isto a seu favor: odeia as obras dos nicolaítas, que eu também odeio.
2:7 Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. A quem vencer darei de comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus”.
2:8 E escreva ao anjo da igreja em Esmirna: “Assim diz o Primeiro e o Último, que esteve morto e voltou a viver:
2:9 Conheço a sua tribulação e a sua pobreza — mas você é rico — e a blasfêmia dos que se dizem judeus, mas não são; são sinagoga de Satanás.
2:10 Não tema nada do que vai sofrer. Eis que o diabo está para lançar alguns de vocês na prisão, para serem postos à prova, e vocês terão tribulação por dez dias. Seja fiel até a morte, e eu lhe darei a coroa da vida.
2:11 Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. Quem vencer não sofrerá dano algum da segunda morte”.
2:12 E escreva ao anjo da igreja em Pérgamo: “Assim diz aquele que tem a espada afiada de dois gumes:
2:13 Sei onde você mora: onde está o trono de Satanás. Você se apega ao meu nome e não negou a fé em mim, nem mesmo nos dias de Antipas, minha testemunha fiel, que foi morto entre vocês, onde Satanás mora.
2:14 Mas tenho umas poucas coisas contra você: tem aí os que se apegam ao ensino de Balaão, que ensinava Balaque a colocar um motivo de tropeço diante dos filhos de Israel, para comerem alimentos sacrificados aos ídolos e cometerem imoralidade sexual.
2:15 Assim, você também tem os que se apegam ao ensino dos nicolaítas, de igual modo.
2:16 Arrependa-se, portanto. Caso contrário, virei logo a você e lutarei contra eles com a espada da minha boca.
2:17 Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. A quem vencer darei do maná escondido; também lhe darei uma pedra branca, e sobre a pedra um nome novo escrito, que ninguém conhece, exceto quem o recebe”.
2:18 E escreva ao anjo da igreja em Tiatira: “Assim diz o Filho de Deus, que tem os olhos como chama de fogo e os pés semelhantes a bronze polido:
2:19 Conheço as suas obras, o seu amor, a sua fé, o seu serviço e a sua perseverança; e as suas obras mais recentes são mais numerosas que as primeiras.
2:20 Mas tenho isto contra você: tolera a mulher Jezabel, que se diz profetisa; ela ensina e engana os meus escravos para cometerem imoralidade sexual e comerem alimentos sacrificados aos ídolos.
2:21 Eu lhe dei tempo para que se arrependesse, mas ela não quer se arrepender da sua imoralidade sexual.
2:22 Eis que a lanço numa cama, e lanço em grande tribulação os que adulteram com ela, se não se arrependerem das obras dela.
2:23 Ferirei de morte os filhos dela, e todas as igrejas saberão que eu sou aquele que sonda as mentes e os corações. E darei a cada um de vocês segundo as suas obras.
2:24 Mas digo a vocês, os demais que estão em Tiatira, que não seguem esse ensino e não conheceram as chamadas ‘profundezas de Satanás’: não imponho outra carga a vocês.
2:25 Somente conservem o que têm até que eu venha.
2:26 E a quem vencer e guardar até o fim as minhas obras darei autoridade sobre as nações,
2:27 e ele as governará com vara de ferro, como se quebram em pedaços os vasos de barro,
2:28 assim como eu também recebi do meu Pai. E lhe darei a estrela da manhã.
2:29 Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”.

Capítulo 3
3:1 E escreva ao anjo da igreja em Sardes: “Assim diz aquele que tem os sete espíritos de Deus e as sete estrelas: Conheço as suas obras. Você tem fama de estar vivo, mas está morto.
3:2 Fique vigilante e fortaleça o que resta, que estava para morrer, pois não encontrei as suas obras completas diante do meu Deus.
3:3 Lembre-se, portanto, de como recebeu e ouviu; guarde isso e arrependa-se. Se não vigiar, virei como ladrão, e de modo algum saberá a que hora virei sobre você.
3:4 Mas você tem umas poucas pessoas em Sardes que não mancharam as suas roupas. Elas andarão comigo vestidas de branco, pois são dignas.
3:5 Quem vencer será assim vestido com roupas brancas, e jamais apagarei o seu nome do livro da vida. Reconhecerei o seu nome diante do meu Pai e diante dos seus anjos.
3:6 Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”.
3:7 E escreva ao anjo da igreja em Filadélfia: “Assim diz o Santo, o Verdadeiro, aquele que tem a chave de Davi, que abre e ninguém fechará, e fecha e ninguém abre:
3:8 Conheço as suas obras. Eis que pus diante de você uma porta aberta, que ninguém pode fechar. Embora tenha pouca força, você guardou a minha palavra e não negou o meu nome.
3:9 Eis que entrego a você alguns da sinagoga de Satanás, dos que se dizem judeus, mas não são, pois mentem. Eis que farei que venham e se prostrem diante dos seus pés, e saibam que eu amei você.
3:10 Porque você guardou a minha palavra de perseverança, eu também guardarei você da hora da provação que há de vir sobre o mundo inteiro, para pôr à prova os que habitam na terra.
3:11 Venho em breve. Conserve o que tem, para que ninguém tome a sua coroa.
3:12 Quem vencer, farei dele uma coluna no templo do meu Deus, e nunca mais sairá dali. Escreverei sobre ele o nome do meu Deus e o nome da cidade do meu Deus, a nova Jerusalém, que desce do céu, do meu Deus, e também o meu nome novo.
3:13 Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”.
3:14 E escreva ao anjo da igreja em Laodiceia: “Assim diz o Amém, a testemunha fiel e verdadeira, o princípio da criação de Deus:
3:15 Conheço as suas obras: você não é frio nem quente. Quem dera fosse frio ou quente!
3:16 Assim, porque é morno e não é quente nem frio, estou para vomitá-lo da minha boca.
3:17 Pois você diz: ‘Sou rico, enriqueci e não preciso de nada’, e não sabe que é infeliz, digno de compaixão, pobre, cego e nu.
3:18 Aconselho que compre de mim ouro refinado pelo fogo, para que seja rico, roupas brancas para se vestir e para que não se revele a vergonha da sua nudez, e colírio para ungir os seus olhos, para que veja.
3:19 Eu repreendo e disciplino todos os que amo. Seja, portanto, zeloso e arrependa-se.
3:20 Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo.
3:21 A quem vencer concederei sentar-se comigo no meu trono, assim como eu também venci e me sentei com o meu Pai no seu trono.
3:22 Quem tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas”.

Capítulo 4
4:1 Depois dessas coisas, vi uma porta aberta no céu, e a primeira voz que eu tinha ouvido, que falava comigo como uma trombeta, disse: “Suba aqui, e mostrarei a você o que deve acontecer”. Depois disso,
4:2 imediatamente estive no Espírito. Eis que havia um trono no céu, e alguém estava sentado no trono.
4:3 Aquele que estava sentado tinha uma aparência semelhante à pedra de jaspe e à cornalina, e ao redor do trono havia um arco-íris com aparência de esmeralda.
4:4 Ao redor do trono havia vinte e quatro tronos, e nos tronos estavam sentados vinte e quatro anciãos, vestidos de roupas brancas, com coroas de ouro na cabeça.
4:5 Do trono saem relâmpagos, vozes e trovões. Diante do trono ardem sete tochas de fogo, que são os sete espíritos de Deus,
4:6 e diante do trono há algo como um mar de vidro, semelhante ao cristal. No meio do trono e ao redor dele há quatro seres viventes, cheios de olhos na frente e atrás.
4:7 O primeiro ser vivente é semelhante a um leão; o segundo, a um bezerro; o terceiro tem o rosto como o de um homem; e o quarto é semelhante a uma águia em voo.
4:8 Cada um dos quatro seres viventes tem seis asas, e eles estão cheios de olhos ao redor e por dentro. Dia e noite, sem descanso, dizem:
 “Santo, santo, santo é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, aquele que era, que é e que vem”.
4:9 Sempre que os seres viventes derem glória, honra e ação de graças àquele que está sentado no trono, àquele que vive pelos séculos dos séculos,
4:10 os vinte e quatro anciãos se prostrarão diante daquele que está sentado no trono, adorarão aquele que vive pelos séculos dos séculos e lançarão as suas coroas diante do trono, dizendo:
4:11 “Digno és, nosso Senhor e Deus, de receber a glória, a honra e o poder, pois tu criaste todas as coisas, e pela tua vontade elas existiram e foram criadas”.

Capítulo 5
5:1 Vi na mão direita daquele que estava sentado no trono um rolo escrito por dentro e por fora, selado com sete selos.
5:2 Vi também um anjo poderoso que proclamava em alta voz: “Quem é digno de abrir o rolo e desatar os seus selos?”.
5:3 Ninguém no céu, nem na terra, nem debaixo da terra podia abrir o rolo ou olhar para ele.
5:4 Eu chorava muito, porque não se encontrou ninguém digno de abrir o rolo ou olhar para ele.
5:5 Então um dos anciãos me diz: “Não chore. Eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o rolo e os seus sete selos”.
5:6 Vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes, e entre os anciãos, um Cordeiro de pé, como que imolado. Ele tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra.
5:7 Ele se aproximou e tomou o rolo da mão direita daquele que estava sentado no trono.
5:8 Quando tomou o rolo, os quatro seres viventes e os vinte e quatro anciãos se prostraram diante do Cordeiro. Cada um tinha uma harpa e taças de ouro cheias de incenso, que são as orações dos santos.
5:9 E cantam um cântico novo, dizendo:
 “Digno és de tomar o rolo e abrir os seus selos, pois foste imolado e com o teu sangue compraste para Deus pessoas de toda tribo, língua, povo e nação.
5:10 Tu fizeste deles um reino e sacerdotes para o nosso Deus, e eles reinam sobre a terra”.
5:11 Olhei e ouvi a voz de muitos anjos ao redor do trono, dos seres viventes e dos anciãos. O número deles era de miríades de miríades e milhares de milhares.
5:12 Eles diziam em alta voz:
 “Digno é o Cordeiro que foi imolado de receber o poder, a riqueza, a sabedoria, a força, a honra, a glória e a bênção!”.
5:13 Ouvi toda criatura que está no céu, na terra, debaixo da terra e sobre o mar, e tudo o que há neles, dizer:
 “Àquele que está sentado no trono e ao Cordeiro sejam a bênção, a honra, a glória e o domínio pelos séculos dos séculos!”.
5:14 Os quatro seres viventes diziam: “Amém!”. E os anciãos se prostraram e adoraram.

Capítulo 6
6:1 Vi quando o Cordeiro abriu um dos sete selos e ouvi um dos quatro seres viventes dizer com voz de trovão: “Venha!”.
6:2 Olhei e vi um cavalo branco. O seu cavaleiro tinha um arco; foi-lhe dada uma coroa, e ele saiu vencendo e para vencer.
6:3 Quando abriu o segundo selo, ouvi o segundo ser vivente dizer: “Venha!”.
6:4 Saiu outro cavalo, vermelho como fogo. Ao seu cavaleiro foi concedido tirar a paz da terra, para que as pessoas se matassem umas às outras, e foi-lhe dada uma grande espada.
6:5 Quando abriu o terceiro selo, ouvi o terceiro ser vivente dizer: “Venha!”. Olhei e vi um cavalo preto. O seu cavaleiro tinha uma balança na mão.
6:6 Ouvi como que uma voz no meio dos quatro seres viventes, que dizia: “Um litro de trigo por um denário, e três litros de cevada por um denário. Mas não prejudique o azeite nem o vinho”.
6:7 Quando abriu o quarto selo, ouvi a voz do quarto ser vivente dizer: “Venha!”.
6:8 Olhei e vi um cavalo verde-pálido. O seu cavaleiro se chamava Morte, e o Hades o seguia. Foi-lhes dada autoridade sobre a quarta parte da terra, para matar com espada, fome, peste e com as feras da terra.
6:9 Quando abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas dos que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e do testemunho que mantinham.
6:10 Eles clamaram em alta voz: “Até quando, Soberano santo e verdadeiro, não julgarás nem vingarás o nosso sangue nos que habitam na terra?”.
6:11 Foi dada a cada um deles uma túnica branca, e lhes foi dito que descansassem mais um pouco, até que se completasse também o número dos seus companheiros de serviço e dos seus irmãos que seriam mortos como eles.
6:12 Vi quando abriu o sexto selo, e houve um grande terremoto. O sol ficou negro como pano feito de pelos, e a lua inteira se tornou como sangue.
6:13 As estrelas do céu caíram sobre a terra, como uma figueira deixa cair os seus figos verdes quando é sacudida por um vento forte.
6:14 O céu se retirou como um rolo que se enrola, e todos os montes e ilhas foram removidos dos seus lugares.
6:15 Os reis da terra, os grandes, os comandantes militares, os ricos, os poderosos e todos os escravos e livres se esconderam nas cavernas e entre as rochas dos montes.
6:16 E dizem aos montes e às rochas: “Caiam sobre nós e nos escondam do rosto daquele que está sentado no trono e da ira do Cordeiro,
6:17 pois chegou o grande dia da ira deles, e quem pode se manter de pé?”.

Capítulo 7
7:1 Depois disso, vi quatro anjos de pé nos quatro cantos da terra, segurando os quatro ventos da terra, para que nenhum vento soprasse sobre a terra, nem sobre o mar, nem sobre árvore alguma.
7:2 Vi outro anjo que subia do lado do sol nascente, trazendo o selo do Deus vivo. Ele gritou em alta voz aos quatro anjos a quem tinha sido concedido prejudicar a terra e o mar:
7:3 “Não prejudiquem a terra, nem o mar, nem as árvores, até que tenhamos selado na testa os servos do nosso Deus”.
7:4 Ouvi o número dos que tinham sido selados: cento e quarenta e quatro mil, selados de todas as tribos dos filhos de Israel.
7:5 Da tribo de Judá, doze mil selados; da tribo de Rúben, doze mil; da tribo de Gade, doze mil;
7:6 da tribo de Aser, doze mil; da tribo de Naftali, doze mil; da tribo de Manassés, doze mil;
7:7 da tribo de Simeão, doze mil; da tribo de Levi, doze mil; da tribo de Issacar, doze mil;
7:8 da tribo de Zebulom, doze mil; da tribo de José, doze mil; da tribo de Benjamim, doze mil selados.
7:9 Depois dessas coisas, olhei e vi uma grande multidão que ninguém podia contar, de toda nação, tribos, povos e línguas. Estavam de pé diante do trono e diante do Cordeiro, vestidos de túnicas brancas, com ramos de palmeira nas mãos.
7:10 E clamam em alta voz:
 “A salvação pertence ao nosso Deus, que está sentado no trono, e ao Cordeiro!”.
7:11 Todos os anjos estavam de pé ao redor do trono, dos anciãos e dos quatro seres viventes. Eles se prostraram com o rosto em terra diante do trono e adoraram a Deus,
7:12 dizendo:
 “Amém! A bênção, a glória, a sabedoria, a ação de graças, a honra, o poder e a força sejam ao nosso Deus pelos séculos dos séculos. Amém!”.
7:13 Então um dos anciãos me perguntou: “Estes que estão vestidos de túnicas brancas, quem são e de onde vieram?”.
7:14 Eu lhe respondi: “Meu senhor, o senhor sabe”. E ele me disse: “Estes são os que vêm da grande tribulação. Lavaram as suas túnicas e as tornaram brancas no sangue do Cordeiro.
7:15 Por isso estão diante do trono de Deus e o servem dia e noite no seu templo. Aquele que está sentado no trono estenderá a sua tenda sobre eles.
7:16 Nunca mais terão fome, nem voltarão a ter sede. O sol não os atingirá, nem calor algum,
7:17 pois o Cordeiro que está no meio do trono os pastoreará e os guiará às fontes de águas da vida. E Deus enxugará dos seus olhos toda lágrima”.

Capítulo 8
8:1 Quando abriu o sétimo selo, houve silêncio no céu por cerca de meia hora.
8:2 Vi os sete anjos que estão de pé diante de Deus, e lhes foram dadas sete trombetas.
8:3 Outro anjo veio e se colocou junto ao altar, trazendo um incensário de ouro. Foi-lhe dado muito incenso para oferecê-lo com as orações de todos os santos sobre o altar de ouro que está diante do trono.
8:4 Da mão do anjo, a fumaça do incenso subiu diante de Deus com as orações dos santos.
8:5 O anjo tomou o incensário, encheu-o com fogo do altar e o lançou sobre a terra. Houve trovões, vozes, relâmpagos e um terremoto.
8:6 Os sete anjos que tinham as sete trombetas se prepararam para tocá-las.
8:7 O primeiro tocou a trombeta, e houve granizo e fogo misturados com sangue, que foram lançados sobre a terra. A terceira parte da terra foi queimada, a terceira parte das árvores foi queimada, e toda a erva verde foi queimada.
8:8 O segundo anjo tocou a trombeta, e algo como um grande monte em chamas foi lançado no mar. A terceira parte do mar se tornou sangue,
8:9 morreu a terceira parte dos seres vivos que estavam no mar, e a terceira parte dos navios foi destruída.
8:10 O terceiro anjo tocou a trombeta, e caiu do céu uma grande estrela, ardendo como uma tocha. Ela caiu sobre a terceira parte dos rios e sobre as fontes de água.
8:11 O nome da estrela é Absinto. A terceira parte das águas se tornou absinto, e muitas pessoas morreram por causa das águas, porque elas se tornaram amargas.
8:12 O quarto anjo tocou a trombeta, e foram atingidas a terceira parte do sol, a terceira parte da lua e a terceira parte das estrelas, para que a terceira parte deles escurecesse e não houvesse luz durante a terceira parte do dia, e da mesma forma durante a terceira parte da noite.
8:13 Olhei e ouvi uma águia que voava no meio do céu dizer em alta voz: “Ai, ai, ai dos que habitam na terra, por causa dos toques de trombeta restantes dos três anjos que ainda vão tocar!”.

Capítulo 9
9:1 O quinto anjo tocou a trombeta, e vi uma estrela que tinha caído do céu sobre a terra. Foi-lhe dada a chave do poço do abismo.
9:2 Ela abriu o poço do abismo, e do poço subiu fumaça como a de uma grande fornalha. O sol e o ar escureceram por causa da fumaça do poço.
9:3 Da fumaça saíram gafanhotos sobre a terra, e lhes foi dado poder como o dos escorpiões da terra.
9:4 Foi-lhes dito que não prejudicassem a erva da terra, nem qualquer planta verde, nem árvore alguma, mas somente as pessoas que não tivessem o selo de Deus na testa.
9:5 Não lhes foi permitido matar essas pessoas, mas atormentá-las durante cinco meses. O tormento que causavam era como o de um escorpião quando pica uma pessoa.
9:6 Naqueles dias, as pessoas buscarão a morte, mas de modo algum a encontrarão. Desejarão morrer, mas a morte foge delas.
9:7 Os gafanhotos tinham uma aparência semelhante à de cavalos preparados para a guerra. Na cabeça tinham algo como coroas que pareciam de ouro, e os seus rostos eram como rostos humanos.
9:8 Tinham cabelos como cabelos de mulher, e os seus dentes eram como os de leões.
9:9 Tinham couraças como couraças de ferro, e o ruído das suas asas era como o estrondo de carros de muitos cavalos correndo para a batalha.
9:10 Eles têm caudas semelhantes às dos escorpiões, com ferrões, e nas suas caudas está o seu poder para prejudicar as pessoas durante cinco meses.
9:11 Têm como rei sobre eles o anjo do abismo, cujo nome em hebraico é Abadom, e em grego se chama Apoliom.
9:12 O primeiro ai passou. Eis que, depois dessas coisas, ainda vêm dois ais.
9:13 O sexto anjo tocou a trombeta, e ouvi uma voz que vinha dos chifres do altar de ouro que está diante de Deus,
9:14 dizendo ao sexto anjo que tinha a trombeta: “Solte os quatro anjos que estão amarrados junto ao grande rio Eufrates”.
9:15 Foram soltos os quatro anjos que estavam preparados para aquela hora, dia, mês e ano, a fim de matar a terceira parte da humanidade.
9:16 O número das tropas de cavalaria era de duzentos milhões. Eu ouvi o seu número.
9:17 Assim vi, na visão, os cavalos e os seus cavaleiros: tinham couraças de cor vermelho-fogo, azul-escuro e amarelo-enxofre. As cabeças dos cavalos eram como cabeças de leões, e das suas bocas saem fogo, fumaça e enxofre.
9:18 A terceira parte da humanidade foi morta por estas três pragas: pelo fogo, pela fumaça e pelo enxofre que saíam das suas bocas.
9:19 Pois o poder dos cavalos está nas suas bocas e nas suas caudas. As suas caudas são semelhantes a serpentes, têm cabeças, e com elas causam dano.
9:20 Os demais seres humanos, que não foram mortos por essas pragas, tampouco se arrependeram das obras das suas mãos, para deixar de adorar os demônios e os ídolos de ouro, prata, bronze, pedra e madeira, que não podem ver, nem ouvir, nem andar.
9:21 E não se arrependeram dos seus assassinatos, nem das suas feitiçarias, nem da sua imoralidade sexual, nem dos seus roubos.

Capítulo 10
10:1 Vi outro anjo poderoso que descia do céu, envolto em uma nuvem. Havia um arco-íris sobre a sua cabeça; o seu rosto era como o sol, e os seus pés eram como colunas de fogo.
10:2 Ele tinha na mão um pequeno rolo aberto. Pôs o pé direito sobre o mar e o esquerdo sobre a terra,
10:3 e gritou em alta voz, como um leão que ruge. Quando gritou, os sete trovões fizeram soar as suas vozes.
10:4 Quando os sete trovões falaram, eu estava para escrever, mas ouvi uma voz do céu que dizia: “Sele o que os sete trovões disseram e não escreva”.
10:5 O anjo que eu tinha visto de pé sobre o mar e sobre a terra levantou a mão direita para o céu
10:6 e jurou por aquele que vive pelos séculos dos séculos, que criou o céu e tudo o que nele há, a terra e tudo o que nela há, o mar e tudo o que nele há: “Não haverá mais demora,
10:7 mas, nos dias da voz do sétimo anjo, quando ele estiver para tocar a trombeta, o mistério de Deus se cumprirá, como ele anunciou aos seus próprios servos, os profetas”.
10:8 A voz que eu tinha ouvido do céu voltou a falar comigo e disse: “Vá e tome o rolo aberto que está na mão do anjo de pé sobre o mar e sobre a terra”.
10:9 Fui ao anjo e lhe pedi que me desse o pequeno rolo. Ele me diz: “Tome e coma. Ele deixará o seu ventre amargo, mas na sua boca será doce como mel”.
10:10 Tomei o pequeno rolo da mão do anjo e o comi. Na minha boca era doce como mel, mas, quando o comi, o meu ventre ficou amargo.
10:11 E me dizem: “Você deve profetizar novamente a respeito de muitos povos, nações, línguas e reis”.

Capítulo 11
11:1 Foi-me dado um caniço semelhante a uma vara, e me foi dito: “Levante-se e meça o templo de Deus, o altar e os que nele adoram.
11:2 Mas deixe de fora o pátio exterior do templo e não o meça, pois foi entregue às nações. Elas pisarão a cidade santa durante quarenta e dois meses.
11:3 Darei autoridade às minhas duas testemunhas, e elas profetizarão durante mil duzentos e sessenta dias, vestidas de pano de saco”.
11:4 Estas são as duas oliveiras e os dois candelabros que estão diante do Senhor da terra.
11:5 Se alguém quiser lhes fazer mal, fogo sai das suas bocas e devora os seus inimigos. Se alguém quiser lhes fazer mal, assim deverá ser morto.
11:6 Elas têm autoridade para fechar o céu, para que não chova durante os dias da sua profecia. Têm também autoridade sobre as águas para transformá-las em sangue e para atingir a terra com toda espécie de pragas, quantas vezes quiserem.
11:7 Quando terminarem o seu testemunho, a besta que sobe do abismo lhes fará guerra, as vencerá e as matará.
11:8 Os seus cadáveres ficarão na praça da grande cidade que, em sentido espiritual, se chama Sodoma e Egito, onde também o seu Senhor foi crucificado.
11:9 Pessoas dos povos, tribos, línguas e nações olham para os seus cadáveres durante três dias e meio, e não permitem que sejam colocados em uma sepultura.
11:10 Os que habitam na terra se alegram e festejam por causa delas, e enviarão presentes uns aos outros, pois esses dois profetas atormentaram os que habitam na terra.
11:11 Depois dos três dias e meio, um sopro de vida vindo de Deus entrou nelas, e elas se puseram de pé. Um grande temor caiu sobre os que as contemplavam.
11:12 Elas ouviram uma voz forte do céu que lhes dizia: “Subam aqui”. E subiram ao céu na nuvem, enquanto os seus inimigos as observavam.
11:13 Naquela hora houve um grande terremoto, e a décima parte da cidade caiu. No terremoto foram mortas sete mil pessoas; os demais ficaram aterrorizados e deram glória ao Deus do céu.
11:14 O segundo ai passou. Eis que o terceiro ai vem em breve.
11:15 O sétimo anjo tocou a trombeta, e houve vozes fortes no céu que diziam: “O reino do mundo passou a ser do nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará pelos séculos dos séculos”.
11:16 Os vinte e quatro anciãos que estavam sentados nos seus tronos diante de Deus se prostraram com o rosto em terra e adoraram a Deus,
11:17 dizendo:
 “Nós te damos graças, Senhor Deus, Todo-Poderoso, tu que és e que eras, pois tomaste o teu grande poder e começaste a reinar.
11:18 As nações se enfureceram, mas chegou a tua ira e o tempo de julgar os mortos, de dar a recompensa aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome, pequenos e grandes, e de destruir os que destroem a terra”.
11:19 Então se abriu o templo de Deus que está no céu, e no seu templo foi vista a arca da sua aliança. Houve relâmpagos, vozes, trovões, um terremoto e uma grande chuva de granizo.

Capítulo 12
12:1 Apareceu no céu um grande sinal: uma mulher vestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e uma coroa de doze estrelas na cabeça.
12:2 Ela está grávida e grita com as dores de parto, sofrendo para dar à luz.
12:3 Apareceu outro sinal no céu: um grande dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres, e sete diademas nas suas cabeças.
12:4 A sua cauda arrasta a terceira parte das estrelas do céu, e ele as lançou sobre a terra. O dragão está de pé diante da mulher que está para dar à luz, para devorar o seu filho assim que nascer.
12:5 Ela deu à luz um filho, um menino que há de governar todas as nações com uma vara de ferro. O seu filho foi arrebatado para junto de Deus e do seu trono.
12:6 A mulher fugiu para o deserto, onde tem um lugar preparado por Deus, para que ali a alimentem durante mil duzentos e sessenta dias.
12:7 Houve guerra no céu. Miguel e os seus anjos combateram contra o dragão, e o dragão e os seus anjos também combateram,
12:8 mas o dragão não prevaleceu, e já não se encontrou lugar para eles no céu.
12:9 Foi lançado fora o grande dragão, a antiga serpente, chamado Diabo e Satanás, aquele que engana o mundo inteiro. Ele foi lançado sobre a terra, e os seus anjos foram lançados com ele.
12:10 Ouvi uma voz forte no céu, que dizia: “Agora chegaram a salvação, o poder e o reino do nosso Deus, e a autoridade do seu Cristo, pois foi lançado fora o acusador dos nossos irmãos, aquele que os acusa diante do nosso Deus dia e noite.
12:11 Eles o venceram pelo sangue do Cordeiro e pela palavra do seu testemunho, e não se apegaram à própria vida, mesmo diante da morte.
12:12 Por isso, alegrem-se, céus e vocês que neles habitam! Ai da terra e do mar, pois o diabo desceu até vocês com grande fúria, sabendo que tem pouco tempo!”.
12:13 Quando o dragão viu que tinha sido lançado sobre a terra, perseguiu a mulher que tinha dado à luz o menino.
12:14 Foram dadas à mulher as duas asas da grande águia, para que voasse para o deserto, ao seu lugar, onde é alimentada por um tempo, tempos e meio tempo, longe da presença da serpente.
12:15 A serpente lançou da sua boca, atrás da mulher, água como um rio, para que a correnteza a arrastasse.
12:16 Mas a terra ajudou a mulher: abriu a sua boca e engoliu o rio que o dragão tinha lançado da sua boca.
12:17 O dragão se enfureceu contra a mulher e foi fazer guerra contra os demais da sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus.

Capítulo 13
13:1 O dragão se pôs de pé na areia do mar. Vi uma besta que subia do mar, com dez chifres e sete cabeças. Nos seus chifres havia dez diademas, e nas suas cabeças, nomes de blasfêmia.
13:2 A besta que vi era semelhante a um leopardo; as suas patas eram como as de um urso, e a sua boca era como a boca de um leão. O dragão lhe deu o seu poder, o seu trono e grande autoridade.
13:3 Vi uma das suas cabeças como que ferida de morte, mas a sua ferida mortal foi curada. E toda a terra, maravilhada, seguiu a besta.
13:4 Adoraram o dragão porque tinha dado a autoridade à besta, e adoraram a besta, dizendo: “Quem é semelhante à besta? Quem pode guerrear contra ela?”.
13:5 Foi-lhe dada uma boca que proferia arrogâncias e blasfêmias, e foi-lhe dada autoridade para agir durante quarenta e dois meses.
13:6 Ela abriu a boca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do seu nome e da sua morada, isto é, dos que habitam no céu.
13:7 Foi-lhe concedido fazer guerra contra os santos e vencê-los. Foi-lhe dada também autoridade sobre toda tribo, povo, língua e nação.
13:8 Todos os que habitam na terra a adorarão, aqueles cujo nome não está escrito, desde a fundação do mundo, no livro da vida do Cordeiro que foi imolado.
13:9 Se alguém tem ouvidos, ouça.
13:10 Se alguém há de ir para o cativeiro, para o cativeiro vai; se alguém há de ser morto à espada, à espada deve ser morto. Aqui estão a perseverança e a fé dos santos.
13:11 Vi outra besta que subia da terra. Ela tinha dois chifres semelhantes aos de um cordeiro, mas falava como um dragão.
13:12 Ela exerce toda a autoridade da primeira besta na presença dela e faz que a terra e os que nela habitam adorem a primeira besta, cuja ferida mortal foi curada.
13:13 Faz grandes sinais, a ponto de fazer até fogo descer do céu sobre a terra diante das pessoas.
13:14 Engana os que habitam na terra por meio dos sinais que lhe foi concedido fazer na presença da besta, dizendo aos habitantes da terra que façam uma imagem da besta que tem a ferida da espada e voltou a viver.
13:15 Foi-lhe concedido dar fôlego à imagem da besta, para que a imagem da besta falasse e fizesse que fossem mortos todos os que não adorassem a imagem da besta.
13:16 Ela faz que todos, pequenos e grandes, ricos e pobres, livres e escravos, recebam uma marca na mão direita ou na testa,
13:17 e que ninguém possa comprar ou vender, a não ser quem tem a marca: o nome da besta ou o número do seu nome.
13:18 Aqui está a sabedoria. Quem tem entendimento calcule o número da besta, pois é número de um homem, e o seu número é seiscentos e sessenta e seis.

Capítulo 14
14:1 Olhei e vi o Cordeiro de pé sobre o monte Sião. Com ele estavam cento e quarenta e quatro mil que tinham escritos na testa o nome dele e o nome do seu Pai.
14:2 Ouvi uma voz do céu como o som de muitas águas e como o som de um grande trovão. A voz que ouvi era como a de harpistas tocando as suas harpas.
14:3 E cantam como que um cântico novo diante do trono, dos quatro seres viventes e dos anciãos. Ninguém podia aprender o cântico, a não ser os cento e quarenta e quatro mil que tinham sido comprados da terra.
14:4 Estes são os que não se contaminaram com mulheres, pois são virgens. São os que seguem o Cordeiro aonde quer que vá. Foram comprados dentre os seres humanos como primícias para Deus e para o Cordeiro,
14:5 e na sua boca não se encontrou mentira. Eles são irrepreensíveis.
14:6 Vi outro anjo que voava no meio do céu, trazendo um evangelho eterno para anunciar aos que habitam na terra e a toda nação, tribo, língua e povo.
14:7 Ele dizia em alta voz: “Temam a Deus e deem glória a ele, pois chegou a hora do seu juízo. Adorem aquele que fez o céu, a terra, o mar e as fontes de água”.
14:8 Outro anjo, o segundo, o seguiu, dizendo: “Caiu, caiu Babilônia, a grande, que fez todas as nações beberem do vinho da paixão da sua prostituição!”.
14:9 Outro anjo, o terceiro, os seguiu, dizendo em alta voz: “Se alguém adora a besta e a sua imagem, e recebe uma marca na testa ou na mão,
14:10 também beberá do vinho do furor de Deus, servido sem diluição no cálice da sua ira, e será atormentado com fogo e enxofre diante dos santos anjos e diante do Cordeiro.
14:11 A fumaça do seu tormento sobe pelos séculos dos séculos. Não têm descanso de dia nem de noite os que adoram a besta e a sua imagem, nem quem recebe a marca do seu nome”.
14:12 Aqui está a perseverança dos santos, os que guardam os mandamentos de Deus e a fé em Jesus.
14:13 Ouvi uma voz do céu que dizia: “Escreva: Bem-aventurados os mortos que, de agora em diante, morrem no Senhor”. “Sim”, diz o Espírito, “descansarão das suas fadigas, pois as suas obras os acompanham”.
14:14 Olhei e vi uma nuvem branca e, sentado sobre a nuvem, alguém semelhante a um filho de homem, com uma coroa de ouro na cabeça e uma foice afiada na mão.
14:15 Outro anjo saiu do templo e gritou em alta voz àquele que estava sentado sobre a nuvem: “Lance a sua foice e faça a colheita, pois chegou a hora de colher, porque a colheita da terra está madura”.
14:16 Aquele que estava sentado sobre a nuvem lançou a sua foice sobre a terra, e foi feita a colheita da terra.
14:17 Outro anjo saiu do templo que está no céu, e ele também tinha uma foice afiada.
14:18 Do altar saiu outro anjo, aquele que tinha autoridade sobre o fogo, e gritou em alta voz ao que tinha a foice afiada: “Lance a sua foice afiada e colha os cachos da videira da terra, pois as suas uvas estão maduras”.
14:19 O anjo lançou a sua foice sobre a terra, colheu as uvas da videira da terra e as lançou no grande lagar do furor de Deus.
14:20 O lagar foi pisado fora da cidade, e dele saiu sangue que chegava até os freios dos cavalos, por uma extensão de cerca de trezentos quilômetros.

Capítulo 15
15:1 Vi outro sinal no céu, grande e admirável: sete anjos com as sete últimas pragas, pois nelas se consumou o furor de Deus.
15:2 Vi algo como um mar de vidro misturado com fogo. Os que venceram a besta, a sua imagem e o número do seu nome estavam de pé sobre o mar de vidro, com harpas de Deus.
15:3 E cantam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro, dizendo:
 “Grandes e admiráveis são as tuas obras, Senhor Deus, Todo-Poderoso!
   Justos e verdadeiros são os teus caminhos, Rei dos séculos!
15:4 Quem não te temerá, Senhor, e não glorificará o teu nome?
   Pois só tu és santo.
   Todas as nações virão e adorarão diante de ti, porque os teus atos de justiça foram manifestados”.
15:5 Depois dessas coisas, olhei, e se abriu no céu o templo do tabernáculo do testemunho.
15:6 Do templo saíram os sete anjos que tinham as sete pragas, vestidos de linho puro e resplandecente, com faixas de ouro cingindo o peito.
15:7 Um dos quatro seres viventes deu aos sete anjos sete taças de ouro cheias do furor de Deus, que vive pelos séculos dos séculos.
15:8 O templo se encheu de fumaça por causa da glória de Deus e do seu poder, e ninguém podia entrar no templo até que se completassem as sete pragas dos sete anjos.

Capítulo 16
16:1 Ouvi uma voz forte que vinha do templo e dizia aos sete anjos: “Vão e derramem sobre a terra as sete taças do furor de Deus”.
16:2 O primeiro foi e derramou a sua taça sobre a terra. Surgiu uma chaga maligna e dolorosa nas pessoas que tinham a marca da besta e adoravam a sua imagem.
16:3 O segundo derramou a sua taça no mar, que se tornou sangue como o de um morto, e morreu todo ser vivo que estava no mar.
16:4 O terceiro derramou a sua taça nos rios e nas fontes de água, e eles se tornaram sangue.
16:5 Ouvi o anjo das águas dizer:
 “Justo és, tu que és e que eras, o Santo, porque julgaste essas coisas,
16:6 pois eles derramaram sangue de santos e profetas, e tu lhes deste sangue para beber.
   Eles o merecem”.
16:7 Ouvi o altar dizer:
 “Sim, Senhor Deus, Todo-Poderoso, verdadeiros e justos são os teus juízos”.
16:8 O quarto derramou a sua taça sobre o sol, e foi permitido ao sol queimar as pessoas com fogo.
16:9 As pessoas foram queimadas por um calor intenso e blasfemaram contra o nome de Deus, que tem autoridade sobre essas pragas. Não se arrependeram para lhe dar glória.
16:10 O quinto derramou a sua taça sobre o trono da besta. O seu reino ficou em trevas, e as pessoas mordiam a língua de dor.
16:11 Blasfemaram contra o Deus do céu por causa das suas dores e das suas chagas, e não se arrependeram das suas obras.
16:12 O sexto derramou a sua taça sobre o grande rio Eufrates, e a sua água secou, para que se preparasse o caminho dos reis que vêm do lado do sol nascente.
16:13 Vi sair da boca do dragão, da boca da besta e da boca do falso profeta três espíritos impuros semelhantes a rãs.
16:14 Pois são espíritos de demônios que fazem sinais e saem ao encontro dos reis do mundo inteiro, para reuni-los para a batalha do grande dia de Deus, o Todo-Poderoso.
16:15 “Eis que venho como ladrão. Bem-aventurado quem vigia e guarda as suas roupas, para que não ande nu e vejam a sua vergonha”.
16:16 E os reuniram no lugar que em hebraico se chama Armagedom.
16:17 O sétimo derramou a sua taça no ar, e saiu do templo uma voz forte, vinda do trono, que dizia: “Está feito!”.
16:18 Houve relâmpagos, vozes e trovões, e um grande terremoto, tão forte e tão grande como nunca tinha ocorrido desde que há seres humanos sobre a terra.
16:19 A grande cidade se dividiu em três partes, e as cidades das nações caíram. Deus se lembrou de Babilônia, a grande, para lhe dar o cálice do vinho do furor da sua ira.
16:20 Todas as ilhas fugiram, e os montes não foram mais encontrados.
16:21 Do céu cai sobre as pessoas uma grande chuva de granizo, com pedras de cerca de trinta e quatro quilos cada uma. As pessoas blasfemaram contra Deus por causa da praga do granizo, pois essa praga é extremamente grande.

Capítulo 17
17:1 Um dos sete anjos que tinham as sete taças veio falar comigo, dizendo: “Venha, mostrarei a você a sentença da grande prostituta que está sentada sobre muitas águas,
17:2 com quem os reis da terra se prostituíram, e com o vinho da sua prostituição se embriagaram os que habitam na terra”.
17:3 Ele me levou no Espírito a um deserto. Vi uma mulher sentada sobre uma besta escarlate, cheia de nomes de blasfêmia, que tinha sete cabeças e dez chifres.
17:4 A mulher estava vestida de púrpura e escarlate, adornada com ouro, pedras preciosas e pérolas. Tinha na mão um cálice de ouro cheio de abominações e das impurezas da sua prostituição.
17:5 Na sua testa havia um nome escrito, um mistério: “Babilônia, a grande, a mãe das prostitutas e das abominações da terra”.
17:6 Vi a mulher embriagada com o sangue dos santos e com o sangue das testemunhas de Jesus. Quando a vi, fiquei profundamente espantado.
17:7 O anjo me disse: “Por que você ficou espantado? Eu lhe direi o mistério da mulher e da besta que a carrega, a que tem as sete cabeças e os dez chifres.
17:8 A besta que você viu existia e não existe; está para subir do abismo e vai para a perdição. Os que habitam na terra, cujo nome não está escrito no livro da vida desde a fundação do mundo, ficarão espantados ao ver a besta, pois ela existia, não existe e voltará a estar presente.
17:9 Aqui se requer uma mente que tenha sabedoria. As sete cabeças são sete montes sobre os quais a mulher está sentada. São também sete reis:
17:10 cinco caíram, um existe e o outro ainda não veio. Quando vier, deverá permanecer por pouco tempo.
17:11 A besta que existia e não existe é também um oitavo rei, pertence aos sete e vai para a perdição.
17:12 Os dez chifres que você viu são dez reis que ainda não receberam um reino, mas recebem autoridade como reis durante uma hora, juntamente com a besta.
17:13 Eles têm um mesmo propósito e entregam o seu poder e a sua autoridade à besta.
17:14 Eles farão guerra contra o Cordeiro, mas o Cordeiro os vencerá, pois é Senhor dos senhores e Rei dos reis. Os que estão com ele são chamados, eleitos e fiéis”.
17:15 E ele me diz: “As águas que você viu, onde a prostituta está sentada, são povos, multidões, nações e línguas.
17:16 Os dez chifres que você viu e a besta odiarão a prostituta. Eles a deixarão desolada e nua, comerão as suas carnes e a queimarão inteiramente no fogo.
17:17 Pois Deus pôs no coração deles que cumprissem o seu propósito, que tivessem um mesmo propósito e entregassem o seu reino à besta, até que se cumpram as palavras de Deus.
17:18 A mulher que você viu é a grande cidade que reina sobre os reis da terra”.

Capítulo 18
18:1 Depois dessas coisas, vi outro anjo que descia do céu, com grande autoridade, e a terra foi iluminada pela sua glória.
18:2 Ele gritou com voz poderosa:
 “Caiu, caiu Babilônia, a grande!
   Ela se tornou morada de demônios, abrigo de todo espírito impuro, abrigo de toda ave impura e abrigo de toda fera impura e detestada,
18:3 pois todas as nações caíram por causa do vinho da paixão da sua prostituição.
   Os reis da terra se prostituíram com ela, e os comerciantes da terra enriqueceram com a força do seu luxo desenfreado”.

18:4 Ouvi outra voz do céu, que dizia:
 “Saiam dela, povo meu, para que não participem dos seus pecados nem recebam das suas pragas,
18:5 pois os seus pecados se amontoaram até o céu, e Deus se lembrou das suas injustiças.
18:6 Retribuam a ela como ela retribuiu, e deem-lhe em dobro conforme as suas obras.
   No cálice em que ela preparou a bebida, preparem para ela o dobro.
18:7 Na mesma medida em que ela se glorificou e viveu no luxo, deem-lhe tormento e luto, pois diz no seu coração: ‘Estou sentada como rainha, não sou viúva e jamais conhecerei o luto’.
18:8 Por isso, em um só dia virão as suas pragas: morte, luto e fome.
   Ela será inteiramente queimada no fogo, pois poderoso é o Senhor Deus que a julgou”.
18:9 Os reis da terra que se prostituíram com ela e compartilharam o seu luxo chorarão e se lamentarão por ela quando virem a fumaça do seu incêndio.
18:10 Eles ficarão de longe, por medo do seu tormento, dizendo:
 “Ai, ai de você, grande cidade, Babilônia, cidade poderosa!
   Em uma só hora chegou o seu juízo!”.
18:11 Os comerciantes da terra choram e se lamentam por ela, pois ninguém mais compra as suas mercadorias:
18:12 mercadorias de ouro, prata, pedras preciosas, pérolas, linho fino, púrpura, seda e escarlate; toda espécie de madeira aromática, todo objeto de marfim e todo objeto de madeira muito preciosa, de bronze, ferro e mármore;
18:13 canela, especiarias, incenso, unguento perfumado, olíbano, vinho, azeite, farinha fina, trigo, gado e ovelhas; cavalos, carros, escravos e vidas humanas.
18:14 “Os frutos que a sua alma desejava se afastaram de você.
   Tudo o que era luxuoso e esplêndido desapareceu de você, e nunca mais encontrarão essas coisas”.
18:15 Os comerciantes dessas coisas, que enriqueceram à custa dela, ficarão de longe por medo do seu tormento, chorando e se lamentando,
18:16 dizendo:
 “Ai, ai da grande cidade, que estava vestida de linho fino, púrpura e escarlate, adornada com ouro, pedras preciosas e pérolas!
18:17 Em uma só hora foi devastada tamanha riqueza!”.
 Todos os capitães, todos os que navegam de um lugar a outro, os marinheiros e todos os que trabalham no mar se puseram de longe
18:18 e, vendo a fumaça do seu incêndio, gritaram:
 “Que cidade é semelhante à grande cidade?”.
18:19 Lançaram pó sobre a cabeça e gritaram, chorando e se lamentando:
 “Ai, ai da grande cidade, na qual todos os que tinham navios no mar enriqueceram com a sua opulência!
   Em uma só hora ela foi devastada!”.

18:20 Alegre-se por causa dela, ó céu!
   Alegrem-se também, santos, apóstolos e profetas, pois Deus julgou a causa de vocês contra ela!

18:21 Um anjo poderoso levantou uma pedra semelhante a uma grande pedra de moinho e a lançou no mar, dizendo:
 “Assim será lançada com violência Babilônia, a grande cidade, e nunca mais será encontrada.
18:22 Nunca mais se ouvirá em você o som de harpistas, músicos, flautistas e trompetistas.
   Nunca mais se encontrará em você artesão de ofício algum, e nunca mais se ouvirá em você o som do moinho.
18:23 Nunca mais brilhará em você a luz de uma lamparina, e nunca mais se ouvirá em você a voz do noivo e da noiva.
   Pois os seus comerciantes eram os grandes da terra, e pela sua feitiçaria foram enganadas todas as nações.
18:24 Nela foi encontrado sangue de profetas e de santos, e de todos os que foram mortos sobre a terra”.

Capítulo 19
19:1 Depois dessas coisas, ouvi como que a voz forte de uma grande multidão no céu, dizendo:
 “Aleluia! A salvação, a glória e o poder pertencem ao nosso Deus,
19:2 pois verdadeiros e justos são os seus juízos.
   Ele julgou a grande prostituta que corrompia a terra com a sua prostituição e vingou nela o sangue dos seus servos”.
19:3 Pela segunda vez disseram:
 “Aleluia! A fumaça dela sobe pelos séculos dos séculos”.
19:4 Os vinte e quatro anciãos e os quatro seres viventes se prostraram e adoraram a Deus, que está sentado no trono, dizendo:
 “Amém! Aleluia!”.

19:5 Do trono saiu uma voz que dizia:
 “Louvem o nosso Deus, todos os seus servos e os que o temem, pequenos e grandes”.
19:6 Ouvi como que a voz de uma grande multidão, como o som de muitas águas e como o som de fortes trovões, dizendo:
 “Aleluia! Pois reina o Senhor Deus, o Todo-Poderoso.
19:7 Alegremo-nos e exultemos, e lhe daremos a glória, pois chegaram as bodas do Cordeiro, e a sua esposa se preparou.
19:8 Foi-lhe concedido vestir-se de linho fino, resplandecente e puro”. Pois o linho fino são os atos de justiça dos santos.
19:9 E ele me diz: “Escreva: ‘Bem-aventurados os convidados para a ceia das bodas do Cordeiro’”. E me diz: “Estas são palavras verdadeiras de Deus”.
19:10 Caí aos seus pés para adorá-lo, mas ele me diz: “Não faça isso! Sou servo como você e como os seus irmãos que têm o testemunho de Jesus. Adore a Deus, pois o testemunho de Jesus é o espírito da profecia”.
19:11 Vi o céu aberto e um cavalo branco. Aquele que o monta se chama Fiel e Verdadeiro, e julga e guerreia com justiça.
19:12 Os seus olhos são uma chama de fogo, e na sua cabeça há muitos diademas. Ele tem um nome escrito que ninguém conhece, a não ser ele mesmo.
19:13 Está vestido com um manto embebido em sangue, e o seu nome é a Palavra de Deus.
19:14 Os exércitos que estão no céu o seguiam em cavalos brancos, vestidos de linho fino, branco e puro.
19:15 Da sua boca sai uma espada afiada para com ela atingir as nações. Ele as governará com uma vara de ferro e pisa o lagar do vinho do furor da ira de Deus, o Todo-Poderoso.
19:16 No seu manto e na sua coxa, tem um nome escrito: “Rei dos reis e Senhor dos senhores”.
19:17 Vi um anjo de pé no sol, e ele gritou em alta voz a todas as aves que voam no meio do céu: “Venham, reúnam-se para a grande ceia de Deus,
19:18 para comer carne de reis, carne de comandantes militares, carne de poderosos, carne de cavalos e dos seus cavaleiros, e carne de todos, livres e escravos, pequenos e grandes”.
19:19 Vi a besta, os reis da terra e os seus exércitos reunidos para fazer guerra contra aquele que monta o cavalo e contra o seu exército.
19:20 A besta foi capturada, e com ela o falso profeta que tinha feito os sinais na sua presença, com os quais enganou os que receberam a marca da besta e os que adoravam a sua imagem. Os dois foram lançados vivos no lago de fogo que arde com enxofre.
19:21 Os demais foram mortos pela espada que saiu da boca daquele que monta o cavalo, e todas as aves se fartaram das suas carnes.

Capítulo 20
20:1 Vi um anjo que descia do céu, com a chave do abismo e uma grande corrente na mão.
20:2 Ele agarrou o dragão, a antiga serpente, que é o Diabo e Satanás, e o amarrou por mil anos.
20:3 Lançou-o no abismo, fechou-o e pôs um selo sobre ele, para que não enganasse mais as nações até que se completassem os mil anos. Depois dessas coisas, ele deve ser solto por pouco tempo.
20:4 Vi tronos, e aos que se sentaram neles foi dada autoridade para julgar. Vi também as almas dos que tinham sido decapitados por causa do testemunho de Jesus e da palavra de Deus, e os que não tinham adorado a besta nem a sua imagem, e não tinham recebido a marca na testa nem na mão. Eles voltaram à vida e reinaram com Cristo durante mil anos.
20:5 Os demais mortos não voltaram à vida até que se completassem os mil anos. Esta é a primeira ressurreição.
20:6 Bem-aventurado e santo quem tem parte na primeira ressurreição. Sobre estes a segunda morte não tem autoridade, mas serão sacerdotes de Deus e de Cristo, e reinarão com ele durante mil anos.
20:7 Quando se completarem os mil anos, Satanás será solto da sua prisão
20:8 e sairá para enganar as nações que estão nos quatro cantos da terra, Gogue e Magogue, a fim de reuni-las para a batalha. O seu número é como a areia do mar.
20:9 Avançaram pela vastidão da terra e cercaram o acampamento dos santos e a cidade amada. Desceu fogo do céu e os devorou.
20:10 O diabo que os enganava foi lançado no lago de fogo e enxofre, onde também estão a besta e o falso profeta. Serão atormentados dia e noite pelos séculos dos séculos.
20:11 Vi um grande trono branco e aquele que estava sentado nele. Da sua presença fugiram a terra e o céu, e não se encontrou lugar para eles.
20:12 Vi os mortos, grandes e pequenos, de pé diante do trono. Foram abertos livros, e foi aberto outro livro, o da vida. Os mortos foram julgados segundo as suas obras, conforme o que estava escrito nos livros.
20:13 O mar entregou os mortos que nele havia, e a morte e o Hades entregaram os mortos que neles havia. Cada um foi julgado segundo as suas obras.
20:14 A morte e o Hades foram lançados no lago de fogo. Esta é a segunda morte: o lago de fogo.
20:15 Quem não foi encontrado inscrito no livro da vida foi lançado no lago de fogo.

Capítulo 21
21:1 Vi um céu novo e uma terra nova, pois o primeiro céu e a primeira terra passaram, e o mar já não existe.
21:2 Vi a cidade santa, a nova Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus, preparada como uma noiva adornada para o seu marido.
21:3 Ouvi uma voz forte que vinha do trono e dizia:
 “Eis que a tenda de Deus está entre os seres humanos!
   Ele habitará com eles, eles serão os seus povos, e o próprio Deus estará com eles.
21:4 Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima.
   Não haverá mais morte, nem luto, nem clamor, nem dor.
   As primeiras coisas passaram”.
21:5 Aquele que estava sentado no trono disse: “Eis que faço novas todas as coisas”. E diz: “Escreva, pois estas palavras são fiéis e verdadeiras”.
21:6 Ele me disse: “Cumpriram-se! Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. A quem tem sede darei gratuitamente da fonte da água da vida.
21:7 Quem vencer herdará essas coisas. Eu serei o seu Deus, e ele será meu filho.
21:8 Mas os covardes, os incrédulos, os abomináveis, os assassinos, os que praticam imoralidade sexual, os feiticeiros, os idólatras e todos os mentirosos terão a sua parte no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte”.
21:9 Um dos sete anjos que tinham as sete taças cheias das sete últimas pragas veio falar comigo, dizendo: “Venha, mostrarei a você a noiva, a esposa do Cordeiro”.
21:10 Ele me levou no Espírito a um monte grande e alto, e me mostrou a cidade santa, Jerusalém, que descia do céu, da parte de Deus,
21:11 com a glória de Deus. O seu resplendor era semelhante a uma pedra muito preciosa, como uma pedra de jaspe, transparente como cristal.
21:12 Ela tinha um muro grande e alto, com doze portas. Nas portas havia doze anjos e nomes escritos, os das doze tribos dos filhos de Israel.
21:13 A leste havia três portas; ao norte, três portas; ao sul, três portas; e a oeste, três portas.
21:14 O muro da cidade tinha doze fundamentos, e sobre eles estavam os doze nomes dos doze apóstolos do Cordeiro.
21:15 Aquele que falava comigo tinha um caniço de ouro para medir a cidade, as suas portas e o seu muro.
21:16 A cidade tem a forma de um quadrado, e o seu comprimento é igual à largura. Ele mediu a cidade com o caniço: dois mil duzentos e vinte quilômetros. O comprimento, a largura e a altura dela são iguais.
21:17 Ele mediu também o seu muro: sessenta e cinco metros, segundo a medida humana, que é também a do anjo.
21:18 O seu muro era construído de jaspe, e a cidade era de ouro puro, semelhante a vidro puro.
21:19 Os fundamentos do muro da cidade estavam adornados com toda espécie de pedras preciosas. O primeiro fundamento era jaspe; o segundo, safira; o terceiro, calcedônia; o quarto, esmeralda;
21:20 o quinto, sardônica; o sexto, cornalina; o sétimo, crisólito; o oitavo, berilo; o nono, topázio; o décimo, crisópraso; o décimo primeiro, jacinto; e o décimo segundo, ametista.
21:21 As doze portas eram doze pérolas; cada porta era feita de uma só pérola. A rua da cidade era de ouro puro, como vidro transparente.
21:22 Não vi templo nela, pois o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, e o Cordeiro são o seu templo.
21:23 A cidade não precisa do sol nem da lua para iluminá-la, pois a glória de Deus a iluminou, e o Cordeiro é a sua lâmpada.
21:24 As nações andarão à sua luz, e os reis da terra levam a ela a sua glória.
21:25 As suas portas jamais se fecharão de dia, pois ali não haverá noite.
21:26 E levarão a ela a glória e a honra das nações.
21:27 Nunca entrará nela coisa alguma impura, nem quem pratica abominação ou mentira, mas somente os que estão inscritos no livro da vida do Cordeiro.

Capítulo 22
22:1 Ele me mostrou um rio de água da vida, resplandecente como cristal, que sai do trono de Deus e do Cordeiro
22:2 no meio da rua da cidade. De um lado e do outro do rio está a árvore da vida, que produz doze colheitas de frutos, dando o seu fruto a cada mês. As folhas da árvore são para a cura das nações.
22:3 Nunca mais haverá maldição alguma. O trono de Deus e do Cordeiro estará na cidade, e os seus servos o servirão.
22:4 Eles verão o seu rosto, e o seu nome estará na testa deles.
22:5 Não haverá mais noite. Eles não precisam de luz de lamparina nem de luz do sol, pois o Senhor Deus os iluminará, e reinarão pelos séculos dos séculos.
22:6 Ele me disse: “Estas palavras são fiéis e verdadeiras. O Senhor, o Deus dos espíritos dos profetas, enviou o seu anjo para mostrar aos seus servos o que deve acontecer em breve”.
22:7 “Eis que venho em breve. Bem-aventurado quem guarda as palavras da profecia deste livro”.
22:8 Eu, João, sou quem ouve e vê essas coisas. Quando as ouvi e vi, caí aos pés do anjo que me mostrava essas coisas, para adorá-lo.
22:9 Mas ele me diz: “Não faça isso! Sou servo como você, como os seus irmãos, os profetas, e como os que guardam as palavras deste livro. Adore a Deus”.
22:10 E ele me diz: “Não sele as palavras da profecia deste livro, pois o tempo está próximo.
22:11 Que o injusto continue a praticar injustiça; que o impuro continue na impureza; que o justo continue a praticar a justiça; e que o santo continue sendo santificado”.
22:12 “Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para retribuir a cada um segundo a sua obra.
22:13 Eu sou o Alfa e o Ômega, o primeiro e o último, o princípio e o fim”.
22:14 Bem-aventurados os que lavam as suas túnicas, para que tenham direito à árvore da vida e entrem na cidade pelas portas.
22:15 Fora estão os cães, os feiticeiros, os que praticam imoralidade sexual, os assassinos, os idólatras e todo aquele que ama e pratica a mentira.
22:16 “Eu, Jesus, enviei o meu anjo para dar testemunho dessas coisas a vocês, para as igrejas. Eu sou a Raiz e a descendência de Davi, a estrela resplandecente da manhã”.
22:17 O Espírito e a noiva dizem: “Vem!”.
   Quem ouve diga: “Vem!”.
   Quem tem sede venha, e quem quiser receba gratuitamente a água da vida.
22:18 Eu dou testemunho a todo aquele que ouve as palavras da profecia deste livro: se alguém acrescentar algo a essas coisas, Deus lhe acrescentará as pragas escritas neste livro.
22:19 Se alguém tirar algo das palavras do livro desta profecia, Deus tirará a sua parte da árvore da vida e da cidade santa, descritas neste livro.
22:20 Aquele que dá testemunho dessas coisas diz: “Sim, venho em breve”. Amém. Vem, Senhor Jesus!
22:21 A graça do Senhor Jesus seja com todos.